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Numero do processo: 10940.000025/00-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. RESULTADO DA DILIGÊNCIA.
Uma vez que a diligência confirmou a existência de saldo suficiente para o suporta pleito do contribuinte, é de se reforma o despacho decisório que negou o ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-005.763
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. RESULTADO DA DILIGÊNCIA. Uma vez que a diligência confirmou a existência de saldo suficiente para o suporta pleito do contribuinte, é de se reforma o despacho decisório que negou o ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 00 25 /0 0- 20 Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 656 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 169 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma, DRJ/POR, que considerou parcialmente procedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Despacho Decisório, proferido pela DRF/Ponta Grossa (fls 133 e seguintes), homologando as declarações de compensação, mas mantendo o indeferimento em parte do pedido de ressarcimento relativo ao crédito presumido de IPI, referente ao período de janeiro a dezembro de 1998. Tratandose de retorno de diligência para essa Turma, guardome o direito de reproduzir, na íntegra, o relatório trazido pelo exconselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, quando da Resolução 3401000.873, de 11.12.2014, por bem resumir a lide: Trata o presente de pedido de ressarcimento de IPI invocando o disposto na Lei n° 9.363/96 e na Portaria MF n° 38/97, relativo ao crédito presumido do ano de 1998, com valor total de R$ 83.032,58, que a contribuinte cumula com pedidos de compensação às fls. 108, 109 e 111. A autoridade competente, na unidade de jurisdição indeferiu o pedido, sem análise do mérito, pelo fato da contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização, para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido. Ela, ainda, decidiu que os pedidos de compensação não se converteram em declarações de compensação, pois não respeitaram os requisitos da legislação, conforme teor do Parecer da PGFN/CDA/CAT n° 1499/2005. A Respeitável 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO considerou procedente em parte a contestação de inconformidade, para manter a não apreciação do mérito pelas razões da decisão da autoridade administrativa, mas para considerar tacitamente homologados os pedidos de compensação pelo decurso do prazo de cinco anos. O Acórdão n.º 1418.239, de 25 de janeiro de 2008, ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 657 3 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Solicitação Deferida em Parte A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou seus argumentos apresentados anteriormente e pediu reconhecimento do direito creditório pleiteado. O processo administrativo subiu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção em 27 de julho de 2010, quando o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução n.º 3402000.089. Pela objetividade e clareza de suas considerações, reproduzo excerto dessa Resolução: A empresa acima qualificada ingressou em 11 de janeiro de 2000 (fl. 01) com pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI de que trata a Lei 9.363 no montante de R$ 83.032,58. Segundo a informação contida no formulário, esse valor diria respeito a todo o ano de 1998. Em 18 de setembro de 2001, formalizou pedidos de compensação, também nos formulários instituídos pela IN 21/1997 (fls. 107, 108 e 109). Importa frisar que nos pedidos de compensação de fls. 108 e 109 indicou como origem de créditos outros processos (13931.000264/200193, 10940.000024/0067, 13931.000063/0071, 13931.000012/9924 e 13931.000265/200138) além deste. Há, ainda, um pedido (fl 107) que só relaciona direito creditório postulado no último processo acima (13931.000265/200138) e não se sabe porque foi juntado nestes autos. Por fim, a empresa postulou a retificação (fl. 110) de valores de débitos informados em outros pedidos de compensação (fls. 112 e 113) formalizados ambos em 31 de janeiro de 2000, por meio de novo pedido (fl. 111). Tanto no pedido original como na retificação, um dos débitos está vinculado ao direito creditório discutido no processo 10940.000024/0067 e apenas o outro vinculase a este. Da análise desses pedidos se percebe que a empresa somente pretendeu compensar com o direito creditório postulado neste processo crédito presumido do "ano de 1998 um montante de R$ 41.194,79. Depreenderseia daí que pretendesse receber a diferença em dinheiro. Essa conclusão, no entanto se vê complicada pela existência de outros processos versando direito creditório e comunicando compensações, como se verá. E como o contribuinte não conseguiu apresentar todos os documentos solicitados, em especial os livros fiscais escriturados eletronicamente para o ano de 1998, este seu pedido foi indeferido, sem efetivo exame pela DRF Ponta Grossa"por ausência de prova do direito" em despacho decisório de fls. 130 a 135. Esse despacho foi contestado junto à DRJ Ribeirão Preto, que considerou correto o indeferimento do crédito, embora reconhecendo que os pedidos de compensação formalizados em 18 de setembro de 2001, haviam sido convertidos em Declarações de Compensação na forma prevista na Lei 10.637, art. 49. Entendeu, ainda, que para tais situações tem aplicação o prazo para homologação tácita previsto na Lei 10.833, motivo pelo que considerou homologados os pedidos formalizados. Nisso, divergiu do despacho decisório que havia considerado que os pedidos de compensação de fls. 108, 109 e 111 não se haviam convertido em Dcomp porque Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 658 4 não haviam sido formalizados corretamente. O erro seria exatamente a indicação de diversas origens de crédito (processos diferentes) no mesmo formulário. A DRJ porém não considerou suficiente esse fato, e declarou homologadas as compensações formalizadas nos pedidos de fls. 108, 109 e 111. Nenhuma palavra se diz acerca do pedido de fl. 107 nem se esclarece se a homologação alcança todos os débitos listados nos outros três pedidos mesmo aqueles vinculados a outros processos. O recurso se insurge contra o indeferimento do direito creditório, que o contribuinte defende submeterse também a prazo homologatório. Postula, por isso, preliminarmente, que seja reconhecida a homologação tácita em relação também a ele. No mérito, aduz que não pode ter o benefício negado apenas porque não conseguiu atender no prazo à intimação expedida pela DRF em cumprimento da determinação judicial. Aponta ter sido exíguo o prazo concedido cinco dias úteis diante da complexidade e quantidade das informações requeridas, reiterando especialmente não estar obrigado à escrituração de forma eletrônica nos anos de 1998 e 1999. Requer, ao final, o deferimento da "parcela" não concedida. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator Desse relato, avulta a necessidade de esclarecimento inicial acerca do alcance os pedidos cuja apreciação foi objeto de determinação judicial e das decisões DRJ que sobre ele versaram. É especialmente crucial retirar qualquer dúvida acerca da existência de resíduo do crédito postulado neste processo que já não tenha sido absorvido por compensações deferidas, seja neste ou em outro qualquer dos processos examinados. E isso porque, do mesmo modo que neste processo constam pedidos de compensação com direito creditório postulado em outros processos administrativos, pode haver pedidos de compensação nesses outros processos que digam respeito ao direito creditório aqui postulado. E, se existentes, eles devem ter sido objeto de apreciação inicialmente pela DRF em obediência à determinação judicial e provavelmente objeto de manifestação de inconformidade. Dado esse caráter absolutamente confuso dos pedidos de compensação formalizados pelo contribuinte, mas aceitos pela DRJ, entendo essencial que a unidade preparadora inicialmente esclareça: · qual foi o montante de débitos que o contribuinte postulou, em todos os processos administrativos examinados em obediência à determinação judicial, fosse compensado com o direito creditório aqui argüido; · do montante acima, especificar qual o total de compensações já deferidas pela DRJ nos diversos processos examinados; Se o valor indicado no item b) for inferior ao total dos créditos aqui postulado, e somente nesse caso, que a DRF analise o pedido formalizado neste processo cujo crédito não pode ser negado por mera ausência de provas. Isso porque nos autos constam todas as informações necessárias ao seu cálculo, bastando cotejálas com os dados registrados na escrituração fiscal do contribuinte, que não precisa ser realizada de modo eletrônico no ano em questão. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 659 5 Definam então as autoridades administrativas o montante que admitem como crédito presumido para o período em questão. Caso o montante reconhecido seja inferior ao postulado pela empresa que se lhe dê novo prazo de trinta dias para eventual contestação. (...) Com relação aos pedidos de compensação, a autoridade da jurisdição, em atendimento ao item 'a' da Resolução acima citada, assim informou: "....identificouse que os débitos PARA os quais o contribuinte POSTULOU compensação com os créditos deste processo são aqueles indicados nos Pedidos de Compensação às fls. 108, 109 e 111:" Verificouse, ademais, conforme Acórdão n° 1418.239, expedido pela 2a Turma da DRJ/RPO (fls. 150 a 154), que tais Pedidos de Compensação foram convertidos em Declaração de Compensação, sendo tacitamente homologados pelo decurso do prazo previsto no § 5o do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Tendo em vista que o crédito utilizado para a homologação das compensações na data de seus respectivos pedidos é inferior ao crédito pleiteado nestes autos e considerando a determinação à fl. 170 de que a DRF/PTG proceda à análise do mérito no processo, encaminhese o presente processo à Seção de Fiscalização desta Delegacia SAFIS/DRF/PTG para análise do Pedido de Ressarcimento destes autos. (grifos nossos) A fiscalização da Delegacia da jurisdição analisou o pedido de ressarcimento e concluiu: por excluir da base "COMPRAS" para apuração do crédito presumido os valores referentes: (a) às aquisições de pessoas físicas, e (b) os valores referentes às transferências entre estabelecimentos; · por excluir das Receitas usadas como base para cálculo do crédito presumido (i) a parcela resultante à diferença entre os valores de exportação direta, ao cotejar as notas fiscais de venda com os Registros de Exportação (RE) e as Declarações de Exportação (DDE); e (ii) as exportações embarcadas em 1999. · que o valor apurado de crédito presumido foi de R$ 33.851, 34, ao invés de R$ 83.032,58 pretendido pela contribuinte. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, por meio da qual: · pede nulidade do despacho decisório recorrido por falha na utilização do banco de dados e conseqüente cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autoridade não demonstrou os parâmetros usados para a pesquisa e para o relatório que diminuíram o crédito pretendido; Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 660 6 · a incorreção da apuração por não ter considerado o valor do estoque inicial e ter excluído duplamente o estoque final. E também não ter considerado as exportações efetivamente realizadas (junta cópias de documentos que pretende comprovariam o alegado); por se ter excluídas as exportações com nota fiscal emitida em 1998 e embarcadas em 1999; por não ter excluído das receitas operacionais as correspondentes receitas de exportação. · que há decisão proferida com efeito de repercussão geral pelo STJ que validam as aquisições de pessoas físicas no caso em tela. O processo segue direto ao CARF e é incluído em pauta. É o relatório. Nas deliberações da época, restou consignado no voto do ilustre relator que: 1. A Lei Federal 9.363/1996, não estabeleceu essa vedação. O entendimento firmado pelo STJ, que, em sede de recurso repetitivo, assim julgou a matéria, por intermédio do REsp 993.164/MG, e que sendo aplicado pelos Conselheiros nos julgamentos tendo em vista o que dispõe o art. 62A, do RICARF. Assim, não devem ser excluídas as aquisições das pessoas físicas para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. 2. A data de embarque é secundária com relação à data da emissão da nota fiscal de venda combinada com a data do registro da Declaração de Exportação (DDE) e sua submissão a despacho de exportação. E na determinação da receita de exportação para apurar o crédito presumido na hipótese da Lei Federal 9363/1996, é a data da emissão da Nota fiscal de venda c/c a data da submissão a despacho de exportação válido que deve definir o período de apuração em que ela deve ser computada. 3. Entendo que o valor das exportações deve se pautar pelos valores em Reais constantes das notas fiscais, e as diferenças decorrentes das oscilações da taxa de câmbio devem atentar para o que dispõe o artigo 9º da Lei n. 9.363, de 1996. A variação monetária ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal de venda e a data do embarque da mercadoria para o exterior deve receber o tratamento de receitas/despesas financeiras, e não deve ser incluída no cálculo do percentual que definirá o valor da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Porém, o relator ressaltou a necessidade de novos esclarecimentos, nos termos de sua proposta de diligência: Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 661 7 (...) A meu juízo, há carência de informações para que se possa formar convicção da matéria em discussão. Pareceme que há divergências quanto ao modo de definir a base de cálculo do crédito presumido e necessidade de se determinar os valores que compõem essa definição, justificando as inclusões e as exclusões. Proponho a este Colegiado que este processo seja encaminhado à unidade de jurisdição para que ela providencie: > Demonstrativo de Crédito Presumido para determinar o valor do crédito presumido em questão, considerando o entendimento exposto nesta Resolução e Voto; que o demonstrativo discrimine as receitas de exportação direta e as indireta, os valores de estoque inicial e de estoque final e se eles incluem ou não os bens em estágio de produção e não vendidos, e outros fatores de exclusão ou inclusão de valores. > Ao fazêlo, apresente também quadro demonstrativo com as diferenças com relação ao Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) apresentado pelo contribuinte neste processo, justificando as diferenças e divergências. Às fls. 637642, seguem as conclusões da diligência efetuada pela unidade de origem que veio a reconhecer o valor originalmente pleiteado pela Recorrente: Desta forma, concluindose a diligência, utilizandose os parâmetros estabelecidos na Resolução nº 3401000.873, reconhecese o montante originalmente pleiteado pelo contribuinte no valor de R$83.032,58 (oitenta mil, trinta e dois reais e quinta e oito centavos), devendo ser deduzidos as compensações no montante de 41.194,79, restando um saldo de R$41.837,79(quarenta e um mil, oitocentos e trinta e sete reais e setenta e nove centavos). Após a manifestação da Recorrente concordando com o resultado da diligência, os autos foram reencaminhados para o CARF e a mim sorteados. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 662 8 O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acordão ocorreu em 03.03.2008 (fl 163) e o Recurso Voluntário foi protocolado em 02.04.2008 (fl 169), e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; pelo que é de conhecêlo. Do Mérito Analisando os termos das diligências anteriores, não vejo razão para discordar das conclusões exaradas pelos colegas de tribunal nas Resoluções mencionadas no relatório. Portanto, é o caso de tãosomente acolher o resultado da diligência proposta, que, às fls. 637642, veio a reconhecer o valor originalmente pleiteado pela Recorrente: Desta forma, concluindose a diligência, utilizandose os parâmetros estabelecidos na Resolução nº 3401000.873, reconhecese o montante originalmente pleiteado pelo contribuinte no valor de R$83.032,58 (oitenta mil, trinta e dois reais e quinta e oito centavos), devendo ser deduzidos as compensações no montante de 41.194,79, restando um saldo de R$41.837,79 (quarenta e um mil, oitocentos e trinta e sete reais e setenta e nove centavos). Diante do exposto, conheço do Recurso e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10940.000025/0020 Acórdão n.º 3401005.763 S3C4T1 Fl. 663 9 Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004741/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE.
A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-004.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE. A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte.
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TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE. A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 47 41 /2 00 6- 16 Fl. 264DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0416.123 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, a qual, por intempestividade, não tomou conhecimento da impugnação referente ao imóvel rural denominado Lote 05 Santa Clara, com NIRF n° 6.413.6086, localizado no Município de Vila Rica MT (fls. 237/240 e 246/259). Do Lançamento Tributário No que diz respeito ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CGE (fl. 238) mencionou o seguinte: Foi lavrado contra o contribuinte acima identificado, auto de infração de imposto territorial rural do exercício de 2002, no valor total de R$ 722.959,89 (setecentos e vinte e dois mil, novecentos e cinqüenta e nove reais e oitenta e nove centavos) relativo ao imóvel denominado Lote 05 Santa Clara localizado no Município de Vila Rica MT n° de inscrição na Receita Federal 6.413.6086, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 01 a 10. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, reduzindo a zero as áreas de utilização limitada que o contribuinte alega serem áreas de preservação permanente, por falta de especificação e localização dessas áreas de preservação permanente no laudo técnico apresentado, além da falta do requerimento do ADA ao IBAMA. A autoridade fiscal verificou também a inexistência de averbação das áreas de reserva legal, e, desconsiderou a avaliação da terra nua apresentada por lhe faltar as condições mínimas para que o laudo técnico pudesse ser aceito. Quanto à área de produtos vegetais que o contribuinte alega serem áreas de pastagens também não foi aceita nessa forma, pois, a ficha de vacinação referese a outro imóvel e não ao imóvel objeto do presente lançamento. Com as alterações efetuadas, houve redução do grau de utilização, aumento da alíquota do imposto, aumento do imposto territorial rural e aumento do VTNT. Da Ciência ao Contribuinte Para efeito de notificação do lançamento do ITR/2002, consignado no auto de infração que consta no presente processo, foram encaminhadas ao contribuinte quatro correspondências, sendo três para o endereço do contribuinte e uma para o endereço do procurador, conforme avisos de recebimentos AR (fls. 131/134). Com o mesmo objetivo, em 14 de dezembro de 2006, houve a publicação do edital intimado o contribuinte para tomar ciência do referido auto de infração (fl. 135). Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10183.004741/200616 Acórdão n.º 2202004.949 S2C2T2 Fl. 265 3 Das correspondências encaminhadas contendo o auto de infração, constam os registros do efetivo recebimento do documento em dois avisos de recebimento. No AR referente ao documento que foi encaminhado para o endereço do procurador, consta a assinatura, mas não consta data do recebimento (fl. 132), em outro AR consta a assinatura e a data de 02 de janeiro de 2007 confirmando o recebimento do auto de infração (fl. 134). Em outros dois AR, não constam a assinatura e nem a data de recebimento das correspondências (fls. 131/133). Da Impugnação O contribuinte apresentou a impugnação em primeiro de fevereiro de 2007, conforme documento anexado às folhas 145/160 e 234. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Cuiabá/MT encaminhou o processo para julgamento na DRJ/CGE, atestando a tempestividade da impugnação reconhecendo a data de ciência ao contribuinte em 02/01/2017, nos termos: "O contribuinte tomou ciência do AI em 02/01/2007, AR de fls. 119, impugnando tempestivamente a exigência em data de 01/02/2007, fls. 130." conforme termo de encaminhamento (fl. 234). Da Análise da Tempestividade pela DRJ/CGE A DRJ/CGE, quando analisou a tempestividade da impugnação, considerou como ciência a data de entrega do auto de infração no endereço do procurador e desconsiderou a data da entrega do auto de infração no endereço do contribuinte, nos seguinte termos (fl. 239): A impugnação foi apresentada intempestivamente, pois, a ciência do contribuinte do lançamento ocorreu em 22.12.2006, conforme AR de fls. 117, juntado nessa data, feita ao procurador devidamente constituído, fls. 50, que recebera a intimação preliminar e apresentou as alegações iniciais, conforme fls. 30 a 32 em 08.11.2005 e a impugnação somente foi apresentada em 01.02.2007, quarenta dias após a regular ciência ao procurador. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Ao apreciar o caso em questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), por intempestividade, não tomou conhecimento da impugnação, conforme transcrição da ementa a seguir (fl. 237): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. A impugnação apresentada após trinta dias da ciência do lançamento ao contribuinte não cumpre um dos requisitos essenciais para ser conhecida, de conformidade com as normas de regência. Impugnação não Conhecida Fl. 266DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ/CGE, em 24/12/2008, conforme Aviso de Recebimento AR (fls. 245), apresentou, em 23/01/2009, recurso voluntário (fls. 246/259). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CGE contestando o não conhecimento da impugnação por intempestividade, afirmando que apresentou tempestivamente a sua defesa dentro do prazo legal, requerendo a reforma da decisão proferida DRJ/CGE e que seja declarada a tempestividade da sua impugnação (fl. 249): A decisão da DRJ/CGE deve ser reformada e declarada a tempestividade da impugnação, retornando os autos àquela Corte Administrativa para julgamento, pois contrária ao direito, à Constituição Federal, à norma legal que disciplina O procedimento administrativo fiscal e à jurisprudência dos Conselhos e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No caso da ciência do auto de infração, o requerente questionou que a notificação de lançamento foi encaminhada por via postal pela fiscalização para diversos endereços, apresentando as seguintes alegações: "Porém, contrariando a legislação fiscal, postou, ao mesmo tempo, ou seja, aos 07.12.2006, correspondências via AR para o antigo endereço da DITR/2002, duas vezes para o domicílio correto do sujeito passivo e para o endereço da procuração de fls. 50." Antes do retorno dos Avisos de Recebimentos AR referentes aos documentos postados nos Correios com destino a endereço localizados em outros Estados da Federação (Bahia, São Paulo e Goiás), a Fiscalização publicou edital de intimação. Que a intimação do contribuinte deve ser realizada nos termos do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72,vigente à época da ação fiscal. "De plano, verificase que a legislação não traz previsão legal de intimação postal no endereço do procurador do sujeito passivo, sendo que as únicas hipóteses de validade da intimação do procurador são no caso do inciso I do caput (intimação pessoal) ou no caso de recebimento via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (inciso II)." "Só por este fato já se vê que não é correta a alegação da decisão recorrida, de validade da intimação do procurador em seu escritório em GoiâniaGO. Por outro lado, há que se considerar que a referida procuração tinha, à época da intimação, mais de ano de vigência, já tendo perdido seus poderes." "D'outra feita, se a Autoridade Fiscal postou todos os AR na mesma data, é óbvio que deve ser dado maior valor ao que corresponde ao do sujeito passivo e de seu domicílio eleito, pois é o que garante maior eficácia ao comando constitucional que estabelece o princípio da ampla defesa e do contraditório (art. 5°, LV, da CF/88)." "Do exposto, deve ser reconhecida a tempestividade da impugnação apresentada, uma vez que o processo administrativo deve, sempre que possível, atender aos fins de interesse público e interpretação dos fatos e da norma legal segundo padrões de boa fé visando atender aos direitos dos cidadãos, conforme disposto na Lei n° 9.784/ 99." Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10183.004741/200616 Acórdão n.º 2202004.949 S2C2T2 Fl. 266 5 "No caso em tela, evidente que a intimação mais correta é aquela feita no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e recebida formalmente por sua esposa, devendo ser afastadas as demais intimações feitas por atropelo da autoridade fiscal, assim como reconhecendo a tempestividade da impugnação apresentada." O Recorrente, com o objetivo de corroborar seus argumentos, ainda apresentou, ao longo das folhas 254/256, acórdãos de decisões proferido pelo CARF. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que (fls. 258/259): "Anulação da decisão recorrida, com o reconhecimento da tempestividade da impugnação apresentada, nos termos dos fundamentos acima; Acolhido o pedido, declaração de extinção do crédito tributário constituído pelo auto de infração em tela, em razão da constatação da ocorrência da decadência do direito de constituir o mesmo, por se tratar o ITR de tributo sujeito à homologação e, portanto, regido pelo art. 150, § 4°, do CTN; Alternativamente, caso assim não entenda a Câmara, remessa dos autos à DRJ/CGE para apreciação da impugnação apresentada tempestivamente pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com os autos, o ponto central da lide consiste em saber qual o momento que houve a ciência do contribuinte em relação ao lançamento consignado no auto de infração. A DRJ/CGE considerou como ciência, 22/12/2006, data da entrega do auto de infração no endereço do procurador. Por outro lado, o recorrente contestou afirmando que a ciência ao auto de infração ocorreu em 02/01/2007, data em que ele recebeu os documentos em seu domicílio, que não existe previsão legal para encaminhar o auto de infração para o endereço do procurador, citando o artigo 23 do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, e que o edital somente deveria ser publicado quando fosse constatado a impossibilidade de intimálo pessoalmente ou por via postal. Assim, após analisar o que consta nos autos e observar as alegações apresentadas pelo recorrente, entendo que a data da intimação, para efeito de tomar ciência da notificação do lançamento, deve ser considerada 02/01/2007. Isto porque, essa é a data que consta no aviso de recebimento referente à correspondência com o auto de infração encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte, conforme disciplina o inciso II, do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 268DF CARF MF 6 Art. 23. Farseá a intimação: I (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III (...) (grifo não faz parte do original). No mesmo sentido, cabe registrar ainda que a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Cuiabá/MT, quando do encaminhamento dos autos para julgamento na DRJ/CGE, considerou 02/01/2007, como a data da ciência do contribuinte, de forma a verificar e atestar a tempestividade da impugnação (fl. 234). Além do mais, entendo que no presente caso não caberia a publicação do edital intimando o contribuinte a tomar ciência do auto de infração do ITR, uma vez que a intimação por via postal foi realizada de maneira profícua, conforme consta nos autos (fl. 134). Isto posto, entendo também que assiste razão ao recorrente no tocante à alegação de que apresentou tempestivamente a impugnação e por este motivo, o presente processo deve retornar à DRJ/CGE para que seja apreciado o mérito da impugnação apresentada pelo contribuinte, na qual contesta o lançamento, caso inexistam outras circunstâncias impeditivas para tal análise. Em relação as alegações de mérito apresentadas pelo recorrente, entendo que a análise neste CARF fica prejudicada tendo em vista que tal análise acarretaria supressão de instância. Á vista disso, de acordo com a apreciação realizada neste voto, rejeito o pedido de anulação da decisão e da extinção do crédito tributário, porém acato o pedido de reconhecimento da tempestividade da impugnação apresentada. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10183.004741/200616 Acórdão n.º 2202004.949 S2C2T2 Fl. 267 7 Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003144/00-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1995
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. LEI Nº 8.541/1992.
Em relação aos fatos geradores ocorridos ao tempo de vigência do artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, o Fisco deve constituir de ofício o crédito tributário de imposto de renda exclusivo na fonte, à alíquota de 35 %, como reflexo do lançamento de ofício de IRPJ, efetuado em razão da verificação da receita omitida pelo contribuinte, na apuração do IRPJ espontaneamente apurado com base no lucro presumido.
Numero da decisão: 9101-003.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1995 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. LEI Nº 8.541/1992. Em relação aos fatos geradores ocorridos ao tempo de vigência do artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, o Fisco deve constituir de ofício o crédito tributário de imposto de renda exclusivo na fonte, à alíquota de 35 %, como reflexo do lançamento de ofício de IRPJ, efetuado em razão da verificação da receita omitida pelo contribuinte, na apuração do IRPJ espontaneamente apurado com base no lucro presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-01-04T18:40:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-01-04T18:39:11Z; Last-Modified: 2019-01-04T18:40:44Z; dcterms:modified: 2019-01-04T18:40:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:5f59760b-4394-4180-aa8c-e44837a875b9; Last-Save-Date: 2019-01-04T18:40:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-01-04T18:40:44Z; meta:save-date: 2019-01-04T18:40:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-01-04T18:40:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-01-04T18:39:11Z; created: 2019-01-04T18:39:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-01-04T18:39:11Z; pdf:charsPerPage: 1628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-01-04T18:39:11Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 818 1 817 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.003144/0035 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.960 – 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria IRRF LUCRO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MCF COMERCIAL DE FRUTAS LTDA ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1995 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. LEI Nº 8.541/1992. Em relação aos fatos geradores ocorridos ao tempo de vigência do artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, o Fisco deve constituir de ofício o crédito tributário de imposto de renda exclusivo na fonte, à alíquota de 35 %, como reflexo do lançamento de ofício de IRPJ, efetuado em razão da verificação da receita omitida pelo contribuinte, na apuração do IRPJ espontaneamente apurado com base no lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 44 /0 0- 35 Fl. 818DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 819 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de processo originado por Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRFONTE, quanto aos anos de 1995 a 1999, com imposição de multa de 75% (Auto de Infração de IRFONTE às fls. 425, pdf. 110, volume 2). Consta do Auto de Infração como fundamento da exigência de IRF matéria ainda em debate neste processo, tratando apenas de fatos geradores em 1995: Art. 739 do RIR/94 Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 492/94, convalidada pela Lei nº 9.064/95. Art. 62 da Lei nº 8.981/95; Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com redação dada pelo artigo 3º da Lei nº 9.064/95 O Relatório Fiscal justifica a exigência de IRFONTE da forma seguinte (volume 2, pdf 90): Nos períodos fiscalizados, 1995 a 1999, o contribuinte, conforme declarações de rendimentos apresentadas (doc. 310 a 384), tributou seus resultados com base no Lucro Presumido. (...) Igualmente, estamos efetuando o lançamento de ofício do IRRF Imposto de Renda Retido na fonte incidetne sobre as infrações apuradas no anocalendário de 1995, as quais são caracterizadas como omissão de receitas, conforme já mencionado anteriormente. (pdf. 99, volume 2) Após a apresentação de Impugnação Administrativa (fls. 447, pdf. 131, volume 2), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre por manteve o lançamento em parte, conforme acórdão às fls. 510 (volume 2). O lançamento de IRFonte foi integralmente mantido pela DRJ. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 554, volume 3, pdf 2), ao qual a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu parcial provimento (acórdão 1201000.904, fls. 754). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 820 3 No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação e com regime de apuração mensal, aplicase, quando houver pagamento, o prazo decadencial de cinco anos, contados a partir da data do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1995 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) consiste em mero instrumento de controle interno, criado para a seleção e o planejamento das atividades de fiscalização da Receita Federal. Não macula o lançamento efetuado a extensão dos efeitos previstos no Mandado de Procedimento Fiscal porque a relação jurídica instaurada entre a autoridade e o contribuinte não se inaugura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. As presunções legais associadas à ocorrência de saldo credor de caixa e suprimento de numerário não se restringem à sistemática de apuração do lucro real, mas se aplicam, também, ao lucro presumido. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. SALDO CREDOR DE CAIXA. É cabível a aplicação concomitante das presunções legais de que tratam os artigos 228 e 229 do RIR/94, se a conta caixa persiste com saldo credor, apesar dos suprimentos de numerário registrados. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE Indevida a aplicação da regra contida no art. 739 do RIR/94 para fins de cobrança de IRFonte, na hipótese e que a Pessoa Jurídica apurou seu IRPJ pelo regime de tributação do Lucro Presumido Em síntese, a Turma rejeitou preliminares, reconheceu a decadência quanto aos fatos ocorridos entre junho e setembro de 1995, relativos ao suprimento de caixa. No mérito, excluiu a incidência do IRFonte. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 23/09/2015 (fls. 780), que interpôs recurso especial em 28/10/2015 (fls. 781). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária quanto à exigência de IRFonte sobre omissão de receitas de empresas submetidas ao lucro presumido, apontando como paradigma os acórdão nº 107 Fl. 820DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 821 4 08.141 (processo administrativo nº 10860.001963/0073) e 10708.756 (processo administrativo nº 15374.001879/9940). O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), destacandose trecho desta decisão (fls. 796): Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigmas, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido concluiuse pela não incidência do IRRF sobre omissão de receitas de empresas submetidas à apuração do tributo pelo lucro presumido, mas apenas sobre aquelas submetidas à apuração pelo lucro real. A decisão recorrida afirma que apesar da ocorrência da omissão de receita evidenciada nos autos, é incabível a cobrança da exigência lançada com fundamento no art. 739 do RIR/94. Quanto aos paradigmas nº 10708.141 e 10708.756, entenderam que há incidência de IRRF, nos termos do art. 44 da Lei nº 8.541/1992, sobre a omissão de receitas mesmo em relação às empresas submetidas à apuração pelo lucro presumido. (...) Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, e em cumprimento ao disposto no inciso III do art. 18, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a matéria em discussão. Com a publicação de edital, o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão recorrido, recurso especial e decisão que admitiu este recurso (fls. 803), sem que tenha se manifestado nos autos. A unidade de origem, assim, transferiu débitos definitivos para o processo administrativo nº 11065721.135/201640 (fls. 807). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto a decisão do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial da Procuradoria. Passo à análise do mérito, lembrando que a única matéria devolvida é a exigência de IRFOnte de pessoa jurídica submetida à apuração do IRPJ sob a sistemática do lucro presumido. Lembro os dispositivos legais que fundametaram o auto de infração de IRFonte: Fl. 821DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 822 5 Art. 739 do RIR/94 Art. 44 da Lei nº 8.541/92 com a redação dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 492/94, convalidada pela Lei nº 9.064/95. Art. 62 da Lei nº 8.981/95; Reproduzo a íntegra do artigo 739, do RIR/1994 (Decreto 1.041/1994): Rendimentos Diversos SEÇÃO I Omissão de Receita Art 739. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 25%, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, a qual será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sem prejuízo da incidência do imposto da pessoa jurídica (Lei n° 8.541/92, art. 44). § 1° Para efeito da incidência de que trata este artigo, considerase ocorrido o fato gerador no mês da omissão ou da redução indevida, não se aplicando o reajustamento previsto no art. 796 (Lei n° 8.541/92, art. 44, 1°). § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios (Lei n° 8.541/92, art. 44, § 2°). O artigo 44, da Lei nº 8.541/1995, também referido pelo Auto de Infração, é o fundamento legal do artigo 739 e tinha a seguinte redação: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. (grifamos( Fl. 822DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 823 6 A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 revogou o artigo 44, conforme expressa previsão de seu artigo 36, IV: Art. 36. Ficam revogadas as disposições em contrário, especialmente: (...) IV os arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992; A Lei nº 9.249/1995 teve efeitos a partir de 1º de janeiro de 1995, como expressamente menciona seu artigo 35: Art. 35. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996. Assim, no momento dos fatos nos presentes autos, vigia o artigo 44, acima reproduzido, com redação conferida pela MP 492/1994, convertida na Lei nº 9.065. Finalmente, o artigo 62 da Lei nº 8.981/1995 último dispositivo legal mencionado no auto de infração, apenas especifica alíquota do IRFOnte: Art. 62. A partir de 1º de janeiro de 1995, a alíquota do Imposto de Renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei nº 8.541, de 1992, será de 35%. O acórdão recorrido afastou a aplicação do artigo 739, do RIR/1994, por entender aplicável às pessoas jurídicas que apurassem o lucro pelo regime real, conforme voto vencedor elaborado pelo Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado: Ouso aqui discordar do brilhante voto do Conselheiro Relator em relação à incidência do IRFOnte em relação à incidência do IRFOnte e trago abaixo minhas razões de discordância. Isso porque, da leitura do art. 739 do RIR/94, concluo restar claro que o objetivo do legislador é inequívoco ao direcionar seu conteúdo apenas àqueles tributados pelo regime de apuração do lucro real, vez que, ao determinar a tributação pelo regime de apuração do lucro real, vez que, ao determinar a tributação na na fonte, menciona que a incidência ocorre por ocasião da identificação de receita omitida ou diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido. Considerando que somente as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real estão obrigadas a apurar o lucro líquido, resta claro que tal dispositivo não alcança aqueles que apuram o IRPJ a pagar através da sistemática do lucro presumido. Dessa forma, não obstante a ocorrência da omissão de receita tenha sido devidamente evidenciada nos autos, é incabível a cobrança da exigência lançada com fundamento no art. 739 do RIR/1994. Com efeito, a expressão "redução indevida do lucro líquido" revela que o alcance do citado artigo 44, da Lei nº 8.541/1992, reproduzido no artigo 739 do RIR/1994, é apenas quanto às pessoas jurídicas submetidas à tributação pelo lucro real. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 824 7 Assim, o acórdão recorrido não merece reparos. Ressalto que a Lei nº 9.065/1995 alterou o artigo 43, da mesma Lei nº 8.541/1992, para estabelecer que a omissão de receita tratada por tal dispositivo também se aplicaria às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Com efeito, o §2º do artigo 43, da Lei nº 8.541/1992 previa antes da Lei nº 9.065/1995: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo.http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9249.htm art36 Com a alteração pela Lei nº 9.065, o citado artigo 43 passou a dispor expressamente sobre a possibilidade da receita omitida compor a determinação também do lucro presumido ou arbitrado: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. A mesma ressalva não foi expressa pela Lei nº 9.065/1995 quando alterou o artigo 44, que trata do IRFonte. Tal fato reforça a impossibilidade de cobrança do IRFonte, o que corrobora o acerto do acórdão recorrido. Diante de tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator Designado Fl. 824DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 825 8 Com a devida vênia, ouso discordar da ilustre Relatora. De início, reproduzse, abaixo, o quadro com as infrações verificadas na auditoria contábilfiscal, com a indicação dos dispositivos legais que embasaram o lançamento do imposto de renda exclusivo na fonte: Portanto, a Fiscalização apontou duas ocorrências distintas, que caracterizam, cada uma delas, prática de omissão de receitas à tributação do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), determinado com base nas regras do lucro presumido, para o anocalendário de 1995. Como consequência do lançamento do IRPJ fundado em fatos geradores decorrentes das receitas omitidas, lavrouse o auto de infração de imposto de renda exclusivo na fonte (IRRF), exigência reflexa ao lançamento de IRPJ, com supedâneo no artigo 739 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041/1994 (RIR/94), verbis: "Art 739. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 25%, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, a qual será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sem prejuízo da incidência do imposto da pessoa jurídica (Lei n° 8.541/92, art. 44). § 1° Para efeito da incidência de que trata este artigo, considerase ocorrido o fato gerador no mês da omissão ou da redução indevida, não se aplicando o reajustamento previsto no art. 796 (Lei n° 8.541/92, art. 44, 1°). § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios (Lei n° 8.541/92, art. 44, § 2°)." Como se pode observar, o artigo 44 e §§ da Lei nº 8.541/1992 é a matriz legal do artigo 739 do RIR/94. Segundo a ilustre relatora, "a expressão "redução indevida do lucro líquido" revela que o alcance do citado artigo 44, da Lei nº 8.541/1992, reproduzido no artigo 739 do Fl. 825DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 826 9 RIR/1994, é apenas quanto às pessoas jurídicas submetidas à tributação pelo lucro real". Isso a conduziu ao entendimento de que o preceito insculpido no artigo 739 do RIR/94 não deveria incidir sobre contribuintes que regularmente optaram pelo regime de tributação do IRPJ com base no lucro presumido. Contudo, é importante destacar a conjunção "ou" que interliga as seguintes alternativas fáticas, cuja concretização é necessária para a aplicação do artigo 739 do RIR/94: a) "receita omitida"; ou b) "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido". Ora, toda receita omitida, tratandose de tributação com base no lucro real, pode ser compreendida no domínio do significado da expressão "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido". Vale dizer que, nos termos do voto vencido, o texto normativo teria um trecho inútil, porque redundante, na parte em que se refere à "receita omitida", porquanto a situação por ela abrangida ["receita omitida"], para o contribuinte sujeito à tributação do IRPJ com supedâneo no lucro real, já está compreendida na abrangência de uma situação mais ampla, referida no mesmo dispositivo da legislação tributária ["qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido"]. Essa inutilidade de parte da redação do dispositivo legal já sinaliza para o equívoco da interpretação. Logicamente, a situação fática a que alude a expressão "receita omitida" deve corresponder a eventos distintos daqueles que podem ser abarcados pelo significado da expressão "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido". De imediato, vislumbrase que as possibilidades concretas ajustáveis, por adequação típica, à expressão "receita omitida" sejam outras que não repercutam na redução indevida do lucro líquido. Se o lucro real, no que tange às modalidades de determinação do IRPJ, é a única que depende de prévia apuração do lucro líquido, obviamente a expressão "receita omitida" deve ser aplicada às demais modalidades de apuração do IRPJ, ou seja, aos contribuintes que apurem esse imposto com base no lucro presumido ou arbitrado. Entretanto, a descoberta do âmbito material da norma que determina a exigência reflexa do imposto de renda na fonte, fixada no caput do artigo 739 do RIR/94, impõe que se considere a expressão "qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido", em conjunto com prescrição do § 2º do artigo 739 do RIR/94 (§ 2º do artigo 44 da Lei nº 8.541/1992), de acordo com a qual "o disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios". Em outras palavras, a tributação do imposto de renda exclusivo na fonte, na forma do artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, deve recair (i) sobre as omissões de receita, bem como (ii) sobre as reduções indevidas do lucro líquido mediante artificialismos com a contabilização de despesa ou custo fictícios, desde que, nessa última hipótese, caiba a presunção, pela natureza da dedução, de transferência, da pessoa jurídica para seus sócios, do valor ficticiamente contabilizado. Mas, deixando de lado as situações relacionadas à redução indevida do lucro líquido em decorrência da contabilização de despesa ou custos fictício, é inegável que a Lei nº 8.541/1992 instituiu, em seus artigos 43 e 44, uma disciplina específica de tributação do IRPJ e do imposto de renda exclusivo na fonte sobre as omissões de receitas, a incidir sobre a pessoa jurídica omitente, independentemente de apurar o IRPJ com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Reparese: Fl. 826DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 827 10 "Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta do mês da omissão. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 4º Considerase vencido o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência UFIR pelo valor desta fixado para o mês da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 4º Consideramse vencidos o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. § 1º O fato gerador do Imposto de Renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 827DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 828 11 § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) (grifei) Diante dos textos dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992, o voto vencido proclamou que a tributação do imposto de renda exclusivo na fonte não pode recair sobre a omissão de receita, verificada no curso de auditoria instaurada para examinar a regularidade tributária de contribuinte optante pelo lucro presumido, apoiandose na alteração legislativa iniciada pela Medida Provisória nº 492/1994, finalmente incorporada ao então vigente § 2º do artigo 43 da Lei nº 8.541/1992 por força da Lei nº 9.064/1995, aliandose ao fato de que não houve semelhante mudança na redação do artigo 44. Observese o voto vencido, nesse ponto: "Com efeito, o §2º do artigo 43, da Lei nº 8.541/1992 previa antes da Lei nº 9.065/1995 [rectius, Lei nº 9.064/1995]: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo.http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9249.htm art36 Com a alteração pela Lei nº 9.065 [rectius, Lei nº 9.064/1995], o citado artigo 43 passou a dispor expressamente sobre a possibilidade da receita omitida compor a determinação também do lucro presumido ou arbitrado: Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. A mesma ressalva não foi expressa pela Lei nº 9.065/1995 [rectius, Lei nº 9.064/1995] quando alterou o artigo 44, que trata do IRFonte. Tal fato reforça a impossibilidade de cobrança do IRFonte, o que corrobora o acerto do acórdão recorrido." (grifei) Certo que o § 2º do artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, com a redação dada pela Lei nº 9.064/1995 (cuja origem remonta à MP nº 492/1994), prescrevia que o valor da receita omitida não podia compor "a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos". Isso não significa que o imposto de renda exclusivo na fonte não deveria incidir sobre a omissão de receita praticada por contribuinte optante pela tributação do IRPJ com fulcro no lucro presumido. O § 2º do artigo 43 em conjunto com o caput desse artigo traduz, isso sim, um regime de tributação definitivo e separado do próprio IRPJ incidente sobre a receita omitida, à aliquota de 25%. De acordo com tal regramento, a receita omitida não deveria ser adicionada à base de cálculo do IRPJ (lucro real, presumido ou arbitrado) anteriormente apurada pelo contribuinte, para fins de recálculo do IRPJ e cobrança de eventual diferença. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 11065.003144/0035 Acórdão n.º 9101003.960 CSRFT1 Fl. 829 12 Por outro lado, e confirmando o que se salientou adrede, o artigo 523, § 3º, do RIR/94, remetia o aplicador diretamente ao artigo 739 do mesmo Regulamento, uma vez constatada a omissão de receita do contribuinte optante pela tributação do IRPJ pelo lucro presumido: "Art. 523. A base de cálculo do imposto será determinada mediante a aplicação do percentual de 3,5% sobre a receita bruta mensal auferida na atividade, expressa em cruzeiros reais (Lei n° 8.541/92, art. 14). § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei n° 8.541/92, art. 14, § 1°): a) três por cento sobre a receita bruta mensal auferida na revenda de combustível; b) oito por cento sobre a receita bruta mensal auferida sobre a prestação de serviços em geral, inclusive sobre os serviços de transporte, exceto o de cargas; c) vinte por cento sobre a receita bruta mensal auferida com as atividades de: 1. prestação de serviços, cuja receita remunere essencialmente o exercício pessoal, por parte dos sócios, de profissões que dependam de habilitação profissional legalmente exigida; e 2. intermediação de negócios, da administração de imóveis, locação ou administração de bens móveis; d) 3,5% sobre a receita bruta mensal auferida na prestação de serviços hospitalares. § 2° No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei n° 8.541/92, art. 14, § 2°). § 3° Verificada omissão de receitas, os valores serão tributados na forma dos arts. 739 e 892 (Lei n° 8.541/92, arts. 43 e 44). (grifei) Por fim, não se pode perder de vista que o artigo 62 da Lei nº 8.981/1995, originário da Medida Provisória nº 612/1994, alterou a alíquota do imposto de renda exclusivo na fonte, estabelecida pelo artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, para 35%, a partir de 01/01/1995: "Art. 62. A partir de 1° de janeiro de 1995, a alíquota do imposto de renda na fonte de que trata o art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, será de 35%." Em face do exposto, conheço do apelo fazendário para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 829DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902719/2016-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.577
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 71 9/ 20 16 -8 3 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13851.902719/201683 Resolução nº 3402001.577 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13851.902719/201683 Resolução nº 3402001.577 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13851.902719/201683 Resolução nº 3402001.577 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.900092/2006-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO.
Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição.
