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Numero do processo: 10725.720112/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
Numero da decisão: 1401-001.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.720112/200743 Recurso nº 999.999 Embargos Acórdão nº 1401001.394 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria embargos de declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TOYO SETAL DO BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMP’s. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 12 /2 00 7- 43 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 3 2 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Conforme se extrai do relatório do julgamento realizado por esta Turma em 08 de agosto de 2013, “O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. Disso se extrai que, para evitar contradição nas decisões e coerência no julgamento, tanto o auto de infração quanto as negativas de compensação foram julgadas conjuntamente, tanto assim que os votos constantes de cada um dos processos possui o mesmo conteúdo. Em sede de embargos de declaração, os mesmos processos voltaram à apreciação desta Turma em 27 de agosto de 2014, sendo que este Relator fez consignar, naquela oportunidade que “Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta”. Interpõe, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, novos embargos de declaração, apenas para os processos nº 19404.000358/200298, 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720030/200707, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43 e 10725.720113/200798, em que aduz o seguinte: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sem o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 15521.000140/200751, rejeitou as ponderações contidas nos Embargos de Declaração. Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (...) deveria aguardar a solução definitiva do processo nº 15521.000140/200751, pois ainda há a possibilidade deste ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que modificaria a posição adotada nesses autos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 5 4 já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401 001.250. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado Tendo em vista a identidade de matérias e dos fatos, os embargos serão analisados em conjunto. É o relatório, no necessário. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720112/200743 Acórdão n.º 1401001.394 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos, pelo que deles conheço. Argumenta, a Fazenda Nacional, que teria havido omissão nos julgados dos recursos voluntários e dos embargos de declaração, uma vez que “sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401001.250”. Permissa venia, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Não há dúvidas que o mérito de todos os processos supra relacionados estão interligados, sendo que os mesmos somente não foram apensados por conexão nessa instância por ausência de instrumentos hábeis a fazêlo. Não existe, assim, a omissão arguida. Muito ao contrário, atento a relação entre os feitos foi que, nos recursos voluntários foram “todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. E o mesmo se deu com relação aos embargos de declaração, que “feitos de forma conjunta”. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 399DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001127/2003-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.168
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 387 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A fiscalização iniciouse a partir de MPF com a finalidade de apurar a origem dos depósitos/creditamentos na conta nº 260266 do Banco Bradesco. O presente contribuinte é falecido, motivo pelo qual, após intimar o juízo da vara onde o inventário estava ocorrendo, procedeuse a reiteradas tentativas de intimação da inventariante, Ana Terezinha Volpi, esposa do contribuinte. Devido ao insucesso na obtenção de informações junto à inventariante, a fiscalização utilizouse de RMF (Requisição Informações sobre Movimentação de Financeira) com o fim de descobrir a origem dos depósitos. Após uma série de RMF’s, a fazenda acabou por descobrir a forma dos depósitos e a cotitular da conta bancária, a senhora Claudia Maria Volpi Santana. Após ser intimada, a contribuinte informou que os saques na conta visavam movimentar as atividades do Posto Vapabuçu. Por considerar insuficientes as explicações concedidas, a Fazenda decidiu lavrar auto de infração. 2 Auto de Infração A fiscalização repartiu o ônus tributário do lançamento entre os dois contribuintes detentores da contaconjunta na qual foi verificada a movimentação atípica. Com base nos valores encontrados na conta bancária nº 26.0266 do Banco Bradesco, foi lançado crédito tributário no valor total de R$ 1.276.239,95, inclusos juros de mora e multa. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls.104141) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o contribuinte é finado, e está sendo representado por sua viúva, Ana Terezinha Volpi, que é também sua inventariante; b) embora a Lei determine que as obrigações do contribuinte sejam passadas ao espólio, na figura do inventariante, é impossível para o inventariante esclarecer sobre fatos ocorridos mais de 5 anos antes da abertura da sucessão. Além disso, somente é obrigação do inventariante prestar informações referentes aos tributos devidos pelo espólio enquanto espólio, conforme a IN nº 53/98; c) só foi possível chegar a tais valores através de quebra de sigilo bancário; d) além da quebra de sigilo bancário, a fazenda ainda aplicou retroativamente a Lei Complementar 105/01; e) ainda, que as intimações prévias não foram atendidas pois, além da impossibilidade da inventariante conhecer a intimidade bancária do exmarido, as correspondências foram remetidas ao finado, sendo que já era conhecido à época pelo fisco que este não estava mais vivo; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 388 3 f) o sigilo foi quebrado sem a existência de procedimento fiscal prévio, conforme determina o art. 2º do Decreto 3.724/01. A quebra de sigilo bancário ocorreu em 29/03/01, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal que deu origem a este processo é de 13/10/2003; g) os valores eram referentes à movimentação do Posto Vapabuçu, sendo os cheques descontados provenientes de caminhoneiros, que eram descontados em sua conta, mas logo havia o saque da quantia e apenas pequena parcela era retida pelo Posto Vapabuçu Ltda., a título de venda de combustível para estes caminhoneiros. Algumas vezes, os cheques eram diretamente repassados aos fornecedores do posto. Sendo assim, os valores apurados não são rendimento do contribuinte, que era gerente administrativo e sócio majoritário do posto; h) as regras básicas de processo prescrevem que aquele que alega deve provar, não podendo a fazenda se basear em presunções para lançar imposto sobre suposta omissão, quando deveria comprovar valor por valor a existência de omissão; i) inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. Junto à impugnação, acostou aos autos os seguintes documentos: a) cópias de notas fiscais de fornecedor Ale Combustíveis S/A; b) cheques utilizados para pagar as compras demonstradas nas notas fiscais, com recursos da conta da contribuinte; c) declarações dos caminhoneiros referentes aos recebimentos; d) cópias de cheques utilizados para pagar os caminhoneiros supracitados; 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, pelo desprovimento da impugnação (fls. 293/310) – sendo o crédito tributário integralmente mantido. Os fundamentos foram os seguintes: a) não procede o pedido do julgamento conexo com o processo administrativo da contribuinte Claudia Maria Volpi Santana, pois isto deve ocorrer somente para processos do mesmo sujeito passivo que compartilhem os mesmos elementos de prova; b) a quebra de sigilo foi autorizada em processo administrativo de quebra de sigilo (fls. 287292); c) a retroatividade da LC 105/01 é permitida, pois é referente a regras procedimentais; d) foram seguidos os ditames legais, vez que o lançamento é atividade vinculada; e) as provas não podem ser juntadas após a impugnação, vez que segundo o art. 16, §4º, preclui, em regra, esta faculdade; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 389 4 f) a presunção utilizada no lançamento é proveniente de lei, sendo necessária a comprovação da sua existência, cabendo ao contribuinte desqualificar os rendimentos da categoria de tributáveis; g) o contribuinte apenas diz que a origem dos recursos são as operações do Posto Vapabuçu, mas não há comprovação necessária desta relação, e a análise dos livros contábeis da empresa não demonstram tal relação. Ademais, os valores comprovadamente pagos a caminhoneiros nem sequer fazem parte do lançamento, o mesmo vale para os cheques juntados em anexo à declaração da Siderúrgica Bandeirante Ltda.; h) não cabe a órgão administrativo se pronunciar sobre a constitucionalidade da utilização da taxa SELIC; i) jurisprudência judicial e administrativa não vincula a administração tributária, salvo se for coisa julgada em favor do próprio contribuinte; 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário, arguindo: a) a intimação extrapolou no tocante às exigências para o inventariante, que somente tem o dever de prestar as informações relativas aos anoscalendário referentes à duração do processo de inventário; b) o procedimento é nulo, pois foi efetuada quebra de sigilo bancário sem a existência de processo administrativo fiscal. Além disso, a decisão comete o desatino de declarar que o falecido Geraldo da Silva Santana fora cientificado do processo; c) ademais, o sujeito passivo correto deveria ser o Espólio de Geraldo da Silva Santana, não a Srª Ana Teresinha Vulpi. A responsabilidade de terceiros do art. 134 só se aplica quando ocorre ilicitude por parte do terceiro, e o de cujus não pode ser sujeito passivo, pois não mais existe; d) foi desrespeitado o disposto no art. 2º do Decreto 3.724/01, vez que foi efetuada quebra do sigilo bancário antes da abertura do procedimento fiscal; e) a utilização do cadastro da CPMF atingiu períodos anteriores à entrada em vigência da Lei 10.174/01, que permitiu a utilização das informações; f) as informações teriam sido obtidas sem a devida quebra de sigilo bancário por meio judicial; g) a autuação é inválida, pois foi descumprido o disposto no art. 42 da Lei 9.430/96, que determina a prévia intimação dos titulares da conta antes da lavratura de auto de infração, o que não ocorreu, vez que o contribuinte, Geraldo Santana, estava morto à época das intimações, e mesmo assim foi o destinatário destas; h) a fiscalização não comprovou que os depósitos caracterizavam rendimentos omissos; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 390 5 i) os valores depositados eram provenientes de ação de troca de cheques para caminhoneiros que abasteciam no Posto Vapubuçu Ltda, que davam o cheque para que o contribuinte descontasse, e recebiam o valor do cheque descontado do valor do combustível que havia sido utilizado para abastecer seus veículos de trabalho. A prática era um atrativo para que os profissionais abastecessem no Posto Vapabuçu Ltda. Inclusive, por diversas vezes os cheques eram utilizados para pagar a Fornecedora Ale Combustíveis. j) o que comprova as afirmações é que a própria fiscalização listou como cheques devolvidos seis cheques utilizados por caminhoneiros; k) é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC; É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 391 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento a existência de depósitos bancários sem origem comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização valeuse das informações existentes no cadastro de CPMF do contribuinte, para fatos geradores anteriores à edição da Lei 10.174/01. Além disso, utilizou requisição de movimentação financeira (RMF), após a apuração de omissão de rendimentos em conta conjunta com outra contribuinte. Apenas a co titular da conta teve a quebra de sigilo bancário apreciada e deferida por órgão judicial. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 392 7 sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 393 8 PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Resolução n.º 220200.168 S2C2T2 Fl. 394 9 reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 14751.720234/2013-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2012
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO.
O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE.
A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN.
Ao contribuinte que recorre ao judiciário é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
MULTA ISOLADA
Existindo declaração não condizente com a realidade fática para ensejar a compensação pretendida, correta é aplicação da multa isolada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2012 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO. O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. COMPENSAÇÃO. PEDIDO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. Ao contribuinte que recorre ao judiciário é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA ISOLADA Existindo declaração não condizente com a realidade fática para ensejar a compensação pretendida, correta é aplicação da multa isolada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2106; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 824 1 823 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.720234/201311 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.182 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente RADIO E TELEVISÃO O NORTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2012 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO. O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. COMPENSAÇÃO. PEDIDO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. Ao contribuinte que recorre ao judiciário é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA ISOLADA Existindo declaração não condizente com a realidade fática para ensejar a compensação pretendida, correta é aplicação da multa isolada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 02 34 /2 01 3- 11 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 825DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14751.720234/201311 Acórdão n.º 2803004.182 S2TE03 Fl. 825 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuintes Rádio Televisão O Norte S.A., em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2012 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da constitucionalidade das leis, em face das disposições do artigo 26A do Decreto 70.235/1972. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP HIPÓTESES LEGAIS. Em face das disposições da Lei 8.212/1991, admitese a compensação, no âmbito das contribuições previdenciárias nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mãodeobra ou empreitada. E, mesmo nessas hipóteses, a compensação deve se dar nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, através de GFIP, de acordo com as respectivas regras pertinentes. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO COMPROVADA.PROCEDÊNCIA. A compensação indevida, mediante falsidade da declaração, comprovada pela autoridade lançadora, procede a aplicação da Multa Isolada. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. REVISÃO DO ENQUADRAMENTO PELO FISCO. PERROGATIVA. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 O fisco tem a prerrogativa de rever a qualquer tempo o auto enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores e lançar os respectivos créditos tributários quando apurar recolhimento menor que o devido. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. FORMALIZAÇÃO. ANDAMENTO. A Representação Fiscal para Fins Penais formalizada, em processo digital, deverá ser apensada ao processo administrativofiscal e, cumprirá o rito processo deste, caso o crédito seja impugnado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Trata o processo ora em questão de constituição de crédito tributário, decorrente das contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, parte patronal, exclusivamente no tocante à diferença apurada sobre a alíquota RAT/SAT declarada a menor em GFIP pelo contribuinte e Glosa de compensação indevida, no período 01/2009 a 02/2012, representado pelo Auto de Infração nº 51.040.0256, cujo valor consolidado em 25/06/2013, totaliza R$ 283.881,08 (duzentos e oitenta e três mil, oitocentos e oitenta e um reais e oito centavos), aí já incluídos juros e multas. Consta no Relatório Fiscal apresentado pela autoridade autuante que: a) durante a ação fiscal, verificouse, através da análise dos dados declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social – GFIP, que a empresa indicou como alíquota RAT/SAT (Risco Ambiental do Trabalho/Seguro Acidente do trabalho) o valor de : 1%, em campo próprio. Todavia, a alíquota correta e devida, correspondente ao código CNAE 60217/00 – específico para a atividade da empresa, código este, devidamente declarado pelo contribuinte em GFIP, equivale, na verdade, à alíquota de 3%; b) as parcelas objeto das compensações são também objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, em cuja ação requer que as sejam reconhecidas como de não incidência de contribuições previdenciárias. Ao ingressar com ação judicial para discutir a exigibilidade das contribuições, por meio das mencionadas ações, antes, o contribuinte não poderia mais realizar as compensações do tributo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (Art. 170A da Lei 5.172/66 – CTN) o que até então não ocorreu. Devidamente intimada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou impugnação, na qual aduziu, em síntese: a) a existência de do vício (insanável) da autuação em razão da ausência de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários; b) a legalidade sobre as rubricas, discutidas nas ações judiciais, que integram a base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, não pode prevalecer, pois tem caráter indenizatório, que não há ausência de comprovação de recolhimento das contribuições tidas como indevidas e quanto à necessidade de trânsito em julgado da decisão para compensar os valores indevidamente recolhidos, não se aplica ao presente caso, uma vez que o artigo 66 da Lei nº 8.383/91, faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos Fl. 827DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14751.720234/201311 Acórdão n.º 2803004.182 S2TE03 Fl. 826 5 com a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente podem ser compensados com débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública; c) a alíquota informada pelo contribuinte na GFIP corresponde ao percentual que determina o Decreto, referente ao CNAE 60.10.100; d) a multa de ofício, em razão da sua natureza – acessória – também deverá ser anulada caso sejam acolhidos, os argumentos anteriormente apresentados; e) caso entenda parcial a procedência do auto, fazse necessário reduzir a multa aplicada (75%) pois representa verdadeiro confisco por parte da entidade fiscal, em violação ao artigo 150, inciso IV, da Constituição de 1988, postulando pela aplicação da multa mais benéfica, a contida no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991 f) a realização de sustentação oral no julgamento perante a DRJ. Ao analisar as ponderações apresentadas pela contribuinte, a DRJ entendeu por bem em não acolhelas, mantendo na íntegra o lançamento efetuado pela fiscalização, conforme a ementa apresentada alhures. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em apertado escorço: a) o sobrestamento do presente feito, nos termos do art. 62A, § 1o. do RICARF; b) a existência de do vício (insanável) da autuação em razão da ausência de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários; c) que não poderia a administração vincular o procedimento de compensação com o trânsito em julgado da decisão judicial; d) a ausência de falsidade nas declarações da compensação a ensejar a aplicação da multa isolada; e) a legalidade sobre as rubricas, discutidas nas ações judiciais, que integram a base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, não pode prevalecer, pois tem caráter indenizatório, que não há ausência de comprovação de recolhimento das contribuições tidas como indevidas e quanto à necessidade de trânsito em julgado da decisão para compensar os valores indevidamente recolhidos, não se aplica ao presente caso, uma vez que o artigo 66 da Lei nº 8.383/91, faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente podem ser compensados com débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública; f) a alíquota informada pelo contribuinte na GFIP corresponde ao percentual que determina o Decreto, referente ao CNAE 60.10.100. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Posteriormente a contribuinte apresentou nova petição reiterando o sobrestamento do feito. Sem contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14751.720234/201311 Acórdão n.º 2803004.182 S2TE03 Fl. 827 7 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Efetuando o juízo de prelibação, observo que o recurso voluntário apresentado pela contribuinte é tempestivo, mas necessita de maior análise para o seu conhecimento. Ora, conforme se observa dos autos, a recorrente discute judicialmente a incidência da contribuição previdenciária sobre algumas rúbricas, trazendo para a este processo administrativo fiscal a mesma discussão. Verificase, portanto, que o próprio recorrente suscita a concomitância de processos judiciais com o presente apelo administrativo. Tratase, portanto, da chamada dupla impugnação, vedada pelo art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80: Art. 38 [...] Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. 3. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 1 do Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A concomitância de processos em esferas de impugnação distintas constitui ato incompatível com o exercício do direito de recorrer administrativamente, ante a prevalência da função judicante pelo Poder Judiciário (art. 2º da CF). O Conselho tem precedentes em uníssono: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2005. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.A PROPOSITURA PELA RECORRENTE, CONTRA A FAZENDA NACIONAL, DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO, IMPORTA A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO POR APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01 (CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO), NOS TERMOS DO VOTO DA RELATORA.” Fl. 830DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Turma Especial. Acórdão nº 180100539. Processo 11610003705200700. Data 30/03/2011, Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 26/06/1995 A 30/08/1996 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO, RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N° 1.IMPORTA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A PROPOSITURA PELO SUJEITO PASSIVO DE AÇÃO JUDICIAL POR QUALQUER MODALIDADE PROCESSUAL, ANTES OU DEPOIS DO LANÇAMENTO DE OFICIO, COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR MAIORIA DE VOTOS, EM NÃO CONHECER DO RECURSO EM FACE DA CARACTERIZAÇÃO DA CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. VENCIDO O CONSELHEIRO DALTON CÉSAR. CORDEIRO DE MIRANDA QUE NÃO RECONHECERA A CONCOMITÂNCIA E, POR CONTA DISSO, APRESENTARÁ DECLARAÇÃO DE VOTO” (CARF 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 340100913 do Processo 10920003412200413 Data28/07/2010. Rel. Cons. Odassi Guerzoni Filho) Ademais, o entendimento deste Conselho já foi pacificado no sentido de que a discussão judicial da matéria enseja a desistência da discussão administrativa, nos termos da Súmula 01 do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, o recurso voluntário em questão merece ser conhecido somente na matéria não impugnada judicialmente. Destarte, conheço parcialmente do recurso voluntário, passando a analisar somente a alíquota do SAT aplicada pela fiscalização, a legalidade da glosa efetuada, e as multas aplicadas. Da Alíquota do SAT Compulsando o Relatório Fiscal, observase que o douto fiscal constatou que o contribuinte declarou a alíquota SAT/GILRAT no percentual de 1%, quando, na verdade, a alíquota RAT/SAT correpondente ao código CNAE da empresa seria de 3%. Desse modo, o lançamento abrangeu a cobrança da diferença relativa ao percentual de 2% sobre o montante remuneratório pago, devido ou creditado aos segurados empregados nas competências indicadas pela fiscalização. Como se pode observar, o lançamento foi realizado com base no enquadramento descrita no § 3o do art. 202 do Decreto no 3.048/99, que estabelece que a atividade preponderante é aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14751.720234/201311 Acórdão n.º 2803004.182 S2TE03 Fl. 828 9 Assim, o fundamento legal utilizado para respaldar o lançamento vai ao encontro da lei de regência, ou seja, da Lei no 8.212/91. O inciso II do art. 5o da Constituição da República estabelece que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Fiel ao comando constitucional, o artigo 22, II, da Lei no 8.212/91 estabelece Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II – para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leveÇ b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Na regulamentação do artigo acima descrito, ao dispor a respeito da atividade preponderante, o art. 202 do Decreto no 3.048/99 previu o seguinte: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: (...) § 3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (...) § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto no 6.042, de 2007). Fl. 832DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto no 6.042, de 2007). Como se pode observar da redação do § 3O. do art. 202 do RPS, considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Assim, correto o posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, visto que a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3o do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, não merecendo, assim, reforma o acórdão neste tópico. Das Compensações A regulamentação da compensação, prevista no art. 170 do Código Tributário Nacional, apenas ocorreu com a edição da Lei 8.383/91 (art. 66), que introduziu a chamada compensação sponte propria, autocompensação ou compensação no âmbito do lançamento por homologação. É esta modalidade de compensação que a recorrente embasa suas razões recursais. A compensação sponte propria foi lançada para apreciação da Câmara dos Deputados através do Projeto de Lei 2.159/1991, enviado pelo Poder Executivo, a época dirigido pelo Senhor Presidente Fernando Collor, tendo como tema principal a criação da UFIR e outras proposições, dentre as quais estava presente a compensação. Após a aprovação, o projeto de Lei se transformou na Lei 8.383/91, instrumento valiosíssimo na relação entre Fisco contribuinte. Sua proposição mais importante, o artigo 66, constitui verdadeira vitória do contribuinte buscando a máxima equidade e isonomia no trato com o Fisco Público. É um instrumento que possui o contribuinte para buscar a recomposição do seu patrimônio que foi lesado "a força" pela exigência de tributos sabidamente indevidos. A referida lei trouxe em seu bojo verdadeiro direito do contribuinte a autocompensação, conforme de depreende de seu artigo. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14751.720234/201311 Acórdão n.º 2803004.182 S2TE03 Fl. 829 11 § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Esta modalidade de compensação é realizada no âmbito do lançamento por homologação. Este tipo de lançamento é aquele no qual o contribuinte apura, calcula, verifica e paga o tributo. Contudo a extinção do crédito tributário somente será efetivada com a homologação por parte do Fisco. Este poderá homologar de ofício ou então deixar transcorrer o prazo de cinco anos para que ocorra a homologação tácita. Assim, da mesma forma que para o pagamento de tributos no âmbito do lançamento por homologação, o Fisco repassa para o contribuinte o dever de calcular, apurar, verificar, pagar, ficando resguardo seu direito de verificar se tal procedimento é correto e lançar as diferenças, nada mais justo, e em homenagem ao princípio da isonomia, que o contribuinte que apurar crédito decorrente de pagamento indevido possa, por conta própria, efetuar a compensação, ficando, resguardado ao Fisco o prazo de cinco anos para verificar a regularidade da compensação. Corroborando tal assertiva, afirma Alexandre Macedo Tavares (A Superveniência do novo art. 170A do CTN e a duvidosa questão acerca da revogabilidade do direito subjetivo à autocompensação do indébito tributário. In Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo: Dialética, nº 68, maio, 2001, p. 10/11): "... se o CTN admite que a lei tributária atribua ao sujeito passivo a obrigação de pagar antecipadamente o tributo pelo regime do lançamento por homologação, também conhecido por autolançamento, nenhuma razão sistemática existe para obstar que, diante dessa mesma realidade jurídica, o contribuinte possa vir a extinguir a sua obrigação através do regime de auto compensação, nos termos como contemplado pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91". O direito de efetuar a compensação pelo autolançamento de acordo com o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 78.301BA (1ª Seção, Relator Ministro Ari Pargendler, DJ de 28.04.1997). Após essa histórica decisão, ficou assentado que os tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação podem e devem ser compensados pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, pela simples aplicação do art. 66, da Lei nº. 8.383/91, afastadas as regras infralegais editadas em sentido contrário. Contudo, apesar desta previsão, é importante ressaltar que a modalidade de compensação prevista no art. 66 da Lei 8.383/91, por si só não tem o condão de extinguir o crédito tributário. Como afirmado anteriormente, o crédito tributário somente será extinto quando o Fisco verificar a regularidade da compensação e aceitalá ou manterse inerte, o que gera uma presunção de aceite. Neste cenário, desde a edição da Lei 8.383/91, o tema compensação vem sendo debatido e estudado, tanto pelos nossos doutrinadores como pela jurisprudência. Neste passo, surgiram divergências e especificidades acerca da compensação sponte propria, como exemplos, existem autores que defendem que esta modalidade de compensação é diferente Fl. 834DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 daquela prevista no artigo 170 do Código Tributário Nacional, posição que parece ser a mais acertada. A jurisprudência não caminhou de maneira uniforme na conceituação do instituto, contudo, existia uma tendência na aplicação da compensação como sendo norma diferenciada daquela prevista no artigo 170 do Código Tributário Nacional. Alguns tribunais, inclusive, avançaram na aplicação ao afastar desta modalidade de compensação o artigo 170A do Código Tributário Nacional. Há julgados no qual também afastam a aplicação do mesmo artigo quando há precedentes declarando a inconstitucionalidade de lei. Recentemente o Superior Tribunal de Justiça, por meio de decisão na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decidiu, de maneira simples, sem debates, acerca da aplicação do instituto e ao que se percebe, colocando uma "pá de cal" nas discussões acerca da compensação sponte propria e toda suas particularidades, estudos e debates. Na análise do Recurso Especial 1.167.039 do Distrito Federal, o Superior Tribunal de Justiça STJ julgou, em sede de recurso repetitivo, artigo 543C do Código de Processo Civil, a questão da compensação e sua aplicabilidade no direito tributário. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1167039/DF, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) O pano de fundo da discussão do referido recurso especial foi à possibilidade de compensação de créditos tributários oriundos de tributos pagos indevidamente com base nos DecretosLeis 2445 e 2449, ambos do ano de 1988. Ambos os Decretos foram considerados inconstitucionais e houve resolução do Senado no sentido de afastar a sua incidência. A empresa recorrente pleiteou em juízo a compensação, com base no artigo 66 da Lei 8.383/91, dos valores pagos indevidamente com base nos decretos. Ou seja, a discussão principal do recurso era a possibilidade de compensação sem as restrições do artigo 170A do Código Tributário Nacional. O relator do recurso foi mais além, definindo que a compensação prevista no artigo 170 e 170A do Código Tributário Nacional não se diferenciam da compensação prevista no artigo 66 da Lei 8.383/91, devendo esta se sujeitar aos ditames da primeira. De fato, o contribuinte, em se tratando de tributo lançado por homologação, pode proceder à compensação por sua própria conta e risco. Então, questiono, por que assim não procedeu a recorrente? Obviamente que preferiu recorrer ao Judiciário para obter a declaração de que recolheu tributo declarado inconstitucional/ilegal e, conseqüentemente, Fl. 835DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 14751.720234/201311 Acórdão n.º 2803004.182 S2TE03 Fl. 830 13 obrigar a Administração a aceitar a compensação pretendida, sem as restrições impostas por instruções normativas tidas por inconstitucionais pela autora e sem a limitação de 30% do montante compensável. Sendo assim, nada mais natural que se submetesse ela às regras processuais e tributárias pertinentes. Não se pode dizer que o contribuinte que recorreu ao Judiciário para proceder à compensação está na mesma situação que outro, que compensou tributos de moto proprio porque o segundo, sim, deverá submeterse sem ressalvas às regras aplicadas pela Administração. Inexiste, outrossim, incompatibilidade entre o art. 170A do CTN e o art. 66 da Lei 8.383∕91, uma vez que a compensação somente pode ser feita pelo contribuinte com autorização legal e, portanto, pode ser limitada pelo legislador. Assim, nego seguimento ao recurso neste ponto. Da Multa Aplicada De igual sorte, entendo que as multas aplicadas pela fiscalização estão em consonância com a legislação de regência, devendo, por consectário, serem mantidas. Como restou amplamente demonstrado no decorrer do presente voto, a contribuinte declarou em GFIP compensação com crédito inexistente, pois não possuía amparo de decisão judicial que lhe assegurasse esse direito. As decisões judiciais proferidas no processo 500165977.2010.404.7107 determinaram expressamente que a compensação deveria observar a limitação do art. 170A do CTN, o qual veda esse tipo de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. O sujeito passivo ainda insistiu nessa tese em sua impugnação, alegando que haveria decisão judicial a seu favor, autorizandolhe compensar seu direito creditório. De fato, as decisões judiciais reconheceram em parte o direito à compensação, mas ressalvaram que esse direito deveria observar o art. 170A do CTN. Assim, entendo que resta caracterizada situação que implica o lançamento da multa isolada em dobro, conforme previsto no §10 do art. 89 da Lei 8.212/1991: Por outro lado, a frívola alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória, desproporcional e desarrazoada não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este órgão julgador está vinculado, assim, neste tópico também nego seguimento ao recurso. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe parcial provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 836DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10120.000919/2010-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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Seção: Segunda Seção de Julgamento
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Recorrente EMSA EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em nova diligência para intimação da Recorrente. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros : Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 00 91 9/ 20 10 -7 1 Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.000919/201071 Resolução nº 2403000.183 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Na forma do Despacho de n° 2403.000.042, esta Turma , por unanimidade de votos, em 18 de janeiro de 2012, anuiu a determinação do Relator no sentido de que se convertesse o julgamento em DILIGÊNCIA. Aduz que na parte final da decisão constou, como de praxe, que antes de os autos retornassem a este Colegiado devesse ser conferida vistas ao recorrente, com exposição do resultado, abrindose prazo normativo para eventual manifestação. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.000919/201071 Resolução nº 2403000.183 S2C4T3 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator Na forma do art. 29 do Decreto 70.235/72, para formar sua convicção, a autoridade julgadora tem a prerrogativa legal para determinar diligências que entender necessárias cabendo à parte requerida proceder ao cumprimento : “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias” ( grifos de minha autoria) Cumpre ressaltar que sem entrar no mérito da resposta do Auditor autuante colacionada às fls. 1.738/1.742, não alcancei nos autos registro de que a recorrente fora intimada do inteiro teor da Resolução bem como da resposta da Diligência. No art. 26 da Lei n° 9.784/99 consta definido que : “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências.”( grifos de minha autoria) Não se afigura lícito descumprir a previsão do art. 28 da Lei n° 9.784/99,verbis: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.”( grifos de minha autoria) No mesmo diapasão, observando o devido processo legal, exortado no comando do parágrafo único do art. 27 do mesmo diploma legal supra, de modo a estabelecer o contraditório e ampla defesa, para que a sobredita omissão não caracterize cerceamento que ensejaria a nulidade do vinculado Acórdão a ser exarado neste Colegiado, determino que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF de origem para que se proceda a devida intimação: “Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado.”( grifei) Por fim, o § 4° do art. 63 do Regimento Interno deste Egrégio Conselho determina dar ciência ao Recorrente dos acórdãos exarados, verbis: “ § 4° Dos acórdãos será dada ciência ao recorrente ou ao interessado e, se a decisão for desfavorável à Fazenda Nacional, também ao seu representante.” Às fls. 1.734, extraído da parte final da sobredita Resolução, transcrevo a íntegra do que neste sentido fora determinado, verbis: “Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação.”( grifei) Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.000919/201071 Resolução nº 2403000.183 S2C4T3 Fl. 5 4 Às fls. 1.742, no item 14 da resposta da diligência, o Auditor Fiscal, exortando descabidos fundamentos legais, e, ainda, sob efeito de injustificada competência, julga insuficientes os argumentos do Relator para determinar a diligência. Na seqüência faz inusitada solicitação para que a mesma seja anulada. Tal irrefletido ato expõe claro desconforto com o encargo para cumprir o desiderato: “14. Por fim, sob o amparo do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, supra indigitados, mas com a MÁXIMA VÊNIA, venho diante de Vossa Senhoria pedir que reveja a posição se baixar em diligência o processo acima identificado, ancorado nos argumentos que se apresentou.”( grifos de minha autoria) Cumpre registrar que fiz perfunctória análise do documento e farei juízo das informações colacionadas às fls.1.738/1.742 quando do retorno dos autos. CONCLUSÃO Determino que os autos retornem às origens para que se intime o contribuinte do teor da Resolução e do resultado da Diligência conforme o comando do § 4° do art. 63 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13708.000883/2002-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. CONVERSÃO EM RENDA
Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN.
Recurso Voluntário Provido..
