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Numero do processo: 12466.002864/2007-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário:2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. A Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma terceira instância de julgamento.
Numero da decisão: 9303-005.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário:2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. A Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma terceira instância de julgamento.
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ADUANEIRO. Recorrente SERVER COMPANY COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. A Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma terceira instância de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 64 /2 00 7- 52 Fl. 1511DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3201001.736, de 16/09/2014, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 20/11/2002 a 23/12/2003 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante simulação, nos termos previstos no art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Irresignada, a contribuinte apresentou recurso especial contra a manutenção da multa pela ocultação do real adquirente da mercadoria importada, prevista no art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, pois teria havido uma importação por conta e ordem de terceiro, fato que não foi declarado pela empresa importadora. Alega divergência de interpretação quanto ao que decidido no Acórdão nº 3402002.277. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 1455/1460. Intimada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 1462/1479). É o Relatório. Voto Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 12466.002864/200752 Acórdão n.º 9303005.987 CSRFT3 Fl. 1.512 3 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial não deve ser conhecido. Conforme é do conhecimento de todos, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF não constituiu uma terceira instância de julgamento. A sua competência reside, hoje, apenas na apreciação de interpretações divergentes sobre a legislação tributária, de molde que, no âmbito de cada Seção, restem unificadas e firmadas. Portanto, não cabe o revolvimento de matéria fáticoprobatória, como indica, sem maiores esforços, o art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, o atual Regulamento do CARF RICARF/2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso em exame, considerando as provas carreadas aos autos pela fiscalização, a Câmara baixa entendeu, por maioria de votos, que o caso configurava simulação, em ordem a possibilitar a exigência fiscal. Vejam, a propósito, os seguintes parágrafos do voto vencedor do acórdão recorrido: A simulação é ocultação de fato declarando a existência de outro que não corresponde a realidade. No caso em tela as operações foram declaradas como sendo realizadas para a empresa SAB trading, mas as provas trazidas aos autos deixam cristalina a existência de relação entre a SAB e a real adquirente das mercadorias e que a SAB nunca teve interesse em importar para uso próprio ou para revenda no mercado, sempre operou a pedido da Huawei, que determinava a quantidade de mercadorias e os produtos que desejavam fossem importados, conforme fartamente demonstrado nos autos. É inequívoco que as operações foram realizadas por encomenda. A SAB tinha conhecimento, antes de iniciar a operação de importação, quais os produtos seriam importados e qual o seu destino final, realizando um serviço de intermediação de operação. O procedimento correto a ser adotado, nos termos previstos na legislação aduaneira, seria a declaração ao Fisco que a operação seria por conta e ordem de terceiro, registrando os dados no Sistema Siscomex, nos termos definidos na IN SRF nº 225/2002. (g.n.) O acórdão paradigma, por seu turno, tratou de litígio diverso, envolvendo, de conseguinte, outras pessoas jurídicas e outros fatos. No voto vencedor, assim dispôs o seu redator, ao concluir pela inexistência de simulação: Não havendo simulação e nem fraude, não se preenche a hipótese legal do art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76, e, consequentemente, não deve subsistir o lançamento em questão. Fl. 1513DF CARF MF 4 (...) No entanto, a análise de mérito, atinente à inexistência de ato dissimulado a fazer contraponto à simulação, e eu (sic) leva à inexistência de ato simulado, consequentemente, já são plenamente suficientes para que se conclua pela impossibilidade de manutenção do lançamento tributário, pois que não se consumou a hipótese legal que dá sustentação ao ato administrativo pertinente. (g.n.) Bem se vê, inexistem entendimentos divergentes sobre a mesma legislação tributária. O que há, reforçamos, são conclusões diversas para fatos também diversos (ainda que envolvam situações semelhantes), após a detida análise das provas, mas jamais a adoção de interpretações divergentes sobre pontos específicos da legislação tributária, a ponto de viabilizar o conhecimento do recurso. Num caso, considerados os fatos, entendeuse existente a simulação; noutro, não. Ante o exposto, não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001480/2010-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/08/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ARTS. 122 E 142 DO CTN.
A motivação que legitima a aplicação de penalidade, por descumprimento de obrigação acessória, deve circunstanciar a condição do sujeito passivo, demonstrando que se trata da pessoa efetivamente obrigada ao seu cumprimento.
Numero da decisão: 9303-005.875
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/08/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ARTS. 122 E 142 DO CTN. A motivação que legitima a aplicação de penalidade, por descumprimento de obrigação acessória, deve circunstanciar a condição do sujeito passivo, demonstrando que se trata da pessoa efetivamente obrigada ao seu cumprimento.
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IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ARTS. 122 E 142 DO CTN. A motivação que legitima a aplicação de penalidade, por descumprimento de obrigação acessória, deve circunstanciar a condição do sujeito passivo, demonstrando que se trata da pessoa efetivamente obrigada ao seu cumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 14 80 /2 01 0- 11 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10715.001480/201011 Acórdão n.º 9303005.875 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº3403003.666, proferido pela 4º Câmara/3º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento em razão da falta de motivação que legitime a condição do autuado como sujeito passivo da obrigação tributária acessória. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados do embarque de mercadorias que ocorreu no dia 11/08/2006, em vôo realizado no aeroporto internacional do Rio de Janeiro (RJ), conforme listagem de fl. 09, havendo as respectivas informações sido registradas após o prazo de dois dias estabelecido no art. 37 da IN SRF n.° 28, de 1994, com redação dada pela 1N SRF n.° 510, de 2005. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 09 com filler° no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/08/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ARTS. 122 E 142 DO CTN. A motivação que legitima a aplicação de penalidade, por descumprimento de obrigação acessória, deve circunstanciar a condição do sujeito passivo, demonstrando que se trata da pessoa efetivamente obrigada ao cumprimento. Recurso provido. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10715.001480/201011 Acórdão n.º 9303005.875 CSRFT3 Fl. 4 3 Contra decisão da Turma a quo, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, fls. 61/62, suscitando omissão quanto sujeição passiva da Contribuinte. Os embargos foram rejeitados. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo admissão e o provimento do apelo para reformar o r. acórdão, de modo a manter a multa pelo descumprimento ao Decretolei nº 37, art. 107, inciso IV, alínea ‘e’2, c/c a Instrução Normativa (IN) SRF nº 28/1994, art. 37, c/c a IN SRF nº 510/2005, c/c CTN, arts.: 124, inciso II, 135, inciso II, art. 142, c/c o Decretolei nº 37, art. 32, parágrafo único, inciso II. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Fazenda Nacional aponta como paradigmas os acórdãos nºs 30328.147 e 30232.124. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso. fls. 86/88. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto a responsabilidade ou não da Contribuinte. Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em face da Contribuinte ter deixado de informar no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados do embarque de mercadorias que ocorreu no dia 11/08/2006, em vôo realizado no aeroporto internacional do Rio de Janeiro (RJ), conforme listagem de fl. 09, havendo as respectivas informações sido registradas após o prazo de dois dias estabelecido no art. 37 da IN SRF n.° 28, de 1994, com redação dada pela 1N SRF n.° 510, de 2005. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 09 com filler° no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Com efeito, importa ao deslinde da controvérsia quanto à responsabilidade solidária por infrações cometidas pela Contribuinte, as funções versadas no artigo 32 do Decreto Lei nº 37/66, com redação dada pelo Decreto Lei nº 2.472/1988, em seu parágrafo único, inciso II , prescrevem o seguinte: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10715.001480/201011 Acórdão n.º 9303005.875 CSRFT3 Fl. 5 4 Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Por outro lado, o Código Tributário Nacional (CTN), por meio do artigo 124 determina os casos de aplicação da solidariedade passiva: 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Neste sentido, vale trazer a lição de Andréa Medrado Darzé (2014, p. 34) que analisando o art. 124, I, esclarece: “Nas situações em que mais de um sujeito tenha interesse comum no fato descrito como hipótese de incidência tributaria, poderseá atribuirlhes, em caráter solidário, o dever de adimplir a obrigação tributária; È o que determina o art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Por conta da literalidade do seu texto, é praticamente pacífica, na doutrina e na jurisprudência, a idéia de que a lei instituidora do tributo estaria dispensada de repetir previsão neste sentido. O fundamento para imputação de solidariedade, nesses casos, é o próprio art. 124, I, do CTN, cujo comando dirigese diretamente ao agente da administração pública competente para lançar o crédito tributário, lhe autorizando a indicar como sujeito passivo todas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal1.” Noutro giro, temse o artigo 124 e 135 do CTN, dispõem que são solidariamente obrigadas: Art. 124. São solidariamente obrigadas: II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; 1 (Orgs) QUEIROZ. Elbe, Mary. DIAS. Jureidini, Karem, FREIRE. Sampaio, Elias. “Grandes Questões em Discussão no CARF”. Ed. Foco Fiscal, 1º Ed., 2014, p.34. