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Numero do processo: 10120.000485/00-10
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/10/1989 a 30/11/1991
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário Provido em Parte
Numero da decisão: 9900-000.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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(sucessora de BANCO DO ESTADO DE GOIÁS S/A) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/1989 a 30/11/1991 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 04 85 /0 0- 10 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.000485/0010 Acórdão n.º 9900000.875 CSRFPL Fl. 729 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Jorge Celso Freire da Silva, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0305.710, proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência do pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de Finsocial, referente ao período de apuração compreendido entre 31 de outubro de 1989 e 30 de novembro de 1991, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para apreciação do mérito, sob o argumento de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em cinco anos a contar da publicação da Medida Provisória nº 1.110, ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo o prazo em 31 de agosto de 2000. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido nos termos do despacho de fls. 323/324. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 338 a 342. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 729DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.000485/0010 Acórdão n.º 9900000.875 CSRFPL Fl. 730 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisão de outra turma da CSRF, que decidiu a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. O Colegiado recorrido entendeu que o termo inicial para restituição do Finsocial objeto destes autos seria da edição da Medida Provisória 1.110/95, e o final seria 31/08/2000. A seu turno, a Fazenda Nacional em seu extraordinário defende que o dies a quo seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, em atenção ao disposto no art. 168, I, do CTN c/c os arts. 3º e 4º da LC 118/2005. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre 31 de outubro de 1989 e 30 de novembro de 1991, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 31 de janeiro de 2000. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 730DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.000485/0010 Acórdão n.º 9900000.875 CSRFPL Fl. 731 4 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.000485/0010 Acórdão n.º 9900000.875 CSRFPL Fl. 732 5 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF. Por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito (31/01/2000), encontravamse alcançados pela prescrição apenas os créditos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a janeiro de 1990. Os indébitos referentes a fatos geradores ocorridos em períodos de apuração compreendidos a partir daquele mês (janeiro de 1990) não estavam prescritos. Com base nesses fundamentos, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do direito creditório. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 732DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13654.000792/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.
Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido.
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ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 07 92 /2 00 9- 16 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000792/200916 Acórdão n.º 2402004.743 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros, para a competência 08/2004. O Relatório Fiscal (fls. 17/20) informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receita bruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, a Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]” Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/09/2009 (fls. 01 e 33), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 36/102), alegando, em síntese, que era portadora do CEBAS. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0928.209 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 107/110) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação: 1. traz à colação quadro demonstrativo das renovações do CEBAS em relação ao período de 1999 a 2011, suscitando que em todo àquele lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se cogitando no descumprimento do artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias; 2. pretende sejam analisadas todas as questões arguidas em suas peças impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo judicial, por entender que o desfecho naquela esfera não produzirá efeitos necessariamente neste processo, uma vez que no período objeto de autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos para gozo da isenção sob análise. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias; 3. infere que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. 4. contrapõese ao lançamento e, bem assim, à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a entidade nunca perdeu sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte. Acrescenta que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal; 5. por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000792/200916 Acórdão n.º 2402004.743 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. I DA CONSTATAÇÃO DO VÍCIO O Fisco afirma que o Conselho Nacional de Assistência Social indeferiu a renovação do CEBAS para a Recorrente. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 [...]”. Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificarse, em sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação legal ensejadora da autuação. Ou seja, pelos fundamentos a seguir delineados, a motivação fática e jurídica do lançamento fiscal não estão em conformidade com a legislação tributária, nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988. Conforme se observa nos autos, mesmo tendo a autoridade tributária à sua disposição todos os documentos pertinentes à escrituração contábil – bem como os demais documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado pela Lei 12.101/2009 –, limitouse a justificar a autuação apenas pela existência do indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformado pelas instâncias judiciais ordinárias. Contudo, não houve a emissão de qualquer Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991, nem a observância se a entidade cumpria ou não os demais requisitos desse mesmo artigo. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente ((Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009): I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (g.n.) § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que os requisitos referemse a um rol exaustivo, incisos I a V, para que se possa gozar da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Dentro do quadro fático e jurídico, verificase que o Fisco não observou a necessidade de prévio cancelamento da imunidade/isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante disposto no § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 305, e seus parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, como condição à constituição do crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. “[...] Instrução Normativa SRP n° 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000792/200916 Acórdão n.º 2402004.743 S2C4T2 Fl. 5 7 fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. [...]” Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente. Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção ou está discutindo a matéria no âmbito judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. Em outras palavras, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento fiscal. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Por sua vez, constatase também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, bem como das informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreendese que a Recorrente possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Assim, ao realizar o lançamento, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação jurídica, que foram os §§ 1o e 4o, ambos do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica. Nesse passo, não existindo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, isso, por si só, enseja a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao devido processo legal. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes do lançamento fiscal, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal sem a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionado pelo equívoco do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000792/200916 Acórdão n.º 2402004.743 S2C4T2 Fl. 6 9 Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação formal, consoante previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991. II DA NATUREZA DO VÍCIO Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco, no Relatório Fiscal, delineou um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000792/200916 Acórdão n.º 2402004.743 S2C4T2 Fl. 7 11 Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para reconhecer a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10215.000205/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Data do fato gerador: 20/01/2005, 04/10/2005
PIS/PASEP E COFINS/IMPORTAÇÃO - REVISÃO ADUANEIRA. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. CABIMENTO.
Sendo a revisão aduaneira um procedimento de ofício, a exigência de crédito apurado submete-se à multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 3302-003.092
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o lançamento referente à diferença entre a multa referida nos "Termos De Formalização de Revisão Aduaneira"(75%) e a multa recolhida de (20%) em relação às 5 (cinco) DI's: 05/0070983-6 e 05/0071001-0 (registradas em 20/01/2005) 05/1070723-2; 05/1070724-0; 05/1070727-5 (registradas em 04/10/2005).
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE COM O DECURSO DO PRAZO DE SESSENTA DIAS. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 20/01/2005, 04/10/2005 PIS/PASEP E COFINS/IMPORTAÇÃO REVISÃO ADUANEIRA. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. CABIMENTO. Sendo a revisão aduaneira um procedimento de ofício, a exigência de crédito apurado submetese à multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o lançamento referente à diferença entre a multa referida nos "Termos De Formalização de Revisão Aduaneira"(75%) e a multa recolhida de (20%) em relação às 5 (cinco) DI's: 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005) 05/10707232; 05/10707240; 05/10707275 (registradas em 04/10/2005). [assinado digitalmente] AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 02 05 /2 00 6- 27 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de crédito tributário lançado através de auto de infração de fls. 02/18, no valor de R$ 284.556,50 (Duzentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e cinqüenta centavos), assim composto: O crédito lançado referese à cobrança de PIS/PASEPImportação e COFINSImportação em decorrência dos seguintes fatos apurados no referido auto de infração, cuja fundamentação será parcialmente transcrita: 1 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP e COFINS IMPORTAÇÃO A obrigatoriedade do recolhimento da contribuição do Pis/Pasep Importação e Cofins Importação está prevista nos arts. 1º; 3º, inc. I; 4º , inc. I; 5º , inc. I; 7º , inc. I; 8º , § 3º , inc. I; e 13, inc. I da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. A falta de recolhimento da contribuição Pis/Pasep e Cofins Importação, devida na nacionalização dos Tratores (NCM/TEC 8429.11.10) declarados nas DI's 05/00709836 e 05/00710010 que resultou da aplicação, no cálculo do tributo, de alíquota inferior à devida fica evidenciada no confronto dos valores dos tributos calculados pela planilha eletrônica com os pagamentos efetuados no momento do registro das citadas declarações por meio da Ficha Pagamento, conforme telas extraídas do SISCOMEX e os recolhimentos efetuados através de DARF Preto, após o registro das citada DI's cujas cópias foram apresentadas A Receita Federal pelo contribuinte.(grifei). Conforme se depreende do auto de infração e documentos instrutórios (DIs de fls.20/34; cópias de telas do SISCOMEX, fls.35/36; Termos de Formalização de Revisão Aduaneira e respectivos anexos, fls.37/56; manifestação do contribuinte contra os respectivos termos de revisão aduaneira, fl.57/59) o recolhimento parcial do Pis/Pasep e Cofins Importação das mercadorias nacionalizadas por meio das DI's 05/00709836 e 05/00710010 ( Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10215.000205/200627 Acórdão n.º 3302003.092 S3C3T2 Fl. 191 3 parametrizadas para o canal verde) foi constatado pela Receita Federal em outubro de 2005 por ocasião da conferencia das DI's 05/10707259 e 05/10707267 (parametrizadas para o canal vermelho que deflagrou a revisão aduaneira DI's: 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005) 05/10707232; 05/10707240; 05/10707275 (registradas em 04/10/2005). Apurada a irregularidade, o contribuinte foi intimado, em 18/10/05, através dos citados Termos de Formalização de Revisão Aduaneira a efetuar o recolhimento da diferença do Pis/Pasep e Cofins Importação decorrente da aplicação de alíquotas inferiores, acrescida da multa de 75% , por declaração inexata/falta de pagamento ( art. 645, I do RA) e juros de mora (art.161 do CTN) referente às DI's: 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005) 05/10707232; 05/10707240; 05/10707275 (registradas em 04/10/2005). Esclarece a fiscalização: Em 07/11/05 a Mineração Rio do Norte apresentou Impugnação ao Temo de Formalização de Revisão Aduaneira e, em 05/12/2005, antes da lavratura do Auto de infração para constituição do crédito tributário e, sendo o caso, instauração da fase litigiosa, conforme ritos do PAF (Decreto 70.235/72) efetuou o recolhimento de R$ 14.012,72 de Pis/Pasep referente A DI 05/00709836 e de R$ 12.813,25 de Pis/Pasep referente à DI 05/00710010. Ocorre que, conforme calculo efetuado na planilha eletrônica anexa à Norma de Execução Coana 06/2004, o valo do Pis/Pasep que deixou de ser recolhido no momento do registro da primeira DI foi RS 16.483,93 e no da segunda DI foi R$ 15.072,95 o que resulta num saldo devedor de R$ 2.471,21 na primeira DI e R$ 2.259,70 na segunda DI.(grifei). Em função do exposto, cobrase a diferença da referida contribuição somada aos acréscimos legais devidos. (...) efetuou o recolhimento de R$ 79.946,27 de COFINS referente à DI 05/00709836 e de R$ 73.103,03 de COFINS referente à DI 05/00710010. Ocorre que, conforme cálculo efetuado na planilha eletrônica anexa à Norma de Execução Coana 06/2004, o valor da COFINS que deixou de ser recolhido no momento do registro da primeira DI foi R$ 91.808,08 e no da segunda DI foi R$ 83.949,58 o que resulta num saldo devedor de R$ 11.861,81 na primeira DI e R$ 10.846,55 na segunda DI.(grifei). Em função do exposto, cobrase a diferença da referida contribuição somada aos acréscimos legais devidos. 2 FALTA DE RECOLHIMENTO DE MULTA DE OFÍCIO Conforme já destacado no item anterior, constatou a fiscalização que após a publicação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, a Recorrente estava aplicando ao cálculo das contribuições do Pis/Pasep Importação e Cofins Importação devidas na importação dos Tratores (NCM/TEC 8429.11.10), alíquota inferior à estabelecida no art. 8º , § 3º, inciso da Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 referida lei e que tal prática foi adotada no registro de sete DI's: 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005) 05/10707232; 05/10707240; 05/10707275; 05/10707259 e 05/10707267 (registradas em 04/10/2005) . Enfatiza a fiscalização: 1 Com relação ao Pis/Pasep: As cinco primeiras declarações foram parametrizadas para o canal verde, apenas as duas últimas cairam no vermelho. Constatada a irregularidade no momento da conferencia documental das DI's 05/10707259 e 05/10707267, estas tiveram o despacho interrompido até o momento em que o recolhimento da diferença dos tributos devidos foi efetuado, com o acréscimo da multa de oficio e, simultaneamente, foram formalizados Termos de Revisão das demais DI's para cientificar o contribuinte da constatação, pela Receita Federal, das irregularidades cometidas e intimálo a efetuar os recolhimentos devidos, acrescido da multa de 75%, por declaração inexata/ falta de pagamento. No dia do vencimento do prazo estabelecido no Termo de Revisão para efetuar os recolhimentos devidos, o contribuinte apresentou Impugnação aos Temos de Formalização de Revisão Aduaneira e, em 05/12/2005, antes da lavratura do Auto de infração para constituição do crédito tributário e, sendo o caso, instauração da fase litigiosa, conforme ritos do PAF (Decreto 70.235/721 efetuou o recolhimento de: a) R$ 14.012,72 referente à DI: 05/00709836; b) R$ 12.813,25 referente à DI: 05/00710010; c) R$ 12.023,17 referente à DI 05/10707240; d) R$ 11.868,10 referente à DI: 05/10707275; e) e R$ 12.644,90 referente à DI 05/10707232. 2 Com relação à Cofins Importação: No dia do vencimento do prazo (...) efetuou o recolhimento de: a) R$ 79.946,27 referente à DI: 05/00709836; b) R$ 73.103,03 referente à DI: 05/00710010; c) R$ 67.254,12 referente à DI 05/10707240; d) R$ 66.386,76 referente à DI: 05/10707275; e) e R$ 70.731,93 referente à DI 05/10707232. Ressalta ainda a fiscalização quanto à infração constatada, tanto com relação aos recolhimentos de Pis/Pasep e Cofins Importação: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10215.000205/200627 Acórdão n.º 3302003.092 S3C3T2 Fl. 192 5 Entretanto a empresa recolheu multas referentes a apenas 20% dos tributos recolhidos, em vez dos 75% que seriam cobrados no lançamento de oficio. Por oportuno vale registrar que , embora o contribuinte tenha efetuado os recolhimentos antes da lavratura do Auto, a espontaneidade no recolhimento fica excluída por ter ocorrido após inicio de procedimento administrativo relacionado com a infração e na vigência do prazo estabelecido no § 2° do art. 7 ° Decreto 70.235/72. Em função do exposto, e com respaldo no art. 44 da Lei 9.430/96 cobrase a diferença no recolhimento da multa de 75%, incidente sobre a diferença do recolhimento do (...) pago após o vencimento do prazo e inicio de procedimento fiscal previsto no inciso I do art 7° do Decreto 70.235/72.(grifei). Cientificada do auto de infração em 03/04/2006, fls. 02 e 10, a interessada apresentou em 05/05/2006, a impugnação, fls.73/77 aduzindo, em síntese: Recompõe inicialmente os fatos, ratificando a falta de recolhimento das contribuições PIS/COFINSIMPORTAÇÃO, devidas na nacionalização dos Tratores (NCM/TEC 8429.11.10) declarados nas DI'S acima já identificadas, que resultou da aplicação, no cálculo do tributo, de alíquota inferior à devida. Não houve mafé por parte da ora Impugnante no sentido ao recolher o imposto em valor inferior aquele que seria realmente devido em função da disposição legal. O que houve foi que a Impugnante utiliza para a realização desses cálculos o software "TecWin", fornecido pela empresa Aduaneiras, e que no momento do preenchimento com as informações sobre o equipamento que importou, o programa não apontou alíquotas diferentes daquelas que foram devidamente recolhidas o que terminou por gerar o equivoco. Constatado pela Impugnante o equívoco cometido, antes da lavratura do Auto de Infração epigrafado, especificamente em 05/12/2005, a MRN efetuou o recolhimento da diferença das contribuições, conforme faz prova com a cópia dos comprovantes em anexo; Pela visível atitude próativa e de cooperação da Impugnante para com a SRF, presumese imediatamente que ocorreu de sua parte a denunciação espontânea na forma da legislação, antes da lavratura do presente AI; Embora tenha o fiscal detectado divergência nos valores recolhidos, não cabe ao caso, visto que houve o recolhimento do imposto anteriormente a lavratura do AI, com a aplicação das penalidades. Não obstante a boafé da Impugnante que recolheu o imposto devido em evidente ato espontâneo, a Lei n° 9.716/98 revogou o inciso V do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, norma instituidora da aplicação da multa isolada, portanto, incabível a exigência da multa isolada a luz do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. De acordo com a jurisprudência administrativa federal a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do art. 138 do CTN. Se inexigível a multa de mora, perde a causa a multa Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 de oficio aplicada isoladamente pelo não recolhimento daquela quando verificada a espontaneidade pelo recolhimento do valor devido antes da lavratura do AI. Cita respeitável jurisprudência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 20/01/2005 a 04/10/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA É pressuposto para admissibilidade da denúncia espontânea prevista no Artigo 138 do CTN, a condição expressa no parágrafo único deste artigo, que estabelece, que a denúncia espontânea só pode ser aceita se realizada antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração; Cientificada da decisão de primeira instância em 16/06/2014, através do AR de fl. 144, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 145/162 em 09/07/2014 repisando os argumentos já colacionados na peça impugnatória, acrescentando ainda: a) nulidade da decisão de primeira instância por omissão de fundamentação quanto ao argumento trazido em sede de impugnação referente à revogação/inadequação das multas impostas ao auto de infração com escopo na retroatividade benigna; b) a maior parte do valor constante dos Autos de Infração diz respeito à aplicação de multa isolada de 75% com fundamento no art. 44, I, § 1º, II da Lei nº 9.430, de 1996, no entanto essa multa por atraso no recolhimento foi revogada pela Lei nº 11.488, de 2007, sendo cabível ao caso o disposto no art. 106, inciso II, alíneas a e c do Código Tributário Nacional CTN; c) ainda que referida multa não tivesse sido revogada, seria igualmente inaplicável, visto que Revisão Aduaneira não é lançamento de ofício e sim um procedimento ordinário de reanálise dos elementos da importação, que pode ou não conduzir à verificação de uma infração; d) assim inexistindo àquele momento um lançamento de ofício, revelase ilegal a aplicação da multa referida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; e) argui a aplicação ao caso do instituto da denúncia espontânea, uma vez que o tributo foi recolhido antes do auto de infração; f) em relação às DI 05/00709836 e 05/00710010 houve a cumulatividade indevida de multas visto que a autuação traz a cumulação de dois tipos de multa: i) a multa isolada, representada na diferença entre a multa referida nos "Termos De Formalização de Revisão Aduaneira"(75%) e a multa recolhida de 20%; e ii) a multa de ofício (75%) em relação às referidas DI, aplicada sobre a diferença entre o tributo exigido nos "Termos De Formalização de Revisão Aduaneira" e os efetivamente pagos. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10215.000205/200627 Acórdão n.º 3302003.092 S3C3T2 Fl. 193 7 g) tratase na realidade de um notório "bis in idem". Uma única ação está sendo sancionada duas vezes. O "Termo De Formalização de Revisão Aduaneira não corporificando lançamento de ofício, se presta apenas a cientificar o contribuinte de que uma diferença foi detectada; Ao fim e ao cabo não há diferença material entre a situação jurídica pré e pós "Termo de Formalização", de forma que quando do lançamento de ofício, apenas uma sanção seria devida: aquela referente à conduta total do contribuinte, qual seja o não recolhimento do tributo integral que, desde o primeiro momento (registro das DIs) deveria ter sido feito. Cita respeitável jurisprudência para corroborar a tese da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inexistência de nulidade Suscita a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância por omissão de fundamentação quanto ao argumento trazido em sede de impugnação referente à revogação/inadequação das multas impostas ao auto de infração com escopo no art. 106, inciso II, alíneas a e c do Código Tributário Nacional CTN. Verificase que a decisão de piso embora não cite expressamente a base legal invocada pela defesa, ao refutar as razões trazidas na peça impugnatória conforme se evidencia pelos excertos a seguir transcritos, deixa claro pelos fundamentos utilizados que a matéria arguída pela defesa não diz respeito à infração constatada pela fiscalização : Desta forma, concluise que, iniciado o procedimento administrativo contrário ao contribuinte, não mais será espontânea a denúncia eventualmente ofertada, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação, tributária.(grifei). Com base na exposição feita sobre denúncia espontânea, entendemos que a alegação da impugnante não procede, primeiro porque conforme mencionado não houve o recolhimento de todas as diferenças das contribuições, e Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 segundo que mesmo que houvesse, não se caracterizaria a denúncia espontânea pelo fato do pressuposto temporal não ter sido observado, uma vez que os pagamentos das partes das diferenças de PIS/PASEP, COFINS foram realizados após intimação fiscal decorrente de procedimento de fiscal que constatou a falta de recolhimento das contribuições. É digno de realce que assim na se manifestou o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, nos termos do RECURSO ESPECIAL Nº 1343065 PR (2012/01921540), a seguir ementado, na parte de interesse: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ARTIGO. 535 DO CPC. TESE CONTRÁRIA AO INTERESSE DA PARTE. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. SERVIDOR PÚBLICO. LEI N. 11.907/09. GAE. INCORPORAÇÃO AO VENCIMENTO BÁSICO. 1. Cingese a demanda à incorporação aos vencimentos da Gratificação de Atividade GAE, que era devida aos ocupantes dos cargos pertencentes ao quadro de pessoal do Ministério da Fazenda, diante da sua extinção por ocasião da conversão da MP 441/2008 na Lei 11.907/2009, que instituiu o plano especial de cargos do Ministério da Fazenda. 2. Não se pode conhecer da ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia tal como lhe foi apresentada. Em verdade, não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução.(grifei). Matéria Preclusa Quanto à arguição em relação à revisão aduaneira, segundo o entendimento da Recorrente de não ser um lançamento de ofício e sim apenas um procedimento ordinário de reanálise dos elementos da importação, considerase preclusa a matéria trazida na peça recursal, visto que não houve o prequestionamento desta na peça impugnatória, suprimindo assim a apreciação pela primeira instancia da respectiva matéria. MÉRITO Observase da peça recursal que cingese a demanda aos valores lançados a título de multa de ofício no percentual de 75%, sendo incontroversos os valores lançados referentes às Contribuições de do Pis/Pasep Importação e Cofins Importação devidas na importação dos Tratores (NCM/TEC 8429.11.10), 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005). Boa fé inaplicabilidade Dispõe o Código Tributário Nacional, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva. Esta é a lição que emana do seu artigo 136, nos seguintes termos: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10215.000205/200627 Acórdão n.º 3302003.092 S3C3T2 Fl. 194 9 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Inferese da leitura do dispositivo acima que impera no Direito Tributário o princípio da responsabilidade objetiva, segundo o qual constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe em inobservância dos preceitos legais ou normativos. Desse modo os argumentos colacionados quanto à ausência de máfé em relação aos recolhimentos efetuados com alíquota menor, no âmbito do Direito Tributário não têm guarida para fins de exclusão da penalidade imposta, por declaração inexata, conforme fundamentos dispostos no item que se segue, tampouco pode o julgador administrativo, que é vinculado à lei em todos os seus atos, abrigar a tese da defesa para socorrêla. Insistase que, em consonância com o art. 136 do CTN, preconizam as disposições inseridas no artigo 602, do RA/2002: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei no 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei no 37, de 1966, art. 94, § 2o). Motivação do lançamento das multas de 75% Para melhor cognição dos fatos repisese que a Recorrente aplicou no cálculo das Contribuições do Pis/PasepImportação e CofinsImportação, quando da importação dos Tratores (NCM/TEC 8429.11.10), alíquota inferior à estabelecida no 1art. 8º , § 3º, inciso da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, quando do registro das sete DI's já identificadas. Conforme relatado, as 5(cinco) DI's: 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005) 05/10707232; 05/10707240; 05/10707275 (registradas em 04/10/2005), objeto do presente processo foram submetidas à revisão aduaneira com escopo no artigo 570 do Regulamento Aduaneiro (RA/2002) e através dos Termos de Formalização de Revisão Aduaneira o contribuinte foi intimado a efetuar os recolhimentos devidos, acrescidos da multa de 75%, por declaração inexata/falta de pagamento, segundo fundamentos da fiscalização: Apurada a irregularidade, o contribuinte foi intimado, em 18/10/05, a efetuar o recolhimento da diferença do Pis/Pasep decorrente da aplicação de alíquotas inferiores às devidas acrescido de 75% , por declaração inexata/falta de pagamento.(grifei). 1 § 3o Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Ocorre que conforme constatado pela fiscalização dois fatos motivaram o lançamento da multa de 75% prevista no 2artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações. 1 nas DI's: 05/00709836 e 05/00710010: · recolhimento a menor do que o devido das Contribuições do Pis/PasepImportação e CofinsImportação, cuja diferença foi formalizada nos autos de infração objeto do presente processo acrescida da multa de 75% e juros moratórios. Observase que o argumento central da contribuinte é a inconformidade com o lançamento da multa de 75%, que conforme alega, não concorda com tal percentual, seus recolhimentos se deram em colaboração com o fisco e em procedimento espontâneo. Essa argumentação é reiterada desde a manifestação apresentada aos Termos de Formalização de Revisão Aduaneira e respectivos anexos, fls.37/56, na impugnação de fls.73/77 e agora na peça recursal. Com relação a esse fato, constatado o recolhimento a menor das contribuições, formalizou a fiscalização o presente lançamento composto das diferenças apuradas de Pis/Pasep Importação e Cofins Importação acrescido da multa de ofício de 75%, assim, embora não concorde expressamente com o percentual aplicado, referida penalidade está prevista no diploma legal já referenciado e existindo o pressuposto fático para sua aplicação, tem o agente fiscal o dever de ofício de aplicála, ex vi do art. 142 do CTN. 2 nas 5(cinco) DI's: 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005) 05/10707232; 05/10707240; 05/10707275 (registradas em 04/10/2005): · a contribuinte recolheu o valor das contribuições acrescido de multa de 20% e não de 75%, conforme intimada a fazêlo através dos Termos de Formalização de Revisão Aduaneira e respectivos anexos, fls.37/56. 002 FALTA DE RECOLHIMENTO DE MULTA DE OFÍCIO (...) Em função do exposto, e com respaldo no art. 44 da Lei 9.430/96 cobrase a diferença no recolhimento da multa de 75%, incidente sobre a diferença do recolhimento do PIS/PASEP pago após o vencimento do prazo e inicio de procedimento fiscal previsto no inciso I do art 7° do Decreto 70.235/72.(grifei). Com relação a esse item de apreciação, equivocase a Recorrente em seu pressuposto, seja quanto ao cabimento da retroatividade benigna seja quanto à denúncia espontânea da infração como a seguir se fundamenta. 2 Prevê a Lei nº 9.430, de 1996: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(grifei). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10215.000205/200627 Acórdão n.