Numero da decisão: 3001-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 00 92 /2 00 6- 76 Fl. 102DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Compensação Tratase de declaração de compensação n. 08476.78401.130803.1.3.045526, retificada pela de n. 15239.38216.020408.1.7.041973 de créditos de PIS do período de outubro de 2002, no valor de R$ 622,82 (seiscentos e vinte e dois reais e oitenta e dois centavos). Despacho Decisório A autoridade fiscal concluiu por não estar comprovado o direito creditório de PIS relativo a outubro de 2002, afirmando que os pagamentos realizados foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, portanto, indeferiu o pedido de compensação. Ademais, a DRF/SJR entendeu que houve exclusão indevida da base de cálculo da contribuição em relação a valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais e etc, sendo despesas inerentes à atividade do contribuinte de plano de saúde, havendo, portanto, débito de PIS a ser recolhido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, o recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal quanto ao direito creditório de PIS e à compensação pleiteada. Base de cálculo do PIS Alega o manifestante que as exclusões por ele realizadas da base de cálculo estão corretas, uma vez que o PIS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, que, no presente caso, não engloba as receitas obtidas com prestadores de serviços, hospitais e etc, mas apenas as contraprestações dos usuários de seus planos de assistência à saúde. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1430.904 – 1ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 20 de setembro de 2010 Processo 10850.900092/200676 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10850.900092/200676 Acórdão n.º 3001000.680 S3C0T1 Fl. 103 3 Interessado SÃO DOMINGOS SAUDE ASSISTÊNCIA MÉDICA S/C LTDA CNPJ/CPF 00.636.975/000100 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Interpretase literalmente a legislação que trata da exclusão do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 111, do CTN. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. CONDIÇÃO ESSENCIAL. Nos termos do disposto no art, 170, do CTN, a condição essencial para a compensação tributária é a comprovação da liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Não efetuada essa comprovação, não é de se homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o presente de Declaração de Compensação apresentada pelo interessado utilizando o como crédito pagamento indevido do PIS referente ao período de apuração outubro de 2002, relacionado no Despacho Decisório, fls. 45. Através do Despacho Decisório de fls. 43/46, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas em virtude da verificação da inexistência do crédito apresentado para a compensação. Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a título de “Outras Exclusões” valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. Essas exclusões não foram aceitas, pois não autorizadas legalmente e, refeita a base de cálculo, verificouse que o valor devido do PIS e da Cofins, nos referidos períodos de apuração, era até superior aos valores efetivamente pagos. Assim pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, ou seja, de crédito, não homologou as compensações e determinou a cobrança do crédito tributário não compensado. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 55/62, alegando, em breve síntese, o seguinte: a) No mérito, alega que é operadora de planos de saúde, nos termos da Lei n° 9.656, de 1998, discorre sobre o conceito de faturamento, concluindo que, no seu caso, adstringese ao resultado das receitas decorrentes do serviço que presta, consubstanciado nas contraprestações auferidas dos beneficiários dos planos de assistência à saúde que opera. Fl. 104DF CARF MF 4 b) Conclui que não há de se falar em exclusão indevida da base de cálculo da Cofins relativamente aos valores pagos a prestadores de serviço, clínicas, hospitais e outros assemelhados, uma vez que sequer tais valores fazem parte da base de cálculo do tributo. Ao final, requer o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação declarada. A DRJ considerou não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo do PIS realizadas pelo impugnante, bem como que inexiste comprovação da liquidez e certeza do crédito da contribuição. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, o recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Base de cálculo do PIS Aduz o recorrente que as exclusões à base de cálculo do PIS estão corretas, uma vez que a contribuição incide sobre o faturamento da pessoa jurídica e, no presente caso, deveria desconsiderar os gastos com prestadores de serviços, hospitais e etc, computandose tão somente as contraprestações dos usuários de seus planos de assistência à saúde. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o pedido de compensação de créditos de PIS. Admissibilidade do Recurso O contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 07.10.2010, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 79, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10850.900092/200676 Acórdão n.º 3001000.680 S3C0T1 Fl. 104 5 Verificase, pois, que o recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 03.11.2010, conforme comprova o carimbo de protocolo da ARF/CATANDUVA/SP à fl. 80, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de compensação de créditos de PIS do período de outubro de 2002 no valor de R$ 622,82. O pedido está lastreado no suposto recolhimento a maior de PIS, que teria o condão de conferir direito à compensação de débitos da contribuição social em questão e que estaria evidenciado na DCTF do 2º trimestre de 2003, tendo em vista a exclusão de despesas com prestadores de serviço, hospitais e etc da base de cálculo do tributo. MÉRITO O assunto posto em evidência referese à correta formação da base de cálculo do pis e da cofins. A contribuinte, consoante se infere da PER DCOMP acostada em fls. 07 e 08, permite a conclusão por estar submetida ao Cofins sob regime cumulativo previsto na Lei 9.718/98. Nesta legislação, a contribuinte encontra a base de cálculo previsa no artigo 2 e 3, consoante se destaca a seguir: DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta Existem exceções, neste mesmo artigo, a respeito de exclusões possíveis de serem realizadas pela contribuinte, mas não se encontra, neste tópico, a exclusão aventada pela recorrente § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 106DF CARF MF 6 § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde Do auto de infração, especificamente em fls. 36, encontrase, como fundamento da glosa do crédito, o fato de haver conta contábil com nomenclatura "eventos conhecidos de assistência Médica" relativas as pagamentos efetuados pela contribuinte a prestadores de serviço como clínicas, hospitais e outros assemelhados, vejase: Analisando o demonstrativo em questão, observamos que o contriubuitne deduz como despesas assinstenciais o valor a título de Eventos Conhecidos de Assistêmcia Medica cujo valor é a somadas despesas detalhadas neste demonstrativo (fls.50 a 53). Verificamos que essas despesas são originárias de pagamentos, efetuados pelo contribuinte em questão, a prestadores de serviços, clinicas, hospitais, e outros assemelhados, que são despesas e custos próprios e inerentes à atividade de Plano de Saúde, ramo de atividade essa declarada pelo contribuinte em DCTF (fl.07) e confirmada no sistema CNPJ como CNAE 6550200 Planos de Saúde (fI.57). Logo após, concluiu pela impossibilidade da dedução. Assim, concluímos não ser possível a dedução da base de cálculo efetuada pelo contribuinte a titulo de "Eventos Conhecidos de Assist. Médicas" motivo pelo qual glosamos o correspondente valor em R$543.773,47 e recalculamos o valor da COFINS de Julho/2002 conforme planilha 4 abaixo: Contudo, tal entendimento exposto no Despacho Decisório em questão, contraria o entendimento exposto, inclusive, no próprio parágrafo 9.º A, de caráter explicativo acima mencionado, uma vez que as verbas pagas a clínicas e hospitais, estão inseridos na dedução do parágrafo nono acima mencionado. E desta forma vem decidindo este CARF: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10850.900092/200676 Acórdão n.º 3001000.680 S3C0T1 Fl. 105 7 Acórdão nº 3402005.381 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admitese as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido. xxxxx Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906164/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
assinado digitalmente
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente. assinado digitalmente Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 64 /2 01 1- 75 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Demetrius Nichele Macei. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (PIS/PASEP e COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 e 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls. 9198); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Acórdão n.º 1402003.630 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls., em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Fl. 156DF CARF MF 4 Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003252/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 25 2/ 20 07 -1 8 Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.183 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 076/077, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 33.745,19. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 005/006) entregue em 15/05/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000951/200164, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 058/064), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 065), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 066/075 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000951/200164, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi anulado pelo CARF, resultando em novo Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido, decisão que atualmente encontrase pendente de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.184 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de abril de 2003, no valor de R$ 36.147,06, conforme cópia da DCTF do 2ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 33.745,19, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.185 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.186 5 II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de abril/03 no valor de R$ 34.556,33, fls. 2048. Por fim, concluiu que não houve compensação a maior, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior (não homologada, permanece em discussão no CARF processo nº13.804.000951/200164), no Pedido de Restituição em análise. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.048), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.187 6 sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2048 a 2050, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732548/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
É POSSÍVEL A RETIFICAÇÃO DE MATÉRIA QUE NÃO CONSTA DO LANÇAMENTO. É possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte.
O LÍTIGIO SE VINCULA A TODA A APURAÇÃO FEITA NA DECLARAÇÃO DO IRPF.
Diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não há objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN.
