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5884047 #
Numero do processo: 13896.910121/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 12            2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto  crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS.   Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife:  2.  A  não  homologação  da  compensação  se  deu  porque,  embora  localizado supradito pagamento, ele  fora integralmente utilizado para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para a compensação.  3. No  recurso, a defendente alega que  tem por objeto a prestação de  serviços  técnicos  no  ramo  de  engenharia  e  que  tem  como  principal  tomadora  de  serviços  o  Grupo  PETROBRÁS,  estando  submetida  ao  pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para  o  PIS/PASEP,  relativamente  às  quais  as  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento,  que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição,  os respectivos créditos admitidos na legislação”.  4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a  possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões  administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins  de desconto de créditos desta  contribuição, após o que assevera que,  “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos  Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior  no  exercício  de  liquidação  de  sua  carga  tributária  inerente  às  Contribuições  Sociais  em  comento,  razão  pela  qual  requereu­se  a  presente compensação administrativa”.  5.  Diz  ter  cumprido  todas  as  etapas  legais  estabelecidas  e  que  preencheu todos os  requisitos e que, desta  forma, não haveria que se  negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar  multa.  6.  Argúi  que  a  alegação  do  Despacho  Decisório  recorrido  de  que  inexistiria  crédito  indicaria,  de  forma  clara,  erro  no  cruzamento  de  informações dos  sistemas que  impediu a  identificação do crédito, que  fala ser líquido e certo.  7.  Menciona  que,  para  sanar  quaisquer  dúvidas,  apresenta  Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de  Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP.  8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da  defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência,  cancelada a exigência”.  9.  Dentre  outros  documentos,  a  contribuinte  anexou  aos  presentes  autos cópia de DACON retificadora e este.     Analisando  o  caso,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Recife  entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 13            3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o  direito ao pretendido indébito. Transcreva­se a ementa da referida decisão:  TRIBUTO.  PAGAMENTO  ESPONTÂNEO.  RESTITUIÇÃO.  RECONHECIMENTO. REQUISITOS.  O  reconhecimento  do  direito  à  restituição/compensação  de  tributo  recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa  quando  da  emissão  do  Despacho  Decisório  que  não  homologa  a  compensação  exige  a  comprovação,  pelo  sujeito  passivo,  de  erro  na  confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que  o  devido  em  face  da  legislação  aplicável  ou  das  circunstâncias  materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVAS.  MOMENTO  PARA  APRESENTAÇÃO.  Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto  nº  70.235/72,  as provas do  direito  creditório devem ser  apresentadas  por  ocasião  da  interposição  da  Manifestação  de  Inconformidade,  precluindo o direito de posterior juntada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido.    Diante  dessa  decisão,  o  contribuinte  apresentou  seu  Recurso  Voluntário,  alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar  documentação  fiscal  que  atestassem  a  natureza  e  demonstrassem  inequivocamente  o  seu  crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho  eletrônico.  Assim,  juntou  ao  Recurso  todos  os  documentos  contábeis,  fiscais,  relatórios,  planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também  disponibilizar  os  documentos  fiscais  e  contábeis,  que  poderão  ser  retirados  a  qualquer  momento  no  arquivo  central  da  empresa,  em  Barueri.  Argumentou  que  o  processo  administrativo  fiscal  possui  como  princípio  a  verdade  material  e  traz  jurisprudência  deste  Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação.  É o relatório.  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 14            4   Voto  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os  demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Analisando  os  autos,  entendo  que  no  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de  ofício,  independentemente  de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo  18 do Decreto 70.235/72. Confira­se:  Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de  ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é  de  que  deve  a Administração  Pública  se  valer  de  todos  os  elementos  possíveis  para  aferir  a  autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que, data  venia,  não  foi  feito  no  presente  caso.  Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por  diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da  Verdade  Material,  cujo  fundamento  constitucional  reside  nos  artigos  2º  e  37  da  Constituição  Federal,  no  qual  o  julgador  deve  pautar  suas  decisões. Ou  seja,  o  julgador deve perseguir  a  realidade dos  fatos,  para  que  não  incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre  Professor James Marins:  A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela  aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal;  aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o  registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento  econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento  tributário.  A  busca  pela  verdade material  é  princípio  de  observância  indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades  procedimentais  e  processuais.  (grifou­se).  (MARINS,  James.  Direito  Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  ­  São  Paulo:  Dialética, 2005. pág. 178 e 179.)  No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade  e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido  ao  julgador administrativo,  inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos  judiciais, não  ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos  os elementos capazes de influir em seu convencimento.  Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide  propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 15            5 ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da  autoridade administrativa.  Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que  o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para  solução da lide. Confira­se:  IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL.   Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao  sujeito  passivo  a  apresentação  de  elementos  probatórios  na  fase  impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos  ainda  na  fase  de  impugnação,  antes,  portanto,  da  decisão,  fere  o  princípio da  verdade material  com ofensa ao princípio  constitucional  da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da  verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente  ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade  da  tributação.  Deve  ser  anulada  decisão  de  primeira  instância  que  deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00­ 99,  Recurso  Voluntário  n°.  132.865,  ACÓRDÃO  203­12338,  Relator  Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  ­  PROVA MATERIAL  APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  ­  PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA  DA VERDADE MATERIAL ­ A não apreciação de provas trazidas aos  autos  depois  da  impugnação  e  já  na  fase  recursal,  antes  da  decisão  final administrativa,  fere o princípio da  instrumentalidade processual  prevista  no  CPC  e  a  busca  da  verdade  material,  que  norteia  o  contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo  administrativo  predomina  o  princípio  da  verdade  material  no  sentido  de  que  aí  se  busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que  está em jogo é a  legalidade da  tributação. O  importante é saber se o  fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103­ 18789 ­ 3ª. Câmara ­ 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03­04.371  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/2005­65,  Recurso Voluntário n°.  136.880, Acórdão 302­39947, Relatora  Judith  do Amaral Marcondes)  IRPJ  ­  PREJUÍZO  FISCAL  ­  IRRF  ­  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  ­  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  ­  PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  ­  Não  procede  o  não  reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo  negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondente  foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado  da  declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 ­ Câmara:  Quinta  Câmara  ­  Número  do  Processo:  13877.000442/2002­69  –  Recurso Voluntário: 28/02/2007)  COMPENSAÇÃO  ­  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  E/OU  PEDIDO  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no  preenchimento  da  declaração  e/ou  pedido,  deve  a  verdade  material  prevalecer  sobre  a  formal.  Recurso  Voluntário  Provido.  (Número  do  Recurso:  157222  ­  Primeira  Câmara  ­  Número  do  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 16            6 Processo:10768.100409/2003­68  –  Recurso  Voluntário:  27/06/2008  ­  Acórdão 101­96829).  Assim,  devem  ser  considerados,  in  casu,  a  DACON  que  foi  retificada  pelo  Recorrente,  que,  a  princípio,  em  uma  análise  superficial,  demonstra  créditos  passíveis  de  compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife,  é  que  se  poderá  ter  certeza  de  que  os  créditos  utilizados  são mesmo  decorrentes  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  sua  prestação  de  serviços  de  engenharia  e,  em  conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente.  Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada,  balancete,  documentação  fiscal  e  contábil  passível  de  verificação  do  direito  creditório.  Tal  documentação,  contudo,  não  foi  considerada  pela  DRJ/Recife,  sob  a  alegação  de  ter  sido  apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação.  Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência  à DRF de Recife para:  1.  Apurar  se,  com  base  na  documentação  acostada  aos  autos,  os  valores  dos  créditos de bens  e  serviços utilizados  como  insumos na  sua  atividade declarado no DACON  retificado estão corretos;  2.  Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente  para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse  fim específico, concedendo­lhe prazo para tal apresentação;  3.  Intimar  a  empresa  a  se manifestar  acerca  da  diligência  realizada,  se  assim  desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência;  4.  Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento.    Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5870564 #
Numero do processo: 13161.720888/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO Cuida-se de Autos de Infração de IRPJ e de CSLL atinentes aos anos-calendários 2008, 2009 e 2010. Os lançamentos fiscais em apreço gravitam em torno da aquisição das ações representativas do capital da ora Recorrente, sendo que os seguintes trechos do r. Recurso Voluntário expõem com clareza os fatos relevantes do feito vertente, litteris: A Recorrente (“Usina Eldorado”) é uma, dentre outras pessoas jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding das empresas produtoras de etanol, energia elétrica e açúcar, controlada pela Odebrecht S.A.. Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente eram de propriedade dos senhores Marcelo Maçães Coutinho, Luis Ricardo Maçães Coutinho e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes e da Companhia Eldorado de Agronegócios, por eles controlada (conjuntamente denominados “FAMÍLIA COUTINHO”). À época, ETH já havia constituído a sociedade empresária NOVA BOIPEBA, com o objetivo angariar os recursos necessários, centralizar as negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de adquirir a participação societária na Recorrente. A FAMÍLIA COUTINHO, de sua parte, concordava em transmitir as ações da Recorrente à NOVA BOIPEBA, desde que por meio da permuta dos seus papéis por participação em outra empresa, sem que houvesse torna de recursos. Diante disso, a ETH, que, na mesma data de formação da NOVA BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri Participações S.A. (“NOVA MUCURI”) –, capitalizou a NOVA BOIPEBA com parte dos recursos necessários para que esta, juntamente com os valores que captasse, aumentasse o capital de NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de ações. Nessa medida, os fatos que se sucederam até que houvesse a transferência da integralidade das ações da Recorrente detidas pela FAMÍLIA COUTINHO e ulterior incorporação de NOVA BOIPEBA podem ser assim resumidos: 27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas de propriedade de ETH. 09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00. 10.03.08: Subscrição de capital de NOVA MUCURI, pela NOVA BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 150.000.000,00, pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital. 12.03.08: NOVA BOIPEBA contrai empréstimo, na modalidade de repasse de recursos captados no exterior, mediante a assinatura de Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A.. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 234.539.000,00, pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de capital. 18.03.08: Subscrição de “Contrato de Permuta e Outras Avenças” entre, de um lado, ETH e NOVA BOIPEBA e, de outro, FAMÍLIA COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as transferências das ações de NOVA MUCURI à FAMÍLIA COUTINHO e das ações da Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA. 30.04.08: Uma vez concretizado o negócio para o qual havia sido constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora Recorrente). Como o preço da permuta foi superior ao valor de patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou a diferença a maior no seu custo de aquisição como ágio por expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – “RIR/99”), com fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação. Em decorrência da última operação societária acima apontada, a Recorrente, na condição de sucessora por incorporação, passou a amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado a título de ágio, à razão de 1/60 avos ao mês, com fundamento nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 (art. 386 do RIR/99 e art. 75 da Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99. Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas com juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do repasse de recursos captados no exterior, o que tem fundamento nos artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04. (fls. 1278-1279) A fiscalização entendeu que todas essas operações materializam abuso de direito, tendo em vista que, a seu sentir, todos os negócios jurídicos formalizados serviram unicamente ao fim de mascarar uma operação de compra e venda da participação societária na Recorrente por parte da ETH. De fato, a r. autoridade autuante houve por bem constituir os créditos tributários em litígio lastreando-se nos seguintes fundamentos, extraídos do Termo de Verificação Fiscal, litteris: A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze reais e dezessete centavos) fruto da aplicação de métodos e critérios legais e contábeis. Como vimos, a fiscalização não questiona se houve ou não o pagamento pela aquisição das participações. O que não pode ser aceito é o ágio pertencente ao investidor ETH, que é o verdadeiro titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitá-lo, porém, este ágio não lhe pertence. Outro fato, que do mesmo modo não pode ser aceito, são os custos financeiros decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) realizados inicialmente em nome da Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às avessas. O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da aquisição da Usina – fato inquestionável. Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem. Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que justificam a autuação fiscal: Criação da Nova Mucuri e Nova Boipeva na mesma data, com diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera e usadas como empresas veículos ou de passagem; Nova Boipeba nunca captou recursos de outros grupos econômicos, não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome foi feito pela Odebrecht; Os históricos contábeis dos lançamentos que registram a subscrição das ações da Nova Mucuri pela Nova Boipeba indicam “Aquisição Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência; O único patrimônio da Nova Mucuri são os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento pela aquisição; A Celebração do contrato denominado de “Permuta e Outras Avenças” divorciado da verdadeira realidade dos fatos. As diversas justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação” foram uma a uma desmontadas pela fiscalização; O resultado final produzido pela sucessão de todos esses atos societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina; As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008 em São Paulo/SP e ao mesmo tempo em Rio Brilhante/MS, ambas secretariadas pelo Sr. Luciano Dequech, demonstram sua artificialidade; A criação da Nova Boipeba e Nova Mucuri e os atos societários praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito negocial, não há qualquer substância econômica que possa ser extraída; O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de compra e venda de ações com ágio, transformada artificialmente em operação de permuta com incorporação às avessas, com a finalidade de deduzir como despesa o ágio gerado pela aquisição de suas próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$ 100.000.000,00 que deveriam ser suportados pelos verdadeiros investidores (Grupo ETH) e, O princípio da verdade material que determina que a Autoridade Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por: não considerar como despesas dedutíveis o ágio aproveitado pela contribuinte nos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010 e, não considerar os custos financeiros contabilizados como despesas financeiras decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) contraídos junto ao ABN Amro Real S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (fls. 1137-1138) Acerca desse última questão, é importante trazer à balha o seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal, em que se declinam os parâmetros para a constituição do correlato crédito tributário, verbis: Em 12/03/2008 a Nova Boipeba Participações S/A, com garantias prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) equivalente a R$ 169.080.000,00 (cento e sessenta e nove milhões e oitenta mil reais), conforme lançamento na conta 2.1.1.2.01.07. Em 30/04/2008, nesta mesma conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a Usina Eldorado S.A.. Revelam-se como indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e CSL os encargos financeiros decorrentes de parte do empréstimo contraído para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A. Foi usado na aquisição da Eldorado o valor de R$ 82.539.000,00 (oitenta e dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil reais) que corresponde a 48,53% do empréstimo e transferido o valor de R$ 87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, novecentos e quinze reais e trinta e três centavos) que corresponde a 51,47%. Devem ser glosados os valores dos juros deduzidos indevidamente (48,53%), bem como ajustada a variação cambial no Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido (51,47%). Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do valor que foi utilizado na aquisição das ações da própria Usina Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do Artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias. Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201 – Juros s/Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2008; 7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2009 e 6.2.1.01.03 – Juros s/Financiamento no ano-calendário de 2010. Conforme planilhas anexas, fizemos o rateio efetuado a glosa dos valores considerados como despesas desnecessárias que correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina Eldorado S.A.. (fl. 1139) É importante consignar que os lançamentos em apreço não carreiam qualquer exigência direcionada contra o sujeito passivo: deveras, a Recorrente apurou expressivos prejuízos fiscais e bases negativas nos períodos de apuração em testilha, resultados negativos esses que não foram revertidos com as glosas de que aqui se cuida, de modo que as autuações apenas engendraram a sua minoração. Digno de nota salientar que, a despeito de a autuação não encerrar qualquer acusação de falta de pagamento de tributo, a r. autoridade fiscal entendeu que, se tal falta de pagamento tivesse tido lugar, os correlatos créditos tributários exigidos seriam acompanhados de multa de ofício qualificada, consideração essa que ensejou a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo n. 13161.720889/2012-96). Regularmente intimado dos lançamentos em 27 de setembro de 2012 (fl. 1143), o sujeito passivo apresentou tempestiva Impugnação, cujos argumentos foram sintetizados no Relatório da r. decisão recorrida nos seguintes termos, verbis: a) as operações foram todas realizadas em conformidade com os objetivos da Lei nº 9.532/97; a.1) a concessão do benefício do art. 7º da Lei nº 9.532/97 às “holdings” puras, tornaria inócua a possibilidade de dedução do ágio, pois elas não teriam receitas tributáveis a contrapor as referidas despesas; a.2) não cabe ao Fisco questionar os atos praticados em conformidade com as normas vigentes, como ocorreu no caso; a.3) “tanto a forma jurídica proposta pela Fiscalização, quanto aquela adotada no caso concreto levariam ao mesmo desfecho, uma vez atendidos os pressupostos previstos na Lei 9.532/97: amortização do ágio pela impugnante”; a.4) “a postura do Fisco assemelha-se à dos contribuintes que se apegam à forma do negócio, desprezando sua real substância econômica”; b) “a transferência do ágio para a própria investida, mediante a incorporação da sua investidora, que efetuou o pagamento de dita importância, não revela anormalidade, caracterizadora do abuso, como imaginou a fiscalização, ao inverso”; b.1) “a formação de ativo diferido mediante ingresso do valor equivalente ao ágio no patrimônio da Impugnante e a sucessão de NOVA BOIPEBA mediante incorporação da investidora pela investida (incorporação às avessas) não são transações desprovidas de conteúdo e contrárias às finalidades perseguidas pelas normas fiscais envolvidas, como equivocadamente afirmou a fiscalização. Ao inverso, são medidas que vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97”; b.2) “a união do ágio ao investimento que lhe deu causa é um imperativo para a sua ulterior amortização”; b.3) “a amortização do ágio após a incorporação da investidora pela investida (“incorporação às avessas”) também se explica no contexto das operações ora examinadas. O artigo 8º da Lei n. 9.532/97 é expresso em assegurar a aplicação de referido regime (previsto no artigo 7º do mesmo diploma) quando a controlada incorporar a controladora”; b.4) “os institutos de direito privado foram legitimamente utilizados de modo a alcançar seus objetivos e igualmente manter o tratamento estabelecido pela legislação fiscal”; c) a Lei Complementar nº 104/01 que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária que ainda não existe; c.1) o Decreto nº 70.235/72 não contém a regulamentação para que essa norma seja aplicada; c.2) “a desconsideração dos atos praticados no caso concreto só seria admissível após a regulamentação do artigo 116, parágrafo único, do CTN, o que até hoje não ocorreu”; d) “em relação às despesas com juros e variação cambial na obtenção de empréstimo originário de recursos em moeda estrangeira, as razões extra tributárias que motivaram a formação de NOVA BOIPEPA explicam porque os gastos com o levantamento do capital eram necessários e usuais a suas operações”; d.1) “as apropriações dos juros e da variação cambial pela Impugnante, na condição de sucessora por incorporação da NOVA BOIPEBA, qualificam-se como despesas operacionais”; d.2) “tais dispêndios qualificam-se, em regra, como necessários e usuais, na forma do artigo 299 do RIR/99, pois envolvem o custo incorrido para a obtenção de capital para o financiamento das operações da pessoa jurídica”; d.3) “é incontroverso que o empréstimo foi tomado como meio a viabilizar a formação da integralidade dos recursos que, ao final, foram transferidos à FAMÍLIA COUTINHO em troca da integralidade das ações da Usina Eldorado... Em consequência, é indubitável que os juros e a variação cambial do crédito externo representam despesa operacional para a tomadora dos valores (NOVA BOIPEBA)”; d.4) “a devedora original do empréstimo (NOVA BOIPEBA) ... foi incorporada pela Impugnante. Por decorrência, a Impugnante tornou-se sua sucessora universal em ativos e passivos, o que compreendeu a responsabilidade por responder pelo adimplemento do empréstimo em moeda estrangeira e respectivos juros e variação cambial”; d.5) “por ter pago as despesas pela tomada do empréstimo, a Impugnante tinha o direito de apropriar referidos dispêndios como gastos operacionais, com fundamento nas normas do RIR 99 e da IN n. 390/04, antes citadas, da mesma forma que o eram para a tomadora original”; e) é descabido o tratamento dos fatos como fraudulentos (semelhantes aos apenados com a multa de 150%), já que os atos foram todos praticados às claras e levados ao conhecimento das autoridades competentes. (fl. 1242-1243) Em sessão havida em 2 de abril de 2013, a Colenda 2a Turma da DRJ de Campo Grande/MS houve por bem negar provimento à Impugnação em decisum que restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. A amortização de ágio na aquisição de participações societárias não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização de mecanismos tendentes a evitar o conhecimento do fisco relativamente à natureza ou circunstâncias materiais e às reais características essenciais do fato gerador. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial decorrentes de empréstimo em moeda estrangeira só são dedutíveis se este é necessário e usual às atividades da tomadora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. (fl. 1239) Tendo sido intimado desse acórdão em 23 de abril de 2013 (fl. 1252), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário sub examen em 8 de maio de 2013 (fl. 1276), oportunidade em que repisou os argumentos deduzidos em Impugnação. É o relatório.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR

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Os lançamentos fiscais em apreço gravitam em torno da aquisição das ações representativas do capital da ora Recorrente, sendo que os seguintes trechos do r. Recurso Voluntário expõem com clareza os fatos relevantes do feito vertente, litteris: A Recorrente (“Usina Eldorado”) é uma, dentre outras pessoas jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding das empresas produtoras de etanol, energia elétrica e açúcar, controlada pela Odebrecht S.A.. Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente eram de propriedade dos senhores Marcelo Maçães Coutinho, Luis Ricardo Maçães Coutinho e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes e da Companhia Eldorado de Agronegócios, por eles controlada (conjuntamente denominados “FAMÍLIA COUTINHO”). À época, ETH já havia constituído a sociedade empresária NOVA BOIPEBA, com o objetivo angariar os recursos necessários, centralizar as negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de adquirir a participação societária na Recorrente. A FAMÍLIA COUTINHO, de sua parte, concordava em transmitir as ações da Recorrente à NOVA BOIPEBA, desde que por meio da permuta dos seus papéis por participação em outra empresa, sem que houvesse torna de recursos. Diante disso, a ETH, que, na mesma data de formação da NOVA BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri Participações S.A. (“NOVA MUCURI”) –, capitalizou a NOVA BOIPEBA com parte dos recursos necessários para que esta, juntamente com os valores que captasse, aumentasse o capital de NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de ações. Nessa medida, os fatos que se sucederam até que houvesse a transferência da integralidade das ações da Recorrente detidas pela FAMÍLIA COUTINHO e ulterior incorporação de NOVA BOIPEBA podem ser assim resumidos: 27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas de propriedade de ETH. 09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00. 10.03.08: Subscrição de capital de NOVA MUCURI, pela NOVA BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 150.000.000,00, pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital. 12.03.08: NOVA BOIPEBA contrai empréstimo, na modalidade de repasse de recursos captados no exterior, mediante a assinatura de Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A.. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 234.539.000,00, pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de capital. 18.03.08: Subscrição de “Contrato de Permuta e Outras Avenças” entre, de um lado, ETH e NOVA BOIPEBA e, de outro, FAMÍLIA COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as transferências das ações de NOVA MUCURI à FAMÍLIA COUTINHO e das ações da Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA. 30.04.08: Uma vez concretizado o negócio para o qual havia sido constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora Recorrente). Como o preço da permuta foi superior ao valor de patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou a diferença a maior no seu custo de aquisição como ágio por expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – “RIR/99”), com fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação. Em decorrência da última operação societária acima apontada, a Recorrente, na condição de sucessora por incorporação, passou a amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado a título de ágio, à razão de 1/60 avos ao mês, com fundamento nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 (art. 386 do RIR/99 e art. 75 da Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99. Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas com juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do repasse de recursos captados no exterior, o que tem fundamento nos artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04. (fls. 1278-1279) A fiscalização entendeu que todas essas operações materializam abuso de direito, tendo em vista que, a seu sentir, todos os negócios jurídicos formalizados serviram unicamente ao fim de mascarar uma operação de compra e venda da participação societária na Recorrente por parte da ETH. De fato, a r. autoridade autuante houve por bem constituir os créditos tributários em litígio lastreando-se nos seguintes fundamentos, extraídos do Termo de Verificação Fiscal, litteris: A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze reais e dezessete centavos) fruto da aplicação de métodos e critérios legais e contábeis. Como vimos, a fiscalização não questiona se houve ou não o pagamento pela aquisição das participações. O que não pode ser aceito é o ágio pertencente ao investidor ETH, que é o verdadeiro titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitá-lo, porém, este ágio não lhe pertence. Outro fato, que do mesmo modo não pode ser aceito, são os custos financeiros decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) realizados inicialmente em nome da Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às avessas. O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da aquisição da Usina – fato inquestionável. Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem. Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que justificam a autuação fiscal: Criação da Nova Mucuri e Nova Boipeva na mesma data, com diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera e usadas como empresas veículos ou de passagem; Nova Boipeba nunca captou recursos de outros grupos econômicos, não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome foi feito pela Odebrecht; Os históricos contábeis dos lançamentos que registram a subscrição das ações da Nova Mucuri pela Nova Boipeba indicam “Aquisição Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência; O único patrimônio da Nova Mucuri são os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento pela aquisição; A Celebração do contrato denominado de “Permuta e Outras Avenças” divorciado da verdadeira realidade dos fatos. As diversas justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação” foram uma a uma desmontadas pela fiscalização; O resultado final produzido pela sucessão de todos esses atos societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina; As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008 em São Paulo/SP e ao mesmo tempo em Rio Brilhante/MS, ambas secretariadas pelo Sr. Luciano Dequech, demonstram sua artificialidade; A criação da Nova Boipeba e Nova Mucuri e os atos societários praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito negocial, não há qualquer substância econômica que possa ser extraída; O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de compra e venda de ações com ágio, transformada artificialmente em operação de permuta com incorporação às avessas, com a finalidade de deduzir como despesa o ágio gerado pela aquisição de suas próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$ 100.000.000,00 que deveriam ser suportados pelos verdadeiros investidores (Grupo ETH) e, O princípio da verdade material que determina que a Autoridade Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por: não considerar como despesas dedutíveis o ágio aproveitado pela contribuinte nos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010 e, não considerar os custos financeiros contabilizados como despesas financeiras decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) contraídos junto ao ABN Amro Real S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (fls. 1137-1138) Acerca desse última questão, é importante trazer à balha o seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal, em que se declinam os parâmetros para a constituição do correlato crédito tributário, verbis: Em 12/03/2008 a Nova Boipeba Participações S/A, com garantias prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) equivalente a R$ 169.080.000,00 (cento e sessenta e nove milhões e oitenta mil reais), conforme lançamento na conta 2.1.1.2.01.07. Em 30/04/2008, nesta mesma conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a Usina Eldorado S.A.. Revelam-se como indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e CSL os encargos financeiros decorrentes de parte do empréstimo contraído para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A. Foi usado na aquisição da Eldorado o valor de R$ 82.539.000,00 (oitenta e dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil reais) que corresponde a 48,53% do empréstimo e transferido o valor de R$ 87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, novecentos e quinze reais e trinta e três centavos) que corresponde a 51,47%. Devem ser glosados os valores dos juros deduzidos indevidamente (48,53%), bem como ajustada a variação cambial no Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido (51,47%). Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do valor que foi utilizado na aquisição das ações da própria Usina Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do Artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias. Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201 – Juros s/Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2008; 7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2009 e 6.2.1.01.03 – Juros s/Financiamento no ano-calendário de 2010. Conforme planilhas anexas, fizemos o rateio efetuado a glosa dos valores considerados como despesas desnecessárias que correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina Eldorado S.A.. (fl. 1139) É importante consignar que os lançamentos em apreço não carreiam qualquer exigência direcionada contra o sujeito passivo: deveras, a Recorrente apurou expressivos prejuízos fiscais e bases negativas nos períodos de apuração em testilha, resultados negativos esses que não foram revertidos com as glosas de que aqui se cuida, de modo que as autuações apenas engendraram a sua minoração. Digno de nota salientar que, a despeito de a autuação não encerrar qualquer acusação de falta de pagamento de tributo, a r. autoridade fiscal entendeu que, se tal falta de pagamento tivesse tido lugar, os correlatos créditos tributários exigidos seriam acompanhados de multa de ofício qualificada, consideração essa que ensejou a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo n. 13161.720889/2012-96). Regularmente intimado dos lançamentos em 27 de setembro de 2012 (fl. 1143), o sujeito passivo apresentou tempestiva Impugnação, cujos argumentos foram sintetizados no Relatório da r. decisão recorrida nos seguintes termos, verbis: a) as operações foram todas realizadas em conformidade com os objetivos da Lei nº 9.532/97; a.1) a concessão do benefício do art. 7º da Lei nº 9.532/97 às “holdings” puras, tornaria inócua a possibilidade de dedução do ágio, pois elas não teriam receitas tributáveis a contrapor as referidas despesas; a.2) não cabe ao Fisco questionar os atos praticados em conformidade com as normas vigentes, como ocorreu no caso; a.3) “tanto a forma jurídica proposta pela Fiscalização, quanto aquela adotada no caso concreto levariam ao mesmo desfecho, uma vez atendidos os pressupostos previstos na Lei 9.532/97: amortização do ágio pela impugnante”; a.4) “a postura do Fisco assemelha-se à dos contribuintes que se apegam à forma do negócio, desprezando sua real substância econômica”; b) “a transferência do ágio para a própria investida, mediante a incorporação da sua investidora, que efetuou o pagamento de dita importância, não revela anormalidade, caracterizadora do abuso, como imaginou a fiscalização, ao inverso”; b.1) “a formação de ativo diferido mediante ingresso do valor equivalente ao ágio no patrimônio da Impugnante e a sucessão de NOVA BOIPEBA mediante incorporação da investidora pela investida (incorporação às avessas) não são transações desprovidas de conteúdo e contrárias às finalidades perseguidas pelas normas fiscais envolvidas, como equivocadamente afirmou a fiscalização. Ao inverso, são medidas que vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97”; b.2) “a união do ágio ao investimento que lhe deu causa é um imperativo para a sua ulterior amortização”; b.3) “a amortização do ágio após a incorporação da investidora pela investida (“incorporação às avessas”) também se explica no contexto das operações ora examinadas. O artigo 8º da Lei n. 9.532/97 é expresso em assegurar a aplicação de referido regime (previsto no artigo 7º do mesmo diploma) quando a controlada incorporar a controladora”; b.4) “os institutos de direito privado foram legitimamente utilizados de modo a alcançar seus objetivos e igualmente manter o tratamento estabelecido pela legislação fiscal”; c) a Lei Complementar nº 104/01 que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária que ainda não existe; c.1) o Decreto nº 70.235/72 não contém a regulamentação para que essa norma seja aplicada; c.2) “a desconsideração dos atos praticados no caso concreto só seria admissível após a regulamentação do artigo 116, parágrafo único, do CTN, o que até hoje não ocorreu”; d) “em relação às despesas com juros e variação cambial na obtenção de empréstimo originário de recursos em moeda estrangeira, as razões extra tributárias que motivaram a formação de NOVA BOIPEPA explicam porque os gastos com o levantamento do capital eram necessários e usuais a suas operações”; d.1) “as apropriações dos juros e da variação cambial pela Impugnante, na condição de sucessora por incorporação da NOVA BOIPEBA, qualificam-se como despesas operacionais”; d.2) “tais dispêndios qualificam-se, em regra, como necessários e usuais, na forma do artigo 299 do RIR/99, pois envolvem o custo incorrido para a obtenção de capital para o financiamento das operações da pessoa jurídica”; d.3) “é incontroverso que o empréstimo foi tomado como meio a viabilizar a formação da integralidade dos recursos que, ao final, foram transferidos à FAMÍLIA COUTINHO em troca da integralidade das ações da Usina Eldorado... Em consequência, é indubitável que os juros e a variação cambial do crédito externo representam despesa operacional para a tomadora dos valores (NOVA BOIPEBA)”; d.4) “a devedora original do empréstimo (NOVA BOIPEBA) ... foi incorporada pela Impugnante. Por decorrência, a Impugnante tornou-se sua sucessora universal em ativos e passivos, o que compreendeu a responsabilidade por responder pelo adimplemento do empréstimo em moeda estrangeira e respectivos juros e variação cambial”; d.5) “por ter pago as despesas pela tomada do empréstimo, a Impugnante tinha o direito de apropriar referidos dispêndios como gastos operacionais, com fundamento nas normas do RIR 99 e da IN n. 390/04, antes citadas, da mesma forma que o eram para a tomadora original”; e) é descabido o tratamento dos fatos como fraudulentos (semelhantes aos apenados com a multa de 150%), já que os atos foram todos praticados às claras e levados ao conhecimento das autoridades competentes. (fl. 1242-1243) Em sessão havida em 2 de abril de 2013, a Colenda 2a Turma da DRJ de Campo Grande/MS houve por bem negar provimento à Impugnação em decisum que restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. A amortização de ágio na aquisição de participações societárias não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização de mecanismos tendentes a evitar o conhecimento do fisco relativamente à natureza ou circunstâncias materiais e às reais características essenciais do fato gerador. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial decorrentes de empréstimo em moeda estrangeira só são dedutíveis se este é necessário e usual às atividades da tomadora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. (fl. 1239) Tendo sido intimado desse acórdão em 23 de abril de 2013 (fl. 1252), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário sub examen em 8 de maio de 2013 (fl. 1276), oportunidade em que repisou os argumentos deduzidos em Impugnação. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 3            2   RELATÓRIO  Cuida­se  de  Autos  de  Infração  de  IRPJ  e  de  CSLL  atinentes  aos  anos­ calendários 2008, 2009 e 2010.  Os lançamentos fiscais em apreço gravitam em torno da aquisição das ações  representativas  do  capital  da  ora  Recorrente,  sendo  que  os  seguintes  trechos  do  r.  Recurso  Voluntário expõem com clareza os fatos relevantes do feito vertente, litteris:  A  Recorrente  (“Usina  Eldorado”)  é  uma,  dentre  outras  pessoas  jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding  das  empresas  produtoras  de  etanol,  energia  elétrica  e  açúcar,  controlada pela Odebrecht S.A..  Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente  eram  de  propriedade  dos  senhores  Marcelo  Maçães  Coutinho,  Luis  Ricardo Maçães Coutinho  e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes  e  da  Companhia  Eldorado  de  Agronegócios,  por  eles  controlada  (conjuntamente  denominados  “FAMÍLIA  COUTINHO”).  À  época,  ETH  já  havia  constituído  a  sociedade  empresária  NOVA  BOIPEBA,  com  o  objetivo  angariar  os  recursos  necessários,  centralizar  as  negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de  adquirir  a  participação  societária  na  Recorrente.  A  FAMÍLIA  COUTINHO,  de  sua  parte,  concordava  em  transmitir  as  ações  da  Recorrente  à  NOVA  BOIPEBA,  desde  que  por  meio  da  permuta  dos  seus  papéis  por  participação  em  outra  empresa,  sem  que  houvesse  torna de recursos.  Diante  disso,  a  ETH,  que,  na  mesma  data  de  formação  da  NOVA  BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri  Participações  S.A.  (“NOVA  MUCURI”)  –,  capitalizou  a  NOVA  BOIPEBA  com  parte  dos  recursos  necessários  para  que  esta,  juntamente  com  os  valores  que  captasse,  aumentasse  o  capital  de  NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de  ações.  Nessa medida,  os  fatos  que  se  sucederam  até  que  houvesse  a  transferência  da  integralidade  das  ações  da  Recorrente  detidas  pela  FAMÍLIA  COUTINHO  e  ulterior  incorporação  de  NOVA  BOIPEBA  podem ser assim resumidos:  27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas  de propriedade de ETH.  09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela  ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00.  10.03.08:  Subscrição  de  capital  de  NOVA  MUCURI,  pela  NOVA  BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00.  12.03.08: Transferência de  recursos, no  valor de R$ 150.000.000,00,  pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital.  Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 4            3 12.03.08:  NOVA  BOIPEBA  contrai  empréstimo,  na  modalidade  de  repasse  de  recursos  captados  no  exterior,  mediante  a  assinatura  de  Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A..  12.03.08: Transferência de  recursos, no  valor de R$ 234.539.000,00,  pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de  capital.  18.03.08:  Subscrição  de  “Contrato  de  Permuta  e  Outras  Avenças”  entre,  de  um  lado,  ETH  e  NOVA  BOIPEBA  e,  de  outro,  FAMÍLIA  COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as  transferências das  ações  de  NOVA  MUCURI  à  FAMÍLIA  COUTINHO  e  das  ações  da  Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA.  30.04.08:  Uma  vez  concretizado  o  negócio  para  o  qual  havia  sido  constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora  Recorrente).  Como  o  preço  da  permuta  foi  superior  ao  valor  de  patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou  a  diferença  a  maior  no  seu  custo  de  aquisição  como  ágio  por  expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto  n.  3.000/99  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  “RIR/99”),  com  fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação.  Em  decorrência  da  última  operação  societária  acima  apontada,  a  Recorrente,  na  condição  de  sucessora  por  incorporação,  passou  a  amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado  a  título  de  ágio,  à  razão  de  1/60  avos  ao mês,  com  fundamento  nos  artigos  7o  e  8o  da  Lei  n.  9.532/97  (art.  386  do  RIR/99  e  art.  75  da  Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99.  Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas  com  juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do  repasse  de  recursos  captados no  exterior,  o que  tem  fundamento nos  artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04.  (fls. 1278­1279)  A  fiscalização  entendeu  que  todas  essas  operações  materializam  abuso  de  direito,  tendo  em  vista  que,  a  seu  sentir,  todos  os  negócios  jurídicos  formalizados  serviram  unicamente ao fim de mascarar uma operação de compra e venda da participação societária na  Recorrente  por  parte  da ETH. De  fato,  a  r.  autoridade  autuante  houve por  bem constituir  os  créditos tributários em litígio lastreando­se nos seguintes fundamentos, extraídos do Termo de  Verificação Fiscal, litteris:  A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado  resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento  e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze  reais  e dezessete  centavos)  fruto da aplicação de métodos e critérios  legais e contábeis.  Como  vimos,  a  fiscalização  não  questiona  se  houve  ou  não  o  pagamento  pela  aquisição  das  participações.  O  que  não  pode  ser  aceito  é  o  ágio  pertencente  ao  investidor  ETH,  que  é  o  verdadeiro  titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos  societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A  Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitá­lo,  porém, este ágio não lhe pertence.  Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 5            4 Outro  fato,  que  do  mesmo modo  não  pode  ser  aceito,  são  os  custos  financeiros  decorrentes  do  empréstimo  de  US$  100.000.000,00  (cem  milhões  de  dólares  americanos)  realizados  inicialmente  em  nome  da  Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às  avessas.  O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da  aquisição  da  Usina  –  fato  inquestionável.  Ocorre  que,  os  recursos  necessários  para  a  aquisição  da  investida  (Usina)  são  de  responsabilidade  da  investidora  que  é  a ETH.  Se  a  investidora ETH  buscou  capital  junto  a  instituições  financeiras  para  realizar  a  aquisição,  cabe a  ela arcar  com os ônus decorrentes do empréstimo.  Esses  custos  jamais  poderiam  ser  artificialmente  transferidos  para  a  própria  investida  para  serem  por  ela  suportados,  são  despesas  financeiras que não lhe pertencem.  Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que  justificam a autuação fiscal:  Criação  da  Nova  Mucuri  e  Nova  Boipeva  na  mesma  data,  com  diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos  acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera  e usadas como empresas veículos ou de passagem;  Nova  Boipeba  nunca  captou  recursos  de  outros  grupos  econômicos,  não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome  foi feito pela Odebrecht;  Os  históricos  contábeis  dos  lançamentos  que  registram  a  subscrição  das  ações  da  Nova  Mucuri  pela  Nova  Boipeba  indicam  “Aquisição  Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência;  O  único  patrimônio  da  Nova  Mucuri  são  os  R$  232.540.000,00  depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento  pela aquisição;  A  Celebração  do  contrato  denominado  de  “Permuta  e  Outras  Avenças”  divorciado  da  verdadeira  realidade  dos  fatos.  As  diversas  justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação”  foram uma a uma desmontadas pela fiscalização;  O  resultado  final  produzido  pela  sucessão  de  todos  esses  atos  societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre  foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina;  As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008  em  São  Paulo/SP  e  ao  mesmo  tempo  em  Rio  Brilhante/MS,  ambas  secretariadas  pelo  Sr.  Luciano  Dequech,  demonstram  sua  artificialidade;  A  criação  da  Nova  Boipeba  e  Nova  Mucuri  e  os  atos  societários  praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito  negocial,  não  há  qualquer  substância  econômica  que  possa  ser  extraída;  O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de  compra  e  venda de  ações  com ágio,  transformada artificialmente  em  Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 6            5 operação de permuta com incorporação às avessas, com a  finalidade  de  deduzir  como  despesa  o  ágio  gerado  pela  aquisição  de  suas  próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$  100.000.000,00  que  deveriam  ser  suportados  pelos  verdadeiros  investidores (Grupo ETH) e,  O  princípio  da  verdade  material  que  determina  que  a  Autoridade  Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam  na realidade.  Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por:  não  considerar  como  despesas  dedutíveis  o  ágio  aproveitado  pela  contribuinte nos anos­calendário de 2008, 2009 e 2010 e,  não  considerar  os  custos  financeiros  contabilizados  como  despesas  financeiras  decorrentes  do  empréstimo  de  US$  100.000.000,00  (cem  milhões  de  dólares  americanos)  contraídos  junto  ao ABN Amro Real  S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (fls. 1137­1138)  Acerca desse última questão, é  importante  trazer à balha o  seguinte excerto  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  em  que  se  declinam  os  parâmetros  para  a  constituição  do  correlato crédito tributário, verbis:  Em  12/03/2008  a  Nova  Boipeba  Participações  S/A,  com  garantias  prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto  ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem  milhões  de  dólares  americanos)  equivalente  a  R$  169.080.000,00  (cento  e  sessenta  e  nove  milhões  e  oitenta  mil  reais),  conforme  lançamento  na  conta  2.1.1.2.01.07.  Em  30/04/2008,  nesta  mesma  conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a  Usina Eldorado S.A..  Revelam­se  como  indedutíveis  na  base  de  cálculo  do  IRPJ  e CSL  os  encargos  financeiros  decorrentes  de  parte  do  empréstimo  contraído  para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A.  Foi  usado  na  aquisição  da  Eldorado  o  valor  de  R$  82.539.000,00  (oitenta  e  dois  milhões,  quinhentos  e  trinta  e  nove  mil  reais)  que  corresponde  a  48,53%  do  empréstimo  e  transferido  o  valor  de  R$  87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil,  novecentos e quinze reais e  trinta e  três centavos) que corresponde a  51,47%.  Devem  ser  glosados  os  valores  dos  juros  deduzidos  indevidamente  (48,53%),  bem  como  ajustada  a  variação  cambial  no  Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido  (51,47%).  Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do  valor  que  foi  utilizado  na  aquisição  das  ações  da  própria  Usina  Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do Artigo  299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias.  Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201  –  Juros  s/Empréstimos  e  Financiamentos  no  ano­calendário  2008;  7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no ano­calendário  2009  e  6.2.1.01.03  –  Juros  s/Financiamento  no  ano­calendário  de  2010.  Conforme  planilhas  anexas,  fizemos  o  rateio  efetuado  a  glosa  Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 7            6 dos  valores  considerados  como  despesas  desnecessárias  que  correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina  Eldorado S.A.. (fl. 1139)  É importante consignar que os lançamentos em apreço não carreiam qualquer  exigência  direcionada  contra  o  sujeito  passivo:  deveras,  a  Recorrente  apurou  expressivos  prejuízos fiscais e bases negativas nos períodos de apuração em testilha, resultados negativos  esses que não foram revertidos com as glosas de que aqui se cuida, de modo que as autuações  apenas engendraram a sua minoração.  Digno de nota salientar que, a despeito de a autuação não encerrar qualquer  acusação de falta de pagamento de  tributo, a r. autoridade fiscal entendeu que, se  tal  falta de  pagamento tivesse tido lugar, os correlatos créditos tributários exigidos seriam acompanhados  de multa de ofício qualificada, consideração essa que ensejou a formalização de Representação  Fiscal para Fins Penais (Processo n. 13161.720889/2012­96).  