Numero da decisão: 3801-005.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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CONVERSÃO EM RENDA Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN. Recurso Voluntário Provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 08 83 /2 00 2- 11 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13708.000883/200211 Acórdão n.º 3801005.039 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de auto de infração eletrônico (fls. 26/34) relativo a COFINS de abril a junho de 1997, nos valores abaixo discriminados: Contribuição .........................................R$ 99.545,09 Multa de Ofício .....................................R$ 74.658,82 Juros de Mora .......................................R$ 96.049,33 Multa isolada ........................................R$ 26.091,46 Total......................................................R$ 296.344,70 A interessada informou exigibilidade suspensa por decisão judicial proferida no processo nº 97.0084469, da Cofins do período de 05/1997 no valor de R$ 60.699,48. O lançamento originouse da realização de auditoria interna na DCTF apresentada pela interessada no referido trimestre, tendo como ocorrência a descrição “Proc. Jud não comprovado”. Em relação ao período de 04/1997, foi informado débito de Cofins no valor de R$ 38.845,61 com vinculação de pagamento. O pagamento informado não foi localizado. Quanto ao período de 06/1997 foi efetuado recolhimento a menor dos acréscimos legais originando a cobrança da multa isolada. O contribuinte apresentou impugnação em 10/04/2002 alegando, em síntese: O processo judicial informado é um mandado de segurança que está em trâmite, aguardando decisão no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e através do qual se questiona justamente essa cobrança da COFINS e do PIS sobre receita bruta. Nestes Autos, inclusive, a IMPUGNANTE efetuou depósitos judiciais concernentes às quantias litigandas. Porém, quanto aos lançamentos efetuados, os inadimplementos em causa foram produzidos por compensações de réditos originários de pagamentos a maior do FINSOCIAL, do chamado PISSEISMESES, do Imposto de Renda sobre Lucro Líquido não distribuído (art. 35, lei 7.713/88), e do IRPJ e CSLL diante dos efeitos da correção monetária com base no IPC refeita com relação às demonstrações financeiras do ano base de 1990 (Lei 8.200/91). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13708.000883/200211 Acórdão n.º 3801005.039 S3TE01 Fl. 4 3 Quanto às compensações, resta dizer que a do FINSOCIAL, por exemplo, foi autorizada por decisão judicial contida nos Autos da Ação Ordinária processo número 93.00060520. Assim, requer o cancelamento do auto de infração lavrado, já que o crédito está extinto na forma do art. 156, II, CTN.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente em parte a impugnação excluindose a multa de ofício no percentual de 75%sobre o principal lançado, e mantendo o débito de Cofins, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 DCTF AUDITORIA INTERNA. PAGAMENTO. Comprovado o pagamento, extinguese o crédito tributário lançado. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face de alteração legislativa, cancelase a multa aplicada, uma vez que não se aplica multa de ofício aos débitos informados em DCTF com vinculação indevida de exigibilidade suspensa. DCTF. LANÇAMENTO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Mantemse o lançamento quando não comprovada a vinculação de suspensão de exigibilidade informada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho apresentando o comprovante de recolhimento da COFINS do mês de maio de 1997, através de depósito judicial, perante ao juízo da 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro e os ofícios enviados pela gestora da conta judicial, ou seja, a Caixa Econômica Federal CEF, informando o saldo da conta, bem como, a conversão do numerário em favor da União Federal e que em função disso o crédito tributário objeto do processo administrativo, encontrase adimplido e consequentemente extinto, nos termos do art. 156, I do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13708.000883/200211 Acórdão n.º 3801005.039 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A decisão recorrida, conforme relatado, excluiu a multa de ofício no percentual de 75% sobre o principal lançado e manteve o débito de Cofins referente ao período de maio de 1997, no valor principal de R$ 60.699.48. Deixou consignado ainda que, considerando a alegação de depósito judicial, deve a unidade que jurisdiciona o contribuinte acompanhar o processo judicial nº 97.00084469 e confirmando o depósito integral do valor, com a correspondente conversão em renda extinguir o crédito lançado. Se inexistente o depósito, deverá prosseguir na cobrança. Conforme documentação juntada aos autos, às fls. 113/114, o recorrente apresentou guia de depósito judicial, junto a Caixa Econômica Federal, e em conta vinculada à ação judicial nº 97.00084469, no valor equivalente a COFINS do mês de maio de 1997, devidamente autenticada pelo estabelecimento bancário e ofícios enviados pela gestora da conta judicial, ou seja, a Caixa Econômica Federal – CEF, no qual consta que o depósito efetuado foi transformado em pagamento definitivo. Portanto, resta configurada a causa extintiva do crédito tributário do art. 156, VI, do Código Tributário Nacional, ensejando a consequente extinção da presente autuação. É pertinente assinalar que compete à administração tributária dizer se o montante depositado corresponde ao valor integral do débito, nos termos do art. 4º do Decreto lei 1.737, de 20/12/1979. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10140.720892/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontra-se também legitimada.
As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares que davam provimento. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 92 /2 01 3- 41 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares que davam provimento. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigações Principais, lavrados sob os n. 51.008.9020 e 51.008.9038, em desfavor do recorrente, têm por objeto as contribuições sociais abaixo destacadas, no período compreendido entre as competências 01/2010 a 12/2010, e encontramse assim especificados: I. DEBCAD 51.008.9020 – Contribuição de 2% destinadas aos FPAS e 0,1% e SAT, sobre a receita bruta proveniente da produção do empregador rural PF, subrogadas na pessoa jurídica adquirente de produção rural. II. DEBCAD 51.008.9038 (– CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS, SENAR Conforme o Relatório Fiscal fls. 17 e seguintes, o objeto deste procedimento fiscal são as contribuições previdenciárias e as destinadas ao Senar, incidentes sobre a aquisição de produto rural (gado bovino para corte)., considerando que o o contribuinte adquiriu uma volumosa quantidade de animais destinado ao abate, porém não recolheu os valores devidos a Seguridade Social, conforme previsão legal. Não foram identificados nenhum recolhimento ou parcelamento dos valores lançados neste Auto de Infração. Por fim, destaca que as bases de cálculo não foram declarados na GFIP. Anexo ao relatório fiscal, consta a relação com o nome e CPF de todas os fornecedores, fls. 25. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 07/06/2013, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 24/06/2013. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 97 a 134 Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 184 a 194 que confirmou a procedência do lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/12/2010 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 10.256/2001 E A RATIFICAÇÃO DOS INCISOS DO I E II DO ART. 25 PELO CAPUT TÉCNICA LEGISLATIVA. Ao presente caso, aplicase o inciso III do art. 12 da Lei Complementar n° 95/98, com fundamento de validade no art. 59, parágrafo único, da CF, que dispõe sobre a elaboração; a Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 redação; a alteração e a consolidação das leis, em cujas regras não consta o impedimento de aproveitar a redação do dispositivo alterado naquilo que for pertinente. PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, situações que devem ser comprovada em petição que demonstre sua ocorrência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 230 a 261 . Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as alegações da impugnação, enfatizando a questão da declaração de inconstitucionalidade da legislação que determina a exigência ora sob apreço, quais sejam: 1. Data vênia, a lei 10.256/2001 não sanou a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária em apreço denominada de FUNRURAL. Por isso o recorrente não concorda com essa exigência fiscal de reter dos empregadores rurais, pessoas físicas e recolher à fazenda nacional a título de contribuição o valor correspondente ao percentual de 2,1 incidente sobre o valor da nota fiscal de venda dos bovinos, já que se trata de uma exigência coativa, ilegal e inconstitucional. 2. A contribuição social estabelecida no art. 25, inc. I, da Lei 8.212 não está contemplada na ordem constitucional. Pois, é impensável pretender igualar o sentido de receita bruta proveniente da comercialização da sua produção" com lucro, receita ou faturamento, ou, ainda, comparar com folha de salários. 3. O julgamento do Egrégio SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL no Recurso Extraordinário n° 596 177/RS, j.02/01/2011, sob o signo do art. 543B do CPC, o que agrega ao precedente especial força vinculativa que impõe ou muito aconselha sua adoção em casos análogos por culto a celeridade, a eficiência e a uniformidade interpretativa da CF/88, declarou sem modulação temporal dos efeitos, inconstitucional o art. 1o da Lei n°8.540/92, que alterou a redação dos artigos 12,V e VII; 25, I e II: e 30, IV, da Lei 8.212/91, instituindo contribuição a cargo do empregador rural, pessoa física, sobre receita bruta proveniente da venda de sua produção, entendendose ocorrida ofensa aos princípios da equidade, da isonomia e da legalidade tributária e ocorrida bitributação, ausente, ainda, a necessária lei complementar; a TRF1 entende que a Lei n°10.256/2001(c/c EC n°20/98) não constitucionalizou tal exação anterior. 4. Em conseqüência, no caso concreto, é inconstitucional o disposto no art. Io o da Lei n°8.540/92 e, também, o art. 1o da Lei n°8.870/94, art. 1o da Lei n°9.876/99 que deram nova redação aos arts. 12, incisos V e VII, art. 25, incisos I e II e art. 30, inciso IV, da Lei n°8.212/91. 5. E, por sua vez, também a Lei n°10.256/2001, não tem arrimo na EC n°20/98, pois, afastada a redação dada ao art. 25 da Lei n°8.212/91 pelas Leis n.°s 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais, dita Lei n. 10.256/2001 não estipulou o binômio base de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 4 5 cálculo/fato gerador, nem definiu alíquota. Nasceu capenga, natimorta, pois somente à lei cabe eleger estes elementos dimensionantes do tributo, no caso lei ordinário, conforme art. 9o, I, do CTN, art. 150, I e 195, caput, ambos da CF/88. Por isso, permanece a inconstitucionalidade do art. 25 em apreço. 6. Assim, no caso em análise, há infringência dos arts. 146, inc. III, "a", art. 150, incisos II e III, "a" , 154, inc. I, e 195, inc. I e §§ 4o e 8o, da Constituição Federal e art. 97, inc. I e III, do Código Tributário Nacional. 7. Diante dessa realidade jurídica, a recorrente está desobrigada de reter a contribuição previdenciária sobre a aquisição da produção rural de produtores e empregadores rurais pessoas físicas, face a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária denominada FUNRURAL, prevista no art. 25, incisos I e I, da Lei 8.212/91 , inclusive com a redação da Lei 10.256/01, permissa vênia, nasceu capenga, natimorta e manteve a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n°8.212/91, com a redação das leis anteriores. 8. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, de forma unânime, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 363852, Relator Ministro Marco Aurélio, cm 03/02/2010, decidiu pela inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre a comercialização rural dos produtores rurais, até que legislação nova, com base na Emenda Constitucional n.° 20/1998, institua a contribuição, de acordo com a seguinte ementa: 8.1. Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a 'receita bruta proveniente da comercialização da produção rural' de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1o da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, animada na Emenda 9. Cita decisões do TRF da primeira e quarta região que traduzem suas alegações. 10. Por tais razões entende que a lei 10.256/2001 não tem arrimo da EC n. 20/1998, pois afastada a redação dada ao art. 25 da lei 8212/91 pelas leis 8540/92 e 9528/97, declaradas inconstitucionais, não estipulou ela o bonômio base de cálculo/fato gerador, nem definiu alíquota. Nasceu capenga, natimorta, pois soemnte à lei cabe eleger estes elementos dimensionais do tributo, no caso lei ordinária, conforme aart. 9, I do CTN, art. 150, I e a95, caput, ambos da CF/88. 11. Por fim, não cita precedentes do próprio CARF que reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição denominada FUNRURAL e desobrigou a sociedade da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação. Em face do exposto, requer o conhecimento do recurso, para no mérito dar provimento e reformar o acórdão recorrido, reconhecendo a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição denominada FUNRURAL, desobrigando a recorrenete da retenção e recolhimento por subrrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 229. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DO MÉRITO O ponto crucial a ser apreciado, diz respeito ao alcance da declaração de inconstitucionalidade das contribuições sobre a comercialização da produção rural pelos produtores rurais pessoas físicas, cujo adquirente encontrase subrrogado quando da aquisição dos produtos. Dita celeuma tem sido apreciada por diversas Câmaras desse colegiado, tendo por vezes se chegado a interpretações conflitantes sobre o tema, razão pela qual necessário debruçarmonos de forma cada vez mais profícua a respeito do tema. DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. O presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2010 a 12/2010. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3º do art. 4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/97 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 6 9 subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Dita decisão merece ser levada em consideração nos presentes autos, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, parágrafo 1º, in verbis, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 7 11 Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a turma, que a subrrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Cite se do TRF: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 8 13 (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 – Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à sub rogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 9 15 §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 10 17 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial”. Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontra se também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: “III a empresa adquirente, consumidora ou Fl. 287DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 11 19 consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720892/201341 Acórdão n.º 2401003.896 S2C4T1 Fl. 12 21 contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SENAR Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez tendo sido afastada a dúvida acerca da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, inciso IV plenamente respaldado encontrase o exigência legal objeto do presente lançamento. Face ao exposto, entendo que não há qualquer reparo a ser feito na decisão de primeira instância, razão pela qual nego provimento ao recurso do recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13963.000463/2006-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.162
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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Recorrente GIANNI ELMI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13963.00463/200639 Resolução n.º 220200.162 S2C2T2 Fl. 42 2 Relatório 1 Notificação de Lançamento O recorrente foi notificado em 02/10/06 acerca de Notificação de Lançamento, na qual foi constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrente de ação trabalhista. Os rendimentos omitidos atingem a quantia de R$ 130.400,49. Com base na omissão, foi apurado crédito tributário no montante de R$ 57.344,19, após ter sido compensado IRRF existente no montante de R$ 3.933,81. 2 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o contribuinte é finado, e está sendo representado por sua viúva, Jussara Claser Elmi; b) a sentença judicial condena a PRIMO TEDESCO S/A ao pagamento do IRRF, não o contribuinte. Ainda, os arts.620, 628 e 722 do RIR estipula a fonte pagadora como obrigada ao recolhimento do imposto em regime de fonte, não o beneficiário; c) os rendimentos são isentos, exemplo disso é o FGTS, e que tais rendimentos estão especificados no Termo de Audiência e Planilha de Cálculo anexo à impugnação; d) que a fonte pagadora havia pago IRRF, e que este não foi reconhecido pelos AuditoresFiscais (sic). Junto à impugnação, acostou aos autos os seguintes documentos: a) cópia da Notificação de Lançamento; b) cópia da sentença trabalhista; c) cópia dos cálculos da sentença; d) cópia de DARF demonstrando o pagamento de R$ 10.369,03 por parte da PRIMO TEDESCO S/A a título de IRRF da ação trabalhista da qual o contribuinte era parte. 3 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade, pelo desprovimento da impugnação (fls. 22/24) – sendo o crédito tributário integralmente mantido. Os fundamentos foram os seguintes: a) Existem dois momentos nos quais pode ser devido o Imposto de Renda sobre rendimentos provenientes de ação judicial: retenção e recolhidos pela fonte pagadora, e outro, devido à época da declaração de ajuste, onde o responsável do recolhimento passa a ser o contribuinte. Como não houve pagamento da fonte pagadora, o devedor no momento é o Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13963.00463/200639 Resolução n.º 220200.162 S2C2T2 Fl. 43 3 contribuinte. Somente possuem regime definitivo na fonte aqueles rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, os demais devem ser incluídos nas Declaração Anual de Ajuste; b) Somente poderiam ser considerados rendimentos sujeitos a recolhimento exclusivo na fonte caso a decisão judicial assim expressamente dispusesse; c) que somente a DARF da fl. 15 não comprova que foi retido o valor nela expresso, nem que este é referente à mesma ação que está sendo discutida, embora tenha a identificação do processo, este foi recolhido apenas em 2006. 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário, arguindo: a) não ocorreu omissão, vez que os rendimentos foram declarados, embora classificados como não tributáveis; b) preconiza pela aceitação dos valores expostos na DARF como efetivamente recolhidos; c) o regime correto de tributação é o de competência (de acordo com o que deveria ter sido recebido à época correta) e não o de caixa (de acordo com o que foi recebido acumuladamente e na época que foi recebido); d) requer a tributação de acordo com a IN nº 1.127/2011; e) clama pelo reconhecimento do direito a deduzir dos rendimentos os honorários advocatícios, com fulcro no parágrafo único do art. 56 do Decreto nº 3.000 – RIR; f) a multa é confiscatória; É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13963.00463/200639 Resolução n.º 220200.162 S2C2T2 Fl. 44 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso trata sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. Ocorre que a maneira como estes rendimentos deve ser tributadas está sendo julgada no STF em sede de Recurso Extraordinário que tramita em regime de repercussão geral. É o Recurso Extraordinário nº 611.406, que se encontra em julgamento no presente momento. Conforme está disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos no CARF que versarem acerca de matéria sobre a qual pende decisão de acordo com regime do art. 543B do CPC. A título da Portaria nº 1 de 6 de janeiro de 2012 do CARF, é necessário demonstrar que o sobrestamento do julgamento dos processos está sendo determinado pelo STF, o que pode ser observado pela seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, publicado em DJe035 DIVULG 03/03/2011 PUBLIC 04/03/2011) Sendo assim, estando presentes os pressupostos para o sobrestamento do julgamento deste recurso, opino no sentido de sobrestar o julgamento do presente até que seja proferida decisão definitiva no referido Recurso Extraordinário em tramitação no STF. (Assinado digitalmente) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13963.00463/200639 Resolução n.º 220200.162 S2C2T2 Fl. 45 5 Rafael Pandolfo Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.725356/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA DE COMPARABILIDADE
No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. Uma vez que o critério de contabilização comercial é o regime de competência e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa, estamos diante de critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-003.018
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso. O Conselheiro JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Jimir Doniak Junior Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA DE COMPARABILIDADE No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. Uma vez que o critério de contabilização comercial é o regime de competência e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa, estamos diante de critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção. Recurso negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso. O Conselheiro JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Jimir Doniak Junior Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez.