Numero da decisão: 2001-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 É POSSÍVEL A RETIFICAÇÃO DE MATÉRIA QUE NÃO CONSTA DO LANÇAMENTO. É possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte. O LÍTIGIO SE VINCULA A TODA A APURAÇÃO FEITA NA DECLARAÇÃO DO IRPF. Diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não há objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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É possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte. O LÍTIGIO SE VINCULA A TODA A APURAÇÃO FEITA NA DECLARAÇÃO DO IRPF. Diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não há objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 25 48 /2 01 1- 18 Fl. 73DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. E o acórdão da DRJ votou pelo não conhecimento: A impugnação é tempestiva e atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Decreto nº 7.574/2011, razão pela qual é conhecida. O contribuinte, ora impugnante, concorda expressamente com a totalidade da infração lavrada, Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$16.258,56. Esse fato, como conseqüência, dá nova feição à matéria, que passará a ser considerada como não impugnada, conforme prescreve o art. 58, do Decreto 7.574/2011 (redação dada pela Lei 9.532/97, art. 67). Cumpre prelecionar ao impugnante que o julgamento cingese a questões relacionadas à Notificação de Lançamento e, na espécie, à infração lavrada de Dedução Indevida de Despesas Médicas, ou seja, questões outras não contidas no Lançamento, como a solicitação de exclusão de rendimentos supostamente informados a maior, ultrapassam o litígio e, portanto, não serão objeto de análise. O impugnante poderá pedir orientação junto ao órgão de origem acerca dos procedimentos eventualmente cabíveis para atingir o objetivo almejado. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10380.732548/201118 Acórdão n.º 2001000.873 S2C0T1 Fl. 3 3 Ante o exposto, voto para NÃO CONHECER da impugnação, por falta de objeto, resultando na manutenção integral do Lançamento. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Discordo da decisão da DRJ em relação à retificação da declaração. Ao fazer o lançamento a autoridade fiscal bloqueia a possibilidade de ser retificada a parte da declaração que não tem relação com a infração. Assim, coloca todo o lançamento dentro do litígio, pois a única maneira de retificar, alterar o que não é infração, é apresentando impugnação ou recursos ao lançamento. No IRPF, de acordo com as disposições legais, o contribuinte tem a obrigação de apresentar declaração de rendimentos, calcular e antecipar o pagamento do imposto. O contribuinte, enquanto não iniciado procedimento fiscal (inexistência de intimação), pode retificar a declaração, ou apresentála, caso não o tenha feito. O direito de o contribuinte de retificar, de pleitear restituição do IRPF, em declaração de ajuste anual, extinguese com o decurso de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador (31 de dezembro do anocalendário em questão). Tratase de prazo idêntico ao de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário. Parecer Normativo Cosit Nº 6, de 04 de agosto de 2014 dispõe: “ Com efeito, como bem foi enfatizado no Parecer Cosit nº 48, de 1999, considerando que a Fazenda Pública tem prazo fixado para proceder ao lançamento, o contribuinte deve dispor de igual prazo para retificar a declaração de rendimentos, por se tratar de situações equivalentes.” Erros, omissões, deduções e compensações indevidas, na declaração, são apontadas mediante auto de infração ou notificação de lançamento. O lançamento também pode ocorrer quando não foi entregue declaração. O lançamento aponta as infrações, as práticas do contribuinte, omissivas ou indevidas, que ocasionaram diminuição no imposto a pagar (vinculado à obrigação tributária principal) ou infração aos dispositivos legais passíveis de multa. Desde o seu início, o procedimento administrativo pode ser parcial, tratar de parte da declaração. Por exemplo, na intimação para que o contribuinte preste esclarecimentos pode ser solicitada só a apresentação dos recibos médicos. O lançamento não se constitui em revisão automática de todas as informações que existam em uma declaração, pois ele intervém, como não poderia deixar de ser, apenas no que dispõe, no que investiga, e apenas nas infrações que identifica. É refeito o cálculo do imposto, considerando as informações e apuração do contribuinte, com as alterações indicadas no lançamento. Pode haver alterações de limites, de Fl. 75DF CARF MF 4 faixas, de alíquotas; a declaração é novamente processada, há novo cálculo, novo imposto apurado. Assim, no cálculo de auto de infração ou notificação de lançamento, há itens informados na declaração do contribuinte e itens lançados, alterados pelo fisco. Sujeito ativo e passivo concorrem para o resultado. A matéria lançada não pode mais ser alterada pelo contribuinte. Quanto à parte da declaração não tratada pelo lançamento, pode ocorrer retificação. Não há disposições legais vedando essa ação, nem há lógica que assim ocorra. O impedimento a retificar é específico às infrações apuradas. O art. 5º da IN SRF nº 958 de 2009 reportase apenas à “matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo”, como causa impeditiva da apresentação de declaração retificadora: Art. 5º A declaração retificadora não será aceita quando: I for apresentada durante o procedimento fiscal, nos termos do inciso I e § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; II alterar matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, com vistas a reduzir seu valor, nos termos do art. 145 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN); Em matéria correlata, a perda de espontaneidade, prevista no art. 138 do CTN, também está relacionada somente à infração apurada e não à existência de procedimento fiscal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O art. 63, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, que é anterior aos dispositivos vigentes sobre a matéria, traz entendimento contrário à retificação, o que permite concluir que o mesmo estaria tacitamente revogado: Art. 63 (...) § 4º É vedado ao contribuinte, depois de notificado do lançamento do imposto ou do início do processo de lançamento exofficio requerer a retificação de sua declaração, para o fim de incluir deduções e abatimentos que, anteriormente àqueles atos, não pleiteara. Importante também observar que o ADI SRF nº 5, de 17 de maio de 2002, especificou que a perda de espontaneidade do sujeito passivo ocorre somente em relação ao Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10380.732548/201118 Acórdão n.º 2001000.873 S2C0T1 Fl. 4 5 início do procedimento fiscal referente ao tributo, período e matéria nele expressamente inseridos: Art. 1º O ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Essa também é a conclusão da SCI Cosit nº 18, de 11 de julho de 2003, que trata da espontaneidade referente a MPF: Em face do exposto é de se concluir que: (...) b) a espontaneidade é afastada somente em relação aos tributos, períodos e matérias que constarem expressamente do ato, praticado e assinado pelo AFRF designado no MPF, que caracterizar o início do procedimento fiscal. Não há qualquer óbice para que o contribuinte, após ter sido cientificado do lançamento, retifique sua declaração de ajuste, frisese, em relação às matérias que não foram objeto do lançamento. Como bem se observa examinando os dispositivos legais sobre a retificação, não há restrição a que ela seja feita em relação à parte não infracional. Além disso, pelo princípio da isonomia, não pode existir tratamento diverso entre os contribuintes. O lançamento, ato da administração, não pode ser fator de discrímen entre contribuintes. Não há justificativa lógica para utilizarse a existência de lançamento ocorrido em uma parte da declaração para impedir retificação de outras. Não há legitimidade em que contribuinte sem lançamento possa retificar, contribuinte autuado não. A doutrina também indica que a interpretação da legislação sobre isonomia deve privilegiar o tratamento isonômico. Se a legislação não dispôs expressamente vedações a retificar (e não o fez), a retificação deve ser franqueada a todos contribuintes. Um exemplo dessa situação: dois colegas de trabalho: um tem, por lançamento, glosa de despesas médicas, o outro não. Suponhamos uma mudança do valor dos rendimentos tributáveis em erro do empregador. Perguntase: um pode retificar, e acertar a apuração, o outro não? Ou ambos descobrem despesas com instrução que não haviam declarado: um pode retificar, e acertar a apuração, o outro não? Ocorrendo na declaração de imposto de renda uma apuração, um ajuste onde se contrapõem rendimentos, deduções, compensações, e sendo o lançamento de ofício efetuado por meio da alteração de apenas determinados campos, a abrangência da matéria objeto do lançamento anteriormente apurado pela autoridade lançadora, de que trata o art. 5º, II, da IN nº 958, de 2009, no caso do IRPF, estaria restrita aos campos específicos das infrações apuradas, ou matéria investigada, não atingindo, por conseguinte, as demais informações prestadas pelo contribuinte na declaração e que não foram alteradas pela autoridade lançadora. Fl. 77DF CARF MF 6 Entendese que a inclusão de deduções da base de cálculo do IR e de retirada de rendimentos estariam dentro da abrangência de erro passível de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte. Erros ou equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Ac. 1º C.C. n.º 104 17249, Sessão de 10/11/1999). Na apuração complexa do IRPF, com vários itens, adições, subtrações, qualquer elemento que conduza a diferença no imposto apurado é passível de ser retificado. A quantificação do imposto apurado segue determinações de lei. É a base de cálculo de que fala o art. 97 do CTN. Todos elementos desse cálculo devem ser seguir as disposições legais, sendo erros todos os desvios dessas determinações. É importante destacar observações do Parecer Normativo CST 67, de 1986, que tratam da obrigação de se seguir as disposições legais ao se proceder o cálculo do imposto: 4. O fundamento jurídico do direito à restituição do indébito tributário, assim como dos demais institutos que ensejam a alteração, direta ou indireta, do crédito tributário, é a restauração da licitude do ato praticado sem causa legal, e não o simples erro cometido pelo sujeito passivo. 4.1 A própria administração tributária tem o dever de reconhecer os atos ilícitos, representados pelo pagamento sem título, aceito ou exigido. (...) 6. Em face da amplitude dos termos do art. 165 do CTN, a repetição do indébito tributário pode ser pleiteada pelo sujeito passivo, sendo irrelevante se o pagamento do imposto tiver sido precedido de instauração da fase contenciosa, bastando fique demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses previstas no referido artigo.” Com isso, a vedação de retificar declaração por iniciativa do contribuinte, quando visasse a reduzir ou a excluir tributo, após ter sido notificado do lançamento, não prejudicaria o seu direito de pagar somente o que seria devido, pois eventuais erros em sua declaração poderiam ser sanados: pela impugnação tempestiva, em relação à matéria lançada; pela retificação, nas demais matérias. Observese que não houve apreciação pela DRJ dos rendimentos que o contribuinte pleiteia reduzir. Entendo não haver nulidade dessa decisão, e sim a opção de não acatar aquilo que estava fora do litígio. De toda forma, mesmo que assim fosse, entendo que se aplica o disposto no Código de Processo Civil artigo 249 § 1.º e no artigo 250. “Art. 249. O juiz, ao pronunciar a nulidade, declarará que atos são atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim de que sejam repetidos, ou retificados. § 1o O ato não se repetirá nem se Ihe suprirá a falta quando não prejudicar a parte. § 2o Quando puder decidir do mérito a favor da parte a quem aproveite a declaração da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta.” Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10380.732548/201118 Acórdão n.º 2001000.873 S2C0T1 Fl. 5 7 “Art. 250. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo praticarse os que forem necessários, a fim de se observarem, quanto possível, as prescrições legais. Parágrafo único. Darseá o aproveitamento dos atos praticados, desde que não resulte prejuízo à defesa.” Concluise: primeiramente, é possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte; e em segundo lugar, diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não se vê objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN. Pelas razões explicadas mais acima, por não haver outra possibilidade de alterar a apuração para estabelecer o valor efetivo da base de cálculo, entendo pela aceitação da retificação nessa instância, retirandose da base de cálculos rendimentos não provados. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910149/2012-55
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 49 /2 01 2- 55 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 210 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 19072.50638.200412.1.3.042409 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 9.316,00, referente ao período de apuração (PA) de ago/08. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, acórdão nº. 09 47.508, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 211 3 não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 212 4 O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 213 5 contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 214 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 215 7 homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF o Parecer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 216 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.010391/99-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995
INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS RECONHECIDA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO CONEXO JÁ JULGADO.
Não resta controvérsia que o período abrangido pelo presente contencioso já fora objeto de análise e julgamento definitivo com a respectiva liquidação conforme informado em retorno de diligência; de maneira que, ao se aplicar as conclusões exaradas no processo conexo, já com trânsito em julgado administrativo, inexiste débito pendente a ser mantido no lançamento ora impugnado.
