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Numero do processo: 10670.003372/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.731
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de inscrever na previdência social segurado empregado que lhe preste serviços, mediante preenchimento dos documentos que o habilitem ao exercício da atividade e formalização de seu contrato de trabalho, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003372/200814 Acórdão n.º 2402002.731 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 17 da Lei 8.213/1991, combinado com os arts. 16 e 18, inciso I e parágrafo 1°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de inscrever o segurado empregado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 15/18), a empresa deixou de inscrever segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), listados na planilha de fl. 22. Esse Relatório informa ainda que a empresa não incluiu esses segurados em nenhuma outra categoria, situação verificada por meio da análise dos relatórios das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), entregues no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. Para comprovar a situação, foram anexadas diversas cópias das folhas de registro, atestados médicos com justificativa de faltas e/ou atrasos, carta de advertência por ausência do horário de trabalho e termo de rescisão do contrato de trabalho (fls. 21/75). O Relatório da multa (fls. 18) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 133 e 134, ambos da Lei 8.213/1991, c/c art. 283, caput e parágrafo 2o, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$60.234,72, correspondentes a 48 segurados não inscritos, ou seja, R$1.254,89, para cada inscrição não efetuada, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77. de 11 de março de 2008. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/07/2008 (fls.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 86/95) – acompanhada de anexos de fls. 96/342 –, alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente. Argui cerceamento de defesa, sob o fundamento de que a Autarquia não logrou êxito em demonstrar que a realidade fática dá ensejo ao fato gerador de contribuições previdenciárias que é objeto do AI ora impugnado, visto que o acervo probatório reunido pela Autarquia não leva à conclusão de que os trabalhadores mantiveram vínculo empregatício com a autuada, e sim, de que prestaram serviços de forma autônoma; 2. No mérito. Argui inexistência de infração e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, sob os seguintes fundamentos: (i) inicialmente, é preciso ressaltar que ao contrário do que o auditor fiscal, capciosamente, quer fazer crer, a empresa autuada possui atualmente apenas seis empregados, sendo certo que os mesmos encontramse devidamente registrados (conforme faz Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 prova os documentos anexos), a saber: Luciana Mara de Souza, Katia Emiliene Cardoso Rodrigues, Danilo Eduardo Lopes, Marize da Silva Nunes Correa, Elaine Beatriz Cardoso Rodrigues e Maria Helena Pereira dos Santos, e inscritos na Previdência Social, bem como é certo que, em relação aos mesmos, foi devidamente recolhido e repassado o valor da contribuição previdenciária; (ii) veja, pois. que não tem razão de ser a lista de supostos segurados emitida pelo auditor fiscal, muito menos a alegação de os mesmos deveriam constar nas folhas de pagamento da empresa e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência; (iii) excetuando aquelas pessoas que foram devidamente registradas ao longo do tempo, como empregados da empresa autuada (docs. anexos), todas as demais indicadas no relatório do auditor fiscal jamais tiveram qualquer relação de emprego com a empresa autuada; (iv) a empresa autuada consiste em uma microempresa, simples saldo de beleza, que conta com a ajuda de alguns empregados e de vários autônomos/prestadores de serviços; (v) os referidos prestadores de serviços/autônomos tinham e têm autonomia, atendiam e atendem seus próprios clientes, usavam e usam seus próprios instrumentos de trabalho, apenas utilizando o espaço cedido pela autuada etc; (vi) a necessidade permanente da empresa era suprida por aqueles que eram e são de fato empregados da autuada; (vii) eventual controle de jornada (seja por meio de atestados médicos, carta de advertência, etc) se de fato foi realizada pela empresa autuada, foi tão somente em relação aos empregados da empresa e não aos referidos prestadores de serviços/autônomos; (viii) a cláusula quarta “item b” constante do contrato de arrendamento invocada pelo auditor, por si s6, não tem o condão de caracterizar subordinação entre as partes. Isso porque o simples fato do referido dispositivo determinar quem devem ser observados os dias e horários de funcionamento do Studio de Beleza Chez Marie, não implica em controle da jornada de trabalho dos prestadores de serviços/autônomos e nem mesmo poderia. Como cediço, é o cliente e não o dono do estabelecimento que escolhe e marca o horário em que pretende ser atendido; (ix) assim, pela própria natureza do serviço, é impossível dizer se havia controle de jornada e/ou subordinação sobre os prestadores de serviço por parte da autuada; (x) referida cláusula deve ser interpretada de forma que se entenda que o prestador de serviço/autônomo, ao organizar a sua agenda, deve se ater aos horários de funcionamento da empresa autuada, isto é, considerando que a empresa autuada fecha suas portas aos domingos, o prestador de serviços não poderá lá comparecer em tal dia, ou seja, não poderá marcar de atender um cliente no domingo; (xi) pelo exposto, na relação havida com a autuada inexiste qualquer indício de subordinação, exclusividade e, até mesmo, salário, pois como dito, o valor repassado a tais prestadores/autônomos advinha da quantia paga pelos clientes dos mesmos (dos autônomos), sendo certo que o restante do valor era repassado h empresa autuada como forma de indenizála pelo espaço utilizado pelo prestador de serviço, não há falar em "configuração de relação de emprego entre o contribuinte e os trabalhadores"; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003372/200814 Acórdão n.º 2402002.731 S2C4T2 Fl. 3 5 3. nulidade do auto de infração por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, na medida em que. a empresa ora peticionante foi autuada para pagar o valor de R$60.234,72. sem que fosselhe concedido qualquer prazo para defesa/recurso, bem como não foram observados os requisitos estabelecidos no artigo 2° da Lei 9.789/2004; 4. na absurda hipótese de ser julgado subsistente o AI em questão, por óbvio que deverá ser excluído do montante da condenação, a multa referente aos segurados, Leonardo Santos Arcanjo, Luciana Mara de Souza e Elaine Beatriz Cardoso Rodrigues, já inscritos. 5. pugna pelo cancelamento do AI e do Termo de Exclusão do Simples Nacional; protesta pela produção de todos os meios de provas em direito admitidos, máxime, depoimento pessoal do Fiscal Autuante, oitiva de testemunhas, juntadas de documentos, perícia, etc; sob pena de caracterizarse cerceamento de defesa; requer que avisos, intimações, notificações, etc, sejam remetidos para o Escritório de Advocacia dos procuradores da Autuada, situado na Rua Buenos Aires n° 31, Centro, Montes Claros/MG, CEP 39400088. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0222.624 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 354/363) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que o valor da multa foi retificado nos seguintes termos: “[...] Assim, de acordo com os esclarecimentos prestados pela fiscalização, o valor total de multa aplicado deverá ser revisto para excluir os segurados Luciana Mara de Souza admitida em 01/09/2003, Leonardo Santos Arcanjo, registrado no livro de registro de empregado fls.037 e Elaine Beatriz Cardoso Rodrigues, que de acordo com o livro de registro de empregado, foi registrada em 01/01/2008, ou seja, antes do inicio da ação fiscal que originou a autuação. Logo, a multa total aplicada no valor de R$60.234,72 fica retificada para R$56.470,05, tendo em vista a manutenção dos 45 segurados não inscritos, ou seja, (R$1.254,89 x 45 R$56.470,05). [...]” A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 372/381), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Montes Claros/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento (fls. 383). É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 15/18). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/83) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003372/200814 Acórdão n.º 2402002.731 S2C4T2 Fl. 4 7 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 78/81) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 82/83) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 15/18. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/83) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação à nulidade do ato administrativo que excluiu a empresa do SIMPLES, cumpre esclarecer que os valores lançados são oriundos do descumprimento de obrigação acessória, não tendo qualquer relação direta com o fato da empresa ser enquadrada nesse sistema de recolhimento dos tributos. Assim, tal alegação é impertinente ao presente processo. Diante disso, não acato as preliminares de nulidade ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Verificase que a Recorrente deixou de inscrever, no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados, estes fora devidamente delineados na planilha de fl. 22. A legislação de regência exige a inscrição de todos os segurados obrigatórios junto ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Lei 8.213/1991 – Lei de Benefício da Previdência Social: Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral da Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: I empregado e trabalhador avulso – pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso. §1° A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (g.n.) Em observância ao art. 17 da Lei 8.213/1991 c/c o art. 18, § 1°, do Decreto 3.048/1999, compete ao empregador efetuar a inscrição de seus empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Essa inscrição deverá ser efetuada diretamente pela Recorrente no próprio documento declaratório – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) – enviado mensalmente à Previdência, nos termos da formalização do contrato de trabalho. Esta formalização ocorre com o preenchimento dos documentos que habilitem os segurados empregados ao exercício da atividade designada pela Recorrente. Conforme disposto no art. 456 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a prova da formalização do contrato de trabalho será feita pelas anotações constantes da Carteira de Trabalho e Previdência Social, obrigatória para o exercício de qualquer emprego (art. 13 da CLT), que será apresentada ao empregador para nela anotar a data de admissão, remuneração e, se houver, condições especiais (art. 29 da CLT). Também compõe o procedimento de formalização referido o registro do empregado em livros próprios (art. 41 da CLT). A auditoria fiscal constatou que os segurados empregados, inseridos na planilha de fl. 22, não foram devidamente inscritos ao Regime Geral de Previdência Social, conforme verificação nas folhas de pagamentos e cópias dos Livros de Registros de Empregados (fls. 21/77). Isso está caracterizado no Relatório Fiscal (fls. 15/20) nos seguintes termos: “[...] Importante salientar que o Contribuinte não incluiu estes segurados em nenhuma outra categoria, situação verificada Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003372/200814 Acórdão n.º 2402002.731 S2C4T2 Fl. 5 9 através da análise dos relatórios das GFIP´s entregues no período de janeiro/06 a dezembro/07. Constatouse a infração através da análise dos documentos referentes ao período de janeiro/2006 a dezembro/2007, abaixo relacionados: 1 Livro de registro de empregado N2 01, CNPJ 00.706.826/000170, data de abertura 17/10/1997, fls. em branco No 41. 2 Livro de registro de empregado No 01, CNPJ 00.706.8261000251, data de abertura 01/02/2005, fls. em branco No 6. 3 Demonstrativo de Pagamento de Salário, recibos de pagamentos, recibos de proventos, Recibo de Salário Individual. 4 Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho da funcionária Kátia Vanessa Ribeiro de Freitas. 5 Contrato de Arrendamento ajustado entre o Contribuinte e o Segurado. 6 Atestados médicos, declaração escolar, ficha de solicitação de emprego, Contrato de Operação de Plano Coletivo por adesão de Assistência á Saúde, relação de segurados inscritos no Plano de Saúde Empresa e declaração de advertência para funcionária Eliete, emitida em 10/11/2005. 7 Arquivos digitais CHEZ I e CHEZ II – código de identificação 0c620deeb66e9a01aboeb4df20a209e6 e 8ebe855448d3cd50 11435b1acOab371d. [...]” Logo, a constatação, pela auditoria fiscal, de segurados empregados, sem a devida e correta inscrição à Previdência Social, enseja imediata autuação, nos termos do art. 142 do CTN. No caso em tela, está patente pela não comprovação dos fatos pela Recorrente e frente aos fatos jurídicos constantes das fls. 21/80, em que se comprova a não inscrição dos segurados. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos dos seguintes processos: 10670.003373/200869, 10670.003374/200811, 10670.003378/200891 e 10670.003380/200861. Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à caracterização dos segurados na qualidade de empregados –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise do processo da obrigação principal. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Esses processos assentaram em suas ementas os seguintes termos: “[...] CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 [...]”. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11128.009609/2009-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jan 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2009
LEGITIMIDADE PASSIVA NA IMPUTAÇÃO DE MULTA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. POSSIBILIDADE. ART. 95, I DO DL 37/1966. SÚMULA CARF Nº 185.
