Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,890)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,141)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,301)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,524)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11610.002999/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1801-000.057
Decisão: Resolvem os membros 1ª Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos: a) em preliminar, afastar o argumento da decadência suscitada pela Recorrente; b) e, no mérito, converter o julgamento em realização de diligência, nos termos
do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201103
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 11610.002999/2003-11
conteudo_id_s : 6579131
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1801-000.057
nome_arquivo_s : Decisao_11610002999200311.pdf
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 11610002999200311_6579131.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros 1ª Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos: a) em preliminar, afastar o argumento da decadência suscitada pela Recorrente; b) e, no mérito, converter o julgamento em realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
id : 9243344
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:17 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848575516672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1549; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 950 1 949 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.002999/200311 Recurso nº Voluntário Resolução nº 180100.057 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 29 de março de 2011 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente SOLVAY INDUPA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros 1ª Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos: a) em preliminar, afastar o argumento da decadência suscitada pela Recorrente; b) e, no mérito, converter o julgamento em realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Lemes da Silva e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou as Declarações de Compensação (DComp) em 26/02/2003, 19/09/2006 e 27/12/2007, fls. 01 e 525/527, utilizandose do crédito relativo ao Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.002999/200311 Resolução n.º 180100.057 S1TE01 Fl. 951 2 saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$4.430.660,78 informado na DIPJ, fl. 268 e ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$503.398,74 informados na DIPJ, fl. 277, ambos do ano calendário de 2002. O processo foi instruído com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2002, fls. 251/281, com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 282/286 e ainda com os Informes de Rendimentos, fls. 338/353. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 750/757, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido relativamente ao saldo negativo de IRPJ no valor original de R$4.300.852,64 e de saldo negativo CSLL no valor original de R$114.390,68, cujos montantes foram utilizados para compensar os débitos informados nas Declarações de Compensação (DComp), fls. 01 e 525/5277. Restou esclarecido que o saldo negativo de IRPJ não reconhecido no valor de R$129.807,14 é decorrente da dedução indevida de valor de IRRF do anocalendário de 2002. No que diz respeito ao saldo negativo de CSLL não reconhecido no valor de R$398.008,06, é originário da falta de informação em DCTF do valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001 e da dedução indevida do valor de R$146.956,18 do IRRF pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital não declarados no anocalendário de 2000. Cientificada em 03/03/2008, fl. 758, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 02/04/2008, fls. 782/802, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Defende a tese de que os débitos objeto de compensação estão com a exigibilidade suspensa. Argúi que os procedimentos apuração de saldos credores dos anoscalendário de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre eles houve a homologação tácita e se operou a decadência pelo decurso do prazo superior a cinco anos até a ciência do Despacho Decisório em 03/03/2008 (§ 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional). No que se refere à mencionada falta de informação em DCTF do valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no ano calendário de 2001, enfatiza que: é certo que o saldo credor de CSLL de 2001, atualmente, encontrase, em discussão, com sua exigibilidade suspensa, no processo acima apontado (11610.021229/200296), em virtude de apresentação de Manifestação de Inconformidade pela ora Manifestante (doc. 03), razão pela qual não pode ser objeto de cobrança. Atinente à dedução do valor de R$146.956,18 do IRRF pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital do anocalendário de 2000, esclarece que efetivamente informou esta quantia na linha a “receita de prestação de serviços” e não na linha “rendimentos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.002999/200311 Resolução n.º 180100.057 S1TE01 Fl. 952 3 e ganhos de capital auferidos no exterior” da Ficha 06A da DIPJ, fls. 253/254 (art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24 de agosto de 2001 e art. 26 da Lei nº 9.249, de dezembro de 1995 Afirma que Tais compensações foram efetuadas com a própria CSLL devida, por estimativa, apurado mediante balancetes de suspensão/redução, nos primeiros meses do ano calendário de 2002, conforme atestou a DIPJ 2003 anobase 2002 e DCTF's, nas quais o valor do débito já é considerado liquido (com a dedução do crédito compensações sem processo). Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, requer seja conhecida e provida a presente Manifestação de Inconformidade, para que seja CANCELADA a decisão ora atacada, CONVALIDANDOSE E HOMOLOGANDOSE INTEGRALMENTE o crédito objeto do pedido de compensação n° 11610.002999/200311 e apensos, bem assim as compensações com débitos dele decorrentes, pelo reconhecimento destes D. Julgadores da ocorrência da decadência do fisco de questionálo em cotejo com o direito à compensação da contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com os débitos do período de 2002. Caso os i. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados, nesse caso, a Manifestante requer sejam os autos devolvidos à instância fiscal de origem, a fim de se verificar os cálculos relativos aos rendimentos auferidos no exterior, em cotejo com as compensações do montante do imposto pago no exterior daí decorrentes, com os débitos apurados no Brasil, nos períodos subseqüentes, autorizandose, para tanto, a retificação e ajuste dos instrumentos acessórios, tais como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Termos em que, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16 17.912, de 28/07/2008, fls. 882/889: “ Compensação Homologada em Parte”, uma vez que foi homologada tacitamente a compensação constante na DComp apresentada em 26/02/2008, fl. 01. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consideramse homologadas as declarações se compensação após cinco anos de seu protocolo, nos termos do § 5º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.002999/200311 Resolução n.º 180100.057 S1TE01 Fl. 953 4 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO EXTERIOR IMPOSTO PAGO A contribuinte tem direito à compensação de imposto pago no país em que prestou serviços, desde sue atenda aos requisitos previstos na Legislação Brasileira. Notificada em 28/05/2009, fl. 896verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26/06/2009, fls. 899/948, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Requer a produção de todos os meios de prova e que sejam aceitos todos os documentos acostados aos autos. Conclui Por todo o exposto, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para que seja reformada a decisão ora atacada, CONVALIDANDOSE E HOMOLOGANDOSE INTEGRALMENTE o crédito objeto do pedido de compensação n° 11610.002999/200311, bem assim as compensações com débitos dele decorrentes, pelo reconhecimento destes D. Julgadores da ocorrência da decadência do fisco questionálo em cotejo com o direito à compensação da contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com os débitos apurados. Ainda, requer seja suspensa a exigibilidade dos débitos de IRPJ/CSLL referentes ao período de 2002, cujos pedidos de compensação foram atrelados ao crédito em comento, até o julgamento definitivo do presente processo administrativo. Caso os i. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados, nesse caso, requer sejam os autos devolvidos à instância fiscal de origem, a fim de verificar os cálculos relativos aos rendimentos auferidos no exterior, em cotejo com as compensações do montante do imposto pago exterior daí decorrentes, com os débitos apurados no Brasil, nos períodos subseqüentes, autorizandose, para tanto, a retificação e ajuste dos instrumentos acessórios, tais como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento aos princípios da verdade material que norteia o processo administrativo e ampla defesa. Termos em que, Pede Deferimento. Houve sustentação oral pelo representante legal da Recorrente Dr. Marcos Hideo Moura Matsunaga OAB/Sp nº 174.341. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.002999/200311 Resolução n.º 180100.057 S1TE01 Fl. 954 5 A parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento, referese ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 não reconhecido no valor total de R$398.008,06: pela falta de informação em DCTF no valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001; pela compensação indevida do valor de R$146.956,18 do fonte paga no exterior. Preliminar A Recorrente diz que os procedimentos apuração de saldos credores dos anos calendário de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre eles houve a homologação tácita e se operou a decadência pelo decurso do prazo superior a cinco anos até a ciência do Despacho Decisório. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde do exame de todos os valores que compõem o montante pleiteado. Necessária é a constatação da sua liquidez e certeza, já que não há norma que lhe atribua esta presunção como absoluta. Os créditos do sujeito passivo para com a Fazenda Pública somente são passiveis de restituição quando revestidos destes requisitos, os quais devem restar evidenciados. Por esta razão, a Recorrente é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial ( art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969). Não tem cabimento, assim, alegar a caducidade do direito de a Fazenda Pública verificar se a escrituração está mantida com observância das disposições legais e demonstrada por documentos hábeis. Neste sentido, o reconhecimento do direito creditório alegado e a conseqüente homologação da compensação efetivada impõe que a Recorrente apresente comprovação inequívoca dos elementos que integraram o valor objeto de repetição. No presente caso, tratase de DComp originalmente entregues em 2003, fls. 762/777, referentes a direito creditório do anocalendário de 2002, que contém fragmentos de valores referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001, cujos débitos não foram alcançados pela homologação tácita da compensação. Por conseguinte, diferente do entendimento da Recorrente, não há que se falar em decadência do direito de o Erário de averiguar a liquidez e certeza dos valores objeto do pedido de reconhecimento do direito creditório. Mérito Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.002999/200311 Resolução n.º 180100.057 S1TE01 Fl. 955 6 1) Falta de informação em DCTF R$139.538,63 No que se refere ao valor de R$139.538,63 do tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001, cabe esclarecer que, em conformidade com a informação da Requerente, o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 está sob análise administrativa no processo nº 11610.021229/200296 que atualmente se encontra na “EQ ANALISE PROC IMPOSTO RENDADERATSPO” (fonte: http://comprot.fazenda.gov.br/Egov/cons_dados_processo.asp; acesso em 03/02/2011). Nos termos do art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, verificase que não pode ser objeto de compensação mediante entrega de DComp o crédito, cujo valor seja objeto de pedido de restituição indeferido pela autoridade competente da RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. 2) Dedutibilidade de Fonte Paga no Exterior R$146.956,18 Atinente à compensação do valor de R$146.956,18 de fonte paga no exterior (Argentina) sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital do anocalendário de 2000, a Recorrente junta aos autos os documentos, fls. 826 a 850 e 853 a 859 sobre os quais deve ser perquirido o preenchimento das condições de dedutibilidade tributária no âmbito da legislação nacional. Nos temos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e do art. 16 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital, devendo o documento ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Por outro lado, fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, 1995, no caso de restar comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. Em face destas questões, com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao anocalendário de 1998: a) a Recorrente deve ser intimada a: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.002999/200311 Resolução n.º 180100.057 S1TE01 Fl. 956 7 a.1) apresentar a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital (Argentina) que prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado, regularmente traduzida em vernáculo por tradutor juramentado (§ 3º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972); a.2) se houver, cópia dos balancetes mensais registrados no Diário e fichas do Razão demonstrando os pagamentos recebidos e os valores relativos às retenções efetuadas; a.3) apresentar planilha demonstrando efetivamente os valores recebidos e retidos pelas fontes pagadoras; a.4) apresentar planilha compondo os valores escriturados a título de receita auferida, relacionandoos com os valores recebidos das fontes pagadoras que alega haver sofrido retenção no período fiscalizado referente ao valor de R$146.956,18 de fonte paga no exterior; b) a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente deve: b.1) juntar ao presente processo cópias das pesquisas efetuadas nos sistemas internos da RFB, em especial naquele em que contenham dados a receita oferecida à tributação pela Recorrente no anocalendário de 2002; b.2) confrontar os referidos valores com aqueles apresentados pela Recorrente em resposta à Intimação Fiscal; b.3) juntar ao presente processo cópias dos autos do processo nº 11610.021229/200296 em que possa constatar se o valor de R$139.538,63 do tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001, compôs o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 e se está disponível para utilização para compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 constante neste processo; b.4) verificar todas as informações elaborando um demonstrativo analítico com todas t as informações referentes ao valor de R$146.956,18 e ao valor de R$139.538,63, que compuseram o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2002. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá elaborar Relatório Fiscal sobre o fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (inciso LV do art. 5º da Constituição da República). (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000340/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.638
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, face a aplicação da decadência total do credito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, tanto no art. 173, I, quanto no art. 150§ 4º do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 12963.000340/2007-16
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4796536
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.638
nome_arquivo_s : 2403000638_12963000340200716_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
nome_arquivo_pdf_s : 12963000340200716_4796536.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, face a aplicação da decadência total do credito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, tanto no art. 173, I, quanto no art. 150§ 4º do CTN.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4743483
