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Numero do processo: 19515.006820/2008-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
DESPESA NECESSÁRIA. COMPROVAÇÃO. 299, RIR/1999. NOTAS FISCAIS GENÉRICAS.
A apresentação de notas fiscais genéricas é insuficiente para afastar a glosa de despesa, pois não atesta a sua necessidade, usualidade e normalidade, na forma exigida pelo artigo 299, do RIR/1999.
Numero da decisão: 9101-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à glosa de despesas com engenharia e consultoria e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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COMPROVAÇÃO. 299, RIR/1999. NOTAS FISCAIS GENÉRICAS. A apresentação de notas fiscais genéricas é insuficiente para afastar a glosa de despesa, pois não atesta a sua necessidade, usualidade e normalidade, na forma exigida pelo artigo 299, do RIR/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à glosa de despesas com engenharia e consultoria e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 68 20 /2 00 8- 07 Fl. 2420DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência (fl. 2288) interposto pelo Contribuinte em epígrafe contra o Acórdão nº 1302001.160, (fl. 1154), que deu parcial provimento ao seu Recurso Voluntário, mantendo o lançamento: (i) relativo a glosa de despesas com royalties e assistência técnica, por ausência de registro no BACEN dos respectivos contratos; e (ii) relativo à glosa de despesas com engenharia e consultoria, por serem as notas fiscais e contratos respectivos genéricos. Sobre a glosa de despesas com assistência técnica e royalties pagos a beneficiários domiciliado no exterior, decidiu a Turma a quo, por unanimidade, que a legislação tributária exige o registro no BACEN dos contratos de assistência técnica ou de royalties, sendo requisito essencial para a dedutibilidade das respectivas importâncias (arts. 353 e 354, do RIR/99). Extraise, ainda, do voto do relator a seguinte passagem: "no caso em tela, concordo com o exposto no acórdão ora recorrido, no sentido de que, no presente processo administrativo fiscal, inexiste comprovação de registro no BACEN de contrato de assistência técnica ou de royalties, e que, no tocante aos contratos de câmbio (fls. 308/317), não é possível relacionálos com o contrato firmado com a empresa NIPPON(fls. 297/306)." Sobre a glosa de despesas com engenharia e consultoria , restou decidido que o Contribuinte "tenta comprovar despesas com notas fiscais e contratos genéricos, dos quais não se pode extrair os reais serviços envolvidos, logo, apenas por tais documentos não se pode dizer que os serviços foram prestados nem, muito menos, se eles eram necessários para a recorrente". Sobre tal glosa, ainda, foi mencionado que pelo caráter genérico das notas fiscais e contratos "tais despesas não se tornam automaticamente indedutíveis, mas, apenas há a inversão do ônus da prova, pois caberia à recorrente apresentar documentos que comprovassem a efetiva prestação do serviço, por exemplo, um relatório ou parecer produzido, à época da vigência do respectivo contrato, pelas consultorias e assessorias acima indicadas, mas isso não logrou fazer". Por fim, conclui o Redator do voto vencedor que: "é imperioso que notas fiscais e, muito mais ainda contratos de prestação de serviços, discriminem o seu objeto, sob pena de serem documentos ineficazes para o fim a que se destinam. Assim, são inaceitáveis notas fiscais cuja discriminação dos serviços conste apenas “prestação de serviços” (vide, v.g. Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 19515.006820/200807 Acórdão n.º 9101003.010 CSRFT1 Fl. 2.421 3 doc. a fls. 1006) ou então, “serviços de consultoria” (vide, v.g. doc. a fls. 1039), ou ainda, “prestação de serviços relativa mês de setembro/03” (vide, v.g. doc. a fls. 1066), o que poderia ser sanado se os contratos fossem idôneos, mas, pelo contrario, nada descrevem, se não vejamos, como exemplo o contrato a fls. 1054, cujo objeto está assim descrito: “O CONTRATADO prestará serviços de processamento eletrônico de dados”. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou petição informando que não apresentaria Recurso Especial. Já o Contribuinte, cientificado da decisão apresentou Recurso Especial, trazendo paradigmas e razões objetivando a reforma da decisão no que toca às duas matérias. Em sua peça o Contribuinte, antes de adentrar o mérito da questão, pugna pela nulidade da decisão recorrida, ao argumento de não terem sido apreciados os documentos e argumentos por ele trazidos aos autos, notadamente as notas fiscais e o contrato de prestação de serviços celebrado com prestador residente no Japão. Sobre a contratação que originou as remessas ao exterior alega que a prestação contratada não se trata de serviço com transferência de tecnologia, e que o objeto não está incluído no rol de serviços registráveis junto ao INPI. Sobre as contratações de serviços considerados desnecessários, dada a característica genérica das notas e dos contratos, alega que não foi realizada a devida investigação por parte da fiscalização, nem atendido pedido de diligência solicitado, de modo que a lavratura ao Auto de Infração e a decisão a quo admitiram o lançamento com base em presunção. Em relação ao mérito, no que toca à glosa de despesas com a contratação de serviços cujas notas fiscais e contratos foram considerados genéricos, alega o Contribuinte: ü Que não existem ou não foram suscitados quaisquer indícios de que os serviços não foram prestados ou que sejam desnecessários às suas atividades; ü Que embora a exigência de formalidades exageradas seja a única motivação da decisão recorrida, no caso, não foi tomada pela fiscalização qualquer providência para se buscar detalhes sobre o quanto contratado, nem foi exigido pelos julgadores, declarações e documentos, inclusive das empresas contratadas, para verificar o que entende ser necessário; ü Que possui meios que conferem acesso a declarações, documentos e outros dados fornecidos pelos prestadores de serviço em questão. Já no que toca a glosa de despesas com assistência técnica e royalties alega o Contribuinte: ü Que valores remetidos ao exterior para pagamento de serviços de assistência técnica com transferência de tecnologia ou royalties, para que tenham garantida sua dedutibilidade é necessário que o contrato esteja registrado no BACEN e no INPI; Fl. 2422DF CARF MF 4 ü No caso dos autos, entretanto, não foi verificado pela fiscalização e pelos julgadores a quo que os serviços contratados não trazem em sua natureza a transferência de tecnologia, muito menos de direitos de patente ou licenças de propriedade industrial, intelectual, etc, de modo que para tal contrato não há necessidade de registro no BACEN Na análise de admissibilidade do Recurso foi dado seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte. A Fazenda apresentou contrarrazões, pedindo o não provimento do Recurso. Nada contestou em relação à sua admissibilidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do recurso do contribuinte, entendo prudente o debate quanto à matéria dedutibilidade das despesas com serviços sem transferência de tecnologia. Como já mencionado, sobre tal matéria a decisão recorrida manteve a glosa de despesas com assistência técnica e royalties pagos a beneficiários domiciliado no exterior, ao fundamento de que a legislação tributária exige o registro no BACEN dos contratos de assistência técnica ou de royalties, sendo requisito essencial para a dedutibilidade das respectivas importâncias. O acórdão recorrido se fundou nos artigo 354, do RIR/99, que tem como matriz legal o artigo 52, da Lei 4.506/64, que trata dos requisitos para a dedutibilidade das importâncias pagas a pessoas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, trazendo, dentre eles, em seu inciso I, o requisito de que constem de contrato registrado no BACEN. Já o acórdão trazido como paradigma concluiu apenas pela desnecessidade de registro no INPI dos contratos de serviços técnicos que não envolvem transferência de tecnologia, nos seguintes termos: Da leitura dos quadros acima, constatase que os serviços acima descritos, constatase que os serviços são de consultoria, que evidentemente não envolvem mesmo transferência de tecnologia, tanto assim não são serviços registráveis no INPI, tal qual se extrai do sitio do órgão na internet (http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/pastaoquee/serv. dispensadoshtml): Formei pleno convencimento da veracidade dessas alegações em face dos contratos, relatórios de viagens e visitas, bem como comprovantes de despesas anexados pela RECORRENTE em sua impugnação, às fls. 718 e seguintes. Importante frisar que a exigência para registro no INPI consta do artigo 355, §3º, do RIR/99, onde se determina que a dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 19515.006820/200807 Acórdão n.º 9101003.010 CSRFT1 Fl. 2.422 5 pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. A meu ver o que fez a regra acima foi apenas trazer um requisito a mais para as hipótese em que há transferência de tecnologia. Mas ela não retira a obrigatoriedade de registro no BACEN para as hipótese em que não há transferência de tecnologia. Nesse contexto, entendo não ter se desincumbido o Contribuinte do dever de demonstrar a divergência na interpretação da regra jurídica, para ter seu recurso admitido quanto a esse ponto. pois o acórdão paradigma nada trata quanto ao registro no BACEN. Nesse contexto, entendo que o Recurso deve ser parcialmente admitido, apenas em relação à segunda matéria, qual seja: glosa de despesas com engenharia e consultoria, por serem as notas fiscais e contratos respectivos genéricos. Quanto à matéria conhecida, entendo que o Relator da decisão a quo bem se posicionou, senão vejamos: No caso, o AFRFB glosou as despesas da recorrente relacionadas com a contratação de serviços de: (i) Coordenação e consultoria na área de engenharia das empresas(AMCE Engenharia S/C Ltda, MHW Engenharia S/C Ltda, GCA Engenharia S/C Ltda, Dosiertechnik Engenheiros e Consultores S/C Ltda, SRC Engenharia e Consultoria S/C Ltda, ICY Engenharia S/C Ltda, KFK Engenharia e Consultoria S/C Ltda, EMROD Engenharia S/C Ltda, Rhama Engenharia S/C Ltda); (ii) Inspeção da empresa (Meitec Serviços de Inspeção Ltda); (iii) Instalações elétrica e hidráulica da empresa (LMO Instalações Elétrica e Hidráulica Ltda); (iv) Assessoria comercial da empresa (Segatti Representações Com. S/C Ltda); (v) Consultoria financeira das empresas (Escaleira Consultoria S/C Ltda eJulio Escaleira Agostinho ME); (vi) Processamento eletrônico da empresa (Bernhard & Hernandez S/C Ltda); (vii) Digitação da empresa (DNB Serviços Ltda ME). (...) Para a atividade de controle ambiental, que é o caso da recorrente, as despesas com coordenação e consultoria de engenharia, inspeção e instalação elétrica e hidráulica são Fl. 2424DF CARF MF 6 necessárias a sua atividade operacional, pois referidas despesas estão diretamente relacionadas ao objeto social da recorrente, qual seja, prestação de serviço de engenharia civil e mecânica; montagem, instalações e assistência técnica de equipamentos e sistemas eletromecânicos e de instrumentação; e execução por administração, empreitada ou subempreitada de construção civil, obras hidráulicas e outras semelhantes. (...) Noutro sentir, conforme demonstra o termo de verificação fiscal (fls. 163/173), o AFRFB destacou que as notas fiscais de serviços e os contratos de prestação de serviços, apresentados pela recorrente ao presente processo administrativo fiscal, são genéricos, sem especificação ou detalhamento. Todavia, o fato das notas fiscais e dos contratos de serviços serem genéricos não retira a necessidade dos serviços. Desde que constem as informações essenciais, como o nome do tomador do serviço, o nome da tomadora do serviço e o valor do serviço prestado, os documentos sem algumas das informações não são fatores que desqualificam a operação que o documento embasa. (...) E, insta esclarecer que em nenhum momento, no presente processo administrativo, o AFRFB realizou diligências mais profundas quanto à efetividade da prestação dos serviços contratados pela recorrente. Por exemplo, a simples circularização em face das empresas prestadoras dos referidos serviços seria útil para obter maiores informações. Entendo que os documentos juntados pela recorrente (notas fiscais de prestação de serviços e contratos de serviços) são meios idôneos para comprovar a efetiva prestação dos serviços contratados. Destarte, as despesas glosadas pelo AFRFB, acima mencionadas, são necessárias à atividade da recorrente. Penso que inverter o ônus da prova, sem que qualquer diligência mais detalhada tenha sido realizada seria transferir o trabalho de fiscalização paro o Contribuinte, sem a necessária previsão legal para tanto. A meu ver os contratos e notas juntados aos presentes autos deixam evidente a contratação de serviços diversos, ligados à atividade da Contribuinte. Apesar de não constar o detalhamento da atividade desenvolvida, o gênero ficou delineado. Logo, não se pode presumir que tais serviços são desnecessários. Sempre que o lançamento é realizado por presunção, há lei assim permitindo. O que não é o caso. Portanto, entendo que cabe razão ao contribuinte quanto à dedutibilidade das despesas com serviços. Por essas razões, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte quanto à matéria conhecida. Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 19515.006820/200807 Acórdão n.