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Numero do processo: 13819.001553/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DIRPF – IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Após efetuada a notificação de lançamento pela Autoridade Tributária, mediante a devida intimação ao contribuinte, não é possível a retificação da declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2101-001.345
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 4, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infração de dedução indevida de despesas médicas e omissão de rendimentos de aluguéis, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.095,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl.2), acatada como tempestiva, alegando, em seu entendimento, que as despesas médicas em questão referiam-se apenas aquelas gastas na rede de atendimento particular não abrangidas pelo convênio, que por força da legislação municipal é descontado diretamente em seu pagamento, apresentando Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte, de emissão da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo, silenciando, contudo, quanto às despesas ocorridas com não dependentes e quanto à omissão de rendimentos de aluguéis. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 12 a 15): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA INCONTROVERSA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Consideram-se não impugnadas as matérias não contestadas pela interessada, consolidando-se administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.53211997. GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às suas deduções condiciona-se a comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e que sejam para tratamento do próprio contribuinte e ou de seus dependente. Artigo 73, § 1° e art. 80, §1°, incisos II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgador de 1 a instância fundamentou seu voto nos seguintes termos (fls. 13 a 14): Matéria Incontroversa. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.001553/2008-72 Acórdão n.º 2101-001.345 S2-C1T1 Fl. 2 3 À vista dos elementos trazidos pelo impugnante, verifica-se que a lide reside na glosa dos valores pleiteados como dedução de despesas médicas, no valor de R$ 11.115,30, relativos aos pagamentos efetuados à Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo — I MASF. Conseqüência lógica, admite-se como efetiva a glosa de parte das despesas médicas, no valor de R$ 3.255.80, glosadas por tratar de despesas com não dependente e ainda, o lançamento de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 4.158.00, fls.3 e 3v. Considera-se, assim, não impugnado o lançamento, no que diz respeito matéria relacionada no parágrafo anterior, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/1972, corn as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.532/1997, "considerar-se-6 não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Da Glosa de Deduções com Despesas Médicas - no valor de R$ 11.115,30 Sobre a comprovação dos pagamentos realizados e deduzidos na Declaração de Ajuste Anual, estabelece o artigo 80 e §1º do Regulamento de Imposto de Renda: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudi6logos, terapeutas ocupacionais e hospitais, ben7 COMO as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei ,z 2 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a'3. §1º 0 disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, §22): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à 'cobertura de despesas COM hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifamos) Segundo consta do lançamento, fls. 3, a autoridade fiscal, glosou o valor de R$ 11.115,30 por não ter sido apresentado os comprovantes de pagamentos efetuados ao Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo —IMASF. Na impugnação o contribuinte manifesta-se informando que os valores pagos de assistência à saúde são descontados de seu pagamento e apresenta cópia do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fls. 6, da Fonte Pagadora Prefeitura do Município de sac. Bernardo do Campo, onde consta das informações complementares os referidos valores. Desta forma, restabelece-se a dedução pleiteada de Despesas Médicas, no valor de R$ 11.115,30. (...) Face ao exposto, voto no sentido de julgar Procedente em Parte a Impugnação, excluindo do lançamento o valor conforme segue: (...) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISC AIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 16/08/2010 (fl. 21), o contribuinte apresentou, em 15/09/2010, o recurso de fls. 22, onde requereu retificação/revisão do débito em decorrência de alegado equívoco da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo, seu empregador, que englobou no montante o abono pecuniário, que deveria, a rigor, Fl. 43DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO 4 constar nos rendimentos isentos e não tributáveis, sem no entanto elencar as razões ou apresentar provas para a autoridade tributária proceder à revisão do imposto suplementar. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 35, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Da análise da impugnação conclui-se que não houve qualquer contestação do julgamento promovido pela instância à quo, limitando-se o Recorrente em requerer a retificação/revisão do débito. Para tanto, carreou aos autos, declaração da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo relativa à informação do recebimento, pelo contribuinte, do valor de R$ 2.644,65 à título de férias indenizadas. Em seus argumentos o impugnante informou que somente tomou conhecimento do equívoco da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo em setembro de 2009. Não há qualquer fundamento legal para atender tal solicitação de retificação de declaração de ajuste, pelo contrário, conforme estabelece o art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, conclui-se que não houve qualquer contestação no julgamento promovido pela instância à quo, limitando-se o Recorrente em requerer a retificação/revisão do débito. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Fl. 44DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.001553/2008-72 Acórdão n.º 2101-001.345 S2-C1T1 Fl. 3 5 Relatório Despacho Decisório Voto Fl. 45DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
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Numero do processo: 10845.001078/2001-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Exercício: 2000
Posterior regularização dos débitos não suspensos apontados no ato declaratório de exclusão do SIMPLES não tem o condão de tornar inválida a exclusão, subsistindo ao contribuinte o direito de pleitear nova inclusão, pela via adequada, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da regularização, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão.
Numero da decisão: 9101-000.819
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10845.001078/200152 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 910100819 – 1ª Turma Sessão de 21/02/2011 Matéria Simples exclusão Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado E. L. DOS SANTOS DECORACOES Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2000 Ementa: Posterior regularização dos débitos não suspensos apontados no ato declaratório de exclusão do SIMPLES não tem o condão de tornar inválida a exclusão, subsistindo ao contribuinte o direito de pleitear nova inclusão, pela via adequada, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da regularização, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Fl. 261DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10845.001078/200152 Acórdão n.º 910100819 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial em face de acórdão no. 30134095, prolatado pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de solicitação de revisão da exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, gerada pelo Ato Declaratório de Exclusão nº 374.621, de 2.10.2000, em razão de pendências da empresa e/ou sócios junto a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. A Câmara recorrida determinou diligência, visando obter da unidade de origem esclarecimentos quanto ao seguinte a) Em que data o Recorrente foi intimado das decisões relativas aos seus pedidos de alocução de pagamentos junto aos processos administrativos objeto do relatório de pendências de fls. 03 (Processos administrativos 1084517577/9759; 10845 17578/9711; 10845217579/9784; 10845204639/9933). b) Se, após a intimação de tais decisões, o Recorrente pagou, e em qual data, os valores efetivamente pendentes. c) Se houver pendência relativa aos processos administrativos mencionados que indique quais valores ainda estão pendentes de pagamento. d) Se houve pagamentos pendentes relativos aos processos já anteriormente mencionados, informe, se de qualquer, forma, a exigibilidade dos referidos valores encontrase suspensa nos termos do artigo 151 do CTN ou pelo fato de tais débitos estarem garantidos em Execução Fiscal ainda em trâmite. e) Depois de juntadas tais informações que seja dada a oportunidade para que o Recorrente se manifeste sobre as informações e documentos juntados. Após o retorno da diligência determinada, em que se constatou que os débitos existentes e sem exigibilidade suspensa no momento da exclusão foram pagos após a emissão do referido ADE, a câmara a quo deu provimento ao recurso voluntário, sob o fundamento de que, diante da prova da quitação, a manutenção da exclusão contrariaria os princípios que regem a atividade econômica escoimados no art. 170 da Constituição Federal. O acórdão recorrido restou assim ementado: Ementa: SIMPLES Não há que ser desenquadrada do SIMPLES a empresa que antes de ser notificada sobre a existência de pendências perante o Fisco, já vinha buscando a sua regularização. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 Não pode ser punida a empresa pelas dificuldades impostas pela própria sistemática da Fiscalização. Prova documental farta no sentido de provar o direito da Recorrente. Permanência no SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente à época, alegando divergência jurisprudencial quanto à manutenção no SIMPLES de empresa que demonstra posteriormente sua regularidade fiscal junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), cujas pendências motivaram o ato de exclusão do SIMPLES. Apresenta acórdão paradigma em que se discute a mesma questão SIMPLES — EXCLUSÃO — DÉBITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA DA UNIÃO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA— REGULARIZAÇÃO A POSTERIORI. A regularização pelo contribuinte do débito inscrito em dívida ativa, com exigibilidade não suspensa, após a cientificação de ato declaratório de exclusão do SIMPLES, com a inclusão no REFIS ou qualquer outra modalidade de extinção do débito inscrito ou suspensão da sua exigibilidade, não é razão para a anulação ou revogação do ato de exclusão. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Acrescenta que a exclusão obedeceu o disposto no art. 9o, inciso XV, da Lei no 9317/96, sendo plenamente válida e legítima. Reconhece a possibilidade de nova adesão do contribuinte ao SIMPLES através do procedimento adequado e todavia pede a manutenção da exclusão da opção pelo SIMPLES efetivada pelo Ato Declaratório Executivo de Exclusão, em razão da confirmação da existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, quando de sua edição. Em face da ausência de apresentação de paradigmas pela recorrente, a presidente da Câmara a quo, no exame de admissibilidade do recurso especial, verificando a equivocada referëncia ao dispositivo do Regimento Interno da CSRF, e a votação por maioria, adotou a fungibilidade para conhecer do recurso pelo art. 5º, inciso I, da mesma norma. Em contrarrazões, alega o contribuinte que existe nos autos farta documentação comprobatória do seu direito à permanência no SIMPLES, ressaltando que não deve ser desenquadra do SIMPLES empresa que já vinha buscando sua regularização mesmo antes da notificação, nem pode a empresa ser punida pelas dificuldades decorrentes da sistemática da fiscalização. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10845.001078/200152 Acórdão n.º 910100819 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, admitese o recurso. Quanto à sistemática do SIMPLES, cabe tecer breves considerações iniciais. Atualmente, evidenciase cada vez mais a correlação entre o direito e a economia. Ao operador do direito cabe interpretar as normas jurídicas sem dissociálas da realidade econômica do País. Assim, a análise das situações de enquadramento na sistemática do SIMPLES deve sempre se pautar nos parâmetros definidos pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 170, inciso IX, e 179, ao estabelecer um tratamento não isonômico às micro e pequenas empresas, dado seu caráter fundamental no desenvolvimento da economia brasileira. O tratamento não isonômico dado às micro e pequenas empresas reflete o princípio maior da isonomia, que propugna o dever de tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade, na medida de suas desigualdades. Todavia, o incentivo concedido pela Constituição Federal às microempresas e empresas de pequeno porte, não deve, permissa venia, ser utilizado como argumento de deliberada desconstituição das normas vigentes, pela relevação de violações às regras da sistemática do SIMPLES em determinados casos, gerando uma desigualdade interna no sistema. A Lei nº 9.317/96, atualmente revogada pela Lei Complementar nº 123/06, ao dispor sobre o regime tributário das microempresas e empresas de pequeno porte, instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e estabeleceu os requisitos para o enquadramento naquela sistemática, assim como as hipóteses em que este seria vedado. No que pertine ao litígio em exame, interessam os seguintes dispositivos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XV que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Fl. 265DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 6 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; [...] Em 2005, a Lei nº 9.317/96 sofreu alterações quanto à disciplina dos efeitos da exclusão no caso de existência de débitos da pessoa jurídica ou dos sócios. Eis os dispositivos com a redação alterada: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] VI (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 Sem eficácia) VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 5o (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 Sem eficácia) § 5o Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 266DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10845.001078/200152 Acórdão n.º 910100819 CSRFT1 Fl. 4 7 Como se vê, a partir da alteração legislativa, buscou o legislador esclarecer o momento em que a quitação poderia ser aceita para fins de revogação do ato declaratório de exclusão, prevendo que a quitação do débito no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ato declaratório de exclusão permite a manutenção na sistemática do SIMPLES. Tal prazo corresponde exatamente o prazo de apresentação da solicitação de revisão da exclusão da opção pelo SIMPLES – SRS. A própria Administração Tributária já permitia a regularização dos débitos dentro daquele prazo, mantendo suspensa a exclusão até a ciência do despacho decisório sobre a SRS. Ademais, o prazo para apresentação da SRS referente a atos declaratórios expedidos em 02.10.2000 foi prorrogado até 31.01.2001, pela Instrução Normativa SRF nº 100, de 26.10.2000. Tudo isso, contudo, mostrase insuficiente para solucionar a presente recurso, visto que a regularização dos débitos somente ocorreu em 14.06.2005, conforme documentos de fls. 198, 201, 205 e 209. O procedimento administrativo fiscal, em que pese informado pelo princípio do formalismo moderado, deve obedecer aos estritos limites da lei, observado o princípio do devido processo legal, de modo a assegurar as garantias do contraditório e da ampla defesa. O que se discute no presente recurso é a validade ou não do ato de exclusão da sistemática do SIMPLES – ADE nº 347.621. Para fins de revisão administrativa instaurada pela SRS, é ônus do contribuinte demonstrar a inexistência da causa da exclusão, no momento da edição do ato declaratório ou até 30 (trinta) dias após sua ciência, o que não ocorreu no presente caso. Aceitar a quitação dos débitos em qualquer momento processual, além de ferir a sistemática prevista pelo legislador, provoca concorrência injusta. Nessa medida, uma empresa que utiliza seus recursos financeiros para arcar com suas obrigações tributárias e faz corretamente a opção pelo SIMPLES, estará competindo de forma desequilibrada com outra que mantém débitos em aberto e utiliza seus recursos financeiros com a finalidade de desenvolver diretamente a empresa, ganhando espaço no mercado durante o tempo em que discute a exclusão. Desigualdade dentro da desigualdade não é o que prevê a Constituição Federal. Assim, no período compreendido entre a data em que a exclusão passou a produzir efeitos, até o ano subsequente ao da regularização fiscal, não pode o contribuinte aproveitarse dos benefícios da sistemática do SIMPLES, por expressa vedação legal. Sem embargo, uma vez afastada a causa de exclusão aqui discutida, o contribuinte pode optar novamente pela sistemática do Simples, seguindo os procedimentos administrativos adequados, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 8 Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exclusão da opção pelo SIMPLES gerada pelo ato declaratório executivo em litígio. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 268DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001334/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS AUXÍLIO BABA NATUREZA
SALARIAL
O art. 28, § 9ºda Lei 8.212/91 destaca quais as verbas que não compõem a base de cálculo de contribuições.
O reembolso babá para ser excluído da base de cálculo condiciona à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária considerando o limite máximo de seis anos de idade da criança;
Assim, o que buscou o legislador foi comprovar a efetiva destinação da verba, o que restou demonstrado no caso em questão, com a apresentação da CTPS assinada e do comprovante de recolhimento da previdência social, posto o referido comprovante demonstrar a existência de pagamento do salário e o valor da remuneração.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.
Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se
aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.979
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2002. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/2001. II) Por
unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS AUXÍLIO BABA NATUREZA SALARIAL O art. 28, § 9ºda Lei 8.212/91 destaca quais as verbas que não compõem a base de cálculo de contribuições. O reembolso babá para ser excluído da base de cálculo condiciona à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária considerando o limite máximo de seis anos de idade da criança; Assim, o que buscou o legislador foi comprovar a efetiva destinação da verba, o que restou demonstrado no caso em questão, com a apresentação da CTPS assinada e do comprovante de recolhimento da previdência social, posto o referido comprovante demonstrar a existência de pagamento do salário e o valor da remuneração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido
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O reembolso babá para ser excluído da base de cálculo condiciona à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária considerando o limite máximo de seis anos de idade da criança; Assim, o que buscou o legislador foi comprovar a efetiva destinação da verba, o que restou demonstrado no caso em questão, com a apresentação da CTPS assinada e do comprovante de recolhimento da previdência social, posto o referido comprovante demonstrar a existência de pagamento do salário e o valor da remuneração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Fl. 344DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2002. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/2001. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 345DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 345 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.112.4662, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (observado o limite do salário de contribuição), da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os seguintes sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados conforme descrito no relatório fiscal. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração paga aos segurados empregados a título de AUXÍLIOACOMPANHANTE, incluída em folha de pagamento nas rubricas de proventos e descontos. Com base nas informações contidas nos arquivos digitais relativos às folhas de pagamento, verificouse, no período mencionado, que parte dos empregados receberam mensalmente proventos, e eventualmente sofreram descontos, a título de AUXÍLIO ACOMPANHANTE, através das rubricas de códigos 130, 230, 230D, 230J, 230N e 730, as quais não foram consideradas pela empresa como base de cálculo para incidência das contribuições mensais à seguridade social no período de 01/1999 a 09/2006. Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o chamado AuxílioAcompanhante tratase de beneficio concedido pela Fundação aos seus empregados que possuam dependentes até 36 meses de idade, mediante o reembolso de a remuneração de empregado doméstico contratado para cuidar da criança (babá), em substituição ao auxíliocreche, por opção do empregado. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2007. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 195 a 219. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 265 a 273. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 299 a 314 , onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, o artigo 45 da Lei 8.212/1991, é inaplicável às contribuições, a teor do disposto no artigo 146, III, "h" da CRFB/1988, que disciplina matéria relativa a "obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". Assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 09/2002. 2. A Impugnante disponibilizou aos seus empregados com filhos ou tutela de menor o AuxílioCreche, na forma de reembolso, durante o primeiro triênio de vida da criança. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 3. O empregado podia optar pelo recebimento do AuxílioAcompanhante (também conhecido como AuxílioBabá), em substituição ao AuxílioCreche, após a comprovação da contratação desse serviço, que, na prática, ocorria por meio da apresentação de cópia do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) da babá contratada e da guia de recolhimento da contribuição previdenciária. 4. Face à dificuldade operacional e espacial de as empresas manterem nos seus estabelecimentos locais apropriados para a guarda dos filhos de suas empregadas, a Portaria n° 3.296, de 03.09.1986, do Ministério do Trabalho, autorizou as empresas e empregadores a adotarem o sistema de ReembolsoCreche, em substituição à exigência contida nos §§ 1° e 2° do artigo 389 da CLT, devendo a implantação desse sistema estar previamente estipulada em acordo ou convenção coletiva e ser comunicada à Delegacia Regional do Trabalho (DRT). 5. Desta forma a Impugnante adotou o referido sistema de ReembolsoCreche, que de acordo com os referidos ACT, esse reembolso podia ser substituído pelo Auxílio Acompanhante (ou AuxílioBabá), de acordo com a opção do empregado. 6. Cita a cláusula 6 do ACT celebrado entre a Impugnante e o sindicato dos seus empregados na Bahia em 30.04.2002, que estabelece as condições para a concessão do AuxílioAcompanhante ou AuxílioCreche. 7. Cita ainda acórdão do STF para corroborar seu entendimento de que o AuxílioCreche, tem natureza indenizatória. 