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Numero do processo: 10882.001590/2005-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
LUCRO INFLACIONÁRIO.
Em cada Ano-calendário deve ser oferecida tributação parte do lucro inflacionário acumulado, proporcional ao valor dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária, realizados no período, desde que superior ao mínimo de 10% (dez por cento) previsto na legislação.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02.
A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade Administrativa nos moldes da Súmula CARF 02.
Numero da decisão: 1803-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 LUCRO INFLACIONÁRIO. Em cada Ano-calendário deve ser oferecida tributação parte do lucro inflacionário acumulado, proporcional ao valor dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária, realizados no período, desde que superior ao mínimo de 10% (dez por cento) previsto na legislação. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade Administrativa nos moldes da Súmula CARF 02.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes.
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Em cada Anocalendário deve ser oferecida tributação parte do lucro inflacionário acumulado, proporcional ao valor dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária, realizados no período, desde que superior ao mínimo de 10% (dez por cento) previsto na legislação. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade Administrativa nos moldes da Súmula CARF 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 15 90 /2 00 5- 86 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10882.001590/200586 Acórdão n.º 1803001.934 S1TE03 Fl. 3 2 da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes. Relatório Tratase do auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor total de R$ 45.505,61, cientificado A contribuinte em 21/07/2005, por meio do AR de fl. 37, devido As irregularidades assim descritas As fls. 29/30: "001. Adições não computadas na apuração do lucro real. Lucro Inflacionário realizado. Realização Mínima. Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, do lucro inflacionário realizado, sem observância do percentual de realização mínimo previsto na legislação de regência. Inconformada a empresa apresentou impugnação sustentando que o Imposto de Renda não pode incidir sobre a variação cambial verificada por força da desvalorização da moeda nacional em face da moeda estrangeira, violando o Princípio da Capacidade Contributiva e da Vedação ao Confisco. Em sede de cognição ampla, a DRJ refutou os argumentos da empresa Recorrente fazendo apenas uma adequação a base de cálculo apurada, julgando procedente em parte a exigência fiscal. Devidamente notificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário sustentando que o adicional de IRPJ não está contida no arquétipo tributário do artigo 43 do CTN e 153, III da CF, mormente quando se tratar de variação cambial verificada por força da desvalorização da moeda nacional. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos dez dias do mês de outubro do ano de dois mil e treze, às nove horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MARCOS ANTONIO PIRES, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10882.001590/200586 Acórdão n.º 1803001.934 S1TE03 Fl. 4 3 ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10882.001590/200586 Recorrente: ITAMBE PLANEJ ADMIN IMOBILIARIO S/S LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.934 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido É o Relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A legislação aplicável ao lucro inflacionário, detalhada pela fiscalização no enquadramento legal de fl. 29, dispõe que em cada anocalendário considerarseá realizada parte do lucro inflacionário acumulado, proporcional ao valor realizado no mesmo período, dos bens e direitos do ativo sujeitos a correção monetária, ou então no percentual mínimo de 10%, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10882.001590/200586 Acórdão n.º 1803001.934 S1TE03 Fl. 5 4 para os anoscalendário posteriores a 1994, quando o valor, assim determinado, for superior aquele montante. Por meio do Demonstrativo SAPLI de fls. 03/07, observase que, a partir do anocalendário de 1997, a contribuinte não ofereceu à tributação as parcelas de realização obrigatória do lucro inflacionário, as quais deveriam ter sido acrescidas ao lucro liquido de cada período, na determinação do lucro real. Portanto, a empresa deveria ter oferecido a tributação, como adição ao Lucro Real, importância mínima correspondente a 10% do saldo de lucro inflacionário acumulado, existente em 31/12/1995. Quanto a alegação de que a legislação que respalda o lançamento revisto viola os Princípios Constitucionais da Legalidade, Isonomia e Vedação ao Confisco, depreendese oportuno salientar que à luz da SÚMULA 02 CARF é vedado a esse Conselho efetivar o respectivo controle de constitucionalidade dos enunciados normativos. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000326/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. FALHAS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.
RESULTADO CONSOLIDADO. CONTROLADAS INDIRETAS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO.
Demonstrado nos autos que a consolidação do resultado das controladas indiretas nas controladas diretas, sendo esta desprovida de propósito negocial, teve o intuito exclusivo de evitar a tributação dos resultados, correta a desconsideração dos efeitos tributários daí decorrentes, e o procedimento de entender como disponibilizados diretamente na controladora no Brasil, os lucros das controladas indiretas.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. REQUISITOS DE NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE.
São dedutíveis como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, necessárias, normais e usuais para o desenvolvimento do seu objeto social.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões quanto às arguições de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa da despesa com encargos financeiros e variações monetárias passivas. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que dava provimento em maior extensão para determinar a revisão do lançamento com a consolidação dos lucros auferidos pelas controladas indiretas na CST BV (Holanda). Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto acompanharam pelas conclusões em relação ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre o lucro auferido no exterior pelas controladas indiretas. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. FALHAS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. RESULTADO CONSOLIDADO. CONTROLADAS INDIRETAS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. Demonstrado nos autos que a consolidação do resultado das controladas indiretas nas controladas diretas, sendo esta desprovida de propósito negocial, teve o intuito exclusivo de evitar a tributação dos resultados, correta a desconsideração dos efeitos tributários daí decorrentes, e o procedimento de entender como disponibilizados diretamente na controladora no Brasil, os lucros das controladas indiretas. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. REQUISITOS DE NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE. São dedutíveis como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, necessárias, normais e usuais para o desenvolvimento do seu objeto social. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões quanto às arguições de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa da despesa com encargos financeiros e variações monetárias passivas. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que dava provimento em maior extensão para determinar a revisão do lançamento com a consolidação dos lucros auferidos pelas controladas indiretas na CST BV (Holanda). Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto acompanharam pelas conclusões em relação ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre o lucro auferido no exterior pelas controladas indiretas. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 905 1 904 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000326/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.875 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL S/A Recorrida 3ª Turma da DRJ/SPO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. FALHAS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. RESULTADO CONSOLIDADO. CONTROLADAS INDIRETAS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. Demonstrado nos autos que a consolidação do resultado das controladas indiretas nas controladas diretas, sendo esta desprovida de propósito negocial, teve o intuito exclusivo de evitar a tributação dos resultados, correta a desconsideração dos efeitos tributários daí decorrentes, e o procedimento de entender como disponibilizados diretamente na controladora no Brasil, os lucros das controladas indiretas. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. REQUISITOS DE NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE. São dedutíveis como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, necessárias, normais e usuais para o desenvolvimento do seu objeto social. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 26 /2 01 0- 91 Fl. 905DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 906 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões quanto às arguições de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa da despesa com encargos financeiros e variações monetárias passivas. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que dava provimento em maior extensão para determinar a revisão do lançamento com a consolidação dos lucros auferidos pelas controladas indiretas na CST BV (Holanda). Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto acompanharam pelas conclusões em relação ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre o lucro auferido no exterior pelas controladas indiretas. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 907 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratamse de autos de infração de IRPJ (fls. 606/608) e de CSLL (fls. 610/612), cumulados de juros e multa de ofício, relativos ao anocalendário de 2005, lavrados em razão (i) da adição ao lucro líquido de lucros auferidos no exterior por suas controladas direta (CST Corporation BV, com sede na Holanda) e indiretas (Arcelor Mittal Trading Lda., à época dos fatos denominada Skadden Consultoria e Serviços Lda., com sede em Portugal e CST Overseas, com sede nas lhas Cayman); e (ii) da glosa de despesas supostamente desnecessárias, com encargos financeiros e variações monetárias passivas incorridas pela Autuada em operação de prépagamento de exportações contratada com a CST Corporation BV. A adição ao lucro líquido dos lucros disponibilizados pelas empresas Skadden e CST Overseas foi realizada mediante disponibilização direta, vez que a fiscalização não reconheceu a autonomia e propósito negocial das controladas CST BV e Skadden, bem como, fundouse no conceito de controle dado pelo artigo 243, parágrafo 2º da Lei 6404/76, segundo o qual controlador da sociedade é aquele que detém, diretamente ou através de outras controladas, a preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Tendo em vista que no anocalendário de 2005 a Autuada registrou prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, os autos de infração não procederam a exigências pecuniárias, mas somente a retificação do saldo de prejuízo fiscal e do saldo de base negativa da CSLL. DAS INFRAÇÕES APURADAS Detalhando as infrações apuradas, contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls.614/647) que: No anocalendário de 2005, a fiscalizada, então denominada Companhia Siderúrgica Tubarão (CST), tinha como única sócia a Companhia Siderúrgica BelgoMineira (CSBM), cuja razão social foi posteriormente alterada para Arcelor Brasil S/A. Em 31/08/2007, a Arcelor Brasil S/A foi incorporada pela Belgo Siderurgia S/A, que na mesma data e ato societário teve sua razão social alterada para Arcelormittal Brasil S/A. Assim, a CST passou a ser subsidiária integral da Arcelormittal Brasil S/A que detém a totalidade das ações que compõem seu capital. Em AGE realizada no dia 01/09/2008, os acionistas da CST e da Arcelormittal Brasil S/A aprovaram a cisão parcial da CST e a incorporação da parcela cindida (equivalente a aproximadamente 95% do patrimônio liquido da CST) pela ArcelorMittal Brasil S/A. Além disso, na mesma ocasião, a denominação da fiscalizada CST foi alterada para ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A com transferência da sede para São Paulo. Posteriormente, em AGO e AGE de 30/04/09 a sede da fiscalizada foi transferida de São Paulo para Vitória/ES. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 908 4 Conforme DIPJ/2006, a fiscalizada CST detinha investimentos avaliados em: R$ 1.192.278.518,36 (Ficha 43), representado por 100% de participação na empresa CST Corporation BV, sediada na Holanda. Os resultados de equivalência patrimonial da controlada no exterior foram registrados no Razão conforme quadro às fls. 617. Os resultados em reais apurados pela controlada estrangeira foram informados nas DIPJ’s (Ficha 35) somando R$ 219.270.759,85. Contudo, não foram adicionados quaisquer valores a título de “lucros disponibilizados no exterior” (linhas 05 das Fichas 09 A e 17). A CST Corporation BV (Holanda), detinha 100% do controle da empresa Skadden Consultoria e Serviços (sociedade unipessoal) Lda., sediada na Ilha da Madeira e esta, por sua vez, detinha 100% da sociedade CST Overseas Ltd, domiciliada nas Ilhas Cayman, conforme organograma abaixo: Em resumo, a CST Overseas era uma empresa lucrativa, apresentando em 2005 um lucro de U$ 93.555.140,00 (equivalente à época (taxa de 2,3407) a R$ 218.984.516,20). Neste mesmo anocalendário repassou para sua controladora, Skadden, a quantia de U$ 115.203.726,00 (equivalente a R$ 262.278.026,00), aproveitando lucros de períodos anteriores (fls. 487/8). A Skadden também era uma empresa lucrativa e seu resultado mais significativo era a equivalência patrimonial na CST Overseas, tendo apurado U$ 94.178.942,00 (equivalente a R$ 220.464.282,00) e distribuído dividendos à sua controladora no valor de U$ 115.801.101,00 (equivalente a R$ 262.851.291,00) (fls. 377/8). A CST BV era uma empresa lucrativa, onde seu mais significativo resultado era a equivalência patrimonial na Skadden, apurando R$ 219.270.760,00 de lucros sem distribuição de dividendos. Tais lucros foram emprestados para a fiscalizada a título de pré pagamento de exportação, U$ 115.000.000,00, causando despesas com juros da ordem de U$ 305.500,00 (equivalente em reais a R$ 269.180.500,00 (principal conta 112901) e R$ 715.083,85 (juros), respectivamente), (fls. 176, 180 e 188). ARCELORMITTAL Tubarão Comercial S/A (BR) CST Corportation BV (holding na Holanda) SKADDEN (trading na Ilha da Madeira) 100% CST OVERSEAS (Ilhas Cayman) 100% 100% Fl. 908DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 909 5 Analisadas as atas e balancetes da Skadden, a fiscalização concluiu que a Skadden distribuiu à sua controladora na Holanda CST BV dividendos no valor de US$ 115 milhões em 2005 e esse valor foi repassado por esta para a fiscalizada como empréstimo. Após detida análise sobre a documentação relativa ao lançamento no passivo da fiscalizada de empréstimos realizados com a CST BV, a fiscalização concluiu que, se tivesse havido distribuição de dividendos, não haveria despesa de variação cambial, indicando que a fiscalizada assumiu o ônus do prejuízo mencionado deliberadamente, na medida em que, segundo ela, em virtude do acordo para evitar bitributação entre Brasil e Holanda, receberia lucros da CST BV sem tributação no Brasil e, ainda, diminuiria o lucro no Brasil, a mercê da contabilização de despesa com variação cambial. A CST BV (Holanda) não possuía autonomia plena, eis que a própria fiscalizada informou que “a CST BV dispõe de três diretores sendo dois residentes no Brasil e um na Holanda. Apenas a diretora holandesa (Dra. Tecla Kamphuijs) é remunerada diretamente pela companhia holandesa, sendo seus serviços pagos em conjunto com a remuneração devida para a empresa “Intertrust” para a prestação de certos serviços administrativos. Os serviços administrativos e contábeis são prestados em parte pelo centro de serviços compartilhados do Grupo Arcelormittal situado em Luxemburgo, em condições, e em parte por terceiras empresas especializadas em auditoria e contabilidade situadas na Holanda (price WaterhouseCoopers e Intertrust)” (fl. 34)” (fl. 624). Da mesma forma, a Skadden, à época dos fatos controlada pela CST BV, não tinha autonomia de gestão plena, tendo em vista que no período fiscalizado, a Skadden contou com 7 colaboradores, sendo 3 com funções de gerência, 1 técnico administrativo, 1 analista financeiro, 1 auxiliar administrativo e 1 funcionário encarregado de serviços de limpeza. Além disso, os trabalhos administrativos teriam sido assegurados em parte pelo pessoal empregado na própria empresa e parte por empresa terceirizada. A fiscalizada informou que as suas exportações eram obrigatoriamente destinadas à trading CST Overseas, empresa sediada nas Ilhas Cayman e sua controlada indireta, que por sua vez revendia as mercadorias exportadas pela CST mediante obtenção de direito de crédito sobre os adquirentes finais, sendo que esse crédito era utilizado como lastro para a emissão de títulos no exterior subscrito por investidores estrangeiros. Na medida em que iam se encerrando as dívidas contraídas no âmbito da operação de securitização, de natureza exclusivamente financeira, as funções de trading da CST Overseas foram gradativamente, ao longo do ano de 2008, atribuídas para uma nova empresa, a Skadden (Ilha da Madeira), escolhida pela fiscalizada com o objetivo de reforçar a sua presença no mercado europeu. Também para reforçar sua presença no mercado europeu, a fiscalizada sustenta ter constituído na Holanda a holding CST BV. A fiscalizada alegou também (fl. 628) “que os lucros da CST Overseas e da Skadden são distribuídos à CST BV (Holding) e por ela aplicados na gestão de sua tesouraria. Uma das possíveis aplicações é o financiamento intragrupo através de prépagamento de exportações contratado com a CST Brasil (fl. 141)”. Ademais, esclareceu que a gestão financeira da empresa CST Overseas é exercida por profissionais da área financeira do grupo, tendo em vista a sua natureza eminentemente de empresa veículo de operações financeiras estruturadas. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 910 6 A fiscalização, com base nos argumentos expendidos pela Contribuinte, concluiu que a CST Overseas não era uma unidade autônoma, tratandose de empresa off shore, simples caixa postal. Ressalta que o movimento patrimonial da CST Overseas apresenta valores coincidentes com os movimentos da Skadden (Ilha da Madeira). Sustenta que os lucros auferidos por todas as suas controladas no exterior sejam elas diretas ou indiretas, sem distinção estão sujeitos à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, na medida das participações da controladora nessas controladas e do conceito de controlada dado pela legislação societária (art. 243, § 2o, da Lei n° 6.404/76); Aliado ao entendimento de que não há distinção entre controle direto e indireto para fins de tributação sobre bases universais, a fiscalização sustenta que a CST BV não possui propósito negocial, “já que dos funcionários disponíveis, 2 diretores são residentes no Brasil e a diretora lá sediada funciona apenas como procuradora (é remunerada em conjunto com a “Intertrust” para prestação de certos serviços administrativos). Invocando ainda os esclarecimentos dados pela fiscalizada, de que “os serviços administrativos e contábeis são prestados em parte pelo centro de serviços compartilhados do Grupo Arcelormittal situado em Luxemburgo, em condições de mercado, e em parte por terceiras empresas especializadas em auditoria e contabilidade situadas na Holanda (Price WaterhouseCoopers e Intertrust)”, a fiscalização assevera que a empresa CST BV não processa pessoalmente suas mutações e não toma decisões, enfim, não tem autonomia. Ressalta que “As empresas, via de regra, são constituídas com objetivos claros – o lucro e qual a maneira de obtêlo. A partir do fato de que a empresa holandesa existe apenas para tentar proteger sob o acordo de bitributação Brasil/Holanda os resultados auferidos por empresas existentes fora do território holandês, em paraísos fiscais, organizando de forma a parecer que detinham seus controles de forma completa e não somente no papel, deixa claro que o objetivo da sua criação era evitar a tributação...” (fls. 631/632). Assim entendeu a fiscalização que a CST BV não prevalece como estabelecimento permanente, vez que a direção, as negociações e tudo o mais que a cerca no mundo dos negócios são efetivamente realizados pela matriz localizada no Brasil. Do exame do artigo 74 da MP nº 2.15835, inferese que o IRPJ e a CSLL alcançam os lucros auferidos por controladas no exterior, na proporção das participações da controladora em suas controladas, em consonância com o disposto no art. 25, § 2º, II, da Lei nº 9.249/95, sendo aplicável o conceito de sociedade controlada previsto na legislação comercial – art. 243, § 2º, da Lei nº 6.404/76 – que alcança tanto o controle direto quanto o indireto. Destaca que os tratados internacionais celebrados no modelo da OCDE visam evitar a dupla tributação e não garantir isenção tributária. No caso abordado, afirma que a fiscalizada valeuse de planejamento tributário para não pagar tributos, ressaltando que as controladas da CST BV, controlada direta da fiscalizada, estão localizadas em paraísos fiscais (Ilha da Madeira e Ilhas Cayman). Invoca o julgamento do caso Eagle (Ac. 10197.070, Rel. Sandra Faroni, sessão de 17/12/2008), em que se decidiu que os resultados auferidos por controladas indiretas consideramse auferidos diretamente pela investidora brasileira, não se submetendo às regras de tratado internacional firmado com o país de residência da controlada direta, mormente quando esses resultados não são produzidos em operações realizadas no país de residência da controlada, o que evidencia planejamento fiscal para não tributalos no Brasil. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 911 7 Argúi que, mesmo que se admita a existência de propósito negocial subjacente, os lucros da controlada indireta consideramse auferidos diretamente pela investidora brasileira por força da legislação societária e fiscal interna. A empresa holandesa não atende ao “princípio da presença substancial” e não é “Beneficial owner” (beneficiário efetivo) do tratado celebrado com o Brasil, tanto por não apresentar prova documental capaz de demonstrar que a Holanda abriga a sua sede de direção efetiva, tanto pelo fato de que os lucros da empresa da Holanda são primordialmente originados nas controladas localizadas em paraísos fiscais, transladados para a Holanda através de distribuição de dividendos e equivalência patrimonial. Na hipótese de se reconhecer a aplicação do Tratado internacional celebrado com a Holanda, o que admite a título argumentativo, ressalta que a convenção não alcança a CSLL, porque à época da assinatura do acordo já existia a CSLL e essa contribuição não foi mencionada. Considera desnecessária a agregação de empréstimos chamados de pré pagamento de exportação, sendo que a o recurso do mútuo na realidade foi utilizado para evitar que os valores fossem recebidos corretamente a título de dividendos. Conclui na necessidade do lançamento no presente processo sobre os montantes de R$ 218.984.516,20 referentes aos lucros apurados pela CST Overseas e de R$ 1.479.765,80 correspondentes aos lucros da Skadden (Ilha da Madeira), totalizando R$ 220.464.282,00, bem como sobre a glosa de despesas referentes a juros (R$ 715.083,84) e variação cambial (R$ 9.394.750,00) sobre prépagamento de exportação. Intima a contribuinte a empreender as devidas retificações em seu Lalur. DA IMPUGNAÇÃO A Contribuinte apresentou impugnação às fls. 650/687, na qual alega, em síntese, o seguinte: Objeto, contexto e fundamento das autuações a) a autuação é formalmente nula, por alcançar período de apuração já fiscalizado e não abrangido pelo MPFF nº 08.1.71.002009002964, que tinha por objetivo exclusivo o período de 01/2006 a 12/2006. Alega também nulidade material, pautada nos argumentos de que: a.1) a adição direta e individualizada dos lucros obtidos pelas controladas direta e indiretas no exterior é contrária à regra de consolidação vertical e adição do resultado positivo de equivalência patrimonial preconizada na IN SRF nº 213/2002; a.2) as disposições da IN SRF nº 213/2002 conjugadas com as do Tratado contra a dupla tributação celebrado entre o Brasil e o Reino Unido dos Países Baixos (Decreto nº 355/91), explicam o procedimento adotado pela Autuada de não oferecer à tributação os lucros (resultados positivos de equivalência patrimonial auferidos pela controlada direta CST BV); Fl. 911DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 912 8 a.3) não há suporte fático nem jurídico para a imputação de falta de “autonomia plena” das controladas direta e indireta; a.4) quanto às despesas com encargos financeiros e variações monetárias passivas incorridas em operação de prépagamento de exportações contratada com a CST BV, não há base legal para a pretensão fiscal, tampouco demonstração da alegada desnecessidade das referidas despesas; Nulidade formal dos autos de infração b) O período de 2005 não tem amparo no MPF nº 08.1.71.002009002964, que é restrito ao períodobase de 2006. A Autuada não foi cientificada de um novo MPF específico para o período de 2005 ou de alterações no MPF primitivo relativas a períodos de apuração, nos termos do artigo 9º e parágrafo único, da Portaria RFB nº 11.371/07; c) Não foi emitida a ordem escrita prévia exigida pelo art. 906 do RIR/99 para o reexame de períodos já fiscalizados, considerando que o período de 2005 já foi objeto de fiscalização por parte da RFB, tendo importado inclusive na lavratura de autos de infração de IRPJ e de CSLL, para a validade do seu reexame seria imprescindível; Nulidade da autuação fiscal em matéria de lucros de controladas no exterior d) Improcede a exigência de tributação dos lucros das suas controladas no exterior da forma pretendida pelos autos de infração, qual seja, mediante a adição direta e individualizada dos lucros das controladas indiretas, sem que haja uma prévia consolidação dos mesmos ao nível da controlada direta (consolidação vertical), tal como preconizado pela própria Administração Tributária no § 6º do art. 1º da IN SRF nº 213/02; e) O entendimento da fiscalização para adicionar ao lucro da Autuada os lucros das controladas indiretas de forma direta, sem observar a consolidação ao nível da controlada direta, assentase em premissas equivocadas, quais sejam: interpretação incorreta da sistemática prevista pela IN nº 213/02 e da regra prevista no art. 16 da Lei nº 9.430/96; f) A fiscalização considerou disponibilizados lucros do exterior no montante de R$ 220.464.282,00, entretanto, nos termos do art. 7°, § 1º da IN 213/02, o valor máximo tributável a título de lucros de controladas no exterior seria de R$ 219.270.759,85, que é o resultado positivo de equivalência patrimonial do investimento da impugnante na CST BV (Holanda), conforme informado na Ficha 35 da DIPJ 2006; g) Não foi observado o princípio da proteção da confiança e da boafé e o princípio hierárquico como fundamentos do dever de observância da IN 213/02 pelo órgão de lançamento; h) Embora a questão do propósito negocial não tenha servido como fundamento para as autuações fiscais, discorda da tentativa de imprimir a uma organização empresarial solidamente construída ao longo dos anos a nódoa de falta de propósito negocial, eis que a CST BV (Holanda) é uma holding com funções de gestão de tesouraria, subordinada ao regime de cash pooling do Grupo ArcelorMittal à escala internacional. Considera que a substância da empresa em questão é perfeitamente adequada às funções que desempenha e o fato de contar com serviços profissionais de terceiros para certas atividades, sejam os Fl. 912DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 913 9 "terceiros" empresa do próprio Grupo ArcelorMittal ou profissionais reconhecidos internacionalmente, nem sequer arranha sua real e efetiva existência jurídica; i) A fiscalização incorreu em enorme confusão conceitual sobre o termo “estabelecimento permanente”, que determina as regras de competência exclusiva e cumulativa previstas no artigo 7º do Tratado firmado entre Brasil e Reino dos Países Baixos; j) A determinação contida no artigo 7º do Tratado com a Holanda derroga os artigos 25 da Lei n° 9.249/95 e 74 da MP n° 2.15835/01, por atribuir competência tributária exclusiva à Holanda, conforme farta jurisprudência administrativa; Aplicação do Tratado para CSLL k) infundadas as considerações tecidas no Termo de Verificação Fiscal no sentido de recusar a aplicação do Tratado BrasilHolanda à CSLL, visto que essa contribuição é substancialmente um adicional ao Imposto de Renda, embora tais considerações não tenham sido utilizadas como fundamento da autuação; Glosa de despesas l) É ilegal a glosa por indedutibilidade de encargos financeiros e variações monetárias passivas relativas a uma operação de prépagamento de exportações contratada com a empresa holandesa CST BV, por falta de fundamento legal, eis que o único e exclusivo fundamento do TVF está em que tais despesas reduziram o lucro tributável da Autuada "(...) ao traduzir lucros que poderiam ser repatriados como empréstimos, prejudicando terceiro interessado que é o Fisco Brasileiro." (fl. 683); m) As despesas em questão não se enquadram em qualquer dos inúmeros casos em que a lei prevê a dedução limitada e/ou condicionada. Não havendo restrição expressa como não há no caso de encargos financeiros e variações monetárias passivas (arts. 374 e 376 do RIR/99) – e tratandose de despesas necessárias, aplicase a regra geral do art. 299 do RIR/99, segundo a qual são dedutíveis as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, acrescentando o § 1º do mesmo artigo que "são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa”; n) A operação acoimada de "desnecessária" tratase, precisamente, de um contrato de prépagamento de exportações firmado entra Autuada, na sua condição de empresa exportadora, e a CST BV, na sua condição de gestora de tesouraria, ao abrigo da política de cash pooling do Grupo ArcelorMittal à escala internacional. Não há dúvidas que as despesas com operações dessa natureza são absolutamente necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pelas atividades da impugnante; o) Nem se cogite na aplicação da regra de indedutibilidade do art. 1º, § 3º da Lei nº 9.532/97 após a entrada em vigor do regime de tributação automática do art. 74 da MP nº 2.15835/01. E, ainda que aplicável tal dispositivo, a pretensa indedutibilidade alcançaria somente os juros, e não as variações monetárias passivas; p) Pede seja reconhecida a nulidade dos autos de infração por vício formal e por vício material, por ilegalidade das exigências, tanto decorrentes da adição dos lucros Fl. 913DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 914 10 obtidos pelas controladas indiretas no exterior, quanto das resultantes da glosa de indedutibilidade das despesas com encargos financeiros e variações monetárias passivas; q) Informa, por fim, que em face do efeito suspensivo próprio dos recursos administrativos estabelecido no art. 151, III do CTN, não estará promovendo as retificações do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL determinadas no Termo de Encerramento da ação fiscal. DA DECISÃO DA DRJ Em 27/02/2012, os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO1 julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido nos termos da ementa a seguir reproduzida (fl. 804/834): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO E INCLUSÃO DE PERÍODO FISCALIZADO. A ciência pelo sujeito passivo do início da fiscalização e demais alterações no curso do procedimento se dá por intermédio da Internet, mediante a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. PERÍODO JÁ FISCALIZADO. REEXAME. ORDEM ESCRITA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que indica o contribuinte, o tributo e o período a serem fiscalizados e foi emitido por servidor que recebeu competência do Delegado da Receita Federal do Brasil é uma ordem escrita a que se refere o artigo 906 do RIR/1999. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência do IRPJ, observadas as normas de tributação universal. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCLASSIFICAÇÃO DE EMPRESA SITUADA NO EXTERIOR. Aceitase a desclassificação de empresa situada no exterior com o fito de alcançar lucros produzidos por controlada dessa quando há indícios veementes de que a empresa controladora situada em país com tratado para evitar a dupla tributação atua como mera repassadora dos lucros auferidos por empresas sediadas em países com tributação favorecida, com o fito exclusivo de evitar a tributação no Brasil. BENEFICIÁRIO EFETIVO. ILÍCITOS ATÍPICOS. A constatação de que a empresa que reside em país contratante do Tratado Internacional para evitar a dupla tributação firmado entre Brasil e Reino dos Países Baixos não é a beneficiária efetiva dos benefícios fiscais pretendidos configura abuso de direito e fraude à lei, ilícitos atípicos, cuja ocorrência torna inválido o Fl. 914DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 915 11 planejamento tributário, devendo ser aplicada a norma de tributação que a contribuinte pretendeu evitar. APURAÇÃO DO VALOR DOS LUCROS DISPONIBILIZADOS NO EXTERIOR. Em razão da desclassificação de empresa interposta como controlada indireta no exterior, a disponibilização dos lucros das subsidiárias deve ser reconhecida de forma direta à controladora no Brasil, desconsiderandose a consolidação efetuada pela empresa desclassificada sobre os resultados de suas subsidiárias pelo método da equivalência patrimonial. GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Correta a glosa de despesas desnecessárias, contabilizadas a título de variação cambial sobre empréstimos para prépagamento de exportação que teriam que ser recebidos como dividendos do exterior, não fosse o planejamento tributário elisivo praticado pela contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 838/883) sustentando que, a decisão recorrida ao mesmo tempo em que reconhece o erro da fiscalização em deixar de aplicar as regras da IN 213/02, decidiu, adotando fundamentos jurídicos inovadores a respeito da “desclassificação de empresa situada no exterior” e do suposto cometimento de “ilícitos atípicos”, manter integralmente as exigências. Aduz, inovando e repisando os argumentos anteriores, que (i) não é possível simplesmente se desclassificar uma pessoa jurídica para se atingir o mesmo efeito de uma desconsideração da personalidade jurídica; (ii) tal desconsideração, além de não ter sido realizada por iniciativa da fiscalização, também não é admitida nos termos do Tratado Brasil Holanda; (iii) a CST BV está sujeita ao regime normal de tributação na Holanda (imposto sobre a renda de 25%) e adicional na fonte de 15% (no Brasil), o que evidencia o despropósito da argumentação fiscal no sentido de que a finalidade exclusiva da controlada direta era deixar de pagar IRPJ e CSLL no Brasil para pagar no exterior; (iv) se não existe vedação expressa aos procedimentos adotados pela Contribuinte, não há que se falar em fraude à lei; (v) o afastamento da aplicação de um tratado diante de uma acusação de “abuso de direito” só poderia ocorrer se houvesse norma que expressamente excepcionasse a sua aplicação, o que não ocorre com o Tratado BrasilHolanda; (vi) a tributação pretendida viola o disposto no art. 7º do Tratado BrasilHolanda que estabelece a competência exclusiva deste último país para tributar os lucros das empresas domiciliadas em seu território; (vii) a tributação tal como pretendida pelo acórdão recorrido está em desacordo com o art. 74 da MP nº. 215835/01 e sua regulamentação pela IN nº. 213/02, já que despreza os resultados próprios das controladas diretas, no qual se inserem os lucros apurados e os dividendos distribuídos pelas controladas indiretas; e (viii) não há base legal para a glosa da indedutibilidade das despesas com encargos Fl. 915DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 916 12 financeiros e variações monetárias passivas incorridas em operação de prépagamento de exportações contratada com a CST BV. É o relatório. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 917 13 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Tendo em vista a impossibilidade de o Conselheiro Relator formalizar relatório e voto dos presentes autos por não mais compor este colegiado, passo a fazêlo na condição de Redator ad hoc, adotando os fundamentos apresentados pelo Relator na sessão de julgamento, ressalvando que o posicionamento ora externado não se coaduna com meu entendimento sobre os temas ora tratados. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve pois, ser conhecido. Preliminares O acórdão recorrido afastou os argumentos de nulidade formal invocados na peça impugnatória, quais são: (i) respeitarem o período de apuração já fiscalizado (2005), sem que tivesse havido ordem escrita prévia autorizando o reexame (art. 906 do RIR/99); e (ii) o MPF 08.1.71.00200902964 que amparou a fiscalização tinha por objetivo exclusivo o período de 01/2006 a 12/2006. Afirma que teria havido alteração no MPF original em 24/11/2010 para a inclusão do ano de 2005 e que o MPF já configuraria a “ordem escrita” exigida pela legislação tributária como condição de validade do reexame de períodos já fiscalizados. A Recorrente, no entanto, afirma que o acórdão recorrido não se atentou para a determinação do art. 9º e parágrafo único da Portaria RFB 11.371/2007 (aplicável até junho de 2011), segundo o qual o contribuinte deverá ser cientificado de alterações relativas a período de apuração, no primeiro ato de ofício praticado pelo AFRFB após cada alteração. Assim, descumpridas as formalidades, seriam nulos os autos de infração. Sobre o tema, tenhase em mente que o MPF não constitui ato essencial ao procedimento fiscal e, conseqüentemente, ao lançamento fiscal, por representar, tão somente, instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. A função do MPF é a de delimitar, para fins de organização interna, o sujeito passivo e os tributos objeto do procedimento fiscalizatório, o período de apuração, os atos sob investigação e o prazo de duração do procedimento fiscal, não se consubstanciando em ato que atribua competência ao Auditor Fiscal para efetuar o lançamento. Pelo contrário, o lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN. Nessa toada, este Conselho tem entendimento no sentido de que, em sendo o MPF instrumento de mero controle administrativo, eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 918 14 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (...). (CARF, Acórdão 920200.637, CSRF 2ª Turma da 2ª Câmara, DOU em 12/04/2010). NORMAS PROCESSUAIS MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado (Acórdão CSRF/0202.187) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado (CSRF/0106.085, Sessão de 11.11.08). De outro giro, digase que não houve prejuízo para a Recorrente haja vista que, no caso concreto, a própria Recorrente reconhece ter sido, desde o início, demandada a apresentar esclarecimentos e documentação relativa inclusive ao anocalendário de 2005, tendo atendido às solicitações fiscais sem apresentar a menor ressalva em relação ao período que estaria abrangido pelo MPF. Ademais, menos razão assiste à Recorrente quanto à argüição de nulidade em razão de ter sido reexaminado período já fiscalizado sem ordem escrita do Delegado da Receita Federal do Brasil, pois, como afirmou a decisão recorrida, o próprio MPF assinado pela Delegada da Receita Federal do Brasil representa uma “ordem escrita” para o reexame, cumprindo a exigência feita pelo art. 906 do RIR/99. Ressaltese que, efetuando a consulta disponibilizada à fiscalizada desde o início da ação fiscal, a decisão recorrida constatou que o MPF original foi alterado em 24/11/2010 justamente para incluir no objeto da fiscalização o anocalendário de 2005 (fl. 802/803 dos autos), antes da lavratura dos autos de infração ora contestados e em observância ao artigo 4ºda Portaria RFB nº 1.1371/07. Inovação dos fundamentos jurídicos pelo acórdão recorrido Fl. 918DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 919 15 Sustenta a Recorrente que, o acórdão recorrido reconheceu o erro da fiscalização ao invocar o art. 243 da LSA para atribuir idêntico tratamento contábil aos lucros auferidos pelas controladas direta e indiretas, sem, contudo, esclarecer o evidente confronto dessa interpretação com o tratamento disciplinado pela IN 213/01. Assim, uma vez que reconheceu o erro incorrido pelo autoridade fiscal autuante na aplicação da lei (MP 215835/01), não tendo argumentos para “salvar” a autuação, inovou no fundamento jurídico do lançamento, promovendo a “desconsideração de pessoas jurídicas” e alegando haver um planejamento fiscal com abuso de direito e fraude à lei. Vale à pena transcrever as razões de decidir do acórdão recorrido nesse ponto: A impugnante sustenta que a adição direta e individualizada dos lucros obtidos pelas controladas direta e indiretas no exterior, tal como efetuado pela fiscalização, mostrase contrária à regra de consolidação vertical e adição do resultado positivo de equivalência patrimonial preconizada na IN SRF nº 213/2002. A autoridade fiscal mostrouse correta no entender que os lucros do exterior disponibilizados à empresa brasileira também alcançam os lucros apurados pelas controladas indiretas, em consonância com o conceito fornecido pelo artigo 243, parágrafo 2º da Lei 6404/76, introduzido no RIR/99 em seu artigo 384, § 2º. Por outro lado, assiste razão à impugnante em refutar a interpretação dada pelo fisco ao artigo 74 da MP 2135, que equivocadamente invoca o artigo 243 da lei societária para atribuir idêntico tratamento contábil aos lucros auferidos pelas controladas diretas e indiretas, sem esclarecer o evidente confronto com o tratamento disciplinado pela IN SRF nº 213/02. Apesar da leitura correta da norma societária, pecou a fiscalização ao definir o método de apuração pelo qual deve ser efetivada a tributação dos lucros auferidos pelas controladas indiretas, confrontante com a metodologia prevista na IN nº 213/02, que estabelece em seu artigo 1º qual é o regime de tributação aplicável aos lucros auferidos pelas controladas diretas (§ 5º) e aos lucros auferidos pelas controladas indiretas (§ 6º): ... Por sua vez, o artigo 7º da IN SRF nº 213/2002 determina a aplicação da equivalência patrimonial sobre os lucros das investidas no cálculo da equivalência patrimonial da controlada direta no exterior: .... A empresa brasileira tem a obrigação de oferecer à tributação os lucros auferidos tanto pelas afiliadas diretas quanto pelas indiretas, sendo que os lucros dessas últimas devem ser Fl. 919DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 920 16 consolidados nos resultados das empresas que detêm sobre elas participação direta, observada a apuração individualizada exigida pelo artigo 16, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Assim, via de regra, os lucros das investidas da CST BV, que são controladas indiretas da fiscalizada, seriam refletidos no patrimônio da CST BV e permitiriam a tributação no Brasil pelo método da equivalência patrimonial que, entretanto, não foi aplicado com respaldo no Tratado Internacional firmado entre Brasil e Reino Unido, sobre o qual se analisará adiante. Contudo, os métodos de apuração previstos no § 5º e § 6º do artigo 1º da IN nº 213/02 poderiam ser afastados se constatado e demonstrado defeito no ato jurídico que tivesse demandado a aplicação do método de consolidação vertical pretendido. E é justamente essa a hipótese sustentada pela fiscalização, que afirma pela ausência de autonomia e propósito negocial tanto da controlada direta CST BV (Holanda) quando da controlada indireta SKADDEN (Ilha da Madeira), para desconsiderar empresas em que, em situação normal, deveriam transitar os lucros de suas investidas. Merece razão a Recorrente quando afirma que o acórdão recorrido inovou no fundamento jurídico sustentando a prática de planejamento fiscal com abuso de direito e fraude à lei, pois, de fato, não há qualquer menção no TVF sobre abuso de direito e fraude à lei. Não há aplicação de multa qualificada e não houve a desconsideração da personalidade jurídica das controladas direta (Holanda) e indireta (Ilha da Madeira), muito embora o propósito negocial de cada uma delas tenha sido objeto de questionamento. Ocorre que, não é necessário que tenha ocorrido a desconsideração da personalidade jurídica da controlada ou a hipótese de abuso de direito e fraude à lei para que os lucros apurados por elas sejam passíveis de disponibilização, desde que (i) a hipótese esteja enquadrada nos termos do art. 74 da MP nº. 215835/01; e (ii) que fique demonstrado que os resultados que se pretende tributar são oriundos de atividades exercidas por pessoas jurídicas que não residem no Estado contratante do acordo internacional invocado para afastar a tributação. É o que será analisado no mérito. Ademais, cabe ressaltar que a decisão recorrida não merece ser anulada, pois ela não inovou completamente os argumentos ou alterou o fundamento legal da autuação. Embora ela tenha chegado a conclusões para além daquelas firmadas pela autoridade autuante, inovando em parte os argumentos, ela manteve a autuação valendose do principal argumento sustentado pelo Sr. Agente Fiscal autuante, fundamento legal da autuação, no sentido de que “os lucros do exterior disponibilizados à empresa brasileira também alcançam os lucros apurados pelas controladas indiretas, em consonância com o conceito fornecido pelo artigo 243, parágrafo 2º da Lei 6404/76, introduzido no RIR/99 em seu artigo 384, § 2º.” Mérito Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 921 17 Para logo, importa destacar que não está em discussão nos presentes autos a constitucionalidade das normas nacionais que tratam da tributação em bases universais ou a hierarquia entre os Tratados Internacionais e a legislação interna. Também não há nos autos qualquer imputação fiscal relacionada às hipóteses de dolo, fraude, simulação, interposição fictícia e abuso de direito, muito embora o propósito negocial das controladas direta (Holanda) e indireta (Ilha da Madeira – paraíso fiscal) tenha sido questionado pela autoridade autuante para corroborar seu entendimento no sentido de que a Recorrente, a partir da estrutura adotada, visava valerse do Tratado BrasilHolanda para deixar de tributar, no Brasil, os lucros da atividade exercida pela controlada indireta sediada nas Ilhas Cayman. A rigor, a discussão objeto dos autos está em saber (i) se a legislação nacional que disciplina tributação em bases universais autoriza a tributação dos lucros auferidos pelas controladas indiretas da Recorrente no exterior (Skadden e CST Overseas), ainda que tais resultados não tenham sido previamente consolidados na controlada direta (CST BV); e (ii) o alcance da proteção conferida pelo Tratado para Evitar a Dupla Tributação firmado entre o Brasil e Reúno Unido dos Países Baixos (Holanda), aprovado pelo Decreto nº. 355/91. Ademais, está em saber se (iii) a autoridade fiscal poderia considerar os lucros das controladas indiretas como auferidos diretamente pela Recorrente, sem antes proceder a consolidação dos resultados na controlada direta; e (iv) se é procedente a glosa de despesas com encargos financeiros e variações monetárias passivas incorridas pela Recorrente em operação de prépagamento de exportações contratada com a CST Corporation BV. Pois bem. A Lei nº. 9.249/95 instituiu a tributação, no Brasil, de lucros auferidos por filial, coligada ou controlada de pessoa jurídica brasileira situada no exterior. O novo regime de tributação em bases universais, conforme redação do art. 25 da citada lei, determina que lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Transcrevo a norma em comento, que explicita a sistemática de apuração dos lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas no exterior, demonstrando que a adição do lucro auferido no exterior não sofre qualquer interferência dos resultados da avaliação de investimentos reconhecidos pelo método de equivalência patrimonial e deve ser feita integralmente no caso de filiais e sucursais, na proporção da participação da pessoa jurídica nos lucros da coligada ou controlada: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 922 18 I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 923 19 demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Sem prejuízo do quanto exposto, o artigo 16 da Lei nº. 9.430/96 veio determinar que os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior fossem apurados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada. Posteriormente, a IN nº. 38/96 e a Lei nº. 9532/97 alteraram o momento da tributação dos lucros no Brasil para o balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que os lucros fossem disponibilizados. A partir daí, na tentativa de evitar que a tributação no Brasil dos lucros auferidos no exterior pudesse ser diferida indefinidamente, o artigo 74 da MP 215835/01 estabeleceu, por ficção, a disponibilização dos lucros auferidos por controladas e coligadas na data do balanço. Por relevante, vejamos a redação do dispositivo: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Como se vê, para fins do disposto no art. 74 da MP nº 2.15835/01, basta a apuração do resultado no balanço da controlada – seja ela direta ou indireta – para que se considerem disponibilizados os lucros para a controladora residente no Brasil. Adicionalmente, importa salientar que a redação do dispositivo não fez qualquer limitação quanto ao conceito de pessoa jurídica controlada, tendo utilizado apenas a expressão “controlada ou coligada no exterior”. Se dúvida há quanto ao alcance da norma, é certo que devemos socorrernos do direito societário, já que não cabe à legislação tributária estabelecer conceitos de institutos típicos de outros ramos do direito. Esse foi o entendimento adotado pela decisão recorrida, que utilizou o conceito de controlada trazido pelo § 2° do art. 243 da Lei n° 6.404/63 (Lei das Sociedades Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 924 20 Anônimas). Tal dispositivo estabelece que a expressão “controlada” abrange tanto a noção de domínio direto quanto indireto. Vale notar que o art. 1.098 do Código Civil de 2002 manteve a essência da concepção de entidade controlada fixada pelo mencionado § 2° do art. 243 da Lei nº. 6404/63. Assim, forçoso concluir que para a legislação civil (Lei das S.A. e Código Civil) a definição de sociedade controlada possui caráter amplo, sem fazer distinção entre a modalidade de controle direto ou indireto. É regra elementar de hermenêutica que o intérprete da norma não deve fazer distinções onde a norma não fez. Aceitar a aplicação do dispositivo somente para as controladas diretas significaria esvaziar o sentido da norma. Além disso, devese ter em conta, conforme já foi dito, que a norma do art. 74 da MP nº. 215835/01 pretendeu combater o diferimento indefinido dos lucros no exterior e os planejamentos tributários abusivos. Logo, por essa lógica, é mais razoável dizer que o legislador pretendeu alcançar tanto as controladas diretas quanto as controladas indiretas. Sobre o tema, já se debruçou a antiga 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por ocasião do julgamento do caso da empresa brasileira Eagle Distribuidora de Bebidas S.A, acórdão nº. 10197.070, proferido em 17/12/2008. Naquele caso, a estrutura societária avaliada era muito parecida com a dos autos, já que a Eagle possuía uma controlada direta na Espanha (a Jalua), que por sua vez controlava uma sociedade no Uruguai (a Monthiers), responsável pelo resultado operacional do grupo e onde ficavam concentrados os lucros do grupo. Analisando o tema, os conselheiros da E. Câmara concluíram, por maioria, que o art. 74 da MP 245835/01 permitia a tributação dos lucros da controlada indireta no exterior. Reforçando as razões já apresentadas, transcrevo parte das razões de decidir do voto vencedor daquele acórdão: (...). Desta forma, ao conceituar o termo "controlada" a norma fiscal abarca o conceito de direito civil e comercial, alcançando tanto aquelas controladas que a empresa no Brasil possua controle direto quanto à de controle indireto. Assim, para a legislação societária e fiscal, inclusive para o artigo 25 da Lei n° 9.249/95, que trata de lucros auferidos no exterior por controladas, não há distinção jurídica entre as empresas em que se mantenha controle direito ou indireto, ambas são empresa controladas. No caso em concreto, a Jalua (Espanha), a Monthiers (Uruguai) e a CCBA (Argentina) são, todas elas, controladas da Eagle no Brasil, razão pela qual, devem ser adicionados os lucros por elas auferidos no exterior ao lucro líquido da investidora no Brasil, nos termos do artigo 25 da Lei n° 9.249/95, devendo tais adições ser feitas de forma individualizado, consoante o comando do artigo o art. 16 da Lei n. 9.430/96. (...). Ora, para fins societários a Recorrente não nega que deve reconhecer os resultados auferidos no exterior por suas Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 925 21 controladas diretas e indiretas, o que de fato fez por ocasião de sua demonstração financeira. Aliás, reconhece estes resultados expressamente e por força da norma contida na Instrução CVM n° 247, de 27 de março de 1996, com suas posteriores alterações, que determina, em seu artigo 5°, que sejam avaliados pelo método da equivalência patrimonial "o investimento em cada controlada". Noutro giro, mesmo que a legislação espanhola não determine que a controlada direta proceda à equivalência patrimonial dos investimentos em controlada indireta da controladora no Brasil, esta deve proceder à equivalência patrimonial em cada controlada (direta e indireta) para efeito de atender as regras societárias brasileira. Acontece que o mesmo ocorre com a legislação fiscal, quando o artigo 16 da Lei n° 9.430/96, determina que os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas (diretas e indiretas) e coligadas, no exterior, devem ser considerados no lucro real de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada (direta ou indireta) ou coligada. (destaques não constam no original). De resto, o fato de haver ou não equivalência patrimonial na controlada direta dos lucros auferidos por controladas indiretas não afeta em nada o lucro tributável, ou melhor, a adição ao lucro tributável que a empresa no Brasil deve reconhecer para atender à regra do artigo 25 da Lei n° 9.249/95. Este normativo, em momento algum atribuiu qualquer efeito fiscal à equivalência patrimonial, mantendoa neutra em relação aos lucros auferidos no exterior. (...). Com efeito, concluo a primeira parte da análise para afirmar que o art. 74 da MP n° 2.15835/01 deve ser aplicado indistintamente às controladas diretas e indiretas, haja vista que a legislação tributária nacional determina a que os lucros das controladas devem ser considerados de forma individualizada e que a legislação tributária não fez distinção por modalidade de controle direto ou indireto. Avançando sobre o segundo ponto de discussão, entendo que não há como considerar ao abrigo do Tratado BrasilHolanda os lucros auferidos em terceiros países sem tratado, que tem apenas como passagem um dos Estados contratantes, já que, pela regra disposta no art. 7° do Tratado, os lucros por ele abrangidos são apenas aqueles auferidos pelos residentes dos Estados Contratantes. A autoridade autuante questionou o propósito negocial da CST BV e a decisão recorrida afirmou que houve planejamento tributário para utilizar abusivamente do Tratado BrasilHolanda. Contudo, tais questões não estão em discussão nos presentes autos e não são relevantes para a conclusão de que o Tratado BrasilHolanda só deve ser aplicado para lucros auferidos efetivamente em território holandês. Afirmar o contrário seria dizer que lucros produzidos em qualquer lugar do mundo, de “passagem” pela Holanda, estariam ao abrigo do Tratado BrasilHolanda, estendendo as regras acordadas a países com os quais o Brasil não possui tratado, o que, por certo, nunca foi o objetivo de Brasil e Holanda. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 926 22 Aliás, sublinhese que a partir do relatório fiscal restou claro que os lucros autuados não foram produzidos na Holanda. A transparência fiscal é o princípio jurídico que legitima a incidência do IRPJ e da CSLL sobre as empresas controladas diretas e indiretas no exterior por lucros fictamente disponíveis. Ela se mostra necessária para se afastar a suspeita de concorrência danosa no plano da globalização. Por essa razão é que o Fisco brasileiro torna transparentes os resultados das empresas controladas diretas e indiretas no exterior. Mesmo sem fazer juízo de valor quanto à constituição da holding holandesa, é possível afirmar que o caso dos autos se assemelha aos casos de “treaty shopping”, conhecida forma de abuso das convenções internacionais para evitar a dupla tributação, estrutura pela qual uma pessoa jurídica residente em país que não é parte de uma convenção, utilizase de outra pessoa jurídica dentro de um Estado que é parte, com o objetivo de obter as vantagens dos dispositivos das convenções. O treaty shopping é forma de abuso de direto, que viola o espírito do tratado. Uma vez que os lucros autuados não são próprios da CST BV (Holanda), já que não foram produzidos em território holandês, mas, sim, nas Ilhas Cayman, a CST BV se mostra meramente condutora para a passagem desses lucros ao Brasil. Por via de conseqüência, os lucros em questão devem ser vistos como lucros da CST Overseas, sediada nas Ilhas Cayman, País que não faz parte da convenção e dela não pode se beneficiar. Reforça esse entendimento o fato de que o Brasil já vem incluindo dispositivos com regras de clausura em convenções por ele assinadas, na tentativa de resguardar o efeito dos tratados e abolir a canalização de benefícios para terceiros. Por tudo isso, reputo correta a cobrança de IRPJ e CSLL sobre os lucros auferidos pelas controladas indiretas da Recorrente Skadden (Ilha da Madeira) e CST Overseas (Ilhas Cayman), que não estão alcançados pelas normas do Tratado BrasilHolanda. Revisão do lançamento Até aqui andou bem a fiscalização. No entanto, os apelos da Recorrente merecem amparo quando afirmam que se a tributação recai sobre lucros de controladas diretas e indiretas, o Sr. Agente Fiscal autuante deveria ter realizado a consolidação vertical dos resultados na CST BV (Holanda), para então apurar o montante devido. Mesmo porque, via de regra, é necessário verificar se a controlada direta possui prejuízos acumulados que possam ser compensados com os lucros por ela apurados a partir do resultado das controladas indiretas, o que, certamente, reduz a base de cálculo dos tributos. Destarte, merece razão a Recorrente quando afirma que além das regras de consolidação vertical, os autos de infração deveriam ter observado o disposto no art. 7º, § 1º da IN 2013/02, que fixou o resultado positivo de equivalência patrimonial como base de cálculo do IRPJ e da CSLL no que concerne às controladas no exterior. Assim, sendo regra a adição do resultado positivo, superada a questão de aplicação do Tratado BrasilHolanda, o valor máximo tributável a título de lucro de controlada Fl. 926DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 927 23 no exterior seria de R$ 219.270.759,85, que é o resultado positivo de equivalência patrimonial da Recorrente na CST BV, conforme DIPJ – Ficha 35. No caso concreto, em razão de ter considerado que a Recorrente deveria ter submetido os lucros das controladas indiretas diretamente e individualizadamente à tributação no Brasil, adotou como base de cálculo o valor de R$ 220.464.282,00 (R$ 218.984.516,20 – Cayman e R$ 1.479.765,80 – Ilha da Madeira, conforme TVF fl. 645), ultrapassando o limite máximo fixado pela legislação. Portanto, deve ser revisto o lançamento, efetuandose as devidas correções. Deixo de analisar a controvérsia relativa à abrangência da CSLL pelo Tratado Brasil Holanda (Decreto 355/91), posto que desnecessária ao deslinde da controvérsia. Glosa de Despesas Avançando, os autos de infração glosaram a dedução de despesas incorridas pela Recorrente no ano de 2005 com encargos financeiros e variações monetárias passivas relativas a uma operação de prépagamento de exportações contratada com a CST BV, por entender que a CSTV BV deveria ter repassado os valores a título de distribuição de dividendos para a Recorrente e não a título de empréstimo. As razões de convencimento da Fiscalização para afastar a dedutibilidade da despesa estão evidenciadas às fls. 645/646 dos autos, no Termo de Verificação Fiscal: De tudo que foi arrolado, justificando a tributação dos lucros de empresas controladas no exterior, percebemos que ao não trazer este lucros para a matriz no Brasil, ainda, a CST Corporation BV emprestou A Fiscalizada valores U$ 115.000.000,00, (conta 212.114) equivalente a R$ 269.180.000,00, a titulo de financiamento do exterior –prepagamento de exportações. Tais empréstimos redundaram durante o ano de 2005 em juros, contabilizados como provisão para encargos financeiros — LP — exterior — pre pagamento no valor de R$ 715.083,84 (conta 212314). A conta 212.114 do balancete da Fiscalizada corresponde no balancete da CST BV à conta 112901 e os juros à conta 112.902. E esta conta registra os eventos imputáveis ao contrato comercial de venda futura de coque celebrado pela Fiscalizada com a empresa Sol Coqueria Tubarão S/A (fl. 89) Este empréstimo, por ser em moeda estrangeira, acarretou lançamento de despesas de variação cambial /s prepagamento de R$ 9.394.750,00, lançados na conta 491014 da fiscalizada. Assim, reduziu o lucro tributável nos valores dc despesas acima mencionados, simplesmente, ao traduzir lucros que poderiam ser repatriados como empréstimos, prejudicando terceiros interessado que é o Fisco Brasileiro. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 928 24 Tributase R$ 9.394.750,00 referente a variação cambial e R$ 715.083,84 referente a juros, pela desnecessidade de imputálos aos resultados. Ora, se a autoridade fiscal autuante não fez qualquer acusação formal da ocorrência de dolo, fraude, simulação, interposição fictícia ou abuso de direito, não há que se falar na desconsideração do negócio jurídico operado entre as partes. Sobre o tema das dedutibilidade das despesas, o artigo 299 do RIR/99 dispõe que são operacionais as despesas necessárias, normais e usuais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. À vista disso, a necessidade da despesa é comprovada na medida em que ela é empregada na otimização das operações ou dos negócios exigidos pela atividade que constituiu o objeto social da pessoa jurídica. A usualidade, por sua vez, possui relação com a habitualidade da despesa na realização do objeto social, ainda que essa despesa não seja reiteradamente incorrida na prática. É necessário apenas que a despesa se justifique do ponto de vista negocial para que ela possa se tornar usual. É dizer, noutros termos, que a despesa será usual, se for normal ao tipo de negócio do contribuinte, ainda que ocorra de forma excepcional ou esporádica. Ademais, despesa normal é aquela que pertine à realização das atividades e dos negócios da pessoa jurídica. Conforme os fatos narrados está claro que a natureza da despesa está diretamente relacionada às atividades da Recorrente. É indiscutível que a despesa contribuirá com a manutenção da fonte produtora da Recorrente, possuindo relação com o seu objeto social, tratandose de atividades totalmente normais no seu ramo de atividade. O debate maior, reside, portanto, em torno da necessidade da despesa. No entender do S´r. Agente Fiscal autuante, é questionável se a Recorrente necessitava contratar o referido empréstimo, já que a CST BV poderia ter repassado os valores para a Recorrente a título de distribuição de lucros. Ocorre que, para que não permaneça no âmbito das subjetividades, o conceito de necessidade não pode estar atrelado a um juízo de valor por parte do contribuinte ou do Fisco. Por isso, diversos doutrinadores têm afirmado que a despesa é necessária desde que paga e efetivamente incorrida para realizar qualquer negócio exigido pela atividade e objeto social da pessoa jurídica contratante. O subjetivismo no entendimento fiscal é evidente, pois a fiscalização não apresenta argumentos para contestar a operação de prépagamento de exportações em si ou a razoabilidade dos valores emprestados. Diante disso, entendo que a despesa tomada pela Recorrente é dedutível e atende aos critérios de normalidade, usualidade e necessidade. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 929 25 Conclusão Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário da contribuinte para (i) manter a tributação, pelo IRPJ e pela CSLL, do lucro auferido no exterior pelas controladas indiretas (Arcelor Mittal Trading Lda., à época dos fatos denominada Skadden Consultoria e Serviços Ltda., com sede em Portugal e CST Overseas, com sede nas lhas Cayman); (ii) determinar a revisão do lançamento para a consolidação dos lucros auferidos pelas controladas indiretas na CST BV (Holanda); e (ii) afastar a glosa da despesa com encargos financeiros e variações monetárias passivas. (Assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Fl. 929DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 930 26 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator Designado Em que pesem os valiosos argumentos do ilustre Conselheiro Relator, ouso discordar do entendimento a respeito da consolidação dos resultados das controladas indiretas na controlada direta, aplicandose então o tratado para evitar dupla tributação. Excerto do voto condutor do aresto recorrido demonstra bem o limite da lide em questão: Constatação essencial à desconsideração de pessoas jurídicas implementada pela autoridade fiscal é a existência de elementos que configurem a falta de propósito negocial ou outra forma de abuso de direito com finalidade elisiva. No presente caso, além de apontar indícios de falta de autonomia, a fiscalização confronta os balanços apresentados pela fiscalizada para demonstrar que os resultados apurados pela CST OVERSEAS transitaram apenas formalmente pelo patrimônio das empresas mais próximas à fiscalizada no Brasil na cadeia societária. Principalmente a CST BV, cujos lucros estariam “protegidos” da pretensão fiscal brasileira por tratado internacional firmado entre Brasil e Holanda, seria, no entender da fiscalização, apenas uma pessoa jurídica intencionalmente interposta na cadeia societária com o propósito específico de não ter os lucros da CST OVERSEAS tributados no Brasil. A tese da fiscalização repousa na constatação de que a fiscalizada no Brasil era a destinatária final dos lucros originados na CST Overseas (Cayman), os quais eram recebidos a título de empréstimos para fins de prépagamento de exportação, contidos nas contas 112901/21 pela CST BV (contas de ativo) e 214114/314 pela fiscalizada (conta do ativo). A interposição das empresas CST BV e da SKADDEN teria se prestado a transformar esses lucros em lucros protegidos por tratado internacional firmado entre Brasil e Reino Unido, que territorialmente não alcança o país em que efetivamente auferidos os lucros em questão (Ilhas Cayman). [...] [...] Em síntese, segundo a fiscalização, o mesmo planejamento fiscal teria servido tanto para afastar a tributação sobre os lucros apurados por controlada sediada em paraíso fiscal (mediante interposição da subsidiária em país beneficiado por tratado internacional), quanto para [...] Esclareçase que a autoridade fiscal, em sua desconsideração para fins fiscais de empresas pertencentes à cadeia societária, não apontou defeito na constituição das controladas mas sim na existência e desígnio das empresas CST BV e SKADDEN. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 931 27 Os demonstrativos fiscais e contábeis apresentados pela própria fiscalizada foram relevantes para a formação da convicção da fiscalização, fortemente respaldada nos os demonstrativos de valores apresentados no termo de verificação fiscal, que denotam a transferência direta de resultados à CST BV, subsidiária integral da autuada. Os dividendos repassados à SKADDEN, por sua vez, coincidem com a equivalência patrimonial efetuada na CST BV (Holanda) sobre essa que era sua subsidiária integral. Por fim e, coincidentemente, os resultados da equivalência patrimonial no investimento da SKADDEN eram repassados à controladora no Brasil a título de empréstimo. Contratualmente, as exportações da controladora no Brasil eram obrigatoriamente destinadas à trading CST Overseas, empresa sediada nas Ilhas Cayman e sua controlada indireta, que por sua vez revendia as mercadorias exportadas pela CST mediante obtenção de direito de crédito sobre os adquirentes finais, sendo que esse crédito era utilizado como lastro para a emissão de títulos no exterior subscrito por investidores estrangeiros; Releva notar que as funções de trading da CST Overseas foram gradativamente, ao longo do ano de 2008, atribuídas à empresa Skadden (Ilha da Madeira), que figurava como controlada direta da CST BV (Holanda) na cadeia societária. Não parece plausível que tenha se tratado apenas de uma estratégia para “reforçar a presença da empresa brasileira no mercado europeu”, tal como sucintamente alegado pela fiscalizada, mas sim, a retirada gradativa de empresa da cadeia societária por já ter cumprido seu objetivo de planejamento tributário. Embora não esteja inequivocadamente demonstrado que a empresa holandesa não atende ao “princípio da presença substancial”, tal como concluído pela autoridade fiscal, há evidências suficientes nos autos que comprovam que essa empresa, a CST BV, não é beneficial owner (beneficiário efetivo) do tratado fiscal celebrado entre Brasil e Reino dos Países Baixos, eis que os seus lucros são primordialmente originadas nas controladas localizadas em paraísos fiscais, posteriormente transladados para a Holanda através de distribuição de dividendos e equivalência patrimonial (ver demos a fl. 866). A constatação de que a CST BV não é beneficiária efetiva do tratado internacional em relação aos lucros recebidos de suas controladas é reforçada pelo fato de que o vínculo entre as controladas indiretas e a impugnante é construído apenas por laços de subsidiariedade integral, bem como a constatação de que as mutações patrimoniais na cadeia societária refletem basicamente os resultados das controladas indiretas. [...] Portanto, mostramse suficientes os elementos caracterizadores da conduta ilegal apresentada pela contribuinte, evidenciando claramente a realização de verdadeiro planejamento tributário com abuso de direito e fraude à lei (no caso, à aplicação do artigo 74 da MP 2.15835), que deve ser rechaçado pelo Fisco. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 932 28 A invocação feita pela fiscalização ao caso Eagle (acórdão 101.97.070 do CARF, relatora Conselheira Sandra Maria Faroni) é bastante pertinente à situação. Referido julgado repousou sobre o oferecimento à tributação dos resultados auferidos pela Monthiers, empresa uruguaia controlada indireta da autuada Eagle, por terse entendido que a Jalua, sediada na Espanha e beneficiária de tratado internacional, teria sido interposta com o objetivo de não ter os resultados de sua controlada direta, a Monthiers, tributados no Brasil. A relatora do caso Eagle, em seu voto vencido, analisou a questão sob a ótica da legislação de transparência fiscal internacional (a chamada “legislação CFC”, abreviatura de controlled foreign companies), consignando que essa análise “implica considerar que o lucro foi auferido diretamente pela empresa brasileira, e não pela empresa espanhola, o que o retiraria da submissão ao Tratado. O deslinde do litígio passa a se situar na verificação da compatibilidade da lei brasileira de transparência fiscal com o Tratado., tendo concluído, nesse aspecto, que a regra brasileira de transparência fiscal (art. 74 da MP nº 2.15835) é compatível com os acordos internacionais que seguem o modelo da OCDE, somente nas situações em que está caracterizado o intuito abusivo do investimento no exterior, ou na hipótese de utilização dos tratados como instrumento de planejamento fiscal estruturado com o objetivo exclusivo de evitar a tributação no Brasil. Como nenhuma dessas situações foi indicada naquele lançamento, a relatora entendeu que deveria ser aplicado o tratado para afastar a tributação dos resultados auferidos pela controlada indireta Monthiers. Ocorre que a autuação ora analisada, diversamente do que a relatora do caso Eagle vislumbrou ter ocorrido naquela autuação, efetivamente apresenta acusações e elementos caracterizadores de planejamento tributário abusivo, devidamente consignados no Termo de Verificação Fiscal com a finalidade de afastar a proteção do tratado firmado entre Brasil e Reino dos Países Baixos aos lucros auferidos por empresas que não estejam situadas nos Estados Contratantes. Ou seja, podendose apurar nos autos que os resultados de equivalência patrimonial da CST BV (Holanda) originaramse primordialmente dos lucros auferidos pela CST Overseas (Ilhas Cayman) e tendo essa acusação sido consignada no auto de infração, o artigo 74 da MP 2.15835 deve perfeitamente ser aplicada como norma de transparência fiscal, técnica internacionalmente reconhecida pra evitar planejamentos abusivos em matéria de tributação dos lucros auferidos no exterior. A despeito de não comungar da não distinção de tratamento tributário conferido aos resultados de controladas diretas e indiretas em caráter geral, consoante aplicado no voto condutor perfilhado pela maioria dos julgadores do CARF no caso Eagle, a pretensão da recorrente dos autos não sobrevive às irrefutáveis considerações consignadas naquele voto, abaixo reproduzidas, que dizem respeito à delimitação do alcance dos benefícios previstos nos tratados firmados segundo o modelo da OCDE: Fl. 932DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 933 29 Não pode a Recorrente invocar em seu benefício o tratado celebrado entre os Estados acima contratantes, que visou evitar a dupla tributação dos lucros auferidos pelas sociedades residentes dos respectivos Estados, a fim de obter uma economia de imposto decorrente de lucros auferidos por outra sociedade controlada/interligada residente num terceiro Estado, os quais não fazem jus ao benefício em razão de sua situação substancial. De fato, não há como considerar ao abrigo do tratado Brasil Espanha, os lucros auferidos num terceiro país sem tratado, que tem apenas como passagem um dos Estados contratantes, eis que, pela regra disposta no art. 7º do Tratado, os lucros por ele abrangido são apenas aqueles auferidos pelos Estados Contratantes, aliado ao fato de que pela lei societária e fiscal, os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada ou coligada no exterior mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão considerados no balanço para efeito societário, bem como, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálclo da CSLL da beneficiária no Brasil. No caso ora apreciado, o planejamento fiscal que pretendeu oporse ao Fisco evidenciase em dois outros aspectos concretos: i) há um controle inequívoco da empresa estrangeira CST BV pela empresa nacional, que é sua controladora integral; ii) a entidade controlada em que produzidos os lucros cuja tributação se discute localizase em uma jurisdição fiscal favorecida, as Ilhas Cayman (paraíso fiscal). Cumpre ressaltar que o abuso de direito e a fraude à lei ora vislumbrados não configuram inovação no fundamento da autuação, sendo suficiente o fato de que os aspectos de tais institutos foram claramente consignados no Termo de Verificação Fiscal. Assim, sob o prisma de planejamento tributário inoponível ao Fisco, afigurase correta a desconsideração das interpostas empresas CST BV e SKADDEN, com a consequente inaplicabilidade das normas do Tratado Internacional firmado entre Brasil e Reino dos Países Baixos sobre os resultados auferidos pela controlada indireta CST OVERSEAS, localizada nas Ilhas Cayman. Tal matéria acaba de ser analisada por este Colegiado. E, no bojo do acórdão nº 1402001.881, de lavra do Eminente Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, firmouse o entendimento de que se demonstrado nos autos ter havido a consolidação do resultado das controladas indiretas nas controladas diretas, sendo esta desprovida de propósito negocial, com o intuito exclusivo de evitar a tributação dos resultados, correta a desconsideração dos efeitos tributários daí decorrentes, e o procedimento de entender como disponibilizados diretamente na controladora no Brasil, os lucros das controladas indiretas. Assim sendo, peço vênia ao Ilustre Conselheiro para adotar como fundamento de meu voto suas razões de decidir, as quais transcrevo a seguir: Fl. 933DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 934 30 A questão deve ser avaliada por dois aspectos: o normativo e o fático. Da leitura do texto legal não se vislumbra qualquer distinção entre controladas diretas ou indiretas para efeito de adição, ao resultado da controladora, dos lucros auferidos pelas controladas no exterior. Talvez a principal razão esteja no próprio conceito de sociedade controlada definida como aquela na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei n° 6.404/76, § 2°, do art. 243). Na exposição de motivos do mencionado dispositivo, a ausência de distinção fica ainda mais clara: " O conceito de sociedade controladora corresponde ao de acionista controlador, do parágrafo único do art.116, com as adaptações necessárias para compreender quaisquer formas de sociedade controladas (e não apenas a de companhia) e a possibilidade de controle indireto, através de cadeia ou pirâmide de sociedades. Além disso, não se requer, no caso de sociedades, o efetivo exercício do poder de dirigir as atividades das sociedades controladas, que se presume nas relações intersocietárias" A definição da legislação civil e comercial foi abraçada pela legislação tributária com a reprodução literal do conceito no texto do § 2°, do art. 384, do RIR/99. §2° Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei n° 6.404, de 1976, art. 243,§2°) Portanto, para a legislação societária e fiscal, inclusive para o artigo 25 da Lei n° 9.249/95, que trata de lucros auferidos no exterior por controladas, não há distinção jurídica entre as empresas em que se mantenha controle direto ou indireto. Sob essa ótica, as empresas controladas pela [...] são controladas da autuada, motivo pelo qual os lucros auferidos por aquelas Fl. 934DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000326/201091 Acórdão n.º 1402001.875 S1C4T2 Fl. 935 31 devem ser adicionados ao resultado da controladora no Brasil. Nos termos da legislação já mencionada em momento anterior deste voto, a adição deve ocorrer de forma individualizada levandose em consideração o resultado das controladas indiretas separadamente das controladas diretas [...]. Esse mesmo raciocínio derruba o argumento no sentido de que a tributação do lucro das controladas indiretas diretamente na empresa brasileira representaria a desconsideração da personalidade jurídica da controlada direta. [...] Como já afirmado, as controladas indiretas, pela legislação brasileira, também são empresas controladas para fins societário e fiscal, tendo em vista que inexiste na legislação sobre a tributação dos lucros auferidos no exterior qualquer regra que determine a tributação de lucros de uma controlada, a de controle direto, e a não tributação dos lucros de outra controlada, a de controle indireto. Ao contrário, a norma é expressa ao determinar tributação dos lucros auferidos no exterior por intermédio de empresas controladas, que abarca a tributação do lucro tanto de controladas direta como o lucro de controladas indiretas. Não há dúvidas de que os tratados assinados pelo Brasil e Reino Unido/Países baixos para evitar a dupla tributação jamais tiveram como objetivo impossibilitar a exação de resultados auferidos em outros territórios, em especial em países com tributação favorecida (“paraísos fiscais”), sob pena de darse guarida ao abuso de direito aplicado aos tratados. Assim sendo, entendo que, nesse ponto, a decisão recorrida deve ser mantida, negandose provimento ao recurso em relação a tal matéria. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Fl. 935DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13982.721042/2013-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009, 2010
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALÍQUOTA ZERO. RECEITAS OMITIDAS POR PRESUNÇÃO LEGAL.
Não havendo por parte do contribuinte, através de documentação hábil, a identificação das mercadorias vendidas e havendo apuração de omissão de receitas por presunção, impossível estabelecer a aplicação da alíquota zero prevista no artigo 28 da Lei 10865/2004.
Numero da decisão: 3803-006.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009, 2010 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALÍQUOTA ZERO. RECEITAS OMITIDAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. Não havendo por parte do contribuinte, através de documentação hábil, a identificação das mercadorias vendidas e havendo apuração de omissão de receitas por presunção, impossível estabelecer a aplicação da alíquota zero prevista no artigo 28 da Lei 10865/2004.
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ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALÍQUOTA ZERO. RECEITAS OMITIDAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. Não havendo por parte do contribuinte, através de documentação hábil, a identificação das mercadorias vendidas e havendo apuração de omissão de receitas por presunção, impossível estabelecer a aplicação da alíquota zero prevista no artigo 28 da Lei 10865/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. 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Não havendo por parte do contribuinte, através de documentação hábil, a identificação das mercadorias vendidas e havendo apuração de omissão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 10 42 /2 01 3- 46 Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.721042/201346 Acórdão n.º 3803006.952 S3TE03 Fl. 1.280 2 receitas por presunção, impossível estabelecer a aplicação da alíquota zero prevista no artigo 28 da Lei 10865/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração decorrente de ação fiscal contra o contribuinte que não logrou êxito em comprovar a origem de depósitos bancários em conta corrente e/ou conta investimento, sendo considerada omissão de receita não oferecida à tributação. Consequentemente, foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, de Contribuição Social sobre o Lucro, de COFINS e de Contribuição ao PIS, tudo com a aplicação de multa de ofício de 150%. De pronto, deve ser esclarecido que o contribuinte aceitou a autuação em relação à cobrança do IRPJ e CSLL e não teve contencioso nesta proporção. Assim, remanesce a discussão em torno da cobrança de PIS e COFINS, calculada às alíquotas de 0,65% e 3,0% respectivamente, tanto sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, quanto sobre as receitas brutas na revenda de mercadorias. No curso da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditícios listados em planilha, anexada, cujos registros contábeis foram identificados e lançados à crédito no grupo EMPRÉSTIMOS DE PESSOAS LIGADAS, do Passivo da empresa – conta contábil n° 4452MÁRIO KIYOCHI KONDO, tendo como contra partida lançamentos à débito nas contas contábeis do Ativo da empresa – cta contábil 4417 – Citibank S/A; 4423 e 4430Banco Itaú S/A; e 4446 – Banco Santander S/A; no período de Janeiro/2009 a Dezembro/2010. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.721042/201346 Acórdão n.º 3803006.952 S3TE03 Fl. 1.281 3 Em explicações dadas à fiscalização, o contribuinte afirmou que seu faturamento se dá pela venda de hortaliças, em especial, tomates, por meio de “intermediação ou consignação”; que as notas fiscais eram emitidas diretamente dos pequenos produtores rurais diretamente aos adquirentes, mas que, pela intermediação, o contribuinte Mario ME recebia os valores dessas vendas e, nos acertos financeiros, repassava o que de devido aos produtores, ficando com uma comissão da ordem de 10% (dez por cento) do montante negociado. O contribuinte esclareceu que os valores lançados a crédito na conta contábil n° 4452MÁRIO KIYOCHI KONDO, na realidade, não se tratava de empréstimos, sendo os valores ali registrados oriundos de vendas realizadas diretamente pelos produtores através de notas fiscais de produtores. Os pagamentos/depósitos dessas notas ficais teriam transitado indevidamente em suas contas bancárias, pois o contribuinte MARIO ME era remunerado apenas com a comissão de intermediação. Ainda afirmou que sua contabilidade não representa adequadamente as informações comerciais e financeiras, para os anos calendário de 2009 e 2010, a que deveria se prestar a fazer. Em 16/09/2013 foram apresentadas à Fiscalização algumas declarações de produtores rurais indicando a "parceria" com o contribuinte MÁRIO ME, pelo que este receberia uma comissão pela comercialização da produção rural do respectivo declarante. Destacouse ainda, que o contribuinte MÁRIO ME efetuava as operações de intermediação com uso de recursos próprios, sendo responsável pela venda e recebimentos, e posteriores repasses (pagamentos) ao produtor rural. Também trouxe o contribuinte MÁRIO ME, uma "Declaração" da Prefeitura Municipal de CaçadorSC, datada de 15/07/2013, em que há a indicação de que NÃO se exige a contranota (nota de entrada) referente às vendas de produtos rurais de adquirentes domiciliados em outros estados da Federação. Registrase que foram excluídos da autuação os créditos bancários em relação aos quais a fiscalização constatou vinculação documental entregue pelo contribuinte, como de propriedade de terceiros (outros produtores rurais) e aqueles que se referiram a saques de aplicações financeiras ou de contas de poupança, conforme prevê o parágrafo 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Os valores declarados em DASN não se comunicam com os apurados nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a movimentação bancária relativa não foi contabilizada e tais valores não guardam vinculação inequívoca com os depósitos bancários e notas fiscais intermediadas, visto que o contribuinte, intimado, nada comprovou. Importante constar que o contribuinte foi excluído de ofício (Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 065/2013) do SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01/01/2009, por conta da verificação de omissão de receitas; falta de escrituração da movimentação financeira e falta de emissão de documento fiscal de venda ou prestação de serviço. Em sede de impugnação parcial, eis que o contribuinte aceitou a cobrança de IRPJ e CSLL, argumentou que não teve máfé em nenhum momento; que a origem dos depósitos está comprovada pelos documentos entregues, sobretudo, o contrato social e as declarações de diversos clientes, em que se verifica a dedicação empresarial na venda de “tomates”. Ademais, insurgese contra a cobrança de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de ‘tomates”, eis que se trata de produto hortifrutigranjeiro sujeito à alíquota “zero”, nos termos do art. 28, III da Lei 10.865/2004. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.721042/201346 Acórdão n.º 3803006.952 S3TE03 Fl. 1.282 4 A DRJ/SPO manteve a exigência do crédito tributário, julgando improcedente a impugnação. Extraise do acórdão recorrido que foi observado que a fiscalização já havia excluído da autuação os créditos bancários em relação aos quais a fiscalização constatou vinculação documental entregue pelo contribuinte, como de propriedade de terceiros (outros produtores rurais) e aqueles que se referiram a saques de aplicações financeiras ou de contas de poupança, conforme prevê o parágrafo 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. E desta proporção não houve a cobrança de PIS e COFINS. Ainda a decisão a quo refutou o argumento de que a impugnante alega que vários compradores faziam depósitos em conjunto de compras, ou seja, recebiam um caminhão de tomates, que era de vários produtores, mas pagavam um valor único (depositado na c/c da empresa Mario K. Kondo) pois não queriam fazer pagamentos picados a vários produtores rurais, e que eventualmente o pagamento era inferior ao pedido, nos casos em que o produto chegava verde ou passado ou amassado. Prevaleceu o entendimento de que as presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado, mediante apresentação da prova da origem dos depósitos bancários, para o que requerse a necessária vinculação dos depósitos às operações comerciais identificadas nas notas fiscais apresentadas pela impugnante. Em relação à tese jurídica trazida pela contribuinte, tendente a eximirse da autuação em função da previsão legal inserta no inciso III, do art. 28 da Lei 10.865/2004 – “alíquota zero”, a DRJ/SPO concluiu que não há provas nos autos que possibilite correlacionar as notas fiscais juntadas com os valores lançados sobre omissão de receitas presumidas nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, a falta de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que poderia comprovar a vinculação dos referidos depósitos com as vendas que teriam sido intermediadas pela impugnante mas não escrituradas como receitas, permanece incomprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas correntes da impugnante, para todos os efeitos fiscais. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte repisa sua linha de argumentação, requerendo o cancelamento da cobrança de PIS e COFINS, forte no art. 28, III, da Lei 10.865/2004. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. A questão me parece simples e praticamente se esgota pelo contencioso já acontecido na primeira instância. Toda a questão gira em torno de prova, com arrimo no art. 42 da Lei 9.460/96, senão vejamos: Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.721042/201346 Acórdão n.º 3803006.952 S3TE03 Fl. 1.283 5 Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, antes de qualquer possibilidade de aplicar a tese jurídica trazida pela Recorrente, qual seja, o descabimento da cobrança de PIS e COFINS sobre as receitas que decorram da venda de “tomates”, visto que estes tem previsão de alíquota zero, na forma do art. 28, III, da Lei 10.865/2004, deve efetivamente haver prova hábil e idônea de que a movimentação bancária corresponda a tais operações. E é justamente neste quesito que a Recorrente não logra êxito. Embora traga algumas provas de que realmente houve a venda de “tomates” que deram origem aos depósitos bancários em questão, anos calendários 2009 e 2010, estes valores não foram objetos da autuação. De resto, tratase de algumas notas fiscais, que além de ilegíveis, representariam o movimento de apenas 20% do total dos depósitos não identificados, cujos valores são ainda incompatíveis com os lançamentos bancários. Além disto, as simples declarações de clientes da Recorrente, de que realmente esta se dedica à venda de “tomates”, não é suficiente para comprovar que todos os depósitos bancários estão ligados a tal atividade. Enfim, tanto no decorrer da ação fiscal, quanto na DRJ/SPO e agora em sede de recurso voluntário, a Recorrente não conseguiu fazer a prova que lhe competia, conforme exige o artigo 42 da Lei 9.460/96, não elidindo a conclusão de que se trata de depósitos bancários com origem não comprovada. Desta forma, ainda que tal atividade, a receita de venda de “tomates” esteja abrangida pela alíquota zero, na forma do art. 28, III, da Lei 10.865/2004, no caso dos autos não há como afastar a exigência tributária imposta pela fiscalização. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose na íntegra o crédito tributário. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13982.721042/201346 Acórdão n.º 3803006.952 S3TE03 Fl. 1.284 6 Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16027.000048/2007-34
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1993 a 30/09/1995
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
O direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário relativo a pagamento indevido ou a maior extingue-se no prazo de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, aos pedidos administrativos protocolizados anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, não lhes aplicando, assim, o prazo previsto na mencionada Lei Complementar, conforme posicionamento do STF.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3801-005.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer o prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar da data do fato gerador da contribuição para o PIS/PASEP até a data do requerimento administrativo.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário relativo a pagamento indevido ou a maior extinguese no prazo de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, aos pedidos administrativos protocolizados anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, não lhes aplicando, assim, o prazo previsto na mencionada Lei Complementar, conforme posicionamento do STF. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer o prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar da data do fato gerador da contribuição para o PIS/PASEP até a data do requerimento administrativo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 00 00 48 /2 00 7- 34 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto os termos do relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sintetizado nos seguintes termos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (fls. 2/4) e Declaração(ões) de Compensação (fls. 5/11 e processos apensados) de crédito(s) da Contribuição para o Pasep, no valor de R$136.213,78, com débito(s) da mesma contribuição. A DRF de Sorocaba(SP), por meio do despacho decisório de fls. 26/29, indeferiu o pedido de restituição e não homologou a(s) compensação(ões) declarada(s), em razão de decadência do direito à repetição pela fluência de prazo superior a cinco anos entre as datas dos recolhimentos supostamente indevidos e a data do Pedido de Restituição. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 51/118, alegando, em extenso arrazoado, que seu direito creditório é originário da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis nºs. 2.445 e 2.449, que teria resultado em recolhimento a maior; que o prazo para repetição de indébito é de dez anos, conforme entendimento pacificado no STJ. Tratou do direito à compensação, discorrendo sobre seus fundamentos constitucionais e legais. Defendeu a correção monetária sobre o indébito. Transcreveu jurisprudência para embasar suas alegações. No tocante à aplicação da Lei Complementar nº 118, de 2005, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para repetição de indébito, argumentou tratarse de inovação cuja retroatividade, prevista em seu art. 4º, foi julgada inconstitucional pelo STJ. Fez considerações sobre suspensão da exigibilidade do crédito, requerendo ao final a reforma do despacho decisório. Foram apensados a este os seguintes Processos: 16027.000050/200711, 16027.000054/200791, 16027.000053/2007 47, 16027.000051/200758, 16027.000055/200736, 16027.0000052/200701 e 16027.000049/200789. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO Processo nº 16027.000048/200734 Acórdão n.º 3801005.288 S3TE01 Fl. 313 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS COM MAIS DE CINCO ANOS. O Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação de pagamentos efetuados há mais de cinco anos da data de sua apresentação devem ser formalizados em formulários de papel. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não se conformando com a decisão proferida pela DRJ/RPO, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pede a reforma da decisão recorrida, trazendo em seu bojo vasta jurisprudência a cerca do prazo decadencial, como também, reafirma que todos os comprovantes de recolhimento “DARF”, os quais originaram os dados constantes das planilhas de cálculos, foram disponibilizadas ao fisco, trazendoos, inclusive, ao processo. Conclui seu recurso nos seguintes termos: PARA FINS DE SOLUCIONAR A DÚVIDA EXISTENTE POR PARTE DA COLENDA 4ª TURMA DE JULGAMENTO, ANEXAMOS NOVAMENTE "PLANILHAS DE CÁLCULOS" OS "DARFS" ORIUNDOS DOS PLEITOS FORMULADOS, SEM QUE ISSO VENHA IMPLICAR EM PRECLUSÃO DO DIREITO À APRESENTAÇÃO DAS PROVAS INERENTES À LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS PLEITEADOS. ASSIM SENDO, DEVERÁ SER REFORMADA A DECISÃO CONTIDA NO "ACÓRDÃO Nº 1435.4164ª TURMA DRJ/RPO", HOMOLOGANDOSE AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS A TÍTULO DE "PASEP SEMESTRALIDADE" COM BASE NOS DECRETOS LEI Nº 2445 E 2499 E "RESOLUÇÃO Nº 49/95 – SENADO FEDERAL", NO PRAZO DE "PRESCRIÇÃO DECENAL" DE ACORDO COM DECISÃO DEFINITIVA DO "STF SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO RE Nº 561.9087 REPERCUSSÃO GERAL", CUJOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS ENCONTRAMSE ANEXADAS NO PRESENTE. PORTANTO, COM BASE NO RECONHECIMENTO DA "REPERCUSSÃO GERAL RE Nº 566.621", DEVERÁ SER RECONHECIDA COMO VÁLIDA Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO 4 AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS REFERENTES AOS VALORES PAGOS NOS ÚLTIMOS "10 ANOS", ANTERIORES A "LC 118/05, OU SEJA, ANTERIOR A 09/06/2005 ", COM DÉBITOS VINCENDOS "PASEP" NAS MODALIDADES PREVISTAS A ÉPOCA DA EXECUÇÃO. À VISTA DE TODO EXPOSTO, DEMONSTRADA A INSUBSISTÊNCIA E IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO FISCAL, ESPERA E REQUER A RECORRENTE SEJA ACOLHIDO O PRESENTE RECURSO PARA FIM DE ASSIM SER DECIDIDO, CANCELANDOSE O DÉBITO FISCAL RECLAMADO. É o Relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomase conhecimento. Os fatos que instruíram o pedido de restituição e correspondente compensação da Contribuição do PASEP encontramse esclarecidos no presente processo e diz respeito ao pagamento a maior/indevido da Contribuição referente as competências 03/1993 a 09/1995 (fls. 226/227) A recorrente justifica seu procedimento de recálculo da Contribuição devida e apuração do valor a ser restituído/compensado, com base na declaração de inconstitucionalidade emitida pelo STF – Supremo Tribunal Federal, através de decisão definitiva proferida no Recurso Extraordinário nº 148.7542/RJ, dos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88, que havia introduzido alterações na sistemática da contribuição para o PIS/Pasep. Esta decisão levou o Senado Federal, através da Resolução nº 49 de 09/10/1995, a suspender a execução dos referidos Decretos Leis. Oportuno os esclarecimentos da recorrente sobre o direito e a origem do crédito recuperável, que através de um breve histórico da instituição dos programas PIS/PASEP, contribui para um melhor entendimento sobre o tema aqui discutido: 0 PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICOPASEP FOI INSTITUÍDO PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 8/70, SENDO MESMO CERTO QUE A APLICAÇÃO DA ALUDIDA NORMA DEPENDERIA DA EDIÇÃO DE LEI MUNICIPAL. POR AUTORIZAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 17/73 A ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP DEVIDA PELAS EMPRESAS DE ECONOMIA MISTA FOI EQUIPARADA À ALÍQUOTA DO PIS DEVIDO PELAS EMPRESAS PRIVADAS, PASSANDO A VIGORAR A ALÍQUOTA ÚNICA. DE ACORDO COM A LEI COMPLEMENTAR Nº 19/74, O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS E O PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICOPASEP, TIVERAM UNIFICADAS AS APLICAÇÕES DE RECURSOS E POR FORÇA DA LEI COMPLEMENTAR 26/75 HOUVE A FUSÃO DOS FUNDOS CONSTITUÍDOS COM RECURSOS DO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO Processo nº 16027.000048/200734 Acórdão n.º 3801005.288 S3TE01 Fl. 314 5 SOCIAL PIS E DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO PASEP, PASSANDO A CONTRIBUIÇÃO DENOMINARSE PIS/P ASEP. COM AS ALTERAÇÕES ACIMA EXPOSTAS, O RECOLHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PARA COM O PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO PASEP, ERAM EFETUADAS NAS MESMAS BASES DAS CONTRIBUIÇÕES DAS EMPRESAS PRIVADAS AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS, APENAS COM O DIFERENCIAL DA ALÍQUOTA. ASSIM, NOS TERMOS DO ART. 14 DO DECRETO Nº 71.618, DE 26.12.72, O RECOLHIMENTO DO MÊS DEVERIA SER EFETUADO COM BASE NAS RECEITAS AUFERIDAS NO SEXTO MÊS ANTERIOR. EM 29 DE JUNHO DE 1988, FOI PUBLICADO O DECRETOLEI 2.445, QUE ALTEROU A LEGISLAÇÃO DO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS E DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO PASEP, NOTADAMENTE, NO QUE DIZ RESPEITO À BASE DE CÁLCUO DA CONTRIBUIÇÃO QUE PASSOU A INCIDIR SOBRE AS RECEITAS DO MÊS DE APURAÇÃO, PODENDO SER RECOLHIDA ATÉ O ÚLTIMO DIA DO TERCEIRO MÊS SUBSEQÜENTE ÀQUELE EM QUE FOREM DEVIDAS. AS DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO DECRETOLEI 2.445/88 FORAM ALTERADAS PELO DECRETOLEI Nº 2449/88, PASSANDO OS RECOLHIMENTOS A SEREM EFETUADOS ATÉ 10 (DEZ) DIAS APÓS O MÊS EM QUE FOREM DEVIDAS AS CONTRIBUIÇÕES. OCORRE QUE OS DECRETOSLEIS Nº 2445 E 2449 FORAM JULGADOS INCONSTITUCIONAIS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 148.7562/RJ, O QUE DETERMINOU A SUSPENSÃO DOS REFERIDOS VEÍCULOS POR FORÇA DA RESOLUÇÃO DO SENADO Nº 49, DE OUTUBRO DE 1995. COM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DOS REFERIDOS DECRETOSLEI, A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL PASSOU A SER A ANTERIOR, OU SEJA, A LEI COMPLEMENTAR Nº 8/70, E NO QUE DIZ RESPEITO A BASE DE CÁLCULO E RECOLHIMENTO, O DECRETO Nº 71.618, DE 26.12.72. COMO JÁ MENCIONADO, A BASE DE CÁLCULO DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO PASEP, ANTES DOS DECRETOSLEI, ERAM AS RECEITAS AUFERIDAS PELO MUNICÍPIO NO SEXTO MÊS ANTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ISTO QUER DIZER, EFETUAVASE O RECOLHIMENTO DO MÊS COM BASE NA RECEITA DO SEXTO MÊS ANTERIOR. VALENDONOS DO EXEMPLO UTILIZADO PELO PRÓPRIO DISPOSITIVO LEGAL (§ ÚNICO, ART. 6°, LC 7/70), O RECOLHIMENTO DO MÊS DE JULHO TERÁ COMO BASE RECEITAS DO MÊS DE JANEIRO. A ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO LEVADA A CABO PELOS DECRETOSLEIS 2445 E 2449 REPERCUTIU EM MAJORAÇÃO DO VALOR DEVIDO A TÍTULO DA CONTRIBIBÇÃO PARA O PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO P ATRIMÔN10 DO SERVIDOR Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO 6 PÚBLICO PASEP, PRINCIPALMENTE EM DECORRÊNCIA DOS AUTOS ÍNDICES INFLACIONÁRIOS QUE ASSOLOU O PAÍS NO PERÍODO, BEM COMO PELA ALTERAÇÃO DE MOEDAS E EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. ASSIM, RECOMPONDO A BASE DE CÁLCULO DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO PASEP, COM A APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO ANTERIOR AOS DECRETOSLEIS EXPURGADOS DO ORDENAMENTO JURÍDICO PELA PECHA DE INCONSTITUCIONAIS, RESTOU EM FAVOR DO MUNICÍPIO DE UM CRÉDITO DO QUAL SE TEM DIREITO À REPETIÇÃO. Por seu turno, a DRJ/POR não contesta o fato de que a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis nº 2.445 e 2.449/88 teriam gerado possíveis créditos resultantes de pagamentos a maior de PASEP que o efetivamente devido. O que veio com a decisão recorrida foi a definição de prazo para requerer o indébito tributário, que seria de cinco anos contados da data de recolhimento e que os ditos indébitos não reuniam as características de liquidez e certeza. Bem, com relação ao primeiro fato, que diz respeito ao prazo decadencial para requerer a repetição de indébito pelo pagamento a maior ou indevido da Contribuição para o PIS/PASEP, ficou consolidado pelo STJ/STF e prontamente aplicado neste CARF, como se extrai do acórdão nº 3801004.322, desta Colenda 1ª TE/1ª C/3ª S, de relatoria do Conselheiro Marcos Antonio Borges, que assim se manifestou: Preliminarmente, no que tange à decadência, a repetição de indébito é tratada no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Devemos atentar ainda para o que dispõe os artigos 3º e 4º da Lei Complementar 118/05, que fixou o termo inicial do prazo para a restituição dos valores indevidamente recolhidos, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, na data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN e com efeitos retroativos, o que equivale dizer que o prazo para restituição/compensação passou a ser de 5 anos, contados da data do pagamento indevido. O STF, por sua vez, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. [...] Neste sentido, há de se observar o artigo 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO Processo nº 16027.000048/200734 Acórdão n.º 3801005.288 S3TE01 Fl. 315 7 dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. [...] No caso em tela, o pedido de restituição foi protocolizado em 07/06/2005, relativo aos períodos de apuração de 01/02/1999 a 30/04/2000. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, não aplicandolhe, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos indevidos não havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo, devendose aplicar o prazo de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador. Neste processo o contribuinte apresentou PER/DCOMP na data de 30/01/2004, envolvendo créditos relacionados aos períodos de 03/1993 a 09/1994, portanto, em data anterior a 09/06/2005, início de vigência da LC nº 118/2005, prevalecendo o direito do contribuinte pelo prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar do fato gerador. Quanto a questão de fato propriamente dito, da necessária comprovação dos pagamentos incorridos em valor maior que o devido e seus cálculos correspondentes ao valor da compensação requerida, entendo que o contribuinte cumpriu com sua responsabilidade, trazendo aos autos planilha de cálculos e todos os DARF dos recolhimentos praticados no período mencionado, dando plena condição de avaliação pelo fisco. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e dar lhe parcial provimento, reconhecendo o prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar da data do fato gerador da contribuição para o PIS/PASEP até a data do requerimento administrativo. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por F LAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO
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Numero do processo: 10680.723290/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos desta Resolução. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente
Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Bernardo Leite De Queiroz Lima.