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:06 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848582856704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 307 1 306 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000340/200716 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 240300.638 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CALDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: COMTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDÊNCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, face a aplicação da decadência total do credito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, tanto no art. 173, I, quanto no art. 150§ 4º do CTN. Ivacir Julio de Souza – Presidente Substituto Marthius Sávio Cavalcante Lobato Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid MArconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. . Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12963.000340/200716 Acórdão n.º 240300.638 S2C4T3 Fl. 308 3 Relatório Adoto integralmente o relatório de fls. 108/109, in verbis: A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 37.034.7196 foi regularmente lavrada e fundamentada, tendo o contribuinte dela tornado conhecimento em 03/12/2007, conforme recibo firmado às fls. 01. A lavratura do débito foi precedida de entrega ao contribuinte de "Mandado de Procedimento Fiscal MPF" (fls. 42) e de "Termo de Início de Ação Fiscal T1AF" (fls. 43 e 44). Referese o lançamento às contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, destinadas à Seguridade Social, correspondentes a diferença de acréscimos legais (DAL), contribuições a cargo dos segurados empregados e da cota patronal, a saber, contribuições da empresa, contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e ainda as destinadas aos terceiros (SALÁRIOEDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), como constou do Relatório Fiscal que constitui fls. 89 e 90 dos autos. As contribuições lançadas na NFLD em referência incidiram sobre as remunerações pagas/devidas/creditadas aos segurados empregados, administradores e autônomos (contribuintes individuais) que prestaram serviços ao contribuinte acima identificado durante o seguinte período: LEVANTAMENTO DAL Diferença de Acréscimos Legais:10/1997 e • LEVANTAMENTO FPA – FOLHA DE PAGAMENTO ANTERIOR A GFIP: 01/1997, 02/1997, 04/1997 a 13/1997e 01/1998 a 12/1998. Constou dos itens 3 a 5 do Relatório Fiscal que, embora previamente notificado a exibir as folhas de pagamento de todo o período fiscalizado, por meio de "Termo de Inicio de Ação Fiscal TIAF" (fls. 43 e 44), o contribuinte apresentou apenas as folhas do período de 01/2003 a 12/2004, inclusive do décimo terceiro salário, o que motivou a lavratura do auto de infração AI DEBCAD N°37.034.7268. O lançamento do crédito se refere a período anterior à implantação da "Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP". Também constou do item 7 do Relatório Fiscal (fls. 89) que as Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 contribuições foram apuradas por meio de exame dos lançamentos constantes do Livro Razão, cuias cópias de algumas folhas foram acostadas às fls. 80 a 88, à título de amostragem. Nos itens 8 e 9 (fls. 89 e 90) o fisco informou os fatos geradores e as alíquotas aplicadas, esclarecendo no item 10 que o lançamento do crédito está amparado na legislação discriminada no documento "Fundamento Legal do Débito FLD" constante de fls.34 a 39 dos autos. Após regularmente notificado, o contribuinte contestou tempestivamente o feito fiscal por meio da peça impugnatória protocolada em 02/01/2008, acostada às fls. 92 a 101. Preliminarmente, a impugnante alegou a prescrição c a decadência total do crédito atinente ao período que antecede os últimos cinco anos; citando julgados e afirmando que o INSS vem agindo em desobediência à decisão do STJ que julgou inconstitucional o prazo decenal estabelecido nos artigos 45 c 46 da Lei n°8.212/1991. A defendente pediu Ainda que fossem excluídos da NFLD os nomes dos presidentes que não atuaram durante o período notificado, alegando que os mesmos não teriam praticado nenhum ato de gestão capaz de qualificálos como coresponsáveis. No tocante ao mérito, a impugnante argumentou que o crédito foi lançado com base nos dados constantes do Livro Razão, sem verificação do conteúdo das notas fiscais e recibos e que, além de estar prescrito, o lançamento contemplou pequenas diferenças de arredondamento em diversos meses. Alegou "diferença de aplicação da aliquota terceiros, devido a aplicação equivocada do seguro, corno atividade de risco acima do normal." Afirmou que, ao deixar de utilizar as folhas de pagamento de todo o período notificado, a fiscalização apurou valores divergentes daqueles recolhidos pelo contribuinte, o que gerou diferenças inexistentes de recolhimento. Ponderou que no lançamento das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a autônomos (aliquota de15°/0), o fisco não considerou que, se o valor devido no mês for inferior ao mínimo previsto na legislação vigente, o recolhimento ficará acumulado para o período seguinte, além do fato de que a base de cálculo dessas contribuições foi obtida mediante exame do Livro Razão, sem análise de cada documento, uma vez que nem todos os recibos lançados se referem à prestação de serviços, mas a compra de produtos, portanto não incidindo sobre esses valores contribuição previdenciária. Por fim, pleiteou a extinção do crédito com fulcro nas preliminares arguidas ou, caso essas não sejam acolhidas, pediu a improcedência do feito fiscal em face do acatamento das alegações de mérito”. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12963.000340/200716 Acórdão n.º 240300.638 S2C4T3 Fl. 309 5 A instância “a quo” analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DO SEGURADO E DO EMPREGADOR. REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS, ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, trabalhadores avulsos, empresários c autônomos (contribuintes individuais) que lhe prestarem serviços, conforme estabelecido no artigo 22, incisos I a IV, da Lei n" 8.212/1991, bem como recolher as contribuições destinadas aos terceiros, nos termos do disposto no artigo 94 da referida lei, na redação dada pela legislação posterior. ALIQUOTA DO SAT/RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A fixação da alíquota do seguro de acidente do trabalho válida para todos os estabelecimentos da empresa decorre do enquadramento da atividade preponderante, ou seja, aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. LIVRO RAZÃO. PROVA DOCUMENTAL HÁBIL. No processo administrativo fiscal predominam as provas documental, pericial e indiciaria, dentre elas os livros contábeis, sendo o Livro Razão documento. hábil para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. EMISSÃO OBRIGATÓRIA. O "REPLEG Relatório de Representantes Legais" é documento de emissão obrigatória que integra a notificação fiscal de lançamento de crédito. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O direito de cobrar os créditos da Seguridade Social prescreve em 10 (dez) anos, não sendo possível, na instância administrativa, afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em plena vigência. LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONAL1DADE DE LEI. ARGUIÇÃO. DESCABIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O controle da legalidade e/ou da constitucionalidade de Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 lei é matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente. Irresignado, recorre voluntárimente, fl. 122/125. Alega inicialmente a Decadência e Prescrição tendo em vista de o prazo de 5 (cinco) anos. Cita arestos. No mérito, reitera os termos de sua defesa, requerendo pela improcedência do Lançamanto. É o Relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12963.000340/200716 Acórdão n.º 240300.638 S2C4T3 Fl. 310 7 Voto Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação de fl. Conheço do recurso. DA DECADÊNCIA Conforme ementa transcrita, a decadência somente não fora acolhida sob o fundamento de que o prazo, nos termos do artigo 45 e 46 da Lei 8.212/91 aplicada é de 10 (dez) anos. O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 8 em 20.06.2008, nos seguintes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Desta feita, com fulcro no artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06 c/c art. 62, § único, I do Regimento Interno do CARF, aplicoa integralmente. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO Conheço do Recurso e DOULHE PROVIMENTO para aplicar a decadência, nos termos dos fundamentos supra que fica fazendo parte do presente dispositivo, julgando improcedente o lançamento. É como voto. Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904390/2006-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do litígio dos presentes autos, na espera do julgamento definitivo no processo principal nº 10680.0020311/200560.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201803
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
numero_processo_s : 10680.904390/2006-34
conteudo_id_s : 6579912
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1001-000.040
nome_arquivo_s : Decisao_10680904390200634.pdf
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10680904390200634_6579912.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do litígio dos presentes autos, na espera do julgamento definitivo no processo principal nº 10680.0020311/200560.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 9243378
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:18 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848584953856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 488 1 487 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.904390/200634 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.040 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 07 de março de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA MARINS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do litígio dos presentes autos, na espera do julgamento definitivo no processo principal nº 10680.0020311/200560. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO Tratase de pedido de Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) (de 15.05.2003, retificado em 14.01.2009, fls. 6670) em que o contribuinte utilizou de crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano calendário de 2002 apurado com base no lucro real anual no valor total de R$ 6.145,72, de acordo com a Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (efl. 1765). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório Eletrônico (efl. 10), que analisou as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório e concluiu que não havia qualquer valor apurado da DIPJ a título de saldo negativo de CSLL do período em referência. Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante na Resolução 180100.090 da extinta 1ª Turma Especial da 3ª Câmara (efls. 395/399) que converteu o julgamento em diligência: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 04 39 0/ 20 06 -3 4 Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.904390/200634 Resolução nº 1001000.040 S1C0T1 Fl. 489 2 Cientificada em 01.09.2009, fl. 71, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 21.09.2009, fls. 0107, com as argumentações abaixo sintetizadas. Suscita que o ato é nulo, uma vez que foi proferido por autoridade incompetente. Argumenta que incorreu em erro nos dados informados na DIPJ original e por esta razão apresentou documento retificador em 21.08.2006, apurando um saldo negativo de CSLL de R$ 6.154,72. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, confia a Contribuinte que será declarada nula a respeitável decisão hostilizada, porquanto proferida em desrespeito às regras de competência e de delegação contempladas nos artigos art. 14, §3º, da Lei n° 9.874/99 e 63, caput e § 51, da IN RFB n° 900/2008. No mérito, uma vez devidamente demonstrada a legitimidade da operação de encontro de contas levada a efeito in casu, confia a Contribuinte que será revista a r.decisão recorrida e homologada a compensação realizada. Nestes termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0224.795, de 09.12.2009, fls. 102106:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”.Restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. (...) Através de Resolução (efls. 395/399) a 1ª Turma Especial da 3ª Câmara do CARF converteu o julgamento em diligência por entender que o processo em questão ainda não teria condições de ser definitivamente resolvido: Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.904390/200634 Resolução nº 1001000.040 S1C0T1 Fl. 490 3 "Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. I) Lançamento de Ofício Processo nº 10680.0020311/200560 Cabe ressaltar que no processo nº 10680.0020311/200560 houve lançamento de ofício da CSLL dos anoscalendário de 1994 a 2002. A Recorrente questiona a exigência e a impugnação foi julgada procedente em parte nos termos do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0223.045, de 21.07.2009, fls. 7893, uma vez que foi acatada a preliminar de decadência das exigências relativas aos anoscalendário de 1994 a 1998, em face da qual foi interposto recurso de ofício. Por seu turno, consta que na parte dispositiva do Acórdão 2ª TURMA ORDINÁRIA/4ª CÂMARA/1ª SEÇÃO DE JULGAMENTO/CARF nº 140200.429, de 23.02.2011: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara/2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO: 1) Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. 2) Por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 1999 e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as multas de ofício e as multas isoladas, considerar suspensa a exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado da ação rescisória, manter a exigência de juros de mora e negar provimento em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou regularmente o Recurso Especial questionando tão somente o acatamento da preliminar da decadência, o qual ainda está pendente de apreciação. II) Ações Judiciais Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 Consta que a Recorrente, como associada ao Sindicato da Indústria da Construção Pesado do Estado de Minas Gerais (SICEPOTMG), tem em seu favor provimento jurisdicional transitado em julgado em 04.02.1992 reconhecendo a inconstitucionalidade formal e material da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, em conformidade com o Mandado de Segurança Coletivo nº 89.00.012568/MG. Ainda assim, foi cobrado administrativamente da Recorrente o mencionado tributo e por esta razão o SICEPOTMG impetrou o Mandado de Segurança Coletivo nº 96.00.364583/MG para que o Erário se abstivesse da exigência. Novamente ela teve em seu favor provimento jurisdicional transitado em julgado em 18.05.1999. A Fazenda Nacional ajuizou Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF, cujo pedido rescisório foi julgado improcedente por unanimidade em 21.09.2011 e o acórdão foi divulgado no EDJF1 do dia 14.10.2011. Houve interposição de Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional que foram rejeitados Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.904390/200634 Resolução nº 1001000.040 S1C0T1 Fl. 491 4 por unanimidade em 14.03.2012 e o acórdão foi divulgado no EDJF1 do dia 30.03.2012 e publicado no dia 02.04.2012. III) Análise da Per/DComp, fls. 6670 Processo nº 10680.904390/200634. O fato de o único fundamento da decisão de primeira instância ter indeferido o pedido foi a impossibilidade de aproveitamento de indébitos tendo em vista a exigência formalizada no Auto de Infração de CSLL do anocalendário de 2002 constante no processo nº 10680.0020311/200560 não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências pela Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente: 1.a) verificar o atual andamento processual da Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF, que tramita junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, tecendo esclarecimentos inclusive se contra a última decisão cabe mais algum recurso; 1.b) indicar os efeitos do nexo de causalidade existentes entre a referida Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF e os Autos de Infração formalizados no processo nº 10680.0020311/200560 e na Per/Dcomp protocolizada no presente processo nº 10680.904390/200634; 2) No caso de a decisão da Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF ter transitado em julgado indicar: 2.a) se os créditos tributários nos Autos de Infração formalizados no processo nº 10680.0020311/200560 serão extintos e exigidos; 2.b) se o direito creditório solicitado na Per/Dcomp protocolizada no presente processo nº 10680.904390/200634 deve indeferido de plano; caso haja a possibilidade jurídica de deferimento, que sejam analisadas: a regularidade dos comprovantes das retenções na fonte de CSLL por órgãos públicos; a regularidade do oferecimento da receita correspondente à tributação em cotejo com a escrituração e documentos, em especial com o Livro Razão, com o Livro Diário com a Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.904390/200634 Resolução nº 1001000.040 S1C0T1 Fl. 492 5 manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Em resposta a Unidade de Origem apresentou Relatório de Diligência (efls. 454/457) em que anota, em resumo, que: Trata o presente processo de compensação do Saldo Negativo da CSLL referente ao anocalendário 2002 com débitos diversos. (...) Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF A Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF foi proposta pela Fazenda Nacional contra o Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais – SICEPOT/MG com o objetivo rescindir o acórdão que negou provimento à sua Apelação, restando mantida a sentença que assegurou aos filiados do réu o direito de não recolherem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cuja norma instituidora (Lei nº 7.689/88) fora reconhecida como inconstitucional em outro processo. Em 21.092011 foi julgado improcedente o pedido rescisório (certidão às folhas 401 e 402). Posteriormente, foi negado seguimento ao Recurso Especial e não admitido o Recurso Extraordinário. Porém, em despacho de 01.02.2017, anexado à folha 403, foi determinado o sobrestamento do processo em função da discussão no STF do Tema 881 de repercussão geral limite da coisa julgada em âmbito tributário, na hipótese de o contribuinte ter em seu favor decisão judicial transitada em julgado que declare a inexistência de relação jurídicotributária, ao fundamento de inconstitucionalidade incidental de tributo, por sua vez declarado constitucional, em momento posterior, na via do controle concentrado e abstrato de constitucionalidade exercido pelo STF. Assim, não há uma decisão final sobre a Ação Rescisória, que depende da definição do Supremo Tribunal Federal sobre o Tema 881. Processo nº 10680.002031/200560 O Auto de Infração formalizado no processo nº 10680.0020311/2005 60 trata da CSLL relativa aos anoscalendários 1994 a 2002, uma vez que nesse período o contribuinte não declarou débito de CSLL em DCTF nem efetuou os recolhimentos devidos. Em função desse trabalho, foram lançados de ofício os débitos da CSLL relativos aos anoscalendários 1994, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2002. No anocalendário 2001 foi apurada base de cálculo negativa (fls. 404 a 429). A DRJ Belo Horizonte exonerou a exigência relativa aos anos calendários 1994 a 1998 por decadência, mantendo os demais períodos. O acórdão do CARF acatou a decadência em relação ao ano calendário 1999 e manteve o lançamento dos demais períodos. Registrese, porém, que a decisão considera suspensa a exigibilidade Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.904390/200634 Resolução nº 1001000.040 S1C0T1 Fl. 493 6 do crédito tributário até o trânsito em julgado da ação rescisória (fls. 430 a 442). O Recurso Especial da empresa foi negado em 27.10.2016 (fls. 443 a 448). Em 28.11.2016, o contribuinte protocolizou “recurso de agravo” contra essa decisão. O processo foi enviado ao CARF em 14.02.2017 para apreciação de petição do contribuinte e julgamento do recurso especial da PGFN relativo às multas de ofício. Portanto, até o momento, o débito da CSLL relativo ao anocalendário 2012 lançado de ofício permanece inalterado, com valor de R$ 27.269,64. Porém o processo não está encerrado e a cobrança está suspensa em razão de não haver decisão definitiva sobre aa ação rescisória. Dcomp 39365.59925.140109.1.7.039095 A Dcomp 39365.59925.140109.1.7.039095, cuja não homologação originou o presente processo, tem como crédito o Saldo Negativo da CSLL, anocalendário 2002. A DIPJ 2003 ativa no sistema – retificadora apresentada em 21.08.2006 não informa a apuração da CSLL (fls. 449 a 453). Como vimos, houve lançamento de ofício da contribuição relativa a esse período. A situação final do Auto de Infração depende da Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF, que por sua vez está sobrestada em função da discussão do Tema 881 no STF. Assim, até que se definam todos esses pontos, não é possível definir se a empresa é devedora da CSLL no anocalendário 2002. A Dcomp 39365.59925.140109.1.7.039095 informa, como única origem do Saldo Negativo da CSLL, retenções que teriam ocorrido no anocalendário 2002, no valor de R$ 6.145,72. Essas retenções não constam na DIPJ ativa, onde também não há apuração de Saldo Negativo da CSLL. Observase que o Auto de Infração não considerou eventuais retenções existentes no cálculo da CSLL devida,. De fato, a planilha do Termo de Verificação Fiscal à folha 428 apresenta os seguintes valores: (...) Assim, s.m.j., entendo que as decisões finais sobre a Ação Rescisória e o Auto de Infração não interferirão no julgamento do direito creditório oriundo de eventuais retenções. Questões prejudicadas O CARF indicou ainda outras questões a serem tratadas “no caso de a decisão da Ação Rescisória nº 2001.01.00.0150718/DF ter transitado em julgado”. Como o trânsito em julgado não ocorreu, as questões sob os itens 2.a e 2.b da Resolução ficaram prejudicadas. Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 494 ___________ VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Inicialmente importante delimitar o litígio. Tratase de pedido de Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) (de 15.05.2003, retificado em 14.01.2009, fls. 66/70) em que o contribuinte utilizou de crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2002 apurado com base no lucro real anual no valor total de R$ 6.145,72, de acordo com a Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (efl. 17/65). A Unidade de Origem e a DRJ indeferiram o pleito. E o primeiro ponto a destacar é a origem do crédito classificada pelo próprio contribuinte em sua PERDCOMP: crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2002 (efls. 66/67). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo (no caso, a CSLL) devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado (Ac. CARF 1802002.551 – 2ª TEsp, 25/03/2015). Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É indiscutível que a CSLL retida na fonte sobre as receitas declaradas pode ser deduzida da apurada no encerramento do período. É certo também que o artigo 165 do Código Tributário Nacional autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Conforme confirmado pela diligência, a Dcomp 39365.59925.140109.1.7.03 9095, cuja não homologação originou o presente processo, tem como crédito o Saldo Negativo da CSLL, anocalendário 2002. A DIPJ 2003 ativa no sistema – retificadora apresentada em 21.08.2006 não informa a apuração da CSLL (fls. 449 a 453). Conforme confirmada também pela diligência, houve lançamento de ofício da contribuição relativa ao mesmo período. Desta forma, infiro que os dois procedimentos estão relacionados: o primeiro que apurou, de ofício, a CSLL devida relativa ao ano calendário 2002 e o outro oriundo de compensação efetuada pelo contribuinte cujo crédito declarado adviria de saldo negativo da CSLL no mesmo ano calendário. Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.904390/200634 Resolução nº 1001000.040 S1C0T1 Fl. 495 8 Em outras palavras, se o Auto de Infração, formalizado no processo nº 10680.0020311/200560, relativo a CSLL do anocalendário 2002 restar transitada em julgado na esfera administrativa com o crédito lançado confirmado, as retenções deveriam servir ao seu pagamento, mesmo que parcial, e não à compensação que pretendeu efetuar via DCOMP. Em caso contrário, ou seja, não se confirmando o lançamento de CSLL no processo nº 10680.0020311/200560, restaria comprovado que o contribuinte tinha razão (que não haveria saldo de CSLL a pagar, como declarou em DIPJ) e que restaria disponível as retenções para a aludida compensação. Assim, voto para sobrestar (§ 5º do art. 6º do RICARF ) o julgamento do litígio dos presentes autos, na espera do julgamento definitivo no processo (principal) 10680.0020311/200560. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.17129.OCT7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA em 22/03/2018 06:51:00. Documento autenticado digitalmente por LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA em 22/03/2018. Documento assinado digitalmente por: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA em 28/03/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/03/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.0322.17129.OCT7 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 896CF48B742C3C251B39C1CF792A4C80645883769446B2014DC6B42286A63926 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10680.904390/2006-34. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10480.016152/2001-11
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1801-000.001
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
CONVERTER o julgamento em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200905
dt_publicacao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10480.016152/2001-11
anomes_publicacao_s : 200905
conteudo_id_s : 5275787
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1801-000.001
nome_arquivo_s : 180100001_10480016152200111_200905.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI
nome_arquivo_pdf_s : 10480016152200111_5275787.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligencia, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
id : 4629256
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:55:53 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848588099584
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-31T14:06:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 1; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-31T14:06:33Z; Last-Modified: 2011-08-31T14:06:33Z; dcterms:modified: 2011-08-31T14:06:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c49fc1c7-4d46-412f-a97d-c05f89671a53; Last-Save-Date: 2011-08-31T14:06:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-31T14:06:33Z; meta:save-date: 2011-08-31T14:06:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-31T14:06:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-31T14:06:33Z; created: 2011-08-31T14:06:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-08-31T14:06:33Z; pdf:charsPerPage: 766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-31T14:06:33Z | Conteúdo => Processo n" CCOI/T91 Fl% I Recurso n" Assunto ResoitKiio n" I Data Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA TURMA ESPECIAL 10480.016152/2001-11 160.872 Solicitação de Diligência 1801-00.001 07 de maio de 2009 Hospital Memorial sae. José - Maternidade e Cirurgia da Mulher 3" Turma da DRJ em Recife/PE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligencia, nos termos do voto do Relator. /(/ NlePRAGA — Presidente NA-RCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Relator Editado em: 3 „.1 A ; .,;ii Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Praga I (Presidente), Ana de Banos Fernandes e Marcos Vinícius Banos Ottoni, 7.1 Processo n" 10480 016152/2001-11 Rcsoluciio n " 1801-00 001 Is. 2 Relatório e voto Cuidam os autos de Recurso Voluntário interposto por Hospital Memorial São José — Maternidade e Cirurgia. da Mulher, em face do acórdão n° 11-18,660, da lavra da 3" Turma da DRJ em Recife — PE, o qual considerou o lançamento procedente em parte, "pal a manter o imposto no valor principal de R$ 48 973,71 e exonerar o imposto no valor principal elk R$ 16.438,28". Em 26/10/2001, o contribuinte foi intimado da lavratura do Auto de Infração de fls. 03/10, por meio do qual lhe era exigido o crédito tributário relativo ao IRPJ no valor de R$ 142,881,00, incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%, cujos fatos geradores ocorreram nos exercícios de 1999 e 2000 . De acordo corn a descrição dos fatos (fl. 04) e com o relatório de trabalho Fiscal fls. 13/18), o lançamento decorreu de dedução a maior de imposto retido na fonte em 1998, ssim como de declaração a menor de receitas escrituradas no Livro Razão em 1998 e 1999. Irresignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, inteticaniente, o seguinte, conforme relatado pela DRJ: - que a receita tida corno não declarada foi estornada em sua escrituração; - que a retenção na fonte decorreu de aplicação resgatada em janeiro de 1999 e; - que, para o ano-calendário de 1999, possui imposto retido na fonte em valores superiores aos compensados na declaração de rendimentos, para os quais requer compensação restituição do excedente. Ao apreciar a impugnação apresentada, houve por bem a DRJ considerar arcialmente procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendaria: 1998, 1999 RETENÇÃO NA FONTE COMPENSA (,7ÃO, O imposto de renda retido na 'ante sobre quaisquer rendimentos somente podei ii ser compensado se o contribuinte possuir 2 Processo n 10480.016152/2001-11 Resoluçiio o" 1801-00001 CCOlfT91 Fls 3 comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela Otte pagadora dos rendimentos. RECEITAS ESCRITURADAS E RECEITAS DECLARADAS. DIFERENÇA. LANÇAMENTO DE OF1CIO. Constatado que o sujeito passivo declarou a menor receitas escrituradas em seus livros contábeis, legitima a tributação da diferença apurada.. Exonera-se a parcela comprovadamente declarada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída C0171 todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa Não tent valor as alega cães desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando ,/br este o meio pelo qual devam ser provados as Alas alegados. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A competência originária para apreciar pedido de restituição/compensação é do Delegado ou Inspetor da Receita Federal do domicilio Fiscal do contribuinte." Ainda inconformado, o contribuinte interpõe o presente recurso voluntário, rgiiindo o seguinte, verbis: "I - que havia declarado indevidamente as receitas tributáveis em sua DIPJ de 1999, ano base 1998, gerando recolhimentos de impostos a major no 2" trimestre RS 17.243,63, no 3" trimestre R$ 35.501,23 e no 4" trimestre R$ 19 326,51, conforme planilha de apuração de IRPJ presumido (Doc. n" 10) e a DIPJ/1999 retificadora (Doc n" 11). 2 — os valores declarados como receita financeira, de acordo com a IN/SRF acima, deveriam ter sido declarados a partir do seu resgate, ou seja, em janeiro de 1999 — 1" trimestre, logo, compensados na Declaração do ano base de 1999; 3 — a receita declarada indevidamente na DIPJ de 1999, ano base 1998, fbi considerada e cobrada pelo ,fisco, que acatou os valores da receita financeira, porém, não deduziu o imposto retido na fbnte referente à mesma; 4 — Referente à DIE1 2000 , ano base 1999, no primeiro trimestre foi lançada a receita ,financeira a menor, :tuna vez que havia sido tributada na DIPJ 1999, ano base 1998, ou seja, as valores deveriam ter sido lançados na épa ca do resgate . da aplicação financeira — janeiro/99, foram lançados 1716S a Ines por regime de competência, no ano de 1998; e 3 processo 10450016152/2001-i1 Itcsolu0o ii 1801-00 001 CCOITT91 F Is 4 5 — Com o remanejamento da receita financeira, referente ao Banco Safra da D1PJ ano base de 1998 para a DIN. ano base 1999 e consequentes retificaçães das declara çaões ano base 1998 e 1999, ben? como a utilização do 1RRF sobt .e esta receita, gerou o recolhimento de IRPJ a menor no 2" trimestre/99 — R$ 21.312,42 e 3" trimestre/99 — R$ :3.300,09, que serão compensados com os pagamentos do IRPJ recolhido a maior no ano alentitirio de 1998." Ao final, requer o contribuinte seja julgado improcedente a ação fiscal, seja autorizada a retificação da DIPJ ano calendário de 1998 e 1999, e que seja autorizada a Compensação dos valores recolhidos a maior no 2°, 3' e 40 trimestre de 1998, "em virtude do tLemanejamento da receita de aplicação financeira do Banco Sc¡fia, e a RESTITUIÇÃO dos valores oriundos dos recolhimentos a maior". No que pertine às alegações da contribuinte em sede de impugnação, a justificativa para o lançamento quanta ao fato gerador 12/1998 seria o estorno de rendimentos le aplicações financeiras, uma vez que verificou que a rentabilidade era menor que o valor apropriado. Quanto aos demais fates geradores, a contribuinte alegou que tem imposto de tenda retido na fonte a restituir nos mesmos periodos base e, portanto, requer a sua compensação com os créditos ora lançados. Posteriormente, em seu recurso voluntário, asseverou que "partindo do pressuposto que o auto de infração tenha coma base da autuação a aplicação financeira, e que esta só poderia ser tributada pelo liter° presumido quando do seu resgate, e só tendo chegado a este entendimento após a ciência do acórdão acima citado, a empresa voltou a analisar a iua contabilidade, chegando a conclusão que havia declarado indevidamente as receitaslbutdveis na sua DIPJ de 1999, ano base 1998 (..)". 11 Assim procedeu a contribuinte, também, quanto ii DIPJ 2000, ano base 1999. Pela alteração nas matérias de defesa apresentadas, em um primeiro momento, oder-se-ia argüir a ocorrência da preclusão lógica e mesmo da preclusão consumativa ao caso yertente, uma vez que o contribuinte, em sede impugnatória, deduziu matéria de defesa distinta quanta ao fato gerador ocorrido em 12/98 (preclusão consumativa) e acabou por acatar o liançamento relativo ao ano base de 1999, ao pleitear a compensação do mesmo com créditos porventura existentes (preclusão lógica). Ocorre que, ao assumir que somente agora entendeu o problema ensejador do lançamento, o contribuinte informa que procedeu aos ajustes em suas DIN de 1999 e 2000, inclusive apresentando novos documentos que embasam seus argumentos. Ern seu pedido, a Contribuinte requer, ainda, sejam autorizadas as retificações da DIPJ realizadas, por ter havido erro de fato e erro de direito. De fato, de uma análise das justificativas, bem como dos documentos apresentados, verifica-se a verossimilhança das alegações da contribuinte, mas que somente Poderão ser acatadas após serem submetidas à DRF de origem, principalmente para a confirmação das retificações mencionadas, sob pena de supressão de instância. No que tange â eventual óbice da preclusão, entendo que o mesmo possa ser afastado em beneficio do principio da verdade material que deve vigorar no processo 4 Processo n " 10480 016152/2001-11 Resoluçtio n " 1801-00 001 CCOUT91 F Is 5 'administrativo fiscal , porquanto o contribuinte demonstrou, ao menos em uma primeira análise, qual seria o problema verificado em sua escrituração. Desta forma, pelas razões apresentadas, converto o feito em diligencia para que a DRF verifique as bases de calculo do IRP.J dos exercícios de 1999 e 2000 e, ao final, produza relatório circunstanciado acerca das retificações mencionadas, dando-se ciência ao contribuinte dos resultados para que, querendo, possa o mesmo se manifestar. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009 Barros Ottoni Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 13896.905742/2008-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.285
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201309
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 13896.905742/2008-01
conteudo_id_s : 5529744
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1801-000.285
nome_arquivo_s : Decisao_13896905742200801.pdf
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13896905742200801_5529744.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
id : 6141763
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:09 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848590196736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1942; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.905742/200801 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.285 – 1ª Turma Especial Data 12 de setembro de 2013 Assunto Realização de diligência Recorrente BRASILSITE TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário contra a cobrança de débitos federais vinculados ao Per/Dcomp objeto de julgamento no processo administrativo fiscal nº 13896.904037/200889, cujo direito creditório pleiteado pela recorrente foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento – Acórdão nº 1801001.629 (a ser anexado digitalmente). Consta dos autos despacho para a apensação deste processo àquele, principal, bem como nota digital, às efls. , mas tal procedimento não foi efetuado pelo que o presente foi distribuído por sorteio para a apreciação por esta ConselheiraRelatora. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 05 74 2/ 20 08 -0 1 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13896.905742/200801 Resolução nº 1801000.285 S1TE01 Fl. 3 2 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não havendo direito creditório a ser reconhecido nos autos, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que alegue ser indevido. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da cobrança dos débitos confessados pela contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp regularmente emitido eletronicamente, ou cobrança de débitos correspondentes, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; O processo de cobrança dos débitos confessados nos Per/Dcomp é decorrente do processo em que se discute o direito creditório pleiteado para a quitação (compensação) destes débitos e deve seguir a sorte do principal, por isso, deve ser apensado àquele. Pelo exposto, voto em converter o julgamento do presente na realização de diligência para apensálo ao processo principal citado no início do relatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001817/2007-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 02/02/2002
DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Acompanhou o julgamento a advogada da recorrente Elaine Perez OAB/SP 258462
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 02/02/2002 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14485.001817/2007-99
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4705428
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.517
nome_arquivo_s : 2403000517_14485001817200799_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 14485001817200799_4705428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Acompanhou o julgamento a advogada da recorrente Elaine Perez OAB/SP 258462
dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
id : 4740513
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:55:57 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848591245312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 215 1 214 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.001817/200799 Recurso nº 266.020 Voluntário Acórdão nº 2403000.518 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente Unifi do Brasil Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 02/02/2002 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Acompanhou o julgamento a advogada da recorrente Elaine Perez OAB/SP 258462 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (presidente da turma), Marcelo Magalhães Peixoto (vicepresidente), Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Renato Coelho Borelli (suplente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD, consolidada em 30/10/2007, cientificado o contribuinte aos 31/10/2007, correspondente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas relativas a parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros (SESI, SENAI, SEBRAE, Salário Educação e INCRA), referente ao período de janeiro e fevereiro de 2000; janeiro de 2001 e janeiro e fevereiro de 2002. De acordo com o Relatório Fiscal, as contribuições lançadas incidem sobre as remunerações pagas aos segurados, a titulo de Participação nos Lucros, por não atenderem aos pressupostos previstos nos artigos 1°, 2° e 3° da MP 198268 convertida em Lei nº 10.101, de 19/12/2000. Deste modo, entende o Fisco que o pagamento da Participação nos lucros, em desacordo com a legislação, a confere a característica de salário de contribuição para fins previdenciários Foram lavradas as NFLDs 37.046.4737 e 37.022.2377 também correspondentes a Participação nos lucros paga em desacordo com a legislação.Os Autos de Infração de números 37.046.4753 e 37.046.4745 completam o total de documentos gerados nesta ação fiscal. Inconformada, a recorrente contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 95/124, trazendo os seguintes argumentos, a seguir sintetizados: Os créditos objeto de lançamento já foram atingidos pelo instituto da decadência, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN; Cerceamento de defesa, dada a insuficiência na fundamentação da presente NFLD; Nulidade do lançamento, dada a verificação de erro na identificação do período que compreende o crédito, já que a Autoridade Fiscal apontou período diverso dos fatos geradores, ou seja, das efetivas distribuições de lucros; Eficácia dos Acordos Coletivos firmados pela Recorrente, razão pela qual os valores percebidos pelos empregados não devem se submeter a tributação previdenciária, tendo em vista não compor o saláriodecontribuição, mas sim, distribuição de lucros. Deste modo, pleiteou a recorrente pelo provimento da defesa para tornar insubsistente a NFLD impugnada. A DRJ julgou pela procedência do lançamento (fls. 154/169), rejeitando os argumentos apresentados pela Recorrente. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 175/204), sob os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14485.001817/200799 Acórdão n.º 2403000.518 S2C4T3 Fl. 216 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Logo, se as contribuições em apreço referemse às competências de janeiro e fevereiro de 2000; janeiro de 2001 e janeiro e fevereiro de 2002, seu prazo decadencial ocorreu no período de janeiro de 2005 a fevereiro de 2007 (nos termos do art. 150, § 4º, do CTN) ou janeiro de 2006 a janeiro de 2008 (nos termos do art. 173, I, do CTN). Ocorre que a consolidação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD, correspondente às contribuições previdenciárias supostamente devidas, somente se deu em 30 de outubro de 2007, com ciência do contribuinte aos 31 de outubro de 2007 (conforme fl. 01), portanto, é certo que ocorreu o fenômeno da decadência do crédito tributário em sua íntegra, tanto nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, conseqüentemente, encontrandose, portanto, extinto o crédito tributário por força do inciso V, do art. 156, do CTN. Insta destacar que, de acordo com posicionamento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o prazo decadencial para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando se verifica o pagamento antecipado, mesmo que parcial, é aquele previsto no art. 150, § 4º, do CTN: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL A CONTAR DO FATO GERADOR. 1. É firme o entendimento desta Corte Superior de Justiça de que o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, é contado da ocorrência do fato gerador. 2. Agravo regimental improvido. (STJ – 1ª Turma AgRg no REsp 1182862/RS – Relator Ministro HAMILTON CARVALHIDO DJe 02/02/2011) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA LIMINAR. POSSIBILIDADE. ART. 151, V, DO CTN. 1. Ausente a violação ao art. 535, do CPC, quando a Corte de Origem expressamente se manifesta a respeito dos artigos de lei invocados. Ademais, o Poder Judiciário não é obrigado a efetuar expresso juízo de valor a respeito de todas as teses levantadas pelas partes, bastando proferir decisão suficientemente e adequadamente fundamentada. 2. Se houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14485.001817/200799 Acórdão n.º 2403000.518 S2C4T3 Fl. 217 5 Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006 p. 111; e EREsp. n. 101.407/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000. 3. Se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, desde que não se tenha constatado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicandose o art. 173, I, do CTN. Precedente representativo da controvérsia: REsp. n. 973.733 SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009. 4. Em ambos os casos, não há que se falar em prazo decenal derivado da aplicação conjugada do art. 150, §4º, com o art. 173, I, do CTN. 5. O art. 151, V, do CTN, estabelece que suspende a exigibilidade do crédito tributário a concessão de medida liminar ou tutela antecipada. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (STJ – 2ª Turma RESP RECURSO ESPECIAL – 1033444 – Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES DJE DATA:24/08/2010) O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150,§ 4º, do CTN, já que, conforme Relatório Fiscal, tratase de NFLD lavrada em razão da descaracterização dos valores pagos a título de Participação nos Lucros (em desacordo com a legislação vigente), conferindolhe natureza de salário de contribuição para fins previdenciários. Neste caso, temos que a Recorrente efetuou, no período do débito, o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a base de cálculo que entendia como devida. Deste modo, majorada a base de cálculo, face a inclusão dos valores pagos a título de Participação nos Lucros pela autoridade fiscal, verificamos que houve o pagamento antecipado pela Recorrente, sendo, contudo, configurado o pagamento a menor, hipótese que comporta a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. Do exposto, manifestome pelo PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário para reconhecer a decadência dos créditos lançados, com base no critério estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901504/2008-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligencias nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201210
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10073.901504/2008-12
conteudo_id_s : 6580255
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1801-000.155
nome_arquivo_s : 180100155_10073901504200812_201210.pdf
nome_relator_s : GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10073901504200812_6580255.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligencias nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
id : 4556094
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:55:48 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848600682496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 70 1 69 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073901504/200812 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.155 – 1ª Turma Especial Data 02 de outubro de 2012 Assunto Recorrente HOTEL DO FRADE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligencias nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES Processo nº 10073901504/200812 Resolução nº 1801000.155 S1TE01 Fl. 71 2 RELATORIO Versa o processo sobre PER/DCOMP nº 03707.62944.130204.1.3.042965 de 13/02/2004 no valor de R$ 5.284,30. A DRF/Volta Redonda, através do Despacho Decisório n° 791175140, não homologou a compensação pretendida diante da inexistência do crédito, já que o DARF discriminado no PERDCOMP não foi localizado nos sistemas da RFB. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade alegando em síntese que: houve a transmissão de um PER/DCOMP informando que o crédito pleiteado para compensação é Pagamento Indevido ou a Maior, identificado pelo DARF com as seguintes características: período de apuração 30/01/1998; cód. rec. 3252; valor total do DARF R$ 2.948,50; data da arrecadação 31/08/1999. ocorre que este DARF informado como crédito no PERDECOMP, constam as seguintes informações referentes ao recolhimento que deveriam estar discriminadas quando da informação do crédito, conforme cópia do comprovante de arrecadação em anexo: período de apuração 31/01/1998; data da arrecadação 31/08/1999; vencimento 27/02/1998; principal cód. 2362 R$ 14.742,50; multa cód. 3252 R$ 2.948,50; juros cód. 2807 R$ 3.987,85 total R$ 21.678,85. houve um equívoco no preenchimento de 2 campos no PERDCOMP: 1 o período de apuração que deveria ser 31/01/1998 e não 30/01/1998; e, 2 o preenchimento do DARF, conforme descrição abaixo: Principal cód. 2362 R$ 14.742,50; Multa cód. 3252 R$ 2.948,50; Juros cód. 2807 R$ 3.987,85; Total R$ 21.678,85. desta forma a Receita não identificou o DARF como crédito. o motivo do erro no preenchimento deuse porque o programa não reconhece a multa como crédito pelo recolhimento espontâneo. E o envio de um novo PERDCOMP retificador não resolveria o problema, já que não existe campo específico para esta informação. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES Processo nº 10073901504/200812 Resolução nº 1801000.155 S1TE01 Fl. 72 3 o crédito original informado na PERDCOMP no valor de R$ 2.948,50, tratase de recolhimento espontâneo. o crédito trata de Recolhimento Espontâneo, ou seja, a multa recolhida sem o procedimento de cobrança por parte da Receita Federal, nos termos do art 138 do CTN. desta forma com o recolhimento espontâneo deve ser excluída a cobrança da multa moratória. o prazo para a prescrição do direito de compensar este crédito é de 10 anos a partir da data do recolhimento do tributo. cita jurisprudência e finaliza solicitando a aceitação da compensação efetuada. A 1ª Turma da DRJ/RJ, por unanimidade de votos, negou provimento a impugnação da interessada, mantendo o Despacho Decisório nº 791175140, sob os seguintes fundamentos: a jurisprudência (quer administrativa, quer judicial) não tem força vinculante. o interessado pretendeu compensar valor pago a título de multa de mora, invocando o art. 138 do CTN. não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). a iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. A multa de mora não é afastada em razão de recolhimento espontâneo e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito. o Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não ter restado configurada a existência de crédito. Tendo tomado ciência da decisão da DRJ em 22/10/10, apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos da impugnação e acrescentando o seguinte\; o tributo em questão foi recolhido voluntariamente com multa e juros, sem que houvesse qualquer cobrança por parte da RF e a Lei 9.430196 , que dispõe sobre a legislação tributária federal, no artigo 47 e o próprio RIR/99, no art. 909 , contemplam e impõem regras para o benefício do procedimento espontâneo. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES Processo nº 10073901504/200812 Resolução nº 1801000.155 S1TE01 Fl. 73 4 VOTO Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Alega o contribuinte em seu recurso o seguinte: “O motivo da presente impugnação é o de analisar e contrapor o voto declarado no relatório da Primeira Turma da DRF/RJ1. em 0810412010, sentenciado contra a compensação que consta no processo em epígrafe cujo assunto é Denúncia Espontânea. No entendimento da Interessada, no caso da denúncia espontânea da infração, acompanhada da prova do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a responsabilidade é excluída.” Em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, se faz necessário para a comprovação da mesma que se junte a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega para o deslinde da questão. Em face do exposto, voto por baixar o processo em diligência para que se junte a DCTF, com a data de entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004199/2006-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 01/01/1999
DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA
LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto na Art. 173, I, CTN; quanto no Art. 150, § 4º, CTN
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 01/01/1999 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35464.004199/2006-76
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4750652
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.528
nome_arquivo_s : 2403000528_35464004199200676_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 35464004199200676_4750652.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto na Art. 173, I, CTN; quanto no Art. 150, § 4º, CTN
dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
id : 4740534
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:55:58 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848627945472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 252 1 251 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.004199/200676 Recurso nº 265.862 Voluntário Acórdão nº 2403000.528 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14/04/2011 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente Fundação Adib Jatene Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 01/01/1999 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto na Art. 173, I, CTN; quanto no Art. 150, § 4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (presidente da turma), Marcelo Magalhães Peixoto (vicepresidente), Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Renato Coelho Borelli (Suplente). Fl. 252DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD, consolidada em 10/11/2006, cientificado o contribuinte na mesma data, correspondente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas incidentes sobre a remuneração contida em Nota Fiscal/Fatura e/ou Recibo de serviços prestados por segurados da empresa FISIOCLIN FISIOTERAPIA S/C LTDA., mediante cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal, os fatos geradores ocorreram com o pagamento das Notas Fiscais/Faturas e/ou Recibos de serviços devidamente registradas na contabilidade e verificadas nos Livros Diário dos anos de 1996 a 1999. O lançamento foi efetuado contra a Notificada porque, em razão de ter ela deixado de apresentar à Fiscalização as cópias de Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS/GPS) e respectivas folhas de pagamento específicas elaboradas pela empresa cedente de mãodeobra e referentes aos segurados prestadores de serviço, tornouse responsável solidária pelas contribuições incidentes sobre a remuneração daqueles segurados, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente antes da Lei n° 9.711/98. Inconformada, a recorrente contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 48/118, trazendo os seguintes argumentos, a seguir sintetizados: Primeiramente, traz explanação acerca da natureza das atividades exercidas pela Fundação Adib Jatene; Após, argumenta que a exigência seria indevida, tendo em vista tratarse de entidade que se beneficia de imunidade e isenção das contribuições previdenciárias; Deste modo, argumenta que, descaracterizada a obrigação principal, não poderia subsistir a obrigação acessória; Ademais, defende que os serviços prestados não caracterizariam cessão de mão de obra que justifique a imputação da regra de solidariedade; Ressalta ainda a existência de previsão contratual de responsabilidade da contratada pelos tributos advindos do Contrato de Prestação de Serviços; E, por fim, defende a ocorrência dos institutos da decadência e prescrição, conforme previsão do Código Tributário Nacional. A DRJ julgou pela procedência do lançamento (Fls 182/194), rejeitando os argumentos apresentados pela Recorrente. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (Fls. 206/230), restringindo seus argumentos de sua defesa na alegação de imunidade da recorrente, na prescrição e decadência do crédito tributário e na descaracterização dos serviços prestados como cessão de mãodeobra. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35464.004199/200676 Acórdão n.º 2403000.528 S2C4T3 Fl. 253 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como Fl. 254DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Logo, se as contribuições em apreço referemse às competências de janeiro de 1996 a janeiro de 1999, seu prazo decadencial ocorreu no período de janeiro de 2004 (nos termos do art. 150, § 4º, do CTN) ou em janeiro de 2005 (nos termos do art. 173, I, do CTN). Ocorre que a consolidação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD, correspondente às contribuições previdenciárias supostamente devidas, somente se deu em 10/11/2006, com ciência do contribuinte na mesma data (conforme fl. 01), portanto, é certo que ocorreu o fenômeno da decadência do crédito tributário em sua íntegra, tanto nos termos do art. 150, § 4º, quanto pela aplicação do art. 173, inciso I, ambos do CTN, conseqüentemente, encontrandose, portanto, extinto o crédito tributário por força do inciso V, do art. 156, do CTN. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. Do exposto, manifestome pelo PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário para reconhecer a decadência dos créditos lançados, com base nos critérios estabelecidos tanto no art. 173, I, do CTN, quanto no art. 150, § 4º, do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 255DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001656/2005-27
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2009
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA.
