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Numero do processo: 10872.000411/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. SIMPLES
A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. Devem ser excluídos do lançamento, os créditos bancários cuja origem foi comprovada após o lançamento efetuado.
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES.
Verificado falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento da diferença não recolhida com os acréscimos legais.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CSLL. SIMPLES. DECORRÊNCIA DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA NO IRPJ
A omissão de receita apurada caracterizada por créditos bancários sem a comprovação de sua origem é base de cálculo das contribuições no Simples. Assim, verificada a omissão de receita são devidos os lançamentos.
Numero da decisão: 1301-003.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. SIMPLES A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. Devem ser excluídos do lançamento, os créditos bancários cuja origem foi comprovada após o lançamento efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. Verificado falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento da diferença não recolhida com os acréscimos legais. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CSLL. SIMPLES. DECORRÊNCIA DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA NO IRPJ A omissão de receita apurada caracterizada por créditos bancários sem a comprovação de sua origem é base de cálculo das contribuições no Simples. Assim, verificada a omissão de receita são devidos os lançamentos.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. SIMPLES A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. Devem ser excluídos do lançamento, os créditos bancários cuja origem foi comprovada após o lançamento efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. Verificado falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento da diferença não recolhida com os acréscimos legais. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CSLL. SIMPLES. DECORRÊNCIA DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA NO IRPJ A omissão de receita apurada caracterizada por créditos bancários sem a comprovação de sua origem é base de cálculo das contribuições no Simples. Assim, verificada a omissão de receita são devidos os lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 04 11 /2 01 0- 70 Fl. 426DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10872.000411/201070 Acórdão n.º 1301003.499 S1C3T1 Fl. 427 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: O presente processo tem origem nos autos de infração de fls. 173/181, 182/190, 191/199, 200/208, 209/217 e demonstrativos de fls. 218/233, lavrados pela DRF – Rio de Janeiro II, dos quais a interessada acima identificada foi cientificada em 31/08/2010, conforme fazem provas as ciências de fls. 174, 183, 192, 201 e 210, consubstanciando exigência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica Simples no valor de R$ 26.134,29; da contribuição para o PIS Simples, R$ 19.141,94; da contribuição social sobre o lucro líquido – Simples, R$ 26.134,29; da contribuição para o financiamento da seguridade social – Simples, R$ 76.902,08 e da contribuição para a seguridade social – INSS – Simples, R$ 222.468,78, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros moratórios. 2. O autuante, no auto de infração, fls. 175/177, descreve, em síntese, que apurou: 2.1. omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados, nos valores mensais de fls. 175/176, individualizados em fls. 141/167, consolidados em fl. 172, tipificando a infração no art. 24 da lei nº 9.249/1995; arts. 2º, §2º, 3º, §1º, alínea “a”, 5º, 7º, §1º e 18 da Lei nº 9.317/1996; 42 da Lei nº 9.430/1996; art. 3º da Lei nº 9.732/1998 e arts 186, 188 e 199 do RIR/1999, fl. 176. 2.2. Insuficiência de recolhimento face as omissões apuradas, com fulcro no art. 5º da Lei nº 9.317/1996 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/1998; arts. 186 e 188 do RIR/1999, fl. 177. 3. Com o objetivo de comprovar o lançamento, o autuante juntou aos autos o termo de verificação de fls. 171/172 e os documentos e os termos de fls. 3/170. Em síntese, descrevo informações constantes do termo de verificação citado: 3.1. em 21/10/2009 foi lavrado o termo de início de fiscalização com a solicitação de livros, balancetes, extratos bancários e a escrituração referente ao ano calendário de 2006. O contribuinte atendeu apresentando a documentação solicitada; 3.2. em 22/02/2010, foi lavrado termo solicitando a comprovação da origem dos valores creditados em suas contas correntes, conforme listagem apresentada com o termo. Em seguida, foi feita nova intimação solicitando a comprovação da origem; 3.3. devido a não comprovação da origem dos valores, elaborou planilha mensal, fl. 172, onde constam as diferenças entre os depósitos e as receitas declaradas. Tais diferenças caracterizou como omissão de receita no ano de 2006 4. Inconformada com os lançamentos, a interessada, em 29/09/2010, apresentou a impugnação de fls. 247/253, argüindo, em síntese: 4.1. em preliminar: Fl. 428DF CARF MF 4 4.1.1. requer a anulação dos autos de infração por falta de preenchimento de um dos campos dos autos de infração, no caso, o local de lavratura. Estando, assim, em desacordo com o inciso IX do art. 4º da Portaria nº 24 de 08/04/2005; 4.1.2. que segundo o art. 5º da CF, incisos XXXV e LV, qualquer lesão de direito praticado pela autoridade lançadora poderá ser anulada por iniciativa do sujeito passivo quer na esfera administrativa ou judicial; 4.1.3. a suspensão do crédito tributário até o julgamento final; 4.1.4. “a revisão do presente Auto de Infração, sendo este anulado em sua totalidade extinguindo o lançamento do crédito tributário, por não corresponder os fatos geradores que embasaram os lançamentos como receita tributáveis”. 4.2. no mérito, aduziu que: 4.2.1. “nem todos os valores que apareceram como entrada de numerário ou crédito na conta corrente da empresa tem sua origem em vendas ou receitas, que não possam ser comprovadas no que eleva de forma agressiva a apuração efetuada pelo Fisco, tornandoa confiscatória”; 4.2.2. “o autuante desconsiderou as entradas provenientes de Empréstimos bancários, adiantamentos das instituições financeiras, devoluções de pagamento dos honorários dos sócios, devolução de TED não compensado por erro de transmissão e empréstimo efetuado por um dos seus sócios.”; 4.2.3. exemplifica que dentre as entradas existem: empréstimos de terceiros e sócios, adiantamentos (empréstimos) da mesma instituição, redução de saldo devedor que tem origem em adiantamentos fornecidos pela instituição financeira, estornos de TED efetuados por terceiros mas não correspondidos e honorários da diretoria devolvidos; 4.2.4. relaciona em fl. 251, os créditos que foram indevidamente considerados receita pelo autuante no valor total de R$ 525.757,83, devendo ser excluído da base tributável; A autoridade de primeira instancia julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 388 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. SIMPLES A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. Devem ser excluídos do lançamento, os créditos bancários cuja origem foi comprovada após o lançamento efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. Verificado falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento da diferença não recolhida com os acréscimos legais. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10872.000411/201070 Acórdão n.º 1301003.499 S1C3T1 Fl. 428 5 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CSLL. SIMPLES. DECORRÊNCIA DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA NO IRPJ A omissão de receita apurada caracterizada por créditos bancários sem a comprovação de sua origem é base de cálculo das contribuições no Simples. Assim, verificada a omissão de receita são devidos os lançamentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, fl. 408 e segs, em 25/09/2014, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Tratase de auto de infração relativo a fatos geradores do ano calendário de 2006 a contribuinte submetido ao sistema SIMPLES (incluindo IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS que, conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração e Relatório Fiscal, cometeu as seguintes infrações fiscais: (i) OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS (ii) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Preliminar NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO FALTA DO LOCAL DA LAVRATURA Na mesma linha da decisão de primeira instancia, entendo que não houve qualquer prejuízo, sobretudo em relação ao direito ao contraditório e ampla defesa, que possa ser aventado por conta da ausência do local de lavratura do auto de infração. Transcrevo aqui parte do trecho do voto condutor da decisão de primeira instancia que reflete o raciocínio que adoto (fl. 392): Analisando os lançamentos efetuados, estes estão motivados, com a descrição precisa da fundamentação legal com as razões que entendeu o autuante para efetuar os lançamentos e foi concedido à interessada o direito à ampla defesa, conforme determinação do inciso LV do art. 5º da Constituição Federal. Saliento, também, que a interessada demonstrou conhecer o motivo dos lançamentos, visto os seus argumentos de defesa e há nos autos a informação da unidade onde foram lavrados os autos de infração. Arguiu, também, a interessada que segundo o art. 5º da CF, incisos XXXV e LV, qualquer lesão de direito praticado pela autoridade lançadora poderá ser anulada por iniciativa do sujeito passivo quer na esfera administrativa ou judicial. Não observei no lançamento lesão a direito que resultasse na anulação dos lançamentos. Repito que o ato foi lavrado por servidor competente, está motivado, a interessada teve direito a defesa e exerceu o seu direito. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10872.000411/201070 Acórdão n.º 1301003.499 S1C3T1 Fl. 429 7 Desta forma, considero que carece de razão a Recorrente em seus argumentos da preliminar de nulidade do auto de infração ora analisado. MÉRITO OMISSÃO DE RECEITAS O art. 42 da Lei 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pela leitura do acima transcrito, entende que, nos casos de presunções legais, como a omissão de receita, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. Conforme relatado, não houve, juntada de novos documentos em sede de Recurso Voluntário que pudesse comprovar os fatos presumidos pelas autoridades fiscais. Alega a Recorrente, repisando os argumentos já levantados em sede de impugnação, que houve empréstimos, adiantamentos, redução de saldo devedor, estorno de TEDs e honorários da diretoria que não foram considerados como comprovados. Fl. 432DF CARF MF 8 Apesar das alegações da Recorrente, conforme já analisado pelas autoridades fiscais de origem e da primeira instancia de julgamento, tais alegações não estão acompanhadas de comprovação documental e por esta razão não foram consideradas como justificadas para fins da exclusão da base de calculo do auto de infração, exceto pela TED de R$ 4 mil. Vejamos o quadro organizado pelas autoridades em relação aos valores acima mencionados: Não tendo a Recorrente trazido em sede de Recurso Voluntário qualquer novo documento ou argumento em relação ao acima mencionado, mantenho integralmente o teor da decisão da primeira instancia de julgamento. Me permito transcrever trecho do voto condutor de primeira instancia que reforça os argumentos que refletem minha fundamentação 8. DO MÉRITO O autuante intimou a interessada, fls. 140/167 e reintimou, fl. 168, a comprovar a origem dos créditos bancários individualizados em planilhas oferecidas ao contribuinte. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10872.000411/201070 Acórdão n.º 1301003.499 S1C3T1 Fl. 430 9 Em face da ausência de comprovação, considerou os créditos bancários omissões de receita, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, excluído as receitas declaradas pela interessada. Na fase de impugnação, arguiu que: O autuante desconsiderou as entradas provenientes de Empréstimos bancários, de terceiros; adiantamentos das instituições financeiras, devoluções de pagamento dos honorários dos sócios, devolução de TED não compensado por erro de transmissão e empréstimo efetuado por um dos seus sócios; redução de saldo devedor que tem origem em adiantamentos fornecidos pela instituição financeira, estornos de TED efetuados por terceiros mas não correspondidos; relaciona em fl. 251, os créditos que foram indevidamente considerados receita pelo autuante no valor total de R$ 525.757,83, devendo ser excluído da base tributável. Conforme descrito no termo de verificação, fls. 171/172, e no auto de infração, fls. 175/176, em decorrência de não ter sido apresentada a prova documental dos créditos relacionados em fls. 141/167, consolidados em fl. 172, com base em seus extratos, fls. 22/138, e com fulcro no art. 42 da Lei n.° 9.430/1996, o autuante caracterizou os créditos não comprovados, por presunção legal, como omissões de receita. O art. 42 da Lei 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações. Vale dizer que nos casos de presunções legais, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos, conforme transcrição: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; A interessada, consoante determinação do dispositivo legal transcrito, foi intimada a justificar a origem dos créditos bancários, individualizados nas planilhas de fls. 141/167. Até o presente momento, nem na fase de auditoria, nem em sua defesa, juntou aos autos ou apresentou qualquer documento comprobatório. Cumpre, ainda esclarecer, que o art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 transfere o ônus da prova dos créditos em contacorrente, de forma expressa, para o contribuinte. Sobre o assunto vale citar JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA (In: "Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas" JUSTEC RJ 1979 pág. 806.). "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova:invocando a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o Fl. 434DF CARF MF 10 fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso". (Grifei) 8.8. Com a sua defesa a interessada não apresenta qualquer prova documental, suas alegações são que não foram excluídos determinados tipos de operações financeiras e/ou bancárias mas sem a apresentação da comprovação. Se houve empréstimos, adiantamentos, devoluções, ou outras operações, caberia relacionar e especificar por data, valor e histórico. Com relação às que foram especificadas pela interessada, que são as informadas em fls. 251, no valor total de R$ 525.757,83, neste momento as analisarei, com o registro das conclusões conforme planilha a seguir (...). 8.9. Assim, concluo, conforme demonstrativo acima, como comprovado o "Doc/Ted devolvido" no valor de R$ 4.000,00, que será excluído das omissãoes apuradas. Os demais valores serão mantidos como omissão de receita por falta de comprovação da origem. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 435DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904001/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.640
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 04 00 1/ 20 11 -3 9 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10850.904001/201139 Resolução nº 3401001.640 S3C4T1 Fl. 3 2 inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10850.904001/201139 Resolução nº 3401001.640 S3C4T1 Fl. 4 3 seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910142/2012-33
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/08/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/08/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/08/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 42 /2 01 2- 33 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13896.910142/201233 Acórdão n.º 3003000.072 S3C0T3 Fl. 260 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 33111.44681.200412.1.3.046601 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 8.131,69, referente ao período de apuração (PA) de jan/10. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu acórdão n.º 0947.502 cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13896.910142/201233 Acórdão n.º 3003000.072 S3C0T3 Fl. 261 3 não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13896.910142/201233 Acórdão n.º 3003000.072 S3C0T3 Fl. 262 4 A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13896.910142/201233 Acórdão n.º 3003000.072 S3C0T3 Fl. 263 5 contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13896.910142/201233 Acórdão n.º 3003000.072 S3C0T3 Fl. 264 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13896.910142/201233 Acórdão n.º 3003000.072 S3C0T3 Fl. 265 7 homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF O Paracer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13896.910142/201233 Acórdão n.º 3003000.072 S3C0T3 Fl. 266 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 266DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002629/2006-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2002
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CONTEÚDO DECLARATÓRIO. DEVER DE OBEDIÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Uma vez comprovado o trânsito em julgado de decisão judicial, e, comprovada a identidade de objeto com o processo Administrativo Fiscal Federal, deverá, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, curvar-se a seus ditames, aplicando a decisão e extinguindo o crédito tributário nos ditames do artigo 156, X, do Código Tributário Nacional.