Nome do relator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos desta Resolução. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Julio Cesar Alves Ramos Presidente Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Bernardo Leite De Queiroz Lima. RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMPs referentes a créditos de Cofins Não cumulativa – Exportação (Mercado Externo) do segundo trimestre de 2004, conforme detalhamento constante do despacho de fls. Vale frisar que, inicialmente, o objeto do presente processo estava no Processo Administrativo nº 10680.723279/201025, que abrangia créditos de Cofins Não cumulativa – Exportação (Mercado Externo), Cofins Não cumulativa – Mercado Interno, PIS Não cumulativo – Exportação (Mercado Externo), PIS Não cumulativo – Mercado Interno, do período de 01/04/2004 a 31/12/2005. O objeto do referido processo foi desmembrado em diversos outros PAs com base no tributo, matéria e período de apuração, permanecendo no presente somente os créditos de Cofins Não cumulativa – Exportação (Mercado Externo) do segundo trimestre de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 23 29 0/ 20 10 -9 5 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723290/201095 Resolução nº 3401000.880 S3C4T1 Fl. 398 2 Conforme Relatório Fiscal de fls. 20/36, o procedimento de auditoria fiscal realizado junto à Recorrente culminou na reconstituição dos DACON apresentados à RFB, constatando divergência entre os valores apurados pela contribuinte e pela fiscalização, quanto aos seguintes itens: 1) CRÉDITOS BÁSICOS RELACIONADOS A AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO 1.1) BENS PARA REVENDA A fiscalizada comprou e aproveitou como base de cálculo de créditos, produtos para revenda tributados com alíquota zero, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (adubos ou fertilizantes classificados no Capitulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da TIPI; defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção). No caso de câmaras de ar de borracha e pneus novos, o parágrafo único do art. 5º da Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, relativamente à receita bruta da venda desses produtos, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. Segundo a fiscalização, o § 2° do art. 3° da Lei 10.833/2003 (com a redação dada pela Lei n° 10.865/2004), veda o creditamento na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Destarte, foram glosados todos os créditos originados de produtos tributados à alíquota zero, destinados à revenda, conforme demonstrado na Tabela 2 “Relação de Produtos para Revenda que Possuem Alíquota Zero para PIS e COFINS”, constante dos autos. 1.2) BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Segundo Relatório Fiscal, todos os valores dos insumos apresentados foram aceitos pela fiscalização, ao serem confirmados, por amostragem, nos arquivos de notas fiscais, na contabilidade e no Razão Auxiliar. Os rateios efetuados pela empresa foram também aceitos, após procedimentos de amostragem. Houve, porém, divergências quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos, relativamente a alguns insumos. As razões pelas quais a fiscalização não considerou alguns insumos como base de cálculo para efeito de créditos, seguem expostas: 1.2.1) INSUMOS DIVERSOS A fiscalizada comprou e aproveitou como base de cálculo de créditos, produtos tributados à alíquota zero pelo PIS e pela Cofins, por força do disposto no art. 1º da Lei nº 10.925/2004, com efeitos a partir de 01/01/2005. Portanto, foram glosados os créditos relacionados a esses custos de aquisição, a partir de 01/01/2005. 1.2.2) LEITE IN NATURA O leite in natura é recebido principalmente dos associados da CCPRMG, mas é também comprado de pessoas físicas e jurídicas não associadas, com o fim de compor estoque. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723290/201095 Resolução nº 3401000.880 S3C4T1 Fl. 399 3 Foi verificado que a contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos básicos o valor do leite adquirido de seus associados, quando deveria, nos termos do art. 26 da IN SRF nº 635/2006, apurar crédito presumido sobre esses valores. A cooperativa de produção agropecuária não possui direito ao crédito básico de PIS e COFINS nas operações com associados, por ter o direito de excluir da base de cálculo dessas contribuições os valores repassados a esses últimos, decorrentes da comercialização de produto por eles entregues à cooperativa, como determina o inciso I e § 1° do art. 15 da MP n°2.15835/2001. Logo, se não há cobrança de PIS e de Cofins sobre os valores repassados aos cooperados, o leite adquirido destes não dará direito ao crédito básico e seu valor deve ser excluído da base de cálculo desse tipo de crédito. Por outro lado, o leite in natura adquirido de cooperados dá direito ao crédito presumido, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Isso altera o valor dos créditos pretendidos pela empresa já que o crédito básico é calculado com 100% das alíquotas das contribuições e, no caso, o crédito presumido é calculado com 80% (para os meses 05 a 07 de 2004) ou 60% destas alíquotas (após 08/2004). 1.2.3) FRETE NA COMPRA DE LEITE IN NATURA Da análise dos lançamentos contábeis de 2004 e 2005, restou constatado que os serviços de frete primeiro e segundo percursos, na compra de leite in natura, é descontado dos fornecedores deste insumo. A autoridade fiscal fundamentou sua conclusão com base nos lançamentos contábeis da Recorrente. Assim, conclui a fiscalização que, se o ônus desse serviço foi suportado pelos fornecedores de leite e não pela CCPRMG, os créditos relacionados ao frete na compra de leite in natura devem ser glosados. 2) CRÉDITOS PRESUMIDOS RELACIONADOS A AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO O crédito presumido sobre aquisições de produtos agropecuários de pessoas físicas e jurídicas foi instituído pelo art. 8° da Lei 10.925/2004. O cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura foi considerado consistente pela fiscalização. 2.1) BONIFICAÇÃO FIDELIDADE Tratase de uma bonificação paga aos associados, uma única vez, ao final dos exercícios financeiros de 2004 e 2005. No entender da fiscalização, a bonificação fidelidade assemelhase a uma distribuição de sobras entre os associados. Os valores referentes a essa bonificação foram contabilizados na conta “FORNECEDORES COOP ASSOCIADOS” e foram glosados da base de cálculo do crédito presumido. 3) AQUISIÇÕES NO MERCADO EXTERNO DE INSUMOS E BENS IMOBILIZADOS A empresa importou diversos insumos e bens, que foram utilizados na produção de produtos comercializados no mercado interno ou exportados. No caso de créditos de importação vinculados a receitas de exportação, o crédito somente é admitido a partir do advento do art. 17 da Lei n° 11.033/2004, ou seja, a partir de 09/08/2004, observadas as normas e prazos de aproveitamento da Lei no 11.116/2005. A fiscalização aceitou todos os valores declarados como importações de insumos e apresentados pela empresa, como mostra a Tabela 11 — “Apuração de Créditos de Importação”. Por outro lado, em relação à base de cálculo do crédito de PIS e COFINS nas importações de bens para compor o ativo imobilizado, houve divergência entre os valores apurados pela empresa e os apurados pela fiscalização. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723290/201095 Resolução nº 3401000.880 S3C4T1 Fl. 400 4 Em planilha apresentada à fiscalização (intitulada “Importação Imobilizado”), a empresa apura os créditos de PIS e COFINS no campo denominado “Base de Cálculo Martinelli”, calculado pela divisão da soma dos valores de “Pis Pago Importação” e “Cofins Pago Importação” pela soma das alíquotas destas contribuições (0,0165 + 0,076 =0,0925). Segundo a autoridade fiscal, essa forma de apuração é incorreta porque considera como base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS a própria base de cálculo das contribuições; quando o cálculo correto deveria ser com observância do que dispõe os §§ 40 e 70 do art. 15 da Lei n° 10.865/2004. A Tabela 12 – “Relação de Bens Importados e Base de Cálculo dos Créditos” mostra a relação dos bens e os valores ajustados pela fiscalização para a base de cálculo dos créditos na importação. Foram retirados da relação apresentada pela fiscalizada produtos classificados como embalagens, os quais foram incluídos na relação de insumos importados. Portanto, foram glosadas as diferenças de valores apresentadas na base de cálculo dos créditos na importação de bens que comporão o Ativo Imobilizado. A já mencionada Tabela 11 — “Apuração de Créditos de Importação” demonstra os valores apurados pela empresa e os valores apurados pela fiscalização. A DRF/Belo Horizonte, por intermédio do Despacho Decisório nº 2.286 – DRF/BHE, com fundamento Relatório Fiscal, reconheceu parcialmente o direito creditório referente ao Cofins Não Cumulativa – Exportação (Mercado Externo), do segundo trimestre de 2004 e, via de consequência, homologou parcialmente a compensação declarada. A ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), em acórdão cuja ementa se trancreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. COFINS NÃO CUMULATIVA EXPORTAÇÃO. Somente são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão do Perdcomp. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA. Na relação processual relativa à verificação dos créditos da não cumulatividade pretendidos pelo contribuinte a título de ressarcimento ou compensação, cabe a este a demonstração da obediência aos parâmetros legais de apuração relativos à comprovação da existência e à natureza dos dispêndios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Recorrente interpôs o competente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) Possibilidade de creditamento integral das aquisições de leite in natura de associados; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723290/201095 Resolução nº 3401000.880 S3C4T1 Fl. 401 5 b) Equívoco no cálculo da glosa dos créditos sobre as aquisições de leite de associados, pois o valor de aquisição de não associados seria maior do que o considerado pela fiscalização; c) Direito à integralidade do creditamento dos valores incorridos na contratação de serviços de frete sobre a aquisição de leite in natura dos associados; e d) Equívoco no Cálculo da Glosa referente aos Créditos de Frete. É o relatório. VOTO Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima O Recurso Voluntário é tempestivo e, por isso, dele conheço. Primeiramente, insta ressaltar que o acórdão da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a glosa no que tange aos créditos da aquisição de leite de associados, por entender que a Recorrente não logrou demonstrar com documentos acostados à manifestação de inconformidade, que a aquisição de leite de nãoassociados era superiores ao de associados: Caso não acatada a tese quanto à possibilidade de creditamento integral nas aquisições de leite in natura de seus associados, a Reclamante solicita a revisão do valor glosado, sob o argumento de que a fiscalização teria analisado somente as aquisições feitas pelos seus estabelecimentos industriais, deixando de computar as aquisições feitas pelos seus postos de coleta. (...) Compulsando a documentação acostada à manifestação de inconformidade não se encontra comprovação do alegado e essa lacuna probatória compromete o acatamento da reclamação da manifestante. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte, em sua defesa, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o crédito alegado. Não basta apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos afirmando que entende possuir o direito ao crédito; o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que alega, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. No caso em tela, o contribuinte nada traz que implique a demonstração do erro de avaliação da autoridade fiscal, pelo contrário, apenas faz juntar aos autos cópias do Relatório Fiscal e das Planilhas elaboradas pela fiscalização, as quais demonstram e corroboram as conclusões da autoridade fiscal pelo indeferimento parcial do crédito pretendido, razão pela qual não se afasta a glosa imposta. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723290/201095 Resolução nº 3401000.880 S3C4T1 Fl. 402 6 Da mesma forma, em relação aos créditos de frete na compra de leite in natura, por entender que não foi demonstrado que a ora Recorrente arcou com o ônus financeiros do transporte destes insumos. Ademais, o acórdão vergastado não aceitou o pedido de reanálise dos créditos de frete por entender que a Recorrente apenas levantou tal argumento em sua manifestação de conformidade, sem trazer documentos que suportem tal alegação: Subsidiariamente, caso acatado o entendimento da fiscalização – de que o desconto do custo do frete aos associados impede o creditamento pela CCPR – a Manifestante requer seja restabelecido o crédito relativo ao frete que não foi repassado aos associados, pois alega que, no período, o valor do repasse foi inferior a 20% do valor da contratação do serviço de frete. (...) Quanto ao pedido subsidiário, oportuno destacar que a Interessada limitase a alegar sem, no entanto, minimamente laborar no sentido de comprovar suas alegações. Acostadas à manifestação de inconformidade constam apenas cópias de documentos, dentre os quais, o relatório e planilhas elaboradas pela fiscalização, as quais corroboram as conclusões da autoridade fiscal. Nada a há que comprove o sustentado pela Manifestante. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente informou que os documentos necessários para a verificação dos créditos da aquisição de leite de nãoassociados e de frete já haviam sido acostados ao presente processo administrativo quando da fiscalização. Requer, portanto, a conversão em diligência para que seja refeita a apuração de tais créditos. De fato, como se verifica no Relatório Fiscal, a Recorrente apresentou documentos contábeis e notas fiscais necessários para a apuração dos créditos. Contudo, segundo alega a Recorrente, ao contrário do que verificado no Relatório Fiscal, o montante da aquisição de leite de nãoassociados foi superior ao da aquisição de associados. Isto se deu porque a autoridade fiscal, ao apurar os créditos, considerou apenas as aquisições dos estabelecimentos industriais, desconsiderando os postos de coleta. Por sua vez, ao fundamentar a glosa dos créditos de frete, a autoridade fiscal somente embasouse nos lançamentos contábeis, sem, contudo, mencionar a análise das notas fiscais apresentadas e demais documentos, o que leva a crer que a autoridade fiscal apurou o crédito somente com base nos lançamentos contábeis do livro razão. Diante do exposto acima, proponho a conversão em diligência para que sejam apurados os créditos da aquisição de insumos de associados e nãoassociados, considerando não apenas os estabelecimentos industriais da Recorrente, mas também seus postos de coleta, e os créditos de frete na compra de leite in natura, devendo tais levantamentos serem realizados com base nos documentos contábeis, notas fiscais e demais documentos apresentados pela Recorrente no decurso da fiscalização. Devem ser avaliados os seguintes quesitos: a) Aquisição de leite de nãoassociados: 1) Apurar a totalidade de leite adquirido pela Recorrente durante o segundo trimestre de 2004. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723290/201095 Resolução nº 3401000.880 S3C4T1 Fl. 403 7 2) Verificar as aquisições de associados e as de nãoassociados para cálculo dos créditos de Cofins. b) Frete na compra de leite in natura: 1) Verificar nas notas fiscais se o valor do frete está por conta do destinatário. 2) Confrontandose os valores das notas fiscais e livro razão, apurar se houve o reembolso do frete pelos fornecedores à Recorrente. 3) Calcular o crédito de Cofins sobre o frete na compra de leite in natura pago pela Recorrente, descontandose os valores reembolsados pelos fornecedores. 4) Alocar o montante do crédito da Cofins correspondente ao segundo trimestre de 2004 e vinculado à exportação. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10467.902981/2009-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
DIREITO AO CRÉDITO DO PIS E DA COFINS.
Havendo a comprovação documental do direito creditório do contribuinte, este deve ser amplamente reconhecido.
MOMENTO DO CREDITAMENTO.
O cálculo do crédito de PIS e de COFINS deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo que o termo "aquisição" exige o recebimento e contabilização do bem pelo destinatário. crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes.
DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS. DIREITO AO CRÉDITO.
A prestação de serviço que exige a utilização de automóveis autoriza o aproveitamento do crédito com despesas de combustível para a execução dos respectivos serviços, por se tratar de insumo na prestação do seu serviço, na forma autorizada pelo artigo 3o., inciso II, da Lei 10.833/2003
Numero da decisão: 3801-005.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 DIREITO AO CRÉDITO DO PIS E DA COFINS. Havendo a comprovação documental do direito creditório do contribuinte, este deve ser amplamente reconhecido. MOMENTO DO CREDITAMENTO. O cálculo do crédito de PIS e de COFINS deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo que o termo "aquisição" exige o recebimento e contabilização do bem pelo destinatário. crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS. DIREITO AO CRÉDITO. A prestação de serviço que exige a utilização de automóveis autoriza o aproveitamento do crédito com despesas de combustível para a execução dos respectivos serviços, por se tratar de insumo na prestação do seu serviço, na forma autorizada pelo artigo 3o., inciso II, da Lei 10.833/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 29 81 /2 00 9- 44 Fl. 7839DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório No presente processo administrativo o ora Recorrente, Energisa Paraíba, se insurge contra decisão administrativa que não homologou compensação apresentada, sob o argumento de que não haveria crédito suficiente para quitação dos débitos indicados no pedido de compensação requerido pelo contribuinte. O Recorrente, contra decisão administrativa proferida, apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que (i) cometeu um equívoco ao apresentar a DCTF com a constituição dos créditos tributários devidos e que (ii) assim que identificado o erro de preenchimento, dentro do prazo legal, retificou suas declarações, para constar o real crédito tributário, demonstrando, assim, que existiam créditos suficientes para quitação do débito indicado em seu pedido de compensação. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada, a Douta Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Recife (PE), entendeu por bem indeferir o pedido do Recorrente, sob o principal argumento de que este não fez prova suficiente para demonstrar os créditos declarados. Argumentou, aquela douta Delegacia, que o fato de o contribuinte ter retificado posteriormente suas declarações, em nada altera o seu direito creditório, uma vez que “a DCTF retificadora, por ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório aqui debatido que caracteriza o procedimento fiscal acerca do indébito pleiteado e da cobrança dos débitos cujas compensações não foram homologadas – não surte efeitos no tangente à alteração do valor da COFINS de março/2008 constante da DCTF retificada”. No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente renova as alegações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade, invocando, em síntese, a existência de provas com relação ao crédito indicado no pedido de compensação, em especial as declarações retificadas e, principalmente, a ausência de prejuízo ao erário, tendo em vista a suficiência de crédito passível de compensação para pagamentos dos débitos indicados no pedido de compensação. Em sessão de julgamento realizada por esta Turma, em 24 de Setembro de 2012, tendo em vista as alegações da Recorrente, em especial as retificações das declarações, entendeuse por bem converter o julgamento em diligência para que a fiscalização, em análise às declarações da Recorrente e em documentos que julgasse necessários, atestasse se, de fato, os créditos indicados no pedido de compensação seriam suficientes para quitar os débitos. Fl. 7840DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10467.902981/200944 Acórdão n.º 3801005.038 S3TE01 Fl. 12 3 Realizada a diligência, e após a manifestação da Recorrente, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Mais uma vez, se atesta que o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a Manifestação de Inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Recife, sob o argumento de que a retificação realizada pelo contribuinte não tem o condão de demonstrar a existência dos créditos passíveis de compensação. Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou as suas declarações, fazendo jus, a princípio, aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal de João Pessoa (PB). Sob o argumento de que, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife (PE) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente e que o processo administrativo deve ser regido pelo Princípio da Verdade Material, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que, em síntese, fosse apurado se os créditos indicados no pedido de compensação eram suficientes para liquidar os débitos. Naquele julgamento, restou assim determinado: Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/João PessoaPB para: (i) Apurar os valores dos créditos indicados nas declarações retificadas pelo Recorrente, bem como os demais documentos contábeis e fiscais da empresa; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (iv) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Fl. 7841DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 Atendendo, em parte, a determinação deste Conselho, a Douta Delegacia da Receita Federal de João Pessoa (PB) realizou a diligência, tendo concluído o seguinte: 4. CONCLUSÃO O contribuinte comprovou parcialmente a origem das bases de cálculo do crédito da COFINS do mês de março do ano de 2008, Ficha 16A do DACON. Verificase, pois, que restaram parcialmente glosados os créditos de PIS/COFINS apurados pelo Recorrente, tendo o auditor fiscal apresentado as seguintes justificativas para a glosa: 1 parte dos créditos de PIS/COFINS estaria ligada a operações não comprovadas documentalmente, razão pela qual não teria como chancelar o creditamento realizado pelo contribuinte. Consoante manifestação fiscal, certas notas de aquisição de energia elétrica para distribuição pelo Recorrente estariam ilegíveis ou ausentes. Ao manifestarse sobre a perícia, o contribuinte tratou de trazer aos autos os documentos tidos como incompletos, defeituosos ou ausentes pelo ilustre auditor fiscal, os quais comprovariam as aludidas operações, objetivando sanar qualquer lapso anteriormente havido. Sobre a documentação juntada, o Fisco mantevese silente, deixando de apreciála. 2 parte desses créditos de PIS/COFINS estaria ligada a notas fiscais de aquisições de bens, insumos e serviços datadas de fevereiro de 2008, o que impediria o correspondente creditamento no mês de março de 2008. Ocorre, porém, que tal posicionamento fiscal não possui embasamento legal. Os dispositivos legais que tratam do creditamento do PIS e da COFINS estabelecem que o cálculo deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo certo que o termo "aquisição" exige o recebimento e contabilização do bem pelo destinatário.sem, contudo, demonstrar se, de fato, os créditos indicados pelo Recorrente seriam suficientes para liquidar os débitos. Assim, embora parte dos créditos diga respeito a notas fiscais emitidas em fevereiro de 2008, não há porque não se admitir o aproveitamento do correspondente crédito em março de 2008, quando as aquisições geradoras do direito ao creditamento foram devidamente contabilizadas. Vale trazer à colação o artigo 3o. § 1o. da Lei 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Fl. 7842DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10467.902981/200944 Acórdão n.º 3801005.038 S3TE01 Fl. 13 5 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; Verificase que a Lei não vincula a apropriação do crédito à data da emissão da nota fiscal. E, mesmo que o crédito fosse vinculado à data da emissão da nota fiscal, o seu aproveitamento não estaria prejudicado, conforme autoriza o artigo 3o. § 4o. da Lei 10.833/2003: § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Concluise, pois, que tal glosa não merece subsistir. Por fim, a autoridade fiscal também apresentou como justificativa para glosar parcialmente o crédito de PIS/COFINS do Recorrente: 3 as despesas com combustíveis, realizadas através da empresa Ticket Serviços S.A., não geram direito ao creditamento. O Recorrente esclareceu que a prestação do seu serviço, nos termos em que delegado pelo Poder Público, exige que o delegatário tenha a disposição diversos automóveis voltados a atender as demandas surgidas em todo o território coberto pelo fornecimento de energia de responsabilidade do contribuinte fiscalizado. Por óbvio, tais veículos devem ser abastecidos com combustível para a execução dos respectivos serviços. Tratase, por conseguinte, de insumo na prestação do seu serviço. O abastecimento dos veículos do Recorrente se dá mediante a contratação de empresa especializada no fornecimento de cartões de abastecimento, como ocorre na prática das grandes empresas, para fins de se alcançar maior controle e menor custo. Em face do exposto, é claro o direito ao creditamento em decorrência desse dispêndio, na forma autorizada pelo artigo 3o., inciso II, da Lei 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 7843DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) 4 O auditor fiscal também recomendou a glosa de créditos decorrentes de aquisições de bens integrantes do ativo fixo do Recorrente, ao argumento de que identificou diversos registros com a origem não identificada (vazio). Ao manifestarse acerca dessa glosa, o Recorrente alertou para o fato de que o auditor fiscal apurou os créditos pelo valor da depreciação dos bens integrantes do ativo imobilizado, como se o contribuinte estivesse enquadrado no artigo 3o. § 1o. da Lei 10.833/2003. Ocorre que esse procedimento quedou por gerar a diferença na apuração do valor do crédito, pois o Recorrente fizera a opção de que trata o artigo 3o. § 4o. da Lei 10.833/2003, tendo se apropriado do crédito mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do artigo 2o. da Lei em comento sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor da aquisição do bem, constante de seu ativo imobilizado. Tal erro implicou as divergências na valoração do crédito. E, quanto à afirmação da fiscalização de que as aquisições do contribuinte teriam origem não identificada, o Recorrente contesta, alegando que entregou ao Sr. Fiscal seus livros fiscais razão, diário, etc., e apresentou planilha com a descrição dos bens em questão, razão pela qual tal alegação não poderia subsistir. De fato, analisando a documentação acostada aos autos, verificase que foram acostados os livros fiscais e as planilhas descritivas. Caso não fossem tais documentos suficientes para a comprovação da origem do crédito, este deveria ter intimado o contribuinte para prestar esclarecimentos adicionais, de forma a melhor atender a determinação deste Conselho, o que não foi feito. Por conseguinte, tal recomendação não merece acatamento. Portanto, por todo o exposto, considerando que o Recorrente apresentou toda a documentação comprobatória de seu crédito, e que a glosa parcial dos créditos em sede da diligência havida não subsiste a uma análise mais aprofundada do direito, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório do Recorrente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 7844DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10467.902981/200944 Acórdão n.º 3801005.038 S3TE01 Fl. 14 7 Fl. 7845DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10540.002115/2007-60
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
SIMPLES. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA.
O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. SIMPLES. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 21 15 /2 00 7- 60 Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.064 2 Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes (Presidente à Época do Julgamento). Relatório Exclusão do Simples A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/VCA/BA n° 37, de 23.11.2007, fl. 100, com efeitos a partir de 01.01.2002: Art. 1° Fica o contribuinte, a seguir identificado, consoante o apurado no processo n° 10540.002115/200760, excluído do Simples a partir 01/01/2002, pela ocorrência das situações excludentes indicadas abaixo: Nome: VICON CALÇADOS LTDA CNPJ: 03.084.976/000188 Data da opção pelo Simples: 12/04/1999 Situação excludente: 1 Titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa; 2 Receita bruta superior a R$1.200.000,00; 3 Constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual. Data da ocorrência: 31/12/2001 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996, art. 9°, inciso IX; art. 12; art. 13, inciso II, alínea "a"; art. 14, inciso IV e V; art. 15, incisos II e V, § 3°; art. 16; IN 608/2006, art. 21; art. 22, inciso II, alínea "a"; art. 23; inciso IV e V; art. 24; art 25; Lei 9.430/96, art. 42, § 1º e com sua redação vigente época da ocorrência da situação excludente. Art. 2° A exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0615 com a exigência do crédito tributário no valor de R$12.661,57 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2002. Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.065 3 Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: Enquadramento ao SIMPLES de Forma Imprópria e Conseqüente Representação para de Oficio, com efeitos a partir do anocalendário de 2002 Diferença Verificada Entre a Receita Declarada em PJSI ou a Compatível com o Recolhimento em DARFSIMPLES e a Receita Declarada em Declaração (DME) ao Fisco Estadual Insuficiência de Recolhimento do SIMPLES Aproveitamento dos Valores Pagos Conforme Partilha. Para o anocalendário de 2002, objeto deste Auto de Infração, realizamos os seguintes procedimentos para apuração do quanto devido: a) Verificamos o valor declarado em PJSI do qual extraímos a receita bruta, conforme demonstrado na Coluna "d", intitulada "Receita Bruta Mensal Declarada em PJSI" do Anexo 'B' "Composição do Simples Declarado/Recolhido DARF Simples". Este valor serve apenas para comparação/visualização, tendo em vista que os valores contidos na Declaração ao Fisco Estadual (DME), no item "Saídas Vendas de Mercadorias e/ou Produção", bem como a declarada no Livro de Registro de ICMS têm sido mais elevados neste período e serão utilizados para comporem as vendas; b) VERIFICAÇÃO DAS RECEITAS ANUAL: Extraímos do elemento "Saídas Vendas de Mercadorias e/ou Produção" contido na Declaração (DME) apresentado & Fazenda Estadual o valor total das vendas do período. Apenas a titulo de esclarecimento, como foi efetuada a declaração de vendas em PJSI, e houve recolhimento em DARFSimples ainda que apurado de maneira incorreta quanto & base de cálculo ou alíquota, seria, a principio, verificada apenas a diferença entre estes valores e o Declarado em DME, a titulo de omissão de receita. Porem, como procedeuse A exclusão do contribuinte do Simples a partir do anocalendário de 2002, conforme Ato Declaratório Executivo expedido pelo Delegado da Receita Federal jurisdicionante, e desta forma, será procedido novo modo de tributação, apenas obtevese o maior valor entre os declarados no mês para considerarse como Saída/Receita; c) VERIFICAÇÃO DAS RECEITAS MENSAL: Por ser o valor das vendas declarado em DME, no anocalendário de 2002, apurado de forma anual, efetuamos a comparação deste com o Livro de Registro de ICMS, para verificarse se havia correspondência. Por estar o total das vendas anual idêntico em ambas as fontes, conforme demonstrado no Anexo 'A' "Venda de Mercadorias Declarada em DME Cotejo com o Livro Registro de ICMS", extraímos do Livro de ICMS o valor das vendas mensal, a fim de ser considerado como vendas nas planilhas seguintes (Anexos 'C' a 'F'), a lançarse em período de apuração mensal; d) APURAÇÃO DOS VALORES JÁ RECOLHIDOS NO SIMPLES: Apurouse, conforme verificado no Anexo 'B' "Composição do Simples Declarado/Recolhido DARF Simples" o Valor Recolhido Mensal (coluna 'a'), obtido do Sistema SINAL. Verificandose, na mesma planilha, o "Percentual Informado" em DARF (coluna 'c'), efetuouse a partilha dos valores pagos inicialmente de forma única, sob a sistemática do Simples, entre os seus tributos componentes, conforme art. 5°, inciso I, e art. 23, inciso I, da Lei 9.317/96 (Lei do Simples). Desta forma obtivemos as parcelas correspondentes aos tributos recolhidos, de forma partilhada, demonstrado nas colunas 'e' (IRPJ), 'f' (PIS), 'g' (CSLL), 'h' (COFINS) e 'i' (Contribuições Sociais a Cargo da Pessoa Jurídica). A coluna 'j'(Prova) é apenas a soma das colunas 'e' ate 'i', e é destinada A verificação da igualdade entre os valores distribuídos por tributo de forma partilhada e o valor recolhido mensal (coluna 'a'); Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.066 4 e) APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS: Obtidos os valores já recolhidos conforme demonstrado nas colunas 'e', 'f', 'g', 'h', e 'i', do Anexo 'B', passamos para as planilhas seguintes (Anexos 'C', 'D', 'E' e 'F'), a fim de se apurar a Base de Cálculo e a Base de Cálculo a ser lançada no Auto de Infração, esta Ultima já com dedução dos valores recolhidos por tributo, da forma que será explicado: Anexo 'C' (IRPJ) obtida a Receita Apurada com base nas Vendas declaradas A SEFAZBA (através da DME), de forma mensal, por correspondência com o livro Registro de ICMS (coluna 1), apuramos a Base de Cálculo Arbitrada do IRPJ (motivos do arbitramento explicitados em Relatório da Fiscalização em Anexo), multiplicando o valor das vendas por 8 % majorado em 20 %, ou seja, 9,6%, • conforme art. 16 da Lei 9.249/95. Obtida a Base de Cálculo do IRPJ (coluna 2), multiplicamos por 15% para obterse o valor devido de IRPJ (coluna 3). Este seria, a principio, o valor a ser recolhido pela empresa por não estar enquadrada na sistemática do Simples. Como já houve recolhimento de tributos anteriormente pelo contribuinte, sob o Simples, verificamos o quanto pago relativo ao tributo em questão, conforme partilha já explicada (coluna 4 do Anexo 'C', que corresponderá A coluna 'e' do anexo 'B'). Subtraindose o valor recolhido (coluna 4) do valor inicialmente devido (coluna 3), obtivemos o Tributo Devido "efetivamente" (coluna 5). Como o Sistema que permite o cálculo dos Autos de Infração exige a Base de Cálculo ao invés do tributo devido, procedemos o cálculo invertido, tomando por base o Tributo Devido (coluna 5). Desta forma, dividiuse o IRPJ devido (coluna 5) por 0,0144 (coeficiente de determinação da base de cálculo do lucro arbitrado 9,6% X alíquota do IRPJ 15%) para obterse a "Base de Cálculo a ser utilizada no auto de infração" (coluna 6). Registrese que como cada tributo a ser considerado no Auto (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) necessitará de uma Base de Cálculo diferenciada, por considerarse os valores recolhidos anteriormente enquanto enquadrados na sistemática do Simples, cada um será objeto de explicação em planilha própria (Anexos 'C, 'D', 'E' e 'F'), a fim de demonstrar se a forma de sua obtenção. Anexo 'D' (PIS) obtida a Receita Apurada com base nas Vendas declaradas A SEFAZBA (através da DME), de forma mensal, por correspondência com o livro Registro de ICMS (coluna 1), apuramos a Base de Cálculo do PIS (coluna 2) . De posse da Base de Cálculo, multiplicamola por 0,65% (alíquota do PIS) para a apuração do Principal devido (coluna 3). Subtraímos, conseqüentemente, os valores já recolhidos pela sistemática do Simples pelo contribuinte conforme partilha dos valores recolhidos em DARFSimples (coluna 4), para obtermos a contribuição ainda devida e não recolhida (coluna 5). Como o Sistema que permite o cálculo dos Autos de Infração exige a Base de Cálculo ao invés do tributo devido, procedemos o cálculo invertido, tomando por base a Contribuição Devida (coluna 5). Desta forma, dividiuse o PIS devido (coluna 5) por 0,0065 (alíquota do PIS 0,65%) para obterse a "Base de Cálculo a ser utilizada no auto de infração" (coluna 6). Anexo 'E' (COFINS) obtida a Receita Apurada com base nas Vendas declaradas A SEFAZBA (através da DME), de forma mensal, por correspondência com o livro Registro de ICMS (coluna 1), apuramos a Base de Cálculo da COFINS (coluna 2). De posse da Base de Cálculo, multiplicamola por 3% (aliquota da COFINS) para a apuração do Principal devido (coluna 3). Subtraímos, conseqüentemente, os valores já recolhidos pela sistemática do Simples pelo contribuinte conforme partilha dos valores recolhidos em DARFSimples (coluna 4), para obtermos a contribuição ainda devida e não recolhida (coluna 5). Como o Sistema que permite o cálculo dos Autos de Infração exige a Base de Cálculo ao invés do tributo devido, procedemos o cálculo invertido, tomando por base a Contribuição Devida (coluna 5). Desta forma, dividiuse a COFINS devida (coluna Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.067 5 5) por 0,03 (alíquota da COFINS 3%) para obterse a "Base de Cálculo a ser utilizada no auto de infração" (coluna 6). Anexo 'F' (CSLL) obtida a Receita Apurada com base nas Vendas declaradas & SEFAZBA (através da DME), de forma mensal, por correspondência com o livro Registro de ICMS (coluna 1), apuramos a Base de Cálculo da CSLL, multiplicando o 'valor das vendas por 12%. Obtida a Base de Cálculo da CSLL (coluna 2), multiplicamos por 9% (alíquota da CSLL) para obterse o valor principal devido da contribuição (coluna 3). Este seria, a principio, o valor a ser recolhido pela empresa por não estar enquadrada na sistemática do Simples. Como já houve recolhimento de tributos anteriormente pelo contribuinte, sob o Simples, verificamos o quanto pago relativo ao tributo em questão, conforme partilha já explicada (coluna 4 do Anexo 'C', que corresponderá A coluna 'g' do anexo 'B'). Subtraindose o valor recolhido (coluna 4) do valor inicialmente devido (coluna 3), obtivemos a Contribuição Devida "efetivamente" (coluna 5). Como o Sistema que permite o cálculo dos Autos de Infração exige a Base de Cálculo ao invés do tributo devido, procedemos o cálculo invertido, tomando por base a Contribuição Devida (coluna 5). Desta forma, dividiuse o CSLL devido (coluna 5) por 0,0108 (coeficiente de determinação da base de cálculo da CSLL 12% X alíquota da CSLL 9%) para obter se a "Base de Cálculo a ser utilizada no auto de infração" (coluna 6). Razão do arbitramento no(s) período(s) : 03/2002 06/2002 09/2002 12/2002 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas que serão descritas oportunamente no Relatório de Fiscalização que acompanha este Auto de Infração. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, do RIR/99. 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES E CONSEQUENTE APURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO Valor apurado através da análise das Declarações de Saídas/Vendas informadas ao Fisco Estadual (DME), analisadas em conjunto com o Livro de Registro de ICMS. O detalhamento dos procedimentos adotados está relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais contidos neste Auto de Infração, além de Relatório de Fiscalização e Anexos "A", "B", "C", "D", "E", "F" que seguem em Anexo. [...] Da Lei n° 9.317/1996 (Lei do Simples): Especialmente em seus artigos: 2°, 3º , 5º , 6º , 7º , 8º, 9º, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19, 23, entre outros. Do Decreto n° 3000, de 29/03/1999 (RIR/99): Artigos 255 a 274, 276, 530, 532, 541, 904, 910, 911, 913, 915, 927, 928, 957 Da Lei 9.430/96: Artigos 27, 34, 35, 44, entre outros Da Lei 10.406/2002: Artigos 1179 a 1195 Da Lei 5.172/66: Artigos 194 e 195, entre outros Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.068 6 II O Auto de Infração às fls. 1623 com a exigência do crédito tributário no valor de R$5.208,66 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 PIS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES Valor apurado através da análise das Declarações de Saídas/Vendas informadas ao Fisco Estadual (DME), analisadas em conjunto com o Livro de Registro de ICMS. O detalhamento dos procedimentos adotados está relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais contidos neste Auto de Infração, além de Relatório de Fiscalização e Anexos "A", "B", "C", "D", "E", "F" Fato Gerador que seguem em Anexo. [...] Arts. 1° e 3º , da Lei Complementar n°07/70; Arts. 2°, inciso I, 8 ° , inciso I, e 9°, da Lei nº 9.715/98; Arts. 2° e 3°, da Lei n ° 9.718/98; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3 ° , 10, 22 e 51 do Decreto n ° 4.524/02. III – O Auto de Infração às fls. 2431 com a exigência do crédito tributário no valor de R$13.658,27 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES Valor apurado através da analise das Declarações de Saídas/Vendas informadas ao Fisco Estadual (DME), analisadas em conjunto com o Livro de Registro de ICMS. O detalhamento dos procedimentos adotados está relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais contidos neste Auto de Infração, além de Relatório de Fiscalização e Anexos "A",. "B", "C", "D", "E", "F" que seguem em Anexo. [...] Art. 1º da Lei Complementar n°70/91; Arts.2°,3 ° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições.; Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n ° 4.524/02. IV – O Auto de Infração às fls. 3238 a exigência do crédito tributário no valor de R$2.829,77 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 CSLL CSLL SOBRE O LUCRO ARBITRADO DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES Valor apurado através da análise das Declarações de Saídas/Vendas informadas ao Fisco Estadual (DME), analisadas em conjunto com o Livro de Registro de ICMS. O detalhamento dos procedimentos adotados está relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais contidos neste Auto de Infração, Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.069 7 além de Relatório de Fiscalização e. Anexos "A", "B", "C", "D", "E", "F" que Fato Gerador Ocorrência 31/03/2002 seguem em Anexo. [...] Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 19 da Lei n° 9.249/95; Art. 20 da Lei n° 9.249/95; Art. 29 da Lei n° 9.430/96; Art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. Instauração do Litígio Cientificada, a Recorrente apresentou as impugnações, fls. 18881928, em face da exclusão do Simples e dos Autos de Infração. No que diz respeito à exclusão do Simples faz um relato sobre o procedimento e argumenta: Preliminar De Nulidade Por Violação Do Contraditório E Da Ampla Defesa. A Constituição Federal, ao estabelecer as garantias individuais mínimas, assegurou à todas as pessoas, indistintamente, o direito ao contraditório e a ampla defesa. [...] Por seu turno, o Dec. 70.235/72 dispõe que a peça inicial do processo administrativo fiscal deve obrigatoriamente conter a descrição do fato concreto que caracterizaria a falta do contribuinte, assegurando ao mesmo a possibilidade de se defender das imputações que eventualmente lhe sejam dirigidas [...]. No mesmo sentido, a Lei 9.781/99: [...]. Da ausência de descrição de fatos concretos que teriam motivado o ato impugnado. Na hipótese dos autos, o ato hostilizado pretendeu a exclusão da Requerente do SIMPLES retroagindo os seus efeitos a 01.01.2002 e dando inicio ao presente processo administrativo fiscal. Contudo, o ato impugnado revelase inidôneo para a finalidade a que se propõe, uma vez que não contém a descrição de um ou mais fatos concretos imputáveis a Requerente capazes de justificar a sua exclusão do SIMPLES, inviabilizando mesmo a sua compreensão, A primeira das situações ditas excludentes enunciada no Ato Declaratório, consiste na imputação à requerente da circunstância de supostamente haver auferido "Receita Bruta Superior a R$1.200.000,00". Ora, é o próprio "Relatório Fiscal" que informa expressamente o total das receitas auferidas pela Requerente no anocalendário de 2001, qual seja R$ 159.202,48 (cento e cinqüenta e nove mil e duzentos e dois reais e quarenta e oito centavos). Por seu turno, a segunda das referidas "situações excludentes" consiste na imputação à Requerente da circunstância de que "Titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa". No particular, a imputação sequer corresponde a qualquer texto legal, não encontrando correspondência no "Relatório Fiscal". Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.070 8 Igualmente estranho é que a referida circunstância, ainda que fosse verdadeira, revelase absolutamente desprovida de conteúdo ilícito, uma vez que inexiste qualquer dispositivo legal que desautorize o sócio de uma empresa a participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa. Com efeito, as imputações lançadas no Ato Declaratório como "situações excludentes", não correspondem aos fatos narrados no "Relatório Fiscal". Isto porque, o Ato Declaratório deixou de descrever, ainda que de forma resumida, quais seriam os fatos concretos que o teriam embasado, violando assim o disposto no art. 10, III, do Dec. 70.235/72, com manifesto prejuízo para a defesa. De outro modo, limitouse o Ato impugnado a reproduzir excertos de textos legais, quando em verdade deveria conter também a descrição dos fatos, elemento indispensável ao que se propõe seja a peça inicial de uma ação fiscal. Ressaltese que não se está a negar a possibilidade de que o Ato administrativo pudesse descrever os fatos de forma resumida, remetendo ao "Relatório Fiscal" os elementos que, no seu entendimento, estariam aptos i comprovação de tais fatos. 0 que não se pode admitir é que o ato administrativo não contenha a descrição objetiva dos fatos que o motivaram. Em outros signos, não se pode obrigar alguém a se defender de imputações cuja descrição não se pode sequer compreender. [...] Não é outra a hipótese dos autos em que o "Ato Declaratório" propõe a exclusão da Requerente do SIMPLES, sem delimitar objetivamente qualquer fato concreto que pudesse justificar tal exclusão. A ausência de delimitação objetiva dos fatos imputados a Requerente, inviabiliza o prosseguimento da ação fiscal, razão pela qual, confia a Requerente, deverá ser acolhida a preliminar para declarar nulo o Ato Declaratório DRF/NCA n°. 37/2007. Da retenção dos livros contábeis e fiscais da Requerente. Igualmente lesiva as garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório, é a retenção dos livros contábeis e fiscais da Requerente. Como visto, no inicio da fiscalização, em 16.04.2007, foram retidos pela autoridade administrativa todos os seus livros contábeis e fiscais, contra o que, apesar dos inconvenientes da medida, não se insurgiu a Requerente. Decorridos 9 (nove) meses desde então, os livros contábeis e fiscais da Requerente continuam em poder da autoridade administrativa, o que vem sendo possibilitado mediante sucessivas prorrogações do "Mandado de Procedimento Fiscal". A Requerente não pretende polemizar sobre ser ou não suficiente para a realização do trabalho fiscal a retenção dos seus livros por período superior a 9 (nove) meses. Sabese que a possibilidade de efetuar a retenção de documentos pela autoridade administrativa, tem previsão legal, servindo tanto para facilitar o trabalho fiscal quanto para eventual constituição de provas para justificar exigências fiscais. Entretanto, apesar de estar em curso o prazo para a Requerente manifestar sua inconformidade contra a sua exclusão do SIMPLES e oferecer defesa contra o Auto Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.071 9 de Infração contra si lavrado, permanecem retidos pela Autoridade Administrativa os seus livros contábeis e fiscais. Evidente se mostra o prejuízo para a defesa, na medida em que os livros contábeis e fiscais são fontes relevantes de informação. Ressaltese que durante o seu prazo de recurso, por duas oportunidades, tentou a Requerente através de seus prepostos obter cópias dos livros, tendo sido informada de que não seria possível, naquele momento, visto que apenas os fiscais que atuaram neste procedimento fiscal teriam acesso aos livros e que os mesmos estariam de férias. Ressaltese que o direito de consultar os seus próprios livros não consubstancia nenhum favor fiscal, mas sim um direito incondicionado do contribuinte. A impossibilidade de ter acesso aos seus livros fiscais, implica em supressão do direito a ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, razão pela qual, na remota hipótese de que não seja acolhida a primeira preliminar, requer seja devolvido integralmente o prazo da Requerente para insurgirse contra o ato impugnado. Mérito. Da alegada constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa. 36. No mérito, como já visto, o "Relatório Fiscal" conclui que um determinado grupo de empresas — mencionado no relatório como "Grupo Silva Calçados" entre as quais foi inserida a Requerente, teria sido constituído por "interpostas pessoas" que não seriam os verdadeiros sócios, o que materializaria hipótese legal de exclusão do SIMPLES. Ainda segundo as conclusões do Relatório Fiscal, o "verdadeiro" sócio proprietário da Requerente seria o Sr. Daniel Soares Neto. [...] Nada obstante sejam verdadeiras algumas das premissas acima, absolutamente equivocadas são as conclusões delas extraídas pelo "Relatório Fiscal", como restará demonstrado. Breve histórico de como uma família de origem humilde do interior da Bahia conseguiu superar as adversidades e prosperar no ramo do comércio varejista de calçados, gerando empregos para a economia e arrecadação para um Estado com o qual nunca pôde contar. Desde cedo, dentre os membros da família Soares, destacouse Daniel como líder familiar e empresarial. Apesar da origem humilde e dos poucos recursos, ainda jovem aventurouse Daniel como empreendedor no ramo do comércio varejista de calçados. Seus irmãos e demais familiares testemunharam um começo marcado por todas as dificuldades que neste pais ainda se abatem sobre a trajetória daqueles que ousam aventurarse na vida empresarial, partindo de pouco ou quase nada. 0 esforço seria recompensado e depois de alguns anos de trabalho duro Daniel começaria a colher os primeiros resultados. Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.072 10 Compreendeu então que dificilmente conseguiria se estabelecer e seguir prosperando num mercado tão competitivo como o do varejo calçadista sem o abrigo de uma marca sólida. Decidiu incentivar e desenvolver a sua marca, "Silva Calçados". Como não tivesse os recursos nem a energia necessária para sozinho desenvolver e expandir a sua marca no mercado, optou ele pela mesma estratégia que costumam adotar 9 (nove) em cada dez empresários no Estado da Bahia. Estimular o empreendedorismo no seio da sua própria família, incentivando os seus familiares a investirem no ramo calçadista, disponibilizando para os mesmos todo o conhecimento que aquela altura já acumulara sobre o comércio varejista de calçados. As vantagens se afiguravam óbvias. Dentre outras, o fortalecimento de sua marca e a possibilidade de centralizar as compras das empresas de seus familiares obtendo ganhos de escala nas negociações com fornecedores. A resultante desta equação que combinou coragem e muito trabalho não poderia ser outra, senão o êxito. As lojas de Daniel e de seus familiares prosperaram e a família Soares é hoje uma referência de credibilidade e seriedade no mercado varejista de calçados, gerando empregos para a economia e arrecadação para o Estado, atingindo em sua plenitude o que o constituinte originário houve por bem denominar de função social da empresa. Com efeito, melhor andaria o estado brasileiro se ao invés de atribuir a pessoas como Daniel a pecha de "fraudadores", para fins meramente de aumento de arrecadação, cuidasse, através de seus representantes, de erigir em cada praça pública um monumento em homenagem a essas pessoas. Não vai aqui nenhuma critica ao trabalho dos senhores auditores, os quais, devese presumir, estão apenas tentando desempenhar com zelo a sua função. Feito este breve resumo da história da família Soares, cumpre agora demonstrar porque são equivocadas as conclusões lançadas no "Relatório Fiscal". Segundo o "Relatório Fiscal" o fato do quadro societário da Requerente ser composto por pessoas com vinculo de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto comprovaria que a constituição da empresa se deu por interposta pessoa. Em outras palavras, presume o trabalho fiscal que os donos da empresa não seriam os verdadeiros donos. Isto 6, a empresa pertenceria a uma terceira pessoa que seria o verdadeiro beneficiário dos resultados econômicos da atividade empresarial. O Relatório Fiscal vai além, ao elencar as relações de parentesco entre diversas pessoas, asseverando que a suposta "fraude" teria por objetivo "ocultar responsabilidade tributária" através da utilização do que denominou de "laranjas" e "testasdeferro"." No particular, admitindose, para fins argumentativos, que as empresas teriam sido constituídas para "ocultar responsabilidade tributária", agrediria mesmo qualquer lógica ou razoabilidade imaginar que o suposto sócio oculto se valeria de familiares para servirem de "laranjas" ou "testasdeferro", o que bem se poderia adjetivar de verdadeira estratégia lusitana. [...] Ressaltese que a legislação em vigor não impôs qualquer óbice ou vedação a que pessoas da mesma família desenvolvam atividade empresarial no mesmo ramo de comércio. Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.073 11 Assim, ao contrário do que afirma o Relatório Fiscal, as relações de parentesco mencionadas se mostram absolutamente imprestáveis a comprovação da alegada constituição de pessoas jurídicas por interposta pessoa. Descreve ainda o Relatório Fiscal a evolução patrimonial do Sr. Daniel Soares Neto, o que entende seria capaz de justificar as suas conclusões. Neste ponto, não se poderia exigir da Requerente prova negativa. O Sr. Daniel Soares Neto não é sócio e não percebe rendimentos resultantes da atividade empresarial desenvolvida pela Requerente, o que pode ser comprovado pelos atos constitutivos, declarações fornecidas pela empresa e livros contábeis e fiscais em poder pela autoridade administrativa. Notese que, apesar de estar a Requerente sob fiscalização há mais de l(ano), encontrandose os seus livros contábeis e fiscais retidos com a autoridade administrativa até a presente data, o "Relatório Fiscal" não aponta nenhum indicio sequer que amparasse as suas conclusões. Ou seja, de que o "verdadeiro beneficiário" da atividade empresarial seria o Sr. Daniel. Pelo exposto, a descrição resumida da evolução patrimonial do Sr. Daniel Soares Neto se revela igualmente imprestável a justificar as conclusões do Relatório Fiscal. Prosseguindo, afirma o Relatório Fiscal que as retiradas efetuadas do caixa da Requerente pelos seus sócios, seja a titulo de prollabore, seja A. titulo de distribuição de lucros, não seriam condizentes com o que denominou "sucesso econômico e financeiro verificado nas pessoas jurídicas", considerado o valor total da receita bruta da empresa. Pretende a autoridade administrativa perquirir acerca da conveniência das decisões tomadas pelos gestores da empresa sobre a destinação dos seus lucros. Com a ressalva do devido respeito, mas as decisões que dizem respeito à gestão da empresa são de competência exclusiva dos seus sócios. Nesse sentido, compete tão somente aos gestores decidir, num dado momento, qual a melhor destinação para os resultados obtidos com a atividade empresarial. Isto e, se os lucros auferidos devem ser distribuídos aos sócios, mantidos em conta de lucros acumulados, ou ainda reinvestidos na própria empresa. Ressaltese que o critério utilizado pelo "Relatório Fiscal" — receita bruta para quantificação do denominado "sucesso econômico e financeiro", mostrase inaplicável, notadamente no que se refere ao comercio varejista. No comércio varejista as margens de lucros são cada vez menores. Diversos fatores contribuem para tanto, merecendo destaque os custos trabalhistas, fiscais e o aumento dos preços no atacado, decorrente da redução da concorrência entre as indústrias fornecedoras, com extinção das pequenas indústrias e formação dos grandes conglomerados. Como se pode perceber, o lucro corresponde somente a uma pequena fração, cada vez menor, da Receita Bruta. O desconhecimento acerca desta realidade levou a autoridade fiscal conclusão de que as retiradas dos sócios seriam incompatíveis com o sucesso da Requerente. Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.074 12 Ressaltese ainda, que os lucros acumulados que não foram distribuídos ou reinvestidos, encontramse devidamente escriturados na contabilidade da Requerente em conta de lucros acumulados. Não há, portanto, que se falar em incompatibilidade entre as retiradas dos sócios e o "sucesso" da Requerente. Ainda como fundamento das suas conclusões, aponta o Relatório Fiscal o fato de que por diversas vezes as compras da Requerente eram formalizadas através de escritório localizado no mesmo prédio onde funciona a empresa Conquista Calçados, lá encontrando também, através de diligência, diversos livros contábeis e fiscais de propriedade da Requerente. Como já demonstrado, a Requerente se associou à outras empresas de porte semelhante, visando centralizar as suas compras, para fins de obtenção de ganhos de escala com redução do custo das mercadorias adquiridas e serviços contratados. Todavia, ao contrário do que pretendeu o "Relatório Fiscal", a centralização das compras não encontra óbice na legislação de regência. [...] Ressaltese que a contabilidade da empresa sempre foi efetuada por profissional externo contratado, mesmo porque, tratandose de pequena empresa, não poderia arcar com os custos decorrentes da manutenção de um profissional de contabilidade com dedicação exclusiva no seu quadro de pessoal. Seguindo a mesma lógica da busca de economias de escala, o serviço de contabilidade foi contratado juntamente com empresas de porte semelhante, junto ao mesmo profissional, e os serviços eram prestados no mesmo escritório onde foram apreendidos os livros fiscais e contábeis da Requerente no ato da diligência fiscal. A contratação de profissional externo de contabilidade, não ofende a qualquer preceito de lei, sendo ademais prática usual entre empresas _de pequeno porte. Referese ainda o relatório Fiscal a existência de uma procuração outorgada pela Requerente ao Sr. Daniel Soares Neto, o que na ótica fiscal configuraria hipótese de constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa. Como já exaustivamente demonstrado, a Requerente se associou a outras empresas do mesmo porte, visando a redução de custos com a centralização das compras. Por possuir maior experiência no ramo, a coordenação do processo de centralização de compras coube ao sócio de uma das empresas associadas, Sr. Daniel Soares Neto. Para tanto, foi outorgada procuração ao mesmo, sem o que estaria ele inabilitado para a regular representação da Requerente junto a seus fornecedores. Pretendeuse ainda a exclusão da Requerente do SIMPLES, porquanto no seu estabelecimento foi observado o mesmo layout e as mesmas embalagens que outras empresas. Como visto, a Requerente teve facilitada a sua inserção no mercado através de autorização para uso da marca SILVA CALCADOS, que lhe foi fornecida por Casa Silva Calçados Ltda., titular do pedido de registro da marca junto ao INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.075 13 Todavia, referida cessão foi condicionada pela cedente a observância impositiva pela Requerente do mesmo layout da cedente no seu estabelecimento, respeitando ainda o mesmo padrão de embalagens. A utilização de marca de propriedade de terceiro, assim como a adoção de layout idêntico ao de outro estabelecimento, não encontra óbice na lei, nem tampouco autorizaria a exclusão da Requerente do SIMPLES, como pretendeu o "Relatório Fiscal". Em relação aos Termos de Depoimento aludidos, nada obstante não contenham qualquer referência à Requerente, jamais poderiam ser considerados para efeito de instrução do processo. Ao contrário do que foi afirmado no "Relatório Fiscal", referidos "Termos" não revelam as efetivas manifestações dos depoentes. No particular, embora subscritos por 09 (nove) auditores, atestando a suposta exatidão dos quesitos e respostas ali contidos, os aludidos "Depoimentos" foram demandados e acompanhados por apenas 2 (dois) deles, o que, por si só, já evidencia a infidelidade das informações ali contidas, descaracterizandoo como meio de prova. Merece destaque ainda o relato de alguns depoentes que se afirmaram profundamente intimidados pela postura dos auditores, que a todo o tempo dirigiam aos depoentes advertências sobre rigorosas consequências criminais que poderiam advir dos seus depoimentos. Registrese ainda, segundo relato dos depoentes, que os quesitos impressos não correspondem aqueles que foram efetivamente formulados, o que igualmente impede que se reconheça qualquer valor probante aos referidos termos. Por fim, sustenta o "Relatório Fiscal" que informações colhidas do sitio da internet da marca Silva Calçados, comprovariam a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa. Entretanto, ao contrário do que foi afirmado, as informações constantes do sitio na internet somente confirmam tudo aquilo que aqui já foi dito. Ou seja, que o Sr. Daniel Soares foi o pioneiro na sua família a atuar no ramo do varejo calçadista, assim como, que a marca Silva Calçados é de propriedade da Casa Silva Calçados Ltda., de propriedade do Sr. Daniel Soares Neto. Consoante exaustivamente demonstrado, os supostos elementos de prova que justificariam o ato impugnado, não subsistem, razão pela qual, confia a Requerente deverá ser anulado. Do alegado enquadramento equivocado da Requerente no anocalendário de 2002. O "Relatório Fiscal" menciona ainda que a Requerente teria auferido no ano —calendário de 2001, rendimento superior ao limite estipulado pela legislação vigente para as pessoas jurídicas que estavam enquadradas como microempresas, permanecendo sob o mesmo enquadramento no anocalendário de 2002. Deixou de mencionar, contudo, o trabalho fiscal, que embora tenha deixado de promover a sua alteração cadastral de microempresa para EPP obrigação acessória — observou fielmente a Requerente, para efeito de recolhimento dos tributos, as alíquotas vigentes para as Empresas de Pequeno Porte — EPP, de modo Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.076 14 que nenhum prejuízo adveio ao fisco do alegado descumprimento da obrigação acessória. A circunstância é emblemática, porque reveladora da boafé com que se sempre se portou a Requerente, mesmo quando da eventualidade de haver descumprido uma, dentre as diversas obrigações acessórias que recaem sobre toda pessoa jurídica. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, seja pelo acolhimento das preliminares suscitadas, seja pela demonstração inequívoca da insubsistência do ato impugnado, requer seja anulado o Ato Declaratório DRF/VCA n°. 37/2007. Em relação aos Autos de Infração faz um relato sobre a ação fiscal e suscita: Preliminarmente. Da Prejudicialidade Ao Julgamento Da Manifestação De Inconformidade Contra O Ato Declaratório Executivo De Exclusão Do Simples. Inicialmente, cumpre demonstrar a necessidade de sobrestar o julgamento da presente autuação ate que advenha decisão definitiva relativa ao Ato Declaratório Executivo que promoveu a exclusão da Impugnante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). Isto porque, evidente se mostra a relação de prejudicialidade entre as demandas, de modo que, uma vez desconstituído o Ato Declaratório, fulminada estará a autuação ora impugnada. Regime De Tributação — Direito De Opção. O Impugnante teve apreendidos os seus livros fiscais e contábeis, a partir dos quais, foram levantadas as receitas conhecidas, conforme descrito no Auto de Infração. [...] Reza o § 3°, do artigo 516, do RIR/99, Decreto n°3.000, de 26/03/1999: [...] direito de opção pelo regime de tributação, mesmo após o inicio da fiscalização, está exarado nos itens 3.2, 3.3 e 3.4 do Parecer Normativo CST nº 040/81, DOU, I, de 30/11/81, [...] Destacamos que o artigo 676 do RIR/80, corresponde ao artigo 841 do RIR/99. A escrituração fiscal não constitui elemento suficiente para arrimar o arbitramento do lucro: [...] Este fato, por si só, invalida o arbitramento do lucro, que constitui medida extrema, necessitando de aprofundamento da ação fiscal. Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.077 15 Em adição, o Termo de Inicio da Fiscalização foi seguido do Termo de Intimação Fiscal, Termo de Retenção, Termo de Reintimação Fiscal e Termo de Constatação Fiscal. É relatado dos próprios Fiscais Autuantes que a Impugnante cuidou de apresentar a documentação solicitada pela Fiscalização, o que se deu em 13.02.2007. Em 16.04.2007 a Requerente teve apreendidos seus livros fiscais e contábeis, conforme Termos de Retenção, [...] Ressaltese que dentre os livros apreendidos pelos Fiscais constava, entre outros, os livros razão e diário, como se depreende do teor do Termo de Constatação Fiscal. Ocorre que, em que pese a fornecimento de robusta documentação que possibilitasse os Fiscais à apuração, mesmo que através do Lucro Presumido, procederam ao arbitramento do lucro [...] De curial importância se transcrever o teor do caput, e § único, do artigo 45, da Lei no 8.981/1995, [...] Há na legislação do Imposto de Renda uma norma que fecha toda esta questão [...]. Quer isto dizer, a não apresentação de elementos exigidos exclusivamente para a apuração do Lucro Real, ensejaria o arbitramento do lucro. Negativa peremptória, sem meias palavras, A. possível, legal e justa opção pelo regime do lucro presumido, em lançamento ex officio. Por este ângulo, também está fulminado o lançamento tributário em lide. DA MULTA CONFISCATÓRIA DE 150% A fiscalização fez incidir multa exacerbada de 150% sobre o Imposto de Renda e demais tributos que considerou devidos. A propósito, reza o artigo 150, IV, da Constituição da República: [...] Sabese que, somente uma situação que reflita alguma capacidade contributiva pode ser objeto de tributação, não sendo menos correto afirmar que a pessoa que nela se encontre não pode, em razão disto, ser tributada num tal nível que a impeça de continuar a exercer atividade licita, ou que lhe retire o indispensável ou que reduza o padrão de contribuinte — capacidade contributiva como limite de tributação. [...] A sanção tributária, como qualquer outra sanção, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim, tão somente estimular o pagamento correto e pontual dos tributos, sob risco de sua oneração, não podendo nunca ser utilizado como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. À vista dessa realidade, não é qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou suposta alegação de débito deste, que deve legitimar a previsão de multa exacerbada, no patamar de 150% quando a inflação anual gira em torno de 5%. Nem mesmo o "intuito de fraude", enquadramento buscado pela fiscalização, mas não subsumido à espécie, justificaria a apenação com uma multa que exproprie Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.078 16 desarrazoadamente o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio desproporcional A hipotética infração alegada. Não é o principal que acompanha o acessório, senão o contrário... Se assim não o for, seguirseá o caráter confiscatório da multa ou penalidade pecuniária. Esta é, por sinal, a clássica posição doutrinária no Direito pátrio, na lição de Sampaio Dória, mestre do "Devido Processo Legal [...]. Pelo exposto, impõese afirmar a inconstitucionalidade da multa de 150%, aplicada no auto de infração em lide, por ter caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior, o que espera seja reconhecido. IMPROCEDÊNCIA DAS TRIBUTAÇÕES REFLEXAS —SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA — COSIT. Em março de 2005, a CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, órgão que tem por objeto homogeneizar a interpretação da legislação tributário no âmbito da SRF, expediu dois Pareceres (Soluções) de Divergência, para a DRJ/RJO II, relativamente A lavratura de lançamentos reflexos ou decorrentes, quando a autuação principal o foi por arbitramento do lucro na pessoa jurídica. Prova de que estes pareceres têm A ver com Solução de Divergência é o site em que estão inseridos: www.receita.fazenda.gov.br , legislação, ementários, processos de consulta, COSIT., Sol. Divergência. Os pareceres se referem As improcedências dos reflexos de PIS e COFINS, quando o regime de tributação no IRPJ foi o lucro arbitrado. Por extensão, a CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, também improcede, por analogia— artigo 108, I, CTN. [...] Notese que, os pareceres da COSIT, em essência são congêneres as Soluções de Divergência, e como tal, devem ser observados pelas Autoridades Julgadoras, por constituírem "as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição a que a lei atribua eficácia normativa; práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas", conforme aduzem os incisos II e III, do artigo 100, do CTN. Por outro lado, ainda que se admitisse, para fins argumentativos, a manutenção das tributações reflexas são decorrentes pelo fato de comporem um mesmo processo fiscal neste caso, o Sr. Julgador deverá proceder de acordo com o disposto no artigo 48, da Lei no 9.430/96,[...]. In casu, mantidas as tributações reflexas — PIS, COFINS e CSLL, o Sr. Julgador deverá representar ao seu superior hierárquico, porque provocado um conflito de divergência. Da Decadência Do Direito De Lançar. Forçoso suscitar, ainda, para que não reste dúvida acerca da insubsistência do suposto crédito apontado, que, ainda que ultrapassadas todas as questões suscitadas acima, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, cumprese demonstrar a inviabilidade do lançamento pretendido em face da manifesta decadência do direito a constituição do crédito. Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.079 17 As infrações apontadas no Auto de Infração se referem ao anocalendário 2002, período que se inicia em 01.01.2002 e que se encerra em 31.12.2002. Frisese que, neste período, o Autuante reconhece expressamente os pagamentos realizados mês a mês, o que, desde então, permitiu a autoridade administrativa a exigência de eventuais diferenças existentes. Como se sabe, em se tratando de tributo cujo pagamento deve ser antecipado pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, na sistemática moldurada pelo lançamento por homologação, o direito da Fazenda de homologar ou não o recolhimento realizado pelo contribuinte, esvaise no prazo de 05 (cinco) anos, a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. A impugnante somente foi intimada do lançamento pretendido em 13.12.2007, quando já eram decorridos mais de05 (cinco) anos desde a ocorrência dos supostos fatos geradores, o que inviabiliza a pretensão fiscal, impondose o reconhecimento da decadência do direito do Fisco de lançar estes valores. O art. 150, § 4°, do CTN, tem a seguinte redação: [...] O Fisco Federal em sua ânsia arrecadatória insaciável tenta afastar a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, para aplicar em seu lugar o art. 173, I, sob o argumento de que houve dolo da empresa no intuito de pagar menos imposto, transferindo para 1° de janeiro de 2008 a decadência. De plano, tal argumento não pode ser levado em consideração, porque a Impugnante efetuou os respectivos pagamentos mês a mês. Assim é que não há que se falar em dolo mesmo porque o tributo supostamente devido decorre de diferença dos pagamentos efetuados pela Impugnante, como se constata das planilhas anexas ao Auto, não sendo cabível dizer que não houve pagamento de imposto. O fisco, tendo conhecimento do mesmo, pode desde já investigar os elementos do fato gerador e homologar o procedimento do contribuinte, ou então proceder ao lançamento de oficio, em relação à diferença apurada o fisco, tendo conhecimento do mesmo, pode já investigar os elementos do fato gerador e homologar o procedimento do contribuinte, ou então proceder ao lançamento de oficio, em relação 5. diferença apurada. Demais disso, outros motivos reclamam a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, como se passa a verificar. [...] Assim, aplicandose a regra do art. 150, § 4°, do CTN e considerandose que a ciência da autuação ocorreu em 13.12.2007, temse a total decadência dos créditos tributários objeto da presente autuação. A restrição temporal a um dado prazo prestigia a segurança jurídica, pois evita a eternização de eventual conflito que a qualquer momento possa surgir. Se o Fisco tivesse lançado o crédito tributário dentro de cinco anos contados do fato gerador, ai sim ele poderia em sede judicial cobrar o débito em questão. [...] Resta claro, portanto, que o ato administrativo praticado para constituição do crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram no período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2002, ou seja, há mais de 5 (cinco) anos da lavratura do Auto de Infração, é nulo de pleno direito, por ter se consumado a decadência. Assim, por qualquer das razões acima aludidas, impõese o acolhimento da presente impugnação para anular o lançamento de oficio. Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.080 18 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, requer seja desconstituído o auto de infração impugnado, assim como os lançamentos dele decorrentes. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 15 18.795, de 02.04.2009, fls. 19862002: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Inconcebível acolher preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a peça acusatória define de maneira perfeita as infrações cometidas e o contribuinte defendese demonstrando pleno conhecimento da acusação que lhe é atribuída. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O juízo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Normas Gerais de Direito Tributário DOLO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos casos de lançamento por homologação, o prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, é regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. Excluise do simples a pessoa jurídica ou grupo de pessoas jurídicas que pertencendo a uma só pessoa física interpõe pessoas em empresas do grupo para manter a condição de empresa de pequeno porte. ARBITRAMENTO. ESCRITA IMPRESTÁVEL. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá disponibilizar para o Fisco todos os livros comerciais e fiscais em que se apoiou a sua apuração, observadas as exigências comerciais e fiscais para a escrituração. A apresentação dos livros contábeis em desacordo com tais normas torna a escrita imprestável e autoriza o arbitramento do lucro. MULTA. DOLO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Constatado o intuito doloso é dever do Fisco proceder ao lançamento tributário com a respectiva multa de oficio qualificada de 150%. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. ARBITRAMENTO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.081 19 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SOLIDARIEDADE. SÓCIO CONTROLADOR DE FATO. É solidariamente responsável pelo crédito tributário constituído pelo lançamento contra a pessoa jurídica, a pessoa física que, na qualidade de sócio controlador de fato, utiliza a forma artificiosa de interpostas pessoas para formar diversas pessoas jurídicas e, assim se eximir da obrigação tributária. Lançamento Procedente Notificada em 04.12.2009, fl. 2008, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.12.2009, fls. 20122039, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera as alegações apresentadas na peça impugnatória. Vale transcrever essencialmente: O presente recurso é apresentado apenas para questionar a exclusão da empresa no SIMPLES, através do ato declaratório 37/2007. Quanto ao lançamento fiscal a recorrente não apresenta recurso, vez que fez adesão ao parcelamento trazido pela Lei 11.941/2009, estando confessado os débitos apurados. Da Indevida Exclusão Do Simples Preliminar De Nulidade Por Violação Do Contraditório E Da Ampla Defesa. A Constituição Federal, ao estabelecer as garantias individuais mínimas, assegurou a todas as pessoas, indistintamente, o direito ao contraditório e a ampla defesa: [...] Por seu turno, o Dec. 70.235/72 dispõe que a pega inicial do processo administrativo fiscal deve obrigatoriamente conter a descrição do fato concreto que caracterizaria a falta do contribuinte, assegurando ao mesmo a possibilidade de se defender das imputações que eventualmente lhe sejam dirigidas: [...] No mesmo sentido, a Lei 9.781/99: [...] Da ausência de descrição de fatos concretos que teriam motivado o ato impugnado. Na hipótese dos autos, o ato hostilizado pretendeu a exclusão da Recorrente do SIMPLES retroagindo os seus efeitos a 01.01.2002 e dando inicio ao presente processo administrativo fiscal. Contudo, o ato impugnado revelase inidôneo para a finalidade a que se propõe, uma vez que não contém a descrição de um ou mais fatos concretos imputáveis a Recorrente capazes de justificar a sua exclusão do SIMPLES, inviabilizando mesmo a sua compreensão, senão vejamos: A primeira das situações ditas excludentes enunciada no Ato Declaratório, consiste na imputação A Recorrente da circunstância de supostamente haver auferido "Receita Bruta Superior a R$1.200.000,00". Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.082 20 Ora, é o próprio "Relatório Fiscal" que informa expressamente o total das receitas auferidas pela Recorrente no anocalendário de 2001, não ultrapassou o valor legal. Por seu turno, a segunda das referidas "situações excludentes" consiste na imputação A Recorrente da circunstância de que "Titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa". No particular, a imputação sequer corresponde a qualquer texto legal, não encontrando correspondência no "Relatório Fiscal". Igualmente estranho é que a referida circunstancia, ainda que fosse verdadeira, revelase absolutamente desprovida de conteúdo ilícito, uma vez que inexiste qualquer dispositivo legal que desautorize o sócio de uma empresa a participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa. Com efeito, as imputações lançadas no Ato Declaratório como "situações excludentes", não correspondem aos fatos narrados no "Relatório Fiscal". Isto porque, o Ato Declaratório deixou de descrever, ainda que de forma resumida, quais seriam os fatos concretos que o teriam embasado, violando assim o disposto no art. 10, III, do Dec. 70.235/72, com manifesto prejuízo para a defesa. De outro modo, limitouse o Ato impugnado a reproduzir excertos de textos legais, quando em verdade deveria conter também a descrição dos fatos, elemento indispensável ao que se propõe seja a pega inicial de uma ação fiscal. Ressaltese que não se está a negar a possibilidade de que o Ato administrativo pudesse descrever os fatos de forma resumida, remetendo ao "Relatório Fiscal" os elementos que, no seu entendimento, estariam aptos A comprovação de tais fatos. 0 que não se pode admitir é que o ato administrativo não contenha a descrição objetiva dos fatos que o motivaram. Em outros signos, não se pode obrigar alguém a se defender de imputações cuja descrição não se pode sequer compreender. [...] Não é outra a hipótese dos autos em que o "Ato Declaratório" propõe a exclusão da Recorrente do SIMPLES, sem delimitar objetivamente qualquer fato concreto que pudesse justificar tal exclusão. A ausência de delimitação objetiva dos fatos imputados a Recorrente, inviabiliza o prosseguimento da ação fiscal, razão pela qual,confia a recorrente que deverá ser acolhida a preliminar para declarar nulo o Ato Declaratório DRF/ITA n°. 36/2007. Dos Argumentos De Mérito. Da alegada constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa No mérito, como já visto, o "Relatório Fiscal" conclui que um determinado grupo de empresas mencionado no relatório como "Grupo Silva Calçados" entre as quais foi inserida a Recorrente, teria sido constituído por "interpostas pessoas" que não seriam os verdadeiros sócios, o que materializaria hipótese legal de exclusão do SIMPLES. Ainda segundo as conclusões do Relatório Fiscal, o "verdadeiro" sócio proprietário da Recorrente seria o Sr. Daniel Soares Neto. Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.083 21 Dentre os elementos invocados pelo Relatório Fiscal como supostamente comprobatórios da constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa: a) O fato dos sócios da Recorrente serem parentes do Sr. Daniel Soares Neto. b) A evolução patrimonial do Sr. Daniel Soares Neto, que seria o verdadeiro beneficiário da atividade empresarial. c) A evolução Patrimonial dos sócios da Recorrente, que não seriam beneficiários da atividade empresarial. d) O fato de que as compras muitas vezes eram centralizadas a partir de escritório localizado no mesmo prédio onde funciona a empresa Conquista Calçados, lá se encontrando também os arquivos fiscais e contábeis das empresas. e) O fato da Recorrente haver outorgado procuração ao Sr. Daniel Soares Neto. f) O fato das lojas possuírem o mesmo layout e mesmas embalagens. g) O Teor de termos apresentados, que teriam sido lavrados a partir do interrogatório de pessoas que se encontravam no escritório situado no mesmo prédio da empresa denominada Conquista Calçados. h) O teor de sítio na Internet que resume a historia da marca "Silva Calçados". Nada obstante sejam verdadeiras algumas das premissas acima, absolutamente equivocadas são as conclusões delas extraídas pelo "Relatório Fiscal", como restará demonstrado. Breve histórico de como uma família de origem humilde do interior da Bahia conseguiu superar as adversidades e prosperar no ramo do comércio varejista de calçados, gerando empregos para a economia e arrecadação para um Estado com o qual nunca pôde contar. Desde cedo, dentre os membros da família Soares, destacouse Daniel como líder familiar e empresarial. Apesar da origem humilde e dos poucos recursos, ainda jovem aventurouse Daniel como empreendedor no ramo do comércio varejista de calçados. Seus irmãos e demais familiares testemunharam um começo marcado por todas as dificuldades que neste pais ainda se abatem sobre a trajetória daqueles que ousam aventurarse na vida empresarial, partindo de pouco ou quase nada. O esforço seria recompensado e depois de alguns anos de trabalho duro Daniel começaria a colher os primeiros resultados. Compreendeu então que dificilmente conseguiria se estabelecer e seguir prosperando num mercado tão competitivo como o do varejo calçadista sem o abrigo de uma marca sólida. Decidiu incentivar e desenvolver a sua marca, "Silva Calçados". Como não tivesse os recursos nem a energia necessária para sozinho desenvolver e expandir a sua marca no mercado, optou ele pela mesma estratégia que costumam adotar 9 (nove) em cada dez empresários no Estado da Bahia. Estimular o empreendedorismo no seio da sua própria família, incentivando os seus Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.084 22 familiares a investirem no ramo calçadista, disponibilizando para os mesmos todo o conhecimento que aquela altura já acumulara sobre o comércio varejista de calçados. As vantagens se afiguravam óbvias. Dentre outras, o fortalecimento de sua marca e a possibilidade de centralizar as compras das empresas de seus familiares obtendo ganhos de escala nas negociações com fornecedores. A resultante desta equação que combinou coragem e muito trabalho não poderia ser outra, sendo o êxito. As lojas de Daniel e de seus familiares prosperaram e a família Soares e hoje uma referência de credibilidade e seriedade no mercado varejista de calçados, gerando empregos para a economia e arrecadação para o Estado, atingindo em sua plenitude o que o constituinte originário houve por bem denominar de função social da empresa. Com efeito, melhor andaria o estado brasileiro se ao invés de atribuir a pessoas como Daniel a pecha de "fraudadores", para fins meramente de aumento de arrecadação, cuidasse, através de seus representantes., de erigir em cada praga pública um monumento em homenagem a essas pessoas. Não vai aqui nenhuma critica ao trabalho dos senhores auditores, os quais, devese presumir, estão apenas tentando desempenhar com zelo a sua função. Feito este breve resumo da historia da família Soares, cumpre agora demonstrar porque são equivocadas as conclusões lançadas no "Relatório Fiscal". Segundo o "Relatório Fiscal" o fato do quadro societário da Recorrente ser composto por pessoas com vinculo de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto comprovaria que a constituição da empresa se deu por interposta pessoa. Em outras palavras, presume o trabalho fiscal que os donos da empresa não seriam os verdadeiros donos. Isto 6, a empresa pertenceria a uma terceira pessoa que seria o verdadeiro beneficiário dos resultados econômicos da atividade empresarial. O Relatório Fiscal vai além, ao elencar as relações de parentesco entre diversas pessoas, asseverando que a suposta "fraude" teria por objetivo "ocultar responsabilidade tributária" através da utilização do que denominou de "laranjas" e "testasdeferro". No particular, admitindose, para fins argumentativos, que as empresas teriam sido constituídas para "ocultar responsabilidade tributária", agrediria mesmo qualquer lógica ou razoabilidade imaginar que o suposto sócio oculto se valeria de familiares para servirem de "laranjas" ou "testasdeferro", o que bem se poderia adjetivar de verdadeira estratégia lusitana. [...] Ressaltese que a legislação em vigor não impôs qualquer óbice ou vedação a que pessoas da mesma família desenvolvam atividade empresarial no mesmo ramo de comércio. Assim, ao contrário do que afirma o Relatório Fiscal, as relações de parentesco mencionadas se mostram absolutamente imprestáveis a comprovação da alegada constituição de pessoas jurídicas por interposta pessoa. Descreve ainda o Relatório Fiscal a evolução patrimonial do Sr. Daniel Soares Neto, o que entende seria capaz de justificar as suas conclusões. Neste ponto, não se poderia exigir da Recorrente prova negativa. Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.085 23 O Sr. Daniel Soares Neto não é sócio e não percebe rendimentos resultantes da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente, o que pode ser comprovado pelos atos constitutivos, declarações fornecidas pela empresa e livros contábeis e fiscais em poder pela autoridade administrativa. Notese que, apesar de ter ficado a recorrente sob fiscalização há mais de 1 (ano),encontrandose os seus livros contábeis e fiscais retidos com a autoridade administrativa pelo período, o "Relatório Fiscal" não aponta nenhum indicio sequer que amparasse as suas conclusões. Ou seja, de que o "verdadeiro beneficiário" da atividade empresarial seria o Sr. Daniel. Pelo exposto, a descrição resumida da evolução patrimonial do Sr. Daniel Soares Neto se revela igualmente imprestável a justificar as conclusões do Relatório Fiscal. Prosseguindo, afirma o Relatório Fiscal que as retiradas efetuadas do caixa da Recorrente pelos seus sócios, seja a titulo de prolabore, seja A titulo de distribuição de lucros, não seriam condizentes com o que denominou "sucesso econômico e financeiro verificado nas pessoas jurídicas", considerado o valor total da receita bruta da empresa. Pretende a autoridade administrativa perquirir acerca da conveniência das decisões tomadas pelos gestores da empresa sobre a destinação dos seus lucros. Com a ressalva do devido respeito, mas as decisões que dizem respeito A gestão da empresa são de competência exclusiva dos seus sócios. Nesse sentido, compete tão somente aos gestores decidir, num dado momento, qual a melhor destinação para os resultados obtidos com a atividade empresarial. Isto é, se os lucros auferidos devem ser distribuídos aos sócios, mantidos em conta de lucros acumulados, ou ainda reinvestidos na própria empresa. Ressaltese que o critério utilizado pelo "Relatório Fiscal" receita bruta para quantificação do denominado "sucesso econômico e financeiro", mostrase inaplicável, notadamente no que se refere ao comércio varejista. No comércio varejista as margens de lucros são cada vez menores. Diversos fatores contribuem para tanto, merecendo destaque os custos trabalhistas, fiscais e o aumento dos pregos no atacado, decorrente da redução da concorrência entre as indústrias fornecedoras, com extinção das pequenas indústrias e formação dos grandes conglomerados. Como se pode perceber, o lucro corresponde somente a uma pequena fração, cada vez menor, da Receita Bruta. O desconhecimento acerca desta realidade levou a autoridade fiscal A conclusão de que as retiradas dos sócios seriam incompatíveis com o sucesso da Recorrente. Ressaltese ainda, que os lucros acumulados que não foram distribuídos ou reinvestidos, encontramse devidamente escriturados na contabilidade da Recorrente em conta de lucros acumulados. Não há, portanto, que se falar em incompatibilidade entre as retiradas dos sócios e o "sucesso" da Recorrente. Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.086 24 Ainda como fundamento das suas conclusões, aponta o Relatório Fiscal o fato de que por diversas vezes as compras da Recorrente eram formalizadas através de escritório localizado no mesmo prédio onde funciona a empresa Conquista Calçados, Id encontrando também, através de diligência, diversos livros contábeis e fiscais de propriedade da Recorrente. Como já demonstrado, a Recorrente se associou A outras empresas de porte semelhante, visando centralizar as suas compras, para fins de obtenção de ganhos de escala com redução do custo das mercadorias adquiridas e serviços contratados. Todavia, ao contrário do que pretendeu o "Relatório Fiscal", a centralização das compras não encontra óbice na legislação de regência. De outro modo, longe de justificar a exclusão da Recorrente do SIMPLES, a centralização das compras foi expressamente contemplada como possível pela lei n° 9.317/96 [...] Ressaltese que a contabilidade da empresa sempre foi efetuada por profissional externo contratado, mesmo porque, tratandose de pequena empresa, não poderia arcar com os custos decorrentes da manutenção de um profissional de contabilidade com dedicação exclusiva no seu quadro de pessoal. Seguindo a mesma lógica da busca de economias de escala, o serviço de contabilidade foi contratado juntamente com empresas de porte semelhante, junto ao mesmo profissional, e os serviços eram prestados no mesmo escritório onde foram apreendidos os livros fiscais e contábeis da Recorrente no ato da diligência fiscal. A contratação de profissional externo de contabilidade, não ofende a qualquer preceito de lei, sendo ademais prática usual entre empresas de pequeno porte. Referese ainda o relatório Fiscal a existência de uma procuração outorgada pela Recorrente ao Sr. Daniel Soares Neto, o que na ótica fiscal configuraria hipótese de constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa. Como já exaustivamente demonstrado, a Recorrente se associou a outras empresas do mesmo porte, visando a redução de custos com a centralização das compras. Por possuir maior experiência no ramo, a coordenação do processo de centralização de compras coube ao sócio de uma das empresas associadas, Sr. Daniel Soares Neto. Para tanto, foi outorgada procuração ao mesmo, sem o que estaria ele inabilitado para a regular representação da Recorrente junto a seus fornecedores. Pretendeuse ainda a exclusão da Recorrente do SIMPLES, porquanto no seu estabelecimento foi observado o mesmo layout e as mesmas embalagens que outras empresas. Como visto, a Recorrente teve facilitada a sua inserção no mercado através de autorização para uso da marca SILVA CALÇADOS, que lhe foi fornecida por Casa Silva Calçados Ltda., titular do pedido de registro da marca junto ao INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Todavia, referida cessão foi condicionada pela cedente a observância impositiva pela Recorrente do mesmo layout da cedente no seu estabelecimento, respeitando ainda o mesmo padrão de embalagens. Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.087 25 A utilização de marca de propriedade de terceiro, assim como a adoção de layout idêntico ao de outro estabelecimento, não encontra óbice na lei, nem tampouco autorizaria a exclusão da Recorrente do SIMPLES, como pretendeu o "Relatório Fiscal". Em relação aos Termos de Depoimento aludidos, nada obstante não contenham qualquer referência a Recorrente, jamais poderiam ser considerados para efeito de instrução do processo. Ao contrário do que foi afirmado no "Relatório Fiscal", referidos "Termos" não revelam as efetivas manifestações dos depoentes. No particular, embora subscritos por 09 (nove) auditores, atestando a suposta exatidão dos quesitos e respostas ali contidos, os aludidos "Depoimentos" foram demandados e acompanhados por apenas 2 (dois) deles, o que, por si só, já evidencia a infidelidade das informações ali contidas, descaracterizandoo como meio de prova. Merece destaque ainda o relato de alguns depoentes que se afirmaram profundamente intimidados pela postura dos auditores, que a todo o tempo dirigiam aos depoentes advertências sobre rigorosas consequências criminais que poderiam advir dos seus depoimentos. Registrese ainda, segundo relato dos depoentes, que os quesitos impressos não correspondem aqueles que foram efetivamente formulados, o que igualmente impede que se reconheça qualquer valor probante aos referidos termos, o que se comprova com a declaração anexa de um dos depoentes. Por fim, sustenta o "Relatório Fiscal" que informações colhidas do sitio da internet da marca Silva Calçados, comprovariam a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa. Entretanto, ao contrário do que foi afirmado, as informações constantes do sitio na internet somente confirmam tudo aquilo que aqui já foi dito. Ou seja, que o Sr. Daniel Soares foi o pioneiro na sua família a atuar no ramo do varejo calçadista, assim como, que a marca Silva Calçados de propriedade da Casa Silva Calçados Ltda., de propriedade do Sr. Daniel Soares Neto. Consoante exaustivamente demonstrado, os supostos elementos de prova que justificariam o ato impugnado, não subsistem, razão pela qual, confia a Recorrente deverá ser anulado. Do alegado enquadramento equivocado da Recorrente no anocalendário de 2002. O "Relatório Fiscal" menciona ainda que a Recorrente teria auferido no ano calendário de 2001, rendimento superior ao limite estipulado pela legislação vigente para as pessoas jurídicas que estavam enquadradas como microempresas, permanecendo sob o mesmo enquadramento no anocalendário de 2002. Deixou de mencionar, contudo, o trabalho fiscal, que embora tenha deixado de promover a sua alteração cadastral de microempresa para EPP obrigação acessória observou fielmente a Recorrente, para efeito de recolhimento dos tributos, as alíquotas vigentes para as Empresas de Pequeno Porte EPP, de modo que nenhum prejuízo adveio ao fisco do alegado descumprimento da obrigação acessória. Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.088 26 A circunstancia é emblemática, porque reveladora da boafé com que se sempre se portou a Recorrente, mesmo quando da eventualidade de haver descumprido uma, dentre as diversas obrigações acessórias que recaem sobre toda pessoa jurídica. Por todo o exposto, seja pelo acolhimento das preliminares suscitadas, seja pela demonstração inequívoca da insubsistência do ato impugnado, deve ser anulado o Ato Declaratório [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto requer [...] seja cancelado o Ato Declaratório 37/2007, que excluiu a recorrente do SIMPLES, mantendoa nesse regime de tributação, tendo em vista a nulidade e improcedência da referida exclusão De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos quatro dias do mês de outubro do ano de dois mil e onze, às nove horas, SCS, QUADRA 1, BLOCO J, ED. ALVORADA, SALA 506, BRASILIA DF, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, WALTER ADOLFO MARESCH e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10540.002115/200760 Recorrente: VICON CALCADOS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.023 Decisão: Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.089 27 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes ao procedimento fiscal, as exclusões do Simples podem ser efetivadas sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, o qual devem estar 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.090 28 instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes4. Os servidores agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 5 O Ato Declaratório Executivo foi lavrado por servidor competente com observância de todos os requisitos legais e com a devida comprovação da situação excludente (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional6. Assim, o Ato Declaratório Executivo DRF/VCA/BA n° 37, de 23.11.2007e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº 1518.795, de 02.04.2009, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. No presente caso, verificase que a decisão de primeira instância está suficiente e pormenorizadamente motivada não obstante contrária à pretensão da Recorrente. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. 4 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46 e ainda Lei nº 9.317 de 05 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 6 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.091 29 O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal7. O limite legal que se impõe no período de 01.01.1997 a 31.12.1998, é que na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior ao da opção, receita bruta superior a R$720.000,00 e no início de atividade o valor de R$60.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. No período de 01.01.1999 a 31.12.2005, tenha auferido receita bruta superior a R$1.200.000,00 e no início de atividade o valor de R$100.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento. A partir de 01.01.2006 tenha auferido receita bruta superior a R$2.400.000,00 e no início de atividade o valor de R$200.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento.8. Em relação aos registros públicos, podese afirmar que existência legal das pessoas jurídicas só começa com o registro de seus atos constitutivos. O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins deve ser exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, dentre outras com a finalidade de dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro. O registro compreende, dentre outros, o arquivamento dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades mercantis. Por esta razão, o arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins de direito, passando a surtir efeitos legais oponíveis erga omnes9. Está registrado na Representação Fiscal para Exclusão do Simples, fls. 103 143, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: "1) INTRODUÇÃO No exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, conferidas pelo art. 6° da Lei no 10.593/2002, com base nos Mandados de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF) relacionados a seguir e com o objetivo de apurar a suspeita de elisão fiscal, mediante utilização indevida de tributação simplificada, demos inicio às ações fiscais de 11 (onze) empresas do Grupo Silva Calçados, conforme descrito abaixo: [...] CNPJ RAZÃO SOCIAL 03.930.281/000170 Conquista Calçados Ltda. 03.084.976/000188 Vicon Calçados Ltda. 00.341.292/000126 Casa Silva Calçados Ltda. ME 01.032.576/000101 Soares e Botelho Ltda. ME 05.469.892/000198 LG Calçados Ltda. 02.944.879/000155 Itapetinga Calçados Ltda. 05.161.053/000108 TC Comercial Ltda. 7 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: Lei nº 5.194, 24 de dezembro de 1996, art. 2º e art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006. 9 Fundamentação legal: art. 119 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973 e art. 1º e art. 32 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994. Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.092 30 03.985.387/000170 Itabuna Calçados Ltda. 04.259.716/000169 Casa Ilhéus Calçados Ltda. ME 07.177.864/000122 Calçados Jequié Ltda. 03.980.637/000180 Helen Calçados Ltda. [...] 2) DESCRIÇÃO DOS FATOS Inicialmente, verificamos que as empresas estavam inscritas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, que pode ser identificado como um regime de tributação diferenciado, simplificado e favorecido aplicável As microempresas e as empresas de pequeno porte, nos termos definidos na Lei n° 9.317/1996. Tratase de forma unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos de acordo com o total da receita bruta acumulada no ano. Com base em informações constantes dos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e dos Contratos Sociais apresentados pelos contribuintes, constatamos que os quadros societários das pessoas jurídicas eram compostos por membros da mesma família, na maior parte por irmãos, e que as empresas utilizavam o nome fantasia "Silva Calçados", com exceção da empresa Helen Calçados Ltda., que utilizava o nome fantasia de "Bizzon". Chamounos a atenção o fato de as empresas utilizarem o mesmo "layout" em suas lojas (vide Anexo X), e, como é público e notório, as mesmas propagandas publicitárias e até as mesmas embalagens para, as mercadorias vendidas. Alam disso alguns contratos sociais e alterações contratuais das empresas apresentavam a assinatura de uma mesma pessoa, em tese o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549. Em consulta as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física apresentadas pelos contribuintes e Declarações de CPMF apresentadas pelas instituições financeiras, verificamos que à exceção do Sr. Daniel Soares Neto e do Sr. Eduardo C. S. Botelho, os demais sócios/proprietários não apresentaram retiradas de valores das suas respectivas empresas, seja a título de prólabore (rendimento tributável) ou de lucros (rendimento não tributável), nem declararam qualquer outra fonte de rendimento ou posse de bens significativos, tampouco apresentavam movimentação financeira compatível com a condição de proprietários de estabelecimentos comerciais. Os levantamentos iniciais feitos pela fiscalização sugeriam que o Grupo Silva Calçados, composto por 11 (onze) empresas, seria, de fato, apenas uma empresa utilizandose da estratégia de fracionamento em diversas inscrições no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ para burlar a tributação pelo Lucro Presumido ou Lucro Real e utilizarse indevidamente dos benefícios do SIMPLES. Nesse sentido, visando comprovar tais indícios e amparados pelos artigos 195 e 197 da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) e artigos 910, 911, 913, 915, 916, 927 e 928 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), em 16/04/2007 comparecemos A sede da empresa Conquista Calçados, localizada na Rua Francisco Santos n° 65, Prédio, Centro, na cidade de Vitória da Conquista — BA, tomamos a termo o depoimento de alguns funcionários da empresa e procedemos A retenção de livros, documentos e arquivos magnéticos, mediante lavratura dos Termos abaixo relacionados: [...] Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.093 31 Foi emitido em 07/08/2007 o Mandado de Procedimento Fiscal — Extensivo em nome da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória da Conquista, solicitando informações referentes As empresas do Grupo Silva Calçados. Para efetivação do mandado, em 30/08/2007 foi emitido o Termo de Intimação no 001, enviado por via postal, solicitando informações referentes A associação das Pessoas Jurídicas relacionadas e a correspondente utilização do serviço de proteção ao crédito (SPC). Diante das informações prestadas pela CDL e de arquivos retidos pela fiscalização em 16/04/2007 depreendemos que praticamente todas as consultas das empresas do Grupo Silva Calçados eram centralizadas na CDL de Vitória da Conquista sob a Razão Social "Silva Calçados". Em 16/04/2007 tomamos a termo o depoimento dos seguintes funcionários do Grupo Silva Calçados: [...]Com base na análise e cruzamento das informações prestadas pelos depoentes, depreendemos que a administração, as compras, os pagamentos e os arquivos comerciais, contábeis e fiscais de todas as • empresas do Grupo Silva Calçados são centralizados no escritório da empresa Conquista Calçados, localizado na Rua Francisco Santos no 65, Prédio, Centro, na cidade de Vitória da Conquista — BA e que o Sr. Daniel Soares Neto é o real proprietário de todas as lojas do Grupo. 3) DOS DEPOIMENTOS [...] Transcrevemos, a seguir, trechos de alguns depoimentos: "O controle de pagamentos de fornecedores e as compras são efetuadas neste endereço. Há um fluxo de malotes entre este prédio e todas as lojas Silva Calçados, Via Uno e Atos" (Luciana Chaves de Oliveira —Secretária). "É o Sr. Daniel proprietário de todas as empresas do Grupo Silva Calçados. Ressaltese que a utilização de diversos CNPJ's com o nome de fantasia 'Silva Calçados' não 6 de minha responsabilidade. Que os responsáveis pelos diversos CNPJ's que utilizam o nome fantasia 'Silva Calçados' são parentes do Sr. Daniel...Que trabalho para o Sr. Daniel inicialmente durante o período de 1994 a 1998, inclusive participando da constituição da primeira empresa do grupo... A administração das empresas 6 centralizada." (Nival do Prates Ferreira — Contador). "Daniel Soares, ele está à frente de todas as lojas Silva Calçados, Atos e Via Uno...O controle de estoques centralizado neste prédio. Todas as lojas (Silva Calçados, Atos e Via Uno) são interligadas via link de dados com o CPD localizado neste endereço. O controle de pagamentos de fornecedores e as compras são efetuadas neste endereço. Toda manhã os gerentes das lojas localizadas nesta cidade vêm até este prédio trazendo os documentos de movimentação diária e o faturamento respectivo. Nas demais cidades os documentos são enviados via correio e a receita é depositada em contas bancárias. No 1° andar ficam arquivados os documentos de pessoal de todas as lojas, no 2° andar os documentos comerciais, financeiros e contábeis, no fundo do térreo fica uma sala onde são guardados os materiais de expediente de todos os estabelecimentos" (Acácio Teixeira Casado — Auxiliar de CPD). "A remuneração é um salário mínimo em carteira e dois salários mínimos por fora. A administração centralizada". (Agnaldo Paixão de Lima — Auxiliar de Contabilidade). Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.094 32 "Auxiliar de escritório responsável pelo arquivamento de contracheques, folhas de ponto, gfip, fgts, etc. de todas as lojas Via Uno, Silva Calçados e Atos" (Alysson Menezes Silva — Auxiliar de Escritório). "A administração é centralizada...Irmã do Sr. Daniel...Auxiliar de Tesouraria, efetuando procedimentos de tesouraria, tais como depósitos e saques. Os controles das contas correntes, inclusive das lojas que estão fora de Vitória da Conquista, são feitos pelo Sr. Charles Botelho". (Maria Eliene Soares Botelho — Auxiliar de Tesouraria). "Sou funcionária da empresa Silva Calçados desde setembro/1999...irmã do Sr. Daniel e sócia da empresa Conquista Calçados, juntamente com o Sr. Daniel, não podendo precisar ou pronunciarse quanto existência de outros sócios...Que recebe como remuneração o valor referente ao vinculo empregatício com a Silva Calçados e que não recebe valores a titulo de prólabore referente à participação societária na empresa Conquista Calçados, haja vista que tal decisão fica sob responsabilidade do Sr. Daniel...Que não sabe precisar qual é o seu percentual de participação...Também possui participação societária em outra empresa do grupo, não podendo indicar o nome de tal empresa neste momento...Responsável pelo setor de pessoal de todas as empresas do grupo Silva Calçados...A administração das empresas fica sob responsabilidade do Sr. Daniel Soares Neto...A administração é centralizada e as empresas remetem diariamente os documentos via malote para escrituração no escritório de Vitória da Conquista". (Salvina Cruz Neta Encarregada do Setor de Pessoal). "O controle de estoques é centralizado no escritório a partir de informações enviadas das respectivas lojas" (Ícaro Silva Vanderlei — Malote e Almoxarifado). "As compras são definidas pelo gerente de compras e as mercadorias são adquiridas e destinadas diretamente para cada uma das lojas. A administração é centralizada". (Adson Silveira Santos — Gerente de Vendas). "Daniel Soares 6 o proprietário da empresa, com cerca de 23 lojas em toda a Bahia, dentre as quais Silva Calçados, Atos, Via Uno e Moda Arta". (João Vitor Botelho Braga — Auxiliar de Escritório). "Daniel Soares Neto é o proprietário da empresa, com cerca de 23 lojas em toda a Bahia, dentre as quais Silva Calçados, Atos, Via Uno, Moda Arte, Itapetinga Calçados, Vicon Calçados, Casa Ilhéus, LG Calçados, Conquista Calçados e Itabuna Calçados." (Marcos Roberto de Lima Assis — Setor de Contabilidade). 4) DA HOME PAGE NA INTERNET Transcrevemos, abaixo, informações retiradas do próprio "site" do Grupo Silva Calçados na internet (www.silvacalcados.com.br), confirmando que a rede de lojas 6 realmente controlada pelo Sr. Daniel Soares Neto (Anexo VIII): "Uma história de sucesso por 25 anos seguindo os passos do desenvolvimento Vitória da Conquista estava em franca expansão, muita gente vinha de fora para apostar no potencial que a cidade oferecia e os nativos acreditavam que aqui era o lugar onde se poderia construir um futuro. Há exatos 25 anos atrás, uma tímida iniciativa dava inicio ao que seria hoje mais um dos mais bem sucedidos projetos para o município que crescia. No bairro Brasil, lado oeste da cidade, uma família acreditava no desenvolvimento da cidade e investiu em uma loja calçadista. Era a Silva Calçados que começava a sua conquista de uma clientela fiel e exigente da qualidade. Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.095 33 Daniel Soares Neto, ao assumir o controle da loja, um tempo depois, imaginou que o sucesso do empreendimento estaria em fomentar uma marca diferenciada. Veio com isso, o pensamento de criar um atendimento apropriado para oferecer toda a qualidade para os consumidores no momento da compra, veio junto, a seleção de marcas e produtos que primam pela variedade, bom gosto e qualidade. O bom trabalho foi se tomando conhecido e em 1997 a Silva Calçados já estava com três lojas na cidade . No ano seguinte, estava sendo inaugurado mais um estabelecimento no município de Jequié. Dai pra frente foi uma conquista fora de Conquista. Vieram então outras cidades e hoje o Grupo Silva Calçados possui uma rede de lojas localizadas em Bom Jesus da Lapa, Brumado, Guanambis, Ilhéus, Itabuna, Itapetinga, Jequié, Santo Ant6nio de Jesus' ° e Vitória da Conquista. O atendimento se tornou a marca registrada dessas lojas. São funcionários constantemente treinados. Não são apenas vendedores e sim consultores que conhecem a fundo os produtos. Para o aperfeiçoamento de cada um a empresa oferece treinos que vão desde a visita à uma linha de produção de calçados, até palestras e seminários aplicados. Uma história de comprometimento com os clientes e com as comunidades onde opera. A Silva Calçados se tomou uma das mais respeitadas lojas do interior baiano com todo um diferencial conquistado com trabalho e respeito, principalmente para com o cliente." (grifamos) 5) DOS CONTRATOS SOCIAIS E ALTERAÇÕES CONTRATUAIS Após análise dos contratos sociais e alterações contratuais das empresas do grupo Silva Calçados constatamos que: 1. Com base em informações constantes dos contratos sociais, alterações contratuais, Sistema RADAR, Sistema CNPJ, Sistema CPF e Sistema GUIAVIC foi possível elaborar um Histórico da Constituição Societárias das empresas do Grupo Silva Calçados, bem como um comparativo dos percentuais de participação de cada sócio durante o período fiscalizado; 2. Os quadros societários das pessoas jurídicas eram compostos por membros da mesma família, na maior parte por irmãos do Sr. Daniel Soares Neto, que A luz de inúmeras avaliações feitas pela fiscalização e detalhadas em tópicos específicos do presente Relatório (depoimentos, procurações, movimentação financeira, retiradas de lucros e prólabore) seriam interpostas pessoas ocultando o real proprietário de todas as empresas do Grupo Silva Calçados, Sr. Daniel Soares Neto; 3. Algumas alterações .contratuais (Alteração n° 05 da Soares e Botelho Ltda. e Alterações n° 02 e 03 da Conquista Calçados, por exemplo) ao invés de estarem assinadas pelos sócios, contem assinaturas que, em tese, seriam do Sr. Daniel Soares Neto. Ao serem questionadas sobre o assunto, as empresas limitaramse a dizer que os sócios teriam assinado as alterações contratuais regularmente representados por procurador devidamente constituído, mas não identificaram o procurador, tampouco apresentaram cópias das procurações; 4. Os percentuais de participação societária de cada sócio eram definidos com o intuito de não ultrapassar os limites impostos pelo inciso IX, art. 9° da Lei no 8.317/1996, que trata de hipótese de vedação à opção pelo SIMPLES; 5. A despeito dos artifícios utilizados pelas empresas para permanecerem indevidamente no SIMPLES, considerando os valores da Receita Bruta Anual Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.096 34 declaradas A Fazenda Estadual várias delas estariam excluídas do sistema simplificado de tributação por ultrapassarem os limites previstos nos incisos I e IX do art. 9° da Lei n°8.317/1996. 6) DO GRUPO SILVA CALÇADOS Diante do conteúdo dos depoimentos, do "site" da empresa na Internet, de livros e documentos retidos na sede da empresa Conquista Calçados Ltda., em 16/04/2007, observamos que o Grupo Silva Calçados 6 composto por 15 (quinze) empresas, discriminadas no quadro abaixo, sendo que a administração, compras, pagamentos, estoques e arquivos de todas as lojas são centralizados no escritório da Conquista Calçados Ltda. (vide fotos tiradas no local —Anexo X): [...] Apesar de o contribuinte (Conquista Calçados Ltda.) ter afirmado desconhecer as siglas relacionadas no Termo de Reintimação Fiscal n° 01, após análise de documentos e arquivos magnéticos retidos em 16/04/2007 (Anexo XVI — Arquivos Magnéticos), constatamos que cada sigla corresponde a uma loja do "Grupo Silva Calçados", a saber: 1. MATRIZ: Moda Arte Confecções Ltda., CNPJ n° 42.011.528/000106; 2. SC1: Casa Silva Calçados Ltda., CNPJ n°00.341.292/000126; 3. SC2: Casa Silva Calçados Ltda., CNPJ n°00.341.292/000550; 4. SC3: Casa Silva Calçados Ltda., CNPJ n°00.341.292/000207; 5. SC4: Calçados Jequié Ltda., CNPJ n°07.177.864/000122; 6. SC5: Casa Ilhéus Calçados Ltda., CNPJ n° 04.259.716/000169; 7. SC6: Itapetinga Calçados Ltda., CNPJ n° 02.944.879/000155; 8. SC7: Vicon Calçados Ltda., CNPJ n° 03.084.976/000188; 9. SC8: Conquista Calçados Ltda., CNPJ n° 03.930.281/000170; 10. SC9: ltabuna Calçados Ltda., CNPJ n°03.985.387/000170; 11. SC10: Helen Calçados Ltda., CNPJ n°03.980.637/000180; 12. SC11: Itabuna Calçados Ltda., CNPJ n°03.985.387/000170; 13. SC12: Atos Shoes Ltda., CNPJ n° 05.109.567/000114; 14. SC13: LG Calçados Ltda., CNPJ n°05.469.892/000198; 15. SC14: LG Calçados Ltda., CNPJ n° 05.469.892/000279; 16. SC15: Itabuna Calçados Ltda., CNPJ n° 03.985.387/000332; 17. SC16: Itapetinga Calçados Ltda., CNPJ n° 02.944.879/000236; 18. SC17: TCComercial Ltda., CNPJ n°05.161.053/000108; 19. SC19: Helen Calçados Ltda., CNPJ n° 03.980.637/000260; 20. SC20: Casa Ilhéus Calçados Ltda., CNPJ n° 04.259.716/000240; 21. SC21: Casa Silva Calçados Ltda., CNPJ n°00.341.292/000398; Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.097 35 22. SC22: Casa Silva Calçados Ltda., CNPJ n°00.341.292/000479; 23. SC23: Itabuna Calçados Ltda., CNPJ n°03.985.387/000413; 24. VIA UNO: Criativa Sul Calçados, CNPJ n° 08.020.546/000116; Criativa Calçados, CNPJ n° 07.791.433/000151; Criativa Calçados, CNPJ n° 07.791.433/000232; Criativa Calçados, CNPJ n°07.791.433/000313. 7) DAS PROCURAÇÕES Diante da recusa dos contribuintes para apresentação dos extratos bancários solicitados pela Fiscalização, foram emitidas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira — RMF as instituições financeiras onde as empresas mantinham suas contas bancarias, conforme detalhamento feito em tópico especifico do presente Relatório. Dentre os documentos fornecidos, constavam as seguintes Procurações: 1. Procuração da Conquista Calçados Ltda ME, CNPJ no 03.930.28110001 70, datada de 01/09/2001, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, outorgandolhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar todos os bens e negócios da outorgantes, comprar, vender, ceder, alugar, transferir, hipotecar, bens móveis e imóveis, presentes e futuros, ações, títulos, direitos, créditos, podendo receber, assinar escrituras públicas, assinar documentos particulares, comprar e vender mercadorias, passar recibo e dar quitação, assinar contratos de locação, representála perante quaisquer repartições públicas, requerer, apresentar e retirar documentos, prestar declarações, assinar tudo o que for necessário, representála perante bancos, estabelecimentos de crédito, instituições financeiras, assinar e endossar cheques, representála perante a Receita Federal, podendo apresentar declarações, efetuar recolhimentos de impostos, taxas, receber devoluções, admitir e demitir empregados, etc.; Procuração da Conquista Calçados Ltda ME, CNPJ n° 03.930.281/000170, datada de 16/10/2000, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.045 49, outorgandolhe poderes amplos e gerais para comprar e vender, alienar, doar, hipotecar, permutar bens imóveis, móveis de propriedade da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito (Bancos), abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, emitindo e endossando cheques, requisitar extratos de talões de cheques, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, requerer certidões perante repartições públicas em geral, representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Secretaria da Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar, vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, dar e receber quitações, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, termos de transferências, alterações contratuais, vender mercadorias da outorgante, contratar advogados, etc.; 2. Procuração da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, datada de 04/03/1999, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, outorgando lhe poderes amplos e gerais para comprar e vender, alienar, hipotecar, permutar bens imóveis, moveis de propriedade da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito, comprar e vender mercadorias, contratar advogados, representála junto à Delegacia da Receita Federal, Estadual, Municipal, Prefeituras JUCEB, DETRAN, assinar termos de transferência, alterações contratuais, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, etc.; Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.098 36 3. Procuração da Vicon Calçados Ltda, CNPJ no 03.084.976/000188, datada de 14/03/2000, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgando lhe poderes para representála junto a quaisquer instituições de crédito (Bancos), abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, fazer acordos, fazer declarações, prestar informações, representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Secretaria da Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar e vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, alterações contratuais, contratar advogados, etc.; 4. Procuração da Casa Ilhéus Calçados Ltda, CNPJ n° 04.259.716/000169, datada de 01/09/2001, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgando lhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar todos os seus bens e negócios, representála perante bancos, repartições públicas federais, estaduais e municipais, representála perante a Receita Federal podendo apresentar declarações, efetuar recolhimentos de impostos, taxas, etc; 5. Procuração da Sr. Vangma Soares Gonçalves, CPF no 055.001.91705, datada de 02/06/2006, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgando lhe poderes amplos; gerais e ilimitados para tratar de todos os assuntos, negócios e interesses da outorgante, podendo representá la perante repartições públicas federais, estaduais e municipais, entidades autárquicas, paraestatais, Junta Comercial, Bancos, Receita Federal etc. e onde mais preciso for, requerer, alegar e assinar o que convier, assumir compromissos e obrigações, receber todas e quaisquer importâncias devidas ao mandante por quaisquer títulos e origens, inclusive restituição do Imposto de Renda, abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, firmar contratos, aditamentos e distratos, comprar, vender, doar, receber, permutar alienar ou onerar todos e quaisquer bens imóveis, móveis, títulos, ações, telefones, veículos e outros, etc. Ressaltamos que durante exercício de 2006 a outorgante era sócia das empresas Vicon Calçados Ltda., Moda Arte Confecções Ltda., Conquista Calçados Ltda. e Itabuna Calçados Ltda.; 6. Procuração da Sra. Janaina Cruz Botelho, CPF no 802.893.12515, datada de 27/12/2002, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, outorgando lhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar todos os bens e negócios da outorgante, podendo comprar, vender, ceder alugar, transferir, hipotecar, bens móveis ou imóveis, presentes ou futuros, ações, títulos, direitos, créditos, podendo assinar escrituras públicas, instrumentos particulares, guias e demais documentos, receber e pagar o prego, comprar e vender mercadorias, representála perante bancos, instituições financeiras, Receita Federal, repartições públicas em geral, podendo demitir e admitir empregados requerer, apresentar e retirar documentos, prestar declarações, assinar tudo o que for necessário, etc. Ressaltamos que durante o período fiscalizado a outorgante era sócia das empresas LG Calçados Ltda. e Atos Shoes Ltda. 7. Procuração da Sra. Maria Eleuza Soares Botelho, CPF no 966.682.29549, datada de 28/03/2006, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgando lhe poderes para representála em qualquer Agência Bancária, abrir, movimentar e encerrar contas correntes, emitir e endossar cheques, receber cartões magnéticos e ativar senhas, tomar empréstimos, sacar e depositar, solicitar saldos e extratos, assinar, apresentar e retirar documentos, requerer certidões perante repartições públicas em geral, etc. Ressaltamos que Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.099 37 durante o período fiscalizado a outorgante era sócia das empresas Soares e Botelho Ltda., TCComercial Ltda., Itapetinga Calçados Ltda. e Conquista Calçados Ltda. 8. Procuração da Sr. Valdir Soares Botelho, CPF no 309.566.84572, datada de 02/05/2003, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgando lhe poderes para comprar, vender, alienar, permutar, hipotecar bens móveis e imóveis de propriedade da mandante, podendo representála junto a quaisquer estabelecimentos de créditos, bancos, abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, emitir e endossar cheques, notas promissórias, duplicatas, comprar e vender mercadorias, dar e receber quitação, contratar advogado, representála junto a Receita Federal, Estadual, Municipal, Prefeituras, Coletorias, Tabelionatos, Cartórios, alterações contratuais, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, requerer certidões em repartições públicas em geral etc. Ressaltamos que durante o período fiscalizado a outorgante era sócia das empresas Itapetinga Calçados Ltda., TCComercial Ltda., Itabuna Calçados Ltda. Casa Silva Calçados Ltda. e Soares e Botelho Ltda; 9. Procuração da Soares e Botelho Ltda., CNPJ n° 01.032.576/000101, datada de 19/03/1996, representada pelo sócio Eduardo César Soares Botelho, CPF n° 152.221.79591, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgandolhes poderes amplos e gerais para em qualquer parte do território nacional comprar, vender, alienar2 doar, hipotecar e .th permutar bens móveis e imóveis da outorgante, podendo representála 'junto a qualquer estabelecimento de crédito, Bancos, abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, emitir e endossar cheques, requisitar extratos de talões de cheques, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, requerer certidões perante repartições públicas em geral, representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar e vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, dar e receber quitações, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, alterações contratuais, etc. Concluímos, portanto, que o Sr. Daniel Soares Neto tinha amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar todos os bens e' negócios das empresas Conquista Calçados Ltda, Vicon Calçados Ltda., Moda Arte Confecções Ltda., LG Calçados Ltda. Atos Shoes Ltda., Casa Ilhéus Calçados, Itapetinga Calçados e Itabuna Calçados Ltda., Soares e Botelho Ltda., Casa Silva Calçados Ltda., TC Comercial Ltda. totalmente controladas por ele com base nas supracitadas procurações. Além disso, Daniel Soares Neto era formalmente sócio da Itabuna Calçados Ltda. em 2005 e 2006, da Soares e Botelho Ltda. de 2004 a 2006, da Casa Silva Calçados Ltda. de 2002 a 2006, da Criativa Calçados Ltda. de 2005 a 2006, da Casa DMus Calçados Ltda. em 2005 e da Itapetinga Calçados Ltda. em 2005. Ressaltamos, no entanto, que nem todos os bancos enviaram as procurações solicitadas através das Requisições de Movimentação Financeira — RMF e que não foram solicitados quaisquer documentos relacionados à empresa Criativa Sul Calçados Ltda. 8) DOS SÓCIOS Carine Sousa Soares Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.100 38 Carine Sousa Soares, nascida em 13/02/1978, CPF 946.884.60597, filha de Floripes Sousa Dias, residente A R. Siqueira Campos, 540, Ap 301, Cd Portal Das Arvores, Recreio, Vitória Da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Esposa. A sócia em análise não teve movimentação financeira no período da fiscalização, além disso, auferiu rendimentos parcos em relação ao faturamento e lucratividade das empresas em que constava como sócia. Participou como sócia gerente da Conquista Calçados Ltda, CNPJ no 03.930.281/000170, desde sua abertura, em 12/07/2000, até 18/01/2005. Detentora de 5% do capital social, declarou rendimentos de R$ 24.480,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2002 a 2005. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 1.743.768,10, e apresentou, no balanço de 2004, lucros acumulados num montante de R$ 309.687,72. Em 18/01/2005 transferiu sua participação societária na Conquista Calçados para a Sra. Vangma Soares Gonçalves, irmã de seu marido, sua cunhada, portanto, pelo valor de R$ 500,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da empresa em 31/12/2004, seria de R$ 15.984,39. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Acrescentese a estes fatos, a existência de duas procurações públicas, datadas de 16 de outubro de 2000 e 01 de outubro de 2001, em que a Conquista Calçados Ltda confere amplos, gerais e ilimitados poderes a Daniel Soares Neto para gerir e administrar todos os seus bens e negócios. Participou como sóciagerente da Vicon Calçados Ltda, CNPJ no 03.084.976/000188, desde sua abertura, em 12/04/1999, até 18/01/2005. Detentora de 95% do capital social, declarou rendimentos de R$ 21.600,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2003 a 2005. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 1.111.758,60, e apresentou, no balanço de 2004, lucros acumulados num montante de R$ 451.345,94. Em 18/01/2005 transferiu sua participação societária na Vicon Calçados para a Sra. Vangma Soares Gonçalves, irmã de seu marido, sua cunhada, portanto, pelo valor de R$ 9.500,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrim6nio liquido da empresa em 31/12/2004, seria de R$ 438.278,64. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva. Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 14 de março de 2000, em que a Vicon Calçados Ltda, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, outorgandolhe poderes para representála junto a quaisquer instituições de crédito (Bancos), abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, fazer acordos, fazer declarações, prestar informações, representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Secretaria da Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar e vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, alterações contratuais, contratar advogados, etc. Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.101 39 Participa como sócia da Calçados Jequié Ltda, CNPJ n° 07.177.864/000122, desde sua abertura, em 14/01/2005. Detentora de 10% do capital social, auferiu rendimentos de R$ 8.000,00 em 2005, segundo informação da fonte pagadora em sua DIPJ. A empresa teve faturamento em 2005 e 2006, segundo declarações apresentadas A RFB, no montante de R$ 312.469,56. A análise das suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não tinha, na época da criação de suas empresas, de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não 6 a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Charles Moreno Botelho Charles Moreno Botelho, nascido em 25/10/1972, CPF 625.586.17591, filho de Nilza Moreno Botelho, residente à R. Guaporé, 253: lbirapuera, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Primo distante. Participou como sócio da Itabuna Calçados Ltda, CNPJ no 03.985.387/0001 70, desde sua abertura, em 10/0812000, até 11/11/2005. Detentor de 2% do capital social, auferiu rendimentos totais de R$ 24.880,00 desta fonte pagadora entre 2002 e 2005, segundo informações contidas nas DIRPF e DIPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 4.483.823,40, e apresentou lucros acumulados num montante de R$ 1.570.473,49. Em 11/11/2005 transferiu sua participação societária na Itabuna Calçados Ltda para o Sr. Daniel Soares Neto pelo valor de R$ 400,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio líquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 31.809,47. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serve apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participou como sócioadministrador da Casa Ilhéus Calçados Ltda ME, CNPJ n° 04.259. 716/000169, desde sua abertura, em 10/01/2001, até 01/11/2005. Detentor de 2% do capital social, auferiu rendimentos totais de R$ 69.000,00 desta fonte pagadora entre 2002 e 2005, segundo informações contidas nas DIRPF e DSPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.102 40 apresentadas a RFB, de R$ 2.698.715,00, e apresentou lucros acumulados num montante de R$ 449.635,55. Em 01/11/2005 transferiu sua participação societária na Casa Ilhéus Calçados Ltda ME para o Sr. Daniel Soares Neto pelo valor de R$ 400,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio líquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 9.392,11. Da mesma forma, esta mudança no quadro societário da empresa serviu apenas para burlar as restrições impostas Pela legislação do Simples • para enquadramento em sua sistemática. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 01/09/2001, em que a Casa Ilhéus Calçados Ltda, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, outorgandolhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar todos os seus bens e negócios, representala perante bancos, repartições públicas federais, estaduais e municipais, representála perante a Receita Federal podendo apresentar declarações, efetuar recolhimentos de impostos, taxas, etc. Participou como sócioadministrador da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ n° 02.944.879/000155, desde 2004 até 01/11/2005. Detentor de 10% do capital social. Não auferiu rendimentos desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas DIRPF e DSPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 1.325.529,80 e apresentou, no balanço de 2005, lucros acumulados no montante de R$ 478.288,80. Em 01/11/2005 transferiu sua participação societária na Itapetinga Calçados Ltda para o Sr. Daniel Soares Neto, seu patrão, pelo valor de R$ 2.000,00. Observa se que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio líquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 49.828,88. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Ademais, existe procuração da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, datada de 04/03/1999, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgandolhe poderes amplos e gerais para comprar e vender, alienar, hipotecar, permutar bens imóveis, móveis de propriedade da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito, comprar e vender mercadorias, contratar advogados, representala junto A Delegacia da Receita Federal, Estadual, Municipal, Prefeituras JUCEB, DETRAN, assinar termos de transferência, alterações contratuais, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, etc. Está inscrito como Empresário Individual, CNPJ 00.121.141/000162, com nome de fantasia Papelaria Cristal, a qual declarou como inativa no período de 2002 a 2005. Trabalha como empregado da Casa Silva Calçados na função de Gerente Administrativo, mas exerce sua atividade no escritório central do grupo Silva Calçados, A R. Francisco Santos, 65. A análise das suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócio, leva a conclusão lógica de que este não dispunha de capacidade econômica para fazer Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.103 41 frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ele não 6 o verdadeiro beneficiário econômico da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro motivo para participação do Sr. Charles como sócio das empresas analisadas era o de apenas compor o quadro societário de maneira "pro forma", já que era um mero subordinado do verdadeiro proprietário das empresas, o Sr. Daniel Soares Neto, do qual 6 empregado, não tendo nenhuma participação nos resultados econômicos e financeiros das empresas Itabuna Calçados e Casa Ilhéus Calçados. Daniel Soares Neto Daniel Soares Neto, nascido em 06/11/1966, CPF 297.573.04549, filho de Valdi Soares Botelho, residente A R. Siqueira Campos, 540, Ap 301, Cd Portal Das Arvores, Recreio, Vitória Da Conquista, Bahia. Participa como sócioadministrador da Casa Silva Calçados Ltda, CNPJ no 00.341.292/000126, desde 12/12/1994. Detentor de 95% do capital social, declarou rendimentos de R$ 122.000,00 desta fonte pagadora entre 2002 e 2006, segundo informações contidas nas DSPJ e DIRPF respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 7.197.692,00, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 286.811,31. Participa como sócioadministrador da Soares e Botelho Ltda ME, CNPJ no 01.032.576/000101, desde 18/01/2005, quando adquiriu 80% do capital social. Em 19/10/2005, após nova alteração do contrato social, passou a deter 98% do capital social da empresa. Não declarou quaisquer rendimentos desta fonte pagadora em suas DIRPF 2006 e 2007. No mesmo período, a empresa não declarou faturamento nas declarações apresentadas a RFB. Participou como sócio da Itabuna Calçados Ltda, CNPJ no 03.985.387/0001 70, de 11/11/2005 a 28/12/2006. Detentor de 2% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas DIRPF e DIPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 4.305.082,40, e apresentou lucros acumulados num montante de R$ 2.133.212,00, Em 28/12/2006 transferiu sua participação societária na Itabuna Calçados Ltda para a Sra. Vangma Soares Gonçalves, sua irmã, pelo valor de R$ 400,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da empresa em 31/12/2006, seria de R$ 43.064,24. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serve apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participa como sócioadministrador da Criativa Calçados Ltda, CNPJ no 07.791.433/000151, desde a sua abertura em 05/01/2006. Detentor de 4% do capital social, declarou rendimentos de R$ 3.050,00 desta fonte pagadora em 2006, segundo informações contidas na DIRPF respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 2.186.441,78. Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.104 42 Participou como sócio da Casa Ilhéus Calçados Ltda ME, CNPJ n°04.259. 716/000169, de 01/11/2005 até 02/01/2006. Detentor de 2% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas DIRPF e DSPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 2.581.570,30, e apresentou lucros acumulados num montante de R$ 597.870,69. Em 02/01/2006 transferiu sua participação societária na Casa Ilhéus Calçados Ltda ME para o Sr. Maria Eliane Soares Botelho Braga pelo valor de R$ 400,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio líquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 12.357,41. Da mesma forma, esta mudança no quadro societário da empresa serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Observese que a sua participação societária na Casa Ilhéus Calçados nunca foi comunicada A RFB. Participou como sócioadministrador da ltapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, de 01/11/2005 até 20/12/2005. Detentor de 10% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas DIRPF e DSPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 655.319,61 e apresentou, no Mango de 2005, lucros acumulados no montante de R$ 478.288,80. Em 20/12/2005 transferiu sua participação societária na Itapetinga Calçados Ltda para a Sra. Maria Eleusa Soares Botelho, sua irmã, pelo valor de R$ 2.000,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio líquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 49.828,88. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Observese que a sua participação societária na Itapetinga Calçados nunca foi comunicada à RFB. Analisandose os rendimentos declarados A RFB pelo Sr. Daniel Soares Neto em suas DIRPF de 2003 a 2007, cotejadas com a escrituração das empresas de que era sócio e DIPJ por elas apresentadas, constatase que há incompatibilidade entre a sua variação patrimonial e os rendimentos declarados em D1RPF. Além disso, a origem dos rendimentos declarados não foi encontrada, especialmente aqueles relativos a rendimentos isentos e nãotributáveis. Como analisado a seguir: [...] Há indícios que bens imóveis foram declarados na DIRPF com valores inferiores ao efetivamente pago no momento das aquisições. Como, por exemplo, o apartamento no condomínio Portal das Arvores situado A ay. Siqueira Campos, adquirido em 2004, que segundo informado em sua DIRPF custou R$ 80.000,00, mas que no mercado não é oferecido por menos de R$ 750.000,00, conforme página impressa do site www.biraimoveis.com.br em 10/12/2007, anexa. Os rendimentos da atividade rural foram concentrados, via de regra, em um único mês do ano. Ademais, as despesas de custeio e investimento são em valores informados em relação As receitas auferidas. Os rendimentos isentos e não tributáveis não se originaram da distribuição de lucros das empresas de que faz parte como sócio, já que não há, na escrituração das Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.105 43 mesmas, lançamentos que justifiquem tal rendimento. Ademais, as DIPJ e DSPJ por estas apresentadas não trazem informação nenhuma a respeito. A milionária movimentação financeira do Sr. Daniel no período da fiscalização ultrapassa em muito os rendimentos declarados A RFB, mesmo se considerarmos como idôneos os rendimentos isentos informados. Por exemplo, em 2006 os recursos movimentados em suas contas bancárias foram mais de 10 vezes superiores ao seu rendimento bruto. Por estes motivos, concluise que o enriquecimento do sócio em análise não é justificável pelos rendimentos de seus bens ou das atividades por ele exercidas, reafirmando a hipótese de que este 6 o verdadeiro dono de todas as empresas do grupo Silva Calçados e o seu único beneficiário econômico, utilizando em larga escala esquemas de "caixa dois" para ampliação de seu conglomerado comercial e para o financiamento de suas despesas e investimentos pessoais. Daniele Botelho Rocha Daniele Botelho Rocha, nascida em 07/03/1981, CPF 988.034.68587, filha de Olinda Botelho Rocha, residente à Travessa Adriano Bernardes, 02, Centro, Vitória Da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Sobrinha. A sócia teve movimentação financeira entre 2002 e 2006 de apenas R$ 56.576,58. Ademais, os valores movimentados só começaram a ser significativos a partir de 2005. Participou como SóciaAdministradora da empresa Atos Shoes Ltda ME, CNPJ 05.109.567/000114, entre • 20/06/2002, até 23/01/2006. Detentora de 99% do capital social, declarou rendimentos de R$ 6.960,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2002 a 2005. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A , RFB, de R$ 843.007,73. Em 23/01/2006 transferiu sua participação societária na Atos Shoes Ltda para a Sra. Janaína Cruz Botelho, sua prima, pelo valor de R$ 53.460,00. Valor simbólico tendo em vista o faturamento e o porte da empresa. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participou como sóciaadministradora da LG Calçados Ltda, CNPJ n° 05.469.892/000198, desde sua abertura, em 15/01/2003, até 03/1112005. Detentora de 5% do capital social, declarou rendimentos de R$ 5.920,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2003 a 2005. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 1.368.224,77, e apresentou, no Mango de 2005, lucros acumulados num montante de R$ 272.520,72. Em 03/11/2005 transferiu sua participação societária na LG Calçados para a Sra. Maria Eliane Soares Botelho Braga, sua tia, portanto, pelo valor de R$ 1.500,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 15.126,04. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.106 44 que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. A análise das suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não tinha, na época da criação de suas empresas, de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação. Ademais, o fato de não possuir bens significativos, não ter movimentação financeira relevante, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Janaina Cruz Botelho Janaína Cruz Botelho, nascida em 24/08/1979, CPF 802.893.12515, filho de Salvina Cruz Neta, residente A Travessa Adriano Bernardes, 02, Centro, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Sobrinha. A sócia em análise não teve movimentação financeira significativa no período da fiscalização, além disso, auferiu rendimentos parcos em relação ao faturamento e lucratividade das empresas de que constava como sócia. Participa como SóciaAdministradora da empresa LG Calçados Ltda, CNPJ 05.469.892/000198, desde 15/01/2003. Detentora de 95% do capital social, auferiu rendimentos de R$ 5.920,00 desta fonte pagadora, segundo as PJSI de 2003 a 2006. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações • apresentadas á RFB, de R$ 2.002.768,20. Participa como sócia da Atos Shoes Ltda ME, CNPJ no 05.109.567/000114, desde 23/01/2006. Detentora de 99% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 295.293,43. A análise das suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não tinha, na época da criação de suas empresas, de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação. Ademais, o fato de não possuir bens significativos, não ter movimentação financeira relevante, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.107 45 não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 27/12/2002, em que a Sra. Janaina Cruz Botelho, CPF no 802.893.12515, constitui como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgandolhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar todos os bens e negócios da outorgante, podendo comprar, vender, ceder alugar, transferir, hipotecar, bens móveis ou imóveis, presentes ou futuros, ações, títulos, direitos, créditos, podendo assinar escrituras públicas, instrumentos particulares, guias e demais documentos, receber e pagar o preço, comprar e vender mercadorias, representála perante bancos, instituições financeiras, Receita Federal, repartições públicas em geral, podendo demitir e admitir empregados requerer, apresentar e retirar documentos, prestar declarações, assinar tudo o que for necessário, etc. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha, de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que 6 o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. João Vitor Botelho Braga João Vitor Botelho Braga, nascido em 22103/1987, filho de Maria Eliane Soares Botelho Braga, residente rua Laudicéia Gusmão, 286, ap. 201, Centro, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Sobrinho. O sócio não possuía movimentação em contas bancárias próprias até 2006, e movimentou apenas R$ 2.157,88 nos três primeiros trimestres de 2007. Sua primeira Declaração de Rendimentos foi a DIRPF 2007 (anocalendário de 2006), informando rendimentos de R$ 2.100,00 (proveniente de PJ — prólabore) e R$ 16.500,00 (rendimento de PF). Sócio da empresa Criativa Sul Calçados Ltda. (95% do capital social), CNPJ 08.020.546/000116, constituída em 2006, com capital avaliado em R$ 14.400,00 e com faturamento de R$ 245.089,03. E ainda sócio da empresa Criativa Calçados Ltda. (96% do capital social), CNPJ 07.791.433/000151, composta por três estabelecimentos e constituída também em 2006, com faturamento de R$ 2.186.441,78. Tal empresa não foi declarada na DIRPF do contribuinte e o seu outro sócio 6 o Sr. Daniel Soares Neto, com 4% do Capital Social. Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.108 46 A análise das suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócio, leva a conclusão lógica de que este não tinha, na época da criação de suas empresas, de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ele não 6 o verdadeiro beneficiário econômico da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome do sócio em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que 6 o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Maria Eleuza Soares Botelho Maria Eleuza Soares Botelho, nascida em 02/08/1963, CPF 966.682.29549, filha de Valdi Soares Botelho, residente á R. Laudicéia Gusmão, 286, Ap. 302, Sumaré, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmã. A sócia em análise não teve movimentação financeira no período da fiscalização, além disso, auferiu rendimentos parcos em relação ao faturamento e lucratividade das empresas de que constava como sócia. Participa como sóciaadministradora da Conquista Calçados Ltda, CNPJ n° 03.930.281/000170, desde 20/12/2005. Detentora de 5% do capital social, declarou rendimentos de R$ 5.000,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2006 a 2007. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas ã RFB, de R$ 1.360.654,90, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 207.983,27. Acrescentese a estes fatos, a existência de duas procurações públicas, datadas de 16 de outubro de 2000 e 01 de outubro de 2001, em. que a Conquista Calçados Ltda confere amplos, gerais e ilimitados poderes a Daniel Soares Neto para gerir e administrar todos os seus bens e negócios. Participou como sócia da Soares e Botelho Ltda ME, CNPJ n° 01.032.576/000101, desde 10/08/2000 até 19/10/2005. Detentora de 20% do capital social, declarou rendimentos de R$ 11.520,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2003 a 2006. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 2.191.215,00. Em 19/10/2005 transferiu sua participação societária na Soares e Botelho Ltda ME para a Sra. Valdi Soares Botelho, sua mãe, pelo valor de R$ 16.000,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio líquido da empresa em 31/12/2004, seria de R$ 108.604,91. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.109 47 do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 19/03/1996, em que a Soares e Botelho Ltda., CNPJ n° 01.032.576/000101, representada pelo sócio Eduardo César Soares Botelho, CPF n° 152.221.79591, constitui como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgandolhe poderes amplos e gerais para em qualquer parte do território nacional comprar, vender, alienar, doar, hipotecar e permutar bens móveis e imóveis da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito, Bancos, abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, emitir e endossar cheques, requisitar extratos de talões de cheques, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, requerer certidões perante repartições públicas em geral, representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar e vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, dar e receber quitações, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, alterações contratuais, etc. Participa como sócia da TC — Comercial Ltda, CNPJ no 05.161.053/0001 08, desde 28/04/2003. Detentora de 10% do capital social, declarou rendimentos de R$ 8.040,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2003 a 2007. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 1.996.654,90, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados no montante de R$ 575.431,70. Participa como sóciaadministradora da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, desde a sua abertura em 21/01/1999. Detentora de 10% do capital social, declarou, no período desta fiscalização, rendimentos de R$ 13.260,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas em suas DIRPF e DSPJ apresentadas pela empresa. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 2.783.778,00 e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados no montante de R$ 596.488,60. Ademais, existe procuração da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, datada de 04/03/1999, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, outorgandolhe poderes amplos e gerais para comprar e vender, alienar, hipotecar, permutar bens imóveis, móveis de propriedade da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito, comprar e vender mercadorias, contratar advogados, representála junto A Delegacia da Receita Federal, Estadual, Municipal, Prefeituras JUCEB, DETRAN, assinar termos de transferência, alterações contratuais, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, etc. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 28/03/2006, em que a Srª.Maria Eleuza Soares Botelho, CPF n° 966.682.29549, constitui como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, outorgandolhe poderes para representála em qualquer Agência Bancária, abrir, movimentar e encerrar contas correntes, emitir e endossar cheques, receber cartões magnéticos e ativar senhas, tomar empréstimos, sacar e depositar, solicitar saldos e extratos, assinar, apresentar e retirar documentos, requerer certidões perante repartições públicas em geral, etc. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.110 48 DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não 6 a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Maria Eliane Soares Botelho Braga Maria Eliane Soares Botelho Braga, nascida em 25/10/1961, CPF 318.299.53591, filha de Valdi Soares Botelho, residente A R. Laudicéia Gusmão, 286, Ap. 202, Sumaré, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmã. Participou como sóciaadministradora da Itabuna Calçados Ltda, CNPJ n° 03.985.387/000170, desde sua abertura, em 10/08/2000, até 11/11/2005. Detentora de 98% do capital social, auferiu rendimentos totais de R$ 22.320,00 desta fonte pagadora entre 2002 e 2005, segundo informações contidas nas DIRPF e DSPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 4.483.823,40, e apresentou lucros acumulados no montante de R$ 1.570.473,49. Em 11/11/2005 transferiu sua participação societária na Itabuna Calçados Ltda para a Sra. Valdi Soares Botelho, sua mãe, pelo valor de R$ 19.600,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o • patrimônio liquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 1.558.664,03. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serve apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participa como sócia da Casa Ilhéus Calçados Ltda ME, CNPJ no 04.259. 716/000169, desde 02/01/2006. Detentora de 2% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 1.419.059,42, e apresentou lucros acumulados num montante de R$ 597.870,69. Acrescentese a estes fatos: a existência de uma procuração pública, datada de 01/09/2001, em que a Casa Ilhéus Calçados Ltda, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, outorgandolhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar todos os seus bens e negócios, representála perante bancos, repartições públicas federais, estaduais e municipais, representála perante a Receita Federal podendo apresentar declarações, efetuar recolhimentos de impostos, taxas, etc. Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.111 49 Participa como SóciaAdministradora da empresa LO Calçados Ltda, CNPJ 05.469.892/000198, desde 03/11/2005. Detentora de 5% do capital social, auferiu rendimentos de R$ 4.000,00 desta fonte pagadora, segundo as Dirpf do período. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 1.278.167,20, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 451.518,29. Participou como sóciaadministradora da Moda Arte Confecção Ltda, CNPJ no 42.011.528/000106 até 03/11/2005. Detentora de 50% do capital social, auferiu, no período, rendimentos de R$ 5.920,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas DSPJ apresentadas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 335.009,96. Em 03/11/2005 transferiu sua participação societária na Moda Arte Confecção Ltda para a Sra. Vangma Soares Gonçalves, sua irmã, pelo valor de R$ 600,00. Valor simbólico tendo em vista o faturamento e o porte da empresa. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serve apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participa como sócia da Atos Shoes Ltda ME, CNPJ no 05.109.567/000114, desde 23/01/2006. Detentora de 1% do capital social, auferiu rendimentos de R$ 4.000,00 desta fonte pagadora, segundo declarado em sua Dirpf. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 295.293,43. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Adernais; o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Dante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Maria Eliene Soares Botelho Maria Eliene Soares Botelho, nascida em 18/11/1964, CPF 332.725.06500, filha de Valdi Soares Botelho, residente à R. Laudicéia Gusmão, 286, Ap. 202, Sumaré, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmã. Participa como sóciaadministradora da Vicon Calçados Ltda, CNPJ n° 03.084.976/000188, desde sua abertura, em 12/04/1999. Detentora de 5% do capital social, auferiu no período rendimentos de R$ 16.020,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas na DSPJ da referida empresa. No mesmo período, a Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.112 50 empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 2.274.597,60, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 649.159,06. Em 03/11/2005 transferiu sua participação societária na Moda Arte Confecção Ltda para a Sra. Vangma Soares Gonçalves, sua irmã, pelo valor de R$ 600,00. Valor simbólico tendo em vista o faturamento e o porte da empresa. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serve apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participa como sócia da Atos Shoes Ltda ME, CNPJ no 05.109.567/000114, desde 23/01/2006. Detentora de 1% do capital social, auferiu rendimentos de R$ 4.000,00 desta fonte pagadora, segundo declarado em sua Dirpf. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 295.293,43. A analise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Adernais; o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Maria Eliene Soares Botelho Maria Eliene Soares Botelho, nascida em 18/11/1964, CPF 332.725.06500, filha de Valdi Soares Botelho, residente à R. Laudicéia Gusmão, 286, Ap. 202, Sumaré, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmã. Participa como sóciaadministradora da Vicon Calçados Ltda, CNPJ n° 03.084.976/000188, desde sua abertura, em 12/04/1999. Detentora de 5% do capital social, auferiu no período rendimentos de R$ 16.020,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas na DSPJ da referida empresa. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 2.274.597,60, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 649.159,06. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 14 de março de 2000, em que a Vicon Calçados Ltda, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, outorgandolhe poderes para representála junto a quaisquer instituições de crédito (Bancos), abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, fazer acordos, fazer declarações, prestar Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.113 51 informações, representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Secretaria da Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar e vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, alterações contratuais, contratar advogados, etc. Participa como sóciaadministradora da Itabuna Calçados Ltda, CNPJ no 03.985.387/000170, desde, 28/12/2006. Detentora de 98% do capital social, auferiu rendimentos totais de R$ 4.000,00 desta fonte pagadora em 2006, segundo informações contidas na DIRPF respectiva. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 2.369.600,51, e apresentou lucros acumulados no montante de R$ 2.133.212,00. Participou como sóciaadministradora da Moda Arte Confecção Ltda, CNPJ no 42.011.528/000106 até 28/12/2006. Deteve 50% do capital social até 2004 quando passou, a partir daí, a deter 95% das ações. Auferiu, no período, rendimentos de R$ 34.440,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas Dirpf apresentadas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 528.348,49. Em 28/12/2006 transferiu sua participação societária na Moda Arte Confecção Ltda para o Sr. Valter Paulo Soares Botelho, seu irmão, pelo valor de R$ 11.400,00. Valor simbólico tendo em vista o faturamento e o porte da empresa. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serve apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não 6 a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise é, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Olinda Botelho Rocha Olinda Botelho Rocha, nascida em 28/01/1957, CPF 205.656.23591, filha de Valdi Soares Botelho, residente à Travessa Adriano Bernardes, 02, Centro, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmã. Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.114 52 A sócia em análise teve movimentação financeira quase que inexistente no período analisado pela fiscalização, além disso, auferiu rendimentos parcos em relação ao faturamento e lucratividade das empresas em que constava como sócia. Participa como sóciaadministradora da Casa Ilhéus Calçados Ltda ME, CNPJ n° 04.259. 716/000169, desde sua abertura em 10/01/2001. Detentora de 98% do capital social, auferiu rendimentos totais de R$ 10.980,00 desta fonte pagadora entre 2002 e 2006, segundo informações contidas DSPJ respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas 6 RFB,• de R$ 4.117.774,40, e apresentou lucros acumulados num montante de R$ 597.870,69. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 01/09/2001, em que a Casa Ilhéus Calçados Ltda, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, outorgandolhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar todos os seus bens e negócios, representála perante bancos, repartições públicas federais, estaduais e municipais, representála perante a Receita Federal podendo apresentar declarações, efetuar recolhimentos de impostos, taxas, etc. Participou como SóciaAdministradora da empresa Atos Shoes Ltda ME, CNPJ . 05.109.567/000114, entre 20/06/2002, até 23/01/2006. Detentora de 1% do capital social, não declarou rendimentos auferidos desta fonte pagadora. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas á RFB, de R$ 843.007,73. Em 23/01/2006 transferiu sua participação societária na Atos Shoes Ltda para a Sra. Maria Eliane Soares Botelho Braga, sua irmã, pelo valor de R$ 540,00. Valor simbólico tendo em vista o faturamento e o porte da empresa. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participou como SóciaAdministradora da empresa Criativa Calçados Ltda, CNPJ.07.791.433/000151, entre 05/01/2006, até 25/04/2006. Detentora de 96% do capital social, não declarou rendimentos auferidos desta fonte pagadora. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas 6 RFB, de R$ 2.186.441,78. Em 25/04/2006 transferiu sua participação societária na Atos Shoes Ltda para a Sr. João Vitor Botelho Braga, seu sobrinho, pelo valor de R$ 540,00. Valor simbólico tendo em vista o faturamento e o porte da empresa. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não.possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.115 53 Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributaria para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Salvina Cruz Neta Salvina Cruz Neta, nascida em 18/09/1965, CPF 099.582.58587, filha de Valdi Soares Botelho, residente A R. Laudicéia Gusmão, 286, Ap. 202, Sumaré, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmã. A sócia teve movimentação financeira entre 2002 e 2006 de apenas R$ 44.312,02. Participa como sóciaadministradora da Conquista Calçados Ltda, CNPJ n° 03.930.281/000170, desde a abertura em 12/07/2000. Detentora de 95% do capital social, declarou rendimentos de R$ 19.600,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 2.472.413,60, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 207.983,27. Acrescentese a estes fatos, a existência de duas procurações públicas, datadas de 16 de outubro de 2000 e 01 de outubro de 2001, em, que a Conquista Calçados Ltda confere amplos, gerais e ilimitados poderes a Daniel Soares Neto para gerir e administrar todos os seus bens e negócios. Participa como sóciaadministradora da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, desde 20/12/2005. Detentora de 90% do capital social, declarou, no período desta fiscalização, rendimentos de R$ 4.000,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas em suas DIRPF. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas á RFB, de R$ 1.399.164,50 e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados no montante de R$ 596.488,60. Ademais, existe procuração da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, datada de 04/03/1999, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, outorgandolhe poderes amplos e gerais para comprar e vender, alienar, hipotecar, permutar bens imóveis, móveis de propriedade da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito, comprar e vender mercadorias, contratar advogados, representála junto A Delegacia da Receita Federal, Estadual, Municipal, Prefeituras JUCEB, DETRAN, assinar termos de transferência, alterações contratuais, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, etc. Participa como sócia da TC — Comercial Ltda, CNPJ n° 05.161.053/000108, desde 20/12/2005. Detentora de 90% do capital social, declarou rendimentos de R$ 4.000,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF 2007. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 719.882,4, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados no montante de R$ 575.431,70. Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.116 54 Participou como sócia da Silva Calçados Ltda, CNPJ no 00.341.292/000126, desde sua abertura, em 12/12/1994, até 10/11/2005. Detentora de 5% do capital social, auferiu rendimentos de R$ 12.420,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas DSPJ e DIRPF respectivas. Entre 2002 e 2005, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 4.886.629,50, e apresentou, no balanço de 2005, lucros acumulados num montante de R$ 497.561,22. Em 10/11/2005 transferiu sua participação societária na Silva Calçados Ltda para a Sra. Valdi Soares Botelho, sua mãe, por valor ignorado. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 47.378,07. Este valor não aparece na Dirpf da vendedora relativo ao ano da venda. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas P.J de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Valdi Soares Botelho Valdi Soares Botelho, nascida em 04/02/1931, CPF 309.566.84572, filha de Salvina Cruz de Jesus e Daniel Soares Souza, residente à R. Laudicéia Gusmão, 286, Ap. 202, Sumaré, Vitória da Conquista, Bahia. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Mãe. Participou como sóciaadministradora da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, desde a sua abertura em 21/01/1999, ate 20/12/2005. Detentora de 90% do capital social, declarou, no período desta fiscalização, rendimentos de R$ 5920,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas em suas DIRPF e DSPJ apresentadas pela empresa. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 2.039.933,10 e apresentou, no balanço de 2005, lucros acumulados no montante de R$ 478.288,80. Em 20/12/2005 transferiu sua participação societária na Itapetinga Calçados Ltda para a Sra. Salvina Cruz Neta, sua filha, pelo valor de R$ 18.000,00. Observa se que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 448.459,92. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.117 55 quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Ademais, existe procuração da Itapetinga Calçados Ltda, CNPJ no 02.944.879/000155, datada de 04103/1999, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, • outorgandolhe poderes amplos e gerais para comprar e vender, alienar, hipotecar, permutar bens imóveis, móveis de propriedade da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito, comprar e vender mercadorias, contratar advogados, representála junto à Delegacia da Receita Federal, Estadual, Municipal, Prefeituras JUCEB, DETRAN, assinar termos de transferência, alterações contratuais, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, etc. Participou como sóciaadministradora da TC — Comercial Ltda, CNPJ n° 05.161.053/000108, de 28/04/2003 até 20/12/2005. Detentora de 90% do capital social, declarou rendimentos de R$ 11.400,00 desta fonte pagadora em suas DIRPF respectivas. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas á RFB, de R$ 1.276.488,50, e apresentou, no balanço de 2005, lucros acumulados no montante de R$ 330.119,14. Em 20/12/2005 transferiu sua participação societária na TC — Comercial Ltda para a Sra. Salvina Cruz Neta, sua filha, pelo valor de R$ 18.000,00. Observa se que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da empresa em 31/12/2005, seria de R$ 315.107.226,00. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participou como sócia da Itabuna Calçados Ltda, CNPJ no 03.985.387/0001 70, de 11/11/2005 até 28/12/2006. Detentora de 98% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 4.305.082,40, e apresentou lucros acumulados no montante de R$ 2.133.212,00. Em 28/12/2006 transferiu sua participação societária na Itabuna Calçados Ltda para a Sra. Maria Eliene Soares Botelho, sua filha, pelo valor de R$ 19.600,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da empresa em 31/12/2006, seria de R$ 2.110.147,76. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serve apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Participa como sócia da Silva Calçados Ltda, CNPJ no 00.341.292/000126, desde 10/11/2005. Detentora de 5% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora, segundo informações contidas nas DSPJ e DIRPF respectivas. Em 2005 e 2006, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas à RFB, de R$ 4.596.574,50, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 286.811,31. Participa como sócia da Soares e Botelho Ltda ME, CNPJ no 01.032.576/000101, desde 19/10/2005. Detentora de 2% do capital social, não declarou rendimentos desta fonte pagadora em suas DIRPF de 2007. Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.118 56 No mesmo período, a empresa não declarou faturamento nas declarações apresentadas a RFB. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 19/03/1996, em que a Soares e Botelho Ltda., CNPJ n° 01.032.576/000101, representada pelo sócio Eduardo César Soares Botelho, CPF no 152.221.79591, constitui como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF n° 297.573.04549, outorgandolhe poderes amplos e gerais para em qualquer parte do território nacional comprar, vender, alienar, doar, hipotecar e permutar bens móveis e imóveis da outorgante, podendo representála junto a qualquer estabelecimento de crédito, Bancos, abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, emitir e endossar cheques, requisitar extratos de talões de cheques, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, requerer certidões perante repartições públicas em geral, representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar e vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, dar e receber quitações, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, alterações contratuais, etc. Ademais, a Sra. Valdir Soares Botelho, CPF no 309.566.84572, assinou procuração, datada de 02/05/2003, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, outorgandolhe poderes para comprar, vender, alienar, permutar, hipotecar bens móveis e imóveis de propriedade da mandante, podendo representála junto a quaisquer estabelecimentos de créditos, bancos, abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, emitir e endossar cheques, notas promissórias, duplicatas, comprar e vender mercadorias, dar e receber quitação, contratar advogado, representála junto à Receita Federal, Estadual, Municipal, Prefeituras, Coletorias, Tabelionatos, Cartórios, alterações contratuais, fazer acordos, apresentar e retirar documentos, firmar compromissos, fazer declarações, prestar informações, requerer certidões em repartições públicas em geral etc. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiaria econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em analise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributaria para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Valter Paulo Soares Botelho Valter Paulo Soares Botelho, nascida em 27/01/1952, CPF 525.950.99515, filha de Valdi Soares Botelho, residente à Av. Getúlio Vargas, 90, Centro, Barra do Choça, Bahia. Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.119 57 Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmão. Sócio da empresa Criativa Sul Calçados Ltda. (95% do capital social), CNPJ 08.020.546/000116, constituída em 2006, com capital avaliado em R$ 14.400,00 e com faturamento de R$ 245.089,03. Tal bem não foi declarado em sua DI RPF 2007. Sócio da empresa Moda Arte Confecção Ltda, CNPJ no 42.011.528/000106, (95% do capital social), adquirida em 28/12/2006, com faturamento de R$ 193.338,53. Tal bem não foi declarado em sua DIRPF 2007. A análise das suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócio, leva a conclusão lógica de que este não dispunha de capacidade econ6mica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ele não é o verdadeiro beneficiário econômico da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que é o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. Vangma Soares Gonçalves Vangma Soares Gonçalves, nascida em 21/05/1954, CPF 055.001.91705, filha de Valdi Soares Botelho, residente â R. Bom Pastor, 55, Campo Grande, Cariacica, Espírito Santo. Grau de parentesco com o Sr. Daniel Soares Neto: Irmã. Participa como sóciaadministradora da Vicon Calçados Ltda, CNPJ no 03.084.976/000188, desde 18/01/2005. Detentora de 95% do capital social, auferiu no período rendimentos de R$ 3.350,00 desta fonte pagadora, segundo informações contidas na DSPJ da referida empresa. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 1.054.360,20, e apresentou, no balanço de 2006, lucros acumulados num montante de R$ 649.159,06. Acrescentese a estes fatos, a existência de uma procuração pública, datada de 14 de março de 2000, em que a Vicon Calçados Ltda, constituindo como seu Procurador o Sr. Daniel Soares Neto, outorgandolhe poderes para representála junto a quaisquer instituições de crédito (Bancos), abrir e movimentar contas correntes, sacar e depositar importâncias, fazer acordos, fazer declarações, prestar informações, 411/ representar junto ao Ministério Público, Ministério do Trabalho, Secretaria da Receita Federal, Estadual, Municipal, Autarquias, Paraestatais, comprar e vender mercadorias, assinar termos de qualquer espécie, demitir e admitir empregados, fazer financiamentos, alterações contratuais, contratar advogados, etc. Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.120 58 Participa como sócia da Moda Arte Confecção Ltda, CNPJ n° 42.011.528/000106, desde 03/11/2005. Detentora de 5% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 302.980,21. Participou como sócia da Conquista Calçados Ltda, CNPJ n° 03.930.281/000170, de 18/01/2005 até 20/12/2005. Detentora de 5% do capital social, não declarou rendimentos desta fonte pagadora em suas DIRPF 2006. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo declarações apresentadas A RFB, de R$ 632.009,50, e apresentou, no balanço de 2005, lucros acumulados num montante de R$ 252.576,08. Em 20/12/2005 transferiu sua participação societária na Conquista Calçados para a Sra. Maria Eleuza Soares Botelho, sua irmã, pelo valor de R$ 500,00. Observase que o valor de suas cotas, tomando como base o patrimônio liquido da . empresa em 31/12/2005, seria de R$ 13.128,80. Por este motivo, depreendese deste comportamento, comuníssimo dentro do grupo Silva Calçados, que a mudança do quadro societário serviu apenas para burlar as restrições impostas pela legislação do Simples para enquadramento em sua sistemática. Acrescentese a estes fatos, a existência de duas procurações públicas, datadas de 16 de outubro de 2000 e 01 de outubro de 2001, em que a Conquista Calçados Ltda confere amplos, gerais e ilimitados poderes a Daniel Soares Neto para gerir e administrar todos os seus bens e negócios. Participa como sócia da Itabuna Calçados Ltda, CNPJ no 03.985.387/0001 70, desde 28/12/2006. Detentora de 2% do capital social, não auferiu rendimentos desta fonte pagadora em 2006, segundo informações contidas na D1RPF respectiva. No mesmo período, a empresa teve faturamento, segundo, declarações apresentadas à RFB, de R$ 2.369.600,51, e apresentou lucros acumulados no montante de R$ 2.133.212,00. A análise de suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos documentos entregues ou apreendidos por esta Fiscalização, bem como das DSPJ e DIPJ entregues pelas empresas em que participa ou participou como sócia, leva a conclusão lógica de que esta não dispunha, de capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários para sua instalação ou compra. Ademais, o fato de .não possuir bens, não ter movimentação financeira, de não auferir rendimentos compatíveis com o sucesso econômico e financeiro verificados nas PJ de sua propriedade, leva a crer de que ela não é a verdadeira beneficiária econômica da respectiva atividade empresarial ou profissional. Diante do exposto, concluise que o verdadeiro proprietário das empresas em nome da sócia em análise 6, na verdade, o Sr. Daniel Soares Neto, que, com o intuito de simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiro que não tem relação pessoal e direta .com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, agiu de forma dolosa com o objetivo de burlar as restrições da Legislação do Simples para que todas as empresas de que 6 o real proprietário fossem tributadas de forma mais benéfica. 9) DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Os dados extraídos das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física apresentadas pelos sócios, das Declarações de Pessoa Jurídica (PJSI) apresentadas Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.121 59 pelas empresas, Declarações de CPMF apresentadas pelas instituições financeiras, e demais informações constantes dos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil (vide Anexo III), demonstram que Daniel Soares Neto apresentou movimentação financeira e acréscimo patrimonial expressivo no período fiscalizado, chegando, inclusive, a aumentar em mais de 760% (setecentos e sessenta por cento) o valor dos seus bens no período de 05 (cinco) anos e movimentando R$ 5.413.346,40 (cinco milhões quatrocentos e treze mil e trezentos e quarenta e seis reais e quarenta centavos) em sua conta bancária. Por outro lado, os demais sócios do Grupo Silva Calçados não apresentaram movimentação financeira compatível com a condição de sócios, não tinham capacidade econômica para fazer frente aos investimentos necessários á instalação de algumas empresas, tampouco auferiram rendimentos condizentes com o sucesso econômico e financeiro verificado nas pessoas jurídicas, o que indica que eles não são os verdadeiros beneficiários das respectivas atividades empresariais. Observamos como prática dolosa e comum no Grupo Silva Calçados as mudanças recorrentes nos quadros societários das empresas com o intuito de burlar as restrições impostas pela legislação do SIMPLES, simulando situação de transferência de responsabilidade tributária do Sr. Daniel Soares Neto para terceiros, que não possuíam relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Relacionamos a seguir alguns dispositivos da Lei no 9.317/1996 que dispunham sobre o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte —SIMPLES durante o período fiscalizado: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] No anocalendário de 2001 a empresa a empresa Vicon Calçados Ltda., CNPJ no 03.084.976/000188, estava inscrita na condição de Microempresa e declarou à Receita Federal do Brasil — RFB ter auferido Receita Bruta Anual de R$ 159.202,48 (cento e cinqüenta e nove mil e duzentos e dois reais e quarenta e oito centavos), superior, portanto, ao limite de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), mas permaneceu indevidamente sob a mesma forma de enquadramento no ano calendário de 2002. [...] Conforme ficou demonstrado nos tópicos anteriores; o quadro societário das pessoas jurídicas do "Grupo Silva Calçados" foi constituído por interpostas pessoas, ocultando o verdadeiro sócio/proprietário, Sr. Daniel Soares Neto, para que as empresas se beneficiassem indevidamente de um regime de tributação diferenciado, simplificado e favorecido aplicável as Microempresas e as, empresas de pequeno porte com recolhimento unificado de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos de acordo com o total da receita bruta acumulada no ano. Os cálculos da Receita Bruta Global foram refeitos (vide Anexo VII) considerando o Sr. Daniel Soares Neto como proprietário ou sócio majoritário das 15 (quinze) empresas do Grupo Silva Calçados e os valores declarados pelos contribuintes A Receita Federal do Brasil, cuja totalização esta resumida a seguir: • Receita Bruta Global AnoCalendário 2002: R$ 2.740.196,24; • Receita Bruta Global AnoCalendário 2003: R$ 4.396.148,51; • Receita Bruta Global AnoCalendário 2004: R$ 8.107.583,03; Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.122 60 • Receita Bruta Global AnoCalendário 2005: R$ 9.087.435,99; • Receita Bruta Global AnoCalendário 2006: R$ 12.698.666,57. Nesse sentido, todas as 15 (quinze) empresas do Grupo Silva Calçados optaram e permaneceram indevidamente no SIMPLES, durante todo o período fiscalizado, em virtude de terem ultrapassado o limite de Receita Bruta Global de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) nos anoscalendário de 2002 a 2005 e de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) no anocalendário de 2006. Oportunamente, ressaltamos que mesmo que o Sr. Daniel Soares Neto não fosse o real sócio/proprietário de todas as empresas do Grupo Silva Calçados as seguintes empresas estariam enquadradas indevidamente no SiMPLES, por ultrapassarem os limites de Receita Bruta Global citados anteriormente, considerando apenas os valores declarados à RFB, conforme abaixo: • Casa Silva Calçados Ltda. e Soares e Botelho Ltda. no anocalendário de 2004 por terem o Sr. Daniel Soares Neto, CPF no 297.573.04549, como sócio com 95% e 80% do capital social, respectivamente, totalizando Receita Bruta Global de R$ 2.291.084,30 (dois milhões e duzentos e noventa e um mil e oitenta e quatro reais e trinta centavos); • Criativa Calçados Ltda e Criativa Sul Calçados Ltda. no anocalendário de 2006 por terem o Sr. João Vitor Botelho Braga, CPF n° 038.382.75586, como sócio com 96% e 95% do capital social, respectivamente, totalizando Receita Bruta Global de R$ 2.431.530,70 (dois milhões e quatrocentos e trinta e um mil e quinhentos e trinta reais e setenta centavos); • Casa Ilhéus Calçados Ltda e Criativa Calçados Ltda. no anocalendário de 2006 por terem a Sra. Olinda Botelho Rocha, CPF n° 205.656.23591, como sócia com 98% e 96% do capital social, respectivamente, totalizando Receita Bruta Global de R$ 3.605.501,10 (três milhões e seiscentos e cinco mil e quinhentos e um reais e dez centavos); • Itabuna Calçados Ltda e Moda Arte Confecções Ltda. no anocalendário de 2006 por terem a Sra. Maria Eliene Soares Botelho, CPF n° 332.725.06500, como sócia com 98% e 95% do capital social, respectivamente, totalizando Receita Bruta Global de R$ 2.562.939,00 (dois milhões e quinhentos e sessenta e dois mil e novecentos e trinta e nove reais); • Conquista Calçados Ltda, Itapetinga Calçados Ltda. e TCComercial Ltda. no anocalendário de 2006 por terem a Sra. Salvina Cruz Neta, CPF n° 099.582.585 87, como sócia com 95%, 90% e 90% do capital social, respectivamente, totalizando Receita Bruta Global de R$ 2.192.372,70 (dois milhões e cento e noventa e dois mil e trezentos e setenta e dois reais e setenta centavos). Transcrevemos a seguir outros dispositivos da Lei n°9.317/1996 que tratam sobre a exclusão do SIMPLES: [...] Ressaltamos que o fato de os quadros societários das pessoas jurídicas do "Grupo Silva Calçados" terem sido constituídos por interpostas pessoas, ocultando o verdadeiro sócio/proprietário, Sr. Daniel Soares Neto, e, conseqüentemente, Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.123 61 dissimulando o valor real da Receita Bruta Global configura pratica reiterada de infração á legislação tributaria, constituindo, assim, mais um motivo para exclusão das 15 (quinze) empresas do Grupo Silva Calçados do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. 10) CONCLUSÃO Diante do exposto e considerando que a Vicon Calçados Ltda., CNPJ no 03.084.976/000188, infringiu os incisos I e IX do art. 9° e IV e V do art. 14 da Lei no 9.317/1996 ao optar e permanecer indevidamente no SIMPLES nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2006, solicitamos que o Chefe da Seção de Fiscalização encaminhe a presente Representação Fiscal ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil de Vitória da Conquista com proposta de exclusão do contribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2002, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 15 da Lei n° 9.317/1996." Por todo o exposto resta efetivamente comprovado que o Sr. Daniel Soares Neto é o proprietário do grupo, e não podendo um grupo de pessoas estar se beneficiado da tributação simplificada, está correto o procedimento fiscal de excluir todas as pessoas jurídicas do Simples inclusive a Recorrente, por se considerar o faturamento do grupo no anocalendário de 2002 no montante de R$2.740.196,24, circunstância prevista em lei. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda do efeito retroativo da exclusão. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No caso da pessoa jurídica que fez opção pelo Simples até 27.07.2001, os efeitos da exclusão dáse a partir de 01.01.2002, no caso de a situação excludente tiver ocorrido até 31.12.2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. A partir da data dos efeitos do ato, a pessoa jurídica fica sujeita às demais normas de tributação. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG10, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Em relação aos argumentos das Recorrente referentes às circunstâncias relativas ao histórico e ao desenvolvimento da atividade econômica e sua boafé, temse que a 10 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator: Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&sReg=20090029627 7&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 11 Fundamentação legal: art. 12, art. 13, art. 14, art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 56. Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10540.002115/200760 Acórdão n.º 1803001.023 S1TE03 Fl. 2.124 62 responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10814.009686/2005-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 20/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-000.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/04/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/09030352, em 20/10/2003 (fls. 6/10), no valor de R$ 2.555,32 (Dois mil, quinhentos e cinqüenta e cinco reais e trinta e dois centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias IN. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40% (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF), o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 45), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 20/10/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/09030352, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 24/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 2.555,32 (Dois mil, quinhentos e cinqüenta e cinco reais e trinta e dois reais), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 25 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009686/200504 Acórdão n.º 310200.985 S3‐C1T2 Fl. 149 3 Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 48). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 48). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 49/50 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI (posteriormente objeto de pedido de reconsideração), elevando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 51/54). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 58/72, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 58/72 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO. TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/2003 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009686/200504 Acórdão n.º 310200.985 S3‐C1T2 Fl. 150 5 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CND's POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009686/200504 Acórdão n.º 310200.985 S3‐C1T2 Fl. 151 7 Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de abril de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010555/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
Nos termos do art. 1º da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da COFINS não-cumulativa é a totalidade das receitas auferidas. Constituem receitas lançamentos em conta de resultado com saldo credor feitos em contrapartida de eventos que reduzam o Passivo.
Numero da decisão: 3401-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Angela Sartori e Bernardo de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso foi votado em fevereiro deste ano, tendo eu me designado para redigir apenas o voto vencedor, dado que o Conselheiro Jean entregou, como de praxe, dentro do prazo regimental, o seu voto à Secretaria. Não tendo eu, porém, conseguido elaborar o voto vencedor e formalizar o acórdão antes da renúncia do dr. Jean, mantenho, na íntegra, a seguir, os seus relatório e voto, registrando que apenas por esse motivo não constará sua assinatura no acórdão.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 1º da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da COFINS não-cumulativa é a totalidade das receitas auferidas. Constituem receitas lançamentos em conta de resultado com saldo credor feitos em contrapartida de eventos que reduzam o Passivo.
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BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 1º da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da COFINS não cumulativa é a totalidade das receitas auferidas. Constituem receitas lançamentos em conta de resultado com saldo credor feitos em contrapartida de eventos que reduzam o Passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Angela Sartori e Bernardo de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente e redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso foi votado em fevereiro deste ano, tendo eu me designado para redigir apenas o voto vencedor, dado que o Conselheiro Jean entregou, como de praxe, dentro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 55 /2 00 6- 37 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 do prazo regimental, o seu voto à Secretaria. Não tendo eu, porém, conseguido elaborar o voto vencedor e formalizar o acórdão antes da renúncia do dr. Jean, mantenho, na íntegra, a seguir, os seus relatório e voto, registrando que apenas por esse motivo não constará sua assinatura no acórdão. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 31/01/2006, pelo qual a Contribuinte pretende o ressarcimento de COFINS nãocumulativa vinculada a operações no mercado interno e a exportações do 3º trimestre de 2005 para compensar diversos débitos (fls. 226/233). A autoridade fiscal glosou parte dos créditos pelas seguintes razões: 1)A Contribuinte não inclui os valores referentes a recuperação de despesas na base de cálculo da contribuição; 2) A Contribuinte exclui da base de cálculo valores referentes às vendas de arroz em casca e arroz pronto biju, sem ter direito à suspensão da contribuição sobre esses produtos por não ser uma cerealista; 3) Inclusão indevida na apuração de créditos de valores relativos a combustíveis e lubrificantes não utilizados como insumos; 4) Compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais e 5) Apuração incorreta dos créditos vinculados às vendas com alíquota zero. Por essa razão, a autoridade fiscal reconheceu apenas parte do crédito pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contestando somente as glosas relativas às recuperações de despesas. Não obstante, a DRJ em Porto Alegre/RS manteve as glosas contestadas. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 04/05/2011 (fl.405) e interpôs recurso voluntário em 20/05/2011 (fls.406/419). O recurso foi apreciado pela primeira vez por esta Turma Julgadora, sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência (fls. 424/427) com a seguinte fundamentação: (...) não se encontra em condições de ser julgado por demandar esclarecimento quanto às despesas recuperadas pela contribuinte, e por isso consideradas pela fiscalização como receitas tributadas. Observo, primeiro, que nem a planilha que acompanha o despacho decisório nem aquela elaborada posteriormente pela DRFB, após o ingresso da contribuinte no parcelamento, discrimina as receitas tributadas (ou despesas recuperadas). Segundo, que a ora Recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alega inexistência de comprovação quanto à glosa que continua no litígio e corresponde ao item II.2.1 do despacho decisório, afirmando não ter compreendido quais as receitas recuperadas. E por último, que este Colegiado tem divergências sobre o tema e poderá decidir o litígio considerando quais, exatamente, são as despesas recuperadas. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.010555/200637 Acórdão n.º 3401002.881 S3C4T1 Fl. 561 3 Destarte, carece seja identificada a origem (ou origens) das receitas recuperadas cujos valores constam das colunas “Créd. Export.” e “Créd. Merc. Int. Comp.”, na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS” (fl. 126). Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para a DRFB informe, além da classificação contábil, a origem dos valores discriminados na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS”, descrevendo, se necessário ou julgar conveniente, as operações que resultaram em tais valores. Do resultado da diligência deve ser dada ciência à Recorrente para, querendo, se pronunciar sobre o feito no prazo de trinta dias. O resultado da diligência está presente na fl. 485. A Contribuinte se manifestou às fls. 487/490. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em saber do que se tratam as receitas denominadas como “recuperação de despesas” e saber se elas estão ou não incluídas na base de cálculo da COFINS. Com o resultado da diligência verificouse o seguinte: “(...) o valor de R$ 21.781.352,51, relativo a outubro de 2005, se refere a redução de multas e de juros aplicados em auto de infração da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, tendo como contrapartida dos lançamentos a conta de ‘Recuperação de Despesas´, que o valor de R$ 7.245.879,22. Relativo a maio de 2005, se refere a créditos de PIS e COFINS dos quais a interessada seria credora, que foram transferidos para a conta de “Recuperação de Despesas” e tendo como contrapartida a conta de “Resultado de Exercícios Futuros”. O contribuinte não apresentou a documentação comprobatória e também não informou a classificação contábil, a origem e as operações em relação aos demais valores das contas de Fl. 568DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “Recuperação de Despesas das contas do balancete: 442.20 e 771.20)” Nas fls. 487/490 a Recorrente se manifestou reforçando as informações dadas pela autoridade quantos aos valores de R$ 21.781.352,51, referente a outubro de 2005, e de R$ 7.245.879,22, referente maio 2005, mas alegando que não conseguiu identificar os valores dos demais períodos, razão pela qual não pôde juntar os documentos comprobatórios. Em suma, a diligência demonstrou que o valor de R$ 21.781.352,51 são, de fato, descontos em juros e multa dados pela Secretaria de Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, em razão de parcelamento de valor lançado e que o valor de R$ 7.245.879,22, muito embora tenha sido lançado como recuperação de despesas tratase de crédito do PIS e COFINS. Nos dois casos, não existe incidência da Contribuição, vez que os descontos de multa e juros não compreendem, de fato, uma receita auferida. O debate consiste na interpretação do termo “receita”, disposto pelo art. 1º da Lei nº 10.637/02, que assim estabelecem: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Devese destacar que por determinação do art. 110 do CTN, “a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado”. Diante disso, cabe esclarecer que o termo “receita” podese dividir em receita operacional e em receita nãooperacional. A receita operacional é aquela auferida com a atividade principal da empresa (venda ou prestação de serviço), enquanto a receita não operacional consiste no valor adquirido esporadicamente com atividade diversa ao objeto social da pessoa jurídica. No presente caso, os descontos quanto aos juros e multa do ICMS, lançados como saída e, posteriormente, lançados na conta de recuperação de despesas não se classifica em nenhum tipo de receita, nem operacional, nem não operacional, vez que não trouxe nenhum incremento real ao caixa da empresa, de modo que não compõe a base de cálculo do PIS não cumulativo. Também não incide PIS sobre os créditos do PIS e da COFINS, vez que esses créditos não representam entrada de valores nos caixas da empresa, de forma que também não configura nem receita operacional nem receita não operacional. Quanto aos demais valores listados na fl. 425, como a Recorrente não comprovou a origem, devese calcular o crédito sem excluílos da base de cálculo da contribuição. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.010555/200637 Acórdão n.º 3401002.881 S3C4T1 Fl. 562 5 Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para que o crédito pleiteado pela Contribuinte seja calculado sem a inclusão na base de cálculo dos valores de R$ 21.781.352,51, referente a recuperação de despesa de outubro de 2005, e de R$ 7.245.879,22, referente à recuperação de despesa de maio 2005. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado Ousei divergi do muito bem fundamentado, como de praxe, voto do i. relator por entender que as parcelas em discussão integram sim a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, desde que apuradas na sistemática não cumulativa, como é o caso. Isso porque as leis instituidoras dessa sistemática no caso da COFINS, a Lei 10.833 estabelecem: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou Fl. 570DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Tampouco divirjo do dr. Jean aliás, nem poderia quando ele reafirma, citando o CTN, que a lei tributária não pode inovar conceitos do direito privado. Divirjo, todavia, da conclusão de que a Lei 10833 assim tenha feito. E isso porque, não comungo a interpretação acatada pelo relator que traz como condição para o reconhecimento de receita a ocorrência de um aumento no caixa, ou, como dizem outros, de um ingresso no caixa. Contabilmente, receita é a contrapartida contábil de um evento que tenha como consequência um aumento no Patrimônio Líquido. Esse aumento se dá sempre que algum elemento do Ativo (caixa ou qualquer outro) aumente sem que haja, concomitantemente, um aumento de mesma magnitude no Passivo, a via mais comum. Mas também se processa o mesmo quando um elemento do Passivo se reduz sem concomitante e equivalente redução no Ativo, como ocorreu aqui com as duas rubricas adicionadas. Ainda que se possa advogar a existência de conceitos outros que não o contábil para o fenômeno receita (tese com a qual também não concordo), entendo que é ele, sim, que o legislador teve em mente quando de sua edição. A não ser assim, sem qualquer sentido a exclusão prevista na alínea "b" do inciso V acima, dado que tais valores decorrem exclusivamente de obrigações contábeis. Destarte, a totalidade das receitas, no sentido contábil do termo, apuradas pela pessoa jurídica é que constitui a base de cálculo da COFINS nãocumulativa. E o que é essa totalidade? Também quanto a isso não divirjo do n. relator: a soma das receitas operacionais e das não operacionais, descartadas, dentre essas, apenas as expressamente previstas na lei como exclusões. As receitas operacionais compõem o que a Lei 4.506/64 chama de receita bruta operacional. Assim diz o art. 44 daquele vetusto ato legal: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, Fl. 571DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.010555/200637 Acórdão n.º 3401002.881 S3C4T1 Fl. 563 7 recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. É claro que todos esses conceitos contábeis foram construídos sempre tendo em conta a apuração do resultado da entidade: receitas menos custos e despesas. Nela, a Contabilidade, não se tomam as receitas sem considerarse no mesmo feito as despesas ou custos a elas correspondentes. Esse reconhecimento, no entanto, apenas nos leva a considerar, no mínimo, uma impropriedade técnica tributação que apenas leve em conta uma "perna" do resultado. Mas isso não muda o fato de que o legislador assim o fez e, especialmente, não nos autoriza a buscar conceituações inovadoras para afastar aquilo que o legislador não afastou, por mais que achemos isso justo. E é por isso que, pensandose no resultado, nada distingue a "recuperação de custos ou despesas" da receita: ambos indicam que houve aumento do Patrimônio líquido e como tal devem ser tratados. Em verdade, e a rigor, a expressão "recuperação de despesas" constitui uma contradição em termos. As recuperações (ou reembolsos) são eventos cuja natureza define se devem ser lançados a crédito de uma conta de resultado ou patrimonial. Neste último caso se está legitimamente falando de recuperação ou reembolso, mas não de despesas. No primeiro, de despesas, sim, de recuperação, não. Explicome. Quando a entidade efetua um pagamento cuja obrigação legal ou contratual não é sua (ou que contratualmente lhe deve ser reembolsado por quem de direito, normalmente o cliente) não deve registrar o débito em conta de resultado, já que, nesse caso, não é o seu patrimônio líquido que será, de forma definitiva, afetado. Deve fazêlo em conta patrimonial, que registre um direito seu contra aquele. O evento posterior em que o cliente lhe restitua a importância é, pois, recuperação, mas não de despesa. Esses lançamentos em contas patrimoniais não são, de ordinário, objeto de verificação fiscal na modalidade aqui executada (as chamadas verificações obrigatórias), devendose, por isso, supor que estavase, na verdade, cuidando de lançamentos em contas credoras de resultado. De registrar que o contribuinte teve várias oportunidades para demonstrar o contrário, a última delas por ocasião da diligência determinada por este colegiado, mas não o fez. Já quando de efetiva despesa sua se trata, isto é, quando legitimamente o pagamento efetuado deva ter como contrapartida uma conta de despesa da entidade que o efetuou porque se trata de valor essencial ao desempenho da atividade e que deva ser suportado pela própria entidade, ou seja, que reduz o seu patrimônio líquido, eventual "reembolso", "ressarcimento", ou "recuperação" que se caracterize por novo ingresso que o compense nada mais é do que receita, ainda que outro nome tenha nos livros contábeis. Afinal, a receita cumpre, sempre, exatamente esse papel de recuperar a despesa e os custos efetuados, preferencialmente excedendoos. Por isso é que, como dito antes, se há conta de resultado com saldo credor suportando o lançamento intitulado de recuperação, não importa o seu nome, é ela conta Fl. 572DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 representativa de receita e, como tal, o seu saldo deve integrar a base de cálculo das contribuições. É claro que o lançamento pode ter sido aí feio por equívoco. Nesse caso, porém, entendo que cabe sempre ao contribuinte demonstrar que se está no primeiro caso. Como já dito acima, o contribuinte teve várias oportunidades de fazer essa demonstração, silenciando, porém, em todas elas sobre a natureza das contas que suportaram os lançamentos. Em verdade, se a diligência foi útil em alguma coisa foi o de demonstrar que nem mesmo de "ressarcimento", "reembolso", ou "recuperação" de fato se tratou: há apenas redução do passivo sem concomitante redução no ativo. Receita, pois, na correta acepção do termo. Com essas considerações, decidiu o colegiado, por qualidade, negar provimento ao recurso do contribuinte. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 573DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 16327.721267/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES- STOCK OPTIONS - NATUREZA SALARIAL - DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL - CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO
Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, seja, pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações, possibilidade de venda antecipada, estabelecimento do custo de R$1,00, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração.
Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos.
Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações.) desde que constatado a natureza salarial da verba.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS - PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
O fato gerador no caso de plano de stock options ocorre com o efetivo exercício do direito de adquirir ações, posto que, constatado o ganho do trabalhador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiros. Para efeitos de aferir a natureza salarial do benefício, não há necessidade de que o trabalhador tenha recebido dinheiro, mas qualquer ganho auferido, mesmo na forma de utilidades, pode constituir remuneração e por consequência salário de contribuição para efeitos previdenciários.
IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR - DATA DA CARÊNCIA ANTECIPADA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES - VÍCIO NO LANÇAMENTO.
O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas.
Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações.
IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR - IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTOS BASEADOS NOS MESMOS FUNDAMENTOS - AUTOS DE INFRAÇÃODE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS CONEXOS E CORRELATOS N. 37.346.306-5 E 37.346.307-3.