º 9101003.010 CSRFT1 Fl. 2.423 7 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia, entendo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte no que se refere ao tema admitido por esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com efeito, prescreve o artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. A dedutibilidade de despesa depende da sua necessidade, usualidade e normalidade, nos termos do artigo 299, critérios que devem ser demonstrados pelo contribuinte, seja no curso da fiscalização, seja no curso do contencioso administrativo. No entanto, o contribuinte não se desincumbiu da prova que confirmasse a alegação de cumprimento dos requisitos do artigo 299, do RIR/1999. Adoto, nesse sentido, as razões do voto vencedor no acórdão recorrido, que acompanhei à ocasião daquele julgamento: Tratase no presente caso de situação em que o recorrente tenta comprovar despesas com notas fiscais e contratos genéricos, dos quais não se pode extrair os reais serviços envolvidos, logo, apenas por tais documentos não se pode dizer que os serviços foram prestados nem, muito menos, se eles eram necessários para a recorrente. Peço vênia, para repetir o que já foi dito pelo Relator, ou seja, que eram esses os objetos do contratos: (i) Coordenação e consultoria na área de engenharia das empresas(AMCE Engenharia S/C Ltda, MHW Engenharia S/C Ltda, GCA Engenharia S/C Ltda, Dosiertechnik Engenheiros e Consultores S/C Ltda, SRC Engenharia e Consultoria S/C Ltda, ICY Engenharia S/C Ltda, KFK Engenharia e Consultoria S/C Fl. 2426DF CARF MF 8 Ltda, EMROD Engenharia S/C Ltda, Rhama Engenharia S/C Ltda); (ii) Inspeção da empresa (Meitec Serviços de Inspeção Ltda); (iii) Instalações elétrica e hidráulica da empresa (LMO Instalações Elétrica e Hidráulica Ltda); (iv) Assessoria comercial da empresa (Segatti Representações Com. S/C Ltda); (v) Consultoria financeira das empresas (Escaleira Consultoria S/C Ltda e Julio Escaleira Agostinho ME); (vi) Processamento eletrônico da empresa (Bernhard & Hernandez S/C Ltda); (vii) Digitação da empresa (DNB Serviços Ltda ME). Em que consistia a coordenação, a consultoria, a inspeção, a assessoria comercial, a digitação da empresa etc? Pelos documentos acostados aos autos não se pode responder a tais indagações. Por outro lado, só por isso, tais despesas não se tornam automaticamente indedutíveis, mas, apenas há a inversão do ônus da prova, pois caberia à recorrente apresentar documentos que comprovassem a efetiva prestação do serviço, por exemplo, um relatório ou parecer produzido, à época da vigência do respectivo contrato, pelas consultorias e assessorias acima indicadas, mas isso não logrou fazer. Nesse ponto, reside, com a devida vênia, o equívoco no entendimento exarado no precedente deste CARF aduzido pelo Relator, pois, com a inversão do ônus da prova, não cabia aos autuantes se aprofundarem na auditoria, mas competia à recorrente apresentar outros documentos que pudessem comprovar a natureza e a efetiva prestação do serviço. Divirjo também do ilustre Relator quando sustenta que basta que constem, nas notas fiscais e contratos, as informações essenciais, como o nome do tomador do serviço, o nome da tomadora do serviço e o valor do serviço prestado. Ora, é imperioso que notas fiscais e, muito mais ainda contratos de prestação de serviços, discriminem o seu objeto, sob pena de serem documentos ineficazes para o fim a que se destinam. Assim, são inaceitáveis notas fiscais cuja discriminação dos serviços conste apenas “prestação de serviços” (vide, v.g. doc. a fls. 1006) ou então, “serviços de consultoria” (vide, v.g. doc. a fls. 1039), ou ainda, “prestação de serviços relativa mês de setembro/03” (vide, v.g. doc. a fls. 1066), o que poderia ser sanado se os contratos fossem idôneos, mas, pelo contrario, nada descrevem, se não vejamos, como exemplo o contrato a fls. 1054, cujo objeto está assim descrito: “O CONTRATADO prestará serviços de processamento eletrônico de dados”. Assim, concluo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto ao tema conhecido por esta Turma. Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 19515.006820/200807 Acórdão n.º 9101003.010 CSRFT1 Fl. 2.424 9 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2428DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724561/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
TEMPESTIVIDADE.
Sem que haja intimação válida e eficaz conforme o art. 23. do Decreto 70.235/72, considera-se válida a intimação somente a partir do momento em que o contribuinte toma ciência do conteúdo do Acórdão de forma eficiente com a abertura de sua caixa postal, não basta a sua remessa na forma de comunicado (documento com caráter meramente informativo, sem trava de funcionamento do sistema), já que este procedimento prejudica de certa maneira a ciência eficiente do contribuinte, quanto ao início do prazo recursal.
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO.
Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão.
Quanto a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200, entendo que ela somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto.
Numero da decisão: 1401-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Ailton Neves da Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Sem que haja intimação válida e eficaz conforme o art. 23. do Decreto 70.235/72, considerase válida a intimação somente a partir do momento em que o contribuinte toma ciência do conteúdo do Acórdão de forma eficiente com a abertura de sua caixa postal, não basta a sua remessa na forma de comunicado (documento com caráter meramente informativo, sem trava de funcionamento do sistema), já que este procedimento prejudica de certa maneira a ciência eficiente do contribuinte, quanto ao início do prazo recursal. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Quanto a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200, entendo que ela somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 61 /2 01 4- 72 Fl. 2031DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Ailton Neves da Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10166.724561/201472 Acórdão n.º 1401002.069 S1C4T1 Fl. 2.032 3 Relatório Conta a empresa LPS BRASILIA CONSULTORIA DE IMOVEIS LTDA foi lavrada a autuação de fls. 2 a 13o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 63.975.601,76, consistente em multa regulamentar e juros de mora em razão do não recolhimento de IRRF. Conforme o Relatório Fiscal de folhas 151 a 207, a multa seria devida em decorrência de falta de retenção na fonte de imposto ou contribuição, cujos fatos geradores teriam ocorrido entre 01/01/2010 e 31/12/2011. Enquadramento Legal: art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pelo art. 16 da Lei nº 11.488, de 2007. Acrescido de Juros de Mora exigidos isoladamente por falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2011, nos termos dos artigos 843 e 953 do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Na motivação dos lançamentos, extraemse as observações e argumentos resumidos adiante: A ação fiscal teve início para verificar o cumprimento das obrigações principais e acessórias relativas às contribuições previdenciárias. Porém, no decorrer dos trabalhos, constatou a Fiscalização que a contribuinte não reteve na fonte e nem recolheu o imposto sobre a renda da pessoa física referente às remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de comissão de venda aos profissionais corretores de imóveis e demais pessoas físicas que prestaram serviços no período fiscalizado. Da análise dos documentos obtidos por meio dos procedimentos fiscais em especial os arquivos digitais das folhas de pagamento e da contabilidade, como também das informações e dos esclarecimentos prestados tanto pela empresa fiscalizada quanto pelos compradores, corretores de imóveis, pelas incorporadoras e construtoras diligenciados, em conjunto com os dados constantes na GFIP e na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, DIRF, extraídas dos sistemas informatizados da RFB, a fiscalização constatou que o contribuinte não declarou os pagamentos efetuados a título de comissão/premiação aos profissionais, pessoas físicas, corretor, supervisor, coordenador, diretor e outros que lhe prestaram serviços de comercialização dos imóveis, como também não reteve na fonte nem recolheu o imposto de renda devido no período de 01/2010 a 12/2011. De acordo com o Relatório Fiscal, a contribuinte atendendo às intimações fiscais, declarou que não remunerou os corretores de imóveis porque foram contratados pelos adquirentes das unidades imobiliárias. Contudo, a fiscalização reuniu provas de que os corretores de imóveis prestaram serviços à LPS Brasília e que a administração da empresa planejou, organizou e executou procedimentos para a sua atividade comercial com intuito de afastar a hipóteses de incidência dos tributos e contribuições. Fl. 2033DF CARF MF 4 A atividade preponderante da empresa é a intermediação imobiliária, entretanto, em sua folha de pagamento, não há registros de nenhum profissional competente para a execução da transação imobiliária. Para comprovar a verdadeira relação entre os corretores de imóveis e a empresa em epígrafe, promoveu coleta de noticias e publicações institucionais, circularização junto aos adquirentes e informações obtidas em outros 17 procedimentos fiscais. Os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas a título de comissão/premiação de venda não constaram em folhas de pagamento, nem foram declarados na DIRF, na DIPJ ou GFIP, tampouco, lançados em títulos próprios da contabilidade no período de 01/2010 a 12/2011; Pelo fato do sujeito passivo ter deixado de entregar os principais documentos solicitados e ter prestado esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais pessoas físicas responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes a sua carteira de negócios, fez com que a autoridade administrativa, com fulcro no art. 148 do CTN, Lei n° 5172, de 1966, arbitrasse as remunerações pagas ou creditadas aos corretores autônomos e demais membros das equipes de venda pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à fiscalizada. Em função do comportamento da empresa em não colaborar com a fiscalização, ao deixar de apresentar a documentação comprobatória do valor efetivamente pago a título de comissão/premiação de venda aos corretores de imóveis, a auditoria fiscal não teve outra alternativa senão utilizar o procedimento da Aferição Indireta das remunerações pagas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas responsáveis pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à LPS BRASÍLIA, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de venda recebidos pela fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, anoscalendário 2010 e 2011 e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Porém, no caso em análise, os valores aferidos como remunerações pagas às citadas pessoas físicas ficaram restritos aos valores da receita de intermediação de venda pagos à imobiliária Lopes Royal (Imobiliária LPS Brasília) pelos serviços de alienação de imóveis prestados a diversas incorporadoras e construtoras, conforme dados informados nas planilhas anexas, resultantes da Planilha Consolidada DIMOB 2010 e 2011_LPS Brasília que deram origem as bases de cálculo lançadas. Para a apuração da base de cálculo da multa isolada pela não retenção na fonte do imposto devido IRRF, já que a empresa não informou o nome, o CPF e o valor pago a cada corretor de imóveis, foi aplicado o fator de reajuste do rendimento líquido previsto nos art. 628 e 674, §3° do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3000, de 26/03/1999), para calcular o imposto, sobre o qual recai a multa isolada. Em decorrência do sujeito passivo ter agido, de forma reiterada e consciente, no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores, caracterizando, em tese, a ocorrência de crime de sonegação fiscal e contra a ordem tributária, previstos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, aplicou se a multa qualificada de 150%, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Ante a ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais em conformidade com o que determina a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10166.724561/201472 Acórdão n.º 1401002.069 S1C4T1 Fl. 2.033 5 Impugnado o lançamento foi mantido integralmente pela 3ª Turma da DRJ/BHE, cujo acórdão apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 INTERMEDIAÇÃO DE IMÓVEIS. RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. COMISSÕES DEVIDAS POR EMPRESAS DE INTERMEDIAÇÃO DE IMÓVEIS INCIDENTE SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS POR CORRETORES DE IMÓVEIS. No caso da corretagem de imóveis, ainda que o corretor não esteja vinculado à imobiliária, a sua função é a de intermediar o comprador e a imobiliária (detentora dos direitos sobre as vendas), contribuindo para a obtenção do resultado econômico pretendido pela empresa, a qual, em contraprestação ao serviço que lhe foi efetivamente prestado, remunera o corretor mediante o pagamento de uma comissão, arbitrada com base em percentagem do contrato celebrado. Assim, não há como deixar de reconhecer que as imobiliárias utilizam a intermediação do corretor para a consecução de seus objetivos sociais. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. MULTA ISOLADA. JUROS ISOLADOS. Verificada a falta de retenção após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Farseá o lançamento de oficio fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. Tratandose de aferição indireta, não está a autoridade fiscal presa a apurar o valor do débito em sua exata quantificação, circunstância que só seria possível se o contribuinte apresentasse registros e documentos merecedores de credibilidade. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, no qual há discussão a respeito da tempestividade em razão de arguição de falha sistêmica de intimação eletrônica repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. A fim de esclarecer a falha sistêmica alegada na defesa da tempestividade do recurso, os autos foram baixados em diligência pela Resolução 1401000.399, da qual sobreveio o relatório de fls. , após manifestação da Recorrente, os autos retornaram para julgamento. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 2035DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Juízo de admissibilidade preliminar de tempestividade. Conforme já considerado na Resolução de Diligência, por ser prejudicial das demais questões, antes de adentrar a análise do mérito, sobre a tempestividade do recurso voluntário, importante destacar que o termo de registro de mensagem na caixa postal que “O destinatário recebeu mensagem com acesso aos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 12/05/2015 14:57:18”, conforme atestado à folha 1751. Dessa data, consta a anotação que transcorreuse o prazo de 15 dias in albis sem manifestação do fiscalizado, conforme certificado à fl. 1752 que confirma o decurso do prazo em 27/05/2015 a contar da data da disponibilização em 12/05/2015. Consta também no sistema processual eletrônico que “O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 02/07/2015 13:55h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 12/05/2015 na Caixa Postal” (fls. 1753). Portanto, somente no dia 02/07/2015 a parte fiscalizada acessou sua caixa postal quando já expirado seu prazo recursal. Ao defender a tempestividade do Recurso Voluntário, a Recorrente justificou que: (i) em 01/07/2015, a recebeu (a) notificação por email (alerta de mensagem na Caixa Postal Eletrônica, enviado aos 3 endereços de email cadastrados no sistema e CAC); e (b) mensagem na Caixa Postal Eletrônica, informando que o débito discutido neste processo encontravase em cobrança; (ii) depois de cientificada da cobrança do referido débito, encontrou, na Caixa Postal Eletrônica, documento relativo a decisão desfavorável de primeira instância (acórdão n° 0265.706, proferido pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG ,em 30/04/2015), supostamente postada em 12/05/2015; (iii) acessou o conteúdo do citado documento em 02/07/2015; embora do e CAC conste a informação de que ela teria sido notificada sobre a prolação da decisão de primeira instância por decurso de prazo (assinalado em 27/05/2015), não houve válida intimação por conta de um erro de sistema; (iv) é certo que não é de simples consecução a tarefa de comprovar esta circunstância, pois para tanto se requer a produção de uma prova negativa; nada obstante, existem elementos suficientes para evidenciar que o sistema do eCAC não apresentou, no caso em exame, a confiabilidade mínima que deveria assegurar para que se pudesse tomar como eficaz a intimação por decurso de prazo que, por ora, encontrase assinalada nos autos; Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10166.724561/201472 Acórdão n.º 1401002.069 S1C4T1 Fl. 2.034 7 (v) o malfuncionamento do sistema eCAC, no caso concreto, pode ser verificado, em primeiro lugar, a partir da falta de envio do alerta de mensagem na Caixa Postal Eletrônica (enviado aos 3 endereços de email cadastrados no sistema eCAC), dando conta de que a decisão de primeira instância teria sido disponibilizada; (vi) como se sabe, na página 9 do Manual Simplificado do eProcesso no Portal e CAC, bem como na página virtual da Receita Federal, assegurase ao contribuinte que ele será alertado sobre novidades na Caixa Postal Eletrônica, para que não seja surpreendido por eventuais intimações "presumidas; (vii) prova da falha do sistema, neste particular, decorre. do exame da tabela que evidencia que a Recorrente recebeu (nos endereços de email cadastrados no sistema do eCAC) alguns alertas de mensagem na Caixa Postal Eletrônica, desde 2014, nenhum deles, porém, associado ao presente processo. (viii) o domínio da Receita Federal não estava incluída no controle de anti spam dos servidores da Recorrente. (ix) de mais a mais, uma varredura nos servidores dos emails cadastrados pela Recorrente no eCAC evidencia que, de fato, nenhuma mensagem foi entregue pelo remetentecaixapostal@receita.fazenda.gov.br: (x) tais elementos demonstram que, em 12/05/2015, ou mesmo nos dias anteriores ou seguintes a esta data, nenhum alerta foi emitido; eis o sinal de que algo de anormal acometia o sistema do eCAC neste período; sinal, aliás, forte o bastante para pôr sob suspeita o sistema em questão, o qual, como não se pode negar (sobretudo por quem frequenta o CARF e vê a batalha cotidiana que enfrentam os conselheiros para acessarem o eProcesso), está sujeito a falhas; (xi) outra evidência do malfuncionamento do sistema decorre do fato de que Recorrente acessou o sistema do eCAC em 27/05/2015 e em 30/06/2015, e realizou a emissão de comprovantes de recolhimentos de tributos, conforme provado pelo Doc. 1anexo ao Recurso Voluntário; (xii) contudo, se realmente o acórdão a quo tivesse sido regularmente disponibilizado, como quer fazer crer o termo de ciência ficta constante dos autos, a Recorrente sequer teria conseguido imprimir os comprovantes de recolhimento acima referidos antes de abrir o documento disponibilizado, pois, como sabido, o sistema do eCAC bloqueia o acesso a outras funcionalidades quando há intimação pendente; a existência deste bloqueio, ressaltese, não foi negada pela Fazenda Nacional, e foi reconhecida pelo Acórdão n° 1101001.077; Das alegações acima, verificouse, que a Recorrente empenhouse fortemente em demonstrar a tempestividade de seu recurso, o que evidencia sua diligência no acompanhamento de suas pendências fiscais. Contudo, resta claro que por maior que tenha sido seu esforço existe um limite na produção da prova que à ela era impossível transpor, razão pela qual, através de diligência, requereuse à autoridade fiscal que trouxesse para os autos, informações com o escopo de aferir a real presença de tempestividade ao recurso voluntário interposto. No Relatório de Diligência Fiscal, foram trazidas as seguintes informações: i o contribuinte é optante pelo DTE desde 25/11/2013; Fl. 2037DF CARF MF 8 ii houve o cadastro de três emails e nenhum telefone; iii foi enviado um COMUNICADO em 12/05/2015, em relação à ciência do acórdão, com a primeira leitura em 02/07/2015, Acrescidas dos seguintes esclarecimentos quanto ao funcionamento do DTE em relação a modalidade de notificação: c) Existem duas formas de “notificação”: 1) do tipo COMUNICADO (mensagem de caráter informativo, sem exigência de opção ao DTE, não gera alerta); 2) do tipo INTIMAÇÃO (exige prazo para manifestação, deve ser optante pelo DTE, mensagem classificada como importante, gera alerta e bloqueio do e CAC). Como a notificação, em relação à ciência do acórdão, foi envidada como COMUNICADO a página inicial do Portal eCAC não estava bloqueada. d) Não existe acesso ao sistema de emails vinculados à caixa postal. Ao aderir ao DTE, o contribuinte autoriza a Administração Tributária a enviar mensagens de comunicações de atos oficiais para a Caixa Postal eletrônica disponibilizada no eCAC. Para as mensagens classificados como importantes é gerado o envio de alertas para os contribuintes que cadastraram emails e/ou SMS e é feito o bloqueio do e CAC até a leitura da mensagem. A RFB não condiciona a opção pelo DTE ao cadastramento de celular e e mails, isso é optativo e meramente auxiliar ao contribuinte. A RFB não assume a obrigação do envio do SMS ou email e adverte o contribuinte de que não tem como se comprometer com o serviço das operadoras ou dos provedores de telefonia. Conforme consta do processo o contribuinte realizou a emissão de comprovantes de recolhimentos de tributos nas datas indicadas. Por definição a página inicial do Portal eCAC não estava travada, pois não havia INTIMAÇÃO (ato oficial) registrado, haviam apenas COMUNICADOS. e) Ressaltese que ao solicitar adesão ao DTE, o sistema exibe as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal, enfatizando que é recomendável que a Caixa Postal seja consultada, no mínimo, a cada 15 dias. Diante dos esclarecimentos trazidos pela autoridade fiscal por ocasião da diligência, notase que o fato da ciência do Acórdão de 1a. Instância ter de dado pela sistemática de envio na forma de comunicado (caráter meramente informativo, sem trava de funcionamento) e não de intimação (com prazo para manifestação, trava e bloqueio) prejudicou de certa maneira a ciência eficiente do contribuinte, quanto ao início do prazo recursal, pois não obedeceu a metodologia normatizada pelo art. 23 do Decreto 70.235/72. Portanto, embora enviado o COMUNICADO em 12/05/2015, em relação à ciência do acórdão, não houve INTIMAÇÃO válida e necessária ao início da contagem do prazo recursal e tendo o contribuinte somente tomado ciência de forma eficiente do conteúdo do Acórdão recorrido somente em 02/07/2015, quando localizou o documento em sua caixa postal, entendo por tempestivo o recurso protocolizado em 17/05/2015. Mérito: Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10166.724561/201472 Acórdão n.º 1401002.069 S1C4T1 Fl. 2.035 9 A acusação fiscal restringese a natureza da relação existente entre a Recorrente e os corretores independentes que a ela se associaram, isto porque, defende o fisco tratarse de uma relação jurídica que envolve a prestação e a tomada de serviços, que por via de consequência geraria a obrigação de retenção do Imposto de Renda Fonte incidente sobre os pagamentos efetuados a título de remuneração em benefício dos corretores independentes. Consta ainda da acusação fiscal que a Recorrente teria deixado de reter o imposto de renda na fonte de maneira dolosa, razão pela qual houve o agravamento da penalidade no percentual de 150% do imposto que deveria ter sido retido. Além disso, são exigidos também juros de mora isolados, calculados desde o momento em que a retenção deveria ter sido feita até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. Do modelo de negócios demonstrado pela LPS: Esclarece a Recorrente que o modelo de negócios por ela adotado consiste no seguinte: "Quando a imobiliária é procurada pelo vendedor do imóvel, a intermediação abrange uma série de prestações acessórias (consultoria, divulgação via internet, desenvolvimento de estratégias comerciais etc.) que contribuem para o posicionamento mercadológico do produto do cliente isto é, contribuem pra o produto tornarse visível aos mercado (ou melhor, acessível ao mercado). Pode suceder, no entanto, de a imobiliária que recebeu, previamente uma simples autorização do vendedor do imóvel, para anunciar a oferta do negócio ao público ser procurada pelo comprador do imóvel, hipótese em que a intermediação, além de viabilizar o negócio (pois o comprador, em regra, não possui acesso direto ao vendedor) equivale a um atestado de qualidade quanto ao bem objeto da transação. A intermediação, de fato, não se concretiza apenas com o posicionamento de mercado ou atestado de qualidade (o patrocínio realizado pela imobiliária). Não se pode esquecer que todo o contrato é, antes de mais nada, uma relação que se estabelece entre pessoas (pessoas naturais, ou entre pessoas naturais e pessoas jurídicas) e, é por isso que o parágrafo único do artigo 3o. menciona o "atendimento" ao público. É nesta etapa que, como bem notado pelo legislador regulamentar, entra em ação o Corretor Independente. Realizado o corpo a corpo, o contado direto com o cliente comprador, o Corretor Independente concretiza a aproximação daquele com o vendedor (papel que não cabe à imobiliária "patrocinadora". [...] Nos casos em que há preposto, o risco da atividade de corretagem é sempre imputado ao preponente. Mas isso não se sucede na corretagem imobiliária. A imobiliária "patrocinadora não responde pelos atos do corretor independente que, agindo como mero corretor de imóveis não simples instrumento de outrem assume todos os riscos inerentes a sua atividade e, por isso, repitase, não podese tentar como fez a autoridade fiscal, associar a corretagem a mera prestação de serviços, nem identificar Corretor Independente, como simples preposto como se fosse um vendedor de uma loja de Shopping Center". Fl. 2039DF CARF MF 10 Esse modelo de negócios adotado pela Recorrente se mostra perfeitamente legítimo, pois encontra amparo na legislação pertinente: Código Civil Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Lei 6.530/78 Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1o As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis § 3o Pelo contrato de que trata o § 2o deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. Tal modelo de negócios, foi inclusive referendado recentemente pelo STJ, em sede do julgamento do RESP 1.599.511, repetitivo com publicação em 06/09/2016, cuja ementa foi assim redigida: RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. VENDA DE UNIDADES AUTÔNOMAS EM ESTANDE DE VENDAS. CORRETAGEM. CLÁUSULA DE TRANSFERÊNCIA DA OBRIGAÇÃO AO CONSUMIDOR. VALIDADE. PREÇO TOTAL. DEVER DE INFORMAÇÃO. SERVIÇO DE ASSESSORIA TÉCNICOIMOBILIÁRIA (SATI). ABUSIVIDADE DA COBRANÇA. I TESE PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC/2015: 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitente comprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10166.724561/201472 Acórdão n.º 1401002.069 S1C4T1 Fl. 2.036 11 em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. 1.2. Abusividade da cobrança pelo promitentevendedor do serviço de assessoria técnicoimobiliária (SATI), ou atividade congênere, vinculado à celebração de promessa de compra e venda de imóvel. II CASO CONCRETO: 2.1. Improcedência do pedido de restituição da comissão de corretagem, tendo em vista a validade da cláusula prevista no contrato acerca da transferência desse encargo ao consumidor. Aplicação da tese 1.1. 