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Numero do processo: 13807.013400/99-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1994, 1995
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO.
Em não havendo distribuição de lucros, dividendos, bonificações ou outros interesses pela pessoa jurídica beneficiária, aplicável o art. 2º, §1º, alínea c da Lei nº. 8.849, de 1994, revestindo-se, nesta hipótese, a retenção de imposto sobre a renda sobre os valores recebidos a título de lucros ou dividendos de caráter definitivo. Assim, de se indeferir a restituição de montante assim retido na forma legalmente estabelecida, não havendo que se falar, também, de pagamento a maior que o devido.
Numero da decisão: 9202-003.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gérson Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1994, 1995 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. Em não havendo distribuição de lucros, dividendos, bonificações ou outros interesses pela pessoa jurídica beneficiária, aplicável o art. 2º, §1º, alínea c da Lei nº. 8.849, de 1994, revestindo-se, nesta hipótese, a retenção de imposto sobre a renda sobre os valores recebidos a título de lucros ou dividendos de caráter definitivo. Assim, de se indeferir a restituição de montante assim retido na forma legalmente estabelecida, não havendo que se falar, também, de pagamento a maior que o devido.
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994, 1995 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. Em não havendo distribuição de lucros, dividendos, bonificações ou outros interesses pela pessoa jurídica beneficiária, aplicável o art. 2º, §1º, alínea ”c” da Lei nº. 8.849, de 1994, revestindose, nesta hipótese, a retenção de imposto sobre a renda sobre os valores recebidos a título de lucros ou dividendos de caráter definitivo. Assim, de se indeferir a restituição de montante assim retido na forma legalmente estabelecida, não havendo que se falar, também, de pagamento a maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gérson Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 34 00 /9 9- 28 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13807.013400/9928 Acórdão n.º 9202003.726 CSRFT2 Fl. 333 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2802001.866, prolatado pela 2a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de setembro de 2012 (efls. 253 a 259). Ali, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário sob análise, assim mantida a negativa ao pedido de restituição do contribuinte do Imposto sobre a Renda retido na fonte sobre dividendos recebidos pela recorrente, nos anoscalendário de 1994 e 1995. Transcrevemse a ementa e a decisão do julgado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995, 1996 Ementa: IRRF SOBRE DIVIDENDOS RECEBIDOS POR PESSOA JURÍDICA CALCULADOS SOBRE RESULTADOS APURADOS NOS ANOSCALENDÁRIO 1994 E 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO POR IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO PREVISTA NO ART.2º, §1º, “b”, DA LEI Nº.8849/94 IMPOSSIBILIDADE TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA, NOS TERMOS DA ALÍNEA “c” DO MESMO DISPOSITIVO LEGAL. Requerida a restituição de IRRF sobre dividendos recebidos por pessoa jurídica, calculados sobre resultados apurados nos anos calendário 1994 e 1995, em razão de não ter a referida pessoa jurídica distribuído lucros, dividendos, bonificações ou outros interesses de forma a poder beneficiarse da compensação prevista na Lei nº. 8849/94, art.2º, §1º, “b”, e de o artigo 10 da Lei nº 9.249/1995 ter isentado do imposto de renda na fonte e na declaração a distribuição dos lucros e dividendos apurados em balanços levantados a partir de 1996, não sendo possível tal compensação a partir de então, é de ser indeferida, de vez que nos termos do art.2º, §1º,”c” da Lei nº. 8849/94, em tal hipótese, a tributação é definitiva, não havendo pagamento indevido de tributo ou a maior. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13807.013400/9928 Acórdão n.º 9202003.726 CSRFT2 Fl. 334 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Cientificada da decisão em 24/05/2013 (efl. 263) e insurgindose contra aquela, a recorrente apresenta, em 10/06/2013, Recurso Especial, com fulcro nos arts. 67 a 71 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 265 a 307). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes através do Acórdão CSRF 0400.136, julgado em 13 de dezembro de 2005, bem como ao decidido no Acórdão 10248.833, de lavra da 2a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, em 09/11/2007, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão CSRF 0400.136 Ementa:IRRFONTE DIVIDENDOS PREJUÍZO LUCROS AUFERIDOS NOS ANOSBASE DE 1994 e 1995 COMPENSAÇÃO RESTITUIÇÃO Em havendo prejuízos, o contribuinte tem direito à compensação/restituição do IRF sobre dividendos, mesmo após o advento da Lei nº. 9249, de 1995, possibilidade expressa na Instrução Normativa nº. 12/99, que rechaça a hipótese de definitividade, na hipótese dos autos, prevista na letra "c" do § 1° do art. 2° da Lei n.° 8849, de 1994, com a redação que lhe deu a Lei n.° 9.064, de 1995. Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e José Ribamar Barros Penha que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Remis Almeida Estol. Acórdão 10248.833 Ementa: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE DIVIDENDOS – ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO – APURAÇÃO DE PREJUÍZOS – POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. No momento em que o imposto de renda retido na fonte, incidente sobre os dividendos e lucros, creditados a pessoas jurídicas, tributadas com base no lucro real, passou a ser antecipação do imposto devido, compensável com o imposto de renda que a pessoa jurídica Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e José Raimundo Tosta (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Em linhas gerais, argumenta o contribuinte em sua demanda que: a) O IRRF incidente sobre a distribuição de dividendos recebidos, estes últimos relativos aos períodos de apuração encerrados nos anoscalendário de 1994 e 1995 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13807.013400/9928 Acórdão n.º 9202003.726 CSRFT2 Fl. 335 4 (caso sob análise), possui, com fulcro no art. 2o. §1o. da Lei no. 8.849, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pela Lei no. 9.064, de 20 de junho de 1995, natureza de antecipação, afastado, assim, o caráter de definitividade prevalecente à época da redação originária do referido dispositivo legal. Entende a recorrente reforçar tal argumentação o permissivo estabelecido pela Instrução Normativa SRF no. 12, de 10 de fevereiro de 1999, prevendo a possibilidade de compensação do mencionado IRRF com o imposto a ser retido sobre os valores pagos a título de bonificações em dinheiro e outros interesses, inclusive a título de juros sobre capital próprio, no caso de inexistência de lucros apurados pela pessoa jurídica beneficiária dos dividendos; b) Uma vez que o valor assim retido da recorrente, na qualidade de beneficiária dos dividendos, pela fonte pagadora, superou o valor devido a título de ajuste na declaração anual, estaria caracterizado pagamento a maior que o devido, cabível assim a restituição ao montante sob análise com fulcro no art. 165, I da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 2o., § 1o. da Instrução Normativa no. 21, de 1997; c) Entende, por fim, que a compensação se constituiria em espécie do gênero repetição, colocada à disposição do contribuinte unicamente para facilitar a recuperação do tributo pago a maior e não para dificultála. Requer, assim, o conhecimento e provimento do recurso, para que se reconheça que o IRRF em questão tem natureza de tributação por antecipação, ensejando direito à restituição pleiteada. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 310 a 313. Encaminhados os autos à Fazenda Nacional em 08/12/2014 (efl. 314), sua Procuradoria apresentou, em 17/12/2014, contrarrazões de efls. 315 a 321, onde defende que os dividendos apurados nos anoscalendário de 1994 e 1995 eram tributáveis, sendo que a mudança promovida pela Lei no. 9.064, de 1995 na Lei no. 8.849, de 1994, visava estimular o pagamento de dividendos através da compensação prevista na alínea "b" do §1o. do art. 2o. daquele diploma, possibilidade esta mantida pela Instrução Normativa SRF no. 12, de 1999, extensível agora ao pagamento a título de juros sobre capital próprio (JCP). Todavia, uma vez a empresa não pagando a seus acionistas bonificações em dinheiro e outros interesses (inclusive JCP), teria esta de suportar o ônus do tributo, sendo que, no caso, reconhecer o direito à restituição significaria estabelecer hipótese de "isenção ilícita", sendo que, quando da nãodistribuição, a tributação é considerada definitiva, não se tratando, notese, de possibilidade de ampla compensação com o apurado na declaração de rendimentos. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, prequestionamento da matéria recorrida, devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência de forma analítica, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13807.013400/9928 Acórdão n.º 9202003.726 CSRFT2 Fl. 336 5 Em questão, o art. 2o. §1o. da Lei no. 8.849, de 1994, com redação dada pela Lei no. 9.064, de 1995, que estabelece: Art. 2º Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto descontado na forma deste artigo será:(Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) a) deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa física, assegurada a opção pela tributação exclusiva;(Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) b) considerado como antecipação, sujeita a correção monetária, compensável com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) c) definitivo, nos demais casos.(Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) Entende a recorrente em seu pleito que, em especial a partir do disposto na Instrução Normativa SRF no. 12, de 1999, ficaria estabelecido o caráter de antecipação ao imposto retido em questão. Entende, ainda, que ao constatar que o valor assim retido pela fonte pagadora da recorrente na qualidade de beneficiária dos dividendos superou o valor devido a título de ajuste na declaração anual, estaria caracterizado pagamento a maior que o devido, cabível assim a restituição ao montante sob análise. Com a devida vênia, ouso discordar. Entendo, a propósito, que o art. 12 da referida Instrução Normativa no. 12, de 1999, (dispositivo infralegal), não possui o condão de ter promovido qualquer alteração na alínea "c" do dispositivo legal em questão, que não permite interpretação outra que não a que, no caso de nãocompensação do montante retido a título de IRRF sob análise com o devido quando da distribuição, pela própria beneficiária, de: a) dividendos; b) lucros; c) bonificações em dinheiro e d) outros interesses (inclusos JCP), a retenção teria caráter definitivo. Me posiciono no sentido de que a alínea "b" do §1o. do art. 2o. da Lei no. 8.849, de 1994, já reproduzida, estabelece, em seu bojo, condição material para a compensação (e não para a restituição ou para a caracterização do montante devido como antecipação, em qualquer outra hipótese que não a daquela compensação). Em harmonia com tal posicionamento, interpreto, assim, que a referida Instrução Normativa explicitou, em perfeita consonância com o dispositivo legal acima reproduzido, a distribuição de Juros a Título de Capital Próprio como uma das possíveis condições (ou pressupostos) materiais alternativas(os) para que o imposto fosse considerado como antecipação, se necessariamente compensado na forma ali descrita e não que, conforme quer fazer crer o contribunte, o tenha caracterizado como antecipação para fins de restituição (notese, aqui, que, em nenhuma hipótese prevista na alínea "b", o imposto é sequer passível de compensação com o montante global a título de IR devido apurado pela Fl. 336DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13807.013400/9928 Acórdão n.º 9202003.726 CSRFT2 Fl. 337 6 beneficiária quando do encerramento do período de apuração e não distribuído, mas somente com o valor devido quando do pagamento, pela beneficiária, de dividendos, lucros, bonificação em dinheiro e outros interesses, estes últimos, inclusive, a título de JCP). Destarte uma vez ocorrendo uma das hipóteses de distribuição previstas na referida alínea "b", levandose aqui em conta a interpretação dada pela mencionada Instrução Normativa de inclusão de JCPs na alínea, surge a possibilidade de compensação, naquelas hipóteses de distribuição previstas (e não a possibilidade de restituição do tributo ou a caracterização do montante devido como antecipação em outras hipóteses, como se tenciona nos autos). Ainda, quanto ao mesmo diploma legal, faço notar que há outro dispositivo da própria Lei no. 8.849 (mais especificamente, seu art. 8o.). que se destina a regrar, agora sim, a possibilidade de restituição, desde que cumprido, ressaltese, distinto conjunto de condições. Entendo que tal art. 8o., ainda que não seja parte do presente litígio, sepulta, a partir de interpretação sistemática, a tese de possibilidade de restituição com base no art. 2o., §1o., alínea "b" do mesmo dispositivo, esposada pela recorrente, tendo sido, repitase, a restituição regrada pelo legislador na forma do art. 8o. da mencionada Lei. Destarte, o que se tem, assim é a possibilidade de compensação do tributo em questão nas hipóteses supra, a partir da obediência de determinada condição ou pressuposto, em plena consonância com o comando determinado pelo CTN em seu art. 170 e com sua interpretação estabelecida através de ato infralegal editado pela autoridade tributária, sendo que a definitividade do tributo retido, prevista na alínea "c" do §1o., do art. 2o. da Lei no. 8.849, de 1994, permanece plenamente aplicável, quando da não ocorrência das hipóteses delineadas, inclusive quando da não existência de lucros passíveis de distribuição. Vedado, assim, o afastamento da aplicação, ao caso em questão, do dispositivo, plenamente vigente para fins de apreciação da restituição em questão, sob pena de violação ao princípio da legalidade e ainda ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF em vigor, este último restando desrespeitado caso se acedesse à alegação de violação por referida norma ao princípio constitucional da isonomia. Rejeito, ainda, a hipótese de ocorrência de pagamento a maior que o devido, uma vez que só caracterizada caso houvesse sido retido pela fonte pagadora valor maior do que o legalmente passível de retenção, o que não se observa nos autos. O tributo retido era devido no montante estabelecido legalmente, inexistindo qualquer contestação da recorrente quanto ao referido montante objeto de retenção em si. Ainda, ao regrar especificamente, e de forma distinta, o instituto da compensação, em dispositivo também distinto do aplicável ao pagamento indevido ou a maior, entendo que o próprio CTN afasta, para o caso em questão, a argumentação intentada pela contribuinte no sentido da compensação se tratar de "espécie" do gênero restituição. Assim, considerada a definitividade da retenção do tributo que se tenciona no feito restituir, entendo como escorreito o posicionamento da autoridade julgadora recorrida e, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da contribuinte. É como voto. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13807.013400/9928 Acórdão n.º 9202003.726 CSRFT2 Fl. 338 7 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10218.900035/2010-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Nov 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO.
Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo.
Em sede de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte o ônus de prova do seu direito.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A realização de diligências ou perícias, sendo faculdade que assiste ao julgador administrativo quando entendê-las necessárias à formação de sua convicção, se presta para dirimir suas dúvidas em relação ao conjunto probatório carreado aos autos, e não, como deseja a recorrente, para suprir o ônus que lhe cabe de juntada dos elementos de prova do direito creditório alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn e Francisco Jose Barroso Rios.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Em sede de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte o ônus de prova do seu direito. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligências ou perícias, sendo faculdade que assiste ao julgador administrativo quando entendêlas necessárias à formação de sua convicção, se presta para dirimir suas dúvidas em relação ao conjunto probatório carreado aos autos, e não, como deseja a recorrente, para suprir o ônus que lhe cabe de juntada dos elementos de prova do direito creditório alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 90 00 35 /2 01 0- 39 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn e Francisco Jose Barroso Rios. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 462), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte FLORA FLORESTA DO ARAGUAIA CONSERVAS ALIMENTÍCIAS LTDA., insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 01 21.601, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém DRJ/BEL, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Tratase de pedido de ressarcimento transmitido em 14/01/2010 e declarações de compensação transmitidas em 02/04/2008 (fls. 26/143), nas quais foi indicado crédito total de R$ 126.577,39, resultante de ressarcimento de IPI relativo ao 2 o Trimestre de 2003. A Delegacia de origem, em análise datada de 19.05.2010, expediu o despacho decisório de fl. 19, do qual consta que: "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 126.577,39 Valor do crédito reconhecido: R$ 109.289,61 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10218.900035/201039 Acórdão n.º 3802004.243 S3TE02 Fl. 464 3 pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 36876.95914.020408.1.7.012381; NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte (s) PER/DCOMP: 41547.57056.020408.1.3.010546, 01249.02827.020408.1.7.010193. Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 01075.90864.140110.1.5.014041 (...). "Cientificada em 16.08.2010, a interessada apresentou, em 15/09/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 01/05, na qual alega: "Considerando que as informações apresentadas são exíguas para a perfeita identificação dos motivos que levaram à consideração de insuficiência de crédito, coube à Manifestante analisar as informações complementares que constam no sítio da Receita Federal do Brasil, mais especificamente o item " PER/DCOMP Despacho Decisório — Análise do Crédito". Ao efetuar a análise das informações contidas em referido tópico auxiliar, a Manifestante conseguiu identificar, de forma precisa, o motivo que levou a fiscalização a considerar como insuficientes os créditos utilizados: ela se equivocou na identificação do 'Saldo Credor do Período Anterior' para o 1ºo decêndio de julho de 2003, constante do 'Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento" (...), o que fez, por conseqüência, com que todos os saldos posteriores fossem contaminados. Vejase, com efeito, que o valor identificado no citado demonstrativo é de R$ 287.315,09, quando, na realidade, o valor informado pela Manifestante (...) é absolutamente diverso, na importância de R$ 569.376,38!! Considerandose corretamente o saldo informado pela Manifestante em seus PER/DCOMPs, o crédito será absolutamente suficiente para amparar as compensações realizadas, sendo, por isso, improcedentes as glosas realizadas. Para tornar mais claro o que se alega, a Manifestante anexa, ainda, uma planilha comparativa dos saldos disponíveis para compensação, sendo uma a cópia fiel do demonstrativo (equivocado!!!) da Fiscalização, e outra, nos mesmos moldes, com o crédito correto identificado nos PER/DCOMPs transmitidos. Vêse, por referida planilha, a indiscutível validade e suficiência dos créditos informados e utilizados. Registrese, por fim, que se o saldo informado pela Manifestante fosse mesmo aquele informado no 'Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento' apresentado pela fiscalização, o próprio programa do PER/DCOMP teria informado quanto seria passível de ressarcimento, limitando, portanto, as futuras compensações. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 (...) desde já requer, caso se mostre necessário, a realização de diligência para atestar regularidade da compensação realizada e das informações prestadas nos respectivos PER/DCOMPs. Para tanto, indica como Perito (...)" E o relatório. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/BEL, resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelo quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo somente podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Em sede de ressarcimento e compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário, reafirmando as alegações já trazidas na sua manifestação de inconformidade, discorrendo sobre os fatos ocorridos e do seu direito ao crédito, alegando a necessidade da busca da verdade material, requerendo que se determine a diligência requerida quando de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 462), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvandose o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação um tratamento diverso deste. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. No caso presente, temse que o sujeito passivo, após a entrega de pedido de ressarcimento, transmitiu declarações de compensação em que indica a existência de direito creditório no total de R$ 126.577,39, referente a crédito de IPI apurado no 2° Trimestre de 2003. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10218.900035/201039 Acórdão n.º 3802004.243 S3TE02 Fl. 465 5 Analisandose os dados informados pela própria contribuinte nos múltiplos PER/DCOMP que transmitiu à Receita Federal do Brasil, a DRF de origem, conforme consta do Despacho Decisório à fl. 21, constatou que houve a utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, motivo pelo qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 36876.95914.020408.1.7.012381, não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP n° 41547.57056.020408.1.3.010546 e n° 01249.02827.020408.1.7.010193, bem como concluiu que não havia valor a ser ressarcido para o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP n° 01075.90864.140110.1.5.014041. Ressaltese que o Fisco, conforme consta dos Demonstrativos de Apuração, após análise dos dados informados pela recorrente, reconheceu a existência, no 2° trimestre de 2003, de saldo credor ressarcível no valor apontado pelo sujeito passivo. Contudo, durante as verificações, identificouse um saldo credor menor que o informado, indicando como fundamento para sua conclusão, o fato de a contribuinte haver utilizado, em sua escrita fiscal, em períodos subseqüentes, parcela do saldo credor passível de ressarcimento (demonstrativos às fls. 17/24). Em síntese, a questão em exame é restrita à análise probatória dos documentos acostados aos autos. Entende o sujeito passivo que após analisar as informações apresentadas no Despacho Decisório e no sítio da Receita Federal do Brasil, mais especificamente o item "PER/DCOMP Despacho Decisório Análise do Crédito", a Recorrente identificou e apontou em sua Manifestação de Inconformidade os motivos que levou a Fiscalização a considerar como insuficientes os créditos utilizados, quais sejam: i) Primeiramente, que a fiscalização se equivocou na identificação do "Saldo Credor do Período Anterior" para o 1º decêndio de abril de 2003, constante do "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível" (anexa documentos), e ii) em consequência, o valor apontado pelo Fisco como "Saldo Credor do Período Anterior" para o 1º decêndio de julho de 2003, constante do "Demonstrativo da Apuração após o Período do Ressarcimento" também está equivocado, como devidamente informado em sua PER/DCOMP n° 01075.90864.140110.1.5.01 4041, e que por força dos erros do Fisco acima apontados, todos os saldos posteriores foram contaminados. Faz juntada aos autos, como prova do aqui alegado, cópia dos citados PER/DCOMP's (também juntadas à Manifestação de Inconformidade), planilha comparativa dos saldos disponíveis para compensação (elaborada pelo Fisco e outra elaborada pela Recorrente) e cópia do Livro de Apuração do IPI (RAIPI, modelo P9) período de abril a julho, de 2003 (documentos fls. 187/449). Reafirma em seu recurso, que não há nas declarações (PER/DCOMPs) apresentadas pelo Recorrente os valores/saldos indicados pela fiscalização. Entretanto, penso que não merece ser acolhida a tese defendida pela recorrente. Vejamos. Temos, no caso, apuração de saldos (valores) cujos montantes declarados e os apurados pelo Fisco são díspares, razão pela qual entendemos, em sintonia com o julgamento proferido pela primeira instância, que a comprovação do direito creditório exige seja acostada Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 aos autos a escrituração da empresa com o registro dos lançamentos contábeis e fiscais comprobatórios do valor efetivamente devido do tributo. Os PER/DCOMPs dos períodos anexados aos autos, não se afigura como prova irrefutável para tanto, ainda diante das constatações efetuadas pelo Fisco quando da emissão do Despacho Decisório. No entanto, em diversas situações em que esta Turma analisou recursos contra a nãohomologação de pedidos de compensação sempre foi admitida a prova acostada aos autos pelo sujeito passivo, ainda que isso tenha ocorrido só em sede de recurso voluntário. Essa é a linha de entendimento normalmente consensual que esta Turma tem adotado, e isso, justamente, em homenagem ao princípio da verdade material. Em seu recurso a Recorrente entende que (...) "os documentos e informações apresentados com a Manifestação de Inconformidade (e novamente juntados nesta oportunidade) são por si só suficientes para atestar a incorreção do Despacho Decisório proferido. Isso porque, como acima explicitado, a decisão recorrida afirma que os valores encontrados pelo Fisco em seus Demonstrativos tomam por base as declarações da própria Recorrente. Esse fato não é verdade e para averiguálo basta a consulta aos PER/DCOMP's em questão, cujas cópias, repitase, instruem este recurso". Ccomo se vê, na realidade presente, o sujeito passivo, mesmo ciente da insuficiência da prova argumentada pela decisão a quo, comparece novamente aos autos sem apresentar a cópia de sua escrituração contábil comprobatória do suposto indébito, o qual, portanto, carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisito indispensável à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. De fato, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN, o que não se constatou na realidade presente. Nesse sentido, a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10218.900035/201039 Acórdão n.º 3802004.243 S3TE02 Fl. 466 7 e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime. (Recurso Especial no 98.899/SC. Relator Min. Demócrito Reinaldo. Publicado no D.J. de 29/10/1996 – grifos nossos). Posto isto, não encontrado os atributos de liquidez e certeza dos créditos, inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, legítima a cobrança dos créditos tributários que intentava extinguir por compensação. Do princípio da verdade material Vale lembrar que a busca pela verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. O sujeito passivo, em seu recurso, recorre ao princípio da busca pela verdade material (reproduz jurisprudência administrativa nesse sentido), em detrimento de mero formalismo denotado na decisão recorrida, quando indeferiu a realização da diligência, sob a alegação de que não foi juntada a totalidade de documentos que a autoridade administrativa julgou ser necessária Pois bem, o princípio da verdade material consiste na apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo e vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado. Notese que no caso da espécie ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dela a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da CF de 1988). Após ter seu pedido negado pela Delegacia de Julgamento por falta de prova eficaz à comprovação do direito pleiteado, o ora Recorrente pouco acrescenta aos autos, repisando seu pedido de realização de perícia/diligência para a coleta dos elementos probatórios necessários à análise do PER/DCOMP. Examinandose os autos, verificase que anexou ao processo, como prova do aqui alegado, cópia dos citados PER/DCOMP's (também juntadas à Manifestação de Inconformidade), planilha comparativa dos saldos disponíveis para compensação (elaborada pelo Fisco e outra elaborada pela Recorrente) e cópia do Livro de Apuração do IPI (RAIPI, modelo P9) período de abril a julho, de 2003 (documentos fls. 187/449). Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 As informações constantes nos documentos apresentados não evidenciam a apuração do imposto devida no período, e, conseqüentemente, não comprovam a existência do direito creditório apontado na DCOMP dos autos. Ou seja, a questão da prova na atividade administrativa tributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo,ou extintivo do direito do autor. Portanto, depreendese que na manifestação de inconformidade embute solicitação de desconstituição de confissão de dívida anterior e, nesse contexto, deve ela atestar que o direito de crédito aproveitado na compensação tem apoio não só legal como documentalmente e eficazmente comprovado nos autos. Demais disso, acerca da produção de provas, conforme retratado no Acórdão recorrido, o disposto no art. 923 do RIR/99, a escrituração (contábil e fiscal) mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Neste contexto, seria indispensável a apresentação dos registros contábeis e fiscais que evidenciem a apuração do imposto em comento. Sem a devida comprovação documental não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido. Ainda que admitidas as provas acostadas aos autos, em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, como já dito, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Com efeito, a simples apresentação de demonstrativos (cópia dos PER/Dcomp, planilhas demonstrativas e páginas do Livro de Apuração do IPI) não é suficiente para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, visto que estão desacompanhados de documentos que lhe dêem suporte e que demonstrassem sua veracidade. Nesse contexto, entendese que a interessada inicia a prova do direito creditório que afirma possuir. Imprescindível, porém, nestes autos, a sua comprovação integral. Vale repetir que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido, no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Nesse diapasão, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10218.900035/201039 Acórdão n.º 3802004.243 S3TE02 Fl. 467 9 E a não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na não apresentação da documentação necessária à verificação do direito creditório alegado, não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação, mesmo com a legitimidade do direito subjetivo em que se socorreu a demandante. Portanto, a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente. Do pedido de conversão em diligência e perícia Requer a interessada que o presente recurso seja julgado e provido, a fim de que seja reformada a decisão recorrida, com a consequente homologação da compensação requerida, ou caso assim não entenda, seja o presente processo baixado em diligência ou perícia, conforme requerido. No presente caso, a Recorrente requer o deferimento da possibilidade de conversão de diligência para fins de constatação da veracidade dos fatos elencados em seu recurso voluntário. Como bem assinalado pela recorrente, no que se refere à matéria tributária, o processo administrativo é regulado pelo Decreto Federal nº 70.235/72, e suas alterações posteriores. O decreto deixa claro, em seu artigo 29, que tal procedimento é informado pelos princípios da verdade material e do livre convencimento motivado do julgador. Vejase: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”(g.n.). Já o artigo 18, do Decreto nº 70.235/72, se coloca em consonância com o princípio da verdade material, in verbis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”(g.n.). Como se vê, a realização de diligências ou perícias, sendo faculdade que assiste ao julgador administrativo quando entendêlas necessárias à formação de sua convicção, se presta para dirimir suas dúvidas em relação ao conjunto probatório carreado aos autos, e não, como deseja a recorrente, para suprir o ônus que lhe cabe de juntada dos elementos de prova do direito creditório alegado. Assim, neste caso, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada nos autos pela interessada para extinção do crédito tributário mediante compensação. Decorre também do mencionado preceito, que não faz sentido baixar o processo em diligência para intimação do contribuinte a apresentar a documentação contábil e fiscal comprobatória do suposto crédito alegado, visto que, repisandose, o ônus da prova do direito é da interessada, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Vêse que o contribuinte teve a oportunidade em todas as fases processuais de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. É sabido que a não apresentação de documentos necessários à comprovação de direito creditório juntamente com a impugnação/manifestação de inconformidade, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, impede a revisão de ofício e enseja o lançamento para o cumprimento de exigência fiscal. Portanto, em conformidade com art. 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993, indefiro, pois, a diligência/perícia requerida. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendose integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 18470.724920/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2201-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto),
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 13/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ . Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente).