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EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA DE COMPARABILIDADE No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. Uma vez que o critério de contabilização comercial é o regime de competência e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa, estamos diante de critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção. Recurso negado. Acordam os membros do Colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso. O Conselheiro JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 53 56 /2 01 2- 16 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Jimir Doniak Junior – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JOÃO PAULO NOGAROLI GUIOTI, foi lavrado a Auto de Infração para exigência dos seguintes valores, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do Exercício de 2011 (Ano Calendário de 2010): Segundo consta no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, a exigência é decorrente da constatação de que houve omissão e falta de recolhimento do imposto relativo aos valores recebidos da pessoa jurídica Florença Administradora de Bens e Participações Sociais Ltda (CNPJ 10.750.799/000197), excedentes ao lucro presumido da mesma, diminuído dos impostos e contribuições. Esses valores totalizaram R$ 1.400.556,00 e foram recebidos no dia 22/11/2010. O contribuinte havia informado esses valores em sua declaração de ajuste anual como isentos (capitalização de lucros), baseando se em Demonstrativo de Resultado do Exercício – DRE e Balanço Patrimonial BP elaborados com base na escrituração contábil da pessoa jurídica, na qual foi apurado lucro contábil consideravelmente superior ao lucro presumido que serviu de base de cálculo para os impostos e contribuições devidos pela empresa. Contudo, esse lucro contábil foi desconsiderado pela fiscalização, por ter sido apurado a partir de receitas não oferecidas à tributação. Como a pessoa jurídica, cuja atividade se desenvolvia no ramo imobiliário, estava submetida à tributação pelo lucro presumido com reconhecimento de receitas pelo regime de caixa, a fiscalização entendeu que ela não poderia utilizar o lucro apurado em sua escrituração contábil como referência para distribuição de lucros com isenção, pois esse lucro contábil é decorrente do reconhecimento de receitas pelo regime de competência, o que não guarda coerência e não pode ser comparado com o lucro presumido apurado com base no regime de caixa. Os fundamentos e a argumentação desenvolvida pela fiscalização estão mais detalhados no Termo de Verificação Fiscal. A multa em decorrência dessa infração foi aplicada no percentual mínimo (75%). O contribuinte apresentou impugnação tempestiva, com as alegações a seguir sintetizadas: Contesta a tributação dos lucros distribuídos pela empresa Florença Administradora de Bens e Participações Sociais Ltda, afirmando que esses valores estavam amparados pela isenção do art. 10 da Lei 9.249/95. Afirma que a referida empresa atua no ramo de compra e venda de unidades imobiliárias, é optante pelo lucro presumido, apura o pagamento do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS pelo regime de caixa, possui escrituração comercial e apura sua contabilidade de acordo com a legislação e com as normas contábeis geralmente aceitas. Esclarece que o resultado apurado na Demonstrativo de Resultado do Exercício – DRE observa os registros contábeis efetuados pelo regime de competência, mas para fins de Fl. 617DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 recolhimento dos impostos e contribuições utiliza o regime de caixa, conforme lhe faculta a legislação. Destaca que a norma isentiva se refere aos lucros e dividendos “calculados com base nos resultados” e que para a apuração de resultados a empresa precisa seguir a legislação comercial, que é clara ao determinar o reconhecimento das receitas pelo regime de competência. Destaca também que a norma isentiva não prevê nenhuma restrição, nem condiciona a distribuição dos lucros isentos à prévia tributação na pessoa jurídica, e nesse sentido cita alguns julgados dos antigos Conselhos de Contribuintes (atual CARF). Continua a tratar desse assunto, afirmando que a autoridade fiscal equivocou se ao criar a tese de que só podem ser distribuídos com isenção os lucros que tenham sido previamente tributados. A partir desse ponto, começa a analisar e rebater cada um dos fundamentos invocados pela fiscalização. Quanto à afirmação do auditor fiscal de que a empresa poderia lesar o fisco migrando a qualquer momento do regime de caixa para o de competência, esclarece que o § 3º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 345/2003 prevê que em tal hipótese a empresa tem de reconhecer e oferecer à tributação todas as receitas diferidas, de modo que não há motivo para o receio do fiscal. Quanto à afirmação do fisco de que não se pode permitir que a empresa utilize simultaneamente dois regimes de escrituração e reconhecimento de receitas (cada um para o fim específico que lhe seja mais favorável), rebate alegando que a legislação comercial só admite o regime de competência e que a legislação tributária permite o recolhimento dos impostos na medida do recebimento das receitas, existindo então dois momentos distintos de apuração de “receita”: um contábil e outro para determinação da receita tributável. No que se refere à afirmação de que a possibilidade de distribuição de lucros superiores à base de cálculo do lucro presumido pressupõe critérios idênticos para ambas as apurações, afirma que o auditor fiscal deixou indicar qual seria o preceito legal ou normativo que ampara essa conclusão e afirma que nem mesmo os atos expedidos pela Receita Federal prevêem essa exigência. Afirma que a fiscalização está atuando como legislador positivo, pois a aparentemente está pretendendo criar um novo regime tributário – o do lucro contábil e o do lucro fiscal – no qual apenas o lucro fiscal poderia ser distribuído com isenção do imposto de renda. Destaca que os lucros distribuídos pela empresa Florença correspondem exatamente ao lucro apurado com base no regime de competência, sendo que na informação desse resultado foi considerado integralmente o impacto da tributação de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS, através de uma provisão, de forma que a parcela relativa aos tributos não é distribuída aos sócios. No que tange à afirmação de que a intenção do art. 10 da Lei 9.249/95 era a de evitar a tributação de receitas que já haviam sido tributadas na pesssoa jurídica, alega que não se deve buscar aquilo que o legislador quis, mas sim o que consta objetivamente no texto legal, em face dos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica, de forma que se a legislação Fl. 618DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 4 5 não menciona que a receita deve ser previamente tributada para que o lucro seja isento, não cabe ao intérprete fazê lo. Destaca que a Lei 9.249/95 revogou expressamente o art. 46 da Lei 8.981/95, o qual previa a necessidade de que o rendimento isento correspondesse ao montante do lucro presumido diminuído dos impostos. Afirma ainda que o Supremo Tribunal Federal nunca declarou a inconstitucionalidade da tributação do lucro da pessoa jurídica concomitantemente com o do sócio pessoa física, e assevera que a instituição da isenção para a pessoa física é uma opção legislativa que não está relacionada com o propósito de evitar bitributação, mas sim com questões macroeconômicas, visando ao aumento de investimento, crescimento da produção e diminuição do endividamento, conforme se depreende da Exposição de Motivos da Lei 9.249/95. Alega que o único dispositivo que poderia amparar a autuação do fiscal seria o inciso XIX do artigo 55, XIX, do RIR/99, que não foi citado na autuação, e nem poderia sê lo, porque a lei ordinária que amparava a referida previsão foi revogada. Assevera que o artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 91/1997, citado como fundamento para o lançamento, é decorrente daquele dispositivo e portanto está contaminado com o mesmo vício. Afirma que os outros dispositivos citados para fundamentar a tributação – art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713/1998, art. 3º da Lei nº 9.250/95 e artigos 37 e 83 do RIR/99 – são regras genéricas que não prevêem expressamente a incidência sobre os lucros e são inaplicáveis ao caso em função da norma isentiva contida no art. 10 da Lei nº 9.249/1995. Por fim, alega que os lucros distribuídos pela empresa Florença foram integralizados no capital social da própria empresa, incidindo assim também a regra isentiva prevista no art. 3º da Lei nº 8.849/94. Esclarece que essa isenção só é afastada quando ocorre alguma das hipóteses previstas no § 4º do referido dispositivo (redução de capital social ou liquidação na forma de partilha do acervo líquido), situações que nunca ocorreram, conforme se comprova pela documentação anexada. Ao final, com base nesses argumentos, o contribuinte requereu o integral provimento de sua impugnação, com o consequente cancelamento integral do Auto de Infração. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2010 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A SÓCIOS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. Os valores distribuídos aos sócios, excedentes ao lucro presumido da pessoa jurídica, sujeitam se à incidência do Fl. 619DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 imposto de renda quando a fonte pagadora é tributada pelo lucro presumido e adota o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas, ainda que a escrituração contábil da empresa aponte a existência de lucro superior ao presumido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Entre suas conclusões cabe destacar: É o relatório. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso esta dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O Auto de Infração tem por objeto o lançamento de imposto de renda incidente sobre os valores que o contribuinte autuado recebeu da pessoa jurídica Florença Administradora de Bens e Participações Sociais Ltda (CNPJ 10.750.799/000197) a título de distribuição de lucros, em montante excedente ao lucro presumido utilizado como base de cálculo para os tributos devidos pela empresa. Da Isenção dos Lucros Distribuídos A isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Tratandose de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, para que a distribuição aos sócios do valor excedente aos lucros tributados seja considerada rendimento isento é necessário observar o disposto no art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 21 de fevereiro de 1996: Art. 51. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. §1o O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. §2o No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 §3o A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período base não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputado aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. §4o Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. §5o A isenção de que trata o caput não abrange os valores pagos a outro título, tais como pro labore, aluguéis e serviços prestados. §6o A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de período base ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. §7o A distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos, que não tenham sido apurados em balanço, sujeita se à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. Como se percebe, a isenção do valor que exceder a base de cálculo do imposto deduzidos, todos os impostos, distribuído pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, está condicionada à apuração de lucro efetivo, mediante escrituração contábil feita com observância à lei comercial ( art. 51, §2o, do art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 1996). Os valores que excederem ao lucro apurado na escrituração, serão imputados aos lucros acumulados ou lucros de exercícios anteriores e tributados de acordo com a legislação específica ou, inexistindo lucros acumulados, a parcela será tributada com base na tabela progressiva da pessoa física ( art. 51, §§ 3o e 4o, do art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 1996). Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime Fl. 622DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 6 9 de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. § 5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. Em suma, a empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes aos calculados através da base de cálculo do imposto, diminuído dos impostos e contribuições devidas, desde que demonstrado, através de escrituração contábil com observância da lei contábil, que o lucro efetivo é maior. Artigo 10 da Lei n° 9.249/05 e art. 51, § 2°, da IN SRF n° 11/1996 c/c art. 48, § 2°, da IN n° 93/1997. Por sua vez a INSRF nº 104, de 1998, foi normatizada a apuração do Lucro Presumido com base no regime de caixa, cujo art 1º preceitua: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Nesse contexto, está se permitido um novo sistema de apuração do Lucro Presumido, dando ao contribuinte, a partir de agosto de 1998, a opção de reconhecer as receitas – base de cálculo do lucro , à medida do recebimento. Notase portanto que a regra de reconhecimento das receitas pelo regime de caixa, na apuração do Lucro Presumido, é posterior a autorização da distribuição do lucro excedente, no caso das pessoas jurídicas que mantêm escrituração contábil (art. 48, IN 93/97) e, na nova regra (IN 104/98). As duas normas devem ser interpretadas em conjunto, é o operador do direito deve formular mentalmente a regra para lidar com as situações prescritas nesta legislação. O que se perquire neste processo é responder tal como sustentado pela autoridade fiscal: Incide a tributação sobre o excedente do lucro liquido contábil distribuído pelas empresas que adotam o regime de tributação do Lucro Presumido e reconhecem suas receitas com base no regime de caixa? Pessoalmente entendo que sim, como se procurará explicar a seguir Da Contabilidade Juridicizada e os valores da Consistência e Comparabilidade No Direito Tributário, a linguagem contábil tem papel da maior relevância, constituindo, entre outros aspectos: i) meio de prova de eventos tributários; ii) elemento estrutural na fenomenologia da incidência tributária; iii) fundamento para deveres instrumentais. Embora se acredite que os conceitos e princípios préjurídicos só têm validade no campo jurídico quando juridicizados, endossase o entendimento de PAULO DE BARROS CARVALHO (Prefácio da obra “Imposto de renda da pessoa jurídica: critérios constitucionais de apuração da base de cálculo”, de RENATO ROMEU RENCK.), quando comenta a extremada reação dos doutrinadores em relação a algumas ciências préjurídicas, em particular a Contabilidade: Apoiado na pureza metodológica kelseniana, devidamente refletida no empirismo lógico do “Círculo de Viena”, a reação foi de certo modo radical, afastando da cogitação da Ciência do Direito, em sentido estrito, matérias que, em princípio, eram consideradas préjurídicas ou metajurídicas. Entre elas estiveram as ciências contábeis, malgrado o extenso plano desse setor coberto pela juridicidade. Hoje, o funcionamento das Fl. 624DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 7 11 sociedades civis e comerciais está amplamente prescrito no direito positivo brasileiro, de tal modo que conhecer tais campos significa, também, travar contato com o preceitos jurídicos que lhes governam os passos. Penso presidir aqui o excesso a que me referi. A pretexto de repudiar o que não fosse estritamente jurídico, a comunidade científica acabou desprezando domínios importantes para a disciplina das condutas interhumanas. Todo aquele que pretender aproximarse da vida dessas sociedades, células indispensáveis para a movimentação econômica do país, verá que o trato com o direito tributário requer a consideração direta da linguagem contábilfiscal, com sua particularíssima simbologia, cuidadosamente juridicizada pela legislação específica. Com base nessas reflexões, é indispensável fazer uma análise sobre como a linguagem contábil se insere no mundo jurídico tributário e, em particular, de que forma ela passa a interagir com as normas tributárias. RENATO ROMEU RENCK, em sua obra, assevera: “Fica, pois, evidente que as normas jurídicas ordinárias, que regem o próprio registro contábil, igualmente denotam duas naturezas: a) a de fato econômico, denotado pela linguagem contábil; b) a de fato jurídico, que quantifica direitos patrimoniais e, como tal, se impõe legal e prescritivamente.” E continua esse jurista Em outros termos, a lei introduziu no âmbito da faticidade jurídica o regime contábil total, que serve de norma de natureza procedimental – logo de estrutura, que prescreve como devem ser transformados em linguagem jurídica os valores correspondentes aos direitos patrimoniais, aí compreendidas todas as mutações quantitativas e qualitativas que ocorreram dentro da dinâmica dos elementos que compõem o patrimônio da empresa. Incorrem em equívoco, portanto, aqueles que, operando com o Direito Tributário, ignoram as especificidades e complexidades que o uso da contabilidade introduz na construção do sentido da norma jurídica. Cabe recordar que a linguagem contábil, na sua significação préjurídica, mesmo que pautada em sistema engendrado por seus cientistas, não possui a priori validade no universo jurídico. Somente terá significação no universo jurídico a linguagem contábil que se harmonize com a positividade jurídica. Esse fato é corroborado por ANTONIO ROBERTO SAMPAIO DÓRIA: “... lucros, rendimentos ou ganhos são conceitos que se irmanam sob a acepção mais genérica de renda, fenômeno de índole eminentemente econômica, que o Direito absorve e reveste de contornos próprios (ou seja, juridicizada) para aplicação de suas próprias normas, coercitivas, especialmente nas áreas comercial e fiscal.” Advirtase que, juridicamente, o termo “lucro” não é simples “rótulo”, mas também não pode ser considerado como “etiqueta vazia”, em que o legislador, o intérprete ou o aplicador possa colocar o que lhe aprouver. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 À vista desse excerto, podese afirmar que os normas contábeis, são as normas admitidas como válidas pelos profissionais da área contábil, nelas se incluindo os preceitos básicos e as convenções. Nesta linha, tais normas seriam definidos de acordo com as práticas (costumes) daqueles que lidam com a Contabilidade. Preocupada em “fixar e arrolar” a normas contábeis, o Conselho Federal de Contabilidade afirma que a Estrutura Conceitual da Contabilidade possuem objetivos específicos. São eles: a) uniformidade terminológica: a uniformidade de termos permite o entendimento entre os contabilistas (que executam a tarefa), os auditores (que revisam a tarefa), os peritos (que opinam sobre a tarefa) e terceiros (que utilizam os informes e opiniões); b) base para normalização contábil: a estrutura conceitual contábeis constituem a base para a produção das normas contábeis. Cabe sempre lembrar que a linguagem do Direito se sobrepõe à linguagem contábil e à linguagem social. O Direito pode criar suas próprias realidades, porquanto suas normas incidem sobre fatos e situações jurídicas. Expondo melhor a idéia: o legislador ordinário pode adotar, total ou parcialmente, as normas sobre padrões e critérios contábeis, da mesma maneira que pode simplesmente ignorálos, determinando a criação de uma Contabilidade específica, diferente da usual. Caso ele se silencie, implica em trazer para o universo jurídico aquela definição e valores préjurídicos. Os Normas da Contabilidade, embora idealizados com o propósito de obter pureza epistemológica para a Ciência Contábil, acabaram sendo enclausurados no bojo da norma regulamentar – baixada por entidade profissional –, tornandose de aplicação obrigatória. Nesse contexto que se deseja infirmar a importância de dois conceitos básicos na contabilidade para a questão em análise. Destacamse o a Consistência e a Comparabilidade. Convenção contábil da Consistência (ou Uniformidade) A Convenção Contábil da Consistência (ou Uniformidade) significa que todos os critérios utilizados contabilmente em determinado período contábil devem ser mantidos ao longo do tempo para que as demonstrações contábeis dos diversos períodos e das diversas datas seqüenciais sejam comparáveis entre si, permitindo ao leitor a extração de informações úteis e com alguma capacidade de apontar tendências futuras. A idéia é que especificamente uma determinada entidade mantenha, ela mesma, ao longo do tempo, uma consistência (uniformidade) nos seus procedimentos. Quando se fala em consistência, é importante que se entenda a manutenção não só de todos os critérios de avaliação de ativos, passivos, receitas, custos e despesas, mas também dos relativos à classificação desses mesmos itens no balanço, na demonstração dos resultados ou em outras demonstrações contábeis. É fundamental, também, que haja consistência no que se refere aos períodos abrangidos por essas mesmas demonstrações. A consistência é fundamental efetivamente para se ter a característica comentada de comparabilidade, já que, por exemplo, a mudança de critério de avaliação de estoques. de Fl. 626DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 8 13 determinação dos encargos de depreciação, de apropriação dos encargos financeiros (juros simples ou juros compostos) ou outras tiram a capacidade do usuário de efetuar comparações, análises e previsões. A existência da Convenção da Consistência não significa que a empresa não possa mudar de critérios de avaliação, classificação, períodos etc. Significa que eles não devem ser mudados continuamente, apenas quando houver necessidade imperiosa. É fundamental que nas primeiras demonstrações publicadas após a mudança sejam fornecidas informações sobre o que mudou; é muito importante e não se pode jamais esquecer de colocar, em notas explicativas, quais os efeitos em reais trazidos por essas modificações introduzidas em todas as demonstrações contábeis (balanço, resultado, origem e aplicações de recursos etc.), para que o leitor possa avaliar o seu efeito e comparar com o que seriam as novas peças contábeis, se essas modificações não tivessem sido introduzidas. Fonte Editorial IOB Na NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro, definese o conceito da Comparabilidade QC20.As decisões de usuários implicam escolhas entre alternativas, como, por exemplo, vender ou manter um investimento, ou investir em uma entidade ou noutra. Consequentemente, a informação acerca da entidade que reporta informação será mais útil caso possa ser comparada com informação similar sobre outras entidades e com informação similar sobre a mesma entidade para outro período ou para outra data. QC21.Comparabilidade é a característica qualitativa que permite que os usuários identifiquem e compreendam similaridades dos itens e diferenças entre eles. Diferentemente de outras características qualitativas, a comparabilidade não está relacionada com um único item. A comparação requer no mínimo dois itens. QC22.Consistência, embora esteja relacionada com a comparabilidade, não significa o mesmo. Consistência referese ao uso dos mesmos métodos para os mesmos itens, tanto de um período para outro considerando a mesma entidade que reporta a informação, quanto para um único período entre entidades. Comparabilidade é o objetivo; a consistência auxilia a alcançar esse objetivo. QC23.Comparabilidade não significa uniformidade. Para que a informação seja comparável, coisas iguais precisam parecer iguais e coisas diferentes precisam parecer diferentes. A comparabilidade da informação contábilfinanceira não é aprimorada ao se fazer com que coisas diferentes pareçam iguais ou ainda ao se fazer coisas iguais parecerem diferentes. QC24.Algum grau de comparabilidade é possivelmente obtido por meio da satisfação das características qualitativas fundamentais. A representação fidedigna de fenômeno Fl. 627DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 econômico relevante deve possuir naturalmente algum grau de comparabilidade com a representação fidedigna de fenômeno econômico relevante similar de outra entidade que reporta a informação. QC25.Muito embora um fenômeno econômico singular possa ser representado com fidedignidade de múltiplas formas, a discricionariedade na escolha de métodos contábeis alternativos para o mesmo fenômeno econômico diminui a comparabilidade. Isto posto a comparabilidade e a consistência são valores que devem ser seguidos no processo de analise de qualquer informação contábil. Comparar lucro presumido apurado pelo regime de caixa com lucro contábil apurado pelo regime de competência, para identificar o que é excedente de lucro. É um absurdo contábil que não é passível de ser aceito. Não é possível afirmar que um é maior que outro, pois ambos são elaborados com critérios distintos. Se a legislação efetivamente prevêse essa possibilidade não haveria nada a fazer, entretanto a legislação não trouxe esse condicionamento, momento em que se aplica os valores próprios da contabilidade. O fato da norma não condicionar no que se refere a necessidade de regimes consistentes e comparáveis, não libera o empresa a apurar de acordo com sua conveniência, pois isso fere os valores contábeis da comparabilidade e da consistência. Embora a nova norma não tenha condicionado expressamente que o contribuinte só pode distribuir o excedente de lucro apurado na contabilidade desde que aplique o mesmo regime de reconhecimento de receitas, e esse o principio que se extrai da aplicação estrita das normas de contabilidade. Feitas essas considerações, podese afirmar que os princípios e normas contábeis são fontes do direito equivalentes aos costumes e têm aplicação nas matérias em que não haja lei expressa em contrário. Da Incongruência de Critérios no caso concreto Urge registrar a incongruência dos critérios utilizados para determinação do lucro distribuído pela empresa (apurado por meio de escrituração contábil, utilizando o regime de competência) e para determinação do lucro que serviu de base de cálculo para os impostos e contribuições (apurado com reconhecimento de receitas pelo regime de regime de caixa). O procedimento adotado pelo contribuinte fiscalizado é incompatível, pois utiliza dois regimes contábeis distintos, um mais favorável para a tributação e outro para a assegurar que os lucros distribuídos evidentemente sejam apurados com base em receitas que não serviram de base para apuração dos tributos devidos pela pessoa jurídica. Na língua inglesa há um ditado: “You cannot compare apples and oranges” (“não compare maçãs e laranjas”, em tradução livre). Basicamente, usase a metáfora para descrever coisas que, apesar de guardarem semelhanças, no fundo são muito diferentes. Desse modo não há como comparar, um resultado apurado pelo regime de caixa e outro pelo regime de competência. Cabe destacar que a fiscalização destacou que embora se adote o regime de caixa para apuração do lucro presumido, a empresa fiscalizado não mantém contas específicas em sua contabilidade para controlar os valores efetivamente recebidos. O que em última instância revelaria também um descumprimento das obrigações contábeis. A escrituração contábil realizada pela empresa, salvo melhor juízo, não se presta assim a demonstrar que seu lucro efetivo é superior ao seu lucro presumido. Isto Fl. 628DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 9 15 porque tal escrituração foi realizada com base no regime de competência, e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa. Critérios contábeis distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do excedente de lucro a ser distribuído com isenção. Acrescentese, por pertinente, que na visão deste julgador, é irrelevante a destinação do lucro após a sua distribuição, seja este disponibilizado ao recorrente, ou mesmo que num momento imediatamente subseqüente, os recurso sejam utilizados pelo beneficiário numa nova capitalização de uma empresa. No gênero ocorreu uma distribuição de dividendos, sujeita a tributação conforme argumentado neste voto. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 629DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Declaração de Voto Conselheiro Jimir Doniak Junior O Contribuinte foi autuado, exigindose IRPF, pois lucros gerados na empresa Florença foram utilizados para integralizar aumento de capital nessa empresa em nome do Contribuinte. A empresa é tributada segundo o regime do lucro presumido, adotando, para fins de apuração dos tributos, o regime de caixa no reconhecimento de receitas, a despeito de adotar o regime de competência na apuração contábilsocietária. Como consequência disso, obteve lucro contábil, que foi convertido em aumento de capital em nome do Contribuinte, substancialmente superior à base de cálculo do lucro presumido. A Fiscalização lavrou o Auto de Infração por concluir que os lucros passíveis de distribuição ou utilização para aumento de capital com isenção do IR seriam apenas aqueles previamente tributados na PJ. Ao ser incluído em pauta de julgamentos do mês de janeiro, o presente caso suscitou discussões, principalmente tendo em vista que a adoção do regime de caixa para fins tributários e de competência para fins contábeis/societários inviabilizaria a comparação entre resultados, supostamente necessária para avaliar adequadamente a apuração dos tributos devidos. Entendi pertinente fazer algumas colocações por escrito, para melhor consignar as razões pelas quais entendo que o Recurso Voluntário comporta provimento. Não existe dúvida que não se requer a prévia tributação para que os lucros sejam isentos. Vários elementos assim o apontam: (1) a Lei nº 9.249/95, art. 10, que instituiu a isenção não traz essa condição, referindose a “lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados”, o que conduz à conclusão que seriam os lucros passíveis de distribuição, ou seja, aqueles apurados na contabilidade societária; (2) foi revogado o art. 46 da Lei nº 8.981/95, que dava isenção de IR aos lucros e dividendos que não ultrapassassem o valor que serviu de base de cálculo para o IRPJ; (3) a INSRF 93/97, em seu art. 48, § 2º, reconhecia a não tributação dos lucros excedentes ao valor da base de cálculo do IRPJ no lucro presumido desde que a empresa demonstrasse, por meio de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que a mencionada base de cálculo. Mais recentemente, foi novamente reconhecida a inexistência de requisito de prévia tributação do lucro para que sua distribuição fosse isenta. Isso se deu na discussão sobre a isenção de lucros contábeis na vigência do Regime Tributário de Transição – RTT. PGFN e COSIT (Parecer PGFN/CAT nº 202/2013) reconheceram que o descompasso entre os montantes de lucro contábil e base de cálculo do IRPJ não influencia a isenção daquele (embora tenham sustentado que o lucro isento seria aquele que seria apurado se ainda estivessem vigentes as normas contábeis existentes no final do ano de 2007). Na realidade, os pontos que podem suscitar maiores debates na revisão do lançamento fiscal são (1) a necessidade de comparabilidade entre lucro contábil/societário e a base de cálculo do imposto e/ou (2) se a escolha do contribuinte pelo regime de caixa ou de competência para fins tributários acarretaria obrigação de adoção do mesmo regime na apuração contábil. Entendo que não. Em primeiro lugar, não se encontra a exigência de comparabilidade entre lucro contábil e base de cálculo do IRPJ no ordenamento jurídico. Ora, não cabe à Administração criar condições a uma isenção – mesmo que as julgue convenientes –, se o Fl. 630DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10950.725356/201216 Acórdão n.º 2202003.018 S2C2T2 Fl. 10 17 legislador não as instituiu. É o que basta para afastar a conclusão de que tal comparabilidade seria condição para a isenção. O mesmo se diga para uma imaginada obrigação de o contribuinte pessoa jurídica utilizar o regime de caixa para fins contábeis se o tiver adotado para fins tributários. Não há norma no ordenamento com essa obrigação. Tampouco seria viável, a meu ver, presumila na ausência de norma expressa. As esferas da contabilidade societária e da apuração tributária são independentes, embora sofram influência uma da outra. Só mesmo com uma norma expressa seria admissível que regra de conteúdo tributário (como a que permite a adoção do regime de caixa na apuração de tributos) gerasse uma obrigação para efeitos de contabilidade societária, principalmente uma regra que alterasse uma norma geral nesta esfera (como é a da adoção do regime de competência, segundo o art. 177, “caput”, da Lei das S/A). Em segundo lugar, é suficiente que a Administração Fiscal seja capaz de verificar se o lucro contábil/societário foi apurado corretamente (além, é óbvio, se a base de cálculo do IRPJ também o foi). Se há contabilidade regular, com o reconhecimento correto de receitas e despesas (não se questionou isso no caso), a Fiscalização teve totais condições de constatar se por acaso não estariam sendo distribuídos lucros acima da demonstração “através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial” (INSRF 93/97, art. 48, § 2º, II). Não parece existir relevância em comparar base de cálculo do IRPJ e lucro contábil/societário, para verificar em detalhes as diferenças de apuração de cada um, se for possível verificar se cada um deles foi calculado corretamente. Em terceiro lugar, não é porque a escrituração contábil está no regime de competência e a apuração tributária está no regime de caixa que elas não seriam comparáveis. Mesmo se fosse adotado o mesmo regime de reconhecimento de receitas as duas apurações seriam distintas. Mais próximas, sim, mas ainda assim distintas. Bem se vê, então, que a existência de regimes distintos poderia tornar mais trabalhosa a comparabilidade (caso se entenda necessária), mas não a impede. Nesta parte, é bom consignar que, com a devida vênia, discordamos das razões apresentadas no voto vencedor, de que os resultados contábil, pelo regime de competência, e tributário, pelo regime de caixa, não seriam comparáveis, por se tratarem de objetos distintos, por partirem de sistemáticas de apuração distintas. A única comparação realmente necessária é saber se o lucro contábil é maior que o lucro tributário. Se o for – e tiver sido observada a legislação comercial – poderá ser distribuído, sem tributação, o montante de lucro apurado segundo a legislação comercial. A comparação, então, é possível, já que se limita a comparar dois números, para saber qual é maior. Em quarto lugar, as próprias regras sinalizam que é não só aceitável, como seria o natural a coexistência do regime de competência para fins contábeis/societários e o regime de caixa para fins tributários, quando este é escolhido. Assim, a INSRF 104/1998, que estabelece normas para apuração do lucro presumido com base no regime de caixa, estabelece que, quando esse regime for utilizado, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento (art. 1º, § 1º). É justamente porque a escrituração contábil na forma da legislação comercial não segue o