8. Alega que o legislador acabou reconhecendo a natureza indenizatória do AuxílioCreche por meio do artigo 1° da Lei n° 9.528, de 10.12.1997, que deu nova redação à alínea "s" do § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991, ao inserir o referido auxílio no rol das parcelas que não integram o saláriodecontribuição. 9. Desta forma, concluiu que o mesmo tratamento é aplicável ao AuxílioAcompanhante (ou AuxílioBabá), já que ambos tem a mesma natureza indenizatória do AuxílioCreche. 10. Acrescenta que pagou o AuxílioAcompanhante mediante a prévia apresentação de cópia do registro na CTPS da babá contratada e da respectiva guia de recolhimento da contribuição previdenciária, sendo tais documentos suficientes para comprovar as despesas dos empregados da impugnante com a contratação dos serviços de acompanhante/babá. 11. Por derradeiro, alega que considerando ser a contribuição previdenciária devida pelos empregados da Impugnante incidente sobre a remuneração registrada na CTPS da babá, forçosa é a conclusão de que a apresentação das respectivas guias de recolhimento, aliada à apresentação de tais Carteiras, pressupõe o pagamento da referida remuneração. 12. Requer, ao final, seja cancelada a NFLD, com a conseqüente extinção do crédito tributário por ela exigido. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 347DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 346 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 318. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações Fl. 348DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC Fl. 349DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 347 7 (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do Fl. 350DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a Fl. 351DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 348 9 lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 352DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. No caso, a NFLD referese a pagamentos feitos á título de AUXÍLIO ACOMPANHANTE, valores estes não reconhecidos por meio da GFIP como salário de Fl. 353DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 349 11 contribuição, razão porque entendo não há de se falar em recolhimento antecipado de contribuições, devendo a decadência ser vista à luz do art. 173, I do CTN. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2006, dessa forma em aplicandose o art. 173, I do CTN, devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 11/2001. DO MÉRITO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados á título de auxílio acompanhante (também denominado pela empresa de auxílio babá). De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de auxílio babá, não representam alguma espécie de ganho para seus empregados. Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado, só podendo ser excluídos do conceito de remuneração quando expressamente previstos em lei. Ainda com relação aos pagamentos realizados à título de AUXÍLIO ACOMPANHANTE (BABÁ) em primeiro lugar esclareço que o mesmo não se confunde com Fl. 354DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 o auxílio creche, visto que ambos encontramse previstos no art. 214, § 9º do RPS, sendo que as exigências para o efetivo afastamento da verba da base de cálculo de contribuições previdenciárias são distintas. Neste sentido dispõe o texto do Decreto 3048/99 em seu art. 214: Art. 214 (...) XXIII o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as despesas; (Acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; e (Acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) Durante o procedimento fiscal, a autoridade em constatando o pagamento de auxílio acompanhante (babá), intimou o recorrente para apresentação dos documentos, fl. 96, senão vejamos: Conforme descrito no relatório fiscal: Verificouse, através da análise dos procedimentos internos formalmente estabelecidos pela Fundação para a concessão do benefício, bem como pela análise dos documentos de comprovação de despesas com babá apresentados, que o reembolsobabá, chamado de Auxílio Acompanhante, não é concedido de acordo com a legislação previdenciária, uma vez que não são exigidos mensalmente os comprovantes do pagamento da remuneração à pessoa contratada para cuidar da criança (babá), sendo exigidos apenas comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da babá e do recolhimento da contribuição previdenciária da mesma. Há, pois, que se considerar como saláriodecontribuição as remunerações pagas ou creditadas pela Fundação aos seus empregados a título de AUXÍLIOACOMPANHANTE nos períodos: de 01/1999 a 10/1999, por não haver até então previsão legal para a exclusão do reembolsobabá da base de tributação; e de 11/1999 a 09/2006, por ter sido o beneficio concedido em desacordo com as exigências da legislação previdenciária. Contudo, ao contrário do entendimento adotado pela autoridade fiscal, ratificado pela autoridade julgadora, entendo que restou demonstrado a destinação do pagamento dentro da previsão legal, não conseguindo a autoridade fiscal demonstrar que o pagamento possuía outra destinação, senão aquela descrita no texto legal. Em outras ocasiões, onde a empresa destinava pagamentos à título de auxílio babá, sem os comprovantes de pagamento mensal e de recolhimento a previdência social, proferi votos no sentido de considerar a verba como salário de contribuição, posto não comprovado o efetivo vínculo com a empregada. Contudo, no caso em questão, posicionome de forma diversa, posto que a simples ausência dos recibos de pagamento, não demonstra a ausência de vínculo, que neste Fl. 355DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 350 13 caso pode ser suprida com os comprovantes de recolhimento da contribuição previdenciária, e a assinatura da carteira de trabalho. Assim, estando dentro da previsão legal de exclusão da base de cálculo, face o auxílio alcançar os empregados que tenham filhos de até 3 anos e comprovado que os valores são pagos mediante a apresentação da CTPS assinada e a comprovação de recolhimento previdenciário, que digase não seria feito se não existisse pagamento de salário, onde é possível, inclusive identificar a base de cálculo, não há como manter o lançamento. Face o exposto e tudo mais que consta nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para excluir face a aplicação da decadência quinquenal as contribuições até 11/2001 e no mérito DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 356DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há fortes índicos da existência de recolhimentos posto que, embora não exista nos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, há um fato que me leva a supor que houve pagamentos para as contribuições decorrentes de outros fatos geradores, que não os lançados. Isso porque todas as NFLD constantes no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fl. 36, são relativas a contribuições decorrentes do pagamento de salário indireto, não havendo lançamento decorrente de valores lançados em folha de pagamento ou GFIP. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 02/10/2007, voto pela declaração de decadência para o período de 01/1999 a 09/2002. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 357DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13984.000693/2004-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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FLOBASA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Florestal Battistella S.A. Flobasa foi lavrado o auto de infração de fls. 30/32, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto em decorrência de glosa dos valores declarados como área de reserva legal e da revisão do valor do VTN declarado pela contribuinte do imóvel Fazenda Santa Luzia. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30239.410, que se encontra às fls. 121/126 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA. Tendo o recorrente trazido aos autos prova da regularidade da área de reserva legal, deve ser afastada a glosa efetuada. VTN. LAUDO DE VALOR DA TERRA BASEADO EM VALOR CONTÁBIL. Laudo técnico, assinado por engenheiro, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência fiscal a área de reserva legal. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13984.000693/200498 Acórdão n.º 920201.616 CSRFT2 Fl. 2 3 Intimada pessoalmente do acórdão em 24/07/2008 (fls. 127) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 130/141, com base no artigo 7º, inciso I do antigo Regimento Interno desta Câmara sustentando, em síntese, que a decisão foi contrária à prova dos autos, bem como contrária à legislação que determina a necessidade de prévia averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para sua exclusão da tributação pelo ITR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 302.214, de 18/09/2008 (fls. 142/144). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 149/152. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A Recorrente aponta que o v. acórdão recorrido, proferido pelo antigo Conselho de Contribuintes, contrariou a prova dos autos na medida em que reconheceu expressamente a existência da averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Nesse sentido, verifico que, de fato, o voto condutor do v. acórdão expressamente reconhece que foi comprovada nos autos a averbação da área de reserva legal, como se verifica do seguinte trecho: “Com o recurso apresentado, foi trazida cópia de certidão do registro geral de imóveis sobre a propriedade em exame, na qual se verifica que houve a averbação de área de reserva legal (Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, datado de 25 de março de 1993) no valor de 124,77 hectares.” Ocorre que o documento citado pelo I. Conselheiro não se refere ao imóvel objeto do litígio. De fato, verifico que a certidão de matrícula do imóvel cuja área de reserva legal foi glosada, qual seja a Fazenda Santa Luzia, encontrase às fls. 22 dos autos, sendo que nesse documento não há qualquer referência à averbação de reserva legal. O documento a que se refere o acórdão do E. Conselho de Contribuintes (fls. 95) é um imóvel de propriedade de Ladimir Enore Pellizzaro, arrendado à Contribuinte para a execução de projetos de florestamento e reflorestamento. A referida matrícula foi apresentada nos autos pela Contribuinte como forma de comprovar a propriedade dos bens arrolados como condição para interposição de recurso voluntário conforme determinava a IN SRF nº 264/2002. No tocante à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no Fl. 170DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “Inicio a análise do recurso pela questão da área de utilização limitada, cuja glosa decorre da falta de averbação à margem da matrícula do imóvel. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; Fl. 171DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13984.000693/200498 Acórdão n.º 920201.616 CSRFT2 Fl. 3 5 III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e Fl. 172DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13984.000693/200498 Acórdão n.º 920201.616 CSRFT2 Fl. 4 7 Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, entendo que não restou comprovada nos autos a averbação na matrícula do imóvel Fazenda Santa Luzia da área de reserva legal declarada pela Contribuinte, não havendo como ela se beneficiar de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Destarte, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer a exigência quanto à área de reserva legal. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 174DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Fl. 175DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 35950.001016/2007-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se
a contribuições incidentes sobre pagamentos realizados por intermédio de cartão de premiação.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo.
Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN.
Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/12/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 11/2001 encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.547
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso do sujeito passivo. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior e Marcelo Oliveira votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2001 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre pagamentos realizados por intermédio de cartão de premiação. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/12/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 11/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Recurso especial provido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do sujeito passivo. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior e Marcelo Oliveira votaram pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 240200.088, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção em 18/08/2009 (fls. 211/217), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 258/293). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, decidiu pela decadência; por maioria de votos, declarou a decadência até a competência 11/2000; e, no mérito, negou provimento por unanimidade. Segue abaixo sua ementa: “DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Afirma que a decisão recorrida, ao manter o lançamento das competências posteriores a 11/2000 sob a justificativa de que o prazo decadencial aplicável ao presente caso é o do disposto no art. 173 do CTN, divergiu do paradigma que apresenta, segundo o qual os Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35950.001016/200760 Acórdão n.º 920201.547 CSRFT2 Fl. 2 3 tributos sujeitos ao lançamento por homologação estão sujeitos ao prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN. Explica que o direito de lançamento do Fisco encontrase completamente decaído em relação a parte dos valores exigidos, pois já se passaram mais de cinco anos contados dos fatos geradores, sem que houvesse qualquer atitude da Fazenda no sentido de constituir tais créditos. Aponta que, no seu entendimento, houve decadência do período correspondente à novembro de 2001 em novembro de 2006. Contudo a autoridade fiscal procedeu ao lançamento somente em 19 de dezembro de 2006, inexistindo fundamento legal que imponha a necessidade de lançamento de período devidamente extinto. Ao final, requer o provimento do recurso especial interposto. Nos termos do Despacho n.º 2400247/2010 (fls. 296/297), foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional ofereceu, tempestivamente, contrarazões às folhas 300/308. Segundo seu entendimento, para que se possa cogitar de lançamento por homologação a ensejar a aplicação do art. 150, §4º do CTN, o contribuinte deve ter procedido à antecipação do pagamento do tributo. Não ocorrendo a antecipação, nada há a homologar, havendo, na verdade, lançamento de ofício, o que acarreta a aplicação do art. 173, I do CTN. Cita jurisprudência do STJ segundo a qual, em não havendo recolhimento de exação e montante a homologar, ou havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, I do CTN. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35950.001016/200760 Acórdão n.º 920201.547 CSRFT2 Fl. 3 5 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre pagamentos realizados por intermédio de cartão de premiação. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/12/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 11/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte, para declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas no presente lançamento. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002650/2004-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:1996
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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Recorrida FAZENA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Substituta (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polancyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva 2 Relatório Na DIPJ de 1997, anocalendário de 1996, a empresa optou por aplicar no FINOR a importância de R$ 104.111,44. Em 01/09/1998 a Secretaria da Receita Federal emitiu o EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS IRPJ/97 – ANO CALENDÁRIO/96 com valor zerado nas aplicações daquele Fundo, com a seguinte ocorrência: “Contribuinte com Débito de Tributos e Contribuições Federais” (Lei 9.069/95, artigo 60). Em 19 de agosto de 1999, a Recorrente protocolou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Em 04 de agosto de 2004, a DRF em Fortaleza – CE, em Despacho Decisório (fls. 51 a 53), indeferiu o PERC, sob a alegação de que, naquela data a empresa possuía pendências fiscais junto à SRF referentes a débitos de tributos e contribuições federais, conforme relatório de fls. 45 a 49. A decisão teve por base o artigo 614 do RIR/99: Art. 614. ... Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n° 9.069, de 1995, art. 60). Em 27/09/2004, a Recorrente apresentou apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 54/58), alegando: I – as informações obtidas pelo fiscal a partir do sistema de consultas da Receita Federal não podem e em nenhuma hipótese devem ser tidas como de forma absoluta para motivar o indeferimento do incentivo fiscal, em razão da inconstância das informações e, em muitas das vezes, as indicações de débitos são frutos da alocação indevida de pagamentos feitos pelo contribuinte; II – é totalmente inviável para o contribuinte de grande porte, manterse com a situação fiscal imaculada durante todo o período de tempo de validade da Certidão Negativa de Débitos; III – a atualização quase diária dos supostos débitos e a necessidade constante de liquidar as exigências da SRF; IV – o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa de Débitos, documento que basta para comprovar perante todos os órgãos a situação de regularidade fiscal durante o período em que estiver válida e que, no seu caso, na época do despacho decisório exarado em 03/08/2004, estava em processo de renovação o que demanda um certo tempo. Por este motivo, não há como conceber o indeferimento do PERC, sem que a impugnante possa anexar a CND respectiva; Processo nº 10380.002650/200458 Acórdão n.º 1801000.761 S1TE01 Fl. 105 3 Pede a nulidade e conseqüente improcedência do despacho decisório, procedendose a ordem de emissão dos incentivos fiscais. Em sessão de 27 de fevereiro de 2007, a 3ª Turma da DRJ em Fortaleza, com o Acórdão 0810.220, indeferiu a Solicitação, sob o argumento de que a contribuinte não comprovou que, na data do exercício da opção pelo benefício fiscal, em 30/04/1997, data da entrega da DIPJ/97, estava em dia com a Fazenda Pública Federal, pois não trouxe aos autos as certidões negativas SRF e da PGFN. Intimada do Acórdão 15/03/2007, interpôs Recurso Voluntário em 16/04/2007, onde repete as alegações da impugnação e pede provimento do Recurso Voluntário. É o relatório. 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal – Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A questão central deste processo é a definição data em que o contribuinte deve provar sua regularidade fiscal. Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Quando da apresentação do PERC, em 19 de agosto de 1999, a Recorrente apresentou o Certificado de Regularidade de Situação – CRS do FGTS, válido até 22/09/99 (fls. 08/), Certidão Positiva de Débito, com exigibilidade Suspensa, expedida pelo INSS (fls. 09) em 07 de abril de 1999, com validade 180 (cento e oitenta) e negativa da PGFN (fls. 10) quanto à Dívida Ativa da União expedida em 17 de maio de 1999, com validade 6 (seis) meses, mas não apresentou Certidão Negativa expedida pela SRF. Quando da apresentação da impugnação, em 27/09/2004, ela apresentou apenas Certidão Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, com Efeitos de Negativa, válida até 02/06/2004 . Da análise do processo, entendo que a Recorrente cumpriu as exigências legais de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 37. Diante do exposto, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário .(Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator
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Numero do processo: 19515.001304/2002-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO. FALECIMENTO DO CONTRIBUINTE NO CURSO DO PROCESSO. OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA.
A presunção estabelecida no artigo 42, da Lei 9.430, de 1.996, tem natureza personalíssima e admite prova em contrário, conseqüentemente, a obrigação decorrente recai exclusivamente sobre o titular dos depósitos bancários objeto da autuação.
Na hipótese de falecimento do autuado no curso do processo administrativo, o auto de infração se torna nulo posto que o crédito tributário não estava definitivamente constituído e nesta situação não cabe atribuir a terceiros sucessores a obrigação de afastar a presunção de natureza personalíssima.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.755
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado MARIA ANNA BELLI (ESPÓLIO) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO. FALECIMENTO DO CONTRIBUINTE NO CURSO DO PROCESSO. OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA. A presunção estabelecida no artigo 42, da Lei 9.430, de 1.996, tem natureza personalíssima e admite prova em contrário, conseqüentemente, a obrigação decorrente recai exclusivamente sobre o titular dos depósitos bancários objeto da autuação. Na hipótese de falecimento do autuado no curso do processo administrativo, o auto de infração se torna nulo posto que o crédito tributário não estava definitivamente constituído e nesta situação não cabe atribuir a terceiros sucessores a obrigação de afastar a presunção de natureza personalíssima. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 286DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.001304/200292 Acórdão n.º 920201.755 CSRFT2 Fl. 276 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0248, interposto pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0236, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITO BANCÁRIO FALECIMENTO DO CONTRIBUINTE NO CURSO DO PROCESSO OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA Considerando que a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996 tem natureza personalíssima e admite prova em contrário, a obrigação decorrente recai exclusivamente sobre o titular dos depósitos bancários objeto da autuação. Na hipótese de falecimento do autuado no curso do processo administrativo, o auto de infração se torna nulo posto que o crédito tributário não estava definitivamente constituído e nesta situação não cabe atribuir a terceiros sucessores a obrigação de afastar a presunção de natureza personalíssima. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Há divergência de entendimentos: Acórdão 10247643: Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO DE DADOS Inexiste proteção ao sigilo bancário quando o contribuinte oferece esses dados em atendimento à intimação expedida pelo Fisco e não se manifesta contra à sua utilização durante todo o procedimento e conclusão do feito. NORMAS PROCESSUAIS — VIGÊNCIA DA LEI — A lei que dispõe sobre o Direito Processual Tributário tem aplicação imediata aos fatos futuros e pendentes. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ESPÓLIO COMPROVAÇÕES Para efeitos tributários, ao espólio, exceto quanto à responsabilidade tributária, se aplicam as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas físicas. Cumpre ao inventariante efetuar as comprovações exigidas pelo fisco que caberiam ao de cujus, antes do transcurso do prazo decadencial, mormente quando apresentavam declaração de IRPF em conjunto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada. Recurso negado. 