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. ATOS VINCULADOS À SUA ATIVIDADE BÁSICA. NÃO-INCIDÊNCIA DO PIS.
O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. . Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ e 599.362/RJ) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, e REsp. 1.164.716/MG)
Numero da decisão: 3001-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que não o conheceu e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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CONTEÚDO DECLARATÓRIO. DEVER DE OBEDIÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez comprovado o trânsito em julgado de decisão judicial, e, comprovada a identidade de objeto com o processo Administrativo Fiscal Federal, deverá, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, curvarse a seus ditames, aplicando a decisão e extinguindo o crédito tributário nos ditames do artigo 156, X, do Código Tributário Nacional. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. ATOS VINCULADOS À SUA ATIVIDADE BÁSICA. NÃOINCIDÊNCIA DO PIS. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. . Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ e 599.362/RJ) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, e REsp. 1.164.716/MG) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento. Vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que não o conheceu e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 26 29 /2 00 6- 10 Fl. 261DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração lavrado em virtude de falta/insuficiência de recolhimento do PIS para o período ocorrido entre 01/2001 e 05/2002, em razão de as sociedades cooperativas estarem sujeitas ao cálculo do PIS sobre a receita bruta, no valor total de R$ 16.895,78, incluído principal, multa e juros de mora calculados até 31/11/2006. Impugnação Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em suma: 1. Que são sociedades cooperativas com tratamento diferenciado dado pela lei 5.764/71, não podendo adotar o vocábulo "banco" em sua denominação, tampouco podendo funcionar sob a forma de S/A, à luz do disposto no art. 25 da lei 4.595/64, eis que são sociedades de pessoas, não de capital; 2. Que autoridade fiscal deixou de se reportar ao art. 3°, § 4°, da LC 07/70, esquecendo que, para fins operacionais, essas sociedades são tidas como instituições financeiras, sujeitandose às regras dos bancos em geral, nos termos da lei 4.595/64; 3. Que as cooperativas operarem só com associados e não há que se falar em resultado, faturamento ou qualquer outra base de cálculo imponível no campo tributário; 4. Que as sobras/rendas contabilizadas, sobre as quais se exige o PIS faturamento, não pertencem à sociedade, e devem ser devolvidas aos associados na razão direta da fruição dos serviços, conforme art. 4, VII, e 44, II, da lei 5.764/71; 5. Menciona o art. 2°, § 1º, da lei 9.715/98, pontuando que as cooperativas, enquanto operarem só com associados contribuirão ao PIS com base na folha de salários; 6. Que discute, na Ação n° 2002.72.00.0053676, que tramita perante a Justiça Federal, a nãoincidência do PIS/Faturamento sobre os atos cooperativos; Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10925.002629/200610 Acórdão n.º 3001000.611 S3C0T1 Fl. 262 3 7. Que depositou judicialmente o crédito tributário constante deste auto, no valor de R$ 16.895,78 (anexo comprovante), vinculado à referida ação; 8. Pede seja julgada procedente sua impugnação, ou, não sendo julgado o mérito, suspenso o processo administrativo fiscal, até o transito em julgado da referida ação. DRJ/SPO I A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão n° 1622.379 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. As cooperativas de crédito estão sujeitas à incidência da contribuição cuja base de cálculo, conforme a lei 9.718/98, é a receita bruta da empresa. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplicase às cooperativas de crédito a legislação da contribuição para o PIS/Pasep relativa às instituições financeiras. Lançamento Procedente Inicialmente, a DRJ destacou que quanto à Ação n° 2002.72.00.0053676, na qual a Impugnante informa discutir a nãoincidência do PIS/faturamento sobre atos cooperativos, são relativos ao período de 06/2002 a 09/2002, períodos esses posteriores aos períodos lançados. De modo que o autuado não comprovou que a referida ação abrange os períodos objeto desse auto de infração, 01/2001 a 05/2002. Ademais, ainda que havendo concomitância entre os processos administrativo e judicial, não há previsão para sobrestamento, pois o Decreto n° 70.235/72 não autoriza a suspensão do trâmite processual. Quanto à suspensão da exigibilidade dos débitos lançados, decorre da apresentação tempestiva da impugnação conforme art.151, III, do CTN, enquanto não julgada, sendo mera consequência da lide. Com isso, a decisão observou uma incoerência na tese da recorrente, que aceita ser instituição financeira, mas só para fins operacionais, pois no campo tributário suas atividades se regeriam pela lei 5.764/71 (Lei do Cooperativismo), a qual confere às cooperativas prerrogativas especiais. Tal posição é equivocada e não resiste ao que consta na lei 5.764/71. Não obstante, as cooperativas de crédito estão sujeitas à incidência do PIS que, conforme a lei 9.718/98, tem como base de cálculo a receita bruta da empresa, sendo irrelevante a distinção entre atos praticados com associados e não associados, pois a 1egislação de regência não apresenta tal restrição para o período autuado. Da mesma forma, tendo a contribuição sido calculada sobre a receita da empresa, conforme planilhas e balancetes de fls. 49100, e não sobre resultado ou Fl. 263DF CARF MF 4 sobra, perde o objeto a alegação da impugnante de que as sobras deveriam ser devolvidas aos associados. Concluiu pela procedência do lançamento. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente alega estar amparada de sentença favorável obtida junto ao STJ pelo julgamento do Recurso Especial n. 784.378, em 08/11/05, e que já transitou em julgado. Quanto à alegação da DRJ que ação ordinária movida pela cooperativa/recorrente Recurso Especial n. 784.378 (ação originária n. 2002.72.00.0053676), não comprova que esteja sendo abrangido todos os períodos constantes do auto de infração lavrado. Alega que esta ação foi uma Ação Declaratória de Inexistência de Débito Fiscal, ou seja, era uma ação que discutia a NÃOINCIDÊNCIA DO PIS e não uma isenção de lei. Alega a recorrente que o que se busca tanto da ação ordinária, como no presente recurso é a não incidência tributaria, a qual havendo, independe de lapso temporal para ser aplicada, pois não havendo fato gerador do tributo, não há período que possa ser cobrado ou questionado. A recorrente aduz que citada ação, julgada procedente, obteve sentença definitiva no Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial n° 784.378 em 08/11/2005, sentença esta favorável pela não incidência do PIS sobre os atos cooperativos, conforme decisão anexa. Diante do trânsito em julgado da ação, em maio de 2008, assevera que foi concedido pelo juiz da 4ª Vara Federal de Florianópolis, o alvará para levantamento dos valores que estavam depositados judicialmente. Por fim, aduz que não há multa a ser aplicada sobre tributo sem base de incidência tributária, em especial, no caso da Recorrente, não há PIS/RECEITA a ser cobrado por força de decisão judicial transitada em julgado, portanto, que merece ser julgado procedente seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do referido Auto de Infração. Admissibilidade do Recurso O contribuinte teve ciência do acórdão de impugnação em 27.08.2009, conforme Avisos de Recebimento AR, fls. 187, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10925.002629/200610 Acórdão n.º 3001000.611 S3C0T1 Fl. 263 5 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 22.09.2009, conforme comprova o comprovante de protocolo da DRF – JOAÇABA SC, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS A recorrente foi autuada sob a alegação de que teria deixado de recolher PIS sobre a receita bruta, exigindose o pagamento do crédito tributário apurado no valor total de R$ 16.895,78, incluídos os juros e multa, calculados até 31/11/06, referente o período de janeiro de 2001 a maio de 2002. O presente de recurso voluntário foi apresentado em decorrência de decisão que julgou procedente o lançamento, tendo em vista que as cooperativas de crédito estão sujeitas à incidência do PIS que, conforme a lei 9.718/98, tem como base de cálculo a receita bruta da empresa, sendo irrelevante a distinção entre atos praticados com associados e não associados. Com isso, requer a recorrente a reforma da decisão, tendo por base decisão judicial em seu favor. MÉRITO A recorrente trouxe, no bojo de seu recurso voluntário, imagem representativa do julgamento, sob forma de acódão RECURSO ESPECIAL Nº 784.378 SC (2005/01600494) RELATOR : MINISTRO JOSÉ DELGADO RECORRENTE : COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE CAMPOS NOVOS CREDICAMPOS ADVOGADO : FERNANDO GOUVÊA E OUTROS RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : CÍNTIA TOCCHETTO KASPARY E OUTROS EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 282/STF. ATO DECLARATÓRIO DA SRF. NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO LEI FEDERAL. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. ATOS VINCULADOS À SUA ATIVIDADE BÁSICA. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS. ART. 30 DA LEI Nº 11.051/2004. ORIENTAÇÃO DA 1ª SEÇÃO. PRECEDENTES. Fl. 265DF CARF MF 6 1. Recurso especial interposto contra acórdão que entendeu exigível o PIS sobre o faturamento das cooperativas de crédito, nos moldes da MP nº 2.15835/2001, por entender que estas não se equiparam às demais associações cooperativas, mas às instituições bancárias. 2. Ausência de pronunciamento do acórdão recorrido quanto à Lei nº 11.051/04. Incidência do enunciado nº 282 da Súmula do STF. 3. Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal não se enquadra no conceito de Lei Federal para fins de interposição de recurso especial. 4. No julgamento dos REsps nºs 616219/MG e 591298/MG, afetados à 1ª Seção, esta Corte Superior uniformizou posicionamento no sentido de que: “o ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para o PIS. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.º 5.764/71); toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a incidência da contribuição ao PIS. Salvo previsão normativa em sentido contrário (art. 86, parágrafo único, da Lei n.º 5.764/71), estão as cooperativas de crédito impedidas de realizar atividades com não associados; atualmente, por força do art. 23 da Resolução BACEN n.º 3.106/2003, as cooperativas de crédito somente podem captar depósitos ou realizar empréstimos com associados. Assim, somente praticam atos cooperativos e, por conseqüência, não titularizam faturamento, afastandose a incidência do PIS. A reunião em cooperativa não pode levar à exigência tributária superior à que estariam submetidos os cooperados caso atuassem isoladamente, sob pena de desestímulo ao cooperativismo; qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou não a receita bruta), tratandose de ato cooperativo típico, não ocorrerá o fato gerador do PIS por ausência de materialidade sobre a qual possa incidir essa contribuição social.” 5. Recurso especial conhecido em parte e, nesta, parcialmente provido para excluir da incidência do PISFaturamento tãosomente os atos cooperativos próprios praticados pela recorrente. Por fim ,demonstrou, mediante a entrega de imagem relatorial no qual informa a efetiva ocorrência do transito em julgado da ação. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10925.002629/200610 Acórdão n.