Regularmente  intimado  dos  lançamentos  em  27  de  setembro  de  2012  (fl.  1143),  o  sujeito  passivo  apresentou  tempestiva  Impugnação,  cujos  argumentos  foram  sintetizados no Relatório da r. decisão recorrida nos seguintes termos, verbis:  a)  as  operações  foram  todas  realizadas  em  conformidade  com  os  objetivos da Lei nº 9.532/97;  a.1)  a  concessão  do  benefício  do  art.  7º  da  Lei  nº  9.532/97  às  “holdings” puras, tornaria inócua a possibilidade de dedução do ágio,  pois  elas  não  teriam  receitas  tributáveis  a  contrapor  as  referidas  despesas;  a.2) não cabe ao Fisco questionar os atos praticados em conformidade  com as normas vigentes, como ocorreu no caso;  a.3) “tanto a forma jurídica proposta pela Fiscalização, quanto aquela  adotada  no  caso  concreto  levariam  ao  mesmo  desfecho,  uma  vez  atendidos  os  pressupostos  previstos na Lei 9.532/97: amortização do  ágio pela impugnante”;  a.4)  “a  postura  do  Fisco  assemelha­se  à  dos  contribuintes  que  se  apegam  à  forma  do  negócio,  desprezando  sua  real  substância  econômica”;  b)  “a  transferência  do  ágio  para  a  própria  investida,  mediante  a  incorporação  da  sua  investidora,  que  efetuou  o  pagamento  de  dita  importância,  não  revela  anormalidade,  caracterizadora  do  abuso,  como imaginou a fiscalização, ao inverso”;  b.1)  “a  formação  de  ativo  diferido  mediante  ingresso  do  valor  equivalente  ao  ágio  no  patrimônio  da  Impugnante  e  a  sucessão  de  NOVA BOIPEBA mediante incorporação da investidora pela investida  (incorporação às avessas) não são transações desprovidas de conteúdo  e  contrárias  às  finalidades  perseguidas  pelas  normas  fiscais  envolvidas, como equivocadamente afirmou a fiscalização. Ao inverso,  são medidas que vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o  da Lei n. 9.532/97”;  Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 8            7 b.2)  “a  união  do  ágio  ao  investimento  que  lhe  deu  causa  é  um  imperativo para a sua ulterior amortização”;  b.3) “a amortização do ágio após a incorporação da investidora pela  investida (“incorporação às avessas”) também se explica no contexto  das  operações  ora  examinadas.  O  artigo  8º  da  Lei  n.  9.532/97  é  expresso  em  assegurar  a  aplicação  de  referido  regime  (previsto  no  artigo  7º  do  mesmo  diploma)  quando  a  controlada  incorporar  a  controladora”;  b.4) “os institutos de direito privado foram legitimamente utilizados de  modo  a  alcançar  seus  objetivos  e  igualmente  manter  o  tratamento  estabelecido pela legislação fiscal”;  c) a Lei Complementar nº 104/01 que introduziu o parágrafo único ao  artigo  116  do  CTN  é  norma  de  eficácia  limitada,  dependente  de  regulamentação por lei ordinária que ainda não existe;  c.1)  o Decreto  nº  70.235/72  não  contém  a  regulamentação  para  que  essa norma seja aplicada;  c.2) “a desconsideração dos atos praticados no caso concreto só seria  admissível após a regulamentação do artigo 116, parágrafo único, do  CTN, o que até hoje não ocorreu”;  d) “em relação às despesas com juros e variação cambial na obtenção  de empréstimo originário de recursos em moeda estrangeira, as razões  extra  tributárias  que  motivaram  a  formação  de  NOVA  BOIPEPA  explicam  porque  os  gastos  com  o  levantamento  do  capital  eram  necessários e usuais a suas operações”;  d.1)  “as  apropriações  dos  juros  e  da  variação  cambial  pela  Impugnante,  na  condição  de  sucessora  por  incorporação  da  NOVA  BOIPEBA, qualificam­se como despesas operacionais”;  d.2)  “tais  dispêndios  qualificam­se,  em  regra,  como  necessários  e  usuais,  na  forma  do  artigo  299  do  RIR/99,  pois  envolvem  o  custo  incorrido  para  a  obtenção  de  capital  para  o  financiamento  das  operações da pessoa jurídica”;  d.3)  “é  incontroverso  que  o  empréstimo  foi  tomado  como  meio  a  viabilizar  a  formação  da  integralidade  dos  recursos  que,  ao  final,  foram transferidos à FAMÍLIA COUTINHO em troca da integralidade  das ações da Usina Eldorado... Em consequência, é indubitável que os  juros  e  a  variação  cambial  do  crédito  externo  representam  despesa  operacional para a tomadora dos valores (NOVA BOIPEBA)”;  d.4)  “a  devedora  original  do  empréstimo  (NOVA  BOIPEBA)  ...  foi  incorporada pela Impugnante. Por decorrência, a Impugnante tornou­ se sua sucessora universal em ativos e passivos, o que compreendeu a  responsabilidade por responder pelo adimplemento do empréstimo em  moeda estrangeira e respectivos juros e variação cambial”;  d.5)  “por  ter  pago  as  despesas  pela  tomada  do  empréstimo,  a  Impugnante  tinha  o  direito  de  apropriar  referidos  dispêndios  como  gastos operacionais, com fundamento nas normas do RIR 99 e da IN n.  Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 9            8 390/04, antes  citadas,  da mesma  forma que o eram para a  tomadora  original”;  e) é descabido o tratamento dos fatos como fraudulentos (semelhantes  aos  apenados  com  a  multa  de  150%),  já  que  os  atos  foram  todos  praticados  às  claras  e  levados  ao  conhecimento  das  autoridades  competentes. (fl. 1242­1243)  Em  sessão  havida  em  2  de  abril  de  2013,  a Colenda  2a  Turma  da DRJ  de  Campo Grande/MS  houve  por  bem  negar  provimento  à  Impugnação  em  decisum  que  restou  assim ementado, litteris:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010  ÁGIO  NA  AQUISIÇÃO  DE  PARTICIPAÇÕES  SOCIETÁRIAS.  AMORTIZAÇÃO.  A  amortização  de  ágio  na  aquisição  de  participações  societárias  não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização  de  mecanismos  tendentes  a  evitar  o  conhecimento  do  fisco  relativamente  à  natureza  ou  circunstâncias  materiais  e  às  reais  características essenciais do fato gerador.  EMPRÉSTIMO  EM  MOEDA  ESTRANGEIRA.  JUROS  E  VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE.  As  despesas  com  juros  e  variação  cambial  decorrentes  de  empréstimo  em  moeda  estrangeira  só  são  dedutíveis  se  este  é  necessário e usual às atividades da tomadora.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.  As  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento  não  são  competentes  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  CSLL.  SIMILITUDE  DOS  MOTIVOS  DE  AUTUAÇÃO  E  DAS  RAZÕES DE DEFESA.  Aplicam­se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ  em  face  da  similitude  dos  motivos  de  autuação  e  das  razões  de  defesa. (fl. 1239)  Tendo  sido  intimado  desse  acórdão  em  23  de  abril  de  2013  (fl.  1252),  o  sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário sub examen em 8 de maio de 2013 (fl. 1276),  oportunidade em que repisou os argumentos deduzidos em Impugnação.  É o relatório.    VOTO VENCIDO  Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR:  O Recurso Voluntário é tempestivo – ciência da decisão recorrida em 23 de  abril de 2013 (fl. 1252) e prática do ato processual em 8 de maio de 2013 (fl. 1276) –, de modo  que,  ante  a  presença de  todos  os  requisitos  legais  ínsitos  ao  inconformismo  em apreço,  dele  tomo conhecimento.  Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 10            9 Conforme  narrado  acima,  o  feito  em  vergaste  versa  sobre  dois  aspectos  relacionados à aquisição – por parte de sociedades do Grupo ETH – das ações representativas  do capital da ora Recorrente.  Com  efeito,  a  empresa  ETH  Participações  S/A  –  controlada  indireta  da  Odebrecht S/A, que detinha 66,66% da ETH Bioenergia S/A, que por sua vez detinha a íntegra  do capital da ETH Participações – constituiu tanto a Nova Mucuri S/A quanto a Nova Boipeba  S/A em 27 de fevereiro de 2008.  Posteriormente, a ETH Participações subscreveu aumento de capital da Nova  Boipeba no valor de R$ 150.000.000,00; em seguida, a Nova Boipeba contraiu empréstimo de  US$ 100.000.000,00, mútuo esse afiançado pela Odebrecht S/A.  Já na posse desses recursos, a Nova Boipeba subscreveu aumento de capital  na  Nova  Mucuri  de  R$  232.539.000,00,  de  modo  que  o  capital  dessa  passou  a  ser  de  R$  232.540.000,00, sendo que seu único ativo consistia nessa mesma importância depositada em  conta mantida em instituição financeira.  E  é  assim  que  se  fez  a  aquisição  da  participação  societária  da Recorrente:  seus  antigos  controladores  –  a  Família  Coutinho  –  permutaram  as  ações  representativas  da  Usina Eldorado pelas ações da Nova Mucuri detidas pela Nova Boipeba.  Tendo em vista que o Patrimônio Líquido da Recorrente era inferior aos R$  232.540.000,00  representativos  do  capital  da  Nova Mucuri,  a  diferença  entre  esse  valor  e  o  citado PL  foi  registrada,  na Nova Boipeba,  como  ágio,  na  esteira  das  disposições  legais  que  determinam a segregação do custo do investimento adquirido.  Ao  final,  a  ora  Recorrente  incorporou  a  sua  investidora,  após  o  quê  teve  início a amortização do ágio controvertida nesses autos.  É  preciso  dizer  que  o  valor  do  ágio  aqui  discutido  –  cujo  fundamento  é  a  rentabilidade  futura  da  Usina  Eldorado  –  tem  esteio  em  Laudo  confeccionado  experts  contemporâneo à  aquisição do  investimento em análise  (fls. 225­240),  laudo esse que  jamais  foi questionado pela r. autoridade autuante.  Outrossim,  também é  inquestionável  a assertiva de que o  ágio  em comento  efetivamente  foi  pago  a  parte  não  relacionada,  outro  fato  não  controvertido  pela  autoridade  fiscal.  Com efeito, o que determinou os lançamentos em análise foi o entendimento  de  que  as  operações  supracitadas  foram  todas  elas  tidas  como  abusivas,  como  se  toda  a  engenharia  de  fatos  societários  existisse  apenas  no  papel  para  maquiar  uma  verdadeira  operação  de  compra  e  venda,  engenharia  essa  que  teria  permitido  (i)  a  confusão  entre  o  investimento adquirido com ágio e a investida – engatilhando a amortização de ágio em apreço  –  e  ainda  (ii)  o  reconhecimento,  pela  Recorrente,  de  despesas  financeiras  atinentes  a  empréstimo contraído para a sua própria aquisição.  Em  síntese,  a  r.  autoridade  fiscal  afirma  que,  se  a  ETH  Participações  simplesmente tivesse adquirido as ações da ora Recorrente, a amortização do ágio em destaque  jamais teria lugar, sendo que as despesas financeiras relacionadas ao mútuo contraído deveriam  ser apropriadas pela própria ETH, que seria a verdadeira mutuária nesse negócio jurídico – o  Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 11            10 que  a  seu  sentir  seria  demonstrado  pelo  fato  de  a  Odebrecht  figurar  como  fiadora  nesse  empréstimo.  Os lançamentos em apreço são manifestamente improcedentes.  Inicio  a  demonstração  da  cogência  dessa  assertiva  pelo  exame  da  glosa  empreendida pela fiscalização sobre as despesas atinentes à amortização do ágio que surgiu por  ocasião da aquisição das ações representativas do capital da ora Recorrente.  Nesse mister,  trago à balha os  seguintes precisos  argumentos constantes do  Recurso  Voluntário  em  análise,  que  de  forma  contundente  espancam  as  ilações  centrais  da  acusação dirigida ao sujeito passivo, litteris:  Primeiro, porque  tendo o  legislador concedido um benefício  fiscal  condicionado  à  adoção  de  determinada  forma  jurídica  pelo  particular,  não  cabe  ao  Fisco  questionar  os  atos  praticados  em  conformidade com as normas pertinentes para usufruir a vantagem.  Como a própria lei concessiva do benefício exigia que se fizesse um  determinado  tipo  de  operação  societária  para  que  ele  fosse  aproveitado,  isso  significa  que  estava  pré­autorizada a  prática  de  todos  os  atos  necessários  para  que  tal  operação  se  concretizasse,  pois somente através dela o resultado (amortização do ágio) seria  alcançado.  Assim,  não  pode  o  particular  que  agiu  conforme  a  permissão legal ser posteriormente autuado, sob a alegação de que  deveria ter ele adotado outro “caminho mais curto e usual”, mas  que,  nada  obstante,  não  lhe  permitiria  atingir  o  resultado  (utilização  do  benefício  de  amortização  do  ágio)  que  lhe  é  facultado por lei.  Em  segundo  lugar,  mesmo  que  utilizado  o  “caminho”  que  a  fiscalização e a DRJ entendem deveria ter sido adotado (compra da  Usina Eldorado por ETH), o ágio poderia ter sido amortizado pela  Recorrente,  o  que  esvazia  por  completo  a  acusação  fiscal.  Ora,  bastava  ETH  ter  adquirido  as  ações  da  Recorrente  (em  vez  de  NOVA BOIPEBA fazê­lo) e, em seguida, ser parcialmente cindida  com  incorporação  do  patrimônio  vertido  (composto  pela  participação societária) na Usina Eldorado, a fim de que a última  passasse  a  amortização  o  ágio  envolvido  na  transação.  Caso  a  transação  se  desse nesses moldes,  o  regime  fiscal aplicável  seria  exatamente  o  mesmo  que  se  verificou  com  a  permuta  de  ações  praticada pela NOVA BOIPEBA e sua posterior incorporação.  Acrescente­se ser igualmente improcedente o argumento da DRJ de  que  a  aquisição  da  Usina  Eldorado  por  ETH,  seguida  da  cisão  parcial desta última, a empresa originada da operação de cisão não  poderia  amortizar  o  ágio  não  ser  “a  adquirente  original”  do  investimento,  na  medida  em  que  não  teria  “efetuado  pagamento  algum”.  Isso  porque  simplesmente  inexiste  na  legislação  fiscal  o  pressuposto  mencionado  na  decisão  recorrida  como  condição  à  amortização  fiscal  do  ágio.  Trata­se  de  conjectura  posta  pelo  acórdão  de  1o  grau,  o  qual,  justamente  por  não  estar  previsto  na  legislação, não obsta o regular exercício do direito à apropriação  da despesa.  Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 12            11 Ao inverso. O que prevê a legislação é que a sociedade que absorve  o patrimônio daquela que foi cindida “sucede a esta nos direitos e  obrigações relacionadas no ato da cisão” (art. 229, § 1o, da Lei n.  6.404/76  –  Lei  das  S/A). Por  consequência,  a  empresa  que  fosse  criada a partir da cisão parcial de ETH seria, nos termos da lei, a  sucessora  e  teria direito à amortização do ágio. Até porque se as  envolvidas tivessem sido fusionadas a pessoa jurídica que passaria  a amortizar o ágio necessariamente seria nova e distinta daquelas  que efetuaram a aquisição do  investimento (Lei das S/A, art. 228),  de  modo  que,  como  tal  hipótese  é  admitida  pela  norma  fiscal,  verifica­se  não  ter  nenhum  sentido  as  assertivas  declinadas  pela  decisão recorrida como pretexto para manter as autuações fiscais.  Assim  é  indubitável  que,  tanto  a  forma  jurídica  proposta  pela  Fiscalização e pela DRJ, quanto aquela adotada no caso concreto  levariam  ao  mesmo  desfecho,  uma  vez  atendidos  os  pressupostos  previstos na Lei 9.532/97: amortização do ágio pela Recorrente. Em  outras palavras, para usufruir o benefício fiscal legalmente previsto,  a  ETH  poderia  tanto  ter  constituído  a  NOVA  BOIPEBA  para  concentração  de  atividades  necessárias  à  aquisição  da  Usina  Eldorado,  como  ter  adquirido  diretamente  a  Usina  Eldorado,  promovendo em seguida a  sua cisão parcial  com  incorporação na  Recorrente. Ambas as operações levam ao mesmíssimo resultado do  ponto  de  vista  tributário.  Até  porque:  “Considerando  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  não  se  altera  em  virtude  da  interposição  de  outras  pessoas  jurídicas,  o  ágio  na  Empresa  A  deverá  ter  o  mesmo  tratamento  que  deve  ser  conferido  ao  ágio  registrado na Empresa H.  Do exposto, verifica­se que, no conjunto dos atos praticados, tanto  pelo  caminho  adotado  pela  sucedida  pela  Recorrente,  quanto  por  aquele  que  a  fiscalização  e  a  DRJ  alegam  ser  o  correto,  a  amortização  do  ágio  era  assegurada  à Recorrente,  na medida  em  que  a  própria  legislação  determina  a  junção  dos  patrimônios  da  investidora e investida de modo a subsistir uma só pessoa jurídica.  Os  lançamentos  atêm­se  exclusivamente  à  forma  ao  invés  da  substância  dos  atos  diversamente  do  declinado  como  justificativa  para a realização das autuações. Caso fosse considerada a verdade  material,  que  a  fiscalização  alegou  averiguar,  a  conclusão  seguramente seria pela legitimidade da amortização do ágio.  O que se nota é que o Fisco objeta a operação simplesmente porque  pretende arrecadar mais do que a lei permite. Não foi apresentada  qualquer  justificativa  econômica  que  sustente  sua  pretensão  de  reverter  a  base  negativa  e  o  prejuízo  fiscal  da  autuada  /  ora  Recorrente – Usina Eldorado. Alega­se, apenas, que, formalmente,  a NOVA BOIPEBA, por não ter realizado operações até a aquisição  das  ações  da  Recorrente,  não  teria  condições  de  ter  praticado  a  permuta com a FAMÍLIA COUTINHO, o que levaria a assumir que  quem  o  teria  feito  seria  a  ETH.  No  limite,  a  postura  do  Fisco  assemelha­se  à  dos  contribuintes  que  se  apegam  à  forma  do  negócio, desprezando sua real substância econômica. A diferença é  que os contribuintes normalmente invocam a prevalência da forma  sobre a substância para pagar menos tributos, enquanto, neste caso,  Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 13            12 o Fisco está utilizando a forma do negócio como justificativa para  cobrar mais!  Todavia,  a  usualidade  ou  não  da  forma  jurídica  adotada  é  irrelevante  para  o  deslinde  da  questão.  Para  este  efeito  importa  examinar  não  apenas  o  que  está  escrito,  mas  o  que  efetivamente  aconteceu  no  mundo  real,  vale  dizer,  se  houve  e  quem  adquiriu  participação  com  ágio  e  se  a  investidora  incorporou  ou  foi  incorporada  por  sua  investida. Como bem observa Marco Aurélio  Greco, para avaliar a legitimidade de determinado comportamento  praticado  pelo  contribuinte  deve  o  aplicador  da  lei  tributária  ter  presentes  os  fatos  subjacentes  à  forma  jurídica  adotada  e  não  o  contrário:  “o  ser  ‘diferente’  não  implica  estarmos  diante  de  situação  inaceitável. O diferente  em  si mesmo  considerado,  não  é  nem bom nem ruim, é apenas diferente. Cumpre ao Fisco ir além da  demonstração  da  atipicidade  da  conduta  do  contribuinte. Cumpre  provar tratar­se de operação com enquadramento diferente daquele  sustentado pelo contribuinte e que leve à exigência do tributo”.  Não  por  outra  razão,  o CARF,  ao  examinar  situações  análogas  à  presente, em que se tem a realização de operações mais complexas  (indiretas) que a compra e venda (direta), porém, sem resultar em  regime  fiscal  distinto  do  que  ocorreria  caso  esta  fosse  executada,  tem  reiteradamente  concluído  pela  improcedência  das  autuações  que glosaram as despesas de ágio amortizadas. Veja­se:  “o cerne da questão gira em torno de saber se haveria ou não ágio,  caso  a  operação  de  aquisição  de  participações  societárias  fosse  realizada diretamente, isto é, sem a presença de interpostas pessoas  (...) se a empresa Tyssenkrupp Industries Participações Ltda. tivesse  efetuado uma  compra direta  de  ações  da  empresa Elevadores Sur  S/A (Tyssen Sur S/A) e das quotas da Astel Ltda., pelo valor de R$  202.337.000,00,  constata­se  que  o  ágio  permaneceria  o  mesmo.  Portanto,  (...)  concluiu­se,  do  exposto,  que  independentemente  da  utilização  ou  não  de  interpostas  pessoas  para  a  transferência  do  controle acionário, o ágio persistiria” (fls.1286­1289; sem grifos  no original)   Chancelo integralmente tais considerações.  Com  efeito,  entendo  que  o  fato  de  o  Grupo  ETH  ter  constituído  a  Nova  Boipeba com vistas a centralizar os esforços atinentes à aquisição das ações da ora Recorrente  não encontra qualquer óbice na  legislação de  regência,  sendo  inquestionável que  tal entidade  não agiu enquanto agente meramente passivo durante todo o processo de aquisição.  Deveras,  é  certo  que  foi  a  Nova  Boipeba  não  foi  capitalizada  com  cifras  suficientes  à  aquisição  da Recorrente,  de modo que  foi  ela –  a Nova Boipeba,  e não  a ETH  Participações  –  que  buscou  no mercado  financeiro  empréstimo  cujo montante  extrapolava  o  investimento feito por sua controladora.  O  fato de que a Odebrecht S/A  tenha constado como fiadora nesse negócio  jurídico  apenas  revela  o  absurdo  de  uma das  considerações  tecidas  pela  r.  autoridade  fiscal:  obviamente, a instituição financeira mutuante jamais permitiria que um determinado mutuário  Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 14            13 fosse fiador de si mesmo, de modo que é absolutamente despropositada a assertiva no sentido  de que a Odebrecht,  e não a Nova Boipeba – que figura como mutuária no contrato –,  tenha  entabulado a avença em análise.  Saliente­se  que,  consoante  organograma  que  repousa  ao  fólio  n.  1220,  por  mais  que  a  Odebrecht  seja  controladora  da  ETH  Participações,  é  certo  que  uma  terceira  sociedade  detinha  1/3  das  ações  dessa  última  companhia  –  participação  essa  bastante  expressiva  –,  o  que  revela  o  desacerto  nas  equiparações  entre  a  ETH  Participações  e  a  Odebrecht, fiadora do contrato.  O  pressuposto  dos  lançamentos  em  destaque  consiste  na  afirmação  da  r.  autoridade  fiscal  no  sentido  de  que,  se  a  ETH  Participações  tivesse  adquirido  as  ações  da  Recorrente diretamente, o ágio em destaque não seria amortizável para fins fiscais.  No  modelo  proposto  pela  autoridade  fiscal,  a  participação  societária  adquirida  com  ágio  permaneceria  indefinidamente  no Ativo  da  ETH  Participações,  sem  que  ocorressem  quaisquer  das  hipóteses  de  reorganização  societária  a  que  alude  o  art.  386  do  RIR/99  e,  consequentemente,  sem  que  a  mais  valia  pudesse  ser  amortizada  para  fins  da  apuração do lucro real da investidora.  A afirmação é hialinamente falaciosa.  Com efeito, é certo que, se a ETH Participações tivesse adquirido as ações da  Recorrente diretamente, ainda assim o ágio de que aqui se cuida existiria, uma vez que o preço  ajustado  com  os  antigos  controladores  da Usina  extrapolava  o  valor  do  Patrimônio  Líquido  dessa.  Nesse  cenário  –  sendo  certo  que  a  mais  valia  em  questão  teve  como  fundamento a rentabilidade futura da Recorrente, o que jamais foi contestado pela r. autoridade  fiscal  –,  é  realmente  jocosa  a  consideração  da  autoridade  fiscal  no  sentido  de  que  jamais  ocorreria a confusão entre investimento e investida que ensejasse a amortização fiscal da mais  valia.  De fato, parece­me insustentável qualquer consideração no sentido de que o  administrador  da  ETH  Participações,  no  quadro  da  compra  direta  das  ações  da  Recorrente,  devesse  simplesmente  manter  o  ativo  diferido  de  que  aqui  se  cuida  inerte,  sem  que  diligenciasse com vistas à sua amortização.   Realmente,  o  ágio de que aqui  se  cuida é da ordem de R$ 159.151.115,17,  valor  que  representava  basicamente  o DOBRO do  Patrimônio Líquido  da  ora Recorrente  ao  tempo da aquisição da participação societária aqui discutida.  Assim  sendo,  penso  que  se  o  administrador  da  ETH  Participações  –  no  cenário  imaginado  pela  r.  autoridade  fiscal,  qual  seja,  compra  direta  das  ações  da  Usina  Eldorado  –  não  procedesse  a  um  rearranjo  societário  com  sua  investida  com  vistas  à  amortização  fiscal  do  ágio  em  análise,  estaria  ele  agindo  em  franco  descumprimento  dos  deveres de diligência ínsitos à sua posição, na esteira dos arts. 153 e 154 da Lei das S/A, que  rezam, verbis:  Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 15            14 Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício  de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo  costuma empregar na administração dos seus próprios negócios.  Art.  154.  O  administrador  deve  exercer  as  atribuições  que  a  lei  e  o  estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia,  satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.  Frise­se  que  é  a  própria  lei  que  estabelece  que  o  ágio  com  lastro  em  rentabilidade  futura pode ser  amortizado  fiscalmente SE, E SOMENTE SE, ocorrer uma das  hipóteses a que se refere o art. 386 do RIR/99.  Destarte,  é  óbvio  que  a  boa  gestão  da  ETH  Participações  envolveria  inequivocamente a prática dos atos societários a que alude o citado dispositivo com vistas ao  aproveitamento  das  vultosas  cifras  pagas  aos  antigos  controladores  que  sobejavam  o  patrimônio  líquido  da  investida.  Ainda  que  não  se  considere  que  a  norma  que  emerge  da  conjugação  dos  arts.  385  e  386  do  RIR/99  efetivamente  induza  os  agentes  econômicos  a  materializarem  os  atos  que  ativam  a  fruição  do  “benefício  fiscal”  em  referência,  revela­se  desconectada  de  qualquer  racionalidade  econômica  uma  reconstrução  de  eventos  que  não  encerre tais atos quando eles podem facilmente ser praticados e quando eles se constituem em  condição ao gozo da benesse fiscal.  Ou  seja,  na  reconstrução  dos  negócios  jurídicos  empreendida,  observa­se  claramente que a r. autoridade autuante parou um passo antes do que ordinariamente seria de se  esperar,  e,  ao  que  tudo  indica,  essa  reconstrução  parcial  do  que  ocorreria  normalmente  foi  assim parcial  apenas para que  a autoridade  fiscal atingisse  o  seu desiderato de provar que o  ágio em destaque não seria amortizável.  Caso  a  ETH  Participações  tivesse  adquirido  as  ações  da  Recorrente  e,  posteriormente,  tivesse  procedido  à  cisão  seguida  de  incorporação  a  que  se  referiu  o  contribuinte  no  excerto  de  seu  Recurso  Voluntário  supratranscrito,  é  inegável  que  a  amortização da mais valia ocorreria basicamente nos mesmos moldes daquela que  teve  lugar  após a incorporação da Nova Boipeba pela ora Recorrente, o que revela que a conclusão a que  chegou a r. autoridade fiscal é inconsistente com as próprias premissas que adota.  Dessa  forma,  percebe­se  que  o  ágio  aqui  controvertido  existiria  e  seria  amortizável ainda que a aquisição das ações da Recorrente não tivesse envolvido as sociedades  Nova Mucuri e Nova Boipeba, de modo que a situação em apreço amolda­se feito luva àquela  discutida  no  citado  precedente  transcrito  pelo  sujeito  passivo,  do  qual  extraio  as  seguintes  passagens, litteris:  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 454/458) e auto  de infração (fls. 459/465), constata­se que a fiscalização descreveu,  minuciosamente,  em  ordem  cronológica  dos  fatos,  o  processo  de  constituição  de  empresas,  subscrição  e  integralização  de  capitais  sociais,  compra  e  venda  de  participações  societárias,  permuta  de  participações  societárias,  o  que  culminou,  efetivamente,  na  transferência das ações da Thyssen Sur S/A (Elevadores Sur S/A) e  das  quotas  da  Astel  Ltda.  para  a  Thyssenkrupp  Industries  e  Participações  Ltda.  que,  posteriormente,  em  31/12/1999,  foi  incorporada pelo interessado.  Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 16            15 Ainda  segundo  o  referido  Termo,  a  fiscalização  concluiu  que,  "caso  esta  operação  fosse  realizada  diretamente,  isto  é  sem  a  presença de interpostas pessoas, não haveria ágio". Ou seja, se as  ações da Thyssen Sur S/A (Elevadores Sur S/A) e as quotas da Astel  Ltda.  fossem  adquiridas  diretamente  pela Thyssenkrupp  Industries  Participações  Ltda.,  incorporada  posteriormente  pelo  interessado,  sem  que  tivessem  transitado,  antes,  pelas  empresas  constituídas  (interpostas pessoas), não haveria ágio.  Sendo  assim,  glosou  as  despesas  de  ágio  que  foram  amortizadas  pelo  interessado  nos  anos­calendário  de  2001  (R$  9.341.000,00),  2002  (R$  11.192.000,00),  2003  (R$  12.083.000,00)  e  2004  (R$  13.420.000,00).   Cabe registrar que o cerne da questão gira em torno de se saber se  haveria ou não ágio, caso a operação de aquisição de participações  societárias  fosse realizada diretamente,  isto é,  sem a presença de  interpostas pessoas. É o que será abordado a seguir.  Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 454/458), as operações  teriam ocorrido, em síntese, da seguinte forma:  Em 08/10/1998,  foi constituída a empresa 5246 Participações S/A,  cujo capital social era de R$ 1.000,00, dividido em 1.000 ações. Os  sócios eram Eduardo Duarte (99%) e Márcia Santos (1%).  Em 04/08/1999,  realizou­se uma Assembléia Geral Extraordinária  (AGE)  da  empresa  5246  Participações  com  as  seguintes  deliberações:  1°)  Desdobramento  das  ações  na  proporção  de  10.000  (dez  mil)  para  1  (um)  fazendo  com  que  os  sócios  passassem  a  possuir  10.000.000,00 de ações.  2) Emissão de 7.000.000 de ações, cujos subscritores destas foram  os  acionistas  da  empresa Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur S/A)  e  quotistas da Astel Ltda., pertencente ao Grupo Aumonde.  3°) O Sr. Adroaldo Carlos Aumonde, do grupo Aumonde, assumiu o  cargo de presidente da empresa 5246 Participações S/A.  Cabe  registrar  que,  até  esta  data,  a  empresa  só  tinha  as  suas  próprias  ações  emitidas,  as  quais,  provavelmente,  estavam  em  tesouraria.  Em  15/08/1999,  houve  um  aumento  do  capital  na  empresa  5246  Participações  S/A,  sendo  que  o  capital  social  passou  a  ser  de  20.000.000 de ações. O aporte de 3.000.000 de ações foi feito com  as ações da empresa Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e quotas  da Astel Ltda. O valor do capital social desta empresa passou a ser  de R$ 36.655.040,00.  Então, nesta data, passou a deter a propriedade de:   Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 17            16 a)  20.000.000  de  ações  de  sua  emissão,  as  quais,  provavelmente,  estavam em tesouraria.  b) Ações da empresa Elevadores Sur S/A (Tlzyssen Sur S/A) e quotas  da  Anel  Ltda,  cujo  valor  patrimonial  eram,  respectivamente,  R$  35.918.201,04 e R$ 757.530,44, conforme consta no documento de  fls. 397/398.  Em 27/08/1999,  foi constituída a empresa Thyssenkrupp Industries  Participações Ltda., com capital social de R$ 100,00, composto de  100  ações,  sendo  99%  delas  pertencentes  à  espanhola  Thyssen  Industries S/A e I% a Thyssen Eletec Ltda.  Em 08/09/1999,  segundo  consta  na  peça  impugnatória  (fl.  492),  a  empresa espanhola Thyssen Industries S/A comprou 10.000.000 de  ações  de  emissão  da  empresa  5246  Participações  S/A,  as  quais  estavam  em  tesouraria,  pelo  valor  de  R$  202.337.000,00.  Nesta  mesma data, segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 454/458),  foi alterado o contrato social da empresa Thyssenkrupp Industries  Participações  Ltda.,  tendo  sido  aumentado  o  capital  social  de R$  100,00  para  R$  226.920.901,00.  As  quotas  foram  subscritas  pela  sócia majoritária,  a  empresa  espanhola  Thyssen  Industries  S/A,  e  integralizadas da seguinte forma:  a) com 10.000.000 de ações da empresa 5246 Participações S/A, no  montante de R$ 202.337.000,00.  b) em dinheiro, no montante de R$ 3.782.000,00.  c) o saldo restante, em 24 meses, em dinheiro ou bens.  Cabe registrar que, nesta data, a empresa Thyssenkrupp Industries  Participações Ltda. passou a ser a proprietária das 10.000.000 de  ações da empresa 5246 Participações S/A.  Registre­se que, em 06/09/1999, ou seja, dois dias antes, a empresa  Thyssenkrupp Industries Participações Ltda, já tinha pactuado com  a empresa 5246 Participações S/A a seguinte permuta: transferia a  titularidade das 10.000.000 de ações de emissão da empresa 5246  Participações S/A para a própria empresa 5246 Participações S/A.  Em troca, recebia a titularidade das ações da empresa Elevadores  Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e das quotas da Astel Ltda. Com isso, a  empresa  Thyssenkrupp  Industries  Participações  Ltda.  passou  a  deter o controle societário da Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A ­  98,66%) e da Astel Ltda. (99,99%).  Em  31/12/1999  a  empresa  Thyssenkrupp  Industries  Participações  Ltda. foi incorporada pelo interessado.  Feita a descrição das operações, cabe registrar que o ágio ocorreu,  em razão do seguinte:  Os valores patrimoniais das ações da empresa Elevadores Sur S/A  (Thyssen  Sur  S/A)  e  das  quotas  da  Astel  Ltda.  eram,  respectivamente,  R$  35.918.201.04  e  R$  751530,44,  conforme  Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 18            17 consta  no  documento  de  fls.  397/398.  Como  já  foi  dito,  estas  pertenciam à empresa 5246 Participações S/A e foram permutadas  pelas  10.000.000  de  ações  de  emissão  da  própria  empresa  5246  Participações S/A, cujo valor era de R$ 202.337.000,00. Então, se o  valor  da  aquisição  da Elevadores  Sur S/A  (Thyssen Sur S/A) e da  Astel Ltda. foi de R$ 202.331.000,00 e os valores patrimoniais das  referidas  empresas  eram  R$  35.918.201,04  e  R$  757.530,44,  está  configurado o ágio, que é, segundo dispõe o art. 385 do RIR/1999, a  diferença entre o custo de aquisição do investimento e o seu valor  patrimonial.  Passa­se,  agora, à análise da  transferência do  controle  societário  das  empresas Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur  S/A)  e Astel  Ltda,  caso  a  operação  de  compra  fosse  realizada  diretamente,  sem  a  presença de interpostas pessoas, conforme pretende a fiscalização.  Se  a  empresa  5246  Participações  SM  não  existisse,  as  ações  da  empresa Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e as quotas da Astel  Ltda, ainda pertenceriam ao grupo Aumonde. Todavia,  ressalta­se  que os valores patrimoniais das mesmas permaneceriam inalterados  (Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) ­ 35.918.201,04; Astel Ltda. ­  R$  757.530,44),  uma  vez  que  a  integralização  (na  empresa  5246  Participações SM) não tem o condão de alterar o valor patrimonial.  Portanto, se a empresa Thyssenkrupp Industries Participações Ltda.  tivesse  efetuado  uma  compra  direta  das  ações  da  empresa  Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e das quotas da Astel Ltda.,  pelo  valor  de  R$  202.337.000,00,  constata­se  que  o  ágio  permaneceria o mesmo. Ou seja, a diferença entre o custo do valor  do  investimento  (R$  202.331000,00)  e  o  valor  patrimonial  (Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) ­ 35.918.201,04; Astel Ltda. ­  R$ 751530,44), segundo o disposto no art. 385 do RIR/99, é o ágio.  Portanto, além de a fiscalização não comprovar a alegação de que  "caso  esta  operação  fosse  realizada  diretamente,  isto  é  sem  a  presença de interpostas pessoas, não haveria ágio", e que por si só,  já seria suficiente para julgar improcedente a autuação, por falta de  provas  que  demonstrasse  (sic)  e  fundamentasse  (sic)  a  sua  conclusão,  uma  vez  que,  quem  alega,  tem  o  ônus  de  provar,  concluiu­se,  do exposto, que  independentemente da utilização ou  não  de  interpostas  pessoas  para  a  transferência  do  controle  acionário, o ágio persistiria.  Impende  esclarecer,  só  para  argumentar,  que  a  utilização  de  interpostas  pessoas  na  transferência  do  controle  acionário  beneficia,  não  o  interessado  que,  no  caso  dos  autos,  adquiriu  as  participações  societárias, mas  sim,  a  parte  vendedora. A  empresa  5246  Participações  S/A,  parte  vendedora,  vendeu  à  empresa  espanhola  Thyssen  Industries  S/A  10.000.000  de  ações  de  sua  emissão,  as  quais  estavam  em  tesouraria,  pelo  valor  de  R$  202.337.000, ações estas sem valor de mercado, ao invés de vender  as  ações  da  empresa  Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur  S/A)  e  as  quotas  da  Astel  Ltda.,  estas  sim,  as  que  verdadeiramente  interessavam  a  compradora,  com  o  intuito  de  se  beneficiar  do  disposto no art. 442, inciso IV, do RIR/1999.  Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 19            18 O art. 442, inciso IV, do RIR/1999 reza que "não serão computadas  na  determinação  do  lucro  real  as  importâncias,  creditadas  a  reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia  receber  dos  subscritores  de  valores mobiliários  de  sua  emissão  a  título de lucro na venda de ações em tesouraria."  Então, ao invés do grupo Aumonde vender diretamente as ações da  empresa Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e as quotas da Astel  Ltda.,  o  que  ensejaria  a  tributação  do  ganho  de  capital  apurado,  optou  por  constituir  uma  empresa  (empresa  5246  Participações  S/A),  interposta  pessoa,  e  integralizar  o  capital  com  estas  ações/quotas.  Passo  seguinte  foi  a  venda  das  ações  da  empresa  5246 Participações S/A que estavam em tesouraria, sem tributar o  lucro  apurado  na  venda,  a  teor  do  disposto  no  art.  442,  IV,  do  RIR/1999, e, posteriormente, permutá­las com as ações da empresa  Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur NA) e as quotas da Astel Ltda. Ou  seja,  é  a  parte  vendedora  quem  se  beneficia  da  utilização  de  interposta  pessoa.  Aí  tem  toda  aquela  discussão  se  teria  havido  simulação  nesta  operação,  se  poderia  tributar  valendo­se  da  interpretação  econômica,  mas  que  não  se  aplica  ao  presente  processo  e,  por  isso,  não  será  enfrentada,  já  que,  é  sempre  bom  lembrar,  o  sujeito  passivo  (interessado)  de  que  trata  o  presente  processo  é  a  parte  compradora,  adquirente  das  participações  societárias, e não a parte vendedora.  Cabe  ressaltar  que,  pelo  fato  de  a  fiscalização  ter  entendido  indevidamente,  como  já  exposto,  que  não  haveria  ágio,  glosou  as  amortizações  do  referido  ágio  efetuadas  pela  incorporadora  (interessado).  É  bom  deixar  claro,  tendo  em  vista  o  disposto  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  454/458),  que  a  fiscalização  reconhece  que,  se  houvesse  ágio,  a  incorporadora  poderia  se  beneficiar do mesmo, já que afirma, à fl. 457 do referido Termo, que  "..., a incorporadora pode se beneficiar da amortização do ágio no  investimento, o que não é tributado." Donde se conclui que, para a  fiscalização, se houvesse ágio, o mesmo poderia ser amortizado pela  incorporadora, sem adentrar em maiores considerações a respeito  do tema.  No  caso  em  concreto,  de  acordo  com  o  auto  de  infração  (fls.  459/465), as amortizações de ágio glosadas nos anos­calendário de  2001, 2002, 2003 e 2004 se referem ao ágio apurado na aquisição  societária  da  empresa  Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur  S/A),  conforme se depreende do demonstrativo de fl. 394. O montante de  ágio constante no referido demonstrativo de fl. 394, no total de R$ I  64.071.689,76,  está  fundamentado,  conforme  laudo  produzido  por  empresa especializada (fls. 556/605), no valor da rentabilidade da  Thyssen  Sur  S/A,  com  base  na  previsão  dos  resultados  dos  exercícios futuros (art. 385, II, do RIR/1999).  Cabe reproduzir trecho da Conclusão do laudo (ff 560), que, diga­ se, não  foi questionado pela  fiscalização. "...  somos da opinião de  que os procedimentos utilizados pela Diretoria da mesma [Thyssen  Sur  S/A]  para  definição  e  aplicação  de  premissas  e  cálculos  no  preparo das referidas demonstrações de resultado projetadas estão  adequados  e  atendem  ao  propósito  de  fundamentação  do  ágio  Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 20            19 apurado na aquisição do controle acionário da Thyssen Sur S/A, no  montante de R$ 164.071.689,76."  Cabe ressaltar que, se a fiscalização não busca produzir provas que  questionem a validade do laudo, se limitando a afirmar, sem provas,  que  não  havia  ágio,  quando  ficou  provado,  pelo  exposto,  que,  independentemente  da  existência  ou  não  de  interpostas  pessoas,  haveria ágio, descabe a autuação.  Portanto,  pelo  exposto,  é  improcedente  a  autuação.  (Acórdão  n.  105­16.395;  Processo  n.  19515.000496/2006­43;  Rel.  Cons.  Irineu  Bianchi; Votação Unânime; j. 25.4.2007; sem grifos no original)  Importante  salientar  que,  de  acordo  com  informação  trazida  pelo  sujeito  passivo unicamente em seu Recurso Voluntário, a ETH Participações efetivamente foi extinta  em 2009, através de cisão, sendo que essa fração do seu acervo foi incorporada na Recorrente.  Essa  alegação  do  contribuinte  repousa  à  fl.  1290  dos  autos,  sendo  que  os  documentos  a  comprovar o alegado constam das fls. 1311 e seguintes.  Mister apontar, ademais, a completa infelicidade da r. decisão recorrida – da  qual não se extrai nada de aproveitável – ao fazer as seguintes assertivas, litteris:  Além  das  dificuldades  operacionais  apontadas,  o  ponto  crucial  é  que,  na  aquisição  da  Usina  Eldorado  por  ETH  e  posterior  cisão  parcial  desta,  a  nova  empresa,  originada  da  cisão,  não  poderia  amortizar o ágio, uma vez o destaque de o patrimônio ser o da já  empresa adquirida. Além disso, ela não seria a adquirente original  e,  dessa  forma,  não  poderia  cogitar  de  ágio,  uma  vez  não  ter  efetuado pagamento algum. (fl. 1246)  Penso  despiciendo  tecer  maiores  considerações  sobre  a  erronia  das  afirmações, sendo certo que o ágio deve acompanhar o investimento cuja aquisição determinou  seu surgimento e que a assertiva de que o ágio não seria aproveitável pelo fato de a sociedade  resultante  não  ter  efetuado  pagamento  significaria,  ao  fim  e  ao  cabo,  a  completa  impossibilidade de amortização fiscal de ágio em se tratando de incorporação às avessas, o que  obviamente fere de morte o texto de lei.  Por  todo  o  exposto,  mostra­se  completamente  descabida  a  glosa  da  amortização  do  ágio  levada  a  efeito  pela  r.  autoridade  autuante,  razão  pela  qual  acolho  o  Recurso Voluntário para cancelar as exigências de que aqui se cuida.  A mesma sorte devem ter as glosas dos juros e da variação cambial passiva  atinentes  à  parcela  do mútuo  de US$  100.000.000,00  que  foi  utilizada  para  a  aquisição  das  ações da ora Recorrente.  A glosa aqui discutida é maculada em sua essência.  Com efeito, os valores objetos de glosa correspondem às despesas de juros e  variação  cambial  passiva  relacionados  ao  mútuo  contraído  pela  Nova  Boipeba  de  US$  100.000.000,00;  mais  especificamente,  a  glosa  recaiu  sobre  os  juros  e  variação  passiva  correspondentes à fração do empréstimo (48,53%) que efetivamente foi utilizada na aquisição  das ações da ora Recorrente.  Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 21            20 Já se disse nesse voto que o fato de a Odebrecht S/A – controladora indireta  da ETH Participações – ter afiançado o empréstimo tomado pela Nova Boibepa não permite a  ilação  precipitada  da  r.  autoridade  fiscal  no  sentido  de  que  a  Odebrecht  seria  a  verdadeira  mutuária.  Ora, a instituição financeira, obviamente após uma análise de crédito, houve  por bem emprestar valores à entidade Nova Boipeba, sendo que o fato de a sua controladora  indireta constar como garante dessa avença não é suficiente para que a personalidade jurídica  do tomador seja desconsiderada, não dando o necessário suporte à especulação de que fiador e  afiançado correspondam a uma única sociedade.  Após a incorporação às avessas, a ora Recorrente naturalmente absorveu todo  o  patrimônio  da  Nova  Boipeba,  que  foi  extinta  nesse  mesmo  ato  societário,  assumindo  consequentemente  todo  o  passivo  da  incorporada,  que  também  era  composto  do  mútuo  em  destaque.  Assim sendo,  tendo em vista que a Recorrente não contraiu pessoalmente a  obrigação  a  que  se  ligam  os  juros  e  a  variação  cambial  em  destaque,  é  certo  que  o  exame  acerca  da  dedutibilidade  dessas  despesas  apenas  deve  gravitar  em  torno  da  origem  dessa  obrigação, é dizer, deve­se perquirir se a despesa era dedutível na sucedida.  De  fato,  observa­se que,  in  casu,  a  sucessora  realmente  teve que  fazer  face  aos juros atinentes a mútuo que não contraiu, trata­se de passivo formado por negócio jurídico  entabulado pela sucedida.  Se o negócio jurídico de que derivam os deveres de pagar  juros foi firmado  pela sucedida, pretender que sejam tais despesas necessárias, úteis ou usuais para a sucessora  acaba por revelar critério absurdo e perverso, a sociedade resultante é assume o patrimônio da  incorporada a título universal nos termos da lei.  Uma breve incursão pela situação inversa – qual seja, se a sucessora tivesse  assumido um mútuo ativo gerador de receitas financeiras – presta­se a elucidar a questão.  Poderia, nessa hipótese, a sociedade resultante simplesmente deixar computar  tais  juros ativos em seu  resultado pelo  simples  fato de que não foi ela que firmou o negócio  jurídico do empréstimo? A resposta é obviamente negativa, sendo certo que o sujeito passivo  imaginado não poderia  lançar mão desse argumento para fulminar uma autuação por omissão  de ditas receitas.  In  casu,  o  empréstimo  foi  inquestionavelmente  necessário  para  o  fiel  cumprimento dos propósitos da Nova Boipeba, e não há dúvidas de que a própria autoridade  autuante  jamais  questionou  a  imprescindibilidade  desse  financiamento  para  a  consecução  da  aquisição da participação societária da ora Recorrente.  Saliente­se que é completamente equivocada a afirmação de que os recursos  necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que  é a ETH.  Realmente,  a  ETH  Participações  não  é  nem  mutuária  e  nem  fiadora  do  empréstimo  de  que  aqui  se  cuida,  posições  essas  assumidas  respectivamente  pela  Nova  Boibepa – sucedida pela Recorrente – e pela Odebrecht S/A.   Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 22            21 Destarte,  tendo em vista que  indubitavelmente não participou dessa avença,  não  se  consegue  vislumbrar  como  poderia  a  ETH  Participações  responder,  tributária  ou  civilmente, por tal negócio jurídico, o que apenas vem a corroborar o que restou dito nas linhas  anteriores.  Por  todo  o  exposto, DOU PROVIMENTO  integral  ao Recurso Voluntário,  com o integral cancelamento das autuações de IRPJ e CSLL sub examen.   É como voto.  (documento assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR ­ Relator    VOTO VENCEDOR   Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A autoridade  lançadora observa que o ativo representado pelo ágio amortizado  pertence  ao  investidor  ETH  Participações  S/A.  Embora  já  sendo  uma  holding,  esta  pessoa  jurídica  participou  da  constituição  de  outras  duas  com  a mesma  atividade,  sendo  que Nova  Boipeba Participações S/A existiu apenas no  interregno de 27/02/2008 a 30/04/2008, e Nova  Mucuri Participações S/A permaneceu sob seu controle de 27/02/2008 a 18/03/2008, até suas  ações serem permutadas com as da autuada. No curto período de sua existência, Nova Boipeba  Participações S/A e Nova Mucuri Participações S/A prestaram­se como caixa dos recursos que  se destinaram à aquisição da autuada, sendo que Nova Boipeba Participações S/A contraiu em  seu  nome  empréstimo  de  parte  do  valor  destinado  à  compra  da  autuada,  integrando  ao  seu  patrimônio,  para  posterior  incorporação  pela  autuada,  o  passivo  que  ensejou  as  despesas  financeiras objeto da segunda infração aqui consignada.  A  autoridade  lançadora  destaca  que  as  duas  pessoas  jurídicas  criadas  em  27/02/2008,  com  meia  hora  de  diferença  entre  os  atos  constitutivos,  tinham  por  sede  sala  comercial  na Av. das Nações Unidas,  4.777, 11o  andar,  em São Paulo/SP, e por diretores os  sócios  da  ETH  Bioenergia  S/A  (esta  com  participação  de  0,01%  no  capital  social  de  Nova   Boipeba  S/A,  cabendo  o  restante  a  ETH  Participações  S/A).  Observa,  também,  que  os  dois  únicos  pagamentos  realizados  na  contabilidade  da Boipeba,  não  foram por  ela  efetuados,  e  sim  pela  ETH  Participações,  e  isto  porque  a  Boipeba  existe  somente  no  papel,  e  não  tem  capacidade financeira e administrativa para se auto gerir e liquidar suas próprias obrigações.  Ademais,  na  referida  pessoa  jurídica não  há  qualquer  captação  de  recursos  de  outro  grupo  econômico,  nunca  se  comportou  como holding  e  o  único  investimento que possuiu  foram as  ações da Usina.  Outras inconsistências nos atos formalizados durante o processo de aquisição de  autuada  são mencionadas  pela  Fiscalização,  que  assim  concluiu  tratar­se  de  uma  construção  que  somente  existiu  no  papel,  ao  final  da  qual ETH Participações  e ETH Bioenergia S/A  se  revelaram como as efetivas adquirentes das ações da autuada. De outro lado:  Os  objetivos  da  operação  estão  claramente  traçados  e  definidos,  o  “nexo  causal”  está  perfeitamente  caracterizado:  a  operação  real  de  compra e venda de ações transformada artificialmente em operação de  Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 23            22 permuta  com  incorporação  às  avessas,  utilizando­se  da  empresa  veículo  NOVA  BOIPEBA,  de  existência  efêmera,  com  a  finalidade  específica de viabilizar a geração do ágio na aquisição do investimento  e o seu aproveitamento para redução do resultado tributável nos anos  seguintes.  Situação que não ocorreria  se o negócio  fosse  formalizado  de acordo com sua substância – a aquisição do controle acionário da  USINA ELDORADO S.A. diretamente pela ETH.  A recorrente assevera que foram observados os pressupostos para amortização  de  ágio  fixados  pela  legislação,  com a  preservação da  estrutura  organizacional  do  grupo  e  sem a  obtenção de  vantagem adicional  à  prevista  legalmente.  Isto  porque  a Lei nº 9.532/97  permite  o  aproveitamento  do  ágio  quando  a  investidora  incorpora  ou  seja  incorporada  pela  investida, medida que favorece as holdings puras, que não aproveitariam a dedução do ágio por  auferir basicamente receitas isentas (equivalência patrimonial e dividendos). Ademais, a junção  dos patrimônios permite que a dedução do ágio seja confrontada com as receitas que culminam  na formação do resultado esperado nos anos seguintes.   Defende  que  NOVA  BOIPEBA,  formada  pelo  grupo  ETH  como  sociedade  responsável  por  adotar  todas  as medidas  relacionadas  às  negociações  para  a  aquisição  da  Usina Eldorado, seguiu o scritp imposto pela Lei n. 9.532/97, e entende que o Fisco não pode  questionar  os  atos  praticados  em  conformidade  com  as  normas  pertinentes  para  usufruir  a  vantagem  exposta  na  lei  concessiva  do  benefício.  Ademais,  a  amortização  seria  possível  na  hipótese de ETH ter adquirido as ações da Recorrente (em vez de NOVA BOIPEBA fazê­lo) e,  em seguida, ser parcialmente cindida com incorporação do patrimônio vertido (composto pela  participação societária) na Usina Eldorado, a fim de que a última passasse a amortizar o ágio  envolvido na transação. A transação nestes moldes atrairia o mesmo regime fiscal aplicável às  operações realizadas.  Acrescenta  que  seria  equivocado  o  entendimento  da  autoridade  julgadora  no  sentido de que, na segunda hipótese acima aventada, a empresa originada da cisão não poderia  amortizar o ágio por não ser “a adquirente original”,  reportando­se ao art. 229, §1o da Lei nº  6.404/76 acerca da sucessão decorrente da cisão.   Argumenta,  assim,  que  caso  fosse  considerada  a  verdade  material,  que  a  fiscalização  alegou  averiguar,  a  conclusão  seguramente  seria  pela  legitimidade  da  amortização  do  ágio,  e  aduz  que  não  foi  apresentada  qualquer  justificativa  econômica  que  sustente  sua  pretensão  de  reverter  a  base  negativa  e  o  prejuízo  fiscal  da  autuada.  Em  conseqüência, o Fisco está utilizando a forma do negócio como justificativa para cobrar mais.  Reporta­se  às  razões  de  ordem  negocial  que  justificavam  a  criação  de  novas  empresas para possibilitar o aproveitamento do benefício de amortização do ágio, em vez da  aquisição  direta  da  participação  por  ETH,  com  sua  posterior  cisão  e  incorporação  pela  Recorrente, as quais seriam hábeis a afastar o alegado abuso de direito. E neste sentido diz que  a  formação  de  NOVA  BOIPEBA  buscou:  (1)  concentrar  os  atos  de  aquisição  da  Usina  Eldorado; (2) após a sua concretização, ser incorporada, a fim de amortizar o ágio resultante  da  transação;  e  (3)  ao mesmo  tempo manter  o  desenho  da  estrutura  organização  do  grupo  inalterada,  de modo  que ETH  se mantivesse  como  holding  das  demais  pessoas  jurídicas  do  grupo  dedicadas  ao mesmo  segmento  econômico,  e  não  precisasse  ser  cindida, mediante  os  complexos procedimentos necessários para tanto.  Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 24            23  Opõe­se  à  ocorrência  de  abuso de direito porque  as  transações praticadas não  são  desprovidas  de  conteúdo  e  contrárias  às  finalidades  perseguidas  pelas  normas  fiscais  envolvidas, mas sim vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97,  mediante  união  do  ágio  ao  investimento  que  lhe  deu  causa. Mais  à  frente  acrescenta  que  a  existência  efêmera de NOVA BOIPEBA se explica porque encerrada a atividade para a qual  foi criada, reportando­se a doutrina e jurisprudência administrativa em seu favor.  O litígio sob análise é semelhante ao verificado no Caso Santander­Banespa, e a  recorrente  inclusive  cita  excertos  da  primeira  apreciação  por  este  Conselho  acerca  da  amortização do ágio  formado naquela aquisição. Todavia, esta Conselheira manifestou­se em  outro  sentido  ao  apreciar  o  segundo  lançamento  no  qual  foram  glosadas  amortizações  do  mesmo ágio, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101­000.961:   As autoridades lançadoras, portanto, dentre outros aspectos, entendem  que  somente houve ágio pago na aquisição original do Banespa pelo  Santander Hispano, de modo que o ágio deve integrar o patrimônio da  sociedade  espanhola. Destacam,  inclusive,  que  o  ágio  lá  permaneceu  indiretamente,  depois  de  todas  as  operações  societárias  realizadas.  Asseveram, assim, que houve fraude para internalização do ágio aqui  amortizado,  justificando a glosa destas amortizações e a qualificação  da penalidade.  Esta Relatora já se manifestou contrariamente a este tipo de operação,  que busca superar os impedimentos práticos verificados no atendimento  às condições legais para dedução, na apuração do IRPJ e da CSLL, da  amortização do ágio antes da alienação do investimento.   Isto porque os efeitos das amortizações de ágio e deságio estão assim  disciplinados no Decreto­lei nº 1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo único ­ Não serão computadas na determinação do lucro  real  as  contrapartidas  de  ajuste  do  valor  do  investimento  ou  da  amortização  do  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  nem  os  ganhos  ou  perdas  de  capital  derivados  de  investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem  no  País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art.  33  ­  O  valor  contábil, para  efeito  de  determinar  o  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação  do  investimento  em  coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido  (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado na contabilidade do contribuinte;   II ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos os computados, nos exercícios  financeiros de 1979 e 1980,  na  determinação  do  lucro  real.  (Redação  dada  pelo  Decreto­lei  nº  1.730, 1979)   IV  ­  provisão  para  perdas  (art.  32)  que  tiver  sido  computada  na  determinação do lucro real.   §  1º  ­  Os  valores  de  que  tratam  os  itens  II  a  IV  serão  corrigidos  monetariamente.   Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 25            24 § 2º ­ Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo  ou  a  diminuição  do  valor  de  patrimônio  líquido  de  investimento,  decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem  de  participação  do  contribuinte  no  capital  social  da  coligada  ou  controlada.  (Redação  dada  pelo  Decreto­lei  nº  1.648,  de  1978).  (negrejou­se)  Dessa  forma,  as  amortizações  de  ágio  e  deságio  deveriam  ser  adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real, e controladas na  parte  B  do  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  –  LALUR,  para  posteriormente  compor a apuração do ganho de capital na alienação  ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76:   Art. 219. Extingue­se a companhia:   I ­ pelo encerramento da liquidação;   II  ­  pela  incorporação  ou  fusão,  e  pela  cisão  com  versão  de  todo  o  patrimônio em outras sociedades.  Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do  art. 219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do  mesmo dispositivo, esta hábil a ensejar a aplicação do disposto no art.  33  do Decreto­lei  nº  1.598/77,  o  legislador  assim  fixou  na  seqüência  deste dispositivo:  Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão  Art 34 ­ Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção  de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença  entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo  líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real  de acordo com as seguintes normas:  I  ­  somente  será dedutível  como perda de capital  a diferença entre o  valor  contábil  e  o  valor  de  acervo  líquido  avaliado  a  preços  de  mercado,  e  o  contribuinte  poderá,  para  efeito  de  determinar  o  lucro  real,  optar  pelo  tratamento  da  diferença  como  ativo  diferido,  amortizável no prazo máximo de 10 anos;   II ­ será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido  recebido  o  acervo  líquido  que  exceder o valor  contábil das ações ou  quotas  extintas, mas o  contribuinte poderá, observado o disposto nos  §§  1º  e 2º,  diferir  a  tributação  sobre  a parte do  ganho de  capital  em  bens do ativo permanente, até que esse seja realizado.   §  1º  O  contribuinte  somente  poderá  diferir  a  tributação  da  parte  do  ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se:   a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o  ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor  realizado em cada período­base; e   b)  mantiver,  no  livro  de  que  trata  o  item  I  do  artigo  8º,  conta  de  controle  do  ganho  de  capital  ainda  não  tributado,  cujo  saldo  ficará  sujeito  a  correção  monetária  anual,  por  ocasião  do  balanço,  aos  mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente.   § 2º ­ O contribuinte deve computar no lucro real de cada período­base  a  parte  do  ganho  de  capital  realizada  mediante  alienação  ou  liquidação,  ou  através  de  quotas  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional.   Nos casos em que a incorporação, fusão ou cisão ocorre em momento  próximo  à  aquisição  do  investimento  com  ágio,  o  valor  contábil  do  investimento é sempre superior ao acervo líquido contábil que substitui  Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 26            25 as  quotas/ações  extintas  em  razão  da  incorporação,  fusão  ou  cisão,  ensejando  perda  de  capital.  Para  que  esta  perda  fosse  dedutível,  em  interpretação  literal  do  texto,  necessário  seria  que  o  acervo  líquido  vertido  em  razão  da  incorporação,  fusão  ou  cisão  fosse  avaliado  a  preços de mercado.  De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na  aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação  da investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de motivos da Lei  nº  9.532/97  expressa  preocupação  com  circunstâncias  semelhantes  a  esta, como a seguir transcrito:  O  art.  8o  estabelece  o  tratamento  tributário  do  ágio  ou  deságio  decorrente  da  aquisição,  por  uma  pessoa  jurídica,  de  participação  societária  no  capital  de  outra,  avaliada  pelo método  da  equivalência  patrimonial.  Atualmente, pela  inexistência de  regulamentação  legal  relativa a esse  assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos  tributários”,  vêm  utilizando  o  expediente  de  adquirir  empresas  deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de  gerar  ganhos  de  natureza  tributária  mediante  o  expediente,  nada  ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária.  Com  as  normas  previstas  no  Projeto,  esses  procedimentos  não  deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses  de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de  natureza fiscal que possa  incentivar a sua adoção exclusivamente por  esse motivo.   Neste  contexto,  as  disposições  da  Lei  nº  9.532/97  podem  ser  interpretadas  como  um  instrumento  para  evitar  a  dedução  do  ágio  apurado  sem  fundamento  econômico,  o  qual  deveria  ser mantido  em  conta do ativo permanente, não sujeita a amortização, bem como uma  forma  de  parcelar  os  efeitos  tributários  do  ágio  pago  sob  outros  fundamentos:  Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto  no art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide  Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o  de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe  deu causa;  II  ­  deverá  registrar  o  valor  do  ágio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita  a  amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que  trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decreto­lei n° 1.598, de 1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta  avos,  no máximo,  para  cada mês  do  período  de  apuração;  (Redação  dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV  ­ deverá  amortizar o valor  do deságio  cujo  fundamento  seja o de  que  trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 27            26 incorporação,  fusão ou cisão, à  razão de 1/60 (um sessenta avos), no  mínimo, para cada mês do período de apuração.  § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem  ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de  depreciação, amortização ou exaustão.  §  2º  Se  o  bem  que  deu  causa  ao  ágio  ou  deságio  não  houver  sido  transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta  deverá registrar:  a)  o  ágio,  em  conta  de  ativo  diferido,  para  amortização  na  forma  prevista no inciso III;  b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma  prevista no inciso IV.  § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput:  a)  será  considerado  custo  de  aquisição,  para  efeito  de  apuração  de  ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou  na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução  de capital;  b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência  do  fundo  de  comércio ou do intangível que lhe deu causa.  §  4º  Na  hipótese  da  alínea  "b"  do  parágrafo  anterior,  a  posterior  utilização  econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará  a  pessoa  física  ou  jurídica  usuária  ao  pagamento  dos  tributos  e  contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora  e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente.  § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições  a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do  ativo, como custo do direito.   No mesmo sentido manifesta­se Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio  em Reorganizações  Societárias  (Aspectos Tributários), Dialética:  São  Paulo,  2012.  Depois  de  reportar­se  à  doutrina  que  se  posiciona  em  sentido contrário, diz o referido autor (p. 67):  Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente  o  ágio  era  deduzido  integralmente,  a  imposição  de  restrições  não  poderia  ser  considerada  um  incentivo.  A  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  no  1.602/1997  deixou  hialino  esse  instituto  de  restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a  instituição  de  óbices  à  amortização  de  qualquer  tipo  de  ágio  nas  operações  de  incorporação.  Com  isso,  o  legislador  visou  limitar  a  dedução  do  ágio  às  hipóteses  em  que  forem  acarretados  efeitos  econômico­tributários que o justificassem.  Realizada a incorporação, na escrituração comercial, o acervo líquido  recebido  pelo  valor  contábil  anula  o  investimento  correspondente,  avaliado pela equivalência patrimonial, e remanesce no patrimônio da  sociedade  resultante  apenas  o  ágio/deságio,  classificado  em  Ativo  Diferido,  quando  fundamentado  em  rentabilidade  futura,  para  amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com a edição da  Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser  dedutível,  na  apuração  do  lucro  real,  no  mesmo  momento  em  que  registrada  contabilmente,  desde  que  observado  o  prazo mínimo  de  5  (cinco) anos para amortização.  Quanto  ao  ágio  fundamentado  em  ativos  ou  em  outras  razões  econômicas, a doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da  Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 28            27 lei, pois no primeiro caso vincula seus efeitos no resultado à realização  do ativo incorporado, e no segundo caso determina sua baixa imediata,  por  não  ser  possível  associar  seu  pagamento  a  algum  critério  que  permita dimensionar sua amortização.  Esta  abordagem  não  autoriza  a  conclusão  de  que  a  Lei  nº  9.532/97  tenha instituído um benefício fiscal. A regra expressa em seus artigos 7o  e 8o, nos termos de sua exposição de motivos, prestou­se, em verdade, a  evitar planejamentos tributários que viabilizassem a dedução de ágios,  como perda de capital, qualquer que fosse seu fundamento.   Na  sistemática  vigente,  a  amortização  do  ágio  realizada  pela  investidora  permanece  indedutível  na  apuração  do  lucro  real,  e  somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a  amortização  do  ágio  realizada  após  a  extinção  do  investimento  não  precisa  ser  adicionada  ao  lucro  real,  desde  que  o  ágio  esteja  fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite  temporal mínimo estabelecido pela legislação.  Contudo, é fundamental que a incorporação se verifique entre investida  e  investidora,  com  conseqüente  confusão  patrimonial  e  extinção  do  investimento, para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração  do  lucro  tributável.  Aqui,  porém,  ao  término  das  operações,  nada  mudou,  pois  o  Santander  Hispano  permaneceu  com  a  mesma  quantidade de ações e na mesma condição de controlador do Banespa.  Esta  distorção,  aliás,  é  reconhecida  pela  própria  Comissão  de  Valores  Mobiliários  (CVM)  ao  analisar  a  incorporação  promovida por meio de uma sociedade veículo, assim expondo na  Nota  Explicativa  à  Instrução  CVM  n°  349/2001,  que  alterou  a  redação da Instrução CVM n° 319/99:  A  Instrução CVM n°  319/99,  ao  prever  que  a  contrapartida  do  ágio  pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art.  6o,  §  Io),  acabou  possibilitando,  nos  casos  de  ágio  com  fundamento  econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade  futura,  o  reconhecimento de um acréscimo patrimonial  sem a  efetiva  substância  econômica.  A  criação  de  uma  sociedade  com  a  única  finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original  para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a  figura  da  incorporação  em  sua  dimensão  econômica.  Esta  distorção  ocorre  em  virtude  de  que,  quando  concluído  o  processo  de  incorporação  da  empresa  veículo,  o  investimento  e,  conseqüentemente,  o  ágio  permanecem  inalterados  na  controladora  original.  Significa dizer que embora transferido o ágio par a empresa veículo, e  na  seqüência  para  a  incorporadora  desta,  os  efeitos  econômicos  do  ágio originalmente contabilizado na controladora subsistem. Assim, a  definição acerca do atendimento à finalidade dos arts. 7o e 8o da Lei nº  9.532/97  passa,  primeiramente,  pelo  exame  da  validade  da  transferência  do  ágio  originalmente  contabilizado  pela  investidora  para a Santander Holding, mediante  subscrição de  seu capital com o  investimento por ela detido no Banespa.  Não se exige, aqui, uma lei autorizadora de transferência de ágio por  meio de subscrição de aumento de capital. Se não há vedação legal e os  atos societários são realizados com observância dos requisitos formais,  e têm por objeto ágio efetivo e pago, seria necessário disposição legal  Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 29            28 específica  para  se  negar  validade  aos  atos  societários  no  âmbito  tributário. Contudo,  é  necessário  verificar  se  a  incorporação  entre  a  investida e esta empresa para a qual foi transferido o ágio atende aos  requisitos legais para que a amortização deste afete o lucro tributável.  Recorde­se o que diz a Lei nº 9.532/97:  Art.  7º A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  26  de  dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o  de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe  deu causa;  II  ­  deverá  registrar  o  valor  do  ágio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita  a  amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decreto­lei n° 1.598, de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada mês  do  período  de  apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV  ­ deverá  amortizar o valor  do deságio  cujo  fundamento  seja o de  que  trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  incorporação,  fusão ou cisão, à  razão de 1/60 (um sessenta avos), no  mínimo, para cada mês do período de apuração.  [...]   Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica­se, inclusive, quando:  a)  o  investimento  não  for,  obrigatoriamente,  avaliado  pelo  valor  de  patrimônio líquido;  b)  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  for  aquela  que  detinha a propriedade da participação societária. (negrejou­se)  Claro  está  que  as  empresas  envolvidas  na  incorporação  devem  ser,  necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a  investida  adquirida.  Em  que  pese  a  lei  não  vede  a  transferência  consoante antes demonstrado, este procedimento não extingue, na real  adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo  que  ao  final  dos  procedimentos  realizados,  com  a  incorporação  da  empresa  veículo  pela  investida,  a  propriedade  da  participação  societária  adquirida  com ágio  subsiste  no  patrimônio  da  investidora,  diversamente do que cogita a lei.  Em  tais  condições,  a  amortização  do  ágio  que  passou  a  existir  no  patrimônio  da  investida  (Banespa)  somente  poderia  surtir  efeitos  na  apuração do  seu  lucro  real  caso  se  verificasse a  sua extinção, ou da  investidora  (Santander  Hispano),  mediante  incorporação,  fusão  ou  cisão  entre  elas  promovida,  por  meio  da  qual  o  ágio  subsistisse  evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma  do art. 7o da Lei nº 9.532/97.   Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 30            29 Na medida em que tal não ocorreu, a dedutibilidade do ágio submete­se  à regra geral exposta no Decreto­lei nº 1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo único ­ Não serão computadas na determinação do lucro  real  as  contrapartidas  de  ajuste  do  valor  do  investimento  ou  da  amortização  do  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  nem  os  ganhos  ou  perdas  de  capital  derivados  de  investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem  no  País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art  33  ­  O  valor  contábil,  para  efeito  de  determinar  o  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação  do  investimento  em  coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido  (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado na contabilidade do contribuinte;   II ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos os computados, nos exercícios  financeiros de 1979 e 1980,  na  determinação  do  lucro  real.  (Redação  dada  pelo  Decreto­lei  nº  1.730, 1979)   IV  ­  provisão  para  perdas  (art.  32)  que  tiver  sido  computada  na  determinação do lucro real.   [...]  Pertinente  citar,  novamente,  abordagem  contida  na  obra  Ágio  em  Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), antes referida. Nela,  o autor Luís Eduardo Schoueri preliminarmente expõe o entendimento  de que o ágio, para o investidor, é custo que deve ser considerado em  caso  de  alienação  do  investimento. Os  resultados  auferidos  com  este  investimento  são  reconhecidos,  no  patrimônio  do  investidor,  como  resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta  ótica.  Seguindo  a mesma  lógica,  a  amortização  contábil  do  ágio  por  rentabilidade futura, por parte do investidor, também não deve afetar o  lucro tributável.   Diante  deste  contexto,  o  autor  reputa  incabível  afirmar  que  o  ágio,  ainda que fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado  realizado antes da incorporação de uma das pessoas jurídicas envolvidas  (exceto  se  antes  disso  tiver  ocorrido  baixa  da  participação  societária  adquirida,  quando,  em  regra  o  ágio  será  realizado)  (Op.  cit.  p.  73). E  complementa mais  à  frente:  com  a  incorporação,  alerte­se,  já  não  há  mais  que  falar  em  investimento  nem  em  ágio.  Ambas  as  figuras  desaparecem (Op. cit. p. 74).  Entende  o  referido  autor  que  a  partir  da  incorporação,  os  lucros  passam  a  ser  tributados  na  investidora,  pois  antes  disso  no  máximo  haverá  receita  de  equivalência  patrimonial,  não  tributável  (Op.  cit.  p.  79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na investida, que os  reduz  mediante  amortização  de  ágio  decorrente  de  investimento  que  subsiste no patrimônio da investidora original.   Caso  a  investidora  fosse  empresa  nacional,  a  provisão  determinada  pela  Instrução  Normativa  CVM  no  349/2001  impediria  que  a  equivalência  patrimonial  refletisse  no  seu  patrimônio  apenas  o  valor  líquido  dos  resultados,  restabelecendo  o  reconhecimento  bruto  dos  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 31            30 resultados  da  investida,  sem  os  efeitos  da  amortização  do  ágio  na  investida, dado que a amortização do ágio se repetiria na investidora.  A diferença está na redução da carga tributária da investida que esta  manobra  permite,  em  desrespeito  ao  previsto  no  art.  7o  da  Lei  no  9.532/97.  Evidenciado,  portanto,  que  não  houve  a  extinção  do  investimento,  inadmissível a amortização fiscal do ágio.   [...]  A autoridade lançadora demonstra no Termo de Verificação Fiscal, às  fls.  395/398,  que  o  investimento  inicial  de  R$  9,6  bilhões  feito  pelo  Santander Hispano,  para aquisição do Banespa, permaneceu  sob  sua  titularidade  indireta,  ao  final  representado  por  investimento  na  controlada  Banco  Santander  S/A,  que  posteriormente  incorporou  o  Banespa. Portanto, o requisito legal de extinção do investimento não se  verificou,  subsistindo  ativas  a  investidora  e  a  investida,  e  por  conseqüência  os  valores  representativos  do  ágio  no  patrimônio  da  sociedade espanhola.  Em  tais  condições,  as  amortizações  promovidas  pelas  empresas  brasileiras são indedutíveis porque não representam despesas próprias,  mas sim despesas da adquirente original do investimento, que subsiste  ativa. As operações societárias realizadas, visando internalizar o valor  equivalente  ao  ágio  pago  pela  empresa  espanhola,  e  criar  uma  incorporação para supostamente atender ao requisito do art. 7o da Lei  nº 9.532/97, revelam que a contribuinte buscou, apenas, uma vantagem  tributária, sem alterar o controle societário da investida no Brasil.   Assim,  resta  comprovada  a  conduta  contrária  à  lei,  intencionalmente  praticada pelo contribuinte, mas que no entender da Fiscalização seria,  inclusive, hábil a  justificar a qualificação da penalidade. Ocorre que,  se  de  um  lado  não  apenas  as  omissões  de  dados  e  informações  constituem  o  dolo  necessário  para  caracterização  da  fraude,  verificando­se  esta  também  quando  o  sujeito  passivo  constrói  um  cenário  falso  para  aparentar  a  presença  dos  requisitos  legais  que  autorizariam a dedução por ele pretendida, não é possível afirmar que  a  conduta  da  autuada,  no  presente  caso,  tenha  alcançado  estes  contornos. O  grupo  empresarial  buscou  usufruir  do  que  entendia  ser  um benefício  fiscal  constituindo  empresa  veículo  para,  a  partir  dela,  formalizar uma incorporação que não realizou o objetivo final da lei,  qual seja, a união patrimonial entre  investida e  investidora. De outro  lado,  porém,  o  ágio  efetivamente  existiu  e  foi  pago  pela  empresa  espanhola  ao  Estado  Brasileiro,  em  procedimento  licitatório,  apenas  não  se  verificando  a  incorporação  entre  investidora  e  investida,  permanecendo  o  ágio  representado  no  patrimônio  da  investidora  espanhola.   Na medida em que somente a empresa espanhola detinha as condições  necessárias para a aquisição, a impossibilidade de aproveitamento do  ágio era uma desvantagem a ser considerada na decisão empresarial,  não  podendo  ser  posteriormente  brandida  com  fundamento  na  igualdade  entre  os  licitantes. Mas,  interpretando  de  forma  diversa  a  legislação,  a  contribuinte  praticou  os  atos  que  reputou  válidos  para  amortizar  o  ágio  pago na  aquisição  do Banespa,  atos  que devem ser  reprovados  com  a  conseqüente  exigência  do  crédito  tributário.  Contudo, não se vislumbra dolo suficiente à caracterização da fraude  Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 32            31 tributária, na medida em que o ágio existe e foi pago em procedimento  licitatório,  à  semelhança  de  outros  casos  práticos  que  ensejaram  o  aproveitamento do disposto no art. 7o da Lei nº 9.532/97, a motivar a  equivocada interpretação da contribuinte.   Por oportuno registre­se o destaque feito pelo Conselheiro José Sérgio  Gomes  durante  esta  sessão  final  de  julgamento,  reportando­se  aos  fundamentos do Conselheiro Antonio José Praga de Souza no Acórdão  no 1402­000.802 que, como já mencionado, tratou da mesma operação  aqui em análise:  Voltando  a  situação  versada  no  presente  processo,  constata­se  pela  DIPJ/2003,  regularmente  apresentada  dentro  prazo  e  posteriormente  retificada,  que  o  Banespa  auferiu  receitas  tributáveis  da  ordem  de  7,100 Bilhões de Reais em 2002. Por seu turno, a base de cálculo do  IRPJ  e CSLL  foi de aproximadamente 80 Milhões de Reais, ou seja,  em  pouco mais  de  1%  da  receita  total,  sendo  que  a  amortização  do  ágio  reduziu  em  R$  1,492  Bilhão  de  Reais.  Além  disso,  no  ajuste  anual a contribuinte apurou Saldos Negativos de Recolhimentos de 4  Milhões (IRPJ).  Ora,  uma  empresa  com  esses  números  certamente  estava  sujeita  ao  acompanhamento especial de que trata a Portaria SRF nº 448 de 2002.  Definitivamente  não  é  crível  que  a  dedução  pudesse  ser  ocultada  do  Fisco  na  contabilidade  ou  na DIPJ  da  recorrente,  o  que  em  verdade  não ocorreu.  Em suma, o Santander Hispano jamais abriu mão de seu controle sobre  o Banespa, e manteve integralmente em seu patrimônio o investimento  feito  no  Brasil  para  sua  aquisição.  Logo,  o  aporte  de  capital  na  Santander Holding,  representado  pelas  ações  detidas  pelo  Santander  Hispano  no  Banespa,  somente  duplica  o  ágio  que  subsiste  no  patrimônio da investidora original. Em conseqüência, não há ágio a ser  amortizado com efeitos  fiscais pelas empresas nacionais, efeitos estes  que somente se verificam na extinção do investimento, por alienação a  terceiros  ou  por  liquidação  recíproca  entre  investidora  e  investida.  Interpretando  equivocadamente  os  dispositivos  legais  que  tratam  a  matéria,  a  contribuinte  acabou  por  reduzir  indevidamente  as  bases  tributáveis,  de  modo  que  regular  é  a  exigência  dos  tributos  não  recolhidos.  Todavia,  não  há  justificativa  para  a  qualificação  da  penalidade.   No presente caso, ETH Participações S/A não figurou diretamente na aquisição  da autuada, mas a Fiscalização não só demonstrou que Nova Boipeba Participações S/A operou  por apenas 4 (quatro) meses, nos quais recebeu a integralização de seu capital pelo valor de R$  150.000.000,00  e  contratou  empréstimo  no  exterior  no  valor  de  de R$  169.080.000,00,  com  vistas  a  viabilizar  a  aquisição  da  autuada  pelo  grupo  empresarial  (48,53%  do  montante  recebido foi destinado ao pagamento dos alienantes da participação societária na autuada), e na  seqüência  foi  extinta por  incorporação pela autuada,  sequer dispondo de recursos  financeiros  para liquidar os dois únicos pagamentos escriturados no período de sua existência.   A  inexistência  de  capacidade  administrativa  e  financeira  evidenciada  pela  Fiscalização nestes autos conduz à conclusão de que Nova Boipeba Participações S/A não era,  propriamente,  uma  sociedade  empresária,  mas  apenas  uma  extensão  do  caixa  da  real  adquirente, ETH Participações S/A. Sua condição de pessoa jurídica recém criada, por sua vez,  não  lhe  permitiria  contratar  o  empréstimo  antes  mencionado,  não  fosse  a  responsabilidade  assumida por Odebrechet S/A, como relatado pela Fiscalização.   Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 33            32 De fato, a autoridade lançadora esclarece como esta pessoa jurídica poderia, sem  qualquer patrimônio captar referido empréstimo: A cédula de crédito bancário nr. 1005/08 tem  a resposta: Os recursos foram de fato captados pela Odebrechet S/A, CNPJ 05.144.757/0001­ 72  é  ela  a  devedora  solidária  na  referida  cédula,  fl.  273.  A  recorrente  entende  que  é  injustificável assim concluir tão só em razão da sua indicação como solidária na contratação  do  empréstimo,  por  ser  prática  usual  tais  medidas  acautelatórias  por  parte  das  instituições  financeiras.  Ademais,  a  obrigação  foi  quitada  pela  recorrente,  na  condição  de  sucessora  por  incorporação de Nova Boipeba Participações S/A, e esta pessoa jurídica, por sua vez, também  era uma holding, na mesma condição daquelas em favor das quais a autoridade julgadora de 1a  instância reconhece a normalidade na contratação de empréstimos para aquisição e participação  em empresas.   Ocorre  que  não  era  interessante,  do  ponto  de  vista  tributário,  que  ETH  Participações S/A contratasse em seu nome referido empréstimo, pois as despesas financeiras  daí decorrentes seriam confrontadas com as receitas isentas que, como reconhecido na defesa,  são por ela auferidas na condição de holding.   Ressalte­se  que,  em  tese,  tem  razão  a  recorrente  ao  defender  que  em  caso  de  aquisição direta por parte de ETH Participações S/A, sua posterior cisão em favor da autuada  permitiria  a  amortização  do  ágio.  Mas  isto  porque  a  cisão  resultaria  na  extinção  do  investimento escriturado em ETH Participações S/A, integrado pelo ágio pago na aquisição da  autuada,  em  contrapartida  à  redução  do  capital  social  da  investida  (autuada),  não  mais  subsistindo  a  hipótese  de  aproveitamento  posterior  daquele  custo  do  ativo.  Logo,  a  discordância em face do procedimento adotado pelo grupo empresarial não se prende à  forma  do negócio, mas sim aos efeitos materiais que dele decorrem.  Quanto  às  razões  negociais  alegadas  pela  recorrente,  importa  observar  que  a  pretensão  de manter  o  desenho  da  estrutura  organizacional  do  grupo  inalterada  significa,  apenas, que o Grupo ETH pretendia promover a aquisição sem extinguir o investimento, como  exigido  no  art.  7o  da  Lei  nº  9.532/97.  Daí  a  necessidade  de  constituição  de  Nova  Boipeba  Participações S/A justamente para atendimento ao segundo objetivo, de cunho exclusivamente  fiscal: após a aquisição da autuada, ser incorporada, a fim de amortizar o ágio resultante da  transação.  E,  com  referência  à  necessidade  de  concentrar  os  atos  de  aquisição  da  Usina  Eldorado,  considerando  a  ausência  de  autonomia  de  Nova  Boipeba  Participações  S/A,  demonstrada pela Fiscalização, somente se pode vislumbrar a vantagem tributária de alterar a  contratante do empréstimo antes referido, e, por conseqüência, deslocar a dedução das despesas  financeiras para a autuada depois da incorporação ao final realizada.  Por  tais  motivos,  na  medida  em  que  a  incorporação  não  se  verificou  entre  a  adquirente e a adquirida, a amortização do ágio com efeitos  fiscais não encontra amparo nos  arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, os quais, como antes exposto, não veiculam benefício fiscal, ao  contrário do que defende a recorrente.   Frente  a  tais  circunstâncias,  são  irrelevantes  os  argumentos  deduzidos  pela  recorrente acerca da incorporação da investidora pela investida estar prevista no art. 8o da Lei  nº 9.532/97, assim como é estranho ao litígio os eventuais efeitos decorrentes da formação de  NOVA MUCURI, sua capitalização e permuta com a FAMÍLIA COUTINHO.   De outro lado, subsidiariamente a recorrente acrescenta que ETH foi extinta em  2009, mediante  cisão,  por meio  da  qual  parte  do  seu acervo  foi  incorporada na Recorrente  (docs. J.). Referido documento evidencia que o investimento detido por ETH Participações S/A  Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 34            33 foi  vertido  para  a  autuada,  apurando­se  a  diferença  de R$ 681,41  correspondente  a  ágio  por  rentabilidade futura, a ser registrado no ativo intangível da autuada, e isto porque a participação  societária  na  investida  estava  registrada  em  ETH  Participações  S/A  no  valor  de  R$  106.135.964,10,  justamente por desconsiderar a aquisição paga com parte do empréstimo que  foi  deslocado  para  contratação  por  Nova  Boipeba  Participações  S/A,  com  os  efeitos  antes  expostos (fls. 1332/1345).  Em  tais  condições,  como  antes  dito,  a  extinção  do  investimento mantido  pela  adquirente  na  adquirida  implementaria  o  requisito  legal  para dedução  fiscal  do  ágio pago na  sua aquisição. Por sua vez, como a autuada passaria a ser sucessora da cindida, a partir daquele  momento figuraria como efetiva devedora da totalidade do empréstimo a ser pago.  Trata­se, portanto, de fato relevante para a solução do litígio, mas que demanda  sua  confirmação  e  complementação.  Por  tais  razões,  necessária  se  faz  a  CONVERSÃO  do  julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal do domicílio do sujeito passivo:  · Confirme  a  cisão  noticiada  nos  documentos  juntados  às  fls.  1332/1345,  juntando aos autos os atos correspondentes e a evolução  contábil  do  investimento  mantido  por  ETH  Participações  S/A  na  autuada nos períodos fiscalizados;   · Informe  os  registros  contábeis  promovidos  por  ETH  Participações  S/A e a autuada por ocasião da cisão; e  · Demonstre  a  evolução  do  empréstimo  originalmente  contraído  por  Nova  Boipeba  Participações  S/A  e  posteriormente  sucedido  pela  autuada,  detalhando  seus  pagamentos  e  juros  incorridos  desde  sua  contratação até o último período autuado.  Ao  final  dos  trabalhos  a  autoridade  fiscal  deve  produzir  relatório  circunstanciado,  descrevendo  suas  análises  e  conclusões  daí  resultantes,  dele  cientificando  a  interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de  defesa.  (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira  Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 19515.000463/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO EFETUADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI Nº 12.101/2009. RITO PROCEDIMENTAL. Para os lançamentos efetuados após a vigência da Lei nº 12.101/2.009, o fisco deve verificar se a entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos geradores, todavia, adotando o procedimento da lei nova. Na peça de acusação, portanto, não basta mencionar a inexistência de ato declaratório de isenção ou sua cassação, há a necessidade de que se apresente quais os requisitos legais necessários ao gozo do benefício fiscal deixaram de ser cumpridos. Para os créditos constituídos na vigência da legislação anterior, aplicam-se os procedimentos ali traçados. ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL. Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal. Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO EFETUADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI Nº 12.101/2009. RITO PROCEDIMENTAL. Para os lançamentos efetuados após a vigência da Lei nº 12.101/2.009, o fisco deve verificar se a entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos geradores, todavia, adotando o procedimento da lei nova. Na peça de acusação, portanto, não basta mencionar a inexistência de ato declaratório de isenção ou sua cassação, há a necessidade de que se apresente quais os requisitos legais necessários ao gozo do benefício fiscal deixaram de ser cumpridos. Para os créditos constituídos na vigência da legislação anterior, aplicam-se os procedimentos ali traçados. ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL. Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal. Recurso Provido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros  Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material.  Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202.    (Assinado digitalmente)  João Bellini Júnior ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente),  Alice  Grecchi,  Amilcar  Barca  Texeira  Junior,  Fabio  Piovesan  Bozza,  Andrea  Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves,  Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil  de  Araujo Nogueira.  Relatório  Trata­se  de  AI  ­  Auto  de  Infração  Debcad  n°  37.239.713­1,  lavrado  em  04/03/2010,  de  contribuições  devidas  a  Outras  Entidades  e  Fundos  ­  Terceiros  ­  Salário  Educação, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, abrangendo ao período  de 01/2006 a 13/2006, no montante de R$ 10.126.692,43 (dez milhões, cento e vinte e seis mil  e seiscentos e noventa e dois reais e quarenta e três centavos), consolidado em 04/03/2010.  O Relatório Fiscal, fls. 22/31 informa, em síntese, que:  ­ Os fatos geradores das contribuições apuradas foram declarados nas Guias  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações  à Previdência Social  ­ GFIP,  porém  com o FPAS  639,  sendo  correto  o  FPAS  515.  Portanto,  a  empresa  declarou  os  fatos  geradores  e  as  contribuições  retidas  dos  segurados,  deixando  de  declarar  as  contribuições  patronais  e  de  Terceiros, devidas sobre estes mesmos fatos geradores.  ­  A  empresa  perdeu  a  isenção  de  contribuições  previdenciárias,  através  do  Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/001/2006, de ll/08/2006, com  efeitos a partir de 01/07/1998, em virtude do não  recolhimento das  contribuições  retidas dos  segurados  empregados  da matriz  nos  períodos  de  08/2001  e  10/2001  a  12/2004,  e  da  filial  61.699.567/0003­54  nos  períodos  de  05/2001  a  12/2001,  02/2002  a  02/2003  e  10/2003  a  08/2004. Também não  recolheu as  contribuições dos  contribuintes  individuais no período de  04/2003  a  12/2004,  sendo  o  débito  lançado  através  da  NFLD  ­  Notificação  Fiscal  de  Lançamento de Débito n° 35.566.595­6.  ­ Os valores não declarados em GFIP, no FPAS 515 relativos à remuneração  paga aos segurados empregados foram lançados no papel de trabalho W1­Salário Educação.  ­ Embora a empresa tenha interposto o recurso 35464.003247/2006­17 contra  o  citado  Ato  Declaratório,  referido  recurso  não  tem  efeito  suspensivo  em  relação  ao  lançamento do crédito tributário correspondente,  tendo sido emitido para evitar a decadência,  devendo ficar sobrestado, até o julgamento do recurso acima mencionado.  Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 481          3 ­  Para  a  apuração  do  débito  foram  examinadas  as  GFIP  apresentadas  pela  empresa e constantes do banco de dados da Receita Federal do Brasil.  ­  Durante  a  ação  fiscal  foram  produzidos  os  seguintes  elementos,  que  se  encontram anexados ao Auto de Infração n° 37.239.725­5 através de CD, no qual podem ser  consultados:   * Planilha I ­Valores não declarados em GFIP, onde estão relacionados todos  os valores que compuseram o salário­de­contribuição do período;  * Planilha II ­ Cálculo da Multa CFL68, onde estão calculadas as multas pela  não declaração em GFIP no FPAS 515, pela legislação vigente à época dos fatos;  * Planilha III ­ Comparativo de Multas mais benéficas.  ­  Buscando  encontrar  a  penalidade mais  benéfica,  em  cumprimento  ao  art.  106,  II,  “c”  do CTN,  elaboramos  a Planilha  III,  em CD,  onde  demonstramos  os  valores  das  multas  cabíveis  ao  caso  presente,  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores  (art. 35,  II, “a” da Lei n° 8.212/91, pelo não recolhimento nos prazos previstos na  legislação e art. 32,  inciso IV, §5°, da Lei n° 9.212/91, com redação da Lei n° 9.528/97 pelo  descumprimento de obrigação acessória em relação a GFIP), e de acordo com a legislação que  a sucedeu (art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme determinação do art. 35­A da Lei n° 8.212/91,  na  redação  da Lei  n°  11.941/09  pelo  não  recolhimento  e  art.  32­A da Lei  n°  8.212/91,  com  redação da Lei n° 11.941/09, pelo descumprimento da obrigação acessória em relação a GFIP).  ­  Conforme  se  verifica  na  Planilha  III,  para  as  competências  01/2006  a  13/2006, as multas previstas na  legislação vigente à época dos  fatos geradores mostraram­se  mais benéficas. Assim, foram aplicadas as seguintes multas:  a) competências 01/2006 a 13/2006, multa de mora de 24% sobre o valor do  débito original;  b) em relação às contribuições para Terceiros foi aplicada em todo o período  unicamente a multa de mora de 24% sobre os valores originais, uma vez que em relação a essas  contribuições  não  há  previsão  legal  de  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  referente a GFIP, o que toma a legislação da época dos fatos geradores sempre mais benéfica.  ­ A situação encontrada no contribuinte ensejaria a emissão de Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  pela  prática,  em  tese,  do  crime  de  sonegação  de  contribuição  previdenciária, pela apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  e  pelo  não  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias relativas a esses mesmos fatos, porém face ao recurso 35464.003247/2006­17,  interposto  pela  empresa  contra  o  Ato  Cancelatório  de  Isenção  de  Contribuições  Sociais  n°  21.404/001/2006, ainda pendente de julgamento, deixamos de emiti­la.  A  empresa  foi  cientificada  do  Auto  de  Infração  por  via  postal,  em  11/03/2010,  fls.  67,  e  apresentou  impugnação  em  09/04/2010  com  os  documentos:  Estatuto  Social,  Ata  de  Assembleia  Geral,  Auto  de  Infração  e  anexos,  extrato  de  recebimento  de  correspondência, certidões de declaração de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal e  de  Assistência  Social,  peças  do  processo  referente  ao  Ato  Cancelatório  de  isenção  e  demonstrativos de parcelamento de débitos previdenciários (fls. 94/189).  Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 Faz uma síntese da autuação e alega que a mesma não merece prosperar, na  medida em que foi lavrada em desacordo com o art. 55 da Lei n° 8.212/91, art. 14 do CTN, e o  art.  195,  §7°,  do  Texto  Constitucional,  em  flagrante  desrespeito  ao  princípio  da  estrita  legalidade.  Aduz, resumidamente que:   ­  é  associação  civil,  sem  fins  lucrativos,  de  natureza  filantrópica,  mantenedora do Hospital São Paulo e de outros hospitais, possibilitando a disponibilização de  leitos e serviços hospitalares ao Sistema Único de Saúde ­ SUS, conforme se verifica do seu  estatuto social;   ­ foi declarada de Utilidade Pública Federal, por meio do Decreto do Poder  Executivo Federal, publicado no DOU em 23/03/1966, sendo, assim, reconhecida sua natureza  filantrópica, conforme certidão emitida pelo Ministério da Justiça;   ­ diante do  infundado Ato Cancelatório de  Isenção exarado, a  Impugnante,  em 18/09/2006,  interpôs  recurso  voluntário  ao Conselho  de Recursos  da Previdência Social,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  com  efeito  suspensivo,  sob  o  fundamento  de  que  a  contribuinte,  uma  vez  que  é  entidade  imune  às  contribuições  sociais  indicadas nos artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, bem como a suposta inadimplência à época  dos fatos não pode acarretar o cancelamento da isenção conferida, até porque o preceito legal  que  dispõe  nesse  sentido  encontra­se  com  a  sua  eficácia  suspensa  em  virtude  de  liminar  deferida em ADIN n° 2.028­5, concedida pelo STF;  ­  sobre  imunidade,  foi  retirada  a  possibilidade  de  atuação  do  legislador  infraconstitucional  à  instituição  de  contribuições  sociais  de  sociedades  beneficentes  de  assistência  social. Registre­se que  a  imunidade  é uma  limitação ao poder de  tributar do  ente  político, ou seja, o legislador não pode instituir tributos sobre o que é imune;   ­  quando  da  lavratura  do  ato  cancelatório,  os  supostos  inadimplementos  invocados  pela  fiscalização  e  estampados  nas  NFLDS  n°  35.566.595­6,  35.230.853­2,  35.230.854­0  e  36.020.290­0,  se  encontram  em  discussão  administrativa,  portanto,  eram  ilíquidos e incertos, e se encontram com a exigibilidade suspensa;  ­  por  força  da  MP  n°  303,  de  29/06/2006,  e  do  Decreto  n°  2.187/07,  os  referidos  débitos  foram  regularizados  por  meio  de  acordo  de  parcelamento  que  vem  sendo  criteriosamente cumprido pela Impugnante, motivo pelo qual a mo o cancelamento da benesse  restou  ultrapassada,  acarretando  a  perda  de  objeto  do  processo  °  35646002197/2006­42,  no  qual se discute o ato cancelatório;   Ao final, requereu a não aplicação da multa de mora, porque a exigibilidade  da contribuição social encontrava­se suspensa. Ainda, caso prevalecesse o Auto impugnado e a  incidência de juros de mora, que fosse afastada a Taxa SELIC, em conformidade com decisão  do STJ.  Sobreveio  decisão  de  Primeira  Instância,  julgando  improcedente, mantendo  os créditos exigidos, restando assim ementada.  Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  Ementa:  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 482          5 ISENÇAO.  ATO  CANCELATORIO.  Somente  ficam  isentas  das  contribuições  sociais  devidas  à  Seguridade  Social  e  a  Outras  Entidades e Fundos ­ Terceiros, no período anterior à vigência  da  Lei  n°  12.101,  de  27/11/2009,  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  cumpriam,  cumulativamente,  todos  os  requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91.  Não  anulado  ou  revogado,  o  ato  cancelatório  de  isenção  regularmente  declarado  permanece  produzindo  efeitos,  sujeitando  a  entidade  ao  recolhimento  das  referidas  contribuições.  RECURSO. EFEITO SUSPENSIVO.   O  recurso  interposto  perante  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) contra o Ato Cancelatório de Isenção  suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art.  151, III, do CTN, mas não afasta a legitimidade do lançamento  tributário, realizado de forma a prevenir a decadência.  MULTA DE MORA. JUROS. TAXA SELIC.   Sobre  as  contribuições  sociais  pagas  com  atraso  incidem,  a  partir  de  01/04/97,  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC, e multa de  mora, todos de caráter irrelevável.  CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.   No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  de  lei  ou  decreto  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇAO.  Pertence  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Administração  Tributária  ­  DERAT  jurisdicionante  do  contribuinte  a  competência  para  intimação de  acórdão  emitido  pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. *  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A  ciência  do  Acórdão  16­26.711  ­  12ª  Turma  da  DRJ/SP1  ocorreu  em  27/12/2010, conforme Aviso de Recebimento (fls. 242).  Em  24/01/2011,  sobreveio  recurso  voluntário  (fls.  244/2267),  ratificando  a  tese  defensiva  apresentada  na  impugnação.  Juntou  documentos  fls.  281  a  385,  a  saber:  procuração,  estatuto  e  ata  de  eleição  de  diretoria,  intimação  fiscal  e  acórdão  de  1ª  instância,  embargos  de  declaração  e  certidão  (ato  declaratório),  certidão  CEBAS  ­  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social,  decisões  execuções  fiscais,  certidões  de  regularidade fiscal, ADI 2028 MC/DF.  Em  16/05/2016  (fls.  376/387)  a  recorrente  apresentou  manifestação  com  breve síntese dos fatos, juntou documentos (fls. 388/478), a saber: paradigmas, comprovantes  Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     6 parcelamento  do  débito,  certidões  positivas  com efeitos  de negativas,  certificado CEBAS da  recorrente.  Por sua vez, expôs:  ­ que o Ato Cancelatório de Isenção é de 11/08/2006 com efeitos retroagindo  até 01/07/1998;  ­ que a lavratura do Auto de Infração ocorreu para prevenir a decadência;  ­  que  acerca da matéria  existe  legislação  superveniente  ao  lançamento,  que  deverá ser observada;  ­ que por força do art. 50, do Decreto nº 8.242/14, os processos que tratam de  isenção  deverão  ser  encaminhados  à  unidade  competente  para  verificar  o  atendimento  dos  requisitos , na forma do art. 32, da Lei 12.101/09, à época do fato gerador.  ­ que de acordo com o atual art. 32 da Lei 12.101/09, à época da lançamento,  a recorrente preenchia todos os requisitos legais vigentes à época dos fatos geradores.  ­  que  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  observou  lei  anterior,  a  qual  foi  revogada (Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91) e  isso acarreta em erro de procedimento ­ vicio formal;  ­  que  para  créditos  constituídos  após  edição  da  Lei  nº  12.101/09  deve  ser  observado aquele rito formal, em consonância com o §1º do art. 144, CTN;  ­ que houve erro de procedimento ao  lavrar o AI uma vez que a autoridade  lançadora,  mesmo  sob  a  égide  da  Lei  12.101/09,  adotou  procedimento  de  legislação  ultrapassada.  ­ que em 2006 estavam regularizados os débitos e era portadora do CEBAS ­  Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social;  ­  que  o  CARF  no  processo35464.003247/2006­17  que  trata  do  Ato  Cancelatório de  Isenção, houve por bem  formalizar Resolução de nº 2402­000.517, a  fim de  devolver  o  processo  à  origem  para  cumprimento  das  regras  estabelecidas  pelo  Decreto  8.242/14, especialmente no art. 50, um vez que à época do  julgamento,  já estava revogada a  legislação relativa a atos cancelatórios de isenção;  ­ que há época do lançamento ­ 04.03.2010, o § 6º, do art. 55, da Lei 8.212/91  já estava revogada e que a matéria em questão era regida pela Lei 12.101/09, especialmente o  art. 31.que no ano de 2010 já era detentora do CEBAS, atendendo o disposto no art. 31, da Lei  12.101/09.  ­  que  ser  portadora  do  CEBAS  significa  dizer  que  todos  os  requisitos  e  exigências legais para usufruir a isenção estão preenchidos;  ­  que  sendo  a  recorrente  portadora  do  CEBAS  na  ocasião  da  ação  fiscal,  cumprindo  o  que  se  refere  no  art.  31,  da  Lei  12.101/09,  nada mais  justo  e  legal  do  que  ser  aplicado ao caso o art. 106, II "a" e "b" do CTN, para cancelar as exigências lançadas.  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 483          7 ­  que  a  multa  de  mora  não  poderá  prevalecer  pois  a  exigibilidade  das  contribuições  previdenciárias  se  encontravam  suspensas  em  virtude  de  pendência  de  decisão  administrativa nos autos do processo em que se discutia o Ato Cancelatório de Isenção.  Requer ao fim a anulação do lançamento efetuado.  É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Alice Grecchi  O  presente  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade  do  Decreto  70.235/72, merecendo ser conhecido.  Conforme se constata da leitura do relatório, o lançamento foi efetuado para  prevenir  a  decadência,  uma  vez  que  o  Ato  Cancelatório  de  Isenção,  o  qual  embasa  o  lançamento, encontrava­ se com recurso pendente.   Do relatório fiscal de fls. 22/31, extrai­se palavras do fiscal:  Embora  a  empresa  tenha  interposto  o  recurso  35464.003247/2006­17  contra  o  citado  Ato  Cancelatorio,  referido  recurso  não  tem  efeito  suspensivo  em  relação  ao  lançamento  do  credito  tributário  correspondente,  tendo  sido  emitido  para  evitar  da  decadência,  devendo  ficar  SOBRESTADO,  ate  o  julgamento  do  recurso  acima  mencionado.(grifei)  Verifica­se que o  lançamento  foi  efetuado 04/03/2010,  tendo o  contribuinte  sido  cientificado  em  11/03/2010.  Ou  seja,  a  constituição  do  crédito  tributário  em  análise  ocorreu já sob a vigência da Lei nº 12.101 de 27/11/2009.  Essa  nova  legislação  trouxe  novas  disposições  acerca  da  certificação  das  entidades beneficentes de assistência  social,  tratando  também dos  requisitos necessários para  isenção das contribuições previdenciárias.  Por  outro  lado,  verifica­se  que  o  período  de  apuração  foi  de  01/2006  a  13/2006, quando ainda estava em vigor o art. 55, da Lei nº 8.212/1991, norma então revogada  com o advento da Lei nº 12.101/09.  O  novo  diploma  legal  trouxe  algumas  alterações  entre  elas  foi  a  desnecessidade da interessada requerer à Administração o reconhecimento do benefício fiscal,  o qual se dava mediante a emissão de ato declaratório de isenção.  Os  lançamentos  efetuados  após  a  vigência  da  Lei  n.º  12.101/2009,  o  fisco  deve apurar se entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos  geradores.  No  entanto,  deve  adotar,  para  fins  de  formalização  do  lançamento,  o  rito  procedimental  previsto  na  nova  legislação,  ao  ser  constatada  desconformidade  com  os  requisitos  impostos pela norma de regência, vigentes a data do fato gerador, o  lançamento  já  pode ser efetuado, indicando quais os fatos não observados, vejamos:  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 Art.  32.  Constatado  o  descumprimento  pela  entidade  dos  requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  lavrará  o  auto  de  infração relativo ao período correspondente e  relatará os  fatos  que  demonstram  o  não  atendimento  de  tais  requisitos  para  o  gozo da isenção.   Verifica­se  que  se  trata  de  norma  de  caráter  procedimental,  uma  vez  que  regula o procedimento a ser adotado em caso de descumprimento dos requisitos materiais.  Assim,  assiste  razão à  recorrente quando  sustenta que o  art.  32,  da  referida  legislação  veicula  nítida  regra  processual  que,  portanto,  de  acordo  com  o  art.  144,  §  1º,  do  CTN, deve ser aplicada por ocasião da lavratura do lançamento.  "Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros. "  Sobre  essa  questão,  já  se  manifestou  o  Ilustre  Relator  Kleber  Ferreira  de  Araújo, no Acórdão 2402­004.738 ­ 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, de 09.12.15.  Não  tenho  dúvida  de  que  o  art.  32  da  Lei  n.o  12.101/2009  introduziu  novo  procedimento  para  o  fisco,  subsumindo­se  inteiramente ao §1º do art. 144 do Código Tributário Nacional ­  CTN, motivo pelo qual deve ser aplicado na data do lançamento,  independentemente  deste  se  referir  a  fatos  geradores  ocorridos  sob os auspícios do regramento jurídico precedente.  A  primeira  conclusão  que  se  pode  extrair  dessa  interpretação  jurídica é que, malgrado a afirmação do fisco, o lançamento não  foi confeccionado para prevenir a decadência, haja vista que a  lei  nova  não  exige  como  condição  para  lavratura  do  auto  de  infração a anterior revogação do benefício fiscal.  Tanto  isso  é  verdade  que,  os  processos  de  pedido  de  reconhecimento  e  de  cancelamento  de  isenção ainda  pendentes  de julgamento deixaram de seguir seu curso normal e passaram  a ser devolvidos para as unidades competentes da Administração  Tributária,  conforme  determinação  do  Decreto  n.o  7.237,  de  20/07/2010:  "Art.  44.  Os  pedidos  de  reconhecimento  de  isenção  não  definitivamente  julgados  em  curso  no  âmbito  do Ministério  da  Fazenda  serão  encaminhados  à  unidade  competente  daquele  órgão  para  verificação  do  cumprimento  dos  requisitos  da  isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato  gerador.  Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificar­se­á o  direito  à  restituição  do  valor  recolhido  desde  o  protocolo  do  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 484          9 pedido de isenção até a data de publicação da Lei n. o 12.101, de  2009.  Art.  45.  Os  processos  para  cancelamento  de  isenção  não  definitivamente  julgados  em  curso  no  âmbito  do Ministério  da  Fazenda  serão  encaminhados  à  unidade  competente  daquele  órgão  para  verificação  do  cumprimento  dos  requisitos  da  isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n.º 12.101  de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.  Essa conclusão pode ser observada nos julgados abaixo, os quais colaciono as  ementas:  Acórdão  2402­005.041,  de  17/02/2016,  Rel.  Conselheiro  Lourenço Ferreira do Prado.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  ENTIDADE  BENEFICENTE  DE  ASSISTÊNCIA  SOCIAL.  LANÇAMENTO  EFETUADO  SOB  A  ÉGIDE  DA  LEI  N.º  10.101/2009.  INOBSERVÂNCIA  DO  PROCEDIMENTO  PARA  FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. Conforme entendimento  desta  turma, aos  lançamentos efetuados após a vigência da Lei  n.º  12.101/2009,  o  fisco  deve  apurar  se  entidade  cumpre  os  requisitos  previstos  na  legislação  vigente  na  data  dos  fatos  geradores. No entanto, deve adotar, para fins de formalização do  lançamento, o rito procedimental previsto na nova legislação.  ERRO  DE  PROCEDIMENTO.  VÍCIO  FORMAL  A  adoção  de  procedimento  inadequado  à  ensejar  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  de  contribuições  previdenciárias  enseja  a  declaração  de sua nulidade pela ocorrência de vício formal.  Processo Anulado.  Acórdão 2401­002.807, de 22.11.2012, Designado para redigir o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Rycardo  Henrique Magalhães  de  Oliveira:  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007   CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  ISENÇÃO  COTA  PATRONAL.  NORMAS  PROCEDIMENTAIS.  RETROATIVIDADE.  LEI  12.101/2009.  APLICAÇÃO  PROCEDIMENTAL  A  FATOS  GERADORES  PRETÉRITOS  À  SUA  EDIÇÃO.  AÇÃO  FISCAL  POSTERIOR  À  ALUDIDA  LEGISLAÇÃO.  ARTIGO  144,  §  1  o,  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL.  Tratando­se  de  ação  fiscal  desenvolvida  após  a  edição  da  Lei  nº  12.101,  de  27/11/2009,  a  qual,  além  de  contemplar  os  requisitos  para  fruição  da  isenção  da  cota  patronal,  igualmente,  estabeleceu  novos  procedimentos  para  obtenção  e  cancelamento  da  certificação  de  entidades  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     10 beneficentes de assistência social, impõe­se à observância desse  novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à  aludida  lei,  com  esteio  no  artigo  144,  §  1  o,  do  Código  Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou  com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após  a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo  de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a  vigência  daquela  lei,  em  05/04/2010,  deveria  ter  observado  os  procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior  na  matéria,  ao  rechaçar  a  condição  de  entidade  isenta  (autoenquadrada),  dissertando  a  propósito  dos  pressupostos  legais  da  isenção  que  teriam  sido  inobservados  e  para  quais  períodos,  sob  pena  de  improcedência  do  feito,  como  aqui  se  vislumbra.[...](grifei)  Nesse  contexto,  vale  destacar  que  no  processo  35464.003247/2006­17,  da  mesma  recorrente,  que  trata  do  cancelamento  do  Ato  Declaratório  de  Isenção,  o  I.  Relator  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  editou  Resolução  2402­000.517,  em  26.01.16,  determinando  retorno dos autos à unidade de origem para verificação do cumprimento dos requisitos legais,  em observância à nova legislação que rege a matéria, a qual subtraio excerto:  Em se tratando de legislação que regula o trâmite de processos  administrativos,  deve  ser  aplicada  imediatamente.  Assim,  conforme preconiza seja o art. 234 da IN 971/09, seja o art. 45  do Decreto  7.237/10  ou mesmo o  art.  50  do Decreto  8.242/14,  todos os processos que tratam do cancelamento de isenção e que  não estejam definitivamente julgados, devem ser enviados para a  unidade  competente  para  verificação  do  cumprimento  dos  requisitos legais.  Ora,  e  no  caso  dos  autos,  o  que  ensejou  o  anterior  envio  dos  autos à unidade de origem, não foi a interposição dos Embargos  de  Declaração,  como  fez  crer  o  fiscal  que  deixou  de  cumprir  ordem expressa deste Eg. Conselho, mas  sim a  edição de nova  legislação  sobre  o  assunto,  da  qual  não  pode  furtar­se  o  julgador,  considerando  que  o  presente  processo  ainda  não  encontra­se  definitivamente  julgado,  pois,  quando  da  vigência  dos  dispositivos  de  Lei  e  Instrução  Normativa  supra,  ainda  encontrava­se  pendente  a  análise  de  recurso  interpostos  pelo  contribuinte.  