º 3302003.092 S3C3T2 Fl. 195 11 Em primeiro lugar destaquese que o lançamento que ora se examina não se trata de lançamento de multa de ofício por falta de recolhimento da multa moratória como se infere da fundamentação apresentada pela fiscalização, logo impertinente ao caso a retroatividade benigna pleiteada, com escopo no art. 106, inciso II, alíneas a e c do Código Tributário Nacional CTN, em virtude da multa por atraso no recolhimento ter sido revogada pela Lei nº 11.488, de 2007. Realinhada a questão demonstrase a seguir que o instituo da denúncia espontânea não se aplica ao caso dos autos. Dispõe o art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7.º. O procedimento fiscal tem início com: I–o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II–a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III–começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1.º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2.º. Para os efeitos do disposto no § 1.º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Esclareçase que sendo a Declaração de Importação DI, documento base do despacho de importação (DecretoLei n º 37, de 1966, art. 44, com a redação dada pelo DecretoLei n º 2.472, de 1988, art. 2º), o registro da DI caracteriza o início do despacho aduaneiro e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, logo as exigências feitas no curso do despacho aduaneiro têm a natureza de exigência de ofício, cujo recolhimento de eventuais diferenças constatadas sujeitamse ao recolhimento da multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações. Encerrado o despacho aduaneiro com o consequente desembaraço aduaneiro, a mercadoria é entregue ao importador e há a recuperação da espontaneidade, assim, eventuais diferenças constatadas pelo importador após o desembaraço aduaneiro podem ser recolhidas com os acréscimos legais cabíveis quando do recolhimento espontâneo. No entanto não é esse o caso dos autos, cujo recolhimento a menor das contribuições foi constatado em procedimento de fiscalização, quando ato de revisão aduaneira das DIs já identificadas, portanto em procedimento de ofício. Com efeito, dispõe a Portaria RFB nº 4.328 de 05/09/2005, DOU de 09/09/2005, vigente à época dos fatos: Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela RFB, bem assim da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário ou apreensão de mercadorias; II (...); Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive em meio digital. Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira;(grifei). Prevê o art. 570 do RA(Regulamento Aduaneiro/2002): DA REVISÃO ADUANEIRA Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o).(grifei). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Sendo a revisão aduaneira um procedimento de ofício, conforme disciplinado na legislação acima destacada, constatando a fiscalização diferenças no recolhimento das contribuições como já enfatizado no presente voto, intimou o contribuinte a proceder o recolhimento dos valores apurados com a respectiva multa de 75%, no entanto, conforme discorrido acima o contribuinte recolheu a título de multa o percentual de 20% sobre o valor das contribuições, no entanto, o percentual aplicável é 75%, por se tratar de procedimento de ofício, constatado em ato de revisão aduaneira, ex vi do art. 570 do RA c/c art. 7º , I do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10215.000205/200627 Acórdão n.º 3302003.092 S3C3T2 Fl. 196 13 Com efeito, em que pese a situação fática dos autos de descumprimento do pagamento das contribuições conforme intimado através do Termo de Formalização de Revisão Aduaneira TFRA, no tocante ao segundo item de apreciação, há dois aspectos a serem enfatizados: a) a metodologia aplicada para cálculo da multa lançada em face das disposições do P A R E C E R PGFN/CAT/Nº 74/2012, a teor exemplificativo do item 150 a seguir reproduzido que demonstra a eleição da imputação proporcional para cálculo nas situações fáticas ora examinadas, método não contemplado na apuração das diferenças já referidas: Eis porque tem razão a SRFB ao afirmar, em sua consulta, que a alteração promovida no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, veio viabilizar a imputação proporcional de pagamento na hipótese nela versada – deixandose de lado a chamada “imputação linear”. b) o lapso temporal decorrido entre os pagamentos efetuados pelo contribuinte e a lavratura do auto de infração, cujas datas a seguir demonstram os aspectos atinentes à reaquisição da espontaneidade: 18/10/2005 ciência do Termo de Formalização de Revisão Aduaneira TFRA ex:fls. 37 e 40. a espontaneidade fica excluída por 60 dias conforme art. 7º, I, § 1º e 2º do PAF, findando em 19/12/2005 conf. art. 7º, I, § 1º e 2º do PAF. 07/11/2005 vencimento para pagamento das contribuições com multa de ofício, conforme o TFRA. o contribuinte não paga, porém apresenta impugnação ao TFRA, fl.57/59. 05/12/2005 recolhimento das contribuições com multa de 20% e não com multa de 75%. 03/04/2006 ciência do auto de infração. Notese que a reaquisição da espontaneidade encontra precedente nesse E. Conselho, a exemplo do Acórdão nº 910100.020, de 09/03/2009, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos: Ementa: CSLL REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE Decorrido o prazo de 60 (sessenta dias) de que trata o § 2° do art. 7° do Decreto n° 70.235/72, o sujeito passivo readquire a espontaneidade pela inércia da fiscalização na prática de ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Desta forma, ao cabo do prazo sexagesimal, os atos praticados no curso dele têm os efeitos da espontaneidade. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Descabe a multa de lançamento de oficio quando o sujeito passivo adere ao Programa de Recuperação Fiscal (REFIS) no gozo da Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 espontaneidade, prevalecendo assim a multa de mora na composição do débito confessado. Excertos do voto: O contribuinte havia perdido a espontaneidade ao ser submetido a procedimento fiscal em 16/11/99 (fls. 2), readquiriua e perdeua, sucessivamente durante o período compreendido entre aquela data e 21/11/00 (fls. 9), quando foi intimada a apresentar documentos. Em 13/12/00 aderiu ao REFIS, consoante art. 2° da Lei n° 9.964/2000 (fls.260), no período em que, é certo, não desfrutava de espontaneidade. No entanto, no curso dos sessenta dias contados do dia 21/11/00, o fisco não praticou qualquer ato escrito que indicasse o prosseguimento dos trabalhos, quando, esgotado o prazo, o contribuinte readquiriu a espontaneidade e, com ela, o seu ingresso no REFIS tornouse legítimo. A adesão tanto poderia ser após os sessenta dias como antes dele, se, ao termo do prazo sexagesimal, o fisco se mostrasse inerte. A fiscalização somente praticou o primeiro ato escrito em 05/02/01.(grifei). Essa reaquisição de espontaneidade valeu para que fosse afastada a multa de lançamento de oficio, e a confissão de débito, para os fins da Lei n° 9.964/2000, abrangesse apenas a multa moratória e os juros SELIC contados até o seu ingresso no Programa, uma vez que a partir dali, por força de lei os juros seriam calculados com base na TJLP. Desse modo, o caso dos autos, no tocante ao lançamento da diferença entre a multa referida nos "Termos De Formalização de Revisão Aduaneira" de (75%) e a multa recolhida de 20%, tornouse indevido o referido lançamento, seja pelo método de apuração da multa lançada, seja pela reaquisição da espontaneidade, uma vez que decorridos sessenta dias contados do dia 18/10/2005, o fisco não praticou qualquer ato de ofício, somente lavrando o auto de infração em 03/04/2006, data em que se perfez o lançamento pela ciência. Embora a situação fática não se enquadre como denúncia espontânea, visto que o contribuinte estava sob procedimento de ofício, configurouse a reaquisição da espontaneidade. Referida matéria se encontra sumulada nos termos a seguir transcritos: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Assim a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em decorrência da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo, que no caso em tela correspondem aos pagamentos efetuados através dos DARFs de fls. 62/71, com multa de 20% e juros de mora. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para exonerar o lançamento referente à diferença entre a multa referida Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10215.000205/200627 Acórdão n.º 3302003.092 S3C3T2 Fl. 197 15 nos "Termos De Formalização de Revisão Aduaneira"(75%) e a multa recolhida de (20%) em relação às 5(cinco) DI's: 05/00709836 e 05/00710010 (registradas em 20/01/2005) 05/10707232; 05/10707240; 05/10707275 (registradas em 04/10/2005), conforme demonstrativos de fls.08 e 16. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 10508.000845/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007, 2008
DESCRIÇÃO DOS FATOS. RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A descrição detalhada dos fatos e das infrações apuradas pelo Fisco pode ser feita em documento intitulado Relatório de Fiscalização, parte integrante e inseparável do auto de infração. Tal praxe não constitui irregularidade nem descumprimento das normas de regência do processo administrativo fiscal. Não reside aí qualquer cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório nem qualquer nulidade a ser reconhecida.
Numero da decisão: 1301-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que cancelavam a multa isolada.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao se constatar que o percentual de redução (benefício fiscal) incidiu sobre o imposto e adicionais correspondentes a lucro auferido com atividade não incentivada, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciandose a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006, 2007, 2008 DESCRIÇÃO DOS FATOS. RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A descrição detalhada dos fatos e das infrações apuradas pelo Fisco pode ser feita em documento intitulado Relatório de Fiscalização, parte integrante e inseparável do auto de infração. Tal praxe não constitui irregularidade nem descumprimento das normas de regência do processo administrativo fiscal. Não reside aí qualquer cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório nem qualquer nulidade a ser reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 08 45 /2 00 9- 94 Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.565 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que cancelavam a multa isolada. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório ECLIPSE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1524.301, de 09/07/2010, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o processo em questão de Auto de Infração relativo aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 194 a 205, no valor de R$934.203,91 (novecentos e trinta e quatro mil, duzentos e três reais e noventa e um centavos), acrescidos da multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, e de juros de mora, além da Multa Isolada pela Falta e/ou Insuficiência de Recolhimento das Estimativas do IRPJ referente aos meses de junho a agosto e outubro a dezembro de 2005, janeiro, fevereiro, abril, maio e setembro de 2006 e janeiro a agosto, outubro e novembro de 2007, no valor total de R$495.208,42 (quatrocentos e noventa e cinco mil, duzentos e oito reais e quarenta e dois centavos). O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 1) glosa de parcela da redução do imposto de renda, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, relativa à empresa instalada na área de atuação da SUDENE, tendo em vista a inclusão indevida, no lucro da exploração, de receitas decorrentes de atividades não incentivadas, acarretando superestimação do benefício fiscal, conforme descrito no Relatório de Fiscalização, em anexo. O enquadramento legal aponta: art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24/08/2001, com nova redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005. Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.566 3 2) multa isolada decorrente de falta e/ou insuficiência de recolhimento do imposto de renda incidente sobre base de cálculo estimada, em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Relatório de Fiscalização, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 222 e 843 do RIR/1999, combinados com o art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, combinados com o art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172 (CTN), de 1966. No Relatório de Fiscalização, às fls. 185 a 193, o Autuante declara, em síntese, que: – durante a ação fiscal, encontravase em atendimento às determinações de um MPFDiligência (em abril de 2008, a Interessada foi autuada em II e IPI) e de um MPFFiscalização, tendo intimado a empresa, em 23/02/2008, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 18, a apresentar livros contábeis e fiscais, notas fiscais em meio digital e declaração da SUDENE referente à concessão de incentivo fiscal de IRPJ, relativamente ao período de 2005 a 2007. Em 10/03/2008, o termo foi parcialmente atendido. Em 16/04/2008, por meio do Termo de Reintimação Fiscal nº 55, a Interessada foi reintimada a apresentar os documentos faltantes, sendo que, em 05/05/2008, apresentou parte desses documentos; – em 26/05/2008, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 65, a Interessada foi intimada a apresentar as notas fiscais e os livros contábeis em meio digital. Em 29/05/2008, foram apresentados alguns documentos solicitados através do Termo nº 18. Em 03/06/2008, a Interessada foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 69, a apresentar os livros auxiliares da escrituração. Em atendimento a pedido da Interessada, em 19/06/2008, foram prorrogados os prazos para cumprimento dos Termos nº 65, 70 e 71 e, em 30/06/2008 são apresentados os arquivos magnéticos; – em 01/08/2008 e 29/08/2008, a Interessada é reintimada a apresentar os documentos contábeis e fiscais em meio digital, como prevê o ADE COFIS nº 15/2001. Em 11/08/2008, a Interessada apresentou os arquivos contábeis de forma incompleta, sem constar os lançamentos da conta de encerramento do exercício. Em 22/09/2008, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 98, intimouse a Interessada a apresentar os registros contábeis específicos, dos elementos que compõem os respectivos custos, receitas e resultados das atividades beneficiadas com a redução do IRPJ; – em 02/10/2008, a Interessada pediu prorrogação do prazo e, em 04/11/2008, disse que não possui tais registros e que as informações foram prestadas na DIPJ. Nessa ocasião, a empresa foi intimada a apresentar demonstrativo pormenorizado que respalde as informações prestadas na DIPJ. Na mesma oportunidade, outros elementos já solicitados foram apresentados; – em 03/06/2009, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal nº 60/2009, a Interessada foi intimada a: 1) justificar porque aplicou o benefício da redução de 75% sobre a parcela do imposto incidente sobre o lucro decorrente de atividades não incentivadas com a redução concedida; 2) apresentar com clareza e exatidão o resultado das atividades com produtos incentivados pela redução do IRPJ, com destaque na contabilidade dos elementos que compõem os custos, receitas e resultados, nos termos do art. 62 da IN SRF nº 267/2002; 3) apresentar demonstrativo em meio digital, sendo um arquivo único para cada ano, no formato texto ou ACCESS, cujos dados deverão ser gravados numa tabela única, das notas fiscais de entrada e saída de todos os estabelecimentos (matriz e filiais), contendo pelo menos os campos que faz relacionar; 4) apresentar demonstrativo, em meio Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.567 4 digital e em papel, assinado pelo representante legal, das notas fiscais de comercialização de produtos incentivados pela redução do IRPJ (matriz e filiais); – em 17/06/2009, 15/07/2009 e 06/08/2009, concedeuse novas prorrogações para cumprimento do Termo nº 60/2009. Em 22/09/2009, a Interessada apresentou resposta ao referido Termo. Em 13/10/2009 e 27/10/2009, a Interessada foi reintimada a apresentar as notas fiscais em meio digitais solicitadas no Termo nº 60/2009. Em 04/11/2009, a Interessada foi reintimada a apresentar as notas fiscais em meio digital das filiais, havendo atendimento dessa última intimação em 11/11/2009; – foi levantado que a Interessada superestimou a receita decorrente da atividade incentivada (fabricação de microcomputadores e notebooks), enquanto, por outro lado, subestimou a receita decorrente de atividades não incentivadas, fazendo incidir a redução do IRPJ sobre imposto calculado com base em lucro que não decorre da atividade beneficiada. O Ato concessivo do benefício fiscal da redução de 75% do IRPJ contempla exclusivamente a atividade de industrialização e montagem de computadores (UPD) e de notebooks; – são apresentadas na impugnação1 4 tabelas. A tabela 1, feita com base nas notas fiscais digitais, demonstra a receita líquida decorrente da comercialização de produtos incentivados (UPD e notebooks) produzidos pela própria Interessada. Confrontando os valores da DIPJ com aqueles apurados com base nas notas fiscais digitais, constatase que foi considerada para o cálculo da redução parte de receita que não se refere à comercialização dos produtos incentivados, conforme demonstrado na tabela 2. Ao cotejar a receita líquida da DIPJ referente à atividade incentivada, que deveria ser a mesma obtida na Declaração de Cumprimento das Obrigações em Pesquisa e Desenvolvimento, enviada ao MCT, verificase que, na DIPJ, a receita decorrente da industrialização de microcomputadores e notebooks pelo estabelecimento matriz foi superestimada, com fim de reduzir o imposto de renda apurado com benefício fiscal, conforme demonstrado na tabela 4; – cabe ressaltar que, na contabilidade, não há segregação dos custos, receitas e resultados de cada atividade exercida. Diante disso, a Interessada foi intimada a apresentar os elementos que compunham o resultado das atividades incentivadas, destacando os respectivos custos, receitas e resultados. Em resposta, a Interessada disse que não dispõe desses controles contábeis. O art. 62 da IN SRF nº 267/2002 (transcreve) fixa, no caso de empresas que exercem atividades beneficiadas e não beneficiadas, a obrigação de segregação dos registros contábeis, a fim de demonstrar os respectivos custos, receitas e resultados; – os demais produtos, que não computadores e notebooks, não encontram amparo em qualquer ato de concessão de benefício fiscal nem são produzidos pela Interessada. Portanto, o imposto decorrente da comercialização desses produtos, como, por exemplo, monitores, impressoras, estabilizadores, scanners, switches, pen drives, etc, não pode ser reduzido. Cada produto diferente de UPD e notebook, para ter amparo do benefício fiscal, exige um ato reconhecendo tal direito, assim como possuem os fabricantes incentivados de componentes e acessórios de computador e equipamentos de informática. A norma que instituiu a redução do IRPJ só comporta interpretação restritiva, que deve se limitar aos estritos termos do ato concessivo do benefício fiscal. As receitas provenientes da comercialização de produtos diferentes de UPD e notebooks de produção própria não devem compor o Lucro da Exploração, base de cálculo da redução concedida à empresa; 1 As tabelas referidas, na verdade, são apresentadas na autuação, integrantes do Relatório de Fiscalização, às fls. 194/196 do processo. Esta nota não consta do relatório original transcrito. Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.568 5 – em face do exposto, cabe a cobrança da diferença do imposto devido, com agravamento da multa de ofício, pois a Interessada deixou de atender à intimação para apresentação, com clareza e exatidão, dos elementos que compõem o resultado das atividades relativas aos produtos incentivados pela redução do IRPJ (item 2 do Termo de Início de Procedimento Fiscal), e também por não ter apresentado demonstrativo em meio digital e em papel das notas fiscais de comercialização de produtos incentivados (vide item 4 do Termo de Início do Procedimento Fiscal); – constatouse a apuração a menor do imposto devido por estimativa, pois o percentual de redução incidiu sobre o imposto e adicionais referentes à atividade não incentivada. Como o contribuinte não apresentou os elementos necessários para se determinar com precisão o lucro da exploração da atividade incentivada, foi feita a estimativa da parcela relativa ao imposto incentivado, sujeito à redução, com base na relação percentual de participação da receita da atividade incentivada na receita total da empresa. Assim, verificada a falta e/ou insuficiência de recolhimento das estimativas, foi exigida a multa de ofício isolada, no percentual de 50%, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 (transcreve), com a redação do art. 44 da MP nº 351, de 2007, combinados com o art. 106, II, “c”, do CTN, conforme demonstrativos 12 e 13 do anexo X; – concluindo, a ação fiscal apurou imposto de renda recolhido a menor, por ter havido aplicação de redução do imposto, indevidamente, sobre parte do imposto decorrente de atividade não incentivada e não sujeita ao benefício fiscal de redução. Às fls. 226 a 246, a pessoa jurídica impugnou o feito fiscal, alegando, em resumo, que: · estando sediada na área de atuação da antiga SUDENE, atual ADENE, exerce atividade considerada pelo Poder Público como prioritária para o desenvolvimento regional. A legislação estabelece percentual de redução de 75% sobre a renda e adicional, calculados com base no lucro da exploração, conforme se depreende pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001, em seu artigo 1º, caput, que alterou a legislação do imposto de renda no que se refere aos incentivos fiscais de isenção e redução entre outros; · a Impugnante protocolou pedido junto à antiga SUDENE e, ante o atendimento das condições legais, foi emitido Laudo Constitutivo pela ADENE, concedendo o benefício fiscal da redução do imposto de renda no percentual de 75%, pelo prazo de 10 anos, sendo, em seguida, requerido o registro desse laudo junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos da IN nº 267/2002. Não obstante, a Fiscalização exigiu o imposto de renda, relativo ao período de 2005 a 2007, que originou a autuação ora objeto desta impugnação; · preliminarmente, importa salientar que o auto de infração não obedece aos requisitos formais mínimos para sua subsistência. Entre esses requisitos reluz o princípio da formalidade, que reza dever da administração agir na estrita observância da forma exigida pela lei para a confecção de seus atos. O auto de infração ora guerreado vem acompanhado de anexos que identificam as presumíveis infrações cometidas pela Impugnante; · ao ser lavrado o auto de infração aplicase a norma a um fato concreto, sendo esta a essência desse ato administrativo. Portanto, para que se individualize a conduta, será essencial que o agente competente descreva em todas as suas minúcias o fato ocorrido. Deve, pois, indicar à parte envolvida exatamente qual a conduta que se está alcançando. Em nome dessa individualização que a descrição do fato não pode ser genérica, como é o caso dos autos, mas deve se Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.569 6 referir a uma conduta específica. Assim, salvo melhor juízo, o presente auto de infração não possui essa formalidade essencial, eis que não apresenta em seu corpo a descrição dos fatos que pretendeu alcançar; · por outro lado, ao descrever nos anexos, genericamente, a suposta infração praticada, não se ateve ao que determina a legislação, pois, além de ferir a formalidade essencial, impediu que a Impugnante exercesse sua defesa de forma ampla. Como se observa no campo reservado à descrição dos fatos, não há qualquer informação dos fatos alcançados, remetendo sempre aos famigerados anexos, para fugir da narrativa minuciosa dos fatos. Ademais, o próprio artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (transcreve) é claro ao determinar os requisitos essenciais do Auto de Infração, dentre eles a descrição dos fatos. Destaquese que os relatórios e levantamentos anexos ao Auto de Infração são uma afronta aos princípios formais do preenchimento do Auto, ao anexar relatórios demonstrativos e explicativos, sem, contudo, observar as formalidades legais para a constituição do Auto de Infração, que decorrem de lei; · no mérito, verificase que a multa de ofício no percentual de 75% foi agravada da metade, sob a alegação de que esta Impugnante deixou de atender à intimação para apresentação com clareza e exatidão dos elementos que compõem o resultado das atividades com os produtos incentivados pela redução do IRPJ. Contudo, isso não condiz com o próprio relatório do Auditor, visto que, em nenhum momento, a Impugnante deixou de atender às solicitações do Fisco, entregando toda a documentação que possuía, informando ainda quais os documentos que não possuía; · dessa forma, não assiste razão ao Auditor, ao lançar a multa agravada, visto que, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes (transcreve ementas), é incabível o agravamento da multa pelo simples fato de o contribuinte não apresentar respostas às intimações e reintimações fiscais, com ausência de apresentação dos documentos solicitados, o que seria causa apenas para arbitramento do lucro; · da mesma forma, razão não assiste para a aplicação da multa isolada no percentual de 50%, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 (transcreve). O próprio Conselho de Contribuintes (transcreve trechos de acórdãos) entende ser incabível a aplicação concomitante da multa de ofício isolada e a multa de ofício, incidente sobre a mesma base de cálculo, como no caso desse Auto de Infração. Assim, mais uma vez, antecipouse o Auditor em suas conclusões, ao lançar uma multa isolada em total desconformidade com os fatos apurados e narrados nos autos; · por todo exposto, requer a Impugnante: a) seja declarado insubsistente o Auto de Infração impugnado, com sua conseqüente anulação, em face das nulidades acima aduzidas; b) caso o lançamento seja julgado procedente, requer seja aplicado o novo percentual de multa de ofício, através de novo lançamento, sem aplicação do percentual agravado nos termos do art. 44, I, § 2º, da Lei nº 9.430/96, assim como da multa isolada nos termos do art. 44, II, da mesma lei, conforme fundamentação acima. Por fim requer que todas as intimações/informações ocorram em nome do patrono, Dra. Kátia Leão Borges de Almeida, no endereço que discrimina. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 247 a 291. Ressaltese que o presente processo é composto de 2 (dois) volumes e 11 (onze) anexos. O volume I encontrase numerado da folha 01 à 222 e o Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.570 7 volume II da 223 à 292. O anexo I possui 2 (dois) volumes, sendo o primeiro numerado de 01 a 200 e o segundo de 201 a 334; o anexo II está numerado de 01 a 266; o anexo III de 01 a 172; o anexo IV de 01 a 179; o anexo V de 01 a 124; o anexo VI de 01 a 64; o anexo VII de 01 a 187; o anexo VIII possui 2 (dois) volumes, sendo o primeiro numerado de 01 a 200 e o segundo de 201 a 308; o anexo IX de 01 a 278; o anexo X de 01 a 99; e o anexo XI de 01 a 167. A 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1524.301, de 09/07/2010 (fls. 317/326), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 GLOSA DE PARTE DA REDUÇÃO DO IMPOSTO. EMPRESA SITUADA EM ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. Restando comprovado que o montante do benefício fiscal relativo à redução do imposto de renda foi superestimado, cabe a glosa da parcela reduzida indevidamente. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Descabe o agravamento da multa de ofício de 75% para 112,5% quando não se configura que o sujeito passivo recusouse a atender às intimações que lhe foram encaminhadas. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. A falta e/ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre o imposto anual apurado em decorrência da constatação de infrações à legislação fiscal. Por relevante, ressalto que o provimento parcial se deu pela redução da multa de ofício de 112,5% para 75%, mantido o lançamento em todos os demais aspectos. Não houve recurso de ofício, visto que a parcela afastada ficou abaixo do limite de alçada. Ciente da decisão de primeira instância em 13/08/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 330, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/09/2010 conforme carimbo de recepção à folha 331. Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.571 8 No recurso interposto (fls. 332/349), a recorrente afirma a tempestividade de seu recurso e rememora o ocorrido até então, sob sua ótica. Na sequência, a interessada reitera, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação acerca da alegada nulidade do lançamento, por descumprimento de formalidades e requisitos essenciais, além dos argumentos contrários às multas exigidas isoladamente por falta/insuficiência do recolhimento de estimativas mensais. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A alegação de nulidade do lançamento se prende ao suposto descumprimento de requisitos formais. Sustenta a recorrente que a existência de “anexos”, nos quais estariam identificadas as infrações, seria contrária ao que estabelece a legislação de regência, em particular o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Do descumprimento alegado, resultaria o cerceamento ao direito de defesa da interessada. A decisão recorrida analisou a matéria de forma sucinta e objetiva, conforme a seguir transcrito (fl. 323): Ademais, é inteiramente inconsistente e superficial a razão invocada pela Impugnante para argüir a nulidade dos lançamentos, qual seja a de falta de uma descrição minuciosa dos fatos, exatamente no campo do Auto de Infração originalmente destinado à “descrição dos fatos”. Cabe esclarecer que o Relatório de Fiscalização, de fls. 185 a 193, é parte integrante e indissociável do Auto de Infração, como registrado no próprio corpo desse último. Nele, como é de praxe, estão relatados, de forma pormenorizada, todos os fatos ocorridos e observados durante o procedimento fiscal. Desse modo, não há que se falar em cerceamento de defesa, ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa ou mesmo vício formal no Auto de Infração lavrado. Como se observa, nada de novo foi trazido em sede de recurso. Os argumentos são superficiais, claramente protelatórios. Não se vislumbra o alegado cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório, pois a interessada exerceu esse direito nas oportunidades que teve. Não vejo razão para alterar as conclusões da decisão recorrida, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 19992. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] V decidam recursos administrativos; [...] Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.572 9 Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. A seguir, cumpre apreciar os argumentos contrários à exigência de multas isoladas, diante da falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, entendo que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. É o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Lei nº 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Lei nº 9.430/1996: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.573 10 encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente à obrigatoriedade Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.574 11 dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] No caso em tela, a fiscalização constatou que a contribuinte efetuou recolhimentos mensais por estimativas, apurando o valor mensal a recolher com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução. Durante a fiscalização, foi constatado que o percentual de redução (benefício fiscal) incidiu sobre o imposto e adicionais correspondentes a lucro auferido com atividade não incentivada, o que causou recolhimento a menor de estimativas mensais. O Fisco procedeu, então, ao cálculo correto das bases de cálculo mensais, evidenciando a insuficiência de recolhimento de estimativas mensais. Correta, pois, a sanção pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei, independentemente do tributo apurado ao final do período de apuração, também exigido com os consectários legais. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10508.000845/200994 Acórdão n.º 1301001.943 S1C3T1 Fl. 2.575 12 Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10840.002714/2004-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL.