º 3001000.611 S3C0T1 Fl. 264 7 Desta forma, ou seja, em havendo identidade de objeto, em ação judicial transitada em julgado e nos autos do processo administrativo, deve o Conselheiro, submeterse à decisão proferida em sede do poder judiciário. Este vem sendo o tratamento dado por este CARF em julgados semelhantes, como se observa da seguinte ementa: Acórdão nº 3401003.805 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2010, 2011 DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES OBJETIVOS. OBSERVÂNCIA. A decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, recoberta pelos efeitos da coisa julgada, tornase imutável e indiscutível, considerandose deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido (arts. 502, 502 e 508 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15), motivo pela qual, aliada à observância do princípio da unidade de jurisdição, a opção pela via judicial implica renúncia à discussão administrativa sobre as mesmas matérias deduzidas perante o Poder Judiciário, devendo a decisão lá proferida ser cumprida em seus exatos termos. Recurso de ofício negado. Conclusão Diante do exposto, decido por conhecer do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Fl. 267DF CARF MF 8 Conselheiro Orlando Rutigliani Berri. A presente Declaração de Voto, concessa venia aos meus dignos pares, tem por única finalidade trazer meu entendimento quando nos deparamos com a situação processual em que o sujeito passivo propõe ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal. Delimitada a questão a ser apreciada, é de interesse evidenciar que a referida hipótese concomitância não é objeto de questionamento por nenhuma das partes interessadas no feito. Convém também salientar que o fato que motivou meus pares a decidir pelo conhecimento do presente recurso voluntário e consequente provimento de seu pedido assenta se na constatação, após pesquisa empreendida pelo nobre Relator, afora a identidade de objeto das matérias discutidas no âmbito judicial e no administrativo, de a ação judicial, aviada em razão de petição apresentada pelo recorrente, transitou em julgado, é o que resta claramente sintetizado na ementa deste acórdão. Desta feita, peço licença para, em breves anotações e em linhas gerais, expor meu pensar. Ignorase, no entanto, que, em vista do princípio da unicidade de jurisdição, orientador do sistema pátrio, submeter à apreciação judicial a matéria importa em obstar a discussão da mesma em sede administrativa, porquanto o sujeito passivo/ contribuinte/defendente, ao sujeitar a análise das mesmas ao poder judiciário, vinculouse ao deslinde do feito a ser proferido pelo órgão judicante. É que o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, atribui ao poder judiciário o monopólio estatal de dizer o direito no caso concreto, em última palavra, infirmando a competência administrativa para decidir de modo diverso. Com efeito, dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 7 de 22.08.2014, cuja ementa abaixo se transcreve, verbis: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10925.002629/200610 Acórdão n.º 3001000.611 S3C0T1 Fl. 265 9 A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Não obstante a clareza do enunciado da ementa acima transcrita, peço, uma vez mais, licença para colacionar trechos da referida norma, a fim de melhor esclarecer os fundamentos pelos quais divirjo do entendimento majoritário da turma, verbis: Dos efeitos da concomitância entre as instâncias administrativa e judicial 11. O assunto sub examine, qual seja, as consequências do ingresso do sujeito passivo em juízo no curso do processo administrativo fiscal, já foi objeto de minudente estudo pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), evidenciado no Parecer em Processo nº 25.046, de 22 de setembro de 1978, publicado no DOU de 10 de outubro de 1978, cuja ementa abaixo se reproduz: Ação judicial proposta no curso de processo administrativo fiscal A opção pela via judicial, instância superior e autônoma, importa em desistência do recurso voluntário na esfera administrativa, com idêntico objeto. Definitividade da decisão recorrida e perda de objeto do recurso. 11.1. Referido opinativo foi elaborado por solicitação do SecretárioGeral do Ministério da Fazenda em virtude dos seguintes fatos, em síntese: 11.1.1. O então Conselho de Contribuintes (CC), ao julgar recurso interposto pela parte, tendo tomado conhecimento do seu ingresso em juízo com uma ação ordinária anulatória do auto de infração que dera origem ao processo administrativo, decidiu, por maioria de votos de sua 1ª Câmara, por “acolher a preliminar de conhecimento do recurso, mas deixar de apreciar o mérito por perda do objeto”, uma vez que o aspecto legal da incidência encontravase sob a tutela do Poder Judiciário. Tem a seguinte redação a ementa do Acórdão nº 10170.492, de 13 de dezembro de 1977, exarado na ocasião: AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO. A sua propositura pressupõe a definitividade do débito fiscal e implica no abandono da instância administrativa, visto que se, por um lado, é certo que só pode ser anulado o que juridicamente existe, por outro, também é verídico que ao sujeito passivo assiste o direito de recorrer ao Poder Judiciário sem esgotar a Instância Administrativa. Fl. 269DF CARF MF 10 11.1.2. Dessa decisão a PGFN recorreu ao Senhor Ministro da Fazenda, em conformidade com a legislação vigente à época, a saber, o art. 37, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, revogado pelo Decreto nº 83.304, de 28 de março de 1979, por entender que “a decisão impugnada contraria o disposto no art. 151, III, do Código Tributário Nacional, bem como os artigos 14 e seguintes do Decreto nº 70.235/72”, pelo que deveria o processo retornar à Câmara recorrida, para o necessário julgamento do mérito. 11.2. Transcrevemse abaixo algumas das considerações e conclusões expendidas no Parecer nº 25.046, de 1978: 30. O Decreto nº 70.235, de 6/3/72, contém as normas processuais da fase contenciosa administrativa. No pressuposto de que ocorra, já aí, a inconformidade do contribuinte. 31. O art. 62, desse Decreto, dispõe apenas sobre a suspensão da execução. E o parágrafo único permite, a par da existência de pretensão formulada em Juízo, que se complete a individualização da obrigação, fazendo nascer o título. Existindo este, materializado e individualizado, estaria finda a fase administrativa. Esta só se prolonga em razão do recurso voluntário facultado ao contribuinte. 32. Todavia, nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. 33. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior e autônoma. SUPERIOR, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; AUTÔNOMA, porque a parte não está obrigada a percorrer, antes, as instâncias administrativas, para ingressar em Juízo. Pode fazêlo diretamente. 34. Assim sendo, a opção pela via judicial, importa, em princípio, em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso acaso formulado. 35. Somente quando a pretensão judicial tem por objeto o próprio processo administrativo (v.g. a obrigação de decidir da autoridade administrativa; a inadmissão de recurso administrativo, válido, dado por intempestivo, ou incabível por falta de garantia, ou outra razão análoga) é que não ocorre renúncia à instância administrativa, pois aí o objeto do pedido judicial é o próprio rito do processo administrativo. 36. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injurídica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objeto e para o mesmo fim. 37. Portanto, desde que a parte ingressa em Juízo contra o mérito da decisão administrativa contra o título materializado da obrigação essa opção via superior e autônoma importa em desistência de qualquer eventual recurso porventura interposto na instância inferior. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10925.002629/200610 Acórdão n.º 3001000.611 S3C0T1 Fl. 266 11 [...] 40. Portanto, a desistência implícita do recurso torna definitiva a individualização contra a qual se recorrera, independentemente de qualquer outra declaração. E o título executivo é aquele resultante dessa decisão recorrida, que se faz definitiva. 41. A hipótese do parágrafo único do art. 62, do Decreto nº 70.235, objetiva a constituição do título executivo, para os casos previstos no caput do artigo, como v.g. no mandado de segurança preventivo. Nada impede que o fisco constitua e individualize o título, para futura e eventual cobrança, mesmo quando haja medida judicial que suspenda ou impeça essa cobrança. É que a suspensão é da cobrança e não da emissão do título executório. III 42. Concluindo, quer nos parecer que o ajuizamento, pelo contribuinte, de ação, cujo objeto seja idêntico ou mais amplo que o do recurso administrativo, importa na desistência deste, fazendo definitiva a decisão contra a qual recorrera. 43. Por força dessa desistência ou renúncia, o recurso perde o seu objeto, e, conseqüentemente, não pode ser conhecido. 44. O disposto no parágrafo único, do art. 62, do Decreto nº 70.235, de 1972, tem por finalidade, apenas, a definitiva constituição do título, para futura e eventual cobrança, como se deixou esclarecido nos itens 32 e 42 supra. 45. Se, por uma lado, não deve ser provido o recurso, para ordenar a apreciação do mérito, cabe à autoridade ad quem declarar definitiva a decisão da 1ª instância, em razão da desistência do recurso interposto pela parte. 11.3. O então SubprocuradorGeral da Fazenda Nacional subscreveu tais considerações e conclusões, aditando outras, que se reproduzem em parte: 11. Nessas condições, havendo fase litigiosa instaurada inerente à jurisdição administrativa pela impugnação da exigência (recurso latu sensu) seguida, ou mesmo antecedida, de propositura de ação judicial, pelo contribuinte, contra a Fazenda, objetivando, por qualquer modalidade processual ordenatória, declaratória, ou de outro rito , a anulação do crédito tributário, o processo administrativo fiscal deve ter prosseguimento exceto na hipótese de mandado de segurança, ou medida liminar, específico até a inscrição de Dívida Ativa, com decisão formal da instância em que se encontre, declaratória da definitividade da decisão recorrida, sem que o recurso (latu sensu) seja conhecido, eis que dele terá desistido o contribuinte, ao optar pela via judicial. Fl. 271DF CARF MF 12 12. Essa, aliás, a linha doutrinária adotada pelo Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, presidido pelo culto Dr. Haroldo Braga Lobo. 13. Conseqüentemente, o recurso do Digno Procurador da Fazenda Nacional deve ser conhecido, para reformar o Acórdão da 1ª Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, não, porém, para ordenar ao colegiado que aprecie o recurso no mérito, mas a fim de declarar definitiva a decisão da primeira instância, pois a opção do contribuinte pela via judicial no caso, propositura de ação ordinária objetivando a anulação do débito fiscal importa em renúncia à via administrativa e, portanto, em desistência do recurso interposto no processo administrativo fiscal. 14. Restituase o processo ao Senhor SecretárioGeral deste Ministério. 11.4. Em seguida, o SecretárioGeral do Ministério da Fazenda, por delegação de competência do Senhor Ministro da Fazenda, adotou o Parecer da PGFN, conhecendo do recurso interposto, para reformar o Acórdão da 1ª Câmara do 1º CC em comento, segundo o despacho abaixo: Pelos fundamentos expostos no Parecer da Douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que adoto, e no uso da competência que me foi delegada pelo inciso II, nº 5, da Portaria nº 300, de 13/8/75, do Exmo. Sr. Ministro da Fazenda, conheço do recurso interposto pelo Sr. Procurador da Fazenda Nacional, para reformar o Acórdão da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, não, porém, para que o colegiado aprecie, no mérito, o recurso que lhe foi dirigido, mas a fim de declarar definitiva a decisão de primeira instância, pois a opção do contribuinte pela via judicial importa em renúncia à via administrativa e, portanto, em desistência do recurso interposto no processo administrativo fiscal. Publiquese, juntamente com o referido parecer, e restituase o processo ao 1º Conselho de Contribuintes. Em suma, a opção pela via judicial, por qualquer modalidade de ação, antes ou concomitantemente à esfera administrativa, não só torna completamente estéril, pois, a discussão em âmbito não jurisdicional, como importa renúncia às instâncias administrativas, ainda que tenhase notícia da ocorrência do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, pois, sob o meu ponto de vista, a execução administrativa da decisão judicial cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como órgão executor, sem intervenção das instâncias administrativas de julgamento, mostrandose, por óbvio, descabida a fase contenciosa administrativa para se discutir, quiçá, como esta norma individual e concreta, consubstanciada na decisão judicial, deva ser executada. A contrário senso, a mim parece como se a decisão judicial estivesse sendo submetida ao crivo de uma decisão administrativa, que é expedida por órgão ou agente público que não detém jurisdição, strictu sensu, em plena subversão da ordem estabelecida pelo nosso sistema jurídico. Diante deste quadro, a leitura que faço da súmula CARF nº 1 é que a opção pela via judicial, a qualquer tempo, antes ou após o lançamento, afasta qualquer possibilidade Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10925.002629/200610 Acórdão n.º 3001000.611 S3C0T1 Fl. 267 13 de julgamento administrativo acerca do mesmo assunto, ainda que o lançamento se refira a cumprimento administrativo de decisão judicial já transitada em julgado. São estas as razões pelas quais concluo que, também nestes casos, o recurso administrativo não deveria ser conhecido, devido à desistência/renúncia à discussão administrativa manifestada anteriormente, por ocasião da dedução da lide perante o Poder Judiciário. Do exposto, resta votar por não conhecer da petição recursal. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 273DF CARF MF
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Numero do processo: 13639.000193/2004-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PENSÃO. EX-COMBATENTE DA FEB.