2. O acórdão ora recorrido afastou a presunção prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, sustentando que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários é de natureza personalíssima, não podendo ser transferida ao Espólio, motivo pelo qual a autuação foi cancelada; 3. Pelo Art. 121 do CTN, o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa física ou jurídica obrigada por lei ao cumprimento da prestação tributária principal, esteja ou não em relação direta e pessoal com a situação que constitua o fato gerador; 4. No caso em tela, sabese que a contacorrente na qual foram realizados os depósitos de origem não comprovada, pertencia a Maria Anna Belli. Com a abertura da sucessão, a responsabilidade passou para o seu Espólio. Portanto, a este pertence a conta corrente motivadora do auto de infração, tornando possível a presunção do Art. 42 da Lei 9430/1996; 5. A legislação tributária, mais especificamente as normas que regem o processo administrativo fiscal e a tributação de omissão de receitas com base em depósitos bancários, não excetuou a comprovação por parte do espólio; 6. Desse modo, demonstrada a responsabilidade tributária do espólio, deve ser mantida a presunção do art. 42 da lei n Q 9.430/96, já que não restou devidamente comprovada a origem dos valores depositados; 7. Em face do exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente recurso. Por despacho, fls. 0269, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.001304/200292 Acórdão n.º 920201.755 CSRFT2 Fl. 277 5 Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 290DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O presente recurso possui seu fundamento no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Como esclarecimento, o cerne da questão trata da possibilidade, ou não, de utilização da presunção expressa no Art. 42 da Lei 9.430. de 1996, sobre espólio. Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como consta do texto legal, os valores serão considerados como receitas se o titular da conta de depósito ou de investimento não “comprovar” a origem dos recursos utilizados. Nesse caso o Fisco deve utilizar a presunção, mas o titular poderá, no curso do processo administrativo fiscal, fazer prova em contrário, demonstrando que àqueles valores não deveriam ser tributados. Portanto, como a guarda da documentação e a possibilidade de utilização da presunção recaem sobre o titular da conta, obrigação personalíssima, não cabe o lançamento em nome do espólio. Não se deve confundir essa possibilidade de utilização de presunção com responsabilização tributária, expressa no Art. 121 do CTN. Fl. 291DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.001304/200292 Acórdão n.º 920201.755 CSRFT2 Fl. 278 7 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A digna Procuradoria alega que não há determinação legal sobre a não utilização da presunção sobre o espólio, mas não há, também, a determinação legal para que a utilização dessa presunção seja válida sobre o espólio. Posição esclarecedora consta do acórdão recorrido, aprovado por unanimidade, de lavratura da nobre Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, que utilizaremos como razão de decidir: “No entanto, no caso em tela, me pergunto como a contribuinte poderia ter exercido o seu direito de defesa, se já havia falecido? Conforme se depreende dos autos, sequer foi a contribuinte que apresentou os extratos de sua conta corrente, isto foi feito por seu filho, pois a mesma já havia falecido. Se a dificuldade de comprovar individualmente a origem dos recursos depositados em conta corrente já é grande pelo próprios titulares das contas, tornase portanto impossível para seus sucessores. Entendese portanto que o dever de comprovar a origem dos recursos depositados em conta corrente de titularidade do contribuinte é personalíssimo, não se podendo cogitar a transmissão da obrigação aos sucessores do titular desse dever, uma vez que as obrigações destes não se confundem com a do "de cujus". Neste sentido, me valho do entendimento da nobre colega Conselheira Heloisa Guarita, que com maestria analisou no Acórdão n° 10422.290, proferido em 28/03/2007, situação análoga, o qual aqui transcrevo por tão bem representar meu entendimento sobre a questão: "É certo que o espólio responde pelas dividas do "de cujus", sendo a inventariante eleita como a responsável tributária (artigos 131, III, do CT1V). É certo, também, que essa responsabilidade alberga os créditos tributários já definitivamente constituídos, os em curso de constituição na data do evento motivador da responsabilidade (no caso, morte), e aqueles atos constituídos posteriormente ao evento motivador da responsabilidade (no caso, morte), desde que relativos à obrigação tributária surgida até a data daquele mesmo evento (morte), nos termos do artigo 129, do CTN: Fl. 292DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Porém, o crédito tributário objeto do presente lançamento tem por fundamento legal o artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que tem em seu núcleo uma obrigação não só de caráter pessoal, como personalíssima, dirigida ao contribuinte, que não pode ser transferida ao responsável tributário. ... Ora, se é faticamente impossível intimar o titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários, porque falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no artigo 42, supratranscrito, tendo em vista o princípio da legalidade tributária. Caso contrário, estarseá transformando uma presunção relativa em presunção absoluta, ao se tomar a totalidade dos depósitos como não comprovados. Sob outra ótica, estarseá violando o princípio da legalidade ao se dirigir a intimação —elemento essencial da norma jurídico tributária do artigo 42 para a inventariante, já que ela não se confunde com o "de cujus ". A responsabilidade tributária por sucessão somente estaria presente, mesmo considerando que os fatos motivadores da autuação são anteriores ao falecimento do contribuinte, se fosse material e autonomamente possível a aplicação da regra legal embasadora do lançamento, o que não acontece, em função das características essenciais do artigo 42, já destacadas. Isto é, se a obrigação tributária decorrente do comando do artigo 42 é de nascimento impossível — pela impossibilidade de intimação do titular da conta bancária —nem mesmo há de se cogitar na hipótese de responsabilidade tributária uma vez que ela é dependente de uma obrigação tributária préconstituída, inexistente no caso concreto. Com isto querse dizer que o instituto da responsabilidade tributária não é autônomo, mas pressupõe a existência de uma obrigação tributária pré constituída (independentemente da sua formalização ou declaração pelo lançamento) e cujo cumprimento não foi honrado pelo contribuinte, por qualquer uma das situações previstas no Código Tributário Nacional. Sobre esse caráter de "norma secundária" da responsabilidade tributária, vale dizer, de dependente da norma principal, que institui a obrigação tributária, MISABEL ABREU MACHADO DERZI, atualizando a obra "Direito Tributário Brasileiro ", de Aliomar Baleeiro, ensina de forma clara e didática: "Toda vez que estamos diante da eleição de um responsável por lei, estamos diante de duas normas jurídicas interligadas. A primeira é a norma básica ou matriz, a que já nos referimos anteriormente, que disciplina a obrigação tributária principal ou acessória. A segunda é a norma complementar ou secundária, dependente da primeira, que se presta a alterar apenas o aspecto subjetivo da conseqüência da norma anterior, uma vez ocorrido o fato descrito em sua hipótese. Nesse sentido, podemos falar em hipótese ou fato gerador básico ou matriz e em fato gerador secundário, complementar e dependente. Se não ocorrer o fato descrito na hipótese de incidência da norma básica ou matriz, ou Fl. 293DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.001304/200292 Acórdão n.º 920201.755 CSRFT2 Fl. 279 9 mesmo ocorrendo e estando extinta a obrigação do contribuinte, então também inexistirá a obrigação do responsável tributário. O fato gerador da norma secundária não é, assim, suplementar ou sucedâneo (chamado de Ersatztatbestand pelos alemães), nem de substituição, mas pressupõe, antes de tudo, a ocorrência do fato gerador da norma básica ou matriz (quer da obrigação principal, acessória ou das sanções)." (Editora Forense, 11" Edição, 1999, Rio de Janeiro, pág. 724 — negritos e sublinhados nossos, outros destaques do original.) Logo, a partir do momento em que o titular das contas bancárias autuadas não foi intimado para comprovar a origem dos respectivos depósitos, não se materializou o comando normativo da obrigação tributária básica ou matriz (delineada no artigo 42, da Lei n°9.430/96), o que, conseqüentemente, não deu ensejo ao surgimento da norma secundária, relativa à responsabilidade tributária por sucessão. Assim, resta evidente que o procedimento adotado pela Fiscalização, desde o seu primeiro ato, acabou por transformar o responsável tributário — espólio e seu inventariante— em verdadeiro contribuinte do IRPF, objeto dessa autuação. A propósito, ressalto que as diversas decisões desse Conselho que atribuem e reconhecem a responsabilidade do espólio pelas obrigações tributárias do "de cujus" referemse a situações em que o lançamento foi feito ainda contra o "de cujus", o que, como visto, difere do caso concreto. A título de exemplo, destaco: "ESPÓLIO RESPONSABILIDADE Responde o espólio pelos tributos devidos, inclusive decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, caso constatado o ilícito e lançado o crédito tributário antes do falecimento do Contribuinte. Recurso negado." (Acórdão n° 10614828, de 10.08.2005, Relator Cons. José Carlos da Matta Rivitti — grifos nossos)" Assim como no caso em tela não foi dado a titular da conta a possibilidade de comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, por ter a mesmo falecido durante o processo de fiscalização e tendo o auto de infração sido lavrado após este fato, não há como persistir o lançamento por total afronte a determinação da presunção relativa prevista no art.42, Lei 9.430/96, que permite, a qualquer tempo durante o processo adminitrativo, prova em contrário. Este direito não pode ser devidamente exercido pela contribuinte por ter a mesma falecido antes de finalizada a fiscalização. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 Portanto, devido ao exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário da digna Procuradoria. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da nobre Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 295DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001465/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/10/2005
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-001.971
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela empresa acima identificada contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Brasília , fls 95/102, que declarou procedente o crédito consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.º 37.007.7520. Foram contempladas no crédito as contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios acidentários, além daquelas devidas a outras entidades e fundos. O fatos geradores, conforme o Relatório Fiscal, fls. 41/45, foram as remuneração pagas aos segurados empregados e declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. No recurso apresentado, a empresa alegou, em apertada síntese, que: a) é inexigível o depósito recursal prévio; b) sofreu cerceamento ao seu direito de defesa, na medida que o lançamento não apresenta as informações necessárias à perfeita compreensão do cálculo das contribuições lançadas; c) a responsabilidade tributária, na presente situação, caso não pode ser imputada aos dirigentes da empresa; d) é ilegal a aplicação da taxa de juros SELIC para fins tributários; e) a multa é inconstitucional, em face do seu caráter confiscatório. Ao final, requer a declaração de improcedência da NFLD. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11853.001465/200748 Acórdão n.º 240101.971 S2C4T1 Fl. 125 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado a destempo, conforme data da ciência do acórdão da DRJ em 20/03/2007, fl. 19/20, e data de protocolização da peça recursal em 20/04/2007, fl. 106. Portanto não deve ser conhecido, posto que o dia 19/04/2004 foi a data limite para a apresentação do recurso. Eis que a Portaria MPS n.º 520, de 19/05/2004, que disciplinava, na época da apresentação do recurso, o contencioso administrativo tributário de exigência de contribuições sociais, fixava em trinta dias, contados da ciência da decisão original, o prazo para interposição de recurso, nos seguintes termos: Art. 24. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social caberá recurso voluntário, com efeito suspensivo, dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição do recurso ou oferecimento de contrarazões, contados, respectivamente, da ciência da decisão ou da entrada do processo no órgão responsável pelo julgamento. (...) Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 17883.000044/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN.