2.2. Abusividade da cobrança por serviço de assessoria imobiliária, mantendose a procedência do pedido de restituição. Aplicação da tese. III RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. REsp 1599511 / SP Relator(a) Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO (1144) S2 SEGUNDA SEÇÃO Data do Julgamento 24/08/2016 Data da Publicação/Fonte DJe 06/09/2016. Portanto, feita a análise acima e considerada a análise trazida no Parecer do Professor Marco Aurélio Greco anexado aos memoriais, verificase que o modelo de negócios praticado pela Recorrente era perfeitamente possível, não havendo que se falar em simulação. Parecer do qual, trago a colação trechos bastante pertinentes para esclarecimento do tema: ...Levada ao seu último grau, a tendência (natural do pensamento humano) é de imaginar que seria possível enquadrar todas as condutas, negócios, relações jurídicas etc., em tipos previstos em lei conduz a um engessamento das formas jurídicas que acabam se distanciando cada vez mais da realidade concreta e pode implicar até na perda de sua utilidade. ... Esquecese, nesta postura, o principal, qual seja que a base do ordenamento jurídico é a liberdade e que pessoas, físicas e jurídicas, podem exercêla para criar figuras que não estão expressamente contempladas em nenhum texto legal. ... Despirse também de preconceitos, dentre os quais o de aprioristicamente, assumir que sempre há algo de errado ou de escuso no que o contribuinte faz, a ponto de confundir o "não existir algo (p. ex., um pagamento) como um "escondêlo" ou disfarçálo". Nestes casos, a falta de uma regra expressa dispondo sobre determinado modelo não deve ser interpretada como vedando certo tipo de relação jurídica, assim como a superveniência de regra dispondo sobre determinado modelo deve ser vista como Fl. 2041DF CARF MF 12 apenas formalizando relações jurídicas que já podiam e eram efetivamente adotadas pelos agentes do respectivo setor econômico. Ainda quanto à análise fática do contrato de associação constante do presente processo, mas destaco a principal conclusão: " ...Esta é a figura de reunião de esforços adotada pela consulente há anos. Somamse esforços de divulgação, exibição, informação tendo por objetivo comum intermediar negócios imobiliários, sem que exista qualquer garantia de que o negócio final venha a ocorrer." Diante de tais argumentos, evidente a idéia de que a aplicação de cada corretagem corresponder um único credor, não corresponde à realidade fática e ao constante no artigo 728 do Código Civil (a saber, é fato incontroverso nos autos), o que, de pronto, afasta a aplicação estrita da regra constante do art. 123 do Código Tributário Nacional. Afinal, não está a falarse de convenções particulares sem a existência de lei. Aqui já havia a disposição do Código Civil, corroborada pela legislação específica Lei 13.097/2015 que reconhece a relação associativa há tempos existentes no setor imobiliário. Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Além do mais, ainda que numa remota hipótese de admissão da incidência, a autoridade fiscal não faz prova quanto à receita auferida pela imobiliária ou tampouco dos pagamentos por ela realizados, os quais poderiam ter sido identificados inclusive junto aos cartórios de registro de imóveis, afastando a possibilidade do cálculo pela via presumida, eleita durante a fiscalização. Por esse viés, também não houve comprovação do vínculo entre a imobiliária e os corretores de maneira suficiente a responsabilizála pelo pagamento do IRRF. Quanto a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200, entendo que ela somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto, motivo pelo qual, deve ser provido o recurso pelo seu afastamento. Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário por tempestivo e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10166.724561/201472 Acórdão n.º 1401002.069 S1C4T1 Fl. 2.037 13 Fl. 2043DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000058/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001
IRRF. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica apenas poderá deduzir da apuração o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Na hipótese, o contribuinte não comprovou que parte das receitas financeiras foram oferecidas à tributação.
SALDO NEGATIVO. EXAME. PRAZO.
Inaplicável o prazo decadencial estatuído no Código Tributário Nacional ao exame da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DO CRÉDITO.
A compensação objeto de pedido de compensação deferido ou de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 27 de maio de 2003 será efetuada considerando-se o encerramento do período de apuração do débito, conforme
art.63, IV, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/05.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2001
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o direito afirmado. A comprovação dos fatos alegados pela defesa deve ser realizada de forma inequívoca.
Numero da decisão: 1401-000.575
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Cons. Maurício Pereira Faro, que dava provimento.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica apenas poderá deduzir da apuração o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Na hipótese, o contribuinte não comprovou que parte das receitas financeiras foram oferecidas à tributação. SALDO NEGATIVO. EXAME. PRAZO. Inaplicável o prazo decadencial estatuído no Código Tributário Nacional ao exame da certeza e liquidez do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DO CRÉDITO. A compensação objeto de pedido de compensação deferido ou de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 27 de maio de 2003 será efetuada considerandose o encerramento do período de apuração do débito, conforme art.63, IV, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/05. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o direito afirmado. A comprovação dos fatos alegados pela defesa deve ser realizada de forma inequívoca. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 294 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Cons. Maurício Pereira Faro, que dava provimento. Ausente, momentaneamente, a Cons. Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de Declaração de Compensação protocolizada em 28/04/03 (fls.02/03), posteriormente substituída em 06/07/04 (fls.23/26). Os créditos referemse a saldos negativos de IRPJ e CSLL. No Despacho Decisório (fls.47/49), cientificado pessoalmente ao contribuinte em 23/04/08 (fl.50), reconheceuse parcialmente o direito creditório com relação ao anocalendário 2001, no valor de R$365.589,92 (IRPJ) e R$38.260,45 (CSLL), tendo sido as compensações homologadas até o limite deferido, devidamente corrigido. Os fundamentos pode assim ser resumidos: a) por razões operacionais, neste processo restringiuse a análise aos saldos negativos apurados no anocalendário 2001. No processo originário (nº 10875.001515/200342), aos atinentes ao anocalendário 2000; b) a respeito do saldo negativo de IRPJ, de acordo com a Ficha 12A da DIPJ/2002, apurouse o valor de R$ 376.885,70, composto por Imposto de Renda Retido na Fonte (R$ 64.581,80) e estimativas mensais (R$ 312.303,90); c) as estimativas foram extintas com saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2000, conforme Despacho Decisório nº 291/2008; d) a respeito do IRRF, há em DIRF retenções comprovadas que totalizam R$53.286,02, restando sem justificativa R$11.295,78, o que reduz o saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado para R$ 365.589,92; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 295 3 e) a respeito do saldo negativo de CSLL, de acordo com Ficha 17 da DIPJ/2002, apurouse o valor de R$ 113.528,48, composto por estimativas mensais, que teriam sido compensadas com saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2000. De acordo com Despacho Decisório nº 291/2008, confirmouse a título de saldo negativo de CSLL apenas R$ 532.138,31, razão pela qual se deduziu, “...do valor do apropriado a título de estimativas pagas em 2001, o valor de R$ 75.268,03, que representa a diferença entre o valor reconhecido como procedente e o valor utilizado em compensações”. O saldo negativo de CSLL a ser restituído/compensado foi ajustado para o total de R$ 38.260,45. De acordo com decisão de primeira instância (fls.179/190): “Saldo negativo de IRPJ (...) aceitamse os comprovantes de rendimentos pagos de fls. 123 e 127, cujo IRRF total informado na Ficha 43 perfaz R$26,84, eis que os correspondentes rendimentos são compatíveis com aqueles declarados à linha 08 da Ficha 06 A (remuneração de serviços prestados por PJ), conforme demonstrado no quadro supra. Por outro lado, os comprovantes de rendimentos pagos de fls. 118, 125, 128 e 129, cujo IRRF total informado na Ficha 43 perfaz R$ 11.268,94, deixam de ser considerados, pois não restou demonstrado que os respectivos rendimentos tenham sido regularmente oferecidos à tributação na linha 21 da Ficha 06 A da DIPJ/2002 (ouro, ativo financeiro/mútuo/revenda). ..... Já tendo sido concedido o direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$365.589,92, impõese reconhecer a parcela adicional de R$26,84 (base em 31/12/2001). ..... Saldo negativo de CSLL (...) Conforme relatado, o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001 é composto, unicamente, pelas estimativas deduzidas na Ficha 17 da DIPJ/2002, no total de R$113.528,48. Tendo sido confirmada a extinção do total das citadas estimativas mediante compensação com saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, nos termos do Acórdão DRJ/Campinas n° 24.401, de 15/12/2008, cópia às fls.165/178, ratificase a apuração feita pela contribuinte, do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor de R$ 113.528,48. Já tendo sido concedido o direito creditório no valor de R$ 38.260,45, impõese reconhecer a parcela adicional de R$ 75.268,03.” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 296 4 No Recurso Voluntário interposto tempestivamente (fls.198/223) alegase: considerando que os saldos negativos de 2001 foram compostos por estimativas extintas a partir dos saldos negativos apurados em 2000, haveria conexão e relação de prejudicialidade entre este processo e o de nº 10875.001515/200342, razão pela qual deveriam ser julgados em conjunto para que se evitassem decisões conflitantes; os rendimentos (aplicações financeiras e empréstimos de ouro) teriam sido declarados na Linha 24 (“outras receitas financeiras”), que totalizaram R$ 982.934,66, estando o valor dos juros sobre empréstimo de ouro (R$ 354.277,64) incluído em tal montante; “...Como bem se vê, a aplicação de 20% sobre o valor dos juros sobre empréstimo de ouro, de R$ 354.277,64, resulta no imposto retido na fonte total a pagar de R$ 70.855,53”; a importância não reconhecida (R$11.268,94) referese a retenções correspondentes a rendimentos pagos pelas seguintes fontes: Tresor Metais Nobres Ltda, Almeida Vianna Comércio Ltda, Vitelli Vianna Comércio Ltda e Lengler Indústria de Jóia Ltda; “...o valor de R$ 1.551,87, Tresor Metais Nobres Ltda., CNPJ n° 02.685.072/000145, temse que no informe de rendimento foi indicado o código 4028, quando o correto seria 3429, bem como foi solicitado por carta correção no informe enviado pela empresa ( doc. 8)”; “...Com relação ao valor de R$ 3.202,07, retido por Lengler Industria de Jóia Ltda., CNPJ n° 89.168.660/00190, o valor compensado de R$ 3.207,07 referese à soma de R$ 337,84, declarado no informe de rendimentos referente ao anocalendário de 2000, mais parte do informe do anocalendário de 2001 no valor de R$ 2.869,23. O restante de R$ 1.830,11 foi contabilizado pela Recorrente em 2002”; equívocos formais, cometidos em declarações ou em informes de rendimentos, não poderiam obstar o reconhecimento do direito creditório; considerandose que a decisão foi prolatada em abril de 2008, as compensações das antecipações no ano de 2001 não poderiam mais ser revistas, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica; seria defeso ao fisco homologar compensação realizada há mais de cinco anos; no prazo estipulado pela legislação deveria ter sido notificado a apresentar os documentos que comprovassem tais saldos negativos; “...passados quase 7 (sete) anos da data em que realizadas as compensações e 8 (oito) da apuração dos saldos negativos de 2000, não poderia o fisco, sob o argumento de que tais créditos eram menores do que os que foram informados pela Recorrente em sua DIPJ/2001, querer glosar tais compensações do saldo negativo de 2001”; passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, o lançamento estaria tacitamente homologado, nos termos do art.150, §4º, do Código Tributário Nacional, razão pela qual não se poderia ter procedido à glosa das compensações com saldos negativos de períodos anteriores; “...a fiscalização teve o prazo até o dia 31/12/2006 para modificar os valores declarados pela recorrente relativos àquele anocalendário e notificar a impugnante de eventual não homologação das compensações das antecipações do IRPJ com os saldos de períodos anteriores, fato, entretanto, que não ocorreu”; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 297 5 aos créditos utilizados na compensação deveria ser aplicada a taxa SELIC acumulada até a data de vencimento dos débitos, no caso fevereiro de 2003, considerandose neste mês o percentual de 1% (um por cento). Requer ainda o recorrente “...provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários”. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. DAS PRELIMINARES Prejudicialidade Acerca da pretensão relacionada ao julgamento em conjunto do processo nº 10875.001515/200342, que trata das apurações do IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2000, cabe dizer que foi julgado nesta mesma sessão. A rigor, considerandose que a parcela do direito creditório em litígio não se relaciona à apuração do anocalendário 2000, como se verá a seguir, não há se falar em relação de prejudicialidade. Produção probatória O rito do processo administrativo fiscal não comporta, em regra, instrução probatória posterior à entrega da impugnação, pois este é o momento em que as provas devem ser apresentadas, consoante artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 298 6 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(destaquei) A anexação posterior de documentos é possibilidade excepcional. O supracitado art.16, §5º, admitea, porém, desde que o contribuinte demonstre a ocorrência de ao menos uma das situações contempladas nas alíneas do §4º daquele mesmo artigo, o que, concretamente, não ocorreu. Cabe ainda observar que em alguns julgamentos no âmbito deste Conselho prestigiase a apreciação de documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário, o que não é o caso. O recorrente deseja, na verdade, uma nova oportunidade para apresentar provas, à margem do que dispõe a legislação processual administrativa tributária. Indeferese, portanto, a preliminar suscitada. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 299 7 DO MÉRITO Do Imposto de Renda Retido na Fonte Levandose em conta a decisão recorrida, do direito creditório pleiteado apenas foi indeferido o valor de R$11.268,94, relativo a saldo negativo de imposto de renda. De acordo com a DRJ, foram desconsideradas algumas retenções na fonte, em razão de os respectivos rendimentos não terem sido oferecidos à tributação. A seu turno, o recorrente sustenta que o total do IRRF seria composto conforme o quadro abaixo, tendo sido os respectivos informes de rendimentos anexados quando da apresentação da manifestação de inconformidade: Fonte Pagadora CNPJ IRRF (R$) Tresor Metais Nobres Ltda 02.685.072/000145 1.551,87 Almeida Vianna Comércio Ltda 42.976.944/000149 3.255,00 Vitelli Vianna Comércio Ltda 86.597.713/000108 3.255,00 Lengler Indústria de Jóia Ltda 89.168.660/000190 3.207,07 Total 11.268,94 Sobre o oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos, afirma que estariam incluídos no valor total de “juros sobre empréstimo de ouro”, que por sua vez comporia o montante de “outras receitas financeiras” declarado na Ficha 06 A, linha 24. Para comprovar tal alegação acostou cópia de balancete levantado em 31/12/2001 (fls.253/285). A legislação é clara ao definir que o IRRF apenas pode ser deduzido da apuração, caso as respectivas receitas componham a base de cálculo: Lei nº 8.981/95 Art. 34. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto apurado no mês, o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente (arts. 28 ou 29), bem como os incentivos de dedução do imposto, relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, ValeTransporte, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual, observados os limites e prazos previstos na legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Regulamento de Imposto de Renda – 1999 Art.526. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 8.981, de 1995, art.34, Lei nº 9.605, de 1995, art.1º, Lei nº 9.430, de 1996, art.51, parágrafo único, e Lei nº 9.532, de 1997, art.10).(destaquei) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 300 8 Da análise do balancete de verificação apenas é possível identificar a existência da conta nº 4.10.01.04 – “Juros s/ Empréstimo Ouro” e o total ali escriturado. Sobre a composição da mesma, que poderia ao menos indicar um indício do que se alega, a justificar eventual realização de diligência, nada esclarece. Ao trazer como alegação de defesa erro cometido no preenchimento de sua declaração de rendimentos, deveria o recorrente ter apresentado plenamente as respectivas provas que pudessem de maneira clara evidenciálo. Acrescentese que não cabe à Administração, regra geral, adotar providências exofficio no sentido de que o processo seja instruído com documentação a comprovar fatos alegados pela defesa. Quanto à assertiva de que parte do crédito não reconhecido “...está atrelada também à suposta falta de créditos de saldo negativo de 2000”, é totalmente descabida, conforme visto acima. As compensações das estimativas do anocalendário 2001, com parte dos saldos negativos apurados no ano anterior, já foram reconhecidas nas instâncias inferiores, razão pela qual não há o que se analisar quanto ao anocalendário 2000. Por igual razão, a rigor, desnecessária mostrase a apreciação dos argumentos relacionados à impossibilidade de se analisar a apuração de períodos anteriores. De toda forma, aproveitase a oportunidade para a apresentação de considerações a respeito. Dispõe a Lei nº 9.784, de 29/01/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicável de maneira subsidiária ao processo administrativo fiscal, por força do art.69: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. ..... Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. (destaquei) Da leitura do supracitado art.36 não basta simplesmente requerer à Administração determinado direito. Cabe ao interessado produzir as respectivas provas (de acordo com o Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito – art.333, I). Não bastasse o art.170 do Código Tributário Nacional, que estabelece os requisitos da certeza e liquidez, o legislador também entendeu por bem deixar explícito que mesmo na hipótese de discussão judicial a compensação apenas pode ser realizada após o trânsito em julgado (art.170A), obstando assim que provimentos liminares, desprovidos de cognição exauriente, possam produzir imediatos efeitos. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 301 9 A respeito da necessidade de aferição da presença de tais requisitos, com propriedade dispôs a decisão de primeira instância: “(...) Na verdade, cumpre ao órgão competente o pronunciamento acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários, relativos ao saldo negativo do IRPJ, possa ser aferida sem qualquer análise da base de cálculo do imposto que lhe serve de fundamento. Relevante assentar que a análise em questão, da regularidade da composição da base de cálculo, fato o qual serve de fundamento à determinação do saldo negativo do imposto, se já ultrapassado o termo final da contagem do prazo decadencial, não pode implicar lançamento de ofício de diferenças de imposto porventura apuradas. Todavia, não se pode dizer, por isso, que o órgão administrativo deve simplesmente "homologar" o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente e proceder à restituição ou à compensação, sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. ..... Ademais, no exercício do dever/poder de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes, atualmente, inserese, também, a verificação das compensações efetuadas, sob a responsabilidade do sujeito passivo, sem qualquer prévio procedimento de ofício relacionado ao reconhecimento do indébito tributário assim utilizado. Relevante assinalar que, na sistemática das declarações de compensação, o sujeito passivo procede à extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua posterior homologação, conseqüentemente, sem prévio exame da autoridade administrativa”. Entendo que o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, ao estabelecer que a compensação pleiteada à Receita Federal deve ser homologada no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração, só reforça a prerrogativa de a Administração fazendária aferir a certeza e liquidez dos créditos indicados pelo interessado, na espécie, dos saldos negativos declarados, para só então proceder à compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 302 10 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. ..... § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. ..... §7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (destaquei) Como dito anteriormente, o recorrente sustenta a impossibilidade de verificação pelo fisco da formação dos saldos negativos nos anoscalendário 1995 e 1999, o que feriria a segurança jurídica e a norma que trata da decadência tributária. Ressaltese que inexiste norma que dê guarida à pretensão do recorrente. O art.150, §4º, do Código Tributário Nacional é voltado ao direito à constituição do crédito tributário no prazo de 5(cinco) anos contado da ocorrência do fato gerador. Em nada se relaciona à vedação de análise da certeza e liquidez de créditos passíveis de restituição. A propósito, cumpre assinalar a seguinte assertiva da DRJ: “não é porque não houve lançamento de oficio em relação a determinado período de apuração do IRPJ, que estaria homologado o direito creditório relativo ao saldo negativo demonstrado na D1PJ correspondente, não sendo assim passível de qualquer verificação no âmbito da analise das declarações de compensação apresentadas”. Passados mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art.150, §4º, do CTN) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art.173, I, do CTN), o fisco fica impossibilitado de constituir o crédito tributário atinente ao respectivo período de apuração, não podendo o contribuinte sofrer qualquer exigência tributária relacionada a tal fato gerador. Para que o contribuinte não fique indefinidamente a mercê da Administração tributária, tais prazos são estabelecidos para fins de pacificação de determinadas relações. Quanto à análise do direito creditório pleiteado, a única limitação consubstanciase no fato de que deve ser realizada também no prazo de 5 (cinco) anos, desta feita contado da entrega da declaração. Na auditoria fiscal incluise, naturalmente, a verificação de períodos anteriores que repercutam no direito creditório afirmado, não havendo se falar, como sustenta a defesa, em impossibilidade de revisão. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 303 11 Tal procedimento nem de perto representa lançamento às avessas, mas decorre de um dever legal de não se reconhecer crédito público desprovido dos requisitos legais. Vislumbro até não mais poder o interesse público a permear toda esta análise. Do cômputo dos juros moratórios O recorrente contesta a forma de cálculo adotada no procedimento de compensação. No seu entender, deveria ter sido aplicada ao crédito reconhecido a taxa SELIC acumulada entre janeiro de 2001 e janeiro de 2003, e 1% (um por cento) em fevereiro de 2003. Apontou suposto equívoco na decisão da DRJ quanto à seguinte conclusão, in verbis: “Os débitos objeto das Declarações de Compensação controladas no presente processo correspondem ao IRPJ e CSLL do PA 01/2003, pelo que se enquadram nesse novo contexto normativo, o qual já se encontrava em vigor quando da elaboração do Despacho Decisório recorrido (ciência em 23/04/2008). Assim, para a Declaração de Compensação originalmente apresentada em 28/04/2003, o crédito deve ser valorado até a data do encerramento do período de apuração do débito compensado, sem a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos em atraso, porque a declaração foi apresentada antes da data limite de 28/05/2003." De acordo com a DRJ, a valoração do crédito deve ser realizada até a data de encerramento do período de apuração do débito (janeiro 2003), conforme art.63, IV, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/05: Art. 63. A compensação objeto de pedido de compensação deferido ou de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 27 de maio de 2003 será efetuada considerandose a seguinte data: I do pagamento indevido ou a maior, no caso de compensação com débito cujo período de apuração já estiver concluído em data anterior à do pagamento; (Redação dada pela Instrução Normativa nº 831, de 18 de Março de 2008) II do encerramento do período de apuração do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, bem como de crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, no caso de compensação com débito cujo período de apuração já estiver concluído em data anterior àquela; (Redação dada pela Instrução Normativa nº 831, de 18 de Março de 2008) ..... IV do encerramento do período de apuração do débito, quando as data a que se referem os incisos I, II ou III, conforme o caso, forem anteriores às previstas neste inciso; (Redação dada pela Instrução Normativa nº 831, de 18 de Março de 2008) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 16098.000058/200817 Acórdão n.º 140100.575 S1C4T1 Fl. 304 12 No recurso voluntário, sustentase a tese de que a fiscalização desrespeitara a norma inserta no art.39, §4º, da Lei nº 9.250/95: “A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada” Analisando o “Extrato de Processo” (fls.193/194), percebese que o crédito foi valorado até a data de ocorrência do fato gerador dos débitos apontados. É importante observar que o dispositivo legal acima não indica que a valoração deva contemplar o mês de vencimento do débito, como requer a defesa. Tampouco o art.38 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/02, também por ela mencionado: Art. 38. As quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF serão restituídas ou compensadas com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que a quantia for disponibilizada ou utilizada na compensação de débitos do sujeito passivo, observandose, para o seu cálculo, o seguinte: I – como termo inicial de incidência: ..... II – como termo final de incidência: a) em se tratando de restituição apurada em declaração de rendimentos da pessoa física, o mês anterior àquele em que o recurso for disponibilizado ao sujeito passivo; b) nos demais casos, o mês anterior ao da restituição ou compensação.” Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 13807.012347/99-10
