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Numero do processo: 11065.004467/2005-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA COFINS.
COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.
A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de ICMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e
posteriormente recuperados, configurando-se, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno.
Numero da decisão: 3803-002.437
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Vencido o relator. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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BASE DE CÁLCULO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Recorrente RITZEL COUROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA COFINS. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de ICMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e posteriormente recuperados, configurandose, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o relator. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis– Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento do saldo credor mensal de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação desse direito creditório com débitos próprios do requerente. A DRF de jurisdição deferiu parcialmente o ressarcimento, no montante de R$ 23.766,95, nos termos do Despacho Decisório de fls. 117. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 109 a 113, a glosa de R$ 2.280,00 deveuse à não inclusão, na base de cálculo da contribuição, das receitas decorrentes da cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS. Sobreveio a reclamação de fls. 138 a 143, por meio da qual o requerente explica atuar no ramo de beneficiamento, importação e exportação de couros, peles e derivados e que a exportação de couro corresponde a mais de 80% do seu faturamento. Argumenta que não há incidência da contribuição sobre os produtos destinados ao mercado exterior, tendo acumulado créditos no decorrer de 2004 que são passíveis de ressarcimento e compensação.Discorre acerca da origem e formação do saldo credor de ICMS, aduzindo que o encargo é um ônus que deve suportar quando da compra da matériaprima, pois tal imposto não pode ser repassado ao seu cliente no exterior, restando apenas a alternativa de transferilo a terceiros, contribuintes do tributo estadual. Entende que, assim sendo, a recuperação desse crédito acumulado não pode ser considerada receita para fins de tributação. Pontua tratarse de recuperação de custos, rechaçando sua equiparação a alienação de direitos a título oneroso. Pede reforma do Despacho Decisório, a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada e que a autoridade administrativa abstenhase de inscrevêla no CADIN. A 2ª Turma da DRJPorto Alegre negou provimento à Manifestação de Inconformidade. O Acórdão no 1013.275, de 12 de setembro de 2007, fls. 218 e 219, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Ementa: Incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, ante a existência da alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida Cuidase adora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2ª Turma. O arrazoado de fls. 225 a 230, após resumo dos fatos relacionados com a lide, repisa os argumentos já apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade, acrescentando que o crédito de ICMS decorrente da operação de exportação nada mais é que receita proveniente de operação de exportações de mercadorias para o exterior, portanto, imune à incidência do PIS e da COFINS. Assim, o resultado da transferência do crédito de ICMS proveniente de produtos exportados é decorrente de operações de exportações de mercadorias para o exterior, estando assim, excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. Insiste em caracterizar a cessão de créditos de ICMS como mera recuperação de custos. Pede provimento. É o Relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 380302.437 S3TE03 Fl. 2.332 3 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 225 a 230 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1013.275, de 12 de setembro de 2007. O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, ao apreciar o Recurso Voluntário nº 876.372, deu conta de que RITZEL COUROS LTDA. ajuizou ação ordinária com pedido de liminar, sob o registro de n° 2007.71.08.0122114, que tramita perante a 2ª Vara Federal, objetivando a determinação para que a Fazenda Nacional se abstenha de efetuar a glosa, tal qual ocorreu no presente processo, e retenção dos valores a título de tributação pelo PIS e COFINS sobre as transferências de créditos de ICMS para terceiros e, no mérito, ver reconhecido o direito de não ser onerada pela incidência das referidas contribuições a partir do terceiro trimestre de 2007, bem como seja condenada a União a devolução dos respectivos valores. (Acórdão 3803002.414, de 13 de fevereiro de 2012). Diante dessa constatação, a Turma, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer do recurso, em face da dicção da Súmula CARF nº 1. Todavia, no presente caso, tratase de períodos de apuração anteriores ao 3º trimestre de 2007, razão pela qual o recurso merece seguimento. A questão posta cingese a decidir se os valores recebidos pelo recorrente em decorrência da cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS integram a base de cálculo da Contribuição depois da entrada em vigor da Lei no. 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Primeiramente, fazse necessário definir a natureza desses ingressos, se configuram ou não receita. Geraldo Ataliba1 conceituou receita e a diferenciou de meros ingressos, nos termos seguintes “O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é entrada que passa a pertencer à entidade.Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha integrar o patrimônio da entidade que a recebe. As receitas devem ser escrituradas separadamente das meras entradas. É que estas não pertencem à entidade que as recebe. Têm caráter eminentemente transitório.Ingressam a título provisório, para saírem, com destinação certa, em breve lapso de tempo.” Desse excerto, concluise que todos os ingressos que sejam incorporados ao patrimônio de determinada pessoa, jurídica ou física, são considerados como receita; já os 1 ATALIBA, Geraldo. ISS – Base Imponível. Estudos e pareceres de Direito Tributário, v. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978, p. 88. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 valores que são recebidos, a título transitório, que não pertencem ao recebedor, e, em breve lapso tempo, devem sair, com destinação certa, não são receitas, mas meros ingressos. Aliomar Baleeiro, ao analisar o que devese entender por receitas, assim concluiu: Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo,vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Adaptando tal conceito ao Direito Tributário, temse que receita não é, a priori, todo e qualquer ingresso, mas tãosomente aquele que, efetivamente, se incorpora ao patrimônio do sujeito passivo, sem contrapartida, reserva, condições ou correspondência no passivo da pessoa. O recorrente pugna pela caracterização da cessão de créditos de ICMS como mera recuperação de custos. No caso de créditos de ICMS adquiridos quando da compra de matéria prima, dizse que os mesmos são "recuperáveis". Tal denominação pode ter contribuído para que se entenda que o seu eventual aproveitamento futuro, por parte da sociedade empresária que os detém, configuraria uma "recuperação de custos." Contudo, tal entendimento é equivocado. No momento da aquisição, o adquirente registra em seu ativo dois valores distintos: o valor da matériaprima estocada e o valor do ICMS incidente sobre a referida compra. Neste sentido é que dispõe o art. 289 do RIR/99, quando estabelece que "não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal." Portanto, o assim chamado "ICMS Recuperável" não representa qualquer tipo de perda ou custo para a entidade, tanto é assim que ela o registra no seu ativo, pois é um direito. Ainda que, teratologicamente,se admitisse tal operação como recuperação de custos, os valores dela advindos classificarseíam como receita bruta operacional, a teor do que dispõe o art. 44, inc. III, da Lei no 4.506, de 30 de novembro de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. A forma mais usual de aproveitamento deste direito é na forma de compensação com o ICMS devido em razão das vendas da entidade. Nesta hipótese, não há que se falar em "recuperação de custo", conforme acima exposto, nem tampouco em qualquer espécie de receita auferida por conta deste aproveitamento. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 380302.437 S3TE03 Fl. 2.333 5 A este respeito, confirase o ensinamento de Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke2 "7.3.5 O ICMS e os estoques Já mencionamos diversas vezes que a base elementar para a avaliação dos estoques é o custo. Considerando que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias — ICMS está incluído no preço das mercadorias, constante das Notas Fiscais, teremos de excluílo dos estoques para efeito de avaliação e principalmente para que o resultado do período esteja de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos (regime de competência). O ICMS é um imposto diferencial, isto é, provoca um valor a recolher pelo valor obtido pela diferença entre os preços de venda e o preço de compra dos itens. Todavia, a sistemática fiscal de recolhimento permite que o imposto sobre as compras de um período seja recuperado em função das vendas do mesmo período, mesmo que as mercadorias vendidas não sejam as mesmas que foram compradas nesse período, e com isso, se o ICMS fosse registrado como parte do custo, os estoques ,ficariam superavaliados e o resultado, distorcido. Como decorrência, devese registrar a receita bruta de vendas pelo seu valor total, inclusive o ICMS, e o ICMS contido nas vendas deve ser contabilizado como dedução da receita bruta, a título de "impostos incidentes sobre vendas", ou seja, a receita líquida já deve ,figurar sem o ICMS, da mesma forma que o custo de vendas e os estoques." Portanto, a expressão "recuperável" referese a uma questão financeira, e não patrimonial, pois o patrimônio da sociedade, conforme visto, não foi reduzido em função do gasto com o ICMS incidente sobre a compra da matériaprima. Apenas financeiramente é possível falarse em recuperação, no sentido de que, uma vez perdida a disponibilidade monetária do valor, esta será recuperada por ocasião da compensação daquele crédito com o ICMS devido em função das vendas, uma vez que, neste segundo momento, a entidade precisará desembolsar somente a diferença entre o ICMS incidente sobre as vendas e o "ICMS Recuperável", e não a integralidade do ICMS incidente sobre as vendas, este sim o verdadeiro "custo" da entidade (tecnicamente, "dedução da receita bruta"). Situação ligeiramente distinta ocorre quando, em lugar de compensar o crédito de ICMS relativo às aquisições com o ICMS devido em função das suas vendas, a entidade, por qualquer forma, o aliena, porque, neste caso, é insofismável que houve o nascimento de uma receita. Para que não pairem dúvidas a respeito, confirase o que determina o Conselho Federal de Contabilidade, na Resolução CFC no 774, de 16 de dezembro de 1994, DOU de 18.01.1995, quanto ao que se deve entender por "receita": "2.6.3 Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade — entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadoria, 2 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 3a. Edição, Editora Atlas, 1990, página 165. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis —, com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso ,firme de fazêlo num prazo qualquer. Normalmente, a transação é formalizada mediante a emissão de nota fiscal ou documento equivalente, em que consta a quantificação e a formalização do valor de venda, pressupostamente o valor de mercado da coisa ou do serviço. Embora esta seja a forma mais usual de geração de receita, também há uma segunda possibilidade, materializada na extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como no caso do perdão de multa fiscal, da anistia total ou parcial de uma dívida, da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor, pelo ganho de causa em ação em que se discutia uma dívida ou o seu montante, já devidamente provisionado, ou outras circunstâncias semelhantes. Finalmente, há ainda uma terceira possibilidade: a de geração de novos ativos sem a interveniência de terceiros, como ocorre correntemente no setor pecuário, quando do nascimento de novos animais. A última possibilidade está também representada pela geração de receitas por doações recebidas, já comentada anteriormente. Mas as diversas fontes de receitas citadas no parágrafo anterior representam a negativa do reconhecimento da formação destas por valorização dos ativos, porque, na sua essência, o conceito de receita está indissoluvelmente ligado à existência de transação com terceiros, exceção feita à situação referida no final do parágrafo anterior, na qual ela existe, mas de forma indireta." Ou seja, quando há transferência de bens ou direitos de sua propriedade para terceiros, há receita da entidade. Pouco importa se há pagamento em dinheiro ou compromisso de fazêlo num prazo qualquer, ou se há extinção parcial ou total de uma exigibilidade, que é a forma mais comumente adotada no caso da cessão de créditos do ICMS. Vejase também o que preleciona Silvio Rodrigues 3, especificamente acerca da cessão de créditos: "169. Conceito, — A cessão de crédito é o negócio jurídico, em geral de caráter oneroso, através do qual o sujeito ativo de uma obrigação a transfere a terceiro, estranho ao negócio original, independentemente da anuência do devedor. O alienante toma o nome de cedente, o adquirente de cessionário, e o devedor, sujeito passivo da obrigação, o de cedido. Esta espécie de cessão encontra justificativa no fato de o crédito se apresentar como um bem de caráter patrimonial e capaz, portanto, de ser negociado. Da mesma maneira que os bens materiais, móveis ou imóveis, têm valor de mercado onde alcançam um preço, assim também os créditos, que representam promessa de pagamento Muro, podem ser objeto de negócio, pois sempre haverá quem por eles ofereça certo valor. A cessão 3 Direito Civil, Editora Saraiva, 29a. edição, 2001, pág. 291. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 380302.437 S3TE03 Fl. 2.334 7 desempenha, quanto aos créditos, papel idêntico ao da compra e venda, quanto aos bens corpóreos." (sublinhado na transcrição) A par dessa caracterização contábil, os créditos dessa natureza são, legalmente, considerados receita, a teor do exposto no inciso VII4 do § 3º do art. 1º da Lei no 10.637, de 2002, com a redação dada pelo art. 16 da Lei no 11.945, de 4 de junho de 2009, que determinou a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins das receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação. Portanto, ao contrário do que sustenta o recorrente e a jurisprudência marginal do CARF, a cessão onerosa de créditos do ICMS é receita. Uma vez demonstrado que houve receita, no caso, e tendose em conta que se está diante de contribuição social apurada não cumulativamente, resta agora verificar se esta receita é tributável ou não. Até o advento da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, a base de cálculo da contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §5 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência das contribuições sociais, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas oriundas da cessão de créditos de ICMS comporiam a base de cálculo da contribuição. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame, tendose notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais. Todavia, a partir de 1º de fevereiro de 2004, por força do disposto no inciso I, do art. 98 da Lei nº 10.833, de 2003, passaram a viger os artigos 1º a 15 e 25 dessa Lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada da contribuição, nos termos seguintes: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 4 VII. decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (NR) 5 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de fevereiro de 2004, data de vigência dos arts. 1º a 15e 25 da Lei nº 10.833, de 2003, a base de cálculo da Cofins era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período as receitas oriundas da cessão onerosa de créditos de ICMS não eram alcançadas pela incidência dessa contribuição. A partir dessa data, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins passaram a sujeitarse ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil, aí incluídas as oriundas da cessão de créditos de ICMS. Importante sublinhar, neste ponto, que com a edição da Lei no 11.945, de 2009, art. 17, que deu nova redação ao art. 1º da Lei no. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar base de cálculo da contribuição. Tratandose, no presente processo, de períodos de apuração anteriores a tal data, inexistia amparo legal para excluir as receitas da base de cálculo da contribuição. Cabe ainda refutar o argumento recursal de imunidade da operação. Ao contrário do entendimento da recorrente, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros, ainda que decorrentes de beneficias fiscais por exportações de produtos para o exterior, não gozam de imunidade tributária. No que pertine às contribuições sociais, a imunidade sobre receitas de exportações está prevista na Constituição Federal, art. 149, que assim dispõe: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como Instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, 1 e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. ( .) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) (..)." Ora, segundo este dispositivo, apenas as receitas decorrentes de exportações são imunes às contribuições sociais. Receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS não constituem receitas de exportação. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 380302.437 S3TE03 Fl. 2.335 9 Por fim, destaco que o entendimento defendido neste voto vai ao encontro da jurisprudência da 3ª Turma da CSRF, esboçado no Acórdão no 930301.178, de 25 de outubro de 2010, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2003 Base de Cálculo Alargamento Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo do PIS/Pasep, é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recurso parcialmente provido. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Conforme acima relatado, trata o presente processo de indeferimento parcial de pedido de ressarcimento e compensação, tendo havido glosa parcial do saldo credor da Cofins não cumulativa em razão do não oferecimento à tributação das receitas decorrentes de transferências de créditos do ICMS a terceiros. No Recurso Extraordinário (RE) nº 606.107/RS, que trata da matéria sobre a qual se controverte nos presentes autos, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral, mas não se pronunciou acerca do sobrestamento dos processos em andamento versando sobre a mesma matéria. Dessa forma, nos termos do § 1º do art.1º e do art. 4º da Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 2012, por inexistir determinação do STF no sentido de sobrestar todos Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 os processos em andamento que versem sobre a matéria, independentemente da existência de repercussão geral, o presente processo deve ser submetido a julgamento, não se lhe aplicando o sobrestamento previsto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Nesse sentido, uma vez que este Colegiado se encontra desobrigado de sobrestar o julgamento do processo, passase à apreciação do mérito do recurso voluntário. A Fiscalização constatou a não inclusão na base da cálculo da contribuição de valores relativos à cessão de créditos do ICMS a terceiros, em razão do que houve redução do saldo do tributo passível de ressarcimento. O cerne da controvérsia, portanto, é a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Cofins, tanto na modalidade cumulativa quanto na apuração não cumulativa. A lei que rege a contribuição nos períodos de apuração sob análise assim dispõe: Lei n° 10.833/2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 380302.437 S3TE03 Fl. 2.336 11 investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). (grifei) Constatase dos dispositivos legais reproduzidos acima que, a partir da edição da Lei n° 11.945/2009, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009, que a transferência onerosa de créditos de ICMS originados de operações de exportação passou a ser uma das hipóteses de exclusão da base de cálculo da Cofins. Essa alteração, contudo, por não se inserir em nenhuma das hipóteses de retroatividade da lei previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não alcança os créditos de ICMS ora analisados que se reportam ao anocalendário 2005. Contudo, essa alteração do texto da lei pode corroborar com o entendimento a seguir esposado. A não cumulatividade é uma técnica cujo objetivo maior é evitar o chamado “efeito cascata” da tributação em face de um processo produtivo que se opera em várias etapas, deduzindose do imposto incidente sobre a saída de mercadorias o imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias ou às matérias primas necessárias à sua industrialização. Tratase, portanto, de lançamentos contábeis que não transitam pela demonstração de resultados da pessoa jurídica, restringindose à apuração do saldo do imposto a recolher após a compensação dos créditos decorrentes das aquisições anteriores. Não se trata de reversão de custos ou despesas deduzidos do resultado da pessoa jurídica em momentos anteriores e posteriormente recuperados. Tal crédito tem sua abrangência circunscrita à apuração de um eventual saldo devedor a ser recolhido aos cofres públicos que, uma vez não configurado, faz gerar o direito de ressarcimento do crédito não recuperável pela técnica da não cumulatividade. Conforme salientado (...), o denominado crédito de ICMS é crédito puramente escritural, e guarda essa característica tanto para apuração do saldo mensal quanto no caso de haver saldo a seu favor, passando este, ainda como crédito escritural, para o mês seguinte. Daí, (...) esse crédito não é, ao contrário do que ocorre com o crédito tributário cujo pagamento pode o Estado exigir, um crédito na expressão total do termo jurídico, mas existe apenas para fazer valer o princípio da não cumulatividade, em operações puramente matemáticas, não se incorporando ao patrimônio do contribuinte6. 