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Numero do processo: 10880.720879/2006-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1995 a 30/06/2000
DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR A 31/10/2003. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO OBRIGATÓRIO.
Anteriormente vigia na Receita Federal o entendimento de que a DTCF somente tinha efeito de confissão de dívida em relação ao saldo a pagar, sendo que os demais débitos informados na DCTF em outras condições, tais como compensação ou suspensão por medida judicial, quando não confirmadas as situações relatadas, deveriam ser objeto de lançamento de ofício (art. 2º da IN SRF nº 45/98, na alteração dada IN SRF nº 15/2000 e art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001).
Esse posicionamento foi alterado com a superveniência do art. 18 da Medida Provisória nº 135, publicada em 31.10.2003, depois convertida na Lei nº 10.833/2003, que limitou as hipóteses de lançamento de ofício descritas no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001.
Também a declaração de compensação, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confissão de dívida em relação aos débitos nela declarados, status que só lhe foi conferido pela Medida Provisória nº 135/2003, que introduziu disposição expressa nesse sentido no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
Dessa forma, em relação aos débitos sob compensação, a DCTF e a Declaração de Compensação transmitidas anteriormente a 31.10.2003 não tinham efeito de confissão de dívida, razão pela qual os débitos deveriam ser constituídos mediante lançamento de ofício no prazo quinzenal, o não foi efetivo, o que impõe o reconhecimento da decadência em constituí-los.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 15/12/1995 a 20/04/2000
COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Tal vedação, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência do art. 170-A, do CNT, exata situação ocorrida neste processo.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-009.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda em constituir o crédito tributário referente aos débitos de IRPJ (R$ 2.487.849,28 PA 04/03), CSLL (R$3.576.634,24 PA 04/03) e IRPJ (R$ 1.000.000,00 PA 05/03), e possibilitar que a DRF analise os créditos pleiteados pela Recorrente, mesmo que pendentes de decisão com trânsito em julgado da decisão de liquidação de sentença, uma vez que a ela não se aplica a prescrição do art. 170-A, do CTN.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata da Silveira Bilhim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Renata da Silveira Bilhim, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado(a)), Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Joao Jose Schini Norbiato.
Nome do relator: RENATA DA SILVEIRA BILHIM
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR A 31/10/2003. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO OBRIGATÓRIO. Anteriormente vigia na Receita Federal o entendimento de que a DTCF somente tinha efeito de confissão de dívida em relação ao saldo a pagar, sendo que os demais débitos informados na DCTF em outras condições, tais como compensação ou suspensão por medida judicial, quando não confirmadas as situações relatadas, deveriam ser objeto de lançamento de ofício (art. 2º da IN SRF nº 45/98, na alteração dada IN SRF nº 15/2000 e art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001). Esse posicionamento foi alterado com a superveniência do art. 18 da Medida Provisória nº 135, publicada em 31.10.2003, depois convertida na Lei nº 10.833/2003, que limitou as hipóteses de lançamento de ofício descritas no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Também a declaração de compensação, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confissão de dívida em relação aos débitos nela declarados, status que só lhe foi conferido pela Medida Provisória nº 135/2003, que introduziu disposição expressa nesse sentido no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, em relação aos débitos sob compensação, a DCTF e a Declaração de Compensação transmitidas anteriormente a 31.10.2003 não tinham efeito de confissão de dívida, razão pela qual os débitos deveriam ser constituídos mediante lançamento de ofício no prazo quinzenal, o não foi efetivo, o que impõe o reconhecimento da decadência em constituí-los. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 15/12/1995 a 20/04/2000 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Tal vedação, todavia, não se aplica a ações judiciais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 08 79 /2 00 6- 07 Fl. 346DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 propostas em data anterior à vigência do art. 170-A, do CNT, exata situação ocorrida neste processo. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda em constituir o crédito tributário referente aos débitos de IRPJ (R$ 2.487.849,28 – PA 04/03), CSLL (R$3.576.634,24 – PA 04/03) e IRPJ (R$ 1.000.000,00 – PA 05/03), e possibilitar que a DRF analise os créditos pleiteados pela Recorrente, mesmo que pendentes de decisão com trânsito em julgado da decisão de liquidação de sentença, uma vez que a ela não se aplica a prescrição do art. 170-A, do CTN. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Renata da Silveira Bilhim, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado(a)), Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Joao Jose Schini Norbiato. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 14.52.458, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão recorrida possui a seguinte ementa, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1995 a 20/04/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não se cogita de nulidade de despacho decisório que tenha sido emitido com a devida fundamentação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/1995 a 20/04/2000 Fl. 347DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. FALTA DE LIQUIDEZ. LIQUIDAÇÃO. CONDIÇÃO PARA APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. Tendo sido condicionado, no próprio aresto, o aproveitamento do crédito à liquidação de sentença, a compensação não poderia ser efetuada anteriormente a ela. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, reproduzo o relatório desenvolvido pela DRJ e retratado no Acórdão recorrido, o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata-se de manifestação de inconformidade (e-fls. 142 a 151) apresentada em 27 de junho de 2008 contra despacho decisório (e-fls. 130 a 138) de 28 de maio de 2001, que não homologou declaração de compensação com créditos de IPI do dezembro de 1995 a abril de 2000, apresentada em 30 de maio de 2003. O despacho decisório teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 15/12/95 a 20/04/2000 Ementa: Crédito-Prêmio de IPI O direito ao Crédito-Prêmio de IPI na exportação, autorizado em ação judicial, para registro na escrita fiscal do contribuinte, somente poderá ser aproveitado, em compensação ou ressarcimento, quando a ação respectiva transitar em julgado após a liquidação da sentença. Dispositivo legal: Art. 170 da Lei n° 5.172, de 26 de outubro de 1966 (CTN). DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADAS Conforme os trechos a seguir reproduzidos da fundamentação legal, o entendimento expresso no despacho foi o de que, sem a liquidação da sentença, não haveria liquidez e certeza dos créditos: 39. Percebe-se o posicionamento da DRJ/POA através da leitura da decisão DRJ/POA n° 575, de 28/05/2001 (fls. 102/105), a qual, a respeito da oportunidade da utilização do crédito-prêmio, fundamenta que "não se discute, logicamente, o mérito do Crédito-Prêmio assegurado em decisão judicial transitada em julgado. Apenas a oportunidade da sua utilização e esta subordina-se à liquidação da sentença, quando serão determinados os índices de correção monetária aplicáveis aos cálculos, para só então conhecer-se a extensão da condenação, não obstante o trânsito em julgado da respectiva ação, ação essa que, embora ordinária declaratória, de conhecimento, condenou a Unido, com ressalva da liquidação da sentença, a aceitar o crédito na escrita fiscal do autor, hipótese de aproveitamento inexistente nas normas disciplinadoras, quando ainda vigorava dito incentivo.(...) O procedimento correto será o registro na escrita fiscal, quando da liquidação da sentença, para compensar com os débitos do imposto então existente e dai pra frente. 40. Por fim, o 2° Conselho de Contribuintes, como não poderia deixar de ser, têm decidido a respeito do tema confirmando a necessidade de liquidez e certeza dos créditos para fins de compensação com débitos do sujeito passivo, a Fl. 348DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 exemplo dos Acórdãos nºs 202-14652 e 203-09424, em sessões de 18/03/2003 e 16/02/2004, respectivamente, cujas ementas, na mesma ordem, estão assim redigidas: (...) Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, inicialmente, nulidade do despacho decisório, por ausência de motivação válida, uma vez que teria havido homologação dos cálculos efetuados por perito judicial. Citou, a seguir, normas administrativas que tratam da compensação de créditos reconhecidos judicialmente, concluindo o seguinte: Como se vê, as normas que regulam o procedimento de a compensação de valores, em que o direito foi reconhecido por decisão judicial, apenas exige a comprovação do trânsito da sentença do processo de conhecimento. E no presente caso, essa comprovação não é motivo de dúvida pois, a própria Autoridade Fiscal expressamente assegura no r. despacho recorrido que o crédito em análise é decorrente de decisão judicial transitada em julgado. Por fim, concluiu o que segue: Aqui comporta lembrar que, a Lei n° 9.784/99, em seu artigo 2°, dispõe que: "A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." Logo não se pode conceber a existência de ato administrativo, como no caso concreto, em que a Autoridade Fiscal deixa de observar as normas próprias do procedimento de compensação e procura fundamentar sua decisão apenas com o artigo 170, do CTN, quando se sabe que tal dispositivos não pode ser considerado de forma isolada, sem a devida integração com a Lei Ordinária que veio lhe regulamentar, No presente caso, não há como fugir da nulidade da r. decisão recorrida, ou quando menos, da necessidade 'de sua reforma, sob pena de ofensa a Lei n° 9.430/96, às normas da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil e à ordem emanada do Poder Judicial. Além de configurar evidente excesso de exação. Cientificada da decisão da DRJ em 09/03/2015, conforme Termo de Ciência de fls. 243, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, na data de 09/04/2015, pugnando, preliminarmente, pela decadência dos débitos dos meses de maio e junho de 2003 e, no mérito, pleiteia o provimento do recurso e homologação integral da compensação efetuada, com a consequente extinção do crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Conselheiro Renata da Silveira Bilhim, Relator. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verifica-se a tempestividade do Recurso Voluntário, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 349DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 2. Síntese do Caso Tratam-se de Declarações de Compensação (fls. 5 a 16) transmitidos pela Recorrente em 30/05/2003 (DCOMP nº 42244.19273.300503.1.3.57-0204), 30/06/2003 (DCOMP nº 32239.60977.300603.1.3.57-0264) e 04/01/2005 (DCOMP nº 11481.12099.040105.1.3.57-7283), visando o aproveitamento de crédito de IPI reconhecido em decisão judicial (processo nº 1995.00.01222-7, atual 0001222-701995.404-7100) transitada em julgado com débitos de IRPJ e CSLL. Em 29/05/2008, o Contribuinte foi cientificado (fl. 141) do teor do Despacho Decisório de fl. 130 a 139, que não homologou as compensações requeridas com débitos de IPI, efetuadas com base no crédito oriundo da Ação Judicial por entender que a sentença transita em julgado foi ilíquida, e que o pleito somente seria possível após o trânsito em julgado da liquidação da sentença. A ementa do Despacho foi a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 15/12/95 a 20/04/2000 Ementa: Crédito-Prêmio de IPI O direito ao Crédito-Prêmio de IPI na exportação, autorizado em ação judicial, para registro na escrita fiscal do contribuinte, somente poderá ser aproveitado, em compensação ou ressarcimento, quando a ação respectiva transitar em julgado após a liquidação da sentença. Dispositivo legal: Art. 170 da Lei n° 5.172, de 26 de outubro de 1966 (CTN). DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADAS A DRJ manteve as razões do despacho decisório e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, reiterando que as compensações somente poderiam ser realizadas após a liquidação da sentença. Em Recurso Voluntário, a Recorrente pleiteia, preliminarmente, o reconhecimento da decadência dos débitos exigidos relativos aos meses de maio e junho de 2003 e, no mérito, requer a homologação das compensações efetuadas pelas razões que serão abaixo analisadas. 2. Preliminar - Decadência Preliminarmente, a Contribuinte aduz que a cobrança de débitos decorrentes de compensações informadas em DCTF, realizadas antes de 30/10/2003, somente poderia ocorrer mediante o imprescindível lançamento, conforme jurisprudência pacificada do STJ, razão pela qual os débitos referentes aos meses de maio e junho de 2003 foram fulminados pela decadência, que pode ser reconhecida de ofício. Argumenta a Recorrente que entre 27/08/2001 e 31/10/2003, a Dcomp e a DCTF não constituiriam crédito tributário e, portanto, seria necessário que houvesse lançamento de ofício para respectiva exigência, conforme artigo 90, da MP nº 2.158-35/01, o qual derrogou o § 1º, art. 5º do Decreto-lei nº 2.124/84. Fl. 350DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 Antes de tudo, vale destacar que tal matéria não foi suscitada em manifestação de inconformidade, porém, por se tratar de matéria de ordem pública, analisarei o argumento, uma vez que a decadência pode ser reconhecida de ofício, se for o caso. Vejamos: A controvérsia reside sobre a necessidade de lavratura de auto de infração, mediante lançamento de ofício, para a constituição do crédito tributário referente a débito informado em DCTF, cuja extinção pretendida derivou de compensação não homologada, e, na sua ausência, se ocorreu ou não a decadência. Sobre o assunto, importa destacar que a Declaração de Compensação, por si só, somente, a partir da 31/10/2003, passou a ser reconhecida como confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados, dispensado, neste caso, o lançamento de ofício. Isso porque a Medida Provisória nº 135, publicada em 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, assim estabeleceu em seu art. 17, in verbis: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74 .................................................................................. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (grifou-se) Antes de tal alteração, a Medida Provisória nº 66/2002, vigente na época dos fatos em análise, não tinha previsão de que a declaração de compensação se constituía em confissão de dívida, e o art. 90, da Medida Provisória nº 2.158/2001, determinava a exigência de lançamento de ofício para a formalização da cobrança dos débitos declaradas na DCOMP: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posteriormente, a Medida Provisória nº 75/2002, restringiu a necessidade de lançamento de ofício às hipóteses em que os débitos fossem declarados em DCTF como pagos mediante compensação, confira: Art. 3º A aplicação do disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, fica limitada aos casos em que as diferenças apuradas decorrem de: I - na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa; Fl. 351DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 II - demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fica caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Referida MP foi rejeitada pelo Congresso Nacional, porém enquanto ainda vigente, foi editada a IN 255/2002, tratando sobre o tema: Art. 8º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 2º Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3º Os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. § 4º Serão objeto de lançamento de ofício, com multa agravada, as diferenças apuradas na DCTF, conforme disposto no § 3º, quando decorrerem de: I - na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa; II - demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fique caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (grifou-se) Ato contínuo, o art. 18, nº 135/2003, manteve a exigência do lançamento de ofício, de que trata o art. 90, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, apenas para a imposição da multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensações indevidas, conforme texto abaixo reproduzido: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 352DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (grifou-se) Desta forma, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) transmitida anteriormente a 31/10/2003, informando a liquidação de débito mediante compensação e sem saldo a pagar, não configurava confissão de dívida e/ou constituição de crédito tributário, devendo o Fisco, necessariamente, dentro do prazo quinquenal, efetuar o lançamento de ofício. Nessa linha, o art. 2º, da IN SRF nº 45, de 05 de maio de 1998, com a alteração dada pela IN SRF nº 15, de 14 de fevereiro de 2000, previa que somente o saldo a pagar declarado na DCTF era considerado confissão de dívida, passível de imediata execução pela Procuradoria da Fazenda, sendo que os demais débitos informados da DCTF deveriam, quando não confirmadas as situações relatadas (compensação), ser objeto de lançamento de ofício. Inclusive, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou a questão no Resp nº 1.240.110/PN, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, publicado em 27/06/2012, cuja ementa abaixo transcrevo: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF E PRETENDIDA EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ATRELADO A PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE EM 01.10.2002 EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EXTINÇÃO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada em 25/05/1998, onde foi apontada compensação indevida, havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu, de modo que inevitável a decadência do crédito tributário, nessa primeira linha de pensar. (...) 