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
Data do pedido: 15/10/1999
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL -FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62-A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE n° 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp n° 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4°, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
SÚMULA CARF N° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 9900-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para declarar extinto o direito à restituição dos pagamentos relativos aos fatos geradores até 30/09/1989, inclusive, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Data do pedido: 15/10/1999 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL -FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62-A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE n° 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp n° 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4°, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. SÚMULA CARF N° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ARTIGO 62A, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC (art. 62A do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE n° 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp n° 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso em tela, formalizados antes da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4°, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. SÚMULA CARF N° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em darlhe provimento parcial para declarar extinto o direito à restituição dos pagamentos relativos aos fatos geradores até 30/09/1989, inclusive, com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 23 47 /9 9- 10 Fl. 224DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Pedido de Restituição/Compensação de Contribuições para o Fundo de Investimento Social Finsocial, relativas aos períodos de 09/1989 a 03/1992 (fls. 02 a 28), tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota prevista na Lei n° 7.689, de 1988. O pedido foi formalizado em 15/10/1999 (capa do processo). Em sessão plenária de 09/09/2008, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão n° 0306.114 (fls. 166 a 172), assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1989 a 31/07/1991 Período de pagamento: 15/02/1989 a 15/08/1991 Pedido de restituição: 15/10/1999 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13807.012347/9910 Acórdão n.º 9900001.022 CSRFPL Fl. 225 3 caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 30131.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. Vencidas as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando que deram provimento parcial ao recurso contando o prazo de 10 anos para o pleito da restituição, (tese dos 5 + 5). A Conselheira Anelise Daudt Prieto acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões." O processo foi recebido na PGFN em 03/09/2009 (Relação de Movimentação de fls. 175), e, em 30/09/2009, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 176 a 188, visando a revisão do julgado pelo Pleno (Relação de Movimentação de fls. 189). O recurso está fundamentado no artigo 9°, c/c art. 43, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007. Como paradigma, foi indicado o acórdão CSRF 0400.810, colacionandose a respectiva ementa, conforme a seguir: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido". Ao Recurso Extraordinário foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 910000.210, de 14/01/2011 (fls. 190 a 191). Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, que o apelo seja conhecido e, no mérito, que seja reconhecida a prescrição da pretensão de pleitear a restituição do Finsocial, porquanto foram decorridos mais de cinco anos da data da extinção do crédito tributário (pagamento), sem que fosse exercida a referida pretensão. Cientificada do acórdão, do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 02/06/2011 (AR Aviso de Recebimento de efls. 207), a Contribuinte ofereceu, em 13/06/2011, as Contrarrazões de efls. 208 a 219, argumentando, em síntese: Fl. 226DF CARF MF 4 o paradigma trata de ILL — Imposto sobre o Lucro Líquido, que envolve assuntos específicos e que encontrase apenas nos autos deste processo e, no caso do Finsocial, encontrase reiterada jurisprudência na CSRF — Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão CSRF/0304.227, 30131.406, 30131404, 30131.321 e outros, no Conselho de Contribuintes Acórdãos nºs 301 31444, 30131943, e outros, o que demonstra o entendimento da maioria dos Conselheiros quanto ao reconhecimento de direito creditório do Finsocial a contar da data da publicação da MP n° 1.110, em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%; para demonstrar a diferença em relação ao paradigma, colacionase Regulamento do Finsocial, aprovado pelo Decreto nº 92.698, de 1986, na parte que se refere à restituição (repeticão do indébito) e do prazo para protocolar o respectivo pedido: TITULO II DO PROCESSO DE RESTITUIÇÃO E RESSARCIMENTO Hipótese Art. 120. Caberá a restituição ou o ressarcimento da contribuição nos casos de pagamento indevido ou a maior, inclusive quando este resultar de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Modalidades Art. 121. Farseá a restituição ou o ressarcimento mediante as seguintes sistemáticas: I restituição do indébito a requerimento do sujeito passivo; II dedução do indébito do valor da contribuição devida no mês ou meses subseqüentes. Parágrafo único. O Secretário da Receita Federal baixará as normas complementares necessárias a aplicação do disposto neste artigo. Decurso do Prazo Art. 122. 0 direito de pleitear a restituição da contribuição extinguese com o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contados (DecretoLei n°2.049/83, artigo 9°): I da data do pagamento ou recolhimento indevido; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 123. Prescreve em 2 (dois) anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição, contados da data da ciência ao interessado (Lei n° 5.172/66, artigo 169)." (grifos do Contribiunte) a Instrução Normativa SRF nº 32, de 1997, em seu artigo 2º, convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13807.012347/9910 Acórdão n.º 9900001.022 CSRFPL Fl. 226 5 reconhecidos e não recolhidos da Cofins, com fundamento no art. 9º, da Lei nº 7.689, de 1988, na alíquota superior a 0,5 %; o Parecer COSIT n° 58, de 1998 reconheceu expressamente como dies a quo para o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, a data da publicação da MP nº 1.110, de 1995 (DOU de 31/08/1995); assim, a contagem do prazo de cinco terminaria em 31/08/2000; o pedido de restituição também seguiu, na época, a orientação jurisprudencial da tese dos "cinco anos mais cinco", isto é, no caso de autolançamento (CTN, art. 150); parte da doutrina e da jurisprudência (predominante no STJ) tem entendido que o prazo prescricional para o pleito de repetição ou de compensação tem seu marco inicial imediatamente após a homologação (expressa) pelo Fisco, ou passado o qüinqüênio reservado ao Fisco para essa providência (homologação ficta), a partir da ocorrência do fato gerador; isto porque a extinção do crédito tributário ocorre não no momento do pagamento antecipado, mas sim com a homologação, expressa ou tácita, portanto o primeiro prazo de cinco anos marca o prazo decadencial para o Fisco (CTN, art. 150, § 4°), seguido do qüinqüênio prescricional para o contribuinte efetuar a repetição do indébito (CTN, art. 168, I); na data de protocolização do presente processo administrativo, 19/10/1999, esta era a orientação jurisprudencial adotada no Conselho de Contribuintes para repetição do indébito tributário, portanto deve ser aplicado o entendimento deste período. Ao final, a Contribuinte pleiteia o reconhecimento do direito creditório e o deferimento do pedido de restituição/compensação, considerandose como termo a quo para o pedido contado da data da publicação da MP nº 1.110, em 31/08/1995, que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Pedido de Restituição/Compensação de Contribuições para o Fundo de Investimento Social Finsocial, relativas aos períodos de 09/1989 a 03/1992 (fls. 02 a 28), tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da majoração da alíquota prevista na Lei n° 7.689, de 1988. O pedido foi formalizado em 15/10/1999 (capa do processo). A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo para o Contribuinte pleitear restituição/compensação. No acórdão recorrido, aplicase o prazo de cinco anos, contados de 31/08/1995, data da publicação da Medida Provisória 1.110, de 30/08/1995. A Fazenda Fl. 228DF CARF MF 6 Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data dos pagamentos indevidos. Conforme o artigo 62, § 2°, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do antigo CPC Código de Processo Civil (de 1973), ou dos artigos 1.036 a 1.041, do novo CPC (de 2015). No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE n° 566.621, com repercussão geral, bem como do STJ no julgamento do REsp n° 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no caso, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4°, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: "DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13807.012347/9910 Acórdão n.º 9900001.022 CSRFPL Fl. 227 7 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido." O entendimento acima foi inclusive sumulado, conforme a seguir: Súmula CARF n° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Em síntese, os Contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o Contribuinte protocolou seu pedido em 15/10/1999, e os pagamentos objeto do pedido referemse a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 31/03/1992, concluise que é cabível a restituição dos pagamentos relativos aos fatos geradores a partir de 15/10/1989. Diante do exposto, conheço do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para considerar extinto o direito à restituição dos pagamentos relativos aos fatos geradores até 30/09/1989, inclusive, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem, para exame das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 230DF CARF MF 8 Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.658692/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 86 92 /2 01 2- 17 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.658692/201217 Acórdão n.º 1401001.938 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.658692/201217 Acórdão n.º 1401001.938 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.658692/201217 Acórdão n.º 1401001.938 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000363/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
DIRPF. RETIFICAÇÃO DA DIRPF. ATRIBUIÇÃO DE VALORES DE MERCADO AOS BENS EM 1991 NOS TERMOS DO ART. 96 DA LEI 8.383/91. LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL.
É possível retificar a DIRPF/1992 para fins de atribuir valores de mercado a bens imóveis nos termos do art. 96 da Lei nº 8.383/91, desde que comprovado erro no valor originalmente declarado, com base em documentos tais como laudo de avaliação pericial referente ao bem em questão.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DO BEM.
O ato de o contribuinte declarar valor inferior ao de mercado em sua declaração de bens em 31/12/2001, tendo em vista o art. 96 da Li n° 8.383/91, não se considera erro de fato. É incabível a retificação valores dos bens, mormente quando já concretizada a sua alienação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO COMPETÊNCIA.
Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir no âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados.