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10715.001480/201011 Acórdão n.º 9303005.875 CSRFT3 Fl. 6 5 II os mandatários, prepostos e empregados;” Temse que no trânsito aduaneiro, Decreto lei nº 37/66 ( alterações), dispõe o seguinte: Art . 32. É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: II o representante, no País, do transportador estrangeiro; Dessa forma, o representante nacional do transportador estrangeiro, é designado responsável solidário pelo pagamento de tributos e multas, nos termos do inciso II do parágrafo único do artigo 32 do Decreto 37/66, ( alterações). Por derradeiro, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Diante do exposto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10715.001480/201011 Acórdão n.º 9303005.875 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator mas discordo de suas conclusões a respeito do presente processo. Penso que não há qualquer reparo a fazer no Acórdão recorrido, o qual, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. O relator do presente julgamento, bem como a Fazenda Nacional em seu recurso, descrevem com precisão os requisitos legais para apuração da responsabilidade tributária prevista no CTN, porém abstiveramse de fazer uma análise mais concreta, ligando a responsabilidade legal à materialização do presente lançamento. Ocorre que o lançamento fiscal efetuado no presente processo não fundamentou a razão de estar responsabilizando o sujeito passivo quanto à exigência pretendida. A descrição dos fatos do auto de infração, efl. 4, limitase a descrever a infração praticada citando a sua previsão legal, porém não traz uma linha sequer quanto a apuração da responsabilidade tributária e, por óbvio, ela não pode ser presumida. Como bem citado no acórdão recorrido, há inclusive um erro no lançamento ao qualificar o sujeito passivo como empresa de transporte internacional de carga, quando na verdade ele serua um agente de cargas. Importante transcrever abaixo o voto proferido na decisão recorrida, adotando também as suas razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9784/99: (...) O recorrente sustenta que não se enquadra na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária acessória prevista no art. 107, IV, do DecretoLei nº 37/66 e no art. 37 do Regulamento Aduaneiro – sobre os quais se sustenta a penalidade ora discutida. O art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66 tem a seguinte redação: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O art. 37 do Regulamento Aduaneiro, por sua vez, prevê o seguinte: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10715.001480/201011 Acórdão n.º 9303005.875 CSRFT3 Fl. 8 7 Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) Verifico que o texto do DecretoLei descreve com precisão que o sujeito passivo da obrigação acessória em questão são exclusivamente a empresa de transporte internacional (inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta) e o agente de carga. Quanto à figura do “agente de carga”, não assiste razão ao Recorrente no que pretende fazer crer que tal denominação seria exclusiva de pessoas jurídicas credenciadas pelo DAC sob este título. Isto porque dispõe o art. 37 do DL nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, que “O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas”. Assim, são alcançados pela obrigação de prestar informação não apenas o transportador, mas também qualquer pessoa que contrate o transporte em nome do importador ou exportador. Ocorre que no presente caso concreto o lançamento fiscal não demonstrou que o Recorrente se qualificaria como sujeito passivo da obrigação acessória, seja na qualidade de empresa de transporte, seja porque as circunstâncias de fato o colocariam na condição de agente de carga, conforme o conceito legal acima exposto. Aliás, para ser mais preciso, a motivação do lançamento fiscal erra ao descrever que se estaria diante da “inobservância pela empresa de transporte internacional supra qualificada de prestar as informações sobre a carga transportada no devido prazo”, pois basta conferir o Contrato Social do Recorrente para se ter a certeza de que não se está diante de uma empresa de transporte internacional. Ora, o art. 142 do CTN atribui à autoridade administrativa o dever de constituir o crédito tributário, exigindo, dentre outros requisito para a constituição do crédito tributário e a aplicação da penalidade cabível, a tarefa de “identificar o sujeito passivo”. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10715.001480/201011 Acórdão n.º 9303005.875 CSRFT3 Fl. 9 8 Vale lembrar que o art. 122 do mesmo Código explicita que “Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto”. Assim, a exigência de identificação do sujeito passivo implica em que a autoridade deve apresentar na motivação do lançamento as circunstância fáticas que demonstrem que o autuado revestese da qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal ou acessória. Verifico, no entanto, em tudo quanto consta dos autos, que isto não aconteceu no presente caso: a descrição do lançamento erra ao referirse à Recorrente como empresa de transporte internacional – pois não é –, e não há qualquer demonstração ou descrição para o efeito de sua qualificação como agente de carga. Entendo, pois, que não houve a motivação que seria minimamente necessária e indispensável para legitimar o autuado como sujeito passivo da obrigação acessória em questão. Voto pelo provimento do recurso, reconhecendo a improcedência do lançamento em razão da falta de motivação que legitime a condição do autuado como sujeito passivo da obrigação tributária acessória. Diante de tudo exposto voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.002400/99-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1993 a 30/09/1995
PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS-LEI N°S 2.445/88 e 2.449/88. VOLTA AO ESTADO ANTERIOR AOS DECRETOS. LEI COMPLEMENTAR N° 7/70.
Para descumprir a vedação do § 3º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, deve a lei revogadora ter perdido a vigência por lei que, expressamente, a modifique ou revogue. Não foi o caso da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Lei n°s 2.445/1988 e 2.449/1988. Os decretos declarados inconstitucionais são nulos, não tendo produzido efeitos, como a revogação que teria operado na Lei Complementar n.° 7/70. A declaração de inconstitucionalidade não revoga lei, esta prerrogativa do Legislativo, mas retira-lhe a eficácia.
IMUNIDADE.
Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal.
TAXA REFERENCIAL.
Legal a aplicação da Taxa Referencial Diária como juros de mora.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL.
A obtenção de decisão judicial pelo contribuinte no sentido de modificar o sistema de recolhimento do PIS, de substituição tributária para recolhimento após o faturamento, não o exime de recolher a contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEI N°S 2.445/88 e 2.449/88. VOLTA AO ESTADO ANTERIOR AOS DECRETOS. LEI COMPLEMENTAR N° 7/70. Para descumprir a vedação do § 3º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, deve a lei revogadora ter perdido a vigência por lei que, expressamente, a modifique ou revogue. Não foi o caso da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei n°s 2.445/1988 e 2.449/1988. Os decretos declarados inconstitucionais são nulos, não tendo produzido efeitos, como a revogação que teria operado na Lei Complementar n.° 7/70. A declaração de inconstitucionalidade não revoga lei, esta prerrogativa do Legislativo, mas retiralhe a eficácia. IMUNIDADE. Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal. TAXA REFERENCIAL. Legal a aplicação da Taxa Referencial Diária como juros de mora. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. A obtenção de decisão judicial pelo contribuinte no sentido de modificar o sistema de recolhimento do PIS, de substituição tributária para recolhimento após o faturamento, não o exime de recolher a contribuição. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 24 00 /9 9- 51 Fl. 389DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 3.993, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto. O presente processo administrativo traz lançamento de Contribuição para o PIS/Pasep, por falta de recolhimento, acrescido de multa de ofício e juros moratórios. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: A interessada havia impetrado mandado de segurança juntamente com outras empresas comerciantes varejistas de combustíveis para impedir a prática de atos com base na Portaria MF n.° 238, de 21 de dezembro de 1984 (substituição tributária da contribuição para o PIS) e de ver declarados inconstitucionais os DecretosLei n.'s 2445/88 e 2449/88. Foi concedida a segurança em primeira instância, tendo sido permitido à interessada recolher a contribuição para o PIS após a apuração do faturamento, e não no momento da aquisição dos produtos para revenda, como previsto na citada portaria. O mesmo juiz permitiu aos comerciantes, incluindo a empresa Auto Posto Nhandeara Ltda., o levantamento dos depósitos judiciais efetuados pelas empresas distribuidoras. Entretanto, a fiscalização constatou que a empresa não recolheu a contribuição para o PIS nem antes nem depois da revenda dos produtos, e procedeu, diante desse fato, com a lavratura do auto de infração para constituição do crédito tributário. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 132/151, alegando, em síntese, que: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10850.002400/9951 Acórdão n.