7. Recurso especial provido. Fl. 353DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 (grifou-se) Esclarecidos tais pontos, como relatado, este processo tem por finalidade analisar as seguintes declarações de compensação: - DCOMP nº 42244.19273.300503.1.3.57-0204, transmitida em 30/05/2003, visando a compensar créditos de IPI com débitos de IRPJ (R$ 2.487.849,28 – PA 04/03) e CSLL (R$3.576.634,24 – PA 04/03), ambos com vencimento em 30/05/2003 (fl. 7). - DCOMP nº 32239.60977.300603.1.3.57-0264, transmitida em 30/06/2003, visando a compensar créditos de IPI com débitos de IRPJ (R$ 1.000.000,00 – PA 05/03), com vencimento em 30/06/2003 (fl. 11). - DCOMP nº 11481.12099.040105.1.3.57-7283, transmitida em 04/01/2005, visando a compensar créditos de IPI com débitos de IRPJ (R$ 1.464.127,02 – PA 11/04) e CSLL (R$ 735.874,98 – PA 11/04), ambos com vencimento em 30/12/2004. A Contribuinte foi notificada do despacho decisório em 29/05/2008 (fl. 141), no bojo do qual as compensações não foram homologadas e, consequentemente, exigidos os débitos nelas contidos (fl. 203 e 204 – extrato do processo). Não houve lançamento de ofício dos débitos não homologados. Dito isso, com razão a Recorrente, uma vez que a constituição do crédito tributário referente aos débitos não homologados, cujas DCOMPs foram transmitidas antes de 31/10/2003, ou seja, em maio e junho de 2003, como acima demonstrado, deveria ser realizada por lançamento de ofício, já que, na oportunidade, da DCOMP não tinha o condão de, por si só, constituir o crédito tributário. Portanto, atingidos pela decadência, os débitos de IRPJ (R$ 2.487.849,28 – PA 04/03) e CSLL (R$3.576.634,24 – PA 04/03) e IRPJ (R$ 1.000.000,00 – PA 05/03), devem ter a sua extinção reconhecida, nos termos do art. 156, inciso, V, do CTN. 3. Mérito No mérito, a Recorrente pede a homologação das compensações e explica o seguinte, em resumo: (a) as compensações em análise foram apresentadas após o trânsito em julgado da decisão que reconheceu o direto creditório, em respeito ao comando do art. 170-A, do CTN, e em momento posterior à homologação judicial do montante do crédito de IPI; (b) mesmo que assim não se entenda, não há que se falar em aplicação do art. 170- A, do CTN, já que a ação judicial que reconheceu o direito creditório fora ajuizada em 19/01/1995, ou seja, antes da vigência do referido dispositivo legal (10/01/2001), conforme já decidido pelo STJ pelo regime dos recursos repetitivos (RESp nº 1.167.039/DF), devendo ser este precedente aplicado por este Colegiado , nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF; e Fl. 354DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 (c) que, em caso idêntico ao presente, da própria Recorrente, referente a parcela do mesmo crédito da ação judicial ora discutido – PA nº 11080.004873/00-48 – este Conselho já reconheceu a legitimidade do procedimento por ela adotado e homologou as compensações. Antes de adentra à análise desses argumentos, necessário rememorar alguns fatos importantes. Em 27/01/1995, a Recorrente ajuizou ação declaratório nº 0001222-70.1995.404- 7100 (antigo 95.00.01222-7) perante a Justiça Federal de Porto Alegre visando o reconhecimento seu direito ao crédito-prêmio de IPI decorrentes de exportação de produtos industrializados até 05/10/1990 (fl. 32 a 36). A sentença de primeiro grau reconheceu o direito da Recorrente de auferir os estímulos fiscais (créditos-prêmio de IPI) decorrentes das exportações realizadas de 15/12/89 a 05/10/90 (fl. 281), e, posteriormente, o TRF da 4ª Região deu provimento à remessa necessária e à Apelação da União apenas para alterar o dies a quo do curso dos juros moratórios (a partir do trânsito em julgado) (fl. 44). Conforme fl. 282, o trânsito em julgado se deu em 09/05/1997 para a autora e em 30/05/1997, para a Fazenda. Ato contínuo, em julho de 1997, o Contribuinte deu seguimento à execução da sentença, a fim de liquidá-la, conforme fls. 283 a 288. Sobreveio sentença de liquidação de sentença por arbitramento em 28/09/2001 (fl. 293) determinando que a execução fosse processada pelo valor de R$ 26.982.934,22, conforme cálculos do perito judicial, atualizados até 1º de julho de 2001. Essa decisão foi desafiada por apelação da União Federal e do Contribuinte, recebidas no duplo efeito, e o TRF da 4ª Região negou provimento às apelações e à remessa oficial (fl.62), mantendo-se na íntegra a decisão de liquidação da sentença. Essa decisão transitou em julgado em 10/10/2006, conforme consulta processual no site da Justiça Federal de Porto Alegre. A Contribuinte apresentou as declarações de compensação em 30/05/2003; 30/06/2003 e 01/01/2005, visando a compensação de parcelas do crédito de IPI reconhecidos com débitos próprios de IRPJ e CSLL. Posto isso, importante destacar que até a edição da LC nº 104/01 não existia norma expressa no CTN que impedisse a efetivação de compensações com lastro em decisões judiciais sem o trânsito em julgado, contudo, a sua edição, em 10 de janeiro de 2001, incluiu o art. 170-A, ao CTN, verbis: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifou-se) A partir de então, é indubitável que não é possível o pedido de compensação com base em crédito decorrente de decisão judicial sem o respectivo trânsito e julgado. Contudo, debateu-se na doutrina e na jurisprudência o momento a partir do qual tal dispositivo deveria ser aplicado. A questão restou resolvida no âmbito do Recurso Especial nº 1.164.452/MG, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25/08/2010, ao qual se atribuiu efeitos Fl. 355DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 de recurso repetitivo, decisão que, por força do disposto no art. 62-A do RICARF, deve ser adotada para o presente caso, e cuja ementa passo a transcrever: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifou-se) Com efeito, o art. 170-A, do CTN somente atinge às ações judiciais propostas após a sua vigência, em 10 de janeiro de 2001. A ação ordinária nº 0001222-70.1995.404-7100 (antigo 95.00.01222-7) aclamada pelo Contribuinte para fazer jus à compensação foi proposta em 27/01/1995 (fl. 32 a 36), portanto ANTES da edição da LC nº 104/01, motivo pelo qual assiste razão ao Contribuinte, já que a ação foi proposta quando aludida proibição ainda nem existia em nosso ordenamento jurídico. Em que pese este fato, destaca-se que as declarações de compensação foram apresentadas em 30/05/2003; 30/06/2003 e 01/01/2005, após o transito em julgado da decisão judicial prolatada naquele processo, em 09/05/1997 (fl. 282), o que está de acordo com as atuais prescrições do CTN. Como se viu linhas acima, foi solicitada a liquidação do julgado em julho de 1997 e a sentença dela proveniente, em 28/09/2001, ambas em datas anteriores à vigência do art. 170-A, do CTN. O transito em julgado se deu em 10/10/2006. Nesse passo, ainda que o trânsito em julgado da sentença de liquidação tenha se dado em 2006, após a vigência da LC 104/01, o comando do art. 170-A, do CTN, da mesma forma, não se aplica à Recorrente. Ademais, quando do Despacho Decisório, em 28/05/2008, a decisão de liquidação já havia transitado em julgado, confirmando a sentença anterior que reconhecia o crédito de R$ 26.982.934,22, conforme cálculos do perito judicial, atualizados até 1º de julho de 2001, de sorte que a Fiscalização possuía todos os elementos necessário a conferir e, provavelmente, homologar as compensações pleiteadas. Portanto, com razão à Recorrente. Em que pesem tais constatações, importante consignar que o pleito judicial do contribuinte visava ao aproveitamento de crédito prêmio de IPI, caso em que o STF já fixou tese, em recurso representativo da controvérsia, no RE nº 561485, publicado em 25/022010, no Fl. 356DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720879/2006-07 seguinte sentido: o crédito-prêmio de IPI, incentivo fiscal de natureza setorial instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei 491/1969, deixou de vigorar em 5/10/1990 ante a ausência de sua confirmação por lei no prazo de dois anos após a publicação da Constituição de 1988, conforme definido no § 1º do art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT. Tal decisão, também por respeito ao art. 62-A do RICARF, deve ser adotada levada em conta no presente caso. Inclusive a decisão transitada em julgado proferida nos autos do processo ajuizado pela Recorrente em 1995 está em clara sintonia com a decisão do STF. Desta forma, incorreta a decisão da DRJ que manteve o despacho decisório, a qual deve ser reformada para possibilitar que a DRF analise os créditos pleiteados pela Recorrente, mesmo que pendentes de decisão com trânsito em julgado da decisão de liquidação de sentença, uma vez que a ela não se aplica a prescrição do art. 170-A, do CTN. 4. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do direito da Fazenda em constituir o crédito tributário referente aos débitos de IRPJ (R$ 2.487.849,28 – PA 04/03) e CSLL (R$3.576.634,24 – PA 04/03) e IRPJ (R$ 1.000.000,00 – PA 05/03), e possibilitar que a DRF analise os créditos pleiteados pela Recorrente, mesmo que pendentes de decisão com trânsito em julgado da decisão de liquidação de sentença, uma vez que a ela não se aplica a prescrição do art. 170-A, do CTN. É como voto. (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim Fl. 357DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10280.721820/2009-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL
RURAL ITR
Exercício: 2005
SUJEIÇÃO PASSIVA, POSSUIDOR A QUALQUER TITULO.
Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO ATO
CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
A menos que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação,
elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de
convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, mantém-se o valor arbitrado pela fiscalização.Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. A menos que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, mantémse o valor arbitrado pela fiscalização.Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 06/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez Relatório JAMEF TRANSPORTES LIMITADA, recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR (fls. 01/04), no montante de R$ 201.898,14, relativo ao imóvel denominado Fazenda Jamef VIII, cadastrado na RFB sob o n° 5.458.8308, com área declarada de 7.400,0 ha, localizado no Município de Moju/PA. O lançamento decorre das seguintes alterações efetuadas de oficio na DITR apresentada: • Glosa Área de Reserva Legal não comprovada Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada (7.400,0 há) a titulo de reserva legal no imóvel rural. • Alteração do Valor da Terra Nua declarado não comprovado Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT. Desta forma, a fiscalização entendeu que o valor da terra nua (VTN) declarado de R$ 12.000,00 (RS 1,62/ha) estava subavaliado e com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal arbitrou em R$ 454.878,00 (R$ 61,47/ha). Consequentemente elevou a área tributável/área aproveitável e o VTN tributável, resultando o imposto suplementar de R$90.965,60, conforme demonstrado às fls. 03. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância o seguinte: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 2 3 • esclarece que firmou contrato de compra e venda das Fazendas denominadas Jamef, Jamef I, Jamef II, Jamef III, Jamef IV, Jamef V, Jamef VI, Jamef VII, Jamef VIII, Jamef IX, Jamef X e Jamef XI, com área de 106.000,0 ha, dentro da porção de terra maior da Fazenda Santa Rita, com Carlos Evandro Pontes Pinto; • informa que, apesar de lavrado o contrato de compra e venda no Cartório do 2º. Ofício de Notas da Comarca de Belém do Pará, a impugnante nunca registrou na Matrícula do Imóvel a aquisição, por impossibilidade jurídica e/ou por ordem judicial, lembrando que a titularidade, ou seja, o domínio só se transfere com o registro no Cartório de Registro de Imóveis, logo, ao tempo dos lançamentos, não era proprietária do imóvel; • informa que, também, não tomou posse, sequer a título precário, nunca tendo exercido o domínio útil; • salienta que, em 2001, o Instituto de Terras do Pará (ITERPA) ajuizou perante a Comarca de IgarapéMiri ação de nulidade e cancelamento de matrícula, transcrições e averbações da propriedade, na qual foi deferida antecipação de tutela para que não houvesse mais qualquer anotação na matrícula desde a aquisição originária em 1967; • esclarece que, não obstante os fatos narrados que constituem impedimento para a aquisição da propriedade, o exercício da posse ou do domínio útil do bem, recolheu os tributos incidentes sobre a terra, a fim de resguardar seus interesses; • entende que os lançamentos ofendem o texto constitucional, sendo inválidos e inexistentes, em face da imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, "a", da Constituição da República, posto que essa regra de não incidência faz que jamais qualquer imposto de natureza "propter rem " possa recair sobre o imóvel, sejam aqueles já recolhidos, seja o lançamento suplementar, posto que a procedência da citada ação enseja a que o estado do Pará se torne o único proprietário do imóvel que se cobra o ITR; • considera que não houve a ocorrência do fato gerador do ITR, pois não teria a propriedade do imóvel, já que essa se adquire pelo registro do título aquisitivo na matrícula do imóvel, como determina o art. 1.245 do Código Civil, posto que não registrou o instrumento público de compra e venda na matrícula do imóvel, em anexo, logo não é contribuinte do ITR, e não praticou seu fato gerador, além de não ter sido eleita pela legislação como devedora solidária; • salienta que não se pode dizer que não promoveu o registro na matrícula do imóvel por inércia, porquanto ainda que o quisesse não poderia fazêlo, porque existe impedimento judicial para que tal ato se formalize e se aperfeiçoe certidão processual contendo a ordem impeditiva, em anexo; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 • esclarece que as terras compradas de Carlos Evandro Pontes Pinto decorrem de desmembramento da Fazenda Rio Doce, propriedade que foi adquirida por Francisco Melo Almeida, declarada em Registro Torrens nos idos de 1964 e que o ITERPA vindica nulidade desse Registro por meio da Ação Anulatória 2001.1001146, que tramita na Comarca de IgarapéMiri/PA, com o fundamento de inexistência de qualquer processo naquela Comarca de Registro Torrens da referida área; • esclarece, ainda, que o Sr. Francisco Melo Almeida, após ação julgada procedente declarando como dono da área maior, onde se insere a gleba do ITR cobrado, ensejou que vendesse parte das terras a Carlos Evandro Pontes Pinto, que fez nova venda de parte dela à impugnante; • salienta que a Ação Anulatória ataca o nascedouro da cadeia dominial, ou seja, aquele Registro Torrens declarado em sentença de 1964, assim julgada procedente a ação anulatória, será anulado o título aquisitivo de Carlos Evandro Pontes Pinto, logo não poderá adquirir a propriedade pelo título translativo que ostenta; • ressalta que a existência da Ação Anulatória demonstra e reforça o fato de que jamais deteve a propriedade do bem, fato gerador do ITR cobrado; • registra que, como demonstração da completa ausência de propriedade pela impugnante, o fato de que a ação foi dirigida contra os proprietários conhecidos da área, onde não consta a impugnante sequer como pólo passivo, documentação em anexo; • entende que a notificação de lançamento é insubsistente, posto que o lançamento elegeu como contribuinte ou devedora solidária quem não praticou o fato gerador, ou mesmo, sem expressa disposição legal; • afirma que, desde de que firmado o negócio translativo da propriedade, ou mesmo antes disso, nunca exerceu qualquer direito relativo à posse, conforme definido no art. 1.196 do Código Civil, e nunca desenvolveu qualquer atividade econômica ou de conservação da propriedade; • ressalta que, mesmo depois de concretizada a compra e venda do imóvel, o ITERPA não a reconhecia como possuidora do bem, o que se nota do Edital de Convocação dos conhecidos possuidores da área que se cobra o ITR para apresentarem títulos, escrituras, documentos, informações de interesse, testemunhas ou outras provas que fundamentem o direito de propriedade, e nesse Edital não consta a impugnante, já que não era conhecida como possuidora da área; • conclui que, se nunca exerceu a posse do imóvel, não pode ser eleita como sujeito passivo, não podendo subsistir a notificação de lançamento; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 3 5 • salienta que, como comprovam o instrumento público de compra e venda do imóvel, assim como sua matrícula, essas terras nunca foram objeto de enfiteuse, assim nunca foi titular de domínio útil, portanto jamais praticou o fato gerador, motivo que a exclui da legitimidade passiva do tributo, pelo que devem ser julgadas improcedentes as notificações de lançamentos; • ressalta que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, na modalidade prevista no art. 150 do CTN, e que a data do fato gerador do ITR do exercício 2004 é 1°.01.2004 e que em 1°.01.2009 os tributos cujos fatos geradores ocorreram no ano de 2004 tiveram seus pagamentos tacitamente homologados nessa data, sem qualquer ressalva da Fazenda Nacional; • ressalta, também, que decorreram 5 anos do fato gerador e a Receita Federal procedeu ao lançamento por arbitramento suplementar somente em 08.06.2009, tornandose inválido o ato administrativo, posto que decaiu deste direito em 01.01.2009 e transcreve Ementas de Decisões Judiciais para referendar sua tese; • discorre sobre seu entendimento da desnecessidade do ADA, já que a legislação que institui o ITR não exige qualquer obrigação acessória para a exclusão da base de cálculo das áreas previstas no art. 10 da Lei n° 9.393/96, já que a suposta exigência do ADA com base na IN/SRF n° 256/2002 fere o princípio da legalidade estrita previsto no art. 5o , II, da Constituição da República; • ressalta que o art. 10 da Lei n° 9.393/96 determina expressamente em seu caput que "a apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária", dizendo textualmente na alínea "a" do inciso II do art. 10 que são áreas de "preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771", concluindo que a exclusão da base de cálculo das citadas áreas decorrem "pelo só efeito dessa lei", já que não há necessidade de um ato administrativo posterior para reconhecer o que a própria lei já atribui afeitos jurídicos; • reitera que a exigência do ADA não tem qualquer validade, pois a Lei Federal Código Florestal e Lei n° 9.393/96 determina que basta o preenchimento das características das áreas dispostas nessa legislação como fato bastante para a exclusão da base de cálculo pelo contribuinte e cita Ementas de Decisões Judiciais para referendar seus argumentos; • considera que o conceito do VTN é dado pelo art. 8o , § 2o , da Lei n° 9.393/96, que determina que o VTN é o "preço de mercado da terra" e que esse dispositivo legal não faz qualquer menção à forma de apuração desse valor, não exigindo seu cálculo em conformidade com nenhuma norma regulamentadora; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 • entende que não há qualquer comando normativo que determine que se deva levantar o VTN seguindo a NBR 14.6533 da ABNT, salientando que a referida norma não é uma das espécies legislativas, pelo que não obriga qualquer cidadão a seguíla, tratandose de norma regulamentadora expedida por pessoa jurídica de direito privado e que o arbitramento com base em atendimento a NBR afronta o princípio da legalidade estrita, previsto no art. 5o , inciso II, da Constituição da República; • salienta que, ainda que fosse exigível a elaboração de laudo de avaliação em conformidade com a NBR, que entrou em vigor em 01.07.2004, ela não pode ser aplicada ao exercício de 2004, já que na data do fato gerador do imposto, em 1°.01.2004, não estava em vigor, não podendo ser exigido seu cumprimento em data anterior a sua entrada em vigor; • conclui que o VTN de 2004, o que se diz apenas por eventualidade, deve ser mantido na forma elaborada, e se for o caso de sua aplicação, que ela ocorra somente após a sua entrada em vigor, para a apuração do VTN de 2005; • quanto aos recolhimentos do ITR realizados, esclarece que mesmo não tendo sido praticado nenhum dos fatos geradores do tributo, se deram em virtude da lavratura de um contrato de compra e venda e que diante da constatação da possibilidade de anulação desse negócio jurídico, entendeu necessário resguardar seus interesses sobre a propriedade, mas considera que os tributos foram pagos indevidamente e serão, oportunamente, objeto de pedido de repetição de indébito pela via adequada; • argumenta que, se as pessoas citadas (proprietárias, posseiras ou foreiras das terras) no Edital de Intimação promovido pelo INTERPA, que representam 123 pessoas físicas e 12 pessoas jurídicas, fizeram o pagamento do ITR, excluindo da base de cálculo as áreas de preservação permanente e reserva legal, e não foram intimadas de lançamento suplementar, restaria claro que o presente lançamento impugnado é nulo, pois contraria o princípio da igualdade previsto na Constituição da República; pelo exposto, requer sucessivamente: a) que sejam anulados os lançamentos suplementares por ausência de prática do fato gerador do ITR; b) a anulação dos lançamentos impugnados por inexigibilidade de ADA para exclusão da base de cálculo; c) que seja reconhecida a imunidade recíproca com efeitos que daí dimanam; d) que sejam declarados nulos os lançamentos impugnados tendo em vista o princípio da igualdade tributária. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 4 7 A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n°. 0342.283, de 23 de março de 2011, que se encontra às fls. 212 a 234, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DA DECADÊNCIA Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo qüinqüenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, iniciase na data da ocorrência do respectivo fato gerador, com fulcro no artigo 150, § 4o , do Código Tributário Nacional (CTN). No caso, o crédito tributário constituído no prazo qüinqüenal legalmente previsto, por meio da ciência da Notificação de Lançamento pelo sujeito passivo, na qualidade de contribuinte do imposto, ilide a decadência. DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Constando nos autos documentos que comprovam a propriedade de imóvel rural, há a ocorrência do fato gerador do imposto. O proprietário do imóvel rural é contribuinte do ITR. Não comprovada a perda da propriedade do imóvel, por Ação de Nulidade e Cancelamento de Registro, em período anterior à ocorrência do fato gerador do ITR/2005 (1°.01.2005), deve ser mantida a contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. DA NULIDADE LANÇAMENTO Contendo a Notificação de Lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Não comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado do Pará, por Decisão Judicial transitada em julgado, na data do fato gerador do imposto, não há que se cogitar do beneficio da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL As áreas de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar incluídas no Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, além de averbadas, em tempo hábil, à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 18/04/2011 (vide comprovante de entrega – Correios de fl.236), a contribuinte apresentou, em 17/05/2011, tempestivamente, o recurso de fls, 237 a 247, no qual, após breve relato dos fatos, dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas: • DA NULIDADE DO REGISTRO DO IMÓVEL DO EFEITO EX TUNC Ação de Nulidade e Cancelamento de Matrícula proposta pelo Estado do Pará, através do ITERPA 1. alega que a instância "a quo" rejeitou o pedido de reconhecimento da imunidade recíproca, que decorreria da procedência da ação 2001.1.0000053, que corre na Comarca de Igarapé Miri/PA, onde o Estado do Pará ataca o registro torrens, e consequentemente toda a cadeia dominial, do imóvel NIRF 5.458.8308, sob a alegação de que tal processo tem apenas decisão interlocutória impedindo qualquer registro ou averbação na matrícula cartorária, não havendo transito em julgado de decisão favorável ao Estado do Pará, que vindica as terras. 2. ressalta que ainda que o fisco não concorde com as suas argumentações, mister se faz a aplicação do principio da coerência e em especial da razoabilidade, posto que pendente a definitividade de quem tem a posse e/ou a propriedade não só, no seu caso, mas de dezenas de outros "pseudos" proprietários físicos e jurídicos como expostos nas suas razões de defesa. Assim e por tais razões o possível crédito tributário deve ser suspenso Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 5 9 até o fim daquela ação judicial, pelo simples fato de que, uma vez procedente o feito, o Estado do Pará se tornará único dono do bem imóvel. 3. Assevera que não se olvide que se procedente a ação proposta pelo ITERPA, a sentença que advier é de cunho declaratório, cujos efeitos serão "ex tunc", alcançando e tornando nulo todos os registros e averbações na referida matrícula ocorridos após o registro torrens declarado nulo, inclusive o registro do contrato de compra e venda da Recorrente. • Do reconhecimento das áreas de reserva legal A Autoridade julgadora manteve a glosa das áreas de reserva legal declaradas.pela Recorrente na DIITR/2005, sob dois argumentos: Primeiro: "A primeira exigência averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente de caráter específico, encontrase prevista originariamente, na Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), com redação dada pela Lei n° 7.803/1989, e foi mantida nas alterações posteriores. Desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei n° 9.393/1996, aplicada ao exercício em questão, está condicionado, implicitamente, a » não tributação das áreas de reserva legal à efetivação da averbação." Inicialmente cumpre esclarecer que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel tem o único efeito de tornar públicas as características ambientais do imóvel, que trazem restrições ao seu uso, ou seja, tratase apenas de uma obrigação para resguardar o direito de terceiros, e obrigação acessória, como prevista no artigo 113, parágrafo 2o do CTN, onde expressamente fica determinado que as obrigações acessórias devam ser instituídas pela legislação tributária, sendo certo que a Lei 4.771/65 não é legislação tributária. Assim, não há previsão legal para que a isenção do ITR incidente sobre áreas de reserva legais dependam de averbação dela na matrícula do imóvel. Não havendo previsão legal expressa determinando que seja condição "sine qua non" para reconhecimento da isenção em tela a averbação da reserva legal, a Autoridade julgadora de Primeira Instância contrariou a legislação em vigor, merecendo reforma a decisão, no que toca este fundamento. Segundo: "Além dessa primeira exigência (averbação tempestiva à margem da matrícula para a área de reserva legal), não comprovada pela requerente, também, se fazia necessário comprovar nos autos, para justificar a exclusão de tributação da declarada área de reserva legal de 8.000,00 ha, a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) do IBAMA. Essa exigência de caráter genérico, aplicada a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente ou de utilização limitada (RPPN, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico ou de Reserva Legal), que advém desde o ITR/1997 (art. 10, § 4°, da IN/SRF n° 043/1997, como redação dada pelo art. 1o da IN/SRF n° 67/1997), para o exercício de 2005, encontrase prevista na IN/SRF n° 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e susbsequentes), no Decreto n° 4.382/2002 RITR (art. 10, § 3°, inciso I), tendo como fundamento o art. 170 da Lei n° 6.938/81. Em especial o caput e parágrafo 1o, cuja atual redação foi dada pelo art. 1o da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000..." Vêse que a Autoridade julgadora "a quo" buscou validade para o lançamento atacado no parágrafo 1o do artigo 170 da Lei 6.938/81, que assim dispõe: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000. a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000)" Contudo, devese ter em mente duas coisas: a primeira; como já demonstrado, o citado parágrafo único do artigo 170, da Lei 6.938/81, não constitui uma obrigação acessória nos moldes do parágrafo 2o, do artigo 113, do CTN. Logo, o direito à isenção do ITR incidente sobre as áreas de reserva legal não está condicionado ao cumprimento de qualquer ato. Decorre unicamente do estado de fato das terras, isenção esta que já está definida e concedida pela legislação, como adiante se demonstrará. Segundo; ainda que se possa dar algum cunho de legislação tributária à norma acima citada, a exigência do referido ADA somente poderia recair sobre as áreas que seriam excluídas da tributação por iniciativa do contribuinte, áreas que não consistem em reserva legal, tais como servidão florestal, área imprestável, área de manejo florestal, enfim, qualquer porção de terreno que não esteja enquadrada nas características do inciso III, do parágrafo 2o, do artigo 1o, da Lei 4.771/65. De um modo mais simples, hipoteticamente, tomandose como verdadeira a premissa acima, poderia ser exigido o ADA para isenção de áreas que não configuram reserva legal, nos termos da legislação, onde a isenção decorreria da previsão legal, condicionada a algum ato do Poder Público. Contudo, as áreas de reserva legal estão isentas pela legislação já citada, sem qualquer necessidade de reconhecimento pelo Poder Estatal. Por outro lado, forte na redação do artigo 10 da Lei 9.393/96, que assim dispõe: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 6 11 "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias;] b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira agrícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei n° 11.428. de 2006); Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei n° 11.428, de 2006). f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008)" Ou seja, a legislação que determinou que o ITR fosse apurado e recolhido por iniciativa do próprio contribuinte, sem qualquer intervenção estatal. Assim, vêse que não há qualquer possibilidade de interpretação conjunta da Lei 6.938/81 com a Lei 9.393/96, uma vez que esta última está inserida no arcabouço da legislação tributária, enquanto a primeira não pertence a este campo, estando localizada no campo do direito ambiental. São sistemas legislativos diferentes, que buscam validade em locais diferentes da Constituição Federal. Logo, o artigo 10°, da Lei 9.393/96, deve ser interpretado de forma literal, e sem intervenção de qualquer outra norma legal. Assim, a decisão guerreada ao dar validade jurídica ao lançamento impugnado, através do disposto do artigo 170 da Lei 6.938/81, fugiu dos preceitos normativos e da interpretação jurídica acima exposta, devendo ser reformada para que seja corretamente aplicado o artigo 10, da Lei 9.393/96, e via de consequência anular a glosa das áreas de reserva legal, bem como do imposto lançado de ofício, juros de mora e multa de ofício estampados na Notificação de Lançamento 02101/00162/2009. A recorrente insiste na argumentação de que a falta do ADA não é fundamento legal para a glosa das áreas de reserva legal. Para reforçar sua defesa transcreve vasta jurisprudência desse Conselho. • Do valor da terra nua (VTN Ratifica as razões apresentadas na impugnação e , requer que seja reformada a decisão, para manter o VTN declarado. Acaso não seja este o entendimento desta Seção de Julgamento, que seja determinado o retorno da Notificação de Lançamento para Autoridade Fiscal, para que seja arbitrado conforme diretrizes da ABNT. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite O recurso de fls. 237 a 247 é tempestivo, consoante o cotejo do comprovante dos Correios de entrega do AR – Aviso de Recebimento de fl. 236 protocolo de recepção aposto à fl. 237. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço.Em análise do argüido, observase que a defesa está centrada na preliminar de ilegitimidade passiva, No mérito, alega que as exigências para gozo da isenção das áreas de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 7 13 interesse ambiental declarada estariam prejudicadas face a existência de decisão judicial e, caso seja mantido o lançamento, requer a revisão do VTN arbitrado pela fiscalização. De se analisar cada uma dessas questões. • Sujeição passiva O objeto do presente processo é a Notificação de Lançamento que diz respeito a imposto a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel denominado FAZENDA JAMEF VIII, localizado no Município de MOJU (PA), no exercício 2005, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do ITR, a titulo de: i) Área de Utilização Limitada — Reserva Legal 7.400,00 ha para 0,00 há 1 processo judicial alegado pela empresa ainda não transitou em julgado Comarca de Igarapé Miri n° 2001.1.0000053.ii) Valor da Terra Nua — de R$ 12.000,00 (RS 1,62/ha) estava subavaliado e com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal arbitrou em R$ 454.878,00 (R$ 61,47/ha). Consequentemente elevou a área tributável/área aproveitável e o VTN tributável, resultando o imposto suplementar de R$90.965,60, • Primeiramente, alega o recorrente não que, apesar de lavrado o contrato de compra e venda no Cartório do 2º. Ofício de Notas da Comarca de Belém do Pará, a impugnante nunca registrou na Matrícula do Imóvel a aquisição, por impossibilidade jurídica e/ou por ordem judicial, lembrando que a titularidade, ou seja, o domínio só se transfere com o registro no Cartório de Registro de Imóveis, logo, ao tempo dos lançamentos, não era proprietária do imóvel; • Não tomou posse, sequer a título precário, nunca tendo exercido o domínio útil do imóvel; • em 2001, o Instituto de Terras do Pará (ITERPA) ajuizou perante a Comarca de IgarapéMiri ação de nulidade e cancelamento de matrícula, transcrições e averbações da propriedade, na qual foi deferida antecipação de tutela para que não houvesse mais qualquer anotação na matrícula desde a aquisição originária em 1967; Importante esclarecer que na notificação fiscal consta como Complemento da Descrição dos Fatos e ENQUADRAMENTO LEGAL que os valores apurados neste Lançamento de Oficio decorrem da falta de: ................................................................................ O processo judicial alegado pela empresa ainda não transitou em julgado (Comarca de Igarapé Miri n° 2001.1.0000053). (fls.2 arquivo 6534095) A decisão de primeira instância julga procedente o lançamento sob a fundamentação de que: “Como não há nos autos a comprovação do cancelando, ou da anulação, do registro, às fls. 109/110 e 125/126, o Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Registro continua produzindo seus efeitos a teor do art. 252 da Lei n° 6.015/1973, verbis: "Art 252 O registro, enquanto não cancelado, produz todos os efeitos lesais ainda que, por outra maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido ". (grifei) Assim, não comprovado que a contribuinte perdeu a propriedade do imóvel de NIRF n° 5.458.8308, por meio de Decisão Judicial transitada em julgado, conforme, inclusive, mencionado na "Descrição dos Fatos" pela autoridade autuante, às fls. 02, não há como afastar, pelos documentos constantes dos autos, a responsabilidade da contribuinte pelo ITR, relativo ao exercício de 2005, já que a mesma é a proprietária do imóvel à época do fato gerador do ITR/2005 01.01.2005). período objeto do presente processo, razão pela qual, inclusive, foi apresentada, em seu nome, a DITR correspondente.” Por sua vez a recorrente apresenta às fls. 111 a 161 , documentos relativos ao processo 2001.1.0000053, citado na Notificação de Lançamento Suplementar. Em pesquisa realizada na rede mundial de computadores internet, no site: http://200.217.195.100/consultasProcessuais/1grau/, dia 22 de novembro de 2011, às 20:52 horas, verifiquei que o processo recebeu nova numeração 000003279.2001.814.0022, e encontrase na situação BAIXADO, com o seguinte despacho: “ DECISÃO INTERLOCUTÓRIA Tratam os presentes autos de Ação de anulação de Registro Público de Imóvel proposta pelo Instituto de Terras do Para contra Manoel Francisco da Paz. Observase que o feito tem como causa de pedir o cancelamento do registro de imóvel rural localizado a margem esquerda do Rio Moju, no Município de Moju com matrícula no Cartório de Registro de Imóveis desta Comarca, conforme documentos de fls.22 a 32. Nos termos do art. 167 da Constituição Estadual e o art. 2º da Resolução no. 18/2005 do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Para, o Juízo competente para conhecer do pedido é o da Vara Agrária. Posto isto, com fulcro no art. 113 do Código de Processo Civil e na legislação acima referida, declino da competência e determino a remessa dos autos a Vara Agrária de Castanhal, competente para exame e julgamento do feito, nos termos da Resolução nº. 21/2003, item I, número 41 do TJE. Intimemse as partes. Decorrido o prazo para eventual recurso, o que o cartório certificarão, remetamse os autos a Vara Agrária de Castanhal, dando baixa na distribuição. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 8 15 IgarapéMiri, 10 de setembro de 2007. Ana Patrícia Nunes Alves Fernandes Juíza de Direito” Como se vê, a informação que consta nos autos (fls. 112) é que o Processo 2001,1.0000053, foi baixado, e o Juiz determinou a sua remessa a Vara Agrária de Castanhal, que é competente para exame e julgamento do feito, nos termos da Resolução nº. 21/2003, item I, número 41 do TJE. É sabido que o contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR "é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título" (art. 41 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996). A Instrução Normativa SRF nº. 73, de l8 de julho de 2000, esclarece ainda que (grifei): Art. 4° Contribuinte do 1TR é I — o proprietário de imóvel rural; II— o titular do domínio útil; III— o possuidor por usufruto; e IV— o possuidor a qualquer titulo. § 1º É titular do domínio útil aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. § 2º Para efeito do ITR, é possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel. I — com justo título e boafé, 11— sem oposição, independentemente de Justa título e boafé, 111— por ocupação autorizada, ou não, pelo Poder Público; ou IV — por promessa ou compromisso particular de compra e venda. Portanto, o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano (art. da Lei nº 9.393 de 1996), ou seja, para o exercício 2005, é o dia 01/01/2005. Assim, o fato de os registros de propriedade terem sido anulados ou não, pela decisão judicial não tem o condão de afastar a recorrente do pólo passivo da obrigação tributária. Isso porque, independentemente de a contribuinte ser a legítima proprietária do imóvel rural em questão, ficou demonstrado que ela era possuidora a qualquer título do mesmo, ainda que de forma irregular, à época do fato gerador (01/01/2005), explorandoo Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 economicamente e, portanto, nos termos da legislação que rege a matéria, ela era a contribuinte do ITR. Destarte, rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva. • Área de reserva legal No tocante à Área Utilização Limitada — Reserva Legal, o lançamento se animou no fato de que o agente fiscal considerou não ter o sujeito passivo apresentado documentação de respaldo para a exclusão daquela área da base de cálculo do tributo. Não se discute nos autos sobre o cancelamento do registro da matrícula do imóvel de propriedade da recorrente objeto do presente lançamento, uma vez que, conforme já esclarecido no item anterior, é irrelevante a existência de título legítimo de propriedade, já que foi caracterizada como contribuinte do ITR por estar comprovado nos autos que detinha a posse do imóvel rural na data do fato gerador (01/01/2005), mesmo que sem autorização do Poder Público. Para que esteja devidamente formalizada, à luz do ordenamento jurídico brasileiro, a Área de Utilização Limitada — Reserva Legal deve estar devidamente averbada no registro imobiliário. Entretanto, em relação à da reserva legal, existe ainda condição a ser cumprida para que a contribuinte possa gozar do beneficio da isenção, sendo oportuno transcrever o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "a", da Lei nº. 9.393, de 1996, verbis: Art. 10.[...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá.. [...] II área tributável, a área total do imóvel,menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº. 7 803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1º, § 2º, inciso III): Art. 1º [...] § 2º Para os efeitos deste Código, entendese por (Incluído pela Medida Provisória nº.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 9 17 flora nativas, (Incluído pela Medida Provisória nº 16667, de 2001) [...] O mandamento que determinou a averbação da área de Reserva Legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4:771, de 15/0911965 o chamado Código Florestal, pelo artigo 1° da Medida Provisória nº.16667, de 24/08/2001, litteris: Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam manadas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) §8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (destaques da transcrição) Por oportuno, cabe ressaltar que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo, vez que modifica o direito real sobre o imóvel, conforme determina o artigo 1.227 do Código Civil: Art. 1.227 Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art., 16, § 8º). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o beneficio fiscal, pois somente com a averbação delimitase a área de reserva legal Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na "sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área" (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que "os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts, 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código" (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança n° 226889/PB, no Supremo Tribunal Federal — STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art. 10. Art. 10 Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas. protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas chiares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta,os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como zuna parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obri8gações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 10 19 proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2º. do art. 16 da Lei n° 4 771/65, não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 12 de janeiro de cada ano (o art. 1 , caput, da Lei nº.9393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. No caso dos autos, a contribuinte não comprovou a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel à época do fato gerador nem tampouco apresentou Termo de Ajustamento de Conduta firmado até aquela data, razão pela qual mantémse a glosa efetuada. Destarte, na espécie, não cabe excluir qualquer área ambiental declarada do ITR/2005, para efeitos de exclusão de tributação, mantendose a glosa da área de reserva legal declarada de 7.400,0 há efetuada pela fiscalização. • Valor da terra nua O art, 14, caput e §1º., da Lei nº.9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, fixar o valor da terra nua com base em sistema por ela instituído, utilizando informações sobre preços de terras que deverão considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, observados os critérios estabelecidos no art. 12, 1º, inciso II, da Lei nº. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, pela Portaria SRF nº. 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da Portaria SRF nº 447, de 2002). No caso em concreto, a fiscalização arbitrou o VTN com base em informação fornecida pela Secretaria Estadual de Agricultura extraído do SIPT (fl. 2), A simples correção do valor de aquisição, como pretende a recorrente, não serve para fins de determinação do VTN, uma vez que o art, 8º, § 2º, da Lei nº 9,393, de 1996, determina que o VTN "refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado", Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico de Avaliação, com suficientes elementos de convicção, elaborado por profissional habilitado. É sabido que as vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a imóveis rurais são atividades de competência dos engenheiros agrônomos e florestais, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART para sua plena validade (Arts. 7º e 13 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução nº. 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA), De acordo com a Resolução CONFEA nº 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a avaliação "é a atividade que envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento" e o laudo "é a peça na qual o perito, profissional habitado, relata o que observou e dá as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentalmente "(art. 1º, alíneas "c" e "e"), Na elaboração dos Laudos Técnicos, os profissionais devem observar, ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, a NBR 1465.33). Outrossim, o Laudo de Avaliação de imóvel rural para fins de determinação do VTN a ser utilizado no cálculo do ITR deve ter como objetivo o preço de mercado da terra na data do fato gerador (art. 8, §2º, da Lei Nº 9393, de 1996), apurado de acordo os critérios de localização do imóvel, capacidade potencial da terra e dimensão do imóvel (art. 14, § 1º, da Lei nº. 9.393, de 1996). Conjugandose as exigências da legislação tributária com as prescrições da NBR 146533, os Laudos Técnicos de Avaliação para fins de determinação do VTN tem como requisitos principais: (a) a identificação e caracterização do imóvel avaliando, em que se descreve os aspectos relevantes na formação do valor; (b) a pesquisa realizada, com a identificação das fontes e descrição dos imóveis da amostra coletada (no mínimo 5 elementos); (c) a escolha e justificativa do método de avaliação utilizado; e (d) a memória de cálculo do tratamento dos dados. No caso em concreto, não houve a apresentação de laudo para justificar o valor declarado e, portanto, mantémse o arbitramento do VTN efetuado pela fiscalização. Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, 30 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721820/200930 Acórdão n.º 2802001.213 S2TE02 Fl. 11 21 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003387/2010-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/06/2001
Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/06/2001
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3803-002.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório ITAIQUARA ALIMENTOS S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp, visando a compensar os débitos nela Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 declarados com crédito oriundo pagamento a maior de Cofins, efetuado em 30/06/2001. A DRF/Limeira, por meio do Despacho Decisório na fl. 7 não reconheceu qualquer direito creditório a favor do declarante e, por conseguinte, nãohomologou a compensação porque o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos espontaneamente confessados pelo próprio contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio manifestação de inconformidade, fls. 11 a 15, por meio da qual o interessado contesta a não homologação da compensação, alegando que os créditos provém de valores indevidamente recolhidos sobre receitas financeiras em razão da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já admitida na esfera administrativa. Quanto à prova do indébito, anexou a planilha de fls. 26 e 27 e o balancete analítico de fl. 28 e requereu que fossem examinadas as DIPJ em poder da administração, pelas seria possível conferir as exclusões determinadas na base de cálculo da contribuição, principalmente pelo conhecimento da receita financeira declarada. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/RPO. O Acórdão nº 1433.944, de 26 de maio de 2011, fls. 32 a 35, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2001 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 40 a 51, após síntese dos fatos relacionados com a lide, argúi, em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa, na medida em o expediente não teria identificado o débito ao qual o teria sido alocado o pagamento aventado no PER/Dcomp. No mérito, retoma a descrição da origem do crédito, já feita por ocasião da Manifestação de Inconformidade. Entende ser dispensável a retificação da DCTF, posto que o PER/Dcomp teria idêntica natureza de confissão de dívida e o que o Fisco não deveria ter ficado adstrito ao exame daquela Declaração. Reclama do fato de não ter sido intimado para prestar informações. Acusa a decisão recorrida de inovar o fundamento jurídico para o indeferimento do pedido, posto que a necessidade de retificação da DCTF não teria sido cogitada no Despacho Decisório. Pede novo exame da prova apresentada na instância de piso e da DIPJ respectiva. Pede provimento. É o Relatório. Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.003387/201010 Acórdão n.º 380302.087 S3TE03 Fl. 58 3 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 40 a 51 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO4ª Turma nº 1433.944, de 26 de maio de 2011. Preliminar de nulidade – cerceamento do direito de defesa A nulidade argüida não mercê acolhimento. O extrato que instrui o Despacho Decisório demonstra cabalmente o débito ao qual dói vinculado o pagamento indicado como fonte do direito creditório. Rejeito a preliminar. Preliminar de nulidade – inovação no fundamento jurídico para a não homologação da compensação A DRJ não inovou o fundamento jurídico para o indeferimento do pleito. Assim como o Despacho Decisório, entendeu que o crédito oposto na compensação declarada não restava comprovado, já que o pagamento aventado encontravase completamente absorvido por débito espontaneamente confessado em DCTF. A necessidade de retificação prévia dessa Declaração é apenas decorrência lógica desse fundamento. Rejeito a preliminar. Mérito – prova do indébito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.003387/201010 Acórdão n.º 380302.087 S3TE03 Fl. 59 5 natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.003387/201010 Acórdão n.º 380302.087 S3TE03 Fl. 60 7 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Conclusão Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2011 Alexandre Kern 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.003387/201010 Acórdão n.º 380302.087 S3TE03 Fl. 61 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10865.003387/201010 Interessada: ITAIQUARA ALIMENTOS S.A. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.087, de 7 de novembro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 7 de novembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19263.GIGD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 08/11/2011 08:55:48. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 08/11/2011. Documento assinado digitalmente por: ALEXANDRE KERN em 08/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0420.19263.GIGD Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 18C0D6FCB4C0603CC6967605CF7DECB8D8DB8612 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10865.003387/2010-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13706.007670/2008-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato. Comprovação através de documentação pertinente para a espécie.
APRESENTAÇÃO DE NOVAS ALEGAÇÕES E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO.
As alegações de defesa e as provas cabíveis devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, cabendo a relativização da mesma caso os novos argumentos e provas prestem-se a complementar os já apresentados em sede impugnatória.
Numero da decisão: 2003-004.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato. Comprovação através de documentação pertinente para a espécie. APRESENTAÇÃO DE NOVAS ALEGAÇÕES E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO. As alegações de defesa e as provas cabíveis devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, cabendo a relativização da mesma caso os novos argumentos e provas prestem-se a complementar os já apresentados em sede impugnatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator(a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 76 70 /2 00 8- 17 Fl. 54DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.402 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.007670/2008-17 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 43 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 30 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 10 e ss.), lavrada pela constatação de Dedução Indevida de Despesas Médicas e de Dedução Indevida com Despesas de Instrução. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Versa este processo sobre a Notificação de Lançamento nº 2007/607.450.158.404.036 (fls. 10/15), lavrada pela DEFIS-RJ, para exigência de crédito tributário de IRPF, no valor de R$9.783,83, acrescido de multa de 75% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$18.558,94. A exigência decorreu da glosa das seguintes deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual: despesas médicas (R$35.012,58); despesa de instrução (R$565,00). A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam da referida Notificação. O interessado, cientificado em 02/09/2008 (fl. 28), apresentou, em 26/09/2008, a impugnação parcial de fl. 2. Alega, em síntese, que, do total glosado de deduções indevidas de despesas médicas (R$35.012,58), não cabe a glosa do valor de R$17.040,00, correspondente às despesas médicas pagas a SONIA EVA TUCHERMAN, e do valor de R$4.061,38, correspondente ao INSTITUTO AEROS DE SEGURIDADE SOCIAL, visto que ambos os comprovantes seguem em anexo e não carecem de qualquer formalidade além da apresentada. De acordo com o Termo de fl. 26 e com o extrato de fl. 27, a parcela não impugnada foi transferida para o processo 13706.007673/2008-51. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÕES. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação. Se as deduções não forem cabíveis ou não forem comprovadas, podem ser glosadas pela autoridade lançadora. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/02/2014 (e-fls. 40), o sujeito passivo interpôs, em 28/03/2014 (e-fls. 43), Recurso Voluntário Parcial, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as despesas médicas estão comprovadas pelos documentos juntados aos autos e que a recorrente obteve decisão favorável em outro processo similar, conforme atestado pelos documentos anexos ao recurso. Reconhece o crédito tributário relativo às despesas médicas pagas ao Instituto Aeros de Seguridade Social, por não possuir o documento julgado como necessário. Anexa documentos (e-fls. 45 e ss.) Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.402 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.007670/2008-17 É o relatório. Voto Conselheiro(a) Ricardo Chiavegatto De Lima - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio remanescente recai sobre glosa de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$17.040,00. Destaque-se que os argumentos preliminares e meritórios se confundem na peça recursal e, dessa forma, serão analisados em conjunto. Inicie-se apontando que, em relação à Jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que “a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros". Em sendo Acórdãos proferidos em processos administrativos diversos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” específicos para cada demanda. E mais, tais Decisões não são normas complementares como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das Instâncias Julgadoras Administrativas. A nova prova ora colacionada, especificamente a Declaração da Médica Dra. Sonia Eva Tucherman (e-fls. 47), na espécie, pode ser conhecidas com relativização de sua preclusão, com base no disposto no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º, uma vez que visa à complementação dos argumentos e provas já expostos em sede impugnatória. Quanto à dedução despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. No caso das deduções do Imposto de Renda Pessoa Física, o ônus da prova é do contribuinte, que é quem se beneficia da redução da base de cálculo do imposto, e, não o fazendo, deve este assumir as consequências legais, resultando no não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado Fl. 56DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.402 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.007670/2008-17 Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas. Ou seja, com isso o legislador deslocou para o contribuinte o ônus probatório, uma vez que ele pode ser instado a comprovar ou justificar suas deduções. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Não deve ser negligenciado que a valoração das provas pelas Autoridades Julgadoras Administrativas é livre, com base no Decreto 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Senão, veja-se o Artigo 29 do citado Decreto: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (ora grifado) Dessa forma, deve ser apreciada a glosa efetuada pela Auditoria de forma individual, atentando para a Complementação da Descrição dos Fatos aposta na Notificação de Lançamento.,quanto à despesa médica efetuada com a Médica Dra. Sonia Eva Tucherman. Foi apontada como razão de sua glosa, ipsis litteris, na Complementação da Descrição dos fatos da Notificação de Lançamento (e-fls. 14): “...; ALÉM DE 17.040,00 DE SONIA EVA TUCHERMAN PELO FATO DO RECIBO APRESENTADO SER GENÉRICO SEM ESPECIFICAÇÃO DO VALOR DE CADA CONSULTA; DE QUEM EFETIVAMENTE SE CONSULTOU, DOS MESES EM QUE FORAM FEITAS AS CONSULTAS, ALÉM DE NÃO INFORMAREM O ENDEREÇO DO BENEFICIÁRIO DOS PAGAMENTOS...”. Diante disso, pode ser entendido que a nova Declaração da Médica Dra. Sonia Eva Tucherman (e-fls. 47) atende a todos as formalidades legais requeridas pela legislação correlata (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Dessa forma, cabível o afastamento da glosa no valor de R$17.040,00 relativo a dedução a título de despesas médicas. Verifica-se portanto que, apreciados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, há motivo para retificação da Decisão a quo proferida, com afastamento das glosas a título de despesas médicas pleiteado em sede recursal, no valor de R$17.040,00. Dispositivo Isso posto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 57DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10707.000044/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Jan 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
NULIDADE MATERIAL DO LANÇAMENTO. ERRO NA INDICAÇÃO DO TIPO INFRACIONAL.
É materialmente nulo o lançamento baseado tipo infracional diverso do apontado pela administração tributária.
A validade do lançamento está condicionada à realização de atos administrativos pautados no cumprimento de regras jurídicas, não se admitindo que a administração tributária pretenda convalidar erros que colidam com o regular atendimento aos princípios da legalidade e estrita tipicidade.
Não é dado ao julgador corrigir lançamento tributário mal feito, inadmitindo-se validar auto de infração claramente maculado pela pecha de vício material que decorra de inadequada materialidade do tipo infracional. Tal erro macula integralmente o lançamento do crédito tributário em seu aspecto elementar, verdadeiramente substancial, tratando-se de vício insanável do qual resulta nulidade material do auto de infração. Se, por um lado, é verdade que não há nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief), por outro, só não há prejuízo quando se pretende convalidar erros instrumentais simples, desde que seja dado ao contribuinte exercitar sua defesa plenamente e condicionado ao fato de que o equívoco procedimental não gere embaraço ao devido processo legal.
Não se negocia com a ilegalidade. Não se convalida erro materialmente insanável. Não se extraem efeitos jurídicos válidos de ato administrativo nulo.
A imprestabilidade de atos administrativos de matriz tributária decorre da ausência de comprovação fenomênica dos elementos essenciais da hipótese normativa, de inadequada indicação da matéria tributável que subjaz à respectiva pretensão fazendária, do incorreto cômputo do quanto devido, e/ou da errônea atribuição de sujeição obrigacional passiva e ativa dos titulares de direitos e obrigações. Quaisquer dessas pechas destrói o lançamento e o torna inservível aos fins a que se destina, por ausência de legalidade que justifique validá-lo.
É dever do julgador administrativo tributário desconstituir o lançamento que seja praticado com inadequação da apuração dos elementos essenciais à constituição do crédito tributário, representados nos respectivos critérios material, temporal, espacial, quantitativo e pessoal da norma jurídica tributária, sem os quais se deve reconhecer a nulidade material ou improcedência dos autos de infração que desatendam a previsão legal.
Numero da decisão: 1201-005.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para desconstituir a auto de infração e declará-lo materialmente nulo.