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PERCENTUAL. LIMITE ANUAL ULTRAPASSADO.
Comprovado nos autos que a receita bruta da contribuinte se originava da prestação de serviços e que a mesma ultrapassou o limite anuaL de R$ 120.000,00, mantém-se o auto de infração que calculou o lucro presumido com o coeficiente de 32% e não de 16% adotado pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO.NO PERCENTUAL DE 75%. CONFISCO.
É inaplicável às multas o conceito de confisco, o qual é dirigido unicamente aos tributos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Nos lançamentos efetuados de ofício pela autoridade competente, por expressa disposição legal, é cabível a imposição da multa de ofício e dos juros de mora aos débitos regularmente formalizados em auto de infração, não pagos no vencimento.
Numero da decisão: 1202-000.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PERCENTUAL. LIMITE ANUAL ULTRAPASSADO. Comprovado nos autos que a receita bruta da contribuinte se originava da prestação de serviços e que a mesma ultrapassou o limite anuaL de R$ 120.000,00, mantém-se o auto de infração que calculou o lucro presumido com o coeficiente de 32% e não de 16% adotado pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO.NO PERCENTUAL DE 75%. CONFISCO. É inaplicável às multas o conceito de confisco, o qual é dirigido unicamente aos tributos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Nos lançamentos efetuados de ofício pela autoridade competente, por expressa disposição legal, é cabível a imposição da multa de ofício e dos juros de mora aos débitos regularmente formalizados em auto de infração, não pagos no vencimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PERCENTUAL. LIMITE ANUAL ULTRAPASSADO. Comprovado nos autos que a receita bruta da contribuinte se originava da prestação de serviços e que a mesma ultrapassou o limite anuaL de R$ 120.000,00, mantémse o auto de infração que calculou o lucro presumido com o coeficiente de 32% e não de 16% adotado pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO.NO PERCENTUAL DE 75%. CONFISCO. É inaplicável às multas o conceito de confisco, o qual é dirigido unicamente aos tributos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Nos lançamentos efetuados de ofício pela autoridade competente, por expressa disposição legal, é cabível a imposição da multa de ofício e dos juros de mora aos débitos regularmente formalizados em auto de infração, não pagos no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000044/200729 Acórdão n.º 1202000.608 S1C2T2 Fl. 134 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o presente processo da lavratura de Auto de Infração para a exigência do IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 51.908,73, já incluídos a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora, com base na taxa Selic, fls. 27 e ss. Segundo a fiscalização, fls. 28, a empresa teria aplicado, incorretamente, o percentual de 16% sobre as receitas da atividade para fins de determinar o lucro presumido, ao invés de aplicar o percentual de 32% estipulado para as empresas prestadoras de serviços. A base legal utilizada foram os arts. 518 e 519 do RIR/99. Somente teria direito ao percentual reduzido de 16% àquelas empresas prestadoras de serviços cuja receita bruta anual seja inferior a R$ 120.000,00, hipótese não verificada no presente caso. O Contrato Social da autuada, fls. 33, estabelece o objeto social da empresa: “O objeto da sociedade é: CONCRETO, PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA E CONSTRUÇÃO CIVIL”. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou sua impugnação, cujos principais pontos abordados podem ser assim sintetizados: i) falta clareza na fundamentação legal da autuação, acarretando cerceamento do direito de defesa e, portanto, requer a nulidade do auto de infração; ii) deve ser assegurada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário mediante a interposição de impugnação ou de recurso administrativo; Fl. 134DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000044/200729 Acórdão n.º 1202000.608 S1C2T2 Fl. 135 3 iii) o agente fiscal não indicou qual o valor do faturamento que originou a autuação, nem descreveu o art. 518 do RIR/99; iv) é vedada a imposição de multa com efeito confiscatório; v) pede a nulidade do lançamento e, sendo este negado, que o auto seja julgado improcedente. Ainda, caso não sejam reconhecidos os direito antes elucidados, requer seja afastada a incidência dos juros e da multa. Na sequência foi emitido o Acórdão nº 1224.344 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 77 a , com o seguinte ementário: NULIDADE. INOCORRÊNCIA, O atendimento aos preceitos estabelecidos na legislação tributária relativos ao processo administrativo fiscal bem como a observância do amplo direito de defesa do contribuinte afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE APLICÁVEL NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Nas atividades de construção civil, o percentual a ser utilizado para determinação da base de cálculo do imposto de renda para a empresa que execute de obras de construção civil por empreitada será de 8%, quando houver emprego de material em qualquer quantidade, e de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra. Este percentual somente poderá ser reduzido para 16% se comprovado que o valor da receita bruta anual for inferior a R$ 120.000,00. IMPUGNAÇÃO E RECURSO ADMINISTRATIVO. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. SUSPENSÃO. A apresentação de impugnação ou recurso em processo administrativo fiscal suspende automática e obrigatoriamente a exigibilidade do crédito tributário questionado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese a tributos e não a multa, e se dirige ao legislador. MULTA DE OFICIO. LANÇAMENTO. A multa de oficio é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos e contribuições decorrentes de lançamento de oficio, nos percentuais previstos de 75% ou 150%, conforme a infração. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1995, serão acrescidos de juros de mora, equivalentes, a partir de 1º de abril de 1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais. Lançamento Procedente Fl. 135DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000044/200729 Acórdão n.º 1202000.608 S1C2T2 Fl. 136 4 Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim resumidos: i) o lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Além disso, o auto de infração foi lavrado por autoridade competente e apresenta os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. ii) observase que a interessada foi cientificada e recebeu cópia dos autos de infração e do Termo de Constatação e Infração Fiscal e pôde impugnar livremente o lançamento, demonstrando entender a autuação e garantindose, de fato, o direito ao contraditório e à ampla defesa. iii) não faz nenhum sentido o autuado aventar e o julgador apreciar efeito suspensivo para a impugnação, pois a simples apresentação da impugnação suspende automática e obrigatoriamente a exigibilidade do crédito tributário. iv) o princípio Constitucional do nãoconfisco diz respeito à instituicão de tributos e não às penalidades pecuniárias. v) os valores informados na DIPJ da interessada, nos quatro trimestres de 2002 (fl. 06 verso e anverso) são exatamente os mesmos utilizados pelo autuante no auto de infração em comento, quais sejam, R$ 214.842,34, R$ 251.086,20, R$ 137.718,00 e R$ 134.402,52. vi) está demonstrado que a receita bruta anual da interessada, no montante de R$ 738.049,06 (R$ 214.842,34 + R$ 251.086,20 + R$ 137.718,00 + R$ 134.402,52), supera a quantia de R$ 120.000,00, condição esta que impossibilita aplicação do percentual de 16% como deseja a autuada. vii) o pleito de afastar a multa de ofício e os juros de mora não podem ser atendidos, posto que decorrem de expressa previsão legal. Não satisfeito com a decisão proferida, a empresa ingressou com recurso voluntário perante este colegiado, mediante arrazoado de fls. 87 a 90, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre afastar a preliminar de nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. Compulsando os documentos do presente processo, verificase que o auto de infração contém todos os elementos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no Fl. 136DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000044/200729 Acórdão n.º 1202000.608 S1C2T2 Fl. 137 5 art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, que regula o processo administrativo fiscal. Além disso, a autuada teve a plena oportunidade de se defender do lançamento efetuado pela fiscalização, apresentando suas razões de defesa na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar ciente dos motivos da autuação. Esclareçase à defesa que as nulidades dos atos administrativos somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, fatos que definitivamente não ocorreram no presente caso: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Face ao exposto, entendo que não ficou caracterizada violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, devendo ser afastada a preliminar de nulidade do auto de infração. Passo ao exame do mérito. A controvérsia do presente processo diz respeito em definir se a autuada pode aplicar o percentual de 16% na apuração do lucro presumido, como consta em sua declaração DIPJ, ou se o percentual a ser aplicado deve ser 32%, como entendeu a autoridade lançadora. O acórdão recorrido fundamenta seu voto no sentido de que a receita bruta anual, apurada segundo informações da DIPJ, supera o valor limite de R$ 120.000,00 e, portanto, impossibilita a aplicação do percentual de 16%, como deseja a autuada. Já a recorrente alega que o agente fiscal não indicou qual o valor do faturamento que originou a autuação, nem transcreveu o art. 518 do RIR/99 . Creio que não assiste nenhuma razão à recorrente. Por oportuno, cabe transcrever os dispositivos legais que fundamentaram a autuação, fls. 28. Os arts. 518 e 519 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/99, tratam da determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, para fins do cálculo do lucro presumido: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts.1º e 25, inciso I). Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000044/200729 Acórdão n.