º 3301004.135 S3C3T1 Fl. 390 3 • Ao contrário dos termos da acusação fiscal, a interessada postulou contra o recolhimento da contribuição ao PIS mediante Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica n.° 2378752, na 4ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, a qual foi julgada procedente conforme sentença juntada aos autos nas fls. 178/186. O Mandado de Segurança n.° 9072217 estaria pendente de julgamento no TRF, fato que inibe qualquer autuação da União. • Exigir a contribuição com base na Lei Complementar n.° 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações, após a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei n's 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, como fez o autuante, caracterizaria a repristinação, figura jurídica vedada no Direito brasileiro; • o auto de infração, por ser fundamentado na Medida Provisória (MP) n.° 1.212, de 28 de novembro de 1995, não é válido, pois as medidas provisórias são impróprias para disciplinar tributos; • a cobrança da contribuição ao PIS, por ter esta natureza de tributo, fere o art. 155 da Constituição Federal, que proibe novos tributos sobre derivados de petróleo e combustíveis, além do ICMS e dos impostos de exportação e importação; • a Taxa Referencial Diária (TRD), aplicada no lançamento, é imprestável para cobrança de juros, pois tratase de índice de remuneração mensal média das instituições financeiras e não de correção monetária. • Prescrição: a autuação ocorreu em 1999. Já havia sido extinto o direito da Fazenda Pública constituir o crédito relativo a 1993. Despacho DRJ/Ribeirão Preto, SP n.° 15/2003, f1.190, mandou intimar a contribuinte a apresentar certidão de objeto e pé da referida Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica. Não houve resposta à intimação. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1993 a 30/09/1995 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimentos das contribuições para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio coin os devidos acréscimos legais. IMUNIDADE. Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal. Fl. 391DF CARF MF 4 DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para o lançamento da contribuição ao PIS é de dez anos contados da data fixada para seu recolhimento. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. RESPONSABILIDADE. A obtenção de decisão judicial pelo contribuinte no sentido de modificar o sistema de recolhimento do PIS, de substituição tributária para recolhimento após o faturamento, não o exime de recolher a contribuição. PIS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Declarada a inconstitucionalidade dos decretoslei que modificaram a exigência do PIS, e publicada a Resolução do Senado Federal, excluindoos do mundo jurídico, aplicase a essa contribuição a legislação então vigente, LC n.° 7, de 1970, e alterações. TAXA REFERENCIAL. Legal a aplicação da Taxa Referencial como juros no ano de 1984. Lançamento Procedente Impugnação Improcedente Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da peça impugnatória, argumentando, em síntese: a inexigibilidade da exação, por ter o Fisco utilizadose de vedado efeito repristinatório e por estar coberta pela imunidade do art. 153, § 3º da Constituição Federal; a impropriedade da Taxa Referencial Diária (TRD) como parâmetro para a atualização monetária do débito fiscal; no período em questão, a responsabilidade do recolhimento era da distribuidora, por substituição tributária; e a ilegalidade das multas. Ao final, pede a acolhida do recurso. Em 13/08/2005, o Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário, no acórdão n° 20216.547, sob a seguinte ementa: PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Conforme jurisprudência pacifica na esfera dos Conselhos de Contribuintes, o prazo decadencial para o PIS é de 05 (cinco) anos, observandose a aplicação dos arts. 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional. IMUNIDADE TRIBUTARIA. COMBUSTÍVEIS. ART. 155, § 3°, DA CF. A imunidade tributária a que se refere o § 3° do art. 155 da Constituição Federal diz respeito, tãosomente, a impostos, não abarcando as contribuições sociais, dentre as quais a Contribuição ao PIS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. LEI COMPLEMENTAR N° 07/70. Declarada a inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88 e publicada a Resolução do Senado Federal, excluindoos do Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10850.002400/9951 Acórdão n.º 3301004.135 S3C3T1 Fl. 391 5 mundo jurídico, aplicase a esta contribuição a legislação então vigente, a saber, a Lei Complementar n° 07/70 e suas alterações. TAXA REFERENCIAL. LEGALIDADE. Ê legal a aplicação da Taxa Referencial como juros no ano de 1994. Recurso provido em parte. Em 24/04/2007, a 2ª Turma da CSRFs negou provimento a Recurso Especial da Fazenda Nacional à decisão acima, no acórdão n° 02002.674, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1993, 28/02/1993, 31/03/1993 30/04/1993, 31/05/1993, 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993. PIS. DECADÊNCIA. Decai em cinco anos o direito à Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado, na forma do art. 150, § 4° do CTN Recurso Especial Procurador Negado. Em 15/12/2006, a CSRFs deste Conselho decidiu, no acórdão n° 9900 000.988, sobre Recurso Extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional. E assim foi ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com (sic) a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deve ser de adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de com dolo, fraude ou simulação. No caso, podese concluir não ter havido recolhimento da contribuição referente à competência de 12/1993. Assim, aplicável a regra do art. 173, I, CTN, sendo de se afastar a decadência. Em sua fundamentação, ressalto os seguintes trechos atinentes às providências seguintes à decisão: Fl. 393DF CARF MF 6 O processo foi então encaminhado a este CARF, sob o seguinte despacho: Tendo sido cientificado o contribuinte do Acórdão Extraordinário nº 9900 000.988 da CSRF que reestabeleceu a cobrança do período de apuração 12/1993, envio o processo ao CARF para novo julgamento do recurso voluntário em relação ao período reativado, atendendo ao referido Acórdão. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10850.002400/9951 Acórdão n.º 3301004.135 S3C3T1 Fl. 392 7 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Como se depreende do relatório acima, o acórdão n° 9900000.988 do CSRFs limitou a pendenga aos lançamentos referentes à competência 12/93, ao dar provimento a Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, acerca da decadência. Os lançamentos referentes às competência anteriores foram dadas por decaídas e da posteriores mantidos, pelo acórdão n° 20216.547 do Segundo Conselho de Contribuintes. Consta do relatório que a recorrente buscou em mandado de segurança o afastamento da aplicação da Portaria MF n.° 238, de 21 de dezembro de 1984 (substituição tributária da contribuição para o PIS) e declarando inconstitucionais os DecretosLei n.'s 2445/88 e 2449/88. Obteve a segurança em primeira instância para recolher a contribuição para o PIS após a apuração do faturamento, e não no momento da aquisição dos produtos para revenda. Ocorre que a empresa não recolheu a contribuição para o PIS nem antes nem depois da revenda dos produtos, motivo da autuação em pauta. A recorrente alega que ter o Fisco se utilizado de efeito repristinatório, vedado no Direito brasileiro, ao exigir contribuição com base na Lei Complementar n.° 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações, após a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei n°s 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, como referido na impugnação. O Lei de Introdução ao Código Civil, DecretoLei n° 4.657/42, assim dispõem: Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. [...] § 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Vale dizer, para descumprir tal vedação, deve a lei revogadora ter perdido a vigência por outra lei que, expressamente, a modifique ou revogue. Não foi o caso. Os DecretosLei n°s 2.445/1988 e 2.449/1988 foram dados por inconstitucionais e não, revogados por outra lei. Os decretos declarados inconstitucionais são nulos, não tendo produzido efeitos, como a revogação que teria operado, retornando o ordenamento estado anterior. A declaração de inconstitucionalidade não revoga lei, esta prerrogativa do Legislativo, mas retiralhe a eficácia. Sobre o tema, reproduzo trecho do PARECER PGFN/N° 1185, de 1995, como já fez o acórdão da DRJ e o do Segundo Conselho: III Terceiro aspecto: a vigência da Lei Complementar n.° 7/1970. 10. A suspensão da execução dos decretoslei em pauta em nada afeta a permanência em vigor pleno da Lei Complementar n.° 7/1970. E bem de ver que a decisão do STF em nenhum momento cogitou da Lei Complementar n.° 8/1970. Fl. 395DF CARF MF 8 11. Não há dúvida de que, enquanto vigeram os dois decretoslei aqui examinados, eles modificaram a Lei Complementar n.° 7/1970. Entretanto segundo concepção amplamente dominante no próprio STF e na doutrina brasileira, a declaração de inconstitucionalidade in concreto, ocorre na espécie, somente entre as partes litigantes, não importando em revogação da lei dita inconstitucional. A Resolução do Senado, como já afirmamos acima, igualmente não revoga os textos inquinados. Limitase a estender erga omnes, em relação à toda comunidade, a não aplicação do texto ou textos controlados. 12. Descendo ao caso vertente, o que a jurisprudência e a doutrina entendem, sem divergência, é que as alterações inconstitucionais trazidas pelos dois decretoslei examinados deixaram de ser aplicadas inter partes, com a decisão do STF; e, desde a Resolução, deverão deixar de ser aplicadas erga omnes. Com isso voltam a ser aplicados, em toda a sua integralidade, o texto constitucional infringido e, com ele o restante do ordenamento jurídico afetado, como a Lei Complementar n.