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Junior Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente em exercício). Ausente justificadamente o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: Fredy José Gomes de Albuquerque
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ERRO NA INDICAÇÃO DO TIPO INFRACIONAL. É materialmente nulo o lançamento baseado tipo infracional diverso do apontado pela administração tributária. A validade do lançamento está condicionada à realização de atos administrativos pautados no cumprimento de regras jurídicas, não se admitindo que a administração tributária pretenda convalidar erros que colidam com o regular atendimento aos princípios da legalidade e estrita tipicidade. Não é dado ao julgador corrigir lançamento tributário mal feito, inadmitindo-se validar auto de infração claramente maculado pela pecha de vício material que decorra de inadequada materialidade do tipo infracional. Tal erro macula integralmente o lançamento do crédito tributário em seu aspecto elementar, verdadeiramente substancial, tratando-se de vício insanável do qual resulta nulidade material do auto de infração. Se, por um lado, é verdade que não há nulidade sem prejuízo (“pas de nullité sans grief”), por outro, só não há prejuízo quando se pretende convalidar erros instrumentais simples, desde que seja dado ao contribuinte exercitar sua defesa plenamente e condicionado ao fato de que o equívoco procedimental não gere embaraço ao devido processo legal. Não se negocia com a ilegalidade. Não se convalida erro materialmente insanável. Não se extraem efeitos jurídicos válidos de ato administrativo nulo. A imprestabilidade de atos administrativos de matriz tributária decorre da ausência de comprovação fenomênica dos elementos essenciais da hipótese normativa, de inadequada indicação da matéria tributável que subjaz à respectiva pretensão fazendária, do incorreto cômputo do quanto devido, e/ou da errônea atribuição de sujeição obrigacional passiva e ativa dos titulares de direitos e obrigações. Quaisquer dessas pechas destrói o lançamento e o torna inservível aos fins a que se destina, por ausência de legalidade que justifique validá-lo. É dever do julgador administrativo tributário desconstituir o lançamento que seja praticado com inadequação da apuração dos elementos essenciais à constituição do crédito tributário, representados nos respectivos critérios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 00 44 /2 01 1- 05 Fl. 293DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 material, temporal, espacial, quantitativo e pessoal da norma jurídica tributária, sem os quais se deve reconhecer a nulidade material ou improcedência dos autos de infração que desatendam a previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para desconstituir a auto de infração e declará-lo materialmente nulo. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Junior – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente em exercício). Ausente justificadamente o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário manejado em face de acórdão da DRJ que manteve lançamento de crédito tributário decorrente de pagamentos efetuados a beneficiário não identificado ou sem comprovação da respectiva causa ou operação. Os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) indicam haver o contribuinte realizado pagamentos a terceiros não identificados, sem a devida contabilização, indicados em extrato bancário que aponta os seguintes pagamentos e sua respectiva data: Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 Diante da ausência de justificação aos alegados pagamentos que aponta ter identificado, a administração tributária aplicou o art. 674 do RIR/99, lançando o IRRF de 35% sobre os valores não justificados, além da multa de ofício e juros de mora. Após regular impugnação, a DRJ manteve o lançamento tributário, em decisão assim ementada: ARGUIÇÃO DE NULIDADE. EQUÍVOCO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. Eventuais equívocos cometidos pelo Auditor Fiscal na descrição dos fatos só acarretarão a nulidade do auto de infração quando impedirem a perfeita compreensão da matéria tributada por parte do contribuinte, com efetivo prejuízo para a sua defesa. PAGAMENTOS EFETUADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM COMPROVAÇÃO DA RESPECTIVA CAUSA OU OPERAÇÃO. Os pagamentos cuja causa ou operação não venham a ser comprovadas, ou cujo beneficiário não venha a ser claramente identificado, ficarão sujeitos à à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. À referida conclusão, o contribuinte manejou Recurso Voluntário, em que aponta nulidade do auto de infração, sob o argumento de que o fundamento legal nele indicado, qual seja o pretenso pagamento a beneficiário não identificado, só se aplica nas hipóteses em que o contribuinte efetua uma despesa (um pagamento), porém, os extratos indicam recebimento de haveres. Assim, aponta que “o fato tipificado pela fiscalização não se coaduna com a aplicação do dispositivo legal acima, vez que recebimentos não se confundem com pagamentos e, muito menos, a beneficiário não identificado ou sem justo motivo”, controvertendo, ainda, o fato de que a DRJ não pode pretender “aprimorar o lançamento” e que se está diante de hipóteses que autorizariam a realização de um novo lançamento. Por fim, aduz que nunca houve pagamento algum. Na verdade, informa que tais ingressos na conta corrente decorrem de transação imobiliária ocorrida no dia útil anterior, que foi cancelada e teve retorno dos mesmos valores que deixaram o caixa da companhia. Assim, como não houve na data apontada pela fiscalização nenhum pagamento e, mesmo na data anterior (não objeto do auto de infração), nada foi perfectibilizado, não haveria motivos para manter o lançamento em apreço, requerendo o provimento do recurso para tornar insubsistente o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. Fl. 295DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 A decisão adequada e justa ao caso concreto demanda de uma simples análise dos elementos fáticos trazidos pela administração tributária ao processo. Com efeito, observa-se que TVF aponta a suposta ocorrência de “pagamentos” a terceiros não identificados, que teriam ocorrido no dia 28/05/2007, conforme planilha indicada no TVF e abaixo reproduzida: Em verdade, vê-se que nunca ocorreu pagamento algum nessa data, pelo contrário, foram valores recebidos pela companhia autuada, que ingressaram em sua conta bancária na data apontada, conforme apontam os extratos bancários apresentados durante a fiscalização, fato esse que foi por ela controvertido e explicado desde a sua impugnação. Ressalte-se que a DRJ confirma o erro da fiscalização, ao consignar: 7. De fato, há um equívoco na descrição da infração: — as cinco ordens de crédito apontadas no Termo de Verificação Fiscal, todas elas com data de 28/05/2007, constituem recebimentos da empresa, e não pagamentos. 8. O lapso do Auditor Fiscal é, de certa forma, explicável: — na mesma folha do extrato bancário onde aparecem as ordens de crédito do dia 28/05/2007, existem também cinco pagamentos, todos eles efetuados em 24/05/2007, cujos valores são idênticos aos dos mencionados créditos. 9. Em que pese, todavia, o equívoco acima apontado, não decorreu daí nenhum prejuízo para o exercício do direito de defesa do contribuinte. Afinal, a Interessada demonstrou ter compreendido perfeitamente que o objeto da autuação foram os cheques emitidos em 24/05/2007, e não as ordens de crédito registradas em 28/05/2007. Tanto é assim que, no capítulo principal de sua impugnação, a empresa atacou o ponto exato da controvérsia, concernente à causa dos pagamentos e à identificação dos seus beneficiários. Note-se que é incontroverso o equívoco da administração tributária ao tratar como “pagamento indevido” algo que nunca foi pagamento algum (era recebível). Esse fato é relativizado pela DRJ ao tentar justificar o erro do auto de infração, porém, divirjo respeitosamente das conclusões a que chegou a douta instância de piso, cujo julgamento foi por maioria, constando do acórdão a Declaração de Voto do i. Julgador Ricardo Araújo de Oliveira, que aqui transcrevo também como causa de decidir desta Relatoria, a saber: Em que pese o excelente voto proferido pelo nobre relator, peço licença para divergir de seu entendimento, por entender que o lançamento, nos termos efetuados, deve ser cancelado, em virtude de erro na aplicação do direito, segundo as razões que passo a expor. Assevera o relator, ao analisar a nulidade, que “De fato, há um equívoco na descrição da infração: — as cinco ordens de crédito apontadas no Termo de Fl. 296DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 Verificação Fiscal, todas elas com data de 28/05/2007, constituem recebimentos da empresa, e não pagamentos.” – grifei. Realmente, como consta no próprio auto de infração (fl. 05), no dia 28/05/2007, a empresa recebeu valores (ordens de crédito). Então, não há dúvidas de que inexistem pagamentos a beneficiários não identificados no dia 28/05/2007. Para se verificar o que ocorreu, elaboramos a tabela a seguir, com base no extrato de fl. 48, da conta nº 039.3849, existente no Banco Safra – Agência 01500, que serviu da base para a autuação: Como se vê, no dia 24 de maio de 2.007, houve uma série de pagamentos, que posteriormente retornaram à empresa, sob a forma de ordens de crédito, no dia 28 de maio do mesmo ano, dando plausibilidade ao argumento da empresa de que teria efetuado uma compra de imóvel. De todo modo, assiste razão ao relator em afirmar que tal operação não foi documentalmente comprovada, o que o levou a votar pela manutenção do lançamento. Todavia, a causa fundamental para cancelamento da autuação, não se funda neste fato, mas sim de que no dia 28 de maio de 2.007 não houve pagamentos a beneficiários não identificados, mas sim recebimento de valores. Evidenciada a inexistência de pagamentos no dia 28 de maio, não há causa para incidência da cobrança do imposto de renda retido na fonte, na hipótese que exige para sua aplicação a ocorrência de pagamentos a beneficiários não identificados, fundada no artigo 61, da Lei 8.981,de 1995, matriz legal do artigo 674 do RIR/1999, a seguir: "Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou Fl. 297DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considera-se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).". – grifei/negritei Como demonstrado, o fato descrito no auto de infração não se subsume à hipótese legal descrita no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, restando assim configurado erro na aplicação do direito, e por consequência, a impossibilidade de manutenção do lançamento. Por tais razões, sou pelo cancelamento integral do crédito tributário lançado. Houve evidente falha material do lançamento tributário, não sendo viável, a meu sentir, tentar validar o ato administrativo marcado pela pecha da nulidade. Destaque-se que o lançamento tributário é um ato administrativo vinculado, parametrizado em requisitos legais, que exigem a desconstituição do ato equivocadamente realizado. O dever de controle da legalidade do ato administrativo impõe ao Fisco e aos órgãos julgadores a revisão de lançamentos que não preencham os requisitos de constituição regular do crédito tributário. Outrossim, ao realizar ato administrativo, inclusive o lançamento de tributo, a autoridade não apenas aplica a lei, mas cumpre a “função de concretizar e de estabilizar as relações jurídicas entre o Estado e o cidadão particular”, conforme leciona Hartmut Maurer 1 , pois deles nascem pretensões jurídicas presumivelmente válidas que exigem o atendimento da legalidade, eficiência e expectativa de confiança decorrentes do Estado de Direito. Por isso mesmo, o lançamento assume um caráter definitivo, conforme previsão do art. 145 do CTN, porquanto vinculado e parametrizado pelas exigências legais, mas nunca irrevogável. Havendo a comprovação de que a autoridade administrativa cometeu erro de fato ao lançar o crédito tributário, é dever dela mesma desconstituir o respectivo ato administrativo que se baseou em premissa fática equivocada e fora constatado posteriormente pelo agente do Estado. Não o fazendo, cabe às instâncias de julgamento corrigirem a rota equivocada. Destaque-se – e aqui é sempre importante destacar – que não se admite Revisão de Lançamento por erro de direito, assim entendido aquele que pretenda alterar o lançamento por modificação de critério jurídico que motivou a realização do ato administrativo. É dizer: a revisibilidade de lançamento é oponível unicamente diante do cotejo de circunstâncias materiais, jamais alteração de critérios interpretativos, não sendo lícito que a autoridade lançadora tenha determinado entendimento sobre eventual controvérsia jurídica e, após o lançamento, pretenda alterá-lo para modificar sua interpretação. 1 MAURER, Hartmut: CONTRIBUTOS PARA O DIREITO DO ESTADO. HECK, Luís Afonso (Tradução). Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007, p. 108. Cf. MELIS, Giuseppe. L'Interpretazione nel diritto tributario. Padova: CEDAM, 2003. p. 514. GARCÍA NOVOA, César. El principio de seguridad jurídica en materia tributaria, Madrid: Marcial Pons, 2000, p. 77. Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 Aliás, o próprio CTN disciplina que “a modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução” (art. 146). Registre-se, por fim, que a Lei nº 9.784/99, ao regular o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, expressamente determina o dever revisão de processos administrativos que resultem em sanções, “quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada” (art. 65), aplicando-se também nos casos de inadequação de lançamentos por ausência de materialidade do fato gerador, não sendo lícito, a meu juízo, que de tal revisão resulte agravamento do lançamento originário, mercê da expressa vedação do parágrafo único do citado artigo. A validade do lançamento está condicionada à realização de atos administrativos pautados no cumprimento de regras jurídicas, não se admitindo que a administração tributária pretenda convalidar erros que colidam com o regular atendimento aos princípios da legalidade e estrita tipicidade. Não se valida ato administrativo eivado da pecha de nulidade que decorra de erro de metodologia do levantamento fiscal ou por inadequação da materialidade infracional, por expressa violação à regularidade do lançamento prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional, além de representar equívoco procedimental que fulmina o dever de correta constituição do crédito tributário. Não é dado ao julgador corrigir lançamento tributário mal feito, inadmitindo-se validar auto de infração claramente maculado pela pecha de vício material que decorra de inadequado apontamento da materialidade da infração. Vê-se dos autos elementos de fato que evidenciam os equívocos perpetrados pela administração tributária ao pretender lançar crédito tributário pautado em erro insanável. Mais vale desconstituir lançamentos tributários mal conduzidos a admitir o descumprimento da lei! Outrossim, registre-se que o erro na apuração macula integralmente o lançamento do crédito tributário em seu aspecto elementar, verdadeiramente substancial, tratando-se de vício insanável do qual resulta nulidade material do auto de infração. Não se está diante de erro procedimental de natureza sanável, do qual hipoteticamente não resultaria qualquer espécie de cerceamento ou vilipêndio à defesa. Não é o que se vê do caso em análise. Se, por um lado, é verdade que não há nulidade sem prejuízo (“pas de nullité sans grief”), por outro, só não há prejuízo quando se pretende convalidar erros instrumentais simples, desde que seja dado ao contribuinte exercitar sua defesa plenamente e condicionado ao fato de que o equívoco procedimental não gere embaraço ao devido processo legal. Com efeito, os instrumentos procedimentais não são um fim em si mesmos, por isso se admite que equívocos formais sejam corrigidos se a matéria que subjaz à forma seja alcançada. Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 Não obstante, o erro de lançamento oriundo da inadequação apontada não representa equívoco procedimental, mas consubstancia verdadeira ilegalidade na constituição do crédito tributário, maculando toda a autuação, viciando a relação jurídica que dela resulte e desconstruindo os parâmetros da lei que a elevam ao mesmo patamar de relevância dos demais elementos essenciais à sua formação. Não se negocia com a ilegalidade. Não se convalida erro materialmente insanável. Não se extraem efeitos jurídicos válidos de ato administrativo nulo. Registre-se que não se defende aqui a aplicação de formalismo exagerado no âmbito do processo administrativo tributário, pois esta Relatoria tem o firme entendimento de que o julgador deve admitir a construção de solução jurídica que permita alcançar a verdade material, mediante critérios e instrumentos de moderação, seja para impedir a desconstituição desnecessária de créditos tributários cuja validade seja atestável, seja para garantir o livre exercício do direito de defesa. O formalismo moderado dá sentido finalístico à verdade material que subjaz à atividade de julgamento, e, no dizer de Celso Antônio Bandeira de Mello, evita “que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é, ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte, ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 9ª ed., São Paulo: Malheiros, 1997, p. 322/323). Por outro lado, a busca da verdade material, além de ser direito do contribuinte, representa uma exigência procedimental, a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores no âmbito do processo administrativo tributário, a ela condicionada a regularidade da constituição do crédito tributário e os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias dele decorrentes. Mas nada disso autoriza convalidar ato administrativo materialmente nulo, oriundo de inadequada metodologia do levantamento fiscal. Leandro Paulsen tem razão ao afirmar que “não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar-se do princípio da informalidade do processo administrativo” 2 . A imprestabilidade de atos administrativos de matriz tributária decorre da ausência de comprovação fenomênica dos elementos essenciais da hipótese normativa, de inadequada indicação da matéria tributável que subjaz à respectiva pretensão fazendária, do incorreto cômputo do quanto devido, e/ou da errônea atribuição de sujeição obrigacional passiva 2 PAULSEN, Leandro. CONSTITUIÇÃO E CÓDIGO TRIBUTÁRIO À LUZ DA DOUTRINA E DA JURISPRUDÊNCIA. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011. Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 e ativa dos titulares de direitos e obrigações. Quaisquer dessas pechas destrói o lançamento e o torna inservível aos fins a que se destina, por ausência de legalidade que justifique validá-lo. É dever do julgador administrativo tributário, ao exercer a função jurisdicional 3 que lhe compete, desconstituir o lançamento que seja praticado com inadequação da apuração dos elementos essenciais à constituição do crédito tributário, representados nos respectivos critérios material, temporal, espacial, quantitativo e pessoal da norma jurídica tributária, sem os quais se deve reconhecer a nulidade material ou improcedência dos autos de infração que desatendam a previsão legal. Com efeito, seja no antecedente da norma (precisão hipotética de materialidade, espacialidade e temporalidade), seja no consequente de sua aplicação (sujeição passiva, sujeição ativa e quantificação), tem-se como condição à regularidade do lançamento a correta indicação de todos esses elementos, uma vez que, “na identificação do fato jurídico, a tipicidade compreende, pois, todos os elementos do conceito da hipótese: materialidade, temporalidade e espacialidade, bem como do conceito do consequente, isolados mediante criteriosa seleção das propriedades necessárias e suficientes à sua qualificação” 4 . A decisão de piso, salvo melhor juízo, merece ser reformada, em face dos equívocos perpetrados no levantamento fiscal realizado. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para desconstituir a auto de infração e declará-lo materialmente nulo. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque 3 Conforme notável obra da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, objeto de sua tese de doutoramento junto à Universidade de São Paulo, ao lecionar que: "reconhece-se que os julgadores administrativos tributários exercem função jurisdicional, tendo competência para dizer o direito aplicável ao caso concreto, com a interpretação estatal dos textos normativos diante de uma lide. Portanto, os julgadores administrativos podem resolver litígios instaurados a partir de um ato administrativo tributário" (DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. EFEITOS DAS DECISÕES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. Belo Horizonte: Forum, 2021, p. 43). 4 TÔRRES, Heleno. DIREITO TRIBUTÁRIO E DIREITO PRIVADO: AUTONOMIA PRIVADA, SIMULAÇÃO E ELUSÃO TRIBUTÁRIA. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 66 Fl. 301DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-005.655 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10707.000044/2011-05 Fl. 302DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11128.722479/2011-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 11/10/2011
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3001-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por decretar de ofício a nulidade do acórdão recorrido determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados correta e integralmente os argumentos constantes da impugnação apresentada.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo da Costa Marques d´Oliveira, João José Schini Norbiato e Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/10/2011 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por decretar de ofício a nulidade do acórdão recorrido determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados correta e integralmente os argumentos constantes da impugnação apresentada. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo da Costa Marques d´Oliveira, João José Schini Norbiato e Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Relatório Versa o presente processo sobre controvérsia instaurada em razão da lavratura de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Reproduz-se a seguir trecho do auto de infração que consta os motivos da aplicação da penalidade: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 24 79 /2 01 1- 80 Fl. 140DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.234 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722479/2011-80 Em 11/10/11 foi protocolada petição (fl. 02) solicitando o desbloqueio, no sistema CARGA, do(s) manifesto(s) eletrônico(s) nº 1511502215294 (fls. 03 a 06), pois este(s) foi (ram) registrado(s) fora do prazo estabelecido em norma, o que ocasionou bloqueio automático gerado pelo sistema. Pesquisando no Siscomex Carga, verifica-se que figura como transportador responsável, portanto obrigado a prestar as informações à RFB, a empresa COSCO Brasil S/A. Na acepção da Lei n° 10.833, de 2003, considera-se o interveniente as pessoas físicas ou jurídicas citadas no art. 76, § 2°, abaixo transcrito: “§ 2º Para os efeitos do disposto neste artigo, considera-se interveniente o importador, o exportador, o beneficiário de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, o despachante aduaneiro e seus ajudantes, o transportador, o agente de carga, o operador de transporte multimodal, o operador portuário, o depositário, o administrador de recinto alfandegado, o perito, o assistente técnico, ou qualquer outra pessoa que tenha relação, direta ou indireta, com a operação de comércio exterior.” Além disso, dispõe a IN - RFB nº 800, de 2007, no seu art. 3º, 4° e 5°: “Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. Parágrafo único. O consolidador estrangeiro é também chamado de Non Vessel Operating Common Carrier (NVOCC).” “Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. “Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga.” Portanto, nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil - RFB. Foi juntado aos autos pela autoridade fiscal a solicitação de desbloqueio e o extrato do Manifesto objeto de bloqueio em face da vinculação do manifesto pós prazo ou atracação. Devidamente cientificada, a interessada apresentou impugnação na qual alegou, em síntese, 1) as informações foram prestadas dentro do prazo, antes da primeira atracação no porto de Santos; 2) Ausência de Prejuízo à Fiscalização; 3) Denúncia Espontânea; 4) Aplicação da Penalidade. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado conforme ementa do Acórdão n o 12-103.999 a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 Fl. 141DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.234 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722479/2011-80 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte aéreo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo regulamentar, é devida a multa por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em síntese, a decisão recorrida foi no seguinte sentido: Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Além disso, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva, inexistência de responsabilidade ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos. (...) Corroborando esse entendimento, o tipo infracional em que se enquadra a conduta da autuada dispõe expressamente que ele se aplica ao agente de carga, como se pode constatar da leitura do art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a seguir reproduzido: (...) O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos respectivos conhecimentos eletrônicos (CEs). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Apenas para efeito de esclarecimento, informa-se que o fornecimento das informações exigidas, no âmbito do transporte internacional de cargas, objetiva proporcionar à Aduana subsídios para a análise de risco dessas operações, a ser realizada previamente ao embarque ou desembarque das mercadorias no País, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Daí a necessidade de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. Observa-se que, o foco principal dessa obrigação é o controle aduaneiro, mas ela também interessa à administração tributária. Com base nas informações exigidas muitas vezes são constatadas infrações como o subfaturamento de preços; o erro no enquadramento tarifário, objetivando obter tratamento mais favorável; a ausência de recolhimento de direitos antidumping ou compensatório. Ademais, não se pode negar que Fl. 142DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.234 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722479/2011-80 um dos objetivos da Aduana é justamente proteger a economia nacional contra a concorrência desleal de produtos estrangeiros. Vale dizer, ainda, que o Decreto-Lei nº 37/1966, que possui força de lei e alterações posteriores sustentam as penalidades as quais são explicadas e definidas pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, e que tanto a fiscalização quanto o julgador administrativo de primeira instância adstritos. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância trazendo os seguintes argumentos: 1) as informações foram prestadas dentro do prazo, antes da primeira atracação no porto de Santos; 2) Ausência de Prejuízo à Fiscalização; 3) Denúncia Espontânea; 4) Do advento da Lei 1473/2014 – Retroatividade da Lei Tributária. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Apesar de a Recorrente não ter apresentado argumentos preliminares, reputo relevante a análise de ofício da nulidade da decisão recorrida pelos fundamentos a seguir apresentados. Fl. 143DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.234 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722479/2011-80 Conforme disposto acima, a fundamentação utilizada para a aplicação do auto de infração encontra-se alicerçada na solicitação de desbloqueio e no extrato do Manifesto objeto de bloqueio em face da vinculação do manifesto pós prazo ou atracação. Analisando o acórdão recorrido como um todo, verifico que há uma confusão de temas e fundamentos. A Ementa apresenta descumprimento de prazo no transporte aéreo e no relatório há informação de que houve lançamento a destempo de conhecimento eletrônico na desconsolidação de carga conforme IN SRF 800/07 (art. 22), a qual trata de transporte marítimo. Por derradeiro, no voto há indicação de que está se tratando, de fato, sobre desconsolidação de carga conforme trecho a seguir reproduzido: O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos respectivos conhecimentos eletrônicos (CEs). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Neste sentido, percebe-se que os fundamentos da decisão recorrida encontram-se em total dissonância com aqueles utilizados no auto de infração. Enquanto o auto de infração trata de vinculação do manifesto eletrônico à escala, a decisão recorrida julga improcedente a impugnação em face da responsabilidade da autuada pela desconsolidação da carga. Além desta discrepância, verifica-se que a impugnação alega que as informações foram prestadas dentro do prazo, antes da primeira atracação no porto de Santos, que não ocorreu prejuízo à fiscalização bem como a ocorrência do instituto da denúncia espontânea e “advento da Lei 1473/2014 – Retroatividade da Lei Tributária”. Entretanto, a decisão recorrida trata de temas totalmente estranhos à impugnação, tais como as preliminares de inconstitucionalidade ou ilegalidade e ausência de motivação. Portanto, constata-se de fato a caracterização do vício instransponível de motivação específica nos termos constantes do voto condutor da decisão recorrida. Resta-se, portanto, configurada a nulidade da citada decisão em virtude da preterição do direito de defesa segundo o entendimento deste relator, conforme dispõe o art. 59 do Decreto n o 70.235, reproduzido a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 144DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.234 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.722479/2011-80 Diante do exposto, voto por anular de ofício a decisão recorrida e determinar que sejam apreciados correta e integralmente os argumentos suscitados em sede de impugnação. Em face da decretação da nulidade do acórdão recorrido restou prejudicada a análise dos demais argumentos de mérito suscitados no Recurso Voluntário. Da Conclusão Diante do exposto, voto por decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados correta e integralmente os argumentos constantes da impugnação apresentada. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 145DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000790/00-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEVER DE AÇÃO. RITO PROCESSUAL ESPECÍFICO.