6 Acórdão unânime da 1ª Turma do STF no AgRg em Agravo 230.4780, DJU de 13/08/1999, p. 10 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 Uma vez encontrarse o princípio da não cumulatividade previsto no texto constitucional, temse a garantia outorgada ao contribuinte de fruição ampla do direito de abatimento de créditos escriturais sem reservas ou condições. Assim dispõe o art. 155, § 2°, X, “a” da Constituição Federal: § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...) X não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) A própria Constituição Federal assegura ao contribuinte do ICMS o direito à recuperação do imposto pago nas etapas anteriores, quando sua atividade é exclusiva ou preponderantemente exportadora. Ora, um direito assegurado constitucionalmente não pode sofrer restrições não autorizadas pelo constituinte. Tratase de norma cogente, de observância obrigatória pelo legislador ordinário, pelo administrador e pelos demais intérpretes. A Lei Complementar n° 87/1996 (Lei Kandir), em seu art. 25 e parágrafos, dispõe acerca da possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS em relação às sociedades empresariais exportadoras, nos seguintes termos: Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único7 podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a 7 Art. 3º O imposto não incide sobre: (...) II operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semielaborados, ou serviços; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 380302.437 S3TE03 Fl. 2.337 13 emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. (grifei) Dessa forma, a lei nacional (Lei Complementar n° 87/1996) faculta ao contribuinte exportador a cessão de saldo remanescente de créditos de ICMS a terceiros domiciliados no mesmo Estado da Federação, não havendo previsão expressa de discricionariedade à Fazenda Pública estadual para a emissão do documento que reconheça esse direito. Não há, nessa situação, a estipulação de qualquer outra condição que onere ou condicione a faculdade atribuída ao contribuinte do imposto. O direito de transferir créditos acumulados em razão de exportação, de que está investido o contribuinte, não nasce do documento ou de qualquer manifestação de vontade da Administração Estadual. Seu direito nasce da simples existência do crédito acumulado decorrente de exportações. A manifestação estadual que afirma tal existência à vista de uma verificação material tem natureza meramente declaratória da sua existência e montante8 Por se tratar de imposto pago na etapa anterior do processo produtivo e que, em virtude da imunidade conferida às exportações, não são passíveis de compensação com débitos próprios do mesmo tributo, o crédito do ICMS transferido a terceiros não se caracteriza como receita, pois se refere tãosomente à reversão de um custo tributário, cuja recuperação é assegurada constitucionalmente. Não são exigíveis as contribuições ao PIS e à Cofins sobre créditos de ICMS apurados na operação de exportação ou mesmo os valores decorrentes da sua transferência a terceiros, por constituir mera recuperação de custos tributários suportados. Ademais, entendimento contrário ofenderia o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica em intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada, contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos. 9 Outro não é o entendimento exarado nas seguintes decisões judiciais: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. (...) III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao 8 GRECO, Marco Aurélio. ICMS; créditos acumulados por exportação; transferência a contribuinte do mesmo Estado. RFDT 09/67, junho de 2004 9 AMS 2005.71.08.0098243, 2ª T. TRF4, DE 16/05/2007 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. (grifei) IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. 10 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO DE ICMS. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. RAZOABILIDADE. PRINCÍPIO FEDERATIVO. Nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. A receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza. É preciso considerar a receita sob a perspectiva do princípio da capacidade contributiva. Não são exigíveis as contribuições ao PIS e à COFINS sobre créditos de ICMS apurados na operação de exportação ou mesmo os valores decorrentes da sua transferência a terceiros, por constituir mera recuperação de custos tributários suportados. Ademais, entendimento contrário ofenderia o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada, contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos. 11 Além do mais, não se vislumbra a subsunção da cessão de créditos escriturais do ICMS em nenhuma das hipóteses de receitas definidas como base de cálculo da contribuição nas Leis n° 9.718/1998 e 10.833/2003. Não se trata de receita de venda de mercadorias ou serviços, nem receita financeira, nem outras quaisquer que se traduzam em entradas de elementos para o ativo da empresa com consequente aumento da situação líquida. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, considerando que a cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Hélcio Lafetá Reis Redator designado. 10 REsp 1025833 / RS, T1 PRIMEIRA TURMA, 06/11/2008 11 AMS 2005.71.08.0098243/ RS Data da Decisão: 24/04/2007 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.004467/200511 Acórdão n.º 380302.437 S3TE03 Fl. 2.338 15 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 6 de fevereiro de 2007. [assinado digitalmente] Alexandre Kern 3ª Turma Especial 3ª Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13952.000175/2007-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
EFEITOS DA IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, sendo inadmissível o recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela DRJ, que nega conhecimento das razões de fato e de direito expostas em impugnação intempestiva.
Numero da decisão: 2001-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 EFEITOS DA IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, sendo inadmissível o recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela DRJ, que nega conhecimento das razões de fato e de direito expostas em impugnação intempestiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
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A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, sendo inadmissível o recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela DRJ, que nega conhecimento das razões de fato e de direito expostas em impugnação intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de notificação de lançamento, lavrada em 09 de julho de 2007, ano- calendário 2004, exercício 2005, da qual exige-se do Recorrente R$ 7.584,31 de imposto de renda suplementar, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais, diante de omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 36.206,81 e compensação indevida do IRRF, somando R$ 4.454,57. Prontamente notificado do lançamento, o Recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese: a) o contribuinte apresentou declaração de renda pessoa física, referente ao exercício 2005, tendo na mesma apresentado a informação de rendimento tributáveis de R$ 35.822,58, rendimentos não tributáveis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 2. 00 01 75 /2 00 7- 94 Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-003.520 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13952.000175/2007-94 no valor de R$ 10.999,16 e imposto de renda retido na fonte de R$ 4.454,57. Encerrada a declaração de renda, foi acusado pelo programa de entrega de declaração de renda, IR a restituir no valor de R$ 2.372,56; b) a declaração permaneceu no sistema da malha fina até o mês de maio de 2007,quando o Requerente recebeu o termo de intimação fiscal, no qual lhe foram solicitados alguns documentos para esclarecimento do caso. Teve que requerer documentos à sua fonte pagadora, Ministério Público do Estado do Paraná, documentos estes que não lhe foram fornecidos; c) não houve omissão de rendimentos, pois desse valor apurado pelo Fisco, R$ 10.996,16 referem-se a indenização recebida por conta de processo judicial, do qual não existe memória de cálculo de liquidação de sentença, um vez que, após o trânsito em julgado da mesma, foram tais valores pagos administrativamente pela fonte pagadora do requerente; d) a diferença de tais valores, ou seja, R$ 25.210,00 referem-se a empréstimos bancários que foram contraídos pelo requerente, via consignação em folha de pagamento, por sistema eletrônico; e) os valores referentes a tais empréstimos não foram omitidos dolosamente pelo Requerente, mas sim por descuido, uma vez que o mesmo teve pressa na entrega de sua declaração de renda, uma vez que tinha um relevante valor de imposto a restituir e esperava recuperá-los rapidamente; f) o contribuinte manifesta ainda que desde 23 de março de 1998, tem como única fonte pagadora o Ministério Público do Estado do Paraná, tendo no ano de 2004 sido retidos na fonte R$ 4.454,57, os quais foram glosados por ocasião do lançamento, mas que foram efetivamente pagos, conforme pode se observar nas cópias de seus contracheques. O Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) documentos de identificação (fl. 06); (ii) contracheques emitidos pelo Ministério Público do Estado do Paraná (fls. 14 à 26) ; (iii) decisão judicial (fl. 27 à 42). Na ocasião do julgamento da Impugnação apresentada pela ora Recorrente, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, proferiu acórdão nº 06-25.449 – 2º Turma da DRJ/CTA, julgando por não conhecer a impugnação por ser intempestiva, mantendo-se o crédito tributário exigido. Irresignada com o v. acórdão a quo, o Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alegando, em síntese que declarou o valor de R$ 35.822,58 recebido do Ministério Público do Estado do Paraná em sua DAA, havendo omissão de rendimentos no valor de R$ 384,23. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-003.520 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13952.000175/2007-94 Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. Como se verifica dos autos do presente processo administrativo, a impugnação do Recorrente não foi conhecida por ter sido apresentada intempestivamente. Entendeu a DRJ/CTA ao julgar o acórdão a quo que a impugnação foi apresentada intempestivamente, tendo ocorrido assim a preclusão temporal, que impossibilitaria a análise do mérito, por não ter sido instaurada a fase litigiosa. De fato, conforme ao que se verifica do histórico do objeto emitido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (fls. 57), o Recorrente foi intimado do auto de infração no dia 16/07/2007 (segunda feira). Como é cediço, por força do art. 5º, do Decreto nº 70.235/72, na contagem dos prazos no processo administrativo tributário, exclui-se o dia de início e inclui-se o de vencimento. Assim, o prazo de 30 dias previsto no art. 15, do mesmo Decreto nº 70.235/72, teve início no dia 17/07/2007 (terça feira), encerrando-se no dia 15/08/2007 (quarta feira). Ocorre que a impugnação foi apresentada, apenas, no dia 16/08/2007, assistindo razão à Turma Julgadora a quo ao considerar intempestiva a impugnação. Dessa forma, sendo intempestiva a impugnação, é evidente que operou-se a preclusão temporal no caso em questão, não havendo se instaurada a fase litigiosa do procedimento, nos termos do art. 14, do Decreto nº 70.235/72, sendo imperioso, portanto, o não conhecimento do presente recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002650/98-96
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/12/1997
Ementa: FALTA DE LANÇAMENTO.
A falta de lançamento do IPI devido nas saídas de produtos industrializados do estabelecimento implica no lançamento de ofício, com os acréscimos cabíveis.
FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta de recolhimento dos saldos devedores de IPI apurado na reescrituração do imposto implica no lançamento de ofício, com os acréscimos cabíveis.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos.
TAXA SELIC. CABIMENTO.