A exclusão do Simples Federal dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, circunstância esta evidenciada pelo acervo fático-probatório.
EFEITO DA EXCLUSÃO.
A exclusão do Simples Federal produz efeito a partir do mês da ocorrência do fato, quando a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos expressamente contidos na legislação tributária.
Numero da decisão: 1003-002.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202203
ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2009 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. A exclusão do Simples Federal dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, circunstância esta evidenciada pelo acervo fático-probatório. EFEITO DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples Federal produz efeito a partir do mês da ocorrência do fato, quando a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos expressamente contidos na legislação tributária.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 13971.001656/2005-27
anomes_publicacao_s : 202203
conteudo_id_s : 6579962
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1003-002.861
nome_arquivo_s : Decisao_13971001656200527.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Marcelo Cuba Netto
nome_arquivo_pdf_s : 13971001656200527_6579962.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2022
id : 9245945
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:20 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848667791360
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-17T20:06:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-17T20:06:28Z; Last-Modified: 2022-03-17T20:06:28Z; dcterms:modified: 2022-03-17T20:06:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-03-17T20:06:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-17T20:06:28Z; meta:save-date: 2022-03-17T20:06:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-17T20:06:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-17T20:06:28Z; created: 2022-03-17T20:06:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2022-03-17T20:06:28Z; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-17T20:06:28Z | Conteúdo => SS11--TTEE0033 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 13971.001656/2005-27 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1003-002.861 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 09 de março de 2022 RReeccoorrrreennttee EQUITEL EDITORA E TELEMÁTICA LTDA. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2009 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. A exclusão do Simples Federal dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, circunstância esta evidenciada pelo acervo fático-probatório. EFEITO DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples Federal produz efeito a partir do mês da ocorrência do fato, quando a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos expressamente contidos na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 56 /2 00 5- 27 Fl. 732DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 Ato Declaratório Executivo A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Federal foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BLU/SC nº 41, de 23.04.2009, com efeitos a partir de 01.01.2001, e-fl. 465, motivado nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1° - Excluir do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, nos termos do Despacho Decisório DRF/BLU n° 088/2009 (processo n° 13971.001656/2005-27), a pessoa jurídica EQUITEL EDITORA E TELEMÁTICA LTDA., CNPJ 03.040.964/0001-51, por ter incorrido na hipótese de vedação prevista no art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. Art. 2° - A exclusão de que trata o presente Ato Declaratório produz efeitos a partir de 01/01/2001, conforme dispõe o art. 15, V, da Lei n° 9.317/96. Art. 3° - A pessoa jurídica poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de ciência deste ADE, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235/72. Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado no Acórdão da 5ª Turma DRJ/FNS/SC nº 07-28.732, de 10.05.2012, e-fls. 682-694: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que a exclusão do SIMPLES efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo nº 41/2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC (fl. 465), só deve surtir efeito a partir de 01/04/2004. Recurso Voluntário Notificada em 14.09.2012 (sexta-feira), e-fl. 702, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.10.2012, e-fls. 703-712 e 724, esclarecendo que a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito, aduz que: II — DO DIREITO II a — DO INCABIMENTO DA EXCLUSÃO 3. Para o v. acórdão recorrido, a análise conjunta das provas que acompanham o ato declaratório de exclusão é suficiente à conclusão de que houve a violação de um dos requisitos para a manutenção da empresa no SIMPLES Nacional, qual seja, aquele espelhado pelo art. 14, inciso IV, da Lei n. 9.317/96. 4. Ora, em inúmeras passagens da decisão, o julgador singular consignou a fragilidade das provas quando isoladamente consideradas. No entanto, mesmo que analisadas em conjunto, tais "provas" não levam ao caminho traçado pela r. decisão recorrida, conforme se passará a discorrer. 5. Pois bem. Na exposição de suas razões, o julgador indicou que sua motivação está baseada: (a) na procuração concedida pela sócia remanescente, Sra. Teresa Zuchi, ao Sr. Marco Antônio Gonçalves (pessoa que, em tese, estaria exercendo poderes de Fl. 733DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 administração sobre a recorrente), em 17/05/2004, ou seja, posteriormente à saída deste da sociedade; (b) a prestação de serviços de empregados da Equitel à Cetelbrás Educacional, cujo sócio é o Sr. Marco; (c) a identificação do Sr. Marco como sócio- gerente em contratos firmados pela Equitel após a sua saída formal da sociedade; (d) a composição do quadro acionário da sociedade, após a saída do Sr. Marco, passou a ser de seus familiares; e (e) na admissão da sócia remanescente, Sra. Teresa, que apenas assina documentos a pedido de seu sobrinho, Sr. Marco. 6. No que concerne à procuração pública concedida pela Sra. Teresa Zuelii ao Sr. Marco Antônio, tal instrumento nada mais reflete do que a confiança que a sócia remanescente deposita em seu sobrinho, uma vez que este, por tantos anos, estava à frente da empresa e que, por tal motivo, tinha conhecimento de como lidar com os imprevistos cotidianos, em caso da ausência da Sra. Teresa. Ainda, vale dizer que a Sm. Teresa não Firmou apenas urna procuração exclusiva para o Sr. Marco, o que rechaça qualquer suposição de transmissão de poderes e de atuação como sócio de fato. Firmou-se procuração pública com amplos, gerais e ilimitados poderes também para o Sr. Sandro Zuchi ((is. 155/156), o que demonstra a cautela por parte da sócia remanescente em garantir, em caso de sua ausência, a gerência da empresa. 7. É importante fazer tal ressalva, tendo em vista que, muito embora ter sido utilizado tal argumento para justificar a simulação, não foi Pintado sequer um documento, confeccionado após a saída do Sr. Marco, que tenha sido assinado por este, utilizando a prerrogativa de procurador (Me o instrumento público concedia. Questiona-se, portanto _caso fosse o Sr. Marco o sócio de fato da empresa, tendo este uma procuração pública emitida pela sócia remanescente, por que não há qualquer documento assinado por este? 8. A resposta óbvia a este questionamento igualmente afasta o argumento da decisão acerca da suposta "admissão" da Sra. Teresa no sentido de que "apenas assina documentos a pedido de seu sobrinho Marco Antônio", considerando não haver qualquer sentido na existência de tal solicitação quando o Sr. Marco teria em seu poder procuração bastante para tanto. Ademais, a fragilidade deste argumento é comprovada quando verificada a ausência de qualquer prova acerca de tal "admissão", tendo apenas sido indicada pela autoridade. 9. Além disso, a autoridade juntou contratos que, sem qualquer dúvida, eram utilizados à época que o Sr. Marco era sócio da empresa, uma vez que o modelo deixou de ser corrigido pela pessoa que os emitiu, por ainda mencionarem o Sr. Marco Antônio como sócio-gerente, mas que não foram por ele subscritos, e sim assinados pelo Sr. Jefferson Luiz Silveira. Tal conclusão é obtida pela rápida comparação de assinaturas entre os contratos e os atos societários juntados no Ato Declaratório de exclusão. Isto, por si só, corrobora que os atos de administração e gestão não eram liderados pelo Sr. Marco, como se pretende. 10. No mais, quanto à composição do quadro por familiares do Sr. Marco e à prestação de serviços de empregados da Equitel à Cetelbrás, cabe dizer que a família pretendeu explorar esta atividade comercial - constituindo empresas de forma autónoma e isolada (com o preenchimento de todos os requisitos legais, conforme se vê dos contratos sociais juntados). Novamente, cita-se como exemplo a procuração outorgada pela Sra. Teresa em favor do Sr. Sandro Zuchi, também familiar, para auxiliar, quando da ausência daquela, na continuidade das atividades da empresa. Assim, urna vez presente o interesse recíproco na mesma área de atuação, e sempre reconhecerem a qualificação técnica de seus funcionários, buscando, mesmo nos casos de encerramento do contrato de trabalho, sua recolocação no mercado, é natural que compartilhassem suas vontades de buscar o reaproveitamento dos funcionários dispensados. O fato de terem afinidade não é fator de impedimento legal pois, uma vez Fl. 734DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 preenchidos os pressupostos para a existência de uma sociedade, o grau de afinidade com sócio de outra sociedade não tem relevância para a constituição e funcionamento de qualquer delas. Por tal motivo, não é possível este fato ser considerado como evidência a urna simulação que nunca houve. 11. Logo, não sobra qualquer argumento hígido a justificar a suposta simulação imputada, justamente porque inexistente. O próprio julgador singular, com razão, admite que os fatos, quando analisados isoladamente, não são suficientes a comprovar a simulação subjetiva. O que se pretende com o presente recurso é demonstrar que, mesmo em urna análise percuciente do conjunto de provas, a conclusão é a mesma: não há qualquer evidência quanto à ocorrência de simulação. 12. Tanto é assim que, como se sabe, nos casos de simulação, busca-se burlar a fiscalização do Fisco na tentativa de se evadir da responsabilidade Fiscal, comumente através de operações fictícias e lançamentos contábeis sem a efetiva movimentação financeira. No entanto, a recorrente sempre registrou fidedignamente suas operações mercantis, tendo comprovado com documentação contábil, fiscal e bancária. Portanto, diferentemente do que entendeu o julgador singular, a informação quanto às operações efetuadas pela recorrente ser incontroversas perante os demais órgãos de fiscalização e pela JUCESC não tem a finalidade de tornar improcedente o ato de exclusão, mas servir como prova do comprometimento da empresa na sua movimentação fiscal, afastando qualquer falácia quanto à intenção de evasão fiscal. 13. Dito isto, resta configurada a forma arbitrária de exclusão da empresa do SIMPLES, uma vez que a constituição da sociedade se deu de forma legal, com sócios reais, verdadeiros, capazes, os quais possuem identificação, declaram imposto de renda, têm domicílio conhecido e não possuem restrições para comerciar. Ou seja, atendem a todos os requisitos legais para a constituição da sociedade empresária da qual são sócios, quais sejam, aqueles comidos no art. 104, do CC/02. 14. Tais requisitos, por sua vez, podem ser divididos em duas categorias básicas: os subjetivos e os objetivos. No que toca ao requisito subjetivo de capacidade dos sócios, não há dúvidas de que resta suprido ante a maioridade e capacidades de todos eles. De igual forma, suprido está o requisito objetivo atinente ao objeto lícito e forma legal, visto que a sociedade possui por objeto atividade econômica lícita, possível, determinada e não contrária à moral, aos bons costumes ou à ordem pública, e sua forma legal foi cumprida com a constituição por escrito, e seu registro no órgão competente, juntamente com suas alterações. 15. Nesse momento, cabe dizer que a decisão recorrida afastou a validade do preenchimento dos pressupostos e requisitos legais de existência da sociedade, sob o argumento de que a alteração que culminou na alteração do quadro societário da empresa (saída do Sr. Marco), teve por objetivo excluir indevidamente a recorrente do alcance da lei imperativa (art. 166, inciso VI, do CC/02). Equivocada, entretanto. Conforme tudo o que já se expôs, nota-se que a conclusão obtida pelo julgador, a mesma que motivou a desconsideração da regularidade da existência da pessoa jurídica, é pautada em suposições deveras frágeis, incapazes de serem analisadas sem alto grau de duvida, uma vez que razoáveis argumentos em sentido contrário foram apresentados. 16. Passando a analisar os pressupostos de existência da sociedade, tem-se que o mais evidente é aquele relacionado à affectio societatis, pressuposto este indiscutivelmente presente no atual caso concreto. Diferentemente do que concluiu o julgador, conforme já se expôs, embora tenha sido indicada suposta "admissão" por parte da Sra. Teresa, verdade é que esta é sócia de Fato e de direito, assinando documentos e sendo titular de todas as decisões tomadas na empresa. Como dito Fl. 735DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 anteriormente, não há nexo na afirmação de que o Sr. Marco, na suposta posição de sócio de fato, solicitava a assinatura de documentos pela Sra. Teresa, quando possuía procuração com amplos, gerais e ilimitados poderes. 