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Numero do processo: 15983.000935/2009-93
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 01/01/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OFERECIMENTO À CONTRIBUIÇÃO. PARCELA ENTENDIDA COMO INDENIZATÓRIA PELO EMPREGADOR, AO INVÉS DE REMUNERATÓRIA.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ADICIONAL DE AVISO PRÉVIO. BOLSA DE ESTUDOS. ADICIONAL TEMPO SERVIÇO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CESTA BÁSICA. VERBA REMUNERATÓRIA. RUBRICAS ALCANÇADAS PELA CONTRIBUIÇÃO. DECADÊNCIA
PARCIAL RECONHECIMENTO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.020
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a)relator(a), afastando as prejudiciais suscitadas, bem assim as preliminares arguidas por inexistentes, salvo quanto a decadência parcial, para no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, ao recurso para determinar a exclusão do levantamento BOL BOLSA
DE ESTUDO, do levantamento AAP ADICIONAL AVISO PRÉVIO e do levantamento ATS ADICIONAL TEMPO DE SERVIÇO, bem como das competências atingidas pela decadência até 10/2004, inclusive.
Recomendo, ainda, que a DRF origem remeta cópia da impugnação de primeiro grau e do recurso voluntário à Procuradoria da República em Santos do Ministério Público Federal, a fim de que este órgão possa verificar a existência ou não de irregularidades quanto à economia popular, o sistema financeiro e a Lei de Usura e etc, caso esta providência, ainda, não tenha sido tomada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 01/01/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OFERECIMENTO À CONTRIBUIÇÃO. PARCELA ENTENDIDA COMO INDENIZATÓRIA PELO EMPREGADOR, AO INVÉS DE REMUNERATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ADICIONAL DE AVISO PRÉVIO. BOLSA DE ESTUDOS. ADICIONAL TEMPO SERVIÇO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CESTA BÁSICA. VERBA REMUNERATÓRIA. RUBRICAS ALCANÇADAS PELA CONTRIBUIÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Matéria CP: TERCEIROS SOBRE SALÁRIO INDIRETO: BOLSA DE ESTUDOS; ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO; AVISO PRÉVIO e CESTA BÁSICA . Recorrente INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECILIA ISESC.. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 01/01/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OFERECIMENTO À CONTRIBUIÇÃO. PARCELA ENTENDIDA COMO INDENIZATÓRIA PELO EMPREGADOR, AO INVÉS DE REMUNERATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ADICIONAL DE AVISO PRÉVIO. BOLSA DE ESTUDOS. ADICIONAL TEMPO SERVIÇO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CESTA BÁSICA. VERBA REMUNERATÓRIA. RUBRICAS ALCANÇADAS PELA CONTRIBUIÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), afastando as prejudiciais suscitadas, bem assim as preliminares arguidas por inexistentes, salvo quanto a decadência parcial, para no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, ao recurso para determinar a exclusão do levantamento BOL BOLSA DE ESTUDO, do levantamento AAP ADICIONAL AVISO PRÉVIO e do levantamento ATS ADICIONAL TEMPO DE SERVIÇO, bem como das competências atingidas pela decadência até 10/2004, inclusive. Recomendo, ainda, que a DRF origem remeta cópia da impugnação de primeiro grau e do recurso voluntário à Procuradoria da República em Santos do Ministério Público Federal, a fim de que este órgão possa verificar a existência ou não de irregularidades quanto à economia popular, o sistema financeiro e a Lei de Usura e etc, caso esta providência, ainda, não tenha sido tomada. Fl. 825DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 776 2 (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 826DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 777 3 . Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.222.3508, objetiva o lançamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos terceiros decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores segurados obrigatórios, que prestaram serviços à autuada, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – REFISC do AIOP, de fls. 46 a 55, com período de apuração de 12/2003 a 12/2007, conforme Termo de Intimação Fiscal TIF, de fls. 42 a 44. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 11/11/2009, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 11/12/2009, petição de interposição, as fls. 140, com a peça impugnatória acostada, as fls. 141 a 199; 202 a 209, estando acompanhada dos documentos, de fls. 210 a 399; 402 a 599; 602 a 633. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 634 e 635. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0529.267 8ª Turma da DRJ/CPS, em 07/07/2010, fls. 649 a 663. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 30/08/2010, AR, de fls. 665. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição, as fls. 666 e 667, recebida de 27/09/2010, razões recursais acostadas, as fls. 668 a 772, acompanhada do documento, de fls. 773, onde alega em síntese. Prejudicial de mérito. • Que a recorrente é imune das contribuições patronais, nos termos do artigo 195, § 7º da CRFB, conforme decisão no AI 1999.03.00.0464769, do TRF3; • Que é pacifico na jurisprudência administrativa que questões postas ao crivo do Poder Judiciário esvaem o objeto; Preliminar. • Que o auto é nulo, pois há nulidade no MPF que autorizou a realização dos procedimentos fiscal, com cinco alterações após o fim de sua validade, sendo duas após a cientificação do lançamento, sem comunicação ao fiscalizado, em desrespeito a PT RFB 11.371/2007, com período de apuração em confronto com a norma; Fl. 827DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 778 4 • Que ocorreu decadência em parte do período lançado, pois as contribuições anteriores a 11/11/2004 ultrapassam o lustro legal, cabendo aplicar o artigo 150, § 4º do CTN; • Que o crédito é nulo, pois houve erro na capitulação da imunidade, 150, VI, “c” ao invés de 195, §7º, ambos, da CRFB, ocasionado prejuízo a defesa, ocorrendo o seu cerceamento, pois apenas recebeu uma cópia da representação, mas sem os documentos que dão suporte ao lançamento dos presentes autos; • Que com o advento da MP 446/2008 ocorreu remissão, pois recursos interposto junto ao MPS foram extintos, não podendo a fiscalização querer desconstituir o benefício concedido, sob a alegação de descumprimento do artigo 14, do CTN; • Que a perda de eficácia da MP não afeta o direito, nos termos da Nota DÉCOR/CGU/AGU Nº 180/2009JGAS; • Que a renovação automática do CEAS que reconheceu a imunidade da recorrente impede que o presente processo de pretensão de cancelamento desta prospere; • Que o artigo 31 da Lei 12.101/2009 garante a isenção a quem tem o CEAS sem necessidade de requerimento; Mérito. • Que é entidade beneficente, possuindo todos os certificados e que preenche os requisitos do artigo 14 do CTN; • Que a recorrente não distribui patrimônio e que os valores pagos a determinados associados da entidade mantenedora da Universidade Santa Cecília o são em razão de serviços prestados por outro vínculo, prestação de serviços de por intermédio de contrato de natureza civil, o que não implica em distribuição de patrimônio, uma vez que todas as condições para está tipo de situação foram atendidas, isto é o que prevê o Parecer 1.405, vinculativo pela Lei 73/93 e o acórdão 108 06.234, 8ª Câmara do 1º Conselho; • Que o fato da recorrente emprestar dinheiro a juros não implica em desvio de finalidade, pois é uma forma desta aumentar suas fontes de recursos, pois remunerados acima do mercado, estando todos os empréstimos contabilizados e sendo adimplidos regularmente, não implicando isso violação ao inciso II do artigo 14 do CTN; • Que o presente lançamento é nulo, pois se exige primeiro o cancelamento da imunidade para depois se promover ao lançamento é o que diz a PT MPAS 3.015/96, o que se repete na IN SRP 03/2005, bem como aplicado pelo CARF Acórdão 240100017/2009; Fl. 828DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 779 5 • Que não foi cientificado até esta data do ato cancelatório da imunidade, apesar de ouvir dizer que foi publicado no DOU, bem como não foi atendido o parágrafo 9º do artigo 32 da lei 9.430/96, sendo que a simples publicação do ato no DOU, não atende as exigências do processo administrativo contido no artigo 23 do Decreto 70.235/72, o que torna o auto nulo; • Que a recorrente não omitiu informações em sua GFIP, pois as declarou, levando em consta a sua natureza jurídica de entidade filantrópica, como reconhecido pelo CNAS e pelo MPS, o que torna ilegal a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória do artigo 32, § 5º da Lei 8.212/91; • Que o aviso prévio e seu adicional estipulado em convenção coletiva, não têm natureza salarial, mas sim indenizatória e assim não são base de cálculo da contribuição previdenciária é o que diz doutrina e jurisprudência; • Que o adicional por tempo de serviço não tem natureza remuneratória, mas sim indenizatória, que o artigo 28, § 9º, alínea “e”, item 2 exclui este da contribuição, sendo que os autos não identifica quem foram os beneficiários deste, desta forma ou é indevida tal rubrica por ser indenizatória ou nulo o auto por não identificar os beneficiários, esta indenização esta prevista em convenção coletiva que é lei entre as partes e assim exclui do campo de incidência tal pagamento; • Que as bolsas de estudos concedidas aos professores e dependentes não se inserem no conceito de salário e por isso não são base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do artigo 458, § 2º, inciso II da CLT e do artigo 28, § 9º, alínea “t” da lei 8.212/91; • Que as cestas básicas e vale refeição na constituem base de cálculo da contribuição previdenciária, que o artigo 29. § 9º, exclui desta a parcela in natura, sendo que doutrina e jurisprudência, assim, também, ponderam; • Finalizando requer: a) reforma do acórdão a quo; b) provimento total do recurso; c) reconhecendo a improcedência, nulidade ou insubsistência do lançamento. A tempestividade do Recurso Voluntário foi reconhecida, as fls. 774. Os autos subiram ao CARF/MF, fls. 774. É o Relatório. Fl. 829DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 780 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme, AR, de fls. 665, recebido em 30/08/2010, e carimbo de recepção do Recurso, de fls. 666, datado de 27/09/2010. Superado o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. A recorrente tem razão ao dizer que no Agravo 1999.03.00.0464769 lhe foi reconhecida a condição de imune/isenta, nos termos do artigo 195, § 7º da CRFB. Aliás, em recentíssima decisão, nos autos da ação citada, o TRF3 assim se pronunciou, sendo a agravante a fazenda púbica. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO. ART. 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ENTIDADE FILANTRÓPICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. As entidades beneficentes de assistência social foram contempladas com o favor constitucional da imunidade da contribuição para a seguridade social, desde que atendam às exigências estabelecidas em lei, conforme previsto no artigo 195, §7, da Constituição Federal. 2. Agravo desprovido. AGRAVO LEGAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 004647614.1999.4.03.0000/SP São Paulo, 28 de junho de 2011. Ana Lúcia Iucker Juíza Federal Convocada. (grifo na origem). Notese que como fez a decisão agravada na ação originária 1999.61.04.0052998, a decisão de mérito supramencionada do Agravo condicionou tal favor constitucional ao atendimento dos requisitos da lei, mas não disse quais os requisitos e qual lei, o que não importa, pois a decisão de tutela antecipada na ação originária a condicionoua aos requisitos do artigo 14 da Lei 5.172/66, fls 233, bem como outros documentos fazem tal menção AGUPGF AO, 15/019/2006, letra “h”, fls. 238; AGUPGF – ER 3ª REGIÃO, 16/06/2008, item 8, letra “b”, item 10, item 11, letra “b”, item 12, letra “b”, fls. 241e 242. A própria recorrente em sua petição na ação 2009.34.00.0122992, item 18, 24, 26, 29, 30, 31, 34, 34, 36, 37, 38, 41, 42, 46, 54, finalmente nos pedidos, “b” e “e”, fls. 249 a 283, menciona o artigo 14 da Lei 5.172/66, como suporte a sua pretensão. Evidente se mostra que a tutela antecipada obtida, bem como a decisão confirmatória desta tutela no AI junto ao TRF3 é clara em exigir o cumprimento das condições legais, sendo competência do fisco federal esta averiguação. Outrossim, é bom que se frise que na ação 2009.34.00.0122992 interposta na JFDF foi isto que disse a I. Autoridade Judicial – sentenciante, quando do indeferimento da tutela antecipada, do reconhecimento da improcedência do pedido principal e da rejeição dos embargos de declaração com efeitos infringentes, conforme abaixo transcrito, esta ação tinha Fl. 830DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 781 7 por objetivo ver cancelado/anulado o processo administrativo nº 10845.004531/9861 que suspendeu a imunidade tributária da recorrente. A ação pende de apelação no TRF1. No que toca ao argumento da incompetência dos agentes públicos para proceder à fiscalização, observo que a Lei 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação da Lei 11.457/2007, legitima a atuação dos auditores fiscais para os atos questionados nos autos. Preconiza o art. 6º, I, alíneas “c” e “d”, do citado diploma legal: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) 2009.34.00.0122992 20 de abril de 2009PABLO ZUNIGA DOURADO Juiz Federal Substituto da 3ª Vara Desta forma, pode é deve o órgão fiscal dentro de suas estratégias de fiscalização verificar o cumprimento dos requisitos legais por parte da recorrente para continuar a usufruir do favor constitucional, não sendo a decisão judicial um cheque em branco de imunidade/isenção ad eternum, assim já me manifestei, conforme trecho abaixo, sendo este também o entendimento do E. STF, o qual já citara no julgamento anterior, ora citado. Entretanto, mantém a fiscalização as suas prerrogativas de atuar no âmbito do que determinado pela Lei 12.101/2009 para verificar a qualquer e segundo suas possibilidades e planejamento a adequação da entidade as exigências legais para a continuidade da manutenção da imunidade/isenção, uma vez que a nova lei nada diz sobre as imunidades anteriores e revogou expressamente o artigo 55, da Lei 8.212/91, bem como entende o Supremo Tribunal Federal – STF que não há direito adquirido a regime jurídico, inclusive quanto a renovação do CEBAS. EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades Fl. 831DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 782 8 beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido.(RMS 27093, EROS GRAU, STF) (destaque não consta na origem). 18108.000334/200725 280300.425 – 3ª Turma Especial – 3ª Câmara 2ª Seção 03 de dezembro de 2010. (grifo no original). Por obvio a verificação das condições não se limita apenas ao CEBAS, cabendo esta sem dúvidas a todos os requisitos legais e a fiscalização deixou bem claro que a recorrente no que tange as contribuições previdenciárias nunca atendeu aos requisitos e nunca teve a sua condição de imune reconhecida pelo órgão previdenciário, inclusive com um Recurso ao CRPS negado por conta disto, basta observar as transcrições, do REFISC. 15. Embora seja detentora do CEAS renovado para os triênios 2004 a 2006 e 2007 a 2009 —que se encontravam pendentes de recursos interpostos pela RFB, mas com o advento da MP 446 de 07.11.2008, foram considerados automaticamente deferidos , a instituição fiscalizada nunca teve o direito a isenção previdenciária reconhecido pelos órgãos administrativos, por não ter conseguido fazer prova do preenchimento dos requisitos arrolados no art. 55 da Lei 8.212/91. 16. 0 único requerimento) para a concessão do beneficio da isenção apresentado Administração Pública pelo Instituto Santa Cecília, e cuja concessão dependia da observância desses requisitos legais — sendo que possuir a certificação do CNAS era apenas um deles — foi indeferido conforme decisão em grau de recurso, proferida em 14.02.2001, pela a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, estando a decisão embasada em fatos concretos, apurados em ação fiscal realizada entre 02/2000 e 06/2000, na qual ficou comprovado que o requerente descumprira os requisitos dos incisos IV e V do art. 55 da Lei 8.212/91, por ter, dentre outras irregularidades, adquirido imóveis cm favor de membros da diretoria, efetuado pagamentos de despesas pessoais dos diretores e de terceiros e não ter feito comprovação documental de outros pagamentos efetuados.