O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 14 /2 00 4- 56 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002714/200456 Acórdão n.º 9202003.663 CSRFT2 Fl. 1.062 2 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Foi apresentado pela Fazenda Nacional RECURSO ESPECIAL (efls. 206 a 214) solicitando a reforma do acórdão recorrido (nº. 280200.728 — 2ª Turma Especial – efls. 195 a 203), que foi proferido em 17 de março de 2011, DANDO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, cancelando o auto de infração (efl. 162) e requerendo o recálculo do imposto incidente, seguindo o entendimento do STJ que considera a tabela do mês a qual se refere o rendimento, para a realização do cálculo, conforme se lê na ementa do julgado, nos termos que seguem: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Segundo jurisprudência pacifica do STJ, tratandose de verbas recebidas acumuladamente, mas relativas a períodos pretéritos, devidamente discriminados na ação judicial trabalhista, o mês do efetivo recebimento indica o momento da incidência do imposto e, para efeito de cálculo, deve se considerar a tabela progressiva do mês a que se refere o rendimento. Recurso provido. Recurso Voluntário Provido” Em face da admissão do referido RE, pelo Despacho nº 220000.804 (efls. 228 a 232) da 2ª Câmara, a matéria veio para apreciação nesta 2ª Turma. O contribuinte foi cientificado do acórdão e da admissibilidade do RE em 13/014/2012 e tempestivamente, em 25/01/2012, apresentou contrarrazões às efls. 237 a 240. No arrazoado, argumenta que a legislação utilizada na autuação diz respeito tão somente ao momento da incidência do imposto, não dispondo nada a respeito da forma de cálculo do referido tributo. Embasa seu argumento em decisão do STJ no REsp 1118429/SP. Em 11/09/2013, esta 2ª Turma emitiu a Resolução nº 9202000.008 (efls. 244 a 248), determinando o sobrestamento ex officio do Recurso Especial, com base no art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, até que fosse proferida decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário n° 614.406, a ser julgado com repercussão geral reconhecida por aquela corte. Em 09/12/2014, transitou em julgado o acórdão do RE nº 614.406, prolatado em 23/10/2014, no qual foi negado provimento ao recurso da União que pleiteava a constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, com a seguinte ementa: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002714/200456 Acórdão n.º 9202003.663 CSRFT2 Fl. 1.063 3 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso especial é tempestivo. Entretanto, discordo do despacho do Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção que admitiu o recurso. Atentese que o acórdão recorrido não aplicou as diretrizes do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que determina a tributação dos rendimentos recibos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, defendendo o entendimento emanado da aplicação do Parecer PGFN 815/2010, alinhado com a jursiprudência então dominante no STJ, podendo, ainda, em meu entendimento, ser estabelecida plena vinculação entre o mencionado Parecer e o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009, que determinou a dispensa de recursos em ação judiciais que versassem sobre a presente matéria. Assim, inteiramente respaldado o teor do julgado recorrido pelo art. 62, inciso II, alínea “a”, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que permitia que se afastasse a aplicação de lei que fundamentasse crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. Por sua vez, notese que o AcórdãoParadigma citado como divergente foi proferido antes da publicação do citado do referido Parecer PGFN 815/2010 e antes mesmo do mencionado Ato Declaratório de dispensa de recursos e, assim, não analisou a legislação sob os mesmos fundamentos da decisão recorrida. Assim, não é possível dizer que o paradigma interpretou a lei tributária de forma divergente do acórdão recorrido, pois, na ocasião em que foi proferido, não existia nem o Parecer que se decide aplicar no voto condutor nem o ato declaratório da PGFN que determinava a não contestação da matéria, não sendo possível, assim, se deixar de aplicar as determinações legais. Acrescentese que esta 2a Turma já deixou de conhecer de recurso especial da Fazenda Nacional pelos mesmos motivos aqui expostos, no Acórdão nº 9202002.291, julgado na sessão de 08 de agosto de 2012, sendo relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, mantendose a decisão recorrida que determinou o recálculo dos valores de tributo devido, com base na tese consolidada do STJ. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10840.002714/200456 Acórdão n.º 9202003.663 CSRFT2 Fl. 1.064 4 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720148/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESFAZIMENTO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
Havendo acontecido, na rescisão de contrato de compra e venda de quotas societárias, redução da obrigação na proporção exata em que se verifica a diminuição em ativo àquela vinculado, inexiste acréscimo patrimonial a ser tributado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada.
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INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Havendo acontecido, na rescisão de contrato de compra e venda de quotas societárias, redução da obrigação na proporção exata em que se verifica a diminuição em ativo àquela vinculado, inexiste acréscimo patrimonial a ser tributado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 48 /2 01 1- 31 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720148/201131 Acórdão n.º 2202003.146 S2C2T2 Fl. 335 2 Relatório Adoto, em parte, o relatório elaborado pelo Julgador de 1ª instância (fl. 265), complementandoo ao final: Por intermédio do Auto de Infração de fls. 222 a 229, exigese do contribuinte acima qualificado o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF de R$ 48.401,72, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, e a multa exigida isoladamente de R$ 24.200,86, em razão das seguintes infrações: 001 – Omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, no valor de R$ 178.001,99; 002 – Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. A fundamentação legal consta do referido Auto de Infração.(...) O cerne da autuação está na rescisão/extinção de um contrato de compra e venda, efetuado pelo casal brasileiro José Bonifácio e Nara Boff Fontana, que visava a alienar grande parte das quotas de uma empresa de sua propriedade a uma companhia com sede no exterior. Feito o contrato e recebida a parcela inicial, a compradora desistiu do negócio, em dezembro de 2007. O casal vendedor, posteriormente, em novembro de 2008, devolveu em parte essa parcela recebida, retendo determinado valor. O Fisco considerou que essa retenção representava uma "multa rescisória" e entendeua tributável. O Contribuinte alega que foi um ressarcimento pelas perdas e custos envolvidos na operação, não se configurando acréscimo patrimonial. Valhome daquilo disposto no Termo de Verificação Fiscal, na folha 218: O contribuinte, como já exposto neste termo, informou que a diferença entre o valor pago e o valor devolvido deveuse ao fato de terem sido abatidas as despesas incorridas por ele para efetivação do negócio (despesas com comissão de intermediação do negocio, despesas burocráticas, despesas de alterações contratuais, despesas bancárias, lucro e perdas, etc. fls. 47). Assim, em 04/11/2010 foi encaminhado o Termo de Intimação Fiscal nº 607 / 2010 (fls. 177 e 178), recebido pelo contribuinte em 11/11/2010 (AR às fls. 179), solicitando que ele apresentasse os comprovantes destas despesas. Caso contrário, o valor das despesas não comprovadas seria considerado multa por rescisão de contrato e, portanto, rendimento tributável. (...) Inicialmente cabe ressaltar que o mencionado Termo de Extinção de Instrumento Particular de Compra e Venda apresentado pelo contribuinte não está registrado em cartório (fls. 157 e 158). Conforme estabelecido no artigo 221 do Código Civil Brasileiro, os instrumentos particulares valem entre as partes contratantes, entretanto, não operam efeitos em relação a Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720148/201131 Acórdão n.º 2202003.146 S2C2T2 Fl. 336 3 terceiros, dentre eles, a Fazenda Pública antes de registrados no devido registro público. (...) Além disso e mais importante, apesar de existir no contrato de rescisão uma cláusula permitindo o abatimento das perdas financeiras ocorridas é evidente que tais perdas não guardam qualquer relação com o negócio realizado, não tendo o adquirente nenhuma responsabilidade sobre tais perdas incorridas em aplicações financeiras efetuadas pelo contribuinte, não sendo, portanto, custo comprovado na realização da operação cancelada. Face ao exposto, fica evidente que o valor que o contribuinte deixou de devolver a Erisel S/A foi, na realidade, uma multa por rescisão do contrato, motivo pelo qual, no presente auto de infração, o valor desta multa esta sendo tributada como omissão de rendimentos. Cabe salientar ainda que as cotas da empresa CCR Empreendimentos Turísticos Ltda. eram um bem comum do casal .... Ao analisar os autos, assim dispôs, em resumo, o Julgador de Primeira Instância: O Instrumento Particular de Compra e Venda de Cotas Societárias da empresa CCR Empreendimentos Turísticos Ltda (fls. 70 a 72) é datado de 03/09/2007 e foi assinado pelos sócios da CCR, pelo representante da Erisel S.A e por duas testemunhas. O preço ajustado pela cessão de cotas foi de R$ 2.185.000,00 (dois milhões, cento e oitenta e cinco mil reais), que representava, na data da assinatura do contrato, U$ 1.117.819,00 (um milhão, cento e dezessete mil, oitocentos e dezenove dólares americanos), a serem pagos nas seguintes condições ... (...) Consoante apurado no procedimento fiscal, ocorreu somente o adimplemento da primeira parcela prevista no contrato. Ocorre que, mediante o documento de rescisão do contrato de cessão das cotas da empresa CCR Empreendimentos Turísticos Ltda para a Erisel Sociedad Anônima, fls. 157 a 158, datado de 20/12/2007, as partes extinguiram o Instrumento Particular de Compra e Venda de Cotas Societárias da Empresa CCR Empreendimentos Turísticos Ltda. (...) Em sede de impugnação, a linha argumentativa do contribuinte é a mesma apresentada no procedimento fiscal, ou seja, de que o montante de U$165,714.35 não se trata de rendimento, consistindo em mera reposição patrimonial. Alfim, concluiu a instância recorrida que: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720148/201131 Acórdão n.º 2202003.146 S2C2T2 Fl. 337 4 À vista da legislação transcrita, depreendese que os rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior, que não tenham sido tributados na fonte no Brasil, além de estarem sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnê leão), também devem ser informados na declaração de ajuste anual do contribuinte. (...) Pelo que se infere dos fatos aqui narrados, a presente autuação decorre do fato do contribuinte não ter comprovado, com documentos hábeis, os custos e despesas com a transação, especificadas na cláusula 3 do instrumento de distrato. Observo que embora a cláusula 3 do termo de rescisão contratual seja ampla, contemplando diversas despesas que teriam sido incorridas na transação que veio a ser rompida, o contribuinte afirma em sua impugnação que a devolução de valores a menor se deve por somente um dos fatos ali arrolados, qual seja “as perdas monetárias de aplicação financeira seriam abatidos do valor a ser restituído a Compradora”. (...) Frisese que somente no caso de o contribuinte ter comprovado despesas incorridas com a transação, o que não se verificou, é que o valor de U$165,714.35 teria a natureza de mera reposição do patrimônio do contribuinte, diferentemente da situação em que a outra parte, em benefício do contribuinte, o libera da devolução de determinada importância a que é obrigado a restabelecer, em face de perdas em aplicação financeira efetuada por conta e risco do contribuinte. (...) Assim, decidiuse conforme o Voto da Relatora: "Por todo o exposto, manifestome pela improcedência da impugnação e pela procedência do lançamento". Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 13/03/2012, conforme AR na fl. 283, e apresentou recurso voluntário em 10/04/2012, conforme protocolo na folha 284. Em sede de recurso, alega, em resumo, que: Após firmado o contrato de alienação de 95% das cotas da CCR para a Erisel S/A, o registro da alteração contratual na JUCERGS e adimplida a primeira parcela de US$ 750.000,00, uma operação policial envolveu o casal Fontana e a Erisel informou que desejaria rescindir o negócio, o que foi aceito pela outra parte; Em 28/12/2007 as partes assinaram a sexta alteração contratual, registrada na JUCERGS onde o casal readiquiriu as quotas anteriormente alienadas pelo mesmo valor que as haviam vendido, gerando o valor total de R$ 2.185.000,00. É cristalino que não houve diferença de valor entre a venda e a recompra das cotas da CCR que pudesse justificar a suposta "multa contratual" afirmada pelo Auditor Fiscal; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720148/201131 Acórdão n.º 2202003.146 S2C2T2 Fl. 338 5 Ocorre que os US$ 750.000,00 dólares estavam aplicados em um fundo de investimentos e em decorrência de crise mundial em 2008, esse montante perdeu parte do valor, representado por US$ 165.252,75. O que se discute é se o valor não devolvido, pois não existia mais na conta, é considerado renda tributável. Em seu entendimento, não é. Assim, REQUER, comprovado que não houve acréscimo patrimonial quando da rescisão contratual em comento, que sejam aceitas suas razões para considerar inexistente a exigência fiscal e, conseqüentemente, a multa isolada imposta pelo IRPF devido a título de carnê leão. A 2ª Turma Especial da Segunda Seção deste CARF julgou, em 04 de novembro de 2014, o processo 11516.720344/201114, da contribuinte Nara Boff Martins Fontana, cônjuge do aqui recorrente, que trata, em parte, do mesmo objeto, qual seja a tributação destes valores constantes de rescisão do mesmo contrato de compra e venda de quotas das ações da CCR à Erisel. O Recorrente solicitou a anexação de tal Acórdão a estes autos e que fosse dada a mesma solução. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Dizse sobre o imposto de renda, segundo o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) No enquadramento legal da infração, a Autoridade Fiscal incluiu o inciso VII do artigo 55 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, que diz que o imposto incide também sobre: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720148/201131 Acórdão n.º 2202003.146 S2C2T2 Fl. 339 6 VII os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior; Difícil entender, no caso relatado, que tenha havido uma atividade ou rendimento de capital no exterior, que geraria a incidência da tributação. Primeiro a Autoridade Fiscal fundamentouse em uma "multa rescisória" para aplicar o tributo, depois o julgador recorrido disse que as perdas financeiras decorrentes de má aplicação do capital não fugiriam à tributação. Afinal, é multa rescisória ou não? Transcrevo novamente parte final do Voto do julgamento recorrido (fl. 279): Frisese que somente no caso de o contribuinte ter comprovado despesas incorridas com a transação, o que não se verificou, é que o valor de U$165,714.35 teria a natureza de mera reposição do patrimônio do contribuinte, diferentemente da situação em que a outra parte, em benefício do contribuinte, o libera da devolução de determinada importância a que é obrigado a restabelecer, em face de perdas em aplicação financeira efetuada por conta e risco do contribuinte.(sublinhei) Cito, por oportuno, então o Processo de Consulta nº 620/04, SRRF/7ª RF, publicado no DOU de 21/03/2005: RENDIMENTOS ORIUNDOS DE PERDÃO OU CANCELAMENTO DE DÍVIDA TRATAMENTO TRIBUTÁRIO O perdão ou cancelamento de dívida somente terá repercussão tributária para o beneficiário se corresponder à contraprestação de serviços ao credor. Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, art. 55, I. Bem, não houve prestação de serviços ao credor (comprador) e não houve atividade realizada pelo devedor (vendedor), que após a rescisão do contrato deveria ter devolvido o valor da parcela adiantada. Não obstante, transcrevo parte do Voto proferido no Acórdão 2802 003.205 – 2ª Turma Especial, que, conforme relatado, analisou a mesma questão, porém no processo relativo ao cônjuge do aqui Recorrente, para com ele concordar e fundamentar minhas conclusões: Destarte, aqueles passaram a ser detentores do valor acima em cotas societárias da CCR Ltda., mais US$ 750 mil dantes creditados na conta da Merrill Lynch, ficando com a obrigação de pagar US$ 750 mil à Erisel S/A. em data não definida no momento da alteração contratual; esta empresa, por seu turno, passou a ser detentora do direito a receber esse mesmo valor do casal Fontana. Apesar disso, o valor já pago continuou segregado do restante do patrimônio desse casal e mantido na precitada conta do Merrill Lynch, na qual não ingressaram quantias de outra origem e cuja movimentação cingiuse, basicamente, em contrapartidas de aplicações/resgates de fundos daquela instituição (fls. 279/283). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.720148/201131 Acórdão n.º 2202003.146 S2C2T2 Fl. 340 7 Com a ulterior formalização do fim do negócio em 20/11/2008, foi acordado que o saldo da conta em que os US$ 750 mil haviam sido originalmente depositados seria devolvido, finalmente, à Erisel S/A., admitindose expressamente que fossem descontadas as perdas monetárias de aplicação financeira, do que resultou na devolução de apenas US$ 584.747,25 dos US$ 750 mil a que tinha, a empresa a princípio, direito. É incontestável que esses termos pactuados implicaram em uma perda patrimonial de US$ 165.252,75 para a Erisel S/A. Sem embargo, tal constatação não significa que tenha havido um acréscimo patrimonial para o casal Fontana. A redução no valor devido à Erisel S/A. se deu na exata proporção em que o ativo que detinha em seu patrimônio, devidamente individualizado na conta nº 19520Y80 do Merrill Lynch, perdeu valor, US$ 165.252,75. Importa destacar que o fato de a Erisel S/A. ter assumido o prejuízo patrimonial em questão não é evidência, por si só, de que tal valor tenha a natureza de multa contratual, a qual, inclusive, não se revela estipulada formalmente no contrato de compra e venda. Em resumo, não verifico fato gerador do imposto sobre a renda, no caso, uma vez que não demonstrado o acréscimo patrimonial necessário. Em vista do acima exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência tributária relativa a omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, no ano de 2008 e, conseqüentemente, a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 341DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16327.000989/2007-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. NOTAS DE DÉBITO. REGIME DE COMPETÊNCIA
A nota fiscal/fatura se reserva à prestação de serviços. Reembolso, ajustado como tal, i.e., sem compor o preço de prestação de serviço questão não questionada no feito, inclusive por ser afeta à contratada nem poderia constar em nota fiscal/fatura. Nesse contexto, as notas de débito com os respectivos relatórios de tarifador do PABX, constantes nos autos, são provas hábeis e suficientes para a comprovação da consecução das despesas de reembolso, independentemente de pagamento efetivo. Glosa insubsistente.
COMPARTILHAMENTO DE CUSTOS. GLOSA. COMPROVAÇÃO
No convênio de compartilhamento de bens, uma das entidades que possui a estrutura material e/ou de bens imateriais permite que outra(s) também se utilize(m) de tal estrutura, evitando-se sua duplicidade. Por isso não há responsabilidade civil pela execução de atividades: não há prestação de serviços, nem preço. Os critérios para o rateio dos custos podem se dar por meio da imputação direta ou indireta de custos, ou pela combinação de ambos, segundo metodologia técnica. Pelo motivo da glosa, dois aspectos teriam de ser observados e comprovados pela recorrente. A justificação técnica dos critérios de rateio dos custos. Documentação, ainda que por amostragem, demonstrativa ou comprobatória da aplicação dos critérios de rateio justificados. Nada disso há nos autos. Glosa de custos mantida.
GLOSA DE DESPESAS NOTAS. DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO
Do exame da documentação, há clara conexão das despesas de reembolsos objeto da glosa com os serviços prestados à recorrente. Há diferença pequena entre o total das despesas com reembolso e o das notas débito acostadas aos autos. O conjunto de elementos probatórios é forte e vigoroso, a conferir liquidez à efetividade das despesas de reembolsos em discussão. Ou, ainda, é no mínimo, um indício robusto e veemente da efetividade das despesas, o que traduz a verossimilhança ou concreção do critério de razoabilidade. Essa valoração é a que condiz com a realidade fática. Glosa de despesas insubsistente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
Conforme o Código Tributário Nacional (art. 139) o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Estão compreendidos no conceito de crédito tributário o tributo e a penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Assim, é legítima a exigência pela Lei nº 9.430/96, que, fundamentada no Código Tributário Nacional, impõe a incidência de juros de mora à Taxa Selic, sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual a multa de ofício é espécie.
Numero da decisão: 1103-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a glosa de despesas de R$ 2.410.466,88, do ano-calendário 2002, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, e de R$ 208.561,33, do ano-calendário 2003, também por maioria, vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício foi mantida por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata (Relator) e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Marcos Shigueo Takata - Relator.
Fábio Nieves Barreira - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão.