Numero da decisão: 2201-004.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento o recurso voluntário. Vencido o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Redator designado.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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RETIFICAÇÃO DA DIRPF. ATRIBUIÇÃO DE VALORES DE MERCADO AOS BENS EM 1991 NOS TERMOS DO ART. 96 DA LEI 8.383/91. LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. É possível retificar a DIRPF/1992 para fins de atribuir valores de mercado a bens imóveis nos termos do art. 96 da Lei nº 8.383/91, desde que comprovado erro no valor originalmente declarado, com base em documentos tais como laudo de avaliação pericial referente ao bem em questão. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DO BEM. O ato de o contribuinte declarar valor inferior ao de mercado em sua declaração de bens em 31/12/2001, tendo em vista o art. 96 da Li n° 8.383/91, não se considera erro de fato. É incabível a retificação valores dos bens, mormente quando já concretizada a sua alienação. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir no âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento o recurso voluntário. Vencido o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 63 /2 00 5- 87 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 203 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Redator designado. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJRJ2 que manteve o lançamento. Todas as folhas serão mencionadas pelo seu arquivo eletrônico indicado no PDF. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 221/225 ) por sua clareza e precisão: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 204 3 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 205 4 3 – A decisão de piso manteve o lançamento na íntegra conforme ementa abaixo indicada: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 206 5 4 – A contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 229/230 5 É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 O recurso voluntário de fls. 120/124 é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 7 – Em suma a contribuinte se insurge em relação ao lançamento do ganho de capital dos 3 (três) imóveis vendidos, em anos diferentes, alegando que não pode se aproveitar Fl. 243DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 207 6 dos termos do art. 96 da Lei. 8.383/91 quando da entrega da Declaração do Imposto de Renda no Exercício de 1992 e IN 84/2001 por puro desconhecimento da legislação, e, portanto, caso tivesse utilizado tal benefício, ou seja, atualização monetária dos valores dos bens, não haveria imposto a pagar nas alienações ocorridas dos 3 imóveis, alegando inclusive que há a necessidade de reconhecimento da justiça tributária. 8 Alega que a venda dos 3 (três) imóveis: 1/3 (um terço) do imóvel situado na Rua Jubaia nº 149, Inhaúma – Rio de Janeiro alienado em 2001 (fls. 100/103 do arquivo PDF); imóvel na Rua Travessa Zé da Zilda nº 20, Bonsucesso – Rio de Janeiro vendido em 2002 (fls. 78/82 do arquivo PDF) e imóvel na Rua Nossa Senhora das Graças, nº 225, Ramos – Rio de Janeiro, alienado em 2003 (fls. 22/25 do arquivo PDF), foi para comprar um único imóvel em que reside atualmente e para pagar dívidas acumuladas. 9 – Em que pese os argumentos da recorrente entendo que o lançamento deve ser mantido em parte. 10 – Quanto a apuração do tributo em si, houve a comprovação do ganho de capital com a juntada aos autos e verificação dos documentos de compra e venda dos imóveis abaixo indicado: a) fls. 26/28 compra em 06/08/1991 do imóvel da Rua Nossa Sra das Graças, nº 225 e venda em 09/05/2003 fls. 22/25; b) fls. 75/77 aquisição em 25/02/1992 do imóvel da Rua Jubaia nº 149 e venda em 28/09/2001 fls. 100/103; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 208 7 c) fls. 83/86 compra em 22/08/1988 do imóvel Travessa Zé da Zilda nº 20 e alienação em 14/11/2002 fls. 78/82. 11 No termo de verificação fiscal há a apuração do tributo inclusive com a aplicação do fator de redução no imóvel da Travessa Zé da Zilda nº 20, há a confissão pelo contribuinte da venda de tais imóveis e, portanto o fato gerador é inconteste. 12 – Inclusive no lançamento fiscal a autoridade lançadora tomou o cuidado de dividir em 50% (cinquenta por cento) o valor do IR sobre o ganho de capital da contribuinte em vista do seu regime de casamento com o seu cônjuge o Sr. Eci dos Santos Ferreira fls. 30 do arquivo PDF. 13 – A questão levantada em defesa quanto a possibilidade de utilização dos termos do art. 96 da lei 8.383/91 nesse momento de apuração do ganho de capital fica afastada, uma vez que nos mesmos termos do caput do art. 96 consta que: Art. 96. No exercício financeiro de 1992, anocalendário de 1991, o contribuinte apresentará declaração de bens na qual os bens e direitos serão individualmente avaliados a valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês de janeiro de 1992. Grifei 14 – O art. 96 da Lei nº 8.383/1991, permitiu que os contribuintes realizassem a atualização de seus bens a valor de mercado por meio da inserção dos correspondentes valores na DIRPF/1992. Assim, foi conferida isenção às eventuais diferenças entre os valores informados em declarações anteriores e os atualizados a mercado, salvo para os bens que não constassem na Declaração de Ajuste do ano anterior. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 209 8 15 – Com fulcro no art. 95 e nos §§ 6º e 10 do art. 96 da Lei nº 8.383/1991 através da Portaria MEFP nº 327, de 22 de abril de 1992, concedeu aos contribuintes a faculdade de retificar o valor de mercado dos bens declarados em UFIR até a data de 15/8/1992, termo final alterado para 17/8/1992 pelo BC nº 117/1992. 16 Assim, foi possibilitada a isenção às eventuais diferenças entre os valores informados em declarações anteriores e os atualizados a mercado, salvo para os bens que não constassem na Declaração de Ajuste do ano anterior, ficando o Poder Executivo autorizado a baixar instruções com o estabelecimento de critérios alternativos para a determinação do valor de mercado de títulos e valores mobiliários. Vejamos o que dispõe o art. 3º Portaria MEFP nº 327/1992: Art. 3º Até 15 de agosto de 1992, não será instaurado procedimento fiscal de ofício, tendo por objeto o valor, em UFIR, em 31 de dezembro de 1991, informado na declaração de bens. Parágrafo único. Fica facultado ao contribuinte retificar o valor de mercado dos bens declarados em UFIR, nas condições e prazo previstos neste artigo. (Grifamos) 17 Após essa data, a retificação dos valores de mercado consignados pelo interessado na DIRPF/1992 era possibilitada apenas se não iniciado procedimento de ofício, e se comprovado erro nas informações originalmente prestadas, em observância ao regrado no § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN). 18 De se ressaltar que, não restam dúvidas de que não é possível deferir a retificação de forma retroativa e a destempo pretendida pelo sujeito passivo, pois, além de levar inexoravelmente à supressão do imposto decorrente dessa diferença de valores, não estaria Fl. 246DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 210 9 comprovado a ocorrência de algum tipo de erro indicada, temse aqui uma hipótese vedada tanto pelo art. 147 do CTN, quanto pelo art.6º do DecretoLei 1.968/1982. 19 Na espécie, o contribuinte apenas traz o argumento mas não traz provas de que o valor dos imóveis teriam sido equivocados, isso a decisão de piso avaliou, quando diz: “ O fato de a contribuinte não ter declarado o valor de mercador em 31/12/1992, o que, diga se, não restou comprovado nos autos, não pode ser considerado erro de fato, por tratarse de uma opção que poderia ou não ser exercida.”; do que se conclui que a aceitação dessa demanda estava condicionada à comprovação do cometimento de erro quando do preenchimento da declaração original. 20 – A respeito do tema os AC 2402004.932 j. em 25/02/16 e 2402005.792 j. em 06/04/2017: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1991 DIRPF. RETIFICAÇÃO DA DIRPF/1992. ATRIBUIÇÃO DE VALORES DE MERCADO AOS BENS EM 1991 NOS TERMOS DO ART. 96 DA LEI 9.383/91. LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. É possível retificar a DIRPF/1992 para fins de atribuir valores de mercado a bens imóveis nos termos do art. 96 da Lei nº 8.383/91, desde que comprovado erro no valor originalmente declarado, com base em documentos tais como laudo de avaliação pericial referente ao bem em questão. Recurso Voluntário Negado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 247DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 211 10 Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995 DIRPF. RETIFICAÇÃO DE DIRPF. ATRIBUIÇÃO DE VALOR DE MERCADO A PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS NÃO COTADAS EM BOLSAS DE VALORES. ART. 96 DA LEI Nº 9.383/91. IMPOSSIBILIDADE. É possível retificar as DIRPF dos exercícios 1992 e seguintes para fins de atribuir valores de mercado a participações societárias não cotadas em bolsas de valores nos termos do art. 96 da Lei nº 8.383/91, desde que comprovado erro no valor originalmente declarado com base em documentos aptos para tal. 21 – Portanto, nesse tópico nego provimento ao recurso. 22 – No lançamento de ofício durante a apuração do tributo apesar de ter reconhecido a aplicação do fator de redução para um dos imóveis o Fl. 248DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 212 11 23 – Ocorre que na apuração a autoridade fiscal não incluiu de acordo com art. 17, I, “e” da IN 84/2001 para fins de computo do custo de aquisição os valores recolhidos na época a título de imposto de transmissão pelo contribuinte. 24 – A respeito do assunto o AC nº 2201003.815 j. 09.08.17 dessa C. Turma de Relatoria da I. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 30/09/1996 ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO. INCLUSÃO. Está sujeita à apuração do ganho de capital a operação de alienação de bens e direitos realizada por pessoa física. Para tanto, tratandose de bem adquirido em 1992 e alienado em 1996, considerase como custo de aquisição o valor em Fl. 249DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 213 12 cruzeiros, cruzeiros reais ou Reais pago, dividido pelo valor da UFIR do mês de aquisição, reconvertido para Reais mediante a multiplicação por R$ 0,6767 e atualizado por 1,2246. No custo de aquisição pode ser incluído, entre outros dispêndios, o valor do Imposto de Transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel que deu origem ao ganho de capital. Grifei 25 – No caso concreto, deve ser resguardado o direito do contribuinte, mesmo no lançamento de ofício, para que na apuração do ganho de capital de forma correta, uma vez que a autoridade fiscal aplicou em um dos imóveis o fator de redução da IN 48/98 e, portanto, nada mais justo e equânime que seja considerado também como custo com a aquisição do imóvel o imposto de transmissão, que consta como recolhido à época pelo Cartório que realizou o ato público notarial em cada documento juntado pela fiscalização e que serviu de base para o lançamento do ganho de capital. 26 – Portanto, nesse ponto dou provimento ao recurso para que na apuração do ganho de capital a autoridade preparadora considere como custo de aquisição do imóvel e portanto, seja excluído do crédito tributário na proporção de 50% (cinquenta por cento) os seguintes valores que deverão ser convertidos em Reais e recalculado o valor do tributo: a) fls. 26/28 aquisição em 06/08/1991 do imóvel da Rua Nossa Sra das Graças, nº 225 Valor de CR$ 86.854,38; b) fls. 75/77 aquisição em 25/02/1992 do imóvel da Rua Jubaia nº 149 valor de CR$ 196.115,44; c) fls. 83/86 compra em 22/08/1988 do imóvel Travessa Zé da Zilda nº 20 valor de CZ$ 110.000,00. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 214 13 Conclusão 27 Diante do exposto, voto por conhecer e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para reconhecer como custo de aquisição do imóvel os valores do imposto de transmissão recolhidos às fls.26/28, 75/77 e 83/86 do arquivo PDF e portanto, devendo ser excluído por parte da autoridade preparadora no recálculo do valor do lançamento, no mais mantenho a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Redator designado Em que pese a pertinência das razões e do fundamentos legais expressos no voto do Ilustre Relator, ouso discordar de seu conteúdo exclusivamente no que se refere ao tema tratado nos itens 19 e seguintes. Em suas considerações, amparado na irretocável conclusão de que os valores pagos a título de Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ITBI quando da aquisição dos imóveis ora alienados podem ser incluídos nos respectivos custos de aquisição para fins de apuração do ganho de capital (inciso V do art. 128 do Decreto nº 300/99 RIR/99), concluiu o Conselheiro Relator pelo provimento parcial do recurso voluntário para que o montante devido do tributo discutido no presente processo fosse recalculado, incorporando ao custo de aquisição utilizado no lançamento o valor de 50% do montante pago a título de ITBI, os quais constam das escrituras de compra inseridas nos autos em fl. 26/28, 75/77 e 83/86. Considerando que o contribuinte, em sua peça recursal, não questiona a falta de inclusão do ITBI no custo de aquisição dos imóveis alienados, alterar o lançamento para incluir o valor pago a título de tal tributo representaria reconhecer, de ofício, um custo que não se pode afirmar que já não tenha sido aproveitado pelo próprio contribuinte. Pelo contrário, os elementos disponíveis nos autos apontam para conclusão diversa, ou seja, a de que o valor do custo de aquisição de tais propriedades, devidamente informados em DIRPF e considerados no lançamento, incluem os valores permitidos pela legislação e, dentre eles, o valor pago a título de Imposto de Transmissão. Tudo porque a análise das escrituras supracitadas, em cotejo com as informações disponíveis no item 19 do voto do Ilustre Relator, permitenos afirmar que a fiscalização considerou no lançamento o valor do custo de aquisição declarado espontaneamente pelo autuado em suas DIRPF, os quais se mostram bastante superiores aos Fl. 251DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 215 14 valores que seriam devidos se considerados apenas os valores de aquisição somados aos impostos de transmissão pagos já convertidos para Reais, o que indica que os valores originais já sofreram variação positiva, que, não tendo sido contestada pelo Agente Fiscal, deve ser considerada alinhada aos preceitos da legislação, em particular ao que prevê Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99: Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) § 7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria. § 8º Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. Desta forma, tendo em vista que o lançamento considerou as informações prestadas em DIRPF pelo próprio contribuinte, eventuais alterações no custo de aquisição informado e não contestado pelo recorrente somente poderiam ocorrer se fossem apresentados fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Ademais, não há qualquer elemento nos autos que aponte, com a clareza tipicamente necessária às alteração promovidas de ofício em lançamento fiscais, que os valores pagos não estão incluídos no montante do custo declarado pelo contribuinte. Conclusão: Fl. 252DF CARF MF Processo nº 18471.000363/200587 Acórdão n.º 2201004.020 S2C2T1 Fl. 216 15 Pelas razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado Fl. 253DF CARF MF
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Numero do processo: 13062.000210/96-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito.