As pensões e os proventos concedidos com base nos Decretos Lei nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, na Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, no art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, e no art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, em decorrência de reforma ou de falecimento de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), são isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR/99).
Numero da decisão: 9202-007.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PENSÃO. EX-COMBATENTE DA FEB. As pensões e os proventos concedidos com base nos Decretos Lei nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, na Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, no art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, e no art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, em decorrência de reforma ou de falecimento de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), são isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR/99).
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EXCOMBATENTE DA FEB. Recorrente ZÉLIA BARROS CARNEIRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PENSÃO. EXCOMBATENTE DA FEB. As pensões e os proventos concedidos com base nos Decretos Lei nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, na Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, no art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, e no art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, em decorrência de reforma ou de falecimento de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), são isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 01 93 /2 00 4- 86 Fl. 117DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 04/10) decorrente de revisão efetuada pela autoridade lançadora em sua Declaração de Ajuste Anual de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – DIRPF, exercício 2002, que procedeu às seguintes alterações: a) inclusão de rendimentos considerados pela Fiscalização como omitidos pela interessada que, recebidos do Ministério da Defesa — Exército Brasileiro — decorrentes de pensão, totalizaram R$ 33.451,20, em face, não só, de informações prestadas à RF pela fonte pagadora da autuada por meio de DIRF — Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — bem como, do "Comprovante Anual" trazido à Fiscalização pela própria peticionária durante a fase investigatória do presente procedimento; b) elevação do valor correspondente ao "Desconto Simplificado" de R$ 4.834,78 para seu limite máximo, que é de R$ 8.000,00; c) acréscimo do IRF no montante de R$ 4.569,23, relativo ao desconto efetivado sobre os valores tomados como não oferecidos à tributação pela litigante. Assim, foi apurado um Imposto Suplementar, no valor R$ 3.476,81, acrescido da multa de oficio de 75%, passível de redução, na importância de R$ 2.607,60 e dos juros de mora, calculados até 06/2004, no montante de R$ 1.402,19, o que, após a adição às parcelas supra mencionadas do "Imposto a Pagar" apurado pela própria requerente na declaração de rendas em comento equivalente a R$ 776,15, resultou em um crédito tributário na importância de R$ 8.262,75. A autuada apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 13/04/2010, o julgamento do processo foi convertido em diligência para que a unidade preparadora providencie a juntada a este do documento intitulado "Título de Pensão Militar (Inicial)", constante à fl.12 do processo administrativo fiscal n° 13639.000191/200144 – Resolução nº 2801000.017, da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF (fls. ). Anexada ao presente auto a cópia do documento acima especificado, o processo retornou a julgamento em sessão de 12/03/2013 quando foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801002.946 (fls. ), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.” O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13639.000193/200486 Acórdão n.º 9202007.542 CSRFT2 Fl. 3 3 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PENSÃO. EXCOMBATENTE DA FEB. Somente as pensões e os proventos concedidos com base nos DecretosLei nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, na Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, no art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, e no art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, em decorrência de reforma ou de falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), são isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR/99). Recurso Voluntário Negado. O contribuinte foi cientificado do acórdão em 06/05/2013 e interpôs, tempestivamente, em 17/05/2013, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a exclusão da cobrança de imposto suplementar, tornandoa extinta. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 1ª Câmara, de 11/04/2014 (fls. ), de acordo com o acórdão paradigma nº 10247.186. Em seu Recurso Especial, o Recorrente apresenta uma certidão fornecida pelo Ministério da Guerra, Quartel General Regional – Juiz de Fora – Minas, a qual comprova que o Primeiro Tenente Mario Inácio Carneiro tomou parte na Campanha da Itália, tendo embarcado no dia vinte e dois de setembro de 1994 e regressado a vinte de setembro de 1945, e cópia da Decisão da Segunda Câmara do Conselho de Contribuintes, onde, por unanimidade dos votos os ilustres Conselheiros decidem que os proventos recebidos pela viúva são de fato e de direito isentos, na forma do artigo 39, inciso XXXV, Decreto nº 3.000 de 1999 (RIR/99), decisão esta formalizada em 24 de janeiro de 2006 (Acórdão nº 10247.186 paradigma apresentado), bem como a cópia da nova Decisão da 6ª Turma de Julgamento (DRJ/JFA), que também, por unanimidade de votos, considera tais proventos como isentos e não tributáveis. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional do Acórdão nº 2801002.946, do Recurso Especial do Contribuinte e do Despacho de Admissibilidade dando seguimento ao Resp do Contribuinte em 18/06/2014. A Fazenda Nacional apresentou em 25/06/2014, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls ) Em suas contrarrazões alega: · que o acórdão recorrido manifestou o entendimento no sentido de que somente as pensões e os proventos concedidos com base nos DecretosLei nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, na Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, no art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, e no art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, em decorrência de reforma ou de falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), são isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR/99). · Ressalta que, como bem observou o julgado recorrido, o documento à fl. 56, denominado “Título de Pensão Militar (Inicial)”, emitido em 26 de agosto de 1986 pelo Ministério do Exército – Comando Militar do Fl. 119DF CARF MF 4 Leste, informa que foi concedida à contribuinte pensão militar com base na Lei nº 3.765, de 1960 (inciso I do art. 7º, §1º do art. 9º, e art. 15). · Salienta que, no entanto, a exegese que se extrai do art. 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/98, acima destacado, é no sentido de que nem todas as pensões concedidas aos cônjuges e herdeiros de excombatentes estão isentas do Imposto sobre a Renda, mas somente aquelas previstas especificamente no referido dispositivo legal. · Informa que diante da documentação colacionada aos autos, em especial o Título de Pensão Militar à fl. 56, o que se pode inferir é que foi deferida à interessada a concessão de pensão militar com supedâneo na Lei nº 3.765/60, sendo que, tal fundamentação não consta do mencionado inciso XXXV do art. 39 do Decreto nº 3.000/99 (cuja base legal é o art. 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88), portanto, não fazendo jus a contribuinte à isenção pleiteada. · Conclui, portanto, que a lei que dispõe sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, consoante o disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional CTN, não cabendo razão ao recorrente nos seus argumentos de defesa, haja vista não ter ficado devidamente comprovado que a base legal dos pagamentos a ela realizados da aludida fonte pagadora, durante o anocalendário de 2001, é algum daqueles dispositivos expressamente citados no inc. XXXV, do art. 39, do Regulamento do Imposto de Renda vigente; e por todas essas razões, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13639.000193/200486 Acórdão n.º 9202007.542 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 108. Não havendo qualquer questionamento e concordando com o despacho de admissibilidade proferido passo a apreciar a questão. Do Mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese na possibilidade de isenção atribuída a pensionista de ex combatente. da Força expedicionária Brasileira. Sustenta o recorrente que os rendimentos considerados como omitidos decorrem de pensão especial de ex combatente e, portanto, seriam isentos de tributação pelo Imposto de Renda. OU seja,, a questão a ser enfrentada, em essência, diz respeito ao recorrente fazer jus ou não à isenção do IRPF a que se refere o inciso XXXV do art. 39 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), cuja base legal é o art. 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88 (pensões concedidas a excombatentes da Força Expedicionária Brasileira – FEB): Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...]XXXV as pensões e os proventos concedidos de acordo com o DecretoLei Nº 8.794 e o DecretoLei Nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei Nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei Nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei Nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XII); [...] (destaque nosso) Contudo, assim como trazido no acórdão recorrido, entendo que, em princípio, a isenção referida não se aplicaria ao caso concreto, tendo em vista, não enquadrarse naquelas apontadas no dispositivo legal.. O documento à fl. 56, denominado “Título de Pensão Militar (Inicial)”, emitido em 26 de agosto de 1986 pelo Ministério do Exército – Comando Militar do Leste, informa que foi concedida à contribuinte pensão militar com base na Lei nº 3.765, de 1960 (inciso I do art. 7º, §1º do art. 9º, e art. 15). No entanto, a exegese que se extrai do art. 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/98, acima destacado, é no sentido de que nem todas as pensões concedidas aos cônjuges e herdeiros de excombatentes estão isentas do Imposto sobre a Renda, mas somente aquelas previstas especificamente no referido dispositivo legal. Fl. 121DF CARF MF 6 Todavia, ao analisarmos os termos da impugnação apresentada, importante ressaltar que embora não esteja expresso na declaração prestada pelo Ministério da Guerra e Exército qual a lei ensejou a concessão da pensão objeto do presente caso ora analisado, fato é que a declaração se subssume aos Decretos Leis citados nos dispositivos legais como contemplados com a isenção de IR, senão vejamos: CERTIFICA, a requerimento do interessado e para fins de isenção de imposto de transmissão de imóveis, que o atual primeiro tenente reformado MÁRIO INÁCIO CARNEIRO tomou parte na Campanha da Itália, Força Expedicionária Brasileira, como integrante do Décimo Primeiro Regimento de Infantaria, tendo embarcado no dia vinte e .dois, de setembro de 1944 e regressado a vinte de setembro de 1945. E, para constar, mandou mandou passar a presente certidão que vai assinado e selado com o Selo Nacional. (...) Por outro lado, vejamos o texto das Leis contempladas com a isenção de IR, Decreto Lei Nº 8.794 e o DecretoLei Nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946: Regula as vantagens a que têm direito os herdeiros dos militares que participaram da Fôrça Expedicionária Brasileira, no teatro de operações da Itália. Art. 1º Este decretolei regula as vantagens a que têm direito os herdeiros dos militares, inclusive os dos convocados, que participaram da Força Expedicionária Brasileira, destacada, em 19441945, no teatro de operações da Itália, e falecidos nas condições aqui definidas. Notese que embora a concessão da pensão não mencione expressamente as leis que permitem a isenção, a declaração apresentada pelo próprio ministério do exército ainda em 1958, coloca o servidor no escopo das referidas normas, o que leva a crer a possibilidade da beneficiária da pensão, fazer jus a isenção pretendida e prevista no art. 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13737.000812/2007-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte seja intimado a comprovar a data da sua transferência para a reserva.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte seja intimado a comprovar a data da sua transferência para a reserva. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte seja intimado a comprovar a data da sua transferência para a reserva. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 78/79) contra decisão de primeira instância (fls. 66/68), que julgou improcedente impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 37 .0 00 81 2/ 20 07 -7 7 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13737.000812/200777 Resolução nº 2002000.060 S2C0T2 Fl. 3 2 Contra o contribuinte foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls.04/06, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2003, para cobrança do imposto de renda pessoa físicasuplementar de R$ 4.305,47, acrescidos de multa de oficio e de juros de mora. O lançamento é decorrente da' omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 50.227,50, tendo sido compensado, na apuração do imposto devido, o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos. O enquadramento legal encontrase às fls.05 e 06. Inconformado, o interessado ingressou com a impugnação de fls.01/03, alegando que, em novembro de 1998, foi acometido de infarto anterior extenso do miocárdio, tendo como consequência cardiopatia grave. Tomou, então, as seguintes providências: 1. apresentou declaração do imposto de renda retificadora para os seguintes anos calendário/exercícios 2002/2003, 2003/2004,2004,2005,2005,2006 e 2006/2007 e 2. Deu entrada na Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) com processo de restituição, referente à parcela de 13° que foi sujeita à tributação exclusiva na fonte, dos exercícios 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Como resultado da 1ª providência recebeu a Notificação de Lançamento objeto da presente lide (exercício 2004). Argüi, no entanto, a improcedência do lançamento, pois baseouse no informativo da SRFB para usufruir a isenção ora em análise. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIAGRAVE – ISENÇÃO Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 28/09/2009 (fl. 72); Recurso Voluntário protocolado em 27/10/2009 (fl. 79), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13737.000812/200777 Resolução nº 2002000.060 S2C0T2 Fl. 4 3 a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Para análise da isenção necessário se faz saber se os rendimentos recebidos pelo contribuinte eram provenientes da reserva, sendo que o documento de fl. 65 suscita dúvida de à partir de quando o contribuinte foi encaminhado à reserva. Assim, é mister baixar os autos em diligência para que o contribuinte comprove quando foi à reserva. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e proponho a conversão do julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a comprovar quando foi à reserva. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002825/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