17. O que se tem, portanto, é exatamente a desconsideração, pela autoridade fiscalizadora, de um procedimento lícito da recorrente, tanto que trouxe provas ilicitamente obtidas, além de completamente impertinentes (com e-mails enviados enquanto o Sr. Marco ainda era sócio da empresa), o que só vem a demonstrar a arbitrariedade na fiscalização e a acusação, a todo custo, pela existência de urna prática ilícita que sequer houve. 18. Com base nisto, acredita a empresa que não existe a menor possibilidade de ser mantido o ato declaratório de exclusão, tendo em vista que desacompanhado da necessária motivação, conforme pode se notar ao longo deste recurso. II.b — DO RECONHECIMENTO DA INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 19. Ainda, é necessário afastar o posicionamento passivo da Administração Pública quando diante de normas flagrantemente inconstitucionais, o qual ignorou o argumento da recorrente de que a data a ser considerada, no caso de manutenção do ato de exclusão, é a partir de maio de 2009, por ser medida de justiça. 20. Isto porque, impõe-se a atuação pelo Poder Executivo em estrita observância à ordem jurídica, de modo que sempre ao dar execução a lei, deverá considerar se há a sua conformidade com a Constituição Federal. A todos os poderes cabe a guarda da Constituição, e não só ao Judiciário, motivo pelo qual, no caso, a vinculação da Administração ao princípio da legalidade (muito mais do que a vinculação às leis infraconstitucionais, há a vinculação à Constituição) deverá ser sensível também à hierarquia das normas, afastando a aplicação de qualquer dispositivo contrário ao preceito constitucional. 21. Não se trata de declarar a inconstitucionalidade da lei, mas sim, através de um juízo de apreciação do contido no texto da lei frente à Constituição, reconhecer a inoperância daquele no caso concreto. 22. É evidente que é possível o controle de constitucionalidade de lei pela Administração Pública, de modo a evitar prejuízos aos particulares e até mesmo ao Estado. Tal possibilidade ainda se justifica estando-se diante do interesse público que deverá guiar a consecução de toda a atividade pública, inclusive em relação ao juízo de ponderação da Administração quanto a qual norma aplicará no caso concreto. [...] 24. Inclusive, o julgado supracitado afirma que a não apreciação de argumentos de delta fundados na inconstitucionalidade da lei aplicada pela administração implica uma restrição infundada ao direito de delta, inconstitucional por ofensa aos incisos LIV e LV do art. 5." da CF/88, incisos que são os fundamentos da própria existência dos processos administrativos, refletindo na violação ao direito individual dos interessados. 25. O entendimento firmado pelo e. STF e pelo c. STJ, como veremos, também é no sentido de que, constatada a inconstitucionalidade pelo órgão administrativo, deve este deixar de aplicar a lei ao caso concreto. [...] 26. Assim, no entender da empresa, além de poder, a Administração Pública tem o dever de analisar as alegações de inconstitucionalidade apresentadas, exercendo seu controle de constitucionalidade ao deixar de aplicar preceitos contrários à atual ordem jurídica constitucional. Fl. 736DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 27. Portanto, conforme se demonstrará, a análise do argumento que reside na ofensa ao art. 106, do CTN, bem como das garantias constitucionais da irretroatividade da norma tributária, do direito adquirido e da segurança das relações jurídicas, deverá ser objeto de apreciação pelo julgador administrativo. 28. Ou seja, a retroatividade dos efeitos da exclusão à época da inscrição é inconstitucional, especialmente porque a Secretaria da Receita Federal, no momento da inclusão da recorrente ao SIMPLES, anuiu, mesmo que por omissão, ao enquadramento, o que, a esta altura, não poderá ser desconsiderado. 29. Ora, se a Receita Federal, com base na representação administrativa efetuada por fiscal previdenciário, alterar interpretação sobre a legitimidade da opção feita, não poderá aplicar referido método de maneira retroativa, ferindo o principio constitucional da irretroatividade da norma jurídica tributária. Isto porque a decisão da autoridade fazendária de exclusão não ostenta efeitos retro-operantes, em homenagem ao direito adquirido e à segurança das relações jurídicas (art. 5º, XXXVI, da CF). 30. Ainda quanto ao principio da irretroatividade, nossa legislação especial prevê, taxativamente, as hipóteses de exceção, conforme redação conferida ao art. 106, do CTN, [...]. 31. No entanto, como pode se notar, o presente caso não se enquadra em nenhuma hipótese arrolada no art. 106, do CTN. tornando patente a inaplicabilidade retroativa de tal ato. 32. Sob outro aspecto, caso se entenda que o inciso I do art. 106, do CTN, teria o condão de conferir a interpretação pretendida à Lei n. 9.317/96, ainda assim verifica- se a impossibilidade de sua aplicação, pois em face das disposições constitucionais vigentes não pode existir lei interpretativa que, expressa ou implicitamente crie, retroativamente, obrigações onerosas, sendo estas somente válidas para o futuro. no caso, a partir de maio de 2009, momento da notificação da empresa quanto à exclusão declarada. 33. Assim, diante dos argumentos declinados, a empresa entende pelo imperativo cancelamento do ato declaratório de exclusão ao SIMPLES, ou, caso assim não seja entendido, na modificação do julgado para reconhecer que referida exclusão passará a surtir efeitos a partir de maio de 2009. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: III — REQUERIMENTO 34. Em face do exposto, requer seja reformado o v. acórdão recorrido, com o cancelamento do ato declaratório de exclusão ao SIMPLES, ou, alternativamente, na modificação do julgado para reconhecer que referida exclusão passou a surtir efeitos a partir de maio de 2009, em respeito ao art. 106, do CTN, e às garantias constitucionais da irretroatividade da norma tributária, do direito adquirido e da segurança das relações jurídicas. É o Relatório. Voto Fl. 737DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Nulidade do Ato Declaratório de Exclusão e da Decisão de Primeira Instância A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Ato Declaratório de Exclusão foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, inclusive com base no princípio da persuasão racional previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Fl. 738DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. Exclusão do Simples Federal - Interposição de Pessoas A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumentos de que não deve ser excluída do Simples Federal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória é aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte. Elevado à condição de princípio constitucional da atividade econômica orienta os entes federados visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações tributárias (art. 170 e art. 179 da Constituição Federal). A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que vigorou até 30.06.2007, dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Federal. A pessoa jurídica que preenche as condições legais realiza a opção irretratável para todo o ano-calendário por meio eletrônico no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia. Na hipótese do início de atividade a opção é exercida nos termos legais. A optante deve efetivar o pagamento do valor devido determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas sobre a base de cálculo, ou seja, receita bruta auferida no mês, bem como apresentar a RFB anualmente declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais com natureza de confissão de dívida. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente (art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 e Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). A exclusão é feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória no caso de incorrer em qualquer das situações de vedação ou em condutas incompatíveis o procedimento é efetivado de ofício mediante emissão de ato próprio pela autoridade competente. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses:: [...] IV - constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; [...] Fl. 739DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 Conforme o Vocabulário Jurídico Tesauro do Supremo Tribunal Federal (STF) tem-se que: Interposta Pessoa [...] 1. Pessoa que age em nome de outra, utilizando nome próprio. Também conhecida como testa-de-ferro ou presta-nome. A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil, determina: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. Infere-se que o instituto da interposição de pessoas trata-se de simulação de natureza subjetiva relativa. Sobre a caracterização de grupo econômico irregular, o Parecer Normativo Cosit/RFB, nº 04, de 10 de dezembro de 2018, esclarece: Grupo econômico irregular 22. Desta feita, não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica de pessoa jurídica, a qual existe apenas formalmente, uma vez que inexiste autonomia patrimonial e operacional. Nesta hipótese, a divisão de uma empresa em diversas pessoas jurídicas é fictícia. A direção e/ou operacionalização de todas as pessoas jurídicas é única. O que se verifica nesta hipótese é a existência de um grupo econômico irregular, terminologia a ser utilizada no presente Parecer Normativo. [...] Sobre os fatos tem-se que na Representação Administrativa de e-fls. 02-19, cujos fundamentos de fato e direito amparados no conjunto probatório de e-fls. 02-460, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): III — DOS FATOS REPRESENTADOS E DOS PERÍODOS DE OCORRÊNCIA 3. Auditorias-Fiscais desenvolvidas nas empresas relacionadas ao Grupo Cetelbrás — empresas que atuam como escola de treinamento de informática e afins —evidenciam a presença de subterfúgios utilizados para o afastamento da incidência de contribuições previdenciárias, por meio da opção ilegal pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições - SIMPLES. Dessa forma, este relatório discorre, nos itens a seguir, sobre a CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS envolvendo as empresas EQUITEL e MASTER1NG, a seguir qualificadas, conforme itens 4 a 32 deste relatório. EMPRESA: EQUITEL EDITORA E TELEMÁTICA LTDA. CNPJ: 03.040.964/0001-51 ENDEREÇO: Avenida Oscar Barcelos, 510, sala 01 — Centro — RIO DO SUL/SC EMPRESA:: MASTERING EDITORA E TELEMÁTICA LTDA. Fl. 740DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 CNPJ: 04.904.073/0001-69: ENDEREÇO: Rua Coronel Feddersen, 1920— Centro — TAIÓ/SC CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS • Evolução das empresas CETELBRÁS EDUCACIONAL, EQUITEL e MASTERING 4. A CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA., iniciou atividade em 12/05/1994, tendo como principais acionistas MARCO ANTÔNIO GONÇALVES e Sandro Brígido da Silva. 5. Em 02/12/1998, os mesmos sócios constituem o que é hoje a EQU1TEL EDITORA E TELEMÁTICA LTDA. (inicialmente Cetel Educacional Ltda., depois Cetelbrás Editora e Telemática Ltda.) 6. No final de 1999, as duas sociedades passam a ser de MARCO ANTÔNIO GONÇALVES com 99% das cotas de cada urna e como gerente de ambas (a CETELBRÁS EDUCACIONAL em 15/12/1999 e a EQUITEL em 12/11/1999). Complementando as duas sociedades com 1% das cotas passa a figurar Carlos Sérgio Zuchi (tio de Marco), que, mais tarde, a partir de 01/02/2002 é registrado como Auxiliar de Manutenção na EQUITEL. 7. Em meados de 2001, Carlos Sérgio Zuchi deixa ambas as empresas (a CETELBRÁS EDUCACIONAL em 25/07/2001 e a EQUITEL em 03/08/2001) e em seu lugar passa a figurar com os mesmos 1% das cotas JEFFERSON LUIZ SILVEIRA, que desde 01/04/2000 estava registrado na EQUITEL como Gerente Geral. 8. No mesmo mês que foi registrado na EQUITEL como Auxiliar de Manutenção, em 02/2002, Carlos Sérgio Zuchi, passa a ser sócio-majoritário (52%) da recém constituída MASTERING EDITORA E TELEMÁTICA LTDA. (em 18/02/2002), empresa que como fica comprovado no transcorrer deste relatório também é de MARCO ANTÔNIO GONÇALVES. Ainda figura como constituinte da MASTERING JEFFERSON LUIZ SILVEIRA, que hoje é formalmente sócio- gerente7-r com 99,9% das cotas. JEFFERSON LUIZ SILVEIRA deixou a EQUITEL em 31/05/2002 e a CETELBRÁS EDUCACIONAL em 26/09/2003. 9. MARCO ANTÔNIO GONÇALVES deixou a EQUITEL em 27/01/2004 e hoje, formalmente, somente consta como sócio-gerente da CETELBRÁS EDUCACIONAL. Quadro evolutivo das empresas CETELBRÁS EDUCACIONAL, 9. MARCO ANTÔNIO GONÇALVES deixou a EQUITEL em 27/01/2004 e hoje, formalmente, somente consta como sócio-gerente da CETELBRÁS EDUCACIONAL. Quadro evolutivo das empresas CETELBRÁS EDUCACIONAL, • Objetivos Sociais 10. A EQUITEL tem como objetivo social, desde 13/03/2000, o COMÉRCIO VAREJISTA de máquinas, equipamentos, materiais e suprimentos de informática, EDITORA E COMÉRCIO de livros didáticos de informática e telemática. Foi optante pelo SIMPLES de 01/2001 a 12/2001 e é desde 01/2004. Cabe ressaltar que a EQUITEL, quando da sua constituição em 02/12/1998, previa em seu objeto social a prerrogativa de ser escola de treinamento de informática. 