regime de caixa que é necessário ou adotar o livro caixa, ou fazer o controle mencionado. Caso a escrituração contábil também estivesse no regime de caixa, essas regras seriam despiciendas. Por fim, vale analisar o argumento de que a coexistência dos dois regimes teria possíveis consequências indesejáveis no caso de mudança do regime de caixa para o Fl. 631DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 regime de competência para fins tributários. Essa hipótese, regulada pela legislação, acarreta a obrigação de reconhecer no mês de dezembro do anocalendário anterior àquele em que ocorrer a mudança de regime as receitas auferidas e ainda não recebidas (INSRF 345/2003). Perceba se que se trata de regra que impacta a apuração do IRPJ, CSL, PIS e COFINS. Inicialmente, não é relevante para determinar o montante de lucro passível de distribuição aos sócios. Esse é apurado na contabilidade societária, que não sofre qualquer alteração: estava no regime de competência e nele continuará. É certo que a legislação prevê que o lucro passível de distribuição com isenção, nas empresas sob o lucro presumido, é o valor da base de cálculo do imposto (diminuída de tributos) ou o lucro apurado na escrituração contábil. Assim, poderseia cogitar que o contribuinte que passasse por essa alteração de regime possivelmente apuraria uma elevada base de cálculo de IRPJ, formada em parte por receitas já reconhecidas na contabilidade e que garantiram um lucro mais elevado, passível de distribuição com isenção. Com isso, seria como se o mesmo lucro fosse distribuído duas vezes, ambas com isenção. A legislação tributária não parece ter um remédio explícito para essa situação. Talvez fosse bom que tivesse. Não cabe, porém, à Administração e a este CARF criar restrições ou tentativas de soluções para casos excepcionais. Não só. Tenho dúvidas de que tal problema poderia ocorrer. Isso porque as normas societárias impediriam essa situação. Norma com permissão de distribuição de lucro isento requer a existência do próprio lucro. Como antes visto, a apuração contábil continuaria sem qualquer alteração: estava no regime de competência e nele continuará. Não haverá apuração de lucro em duplicidade. Sem lucro contábil, não haverá o que distribuir, mesmo que a norma tributária autorize a isenção. Finalmente, mesmo se o problema existisse, ele ordinariamente não acarretaria prejuízos ao Erário. Haveria prejuízo, sim, à sociedade/empresa, que se descapitalizaria, a título de distribuir lucros que não existiriam. Para fins tributários estaria sendo entregue ao sócio ou lucros, ou capital, ambos não tributáveis. Prejuízo ao Erário talvez pudesse ocorrer em alguma hipótese quase teratológica, envolvendo algum planejamento fiscal complexo, que certamente seria condenável por suas circunstâncias concretas, tornando desnecessário que a Administração ou este CARF tente corrigir a legislação, criando restrições e condições inexistentes. Por todos esses motivos, dou provimento ao recurso voluntário. Jimir Doniak Junior Fl. 632DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13982.721322/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 13 22 /2 01 2- 73 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.721322/201273 Acórdão n.º 2202002.972 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, CLENIO LAGO, foi lavrado Auto de infração relativo a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrado em nome do sujeito passivo em epígrafe (fls 02/16), decorrente de procedimento fiscalizatório instaurado por meio do Mandado de Procedimento Fiscal fiscalização – MPFF nº 09.2.03.002012001680 (fl 27). A ação fiscal foi iniciada no contribuinte na data de 02/04/2012, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls 28/29, e teve como objetivo principal verificar o regular cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPF do período de 01/01/2009 a 31/12/2010 pelo contribuinte Clenio Lago. Conforme detalhadamente descrito no Termo e Verificação e de Encerramento de Procedimento Fiscal de fls 17/24 o contribuinte foi intimado, através do Termo de fls 28/29, a apresentar os extratos de suas contas correntes de depósito, poupança e investimentos mantidas em seu nome junto às instituições financeiras Banco do Brasil S/A, Bradesco e Sicoob/Credial dos períodos de 01/01/2009 a 31/12/2010, tendo apresentado, a contento, os documentos solicitados pela fiscalização (cópias dos extratos anexadas às fls 48/122 dos autos). O Termo de Verificação acima citado explicita que: Através do Termo de Intimação Fiscal nº 0001, de 04/06/2012 (fls 30/38), o interessado foi intimado a comprovar a origem de diversos depósitos bancários listados nas planilhas constantes do referido documento, através da planilha denominada “Relação Mensal dos Depósitos Bancários Para Comprovar A Origem”, sem que o mesmo tenha se manifestado sobre o teor do requerimento fiscal. Através do Termo de Intimação Fiscal nº 0002, de 11/07/2012 (fls 39/40), o contribuinte foi novamente intimado a apresentar os documentos solicitados através do termo anterior. Em 14/08/2012 o sujeito passivo apresentou declaração à RFB, acompanhada das planilhas e documentos buscando justificar cada depósito apontado em suas contas correntes (fls 123/193). Na data de 24/09/2012, o contribuinte foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal nº 0004, a justificar os valores que não foram devidamente comprovados, que restaram após análise das justificativas apresentadas em 14/08/2012, porém, o autuado, novamente, não atendeu ao requerimento fiscal. A autoridade autuante informa que, no período de 01/09/2010 a 31/12/2011 o contribuinte possuía três contas bancárias que receberam depósitos, a saber: Banco do Brasil S/A (ag 8583, cc 25.7761), que recebeu depósitos nos valores de R$ 45.751,00 em 2009 e R$ 148.299,00 em 2010; Banco Bradesco S/A (ag 1731, cc 10.6453), que recebeu depósitos de R$ 312.634,47 em 2009 e R$ 237.663,73 em 2010; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cooperativa de Crédito Sicoob/CredialSC (ag 30325, cc 102.4914), que recebeu depósitos nos valores de R$ 406.765,37 em 2009 e R$ 776.967,31 em 2010. Após as justificativas do contribuinte (em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de nº 0002), apresentadas através de planilhas e documentos anexos aos autos (fls 123/193), o AFRFB autuante elaborou a planilha “Discriminativo da Análise dos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada”, na qual consta o resultado da análise dos documentos e justificativas elaboradas, por depósito e por conta bancária, onde a fiscalização entendeu não terem sido comprovadas as origens/natureza dos referidos depósitos. Informa, ainda, que a referida planilha foi encaminhada antes da lavratura fiscal para que o contribuinte pudesse justificar os referidos depósitos, sem que o mesmo tenha apresentado nenhuma justificativa à RFB. O Relatório Fiscal informa que não foram consideradas as justificativas do contribuinte quando não houve a respectiva comprovação através de documentos hábeis e idôneos, tendo sido elaborada uma coluna na planilha final denominada de “resultado da análise dos documentos trazidos pelo contribuinte”, onde a fiscalização menciona que o aquele, em diversos lançamentos, “não apresentou comprovantes/documentos, nem a natureza dos valores depositados” e “não apresentou documentos comprovantes”, significando que o autuado somente se defendeu através de argumentos, não tendo carreado ao procedimento nenhum documento/comprovante para justificar os depósitos bancários solicitados. A planilha “Discriminativo da Análise dos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada”, informa que foram glosadas as justificativas relativas a diversos depósitos não comprovados, através da coluna “resultado da análise dos documentos trazidos pelo contribuintes”, tendo sido justificado na referida coluna, por exemplo, que o contribuinte “não comprovou a natureza dos valores depositados”, onde, apesar de terem sido comprovados os autores dos depósitos/créditos, não foi justificada a natureza dos mesmos; Ainda na referida coluna, a justificativa: “documento apresentado não guarda nenhuma relação com o intimado”, refere se aos depósitos onde, embora tenham sido apresentados alguns documentos em anexo, os mesmos não guardam nenhuma relação com os depósitos apontados pela fiscalização. O AFRFB autuante informa que o contribuinte não informou, em suas Dirpf 2010 e 2011, a existência de nenhuma conta bancária. Desta forma, os valores remanescentes considerados como depósitos bancários de origem não comprovada foram todos relacionados na planilha de fls 202/209 dos autos, objeto de lançamento de ofício conforme autorizado pelo art 42 da Lei nº 9.430/96. Foi explicitado, no Relatório Fiscal, que não foram tributadas as entradas (créditos bancários) que se referiam a resgates de aplicações financeiras, transferências de outras contas do próprio contribuinte, cheques devolvidos, estornos e empréstimos bancários. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.721322/201273 Acórdão n.º 2202002.972 S2C2T2 Fl. 4 5 Deste modo, os valores de depósitos bancários de origem não comprovada totalizaram R$ 621.335,84 no ano de 2009 e R$ 825.872,94 em 2010 que, sujeitos à tabela progressiva vigente à época dos fatos, resultaram num IRPF apurado nos valores de R$ 160.914,53 em 2009 e R$ 216.810,13 em 2010, totalizando o crédito tributário de R$ 1.021.835,88 (um milhão e vinte e um mil, oitocentos e trinta e cinco reais e oitenta e oito centavos, atualizado com multa de ofício e juros moratórios até a data de 17/12/2012). Por fim, o Relatório esclarece que a multa de ofício considerada na presente autuação foi de 150% sobre o IRPF devido, tendo em vista que a conduta do contribuinte de omitir receitas referentes a depósitos bancários efetuados em suas contas correntes durante todos os meses dos anos de 2009 e 2010 demonstra uma conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte da administração tributária, do total de suas receitas auferidas no período em questão. Uma vez constatado que o contribuinte incorreu na prática de sonegação e fraude, foi duplicado o percentual da multa de ofício qualificada incidente sobre o crédito tributário devido, bem como elaborada a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada através do processo nº 13982.721.323/201218. Regularmente cientificado da autuação por via postal na data de07/01/2013, conforme comprovante de fl 214, o interessado apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal na data de 14/01/2013 (fls 217/224), alegando, em síntese: Que é agricultor e comerciante de produtos agrícolas de pequeno porte, cujas atividades estão ligadas diretamente à comercialização de produtos agrícolas e transporte das mesmas mercadorias para os agricultores locais, e suas movimentações financeiras estão sujeitas aos créditos concedidos às empresas vinculadas, bem como aos créditos disponíveis na pessoa física; Defende que quando a empresa está impedida de utilizar créditos ou volumes econômicos suficientes para sua viabilidade, é comum na região utilizar se de créditos pessoais de seus sócios para que se possam concretizar negócios, o que é de conhecimento geral na sociedade local; No caso concreto, o contribuinte utilizouse de créditos pessoais obtidos com instituições financeiras para honrar débitos pendentes junto a fornecedores, agricultores e, bem assim, para quitar despesas correntes do negócio; Cita que a fusão envolvendo as empresas Sadia e Perdigão no ano de 2008 levou a prejuízos incalculáveis a todas as atividades envolvidas na agricultura na região, o que induziu o sistema financeiro a uma retração sem precedentes na concessão de créditos às empresas locais, fazendo com que fossem utilizados todos os meios possíveis para se suprir o negócio, tais como empréstimos de terceiros e utilização de créditos pessoais, evitando o fechamento e falência das atividades praticadas pelo contribuinte; relata que, para dar continuidade a seus negócios, foi obrigado a movimentar recursos provenientes de empréstimos tomados de terceiros e de instituições financeiras em sua pessoa física, porém, em benefício da pessoa jurídica. Todos os eventos encontram se cabalmente comprovados e justificados pelas planilhas em anexo (discriminativo da análise Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 dos depósitos bancários – justificativa de origem), as quais nulificam o auto lavrado; Informa que, do exame das referidas planilhas, verifica se que não há renda a ser tributada, tendo em vista que os valores que transitaram em suas contas de pessoa física não são renda, nem de longe se apresentam exteriorização de riqueza, não tendo havido seu aumento patrimonial, em conformidade com as suas Dirpf registradas junto à RFB nos exercícios em foco; Alega que a presunção utilizada para embasar o auto de infração restou elidida, caracterizando o presente lançamento lesão ao princípio da estrita legalidade; Defende que não há uma correlação lógica direta e segura entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos, ou seja, nem sempre o volume de depósitos e movimentações injustificadas leva ao suposto rendimento omitido correlato, o que mostra a inadequação exposta na presunção legal do art 42 da Lei nº 9.430/96; Pondera, baseado em doutrina, que a presunção legal estabelecida pelo ar acima citado colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência extraída com casos anteriores evidenciou que não há liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Alerta que o lançamento baseado na presunção do art 42 citado transfere todo o encargo probatório ao contribuinte, que pelas próprias limitações de pessoa física, resta impossibilitado de efetuar a prova no rigor exigido pelo fisco, inviabilizando a comprovação de cada um dos depósitos e movimentos realizados em tempo pretérito; Defende que a presunção calcada em mero somatório de depósitos bancários ou observação de movimentação em conta, sem uma investigação mínima sobre o teor dos mesmos, revela se imprestável para quantificar renda omitida, pois pode tributar indevidamente empréstimos (como o caso), rendimentos não tributáveis (doações), além de atividades comerciais indevidamente exercidas em nome da pessoa física, etc. Alega que restaram feridos, no caso concreto, os princípios constitucionais do devido processo legal administrativo e da ampla defesa, tornando viciado, por mais esta razão, o procedimento em tela; Contesta a aplicação da multa de ofício de 150%, alegando que, se todo o levantamento está estribado em uma presunção legal, sendo que a lei faculta o lançamento, de modo algum se permite inferir a existência de qualquer atitude dolosa no sentido do cometimento de qualquer fraude tributária. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; Diante de todo o exposto, com base nas provas trazidas aos autos, conclui no sentido da inexistência do fato gerador do IRPF e, consequentemente, da omissão do contribuinte, razão pela qual é insubsistente o auto de infração lavrado, que deve ser cancelado pela autoridade competente. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 302DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.721322/201273 Acórdão n.º 2202002.972 S2C2T2 Fl. 5 7 Exercício: 2010, 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em contas bancárias para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. A simples omissão de rendimentos oriundos de depósitos bancários de origem não identificada não é elemento caracterizador, por si só, do evidente intuito doloso, autorizador da imposição da multa qualificada de 150%, sendo necessária a demonstração, de forma inequívoca, de que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra se em hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Inteligência da Súmula nº 14 do CARF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Lançamento A autoridade recorrida entendeu por bem desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Cientificado da decisão de Primeira Instância, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs o recurso voluntário, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, reiterando as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da Presunção de Omissão baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características Fl. 304DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.721322/201273 Acórdão n.º 2202002.972 S2C2T2 Fl. 6 9 descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Da Ausência de Provas O recorrente às fls 272 a 286, procura em planilha apresentar as justificativas da origem dos depósitos. Em suas alegações verossímeis, inexiste a apresentação de provas. Pessoalmente, revi as alegações e a mesmas não são conclusivas dado a inexistência de provas, não podendo afastar as conclusões da DRJ. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 306DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13982.721322/201273 Acórdão n.º 2202002.972 S2C2T2 Fl. 7 11 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 12448.736211/2011-75
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2010
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249/95 (ART. 135 DO RIR/99).
A sucessiva capitalização de lucros que são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial nas holdings, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 (art. 135 do RIR/99) para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital, por configurar conduta abusiva e dissociada dos fins visados pelo referido preceito legal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL ACERCA DO DOLO. DESCABIMENTO.