PIS/COFINS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Relativamente aos dois anos fiscalizados (2004/2005), a contribuinte apresentou declarações em branco à Secretaria da Receita Federal, enquanto diariamente movimentava recursos em sua conta bancária. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A informação prestada pela contribuinte durante os trabalhos de auditoria, de que havia encerrado suas atividades no início de 2004, só reforça o dolo de sua conduta na supressão anterior dos tributos. Apesar de haver débitos a declarar/recolher, ela apresentava declarações em branco, como se não tivesse nenhuma atividade. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 PIS/COFINS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Relativamente aos dois anos fiscalizados (2004/2005), a contribuinte apresentou declarações em branco à Secretaria da Receita Federal, enquanto diariamente movimentava recursos em sua conta bancária. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A informação prestada pela contribuinte durante os trabalhos de auditoria, de que havia encerrado suas atividades no início de 2004, só reforça o dolo de sua conduta na supressão anterior dos tributos. Apesar de haver débitos a declarar/recolher, ela apresentava declarações em branco, como se não tivesse nenhuma atividade. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.002825/200721 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.929 – 1ª Turma Sessão de 04 de dezembro de 2018 Matéria MULTA QUALIFICADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADMINISTRADORA DE JOGOS SCHNEIDER LTDA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 PIS/COFINS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Relativamente aos dois anos fiscalizados (2004/2005), a contribuinte apresentou declarações em branco à Secretaria da Receita Federal, enquanto diariamente movimentava recursos em sua conta bancária. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A informação prestada pela contribuinte durante os trabalhos de auditoria, de que havia encerrado suas atividades no início de 2004, só reforça o dolo de sua conduta na supressão anterior dos tributos. Apesar de haver débitos a declarar/recolher, ela apresentava declarações em branco, como se não tivesse nenhuma atividade. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 28 25 /2 00 7- 21 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 3 2 Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao que se decidiu sobre a aplicação da multa qualificada de 150%. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 180100.355, de 08/11/2010, por meio do qual a 1a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras questões, por maioria de votos, decidiu reduzir a multa de 150% para o percentual de 75%, relativamente às exigências fiscais que subsistiram no curso do presente processo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO CUMULATIVADE VERSUS CUMULATIVIDADE. Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao anocalendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de nãocumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 4 3 contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de cumulatividade. Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz IRPJ foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO CUMULATIVADE VERSUS CUMULATIVIDADE. Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao anocalendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de nãocumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de cumulatividade. Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz IRPJ foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO anocalendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 5 4 ACORDAM, os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas ao PIS e a COFINS, relativas ao anocalendário 2004 e para manter os lançamentos tributários de PIS e COFINS relativos ao ano calendário 2005; (ii) por maioria de votos, reduzir a multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes e Carmen Ferreira Saraiva que votaram pela manutenção da multa qualificada. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DA INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DADA À LEI TRIBUTÁRIA. cuidase de autuação lavrada pela Fiscalização em razão da omissão reiterada de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 e 2005, tendo sido imputada multa de oficio no percentual de 150%, em virtude da caracterização de evidente intuito de fraude; a penalidade foi devidamente mantida em sua forma qualificada pela DRJ, conforme fundamentação que segue (fls. 376): "Procede o agravamento da penalidade em função do evidente intuito de fraude. A empresa, por quase dois anos, recebeu depósitos em sua conta corrente, sem qualquer registro em sua escrituração. Os depósitos, ocorridos em todos os meses entre março de 2004 e dezembro de 2005, são de valores significativos e, em alguns meses, são praticamente diários (dia úteis), o que demonstra serem compatíveis com a manutenção em funcionamento da casa de bingo." tratase, assim, de típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por anoscalendário seguidos, no sentido de burlar o legítimo pagamento dos tributos devidos, por meio da conduta de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; de todo o exposto, apresentase sem qualquer pecha a majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, bem demonstrando a materialidade da conduta dolosa do sujeito passivo; nesse sentido, analisando caso concreto similar, já decidiu pela manutenção da multa qualificada imposta ao contribuinte, a colenda Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do Acórdão nº 10323.588, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária; Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 6 5 por oportuno, transcrevese a ementa do aludido acórdão paradigma: Acórdão n° 10323.588 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. no mesmo sentido, apresentase, ainda, o acórdão n° 10323.495 proferido pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa abaixo se reproduz: Acórdão n° 10323.495 MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007. os acórdãos paradigmas acima evidenciados foram claros, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de omissão reiterada de receitas/rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (prática sucessiva por mais de um anocalendário); o caso dos autos, como visto, em tudo se enluva aos paradigmas suscitados, o que demonstra estar perfeitamente adequada a autuação da auditoria fiscal; com efeito, o v. acórdão ora recorrido, proferido pela colenda Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, desqualificou a multa de oficio, em contrariedade ao artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP nº 351/2007), cujo teor é o seguinte: [...]; para bem demonstrar o equívoco em que laborou o acórdão exarado, é importante transcrever ensinamento de Marco Aurélio Greco (GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário, Dialética, 2004, p. 231.), que assim se pronuncia ao dissertar sobre o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96: "Na segunda hipótese, o Fisco, em razão dos fatos ocorridos, tem um interesse a ser protegido (um crédito a haver) que é impedido ou frustrado pela conduta do contribuinte. É o que se poderia chamar de fraude em sentido estrito ou de feição penal. É nítido que o inciso II do artigo 44 está se referindo a este segundo tipo de fraude e não ao primeiro. Tanto é assim que a parte final do dispositivo é Fl. 491DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 7 6 explicita ao prever que a incidência da multa de 150% darseá independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Ora, se a lei em questão estabelece que tal multa tributária incidira independentemente de outras penalidades, inclusive criminais, isto significa que o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal." o mencionado inciso II determina que além das hipóteses do inciso I, se faz necessário integrar com as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n 4.502/64. Dispõem tais artigos: [...]; verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento; repitase, para consolidar a memória, a afirmação do autor sobre o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário: é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal; pois bem. Há necessidade de se analisar a conduta do(a) contribuinte, se de fato ocorreu dano ao erário e se possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano; no caso concreto, fazse mister examinar se a materialidade da conduta se ajusta à norma inserida nos artigos da Lei n° 4.502/64 a que remete a Lei n° 9.430/96 em seu artigo 44, inciso II (atual art. 44, I, c/c § 1°, da Lei n.° 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.° 351/2007); como visto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada, sistemática, de omitir receitas durante anoscalendário sucessivos, apuração que tomou por base significativos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprovou a respectiva origem. Tais práticas reiteradas revelaram evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada. Reforça tal constatação o fato de o contribuinte manter expressiva movimentação financeira após declarar ter encerrado suas atividades; destarte, conforme provam os documentos constantes dos autos, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente de quem procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa; a esse respeito, dissertando sobre o tipo de injusto de ação doloso, Luiz Regis Prado (PRADO, Luiz Regis. Comentários ao Código Penal — 2ª ed., Editora Revista dos Tribunais, 2003, p. 109) afirma desdobrarse esse em tipo objetivo e tipo subjetivo; Fl. 492DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 8 7 o tipo objetivo desdobrase em elementos descritivos (seres ou atos perceptíveis pelos sentidos) e elementos normativos, os quais exigem um juízo de valor — valoração jurídica (exs.: cheque, casamento) ou extrajurídica (ex. ato obsceno); o tipo subjetivo abrange os aspectos pertencentes ao campo anímico espiritual do agente. É formado pelo dolo (elemento subjetivo geral) e pelo elemento subjetivo do injusto (elemento subjetivo especial do tipo). Assevera o autor: [...]; para o elemento subjetivo do injusto, há exigência de outros elementos, destacandose, para o caso, o especial fim de agir, onde o agente busca um resultado compreendido no tipo, mas que não precisa necessariamente alcançar; no seu magistério, Fernando Capez (CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral, vol. 1, 7ª ed., Saraiva, 2004, pp. 108 e 129) assevera que a ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a uma finalidade, é conduta, e esta, dolosa ou culposa, corresponde a um dos quatro elementos do fato típico (fato material que se amolda perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto na lei penal); dai deflui, de imediato, que surgem como elementos da conduta a consciência e a vontade, pois que a conduta foi realizada e, mais, dirigida a uma determinada finalidade, além de ser exteriorizada; tudo considerado, concluise que o contribuinte: i) praticou atividade ilícita comprovada, descrita no termo de verificação fiscal, observada a partir da apuração, por anoscalendário sucessivos, de omissão significativa de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em atividade reiterada que reforça o intuito de fraude, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada pela fiscalização a multa de 150%; ii) como resultado de sua conduta dolosa, havia diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o conseqüente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; iii) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; iv) a conduta repetida sistematicamente demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. por todos os motivos expostos, deve ser mantida a qualificação da multa, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. DO PEDIDO ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o acórdão recorrido na parte ora impugnada, restabelecendo a Fl. 493DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 9 8 multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) por se ter configurado a ação dolosa consubstanciada na prática reiterada de omissão de receitas, nos termos da fundamentação supra, incidente o inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n. 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP nº 351/2007). Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 206/2011, de 01/11/2011, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. Com efeito, do exame dos acórdãos paradigmas, verificase que a matéria fática decidida é a mesma da tratada no acórdão recorrido. Em ambos, a omissão de receitas foi apurada pelas autoridades lançadoras com base em depósitos bancários não escriturados e sem a comprovação das origens correspondentes, pelas pessoas jurídicas autuadas. Também em ambos os casos as autoridades lançadoras entenderam que a conduta reiterada dos fiscalizados eram elementos suficientes para caracterizar o dolo requerido pela lei para a aplicação da multa qualificada. No entanto, enquanto os acórdãos paradigmas acolhem o entendimento de que a conduta reiterada do contribuinte de omitir receitas é suficiente para a aplicação da penalidade agravada, no acórdão recorrido verificase exatamente o oposto, entendendo como inexistente a veiculação de fraude ou de simulação que pudesse ensejar a qualificação da multa de ofício. Ante ao exposto, o acórdão apresentado pela Fazenda Nacional, ao meu ver, cumpre a exigência de demonstrar, fundamentadamente, a divergência de interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso em relação ao ponto questionado do acórdão recorrido, acima analisado. Em 30/12/2011, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 180100.355, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, e ela não apresentou nem recurso especial contra a parte da decisão que lhe foi desfavorável, e nem contrarrazões ao recurso da PGFN. É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores referentes aos anoscalendário 2004 e 2005. A autuação fiscal está baseada em omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários não contabilizados e/ou de origem não comprovada. A Fiscalização registra que a contribuinte prestou informação de que teria encerrado suas atividades no início de 2004, mas que a conta bancária mantida junto ao banco Banrisul, agência de Canela/RS, continuou a receber um expressivo volume de recursos financeiros. O lançamento de IRPJ e CSLL em 2004 foi realizado com base no lucro real, e em 2005, com base no lucro presumido (conforme o regime informado nas DIPJ apresentadas pela contribuinte). Em consequência dos regimes de apuração adotados para IRPJ/CSLL, as contribuições PIS e COFINS foram apuradas com base no regime não cumulativo em 2004 e cumulativo em 2005. Foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no inciso II, do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (Lei n° 9.430/96, art. 44 e alterações), considerandose que houve evidente intuito de fraude, à medida que a empresa Administradora de Jogos Schneider Ltda., de forma deliberada e ou dolosa, omitiu receitas operacionais. Ao apreciar a impugnação da contribuinte, a decisão de primeira instância administrativa cancelou as exigências de IRPJ/CSLL, por entender que deveria ter sido adotado o arbitramento dos lucros, em razão da ausência de escrituração contábil e fiscal e do livro caixa. Foram mantidos, entretanto, os lançamentos das contribuições PIS e COFINS. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, cancelou a exigência das contribuições PIS e COFINS em 2004, porque considerou que elas deveriam ter sido lançadas pelo regime cumulativo, que é o regime compatível com lucro arbitrado. Mas foram mantidas as exigências de PIS e COFINS em 2005, porque a Fiscalização adotou nesse período o regime cumulativo, que é compatível tanto com o lucro presumido quanto com o lucro arbitrado. Em relação à manutenção das referidas contribuições em 2005, o acórdão recorrido registra que "além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as Fl. 495DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 11 10 contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos". O acórdão recorrido também afastou a multa qualificada (reduzindo a multa de 150% para 75%), por entender que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14)". E com seu recurso especial, a PGFN procura restabelecer a multa qualificada para a parte das exações fiscais que subsistiu no presente processo (PIS/COFINS referentes ao anocalendário de 2005). Antes de adentrar no mérito do recurso especial, é preciso fazer algumas considerações sobre sua admissibilidade. Vêse que o acórdão recorrido afastou a qualificadora porque a autuação fiscal teria sido baseada em simples presunção legal de omissão de receitas, o que inviabilizaria a qualificação da multa: Deve ser afastada, contudo, a qualificação da multa. É que, considerando que na autuação, a auditoria fiscal se utilizou de presunção legal para configurar a omissão de rendimentos, não é possível presumirse também a fraude. Ora, vêse que o dispositivo autoriza a presunção de que os depósitos bancários de origem não comprovada são receitas omitidas, como no caso dos autos, mas não autoriza a presunção de que este só fato constitua fraude, e, assim, deva receber penalização qualificada. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. A aplicação da multa qualificada exige a fortiori, a intenção dolosa, que vai além da simples presunção de omissão de rendimentos. Ora, no caso dos autos não houve veiculação da fraude ou da simulação pois, sequer a escrituração contábil e fiscal da empresa foi apresentada. Não há livros fiscais, livros contábeis, notas fiscais, contratos ou qualquer outro elemento físico a comproválas, dado que a hipótese que lastreia a autuação é de omissão de receitas calcada em presunção. Omissão de receita prevista em lei, mas de forma presumida. E este entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF nº. 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fica reduzida, então, a penalidade sobre as exigências de PIS e de COFINS do anocalendário 2005, à multa por lançamento de ofício de 75%. E foi nesse contexto, ou seja, no intuito de fortalecer a argumentação de que a comprovação de fraude não se compatibiliza com a figura da simples presunção de omissão de receitas, é que o acórdão recorrido mencionou a Súmula CARF nº 14. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 12 11 A referida súmula foi citada no sentido de reforço de argumentação, mas ela não engloba todo o fundamento do acórdão recorrido, e nem poderia servir a esse fim porque o seu comando não é de aplicação direta, objetiva, nem tem alcance para tanto. Com efeito, o próprio texto da Súmula CARF nº 14 faz a devida ressalva que compatibiliza a presunção legal de omissão de receita com as hipóteses de qualificação de multa (sonegação, fraude e conluio). A súmula não diz que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos não autoriza a qualificação da multa de ofício, o que ela diz é que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Essa ressalva no conteúdo da súmula restringe o seu alcance, e mitiga o seu comando. A questão que se apresenta é: se a reiteração da conduta pode ou não servir como elemento/critério caracterizador de dolo/fraude, questão que está além da citada súmula, porque não pode ser respondida por ela. E é exatamente por isso que existem muitas decisões do CARF (como os paradigmas trazidos pela PGFN) que mantém a qualificadora em autuações por omissão de receita apurada a partir de presunção legal, senão idênticas, ao menos muito semelhantes à autuação ora examinada. Acertado, portanto, o exame de admissibilidade do recurso especial: Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. Com efeito, do exame dos acórdãos paradigmas, verificase se que a matéria fática decidida é a mesma da tratada no acórdão recorrido. Em ambos, a omissão de receitas foi apurada pelas autoridades lançadoras com base em depósitos bancários não escriturados e sem a comprovação das origens correspondentes, pelas pessoas jurídicas autuadas. Também em ambos os casos as autoridades lançadoras entenderam que a conduta reiterada dos fiscalizados eram elementos suficientes para caracterizar o dolo requerido pela lei para a aplicação da multa qualificada. No entanto, enquanto os acórdãos paradigmas acolhem o entendimento de que a conduta reiterada do contribuinte de omitir receitas é suficiente para a aplicação da penalidade agravada, no acórdão recorrido verificase exatamente o oposto, entendendo como inexistente a veiculação de fraude ou de simulação que pudesse ensejar a qualificação da multa de ofício. A divergência restou comprovada e o recurso deve mesmo ser conhecido. Pelas razões acima expostas, não se aplica aqui a regra regimental que veda a apreciação de recurso especial contra "decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF" (art. 67, §3º, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015). Nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 497DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 13 12 Lei nº 4.502, de 1964, que são os que contêm o termo subjetivo (evidente intuito de fraude) demandado pela norma. Seguem os dispositivos citados: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. As expressões "inequivocamente comprovado", "minuciosamente comprovada", "certeza absoluta do dolo", "plena comprovação", utilizadas numa velha jurisprudência dos Antigos Conselhos de Contribuintes (que, depois, chegou a ser encampada por algumas das turmas de julgamento de primeira instância), equivalem, em termos literários Fl. 498DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 14 13 ao sonho de Tartarim1 de Tarascon, personagem do clássico francês escrito por Alphonse Daudet em 1872, sonho este que consistia em caçar leões pelos corredores da casa, onde, porventura, não há senão ratos e pouco mais; ou ainda, em termos populares, a enveredar na busca de um unicórnio sabendo da inexistência do mesmo. Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto à correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). Não obstante essas diretrizes, há ainda excludentes do dolo, não tanto excludentes na intenção, mas sim muito mais na consciência do ilícito; que, para sua configuração, exige que haja: i) o reconhecimento da intenção do que foi praticado; e ii) a existência de uma justificativa plausível para se ter adotado determinado comportamento (a exemplo de dúvida na interpretação de norma legal, erro de cálculo no qual possa ser identificado a imprecisão na fórmula do cálculo e que seja coerente com os valores daí decorrentes, etc). Na mesma linha (na verdade, na sua origem) da aferição a partir dos critérios da relevância e da recorrência (ou reiteração), situase o Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, fundamentado em voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, o qual reflete, a meu juízo, a mais evoluída e moderna jurisprudência sobre o tema. Confirase a ementa do mesmo, na parte pertinente: 1 Homem que carrega “a alma de Dom Quixote” e “o corpo barrigudo e atarracado” de Sancho Pança, personagens imortalizados pelo castelhano Miguel de Cervantes num dos maiores clássicos da literatura universal: “Dom Quixote”. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 15 14 CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por três anos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. Vale também transcrever trechos do voto que orientou o Acórdão nº 1201 000.841, de 06/08/2013, da lavra do mesmo conselheiro acima mencionado: "Mas antes de arrolar as razões pelas quais entendo haver sido comprovado o dolo, desejo refutar a idéia segundo a qual não seria possível qualificarse a multa de ofício em casos de presunção de omissão de receita. Como a prova do dolo é sempre indireta, os defensores dessa idéia afirmam que haveria "presunção da presunção". Pois bem, quanto a isso bastaria apontarmos o texto da aludida súmula 25 do CARF, que expressamente admite a qualificação da multa em infrações apuradas por presunção legal, desde que comprovada a ocorrência do dolo em qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mas não é só. ..., os elementos de prova juntados em qualquer processo não são propriamente "prova" dos fatos alegados pelas partes enquanto o órgão julgador não disser estar convencido de que aqueles elementos "provam" o fato alegado. ... A questão, portanto, recai sobre o "grau" de convencimento do julgador a fim de que ele possa afirmar que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado. As afirmações acima são particularmente importantes quando o fato a ser provado é o dolo do agente. ... Nesse sentido, o julgador dirá que está convencido de que os elementos indiretos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado quando atingido determinado grau de convencimento." O voto vencedor que orientou o já referido Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, que subsidiou a ementa transcrita acima, traz outros referenciais sobre o tema em pauta: "Iniciemos então o exame do julgado da DRJ pela afirmação de que " [A] princípio, o dolo não se presume...'". Como é cediço, dolo é a vontade livre e consciente de uma pessoa se conduzir contrariamente ao estabelecido pela ordem jurídica. E uma vez que a vontade é algo interno à consciência humana, não pode ser ela provada por meios diretos, a não ser pela declaração prestada pelo próprio agente. Isso posto, ao contrário do afirmado pela DRJ, o dolo do agente, no mais das vezes, somente poderá ser provado por meios indiretos, em especial mediante presunção tomada a partir da experiência comum ou pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). Somente na Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 16 15 (raríssima) hipótese de confissão do agente é que se pode falar em prova direta do dolo. A outra afirmação do órgão a quo que merece comentário é a que diz respeito à exigência de prova "inconteste e cabal" do dolo. É que, ao contrário do alegado pela DRJ, o direito [qualquer ramo do direito] não exige que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" atinja o grau de "certeza". Admite que o convencimento se dê com base apenas em verossimilhança, ou seja, que seja provável, ainda que não seja absolutamente inconteste, que a "verdade dos fatos" seja essa e não aquela. Tratase aqui de um dos aspectos do princípio do livre convencimento motivado. Mesmo sem adentrarmos nos alicerces teóricos dessa afirmação2, é intuitivo que, no mais das vezes, o direito se contente com mero juízo de verossimilhança. Seja porque, por vezes, o grau de certeza é impossível de ser alcançado no caso concreto. Seja porque, mesmo nos casos em que teoricamente isso seja possível, a dificuldade para alcançálo tornaria o processo infindável. Apenas para ilustrar o que acima foi dito, a prova pericial lastreada em exame de DNA de duas pessoas distintas poderá concluir, com probabilidade superior a 99,99%, mas não de 100%, que uma delas é o pai biológico da outra. Acaso o direito exigisse que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" devesse alcançar o grau de "certeza", o juiz não poderia proferir sentença declarando a paternidade. Outro exemplo. No rumoroso caso Nardoni é inquestionável que, mesmo diante de um conjunto probatório robusto, não foi possível aos membros do Tribunal do Juri alcançar um convencimento com grau de "certeza" acerca da culpa dos réus. Não há dúvida de que a alegação da defesa, segundo à qual o autor do crime teria sido uma terceira pessoa que se encontrava no apartamento quando os acusados lá chegaram, apesar de improvável, não chegou a ser cabalmente afastada. Apesar disso, o Juri concluiu pela culpa dos réus, o que claramente foi feito com base em juízo de verossimilhança. Os exemplos acima referidos estão longe de ser incomuns. Em verdade os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são bastante freqüentes em todos os ramos do direito. Não me surpreenderia, inclusive, se uma eventual pesquisa sobre o assunto revelasse que os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são em número bem superior àqueles tomados em juízo de certeza. Bem, mas se é inescusável o fato de que o convencimento do julgador poderá ser validamente alcançado com base em juízo de verossimilhança, então a questão a ser discutida resumese ao grau desse convencimento. 2 Na doutrina pátria vide, dentre outros, Luiz Guilherme Marinoni, in Formação da Convicção e Inversão do Ônus da Prova Segundo as Peculiaridades do Caso Concreto (artigo acessado no sítio http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Luiz%20G%20Marinoni(15)%20formatado.pdf). Entre os muitos trabalhos estrangeiros sobre o assunto confira James Q. Whitman in The Origins of "Reasonable Doubt" (artigo acessado no sítio http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1000&context=fss_papers). Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 17 16 Embora a jurisprudência pátria ainda não tenha expressamente estabelecido os padrões (standards) de grau de convencimento que devam ser adotado em cada caso concreto, é indiscutível que em processos penais os julgadores, ainda que intuitivamente, exigem um grau de verossimilhança alto para se declararem convencidos acerca da "verdade dos fatos" em caso de condenação. Esse padrão de grau de convencimento alto por nós empregado no âmbito do direito penal em caso de condenação é denominado no direito norte americano de evidência para além de qualquer dúvida razoável (evidence beyond a reasonable doubt)3. Em resumo, o emprego desse padrão implica que, para condenar o réu, o julgador somente se considerará convencido sobre a "verdade dos fatos" quando houver um alto grau de verossimilhança entre as alegações feitas pela acusação e aquilo que for possível concluir com base nos elementos de prova presentes nos autos. Havendo dúvida razoável, julgador deverá considerarse não convencido. Todavia, incertezas que extrapolem o limite do razoável devem ser desprezadas, tal como o foram nos exemplos antes referidos (paternidade e caso Nardoni). É certo que esse grau de convencimento alto, no mais das vezes, não é possível de ser determinado de maneira exata, comportando assim um certo subjetivismo. Em outras palavras, diante de um mesmo caso concreto, um julgador poderá se considerar convencido, para além de qualquer dúvida razoável, acerca da culpa do acusado, enquanto outro poderá entender que ainda restam dúvidas razoáveis que impossibilitam a condenação. Esse subjetivismo, entretanto, é minimizado pela necessária motivação da decisão e pelo duplo4 grau de jurisdição." Dito isso, adoto neste julgamento esse rigoroso parâmetro/critério de grau de convencimento que me permita afirmar, para além de qualquer dúvida razoável, que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o dolo do agente. Em outras palavras, segundo esse critério, os elementos de prova "provarão" o dolo se, e somente se, me proporcionarem o convencimento, para além de qualquer dúvida razoável, de que o agente agiu dolosamente. Pois bem, a decisão de primeira instância administrativa faz a seguinte síntese dos fatos apontados pela Fiscalização para justificar a qualificação da multa: Multa agravada Procede o agravamento da penalidade em função do evidente intuito de fraude. A empresa, por quase dois anos, recebeu depósitos em sua contacorrente, sem qualquer registro em sua escrituração. Os depósitos, ocorridos em todos os meses entre março de 2004 e dezembro de 2005, são de valores significativos e, em alguns meses, são praticamente diários (dia úteis), o que demonstra serem compatíveis com a manutenção em 3 Esse padrão de grau de convencimento alto é também adotado nas cortes norte americanas nos julgamentos de processos penais. Existem, todavia, outros padrões de convencimento lá empregados, todos com grau mais baixo do que o do evidence beyond a reasonable doubt. Uma explanação bastante resumida da aplicação de cada um desses padrões pode ser encontrada em http://en.wikipedia.org/wiki/Legal_burden_of_proof. 4 Essa minimização do subjetivismo é maior ainda quando se considera que o processo administrativo fiscal ainda poderá ser submetido à apreciação judicial. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 18 17 funcionamento da casa de bingo. Vejamos alguns exemplos de totais depositados por mês: [...] Essa movimentação bancária não foi escriturada, nenhuma receita foi reconhecida e, mesmo intimada, nenhuma comprovação da origem dos valores foi apresentada. A impugnante tangencia o assunto, mas não fala — nem comprova — nada acerca da origem ou natureza dos recursos movimentados pela empresa. Tenho que essa situação revela evidente intuito de fraude, implicado o necessário agravamento da penalidade, tal qual efetuado pelo autuante. Os fatos apontados configuram evidências suficientes para me convencer, para além de qualquer dúvida razoável, de que a infração apurada tem a marca do dolo da contribuinte. Pois não é razoável admitirse que tenha sido fruto de mero erro ou negligência o fato de a pessoa jurídica, relativamente a dois anos (2004/2005), apresentar declarações em branco à Secretaria da Receita Federal (efls. 118/139 do vol. 2), enquanto ela diariamente movimentava recursos em sua conta bancária. Há relevância na infração, porque a contribuinte simplesmente não declarava os tributos à Receita Federal. Apesar de haver débitos a declarar/recolher, ela apresentava declarações em branco, como se não tivesse nenhuma atividade. E também há recorrência, porque essa forma de proceder foi constatada ao longo dos dois anos fiscalizados. A informação prestada pela contribuinte durante os trabalhos de auditoria, de que havia encerrado suas atividades no início de 2004 (efls. 172 do vol. 1), só reforça o dolo de sua conduta na supressão dos tributos, em momento anterior. O entendimento defendido pelo acórdão recorrido, no sentido de que a "fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico", de que para se imputar essas infrações elas tem que estar "materializadas documentalmente", não mais está em consonância com a atual jurisprudência administrativa. Aliás, relativamente à conduta reiterada em omitir informações do Fisco, que se caracteriza como elemento para convencimento dos julgadores quanto ao dolo que conduz à qualificação da multa de ofício, não é de hoje que a jurisprudência desta Turma da Câmara Superior (bem como de outros colegiados do CARF) vem admitindoa, conforme se depreende dos precedentes abaixo: MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte defraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. (Acórdão nº 9101 00.140, sessão de 12/05/2009, da relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho). MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009, que teve por relatora a Conselheira Karem Jureidini Dias). Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11020.002825/200721 Acórdão n.º 9101003.929 CSRFT1 Fl. 19 18 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É aplicável a multa de oficio qualificada de 150% naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. (Acórdão nº 9101 00.320, sessão de 25/08/2009, relator o Conselheiro Antônio Praga). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. (Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, relatora a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Moteiro). Logo, pelas circunstâncias descritas neste processo, estando presentes o elemento subjetivo (dolo de omitir/retardar o conhecimento do Fisco do fato gerador) e o elemento objetivo (ausência de recolhimento dos tributos devidos), decido que a infração relativa às contribuições PIS e COFINS apuradas nos meses do anocalendário de 2005 (exações que subsistiram no processo) se amolda perfeitamente à hipótese descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação), o que leva ao restabelecimento da multa qualificada no percentual de 150%. Desse modo, voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 504DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000791/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO- APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendo-se assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-006.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO- APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendo-se assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.000791/200921 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.306 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE JACINTO MACHADO COOPERJA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendose assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 07 91 /2 00 9- 21 Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11516.000791/200921 Acórdão n.º 3302006.306 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento de parcelas da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins). Segundo a autoridade administrativa de origem, embora reiteradamente intimado, o interessado não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001, não permitindo, por conseguinte, a verificação dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais Dacon e tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou o seguinte: a) conforme despacho decisório, somente alguns arquivos digitais foram apresentados com as supostas inconsistências; b) em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins n° 15/2001 e seus anexos; c) os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; d) os arquivos digitais foram abertos de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; e) apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados, e respeitando os parâmetros do ADE n° 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontravam atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; f) o ADE n° 15/01 e a Instrução Normativa n° 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; g) a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito estava constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11516.000791/200921 Acórdão n.º 3302006.306 S3C3T2 Fl. 4 3 h) por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos; i) todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador, sendo que eventuais problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, reafirmando a conclusão do despacho decisório e considerando a ausência de efetiva comprovação do direito creditório pleiteado, cujo ônus fora atribuído ao contribuinte pela legislação de regência. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e apontando contradição na decisão recorrida, dada a efetiva apresentação de inúmeros arquivos digitais em resposta às intimações da fiscalização, com observância dos requisitos exigidos pela legislação (art. 65 da IN SRF 900/08), com pequenas inconsistências em alguns dos dados fornecidos. Segundo o Recorrente, mostrouse desproporcional e desarrazoado o indeferimento da totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitara dúvidas à fiscalização, situação essa a exigir a realização de diligências para a verificação da existência dos créditos, encontrandose a sua escrita fiscal, com todas as informações necessárias à comprovação do crédito garantido pelo ordenamento jurídico, à disposição da fiscalização. Em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.421, a 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, com as seguintes determinações à unidade de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. É o relatório. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11516.000791/200921 Acórdão n.º 3302006.306 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.300, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11516.000785/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.300): Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17 fevereiro de 2012, às folhas 594. O recurso voluntário foi apresentado em 19 de março de 2012, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. Foram apresentados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: O Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 4° trimestre do ano calendário de 2005; O fato de tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida ignorar a vasta documentação apresentada e a existência do crédito, e simplesmente negálo por completo, em virtude de algumas inconsistências nos arquivos magnéticos apresentados. Passase à análise. Como relatado, em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.415, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para a Delegacia de origem. A resposta à Resolução foi apresentada às folhas 1.181 e 1.182, que reproduzimos: Verificação reiniciada em cumprimento da Sentença do Mandado de Segurança n° 500916742.2017.4.04.7200/SC, que concedeu a segurança para determinar ao impetrado Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, o cumprimento do disposto nas Resoluções da 1a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11516.000791/200921 Acórdão n.º 3302006.306 S3C3T2 Fl. 6 5 Os pedidos de ressarcimento de crédito de PIS/PASEP e COFINS relacionados na inicial do impetrante Cooperativa Agroindustrial Cooperja, foram inicialmente indeferidos, entretanto, o julgamento foi convertido em diligência para permitir a realização de novas verificações com base nos arquivos apresentados no recurso voluntário. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e atendendo a solicitação de redistribuição dos processos, conforme demonstrado na Informação Fiscal de fls. 1156 a 1179, foi apreciado o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 2° trimestre de 2005. Na tabela abaixo são demonstrados o PER, o valor de crédito solicitado, a data de transmissão, o respectivo processo administrativo, o tipo de crédito e o período de apuração. Da Requerente O contribuinte, com sede no município de Jacinto Machado SC, apresenta como atividade preponderante o beneficiamento de arroz. Do amparo legal do ressarcimento de créditos do PIS/PASEP. A nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) é regulamentada pela Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. A Secretaria da Receita Federal editou as Instruções Normativas SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002 e n° 404, de 12 de março de 2004, que descrevem quais os créditos que a pessoa jurídica pode descontar na apuração das referidas contribuições e estabelecem, ainda para aplicação das normas em apreço, o conceito de insumo. A Lei n°10.925/2004, e redações posteriores, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre venda no mercado interno de diversos produtos, entre eles os classificados nos códigos 1006.20 e 1006.30 . Já a manutenção do crédito da Contribuição para o PIS e da COFINS nas vendas efetuadas com alíquota zero está prevista no artigo 17 da Lei n°11.033, de 21 de dezembro de 2004. Do Direito Creditório Tendo em vista a quantidade de demandas judicias recebidas e o cumprimento do prazo exíguo assinalado pela Justiça Federal, realizamos verificação fiscal por amostragem, onde foram confrontados os valores constantes nos PER com as informações contidas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, nos arquivos entregues pelo contribuinte e nos demais dados disponíveis nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11516.000791/200921 Acórdão n.º 3302006.306 S3C3T2 Fl. 7 6 Dos gastos apresentados, constam embalagens, energia elétrica, bens para revenda, combustíveis, fretes, máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e demais insumos aplicados na produção. As verificações da documentação apresentada corroboram a procedência do pleito do contribuinte. Conclusão O Pedido de Ressarcimento é tempestivo (art. 1° do Decreto n.° 20.910, de 6 de janeiro de 1932) e está formalizado de conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. Os créditos da contribuição foram apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Ante todo o exposto, concluímos pelo reconhecimento do direito ao ressarcimento no valor pedido de R$33.861,69. Desse modo, atendendo o pleito do Recorrente, procedeuse a análise dos documentos pela Delegacia de origem. Com estas considerações, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 692DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.911670/2006-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 1001-001.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