Para fins de responsabilização por infração aduaneira é parte legítima a agência, mandatário ou qualquer que concorra pelo cometimento da infração regulamentar. Inteligência do art. 95, I do Decreto-Lei 37/1966. Súmula CARF nº 185.
RETIFICAÇÃO DE MANIFESTO. FATO NÃO PUNÍVEL PELA MULTA PREVISTA NO ART. 107, IV, E DO DECRETO-LEI 37/1966. SÚMULA CARF Nº 186.
A retificação de manifesto de baldeação de carga estrangeira (BCE), após atracação da embarcação no primeiro porto nacional, conforme prevê o art. 27-A, I, a da IN 800/2007, não caracteriza prestação de informação a destempo, portanto indevida a imputação da multa do art. 107, IV, e do Decreto-Lei 37-1966. Entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 186.
Numero da decisão: 3003-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Lara Moura Franco Eduardo, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene d'Arc Diniz e Amaral.
Nome do relator: Müller Nonato Cavalcanti Silva
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RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. POSSIBILIDADE. ART. 95, I DO DL 37/1966. SÚMULA CARF Nº 185. Para fins de responsabilização por infração aduaneira é parte legítima a agência, mandatário ou qualquer que concorra pelo cometimento da infração regulamentar. Inteligência do art. 95, I do Decreto-Lei 37/1966. Súmula CARF nº 185. RETIFICAÇÃO DE MANIFESTO. FATO NÃO PUNÍVEL PELA MULTA PREVISTA NO ART. 107, IV, “E” DO DECRETO-LEI 37/1966. SÚMULA CARF Nº 186. A retificação de manifesto de baldeação de carga estrangeira (BCE), após atracação da embarcação no primeiro porto nacional, conforme prevê o art. 27- A, I, “a” da IN 800/2007, não caracteriza prestação de informação a destempo, portanto indevida a imputação da multa do art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37- 1966. Entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 186. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 96 09 /2 00 9- 71 Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.091 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.009609/2009-71 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Lara Moura Franco Eduardo, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene d'Arc Diniz e Amaral. Relatório Trata o presente processo do auto de infração por meio do qual foi formalizada a exigência da multa prevista no art. 107, IV “e” do Decreto-Lei 37/1966, no total de R$ 5.000,00 por prestação de informação intempestiva à fiscalização aduaneira sobre veículo ou carga transportada. Conforme relatório do Auto de Infração, a Recorrente prestou informações sobre carga transportada e devido registro de informações no sistema mercante em desatendimento à antecedência exigida pela Secretaria da Receita Federal no art. 22 da Instrução Normativa 800/2007. O auto de infração em referência identificou descumprimento de prazo exigido pela fiscalização aduaneira com a consequente imputação da multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966. A Recorrente foi cientificada do lançamento e, no prazo legal, apresentou impugnação alegando ser parte ilegítima para figurar o polo passivo e que a multa deve ser exonerada em razão do instituto da denúncia espontânea. A 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro julgou totalmente improcedente a Impugnação, destacando que o cumprimento a destempo de obrigação exigida pela RFB configura hipótese de incidência do art. 107, IV “e” do Decreto-Lei 37/1966 para exigência de multa, com fulcro no prazo estipulado pela IN 800/2007, afastando a alegação de ilegitimidade passiva e denúncia espontânea. Inconformada, a Recorrente apresenta o presente Recurso voluntário no qual alega ser parte ilegítima para figurar o polo passivo da demanda e pede pelo provimento do Recurso. Em síntese, são os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.091 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.009609/2009-71 1 Da ilegitimidade passiva Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, em especial no que diz respeito à prestação de informações sobre carga de origem estrangeira com desembarque em porto nacional, importa a transcrição dos arts. 4º e 5º da IN 800/2007, que versam sobre os responsáveis pela prestação de informações à Autoridade Aduaneira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1ª Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. – gn. Pela leitura dos dispositivos que regulam o transporte de cargas por via marítima em território nacional, mostra-se evidente que o transportador estrangeiro (NVOCC) deve ser, obrigatoriamente, representado no Brasil por agência marítima. Ainda, pelo que se infere do art. 5º da IN SRF n. 800/2007, as referências feitas ao transportador incluem as agências marítimas que a represente. Mesmo tratamento é dado pelo art. 37 do Decreto-Lei 37/1966: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1 o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas – gn. Pela leitura do excerto acima transcrito fica clara a posição de responsável por prestação de informações sobre veículos e cargas a agência marítima que represente o transportador estrangeiro em território nacional. Neste contexto, se não cumprida exigência que lhe foi imputada, o Decreto-Lei 37/1966 autoriza a imputação de sanção ao agente marítimo, de modo que é parte legítima para figurar o polo passivo da exigência de multa pelo controle aduaneiro. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.091 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.009609/2009-71 É neste sentido que leciona o art. 95, I do Decreto-Lei 37/1966, a saber: Art. 95 - Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; A responsabilidade pela infração é devida a qualquer que concorrer para sua ocorrência, que no caso em debate é a agência marítima representante do transportador internacional. A jurisprudência deste Conselho se revela sólida quanto à aplicação do dispositivo por meio do enunciado 185: Súmula CARF nº 185: O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. Em razão do exposto, das prescrições do Decreto-Lei 37/1966, da IN 800/2007 e da jurisprudência deste Conselho, não merece acolhida argumento de ilegitimidade da Recorrente. 2 Da retificação de informação Alega a Recorrente que o acórdão recorrido merece reforma em razão de a conduta praticada não se amoldar ao enunciado prescritivo inserto no art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966, vez que a informação prestada que gerou o bloqueio automático no sistema Siscomex Carga foi a retificação de manifesto de baldeação de carga estrangeira (BCE). Pela análise dos documentos anexos ao auto de infração em guerreio é possível apurar que a solicitação de desbloqueio do sistema informa que a informação prestada refere-se a retificação de terminal de descarregamento. Em complemento, as telas do sistema atestam que o manifesto em referência no auto de infração é do tipo baldeação de carga estrangeira (BCE). Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.091 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.009609/2009-71 Neste sentido impera a transcrição do art. 27-A da Instrução Normativa 800/2007: Art. 27-A. Entende-se por retificação: I - de manifesto, a alteração ou desvinculação após: a) a primeira atracação da embarcação no País, no caso dos manifestos PAS, LCI ou BCE com porto de carregamento estrangeiro; É possível apurar que, pela definição da IN 800/2007, considera-se retificação de informação a alteração de manifesto BCE após a primeira atracação da embarcação em porto nacional. Entendo tratar-se de hipótese de aplicação do enunciado de súmula nº 186 deste Conselho: Súmula CARF nº 186: A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66. Como bem esclarece a jurisprudência pacífica deste Tribunal, é indevida a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-Lei 37/1966 em caso de retificação de informação tempestivamente prestada, razão pela qual o acórdão em guerreio merece reforma. Pelo exposto, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.091 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.009609/2009-71 Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900245/2006-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 29/11/2002
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. HOMOLOGAÇÃO.
O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório. Prevalece na espécie a verdade material. Assim, o crédito comprovado deve ser reconhecido e a compensação homologada até o limite do crédito disponível.