° 7/1970 que o legislador intentara modificar. (Grifouse). Alega ainda a recorrente a inexibilidade da contribuição, de natureza tributária, observa, em função da a imunidade prevista no art. 155, § 3º da Constituição Federal, originalmente estatuída como: "a exceção dos impostos de que tratam o inciso I, b, do caput deste artigo e os artigos 153, I e II, e 156, III, nenhum outro tributo incidirá sobre operações relativas a energia elétrica, combustíveis líquidos e gasosos, lubrificantes e minerais do Pais". Entendo que não assiste razão a recorrente, tomando os fundamentos arrolados no acórdão da Delegacia de Julgamento: Cumpre ressaltar que a benesse concedida pelo Texto Maior, por ser regra limitativa de tributação, não deve ser interpretada de forma ampla, conforme intenta a impugnante, sob pena de desviarse do objetivo constitucionalmente proposto. A intenção do legislador, expressa no parágrafo 3° do art. 155 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n.° 3, de 1993, não foi estabelecer, como pretende a impugnante, uma imunidade em relação a todos os demais tributos incidentes sobre as suas atividades. A não incidência objetiva prevista naquele parágrafo deve ser entendida dentro dos limites que a sua interpretação literal estabelece. Ou seja, o legislador não teve a intenção de excluir do campo de incidência todos os demais tributos, mas apenas e tãosomente tributos que tivessem como fato gerador as operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do pais. Ademais, esquecese a impugnante que a imunidade aqui discutida é meramente objetiva, ou seja incidente sobre as operações com mercadorias/serviços em si, e não sobre os resultados da empresa com as Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10850.002400/9951 Acórdão n.º 3301004.135 S3C3T1 Fl. 393 9 referidas operações. Difere da subjetiva, que é pleiteada na impugnação. E o que reforça o professor mineiro COELHO ao escrever: "A imunidade preventiva é objetiva e não interfere com os lucros dos postos nem com o faturamento das empresas nem com as taxas e contribuições parafiscais a que estejam sujeitos os agentes econômicos que lidem com tais mercadorias ..." (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Comentários à Constituição de 1988: sistema tributário. 4. ed. revista e ampliada. Rio de Janeiro: Forense, 1992, pp.407) Se frutificasse tal hipótese, não estaria igualmente sujeita ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica com relação aos lucros auferidos de suas atividades, nem à. Contribuição Social sobre o lucro. Concluindo, é possível afirmarse, com inequívoca certeza, que o texto constitucional em questão não exclui do campo de incidência os rendimentos obtidos pela autuada em suas atividades empresariais, nestas compreendida a comercialização de combustíveis. Ademais, a questão já encontrase pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, como verificase da leitura de excerto do Informativo 155 do STF, pertinente ao assunto: "Concluído o julgamento de recursos em que se discute a legitimidade da cobrança da COFINS, do PIS e do FINSOCIAL sobre as operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais (v. Informativos 128 e 130). 0 Tribunal entendeu que a imunidade prevista no § 3º do art. 155 da CF/88 que, à exceção do ICMS e dos impostos de importação e exportação, determina que nenhum outro tributo poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do Pais não impede a cobrança das referidas contribuições sobre o faturamento das empresas que realizem essas atividades, tendo em vista o disposto no art. 195, caput, da CF, que prevê o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, de forma direta e indireta. Vencidos os Ministros Moreira Alves, Marco Aurélio e Sydney Sanches, por entenderem que a vedação contida no § 3° do art. 155 da CF abrange as contribuições representadas pela COFINS, PIS e FINSOCIAL. Leia em Transcrições a integra do relatório e voto do MM. Carlos Velloso, relator. RE (AgRg) 205.355DF, RREE 227.832PR, 230.337RN, 233.807RN, Min. Carlos Velloso, 1°.7.99." (ressaltei) (Grifos do original). A recorrente alega também a Taxa Referencial Diária (TRD) é parâmetro absolutamente impróprio para a atualização monetária do débito fiscal, posto que: Fl. 397DF CARF MF 10 a TRD representa, nada mais, nada menos, que um percentual de remuneração mensal média, definido pelas 10 maiores instituições financeiras do pais, e não um indexador representativo da perda nominal da moeda, decorrente do fator inflacionário, tudo a teor do "caput" do artigo 1°, da Lei 8.177/91. Cita decisão do STF, que "declarou a absoluta imprestabilidade da TRD, como fator de indexação, para fins de preservação do valor nominal da moeda no ADIn 00493/96 DF (AC. do STF Pleno mv ADIn 00493/6 Rel. Min. Moreira Alves j. 08.05.91 Reqte: Procuradoria Geral da República, Reqdos: Presidente da República e Outro DJU I 04.09.92, P. 14.089). Sobre o tema, discordo da recorrente, entendendo pela legalidade da aplicação da TRD, com base no art. 30 da Lei n° 8.218/9191: Art. 30 O "caput" do art. 9º da Lei nº 8.177, de 1º de março de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 9° A partir de fevereiro de 1991, incidirão juros de mora equivalentes à TRD sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, com a Seguridade Social, com o Fundo de Participação PISPasep, com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e sobre os passivos de empresas concordatárias, em falência e de instituições em regime de liquidação extrajudicial, intervenção e administração especial temporária". (Grifouse). Nesse sentido são os julgados do CARF: REFERENCIAL DIÁRIA T.R.D. ENCARGOS. Os encargos introduzidos através do artigo 30 da Lei n° 8.218, de 1991, têm incidência sobre débitos para com a Fazenda Nacional, a partir de agosto de 1991. (Primeiro Conselho de Contribuintes, , Ac. 10189.438, de 27/02/1996, rel. Sebastião Rodrigues Cabral). Reproduzo mais uma vez trecho do acórdão da DRJ, que discorre detalhadamente sobre a legalidade da taxa: Em relação à TRD, apenas no período entre 4 de fevereiro e 29 de julho de 1991, a Instrução Normativa (IN) SRF n.° 32, de 09 de abril de 1997, art. 1, § 1°, autoriza a exclusão da aplicação do disposto na Lei n.° 8.218, de 29 de agosto de 1991, arts. 3°, I, 7°, 8° e 30. Entretanto, no período que se segue à publicação da Medida Provisória (MP) n.° 298, de 29 de julho de 1991, convertida na Lei n.° 8.218, de 1991, a cobrança dos juros de mora com base na variação da TRD é perfeitamente legal. Assim, também é legal para o período de julho a dezembro de 1994, com base na Lei n.° 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 8, § 1°, que estabeleceu o seguinte: Art. 38. Nas situações de que tratam os §§ 3°, 4° e 5° do artigo 36 desta Lei, os juros de mora serão equivalentes, a partir de 1° de julho de 1994, Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10850.002400/9951 Acórdão n.º 3301004.135 S3C3T1 Fl. 394 11 ao excedente da variação acumulada da Taxa Referencial — TR em relação a variação da Ufir no mesmo período. § 1° Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no caput deste artigo poderão ser inferiores a taxa de juros estabelecida no art. 161, parágrafo 1°, da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966, no art. 59 da Lei n.° 8.383, de 30/12/1991, e no art. 3°da Lei 77. 0 8.620, de 05/01/1993. Ademais, nesse período a variação da TRD não excedeu a variação da Ufir, portanto, os juros nesse período foram de 1% ao mês. Assim, a aplicação da variação da TRD, se houvesse, tratarseia de juros, prevista em lei, e não de correção monetária como quer a impugnante. A recorrente aduz que, no período autuado, a responsabilidade do recolhimento era da distribuidora, em função da substituição tributária. Conforme relatado, foi concedida a segurança, em primeira instância, de forma a permitir à recorrente recolher a contribuição após a apuração do faturamento, e não no momento da aquisição dos produtos para revenda, no regime de substituição tributária, como previa a Portaria cuja aplicação queria ver afastada no mandamus. Em decisão de primeiro grau, a Justiça Federal concedeu à interessada a segurança pleiteada e o direito de recolher a contribuição para o PIS após o respectivo faturamento e não antecipadamente, no regime de substituição tributária, por meio de retenção pelas distribuidoras de combustíveis derivados de petróleo e álcool etílico carburante, como as demais empresas de comércio varejista desses produtos: [...] concedo a segurança e declaro ilegal e inconstitucional a Portaria 238, de 21 de dezembro de 1984, para que os impetrantes possam recolher o PIS após seus respectivos faturamentos. Ora, se afastou a Portaria, submeteuse a recorrente a incidência sob o faturamento (vendas aos consumidores finais). Ocorre que, constatou a fiscalização que a recorrente simplesmente não recolheu a contribuição da forma como pleiteou e lhe foi concedido na Justiça. Não cabe portanto razão à recorrente. Por fim, insurgese aduz a recorrente contra a multa que lhe foi aplicada, é ilegal, violando o princípio da isonomia, posto que: "indébitos jamais são devolvidos pelo Poder Público, aos contribuintes, agravados desta maneira" e "A própria Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1 995, estabelece, em seu artigo 84, inciso II, letra c), que o limite para a multa moratória será. de 30% (trinta por cento)". Não tem razão a recorrente. A multa aplicada amparase no art. 86, § 1°, da Lei n° 7.450/85 e art. 2° da Lei n° 7.683/88 c/c art. 4°, I, da Lei n° 8.218/91, todos dispositivos legais vigentes à época dos fatos. O citado dispositivo da Lei n° 8.971/95 diz respeito à multa de mora, não aplicada no caso. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 399DF CARF MF 12 Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.003055/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 30 55 /2 00 7- 42 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10384.003055/200742 Acórdão n.º 2202004.176 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.008982/2001-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESSARCIMENTO. INOBSERVÂNCIA DE DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INAPLICABILIDADE.
Os incisos II dos artigos 100 e 103 do Código Tributário Nacional, não impõem a aplicação de todas as decisões proferidas em sede de processo administrativo fiscal, nem mesmo da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
O ônus da prova de que procedeu regularmente a compensação do crédito tributário é do contribuinte. Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar sua pretensa compensação, a decisão do despacho decisório que desconsiderou sua existência deve ser mantida incólume.
DIREITO CREDITÓRIO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem.