(grifos meus). Para espancar quaisquer dúvidas os requisitos mencionados como descumpridos são similares nos incisos, IV e V, do artigo 55 da Lei 8.212/91 e nos incisos I e II, do artigo 14 da lei 5.172/66. Fl. 832DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 783 9 Aliás, esta, também, e a manifestação do D. Juiz Federal na ação 2009.34.00.0122992, observese o trecho: Nesse contexto, não há falar em qualquer mácula ao processo administrativo de fiscalização, porquanto a autoridade fiscal se valeu do fato de ter, a entidade, pago benefícios indiretos sob a forma de viagens, despesas de combustíveis, veículos destinados à diretoria, despesas de impostos, bem como títulos de aplicação bancária em nome de diretores, cessão de apartamento para moradia para associados e familiares e aquisição de imóveis em nome de familiares, o que é traduzido em remuneração e desvio de finalidade (fls. 313/437, 327/337). Tudo sem falar em irregularidades na contabilidade, a gerar imprecisão nas formalidades exigidas para os livros contábeis (fls. 335/336). (grifos meus). Assim agiu certo a fiscalização, pois apenas atendeu ao artigo 37, caput, da CRFB c/c o 142 da Lei 5.172/66. A alegada perda de objeto do presente Processo Administrativo Fiscal – PAF não ocorreu e caso tivesse ocorrido o crédito teria atingido definitividade no âmbito administrativo, o que possibilitaria a execução fiscal, salvo determinação judicial de suspensão da exigibilidade do crédito ou abstenção de execução no curso da discussão judicial. Não se verifica a perda de objeto no presente caso, pois o RICARF diz: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (grifo meu). As ações noticiadas e que constam desses autos não têm a identidade de objeto com este processo administrativo fiscal, pois nas ações judiciais o que se busca é o reconhecimento da imunidade ou a anulação do ato de suspensão/cassação desta e neste autos, o que se esta buscando é o cancelamento ou improcedência ou nulidade do lançamento em razão do não reconhecimento da imunidade na área previdenciária e de outras causas. Assim, mas palavras da doutrina têm “É o pedido que demonstra o objeto litigioso.” 1, evidente, pois, que não havendo identidade entre os pedidos, não se configura a identidade entre os objetos, não havendo em se falar na perda de objeto em decorrência da ação judicial. Desta forma, rejeito as prejudiciais arguidas. As análises dos documentos incertos nos autos não confirmam as alegações da recorrente, no que tange a nulidade do MPF, pois uma parte do documento, de fls. 228, demonstra que o MPF foi alterado em 09/04/2009, para inclusão das contribuições sociais 1 WAMBIER, L. R; ALMEIDA, F. R. C de; TALAMINI, E. Curso Avançado de Processo Civil. 6ª Edição. São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2004. 294p. Fl. 833DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 784 10 previdenciárias e o de fls. 229, demonstra que houve prorrogações emitidas em 06/06/2009; 05/08/2009 e 04/10/2009, com prazo de sessenta dias, assim, em tese, a validade da última prorrogação iria até 04/12/2009, salvo se ocorresse encerramento do procedimento fiscal antes desta data. Os Termos de Intimação Fiscal – TIF, de fls. 42 a 44, datados de 24/04/2009 e 23/06/2009, confirmam que a empresa estava sob procedimento fiscal e que disto tinha conhecimento. Não demonstrando, assim, a alegada nulidade do procedimento, pois realizado dentro dos prazos estipulados, muito menos a ocorrência de prorrogação após a cientificação do lançamento, tendo em vista que a última de deu em 04/10/2009 e o lançamento foi realizado em 11/11/2009. Além do que, o Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS órgão que detinha a competência recursal até a edição da Lei 11.457/2007 já tinha sedimentado a matéria no Enunciado 25, a seguir transcrito. JR/CRPS ENUNCIADO Nº 25 DOU DE 06/03/2006 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. (Editado pela RESOLUÇÃO MPS/CRPS Nº 1, DE 23/02/2006 DOU DE 06/03/2006) A capitulação da representação para cancelamento da imunidade não é objeto do presente lançamento, uma vez que a Representação Fiscal para tal é objeto de outro auto, do qual este julgador não tem conhecimento. Mas é possível extrair algumas conclusões do contexto, as fls. 653, Acórdão da autoridade a quo, informa que o processo 15983.000817/200985 que a recorrente menciona é uma Representação Fiscal, possivelmente, este é a representação para cancelamento da imunidade/isenção e tal cancelamento só pode estar sendo solicitado para os demais tributos federais e não para as contribuições sociais previdenciárias, uma vez que o agente fiscal autuante como supratranscrito deixou claro em seu REFISC, de fls.48, que a recorrente nunca obteve o reconhecimento de imunidade/isenção das contribuições sociais previdenciárias, do artigo 195, § 7º da CRFB, assim sendo não precisa representar pelo cancelamento do que a empresa não tinha, isto demonstra o acerto da capitulação. Embora aquelas questões não sejam matérias, posta a julgamento nestes autos, falo apenas ad argumentandum tantum. A possível remissão operada pela MP 446/2008 quanto aos pedidos de emissão e renovação do CEAS é irrelevante, pois tal certificado é apenas um dos requisitos para a obtenção da imunidade/isenção que tinha que ser reconhecida pelo órgão previdenciário. A obtenção de tal certificado não significa em aquisição automática do direito de imunidade/isenção e já ficou claro em mais de uma oportunidade nestes autos que a recorrente nunca preencheu os requisitos necessários para usufruir do favor constitucional da imunidade/isenção das contribuições sociais previdenciárias. O artigo 31 da Lei 12.201/2009 não opera efeitos retroativos, pois assim diz o artigo 5º, XL da CRFB c/c o artigo 8º da LC 95//1998, ou seja, para o período de apuração e de lançamento que consta deste crédito vale a lei que estava em vigor à época do lançamento. Aliás, é isso que diz o artigo 144 da Lei 5.172/66. Fl. 834DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 785 11 A alegação de decadência encontra eco na legislação, uma vez que o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Contudo, embora, argüida como preliminar tal questão leva a resolução de mérito da causa, sendo antecedente lógico. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplica se o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso a meu ver a regra a incidir é a do artigo 150, § 4°, da Lei 5.172/66, uma vez que no Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – REFISC AIOP, de fls. 47, item 8, o agente notificante diz: 8. As rubricas que constituem o objeto do presente lançamento, por não terem sido consideradas pela autuada como de natureza salarial, não integraram as parcelas remuneratórias declaradas através da GFIP.Fica evidente que houve recolhimento para aqueles inclusos nas folhas e não recolhimento para os não inclusos. (grifos meus). Fl. 835DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 786 12 Desta forma, fica evidente que outras parcelas que a recorrente tinha como base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias foram declaradas e foram objeto de recolhimento, o que atraí a aplicação do artigo 150, § 4º, da lei 5.172/66. No presente caso o lançamento se deu em 11/11/2009, fls. 01, assim, ao retroagirse cinco (05) anos, surgirá o marco decadencial de 12/11/2004, isto é, todas as competências que se venceram antes desta data estavam decadentes no ato da constituição do crédito. Assim sendo, a decadência ocorreu até a competência 10/2004, inclusive, conforme Precedente da Primeira Seção do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC RESP 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009), nos termos do artigo 62A da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim tais valores devem ser excluídos do presente crédito. Rejeito as preliminares arguidas, salvo quanto a ocorrência parcial da decadência. O contribuinte volta a arguir em mérito, o que já havia dito em prejudicial, sendo que tal matéria foi devidamente superada, pois ficou claro que a recorrente não preenchia e não preencheu nos autos sob análise os requisitos exigidos para usufruir do benefício da imunidade/isenção no período de apuração e lançamento deste crédito, bem como ficou estabelecido que não há razão para cancelar aquilo que a recorrente nunca teve, uma vez que o órgão previdenciário nunca reconheceu seu direito a imunidade/isenção não se aplicando as regras suscitadas. O presente crédito não trata de GFIP ou de obrigação acessória não declarada e multa decorrente desta situação, sendo impertinentes tais alegações nestes autos. A legislação trabalhista estipula direitos mínimos a que os trabalhadores fazem jus em determinadas condições. Não havendo vedação na lei para que esses direitos sejam ampliados pelo empregador. O legislador constituinte achou por bem estabelecer determinados direitos trabalhistas na CRFB visando dar a estes uma maior estabilidade, mas isto não impede que outros direitos ali não previstos não possam ser criados ou que direitos ali estabelecidos em bases mínimas não possam ser ampliados. O aviso prévio proporcional não é o único direito trabalhista estabelecido em critérios mínimos na CRFB que possa ser ampliado, embora neste caso, tal ampliação seja dependente de lei. Os incisos XVI, XVII do artigo 7º da CRFB/88 estabelecem direitos mínimos no caso da hora extras acréscimo de 50% e no caso das férias – adicional de 33,33% (1/3). Estes são adicionais mínimos nada impede que o empregador por conta própria ou pó força de acordo ou convenção coletiva fixem patamares mais altos. É claro que a hora extra já é base de incidência previdenciária e sua concessão em valores mais altos continuaria a ser. Mas o adicional constitucional de férias está fora da base de incidência, pois a alínea “d”, do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei 8.212/91 exclui expressamente esta rubrica, desde que indenizadas e a majoração de percentual não implicaria em alteração de sua natureza jurídica. Entendo ser exatamente isto que está ocorrendo com o aviso prévio, isto é, estipulouse uma proporcionalidade maior do que a prevista na norma constitucional. A maior Fl. 836DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 787 13 proporcionalidade esta baseada em critérios objetivos facilmente aferíveis tempo de serviço e idade mínima, só é pago na dispensa sem justa causa. Ora se fosse salário deveria ser pago com o critério de temporalidade deste e não ao final do contrato apenas ou, ainda, para todos os empregados, inclusive, os dispensados com justa causa, pois estes, também fazem jus ao salário do período de trabalho. Aliás, a doutrina, assim, se posiciona. Se o aviso prévio é trabalhado, vem a se constituir em salário. Se o aviso prévio não é trabalhado, mas indenizado, não tem natureza de salário, pois não há salário sem trabalho, consistindo no pagamento de uma indenização pela sua não concessão. 2 (grifo meu). O aviso prévio indenizado e as outras verbas não têm natureza de remuneração, mas sim de indenização, pois não decorem da prestação de serviços. Logo, não poderia haver a incidência de contribuição previdenciária sobre verbas indenizadas, em que não há prestação de serviços. A Súmula 79 do extinto TFR já dizia que não incidia a contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. 3 (grifo meu). Fica evidente que tal acréscimo não é base de contribuição social previdenciária, pois não é pago em razão do trabalho desenvolvido, mas sim como meio de compensação e proteção ao trabalhador, que, talvez, pela sua idade mais avançada tenha maiores dificuldades de encontrar recolocação no mercado de trabalho, sendo simples benefício social. Desta forma, tal rubrica deve ser excluída do presente crédito. A bolsa de estudo para filhos e dependentes de professores e funcionários, não sofre melhor sorte, observe, o que segue. Tenho para mim que as bolsas de estudo concedidas aos filhos e dependentes legais dos funcionários da recorrente sejam eles administrativos ou professores, não representam ganhos salariais aos trabalhadores, pois estes não recebem numerários a mais, bem como o fato de não despenderem este valor não implica em ganho salarial indireto, pois não oferecido pelo trabalho do funcionário, uma vez que o relatório fiscal não informa que algo mais é exigido do trabalhador por conta da bolsa. Poderseia, também, dizer que outro fator que demonstraria tal situação com clareza seria saber se o trabalhador sem filhos e que, portanto não usufrui de tal bolsa, exercente da mesma função de um trabalhador com filho bolsista, se aquele primeiro recebe algum adicional, para não ficar defasado em relação ao segundo trabalhador, que estaria beneficiado com o suposto ganho indireto. Outrossim, não podemos perder de vista que a instituição pode fornecer ao público em geral “descontos” em suas mensalidades, descontos estes que podem ser parciais ou totais, o que corresponderiam a verdadeiras bolsas de estudos. Ora porque motivos ficariam os 2 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 15ª Edição. São Paulo. Editora Altas. 2002. 367p. 3 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da Seguridade Social. 18ª Edição. São Paulo. Editora Atlas. 2002. 173p. Fl. 837DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 788 14 funcionários da instituição proibidos de usufruírem destes descontos/bolsas, o fato destes descontos estarem assegurados em convenções coletivas de trabalho não tem o condão de transformar tal desconto em salário. Visão diferente seria inverter a equação da igualdade. A CRFB/88 em seu artigo 205, diz logo de início que “A educação, direito de todos e dever do Estado...” que se complementa com outros dispositivos deste diploma, artigo 6º “São direito sociais à educação...”. O governo federal vem buscando de algum tempo para cá políticas que permitam uma maior promoção da igualdade de oportunidades em especial aos jovens pelas chamadas políticas afirmativas, que em muito aumentaram o acesso ao ensino em especial ao terceiro grau, reformulação do FIES, criação do PROUNI, cotas raciais e sociais (egressos de escola pública) portadores de necessidades especiais, extinção ainda que parcial do vestibular e utilização do ENEM e outras para aumentar o número de alunos no nível superior. Veja o diz o ExMinistro Paulo Renato de Souza. As propostas para uma política de ação afirmativa que reduza a extrema desigualdade racial em nosso país vêm ao encontro de uma justa aspiração não só de afrodescendentes, mas de todo brasileiro com consciência social e moral. A maior mortalidade infantil e materna, as altas taxas de desemprego, as diferenças salariais injustas, a pobreza e a fome, o tratamento desigual frente a justiça e a polícia, a falta de acesso aos postos de maior responsabilidade no mercado de trabalho são cargas pesadas que os brasileiros descendentes de escravos carregam até hoje. [...] Oxalá nossa sociedade não precise, como outras, chegar à instituição de cotas raciais na universidade. Temos metas de inclusão e as estamos cumprindo rapidamente. Pelo que tenho acompanhado, acredito na capacidade de desempenho do estudante brasileiro de qualquer origem social ou racial, quando estimulado e apoiado. Se isso não for suficiente, serei o primeiro a defender as cotas. Entretanto, desde que tenham condições para isso, não há por que imaginar que os estudantes pobres, negros ou pardos não entrem na universidade por seus próprios méritos (Folha de S. Paulo, 30 de agosto de 2001). 4 (grifo meu). O próprio MEC também tratou de implementar alternativas. Em fevereiro de 2004, o Ministério da Educação sob orientação do ministro Tarso Genro, na perspectiva de estabelecer uma arquitetura institucional capaz de enfrentar as múltiplas dimensões da desigualdade educacional do país, instituiu uma nova secretaria: a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad). A Secad surge com o desafio de desenvolver e implementar políticas de inclusão educacional, considerando as especificidades das desigualdades 4 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. UNESCO. Brasília. 2007. pág. 22. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13529:colecaoeducacaopara todos&catid=194:secadeducacaocontinuada>. Acesso em 08 set 2011. Fl. 838DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 789 15 brasileiras e assegurando o respeito e valorização dos múltiplos contornos de nossa diversidade étnicoracial, cultural,de gênero, social, ambiental e regional. 5 (grifo meu). Tudo isto na busca de diminuir as desigualdades sociais e promover a justiça social em nosso país. Aliás, objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, artigo 3º, II e III, da CRFB. Necessário, também, se faz lembrar que a cidadania e a dignidade da pessoa humana, fundamentos da República são muitos mais tangíveis e palpáveis com um povo instruído culturalmente, politicamente e educacionalmente, um país e um povo não progride sem educação. O fato de a entidade conceder aos filhos e dependentes de seus funcionários acesso a educação é um benefício social, que milita a favor do país, que não deve ser ignorado, mas sim ampliado, pois o poder púbico, ainda, não é capaz de suprir todas as necessidades nesta área e o exercício de atividade foi autorizado pelo Estado aos particulares, acabando, assim, a instituição a exercer longa manus deste Estado. Ora se ao Estado confere a obrigação de fornecer educação gratuitamente em nada se mostra desarrazoado que a entidade que desempenha a atividade educacional por autorização deste, também, possa conceder tal gratuidade, especialmente em favor do desenvolvimento da pessoa humana. Não estando caracterizado que tais bolsas funcionem como salário indireto aos pais dos alunos beneficiados, quer sejam professores ou servidores administrativos, muito pelo contrário, estando mais que evidente o benefício social desta medida, não a entendo como verba sujeita a aplicação da contribuição social previdenciária, pois estas a meu ver não constituem remuneração e nem ficou isto aqui provado. Desta forma, tal rubrica deve ser excluída do presente crédito. No que se refere ao adicional de tempo de serviço observei que em processo análogo e que veio a este julgador na mesma ocasião, que a DRJ/CPS6 adotou o posicionamento abaixo transcrito e que adoto como razão de decidir, para excluir tal rubrica deste crédito. AD — Adicional Tempo Serviço Nos termos do item 30 do relatório fiscal (fl. 34), os valores de que cuida o levantamento "AD" foram acrescidos As verbas rescisórias "como indenização aos empregados demitidos sem justa causa, em reconhecimento pelo tempo de serviço prestado, sendo calculados proporcionalmente ao número de dias estabelecido nas convenções coletivas (3 dias para cada ano trabalhado), e contemplando ainda 5 Ibdem, pág 215. 