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. EDITADO EM: 13/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 49 20 /2 01 3- 79 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 18470.724920/201379 Acórdão n.º 2201002.913 S2C2T1 Fl. 131 2 LUSTOSA DA CRUZ . Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente). Relatório ALCIDES DA SILVA, recorre do acórdão 0437.610, da 1ª Turma da DRJ/CGE, de 24 de novembro de 2014, fls.81/83 que julgou improcedente seu pedido de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios de 2009 a 2011, no valor de R$ 2.765,65. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir a matéria do litígio: A autoridade fiscal indeferiu o pedido de restituição em face de considerar que a cegueira declinada pelo contribuinte como moléstia grave não pode ser assim considerada, pelo fato de que a deficiência é de apenas monocular, o que não impede a visão, mesmo que parcial, enquanto que a cegueira a que se refere o inciso XXXIII do artigo 39 do regulamento do imposto de renda aprovado pelo decreto 3000/99 com sua matriz legal prevê a cegueira, ou seja, a impossibilidade de visão do portador e não cegueira parcial. O contribuinte alega em sua defesa o decreto 3.298/1999 em seu artigo 4º e incisos, que definem a pessoa portadora de deficiência e decisão judicial com o objetivo de trazer o entendimento ali esposado para o seu caso específico, requerendo o reconhecimento do direito creditório. Ciente da decisão 22 de dezembro de 2014, conforme AR de fls.125, interpõe, em 22 de janeiro de 2015, as razões de fls.85/88, onde, em síntese, narra o procedimento fiscal e reclama porque em julgamento de pedido semelhante, visto que ele é " isento de recolher IRPF, conforme se vê pelo acórdão 1257.906 7ªTurma da DRJ/RJ1, sessão de 18/07/2013, processo 18470.7248400/201313 e 18470.724841/201368 ", tivera sua reivindicação atendida.. Transcreve o Decreto 5296/04, que define a deficiência visual deficiência visual cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°, ou a ocorrência simultanea de quaisquer das condições anteriores; E completa que a literalidade do artigo 6º, inciso XIV da Lei 7713/1988, diz que ficam isentos do imposto de renda os rendimentos percebidos por pessoas físicas portadoras de cegueira com base em conclusão da medicina especializada, e que o laudo pericial para cumprimento do dispositivo fora anexado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 18470.724920/201379 Acórdão n.º 2201002.913 S2C2T1 Fl. 132 3 Discorre sobre dispositivos de regência da matéria isentiva e pede provimento para reconhecimento do seu direito creditório. É o Relatório Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme anteriormente relatado tratase de pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte , a título de Imposto de Renda sobre os 13ºs salários dos anos calendário de 2009 a 2011, com a alegação de ser o contribuinte portador de moléstia grave, conforme petições às fls. 02/07, protocoladas em 29/05/2013. O despacho decisório e o acórdão recorrido negaram o pedido, por entender ausentes as condições isentivas. O recorrente já teve julgamento, pela DRJ,RJ1, 7ª turma, em 18 de julho de 2013, através do acórdão 1257.906, que exonerou lançamento que exigia o imposto de renda das pessoas físicas, no ano calendário de 2010 (fl.95/98), diante da mesma causa. Cabe transcrever as regras estabelecidas para benefício do gozo da isenção decorrente de moléstia grave, nos termos do Decreto3000/ 1999 “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ... XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional,tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) “§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 18470.724920/201379 Acórdão n.º 2201002.913 S2C2T1 Fl. 133 4 § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” A letra do inciso XXXIII do artigo 39, do Regulamento do Imposto de Renda esclarece que o rendimento deve ser oriundo de aposentadoria. E o Recorrente traz a prova às fls.14 e 15 , onde constam o Ato Executivo n° 1354, de 10 de dezembro de 1993, publicado no DOE, Parte III, nº234, fls. 15. O laudo pericial, emitido por órgão médico do poder judiciário,de fls. 20, aponta a existência de cegueira irreversível em um olho, CID H54.5,com data de inicio da doença, em 01/11/2009. Laudo assinado pelos Drs. Sérgio Antonio Rossato CRM 52215516; Ailton Leal Pereira, CRM 52358252 e Gilberto Senecal de Godofredo Filho, CRM 52545442. Assim, nos termos do artigo 6º, inciso XIV da Lei 7713/1988, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos a partir desta data. O inciso XXXIII do artigo 39, do Regulamento do Imposto de Renda não especifica qual tipo de cegueira se refere, como se vê da transcrição abaixo: XXXIII os proventos de aposentadoria (...)percebidos pelos portadores de(...)cegueira(...)mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. A matéria já foi enfrentada pelos tribunais superiores, cuja ementa produzida no agravo regimental no recurso especial abaixo transcrito, bem reflete o pensamento reinante, ao qual me filio: Ag.Rg no AREsp 121972/DF AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE RECURSO ESPECIAL 2012/00294671.Relator Ministro Humberto Martins(1130) Orgão Julgador T2 Segunda Turma Data do Julgamento 24/04/2012 Data da publicação/Fonte DJE 02/05/2012 Ementa: TRIBUTÁRIO IRPF ISENÇÃO.ART.6º,XIV DA LEI 7713/1988. INTERPRETAÇÃO LITERAL.CEGUEIRA.DEFINIÇÃO MÉDICA.PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO O COMPROMETIMENTO DA VISÃO BINOCULAR QUANTO MONOCULAR. CONCLUSÕES MÉDICAS.SÚMULA 7/STJ Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 18470.724920/201379 Acórdão n.º 2201002.913 S2C2T1 Fl. 134 5 1.O cerne do debate referese à isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria a pessoa portadora de cegueira. 2.O Tribunal de origem, com espenque no contextofático concluiu pela existência da patologia isentiva.Incidência da Súmula 7/STJ. 3.Da análise literal do dispositivo em tela, art.6º,XIV, da Lei n.7713/88,não hpa distinção sobre as diversas espécies de cegueira, para fins de isenção. 4.Afastase, por fim a alegada violação do artigo 111do CTN, porquanto não há interpretação extensiva da lei isentiva, já que "a literalidade da norma leva à interpretação de que a isenção abarnge o gênero patológico" cegueira", não importando se atinge a visão binocular ou monocular"(REsp 1196500MT.Rel.Min.Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 02/12/2010,DJe 04/02/2011) Agravo regimental improvido. Diante do exposto DOU provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 13766.000417/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. REVISÃO DE OFÍCIO DE DECLARAÇÕES.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
Às Delegacias da Receita Federal do Brasil - DRF, compete proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, nos termos do Regimento Interno daquele Órgão, art. 224, XXII.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. REVISÃO DE OFÍCIO DE DECLARAÇÕES. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, compete proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, nos termos do Regimento Interno daquele Órgão, art. 224, XXII. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 04 17 /2 00 7- 47 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13766.000417/200747 Acórdão n.º 2202003.051 S2C2T2 Fl. 49 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 29), complementandoo ao final: Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 05/07/2007 contra a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 18/06/2007, que apurou o crédito tributário no valor de R$ 2.872,04, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2004, anocalendário de 2003, recepcionada em 01/09/2004, fls. 15 a 18. 2. No procedimento fiscal de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA 2004, fundamentada nos arts. 788; 835 a 839; 841; 844; 871, 926 e 992 do Decreto 3000, de 26/ 03/1999, foram tomados para o cálculo do Imposto devido os rendimentos omissos de R$ 14.133,72, recebido da fonte pagadora, Instituto Nacional do Seguro Social INSS— CNPJ 29.979.036/000140; e os 215,64 de Imposto de Renda Retido na Fonte. 3. 0 Impugnante, em síntese, reclama o fato de não terem sido consideradas no Acerto de Declaração as Despesas Médicas; com Dependentes e com Instrução; e o Imposto de Renda retido pelo INSS. Na análise da Impugnação, entendeu o Julgador recorrido, em suma, que a Autoridade Fiscal apurou o saldo do imposto a pagar a partir dos Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoas Jurídicas, não informados pelo sujeito passivo na Declaração de Ajuste Anual retificadora 2004, mas constantes na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF entregue pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Enquanto os rendimentos são de declaração obrigatória, as deduções constituem faculdade concedida ao contribuinte, devendo ser pleiteadas no ato da apresentação da declaração, ocasião em que é apurada a base de cálculo do imposto devido, subtraindose dos rendimentos tributáveis as deduções requeridas. O pleito de novas deduções após a entrega da declaração configura retificação da declaração apresentada, a qual só é admitida antes do inicio de qualquer procedimento administrativo, ou medida de fiscalização, correspondentes à infração, na forma do art. 138, § único do Código Tributário Nacional CTN, combinado com o art. 7°, § 10 do Decreto 70.235/72. Como se observa, a pretensão do Impugnante em ver consideradas deduções não pleiteadas em sua declaração retificadora não pode ser acolhida, porquanto já notificada do lançamento suplementar consubstanciado na Notificação. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13766.000417/200747 Acórdão n.º 2202003.051 S2C2T2 Fl. 50 3 Decidiuse, então, por considerar improcedente a impugnação e manter o lançamento. Cientificado em 02/10/2009, conforme AR na folha 37, o Contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 29/10/2009, com protocolo na folha 38, onde repisa, em resumo, que é certo que tal rendimento fora omitido, mas ocorre que o Fiscal não se atentou as despesas com consultas e exames médicos constantes no comprovante de rendimentos da empresa Transportadora Itapemirim S/A, deixando a notificação de lançamento incorreta. Fala em boafé e cita o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995. PEDE que seja "declarada nula" a Notificação de Lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Bem, qual foi o objeto da Notificação de Lançamento, que deu origem a este processo e que enfim consubstancia a "pretensão do Fisco"? Observo, na folha 8, "descrição Fl. 50DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13766.000417/200747 Acórdão n.º 2202003.051 S2C2T2 Fl. 51 4 dos fatos", que foi a omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora INSS, no valor de R$ 14.133,72, uma vez que de fato não foram incluídos na DIRPF do contribuinte, como se observa na cópia que consta das folhas 19 e seguintes. Já na Impugnação, o contribuinte não contestou a omissão, mas concentrou se em alegar que haveria outras deduções permitidas na legislação, que queria incluir na apuração do imposto e que não haviam sido declaradas na sua DIRPF. Não obstante as lições processuais retro transcritas, conforme o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, temos que: Das Competências das Unidades Descentralizadas Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) ... XXII proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; (sublinhei/grifei) Assim, não se pode transformar a lide tributária a ser julgada pelos órgãos administrativos competentes, em 1ª instância e grau recursal, em pedido de revisão de ofício para que seja retificada uma declaração que teria sido apresentada com erro pelo contribuinte, que não incluiu todas as deduções a que poderia ter direito, na forma da lei, quando essas deduções não foram objeto do lançamento. Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). O pedido, de que seja declarada "nula" a Notificação, não encontra qualquer respaldo. Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade Fl. 51DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13766.000417/200747 Acórdão n.º 2202003.051 S2C2T2 Fl. 52 5 competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito. Também imprópria a citação sobre boafé nos contratos privados, trazendo a doutrina civilista, uma vez que a obrigação tributária decorre diretamente da lei e não de manifestação de vontade contratual, entre partes. CONCLUSÃO Assim, se o Fisco constata uma omissão de rendimentos e o Contribuinte, em suas manifestações, dela não discorda, não há litígio a ser resolvido nesta instância recursal, na via deste processo administrativo, e VOTO no sentido de negar provimento ao recurso que extrapola os limites da lide posta à apreciação deste Colegiado. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 52DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10830.917863/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 63 /2 01 1- 60 Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.727, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 61/67 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 00841.43439.100506.1.2.040841, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917863/201160 Acórdão n.º 3402002.760 S3C4T2 Fl. 2.970 3 contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 06/12/2013 (fl. 70). Inconformada, a mesma apresentou, em 18/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 72/92), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.200 (fls. 130/132),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.200 (fls. 130/132), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917863/201160 Acórdão n.º 3402002.760 S3C4T2 Fl. 2.971 5 ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.914/2.915 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 00841.43439.100506.1.2.040841, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 3.334,80 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 05/2002, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 6.844.083,68, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 6.651.635,99, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 111.160,12 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 111.160,12. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 3.334,80. Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Em sua manifestação (fls. 2.920//2.923), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.922: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 3.334,80, referente a parcela de crédito da COFINS, solicitado neste processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10111.000757/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/08/2006
CEFACLOR MONOIDRATADO. CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO.
Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição.
Numero da decisão: 3201-001.995
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/08/2006 CEFACLOR MONOIDRATADO. CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.000757/200601 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.995 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria PIS E COFINS IMPORTAÇÃO Recorrente EMS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2006 CEFACLOR MONOIDRATADO. CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 07 57 /2 00 6- 01 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos farmacêuticos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, fls. 01/14, constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 30.708,78 (trinta mil setecentos e oito reais e setenta oito centavos). DOS FATOS O importador, por meio da Declaração de Importação nº 06/09026849, registrada em 01/08/2006, submeteu a despacho de importação o produto Cefaclor Monoidratado, requerendo a redução de alíquota de Cofins Importação e de PIS/Pasep Importação do inciso I do artigo 1° do Decreto 5.821 de 29 de junho de 2006. Art1°Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COF1NS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capitulo 29 da NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; A fiscalização não concedeu a redução, pois considerou que o produto importado não se enquadrava na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante no Anexo I do citado Decreto. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Acórdão n.º 3201001.995 S3C2T1 Fl. 94 3 Apenas o produto Cefaclor é citado na relação do Anexo I, não o produto monoidratado. Segundo o fiscal: “A hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa a especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero”. Mais adiante informa que: “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura do Valor Aduaneiro e Estatística – NVE”. No caso do Cefaclor há dois registros: Cefaclor anidro, CAS 5399473 e Cefaclor monohidrato, CAS 70356035. Portanto, observase que são dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821 /2006 tem direito a redução de alíquota. Cientificado dos autos de infração em 20/10/06, fl.01, a representante legal do autuado, despachante aduaneira Wang Huei Ju apresentou, em 27/10/06, a peça de fls. 32/33, intitulada de “impugnação inicial”, onde aduziu em síntese que o produto cefaclor é sempre apresentado na forma monoidratada e foi submetido a despacho de importação na forma regulamentar. Solicitou a indicação de técnico habilitado e credenciado junto à Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília “para, em laudo circunstancial esclarecer o assunto”, e, ainda, a prorrogação do prazo para apresentação da impugnação, de conformidade com o inc. II do art. 6° do Decreto nº 70.235/72. Em 01/11/06, a unidade de origem consignou que “o interessado, impugnou tempestivamente, o crédito tributário” e encaminhou à DRJSPO II o processo para prosseguimento (fl. 45). Em face da mudança de jurisdição instituída pela Portaria SRF n° 179, de 13/02/2007 (DOU de 14/02/2007), que alterou o Anexo V do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, este processo foi encaminhado pela então DRJ/SPOII para esta DRJ/FOR. Em 21/05/07, o interessado apresentou o documento de fls. 64/82 onde inicia afirmando que: (...) inconformada com o Auto de Infração supra mencionado, vem mui respeitosamente perante V. Sas. tendo em vista o principio da informalidade do processo administrativo, e tendo o pedido de perícia admitido como impugnação, vem mui respeitosamente emendar a mesma, pelos motivos de fato a seguir mencionados: Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 Solicitou preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseiava ver respondidos, com base no inciso IV do Art. 16 do Decreto n° 70.235/72, porém não indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito, passou em seguida a apresentar os argumentos de mérito. A impugnante alega que o cerne da discussão é o registro no CAS, que o Cefaclor é considerado gênero, que comportam as seguintes espécies: • Cefaclor monoidrato – CAS 70356035 • Cefaclor anidro – CAS 53994733 Corroborase a interpretação, a NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística regida inicialmente pela Instrução Normativa SRF n° 80, de 27 de dezembro de 1996, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 657, de 26 de junho de 2006, e posteriormente alterada pela Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, assim especificou: Subitem 2941.90.33 Cefaclor e Cefalexin monoidratados; Cefalexina sódica. Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CAS/DCB 0001 070356035/ Cefaclor 0002 015686712/ Cefalexina 0003 023325782/ Cefalexina monoidratada 9999 Outros Por fim, aduz que o anexo I do citado decreto, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição 338 CEFACLOR, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, ao contemplar o gênero CEFACLOR no Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, o legislador reduziu a zero a alíquota do PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação para todas as espécies, a saber, anidro e monoidratado. A autuada ainda acrescenta que não agiu em nenhum momento com dolo, fraude ou simulação, “muito pelo contrário, a legalidade sempre esteve presente em todos os seus procedimentos podendose, quando muito, vislumbrar a interpretação equivocada de uma legislação confusa, como demonstra o fato da própria Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, considerar o termo CEFACLOR para o CAS correspondente ao CEFACLOR MONOIDRATADO” ou Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Acórdão n.º 3201001.995 S3C2T1 Fl. 95 5 seja, continua a empresa, “a própria NVE, [...], corrobora o entendimento da IMPUGNANTE quando da aplicação da redução de alíquota, prevista no Decreto n° 5.821/2006, é também impreciso na utilização da linguagem técnica [sic]”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 85/102, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 87/102), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 01/08/2006. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 01/08/2006. CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto cefaclor monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]” No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Acórdão n.º 3201001.995 S3C2T1 Fl. 96 7 do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº 701, de 27/12/065, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419033 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Atributos e Especificações de Nível 'U' Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 Atributo AA CAS/DCB Especificações: 0001 070356035/ Cefaclor [...] Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 070356035, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefaclor. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratado e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 070356035 ao cefaclor monoidratado. A decisão manteve a multa de ofício, por ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 15/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual a fiscalização manifestouse nos seguintes termos: Tendo em vista a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, por meio da Resolução nº 3201000.520 (fls.255 a 262), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora e considerando o disposto na Solução de Consulta SRRF08/DISIT nº 8.052/2015, informamos que esta fiscalização acata o entendimento da mesma com relação ao produto Cefaclor Monoidratado, objeto do presente processo. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Acórdão n.º 3201001.995 S3C2T1 Fl. 97 9 É o relatório. Voto O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, pelas Declarações de Importação 08/02550058 e 08/04377582, registradas, respectivamente, em 19/02/08 e 24/03/08, a Recorrente submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado, identificandoo como “cefaclor” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero, o produto cefaclor: 338 CEFACLOR Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefaclor estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício, pois se aplicaria apenas à versão anidra do produto químico. A Recorrente, em sua defesa, alega que “cefaclor” seria o gênero, de sorte que o decreto contemplaria todas as espécies da substância. Conforme mencionado, na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observadas pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Ao se consultar referida lista, de fato, encontramos códigos distintos para “cefaclor” e “cefaclor monoidratado”, como se depreende: 01824 cefaclor 53994733 09368 cefaclor monoidratado 70356035 De acordo com a perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (efls.91 e ss), a denominação “cefaclor” é empregada para designar a forma anidra da substância (ou seja, que não contém água em sua composição), ao passo que a sua forma hidratada, é identificada pela expressão “cefaclor monoidratado” (o termo "monoidratado" significa que à molécula do fármaco está associada a uma molécula de água). O cefaclor é uma cefalosporina (grupo de antibióticos) que se apresenta de diversas formas, como se verifica de excertos do laudo técnico, do Eng° José Carlos Sperandéo, acostado aos autos às efls.120 e ss.: 1.4 CEFACLOR Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Acórdão n.º 3201001.995 S3C2T1 Fl. 98 11 Cefaclor é um antibiótico da classe das cefalosporinas. É considerada uma cefalosporina de segunda geração por apresentarem maior atividades contra bactérias Gram negativas. [7] [8] Encontrase registrado no Chemical Abstract Service sob o no 53994733 na forma anidra e 70356035 para a forma monohidratada com o nome químico, Acido [6R[6a, 7[3(R*M 7[(aminofenilacetil)amino]3cloro8oxo 5tia1 azabiciclo[4.2.0] octa2eno2carboxilico monohidrato. [7] [8] [9] [10] [12] [13] Os medicamentos à base de cefaclor são indicados para tratamento de infecções do trato respiratórios inferior e trato superior; tratamento de infecções da pele e do trato urinários causados por microorganismos. [7] [8] Cefaclor apresenta as seguintes formulas molecular, estrutural molecular: Fórmula Molecular: C 15 11 14 CIN 304 S x H 20 Peso Molecular:[9] Forma anidra — 367,81 Forma monoidratada — 385,82 [...] A molécula de cefaclor é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresenta várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma diidratada. [9] [14] Nas referências bibliográficas e farmacopéias indicam somente o uso da forma monohidratada, considerada a mais estável e de fácil dissolução. A potência ou o teor deve ser indicado em relação à sua forma anidra. [7] [8] [9] [10] [12] [13] [14] Cefaclor monohidratado pode ser obtido pelo tratamento do Cefaclor amorfo que é um produto de reação de sal de dana de Dfenilglicina, como a etil3 a carboxibenzilaminocrotonato •de potássio(obtido pela reação de Dfenilglicina e etilacetoacetato de etila), com sal de trimetilamina de ácido 7 amono3cloro3cefem4 carboxilico em meio da mistura de acetonitrila/dimetilformamida/água e isolando um produto cristalino pela acidificação da mistura e correção do pH para 4,5. [15] Cefaclor cristalino é obtido por uma simples filtração com resfriamento, e depois é suspenso em água, acidificado até a Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 12 completa dissolução e ajustando novamente para pH 4,5 e resfriando lentamente onde começa a cristalização do Cefaclor monohidratado que é recuperado por filtração. Nessa etapa pode ser adicionado um cristal de Cefaclor monohidratado que funcionará como semente. [15] A denominação Cefaclor encontrase registrado na lista de denominação comum brasileira, lista DCB consolidada 2007, com o número código de posição 01824 e CAS 53994733 referente a Cefaclor anidra. [11]. Nas Farmacopéias também se encontra indexado somente com a denominação Cefaclor que engloba todas as formas de hidratação. [7], [8], [9] [10] [16] [18] Cefaclor também é a denominação que se encontra indexado no INN (Internacional Nonproprietary Names for Pharmaceutical Substances da Organização Mundial da Saúde (WHO). [8] Mais adiante, já na resposta aos quesitos, temse: 7) Qual a diferença entre CEFACLOR, CEFACLOR ANIDRO E CEFACLOR MONOHIDRATADO? Explique detalhadamente (aplicação, função principal e secundária, formula estrutural, característica físicas e químicas, etc.). Cefaclor na forma monohidratada é um insumo farmacêutico ativo que apresenta atividade antibiótica. È utilizado na formulação de medicamentos indicados para tratamento de infecções do trato respiratório inferior e trato superior; tratamento de infecções da pele e do trato urinários causados por microorganismos.[7] [8] Cefaclor apresenta a seguintes formulas molecular, estrutural e peso molecular: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Acórdão n.