O direito à restituição, independentemente de prévio protesto, nas hipóteses previstas no art. 165 do CTN, está condicionado ao dever de ação, nessas mesmas hipóteses, como prescreve o art. 168 do mesmo Código.
A restituição de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, será efetuada a pedido da contribuinte, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos.
A inclusão de novos períodos de apuração no demonstrativo que acompanha o Pedido de Restituição deve ser expressamente formalizada, mediante retificação do pleito, conforme o rito processual cabível, observando-se o prazo prescricional/decadencial do art. 168 do CTN.
Numero da decisão: 3401-011.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado (a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Garcia Dias dos Santos
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DEVER DE AÇÃO. RITO PROCESSUAL ESPECÍFICO. O direito à restituição, independentemente de prévio protesto, nas hipóteses previstas no art. 165 do CTN, está condicionado ao dever de ação, nessas mesmas hipóteses, como prescreve o art. 168 do mesmo Código. A restituição de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, será efetuada a pedido da contribuinte, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. A inclusão de novos períodos de apuração no demonstrativo que acompanha o Pedido de Restituição deve ser expressamente formalizada, mediante retificação do pleito, conforme o rito processual cabível, observando-se o prazo prescricional/decadencial do art. 168 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 07 90 /0 0- 64 Fl. 2556DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 Marcos Antonio Borges (suplente convocado (a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório da DRJ: Trata-se de Pedido de Restituição, protocolado em 28/04/2000, no valor total de R$ 15.097.676,85, relativo a crédito de PIS/Pasep decorrente de pagamento indevido e/ou a maior que o devido entre 01/1990 a 10/1995, em razão da inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, seguido de Pedido(s)/Declaração(ões) de Compensação. Conforme o Despacho Decisório SAORT/DRF/STS nº 17, de 26/12/2003 (e-fls. 964/975), o pedido de restituição foi indeferido, em razão da decadência (PA anteriores a 27/04/1995, inclusive), bem como da semestralidade do Pis/Pasep, mediante os seguintes fundamentos (...). Cientificada em 19/01/2004, a contribuinte tomou vista dos autos e apresentou manifestação de inconformidade, em 17/02/2004. (...) Cientificada em 19/10/2005, a interessada apresentou manifestação de inconformidade complementar, em 18/11/2005. Os autos foram encaminhados para julgamento, mediante despacho no qual se comunicou a impetração de mandado de segurança pela contribuinte para obtenção de Certidão Negativa de Débito - CND (e-fls. 1136). Conforme Acórdão DRJ/SPOI nº 9.015, de 09/03/2006, a solicitação foi indeferida, não se acolhendo as manifestações de inconformidade apresentadas (e-fls. 1153/1162) (...). A contribuinte foi cientificada da decisão supra em 24/04/2006. Em 24/05/2006 apresentou Recurso Voluntário junto ao antigo Conselho de Contribuintes. Mediante Acórdão 2º CC nº 204-02.418, de 22/05/2007, por maioria, o Recurso Voluntário foi provido em parte, para afastar a decadência e reconhecer a semestralidade, conforme a seguinte ementa e voto (e-fls. 1185/1191) (...). Cientificada em 15/02/2008 do Acórdão supra, a Procuradoria da Fazenda Nacional - PFN apresentou Recurso Especial em 21/02/2008, para restabelecer a decisão de primeira instância, visto que o prazo prescricional para repetição do indébito extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos 165, I e 168, I c/c art. 150, §1º do Código Tributário Nacional, o qual foi recebido mediante Despacho nº 204.00.166 (4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes), de 26/08/2008 (e-fls. 1207) (...) Cientificada do Acórdão 2º CC nº 204-02.418 e do Despacho nº 204.00.166 (AR sem retorno - data da postagem da intimação em 24/10/2008), a contribuinte apresentou, em 11/11/2008, suas contra-razões ao Recurso Especial da PFN; bem como, em 21/12/2011 seu próprio Recurso Especial. Mediante Acórdão CSRF nº 9303-003.004 - 3ª Turma, de 04/06/2014, o Recurso Especial da PFN foi parcialmente provido, para reconhecer o Fl. 2557DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 transcurso do prazo para repetição do indébito anteriores a abril/1990 (e-fls. 1302/1306) (...). Em 23/01/2015 a PFN tomou ciência do Acórdão supra e informou que não haveria oposição de embargos de declaração. Na sequência, em 06/07/2015, os autos foram encaminhados para a PSFN/Santos, a pedido daquele órgão. Em 29/11/2017 a contribuinte solicitou a juntada de planilhas e documentos comprobatórios do direito creditório, requerendo o início do procedimento de homologação dos valores, dizendo que os autos permanecem na PSFN/Santos até aquele momento. Esclarece seus cálculos e requer a restituição em espécie do saldo remanescente (R$ 1.318.396,91 - atualizado até 11/2017) ou o direito de apresentar DCOMP (...). Em 01/03/2018 os autos foram devolvidos pela PSFN/Santos à RFB para análise do requerimento da contribuinte, tendo sido remetidos em 07/04/2018 à DRF/BH em razão da nova jurisdição da pessoa jurídica. A pessoa jurídica foi intimada a comparecer na DRF/BH, com ciência em 05/06/2018. Em 14/06/2018 foi emitido o Despacho Decisório SEORT/DRF/BH nº 624, no qual foram implementados os cálculos do Acórdão CSRF nº 9303-003.004 - 3ª Turma, de 04/06/2014, resultando o reconhecimento do crédito no valor de R$ 6.755.603,11 em 01/01/96, com a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido, nada remanescendo para restituição (...). Cientificada do Despacho Decisório SEORT/DRF/BH nº 624 em 18/07/2018, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 16/08/2018. Após breve resumo dos fatos, entende que o Despacho Decisório não merece prosperar, pois amparado em cálculos eivados de equívocos, os quais reduzem indevidamente o direito creditório reclamado, conforme laudo técnico em anexo, segundo o qual teria havido: a) Desconsideração do recolhimento do período de apuração de 02/1990, efetuado em 05/06/1990 no valor de Cr$ 1.376.398,74, relativo ao CNPJ 02.476.026/0001-36. b) Desconsideração dos recolhimentos de PIS comprovados nos autos, elencados abaixo: Fl. 2558DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 c) Amortização da compensação da COFINS da competência 12/2002, controlada no processo n° 10845.000110/2003-44, em valor muito superior ao efetivamente compensado. Acusa que a autoridade fiscal não acostou ao processo todos os demonstrativos de cálculos gerados pelo sistema CTSJ (tais como Demonstrativo de Pagamentos e Demonstrativo de Amortizações - Todas), cerceando seu direito de defesa. (...). Encaminhados os autos para julgamento, estes foram devolvidos à DRF/BH com o seguinte despacho do SERET-DRJ-SPO-SP (e-fls. 2211): (...)Conforme PN Cosit nº 2, de 23 de agosto de 2016, ¿Inexiste recurso contra a liquidação pela unidade preparadora de decisão definitiva no processo administrativo fiscal julgando parcialmente procedente lançamento, tendo em vista a coisa julgada material incidente sobre esta lide administrativa, sem prejuízo da possibilidade de pedido de revisão de ofício por inexatidão quanto aos cálculos efetuados. (...) Em 18/09/2018, em ato de revisão de ofício, foi emitido o Despacho Decisório nº 1203 - DRF/BHE, retificando o valor do crédito reconhecido para R$ 6.785.466,27, nos seguintes termos: (...) a- O contribuinte tem razão quanto a não inclusão do darf de valor R$ 1.376.398,74. Por um lapso este recolhimento deixou de ser incluído no cálculo do crédito. b- Não procede a alegação do contribuinte quanto a equívoco no valor da amortização da compensação de COFINS da competência 12/2002. (...) 7- Quanto a utilização de créditos dos períodos de apuração 10/1995 a 02/1996, isto não faz parte do processo judicial ora trabalhado. Tais períodos de apuração não foram objeto de ação judicial e nem deveria sê-lo, pois a MP 1.212/1995, reconheceu a aplicação da Lei Complementar número 07/1970 para fins de apuração de PIS para os períodos de apuração 01/10/1995 a 29/02/1996. Tal compensação/restituição deveria ter sido solicitada administrativamente. 8- Foi feito o cálculo inserindo o crédito do darf de valor R$ 1.376.398,74, e o valor do novo crédito encontrado é de: R$ 6.785.466,27 (...). Cientificada do Despacho Decisório nº 1203 - DRF/BHE em 18/10/2018, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 23/10/2018 (e-fls. 2334/2347). Após breve resumo dos fatos, acusa que a fiscalização manteve a desconsideração dos recolhimentos de Pis/Pasep comprovados nos autos, relativos aos períodos de apuração de 10/95 a 02/96, homologou parcialmente a compensação controlada no processo nº 10845.000169/2003-32 e indeferiu a restituição do saldo remanescente. Alerta que permanecem equívocos nos cálculos efetuados e ressalta que a presente defesa não trata de mero recurso contra a liquidação de decisão definitiva, mas sim de manifestação de inconformidade contra a não Fl. 2559DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 homologação das compensações, sendo cabível o recurso, que deve ser admitido. Acusa ser improcedente o despacho da DRJ/SPO, que opinou pelo não recebimento da manifestação de inconformidade anterior. (...). Especificamente em relação ao alegado equívoco de cálculo, explica que apurou um direito creditório suficiente para amparar todas as compensações realizadas e dele ainda remanescer saldo passível de aproveitamento no valor de R$ 1.318.396,92 (em 11/2017), contrariamente à decisão ora recorrida. Reitera que a diferença decorre da desconsideração dos recolhimentos de Pis/Pasep comprovados nos autos, elencados abaixo: Contrapõe-se ao critério fiscal de não considerar os recolhimentos acima apontados, mediante acusação de que se baseia em suposta limitação verificada na decisão do CARF, conforme o seguinte excerto do Despacho Decisório de 14/06/2018: (...) 8- Os períodos de apuração 10/95, 11/95, 12/95, 01/96 e 02/96, não foram considerados, pois no acórdão diz: Assim sendo, considerando que os pagamentos ocorreram no período entre 01/01/90 e 30/10/95 e a data da protocolização do pedido de restituição na via administrativa se verificou em 28/04/2000, aplicando- se a tese dos 10 anos retroativos ao pedido de restituição/compensação, apenas parte do período (pagamentos anteriores a 04/90) encontra-se decaído/prescrito. O acórdão só trata de recolhimentos de 04/90 até 10/95, portanto não há porque incluir pagamentos antes ou após esta data nos cálculos. (grifou- se) (...) Acusa que referido critério foi mantido no Despacho Decisório ora combatido, conforme abaixo (...). Julga equivocado tal entendimento, pois em 04/06/2014 foi proferido o Acórdão 9303-003.004 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), reconhecendo a prescrição do indébito de Pis/Pasep da recorrente, relativo aos recolhimentos realizados antes de abril/1990, conforme dispositivo a seguir (...). Conclui que, conforme referida decisão, houve o reconhecimento expresso de que restariam prescritos os recolhimentos efetuados antes de 04/1990 (data do pagamento anterior à 04/1990), mas não houve limitação expressa quanto aos períodos posteriores. Fl. 2560DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 Diz que o acórdão do CARF observou o período de 04/1990 a 10/1995, pois correspondia exatamente ao cálculo que acompanhou o pedido inicial da recorrente e que o pedido de restituição, em si, entretanto, não continha qualquer limitação, conforme demonstra o formulário que deu origem ao pleito, a seguir reproduzido (...) Explica que pleiteia a recuperação de todos os pagamentos PIS, efetuados indevidamente com base em norma declarada inconstitucional pelo STF (DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988) e que não se trata, nos presentes autos, de requerimento de restituição de pagamento indevido por conta de erro material, o qual poderia, em tese, estar limitado aos recolhimentos expressamente indicados. (...) Fundamenta-se no art. 165 do CTN, segundo o qual não é necessário qualquer prévio protesto para que a Administração Fazendária realize a restituição. Diz que a simples constatação de que o pagamento é indevido é suficiente para gerar o dever de restituí- lo. Cita doutrina. Acrescenta o dever de observância dos princípios da verdade material e do formalismo moderado, "com o que, constatando-se a existência de pagamentos a maior, mesmo não constando no cálculo que acompanhou o pedido de restituição, o indébito relativo às competências de 10/1995 a 02/1996 devem ser incluídos no cálculo". Traça um paralelo com os processos de execução de títulos judiciais contra a Fazenda Pública, dizendo que o Judiciário, com base na jurisprudência pacífica do STJ, acolhe os cálculos técnicos superiores aos valores apontados pelo exequente, pois espelham adequadamente o título judicial. E que, conforme a firme jurisprudência, os cálculos apresentados no curso do procedimento executivo ostentam apenas caráter informativo. Desse modo, conclui que, igualmente, a conta acostada ao formulário que dá origem ao pedido de restituição também possui caráter meramente informativo, de modo que "negar o cômputo dos recolhimentos de 10/1995 a 02/1996 na apuração do indébito de PIS da Recorrente configura-se nítido descumprimento do julgamento do CARF, que reconheceu a aplicação da legislação anterior aos inconstitucionais Decretos-leis nº 2.445 e 2.449 de 1988 (semestralidade da LC 07/70)" (destaques do original). Ainda, diz que, além disso, ofende os princípios da verdade material e moralidade administrativa, somente porque os valores sabidamente recolhidos a maior "e que foram objeto de pedido de restituição" "não constaram no cálculo da contribuinte". E continua, em suas palavras: Some-se a isso o fato de que, na oportunidade em que o pedido de restituição foi protocolado (04/2000), bem como que as compensações foram implementadas (2002 e 2003), a Recorrente encontrava-se dentro do prazo prescricional de dez anos para reaver os valores recolhidos indevidamente a título de PIS dos períodos de apuração de 10/1995 a 02/1996 (tese dos 5+5 - repercussão geral — RE 566.621). Por mais que se alegue a intempestiva inclusão dos períodos de 10/1995 a 02/1996, predomina no CARF o entendimento da possibilidade de Fl. 2561DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 análise de documentos extemporâneos, em homenagem ao princípio da verdade material, veja-se:[...] Importante ressaltar, também, que a empresa não se manteve inerte frente ao seu direito. Após o reconhecimento pelo CARF do direito de recuperar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS, a Recorrente ajustou seus cálculos e juntou toda a documentação comprobatória do direito creditório, inclusive das competências de 10/1995 em diante. Na hipótese de rejeição dos argumentos acima, o que se admite apenas para argumentar, é importante ressaltar que a Instrução Normativa SRF n° 6, de 19 de janeiro de 2000, vedou a constituição de crédito tributário baseada na Medida Provisória n° 1.212/1995, relativo ao período de 01/10/1995 a 29/02/1996, e reconheceu a aplicação da Lei Complementar n° 07/1970 para fins de apuração do PIS naqueles períodos, veja-se:[...] Desta forma, não pode a Autoridade Fiscal exigir os débitos objetos da compensação não homologada com créditos de PIS de 10/1995 a 02/1996. Neste sentido, o seguinte precedente do CARF:[...] Portanto, é necessária a revisão dos cálculos elaborados pela DRF Belo Horizonte — MG, para inclusão dos recolhimentos de PIS efetuados a partir de 10/1995, destacados anteriormente.(destaques acrescidos) Encerra com o seguinte pedido: 04. DO PEDIDO: Face ao exposto, a Recorrente requer seja a presente manifestação de inconformidade recebida e provida, nos termos do § 9º do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, para que: a) Sejam refeitos os cálculos dos créditos de PIS a que a Recorrente faz jus, desta vez computando os recolhimentos de PIS de 10/1995 a 02/1996; b) Seja reconhecido o saldo remanescente passível de aproveitamento, no valor de R$ 1.336.358,49 (atualizado até 10/2018), cálculos em anexo (Doc.02). A DRJ Ribeirão Preto, em sessão realizada em 13/06/2019, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão ementado da seguinte maneira: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995 Fl. 2562DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEVER DE AÇÃO. RITO PROCESSUAL ESPECÍFICO. O direito à restituição, independentemente de prévio protesto, nas hipóteses previstas no art. 165 do CTN, está condicionado ao dever de ação, nessas mesmas hipóteses, como prescreve o art. 168 do mesmo Código. A expressão "independentemente de prévio protesto", contida no citado art. 165 do CTN, significa que a Fazenda Pública não pode exigir o protesto judicial como condição da repetição do indébito. A restituição de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, será efetuada a pedido da contribuinte, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. A inclusão de novos períodos de apuração no demonstrativo que acompanha o Pedido de Restituição deve ser expressamente formalizada, mediante retificação do pleito, conforme o rito processual cabível, observando-se o prazo prescricional/decadencial do art. 168 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO E/OU A MAIOR QUE O DEVIDO COM BASE NOS DECRETOS-LEIS Nº 2.445 E Nº 2.449, AMBOS DE 1988. Acolhida a alegação, no Despacho Decisório nº 1203 - DRF/BHE, de 18/09/2018, de que, nos cálculos implementados, deixou-se de considerar o pagamento de PIS/Pasep efetuado mediante o DARF de valor R$ 1.376.398,74, do período de apuração de 02/1990; bem como restando demonstrado que o débito de COFINS, da competência 12/2002, foi compensado no valor correto, nada há de se reparar. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO E/OU A MAIOR QUE O DEVIDO COM BASE NOS DECRETOS-LEIS Nº 2.445 E Nº 2.449, AMBOS DE 1988. INCLUSÃO DOS PERÍODOS ENTRE 10/1995 A 02/1996. Nos períodos entre 10/1995 a 02/1996 não há de se falar em pagamento indevido e/ou a maior que o devido com base na inconstitucionalidade dos Decretos-leis nº 2.445 e nº 2.449, de 1988, mas sim na inconstitucionalidade do art. 15 da MP nº 1.212/1995, devendo ser objeto de pedido de restituição/compensação específico, observando-se o prazo prescricional/decadencial do art. 168 do CTN O contribuinte, tendo tomado ciência do acórdão da DRJ em 25/06/2019, apresentou em 24/07/2019 o recurso voluntário de fls. 908/940, contendo os seguintes argumentos: O entendimento de que o acórdão da CSRF só trata de recolhimentos de 04/90 até 10/95 é equivocado, pois em 04/06/2014 foi proferido o Acórdão Fl. 2563DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 n° 9303-003.004 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecendo a prescrição do indébito de PIS da Recorrente relativo aos recolhimentos realizados antes de abril/1990. Houve o reconhecimento expresso de que restariam prescritos os recolhimentos efetuados antes de 04/1990 (data do pagamento anterior à 04/1990), mas não houve limitação expressa quanto aos períodos posteriores. O pedido de restituição em si, entretanto, não continha qualquer limitação temporal aos períodos de apuração de 04/1990 a 10/1995. É o que demonstra o formulário que deu origem ao pleito, a seguir reproduzido (...). Na documentação que instruiu o Pedido de Restituição originário, protocolado em abril/2000, constaram, aliás, informações e comprovantes de pagamentos realizados após 10/1995 (planilhas às fls. 52 e 366 e comprovantes de pagamento colacionados às fls. 162, 163 e 366): O Acórdão da DRJ Ribeirão Preto, ora combatido, sustenta que as decisões proferidas pelo antigo Conselho de Contribuintes (CC) e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) afastaram tão somente a prescrição dos períodos de 04/1990 a 10/1995. Esta argumentação não merece prosperar, pois os períodos de 11/1995 a 02/1996 também se encontravam dentro do prazo prescricional para restituição, eis que logicamente posteriores à 04/1990. A Recorrente pleiteia a recuperação de todos os pagamentos PIS, efetuados indevidamente com base em norma declarada inconstitucional pelo STF (Decretos-Leis n° 2445 e 2449 de 1988). Não se trata, nos presentes autos, de requerimento de restituição de pagamento indevido por conta de erro material, o qual poderia, em tese, estar limitado aos recolhimentos expressamente indicados. O pedido repetitório da Recorrente, não deve, no momento da homologação dos créditos, ser restringido de modo a prejudicar a plena recuperação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS, no que exceder a Lei Complementar n° 07/1970. Portanto, os cálculos da RFB devem ser retificados, para contemplar todos os recolhimentos efetuados com base nos inconstitucionais decretos-leis. O acórdão ora combatido aponta que deveria ter sido efetuada a retificação do pedido de restituição para inclusão dos períodos de 10/1995 a 02/1996. Ainda que essa retificação fosse necessária, o que se admite para argumentar, mister se faz (i) repisar que, ao contrário do que se vem reiterando nos autos, já instruíram o Pedido de Restituição originário, protocolado em abril/2000, parte das informações e dos comprovantes de pagamentos realizados após 10/1995 (CNPJ 02.476.026/0001-36 – períodos de apuração outubro e novembro/1995 e, CNPJ 61.600.953/0001- 85 – período de apuração outubro/1995, conforme planilhas às fls. 52 e 366 e comprovantes de pagamento colacionados às fls. 162, 163 e 366); e, (ii) destacar que a retificação do pedido de restituição foi efetuada tempestivamente pela Recorrente na data de 29/11/2017, eis que o prazo Fl. 2564DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 prescricional para recuperação dos valores de PIS recolhidos indevidamente com base nos inconstitucionais Decretos-Leis n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988, encontra-se suspenso durante o trâmite da análise do processo administrativo. A Recorrente traz à colação acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o rito dos recursos repetitivos, nos quais se estampa o entendimento de que a prescrição fica suspensa no curso do processo administrativo, voltando a fluir somente a partir do seu término. É de conhecimento que nos presentes autos o Conselho Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito da Recorrente à recuperação do indébito de PIS e, posteriormente, os autos foram encaminhados à DRF Santos – SP (jurisdição da época) para homologação dos valores. Entretanto, injustificadamente tal procedimento de homologação não ocorreu, ou seja, não houve a conclusão do processo administrativo por parte da Administração Fazendária. O processo somente foi retomado com a provocação da Recorrente, mediante apresentação de cálculos atualizados e a juntada da documentação comprobatória, inclusive das competências de 10/1995 em diante. A empresa não se manteve inerte frente ao seu direito. Por mais que se alegue a intempestiva inclusão dos períodos de 10/1995 a 02/1996, predomina no CARF o entendimento da possibilidade de análise de documentos extemporâneos, em homenagem ao princípio da verdade material (Acórdão n° 9202-01.914). Noutras oportunidades, ainda, o CARF assentou não somente o acerto de se prestigiar a documentação complementar apresentada pelo contribuinte, mas, inclusive, o dever de a própria Administração apurar o direito creditório em face à informação constante em seu banco de dados – no caso, o processamento dos pagamentos indevidos de PIS 10/1995-02/1996. Some-se a isso o fato de que, na oportunidade em que o pedido de restituição foi protocolado (04/2000), bem como que as compensações foram implementadas (2002 e 2003), a Recorrente encontrava-se dentro do prazo prescricional de dez anos para reaver os valores recolhidos indevidamente a título de PIS dos períodos de apuração de 10/1995 a 02/1996 (tese dos 5+5 - repercussão geral – RE 566.621). Segundo o artigo 165 do CTN, não é necessário qualquer prévio protesto para que a Administração Fazendária realize a restituição aos contribuintes daquilo que recebeu a maior que o devido. A simples constatação de que o pagamento é indevido é suficiente para gerar o dever de restituí-lo. O acórdão ora combatido amplia indevidamente o conceito de “protesto” previsto no CTN, adotando, para tanto, precedente do STJ que tratou do cabimento do protesto judicial previsto art. 867 do Código de Processo Civil/1973. Em nenhum momento o CTN estabelece protesto como sendo Fl. 2565DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 judicial ou administrativo, porém é certo que estabelece o direito do Contribuinte à restituição de pagamentos indevidos ou a maior. Ademais, no processo administrativo devem ser observados o princípio da verdade material e o formalismo moderado. Com o que, constatando-se a existência de pagamentos a maior, mesmo não constando no cálculo que acompanhou o pedido de restituição, o indébito relativo às competências de 10/1995 a 02/1996 devem ser incluídos no cálculo. Nessa linha, a normativa da restituição5 e os arts. 2º, caput, VIII e X; 3º, III; 38 e 39, todos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 19996 prescrevem o dever de a Administração intimar o contribuinte para a apresentação de esclarecimentos e/ou de documentação complementar antes da prolação de decisões que possam comprometer a sua esfera jurídica. Portanto, negar o cômputo dos recolhimentos de 10/1995 a 02/1996 na apuração do indébito de PIS da Recorrente configura-se nítido descumprimento do julgamento do CARF, que reconheceu a aplicação da legislação anterior aos inconstitucionais Decretos-leis n° 2.445 e 2.449 de 1988 (semestralidade da LC 07/70). Além disso, ofende os princípios da verdade material e moralidade administrativa. No intento de obstar a concretização do direito creditório da Recorrente, constou no decisum recorrido que o indébito de PIS do período de 01/10/1995 a 29/02/1996 se pautaria noutra inconstitucionalidade, a saber, do art. 15 da Medida Provisória n° 1.212/19959, a ensejar pedido específico de restituição. Ocorre que, referida Medida Provisória n° 1.212/1995 sequer teve o condão de repercutir, justamente, nos períodos de 01/10/1995 a 29/02/1996. Pois, uma vez publicada em 28 de novembro de 1995, não afetou “fatos geradores ocorridos antes do início” de sua vigência, março/1996. Outrossim, quer tenha sido o pagamento indevido realizado com base nos DecretosLeis n° 2.445 e 2.449, de 1988, quer tenha o indébito se originado em apuração fundamentada na mencionada Medida Provisória n° 1.212/1995, tem-se idênticas consequências: a insubsistência do PIS calculado nos termos de referidos diplomas e a obtenção do quantum debeatur mediante a aplicação da Lei Complementar n° 07/1970. A Instrução Normativa SRF n° 6, de 19 de janeiro de 2000, inclusive, vedou a constituição de crédito tributário baseada na mencionada Medida Provisória n° 1.212/1995 e consignou a aplicação da Lei Complementar n° 07/1970 para fins de apuração do PIS naqueles períodos. Desta forma, não pode a Autoridade Fiscal exigir os débitos objetos da compensação realizada dentro do decênio legal, mas não homologada, com créditos de PIS de 10/1995 a 02/1996. Neste sentido, o seguinte precedente do CARF: (Acórdão n° 3202-000.676). Portanto, é necessária a revisão dos cálculos elaborados pela DRF Belo Horizonte – MG, para inclusão dos Fl. 2566DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 recolhimentos de PIS efetuados a partir de 10/1995, destacados anteriormente. Ao fim, pugna pela inclusão dos recolhimentos de PIS de 10/1995 a 02/1996 ou, subsidiariamente, o direito creditório dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS, no que exceder a Lei Complementar n° 07/1970, em referência aos períodos de apuração com comprovante de recolhimento acostado ao Pedido de Restituição originário (CNPJ 02.476.026/0001- 36 – períodos de apuração outubro e novembro/1995 e, CNPJ 61.600.953/0001-85 – período de apuração outubro/1995, conforme planilhas às fls. 52 e 366 e comprovantes de pagamento colacionados às fls. 162, 163 e 366). É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecido. Primeiramente, é preciso estabelecer que remanesce em litígio tão somente a inclusão dos recolhimentos de PIS de 10/1995 a 02/1996, uma vez que, em 18/09/2018, em ato de revisão de ofício, foi emitido o Despacho Decisório nº 1203 - DRF/BHE, retificando o valor do crédito reconhecido para R$ 6.785.466,27, oportunidade em que fora acolhida a alegação do sujeito passivo acerca da não inclusão do DARF no valor de R$ 1.376.398,74, período de apuração 02/1990, recolhido em 05/06/1990, relativo ao CNPJ 02.476.026/0001-36. Além disso, quanto ao excesso de compensação do débito da competência de 12/2002, realizada no processo n° 10845.000110/2003-44, o próprio sujeito passivo, por equívoco, havia invertido os valores de débito e crédito na compensação, fato posteriormente por ele retificado, tendo os valores adequados sido levado a cadastro e ao extrato de compensação, conforme já havia constado no Despacho Decisório nº 1203 - DRF/BHE, de 18/09/2018. Assim, não teria ocorrido o excedente de compensação, conclusão não contraditada nas razões de inconformidade e também não devolvida à apreciação por este Conselho. No que se refere aos recolhimentos de PIS de 10/1995 a 02/1996, não incluídos no crédito apurado, tendo a me alinhar com as conclusões concebidas pelo colegiado de 1ª instância. Explico. Primeiro porque não procede a alegação de que o pedido de restituição não deve conter qualquer limitação temporal aos períodos de apuração de 04/1990 a 10/1995, devendo ser admitido como um requerimento genérico de recuperação de todo e qualquer pagamento de PIS efetuado indevidamente com base nos DL n° 2445 e 2449, ambos de 1988, como se sustenta em voluntário. Muito pelo contrário, até mesmo com o fim de permitir que se obtenha um mínimo de certeza e liquidez acerca do crédito vindicado, devem os pedidos apontar expressa e Fl. 2567DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 individualmente os pagamentos reputados como indevidamente recolhidos, com a respectiva consolidação e o demonstrativo de cálculo da restituição, não sendo cabível o pedido “em branco”, como intenta a Recorrente. Do mesmo modo, não resiste o argumento de que a expressão “independentemente de prévio protesto”, contida no caput do artigo 165 do CTN, deva ser admitida como um duplo comando que, por um lado, consiste em escusa direcionada ao sujeito passivo, que estaria desobrigado de expressamente requerer um indébito específico, e, por outro, a obrigação direcionada à Fazenda, para que verifique e apure todo e qualquer indébito em seu desfavor, ainda que não tenha sido reivindicado. Diante desse quadro, é evidente que o valor do crédito a ser eventualmente reconhecido nesses autos é limitado pelos valores efetivamente constantes no pedido de restituição e, por conseguinte, decididos tanto no Acórdão 2º CC nº 204-02.418 e Acórdão CSRF nº 9303-003.004 - 3ª Turma, de 04/06/2014, conforme entendeu o colegiado de piso. Por isso que igualmente também não considero como imediatamente incluídos no pedido de restituição parte dos recolhimentos de PIS de 10/1995 a 02/1996 só porque os respectivos comprovantes de pagamento já teriam sido acostados aos autos, uma vez que o pedido de restituição em si – que efetivamente formaliza o pleito da Recorrente – não compreendia e consolidava os aludidos pagamentos no demonstrativo do crédito pleiteado. Concordo, contudo, com a Recorrente quando afirma que a decisão da 3ª Turma da CSRF, quando reconheceu o transcurso do prazo para repetição de indébitos anteriores a abril/1990, em tese, em nada altera a possibilidade de o contribuir ver reconhecido o direito creditório relativo aos recolhimentos de PIS de 10/1995 a 02/1996, desde que referidos pagamentos tenham sido expressamente incluídos no pedido de restituição, o que, todavia, não se verifica nos autos. A própria Recorrente afirma que incluiu novos períodos de apuração no pedido de restituição em 29/11/2017, quando solicitou a juntada de planilhas e documentos comprobatórios do direito creditório, ao requerer o início do procedimento de homologação dos valores. Para além de não ter efetuado formal retificação do pedido de restituição - o que, isoladamente, seria passível de superação, acaso ficasse clara a intenção de incluir aqueles recolhimentos no pedido – o principal óbice ao reconhecimento do direito creditório reside no fato de ter incluído os recolhimentos de PIS de 10/1995 a 02/1996 já fora do prazo prescricional para repetição de indébito. Apesar de a Recorrente alegar que durante o trâmite da análise do processo administrativo estaria suspenso o prazo prescricional nos termos do art. 4º do Decreto 20.910/1932, endossado por entendimento do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1270439/PR, é evidente que a leitura a ser dada para a referida norma e para o precedente invocado é a de que há suspensão da prescrição relativa à dívida expressamente incluída no procedimento administrativo de restituição não concluído, e não de todo ou qualquer pagamento efetuado pela Recorrente, como se a suspensão operasse efeitos para a tese jurídica como um todo e não para cada dívida reivindicada. Em outras palavras, qualquer que seja a norma invocada para alegar a suspensão do prazo prescricional durante o trâmite processual do presente feito, a mesma só surtirá efeitos Fl. 2568DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 para os recolhimentos aqui incluídos, isto é, aqueles referentes aos períodos de 04/1990 até 10/1995. Assim sendo, na ausência de pedido específico para os períodos em questão protocolado até 09/06/2005, já que a inclusão dos débitos de 10/1995 a 02/1996 somente ocorreu em 29/11/2017, aplicável ao caso a prescrição quinquenal prevista no artigo 168 do CTN, conforme inteligência da Súmula CARF nº 91, verbis, de tal modo que já teriam prescrito os indébitos dos períodos de 10/1995 a 02/1996. Súmula CARF nº 91 Aprovada pelo Pleno em 09/12/2013 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Observe-se que mesmo na absurda e equivocada hipótese de se considerar o prazo decenal para repetição de indébito – não aplicável ao caso, reitere-se, conforme Súmula CARF nº 91 – igualmente os pagamentos em questão teriam sido alcançados pela prescrição quando da referida inclusão, ocorrida mais de vinte anos após os respectivos fatos geradores. Desse modo, mesmo sob uma perspectiva de formalismo moderado e de prestígio à verdade material, ante a clara prescrição demonstrada, restam prejudicados quaisquer argumentos que se amparem na impossibilidade de constituição ou cobrança de créditos tributários baseados na MP nº 1.212/1995 ou em entendimento desde Conselho – não pacífico, diga-se – no sentido de prestigiar e se levar em consideração toda e qualquer documentação complementar apresentada no curso do processo administrativo fiscal. Por fim, também não têm qualquer relevância para o presente as invocadas normas da Lei nº 9.784/1999, as quais, com maior ou menor densidade, asseguram ao sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa, como a apresentação de alegações finais, produção de provas e interposição de recursos, formular alegações e apresentar documentos, garantias essas exercidas à plenitude no presente feito ao longo das diversas instâncias as quais fora submetido. Isto posto, nego provimento ao recurso. É o voto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos Fl. 2569DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-011.130 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10845.000790/00-64 Fl. 2570DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12457.725974/2013-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Jan 10 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 29/04/2010
CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO IRREGULAR. CRIME DE DESCAMINHO. VEÍCULO ABANDONADO. PROPRIETÁRIO REGISTRADO. EFETIVA PARTICIPAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Há que se declarar nulo o lançamento efetuado contra sujeito passivo ilegítimo, uma vez não comprovado nos autos a efetiva participação do proprietário registrado do veículo na infração autuada, mormente quando comprovado a indevida utilização de seus dados pessoais.