º 1202000.608 S1C2T2 Fl. 138 6 §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalar; [...] § 4º A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). [destaques meus] Como se percebe da leitura dos dispositivos legais acima transcritos, as atividades que prestam serviços em geral devem apurar o seu lucro presumido com base na aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta auferida no período de apuração. Já o § 4º do art. 519, prevê para aqueles pequenos prestadores de serviço, com baixa receita bruta, de até R$ 120.000,00, um percentual mais favorecido, de 16%. Entretanto, não é o caso que aqui se está tratando. A receita bruta auferida pela autuada, no primeiro trimestre de 2002, foi de R$ 214.842,34, conforme informado pela própria empresa em sua declaração DIPJ, fls. 06. Assim, logo no primeiro trimestre de apuração do imposto de renda, a receita bruta auferida ultrapassou o limite legal estabelecido, de R$ 120.000,00, não podendo ser aplicado o percentual de 16% para apuração do lucro presumido como pretende a interessada. Registrese, por oportuno, que resta incontroverso nos autos de que a empresa tem como atividade a prestação de serviços no ramo da construção civil, consoante percentual do lucro presumido aplicado pela autuada em sua DIPJ, de 16%, além de informação prestada pela própria autuada, fls. 24. Dessa forma, entendo que a autoridade fiscal agiu com correção ao aplicar o percentual de 32% para apuração do lucro presumido em todos os trimestres do ano de 2002. Este também é o entendimento exarado em acórdão do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão nº 10806418, sessão de 21/02/2001, cuja parte da ementa abaixo se transcreve: IRPJ – LUCRO PRESUMIDO ANO DE 1996 COEFICIENTES PARA EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS Inaplicável o benefício previsto no art. 40 da Lei nº 9.250/95 à empresa prestadora de serviço de corretagem, quando o somatório das receitas declaradas com as omitidas, apuradas pela fiscalização no ano de 1996, ultrapassar a R$ 120.000,00, devendo a receita declarada se sujeitar ao coeficiente de 32% para a determinação do lucro presumido. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000044/200729 Acórdão n.º 1202000.608 S1C2T2 Fl. 139 7 Por seu turno, fica sem nenhum sentido a irresignação da recorrente em querer saber a origem da receita bruta apurada pela fiscalização posto que, conforme já mencionado neste acórdão, a mesma foi retirada das informações da declaração DIPJ entregue pela própria autuada. Além disso, ao querer ver descrito (ou transcrito) no auto de infração, o art. 518 do RIR/99, para melhor se defender, esquece a autuada do princípio segundo o qual ninguém pode alegar o desconhecimento da lei, muito menos quando o dispositivo legal encontrase perfeitamente indicado no ato emitido pela autoridade fiscal. Quanto à aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, esclareçase à recorrente que a mesma se encontra perfeitamente enquadrada no seu dispositivo legal, no caso, o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996 (mantido o mesmo percentual com a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Ficou evidenciado nos autos que a interessada foi autuada pela aplicação errônea do percentual de apuração do seu lucro presumido e, em conseqüência, restou à fiscalização o lançamento das diferenças dos tributos não declarados e não pagos ao fisco, incidindo ao fato a norma legal acima mencionada. Assim, existindo expressa previsão legal para aplicação da penalidade, no percentual de 75%, nos casos de lançamento de ofício pela falta de pagamento do imposto e de declaração, a multa de ofício exigida deve ser mantida. Quanto ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, com violação a princípio constitucional, cabe dizer que esta autoridade julgadora não detém competência para o exame de matéria constitucional, tarefa privativa do Poder Judiciário. Não obstante tal fato, cabe esclarecer que dito Princípio Constitucional constante do art. 150, IV, da Constituição da República, só se aplica em matéria de tributos, não se incluindo as penalidades previstas na legislação. O art. 150, IV, acima mencionado, assim dispõe: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV— utilizar tributo com efeito de confisco; (grifei) Já o art. 3º do Código Tributário Nacional define o conceito de tributo, que não abrange as sanções de atos ilícitos. Sendo assim, as multas pecuniárias não são alcançadas pelo princípio acima mencionado. Jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também entendia nesse mesmo sentido, conforme ementário do Acórdão nº 10422313, sessão de 29/3/2007, abaixo transcrito, em parte: MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. No que se refere à incidência dos juros de mora aos débitos tributários não pagos no vencimento, cabe esclarecer ao contribuinte que estando em vigor a lei que determina Fl. 139DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 17883.000044/200729 Acórdão n.º 1202000.608 S1C2T2 Fl. 140 8 a cobrança dos juros de mora, como é o caso do art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a autoridade administrativa tem o dever de cumprir o mandamento legal. Nesse mesmo sentido, salientese que encontrase aprovada pela Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010, a Súmula CARF nº 4, com o seguinte teor: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Assim, existindo expressa previsão legal para aplicação dos juros de mora, aos débitos tributários não pagos no seu vencimento, os juros exigidos devem ser mantidos. Por fim, esclareçase à recorrente, que nos termos do artigo 151, caput, e seu inciso III, do Código Tributário Nacional, as reclamações e recursos administrativos, apresentados nos termos e prazos estabelecidos pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, suspendem a exigibilidade do crédito tributário em litígio até a sua decisão definitiva, de modo que a Fazenda Pública está impedida de exigir os créditos tributários discutidos neste processo enquanto os mesmos se encontrarem pendentes de recursos ou decisões administrativos, nada precisando ser requerido nesse sentido. Em face do exposto, voto no sentido de que seja rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 140DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10930.002656/97-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/01/1992 a 30/06/1992, 01/07/1992 a 31/12/1992
Passivo fictício.
Diante da presunção legal, cabe ao fisco demonstrar que obrigações já pagas foram mantidas no passivo da empresa. Demonstração apenas parcial leva a necessidade de exoneração da parcela não demonstrada.
Saldo credor de caixa.
Cabe ao fisco demonstrar a existência de saldo credor de caixa e essa prova não pode ser indireta, não podendo decorrer de outra presunção (que o valor a receber de clientes tenha sido lançado a caixa antes do efetivo recebimento).
Numero da decisão: 1302-000.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, mantendo o lançamento apenas em relação à imputação fiscal de passivo fictício no valor de Cr$ 909.874.970,25
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1992 a 30/06/1992, 01/07/1992 a 31/12/1992 Passivo fictício. Diante da presunção legal, cabe ao fisco demonstrar que obrigações já pagas foram mantidas no passivo da empresa. Demonstração apenas parcial leva a necessidade de exoneração da parcela não demonstrada. Saldo credor de caixa. Cabe ao fisco demonstrar a existência de saldo credor de caixa e essa prova não pode ser indireta, não podendo decorrer de outra presunção (que o valor a receber de clientes tenha sido lançado a caixa antes do efetivo recebimento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, mantendo o lançamento apenas em relação à imputação fiscal de passivo fictício no valor de Cr$ 909.874.970,25 (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 186 2 Relatório Tratam os autos de Recurso voluntário apresentado em relação ao acórdão DRJ que manteve o lançamento tributário de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e IRRF. O lançamento referese aos períodos de apuração 06/92 e 12/92. A autuação decorreu das seguintes infrações: 1 omissão de receitas saldo credor de caixa: omissão de receita operacional caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, conforme descrito no termo de verificação e encerramento da ação fiscal (fls. 45): Período 12/92 Valor apurado Cr$ 1.357.944.430,79. 2 omissão de receitas passivo fictício: Período 06/92 Valor apurado Cr$ 2.241.301.357,63 omissão de receita operacional caracterizada pela manutenção no passivo de obrigação já paga, conforme descrito no termo de verificação encerramento da ação fiscal (fls. 45): Enquadramento legal: arts. 157, caput § 1°, 179, 180 e 387, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.° 85.450/80 RIR/80. A DRJ decidiu conforme ementa abaixo reproduzida: IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Períodos de apuração: 06/92 e 12/92. OMISSÃO RECEITAS: Passivo Fictício 06/92 Constatada a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, presumese a ocorrência de omissão de receitas operacionais. Saldo Credor de Caixa 12/92 Se a contribuinte não logra afastar a apuração de saldo credor de caixa, subsiste incólume a presunção de receitas omitidas em montante equivalente. COFINS Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social. Período de apuração: 06/92 e 07/92. CSL Contribuição Social sobre o Lucro. Período de apuração: 06/92 e 12/92. IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte. Período de apuração: 06/92 e 12/92. PIS Programa de Integração Social. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 187 3 Período de apuração: 06/92 e 07/92. LANÇAMENTO REFLEXIVO. Pela relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes o que ficar decidido quanto Aquele do qual decorrem. LANÇAMENTOS PROCEDENTES. Cientificado do acórdão em 10/01/1998 (sábado), a recorrente apresentou recurso voluntário em 10/02/1998. Inicialmente foi negado seguimento ao recurso em função da falta de depósito de 30% da exigência fiscal. O crédito tributário lançado foi inscrito em dívida ativa e, por decisão judicial, foi então enviado a este colegiado. Em seu recurso alega: Passivo fictício: Para que se possa comprovar a existência de passivo fictício é necessário que se adote uma metodologia precisa e que se caracteriza uma figura jurídica típica. Assim, a figura jurídica típica é correspondida com a existência de obrigações não comprovadas (que no caso não interessa) ou com a manutenção, no passivo, por ocasião do balanço, de obrigações já pagas. A fiscalização adotou a figura jurídica correspondente it segunda hipótese, como ficou comprovado na transcrição dos textos contidos nos termos elaborados pela fiscalização, segundo a qual o passivo fictício, no presente caso, estaria representado por obrigações já pagas, mantidas em aberto na escrituração comercial. A sistemática de apuração implica em que a fiscalização constate objetivamente a existência de obrigações já pagas e em aberto na escrituração comercial, por ocasião do balanço considerado. Para que se torne possível a aplicação adequada da sistemática é necessário que a fiscalização, ou a empresa, elabore uma relação contendo o elenco dos • débitos em aberto que somem exatamente o valor constante do saldo da conta de fornecedores, ou a conta do passivo a que estiver se referindo. A fiscalização não esclareceu em qualquer de seus termos em qual das contas do passivo ocorreu a manutenção de débitos em aberto que já haviam sido pagos. Como se verifica de fls. 09 verso, DIRPJ, diversas contas apresentam saldo no passivo da empresa. Poderseia supor que o passivo fictício correspondesse aos valores correspondentes aos cheques cujas cópias se encontram entre fls. 21 a 32. Tal suposição, porém, não encontra respaldo em qualquer afirmativa contida em qualquer das peças elaboradas pela fiscalização e além disso somam apenas Cr$ 796.967.647,56, não podendo, portanto, corresponderem ao passivo fictício de Cr$ 2.241.301.357,63. Ademais, em nenhum Fl. 215DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 188 4 momento a fiscalização referiuse a tais cheques nem a outros valores objetiva e especificamente detalhados. Sado credor de caixa. A montagem de saldo que a fiscalização procedeu padece de absoluta falta de racionalidade e lógica. A fiscalização partiu do saldo de caixa obtido na contabilidade em Cr$ 24.242.102,00 e dele exclui o valor de Cr$ 3.623.487.890,42 que a empresa informou corresponder As vendas a prazo efetuadas no mês de julho de 1992 e que venceriam durante o mês de agosto de 1992. Como se pode observar o valor de Cr$ 3.623.487.890,42 está indicado pela empresa no relatório de fls. 34, como sendo correspondente a "VENCIMENTOS EM AGOSTO DE 1992". Em nenhum momento, porém, a fiscalização comprova que tais valores foram recebidos em agosto de 1992 ou em outra data qualquer. Ora, o vencimento de um crédito ou compromisso não representa ingresso ou saída de caixa, o que representa efetiva movimentação financeira é a ocorrência fática do pagamento ou recebimento. Esta claro que a fiscalização obrou em mera presunção sem qualquer base legal. Para constatar a existência de saldo credor de caixa deveria a fiscalização ter demonstrado diariamente a efetiva movimentação financeira mediante a inclusão dos valores que comprovasse terem sido sonegados da contabilização necessária. Não bastassem as presunções acima indicadas e não provadas, consta ainda do demonstrativo, "Estorno de passivo fictício descrito no item 1, baixado em 07/92, fls. 10 a 32 Cr$ 2.241.301.357,63", quando se verifica que as folhas 10 a 32 correspondem a movimento registrado no razão da empresa do mês de junho (e não julho 07/92). Se o passivo fictício não foi provado em junho, como poderia a fiscalização provar seu "estorno" em julho ? Nenhum documento comprova sequer o estorno, o que reafirma a inconsistência da apuração do saldo de caixa. A base tributada, como se fosse saldo credor de caixa é absolutamente inconsistente e não leva em consideração a situação fática dos registros contábeis e operações da empresa. Voto O recurso é tempestivo (intimação do acórdão DRJ foi realizada em um sábado, dia 10/01) e deve ser conhecido. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 189 5 Passo a análise de cada uma das infrações imputadas à recorrente. Passivo fictício. No termo de verificação fiscal de fls. 45, consta: 1. Passivo Fictício O contribuinte no período base de 1.992, apurou o lucro real semestralmente, conforme declaração, fls. 04 a fls. 09, no período base de 01.01.92 a 30.06.92, verificouse um passivo fictício de CR$ 2.241.301.357,63, documentos de fls. 10 a fls. 32. De acordo com o artigo 228, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 1.041/94, a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão de receita. Sobre o tema, manifestouse a DRJ: Conforme se verifica às fls. 12/21, a interessada, injustificadamente, novamente registrou no razão das contas Fornecedores, sob o histórico "Reclassif. Pgto.", débitos já quitados (fls. 22/32). Assim, de forma implícita, a impugnante está concordando com a ocorrência do fato descrito na lei (manutenção no passivo de obrigações já pagas) que autoriza a presunção de omissão no registro de receitas, sem trazer prova alguma que afaste tal presunção. 0 que se • está a discutir não é o pagamento, ou não, dos títulos, mas sim a sua manutenção no passivo, após pagos, de forma indevida, a fim de mascarar receitas não escrituradas. Essa parcela do passivo é fictícia, ou seja, simulada, justamente por apresentar obrigações que já foram quitadas. A sua manutenção, no passivo, representa valor de receita ilegalmente subtraído da incidência tributária. Como de pode observar, a fiscalização afirma que os documentos de fls. 10 a 32 estariam as provas da constatação de passivo fictício. Verifico que a fls. 11 a 21 foram trazidas cópias do Livro Razão e , da conta Fornecedores. Nas fls. 22 a 32, constatase a existência de cópias de boletos e cheques que demonstram que parcela dos valores lançados na conta fornecedores como ainda não quitados, já o foram. No entanto, o valor total dos cheques e boletos trazidos aos autos (não considerando as duplicidades – boleto e cheque da mesma compra) alcançam Cr$ 909.874.970,25 e não os Cr$ 2.241.301.357,63 afirmados pela fiscalização ou os Cr$ 796.967.647,56 afirmados no recurso. Observo que todos os cheques/boletos que confirmam o pagamento das compras efetuadas pela recorrente forma mantidos em aberto na contabilidade de fls. 11 a 21. Diante do exposto, sendo necessário que a fiscalização prove o fato presuntivo (passivo fictício), voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário nessa matéria, reduzindo a matéria tributável de Cr$ 2.241.301.357,63 para Cr$ 909.874.970,25. Saldo credor de caixa. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 190 6 2. Saldo Credor de Caixa A empresa contabilizou em 31.07.92, o saldo da conta Clientes como sendo de CR$ 256.685.259,54, fls. 36!. Conforme demonstrativo de fls. 34, este saldo deveria ser de no mínimo CR$ 3.623.487.890,42, que seria , os valores a receber dos clientes no mês de Agosto/92, de acordo com o demonstrativo da empresa,fls 34. Desta forma o valor de CR$ 3.623.487.890,42 está suprindo ficticiamente a conta caixa, já que esse valor ainda não foi recebido; e deveria estar escriturado na conta cliente. A seguir demonstramos o saldo correto da conta caixa em 31.07.92. Saldo Credor de Caixa em 31.07.92 * Foi considerado o passivo fictício descrito no item 1, porque o contribuinte baixou o total durante o período domes de 07/92, contra a conta caixa. Desta forma, o saldo credor de caixa apurado em 31.07.92 de CR$ 1.357.944.430,79, será lançado como omissão de receita de acordo com o artigo 228 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 1.041/94. Reproduzo a tabela de fls. 34, acima citada: Fl. 218DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 191 7 Sobre o tema, afirma a decisão DRJ: Sobre a matéria, afirma o recurso: A fiscalização partiu do saldo de caixa obtido na contabilidade em Cr$ 24.242.102,00 e dele exclui o valor de Cr$ 3.623.487.890,42 que a empresa informou corresponder As vendas a prazo efetuadas no mês de julho de 1992 e que venceriam durante o mês de agosto de 1992. Como se pode observar o valor de Cr$ 3.623.487.890,42 está indicado pela empresa no relatório de fls. 34, como sendo correspondente a "VENCIMENTOS EM • AGOSTO DE 1992". Em nenhum momento, porém, a fiscalização comprova que tais valores foram recebidos em agosto de 1992 ou em outra data qualquer. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 192 8 Ora, o vencimento de um crédito ou compromisso não representa ingresso ou saída de caixa, o que representa efetiva movimentação financeira é a ocorrência fática do pagamento ou recebimento. Está claro que a fiscalização obrou em mera presunção sem qualquer base legal. Para constatar a existência de saldo credor de caixa deveria a fiscalização ter demonstrado diariamente a efetiva movimentação financeira mediante a inclusão dos valores que comprovasse terem sido sonegados da contabilização necessária. Embora a imputação fiscal não tenha sido adequadamente combatida pela impugnação ou pelo recurso, entendo que, sendo a prova da ocorrência do fato presuntivo um ônus da fiscalização, deve este colegiado verificar se aquele fato foi adequadamente provado. A fiscalização parte do saldo de caixa em 31/07/1992 (Cr$24.242.102,00), dele subtrai o valor apurado em “clientes a receber”, conforme fls. 34 (Cr$ 3.623.487.890,42), depois estorna o valor do passivo fictício descrito no item I deste lançamento, baixado em 07/92 (Cr$ 2.241.301.357,63), restando um saldo credor de caixa recomposto de Cr$ 1.357.944.430,79. O raciocínio da fiscalização é no sentido de que o valor de Cr$ 3.623.487.890,42 teria sido lançado a débito de caixa em 07/92, evitando, com esse lançamento indevido, o “estouro” do caixa. No entanto, não traz aos autos qualquer evidência de que isso tenha ocorrido. Entendo que, diante de uma presunção legal, o ônus da prova do fato presuntivo é do fisco e essa prova deve ser conclusiva, o que não ocorreu no caso em análise. Poderia se argumentar que seria o caso de solucionar a dúvida por diligência. No entanto, mesmo que fosse viável uma diligência em relação a fatos ocorridos em 1992 (dezenove anos atrás), essa seria para produzir prova cujo ônus não foi desincumbido por quel tinha o dever de fazêlo oportunamente. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso nesta matéria. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, mantendo o lançamento apenas em relação à imputação fiscal de passivo fictício no valor de Cr$ 909.874.970,25 (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 220DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10930.002656/9725 Acórdão n.º 130200.781 S1C3T2 Fl. 193 9 Fl. 221DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 29/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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