6 Acórdão nº 0530.906, de 30/10/2010 – Processo 15983.000416/201069 – Relator Mauro Antônio Paiva. Fl. 839DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 790 16 aviso prévio adicional de 15 dias, caso o empregado tivesse no mínimo 50 anos de idade e contasse com pelo menos 1 ano de serviço na data do desligamento." (o grifo é nosso) Mais adiante, o auditor fiscal acrescenta que "os trabalhadores empregados beneficiados com a referida indenização encontramse relacionados conforme anexo". (grifamos) Dito isto, vejamos, agora, os dispositivos da Lei n° 8.212/91 que definem o aspecto matéria da regra de incidência in casu aplicada pelo fisco. Iniciemos pelos art. 20 e 28, que assim preceituam: Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela. 7 Salário de contribuição Alíquota em % até R$ 249,80 8,00% de R$ 249,81 até R$ 416,33 9,00% de R$ 416,34 até R$ 832,66 11,00% Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo a disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifamos) Com base nesses dados, podese concluir que: a) o fato gerador in concreto da contribuição previdenciária do segurado empregado 6 o ser paga, devida ou creditada a remuneração por ele auferida, durante o mês; b) a base de cálculo é o valor dessa remuneração, até o limite estabelecido no § 50 daquele art. 28; e c) as alíquotas aplicáveis sobre essa base são as de que cuida o 7 Valores e alíquotas dados pela Lei nº 9.129, de 20.11.95. Fl. 840DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 791 17 art. 20 acima reproduzido, segundo a faixa de salário de contribuição (leiase "remuneração") mensal do segurado. Ou sei a, o que se tributa, in casu, são as parcelas que possuem natureza jurídica remuneratória, eis que o núcleo da definição do inciso I do art. 28 6, exatamente, o substantivo "remuneração". Tudo o que no texto legal vem após esse vocábulo constitui mera explicitação do que se deve entender por "remuneração". E o que se deve entender como tal? Na letra do mesmo dispositivo, "... a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo a disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa" (grifamos). Portanto, o que integra o saláriodecontribuição são as parcelas que tenham natureza jurídica de remuneração, a qual, por seu turno, deve ser entendida apenas como aqueles rendimentos destinados a retribuir o trabalho. Ou, dito de outro modo, as parcelas que não correspondem a contraprestação pelo trabalho não são remuneratórias e, por conseguinte, não integram o salário de contribuição. Idêntico raciocínio aplicase As contribuições destinadas a terceiros, porquanto também incidem sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, durante o mês, aos segurados empregado e trabalhador avulso, a teor do disposto no §1º, do art. 94 da Lei n° 8.212/91 e no § 2° do art. 3° da Lei n° 11.457/2007. Confirase: Lei n° 8.212/91 Art. 94. 0 Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração Fl. 841DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 792 18 paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. Lei n° 11.457/2007 Art. 3° As atribuições de que trata o art. 2° desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. § 2° 0 disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a titulo de substituição. Quer dizer, para que se possa considerar ocorrido o fato gerador das contribuições em apreço, é necessário que tenha sido paga, devida ou creditada verba de natureza remuneratória a segurado empregado ou trabalhador avulso. Ora, consoante as palavras do auditor notificante, as verbas tributadas sob o levantamento "AD" foram pagas a empregados da AELIS a titulo de indenização, em virtude de a empresa haver rescindido seus respectivos contratos de trabalho sem justa causa. Tais importâncias, acrescenta a autoridade da RFB, foram acrescidas As verbas rescisórias "em reconhecimento pelo tempo de serviço prestado" e, ainda, contemplam "aviso prévio adicional de 15 (quinze) dias, caso o empregado tivesse no mínimo 50 anos de idade e contasse com pelo menos 1 ano de serviço na data do desligamento". Ocorre que, num caso como noutro, não ha como atribuir natureza remuneratória a essas verbas — tanto que o próprio auditor fiscal as qualifica como indenizatórias —, pois se referem a pagamentos que não se destinam a retribuir o trabalho, mas a compensar o exempregado pela rescisão de seu contrato por iniciativa da empresa, isto é , sem que ele tenha dado justa causa para tal ruptura. Especificamente, as parcelas pagas "em reconhecimento pelo tempo de serviço prestado" se assemelham em muito As de que tratam os itens 2 e 3 da alínea "e" do § 9º do referido art. 28 da lei de custeio, quais sejam: a) as relativas a indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não Fl. 842DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 793 19 optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; e b) as recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT ("Nos contratos que tenham termo estipulado, o empregador que, sem justa causa, despedir o empregado será obrigado a pagarlhe, a título de indenização, e por metade, a remuneração a que teria direito até o termo do contrato"). E estas parcelas, na dicção daquele § 9º, não integram o salário de contribuição— vale dizer, não se submetem A incidência da contribuição previdenciária dos segurados empregados nem, por tabela, das contribuições previstas no art. 22 da mesma lei. Confirase: § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, • exclusivamente: (.) e) as importâncias: (..) 2. relativas a indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Bastante elucidativas neste sentido são as palavras de Ronaldo Belmonte, 8 que a seguir trazemos à colação: A indenização por tempo de serviço hoje praticamente não existe mais. Com a Constituição de 1988, o empregado despedido receberá como indenização o FGTS, acrescido de 40% (quarenta por cento). (..) 0 valor a ser pago nessa situação será de um mês de remuneração por ano de serviço efetivo, ou por ano e fração igual ou superior a 6 (seis) meses (art. 478 da CLT). Além da indenização por tempo de serviço, a CLT prevê a indenização quando da ruptura do contrato de trabalho por prazo determinado. Nesse tipo de contrato as partes estipulam o inicio e o término do contrato, sem que descumprida esta norma pela empresa, indenizará o trabalhador pelo valor da 8 BELMONTE, Ronaldo. Obrigações das Empresas junto à Previdência Social. São Paulo. Editora Ltr. 1.996. 79 e 80 p. Fl. 843DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 794 20 metade da remuneração a que teria direito até o término do contrato (art. 479 da CLT). Em termos de Previdência Social interessa saber se a empresa, pagando essas indenizações, terá que recolher a contribuição previdenciária sobre tal. As indenizações: por tempo de serviço e por ruptura do contrato por prazo determinado, bem como o acréscimo de 40% (quarenta por cento) pago pela empresa sobre os valores depositados no FGTS têm, como o próprio nome diz, natureza indenizatória. Tendo tal natureza, não integrarão tais indenizações a base de cálculo da contribuição previdenciária. A nãoincidência da contribuição sobre pagamento a título de indenização por tempo de serviço está descrita no art. 28, § 9º, alínea e, da Lei n. 8.212/91. Embora as importâncias recebidas pelos exempregados da AELIS não correspondam, exatamente, as de que cuidam os mencionados itens 2 e 3 da alínea "e" do § 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/91, não ha como negar que elas cumprem a mesma finalidade destas e, por conseguinte, possuem idêntica natureza — o que, repetimos, é atestado pelo próprio auditor fiscal, quando afirma que elas foram pagas como indenização , dai se impondo concluir que, a exemplo daqueloutras, não sujeitam as regras de tributação aplicadas no presente Auto. Relativamente aos valores pagos a titulo de "aviso prévio adicional de 15 (quinze) dias", melhor sorte não há de ter o levantamento "AD", segundo passamos a demonstrar. Na "Observação 1" do item 30 do relatório fiscal (fl. 34), o auditor notificante nos dá noticia de que o adicional em foco, também assegurado ao trabalhador dispensado sem justa causa, encontrase previsto nas convenções coletivas das categorias profissionais que compõem o quatro da empresa fiscalizada. Vejamos, pois, os termos das aludidas convenções (fls. 91 a 103): CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO PARA 2005/2006 28. INDENIZAÇÃO POR DISPENSA IMOTIVADA. 0 AUXILIAR demitido sem justa causa terá direito a indenizações, conforme as letras "a" e "b" a seguir colocadas, além do aviso prévio legal de trinta dias e das indenizações previstas nesta convenção, quando forem devidas, nas condições abaixo especificadas: (...) b) aviso prévio adicional de 15 (quinze) dias, caso o AUXILIAR tenha, no mínimo cinqüenta anos de idade e que, à data do desligamento, conte com pelo menos um ano de serviço na MANTENEDORA. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO PARA 2007 36. INDENIZAÇÕES POR DISPENSA IMOTIVADA Fl. 844DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 795 21 0 PROFESSOR demitido sem justa causa terá direito a uma indenização, além do aviso prévio legal de trinta dias e das indenizações previstas na cláusula 28 desta Convenção, quando forem devidas, nas condições abaixo especificadas: b) aviso prévio adicional de quinze dias, caso o PROFESSOR tenha, no mínimo, cinqüenta anos de idade e que, à data do desligamento, conte com pelo menos um ano de serviço na MANTENEDORA. Pois bem, se se trata de um alargamento do período estabelecido no inciso II do art. 487 da Consolidação das Leis do Trabalho ("Art. 487 Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo motivo, quiser rescindir o contrato deverá avisar a outra da sua resolução com a antecedência mínima de: (..) II trinta dias aos que perceberem por quinzena ou mês, ou que tenham mais de 12 (doze) meses de serviço na empresa"), não parece duvidoso que o beneficio referido nas convenções coletivas em tela possui a mesma natureza jurídica do pagamento decorrente do cumprimento do § 1° desse mesmo artigo do diploma celetista, que assim preceitua: § 1° A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço. Noutras palavras, se as importâncias recebidas pelo ex empregado por força desse § 10 possuem natureza jurídica de indenização — e por isso, em tal caso, o aviso prévio se diz indenizado —, então as que foram percebidas pelos exempregados da AELIS em virtude daquelas cláusulas das convenções coletivas também hão de ser consideradas indenizatórias. A observação feita pela autoridade da RFB, no sentido de que tal adicional "não se encontra ainda regulamentado em lei, segundo Orientação Jurisprudencial (0JSDI1— Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais) n°84 do Tribunal Superior do Trabalho, constituindose atualmente em mera liberalidade concedida pelo empregador", em nada prejudica o entendimento ora externado por este relator, pois, a exemplo do que se dá em relação As importâncias recebidas como "Indenização por Tempo de Serviço", as parcelas aqui examinadas não se configuram como rendimentos destinados a retribuir o trabalho. E, se não correspondem a contraprestação pelo trabalho, não são remuneratórias e, por conseguinte, não integram o saláriodecontribuição. Fl. 845DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 796 22 Posto, então, que o adicional em comento tem natureza de aviso prévio indenizado, a sua não integração ao salário decontribuição decorre do comando expresso no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, o qual, na redação em vigor no período abrangido pelo presente auto de infração (setembro de 2005 a dezembro de 2007), assim dispunha: Art. 214. ... § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (.) V as importâncias recebidas a titulo de: (.) j) aviso prévio indenizado; Ante ao exposto, insta concluir que devem ser excluídos do lançamento os valores exigidos sob o levantamento "AD — ADICIONAL TEMPO SERVIÇO". Entendo, no que tange, a Indenização por Tempo de Serviço ITS que tal verba tem natureza indenizatória como o adicional de aviso prévio supramencionado e nos termos do que descrito pelo agente lançador, no REFISC, de fls. 51. II ATS ADICIONAL TEMPO DE SERVIÇO relativo A rubrica constante nas Folhas de Pagamento sob código " 173 Indenização por Tempo de Serviço , acrescida As verbas rescisórias como indenização cm reconhecimento pelo tempo de serviço prestado por empregados demitidos sem justa causa, sendo calculados proporcionalmente ao número de dias estabelecido nas convenções coletivas 2 (dois) ou 3 (três) dias para cada ano trabalhado , e de acordo com a categoria profissional. Da mesma forma, não há que se falar em oferecimento da rubrica a tributação previdenciária, pois verba destinada a indenizar o trabalhador em sua despedida imotivada. Aliás, só para ilustrar o tema vamos ao que os jornais estão noticiando: O Plenário aprovou, nesta quartafeira, o Projeto de Lei 3941/89, do Senado, que aumenta dos atuais 30 dias para até 90 dias o aviso prévio que o empregador deve conceder ao trabalhador no caso de demissão. A matéria será enviada à sanção presidencial. 9 9 BRASIL. Câmara dos Deputados. Deputados ampliam para até 90 dias aviso prévio de trabalhador. Brasília. 2011. Disponível em <http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/ADMINISTRACAOPUBLICA/202960 DEPUTADOSAMPLIAMPARAATE90DIASAVISOPREVIODETRABALHADOR.html>. Acesso em 22 set. 2011 Fl. 846DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 797 23 Embora, com atraso, e, ainda, que dependente de sanção presidencial o projeto de lei veem a preencher uma importante lacuna no ordenamento jurídico. Mas que não desautoriza a concessão de tais benefícios por acordo entre as partes para a busca da efetividade das normas constitucionais. Quanto a cesta básicas a legislação é clara, não estando o empregador inscrito no PAT o fornecimento de alimentação é base de cálculo da contribuição social previdenciária, independentemente, do que possa pensar a doutrina e a jurisprudência. Nesta seara o agente lançador apenas esta dando efetividade ao que diz o artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66, pois a este não é dado fazer juízo de valor sobre a matéria, constatada a incidência da norma este deve agir e assim o fez. Destarte, com os esclarecimentos acima entendo que a decadência se operou de forma parcial até a competência 10/2004, inclusive, bem como que as rubricas a título de adicional de aviso prévio, de bolsa de estudos e adicional de tempo de serviço não se configuram em remuneração, não sendo base de cálculo da contribuição social previdenciária, devendo as competências decadentes e as citadas rubricas serem excluídas do presente crédito. Entretanto, alertado que fui à sessão por um dos nobres pares, além da recomendação que fiz abaixo, recomendo, ainda, que a DRF – origem encaminhe cópia das mesmas peças à projeção estadual em São Paulo do Branco Central do Brasil para que aquele órgão possa analisar se há alguma providência a tomar em seu âmbito de atuação. (grifo meu). CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, afastando as prejudiciais suscitadas, bem assim as preliminares arguidas por inexistentes, salvo quanto a decadência parcial, para no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, ao recurso para determinar a exclusão do levantamento BOL – BOLSA DE ESTUDO, do levantamento AAP – ADICIONAL AVISO PRÉVIO e do levantamento ATS – ADICIONAL TEMPO DE SERVIÇO, bem como das competências atingidas pela decadência até 10/2004, inclusive. Recomendo, ainda, que a DRF origem remeta cópia da impugnação de primeiro grau e do recurso voluntário à Procuradoria da República em Santos do Ministério Público Federal, a fim de que este órgão possa verificar a existência ou não de irregularidades quanto à economia popular, o sistema financeiro e a Lei de Usura e etc, caso esta providência, ainda, não tenha sido tomada. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Fl. 847DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000935/200993 Acórdão n.º 2803001.020 S2TE03 Fl. 798 24 Fl. 848DF CARF MF Documento de 24 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.12369.PO9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE OLIVEIRA em 26/10/2011 18:23:05. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE OLIVEIRA em 26/10/2011. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 30/10/2011 e EDUARDO DE OLIVEIRA em 26/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 24/02/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.0217.12369.PO9H Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15983.000935/2009-93. 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Numero do processo: 13963.000067/2003-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 02/02/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RESSARCIMENTO DE IPI.
SUFICIÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO.
Modificada, em decisão de última instância, a situação jurídica credora da contribuinte no processo de crédito, relativo a crédito presumido de IPI, pela qual decorreu a ampliação do valor pleiteado e o tornou suficiente para cobertura da compensação declarada, deve esta ser homologada, nos termos da legislação em vigor.
Numero da decisão: 3803-002.347
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 02/02/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RESSARCIMENTO DE IPI. SUFICIÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Modificada, em decisão de última instância, a situação jurídica credora da contribuinte no processo de crédito, relativo a crédito presumido de IPI, pela qual decorreu a ampliação do valor pleiteado e o tornou suficiente para cobertura da compensação declarada, deve esta ser homologada, nos termos da legislação em vigor.
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CRÉDITO DE RESSARCIMENTO DE IPI. SUFICIÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Modificada, em decisão de última instância, a situação jurídica credora da contribuinte no processo de crédito, relativo a crédito presumido de IPI, pela qual decorreu a ampliação do valor pleiteado e o tornou suficiente para cobertura da compensação declarada, deve esta ser homologada, nos termos da legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e os suplentes Andréa Medrado Darzé e Alan Fialho Gandra. Relatório Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/01/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente processo apenas da compensação do débito de IRRF, com vencimento em 05 de fevereiro de 2003, no valor de R$ 10.691,99, conforme declaração de compensação de fl.01, com o direito creditório que adviria do ressarcimento do crédito presumido pleiteado no processo nº 13963.000179/200239. Conforme consta das decisões antecedentes, neste processo, a compensação não foi homologada em vista de o pedido de ressarcimento ter sido deferido apenas em parte, no processo acima referido, uma vez glosadas, do cálculo do crédito presumido, as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, não restando do crédito parcialmente deferido saldo disponível para a presente compensação. Em sua manifestação de inconformidade contra a decisão, neste processo, fls. 23 a 39, o contribuinte alegou que o processo nº 13963.000179/200239 ainda estava sob julgamento no contencioso administrativo. No acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão Preto, fls. 63 a 66, o julgador a quo indicou a existência de resultado desfavorável ao contribuinte no citado processo de ressarcimento na decisão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Em face do recurso voluntário apresentado, fls. 70 a 96, decisão desta Turma Especial converteu o julgamento em diligência, fl. 103, para que a Delegacia da Jurisdição do contribuinte anexasse a este processo as cópias da Listagem do Crédito, Listagem dos Débitos e do Demonstrativo de Compensação, no processo 13963.000179/200339, resultante do que ficasse demonstrado terse esgotado o crédito do ressarcimento ali pleiteado e sua inexistência, total ou parcial, para a compensação que a Recorrente requer que seja homologada neste processo. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa A diligência efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis está consubstanciada no documento de fls. 123 a 126. A Listagem de Crédito, Listagem de Débitos e Demonstrativo de Compensação que a integram às fls. 119/122. O trabalho da Delegacia foi cuidadosamente conduzido e apontou para uma mudança de rumo ocorrida no julgamento do processo de ressarcimento nº 13963.000179/200239. Recurso especial decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI relativo às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, parcelas que, uma vez glosadas no deferimento original, geraram a insuficiência dos créditos para cobertura da compensação neste processo. Conforme excerto que abaixo transcrevo, assim consignou a DRF/Florianópolis o resultado da ampliação do crédito da Recorrente a a sua suficiência para extinção do débito compensado neste processo: Devese ressaltar que além deste processo (n° 13963.000061/200391), outros processos (n° Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/01/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13963.000067/200369 Acórdão n.º 3803002.347 S3TE03 Fl. 128 3 13963.000036/200316, 13963.000067/200369, 13963.000084/200304, 13963.000095/200386, 13963.000104/200339), também utilizam o crédito pleiteado no processo 13963.000179/20239 em compensações. Efetuandose a imputação do crédito remanescente aos débitos compensados nos processos retro mencionados, verificouse que o direito creditório disponível é suficiente para efetuar todas as compensações solicitadas (extratos de fls. 119/121). O quadro a seguir indica as compensações informadas nos processos ainda pendentes de decisão pelo CARF. [...] O indeferimento da compensação pleiteada nestes autos foi conseqüência do indeferimento parcial do crédito solicitado no processo n° 13963.000179/200239. Neste processo, n° 13963.000067/200369, não foi solicitado ressarcimento de crédito, apenas compensação com utilização de crédito de outro processo. Como a situação daquele processo, n° 13963.000179/200239, foi revertida na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a discussão travada nestes autos perdeu o sentido. O crédito usado na compensação foi reconhecido em decisão posterior ao Despacho Decisório. A decisão da DRF/Florianópolis, atacada no Recurso Voluntário, foi embasada em uma situação que já foi modificada. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para determinar a homologação da compensação do débito neste processo. Sala das sessões, 26 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/01/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10880.009300/99-62
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.870
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em Diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS
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RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RESOLUÇÃO N°303-00.870 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 16 de abril de 2003 JOÃO HOL' ACOSTA Presidente/ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLI e NANCI GAMA (Suplente). Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) : 124.777 : 303-00.870 : PROVISÃO ASSESSORIA EMPRESARIAL S/C LTDA. : DRJ/SÃO PAULO/SP : CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS RELATÓRIO A Empresa Provisão Assessoria Empresarial S/C Ltda., pessoa jurídica nos autos qualificada, recebeu comunicação de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, denominado SIMPLES, mediante o Ato Declaratório n.° 143.612/99, da Delegacia da Receita Federal em Sao Paulo/SP, sob a alegativa de que as atividades constantes do contrato social são assemelhadas à assessoria/consultoria, atividades estas impeditivas de opção pelo Simples, consoante o disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n.° 9.317/96. Cientificada do referido ato de exclusão, a Interessada ingressou em 19/02/98 com Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples - SRS (fls. 07 - verso e anverso), junto à DRF-SÃO Paulo/SP. Contudo, teve seu pleito indeferido, conforme decisão proferida no verso das fls. 07. Tomando ciência em 31/03/99, fls. 05, do indeferimento de sua SRS, a empresa, inconformada, apresentou, em data de 29/04/99, impugnação (fls. 01/05) dirigida à Delegacia da Receita Federal em São Paulo/SP, onde alega o seguinte, em síntese: - 0 objetivo social precipuo da ora impugnante é prestação de serviços de assessoria a empresas na área de cobranças de letra e títulos de crédito, tais como cheque, duplicatas, triplicatas, ou melhor, receber na esfera amigável importâncias devidas à seus clientes, sem maiores exigências, não se tratando, portanto, de nunhuma daquelas modalidades de sociedade elencadas no art. 9° da Lei n.° 9.317/96, logo não se enquadra dentro da vedação à opção, bem ainda que a mesma não est á condicionada a ser inscrita em qualquer órgão fiscalizador; - A própria decisão de manter a exclusão é omissa, não indicando de forma clara e precisa qual a atividade impeditiva daquelas elencadas no referido dispositivo legal invocado na decisão; - Ademais o despacho negativo, é visivelmente genérico partindo seu prolator de mero pressuposto, qual seja, de que a empresa se enquadra naquelas modalidades impeditivas, tão somente por existir a menção "assessoria", sendo evidente que tal fato por si só não é suficiente para amparar aquela fundamentação, 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.777 RESOLUÇÃO N° : 303-00.870 em suma, não significa uma atividade eminentemente intelectual como deixa transparecer aquela decisão negativa, retirando o legitimo direito da ora recorrente; - Assim sendo, não se enquadrando em qualquer daquelas atividades supramencionadas, nada impede que se mantenha seu legitimo direito optativo da sistemática em questão. No final, requer a reforma da decisão que manteve sua exclusão do Simples, eis que proferida de forma genérica, sem especificar claramente os motivos ensejadores daquela improcedência, em total prejuízo ao direito da impugnante. Instrui a peça impugnativa com os documentos de fls. 06/08. Em 10/06/99, os autos foram encaminhados a. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, tendo-se proferido despacho, conforme fls. 10 dos autos, para que fosse procedida a juntada do AR referente à ciência da decisão ao contribuinte, cópia do Contrato Social da empresa e, se for o caso, procuração que outorga poderes ao signatário da manifestação de inconformidade para representá-lo nos autos, o que foi atendido conforme os documentos de fls. 12/18. Posteriormente, a empresa em epígrafe faz juntar aos autos Certidão expedida pelo 1° Cartório de Títulos e Documentos, fls. 20/22, informando a inscrição da interessada em cartório. Por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n.° 70.235/72, a autoridade julgadora de Primeira Instância proferiu a Decisão DRJ/SPO N.° 3.529/00, fls. 27/29, indeferindo o direito à impugnante de permanecer no SIMPLES, com a seguinte ementa e votos: 1 — Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas cuja atividade não esteja contemplada pela legislação de regência, tal como é o caso daquelas que realizem operações relativas a assessoria/consultoria. Solicitação Indeferida. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.777 RESOLUÇÃO N° : 303-00.870 2 — Fundamentação: Inicialmente, cabe destacar que a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de São Paulo, tem sua fundamentação, claramente exposta A. fl. 07 e verso, ou seja, o contribuinte não pôde optar pelo sistema de pagamentos - SIMPLES, pois as atividades constantes no contrato social são assemelhadas a assessoria/consultoria, atividade incluída nas condições impeditivas de opção pelo SIMPLES elencadas no artigo 9 0, inciso XIII da Lei n° 9.317, de 05/12/1996. Para melhor clareza, transcreve-se o diploma legal em tela: "Art. 9 0 Não poderá op tar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII - que preste serviços profissionais de corretor, ( ) auditor, consultor ( ), ou assemelhados (...); Argumenta o contribuinte que desempenha atividades distintas daquelas que são vedadas pelo SIMPLES e que não se inclui na categoria de serviços profissionais, cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida e não se encontra obrigatoriamente inscrita junto a qualquer órgão fiscalizador dessas atividades. Cabe esclarecer que o inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/1996, lista diversas atividades que se desenvolvidas impedem a opção pelo SIMPLES, independentemente, da qualificação ou habilitação do profissional que executa a tarefa, ou seja, basta que a pessoa jurídica exerça alguma das atividades descritas no dispositivo legal em tela para ser excluída do SIMPLES. No caso concreto a atividade desenvolvida pelo contribuinte é uma daquelas que impedem a opção pelo SIMPLES. E que se infere da leitura da cláusula segunda do Contrato Social de fls. 14/15, que a seguir se reproduz: SEGUNDA- A sociedade tem por objeto a prestação de serviços de assessoria a empresas na área de cobranças de letras e títulos de crédito. Como se vê o Contrato Social é taxativo, o contribuinte presta serviço de assessoria. Ocorre que a atividade de assessoria é assemelhado ao de consultoria conforme se verifica no Boletim 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.777 RESOLUÇÃO N° : 303-00.870 Central - Receita Federal- n° 055 de 24/03/1997, que no item 32, assim dispõe: "Qualquer serviço de assessoria é assemelhado ao de consultoria". Por seu turno, o inciso XIII, do art. 9°, da Lei n°9.317/1996 impede que empresas que desenvolvam atividades de consultoria ou assemelhados optem pela sistemática de pagamento de tributos - SIMPLES. Desta maneira, tendo em vista que a atividade desenvolvida pelo contribuinte se assemelha à atividade de consultoria, atividade esta não contemplada pelo sistema de pagamento de tributos - SIMPLES, é de se manter a decisão exarada pela Divisão de Tributação da DRF- SP, que manteve a exclusão à opção pelo SIMPLES pretendida pelo interessado. Tomando ciência da decisão singular, em data de 11/04/01, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 32/36, protocolado em 12/04/01, onde repisa os argumentos apresentados na impugnação. Em data de 04/06/02, os autos foram encaminhados a este E. S Conselho. É o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.777 RESOLUÇÃO N° : 303-00.870 VOTO Tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário, por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72 e por tratar de matéria da competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 9°, inciso XIV, da Portaria MF n.° 55/98, com a alteração dada pelo art. 5° da Portaria MF n.° 103/02. A empresa em epígrafe foi excluída do SIMPLES, mediante o Ato Declaratório no 143.612 de autoria do titular da Delegacia da Receita Federal em São Paulo/SP, em virtude de sua atividade econômica incluir-se nas hipóteses de vedação àquele Sistema. Manifestando seu inconformismo, pelo julgamento de Primeira Instância cujo resultado foi a mantença de sua exclusão do SIMPLES, a recorrente em seu recurso, alega, entre outras razões, que a decisão de manter a exclusão é "omissa, não indicando de forma clara e precisa qual a atividade impeditiva daquelas elencadas no referido dispositivo legal invocado, sendo o despacho negativo visivelmente genérico partindo seu prolator de mero pressuposto, qual seja, de que a empresa se enquadra naquelas modalidades impeditivas, tão somente por existir a menção "assessoria", sendo evidente que tal fato por si s6 não é suficiente para amparar aquela fundamentação". 0 ato declaratório que levou d. exclusão da opção pelo SIMPLES é um ato administrativo que negou um direito ao contribuinte e, de acordo com o artigo 50 da Lei 9.784/99, reguladora do processo administrativo no âmbito da administração pública, deveria estar motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Pelas alegações da recorrente, os fundamentos jurídicos do ato declaratório em questão, não estão claramente explicitados; entretanto, isto so pode ser confirmado A. vista do ato declaratório de exclusão, o qual não consta dos autos. 0 processo administrativo fiscal prima pela busca da verdade material e, assim sendo, com esteio no artigo 29 do Decreto n.° 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que a unidade preparadora adote providências, no sentido de fazer juntar aos autos cópia do ato declaratório. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.777 RESOLUÇÃO N° : 303-00.870 E o meu voto. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2003 Alt CARLOS FERNANDO IREDO BARROS - Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA ,otird) TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CAMARA Processo n°: 10880.009300/99-62 Recurso n.°:.124.777 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto A. Terceira Câmara, intimado a tomar • ciência da Resolução n° 303.00.870. Brasilia- DF 04 de julho de 2003 Jod anda Costa Preside te da Terceira Camara O Ciente em: e:b-b3
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Numero do processo: 10283.011016/99-86
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO POR EDITAL.