Não restando suficientemente evidenciado que o contribuinte pautou sua conduta com o dolo de infringir as normas tributárias, não cabe perseverar a qualificação da multa de ofício.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar de 75%, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249/95 (ART. 135 DO RIR/99). A sucessiva capitalização de lucros que são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial nas holdings, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 (art. 135 do RIR/99) para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital, por configurar conduta abusiva e dissociada dos fins visados pelo referido preceito legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL ACERCA DO DOLO. DESCABIMENTO. Não restando suficientemente evidenciado que o contribuinte pautou sua conduta com o dolo de infringir as normas tributárias, não cabe perseverar a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 62 11 /2 01 1- 75 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 361.084,30, relativo aos anoscalendário 2006 e 2009, face à apuração da infração de omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. O procedimento fiscal e o lançamento (fls. 1.080/1.133) foram bem descritos pela decisão de primeiro grau, razão pela qual peço a devida vênia para transcrever a seguinte passagem daquele julgado (fls. 1.216/1.220): No curso do procedimento fiscal iniciado através do Termo de Início de Fiscalização do qual o Contribuinte foi cientificado em 15/06/2010 (fls. 21/23) foram emitidas intimações pela Auditoriafiscal e apresentados documentos e esclarecimentos pelo Contribuinte. Relativamente a todo o procedimento fiscal desenvolvido, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.080/1.126), parte integrante e indissociável do Auto de Infração, no qual foram consignadas, em síntese, as informações a seguir: A ação fiscal teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ nº 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Paulo Alexandre da Graça Cunha, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactual. A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.301 3 culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Por meio da reorganização societária foi adotado um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A pertencentes ao acionista Paulo Alexandre da Graca Cunha da ordem de 199,8324%, na data da alienação em dezembro de 2006, enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 89% conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao ano calendário de 2006. Constatouse, assim, uma total discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada com o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas. Tais processos de reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tãosomente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à operação de alienação do Banco. Através de contrato firmado em 09/05/2006, entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactual S.A (controladora direta do Banco Pactual S.A.) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactual S.A., ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactual S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactual S.A. foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006, e a segunda em data posterior denominada de “Pagamento Diferido”. Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados “Pagamentos Especiais; Usufruto”. Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda. nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactual Participações Ltda. é incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda. no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A é incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Também nesta data, a Nova Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactual S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactual S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactual Participações Ltda., Pactual Holdings S/A e Pactual S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas, operações essas inversas ao processo normal que é o da Investidora incorporar a Investida. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda., Nova Pactual Participações Ltda. e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda. e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactual S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.302 5 que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 427.506,94, correspondente a 0,05% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda e Pactual S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídico contábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A. Com efeito, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda. e Nova Pactual Participações Ltda. nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A. A capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial para aumentar o custo de aquisição das ações acima do cabível não pode ser admitida por causa de sua ilicitude, além do que deve ser inibida, para que, futuramente, não só comprometa a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de “empresas de papel” (holdings) tãosomente para não pagar imposto de renda sobre ganho de capital, distorcendo gravemente a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas. Com os procedimentos adotados pelos exacionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral. Foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, II, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindose tal valor do custo. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – Processo nº 12448.737308/201103, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 1.171/1.205), a qual foi considerada improcedente pela instância de primeiro grau, que sumarizou seu entendimento no acórdão assim ementado (fls. 1.215/1.242): ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.303 7 Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretariada Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 26/7/2012, aduzindo, em síntese: a) a estrutura societária existia há mais de dez anos, servindo para distribuição de resultados e organizar o controle do Banco Pactual pelos acionistas; b) a venda das ações dos acionistas pessoas físicas diretamente ao UBS AG, com a extinção das holdings por meio de incorporações reversas era o caminho mais lógico e econômico para realizar a transação pactuada, entre outras razões porque a incorporação de instituições financeiras e/ou liquidação de holdings são processos demasiadamente complexos; d) na incorporação, os lucros e reservas da incorporada transformamse em capital da incorporadora, sendo que nas incorporações reversas tal capitalização por vezes não é perceptível de imediato, caso o capital da incorporadora permaneça o mesmo antes e depois da operação; c) nas incorporações reversas há a peculiaridade de que, como parte do patrimônio da incorporada é formada por ações da incorporadora, e essas ações são canceladas ou mantidas em tesouraria quando da incorporação, o capital é aumentado e na sequência sofre redução pelo cancelamento das ações, ou, ainda, são mantidas essas em tesouraria; d) é improcedente o entendimento da fiscalização no sentido de que as operações em comento tiveram por escopo aumentar o custo de aquisição, pois na verdade a distribuição prévia do lucro em bases desproporcionais teve amparo no art. 1.007 do Código Civil e visou corrigir as participações societárias dos acionistas antes da incorporação, sendo a apuração do custo da reestruturação baseado em lei; e) os lucros de equivalência patrimonial gerados pelo Banco Pactual podem ser capitalizados por suas investidoras, devendo ser reconhecido que a legislação fiscal não é perfeita e distorções econômicas existem, por vezes punindo o contribuinte, por vezes beneficiandoo, cabendo ao legislador corrigilas; f) o critério de apuração do custo de aquisição pelo Fisco não tem respaldo legal, havendo, inclusive, expurgado indevidamente parcela de lucros advindos de usufruto; g) não há falar em fraude ou abuso, pois o custo de aquisição observou os arts. 130, § 1º e 135 do RIR/99, sendo todas as operações realizadas às claras, do que decorre a impertinência da qualificação da multa de ofício; h) não cabe a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange especificamente às razões da DRJ/RJ1 para a manutenção do lançamento, o contribuinte traz manifestações resumidas na sequência: Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 i) segundo o MEP (Método de Equivalência Patrimonial), de aplicação obrigatória no caso por imposição de lei, o lucro da investida não é lucro, mas sim receita da investidora, e o fato de uma holding ser pura, sem atividade operacional, não faz com que ela seja diferente das outras, na ausência de distinção legal; ii) as capitalizações se deram com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do Banco, absolutamente distintos, não podendo ser desconsiderada tal situação em nome da justiça econômica; iii) entende que a capitalização de ganhos de equivalência não está sujeita a bloqueios na ausência de previsão legal e que as vantagens fiscais não são decorrentes da reestruturação, mas sim da redação do art. 135 do RIR/99; iv) a fixação do custo de aquisição com base na estrutura patrimonial do Banco, tal como efetuada pela fiscalização, não possui respaldo legal; v) o aumento de custos do recorrente resultou de atos específicos de redistribuição de capital entre os acionistas; vi) cita precedente do CARF para corroborar suas razões no sentido de inexistência de fraude à lei resultante de abuso de direito no âmbito tributário; vii) reitera, como remate, sua inconformidade quanto à qualificação e à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante relatado, o contribuinte alienou, conjuntamente com os demais sócios da instituição financeira, ações do Banco Pactual S/A. ao UBS Brasil Participações Ltda. (doravante UBS) fls. 937/1.059, apurando ganho de capital nos anoscalendário 2006 e 2009. Possuía ele 0,05% das ações da Nova Pactual Participações Ltda. (doravante Nova Pactual contrato social às fls. 358/369), holding que detinha 78,17% de participação societária na Pactual S/A., a qual por sua vez era detentora de praticamente 100% das ações do Banco Pactual S/A. O contribuinte e os demais sócios da Nova Pactual, bem como os sócios da Pactual Holdings S/A., que detinham os restantes 21,82% de participação societária na Pactual S/A., optaram por vender diretamente suas respectivas participações no Banco Pactual S/A. ao UBS como pessoas físicas, e não por intermédio das aludidas holdings. Para tanto, foi promovida uma série de reestruturações societárias sob a forma de incorporação reversa ou incorporação às avessas, por meio de sucessivas capitalizações de lucros contabilizados nas holdings, após a aplicação do método de Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.304 9 equivalência patrimonial (MEP) relativamente aos resultados auferidos pelo Banco Pactual S/A. No que se refere ao contribuinte, foram duas as incorporações reversas de interesse: 1. Incorporação da Nova Pactual pela Pactual S/A. em 13/10/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta (fls. 478/496). Essa operação foi precedida pela capitalização, na mesma data, dos lucros apurados pela Nova Pactual com esteio no MEP (créditos dos sócios perante a holding), sendo realizada a primeira majoração do custo de aquisição de sua participação societária (inicialmente de R$ 132,00), baseada no art. 135 do RIR/99. Para o recorrente, tal feito resultou na integralização de 783.631 novas quotas da Nova Pactual, no valor de R$ 783.631,00. 2. Incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual S/A. em 1/12/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta (fls. 519/563). Essa operação foi precedida pela capitalização, em 3/11/2006 lucros apurados pela Pactual S/A. com amparo no MEP (créditos dos sócios perante a holding), sendo realizada a segunda majoração do custo de aquisição de sua participação societária, baseada no art. 135 do RIR/99 (fls. 564/585). Para o recorrente, tal proceder resultou na integralização de 498.044 novas quotas da Pactual S/A., no valor de R$ 498.044,00 (fl. 633), o qual, somado aos R$ 768.631,00, resultou em um custo de aquisição das quotas no total de R$ 1.281.804,50, segundo os cálculos por ele apresentados ao Fisco (fls. 10 DIRPF e 27). Não mais existentes as holdings, realizouse a venda do Banco Pactual S/A. ao UBS pelas pessoas físicas, ensejando a apuração de ganhos de capital em 2006 e 2009, ora sob discussão. Cabe desde já destacar que a principal questão controversa é sobre a aplicação do art. 135 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99) ao fatos abordados, e que teria levado, conforme defende o autuado, a que o custo de aquisição das ações por ele alienadas alcançasse a cifra de R$ 1.281.804,50, e não de R$ 427.506,94, conforme a autuação. Tal artigo trata do custo de participações societárias adquiridas com incorporação de lucros e reservas, motivo pelo qual cumpre passar prontamente ao seu exame. O art. 135 do RIR/99 tem seu fundamento no parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o qual deve ser lido em conjunto com o seu caput (art. 645 do RIR/99), para a adequada compreensão do contexto no qual tal disposição veio à baila. Reproduzse o artigo: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Previamente à edição desse diploma, a regra era tributar os lucros e os dividendos exclusivamente na fonte ou oferecer tais rendimentos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste. Com vistas a evitar que houvesse dupla tributação sobre os mesmos rendimentos, ou seja, para que os lucros fossem tributados tão somente quando de sua apuração pela pessoa jurídica, e não quando de sua distribuição para os beneficiários dos dividendos, adveio no ordenamento o dispositivo legal acima transcrito. O Ministro da Fazenda apresentou no item 12 do Projeto de Lei nº 913/05, que resultou na edição da Lei nº 9.249/95, a seguinte justificativa no que concerne ao art.10: 12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas1. A partir de então os dividendos passaram a ser isentos, o que poderia ensejar a preferência pela sua distribuição frente à sua retenção e reinvestimento, dando azo à descapitalização das empresas. Para evitar tal situação, e estimular a retenção dos lucros de modo a possibilitar a realização de investimentos e formação bruta de capital sem endividamento perante terceiros, com o consequente crescimento da economia e geração de empregos, o regramento do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 previu uma "compensação" para que os sócios não decidissem priorizar a distribuição de lucros. Com efeito, para que os lucros não fossem distribuídos como dividendos aos sócios mas sim incorporados mediante aumento de capital da empresa, foi possibilitado o ajuste no custo de aquisição das participações societárias dos acionistas, na proporção em que fossem aqueles capitalizados, balizandose assim o alcance do benefício legal da isenção dos dividendos. Destarte, adicionouse ao natural efeito diferimento do ganho de capital na postergação da alienação das ações, a vantagem de que esse ganho sujeito à tributação verseia diminuído do montante dos lucros que foram capitalizados e não distribuídos aos sócios. Vejase que o desiderato da norma não foi criar hipótese de isenção sobre o ganho de capital em alienação de ações2; nos termos da lei, o aumento do custo de aquisição 1 Também com o objetivo de estimular o investimento produtivo e desestimular o endividamento excessivo das empresas, dentre outros motivos, a Lei nº 9.249/95 trouxe em seu art. 9º o advento dos juros sobre o capital próprio. 2 Como, por exemplo regrou o inciso I do art. 22 da Lei nº 9.250/95 com a redação dada pela Lei nº 11.196/05, ao estabelecer a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de ações no valor total de R$ 20 mil em determinado mês do anocalendário. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.305 11 está condicionado e se dá na medida exata em que um determinado lucro deixa de ser distribuído e passa a ser alocado no capital social da empresa. A interposição de uma holding pura na estrutura de capital, ou seja, de uma sociedade com o escopo exclusivo de gerir a participação de determinadas pessoas no capital de outras sociedades acarreta, por outro lado, que os investimentos por ela controlados sejam avaliados pelo método de equivalência patrimonial, de acordo com o art. 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1975 (Lei das S/A). Segundo esse método, os lucros apurados na investida/controlada serão registrados como aumento no valor do investimento no ativo da investidora/controladora (lançamento a débito), tendo como contrapartida registro em conta de resultado positivo em participações societárias ou similar (lançamento a crédito), para fins de que esse aumento tenha seus efeitos reconhecidos na demonstração do resultado do exercício da investidora, viabilizando a observância do princípio da competência. No caso de holdings puras tais como as que se apresentam na espécie, tais resultados positivos confundemse, na prática, com os lucros apurados na investida, pois a holding revestese essencialmente de natureza formal, sendo instituída com vistas à organização das participações societárias e não possuindo despesas ou mesmo receitas relevantes oriundas de outras atividades empresariais. Assim, ainda que por vezes a autuação ou a decisão recorrida possam referir se às receitas de equivalência patrimonial como lucros, não há impropriedade, a despeito da inconformidade manifestada no particular pelo recorrente, pois nas holdings Pactual S/A. e Nova Participações as receitas de equivalência se equiparam aos lucros verificados, à míngua de receitas outras ou de despesas substanciais contabilizadas. Importa esclarecer, neste átimo, a natureza dos lucros que são distribuídos ou retidos por uma determinada pessoa jurídica. Fran Martins3 já alertava que, Na realidade, o lucro em si mesmo considerado, não é distribuível; o que se distribui, na verdade são parcelas dos ativos que, no Balanço Patrimonial, representam o incremento do patrimônio social em decorrência da exploração da atividade que constitui o objeto social. Dessarte, ainda que haja a interposição de "n" holding puras entre determinadas pessoas físicas e uma pessoa jurídica operacional, os sucessivos dividendos que são distribuídos ao longo da sequência de holdings têm apenas um substrato fáticojurídico: as parcelas incrementais dos ativos auferidas ao longo do anocalendário, como consequência das atividades daquela pessoa jurídica, seja na compra e venda mercantil, seja na intermediação financeira, etc. Os dividendos sucessivamente distribuídos entre as holdings, por conseguinte, não são "somáveis" para quaisquer fins, pois há apenas um dividendo, somente uma parcela do lucro a ser dividido (gerúndio "dividendo") entre os sócios, que a estes chega depois de ser repassado ao longo da cadeia de empresas controladoras. 3 MARTINS, Fran. Comentários à Lei das S.A.. v 2, t. II. Rio de Janeiro, Forense, 1978, p. 665. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 À semelhança, os lucros objeto de retenção e incorporação ao capital social são na realidade parcelas adicionadas ao ativo de uma pessoa jurídica em razão do desempenho de suas atividades, as quais levam ao incremento do seu patrimônio. A diferença é que os lucros capitalizados seguem dentro do patrimônio da empresa, fortalecendoo ao não serem distribuídos a terceiros, ainda que sócios, o que se dá via débito na conta de lucros ou reserva acumuladas, com o correspondente crédito na conta de capital social lançamentos contábeis intrapatrimoniais. A essência continua sendo a mesma, porém. Uma dada parcela do ativo não pode ser distribuída diversas vezes a título de dividendos decorrentes de um mesmo resultado; há como visto, apenas o reflexo contábil e financeiro dos mesmos valores entre as holdings, até chegar aos destinatários finais os sócios pessoas físicas ou jurídicas. Ou, alternativa e similarmente, uma mesma parcela do ativo não pode ser retida várias vezes por holdings sucessivamente interpostas; há apenas uma efetiva incorporação, sendo as demais meros reflexos contábeis decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial, obrigatório por força de lei para fins de observância do regime de competência na apropriação dos resultados na contabilidade. Bem firmados esses aspectos da questão ora posta, cabe prosseguir na análise do caso em comento, observando, primeiramente, que a simples interposição de sucessivas holdings entre os sócios e a pessoa jurídica que gera os resultados de uma determinada atividade empresarial não encontra óbice legal. O problema surge quando acontecem sucessivas incorporações de controlada por controladora definida essa operação como processo mediante o qual uma sociedade (incorporada) tem o seu patrimônio absorvida pela outra (incorporadora), que lhe sucede em todos os direitos e obrigações, realizado com respaldo no § 4º do art. 264 da Lei das S/A. conjugadas com prévia capitalização de lucros. Ainda que bem demonstrada no Termo de Verificação Fiscal às fls. 1.103/1.106, merece ser realizada breve síntese esquemática da questão, por meio das 2 tabelas dispostas abaixo. 1 2 3 ano zero Final 1º ano Capitalização dos constituição MEP lucros por A Holding A Capital Social 100 100 300 Reserva Lucros 200 Empresa B Capital Social 100 100 100 Reserva Lucros 200 200 Na hipótese, temse a empresa B operacional constituída com o capital de R$ 100 mil (custo de aquisição de R$ 100 mil para os sócios) e entre essa e seus sócios é criada e interposta a holding "pura" A, cujo único objeto é gerir os resultados e participações de B (coluna"1"). Em razão de suas atividades, B apura o lucro de R$ 200 mil, o qual, mediante a aplicação do MEP, acarreta o concomitante aumento no patrimônio líquido da holding A (coluna "2"). Mister registrar que as disponibilidades continuam nos ativos da empresa B, não podendo ainda, por inviabilidade fática, ser distribuído qualquer dividendo pela holding A. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.306 13 A despeito disso, a holding A capitaliza os lucros decorrentes das receitas de equivalência patrimonial, incorporandoos ao seu capital social (coluna "3"). Conforme bem destacado pela fiscalização, nesse ponto está o âmago do planejamento tributário. Devido a essa capitalização, os sócios da holding A, que tinham despendido R$ 100 mil na integralização do capital das empresas, entendem fazer jus à aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95, e elevam o custo de aquisição de suas participações para o montante de R$ 300 mil. Dessa feita, criase situação anômala, pois lucros que não podem ser distribuídos pela holding A pois ainda se encontram sob a disponibilidade econômicojurídica da empresa operacional são utilizados para o aumento de seu capital. No seguimento da operação, a holding A é incorporada pela empresa B, sua controlada (coluna "4"): 4 5 B incorpora A Capitalização dos "incorporação reversa" lucros por B Holding A Capital Social Reserva Lucros X X Empresa B Capital Social 100 300 Reserva Lucros 200 As ações da holding A são extintas, sendo substituídas por ações da empresa B (coluna"4"). Todavia, esta ainda preserva em seu patrimônio líquido recursos vinculados ao seu ativo estes sim, dotados de efetiva existência: lucros passíveis de serem distribuídos ou capitalizados. Exsurgem, então, as opções de distribuir ou capitalizar tais resultados, e, em se adotando essa última vertente, mais uma vez os sócios consideram pertinente efetuar a elevação do custo de aquisição com esteio no parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95, majorandoo de R$ 300 mil para R$ 500 mil. Destaquese a impropriedade da interpretação acima exposta, basicamente a mesma defendida pelo contribuinte no caso em comento. O dispositivo mencionado (art. 135 do RIR/99) deve ser compreendido em harmonia com o disposto no respectivo caput, como abordado, não como preceito desvinculado de qualquer propósito normativo que lhe respalde, e isolado do ponto de vista da legislação do imposto sobre a renda. Resultados que são meros reflexos contábeis emanados da aplicação do MEP, incapazes de serem distribuídos aos acionistas salvo distribuição prévia dos dividendos da pessoa jurídica operacional destinada às holdings ainda que se aceite a possibilidade de que nestas possam ser capitalizados, não podem acarretar o incremento no custo de aquisição das participações societárias. Tal majoração destoa dos fins da norma justributária, que preconiza que um determinado signo presuntivo de capacidade contributiva para fins de incidência de imposto de renda o ganho de capital na alienação de participações societárias seja majorado ou diminuído na medida em que o contribuinte exerça a opção entre a distribuição de dividendos e Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 a capitalização dos lucros auferidos nas atividades da pessoa jurídica. À margem desse quadro, não há falar em aplicação do precitado dispositivo legal. No caso focado, as sucessivas capitalizações dos resultados advindos da aplicação do MEP, primeiro na Nova Pactual, e posteriormente na Pactual S/A, geraram majorações abusivas do custo de aquisição no curso dos procedimentos de incorporação às avessas e reorganização societária, em total descompasso com o incremento das disponibilidades passíveis de distribuição na instituição financeira Banco Pactual S/A., não sendo tais operações, por conseguinte, oponíveis ao Fisco. Cabe traçar, neste ponto, algumas considerações sobre o abuso de direito. Ao contrário do que parece defender o contribuinte, o conceito de abuso de direito não está adstrito à seara privada, podendo ser perfeitamente aplicável no âmbito tributário presentes as condições para tanto. Tratase, na verdade, de categoria da Teoria Geral do Direito, ao qual causa repulsa o mal uso (latim ABUTI, usar mal, de AB, "fora", mais UTI, "usar") do direito pelo seu titular, sendo aplicável esse conceito nos mais diversos campos da experiência jurídica, ainda que eventualmente sob outras denominações. Em sentido mais amplo, manifestase sob as facetas de excesso ou desvio no exercício de um direito, podendo ser apreendido tanto na esfera das relações privadas como no abuso dos direitos de vizinhança (direito civil), abuso do direito de greve (direito do trabalho) quanto no direito público como no abuso do direito de recorrer (direito processual). Sob o tema, aliás, manifestaramse Cristiano Chaves De Farias e Nelson Rosenvald: É infeliz a referência à palavra "direito" contida na redação do art. 187 da Codificação, por induzir à idéia de uma restrição à aplicação da teoria do ato abusivo, o que impediria a sua incidência em outras situações jurídicas. Com efeito, ao contrário do que insinua o tipo legal, também as liberdades, as faculdades e os direitos potestativos ou poderes jurídicos admitem a incidência da aplicação da teoria do ato abusivo, uma vez que podem estabelecer vantagens para o seu titular. Corroborando essa tese, o ilustre Promotor de Justiça no Paraná Inácio de Carvalho Neto assevera "não haver direitos insindicáveis em matéria de abuso, aplicandose a teoria a quaisquer espécies de direitos", inclusive aos potestativos. Assim, é perfeitamente possível identificar o abuso do direito nas situações em que o Estado age com excesso no seu direito de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, criando restrições desmedidas ao exercício da atividade econômica para fins de compelir o particular ao pagamento de tributos. Por outro lado, quando esse particular, sob o alegado amparo no livre exercício de sua atividade, interfere no direito do Fisco de tributar a capacidade contributiva faticamente revelada, ao arrepio dos fins da norma que em tese respalda sua conduta, igualmente se tem configurado o abuso. Sob o prisma do excesso pode o abuso ser inclusive reconhecido no art. 135 do Código Tributário Nacional, que responsabiliza pessoalmente determinadas pessoas físicas pelos créditos tributários decorrentes de atos praticados com excesso de poderes. Também se revela nos mais variados gêneros normativos, espraiandose pela Constituição Federal (art. 14, §§ 9º e 10º e no art. 173, § 4º ) e pelo Código de Processo Civil Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.307 15 (arts. 14, 18, 538 e parágrafo único, 574). Já no art. 187 do Código Civil, o legislador atribuiu ao abuso de direito a natureza de ato ilícito, nos seguintes termos: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. De sua parte, a Lei nº 12.376, de 30 de dezembro de 2010, alterou a ementa do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (antiga Lei de Introdução do Código Civil Brasileiro), conferindo a esse diploma o caráter de "Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro". O seu art. 5º assim dispõe: Art.5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Dos diplomas transcritos logo acima, temse que os limites para o exercício de um direito estão estabelecidos pelos fundamentos axiológicos e teleológicos da norma jurídica, devendo tais aspectos ser obrigatoriamente sopesados não só pelo legislador ou pelo julgador, mas por quaisquer aplicadores do comando normativo, de maneira a superar os contornos formais do enunciado legal e perscrutar sua adequação aos fins a que se destina. Dessa forma, constatase a ocorrência de abuso de direto quando o contribuinte, atuando em aparente conformidade com o enunciado legal, deixa de considerar a finalidade social e econômica do direito ali assentado e o exerce em demasia, em desarmonia com aquelas finalidades. Importante registrar que não se está a interpretar economicamente o direito tributário, mas sim a realizar sua exegese de maneira sistemática, à luz das demais normas componentes do ordenamento jurídico, as quais impõem expressamente, consoante demonstrado, a necessidade de se perscrutar o desiderato econômico de uma dada norma jurídica, no caso tributária, para a verificação concreta da ocorrência de abuso no exercício do direito por ela previsto. Isso, porque o exercício hermenêutico tem como imprescindível tanto a análise teleológica quanto a sistemática, sendo oportuno lembrar das palavras do jurista Juarez Freitas, que já afirmava que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação. Nesse sentido, resvala o eufemismo entenderse que a mera divergência na interpretação do direito não poderia ensejar lançamento tributário, pois praticamente todas as controvérsias jurídicas tem seu pano de fundo em diferentes compreensões dos textos normativos, objeto de exame por parte de seus intérpretes/aplicadores. Desse modo esclarecido, temse, por conseguinte, que o contribuinte, ao promover sucessivas majorações do custo de aquisição de suas participações societárias com supedâneo em correspondentes capitalizações de lucros que sequer poderiam ser distribuídos, sendo meros reflexos do MEP nas holdings em apreço, incorreu em exercício abusivo do direito previsto no parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95, sendo escorreitas as conclusões da auditoria fiscal no particular. Ressaltese que nada impede que se prescinda do conceito de abuso de direito para se chegar à compreensão do caso concreto. Em outras palavras, mas convergindo para a mesma conclusão, pode ser perfeitamente expressado que se verificou na espécie equivocada qualificação jurídica dos fatos, mediante interpretação da norma contida no parágrafo único do Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 art. 10 da Lei nº 9.249/95 em discordância com os seus fins, acarretando violação ao princípio da proporcionalidade no acréscimo do custo de aquisição constatado, oriundo de meros reflexos contábeis sem substrato fático. Aliás, não é demasiado destacar que, nos termos do inciso III do art. 11 da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 19984, os parágrafos de uma lei expressam os aspectos complementares à norma enunciado do caput do artigo e as exceções à regra por esta estabelecida. Revelase, também assim, o descabimento de uma interpretação assistemática do multicitado parágrafo único sem o devido cotejo com o correspondente caput. Cabe afastar, neste ponto, raciocínio segundo o qual o contribuinte não estaria obrigado a optar, para fins de viabilizar a venda de suas quotas ao UBS, pelo procedimento que lhe fosse mais oneroso do ponto de vista tributário. Obviamente, não houvesse outra escolha para o contribuinte realizar essa alienação, não haveria sequer falar em planejamento tributário ilícito ou abuso de direito. Não é esse o ponto, contudo. O contribuinte enfatiza que várias eram as alternativas para ser realizada a venda ao UBS, bem como para reestruturar as sociedades envolvidas na operação (fls. 1255/1270). A realidade, todavia, é que escolheu deliberadamente, de modo planejado, o procedimento tal e qual narrado mais acima, e que, levado a efeito, implicou em claro e substancial ganho tributário para as pessoas físicas que alienaram suas participações, mediante o abusivo incremento no custo de suas participações societárias. Noutro giro, reconheçase que não resta demonstrado pela autoridade lançadora ter sido a economia tributária o único motivo pelo qual as capitalizações de resultados e as respectivas incorporações reversas ocorreram. Por outro lado também não tem razão o recorrente quando parece indicar que tal economia seria efeito de menor importância dentro do contexto dos eventos. Ainda que não tenha sido o único motivo pelo qual a reestruturação societária tenha sido realizada da maneira que se verificou, é inequívoco que o aspecto tributário foi fundamental e extremamente significativo para sua elaboração e consecução, tanto mais quando se verifica que o custo de aquisição para os detentores das participações societárias foi, por consequência, em muito majorado para o autuado, especificamente, ele cresceu a uma taxa de 199,83%, frente ao aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual na casa de 89%. Outro ponto importante a enfatizar é que não houve qualquer arbitramento do custo de aquisição por parte da fiscalização. Verificada a utilização distorcida dos ditames do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95, foram devidamente examinados os demonstrativos financeiros e laudos de avaliação do patrimônio líquido apresentados pelo contribuinte. Em decorrência dessa análise dos elementos componentes do patrimônio, foram devidamente caracterizados os valores que poderiam ter sido objeto de integralização com base no dispositivo em comento, mediante dois métodos alternativos, expostos às folhas 28/31 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1080/1126, os quais chegaram a valores bastante próximos, evidenciando o acerto do procedimento da autoridade lançadora. E, a partir daí, foi estabelecido o custo de aquisição para o autuado, com base na sua participação nas ações integrantes do capital do Banco Pactual S/A. 4 A qual "Dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, conforme determina o parágrafo único do art. 59 da Constituição Federal, e estabelece normas para a consolidação dos atos normativos que menciona". Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.308 17 Correto, também, o expurgo dos valores recebidos em 22/2/2007 do custo de aquisição, pois referiamse a resultados do anocalendário 2006 conforme o contrato firmado com UBS, não podendo ter sido, em decorrência, objeto de prévia capitalização de lucros. Observese que caberia ao contribuinte o ônus de apontar especificamente os eventuais desacertos dos cálculos da fiscalização e o prejuízo que deles tivesse advindo, o que não resta suprido pela mera alegação genérica de que se realizou arbitramento sem respaldo no art. 135 do RIR/99. Por fim, necessário enfatizar que qualificação jurídica ou interpretação dos fatos que subordine a realização de princípios constitucionais ao interesse particular, não se coaduna com a consecução de um Estado Democrático e Social de Direito. Nesse sentido, deve ser repudiada a pretensão de submeter a aferição da capacidade contributiva inequivocamente revelada pelos fatos ora examinados a eventuais arranjos societários elaborados ao exclusivo talante do contribuinte. Notese que a prosperar a tese ventilada na peça recursal, seria viável, por meio da interposição deliberada e calculada de holdings puras entre os sócios e a empresa produtiva, anularse completamente o ganho de capital em uma ampla gama de alienações de participações societárias, restando por terra sua tributação pelo imposto de renda. Impende então superar as interpretações suportadas na simples subsunção dos fatos à norma jurídica, sem a realização do exercício hermenêutico mais complexo da análise teleológicosistemática do enunciado legal, sob pena de retorno ao superado entendimento de que tudo que não é proibido é permitido. Da multa qualificada. O § 1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 E, em que pese o escorreito trabalho levado a efeito pela fiscalização, na espécie não foram levantados elementos suficientes para amparar a imputação da qualificação da multa de ofício. Como já bem discernido em diversos outros acórdãos desta 2ª Seção que trataram dos fatos sob exame, as operações foram realizadas às claras, acompanhadas de documentações condizentes com as finalidades a que se propunham, sem acobertamento ou mascaramento de condutas ou intenções, e amparadas em propósito negocial que extrapolava os limites da simples economia fiscal. Mais: se por um lado é inegável que se tratavam de operações estruturadas em sequência, efetuadas em prazo exíguo para cada etapa do processo, e elaboradas com o fim precípuo de conciliar a alienação das participações societárias com uma menor carga tributária sobre elas incidente, impende atentar, por outra senda, que as sociedades envolvidas foram criadas bem antes dos eventos em questão, ou seja, não foram criadas com o escopo principal de ilidir o pagamento de tributos. Não se confundem, assim, com meras "empresasveículo", recorrentemente encontradas em casos do gênero. O fato de as operações terem se utilizado de incorporações reversas para atingir seus objetivos pode, efetivamente, servir de elemento indiciário da existência de planejamento tributário, mas nada revela, por si só, sobre sua licitude ou validade perante o Fisco, visto que se trata, como já mencionado, de procedimento com previsão legal no § 4º do art. 264 da Lei das S/A. Portanto, não resta afastada a dúvida que paira, justificadamente, sobre os aspectos volitivos da conduta do contribuinte, de modo que se possa assegurar, com grau de verossimilhança suficiente, que no caso concreto seja de rigor a aplicação da multa qualificada. Sublinhese, aliás, que o conceito de abuso de direito há muito já superou sua associação com os atos emulativos previstos no vetusto Direito Medieval, que o vinculava àqueles casos em que o exercício de um determinado direito tinha por objetivo causar prejuízos a terceiros. Hodiernamente, a constatação do abuso de direito prescinde, de uma maneira geral, da intenção de macular o direito de outrem, tendo sido assim especificamente positivado na letra do art. 187 do Código Civil pátrio, consoante já referido parágrafos acima. Destarte, o elemento conclusivo para se aferir sua ocorrência passa ao largo da verificação de um dolo específico, atendose à análise da compatibilidade da conduta focada com os fins da norma que a amparou. Nesse contexto, ainda que não tenha ficado comprovado o agir doloso por parte do contribuinte, disso não decorrem maiores consequências no que diz respeito ao crédito tributário constituído, que extrapolem a necessária exoneração da qualificação da multa de ofício. Dos juros de mora sobre a multa de ofício. O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12448.736211/201175 Acórdão n.º 2802003.285 S2TE02 Fl. 1.309 19 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp nº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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