Participaram do julgamento os conselheiros: Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 18/09/2015.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. NOTAS DE DÉBITO. REGIME DE COMPETÊNCIA A nota fiscal/fatura se reserva à prestação de serviços. Reembolso, ajustado como tal, i.e., sem compor o preço de prestação de serviço questão não questionada no feito, inclusive por ser afeta à contratada nem poderia constar em nota fiscal/fatura. Nesse contexto, as notas de débito com os respectivos relatórios de tarifador do PABX, constantes nos autos, são provas hábeis e suficientes para a comprovação da consecução das despesas de reembolso, independentemente de pagamento efetivo. Glosa insubsistente. COMPARTILHAMENTO DE CUSTOS. GLOSA. COMPROVAÇÃO No convênio de compartilhamento de bens, uma das entidades que possui a estrutura material e/ou de bens imateriais permite que outra(s) também se utilize(m) de tal estrutura, evitandose sua duplicidade. Por isso não há responsabilidade civil pela execução de atividades: não há prestação de serviços, nem preço. Os critérios para o rateio dos custos podem se dar por meio da imputação direta ou indireta de custos, ou pela combinação de ambos, segundo metodologia técnica. Pelo motivo da glosa, dois aspectos teriam de ser observados e comprovados pela recorrente. A justificação técnica dos critérios de rateio dos custos. Documentação, ainda que por amostragem, demonstrativa ou comprobatória da aplicação dos critérios de rateio justificados. Nada disso há nos autos. Glosa de custos mantida. GLOSA DE DESPESAS NOTAS. DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO Do exame da documentação, há clara conexão das despesas de reembolsos objeto da glosa com os serviços prestados à recorrente. Há diferença pequena entre o total das despesas com reembolso e o das notas débito acostadas aos autos. O conjunto de elementos probatórios é forte e vigoroso, a conferir liquidez à efetividade das despesas de reembolsos em discussão. Ou, ainda, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 89 /2 00 7- 93 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 811 2 no mínimo, um indício robusto e veemente da efetividade das despesas, o que traduz a verossimilhança ou concreção do critério de razoabilidade. Essa valoração é a que condiz com a realidade fática. Glosa de despesas insubsistente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Conforme o Código Tributário Nacional (art. 139) o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Estão compreendidos no conceito de crédito tributário o tributo e a penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Assim, é legítima a exigência pela Lei nº 9.430/96, que, fundamentada no Código Tributário Nacional, impõe a incidência de juros de mora à Taxa Selic, sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual a multa de ofício é espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a glosa de despesas de R$ 2.410.466,88, do anocalendário 2002, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, e de R$ 208.561,33, do anocalendário 2003, também por maioria, vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício foi mantida por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata (Relator) e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Marcos Shigueo Takata Relator. Fábio Nieves Barreira Redator designado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Participaram do julgamento os conselheiros: Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 18/09/2015. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 812 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração, onde há a exigência do pagamento de IRPJ e CSL, referentes aos anoscalendário de 2002 e 2003, decorrentes de glosas de despesas. A fiscalização afirmou que, através da análise da linha 03 da ficha 05C da DIPJ, é possível observar que a recorrente contabilizou despesas referentes a serviços prestados por terceiros no montante de R$ 6.433.227,94 e R$ 1.397.651,59. Quanto a essas despesas, alegou que, pela análise do grande número de documentos apresentados pela recorrente, foi possível concluir que os valores relativos aos encargos dos serviços técnicos não foram devidamente comprovados. Isso porque não há nenhum documento fiscal que possa ser utilizado como meio de prova, tendo sido tais valores apenas comprovados por notas de débito emitidas pelas empresas TMKT MRM Serviços de Marketing e AON Warranty Services do Brasil. Além disso, aduziu que esses débitos incomprovados possuem valor correspondente a R$ 2.410.466,88 (referente ao anocalendário de 2002), R$ 208.561,33 (referente ao anocalendário de 2002) e R$ 293.025,25 (referente ao anocalendário de 2003), e que a recorrente não se pronunciou quanto ao questionamento da fiscalização quanto à existência de vínculo societário com as empresas citadas no Termo de Intimação de 1/11/2005. Nesse sentido, uma vez que as despesas referentes aos serviços prestados não foram comprovadas por documentos idôneos e hábeis, reputou que tais despesas são inexistentes para o Fisco, fazendo com que não possam ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo de CSL. Fez remissão ao artigo 299 do RIR, dizendo que, para a dedutibilidade das despesas, é imprescindível que haja a comprovação da necessidade, efetividade e materialidade da realização daquelas. Por fim, afirmou que, com base nos artigos 836 e 926, do RIR, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSL, para: "constituição do pertinente crédito tributário relativamente à dedução indevida dos valores das despesas dos Serviços Prestados nos anoscalendário de (i) 2002 no montante de 2.619.028,21 e (ii) 2003 no montante de 293.025,25". (destaques do original fl. 387 numeração do eprocesso). Mas, dos instrumentos específicos dos autos de infração, vêse que: a) para o anocalendário de 2002, procedeuse à glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSL no valor das despesas glosadas (portanto, sem exigência de IRPJ e de CSL); e Fl. 812DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 813 4 b) para o anocalendário de 2003, procedeuse à absorção de R$ 87.907,57 das despesas glosadas pelo estoque de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSL. Tudo conforme fls. 388, 389, 394 e 394 (numeração do eprocesso). DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 407 a 427 (e processo). Primeiramente, ressaltou que o presente lançamento decorreu apenas do fato de as despesas terem suporte em notas de débito, não havendo nenhum questionamento quanto à existência, usualidade, normalidade e necessidade destas. Afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela fiscalização, as despesas em questão não derivaram de serviços prestados pela TMKT MRM Serviços de Marketing e pela AON Warranty Services do Brasil, mas sim de reembolsos feitos a essas empresas, em decorrência de elas terem realizado pagamentos de despesas em favor da recorrente. Sendo assim, alegou que se tratando de reembolso de despesas, as notas de débitos apresentadas são documentos hábeis e idôneos para suportar estas despesas, devendo assim, ser cancelada a exigência fiscal. Aduziu que, ao teor do artigo 299 do RIR, e do Parecer Normativo CST 32/81, necessária a conclusão de que os reembolsos em questão atenderam aos pressupostos de dedutibilidade previstos na legislação. Alegou que, conforme o citado artigo do RIR, para que haja a dedutibilidade das despesas operacionais é necessário que os pressupostos da necessidade, usualidade e normalidade sejam observados. Quanto a esses pressupostos afirmou que, de acordo com o Parecer Normativo CST 32/81, a despesa será necessária quando esta for realmente relevante para o desenvolvimento de alguma transação ou operação exigida na exploração das atividades do contribuinte e que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos, e será normal e usual quando for habitual no exercício da atividade do contribuinte. Procurou evidenciar que a recorrente contratou a empresa TMKT MRM Serviços de Marketing para realizar, entre outras atividades, o serviço de telemarketing e que, em contrapartida à prestação deste serviço, assumiu a obrigação contratual de realizar o reembolso do valor das ligações, através da apresentação da nota de débito e do relatório tarifador do PABX. Sobre essas despesas com reembolsos das tarifas telefônicas, alegou que elas atendem aos requisitos previstos no artigo 299 do RIR, pois são necessárias devido à presença do intuito de aumentar as vendas de apólices de seguros. São, pois, normais e usuais por serem habituais no exercício da atividade econômica da recorrente. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 814 5 Acrescentou que o fato de a fiscalização considerar as despesas de telemarketing dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL, demonstra que tal serviço é essencial à realização das atividades da recorrente. Sendo assim, ressaltou que não há motivos para que as despesas com reembolsos das tarifas telefônicas sejam tidas como não dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Acusou que, pela análise das notas de débito, do relatório tarifador do PABX e do comprovante de pagamento, todos apresentados pela recorrente, é possível se comprovarem os reembolsos das despesas reconhecidas pela recorrente. Com relação às despesas referentes aos reembolsos efetuados em favor da AON Warranty Services do Brasil, observou que se cuida de empresa do mesmo grupo societário da recorrente. Tratase, pois, de despesas necessárias, normais e usuais. Realçou que a fiscalização não questionou a existência do referido contrato ou do compartilhamento, nem a usualidade, normalidade e necessidade da utilização do servidor pela recorrente, para quem é essencial à realização das atividades. Ressaltou que todas essas despesas com reembolsos sofridos pela recorrente estão comprovadas pelas notas de débito, recibo de pagamentos emitidos pela AON Warranty Services do Brasil e pelo contrato de compartilhamento retromencionado. Colacionou um quadro que demonstra os pagamentos realizados pela recorrente à AON Warranty Services do Brasil e, com o intuito de explicálo, afirmou que ele prevê dois tipos de pagamento: um referese ao valor pago pela recorrente em contrapartida à cessão e uso do servidos de computador; outro, ao reembolso de despesas de suporte. Com relação ao segundo tipo de pagamento, alegou que tais despesas são inerentes a utilização de qualquer servidor, devendo ser dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL, e fez uma breve explicação sobre o Lotus Notes, o Firewall, o acesso à internet, a plataforma AS/400 e o Link. Ainda quanto ao contrato pactuado entre a recorrente e a AON Warranty Services do Brasil, afirmou que o fato de elas pertencerem ao mesmo grupo econômico justifica o compartilhamento do servidor e o rateio das despesas incorridas. Quanto a isso, colacionou jurisprudência do CARF, que versa sobre ser permitida a dedutibilidade de despesas rateadas pela utilização de estrutura de empresa do mesmo grupo. Aduziu que, apesar de a fiscalização apenas mencionar os reembolsos feitos às 2 empresas já citadas, as despesas glosadas também englobam reembolsos feitos pela recorrente à AON Affinity do Brasil Serviços e Corretora de Seguro, sua contratada. A AON Affinity do Brasil Serviços e Corretora de Seguro realizava, no âmbito dos serviços que ela prestava à recorrente, ligações telefônicas com o intuito de vender os planos de seguro da recorrente, que reembolsava os gastos à contratada. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 815 6 Assim, essas despesas são necessárias, normais e usuais pelos mesmos motivos discorridos sobre os reembolsos feitos à TMKT MRM Serviços de Marketing. Colacionou quadro que demonstra os reembolsos feitos pela recorrente à AON Affinity do Brasil Serviços e Corretora de Seguros, e afirmou que esses reembolsos estão comprovados através das notas de débito e dos comprovantes de pagamento. São, portanto, despesas dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Reforçou a sua alegação no sentido de que a fiscalização não questionou se os serviços foram prestados, nem se as despesas eram necessárias, usuais ou normais, tendo apenas indagado a utilização de notas de débito, não se atendo ao fato de que as despesas foram decorrentes de reembolsos. Novamente consignou que as notas de débito são documentos hábeis e idôneos para suportar as despesas questionadas no presente processo, pois são instrumentos através dos quais são cobrados valores que não decorreram da venda de mercadorias ou prestação de serviços, não sendo valores exigíveis através da emissão de nota fiscal. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Acusou que o lançamento não deve prosperar, mesmo que a fiscalização entenda que as despesas com compartilhamento de servidores e com ligações telefônicas devessem ter sido cobradas através da emissão de nota fiscal pela empresa reembolsada. Sucede que tais despesas continuariam sendo necessárias, usuais e normais para a recorrente, por serem, de qualquer maneira, uma despesa por ela incorrida, devendo assim serem dedutíveis. Além disso, registrou que no caso mencionado acima, a emissão de nota fiscal apenas faria com que os beneficiários dos pagamentos realizados pela recorrente passassem a tratar esses valores como receitas ao invés de tratar como reembolsos. Por fim, requereu que seja admitida, conhecida e provida a impugnação, de modo a anular os autos de infração e cancelar o crédito tributário exigido. DA DECISÃO DA DRJ Em 18/1/2012, acordaram os membros da 10a Turma de Julgamento da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, fezse um breve relato da tramitação do processo e, em seguida, afirmouse que as despesas devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos, devendose comprovar a real realização da prestação de serviço que deu causa ao pagamento, não sendo suficiente a prova do desembolso das quantias. Sobre a definição de notas de débito, colacionou o entendimento de Maria Helena Diniz, de De Placido e Silva, de Rubens Requião, de Hiromi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi, e concluiu que aquelas não são documentos hábeis para comprovar as despesas em questão, pois demonstram apenas a ocorrência de um débito que será atribuído a alguém, não contendo nenhum atributo capaz de garantir a sustentabilidade para fins fiscais. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 816 7 Acentuou que o lançamento de CSL, que derivou da autuação do IRPJ, deve observar o que for decidido no lançamento principal. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Por fim, julgouse improcedente a impugnação em questão, com manutenção integral dos lançamentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 769 a 798 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação, acrescendo o que segue. Primeiramente, com relação à alegação da recorrente em sede de impugnação sobre as despesas em questão decorrerem de reembolsos feitos às empresas TMKT MRM Serviços de Marketing, AON Warranty e AON Affinity, afirmou que a própria decisão recorrida reconheceu isto, fazendo com que as notas de débito sejam documentos apropriados para suportar tais pagamentos. Alegou que, assim como a fiscalização, a decisão recorrida apenas questionou o fato de os reembolsos das despesas terem sido suportados por notas de débitos. Não questionou nem enfrentou a existência dos contratos celebrados com as empresas acima mencionadas, a efetividade e necessidade das despesas contraídas com a contratação realizada através destes contratos, nem a normalidade, usualidade e necessidade das despesas contraídas pela recorrente. Colacionou o Acórdão 10185.116 e, de acordo com ele, afirmou serem as notas de débito documentos capazes de comprovar as despesas em questão. Reconheceuse que são documentos hábeis para serem levados a registro contábil, não havendo dúvidas quanto à sua legitimidade para efeitos fiscais com relação à dedutibilidade de despesas. Alertou que a utilização das notas de débitos estava prevista nos contratos firmados entre a recorrente e as empresas TMKT MRM Serviços de Marketing, AON Warranty e AON Affinity, e que além destas notas, há outros documentos, como os contratos e comprovantes de pagamento, que evidenciam a sua efetividade. Ressaltou que, mesmo que seja mantido o crédito lançado com a aplicação de multa de ofício de 75%, deve ser cancelada a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, pois não há previsão legal quanto a isso. O artigo 61, § 3°, da Lei 9.430/96 possuir relação apenas com o valor principal dos débitos decorrentes de tributos e contribuições referentes à obrigação tributária não paga no vencimento, pois a multa decorre do descumprimento do dever de pagar o que é devido. Quanto a isso colacionou jurisprudência. Por fim, requereu o provimento integral do recurso voluntário, de forma a reformar o Acórdão da DRJ/SP1, declarando insubsistentes os lançamentos que foram mantidos. É o relatório. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 817 8 Voto Vencido Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Formalizo este Acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, ocorrida em 14/09/2015, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Marcos Shigueo Takata, por ocasião do julgamento realizado em 06/05/2014, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. O Relatório e a manifestação de voto vencido abaixo foram apresentados pelo Conselheiro relator durante a sessão e consta dos respectivos arquivos do CARF, tendo sido meramente reproduzidos por mim, redator ad hoc para efeitos de formalização do presente Acórdão. Da mesma forma, o voto vencedor proferido pelo redator designado, Conselheiro Fábio Nieves Barreira abaixo transcrito, consta dos arquivos do CARF, sendo reproduzidos adiante. Voto Vencido do Conselheiro Marcos Shigueo Takata: "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 765 e 767 do eprocesso). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada no voto é a do eprocesso. De início, importa verificar os limites objetivos da lide, que se fixam em face do motivo das glosas das despesas. Notase que o Termo de Verificação Fiscal (TVF) não é dotado de clareza, na delimitação do motivo das glosas. Nele se divisa uma sinalização ou insinuação de se estabelecer no motivo a questão da necessidade das despesas, nos termos da norma geral do art. 299 do RIR/99 (fls. 385 e 386). Contudo, análise detida do TVF desfaz aquela insinuação. Vejo que o motivo das glosas se fixa na incomprovação das despesas deduzidas. Essa conclusão se torna incontrastável dos itens 5 a 9 do TVF, e se confirma com a descrição contida nos instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 393 e 398): " Custos ou despesas não comprovadas. Glosa de despesas despesas não comprovada por documentação hábil e idônea", para IRPJ, e "Dedução indevida dos valores relacionados as despesas com prestação de serviços realizadas nos anoscalendário de 2002 e 2003, não comprovadas por documentação hábil e idônea, resultando na redução da base de cálculo do IRPJ e CSL conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal", para CSL. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 818 9 Transcrevemse os itens 5 e 9 do TVF (fl. 385): (5) Em resposta ao solicitado (fls. / ) o contribuinte carreou avultado volume de documentos e após criteriosa análise concluise que, os referentes aos encargos dos Serviços Técnicos no valor de R$ 293.025,25 (fls. / ) e de despesas de Comunicações nos valores de R$ 208.561,33 (fls. / ) e R$ 2.410.466,88 (fls. / ) restaram insuficientes para a comprovação das importâncias contabilizadas a titulo de serviços prestados por terceiros nos mencionados anos calendário. Salientese que não houve manifestação do contribuinte em relação à existência de vínculo societário com as empresas citadas no Termo de Intimação de 01/11/2005(fls./); [...] (9) Com isto, à míngua de outros elementos probantes dos serviços prestados, devese afirmar que tais encargos são inexistentes para o Fisco, razão pela qual, não são admitidos como dedutíveis a titulo de custos ou despesas as operações cuja efetiva realização não esteja comprovada com documentos hábeis e idôneos, se constituindo em mera liberalidade e devem compor as bases tributáveis do IRPJ e CSLL ; (negritos com sublinhados nossos; negritos do original) Também no TVF é dito que se procede à constituição do crédito tributário relativamente à dedução indevidas em 2002 no montante de R$ 2.619.028,21 e, em 2003, no montante de R$ 293.025.25 (fl. 387), mas nos instrumentos específicos dos autos de infração se vê que (fls.388, 389, 394 e 394) a) para o anocalendário de 2002, o procedimento foi de compensação integral daquele valor com prejuízo fiscal e base negativa de CSL (com suas reduções); e b) para 2003, houve a absorção de R$ 87.907,57 de estoque de prejuízo fiscal e de base negativa de CSL daquele montante. É o que havíamos anotado, inclusive, no relatório. Passo ao exame das questões controvertidas. Com relação às despesas com a TMKT MRM Serviços de Marketing, a recorrente observa o seguinte. Que ela contratara a SMK Serviços de Marketing para lhe prestar serviços de consultoria, tratamento e gerenciamento de banco de dados de clientes para marketing direto, e serviços de telemarketing relativos a programas de seguro, por meio de oferta de um período grátis de 30 dias ou mais. Posteriormente, a SMK transferiu suas obrigações e direitos para empresa de seu grupo, a TMKT MRM Serviços de Marketing. No âmbito da prestação de serviços de telemarketing, a TMKT MRM Serviços de Marketing realizava ligações telefônicas para promover planos de seguro da recorrente, a qual assumiu a obrigação de reembolsála. Alega a recorrente que as despesas em questão são de reembolso de tais gastos com ligações e, para tanto, junta aos autos cópias de notas de débito, dos relatórios de tarifador do PABX e comprovantes dos pagamentos dos reembolsos. Vejo que na fl. 474 consta aditivo contratual de 1/6/00, subscrito pela recorrente, pela SMK e pela TMKT, em que se estabelece a cessão da posição contratual da SMK para a TMKT. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 819 10 Nas fls. 460 a 473 figura o contrato entre a recorrente e a TMKT para a prestação dos serviços acima descritos, pela TMKT para a recorrente. O item 5.1 do contrato define o preço pela prestação dos serviços e prevê que pagamento pelos serviços se dará quinzenalmente, pela emissão de nota fiscal/fatura nos dias e 16 em curso da execução do serviço, com prazo de pagamento de 10 dias corridos da data de emissão da nota fiscal/fatura. O item 5.2 do contrato estabelece reembolso integral pela recorrente à contratada dos valores dos custos das ligações efetuadas, pela apresentação de nota de débito acompanhada de relatório tarifador do PABX. Esse item prevê que o pagamento do reembolso será feito quinzenalmente, no dia 1 relativo ao período medido entre os dias 16 e 31 do mês anterior, e no dia 16 relativo ao período medido entre os dias 1 e 15 do mês em curso da execução, com prazo de pagamento de 10 dias corridos da data de emissão da nota de débito. Nas fls. 475 a 588 constam as cópias das notas de débito, dos relatórios de tarifador do PABX, e os comprovantes dos pagamentos à TMKT, de janeiro a dezembro de 2002. Da análise de tais documentos, constato o seguinte. Na nota de débito n° 200265 consta o valor de R$ 59.149,38, assim como no relatório de tarifador de PABX correspondente, mas o comprovante de pagamento apresenta uma pequena diferença: o valor é de R$ 56.149,38 fls. 532 a 534. Para a nota de débito n° 200428 de R$ 84.723,02 e para a nota de débito n° 200520 de R$ 68.426,20, não constam os relatórios de tarifador de PABX, mas somente um protocolo de faturamento; os comprovantes de pagamento correspondem aos valores das notas de débito fls. 571 a 573, 586 a 588. Tirando esses apontamentos, há notas de débito com os correspondentes relatórios de tarifador PABX e comprovantes de pagamento, tudo coincidente em valores. Vejo que se trata de reembolsos de ligações telefônicas relativas a produtos de seguro Fininvest contra acidentes pessoais e Pernambucanas contra acidentes pessoais. O contrato prevê a emissão de nota fiscal/fatura quanto à prestação dos serviços e para o pagamento do preço dos serviços prestados e contratados. Como a recorrente contratou com a TMKT o pagamento pelas ligações efetuadas apartada do preço dos serviços, ou seja, por reembolso à contratada, o contrato prevê, para esse, a emissão e a apresentação de nota de débito acompanhada do relatório de tarifador do PABX. É óbvio que, se o custo das ligações efetuadas para consecução dos serviços contratados não é incluído no preço desses serviços, é totalmente descabido se falar de nota fiscal/fatura para o reembolso desse custo. A nota fiscal/fatura se reserva à prestação de serviços que é, em regra, materialidade tributável pelo ISS, assim como por PIS e Cofins. Reembolso, ajustado como tal, i.e., sem compor o preço de prestação de serviço, não se poderia colocar em nota fiscal/fatura sob pena de se tributar pelo ISS o que não é preço de serviço. Isso, além da questão da tributação ou não por PIS e Cofins de valores de reembolso, sobre a qual me abstenho de fazer juízo, por ser questão exógena aos autos. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 820 11 Questão que toca à economia de ISS, e eventualmente de PIS e de Cofins da contratada mas não da recorrente é quanto à adequação de o custo de ligações ser ajustado como fora do preço de serviço, como valor a ser reembolsado pela recorrente à contratada. Porém, não farei juízo aqui sobre a questão, por ser estranha à lide. Importa é o quanto consta nos autos e o que resultou questionado. E isso se limitou aos valores de despesas de reembolso do custo de ligações da contratada. Como já disse, o contrato previa inclusive a segregação entre preço de serviço e reembolso de gastos, demandando aquele a emissão de nota fiscal/fatura, o que não se poderia, pelas razões expostas, para gastos que não compõem o preço dos serviços. A previsão contratual de apresentação de nota de débito com o relatório de tarifador, para o reembolso de gastos com ligações telefônicas, adequase aos interesses da contratante, nos quais se incluem os efeitos de dedução. No quadro posto, as notas de débito com os respectivos relatórios de tarifador do PABX, constantes nos autos, são provas hábeis e suficientes para a comprovação da consecução das despesas. E as notas de débito com os correspondentes relatórios de tarifador do PABX acostados ao autos totalizam os R$ 2.410.466,88 glosados. Dessa forma, sobre a questão da glosa das despesas de reembolso à TMKT, dou provimento ao recurso. Outro grupo de despesas glosadas se refere aos reembolsos feitos pela recorrente à AON Warranty Services do Brasil. A recorrente afirma que se trata de empresa do mesmo grupo econômico, e que os reembolsos são decorrentes do acordo de compartilhamento de servidor pertencente à AON Warranty Services do Brasil. Junta aos autos cópia do referido acordo, de notas de débito emitidas pela AON Warranty Services do Brasil, e de comprovantes de pagamento dos reembolsos. Analisando tais documentos, faço as seguintes considerações. O acordo de compartilhamento prevê como objeto o compartilhamento do uso de seu servidor com a recorrente, incluindo uso de links, de servidor Notes e de servidor AS400, além da realização de trabalhos diversos pela AON relacionados ao objeto do acordo, como a realização de backup dos arquivos da recorrente (fls. 589 a 592). Porém, ele também prevê que, pelo compartilhamento, a recorrente pagará mensalmente o estipulado no calendário de pagamentos do Anexo I, acrescidos de 50% das despesas mensais comprovadas por notas fiscais, faturas ou recibos de fornecedores, relacionadas ao objeto do acordo. O Anexo I contém datas e valores sobre os quais não há esclarecimento (fl. 593). É comum o estabelecimento de convênio ou acordo de compartilhamento de bens materiais e/ou imateriais, sobretudo entre empresas do mesmo grupo, com determinação de rateio de custos entre as conveniadas, conforme e na medida dos custos incorridos por cada Fl. 820DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 821 12 uma delas. Não se trata de prestação de serviços, que implica preço e responsabilidade contratual pela execução das atividades. No convênio ou acordo de compartilhamento de bens materiais e/ou imateriais, uma das entidades que possui a estrutura material e/ou de bens imateriais permite que outra(s) entidade(s) também se utilize(m) de tal estrutura, para otimização dessa e se evitar sua duplicidade. Portanto, não há responsabilidade civil (contratual) pela execução de atividades: é que não há prestação de serviços, nem preço. Os critérios para o rateio dos custos podem se dar por meio da imputação direta de custos (quando isso é possível, evidentemente), por meio da imputação indireta, ou pela combinação de ambos, segundo metodologia técnica. No caso vertente, nenhum sentido há em se estabelecer o valor fixo de 50% das despesas mensais. Tampouco há esclarecimentos para justificar o pagamento mensal (de maio de 2003 até dezembro de 2004) dos valores relacionados no Anexo I do acordo de compartilhamento. As notas de débito (fls. 599 a 626) limitamse a dizer que se versa sobre reembolso conforme o acordo para compartilhamento são os valores mensais do Anexo I do acordo e sobre despesas de suporte em relação a Lotus Notes, firewall, acesso internet, administração AS/400, suporte ao link. Nenhuma documentação ou elemento indicativo da efetividade de tais execuções, do uso do servidor, tampouco da medição desse uso constam nos autos. Sequer há, como disse, esclarecimentos que justifiquem a fixação de 50% do valor das despesas como critério para imputação do rateio dos custos à recorrente, vale dizer, para se considerar o montante assim definido como critério para consideração dos custos incorridos pela recorrente. Diante do motivo da glosa, dois aspectos teriam de ser observados e comprovados pela recorrente. A justificação técnica dos critérios de rateio dos custos. Documentação, ainda que por amostragem, demonstrativa ou comprobatória da aplicação dos critérios de rateio justificados. Nada disso há nos autos. Nesse cenário, impõese a manutenção da glosa das despesas de reembolso à AON Warranty Services do Brasil, de modo que sobre essa questão, nego provimento ao recurso. Há ainda outro grupo de despesas glosadas, que são de reembolsos à AON Affinity do Brasil Serviços e Corretora de Seguros. Tais despesas, embora não referenciadas no TVF como despesas com a mencionada empresa, constam do rol de deduções glosadas conforme o TVF (fl. 385), e nos instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 393 e 398), totalizando R$ 208.561,33. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 822 13 A recorrente observa que a AON Pilar Serviços e Corretora de Seguros, cuja denominação foi alterada para AON Affinity Corretora de Seguros, fora contratada pela recorrente para prestação de serviços de intermediação e agenciamento de seguros da recorrente. E que, no âmbito da prestação desses serviços, a contratada realizava ligações telefônicas relacionadas à comercialização dos planos de seguros da recorrente. Alega que as despesas em questão são de reembolso de tais gastos com ligações e, para tanto, junta aos autos cópias do contrato, de notas de reembolso ou de débito e comprovantes dos pagamentos dos reembolsos. Da análise dos documentos, constato o seguinte. Há documento de emissão da AON informando a recorrente de que ela mudara sua denominação para AON Affinity Corretora de Seguros (fl. 632). O contrato entre a recorrente e a AON Pilar Serviços e Corretora de Seguros é de prestação de serviços pela AON de intermediação e agenciamento de seguros oferecidos pela recorrente, compreendendo os seguros dos ramos elementares e vida (cláusula primeira do contrato). A cláusula segunda do contrato prevê que o preço pela prestação de tais serviços é de 4,75% do valor do prêmio líquido dos planos vendidos pela contratada (fls. 629 a 631). As notas de reembolso ou débito da AON Affinity Corretora de Seguros são de reembolso de despesas de conta telefônica relativa a diversos pro/etos(Bandeirante, CPFL, AES, etc.). Há notas de reembolso ou débito que incluem além de despesas de conta telefônica: reembolso de aquisição de display (R$ 131,13); despesas com postagens projeto CPFL; reembolso de despesas com impressão de folhetos de seguro em conta CPFL; reembolso com aquisição de títulos de capitalização projeto CPFL; reembolso a consumidor de projeto CPFL; reembolso a consumidor de projeto Bandeirante; despesas com postagens projeto Bandeirante; despesas diversas com projeto Bandeirante; despesas com SATM400 projeto Bandeirante; despesas de postagens Elektro; reembolso consumidor de Elektro; reembolso com serviços IBM (processamento de dados); despesas com motoboy distribuição de folders RGE; reembolso de despesas com processamento de documentos RGE; despesas com divulgação projeto RGE; reembolso de despesas com manutenção do sistema SGI; despesas com criação projeto Plano Fácil; reembolso custos operacionais para Plano Fácil projeto AES; despesas com consumidor AES/SUL; despesas com correspondência de reembolso de seguro sr.Álvaro Pereira. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 823 14 São as notas de reembolso ou de débito n°s 0028, 0030, 0040, 0055, 0059, 0067, 0069, 0073, 0079, 0084, 0088, 0091, 0093, 0101, 0105, 0107, 0111, 0157, 0159, 0167, 0177. Para a maioria das notas de reembolso ou de débito emitidas pela AON Affinity Corretora de Seguros, foram juntados também boletos bancários para recebimento dos valores daquelas notas, emitidos pelo Banco Bradesco, tendo como cedente (o contratante do serviço de recebimento) a AON Affinity Corretora de Seguros. Para todas as notas de reembolso ou de débito há a comprovação dos pagamentos pela recorrente, seja por recibos, seja, pelos boletos pagos. Há clara conexão dos reembolsos descritos com os serviços prestados pela contratada. Para recebimento de tais valores, muitos dos quais são de pequena monta, foi contratado serviço de recebimento do Banco Bradesco, com emissão de boletos bancários para os valores em questão. O total das despesas glosadas é de R$ 208.561,33. Noto que há uma diferença pequena entre esse total e o das notas de reembolso ou débito acostadas aos autos, que totalizam R$ 207.633,29. Esse conjunto de elementos probatórios é forte e vigoroso, a conferir liquidez à efetividade das despesas de reembolsos em discussão. Ou, ainda, é no mínimo, um indício robusto e veemente da efetividade das despesas, o que traduz, noutras palavras, a verossimilhança. Nesse passo, cabem a meu ver as seguintes ponderações que já tive oportunidade de fazer no julgamento que resultou no Acórdão n° 110300.521, de minha relatoria, e que se deu por unanimidade. A indedutibilidade de despesas motivada por carência na comprovação de sua efetividade deve levar em conta, na avaliação daquele juízo (indedutibilidade), os contornos e tonalidades que o caso concreto revela nos autos. Dependendo do desenho que se apresente nos autos, a avaliação da indedutibilidade pautada naquele motivo deve ser iluminada pelo critério da razoabilidade. Nessa linha, os contornos e tonalidades revelados por cada caso concreto demandam a graduação mais ou menos rigorosa do critério da razoabilidade, conforme o desenho da comprovação se mostre mais embotado ou mais nítido. Do conjunto probatório apresentado e no contexto em que ele se põe, arazoabilidade sobre a matéria contendida impõe ser concretizada, a meu ver, com graduação menos rigorosa. Prossigo. A verossimilhança nada mais é do que a concreção do critério da razoabilidade. Como disse, aqui, há, no mínimo, robustos e veementes indícios da efetividade das despesas, que se traduzem na verossimilhança materialização do critério da razoabilidade. Essa valoração é a que condiz com a realidade fática. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 824 15 Para além disso, não houve intimação ou circularização junto à AON Affinity Corretora de Seguros para maior aprofundamento da fiscalização. Nessa linha, cito o Acórdão CSRF/0105.356, da sessão de 6/12/05, consagrado por unanimidade, e de relatoria do ilustre exConselheiro Cândido Rodrigues Neuber, assim ementado: IRPJ COMISSÕES PAGAS A REPRESENTANTE COMERCIAL COMPROVAÇÃO DEDUTIBILIDADE A simples falta de exibição de notas fiscais de prestação de serviços emitidas por representante comercial, relativamente a comissões a eles pagas, não permite considerar a despesa como não comprovada, se a contribuinte apresenta outros elementos que constituem vigoroso indício da efetividade dos serviços. (grifamos) Do exemplar voto desse acórdão, transcrevo excerto: Ao contrário, o conjunto de documentos carreados aos autos pela contribuinte, fls. 126 a 444 dos autos, mesmo que se trate de uma amostragem, cuja documentação retrocitada na transcrição da conclusão do decisório de primeira instância, fls. 651 dos autos, constitui robusto indício da prestação dos serviços, compondose de notas fiscais de venda da autuada a seus clientes, as quais indicam o nome do comissionado, planilhas de cálculo de comissões, recibos, cópias de cheques, documentos, DARF's de recolhimentos do IRRF, dentre outros. Em situações quejandas, a jurisprudência das Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes bem como desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é copiosa no sentido de, diante de eventual irregularidade formal atinente à documentação probatória das despesas escrituradas, ser necessário perquirir sobre a realidade fática da efetiva prestação dos serviços e da sua necessidade à consecução dos resultados da contribuinte. (fls. 5 e 6, do acórdão; grifos nossos) A inteligência deduzida no voto acomodase perfeitamente, a meu ver, sobre a questão em discussão. Enfim, no caso vertente, o desenho se mostra bastante nítido com robustez probatória, o que impõe a razoabilidade com gradação menos rigorosa. Com essas análise, ponderações e valoração, não vejo como se possa manter a glosa das despesas de reembolso à AON Affinity Corretora de Seguros, por não comprovadas, de modo que sobre essa questão dou provimento ao recurso. A recorrente articula, por fim, sua irresignação sobre a exigência de juros sobre a multa de ofício. Eis a dicção do art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 824DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 825 16 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1°. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2°. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3°. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Incidem juros moratórios na forma do § 3° do art. 61 sobre os débitos de que trata o caput do art. 61, i.e., sobre tributos, jamais sobre multa de ofício, pois, se a multa de ofício estivesse incluída no art. 61, chegarseia ao absurdo de se ter de concluir que esse artigo prevê a incidência de multa de mora sobre multa de ofício (caput do art. 61, parte final). Isso porque é prevista a aplicação da multa de mora (além dos juros de mora à taxa Selic) sobre os débitos de que trata o art. 61. A multa de mora é consequência prescrita no caput para os débitos nele referidos. Se o legislador quisesse que os juros de mora incidissem também sobre multa de mora ele assim teria previsto, tal como quis fazer e fez para o lançamento de multa de mora previsto no art. 43 da mesma lei. Aí ele previu que sobre a multa de mora ou sobre os juros de mora ou sobre dos dois, constituídos (lançados) sem tributo, incidem juros de mora a partir do 1° dia do mês seguinte ao do vencimento do lançamento. Vejase a diferença de redação do art. 61 da Lei 9.430/96 com a dos arts. 29, caput e 30, da Lei 10.522/02: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1°. A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2°. Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3°. Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Fl. 825DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 826 17 Referência Fiscal Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Aqui, sim, os juros de mora à taxa Selic são aplicáveis a débitos, que incluem a multa de ofício, e não a débitos de tributos. Não vejo, portanto, como serem aplicáveis juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. De outra parte, o Código Tributário Nacional utiliza a expressão "crédito tributário" com conotações diversas: ora para conceituálo como a obrigação tributária e a penalidade pecuniária (arts. 139 e 142 c/c os arts. 113, § 1° e 121, do CTN), ora lhe fazendo referência somente como obrigação tributária é o caso, por ex., do art. 164 do CTN. Se o art. 164 do CTN diz que cabe consignar judicialmente a importância do "crédito tributário" quando há subordinação de seu recebimento ao pagamento de penalidade, o "crédito tributário" é aí empregado no sentido de obrigação tributária, sem incluir a penalidade. O mesmo se entrevê no art. 161, caput, do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O caput do art. 161 dispõe sobre a incidência de juros de mora sobre o "crédito tributário", sem prejuízo da incidência das penalidades cabíveis: logo, o "crédito tributário" é utilizado aqui como sinonímia de tributo ou obrigação tributária pois sobre tal crédito é que incidem as penalidades cabíveis, além dos juros de mora. O § 1° do art. 161 do CTN, evidentemente, subordinase ao caput do dispositivo. Outrossim, também não vejo como ser aplicável à multa de ofício os juros de mora previstos no § 1° do art. 161 do CTN (juros de 1% ao mês), porquanto, como visto, o caput do art. 161 do CTN se refere a crédito tributário como obrigação tributária (e só). Com base em tais ponderações, dou provimento ao recurso sobre a questão dos juros sobre as multas de ofício. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de despesas de R$ 2.410.466,88 e de R$ 208.561,33, do anocalendário de 2002, e a exigência de juros sobre as multas de ofício. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 827 18 É o meu voto. Sala das Sessões, em 9 de abril de 2014. Marcos Shigueo Takata Relator" Voto Vencedor Com vistas à formalização do presente acórdão, transcrevo a seguir o voto vencedor proferido pelo Conselheiro Fábio Nieves Barreira, redator designado, constante dos arquivos do CARF. Voto vencedor do Conselheiro Fábio Nieves Barreira: "Aduz a recorrente a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Conforme jurisprudência deste Tribunal, Proc. 16327.000989/200793, Rel. Cons. André Mendes de Moura, é lícita a exigência dos juros de mora calculados sobre a multa de ofício: "Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, questionados pelo Recorrente, o Código Tributário Nacional (CTN) autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139 do CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... Fl. 827DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 828 19 §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Fl. 828DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 829 20 JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 830 21 Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicados com base na taxa SELIC." Diante do exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para afastar a glosa de despesas de R$ 2.410.466,88 e de R$ 208.1561,33, do anocalendário de 2002, MANTENDO, todavia, a exigência de juros sobre as multas de ofício. Cons. Fábio Nieves Barreira Redator Designado." Acórdão formalizado em 18 de setembro de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar a Resolução. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 831 22 Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro Como bem exposto pelo I. Relator, o foco da auditoria foi o grupamento contábil de despesas com serviços prestados por terceiros, nos totais de R$ 6.433.227,94 (AC 2002) e R$ 1.397.651,59 (AC 2003), devidamente consignados nas respectivas DIPJ. No entender da fiscalização, não restaram comprovados alguns valores relativos a Serviços Técnicos e a Despesas de Comunicações, essencialmente em razão de estarem lastreados apenas em notas de débito, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls.371/374): “[...] Em resposta ao solicitado (fls./) o contribuinte carreou avultado volume de documentos e após criteriosa análise, concluise que, os referentes aos encargos dos Serviços Técnicos no valor de R$293.025,25 (fls./) e de despesas de Comunicações nos valores de R$208.561,33 (fls./) e R$2.410.466,88 (fls./) restaram insuficientes para a comprovação das importâncias contabilizadas a titulo de serviços prestados por terceiros nos mencionados anoscalendário. Salientese que não houve manifestação do contribuinte em relação à existência de vínculo societário com as empresas citadas no Termo de Intimação de 01/11/2005 (fls./); (6) Isto porque, os referidos encargos estão suportados tão somente por documentos intitulados notas de débito emitidas pelas empresas AON Warranty Services do Brasil e TMKT MRM Serviços de Markenting, desacompanhadas de qualquer outro documento de natureza fiscal; (7) Com base nestas premissas, a juízo desta fiscalização, a escrituração contábil dos referidos encargos operacionais não estão lastreados em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, com a interessada figurando como beneficiária dos serviços prestados e que tenha elementos suficientes para demonstrar estarem tais gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita ; (8) Em reforço a esse entendimento, cabe ressaltar que nota de debito não é titulo de crédito não sendo passível, em uma análise simplista, de protesto e tampouco de ação judicial ; (9) Com isto, à míngua de outros elementos probantes dos serviços prestados, devese afirmar que tais encargos são inexistentes para o Fisco, razão pela qual, não são admitidos como dedutíveis a titulo de custos ou despesas as operações cuja efetiva realização não esteja comprovada com documentos hábeis e idôneos, se constituindo em mera liberalidade e devem compor as bases tributáveis do IRPJ e CSLL;” Fl. 831DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 832 23 Da transcrição acima, notase que a fiscalização, ao contrário do que afirma o Recorrente, efetuou as glosas por entender, à luz das notas de débito, é verdade, que não teriam sido comprovadas a necessidade (“...a escrituração contábil dos referidos encargos operacionais não estão lastreados em documentação hábil e idônea emitida por terceiros [...] e que tenha elementos suficientes para demonstrar estarem tais gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita”) e efetividade das despesas (“...à míngua de outros elementos probantes dos serviços prestados [...] não são admitidos como dedutíveis a título de custos ou despesas as operações cuja efetiva realização não esteja comprovada com documentos hábeis e idôneos”). Não bastasse a transcrição acima, acrescentese que o excerto abaixo esclarece definitivamente a insuficiência, na visão da fiscalização, dos requisitos de dedutibilidade, em especial os da necessidade (efetividade) e da usualidade (normalidade): “ As operações acima colidem com o que dispõe o artigo 299 do RIR/99, in verbis: ‘Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias a atividade da empresa e á manutenção da respectiva fonte produtora (Lei 4.506, de 1964, art. 47). §1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.’ (11) O conceito de despesas operacionais inserto no regulamento do imposto de renda, (RIR/1999, artigo 299 e Lei 4506/64, artigo 47), requer o grau de necessidade da atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas, além de serem pagas ou incorridas e usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa; (12) Com a finalidade de esclarecer os requisitos, ‘necessárias, usuais — ou normais’, foi expedido o Parecer Normativo n° 32/81, que definiu despesas necessárias, como sendo os gastos necessários quando essenciais a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, e estejam vinculadas às fontes produtoras dos rendimentos. Quanto à normalidade e usualidade, o referido Parecer Normativo acrescenta que normal é a despesa que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito, usualidade, deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio; (13) Portanto, a comprovação da necessidade, efetividade e materialidade da realização das despesas se traduzem em elementos nucleares que podem dar substancia material e comprobatória para a dedução das despesas contabilizadas e Fl. 832DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 833 24 consideradas dedutíveis na determinação do Lucro Real e CSLL. À ausência de qualquer um desses elementos, a dedutibilidade dessas despesas restará prejudicada;” (destaquei) Ao final, concluiu a autoridade fazendária: “[...] no entender desta fiscalização, e a teor das disposições legais mencionadas, procederseá, à constituição do pertinente crédito tributário relativamente à dedução indevida dos valores das despesas dos Serviços Prestados nos anoscalendário de (i) 2002 no montante de 2.619.028,21 e (ii) 2003 no montante de R$293.025,25”. Conforme Termo de Intimação Fiscal (fl.95), o contribuinte foi intimado a comprovar as seguintes despesas: AC 2002 Serviços Técnicos (372132.00.01.00) TMKT MRM SERVIÇOS DE MARKETING LTDA AON AFFINITY DO BRASIL SERVIÇOS DE CORRETORA DE SEGUROS S/C TELEFUTURA TELEMARKETING Comunicações (373321.00.01.00) – Telefones, Telex e Telegramas TMKT MRM SERVIÇOS DE MARKETING LTDA AON AFFINITY DO BRASIL SERVIÇOS DE CORRETORA DE SEGUROS S/C AC 2003 Serviços Técnicos (352132.00.01.00) KPMG CORPORATE FINANCE S/A AON WARRANTY SERVICE DO BRASIL De acordo com os autos de infração (fls.379 e 384) e planilhas acostadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal (fls.98, 216 e 331) as autuações limitaramse às seguintes glosas: AC 2002 Serviços Técnicos (372132.00.01.00) Valor (R$) TMKT MRM SERVIÇOS DE MARKETING LTDA 2.410.466,88 AON AFFINITY DO BRASIL SERVIÇOS DE CORRETORA DE SEGUROS S/C 208.561,33 AC 2003 Serviços Técnicos (352132.00.01.00) Valor (R$) AON WARRANTY SERVICE DO BRASIL 293.025,25 Por sua vez, afirma a defesa que os valores glosados não decorrem de prestação de serviços, mas se referem a reembolsos de despesas incorridas por terceiros por conta e ordem do Recorrente, razão pela qual não lhe caberia emitir, por exemplo, notas fiscais de serviços. Para fins de comprovação de suas alegações, o Recorrente apresentou argumentos e fez referência a determinados documentos acostados aos autos, que passo a analisálos separadamente por pessoa jurídica: Fl. 833DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 834 25 A) Do reembolso de despesas TMKT MRM Serviços de Marketing Tal pessoa jurídica, após transferência das obrigações e direitos da SMK Serviços de Marketing, inicialmente contratada pela autuada, seria responsável pela prestação de serviços de (i) consultoria, tratamento e gerenciamento de banco de dados de clientes para marketing direto” e (ii) telemarketing relativos a programas de seguro, por meio de oferta de um período grátis de trinta dias. A TMKT realizara ligações telefônicas efetuadas para promover os planos de seguro da Recorrente, que teria assumido contratualmente o ônus de reembolsála. O mencionado contrato de prestação de serviços, celebrado em 10/2/00, e aditivo, de 1/6/00, constam das fls.443/457. De fato, os serviços acima mencionados, a serem prestados por TMKT, constavam da cláusula 1.1: “1. Prestação de Serviços: 1.1. Objeto da Prestação. A TMKT deverá prestar a COMBINED, sem qualquer vinculo empregatício, de acordo com as necessidades da COMBINED, e dentro dos prazos estabelecidos, sem sujeição a qualquer norma disciplinar ou qualquer outro tipo de subordinação, os seguintes serviços: (a) sem exclusividade à COMBINED, serviços de consultoria, tratamento e gerenciamento de banco de dados de clientes da COMBINED para marketing direto, conforme descritos no Anexo 1.1.(a) ao presente; e (b) com exclusividade à COMBINED, serviços de telemarketing relativo a programas de seguro que envolvam a oferta de um período grátis de 30 (trinta) ou mais dias, conforme descritos no Anexo 1.1.(b) ao presente. Programas de seguro deverão incluir, sem limitação, vida, saúde, propriedade e acidente.” Quanto à remuneração, foi prevista nas cláusulas 5.1 e 5.2: “5. Remuneração 5.1. Preços. Pelos serviços objeto da cláusula 1.1. (a) e da cláusula 1.1 (b) do presente Contrato, a COMBINED pagará à TMKT os valores e condições especificados no Anexo 1.1.(a) e no Anexo 1.1.(b) respectivamente. O pagamento pelos serviços será efetuado quinzenalmente, mediante a emissão da nota fiscal/fatura nos dias 1 e 16 do mês em curso da execução do serviço, com prazo de pagamento de 10 (dez) dias corridos da data de emissão da nota fiscal/ fatura. 5.1.1. Alteração de Preços. Os preços estarão sujeitos a alteração, desde que previamente acordado entre as Partes, caso haja modificação da natureza dos serviços. 