A intimação por edital deve ser precedida, comprovadamente, de todos os meios possíveis tendentes à localização e intimação
pessoal ou por via postal do contribuinte.
Processo que se anula a partir da decisão de primeira instância, inclusive
Numero da decisão: 202-16.292
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-23T18:41:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-23T18:41:36Z; Last-Modified: 2009-10-23T18:41:36Z; dcterms:modified: 2009-10-23T18:41:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-23T18:41:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-23T18:41:36Z; meta:save-date: 2009-10-23T18:41:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-23T18:41:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-23T18:41:36Z; created: 2009-10-23T18:41:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-10-23T18:41:36Z; pdf:charsPerPage: 1332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-23T18:41:36Z | Conteúdo => 5 Ministério da Fazenda MINISTERIO DA FAZENDA 2 CC-ME Segundo Conselho de Contribuintes Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Publicado no aário O ricial da União Processo n° : 10283.011016/99-86 De ol / OA / 04 Recurso n" : 120.257 44.0 Acórdão : 202-16.292 VISTO Recorrente : CASINO INDUSTRIAL LTDA. Recorrida : DRJ em Manaus - AM NORMAS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO POR EDITAL. A intimação por edital deve ser precedida, comprovadamente, de todos os meios possíveis tendentes à localização e intimação pessoal ou por via postal do contribuinte. Processo que se anula a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CASINO INDUSTRIAL LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Sala das Sessões, em 4 de abril de 2005 atç.'A onio€ar os Atu Presidente / tiat,Le- 4i'è" Maria Cristina Roza da osta Relatora CONFERE COM O ORIGINAL Brasília - DF, em W / /24222— a9ti secretária de Segunde amara Sevado Condo de CodiribninteelMF Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Raimar da Silva Aguiar, Antonio Zomer e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. , Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL r cc-MF =' •-e..:: Segundo Conselho de Contribuintes Brasília - DF, em 30 / 6 /2e Fl. -"-is tIrrf,. 40' csa...449y•,....- Processo n° : 10283.011016/99-86 Secretária da Segando ClamaraRecurso n° • 120.257 Segando Conaelbo de Cogiribuintea/NT Acórdão n° : 202-16.292 Recorrente : CASINO INDUSTRIAL LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Manaus - AM, referente ao indeferimento do pedido de restituição/compensação relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no período de julho de 1988 a agosto de 1993, cujo-valor total não foi informado. O pedido foi formulado em 23/09/1999 e a ciência da decisão recorrida se deu pelo Edital n°60/01 da DRF em Manaus, o qual foi afixado em 24/08/2001, ocorrendo a ciência, nos termos do art. 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, em 10/09/2001. O recurso voluntário foi apresentado em 04/10/2001. Por bem descrever os fatos, reproduz-se, abaixo, parte do relatório da decisão recorrida: No requerimento de fls. 1/2, o contribuinte solicita o reconhecimento do direito de restituição dos valores do PIS recolhidos no período de julho de 1988 a agosto de 1993, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidctde dos decretos 2.445 e 2.449 de 1988, que alteraram a forma de apuração e recolhimento da referida contribuição social O citado requerimento foi instruído, entre outros documentos, com demonstrativo dos valores recolhidos, _fls. 12/13 e cópia dos DARF representativos dos recolhimentos indevidos (fiS. 14/34). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresenta impugnação dirigida a esta Delegacia de Julgamento, presente às fls. 44/49, com os seguintes argumentos, em resumo: I- É tempestiva a impugnação apresentada, posto que o aviso de recepção do Correio foi devolvido ao remetente, por não ter sido localizado o destinatário, não tendo eficácia, igualmente, qualquer outro tipo de intimação 2- Com forte no ,f 3°, do art. 18, da MP 2.095-72, de 22702/2001 e demais disposições aplicáveis à espécie, a Requerente postulou à delegacia da Receita Federal de Manaus a restituição/compensação dos valores recolhidos à título de contribuição ao Programa de Integração Social-PIS, exigidos com base nos Decretos-lei 2.445 e 2.449, de 1988, que alteraram a forma de apuração do PIS, bem como a periodicidade do recolhimento. (-.) 4- Com efeito, a Recorrente possui créditos contra a União Federal, conquanto mecanizou recolhimentos excessivos ao PIS sem que, para tanto, houvesse sustentação jurídica válida. Todavia, não obstante a retumbante e incontrastável exegese que dimana dos sodalícios pátrios, inclusive administrativos, o r. Serviço de Tributação indeferiu o pleito de restituição/compensação formulado. (.) 10- Importa considerar que, em se tratando de pedido de restituição/compensação filtrado em inconstitucionalidade, o prazo para mover a competente ação judicial tem início com a publicação da decisão da Suprema Corte ou da resolução do Senado Federal que suspensa a execução da norma inconstitucional Destarte, o prazo à restituição/compensação dos valores excedentes recolhidos ao PIS, dos quais foi alijado a Empresa Recorrente, ainda não se esgotou, pelo contrário, con inua aberto.i a•- t:;:" CONFERE COM O ORIGINAL r CC-MFMinistério da Fazendaav:tf-r. Brasília - DF, em /24255- Fl.L.:01". Segundo Conselho de Contribuintes );.=2,,efrit5 gaviiet1/4.214ii Processo n° : 10283.011016/99-86 seaatana• da Segunda aunara Recurso n° : 120.257 Segundo Calho de Coirtribuintes/MI Acórdão n° : 202-16.292 Apreciando as razões postas na impugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu decisão resumida na seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/1988 a 31/08/1 993 Ementa: INTEMPES77V7EMIDE. A extemporaneidade da impugnação impede o exame de mérito do lançamento, uma vez que não instaura a fase litigiosa do procedimento, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70.235/72.. Impugnação não Conhecida. Intimada a conhecer da decisão em 10/09/2001 por edital (f1.58), a interessada insurreta contra seus termos, apresentou, em 04/10/2001, recurso voluntário a este E. Conselho de Contribuintes, com as mesmas razões de dissentir quanto ao mérito e mais: a) descabimento da alegação de intempestividade da impugnação na medida em que não foi pessoalmente intimada e que a intimação por edital não foi comprovadarnente precedida de todos os meios de intimação previstos no art. 23 do Decreto n° 70.235/92, restando incomprovado haverem sido improficuos os meios ordinários de intimação; b) afixação do edital em local' inacessível da repartição pública. Reproduz farta jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes para arrimar sua tese. Inaplicável à espécie a exigência do § 2° do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. É o relatório. tf( 3 _ _ CONFERE COM O OR1pINAL_ 22 CC-NIF Ministério da Fazenda Brasília - DF, em 30 / ó /Asas--.; Fl. P 'r-its2 • Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10283.011016/99-86 &avenha à Segunde amara Recurso n° : 120.257 Segundo Coneelbe de CorrtnbuniteeiMF Acórdão n° : 202-16.292 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA O recurso voluntário atende aos requisitos legais exigidos para sua admissibilidade e conhecimento. A lide está circunscrita pela preliminar relativa à tempestividade da impugnação e, no mérito, pelo direito à restituição/compensação dos recolhimentos efetuados a maior que o devido, relativos à exação em foco, decorrente da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n°s 2.445 e n°2.449, ambos de 1988. É imprescindível, antes de efetuar a análise do mérito, perscrutar os autos no que concerne à tentativa do Órgão preparador em efetivar a intimação da recorrente. Verifica-se, à fl. 41, o envelope endereçado à recorrente pela repartição fiscal, contendo a intimação da decisão expedida pelo Delegado da Receita Federal em Manaus - AM, indeferindo seu pleito e devolvido pelos Correios com a informação de que o destinatário havia mudado daquele endereço. À fl. 42 consta cópia do Edital n° 006/2001, intimando os contribuintes que relaciona a tomar ciência de decisão proferida pelo Delegado da Receita Federal em Manaus - AM, entre os quais se inclui a recorrente. Informa, também, que "a respectiva Decisão encontra-se a disposição dos interessados nesta unidade admiti istrativa da Receita Federal, nos dias úteis." Constam, ainda, do referido edital: Prazo de Afixação: 19/02/2001 a 21/03/2001 Data da Ciência: 06/03/2001. Relação das empresas intimadas, dentre as quais consta a recorrente. SESAR/DRF/MNS/CONTAS/CORRENTES SALA 203 Carimbo do chefe do Serviço de Arrecadação da DRF em Manaus - AM. Verifica-se, prontamente, que do referido edital não consta o local de sua afixação, o que faz deduzir que tal local foi aquele que consta de seu texto: sala 203 do Serviço de Arrecadação da Delegacia da Receita Federal em Manaus - AM. Não se pode olvidar, ou mesmo negar, que as salas das repartições públicas são, em regra, destinadas aos servidores ou funcionários públicos que nelas exercem seu mister. Não podem ser consideradas "espaços públicos" pelos quais os contribuintes transitam regularmente. Mesmo que afixado em quadros de aviso localizados nos corredores da repartição, não se pode deduzir que os contribuintes transitem diariamente nesses espaços de modo a considerar que a mera afixação ali desses editais pressuponha a ciência do interessado. Ademais, carecem os autos de provas no sentido de constatar haver a repartição envidado esforços no sentido de localizar e intimar a recorrente. 4 a;C:k CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MFMinistério da Fazenda Brasília - DF, em -ga / /201>—*,;,,rt •tfrt:=Ark- Segundo Conselho de Contribuintes 4etr já, 4489y Processo n° : 10283.011016/99-86 Secretária da Segunda Camara Recurso n° : 120.257 Segundo Conselho de Cartribuintes/MF Acórdão n° : 202-16.292 A mera remessa de correspondência que retoma em face da mudança do destinatário não é suficiente para a expedição de edital de intimação, com aplicação do item III do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Antes e acima da burocracia excessiva encontram-se os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa no processo administrativo, consoante art. 5 0, inciso LV, da Constituição da República. Também os princípios constitucionais norteadores da atividade pública, constantes do artigo 37 da mesma Carta impõem melhor e maior esforça da autoridade administrativa no sentido de demonstrar, inequivocamente, os procedimentos adotados no sentido de intimar a recorrente, que ao final tenham restado improficuos, ensejando o procedimento extremo da intimação por edital. Assim, dada a imprestabilidade do edital para considerar a recorrente regularmente intimada, em razão da inobservância da forrna prescrita em norma para sua expedição (não resta comprovada qualquer outra tentativa da autoridade administrativa no sentido de localizar a recorrente), é impositivo considerar que a referida intimação foi regularmente efetuada somente na data de apresentação da impugnação na repartição da Secretaria da Receita Federal, ou seja, 18/06/2001 (fl. 44). Diante do exposto, voto no sentido de anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para se proceda à apreciação do mérito, sob pela de cerceamento do direito de defesa pela supressão de instância, resultando em malferir direito constitucional. Sala das Sessões, em 14 de abril de 2005 g RIA CRISTINA RIZW-DICICá4A 5
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003590/2006-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.775
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Pará Pigmentos SA transmitiu, em 08/08/2006, Pedido de Ressarcimento de Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 196.398,41, cumulado com Declaração de Compensação. A DRF/Belém deferiu parcialmente o ressarcimento em R$ 22.851,92 e homologou compensações até esse valor, tudo nos termos do Despacho Decisório de fls. 75. Sobreveio a Manifestação de Inconformidade de fls. 113 a 213, por meio da qual o requerente controverteu as seguintes questões: a) nulidade do Despacho Decisório por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal; b) inclusão das receitas financeiras no cômputo da Receita Operacional Bruta – ROB; c) direito de crédito dos gastos com óleo combustível, lubrificante e com serviços de terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento A 3ª Turma da DRJ/BEL julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, para autorizar o ressarcimento adicional de R$ 42.033,73, revertendo a glosa dos gastos com combustíveis e lubrificantes e autorizando a homologação de compensações até esse limite. O Acórdão nº 01023.060, de 28 de setembro de 2011, fls. 215 a 224, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizamse como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10280.003590/200681 Acórdão n.º 380302.775 S3TE03 Fl. 266 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 229 a 263, após protesto de tempestividade e síntese da lide, devolve as seguintes questões: a) a argüição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Despacho Decisório, por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal; b) o direito ao crédito de Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa sobre os gastos com os insumos serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento. Requer provimento para o fim de homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 229 a 263 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ªTurma nº 01023.060, de 28 de setembro de 2011. Preliminar de nulidade A argüição não prosperará pelo só fato de não se constatar – e o recorrente não logrou demonstrar – qualquer comprometimento do direito de defesa. As eventuais incorreções existentes no Despacho Decisório de fl. 75 em nada dificultaram o exercício dessa garantia constitucional, que mostrouse pleno. Perguntome, ademais, que benefício adviria ao requerente a anulação do referido ato administrativo. Rejeito a preliminar. Creditamento dos gastos com insumos serviços de terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento Já está pacificado nesta 3ª Turma Especial o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é aquele deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 4 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Serviços de levantamento topográfico, de terraplenagem e de sondagem do solo A ora recorrente é sociedade empresária, desenvolvendo processo produtivo de mineração integrada do caulim, composto por unidades de mina, planta de beneficiamento e porto, interligadas por um mineroduto. Nesse contexto, fazse necessária a lavra de grandes quantidades de minério cru, a matéria prima a ser beneficiada. A lavra do minério, extraído para a produção do caulim, compreende a supressão vegetal; remoção e salvamento do solo orgânico; decapeamento e disposição nos locais de descarte, escavação, carga e transporte do minério e alimentação do "blunger". Para a execução desses atos de lavra, a sociedade contrata serviços de levantamento topográfico, de terraplenagem e de sondagem do solo. Especificamente no que pertine às sondagens, segundo a prova constante dos autos, tratase de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matéria prima ao processo de produção e beneficiamento. Consta que o Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de quantidades comerciais do minério, fazendo se necessário o modelamento geológico com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra, os trabalho de sondagem não são paralisados e, a cada avanço da mina, um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio dos equipamentos de perfuração. Queda patente a subsunção desses itens no conceito de insumo esposado por este Colegiado. Tratase de serviços empregados no processo produtivo, guardando com ele relação de pertinência e essencialidade. Com base nessas considerações, revertamse as glosas dos créditos por gastos com esses insumos. Bombeamento Para dar escoamento à produção, empregase um sistema composto por bombas de deslocamento positivo, sala de controle operacional e mineroduto. O minério redisperso é transportado através de tubulação de aço carbono até a planta de beneficiamento, armazenagem e embarque dos produtos. O material a ser bombeado é estocado em tanques, que Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10280.003590/200681 Acórdão n.º 380302.775 S3TE03 Fl. 267 5 alimentam as bombas de carga, necessárias para injetar, sob pressão, a polpa que alimentará as bombas de pistão. Da mesma forma, parece evidente que o bombeamento do produto redisperso, com vistas ao deslocamento do produto, é etapa inerente ao processo produtivo, e os gastos relacionados com esta específica atividade devem ser admitidos no cálculo do ressarcimento como insumo. Revertamse as glosas a esse título porventura procedidas no presente processo. Conclusões Pelo exposto, voto por que se admita o creditamento de Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa relacionados aos gastos com serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento, efetivamente comprovados nos autos. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Alexandre Kern Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10280.003590/200681 Interessada: PARÁ PIGMENTOS S A. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.775, de 24 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção. Brasília DF, em 24 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10280.003590/200681 Acórdão n.º 380302.775 S3TE03 Fl. 268 7 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11020.002531/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INSUMOS. ALCANCE DO TERMO.