Sendo declarada a improcedência do lançamento, face vício na indicação do fato gerador, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, considerando que os demais Autos de Infração, lançados sobre o mesmo fundamento, também devem ser declarados improcedentes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. II) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, votaram pelas conclusões os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que concordaram com o equivoco na indicação do momento da ocorrência do fato gerador. Fará declaração de voto o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 51; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721267/201233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.891 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SALÁRIO INDIRETO, STOCK OPTIONS Recorrente BM&F BOVESPA S/A BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, seja, pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações, possibilidade de venda antecipada, estabelecimento do custo de R$1,00, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos. Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações.) desde que constatado a natureza salarial da verba. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 67 /2 01 2- 33 Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 O fato gerador no caso de plano de stock options ocorre com o efetivo exercício do direito de adquirir ações, posto que, constatado o ganho do trabalhador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiros. Para efeitos de aferir a natureza salarial do benefício, não há necessidade de que o trabalhador tenha recebido dinheiro, mas qualquer ganho auferido, mesmo na forma de utilidades, pode constituir remuneração e por consequência salário de contribuição para efeitos previdenciários. IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA ANTECIPADA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES VÍCIO NO LANÇAMENTO. O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTOS BASEADOS NOS MESMOS FUNDAMENTOS AUTOS DE INFRAÇÃODE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS CONEXOS E CORRELATOS N. 37.346.3065 E 37.346.3073. Sendo declarada a improcedência do lançamento, face vício na indicação do fato gerador, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, considerando que os demais Autos de Infração, lançados sobre o mesmo fundamento, também devem ser declarados improcedentes. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. II) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, votaram pelas conclusões os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que concordaram com o equivoco na indicação do momento da ocorrência do fato gerador. Fará declaração de voto o conselheiro Igor Araújo Soares. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório O presente Auto de Infração abrange os seguintes lançamentos: · Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.346.3057, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período compreendido entre 12/2007 a 12/2008. · Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.346.3065, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas a terceiros, apuradas sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período compreendido entre 12/2007 a 10/2008. · Auto de Infração, lavrado sob o n. 37.346.3073, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, mais precisamente: Os fatos geradores omitidos da GFIP referemse a valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais sob a forma de Programas de Opções de Ações – STOCK OPTIONS. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 265 e seguintes, o débito teve como origem o levantamento de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidentes sobre remunerações na forma de Opções de Compra de Ações (Stock Options). Destacou o auditor como informações relevantes a respeito do lançamento no termo de verificação fiscal: • o contribuinte incorporou a sociedade Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S/A, CNPJ 08.936.812/000155.À época da incorporação a razão social da sociedade incorporadora era Nova Bolsa S/A. Em 08/05/2008 foi realizada Assembléia Geral Extraordinária AGE na sociedade incorporadora, na qual foram aprovados, por unanimidade:"Protocolo e Justificação de Incorporação" firmados pelos administradores da Companhia e da BM&F em 17/04/2008; Laudo de Avaliação, bem como os valores nele indicados quanto ao acervo líquido da BM&F; e Incorporação da sociedade Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S/A, CNPJ 08.936.812/000155; • foi constatado que tanto a sociedade incorporada quanto a sociedade incorporadora, ora autuada, remuneraram seus administradores e empregados em função dos serviços que lhes prestaram através da outorga de opções de ações Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 4 5 (Stock Options), opções essas que dão direito à aquisição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições contratualmente estabelecidas. Esta situação foi inicialmente detectada através da análise do Estatuto Social da sociedade incorporada, consolidado em 2007, e também no Estatuto Social da sociedade incorporadora, consolidado em 2008; • em função da incorporação ocorrida em 08/05/2008, a sociedade incorporadora assumiu as obrigações decorrentes da outorga de opções de ações efetuadas pela sociedade incorporada, conforme se observa no item 6 ata da AGE de 08/05/2008. A Lei n° 6.404/76 Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 168, § 3º, estabelece que o Estatuto Social pode prever que a companhia outorgue opções de compra de ações a seus administradores ou empregados; • foram analisadas: Demonstrações Financeiras publicadas pela sociedade incorporada referentes ao exercício de 2007, e Plano para Outorga de Opções de Ações; Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n° 16 (dezesseis) Benefícios a Empregados Stock Option; Demonstrações Financeiras publicadas pela sociedade incorporadora referentes ao exercício de 2008 Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n° 02 (dois) Elaboração e Apresentação das Demonstrações Financeiras Lei 11.638/07 e Medida Provisória 449/08; Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n° 19 (dezenove) Benefícios a Empregados Stock Option BM& F S.A. (Plano migrado para BM&FBOVESPA); Plano de Opções de Compra de Ações da sociedade incorporada Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S.A. ("Plano de Opções BM&F S.A."), aprovado na Assembléia Geral Extraordinária da BM&F S.A. de 20/09/2007; • o contribuinte foi regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 01, a apresentar os documentos relacionados aos Planos de Outorga de Opções de Compra de Ações, prestando esclarecimentos; • da análise do comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, temos o que segue, nos termos utilizados pela empresa: "Um dos principais ativos da BM&F está em seus funcionários. Assim, em reconhecimento aos esforços e à dedicação dessas pessoas, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações. Com isso, os funcionários poderão participar diretamente de mais essa etapa da história da BM&F. Para tanto, na primeira quinzena de dezembro os funcionários que na data da desmutualização da BM&F (1°/10/2007) haviam sido contratados há pelo menos seis meses serão chamados para a assinatura do contrato pelo qual receberão as suas opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado. Por ocasião da assinatura do contrato serão esclarecidos também os critérios para a determinação do número de opções que cada um receberá, bem como outras informações relevantes". • o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal n° 02) a apresentar, em relação aos Planos de Outorga de Opções de Compra de Ações, os Contratos firmados individualmente com determinados beneficiários. Em resposta foram apresentados os contratos individuais solicitados; Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 • o contribuinte foi regularmente intimado (Termo de Intimação Fiscal n° 07) a apresentar esclarecimentos acerca do Plano de Opções BM&F S.A., sendo questionado o fato de que, apesar da previsão contratual da data de carência coincidir com a data da concessão das opções (12/2007) no limite de 25% (vinte e cinco por cento) do total outorgado individualmente, em alguns casos a carência ocorreu em 01/2008, em outros em 02/2008 e, ainda, o fato de o limite de 25% (vinte e cinco por cento) não ter sido eventualmente respeitado. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 07 foi apresentada uma planilha retificando alguns dados e prestados esclarecimentos; • após discorrer sobre a distinção entre as Opções de Ações Comuns e as Opções de Ações para Trabalhadores, que é a que se refere o plano mantido pelo sujeito passivo, o Auditor Fiscal faz análise do vínculo entre o trabalhador e a empresa e seus reflexos sobre as opções e ações para trabalhadores, conforme segue: “O vínculo que une o trabalhador à empresa e vice versa pode ser representado da seguinte forma: a empresa precisa dos serviços prestados pelo trabalhador; este precisa da remuneração paga por aquela. Se os serviços prestados não são de interesse da empresa, o trabalhador é demitido ou nem sequer contratado. Se a remuneração não for suficiente ao trabalhador, ele se demite ou nem sequer aceita ser contratado. Se a única coisa que os une é a prestação de serviço, todo ou qualquer fluxo de caixa entre os dois se deve a esta relação de trabalho. Existe a alegação de que um outro fluxo de caixa pode acontecer entre os dois: o caixa de uma transação comercial. Se um funcionário compra uma televisão na empresa em que trabalha, por exemplo, uma loja de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, esta transação é uma operação comercial faz parte dos objetivos desta loja vender televisão. Mas se esta empresa não as vendesse, mas comprasse televisões para vender com subsídios a seus trabalhadores, esta operação não seria meramente comercial. O contribuinte ora autuado não têm como objetivo principal a venda de opções de ações. Muito menos ainda têm como objetivo a venda de opções que, conforme demonstrado acima, lhes trará perda como é o caso das Opções de Ações para Trabalhadores. Ele pode até negociar Opções de Ações Comuns, mas nestes casos visam a proteger a si e a seus clientes de variações indesejadas de preços. Então, os lançamentos de Opções de Ações para Trabalhadores não são operações comerciais até porque os objetivos da empresa ao lançálas não são, definitivamente, comerciais, isto é, não têm por finalidade a obtenção de lucro. Então, quais são os objetivos do contribuinte ao lançar as opções para trabalhadores? São vários e todos, sem exceção, dependem de que os trabalhadores sejam bem remunerados para que possam ser alcançados. Vejamos: • Motivar trabalhadores a alcançar performance de alto nível; • Reter trabalhadores e permitir a contratação de novos talentos; • Vincular a remuneração de trabalhadores à performance da empresa • Diminuir os conflitos, ao alinhar os interesses dos trabalhadores aos da empresa, principalmente no longo prazo; Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 5 7 • Estabelecer critérios de avaliação sobre as quais os trabalhadores têm controle, como a lucratividade da empresa e dos acionistas. Os planos de opções de ações para trabalhadores criam um sentido mais forte de envolvimento por parte desses trabalhadores, tornamnos mais interessados no valor e no bem estar da empresa e levaos a trabalhar mais, melhorando o fluxo de informações e contribuindo para desenvolver um espírito empresarial. Provavelmente mais importante do que o seu papel como incentivo geral para os trabalhadores é o papel que os planos de opções de ações têm para atrair e reter pessoal chave. Os planos de opções de ações para trabalhadores têm o efeito de reter o pessoal na empresa, uma vez que, habitualmente, a aquisição de direitos apenas se verifica após vários anos e esses direitos são freqüentemente anulados se um trabalhador deixar a companhia contra a vontade dela. Mesmo que as opções de ações não se anulem com a saída da empresa, mas apenas tenham que ser exercidas pouco depois do momento da saída, elas podem ter um efeito "algemas de ouro", se houver uma concessão repetida (por exemplo, anualmente) de opções. Os planos de opções de ações não são concedidos apenas para reter certos profissionais difíceis de substituir. São também usados para proteger o investimento em capital humano. Além disso, serão oferecidos a trabalhadores potenciais que a companhia pretende atrair, especialmente pessoal altamente qualificado. Atualmente, os profissionais muito procurados ou os gestores de topo esperam frequentemente receber planos de opções de ações para trabalhadores como parte do seu salário variável e as empresas que não os oferecem estão em desvantagem ao concorrerem para conseguir esse tipo de pessoal. Os planos de opções de ações para trabalhadores são a eles oferecidos como recompensa pelo seu trabalho, sendo, assim, um componente integrante da remuneração. E assim o é, pois, conforme demonstrado anteriormente, trata se de uma operação sem riscos para o trabalhador, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz, uma vez que não há nem custos diretos (prêmio), pois o empregado não terá que pagar por esses planos. Partes da remuneração têm objetivos de curto prazo, como é o caso de salários e pró labore, mas há muito tempo as empresas perceberam o enorme valor e a necessidade de remunerações de médio e longo prazos. Remunerações tais como as Opções de Ações para Trabalhadores visam desenvolver lealdade de longo prazo para com a empresa. Se o único vínculo entre a empresa e seus trabalhadores é a prestação de serviços remunerados e se, inegavelmente, não há objetivos comerciais, mas, buscase alinhar os interesses dos trabalhadores aos da empresa, resta saber se as Opções de Ações para Trabalhadores são para o trabalho ou pelo trabalho. Não nos estenderemos neste ponto por tão óbvio: os trabalhadores não precisam das Opções de Ações para realizar seu trabalho. Elas são outorgadas a eles claramente pelo trabalho realizado.” • o Auditor Fiscal faz análise do Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, afirmando que a outorga de opções de compra de ações para seus administradores e empregados tem caráter salarial, sendo uma Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 espécie de remuneração a curto, médio e longo prazos, devendo integrar o salário de contribuição (base de cálculo) para fins de incidência das contribuições previdenciárias, concluindo que as opções de ações concedidas devem integrar o salário de contribuição, pois: nas Demonstrações Contábeis da sociedade incorporada, em sua Nota Explicativa n° 16 (dezesseis) Benefícios a Empregados Stock Option, é afirmado que o Plano de Opções de Compra de Ações tem o objetivo de permitir que administradores, empregados e prestadores de serviço da companhia ou de outras sociedades sob seu controle, segundo determinadas condições, adquiram ações da companhia, com vistas em: (a) estimular a expansão, o êxito e a consecução de seus objetivos sociais; (b) alinhar os interesses dos acionistas aos de administradores, empregados e prestadores de serviços da companhia ou de outras sociedades sob seu controle; e (c) possibilitar à companhia ou outras sociedades sob seu controle atrair e manter a ela vinculados administradores e empregados. Afirma ainda que as opções de compra de ações outorgadas nos termos do plano poderão conferir direitos de aquisição sobre um número de ações, a título de reconhecimento e retenção dos atuais administradores e funcionários da companhia; nas Demonstrações Contábeis da sociedade incorporadora, em sua Nota Explicativa n° 19 (dezenove) Benefícios a Empregados Stock Option BM&F S.A.(Plano migrado para BM&FBOVESPA), reproduzida anteriormente, é afirmado, a respeito do plano da sociedade incorporada, que ele foi concebido com o objetivo preponderante de conferir aos administradores e empregados da antiga BM&F (i) a retribuição por serviços prestados por seus beneficiários ao longo do período anterior ao processo de desmutualização e, também, (ii) a retenção dos profissionais ao longo dos quatro anos após a aprovação do Plano e ao IPO; no comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, reproduzido anteriormente, é afirmado que em reconhecimento aos esforços e à dedicação dos funcionários, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações, através do qual receberão opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado; • conforme consta do Plano de Opções de Compra de Ações da sociedade incorporada Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S.A. ("Plano de Opções BM&F SA"), aprovado na Assembléia Geral Extraordinária da BM&F S.A. De 20/09/2007, este i) tem por objetivo permitir que administradores, empregados e prestadores de serviços adquiram ações da Companhia, com vistas a estimular a expansão, o êxito e a consecução dos objetivos sociais da Companhia, alinhar os interesses dos acionistas da Companhia aos de administradores, empregados e prestadores de serviço e possibilitar à Companhia atrair e manter a ela vinculados administradores e empregados; ii) será administrado pelo Conselho de Administração, que terá amplos poderes para tomar todas as medidas necessárias e adequadas para a sua administração, incluindo o estabelecimento de metas relacionadas ao desempenho dos administradores e empregados, a eleição dos Beneficiários do Plano e a autorização para outorgar opções de compra de ações em seu favor; iii) prevê que no momento da concessão das opções de compra de ações 25% (vinte e cinco por cento) do total das opções outorgadas podem ser imediatamente exercidas, ou seja, não carência para o seu exercício; Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 6 9 • portanto, o próprio sujeito passivo, em diversos documentos, societários e informativos, reconhece o caráter remuneratório que norteia a outorga de opção de ações aos seus administradores e empregados, cuja finalidade principal é a retenção de determinados profissionais e a contratação de outros, quantificando as opções outorgadas diretamente a metas relacionadas ao desempenho dos beneficiários; • o Pronunciamento n° 10 do CPC, de observância obrigatória para o contribuinte, em diversos momentos caracteriza a outorga de opções de compra de ações como sendo uma parcela da remuneração, um acordo para pagamento de bônus, sendo mensurada em função dos serviços prestados pelos beneficiários; • a outorga de opções de compra de ações deve integrar o salário de contribuição por ser algo concedido aos empregados e aos administradores, primeiramente pelo fato de trabalharem para o contribuinte, e então em função dos serviços que prestaram e como contraprestação a eles, e, ainda, sem custo; • as opções foram outorgadas ao preço de exercício fixo de R$ 1,00 (um real), exercício esse que coincidiu, por vezes em parte (25%) e por vezes totalmente, com a data da própria outorga, ou seja, 18/12/2007. Nessa data, segundo informações prestadas pelo contribuinte, o preço de mercado da ação foi de R$ 23,06 (vinte e três reais e seis centavos). Excluise, assim, qualquer natureza mercantil dessa operação, visto que possui características peculiares e também vantagens delas decorrentes oferecidas aos empregados e aos administradores, situações essas não disponibilizadas ao investidor comum. Portanto, a outorga de opções de compra de ações aos empregados e administradores do contribuinte possui, integralmente, natureza salarial, remuneratória; • a outorga das opções de compra de ações para trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga apenas há uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e a uma situação laborativa (manutenção da prestação de serviço do trabalhador). Ou seja, como regra geral, só poderão ser exercidas as opções cujos detentores, ao final do prazo de carência, ainda estejam prestando serviços à companhia. Como resultado do exercício da opção de compra, o trabalhador adquire ações da companhia, que são bens economicamente apreciáveis e que se integram ao seu patrimônio. Tratase, portanto, de um contrato pendente de condição suspensiva, que é aquele que somente se aperfeiçoa com o implemento dessas condições; • em se tratando de situação jurídica, considerase ocorrido o fato gerador desde o momento que ela esteja definitivamente constituída. E, em se tratando de situação jurídica pendente de condição suspensiva (como é o caso das outorgas de opções de ações para trabalhadores), o negócio jurídico reputase perfeito e acabado desde o momento do implemento da condição; • assim, as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções que detinha. À luz do Código Civil (art. 125), o direito do trabalhador está constituído nesta data (vencimento da carência) e, de acordo com o CTN (art.117, inciso I), aí ocorreu o fato gerador sobre esse direito; Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 • portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. No caso, o vencimento do prazo de carência ocorreu em três situações distintas, todas previstas no Plano de Outorga de Opções mantido pelo contribuinte: (i) nos momentos das outorgas das opções (competência 12/2007); (ii) (ii) no momento da concessão adicional de opções de compra de ações realizada nos termos do item 5.2 do Plano de Opção de Compra de Ações da BM&F S.A. (competência 02/2008); e (iii) (iii) nos momentos em que houve antecipação dos vencimentos dos prazos de carência (competências 08/2008, 09/2008, 10/2008 e 12/2008); • no momento em que se esgota o prazo de carência, o trabalhador tem constituído o direito de exercer as opções de ações, recebendo em troca uma ação da companhia para cada opção que possui. Nesse momento, portanto, têmse os seguintes parâmetros para aferir a base de cálculo: preço de exercício da opção no dia do vencimento do prazo de carência e o valor de mercado (Bolsa de Valores) da ação no dia do vencimento do prazo de carência. O contribuinte apresentou à fiscalização uma planilha relacionando esses valores; • assim, a base de cálculo das contribuições previdenciárias é calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de vencimento do prazo de carência. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções, isso ficou a seu critério. À luz do Código Civil (art. 125), o direito do trabalhador está constituído nesta data (vencimento da carência) e, de acordo com o CTN (art. 117, inciso I), aí ocorreu o fato gerador sobre esse direito; • conforme explicitado nas Notas Explicativas apresentadas pelo contribuinte, a data de carência em dezembro de 2007 coincide com a data da outorga das opções, ou seja, dia 18/12. Nas demais competências apuradas são utilizadas as datas apresentadas pelo contribuinte; • com relação ao valor de mercado da ação, é utilizado na apuração da base de cálculo o seu valor médio referente ao dia em que o prazo de carência foi cumprido. Exemplificativamente, podemos ter a seguinte situação: cumprido o prazo de carência, o trabalhador pode exercer 1.000 (mil) opções de compra que detém por R$ 10,00 (dez reais) cada uma, recebendo em troca 1.000 (mil) ações ao valor de mercado de R$ 25,00 (vinte e cinco reais) cada. Nesse exemplo a base de cálculo seria: 1000 x (25,00 10,00) = R$ 15.000,00; • no caso, a partir das informações prestadas pelo contribuinte, e levandose em conta a metodologia de cálculo apresentada, temse os seguintes valores referentes à base de cálculo das contribuições previdenciárias, apurados em cada data de vencimento dos prazos de carência: Data Base de Cálculo (em R$) 12/2007 157.033.161,42 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 7 11 02/2008 10.807.244,49 08/2008 26.219.940,00 09/2008 10.389.639,00 10/2008 882.165,00 12/2008 2.061.450,00 EM RELAÇÃO AO AIOA –AI 68 • a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP com os dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212/91 e no artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. No caso, a empresa deixou de declarar os valores resultantes das outorgas de opções de compra de ações para seus empregados e administradores. As caracterizações dos fatos geradores apurados como verbas sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias torna obrigatória a declaração em GFIP. Pelo descumprimento da obrigação acessória prevista em lei, foi lavrado o Auto de Infração Debcad n°37.346.3073, parte integrante do presente Processo Administrativo Fiscal; • a multa por descumprimento da obrigação acessória é aplicada no Auto de Infração Debcad n° 37.346.3073 em todas as competências do lançamento tributário por se mostrar mais benéfica ao contribuinte. Em anexo encontramse planilhas demonstrativas do cálculo efetuado para a aplicação da multa, denominadas "Cálculo da Multa Acessória Valor Devido não Declarado", "Cálculo da Multa Acessória Multa Aplicada" e "Cálculo da Multa Acessória Comparativo de Multas". Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 25/10/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 07/11/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 340 a 406. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 657 e seguintes, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2008 PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS).SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à outorga de ações aos beneficiários eleitos pela empresa para participar do Plano de Opção de Compra de Ações integra o salário de contribuição, eis que pagos em função do contrato de trabalho em retribuição aos serviços prestados e nas condições estipuladas pelo empregador. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FUNÇÃO. O Relatório de Vínculos tem por finalidade apenas listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais ou não do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, desde que comprovadas as hipóteses do art. 135, inc. III do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/10/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. OBRIGAÇÃO DE INFORMAR TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 715 e seguintes, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Preliminarmente, indevida a desconsideração indireta do plano de opções de ações da recorrente. 2. NO MÉRITO• 3. a implantação de Planos de Opção de Compra de Ações está regulamentada pela Lei das Sociedades Anônimas (art. 168 da Lei n° 6.404/76), e a recorrente, com base na Assembléia Geral Extraordinária da BM&F S.A., sua sucedida, realizada em 20/09/07, estabeleceu as condições gerais da outorga de opções de compra de ações de sua emissão, cujas características deveriam ter sido consideradas pela fiscalização para apuração da natureza jurídica do direito concedido por intermédio do Plano de Opção de Compra de Ações da recorrente, que: 3.1. implica a outorga do direito de adquirir, em quantidade e preço predeterminados, ações de emissão da recorrente; 3.2. gera, para a recorrente, a obrigação de entregar ao beneficiário, quando do exercício da opção de compra, no futuro, mediante pagamento, ações de sua emissão, desde que o beneficiário (i) possua/possuísse relação de trabalho com a empresa numa determinada data (período de carência), (ii) manifeste seu interesse pela aquisição das ações, e (iii) pague o preço fixado para a aquisição das ações; Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 8 13 3.3. gera, para o beneficiário, o direito de exercer, se atendidas todas as condições antes mencionadas, e se assim desejar, as opções outorgadas pela recorrente, por um valor previamente fixado, recebendo em razão desse exercício as ações correspondentes; 3.4. a mera outorga de opções pela recorrente aos beneficiários, nos termos do Plano, não resulta em geração de ganho financeiro, tendo em vista que pela outorga o beneficiário recebe o direito de exercício futuro, a seu critério, da opção; 3.5. a recorrente não efetua qualquer espécie de pagamento aos beneficiários do Plano. Os valores que tenham sido eventualmente recebidos pelos beneficiários em razão da alienação das ações resultantes do exercício das opções de compra advêm de fonte totalmente diversa e desvinculada da recorrente, eis que foram/são/serão alienadas para terceiros no mercado de ações; 3.6. os administradores da recorrente são proibidos de alienar as ações adquiridas pelo prazo de 6 (seis) meses; 4. há, de fato, a outorga de um direito condicionado ao transcurso de um determinado prazo (o chamando vesting) e de manutenção de um determinado status (relação de trabalho), sem o que a opção não se perfaz. Neste contexto, a condição imposta para a eficácia da opção somada à restrição de negociação revelam que, antes do implemento da condição temporal imposta (vesting), o que há é uma mera expectativa de direito que pode ser tanto materializado, como frustrado (a depender do cumprimento da condição). Esta restrição de negociação retira qualquer possibilidade de apreciação econômica da opção outorgada. O prêmio, neste contexto, seria igual a zero (valor de uma mera expectativa de direito); 5. uma vez implementada a condição, o direito passaria a ser apreciável economicamente, mas, ainda assim, não nas mesmas condições das opções comuns, justamente pelo fato de ser mantida a restrição de negociação da opção. Mesmo nessa hipótese, esta eventual apreciação econômica não reflete um ganho realizado antes do exercício da opção e respectiva alienação do ativo subjacente, não havendo que se cogitar da incidência de contribuições previdenciárias; 6. Ao contrário do que entendeu o auditor e julgador o plano de ações não prevê a outorga das ações, mas tão somente a outorga das opções de compras de ações, opções que precisam ser aceitas e exercidas, para que pagando o valor previsto, adquira as ações. Ou seja, no primeiro caso até poderseia falar que se trataria de retribuição pelo serviço prestado, o que não é o caso da recorrente. 7. citando os artigos art. 195, I, a, e o § 11, do art. 201, ambos da Constituição Federal, e o art. 22, I da Lei nº 8.212/91, argumenta que a análise desta legislação apresenta uma premissa básica para a solução da lide, qual seja: qualquer verba somente ensejará o recolhimento de contribuições previdenciárias se, e somente se, (i) for paga, devida ou creditada com a finalidade de retribuir os serviços prestados (retributividade) ou (ii) se tratar de utilidade concedida com habitualidade; 8. a retributividade deve refletir uma contraprestação proporcional ao trabalho executado e a função desempenhada pelo empregado. No que diz respeito à habitualidade, a norma faz alusão à motivação e periodicidade com que determinada utilidade é concedida. Só há habitualidade se uma determinada utilidade decorrer de um mesmo fato do cotidiano do Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 beneficiário ou que acabe, por outros motivos, por constituir uma expectativa positiva de recebimento; 9. reitera algumas das disposições contidas no Plano de Opção de Compra de Ações (1.1 Objetivos), que denotam a total desvinculação com a prestação de serviços e a remuneração dos beneficiários; 10. a Fiscalização presumiu, sem fundamento, que todo e qualquer benefício concedido a um trabalhador trataria de remuneração, o que não é verdade. 11. Efetivamente, os valores eventualmente recebidos pelos beneficiários do Plano de Opção de Compra de Ações (cujo pagamento não foi realizado pelo recorrente) não possuem qualquer relação com os serviços prestados pelos beneficiários, com a remuneração eventualmente devida ou qualquer outro elemento inerente à relação de trabalho eventualmente existente. 12. Exemplo disso são os casos em que ocorreu a antecipação do vestíng por ocasião do desligamento dos beneficiários, nos períodos de agosto, setembro e outubro de 2008 (detalhados na planilha "outorga de opções" que instrui o Termo de Verificação Fiscal); 13. se o raciocínio da Fiscalização estivesse correto, os beneficiários deveriam ter trabalhado de forma mais intensa quando de sua demissão nos referidos período de 2008, uma vez que ali receberam a totalidade de suas opções de ações! Nada mais incorreto, pois o recebimento dessa totalidade de ações quando da demissão decorre da verificação de uma condição contratual, que não guarda nenhuma relação com o trabalho do beneficiário, nem se relaciona com a remuneração por este percebida. O cumprimento de uma obrigação contratual, de natureza mercantil, não guarda qualquer tipo de correlação com a relação de trabalho entre recorrente e beneficiário! O Plano também não trata da atribuição de uma utilidade concedida em retribuição pelos serviços prestados; 14. portanto, ausente a retributividade e a habitualidade, não há que se falar na configuração de uma das hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias. 15. apresenta exemplo de como os tribunais superiores têm interpretado o conceito de "rendimentos do trabalho", afirmando que eventuais ou potenciais ganhos que os beneficiários recebam em decorrência do Plano de Outorga de Opções não são passíveis de tributação pelas contribuições previdenciárias, exceto se sobrevier norma legal específica dispondo em sentido contrário (norma que até então não existe). 16. Tratase de contrato entre o recorrente e os beneficiários, que possuem 3 características marcantes: a voluntariedade (aceitação pelo beneficiário das opções, e decisão exclusivamente sua sobre exercer o não as opções), onerosidade (para exercer as opções o beneficiário deve dispor de recurso próprios, bem por isso é que é um contrato marcado pela voluntariedade, e risco do investimento por ele realizado. 17. quanto à ocorrência do fato gerador, o entendimento da Fiscalização é contraditório e incompatível com a legislação. Conforme se verifica do disposto no artigo 52, da IN RFB n° 971/09, o momento da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é verificado quando (i) da existência da prestação de serviços (empregado ou contribuinte individual), e (ii) da existência de remuneração paga, devida ou creditada (empregado) ou remuneração paga ou creditada (contribuinte individual) em relação aos serviços prestados, levandose em consideração o que ocorrer primeiro; Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 9 15 18. no presente caso, apesar do Plano estabelecer como condição de elegibilidade a existência da relação de prestação de serviço, entre a empresa concedente (ora recorrente) e os beneficiários o que decorre de autorização contida no artigo 168, da Lei n° 6.404/76 a definição das pessoas beneficiadas e a quantidade de opções que lhes foi atribuída não decorreu ou estava atrelada à prestação dos serviços, tampouco à sua remuneração; 19. os critérios utilizados para definição do valor de exercício da opção de compra das ações não estão atrelados à prestação de serviços ou à remuneração dos beneficiários. Logo, os elementos necessários à configuração do fato gerador não estão concretizados no presente caso; 20. não obstante a Fiscalização tenha considerado que o fato gerador das contribuições previdenciárias teria ocorrido no momento em que se encerrou o transcurso do prazo para a obtenção do direito de adquirir as ações da recorrente, se contradisse ao apontar que "como resultado do exercício da opção de compra, o trabalhador adquire ações da companhia, que são bens economicamente apreciáveis e que se integram ao seu patrimônio", acabando por reforçar o fato de que não há geração de ganho ao beneficiário antes do exercício; 21. notese que o transcurso do prazo para que o beneficiário possa exercer as opções não implica a automática e incontroversa aquisição das ações. A aquisição das ações depende de expressa manifestação de vontade do beneficiário e do dispêndio dos valores previstos no Plano. Em outras palavras, a data em que o beneficiário passa a ter o direito de adquirir as ações da recorrente pode não coincidir com a data do exercício deste direito. A possibilidade de exercício de um direito não pode ser considerada como a data da efetiva fruição dos benefícios que decorreriam de seu exercício. Exemplo do que se alega está configurado nos casos em que os beneficiários do Plano exerceram o direito de adquirir ações em momento distinto da sua outorga. Logo, o entendimento da Fiscalização não reflete a realidade e, portanto, não pode prosperar; 22. Ademais, no caso específico das opções outorgadas pela recorrente, mesmo com o implemento da condição temporal, o direito (agora não mais expectativa não se torna apreciável economicamente, seja porque sua materialização depende do ato de vontade, a cargo do beneficiário, que é o exercício da opção, ou porque, mesmo que cumprido o vesting, há que se considera também a restrição de negociação, que impede a apreciação econômica da opção pelo fato de que o beneficiário não pode alienála nos mercados organizados, como faria com uma opção comum. 23. Ao contrário do que defende a DRJ, se houver alguma apreciação econômica no exercício de uma opção, ela só ocorrerá após o exercício da própria opção, em caso de eventual alienação posterior do ativo (a ação), mas nunca antes do exercício. 24. não fosse por isso, podese concluir que o entendimento da Fiscalização conduz para a consideração de que teria ocorrido o fato gerador previdenciário na data da aquisição da mera possibilidade de exercício da opção com consequente aquisição das ações da recorrente (que surge com o transcurso do período de carência). 25. Ocorre que, analisandose as hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias, o expediente adotado pela Fiscalização não está ali enquadrado, nem mesmo por analogia; Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 26. o transcurso do prazo para que o beneficiário obtenha o direito de exercer uma opção para adquirir ações da recorrente não gera, por si só, uma vantagem financeira ao beneficiário do Plano. Ademais, as opções vinculadas ao Plano em questão não possuem valor de mercado porque são inegociáveis, por força de previsão expressa contida no Plano. E, ainda, o direito de adquirir ações da recorrente pode não se concretizar, uma vez que, conforme já exposto, é de total controle do beneficiário o exercício da opção, a qual pode não ser exercida. Cita exemplo em que o beneficiário perdeu o direito de exercer suas opções de compra em decorrência de seu desligamento da empresa; 27. mesmo supondo que a atribuição do direito de aquisição das ações implicaria o automático e infalível exercício deste direito (o que se admite apenas a título de argumentação), destaca que o único fluxo financeiro envolvido nesse negócio jurídico seria o pagamento, do beneficiário à recorrente, do preço de exercício da opção para aquisição das ações. Logo, a tentativa de configurar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias com base na mera aquisição do direito do beneficiário adquirir ações da recorrente, representa rematado absurdo; 28. o exposto conduz para a conclusão de que o lançamento fiscal está maculado pela inocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, não podendo prosperar; 29. ao eleger como base de cálculo a diferença entre o valor médio da ação no mercado e o valor do preço de exercício da opção, a Fiscalização incorreu em diversas irregularidades. A primeira delas foi a de que a Fiscalização indevidamente presumiu a ocorrência de um gasto (pagamento pelo exercício das opções) e de um ganho (alienação das ações adquiridas) por parte do beneficiário. O exercício da opção de compra de ações depende da manifestação de vontade do beneficiário, a qual pode nunca ocorrer ou, então, ocorrer em momentos distintos (inclusive após a aquisição do direito de exercer as opções). Ora, não existindo remuneração paga, devida ou creditada, também não há base de cálculo passível de apuração! 30. em segundo lugar, a Fiscalização desconsiderou o fato de que os valores por ele considerados como base de cálculo nunca foram pagos pela recorrente aos Beneficiários do Plano. Na realidade, a eventual diferença entre o valor pago pelo exercício de opção e o valor da ação alienada trata de fluxo financeiro entre o beneficiário do plano e um terceiro (adquirente da ação a mercado), sem qualquer ingerência ou controle por parte da recorrente); 31. esse racional, aliás, possui amparo na legislação, que elegeu como ocorrido o fato imponível, para a tributação do ganho envolvido numa operação de exercício de opção de compra de ações, a alienação das ações adquiridas em decorrência do exercício. Vide o artigo 49 da Instrução Normativa RFB n° 1.022/2010; 32. desta forma, mesmo na sistemática de ganhos líquidos a incidência do imposto de renda pressupõe, não apenas o exercício, mas também a alienação do ativo subjacente à opção. Nos termos do § 1º acima mencionado, não ocorrendo a venda do ativo subjacente no mercado à vista na data do exercício, este ativo terá como custo de aquisição o preço de exercício da opção (strike), que será utilizado para o cálculo de eventual ganho ou de uma perda (a depender da oscilação de preço) na data da eventual alienação; 33. em terceiro lugar, a metodologia adotada pela Fiscalização desconsiderou que a ação da recorrente sofreu grandes variações de cotação nos últimos anos, tratandose, assim, de um ativo extremamente volátil. Inclusive, que nos dias de verificação da carência e Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 10 17 possibilidade de exercício das opções pelos trabalhadores a ação da recorrente sofreu forte variação, conforme planilha transcrita; 34. nesse sentido, impossível aceitar a presunção estabelecida pela Fiscalização no sentido de determinar a base de cálculo com base na diferença entre o preço de exercício e o preço médio das ações na data do vesting, assumindo que todos os trabalhadores que exerceram o direito que lhes foi conferido com a verificação da carência auferiram o mesmo benefício econômico. Ao escolher a diferença entre o preço de exercício e o preço médio das ações, a Fiscalização acabou elegendo uma base de cálculo típica de tributo incidente sobre alienação de bens e direitos (ganho de capital/ganho líquido), que em nada se relaciona ou serve à mensuração de remuneração por um trabalho prestado, como supôs a Fiscalização ter ocorrido com a entrega de opções pelo recorrente aos trabalhadores; 35. nesse sentido, não há como se considerar correta a exigência. Transcreve doutrina e decisões das Delegacias de Julgamento da Receita Federal por intermédio das quais resta claro que o ganho de capital (representado pela diferença entre o valor de aquisição e de alienação de determinado bem), em relação à pessoa física, está sujeito tão somente à incidência do imposto sobre a renda; 36. a fiscalização acabou por definir a base de cálculo do tributo mediante procedimento de arbitramento, já que o fez de forma justificada e fundamentada, razão pela qual se verifica que o lançamento fiscal carece de liquidez; 37. a fiscalização também incorreu em erros na apuração do tributo supostamente devido. Na planilha denominada "outorga de opções de compra de ações" se verifica que a Fiscalização segregou os valores autuados considerando (i) a qualificação do beneficiário ("diretores" ou "empregados") e (ii) a data da carência; 38. contudo, ao analisar o "Discriminativo do Débito", se verifica que a Fiscalização indevidamente enquadrou os prestadores de serviço beneficiados pelo Plano como empregados da recorrente, o que gerou a cobrança a maior do tributo (21% ao invés de 20%). 39. Ressaltese, nesse aspecto, que à Fiscalização foram disponibilizadas todas as informações necessárias a averiguação de que os prestadores de serviços não integram o quadro de empregados da recorrente, especialmente: folhas de pagamento e GFIPs; 40. na mesma linha de irregularidade, a Fiscalização desconsiderou o fato de que os diretores da recorrente são contratados sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), indevidamente considerados contribuintes individuais, não obstante lhe tenham sido prestadas todas as informações necessárias para que não tivesse incorrido em tal erro; 41. diante da irregularidade na materialização do lançamento fiscal, em total afronta ao disposto no artigo 142, do Código Tributário Nacional, se conclui que o lançamento fiscal carece de validade e, portanto, não pode prosperar; 42. há, ainda, que se observar a situação dos Administradores da recorrente que foram contemplados com o Plano. A recorrente assinou em 07/11/07 um contrato pelo qual ingressou em um segmento especial para negociação de ações, denominado Novo Mercado (documento anexo), criado à época pela Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Uma das obrigações relacionadas à assinatura desse contrato e ingresso no Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 Novo Mercado diz respeito à observância das condições estabelecidas no Regulamento de Listagem, conforme contrato anexo. De acordo com o Regulamento de Listagem do Novo Mercado, entendese por Administradores os Diretores e Membros do Conselho de Administração; 43. o referido Regulamento de Listagem do Novo Mercado, no que se refere à possibilidade de negociação de ações por parte dos Administradores da companhia, determina uma vedação. De acordo com os referidos documentos, resta claro que à época da outorga das Opções pela recorrente, bem como da verificação da carência, os Administradores da recorrente, contemplados pelas Opções e que as exerceram, estavam impedidos de realizar a alienação dessas ações pelo período de 6 meses (lock up); 44. ainda que se pudesse aceitar que essa diferença apurada pela Fiscalização entre o preço de exercício e o preço médio das ações no mercado, no dia da carência, serviria à mensuração do direito atribuído aos Outorgados, isso não pode ser aplicado aos Administradores, já que na referida data eles sequer podiam submeter suas ações ao mercado e auferir esse suposto benefício. Mesmo adotando o raciocínio da Fiscalização, para os Administradores deverseia buscar essa diferença entre preço de exercício e valor de mercado na data em que tais Administradores pudessem alienar suas ações, ou seja, com o encerramento do lock up; 45. no que tange às opções concedidas aos Administradores da recorrente, sujeitos a lock up, a base de cálculo adotada totalizou R$ 91.017.001,04. Isso porque, a Fiscalização calculou a diferença entre o preço de exercício das opções e o valor de mercado delas em 18 de dezembro de 2007 (R$23,60), na data da carência. No entanto, se considerada a data que os referidos Administradores efetivamente poderiam dispor das ações adquiridas com o exercício das opções, que se deu somente em maio de 2008 (fim do lock up), usando a metodologia de cálculo da Fiscalização, chegaríamos a uma suposta base de cálculo no valor de R$72.202.970,00, já que naquela data o valor médio das ações era de R$18,50, como se confere da planilha explicativa. Supondose que as Ações não tenham sido alienadas pelos Administradores após o lock up, teriam experimentado oscilações ainda mais severas nos momentos seguintes, tendo as Ações alcançado o piso de R$3,90 em 21/11/2008. Pois bem, se houvessem alienado nesta data, o acréscimo patrimonial experimentado não estaria na casa dos R$ 91 milhões sugeridos pela autuação fiscal, mas o de bem menos expressivos R$ 11 milhões; 46. portanto, ainda que não se aceitem os argumentos levantados quanto a não incidência das contribuições previdenciárias e ao erro na identificação e apuração da base de cálculo, o que se alega apenas a título argumentativo, requerse que essa Turma Julgadora considere os argumentos aqui expostos quanto ao evidente equívoco cometido quanto à base de cálculo eleita pela Fiscalização, determinando, assim, o cancelamento da autuação; 47. são improcedentes os argumentos da Fiscalização: 48. Argumento 1: DISTINÇÃO ENTRE O PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES COMUNS E O PLANO DE AÇÕES DA IMPUGNANTE SUPOSTA PRESENÇA DE BENEFÍCIO DE NATUREZA SALARIAL 48.1. de acordo com a Fiscalização, o fato do trabalhador não pagar pelas opções de compra de ações lhe imputaria natureza salarial. Contudo, esse raciocínio não pode prosperar, porque, em primeiro lugar, o Plano de Opção de Compra de Ações instituído pela recorrente em favor dos seus trabalhadores possui finalidade distinta de uma Opção de Compra de Ações praticada em condições de mercado; Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 11 19 48.2. de fato, o Plano para os trabalhadores da recorrente não exige o pagamento pela concessão das opções porque, em contrapartida, impõe restrições de tempo (para o exercício das opções de compra) e de possibilidade de negociação no mercado (já que não podem ser transferidas, cedidas ou alienadas), bem como exige que haja (ou que tenha havido) relação de trabalho (ou vinculação por contrato de prestação de serviços) entre as partes. São, portanto, institutos que não podem possuir as mesmas características, porque seus objetivos são distintos; 48.3. ademais, a Fiscalização, apesar de reconhecer que é lídima a instituição de um Plano de Opção em favor dos trabalhadores exige que ele possua as mesmas condições de mercado de opções (entendase a fixação de preço para a concessão das opções); 48.4. no entanto, o raciocínio da Fiscalização vai de encontro às suas próprias manifestações, além do que, exigir que tais situações (Plano e opção de mercado) possuam características idênticas significa que tais institutos possuem a mesma finalidade, o que não condiz com a realidade. Logo, o argumento não poderá prosperar; 49. Argumento 2: OPERAÇÃO COMERCIAL E O PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES DA RECORRENTE 49.1. A DRJ deixou de manifestar frente a robustez dos argumentos apresentados. 49.2. com base no entendimento da Fiscalização, o Plano não poderia ser considerado uma operação "comercial", na medida em que não se relacionaria com o objeto social da recorrente. Este entendimento é totalmente desprovido de lógica e legalidade. O fato de determinado negócio jurídico estabelecido entre empresa e trabalhador ocorrer no âmbito do objeto social da empresa, não é capaz de definir a sua natureza jurídica; 49.3. suponhase, no exemplo utilizado pela Fiscalização, que as televisões fossem vendidas pela loja de eletrodomésticos ao trabalhador por valor abaixo do custo inicial de produção, sendo posteriormente revendidas pelo trabalhador à própria empresa pelo valor de mercado (superior ao valor da venda ao trabalhador). Se adotado o entendimento da Fiscalização, se estaria diante de um negócio meramente comercial; 49.4. ademais, o fato de uma operação não ser considerada "comercial", não significa que se está diante de uma operação voltada à atribuição de remuneração ao trabalhador. Como visto no tópico anterior, para que se configure como remuneração deve haver clara e inequívoca demonstração de que se presta a retribuir o trabalho, o que não ocorreu no presente caso; 50. Argumento 3: SUPOSTA AUSÊNCIA DE RISCO FINANCEIRO 50.1. segundo a Fiscalização, o beneficiário do Plano não correria risco financeiro, o que denotaria a ausência de caráter mercantil do negócio jurídico; 50.2. o entendimento da Fiscalização não condiz com a realidade porque, apesar da recorrente não exigir pagamento pela concessão das opções (o que, aliás, nem poderia fazêlo, por conta da ausência de valor negocial, decorrente da impossibilidade de cessão, transferência ou alienação), eventual ganho ou prejuízo só é mensurável por ocasião da alienação das ações adquiridas pelo trabalhador, em decorrência do exercício da opção; Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 50.3. cita exemplos para demonstrar que o beneficiário, uma vez cumprida a condição temporal do Plano, e tendo exercido a Opção que lhe foi outorgada, sujeitase ao risco de mercado da ação, ficando a seu critério (condição volitiva) a alienação do ativo, quando e a que valor melhor lhe provier. Portanto, o controle sobre o ganho, inclusive sobre a inexistência deste, é de total responsabilidade do beneficiário; 50.4. ressalta que não efetua qualquer espécie de pagamento aos beneficiários do Plano; os valores que tenham sido eventualmente recebidos pelos beneficiários os quais não possui meios para apurar advêm de fonte totalmente diversa e desvinculada da recorrente. As ações adquiridas pelos beneficiários, mediante exercício da opção de compra, foram/são/serão alienadas para terceiros, no mercado de ações; 50.5. a relativização do ganho em relação a cada beneficiário decorre de sua própria manifestação, sendo inconcebível que tais valores, decorrentes ativos oriundos de uma relação mercantil, sejam considerados como remuneração; 51. Argumento 4: FLUXO DE CAIXA REPRESENTARIA REMUNERAÇÃO 52. afirma a Fiscalização que todo e qualquer fluxo de caixa existente na relação de trabalho representaria remuneração em favor do trabalhador. Ocorre que apenas os pagamentos destinados a retribuir o trabalho estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias; 53. o fato de existir um fluxo financeiro entre empresa e trabalhador não permite presumir que se está sempre diante do pagamento de remuneração. A afirmação da Fiscalização desconsidera a existência de parcelas que, apesar de constituírem fluxo de caixa entre empresa e trabalhador, possuem natureza indenizatória (tais como: a indenização por dispensa sem justa causa, a indenização pela ausência do gozo das férias e etc.) e jamais poderão sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, bem assim outras que não se inserem no conceito de remuneração para os fins da Lei n° 8.212/1991 (como, por exemplo item recebido por um funcionário em razão de sorteio promovido pela empresa entre seus funcionários); 54. logo, o argumento da Fiscalização carece de fundamentação legal que lhe dê suporte, motivo pelo qual não pode subsistir; 55. Argumento 5: A OUTORGA DE OPÇÕES DECORRERIA DO TRABALHO REALIZADO 55.1. dispôs a Fiscalização que as opções seriam outorgadas aos trabalhadores em virtude do trabalho realizado. A afirmação da Fiscalização não condiz com a realidade porque, apesar das opções serem outorgadas pela recorrente para pessoas que possuem (ou possuíam) relação de trabalho, isto não significa que se trata de benefício decorrente do trabalho realizado. Pelo contrário, a relação de trabalho/serviços é condição para a participação do beneficiário no Plano e posterior celebração de contrato, mas não de que há um trabalho a ser realizado para a sua aquisição; 55.2. o fato de um benefício ser prescindível para a realização do trabalho, não permite afirmar que se trata de algo voltado à retribuição do trabalho. Citese, como exemplo, o seguro de vida concedido aos trabalhadores. Em regra, o seguro de vida não é concedido para que o trabalho seja realizado e, nem por isso, pode ser considerado parcela integrante da remuneração do trabalhador; Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 12 21 55.3. demais, não há no Termo de Verificação Fiscal qualquer indício ou prova que vincule os serviços prestados à outorga das opções. Na realidade, estas são conferidas com base em um Plano aprovado pelos acionistas da companhia, os quais decidem ter seu patrimônio diluído em prol de um benefício à companhia; 56. Argumento 6: RECONHECIMENTO DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DO PLANO CPC n° 10 57. de acordo com o entendimento do Agente Fiscal, a Deliberação n° 562/2008 da Comissão de Valores Mobiliários, por ocasião da aprovação do CPC 10, descreveria a visão geral daquele órgão acerca da natureza das opções de compra de ações, o que confirmaria o entendimento acerca do caráter supostamente remuneratório; 58. todavia, a pretensão do Agente Fiscal carece de fundamento legal porque, em primeiro lugar, as disposições contidas no CPC n° 10 só passaram a ser aplicáveis a partir do ano de 2008, por conta da entrada em vigor da Lei n° 11.638/07, ou seja, em momento posterior ao da ocorrência dos supostos fatos geradores de contribuições previdenciárias em discussão. Além disto, mesmo que pudéssemos considerar aplicável ao caso as disposições do CPC n° 10, fato é que este produz efeitos meramente contábeis, de mensuração do patrimônio da companhia, não produzindo efeitos para fins fiscais. Cita acórdão do CARF; 59. especial interesse para o presente caso é a constatação de que as despesas apropriadas com as opções de compra de ações decorrem da avaliação a valor justo das opções concedidas, no momento da outorga. A avaliação a valor justo, por sua vez, é um preceito contábil incorporado ao IFRS de clara feição prospectiva: o foco é fornecer ao acionista a melhor estimativa possível sobre o valor justo de certos ativos e passivos, sendo que as contrapartidas a esta avaliação são registradas como receitas ou despesas que não estão imbuídas pela nota da definitividade (não há renda realizada, receita ou despesa efetiva, mas sim grandezas econômicas estimadas/ presumidas); 60. por estes motivos é que o CPC 10 mostrase absolutamente incompatível com os preceitos que regem o Direito Tributário. Enquanto no IFRS a preocupação é prospectiva, o Direito Tributário, ao contrário, colhe fatos/situações efetivamente ocorridos/materializadas, não incidindo sobre fatos futuros e incertos; 61. conforme se verifica, as disposições contidas no CPC n° 10 não se prestam a fundamentar a autuação fiscal dos valores relativos ao Plano de Opção de Compra de Ações da recorrente, por total falta de subsídio legal nesse sentido; 62. por outro lado, o fato de o CPC n° 10 determinar o registro da despesa com a outorga de opções de compra, pelo seu valor justo, em contrapartida a um aumento de conta de patrimônio líquido (instrumentos patrimoniais outorgados), não afasta a constatação de que, do ponto de vista societário, quem arca com o ônus das opções outorgadas é o acionista e não a companhia. Dizse que quem arca com o ônus é o acionista, pois a deliberação e aprovação do Plano é de competência da assembleia de acionistas, sendo certo que as ações entregues no Plano decorrem de emissões e ou ações em tesouraria que diluem o patrimônio do acionista e sua participação na companhia (vale destacar que, nos termos da Lei das S.A., os acionistas não possuem direito de preferência nesta diluição); Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 63. justamente por não se tratar de uma despesa efetiva sob o ângulo fiscal ou em termos societários (mas de uma estimativa, com características de uma provisão, daí a indedutibilidade da despesa), não se pode cogitar que neste momento tenha ocorrido o pagamento de qualquer espécie de remuneração que pudesse dar ensejo ao recolhimento de contribuições previdenciárias (e/ou desencadear a obrigação de reter o IR/Fonte); 64. assim, em que pese a inaplicabilidade do CPC n° 10 para o presente caso, os conceitos por ele trazidos possuem limitação para fins contábeis, não gerando efeitos para fins fiscais, razão pela qual as premissas contábeis não podem ser aplicadas para a construção de uma hipótese tributária, ainda mais quando esta não encontra amparo em base legal. Transcreve doutrina e jurisprudência; 65. MULTA GFIP: NECESSIDADE DE REVISÃO DO VALOR DA MULTA 65.1. as multas relativas ao processo administrativo fiscal previdenciário sofreram relevantes alterações por intermédio da Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09. A intenção foi a de unificar a metodologia de cálculo das multas. Para os casos que tratam de multa punitiva decorrente de suposto descumprimento de obrigação tributária acessória, a multa que antes era calculada com base na contribuição previdenciária exigida (limitada a um teto legal) passou a ser de R$ 20,00 (vinte reais) por cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; 65.2. quanto à definição de qual multa deve ser aplicada, em conformidade com o artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional, a nova multa só alcança fatos pretéritos se for mais benéfica ao contribuinte. Nesses termos, se conclui que a nova metodologia (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) é mais benéfica à recorrente; 65.3. o procedimento para definir a multa mais benéfica vai de encontro à lei. Além de tal medida não possuir respaldo legal, já foi rechaçada em voto proferido por Julgador da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo com extrema assertiva; 65.4. portanto, o valor da multa punitiva (GFIP) aplicada no presente caso deve ser revista por esta Turma Julgadora, a fim de se adequar ao disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional; 66. ILEGALIDADE DA MULTA PROGRESSIVA 66.1. apontese que a cobrança da multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91) restou revogada com a edição da Medida Provisória n° 449 de 2008. E, nem se alegue que as alterações veiculadas pela Medida Provisória n° 449/08 não se aplicariam de forma retroativa, com base na suposição de que a multa de mora em questão não possuiria caráter punitivo. Isso porque, nos termos do que prescreve a Súmula n° 565 do Supremo Tribunal Federal, "a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência"; 66.2. conclusivamente, a multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade; 67. JUROS SOBRE MULTA 67.1. os juros considerados no cálculo do pretenso crédito tributário não poderão incidir sobre a multa de mora e a multa punitiva aplicadas, por absoluta ausência de previsão legal. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 13 23 Isso porque, o artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos; 67.2. demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por essa Turma Julgadora; 68. se permitido que os juros incidam sobre a multa de mora aplicada no presente processo, se estará agindo em evidente afronta ao Princípio constitucional da Legalidade. Nesse sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 69. por qualquer ângulo que se analise a questão, se verifica que não poderão ser exigidos juros sobre a multa, sob pena de ilegalidade; 70. MULTA NA SUCESSÃO – inovando alega que ainda que tivesse ocorrido qualquer infração à legislação tributária, o que se admite meramente a título argumentativo, é certo que o recorrente não pode ser responsabilizada pela multa de ofício atribuída, pois os supostos fatos infracionais foram praticados pela empresa sucedida. 71. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS 71.1. refuta a indevida imputação de responsabilidade solidária dos seus diretores, pois, de acordo com a legislação em vigor, as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, hipóteses estas que não ocorreram no caso presente e não podem ser presumidas; 71.2. ressalta que de acordo com o art. 13, parágrafo único da Lei n° 8.620/93 (revogado pela Lei n° 11.941/2009), a responsabilidade solidária dos sócios ou gerentes darseá somente quando provado pelo Fisco a inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados; 72. DIANTE DE TODO O EXPOSTO, REQUER O RECORRENTE: 72.1. (i) seja declarada a nulidade dos Autos de Infração, em razão da impossibilidade de descaracterização dos planos; 72.2. (ii) caso assim não se entenda, sejam anuladas as autuações, diante da incorreta apuração do pretenso crédito tributário; face a ausência de configuração da hipótese de incidência, decorrente da incompatibilidade da legislação que trata da incidência das contribuições em questão com o plano criado pelo recorrente. 72.3. (iii) sejam julgados integralmente improcedentes os lançamentos fiscais, uma vez que os argumentos apresentados pela Fiscalização e DRJ não são suficientes para atribuir aos Planos de Opção de Compra de Ações da recorrente natureza remuneratória; e Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 72.4. (iv) independente do acolhimento dos pedidos acima, que seja vedada a aplicação de juros sobre a multa, bem como determinada a exclusão dos diretores da recorrente no pólo passivo da autuação fiscal e declarada a ilegalidade da multa aplicada. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 14 25 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1373. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO – AIOP E AIOA QUANTO A DESCARACTERIZAÇÃO DOS PLANOS DO TRABALHO DO AUDITOR O primeiro ponto trazido pelo recorrente é que o único meio que poderia autorizar a exigência das contribuições previdenciárias seria a desconsideração do acordo firmado entre a empresa e seus empregados e administradores para outorga de ações. Não pode o lançamento fundarse em mero palpite ou desconfiança. Conforme mencionado pelo recorrente, comumente questionase a competência da autoridade fiscal para desconsiderar pactos entre os empregados e empregadores ou contratantes, seja quanto a possibilidade de desclassificar planos de STOCK OPTIONS, PLR, desconsiderar pessoas jurídicas, formar vínculos de emprego nos casos em que constata os requisitos da condição de empregado, desenquadramento do sistema SIMPLES etc. Ou seja, discutise quais as limitações do trabalho do auditor. Nesse ponto, é plausível a argumentação dos contribuintes, tendo em vista que a interpretação dada pela autoridade fiscal, muitas vezes mostrase diametralmente oposta ao que o recorrente interpreta da legislação, ou mesmo pactua com seus empregados. Contudo, o papel da auditoria, no exercício da atividade vinculada de verificar o cumprimento da legislação previdenciária (da qual não pode escusarse), é não apenas identificar o efetivo recolhimento da contribuições sobre os fatos geradores declarados pelo contribuinte, mas, especialmente, em realizando a auditoria contábil, verificar a existência de outros pagamentos que, mesmo pactuados em sentido diverso, constituam fato gerador de contribuições previdenciárias. É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros, dos mais diversos títulos, como no caso da outorga de opções de ações (STOCK OPTIONS), intimar o contribuinte a apresentar os fundamentos para o referido pagamento. Ao depararse com esses instrumentos (ACORDOS), os fatos encontrados durante o procedimento e considerando as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não fator gerador de contribuições previdenciárias. Não se trata, portanto de descaracterização dos planos ou acordos firmados, ou interferir nas tratativas ali acordadas, MAS TÃO SOMENTE, IDENTIFICAR SE O PLANO ATENDE AS EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO AO PAGAMENTO DESVINCULADO DO CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 Entendo ao contrário do que busca demonstrar o recorrente que não houve por parte da fiscalização a efetiva descaracterização dos planos, mas sim a interpretação acerca do caráter remuneratório da outorga de opção pela compra de ações, buscando demonstrar, por meio de diversos argumentos, os motivos pelos quais identificou na outorga fato gerador de contribuições previdenciárias. CONCLUSÃO: AFASTO A NULIDADE PRETENDIDA PELA AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA DESCARACTERIZAÇÃO DO PLANO. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DA CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Requer ao final do seu recurso a nulidade do feito, por entender que a autoridade fiscal não se desincumbiu de configurar a hipótese de incidência. Contudo, nesse primeiro momento, sem adentrar ao mérito, se os “supostos ganhos” constituem salário de contribuição, afasto a nulidade pretendida pelo recorrente. No caso, ao apreciarmos o relatório fiscal, observase que o auditor descreveu não apenas o que entendeu ser o “ganho” ou “pagamento” feito pela empresa aos empregados e contribuintes individuais, como detalhou como foi, no seu ver a constituição do plano de opção por ações e em que momento passou a constituir salário de contribuição. Assim, acredito que a divergência do recorrente quanto ao mérito da incidência de contribuições sobre o stock options, não implica considerar a nulidade do lançamento pela ausência de configuração do fato gerador ou hipótese de incidência. Descreveu o auditor devidamente em seu relatório: I) o que entendeu ser o “ganho” ou benefício concedido, sendo que o mesmo não se encontra no rol de exclusão do salário de contribuição; II) quando ocorreu o fato gerador de acordo com informações prestadas pelo próprio recorrente; III) qual o dispositivo legal que fundamenta o lançamento em relação aos contribuintes individuais e empregados, bem como os motivos que o levaram a inclusão do stock options no conceito de salário de contribuição. Dessa forma, não há a nulidade a ser acatada em relação ao lançamento. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação ou mesmo configuração do salário de contribuição, entendo que razão não assiste ao recorrente. Superadas as preliminares, passo ao exame das questões de mérito. DO MÉRITO No mérito, foi atacado basicamente o caráter remuneratório do plano de Opção por Ações, a inocorrência do fato gerador, o momento da indicação do fato gerador, a base de cálculo apurada, a aplicação de multa sobre juros e a exclusão dos diretores como corresponsáveis, e em relação ao auto de infração pela não informação em GFIP, a multa aplicada. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS De acordo com o previsto no art. 28, I e III da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado contribuinte individual, entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 15 27 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 16 29 de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Pelo exposto, tanto o conceito de salário de contribuição para o segurados empregados, como para o contribuintes individuais envolvem uma gama de retribuições, sejam em dinheiro ou utilidades e apenas a analise da natureza de cada uma será capaz de identificar se a verba encontrase ou não excluída do conceito de salário de contribuição. Ressaltese, que o art. 28, § 9º da lei 8212/91, acima transcrito não prevê expressamente o Plano de Stock Options, como excluído da base de cálculo, razão pela qual, passamos a analisar mais profundamente essa modalidade de benefício. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 30 DA DEFINIÇÃO DO STOCK OPTIONS Doutrinariamente, Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. Esses trabalhadores podem encontrase na situação de empregados, autônomos, administradores (contribuintes individuais para a previdência social). A opção por ações proporciona ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro ao final desse prazo. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76, verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Para elucidar a definição do Plano de Opção de Compra de Ações, podemos citar o texto da lavra de “CALVO, Adriana Carrera. A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, Brasília DF: 25 ago. 2007”, que assim aborda a matéria: 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 17 31 por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. Segundo o dicionário 'Barrons Dictionary of Legal Terms', o termo stock option significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data a futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Assim, as opções representam o direito de comprar ações a um preço fixo, definido na data em que as opções são concedidas (preço de exercício). Após um determinado período (prazo de carência, também chamado de 'vesting'), Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 32 esse direito de opção de compras pode ou não ser exercido, já que não se trata de obrigação, como mencionado acima e envolve risco para o empregado, Ou seja, em termo conceituais, no entender desta relatora, conceitualmente, stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo, em sua concepção original, caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo) desde que respeitada a natureza do plano. Assim, não parto da premissa, de que qualquer plano de stock options teria natureza salarial, como também não há como se afirmar que ao atribuir a nomenclatura de "stock options", estará a empresa desobriga de incluir tal verba na base de alculo de contribuições previdenciárias. No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. É no mesmo sentido, que entendo que o simples fato de uma empresa ofertar aos seus trabalhadores, um plano de outorga de opção pela compra de ações de forma onerosa, não pode ser fundamentação isolada para a configuração de fato gerador de contribuições previdenciárias, partindo da premissa de que toda a forma de STOCK OPTIONS, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, o contrato de concessão da opção por ações possa ter decorrido da prestação de serviços, tratase, em sua origem conceitual, em regra, de típico contrato mercantil, desde que envolva riscos desde a sua concepção, submetendo o trabalhador, a volatilidade do mercado e a risco que estariam totalmente fora do controle da empresa e do próprio trabalhador. Também expressa a ilustre professora Vólia Bomfim Cassar, sua visão acerca dos Stock Options ((in Direito do Trabalho, 5.ª ed., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2011, p. 888): “Alguns empregadores oferecem aos seus empregados o direito de adquirir ações da companhia por um custo abaixo do mercado (stock option). Uma vez adquiridas voluntariamente pelo trabalhador, será possível a venda quando da valorização de seu valor econômico. Esse exercício de opção de compra de ações da empresa empregadora envolve riscos, pois o empregado poderá ganhar ou perder com a operação. Por isso entendemos que “ganho” eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda das ações de sua empregadora não tem natureza salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviços.” Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 18 33 Entendo que ao contrário dos prêmios, que são concedidos de forma gratuita, bastando o atingimento de metas, ou situação particular da prestação de serviços, no stock options (conceitualmente falando) o trabalhador pode ou não obter benefícios, e caso a opção lhe seja vantajosa, terá que pagar o preço de exercício estipulado, donde o seu caráter oneroso, afastaria a pretensão de reconhecimento da natureza de prêmio do plano de compra de ações. Neste mesmo sentido, temse encaminhados os julgamentos da matéria no âmbito do TST. Citese acórdãos a respeito do tema. SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO. A Turma a quo consignou expressamente que, diante do exame das provas produzidas, o fornecimento do veículo ao empregado se deu para o desempenho de seu labor, muito embora também utilizado para fins particulares. Incidência da Súmula 126 do TST. Ademais, o fato de o Reclamante fazer uso do veículo também para uso pessoal não transmuda a finalidade para o qual foi concedido, qual seja, a execução do contrato de trabalho, consoante a Súmula 367, I, do TST. Recurso de Revista não conhecido. SEGURO DE VIDA. SEGUROSAÚDE. REEMBOLSOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA.O art. 458, § 2º, da CLT estabelece que a assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde, assim como seguros de vida não são considerados salário utilidade. Recurso de Revista não conhecido. GRATIFICAÇÃO ANUAL. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO.O eg. Tribunal Regional consignou expressamente que a verba gratificação anual não era concedida por mera liberalidade do empregador, mas, na verdade, dependia dos resultados obtidos pela empresa ao longo do exercício e do cumprimento de metas individuais pelos empregados. Para se chegar a conclusão diversa, seria necessário o reexame do conjunto fático probatório dos autos, procedimento vedado nessa instância recursal, nos termos da Súmula 126 do TST. Recurso de Revista não conhecido. BONIFICAÇÃO EM AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. Apesar da verba "bonificação em ações" ser concedida anualmente, não pode ser considerada como uma gratificação propriamente dita, já que para o seu "recebimento" o Reclamante deveria investir na compra das ações e estava a mercê das oscilações do mercado financeiro. Recurso de Revista não conhecido. (grifei) DANO MORAL. A controvérsia suscitada pelo Autor encontra óbice na Súmula 126 do TST, uma vez que a análise de suas alegações recursais envolveria o revolvimento do conjunto fáticoprobatório. Recurso de Revista não conhecido. ACÚMULO DE FUNÇÕES.ADICIONAL.Consta do v. acórdão que o Reclamante não comprovou acúmulo de funções. Desse modo, a aferição da alegação recursal ou da veracidade da assertiva do Tribunal Regional depende de nova análise do conjunto fáticoprobatório dos autos, procedimento vedado nesta Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 34 instância recursal, nos termos da Súmula 126 do TST. Recurso de Revista não conhecido. (Processo:RR 106500 98.2000.5.02.0070Data de Julgamento:08/10/2008,Relator Ministro:José Simpliciano Fontes de F. Fernandes, 2ª Turma,Data de Publicação: DEJT24/10/2008.) AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. QUITAÇÃO. SÚMULA 330 TST. Pela leitura do acórdão de fls. 296/299, inferese que em nenhum momento o Órgão Colegiado a quo se manifestou a respeito da tese de contrariedade ao conteúdo do art. 477, §1o da CLT, tanto é que o Agravante sequer transcreveu ou mencionou o trecho pertinente em suas razões do Agravo. Ademais, não opôs embargos declaratórios no momento oportuno objetivando o pronunciamento sobre este tema. Incidência da Súmula n. 297, por falta de prequestionamento. ABONO ANUAL. Partindo do quadro fático probatório delineado pelo Tribunal, cuja reapreciação encontra óbice na Súmula 126 do TST, não há qualquer alteração ilícita do contrato de trabalho (art. 468 da CLT) ou supressão de indenização por rescisão de contrato por prazo indeterminado (art. 468 da CLT). Dispositivos legais invocados não ofendidos. AÇÕES. NÃOINTEGRAÇÃO. REMUNERAÇÃO. A não integração dos "stock options" ou ações na remuneração do empregado decorre da literalidade do disposto no §1o do art. 457 da CLT. Agravo de Instrumento a que se nega provimento. ( AIRR 3874045.2003.5.15.0045 , Relator Ministro: Carlos Alberto Reis de Paula, Data de Julgamento: 24/09/2008, 3ª Turma, Data de Publicação: 17/10/2008. Contudo, a análise realizada acima, teve por escopo aspectos doutrinários do termo “STOCK OPTIONS”, sendo que a conclusão acerca da procedência do lançamento, ou seja, sobre a efetiva natureza salarial do plano de outorga ora apresentado, merece uma análise não apenas conceitual, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontrase em perfeita consonância com a concepção original descrita acima, afastandose a natureza remuneratória, conforme argumentado pelo recorrente. DA APRECIAÇÃO DO PLANO DE COMPRA DE AÇÕES NO ÂMBITO DA BM&F BOVESPA S/A BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS CONFIGURAÇÃO DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DO STOCK OPTIONS Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opção pela Compra de Ações – chamado de stock options, deuse na lei da S.A em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Mas, o objetivo desse lançamento e de toda a discussão acerca do tema, é se o fato de a previsão para outorga de ações ter se dado na lei das S.A, afastaria qualquer possibilidade de considerar o benefício como salário indireto, e por conseguinte, incluílo na base de cálculo de contribuições? Acredito que não! O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 19 35 aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. Vimos, no decorrer dos últimos anos, nascer, disseminar, e morrer diversas formas de pagamentos indiretos, como é o caso das empresas de premiação, que surgiram como ideias legítimas de satisfação dos empregados, ou mesmo de diminuição dos custos das empresas. É certo que o planejamento estratégico, muito presente nos dias atuais tanto na contratação de trabalhadores, como organização das empresas, impulsiona os empresários a buscar formas de vencer no mercado, com a consequente diminuição de custos e aumento da eficiência. Não condeno essa prática, mas, não podemos entender que o simples uso de uma nomenclatura seja capaz de excluir determinado benefício do conceito de remuneração. Ademais, não é a simples nomenclatura atribuida pelo contribuinte que afasta a natureza remuneratória de uma verba, devendo a autoridade fiscal e órgão julgador verificar se na essência o pagamento cumpriu sua premissa básica, aquela na qual original encontravase consubstanciado. Assim, não interessa a nomenclatura atribuída a verba conferilhe carater indenizatório, se o pagamento da mesma consubstanciase em verba com cunho remuneratório. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma, que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. Destaco, porém, que embora, não concorde com a frase dita de forma isolada, no contexto apresentado pelo auditor, entendo que a conclusão mostrase acertada. E aqui, conforme descrito acima, não importa se estamos falando de empregado, ou mesmo prestador de serviços contribuinte individual. O termo “remuneração” deve ser tomado em sua acepção mais ampla, como qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho prestado ou o tempo a disposição do empregador. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL NORMATIZANDO O PAGAMENTO O grande problema acerca da interpretação sobre a natureza tributária dos benefícios concedidos aos trabalhadores à título de compra de ações, repousa na ausência de legislação própria, capaz de normatizar a forma como deve se dar a concessão, e principalmente, os limites para o seu exercício. Vejamos, trecho do relatório fiscal, acerca do objetivo do plano implementado: • o contribuinte foi regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 01, a apresentar os documentos relacionados aos Planos de Outorga de Opções de Compra de Ações, prestando esclarecimentos; • da análise do comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 36 Compra de Ações aos Funcionários, temos o que segue, nos termos utilizados pela empresa: "Um dos principais ativos da BM&F está em seus funcionários. Assim, em reconhecimento aos esforços e à dedicação dessas pessoas, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações. Com isso, os funcionários poderão participar diretamente de mais essa etapa da história da BM&F. Para tanto, na primeira quinzena de dezembro os funcionários que na data da desmutualização da BM&F (1°/10/2007) haviam sido contratados há pelo menos seis meses serão chamados para a assinatura do contrato pelo qual receberão as suas opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado. Por ocasião da assinatura do contrato serão esclarecidos também os critérios para a determinação do número de opções que cada um receberá, bem como outras informações relevantes". Realmente analisando pela ótica trazida pelo auditor, que transcreveu trecho de comunicado da própria empresa acima, fazendo referência a “reconhecimento dos esforços e dedicação”, poderseia atribuir caráter salarial a verba, mas entendo que não é simplesmente a “nomenclatura” utilizada, seja pelo recorrente ou pelo próprio comunicado que deve servir de fundamento para identificar a natureza do pagamento. Conforme já defendi em outras oportunidades, a essência do pagamento, sua natureza é que será determinante na identificação do caráter salarial do benefício, ou fato gerador de contribuições previdenciárias. Se assim não o fosse, bastaria atribuir a um benefício concedido uma das nomenclaturas descritas no art. 28, § 9º da lei 8212/91, para afastar a natureza salarial da verba. O FATOR DETERMINANTE PARA QUE O STOCK OPTIONS SE AFASTE NA NATUREZA MERAMENTE REMUNERATÓRIA – O RISCO Acredito, conforme descrito anteriormente, que o argumento consistente para que a opção de compra de ações se afasta da natureza remuneratória é o fato do risco atribuído ao empregado ou contribuinte individual, quando lhe é feita a opção pela compra de ações. No caso, destacou o auditor em seu relatório: as opções foram outorgadas ao preço de exercício fixo de R$ 1,00 (um real), exercício esse que coincidiu, por vezes em parte (25%) e por vezes totalmente, com a data da própria outorga, ou seja, 18/12/2007. Nessa data, segundo informações prestadas pelo contribuinte, o preço de mercado da ação foi de R$ 23,06 (vinte e três reais e seis centavos).Excluise, assim, qualquer natureza mercantil dessa operação, visto que possui características peculiares e também vantagens delas decorrentes oferecidas aos empregados e aos administradores, situações essas não disponibilizadas ao investidor comum. Portanto, a outorga de opções de compra de ações aos empregados e administradores do contribuinte possui, integralmente, natureza salarial, remuneratória; Ora, não fossem outros argumentos trazidos pelo auditor para demonstrar a natureza remuneratória da verba, entendo que esse fato já seria o suficiente para descrever a natureza salarial da verba e o distanciamento da concepção original de contrato mercantil, qual seja "o risco". Com a atribuição do valor de R$ 1,00 podemos identificar a ausência do risco, o Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 20 37 que demonstra que a opção pela compra sempre beneficiará o trabalhador, passando neste caso, afastado o risco inerente ao negócio a constituir uma simples forma de remunerar indiretamente o empregado, já que dificilmente o preço da ação estaria abaixo desse patamar. Notese, ainda, que não há pagamento no momento da possibilidade de opção, o que corroborado ao preço de exercício, demonstra a intenção de atribuir o ganho ao beneficiário. Ou seja, nem mesmo estabeleceu a empresa um valor ou antecipação no momento da contratação da outorga, demonstrando que o recorrente simplesmente atribuiu a possibilidade de aquisição (digase que não é obrigatório), a um preço baixo. Não estou falando aqui, que o recorrente tenha que ter “bola de cristal”, adivinhando um valor que seja próximo da realidade de mercado, mas não consigo enxergar que o valor atribuído no presente caso, oferta o risco previsto em um plano de ações com natureza meramente mercantil. Ademais, outro ponto identificado pelo auditor que mostrase relevante é o fato que na data da outorga não houve qualquer dispêndio por parte do beneficiário, limitando se ao pagamento pelo exercício das ações quando do vencimento antecipado. Esse fato mostra se relevante, quando em outras oportunidades (outros planos de stock options) identificase um desembolso no momento da outorga, sem nesse momento exercer qualquer tipo de direito, mas tão somente para ter direito de futuramente exercêlas por um preço previamente estipulado. A atribuição de um valor no momento de assinatura do contrato,isso denota um risco, pois se o trabalhador futuramente não tiver interesse em exercer o direito de comprar, não terá direito ao reembolso do valor. Quando tratamos da definição de Stock Options, citamos as palavras de Adriana Carrera. Calvo, in A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, BrasíliaDF: 25 ago. 2007”, onde a mesma bem retrata a questão do valor de exercício da ação para não desconfigurar a natureza mercantil: Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. (grifei) Na lição de Paulo Cezar Aragão, exsuperintendente jurídico da Comissão de Valores Mobiliários, a respeito do tema: (...) a companhia não efetua pagamento algum ao empregado quando lhe outorga opções de compra de ações, mas simplesmente permite que ela subscreva ações a um preço determinado. O possível ganho de capital decorreria de fato alheio à companhia e ao contrato de trabalho, e seria pago pelo terceiro comprador. Concluindo, entendo ser o valor atribuído, não estendido ao mercado, o argumento mais consistente trazido pelo próprio auditor para definição do caráter salarial, ou seja, à medida que a empresa interfere no plano de opções de ações de forma a afastar o risco Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 38 do seu beneficiário fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Ou seja, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Por fim, ao ler os termos do Contrato, outro ponto me chama a atenção, embora não citado expressamente pelo auditor. "4.2 Na forma desta cláusula a própria BM&F poderá emprestar os recursos para o pagamento do exercício, cujo valor deverá ser restituido (...).. Contudo, dita questão serve apenas como fato capaz de solidificar meu entendimento de que o plano em questão não oferece risco ao beneficiários. CONCLUSÃO: os valores atribuídos pela empresa no presente programa afastam o risco do negócio. ESTABELECIMENTO DE METAS PARA EXERCÍCIO DA OUTORGA, Entendo ainda, que existe outro ponto que corrobora o entendimento de que os valores configurariam salários indiretos. Trouxe o auditor em seu relatório, transcrevendo trechos dos próprios contratos individuais com os empregados, fls. 276, do termo de verificação fiscal, que o valor desembolsado pela empresa para conceder a seus empregados e administradores opções de compra de ações é parcela remuneratória decorrente dos serviços que lhe foram prestados, visto que concedido em função do vínculo laboral, como se demonstra através do item abaixo transcrito, extraído do INSTRUMENTO PARTICULAR DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. Vejamos, trecho do referido contrato: 2. CONDIÇÕES DA OUTORGA 2.1. A outorga das Opções referentes às ações integrantes dos Lotes 2, 3 e 4 relacionados no Anexo II deste Instrumento ficará condicionada: (a) ao cumprimento de metas de performance, estabelecidas pelo Diretor Geral, que permitam, periodicamente, avaliar a eficiência e a responsabilidade profissional do Beneficiário, levanto em conta, dentre outros, parâmetros sobre: controle de despesas correntes; contribuição à geração de receitas operacionais e/ou financeiras; contribuição à imagem institucional da BM&F; atitude próativa frente aos desafios profissionais e postura cooperativa com seus pares; (b) à avaliação de desempenho do Beneficiário, quando Gerente, pelos demais gerentes de sua Diretoria e pelo respectivo Diretor e, quando Diretor, pelos demais Diretores da Companhia; e (c) à avaliação de desempenho pelo Diretor Geral. 2.2. Caberá ao Diretor Geral estabelecer as metas de produtividade e de redução de custos referidas na cláusula 2.1. acima, bem como os critérios de aferição de desempenho do Beneficiário, a ser feita pela Diretoria da Companhia. Tal constatação encontrase às fls. 235 dos autos, onde encontramse descrito no item 2 Condições da outorga, que as mesmas ficarão condicionadas tanto ao cumprimento de metas, como a avaliação de desempenho. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 21 39 Concordo com o fato de que a legislação não prevê quem seriam os destinatários, contudo, atrelar a opção pela compra ao desempenho profissional, (como já abordado), torna evidente que se buscar premiar o desempenho, o que não se coaduna com operação meramente mercantil. A indicação dos trabalhadores que poderão efetivar a outorga, como dito anteriormente, tem na sua concepção a manutenção de profissionais, contudo, após essa escolha, ainda condicionar o número de ações a serem outorgadas a desempenho, faz com que, nitidamente, o benefício esteja condicionado ao exercício profissional., ratificando, novamente a natureza salarial da verba. Analisando os documentos colacionados aos autos pelo auditor (acima transcritos), mencionados tanto no relatório, como na decisão de primeira instância, observase que a instituição do programa, também passa essa idéia de atrelar a concessão do stock options a metas, o que no meu entender, afasta sua natureza meramente mercantil. Um dos argumentos doutrinários para afastar a natureza remuneratória do plano de opção por compra de ações é que o mesmo não se assemelha a prêmio (que possui natureza salarial), nem a participação nos lucros, posto que nos dois casos, identificase que o pagamento do benefício condicionase ao desempenho do empregado, ou do trabalhador no geral, como no caso dos contribuintes individuais. Ao descrever no plano, como condição para o seu exercício, o alcance de metas coletivas e individuais, acaba novamente por desvirtuar sua natureza, atribuindolhe feição salarial. Aliás, a empresa só vai ofertar o plano aos que entende ter interesse em manter, posto que já são “talentos”, por isso não se faz necessário a vinculação de metas na concepção original do benefício. Cito os autores Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Cavalcante, in Direito do Trabalho, Tomo I, 5 edição, Ed. Lumem Juris, fl. 586: O employee stock option não pode ser visto como uma forma de participação nos lucros. O direito de opção de compra relacionase com o valor da ação da empresa à época d efetivo exercício do direito e não com a existência ou não de lucros ou resultados positivos da empresa. Vale dizer, o empregado não tem metas ou produtividade a ser implementada, como ocorre, geralmente na participação nos lucros, para fins de se exercitar o direito de opção de compra de ações negociáveis da empresa no mercado de capitais. Também não pode ser visto como um prêmio na medida em que a opção nada tem a ver com o esforço do empregado. Stock Option não é um salário condição, como ocorre com o prêmio. O empregado somente poderá aguardar o implemento do prazo de carência para adquirir o direito a opção. CONCLUSÃO: Assim, ao condicionar a opção de compras de ações e o número de ações a serem outorgadas a condições relacionadas ao desempenho profissional, o recorrente acaba por desnaturar a operação mercantil do Stock options aproximando sua concessão a de um mero prêmio, demonstrando sua feição salarial (tão evidenciada pela autoridade fiscal), vez que acaba vinculando o seu pagamento ao implemento da prestação de serviços. Aqui ressalto, questão abordada no início deste voto, qual seja, não devemos nos ater apenas a nomenclatura utilizada pelo contribuinte para definição do salário de contribuição, mas identificar como, na prática davase o pagamento. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 40 DA POLÍTICA REMUNERATÓRIA DESCRITA NOS COMUNICADOS ACERCA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. Um ponto, que embora isoladamente apreciado não seria capaz de conferir caráter remuneratória são os pronunciamentos técnicos elaborados, mas precisamente o CPC 10, trasncrito pelo auditor em seu relatório, senão vejamos: • o Auditor Fiscal faz análise do Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, afirmando que a outorga de opções de compra de ações para seus administradores e empregados tem caráter salarial, sendo uma espécie de remuneração a curto, médio e longo prazos, devendo integrar o salário de contribuição (base de cálculo) para fins de incidência das contribuições previdenciárias, concluindo que as opções de ações concedidas devem integrar o salário de contribuição, pois: nas Demonstrações Contábeis da sociedade incoporada, em sua Nota Explicativa n° 16 (dezesseis) Benefícios a Empregados Stock Option, é afirmado que o Plano de Opções de Compra de Ações tem o objetivo de permitir que administradores, empregados e prestadores de serviço da companhia ou de outras sociedades sob seu controle, segundo determinadas condições, adquiram ações da companhia, com vistas em: (a) estimular a expansão, o êxito e a consecução de seus objetivos sociais; (b) alinhar os interesses dos acionistas aos de administradores, empregados e prestadores de serviços da companhia ou de outras sociedades sob seu controle; e (c) possibilitar à companhia ou outras sociedades sob seu controle atrair e manter a ela vinculados administradores e empregados. Afirma ainda que as opções de compra de ações outorgadas nos termos do plano poderão conferir direitos de aquisição sobre um número de ações, a título de reconhecimento e retenção dos atuais administradores e funcionários da companhia; nas Demonstrações Contábeis da sociedade incorporadora, em sua Nota Explicativa n° 19 (dezenove) Benefícios a Empregados Stock Option BM& F S.A. (Plano migrado para BM&FBOVESPA), reproduzida anteriormente, é afirmado, a respeito do plano da sociedade incorporada, que ele foi concebido com o objetivo preponderante de conferir aos administradores e empregados da antiga BM&F (i) a retribuição por serviços prestados por seus beneficiários ao longo do período anterior ao processo de desmutualização e, também, (ii) a retenção dos profissionais ao longo dos quatro anos após a aprovação do Plano e ao IPO; no comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, reproduzido anteriormente, é afirmado que em reconhecimento aos esforços e à dedicação dos funcionários, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações, através do qual receberão opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado; Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 22 41 Às fls. 287 e seguintes, promove o auditor na apenas transcrições de trechos dos comunicados realizados pela própria empresa, como conclui que a forma como realizado o programa da empresa, leva a conclusão de que o benefício na maneira como concedido enquadrase na acepção ampla de remuneração. Isto posto, ao considerar que, na maneira como disponibilizado, a opção pela compra de ações, visou remunerar indiretamente os empregados e contribuintes individuais, correta a indicação da autoridade fiscal, de que o benefício não se encontra no rol de exclusão do conceito de salário de contribuição, descrito no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, razão pela qual entendo corretos os fundamentos (em sua maioria, com as observações descritas no voto) para manutenção do crédito. DA DESVINCULAÇÃO COM O TRABALHO DESENVOLVIDO AUSÊNCIA DE RETRIBUTIVIDADE Rechaço o argumento do recorrente de que o pagamento em questão não possui correlação com o trabalho prestado, ou mesmo não caracterizase como contraprestação pelo serviço prestado. Qual seria outra forma de enquadrar o pagamento do STOCK OPTIONS , como feito pelo recorrente, que não contraprestação pelo serviço prestado. Tanto o é, que se estabelecem metas de trabalho, desempenho, como forma de estímulo para que o empregado e contribuinte individual, produza cada vez mais, e por conseguinte, sintase recompensado e queira manter o vínculo com a empresa. Não estou dizendo com isso que qualquer plano de outorga de ações é salário (como exaustivamente apreciado). Nem tampouco, acato os argumentos de que não se tratam de valores provenientes do trabalho. Respeito o posicionamento defendido pelo recorrente, contudo, possuo entendimento inverso a respeito do tema, como foi devidamente destacado pela autoridade fiscal e julgadora. Na maneira como concedido pelo recorrente o engajamento do trabalhador renderá frutos não apenas sobre o crescimento do negócio, mas lhe proporcionará pagamentos na modalidade de ações, cuja outorga (conforme previsto no próprio contrato), está relacionada ao alcance de metas e avaliação do beneficiário.É nesse sentido, que discordo do recorrente de que encontrase desvinculado do trabalho. DA HABITUALIDADE NO PAGAMENTO Argumentar que a verba não era paga com habitualidade, mas apenas eventualmente, também não demonstra equivoco no lançamento. Aliás, o conceito de habitual, no presente caso, não reportase a idéia de pagamentos constantes, mas, relacionados ao desempenho profissional, afastandose da idéia serviço sem qualquer relação de continuidade. A interpretação de ausência de habitualidade não deve indicar pagamentos contínuos, mas devem ser diferenciados de pagamentos eventuais, ou seja, aqueles que não tem qualquer relação com a prestação do serviços ou pelo vínculo de emprego. Estariam excluídos pela ausência de habitualidade aqueles benefícios decorrentes de um infortúnio. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fatos determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória se a mesma vinculase ao contrato de trabalho. QUANTO AO INDEVIDO ENQUADRAMENTO DE PRESTADORES DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS E DIRETORES VINCULADOS A CLT COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 42 Quanto a este argumento vejamos o que argumenta o recorrente em sua impugnação, fls. 379 Na planilha denominada "outorga de opções de compra de ações, anexa ao Termo de Verificação Fiscal, se verifica que a fiscalização segregou os valores autuados considerando (i) a qualificação do beneficiário (diretores ou empregados) e (ii) a data da carência. E, com base nessas informações, a d. fiscalização calculou as contribuições previdenciárias supostamente devidas, aplicando a alíquota de 20% para os beneficiários considerados diretores e a alíquota de 21% (20% + 1% RAT) para os beneficiários considerados empregados. Contudo ao analisar o DAD, se verifica que a d. fiscalização indevidamente enquadrou os prestadores de serviços beneficiados pelo plano como empregados da impugnante, o que gerou a cobrança a maior do tributo (21% ao invés de 20%). Ressaltese, nesse aspecto, que à fiscalização foram disponibilizados todas as informações necessárias a averiguação de que os prestadores de serviços não integram o quadro de empregados da impugnante, especialmente: folhas de pagamento e GFIP. E, na mesma linha de irregularidade,a fiscalização desconsiderou o fato de que os diretores da impugnante são contratados sob a égide da CLT, indevidamente considerados contribuintes individuais, não obstante lhe tenham sido prestados todas as informações necessárias para que não tivesse incorrido em tal erro. Desta forma, diante da irregularidade na materialização do lançamento fiscal, em total afronta ao disposto no art. 142 do CTN, se conclui que o lançamento fiscal carece de validade e , portanto, não pode prosperar. Quanto a este ponto, debruceime sobre o lançamento na busca de informações que levassem a identificar os erros apontados pelo recorrente, contudo não obtive êxito. A alegação de que houve a troca quanto a identificação do tipo de segurado tornase inócuo se não apontado pela recorrente os erros cometidos, mas tão somente refutar dizendo que a autoridade fiscal tenha condições de identificar. No recurso, novamente refutou de forma genérica o recorrente, o que não nos permite apreciar e excluir (se fosse o caso) possíveis erros no enquadramento dos fatos geradores, razão pela qual, não confiro razão ao recorrente. Notese que mesmo após a DRJ indicar que o recorrente não apresentou qualquer elemento de prova capaz de esclarecer os erros apontados, o recorrente argumenta que se a DRJ tinha dúvidas deveria converter o julgamento em diligência. Ora, para que se tenha dúvida sobre supostos erros de enquadramento, não leva em consideração o julgador apenas argumentos, devendo serem os mesmos fundamentados com qualquer prova ou informação adicional, o que não foi o caso. Dessa forma, concordo com o posicionamento adotado pelo julgador. DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 23 43 Muito discutiu o recorrente argumentando que não houve pagamento ou mesmo ganho, e portanto, a verba não poderia constituir salário de contribuição, sendo indevida o lançamento em relação a este período, o que não venho a concordar. Argumenta que tão somente se o beneficiário vendesse a ação, poderia se vislumbrar alguma espécie de ganho, e mesmo assim, caso ocorresse, seria uma relação desvinculada da autuada, não havendo como estabelecer o liame jurídico, capaz de determinar sua sujeição passiva pelos créditos ora lançados. Acho que o entendimento levado a efeito pela autoridade fiscal, encontrase acertado. Ora, em que momento houve o “ganho”, ou conforme descrito anteriormente a remuneração indireta do trabalhador? Acredito que, no momento em que houve o direito de opção (com o efetivo exercício) pela ações ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiro, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva compra das ações sobre o preço de exercício, valor inferior aquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Devemos, identificar que remuneração não é representada apenas por pecúnia, mas qualquer ganho, mesmo na forma de utilidades, como o caso de aquisição de ações. Conforme demonstrado acima, houve o desvirtuamento do stock options em sua natureza inicial, qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual procedeu o auditor ao lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da opção pela compra de ações.). Não tivesse ocorrido ditos fatos (acima apreciados) não se discutiria a ocorrência do fato gerador, posto que não restaria caracterizada a remuneração indireta. Conforme descrito anteriormente, em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Afasto, dessa forma, o argumento de eventual diferença entre o valor da ação no pregão da bolsa e o valor da ação pago pelo beneficiário do Plano de Opção de Compra de Ações da Recorrente seria irrelevante e imprestável para a cobrança do tributo, vez que em grande parte dos casos não ocorre a efetiva venda a terceiros. Pelo contrário, ao fornecer o benefício ao trabalhador, inclusive com a conseqüente possibilidade de venda imediata, como enfatizado pelo auditor (donde se extrai dos contratos), ofertou a recorrente ao trabalhador um ganho indireto, cuja definição da base de cálculo deuse sobre o ganho auferido pelo beneficiário, seja ele advindo do embolso financeiro ou do ganho a forma de utilidade. Prova disso é o comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, que a seguir se transcreve, com grifos nossos: "Um dos principais ativos da BM&F está em seus funcionários. Assim, em reconhecimento aos esforços e à dedicação dessas pessoas, foi aprovado para eles um plano de opção de compra Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 44 de ações. Com isso, os funcionários poderão participar diretamente de mais essa etapa da história da BM&F. Para tanto, na primeira quinzena de dezembro os funcionários que na data da desmutualização da BM&F (1°/10/2007) haviam sido contratados há pelo menos seis meses serão chamados para a assinatura do contrato pelo qual receberão as suas opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado.” Assim, como já demasiadamente descrito, realmente entendo que o ganho inicial pela outorga de ações não constitui salário de contribuição de maneira geral, contudo, na forma como pago, representando um ganho na forma de utilidade, mais uma vez correta aindicação da natureza salarial. DO FATO GERADOR MOMENTO DA VENDA DAS AÇÕES NO MERCADO Ademais, também afasto o argumento de que o fato gerador (se existisse) só se daria no momento da venda a terceiros. O momento da ocorrência do fato gerador, deuse com a concretização da opção, auferindo um ganho indireto. (o direito de compra), que nesse caso específico, coincidiu com o período de carência. Aliás, entendo que a antecipação da carência, inclusive no caso de desligamento da empresa, denota que a intenção da empresa era realmente praticar uma forma de remunueração indireta, assim, como descrito pela própria autoridade julgadora quando tratou da política remuneratória da empresa. Não podemos dizer que se dará apenas com a venda, pois poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda, mas, possua o “bem” (direito a ação) direito esse concedido, como no presente caso, pela contraprestação do serviços. Ainda com relação a esse ponto, assim, trouxe o recorrente em seu recurso: "A fiscalização desconsiderou o fato de que os valores por ele considerados como base de cálculo nunca foram pagos pelo recorrente ao beneficiário." Entendo que equivocada a premissa trazida pelo recorrente. Em momento algum a autoridade fiscal disse que houve pagamento, mas sim ganho pelo direito incorporado ao patrimônio do beneficiário. A diferença entre o valor pago e o valor de mercado é que representa o referido ganho e por conseguinte o fato gerador de contribuições previdenciárias. NO momento que a ação é exercida (e só será se a pessoa tiver vantagem), o que no presente caso, tornase provável, considerando o valor estipulado de R$ 1,00, teremos aferido o suposto ganho, sempre que o valor de mercado estiver acima do valor pago. Mas, vale ressaltar, que só será apurada base de cálculo, se restar caracterizado o carater remuneratório da verba. E não me venha falar que esse ganho pode ser incerto, pois depende do preço da ação no futuro, sendo que o valor da ação pode sofrer redução. Concordo, mas importante identificar que ninguém é obrigado a exercer, nem tampouco vender a ação anteriormente exercida em momento de baixa de mercado. O valor do suposto ganho com a venda da ação no fututo não é parâmetro para definição de salário de contribuição (ganho auferido como constraprestação pelo serviço Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 24 45 prestado), mas tão somente para definir ganho de capital para efeito de apuração de imposto de renda. Nesse mesmo sentido já se encaminhou o julgador de primeira instância: Desse modo, temos que o momento da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração a título de opções de compra de ações é a data do vencimento do seu prazo de carência, não importando o exercício das opções pelo beneficiário. Ocorrido o fato gerador, a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre ele incidentes será a mesma data, qual seja, a do vencimento do prazo de carência, conforme cálculo realizado pela auditoria fiscal. Nestes termos, a outorga de opção de ações aos segurados que prestaram serviços à Impugnante, conforme antes exposto, configura remuneração em face do ganho concedido ao beneficiário decorrente do valor da diferença entre o valor estipulado pela ação (R$1,00), fixado no contrato do Plano de Opção de Compra de Ações, e o seu valor de mercado na data do vencimento da carência, a exemplo do Diretor Alcides de Francisco Ferreira: ações outorgadas = 250.000, cumpridas = 62.500, valor de mercado em 18/12/2007 = R$23,06, preço de exercício de R$1,00, portanto, ganho de R$1.378.750,00 (23,06 – 1,00 x 62.500). Verificase da planilha anexa aos autos “Outorga de Opções de Compra de Ações”, que estão listados todos os beneficiários do plano de opção de compra de ações, tendo sido computadas para fins de apuração do salário de contribuição (base de cálculo) tão somente as opções que foram “cumpridas” (no prazo de carência) em relação ao total que foi outorgado a cada beneficiário, conforme relação fornecida à auditoria fiscal pela própria Impugnante. Ressaltese que somente foram computadas para fins do lançamento tributário, tão somente as opções de compra de ações cumpridas no prazo de carência, repitase, conforme relação fornecida à auditoria fiscal pela Impugnante, isto é, foi considerado o momento em que foi implementada a condição suspensiva, e assim sendo, não há que se questionar o feito fiscal, pois houve realmente um ganho ao beneficiário e um custo para a empresa no montante equivalente à diferença entre o valor de mercado das ações na data de vencimento da carência e valor das ações nas opções ofertadas aos beneficiários (R$1,00). Desse modo, o acréscimo patrimonial relativo às opções de compra de ações ocorreu ao fim do prazo de carência, este sim, o momento de ocorrência do fato gerador (implemento da condição suspensiva), razão pela qual para os administradores da Impugnante o encerramento do lock up não desconfigura a ocorrência do fato gerador. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 46 Assim, as Opções de Compra de Ações significam para os trabalhadores efetiva vantagem econômica, a qual não se confunde com o eventual ganho de capital a ser apurado apenas quando da alienação das ações. Conforme até aqui exposto, não se sustentam as alegações da Impugnante no sentido de que não ter efetuado qualquer espécie de pagamento aos beneficiários do Plano de Opção de Compra de Ações, visto que o ato de outorgar um direito de subscrever ações de uma empresa através do Plano de Opção de Compra de Ações por preço inferior ao de mercado em contraprestação ao serviço prestado consiste em remunerar, não importando se o beneficiário exerceu ou não este direito, pois, ao término do prazo de carência o beneficiário adquiriu um bem correspondente a um direito com valor econômico correspondente à diferença entre o valor de mercado da ação, na data do termino de carência (quando as ações poderiam ser adquiridas), e o valor de subscrição, preestabelecido no contrato de outorga das opções, o que lhe gerou inevitavelmente um acréscimo patrimonial. Por fim, em relação a ocorrência do fato gerador para os administradores (diretores), também entendo que o fato de a empresa estabelecer um lock up (6 meses), não interfere na data do fato gerador descrito pelo auditor fiscal. Conforme descrevemos acima, não é a possibilidade de venda das ações e o ganho dela resultante que determina o momento da ocorrência, mas o exercício das ações, que no presente caso, coincide com o data da carência. Não é a possibilidade de venda imediata que determina que haverá ou não ganho. Seja com ou sem lockup o ganho auferido decorre do direito a aquisição da ação (que pode ser total ou parcial). Novamente, o lockup pode interessar para que se identifique o momento do ganho de capital (IRPF), mas não o ganho (benefício in natura) como retribuição pelo serviço prestado.. O exemplo trazido pelo recorrente acerca da volatilidade no valor da ação em épocas futuras só seria relevante, se o fato gerador, para efeitos previdenciários, ocorresse no momento da venda a terceiros, o que não é o caso. Assim, no momento em que exerceu as opções pela ações ocorreu o fato gerador, independente se a possibilidade de dispor das ações adquiridas só ocorresse em momento posterior. DA BASE DE CÁLCULO Quanto a este cálculo também concordo com a posição adotada pela autoridade fiscal. O valor estipulado pela empresa para o exercício não entrou na base de cálculo da contribuição lançada, mas a diferença entre esse valor e a média estipulada pelo mercado no dia da carência antecipada, que nada mais é, no presente caso, do que a data do exercício. A utilização da média do mercado do dia, é mais do que justa, considerando a variação do preço da ação em um mesmo dia. Assim, correto os valores lançados. A planilha indicando a avriação da ação na abertura e no decorrer do dia, apenas demonostra acertada a utilização da média, tanto que no dia 18/12/2007, adotouse como base o valor de R$ 23.06 (planilha), o que reflete o valor abaixo da médio da ação nesse dia. Para definição de remuneração não levamos em consideração apenas os valores fornecidos em dinheiro, bem como qualquer ganho até mesmo na forma de utilidades, razão pela qual o ganho (direito de ações), pode ser também considerado uma espécie de Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 25 47 remuneração. Entendo importante firmar entendimento do papel das utilidades dentro do conceito de salário de contribuição para contribuintes individuais e empregados. Conforme, já transcrito anteriormente a definição de salário de contribuição encontrase prevista no art. 28, III da Lei n° 8.212/1991, para o segurado contribuinte individual: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Dessa forma, pela análise dos dois dispositivos legais, podemos estabelecer que não existe nenhuma distinção entre a base de cálculo da contribuição dos segurados empregados e dos contribuinte individuais. Entendo que o detalhamento do dispositivo com relação aos segurados empregados, visa simplesmente transcrever o que a Consolidação da Leis do Trabalho – CLT, destaca como remuneração para os trabalhadores por ela amparados. A preocupação do legislador trabalhista, reafirmada pelo previdenciário, foi simplesmente enfatizar que tudo aquilo que o empregador der ao seu empregado, como contraprestação pelo trabalho realizado, deve ser incluído no conceito de remuneração seja em dinheiro ou outro tipo de retribuição, como ocorreu no presente caso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 48 profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Pelo exposto, o fato do legislador não ter detalhado o conceito de remuneração para o contribuinte individual é simplesmente porque não é comum se ajustar outra modalidade de pagamento pela prestação do serviço que não dinheiro. Porém resta evidente que qualquer espécie de pagamento feito ao contribuinte individual, caracterizase como contraprestação pelo serviço realizado integrando a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não se pode descartar o fato de que os valores ganhos pela compra de ações abaixo do valor de mercado, sem atribuir ao trabalhador os riscos, não sejam um ganho indireto, obtido por meio da aquisição de ações, mesmo sem haver a conversão em pecúnia. É justamente aí que identificamos o conceito de utilidade, que é a forma de remunerar sem que envolva a transferência de numerário ao trabalhador. Essa modalidade de benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço pactuado. Este tópico, bem afasta o argumento do recorrente que não há nos autos qualquer indício ou evidência de que os valores atrelados ao Plano de Opção se prestavam a substituir ou complementar a remuneração. Não houve presunção do fisco, como argumentado. Pelo contrário o auditor (como já afastado em sede preliminar), bem fundamentou o lançamento, com a correta descrição dos fatos geradores., estando o lançamento em conformidade com a legislação. DA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR QUANTO AO TERMO "INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS OPÇÕES PELO TRABALHADOR" Bom, considerado restar devidamente caracterizada a natureza salarial da verba, restanos, por fim, enfrentar a alegação quanto ao momento da indicação do fato gerador. Para tanto, valhome da descrição trazido pelo auditor em seu relatório: • portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. No caso, o vencimento do prazo de carência ocorreu em três situações distintas, todas previstas no Plano de Outorga de Opções mantido pelo contribuinte: Quanto a este ponto, entendo que não logrou êxito o auditor em indicar da forma mais acertada a ocorrência do fato gerador, demonstrando, verdadeiro equivoco no lançamento. Conforme indiquei como fundamento para definir a natureza salarial da verba, o exercício das opções que foram outorgada ao trabalhador, demonstra um ganho, considerando, dentre outros características o valor definido pela BM&F. Contudo, não tenho como concordar com a premissa trazida pelo auditor, qual seja: "data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 26 49 trabalhador". Até poderíamos acatar, conforme indicado no relatório, que o fato gerador ocorreria na data do vencimento da carência, partindo do raciocínio de que no presente caso, ocorreria a carência antecipada, porém não foi essa a indicação da autoridade fiscal, mas a de que o fato gerador ocorreria independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. O que se conclui do raciocínio ali exposto é que exercendo ou não, o valor da ação seria automaticamente incorporado ao patrimônio do trabalhador, seja empregado ou contribuinte individual, afastando qualquer ato de vontade deste. Não entendo ser possível levar como correto esse raciocínio, pois se acatássemos, estariamos desconstruindo o pagamento como "outorga de ações", desconsiderando tudo narrado pelo auditor e partido da premissa de que os pagamentos seriam simplesmente prêmios, ou gratificações. Da ánalise dos fatos trazidos pela autoridade fiscal, também não consigo afirmar que no dia do vencimento da carência tenham os trabalhadores exercido a totalidade das ações, pois não vejo esse fato narrado nos autos. Tivesse o auditor, mesmo colocando a frase "independentemente do exercício das opções", indicado que os valores lançados seriam apenas aqueles efetivamente exercidos (na data da carência antecipada), sentiriame confortável em manter o lançamento, face a impossibilidade de constarem do lançamentos, valores que na minha opinião não são fatos geradores. Dessa forma, embora para mim, esteja clara a natureza salarial, entendo que não posso ratificar a adoção da fundamentação quanto ao fato gerador, pois tida de forma, isolada, levaria a possibilidade de que nem todas as ações cujo prazo de carência tenha sido cumprido, tenham sido exercidas. Face o exposto, entendo existir um erro essencial na constituição do lançamento, qual seja, a indevida indicação dos fatos geradores, que pela forma trazida pela autoridade fiscal, impossibilitam dizer se os valores lançados correspondem apenas ao ganho obtido sobre ações exercidas, ou foram lançadas as totalidades de valores, independentemente do exercício, razão pela qual, nessa parte entendo exista um vício no lançamento que inviabiliza a manutenção do lançamento na forma como lançado. Ressalto, que considerando o vício apontado, abstenhome de apreciar as demais questões suscitadas pelo recorrente (DA ILEGALIDADE DA MULTA, DA IMPOSIÇÃO DE MULTA A SUCESSORA, SOBRE EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS, DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO), considerando a improcedência da autuação, pelas razões acima narradas, o que leva a improcedência dos demais autos de infração N. 37.346.3065 e 37.346.3073, lavrados na presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos em relação aos autos de infração constantes do presente processo, para rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito DARLHES PROVIMENTO É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 50 Declaração de Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Em que pesem os sempre bem lançados fundamentos do voto da ilustre relatora, peço vênias para não acompanhála de forma integral. Conforme já relatado, a fiscalização tributária considerou que o plano de opções de compra de ações instituído pela recorrente em seu estabelecimento, possui a natureza de remuneração indireta, de modo que, sobre os ganhos auferidos por seus empregados quando da adesão ao mesmo, deveriam incidir as contribuições previdenciárias. O relatório fiscal aponta uma série de argumentos, através dos quais o ilustre fiscal autuante entendeu como evidente o caráter remuneratório do plano. Fato é que, como bem apontou a ilustre relatora, além de considerar o plano como dotado do caráter salarial, ao efetuar o lançamento, o fiscal adotou como momento da ocorrência do fato gerador, a data de vencimento do prazo de carência para o exercício da opção, independentemente de cada um dos trabalhadores ter ou não exercido suas respectivas apções. Vejamos, novamente, o que considerou o fiscal em seu relatório fiscal: • portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. No caso, o vencimento do prazo de carência ocorreu em três situações distintas, todas previstas no Plano de Outorga de Opções mantido pelo contribuinte E esta turma, ainda capitaneada pelo voto da Em. relatora, entendeu que o momento da efetiva ocorrência do fato gerador para o lançamento ora sob análise não poderia ser o adotado pelo fiscal autuante, conforme restou bem fundamentado pela relatora no tópico “DA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR QUANTO AO TERMO "INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS OPÇÕES PELO TRABALHADOR", tese esta acolhida forma unânime. Assim, ao eleger de forma incorreta o momento da ocorrência de tal evento, o lançamento realmente não tem o condão de prosperar. A meu ver, tal inconsistência, é questão necessariamente prejudicial à análise dos demais argumentos das partes para decidirse acerca da presença ou não do caráter salarial do plano de opções de compra de ações objeto do presente processo, bem como dos demais argumentos periféricos e constantes no recurso voluntário da parte. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 27 51 Ora, se por tal motivo o lançamento já não pode ser mantido, tendo em vista que um de seus pressupostos intrínsecos deixou de ser observado, a discussão acerca do caráter salarial ou não e demais pontos contidos no recurso, tornase, a meu ver, despicienda. Se, de antemão, já se vislumbra existindo ou não o caráter salarial sobre a verba em questão que um dos critérios adotados para considerar como aperfeiçoado o lançamento, no caso, o momento da ocorrência do fato gerador, foi adotado de forma equivocada, não vejo como esta Turma discutir e manifestarse acerca de possível existência do caráter salarial sobre a verba, já que, no momento eleito pelo fiscal, não ocorreu qualquer ganho comprovado pelos beneficiários do plano. Deixo, portanto, de manifestarme quanto a existência ou não de caráter salarial no plano de opções de compra de ações objeto do presente processo, acompanhando a relatora, tão somente, no que se refere ao equívoco na eleição do momento da ocorrência do fato gerador do lançamento, conforme alhures apontado. Assim, por tais motivos, acompanho a relatora pelas conclusões, para dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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