5.2. Impulsos telefônicos. Os valores relativos aos custos das ligações efetuadas serão reembolsados integralmente, mediante apresentação de Nota de Débito acompanhada de relatório tarifador do PABX. O pagamento será efetuado quinzenalmente, no dia 1 relativo ao período medido entre os dias 16 e 31 do mês anterior e dia 16 relativo ao período medido entre os dias 1 e 15 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 835 26 do mês em curso da execução do serviço, com prazo de pagamento de 10 (dez) dias corridos da data de emissão da nota de débito. Nos serviços de atendimento receptivo, DDG 0800, o reembolso será efetuado integralmente, mediante a apresentação da conta telefônica especifica com prazo de pagamento de 2 (dois) dias corridos da data de emissão da nota de débito.” Considerando que de acordo com o seu estatuto social, o autuado tem por objeto a realização de “...operações de seguros nos ramos elementares e vida, tal como definida na legislação em vigor, em todo o território nacional” (fl.424), a contratação de terceiros para a prestação de serviços de marketing direto e telemarketing pode ser considerada normal e usual, devendo as despesas decorrentes terem a mesma qualificação, vez que, como bem afirma o Recorrente, relacionamse “...ao incremento da venda das apólices de seguro [...], as quais estão vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. Acrescentese ser indiscutível nos tempos atuais, principalmente em ramo de atividade competitivo, como o de seguros, a importância do marketing para o regular exercício e sustentabilidade da atividade empresarial. Preenchido, portanto, o requisito da usualidade, normalidade, previsto no art.299, §2º, do RIR/99, sendo as despesas vinculadas aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica. Quanto ao requisito necessidade, o art.299, §1º, do RIR/99, exige a prova dos pagamentos das despesas. O demonstrativo abaixo possibilita identificar, nos autos, os documentos que, em conformidade com o contrato celebrado, antes mencionado, permitem a dedução fiscal apenas no montante devidamente comprovado: Nota de Débito Relatório Tarifador Comprovante de Pagamento Número Valor (R$) Folha Folha Valor (R$) Folha 200092 3.489,45 458 459 200095 74.141,16 461 462 77.630,61 460 e 463 200103 30.889,43 464 465 200104 70.701,57 467 468 101.591,00 466 e 469 200128 (1) 31.161,88 470 471 200129 (1) 27.851,77 473 474 200142 (2) 46.717,53 476 477 200143 (2) 45.562,71 479 480 200164 (3) 41.814,10 482 483 200165 (4) 44.716,85 485 486 200175 39.218,54 488 489 200176 31.166,26 491 492 70.384,80 490 e 493 200198 37.345,15 494 495 200199 69.289,68 497 498 106.634,83 496 e 499 200219 132.504,75 500 502 200234 34.480,33 503 505 166.985,08 501 e 504 200238 43.236,93 506 507 200239 100.866,10 509 510 144.103,03 508 e 511 200264 121.339,90 512 513 121.339,90 514 200265 59.149,38 515 516 56.149,38 517 200322 15.344,74 518 519 200323 120.897,48 521 522 136.242,22 520 e 523 200286 19.584,56 524 525 19.584,56 526 200289 140.181,66 527 528 140.181,66 529 200334 (5) 39.894,67 530 531 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 836 27 200335 (5) 122.150,94 533 534 200357 60.013,93 536 537 200358 54.469,20 539 540 114.483,13 538 e 541 200413 31.926,72 542 543 200414 82.581,35 545 546 114.508,07 544 e 547 200381 94.696,22 548 549 94.696,22 550 200382 24.366,28 551 552 24.366,28 553 200428 (6) 84.723,02 554 200451 100.838,44 557 559 100.838,44 558 200481 87.821,96 560 561 87.821,96 562 200487 (7) 78.463,14 563 564 77.286,19 565 200517 98.442,90 566 567 98.442,90 568 200520 68.426,20 569 68.426,20 571 Glosa 2.410.466,88 Total Comprovado 1.921.696,46 (1) Para comprovação dos pagamentos, anexouse apenas uma espécie de recibo sem assinatura (fls.472 e 475); (2) Para comprovação dos pagamentos, anexouse apenas uma espécie de recibo sem assinatura (fls.478 e 481); (3) Para comprovação do pagamento, anexouse apenas uma espécie de recibo sem assinatura (fl.484); (4) Para comprovação do pagamento, anexouse apenas uma espécie de recibo sem assinatura (fl.487); (5) Para comprovação dos pagamentos, anexouse apenas uma espécie de recibo sem assinatura (fls.532 e 535); (6) Para comprovação do pagamento, anexouse apenas uma espécie de recibo sem assinatura (fl.556); (7) Não se comprovou o pagamento de R$ 1.176,95, relativo ao IR supostamente retido na fonte (fl.565); Sendo assim, quanto aos dispêndios realizados à TMKT MRM Serviços de Marketing apenas restou comprovado o pagamento no montante de R$ 1.921.696,46, mantém se a glosa de R$ 488.770,42. B) Do reembolso de despesas AON Warranty Services do Brasil De acordo com o Recorrente, o autuado celebrou contrato com a AON Warranty Services do Brasil, sociedade pertencente ao mesmo grupo econômico, para utilizar o servidor daquela sociedade para fins de uso de email, armazenamento de arquivos, banco de dados, hospedagem de sites etc. O Acordo de Compartilhamento do Uso de Servidor (fls.572/576), celebrado em 1/8/02, vigente por 36 meses, teve como objeto: “1.1. A AON obrigase a, estritamente dentro de suas conveniências e possibilidade, cuidando, contudo para no prejudicar ou atrasar o andamento dos negócios da COMBINED, compartilhar o uso de seu servidor com a COMBINED, sem que isso implique em qualquer transferência de knowhow para a COMBINED e/ou seus prepostos. O COMPARTILHAMENTO inclui a utilização de links, de servidor Notes e de servidor AS400, além da realização de trabalhos diversos pela AON relacionados ao objeto do presente contrato, tais como, mas não restrito a, realização de backup dos arquivos da COMBINED. 1.2. – A AON obrigase a manter o servidor e demais equipamentos relacionados em boa guarda e bom funcionamento e conservação, arcando com todos os custos daí decorrentes, observado o disposto na Cláusula 2.1 abaixo.” Relativamente à contraprestação a cargo do autuado, dispôs a cláusula segunda: Fl. 836DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 837 28 “2. – PAGAMENTO 2.1. Pelo COMPARTILHAMENTO, a COMBINED pagará mensalmente a AON o estipulado no calendário de pagamentos descrito no Anexo I deste ACORDO, acrescidos de 50% (cinqüenta por cento) das despesas mensais comprovadas através de Notas Fiscais, Faturas e/ou Recibos de fornecedores, relacionadas estritamente ao objeto deste ACORDO. A partir de Janeiro de 2.005, findo o calendário, os pagamentos mensais corresponderão exclusivamente as despesas acima relacionadas, isto é, 50% (cinqüenta por cento) das despesas mensais comprovadas. Todos os pagamentos serão cobrados pela AON mediante a emissão mensal de notas de débitos, a serem emitidas no 25º (vigésimo quinto) dia de cada mês. 2.2. Os pagamentos deverão ser efetuados até o último dia útil de cada mês, após o recebimento pela COMBINED da nota de debito mencionada na clausula 2.1. acima,”(destaquei) O Anexo I contemplou o calendário de pagamentos mensais, que acerca do anocalendário 2003 era o seguinte: Data Valor (R$) 30/5/03 34.396,44 30/6/03 34.396,44 31/7/03 34.396,44 29/8/03 34.396,44 30/9/03 34.396,44 31/10/03 33.414,35 29/11/03 33.414,35 30/12/03 33.414,35 Total 272.225,25 Pois bem. Não obstante a existência do mencionado contrato e de notas de débitos, os documentos comprobatórios acostados aos autos não atestam a ocorrência da efetividade de todos os pagamentos (fls.578/, ), mas apenas a dos abaixo relacionados: Nota de Débito Comprovante de Pagamento Mês Valor (R$) Folha Valor (R$) Folha Setembro/03 34.396,44 592 34.396,44 593 Dezembro/03 33.414,35 606 33.414,35 607 Total 67.810,79 Vale salientar que as despesas de suporte, nos valores de R$ 2.600,00, com relação às quais o autuado anexou notas de débito acompanhadas dos comprovantes de pagamentos (fls.594/595 e 608/609), não foram aceitas, pois segundo o Acordo de Compartilhamento tais despesas mensais deveriam ser “...comprovadas através de Notas Fiscais, Faturas e/ou Recibos de fornecedores”. Dado o objeto do Acordo de Compartilhamento celebrado e a reconhecida imprescindibilidade de um computador servidor para o armazenamento de dados e softwares de Fl. 837DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 838 29 uso cotidiano das sociedades, é razoável considerar as despesas como normais, usuais, estando preenchido o requisito previsto no art.299, §2º, do RIR/99. Considerando que apenas restou comprovado o pagamento de R$67.810,79, mantémse a glosa de R$ 225.214,46. C) Do reembolso de despesas AON Affinity do Brasil Serviços e Corretora de Seguros S/C Ltda Nas palavras do Recorrente, também “...havia contratado a empresa AON Pilar Serviços e Corretora de Seguros para lhe prestar serviços de intermediação e agenciamento das apólices de seguros por ela oferecidos (doc.63). Posteriormente, a razão social da AON Pilar Serviços de Corretora de Seguros foi alterada para AON Affinity Corretora de Seguros (doc.64)”. A contratada efetiva ligações telefônicas relacionadas à comercialização dos planos de seguro da autuada. Dispôs o Contrato de Prestação de Serviços (Doc. 63), celebrado em 1/1/00 (fls.611/613): “CLAUSULA PRIMEIRA A CONTRATADA prestará serviços para a CONTRATANTE e sob autorização desta última serviços estes de intermediação e agenciamento de seguros oferecidos pela CONTRATANTE. Tais seguros compreendem os seguros dos ramos elementares e vida, tal como definidos na legislação em vigor, onde a CONTRATADA for nomeada para a intermediação e/ou agenciamento dos seguros emitidos pela CONTRATANTE. CLAUSULA SEGUNDA Pela execução dos serviços aqui contratados, a CONTRATADA receberá a titulo de honorários, a quantia correspondente a 4,75% sabre o valor [do premio líquido] dos planos vendidos pela CONTRATADA. Os valores a serem pagos pela CONTRATANTE à CONTRATADA serão valores líquidos, após a dedução dos impostos devidos. Os pagamentos serão efetuados todo o dia 30 [trinta] de cada mês, referente as vendas das apólices apuradas até um dia anterior.” (destaquei) Conforme o ajuste, notase que a contraprestação devida pela autuada (contratante) relacionavase com os planos de seguro vendidos pela AON Affinity do Brasil (contratada), representando o valor a ser pago um percentual de 4,75% sobre o prêmio líquido. Como isso, é possível de pronto afirmar que a comprovação dos dispêndios não prescinde da informação relacionada aos planos de seguros comercializados, especialmente sobre os valores dos prêmios líquidos. O Recorrente, a seu turno, limitouse a apontar, às fls.616/731, notas de reembolso emitidas por AON Affinity do Brasil, relativas a despesas com conta telefônica, postagens, “reembolso consumidor”, aquisição de títulos de capitalização, “aquisição de Display”, impressão de folhetos de seguros, sinistros, “Criação Projeto Plano Fácil”, “Manutenção do Sistema SGI”, divulgação, motoboy, processamento de documentos, custos operacionais, ligações locais, e respectivos pagamentos e recibos (sem assinatura). Fl. 838DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 839 30 Cabe recordar que as despesas com “Comunicações (373321.00.01.00) – Telefones, Telex e Telegramas”, que parece ser o objeto das notas de reembolso, conforme respectivas descrições, inclusive relacionadas com a AON Affinity do Brasil Serviços e Corretora de Seguros S/C Ltda, não foram glosadas. Acrescentese que o Recorrente não acostou outro contrato que pudesse lastrear as despesas incorridas e por ele indicadas. Por tal razão, sequer a comprovação da normalidade e usualidade restou comprovada, sendo procedente a glosa de R$ 208.561,33. A análise acima, em termos quantitativos (R$), pode ser assim resumida: Fato Gerador Valor Glosado (A) Valor Comprovado (B) Glosa Mantida (C) 31/12/2002 2.410.466,88 1.921.696,46 488.770,42 31/12/2002 208.561,33 0,00 208.561,33 31/12/2003 293.025,25 67.810,79 225.214,46 Total 2.912.053,46 1.989.507,25 922.546,21 Considerando que a fiscalização aproveitou prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL nos anoscalendário 2002 (valor integral do montante glosado) e 2003 (valor parcial da glosa), caberá à unidade de origem da Secretaria da Receita Federal proceder aos devidos ajustes decorrentes do que restou decidido neste voto, inclusive nos sistemas de controle. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, questionados pelo Recorrente, o Código Tributário Nacional (CTN) autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139 do CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Fl. 839DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 840 31 “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 841 32 (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000989/200793 Acórdão n.º 1103001.044 S1C1T3 Fl. 842 33 Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicados com base na taxa SELIC. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 1.921.696,46 (fato gerador 31/12/02) e R$ 67.810,79 (fato gerador 31/12/03). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 15586.720999/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/05/2012, 30/06/2012
DEVOLUÇÃO FICTA. BENEFÍCIO FISCAL. FABRICANTES.
O benefício fiscal decorrente da devolução ficta de veículos é aplicável somente aos fabricantes, não alcançando os importadores considerados equiparados a estabelecimento industrial.
Numero da decisão: 3402-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/05/2012, 30/06/2012 DEVOLUÇÃO FICTA. BENEFÍCIO FISCAL. FABRICANTES. O benefício fiscal decorrente da devolução ficta de veículos é aplicável somente aos fabricantes, não alcançando os importadores considerados equiparados a estabelecimento industrial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 09 99 /2 01 3- 73 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belém/PA que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração, no valor total de R$ 13.695.067,53, para a exigência de IPI, multa e juros, em face da utilização indevida de créditos relativos à entrada ficta de veículos de que trata o Decreto nº 7.725/2012, tendo em vista que a contribuinte, na condição de importadora, não faria jus a correspondente redução do IPI, aplicável somente ao fabricante. A contribuinte apresentou impugnação, alegando e requerendo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) a) Inicialmente reclama da multa aplicada em percentual que considera incompatível e confiscatório, inexistindo máfé por parte a empresa; b) No mérito, ressalta a equivalência das expressões “fabricante” (utilizada no decreto em análise) e “estabelecimento industrial”, as quais recebem mesmo tratamento para fins de incidência do IPI; c) “Portanto, ao sobrevir norma infraconstitucional prevendo situações benéficas a contribuintes ‘fabricantes’, ‘fábrica’, ou ‘estabelecimento industrial’, é certo que não existirá qualquer diferenciação, aplicandose indistintamente a qualquer deles, já que nos termos do Art. 609, do RIPI, a integralidade de tais termos pretende descrever a mesma pessoa objeto de direitos e obrigações.”; d) “Em vista do exposto, resta demonstrada a identidade entre as expressões ‘fábrica’ e ‘estabelecimento industrial’, para fins de IPI, razão em que se denota o evidente equívoco com que laborou o agente fiscal autuador ao lavrar o Termo de verificação ora impugnado, já que, ao contrário do que se afirmou, o termo ‘fabricante’ não recebe significado estrito, bem como que o Decreto n° 7.725, de 21 de maio de 2012 é plenamente aplicável à IMPUGNANTE BRAZIL TRADING.”; e) “Ante a situação fática, a IMPUGNANTE BRAZIL TRADING analisou do Decreto n° 7.725/2012, tendo notado que embora lá constasse a palavra ‘fabricante’, tal se dava tão somente de forma enunciativa, pretendendo se referir ao gênero empresas industriais ou equiparadas, que realizassem operações envolvendo veículos automotores específicos, na forma de atacadistas, por intermédio de concessionárias autorizadas.”; f) “Apenas a título exemplificativo, a operação desenvolvida pela IMPUGNANTE BRAZIL TRADING é da mesma ordem que as operações desenvolvidas pelas tidas como fabricantes, já que promove os trâmites de importação dos produtos fabricados na Coréia do Sul e Uruguai, posteriormente distribuindo citados veículos às concessionárias credenciadas da marca ‘KIA’.”; g) “Foi exatamente baseado na identidade operacional e real existente entre importadoras atacadistas e fabricantes de veículos, que a Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, equiparou Fl. 268DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 15586.720999/201373 Acórdão n.º 3402002.794 S3C4T2 Fl. 268 3 fabricantes e atacadistas de veículos, concedendo o mesmo tratamento às operações envolvendo veículo produzidos em território nacional e automóveis importados, da mesma posição 8703 da TIPI, produzidos por outro fabricante, ainda que domiciliados no exterior (…)” h) “A par disso, se sabe que a terminologia fabricante de veículos é adotada no Brasil como sinônimo de distribuidora de veículos, daí a razão em que a identidade de desígnio entre tal termo e estabelecimento industrial ganha razão, na forma do disposto no item precedente.”; i) “E, nesta seara, é inegável que ambos, fabricantes/estabelecimento industrial e a IMPUGNANTE BRAZIL TRADING se encontram na posição de sujeitos passivos de um mesmo tributo, que se submetem à matriz de incidência tributária em razão de equivalente circunstância fática.”; j) Ao final, requer: “a) a presente impugnação seja apresentada à autoridade local competente para seu julgamento, ante a sua tempestividade e oportunidade; b) seja acolhida a preliminar apresentada, para fins de excluir a incidência da multa de 75% (setenta e cinco por cento). Na remota hipótese de não ser integralmente extinta, que seja então minorada a 5% (cinco por cento), dados os contornos do caso concreto, explicitados em tópico próprio; c) superado o item acima, requer o acolhimento integral das argumentações carreadas em sede meritória desta Impugnação, reconhecendose aplicável o teor do Decreto n° 7.725/2012 à IMPUGNANTE BRAZIL TRADING, para o fim de que seja julgada integralmente insubsistente a autuação guerreada, lavrada através do Termo de Verificação supracitado, extraído do MPFF n° 07.2.01.00 2012008737, e todos os demais atos deste originados.” (...) Mediante o Acórdão nº 0129.764 3ª Turma da DRJ/BEL, de 5 de agosto de 2014, foi julgada improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/05/2012, 30/06/2012 REDUÇÃO. DEVOLUÇÃO FICTA. A devolução ficta de veículos dos estoques das concessionárias, objeto do Decreto nº 7.725, de 2012, e a possibilidade de emissão de nova nota fiscal com imposto reduzido, referese unicamente aos fabricantes, não alcançando os importadores equiparados a industrial. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2013 CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. A contribuinte foi regularmente cientificada do Acórdão de primeira instância, pela via postal, em 22/09/2014. Em 07/10/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntário, mediante o qual alega e requer, em síntese: DO EVIDENTE ERRO DE FATO PELA NÃO OBSERVÂNCIA DA IDENTIDADE DE DESIGNAÇÃO DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E/OU EQUIPARADO, FÁBRICA E FABRICANTE. PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE IPI Com efeito, a matriz tributável do IPI, como já muito se discutiu, não está atrelada ao procedimento/processo de industrialização em si, mas sim na efetivação de uma operação mercantil que tenha por objeto a transferência de titularidade de um produto tido por industrializado ao longo de sua existência útil. Tanto assim o é que a legislação originária do IPI (Lei n° 4.502/64) o denominava de "Imposto de Consumo", deixando claro que a industrialização é fato anexo à incidência tributária, posto que sua hipótese de incidência se dava: (i) quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; e (ii) quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. Do mesmo modo, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 46, prevê como fatos geradores do IPI: (i) o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; (ii) a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; e (III) A SUA ARREMATAÇÃO, quando apreendido ou abandonado e /evado a LEILÃO. Verificase, portanto, que a exação fiscal concernente ao Imposto sobre Produtos Industrializados ocorre no momento em que aperfeiçoada a operação de cunho comercial que acarreta o seu desembaraço aduaneiro, a saída do estabelecimento ou sua arrematação, de forma que não se adota, de qualquer forma e em momento algum, o processo industrial ou a industrialização, como instantes temporais sujeitos a deflagrarem o ato de incidência fiscal. Aliás, nem se poderia a isso cogitar, posto que se assim o fizesse, os produtos importados estariam excluídos da forma de tributação do IPI, porquanto presente o obstativo princípio da territorialidade, que impede seja alcançado o ato ocorrido fora da jurisdição física brasileira. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 15586.720999/201373 Acórdão n.º 3402002.794 S3C4T2 Fl. 269 5 Se assim o é, por óbvio que restaram equivalentes as expressões "fabricante" e "estabelecimento industrial", uma vez que o único momento relevante do ponto de vista do tributo em comento é aquele em que se aperfeiçoa o negócio jurídico que visa ao seu desembaraço, saída ou arrematação, ficando de lado o processo industrial. Corrobora ao quanto exposto, outrossim, a disposição contida no artigo 609, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Lei 7.212/2010), in verbis: Art. 609. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...) II as expressões "fábrica" e "fabricante" são equivalentes a estabelecimento industrial, como definido no art. 8º: Assim, como se evidenciou acima, o próprio Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados previu que as designações "fabricante" e "estabelecimento industrial" são equivalentes, de forma que resta inteiramente descaracterizada a pretensiosa diferenciação de terminologia apresentada no Termo de Verificação ora impugnado (MPFF n° 07.2.01.002012 008737), nos seguintes termos: (...) Ou seja Nobres Julgadores, a fundamentação contida no v. acórdão guerreado não pode subsistir, sob pena de se negar vigência à legislação em vigor (artigo 9º, inciso I do Decreto 7.212/2010 e artigo 51, inciso II do CTN) (...). (...) Por questão de equidade, não há como se falar que referidas empresas, repisese equiparadas pela referida ficção legal, também não estejam submetidas aos comandos/conceitos estabelecidos pelo Decreto 7.725/2012, como equivocadamente fundamentado no v. acórdão guerreado, sob pena de evidente afronta aos princípios da isonomia tributária e da não discriminação, insculpidos nos artigos 150, inciso II, e 152 da Constituição Federal de 1988, o que não se espera. Vale lembrar que a RECORRENTE BRAZIL TRADING é importadora e distribuidora dos veículos da marca "KIA" no território nacional, estando, portanto, sujeita à sistemática de tributação do Imposto sobre Produtos Industrializados, na forma do artigo 46 do CTN, e demais dispositivos legais aplicáveis. Assim sendo, em 21 de maio de 2012, o Decreto n° 7.725/2012, alterou as Notas Complementares NC (872), NC (874), NC (875) e NC (877) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011, e dispôs sobre a devolução ficta dos produtos nelas referidos. Com efeito, previuse, em referido ato normativo, a possibilidade de concessionárias de veículos automotores efetuarem devolução ficta dos automóveis previstos em citado Fl. 271DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 decreto, que estivessem em estoque e ainda não comercializados até 21 de maio de 2012, a fim de que os contornos tributários fossem adequados à nova sistemática. Para a operacionalização de citada devolução, o decreto em questão previu a subscrição de Nota Fiscal de devolução, com o consequente registro no estoque da remetente primária, promovendose, após, nova saída, também ficta, para a mesma concessionária, com a utilização da alíquota vigente no momento da remessa fictícia, que possibilitaria o creditamento do IPI incidente no momento da saída física dos bens em questão. Ciente da publicação do Decreto n° 7.725/2012, a RECORRENTE BRAZIL TRADING passou a ser destinatária de notas fiscais de devolução lançadas pelas concessionárias a si vinculadas, que instaram esta primeira a promover novo registro contábil, para fins de eficiência tributária. Ante a situação fática, a RECORRENTE BRAZIL TRADING, calcada no Decreto suso mencionado (7.725/2012), creditouse dos valores decorrentes da entrada ficta dos veículos em seu estoque. Assim sendo, ou seja, tendo a DRJ/BEL expressamente RECONHECIDO E DECLARADO NO V. ACÓRDÃO GUERREADO A EQUIVALÊNCIA DOS CONCEITOS DE FÁBRICA, FABRICANTE E ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL, COM BASE NA LEGISLAÇÃO VIGENTE, NOTADAMENTE NO RIPI, não há que se falar em tratamento desigual a ser aplicado em desfavor da ora RECORRENTE BRAZIL TRADING, em relação a redução do imposto (IPI) regulamentada pelo Decreto n° 7.725/2012, sob pena, repisese, de evidente ofensa aos princípios da isonomia tributária e da nãodiscriminação, insculpidos nos artigos 150, inciso II, e 152 da Constituição Federal de 1988, o que não se pode permitir. Ou seja Nobres Julgadores não se pode permitir, e aqui se relembra o adágio Aristotélico da igualdade, é que a RECORRENTE BRAZIL TRADING seja discriminada perante circunstâncias idênticas, fato que fere não somente o quanto disposto no CAPUT, do artigo 5º, e inciso XLI, da Constituição Federal, mas também viola a ordem econômica fundada na livre concorrência, ferindo de morte o quanto estabelecido pelo artigo 170, da Carta Magna, senão vejamos: (...) Portanto, se, nos termos do artigo 609, inciso II, do RIPI, FABRICANTE E ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL RECEBEM A MESMA INTERPRETAÇÃO, sendo dotados de idêntico sentido, por óbvio que estabelecimentos importadores, IN CASU, a RECORRENTE BRAZIL TRADING, haverá de ser destinatária do mesmo benefício, sobre pena de rompimento ao sistema harmônico e teleológico da norma. E, nesta seara, é inegável que ambos, fabricantes/estabelecimento industrial e a RECORRENTE BRAZIL TRADING se encontram na posição de sujeitos passivos de um mesmo tributo, que se submetem à matriz de incidência tributária em razão de equivalente circunstância fática. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 15586.720999/201373 Acórdão n.º 3402002.794 S3C4T2 Fl. 270 7 Impõese, portanto, a decretação de reforma do v. acórdão guerreado, com consequente anulação da autuação ora impugnada, lavrada através do Termo de Verificação supracitado, extraído do MPFF n° 07.2.01.002012008737, posto que dissonante ao conjunto fático probatório, bem como em vista de que o Auditor Fiscal condutor da diligência, com espeque em interpretação evidentemente equivocada, deixou de conferir à norma interpretação que conduziria a uma tributação justa e equânime. DO EVIDENTE ABUSO E CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA (...) Na aferição da multa, outrossim, deve se levar em consideração a lesividade da conduta, os antecedentes, a proporcionalidade, oportunidade, dentre outros requisitos. Entretanto, no presente caso, em arrepio aos requisitos legitimadores, foi imposta à RECORRENTE BRAZIL TRADING multa no importe de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o valor do tributo cobrado, o que se mostra incompatível e confiscatório, notadamente se considerada a conduta desta primeira. Como demonstrado acima, a RECORRENTE BRAZIL TRADING não deixou, em qualquer momento, de lançar os valores incidentes a título de IPI, muito pelo contrário, já que tanto no instante do faturamento primitivo quanto na saída ficta posterior, demonstrou, pela apresentação de seus livros fiscais, o irretocável destaque do montante tributável a título de IPI, referente a cada operação. Tanto assim o é que o Auditor Fiscal que conduziu a diligência não apontou qualquer irregularidade de cálculo, apenas lançando o importe que entendeu devido em virtude da forma como interpretou e aplicou o teor do Decreto n° 7.725/2012. Assim, é patente a inexistência de máfé por parte da RECORRENTE BRAZIL TRADING, visto que a atitude repreendida é decorrente unicamente de expediente interpretativo, que é assegurado aos atuantes no mercado de produção, consumo etc. Desta forma, o próprio lançamento do tributo constitui sanção à RECORRENTE BRAZIL TRADING. Ademais, sendo o Decreto n° 7.725/2012 norma temporária, prevista para viger apenas durante determinado interregno temporal, inexiste possibilidade de a atitude apontada ser repetida em outra oportunidade, dado o caráter transitório da norma. Portanto, o aspecto educativo da sanção deixou de existir, de forma que a multa prevista não encontra campo fértil de existência e validade. Aliás, a conduta descrita não se esquadra no quanto disposto no artigo 80, caput, da Lei n° 4.502/64, visto que citado dispositivo visa a reprimir hipóteses de sonegação ou mesmo de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 omissão de receitas, os quais não se referem ao caso em exame, já que a tributação ocorreu na exata conformidade do que dispõe o Decreto n° 7.725/2012. Em vista do exposto, irrepreensível a conduta da RECORRENTE BRAZIL TRADING, na medida em que simplesmente interpretou a legislação na forma permitida e concretizada pelo ordenamento nacional. Não bastasse, o Supremo Tribunal Federal já fixou, por diversas vezes, seu entendimento no sentido de que multas superiores a 20% são confiscatórias, visto que importam em apropriação ilegítima de capital vertido em vista do exercício de atividades plenamente lícitas, abaixo: (...) Ao final, não se entendendo pela exclusão integral da multa (75%), o que se alenta tão somente em vista dos princípios gerais de defesa, requer seja ela minorada, em vista da interpretação controvertida a respeito do termo utilizado no Decreto n° 7.725/2012, dos antecedentes da RECORRENTE BRAZIL TRADING, inexistência de lesividade e proporcionalidade, reduzindoa ao patamar de 05% (cinco por cento) do valor eventualmente entendido por devido, ante as razões supra. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria não comporta muitas discussões, eis que, conforme expressamente disposto no Decreto nº 7.725, de 21/05/2012, o benefício fiscal foi dado exclusivamente ao fabricante, tanto na devolução ficta dos veículos das concessionárias ao seu fabricante, nos termos do art. 2º; como na reintegração ao estoque do fabricante, de forma ficta, dos veículos vendidos diretamente ao consumidor final ainda não recebidos pelo adquirente, nas condições dispostas no art. 3º: Art. 1ºAs Notas Complementares NC (872), NC (874), NC (87 5) e NC (877) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011, passam a vigorar com a redação constante do Anexo. Art.2ºAs concessionárias de que trata a Lei nº 6.729, de 28 de novembro de 1979, poderão efetuar devolução ficta ao fabricante dos veículos de que trata este Decreto, existentes em seu estoque e ainda não negociados até 21 de maio de 2012, mediante emissão de nota fiscal de devolução. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 15586.720999/201373 Acórdão n.º 3402002.794 S3C4T2 Fl. 271 9 §1ºDa nota fiscal de devolução deverá constar a expressão “Nota Fiscal emitida nos termos do art. 2º do Decreto nº 7.725, de 21 de maio de 2012”. §2ºO fabricante deverá registrar a devolução do veículo em seu estoque, efetuar os respectivos registros fiscais e contábeis, e promover saída ficta para a mesma concessionária, com a utilização da alíquota vigente no momento da emissão da nota fiscal. §3ºA devolução ficta de que trata o caput enseja para o fabricante direito ao crédito relativo ao IPI que incidiu na saída efetiva do veículo para a concessionária. §4ºO fabricante fará constar da nota fiscal do novo faturamento a expressão “Nota Fiscal emitida nos termos do art. 2ºdo Decreto nº7.725, de 21 de maio de 2012, referente à Nota Fiscal de Devolução nº......... ”. Art.3ºNa hipótese de venda direta a consumidor final dos veículos de que trata o Anexo, efetuada em data anterior à data de publicação deste Decreto, se ainda não recebidos os veículos pelo adquirente, o fabricante poderá reintegrar ao seu estoque, de forma ficta, os veículos por ele produzidos, mediante emissão de nota fiscal de entrada. §1ºO disposto no caput somente se aplica na impossibilidade de cancelamento da nota fiscal de saída, nos termos da legislação aplicável. §2ºO fabricante somente poderá emitir a nota fiscal de entrada de que trata o caput quando estiver de posse da nota fiscal que comprova o não recebimento do veículo novo pelo adquirente. §3ºDa nota fiscal de entrada deverá constar a expressão: “Nota Fiscal emitida nos termos do art. 3ºdo Decreto nº7.725, de 21 de maio de 2012.” §4ºO fabricante deverá registrar a entrada do veículo em seu estoque, efetuar os respectivos registros fiscais e contábeis, e promover saída ficta para o mesmo consumidor final, com a utilização da alíquota vigente no momento da emissão da nota fiscal. §5ºA reintegração ao estoque de que trata o caput enseja ao fabricante direito ao crédito relativo ao IPI que incidiu na saída efetiva do veículo para o consumidor final. §6ºO fabricante fará constar da nota fiscal do novo faturamento a expressão “Nota Fiscal emitida nos termos do art. 3ºdo Decreto nº 7.725, de 21 de maio de 2012, referente à Nota Fiscal de Entrada nº........” Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. [grifos e negritos desta Relatora] Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 O art. 609 do Regulamento do IPI não socorre a recorrente, primeiro porque aplicável para a "interpretação e aplicação" das normas dispostas próprio Regulamento do IPI Decreto nº 7.212/2010, e não de outras normas que veiculam benefícios fiscais, como o Decreto nº 7.725/2012: Conceitos e Definições Art. 609. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...) II as expressões “fábrica” e “fabricante” são equivalentes a estabelecimento industrial, como definido no art. 8o; (...) Além do que o referido dispositivo nada diz sobre a eventual equivalência entre fabricante e o estabelecimento equiparado a industrial, no qual se enquadra a recorrente, na condição de importadora que dá saída aos produtos importados (art. 9º, I do RIPI/2010), como restou bem esclarecido na decisão recorrida, conforme trechos abaixo dela extraídos: (...) 7. Inexistem dúvidas sobre a equivalência dos conceitos de fábrica, fabricante e estabelecimento industrial, tendo em vista a disposição expressa no Ripi acima transcrita. Entretanto, discordase da impugnante quando a mesma defende que tais conceitos também englobariam as empresas equiparadas a industrial. 8. O Regulamento do IPI inclui no art. 9º, sob o título de equiparados a industrial, diversos tipos de estabelecimentos que, embora não executando operações de industrialização, exercem atividades que os sujeitam ao pagamento do imposto e ao cumprimento de obrigações acessórias. Assim, sempre há essa equiparação, a empresa se torna contribuinte do imposto, devendo inclusive cumprir todas as obrigações acessórias previstas. 9. Em nenhum momento o ato iguala os conceitos de fabricante e equiparada, como defende a impugnante, mesmo porque a equiparação não ocorre na empresa como um todo, alcançando tão somente determinadas operações definidas no Regulamento. Por exemplo, a empresa será equiparada quando revender os itens de importação direta, mas não será nas operações de revenda de certos produtos adquiridos no mercado interno. 10. Assim, o Decreto nº 7.725, de 2012, referindose unicamente aos fabricantes, não alcança os importadores equiparados a industrial na venda dos veículos de importação direta. Mesmo porque não se pode esquecer que o ato referese a um benefício fiscal de redução do imposto, e como tal, deverá ser interpretado literalmente nos termos do art.111 do CTN. (...) Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 15586.720999/201373 Acórdão n.º 3402002.794 S3C4T2 Fl. 272 11 Nessa esteira, não poderia este Colegiado, em lesão ao art. 111 do Código Tributário Nacional, estender à recorrente, um estabelecimento equiparado a industrial, o benefício fiscal concedido pelo Decreto nº 7.725/2012 somente ao fabricante dos veículos nas situações nele especificadas. Não há que falar em lesão aos princípios da isonomia, da não discriminação ou da livre concorrência, quando as normas que concedem benefícios fiscais são justamente para atingir situações ou pessoas jurídicas merecedoras de tratamento privilegiado, segundo o entendimento do legislador, em face do contexto econômico e social do País. Ademais, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de decreto vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Também os argumentos da recorrente acerca da matriz tributável do IPI não lhe trazem nenhum proveito no direito ao referido benefício, decorrente da devolução ficta dos veículos, nos termos do Decreto nº 7.725/2012, o qual, repisase, não inclui o estabelecimento equiparado a industrial entre os sujeitos que podem usufruir desse benefício. Com relação à multa de ofício não qualificada, no percentual de 75%, sua tipificação legal, no artigo 80, caput da Lei n° 4.502/64, não exige que a conduta seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta recolhimento do imposto devido. De forma que a eventual boafé alegada pela recorrente não lhe socorre também nesse caso. Com efeito, tendo ocorrido a conduta prevista no artigo 80, caput da Lei n° 4.502/64, correta a aplicação da multa no montante disposto em lei, não cabendo, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a este Colegiado excluir ou mitigar a aplicação da norma sancionadora disposta em lei. Nesse sentido dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. [Assinatura Digital] MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 10840.001433/2003-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 01 43 3/ 20 03 -0 3 Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.735 2 O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 2º trimestre de 2002 e no valor de R$ 329.970,93, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. O Despacho Decisório de fls. 185/186, com base na Informação Fiscal de fls. 178/183, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 9.824,21, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Em síntese, os motivos expostos para o deferimento parcial do pedido de ressarcimento foram os seguintes: 1. Quanto ao custo das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, foram incluídos indevidamente pela contribuinte, no montante das aquisições de insumos, os seguintes valores: a) custo de canadeaçúcar adquirida de Produtores Rurais (Pessoas Físicas), não contribuintes de PIS/PASEP e COFINS; b) IPI incidente sobre as Notas Fiscais de compras; c) custo de insumos adquiridos de Cooperativas de Produtores; d) aquisições de serviços aplicados na produção, porém não incluídos nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; e) RS 111.980,24 que corresponderia ao valor do estoque final de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos, que teria sido excluído na apuração do benefício relativo ao ano de 2001. A c o n t r i b u i n t e c om e t e u o m e sm o e r r o q u a n t o a o v a l o r e x c l u í d o n a a p u r a ç ã o r e l a t i v a a o q u a r t o t r i m e s t r e d e 2 0 0 2 ( R $ 7 3 2 . 2 5 9 , 3 0 ) , p o i s e x c l u i u d a b a s e d e c á l c u l o d o b e n e f í c i o o v a l o r d o s i n s um o s em e s t o q u e em 3 1 / 1 2 / 2 0 0 2 e n ã o o v a l o r d a s m a t é r i a s p r i m a s , d o s p r o d u t o s i n t e r m e d i á r i o s e d o s m a t e r i a i s d e e m b a l a g em u t i l i z a d o s n a p r o d u ç ã o d e p r o d u t o s n ã o a c a b a d o s e d o s p r o d u t o s a c a b a d o s m a s n ã o v e n d i d o s ; f) apuração incorreta da quantidade de matérias matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (insumos) utilizados na produção, pois não considerou os estoques iniciais e finais do período; apenas computou os valores das aquisições, em desacordo com o disposto no parágrafo 7° do artigo 3o da Portaria MF n° 38, de 27/02/1997; 2. Quanto ao valor da Receita de Exportação: a) a empresa não efetuou exportações diretas no ano calendário de 2002, tendo realizado suas exportações por intermédio das empresas Cargill Agrícola S/A, CNPJ 60.498.706/000904, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/000290, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/000108, Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/000206, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/000160, e as Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.736 3 filias da empresa E D & F Man Brasil S/A, CNPJ 35.829.068/000677 e 35.829.068/000243, não enquadradas como Empresas Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decretolei nº 1.248/72, mas sim uma empresa comercial exportadora comum. A l e g i s l a ç ã o em v i g o r d o b e n e f í c i o n o r e f e r i d o p e r í o d o c o n t emp l o u a s e x p o r t a ç õ e s d i r e t a s e a s e f e t u a d a s p o r e m p r e s a c om e r c i a l e x p o r t a d o r a , d e f i n i d a n o D e c r e t o l e i n ° 1 . 2 4 8 / 7 2 . F o r am a dm i t i d a s n a a p u r a ç ã o d o b e n e f í c i o a s e x p o r t a ç õ e s e f e t u a d a s a t r a v é s d a s e m p r e s a s Sab Trading Comercial Exportadora S/A, CNPJ 42.354.274/000129, Satco Trading S/A, CNPJ 01.811.229/000250, e Nova América S/A – Trading, CNPJ 02.992.296/000108; b ) f oram incluídos, indevidamente, no valor das exportações, os acréscimos decorrentes de Variação Cambial, que não podem ser considerados na apuração do benefício, pois são contabilizados como Receitas Operacionais; 3. Quanto à Receita Operacional Bruta: o montante da receita foi ajustado tendo em vista que os valores das Exportações sofreram modificações; 4. Quanto à atualização monetária dos valores solicitados com a utilização dos juros Selic, não há qualquer previsão legal para a atualização monetária dos valores a serem ressarcidos; 5. Com base nos valores da receitas, estoques, custos, etc, calculados nos demonstrativos de fls. 122/175, procedese à apuração do benefício acumulado no 2o trimestre do ano 2002 através do "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO ANO DE 2002", de fl. 176, onde se pode verificar que o valor apurado do crédito presumido no 2º trimestre de 2002 é igual a R$ 9.824,21. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 209/225, instruída com os documentos de fls. 226/2.147, alegando, em resumo, o que segue: a) Por mais que a autoridade administrativa por seu despacho decisório insista na exclusão dos valores de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas bem como adquiridos de cooperativas, na base de cálculo do beneficio do crédito presumido, temse que a legislação é clara quanto possibilidade da sua inclusão, não cabendo ao interprete restringir onde o legislador o fez. Aliás, não é demais rememorar que a IN SRF nº 23/97, mais especificamente seu artigo 2º, parágrafo 2º, nunca veio a regulamentar o art. 1º da Lei 9.363/96, haja visto que inexiste na referida norma última citada qualquer restrição ao benefício do crédito presumido. É importante ainda destacar que é entendimento pacífico da possibilidade do benefício do crédito presumido, mesmo em se tratando de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, é o que se verifica em diversas ementas do 2a Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; b) O valor de R$ 111.980,24 que corresponderia ao valor de matérias primas, produtos intermediários e de materiais de embalagens, valor esse glosado Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.737 4 pelos fundamentos da informação fiscal, não reflete em nada sobre o resultado do crédito de ressarcimento do benefício fiscal, posto que mesmo excluindo esse valor da base de cálculo do crédito presumido de IPI, verificarseá que o valor do crédito presumido resta inalterado. Por outro lado, ao inverso dos fundamentos apresentado pela informação fiscal, a impugnante provou e demonstrou à fiscalização que o valor de R$ 111.980,24, permaneceu em estoques na data de 31/12/2001, conforme se verifica da memória de cálculo juntada (doc. I); c) Inversamente do que fundamenta a informação fiscal, a impugnante atendeu a legislação quando excluiu do valor do benefício o valor de R$ 111.980,24. Aliás, tal informação resta comprovada conforme se verifica de resposta apresentada à fiscalização em 15/01/2008, sendo, inclusive, citado à época o amparo legal, mais especificamente a IN SRF n° 490/2004. Assim, não há em que se falar em comprometimento de toda apuração do crédito presumido; d) No que se refere à impossibilidade da inclusão na base de cálculo do benefício os valores dos produtos exportados pelas empresas Cargill Agrícola S.A, CNPJ 60.498.706/000904, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/000160, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/000290, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/000108, e Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/000206, comercializados pela impugnante, em que pese fundamentação apresentada pela informação fiscal, é de ser visto que outras empresas que não estejam especificamente dentro dos requisitos previstos pelo art. 2o do Decreto n° 1.248/72, de fato, podem realizar operações de exportação equiparadas as Trading Company, bastando que realizem operações mercantis de exportação e que estejam inscritas no SISCOMEX, até porque se assim não fosse não haveria necessidade da Lei Complementar 87/96, mais especificamente em seu art. 3º, parágrafo único, inciso I, prever que equiparam operações de exportação as comercializações de mercadorias destinadas ao exterior por empresas comerciais exportadoras, inclusive Trading; e) Não há em que se falar em exclusão dos valores relativos à variação cambial, porquanto como propriamente dito pela informação fiscal, a impugnante emitiu Nota Fiscal de complemento de vendas para o mercado externo, tratamse, assim, de venda a comercial exportadora, não deixando tais valores de serem complementos dos valores das mercadorias exportadas; f) Quanto à correção monetária dos valores relativos ao beneficio fiscal, não há que discordar quanto à reposição de seu valor, haja visto que tal entendimento já se encontra sedimentado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, como pode ser verificado nos seguintes acórdãos: CSRF 0202.212, CSRF 0201.626 e CSRF 0201.688; g) Ao final, conclui que inexiste qualquer justificativa jurídica para manutenção do Despacho Decisório, sendo imperiosa a declaração de homologação dos valores compensados, mormente pelas provas dos autos pelas quais demonstram as exportações dos produtos pelas empresas Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.738 5 exportadoras e ser remansosa a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda quanto inclusão de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas bem como cooperativas no cálculo do benefício. Em 28/08/2012, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO proferiu a Resolução nº 1.640, de fls. 2154/2157, baixando o processo em diligência fiscal para que a Delegacia de origem verificasse se as vendas para as empresas comercias exportadoras cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97 (“Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”). Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, revisasse o cálculo do crédito presumido do 2º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores comprovados. A autoridade fiscal realizou a diligência requerida e elaborou Informação Fiscal de fls. 2679/2683, concluindo que a empresa Viralcool “não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de prova para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos para comprovar o efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo.” Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou os documentos anexados ao arquivo não paginável de fl. 2687, encaminhando relatórios de notas fiscais de exportação emitidas no 2º trimestre de 2002 e cópia das notas fiscais que comprovariam que os produtos vendidos foram realmente remetidos diretamente para as empresas comerciais exportadoras. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1454.793, de 18/11/2014, proferida pelos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.739 6 Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar comprovada a saída dos produtos com o fim específico de exportação nos termos da legislação do IPI. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Sendo o julgamento administrativo coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, devese adotar o disposto no Ato Declaratório nº 14, de 2011, da PGFN, que dispensa a apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN SRF nº 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n° 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi procedente em parte para acatar a possibilidade do cômputo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas na base do crédito presumido do IPI, no entanto, negar o direito ao benefício, pois o valor das exportações no período com direito ao beneficio é igual a zero, Assim, mantémse, a decisão do despacho decisório em indeferir o pedido de ressarcimento e, consequentemente, não homologar as compensações declaradas, conforme conclusão do voto. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumenta que finalizadas as diligências e informações fiscais, apresentou arquivos anexados ao arquivo não paginável, da mesma forma, apresentou relatórios de controles de estoque e notas fiscais para comprovar que as mercadorias foram remetidas diretamente para as empresas comercias exportadoras. Expõe, pois, a recorrente, em que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.740 7 líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas. Ressalta que comprovou, dessa forma, as exportações, através dos diversos documentos, dentre eles, cópias digitalizadas dos contratos de venda para exportação firmados com empresas comerciais exportadoras e resposta do contribuinte ( cópias magnéticas no doc. de fl.2687). O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 2º trimestre de 2002 no valor de R$ 329.970,93 , a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. Através do Despacho Decisório de fls. 185/186, com base na Informação Fiscal de fls. 178/183, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 9.824,21, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Através da Resolução de n° 1.640, de 28/08/2012, provocada pela própria DRJ/RPO, o processo baixou em diligência, para que, nos termos abaixo: § 2° Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, deverá ser revisado o cálculo do crédito presumido do 2º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores comprovados. Encerrada a instrução processual, a contribuinte deverá ser intimada do resultado da diligência, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste. Em resposta, às efls. 2679/2683, consta a informação fiscal (em 10/07/2014) que: Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.741 8 5. Em atendimento à intimação fiscal, a empresa entregou à fiscalização os documentos de fls. 2162 e 2166, encaminhando ao Fisco um relatório de notas fiscais de exportação (inserido às fls. 2163/2165) e documentos (notas fiscais mãe e de remessa, memorandos de exportação, BL e RE) que comprovariam as exportações efetivadas nos períodos de apuração do segundo e terceiro trimestres do ano de 2002 (cópias parciais anexadas às fls. 2167/2661). 6. O relatório de notas fiscais de exportação apresentado pela VIRALCOOL contém os valores das receitas de exportação inseridas no cálculo do crédito presumido de IPI. Verificamos que os montantes utilizados na apuração da contribuinte foram extraídos das Notas Fiscais emitidas de Venda Para Entrega Futura, cujos dados estão transcritos abaixo. quadro 7. As notas fiscais de faturamento, assim como as notas fiscais de remessas correspondentes (inseridas, parcialmente, às fls. 2167/2661) contêm em seu corpo a indicação de onde os produtos vendidos pela empresa deveriam ter sido entregues. 8. A VIRALCOOL, no entanto, não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de prova para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos para comprovar o efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo. 9. Entretanto, como se trata de um processo com direito à ampla defesa, devemos contar com a possibilidade de a contribuinte apresentar referidos documentos em sua manifestação à DRJ, após tomar ciência desta Informação Fiscal. 10. Assim sendo, efetuamos verificações fiscais na documentação apresentada pela contribuinte e constatamos que os dados dos locais de entrega constantes dos documentos fiscais contidos na planilha elaborada pela empresa, transcritos no item 6 acima, de uma forma geral, coincidem com as anotações contidas no corpo dos documentos fiscais de venda para entrega futura e das remessas correspondentes. Observamos, entretanto, que as notas fiscais 55.881, 56.144, 56.355, 56.526, 57409, 57.885 (cópias às fls. 2647/2661), assim como as notas de remessas correspondentes, contêm em seu corpo o local de entrega da empresa Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/000300 e não o da empresa Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/000157, como consta na planilha da contribuinte. 11. Por outro lado, independentemente da comprovação do efetivo ingresso nos estabelecimentos elencados pela VIRALCOOL em seus demonstrativos, efetuamos pesquisas e coletas de informações junto à DIANA da Superintendência da 8ª Região Fiscal (SP) (vide os documentos inseridos às folhas 2662/2678), para se constatar se os estabelecimentos identificados nas Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.742 9 notas fiscais de remessas de produtos (descritos na planilha inserida no item 6) eram, à época das respectivas exportações, recintos alfandegados. 12. Constatamos que os estabelecimentos Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223, Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/0001 57, Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/000300 e União Terminais e Armazéns Gerais, de CNPJ 50.280.387/000406, se caracterizavam como recintos alfandegados à época dos fatos geradores contemplados neste processo. 13. Entretanto, não foram encontradas nas relações de recintos alfandegados as empresas Transporte Rodoviário Internacional (Uruguai), Armazéns Gerais Fassina S/A, de CNPJ 44.611.234/000655, ETL Engenharia Transp. E Logística Ltda, de CNPJ 71.877.674/000117, HIPERCON Terminais de Cargas Ltda, de CNPJ 57.246.266/000136, Transportes Lisot Ltda, de CNPJ 62.859.525/000568, ENAR Emp. Nação de Arm. Gerais Ltda, de CNPJ 80.575.459/002368. Os estabelecimentos HIPERCON Terminais de Cargas Ltda e Armazéns Gerais Fassina S/A eram cadastrados na Receita Federal como REDEX Permanente (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação), caracterizado como recinto nãoalfandegado, conforme o disposto na Instrução Normativa SRF 114, de 31 de dezembro de 2001. Os demais não tinham qualquer tipo de controle por parte da Receita Federal do Brasil. (grifamos) 14. Dessa forma, em caso de a VIRALCOOL apresentar os documentos comprobatórios do efetivo ingresso nos estabelecimentos das empresas Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223, Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/000157, Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/000300 e União Terminais e Armazéns Gerais, de CNPJ 50.280.387/000406, entendemos que as informações contidas nesta Informação Fiscal são suficientes para se revisar o cálculo do crédito presumido do 2º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores efetivamente comprovados. Observei que o contribuinte foi cientificado em 17/07/2014, a se manifestar sobre o resultado da Informação Fiscal. Em resposta, a empresa apresentou o documento anexado ao arquivo não paginável de fl. 2687 (documento recebido em 02/10/2014 e o mesmo contém muitas páginas, denominado como resposta do contribuinte). Diante desses fatos relatados acima, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para a unidade de origem: informar se o documento de efl. 2687 (arquivo magnético) já foi analisado, bem como considerado na informação fiscal; em caso negativo, e se diante de toda a documentação apresentada pela empresa comprovase, de fato, as exportações no caso; tendo em vista argumento da recorrente,ao afirmar em que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001433/200303 Resolução nº 3201000.623 S3C2T1 Fl. 2.743 10 contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas; enfim, que sejam observadas essas notas fiscais;e prestar os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. Após a efetivação da diligência, cientifique o contribuinte dos fatos da mesma, se quiser se manifestar, no prazo de 30 dias e retornem os autos para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 16327.720670/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010
LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO. INCIDÊNCIA.