Numero da decisão: 3001-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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INOBSERVÂNCIA DE DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INAPLICABILIDADE. Os incisos II dos artigos 100 e 103 do Código Tributário Nacional, não impõem a aplicação de todas as decisões proferidas em sede de processo administrativo fiscal, nem mesmo da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O ônus da prova de que procedeu regularmente a compensação do crédito tributário é do contribuinte. Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar sua pretensa compensação, a decisão do despacho decisório que desconsiderou sua existência deve ser mantida incólume. DIREITO CREDITÓRIO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 89 82 /2 00 1- 01 Fl. 122DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 110 a 115) interposto contra o Acórdão 0112.426, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL (fls. 105 a 108), que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 89 a 92), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem (DRF/FOR). Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio do formulário de fl. 40, solicitou o ressarcimento de créditos do imposto sobre produtos industrializados IPI, oriundos da aquisição de "insumos" utilizados no seu processo industrial, referente ao segundo trimestre de 2001, no valor de R$ 10.210,97, (dez mil duzentos e dez reais e noventa e sete centavos). Do Despacho Decisório Em face da referida solicitação de ressarcimento, foi exarado despacho decisório. Para uma melhor compreensão, transcrevoo na íntegra (fls. 85/86): DESPACHO DECISÓRIO Com base nos fundamentos consubstanciados na Informação Fiscal de fls 80, que aprovo no uso da delegação de competência que trata a Portaria DRF/FOR nº 74, de 18 de maio de 2007 (publicada em 22/05/2007), com redação alterada pela Portaria nº 45, de 19/0212008 (publicada em 29/02/2008), de acordo com art. 16 da IN SRF nº 600/2005 reconheço o direito ao ressarcimento de IPI no valor de R$ 10.210,97 (dez mil, duzentos e dez reais e noventa e sete centavos), sem a incidência dos juros na forma SELIC, nos termos do § 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/1995. 2. Encaminhese ao "grupo de finalização" para dar ciência à empresa interessada da informação Fiscal/Sefis/DRF/FOR, fls 67 e 68, assim como do presente Despacho Decisório, e demais providências. Fortaleza, 11 de agosto de 2008. Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 12.09.2008, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese, que: a) "Tratase de restituição de crédito de IPI no valor de R$ 10.210,97, juntamente com o pedido de compensação de débito de COFINS relativa ao mês de 06/2001, no valor de R$ 8.792,22". Aduz que apresentou o pedido de compensação, o qual se encontra à Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10380.008982/200101 Acórdão n.º 3001000.086 S3C0T1 Fl. 123 3 fl. 02, aduzindo que essa compensação foi inclusive demonstrada em relatório fiscal da empresa. b) Caso houvesse alguma dúvida quanto ao débito que foi extinto com a compensação, a Delegacia da Receita Federal deveria solicitar informações complementares ou mesmo determinar a realização fiscal para verificar os termos em que foi efetuada a mencionada compensação, na medida em que a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade real, não podendo valerse de eventuais imperfeições na formulação do pedido para indeferilo. c) A recorrente também não se conforma com a negativa de aplicação da Selic sobre o valor do crédito de IPI a que tem direito. Refere julgados administrativos, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assinalando que nada justifica que o Delegado da Receita possa negar aplicação ao entendimento do órgão competente para, perante a administração tributária, dizer o direito. Finalmente, requereu que seja julgado "procedente o pedido inicialmente formulado, deferindo o aproveitamento do crédito devidamente atualizado pela Selic, assim como homologando a compensação com o débito de Co:fins Relativo ao mês de 06/2001". Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do Acórdão 0112.426, exarado pela 3ª Turma da DRJ/BEL, em sessão realizada em 4 de novembro de 2008, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRA1 IVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não aproveitam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 JUROS SELIC. RESSARCIMENTO. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do !PI, por carência de amparo legal. Solicitação indeferida Do Recurso Voluntário Fl. 124DF CARF MF 4 Irresignado com a decisão formalizada pelo acórdão, cuja ementa acima se reproduziu, o requerente interpôs recurso voluntário em 06.01.2009, reprisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Para demonstrar a identidade das alegações suscitadas em ambas as peças recursais, é suficiente transcrevermos o item 18 da referida peça recursal: 18. Em face das razões expendidas, a Recorrente pede a Vossas Excelências que reformem a decisão recorrida e julguem PROCEDENTE o presente pedido, para homologar a compensação pretendida. Caso assim não entendam, pede que seja reconhecido o direito de atualizar o crédito de IPI, através da SELIC, a partir da data em que foi apresentado o presente pedido de ressarcimento/compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na DRF/Fortaleza em 06.01.2009 (fl. 110). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme "AR" (fl. 109), ocorreu em 16.12.2008. Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto 7.574 de 29.09.2011, combinado com o art. 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Mérito Da obediência à jurisprudência administrativa O recorrente, a fim de corroborar sua defesa, traz julgados administrativos, inclusive da CSRF. Entende que, em existindo jurisprudência no sentido de que sobre os créditos de IPI cabem a aplicação da taxa Selic, não há como este colegiado indeferir seu pleito neste sentido. Adianto que a utilização do termo "precedentes", deve ser argüido com cautela, aliás, este termo está em evidência, desde a publicação do Novo Código de Processo Civil. Até porque, não cabe ao julgador administrativo criar juízo de adequação de normas, buscase no processo administrativo fiscal atenuação do formalismo processual e a busca da verdade material. Retornando ao tema deste tópico, dispõe o inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10380.008982/200101 Acórdão n.º 3001000.086 S3C0T1 Fl. 124 5 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (...) Esclareçase, por oportuno, que, embora o acima reproduzido diploma legal, em seu inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões prolatadas nos acórdãos do CARF, a sua eficácia limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral, a decisão em processo fiscal proferida por qualquer órgão do CARF não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Há que se ressalvar, por oportuno, que, nos termos do caput e parágrafo 2º do artigo 75, do Anexo II, do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF 343,de 09.06.2015, o Ministro da Fazenda poderá atribuir às súmulas editadas por aquele conselho efeito vinculante em relação à administração tributária federal, mediante edição de portaria específica. Somente em tal hipótese fica a administração tributária federal sujeita à observância do entendimento esposado na súmula a que se atribua tal efeito (súmula vinculante) mediante portaria da autoridade competente. Diante do exposto, concluise que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, prolatados por quaisquer de seus órgãos, não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo; não impondo a este colegiado qualquer obediência legal. Da ausência de prova da extinção do débito pela compensação Na Informação Fiscal que deu ensejo ao Despacho Decisório de que cuidam os presentes autos colhese o que segue: 2. Quando da formalização do processo a empresa interessada juntou formulário de "Pedido de Compensação", às fls 02, não informando porém quaisquer débitos a serem compensados com o crédito alegado, nos termos do art. 26 da IN SRF nº 60012005, razão pela qual o referido documento será desconsiderado por falta de objeto. 3. Tendo sido encaminhado ao Sefis/DRF/FOR para que se diligenciasse a cerca do direito e, se fosse o caso, do montante a ser ressarcido, o presente processo foi devolvido a este Seort após lavratura de Informara Fiscal, fls 67 e 68, que, por sua vez, foi conclusiva quando reconheceu a legitimidade: do montante passível de ressarcimento do crédito de IPI pleiteado. Fl. 126DF CARF MF 6 4. O procedimento de diligência foi, assim, concluído em 27/06/2008, tendo o representante legal da empresa tomado ciência por meio do Termo de Encerramento, fls 69. 5. Não consta dos autos nenhum pedido de compensação de débitos com o crédito alegado. Também não se constatou, até a presente data, apresentação de Declaração de Compensação DCOMP, vinculada a este processo administrativo ou relativo ao período de apuração ora trabalhado (2º trimestre de 2001), conforme pesquisas SIEF, de fls 75 a 79. A decisão "a quo" afastou a homologação da compensação do débito de Cofins, referente ao mês de 06/2001, por total ausência de provas capaz de demonstrar seu pedido, conforme trecho destacado da decisão: Notese que se afiguram absolutamente despropositados os argumentos da contribuinte tendentes a atribuir à Administração o ônus, em nada razoável, de investigar os termos em que teria sido apresentado o referido documento. Em outros dizeres, é ônus mínimo, que se encontra na esfera de responsabilidade do titular da pretensão, indicar os créditos tributários que pretende ver extintos pela compensação. Em sede recursal, o recorrente, igualmente (a) não demonstra haver solicitado a compensação de débitos com o crédito em apreço e (b) não apresenta Declaração de Compensação DCOMP vinculada ao presente processo administrativo ou, ao menos, relativo ao 2º trimestre de 2001. Dispõe o artigo 373 do CPC (Lei 13.105 de 16.03.2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Como se vê, no caso, o ônus da prova da compensação é do contribuinte. Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar sua realização, não há como considerar que a mesma foi efetivada, segundo as normas de regência. Para corroborar esse entendimento, peço licença para transcrever, a seguir, trecho da doutrina do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10380.008982/200101 Acórdão n.º 3001000.086 S3C0T1 Fl. 125 7 provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil. No presente caso, o recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais a fim de demonstrar que procedeu efetuou a alegada compensação, o que, por si só, justifica a manutenção do despacho decisório, que tão somente reconheceu "o direito ao ressarcimento de IPI no valor de R$ 10.210,97 (dez mil, duzentos e dez reais e noventa e sete centavos)". Da inaplicabilidade da Selic sobre o valor do crédito de IPI Neste tópico tratarseá da possibilidade ou não de atualização monetária dos créditos objeto de pedido de ressarcimento de IPI pela taxa Selic, consoante defende o recorrente. Em despacho decisório e em decisão de primeiro grau referido pleito foi indeferido por falta de amparo legal. Como é cediço, admitese a incidência da taxa Selic somente quando há a oposição por ato estatal, administrativo ou normativo, obstando a fruição do crédito presumido de IPI. No caso em exame, conforme ressaltado na peças decisórias antes referenciadas, a totalidade dos valores objeto do pedido de ressarcimento foram integralmente deferidos ao contribuinte, de forma que, sendo esse o contexto, nada mais há o que lhe reconhecer. Cumpre ressaltar, por fim, que a atualização monetária pela taxa Selic não advém de expressa disposição legal, mas de construção pretoriana, que somente a prevê quando há efetiva oposição ao aproveitamento do crédito, o que, no caso, como se viu, inexiste, descabendo, por conseguinte, sua pretensão. Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 128DF CARF MF 8 Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.002966/2004-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual obscuridade apontada seja sanada.
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL RURAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. DECISÃO JUDICIAL. REGIME DO ART. 543-C, DO CPC.
O registro a que se refere o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.073.846/SP, com efeito repetitivo, que lograria elidir a legitimidade passiva do promitente vendedor de imóvel rural, é aquele efetuado no Cartório de Registro Imobiliário.