Assim,  ainda  vigente  disposição  normativa  que  determina  a  necessidade da baixa dos autos, conforme já fora realizado por  meio do Despacho n. 2402044, determino a devolução dos autos  a unidade de origem, mesmo que tal procedimento enseje maior  período  no  trâmite  do  presente  processo,  para  o  cumprimento  das  regras  estabelecidas  pelo  Decreto  8.242/14.para  observância  daquilo  o  que  disposto  no  art.  50  do  Decreto  8.242/14.  Com isso, denota­se que as regras de transição que regem a matéria, devem  ser aplicadas ao caso aqui analisado, uma vez que já estão sendo observadas no processo que  trata do Ato Cancelatório de Isenção da recorrente.  Retornando novamente ao Relatório Fiscal (fl. 23/31), verifica­se que não há  informação de quais dispositivos  legais do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 foram infringidos no  período  do  lançamento,  conforme  preceitua  o  art.  32  da  Lei  12.101/09.  Há  tão  somente  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 485          11 informação quanto ao Ato Cancelatório de Isenção e as infrações que o motivaram, bem como  as  infrações  supostamente  cometidas  quando  da  entrega  da  GFIP  com  código,  segundo  a  fiscalização, incorreto:   [...]  A empresa perdeu a isenção de contribuições previdenciárias,  através  do  ATO  CANCELATORIO  DE  ISENCAO  DE  CONTRIBUICOES  SOCIAIS  N°  21.404/001/2006  de  11/08/2006,  com  efeitos  a partir de  01/07/1998,  em  virtude  do  não  recolhimento  das  contribuições  retidas  dos  segurados  empregados  da  Matriz  nos  períodos  de  08/2001  e  10/2001  a  12/2004 e da filial 61.699.567/0003­54 nos períodos de 05/2001  a 12/2001, 02/2002 a 02/2003 e 10/2003 a 08/2004 [...]  Com  isso,  percebe­se  que  a  fiscalização  usou  o  descumprimento  dos  requisitos  nos  períodos  acima  referidos  como  fundamento  para  lavrar  o  Auto  de  Infração  referente a períodos posteriores.  Esta Turma, analisou e julgou matéria  idêntica, na sessão de 10 de maio de  2016,  se  posicionando  no  sentido  de  que  o  descumprimento  dos  requisitos  constantes  do  revogado art. 55 da Lei nº 8.212/91, em relação a determinado período de apuração não podem  servir de fundamento para exigência das contribuições relativas a períodos posteriores, ementa  ao  Acórdão  nº  2301004.667,  processo  n.º  10073.720778/2011­08  Ilustre  Relator  Fabio  Piovesan Bozza, abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007  REQUISITOS  LEGAIS  FRUIÇÃO  DE  IMUNIDADE  (“ISENÇÃO”) DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  POR ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.  O descumprimento dos requisitos constantes do art.  55 da Lei  nº  8.212/91  para  a  fruição  de  imunidade das  contribuições  previdenciárias patronais relativas a um determinado período de  apuração  (1995  a  1999)  não  pode  servir  de  fundamento  para  exigência das contribuições relativas a outro período (2007)   O lançamento em questão foi realizado no ano de 2010, sendo que o período  de  apuração  é  de  01/2006  a  13/2006,  de  modo  que  não  foram  observadas  as  regras  procedimentais  impostas  pela  nova  legislação,  visto  não  ter  constado  do  Relatório  Fiscal,  tampouco do Auto de Infração, quais os dispositivos do art. 55, da Lei nº 8.212/91 que foram  desatendidos, cometendo a infração que justificasse a perda da isenção no período de 01/2006 a  13/2006.  Tal  procedimento  ocorrido  no  presente  caso,  caracteriza  vício  formal,  acarretando a decretação de nulidade do lançamento.  Sobre o  tema,  filio­me ao entendimento exposto no Acórdão 2402­004.739,  de 09.12.2015, do Relator Kleber Ferreira de Araújo, cuja decisão colaciono excerto:  Vício formal  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     12 Inicialmente,  devemos  fazer  um  breve  comentário  acerca  dos  elementos  que  constituem  o  procedimento  de  lançamento,  para  depois tratar das consequências jurídicas advindas de vícios em  cada  uma  das  partes  que  compõem  o  ato  procedimental  de  constituição  do  crédito  tributário  e,  por  fim,  aplicar  essa  teorização ao caso trazido a lume.  Compõem o ato de lançamento  a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do  ato de lançamento,  fazendo parte de sua própria estrutura. São  tratados no art. 142 do CTN, verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de  cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a  identificação  do  sujeito  passivo  são  considerados  requisitos  do  lançamento.  b)  Pressupostos:  são  as  formalidades  que,  malgrado  não  integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a  formação  do  ato,  a  exemplo  de  cientificação  do  início  do  procedimento  fiscal,  intimação  para  apresentação  de  documentos, cumprimento de normas internas de Administração  Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do  crédito, inadequação do procedimento de apuração à legislação  de regência e equívoco na citação dos fundamentos legais, etc.  c)  Condições:  são  providências  que  dão  eficácia  ao  ato  de  lançamento, que sucedem a realização do mesmo, como é o caso  da notificação ao sujeito passivo.  Quando a mácula situa­se nos requisitos do lançamento, deve­se  fulminá­lo  por  vício  material,  nos  casos  em  que  a  autoridade  julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato  gerador,  todavia, tenha verificado a ocorrência de falha na sua  descrição,  no  cálculo  do  tributo  ou  na  identificação  do  sujeito  passivo.  Ao contrário, os vícios situados nos pressupostos e condições do  lançamento  pedem  o  seu  saneamento  ou  a  declaração  de  vício  formal,  quando  a  mácula  não  possa  ser  afastada.  Nessas  situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos  substanciais, posto que a falha localiza­se em elemento exterior  ao lançamento.  Ainda sobre os  requisitos do  lançamento, para as  situações em  que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o  convencimento  da  ocorrência  do  fato  gerador,  posto  que  o  mesmo  não  restam  suficientemente  demonstrados  pela  Autoridade  Fiscal,  há  de  se  declarar  a  improcedência  do  lançamento.  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 486          13 [...]  Assim,  entendo  que  o  lançamento  merece  ser  anulado  por  ser  tratar  de  equívoco quanto ao procedimento adotado pelo Fisco na sua atividade de formalização do Auto  de Infração, considerando que houve vício formal.  Deixo de me manifestar em relação a  retroatividade benigna do art. 106 do  CTN, em relação a multa, por entender que todo o crédito  tributário  resta desconstituído por  vício formal.  Em conformidade  com  o  art.  173,  II,  do CTN,  ressalto  que  o Fisco deverá  cientificar  o  sujeito  passivo  dessa  decisão  e  tomar  as  providências  constantes  da  regra  retro  mencionada,  que  lhe  concede  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contados  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal  o  Auto  de  Infração,  lavrar  lançamento substitutivo, se for o caso, verificando quando e quais os requisitos que deixaram  de  ser  entendidos,  em  cada período, que  levem a Recorrente  a deixar de  fazer  jus  a  Isenção  (Imunidade), na forma da Lei:   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:   [...]  II  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao  recurso voluntário, anulando o lançamento, por VÍCIO FORMAL.   (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi ­ Relatora                                Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     14 Declaração de Voto  É  oportuno  que  sejam  esclarecidos  meus  fundamentos  para  suscitar  uma  questão prejudicial ao exame de mérito do recurso voluntário, quando na sessão de julgamento  fui vencido, conforme trecho a seguir transcrito:  Acórdão  2301­004.707  Informações  Adicionais:  Acordam  os  membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento  da  questão  de  ordem  suscitada  pelo  Conselheiro  Julio  Cesar  Vieira Gomes,  não  solicitar  a  vinculação  do  presente  processo  ao  processo  relativo  ao  ato  cancelatório  de  isenção,  e  não  remeter o presente processo para ser julgado com o outro  Em pesquisa ao processo citado no relatório nº 35464.003247/2006­17, onde  se  discutem  os  fundamentos  acerca  do  direito  à  imunidade  de  contribuições  previdenciárias,  constatei que em 10/06/2010 a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Seção havia julgado o  recurso voluntário através do acórdão nº 2402­00.931, negando­lhe provimento. O fundamento  do  cancelamento  da  imunidade  é  o mesmo  adotado  para  o  presente  processo  de  lançamento  tributário.  Em  julgamento dos  embargos de declaração opostos,  a  turma entendeu que  não sendo a decisão definitiva deveria, em cumprimento ao artigo 45 do Decreto nº 7.237, de  20/07/2010 e ao artigo 234 da IN nº 971/2009, retornar o processo para que a origem o juntasse  aos processos  instaurados para a  constituição dos  créditos  tributários. Um deles  é o presente  processo sob exame:  Art. 234 (...)  2º  Em  caso  de  tramitação  simultânea  de  processo  de  cancelamento de isenção e de lançamento constitutivo de crédito  pendente de recurso, deverá aquele ser apensado a este e ambos  retornarem  à  Fiscalização,  para  fins  de  aplicação,  relativamente ao processo apensado, do disposto nos incisos I e  II deste artigo.  Como  se  vê,  o  acórdão  nº  2402­00.931  foi  proferido  antes  do  Decreto  nº  7.237, de 20/07/2010; portanto, cumpriu o procedimento vigente à época.  Assim,  conforme  artigo  6º,  §6º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343,  de  09/06/2015,  existe  conexão  e  prejudicialidade  para  que  o  presente  processo  de  obrigação  principal  seja  julgado  por  esta  turma;  sendo  correto  que  todos  sejam  movimentados  para  a  Segunda  Turma  da  Quarta  Câmara  que  além  da  prevenção  por  distribuição  em  momento  anterior, lá se encontra o processo principal que, inclusive, já fora julgado no mérito:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:  § 1º Os processos podem ser vinculados por:  I ­ conexão, constatada entre processos que tratam de exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados  em  face  de  diferentes sujeitos passivos;  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 487          15 II  ­ decorrência, constatada a partir de processos  formalizados  em  razão de procedimento  fiscal anterior ou de atos do  sujeito  passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda  que veiculem outras matérias autônomas; e   III  ­  reflexo,  constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de  prova, mas referentes a tributos distintos.  § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão  ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo  conexo,  ou  o  principal,  salvo  se  para  esses  já  houver  sido  prolatada decisão.  §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro  que  entender  estar  prevento,  e  a  decisão  será  proferida  por  despacho do Presidente da Câmara ou  da  Seção  de Julgamento, conforme a localização do processo.  §  4º  Nas  hipóteses  previstas  nos  incisos  II  e  III  do  §  1º,  se  o  processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado  deverá  converter  o  julgamento  em  diligência  para  a  unidade  preparadora,  para  determinar  a  vinculação  dos  autos  ao  processo principal.  §  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado  deverá converter o julgamento em diligência para determinar a  vinculação  dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma  instância relativa ao processo principal.  § 6º Na hipótese prevista no § 4º,  se não houver  recurso a  ser  apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade  preparadora  deverá  devolver  ao  colegiado  o  processo  convertido  em  diligência,  juntamente  com  as  informações  constantes  do  processo  principal  necessárias  para  a  continuidade do julgamento do processo sobrestado.  As disposições no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234  da  IN  nº  971/2009  têm  por  finalidade  a  reunião  dos  fundamentos  a  serem  examinados  para  exame dos processos de lançamento da obrigação principal, já que fora extinto o procedimento  anterior, onde antes era necessário um ato cancelatório. Com os processos apensos seria viável  o exame do cumprimento ou não dos requisitos que estão consignados tanto no processo de ato  cancelatório quanto os de lançamento tributário.  Porém, uma vez entendendo a turma que não haveria vinculação ou conexão  entre os processos, o presente processo teve que ser examinado apenas com os documentos que  constavam em seus autos, daí resultando em vício formal, o que a meu ver seria superado com  o cumprimento do disposto no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234 da IN  nº  971/2009.  Ressalta­se  que  o  mérito  já  havia  sido  julgado  pela  turma  na  qual  tramita  o  processo de cancelamento da imunidade.  Em síntese, independentemente do que se entenda quanto ao mérito, ou seja,  quanto  ao  requisito  que  teria  sido  descumprido  pelo  recorrente,  o  atual  procedimento  não  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     16 determinou que  os  processos  de  ato  cancelatório  de  imunidade/isenção  em  tramitação  sejam  extintos,  mas  apenas  que  retornem  à  origem  para  que  sejam  juntados  aos  processos  de  lançamento tributário, o que propicia um maior conjunto probatório. E quanto ao RICARF, há  norma expressa no sentido de que todos esses processos devem ser  julgados pela turma onde  tramita o processo principal ou à qual tenha sido distribuído o primeiro processo.  Diante  do  exposto,  declaro  meu  voto  pela  prejudicialidade  e  remessa  do  presente processo à Segunda Turma da Quarta Câmara.  É como voto.  Júlio César Vieira Gomes  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 10980.002588/2004-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Súmula CARF nº 91. Realidade em que o sujeito passivo, em 22/04/2004, formalizou pedido de restituição de COFINS paga a maior no período de 01/10/1994 a 31/08/2003. Assim, na data em que o pleito foi formalizado ainda não vigorava a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN. Prescrição que não restou caracteriza, uma vez que as compensações a que se reporta a interessada se deu dentro do prazo de 10 anos admitido pela tese dos 5 + 5 anos pavimentada pelo STJ (5 anos para a homologação tácita do lançamento - artigo 150, § 4º, do CTN -, mais 5 anos para se pleitear a restituição - artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003 PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (artigo 14, § 2º, inciso I, da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I - Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se dá parcial provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3301-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que entenderam pela impossibilidade de isenção da COFINS em relação à receita de vendas para a Zona Franca de Manaus, razão pela qual negavam provimento ao recurso. Declarará voto o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 80          1 79  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.002588/2004­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.924  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de abril de 2016  Matéria  Restituição ­ COFINS  Recorrente  Isdralit Indústria e Comércio Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  REPETIÇÃO  DO  INDÉBITO.  PRAZO  PARA  REQUERIMENTO.  INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO  4º,  SEGUNDA PARTE, DA  LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO  ARTIGO  3º  DA  REFERIDA  NORMA.  APLICAÇÃO  UNICAMENTE  A  PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE  JUNHO DE 2005.  HIPÓTESE  NÃO  MATERIALIZADA  NOS  AUTOS.  PRESCRIÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei  Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o  da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser  considerada  válida,  unicamente,  para  os  processos  formalizados  após  o  decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.  Súmula CARF nº 91.  Realidade  em  que  o  sujeito  passivo,  em  22/04/2004,  formalizou  pedido  de  restituição de COFINS paga a maior no período de 01/10/1994 a 31/08/2003.  Assim,  na  data  em  que  o  pleito  foi  formalizado  ainda  não  vigorava  a  interpretação  de  que  trata  o  artigo  3o  da  Lei  Complementar  nº  118/05,  segundo  a  qual,  nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  a  extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado  de que trata o § 1º do art. 150” do CTN.   Prescrição que não restou caracteriza, uma vez que as compensações a que se  reporta  a  interessada  se  deu dentro do prazo de  10  anos  admitido pela  tese  dos 5 + 5 anos pavimentada pelo STJ (5 anos para a homologação tácita do  lançamento  ­  artigo  150,  §  4º,  do  CTN  ­,  mais  5  anos  para  se  pleitear  a  restituição ­ artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN).      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 25 88 /2 00 4- 35 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 81          2 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003  PIS/PASEP  E  COFINS.  RECEITAS DE VENDAS  REALIZADAS  PARA  EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO  DE  INCIDÊNCIA.  FATOS  GERADORES  OCORRIDOS  ENTRE  1o/02/1999 e 21/12/2000.  As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona  Franca  de  Manaus  deverão  sofrer  incidência  do  PIS  e  da  COFINS,  exclusivamente,  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  entre  1o  de  fevereiro de 1999 (artigo 14, § 2º, inciso I, da MP no 1.858­6, de 29/06/1999)  e  21  de  dezembro  de  2000  (dia  imediatamente  anterior  à  publicação  da  reedição  da Medida  Provisória  2.037­24  com  a  supressão  do  termo  “Zona  Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I ­ Medida Provisória 2.037­ 25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).  Recurso  ao qual  se dá parcial  provimento  em vista da data do  fato  gerador  objeto da lide.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencidos  os  conselheiros  Andrada  Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que entenderam pela impossibilidade  de isenção da COFINS em relação à receita de vendas para a Zona Franca de Manaus, razão  pela qual negavam provimento ao recurso.  Declarará voto o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ  Florianópolis  (e­fls.  56/63),  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  interessada  contra  despacho  decisório  que  reconheceu apenas em parte pleiteado direito creditório relativo a suposto pagamento a maior  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 82          3 de  COFINS  em  razão  da  inclusão  indevida,  na  base  de  cálculo  da  contribuição,  de  receitas  oriundas de vendas realizadas à Zona Franca de Manaus.   Reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida:  Trata­se de Pedido de Restituição de crédito de Cofins, efetivado em  22/04/2004, no valor corrigido pelo contribuinte de R$ 785.851,29 (fl. 03),  correspondente ao período de outubro de 1994 a agosto de 2003 (fl. 03/05).   Do despacho decisório   Com  fundamento  no  inciso  I  do  art.  168  do  Código  Tributário  Nacional  combinado  com  o  art.  3º  da  Lei  Complementar  nº  118/2005,  a  autoridade  fiscal  não  reconheceu  direito  de  crédito  em  relação  aos  pagamentos  ocorridos  antes  de  22/04/1999,  por  terem  sido  atingidos  pela  decadência.   No mérito, não reconheceu o crédito em relação as receitas oriundas  de vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM, sob a alegação de  que a legislação da Cofins não concedeu a isenção da referida contribuição  para as vendas à ZFM e tampouco as equiparou à exportação.   Da manifestação de inconformidade   A recorrente, inicialmente, defende o prazo de dez anos para pleitear  a restituição dos valores recolhidos indevidamente, alegando que extinto o  crédito  tributário  com  a  homologação  tácita  pelo  decurso  do  prazo  de  5  (cinco) anos, contados do pagamento,  inicia­ se a contagem do prazo de 5  (cinco) anos para pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente,  aplicando­se  ao  presente  caso  o  disposto  no  art.  150,  §  4º  e  168,  I,  do  Código Tributário Nacional.   Já em defesa do direito ao crédito, alega, em síntese que as receitas  decorrentes  de  vendas  à  ZFM  gozam  das  mesmas  prerrogativas  fiscais  concernentes  às  receitas  de  exportações  e  não  podem  ser  atingidas  pela  incidência da Cofins, em virtude da equiparação imposta pelo Decreto­lei nº  288/1967, que foi erguida ao patamar constitucional pelo art. 40 do Ato das  Disposições  Transitórias,  e  considerando­se  que  passaram  a  gozar,  inclusive, de imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inciso I da CF,  fruto da Emenda Constitucional nº 33, de 2001. Por fim, alega que também  não é em virtude do previsto pelo artigo 14 da Medida Provisória n° 2037­ 23/2000  que  existe  a  incidência  das  contribuição  para  o  PIS  e  da Cofins  sobre as operações de venda efetuadas para empresas da ZFM, haja vista o  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  a  Ação  Declaratória  de  Inconstitucionalidade  n°  2.348­9,  publicada  no  Diário  da  Justiça  e  no  Diário  Oficial  da  União  de  18  de  dezembro  de  2000,  ter  suspendido  a  eficácia do aludido dispositivo.   Conclui que, seja pela legislação pertinente, seja pelo posicionamento  do  Poder  Judiciário  quanto  ao  tema,  as  receitas  decorrentes  de  vendas  destinadas à ZFM não devem compor a base de cálculo da Cofins.   Os  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo  não  foram  acolhidos  pela  primeira instância de julgamento, que indeferiu o pleito em acórdão assim ementado:   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999   REPETIÇÃO DO INDÉBITO. DECADÊNCIA   Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 83          4 O  direito  do  contribuinte  de  pleitear  a  restituição  de  indébito  tributário  extingue­se  em  cinco  anos,  contados  da  data  de  extinção  do  crédito  tributário respectivo.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS   Ano­calendário:  1994,  1995,  1996,  1997,  1998,  1999,  2000,  2001,  2002,  2003   COFINS. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.   Ressalvadas as hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da  Medida Provisória nº 2.037­25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158­ 35, de 2001, sujeitam­se à incidência da Cofins, sem o benefício da isenção,  todas  as  demais  receitas  decorrentes  de  vendas  efetuadas  a  pessoas  jurídicas  estabelecidas  na  ZFM,  independentemente  de  sua  destinação  ou  finalidade.   Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Cientificada  da  referida  decisão  em  23/07/2014  (AR  às  e­fls.  65),  a  interessada, em 12/08/2014 (v. e­fls. 67), apresentou o recurso voluntário de fls. 67/75, onde  reitera os argumentos já apresentados na primeira instância concernentes à não caracterização  da decadência e à legitimidade do direito creditório reclamado, requerendo, ao final, seja dado  provimento ao recurso, com o consequente deferimento do pedido de restituição.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios  O  recurso  é  tempestivo  e  há  que  ser  reconhecido  por  preencher  os  demais  requisitos formais e materiais de admissibilidade.   Da contagem do prazo prescricional  Com relação à contagem do prazo para se requerer a repetição do indébito, o  Supremo  Tribunal  Federal,  na  sessão  plenária  de  04/08/2011,  que  julgou  o  Recurso  Extraordinário  nº  566.621/RS  –  o  qual  substituiu  o  RE  nº  561.908  como  paradigma  na  repercussão  geral  –,  assentou  ser  inconstitucional  o  artigo  4º,  segunda  parte,  da  Lei  Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação da interpretação ditada pelo artigo  3o  da  referida  norma  (prazo  de  5  anos  para  se  pleitear  a  restituição)  tão­somente  para  os  processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9  de junho de 2005.  Referido acórdão foi assim ementado:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ­  LEI  INTERPRETATIVA  ­  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  NO  118/2005  ­  DESCABIMENTO  ­  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  ­ NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS ­ APLICAÇÃO  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 84          5 DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO  DE 2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação  da  Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de  indébito  era  de  10  anos  contados  do  seu  fato  gerador,  tendo  em  conta  a  aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN.  A  LC  118/05,  embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo  reduzido  o  prazo  de  10  anos  contados  do  fato  gerador para 5 anos contados do pagamento indevido.  Lei  supostamente  interpretativa que, em verdade,  inova no mundo  jurídico  deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade  e  aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam ofensa ao princípio da  segurança  jurídica em seus  conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça.  Afastando­se as aplicações inconstitucionais e resguardando­se, no mais, a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido relativamente  às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado  por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas  que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações  necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo  prazo  na  maior  extensão  possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de  lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida a  inconstitucionalidade art. 4o,  segunda parte, da LC 118/05,  considerando­se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­somente às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir de 9 de junho de 2005.  Aplicação do art. 543­B, § 3o, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.  Assim,  segundo  o  acórdão  do  STF,  o  “novo  prazo  de  5  anos”  deverá  ser  adotado  unicamente  para  os  processos  formalizados  depois  de  9  de  junho  de  2005.  No  caso presente, todavia, o pleito foi formalizado em momento anterior, especificamente em  22/04/2004.  Essa  questão  já  está  sumulada  pelo  CARF,  cuja  Súmula  nº  91  dispõe  o  seguinte:  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 85          6 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de  9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por  homologação, aplica­se o prazo prescricional de 10 (dez) anos,  contado do fato gerador.  Logo, no caso presente, não poderá ser adotado "o novo prazo de 5 anos", já  que, a teor da decisão do Supremo Tribunal Federal, deverá prevalecer a orientação da Primeira  Seção do STJ no  sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação, o  prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador –  tese dos 5 + 5 anos  (5 anos para a homologação  tácita do  lançamento – artigo 150, § 4º, do  CTN –, mais 5 anos para se pleitear a restituição – artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN).  Portanto,  como  o  pedido  do  sujeito  passivo  se  refere  a  aduzidas  quantias  pagas a maior, a título da COFINS, no período de outubro de 1994 a agosto de 2003, tem­se  que,  à  época  em  que  o  pleito  foi  formalizado  –  22/04/2004,  ainda  subsistia  o  direito  de  o  interessado pleitear o crédito reclamado.  Da  parcial  incidência  da  COFINS  sobre  as  receitas  de  vendas  à  Zona  Franca de Manaus ­ ZFM  A lide diz respeito à incidência ou não da COFINS sobre a receita de vendas  realizadas  nos meses  de  outubro  de  1994  a  agosto  de  2003  para  empresas  situadas  na Zona  Franca de Manaus.   A questão da incidência do PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes de  vendas  à ZFM  já  foi  analisada pela  então  II Turma Especial  da Terceira Seção deste CARF  quando  do  julgamento  do  processo  no  10920.000462/2003­50  (acórdão  no  3802­00.312,  de  08/12/2010),  de  onde  reproduzo  excertos  do  voto  vencedor  do  Conselheiro  Regis  Xavier  Holanda, abaixo transcrito:  [...]  A  Medida  Provisória  no  1.858­6,  de  29/06/1999  e  posteriores  reedições  até  a  Medida  Provisória  no  2.037­24,  de  23/11/2000  trazia  as  seguintes disposições de interesse:  Art. 14. Em relação aos  fatos geradores ocorridos a partir de 1º  de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  I ­ dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento  Geral  da União,  dos Estados,  do Distrito  Federal  e  dos Municípios,  pelas empresas públicas e sociedades de economia mista;  II ­ da exportação de mercadorias para o exterior;  III  ­  dos  serviços  prestados  a  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas;  IV  ­  do  fornecimento  de  mercadorias  ou  serviços  para  uso  ou  consumo  de  bordo  em  embarcações  e  aeronaves  em  tráfego  internacional,  quando  o  pagamento  for  efetuado  em  moeda  conversível;  V ­ do transporte internacional de cargas ou passageiros;  VI  ­  auferidas  pelos  estaleiros  navais  brasileiros  nas  atividades  de  construção,  conservação  modernização,  conversão  e  reparo  de  embarcações  pré­registradas  ou  registradas  no  Registro  Especial  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 86          7 Brasileiro  ­  REB,  instituído  pela  Lei  nº  9.432,  de  8  de  janeiro  de  1997;  VII  ­ de  frete de mercadorias  transportadas  entre o País e o  exterior  pelas embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro ­ REB,  de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997;  VIII  ­  de  vendas  realizadas  pelo  produtor­vendedor  às  empresas  comerciais exportadoras nos termos do Decreto­Lei nº 1.248, de 29 de  novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao  fim específico de exportação para o exterior;  IX  ­ de vendas, com  fim específico de exportação para o exterior,  a  empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior  do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio;  X ­ relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art.  13.  §  1º  São  isentas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  as  receitas  referidas nos incisos I a IX do caput.  §  2º As  isenções  previstas  no  caput  e  no  parágrafo  anterior  não  alcançam as receitas de vendas efetuadas:  I  ­  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;  II ­ a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação;  III  ­  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos  destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de  janeiro de 1992. (Negritos apostos)  Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037­25, de  21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.158­35, de  2001  –  apresentando  modificação  no  texto  normativo  consistente  na  supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona  Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas.  Vejamos:  § 2º As isenções previstas no caput e no § 1º não alcançam as receitas  de vendas efetuadas:  I ­ a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de  livre comércio;  [...]  Dessa  forma,  tenho  como  claro  que  o  legislador,  ao  realizar  a  referida  supressão  da  referência  à  Zona  Franca  de  Manaus  no  texto  normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta  específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada  no caput e §1º do citado art. 14.  Adequou­se,  então,  a  presente  legislação  à  disciplina  traçada  pelo  art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67, in verbis:  Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo  ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação  brasileira  para  o  estrangeiro.  Ademais,  é  mister  ainda  destacar  que  no  ínterim  entre  as Medidas  Provisórias no 2.037­24, de 23/11/2000 e n° 2.037­25, de 21/12/2000 (DOU  de  22/12/2000),  sobreveio,  em  07/12/2000,  decisão  liminar  unânime  do  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 87          8 pleno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  da  ADIN  nº  2.348­9,  deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia  da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, § 2º, I  da Medida Provisória nº 2.037­24.  Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, parece­me  também  claro  que  o  legislador  teve  ainda  por  intenção  adequar  o  texto  normativo  à  decisão  do  STF  então  vigente,  só  alterada  em  10/02/2005  mediante  decisão  que  declarou  prejudicado  o  pedido  por  perda  de  objeto  diante  da  ausência  de  aditamento  à  inicial  por  conta  das  sucessivas  reedições da Medida Provisória atacada.  Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.037­25 suprimiu a  hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a  ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento  da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do  art.  14,  II  (exportação  de  mercadorias  para  o  exterior)  para  essas  operações.  Em  sentido  semelhante  já  decidiram  os  então  Conselhos  de  Contribuintes:  Acórdãos  202­16587,  de  19/10/2005;  201­79407,  de  29/06/2006 e 202­18132, de 20/06/2007.  [...]  No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data  de  publicação  da  MP  nº  2.037­25  (atual  MP  no  2.158­35,  de  2001),  considerar  isentas  da  contribuição  para  o  PIS,  as  vendas  efetuadas  a  empresa situada na Zona Franca de Manaus.  De  fato,  a  real  intenção  que  motivou  a  supressão  da  expressão  “na  Zona  Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037­25, foi a  de,  efetivamente,  excluir  da  incidência  do  PIS  e  da  COFINS  as  vendas  realizadas  para  empresas sediadas na referida área de livre comércio.   Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato  de a  redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os  termos “Zona Franca de  Manaus” e “área de  livre comércio”  revela que o poder  legiferante, na ocasião, para  fins de  tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim,  posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía  referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal  conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a  referida região.  Portanto, não resta dúvida de que deverão ser consideradas como isentas do  PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação  da Medida Provisória no 2.037­25, ou seja, em 22/12/2000.   Ressalte­se, porém, que a exclusão da isenção do PIS e da COFINS sobre as  receitas  de  vendas  efetuadas  à  ZFM  –  e  portanto,  a  incidência  de  tais  contribuições  sobre  aludidas operações – já vigorava desde 1º/02/1999, nos termos do artigo 14, § 2º, inciso I, da  Medida Provisória nº 1858­6, de 29/06/1999:  Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro  de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 88          9 [...]  § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as  receitas de vendas efetuadas:  I  ­  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  Amazônia  Ocidental ou em área de livre comércio;  II ­ a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação;  III  ­  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos  destinados  a  exportação,  ao  amparo  do  art.  3º  da  Lei  nº  8.402,  de  8  de  janeiro de 1992.  (grifos nossos)  Essa sistemática, conforme ressaltado, prevaleceu até a edição da MP 2.037­ 24, que vigeu até 21/12/2000, já que em 22/12/2000 foi publicada a MP 2.037­25 que suprimiu  o termo "Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do artigo 14.  Portanto,  entre  1º/02/1999  e  21/12/2000,  a  COFINS  incidia  sobre  as  vendas  efetuadas  à  ZFM,  já  que,  legalmente  (MP  nº  1858­6,  de  29/06/1999,  e  sucessivas  reedições até a MP nº 2.037­24, que vigorou até 21/12/2000), constava do inciso I do § 2º do  artigo  14  das  normas  em  evidência  que  as  isenções  da  contribuição  "não  alcançavam  as  receitas de vendas efetuadas [...] a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus [...]".   Diante disso, e considerando que o pleito abrange o período de 1º/10/1994 a  31/08/2003,  estão  isentas  da COFINS  as  vendas  realizadas  à  Zona  Franca  de Manaus  entre  1º/10/1994  e  31/01/1999,  bem  como  aquelas  realizadas  a  partir  de  22/12/2000.  Em  outras  palavras, é legítima a incidência da COFINS sobre as vendas realizadas à ZFM unicamente no  período compreendido entre 1º/02/1999 e 21/12/2000.  Assim,  as  receitas  decorrentes  das  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  deverão  sofrer  incidência  da  COFINS,  exclusivamente,  em  relação  aos  fatos  geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (artigo 14, § 2º, inciso I, da MP no 1.858­ 6,  de  29/06/1999)  e  21  de  dezembro  de  2000  (dia  imediatamente  anterior  à  publicação  da  reedição  da  referida Medida  Provisória  –  na  ocasião  com  o  nº  2.037­24  –  em  que  houve  a  supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.037­25,  de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).  Da conclusão  Com  estas  considerações,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  reconhecendo o direito  creditório  sobre  as  receitas  de vendas  realizadas  à Zona Franca de  Manaus  entre  1º/10/1994  e  31/01/1999,  bem  como  sobre  aquelas  realizadas  a  partir  de  22/12/2000.  Sala de Sessões, em 27 de abril de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios – Relator              Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 89          10   Declaração de Voto  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  Com  as  devidas  homenagens  ao  voto  do  conselheiro  relator,  ouso  dele  divergir somente em relação ao provimento relativo à isenção de vendas para Zona Franca de  Manaus.  Para  tanto  colaciono  abaixo  voto  de  minha  autoria  no  processo  administrativo  nº  10920.002535/2002­67 que resultou no Acórdão nº 3301­002535, proferido em 27/01/2015, o  qual debruçou­se sobre o mesmo tema:  (...)  O contribuinte solicita restituição de valores pagos de PIS e Cofins relativos  ao  período  de  fev/1999  a  fev/2002.  Estes  valores  teriam  sidos  pagos  a  maior,  segundo  o  contribuinte,  pois  seriam  referentes  a  vendas  de  produtos  para  a  Zona  Franca de Manaus, cuja isenção fazia jus ante ao disposto no art. 4º do Decreto­Lei  nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT  da Constituição Federal.  Não entendo que o contribuinte tenha razão. Vejamos o que dispõe o art. 4º do  DL nº 288/67:  Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional  para  consumo  ou  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ou  reexportação  para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação  brasileira  para  o  estrangeiro. (destaquei).  Observa­se que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas  de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus e exportação para  o estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais  em relação à legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não  poderia ser aplicada ao Pis, que foi criado pela Lei Complementar 7/70, e à Cofins  que foi criada pela Lei Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam  na data da edição do DL nº 288/67 e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas.  Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis:  Art. 177. Salvo disposição de  lei em contrário, a isenção  não é extensiva:  I ­ às taxas e às contribuições de melhoria;  II  ­  aos  tributos  instituídos  posteriormente  à  sua  concessão.(destaquei).  Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o  prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e  da Cofins.   Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 90          11  Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas  características de área livre de comércio, de exportação e  importação, e de  incentivos  fiscais, pelo prazo de vinte e  cinco anos, a partir da promulgação da Constituição.  Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia  qualquer  isenção/imunidade  de  PIS  e  da  Cofins  nas  vendas  de  produtos  para  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus.  Nesta  linha  de  raciocínio,  não  procede  a  argumentação  de  imunidade  na  incidência  destas  contribuições  nas  operações de venda para a ZFM, pois elas não foram equiparadas a exportação como  defende  o  contribuinte,  para  efeito  destas  contribuições,  portanto  inaplicável  a  imunidade  prevista  no  art.  149,  §  2º,  inc.  I  da  CF.  Resta  analisar  se  a  própria  legislação  destas  contribuições  permitia,  no  período  solicitado,  a  exclusão  destas  receitas de sua base de cálculo. Sempre  lembrando que se interpreta  literalmente a  lei que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN.  A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que  trouxe diversas alterações  relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à  exclusão  de  receitas  de  exportações  ou  à  isenção  das  contribuições  sobre  tais  receitas.  Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.858­6, de 29 de junho de  1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em  tela,  nas  hipóteses  especificadas,  tendo  revogado  expressamente  todos  os  dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o  dia 30 de junho de 1999:  Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir  de  1º  de  fevereiro  de  1999,  são  isentas  da  Cofins  as  receitas:  (...)  II – da exportação de mercadorias para o exterior;  (...)  §  1º.  São  isentas  da  contribuição  para  o P1S/PASEP  as  receitas referidas nos incisos I a IX do caput.  §  2º.  As  isenções  previstas  no  caput  e  no  parágrafo  anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas:  I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus  na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;  (...) (destaquei)  Ressalte­se  que  esta  Medida  Provisória  foi  objeto  da  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  –  ADIn  nº  2.348­9  (DOU  de  18/12/2000),  que  requereu  a  declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de  Manaus. O Supremo Tribunal  Federal  –  STF,  nesta  ação,  deferiu medida  cautelar  suspendendo  a  eficácia  da  expressão  "na  Zona  Franca  de  Manaus",  disposta  no  inciso  I  do  §  2º  do  art.  14  da Medida  Provisória Nº  2.037­24/00,  com  efeitos  ex  nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a  ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 91          12 Posteriormente  à  decisão  liminar  do STF na ADIn nº  2.348­9,  foi  editada  a  Medida Provisória nº 2.037­25, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória  nº 2.158­ 35, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do  inciso  I  do  §  2º  do  art.  14,  acima  citado,  que  vinha  constando  em  suas  edições  anteriores.  Desta  forma,  as  exclusões  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  no  período solicitado no presente processo, fev/99 a fev/2002, eram as previstas no art.  14 da MP 2.158/2001­35, abaixo transcrito:   Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir  de  1º  de  fevereiro  de  1999,  são  isentas  da  COFINS  as  receitas:  I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do  Orçamento  Geral  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  pelas  empresas  públicas  e  sociedades de economia mista;  II – da exportação de mercadorias para o exterior;  III  –  dos  serviços  prestados  a  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente ingresso de divisas;  IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso  ou  consumo  de  bordo  em  embarcações  e  aeronaves  em  tráfego  internacional,  quando  o  pagamento  for  efetuado  em moeda conversível;  V – do transporte internacional de cargas ou passageiros;  VI  –  auferidas  pelos  estaleiros  navais  brasileiros  nas  atividades  de  construção,  conservação  modernização,  conversão  e  reparo  de  embarcações  pré­registradas  ou  registradas  no  Registro  Especial  Brasileiro  REB,  instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997;  VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e  o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que  trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997;  VIII  –  de  vendas  realizadas  pelo  produtor­vendedor  às  empresas  comerciais  exportadoras  nos  termos  do  Decreto­Lei  nº  1.248,  de  29  de  novembro  de  1972,  e  alterações  posteriores,  desde  que  destinadas  ao  fim  específico de exportação para o exterior;  IX – de vendas, com fim específico de exportação para o  exterior,  a  empresas  exportadoras  registradas  na  Secretaria  de  Comércio  Exterior  do  Ministério  do  Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;  X – relativas às atividades próprias das entidades a que se  refere o art. 13.  §  1º  São  isentas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  as  receitas referidas nos incisos I a IX do caput.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 92          13 § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam  as receitas de vendas efetuadas:  I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em  área de livre comércio;  II – a empresa estabelecida em zona de processamento de  exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007)  III  –  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos destinados  à  exportação,  ao  amparo  do  art.  3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.  Da  leitura  do  dispositivo  legal  não  é  possível  localizar  que  havia  previsão  legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  para  empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de  Manaus.  Conforme  muito  bem  destacado  na  decisão  recorrida  as  únicas  isenções  que  poderiam ser aplicadas seriam as referentes aos incisos IV, VI, VIII e IX do caput do  art. 14, acima transcrito, porém não é o caso do presente processo.   Somente  a  partir  da  edição  da  Medida  Provisória  nº  202/2004,  que  foi  convertida na Lei  nº 10.996/2004, é que  foi  reduzida  a  zero  as alíquotas de PIS e  Cofins  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização na Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis:   Art.  2º  Ficam  reduzidas  a  0  (zero)  as  alíquotas  da  Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus  –  ZFM,  por  pessoa  jurídica  estabelecida fora da ZFM.  Necessário  concluir  que  caso  estas  receitas  já  eram  isentas/imunes  das  referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a  alíquota  para  zero. Até  porque  não  se  poderia  estabelecer  alíquota  zero  para  uma  operação  que  estaria  fora  do  campo  de  incidência  das  contribuições  por  força  de  imunidade constitucional.  Quanto  às  alegadas  inconstitucionalidades  legislativas  levantadas no  recurso  voluntário, cabe estabelecer que não é possível aos julgadores do CARF pronunciar  a este respeito.  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    Andrada Márcio Canuto Natal ­ Declaração de Voto      Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 15504.729713/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS EXCLUSIVOS SOBRE ASSOCIADOS DOMICILIADOS NO ÂMBITO DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR. "A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator" (artigo 2°-A da Lei nº 9.494/97). No caso dos autos, a coisa julgada objeto do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4 teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, não alcançando, pois, a autuada, sediada em Belo Horizonte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 IPI. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO DE CRÉDITO. EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O IPI, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadra dentre os tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se à atuação da autoridade administrativa. No caso do IPI, o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Assim, evidenciada a contabilização de créditos do imposto, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, considerando que ciência do auto de infração se deu em 28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento relativamente aos períodos com datas de vencimento anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses de janeiro, fevereiro e março de 2009, períodos com respeito aos quais deverá ser afastada a exigência. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA PARA A FISCALIZAÇÃO DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA CONDICIONADA SEGUNDO CRITÉRIOS DEFINIDOS PELA SUFRAMA. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, a despeito de não possuir ingerência quanto aos critérios objetivos e subjetivos de competência da SUFRAMA para a concessão dos incentivos fiscais de sua alçada, pode fiscalizar o fiel cumprimento das condições delineadas pela citada Superintendência necessárias ao gozo de isenção tributária condicionada. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA A QUE A LEI ATRIBUA EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA. É verdade que o artigo 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, dispensa a aplicação de penalidades em relação aos que agiram "(...) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado". A despeito de referida prescrição ainda constar do Regulamento do IPI, aludida norma não foi recepcionada pelo CTN, já que o artigo 100, inciso II, atribui força de norma concernente a "decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa", unicamente, àquelas "a que a lei atribua eficácia normativa". Diante da inexistência de decisão administrativa nos termos do artigo 100, inciso II, do CTN, impossível exonerar a multa de ofício lavrada contra o sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 CRÉDITO FICTO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES. INSUMO INDUSTRIALIZADO ONDE NÃO FOI UTILIZADA MATÉRIA-PRIMA AGRÍCOLA OU EXTRATIVA VEGETAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na norma isentiva de que trata o artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, o termo "matérias-primas" não se encontra de forma isolada, mas associado e delimitado a uma natureza e uma origem específicas. Não é, pois, o uso de quaisquer matérias-primas produzidas na região que dá direito ao crédito do IPI, mas apenas aquelas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Assim, para fins de gozo do crédito em questão, os insumos (originados da Amazônia Ocidental) necessitam ser elaborados com matérias-primas de origem vegetal, quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa (retirados da natureza, da flora nativa), de tal sorte que, nos termos da norma legal isentiva, não há espaço para o gozo decorrente da aquisição de produto intermediário industrializado onde, na sua elaboração, não foram empregadas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Portanto, os concentrados para a fabricação de refrigerantes, em que foram utilizados "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico [...] fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.", não se enquadram como "produtos elaborados com matérias-primas agrícolas ou extrativas vegetais", de forma que sua aquisição não dá direito ao creditamento do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75. CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES SUJEITOS A REDUÇÃO DE 50% DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO. REDUÇÃO DO CRÉDITO NO MESMO PERCENTUAL. É legítima a redução do crédito do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 em percentual idêntico à redução da alíquota do imposto delineada em Nota Complementar da Tabela de Incidência do IPI - TIPI. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA INDUSTRIALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE QUE TRATA O ARTIGO 9º DO DECRETO-LEI Nº 288/67. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O artigo 9º do Decreto-lei nº 288/67, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/91, ressalvadas as exceções legais, prevê unicamente a isenção do IPI relativamente às mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, não contemplando a apuração de crédito ficto do imposto pela aquisição de produtos da citada região. IPI. ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.779/99. PRECEITO ESPECÍFICO PARA A RESTITUIÇÃO OU A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 trata unicamente da possibilidade de restituição ou de compensação de eventual saldo credor do IPI que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, não amparando hipótese de creditamento do imposto. Recurso ao qual se dá parcial provimento para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.
Numero da decisão: 3301-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do voto do relator, da seguinte forma: a) em relação à amplitude do provimento jurisdicional, decidiu a Turma, por maioria de votos, no sentido de que a interessada não está amparada pelo mandado de segurança coletivo - MSC nº 91.0047783-4; vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; b) por unanimidade de votos, reconheceu-se a decadência parcial do lançamento quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009; c) quanto à aduzida incompetência da Receita Federal para fiscalizar a isenção objeto dos autos, negou-se provimento ao recurso por unanimidade, de sorte que foi reconhecida a competência do Fisco Federal para o exame da isenção em tela; d) por maioria de votos, negou-se provimento à prejudicial apresentada pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões de que a Receita Federal não poderia mudar o entendimento da Suframa consubstanciado no projeto por esta aprovado; vencidos ainda os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro; e) concernente ao exame específico da isenção objeto dos autos (tópico: "da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada"), negou-se provimento ao recurso pelo voto de qualidade; vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; f) por maioria de votos foi mantida a aplicação da multa de ofício; vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; g) concernente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, votou a turma, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso; vencida a conselheiro Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. A Conselheira Maria Eduarda fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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secao_s : Terceira Seção De Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do voto do relator, da seguinte forma: a) em relação à amplitude do provimento jurisdicional, decidiu a Turma, por maioria de votos, no sentido de que a interessada não está amparada pelo mandado de segurança coletivo - MSC nº 91.0047783-4; vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; b) por unanimidade de votos, reconheceu-se a decadência parcial do lançamento quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009; c) quanto à aduzida incompetência da Receita Federal para fiscalizar a isenção objeto dos autos, negou-se provimento ao recurso por unanimidade, de sorte que foi reconhecida a competência do Fisco Federal para o exame da isenção em tela; d) por maioria de votos, negou-se provimento à prejudicial apresentada pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões de que a Receita Federal não poderia mudar o entendimento da Suframa consubstanciado no projeto por esta aprovado; vencidos ainda os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro; e) concernente ao exame específico da isenção objeto dos autos (tópico: "da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada"), negou-se provimento ao recurso pelo voto de qualidade; vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; f) por maioria de votos foi mantida a aplicação da multa de ofício; vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; g) concernente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, votou a turma, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso; vencida a conselheiro Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. A Conselheira Maria Eduarda fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955.