Não integram o salário-de-contribuição para os fins da Lei 8.212/1991 as verbas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.
Os ganhos eventuais e abonos só não integral o salário de contribuição se expressamente desvinculados por força de lei.
No caso, há incidência de contribuição social previdenciária sobre as importâncias recebidas a titulo de gratificação, posto não ser eventual e não ter sido desvinculada do salário por força de lei.
As gratificações tem natureza remuneratória, já que sua origem deve-se a prestação de serviço, ou colocação à disposição, à empresa, com a característica de contrapartida.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO.
De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea c, do Código Tributário Nacional (CTN), em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas a penalização apurada conforme a legislação de regência do fato gerador com a penalização determinada pela norma superveniente, aplicando- se a que lhe for menos severa, conforme procedeu a fiscalização.
Numero da decisão: 2301-004.245
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Júnior e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maria Isabel Tostes da Costa Bueno. OAB> 115.127/SP.
Redator designado: MARCELO OLIVEIRA
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente e Redator.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010 LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO. INCIDÊNCIA. Não integram o salário-de-contribuição para os fins da Lei 8.212/1991 as verbas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Os ganhos eventuais e abonos só não integral o salário de contribuição se expressamente desvinculados por força de lei. No caso, há incidência de contribuição social previdenciária sobre as importâncias recebidas a titulo de gratificação, posto não ser eventual e não ter sido desvinculada do salário por força de lei. As gratificações tem natureza remuneratória, já que sua origem deve-se a prestação de serviço, ou colocação à disposição, à empresa, com a característica de contrapartida. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea c, do Código Tributário Nacional (CTN), em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas a penalização apurada conforme a legislação de regência do fato gerador com a penalização determinada pela norma superveniente, aplicando- se a que lhe for menos severa, conforme procedeu a fiscalização.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720670/201245 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.245 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BANCO BNP PARIBAS BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2010 LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO. INCIDÊNCIA. Não integram o saláriodecontribuição para os fins da Lei 8.212/1991 as verbas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Os ganhos eventuais e abonos só não integral o salário de contribuição se expressamente desvinculados por força de lei. No caso, há incidência de contribuição social previdenciária sobre as importâncias recebidas a titulo de gratificação, posto não ser eventual e não ter sido desvinculada do salário por força de lei. As gratificações tem natureza remuneratória, já que sua origem devese a prestação de serviço, ou colocação à disposição, à empresa, com a característica de contrapartida. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas a penalização apurada conforme a legislação de regência do fato gerador com a penalização determinada pela norma superveniente, aplicando se a que lhe for menos severa, conforme procedeu a fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 70 /2 01 2- 45 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Júnior e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maria Isabel Tostes da Costa Bueno. OAB> 115.127/SP. Redator designado: MARCELO OLIVEIRA (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Redator. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 4 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte BANCO BNP PARIBAS BRASIL S.A. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo recorrente e manteve o crédito tributário referente às competências 01/2008, 02/2008, 08/2008 e 11/2008. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 188/192), foram lavrados em desfavor do contribuinte os seguintes autos de infração: a) Debcad nº 37.371.5676: apurados valores referentes as contribuições devidas à Seguridade Social, no que toca a parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre os valores pagos a título de gratificação espontânea aos empregados, conforme o art. 22, incisos I e II , da Lei 8.212/91; e b) Debcad nº 37.371.5684: apurados os valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre os valores pagos a título de gratificação espontânea aos empregados. 3. Inconformado com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 214/230) ao lançamento fiscal, tendo o colegiado de primeira instância rejeitado as razões apresentadas. O acórdão recorrido (fls. 243/254) restou lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. INCIDÊNCIA. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As verbas pagas a título de gratificação, por se revestirem de natureza salarial e remuneratória, integram o salário de contribuição para cálculo das contribuições sociais. As hipóteses de não incidência ao salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, observadas as vigências da redação original e alterações posteriores. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 5 4 MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação, sobre a multa de juros de mora, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição. Lei 8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art. 242, § 2º. CORESPONSABILIDADE. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3º do art. 4º da Lei nº 6.830/80. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 4. Após ter sido cientificado do referido acórdão (fl. 256), o contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 258/279), sustentando, em apertada síntese, que: a) os diretores não devem ser considerados sujeitos passivos da obrigação tributária, uma vez que não têm relação direta com o fato gerador; b) os valores pagos a título de gratificação espontânea não devem fazer parte da base de calculo das contribuições previdenciárias, uma vez que tais valores, em que pese terem sido pagos espontaneamente, não resultam de contraprestação pelo trabalho nem se tratam de utilidade concedida com habitualidade; e c) aplicação da retroatividade benigna no que diz respeito à aplicação de eventual penalidade pecuniária. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 6 5 5. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES 2. O recorrente sustenta que devem ser excluídos da presente autuação os diretores da empresa, em face de não possuírem responsabilidade tributária perante os lançamentos efetuados. E neste ponto, entendo que assiste razão ao recorrente. 3. A responsabilidade da pessoa física não pode decorrer da simples falta de pagamento de tributo. É inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte. Porém, o que é questionável é a exigibilidade de tais créditos perante os diretores dessa sociedade. 4. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável por esses créditos dos diretores. 5. Inexiste no direito tributário pátrio espécie de responsabilização objetiva do sócio ou de diretores por créditos tributários inadimplidos pela sociedade. O que o sistema prevê é a responsabilidade tributária dos diretores por atos irregulares – atos ultra vires –, sejam estes sócio ou não. 6. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 7. Sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade dos diretores. Nesse sentido leciono o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 8 7 não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319).” 8. In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. 9. Em uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de préexecutividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” 10. Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos diretores do recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas. DA GRATIFICAÇÃO 11. Narra o relatório fiscal (fl. 190) que a empresa foi autuada por contribuições sociais devidas, incidentes sobre valores pagos a título de gratificações espontânea aos empregados. 12. Em contrapartida, a recorrente alega que as gratificações concedidas foram pagas uma única vez, que não há habitualidade, motivos pelos quais não integram a base de cálculo das contribuições sociais. Sustenta ainda, que tais valores, em que pese terem sido pagos espontaneamente, não resultam de contraprestação pelo trabalho. 13. Com a devida vênia, respeitando quem tem entendimento diferente sobre o tema, entendo que razão assiste ao contribuinte. Isto porque, inobstante o conceito de salário previsto na CLT, a legislação que normatiza as contribuições previdenciárias a cargo do empregador expressamente prevê a exclusão dos ganhos eventuais recebidos pelo empregado da sua base de cálculo. 14. Cabe registrar que a expressão “eventual” ora utilizada não é com a conotação necessariamente de oposto a habitualidade, uma vez que para conformação da legislação infraconstitucional com a própria Constituição, pode se verificar um pagamento em razão de um fato futuro não previsto ou incerto, portanto eventual, como pode se verificar um Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 9 8 pagamento não habitual, de sorte que este não se incorpore a remuneração do empregado, eis que para fins previdenciário há de sempre representar um ganho reiterado. 15. Nesse contexto, é o que se infere da simples leitura do parágrafo 11, do art. 201, da Carta Superior, que assim dispõe: “Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequentemente repercussão em benefícios, no caso e na forma da lei.” 16. No meu sentir o dispositivo acima colacionado tratase do que o Prof. José Afonso da Silva classifica como norma de eficácia limitada, que necessita de outra norma de integração para que produza efeitos sociais. A norma de integração que conferiu possibilidade de cobrança da contribuição sobre a remuneração a segurados empregados é a Lei nº 8.212/1991, que em seu art. 28 assim dispôs: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. [...]. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: [...]. 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados de salário.” 17. Vejamse que, quer no plano constitucional ou infraconstitucional, além do pagamento se destinar a retribuir o trabalho, também tem que trazer no seu bojo característica da habitualidade para que haja incidência de contribuição previdênciária. 18. Ora, não consigo vislumbrar, de forma alguma, como caracterizar os valores recebidos uma única vez como habituais. 19. Importante ressaltar, que no presente caso, tanto o Relatório de Lançamento (fls. 196 e 197), quanto o Relatório Fiscal (fl. 190), deixam claro que os pagamentos ocorreram uma única vez, inclusive, relacionando os nomes de todos os empregados beneficiados. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 10 9 20. Vale destacar ainda que a gratificação concedida pelo empregador apenas abrange o exercício de 2008 de forma isolada. Assim, reforça ainda mais a tese da ausência de continuidade do referido beneficio. 21. Dessa forma, entendo que as verbas pagas pela recorrente a título de gratificação, neste caso e uma única vez, estão livres da tributação, haja vista que em nada se diferenciam, para fins previdenciário, daquelas pagas eventualmente, de que trata a norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Devendo, portanto, ser excluída da exigência fiscal. 22. Deixo de analisar as demais questões relacionadas à multa, seja por descumprimento de obrigação principal ou acessória, haja vista o entendimento esposado, no sentido de que a gratificação espontânea e não habitual não se constitui em base de cálculo da exação em comento. CONCLUSÃO 23. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, tornando insubsistente o lançamento fiscal. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 11 10 Voto Vencedor Marcelo Oliveira, Redator designado. Com todo respeito ao nobre e excelso relator, discordo de suas conclusões sobre o pagamento de gratificações, que ele caracteriza como ganho eventual e que, para o relator, devido a isso, não incidiria contribuição. As regras de incidência tributária para as contribuições previdenciárias estão expressas na legislação, especificamente na Lei 8.212/1991. Para a Lei a hipótese de incidência da contribuição previdenciária definese, em síntese, pela remuneração, destinada a retribuir o trabalho, pelos serviços prestados ou pelo tempo à disposição do contratante. Lei 8.212/19991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Devese deixar claro que salário e remuneração possuem conceitos distintos. Salário é parte integrante da remuneração, como consta da legislação. CLT: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 12 11 Os elementos característicos das parcelas que integram a remuneração são: 1. Não eventualidade; 2. Auferição pelo trabalho; 3. Integração ao patrimônio do trabalhador; e 4. Irrelevância do título. No caso em questão, devemos definir qual pagamento se caracterizaria como eventual, não integrando, assim, a remuneração. Há pontos de vista de que eventual constituise em antônimo de habitual. Com todo respeito, não concordamos com essa posição. Para o dicionário Michaelis, as definições são: Habitual ha.bi.tu.al adj (lat habituale) 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Eventual e.ven.tu.al adj m+f (evento+al3) 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. Portanto, pelos significados usados na Língua Portuguesa há grande diferença do que é habitual (freqüente, pagamento reiterado) e do que é não eventual (pagamento dependente de acontecimento certo). Na legislação trabalhista há a menção expressa, na definição de empregado, do termo eventual, que também não é conceituado como antônimo de habitual. CLT: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 13 12 Na determinação acima, definese como serviço não eventual o que está ligado à atividade da empresa, não casual, suas necessidades permanentes, requisito crucial para a caracterização da relação empregatícia. Assim, não é empregado, por exemplo, o pedreiro que a empresa contrata para reformas nas suas instalações, desde que a empresa não seja uma construtora e não existam os outros requisitos da relação de emprego. Para Rodrigues Pinto eventual é : “O trabalho que se presta ocasional e transitoriamente, não decorrente da atividade normal da empresa, não atribui a seu executor a condição jurídica de empregado.” (PINTO, José Augusto Rodrigues – Curso de direito individual do trabalho : noções fundamentais de direito do trabalho, sujeitos e Institutos do direito individual 2. ed. – São Paulo: LTr, 1995). Já para Amauri Mascaro Nascimento: “Eventual é o trabalho que, embora exercitado continuadamente, e em caráter profissional, o é para destinatários que variam no tempo, de tal modo que se torna impossível a fixação jurídica dos trabalhadores em relação a qualquer um deles” (NASCIMENTO, Amauri Mascaro – Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho, relações individuais e coletivas de trabalho – 24ª. ed. – São Paulo: Saraiva. 2005). Um pintor exerce com habitualidade sua função de pintura de paredes, mas seu trabalho é eventual se for prestado para diferentes contratantes no tempo. Correta definição sobre “não eventualidade” encontramos no texto do voto abaixo: “O serviço prestado pelo artista é de trato sucessivo, não compreende a execução de um ato singular, pois compreende a execução de prestações periódicas na organização empresarial, embora algumas vezes as mesmas não sejam diárias. Traduz o caráter de permanência, ainda que por um curto período determinado, não se qualificando como esporádico. É serviço prestado em caráter não eventual, pois se relaciona diretamente com as atividades normais da empresa, conforme regulamentado pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 9o , § 4o. Processo: 12259.003355/200954, Relator: Mauro José Silva” Ou seja, eventualidade é a qualidade daquilo que não se é esperado. Portanto, somente os rendimentos – pagos, devidos ou creditados – dependentes de acontecimento incerto, imprevisto, é que serão conceituados como eventuais. Conseqüentemente, não conceituo o pagamento da gratificação como eventual, pois não tem como característica a incerteza, a imprevisão, tanto é que foi pactuado, com regras e condições. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 14 13 Somase a essa conclusão que na legislação está clara a determinação de como se verifica se existe a incidência, ou não, em ganhos eventuais. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; A determinação desse dispositivo tem gerado muitas dúvidas. A primeira dúvida é se há a necessidade dos ganhos eventuais, conjuntamente com os abonos, serem expressamente desvinculados do salário. Concluímos que a determinação acima define que os ganhos eventuais devem ser expressamente desvinculados do salário. Chegamos a essa conclusão pois se assim não fosse o legislador teria separado os ganhos eventuais e os abonos e dado tratamento distintos a cada um, como consta em todo rol de parcelas não integrantes do Salário de Contribuição (§ 9ª, Art. 28, Lei 8.212/1991). Como assim a Lei não o fez, há a necessidade de que os ganhos eventuais sejam expressamente desvinculados do salário. Outra dúvida é como se daria essa expressa desvinculação. Ora, a definição de salário, suas parcelas integrantes e não integrantes, suas características, etc, em nosso sistema legal, devem estar expressas em Lei, seja no Direito Trabalhista ou no Previdenciário, ramos de Direito autônomos. Portanto, só Lei pode, expressamente, desvincular algo do salário. Nem mesmo Convenções e Acordos Coletivos podem desvincular parcelas salariais, pois esses instrumentos não têm a competência e o poder de Lei. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 15 14 Portanto, só Lei pode definir quais parcelas recebidas a título de ganhos eventuais não integram o saláriodecontribuição. Como não há a definição por Lei de que a parcela em questão não integra o salário de contribuição, deve ocorrer a incidência da contribuição. A propósito, tratando do nosso sistema legal, o Art. 84, da Constituição Federal de 1988, define a função dos Decretos. CF/1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: ... IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Portanto, os Decretos possuem a função de disciplinar a fiel execução das Leis Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro “o poder regulamentar inserese como uma das formas pelas quais se expressa a função normativa do Poder Executivo. Pode ser definido como o que cabe ao chefe do Poder Executivo da União, dos Estados e dos Municípios, de editar normas complementares à lei, para sua fiel execução” (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2003). Assim, como cabe ao Decreto disciplinar, regular, normas para a fiel execução das Lei, o Decreto 3.048/1999, Regulamento da Previdência Social, assim o fez, na questão em debate, ganhos eventuais. Decreto 3.048/1999: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: ... j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; Conseqüentemente, cumprindo seu papel regulamentador, fiel executor da Lei 8.212/1991, o Decreto 3.048/1999 esclarece e determina que só por Lei – expressamente os ganhos eventuais ficam desvinculados do salário. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 16 15 Destarte, reforçando nossa tese, somente os ganhos eventuais (dependentes de acontecimento incerto), desvinculados do salário expressamente, pelo único instrumento hábil para tanto, a Lei, é que estarão fora do campo de incidência da contribuição previdenciária. Por fim, cabe utilizarmos a lógica, pois se caso qualquer rendimento pago uma única vez estivesse fora do campo de incidência da contribuição previdenciária poderíamos ter em um ano a concessão de um bônus de admissão, no outro de um prêmio, no outro de um 14º salário, no outro de um bônus por competência, no outro de um automóvel, no outro de um imóvel, etc, com todos esses ganhos não sendo tributados, causando prejuízo ao trabalhador (que poderia sofrer diminuição de sua remuneração formalizada), com a conseqüente diminuição da aposentadoria, como para a Previdência Social, pela redução da base de cálculo e da sua arrecadação, responsável pelo pagamento dos benefícios previdenciários. Essa, aliás, é a definição de decisões exaradas e não reformadas pelo CARF. “VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PRÊMIO FÉRIAS E PRÊMIO ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As parcelas pagas aos empregados a título de prêmio férias e prêmio assiduidade, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais (prêmios de férias e de assiduidade) e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. ... A Recorrente alega que o valor pago a título de ganhos eventuais (prêmio de férias e prêmio de assiduidade) não teria natureza salarial, vez que esses ganhos eventuais estariam amparados pela hipótese de não incidência tributária, possuindo natureza indenizatória e excluídos das hipóteses de incidência previstas no art. 28, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, § 9º, alínea “e” e item 7, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de ganhos eventuais e abonos que sejam expressamente desvinculados do salário. ... De acordo com a legislação previdenciária retromencionada, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais expressamente desvinculados do salário por força de lei não integram o salário de contribuição. Esta desvinculação só pode ser feita por lei federal, conforme art. 214, parágrafo 9°, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), tendo em vista que somente esta espécie normativa tem o condão de Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 17 16 excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias verbas de natureza salarial. ... É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), referente ao pagamento de verbas a títulos de ganhos eventuais (prêmios) ou abonos que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, muito mais importante e mesmo essencial é a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. Com isso, mesmo que o pagamento de valores a título de ganhos eventuais (prêmios) ou abonos aos seus empregados seja devido, com base no acordo coletivo de trabalho celebrado entre Empregadores e Sindicato, tais valores devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, pois foram pagos em desconformidade com a legislação previdenciária.” Processo 10680.723133/201080, Acórdão: 2402003.680, 17/07/2013, Relator: Ronaldo de Lima Macedo. ... REMUNERAÇÃO INDIRETA As verbas intituladas “ganho eventual” e “abono acordo coletivo”, pagas pela empresa em favor de seus empregados, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. ... Da mesma forma, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pelo empregador gera a habitualidade, afasta por completo a Fl. 315DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 18 17 eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra “e” do § 9º da Lei 8.213/91. Processo 37216.000777/2007 33, Acórdão: 2301001.953, 13/04/2011, Relatora: Bernadete de Ronaldo de Oliveira Barros. Por todo exposto, em síntese, a incidência da contribuição previdenciária sobre a gratificação analisada deve prevalecer, mantendose o lançamento em sua integralidade. Quanto à correção da multa aplicada, não há o que se reparar na decisão a quo, que, com todo respeito, transcrevo e utilizo como razão de decidir: 8. Não merece prosperar as preliminares suscitada pela empresa, consistentes na revisão do valor da multa (art.106, II “c” do CTN) e ilegalidade da majoração da multa pelo decurso de tempo, pelas razões que se passa a expor: 8.1. Na presente ação fiscal, foi constatada a ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias (Empresa e GILRAT) e as destinadas aos Terceiros incidentes sobre aos valores pagos aos empregados a título de Gratificação Espontânea. Verificou, também, o Auditor Fiscal que a empresa deixou de declarar tais valores nas correspondentes GFIPs, fato este que infringiu o disposto no inciso IV, §3º do art. 32 da Lei 8.212/91, in verbis: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” 8.2. A partir de 04/12/2008, data de publicação da Medida Provisória (MP) nº 449, foi alterada a forma de exigência, no lançamento de ofício, das multas por descumprimento das obrigações tributárias previdenciárias. Anteriormente, aplicava se a multa de mora sobre o descumprimento da obrigação principal, prevista na redação então vigente do art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, com alíquota inicial de 24%, crescente conforme o momento em que era paga a contribuição em atraso, à qual, eventualmente, somava se a multa punitiva por descumprimento de obrigação acessória, prevista nos hoje revogados §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, referentes, respectivamente, à não apresentação, omissão de fatos geradores ou erro no preenchimento da GFIP. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 19 18 8.3. Com o advento da citada MP, que alterou o art. 35 e introduziu o art. 35A na Lei 8.212/91, passou a ser exigida uma única multa de ofício, equivalente a 75% do valor da contribuição devida. Assim, como o caso em análise refere se a fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação da MP, tendo os Autos de Infração sido lavrados posteriormente a essa data, deve a Fiscalização, em obediência ao disposto na alínea “c”, inciso II, do art. 106 do CTN, cotejar a soma das penalidades previstas pela legislação de regência com a nova multa de ofício, aplicando esta no caso de se apresentar menos gravosa que aquelas ao contribuinte. Tal procedimento odotado pela Fiscalização encontra se amparo e normatizado no art. 476A da Instrução Normativa nº 971, de 13/11/2009, a seguir transcrito: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” 8.4. Verifica se que o Auditor Fiscal responsável pelas autuações procedeu em estrita observância da legislação, comparando, competência a competência, as multas apuradas conforme as normas antigas com a atual multa de ofício, aplicando, para cada competência, a penalidade menos severa à Impugnante, conforme demonstrativos de fls. 116/125 do Relatório Fiscal do PT nº 16327.720.671/201290; desse cotejo resultou, na ação fiscal, a aplicação do critério da norma superveniente na competência 01/2008, e nas demais (02/2008, 08/2008 e 11/2008), prevaleceu a legislação anterior, com lavratura AIOA (Debcad nº 37.320.5872), com a correta aplicação do disposto no art. 32, IV, §5º da Lei 8.212/91 e nos art. 284, II e art. 373, ambos do Decreto 3.048/99, com o valor mínimo atualizado pela Portaria MPS/MF nº 02 de 06/01/2012, de R$ 64.684,80 (sessenta e quatro mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e oitenta centavos), correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, aos valores previstos no § 4º do art. 32 da Lei 8.212/91, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 20 19 conforme demonstrado às fls.113/115 do Relatório Fiscal do PT nº 16327.720.671/201290. 8.4.1. Vale ressaltar que o cálculo da multa por descumprimento da obrigação acessória – Debcad 37.320.5872 (CFL68) correspondente ao Levantamento GE (competências 02/2008, 08/2008 e 11/2008), encontra se, detalhada no PT nº 16327.720.671/201290, pertencentes a mesma ação fiscal do processo administrativo, ora em analise, conforme se verifica, fls. 113/115. 8.5. Por fim, deixa se de analisar a alegação de ilegalidade da multa de mora aplicada nos autos, uma vez que não cabe a apreciação e julgamento por parte da Administração Pública, mas sim ao Poder Judiciário. Frisa se, que o agente público, no exercício de suas funções, fica inteiramente preso ao enunciado da lei, em todas as suas especificações, visto que a declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. 8.6. Diante do acima exposto, não merece reparo o procedimento fiscal adotado pela Fiscalização no que toca a aplicação da multa para as competências apuradas nos autos de infração de obrigações principais e obrigação acessória, uma vez que observou a legislação pertinente, inclusive no que toca a aplicação do art. 106, II“c” do CTN. O CTN determina o procediemnto a ser adotado em caso de alteração de cálculo de multas punitivas, de ofício. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em síntese, antes da edição da MP 449/2008, o contribuinte que, como no presente caso, deixasse de recolher contribuição, descumprindo obrigação tributária principal, e, de forma reflexa, deixasse de informar em GFIP esses fatos geradores, descumprindo obrigação tributária acessória, seria penalizado com duas multas punitivas, de ofício, por descumprimento de obrigação tributária principal e por descumprimento de obrigação tributária acessória. Após a MP 449/2008, , o contribuinte que, como no presente caso, deixar de recolher contribuição, descumprindo obrigação tributária principal, e, de forma reflexa, deixar Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 16327.720670/201245 Acórdão n.º 2301004.245 S2C3T1 Fl. 21 20 de informar em GFIP esses fatos geradores, descumprindo obrigação tributária acessória, será penalizado com uma única multa punitiva, de ofício. Portanto, como determina o CTN, deve ser comparada a penalização, anterior com a atual, para verificação de qual legislação aplicar, sendo sempre a mais benéfica, providência já efetuada pelo Fisco, como muito bem esclarece a decisão a quo, motivo da negativa do provimento do recurso, também neste ponto. CONCLUSÃO: Por todo exposto, com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu voto e nego, integralmente, provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Fl. 319DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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