Numero da decisão: 9202-006.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9202-004.607, de 25/11/2016, sanar eventual obscuridade apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual obscuridade apontada seja sanada. LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL RURAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. DECISÃO JUDICIAL. REGIME DO ART. 543C, DO CPC. O registro a que se refere o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.073.846/SP, com efeito repetitivo, que lograria elidir a legitimidade passiva do promitente vendedor de imóvel rural, é aquele efetuado no Cartório de Registro Imobiliário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9202004.607, de 25/11/2016, sanar eventual obscuridade apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 29 66 /2 00 4- 44 Fl. 148DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2000, relativa ao imóvel rural denominado Estância Rincão (NIRF 10582630), localizado no Município de Rio Grande/RS. Em sessão plenária de 25/11/2016, foi julgado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, prolatandose o Acórdão nº 9202004.607 (efls. 114 a 123), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL RURAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. DECISÃO JUDICIAL. REGIME DO ART. 543C, DO CPC. O promitente vendedor é parte legítima para figurar no pólo passivo da execução fiscal que busca a cobrança de ITR, nas hipóteses em que não há registro imobiliário do ato translativo de propriedade (Recurso Especial nº 1.073.846/SP)." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri." Cientificada do acórdão em 16/01/2017 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 126), a Contribuinte opôs, em 23/01/2017 (Envelope de Postagem de efls. 141/142), os Embargos de Declaração de efls. 138 a 140, contendo os seguintes argumentos: o voto produzido pela Ilustre Conselheira Relatora foi alicerçado na jurisprudência do STJ originária do Recurso Especial n° 1.073.846/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, proferido pela Primeira Seção, em 25/11/2009 (DJ de 18/12/2009), submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. referido acórdão , itens 6 e 7, traz o seguinte pronunciamento: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11050.002966/200444 Acórdão n.º 9202006.333 CSRFT2 Fl. 149 3 6. O promitente comprador (possuidor a qualquer título) do imóvel, bem como seu proprietário/promitente vendedor (aquele que tem a propriedade registrada no Registro de Imóveis), consoante entendimento exarado pela Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Recursos Especiais 1.110.551/SP e 1.111.202/SP (submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC), são contribuintes responsáveis pelo pagamento do IPTU (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 10.06.2009, DJe 18.06.2009). 7. É que, nas hipóteses em que verificada a "contemporaneidade" do exercício da posse direta e da propriedade (e não a efetiva sucessão do direito real de propriedade, tendo em vista a inexistência de registro do compromisso de compra e venda no cartório competente), o imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes", exegese aplicável à espécie, por força do princípio de hermenêutica ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositio. no item 7 supra, podese notar que o acórdão referese à contemporaneidade do exercício da posse direta e da propriedade para justificar a solidariedade tributária entre o possuidor do bem imóvel e o anterior proprietário; no entanto, para fundamentar esta contemporaneidade, coloca entre parênteses uma observação que é relevante para o caso em tela, ou seja, "(e não a efetiva sucessão do direito real de propriedade, tendo em vista a inexistência de registro do compromisso de compra e venda no cartório competente)"; como se vê, o caso analisado pelo STJ, que gerou a jurisprudência utilizada pela Ilustre Conselheira, tratavase de uma sucessão de direito real de propriedade, cujo compromisso de compra e venda de bem imóvel não havia sido registrado no cartório competente; conforme as provas acostadas aos autos, às fls.51/55, a Embargante, ao celebrar o compromisso de compra e venda do bem imóvel que gerou o Auto de Infração do ITR, registrou o referido documento no cartório competente, o que comprova a sua ilegitimidade passiva em referência à exigência lavrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; sendo assim tornase necessário que o voto da relatora acompanhe o completo entendimento do acórdão do STJ usado como referência. Ao final, a Contribuinte requer sejam os Embargos de Declaração julgados procedentes, a fim de sanar incongruência constante no acórdão recorrido. Os Embargos de Declaração foram admitidos pelo Sr. Presidente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme despacho de 21/09/2017 (efls. 144 a 146). Voto Fl. 150DF CARF MF 4 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Os presentes Embargos de Declaração são tempestivos e apontam que no Acórdão de Recurso Especial nº 9202004.607, de 25/11/2016, ora embargado, haveria suposta "incongruência". Tratavase de exigência de ITR Imposto Territorial Rural, acrescida de juros de mora e multa de ofício, em face da qual a Contribuinte alegara ilegitimidade passiva, uma vez que haveria imissão na posse de promitente comprador, cuja operação de promessa de compra e venda fora celebrada antes da ocorrência do fato gerador do ITR objeto da autuação. Em julgamento levado a cabo na Câmara Superior de Recursos Fiscais, dentre os fundamentos para a manutenção da legitimidade passiva da Contribuinte, aplicouse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.073.846/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, proferido pela Primeira Seção, em 25/11/2009 (DJ de 18/12/2009), submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A alegada incongruência do acórdão embargado deverseia ao fato de a situação dos presentes autos supostamente atender ao que fora decidido no julgado do STJ, já que a Contribuinte havia registrado em cartório a escritura de promessa de compra e venda. De plano, esclareçase que, dentre os vícios passíveis de saneamento por meio do remédio processual dos Embargos de Declaração não se encontra a ocorrência de "incongruência", já que os dispositivos que tratam do tema elencam taxativamente a omissão, a contradição entre a decisão e seus fundamentos, a obscuridade e o erro de fato devido a lapso manifesto (artigos 65 e 66, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015). Entretanto, o conteúdo dos Embargos denota a necessidade de esclarecimento acerca de algumas passagens do julgado do STJ, que no entender da Contribuinte militariam a seu favor. Nesse sentido, a Contribuinte cita os seguintes trechos do Recurso Especial nº 1.073.846/SP, que a seu ver contemplariam a situação do imóvel rural em tela: "6. O promitente comprador (possuidor a qualquer título) do imóvel, bem como seu proprietário/promitente vendedor (aquele que tem a propriedade registrada no Registro de Imóveis), consoante entendimento exarado pela Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Recursos Especiais 1.110.551/SP e 1.111.202/SP (submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC), são contribuintes responsáveis pelo pagamento do IPTU (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 10.06.2009, DJe 18.06.2009). 7. É que, nas hipóteses em que verificada a "contemporaneidade" do exercício da posse direta e da propriedade (e não a efetiva sucessão do direito real de propriedade, tendo em vista a inexistência de registro do compromisso de compra e venda no cartório competente), o imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes", exegese aplicável à espécie, por força do princípio de hermenêutica ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositio." (grifei) Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11050.002966/200444 Acórdão n.º 9202006.333 CSRFT2 Fl. 150 5 No entender da Contribuinte, a ressalva inserida no item 7, mencionando o registro do compromisso de compra e venda no cartório competente, teria sido por ela atendida, o que afastaria a aplicação do julgado ao presente caso. Com efeito, em diversas passagens o Relator ressalva, para que se declare a ilegitimidade passiva, a necessidade de registro no cartório competente, ou seja, o Cartório de Registro de Imóveis. Aliás, tal exigência está expressamente registrada no item 8, que ora se colaciona na integralidade: "7. É que, nas hipóteses em que verificada a 'contemporaneidade' do exercício da posse direta e da propriedade (e não a efetiva sucessão do direito real de propriedade, tendo em vista a inexistência de registro do compromisso de compra e venda no cartório competente), o imposto sobre o patrimônio poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos 'coexistentes', exegese aplicável à espécie, por força do princípio de hermenêutica ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositio . 8. In casu, a instância ordinária assentou que: (i) "... os fatos geradores ocorreram entre 1994 e 1996. Entretanto, o embargante firmou compromisso de compra e venda em 1997, ou seja, após a ocorrência dos fatos geradores. O embargante, ademais, apenas juntou aos autos compromisso de compra e venda, tal contrato não transfere a propriedade. Não foi comprovada a efetiva transferência de propriedade e, o que é mais importante, o registro da transferência no Cartório de Registro de Imóveis, o que garantiria a publicidade do contrato erga omnes. Portanto, correta a cobrança realizada pela embargada." (ii) "Com base em afirmada venda do imóvel em novembro/97, deseja a parte apelante afastar sua legitimidade passiva executória quanto ao crédito tributário descrito, atinente aos anos 1994 a 1996, sendo que não logrou demonstrar a parte recorrente levou a registro, no Cartório imobiliário pertinente, dito compromisso de venda e compra. Como o consagra o art. 29, CTN, tem por hipótese o ITR o domínio imobiliário, que se adquire mediante registro junto à Serventia do local da coisa: como se extrai da instrução colhida junto ao feito, não demonstra a parte apelante tenha se dado a transmissão dominial, elementar a que provada restasse a perda da propriedade sobre o bem tributado. Sendo ônus do originário embargante provar o quanto afirma, aliás já por meio da preambular, nos termos do § 2º do art. 16, LEF, bem assim em face da natureza de ação de conhecimento desconstitutiva da via dos embargos, não logrou afastar a parte apelante a presunção de certeza e de liquidez do título em causa. Cobrando a União ITR relativo a anosbase nos quais proprietário do bem o ora recorrente, denota a parte recorrida deu Fl. 152DF CARF MF 6 preciso atendimento ao dogma da legalidade dos atos administrativos e ao da estrita legalidade tributária." (acórdão recorrido) 9. Conseqüentemente, não se vislumbra a carência da ação executiva ajuizada em face do promitente vendedor, para cobrança de débitos tributários atinentes ao ITR, máxime à luz da assertiva de que inexistente, nos autos, a comprovação da translação do domínio ao promitente comprador através do registro no cartório competente." (grifei) Assim, resta claro que o registro a que se refere o julgado é o registro competente, ou seja, o Cartório Imobiliário pertinente. Tanto é assim que a proposta de verbete de súmula, apresentada pelo Relator, Ministro Luiz Fux, ao final do voto, é a seguinte: "O promitente vendedor é parte legítima para figurar no pólo passivo da execução fiscal que busca a cobrança de ITR nas hipóteses em que não há registro imobiliário do ato translativo de propriedade." (grifei) Adentrando ao caso do acórdão ora embargado, verificase que o registro cartorial a que se refere a Contribuinte em seus Embargos não é o que o julgado acima requer, ou seja, no Cartório de Registro Imobiliário competente. Com efeito, o registro levado a cabo pela Contribuinte é aquele representado pelo documento de efls. 51 a 55, efetuado no Cartório Américo, 2º Tabelionato de Títulos e Documentos Pessoas Jurídicas Protestos de Títulos Cambiais. Por outro lado, no Cartório de Registro Imobiliário competente Cartório de Registro de Imóveis do Rio Grande RS nada foi registrado quanto à promessa de compra e venda (efls. 20). Destarte, o registro levado a cabo pela Contribuinte, em cartório de títulos e documentos, não logra atender ao requisito imposto no julgado do STJ, razão pela qual há que ser reafirmada a sua legitimidade passiva, com retorno dos autos à Turma a quo. Diante do exposto, conheço e acolho os Embargos opostos pela Contribuinte para, sanando eventual obscuridade, manter a decisão anterior: "Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, afastando a ilegitimidade passiva e determinando o retorno dos autos ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões objeto do Recurso Voluntário." (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000236/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 20/04/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/04/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 02 36 /2 00 7- 52 Fl. 511DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 16370.000236/200752 Acórdão n.º 2202004.264 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 513DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000537/2003-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário.