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS EXCLUSIVOS SOBRE ASSOCIADOS DOMICILIADOS NO ÂMBITO DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR. "A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator" (artigo 2°-A da Lei nº 9.494/97). No caso dos autos, a coisa julgada objeto do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4 teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, não alcançando, pois, a autuada, sediada em Belo Horizonte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 IPI. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO DE CRÉDITO. EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O IPI, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadra dentre os tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se à atuação da autoridade administrativa. No caso do IPI, o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Assim, evidenciada a contabilização de créditos do imposto, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, considerando que ciência do auto de infração se deu em 28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento relativamente aos períodos com datas de vencimento anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses de janeiro, fevereiro e março de 2009, períodos com respeito aos quais deverá ser afastada a exigência. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA PARA A FISCALIZAÇÃO DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA CONDICIONADA SEGUNDO CRITÉRIOS DEFINIDOS PELA SUFRAMA. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, a despeito de não possuir ingerência quanto aos critérios objetivos e subjetivos de competência da SUFRAMA para a concessão dos incentivos fiscais de sua alçada, pode fiscalizar o fiel cumprimento das condições delineadas pela citada Superintendência necessárias ao gozo de isenção tributária condicionada. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA A QUE A LEI ATRIBUA EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA. É verdade que o artigo 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, dispensa a aplicação de penalidades em relação aos que agiram "(...) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado". A despeito de referida prescrição ainda constar do Regulamento do IPI, aludida norma não foi recepcionada pelo CTN, já que o artigo 100, inciso II, atribui força de norma concernente a "decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa", unicamente, àquelas "a que a lei atribua eficácia normativa". Diante da inexistência de decisão administrativa nos termos do artigo 100, inciso II, do CTN, impossível exonerar a multa de ofício lavrada contra o sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 CRÉDITO FICTO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES. INSUMO INDUSTRIALIZADO ONDE NÃO FOI UTILIZADA MATÉRIA-PRIMA AGRÍCOLA OU EXTRATIVA VEGETAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na norma isentiva de que trata o artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, o termo "matérias-primas" não se encontra de forma isolada, mas associado e delimitado a uma natureza e uma origem específicas. Não é, pois, o uso de quaisquer matérias-primas produzidas na região que dá direito ao crédito do IPI, mas apenas aquelas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Assim, para fins de gozo do crédito em questão, os insumos (originados da Amazônia Ocidental) necessitam ser elaborados com matérias-primas de origem vegetal, quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa (retirados da natureza, da flora nativa), de tal sorte que, nos termos da norma legal isentiva, não há espaço para o gozo decorrente da aquisição de produto intermediário industrializado onde, na sua elaboração, não foram empregadas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Portanto, os concentrados para a fabricação de refrigerantes, em que foram utilizados "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico [...] fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.", não se enquadram como "produtos elaborados com matérias-primas agrícolas ou extrativas vegetais", de forma que sua aquisição não dá direito ao creditamento do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75. CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES SUJEITOS A REDUÇÃO DE 50% DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO. REDUÇÃO DO CRÉDITO NO MESMO PERCENTUAL. É legítima a redução do crédito do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 em percentual idêntico à redução da alíquota do imposto delineada em Nota Complementar da Tabela de Incidência do IPI - TIPI. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA INDUSTRIALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE QUE TRATA O ARTIGO 9º DO DECRETO-LEI Nº 288/67. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O artigo 9º do Decreto-lei nº 288/67, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/91, ressalvadas as exceções legais, prevê unicamente a isenção do IPI relativamente às mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, não contemplando a apuração de crédito ficto do imposto pela aquisição de produtos da citada região. IPI. ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.779/99. PRECEITO ESPECÍFICO PARA A RESTITUIÇÃO OU A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 trata unicamente da possibilidade de restituição ou de compensação de eventual saldo credor do IPI que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, não amparando hipótese de creditamento do imposto. Recurso ao qual se dá parcial provimento para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 688          2 No caso do IPI, o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do  IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera como pagamento "a dedução  dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem  resultar saldo a recolher".  Assim,  evidenciada  a  contabilização  de  créditos  do  imposto,  a  regra  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  deverá  ser  estabelecida  segundo  o  disposto  no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato  gerador.  Dessa  forma,  considerando  que  ciência  do  auto  de  infração  se  deu  em  28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento  relativamente  aos  períodos com datas de vencimento anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses  de janeiro, fevereiro e março de 2009, períodos com respeito aos quais deverá  ser afastada a exigência.  SECRETARIA  DA  RECEITA  FEDERAL.  COMPETÊNCIA  PARA  A  FISCALIZAÇÃO  DE  ISENÇÃO  TRIBUTÁRIA  CONDICIONADA  SEGUNDO CRITÉRIOS DEFINIDOS PELA SUFRAMA.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  a  despeito  de  não  possuir  ingerência  quanto  aos  critérios  objetivos  e  subjetivos  de  competência  da  SUFRAMA  para  a  concessão  dos  incentivos  fiscais  de  sua  alçada,  pode  fiscalizar  o  fiel  cumprimento  das  condições  delineadas  pela  citada  Superintendência necessárias ao gozo de isenção tributária condicionada.   MULTA.  PEDIDO  DE  EXONERAÇÃO.  ARTIGO  76,  II,  A, DA  LEI  Nº  4.502/64.  NÃO  RECEPÇÃO  PELO  ARTIGO  100,  II,  DO  CTN.  INEXISTÊNCIA  DE  DECISÃO  ADMINISTRATIVA  A  QUE  A  LEI  ATRIBUA  EFICÁCIA  NORMATIVA.  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXCLUSÃO DA MULTA.   É verdade que o artigo 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, dispensa a aplicação de  penalidades  em  relação  aos  que  agiram  "(...)  de  acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal,  inclusive  de  consulta,  seja  ou  não  parte  o  interessado". A despeito de referida prescrição ainda constar do Regulamento  do  IPI,  aludida norma não  foi  recepcionada pelo CTN,  já que o artigo 100,  inciso  II,  atribui  força  de  norma  concernente  a  "decisões  dos  órgãos  singulares ou coletivos de jurisdição administrativa", unicamente, àquelas "a  que a lei atribua eficácia normativa".   Diante  da  inexistência  de  decisão  administrativa  nos  termos  do  artigo  100,  inciso  II,  do  CTN,  impossível  exonerar  a multa  de  ofício  lavrada  contra  o  sujeito passivo.   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012  CRÉDITO  FICTO  DO  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  CONCENTRADOS  PARA  FABRICAÇÃO  DE  REFRIGERANTES.  INSUMO  INDUSTRIALIZADO  ONDE  NÃO  FOI  UTILIZADA  MATÉRIA­PRIMA  AGRÍCOLA  OU  EXTRATIVA VEGETAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.  Fl. 695DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 689          3 Na norma isentiva de que trata o artigo 6º do Decreto­lei nº 1.435/75, o termo  "matérias­primas"  não  se  encontra  de  forma  isolada,  mas  associado  e  delimitado a uma natureza e uma origem específicas. Não é, pois, o uso de  quaisquer matérias­primas produzidas na região que dá direito ao crédito do  IPI, mas apenas aquelas "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de  produção regional".   Assim, para  fins de gozo do crédito em questão, os  insumos (originados da  Amazônia  Ocidental)  necessitam  ser  elaborados  com  matérias­primas  de  origem vegetal, quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa  (retirados da natureza, da flora nativa), de tal sorte que, nos termos da norma  legal isentiva, não há espaço para o gozo decorrente da aquisição de produto  intermediário industrializado onde, na sua elaboração, não foram empregadas  "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional".  Portanto,  os  concentrados  para  a  fabricação  de  refrigerantes,  em que  foram  utilizados "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico [...] fornecidos pela  empresa  Agropecuária  Jayoro  Ltda.",  não  se  enquadram  como  "produtos  elaborados com matérias­primas agrícolas ou extrativas vegetais", de forma  que sua aquisição não dá direito ao creditamento do IPI objeto do artigo 6º do  Decreto­lei nº 1.435/75.  CRÉDITO  DO  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  CONCENTRADOS  PARA  FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES SUJEITOS A REDUÇÃO DE 50%  DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO. REDUÇÃO DO CRÉDITO NO MESMO  PERCENTUAL.  É legítima a redução do crédito do IPI objeto do artigo 6º do Decreto­lei nº  1.435/75 em percentual idêntico à redução da alíquota do imposto delineada  em Nota Complementar da Tabela de Incidência do IPI ­ TIPI.  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  MATÉRIA­PRIMA  INDUSTRIALIZADA  NA  ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE QUE TRATA O ARTIGO  9º  DO  DECRETO­LEI  Nº  288/67.  CREDITAMENTO  DO  IMPOSTO.  FALTA DE PREVISÃO LEGAL.  O artigo 9º do Decreto­lei nº 288/67, com a redação dada pelo artigo 1º da  Lei nº 8.387/91, ressalvadas as exceções legais, prevê unicamente a isenção  do IPI relativamente às mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus,  não contemplando a apuração de crédito  ficto do  imposto pela aquisição de  produtos da citada região.   IPI. ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.779/99. PRECEITO ESPECÍFICO PARA A  RESTITUIÇÃO OU A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO.   O  artigo  11  da  Lei  nº  9.779/99  trata  unicamente  da  possibilidade  de  restituição  ou  de  compensação  de  eventual  saldo  credor  do  IPI  que  o  contribuinte  não  puder  compensar  com  o  IPI  devido  na  saída  de  outros  produtos, não amparando hipótese de creditamento do imposto.   Recurso  ao  qual  se  dá  parcial  provimento  para  reconhecer  a  decadência  quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.        Fl. 696DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 690          4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  nos  termos  do  voto  do  relator,  da  seguinte forma:   a) em relação à amplitude do provimento jurisdicional, decidiu a Turma, por  maioria  de  votos,  no  sentido  de  que  a  interessada  não  está  amparada  pelo  mandado  de  segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4; vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar  Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen;  b)  por  unanimidade  de  votos,  reconheceu­se  a  decadência  parcial  do  lançamento quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009;   c)  quanto  à  aduzida  incompetência  da  Receita  Federal  para  fiscalizar  a  isenção objeto dos autos, negou­se provimento  ao  recurso por unanimidade, de  sorte que  foi  reconhecida a competência do Fisco Federal para o exame da isenção em tela;  d) por maioria de votos, negou­se provimento à prejudicial apresentada pela  Conselheira Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  de  que  a  Receita  Federal  não  poderia  mudar  o  entendimento  da  Suframa  consubstanciado  no  projeto  por  esta  aprovado;  vencidos  ainda os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro;  e) concernente ao exame específico da isenção objeto dos autos (tópico: "da  análise  quanto  aos  requisitos  necessários  à  isenção  vislumbrada"),  negou­se  provimento  ao  recurso pelo voto de qualidade; vencidos os  conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira,  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen;  f) por maioria de votos foi mantida a aplicação da multa de ofício; vencida a  conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões;  g) concernente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, votou  a turma, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso; vencida a conselheiro Maria  Eduarda Alencar Câmara Simões.   A Conselheira Maria Eduarda fará declaração de voto.   (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  o  advogado Antonio Carlos Garcia  de  Souza, OAB/RJ nº 48.955.    Fl. 697DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 691          5 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ  Belo Horizonte  (e­fls. 557/576), proferida em 30/03/2015, a qual, por unanimidade de votos,  rejeitou a decadência e manteve integralmente a exigência formalizada contra o sujeito passivo,  nos termos do correspondente acórdão, assim ementado:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012   DECADÊNCIA.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.   Nos casos de falta de pagamento, o direito da fazenda pública constituir o  crédito  tributário  relativo  ao  IPI  extingue­se  em  cinco  anos  a  contar  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser  efetuado.   CRÉDITOS.  PRODUTOS  ISENTOS  ADQUIRIDOS  DE  ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL.   As  aquisições  de  insumos  saídos  com  isenção  feitas  a  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Zona  Franca  de  Manaus  e  com  projetos  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  SUFRAMA,  mas  não  elaborados  com matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  de  produção  regional,  não  geram  direito  ao  aproveitamento dos créditos de IPI, como se tributados fossem.   DIREITO  AO  CRÉDITO.  INSUMOS  ISENTOS.  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS   A aquisição de insumos  isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus,  não legitima aproveitamento de créditos de IPI.   AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE.   O  provimento  jurisdicional  abrange  o  objeto  da  demanda  judicial,  vale  dizer,  o  conteúdo  do  pedido  da  petição,  e  seu  alcance  restringe­se  aos  associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial  do órgão prolator.   EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A  multa  de  ofício  é  “débito  para  com  a  União  decorrente  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal”  e,  como  tal,  está  sujeita  à  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  a  partir de seu vencimento.   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Por bem descrever os fatos, reproduzo, a seguir, o relatório objeto da decisão  recorrida:   Trata­se de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia  da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, no valor total de R$  251.500.450,15,  à  data  da  autuação,  referente  ao  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  acrescido  de  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  de  75%,  Fl. 698DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 692          6 conforme  enquadramento  legal  discriminado  no  referido  documento.  A  infração apontada foi a falta de declaração/recolhimento do saldo devedor  do IPI escriturado.   Conforme  esclarecido  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  –  TVF  –  no  período auditado, mais de 80% dos créditos aproveitados pelo contribuinte  são oriundos de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus ­ ZFM,  não  onerados  pelo  IPI,  aproveitados  em  decorrência  de  incentivo  fiscal  instituído  pelo art.  6º,  caput  e parágrafo  1º,  do Decreto­lei  n°  1435/1975,  disciplinado pelo art. 95, III do Decreto n° 7.212, de 2010 (RIPI/2010).   Referidos  insumos,  adquiridos  da  empresa  Recofarma  Indústria  do  Amazonas  Ltda.,  consistem  em  concentrado  para  elaboração  de  refrigerantes,  contendo  suco  de  fruta  ou  extratos  de  semente  de  guaraná  classificados no código NCM 2106.90.10 ­ EX 01, cuja alíquota era de 27%,  até  30/05/2012  e  20%  a  partir  de  01/06/2012.  De  acordo  com  a  Nota  Complementar NC  (21­1)  da  Tabela  de  Incidência  do  IPI  aprovada  pelos  Decretos  n°  6.006/2006  e  n°  7.660/2011,  esses  produtos  estavam  beneficiados com redução de 50%, redução esta que não  foi observada no  cálculo do crédito aproveitado. Nas Notas Fiscais de Saída de produtos de  seu  estabelecimento,  o  contribuinte  optou  pelo  Regime  Especial  de  Tributação  de  Bebidas  Frias  (REFRI),  previsto  no  Decreto  n°  6.707,  de  23/12/2008, utilizando as alíquotas específicas ­ AD REM, em consonância  como o permissivo legal.   A  documentação  e  demais  informações  produzidas  no  curso  da  diligência  demonstram  que,  com  exceção  do  produto  “concentrado  de  guaraná”,  os  insumos  adquiridos  pela  autuada  foram  elaborados  apenas  com  produtos  industrializados,  e  não  “matérias­primas  agrícolas  e  extrativas vegetais de produção regional” como requer a norma instituidora  do incentivo. Tendo em vista que o art. 111, inciso II, da Lei nº 5.172/1966  (Código Tributário Nacional ­ CTN) determina que em matéria de outorga  de  isenção  a  interpretação  da  legislação  tributária  deve  ser  literal,  foi  considerado  indevido  o  aproveitamento  dos  créditos  com  base  na  norma  invocada pelo contribuinte.   A autuada também invocou os efeitos da coisa julgada produzida no  julgamento  final,  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  do  Mandado  de  Segurança  Coletivo  n°  91.0047783­4,  impetrado  pela  Associação  dos  Fabricantes Brasileiros de Coca­Cola,  da qual  é associada, o que não  foi  aceito pela fiscalização, sob o argumento de que a coisa julgada abrangeria  apenas  os  substituídos  que  tivessem,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio no âmbito da competência territorial do órgão julgador do citado  Mandado de Segurança Coletivo, tendo em vista o disposto no art. 2°­A da  Lei  9.949/1997.  A  ação  foi  impetrada  contra  ato  do Delegado  da Receita  Federal  no  Rio  de  Janeiro,  na  22ª  Vara  da  Justiça  Federal  do  Rio  de  Janeiro, e o Acórdão foi prolatado pelo TRF da 2ª Região, porém, à época  (14/08/1991)  o  domicílio  da  autuada  era  o  Município  de  São  Paulo/SP,  conforme Estatuto Social.   O detalhamento das glosas de créditos considerados  indevidos, bem  como a reconstituição da escrita fiscal encontram­se nos anexos I a  III ao  auto  de  infração  (fls.  28/32).  Tendo  em  vista  a  apuração  de  saldos  devedores nos períodos auditados, foi proposto o indeferimento dos Pedidos  de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação  ­  PER/DCOMP  ­  relativos  a  esses  mesmos  períodos,  no  âmbito  dos  respectivos processos administrativos.   Fl. 699DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 693          7 Regularmente  cientificada  da  autuação,  a  contribuinte  apresentou  impugnação  tempestiva  assinada  por  procurador  habilitado  nos  autos,  acompanhada  de  documentos,  na  qual  constam  as  alegações  a  seguir  sintetizadas.   Inicialmente, aponta que, considerando a ciência do auto de infração  ocorrida  em  28/11/2014,  teria  decaído  o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  de  28/11/2009,  tendo  em  vista  o  prazo  estabelecido  no  art.  150,  §  4º  da  Lei  5.172/1966  (Código Tributário Nacional ­ CTN).   Quanto  ao  mérito,  argumenta  inicialmente  que  a  SUFRAMA,  no  exercício  de  sua  competência  exclusiva,  por  meio  da  Resolução  n°  298/2007,  integrada  pelo Parecer  Técnico  nº  224/2007,  considerou  que  a  aquisição  pela  RECOFARMA  de  açúcar,  álcool  e/ou  extrato  de  guaraná  produzidos  por  produtor  localizado  na  Amazônia  Ocidental,  a  partir  de  matérias­primas  agrícolas  oriundas  da mesma  região,  e  sua  utilização  na  fabricação do concentrado, atendem aos requisitos necessários para fruição  do  benefício  em  questão. Ou  seja,  os  atos  da  SUFRAMA  não  exigem  que  sejam  utilizadas  direta  nem  exclusivamente  matérias­primas  extrativas  vegetais  de  produção  regional  na  fabricação  do  insumo  beneficiado,  ao  contrário do que entende a autoridade fiscal.   Tais atos  trazem consigo a presunção de legitimidade, veracidade e  legalidade, sendo suficientes para comprovar o direito à isenção, à vista do  art. 179 do CTN. Na hipótese de com eles discordar, deveria a autoridade  administrativa  questionar  a  SUFRAMA,  instando­a  ao  cancelamento  do  benefício, o mesmo ocorrendo no caso de considerar desrespeitado o PPB –  Processo Produtivo Básico.   Na sequência, alega existência de coisa julgada em decisão proferida  no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783­4 que teria assegurado,  no  seu  entendimento,  de  forma  ampla  e  irrestrita,  aos  integrantes  da  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Coca­Cola  (AFBCC),  estabelecidos em todo território nacional, o direito de se creditarem do IPI  relativo à aquisição de  insumo  isento,  adquirido de  fornecedor  situado na  Zona  Franca  de  Manaus  e  utilizado  na  industrialização  de  seus  refrigerantes.  Além  disso,  recentes  decisões monocráticas  de Ministros  do  STJ,  transitadas  em  julgado,  como  o  RESP  nº  1.117.887­SP  e  RESP  nº  1.295.383­BA,  teriam  assegurado  a  aplicação  da  citada  coisa  julgada  a  associados da AFBCC localizados em qualquer ponto do território nacional.  No  julgamento  do  RESP  nº  1.117.887­SP  foi  invocado  como  razão  de  decidir,  “o  acórdão  proferido  no  REsp  n°  1.243.887­  PR,  de  que  foi  relator  o  Ministro LUIS FELIPE SALOMAO,  julgado à  sistemática de  recursos  repetitivos,  nos  termos do art. 543­C do CPC, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a  limitação prevista no art. 2°­A da Lei n° 9.494, de 10.09.1997, introduzido pela MP  n° 1.798­1/99, somente é aplicável às ações coletivas ajuizadas após a sua entrada  em vigor, ou seja, ajuizadas após 11.02.1999.” Assim, da mesma forma como o  STJ  aplicou  automaticamente  o  entendimento  do REsp  n°  1.243.887­PR  a  outras  associadas  da AFBCC,  situadas  em Ribeirão Preto  e  em Salvador,  em decisões que não houve recursos da Procuradoria da Fazenda Nacional  e  transitaram  em  julgado,  entende  a  autuada  que  a  autoridade  administrativa  também  deveria  aplicá­lo  ao  presente  caso,  nos  termos  do  art. 62­A do Regimento Interno do CARF.   Mesmo  superados  os  argumentos  antes  expostos,  entende  que  continuaria  tendo  direito  aos  créditos,  pois  o  concentrado  adquirido  da  RECOFARMA  também  gozaria  da  isenção  de  que  trata  o  art.  69,  II,  do  Fl. 700DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 694          8 RIPI/2002 e o art. 81, II, do RIPI/2010, porque oriundo da Zona Franca de  Manaus  e  utilizado  na  fabricação  de  produtos  sujeitos  ao  IPI.  Invoca  o  entendimento  exposto  pelo  STF,  no  julgamento  do  RE  nº  212.484­RS,  no  sentido de que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de  Manaus  e  aplicados  na  industrialização  de  produtos  sujeitos  ao  IPI  tem  direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para  o próprio insumo, em face do princípio da não­cumulatividade. Acrescenta,  ainda, a existência dos RE nº 566.819­RS e RE nº 592.891­SP, confirmando  que a impugnante teria direito ao crédito de IPI em questão.   As aquisições estão documentadas por notas fiscais idôneas emitidas  pela  fornecedora  RECOFARMA,  e  assim  a  impugnante,  na  qualidade  de  adquirente de boa­fé, tem direito à manutenção do crédito de IPI.   Com  respeito  à  redução  de  alíquota  esclarece  que  está  sujeita  ao  atendimento dos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério  da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento  (MAPA)  e  que  os  produtos  estejam registrados no órgão competente desse Ministério, o que não teria  ocorrido, pelo que a  impugnante  faria  jus ao crédito de IPI decorrente da  aquisição  de  insumos  isentos  à  alíquota  prevista  na  TIPI,  sem  qualquer  redução.   Alega a impossibilidade de exigência de multa, com base no art. 76,  II,  “a”,  da  Lei  4.502/1964,  pois  a  jurisprudência  administrativa,  à  época  dos  fatos  geradores,  estaria  reconhecendo  o  direito  ao  crédito  de  IPI  relativo à aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva  regional),  utilizados  na  fabricação  de  produtos  sujeitos  ao  IPI,  conforme  acórdão que cita.   Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade dos juros sobre a multa  de ofício, tendo em vista o teor do art. 16 do Decreto­lei 2.323/1987, com a  redação dada pelo artigo 6º do Decreto­lei n° 2.331/1987, que se aplicaria  às multas de oficio, conforme entendimento pacífico do STJ. A cobrança dos  juros na forma pretendida pela RFB também não teria previsão no art. 59  da Lei 8.383/1991 e art.  61 da Lei n° 9.430/1996,  como  referendado pela  jurisprudência administrativa que cita.   Ao  final,  requer  o  cancelamento  do  auto  de  infração  com  a  conseqüente extinção do crédito tributário.   A  decisão  de  primeira  instância manteve  integralmente  o  crédito  tributário  lançado pelos seguintes fundamentos:   a) que,  para  fins de  contagem do prazo decadencial,  deveria  ser  aplicado o  artigo  173,  inciso  I,  do  CTN,  na medida  em  que  não  teria  ocorrido  pagamento  antecipado;  assim, não teria decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário;   b) que, concernente ao mandado de segurança coletivo nº 91.0047783­4, "a  controvérsia  a  respeito  da  sua  aplicabilidade  a  empresas  filiadas  à  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Coca­Cola  domiciliadas  em  municípios  localizados  fora  da  competência  territorial  do  Tribunal  da  2ª  Região  já  foi  devidamente  apreciada  pelo  Poder  Judiciário,  em  agravo  de  instrumento  interposto  pela  União  Federal  (processo  2004.02.01.013298­4), em face da decisão proferida nos autos da referida ação mandamental,  em acórdão assim ementado (DJU de 07/04/2008, fls. 255/266):   “PROCESSO  CIVIL.  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA  COLETIVO.  TUTELA  COLETIVA.  COISA  JULGADA.  Fl. 701DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 695          9 ABRANGÊNCIA  RESTRITA.  EXECUÇÃO  INDIVIDUAL  DO  JULGADO.  COMPETÊNCIA.   I  ­  A  eficácia  da  coisa  julgada,  embora  erga  omnes,  fica  restrita  aos  associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial  do  órgão  prolator,  consoante  disposto  no  art.  16  da  Lei  n°  7.347/85,  na  redação da Lei n° 9.494/97, qual  seja, este TRF  ­ 2ª Região,  e apenas no  Estado do Rio de Janeiro.   II ­ Agravo provido.   c) que o insumo adquirido da RECOFARMA não faria jus à isenção objetiva  do art. 82, inciso III, e art. 175, do RIPI/2002, e do art. 95, inciso III, e art. 237 do RIPI/2010  (base legal no art. 6°, caput e § 1º, do Decreto­Lei n° 1.435/75), porque, na sua elaboração, a  referida  empresa  "não  utiliza  matéria­prima  agrícola  ou  extrativa  vegetal  de  produção  regional  [da  Amazônia  Ocidental]  em  seu  processo  industrial,  mas,  apenas,  produtos  já  industrializados", e a Receita Federal do Brasil teria competência para auditar a concessão do  beneficio em questão;   d) que o fato de a RECORRENTE ter agido de boa­fé não poderia conferir  direito  ao  crédito  de  IPI,  pois  "admitir  que  uma  isenção  indevida  possa  conferir  direito  ao  crédito  do  IPI  resultaria  em  repassar  ao  Estado  um  ônus  inerente  ao  risco  da  atividade  mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio, e que portanto não lhe cabe";   e) que o RE n° 212.484/RS, que assegurou o direito ao crédito de IPI relativo  à aquisição de insumos isentos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, já teria sido  alterado pela jurisprudência do STF e esse RE não teria efeito erga omnes;   f)  que  a  existência  de  decisões  administrativas  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (CSRF) autorizativas do crédito não teria o condão de excluir a imposição da  multa  de  ofício,  porque  essas  decisões  não  teriam  efeitos  erga  omnes  e  o  Fisco  não  estaria  vinculado à jurisprudência administrativa, em razão de o art. 100, II, do CTN ter estabelecido  que somente são normas complementares as decisões administrativas que a lei atribuir eficácia  normativa, conforme orientação contida no Parecer Normativo COSIT n° 23/2013; e,   g) que a multa de oficio seria um "débito para com a União Federal", razão  por que estaria correta a incidência de juros sobre a multa.   Cientificada  da  referida  decisão  em  13/04/2015  (e­fls.  577  e  581),  a  interessada, em 06/05/2015 (e­fls. 584), apresentou o recurso voluntário de e­fls. 584/645, onde  se  insurge  contra  o  lançamento  com  fundamento  nos  mesmos  argumentos  já  expostos  na  primeira instância recursal, destacando, dentre outras aspectos já ressaltados na instância a quo,  o seguinte:   a) que, segundo a decisão recorrida, nos termos do artigo 124, inciso III, do  RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera­se pagamento do tributo "a dedução dos débitos,  no período de apuração do  imposto, dos créditos admitidos,  sem resultar  saldo a  recolher";  como a CSRF (acórdão nº 9303­001.658) já teria pacificado entendimento no sentido de que,  para  fins  de  aplicação  do  art.  124  do RIPI/02,  bastaria  a  simples  existência  de  saldo  credor,  glosado  ou  não,  para  caracterizar  o  pagamento,  isso  seria  suficiente  para  demonstrar  "configurado  o  pagamento  do  contribuinte  para  fins  de  IPI  e,  pois,  resta  caracterizado  o  lançamento por homologação previsto no art. 150, § 4°, do CTN"; ressalta ainda que "à época  Fl. 702DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 696          10 em que foi realizado o creditamento, os créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos  isentos oriundos da Zona Franca de Manaus eram admitidos";   b) que a SUFRAMA teria competência exclusiva para conceder o benefício  previsto  no  artigo  6º  do  Decreto­Lei  nº  1.435/75,  bem  como  para  determinar  e  administrar  quaisquer questões inerentes ao referido beneficio, conforme se verifica dos artigos 1°, VI e 4º,  I,  "c",  ambos  do  Anexo  I  do  Decreto  n°  7.139,  de  29/03/2010,  c/c  a  Resolução  CAS  nº  202/2006;  assim,  uma  vez  concedido  o  benefício  pela  SUFRAMA,  o  Fisco  não  teria  competência  para  desconsiderar  aludido  ato  concessório,  como,  afirma,  já  entendeu  a CSRF  (acórdão nº 9303­002.664, de 14/11/2013, e acórdão nº 9303­002.293, de 18/06/2013); defende  que os atos emanados da SUFRAMA "trazem consigo a presunção de legitimidade, veracidade  e legalidade, ou seja, de que nasceram e encontram­se em conformidade com o ordenamento  jurídico";   c)  que  a  SUFRAMA,  em  resposta  a  diligência  demandada  pela  2ª  Turma  Ordinária da 3ª Seção do CARF, em processo de interesse de outro fabricante de Coca­Cola, já  teria confirmado que "a RECOFARMA está regular em relação às condições estabelecidas no  Projeto  Técnico­econômico  Industrial  de  Atualização,  aprovado  pela  Resolução  CAS  nº  298/2007"; dessa forma, com a confirmação da SUFRAMA de que a RECOFARMA atendeu  às condições previstas na Resolução do CAS n° 298/2007 e que, portanto, faz jus ao beneficio  do art. 6° do DL n° 1.435/75, não há dúvida de que para a SUFRAMA é suficiente a utilização  de açúcar e/ou álcool produzidos por estabelecimento situado na Amazônia Ocidental a partir  de cana­de­açúcar cultivada por produtor também situado na Amazônia Ocidental;   d) que o Fisco entendeu que a fruição do benefício de que trata o artigo 6º do  DL  nº  1.435/75  está  condicionada  à  utilização  direta  de  matéria­prima  agrícola  regional  na  fabricação  de  concentrados,  discordando  assim,  da  interpretação  dada  pela  SUFRAMA,  segundo  a  qual  pode­se  utilizar  indiretamente  matéria­prima  regional  na  fabricação  dos  concentrados;  tal  divergência  interpretativa  deveria  ter  sido  questionada  pelo  Fisco  junto  à  própria  SUFRAMA,  "para  que  esta,  na  forma  do  art.  57  da Resolução CAS  nº  202/06  [...]  cancele o incentivo fiscal concedido, ­ e não simplesmente desconsiderá­lo";   e)  que  "a Resolução do CAS n°  298/2007,  fundada no Parecer Técnico  de  Projeto n° 224/2007­SPR/CGPRI/COAPI, continua em vigor, conforme atestado pela própria  SUFRAMA,  por  intermédio  do  Ofício  da  SUFRAMA  n°  3638­SPR/CGAPl/COPIN,  citado  anteriormente";   f)  reitera  que  está  amparada  pela  coisa  julgada  em  face  do  mandado  de  segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4; aduz que a decisão recorrida, que entendeu que o  MSC  em  tela  não  produziria  efeitos  perante  a  recorrente,  se  fundamentou  no  AI  nº  2004.02.01.013298­4  e  na  Reclamação  ­  Rcl  nº  7.778­SP,  interpostos  por  outra  associada  localizada  em  Ribeirão  Preto;  no  entanto,  "o  acórdão  proferido  no  referido  AI  não  está  produzindo efeitos em razão da decisão proferida na Medida Cautelar  (MC) n° 19.988 pelo  STJ  que  reconheceu  o  alcance  do  MSC  em  todo  o  território  nacional";  ressalta  que  a  jurisprudência  do  STJ  é  no  sentido  de  que  a  coisa  julgada  objeto  do MSC  abrange  todo  o  território nacional;  cita especificamente o REsp nº 1.117.887­SP, da relatoria do Min. Castro  Meira, e o REsp nº 1.295.383­BA, relatado pelo Min. Benedito Gonçalves; neste foi invocado,  "como razão de decidir, o acórdão proferido no REsp n° 1.243.887­PR, de que  foi relator o  Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado à sistemática de recursos repetitivos, nos termos  do art. 543­C do CPC, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a limitação prevista no  Fl. 703DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 697          11 art.  2°­A  da  Lei  n°  9.494,  de  10.09.1997,  introduzido  pela  MP  n°  1.798­1/99,  somente  é  aplicável às ações coletivas ajuizadas após a  sua entrada em vigor, ou  seja, ajuizadas após  11.02.1999"; assim, o mesmo entendimento vinculatório aplicado no âmbito do STJ deveria ser  adotado no CARF por força do artigo 62­A de seu Regimento Interno;   g) que, ao contrário do que foi alegado pela decisão recorrida, a Rcl nº 7.778­ SP  também  não  interfere  no  presente  caso,  uma  vez  que  relativamente  à  mesma  "não  há  decisão nem de mérito nem definitiva que justifique a interpretação dada pela DRJ/POA, pois  a decisão monocrática proferida pelo Ministro GILMAR MENDES apenas negou seguimento à  reclamação  pelo  seu  não  cabimento  e  pende  de  julgamento  os  embargos  de  declaração  opostos pela associada localizada em Ribeirão Preto";   h) reitera que faz jus ao crédito do IPI relativo à aquisição de matéria­prima  isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, o que aduz com fundamento  no artigo 69, inciso II do RIPI/02 e no art. 81, inciso II, do RIPI/10, base legal no art. 9° do DL  n° 288/67; ressalta que ao contrário do sustentado na decisão vergastada, "o STF não negou ao  contribuinte o direito ao creditamento do IPI na aquisição de insumos isentos de fornecedor  situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos sujeitos ao IPI", mas  "em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484­RS, [...] firmou o entendimento de que é  assegurado  ao  adquirente  da  matéria­prima  isenta  oriunda  de  fornecedor  situado  na  Zona  Franca de Manaus e utilizada na fabricação de produto cuja saída é sujeita ao IPI o direito ao  crédito do imposto relativo à sua aquisição"; afirma que "a própria Procuradoria da Fazenda  Nacional,  no  julgamento  do  RE  n°  590.809,  iniciado  em  11.09.2014  e  encerrado  em  23.10.2014,  no  Plenário  desse  STF,  afirmou  expressamente  que  permanece  hígido  o  RE  n°  212.484­RS, que decidiu pelo direito ao crédito do IPI para os adquirentes de insumos isentos  da  Zona  Franca  de  Manaus";  aduz  que  até  que  seja  julgado  o  RE  nº  592.891­SP  ­  que  reconheceu a repercussão geral concernente à possibilidade de creditamento do IPI pela entrada  de insumos da Zona Franca de Manaus ­ permanece hígido o entendimento do RE nº 212.484­ RS;   i)  subsidiariamente,  invoca a  aplicação ao caso do disposto no artigo 11 da  Lei nº 9.779, de 19/01/1999;   j)  reitera  que  são  idôneas  as  notas  fiscais  emitidas  pela  RECOFARMA  e  reafirma haver agido de boa­fé;   k) defende que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a redução de  50% dos créditos é sim relevante para a contenda ­ eis que "produz efeitos na determinação do  montante do crédito do IPI, em relação às glosas referentes às aquisições de concentrado para  elaboração  do  refrigerante  guaraná"  ­,  e  que  aludida  redução  não  é  aplicável  aos  créditos  escriturados  pela  recorrente,  já  que  "os  concentrados  não  foram  registrados  no MAPA  pela  RECOFARMA";   l)  reitera  seus  argumentos  em  defesa  da  impossibilidade  de  exigência  da  multa e dos juros calculados sobre a multa de ofício.   Diante do  exposto,  requer  seja  cancelado  o  auto  de  infração  e  reformada a  decisão de primeira instância, com a consequente extinção do crédito tributário exigido.   A  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  recurso voluntário do sujeito passivo com base nos seguintes fundamentos:   Fl. 704DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 698          12 a) concernente à contagem do prazo decadencial, assevera que o artigo 124,  parágrafo  único,  inciso  III,  do RIPI/2002,  "prevê  como  forma  de  pagamento  a  dedução  dos  débitos, no período de apuração, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Veja­ se,  portanto,  que  tal  dispositivo  traz  determinação  expressa  no  sentido  de  que  somente  o  aproveitamento  de  créditos  admitidos  pelo  regulamento  é  apto  a  caracterizar  o  pagamento  antecipado";  assim,  no  caso  presente,  tal  regra  não  seria  aplicável,  eis  que  "os  créditos  utilizados pela SPAL na dedução dos débitos não eram admitidos pelo  regulamento,  tanto  que  foram  glosados. Ademais,  com  a  glosa  desses  créditos  indevidos,  em  lugar  dos  saldos  credores  calculados  pela  empresa,  surgiram  saldos  devedores  apurados  pela  fiscalização";  cita  como  precedente  o  acórdão  nº  3403­003.324;  assim,  a  regra  para  a  contagem  do  prazo  decadencial seria a disposta no artigo 173, inciso I, do CTN, com base na qual todo o crédito  tributário objeto dos autos teria sido lançado dentro do lapso temporal albergado pela lei;   b) ressalta que a técnica da não­cumulatividade do IPI consiste em compensar  o que  for devido em cada operação com a quantia que  foi cobrada nas operações anteriores,  obstando a incidência em cascata do imposto; assim, o creditamento "somente ocorre quando  as  várias  cadeias  sucessivas  são  efetivamente  mensuráveis",  de  sorte  que  "não  tendo  sido  cobrado  nada  na  operação  anterior,  nada  há  a  ser  compensado";  "diante  disso,  é  preciso  consignar  que  não  há  qualquer  ofensa  ao  princípio  da  não­cumulatividade  no  presente  lançamento. Ora, considerando­se que nos casos de produtos isentos não há o recolhimento do  IPI na etapa anterior, de fato é impossível e indevido o creditamento";   c) afirma "que o STF manifestou­se a respeito do direito ao crédito de IPI na  aquisição  de  insumos  isentos,  por meio  do  julgamento  do RE  n°  566.819,  cuja  repercussão  geral  foi  reconhecida, assentando entendimento de que,  se não há  incidência do  imposto na  fase  anterior,  como  consectário  lógico,  jamais  se  poderia  pleitear  o  creditamento  na  fase  seguinte,  partindo  da  premissa  de  que  a  não­cumulatividade  pressupõe  tributo  devido  e  recolhido anteriormente e que, na hipótese de não­tributação, de alíquota zero ou de isenção,  não existe parâmetro normativo para se definir a quantia a ser compensada";   d) "que ao contrário do que sustenta a recorrente, o RE 212.484, em que se  decidiu  pelo  direito  ao  crédito  na  aquisição  de  insumos  isentos  oriundos  da  ZFM  não  corrobora sua pretensão", já que teria aplicação apenas inter partes, bem como por não ser de  observância obrigatória pelo CARF, "já que, diferentemente do que sustentado em sua defesa,  não há que se falar em definitividade daquele entendimento na Corte Suprema, considerando­ se,  exatamente,  a  existência  de  processo  em  repercussão  geral  sobre  o mesmo  tema  [RE nº  592.891], ainda a ser julgado pelo STF"; tal entendimento teria sido adotado nos acórdãos do  CARF nºs 3403­003.323 e 3403­003­613;   e)  que  o  artigo  11  da  Lei  nº  9.779/99  não  tem  aplicabilidade  ao  caso  dos  autos;   f) que, "como exceção à regra geral da não cumulatividade, só se falaria em  direito ao crédito na aquisição de insumos isentos, no caso dos autos, se o contribuinte tivesse  cumprido os requisitos do art. 175 do RIPI/02 (art. 237 do RIPI/10), que garante o crédito  exclusivamente na hipótese de produtos adquiridos com a  isenção do inciso III do art. 82 (ou seja,  produtos  elaborados  com matérias  primas  agrícolas  ou  extrativas  vegetais  de  produção  regional  por  estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, com projeto aprovado pela Suframa), desde que  para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto";   Fl. 705DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 699          13 g)  que  os  requisitos  legais  para  a  fruição  do  creditamento  não  teriam  sido  observadas pela fiscalizada;   h) que "ainda que a Resolução CAS n° 298/07 refira­se ao benefício fiscal do  art. 6° do DL 1435/75, fundamento legal do art. 175 do RIPI/02, o fato é que essa aprovação  dada  pela  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  ao  projeto  da  Recofarma  não  se  confunde  com  o  reconhecimento  da  isenção,  de modo  que,  aprovado  o  projeto,  a  isenção  somente se aplica SE obedecidas as demais condições do art. 6°, conforme, aliás, declarado  nos próprios atos da Suframa, que determinam que seja utilizada matéria prima de origem  vegetal na elaboração dos produtos";   i) que  "o benefício  fiscal pretendido pela Recofarma  (e pressuposto para o  gozo do crédito pela fiscalizada) foi CONDICONADO ao cumprimento desse requisito, o que  não ocorreu", uma vez que, "conforme constatado pela Fiscalização, o concentrado produzido  pela  Recofarma  não  é  elaborado  com matérias­primas  agrícolas  ou  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  mas  sim  com  produtos  intermediários/industrializados",  no  caso  "caramelo, álcool e ácido cítrico", os quais "não são matérias primas vegetais";   j)  que  segundo  o  acórdão  nº  3302­002.673  "o  corante  caramelo  ...  não  é  matéria­prima  de  origem  vegetal  regional.  Trata­se,  na  realidade,  de  um  produto  industrializado";   k) cita entendimentos exarados nos acórdãos CARF nos 3403­003.491 e 3302­ 001.790;   l)  que  "quando a  Suframa analisa  e aprova  o  projeto  da Recofarma,  o  faz  para fins de gozo não apenas do benefício do art. 6° do DL 1435/75, mas também para o gozo  da  isenção  do  art.  9°  do  DL  288/67  (base  legal  do  art.  69,  II  do  RIPI/02  e  art.  81,  II  do  RIPI/10  que  embora  garanta  a  isenção  ao  fornecedor,  não  assegura  ao  adquirente  das  mercadorias isentas o crédito ficto calculado com base no art. 175 do RIPI/02";   m) concernente ao mandado de segurança coletivo nº 91.0047783­4 afirma,  com  fundamento no  artigo 2º­A da Lei nº 9.404/90, que  aduzida decisão  tem, dentre outras,  "uma limitação territorial, dispondo­se que a sentença abrangerá apenas os substituídos que  tenham domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator"; assim, o MSC em  tela não poderia albergar o direito da suplicante, eis que impetrado perante a 22ª Vara Federal  do Rio de Janeiro em face de ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, enquanto a  autuada possui sede no município de Belo Horizonte;   n)  sobre  a  questão,  assevera que  "o STF,  em  sessão Plenária  realizada  em  30/04/2014, em que se julgou o Agravo Regimental na Reclamação n° 7778, que por sua vez  foi  ajuizada  em  face  do  suposto  descumprimento  da  decisão  proferida  naquele  mesmo  Mandado de Segurança Coletivo, concluiu que o provimento judicial proferido naquela ação  coletiva teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro,  território  do  órgão  prolator  da  decisão,  o  que  não  alcança  a  autuada,  de  modo  que  a  decisão  em  questão  não  lhe  favorece";  "assim,  por  se  tratar  de  decisão  Plenária  do  STF,  proferida  especificamente para o  caso dos autos,  já que propriamente  sobre o alcance do MSC que a  autuada  pretende  seja  aplicado  em  seu  favor,  por meio  do  qual  se  confirmou  a  validade  e  eficácia do art. 2°­A da Lei 9494, este dispositivo legal não pode ser afastado pelo CARF, sob  pena de, com isso, ofender­se o que previsto na Súmula CARF n° 02"; ressalta que a tese em  Fl. 706DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 700          14 tela  foi  confirmada  no  voto  condutor  da  decisão  exarada  pela  Terceira  Turma  da  Quarta  Câmara da Terceira Seção, acórdão n° 3403­003.323;   o) que as decisões do STJ que, segundo a empresa, teriam garantido o direito  de fabricantes da Coca­Cola de São Paulo e da Bahia a se valer da decisão proferida no MSC  referenciado, em momento algum garantiram às contribuintes o direito de se creditar do IPI na  aquisição de insumos isentos da ZFM com base na decisão coletiva, mas apenas determinaram  que os tribunais de origem realizassem novo julgamento do mérito;   p)  que  a  decisão  monocrática  proferida  na  Medida  Cautelar  n°  19.988,  diferentemente do que narrado pela empresa, garantiu apenas "efeitos suspensivos ao recurso  especial interposto por outra empresa que não a ora recorrente (nos autos de um processo que  tramitava no TRF da 2ª Região, que por sua vez julgou prejudicado o agravo de instrumento  interposto  por  aquela  parte,  em  razão  da  perda  de  objeto),  obstando­se,  com  a  liminar  deferida, a exigibilidade do crédito fiscal e cancelando­se o leilão público de bem penhorado  de propriedade daquela associada localizada em Ribeirão Preto";   q)  que  a  questão  que  se  discutiu  no  STJ  no  âmbito  do  recurso  repetitivo  (REsp  1.243.887)  "consistia  em  saber  se  uma  sentença  genérica  proferida  em  ação  civil  coletiva  ajuizada  pela  Associação  Paranaense  de  Defesa  do  Consumidor,  que  condenou  o  Banestado  ao  pagamento  dos  chamados  expurgos  inflacionários  sobre  cadernetas  de  poupança,  teria  efeitos  para  todos  os  poupadores  da  instituição  financeira  do  Estado  do  Paraná", e que, "na ocasião [...] o STJ entendeu por estender os efeitos da coisa julgada para  outros  associados  fora  do  território  do  órgão  prolator  da  decisão  (Curitiba)  porque  o  provimento judicial naquele caso assim determinou e, segundo constou na decisão em questão,  descabe a alteração do seu alcance em sede de  liquidação/execução  individual, sob pena de  vulneração da coisa  julgada. Assim, não se aplica ao caso a  limitação contida no art. 2°­A,  caput, da Lei n. 9.494/97";   r) que a Receita Federal  tem competência para verificar as condições para a  isenção conforme previsto nos artigos 176 a 179 do CTN, inclusive com preferência sobre as  demais autoridades administrativas, nos  termos do artigo 37, XVIII, da Constituição Federal;  ressalta que a decisão proferida pela CSRF no acórdão 9303­002.293, no sentido de que é da  competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a  análise  do  atendimento  ao  processo  produtivo  básico  para  fins  de  aprovação  de  projeto  industrial a ser beneficiado com a isenção, não se aplica ao presente caso, uma vez que o que se  discutiu, naquela ocasião,  foi a possibilidade de  se  terceirizar uma  fase do PPB dos discos a  laser, aprovada em Portaria Interministerial do Ministério da Integração Regional e Ministério  da Ciência e Tecnologia, mas contestada pela Receita Federal;   s)  em  relação  à  redução  da  alíquota  no  cálculo  do  crédito  reproduz  os  fundamentos utilizados pela decisão de primeira instância;   t) quanto à impossibilidade de exigência da multa, ressalta que o caso não se  enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas pelos incisos do artigo 100 do CTN, razão pela  qual  inaplicável  o  parágrafo  único  do  dispositivo  em  evidência;  relativamente  à  desejada  exclusão  da  multa  com  fundamento  no  artigo  76,  II,  "a",  da  Lei  nº  4.502/64,  reproduz  entendimento exarado no acórdão nº 3403­003.323, onde se entendeu estar referido dispositivo  tacitamente  revogado desde outubro de 1966, vez que o artigo 100,  II, do CTN, que regulou  inteiramente a matéria objeto da lei anterior, tratou de modo diferente a dispensa de penalidade  em razão da observância de decisões administrativas; e,  Fl. 707DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 701          15 u)  concernente  aos  juros  de  mora  ressalta  que  os  mesmos  também  são  devidos  sobre  o  valor  da  multa,  a  qual  "tem  natureza  de  obrigação  principal  visto  que  incontestável  o  seu  conteúdo  pecuniário";  alicerça­se  no  artigo  139  do  CTN  e  cita  entendimento proferido no acórdão nº 101­96.177.   Por  todo  o  exposto,  requer  a  Fazenda  Pública  seja  negado  provimento  ao  recurso voluntário.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios   Admissibilidade do recurso   Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 13/04/2015 (e­ fls.  581).  Por  sua  vez,  o  recurso  voluntário  foi  apresentado  em  06/05/2015  (e­fls.  584),  tempestivamente, portanto.   Preenchidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  conheço  do  recurso  formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio   A lide diz  respeito a  lançamento para exigência do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados ­ IPI em vista da glosa de créditos inerentes ao incentivo fiscal instituído pelo  art. 6º, caput e parágrafo 1º, do Decreto­lei n° 1.435/1975, disciplinado pelo artigo 95, inciso  III,  do  Decreto  n°  7.212,  de  2010  (RIPI/2010),  o  qual  admite  o  creditamento  do  IPI  pela  aquisição de matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais originadas da Amazônia Ocidental,  cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, quando  aduzidas  matérias  primas  forem  empregadas  para  a  industrialização,  em  qualquer  parte  do  território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto.   A glosa foi motivada pela constatação de que parte dos produtos não foram  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  regionais,  mas  com  concentrado objeto de industrialização prévia.   A fiscalização identificou também que os concentrados que continham suco  de fruta ou semente de guaraná estavam beneficiados com redução de 50% da alíquota do IPI  (Nota Complementar  ­ NC 21­1  da Tabela de  Incidência do  IPI  aprovada pelos Decretos  n°  6.006/2006  e  n°  7.660/2011),  redução  esta  que,  no  entanto,  não  teria  sido  observada  pela  empresa no cálculo do crédito aproveitado.   Dentre  os  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo  este  defende  estar  amparado pela coisa julgada em face do mandado de segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­ 4.  Tal  questão  será  examinada  de  início,  eis  que  eventual  tutela  jurisdicional  em  favor  da  suplicante dispensará a  análise da matéria  atinente à glosa do creditamento objeto dos autos,  dada a necessidade de se obedecer à coisa julgada.  Fl. 708DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 702          16 Da  amplitude  do  provimento  jurisdicional  objeto  do  mandado  de  segurança coletivo nº 91.0047783­4   Conforme  relatado,  a  recorrente  sustenta  estar  amparada  pela  coisa  julgada  em face do mandado de segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4.   Segundo a  interessada, a decisão recorrida, ao entender que o MSC em tela  não  produziria  efeitos  perante  a  recorrente,  se  fundamentou  no  Agravo  de  Instrumento  nº  2004.02.01.013298­4  e  na  Reclamação  ­  Rcl  nº  7.778­SP,  interpostos  por  outra  associada  localizada em Ribeirão Preto. No entanto, defende a suplicante que  "o acórdão proferido no  referido AI não  está  produzindo  efeitos  em  razão  da  decisão  proferida  na Medida Cautelar  (MC) n° 19.988 pelo STJ que reconheceu o alcance do MSC em todo o  território nacional".  Ressalta  que  a  jurisprudência  do  STJ  é  no  sentido  de  que  a  coisa  julgada  objeto  do  MSC  abrange todo o território nacional. Cita o REsp nº 1.295.383­BA, relatado pelo Min. Benedito  Gonçalves,  em  que  foi  invocado,  "como  razão  de  decidir,  o  acórdão  proferido  no  REsp  n°  1.243.887­PR, de que foi relator o Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado à sistemática  de  recursos  repetitivos, nos  termos do art. 543­C do CPC, no qual a Corte Especial do STJ  decidiu que a limitação prevista no art. 2°­A da Lei n° 9.494, de 10.09.1997, introduzido pela  MP n°  1.798­1/99,  somente  é aplicável  às  ações  coletivas  ajuizadas  após  a  sua  entrada  em  vigor,  ou  seja,  ajuizadas  após  11.02.1999".  Assim,  o  mesmo  entendimento  vinculatório  aplicado no âmbito do STJ deveria  ser  adotado  pelo CARF por  força do  artigo 62­A de  seu  Regimento Interno.   É  verdade  que  o  STF,  em  acórdão  proferido  em  30/04/2014,  negou  provimento no Agravo Regimental na Reclamação nº 7.778­SP, ajuizado pela Companhia de  Bebidas Ipiranga, conforme acórdão foi assim ementado:   Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite  territorial  restrito  à  jurisdição  do  órgão  prolator.  Art.  16  da  Lei  n.  7.347/1985.  3.  Mandado  de  segurança  coletivo  ajuizado  antes  da  modificação  da  norma.  Irrelevância.  Trânsito  em  julgado  posterior  e  eficácia  declaratória  da  norma.  4.  Decisão  monocrática  que  nega  seguimento  a  agravo  de  instrumento.  Art.  544,  §  4º,  II,  b,  do  CPC.  Não  ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins  de  atribuição  de  efeitos  erga  omnes,  em  âmbito  nacional,  à  decisão  proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que  impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento.  A  decisão  em  tela  concluiu  que  o  provimento  judicial  exarado  naquele  mesmo Mandado de Segurança Coletivo  (nº 91.0047783­4)  teve  seus  efeitos restritos aos  associados  domiciliados  no  Rio  de  Janeiro,  não  alcançando,  pois,  a  autuada.  Aludido  decisum confirmou a validade e a eficácia do artigo 2°­A da Lei nº 9.494/97, segundo o qual "a  sentença  civil  prolatada  em  ação  de  caráter  coletivo  proposta  por  entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da  competência  territorial  do  órgão prolator" (grifo nosso).  No  entanto,  em  face  da  referida  decisão  foram  interposto  embargos  de  declaração  (em  26/05/2014),  em  relação  aos  quais  a  Procuradoria  Geral  da  República,  em  05/09/2014, opinou por sua rejeição. Os embargos em tela, todavia, ainda não foram julgados,  encontrando­se os  autos  conclusos ao  relator desde 10/09/2014  (conforme  informação obtida  Fl. 709DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 703          17 no  sítio  do  Supremo  Tribunal  Federal  na  internet  em  15/06/2016  (link:  http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2664047).  Em  relação  à  Medida  Cautelar  n°  19.988,  o  STJ,  de  forma  monocrática  (relator  Min.  Og  Fernandes),  suspendeu,  em  03/06/2015,  a  execução  fiscal  nº  2008.61.02.011379­1, em face da empresa Companhia de Bebidas Ipiranga, doravante Rio  de  Janeiro  Refrescos  Ltda..  Na  ocasião  entendeu  o  e.  relator  que  a  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  na  Rcl  7.778/SP  não  revogou  o  decisório  emitido  pelo Ministro  Castro Meira (Agravo de Instrumento nº 2004.02.01.013298­4), e ainda, que "a jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  permanece  hígida  no  posicionamento  de  que  a  limitação  contida no art. 2º­A, caput, da Lei n. 9.494/97, introduzido pela MP n. 1.798­1/99 (a sentença  proferida  "abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator"), não pode ser aplicada aos  casos  em  que  a  ação  coletiva  foi  ajuizada  antes  da  entrada  em  vigor  do  mencionado  dispositivo [...], sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações".   Confira­se:  MEDIDA CAUTELAR Nº 19.988 ­ RJ (2012/0202007­0)   RELATOR : MINISTRO OG FERNANDES   REQUERENTE : COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA   ADVOGADO : ANTÔNIO CARLOS GARCIA DE SOUZA E OUTRO(S)   REQUERIDO : FAZENDA NACIONAL   PROCURADOR : LUIZ FERNANDO SERRA MOURA CORREIA   DECISÃO    Vistos, etc.     Companhia de Bebidas Ipiranga, hoje Rio de Janeiro Refrescos Ltda.,  ajuizou medida cautelar nesta Corte, pleiteando a concessão de provimento  liminar, nestes termos (e­STJ, fl. 22):   Dessa  forma,  a  REQUERENTE  pede  seja  deferida  medida  liminar,  inaudita altera  pars,  para que,  até o  julgamento  desta medida  cautelar,  seja  (i)  atribuído  efeito  suspensivo  aos  REsps  por  ela  interpostos  nos  autos  dos  AG  n.  2005.02.01.002738­0  e  2004.02.01.013298­4,  (ii)  suspensa  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  objeto  da  EF  n.  2008.61.02.011379­1 e (iii) cancelada a determinação de leilões dos bens  oferecidos pela REQUERENTE em  reforço  de garantia  na  referida EF,  entre os quais os designados para os dias 02.10.2012 e 16.10.2012.   Em 21 de setembro de 2012, o em. Ministro Castro Meira, quem sucedi  na Segunda Turma em razão de sua aposentadoria, deferiu a  liminar para  atribuir  efeito  suspensivo  ao  recurso  especial  e  obstar  a  exigibilidade  do  crédito  fiscal  em questão, com o  cancelamento do  leilão público. Referida  liminar encontra­se assim redigida (e­STJ, fls. 1.250/1.252):   Trata­se  de  medida  cautelar  com  pedido  liminar  ajuizada  por  COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA com o escopo de emprestar  efeito  suspensivo  a  recurso  especial  ­  pendente  de  juízo  de  admissibilidade ­, o qual, por sua vez, foi interposto contra acórdão  proferido  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  2ª  Região,  nestes  termos ementado:   PROCESSUAL CIVIL ­ AGRAVO INTERNO NO AGRAVO DE  INSTRUMENTO  ­  LITISPENDÊNCIA  ­  MATÉRIA  JÁ  EXAMINADA  EM  OUTRO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  ­  RECURSO PREJUDICADO.   Fl. 710DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 704          18 I  ­  Trata­se  de  agravo  interno  oposto  por  COMPANHIA  DE  BEBIDAS  IPIRANGA,  em  face  da  decisão  proferida  às  fls.  193/194, que julgou prejudicado o recurso, por perda de objeto, com  fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil.   II  ­  Alega  a  embargante,  em  síntese,  que:  1)  o  fato  de  ter  sido  proferido acórdão nos autos do agravo n. 2004.02.01.013298/4, em  apenso, julgando a questão sub judice não tem o condão de provocar  a perda de objeto do presente  agravo de  instrumento  porque  ainda  não  produziu  qualquer  efeito,  estando  aguardando  julgamento  dos  embargos  de  declaração  opostos;  2)  a  oposição  de  embargos  de  declaração interrompe o prazo para a interposição de outros recursos  e suspende os efeitos da decisão embargada; 3) a decisão impugnada  no presente agravo de instrumento substitui a decisão anteriormente  proferida  pelo  juízo  a  quo,  a  qual  foi  impugnada  no  agravo  em  apenso.   III  ­  A  fundamentação  do  acórdão  impugnado  foi  no  sentido  de  julgar prejudicado o presente agravo, pois a União Federal interpôs  o agravo de instrumento n. 2004.02.01.013298­4, cuja discussão é a  mesma deste recurso. Em ambos os recursos, a celeuma consiste em  saber se há possibilidade de uma decisão proferida em mandado de  segurança  em  função  de  ato  praticado  por  uma  autoridade  prevalecer  perante  outra  autoridade  que  não  integrou  o  feito  anterior.   IV  ­  Esta  questão  já  foi  decidida  no  agravo  de  instrumento  em  apenso, através do acórdão proferido às fls. 225/234 e os embargos  de  declaração  opostos  irão  ser  julgados  nesta  sessão,  em  conjunto  com  este  agravo  interno. Resta,  portanto,  sem  utilidade  o  presente  agravo de instrumento.   V ­ Agravo interno a que se nega provimento (e­STJ, fls. 288­289).   No apelo nobre, além de suscitar divergência jurisprudencial e deduzir  ofensa  ao  art.  535  do  CPC  sob  a  justificativa  de  que  não  foram  corrigidas  omissões  indicadas  em  embargos  aclaratórios,  a  ora  requerente aduziu que a Corte de origem afrontou o art. 269 do CPC,  na medida em que não seria cabível o não conhecimento do agravo por  perda de objeto,  haja  vista que  subsistiria  interesse no  julgamento do  recurso.   Por outro lado, alegou que o aresto questionado afrontou o art. 543­C,  §  7º,  do  CPC,  ao  deixar  de  aplicar  a  orientação  sedimentada  pelo  Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática dos recursos repetitivos,  acrescentando, ainda, que houve maltrato ao art. 16 da Lei n. 7.347/85,  ao art. 2º­A da Lei n. 9.494/97, aos arts. 467, 468 e 472 do CPC e ao  art. 156, X, do CTN, porquanto o Tribunal a quo  teria desconsiderado  os  efeitos  da  coisa  julgada  formada  no  âmbito  de  mandado  de  segurança coletivo, inclusive no que tange à extinção do crédito fiscal.   Na  presente  cautelar,  a  ora  requerente  identifica  a  fumaça  do  bom  direito com a argumentação lançada no apelo nobre, enquanto o perigo  na  demora  consistiria  essencialmente  nos  iminentes  leilões  marcados  para 02.10.12 e 16.10.12, cuja promoção acarretaria graves prejuízos a  seu patrimônio.   É o relatório. Decido.   De  início,  registro  que  a  competência  para  a  análise  de  medida  cautelar  com  vistas  a  emprestar  efeito  suspensivo  a  recurso  especial  pendente de  juízo de admissibilidade  é da Corte de origem, a  teor do  Fl. 711DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 705          19 disposto  nas  Súmulas  634  e  635  do  Supremo  Tribunal  Federal,  aplicáveis por analogia a este STJ.   Todavia, em casos excepcionais este Superior Tribunal de Justiça  tem  concedido efeito suspensivo a recurso especial que ainda não foi objeto  do juízo de prelibação, notadamente nas hipóteses em que seja possível  verificar,  de  plano,  a  ilegalidade  da  decisão  recorrida  e  esteja  configurado o risco de grave prejuízo para a parte,  caso não seja ela  prontamente suspensa.   No  caso  vertente,  a  notória  controvérsia  que  gravita  em  torno  da  matéria  de  fundo  ­  alcance  territorial  dos  efeitos  da  coisa  julgada  coletiva  ­, em conjunto com a oscilação  jurisprudencial  que  culminou  no  julgamento  do  REsp  1.243.887/PR  pela  Corte  Especial  deste  Superior Tribunal de Justiça, tornam substancial a verossimilhança da  tese  desenvolvida  no  apelo  nobre  pela  requerente,  uma  vez  que,  aparentemente, a instância ordinária adotou orientação em desarmonia  com o entendimento desta Corte.   