Legítima a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para a cobrança dos juros de mora, como determinado pela Lei nº 9.065/95.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-17.476
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/1995 a 31/12/1997 Ementa: FALTA DE LANÇAMENTO. A falta de lançamento do IPI devido nas saídas de produtos industrializados do estabelecimento implica no lançamento de ofício, com os acréscimos cabíveis. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento dos saldos devedores de IPI apurado na reescrituração do imposto implica no lançamento de ofício, com os acréscimos cabíveis. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. TAXA SELIC. CABIMENTO. Legítima a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para a cobrança dos juros de mora, como determinado pela Lei nº 9.065/95. Recurso negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 11080.002650/98-96 Recurso n° 121.644 Voluntário PUOU'l*DO NO D. O. U. odia.J—C2-&—/ .0—% Matéria IPI a_—_--.— quedesAcórdão n° 202-17.476 Sessão de 08 de novembro de 2006 Recorrente CLONEX - COMÉRCIO, INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE LIMPEZA E SERVIÇOS LTDA. Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/1995 a 31/12/1997 Ementa: FALTA DE LANÇAMENTO. A falta de lançamento do IPI devido nas saídas de produtos industrializados do estabelecimento implica no lançamento de oficio, com os acréscimos cabíveis. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento dos saldos devedores de IPI apurado na reescrituração do imposto implica no MF • SEGUNDO CONSELHO E CONTRIBUINTES lançamento de oficio, com os acréscimos cabíveis. CONFERE COM OO ORIGINAL MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. Brasília. 2, f / 44 1 2006 A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma Andrezza Na inMuo . efinreikal tributária definidora dos prazos de vencimento, tem Mal Siar., 1172380 . de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. TAXA SELIC. CABIMENTO. Legítima a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para a cobrança dos juros de mora, como determinado pela Lei n2 9.065/95. Recurso negado. . ). MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' CONFERE COM O ORIGINALProcesso n.° 11080.002650/98-96 CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-17.476 Brasilsa, 2S2 ée096- Fls. 2 Andreua NChnicikal Mal Marc 1377389 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTi ISCARLO • IM Presidente jk_ •G TA O KELLY ALENCAR Rel or • _ - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Simone Dias Musa (Suplente), Antonio Zomer, Ivan Mlegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. . • • Processo n.° 11080.002650/98-96 MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.476 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 3 Bradia S' 1 ; 2006 Andrezza Has=hincikal Relatório Min Siape 1377389 Retornam os autos a este Colegiado após o julgamento, pelo Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, da parte do lançamento relativa à classificação fiscal das mercadorias, que concluiu que a preparação desinfetante, que possui princípio ativo do quaternário de amónio, agregado com essências de eucalipto, óleo de pinho ou lavanda, tem sua classificação tal que a aliquota de IPI é igual a 30%. Adoto o relatório daquele Colegiado, às fls. 420/425. É o Relatório. • . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, •. Processo o.° 11080.002650/98-96 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/CO2 Acórdão n. • 202-17.476 Brasilia. n / 4.& / £006 i Fls. 4 And lilrezza ci nt meo Sciuncikal Ia Mui. Siape 13773)N . _ VOO Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator As matérias a serem objeto do recurso são a falta de recolhimento do IPI sobre saldo devedor e nas saídas de mercadorias para outros estabelecimentos da empresa autuada, multa de lançamento de oficio e utilização da taxa Selic. Da falta de recolhimento dos saldos devedores do IPI Não há fundamentação legal que justifique o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de bens para o ativo permanente da empresa. Assim, é de se glosar os mesmos e se reescriturar livro de Registro e Apuração do IPI, e, em resultando saldo devedor, é de se lançá-lo. Correta a Decisão da DRJ neste sentido. Da falta de lançamento nas saídas para estabelecimento prestador de serviços da mesma empresa De acordo com a legislação do IPI, as saídas de produtos industrializados do estabelecimento produtor, a qualquer título, constitui fato gerador do imposto. Caso se tratasse de operação de simples remessa, aí sim não ocorreria o fato imponível, mas, não é o caso. Da saída o produto é consumido, razão pela qual devido é o IPI, de acordo com o valor da operação de saída. _ Correta, então, é a Decisão da DRJ neste ponto. Lei ni2 4.502/64: "Art. 2° Constitui fato gerador do impósto: (4 II - quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. ,f 2° O impdsto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o titulo jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor." Da multa de oficio A recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de oficio ao lançamento, dizendo-a confiscatória. Consoante com o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identific o sujeito passivo e, sendo o caso propor a aplicação da penalidade cabível." (grifei) \ ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .. • Processo ri.• 11080.002650/98-96 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.476 &asma. O? / 44 Lte32_0_6— Fls. 5 Andrezza sennento Sebn te ikal 1 Na espécie, i ão foram a todseertadot"blètnentos_ capazes de elidir a exação fiscal, o que indica que a autuada não cumpriu a obrigação do recolhimento do tributo devido, e o não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação tributária enseja que a Fazenda Pública, desde que legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor. A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, não tem outra natureza que não a de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. A multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindo-se em sanção pela prática de ato ilícito, pelas infrações a disposições tributárias. Paulo de Barros Carvalho, eminente tratadista do Direito Tributário, em Curso de Direito Tributário, 92 edição, Editora Saraiva: São Paulo, 1997, pp. 336/337, discorre sobre as características das sanções pecuniárias aplicadas quando da não observância das normas tributárias: "a) As penalidades pecuniárias são as mais expressivas formas do desígnio punitivo que a ordem jurídica manifesta, diante do comportamento lesivo dos deveres que estipula. Ao lado do indiscutível efeito psicológico que operam, evitando, muitas vezes, que a infração venha a ser consumada, é o modo por excelência de punir o autor da infração cometida. Agravam sensivelmente o débito fiscal e quase sempre são fixadas em níveis percentuais sobre o valor da dívida tributária. (..)". • O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontra-se no artigo 161 do CTN, já antes citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária" (grifei), extraindo-se daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa — de mora ou de oficio —, dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Da Taxa Selic No que diz respeito à aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, tem-se que a mesma encontra respaldo na Lei n2 9.065, de 20/06/1995, cujo art. 13 delibera: "Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea 'c' do parágrafo único do art. 14 da Lei ns 8.847, de 18 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n2 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n2 8.981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea `a.2 ', da Lei n 2 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." A incidência de tal norma deve ser observada apenas a partir de abril de 1995, como dispõe literalmente o excerto do seu texto acima referido, e outra não foi a disposição da .....\ \\I - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - • ' Processo n.• 11080.002650/98-96 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2JCO2 Acórdão ri.' 202-17.476 Beallía, Pe g / / de/006 Fls. 6 MC/ • Andrezza Nascimento Schmcikal autoridade autuante, vez qty- no el - • ..0.0 1 o>. - • . Mu,. adores da imposição dos juros de mora está expressa tal deliberação. Para os fatos geradores ocorridos entre janeiro e março de 1995, a imposição dos juros de mora observou o disposto no art. 84, I, da Lei n 2 8.981, de 20/01/95, que traz como parâmetro a taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna, in litteris: "Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I - juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.". Como se depreende do enquadramento legal elencado como base da imposição, no lançamento foram observados os ditames normativos que regem a matéria, não se apresentando qualquer dissonância entre os seus mandamentos e os procedimentos adotados pela autoridade fiscal. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2006. GUAVO LLY ALENCAR Page 1 _0061000.PDF Page 1 _0061100.PDF Page 1 _0061200.PDF Page 1 _0061300.PDF Page 1 _0061400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002025/2003-29
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO. ÔNUS DA PROVA
Não faz prova de pagamento o Documento de Arrecadação de Receitas
Federais (DARF) que não se refere de forma específica ao débito apontado pelo lançamento de ofício, cabendo ao Contribuinte requerer aos órgão competentes a eventual imputação correta de pagamento, quando for o caso.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2802-001.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ALEGAÇÃO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO. ÔNUS DA PROVA Não faz prova de pagamento o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) que não se refere de forma específica ao débito apontado pelo lançamento de ofício, cabendo ao Contribuinte requerer aos órgão competentes a eventual imputação correta de pagamento, quando for o caso. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 28/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 08/18) lavrado contra o contribuinte, decorrente da realização de procedimento de auditoria interna, relacionado a IRRF, o qual apurou a existência de irregularidades pela falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata e insuficiência de pagamento dos acréscimos legais. Devidamente cientificado (fls. 162), o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação (fls. 01/04), alegando, em breve síntese, que, com exceção do débito de fls. 18/20, todos os demais já foram quitados dentro do prazo estipulado (fls. 27/30), não havendo razão para a exação tributária. Houve revisão de ofício do lançamento, da qual o contribuinte foi notificado em 10/4/97, conforme termo de vista do processo de fls. 184, deixando de se manifestar o Contribuinte sobre seu teor. Ato contínuo, os autos foram remetidos para julgamento a 2ª Turma da DRJ/RJOI, em sessão realizada no dia 28/05/2007, resultando no Acórdão n.º 1214.246, que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, considerando que o contribuinte reconheceu o não recolhimento dos acréscimos legais (fl. 02), motivo pelo qual a Turma entendeu que tal matéria não foi impugnada, assim como determinou a manutenção dos juros moratórios pelo não recolhimento do tributo, com base no artigo 61 da Lei n.º 9.430/96. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 179, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 182/185), acompanhado de documentos, guerreando a decisão supramencionada e repisando os argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso é tempestivo, e dele tomo conhecimento. Na presente hipótese, o lançamento originariamente impugnado foi objeto de revisão de ofício em favor do ora Recorrente, diante das alegações de pagamento deduzidas em sua impugnação. Em função desta revisão, nos exatos termos do documento de fls. 156, entendeu a autoridade autuante subsistir, ainda, o débito discriminado ás fls. 18, que trata de Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10070.002025/200329 Acórdão n.º 2802001.263 S2TE02 Fl. 227 3 acréscimo legais (multa e juros isolados), matéria não especificamente impugnada, pois mesmo tendo sido intimado de tal revisão de ofício, contra ela o Recorrente não se insurgiu. Entretanto, o Recorrente se insurge contra a decisão da DRJ que manteve o lançamento neste particular alegando ter efetuado o pagamento correspondente à obrigação tributária principal, entendo não caber portanto o lançamento de quaisquer outros valores a título de acréscimos legais. Como prova de suas alegações, junta os comprovantes de arrecadação de fls. 198 e 199, mencionando ainda um pagamento, em homenagem ao princípio da eventualidade (fls. 184), que diria respeito ao recolhimento dos respectivos acréscimos legais com “desconto de 50%), mas sem juntar nenhum comprovante. Deste modo, não resta alternativa a este Colegiado senão manter o Acórdão recorrido, pois os DARF anexados ao Recurso não dizem respeito ao crédito tributário constituído de ofício a que se refere o demonstrativo de fls. 18, sendo relevante pontuar que a autoridade lançadora teve o cuidado de rever de ofício o lançamento que efetuou, tornando impossível a este Órgão Judicante se imiscuir na competência das autoridades preparadoras e efetuar uma imputação de pagamento que não se fundamenta na exata coincidência entre os valores apontados como devidos e os alegadamente pagos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso. É como voto. Carlos André Ribas de Mello. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000936/2002-07
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração:01/01/2001 a 31/07/2001
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE.
O Segundo Conselho de Contribuintes pacificou o entendimento de que as instâncias administrativas não possuem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (Súmula n°. 2/2007).