º 3201001.995 S3C2T1 Fl. 99 13 A molécula de cefaclor é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresenta várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma dihidratada. [9] [14] Nas referências bibliográficas e farmacopéias indicam somente o uso da forma monohidratada, considerada a mais estável e de fácil dissolução. A potência ou o teor deve ser indicado em relação à sua forma anidra. [7] [8] [9] [10][12] [13] [14] A denominação cefaclor encontrase registrado na lista de denominação comum brasileira, lista DCB consolidada 2007, com o número código de posição 01824 e CAS 53994733 referente a cefaclor anidra. [11] Nas Farmacopéias também se encontra indexado somente com a denominação cefaclor que engloba .todas as formas de hidratação. [7], [8], [9] [10] [16] [18] Cefaclor também 6 a denominação que se encOntra indexado no INN (International Nonproprietary Names for Pharmaceutical Substances da Organização Mundial da Saúde (WHO). [8]). Observese que a presença da água na estrutura cristalina não se relaciona, conforme leitura de informe técnicos, com a impureza da substância e, com base nesse e outros argumentos, a Recorrente afirma que CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras ou hidratadas. Verificase que não há controvérsia quanto ao fato de haver distinção entre os produtos (na forma anidra e na forma hidratada), chegando a empresa a registrar isto expressamente na fl. 87: “É importante ora firmar, que em momento algum, a IMPUGNANTE afirmou que o CEFACLOR existe tão somente na forma monoidratado”. Na Tarifa Externa Comum, o cefaclor está assim classificado: 2941.90.33 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Portanto, poderseia deduzir que como a Nomenclatura não faz a distinção, e que o produto químico, em suas formas anidra ou hidratada, não se diferenciam em seus efeitos químicos, que o benefício contemplaria o princípio ativo, indistintamente. Ainda sobre as questões técnicas referentes ao produto químico, observase que as afirmações constantes do laudo técnico da lavra do Dr. Ricardo Isidoro, não seão aqui consideradas, pois discorrem acerca do tratamento dispensado na Nomenclatura Comum do Mercosul, bem como da Organização Mundial das Alfândegas, atribuem a produto químico em Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 14 sua versão anidra ou hidratada, questão que, ao nosso ver, refoge ao escopo do art.30 do Decreto n. 70235/72, isto é, os laudos técnicos serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, o que não inclui a interpretação das normas sobre classificação fiscal de mercadorias. Não obstante, como apontou a fiscalização, a cefalexina, que, da mesma forma está classificada na NCM 2941.90.33, é apontada em ambas as versões no Anexo I do Decreto n. 6426/2008: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA Aliandose essa informação com o fato de que o CEFACLOR é identificado na classificação farmacológica, em códigos distintos para forma hidratada e anidra, inferiuse que o legislador não teria estendido o benefício fiscal para o CEFACLOR monoidratado. Ademais, afirmase que o fato de a NVE consignar como “CEFACLOR” a sua versão monoidratada, utilizandose do código CAS respectivo, não seria suficiente para se constituir uma exegese segundo a qual as normas jurídicas tributárias não distinguiriam o regime jurídico para as diversas formas de apresentação da substância. Isto porque, as NVEs prestamse ao controle estatístico do comércio exterior, não se revestindo do mesmo rigor ao qual devem ser submetidas as normas jurídicas que concedem benefícios fiscais. Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cafadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Acórdão n.º 3201001.995 S3C2T1 Fl. 100 15 Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, tratase a Solução de Consulta n. 75 de importante orientação da Administração para uma questão tormentosa. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 16 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 13837.001118/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2007
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 2201-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 18/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 18/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 00 11 18 /2 01 0- 44 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 22/11/2010, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2007, anocalendário 2006, na qual foi constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Fundação Banco Central de Previdência Privada CENTRUS), no valor de R$ 127.838,53 (cento e vinte e sete mil oitocentos e trinta e oito reais e cinquenta e três centavos), com base nas alterações dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual, o que ocasionou o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 601,28 (seiscentos e um reais e vinte e oito centavos) e mais a correspondente multa de ofício de 75% e juros de mora. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte, em sede de impugnação, informou ser portadora de neoplasia maligna e requereu a isenção nos termos da Lei n.º 7.713/88, art. 6º, XIV, anexando documentos médicos para a comprovação. Contudo, considerando a insuficiência dos documentos, a contribuinte foi intimada, de forma específica, para apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, comprovando a moléstia e confirmando a data de início da doença; bem como foi solicitada a comprovação da natureza dos rendimentos por ela recebidos. Em atendimento à intimação, a contribuinte apresentou Laudo Pericial emitido por perita judicial expedido em 22/05/2012. Como não foi apresentado Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios, consoante a legislação em vigor, foi emitido Despacho Decisório DRF/JUNDIAÌ/SP (às fls. 60), datado de 04/03/2013, embasado no Termo Circunstanciado de fls. 56 a 59, por meio do qual foi indeferido o pedido de revisão de lançamento, concluindose pela procedência do lançamento em questão, com a manutenção do crédito tributário lançado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o crédito tributário em parte, determinando o cancelamento da multa de 75% e mantendo o imposto suplementar, com a seguintes considerações: a) a contribuinte não apresentou laudo médico elaborado conforme critérios legais vigentes e tampouco trouxe informações específicas sobre a sua condição de saúde durante o anocalendário em questão; b) tendo em vista que o Imposto de Renda no valor originário de R$ 601,28 foi recolhido em data anterior à apresentação da declaração retificadora que originou o imposto lançado de ofício, cabe afastar a Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13837.001118/201044 Acórdão n.º 2201002.919 S2C2T1 Fl. 98 3 aplicação da multa de ofício de 75%, com fulcro no artigo 44, § 1º, inciso I, da Lei 9.430/1996. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte alegou, em síntese, que, mesmo sendo portadora de câncer de mama, em 2006, tendo direito à isenção, ainda sofria tributação sobre os seus vencimentos, situação que veio a ser regularizada apenas em 2010, quando passou a efetivamente gozar da isenção. Assim, a contribuinte solicitou a restituição dos valores sobre o montante tributado, sendo negada, em razão da consideração da ausência de comprovação da isenção, o que ocasionou o lançamento de imposto suplementar, mesmo diante da decisão judicial favorável à restituição dos anos anteriores à interposição da ação, respeitada a prescrição, incluindo o anobase de 2006, conforme trechos da decisão judicial anexa ao recurso: "Conforme está documentado nos autos, a autora passou a perceber o benefício a partir de 26/09/1999, fls. 78, a partir dessa data é que seria cabível a devolução das importâncias que ficaram retidas pela fonte pagadora. entretanto, incide à espécie a prescrição quinquenária das parcelas vencidas anteriormente ao ajuizamento da ação. Como a presente demanda veio ao protocolo judiciário, na presente subseção, ao 25/05/2011, estão atingidas pela prescrição quinquenal todas as parcelas recolhidas anteriormente ao quinquênio legal, a saber, até 20/05/2006. A partir desta data, até o dia da a implementação definitiva da decisão administrativa que concedeu a isenção á requerente, é que deverá se efetuar o cálculo do montante devido em repetição.(...)". "JULGO PROCEDENTE EM PARTE o pedido inicial, com resolução do mérito da causa, na forma do art. 269, I e IV do CPC. CONDENO a ré a devolver à autora aquilo que, a título de Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre os seus proventos de pensão, foi recolhido, desde 20/05/2006, até a data da efetiva implementação da decisão administrativa que concedeu a isenção tributária à ora requerente, tudo devidamente atualizado através da taxa SELIC, em valor a ser devidamente apurado em ulterior fase de execução. DECLARO a prescrição da pretensão inicial, no que se refere à restituição dos recolhimentos tributários ocorridos antes do quinquênio que antecedeu o ajuizamento (20/05/2006). (...)" Cabe destacar que a mencionada decisão transitou em julgado, conforme consulta pública efetuada no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/, estando em fase de pagamento por meio de precatório. Ademais, foi elaborada Informação Fiscal, pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária, que consta dos processos administrativos fiscais da mesma contribuinte (n.º 13837.001118/201044, n.º 13837.001119/201099, n.º 13837.001120/201013 e 13837.720066/201190), acerca do processo judicial 000086579.2011.403.6130, anteriormente citado, que determinou a devolução do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 o valor de aposentadoria de contribuinte pessoa física portadora de moléstia grave, por considerar que a mesma teria direito à isenção. O Auditor Fiscal da Receita Federal, Aníbal Malgueiro Moreira, na mencionada Informação, salientou seu entendimento no sentido de que, considerando a existência da decisão judicial, o contribuinte não tem direito ao valor inicial que havia pedido de restituição (pois os valores já serão devolvidos no processo judicial), nem o Fisco tem o direito de cobrar o valor lançado pela fiscalização (pois as rendas seriam não tributáveis, conforme decisão judicial). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo, mas não atende a todos os pressupostos intrínsecos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, em razão da ausência de reconhecimento do direito à isenção da contribuinte decorrente de moléstia grave sobre os valores provenientes da Fundação Banco Central de Previdência Privada CENTRUS. Conforme relatado, a matéria em questão foi objeto da Ação Judicial de Repetição de Indébito Tributário n.º 000086579.2011.403.6130, que tramitou no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com data de protocolo inicial em 20/05/2011, o que implicou no reconhecimento judicial da prescrição quinquenal relativa aos períodos anteriores a 20/05/2006, sendo determinada a restituição dos recolhimentos tributários compreendidos entre 2006 e 2010, quando, administrativamente, houve a concessão da isenção. Cabe salientar, acerca da terminologia empregada na repetição do indébito tributário, como dispõe Luciano Amaro (AMARO, Luciano, Direito Tributário Brasileiro, Saraiva, 15ª ed., 2009, p. 419), que "na restituição (ou repetição) do indébito, não se cuida de tributo, mas de valores recolhidos (indevidamente) a esse título. Alguém (o solvens), falsamente posicionado como sujeito passivo, paga um valor (sob rótulo de tributo) a outrem (o accipiens), falsamente posicionada como sujeito ativo. Se inexistia obrigação tributária, de igual modo não havia nem sujeito ativo, nem sujeito passivo, nem tributo devido. Porém, a disciplina da matéria fala em 'sujeito passivo' (como titular do direito à restituição), em tributo, em crédito tributário, etc... reportandose, como dissemos, ao rótulo falso e não ao conteúdo." Assim, a opção da contribuinte pela via judicial para discussão da obrigação tributária implicou em renúncia à esfera administrativa, em razão da coincidência dos objetos, da causa de pedir e dos pedidos constantes da ação e do processo administrativo fiscal, pois determinada a repetição do indébito tributário, com base no acometimento de moléstia grave pela contribuinte, não há como, administrativamente, considerarse a inexistência da moléstia, sob pena de ofensa à coisa julgada, já que a decisão, transitada em julgado, reconheceu expressamente, desde a data de início do recebimento do benefício pela contribuinte, a partir de 26/09/1999, o direito à isenção. Contudo, diante da prescrição, a repetição dos valores foi limitada aos 5 anos anteriores à propositura da demanda. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13837.001118/201044 Acórdão n.º 2201002.919 S2C2T1 Fl. 99 5 Conforme ensina Cleucio Santos (NUNES, Cleucio Santos. Curso de Direito Processual Tributário. Dialética, 2010, p. 308), considerando que as decisões administrativas estão sujeitas à revisão pelo Poder Judiciário, não há sentido que o processo administrativo fiscal tome seu curso normal se a justiça deverá se pronunciar a respeito da matéria. Nesse caso, o processo judicial prevalece, ficando prejudicado o processo administrativo. A eleição da via judicial importa renúncia à esfera administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais. Nesse contexto, foi editado o Enunciado de Súmula n.º 1 do CARF, que assim dispõe: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pela sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Desse modo, tendo em vista que, no presente caso, já ocorreu trânsito em julgado da decisão judicial, houve a perda do interesse de agir na via administrativa, em decorrência da prevalência das decisões judiciais, de modo que o procedimento adotado para a restituição dos valores devidos será o disposto no art. 100 da Constituição Federal, que é a regra geral regente dos pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária. Nessa mesma linha de raciocínio, não há que se falar em lançamento suplementar pelo fisco, em decorrência dos rendimentos considerados isentos na via judicial. De toda forma, tornase imperioso o acatamento ao disposto na decisão judicial em comento, não cabendo à esfera administrativa se imiscuir na matéria discutida judicialmente. Por todas essas razões, nos termos do art. 78, § 2º, da Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), restou configurada a desistência do recurso interposto, como segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Assim, embora haja atendimento aos pressupostos extrínsecos da admissibilidade recursal, estando tempestivo o recurso e gozando de regularidade formal, identificase a ausência do pressuposto de admissibilidade recursal intrínseco, qual seja a inexistência de ato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer, considerando a desistência decorrente do ajuizamento de ação judicial, o que afasta o conhecimento do recurso interposto. Tais as razões expendidas, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Assinado digitalmente. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10983.720229/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 2.478,24 no ano calendário de 2007, exercício de 2008, e no montante de R$ 6.777,64 no ano calendário de 2008, exercício de 2009. Vencidos os Conselheiros JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento integral. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento parcial, pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 2.478,24 no ano calendário de 2007, exercício de 2008, e no montante de R$ 6.777,64 no ano calendário de 2008, exercício de 2009. Vencidos os Conselheiros JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento integral. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento parcial, pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 02 29 /2 01 0- 81 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720229/201081 Acórdão n.º 2202003.083 S2C2T2 Fl. 176 2 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Este processo já foi apreciado anteriormente neste CARF, quando em Sessão de 20 de janeiro de 2015 a extinta 1ª Turma Especial da Segunda Seção decidiu pela conversão do julgamento em Diligência, a partir do Relatório e Voto que transcrevo a seguir e que bem descrevem a situação: Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de primeira instância (fls. 130/131 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de notificações de lançamento resultantes da revisão das declarações de ajuste anual da Interessada relativas aos anos calendário 2007 (exercício 2008) e 2008 (exercício 2009), nas quais se exige, respectivamente, Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 4.614,02, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, e Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 2.105,78, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. A revisão das referidas declarações de ajuste anual, de acordo com o descrito nas notificações de lançamento, decorreu da apuração de: a) deduções indevidas, na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2007, informadas a título de despesas médicas pagas à dentista Margareth Thaler do Valle (R$ 6.000,00), à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner (R$ 7.600,00), à CLINVASMT (R$ 700,00) e à UNIMED Grande Florianópolis (R$ 2.478,24); b) deduções indevidas, na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2008, informadas a título de despesas médicas pagas à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner (de um total de R$ 11.810,00, a contribuinte comprovou apenas R$ 6.430,00) e à UNIMED Grande Florianópolis (R$ 1.840,99); Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720229/201081 Acórdão n.º 2202003.083 S2C2T2 Fl. 177 3 c) dedução indevida a título de incentivo na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2008 (R$ 120,00). A apuração, na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2007, de deduções indevidas a título de despesas médicas, ocorreu, segundo a autoridade fiscal, da seguinte forma: Em vista do disposto no art. 932 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, e com o intuito de corroborar os recibos apresentados, intimouse o sujeito passivo a comprovar, por intermédio de cópias de cheques nominativos, transferências bancárias, comprovantes de depósitos ou extratos bancários, o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como feitas à psicóloga Marisa R. G. Klokner e à cirurgiã dentista Margareth T. do Valle, no total de R$ 13.600,00. No entanto, limitouse a reapresentar os recibos e, posteriormente, cópias de cheques referentes ao outro ano calendário, razão pela qual não restou comprovado o efetivo pagamento. Os pagamentos declarados como feitos a UNIMED e à CLINVASMT não foram comprovados. Já a apuração, na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 2008, de deduções indevidas a título de despesas médicas, ocorreu, segundo a autoridade fiscal, da seguinte forma: Em vista do disposto no art. 932 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, e com o intuito de corroborar os recibos apresentados, intimouse o sujeito passivo a comprovar, por intermédio de cópias de cheques nominativos, transferências bancárias, comprovantes de depósitos ou extratos bancários, o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como feitas à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner, no total de R$ 11.810,00. Foi aceita a totalidade dos cheques nominativos à profissional; rejeitados aqueles não nominativos à profissional e que, além disso, não mantinham correlação de data e valor com os recibos. Os pagamentos declarados como feitos a UNIMED não foram comprovados. Irresignada, em parte, a Interessada apresentou as impugnações de fls. 02 a 04 e 05 a 07, instruídas com os documentos de fls. 08 a 18. Diz que, até onde sabe, recibos são prova suficiente de despesas médicas informadas em declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física. Afirma que desconhecia que também deveria guardar cópias de cheques nominativos ou extratos bancários para comprovar despesas médicas perante a Receita Federal do Brasil. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720229/201081 Acórdão n.º 2202003.083 S2C2T2 Fl. 178 4 Alega que não apresentou provas das despesas que informou ter pago à UNIMED porque as mesmas não foram solicitadas no “Termo nº 217/2009”. Alega que as declarações de fls. 09, 10 e 15, a ficha dentária de fl. 11 e os documentos de fls. 14, 17 e 18, comprovam as deduções informadas nas declarações de ajuste anual referentes aos anos calendário 2007 e 2008, a título de despesas médicas pagas à dentista Margareth Thaler do Valle, à psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner e à UNIMED Grande Florianópolis. Requereu, ao fim, o cancelamento dos “débitos fiscais reclamados”. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 129/137 deste processo digital. Entenderam os julgadores da instância de piso que a glosa de despesa médica relativa à CLINVASMT (R$ 700,00), exercício 2008, e a glosa da dedução de incentivo (R$ 120,00), exercício 2009, não foram impugnadas, motivo pelo qual esta parte do crédito foi transferida para o Processo nº 11516.721283/201285 (Termo de Transferência à fl. 140). Em relação às despesas com a UNIMED lançadas nas declarações de ajuste anual, a decisão recorrida restabeleceu apenas o valor de R$ 443,35, deduzido no exercício de 2009. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/05/2012 (fl. 145), a Interessada interpôs, em 04/06/2012, o recurso de fls. 146/150, acompanhado dos documentos de fls. 151/159. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A exigência de cheque nominativo substitui o recibo e pode até corroborar com mais firmeza a referida despesa. Entretanto, como reconhecido na decisão recorrida, os comprovantes possuem todas as formalidades legais. De conseguinte, as despesas foram efetivamente corroboradas. As declarações de fls. 9, 10 e 15 e a ficha dentária de fl. 11 também corroboram as despesas efetuadas, complementando os comprovantes que possuem todas as formalidades legais. Em relação à UNIMED, junta as declarações do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina que mantém convênio com a Cooperativa Médica, corroborando os referidos pagamentos, os quais não foram solicitados em época própria. Após discorrer sobre princípios administrativos aplicáveis à Administração Pública, requer seja provido o presente recurso para cancelar a parte remanescente da exigência tributária. Por ocasião da apreciação anterior, a Turma, por maioria, divergiu do Voto apresentado pelo então Relator apenas em relação a um ponto, onde ele tratou do seguinte: Anoto, todavia, que em relação às despesas médicas glosadas no ano calendário de 2008, em nome da psicóloga Marisa Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720229/201081 Acórdão n.º 2202003.083 S2C2T2 Fl. 179 5 Rodrigues Gomes Klokner, no valor de 5.380,00, não consta dos autos o Termo de Intimação Fiscal que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Nesse contexto, em que o suposto termo que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento não se encontra adunado aos autos, a apresentação dos recibos médicos com os requisitos formais exigidos pela legislação é, em meu entendimento, suficiente à dedução das respectivas despesas, motivo pelo qual entendo que o valor de R$ 5.380,00, deduzido a título de despesas médicas no ano calendário de 2008, deve ser restabelecido. É que em homenagem ao princípio da verdade material, resolveuse oportunizar que a Unidade preparadora anexasse aos autos o Termo de Intimação Fiscal mencionado no primeiro parágrafo acima transcrito, que poderia existir, e assim a conclusão em relação às despesas com a psicóloga Marisa Klokner seriam diferentes. Determinada a diligência, a resposta da Unidade preparadora veio com o despacho de folha 160 informando a não localização dos documentos requisitados. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Cingese a controvérsia à infração de dedução indevida de despesas médicas lançadas nas declarações de ajuste anual dos anos calendário de 2007 e 2008, assim discriminadas: Ano calendário de 2007 Despesas com a cirurgiã dentista Margareth Thaler do Valle R$ 6.000,00; Despesas com a psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner R$ 7.600,00; UNIMED R$ 2.478,24. Ano calendário de 2008 Despesas com a psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner R$ 5.380,00; UNIMED R$ 1.397,64 (R$ 1.840,99 – R$ 443,35 parte restabelecida pela decisão de piso) Os documentos acostados aos autos em fls. 153/159 comprovam, de forma inequívoca, que as despesas com a UNIMED foram realizadas e suportadas pela Recorrente, de modo tais despesas devem ser restabelecidas integralmente: R$ 2.478,24 no ano calendário de 2007 e R$ 1.397,64 no ano calendário de 2008 (as despesas no valor de R$ 443,35 com a UNIMED foram restabelecidas pela decisão de 1ª instância). Fl. 179DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720229/201081 Acórdão n.º 2202003.083 S2C2T2 Fl. 180 6 Em relação às demais despesas, oportuno observar que no processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do Decreto Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, a Autoridade lançadora, por intermédio do “Termo de Intimação Fiscal” de fl. 61, solicitou à Recorrente, relativamente ao ano calendário de 2007, antes da constituição do crédito tributário, “comprovar o efetivo pagamento, através do fornecimento de cópias de cheques nominais (frente e verso), transferências bancárias, comprovantes de depósitos e extratos bancários, pagos a Margareth do Valle, CPF 483.057.07920, no valor de R$ 6.000,00 a título de despesas médicas”, bem como “comprovar o efetivo pagamento, através do fornecimento de cópias de cheques nominais (frente e verso), transferências bancárias, comprovantes de depósitos e extratos bancários, pagos a Marisa Klokner, CPF 532.103.60987, no valor de R$ 7.600,00 a título de despesas médicas”. A Interessada, no entanto, não se desincumbiu de comprovar o efetivo dispêndio com as profissionais mencionadas, motivo pelo qual entendo que as glosas de R$ 6.000,00 e R$ 7.600,00, relativas ao ano calendário de 2007, devem ser mantidas. Anoto, todavia, que em relação às despesas médicas glosadas no ano calendário de 2008, em nome da psicóloga Marisa Rodrigues Gomes Klokner, no valor de 5.380,00, não consta dos autos o Termo de Intimação Fiscal que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720229/201081 Acórdão n.º 2202003.083 S2C2T2 Fl. 181 7 Nesse contexto, em que o suposto termo que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento não se encontra adunado aos autos, a apresentação dos recibos médicos com os requisitos formais exigidos pela legislação seria suficiente à dedução das respectivas despesas, motivo pelo qual determinouse a diligência no seguinte sentido (fl. 156): ... em aplicação do princípio citado e interpretando as regras processuais de forma que se confira validade a todas, sistematicamente, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que a Unidade preparadora, responsável pela exigência tributária, anexe a cópia do Termo de Intimação Fiscal que intimou a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, mencionando especificamente aquelas com a profissional Marisa Rodrigues Gomes Klokner, no valor de 5.380,00, no ano calendário de 2008, exercício de 2009, juntamente com a comprovação de ciência pela interessada, manifestandose expressamente em caso de inexistência de tais documentos. A resposta, entretanto, veio na forma do Relatório de fl. 160: Em atendimento a diligência solicitada pela autoridade julgadora de segunda instância às fls. 162/165, informo que o Termo de Intimação Fiscal e a sua respectiva ciência não foram localizados. Florianópolis, 02 de julho de 2015. Entendo, portanto, que o valor de R$ 5.380,00, deduzido a título de despesas médicas no ano calendário de 2008, deve ser restabelecido, uma vez que a Contribuinte não foi regularmente intimada a efetuar a comprovação do efetivo pagamento, a juízo da Autoridade lançadora e, sendo assim, valem os recibos apresentados na forma da legislação pertinente. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no importe de R$ 2.478,24 (UNIMED) no ano calendário de 2007, exercício de 2008, e no montante de R$ 6.777,64 no ano calendário de 2008, exercício de 2009 (R$ 1.397,64 com a UNIMED e R$ 5.380,00 com a profissional Marisa Rodrigues Gomes Klokner). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 181DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720229/201081 Acórdão n.º 2202003.083 S2C2T2 Fl. 182 8 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13855.002711/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA QUALIFICADA.