São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes.
CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS
NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi
consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da
contribuição.
CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE
VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito.
CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO.
INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL.
O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
ART. 62-A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS
QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-002.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e
higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas.
Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ART. 62-A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 2 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS não – cumulativo – Exportação, transmitido em 18/09/2008, relativo ao segundo trimestre de 2008, no valor de R$ 80.071,65. Também consta pedido de compensação para este crédito. A unidade de origem, após diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, buscando a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, emitiu Despacho Decisório embasado em Relatório Fiscal, por meio do qual reconheceu parcela do crédito invocado no valor de R$ 54.564,79 e homologou a compensação no limite do crédito reconhecido. Consta ainda que foram glosadas as seguintes despesas: a) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção); b) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção; c) Produtos sujeitos à alíquota zero; d) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, peças diversas); e) Materiais de Transporte; f) Crédito sobre bens do imobilizado; g) Compras de pessoa física. Cientificada em 24.03.2010, apresentou manifestação de inconformidade na qual impugna todas as glosas efetuadas pelo auditor fiscal e acima elencadas, e alega, em apertada síntese: a) Pretende o auditor aplicar o conceito do IPI para definição de insumos na apuração dos créditos de PIS, para fins da nãocumulatividade, quando inexiste lei formal permissiva para tal extensão interpretativa; b) O entendimento aplicado ao caso vai de encontro ao externado em decisões administrativas em situações análogas. Oportunamente colaciona decisões administrativas e judiciais favoráveis aos seus interesses; A DRJ em Belém não reconheceu a parcela do crédito impugnada (R$ 25.506,86) nem homologou a compensação declarada, conforme se observa da ementa que transcrevemos abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. PIS NÃOCUMULATIVO.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 13/06/2011, apresentou voluntariamente recurso em 29/06/2011 para este Conselho, no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e, pleiteia a reforma do julgado recorrido, com o deferimento do pedido de ressarcimento, considerando que a Recorrente planta, produz e comercializa maçãs, e demais atividades agropastoris. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Rasip Agropastoril S.A. tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 3 5 Busca a contribuinte a repetição do indébito relativo ao PIS nãocumulativo – exportação, relativo ao segundo trimestre de 2008, por meio de Per/Dcomp. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que os valores glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. A Recorrente utiliza como argumento, em suma, que todos os elementos objetos de glosa pelo auditor fiscal fazem parte do processo produtivo da empresa, de modo que os gastos e custos de produção devem gerar crédito de Pis/Pasep e COFINS. Sobre o tema central da discussão, em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 339DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 4 7 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumo" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Ademais, a tributação do IPI se relaciona com o produto, enquanto que a do PIS/Pasep e a COFINS se relaciona com a produção. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial, conforme preceitua os arts. 290 e 299 do RIR (despesas operacionais). Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 5 9 A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Assim, tal qual o Estudo realizado pela PGFN/COCAT, elaborado pela D. Procuradora Bruna Garcia Benevides, acerca do alcanse do termo “insumos” pra fins de creditamento das contribuições aqui abordadas, entendo que “apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Se entre tais dispêndios e os respectivos processos produtivos houver uma inerência direta, haverá, então, direito ao crédito pleiteado.” Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Neste ponto, faço minhas as palavras do Il. Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, no acórdão nº 310201.143, em trecho que transcrevo a seguir: “Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo.” Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. Tecidas essas considerações, passemos à análise mais específica das glosas procedidas pela autoridade preparadora em fls. 101/108 dos autos. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM EMPILHADEIRAS No relatório fiscal, narra o auditor responsável que quando da visita à empresa, verificouse que o contribuinte utilizava as empilhadeiras para descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento. Assim, pelo critério da essencialidade, observase que as empilhadeiras, participam efetivamente do processo produtivo da empresa uma vez que trabalham diretamente no produto, movimentando a maçã desde à produção até a expedição. Neste sentido, tendo em vista que a subtração do serviço importa em óbice à atividade da empresa, entendo que as despesas com as empilhadeiras devem gerar o creditamento . APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE Continua a narrativa do fiscal atuante, desta vez no tocante aos gastos oriundos de despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes sobre os quais tenta a empresa se creditar: A aquisição de combustíveis e lubrificantes constitui parcela vultosa do total de créditos escriturados pela contribuinte, de acordo com a memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Durante a execução da diligência fiscal à empresa constatamos que grande parte destes combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Tal constatação é embasada pelas informações contábeis da empresa, em especial no grupo de contas 13214 MOBILIZAÇÕES EM ANDAMENTO. Analisando o razão das contas de nível inferior (nível 5), constatamos que nas contas referentes aos pomares ainda i não produtivos ("POMAR NOVO") existem lançamentos a débito cujas contrapartidas estão localizadas nas contas de estoque, em especial na conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Ou seja, a contribuinte adquire os combustíveis e lubrificantes, realizando um lançamento a crédito em fornecedores e a débito nas contas de estoque e PIS/COFINS a recuperar. Contudo, parcela deste estoque de combustíveis não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba destinada ao ativo imobilizado. Seguindo o mesmo raciocínio do tópico anterior, somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do Pis pleiteado pela contribuinte. Assim, do estoque de combustíveis que não foram efetivamente utilizados como insumos e foram, portanto, destinados ao ativo imobilizado, destes valores não poderá a empresa se creditar. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 6 11 No que tange ao aproveitamento dos créditos relativos a bens sujeitos à alíquota zero, transcrevemos a vedação expressa apresentada pelo inciso II, §2° do art. 3º das Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Percebese que o que a somente possibilita a tomada de crédito relativamente a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Vale dizer: se sobre a receita gerada na operação anterior, quando da aquisição do bem ou serviço, não incidiram (ou estavam isentos ou sujeitos à alíquota zero) o PIS e a COFINS, não há que se falar em crédito na operação seguinte. 1 Este mesmo entendimento foi refletido no julgamento do Resp nº 1.134.90300/SP, submetido ao crivo dos recursos repetitivos (543C do CPC), que por força do art. 62A do RICARF estamos obrigados a reproduzir: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não 1 Vide: AMS 2006.32.00.0026522/AM, Rel. Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, Conv. Juíza Federal Gilda Sigmaringa Seixas (conv.), Sétima Turma,eDJF1 p.236 de 27/11/2009; IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO CREDITAMENTO INEXISTÊNCIA DO DIREITO EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353657, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe041 DIVULG 06032008 PUBLIC 07032008 EMENT VOL0231003 PP00502 RTJ VOL0020502 PP00807) Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 7 13 método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS DIVERSOS Restou apurado pela autoridade fiscal que a contribuinte , registra créditos sob a rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito" em seus DACONs. Através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Consta ainda que a fiscalizada trouxe neste momento nova memória de cálculo adicionando colunas para o número do bem aplicado, a descrição do bem, centro de custo, bem como a respectiva descrição de cada um dos itens inclusos como "Outros créditos". No tocante ao Centro de custos MAPE (máquinas pesadas), MACE (manutenção civil e elétrica), DIFR e MANU, tenho que as despesas vinculadas a estes centros de custos não podem ser consideradas insumos para fins de creditamento, tendo em vista que tais receitas descritas como "Oficina (geral)", "Conservação de maquinas (Geral)", incluindo até mesmo manutenção em veículos leves, ou seja, são utilizadas de diversas formas que não, diretamente e especificamente no processo produtivo que ora se analisa. As despesas com manutenção de veículos Gol, Ford Courier, Kombi e Meriva, bens destinados a estoque/oficinas,também seguem as considerações tecidas acima. Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Os demais insumos lançados na rubrica "Insumos Linha 2" e descritos pelo fiscal como estacas e fita para enxertia bem que deve ser destinado ao imobilizado; decalco de caminhão, areia, palitos, lonas, e vinhos não serão considerados por não apresentarem características de insumo. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE MATERIAL DE TRANSPORTE Outrossim, a autoridade fiscal glosou, ainda, o que considerou “embalagem de transporte”. Em sua justificativa, a glosa se fundou na impossibilidade de enquadrar a respectiva nas hipóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, seja como insumo da produção (inciso II), seja como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Para tanto, utilizouse da legislação do IPI, que distingue a embalagem de apresentação e a de acondicionamento para transporte, pois separam a que pode ser considerada insumo e a que não pode. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Não poderíamos concordar com tal decisão. Isso porque a embalagem de transporte, de fato, faz parte do custo de venda daquele produtor. Elas visam a conservação proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis como choques mecânicos, poeira, outros agentes contaminantes, água, umidade, etc, mormente porquanto será manuseada por pessoal não especializado. Assim, se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens em questão serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e podem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002. No caso do PIS, o inciso IX deixou bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este de tributos cobrados em toda da cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem de frete, descontandose os créditos de PIS e COFINS referentes a estes serviços da apuração do tributo correspondente. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE OS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO No que tange à defesa destinadas aos bens do ativo imobilizado, embora o relatório fiscal tenha detalhado a contabilidade apresentada pela Recorrente e identificado cada uma das glosas, percebese que a mesma limitouse a tecer considerações genéricas em relação ao ponto impugnado, alegando que a impossibilidade de verificação e identificação dos valores que compõem a glosa que nos dizeres do julgador de piso, se encontraram “em frontal antagonismo à evidente clareza e precisa descrição constante do ato impugnado”. Consequentemente, meras objeções genéricas e desacompanhadas de provas não serão conhecidas por inobservância do disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, o qual exige impugnação específica dos pontos em que haja discordância. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS Finalmente, no que toca a aquisição de produtos de pessoas físicas, consta do Relatório Fiscal que foram glosadas as seguintes aquisições realizadas de pessoas físicas: alfafa enfardada, mel, feno tifton, milho para consumo, bezerras parda, macho pardo, vacas registradas. 2 REsp 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Julgado em 19/08/2009. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 8 15 A autoridade preparadora glosou as referidas aquisições tendo em vista que tal procedimento não encontraria embasamento legal, consoante § 3º do art. 3º das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Assim, advoga a contribuinte tese defensiva no sentido de que a Lei n° 10.925 de 23 de julho de 2004 concedeu o direito ao contribuinte de efetuar o crédito presumido de PIS/COFINS nas aquisições de produtos de pessoas físicas tomando por vista que a Recorrente se enquadra no capítulo 4, como produtora de Leite e no capítulo 8 como produtora de maçã. Portanto, não se trataria de crédito básico de PIS e COFINS, mas sim de crédito presumido destas contribuições. Vejamos o dispositivo legal que rege a matéria: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada ao caput pela Lei n° 11.051, de 29.12.2004, DOU 30.12.2004) O normativo legal acima transcrito permite o aproveitamento de créditos relativos às aquisições de pessoas físicas condicionadas à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apesar de já mencionado no inicio do voto, a Recorrente tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Do conceito de insumos adotado no presente voto, percebese que produtos como alfafa enfardada, mel, feno tifton, milho para consumo, bezerras parda, macho pardo, vacas registradas encontramse inseridas no processo produtivo da empresa, sendo o mel, produto destinado à alimentação humana, oriundo da apicultura e os demais decorrentes da atividade agropecuária, sem os quais a contribuinte não produziria o leite comercializado, sendo, portanto, essencial à atividade da empresa. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto as maquinas que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), f) aquisições de pessoas físicas bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado não reconheço a parcela do crédito pleiteado decorrente de despesas contabilizadas como ativo imobilizado, manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), créditos sobre bens diversos que não tiveram contato direto com o produto e não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, assim como, apuração de créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero e a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado da Interessada (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES). [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Em relação ao voto vencido, há apenas duas questões a serem abordadas neste voto vencedor, sobre as quais houve entendimento majoritário em sentido contrário ao esposado pelo relator, a saber: a) direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório; b) direito ao creditamento em relação às aquisições de pessoas físicas – crédito presumido. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 9 17 No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 3. Como nos ensina Marco Aurélio Greco4, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Além da possibilidade, em tese, de um determinado bem cumprir, para fins de creditamento, o requisito de utilidade ou necessidade para a produção, devem constar dos autos informações convincentes de que ele seja aplicado diretamente na produção, sem o que não se pode concluir quanto à sua inclusão no conjunto de aquisições sobre o qual se calculará o direito creditório. I. Creditamento. Gastos com materiais de limpeza e higienização, cercas para rebanho e manutenção de laboratórios. Inobstante as peculiaridades da não cumulatividade das contribuições sociais, conforme acima abordado, não se pode ampliar o direito ao creditamento no sentido de 3 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 4 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 alcançar o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial. Conforme apontado pelo relator, a “autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado”, já que as contribuições incidem sobre a receita, e não sobre o lucro. Inexiste nos autos comprovação inequívoca de que os gastos com materiais de limpeza e higienização se encontram vinculados direta, necessária ou totalmente ao processo produtivo da pessoa jurídica. Os materiais de limpeza e higienização podem ser utilizados de forma generalizada em todos os departamentos e setores do estabelecimento, inclusive os administrativos, inexistindo nos autos prova manifesta que possibilite a discriminação de seu uso apenas no processo produtivo da pessoa jurídica. Quanto às cercas para rebanho, elas se mostram mais consentâneas com bens do ativo imobilizado, cujo direito ao creditamento deriva de depreciação e não do valor total de sua aquisição. Os dispêndios com manutenção de laboratório não se encontram discriminados da forma precisa que possibilite aferir a sua natureza, se vinculados ao processo produtivo ou não. Segundo a Fiscalização, essas despesas não se referem a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Nesse sentido, uma vez que não se têm por configurados os requisitos da utilidade ou da necessidade e da aplicação direta na produção, não se acatam tais dispêndios no cálculo do crédito decorrente da não cumulatividade da contribuição. II. Aquisições de pessoas físicas. Agroindústria. Ressarcimento do crédito presumido. Impossibilidade. A Lei n° 10.637/2002, que instituiu a contribuição para o PIS não cumulativa assim dispunha: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a aliquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10 Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à Fl. 351DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 10 19 alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11 Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: 1 seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de aliquota correspondente a 70% (setenta por cento) daquela constante do caput do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei n°10.865. de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. De acordo com os dispositivos legais supra, a agroindústria poderia se valer de créditos presumidos para deduzilos dos débitos a recolher em decorrência da não cumulatividade, podendo, ainda, nos casos de haver crédito disponível no final do trimestre, compensálos ou requerer seu ressarcimento, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Contudo, os §§ 10 e 11 do art. 3º acima reproduzidos foram revogados pela Medida Provisória n° 183/2004, convertida na Lei n° 10.925/2004, que reinstituiu os créditos presumidos da agoindústria nos seguintes termos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Fl. 352DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 Conforme excerto supra, a Lei n° 10.925/2004 dispôs sobre a possibilidade da pessoa jurídica apenas deduzir da contribuição devida em cada período de apuração o crédito presumido, tendo sido mantidas as revogações promovidas pela Medida Provisória que a originou, não se aplicando a partir de então, por conseguinte, a apuração da contribuição, no que se refere ao crédito presumido, da forma prevista no art. 3° da Lei nº 10.637/2002. Nessa nova sistemática, deixou de existir a possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido, por inexistir autorização legal nesse sentido, dado que, após as alterações legislativas supra referenciadas, o aproveitamento dos créditos da contribuição, via dedução, compensação ou ressarcimento, da forma prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, passou a se restringir aos casos de apuração na forma do art. 3º dos mesmos diplomas legais, não alcançando a nova hipótese de apuração do crédito presumido sob análise. A autorização legal à compensação e ao ressarcimento prevista no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 se restringe às hipóteses previstas no art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. Os artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se encontram abarcados pelo permissivo legal. Dessa forma, após a vigência da Lei n° 10.925/2004, passouse a prever, tão somente, o aproveitamento do crédito presumido por meio de dedução dos débitos da própria contribuição devida em cada período, na sistemática da não cumulatividade, não se aplicando, no caso, o disposto na Lei n° 11.116/2005. Eis o teor do art. 16 da Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Nos termos do caput do art. 16 supra, constatase que apenas nas hipóteses dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, o saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser utilizado por meio de compensação ou ressarcimento. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002531/200961 Acórdão n.º 380302.985 S3TE03 Fl. 11 21 Portanto, a partir da vigência da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido sob análise deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo, apenas, ser utilizado para a dedução dos débitos da contribuição devida em cada período na sistemática da não cumulatividade. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado, voto por NÃO RECONHECER o direito de crédito relativamente às parcelas decorrentes de (i) despesas contabilizadas como ativo imobilizado, (ii) manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), (iii) créditos sobre bens diversos que não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, (iv) créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero, (v) a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES), (vi) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório e (vii) aquisições de pessoas físicas (crédito presumido). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 22 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11020.002531/200961 Interessada: RASIP AGRO PASTORIL S/A 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.985, de 23 de maio de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 23 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13985.000174/2007-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 23/07/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO.
1. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
2. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.730
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO. 1. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 2. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Fl. 125DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13985.000174/200762 Acórdão n.º 280300.730 S2TE03 Fl. 120 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13985.000174/200762 Acórdão n.º 280300.730 S2TE03 Fl. 121 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (CFL 30) lavrado em desfavor do contribuinte acima indicado, por infringência ao disposto no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, por deixar a empresa de elaborar folha de pagamento dos segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. O Contribuinte, devidamente notificado em 30 de julho de 2007 (fls. 69), apresentou defesa tempestiva em 29 de agosto de 2007 (fls. 71/88). A impugnação foi julgada em 14 de dezembro de 2007, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/07/2006. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM AS NORMAS. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento de todos os segurados a seu serviço de acordo com as normas e padrões estabelecidos pela legislação previdenciária. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. VALOR DA MULTA. O valor da multa aplicada está de acordo com a legislação vigente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2000 a 31/07/2006. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITE DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13985.000174/200762 Acórdão n.º 280300.730 S2TE03 Fl. 122 4 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, repetindo basicamente os mesmos argumentos apresentados na impugnação, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização e os atos dela decorrentes, tornaramse viciados, e, via conseqüência direta, nula é a notificação impugnada, afinal, a inobservância do prazo legalmente fixado macula irremediavelmente a legislação positiva, dessa forma os lançamentos dai decorrentes são nulos de pleno direito. Temse como flagrantemente violados os dispositivos legais tanto do parágrafo 3° do art. 117 do RNGDTESC, como também, e principalmente, o que dispõe o art. 142 do CTN, o que garante, com juízo de certeza, o total acolhimento da preliminar suscitada. O Nobre Auditor da Receita Federal, redigiu a multa em questão, pelo fato da empresa recorrente deixar de elaborar folha de pagamento dos segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, verificando o início das possíveis omissões, no ano de 2000. Embora o Nobre Acórdão recorrido tenha julgado a autuação procedente, manifestandose no sentido de que, não há que se falar em prescrição ou decadência das competências inseridas no auto, pois o prazo decadencial para lançamento de crédito no âmbito previdenciário é de 10 (dez) anos, por força do art. 45, da Lei n° 8.212/91, discordamos desta Respeitável colocação, reiterando nosso entendimento de que, o prazo prescricional para o lançamento do crédito, extinguese após 05 (cinco) anos. Existe inconstitucionalidade formal das leis ordinárias em matéria previdenciária. Da total regularidade da quanto ao vínculo empregatício de todos os segurados a serviço da empresa, bem como, da regularidade das folhas de pagamento efetuadas pela recorrente. Insiste a empresa recorrente em destacar que, sabe de suas obrigações, e que, embora possivelmente possa ter deixado de preparar as folhas de maneira correta, certamente o fez, seguindo normas direcionadas, afinal, tudo que faziam, era sob o judice de funcionários do INSS, que ao que verificamos, indicavam diretrizes incorretas, e deixavam (se mesmo incorreto for), a empresa incorrer na prática irregular. Embora o fato descrito na Notificação efetuada pelo Nobre auditor fiscal, não tenha causado prejuízos aos funcionários ou ao fisco, cumprenos destacar que, o que ocorreu no caso em tela, foi orientação efetuada pelos próprios funcionários da Previdência Fl. 128DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13985.000174/200762 Acórdão n.º 280300.730 S2TE03 Fl. 123 5 Social, que indicavam a maneira de se proceder com regularidade, tendo os funcionários da empresa requerida, apenas cumprido às determinações e orientações expostas. Insta salientar também que, quem tem a capacidade técnica para verificar como proceder ao preparar as folhas de maneira correta é a empresa contábil que presta serviços, sendo esta também responsável pela correta aplicação da lei. O valor estipulado para a multa em questão pode ser considerado abusivo. O art. 32 da Lei 8212/91, mencionado no acórdão recorrido, só demonstra que realmente há uma abusividade na multa ora impugnada, não condizendo com a realidade dos fatos. Ao final, requer sejam analisados os argumentos acima expostos, sendo acolhidas as preliminares argüidas, considerandose a extrapolação do prazo fiscalizatório, bem como, a prescrição da pretensão punitiva, havendo o imediato cancelamento do auto de infração lavrado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13985.000174/200762 Acórdão n.º 280300.730 S2TE03 Fl. 124 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13985.000174/200762 Acórdão n.º 280300.730 S2TE03 Fl. 125 7 Pelo exposto, é obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A recorrente, em suas razões recursais (fls. 111) admite não ter cumprido a obrigação legal de confeccionar as folhas de pagamento nos padrões estabelecidos pela Seguridade Social, verbis: Insiste a empresa recorrente em destacar que, sabe de suas obrigações, e que, embora possivelmente possa ter deixado de preparar as folhas de maneira correta, certamente o fez, seguindo normas direcionadas, afinal, tudo que faziam, era sob o judice de funcionários do INSS, que ao que verificamos, indicavam diretrizes incorretas, e deixavam (se mesmo incorreto for), a empresa incorrer na prática irregular. (grifouse e negritouse) A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria MPS GM 142, de 11/04/2007, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social para R$1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos). Vêse da análise dos autos, que constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória, portanto, a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A discussão a respeito de ter havido ou não decadência em parte do lançamento tornase despicienda, in casu, tendo em vista tratarse de multa fixa, bastando o descumprimento de apenas uma competência para o lançamento ser mantido na sua forma originária, como é exatamente a situação destes autos. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13985.000174/200762 Acórdão n.º 280300.730 S2TE03 Fl. 126 8 É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001585/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento não
foram apontados indícios em desfavor da presunção de veracidade e
idoneidade dos recibos nem qualquer descumprimento de qualquer requisito legal inerente a estes documentos.
Numero da decisão: 2802-001.627
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento não foram apontados indícios em desfavor da presunção de veracidade e idoneidade dos recibos nem qualquer descumprimento de qualquer requisito legal inerente a estes documentos.
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COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento não foram apontados indícios em desfavor da presunção de veracidade e idoneidade dos recibos nem qualquer descumprimento de qualquer requisito legal inerente a estes documentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2007 , anocalendário 2006, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$49.533,00 em virtude de o contribuinte, uma vez intimado, não ter comprovado a efetividade do serviço prestado e respectivo desembolso referente a psicanalista (R$23.770,00), fisioterapeuta (R$10.763,00) e dentista (R$15.000,00), além de consignar que houve dedução de despesas com Rosana C. C. Gouveia que não é dependente. Tal como adequadamente lavrado no relatório de primeira instância, na impugnação foi alegado em síntese que: 1) Não há recibos emitidos em nome de Rosana C. C. Gouveia; 2) Os valores glosados foram comprovados por recibos idôneos e com todos os requisitos legais, mais relatórios e declaração dos profissionais; 3) Não houve afirmativa categórica de qual ato ilegal o contribuinte praticou; 4) Somente na falta de recibo, a lei faculta comprovação através de cheque; 5) 0 fisco não demonstrou os motivos para solicitar prova efetiva da prestação de serviços. Não ocorreu procedimento adminiarativo que ateste inidoneidade dos recibos apresentados. Cita decisões administrativas; 6) contribuinte agiu de boa fé e se esforçou em levar mais elementos de comprovação do efetivo serviço prestado; 7) Os profissionais pagaram impostos referentes As receitas auferidas, não podendo o fisco glosar as despesas médicas e ainda receber pelos serviços prestados; 8) Requer: provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente documental e pericial e juntada de novos elementos; cancelamento do auto de infração com restabelecimento das deduções. A impugnação foi indeferida pela 10ª Turma da DRJ São Paulo II, cujos principais fundamentos foram que, embora tenha constado na autuação glosa de despesas em favor de Rosana Gouveia e não conste nos autos despesas em benefício desta pessoa, não houve prejuízo à defesa que foi integralmente exercida com a impugnação, e que as despesas médicas para serem deduzidas dependem da comprovação por parte do contribuinte da efetiva prestação dos serviços e do desembolso correspondente, a juízo da autoridade lançadora (art. 73 do RIR1999), sendo os recibos prova apenas a priori e os relatórios e declarações dos prestadores de serviço insuficientes para justificar a dedução. O acórdão recorrido apontou, ainda, que as despesas foram de valores elevados o que justifica questionar a validade dos recibos apresentados à fiscalização (fls. 61 e Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.001585/200943 Acórdão n.º 2802001.627 S2TE02 Fl. 139 3 64/83) e reapresentados com a impugnação (fls. 13/24), além de fazer as seguintes objeções referentes à formalidade dos recibos perante a legislação: Às fls. 12/17 — recibos referentes a tratamento de fisioterapia, sem constar o endereço do profissional e sem comprovação do efetivo tratamento e do pagamento, emitidos por Nery Adriane E. F. dos Santos; Às fls. 12 — recibo único referente a serviços profissionais prestados, sem especificar o tratamento, indicando pacientes o próprio contribuinte e dependentes e sem comprovação do efetivo tratamento e do pagamento, emitido por Claudio Sérgio Mucci; Às fls. 17 — recibo único referente a serviços de fisioterapia na família (anual), sem especificar o tratamento, não indicando os pacientes nominalmente e sem comprovação do efetivo tratamento e do pagamento, emitido por Marcela Pereira dos Santos Às fls. 18/29 — recibos referentes a tratamento psicológico familiar, sem identificar os pacientes, sem constar o endereço do profissional e sem comprovação do efetivo tratamento e do pagamento, emitidos por José Francisco Cetertick Neto. Ciente da decisão de primeira instância em 25/10/2010, o recorrente apresentou recurso voluntário em 24/11/2010, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. o julgador não se ateve aos documentos apresentados e muito menos aos argumentos do recorrente, os quais reitera no presente recurso; 2. as despesas foram comprovadas com recibos idôneos apresentados ao AuditorFiscal, que glosou a dedução sem apontar o ato ilegal praticado, que certamente não foi a falta de comprovação; 3. o acórdão recorrido cita o art. 368 do CPC e art. 219 do CC deixando claro o cerceamento do direito de defesa ao não deixar de intimar o impugnante para produção de outras provas, muito embora houvesse requerimento neste sentido; 4. o art. 219 do Código Civil é inaplicável neste caso; 5. a glosa representa apenas animo de arrecadar, pois não houve representação acerca de falsidade sem se procurou os profissionais emitentes dos recibos que estariam pagando mais imposto; 6. além dos recibos hábeis e idôneos, apresentou outras provas da prestação de serviço como relatórios de atendimento e declarações firmadas pelos profissionais Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 acima citados, documentos não valorizados no acórdão recorrido; e 7. não há obrigação de fazer pagamento dessas despesas em cheque ou transferência bancária e a decisão recorrida contraria jurisprudência deste Conselho, especialmente por não demonstrar os motivos que levaram o Auditor Fiscal a solicitar provas da efetiva prestações de serviço, além dos recibos entregues tempestivamente, não há prova consistente nos autos que contrarie as que foram produzidas pelo recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio trata de comprovação de despesas médicas. Em casos desta natureza, tenho reiteradamente decidido que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e nela não vejo apontamento algum de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, logo não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. A autoridade fiscal não apontou quais as razões pelas quais os recibos apresentados não são suficientes ainda que atendam as formalidades legais. Não fez qualquer ressalva quanto a aspectos formais, o que somente ocorreu na decisão de primeira instância. A fundamentação de que houve despesas com Rosana Gouveia, não dependente, fica prejudicada por falta de comprovação a cargo da autoridade lançadora. Os documentos comprobatórios apresentados pelo recorrente estão acostados às fls. 13/24 e novamente fls. 61 e 64/83. Em que pese seja sensível às preocupações do julgador de primeira instância, tomo como premissa que o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.001585/200943 Acórdão n.º 2802001.627 S2TE02 Fl. 140 5 Não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que permitam eventual deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Não havendo prova em desfavor dos recibos, das declarações e relatórios elaborados pelos profissionais – ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.001585/200943 Acórdão n.º 2802001.627 S2TE02 Fl. 141 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 24 de maio de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.911414/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECORRÊNCIA. PREVENÇÃO. MOMENTOS PROCESSUAIS DISTINTOS. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR.