CONSTITUCIONAL. COFINS. LEI N°. 9.718/98. ALÍQUOTA. MAJORAÇÃO. PRINCIPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento no sentido de que o aumento da alíquota da COFINS por lei ordinária não violou o principio da hierarquia das leis.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2803-000.128
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE
JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao presente recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ANDRÉIA DANTAS LACERDA MONETA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração:01/01/2001 a 31/07/2001 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O Segundo Conselho de Contribuintes pacificou o entendimento de que as instâncias administrativas não possuem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (Súmula n°. 2/2007). CONSTITUCIONAL. COFINS. LEI N°. 9.718/98. ALÍQUOTA. MAJORAÇÃO. PRINCIPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento no sentido de que o aumento da alíquota da COFINS por lei ordinária não violou o principio da hierarquia das leis. Recurso negado.
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO , Processo n° 13820.000936/2002-07 Recurso n° 154.056 Voluntário Acórdão n° 2803-00.128 — 3' Turma Especial Sessão de 01 de junho de 2009 Matéria RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente UNIONREBIT S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE METAIS Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração:01/01/2001 a 31/07/2001 ' CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O Segundo Conselho de Contribuintes pacificou o entendimento de que as instâncias administrativas não possuem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (Súmula n°. 2/2007). CONSTITUCIONAL. COFINS. LEI N°. 9.718/98. ALIQUOTA. MAJORAÇÃO. PRINCIPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento no sentido de que o aumento da alíquota da COFINS por lei ordinária não violou o principio da hierarquia das leis. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3* Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao presente recurso. 1 j / • al/ / , it vir/ • LSON h •41 E • • 11 SENBURG FILHO 'resid --, te 1 Processo n• 13820.000936/2002-07 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.128 Fl. 10 ja. J 44.4.4 %- ANDREIA DANTAS LACERDAtvIONETA Relatora Participou ainda do presente julgamento os Conselheiros Alexandre Kern e Luis Guilherme Queiroz Vivacqua. Relatório O debate posto origina-se de pleito de restituição/compensação formalizado pela recorrente (fls. 03-23) objetivando a homologação da "compensação da COFINS, referente aos meses de janeiro de 2001, com tributos da própria COFINS ou tributos da mesma espécie", mediante o agito da tese de inconstitucionalidade da Lei n°. 9.718/98, que majorou a aliquota da sobredita contribuição de 2% para 3%. Debruçando-se sobre a pretensão manifesta, a autoridade local entendeu por bem indeferi-la (fls. 50-54), ao argumento de que a "inconstitucionalidade de lei é matéria a ser apreciada pelo Poder Judiciário". Sustentou-se, ainda, a constitucionalidade da majoração hostilizada, inclusive mediante exaltação de julgados da Suprema Corte. Indignada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 74- 81), reiterando as razões constitucionais referenciadas. Ao final, pugnou pela "suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto deste feito, para que ao fim seja homologado o pedido de compensação do crédito com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal". A 35 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - Campinas/SP, por unanimidade, indeferiu a solicitação, "confirmando a decisão recorrida, de não reconhecimento do direito creditório e não homologação das compensações", assim o fazendo por meio da reafirmação de impossibilidade da pronúncia sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária, sendo a COFINS, portanto, devida a partir de fevereiro de 1999 com base na Lei n°. 9.718/98, conforme ementa abaixo transcrita (fls. 94): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - Cotins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/07/2001 CONTROLE DE CONST1TUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, sistema difuso, concentrado em última instância revisional no STF. COFINS. EXIGÊNCIA. LEGISLAÇÃO VIGENTE. A partir de fevereiro de 1999 a Cofins é devida com base na L re. 9.718, de 1998. pagamentos feitos com base na lei em vigs não são indevidos. 2 • Processo n° 13820.000936/2002-07 S2-TE03 Acórdão n.°2803-00.128 Fl. 11 • Rest/Ress. Indeferido — Comp. não homologada O decisório encimado, por seu turno, deu vazão à interposição do Recurso Voluntário ora analisado, com o fito de se ver reconhecido "o seu direito de compensar os recolhimentos a maior de Cofins em vista da majoração da alíquota de 2% para 3% no período compreendido entre janeiro de 2001 a julho de 2001, nos termos do pedido inicial". É o relatório. Voto Conselheira ANDREIA DANTAS LACERDA MONETA, Relatora O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, ' devendo ser conhecido. Não merece, todavia, provimento. Principio por reafirmar o acerto da propalada tese de impossibilidade de realização de controle de constitucionalidade pelos Tribunais Administrativos, em cujo terreno é alocado este Conselho. Ademais, tenha-se em mente a norma hospeda no artigo 49, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, obstando a inaplicabilidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, que não tenha sido anteriormente reconhecida, na forma e pelas autoridades dispostas em seu parágrafo único. No âmbito do Conselho de Contribuintes, outro não é o entendimento, inclusive sendo objeto da súmula n°. 2/2007, com pertinência agitada no decisum atacado, que revela a incompetência deste órgão para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Logo, e sendo certo que a pretensão manifesta pela recorrente ampara-se na tese de inconstitucionalidade da Lei n°. 9.718/98, que majorou a alíquota da COFINS de 2% para 3%, já em seu nascedouro resta inviabilizado o reconhecimento da sua sorte no domínio administrativo. Demais disto, e agora a titulo de argumento obter dictum, é de todo o relevo afirmar a inexistência propriamente dita do direito vindicado pela recorrente, ou seja, a constitucionalidade da majoração repudiada na peça recursal em exame, consoante tem proclamado reiteradamente a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verbis: TRIBUTÁRIO. COFINS. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 8° DA LEI 9.718/98. PRECEDENTE DO PLENÁRIO. ACÓRDÃO NÃO PUBLICADO. ORIENTAÇÃO MANTIDA PELA CORTE. I - O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou constitucional a majoração da aliquota da COFINS d 2% para 354 prevista no art. 8° da Lei 9.718/98. li - A falta l'ity 3 e e Processo n° 13820.000936/2002-07 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.128 Fl. 12 publicação do precedente mencionado não impede o julgamento imediato de causas que versem sobre a mesma controvérsia, em especial quando o entendimento adotado é confirmado por decisões posteriores. Ill - Agravo improvido. (STF - RE 469216 AgR / DF - DISTRITO FEDERAL - AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a):Min. RICARDO LEWANDOWSKI - Julgamento:29/05/2007 - Órgão Julgador:Primeira Turma). Assim, como a majoração da alíquota da COFINS já foi declarada constituicional pelo Plenário do E. STF, pelo que não há valor a ser restituído, irretocável, nesta ampla moldura, o decisum recorrido, ante a manifesta juridicidade dos seus termos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso. Sala das Sessões, em 01 de junho de 2009. do.,4..; 2_4, ia.<1... 04, TH. DREIA DANTAS LACERDA ONETA 4
score : 1.0
Numero do processo: 19679.001882/2006-80
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de
Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-001.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO
CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso não conhecido.
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de imposto de renda retido sobre o 13º salário formulado em 16/02/2006 sob o fundamento de o contribuinte estar amparado pela isenção do inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988 (neoplasia maligna). Despacho decisório da Derat/SP indeferiu o pleito,em síntese, porque o laudo de inspeção de saúde, de 14/07/2005, não caracterizou a presença da doença no ano de 2002, limitando a informar que o paciente submeteuse a cirurgia em razão de neoplasia renal maligna e citou a existência de exame anátomo patológico de 17/11/1985, tendo o referido laudo indicado que o paciente não apresentava sinais de patologia no momento de sua expedição. Na impugnação são reforçados os argumentos do petição originária e o acórdão recorrido ratifica a decisão monocrática da Derat/SP no sentido de que o laudo de inspeção de saúde não indica que o interessado era portador de neoplasia maligna, ao contrário atesta que não apresentava patologia naquele momento, limitouse a informar que o interessado submeteuse a cirurgia por neoplasia maligna e que existia uma exame anátomo patológico de 17/11/1985. De outro giro, consignou que o relatório médico de fls. 41 não é um laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Ciência da decisão em 14/04/2009, uma terçafeira(fls. 51) O recurso voluntário foi interposto em 18/05/2009 (fls. 53), uma segunda feira, reiterando os argumento exposto anteriormente, discorrendo sobre o significado do adjetivo “maligno”, juntando cópias da ultrassonografia do abdômen, destaca o relatório médico de fls. 49 e o fato de os demais órgãos públicos terem reconhecido à isenção. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Conforme determinações do Decreto 70.235/1972, a partir da data da notificação da decisão de primeira instância, teria o Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação do Recurso Voluntário. Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Outrossim, o parágrafo único do art. 5º do mesmo Decreto complementa as disposições sobre a forma de contagem desse prazo.: Art. 5 – Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19679.001882/200680 Acórdão n.º 280201.827 S2TE02 Fl. 63 3 Parágrafo único – Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Como a ciência do acórdão recorrido efetivouse em 14/04/2009, uma terça feira, verificase que o prazo fatal para a apresentação do Recurso Voluntário fora dia 14/05/2009, uma quintafeira, tendo a Recorrente se manifestado somente na segundafeira, dia 18/05/2009, conforme protocolo de fl. 53, que importa na constatação da intempestividade do protocolo da peça recursal. Não houve préquestionamento sobre a tempestividade. A perempção, caracterizada pela apresentação a destempo da peça recursal pelo contribuinte em decorrência do transcurso de mais de trinta dias entre a data do protocolo do Recurso Voluntário e a cientificação da decisão de primeira instância, impede sua apreciação pelo Colegiado. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.728035/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2015
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PENDÊNCIA DE DÉBITOS. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. ERRO ESCUSÁVEL.
Cancela-se a exclusão do Simples Nacional quando comprovado que o contribuinte cumpriu os trinta dias de prazo para pagamento do débito, incorrendo, apenas, em erro procedimental absolutamente escusável pelo fato de que o débito já estava inscrito em dívida ativa.