11. A MASTERING tem como objeto social, desde a sua constituição em 18/02/2002, o COMÉRCIO ATACADISTA de máquinas e equipamentos de informática e comunicação, materiais e suprimentos de informática, EDITORA E COMÉRCIO de livros didáticos de informática e telemática. Sempre foi optante pelo SIMPLES. Fl. 741DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 12. Já a CETELBRÁS EDUCACIONAL sempre teve como principal foco o treinamento em informática e pela sua atividade não pode ser optante pelo SIMPLES. 13. Com a mudança do quadro societário e a expansão do negócio, o grupo alterou formalmente o objeto social da EQUITEL (em 03/2000) e mais tarde constituiu a MASTERING (em 02/2002) de tal maneira que ambas pudessem ser tributadas pelo SIMPLES, diminuindo consideravelmente a contribuição social sobre a folha de pagamento em prejuízo da previdência social. Em função disso, a partir de então, mantém o maior número de empregados e os maiores salários nestas empresas. 14. No entanto as empresas EQUITEL e MASTERING optam pelo SIMPLES de maneira ilegal, já que de fato os empregados da EQUITEL e a da MASTERING são subordinados à CETELBRÁS EDUCACIONAL, tendo como proprietário e administrador MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, constituindo assim uma mesma empresa com a mesma finalidade principal: ESCOLA DE TREINAMENTO DE INFORMÁTICA. • Procurações 15. Em pesquisa realizada junto ao 3° Tabelionato de Notas e Protestos de Títulos, de Luiz Rodolfo Buch, na Comarca de Blumenau, encontramos varias procurações públicas que deixam evidente a forma de atuação do grupo e o verdadeiro proprietário das empresas envolvidas. (Ver no Anexo II — Procurações Públicas — deste relatório) 15.1. EQUITEL EDITORA E TELEMÁTICA LTDA.: Tereza Zuchi, sócia remanescente da EQUITEL com o falecimento do marido em 08/01/2004, confere a Sandro Maurício Wosniak Zuchi (em 04/03/2004) e a MARCO ANTÔNIO GONÇALVES (em 17/05/2004) amplos, gerais e ilimitados poderes para representar a empresa por tempo indeterminado. Lembrar que Marco Antônio Gonçalves deixara de ser sócio da EQUITEL em 27/01/2004. 15.2. MASTERING EDITORA E TELMÁTICA LTDA.: A MASTERING foi constituída em 18/02/2002. A partir de 05/2002, os sócios-gerentes eram Carlos Sérgio Zuchi e Jefferson Luiz Silveira. Em 11/06/2002, a MASTER1NG, representada por ambos os sócios-gerentes, nomeia e constitui como procurador MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, conferindo-lhe amplos, gerais e ilimitados poderes para representar a empresa por tempo indeterminado. Nova procuração, no mesmo intuito é conferida pela MASTERING, representada pelo seu único sócio-gerente Jefferson Luiz Silveira em 17/02/2004. 15.3. A MASTERING também confere poderes específicos para representá-la junto a bancos à VALDIR IMTHORM FERREIRA, que está registrado na EQUITEL como Diretor Operacional desde 02/06/2003. Também o faz por substabelecimento de procuração Marco Antônio Gonçalves (pela MASTERING) a Valdir Imthorm Ferreira. 15.4. A CETELBRÁS EDUCACIONAL, representada por seu sócio-gerente Marco Antônio Gonçalves, também confere poderes específicos para representá-la junto a bancos à VALDIR IMTHORM FERREIRA. Lembramos que Valdir Imthorm Ferreira não apresenta vínculos empregatícios com a CETELBRÁS EDUCACIONAL e/ou MASTERING, mas de fato atende a todas as empresas do grupo sem distinção. • Dos Fatos 16. Em 22/03/2005, a MASTERING e a EQUITEL possuíam, em conjunto, 32 instrutores de informática, já a CETELBRÁS EDUCACIONAL possuía 11. Na mesma data, a MASTERING e a EQUITEL mantinham em seus registros 22 gerentes (incluindo gerentes de filiais, RH, administrativos, dentre outros) e a CETELBRÁS Fl. 742DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 EDUCACIONAL nenhum. Vale ressaltar que a o grupo vende cursos de informática, para os quais fornece livros/apostilas. Não vende o material didático de seus cursos em separado. 17. Um adendo ao contrato de trabalho — firmado pela MASTER1NG e pela EQUITEL com seus respectivos empregados —, no qual consta o regulamento com as Atividades de Responsabilidade do Instrutor, deixa claro que a principal atividade da empresa não guarda relação com o que consta expresso nos seus objetos sociais — COMÉRCIO E EDITORA. No adendo ao contrato de trabalho consta como atividades do instrutor: - Ministrar aulas nas turmas determinadas pela empresa; - Corrigir provas e trabalhos...; - Enviar relatório semanal para a Diretoria...; - Ministrar aulas de recuperação..., entre outras. 18. Os Contratos de Trabalho a Título de Experiência firmados pela MASTER1NG e EQUITEL contêm na cláusula 1 — "O Empregado trabalhará para a Empregadora, bem como, a qualquer urna das empresas do Grupo Cetelbrás, na função de ..." (Grifos nossos) 19. Os Contratos Particulares de Sigilo Empresarial firmados pela MASTERING e EQUITEL deixam claro que o dono da empresa (e dono do Grupo Cetelbrás) é MARCO ANTÔNIO GONÇALVES. Trazem expresso: "Pelo presente instrumento particular de compromisso de sigilo empresarial, de um lado MASTERING (EQUITEL,)..., e demais empresas do grupo CETELBRÁS, representada neste ato por seu sócio-gerente o Sr. Marco Antônio Gonçalves..." (Grifos nossos) 20. No Anexo III — Contratos de trabalho — deste relatório, colocamos exemplos dos contratos de trabalho, do adendo ao contrato — atividades do instrutor da EQUITEL e MASTERING — e dos contratos de sigilo empresarial, demonstrando a uniformidade de tratamento destas em relação aos empregados. Também se encontra no Anexo IV —Relação de Empregados — deste relatório, a relação de empregados ativos e relação de empregados demitidos da CETELBRÁS EDUCACIONAL, da EQU1TEL e da MASTERING. 21. Como visto, as empresas EQUITEL e MASTERING mantêm em seus registros funcionais a maioria dos gerentes e instrutores do grupo. Mesmo assim, independentemente de onde estejam registrados os empregados, eles, de fato, estão subordinados e prestam conta ao Sr. MARCO ANTÔNIO GONÇALVES. Exemplos são citados a seguir, a partir de fotocópias de e-mail impressos e arquivados pelas empresas envolvidas, fotocópias que estão no Anexo V — Dos Fatos — deste relatório. Lembramos que formalmente Marco Antônio Gonçalves foi sócio-gerente da EQUITEL de 02/12/1998 a 24/11/2003 e nunca manteve vínculo formal com a MASTERING, a exceção das procurações citadas no item 15 deste relatório: [...] 22. Também ocorrem solicitações por e-mail das filiais para a matriz em Blumenau. Exemplos são citados a seguir e suas fotocópias também podem ser vistas no Anexo V deste relatório: [...] • Treinamento de Pessoal — Pagamento de cursos pela CETELBRÁS EDUCACIONAL para empregados registrados na EQUITEL e MASTERING 23. A CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA. pagou o curso "Gestão de processos analisando e otimizando processos empresariais" para SILVIO CESAR MAUS (registrado na EQUITEL como Diretor de Tecnologia desde 02/06/2003). O pagamento foi realizado em 2 parcelas, sendo contabilizado pela CETELBRÁS EDUCACIONAL [...]. Fl. 743DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 24. Também, a CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA. pagou o curso "Cadastro, Crédito e Cobrança" para TERESINHA BAZZANELLA (MASTERING). O fato foi contabilizado pela CETELBRÁS EDUCACIONAL [...]. • Compras 25. Compra de equipamentos: Pedido de compra da CETELBRÁS EDUCACIONAL, datado de 02/04/2003, para o fornecedor Comput Informática, em nome da EQUITEL (na época Cetelbrás Editora e Telemática Ltda.) autorizado pelo MARCO ANTÔNIO GONÇALVES. Quem efetua a compra das peças é MAICON SCHROEDER (registrado na MASTERING como Gerente Técnico desde 01/04/2002). Ver pedido e confirmação por e-mail no Anexo VII — Compras — deste relatório. [...] • Locação de Equipamentos 27. Proposta de Locação de Equipamentos encaminhada à Seara Alimentos por ADRIANA ZIMMERMANN (EQUITEL) é confirmada por ALEXANDRE DIAS (MASTERING) para a MÁRCIA DIAS (EQUITEL) por meio de e-mail (2) em 10/07/2002. A nota fiscal da locação é emitida pela CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA. Ver proposta, e-mail e nota fiscal no Anexo VIII — Locação de Equipamentos —deste relatório. • Sócios da EQUITEL e MASTERING 28. A movimentação de sócios nas empresas EQUITEL e MASTERING são constantes. Hoje são representantes formais a Sra. Tereza Zuchi pela EQUITEL e o Sr. Jefferson Luiz Silveira pela MASTERING, como segue: 29. TEREZA ZUCHI: Em 24/11/2003, Tereza Zuchi e o marido Pedro Zuchi — este sócio-gerente — passaram a compor o quadro societário da EQUITEL, e em 27/01/2004 a responder por 100% das cotas da sociedade. Com o falecimento do marido, Tereza passou a representá-lo como inventariante, conforme autos do inventário n.° 008.04.008495-4/0000, expedido em 24/05/2004, passando então a ser administradora da EQUITEL (ver contrato social e alterações da EQUITEL no Anexo I deste relatório). [...] 30. JEFFERSON LUIZ SILVEIRA 30.1. Vínculos formais: - Foi Gerente Geral da EQUITEL de 01/04/2000 a 30/10/2001. - Foi Sócio-Gerente da CETELBRÁS EDUCACIONAL de 25/07/2001 a 26/09/2003 com 1% das cotas. - Foi Sócio-Gerente da EQUITEL de 03/08/2001 a 31/05/2002 com 1% das cotas. - É Sócio-Gerente da MASTERING desde a constituição da empresa em 18/02/2002 (na abertura da empresa detinha 24% das cotas, hoje detém 99,9%). - É Empregado da EQUITEL como Diretor Geral a partir de 03/01//2005. [...] • Ações Trabalhistas 31. Acordos firmados pela CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA., na condição de reclamada, nos autos das Ações Trabalhistas n.° 1804/03, 2398/03 e 2399/03, todas da 1ª Vara do Trabalho de Blumenau/SC, a empresa faz questão de deixar claro nos itens 3 dos acordos que: "Com os recebimentos supra, darão as autoras quitação total do pedido e da extinta relação eventualmente havida, abrangendo a quitação inclusive outras empresas do grupo CETELBRÁS, ..." [...] Fl. 744DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 • Pressupostos Necessários à Condição de Empregado 32. Em decorrência dos fatos relatados, esta auditoria entende que os empregados e sócios das empresas EQUITEL EDITORA E TELEMÁTICA LTDA. e MASTERING EDITORA E TELEMÁTICA LTDA., atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da empresa CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA., consoante o disposto no art. 3' da CLT (Decreto-Lei n.° 5.952, de 01/05/1943) e o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, como segue: 32.1. PESSOALIDADE: Os empregados são admitidos pessoalmente por meio de um contrato de trabalho, ainda que formalizados por intermédio de outras pessoas jurídicas. São contratos intuito personae, qual seja, os empregados não podem se fazer substituir nas funções desempenhadas (instrutores, auxiliar administrativo, gerente de filial, assistente de vendas, gerente de RH, atendente comercial, etc.), tendo de prestá- las pessoalmente. 32.2. NÃO-EVENTUALIDADE: A jornada de trabalho é diária, definida pelo Contratante, sendo controlada por meio de cartões-ponto. O trabalho é prestado nas dependências da empresa contratante ou em local por ela determinado. É definido por turnos, com horários certos de entrada e saída. 32.3. SUBORDINAÇÃO: Os vários itens (4 a 31) deste relatório demonstram que as empresas EQUITEL EDITORA E TELEMÁTICA LTDA. e MASTERING EDITORA E TELEMÁTICA LTDA., e conseqüentemente todos os seus empregados, estão subordinadas a CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA., na pessoa de seu sócio- administrador: 32.3.1. Nos tópicos "Evolução das Empresas CETELBRÁS EDUCACIONAL, EQUITEL e MASTERING", "Objetos Sociais", "Dos Fatos" e "Sócios da EQUITEL e MASTERING" fica claro que o dono das empresas é MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, ao qual todos prestam contas. 32.3.2. No tópico "Treinamento de Pessoal — Pagamento de cursos pela CETELBRÁS EDUCACIONAL para empregados registrados na EQUITEL e MASTERING" reflete a subordinação financeira da EQUITEL e MASTERING à CETELBRÁS EDUCACIONAL. 32.3.3. A unicidade das 3 empresas fica evidente nos vários itens que demonstram o seu controle interno/gerenciamento, e nos tópicos "Compras" e "Locação de Equipamentos" esta realidade é refletiva na relação empresarial com as demais empresas do mercado. 32.3.4. Ou seja, todos os envolvidos trabalham sob subordinação da CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA. com o intuito de atingir as metas por ela determinadas. 32.4. ONEROSIDADE: Os empregados são remunerados mensalmente e constam em folha de pagamento, ainda que a formalização dos vínculos empregatícios aconteça por intermédio de outras pessoas jurídicas. GRUPO ECONÔMICO 33. Também identificamos a presença de um Grupo Econômico, do qual fazem parte a CETELBRÁS EDUCACIONAL LTDA., a VISUAL NET WEB DESIGNER LTDA. — CNPJ: 03.110.181/0001-85 —, a MASTERING TREINAMENTO LTDA. — CNN: 04.908.972/0001-30 — e a CTR TREINAMENTO LTDA. — CNPJ: 83747.709/0001-82 — e, dessa forma, são atingidas pelo instituto da solidariedade, determinado na legislação vigente: Fl. 745DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 • Fundamentação Legal 34. O Código Tributário Nacional (Lei N° 5.172, de 25/10/1966), tratando da responsabilidade solidária, preconiza: [...]. 35. A Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei N° 5.452, de 01/05/1943), em seu art. 2 [...]. 36. A Lei N.° 8.212, de 24/07/1991 determina: "Art. 30. [...]