Numero da decisão: 1201-005.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer em parte o direito creditório e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.396, de 16 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13851.900233/2006-39, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Efigênio de Freitas Júnior
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. HOMOLOGAÇÃO. O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório. Prevalece na espécie a verdade material. Assim, o crédito comprovado deve ser reconhecido e a compensação homologada até o limite do crédito disponível. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer em parte o direito creditório e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.396, de 16 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13851.900233/2006-39, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 02 45 /2 00 6- 63 Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.407 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.900245/2006-63 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de primeira instância que julgou improcedente manifestação de inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório que não homologou compensações de débitos próprios com crédito de decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL. O Despacho Decisório não homologou as compensações em razão de o pagamento indicado como crédito ter sido utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Os argumentos da manifestação de inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido, o qual manteve a não homologação sob o fundamento de que a recorrente não instruiu sua manifestação de inconformidade com documentos contábeis e fiscais para provar o direito creditório vindicado. Cientificada do acórdão recorrido, a recorrente interpôs recurso voluntário e aduz, em síntese, preliminarmente, que as presunções são insuficientes para justificar a não homologação da compensação realizada; cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, em razão não intimação da recorrente para prestar esclarecimentos. No mérito, defende que cumpriu os requisitos necessários para a compensação, apresenta demonstrativo do crédito pleiteado lastreado e anexa como documentação comprobatória balancetes trimestrais, recibo da DIPJ, Fichas 09 e 12 da DIPJ, entre outros. Por fim, requer o provimento do recurso voluntário para homologar a compensação declarada. No âmbito deste Carf, a Turma Ordinária, por meio de Resolução, converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a unidade de origem analisasse os documentos/informações anexados ao recurso voluntario e opinasse sobre a existência de direito creditório de CSLL. A autoridade fiscal realizou a diligência, lavrou relatório fiscal, deu ciência à recorrente e devolveu os autos a este Carf. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.407 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.900245/2006-63 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Passo à análise. Trata-se de declaração de compensação (Dcomp) em que o contribuinte compensou débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código 3373 - PJ não obrigada ao lucro real - trimestral) referente ao período de apuração 06/2000, data de arrecadação 31/08/2000, no valor original de R$6.038,64 (e- fls. 3 e seg.). Despacho Decisório não homologou a compensação declarada em razão de o pagamento indicado como crédito ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos do contribuinte. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, que apresentou DCTF retificadora. A decisão recorrida pontuou que “a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacam-se: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado.” Com efeito, ante a ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Preliminares Aduz a recorrente, preliminarmente, que “São insuficientes para justificar a não homologação da compensação realizada as presunções nas quais o ato do auditor fiscal se fundamenta”, bem como que restou “configurado o abuso de poder pela falta de convicção, presunções sobre apuração e recolhimentos dos tributos e atentado à idoneidade moral e patrimonial da Recorrente, fato que poderá ser caracterizado como crime de prevaricação previsto no Código Penal brasileiro”. Alega cerceamento do direito de defesa e ao contraditório em razão não intimação da recorrente para prestar esclarecimentos “antes da decisão pela não homologação quando da emissão do Despacho Decisório, assim como na prolação da r. decisão recorrida”. Sem razão a recorrente. O Despacho Decisório ao analisar o crédito pleiteado verificou que o Darf indicado como crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Não se trata de presunção, mas de fato. Tanto é verdade que o contribuinte alegou ter apresentado DCTF retificadora. Logo não há falar-se em presunção, tampouco em abuso de poder. Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.407 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.900245/2006-63 Quanto ao cerceamento do direito de defesa e ao contraditório por ausência de intimação, também não assiste razão à recorrente. Explico. Na fase de auditoria a fiscalização não está obrigada a informar o sujeito passivo acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecer-lhe, como regra, oportunidade de esclarecimentos ante os elementos de provas já em poder do Fisco. Afinal, é com o aperfeiçoamento do ato administrativo, mediante a ciência da exigência fiscal, que nasce para o sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme estabelecido no processo administrativo tributário. No caso de declaração de compensação tal direito inicia-se com a apresentação de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório denegatório do direito creditório. Nesse sentido já se pronunciou o Carf: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE AUDITORIA INTERNA. FASE PRÉ-PROCESSUAL. PRELIMINAR REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase de auditoria interna, inexistindo ainda acusação ou imputação de infração, mas tão-somente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do devido processo legal administrativo fiscal, que - no caso de declaração de compensação - tem início com a apresentação de manifestação de inconformidade ao despacho decisório denegatório do direito creditório. (Acórdão Carf nº 9101-004.214, de 04/06/2019) Na mesma linha a Súmula Carf nº 162: Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Acórdãos Precedentes: 2401-004.609, 2201-003.644, 1302-002.397, 1301- 002.664, 1301-002.911, 2401-005.917 e 1401004.061. Assim, se a recorrente não fora intimada a apresentar documentos comprobatórios, poderia tê-los apresentados na manifestação de inconformidade. Ante os fundamentos acima, afasto as preliminares arguidas. Mérito No mérito, a recorrente assenta que cumpriu os requisitos necessários para a compensação, apresenta demonstrativo do crédito pleiteado lastreado nos seguintes documentos probatórios: balancetes trimestrais, recibo da DIPJ, Fichas 09 e 12 da DIPJ, Darf de recolhimento da 1ª quota de IRPJ recolhido em 31/08/2000. Pois bem. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.407 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.900245/2006-63 mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, cabe ao contribuinte provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Por outro lado, a não apresentação de elementos probatórios prejudica a liquidez e certeza do crédito vindicado, o que inviabiliza a repetição do indébito. No caso em análise, converteu-se o julgamento em diligência para verificar a higidez do direito creditório vindicado à luz dos documentos anexados pela recorrente no recurso voluntário. A autoridade fiscal informa no relatório de diligência que “Os lançamentos contábeis registrados no balancete analítico [...] são compatíveis com os valores informados na ficha de Demonstração do Lucro Real da DIPJ, convalidando, portanto, o valor calculado de IRPJ a pagar correspondente a R$ 794,64 [...]”. Aponta ainda que “Do valor principal pleiteado [...] correspondente a R$6.038,64, R$264,88 devem permanecer alocados ao respectivo débito, restando caracterizado o pagamento a maior no valor de R$ 5.773,76”. A seguir, trechos do relatório de diligência (e-fls. 146): Por meio da análise dos documentos apresentados, em conjunto com as informações constantes nas Declarações de Compensação, nas DCTF, no sistema SIEF – Fiscalização Eletrônica, e nas DIPJ, verificou-se que: a) Os lançamentos contábeis registrados no balancete analítico (fls. 78 a 83) referentes a RECEITA, CUSTOS E DESPESAS, VALOR DA CSLL, e DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS são compatíveis com os valores informados na ficha de Demonstração do Lucro Real da DIPJ, convalidando, portanto, o valor calculado de IRPJ a pagar correspondente a R$ 794,64 (fls. 92 a 95) b) Foram identificados e confirmados os seguintes pagamentos referentes as três quotas do IRPJ (fls. 116 a 118): [...] Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.407 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.900245/2006-63 c) Do valor principal pleiteado pelo interessado através da DCOMP nº 25701.81390.270803.1.3.04-3080, correspondente a R$ 6.038,64, R$ 264,88 devem permanecer alocados ao respectivo débito, restando caracterizado o pagamento a maior no valor de R$ 5.773,76. Proponho o encaminhamento dos autos para que o contribuinte seja intimado a se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno deste processo à Delegacia de Julgamento para prosseguimento. (Grifo nosso) Como se vê, a documentação comprobatória anexada aos autos (balancete trimestral) permitiu aferir que do valor pleiteado de R$ 6.038,64 o contribuinte faz jus à repetição do indébito no montante de R$ 5.773,76. Como dito acima, colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco não pode figurar como óbice ao direito creditório. Prevalece na espécie a verdade material. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$5.773,76 e homologar as compensações declaradas até o limite de crédito disponível. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer em parte o direito creditório e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito disponível. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente Redator Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13851.901912/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE PIS E COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES.
O STF, no julgamento do RE nº 574.076-PR, manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por corresponder à rubrica não integrante do faturamento, modulando-se os efeitos para sua aplicação a partir de 15/03/2017, preservando-se as ações judiciais e administrativas protocoladas antes desta data. Aplicação do art. 62, §1º, II, b, e § 2º, do RICARF.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
INTIMAÇÕES. ENVIO AO PATRONO. SÚMULA CARF Nº 110 (VINCULANTE).
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
Numero da decisão: 3301-011.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Marco Antonio Marinho Nunes
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE PIS E COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. O STF, no julgamento do RE nº 574.076-PR, manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por corresponder à rubrica não integrante do faturamento, modulando-se os efeitos para sua aplicação a partir de 15/03/2017, preservando-se as ações judiciais e administrativas protocoladas antes desta data. Aplicação do art. 62, §1º, II, b, e § 2º, do RICARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 INTIMAÇÕES. ENVIO AO PATRONO. SÚMULA CARF Nº 110 (VINCULANTE). No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-22T18:14:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-22T18:14:59Z; Last-Modified: 2021-12-22T18:14:59Z; dcterms:modified: 2021-12-22T18:14:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-22T18:14:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-22T18:14:59Z; meta:save-date: 2021-12-22T18:14:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-22T18:14:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-22T18:14:59Z; created: 2021-12-22T18:14:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2021-12-22T18:14:59Z; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-22T18:14:59Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13851.901912/2012-73 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-011.453 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2021 Recorrente ENGEMASA ENGENHARIA E MATERIAIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE PIS E COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. O STF, no julgamento do RE nº 574.076-PR, manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por corresponder à rubrica não integrante do faturamento, modulando- se os efeitos para sua aplicação a partir de 15/03/2017, preservando-se as ações judiciais e administrativas protocoladas antes desta data. Aplicação do art. 62, §1º, II, “b”, e § 2º, do RICARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 INTIMAÇÕES. ENVIO AO PATRONO. SÚMULA CARF Nº 110 (VINCULANTE). No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 19 12 /2 01 2- 73 Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.453 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901912/2012-73 (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão nº 14-41.665 – 5ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório Nº de Rastreamento 031078521, às fls. 05-07, por intermédio do qual, foi indeferido o Pedido de Restituição objeto do PER/DCOMP nº 29540.37145.070308.1.6.04-6690, em razão de o pagamento indicado como origem do crédito encontrar-se integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte. No referido PER/DCOMP, nº 29540.37145.070308.1.6.04-6690, o tipo de crédito envolve Pagamento Indevido ou a Maior decorrente do recolhimento efetuado para a contribuição PIS Não-Cumulativo, código de receita 6912, período de apuração 09/2007, no montante de R$ 6.419,11, sendo pleiteado o mesmo valor como restituição. Por bem descrever os fatos, adoto, como parte de meu relatório, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Trata-se de Manifestação de Inconformidade, interposta pelos representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 045, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição eletrônico nº 29540.37145.070308.1.6.04-6690, protocolado em 07/03/2008, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 6.419,11. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido (fl. 004), o valor a ser restituído é correspondente ao DARF com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara - SP, que, em 04/09/2012, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificada do Despacho Decisório, em 14/09/2012 (fl. 009), a contribuinte ingressou, em 15/10/2012 (fl. 049), com a manifestação de inconformidade de fls. 010/022 e documentos anexos, considerada tempestiva nos Despachos de Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.453 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901912/2012-73 Encaminhamento (fls. 050/051 - NÃO!!!), na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. De início, reconhece inexistir previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, o que fez com que originalmente houvesse incluído o ICMS em seus cálculos. 2. Posteriormente, identificou existir inconstitucionalidade nessa inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições e, em conseqüência, o valor pago a maior seria passível de compensação ou ressarcimento. Fundamenta esse seu suposto direito na argumentação de que originalmente a Constituição previa a possibilidade do PIS e da COFINS onerarem o faturamento e somente com o advento da EC nº 20/1998 é que passou a também admitir a receita das pessoas jurídicas como base de cálculo dessas contribuições. Acrescenta que os vocábulos “faturamento” e “receita” devem ter significado bem definido desde o nível constitucional, não se admitindo que a Constituição tenha deixado livre ao legislador infra-constitucional a definição desses termos, estando tais termos vinculados ao conteúdo semântico usado no mundo jurídico, proveniente da doutrina, da jurisprudência ou, ainda, do direito privado. Reforça que as leis nº 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/2003 seriam inconstitucionais por não terem excluído o ICMS da base de cálculo das contribuições que regulam, ao conferir aos termos “faturamento” e “receita” conceito mais abrangente do que o consagrado na doutrina e na jurisprudência do STF, pois esses últimos entenderiam que o conceito de receita bruta a que se referem aquelas leis coincide com o de faturamento (ADIN 1.103-1 – Min, Néri da Silveira). Apresenta diversos elementos da doutrina na tentativa de comprovar que o ICMS não seria compatível com o conceito de receita, por não trazer bônus, benefício ou aumento patrimonial para a empresa e ser apenas um valor que transita pela sua contabilidade e não pode ser objeto de comércio. Defende que o ICMS seria receita do Estado. Insiste que não se configuraria a hipótese de incidência do tributo, pois o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento nem de receita, que caracterizam a base de cálculo. Aduz que a permissão dada pela Lei Complementar nº 87/1996 para que o ICMS integre sua própria base de cálculo é específica e não pode ser estendida para além do âmbito do ICMS para justificar a inclusão desse tributo na base de cálculo de outros tributos, o que não considera razoável. Reforça que a incidência de contribuições sobre um dispêndio da empresa acarretaria duplicidade de um ônus fiscal a um só título, em ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade. Traz jurisprudência, em especial o julgamento do RE nº 240.785 pelo Plenário do STF, ainda pendente, mas no qual 6 dos 11 Ministros já se manifestaram pela não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Conclui requerendo seja julgada procedente a manifestação para cancelar o Despacho Decisório Eletrônico e homologar o pedido de restituição e solicita que as intimações sejam direcionadas ao subscritor da manifestação. É o relatório. Devidamente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso e não reconheceu o direito creditório trazido a litígio, nos termos do voto do relator, conforme Acórdão nº 14-41.665, datado de 26/04/2013, cuja ementa transcrevo a seguir: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.453 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901912/2012-73 A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, podendo dela ser excluído somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços na condição de substituto tributário. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do julgamento de primeiro grau, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em que reapresenta as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, com a seguinte estrutura: 1. DOS FATOS: 2. O ACÓRDÃO DRJ/RPO N° 14-41.665 DE 26/04/2013: 3. DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO - DO DIREITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: 4. DA MANIFESTAÇÃO DOS MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REUNIÃO PLENÁRIA SOBRE A NÃO-INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: 5. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS - OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: 6. DO PEDIDO: Encerra o Recurso Voluntário com os seguintes pedidos: 6. DO PEDIDO: Face ao exposto, a Contribuinte requer que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário para reformar o Acórdão Recorrido, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto-SP, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em respeito aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, bem como em face da argumentação específica contida em cada um dos itens retro expostos. Requer, por fim, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.453 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901912/2012-73 Termos em que pede deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. II FUNDAMENTOS II.1 Considerações Iniciais Na origem, o Pedido de Restituição da Contribuinte foi submetido à análise eletrônica, realizada pelos sistemas de arrecadação e cobrança da Receita Federal, que concluiu pela inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP como gênese do crédito, em razão de sua utilização integral para quitação de débitos da própria Recorrente. Sendo essa a motivação do ato administrativo original, entendo que o deferimento do pleito creditório em litígio nestes autos não depende apenas da procedência do direito em tese alegado (possibilidade jurídica do pedido - alegação de indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições), mas também da comprovação documental, por meio de conjunto probatório hábil e idôneo, do crédito requerido (existência e composição do crédito vinculado ao direito arguido). Isso porque, em processos de Restituição/Ressarcimento/Compensação, o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015, incumbindo ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional. Portanto, são importantes para a devida análise do pleito: i) A possibilidade jurídica do pedido; e ii) A comprovação documental do crédito dele decorrente. II.2 ICMS na Base de Cálculo da Contribuição Em síntese, a Recorrente defende que o crédito pleiteado decorre da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da Contribuição apurada no mês a que se refere seu Pedido de Restituição. Traz considerável arrazoado sobre o assunto, em que são destacados ensinamentos doutrinários e judiciais, os quais, segundo a Recorrente, ratificam sua tese. Aprecio. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706/PR, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, conforme ementa a seguir: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.453 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901912/2012-73 CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017) Ressalte-se que, contra tal decisão, até recentemente, pendia apreciação de Embargos de Declaração com o objetivo de esclarecimento de vários pontos, inclusive pleito de efeitos infringentes e modulação dos efeitos. No entanto, em julgamento datado de 13/05/2021, a questão foi definitivamente resolvida mediante a seguinte decisão: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). Dessa forma, o STF modulou os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento. Ademais, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer SEI nº 7698/2021/ME, com a seguinte conclusão: 16. Ante o exposto, nos termos expostos na ata de julgamento já publicada, conclui-se que cabe à Administração Tributária, consoante autorizado pelo art. 19, VI c/c 19-A, III, e § 1º , da Lei nº 10.522/2002, observar, em relação a todos os seus procedimentos, que: a) conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, “O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS”; Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.453 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901912/2012-73 b) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e c) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. Quanto à aplicação dessa decisão judicial em sede de processo administrativo, dispõe o art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, como o pedido formulado nos presentes autos se deu em 29/02/2008 (transmissão do PER original), dentro do marco temporal estabelecido pelo STF para modulação dos efeitos do julgado, deve ser aplicado ao presente processo administrativo o entendimento do STF fixado no julgamento do RE nº 574.076/PR. Desta feita, o pedido é juridicamente possível. II.3 Comprovação Documental do Crédito De início, destaco ser jurisprudência consolidada neste Colegiado que a restituição/compensação tributária, via PER/DCOMP, não está vinculada à retificação de DCTF, Dacon, DIPJ, antes ou depois da emissão do Despacho Decisório, desde que a Contribuinte comprove a existência/legitimidade do seu crédito. Portanto, independentemente da caracterização de confissão do débito declarado em DCTF (destacado pela DRJ), encontra-se superada a questão da necessidade de retificação das declarações em causa como condição para deferimento do crédito pleiteado, importando, sim, a verificação da comprovação desse crédito. Ademais, ressalte-se que a comprovação do direito creditório não é feita apenas com meras alegações ou, até mesmo, retificação de declarações, mas primordialmente com documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos a tal intento. Isso porque o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015, como já mencionado no início deste Voto. Pois bem. A Recorrente não se preocupou em acostar aos autos quaisquer documentos tendentes a comprovar documentalmente a legitimidade do crédito requerido. No caso, a Recorrente não acostou a escrita contábil e fiscal que desse suporte à apuração da Contribuição com a suposta base de cálculo majorada, em razão da inclusão do ICMS. Ora, para deferimento do crédito apresentado em PER/DCOMP, faz-se necessária a apresentação do suporte contábil/fiscal que lhe demonstre, devidamente conciliado. Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.453 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901912/2012-73 Quanto aos diversos princípios dos quais se socorre a Contribuinte em seu Recurso Voluntário (proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade), nenhum deles se presta a suprimir a necessária comprovação do crédito em discussão. Portanto, há de ser improvido o Recurso Voluntário. II.4 Da Intimação ao Patrono Por fim, no que diz respeito ao pedido de intimações destes autos ao patrono da Recorrente, tal assunto encontra-se sumulado no âmbito deste Colegiado, conforme abaixo: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, o pleito de intimação do patrono da Recorrente deve ser indeferido. III CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 36278.002376/2006-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTUDOS.
Os valores relativos aos cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa só não integrariam o salário de contribuição se não utilizado em substituição de parcela salarial, e se todos os empregados e dirigentes tiverem acesso ao mesmo, conforme prescreve o art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado nos termos do artigo 173, I do CTN, vencido o relator que aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Apresentará voto vencedor a
Conselheira Ana Maria Bandeira.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTUDOS. Os valores relativos aos cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa só não integrariam o salário de contribuição se não utilizado em substituição de parcela salarial, e se todos os empregados e dirigentes tiverem acesso ao mesmo, conforme prescreve o art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTUDOS. Os valores relativos aos cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa só não integrariam o salário de contribuição se não utilizado em substituição de parcela salarial, e se todos os empregados e dirigentes tiverem acesso ao mesmo, conforme prescreve o art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado nos termos do artigo 173, I do CTN, vencido o relator que aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Apresentará voto vencedor a Conselheira Ana Maria Bandeira. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36278.002376/200640 Acórdão n.º 240202.600 S2C4T2 Fl. 397 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada em 03/08/2006, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), das destinadas a terceiros (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, no período de 01/01/1996 a 31/08/2005. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 182/317) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém – PA, ao analisar o presente caso (fls. 326/332) julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que (i) devem ser retiradas da presente autuação as provisões contábeis cujos pagamentos foram efetivados no mesmo mês, por caracterizar duplicidade de lançamento; (ii) os valores despendidos pela empresa em cursos de capacitação e qualificação profissional de seus empregados integram o salário de contribuição quando tais cursos não estiverem acessíveis a todos os seus empregados e administradores; e (iii) é de dez anos o prazo de decadência aplicado às contribuições previdenciárias. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 351/393) argumentando que (i) os cursos patrocinados pela Recorrente estão disponíveis a todos os funcionários; (ii) os pré requisitos foram implementados simplesmente para atender ao disposto na legislação previdenciária, que determina que os cursos de capacitação e qualificação profissionais deverão ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, sob pena de integrar a remuneração; e (iii) os períodos compreendidos entre 01/1996 e 07/2001 foram atingidos pela decadência. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Vencido Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que parte do crédito tributário estaria atingido pela decadência, haja vista que deve ser aplicado às contribuições previdenciárias o prazo decadencial trazido pelo art. 150, § 4º do CTN e não o do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Analisando os argumentos apresentados, verificase que lhe assiste razão, pois considerando que houve o pagamento antecipado, mesmo que parcial, das contribuições previdenciárias (fls. 48/77), o Fisco teria o prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN, para lançar o tributo. Vale considerar que havia, na época da lavratura da notificação, a previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Sendo assim, aplicandose a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN –, deve ser reconhecida a extinção dos créditos tributários exigidos no período compreendido entre 01/1996 a 07/2001, por estarem decaídos. Por fim, a Recorrente alega que os cursos patrocinados estão disponíveis a todos os funcionários e os prérequisitos foram implementados simplesmente para atender ao disposto na legislação previdenciária, que determina que os cursos de capacitação e qualificação profissionais deverão ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, sob pena de integrar a remuneração. Observese que a Lei n.° 8.212/91, em seu art. 28, § 9°, alínea "t", na redação vigente à época dos fatos, condiciona que os valores relativos aos cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, só não 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36278.002376/200640 Acórdão n.º 240202.600 S2C4T2 Fl. 398 5 integrariam o salário de contribuição se não utilizados em substituição de parcela salarial e se todos os empregados e dirigentes tiverem acesso aos mesmos, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo”; Contudo, analisando alguns dos requisitos estipulados pela Recorrente para a concessão das bolsas de estudos (fls. 166/176 e 221/222), verificase que são por demais restritivos e, em alguns casos, até mesmo subjetivos, de modo que fica evidente a impossibilidade de sua extensão a todos os funcionários. Vejase: “Adequação do curso solicitado com o planejamento de carreira do Funcionário. Curso solicitado fazse necessário para preparar o Funcionário para realizar trabalho especifico de interesse da companhia (ex.: viagem ao exterior,participação em projetos, etc.), bem como relacionado com o planejamento da carreira do colaborador. O Funcionário deverá possuir no mínimo um ano de companhia e sua última Avaliação de Desempenho com conceito igual ou superior a Bom. O Funcionário deve ser considerado por sua Diretoria como um profissional de alto potencial. Após a avaliação dos prérequisitos, o Desenvolvimento de Pessoal deverá reunirse com o Gerente da área solicitante para sondar os objetivos e perspectivas a serem alcançadas com a solicitação requerida”. (fls. 169/170) Ante o exposto, analisandose os requisitos estipulados pela Recorrente para a concessão das bolsas de estudos, fica claro que não pode se valer do disposto no art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei nº 8.212/91, haja vista que nem todos os funcionários terão acesso aos patrocínios. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a extinção dos créditos tributários exigidos no período compreendido entre 01/1996 a 07/2001, por estarem decaídos. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencedor Conselheira Ana Maria Bandeira, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir do Conselheiro Relator no que tange ao reconhecimento de decadência parcial pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/1996 a 08/2005 e foi efetuado em 03/08/2006, data da intimação do sujeito passivo. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36278.002376/200640 Acórdão n.º 240202.600 S2C4T2 Fl. 399 7 O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Codex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase de contribuições cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36278.002376/200640 Acórdão n.º 240202.600 S2C4T2 Fl. 400 9 temse que a decadência do direito de constituição dos créditos se operou para todas as competências até 11/2000, já que o lançamento ocorreu em 08/2006. Por fim, destaco que, em relação às demais matérias apreciadas neste processo, filiome ao entendimento do Conselheiro Relator, tornandoo parte integrante deste voto. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a extinção parcial dos créditos tributários exigidos no período compreendido entre 01/1996 a 11/2000, por estarem decaídos, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BAN DEIRA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18473.000023/2011-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.070
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator), que negou provimento ao recurso. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro foi
designado para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator), que negou provimento ao recurso. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro foi designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Redator Designado (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barros, Nara Cristina Takeda Taga, Cristiane Silva Costa e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Processo nº 18473.000023/201184 Resolução n.º 1103 00.070 S1C1T3 Fl. 70 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão n.º 1237.263 1ª turma da DRJ do Rio de Janeiro I, que negou a manifestação de inconformidade oposta pela interessada contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/RJOII nº 000015, de 15/03/2011 (fl.18), por meio do qual a mesma foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, a partir de 01/01/2002 com fulcro no art. 9º, XII, “f” da Lei nº 9.317/96, em virtude do exercício de atividade econômica vedada, qual seja, a prestação de serviços de limpeza, conservação e locação de mãodeobra. A contribuinte optara pela SIMPLES em 21/08/2000 e em 30/06/2007, há o evento de exclusão fl. 06. Em suas razões de defesa, a interessada afirma ser optante pelo Simples Nacional (Anexo IV), desde 01/01/2009, enquadrada no CNAE nº 37.02.09/00 – atividade relacionada a esgoto, exceto gestão de redes. Por derradeiro, protesta pelo cancelamento do Ato Declaratório Executivo. O acórdão atacado dispôs: “OBJETIVO SOCIAL. PREVISÃO DE EXERCÍCIO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. EXCLUSÃO. Sujeitase à exclusão do Simples a pessoa jurídica cujo exercício de atividade impeditiva à permanência na referida sistemática esteja prevista no contrato social, ressalvada a produção de prova em contrário pela interessada.” No recurso, alega que não presta serviços de limpeza, e anexa algumas notas fiscais para provar o alegado.Também promoveu a alteração de seu contrato social. Voto vencido Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A recorrente alega não prestar os serviços de limpeza. As provas trazidas são notas fiscais, porém, as notas referentes a 2006 foram apenas 3 a n.º 1.616, a n.º 1.701, e a n.º 2040, ou seja, estas 3 notas em um universo de 424 notas não provam absolutamente nada. Para o ano de 2007 duas notas fiscais a n.º 2071 e a n.º 2.154, e assim, da mesma forma para os outros anos, não prova que a empresa não prestou os serviços vedados pelo SIMPLES. Assim, aproveito e transcrevo parte da decisão atacada: Processo nº 18473.000023/201184 Resolução n.º 1103 00.070 S1C1T3 Fl. 71 3 “Inicialmente, cumpre salientar que, segundo o disposto na cláusula segunda do Contrato Social da empresa, acostado às fls. 09/12, a sociedade tem como objetivo social a prestação de serviços de LIMPEZA em edifícios e manutenção de tratamento de esgotos. 7. Compulsandose os autos, verificase que a edição do ato administrativo de exclusão do Simples foi motivada pelo exercício de atividade impeditiva à opção pelo Simples, relacionada no inciso XII, “f”, do art. 9º, da Lei 9.317/96, in verbis: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII – que realize operações relativas a: f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; 8. Em sua impugnação, a interessada apenas argumenta a sua condição de optante pelo Simples Nacional (Anexo IV), a partir de 01/01/2009, bem como o seu enquadramento no CNAE. (...) 10. No caso concreto, a atividade impeditiva à opção pelo Simples encontrase prevista no objetivo social da pessoa jurídica, constituindo, assim, presunção relativa de seu exercício. 11. Logo, cabe à empresa o ônus da prova de que tal atividade nunca fora exercida, ônus processual do qual a mesma não se desincumbiu.” Em sede de recurso, como dito, as provas trazidas não comprovam a alegação da recorrente, assim, continua como única prova o contrato social da contribuinte que atesta a prestação e serviços vedados. A contribuinte, teve oportunidade de provar com uma quantidade significativa de notas fiscais ou outra prova qualquer, que não prestara serviços de limpeza, contudo, não o fez. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso, para manter o ato declaratório de exclusão. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Voto vencedor Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator designado. Em que pese a detida análise do processo por parte do Relator, a realização de uma diligência pode melhor contribuir para a solução da controvérsia, mormente diante de elementos acostados pelo recorrente. Processo nº 18473.000023/201184 Resolução n.º 1103 00.070 S1C1T3 Fl. 72 4 Vejamos. De acordo com Informação Fiscal (fls.02/04), o contribuinte optou pelo Simples em 21/08/2000, tendo sido excluído em 30/06/2007 em razão de “em tese” ter exercido no período atividade vedante, no caso “Serviços de Limpeza em Edifícios e Manutenção de Tratamento de Esgotos”, conforme descrito em seu Contrato Social. No Ato Declaratório nº 15, de 15/03/2011, consta como situação excludente o seguinte evento (fl.18): “prestação de serviço de limpeza, conservação e locação de mãode obra”. Assim, aparentemente, levandose em conta o seu contrato social, o contribuinte teria prestado algum(uns) daqueles serviços taxativamente descritos no Ato Declaratório nº15/2011. Em sua manifestação de inconformidade, afirma o contribuinte que, de acordo com alterações no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ (fl.25), ao optar pelo Simples Nacional, teria sido enquadrado na atividade nº 37.02.09/00 (“atividade relacionada a esgoto, exceto gestão de redes”). Nos termos do acórdão nº 1237.263, proferido pela 13ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) (fls.34/36), admitiuse a produção de prova por parte do contribuinte, no sentido de que não exercera atividade impeditiva à opção pelo Simples, tese que parece ter sido acolhida pelo Relator em segunda instância. Assim dispôs o respectivo voto condutor da decisão recorrida: “(...) No caso concreto, a atividade impeditiva à opção pelo Simples encontrase prevista no objeto social da pessoa jurídica, constituindo, assim, presunção relativa de seu exercício. 11. Logo, cabe à empresa o ônus da prova de que tal atividade nunca fora exercida, ônus processual do qual a mesma não se desincumbiu” Com o recurso voluntário (fl.47), a seu turno, o contribuinte parece acostar aos autos exatamente o que a decisão a quo lhe exigiu. A intenção, ao menos é o que se depreende do recurso voluntário, foi anexar “algumas” notas como meio de comprovar que não desempenhou serviços de limpeza, desde o início de sua atividade empresarial. In verbis: “(...) Quanto o direito a atividade Limpeza no contrato social não fazemos este serviço como pode ser verificado em nossas notas desde o começo da empresa e quanto ao esta no contrato social estamos fazendo alteração no mesmo para retirada da palavra Limpeza. II Mérito: Estamos mandando algumas notas para que sejam anexadas ao processo para verificação que não fazemos serviços de limpeza em edifícios e quanto ao contrato social enviaremos assim que sair da Junta Comercial um cópia autenticada do mesmo” Processo nº 18473.000023/201184 Resolução n.º 1103 00.070 S1C1T3 Fl. 73 5 Foram as seguintes as notas fiscais anexadas, relativas ao período analisado, todas com a descrição de “Assessoria de supervisão técnica de operação da ETE”: nº 2154 → emitida em 01/03/07; nº 2071 → emitida em 01/01/07; nº 2040 → emitida em 01/12/06; nº 1701 → emitida em 01/03/06; nº 1616 → emitida em 12/01/06; nº 1587 → emitida em 01/12/05; nº 1387 → emitida em 01/06/05; nº 1279 → emitida em 01/03/05; nº 1185 → emitida em 01/12/04; nº 1135 → emitida em 01/11/04; nº 0388 → emitida em 01/04/03; nº 0277 → emitida em 01/01/03; nº 0228 → emitida em 01/11/02; nº 0161 → emitida em 02/09/02. É verdade, como posto pelo Relator, que “A contribuinte, teve oportunidade de provar com uma quantidade significativa de notas fiscais ou outra prova qualquer, que não prestara serviços de limpeza”. Mas também não se pode descartar o intuito do recorrente de se limitar a apresentar uma amostragem das notas fiscais emitidas, o que apenas pode ser confirmado à luz dos talonários. Sendo assim, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) verifique, perante o contribuinte, se nos talonários de notas fiscais relativos ao período de 21/08/2000 a 30/06/2007 consta(m) documento(s) relativo(s) à “prestação de serviço de limpeza, conservação e locação de mãodeobra” e, em caso afirmativo, anexe aos autos cópias de uma amostragem que considere significativa; b) descreva, em relatório circunstanciado, todas as constatações decorrentes da realização da análise requerida no item anterior; c) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro
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Numero do processo: 10830.010693/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 12 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
A leitura conjunta dos anexos à NFLD permitem identificar com clareza os fatos que ensejaram o lançamento e qual a legislação que deixou de ser observada pelo contribuinte. Ainda, a verificação dos montantes pagos a título de PLR através dos resumos gerais das folhas de pagamento se deu unicamente pela recusa da contribuinte em fornecer as folhas de pagamento analíticas, de forma que não se identifica o alegado cerceamento ao direito de defesa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.