Numero da decisão: 3401-005.686
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
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Não resta controvérsia que o período abrangido pelo presente contencioso já fora objeto de análise e julgamento definitivo com a respectiva liquidação conforme informado em retorno de diligência; de maneira que, ao se aplicar as conclusões exaradas no processo conexo, já com trânsito em julgado administrativo, inexiste débito pendente a ser mantido no lançamento ora impugnado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 03 91 /9 9- 22 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 170 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 89 e seguintes) contra decisão da DRJ — São Paulo/SP, em 05.10.2000, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, referente aos valores de recolhimento insuficiente da Contribuição para o PIS, no período de apuração compreendido entre agosto de 1994 a setembro de 1995. Do Lançamento (fls.44 e seguintes) Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário total de R$254.313,49 (duzentos e cinquenta e quatro mil, trezentos e treze reais e quarenta e nove centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: A empresa em referência foi autuada e notificada, em ação fiscal direta, a recolher crédito tributário no valor de R$254.313,49 incluindo PISFaturamento, multa de oficio e juros calculados até 30/07/99, sobre fatos geradores ocorridos de 31/08/94 a 30/09/95, por insuficiência de recolhimento, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls.29 e 30 dos autos, utilizando a requerente a alíquota de 0,65% quando o correto, pela fiscalização, seria 0,75%. Foi lavrado o Auto de Infração de PISFaturamento (fls.38 ), no dia 30/08/99, com fulcro no art. 9°, § 1° do Decreto n°70235/1972, com o seguinte enquadramento legal: art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n°07/1970, c/c art. 1° § único da Lei Complementar n°17/73, c/c art. 53, inciso IV da Lei n°8383/91, c/c art. 83, inciso III da Lei n°8981/95. Da Impugnação (fls. 51 e seguintes) A Contribuinte apresentou Impugnação , em 27.09.1999, alegando, em síntese: Em sede preliminar, alega nulidade do Auto de Infração, já que o período autuado e a matéria jurídica envolvida estão compreendidos no Processo Administrativo n°10.880.000517/9925, em que a Recorrente entende possuir direito creditório referente ao PIS. Alega litispendência em relação àquele Processo Administrativo, de modo que sua Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 171 3 exigibilidade estaria inegavelmente suspensa, do contrário estaria ferindo o direito de ampla defesa; No mérito, alegou que o lançamento fora efetuado em virtude dos Decretos n°2445/88 e 2449/88 terem sido considerados inconstitucionais, passando a ser devida a contribuição ao PIS da alíquota de 0,75% sobre o faturamento, nos termos da Lei Complementar n°07/70, combinado com a Lei Complementar 17/73. E, ainda, que: · O valor da contribuição ao PIS, nos termos do parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar 07/70, deve ser calculado com base na aplicação do percentual de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior; · Aplicandose a sistemática de cálculo da Lei Complementar n°07/70, os valores apurados seriam totalmente diversos dos apontados no Auto de Infração; · Mesmo que em alguns meses do período não abrangido pela decadência, viessem a ser apurados créditos em favor do FISCO, não se pode esquecer que já vigia o artigo 66 da Lei n°8383/91, permitindo ao contribuinte a compensação de valores pagos a maior nos meses anteriores, com débitos vincendos da própria contribuição ao PIS; · fez os recolhimentos das contribuições ao PIS com base na legislação vigente em cada época, inclusive na vigência dos Decretoslei tidos posteriormente como inconstitucionais. Da Decisão de 1ª Instância (fls 74 e seguintes) Sobreveio Acórdão 003704, exarado pela DRJ/SP, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/1994 a 30/09/1995 Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, completamente distinta de lançamento que é modalidade de constituição de crédito tributário, não caracterizando cerceamento de direito de defesa com concomitância. COMPENSAÇÃO O pedido de compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos tem rito próprio e deve ser dirigido à autoridade competente. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 172 4 DECADÊNCIA. O direito da Administração de constituir o crédito relativo ao PIS decai em dez anos. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A retirada do mundo jurídico de atos inquinados de ilegalidade e de inconstitucionalidade restabelece a aplicação da norma indevidamente alterada. Destarte, mantémse a exigência do PIS relativa à diferença entre as alíquotas de 0,65% e 0,75%. LANÇAMENTO PROCEDENTE Dessa decisão, importante destacar: Assim sendo, não procede o entendimento esposado pela defendente quanto aos meses da autuação, que foram recolhidos em valores insuficientes, caracterizandose como cristalino descumprimento ao disposto nas Leis Complementares n's 7/1970 e 17/1973, assim como nas Leis n's 8.383/1991 e 8.981/1995 que regem o período em análise. Portanto, obrou bem o agente fiscal ao autuar a recorrente por tal feito, em que a impugnante não logrou comprovar a inveracidade das afirmações do fisco. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. Da Resolução 20300.503 O Recurso foi distribuído no extinto Segundo Conselho de Contribuintes e, em 12.05.2004, foi prolatada a Resolução 20300.503 pela Terceira Câmara, nos termos abaixo: O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. De proêmio, com respeito à preliminar suscitada, de nulidade do Auto de Infração, entendo não merecer guarida, pois, efetivamente, não há identidade de objeto, uma vez que o processo administrativo a que a Recorrente se reporta diz respeito ao pedido de compensação de créditos tributários apurados, enquanto o presente processo discute o auto de infração lavrado contra a contribuinte, em razão de insuficiência no recolhimento da Contribuição ao PIS, no período de 08/94 a 09/95. Entretanto, com o objetivo de constatar a efetividade da compensação efetivada pela Recorrente, por intermédio do Processo n° 10.880.000517/9925, Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 173 5 voto pela conversão deste processo em diligência para que o Órgão de origem verifique a existência de crédito da Fazenda Nacional, remanescente dessa compensação que justifique o lançamento do qual se cuida neste processo. Em cumprimento à diligência solicitada, em 12.06.2017, a DERAT SPO/DIORT prestou as seguintes informações acerca do processo 10880.000517/9925: 20. Analisandose a documentação constante do processo n° 13807.010391/9922, verificase que se trata de auto de infração lavrado para exigência da diferença decorrente da aplicação da alíquota da contribuição para o PIS, dos períodos de apuração de agosto/1994 a setembro/1995, uma vez que o interessado procedeu ao recolhimento da referida contribuição com a aplicação de 0,65% sobre a base de cálculo, quando o correto seria 0,75%. 21. Como se pode observar, o interessado já na impugnação ao auto de infração, relatou que os débitos constituídos estavam sendo discutidos no presente processo. 22. Entretanto, como neste o que se busca é a compensação de débitos, no entendimento do ConselheiroRelator do Segundo Conselho de Contribuintes não haveria identidade de objeto já que o auto de infração foi lavrado em virtude da insuficiência do recolhimento do PIS. Desta forma, o processo do auto foi baixado para diligência para verificação da existência de crédito remanescente na compensação. 23. De fato, o auto de infração abrange débitos de PIS que estão sendo analisados no presente processo. Ocorre que no momento da lavratura do auto, para o cálculo do débito devido, foi utilizado como base de cálculo o faturamento do mês da ocorrência do fato gerador. 24. Ocorre que no presente processo, a decisão do CARF foi clara no sentido da utilização do faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, como base de cálculo do PIS, e a aplicação da alíquota de 0,75. Logo, considerando a decisão em comento e procedidos os cálculos nestes temos, quando da vinculação dos novos valores apurados como devidos para os períodos de julho/1989 a abril/1992 e outubro/1992 a outubro/1995 com os pagamentos efetuados, constatouse a suficiência dos mesmos, restando ainda um crédito no valor de R$ 2.298.432,68 (dois milhões, duzentos e noventa e oito mil, quatrocentos e trinta e dois reais e sessenta e oito centavos), calculado para 31/12/1995. Com essas informações, os autos foram encaminhados ao CARF para prosseguir ao seu julgamento definitivo. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 174 6 Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Preliminar No caso em questão não restaram evidentes quaisquer indícios de cerceamento de defesa, e assim, estando presentes os requisitos fundamentais previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972, não é possível acolher os argumentos da Recorrente quanto à nulidade do lançamento. No caso, resta presente tãosomente litispendência administrativa que veio a ser sanada com a conversão em diligência, não existindo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte. Do Mérito Restando esclarecido, no retorno da diligência, que: 1. O processo 10880.000517/9925 – que discute a compensação de crédito de PISsemestralidade com o PIS devido pela Recorrente em período de mesma abrangência (01/01/1989 a 31/10/1995) que o presente processo (01/08/1994 a 30/09/1995) – teve trânsito em julgado administrativo parcialmente favorável ao contribuinte nos termos do Acórdão 3403002.492, de 25.09.2013, conforme abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. QUESTÃO DEFINITIVAMENTE DECIDIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. Decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal com repercussão geral tem efeito vinculante no julgamento de igual matéria nos recursos interpostos perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 175 7 No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, prevalece o prazo jurisprudencialmente fixado de 5 anos para a homologação, a partir da ocorrência do fato gerador, acrescido de outros 5 anos para o sujeito passivo pleitear a repetição do indébito. Precedente do Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária (Súmula CARF nº 15) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Na parte dispositiva da decisão, restou assentado que: Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso, determinandose à autoridade fiscal incumbida da execução deste acórdão que apure o direito creditório a que faz jus o recorrente, cotejando os pagamentos efetuados, devidamente comprovados nos autos, com o que for devido segundo as normas da LC nº 7, de 1970, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, à alíquota de 0,75%, sem correção monetária, e tomando como faturamento, exclusivamente, as receitas de venda de bens e/ou prestação de serviços. 2. Na liquidação do acórdão daquele processo, conforme foi destacado nas informações fiscais de fls. 151, foram considerados quitados os montantes de PIS devido referentes aos períodos de julho/1989 a abril/1992 e outubro/1992 a outubro/1995, após conciliação dos créditos de PISSemestralidade apurados e dos pagamentos efetuados com os valores apurados pela fiscalização, de modo que ainda teria restado crédito no valor de R$ 2.298.432,68 (dois milhões, duzentos e noventa e oito mil, quatrocentos e trinta e dois reais e sessenta e oito centavos) Diante desses fatos, há de se acolher o resultado da diligência. Pelo exposto, conheço do Recurso, e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 176 8 Fl. 177DF CARF MF
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