Numero da decisão: 3002-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e em acolher a preliminar de ilegitimidade da parte. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, a fim de cancelar o lançamento da multa.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Delson Santiago - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mateus Soares de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Carlos Delson Santiago (Presidente), Wagner Mota Momesso de Oliveira e Anna Dolores Barros de Oliveira.
Nome do relator: Mateus Soares de Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/04/2010 CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO IRREGULAR. CRIME DE DESCAMINHO. VEÍCULO ABANDONADO. PROPRIETÁRIO REGISTRADO. EFETIVA PARTICIPAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Há que se declarar nulo o lançamento efetuado contra sujeito passivo ilegítimo, uma vez não comprovado nos autos a efetiva participação do proprietário registrado do veículo na infração autuada, mormente quando comprovado a indevida utilização de seus dados pessoais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e em acolher a preliminar de ilegitimidade da parte. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, a fim de cancelar o lançamento da multa. (documento assinado digitalmente) Carlos Delson Santiago - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Carlos Delson Santiago (Presidente), Wagner Mota Momesso de Oliveira e Anna Dolores Barros de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-12-28T17:36:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-12-28T17:36:22Z; Last-Modified: 2022-12-28T17:36:22Z; dcterms:modified: 2022-12-28T17:36:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-12-28T17:36:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-12-28T17:36:22Z; meta:save-date: 2022-12-28T17:36:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-12-28T17:36:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-12-28T17:36:22Z; created: 2022-12-28T17:36:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2022-12-28T17:36:22Z; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-12-28T17:36:22Z | Conteúdo => S3-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12457.725974/2013-43 Recurso Voluntário Acórdão nº 3002-002.484 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 18 de novembro de 2022 Recorrente IRINEU GODINHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/04/2010 CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO IRREGULAR. CRIME DE DESCAMINHO. VEÍCULO ABANDONADO. PROPRIETÁRIO REGISTRADO. EFETIVA PARTICIPAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Há que se declarar nulo o lançamento efetuado contra sujeito passivo ilegítimo, uma vez não comprovado nos autos a efetiva participação do proprietário registrado do veículo na infração autuada, mormente quando comprovado a indevida utilização de seus dados pessoais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e em acolher a preliminar de ilegitimidade da parte. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, a fim de cancelar o lançamento da multa. (documento assinado digitalmente) Carlos Delson Santiago - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Carlos Delson Santiago (Presidente), Wagner Mota Momesso de Oliveira e Anna Dolores Barros de Oliveira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto as fls. 118-125 em face da r. decisão de fls. 108-109, pugnando pela reforma do r. julgado de primeiro grau, sustentando em síntese que: a- O veículo não pertencia ao recorrente na data dos fatos, motivo pelo qual ele é parte ilegítima para figurar neste feito; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 72 59 74 /2 01 3- 43 Fl. 129DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.484 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12457.725974/2013-43 b- Comprova com a documentação de transferência sua venda para uma concessionaria, mais de um ano antes do fato gerador desta multa de R$ 22.000,00; Voto Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. 1 DA TEMPESTIVIDADE. O presente Recurso merece ser conhecido, posto que encontram-se presentes todos os pressupostos para seu conhecimento e devido processamento. 2 DA ILEGITIMIDADE DA PARTE. O objeto deste feito reside na reflexão acerca da responsabilidade do recorrente pela prática da infração apontada no Auto de Infração, decorrente do ingresso, em solo nacional, de veículo transportando mercadorias proibidas. Em sede de julgamento de primeira instancia a impugnação apresentada pelo mesmo, não foi deferida, posto que analisaram o caso sob a ótica da responsabilidade solidária daquele que transporta e dirige o carro, para com proprietário do mesmo. Diante da acusação, o recorrente apresentou farta documentação comprobatória de sua negociação do veículo, com uma concessionária, com documentos acompanhados de assinaturas com firmas reconhecidas em cartório, termos de responsabilidade, notas fiscais, quitação de arrendamentos, os quais não deixam margem de dúvidas acerca da negociação do veículo há mais de um ano antes do ocorrido. Por si só este fato já justificaria a boa-fé do recorrente e sua respectiva exclusão do feito. Mas não é só. Em brilhante julgamento, esta Corte já se pronunciou em caso idêntico a este (Processo nº 12457.730784/2012-67- Acórdão 3002-002.304), a saber: Com efeito, veja-se a letra do comando legal que fundamenta a autuação: Decreto-lei nº 399, de 30 de dezembro de 1968: (...) Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)) A matéria restou muito bem tratada no voto vencido proferido no julgamento da impugnação contra lançamento similar, de que trata o processo nº 12457.006988/2009-88, cujo recurso voluntário foi julgado por este colegiado na sessão do mês de junho deste ano de 2002, nos termos do Acórdão nº 3002-002.240. Assim, oportuno transcrever excerto inicial do mencionado voto: (....) A construção do tipo infracional objeto do presente lançamento encontra-se prevista no parágrafo único do art. 3º do DL nº 399, de 1968 [1], com as alterações da Lei nº 10.833, de 2003. Como se observa, o tipo infracional em questão abrange não apenas a aquisição posse, consumo ou comercialização do produto irregular, mas também o ‘transporte’, que se encontra Fl. 130DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.484 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12457.725974/2013-43 claramente inserido em seu campo infracional. Como os cigarros irregulares foram apreendidos no interior de veículo abandonado, sem que fosse possível a identificação de seu condutor, tendo sido atribuída a sujeição do presente lançamento ao autuado por sua condição de proprietário do veículo abandonado, na forma prevista no art. 674, II, do Decreto nº 6.759, de 2009 [2], cuja disposição é idêntica àquela prevista no texto de seu supedâneo legal, o art. 95, II, do Dl nº 37, de 1966 [3]. Ocorre que a referida hipótese de incidência secundária não se presta para a circunstância em questão, primeiro, porque ela não se subsume à hipótese prevista no art. 95, II, do Dl nº 37, de 1966 [4], pois a infração ali abrangida são aquelas decorrentes da inobservância “de norma estabelecida neste Decreto- Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los”, conforme expressa ressalva de seu artigo anterior (art. 94, caput - [5]); segundo, porque, ainda assim, a responsabilidade ali atribuída é para aquela infração “que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes”, pressuposto que não se materializa no automóvel de passageiro, cuja atividade própria não inclui o transporte de carga, mas tão somente de pessoas e suas bagagens, conforme expressa definição do CTB [6], e cuja condução é realizada por 01(um) MOTORISTA e não por “tripulantes”, termo próprio para aeronaves e embarcações. [7] (...). Não constam nos autos fatos, fundamentos e argumentos que ilidem a documentação apresentada pelo recorrente. Eventual culpa em vigilando deveria ser direcionada a Concessionária e seu representante, não ao recorrente, considerando a documentação que o mesmo apresentou nos autos, aliado aos esclarecimentos ora trazidos. De mais a mais, interessante se mostra reforçar a tese ora adotada, trazendo aos autos demais julgados proferidos por esta Egrégia Corte, sobre a temática ora apresentada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/07/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. MULTA REGULAMENTAR. CONTRABANDO. POSSE DA MERCADORIA. INOCORRÊNCIA. A mera penalização do manobrista do estacionamento em que consta a mercadoria contrabandeada, fruto da autuação da multa regulamentar, não atende à exclusiva consideração do instituto da posse, contida na norma. É necessário que a responsabilização seja motivada e analisada dentro do contexto fático e probatório do caso concreto. (Acórdão nº 3002-002.044 – sessão de 18/08/2021 – decisão unânime) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/04/2008 (...) ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE DO VEÍCULO UTILIZADO NO CONTRABANDO. INOCORRÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. A responsabilidade disposta no artigo 95, do Decreto-lei 37/1966, deve atingir a realidade fática posta no processo administrativo fiscal. Se comprovado que o veículo utilizado na operação de contrabando de mercadorias foi vendido, ainda que sem a transferência, porque dentro do prazo legal para respectiva alteração da propriedade, não há que se falar em manutenção da pessoa jurídica como sujeito passivo responsável da multa regulamentar aplicada em razão da infração aduaneira. (Acórdão nº 3002- 002.064 – sessão de 15/09/2021 – decisão por maioria) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/03/2007 CIGARROS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO IRREGULAR. VEÍCULO ABANDONADO. PROPRIETÁRIO REGISTRADO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Há que se declarar nulo o lançamento efetuado contra sujeito passivo ilegítimo, uma vez não comprovado nos autos a efetiva participação do proprietário registrado do veículo na infração autuada. (Acórdão nº 3002-002.240 – sessão de 15/06/2022 – decisão unânime). Fl. 131DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.484 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12457.725974/2013-43 3 DO DISPOSITIVO. Do exposto, conheço do recurso, acolho a preliminar de ilegitimidade da parte e dou provimento ao recurso voluntário a fim de cancelar o lançamento da multa. (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira Fl. 132DF CARF MF Original
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Numero do processo: 15504.015392/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003
ABONO ÚNICO. PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULADO DO SALÁRIO. AUSÊNCIA DE NATUREZA REMUNERATÓRIA.
O abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre incidência de contribuição.
Numero da decisão: 2402-010.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Vinicius Mauro Trevisan e Diogo Cristian Denny (suplente convocado) .
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
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PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULADO DO SALÁRIO. AUSÊNCIA DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. O abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre incidência de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Vinicius Mauro Trevisan e Diogo Cristian Denny (suplente convocado) . Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face da Decisão (fls. 106 a 116) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito lançado por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 37.128.690-5 (fls. 2 a 11), consolidado em 28/08/2008, relativo às contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, e a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, no período de 08/2003 a 12/2003, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de abono único e constantes das folhas de pagamento (“Abono Único – CCT”). Relatório Fiscal às fls. 19 a 23. A Decisão recorrida restou assim ementada (fl. 106): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 53 92 /2 00 8- 73 Fl. 137DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.884 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.015392/2008-73 Assunto: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Embora a convenção coletiva de trabalho possa descaracterizar verba como remuneração para fins trabalhistas, a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias continua adstrita ao que está definido na lei, em obediência ao principio da estrita legalidade que rege a instituição de tributos. ABONO PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DO TRABALHO. O pagamento de abono a segurados empregados tem natureza salarial, integrando o salário de contribuição, por não estar desvinculado do salário nos termos previstos em lei. AUTONOMIA DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A legislação previdenciária é especial e autônoma; não colide com as leis trabalhistas. FILIAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma delas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado em 23/02/2010 (fl. 120) e apresentou recurso voluntário em 18/03/2010 (fls. 121 a 131) sustentando que a parcela paga a título de abono único está prevista na Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 e não constitui base de cálculo das contribuições lançadas. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Fl. 138DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.884 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.015392/2008-73 Das alegações recursais 1. Da parcela paga a título de abono único O recorrente alega que o lançamento não deve ser mantido porque a parcela paga a título de abono único está prevista na Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 e não constitui base de cálculo das contribuições lançadas. A Decisão recorrida manteve o lançamento sob o fundamento de que as contribuições não incidem apenas sobre o abono expressamente desvinculado do salário e a Convenção Coletiva firmada não tem o condão de validar esta desvinculação, que depende de previsão legal. Com efeito, extrai-se do art. 195, I, a, da Constituição Federal, que apenas os rendimentos do trabalho podem servir de base de cálculo para a contribuição previdenciária, vale dizer, o total das remunerações pagas ou creditadas ao segurado empregado e trabalhador avulso como retribuição pelo trabalho prestado, nos termos mencionados pelo art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. Assim, apenas a remuneração oriunda do trabalho submete-se à incidência da contribuição previdenciária a que alude os arts. 195, I, a, da CF e 22, I, da Lei nº 8.212/91, cabendo, então, perquirir a natureza jurídica da verba para concluir pela composição, ou nao, da base de cálculo da exação. O art. 28 da Lei nº 8.212/91 aponta em seus incisos a composição do salário de contribuição. No parágrafo do 9º, ao informar quais verbas não vão integrar o salário de contribuição, inclui aquelas recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário – alínea e, item “7”. § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; O Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, ao regulamentar esta normativa, afirma que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas e título de ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei – art. 214, § 9º, inciso V, alínea j: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente: (...) V - as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) No caso, a Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004, ao prever o pagamento do abono, não o vinculou ao salário, conforme consta na Cláusula 46ª (fls. 78 e 79): Fl. 139DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3265.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3265.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.884 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.015392/2008-73 O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento que o abono previsto em Convenção Coletiva, desvinculado do salário e recebido sem habitualidade, não integra o salário de contribuição. Confira-se: Este Superior Tribunal possui jurisprudência sólida no sentido de que o abono recebido em parcela única (sem habitualidade), previsto em convenção coletiva de trabalho, não integra a base de cálculo do salário contribuição (AgInt no REsp n. 1.988.452/CE, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 10/10/2022, DJe de 13/10/2022). Nesse mesmo sentido, expressamente dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 16, de 20 de dezembro de 2011, que Nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Desse modo, Em face do Ato Declaratório PGFN n° 16, de 2011, deve prevalecer o entendimento de não haver incidência de contribuição previdenciária sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Acórdão nº 2401-009.898, Relator Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Publicado em 14/10/2021). Assim, o lançamento deve ser cancelado já que não incide contribuição sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 140DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005558/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007
MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP..
A não apresentação tempestiva da Gfip implica a imposição de penalidade pecuniária, conforme disposição legal.
MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula Carf nº 49.)
Numero da decisão: 2301-009.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente). Ausente a conselheira Flávia Lilian Selmer Dias, substituída pela conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon.
Nome do relator: João Maurício Vital
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007 MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP.. A não apresentação tempestiva da Gfip implica a imposição de penalidade pecuniária, conforme disposição legal. MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula Carf nº 49.)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente). Ausente a conselheira Flávia Lilian Selmer Dias, substituída pela conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon.
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A não apresentação tempestiva da Gfip implica a imposição de penalidade pecuniária, conforme disposição legal. MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula Carf nº 49.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente). Ausente a conselheira Flávia Lilian Selmer Dias, substituída pela conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon. Relatório Trata-se de lançamento de multa por não apresentação de Gfip das competências de 01/2004 a 08/2004, CFL 67, Debcad nº 37.226.581-2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 55 58 /2 00 9- 15 Fl. 60DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.955 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.005558/2009-15 O lançamento foi impugnado (e-fls. 31 a 34) e a impugnação foi considerada improcedente (e-fls. 41 a 44). Manejou-se recurso voluntário (e-fls. 48 e 49) em que o contribuinte admitiu não haver apresentado as Gfip, mas aduziu que as correções estão sendo providenciadas e serão entregues conforme determina a legislação, assim, não há que se falar em multa. Solicita extensão de prazo para a entrega e a exclusão da multa em face da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Registre-se que, nos termos do inc. I do art. 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a Câmara Municipal, entidade da administração pública, equipara-se a empresa para os fins previdenciários. O lançamento decorreu da constatação de que o município deixou de apresentar as Gfip de 01/2004 a 08/2004. Esse fato não foi contestado no recurso voluntário, no qual o recorrente se limitou a afirmar que providenciará as correções e solicitou prazo para apresentar as informações. Ora, o prazo para apresentação de Gfip não é discricionário, mas está estabelecido na no § 2º do art . 225 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, e é até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. A não apresentação tempestiva das informações implica em multa, como estabelecia o então vigente § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Sendo, pois, o lançamento, atividade plenamente vinculada à lei, como pronuncia o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, não há como reformá-lo sob o argumento de que o contribuinte estaria providenciando a correção da falta. Ademais, a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, como estabelece a Súmula Carf nº 49. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 61DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.955 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.005558/2009-15 Fl. 62DF CARF MF Original
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