Por  outro  lado,  em  um  primeiro  momento,  impressiona  o  tumulto  processual  retratado nos autos,  sendo certo que o  trâmite paralelo de  ações  ­  coletivas  e  individuais  ­  acrescido da  interposição  simultânea  de recursos contra decisões distintas cria um cenário que demanda do  magistrado  uma  análise  detida  da  documentação  acostada  aos  autos  para  se  investigar a prejudicialidade  entre os agravos,  o que, como é  evidente,  exige  período  de  tempo  e  reflexão  correspondentes  à  complexidade da tarefa.   A tudo isto, some­se a iminência da praça pública aprazada para o dia  1º/10/12  (e­STJ,  fl.  1.006),  não  havendo  dúvidas  de  que  a  realização  desse  leilão  judicial  representa  sério  risco  de  prejuízo  de  difícil  reparação  à  requerente,  a  qual  se  encontraria  na  contingência  de  perder a propriedade dos imóveis por meio dos quais desenvolve suas  atividades  empresariais. No mais,  cumpre  esclarecer que a  suspensão  desse  procedimento  não  acarreta  maiores  gravames  à  Fazenda  Nacional,  máxime  porque  os  bens  em  questão  encontram­se  regularmente penhorados. Ademais, caso suba a este Superior Tribunal  de Justiça, o recurso especial será de imediato levado a julgamento por  esta relatoria.   Ante  o  exposto,  defiro  a  liminar  para  atribuir  efeito  suspensivo  ao  recurso especial e obstar a exigibilidade do crédito  fiscal em questão,  cancelando­se o leilão público.   A  Fazenda  Nacional,  por  meio  da  Petição  00198352/2015,  requer  a  revogação da liminar, dando conta dos seguintes acontecimentos (e­STJ, fls.  1.336/1.374):   Esta  Medida  Cautelar,  Ministro  Og,  visava  emprestar  "efeito  suspensivo"  a Recurso Especial  da Companhia  de Bebidas  Ipiranga  ­  hoje  incorporada por Rio de Janeiro Refrescos Ltda., a detentora dos  direitos  da  Coca­Cola  em  território  fluminense  (Coca­Cola  Andina  Brasil). O apelo  nobre  da  empresa  tinha  admissibilidade  pendente  no  TRF/2.   O  Agravo  em  Recurso  Especial  437.199/RJ  (extraído  de  acórdão  em  que  o  TRF/2  afirmara  "prejudicado"  o  Agravo  de  Instrumento  da  empresa)  fora  convertido,  por  Vossa  Excelência,  em  06.2.2014,  no  REsp 1.437.364/RJ.   Fl. 712DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 706          20 O  Agravo  em  Recurso  Especial  437.202/RJ  (extraído  de  acórdão  do  TRF/2  favorável  à União  sobre  a matéria  de  fundo deste  e  de  outros  processos  da  empresa)  fora  convertido,  por  essa  Relatoria,  em  6.2.2014, no REsp 1.438.361/RJ.   Naqueles  recursos  e  nesta  Cautelar,  Ministro,  interessa  compreender  este  contexto:  há  uma  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  (n.  80.3.08.000779­76), com valor atual por volta de R$ 390 milhões. Uma  quantia  cobrada  por  Execução  Fiscal  (a  tramitar  na  9ª  Vara  de  Execuções Fiscais de Ribeirão Preto ­SP).   A devedora, considerando­se beneficiada por sentença em Mandado de  Segurança Coletivo (n. 91.0047783­4) ­ impetrado pela Associação dos  Produtores  de  Coca­Cola  do  Brasil  ­  tentara  suspender  o  executivo  fiscal, por três frentes: Reclamação junto ao Supremo Tribunal Federal  (Rcl  7.778),  esta  Medida  Cautelar  (MC  19.988/RJ)  e  Embargos  à  Execução na origem.   Em  1º.10.2012,  o  Ministro  Castro  Meira  deferiu  liminar  nesta  ação,  suspendendo  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.  À  época,  o  efeito  prático  do  decisum  fora,  sobretudo,  obstar  a  imediata  realização  de  hasta pública dos bens penhorados na Execução Fiscal.   No  STF,  o  Ministro  Gilmar  Mendes,  monocraticamente,  negou  seguimento  à  Reclamação  7.778.  Na  sequência,  o  Plenário,  sob  a  batuta  do  Ministro  Gilmar,  negou  provimento  ao  Agravo  Regimental  protocolado,  fixando não ser possível  à empresa aproveitar a decisão  proferida  no  mandamus  coletivo  da  Associação  dos  Produtores  de  Coca­Cola:   "a coisa julgada em sede desta demanda coletiva abrange apenas os  substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  julgador  do  Mandado de Segurança Coletivo n. 91.0047783­4".   A devedora, assim, não possuiria coisa  julgada a  seu  favor,  porque a  Suprema  Corte  respeitara  o  art.  2º­A  da  Lei  n.  9.494/97  no  que  modificara a redação do art. 16 da Lei n. 7.347/85. Vamos à ementa do  acórdão:   1. Agravo Regimental em Reclamação.   2.  Ação  coletiva.  Coisa  julgada.  Limite  territorial  restrito  à  jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985.   3. Mandado de  segurança  coletivo  ajuizado  antes  da modificação  da  norma.  Irrelevância.  Trânsito  em  julgado  posterior  e  eficácia  declaratória da norma.   4.  Decisão  monocrática  que  nega  seguimento  a  agravo  de  instrumento.  Art.  544,  §  4º,  II,  "b",  do  CPC.  Não  ocorrência  de  efeito  substitutivo  em  relação  ao  acórdão  recorrido,  para  fins  de  atribuição  de  efeitos  erga  omnes,  em  âmbito  nacional,  à  decisão  proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da  lei que impõe limitação territorial.   5. Agravo regimental a que se nega provimento.   (Rcl  7.778 AgR,  Relator(a):  Min. GILMAR MENDES,  Tribunal  Pleno,  julgado  em 30/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe­ 094 DIVULG 16­05­2014 PUBLIC 19­05­2014).   Depois  dessa  manifestação  do  STF,  os  Embargos  à  Execução  foram  julgados  improcedentes,  na 9ª Vara de Execuções Fiscais de Ribeirão  Preto  (SP),  na  linha  da  sentença  em  anexo.  A  UNIÃO  (Fazenda  Fl. 713DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 707          21 Nacional)  fora  intimada  dessa  sentença  em  13.4.2015  (há  um  mês,  portanto).   Nesse panorama, Excelência, não tendo a empresa aderido a qualquer  Parcelamento  (ou  reabertura  de  Parcelamentos  anteriores),  considerando  a  natureza  precária  das  liminares,  quer  parecer  que  a  liminar deferida nesta ação perdeu, por completo, suas circunstâncias e  sua essência, merecendo revogação.   Com  efeito,  a  continuidade  da  Execução  Fiscal,  no  juízo  de  primeiro  grau,  a  par  da  rejeição  dos Embargos  inclusive,  é  repercussão  quase  automática da decisão do Supremo Tribunal.   Por  deferência  a  essa Corte  Superior,  entretanto,  a UNIÃO  (Fazenda  Nacional)  compreende  que  haveria  maior  segurança  jurídica  na  cassação do efeito suspensivo conferido ao Recurso Especial da grande  devedora,  para  que  nenhuma  dúvida  paire  quanto  ao  legítimo  prosseguimento da cobrança, em Ribeirão Preto (a propósito, esta é a  maior execução daquela unidade da PGFN!).   Como Vossa Excelência ainda está por julgar o mérito desta Cautelar,  esta  petição  é  oportuna  e  tempestiva,  para  informá­lo  dos  desdobramentos  de  cenário  desde  a  Contestação  apresentada  pela  UNIÃO (Fazenda Nacional), em 25.10.2012.   Nesses  termos,  pedimos,  uma  vez mais,  a  revogação  da  liminar  e,  no  mérito, a improcedência da Medida Cautelar.   A contribuinte, por sua vez, veio aos autos para informar que não houve  qualquer alteração na moldura fática nem jurídica que justifique a perda da  eficácia da respectiva medida liminar.   Assevera que a decisão da Suprema Corte foi proferida anteriormente à  decisão do Ministro Castro Meira e que aquela, além de não ser definitiva  (pendem  de  julgamento  os  embargos  de  declaração),  não  adentrou  no  mérito da controvérsia, haja vista que negou seguimento à reclamação.   Alega  que  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  corre  no  sentido  de  que  a  limitação  prevista  no  art.  2º­A  da  Lei  n.  9.494/97,  introduzido  pela  MP n. 1.798­1/99, somente é aplicável às ações coletivas ajuizadas após a  sua entrada em vigor (ou seja, após 11/2/1999).   Aduz  que  esta Corte  já  reconheceu  o  direito  de  outro  associado  e  do  próprio  insurgente  de  se  beneficiar  da  coisa  julgada  formada  no MSC  n.  91.0047783­4  (REsp  1.295.383­BA, Rel. Min.  Benedito Gonçalves,  e REsp  1.117.887­SP, Rel. Min. Castro Meira).   Por  fim,  argumenta  ser  imprescindível  a manutenção da  liminar para  evitar  a  expropriação  de  bens  da  requerente,  em  razão  da  sentença  de  improcedência proferida nos embargos que determinou o prosseguimento da  execução fiscal, pelo que requer seja mantida a liminar, com a consequente  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  objeto  da  EF  n.  2008.61.02.011379­1.   Decido.   Pela  leitura  de  todo  o  processado,  sobretudo  das  recentes  petições  e  dos  documentos  juntados  aos  autos  pelas  partes,  quer  me  parecer  que  o  prosseguimento  da  execução  fiscal  ofende  a  autoridade  da  decisão  desta  Corte, a qual deferiu a liminar na medida cautelar para "para atribuir efeito  suspensivo ao recurso especial e obstar a exigibilidade do crédito fiscal em  questão, cancelando­se o leilão público" (e­STJ, fl. 1.251).   Fl. 714DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 708          22 Veja­se:  não  só  determinou  o  cancelamento  do  leilão  que  estava  por  vir,  bem  como  foi  peremptório  na  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  o  que  acarretaria  na  suspensão  da  execução  fiscal.  No  ponto,  vale conferir a jurisprudência da Casa:   [...]  Não houve, a meu ver, alteração fática ou jurídica que tenha levado à  perda da eficácia da respectiva medida liminar.   Os  recursos  especiais  vinculados  à  presente medida  ainda  não  foram  julgados  ­  serão  analisados  em  data  próxima  ­  e  a  jurisprudência  do  Superior Tribunal de Justiça permanece hígida no posicionamento de que a  limitação  contida  no  art. 2º­A,  caput,  da Lei  n.  9.494/97,  introduzido  pela  MP n. 1.798­1/99 (a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator"),  não  pode  ser  aplicada  aos  casos  em  que  a  ação  coletiva  foi  ajuizada  antes  da  entrada  em  vigor  do  mencionado  dispositivo  (no  caso,  a  ação  mandamental  coletiva  data  de  14/8/91), sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações.   Nessa direção:   [...]  Por outro lado, a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na  Rcl 7.778/SP não revogou o decisório emitido pelo Ministro Castro Meira,  na  medida  em  que  entendeu  aquela  augusta  Corte  pela  negativa  de  seguimento  à  reclamação,  por  inexistir  decisão  com  autoridade  de  coisa  julgada que tenha sido descumprida.   É  certo  que  Sua  Excelência  o  Ministro  Gilmar  Mendes  teceu  considerações  sobre  o  alcance  da  coisa  julgada  formada  na  demanda  coletiva,  concluindo  que  "o  fato  de  o  MSC  n.  91.0047783­4  ter  sido  impetrado  antes  da  mudança  legislativa  não  tem  o  condão  de  mudar  os  limites  territoriais  da  coisa  julgada  em  sede  desta  demanda  coletiva,  isso  porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites  da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era  definida  pela  Constituição.  Ademais,  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  proferida  na  ação  coletiva  ocorreu  já  sob  a  égide  do  art.  2º­A  da  Lei  n.  9.494/1997" (e­STJ, fl. 1.349).   Entretanto, salvo melhor juízo, o argumento de reforço empregado pelo  eminente  Ministro  da  Suprema  Corte  não  é  determinante,  à  vista  do  dispositivo  da  decisão  (descabimento  da  reclamação).  Como  asseverou  o  Procurador­Geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barros, em sua  manifestação,  "o  Relator,  embora  tenha  adentrado  a  questões  afetas  ao  mérito da demanda, assim o fez como obiter dictum. É dizer, ao votar pelo  desprovimento  do  regimental  para manter decisão,  não  de  improcedência,  mas de negativa de seguimento à reclamação,  infere­se que o fundamento,  autônomo  e  suficiente  para  tanto,  foi  o  entendimento  de  inexistir  decisão  dessa Corte Suprema com autoridade de coisa julgada a ser protegida pela  via eleita" (e­STJ, fl. 1.471).   Assim, sem desrespeitar a decisão do Supremo, merece prestígio, por  ora,  a  jurisprudência  sedimentada  desta  Corte  (inclusive  sob  a  égide  do  art. 543­C do CPC) de que o art. 2º­A da Lei n. 9.494/97 somente pode ser  aplicado nas hipóteses  em que a ação  tenha sido ajuizada depois da  sua  vigência e desde que essa limitação conste do comando judicial.   Fl. 715DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 709          23 Ante  o  quadro  que  se  desenhou  e  a  vultosa  quantia  envolvida,  seria  ônus  desproporcional  determinar  a  sujeição  da  contribuinte  ao  prosseguimento  da  execução  fiscal  antes  do  desfecho  da  controvérsia,  valendo  gizar  que  informações  complementares  noticiam  que  o  Fisco  já  requereu a penhora on­line de ativos financeiros da executada na ordem de  R$  300.000.000,00  (trezentos  milhões  de  reais),  além  do  leilão  de  vários  imóveis penhorados.   Por  todo  o  exposto,  faz­se  necessária,  mesmo  por  prudência,  seja  ratificada a decisão liminar anteriormente concedida, inclusive a suspensão  da  EF  2008.61.02.011379­1  (011379­62.2008.4.03.6102),  que  tramita  perante  a  9ª  Vara  Federal  da  Subseção  Judiciária  de  Ribeirão  Preto,  até  ulterior decisão desta Corte.   Publique­se. Intimem­se.   Comunique­se, com urgência.   Brasília (DF), 03 de junho de 2015.   MINISTRO OG FERNANDES Relator  (grifos nossos)  De  fato,  não  obstante  a  decisão  do  STF  que  negou  provimento  no Agravo  Regimental  na  Reclamação  nº  7.778­SP,  subsiste  a  decisão  do  STJ  proferida  na  Medida  Cautelar  nº  19.988/RJ,  mas  unicamente  no  sentido  de  suspender  a  execução  fiscal  nº  2008.61.02.011379­1  em  face  da  pessoa  jurídica  Companhia  de  Bebidas  Ipiranga,  doravante  Rio  de  Janeiro  Refrescos  Ltda..  De  se  concluir,  pois,  que  não  há  nenhum  provimento jurisdicional que alicerce o entendimento da interessada ­ Spal Indústria Brasileira  de Bebidas S.A. ­ no sentido de que "o acórdão proferido no referido AI não está produzindo  efeitos  em  razão  da  decisão  proferida  na  Medida  Cautelar  (MC)  n°  19.988  pelo  STJ  que  reconheceu o alcance do MSC em todo o território nacional".   A  interessada também defende que a jurisprudência do STJ é no sentido de  que  a  coisa  julgada  objeto  do  MSC  abrange  todo  o  território  nacional.  Cita  o  REsp  nº  1.295.383­BA, relatado pelo Min. Benedito Gonçalves, em que foi invocado, "como razão de  decidir,  o  acórdão  proferido  no REsp  n°  1.243.887­PR,  de  que  foi  relator  o Ministro  LUIS  FELIPE SALOMÃO,  julgado à sistemática de recursos repetitivos, nos  termos do art. 543­C  do CPC, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a limitação prevista no art. 2°­A da Lei  n°  9.494,  de  10.09.1997,  introduzido  pela MP  n°  1.798­1/99,  somente  é  aplicável  às  ações  coletivas  ajuizadas  após  a  sua  entrada  em  vigor,  ou  seja,  ajuizadas  após  11.02.1999".  Tal  entendimento,  afirma,  deveria  obrigatoriamente  ser  adotado  por  este  CARF  em  vista  do  disposto no artigo 62­A de seu Regimento Interno.   Não obstante, o acórdão proferido no REsp n° 1.243.887­PR, invocado como  razão de decidir no REsp nº 1.295.383­BA, trata de questão distinta da que ora se examina, eis  que,  naquela  ocasião,  o  que  se  discutiu  foi  se  haveria  limitação  territorial  concernente  aos  efeitos de uma sentença genérica proferida em ação civil coletiva em que o provimento judicial  fora  dado,  explicitamente,  quanto  a  unidade  da  federação  fora  da  competência  territorial  limitativa do exercício da jurisdição. Portanto, por não se aplicar ao caso presente, o precedente  jurisprudencial não vincula este CARF.   Para  não  deixar  nenhuma  dúvida,  transcrevo,  abaixo,  trecho  do  voto  do  e.  relator Min.  Benedito  Gonçalves  no  REsp  nº  1.295.383­BA,  em  que  o  mesmo  adota  como  razões de decidir o entendimento o i. Min. Luís Felipe Salomão no REsp n° 1.243.887­PR:  Fl. 716DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 710          24 [...]  Não  obstante,  quanto  ao  mérito,  a  pretensão  recursal  merece  prosperar,  porquanto  acolhida  pelo  entendimento  jurisprudencial  do  STJ,  recentemente sedimentado pela Corte Especial, no regime do art. 543­C do  Código de Processo Civil ­ CPC. Eis a ementa do recurso repetitivo:   DIREITO  PROCESSUAL.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA  (ART.  543­C,  CPC).  DIREITOS  METAINDIVIDUAIS.  AÇÃO  CIVIL  PÚBLICA.  APADECO  X  BANESTADO.  EXPURGOS  INFLACIONÁRIOS.  EXECUÇÃO/LIQUIDAÇÃO INDIVIDUAL. FORO COMPETENTE.  ALCANCE  OBJETIVO  E  SUBJETIVO  DOS  EFEITOS  DA  SENTENÇA  COLETIVA.  LIMITAÇÃO  TERRITORIAL.  IMPROPRIEDADE. REVISÃO JURISPRUDENCIAL. LIMITAÇÃO  AOS  ASSOCIADOS.  INVIABILIDADE.  OFENSA  À  COISA  JULGADA.   1. Para efeitos do art. 543­C do CPC:   1.1.  A  liquidação  e  a  execução  individual  de  sentença  genérica  proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio  do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão  circunscritos  a  lindes  geográficos,  mas  aos  limites  objetivos  e  subjetivos  do  que  foi  decidido,  levando­se  em  conta,  para  tanto,  sempre  a  extensão  do  dano  e  a  qualidade  dos  interesses  metaindividuais postos em juízo (arts. 468, 472 e 474, CPC e 93 e 103,  CDC).   1.2. A sentença genérica proferida na ação civil coletiva ajuizada pela  Apadeco,  que  condenou  o  Banestado  ao  pagamento  dos  chamados  expurgos  inflacionários  sobre  cadernetas  de  poupança,  dispôs  que  seus  efeitos  alcançariam  todos  os  poupadores  da  instituição  financeira  do Estado do Paraná.  Por  isso  descabe  a  alteração  do  seu  alcance  em  sede  de  liquidação/execução  individual,  sob  pena  de  vulneração  da  coisa  julgada.  Assim,  não  se  aplica  ao  caso  a  limitação contida no art. 2º­A, caput, da Lei n. 9.494/97.   2. Ressalva de fundamentação do Ministro Teori Albino Zavascki.   3. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido   (REsp  1243887/PR,  Rel.  Ministro  LUIS  FELIPE  SALOMÃO,  CORTE ESPECIAL, DJe 12/12/2011).   Na  fundamentação,  o  Ministro  Luís  Felipe  Salomão  ponderou  o  seguinte:   [...] Tal interpretação, uma vez mais, esvazia a utilidade prática  da  ação  coletiva,  mesmo  porque,  cuidando­se  de  dano  de  escala  nacional ou  regional,  a ação somente pode ser proposta na capital dos  Estados  ou  no  Distrito  Federal  (art.  93,  inciso  II,  CDC).  Assim,  a  prosperar a tese do recorrente, o efeito erga omnes próprio da sentença  estaria  restrito  às  capitais,  excluindo  todos  os  demais  potencialmente  beneficiários da decisão.   A  bem  da  verdade,  o  art.  16  da  LACP  baralha  conceitos  heterogêneos ­ como coisa julgada e competência territorial ­ e induz a  interpretação, para os mais apressados, no sentido de que os "efeitos" ou  a "eficácia" da sentença podem ser limitados territorialmente, quando se  sabe, a mais não poder, que coisa julgada ­ a despeito da atecnia do art.  467 do CPC ­ não é "efeito" ou "eficácia" da sentença, mas qualidade  que a ela se agrega de modo a torná­la "imutável e indiscutível".   É certo também que a competência territorial limita o exercício  da jurisdição e não os efeitos ou a eficácia da sentença, os quais, como é  Fl. 717DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 711          25 de  conhecimento  comum,  correlacionam­se  com  os  "limites  da  lide  e  das  questões  decididas"  (art.  468, CPC)  e  com as  que  o  poderiam  ter  sido  (art.  474,  CPC)  ­  tantum  judicatum,  quantum  disputatum  vel  disputari debebat.   A  apontada  limitação  territorial  dos  efeitos  da  sentença  não  ocorre nem no processo singular, e também, com mais razão, não pode  ocorrer  no  processo  coletivo,  sob  pena  de  desnaturação  desse  salutar  mecanismo de solução plural das lides.   A  prosperar  tese  contrária,  um  contrato  declarado  nulo  pela  justiça  estadual  de  São  Paulo,  por  exemplo,  poderia  ser  considerado  válido no Paraná; a sentença que determina a reintegração de posse de  um imóvel que se estende a território de mais de uma unidade federativa  (art.  107,  CPC)  não  teria  eficácia  em  relação  a  parte  dele;  ou  uma  sentença  de  divórcio  proferida  em  Brasília  poderia  não  valer  para  o  judiciário mineiro, de modo que ali as partes pudessem ser consideradas  ainda casadas, soluções, todas elas, teratológicas.   A questão principal, portanto, é de alcance objetivo ("o que" se  decidiu)  e  subjetivo  (em  relação  "a  quem"  se  decidiu),  mas  não  de  competência territorial.   Pode­se  afirmar,  com  propriedade,  que  determinada  sentença  atinge  ou  não  esses  ou  aqueles  sujeitos  (alcance  subjetivo),  ou  que  atinge ou não essa ou aquela questão fático­jurídica (alcance objetivo),  mas é errôneo cogitar­se de sentença cujos efeitos não são verificados, a  depender do território analisado.   [...]   Portanto,  se  o  dano  é  de  escala  local,  regional  ou  nacional,  o  juízo  competente  para  proferir  sentença,  certamente,  sob  pena  de  ser  inócuo o provimento,  lançará mão de comando capaz de  recompor ou  indenizar  os  danos  local,  regional  ou  nacionalmente,  levados  em  consideração,  para  tanto,  os  beneficiários  do  comando,  independentemente de limitação territorial.   (grifos nossos)  Superada  a questão discutida no STJ no  âmbito do REsp nº 1.295.383­BA,  penso que deve ser dado à situação o mesmo entendimento adotado pelo Min. Gilmar Mendes  que negou provimento no Agravo Regimental na Reclamação nº 7.778­SP, onde se  concluiu  que o provimento  judicial exarado no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783­4  teve  seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, não alcançando, pois,  a autuada.   Dada sua relevância para a lide transcrevo, abaixo, trecho do voto do e. Min.  Gilmar Mendes, relator do acórdão referenciado:    [...]    Pelo que percebo, o art.  16 da Lei nº 7.347, de 24 de  julho de 1985,  inserido  pelo  art.  2º­A  da  Lei  nº  9.494,  de  10  setembro  de  1997,  compatibiliza­se  com  o  atual  sistema  jurídico  pátrio,  na  medida  em  que  preserva  a  higidez  relativa  à  competência  jurisdicional  de  cada  órgão  do  Poder Judiciário, evitando, destarte, uma conhecida deficiência oriunda do  processo  de  natureza  coletiva  que  dava  ensejo  a  inúmeras  distorções,  quando  permitia, v.  g.,  que  juízes  de  piso  se  investissem  de  uma pretensa  “jurisdição nacional”.  Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 712          26    Não  obstante  as  censuras  já  emitidas  por  esta Corte  acerca  do mau  uso  das  ações  coletivas,  inclusive  como  instrumento  de  controle  de  constitucionalidade  com  efeitos  erga  omnes,  persistiram  as  tentativas  de  conferir eficácia universal às decisões liminares ou às sentenças emanadas  pelos juízes de primeiro grau.     Sensível  não  só  a  essa  realidade,  mas  também  ao  risco  iminente  de  lesão  irreparável  ao  Patrimônio  Público,  é  que  o  art.  2º­A  da  Lei  nº  9.494/1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347/1985, trouxe a tempestiva  limitação  geográfica  para  o  provimento  judicial,  estabelecendo  sua  força  apenas no território do órgão prolator.    Registre­se,  ainda,  que  o  fato  de  o  MSC  nº  91.0047783­4  ter  sido  impetrado  antes  da  mudança  legislativa  não  tem  o  condão  de  mudar  os  limites  territoriais  da  coisa  julgada  em  sede  desta  demanda  coletiva,  isso  porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites  da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era  definida  pela  Constituição.  Ademais,  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  proferida  na  ação  coletiva  ocorreu  já  sob  a  égide  do  art.  2º­A  da  Lei  nº  9.494/1997.     A agravante sustenta, também, que a decisão proferida no AI 252.801,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio,  decisão  monocrática,  DJ  19.11.1999,  teria  irradiado  efeito  substitutivo  em  relação  à  proferida  nos  autos  do MSC  nº  91.0047783­4.     Pretende­se,  portanto,  a  atribuição  de  eficácia  nacional  à  decisão,  tendo em vista o julgamento monocrático de um agravo de instrumento por  esta Suprema Corte.     Ocorre  que  o  art.  2º­A  da  Lei  9.494  aduz  expressamente  que  “a  sentença  civil  prolatada  em  ação  de  caráter  coletivo  proposta  por  entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação,  domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”.     Assim,  o  limite  da  territorialidade  pretende  demarcar  a  área  de  produção  dos  efeitos  da  sentença,  tomando  em  consideração  o  território  dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos  feitos.     Se  se  permitisse  que  a  interposição  de  um  recurso  a  um  órgão  com  jurisdição  nacional  tivesse  o  condão  de  alterar  essa  realidade,  sempre  haveria legítimo interesse recursal da parte, mesmo quando já tivesse o seu  pedido julgado procedente, pois restaria a possibilidade de se estenderem os  efeitos desse julgado a todo o território nacional.     Nitidamente,  esse  não  foi  o  objetivo  da  lei  e  não  se  pode  admitir  desvirtuamento.     Esclareço, ainda, que o mencionado agravo de instrumento foi julgado  monocraticamente, com base no art. 544, § 4º, II, b, do CPC segundo o qual  compete  ao  relator  “negar  seguimento  ao  recurso  manifestamente  inadmissível,  prejudicado  ou  em  confronto  com  súmula  ou  jurisprudência  dominante no tribunal”.     Assim,  não  houve  apreciação  da  questão  constitucional  por  este  Plenário no julgamento do agravo de instrumento; o recurso simplesmente  não  foi  admitido  porque  estaria  em  confronto  com  a  jurisprudência  desta  Corte à época.   Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 713          27   Desse modo, não colhe êxito a pretensão da recorrente também nesse  ponto.     Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.     É como voto.  (os grifos em sublinhado não constam do original)  Vale lembrar que o acórdão em tela, não obstante ainda carecer do exame dos  embargos  de  declaração  interpostos  pela  agravante  (Companhia  de  Bebidas  Ipiranga),  foi  proferido  pelo pleno do STF  especificamente para  o  caso dos  autos,  e  ainda,  que  referido  entendimento não trata de outra coisa senão da necessidade de aplicação de preceito legal que  não  pode  ser  afastado  por  esta  instância  administrativa,  qual  seja,  o  artigo  2º­A  da  Lei  nº  9.494/97, segundo o qual "a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por  entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá  apenas os substituídos que  tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da  competência territorial do órgão prolator".  Diante do exposto, e considerando que a  recorrente não está  tutelada pela  decisão de que trata o MSC nº 91.0047783­4, passo a examinar as demais questões objeto do  recurso.  Da decadência parcial do lançamento   A recorrente defende que, na data da ciência do auto de infração (28/11/2014)  já  teria  decaído  o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos anteriormente a 28/11/2009. Ressalta que o acórdão nº 9303­001.658, da CSRF,  já  teria pacificado entendimento no sentido de que, para fins de aplicação do art. 124 do RIPI/02,  bastaria a simples existência de saldo credor, glosado ou não, para caracterizar o pagamento, e  que isso seria suficiente para demonstrar "configurado o pagamento do contribuinte para fins  de IPI e, pois, resta caracterizado o lançamento por homologação previsto no art. 150, § 4°,  do CTN". Ressalta ainda que "à época em que foi realizado o creditamento, os créditos de IPI  decorrentes  de  aquisições  de  insumos  isentos  oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus  eram  admitidos".  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, especialmente às e­fls. 23/25,  o dies a quo para a contagem do prazo decadencial  foi estabelecido com base no artigo 173,  inciso  I, do CTN, "tendo em vista que não constam pagamentos do IPI no referido período"  (ver e­fls. 25).   No  entanto,  segundo  o  artigo  124,  parágrafo  único,  inciso  III,  do  Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), é admitida como pagamento "a dedução  dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a  recolher". Confira­se:  Art.  124.  Os  atos  de  iniciativa  do  sujeito  passivo,  no  lançamento  por  homologação,  aperfeiçoam­se  com  o  pagamento  do  imposto  ou  com  a  compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de  qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172,  de  1966,  art.  150  e  §  1º,  Lei  nº  9.430,  de  1996,  arts.  73  e  74,  e Medida  Provisória nº 66, de 2002, art. 49).  Parágrafo único. Considera­se pagamento:  Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 714          28 I  ­  o  recolhimento  do  saldo  devedor,  após  serem  deduzidos  os  créditos  admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto;  II ­ o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou  não créditos a deduzir; ou  III  ­  a  dedução  dos  débitos,  no  período  de  apuração  do  imposto,  dos  créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.  (grifei)  Ademais,  como  ressaltou  a  recorrente,  conforme o  acórdão CSRF nº  9303­ 001.658, a apuração de  saldo credor do IPI  equipara­se a pagamento,  o que, em  tais casos,  remete a contagem do prazo decadencial nos termos do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN.   Nessa toada, e com base no demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal  realizada  pela  fiscalização,  e­fls.  29/30,  constata­se  que  houve  sim  a  contabilização  de  créditos do imposto em todos os períodos abrangidos pelo lançamento (ver coluna "crédito  devido").  Logo,  tendo ocorrido pagamento  antecipado ou  crédito  equivalente,  a  regra  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  deverá  ser  estabelecida  segundo  o  disposto  no  artigo  150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador.   Portanto,  considerando  que  ciência  do  auto  de  infração  se  deu  em  28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda Pública constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento  relativamente  aos  períodos  com  datas  de  vencimento  anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses de janeiro, fevereiro e março de 2009.  Acolhe­se, assim, a tese da decadência parcial defendida pelo sujeito passivo,  reconhecendo­se  como  definitivamente  extinto,  pela  decadência,  o  direito  de  a  Fazenda  Nacional constituir o crédito tributário quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março  de 2009.  Há, portanto, que se afastar a exigência relativamente aos períodos em tela.  Da competência da Receita Federal para fiscalizar a  isenção objeto dos  autos  Em  seu  recurso,  alega  a  autuada  que  a  SUFRAMA  teria  competência  exclusiva  para  conceder  o  benefício  previsto  no  artigo  6º  do  Decreto­Lei  nº  1.435/75,  bem  como para determinar e administrar quaisquer questões inerentes ao referido beneficio, a teor  do  disposto  nos  artigos  1°,  VI  e  4º,  I,  "c",  ambos  do  Anexo  I  do  Decreto  n°  7.139,  de  29/03/2010,  c/c  a Resolução CAS nº  202/2006. Assim,  uma vez  concedido  o  benefício  pela  SUFRAMA, o Fisco não teria competência para desconsiderar aludido ato concessório, como,  afirma,  já  entendera  a  CSRF  (acórdão  nº  9303­002.664,  de  14/11/2013,  e  acórdão  nº  9303­ 002.293,  de  18/06/2013). Defende  que  os  atos  emanados  da  SUFRAMA  "trazem  consigo  a  presunção de legitimidade, veracidade e legalidade, ou seja, de que nasceram e encontram­se  em conformidade com o ordenamento jurídico".  De  fato,  a  SUFRAMA  tem,  sim,  competência  para  a  administração  e  concessão de incentivos fiscais no âmbito de sua área de atuação, como, aliás, estabelecem os  artigos 1°,  inciso VI, e 4º,  inciso  I, "c", do Anexo I ao Decreto n° 7.139, de 29/03/2010. No  entanto, a competência atribuída à SUFRAMA, inclusive de fiscalizar os projetos de empresas  Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 715          29 que  objetivem  usufruir  dos  benefícios  fiscais  de  que  trata  (4º,  inciso  I,  "c"  do  Decreto  n°  7.139/2010),  não  impede  a  Receita  Federal  de  investigar  o  fiel  cumprimento  dos  requisitos  definidos pela SUFRAMA, no âmbito de sua competência.  Com  efeito,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  a  despeito  de  não  possuir  ingerência quanto aos critérios objetivos e  subjetivos de competência da SUFRAMA  para a concessão dos incentivos fiscais de sua alçada ­ pode fiscalizar o fiel cumprimento das  condições  delineadas  pela  citada  Superintendência  necessárias  ao  gozo  da  isenção.  A  competência  para  a  fiscalização  do  IPI  está  explicitada,  por  exemplo,  no  artigo  505  do  Regulamento do IPI ora vigente (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010), e é exercida pelo Auditor­ Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  conforme  artigo  507,  parágrafo  único,  do  mesmo  Regulamento.  Tal  disciplina,  que  repete  a  regra  dos  regulamentos  do  imposto  outrora  vigentes,  encontra  fundamentação  legal  nas Leis  nos  5.172/66  (CTN),  4.502/64  (que  trata  do  Imposto sobre o Consumo) e na Lei nº 11.457/07, que alterou o artigo 6º da Lei nº 10.593/02  inerente  às  atribuições privativas do Auditor­Fiscal para,  dentre outras,  "constituir, mediante  lançamento,  o  crédito  tributário  e  de  contribuições"  e  "executar  procedimentos  de  fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica [...]" (ver artigo 9° da Lei nº  11.457/07, que alterou o artigo 6º da Lei nº 10.593/02).   Cite­se,  por  fim,  o  disposto  no  inciso  XVIII  do  artigo  37  da  Constituição  Federal, que concede à "administração fazendária" e aos "seus servidores fiscais", "dentro de  suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos,  na forma da lei".  Enfim,  não  se  trata,  no  caso,  de  desconsideração,  pela  Receita  Federal,  de  benefício  concedido  pela  SUFRAMA,  mas  apenas  do  exame  da  adequação  dos  fatos  aos  limites delineados por este órgão para o gozo da isenção fiscal condicionada, no exercício da  competência legítima que tem o fisco para examinar o benefício em tela.   Da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada  Conforme  relatado,  a  fiscalização  glosou  créditos  do  IPI  inerentes  ao  incentivo  fiscal  instituído  pelo  art.  6º,  caput  e  parágrafo  1º,  do Decreto­lei  n°  1.435/75,  em  vista  da  constatação  de  que  parte  dos  produtos  não  foram  elaborados  com matérias­primas  agrícolas e extrativas vegetais regionais, mas sim com açúcar e/ou álcool produzidos na região  e  utilizados  por  fornecedor  da  interessada,  a  Recofarma,  na  fabricação  do  concentrado  adquirido.  É  o  que  está  explicitado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  e­fls.  16/27,  especialmente nos seus itens 10 e 11, que reproduzo abaixo:  5.  Tendo  em  vista  que  a  maior  parte  dos  créditos  aproveitados  pelo  contribuinte são referentes aos insumos fornecidos pela empresa Recofarma  Indústria  do  Amazonas  Ltda.,  e  que  tais  insumos  gozam  do  benefício  da  isenção, constatamos a necessidade de intimação da referida empresa para  verificarmos o fiel cumprimento dos dispositivos legais que versam sobre o  benefício fiscal.   [...]   Fl. 722DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 716          30 8. Em 25/09/2014, através do Termo de Diligência Fiscal – 02, a Recofarma  foi  intimada  a  informar  quais  são  os  insumos  utilizados  na  produção  dos  concentrados  comercializados  com a empresa Spal  Indústria Brasileira de  Bebidas  S/A,  que  são  considerados  como  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  devendo  informar  também  a  origem dos produtos utilizados.   9. Em sua resposta, apresentada em 13/10/2014, a Recofarma informou que:  “No que se refere às matérias primas empregadas em cada concentrado, a  Requerente  informa  que  o  Demonstrativo  de  Coeficiente  de  Redução  do  Imposto  de  Importação  (DCRE),  também  já  apresentado  a  presente  fiscalização  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  de Diligência  Fiscal  01,  contém  a  relação  de  todos  os  insumos  utilizados,  sejam  importados  ou  nacionais,  e  neste  último  caso,  aqueles  produzidos  a  partir  de  produtos  agrícolas regionais na Amazônia, ficando explicitado que estes últimos são:     A  cana de  açúcar,  utilizada  para  a  produção do  caramelo,  do  álcool  neutro e do ácido cítrico:     A semente de guaraná, utilizada na produção do respectivo extrato.   Note­se  que,  pelo  exame  das  referidas  DCREs,  vê­se  que,  em  todos  e  em  cada um dos concentrados, há alguns desses componentes nacionais obtidos  pela  utilização  de  matéria­prima  regional,  fornecidos  pela  Agropecuária  Jayoro  Ltda.,  agroindústria  localizada  no  Município  de  Presidente  Figueiredo – AM.”   10.   Da  análise  dos  documentos  apresentados  pela  diligenciada  [Recofarma],  verificamos  que:  Conforme  sua  resposta,  datada  em  13/10/2014,  os  produtos  agrícolas  regionais  utilizados  na  elaboração  dos  concentrados fornecidos para a Spal Indústria Brasileiras de Bebidas S/A  são:  a  cana de  açúcar,  utilizada  para  a  produção do  caramelo,  do  álcool  neutro e do ácido cítrico, e a semente de guaraná, utilizada na produção do  respectivo  extrato.  No  entanto,  mediante  análise  dos  Demonstrativos  de  Coeficiente  de  Redução  do  Imposto  de  Importação  –  DCREs,  onde  são  relacionados  os  componentes  nacionais  e  internacionais  utilizados  na  elaboração  dos  referidos  concentrados,  verificamos  que  apenas  no  concentrado  de  guaraná  consta  a  utilização  de  um  dos  dois  produtos  agrícolas de produção  regional  informados pela diligenciada, qual  seja, a  semente  de  guaraná.  Nos  demais  concentrados,  constatamos  apenas  a  utilização de componentes industrializados, inclusive o caramelo, o álcool  neutro  e  o  ácido  cítrico,  obtidos  a  partir  da  industrialização  da  cana  de  açúcar  e  fornecidos  pela  empresa Agropecuária  Jayoro Ltda.  [localizada  no  município  de  Presidente  Figueiredo  ­  AM],  conforme  informou  a  diligenciada.  11.   Os  dispositivos  legais  supramencionados  no  item  3.2,  tratam  do  benefício da isenção destinado ao produto (isenção objetiva), uma vez que a  norma legal estatui, expressamente, a isenção para os produtos elaborados  com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional.  Apenas esses produtos, originados de matérias­primas agrícolas é que estão  aptos a gerar créditos do IPI para o adquirente. Nenhum outro, ainda que  seja  produzido  por  estabelecimento  industrial  localizado  na  Amazônia  Ocidental, cujos projetos industriais tenham sido aprovados pelo Conselho  de Administração da SUFRAMA.   Fl. 723DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 717          31 12.  Verificamos,  portanto,  que  as  matérias­primas  utilizadas  pela  Recofarma  na  produção  dos  concentrados  para  refrigerantes,  exceto  no  concentrado  de  guaraná,  onde  é  utilizada  a  semente  de  guaraná,  são  produtos  industrializados  e  não  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais.  Ademais,  no  nosso  ordenamento  jurídico,  o  dispositivo  legal  que  dispõe  sobre  outorga  de  isenção,  a  saber,  CTN,  art.  111,  inciso  II,  estabelece  a  interpretação  literal  da  legislação  tributária.  Assim,  matéria  prima  agrícola  e  extrativa  vegetal  não  se  confunde  com  matéria­prima  industrializada.   13.   A  Resolução  da  SUFRAMA  n°  298,  de  11/12/2007,  apresentada  pela  Recofarma,  determina em  seu  art.  4°,  inciso  II,  que o  gozo  dos  incentivos  previstos no art. 6° do Decreto­lei n° 1435, de 16/12/75, está condicionado  a utilização de matéria­prima regional de origem vegetal na elaboração dos  produtos,  sob  pena  de  suspensão  ou  cancelamento  dos  incentivos  concedidos.    Como  se  vê,  a  glosa  foi  motivada  pelo  fato  de  a  fiscalização  não  haver  considerado como matéria prima agrícola e extrativa vegetal os insumos utilizados na produção  classificados  como  concentrados:  "componentes  industrializados,  inclusive  o  caramelo,  o  álcool  neutro  e  o  ácido  cítrico,  obtidos  a  partir  da  industrialização  da  cana­de­açúcar  e  fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.".  Quanto à Resolução da SUFRAMA n° 298, de 11/12/2007, esta aprovou "o  projeto  industrial  de  atualização  da  empresa  RECOFARMA  INDÚSTRIA  DO  AMAZONAS  LTDA., na Zona Franca de Manaus, na  forma do Parecer Técnico de Projeto Nº 224/2007­  SPR/CGPRI/COAPI  para  produção  de  CONCENTRADO  PARA  BEBIDAS  NÃO  ALCOÓLICAS, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9º do Decreto­lei nº 288,  de 28 de fevereiro de 1967, no Art. 6º do Decreto­lei Nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, e  legislação posterior e demais condições que estabelece".  Vê­se, portanto, que os produtos utilizados pela Spal Indústria Brasileira de  Bebidas S/A ­ a recorrente ­ em seu processo industrial, foram os concentrados fornecidos pela  Recofarma,  produtos  os  quais,  por  não  terem  sido  elaborados  com  "matérias­primas  agrícolas ou extrativas vegetais", não dão direito ao crédito do IPI na forma do artigo 6º  do Decreto­lei nº 1.435/75, abaixo reproduzido:  Art  6º.  Ficam  isentos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  os  produtos elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem pecuária,  por  estabelecimentos  localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto­lei nº 291, de 28  de fevereiro de 1967.  § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  calculado  como  se  devido  fosse,  sempre que empregados como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos  ao  pagamento  do  referido imposto.  § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicam­se, exclusivamente,  aos  produtos  elaborados  por  estabelecimentos  industriais  cujos  projetos  tenham sido aprovados pela SUFRAMA.  (grifos nossos)  Fl. 724DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 718          32 No mesmo sentido a decisão de primeira instância (v. e­fls. 569):  Em  síntese,  trata­se  de  benefício  isencional  destinado  ao  produto  [isenção  objetiva],  uma  vez  que  a  norma  legal  estatui,  expressamente,  a  isenção  para  os  produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional.  Somente  esses  produtos  estão  aptos a gerar créditos do IPI para o adquirente. Nenhum outro, ainda que  seja  produzido  por  estabelecimento  industrial  localizado  na  Amazônia  Ocidental, cujos projetos industriais tenham sido aprovados pelo Conselho  de Administração da SUFRAMA.   No curso da ação  fiscal,  foi verificado que a  fornecedora Recofarma  não  utiliza  matéria­prima  agrícola  ou  extrativa  vegetal  de  produção  regional  em  seu  processo  industrial,  mas,  apenas,  produtos  já  industrializados, fato que assim foi apontado no item 10 do TVF.   “10.  Da  análise  dos  documentos  apresentados  pela  diligenciada,  verificamos  que:  Conforme  sua  resposta,  datada  em  13/10/2014,  os  produtos agrícolas  regionais utilizados na elaboração dos concentrados  fornecidos para a Spal Indústria Brasileiras de Bebidas S/A são: a cana  de açúcar, utilizada para a produção do caramelo, do álcool neutro e do  ácido  cítrico,  e  a  semente  de  guaraná,  utilizada  na  produção  do  respectivo extrato. No entanto, mediante análise dos Demonstrativos de  Coeficiente de Redução do Imposto de Importação ­ DCREs, onde são  relacionados  os  componentes  nacionais  e  internacionais  utilizados  na  elaboração  dos  referidos  concentrados,  verificamos  que  apenas  no  concentrado  de  guaraná  consta  a  utilização  de  um  dos  dois  produtos  agrícolas de produção regional informados pela diligenciada, qual seja,  a semente de guaraná. Nos demais concentrados, constatamos apenas a  utilização  de  componentes  industrializados,  inclusive  o  caramelo,  o  álcool  neutro  e  o  ácido  cítrico,  obtidos  a  partir  da  industrialização  da  cana  de  açúcar  e  fornecidos  pela  empresa  Agropecuária  Jayoro  Ltda.,  conforme informou a diligenciada.”   A  norma  isentiva  abrange,  como  visto,  tão­somente  produtos  elaborados  com  MATÉRIAS­PRIMAS  AGRÍCOLAS  E  EXTRATIVAS  VEGETAIS. Não é o caso do concentrado, que utiliza como matéria­prima  PRODUTO INDUSTRIALIZADO. Considerando que o art. 111,  inc.  II, do  CTN,  estabelece  a  interpretação  literal  da  legislação  tributária  que  disponha  sobre  outorga  de  isenção,  está  correto  o  entendimento  adotado  pela fiscalização ao glosar os créditos correspondentes.   (grifos nossos)  No  mesmo  diapasão  o  recente  acórdão  deste  CARF  nº  3302­002.918  (processo nº 10320.000824/2010­09), da relatoria do i. relator José Fernandes do Nascimento,  em que também foi descartada a possibilidade de gozo ao crédito ficto do IPI pela aquisição de  concentrados  para  refrigerantes  produzidos  pela  Recofarma,  em  vista  da  não  utilização  de  "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Ademais, no referido  acórdão é igualmente citado um segundo precedente jurisprudencial deste Conselho ­ também  inerente ao uso de concentrados para refrigerantes industrializados pela Recofarma ­ no mesmo  sentido (acórdão nº 3302­001.790, relator cons. José Antonio Francisco).  Com efeito, diante do disposto no artigo 6º do Decreto­lei nº 1.435/75, só se  cogita  de  direito  ao  crédito  do  IPI  quanto  a  "produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas e extrativas vegetais de produção regional" empregados como insumos de produtos  sujeitos ao pagamento do imposto, em qualquer parte do território nacional.   Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 719          33 Art  6º.  Ficam  isentos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  os  produtos elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem pecuária,  por  estabelecimentos  localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto­lei nº 291, de 28  de fevereiro de 1967.  § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  calculado  como  se  devido  fosse,  sempre que empregados como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos  ao  pagamento  do  referido imposto.  Como  se  vê,  na  norma  isentiva  referenciada,  o  termo  "matérias­primas"  não  se  encontra  de  forma  isolada,  mas  associado  e  delimitado  a  uma  natureza  e  uma  origem específicas. Não é, pois, o uso de quaisquer matérias­primas produzidas na região  que dá direito ao crédito ficto do IPI, mas apenas se restrito a "matérias­primas agrícolas  e extrativas vegetais de produção regional".   Ou  seja,  para  fins  de  gozo  ao  crédito  em  tela,  os  insumos  (originados  da  Amazônia Ocidental)  necessitam  ser  elaborados  com matérias­primas  de  origem  vegetal,  quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa (retirados da natureza, da flora  nativa),  de  tal  sorte  que,  nos  termos  da  norma  legal  isentiva,  não  há  espaço  para  o  gozo  decorrente  da  aquisição  de  produto  intermediário  industrializado  onde,  na  sua  elaboração,  não  foram  empregadas  "matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção regional", como ocorreu no caso presente.  O  fato  de  a  Recofarma  estar  "[...]  regular  em  relação  às  condições  estabelecidas  no  Projeto  Técnico­econômico  Industrial  de  Atualização,  aprovado  pela  Resolução  CAS  nº  298/2007"  não  autoriza  interpretação  no  sentido  de  que  a  recorrente,  adquirente dos insumos industrializados pela Recofarma, faria jus à isenção e ao incentivo do  crédito ficto aqui examinado.  Quanto  à  Resolução  CAS  nº  298/2007  (e­fls.  341/342),  esta  aprovou  "o  projeto  industrial  de  ATUALIZAÇÃO  da  empresa  RECOFARMA  [...]  na  forma  do  Parecer  Técnico  de  Projeto  nº  224/2007  ­  SPR/CGPRI/COAPI  para  PRODUÇÃO  DE  CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS,  para  gozo  dos  incentivos  previstos  nos artigos 7º e 9º do Decreto­lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, no Art. 6º do Decreto­lei  Nº  1435,  de  16  de  dezembro  de  1975,  e  legislação  posterior"  (conforme  artigo  1º  da  mencionada  Resolução  CAS  nº  298/2007  ­  e­fls.  341).  Por  sua  vez,  o  Parecer  Técnico  de  Projeto nº 224/2007 (e­fls. 344/355), confirma que o CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO  ALCOÓLICAS (código SUFRAMA nº 0653) aprovado para a produção pela Recofarma é um  produto  que  "consiste  em  preparações  químicas  utilizadas  como  matéria­prima  para  industrialização de bebidas não alcoólicas, com capacidade de diluição superior a 10 partes  de  bebida  para  cada  parte  de  concentrado",  concentrado  no  qual  é  utilizado  como  insumo  regional  o  açúcar  cristal  e  mascavo,  o  primeiro  produzido  pela  Agropecuária  Jayoro  e  "enviado para DD. Williamson do Brasil,  localizada no PIM, ao  lado de sua unidade  fabril,  para a produção do corante caramelo matéria­prima dos concentrados da empresa" (ver item  3 do citado Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 (e­fls. 346).  Ou  seja,  não  resta  nenhuma  dúvida  de  que  os  produtos  fabricados  pela  recorrente  utilizam  matéria­prima  produzida  na  Amazônia  Ocidental,  mas  matéria­prima  Fl. 726DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 720          34 decorrente  de  um  processo  de  industrialização,  no  caso,  o  concentrado,  onde  não  foram  utilizadas "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", mas sim  "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico, obtidos a partir da industrialização da cana de  açúcar e fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.".   O concentrado em tela somente estaria isento e geraria direito a crédito se, na  sua  elaboração,  tivessem  sido  utilizados  produtos  extrativos  vegetais,  exigência  que  só  foi  observada em relação ao concentrado de guaraná, conforme relatado.  Portanto,  a  condição  em  que  se  enquadra  o  sujeito  passivo  não  autoriza  a  isenção e o  creditamento objeto do  artigo 6º do Decreto­lei  nº 1.435/75,  restrito  a  "produtos  elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional".   A  interessada  também  defendeu  fazer  jus  ao  crédito  do  IPI  relativo  à  aquisição de matéria­prima isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, o  que aduz com fundamento no artigo 69, inciso II do RIPI/02 e no art. 81, inciso II, do RIPI/10,  base legal no art. 9° do DL n° 288/671. Ressaltou que, ao contrário do sustentado na decisão  vergastada, "o STF não negou ao contribuinte o direito ao creditamento do IPI na aquisição de  insumos isentos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de  produtos sujeitos ao IPI", mas "em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484­RS, [...]  firmou o entendimento de que é assegurado ao adquirente da matéria­prima isenta oriunda de  fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizada na fabricação de produto cuja saída  é sujeita ao IPI o direito ao crédito do imposto relativo à sua aquisição". Afirma também que  "a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, no julgamento do RE n° 590.809, iniciado em  11.09.2014  e  encerrado  em 23.10.2014,  no Plenário  desse  STF,  afirmou  expressamente  que  permanece  hígido  o  RE  n°  212.484­RS,  que  decidiu  pelo  direito  ao  crédito  do  IPI  para  os  adquirentes de insumos isentos da Zona Franca de Manaus"; aduz que até que seja julgado o  RE  nº  592.891­SP  ­  que  reconheceu  a  repercussão  geral  concernente  à  possibilidade  de  creditamento do IPI pela entrada de insumos da Zona Franca de Manaus ­ permanece hígido o  entendimento do RE nº 212.484­RS.  Analisemos essa questão.  Estabelece o artigo 69, inciso II, do Regulamento do IPI de 2002:  Art.  69.  São  isentos  do  imposto  (Decreto­lei  nº 288, de 28 de  fevereiro de  1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º):  [...]                                                              1  Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona  Franca  de Manaus,  quer  se  destinem  ao  seu  consumo  interno,  quer  à  comercialização  em  qualquer  ponto  do  Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)     § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus  que  devam  ser  internados  em  outras  regiões  do  País,  ficará  condicionada  à  observância  dos  requisitos  estabelecidos no art. 7° deste decreto­lei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)     § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1° do art. 3° deste decreto­lei  ["armas  e  munições,  fumo,  bebidas  alcoólicas,  automóveis  de  passageiros  e  produtos  de  perfumaria  ou  de  toucador, preparados e preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 3303 a 3307 da Tarifa Aduaneira  do  Brasil  ­  TAB),  se  destinados,  exclusivamente,  a  consumo  interno  na  Zona  Franca  de  Manaus  ou  quando  produzidos  com  utilização  de matérias­primas  da  fauna  e  da  flora  regionais,  em  conformidade  com  processo  produtivo básico"]. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)  Fl. 727DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 721          35 II ­ os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  ­  SUFRAMA,  que  não  sejam  industrializados  pelas  modalidades  de  acondicionamento  ou  reacondicionamento,  destinados  a  comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos  as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros  e  produtos  de  perfumaria  ou  de  toucador,  preparados  ou  preparações  cosméticas,  salvo  quanto  a  estes  (posições  33.03  a  33.07  da  TIPI)  se  produzidos  com  utilização  de matérias­primas  da  fauna  e  flora  regionais,  em conformidade com processo produtivo básico; e   (grifo nosso)  Como  se  vê,  em  nenhum  momento  o  dispositivo  em  tela  faz  referência  a  qualquer hipótese de crédito, já que trata exclusivamente de isenção do IPI. Isso resta evidente  também  diante  da  redação  do  artigo  9º  do  Decreto­lei  nº  288/67,  com  a  redação  dada  pelo  artigo 1º da Lei nº 8.387/91, base legal do artigo regulamentar acima citado:  Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas  as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao  seu  consumo  interno,  quer  à  comercialização  em  qualquer  ponto  do  Território Nacional.  §  1°  A  isenção  de  que  trata  este  artigo,  no  que  respeita  aos  produtos  industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser  internados em  outras  regiões  do  País,  ficará  condicionada  à  observância  dos  requisitos  estabelecidos no art. 7° deste decreto­lei.  §  2°  A  isenção  de  que  trata  este  artigo  não  se  aplica  às  mercadorias  referidas no § 1° do art. 3° deste decreto­lei.  Assim,  em  vista  da  inexistência  de  fundamentação  legal  que  autorize  o  creditamento vislumbrado, não há  como se  aceitar a argumentação desenvolvida pelo  sujeito  passivo.  Já no que concerne ao RE nº 212.484­RS, este, de fato, estabeleceu que não  representa ofensa ao disposto no artigo 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o creditamento do  IPI  diante  da  aquisição  de  insumos  isentos.  A  questão,  no  entanto,  foi  posteriormente  submetida,  pelo  próprio  STF,  ao  rito  da  repercussão  geral,  objeto  do  RE  nº  592.8912,  não  havendo  mais  decisão  do  Supremo  com  caráter  de  definitividade  que  porventura  possa  ser  utilizada como fundamento pela reclamante.  Quanto  à  pretendida  aplicação  do  artigo  11  da  Lei  nº  9.779/99,  este  trata  apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de eventual saldo credor do IPI que  o contribuinte não puder compensar com o  IPI devido na saída de outros produtos. Portanto,  não tem nada a ver com a realidade presente, inerente a lançamento para exigência do imposto  em vista da glosa de créditos inadmitidos.  Concernente  à  alegada  boa­fé,  dada  a  idoneidade  das  notas  fiscais,  pelo  disposto acima vê­se que os dispositivos legais citados nos documentos fiscais como alicerce                                                              2  Em  consulta  realizada  em  20/06/2016  (às  10h30min)  ao  sítio  do  STF  na  internet  (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2638514)  consta  que  referido  recurso extraordinário ainda não havia sido julgado (último andamento: 14/06/2016 ­ "inclua­se em pauta ­ minuta  extraída").  Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 722          36 para  o  crédito  reclamado  não  socorrem  a  interessada,  de  sorte  que  não  há  como  reconhecer  direito nesse sentido.   A contribuinte também se contrapõe à redução de 50% da alíquota do  IPI a  que  estavam  sujeitos  os  concentrados  de  refrigerantes  contendo  suco  de  fruta ou  extratos  de  sementes de guaraná, em decorrência da Nota Complementar NC (21­1) da TIPI/2006. De fato,  ressalta a fiscalização que, de acordo com a nota em tela, esses produtos estavam beneficiados  com  redução  de  50%,  redução  esta  que  não  teria  sido  observada  no  cálculo  do  crédito  aproveitado.   Segundo  a  interessada,  ao  contrário  do  afirmado  na  decisão  recorrida,  a  redução  de  50%  dos  créditos  é  sim  relevante  para  a  contenda  ­  eis  que  "produz  efeitos  na  determinação do montante do crédito do IPI, em relação às glosas referentes às aquisições de  concentrado  para  elaboração  do  refrigerante  guaraná"  ­,  e  que  aludida  redução  não  é  aplicável  aos  créditos  escriturados  pela  recorrente,  já  que  "os  concentrados  não  foram  registrados no MAPA pela RECOFARMA".  O texto da NC (21­1) é o seguinte:  NC  (21­1)  Ficam  reduzidas  de  cinqüenta  por  cento  as  alíquotas  do  IPI  relativas  aos  extratos  concentrados  para  elaboração  de  refrigerantes,  contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, compreendidos  nos  “ex”  01  e  02  do  código  2106.90.10,  que  atendam  aos  padrões  de  identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.  Entendo que quando a NC (21­1) trata do registro do produto no Ministério  da Agricultura não o faz com o fim de delinear uma qualidade ou especificidade do mesmo,  mas  apenas  reproduz  exigência  legal  dada  a  natureza  do  produto,  destinado  à  fabricação  de  bebida  para  consumo  humano.  De  tal  sorte,  penso  que  a  alegada  ausência  de  registro  do  produto  não  se  presta  para  acolher  o  argumento  da  suplicante  contrariamente  à  redução  do  crédito.   Quanto ao pedido para exoneração da multa de ofício, entendo que o artigo  100,  II, do CTN, não recepcionou o disposto no artigo 76,  II, a, da Lei nº 4.502/64, de sorte  que, não havendo decisão administrativa "a que a lei atribua eficácia normativa", não há como  se  reconhecer  a dispensa  da penalidade  em  relação  àqueles  que  agiram  "(...)  de  acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado" (redação  do artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64).  Com efeito, não há como se acolher dispositivo legal em desarmonia com o  artigo  100,  II,  do  CTN,  norma  que,  além  de  ser  de  natureza  complementar,  foi  editada  posteriormente à lei ordinária suscitada pelo sujeito passivo.  Lamentavelmente o disposto no artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 encontra­ se  ainda  no  Regulamento  do  IPI  ora  vigente.  Não  obstante,  penso  que  tal  falha,  por  ser  destituída de alicerce legal, não tem força vinculante.   A multa,  portanto,  é  devida. Não  há  espaço  para  aplicação  do  disposto  no  artigo 76, II, “a”, da Lei nº 4.502/64, e sua exigência está fundamentada no artigo 80, caput, da  Lei nº 4.502/64,  com a  redação dada pelo  artigo 13 da Lei nº 11.488/07,  segundo o qual  "a  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 723          37 falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na  respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à  multa  de  ofício  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  do  valor  do  imposto  que  deixou  de  ser  lançado ou recolhido".  Por  fim,  quanto  à  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  entendo que a mesma é devida, pelas seguintes razões.  Estabelece  o  artigo  139  do  CTN,  que  "o  crédito  tributário  decorre  da  obrigação principal e tem a mesma natureza desta". Logo o crédito tributário comporta tanto o  tributo quanto a penalidade pecuniária.  Por  sua  vez,  o  artigo  61,  caput  e  §  3º  da  Lei  nº  9.430/96,  dispõe  que  os  débitos para com a União, não pagos nos prazos previstos, estão sujeitos à incidência de juros  de mora equivalentes à taxa Selic, prevista no § 3º do artigo 5ºda mesma Lei.   Releva destacar que quando o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 se refere  a "débitos para com a União", deve ser dado ao termo entendimento em conformidade com o  artigo  161  do  CTN,  segundo  o  qual  "o  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora [...]", combinado com o artigo 139, já referenciado, e com o artigo  113,  §  1º,  do  CTN,  onde  se  vê  que  a  obrigação  tributária  principal  abrange  o  tributo  e  a  penalidade pecuniária.    Portanto, efetuado o lançamento, temos a constituição de crédito tributário,  composto pelo tributo e multa,  incidindo, sobre ambos, ou melhor, sobre o crédito tributário,  juros moratórios.  Para terminar, vale lembrar que a própria Lei nº 9.430/96 contempla, em seu  artigo 43, a possibilidade de incidência de juros de mora exclusivamente sobre a multa lançada.  Confira­se:  Art.  43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada  ou  conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a  que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente  ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por  cento no mês de pagamento.   Portanto, legítima a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Da conclusão  Com  estas  considerações,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  do  sujeito  passivo,  unicamente  para  reconhecer  a  decadência  quanto  aos  fatos  geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.  Sala de sessões, em 22 de junho de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 724          38               Declaração de Voto  Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões:  Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto do Relator, acima  indicados,  ouso  discordar  das  conclusões  constantes  do  mesmo,  consoante  fundamentos  a  seguir explanados.  De início, é válido repisar o breve resumo da matéria em litígio constante do  voto  vencedor,  para  que  seja  devidamente  contextualizada  a  lide  e  os  fundamentos  que  compõem a presente declaração de voto:   "Da matéria em litígio   A  lide diz  respeito a  lançamento para exigência do Imposto sobre Produtos  Industrializados  ­  IPI  em  vista  da  glosa  de  créditos  inerentes  ao  incentivo  fiscal  instituído  pelo  art.  6º,  caput  e  parágrafo  1º,  do  Decreto­lei  n°  1.435/1975,  disciplinado pelo artigo 95, inciso III, do Decreto n° 7.212, de 2010 (RIPI/2010), o  qual admite o  creditamento do  IPI pela aquisição de matérias­primas agrícolas  e  extrativas vegetais originadas da Amazônia Ocidental,  cujos projetos  tenham sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  SUFRAMA,  quando  aduzidas  matérias primas forem empregadas para a  industrialização, em qualquer parte do  território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto.   A glosa foi motivada pela constatação de que parte dos produtos não foram  elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais regionais, mas com  concentrado objeto de industrialização prévia.   A  fiscalização  identificou  também que  os  concentrados  que  continham suco  de  fruta  ou  semente  de  guaraná  estavam  beneficiados  com  redução  de  50%  da  alíquota  do  IPI  (Nota  Complementar  ­  NC  21­1  da  Tabela  de  Incidência  do  IPI  aprovada  pelos  Decretos  n°  6.006/2006  e  n°  7.660/2011),  redução  esta  que,  no  entanto, não teria sido observada pela empresa no cálculo do crédito aproveitado.   