Tendo em vista que processo conexo já foi distribuído e teve seu mérito analisado, não é mais o momento para a utilização do instituto da prevenção para o julgamento da causa, nos termos do Regimento Interno do CARF e do artigo 58 do Novo Código de Processo Civil, mas sim da aplicação da decisão já proferida por este Conselho, sobre os mesmos fatos, para o processo sob apreço.
SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO.
É vedado o ressarcimento do crédito do trimestre-calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI.
Numero da decisão: 3402-007.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECORRÊNCIA. PREVENÇÃO. MOMENTOS PROCESSUAIS DISTINTOS. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR. Tendo em vista que processo conexo já foi distribuído e teve seu mérito analisado, não é mais o momento para a utilização do instituto da prevenção para o julgamento da causa, nos termos do Regimento Interno do CARF e do artigo 58 do Novo Código de Processo Civil, mas sim da aplicação da decisão já proferida por este Conselho, sobre os mesmos fatos, para o processo sob apreço. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestre-calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
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DECORRÊNCIA. PREVENÇÃO. MOMENTOS PROCESSUAIS DISTINTOS. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR. Tendo em vista que processo conexo já foi distribuído e teve seu mérito analisado, não é mais o momento para a utilização do instituto da prevenção para o julgamento da causa, nos termos do Regimento Interno do CARF e do artigo 58 do Novo Código de Processo Civil, mas sim da aplicação da decisão já proferida por este Conselho, sobre os mesmos fatos, para o processo sob apreço. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestre-calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 14 14 /2 01 1- 13 Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.911414/2011-13 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata-se da manifestação de inconformidade (fls. 2 a 7), protocolizada em 14 de agosto de 2012, face ao Despacho Decisório Eletrônico (DDE) nº 024923870 de fls. 8, comunicado em 16 de julho de 2012, referente ao 1º trimestre de 2008 o qual não reconheceu crédito de IPI registrado no PER/DCOMP nº 03705.22513.150708.1.5.01- 0339, bem como não homologou compensação ali declarada. As razões do não reconhecimento e não homologação foram: - Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado - Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. O presente processo e sua decisão pela DRF foram originados pelo processo nº 11020.721841/2012-84, onde foi efetuado lançamento de IPI decorrente de divergência na classificação fiscal de produtos vendidos pela Tibre, o que resultou em débitos superiores aos registrados pela empresa, o que acarretou a insuficiência de saldo credor de IPI para ressarcimento. Neste ponto, a presente manifestação de inconformidade repete os pontos lá discutidos, ou seja, a divergência da classificação fiscal apontada pela fiscalização e que resultou no lançamento de novos débitos de IPI, os quais, deduzidos dos créditos apurados pela manifestante, resultaram na decisão proferida no Despacho Decisório Eletrônico (DDE) contra o qual a manifestante se opõe. Repetiu o pedido de produção de provas em outros momentos processuais. Uma vez que nenhum outro ponto foi apontado na peça de defesa, nada mais há a acrescentar. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Porto Alegre/RS, cuja ementa segue colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestre-calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.911414/2011-13 Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como se depreende do relato acima, a lide resume-se a mesma discussão travada nos autos do Processo n. 11020.721841/2012-84, no qual foi efetuado lançamento de IPI decorrente de divergência na classificação fiscal de produtos vendidos pela Recorrente, resultando em débitos superiores aos registrados pela empresa e, por conseguinte, a insuficiência de saldo credor de IPI para ressarcimento pleiteado. Efetivamente, a questão controvertida no Processo Administrativo nº 11020.721841/2012-84 versa sobre os mesmos fatos, mesmo período e mesmíssima fundamentação da travada nos presentes autos, como se constata da leitura do Acórdão n. 3402002.949, de 15/03/2016, da lavra do Conselheiro Jorge Freire. Tratar-se-ia, portanto, de situação de decorrência de processos para julgamento conjunto, nos moldes do artigo 6º, §1º, inciso II do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (grifei) Este mesmo dispositivo de nosso Regimento Interno, estabelece em seu § 2º que “observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão.” Tal norma tem por escopo evitar decisões conflitantes a respeito dos mesmos fatos ou pedidos, tratados em processos administrativos fiscais distintos. Por essa razão, é de suma importância a sua observância, sob pena de ferir um dos maiores objetivos deste Tribunal, uma vez que o Novo Código de Processo Civil (NCPC), cuja aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal agora é expressa (artigo 15) 1 , determina em seu artigo 926 que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente.” Pois bem. Em consulta sobre o andamento do Processo n. 11020.721841/2012-84, como já mencionado acima, verifica-se que o mesmo não só já foi distribuído para relato do 1 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.911414/2011-13 Conselheiro Jorge Freire, como também já teve sua análise concluída, na qual a este Colegiado em sua anterior composição, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, em julgado ao qual foi atribuída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PARTES E PEÇAS METÁLICAS. TRV. As partes e peças metálicas, inclusive estruturais, destinadas, após montagem, a receber equipamentos de produção de frio, que compõem um Túnel de Retenção Variável (TRV), classificam-se na NCM 8418.91.00. PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se os pedidos de perícia, por prescindíveis, quando a matéria técnica passível de análise em tal procedimento não interferir nas questões de direito que determinaram a convicção do julgador, bem como na formação de seu juízo valorativo acerca do litígio. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Tendo em vista que o Processo principal já foi distribuído e teve seu mérito analisado, não é mais o momento para a utilização do instituto da prevenção para o julgamento da causa, nos termos do Regimento Interno do CARF e do artigo 58 do Novo Código de Processo Civil, 2 mas sim da aplicação da decisão já proferida por este Conselho, sobre os mesmos fatos, para o processo ora sob apreço. Nesse sentido, forçoso reconhecer que este Conselho, debruçando-se sobre o mesmos pontos que aqui se discutem, no julgamento do Processo n. 11020.721841/2012-84, entendeu, nos dizeres do Relator, que: Não há dúvida que as partes e peças que constam nas notas fiscais a que se refere à exação destinam-se à montagem de uma estrutura destinada a receber os equipamentos de refrigeração, mais especificamente o chamado Túnel de Retenção Variável (TRV). As fotos acostadas aos autos às fls. 182 a 199, não deixam margem a qualquer dúvida. Assim, correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização, qual seja NCM 8418.91.00, cuja alíquota no período era 15%. O fato desta classificação fiscal referir-se ao termo móvel, ao qual apegou-se a defesa tão-somente, está correto, pois não se tratam de galpões industriais que possam ser enquadradas na NCM de estruturas metálicas. E de fato são peças móveis, pois foram montados na empresa adquirente sob especificação desta. Talvez por isso a recorrente tenha se negado a fornecer os projetos de seus clientes, o que apenas dificultou a ação fiscal. Tal entendimento, há de ser aplicado no presente caso, decorrente daquele, ressalvando meu entendimento pessoal a respeito da correta classificação fiscal das mercadorias em apreço, já manifestado naquela oportunidade. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz 2 Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente. Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.911414/2011-13 Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13826.000285/2006-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
NORMAS PROCESSUAIS.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO.
Não se deve conhecer do Recurso Voluntário quando a matéria não foi
impugnada em primeira instância
Numero da decisão: 2802-000.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos NÃO
CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a), sem prejuízo de a Unidade da Receita Federal, na fase de cobrança, no exercício de sua competência, observar os
pagamentos que o recorrente alega ter efetuado. Os Conselheiros Lúcia Reiko Sakae, Luis Fabiano Alves Penteado e Jorge Claudio Duarte Cardoso votaram pelas conclusões por entender que não há litígio contra a decisão de primeira instância.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. Não se deve conhecer do Recurso Voluntário quando a matéria não foi impugnada em primeira instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a), sem prejuízo de a Unidade da Receita Federal, na fase de cobrança, no exercício de sua competência, observar os pagamentos que o recorrente alega ter efetuado. Os Conselheiros Lúcia Reiko Sakae, Luis Fabiano Alves Penteado e Jorge Claudio Duarte Cardoso votaram pelas conclusões por entender que não há litígio contra a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: : Lúcia Reiko Sakae, Luis Fabiano Alves Penteado (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 27/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de fl. 31, lavrada para a exigência do IRPF Suplementar , relativo ao Exercício de 2001 – Ano Calendário 2000, no valor de R$4.23,75, acrescido de Multa de Ofício e Juros de Mora calculados até 08 de 2006. Conforme demonstrativo das infrações de fls. 35, a exigência decorreu da constatação de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. Discordando da exigência fiscal, o interessado apresenta a impugnação, acompanhada dos documentos de fls. 03 a 30, argumentando, em síntese, consoante o relatório da decisão em primeira instância, que é portador de doença degenerativa progressiva, que lhe dá direito de ser isento do imposto de renda pessoa física, apresentando xerox de todos os documentos que possui para comprovar a sua doença degenerativa e afirmando ser funcionário público municipal aposentado. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII,decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendose o crédito tributário, sob o seguinte fundamento: “Versa a lide sobre a isenção aplicável aos rendimentos de aposentadoria percebidos por portadores de moléstia grave. Cumpre observar que a legislação que dispõe sobre a isenção para os portadores de moléstia grave, é outorgada pelo art. 6o, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, com a nova redação dada pelo art 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/1992, e pela Lei nº 11.052. de 29/12/2004, ficando assim regulamentada a questão: "Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ()" Dispondo sobre essa concessão, o artigo 30 da Lei n° 9.250 de 26/12/1995 veio a exigir, a partir de 1o de janeiro de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 27/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 13826.000285/200611 Acórdão n.º 280200.781 S2TE02 Fl. 2 3 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, como se verifica na transcrição do texto legal que se segue: "Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...)" A respeito do termo inicial da isenção a Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001, que consolidou a legislação do imposto de renda das pessoas físicas, dispõe em seu art. 5o, §2° que: "Art. 5o Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) § 2 a A isenção a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial” Para comprovar o direito à isenção, o contribuinte juntou aos autos os documentos de fls. 03 e 11. Apesar do recorrente afirmar que solicitou a restituição do imposto de renda pago no anocalendário 2000, pelo motivo de ser portador de doença degenerativa progressiva, uma vez que a lei vigente dá direito de isenção do imposto de renda pessoa física, pelos documentos juntados aos autos não se comprovam ser o contribuinte portador de moléstia grave no anocalendário 2000. O documento de fl. 03, expedido em formulário da Prefeitura Municipal de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 27/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 4 Palmital, Departamento Municipal de Saúde, datado de 16/04/2003, atesta que naquela data o contribuinte é portador de Doença de Parkinson, não trazendo a data em que a moléstia foi diagnosticada. Também o documento de fl. 11, emitido em 05/05/2006, pelo Departamento Municipal de Saúde de Palmital, atesta que o impugnante é portador de Doença Parkinson, sem entretanto, fixar a data em que a moléstia foi contraída/diagnosticada. A interpretação deve ser literal, conforme prevista no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. Assim, se não há nos documentos apresentados, a data de início da moléstia, só pode a autoridade administrativa reconhecer a isenção a partir da data de emissão do laudo nos termos da IN SRF n.° 15 de 2001, já transcrita, não podendo a autoridade administrativa concluir que o contribuinte já possuía a doença em 2000. Com efeito, do que foi trazido ao presente processo, concluise que, no caso concreto, o impugnante não logrou demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela norma legal como necessários e imprescindíveis para usufruir a isenção do imposto de renda.” O recorrente foi cientificado, por Aviso de Recebimento (fl. 61), da decisão da em primeira instância em 15 de agosto de 2008 e apresentou recurso (fl. 62) em 15 de setembro de 2008, alegando, em síntese, que inicialmente apresentou a SRF uma Declaração de Imposto de Renda – Exercício 2001 Ano Calendário 200, com saldo de Imposto a Pagar no valor de R$4.231,75, devidamente recolhido em 04 parcelas de R$1.057,93. Posteriormente apresentou declaração retificadora , por entender que por ser portador de moléstia grave teria direito a restituição. Como o resultado da decisão de Primeira Instância foi pela improcedência do seu pleito requer, neste ato que o valor pago seja considerado. Assim solicita o cancelamento da exigência constante nos autos por entender que já efetuou o recolhimento. Instruindo o seu recurso apresenta às fls 65 e 66 cópia de DARFs, relativos a recolhimento de IRPF 2001. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 67, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE Como no relatório deste acórdão se viu, a recorrente concorda com o resultado da Decisão de Primeira instância, mas pretende que o valor que alega ter recolhido a título de quotas de IRPF, correspondentes ao Saldo de Imposto a pagar apurado na Declaração Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 27/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 13826.000285/200611 Acórdão n.º 280200.781 S2TE02 Fl. 3 5 Originalmente apresentada para o Exercício 2001 – Ano calendário 2000, seja considerado e que seja cancelada a cobrança do IRPF suplementar constante no Auto de Infração ora rechaçado. Em relação a dedução dos valores pagos, a decisão recorrida deixou de manifestarse sobre ela, porquanto esta questão não fizera parte da peça impugnatória, isto é, não fora contestada na impugnação. O fato de a matéria não haver sido arguida na primeira instância, por si só, já afasta a possibilidade de vir a ser conhecida por este Colegiado, pois , como é de todos sabido, (art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72), só é lícito deduzir novas alegações, em supressão de instância, quando: • Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior . • Refirase a fato ou a direito superveniente . • Destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. As alegações de defesa são faculdade do demandado, mas constituise em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazêlo posteriormente, pois, nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um olhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitarse questões já ultrapassadas em fases anteriores . Daí, não tendo sido deduzida a tempo, em primeira instância, a razão apresentada na fase recursal, não se pode dela conhecer. Por fim, ressalto que quando na cobrança do crédito tributário as parcelas alegadamente pagas pelo recorrente, caso confirmadas, devem ser deduzidas do valor a ser exigido do contribuinte. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 13 de abril de 2011. (assinado digitalmente) DAYSE FERNANDES LEITERelatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 27/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 26/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 27/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO
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