Numero da decisão: 1302-004.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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PENDÊNCIA DE DÉBITOS. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. ERRO ESCUSÁVEL. Cancela-se a exclusão do Simples Nacional quando comprovado que o contribuinte cumpriu os trinta dias de prazo para pagamento do débito, incorrendo, apenas, em erro procedimental absolutamente escusável pelo fato de que o débito já estava inscrito em dívida ativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por INTEGRAL CONTABILIDADE LTDA - ME contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada diante de sua exclusão do regime do SIMPLES NACIONAL promovida pela DRF/Goiânia. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 80 35 /2 01 4- 16 Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.756 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.728035/2014-16 Trata o presente processo de contestação à exclusão do Simples Nacional, através do ADE nº 875727, de 2014, apresentada em 29/09/2014, fl. 27, através da qual o contribuinte alega ter quitado os débitos em aberto que teriam levado à sua exclusão. Os efeitos da exclusão se iniciariam em 01/01/2015. A ciência da exclusão ocorreu em 22/09/2014, fl. 67. Conforme o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, fl. 31, a exclusão ocorreu pelos seguintes débitos: O interessado anexou os comprovantes de pagamento às fls. 32 e 33. A DRJ/Ribeirão Preto-SP proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2015 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL POR DÉBITO. PRAZO PARA PAGAMENTO OU PARCELAMENTO. Mantém-se a exclusão da empresa do Simples Nacional, motivada por débitos com a Fazenda Pública Federal, quando tais débitos não forem pagos ou parcelados até 30 dias da ciência do Ato Declaratório Executivo que operou a exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Cumpre esclarecer que a instância a quo considerou que o pagamento efetuado para quitar o débito junto à PFN, apesar de obedecer ao prazo de trinta dias da ciência do ato de exclusão, não pôde ser alocado porque a inscrição em dívida ativa já havia sido feita. Ou seja, uma vez que o débito é encaminhado à PFN, a Receita Federal não pode mais cobrá-lo nem receber pagamento relativo a ele. Além disso, afirmou que a empresa tinha juntado um recibo de protocolo de pedido de revisão e/ou extinção da dívida na PFN sem documento relativo à respectiva resposta. Depreendeu, no entanto, que tal pedido havia sido negado porque constatou que a empresa havia recolhido novamente o montante referente ao débito, em 19/12/2016, tendo a inscrição sido extinta. Assim, como esta extinção ocorreu bem depois daquele prazo, entendeu que não havia sido cumprido o requisito do § 2º, do art. 31, da Lei Complementar nº 123/2006. Advertiu, todavia, que o primeiro pagamento poderia ser restituído por PER/DCOMP. Inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, alega que o novo pagamento se deu por causa da iminência de exclusão do regime também pela Prefeitura de Goiânia e não porque seria devido. Se a Receita Federal entendia que o débito não deveria ser pago via DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), não deveria deixar que este fosse impresso no seu site (o que alega ter sido feito). Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.756 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.728035/2014-16 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como visto, o litígio resume-se a decidir se o pagamento do débito cuja cobrança já se encontrava inscrita em dívida ativa pode ser aceito para fins do cumprimento do requisito estabelecido no § 2º, do art. 31, da Lei Complementar nº 123/2006, verbis: § 2 o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Portanto, a norma exige que os débitos que motivaram a exclusão do regime tivessem sido regularizados no prazo de trinta dias contados da ciência da comunicação da exclusão. A referida ciência, conforme relatado, foi promovida em 22/09/2014. A interessada, por sua vez, alega que efetuou o pagamento dos dois débitos relacionados no ato de exclusão em 26/09/2014. A DRJ, entretanto, não concordou com a regularização do débito que já estava inscrito na dívida por não ter sido possível a sua alocação no âmbito da Receita Federal. Nada obstante, a própria decisão recorrida constatou que a inscrição já havia sido extinta por pagamento. O único problema, segundo a sua ótica, foi o fato de ter sido um segundo pagamento que motivou essa extinção (assim realizado porque a empresa entendeu que poderia ser excluída do regime também pela Prefeitura de Goiânia). Ora, tudo indica que houve um equívoco quando o contribuinte efetuou o pagamento via DAS sem atentar para o fato de que o controle do débito já estava no âmbito da PFN. Ainda assim, é possível constatar que o DAS (fls. 34) referiu-se ao mesmo débito do SIMPLES NACIONAL, da competência, 09/2012, no valor original de R$ 918,70, que foi inscrito na dívida ativa (cf. extrato de informações gerais da inscrição transcrito na própria decisão recorrida). Há que se atentar, aqui, para a realidade jurídica de que a obrigação tributária é um fenômeno uno que nasce com a ocorrência do fato gerador. Assim, se houve o pagamento direcionado para a sua quitação, este deve ser capaz de extinguir a obrigação independentemente de quem está exercendo o controle administrativo do correspondente crédito tributário (seja a Receita Federal, seja a PFN). Portanto, a interessada cumpriu com diligência o prazo estabelecido na lei. Apenas, cometeu um erro procedimental absolutamente escusável. Não vejo razão, destarte, para manter a exclusão do regime. Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.756 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.728035/2014-16 Pelo exposto, oriento o meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001762/2009-07
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 09/04/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF.
1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
2. No caso destes autos deve-se aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.977
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência do lançamento.
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/04/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos deve-se aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 70 1 69 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001762/200907 Recurso nº 00000 Voluntário Acórdão nº 280300.977 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente EQUIPE 1 ACADEMIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/04/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos devese aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência do lançamento. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15374.001762/200907 Acórdão n.º 280300.977 S2TE03 Fl. 71 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Oseas Coimbra, Eduardo Oliveira e Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15374.001762/200907 Acórdão n.º 280300.977 S2TE03 Fl. 72 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (CFL 38), lavrado em desfavor do contribuinte acima nominado, por infração ao artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, por deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/91, ou apresentar documento ou livro que não atenda its formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, caracterizada conforme descrição contida no relatório fiscal do auto de infração de fls. 12/14. O Contribuinte foi notificado do lançamento apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 19 de dezembro de 2007, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, a empresa que deixa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias, conforme previsto no artigo 33, parágrafos 2° e 3°, da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/99 (CFL 38). Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: No período em que a empresa foi fiscalizada pelos auditores da previdência social, foram solicitados vários documentos trabalhistas e contábeis, que foram devidamente apresentados dentro do prazo legal que foi estabelecido pelo pela auditora Sra. Mônica. Terminada a fiscalização houve apuração e levantamento de débito aceito e parcelado automaticamente pela empresa e pago (em curso) rigorosamente conforme a legislação previdenciária. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15374.001762/200907 Acórdão n.º 280300.977 S2TE03 Fl. 73 4 é surpreendente que após anos (vide época da fiscalização) que a empresa receba multa sob alegação de descumprimento de obrigações acessórias visto que foi orientado pelos auditores a corrigir toda documentação contábil e trabalhista posterior ao período e não do período fiscalizado. Ciente que a lei mantem o propósito de ajudar e não prejudicar o contribuinte solicitamos a impugnação da multa referida, visto que nem mesmo os órgãos responsáveis pelo processo conseguiu localizálo. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15374.001762/200907 Acórdão n.º 280300.977 S2TE03 Fl. 74 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O Supremo Tribunal Federal, de acordo com entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/91 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Assim, deve, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Na situação vertente, no entanto, observarseá a regra disposta no inciso I do art. 173 do referido diploma legal, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O enquadramento da decadência na forma do inciso I do art. 173 do CTN é aplicável, in casu, tendo em vista que o contribuinte, de acordo com o TIAD de fls. 22 / 23, deixou de apresentar a documentação assinalada, relativa ao período de 01/1999 a 12/2001. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15374.001762/200907 Acórdão n.º 280300.977 S2TE03 Fl. 75 6 Nestes autos, o contribuinte tomou ciência da notificação em 11/04/2007. A documentação que embasou o lançamento diz respeito às competências de 01/01/1999 a 31/12/2001. Destarte, não resta dúvida de que a pretensão do fisco está fulminada pela decadência, devendo ser aplicada a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, observada a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10640.002365/2007-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O descumprimento de obrigações acessórias, como a apresentação de GFIP sem os dados relativos a fatos geradores das contribuições previdenciárias, enseja a aplicação de multa.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.
A remuneração pelo capital investido não constitui remuneração, para fins de incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para excluir do lançamento a multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP os dados referentes aos pagamentos efetuados aos segurados à título de juros sobre o capital próprio.