Dentre  os  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo  este  defende  estar  amparado pela coisa julgada em face do mandado de segurança coletivo ­ MSC nº  91.0047783­4.  Tal  questão  será  examinada  de  início,  eis  que  eventual  tutela  jurisdicional  em  favor  da  suplicante  dispensará  a  análise  da  matéria  atinente  à  glosa do creditamento objeto dos autos, dada a necessidade de se obedecer à coisa  julgada".  Passa­se, então, à análise do caso, cuja abordagem encontra­se dividida nos  mesmos tópicos indicados do voto vencedor, para fins de facilitar a sua compreensão.  Da  amplitude  do  provimento  jurisdicional  objeto  do  mandado  de  segurança coletivo nº 91.0047783­4   Fl. 731DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 725          39 Neste ponto, entendo,  ao contrário do Relator,  que o procedimento adotado  pelo Recorrente encontrava respaldo em decisão judicial proferida no Mandado de Segurança  Coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4).  Sobre  o  assunto,  trago  à  colação  entendimento  constante  do  voto  proferido  pela Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz nos autos do Processo nº 10166.720116/200895  (Acórdão  nº  3402003.067  de  17/05/2016),  a  qual  analisou  caso  idêntico,  relativo  ao mesmo  MSC, cujos fundamentos adoto como razão de decidir:   1. DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DA  RECORRIDA   Inicialmente, é preciso esclarecer que, pelas notas fiscais juntadas aos autos,  constato que fornecedora dos insumos,  informava nas notas fiscais de saída que os  concentrados  para  a  produção  de  refrigerantes  eram  isentos  do  IPI  por  força  dos  artigos 69, incisos I e II e 82, inciso III do RIPI/2002. Isto significa que a Recofarma  (fornecedor  das  mercadorias  ao  Contribuinte)  usufruiu  tanto  da  isenção  para  produtos  industrializados  na  Zona  Franca  de Manaus  (artigo  9º  do DecretoLei  nº  288/67),  quanto  da  isenção  prevista  para  produtos  industrializados  na  Amazônia  Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional  (artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75).   Tendo isto em vista, antes de adentrar na discussão sobre o cumprimento ou  descumprimento do regime jurídico de exoneração tributária e o consequente direito  ao  crédito  de  IPI  ora  sob  análise  (artigo  6º  do  Decretolei  n.  1.435/75),  cumpre  avaliar a existência ou não de coisa julgada em favor da Recorrida. Isto porque no  Mandado de Segurança Coletivo n.  91.00477834, que o Contribuinte  alega  fundar  seu direito, buscavase a tutela judicial para garantir o crédito de IPI pela aquisição  de produtos isentos estampada no artigo 9º do Decretolei n. 288/67, haja vista que,  para esta específica isenção, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à  escrituração de crédito do IPI.   Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende a Recorrida  que possui coisa  julgada  em seu  favor,  à medida que  esta ação  foi  impetrada pela  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Cocacola  (AFBCC),  como  substituta  processual  de  seus  associados.  A  seu  turno  a  Fazenda  Pública  alega  que  a  coisa  julgada  não  beneficia  o  Contribuinte.  Isto  porque  a  ação  foi manejada  no  Rio  de  Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal  daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte,  cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro  estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise.   A  discussão  acerca  dos  efeitos  do  julgamento  do  citado  Mandado  de  Segurança Coletivo  com  relação às  empresas  associadas  à AFBCC não é nova no  CARF.   Em  julgamentos  de  casos  semelhantes,  este  Conselho  vem  afastando  a  autoridade  da  coisa  julgada  formada  no  Mandado  de  Segurança  Coletivo  n.  91.00477834,  cuja  decisão  favorável  aos  contribuintes  transitou  em  julgado  em  02/12/1999,  depois  de  negado  o  Agravo  de  Instrumento  interposto  no  bojo  do  Recurso  Extraordinário  manejado  pela  União  (e.g.  Processo  n.  10950.000026/201052,  Acórdão  n.  3403003.323,  de  15  de  outubro  de  2014;  e  Processo  n.  15956.720043/201316,  Acórdão  n.  3403003.491,  de  27  de  janeiro  de  2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal  (“STF”),  quando  da  análise  da  Reclamação  7.7781/  SP  (apresentada  por  Associado  da  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 726          40 AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do  Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição do órgão prolator, vale  dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação:   Agravo  regimental  em  reclamação.  2.  Ação  coletiva.  Coisa  julgada.  Limite  territorial  restrito  à  jurisdição  do  órgão  prolator.  Art.  16  da  Lei  n.  7.347/1985.  3.  Mandado  de  segurança  coletivo  ajuizado  antes  da  modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia  declaratória  da  norma.  4.  Decisão  monocrática  que  nega  seguimento  a  agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito  substitutivo  em  relação  ao  acórdão  recorrido,  para  fins  de  atribuição  de  efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação  coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5.  Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei)   Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira,  no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido:   Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil  prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator”.  Assim,  o  limite  da  territorialidade  pretende  demarcar  a  área  de  produção  dos  efeitos  da  sentença,  tomando  em  consideração  o  território  dentro  do  qual  o  juiz  tem  competência para processamento e julgamento dos feitos. (grifei)   Todavia,  ouso,  com a  devida  vênia,  discordar  do  julgamento  proferido  pelo  Egrégio  Supremo Tribunal  Federal,  razão  pela  qual  entendo  que  esta  decisão  não  merece guarida do CARF.   Efetivamente,  o  julgamento  da  Reclamação  n.  7.7781/  SP  recaiu  em  uma  “vala comum” a qual não pertence, culminando em decisão totalmente dissociada do  direito  processual  aplicável  aos  mandados  de  segurança  coletivos  de  matéria  tributária,  bem  como  do  caso  concreto  levado  à  apreciação  do  STF,  e  que  agora  merece uma análise mais cuidadosa deste Conselho.   Neste sentido, vale salientar que, em consulta sobre o andamento processual  da Reclamação n. 7.778 (apresentada por Companhia de Bebidas Ipiranga, associada  que  fora  substituída  pela  AFBCC  no  Mandado  de  segurança  Coletivo  n.  91.00477834) no sítio eletrônico do STF, constatase que foram opostos embargos de  declaração ainda pendentes de julgamento. Assim, a decisão ainda não é final.   Dito isto, passo à demonstração dos sucessivos equívocos que são cometidos  ao  se  afastar  a  autoridade  da  coisa  julgada  formada  no  Mandado  de  segurança  Coletivo n. 91.00477834 dos membros da AFBCC.   1.1.  Mandado  de  segurança  coletivo  como  meio  de  tutela  de  direitos  individuais  homogêneos  em  contraposição  aos  instrumentos  de  tutela  dos  interesses transindividuais em juízo   Desde  já  adianto  que  a  confusão  iniciada  no  julgamento  da  Reclamação  n.  7.7781,  que  vem  reverberando  nos  julgamentos  do  CARF,  consiste  em  tratar  o  mandado de segurança coletivo (regulado pela Lei do Mandado de Segurança) como  se  fosse  uma  ação  coletiva  que  visa  provimento  jurisdicional  acerca  de  direitos  transindividuais (ou coletivos em sentido lato).   Fl. 733DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 727          41 Tal confusão torna­se especialmente grave pois acarreta na indevida aplicação  das  regras  que  disciplinam  a  coisa  julgada  formada  nas  ações  coletivas  aos  mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária, o que não se coaduna com  o direito que cada uma desses instrumentos processuais visa tutelar, tampouco com a  disciplina  jurídica  expressamente  posta  pelo  ordenamento  pátrio  para  cada  uma  dessas ações.   O problema processual é de fato delicado, merecendo detida explanação.   1.1.1.  Dos  diferentes  direitos  tutelado  nas  Ações  Coletivas  e  nos  Mandados  de  Segurança  Coletivos,  acarretando  em  diferentes  regimes  jurídicos aplicáveis   Não  se deve  confundir “direito  coletivo”  (= gênero do qual  fazem partes  as  espécies direito coletivo em sentido estrito e direito difuso) com “defesa coletiva de  direitos” (= defesa por meio de ações coletivas de direito individual homogêneo). 2   A mais abalizada doutrina sobre a matéria aponta que foi com o advento do  Código de Defesa do Consumidor que insurgiu o errôneo e problemático tratamento  dos  direitos  “individuais  homogêneos”  como  espécie  dos  “direitos  coletivos  ou  difusos”,  acarretando  na  utilização  equivocada  de  instrumentos  processuais  específicos  para  uma  ou  outra  situação.3  Tal  equívoco,  de  aplicação  de  regime  jurídico incorreto ao mandados de segurança coletivo, como já aventado alhures, é  exatamente o que aconteceu no julgamento da Reclamação n. 7.7781.   Simplificando a classificação pincelada acima, temos que os direitos coletivos  são  direitos  sem  titular  individualmente  determinado  e  materialmente  indivisíveis  (e.g. meio ambiente, direito do consumidor, patrimônio histórico, cultural, etc). Os  direitos individuais e homogêneos são totalmente distintos. Sobre sua conceituação,  peço  licença  para  fazer  uso  das  palavras  de  Teori  Zavaski,  4  que  sintetiza  o  espinhoso assunto de forma didática:   A expressão ‘direito  individuais homogêneos’  foi cunhada, em nosso direito  positivo, pelo Código de Defesa do Consumidor – CDC (Lei 8.078/90), para  designar  um  conjunto  de  direitos  subjetivos  ‘de  origem  comum’  (art.  81,  parágrafo  único,  III),  que  em  razão  de  sua  homogeneidade,  podem  ser  tutelados por ‘ações coletivas’ (...). Não se trata, já se viu, de um novo direito  material, mas  simplesmente  de  uma  nova  expressão  para  classificar  certos  direitos  subjetivo  individuais,  aqueles  mesmo  aos  quis  se  refere  o  CPC  no  art. 46, ou seja, direitos que ‘derivarem do mesmo fundamento de fato ou de  direito’ (inciso II) ou que tenham entre si relação de afinidade ’por um ponto  comum  de  fato  ou  de  direito’.  (...)  Tratase  de  direitos  originados  da  incidência  de  um  mesmo  conjunto  normativo  sobre  uma  situação  fática  idêntica ou assemelhada. (grifei)   O mesmo jurista, destaca então que o sistema processual brasileiro separou o  tratamento  desses  direitos  (direitos  coletivos x direitos  individuais  homogêneos) e  traçou  dois  subsistemas  distintos:  i)  o  subsistema  dos  instrumentos  de  tutela  dos  direitos coletivos (ações civis públicas e ação popular), ii) subsistema processual dos  instrumentos  para  tutelar  coletivamente  os  direitos  subjetivos  individuais  homogêneos  (ações  civis  coletivas,  nas  quais  se  inclui  o  mandado  de  segurança  coletivo). 5   Sendo diferentes os  regimes  jurídicos  citados  acima,  igualmente diversa  é  a  forma com que o direito processual trata a coisa julgada formada em ação de tutela  Fl. 734DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 728          42 de direito coletivo da coisa  julgada  formada em ação coletiva de  tutela de direito  individual, como pormenorizadamente destacado no tópico abaixo:   1.1.2.  Da  impropriedade  de  aplicação  das  normas  relativas  à  coisa  julgada das  ações  coletivas ao Mandado de  segurança Coletivo  sobre matéria  tributária   Nas  ações  coletivas  (instrumentos  de  tutela  dos  direitos  coletivos)  de modo  geral (ação civil pública e ação popular), os colegitimados ativos da ação (Ministério  Público, associações, etc) não são os titulares de interesses coletivos (direitos difusos  ou direitos coletivos em sentido estrito). Os titulares destes direitos são, isto sim, as  pessoas,  determinados  grupos  sociais,  ou  a  sociedade  como  um  todo,  que  compartilham esses direitos. Os primeiros substituem os segundos ao apresentarem  as ações  judiciais,  conforme previsão  legal. Vêse que os  interesses em jogo nestas  ações excedem o âmbito estritamente pessoal, porém não caracterizam propriamente  o interesse público. 6   Em função destas características, na tutela coletiva (instrumentos de tutela dos  direitos coletivos) é necessário que a imutabilidade da sentença proferida pelo Poder  Judiciário  ultrapasse  os  limites  das  partes  que  compuseram  o  processo,  ou  seja,  a  coisa  julgada  nas  ações  coletiva  é  erga  omnes ou ultra  partes  (e.g. artigo  103  do  CDC).7  Afinal,  o  direito  é  de  uma  determinada  coletividade,  devendo  a  toda  ela  surtir efeito a decisão.   Neste  contexto é que  se  insere o art.  16 da Lei nº 7.347, de 24 de  julho de  1985 (Lei da Ação Civil Pública), cuja redação original segue transcrita a seguir:  Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, exceto se a ação for  julgada  improcedente  por  deficiência  de  provas,  hipótese  em  que  qualquer  legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo­se  de nova prova (grifei)   Este  dispositivo,  contudo,  teve  sua  redação  alterada  pela  Lei  n.  9.494/1997  passando a ter a seguinte forma:   Art.  16.  A  sentença  civil  fará  coisa  julgada  erga  omnes,  nos  limites  da  competência  territorial  do  órgão  prolator,  exceto  se  o  pedido  for  julgado  improcedente  por  insuficiência  de  provas,  hipótese  em  que  qualquer  legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo­se  de nova prova. (grifei)   Além de modificar a redação do artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, a Lei  n.  9.494/1997  trouxe  nova  regra  às ações  coletivas,  em  seu  artigo  2ºA  –  que  é  o  fundamento  da  decisão  do  STF  na  Reclamação  n.  77781,  e,  portanto,  o  cerne  da  presente controvérsia , in verbis:   Art. 2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por  entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados,  abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator.  (grifei)   Constata­se  de  pronto  que  este  dispositivo  veio  disciplinar  o  “problema”  relativo  ao  efeito  erga  omnes  das  sentenças  prolatadas  em  ações  para  tutela  de  interesses coletivos (ação popular e ação civil pública), nas quais a eficácia subjetiva  Fl. 735DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 729          43 da coisa julgada não se limita às partes que compõe o processo, diferentemente do  que ocorre com as ações individuais.   Recorde­se  que  a  ação  civil  pública  também  pode  ser  promovida  por  entidades  associativas,  porém,  quando  transitada  em  julgado,  a  coisa  julgada  material ali formada possuía efeitos erga omnes antes da alteração promovida pelo  artigo 2ºA da Lei n. 9.494/97, acima transcrito. Com a nova redação, o efeito erga  omnes ficou restrito aos substituídos localizados na jurisdição territorial em que foi  prolatada a decisão.   Diante destes dispositivos, o STF, ao se deparar com a Reclamação n. 7.7781,  a qual, recorde­se, foi apresentada por um dos membros da Associação que impetrou  o mandamus,  uma  vez  que  fora  autuado  pela  Receita  Federal  de  Ribeirão  Preto  mesmo possuindo  a  coisa  julgada  formada  no MSC n.  91.00477834,  aplicouos  ao  caso,  decretando  ser  impossível  a  utilização  da  autoridade  da  coisa  julgada  pela  empresa  reclamante,  por  estar  fora da  competência  territorial do órgão prolator da  decisão.   Pergunta­se: está correto tal entendimento?   Entendo que não. Por dois motivos, tratados nos itens seguintes.   1.1.2.1. O MSC  n.  91.00477834  cuida  de  direito  individual  homogêneo,  específico e restrito aos membros da AFBCC, que vem sendo requerido pelas  partes do processo, e não por terceiros   Como esclarecido nos  itens anteriores, não se deve pensar que os mandados  de segurança coletivo são invariavelmente manejados para tutelar direitos coletivos  (transindividuais).  Não.  Em  regra,  os  mandados  de  segurança  coletivos  são  utilizados  processualmente  para  resguardar  direito  líquido  e  certo  individual  homogêneo de um grupo, com base no artigo 5º, inciso LXX da Constituição. 8   Em matéria tributária tal situação é hialina, uma vez que os temas tributários  poucas  vezes  serão  enquadrados  nos  direitos  coletivos  em  sentido  estrito,  e  simplesmente  não  se  enquadram  entre  os  direitos  difusos  jamais,  como  observa  Cleide Previtalli Cais: 9   Por  sua  própria  natureza,  caracterizados  pela  indivisibilidade,  indeterminação de  indivíduos e  indisponibilidade, os direitos difusos  jamais  compreenderão temas tributários, marcados pela divisibilidade, identificação  do  titular  e  disponibilidade,  uma  vez  que  são  dotados  de  cunho  eminentemente patrimonial.   Desse modo, quando estamos diante de mandado de segurança coletivo sobre  matéria tributária, normalmente encontraremos um conjunto de indivíduos (pessoas  físicas  ou  jurídicas),  que,  por  meio  de  associação,  levam  ao  Poder  Judiciário  questões fiscais que lhe são comuns em razão de suas atividades, exatamente como  ocorreu no MSC n. 91.00477834. Ou seja, os contribuintes, buscam a tutela coletiva  de seus direitos (e não tutela de direito coletivo), 10 que são individuais homogêneos  e, por isso, o direito processual permite que sejam resolvidos pelo Poder Judiciário  em uma única ação, o mandado de segurança coletivo.   Nesse sentido a Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009), que não  era  vigente  quando  sobreveio  a  sentença  do MSC  n.  91.00477834, mas  que  nada  mais  fez  do  que  esclarecer  os  procedimentos  que  vinham  sendo  adotados  pelos  Fl. 736DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 730          44 jurisdicionados, pela doutrina e pela jurisprudência, já que a antiga Lei do MS (Lei  n. 1.533/1951) não disciplinava o mandado de segurança coletivo, estabelece que:  Art.  21. O mandado  de  segurança  coletivo  pode  ser  impetrado  por  partido  político  com  representação  no  Congresso  Nacional,  na  defesa  de  seus  interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou  por  organização  sindical,  entidade  de  classe  ou  associação  legalmente  constituída  e  em  funcionamento  há,  pelo menos,  1  (um)  ano,  em  defesa  de  direitos  líquidos  e  certos  da  totalidade,  ou  de  parte,  dos  seus membros  ou  associados,  na  forma  dos  seus  estatutos  e  desde  que  pertinentes  às  suas  finalidades,  dispensada,  para  tanto,  autorização  especial.  Parágrafo  único.  Os  direitos  protegidos  pelo  mandado  de  segurança  coletivo  podem  ser:  I  coletivos,  assim  entendidos,  para  efeito  desta  Lei,  os  transindividuais,  de  natureza  indivisível,  de  que  seja  titular  grupo  ou  categoria  de  pessoas  ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; II  individuais  homogêneos,  assim  entendidos,  para  efeito  desta  Lei,  os  decorrentes  de  origem  comum  e  da  atividade  ou  situação  específica  da  totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22. No  mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente  aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. (grifei)   Nota­se que o artigo 22, que trata da coisa julgada no mandado de segurança  coletivo, dispõe que  a  imutabilidade da sentença  abarca  todos os  substituídos pela  associação  impetrante. Tal  regra  se dirige às duas hipóteses de MSC do artigo 21:  aquele que resguarda direitos coletivos, e aquele que resguarda direitos  individuais  homogêneos.   Ocorre  que  os  direitos  individuais  homogêneos,  conforme  exposto  no  item  1.1.1., nada mais são do que os direitos individuais que estamos acostumados, cuja  disciplina consta do CPC. A única diferença é que, por terem origem comum, podem  ser resolvidos numa só ação coletiva, como o MSC. Assim, o manejo do MSC para  tutela  dos  direitos  individuais  homogêneos  não  pretende,  em  momento  algum,  qualquer expansão dos efeitos da decisão para terceiros (ultra partes). Nestes tipos  de  MSC  os  membros  da  associação  são  por  ela  substituídos,  mas  os  direitos  ali  pleiteados são próprios dos seus membros (artigo 6º do CPC).11   Por essas razões, não se poderia nem mesmo cogitar da aplicação do regime  jurídico das ações que tutelam direitos coletivos para o presente caso (artigo 2ºA da  Lei  n.  9.494/1997).  Afinal  no  mandado  de  segurança  coletivo,  que  visa  tutelar  direitos  individuais  homogêneos,  a  coisa  julgada  formada  necessariamente  se  restringe  aos  membros  do  grupo  ou  categoria  substituídos  pela  impetrante  (legitimado ativo da ação). Pela letra do artigo 22, é evidente que "a coisa julgada,  uma vez formada, restrinjase aos membros do grupo ou categoria substituídos pela  impetrante;  por  definição,  os  direitos  daquela  tipologia  pertencem  a  pessoas  determinadas ou determináveis."12 Ou seja, não é necessária a preocupação em se  reduzir eventual efeito erga omnes do julgamento, pois ele simplesmente não existe  nestes  casos.  Não  se  confunde  tal  situação,  com  direitos  coletivos,  de  maior  amplitude  e  que  possuem  destinatário  indeterminados,  aos  quais  sim  aplicável  a  regra do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, em instrumentos como a ação civil pública  de responsabilidade por danos causados ao meio­ambiente, ao consumidor, a bens e  direitos  de  valor  artístico,  estético,  histórico,  turístico  e  paisagístico,  como  claramente coloca a Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985.   A  permissão  judicial  para  a  escrituração  de  crédito  de  IPI  decorrente  de  aquisição de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus é o direito individual  Fl. 737DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 731          45 homogêneo  pleiteado  pela  AFBCC  em  nome  de  seus  membros,  que  só  a  eles  se  aplica, nos termos do artigo 22 da Lei 12.016/2009. A decisão que formou a coisa  julgada  no MSC  n.  91.00477834  tem,  portanto,  força  de  lei  entre  as  partes,  vale  dizer, entre a União e os membros da AFBCC, que foram por ela representados.   In casu, o Contribuinte, por estar legalmente representada pela AFBCC para a  impetração do MSC n. 91.00477834, transitado em julgado em favor da Impetrante,  está abarcado pela coisa julgada. Lembrese que não se trata de empresa terceira, que  não fez parte da ação, e que procura indevidamente se beneficiar de suposto "efeitos  erga  omnes,  em  âmbito  nacional,  à  decisão  proferida  em  sede  de  ação  coletiva”  (Reclamação n. 7.7781), como precipitadamente considerou o STF. Mesmo porque  não há efeito erga omnes nesse caso, como amplamente tratado acima. Desse modo,  a questão do efeito erga omnes, e sua consequente restrição pelo artigo 2ºA da Lei n.  9.494/1997, é totalmente alheia aos mandados de segurança coletivos sobre matéria  tributária  em  que  se  discutem  direitos  individuais  homogêneos,  restringindose  tão  somente  às  ações  nas  quais  são  tutelados  direitos  coletivos  (transindividuais),  que  nem de perto tangenciam o MSC n. 91.00477834.   1.1.2.2.  Mesmo  que  o  MSC  n.  91.00477834  tivesse  por  escopo  tutelar  direito  transindividual,  o  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997  não  se  aplica  aos  mandados de segurança coletivos   Cumpre ainda assinalar que, mesmo se não tivessem sido despendidas  todas  as  linhas acima para comprovar que a Recorrida está  legitimamente abarcado pela  coisa  julgada  formada  no MSC  n.  91.00477834  (mandado  de  segurança  coletivo  sobre matéria tributária, para tutela de direito individual homogêneo e cuja sentença  não acarreta em efeitos erga omnes,  tanto pela dicção da  lei  como pelo pedido do  writ, formulado estritamente para beneficiar os membros da AFBCC, de modo que o  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997  é  totalmente  estranho  à  questão),  ainda  assim  restaria equivocado o entendimento constante da Reclamação n. 7.7781.   Efetivamente, também nos casos em que o mandado de segurança coletivo é  utilizado para tutelar direitos coletivos em sentido estrito (artigo 21, parágrafo único,  inciso I da Lei n. 12.016/2009) o que não é o caso, repitase , não é válida a aplicação  do  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997,  de  modo  a  restringir  a  coisa  julgada  aos  “substituídos que  tenham, na data da propositura da ação, domicílio no  âmbito da  competência territorial do órgão prolator”.   É o que ensina a doutrina do Direito Processual Tributário, da qual destaco a  lição de James Marins: 13   “A  Lei  n.  12.016/2009  –  acertadamente  –  estabeleceu  a  eficácia  da  coisa  julgada diferente do mandado de  segurança coletivo  em  relação às demais  ações coletivas, conforme se depreende da redação dada ao artigo 22, caput,  do referido diploma legal.” (grifei)   Cássio Scarpinella Bueno, 14 ao abordar especificamente o tema, leciona que  mesmo  anteriormente  à  publicação  da  nova  lei  do mandado  de  segurança  (Lei  n.  12.016/2009),  tanto  a  doutrina  como  a  jurisprudência  eram  uníssonas  sobre  a  inaplicabilidade  do  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997  ao  mandado  de  segurança  coletivo, in verbis:   Sobre  regras  restritivas,  cabe  lembrar  do  caput  do  art.  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997, fruto da Medida Provisória n. 2.18035/ 2001, segundo a qual ‘“  a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  Fl. 738DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 732          46 abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator’.   O  dispositivo,  já  ensinavam  doutrina  e  jurisprudência,  não  deveria  ser  aplicado  no  mandado  de  segurança  coletivo.  O  silêncio  da  nova  lei,  no  particular,  deve  ser  entendido  como  consciente  (e  correto)  afastamento  daquela  disciplina.  Para  estar  sujeito  à  coisa  julgada  que  se  forma  no  mandado  de  segurança  coletivo,  basta  que  o  indivíduo  tenha  sido  devidamente  substituído  pelo  impetrante,  sendo  indiferente,  para  tanto,  o  momento em que se verificou o elo associativo, que, de  resto, pode até não  existir  tendo  em  conta  as  exigências  feitas  pela  Lei  n.  12.016/2009  e,  superiormente,  pela  Constituição  Federal,  para  reconhecer  àqueles  entes  legitimidade ativa para agir em juízo. (grifei)   Ratificando este entendimento,  peço vênia para mais uma vez  fazer uso das  lições de Teori Zavaski: 15   No  mandado  de  segurança  coletivo  a  eficácia  subjetiva  está,  portanto  vinculada  à  representatividade  do  impetrante,  sem  limites  de  natureza  territorial. É diferente o que ocorre nas ações coletivas em geral, em que há  também o limite territorial estabelecido no art. 2ºA e seu parágrafo da Lei n.  9.494/1997.  (...)  Não  há  como  justificar  a  aplicação  destes  limites  e  exigências restritivas ao mandado de segurança coletivo, que, como garantia  constitucional  fundamental  que  é,  deve  ter  sua  eficácia  potencializada  em  grau máximo. As eventuais limitações que possa merecer, que não decorram  expressa  ou  implicitamente  da  própria  Constituição,  supõem  fundamento  razoável e previsão específica em lei. Não se concebendo razão plausível da  extensão  da  exigência  do  mandado  de  segurança  coletivo,  nem  havendo  menção  expressa  nesse  sentido  no  art.  2ºA,  é  de  se  entender  que  suas  disposições não lhe são aplicáveis. (grifei)   Portanto, ainda que este Colegiado entendesse que o direito tutelado no MSC  91.00477834 é direito coletivo, e não direito individual homogêneo, por se tratar de  instrumento  processual  com  disciplina  jurídica  própria,  além  de  possuir  status  de  garantia  constitucional,  não  pode  prevalecer  o  entendimento  de  que  se  aplicaria  a  limitação  territorial  do  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997.  Por  essa  razão,  muito  embora  o Contribuinte  esteja  fora  da  competência  territorial  do  órgão  prolator  da  decisão (Rio de Janeiro), não se pode afastar a coisa julgada ali formada em relação  a eles.   1.3. Da questão da autoridade coatora   Cumpre,  por  fim,  analisar  o  argumento  da  Recorrente  no  sentido  de  que  a  AFBCC  teria  elencado  autoridade  coatora  no MSC n.  91.00477834  (Delegado  da  Receita  Federal  do  Rio  de  Janeiro)  que  não  abrange  a  autoridade  que  teve  a  competência  para  o  lançamento  tributário  em  questão,  vale  dizer,  o  Delegado  da  Receita Federal do Distrito Federal (local de Domicílio do Contribuinte, associada à  AFBCC). Desta feita, legítima seria a lavratura do auto de infração.   Pois bem. Ressalto que na petição inicial do MSC n. 91.00477834 há tópico  dedicado exclusivamente a questão da utilização do mandado de segurança coletivo.  Ali  está  ressaltado  pela  Impetrante  (AFBCC)  que,  no momento  da  propositura  do  writ não havia lei disciplinando este remédio constitucional em seu caráter coletivo,  mas  tão  somente  o mando  de  segurança  individual  (Lei  n.  1.533/1951). Ademais,  resta  esclarecido  que  o  objetivo  da  AFBCC  foi  insurgirse,  em  nome  de  seus  membros,  contra  eminente  ato  coator  de  qualquer  um  dos  delegados  da  receita  Fl. 739DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 733          47 federal do domicílio de qualquer dos associados, uma vez que o objeto da ação é um  tributo  federal  (IPI)  recolhido  pelas  empresas  associada  espalhadas  pelo  Brasil.  Inclusive,  no  pedido  do mandamus,  a  Impetrante  requer  que  seja  dada  ciência  da  decisão aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os Associados. Tudo  isso  de  acordo  com  o  fato  de  que  a União  Federal  que  é  a  legitimada  passiva  da  ação, e o foro do Rio de Janeiro foi escolhido, colocandose o Delegado da Receita  Federal do Rio de Janeiro como autoridade coatora,  tão  somente porque ali  estava  situada a Associação, substituta processual dos seus associados.   Não poderia ter andado melhor, em termos processuais, a AFBCC. Inclusive,  nas decisões  judiciais que  integram o processo nunca foi  contestada a exatidão do  procedimento adotado pela AFBCC. Seja em primeira, seja em segunda instância, o  processo  correu  normalmente,  sem  que  os  magistrados  apontassem  qualquer  problema formal no writ.   A  autoridade  coatora,  devemos  lembrar,  é  mero  representante  funcional  do  poder público que presta informações e determina a competência para a impetração  do mandado  de  segurança. Destarte,  a  autoridade  coatora  não  se  confunde  com  a  parte do Mandado de Segurança, como ensina Rodolfo Mancuso. 16   Autoridade, para fins de mandado de segurança, é o agente público investido  de  poder  de  decisão  e,  certa  escala  hierárquica,  que,  nessa  qualidade:  praticou a omissão; ordenou e/ou executou o ato guerreado.   Como  bem  se  sabe,  a  coisa  julgada  tem  força  de  lei  entre  as  partes  que  compuseram  a  lide.  Assim,  a  coisa  julgada  oriunda  da  sentença  do  mandado  de  segurança  coletivo  atingirá  a  Impetrante  (resvalando  no  direito  daqueles  que  substitui  artigo 22 da Lei n, 12.016) e a  Impetrada, que é,  como visto nos  trechos  acima destacados, a pessoa jurídica de direito público que compõe o polo passivo, e  não a autoridade coatora, como pretende a Fazenda Nacional.   No âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o Ministro Teori  Albino Zavascki, proferiu julgamento categórico sobre o tema, afiançando que:  Parte  passiva  no  mandado  de  segurança  é  a  pessoa  jurídica  de  direito  público a que se vincula a autoridade apontada como coatora. Os efeitos da  sentença se operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à  autoridade” (STJ, REsp 750693/GO, DJ 5.9.2005, p. 308) (grifei)   Não  foi  de  outra  forma  que  o  Supremo  Tribunal  Federal,  por  julgamento  unânime do seu plenário, enfrentou a questão, como podemos constatar da ementa  da decisão proferida no Ag. Reg. em Mandado de Segurança 26.662/DF: EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  LITISPENDÊNCIA.  PLURARIDADE  DE  IMPETRADOS.  MESMA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO  DAS  AÇÕES.  IDENTIDADE  DE  PEDIDOS  QUANTO  À  MATÉRIA  SUSCEPTÍVEL DE EXAME PELA VIA MANDAMENTAL. EXTINÇÃO DO  PROCESSO.  AGRAVO  REGIMENTAL  IMPROVIDO.  1.  A  existência  de  diferentes impetrados não afasta a identidade de partes se as autoridades são  vinculadas  a  uma  mesma  pessoa  jurídica  de  direito  público.  2.  Há  litispendência, e não continência,  se a diferença entre os objetos das ações  mandamentais  é  matéria  insusceptível  de  exame  por  meio  de  mandado  de  segurança.  3.  Agravo  regimental  a  que  se  nega  provimento.  Nesta  oportunidade, para avaliar problema específico de litispendência entre ações,  o Ministro Relator do caso, Ayres Britto, consignou que: Muito bem. Feita a  Fl. 740DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 734          48 radiografia das ações, verificase a identidade de partes, pois o impetrante é o  mesmo  e  a  União  está  no  polo  passivo,  com  legitimidade  para  recorrer  e  contraarrazoar. Isso porque as autoridades coatoras são vinculadas à mesma  pessoa jurídica de direito público, que é a verdadeira parte, não cabendo a  elas senão o dever de prestar informações.   No  mesmo  sentido  destaca­se  ainda  o  voto  do  Ministro  Cesar  Peluso  no  julgamento do Ag. Reg. no Agravo de Instrumento n. 431.2644   E  a  razão  óbvia  era  e  é  porque  parte  passiva  legítima  ad  causam,  no  mandado de segurança, não é nem pode ser a autoridade a que, nos termos  da lei, se requisitam as informações, enquanto suposto autor da omissão ou  do  ato  impugnado,  senão  a  pessoa  jurídica  a  cujos  quadros  pertença,  na  condição  de  única  destinatária  dos  efeitos  jurídicos  da  sentença  mandamental. (...) Transpostas essas premissas à espécie, vêse logo que não  pode reputarse parte passiva legítima na ação de mandado de segurança, a  autoridade  a  que  se  atribui  a  prática  do  ato  supostamente  lesivo  a  direito  líquido e certo, pela razão brevíssima de que não é destinatário teórico dos  efeitos da sentença definitiva.   Portanto,  os  efeitos  da  sentença,  bem  como  a  sua  imutabilidade  (coisa  julgada)  do Mandado  de  Segurança Coletivo  n.  91.00477834,  que  visava  garantir  direito individual homogêneo, abrangem a União e os membros da AFBCC, e não o  Delegado  da  Receita  Federal  deste  ou  daquele  estado  e  os  membros  da  AFBCC.  Ademais, o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro foi devidamente listado  pela  AFBCC  como  autoridade  coatora,  uma  vez  que  neste  estado  encontravase  situada  a  Associação,  que  substituía  seus  membros,  com  a  finalidade  de  prestar  informações, como destacado acima. Cumpriuse o artigo 2º da Lei n. 1533/1951, a  lei  do  mandado  de  segurança  então  vigente,  que  em  seu  artigo  2º  colocava:  "considerarseá  federal  a  autoridade  coatora  se  as  conseqüências  de  ordem  patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas  pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais."   Não  se  pode  deixar  de  notar  que,  caso  prevalecesse  o  argumento  levantado  pela  Fazenda  Nacional,  ou  o  entendimento  do  STF  exposto  na  Reclamação  n.  7.7781,  concluiríamos  que  inexiste  a  possibilidade  de  utilização  do  mandado  de  segurança  coletivo  para  questões  de  tributação  federal,  o  que  certamente  não  é  verdade, e corrobora a carência de lógica da alegação da Autoridade Fiscal. E pior,  caso  prevalecesse  tal  argumento  da  Fazenda  Nacional,  forçosamente  estaríamos  afastando a  autoridade da coisa  julgada que paira  entre  a União  e os membros da  AFBCC,  sem  qualquer  razão  jurídica  para  tanto,  incidindo  assim  tanto  em  desrespeito à Constituição (artigo 5º, inciso XXXVI, Constituição) quanto à lei. 2.   CONCLUSÃO   Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não  reconhecer  o  direito  do Contribuinte,  nos  exatos moldes  da  decisão  transitada  em  julgado no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito  comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve  ser viabilizado.   Nesse  sentido,  voto  pela  improcedência  do  recurso  de  ofício,  mantendo  o  cancelamento integral da exigência formalizada no auto de infração.  Diante  dos  fundamentos  acima  indicados,  entendo  que  o  contribuinte  encontrava­se  abarcado  pela  decisão  judicial  proferida  nos  autos  do  MSC  nº  91.00477834,  Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 735          49 fazendo jus, portanto, ao creditamento do IPI objeto da presente demanda, razão pela qual resta  insubsistente o lançamento aqui analisado.  De  todo modo,  na hipótese  de  assim não  entenderem os  demais  julgadores  desta Câmara julgadora, passa­se a analisar os demais pontos objeto da lide.  Da decadência parcial do lançamento  Quanto à decadência, concordo com os termos do voto do relator.   Da competência da Receita Federal para fiscalizar a  isenção objeto dos  autos  Neste ponto, concordo com o Relator na medida em que este fundamenta que  a  Receita  Federal  do  Brasil  tem  competência  para  fiscalizar  a  isenção  objeto  dos  presentes  autos. De fato, entendo que a RFB tem não apenas a competência, mas o dever de fiscalizar a  observância por parte do contribuinte dos  termos objeto dos  incentivos fiscais concedidos ao  mesmo pela SUFRAMA.  Entendo, contudo, que esta competência possui limitações.   Isso porque, o poder de fiscalizar da Receita Federal não confere à mesma o  poder de usurpar a competência da SUFRAMA normativamente instituída.  Consoante  esclareceu  o  contribuinte  em  seu  recurso,  a  SUFRAMA  tem  competência  exclusiva  para  conceder  o  benefício  previsto  no  artigo  6º  do  Decreto­Lei  nº  1.435/75,  bem  como  para  determinar  e  administrar  quaisquer  questões  inerentes  ao  referido  beneficio, a  teor do disposto nos artigos 1°, VI e 4º,  I, "c", ambos do Anexo I do Decreto n°  7.139, de 29/03/2010, c/c a Resolução CAS nº 202/2006.  Nesse contexto, uma vez concedido o benefício pela SUFRAMA, a Receita  Federal tem o poder­dever de fiscalizar a observância por parte do contribuinte dos termos em  que o benefício fora concedido, conforme projeto aprovado. Se houver qualquer inobservância  por  parte  do  contribuinte  quanto  às  condições  impostas  pela  SUFRAMA,  a  Receita  deverá  fiscalizar e exigir do contribuinte eventuais tributos e penalidade devidas.  Porém,  esta  competência  não  lhe  autoriza  desconsiderar  os  termos  do  ato  concessório aprovado por autoridade da SUFRAMA, cujo procedimento de aprovação não foi  em qualquer momento questionado, retirando desta a competência que lhe fora normativamente  instituída.  Como  bem  salientou  o  contribuinte,  os  atos  praticados  pela  SUFRAMA  "trazem  consigo  a  presunção  de  legitimidade,  veracidade  e  legalidade,  ou  seja,  de  que  nasceram  e  encontram­se em conformidade com o ordenamento jurídico".   Caso se identifique que houve alguma falha na concessão do incentivo fiscal,  esta  falha  deverá  ser  verificada  através  de  procedimento  próprio  a  ser  adotado  junto  à  SUFRAMA,  para  fins  de,  se  for  o  caso,  revogar  o  incentivo  outrora  concedido  e  responsabilizar eventuais responsáveis pela concessão indevida do incentivo.  O  que  não  se  pode  admitir  é  conceder  aos  auditores  da  Receita  Federal  o  poder, não apenas de fiscalizar a observância dos termos do incentivo fiscal concedido, mas de  interpretar  e  discordar  da  concessão  do  incentivo  fiscal  em  si,  para  o  qual  não  possui  Fl. 742DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 736          50 competência.  Até  porque,  resta  forçoso  reconhecer  que  a  concessão  de  tal  poder  à  Receita  Federal  seria  deveras  perigoso,  visto  que poderia  representar  o  afastamento  de uma  série  de  outros  atos  realizados  por  outros  funcionários  públicos,  que  se  revestem  de  presunção  de  legitimidade, veracidade e legalidade.  E,  no  caso  dos  autos,  verifica­se  que  a  SUFRAMA,  conforme  projeto  aprovado  pela mesma,  analisou  em  detalhe  a  operação  específica  realizada  pela  Recorrente,  tendo reconhecido naquela oportunidade o seu pleno atendimento aos requisitos necessário ao  usufruto do incentivo fiscal em questão.  Verifica­se,  então,  que o  entendimento da Receita Federal  de que a mesma  operação  analisada  pela  SUFRAMA  não  daria  direito  à  concessão  do  incentivo  fiscal,  ao  contrário do que entendeu o Relator, representa uma verdadeira desconsideração do benefício  fiscal concedido pela referida superintendência e não um mero exame da adequação dos fatos  aos limites delineados por este órgão para o gozo da isenção fiscal condicionada.  Nesse  contexto,  entendo  que  a  Receita  Federal  não  poderia  alterar  o  entendimento  da  SUFRAMA  consubstanciado  no  projeto  por  esta  aprovado,  conforme  competência que lhe fora normativamente concedida.   Da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada  Como se não bastassem os argumentos supra expendidos, discordo ainda da  interpretação  feita  pelo  Relator  no  que  concerne  aos  requisitos  necessários  à  isenção  vislumbrada.  Conforme  indicado  pelo  Relator,  "a  fiscalização  glosou  créditos  do  IPI  inerentes  ao  incentivo  fiscal  instituído  pelo  art.  6º,  caput  e  parágrafo  1º,  do  Decreto­lei  n°  1.435/75,  em  vista  da  constatação  de  que  parte  dos  produtos  não  foram  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  regionais,  mas  sim  com  açúcar  e/ou  álcool  produzidos na região e utilizados por fornecedor da interessada, a Recofarma, na fabricação do  concentrado adquirido".  Ou seja, o fundamento da autuação decorreu do fato de os produtos utilizados  pela  Recorrente  em  seu  processo  industrial  terem  sido  concentrados  fornecidos  pela  Recofarma,  os  quais, por não  terem  sido  elaborados  com "matérias­primas  agrícolas  ou  extrativas vegetais", não dariam direito ao crédito do IPI na forma do art. 6º do Decreto­lei nº  1.435/75.   Discordo, contudo, da premissa adotada pela fiscalização. Para que melhor se  compreenda o cerne do presente tópico, transcreve­se a seguir o teor da referida norma:   Art  6º.  Ficam  isentos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  os  produtos  elaborados  com matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  localizados  na  área  definida  pelo  §  4º  do  art.  1º  do  Decreto­lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967.  § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  calculado  como  se  devido  fosse,  sempre que empregados como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  Fl. 743DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 737          51 território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos  ao  pagamento  do  referido imposto.  § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicam­se, exclusivamente,  aos  produtos  elaborados  por  estabelecimentos  industriais  cujos  projetos  tenham sido aprovados pela SUFRAMA. (grifos apostos)  Da leitura do dispositivo supra transcrito, extrai­se que o benefício está sendo  concedido ao produto, e não às matérias primas. E a condição para o usufruto do incentivo é  que  tais  produtos  sejam  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção regional.   O  entendimento  da  fiscalização,  então,  foi  no  sentido  de  que  açúcar  e/ou  álcool  utilizados  pela  Recorrente  no  seu  processo  produtivo  não  poderiam  ser  considerados  "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional".  Não  é  este  o  meu  entendimento.  Isso  porque,  restou  devidamente  comprovado  pelo  contribuinte  nos  presentes  autos  que  o  açúcar  e  o  álcool  utilizados  pelo  mesmo decorrem da extração da cana­de­açúcar, que sem sombra de dúvidas é uma matéria­ prima, oriundas de fornecedores localizados na região.   Logo,  entendo  que  a  condição  disposta  no  art.  6º  supra  transcrito  foi  observada,  visto  que  o  produto  final  produzido  pela  empresa  fora  elaborado  com matérias­ primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional.   O  fato  dessa  matéria  prima  (cana­de­açúcar)  ter  passado  por  um  processo  industrial  preliminar  para  transformação  em  açúcar  e  álcool  não  afasta  a  aplicação do dispositivo em tela, visto que a única condição disposta no mesmo é de que o  produto seja elaborado com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção  regional,  não  havendo  impedimento  na  referida  norma  de  que  haja  um  processo  industrial entre a matéria­prima regional e o produto final.  Até porque, em razão das características da cana­de­açúcar, não há como se  obter  um  extrato  da mesma  sem  que  haja  um  processo  industrial  inicial  de modificação  da  mesma. Diferente é a situação do guaraná, cujo crédito foi admitido pela fiscalização, em que é  possível obter­se o extrato sem que haja necessariamente um processo de transformação.  De outro norte, entendo que não se apresenta coerente a negativa de usufruto  do  benefício  no  que  tange  ao  açúcar  e  ao  álcool  quando  se  leva  em  consideração  o  próprio  objetivo da instituição do incentivo fiscal em questão, que é promover o desenvolvimento da  região.  Consoante  restou  demonstrado  pela  empresa  Recorrente,  a  instalação  da  sua  planta  industrial na  região beneficiou uma série de produtores de  cana­de­açúcar,  considerando que  esta  matéria­prima,  necessária  à  produção  do  açúcar  e  do  álcool,  são  oriundas  em  sua  integralidade da região.  Destaque­se, inclusive, que no projeto aprovado pela SUFRAMA constou de  forma expressa a descrição do processo produtivo da empresa, com a indicação dos produtos  utilizados na produção e da origem dos mesmos, projeto este cuja aprovação não paira até o  momento qualquer questionamento perante a SUFRAMA.   Nesse  contexto, entendo que o contribuinte  fazia  jus ao benefício  fiscal  em  questão.   Fl. 744DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 738          52 Por  fim,  deverão  ser  analisados  ainda  dois  pontos:  (i)  redução  de  50%  da  alíquota do IPI e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Quanto ao ponto (i) a contribuinte destacou em seu recurso que, ao contrário  do afirmado na decisão recorrida, a redução de 50% dos créditos é relevante para a solução da  presente contenda, visto que "produz efeitos na determinação do montante do crédito do IPI,  em relação às glosas referentes às aquisições de concentrado para elaboração do refrigerante  guaraná". Defende  que  a  referida  redução  não  seria  aplicável  aos  créditos  escriturados  pela  mesma, visto que "os concentrados não foram registrados no MAPA pela RECOFARMA".  Para que melhor se compreenda o que aqui se expõe, traz­se a seguir o texto  da NC (21­1):  NC  (21­1)  Ficam  reduzidas  de  cinqüenta  por  cento  as  alíquotas  do  IPI  relativas  aos  extratos  concentrados  para  elaboração  de  refrigerantes,  contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, compreendidos  nos  “ex”  01  e  02  do  código  2106.90.10,  que  atendam  aos  padrões  de  identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.  Ou seja,  nos  termos da  norma acima  transcrita,  ficam  reduzidas de 50% as  alíquotas  do  IPI  desde  que  observados  os  seguintes  requisitos:  (i)  atenda  aos  padrões  de  identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e (ii)  estejam registrados no órgão competente desse Ministério.  Ocorre  que,  consoante  apontou  o  contribuinte  em  seu  recurso,  o  requisito  disposto no item (ii) acima não fora atendido, visto que os concentrados não foram registrados  no MAPA pela RECOFARMA.  Sobre este ponto, o relator entendeu que a NC (21­1) trataria do registro do  produto  no  Ministério  da  Agricultura  não  com  o  fim  de  delinear  uma  qualidade  ou  especificidade do mesmo, mas apenas para fins de reproduzir exigência legal dada a natureza  do produto, destinado à fabricação de bebida para consumo humano. Nesse contexto, entendeu  que a alegada ausência de registro do produto não se prestaria para embasar o acolhimento do  argumento da suplicante contrariamente à redução do crédito.  Discordo, contudo, da conclusão a que chegou o douto Relator. Isso porque,  encontrando­se a referida norma em vigor, esta deverá ser interpretada de forma uníssona, não  podendo  variar  a  depender  dos  interesses  da  fiscalização.  Digo  isso  porque,  caso  a  interpretação pretendida pelo Relator de fato prevaleça, será o mesmo que dizer que a condição  indicada  no  item  (ii)  representa  verdadeira  letra  morta.  E  se  assim  o  for,  esta  mesma  interpretação deverá ser dada não apenas para  fins de  redução do crédito do contribuinte,  tal  qual na presente demanda, como também para fins de concessão da redução da alíquota.  Em outras palavras, entendo que, se não fosse uma situação de crédito, mas  de concessão do benefício da redução da alíquota, decerto que o requisito disposto no item (ii)  acima  descrito  seria  exigido  pela  fiscalização  como  um  requisito  essencial.  Nesse  contexto,  apresenta­se  desarrazoado  relevar  tal  requisito  somente  porque  se  está  diante  de  direito  creditório do contribuinte.  Fl. 745DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 739          53 Nesse  contexto,  uma  vez  que  não  há  comprovação  nos  autos  de  que  o  contribuinte atende aos requisitos dispostos na NC (21­1), não se justifica a redução em 50%  do crédito realizada pela fiscalização.  Para finalizar, entendo que não deverá incidir juros de mora sobre a multa de  ofício.  Da conclusão  Diante  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  integral  provimento  ao  Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte.  É como voto.  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Conselheira   Fl. 746DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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Numero do processo: 11080.726554/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas as glosas realizadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 74          1  73  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.726554/2014­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.378  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de junho de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  BELMIRO DESSIMON  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2011  GLOSA  DE  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da  realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração  de  ajuste  anual,  ante  a  ausência  de  apresentação  de  quaisquer  documentos,  devem ser mantidas as glosas realizadas.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 65 54 /2 01 4- 18 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário para, no mérito, negar­lhe provimento.      Maria Cleci Coti Martins ­ Presidente      Carlos Alexandre Tortato ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  Cleci  Coti  Martins,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Miriam  Denise  Xavier  Lazarini,  Theodoro  Vicente  Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.726554/2014­18  Acórdão n.º 2401­004.378  S2­C4T1  Fl. 75          3    Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 12­69.721  (fls.  57/60),  proferido pela Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento no Rio de  Janeiro (DRJ/RJO), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02) do contribuinte, conforme  ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Exercício: 2011  DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.  Só são passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto  de  Renda  as  despesas  médicas  declaradas  e  devidamente  comprovadas  por  documentação  hábil  e  idônea,  referente  aos  gastos  do  próprio  contribuinte  e/ou  de  seus  dependentes declarados.  IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  A impugnação deve ser instruída com as provas em que se  fundamentam as razões de defesa, cabendo ao contribuinte  o ônus de comprovar o direito à dedução pleiteada.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A  Notificação  de  Lançamento  nº.  2011/129349274770259  (fls.  05/11)  em  decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, referente ao  exercício de 2011, ano calendário de 2010, alterou o resultado de imposto a pagar declarado de  R$ 2.193,73 para R$ 3.067,53.  Na Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  07/08)  a  fiscalização  informa a glosa de R$ 3.883,54 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas,  nos seguintes termos:      Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     4      Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, o contribuinte, em sua  peça  impugnatória, alegou que o valor glosado se refere as suas próprias despesas médicas e  anexou  comprovante  de  pagamento  emitido  pelo  plano  de  saúde,  onde  constam  os  valores  relativos ao titular do plano e aos demais beneficiários.   Para a DRJ/RJO, a impugnação foi considerada improcedente, ante a falta de  comprovação de  todas as deduções  informadas na declaração de ajuste anual. Ainda, decidiu  no sentido de que os documentos apresentados pelo impugnante não informam os beneficiários  do plano de saúde, mantendo, portanto, a glosa efetuada no valor de R$ 3.883,54.   Intimado do acórdão da DRJ/JFA em 01/12/2014 (A.R. fl. 64), o recorrente  apresentou  o  seu  recurso  voluntário  (fl..  66)  em  20/12/2012,  onde  anexou  os  seguintes  documentos:   a) Declaração do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul –  IPERGS, comprovando as contribuições de R$ 3.227,32 para o IPE – Saúde  e de R$ 642,00 para o PAMES, ambas do ano de 2010, do Segurado Titular e  Beneficiário da matrícula n  ° 960000487901 BELMIRO DESSIMON, CPF  102443520­20.   É o relatório.  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.726554/2014­18  Acórdão n.º 2401­004.378  S2­C4T1  Fl. 76          5    Voto             Conselheiro Carlos Alexandre Tortato ­ Relator  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.  Mérito  A  legislação  do  imposto  de  renda  da  pessoa  física  permite  a  dedução  de  despesas médicas do  referido  imposto, nos  termos do art. 8º,  II,  alínea “a” e § 2º, da Lei nº.  9.250/95, assim disposta:  Art. 8º A base de cálculo do  imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  (...)  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias;  (...)  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:  I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas da mesma natureza;  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III  ­  limita­se a pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes  ­ CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação,  ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o  pagamento;  Por sua vez, o “caput” do art. 73 do RIR/1999 estabelece que:   Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     6  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  à  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora.  (Decreto­Lei  n°  5.844, de 1943, art. 11§ 3°)   Desse modo, a fiscalização motivou as glosas efetuadas “por exceder os 3,1%  da  saúde  e  não  informar  a  finalidade  dos  pagamentos  e  beneficiários  participantes”.  O  contribuinte, em sua defesa, juntou aos autos dois comprovantes, emitidos pelo plano de saúde,  os quais conteriam valores relativos ao titular e demais beneficiários, vejamos:    Da  análise  dos  documentos  anexados,  infere­se  que  não  constam  os  beneficiários  do  plano  de  saúde,  exigência  presente  no  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  2011/062821488738865.   Muito  embora  o  documento  confirme  que  o  contribuinte  foi  o  responsável  pelos pagamentos efetuados, além de ser o titular do plano de saúde, não restou comprovado  que ser o Sr. Belmiro Dessimon não é o único beneficiário do plano de saúde, razão pela qual a  DRJ/RJO manteve a glosa efetuada no valor de R$ 3.883,54.   Em  seu  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  não  apresentou  novas  argumentações a fim de desconstituir à infração a si imputada. Juntou Declaração do Instituto  de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS, com o seguinte teor:    Nesse  contexto,  entendo  não  estarem  comprovadas  as  despesas  médicas  incorridas  pelo  contribuinte  com  os  seus  beneficiários.  Apesar  de  lhe  ser  oportunizada  a  comprovação,  com  tempo  hábil  (ou  o  que  poderia  ser  apresentado  até  mesmo  em  sede  de  recurso voluntário) para tal, não fez qualquer prova de que não é o único beneficiário do plano  de saúde IPE­ SAÚDE.   Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.726554/2014­18  Acórdão n.º 2401­004.378  S2­C4T1  Fl. 77          7  Por  fim,  entendo  não  estar  comprovado  que  o  contribuinte  possuí  beneficiários do plano de saúde, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetuada no valor de  R$ 3.883,54.   CONCLUSÃO  Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário.  É como voto.    Carlos Alexandre Tortato.                              Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS

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Numero do processo: 13631.000173/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 60          1 59  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13631.000173/2011­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.604  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  GASPAR DUTRA MACHADO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não  se  conhece de  apelo  à  segunda  instância,  contra decisão de  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  quando  formalizado  depois  de  decorrido  o  prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.  Recurso Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, nos  termos do voto da relatora.  João Bellini Júnior ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)    Alice Grecchi ­ Relatora.  (Assinado digitalmente)  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente),  Amilcar  Barca  Teixeira  Junior,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Luciana  de  Souza  Espíndola  Reis,  Alice  Grecchi,  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Gisa  Barbosa  Gambogi,  Fabio  Piovesan Bozza.   Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 1. 00 01 73 /2 01 1- 12 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 Em  nome  do  contribuinte  acima  identificado  foi  lavrada  a  Notificação  de  Lançamento  (fls. 4/9),  em 10/01/2011,  relativo ao  Imposto  sobre a Renda de Pessoa Física  ­  IRPF, exercício 2010, que resultou em crédito tributário total apurado no valor de R$ 5.982,51,  sendo R$ 3.274,68 de IRPF Suplementar, R$ 2.456,01 de multa de ofício e R$ 251,82 de juros  de mora (calculados até 01/2011).  Motivou o lançamento de ofício (fls. 06 e 07):  1)  A Omissão  de  Rendimentos,  no  valor  total  de  R$  72.063,48,  recebidos  pelo  titular e pagos pelas pessoas  jurídicas  a  seguir discriminadas. A  fiscalização  solicitou  a  apresentação de Laudo Pericial emitido nos termos da legislação que trata da matéria relativa à  isenção aos portadores de moléstia grave:  a)  Pela  Fundação  Itaubanco,  CNPJ  61.155.248/000116,  no  valor  de  R$  43.218,96, com IRRF, no valor de R$ 3.061,33, estes já informados pelo contribuinte; e,  b)  Pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  CNPJ  29.979.036/000140,  no  valor  de  R$  28.844,52,  com  IRRF,  no  valor  de  R$  2.147,28,  estes  já  informados  pelo  contribuinte.  2)  A  dedução  indevida  contribuição  para  Previdência  Oficial  referente  a  rendimento  recebido  da  Fundação  Itaubanco,  CNPJ  61.155.248/000116,  no  valor  de  R$  359,73.  O  recorrente  apresentou  impugnação  em  12/04/2011  (  fls.  2/3),  alegando  preliminarmente  que  "Como  aposentado  do  Banco  Itau  (Fundação  BEMGE  ),  a  Fonte  Pagadora  após  receber  os  documentos  que  comprovaram  a  doença  grave  me  isentou  do  IR  e  não  está  mais  fazendo o desconto em folha de pagamento a partir do exercício que  foi apresentado  . Sendo que no  direito de ser restituído pelos anos que foram descontados apresentei a Declaração retificadora para  que seja apurado e comprovado a restituição do IR descontado."  No mérito,  aduz  ser  portador  de  moléstia  grave  (cardiopatia  grave)  tendo,  portando, direito à isenção do Imposto de Renda.  Juntou Laudo Pericial à fl. 12.  A Turma de Primeira Instância julgou, por maioria de votos, improcedente a  impugnação ementada assim:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2010  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA OFICIAL.  Considera­se como não impugnada a parte do lançamento com a  qual  o  contribuinte  concorda  ou  não  se  manifesta  expressamente.  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2010  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13631.000173/2011­12  Acórdão n.º 2301­004.604  S2­C3T1  Fl. 61          3 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.  A  isenção  está  condicionada  ao  reconhecimento  da  doença  através de  laudo pericial emitido por  serviço médico oficial  da  União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e se  aplica aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do  laudo que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi  contraída,  quando  identificada  no  laudo,  desde  que  correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O contribuinte foi cientificado do Acórdão 0942.442 ­ 6ª Turma da DRJ/JFA,  em 04/03/2013 (fl. 34).  Sobreveio recurso voluntário em 24/04/2015 ( fls. 40 e 41), acompanhado de  documentos (fls. 42 a 54).  Resumidamente, em sede recursal, repisou o fato de ser portador de moléstia  grave, fazendo jus ao benefício da isenção.  É o relatório.  Passo a decidir.  Voto             Conselheira Relatora Alice Grecchi  Primeiramente  cumpre  esclarecer  que,  havendo  referência  às  folhas  do  processo, trata­se do arquivo digitalizado, ou seja, do processo em formato PDF.  O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de  30  (trinta)  dias,  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  conforme  disposição  expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira  instância em 04/03/2013, conforme Aviso de Recebimento, fls. 34.   Em  25/03/2013  (fl.  36),  o  contribuinte  elaborou  requerendo  postulando  prorrogação de prazo para apresentar recurso, tendo em vista a remarcação de nova perícia.  Em  resposta,  a  Receita  Federal  encaminhou  ofício  ao  contribuinte,  com  negativa ao requerimento feito, por falta de previsão legal. O documento foi recepcionado em  03/04/2013, conforme Carta AR à fl. 38.   Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 Já o recurso foi apresentado em 24/04/2013 (fl. 40). Tem­se, portanto, que o  recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão  de primeira instância.  Nesse  sentido,  é  forçoso  concluir  pela  intempestividade  do  recurso,  o  que  torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42,  I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  –  de  primeira  instância,  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário,  por perempto.  Alice Grecchi ­ Relatora  (Assinado digitalmente)                                    Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 13873.000395/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. ATIVIDADES ESPORTIVAS. ESCOLA DE FUTEBOL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO É assegurado ao contribuinte a interposição de recurso voluntário nos trinta dias seguintes à intimação do acórdão que não acolher sua manifestação de inconformidade. Transcorrido esse prazo sem a apresentação do recurso, ocorre a preclusão do direito do contribuinte. O recurso protocolado após esse prazo é intempestivo, o que impede do seu conhecimento.