(Súmula Carf nº 2)
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência.
(Súmula Carf nº 35)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula Carf nº 26)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, a que alude o no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2401-005.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente DANILSON ANTONIO DE CARLIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário. (Súmula Carf nº 2) CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplicase a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 37 /2 00 3- 59 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 387 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, a que alude o no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 388 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1747.362 (fls. 317/332): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 SIGILO BANCÁRIO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto as instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas( Art.144, § 1° do CTN) A Lei Complementar n° 105/2001 e a Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir do mês de janeiro de 2001, poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação Fl. 388DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 389 4 hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DOAÇÃO NÃO COMPROVADA. A doação deve ser comprovada por meio de documentação hábil e idônea da efetiva entrega do numerário e lançamento nas declarações de rendimentos do doador e donatário, bem como ser compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo doador, na data da doação. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 250/254, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário 1998, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada. 2.1 O contribuinte fiscalizado apresentou, em 26/04/2009, Declaração de Ajuste Anual Simplificada, relativamente ao anocalendário de 1998, em conjunto com a cônjuge, Cássia Cristina Mattner de Carlis, sendo oferecidos rendimentos tributáveis no montante de R$ 10.800,00. Ambos os cônjuges foram intimados para comprovação dos depósitos realizados na contas bancárias. 2.2 O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 255/259, enquanto a relação dos depósitos não comprovados em contas bancárias, por banco, histórico, data e valor, às fls. 60/64. 3. A ciência da autuação se deu em 20/03/2003, conforme fls. 263, tendo o contribuinte apresentado impugnação no prazo legal (fls. 270/294). 4. Intimado da decisão de piso por via postal em 29/04/2013, segundo as fls. 336/339, o recorrente apresentou recurso voluntário em 28/05/0213, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve em parte a pretensão fiscal (fls. 341/349): (i) a utilização de dados protegidos pelo sigilo bancário para o lançamento de ofício, obtidos pela Administração Tributária sem prévia autorização do Poder Judiciário, não encontra respaldo na Carta Política de 1988; (ii) revelase contrário ao ordenamento jurídico o uso de informações da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) para lançamento de crédito tributário relativo a outros tributos, quando direcionados a fatos passados; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 390 5 (iii) os depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos, sendo necessária a identificação de sinais exteriores de riqueza, além do nexo causal entre os depósitos e os dispêndios efetuados pelo contribuinte; (iv) do total de omissão de rendimentos apontada pelas fiscalização no auto de infração, está comprovada na documentação apresentada a origem dos depósitos/créditos movimentados na importância de R$ 141.800,33, com essa divisão: (a) R$ 41.411,99, informado na Declaração de Ajuste Anual, relativamente ao anocalendário de 1998; (b) R$ 59.177,95, provenientes da empresa Eng kar Comercial Ltda, além do valor de R$ 18.210,39, oriundos da empresa 0 Km Distribuidora de Autopeças Ltda, ambas de titularidade única e exclusiva do recorrente e de sua dependente à época, Cássia Cristina Mattner de Carlis, cujos recursos mencionados foram devidamente contabilizados e tributados nas respectivas pessoas jurídicas; e (c) R$ 16.000,00 e R$ 7.000,00, totalizando R$ 23.000,00, oriundos de doação entre familiares, Norberto Mattner e Cláudia Regina Mattner, respectivamente, em favor de Cássia Cristina Mattner de Carlis, dependente do recorrente. (v) a demonstração da origem da importância restante depende de microfilmagem de lançamentos fornecidos pelas instituições bancárias, que já não disponibilizam em seus arquivos, sendo que a pessoa física não tem obrigação acessória de escrituração de sua movimentação bancária, tornando, portanto, impossível a prova; e (vi) o auto de infração também ignorou a variação patrimonial do recorrente no anocalendário de 1998, no importe de R$ 3.108,99. É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 391 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. a) Sigilo Bancário 6. A despeito do regramento específico previsto em nível de lei, opõese o recorrente contra o uso de dados pela autoridade tributária obtidos mediante requisição às instituições bancárias sem prévia autorização do Poder Judiciário. 7. Pois bem. O procedimento fiscal encontrase amparado nos seguintes dispositivos de lei: Lei Complementar nº 105, de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (..) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 392 7 (...) Lei nº 9.311, de 1996, que instituiu a CPMF, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores (...) 8. Além dos preceptivos de lei, o trabalho fiscal respeitou também o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, o qual regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Receita Federal do Brasil, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras, com preservação rigorosa do sigilo dos dados obtidos. 9. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 9.1 Uma vez cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, a requisição de dados bancários pelo Fisco, sem prévia intervenção judicial, estará respaldada pela lei, quando justificada pela autoridade administrativa a indispensabilidade do respectivo exame. 10. O afastamento da presunção de constitucionalidade de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. 10.1 Escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária, por violação ao sigilo bancário previsto na Constituição Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 393 8 da República de 1988, em decorrência do repasse de dados e/ou informações à Administração Tributária pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial. É que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 11. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. b) Uso de dados de CPMF 12. No que tange à utilização de informações da CPMF para a finalidade de subsidiar o lançamento de ofício relativo a outros tributos, ao amparo do prescrito no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a súmula nº 35, assim vazada: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 12.1 O enunciado, de observância obrigatória pelos Conselheiros, representa o entendimento reiterado e uniforme no âmbito da segunda instância do contencioso administrativo tributário quanto à possibilidade de aplicação retroativa do dispositivo de lei ordinária, para alcançar os fatos geradores anteriores à vigência da nova redação, por tratarse de norma de cunho procedimental, que apenas concedeu poderes adicionais de investigação ao Fisco (art. 144, §1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN). 13. Cabe esclarecer que a inexatidão dos dados relativos à CPMF prestados inicialmente pelo Banco Itaú S/A não tem a relevância que pretende dar o recorrente a tal equívoco. Os valores de retenção e recolhimento da CPMF pelo banco foram utilizados apenas para fins de instauração do procedimento fiscal no contribuinte, não tendo a lavratura do auto de infração levado em consideração a estimativa de movimentação bancária com base na contribuição paga. O crédito tributário está fundamentado nos próprios extratos bancários das contas do recorrente e do seu cônjuge. c) Jurisprudência atual 14. É verdade que o afastamento ou não aplicação de lei no âmbito administrativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, é medida possível na hipótese de que já tenha havido a sua declaração por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) e obrigatória quando houver decisão definitiva em sede de julgamento realizado na sistemática da repercussão geral (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas modificações). Fl. 393DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 394 9 15. Acontece que a linha argumentativa desenvolvida pelo recorrente, em sua essência jurídica, foi objeto de recente apreciação pelo Tribunal Constitucional, na sessão do dia 24/02/2016, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. 15.1 A Corte Suprema concluiu, em síntese, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, na sua atividade fiscalizatória, pode acessar dados bancários fornecidos diretamente pelas instituições financeiras sem necessidade de prévia ordem judicial, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, não havendo, nessas hipóteses previstas em lei, ofensa ao direito ao sigilo bancário protegido pela Constituição da República de 1988. 15.2 Além do mais, também restou consignado pela maioria dos Ministros que a modificação promovida pela Lei nº 10.174, de 2001, no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, não teve o condão de induzir a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma jurídica, consoante o § 1º do art. 144 do CTN. 15.3 Para melhor visualização do decidido pelo STF, reproduzo na sequência parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 395 10 d) Acréscimo Patrimonial 16. No tocante à afirmação de que os depósitos bancários, por si só, não configuram rendimentos tributáveis, eis que não representam sinais exteriores de riqueza, cuidase de alegações que não se sustentam em face do conteúdo explícito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) 16.1 A autuação fiscal consiste na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados. 16.2 Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. 17. Quando da edição da Lei nº 9.430, de 1996, houve a revogação do § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990. Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 395DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 396 11 17.1 Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico, exigiase a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. 17.2 As decisões administrativas e judiciais colacionadas pelo recorrente referemse a períodos anteriores à Lei nº 9.430, de 1996, com base em dispositivos já revogados, o mesmo contexto dos precedentes que fundamentaram o entendimento da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. 18. A partir do ano de 1997, com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário está dispensado de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 18.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. e) Comprovação da origem dos depósitos/créditos bancários 19. Assevera o recorrente que, ao menos em parte, a fonte dos recursos apurados pela autoridade lançadora classificados como de origem não comprovada está demonstrada nos autos. 20. Pois bem. Com relação à movimentação bancária da pessoa física, não se pode negar que a comprovação de cada depósito/operação de forma individualizada nem sempre constitui uma tarefa fácil para o fiscalizado, dada a falta de obrigação da manutenção de contabilidade completa das suas atividades 21. Em que pese tal constatação, o "caput" do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, antes reproduzido, não deixa margem a dúvidas que, uma vez identificados recursos financeiros depositados nas contas bancárias do contribuinte e sua esposa, a presunção legal em favor do Fisco transfere ao titular da conta bancária, ainda que pessoa física, o ônus de elidir a omissão de rendimentos tributáveis, mediante a comprovação da origem dos recursos através de documentação hábil e idônea. 