ANULADO O PROCESSO "AB INITIO
Numero da decisão: CSRF/03-03.157
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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PASSIVO : MARIA ALFHONSA VAN DER HEIJDEN AERNOUDTS RECORRIDA : i a CÂMARA DO 2° C. CONTRIBUINTES SESSÃO DE : 07 DE MAIO DE 2001 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-03.157 ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito. ANULADO O PROCESSO "AB INITIO". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o • Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto. ON P IRA RODRIGUES PRE NTE NIljeIN LU ART9:4e R LATOR FORMALIZADO EM: 1 9 NOV 2001 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Moacyr de Medeiros, Márcia Regina Machado Melaré, Paulo Roberto Cuco Antunes e João Holanda Costa. 2 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 Recurso nr. RP/201-0.383 Recorrente: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão da douta 1a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que lavrou Acórdão com a seguinte ementa: "ITR — VTNm — Exercício de 1994 — No que tange ao VTN, o exercício de 1994 apresenta uma singularidade. É que a exigência de declaração, feita através da IN SRF n.° 45, de 17/06/94, fixou o prazo para apresentá-lo até 31/08/94, posteriormente prorrogado até 30/09/94 e a Tabela de VTNm somente foi baixada em março de 1995. Tratando-se, pois, do 1TR — exercício de 1994 — em face do valor declarado pela Contribuinte e dos dados constantes do Laudo de Avaliação apresentado é de ser provido o recurso para que prevaleça, para fins da revisão pretendida, o valor do VTN encontrado pelo Avaliador (art. 3°, § 4°, da Lei n.° 8.847/94). Recurso provido." O douto Relator designado para lavrar o Voto Vencedor, o Conselheiro Geber Moreira, entendeu existirem nos autos elementos idôneos a justificarem o pleito da Contribuinte. Baseou-se na declaração do Sindicato Rural de Palmeira das Missões, que informou ser o VTN na região de 1.888,00 UF IR por hectare, e no Laudo de Avaliação de Imóvel Rural — Terra Nua firmado por Engenheiro Agrônomo, inscrito no CREA/RS, sob o n.° 45.070, confirmando que as terras localizadas na Granja Zeelândia estavam estimadas em CR$ 230.000,00 por ha. Foram considerados na avaliação diversos fatores, como mencionou o Relator. Anotou o Relator, ainda, que existe uma singularidade acerca do exercício de 1.994 do VTN: "a exigência da declaração, feita através da IN n.° 45, de 17.06.94, fixou o prazo para apresentá-lo até 31.08.94, posteriormente 3 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 prorrogado até 30.09.94 e a Tabela de VTNm somente foi baixada em março de 1.995. Assim, a toda evidência, a menos que se conferisse efeito retroativo à tabela de março/95, o valor então declarado pelo contribuinte teria de cingir-se à uma avaliação específica do imóvel a tributar". Observou, ainda, que "na transposição do exercício de 1993 para 1994, o critério de fixação do VTN mínimo experimentou mudanças marcantes, pela incidência temporal de três textos legais" e que "até a MP 339/93, o valor era de mercado, desobrigado o Fisco de recorrer a quaisquer entidades ou instituições." Prosseguiu o Relator: "A partir da Medida Provisória n.° 339;93, os preços da Terra Nua passam a ser levantados por entidades especializadas e instituições financeiras e, finalmente, após a vigência da Lei n.° 8.847/94, o mesmo levantamento ficou subordinado ao consenso entre a Secretaria da Receita Federal, o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, ou seja, o levantamento passou a ser efetuado exclusivamente por órgãos governamentais. Desprezada a MP que fixou um critério intermediário, uma vez que não convertida em lei, restou vigente a norma anterior até quando substituída pela Lei n.° 8.847/94. Tenho como certo que, com a rejeição, pelo Congresso Nacional, do § 2° do art. 30 da Medida Provisória n.° 397/93, que autorizava a imposição do VTNm quando inferior o valor declarado, fortaleceu, dentro da lógica jurídica, o critério do valor declarado, critério este, mais tarde temperado pelo § 4° do art. 3° da Lei n.° 8.847/94 que exigiu o Laudo Técnico, nas condições legalmente estatuídas, como o documento básico pela revisão do lançamento em causa pela Autoridade Administrativa. Cumpre lembrar, ainda, que a revisão de ofício de que trata a IN SRF n.° 16/96 foi favorável ao contribuinte, por isso que o VTNm de que trata a IN SRF n.° 42/96 em regra, ficou menor que o do exercício anterior, o que veio mostrar ter sido utilizada base de cálculo do imposto VTN não compatível com a realidade dos preços então praticados, o que ensejou, de forma geral, a revisão de ofício do exercício anterior. Tratando-se, pois, do 1TR, exercício de 1.994, em face do valor declarado pelo contribuinte e dos dados constantes do Laudo de Avaliação apresentado, voto pelo conhecimento e provimento do recurso, devendo prevalecer para os fins da revisão pretendida, o valor constante do Laudo de fls. 06." 4 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 O Voto Vencido do ilustre Conselheiro Valdemar Ludvig focou a discussão na validade do Laudo de fls. 06 (refutada na primeira instância) e na ausência da apresentação, pela contribuinte, de outro Laudo, como lhe foi facultado pela Câmara. Cumpre anotar que a douta 1 a Câmara, antes de prolatar a decisão, havia convertido, anteriormente, o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relatar, a fim de que o recorrente apresentasse novo Laudo Técnico, "emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica, como a EMA TER, ou por profissional devidamente habilitado com registro no CREA, onde deve constar o Valor da Terra Nua e dados referentes à qualificação do imóvel, meios de acesso, solo, plantações, criações, áreas isentas, inaproveitáveis, benfeitorias, se há energia elétrica, topografia, método de avaliação, fontes de pesquisa que ensejaram a convicção do valor atribuído ao imóvel e tudo o mais que existe no imóvel." O contribuinte não atendeu à diligência Em suas razões de recurso, o ilustrado Procurador da Fazenda Nacional assinalou que a Câmara converteu o julgamento em diligência, para que a contribuinte providenciasse um novo Laudo de Avaliação, o que denotava que o Laudo apresentado e a declaração expedida pelo Sindicato Rural de Palmeira das Missões não foram achados suficientes. Entende o Sr. Procurador que o Laudo de Avaliação ofertado pela contribuinte não é suficiente para demonstrar sua pretensão, porque "não tem, como se pode ver dele, na pg. 06, um mínimo de aceitabilidade, do ponto de vista do embasamento do seu conteúdo, demais, ainda que tivesse, faltar-lhe-ia o cumprimento de uma das exigências legais para ter validade como documento probante, qual seja a "Anotação de Responsabilidade Técnica" junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura — CREA, conforme Lei n.° 6.496177." 5 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 Devidamente intimada, a contribuinte não ofereceu contra- razões. É o Relatório. 6 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Conhecemos do Recurso Voluntário, por ser tempestivo, por atender aos demais requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. E, após a análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que é de se declarar a nulidade da Notificação de Lançamento constante dos autos. Explica-se... O processo é constituído de uma relação estabelecida através do vínculo entre pessoas (julgador, autor e réu), que representa requisitos material (o vínculo entre essas pessoas) e formal (regulamentação pela norma jurídica), produzindo uma nova situação para os que nele se envolvem. Essa relação traduz-se pela aplicação da vontade concreta da lei. Desde logo, para atingir-se tal referencial, pressupõe-se uma seqüência de acontecimentos desde a composição do litígio até a sentença final. Para que a relação processual se complete é necessári o cumprimento de certos requisitos, quais sejam (dentre outros): 7 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 Os pressupostos processuais — são os requisitos materiais e formais necessários ao estabelecimento da relação processual. São os dados para a análise de viabilidade do exercício de direito sob o ponto de vista processual, sem os quais levará ao indeferimento da inicial, ocasionando a sua extinção. As condições da ação (desenvolvimento) — é a verificação da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade da parte para a causa e do interesse jurídico na tutela jurisdicional, sem os quais o julgador não apreciará o pedido. A extinção do processo por vício de pressuposto ou ausência de condição da ação só deve prevalecer quando o feito detectado pelo julgador seja insuperável ou quando ordenado o saneamento, a parte deixe de promovê-lo no prazo que se lhe tenha assinado. A ausência desses elementos não permite que se produza a eficácia de coisa julgada material e, desde que não seja julgado o mérito, não há preclusão temporal para essa matéria, qualquer que seja a fase do processo. Inobservados os pressupostos processuais ou as condições da ação ocorrerá a extinção prematura do processo sem julgamento ou composição do litígio, eis que tal vício levará ao indeferimento da inicial. Nessa linha seguem as normas disciplinadoras no âmbito da Secretaria da Receita Federal, senão vejamos: "ATO DECLARATORIO NORMATIVO COSIT N.° 02 DE 03/02/1999: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretari 8 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.° 227, de 03/09/98, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso II, da Lei n.° 5.172/66 (CTN), nos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235/72 e no art. 6° da IN/SRF n.° 94, de 24/09/97, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN/SRF n.° 94, de 1997 — devem ser declarados nulos de ofício pela autoridade competente;(sublinhei) Dessa forma, pode o julgador desde logo extinguir o processo sem apreciação do mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. Agir de outra maneira, frente a um vício insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173 da Lei n.° 5.172/66 — CTN (nulidade por vício formal) que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Têm-se, por exemplo, o Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85. E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matrícula do autuante. Demonstrada está a eiva que conduz a nulidade da notificação de lançamento, não mais havendo o que comentar sobre ess 9 Processo n.° 13062.000210/96-31 Acórdão n.° CSRF/03-03.157 matéria. Diante do exposto, SOU PELA ANULAÇÃO DO PROCESSO, DESDE SEU INÍCIO, declarando nula a notificação de lançamento constante dos autos. Sala das Sessões, (DF), em 07 de maio de 2001 NIL N Á041Z BA OLI LAT 01.- lo Processo n° : 13062.000210/96-31 Recurso n° : RP/201-0.383 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Suj. Passivo : MARIA ALFHONSA VAN DER HEIJDEN AERNOUDTS Acórdão n° : CSRF/03-03.157 DECLARAÇÃO DE VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... li-locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Processo n° : 13062.000210/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.157 Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante lavratura de auto de infração. Art. 50 Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que apodam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. Processo n° : 13062.000210196-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.157 O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O Processo n° : 13062.000210/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.157 cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Processo n° : 13062.000210/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.157 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." Processo n° : 13062.000210/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.157 É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: Processo n° : 13062.000210/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.157 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. Processo n° : 13062.000210/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.157 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR@', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Processo n° : 11078.000021/96-54 Acórdão n° : CSRF/03-03.154 Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 07 de maio de 2001. ENRIQ •- PRADO MEGDA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13851.902218/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 18 /2 00 9- 78 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13851.902218/200978 Acórdão n.º 1302002.523 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902218/200978 Acórdão n.º 1302002.523 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902218/200978 Acórdão n.º 1302002.523 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902218/200978 Acórdão n.º 1302002.523 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902218/200978 Acórdão n.º 1302002.523 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 11831.001669/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 16 69 /2 00 7- 37 Fl. 792DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 794DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 796DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 797DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 798DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 799DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 800DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 801DF CARF MF Processo nº 11831.001669/200737 Acórdão n.º 9202005.850 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 802DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006723/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 67 23 /2 00 7- 11 Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.099 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403001.396, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 19 de junho de 2012 (efls. 991 a 1000). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. SERVIÇO PRESTADO POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. O inciso IV do art 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que é contribuição da empresa o valor de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência em relação ao período compreendido entre 03/2001 a 12/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.100 3 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Declarouse impedido o presidente Carlos Alberto Mees Stringari, Art. 42, inciso IV do Ricarf. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 30/08/2012 (efl. 1001) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresentou, inicialmente, Embargos de Declaração de efls. 1002 a 1007, não conhecidos consoante despacho de efls. 1010/1011. Novamente enviados os autos, agora para ciência da PGFN acerca da referida rejeição de embargos, em 08/02/2013 (efl. 1012), esta apresentou, em 22/02/2013 (e fl. 1025), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1013 a 1024). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 04/05/2009, no Acórdão 230100.183, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF e, ainda, em relação ao decidido, em 06/05/2009, no Acórdão 240100.120, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 230100.283 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/01/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal.No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.101 4 período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto.Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação.A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tornou legitimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 4o prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado Decisão: por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, rejeitadas as demais, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que aplicavam o artigo 150, §4° e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Acórdão 240100.120 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. JUROS SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.102 5 SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência dascontribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O artigo 35 da Lei no. 8.212/91, na nova redação conferida pela MP no. 449/2008, convertida na Lei no. 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP no. 449 à legislação previdenciária. Para a solução destes questionamentos, devese lembrar que "não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.103 6 um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum". Nesse contexto, impende considerar que a Lei no. 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP no. 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; b) A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei no. 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido, cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96; c) Por outro lado, como já ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei no. 9.430/96. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN. Assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigidos, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP no. 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei no. 11.941/09; d) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no. 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei no. 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei no. 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei no. 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Cita, ainda a necessidade de aplicação da IN RFB no. 971, de 2009. Requer, assim, que seja admitido e provido o presente recurso para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 da Lei no. 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei no. 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei no. 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35 da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei no. 8.212/91. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 1027 a 1030. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.104 7 Cientificada a autuada em 13/09/13 (efl. 1033), esta apresenta, em 30/09/13 (efl. 1035), contrarrazões de efls. 1035 a 1038, onde alega que: a) Entende que não deva ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, por entender que a divergência deva ser caracterizada entre decisões e ementas e não entre votos, sendo que nesta hipótese, não há divergência caracterizada entre os Acórdãos recorrido e paradigmas; b) Defende a aplicação do art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, na forma realizada pelo Colegiado recorrido, a partir do disposto no art. 106, II, "c" do CTN. Apresentou, ainda, a contribuinte, Recurso Especial de sua iniciativa de efls. 1042 a 1048 e anexos, o qual, todavia, teve seu seguimento negado, consoante despachos de efls. 1078 a 1085. Ainda, anexou a contribuinte, finalmente, petição de efls. 1075/1076, onde pugna pela aplicação do decidido pelo STF no âmbito do RE 595.838/SP ao caso sob análise, a partir do disposto no art. 62A do Regimento Interno deste CARF. É o relatório. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.105 8 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Rejeito a argumentação da contribuinte que a análise de divergência deva se limitar ao teor de decisum e ementa, uma vez que o teor do voto vencedor dos Acórdãos é parte integrante da decisão, a ser necessariamente utilizada para fins de caracterização da divergência interpretativa. Assim, conheço do Recurso e passo à análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.106 9 fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.107 10 de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.108 11 de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.109 12 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos da redação nova do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, limitandose ao percentual máximo de 20%, previsto no art. 61 da Lei 9.430, de 1996. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.110 13 Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.111 14 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.112 15 Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.113 16 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. De se ressalte, por fim, todavia, a necessidade de obediência, quando da execução do julgado, ao decidido no RE 595.838/SP, a partir do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB no 1, de 2014, e na Nota PGFN/CASTF nº 174, de 2015. Reza o julgado: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 11516.006723/200711 Acórdão n.º 9202006.158 CSRFT2 Fl. 1.114 17 equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1114DF CARF MF
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