Numero da decisão: 1302-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13873.000395/2010­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.778  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  02 de fevereiro de 2016  Matéria  Simples Nacional  Recorrente  ZIGOMAR AUGUSTO JUNIOR ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2010  SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXERCÍCIO DE  ATIVIDADE  VEDADA.  ATIVIDADES  ESPORTIVAS.  ESCOLA  DE  FUTEBOL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO  INTEMPESTIVO  NÃO  CONHECIDO  É assegurado ao contribuinte a  interposição de recurso voluntário nos  trinta  dias  seguintes à  intimação do acórdão que não acolher sua manifestação de  inconformidade.  Transcorrido  esse  prazo  sem  a  apresentação  do  recurso,  ocorre  a  preclusão  do  direito  do  contribuinte.  O  recurso  protocolado  após  esse prazo é intempestivo, o que impede do seu conhecimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  NÃO  CONHECER do recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (Presidente),  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Eduardo  de  Andrade,  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita  Pimenta  Félix.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira Ana  de  Barros  Fernandes Wipprich.  Integrou  o  Colegiado  o  Conselheiro  Paulo  Mateus Ciccone.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 03 95 /2 01 0- 01 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL     2   Relatório  A DRF indeferiu pedido da recorrente de  inclusão no Simples Nacional em  virtude do exercício de atividade econômica vedada: 9319­1/98 – Outras atividades esportivas  não  especificadas  anteriormente.  O  indeferimento  fundamentou­se  nas  disposições  da  Lei  Complementar – LC nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inc. XI.  Expediu­se, em 11/06/2010, Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples  Nacional, em conformidade com a Lei Complementar – LC nº 123, de 14/12/2006.  Não  consta  dos  autos,  termo  de  intimação  para  ciência  do  termo  de  indeferimento, nem mesmo aviso de recebimento.  A  recorrente  alegou  em manifestação  de  inconformidade  (30/06/2010)  que  exerce atividade de escola de futebol e comércio varejista de artigos de vestuário, acessórios e  calçados em geral. Apresenta requerimento de empresário registrado na JUCESP. Diz que não  há restrição que ocasione tal indeferimento.  Registra  que  houve  equívoco  ao  se  registrar  o  CNAE  9319­1/99  sem  discrição em sua atividade e sem razão de ser. Informa que esse equívoco foi corrigido, com a  exclusão do código CNAE indevido.  Requereu  o  enquadramento  no Simples Nacional  e  a  anulação  do  termo de  indeferimento.  A  DRJ  ratificou  a  conclusão  da  DRF  mantendo­se  a  exclusão  do  Simples  Nacional.  O  recorrente  foi  intimado de  tal decisão, em 09/12/2013  (fl. 29). O  recurso  voluntário  foi  protocolado  em  13/01/2014  (fl.  31).  Assinou  o  recurso  o  próprio  recorrente,  juntando­se  os  documentos  de  empresário.  A  DRJ  emitiu  despacho  de  encaminhamento  ao  Carf, em 22/01/2014, no qual registrou­se a intempestividade do recurso.  O  recurso  voluntário  não  apresenta  qualquer  justificativa  –  justa  causa  ou  força maior – para o protocolo intempestivo da petição. Apresentaram­se os mesmos termos da  manifestação de inconformidade.  É o relatório.    Voto             Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL  Em  cumprimento  às  disposições  do  Dec.  70.235/72,  art.  35  –  o  recurso,  mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção –  conheço do recurso e passo a analisar a tempestividade do recurso voluntário.  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13873.000395/2010­01  Acórdão n.º 1302­001.778  S1­C3T2  Fl. 3          3 Verificou­se  que  a  recorrente  foi  regularmente  intimada,  via  postal,  em  09/12/2013, quarta­feira (fl. 29), do acórdão da DRJ que acolheu os fundamentos da decisão da  DRF e manteve o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional.  Assegurou­se, assim, o direito a interposição de recurso voluntário no prazo  de  30  dias  seguintes  da  ciência  da  citação,  em  conformidade  com  as  disposições  do  Dec.  70.235/72,  art.  33  ­  Da  decisão  caberá  recurso  voluntário,  total  ou  parcial,  com  efeito  suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.  A  contagem de  prazo  no  processo  administrativo  fiscal  deve  seguir  a  regra  contida no art. 5º e parágrafo único do referido Dec. 70.235 ­ Art. 5º Os prazos serão contínuos,  excluindo­se na sua contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento. Parágrafo único.  Os  prazos  só  se  iniciam  ou  vencem  no  dia  de  expediente  normal  no  órgão  em  que  corra  o  processo ou deva ser praticado o ato.  Realizando­se  a  contagem  do  prazo  limite  para  a  interposição  do  recurso  voluntário, com base nas regras acima, verifica­se que, em 08/01/2014 foi o último dia para o  protocolo da petição.  Na primeira folha da petição de recurso voluntário, no canto superior direito,  verifica­se  a  impressão  eletrônica  de  protocolo  de  recebimento  da  DRF  Botucatu:  “13/JAN/2014 10:56” (fl. 31). Portanto, após a referida data limite.  Note­se que, a partir de 08/01/2014 estava precluso o direito de o recorrente  interpor recurso voluntário. O referido protocolo de 13/01/2014, portanto, não produz efeitos.  Entende­se como inexistente. Não passível de ser apreciado.  Nos  termos  do Dec.  70.235/72,  art.  42  ­  são  definitivas  as  decisões:  I  ­  de  primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;  Parágrafo único ­ Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não  for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por sua vez, o art. 17  ­ Considerar­se­á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo  impugnante.  A  falta  de  apresentação  de  justa  causa  ou  motivo  de  força  maior,  como  possível justificativa pela interposição intempestiva do recurso voluntário impede a apreciação  dos  fatos  e  fundamentos  de  mérito.  Em  conformidade  com  as  disposições  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC,  aplicável  subsidiariamente,  nesse  caso,  art.  183  ­  decorrido  o  prazo,  extingue­se,  independentemente  de  declaração  judicial,  o  direito  de  praticar  o  ato,  ficando  salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa.   Somente  se  o  recorrente  houvesse  arguido  em  preliminar  questões  sobre  a  tempestividade  e  houvesse  fundamento  para  o  acolhimento,  caberia  a  apreciação  das  razões  pelas quais pretendia­se reformar o acórdão recorrido. No caso, as razões pelas quais pretendia  seu enquadramento no Simples Nacional e a revogação do referido termo de indeferimento de  opção pelo Simples Nacional.  Por  todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do  recurso voluntário,  em decorrência da comprovada preclusão, por transcurso do prazo limite de 30 dias seguintes à  ciência  do  acórdão  da  DRJ  (art.  33  do  Dec.  70.235/72),  sem  a  interposição  do  recurso  voluntário.  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL     4 ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator                                Fl. 45DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL

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6400689 #
Numero do processo: 16327.000813/2001-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. A transferência da responsabilidade por sucessão dos créditos tributários aplica-se tanto aos tributos como às penalidades pecuniárias, abrangendo, ainda, tanto os créditos tributários já definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos e os constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data da sucessão. RESP 923.012/MG - decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, obrigatoriamente reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9202-003.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 484          1 483  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  16327.000813/2001­46  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.970  –  2ª Turma   Sessão de  10 de maio de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  Fazenda Nacional  Interessado  Acma Participações Ltda.    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  RETIDO  NA  FONTE ­ IRRF  Exercício: 1997  MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR  INFRAÇÃO.  SUCESSÃO  DE  EMPRESA  POR  INCORPORAÇÃO.  MULTA  EXIGIDA  DA  EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO.  A transferência da responsabilidade por sucessão dos  créditos  tributários aplica­se  tanto  aos  tributos como  às  penalidades  pecuniárias,  abrangendo,  ainda,  tanto  os créditos tributários já definitivamente constituídos  ou  em  curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos  e  os  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias surgidas até a referida data da sucessão.   RESP  923.012/MG  ­  decisão  definitiva  de  mérito,  proferida  pelo  STJ  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do  CPC),  com  trânsito  em  julgado  em  04/06/2013,  obrigatoriamente  reproduzida  pelos  Conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF,  conforme  o  disposto  no  §  2º  do  art.  62  do Anexo  II  do  atual Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 13 /2 00 1- 46 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 485          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso. Votaram  pelas  conclusões  os Conselheiros  Patrícia  da  Silva, Gerson  Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez.   (Assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior – Relator  (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Rita  Eliza Reis  da Costa  Bacchieri, Maria Helena Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e  Gérson Macedo Guerra.  Relatório  Em  litígio,  o  teor  do Acórdão  nº  106­16.913,  prolatado  pela  6a  Câmara  do  então 1o. Conselho de Contribuintes, na  sessão plenária de 29 de maio de 2008  (e­fls. 187 a  198),  objeto  de  posterior  decisão  integrativa  em  sede  de  embargos,  oriunda  da  2a  Turma  Ordinária  da  1a.  Câmara  da  2a  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de julho de 2012 (Acórdão 2101­001.769, de e­fls.  206  a  208). Ali,  por maioria  de votos,  deu­se  parcial  provimento  ao Recurso Voluntário,  na  forma de ementas e decisões a seguir:  Acórdão 106­16.913  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF, primordialmente, presta­ se como um instrumento de controle criado pela Administração  Tributária para dar segurança e  transparência à relação  fisco­ contribuinte,  que  objetiva assegurar ao  sujeito passivo  que  seu  nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e  que o agente fiscal nele indicado recebeu do fisco a incumbência  para  executar  aquela  ação  fiscal.  Ocorrendo  problemas  com o  MPF,  não  seriam  invalidados  os  trabalhos  de  fiscalização  desenvolvidos,  nem  dados  por  imprestáveis  os  documentos  obtidos  para  respaldar  o  lançamento  de  créditos  tributários  apurados,  vez  que  a  atividade  de  lançamento  é  obrigatória  e  vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei  como  necessária  e  suficiente  para  ensejar  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  poderia  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.   MULTA DE OFÍCIO – EXCLUSÃO – SUCESSÃO SOCIEDADE  DE  AÇÕES  TRANSFORMADA  PARA  QUOTAS  –  Incabível  a  exigência de multa de oficio da sucessora por infração cometida  pela sucedida, salvo se apurada antes do evento.  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 486          3 Decisão: por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Giovanni  Christian  Nunes  Campos,  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Ast4rga  (suplente convocado) e Ana Maria Ribeiro dos Reis que negaram  provimento ao recurso.  Acórdão 2101­001.769 (Decisão integrativa)  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  RETIDO  NA  FONTE  ­  IRRF  Exercício: 1997 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. SUCESSÃO.  SOCIEDADE  DE  AÇÕES  TRANSFORMADA  PARA  QUOTAS.  Incabível  a  exigência  de  multa  de  ofício  da  sucessora  por  infração  cometida  pela  sucedida,  salvo  se  apurada  antes  do  evento.   Recurso voluntário provido em parte.   Embargos de declaração acolhidos.  Cientificada  a  Fazenda  Nacional  da  decisão  em  08/10/2012  (e­fl.  209),  insurgindo­se contra aquela, sua Procuradoria apresenta, no mesmo dia 08/10/2012 (e­fl. 211),  Recurso  Especial,  com  fulcro  no  art.  67  do  anexo  II  ao  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo Fiscal  aprovado pela Portaria MF no.  256, de 22 de  julho de 2009,  então  em  vigor quando da propositura do pleito recursal (e­fls. 212 a 229).  O  recurso  foi  admitido  pelos  despachos  de  e­fls.  231  a  232,  rejeitada  a  divergência em relação ao primeiro paradigma, Acórdão 105­16.233, de lavra da 5a. Câmara do  então  1o.  Conselho  de  Contribuintes,  uma  vez  que  este  foi  reformado  pela  2a.  Turma  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9.101­001.527, de 22/11/2012). Caracterizada  divergência,  todavia,  em  relação  ao  decidido  pela  mesma  2a.  Turma,  agora  no  Acórdão  CSRF/02­02.396, prolatado em 25 de julho de 2006, de ementa e decisão a seguir transcritas.  Acórdão CSRF/02­02.396  COFINS  – DECADÊNCIA.  O  prazo  para  a  Fazenda  Nacional  lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento  da Seguridade Social – Cofins é de dez anos, contado a partir do  1º  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  crédito  da  contribuição poderia haver sido constituído.  MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde  o  sucessor  pela  multa  de  natureza  fiscal.  O  direito  dos  contribuintes  às  mudanças  societárias  não  pode  servir  de  instrumento  à  liberação  de  quaisquer  ônus  fiscais  (inclusive  penalidades),  ainda  mais  quando  a  incorporadora  conhecia  perfeitamente o passivo da incorporada (g.n.).  Recurso especial negado  Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso,  nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Adriene Maria  de  Miranda  que deu provimento parcial ao recurso para afastar a multa de  ofício,  Antonio  Carlos  Atulim  que  deu  provimento  parcial  ao  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 487          4 recurso para reconhecer a decadência e Maria Teresa Martínez  Lopez  e  Valdemar  Ludvig  (Substituto  convocado)  que  deram  provimento integral ao recurso.  Preliminares rejeitadas.  Recurso negado.  Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que:  a) ao afastar a exigência da multa de oficio, o colegiado a quo  limitou­se a  proceder à exegese literal do disposto no art. 132 do Código Tributário, dissociada das demais  normas constantes no mesmo capítulo do CTN, principalmente do art. 129 do referido diploma  legal;  b)  constituindo­se  regra  geral,  o  art.  129  deve  ser  aplicado  a  todas  as  disposições sobre a responsabilidade dos sucessores. Portanto, o artigo 132 do CTN deve ser  interpretado  como  se  referindo  a  "crédito  tributário"  (o  que  inclui  a multa  de  oficio),  e  não  apenas a "tributo", como ocorreria numa interpretação literal do art. 132;  c) cumpre  ressaltar,  ainda, que não se desconhece que parte da doutrina —  ressalve­se, minoritária — entende que o art. 132 do CTN teria previsto a responsabilidade do  sucessor  apenas  pelos  créditos  tributários,  sentido  estrito,  devidos,  pela  pessoa  jurídica  sucedida, e não pelas multas decorrentes de  lançamento de oficio para exigir os  tributos não  pagos  pelo  sucedido.  Segundo  essa  corrente,  a  multa  não  seria  transmissível  em  função  do  "princípio da personalização da pena", que prevê que "a punição não deve passar da pessoa do  infrator".  Assim,  tal  principio  impediria  que  pessoas  jurídicas  sucessoras  de  sociedades  incorporadas fossem responsabilizadas por multas fiscais, decorrentes de atos das incorporadas.  A propósito,  entende que não é necessário esforço para  se ver que os princípios oriundos de  outras áreas do direito são inadequados para orientar a interpretação das normas que regem a  sucessão entre pessoas  jurídicas no âmbito do direito  tributário.  Isto  resta claro ao se utilizar  um  principio  de  direito  penal  para  tentar  delimitar  o  sentido  de  uma  norma,  sobre  sucessão  tributaria: o princípio da personalização da pena se refere às penas intransmissíveis, dispostas  nas  leis penais, que são  aquelas que possuem como característica a  "corporalidade", ou seja,  tratam  de  punições  corporais.  As  penas  que  incidem  sobre  o  patrimônio,  não  são  penas  corporais.  Desse  modo,  a  contrario  sensu,  podem  ser  transmitidas  a  terceiros.  A  punição  prevista pela lei tributária onera o patrimônio do contribuinte, que é composto de todos os seus  direitos  e  obrigações.  Este  patrimônio  é  transmitido,  mediante  a  incorporação  ou  fusão,  cabendo ao sucessor o ônus de responder por tais obrigações;  d)  a  doutrina  majoritária  subscreve  o  entendimento  de  que  o  sucessor  é  o  responsável pelas multas devidas pelo sucedido, pois as multas, conforme o art. 113 do CTN,  são obrigações tributárias;  e) a  tese da  intransmissibilidade das multas  fiscais pode dar oportunidade a  inúmeras  fraudes,  pois  as  pessoas  jurídicas  poderiam  se  livrar  das multas mediante  simples  incorporação da empresa sonegadora. Este é também o entendimento da Ministra do Superior  Tribunal de  Justiça Eliana Calmon, que  afirmou,  inclusive,  estar  acompanhada pela doutrina  mais atual. Transcreve o entendimento da e. Ministra, verbis:  " (...) Contudo, mesmo doutrinariamente, na atualidade, sinaliza­ se  para  prevalência  da  tese  de  que  a  responsabilidade  dos  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 488          5 sucessores  estende­se  às  multas,  sejam  elas  moratórias  ou  punitivas, pelo fato de integrarem o passivo da empresa sucedida  (...) (STJ, 2 Turma, Resp 32967/RS, rel. Min. Eliana Calmon, DJ  de 20/03/2000.)  f)  esse  entendimento  sempre  prevaleceu  na  jurisprudência  do  Superior  Tribunal de Justiça (ementas transcritas);   g) o Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente ao Fisco, aduzindo  que o princípio da personalização da pena não tem guarida no direito tributário, e que a tese da  intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de  fraude  ao  Fisco  (Recurso  Extraordinário  n.  83.613/SP).  Não  diverge  desse  entendimento  a  jurisprudência do CARF, conforme o Acórdão CSRF/02­02.589 (ementa transcrita);  h)  ademais,  deve­se  considerar  que  a  responsabilidade  pelo  pagamento  da  multa  de  oficio  é  objetiva  (art.  136  do  CTN),  o  que  torna  irrelevante  eventual  boa  fé  da  empresa  sucessora  no  pagamento  dos  tributos  lançados  de  oficio.  A  análise  de  caráter  subjetivo,  no  que  se  refere  a  multa  de  oficio,  está  adstrita  à  sua  qualificação  por  conduta  fraudulenta, o que não se discute nestes autos;  i) cabe lembrar ainda que o Código Civil, ao disciplinar a transformação das  sociedades, visando evitar o enriquecimento sem causa, possui regra expressa quanto ao direito  creditório, senão vejamos:  Art.  1.115. A  transformação não modificará nem prejudicará,  em qualquer  caso, os direitos dos credores.  Parágrafo Único. A  falência da sociedade transformada somente produzirá  efeitos em relação aos sócios que, no tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os  titulares de créditos anteriores à transformação, e somente a estes beneficiará.  j) não bastasse, é de se  lembrar que a Lei das Sociedades Anônimas dispõe  em  seu  art.  227  que  a  incorporadora  sucede  a  incorporada  em  todos  os  seus  direitos  e  obrigações, não limitando a natureza jurídica das obrigações;  l) Finalmente, destaque­se que não existe nenhum dispositivo legal expresso  que isente a incorporadora do pagamento da multa de oficio. E, em matéria de benefício fiscal,  o CTN exige interpretação literal (art. 111);  m)  Isto  posto,  não  resta  dúvida  de  que  a  empresa  sucessora  é  responsável  pelo pagamento de todo o crédito tributário devido pela sucedida, o que inclui tributo e multa,  revelando­se irrelevante a circunstância da exigência fiscal ter sido formalizada antes ou depois  da incorporação;  Requer, assim, que seja dado provimento ao presente recurso, para que seja  reformado o r. acórdão recorrido e restabelecida a exigência da multas de oficio.   Encaminhados  os  autos  à  autuada  para  fins  de  ciência,  ocorrida  em  05/02/2015  (e­fl. 273), o contribuinte apresentou Recurso Especial de  sua  iniciativa de e­fls.  275 a 326, que  teve  sua  admissibilidade negada,  consoante despachos de  e­fls.  401 a 406 e,  ainda, contrarrazões de e­fls. 331 a 337, nestas últimas alegando:  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 489          6 a)  Que,  com  base  nos  elementos  constantes  nos  autos,  verifica­se  que  a  transformação  do  Banco  Itamarati  S/A  na  recorrente  ocorreu  em  03/03/97,  conforme  comprovado  pela  Ata  de  Assembleia  Geral  Extraordinária  realizada  naquela  data.  Assim,  incontroverso que os fatos geradores do IRRF em questão ocorreram em 30/04/96 e 29/05/96,  portanto,  muito  antes  da  transformação,  vindo  o  auto  de  infração  a  ser  lavrado  na  data  de  25/01/2001,  posteriormente,  portanto,  à  data  da  transformação.  Ou  seja,  na  data  da  transformação, o crédito tributário não se encontrava constituído, nem a multa formalizada;  b)  O  artigo  132  do  CTN  determina,  clara  e  expressamente,  que  a  pessoa  jurídica sucessora, é responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica sucedida, deixando  patente  que  essa  responsabilidade  limitar­se­ia  aos  tributos,  e  não  às  multas.  Reproduz  entendimento  do  STF  (ERE  n°.85.511­SP,  de  23.02.1978,  Pleno),  que  sustentaria  tal  posicionamento, bem como posicionamento doutrinário no mesmo sentido,   c)  Ressalta,  ainda,  que  a  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  julgou  o  Recurso  Especial  n°  923.012,  sujeito  ao  procedimento  do  artigo  543­C  do  Código de Processo Civil (recursos repetitivos), e pacificou o entendimento de que a multa que  integra o patrimônio da  empresa  sucedida,  e,  portanto,  é  transferida  ao  sucessor,  é  aquela  já  constituída até a data da infração. Assim, se a multa fiscal não está constituída, formalizada, na  data da sucessão, o sucessor da sociedade incorporada não absorve a penalidade fiscal;  d) Finalmente, reproduz a Súmula CARF no. 47, para sustentar que somente é  cabível a imputação da multa à sucessora, por infração cometida pela sucedida quando provado  que as sociedades pertenciam a um mesmo grupo econômico. Assim, a contrário senso, se as  empresas sucedida e sucessora não estavam sob controle comum (como no caso sob análise),  nem pertenciam ao mesmo grupo econômico,  incabível a aplicação da multa à sucessora por  infração cometida pela sucedida.  e) Destarte, conclui pela absoluta inaplicabilidade da multa de ofício ao caso  em  tela,  vez  que  a  ora  recorrente  é  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  sucessora  de  outra  sociedade, e, nos termos do artigo 132 do CTN, somente os tributos em si poderiam a ela ser  imputados, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional,  mantido o Acórdão recorrido quanto ao decidido nesta seara;  Posteriormente, cientificado do não seguimento ao seu Recurso Especial  (e­ fl. 411), a contribuinte informou, através de expediente de e­fls. 413 a 442,  ter ajuizado ação  anulatória do débito fiscal em questão ­ Proc. no. 0018739­10.2015.4.03.6100, declarando ter  realizado  o  depósito  judicial  do  montante  em  litígio,  requerendo,  assim,  a  suspensão  da  exigibilidade do débito em questão.  Faz  notar,  todavia,  em  seu  expediente,  o  contribuinte  não  ser  a  multa  de  ofício objeto da ação judicial, uma vez que a mesma já teria sido exonerada pelo CARF (vide  e­fl. 421).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 490          7 Pelo  que  consta  no  processo  quanto  à  sua  tempestividade,  às  devidas  apresentação  de  paradigma  consistente  e  indicação  de  divergência,  o  recurso  atende  aos  requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço.   Inicialmente,  discordo da  argumentação do contribuinte quanto  à existência  de  falta  de  interesse  de  agir  quanto  à  eventual  ação  judicial  no  que  diz  respeito  à multa  de  ofício, uma vez que, note­se, permanece a mesma em litígio em sede administrativa a partir da  existência  de Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  não  tendo  a  exoneração  proposta  pela  autoridade julgadora a quo, assim, se revestido de caráter definitivo.  A  propósito,  ressalto  também  que,  ainda  que  se  adote  aqui  uma  ótica  de  desistência  de  discussão  em  sede  administrativa,  creio  não  se  estar  diante  de  caso  de  concomitância entre os feitos administrativos e judicial.   De se concluir neste sentido ao se notar que se limitou a autuada, em sede de  ação  judicial,  a  arguir  a  nulidade  do  auto  de  infração,  visto  que  lavrado  por  pessoa  incompetente e argumentar que a operação em análise não estaria sujeita à retenção à alíquota  de 15%, maa sim à alíquota de 10% consoante determinado pelo art. 81 da Lei no. 8.981, de 20  de  janeiro  de  1995.  Defendeu,  ainda,  a  inaplicabilidade  dos  juros  de  mora,  bem  como,  subsidiariamente, caso se entenda os referidos juros como devidos, que sua incidência estaria  limitada  a  partir  de  abril  de  2002.  Todavia,  de  se  notar  ter  a  contribuinte  excluído  expressamente da discussão em sede juidicial (vide primeiro parágrafo de e­fl. 421) a matéria  referente à aplicabilidade da multa de ofício, não havendo, assim, como neste caso se cogitar  de desistência da discussão administrativa por conta do referido feito judicial.  Assim, uma vez descartada a hipótese de concomitância, passo à análise do  mérito do Recurso da Fazenda Nacional.   Acerca  do  tema,  alinho­me  aqui  ao  entendimento  esposado  pelo  Relator,  Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no âmbito do Acórdão CSRF 9101­002.226, de lavra da  1a. Turma da Câmara Superior, que estabelece de forma bastante clara a interpretação correta a  ser dada ao REsp 923.012/MG (citado,  inclusive em sede de  contrarrazões pela  autuada), de  forma  a  que  se  dê,  aqui,  correto  cumprimento  ao  disposto  no  art.  62,  §  2o.  do  Regimento  Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 06 de junho de 2015, verbis.   (...)  O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do RESP n°  923.012/MG  sob  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (Art.  543C  do  CPC),  manifestou  o  seguinte  entendimento  sobre  a  matéria em pauta:  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543C,  DO  CPC.  RESPONSABILIDADE POR  INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE  EMPRESAS.ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  INCLUSÃO  DE  MERCADORIAS  DADAS  EM  BONIFICAÇÃO.  DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC  N.º  87/96.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª  SEÇÃO,  NO  RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543­C DO  CPC.  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 491          8 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além  dos  tributos  devidos  pelo  sucedido,  as multas moratórias  ou  punitivas,  que,  por  representarem  dívida  de  valor,  acompanham  o  passivo  do  patrimônio  adquirido  pelo  sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a  data da  sucessão.  (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  21/05/2009,  DJe  08/06/2009;  REsp  959.389/RS,  Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  07/05/2009,  DJe  21/05/2009;  AgRg  no REsp  1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  23/04/2009,  DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel.  Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em  24/10/1990, DJ 19/11/1990)  2.  "(...)  A  hipótese  de  sucessão  empresarial  (fusão,  cisão,  incorporação), assim como nos casos de aquisição  de  fundo  de  comércio  ou  estabelecimento  comercial  e,  principalmente,  nas  configurações  de  sucessão  por  transformação  do  tipo  societário  (sociedade  anônima  transformando­se  em  sociedade  por  cotas  de  responsabilidade  limitada,  v.g.),  em verdade, não encarta  sucessão  real,  mas  apenas  legal.  O  sujeito  passivo  é  a  pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir  juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto,  a multa  fiscal  não  se  transfere,  simplesmente  continua  a  integrar o passivo da empresa que é:  a)  fusionada;  b)  incorporada;  c)  dividida  pela  cisão;  d)  adquirida;  e)  transformada.  (Sacha  Calmon  Navarro  Coêlho,  in  Curso  de  Direito  Tributário  Brasileiro,  Ed.  Forense, 9ª ed., p. 701)  [...]  VOTO   [...]  No  tocante  ao  segundo  ponto  suscitado,  qual  seja,  a  responsabilidade  da  sucessora  empresa  incorporadora  pela  multa  aplicada  à  empresa  incorporada,  impõe­se  o  conhecimento  do  recurso,  ante  o  preenchimento  dos  requisitos de admissibilidade recursal.  Deveras,  a  questão  não  é  nova  nesta  Corte  Superior,  consoante dessume­se dos seguintes precedentes:  [...]Com efeito, não é outra a conclusão que desponta de  uma  interpretação  conjunta  dos  dispositivos  legais  pertinentes,  sitos  na  Seção  II,  do  Código  Tributário  Nacional, que versa a Responsabilidade dos Sucessores,  in verbis:  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 492          9 [...]  Deveras, conquanto os arts. 132 e 133 do CTN refiram­se  tão  somente  aos  tributos  devidos  pelos  sucedidos,  se  interpretados  tais  dispositivos  conjuntamente  com  o  art.  129,  chega­se  à  conclusão  de  que  a  regra  naqueles  insculpida  aplica­se  também  aos  créditos  tributários  definitivamente constituídos ou em curso de constituição.  Nesse  segmento,  tem­se  que  os  "créditos  tributários"  mencionados  no  aludido  art.  129,  na  ótica  do  legislador,  compreendem  não  apenas  aqueles  decorrentes  de  tributos,  mas  também  os  oriundos  de  penalidades  pecuniárias,  consoante  dessume­se  do  art.  113,  §  1º,  do  Codex Tributário, litteris:  [...]  Nesse  sentido,  Sacha  Calmon  Navarro  leciona  que,  in  verbis:  [...]  Ex positis, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial.  Primeiramente  registro  que  a  questão  ora  examinada  sempre  ganha  relevância  quando a  autuação  fiscal  é  realizada  após  o  ato  de  incorporação  (como  aconteceu  aqui),  não  havendo  controvérsia  sobre  a  responsabilização  pela  multa  quando  ela  formalmente  já  faz  parte  do  passivo  da  empresa  a  ser  incorporada, ou seja, quando a autuação fiscal ocorre antes da  incorporação.  Digo isso porque é importante notar que a interpretação do STJ  não faz qualquer distinção motivada por um confronto entre o  momento da autuação fiscal e a data do evento societário. Ao  contrário,  ela  leva  em  conta  apenas  a  data  do  fato  gerador,  independentemente  de  o  lançamento  ter  ocorrido  antes  ou  depois do evento societário.   De  acordo  com  a  ementa  e  o  voto  acima  transcritos:  no  que  toca  à  sessão  do  CTN  que  trata  da  "Responsabilidade  dos  Sucessores",  a  expressão  "créditos  tributários"  compreende  não  apenas  aqueles  decorrentes  de  tributos,  mas  também  os  oriundos  de  penalidades  pecuniárias;  as  normas  de  responsabilização  aplicam­se  tanto  aos  créditos  tributários  definitivamente  constituídos,  quanto  aos  em  curso  de  constituição;  e  a  responsabilidade  tributária  do  sucessor  abrange  também  as  multas  (moratórias  ou  punitivas),  desde  que seu fato gerador (infração tributária) tenha ocorrido até a  data da sucessão.  Outro  aspecto  relevante  é  que  o  STJ  reconhece  a  responsabilidade tributária do sucessor pelas multas, sem fazer  qualquer  ressalva  quanto  à  existência  de  relação  societária  Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 493          10 entre  as  empresas  envolvidas  (envolvimento  dos  mesmos  administradores). (g.n.)  Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, ao proferir  o Acórdão nº 9101­001.967, na sessão de 19/08/2014, examinou  essa mesma decisão do STJ, ocasião em que fiquei vencido pela  interpretação que dela fiz, nos termos acima mencionados.  O  voto  que  orientou  o  referido  Acórdão  nº  9101­001.967,  com  uma  interpretação  contrária  àquela  por  mim  manifestada,  apresentou  o  seguinte  entendimento  em  relação  à  decisão  do  STJ:  Assim,  tem­se  que  a  posição  do  STJ  não  contraria  o  conteúdo do acórdão recorrido, pois caso o lançamento de  crédito decorrente de fato gerador praticado pelo sucedido,  seja efetuado após a extinção por  incorporação, este não  integrará  o  passivo  adquirido  pelo  sucessor,  razão  pela  qual sua responsabilidade fica afastada.  Ocorre que, após o processamento de  embargos de declaração  interpostos  contra  a  referida  decisão  do  STJ  no  RESP  n°  923.012/MG,  aquele  tribunal  afastou  qualquer  polêmica  ou  dúvida  que  poderia  existir  sobre  o  significado  de  seu  posicionamento,  conforme  esclarece  a  própria  ementa  do  julgamento dos embargos:  EMENTA   EMBARGOS  DECLARATÓRIOS  EM  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  RESPONSABILIDADE POR  INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE  EMPRESAS  (INCORPORAÇÃO).  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  EXCLUSÃO  DE  MERCADORIAS  DADAS  EM  BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª.  SEÇÃO,  NO  RESP.  1.111.156/SP,  REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB  O  REGIME  DO  ART.  543­C  DO  CPC.  ASSERTIVA  DO  ACÓRDÃO  RECORRIDO  DE  QUE  NÃO  FICOU  COMPROVADA  ESSA  INCONDICIONALIDADE,  NA  HIPÓTESE  DOS  AUTOS.  AUSÊNCIA  DE  OMISSÃO,  CONTRADIÇÃO  OU  OBSCURIDADE.  PRETENSÃO  DE  ALTERAÇÃO  DO  JULGADO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO REJEITADOS.  1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo  que  o  recurso  de  embargos  de  declaração,  desafiado  contra  decisão  judicial  monocrática  ou  colegiada,  se  subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um  destes  requisitos:  (a)  obscuridade,  (b)  contradição  ou  (c)  omissão,  querendo  isso  dizer  que,  se  a  decisão  embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não  deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido.  Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 494          11 da  observância  rigorosa  desses  chamados  pressupostos  processuais, muito menos usar o  recurso  como  forma de  reversão pura e simples da conclusão do julgado.  2.  As  omissões  e  contradições  apontadas,  em  verdade,  não  ocorreram;  o  que  se  constata  é  que  o  contribuinte  pretende  reverter  o  resultado  do  julgamento,  tentando  fazer  prevalecer  seu  ponto  de  vista  sobre  os  temas  discutidos.  3. Quanto  ao  pedido  de  exclusão  da  base  de  cálculo  do  ICMS das mercadorias dadas em bonificação, [...]  4.  Tanto  o  tributo  quanto  as multas  a  ele  associadas  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal  fazem  parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa  incorporada  que  se  transfere  ao  incorporador,  de  modo  que  não  pode  ser  cingida  a  sua  cobrança,  até  porque  a  sociedade  incorporada  deixa  de  ostentar  personalidade jurídica.  5.  O  que  importa  é  a  identificação  do  momento  da  ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação  tributária,  e  do  ato  ou  fato  originador  da  sucessão,  sendo desinfluente, como restou assentado no aresto  embargado, que esse crédito já esteja formalizado por  meio  de  lançamento  tributário,  que  apenas  o  materializa. (g.n.)  6. Embargos Declaratórios rejeitados.  (...)  O  STJ,  portanto,  reconhece  a  responsabilidade  tributária  do  sucessor  pelas  multas  sem  fazer  qualquer  ressalva  quanto  à  existência  de  relação  societária  entre  as  empresas  envolvidas  (envolvimento dos mesmos administradores). Além disso, deixa  bastante  claro  que  essa  responsabilidade  independe  do  momento  da  autuação  fiscal  (se  antes  ou  depois  do  evento  societário).  De acordo com o STJ, a  leitura correta do Código Tributário  Nacional CTN é a seguinte:  ­ no que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade  dos  Sucessores",  a  expressão  "créditos  tributários"  compreende  não  apenas  aqueles  decorrentes  de  tributos, mas  também os oriundos de penalidades pecuniárias; e   ­  a  transferência  da  responsabilidade  por  sucessão  aplica­se,  por  igual,  aos  "créditos  tributários"  já  definitivamente  constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias  surgidas  até  a  referida data.  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 495          12 O  que  é  importante  perceber  quanto  ao  tema  da  responsabilidade  tributária  dos  sucessores,  é  que  a  referida  decisão do STJ não faz distinção de tratamento entre o tributo e  a multa que o acompanha.  Tratando­se de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do  CPC),  com  trânsito  em  julgado  em  04/06/2013,  e  considerando  o  disposto  no  §  2º  do  art.  62  do  Anexo  II  do  atual  Regimento  Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, tal  posicionamento  deve  ser  reproduzido  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Nesse  contexto,  não  há  como  afastar  a  multa  de  ofício  sob  exame.  (...)"  De  se  curvar,  assim,  também  esta  Câmara  Superior  ao  decidido  acima  no  âmbito  do REsp  923.012, decisum  vinculante  devidamente  esclarecido  consoante  apreciação  posterior  realizada  em sede de Embargos. Não há,  em meu  entendimento,  qualquer  reparo  à  correta  interpretação  do  teor  da  decisão  defendida  pelo  Relator  e  vencedora  no  âmbito  do  Acórdão CSRF 9.101­002.226, a qual também acedo  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da  Fazenda  Nacional,  para  fins  de  restabelecer  a  exigência  da  multa  de  ofício  para  a  autuada  (Acma Participações), visto que sucessora do Banco Itamarati S/A, sujeito passivo quando da  ocorrência dos fatos geradores objeto de lançamento, respectivamente em 30/04/96 e 29/05/96  (e­fl. 05).   É como voto.     (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior ­ Relator                           Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO

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6441881 #
Numero do processo: 10580.732576/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 2201-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.732576/2012­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.242  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de junho de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  VERA LUCIA CANGUSSU SILVEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2011  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do recurso, por intempestivo.                 Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente e Relator.      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Carlos  Cesar  Quadros  Pierre  e  Ana  Cecilia Lustosa da Cruz.  Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre  a  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  ano­calendário  2010,  consubstanciado  na  Notificação  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 25 76 /2 01 2- 51 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 Lançamento,  pela  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 1.578,53.  A autoridade fiscal apurou:  a) Omissão de Rendimento do Trabalho no valor de R$ 3.562,66;  b)  Omissão  de  Rendimento  Recebido  de  Pessoa  Jurídica  decorrente de Ação Trabalhista no valor de R$ 3.400,37 e IRRF  de R$ 175,30 e   c) Compensação  indevida de  imposto de  renda  retido na  fonte,  no valor de R$ 862,15.  Cientificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  O contribuinte contestou o lançamento através do instrumento de  fls.  02,  alegando  em  síntese,  que  o  valor  da  compensação  indevida de  imposto de  renda retido na  fonte de R$ 566,19, da  fonte  pagadora  CNPJ  05.898.818/0001­97  foi  retificada  em  13/06/2012.  As  demais  infrações  a  contribuinte  manifesta  concordância.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, por meio do Termo  de fl. 35 transferiu a parte não impugnada para o processo nº 18050.720067/2014­48.  A 21ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou improcedente a impugnação  apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  IMPOSTO  RETIDO  NA FONTE.  O  direito  à  compensação  de  imposto  de  renda  está  condicionado  à  comprovação  da  efetiva  retenção  na  fonte  pagadora dos rendimentos.  Impugnação Improcedente  Intimada da decisão de primeira instância em 18/07/2014, conforme Edital de  fl.  61,  a  autuada  apresenta  petição,  em  13/11/2014,  fl.  72,  solicitando  que  se  analise  a  Declaração de Rendimentos revisada da fonte pagadora Vera Lucia Cangussu Silveira.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator    De  início,  cumpre  aferir  a  tempestividade  do  apelo  apresentado  pela  contribuinte.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.732576/2012­51  Acórdão n.º 2201­003.242  S2­C2T1  Fl. 3          3 O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de  30  (trinta)  dias,  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  conforme  disposição  expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Como se colhe dos autos, a suplicante tomou ciência da decisão de primeira  instância  em  18/07/2014,  conforme  Edital  de  fl.  61.  Considerando  que  18/07/2014  foi  uma  sexta­feira,  dia  de  expediente  normal  na  repartição,  o  primeiro  dia  útil  após  a  ciência  da  decisão  de  primeiro  grau  foi  dia  21/07/2014,  uma  segunda­feira,  sendo  que  nesse  caso,  o  último  dia  para  a  apresentação  do  recurso  seria  19/08/2014,  uma  terça­feira.  Ocorre  que  o  recurso  foi  apresentado  em  13/11/2014,  fl.  72,  após  ultrapassado  o  prazo  de  30  dias  do  recebimento da decisão de primeira instância.  É  forçoso  concluir,  portanto,  pela  intempestividade  do  recurso  o  que  torna  definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I do  art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  –  de  primeira  instância,  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  Isso posto, não deve ser conhecido o recurso voluntário.    Ante ao exposto, voto por não conhecer o recurso, por intempestivo.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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