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O descumprimento de obrigações acessórias, como a apresentação de GFIP sem os dados relativos a fatos geradores das contribuições previdenciárias, enseja a aplicação de multa. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. A remuneração pelo capital investido não constitui remuneração, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para excluir do lançamento a multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP os dados referentes aos pagamentos efetuados aos segurados à título de juros sobre o capital próprio. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 144 2 Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 145 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de THEMA VEICULOS LTDA., em virtude da não informação em GFIP– Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social de remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa a empregados, bem como a segurados contribuintes individuais definidos no inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, anteriormente classificados como ‘empresários’ e ‘autônomos’. O contribuinte teria deixado, ainda, de informar em GFIP os pagamentos realizados a contribuintes individuais a título de distribuição de lucros e juros sobre capital próprio, assim entendidos os valores pagos aos sócios gerentes, em desacordo com a legislação em vigor, bem como os valores pagos a cooperativas de trabalho na contratação de serviços médicos. Desta forma foi arbitrada multa nos exatos termos do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 284, II e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O contribuinte foi intimado pessoalmente no dia 02/07/2007, e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 31/07/2007, juntada às fls. 65/72. Diante da alegação do contribuinte de que teria corrigido as faltas ’quanto ao pagamento à Cooperativa de Trabalho e as diferenças da folha de pagamento’, foi requerido ao Auditor Fiscal a realização de diligência complementar, a fim de comprovar o informado em sede se impugnação. Em resposta à esta solicitação, o i. Auditor Fiscal juntou petição às fls. 102, informando que, com relação à folha de pagamento (competência 09/2000 e 10/2000), não ocorreu a correção da falta mencionada no que tange ao salário maternidade da segurada Sra. Simoni Nazareth, e que também não foram corrigidas as faltas concernentes aos pagamentos realizados para a cooperativa de trabalho nas competências 12/2000, 09/2005, 11/2005, 12/2005, 02/2010, 03/2010, 08/2010 e 12/2006. Em 3/7/2008, o contribuinte apresentou petição informando a “regularização de informações previdenciárias sobre valores pagos à Cooperativa de Trabalho e salário maternidade, regularizando, desta forma, antes do julgamento em primeira instância, as informações que foram objeto de autuação fiscal”, e anexou as cópias das GFIPs retificadoras, entregues em 17/6/2008, referentes as competências 12/2000, 9/2005, 11/2005, 12/2005, 3/2006, 8/2006, 10/2006, 12/2006, 10/2000 e 9/2000. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em acórdão ementado nos seguintes termos (fls. 126/129v): “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2007 DECADÊNCIA. SÚMULA VIKULANITE. JUROS PAGOS OU CREDITADOS À TÍTULO DE REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO. DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 146 4 FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. ARBITRAMENTO. ONUS DA PROVA EM CONTRARIO. RELEVAÇÃO DE MULTA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO EM ALGUMAS OCORRÊNCIAS. ATENUAÇÃO DE MULTA. CABIMENTO. Decai o direito da Fazenda de lançar créditos de contribuição social previdenciária em 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação da Súmula Vinculante n°8 do STF. Os juros sobre capital próprio, nas parcelas em que não guardam conformidade com o disciplinado na legislação, são fatos geradores de contribuição social previdenciária. Na falta de elementos necessários para correta verificação da ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária previdenciária, deve a autoridade lançadora pautarse em aferições indiretas para arbitrar o lançamento. No caso de lançamento arbitrado, o ônus da prova em contrário incumbe ao sujeito passivo. Relevase a multa de auto de infração se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, desde que seja primário e não tenha incorrido em nenhuma circunstância agravante. A atenuação tem cabimento se o impugnante integralmente a falta dentro do prazo da impugna Lançamento Procedente em Parte.” Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso tempestivo em 26/09/2008 (fls.134/140), por meio do qual alega, em síntese, que: (a) a multa aplicada em virtude do Recorrente não ter informado na GFIP as comissões e excesso de juros sobre o capital próprio não podem prevalecer, haja vista que não existiu nenhum pagamento de comissões sem registro contábil; (b) o suposto erro de cálculo de valores contabilizados a título de juros sobre o capital próprio não pode ser transmudado para o entendimento de que se trata de remuneração a atrair a incidência da contribuição previdenciária; (c) de acordo com o art. 195, I, ‘a’ da CR/88 a contribuição previdenciária a cargo da empresa deve incidir apenas sobre a remuneração, e nunca sobre o pagamento. Portanto, o pagamento de lucros não pode estar inserido no conceito de remuneração, já que advém de um rendimento de capital do trabalho prestado; (d) não há previsão na legislação previdenciária de que o pagamento de lucros em desacordo com o contrato social passa a ser entendido como remuneração paga e sujeita a contribuição previdenciária; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 147 5 (e) com relação à exigência da multa, em virtude do Recorrente não ter informado em GFIP os valores de comissões pagas aos empregados também não deve prosperar, haja vista que não há provas concretas da existência desses pagamentos; (f) restou comprovado de que as comissões devidas contidas na peça de ingresso nada mais são que frutos de aplicação de fórmula de matemática sobre o movimento econômico, desprovida de qualquer fato concreto. Não apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 148 6 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. A discussão travada nos presentes autos diz respeito à possibilidade de a autoridade fiscal exigir do contribuinte a prestação em GFIP das informações acerca (i) dos valores pagos aos sócios gerentes à título de juros sobre o capital próprio, em desconformidade com a Lei nº 9.249/95, e (ii) das comissões pagas a seus segurados empregados. Com relação ao primeiro lançamento, fazse necessário discorrer acerca da natureza do pagamento realizado, de forma a caracterizálo ou não como fato gerador das contribuições previdenciárias. O investimento efetuado na companhia pelos acionistas é representado pelo capital social, que abrange não só as parcelas por eles entregues como também os valores obtidos pela sociedade e que, por decisão dos proprietários, se incorporam ao capital social, representando uma forma de renúncia à sua distribuição na forma de dinheiro ou outros bens (IUDÍCIBUS, MARTINS e GELBCKE. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 2007). A remuneração desse capital está diretamente condicionada à existência de lucro a ser auferido pela sociedade. Há, por lei, duas formas de remuneração do capital social investido, quais sejam, o dividendo e os juros sobre o capital próprio. Esse último representa uma opção de remuneração aos sócios e acionistas, concedida pela legislação tributária para as entidades tributadas pelo lucro real. A Lei nº 9.249/95, em seu art. 9º, regulamenta o instituto nos seguintes termos: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 149 7 § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)” A partir do que dispõe o mencionado artigo, é possível inferir que a parcela paga à título de juros sobre o capital próprio em desacordo com a lei terá como único efeito a indedutibilidade da base de cálculo do Imposto de Renda. Não se pode admitir, tal como compreendido pela decisão de primeira instância, que os referidos valores tenham a sua natureza de remuneração do capital investido transmutada, para tornarse remuneração pelo trabalho prestado. Ou seja, os juros sobre o capital próprio não poderiam, de forma alguma, assumir a natureza de verba salarial ou, como o próprio Texto Constitucional assevera, rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço (art. 195, inciso I, CF/88). Já no que se refere ao lançamento em razão da ausência de informação em GFIP das comissões pagas a seus segurados, não assiste razão à Recorrente. Como consta do Relatório Fiscal, os referidos valores foram apurados a partir de divergências existentes entre os valores lançados contabilmente e àqueles constantes das Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 150 8 folhas de pagamento. Em razão de não ser possível verificar a natureza dos pagamentos efetuados, promoveu a autoridade fiscal o lançamento dos valores devidos por aferição indireta. Ora, o referido método deve ser utilizado tão somente nas hipóteses de recusa ou sonegação de documento pelo contribuinte ou sua apresentação deficiente, nos moldes da disposição contida no art. 33, § 4º, da Lei nº 8.212/91, que assim preleciona: “Art. 33. (...) §3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” Nos termos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, considerase deficiente a documentação que não reflita a realidade: “Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.” No presente caso, como bem relatado pela autoridade fiscal, não foi possível apurar, pelas informações e documentos apresentados pelo contribuinte, a natureza das divergências apuradas entre contabilidade e folhas de pagamento, não restandolhe outra alternativa que não a exigência das contribuições previdenciárias devidas pelo método da aferição indireta. Muito embora tenha questionado a forma de lançamento adotada pela autoridade fiscal, em nenhum momento o contribuinte trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse justificar as referidas divergências, se limitando a fazer em seu Recurso Voluntário considerações genéricas acerca da irregularidade do procedimento adotado. CONCLUSÃO Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.002365/200771 Acórdão n.º 280300.879 S2TE03 Fl. 151 9 Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa, para excluir do lançamento a multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP os dados referentes aos pagamentos efetuados aos segurados à título de juros sobre o capital próprio. Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003117/2004-12
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001,
30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002,31/12/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE.
Improcede a arguição de nulidade formal do auto de infração, por falta de fundamentação satisfatória, quando o mesmo contém descrição dos fatos hábil a propiciar defesa plena pelo sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. AGENTE FISCAL NÃO REGISTRADO NO CRC.
SÚMULA 2° CC Nº 5.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA 2° CC N° 4
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/11/001,
30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF.
TERMO INICIAL
Havendo recolhimento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial flui a partir da data de ocorrência do fato gerador.
FALTA DE RECOLHIMENTO.