Comprovado que a falta de pagamento dos tributos devidos ao Erário Público foi fruto de conduta dolosa do sujeito passivo, e não de mero erro contábil ou negligência, cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Estão sujeitos ao imposto de renda retido exclusivamente na fonte os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a beneficiários não identificado, ou quando não for provada a sua causa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. Comprovado que a falta de pagamento dos tributos devidos ao Erário Público foi fruto de conduta dolosa do sujeito passivo, e não de mero erro contábil ou negligência, cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 11 /2 00 7- 94 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13855.002711/200794 Acórdão n.º 1201001.361 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1419.569, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 639 e ss.): Contra empresa acima identificada foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 28.163,17, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 16.018,85 e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de R$210.890,17, acrescidos de juros de mora e multa de oficio qualificada de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 811.910,00 (fl. 03). A base legal que suportou a imposição tributária, bem assim da multa e dos juros lançados achase descrita nos correspondentes demonstrativos do auto de infração. O procedimento fiscal iniciouse em 12/06/2007, cientificado o representante da contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.23.002007002498 que se destinou a verificar a apuração e recolhimento de IRRF relativos a pagamentos realizados a terceiros, nos anoscalendário de 2002 a 2005 (fl. 1). Iniciouse o procedimento fiscal em face da representação para inaptidão no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), da empresa Merca Assessoria, Representações e Marketing S/C Ltda., CNPJ n° 04.900.404/000192, que apurou divergências entre as informações prestadas pela contribuinte em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF) e as que foram declaradas pela empresa Merca, em Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), conforme descrito na tabela 1 do Termo de Verificação Fiscal lavrado pela autoridade tributária (fl. 51). A irregularidade inicialmente apontada referese ao fato de a interessada ter declarado pagamentos à empresa Merca, no decorrer dos anoscalendário de 2002 a 2005, enquanto aquela entidade declarouse isenta da obrigatoriedade de apresentar DIPJ nos anoscalendário de 2002 a 2004 e omitiuse do cumprimento da obrigação acessória no anocalendário de 2005. No decorrer da ação fiscal, a autoridade tributária constatou a existência de: a) pagamentos a beneficiários não identificados; b) insuficiência de recolhimento de imposto de renda, apurada pelo confronto dos dados declarados em DIPJ com o que fora informado em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); c) falta de recolhimento da CSLL, decorrente da glosa de pagamentos a beneficiários não identificados/pagamento seu causa, e, d) Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados/pagamento sem causa, conforme descrito nos demonstrativos que instruem o auto de infração e no termo de verificação fiscal correspondente (fls. 02/68). Fl. 696DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13855.002711/200794 Acórdão n.º 1201001.361 S1C2T1 Fl. 4 3 Considerou a autoridade tributária que a contribuinte utilizouse dolosamente de documentos fiscais de empresa declarada inexistente, contabilizados em sua escrita fiscal como despesa, com a finalidade de reduzir os tributos devidos, o que ensejou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, cujo processo foi autuado sob n° 13855.002712/200739, apensado aos presentes autos. Inconformada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 574/589, em que alega inicialmente que o processo de representação para inaptidão no CNPJ relativo à empresa Merca Assessoria, Representação e Marketing S/C Ltda., que serviu de base para o lançamento tributário sob análise achase em fase de julgamento administrativo (processo n° 13855.000933/200772). Portanto, os fatos apurados durante o procedimento que culminou com a inaptidão no CNPJ, descritos no termo de verificação fiscal (itens 1 a 19, fls. 51/53) devem ser sopesados juntamente com as razões de defesa apresentadas pela impugnante, razão pela qual pleiteia sejam juntadas aos presentes autos. Preliminarmente argüiu cerceamento de defesa consubstanciado no fato de o processo de representação que originou o Ato Declaratório de exclusão da empresa Merca não ter sido acostado aos autos. Suscitou, também, a objeção de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos no qüinqüênio anterior à lavratura do auto de infração. No mérito, alegou que: a) improcede o lançamento de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro; b) é incabível o lançamento por insuficiência de recolhimento relativo a importância declarada em DCTF, em face de que o crédito foi extinto por compensação e recolhimento de parte ao Conselho Municipal da Criança e do Adolescente; c) improcede o lançamento de imposto de renda na fonte. Ao final, propugnou a impugnante pela acolhida de suas alegações. Achase acostada aos autos informação exarada em 05/09/2007 em que a autoridade tributária negou seguimento a recurso hierárquico prolatado no âmbito do processo n° 13855.000933/200772, endereçado ao Superintendente da Receita Federal, por ter sido interposto a destempo (fl. 633). Anexo (fl. 627, 627v) despacho para que os autos retornassem à unidade de origem a fim de aguardar o desenlace do processo de inaptidão pela existência de fato e declaração de notas fiscais inidôneas da empresa Merca Acessoria (sic), Representação e Marketing S/C Ltda., em face da vinculação do lançamento ora em debate com o processo de inaptidão antes referido. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13855.002711/200794 Acórdão n.º 1201001.361 S1C2T1 Fl. 5 4 Constam dos autos cópia de mandado de segurança com pedido liminar que Merca Acessoria, Representação e Marketing S/C Ltda. moveu em face do delegado da Receita Federal em Franca cujo objeto é a suspensão dos efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 11, de 27/07/2007, que a declarou inapta pela inexistência de fato e considerou inidôneas todas as notas fiscais emitidas (fls. 600/622). Em sede mandamental pleiteou a empresa que fosse reconhecido seu direito ao devido processo legal, materializado no seguimento do recurso administrativo hierárquico interposto contra o Ato Declaratório antes referido, com efeito suspensivo. O pedido liminar não foi acolhido, nos termos da sentença prolatada em 19/12/2007 (fls. 629/632), tendo como um dos fundamentos a questão de que o direito de defesa e do contraditório foramlhe assegurados. Tal fato ensejou o retorno dos autos para esta Delegacia, a fim de que se dê prosseguimento à apreciação administrativa do processo de lançamento do crédito tributário. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 654 e ss.). Posteriormente à interposição do voluntário a interessada protocolou pedido de desistência do recurso no que concerne à exigência do IRPJ e da CSLL, ressaltando que segue com o litígio quanto à exigência do IRRF (fls. 671/673). O pleito da recorrente foi acolhido, tendo os débitos de IRPJ e de CSLL sido transferidos para o processo nº 13855.002582/201030 (fl. 682). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A recorrente pleiteia a juntada do processo nº 13855.000933/200772 aos presentes autos. Afirma que o não cumprimento dessa providência implica cerceamento de seu direito de defesa, pois é naquele processo que se discute a declaração de inaptidão, por inexistência de fato, da empresa Merca Assessoria, Representações e Marketing S/C Ltda., cujas notas fiscais de prestação de serviços (comissões) foram glosadas. Pois bem, em primeiro lugar importa esclarecer que há naquele processo decisão administrativa definitiva reconhecendo a legalidade do Ato Declaratório Executivo nº Fl. 698DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13855.002711/200794 Acórdão n.º 1201001.361 S1C2T1 Fl. 6 5 11/2007, que declarou inapta, por inexistência de fato, a empresa Merca (fl. 633 e fls. 635/636). Ademais, não compete à recorrente questionar a declaração de inaptidão da empresa que supostamente lhe prestou os serviços descritos nas notasfiscais glosadas pela fiscalização. Cabelhe, isso sim, apresentar documentação hábil e idônea capaz de comprovar a efetividade das operações descritas naquelas notas. Isso, entretanto, não foi levado a cabo uma vez que declarou haver pago em dinheiro pelos serviços prestados por Merca. 3) DA CONDUTA DOLOSA Alega a defesa que não restou provada a conduta dolosa. Pois bem, no TVF a autoridade tributária sustenta a existência do dolo da contribuinte nos seguintes termos (fl. 51 e ss.): 1. segundo apurado, a empresa MERCA foi criada por uma terceira empresa com o objetivo único de servir de "LARANJA" dessa, bem como da empresa AUTOFRANCA VEÍCULOS, PEÇAS E SERVIÇOS LTDA — CNPJ 47.960.6871000170; 2. o esquema se operava através da emissão de Notas Fiscais por parte da MERCA para outras empresas, dentre elas a AUTOFRANCA, relativas a comissões sobre supostas prestações de serviços de vendas de consórcios e veículos; 3. as empresas usuárias das notas beneficiavamse das respectivas despesa (comissões supostamente pagas à MERCA) de forma a reduzir as obrigações tributárias perante a Receita Federal do Brasil; 4. ambas as empresas beneficiárias do esquema fraudulento apresentam sócio em comum, o sr. Giacomo Battistini Neto, CPF n° 060.075.54872; (...) 7. segundo alegou o sócio da MERCA, salvo um ou outro caso também não comprovado, toda a operação financeira da empresa era feita em espécie, ou seja, recebia e pagava tudo em dinheiro, inclusive aos seus supostos vendedores. Entretanto não foi apresentado nenhum comprovante de pagamento aos supostos vendedores; 8. o endereço comercial da empresa, que também era o mesmo residencial de seu sócio, apresentava características incompatíveis com os faturamentos levantados; (...) 10. a paralisação das prestações de serviços da MERCA à AUTOFRANCA e a terceira empresa partícipe do esquema coincide com o início da prestação de serviços da MANIELI, Fl. 699DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13855.002711/200794 Acórdão n.º 1201001.361 S1C2T1 Fl. 7 6 também de propriedade dos mesmo sócios da MERCA, àquelas empresas; 11. testemunhas constantes nos contratos sociais das empresas MERCA e MANIELI são funcionários de uma das empresas contratantes dos serviços supostamente prestados pela MERCA; (...) 17. os consorciados diligenciados foram unânimes em declarar jamais terem ouvido falar na empresa MERCA e/ou seu(s) representante(s), sr. Manoel Felipe de Oliveira — CPF n° 323.450.70668 e sra. Nidalva Martins de Oliveira — CPF n° 756.335.90600. Disseram ainda que as vendas eram fechadas diretamente com uma das empresas para as quais a MERCA emitia suas Notas Fiscais, sem qualquer participação de qualquer espécie e de qualquer intermediário que fosse. Reiteraram que em momento algum foram procurados por qualquer pessoa que fosse se dizendo representante e/ou sócio da empresa MERCA; 18. constatouse também que vendedores dos consórcios eram, na verdade, funcionários de uma das empresas operadoras do esquema fraudulento; 19. os cartões de visita dos vendedores traziam timbres apenas da AUTOFRANCA e da outra empresa fraudadora, além do timbre da GM (Chevrolet) (essa última não partícipe do esquema. Apenas a fábrica de veículos da qual a AUTOFRANCA detinha o direito de revenda), não fazendo qualquer tipo de menção à pessoa jurídica MERCA. (...) Tendo em vista os fatos acima narrados, cuja veracidade não foi questionada pela defesa, a meu juízo está provada, para além de qualquer dúvida razoável, a participação voluntária da recorrente na realização de operações simuladas cujo objetivo é fraudar o Erário Público. 4) DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA Afirma a defesa que os créditos tributários ora exigidos foram alcançados pelo decurso do prazo decadencial, haja vista o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Ocorre que, comprovada a conduta dolosa por parte do sujeito passivo, inaplicável é a norma apontada pela recorrente. Incide, neste hipótese, o disposto no art. 173, I, do CTN. Em assim sendo, para os fatos geradores do IRRF mais antigos, ocorridos ao longo do ano de 2002, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2003, sendo que a extinção daqueles créditos por decadência se operaria em 01/01/2008. A contribuinte, entretanto, foi cientificada da autuação antes desta data, em 19/10/2007. 5) DOS PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Fl. 700DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13855.002711/200794 Acórdão n.º 1201001.361 S1C2T1 Fl. 8 7 A autoridade tributária exigiu IRRF da contribuinte sob a alegação de que esta não foi capaz de identificar os reais destinatários dos pagamentos registrados em sua contabilidade em favor de MERCA. Por sua vez a recorrente alega que se o Fisco entendeu não ter havido as despesas com comissão descritas nas notas fiscais consideradas inidôneas, então também deveria igualmente reconhecer não ter havido os respectivos pagamentos. Pois bem, sobre o assunto o art. 61 da Lei nº 8.981/95 assim estabelece: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Não assiste razão à recorrente. O fato de não haver provado a efetividade das despesas com comissões não significa que os respectivos pagamentos registrados em sua contabilidade não tenham sido realizados. Realizados os pagamentos, caberia à recorrente identificar os verdadeiros beneficiários e a sua causa, sob pena de ficar obrigada a promover a retenção do IR na fonte sobre tais pagamentos, como no caso dos autos. 6) DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Sobre o valor do IRRF lançado a autoridade tributária impôs multa de 150%, sob o argumento de que houve evidente intuito de fraude. Em seu recurso a interessada alega que mesmo admitindo ter feito uso de documentos inidôneos, tal fato não dá causa à imposição da multa qualificada. De fato, a qualificação da multa de ofício somente é autorizada quando verificado o evidente intuito do sujeito passivo em fraudar o Erário Público, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. No entanto, conforme visto no item 3 deste voto, a meu juízo está provado o evidente intuito de fraude da recorrente, razão pela qual devese manter a qualificadora. 7) CONCLUSÃO Fl. 701DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13855.002711/200794 Acórdão n.º 1201001.361 S1C2T1 Fl. 9 8 Tendo em vista o acima exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 702DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13601.000291/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2007