A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica
Numero da decisão: 2301-009.820
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 12/2000 a 11/2002 (inclusive). Vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Fernanda Melo Leal que deram provimento integral ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maurício Dalri Timm do Valle - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: Maurício Dalri Timm do VAlle
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ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A leitura conjunta dos anexos à NFLD permitem identificar com clareza os fatos que ensejaram o lançamento e qual a legislação que deixou de ser observada pelo contribuinte. Ainda, a verificação dos montantes pagos a título de PLR através dos resumos gerais das folhas de pagamento se deu unicamente pela recusa da contribuinte em fornecer as folhas de pagamento analíticas, de forma que não se identifica o alegado cerceamento ao direito de defesa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 12/2000 a 11/2002 (inclusive). Vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Fernanda Melo Leal que deram provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 06 93 /2 00 7- 12 Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 101-121) em que o recorrente sustenta, em síntese: a) O lançamento é nulo por falta de fundamentação legal. Isso porque menciona o relatório fiscal que a impugnante deixou de cumprir exigências contidas na Lei nº 10.101/2000 sobre o pagamento de PLR aos seus empregados, mas não apresentou nenhum dos seus dispositivos no anexo de fundamentos legais do débito. Não cabe a afirmação da decisão recorrida de que “a Lei 10. 101/2000, por não ser estritamente previdenciária, não poderia estar relacionada no FLD”, pois o princípio da legalidade exige que seja apontado o dispositivo legal tido por violado b) Também há nulidade quanto as supostas diferenças de contribuições de segurados empregados pois deixou de informar nos documentos que instruem a NFLD o fato gerador das diferenças, o motivo pelo qual gerariam as diferenças e os segurados que teriam recebido remuneração sem que fosse recolhida a contribuição devida. Era dever da fiscalização identificar no relatório da NFLD, no mínimo, quais os segurados, o valor das remunerações que lhes foram pagas pela impugnante, inclusive, os valores que, eventualmente, foram recolhidos pela impugnante relativamente a cada um deles a título da exação em discussão para que se pudesse aferir a correção dos descontos desses títulos do valor apurado, e, notadamente, apresentar a motivação da lavratura do NFLD. não havendo a discriminação clara e precisa de cada um dos segurados da Previdência Social que serão beneficiados com o recolhimento das contribuições que estão sendo cobradas na presente NFLD, torna-se evidente a sua ilegalidade e inconstitucionalidade. c) Considerando que é aplicável a regra do art. 150, § 4º, do CTN e que houve a constituição do crédito em 07/12/2007, os valores referentes aos fatos geradores de 12/2000 a 11/2002 já foram atingidos pela decadência. Trata-se de caso de aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF. d) O pagamento de participação nos lucros e resultados não tem natureza salarial e, portanto, não deve ser incluída no salário de contribuição. Somente a PLR paga em comprovada fraude à Lei (em substituição ao Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 salário) é que pode ser considerada como integrante da base de cálculo para contribuições previdenciárias. Como a fiscalização não apontou a fraude exigida pelo melhor entendimento sobre a matéria no pagamento da PLR feito pela ora impugnante aos seus empregados, de plano deve ser julgada insubsistente a presente NFLD. Não pode mero requisito formal da Lei nº 10.101/2001 servir para a desnaturação dos pagamentos feitos pela empresa; e) A impugnante tentou, de todas as maneiras, firmar acordo coletivo para o pagamento de PLR aos seus empregados, nos termos da legislação, o que, por razões alheias a sua vontade, não foi possível. O sindicato dos metalúrgicos de Campinas e Região recusou-se a negociar o pagamento de PLR condicionada ao cumprimento de metas, o que impediu que os acordos coletivos fossem elaborados e homologados. O Sindicato nem sequer possibilitou a previsão de pagamento de PLR nos acordos coletivos da empresa. A impugnante se viu obrigada a negociar diretamente com os próprios empregados que não estavam dispostos a renunciar ao recebimento da referida verba em razão da exigência do sindicato, firmando assim o acordo para o pagamento da PLR internamente com base no atingimento de metas - em consonância com a legislação aplicável e com a CF; f) A falta de acordo coletivo relativo ao pagamento de PLR não faz com que essa parcela seja incluída no salário de contribuição. Isso porque não existe na Lei nº 10.101/2000 qualquer penalidade específica nesse sentido, e também porque o instituto não tem natureza salarial. Ainda, no período de 1994, as participações eram pagas mediante acordos individuais entre empregadores e empregados, sem qualquer participação sindical, e não foram consideradas como integrantes do salário de contribuição; e g) A CF não previu forma específica para a celebração de acordo para o pagamento de PLR, de forma que não se tem como obrigatória a participação dos sindicatos. A negociação adotada pela impugnante, portanto, atende ao espírito da Lei. Ao final, formula pedidos nos seguintes termos: Por todo exposto, pede-se e espera-se que sejam acolhidas as preliminares de nulidade absoluta e de decadência, ou ainda, que seja acolhido o presente recurso em seu mérito, julgando se insubsistente a NFLD lavrada, conforme argumentação retro. Protesta a recorrente pela produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem às provas necessárias para a real apuração da verdade material. A presente questão diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD - DEBCAD nº 37.078.056-6 (fls. 2-34) que constitui crédito tributário de Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa, em face de Singer do Brasil Indústria e Comércio LTDA (CNPJ nº 61.432.506/0001-64), referente a fatos geradores ocorridos no período de 01/12/2000 a 31/12/2006. A autuação alcançou o montante de R$ 3.665.763,63 (três milhões seiscentos e Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 sessenta e cinco mil setecentos e sessenta e três reais e sessenta e três centavos). A notificação do contribuinte aconteceu em 07/12/2007 (fl. 2). Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento, menciona o Relatório de Lançamento de Débito Confessado (fls. 23-25): 1. Este relatório é parte integrante do Notificação de Lançamento de Débito- NFLD supra mencionada, referente ás contribuições previdenciárias devidas á Seguridade Social, incidentes sobre as verbas salariais pagas a seus empregados , sob a denominação de Participação nos Lucros ou Resultados- PLR, sem atender aos quesitos legais, o que os descaracterizou como base não sujeito a esta tributação. O PLR foi regulamentado pela MP 794/94 até ser convertida na Lei 10101, de 19 de dezembro de 2000. 2. A empresa opera com unidades em Campinas, Indaiatuba e Juazeiro do Norte. Com relação à base sindical de Juazeiro do Norte, houve cláusula nos acordos/convenção firmados anualmente entre a Empresa e o Sindicato da categoria, estabelecendo o pagamento do PLR mediante a elaboração de um plano de metas, o qual deveria ter sido elaborado por comissão interna dos empregados, com participação e anuência de representante da entidade sindical. Este Plano de metas não foi elaborado, deixando assim a Empresa de cumprir esta exigência Legal e estabelecida em cláusula do acordo Sindical, o que mudou sua natureza tomando-o remuneração integrante da base de contribuições previdenciárias e sociais. 3. As unidades de Campinas e Indaiatuba estão sob a jurisdição do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, São José dos Campos e Limeira, sendo que nas convenções/acordos coletivos anuais não há cláusula estabelecendo o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados - PLR. Portanto, tais pagamentos não atendem as exigências legais e estão sujeitos à cobrança de contribuições previdenciárias e sociais. Constam do processo, ainda, os seguintes documentos: i) Procuração (fls. 3); ii) Instruções para o contribuinte e outros anexos à NFLD (fls. 4-12); iii) Mandados e registros de procedimento fiscal (fls. 13-16); iv) Termo de início da ação fiscal e outras intimações ao contribuinte (fls. 17-22); v) Respostas da contribuinte (fls. 26 e 27); vi) Cópias de folhas de pagamento (fls. 28-31). A contribuinte apresentou impugnação em 28/12/2007 (fls. 37-56) alegando que: a) O lançamento é nulo por falta de fundamentação legal. Isso porque menciona o relatório fiscal que a impugnante deixou de cumprir exigências contidas na Lei nº 10.101/2000 sobre o pagamento de PLR aos seus empregados, mas não apresentou nenhum dos seus dispositivos no anexo de fundamentos legais do débito; b) Também há nulidade quanto as supostas diferenças de contribuições de segurados empregados pois deixou de informar nos documentos que instruem a NFLD o fato gerador das diferenças, o motivo pelo qual gerariam as diferenças e os segurados que teriam recebido remuneração sem que fosse recolhida a contribuição devida. Era dever da fiscalização identificar no relatório da NFLD, no mínimo, quais os segurados, o valor das remunerações que lhes foram pagas pela impugnante, inclusive, os valores que, eventualmente, foram recolhidos pela impugnante relativamente a cada um deles a título da exação em discussão para que se Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 pudesse aferir a correção dos descontos desses títulos do valor apurado, e, notadamente, apresentar a motivação da lavratura do NFLD; c) Considerando que é aplicável a regra do art. 150, § 4º, do CTN e que houve a constituição do crédito em 07/12/2007, os valores referentes aos fatos geradores de 12/2000 a 11/2002 já foram atingidos pela decadência; d) O pagamento de participação nos lucros e resultados não tem natureza salarial e, portanto, não deve ser incluída no salário de contribuição. Somente a PLR paga em comprovada fraude à Lei (em substituição ao salário) é que pode ser considerada como integrante da base de cálculo para contribuições previdenciárias. Como a fiscalização não apontou a fraude exigida pelo melhor entendimento sobre a matéria no pagamento da PLR feito pela ora impugnante aos seus empregados, de plano deve ser julgada insubsistente a presente NFLD. Não pode mero requisito formal da Lei nº 10.101/2001 servir para a desnaturação dos pagamentos feitos pela empresa; e) A impugnante tentou, de todas as maneiras, firmar acordo coletivo para o pagamento de PLR aos seus empregados, nos termos da legislação, o que, por razões alheias a sua vontade, não foi possível. O sindicato dos metalúrgicos de Campinas e Região recusou-se a negociar o pagamento de PLR condicionada ao cumprimento de metas, o que impediu que os acordos coletivos fossem elaborados e homologados. O Sindicato nem sequer possibilitou a previsão de pagamento de PLR nos acordos coletivos da empresa. A impugnante se viu obrigada a negociar diretamente com os próprios empregados que não estavam dispostos a renunciar ao recebimento da referida verba em razão da exigência do sindicato, firmando assim o acordo para o pagamento da PLR internamente com base no atingimento de metas - em consonância com a legislação aplicável e com a CF; f) A falta de acordo coletivo relativo ao pagamento de PLR não faz com que essa parcela seja incluída no salário de contribuição. Isso porque não existe na Lei nº 10.101/2000 qualquer penalidade específica nesse sentido, e também porque o instituto não tem natureza salarial. Ainda, no período de 1994, as participações eram pagas mediante acordos individuais entre empregadores e empregados, sem qualquer participação sindical, e não foram consideradas como integrantes do salário de contribuição; e g) A CF não previu forma específica para a celebração de acordo para o pagamento de PLR, de forma que não se tem como obrigatória a participação dos sindicatos. A negociação adotada pela impugnante, portanto, atende ao espírito da Lei. Ao final, formulou pedidos nos seguintes termos: Por todo exposto, pede-se e espera-se sejam acolhidas as preliminares de nulidade absoluta e decadência, ou ainda, que seja acolhida a presente defesa em seu mérito, julgando-se insubsistente a NFLD lavrada. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 Protesta al impugnante pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive prova testemunhal, prova documental, e notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material. Protesta-se, ainda, pelo prazo de 90 dias para a juntada de novos documentos, que comprovem as alegações ora formuladas. A impugnação veio acompanhada dos seguintes documentos: i) Procuração (fl. 57); ii) Atos constitutivos e alterações contratuais da impugnante (fls. 58-72); iii) Documentos pessoais (fls. 73); iv) Cópia do jornal do sindicato dos metalúrgicos de campinas e região (fls. 74 e 75); e v) Comunicação ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Campinas da Região (fl. 76). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 05-21.830, de 06 de maio de 2008 (fls. 78-y), deu parcial provimento à impugnação, mantendo a exigência fiscal em parte, conforme o entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2006 PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. As parcelas pagas/creditadas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa a seus empregados, em desacordo com o previsto em lei específica, integram a remuneração e o salário-de-contribuição do segurado para fins da legislação previdenciária. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de 10 anos determinado, na forma da Lei. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE PARCIAL. No lançamento fiscal devem estar discriminados com precisão os fundamentos legais de regência. Lançamento Procedente Com isso, foram excluídos por vício formal os valores referentes à rubrica segurados, de forma a retificar o débito para R$ 2.885.693,44, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado de fls. 92-98. Após a interposição do recurso voluntário, foram juntados os seguintes documentos: i) Substabelecimento e procuração (fls. 131-134); Atos constitutivos e alterações contratuais da recorrente (fls. 135-149); iii) Documentos pessoais (fl. 150); iv) Cópias do Jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região (fl. 151); v) Comunicação ao Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região (fl. 152). A Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio da Resolução nº 2301-000.765, de 12 de março de 2019 (fls. 153-), determinou a conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos: [...] 4.2. Constata-se, de pronto, a ocorrência de decadência, em face do Súmula Vinculante STF nº 8, de 12/06/2008, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 4.3. A controvérsia a ser dirimida, centra-se, pois, em determinar qual regra decadencial a ser aplicada ao caso em julgamento. 4.3.1. Isso porque, para os períodos em que tenha havido, comprovadamente, antecipação de pagamento, deve-se aplicar a regra decadencial a prevista no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), cujo termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador. 4.3.2. Para os períodos em que não estejam comprovados, nos autos, antecipação de pagamento, a regra de decadência é a do inc. I do art. 173 do CTN, que estabelece o termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 4.4. É razoável supor que, no caso concreto, tenha havido recolhimento do tributo parte patronal da contribuição previdenciária porém, ao compulsar os autos, não foi possível a este Relator, identificar casos de pagamento antecipado a esse título. 4.5. Em vista do exposto, propõe-se, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora informe se há registro de recolhimentos que se refiram ao período do lançamento. Nessa hipótese, haveria em nosso entendimento, a atração do Enunciado da Súmula. 4.6. Assim, por não ser possível extrair dos autos uma posição firme sobre a situação fática, entendo necessário converter o julgamento em diligência para esclarecer a existência, ou não, de pagamentos de contribuições previdenciárias pela autuada e seus estabelecimentos, a fim de verificar a existência, ou não, da decadência dos créditos tributários do período de apuração. Conclusão 4.7. Considerando o exposto, antes do enfrentamento das questões do recurso faz-se necessária manifestação da autoridade lançadora quanto à existência de recolhimentos espontâneos do contribuinte, no período de 12/2000 a 11/2002, identificando-os por estabelecimento, competência, rubrica e data do pagamento. 4.8. Em suma, a autoridade fiscal deverá prestar as informações solicitadas, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, inclusive prestando informações adicionais e juntando documentos que entender necessários, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. 4.9. Após o cumprimento da diligência, os autos devem retornar a este Colegiado. 4.10. Para concluir, voto pela conversão do julgamento em diligência para a unidade preparadora atender as solicitações descritas nos subitens 4.7 e 4.8 supra. Com isso, foi apresentado o Relatório Fiscal de Diligência às fls. 159-169. A contribuinte teve ciência das novas informações em 10/07/2019 (fl. 172). Foi apresentada nova manifestação da contribuinte em 15/12/2020 (fls. 180-188), pela reitera argumentos semelhantes aos já levantados anteriormente nos autos. É o relatório do essencial. Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 Voto Conselheiro Maurício Dalri Timm do Valle, Relator. Conhecimento A intimação do Acórdão se deu em 16 de julho de 2008 (fl. 100), e o protocolo do recurso voluntário ocorreu em 11 de agosto de 2008 (fls. 101-121). A contagem do prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso, portanto, é tempestivo, e dele conheço integralmente. Mérito Das matérias devolvidas 1. Da decadência Argumenta a recorrente que estão decaídos os valores relativos ao período de 12/2000 a 11/2002. Tendo em vista os dizeres da Súmula Vinculante nº 8 do STF, é inegável que não se aplica o prazo decadencial de 10 anos referido pelo art. 45 da Lei nº 8.212/91. Com isso, para definir se o prazo aplicável seria aquele do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, foi determinada diligência a fim de identificar pagamentos de contribuições previdenciárias ao longo do referido período. Conforme fls. 159-168, verifica-se que em todas as competências em questão houve recolhimentos relativos às contribuições previdenciárias. Em que pese existam competências em que não foram recolhidos os valores devidos à terceiros, é necessário lembrar o que diz a Súmula CARF nº 99: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, entendo que o prazo aplicável é realmente aquele do art. 150, § 4º, do CTN. Dessa forma, já foram atingidos pela decadência os valores relativos aos fatos geradores de 12/2000 a 11/2002. 2. Das nulidades por ausência de fundamentação legal e cerceamento de direito de defesa Alega-se no recurso voluntário que há deficiência na fundamentação legal do lançamento pois não há no anexo de Fundamentos Legais do Débito - FLD a especificação dos dispositivos da Lei nº 10.101/2000 que teriam sido lesados e que deram base à NFLD. Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 No mesmo sentido, aponta-se que há falta de clareza na descrição dos fatos geradores, especialmente no que diz respeito à ausência de indicação dos pagamentos recebidos por cada segurado que constituiriam a base de cálculo. Também, a falta de detalhes acerca das diferenças de contribuições dos segurados empregados gera nulidade que invalidaria todo o lançamento. Pois bem. Veja-se que, apesar da ausência de especificação do dispositivo da Lei nº 10.101/2000 na FLD e no Relatório Fiscal, a leitura conjunta de ambos os documentos permite identificar com clareza os fatos que motivaram a infração, quais sejam, os pagamentos de PLR sem o atendimento da legislação aplicável pois: 2. A empresa opera com unidades em Campinas, Indaiatuba e Juazeiro do Norte. Com relação à base sindical de Juazeiro do Norte, houve cláusula nos acordos/convenção firmados anualmente entre a Empresa e o Sindicato da categoria, estabelecendo o pagamento do PLR mediante a elaboração de um plano de metas, o qual deveria ter sido elaborado por comissão interna dos empregados, com participação e anuência de representante da entidade sindical. Este Plano de metas não foi elaborado, deixando assim a Empresa de cumprir esta exigência Legal e estabelecida em cláusula do acordo Sindical, o que mudou sua natureza tomando-o remuneração integrante da base de contribuições previdenciárias e sociais. 3. As unidades de Campinas e Indaiatuba estão sob a jurisdição do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, São José dos Campos e Limeira, sendo que nas convenções/acordos coletivos anuais não há cláusula estabelecendo o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados - PLR. Portanto, tais pagamentos não atendem as exigências legais e estão sujeitos á cobrança de contribuições previdenciárias e sociais. Dessa forma, não se vislumbra a nulidade alegada por deficiência de fundamentação legal. No que diz respeito à alegação de cerceamento de direito de defesa em razão de suposta falta de clareza na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento, nota-se que não deve prosperar. Como acima mencionado, é perfeitamente possível compreender que a autuação se deu em razão do pagamento de PLR aos funcionários da empresa sem o atendimento à legislação específica (Lei nº 10.101/2000). Sobre a falta de indicação específica dos valores de PLR recebidos por cada empregado, concordo com as afirmações da decisão recorrida no seguinte sentido: Nos itens 2 e 3 do Relatório Fiscal que é parte integrante desta NFLD está identificada a ocorrência do fato gerador, em todos os estabelecimentos da SINGER, qual seja: pagar a PLR em desacordo com a Lei específica. No item 4, do mesmo Relatório, consta o período da ocorrência do fato gerador e que tais valores foram obtidos da análise do resumo geral das folhas de pagamento. Quanto à identificação dos beneficiários, acreditamos que não foi possível identificá-los uma vez que não foram disponibilizadas as folhas de pagamento analíticas ao Fisco. A certeza de que não foram apresentadas as folhas de pagamento analíticas está no fato de que nesta impugnação não há menção de que a relação dos beneficiários foi disponibilizada e, ainda, quando a empresa quitou a dívida exigida nos Autos de Infração 37.078.058-2 e 37.136.463-9 concordou com este levantamento em sua totalidade, pois: Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 - no primeiro admitiu, na dicção do Relatório Fiscal da Infração, que não apresentou as folhas de pagamentos totalizadas por estabelecimentos, bem como por não ter apresentado em meio magnético os bancos de dados das respectivas folhas, ambos de todo o período objeto este procedimento fiscal, o que, certamente, inviabilizou a identificação dos colaboradores e das parcelas auferidas, assim, como o enquadramento do salário de contribuição total nas respectivas faixas de incidência da contribuição de segurados; e - no segundo aderiu à convicção do Auditor de que a PLR é salário de contribuição, pois, o Agente Fiscal assim identificou a infração: Deixou de inserir em GFIP 's os pagamentos jeitos a seus empregados sob a rubrica de PLR -participação nos lucros e resultados (em desacordo com a legislação), desta forma não há como admitir a improcedência e incorreção deste lançamento e do procedimento fiscal; Tendo em vista que a fiscalização baseou-se no resumo geral das folhas de pagamento em razão da recusa da contribuinte em fornecer as folhas de pagamento analíticas, entendo inexistente o cerceamento de direito de defesa nesse ponto. Quanto a nulidade pela falta de fundamentação legal e devida descrição dos fatos geradores das diferenças de contribuições dos segurados, entende-se que a decisão recorrida já procedeu ao saneamento do processo e à correção da falha em questão, excluindo do lançamento os valores das citadas diferenças: O Auditor deixou de esclarecer à empresa a fundamentação legal que o autorizou a aferir as contribuições previdenciárias, tanto no Relatório de Fundamentos Legais - FLD, como no Relatório de fls. 22/23, qual seja - parágrafo 3°, artigo 33 da Lei 8.212/91. A simples ausência do dispositivo legal para arbitramento no relatório Fundamentos Legais do Débito - FLD, por si só, não seria suficiente para anular o levantamento efetuado, desde que o procedimento e o dispositivo tivessem sido mencionados no Relatório Fiscal, o que não ocorreu. Dessa forma e considerando que é dever de ofício da autoridade revisar o lançamento nos casos de incorreção, nos termos do art. 145, III, c/c art. 149, ambos do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966) e o disposto no art. 53, da Lei n° 9.784/1999, que rege o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que estabelece que a administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, voto pelo saneamento do presente lançamento com a efetiva exclusão da rubrica segurados. Por esse motivo, entendo que não há que se falar em nulidade de todo o lançamento em razão de falha já reconhecida e corrigida. 3. Dos pagamentos de participação nos lucros e resultados - PLR Entende a contribuinte que é indevida a cobrança de valores incidentes sobre os pagamentos de PLR pois não se tratam de parcelas salariais e, portanto, não poderiam ser incluídas no conceito de salário de contribuição. Afirma que os acordos foram efetuados diretamente com os trabalhadores unicamente em razão da recusa do Sindicato em relação ao estabelecimento de metas para o recebimento dessas verbas. Por fim, aduz que mesmo na falta de acordo coletivo a PLR não poderia ser considerada como salário de contribuição por inexistir previsão para tanto na Lei nº 10.101/2000 ou mesmo na CF. Entretanto, não assiste razão aos seus argumentos. Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 Embora não esteja previsto expressamente pela CF ou pela Lei nº 10.101/2000 que o descumprimento de requisitos desta autorizam a inclusão dos pagamentos de PLR no salário de contribuição, é necessário lembrar que esses não são os únicos diplomas aplicáveis ao caso. Com efeito, veja-se o que diz o art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: [...] § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Dessa forma, para que não incidam as contribuições previdenciárias cobradas sobre os valores pagos a título de PLR é imprescindível o atendimento aos requisitos contidos na Lei nº 10.101/2002, especialmente aqueles já mencionados pela decisão recorrida: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos. escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada também por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivos, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. Art. 4° Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizar-se dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I - mediação; II - arbitragem de ofertas finais. Tendo em vista que a própria recorrente afirma que não procedeu aos acordos coletivos e pactuou a PLR internamente com seus funcionários, em consonância com o que consta do relatório fiscal, e não se socorreu do permissivo do art. 4º acima transcrito, entendo que deixou de observar os critérios definidos em legislação específica para os pagamentos mencionados. Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-009.820 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.010693/2007-12 Sendo assim, deve ser mantido o lançamento em relação às competências não atingidas pela decadência. Conclusão Diante do exposto, voto em rejeitar as preliminares, e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 12/2000 a 11/2002 (inclusive). (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13502.001207/2007-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1103-000.028
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente decisão.