É legitima a exigência decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição, apurada em conformidade com as normas gerais de incidência, em confronto com as importâncias pagas na sistemática do Simples, quando o sujeito passivo não foi admitido nessa sistemática simplificada de pagamentos.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2803-000.094
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE
JULGAMENTO DO CARF;por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, declarando a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos em 07/1999, 08/1999, 09/1999, 10/1999 e 11/1999, na linha da súmula 08 do STF.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DRJ-CAMP1NAS/SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002,31/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. Improcede a arguição de nulidade formal do auto de infração, por falta de fundamentação satisfatória, quando o mesmo contém descrição dos fatos hábil a propiciar defesa plena pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. AGENTE FISCAL NÃO REGISTRADO NO CRC. SÚMULA 2° CC N 2 5. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA 2° CC N°4 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/200! 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2,51, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/11/001, 1 Processo n° 13819.003117/2004-12 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 238 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n 2 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n." 08 do STF. TERMO INICIAL Havendo recolhimento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial flui a partir da data de ocorrência do fato gerador. FALTA DE RECOLHIMENTO. É legitima a exigência decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição, apurada em conformidade com as normas gerais de incidência, em confronto com as importâncias pagas na sistemática do Simples, quando o sujeito passivo não foi admitido nessa sistemática simplificada de pagamentos. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO DO CARF;por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, declarando a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos em 07/1999, 08/1999, 09/1999, 10/1999 e 11/1999, na linha da súmula 08 do STF. Àle •11%/P- LS10 MA ' B • ROSENBURG FILHO 'residente ALE DRE KERN Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Luis Guilherme Queiroz Vivácqua e Andréia Dantas Lacerda Moneta. 2 Processo n° 13819.003117/2004-12 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 239 Relatório Cuida-se de recurso (fls. 195 a 231) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão n2 05-17.763, de 8 de novembro de 2004, da DRJ/CPS, fls. 180 a 188, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 MICROEMPRESA. RECOLHIMENTO PELO SIMPLES SEM O EXERCÍCIO DA OPÇÃO Para gozo dos benefícios instituídos pela Lei 9.317, de 1996, as pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CNPJ devem exercer sua opção pelo Simples mediante alteração cadastral. A empresa que não exerce tal prerrogativa, mas apura os tributos e contribuições devidos pela sistemática do Simples, sujeita-se à tributação pelas normas gerais de incidência. FALTA DE RECOLHIMENTO. É legítima a exigência decorrente da falta ou insuficiência de recolhimento do tributo ou contribuição, apurada em conformidade com as normas gerais de incidência, em confronto com as importâncias pagas na sistemática do Simples. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS. É cabível o aproveitamento de valores pagos indevidamente na modalidade do SIMPLES, com os valores mantidos nos lançamentos realizados, exigidos de oficio. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO- PRESCRIÇÃO. A contagem do prazo a que se refere o art. 174 do CTN tem como ponto de partida a data da constituição definitiva cio crédito tributário. Quando o sujeito passivo impugna o lançamento, e até seja proferida a decisão final, a Fazenda Nacional ainda não está investida da titularidade da ação de cobrança, não podendo, por via de conseqüência, ser considerada inerte. In casu, o prazo de prescrição sequer foi iniciado. DECADÊNCIA. Na forma do artigo 45 da Lei n. 0 8.212, de 1991, o direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos extingue-se em 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido •constituído. 3 Processo n° 13819.003117/2004-12 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 240 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Lançamento Procedente em Parte O recorrente, após resumir os fatos relacionados com a exação, pede reforma da decisão da DRJ/BHE, reiterando os argumentos já defendidos por ocasião da interposição da impugnação (fls. 46 a 106) contra o lançamento de oficio (fls. 39 a 42) de diferenças da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, apuradas em procedimento de verificações preliminares obrigatórias, esclarecendo, incialmente, que o lançamento de que se trata é decorrente do fato de o contribuinte não ter formalizado adequadamente sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições - Simples. Ressalta que, todavia, todos os atos que praticou foram sob a égide da Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Em sede de preliminar, argúi a nulidade do procedimento em face (a) da falta de fundamentação satisfatória, (b) do fato de ter sido lavrado fora do estabelecimento do contribuinte autuado, e; (c) de o agente fiscal não ter inscrição no Conselho Regional de Contabilidade. No mérito, argumenta que: a) A exclusão retroativa do SIMPLES é ilegal; b) O contribuinte preenche todos os requisitos para permanecer nessa sistemática de pagamentos, conforme provam os documentos acostados aos autos; c) Jamais foi alertado pelo Fisco pela irregularidade de sua situação; d) A sua opção pelo SIMPLES foi legal e válida; e) Não houve qualquer tentativa de ludibriar o Fisco; O Entre as datas dos períodos de apuração 07/1999 e 12/1999 e a data de lavratura do AI (27/12/2004), transcorreram mais de cinco anos, merecendo a decretação da prescrição da cobrança do crédito tributário; g) A invocação pelo Fisco da tese da decadência decenal não é lícita, dada a sua natureza tributária, valendo a regra insculpida no CTN; h) O alargamento da base de cálculo da contribuição, promovido pelo art. 30 da Lei n2 9.718, de 27 de novembro de 1998, é inconstitucional; i) O contribuinte aderiu ao SIMPLES e a adesão foi formalmente aceita pela SRF; j) Em face do princípio da irretroatividade, é impossível a exclusão retroativa do SIMPLES, 4 Processo n° 13819.003117/2004-12 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 241 k) A modificação introduzida pela Lei n2 10.925, de 23 de julho de 2004, no art. 15 da Lei n2 9.317, de 1996, não alcança os períodos objetos da autuação. Conclui, requerendo provimento integral para o seu recurso, cancelando-se o auto de infração e mantendo o contribuinte sob o SIMPLES. Alternativa e sucessivamente, que não se admita efeito retroativo à exclusão do SIMPLES, determinando-se que a data de exclusão da sistemática de pagamentos seja a do primeiro dia do exercício seguinte ao em que foi proferida a decisão final na esfera administrativa, ou no exercício seguinte à data de recebimento da intimação da decisão final de 1' instância, o que ocorreu em novembro de 2007. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 195 a 231 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-CPS n 2 05-17.763, de 4 de julho de 2007. Preliminares de nulidade formal do procedimento — falta de fundamentação satisfatória do lançamento Rechaço a imputação de falta de fundamentação satisfatória ao lançamento. O despacho constante da fl. 28 do processo dá conta de que, nos autos do processo 13819.001696/2002,99, o contribuinte, ora recorrente, pletieou sua inclusão retroativa no SIMPLES, o que lhe foi denegado, nos termos do Despacho Decisório 062/2003 (fls. 70 e 71 daquele processo), do qual o recorrente foi cientificado por meio da Comunicação n2 COB/592/PCOC, com comprovante de entraga anexado àqueles autos. O contribuinte foi também instado a regularizar seus recolhimentos e declarações (Comunicação n" COB/30/1005/03/LAC). Como deixou passar em albis o prazo que lhe foi aberto para tal fim, o referido processp foi então encaminhado para a Fiscalização, que promoveu então a ação fiscal que resultou no AI ora sub judice. Não venha então o recorrrente, aleivosamente, dizer-se excluído retroativamente, ou que jamais foi alertado pelo Fisco, ou ainda que aderiu ao SIMPLES e que sua opção foi formalmente aceita. São inverdades que jamais serão admitidas neste julgamento. O referido despacho, combinado com a descrição dos fatos constantes da fl. 40, que aponta a falta de recolhimento da contribuição, são suficientes e satisfatórios como fundamento para a exação. Preliminares de nulidade formal do procedimento — Auditor-Fiscal não inscrito no CRC O recorrente, levianamente, pede a decretação da nulidade do AI e I face da incompetência do agente fiscal, que não estaria inscrito no CRC. A propósito cabe . ; ergunta: como sabe o recorente que o agente fiscal não é bacharel em ciências contábeis ins , no seu órgão de classe? ().\ 5 Processo n° 13819.003117/2004-12 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 242 A questão não precisa de resposta. A matéria já está aplainada no seio do Segundo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com o entendimento defendido na Súmula n2 5, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 deste Segundo Conselho de Contribuintes, e publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Preliminares de nulidade formal do procedimento — Lavratura do Al fora do estabelecimento do contribuinte. Esta matéria também já tem entendimento pacificado no Segundo Conselho de Contribuintes, constante da Súmula n 2 4, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 deste Segundo Conselho de Contribuintes, e publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Preliminar de decadência O Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante r12 08, in verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008. o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do ,sç 4" do art. 2" da Lei n"11.417/2006: Súmula vinculante n°8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei e 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n" 1.569/1997, art. 5', parágrafo único Lei n" 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n°117, de 20/06/2008, Seção I, pág. I) 6 • . Processo n° 13819.003117/2004-12 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 243 Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial para as contribuições sociais sujeitas ao lançamento por homologação. Para a solução da presente lide, merecem ser colacionados os Acórdãos do STJ vazados nos seguintes termos: No REsp 879.0581PR, DJ 22.02.2007, a 1" Turma do STJ assim se pronunciou: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZ4 CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, 49.PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art,173, 1, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o 4" do art. 150 do CTIV. Precedentes da I" Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 7 Processo n° 13819.003117/2004-12 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 244 6. Recurso especial a que se nega provimento." Mais uma vez a 1' Turma do STJ pronunciou-se sobre o tema: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4'). PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. I. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de lnconstitucionalidade no REsp n° 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4' do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTIV. 5. Recurso especial a que se nega provimento. 8 . . Processo n° 13819.003117/2004-12 82-TE03 . Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 245•• É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4' tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal corno previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4" deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, 1, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6" ed., p. 1011) "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendá rios, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência — homologação tácita, extintiva do crédito — ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). Assim, em havendo antecipação, total ou parcial, dos recolhimentos, conforme exige o art. 150, § 1 0 do CTN, o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Caso não haja recolhimento, aplicar-se-á a regra do inc. I do art. 173. No caso concreto, verifica-se que o contribuinte, ainda que parcialmente, tomou a providência preconizada no art. 150, § 40 do CTN, aproveitando-se para esse fim os recolhimentos sob a sistemática do SIMPLES, pelo que, em 27/12/2004, data da lavratura do Auto de Infração de que se trata, estava decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos antes de 27/12/1999. Assim, do demonstrativo constante do verso da fl. 188, cancele e os valores mantidos no lançamento de principal referentes aos PAs jul-99 (R$ 154,46), 10-99 (R$ 147,21), set-99 (R$ 51,49), out-99 (R$ 47,77) e nov-99 (R$ 100,06), totalizando R 00,99 (quinhentos reais e noventa e nove centavos), bem assim o de seus consectários legais. ,.,.... 9 Processo n° 13819.003117/2004-12 S2-TE03. . Acórdão n.° 2803-00.094 Fl. 246 Mérito Como já explicado neste voto, o contribuinte, ora recorrente, foi autuado porque omitiu-se em providenciar a regularização de seus recolhimentos e de suas declarações no prazo que lhe foi aberto para tal fim, depois que seu pedido de inclusão retroativa no SIMPLES foi indeferido pela DRF em São Bernardo do Campo. Não se fale, portanto, em exclusão retroativa do SIMPLES, porque o contribuinte jamais esteve formalmente sob essa sistemática de pagamentos. Assim, a exigência da contribuição apurada em conformidade com a regra geral de incidência é perfeitamente legítima. Nesse ponto, deve-se afastar também a possibilidade de, em sede de julgamento administrativo, negar vigência de dispositivo legal, refiro-me ao art. 3° da Lei n2 9.718, de 1998, sob a consideração de sua inconstitucionalidade, pelo menos enquanto não sobrevier expressa determinação nesse sentido do Secretário da Receita Federal ou do Procurador-Geral da Fazenda Nacional. Conclusões Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade arguidas, para dar parcial provimento ao recurso, cancelando a parcela do lançamento alcançada pelo efeito da decadência, referente aos PAs 07/1999, 08-1999, 09/1999, 10/1999 e 11/1999, com valor de principal de R$ 500,99. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2009 A EXANDRE KERN I()
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