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CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 16 70 /2 00 6- 42 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.911670/200642 Acórdão n.º 1001001.062 S1C0T1 Fl. 196 2 Tratase de Recurso Voluntário (efls. 164/168) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 1047.452, de 14/11/2013, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), efls. 157/160, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza e completa o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DERAT SP/SEORT/EQPIR que reconheceu parcialmente direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário 2000. O despacho decisório informa que parte das retenções referese à rendimentos financeiros não oferecidos à tributação e, portanto, ainda que confirmadas por Dirf, tais retenções não poderiam integrar o saldo negativo. IRRF DIPJ Total informado Confirmado por Dirf Oferecido à tributação Não oferecido à tributação Retenção sobre rendimentos financeiros 104.548,75 104.548,75 90.429,28 14.119,47 O IRRF considerado foi aquele proporcional às receitas financeiras informadas na linha 24 da ficha 06A da DIPJ. A unidade de origem no despacho decisório, ao excluir da apuração anual o IRRF cujas receitas não teriam sido oferecidas à tributação, identifica a existência de saldo negativo do anocalendário 2000 no valor de R$ 41.411,14. Imposto de Renda Pessoa Jurídica Declarado Despacho Decisório IRPJ anual devido (+) 49.018,14 49.018,14 IRPJ retido na fonte () 55.530,62 41.411,15 IRPJ mensal pago por estimativa () 49.018,13 49.018,13 IRPJ (=) 55.530,61 41.411,14 Finalmente, descontandose do crédito aqueles valores utilizados em compensações sem processo formalizadas em DCTF, no total de R$ 2.591,41, o direito creditório referente a saldo negativo do anocalendário 2000 foi parcialmente reconhecido pelo valor de R$ 38.819,73. A contribuinte utilizouse de R$ 52.753,38 do saldo negativo em questão nas compensações formalizadas nos PER/Dcomps 21192.83954.150803.1.3.020887 e 15214.13943.150903. 1.3.026023. Saldo Crédito PER/Dcomp Crédito aplicado 55.530,61 21192.83954.150803.1.3.020887 29.565,07 25.965,54 15214.13943.150903.1.3.026023 23.188,31 2.777,23 Totais 52.753,38 A contribuinte solicita, preliminarmente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, III, do CTN. Alega, em síntese, que a comparação da receita de um único exercício com os valores de IRRF constantes na Dirf fica prejudicada pois apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorre pelo regime de competência e a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do titulo), nos termos do artigo 732 do RIR/99 e, assim, se um titulo de renda fixa for adquirido em Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.911670/200642 Acórdão n.º 1001001.062 S1C0T1 Fl. 197 3 um exercício e seu vencimento ocorrer em outro exercício, a receita será tributada via apuração do lucro real em dois ou mais exercícios. Argumenta que se equivocou no preenchimento da DIPJ, eis que o montante de R$ 735.150,67 lançado na linha 21 a título de “Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável” tratase, na verdade, de aplicações financeiras de renda fixa que deveria ter constado na linha 24 e anexa cópia do livro diário na intenção de comprovar sua argumentação. O litígio deste processo corresponde à parcela não homologada das compensações, equivalente a R$ 13.933,65. A DRJ considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. Vejamos os argumentos da decisão da DRJ, no voto condutor do acórdão recorrido: Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ela decorre da regular apresentação de manifestação de inconformidade ou de recurso ao Carf (Lei nº 9.430/96, art. 74, §11). O CTN ao prever a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário o fez com o seguinte teor: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Deriva da norma a convicção que o pressuposto nuclear para a compensação tributária é que o crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. A certeza diz respeito ao reconhecimento por parte da RFB quanto à possibilidade de o contribuinte compensarse de supostos indébitos. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela comprovação documental do quantum compensável. Não se vislumbra a existência de saldo de crédito além do já reconhecido pela decisão ora atacada, porquanto ausentes os pressupostos de liquidez e certeza. O saldo negativo em questão é composto por valores retidos na fonte e por estimativas pagas e compensadas. O litígio resumese à não confirmação pela unidade de origem do oferecimento à tributação das receitas financeiras correspondentes à totalidade das retenções na fonte. A defesa argumenta que apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorre pelo regime de competência e a tributação na fonte ocorre no regime de caixa e, portanto, a receita poderia ser tributada via apuração do lucro real em dois ou mais exercícios. De fato, a adoção do regime de competência na contabilização de receitas e despesas está prevista na legislação tributária. Assim, nas aplicações financeiras as receitas são apropriadas ao resultado em observância do regime de competência dos períodosbase, sendo reconhecidas à medida que os rendimentos são atribuídos, independentemente de seu pagamento ou resgate, ou seja, “proratatempore”, no Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.911670/200642 Acórdão n.º 1001001.062 S1C0T1 Fl. 198 4 caso de aplicações a prazo fixo realizadas em um exercício com resgate para o exercício seguinte, conforme dispõem os artigos 65, 74, 76 e 77 da Lei nº 8.981, de 1995, arts. 11 e 12 da Lei nº 9.249, de 1997, arts. 35 e 36 da Lei nº 9.532, de 1997, art. 187 e § 1º da Lei 6.404, de 1976 e arts. 273, 274, 373, 727, 732 do RIR/99. Por outro lado, a incidência do imposto de renda ocorre no momento do resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação. Deste modo, tendo ocorrido as retenções de IR no ano de 2008, naturalmente os rendimentos oriundos destas operações financeiras, declarados no ano de 2008, seriam desproporcionais ao total de retenções de IR informados neste mesmo ano (salvo no caso de prejuízos nos anos anteriores). No entanto, em que pese a plausibilidade de seus argumentos, a contribuinte não explicou em que anoscalendário os tais rendimentos teriam sido oferecidos à tributação. Não ficou comprovado que as receitas financeiras declaradas a título de ganhos auferidos no mercado de renda variável deveriam ter sido informadas como aplicações financeiras de renda fixa. Os valores constantes do Demonstrativo de Resultado até 31/12/00 não tem correspondência com os informados na ficha 6A da DIPJ. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar a existência do direito creditório relacionado com as compensações que declara. Diante do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar a existência do direito creditório relacionado com as compensações que declara. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão de primeira instância em 15/01/2014, conforme o "Termo de Ciência por decurso de prazo" à efl. 162, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 10/02/2014, conforme carimbo aposto à efl. 164. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.911670/200642 Acórdão n.º 1001001.062 S1C0T1 Fl. 199 5 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso apresentado a recorrente reitera as alegações anteriores, ou seja, que se equivocou no preenchimento da DIPJ e que "o fato de informar em linha não impossibilita o direito ao crédito"; que em respeito ao princípio da verdade material seu direito deve ser reconhecido e que ficou devidamente "comprovado" na DIPJ. Anexa novamente partes da DIPJ e "demonstrativo por anocalendário" como elemento de prova. Outrossim, apresenta os seguintes esclarecimentos: Em que pese toda a argumentação apresentada pela recorrente, bem como as fichas financeiras anexadas ao recurso voluntário e que a postulante denomina "demonstrativo por anocalendário", temse que a contribuinte jamais apresentou a documentação comprobatória das aplicações financeiras e respectivas retenções, em busca da suposta "verdade material" que pleiteia. Como teve mais de uma oportunidade para a apresentação da devida documentação, a alegação de que deveria ser intimada a comprovar não procede. Assim, no presente caso, a contribuinte deveria ter apresentado os comprovantes das aplicações financeiras e das retenções sofridas durante o(s) período(s), além do demonstrativo de sua composição, bem como a escrituração fiscal e contábil dos anos calendário pertinentes ao caso em tela, cujos rendimentos teriam sido oferecidos à tributação. Sem a apresentação completa das provas, através de documentação hábil e idônea, cujo ônus é da contribuinte, tornase impossível a comprovação da certeza e da liquidez do crédito pleiteado. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.911670/200642 Acórdão n.º 1001001.062 S1C0T1 Fl. 200 6 Portanto, entendo como escorreita a decisão da turma a quo, cujos argumentos da contribuinte foram fundamentadamente afastados. E, por concordar com todos os seus termos, peço vênia para adotálos como razões de decidir, com base do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721348/2014-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A conversão do depósito judicial em renda extingue o crédito tributário, no mesmo valor.
Numero da decisão: 1301-003.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A conversão do depósito judicial em renda extingue o crédito tributário, no mesmo valor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 48 /2 01 4- 03 Fl. 1411DF CARF MF 2 Trata o processo de auto de infração relativo ao anocalendário de 2009, para cobrança da CSLL no valor de R$ 12.183.900,19, decorrente da análise dos débitos de estimativas, declarados em DCTF como suspensos em virtude de depósitos judiciais, referentes aos Mandados de Segurança nº 004526862.1998.4.03.6100 e 001120122.2008.4.03.6100, nos seguintes valores: A fiscalização entendeu que tais valores depositados judicialmente não poderiam ser consideradas estimativas efetivamente pagas, razão pela qual glosou os mesmos na apuração da CSLL, perfazendo o montante de R$ 15.643,394,48, resultante uma alteração de saldo negativo de CSLL de R$ 3.459.494,29 para CSLL a pagar de R$ 12.183.900,19. O lançamento foi efetuado com fulcro no art. 63 da Lei nº 9.430/96, para prevenir a decadência, e sem multa de ofício. Cientificado, o Contribuinte informou, em síntese, que ambos os processos foram extintos e que os valores depositados estavam disponíveis para conversão em julgamento, razão pela qual as estimativas deverão ser consideradas como pagas. A DRJ converteu o processo em diligência, para confirmar os fatos aduzidos na Impugnação, cujas conclusões constam em fls. 1371/1372, no seguinte sentido: 1) Confirmou a desistência das ações judiciais. 2) Procedeuse à consulta dos documentos de arrecadação nos sistemas internos da RFB (fls. 12811326), confirmando a transformação em pagamento definitivo da União tão somente dos depósitos efetuados no MS nº 0011201 22.2008.4.03.6100, no total de R$ 13.581.304,18. 3) Os valores depositados nos autos do MS nº 004526862.1998.4.03.6100, que perfazem o montante de R$ 2.063.228,25, permanecem à disposição da autoridade competente. 4) O total transformado em pagamento definitivo da União não é suficiente para extinguir o crédito tributário nos termos do art. 156, VI do CTN, como alega o contribuinte. 5) Os depósitos judiciais em questão foram glosados da apuração da CSLL, no montante de R$ 15.643.394,48, resultando na alteração do saldo negativo de CSLL de R$ 3.459.494,29 para CSLL a pagar de R$ 12.183.900,19. 6) Para que sejam considerados “estimativas pagas” e capazes de extinguir o CT, os depósitos devem ser integralmente transformados em pagamento definitivo Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201403 Acórdão n.º 1301003.617 S1C3T1 Fl. 3 3 da União, condição ainda não cumprida, posto que pendente a decisão do juízo de primeira instância nos autos do MS nº 004526862.1998.4.03.6100 e a efetiva destinação dos valores depositados Intimado, o Contribuinte aduziu: tendo sido confirmada a conversão em renda dos depósitos efetuados nos autos do MS nº 001120122.2008.4.03.6100, fazse mister o cancelamento desta parcela do crédito tributário, em função de sua extinção, nos termos do artigo 156, VI do CTN. já em relação ao MS nº 004526862.1998.4.03.6100, embora os depósitos não tenham sido transformados em pagamento definitivo até o momento, o pedido de conversão já foi apresentado, sendo certo que, atualmente, resta pendente apenas a homologação por parte do Juízo infra, o que pressupõe, invariavelmente, a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, VI do CTN. A DRJ julgou a Impugnação inteiramente procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A conversão do depósito judicial em renda extingue o crédito tributário, no mesmo valor. DEPÓSITO JUDICIAL NÃO CONVERTIDO. GLOSA DA ESTIMATIVA MANTIDA. Enquanto não convertido em renda da união, a parcela da estimativa discutida judicialmente, ainda que tenha ocorrido a desistência da ação e o pedido de conversão, não pode ser considerada efetivamente recolhida, não podendo ser compensada com o tributo devido no final do período. Em razão do valor exonerado, interpôsse Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Fl. 1413DF CARF MF 4 O Recurso de Ofício ultrapassa o limite de alçada e deve ser conhecido por este Colegiado. Por razões de economia, utilizarei trechos da decisão a quo, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. O crédito tributário constituído por meio de lançamento se refere à CSLL devida no anocalendário de 2009, fato gerador ocorrido em 31/12/2009, e que em momento algum foi declarado pela autuada por meio de DCTF, ou efetuado depósito judicial. Apenas as estimativas da CSLL, que não se confundem com o objeto deste auto de infração, estão declaradas e constituídas por meio das DCTF. Ademais, a DIPJ/2010 foi apresentada com apuração de saldo negativo de CSLL, fato este revertido com a glosa dos valores depositados judicialmente relativos às estimativas, resultando em CSLL a pagar no valor de R$ 12.183.900,19. Logo, correto o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Considerando os Extratos dos Pagamentos, fls. 1318/1326, os depósitos judiciais foram de fato convertidos em renda da união, nos autos do MS nº 0011201 22.2008.4.03.6100, no montante de R$ 13.581.304,18. Para essas parcelas, é inequívoco que deverão ser reconhecidas como extintas, nos termos do art. 156, VI do CTN. Já com relação aos depósitos judiciais efetuados nos autos do MS nº 004526862.1998.4.03.6100, a condição prevista no art. 156, VI (conversão do depósito em renda) ainda não foi cumprida. Nesse sentido, a decisão a quo concluiu que a glosa de R$ 2.063.228,25, relativa a esta parcela, deveria ser mantida. Apesar da parcela mantida, a DRJ verificou que retificando a tabela de apuração da CSLL, considerando apenas o montante extinto através do depósito no MS nº 001120122.2008.4.03.6100, restaria um saldo negativo de CSLL de R$ 1.397.403,99. Senão vejamos: Em razão disso, entendeu a decisão a quo que o lançamento fiscal deve ser declarando improcedente, a despeito de reconhecer que a glosa de R$ 2.063.228,25 deveria ser mantida, e seria objeto de discussão no processo nº 16327.720978/201703, que pleiteia o reconhecimento do crédito relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2009. Desse modo, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201403 Acórdão n.º 1301003.617 S1C3T1 Fl. 4 5 Fl. 1415DF CARF MF
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