Nome do relator: JOSÉ SÉRGIO GOMES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente decisão. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), Eric Moraes de Castro e Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em SalvadorBA que julgou procedentes os lançamentos efetuados em 20/11/2007 pela Delegacia da Receita Federal em CamaçariBA com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). Fl. 442DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 13502.001207200777 Resolução n.º 110300.028 S1C1T2 Fl. 6.34 2 A ação fiscal consistiu na tributação dos valores contabilizados pela contribuinte no anocalendário de 2004 como subvenções para investimento quando, no entendimento fiscal, tratamse de subvenções correntes para custeio ou operação e isso diante da absoluta falta de correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação efetiva e específica dos recursos, na forma elucidada pelo Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, daí a aplicação do artigo 392, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o qual fixa que os ganhos auferidos a esse título são tributados como outros resultados operacionais. Ainda, registrou a Fiscalização que nos meses de janeiro, abril e maio a contribuinte recolheu as antecipações do IRPJ (estimativas) com base na receita bruta e nos demais meses baseadas em balancetes de suspensão ou redução, entretanto, os valores mensais correspondentes ao benefício do crédito presumido do ICMS não foram computados, do que resultou a aplicação da penalidade isolada prevista no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.460, de 1996, já na redação trazida pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007 Inconformada, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 215/232 expondo suas razões de fato e de direito e requerendo, ao final, o cancelamento integral das exigências A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em SalvadorBA admitiu a impugnação e concluiu pela parcial procedência dos lançamentos, consoante Acórdão nº 1516.526, de 15 de agosto de 2008, fls. 265/283. Ciente do decisório em 24 de setembro de 2008, fl. 296v., a contribuinte aviou a peça recursal de fls. 298/330 visando a reforma do julgado e requerendo a nulidade deste, seguindose nova decisão, como também o cancelamento integral das exigências. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator. Observo que a peça de defesa encontrase subscrita pelo Senhor Luiz Fernando Garcia de Melo que, segundo a Cláusula 7.2 do contrato social de fls. 333/349, detém o cargo de diretor de controladoria. Por sua vez, a Cláusula 7.9 deste estatuto dispõe que a representação ativa e passiva da sociedade, em juízo ou fora dele, compete isoladamente aos diretores presidente e vicepresidente, ou ao diretor de controladoria em conjunto com o diretor presidente ou vice presidente; ou ainda, a procurador devidamente constituído. Conforme já alinhavado, a peça recursal encontrase assinada pelo diretor de controladoria, isoladamente. Ante o exposto, tenho que as razões recursais não se encontram em condições de serem conhecidas, por ofensa ao artigo 63, inciso III, do Processo Administrativo no Âmbito da Administração Pública Federal, regulado pela Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 443DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 13502.001207200777 Resolução n.º 110300.028 S1C1T2 Fl. 7.34 3 Contudo, levandose em conta o princípio da ampla defesa, bem como, a aplicação subsidiária do artigo 13, caput, do Código de Processo Civil, proponho o retorno dos autos à origem (DRF/CCI/SARAC) a fim de que a Recorrente seja intimada à regularização da representação processual, querendo. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Fl. 444DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001059/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/08/2004
NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA APRECIAR O PEDIDO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente par afastar a incidência da lei em razão de ofensa a princípios constitucionais, salvo nos casos previstos no art. 103-A
da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2402-002.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/08/2004 NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA APRECIAR O PEDIDO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente par afastar a incidência da lei em razão de ofensa a princípios constitucionais, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de NFLD constituída em 04/12/2007 (fl. 230) para exigir contribuição previdenciária incidente sobre a compra de produtos rurais (cernambi e látex) adquiridos de produtor rural pessoa física, por subrogação das obrigações deste, conforme determina o art. 30, inc. III, da Lei nº 8.212/91, no período de 03/1999 a 08/2004. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 234/262) alegando ser ilegal a utilização da Taxa SELIC, que a multa é confiscatória e que os créditos tributários compreendidos no período de 1999 a 2001 estão decaídos. A d. DRJ em Ribeirão Preto, ao analisar o processo (fls. 273/281), julgou o lançamento parcialmente procedente, reconhecendo a decadência dos créditos tributários exigidos nos períodos de 03/1999 a 10/2001. Não houve a propositura de recurso de ofício. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 285/290) alegando que a multa é confiscatória. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 16004.001059/200708 Acórdão n.º 240202.646 S2C4T2 Fl. 297 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente requer seja a multa aplicada reduzida ao percentual de 20%, de modo a afastar seu caráter confiscatório e dar efetivo cumprimento ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Ocorre que, a imposição da multa é realizada com base em previsão legal expressa, só podendo ser afastada nos casos em que a legislação correspondente deixa de ser aplicada, quando incorre em ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Assim, temse que não compete a este Conselho afastar a aplicação expressa da lei com base em suposta ofensa a princípios constitucionais, com exceção dos casos previstos no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Posto isso, deixo de analisar os argumentos suscitados pela Recorrente, de que a multa imposta deve ser reduzida ao percentual de 20%, por ofender ao princípio da proporcionalidade, razoabilidade e do não confisco. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000682/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
AUTUAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE
Não deve prevalecer a autuação por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991 que consiste em a empresa deixar de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, se os documentos não apresentados se enquadram na situação prevista nos §§ 2º e 3º do art. 33 da
Lei nº 8.212/1991 e se a empresa também foi autuada por este fundamento
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.675
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 AUTUAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE Não deve prevalecer a autuação por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991 que consiste em a empresa deixar de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, se os documentos não apresentados se enquadram na situação prevista nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 e se a empresa também foi autuada por este fundamento Recurso Voluntário Provido.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de a empresa ter deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso III e § 22 (acrescentado pelo Decreto nº 4.729/2003) do Regulamento da Previdência Social, efetuado por meio do AI 37.108.5608. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 04/06), Apesar de solicitados através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, os elementos de fiscalização a seguir identificados, de todo período fiscalizado, ou seja, de 01/2000 a 12/2004, não foram exibidos pela empresa: a) GFIPs, referentes a todo período fiscalizado, em meio magnético; b) DIRFs em meio digital e papel; c) Livros Contábeis (Diário e Razão) em meio magnético, conformE MANAD; d) DIPJs em meio digital e papel; e) Balancetes Contábeis. A auditoria fiscal informa a inexistência de circunstâncias agravantes. A autuada teve ciência do lançamento em 27/09/2007 e apresentou defesa (fls. 23/49) onde alega que não houve por parte da Impugnante, a intenção de tipificar a conduta descrita no artigo 33, §§ 2°e 3° da Lei n°8.212/91 e, sim burocracia para obtenção dos documentos requisitados, bem como a falta de razoabilidade do agente fiscal. Considera que seu direito de defesa e ao contraditório foi ferido. Tece considerações a respeito da imunidade prevista no art. 195 § 7º da Constituição Federal e alega que os requisitos a serem cumpridos para o gozo de isenção seriam aqueles previstos no art. 14 do Código Tributário Nacional. Argumenta a respeito do alcance e conteúdo da assistência social e alega a ausência de capacidade contributiva da entidade beneficente CAMP. Aduz a inutilidade, desnecessidade e inconstitucionalidade do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Requer dilação de prazo para juntada de documentos , bem como de todas as provas em direito admitidas, inclusive, periciais. Pelo Acórdão nº 1724.065 (fls. 65/68) a 8ª Turma da DRJ/São Paulo II considerou o lançamento procedente. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 15983.000682/200796 Acórdão n.º 2402002.675 S2C4T2 Fl. 102 3 Contra tal decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 72/98) efetuando a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente foi autuada pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Segundo a auditoria fiscal, deixaram se ser apresentados os seguintes documentos: a) GFIPs, referentes a todo período fiscalizado, em meio magnético; b) DIRFs em meio digital e papel; c) Livros Contábeis (Diário e Razão) em meio magnético, conformE MANAD; d) DIPJs em meio digital e papel; e) Balancetes Contábeis. No entanto, na mesma ação fiscal foi lavrado o Auto de Infração nº 37.108.5616, processo nº 15983.000683/200731 em razão da empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto nos §§ 2º e 3º do art. 33, da Lei nº 8.212/1991. Neste caso a autuação ocorreu pela ausência de apresentação dos seguinte documentos: a) Folhas de Pagamento dos segurados contribuintes individuais (PRO LABORE); b) GFIPs em meio papel, com os respectivos comprovantes de entrega de todo período; c) Livros Contábeis (diário e razão); d) Livro de Registro de Empregados e; e) Notas Fiscais/Faturas de prestação de serviços e respectivos contratos sujeitos a Retenção de 11%, conforme lei no 9.711/98; A meu ver, vislumbrase a ocorrência de bis in idem pelas razões que se seguem. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 15983.000682/200796 Acórdão n.º 2402002.675 S2C4T2 Fl. 103 5 Notase que a não apresentação de GFIPs e Livros Contábeis foi causa paa as duas autuações, sendo que na presente autuação a razão seria a não apresentação de tais documentos em meio digital. Entendo que cabe ao órgão exigir a apresentação destes documentos em meio digital, no entanto, não tendo sido apresentado sob qualquer forma, prevalece a infração prevista no art. 33 §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991. Houvesse o contribuinte apresentado tais documentos em meio papel contrariando a forma pedida pela fiscalização, caberia a autuação com base no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, porém não as duas autuações simultâneas. Quanto aos demais documentos cuja não apresentação ensejaram a presente autuação, verificase que a ausência na apresentação também caracteriza infração ao art. 33 §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991. Os documentos em questão são DIRF em meio papel e magnético, DIPJ em meio papel e digital e balancetes contábeis. A meu ver, se a auditoria fiscal solicitou tais documentos é porque entendeu que de alguma forma estes seriam necessários a apurar a existência de contribuições previdenciárias não recolhidas. Assim, concluo que a presente autuação não pode prevalecer, uma vez que os documentos não apresentados que a ensejaram poderiam ter sido objeto do Auto de Infração nº 37.108.5616, processo nº 15983.000683/200731, caracterizandose, duplicidade de autuações. Cumpre dizer que o recurso apresentado contra o AI 37.108.5616 já foi julgado por este colegiado que negou provimento ao mesmo conforme Acórdão nº 2402 002.676. Diante do exposto e de tudo mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA 6 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA
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