VERIFICADA A FALHA NA INSTRUÇÃO PROCESSUAL. SURGE A VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL E EM CONSEQUÊNCIA A VULNERAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. SITUAÇÃO QUE IMPÕE A ANULAÇÃO DAS DECISSÕES ADMINISTRATIVAS. SURGINDO A NECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE DO CASO, CONSIDERANDO TODAS AS PROVAS APRESENTADAS, BEM COMO SE NECESSÁRIO O SUPRIMENTO DE EVENTUAIS FALHAS NA DOCUMENTAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do Despacho - Decisório de Nº 1.395/2009, de fls. 3.025 a 3.035, bem como do Acórdão Nº 02-25.917 - 7ª, Turma DRJ/BHE, fls. 5.785 a 5.790, determinando o retorno do autos à DRF de origem para que o pedido de restituição seja analisado considerando-se todas as provas anexadas aos autos até o momento, bem como, a critério da autoridade fiscal, que outras provas, esclarecimentos e elementos sejam solicitados ao contribuinte.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente COMAU DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2007 VERIFICADA A FALHA NA INSTRUÇÃO PROCESSUAL. SURGE A VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL E EM CONSEQUÊNCIA A VULNERAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. SITUAÇÃO QUE IMPÕE A ANULAÇÃO DAS DECISSÕES ADMINISTRATIVAS. SURGINDO A NECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE DO CASO, CONSIDERANDO TODAS AS PROVAS APRESENTADAS, BEM COMO SE NECESSÁRIO O SUPRIMENTO DE EVENTUAIS FALHAS NA DOCUMENTAÇÃO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do Despacho Decisório de Nº 1.395/2009, de fls. 3.025 a 3.035, bem como do Acórdão Nº 0225.917 7ª, Turma DRJ/BHE, fls. 5.785 a 5.790, determinando o retorno do autos à DRF de origem para que o pedido de restituição seja analisado considerandose todas as provas anexadas aos autos até o momento, bem como, a critério da autoridade fiscal, que outras provas, esclarecimentos e elementos sejam solicitados ao contribuinte. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 02 91 /2 00 8- 74 Fl. 5804DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000291/200874 Acórdão n.º 2202003.165 S2C2T2 Fl. 5.805 2 Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 5805DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000291/200874 Acórdão n.º 2202003.165 S2C2T2 Fl. 5.806 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o requerimento de Restituição de Retenção, referentes as competências 01/2006 a 12/2006, fls. 02 a 05, apresentado, em 20/03/2008, acompanhado dos documentos, de fls. 06 a 2.734. O órgão fiscal emitiu o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 2.738 e 2.739, recebido pelo contribuinte, em 12/08/2009, inaugurando procedimento fiscal no requerente da restituição. Consta, as fls. 2.741, Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF, recebido pelo contribuinte, supostamente, em 30/09/2009. O órgão fiscal, anexou, aos autos, as fls. 2.742 a 3.024. Feito a análise do pleito da empresa pelo agente fiscal designado este emitiu o Despacho Decisório, de fls. 3.025 a 3.035, onde o pedido de restituição foi indeferido. A requerente foi cientificada do indeferimento, conforme Ofício nº 1.232/2009 /SAORT/DRF CON, de fls. 3.036, em 09/10/2009. A empresa apresentou petição de manifestação de inconformidade, as fls. 3.040, recebida, em 06/11/2009, com suas razões de inconformismo, as fls. 3.041 a 3.047, acompanhada dos documentos, de fls. 3.048 a 5.783. A manifestação de inconformidade foi considerada tempestiva, fls. 5.784. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0225.917 7ª, Turma DRJ/BHE, em 10/03/2010, fls. 5.785 a 5.790. No qual a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 25/03/2010, conforme AR, de fls. 5.792. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 5.793, recebida, em 20/04/2010, com razões recursais, as fls. 5.794 a 5.798, acompanhado do documento, de fls. 5.799. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Preliminar. · que a decisão recorrida é nula por cerceamento de defesa, uma vez que reconheceu a impossibilidade do pedido de restituição ser indeferido, sem que a peticionaria fosse intimada para sanear as falhas na instrução processual, porém, contrariamente, julgou a manifestação de inconformidade improcedente com base na falta de outros Fl. 5806DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000291/200874 Acórdão n.º 2202003.165 S2C2T2 Fl. 5.807 4 documentos que citou, mas não concedeu prazo a empresa para sanar tais irregularidades, sendo que a falta de documento em processo administrativo não é causa para seu indeferimento, nos termos do artigo 226, da IN/MPS/SRP n º 03/2005, transcrito, constando algo semelhante na IN/RFB 900/2008, artigo 65, assim, a ausência de algum documento no pedido de restituição não pode de plano acarretar o indeferimento do pleito; Mérito. · que a ausência do destaque da retenção em algumas notas não é causa para o indeferimento da restituição, pois o que importa é a prova da ocorrência dessa mesma retenção e havendo divergência entre essa informações devese aplicar o artigo 209, da IN/MPS/SRP nº03/2005, o implica em realização de diligência entes do indeferimento; · que a decisão a quo reconheceu que a retificação da GFIP saneou a divergência com a DNF, mas apontou outras falhas sem oportunizar o contraditório, o que causa cerceamento de defesa e aponta para a nulidade da decisão recorrida; · Requerimentos: a) que o recurso seja provido, para afastar a prescrição quinquenal e para que seja decretada a nulidade das decisões de piso, remetendo aos autos a SAORT para apreciação do pedido de restituição, observandose o que diz os artigos 209 e 226, da IN/SRP nº 03/2005; b) entendendo esse órgão pelo julgamento do processo, requerse o deferimento da restituição pleiteada. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 5.800. O processo foi remetido ao CARF, fls. 5.800. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 22/01/2015, Lote 01, fls. 5.802. É o Relatório. Fl. 5807DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000291/200874 Acórdão n.º 2202003.165 S2C2T2 Fl. 5.808 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. O pedido de afastamento da prescrição quinquenal não cabe ser analisado nesses autos, pois o período de restituição compreende 01/2006 a 12/2006 e o requerimento foi feito, em 20/03/2008, assim esse pedido e impertinente e dissociado dos elementos dos autos. Preliminar. Inicialmente, entendo necessário transcrever o que dito pelo julgador de primeiro grau no início de sua análise, pois esse é o ponto inicial de irresignação do contribuinte. O indeferimento do pedido se deu em razão da apresentação deficiente da documentação necessária para sua análise, bem como, apresentação de nota fiscal sem o devido destaque da retenção e sem comprovação do recolhimento da contribuição pela empresa tomadora dos serviços e divergência de informação entre valores informados na GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e DNF Demonstrativo de Notas Fiscais. A recorrente argui a nulidade do Despacho Decisório 1.395/2009, por cerceio de defesa, sob o fundamento de não ter sido intimada a apresentar os documentos necessários à análise do seu pedido de restituição. Cabe, contudo, esclarecer que é a partir do momento em que o contribuinte registrar seu inconformismo com o ato praticado pela administração que, no seu entender, lhe cause algum gravame, é que se instaura a fase litigiosa do processo, passando a assistirem a ele as garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, conforme artigo 14 do Decreto 70.235, de 1972, c/c o artigo 5°, LIV, da Constituição Federal de 1988. Com razão o contribuinte, posto que não consta dos autos, nenhuma intimação dirigida à requerente, quando da análise do processo de restituição. No entanto, o ato normativo vigente à época do protocolo do Requerimento de Restituição da Fl. 5808DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000291/200874 Acórdão n.º 2202003.165 S2C2T2 Fl. 5.809 6 Retenção, Instrução Normativa MPS/SRP 03, de 2005, descrevia com exatidão, no artigo 207, quais eram os documentos necessários a sua instrução. (realcei). Penso que a decisão não trouxe a melhor solução jurídica ao caso. A uma, porque nos autos em tela não se está cuidando de lançamento tributário propriamente dito, pois o fisco não empreendeu procedimento/ação fiscal, visando a promoção da constituição de um crédito, comunicando posteriormente o contribuinte para que esse desse início a fase contenciosa com a impugnação ao lançamento. Basta ver que o Decreto 70.235/72 se aplica, segundo disposição de seu artigo 1º c/c o artigo 7º, os quais abaixo transcrevo, ao crédito lançado, sendo determinação dirigida, exclusivamente, ao fisco. Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. (destaquei). No caso, em tela quem deu início ao procedimento administrativo foi o contribuinte e não o fisco, pois ao contribuinte não é dado iniciar o processo administrativo de determinação do crédito tributário, salvo o autolançamento via GFIP, hoje, admitido por lei e pela jurisprudência. O pedido é bem outro, qual seja a restituição de retenção e esse pedido na fase inicial não se sujeita ao Decreto 70.235/72, mas sim a Lei 9.784/99 lei geral do processo administrativo federal e essa no seu capítulo sobre instrução processual, assim determina. CAPÍTULO X DA INSTRUÇÃO Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1o O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 5809DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000291/200874 Acórdão n.º 2202003.165 S2C2T2 Fl. 5.810 7 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. A lei deixa claro que cabe ao contribuinte provar os fatos que tenha alegado, aliás, isso é a regra geral das provas, mas, também, estabelece que quando for necessária a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros estes devem ser intimados para tal fim. Outro não era o entendimento apresentado na norma administrativa que regia o procedimento à época do pedido, conforme suscitado e transcrito pela recorrente, o que o faço abaixo. É de conhecimento comezinho que a falta de algum documento não implica no indeferimento do requerimento administrativo. O art. 226, da IN MPS/SRP nº 3/2005, vigente à época do protocolo deste pedido de restituição, disciplinava com clareza essa situação específica, conforme abaixo se afere: Art. 226. Na hipótese de requerimento protocolizado na UARP, a falta de apresentação de qualquer elemento necessário à instrução e análise do processo deverá ser comunicada ao sujeito passivo, mediante ofício enviado por meio postal ou por correio eletrônico. Parágrafo único. Não suprida a falta documental no prazo de dez dias, a contar da data do recebimento do ofício pelo sujeito passivo, o processo será arquivado. Fl. 5810DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000291/200874 Acórdão n.º 2202003.165 S2C2T2 Fl. 5.811 8 Assim sendo, com esses esclarecimentos, entendo que as decisões precedentes não andaram bem, pois não observaram o devido processo legal e assim deixaram de atender ao direito de constitucional de petição, que por certo, inclui, ( a ampla defesa e contraditório) no curso de questão contenciosa, o que vulnera a decisão administrativa. Desta forma, reconheço a nulidade do Despacho Decisório de Nº 1.395/2009, de fls. 3.025 a 3.035, bem como do Acórdão Nº 0225.917 7ª, Turma DRJ/BHE, fls. 5.785 a 5.790. Determino o retorno do autos à DRF Origem para que o pedido de restituição seja analisado considerandose todas as provas anexadas aos autos, bem como se necessário for, a critério da autoridade fiscal, outras provas, esclarecimentos e elementos sejam solicitados ao contribuinte, bem como que seja cumprindo o que determina a legislação de regência sobre a matéria, finalizando com a lavratura de despacho conclusivo sobre a existência ou não do direito creditório da recorrente. O presente Acórdão não reconhece ao contribuinte direito creditório de qualquer espécie ou origem, cuidando, única e exclusivamente da questão do indeferimento do pedido de restituição. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para em preliminar darlhe provimento e reconhecer a nulidade do Despacho Decisório de Nº 1.395/2009, de fls. 3.025 a 3.035, bem como do Acórdão Nº 0225.917 7ª, Turma DRJ/BHE, fls. 5.785 a 5.790, determinando o retorno do autos à DRF Origem para que o pedido de restituição seja analisado considerandose todas as provas anexadas aos autos até o momento, bem como se necessário for, e a critério da autoridade fiscal, que outras provas, esclarecimentos e elementos sejam solicitados ao contribuinte ou outras se for o caso, assim como devem ser cumpridas as determinações da legislação de regência sobre a matéria, finalizando com a lavratura de despacho conclusivo sobre a existência ou não do direito creditório da recorrente, o qual deve ser dado conhecimento ao contribuinte, devendo ser oportunizado a esse caso seja a decisão contrária aos interesses daquele parcial ou totalmente, reiniciar o contencioso administrativo, via manifestação adequada. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 5811DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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