22. Nesse passo, ao avaliar os argumentos aduzidos pelo interessado no apelo recursal, tendo em conta o conjunto fáticoprobatório carreado aos autos, concluo que não têm o condão de alterar os fatos imputados pelo fiscal autuante como respeito à omissão de rendimentos. Explico. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 397 12 23. A alegação de que valores foram movimentados nas contas correntes em nome das pessoas físicas já devidamente tributados, correspondentes ao auferimento de receitas pelas empresas Eng Kar (R$ 59.177,95) e 0 KM (R$ 18.210,39), das quais o autuado e sua esposa são os únicos sócios, está desprovida de prova documental hábil e idônea para demonstrar os fatos que menciona. 23.1 Com efeito, a fim de provar que parte dos depósitos em conta diz respeito a receitas das empresas indigitadas, é insuficiente a alegação genérica da origem dos recursos, desacompanhada de um mínimo lastro em escrituração contábil e notas fiscais ou cupons fiscais das vendas, demonstrando, o que é relevante, a correlação entre datas e valores e os lançamentos a crédito nas contas bancárias das pessoas físicas. 24. No tocante às doações efetuadas pelo pai e pela irmã do cônjuge do autuado, cuja discriminação de valores e datas está indicada às fls. 372/375, o recorrente deixou de trazer aos autos, tendo em conta a prevalência dos depósitos realizados em dinheiro, indícios da efetiva entrega do numerário pelos doadores, além do seu registro na respectiva declaração de imposto de renda, compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras nela registrada. 24.1 Nem mesmo com respeito às importâncias a título de doação por meio de transferências bancárias, a partir da análise dos elementos disponíveis no processo administrativo, logrei êxito em confirmar a origem em contas mantidas em nome do pai ou da irmã da esposa do recorrente. 25. Por sua vez, na hipótese de inexistência de indícios de incompatibilidade, é razoável admitir que, além dos rendimentos omitidos, também os rendimentos tempestivamente informados na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física sofreram trânsito pelas suas contas bancárias. 26. É claro não será todo montante declarado pela pessoa física relativamente ao anocalendário sob ação fiscal que terá o condão de afastar a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não identificada. 26.1 Com efeito, poderão ser excluídos aqueles valores correspondentes a rendimentos já oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, ao passo que outros, tais como os rendimentos isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva, demandam uma análise mais aprofundada, mediante prova da sua natureza com base em documentação específica. 27. No caso dos autos, porém, o montante de R$ 10.800,00 declarados como rendimentos tributáveis pelo declarante acabou não sofrendo a incidência do imposto sobre a renda, dado o limite de isenção para o anocalendário de 1998 (fls. 99/100). Logo, não há razão para sua exclusão da base de cálculo apurada pela fiscalização. 28. Em suma, a pessoa física fiscalizada deixou de trazer elementos de prova da origem dos valores que transitaram por suas contas bancárias, discriminados pelo agente fiscal como de origem não comprovada, de maneira tal a identificálos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, na forma da lei, ou como rendimentos isentos de tributação ou não tributáveis. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 19515.000537/200359 Acórdão n.º 2401005.137 S2C4T1 Fl. 398 13 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904995/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015.
A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
Numero da decisão: 3401-004.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelandose provas precárias, insuficientes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de PER/DCOMP, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurado sob o regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 49 95 /2 01 2- 53 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.904995/201253 Acórdão n.º 3401004.224 S3C4T1 Fl. 3 2 O pedido da recorrente foi indeferido através do Despacho Decisório Eletrônico que instrui os autos, onde informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que recolheu contribuições indevidamente, vez que não tinha efetuado exclusões da base de cálculo da referida contribuição, previstas em lei. Apresentou DACON retificadora onde apura saldo credor, de modo que o recolhimento feito anteriormente, mostrase indevido, logo, passível de restituição. Asseverou que, por um lapso, deixou de retificar tal informação em DCTF e que a informação em DACON é suficiente para demonstrar seu direito. Defende que a circunstância de não retificar a DCTF não inviabiliza a restituição de valores comprovadamente indevidos. Sobreveio acórdão nº 07030.976 da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, afirmando possuir o direito pleiteado e citando o Acórdão nº 3302002.104 do CARF como jurisprudência que entende amparar seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.207, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.904977/201271, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.904995/201253 Acórdão n.º 3401004.224 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.207): "I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ, em 21/05/2013 (efl. 64), vindo a ser interposto recurso voluntário, 19/06/2013. Assim, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do mérito O julgamento deste processo servirá de paradigma aos demais processos vinculados, seguindo, portanto, a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Como se viu do Relatório acima, entende a Recorrente que faz jus a compensação da contribuição para o PIS, referente ao mês de abril 2005, vez que teria o recolhido indevidamente, não excluindo de sua base de cálculo parcelas autorizadas pela legislação de regência. Para dar azo ao seu suposto direito, em 21/08/2009, apresentou DACON retificador. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que o contribuinte apresente provas documentais no momento da impugnação, porém, este E. Tribunal tem flexibilizado em razão do princípio da verdade material, possibilitando que o sujeito passivo produza provas em momento posterior. Em casos em que o contribuinte não traz qualquer prova DARF, DCTF, Livros contábeis, etc), este CARF tem entendido que tal ônus é da parte que pleiteia o crédito, dentre outros, acórdão 3401003.652, referente ao processo 13888.900243/201467, de minha relatoria, o qual também serviu de paradigma. Diz a Recorrente que tentou fazer sua DCTF retificadora logo após o despacho decisório, porém recebera informação "... (mensagem de erro) de que o prazo para a retificação de informações havia expirado." (efl. 68), porém, não há nos autos tal prova. Defende que seus créditos são advindos de ter deixado de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, parcelas legalmente admitidas pela legislação de regência (artigo 15 da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10925.904995/201253 Acórdão n.º 3401004.224 S3C4T1 Fl. 5 4 MPV 2.158351; artigo 17, da Lei 10.684/20032 e artigo 1° da Lei 10.676/20033. As hipóteses de exclusão contidas nas legislações referidas são variadas, porém, a Recorrente apenas trouxe a prova no DACON, o qual não traz a origem destes créditos, ou seja, o nexo causal da retificação com a real existências destes tais créditos, ou qualquer explicação ou elemento de prova que indique com precisão o valor do pleito à restituir; e o DARF, do recolhimento supostamente indevido. Como se sabe, em sede de pedido de restituição e/ou compensação, o ônus da prova cabe ao contribuinte, por força do artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I, do CPC/1973 (vigência à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015, o 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 3 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10925.904995/201253 Acórdão n.º 3401004.224 S3C4T1 Fl. 6 5 que, no caso dos autos, no entender deste relator, não fora feito pela Recorrente. O DACON e DARF juntados pela Recorrente não são provas suficientes para comprovar, minimamente, o direito à restituição perseguido, revelandose provas precárias para este fim. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe nego provimento." Registrese que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a recorrente trouxe como provas de seu suposto crédito, apenas a DACON retificadora e DARF, sendo estes, consoante entendimento exposto, elementos insuficientes para comprovar o direito à restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.906940/2010-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO COMPROVADO.
É de se homologar a compensação quando comprovadas, por meio de documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original.
Numero da decisão: 9303-006.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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EPP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO COMPROVADO. É de se homologar a compensação quando comprovadas, por meio de documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 40 /2 01 0- 75 Fl. 171DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3803004.248, de 25/06/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO COMPROVADO. Comprovados, com documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, acolhese a compensação declarada pelo contribuinte. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à possibilidade de retificação de DCTF após a decisão de 1ª instância que denegou a compensação. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 10517143. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 142/144. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 152/165). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, em casos idênticos – a retificação de declaração somente após a ciência do despacho decisório que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação vinculada –, os acórdãos recorrido e paradigma adotaram entendimentos contrários: enquanto o primeiro entendeu possível a retificação da DCTF mesmo depois da ciência da referida decisão, o paradigma concluiu que, na mesma situação, a retificação da DIPJ não a tornaria equivocada. No mérito, vemos que a compensação em tela não foi homologada pela repartição de origem, ao fundamento de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito do mesmo contribuinte, decisão mantida pela DRJ porque, não obstante a DCTF retificadora tenha sido trazida aos autos no momento da apresentação da manifestação de inconformidade, não havia provas hábeis a comprovar o crédito pleiteado. Nesse contexto, entendeu a Câmara baixa que: "...a preclusão processual, associada ao princípio constitucional da celeridade processual, deve ser sopesada com outros elementos normativos, como o princípio da vedação ao enriquecimento ilícito e o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, assim como o princípio da legalidade, pois o contribuinte deve Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.906940/201075 Acórdão n.º 9303006.013 CSRFT3 Fl. 172 3 recolher o tributo devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos". Entendemos absolutamente correta a decisão, notadamente quando, no caso, a contribuinte sequer foi intimada, antes de prolatado o Despacho Decisório, a retificar a DCTF correspondente e a entregar, se assim se entendesse necessário, os documentos hábeis a comprovar o indébito. Portanto, a apresentação da retificadora somente após a ciência da decisão não autoriza, por si só, o indeferimento do pedido, se posteriormente restar comprovado, mediante a análise da escrituração contábil e fiscal, que o crédito, de fato, existia. É como temos decidido. A contrario sensu: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. (Acórdão CSRF/3ª Turma nº 9303005.708, de 19/09/2017) Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 173DF CARF MF 4 Fl. 174DF CARF MF
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