. 37. As legislações previdenciária e trabalhista determinam o mesmo tratamento às empresas que compõem um grupo econômico, ou seja, todas são solidárias perante o fisco previdenciário e obrigações trabalhistas. Empregado que firma contrato de trabalho com determinada empresa, mesmo que com personalidade jurídica distinta das outras que formam o grupo, está prestando serviço a todas elas. 38. Definindo-se grupo econômico como sociedades juridicamente independentes submetidas à unidade de direção e compondo um conjunto de interesses comuns, é fato que os elementos encontrados em ação fiscal nas empresas mencionadas fornecem provas de que a administração do GRUPO CETELBRÁS EDUCACIONAL é exercida por MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, como segue: 39. A VISUAL NET WEB DESIGNER LTDA. foi constituída em 25/01/1999 e hoje tem como objeto social: PROVEDOR DE ACESSO À INTERNET, CRIAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E COMERCIALIZAÇÃO DE HOME PAGE PARA INTERNET E AGÊNCIA DE PROPAGANDA. 39.1. Foi constituída por MARCO ANTÔNIO GONÇALVES com 50% da cotas, que em 12/11/1999 passou a ter 90% da sociedade. Em 26/09/2003, MARCO passou a dispor de 99,9% da cotas. Sempre foi gerente/administrador da sociedade. Ver contratos sociais no Anexo XI — Grupo Econômico — deste relatório. 40. A MASTERING TREINAMENTO LTDA. foi constituída em 18/02/2002 e hoje tem como objeto social: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TREINAMENTO, ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM INFORMÁTICA; EXECUÇÃO DE PROJETOS DE TECNOLOGIA EM INFORMÁTICA E COMUNICAÇÃO DE DADOS E IMAGEM. 40.1. MARCO ANTÔNIO GONÇALVES passou a ser dono e administrador da empresa em 19/01/2004 com 99,9% da cotas. 40.2. Mesmo antes de assumir formalmente a empresa MARCO ANTÔNIO GONÇALVES já era seu administrador, conforme podemos verificar na procuração pública emitida pela MASTERING Treinamento Ltda., em 11/06/2002, que lhe confere "amplos, gerais e ilimitados poderes", sendo válida por prazo indeterminado. 40.3. Ainda, como exemplos, podemos citar os contratos de trabalho a título de experiência (período anterior a sua condição de sócio-administrador), nos quais constam — "O Empregado trabalhará para a Empregadora, bem como, a qualquer uma das empresas do Grupo Cetelbrds, na função de ..." [...]. 40.4. E os Contratos Particulares de Sigilo Empresarial firmados pela Mastering Treinamento, que trazem expresso: "Pelo presente instrumento particular de compromisso de sigilo empresarial, de um lado Mastering Treinamento..., e demais empresas do grupo CETELBRÁS, representada neste ato por seu sócio-gerente o Sr. Marco Antônio Gonçalves..." [...]. Fl. 746DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 41. A CTR TREINAMENTO LTDA. foi constituída em 20/09/1979 e hoje tem como objeto social: DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARES E TREINAMENTO EM INFORMÁTICA. 41.1. MARCO ANTÔNIO GONÇALVES foi admitido na sociedade em 24/09/1993 e administrou-a na condição de sócio-gerente até 16/04/2002. 41.2. Na verdade, MARCO ANTÔNIO GONÇALVES não deixou de administrar a empresa, conforme podemos verificar na procuração pública emitida pela CTR Treinamento Ltda., em 17/05/2004, que lhe confere "amplos, gerais e ilimitados poderes", sendo válida por prazo indeterminado. 41.3. Também, a título de exemplos, podemos citar os contratos de trabalho a título de experiência (período posterior a sua condição de sócio-administrador), nos quais constam — "O Empregado trabalhará para a Empregadora, bem como, a qualquer uma das empresas do Grupo Cetelbrás, na funçáo de ..." [...]. 41.4. E os Contratos Particulares de Sigilo Empresarial firmados pela CTR, que trazem expresso: "Pelo presente instrumento particular de compromisso de sigilo empresarial, de um lado CTR..., e demais empresas do grupo CETELBRÁS, representada neste ato Por seu sócio-gerente o Sr. Marco Antônio Gonçalves[...]. Restando comprovada a circunstância “de constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual” a exclusão do Simples Federal é correta. Ressalte-se que todos os documentos constantes nos autos foram regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Diferente do entendimento da Recorrente, os supostos fatos indicados na peça recursal não podem ser corroborados, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. O procedimento fiscal decorre de expressa previsão legal que é de observância obrigatória pela autoridade tributária, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional). A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. Efeitos da Exclusão do Simples Federal A Recorrente requer que os efeitos da exclusão do Simples Federal sejam a partir de maio de 2009. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] V - a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tem-se que a exclusão dá-se de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual. Esta circunstância está comprovada nos autos senão vejamos. Após a retirada do sócio Marco Antônio Gonçalves, 01.12.2003, e-fls. 88-94, o quadro societário da Recorrente passou a ser integrado por interpostas pessoas. Verifica-se que em 01.01.2004 a Recorrente optou pela sistemática, e-fls. 02-19, ocasião em que a exclusão Fl. 747DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 produz efeitos no mês de ocorrência do fato mencionado. Assim, por falta de previsão legal expressa não se pode deferir que os efeitos da exclusão sejam a partir de maio de 2009. Verifica-se que os efeitos da exclusão da sistemática não se subsumem às hipóteses normativas de retroatividade legislativa do art. 106 do Código Tributário Nacional. Como referência à exegese da matéria, vale mencionar o Recurso Especial Repetitivo nº 1124507 proferido Pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. A pessoa jurídica excluída do Simples Federal sujeita-se, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Logo, não cabe razão a Recorrente. Declaração de Concordância Consta no Acórdão da 5ª Turma DRJ/FNS/SC nº 07-28.732, de 10.05.2012, e-fls. 682-694, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): 1. Preliminar A Interessada, em preliminar, aduz que o Ato Declaratório Executivo nº 41/2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC é nulo, porquanto não está de acordo com o documento de fls. 461 a 463, que faz menção à MASTERING Editora e Telemática Ltda., e não à Interessada. De fato, analisando o documento de fls. 461 a 463, observa-se que no seu segundo parágrafo, o nome da Interessada (EQUITEL Editora e Telemática Ltda.) foi equivocadamente substituído por MASTERING Editora e Telemática Ltda. Sucede que, compulsando os autos, constata-se que tal equívoco foi saneado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC com o envio do despacho de fls. 675/676 à Interessada (AR de fls. 677) e a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para aditar a manifestação de inconformidade. Neste contexto, portanto, resta evidente que não há que se falar em nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 41/2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, porquanto o pequeno equívoco cometido na redação do documento de fls. 461 a 463 foi devidamente saneado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC. 2. Interposição fictícia de pessoas (simulação subjetiva) As alegações no sentido de que o quadro societário da Interessada (EQUITEL Editora e Telemática Ltda.), a partir da saída formal do sócio Marco Antônio Gonçalves (fls. 86 a 92), em 1º de dezembro de 2003, não passou a ser constituído por interpostas pessoas que não são seus verdadeiros sócios não podem prosperar. Conforme restou comprovado pelas constatações e elementos de prova discriminados nos parágrafos 15 a 20 e 28 a 29.3 da representação administrativa de Fl. 748DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 fls. 02 a 17, todo arcabouço formal criado para camuflar que o sócio majoritário da CETELBRÁS Educacional Ltda. (Sr. Marco Antônio Gonçalves), após 1º de dezembro de 2003, continuou a ser, no plano da realidade, o verdadeiro sócio majoritário da Interessada (EQUITEL Editora e Telemática Ltda.), não se sustenta perante a realidade dos fatos. A procuração concedida pela sócia remanescente da Interessada (Teresa Zuchi), em 17/05/2004, conferindo a Marco Antônio Gonçalves amplos, gerais e ilimitados poderes para representa-la por tempo indeterminado (fls. 158 a 161); a constatação de que a Interessada (EQUITEL) emprega trabalhadores cuja função (instrutores) nada tem a ver com o seu objeto social (comércio varejista de máquinas, equipamentos, materiais e suprimentos de informática, editora e comércio de livros didáticos de informática e telemática); a constatação de que vários empregados da Interessada (EQUITEL) prestam serviços à empresa cujo sócio majoritário é Marco Antônio Gonçalves (CETELBRÁS Educacional Ltda.); a constatação de que o Sr. Marco Antônio Gonçalves, mesmo após sua saída formal do quadro societário da Interessada (1º de dezembro de 2003), continuou a ser identificado como sócio gerente da Interessada em contratos firmados por ela (contratos de fls. 196/197 e 198/199); a constatação de que o quadro societário da Interessada, após a saída formal de Marco Antônio Gonçalves, passou a ser composto por familiares seus (sua tia Tereza Zuchi e seu tio Pedro Zuchi); e a admissão feita pela sócia remanescente da Interessada (Tereza Zuchi) de que não é dona da Interessada e que apenas assina documentos a pedido de seu sobrinho Marco Antônio Gonçalves; não deixam dúvidas de que o sócio majoritário da sociedade empresária CETELBRÁS Educacional Ltda. (Sr. Marco Antonio Gonçalves), visando camuflar a ocorrência da vedação de opção ao SIMPLES Federal prevista no inciso IX, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/1996 (caso em que titular ou sócio participa com mais de 10% do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite previsto na lei) e, consequentemente, usufruir indevidamente dos benefícios do SIMPLES, utilizou-se dos seus tios, senhora Teresa Zuchi e do senhor Pedro Zuchi, para figurarem formalmente como sócios da Interessada (EQUITEL Editora e Telemática Ltda.). Cabe observar que alguns desses elementos de prova e constatações, se forem analisados individualmente, podem até conferir à Interessada (EQUITEL Editora e Telemática Ltda.) um aparente caráter de normalidade, no entanto, quando apreciados todos em conjunto, comprovam que foi correta a análise das autoridades fiscais, uma vez que demonstram a interposição fictícia de pessoas no quadro societário da Interessada (EQUITEL). Restou configurada, portanto, uma das hipóteses de simulação prevista no artigo 167 do Código Civil brasileiro, que prescreve que “haverá simulação nos negócios jurídicos quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem”. [...] Em relação à manifestação de inconformidade da Interessada, vemos que utiliza como argumento, em primeiro lugar, a alegação de falta de provas. Como já visto, não é esta a verdade que transparece dos autos. [...] O fato das operações efetuadas pela Interessada (EQUITEL) não terem sido contestadas por qualquer órgão de fiscalização e pela Junta Comercial do Estado de Santa Catarina até a emissão da representação administrativa de fls. 02 a 17, ao contrário do que pensa a Interessada, não tem o condão de tornar improcedente o ato de exclusão de fl. 465, visto que a própria legislação do SIMPLES Federal (Lei nº 9.317/1996) determina que a pessoa jurídica que tenha optado por tal regime deve ser excluída de ofício do mesmo quando for apurado que seu quadro societário passou a ser integrado exclusivamente por pessoas que não sejam seus verdadeiros sócios. Fl. 749DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 No que tange as alegações de que a existência de laços familiares entre os sócios de pessoas jurídicas distintas e a utilização de empregados de uma delas na outra não comprovam a interposição fictícia de pessoas, insta observar que tais fatos, se forem considerados de forma isolada, realmente não são suficientes para comprovar simulação subjetiva. Ocorre que no presente processo, a existência de laços familiares entre os sócios “formais” da empresa EQUITEL Editora e Telemática Ltda. (Pedro Zuchi e Teresa Zuchi) e o sócio majoritário da CETELBRÁS Educacional Ltda. (Marco Antônio Gonçalves), e o registro de empregados utilizados pela CETELBRÁS Educacional Ltda. na empresa EQUITEL Editora e Telemática Ltda., são apenas dois dos diversos elementos de prova arrolados nos parágrafos 15 a 20 e 28 a 29.3 da representação administrativa de fls. 02 a 17, que quando analisados de forma conjunta, não deixam dúvidas sobre a configuração, a partir de 1º de dezembro de 2003, de interposição fictícia de pessoas no quadro societário da Interessada (EQUITEL). A alegação de que existia affectio societatis entre sócios da Interessada (Pedro Zuchi e Teresa Zuchi) não condiz com a realidade, já que, conforme registrado nos parágrafos 29, 29.1., 29.2. e 29.3. da representação administrativa de fls. 02 a 17, a própria sócia remanescente da Interessada (Tereza Zuchi) admitiu que não é dona da Interessada e que apenas assina documentos a pedido de seu sobrinho Marco Antônio Gonçalves. Em relação aos e-mails mencionados nos parágrafos 21.1. a 21.9. e 23.2. da representação administrativa de fls. 02 a 17, verifica-se que não servem de prova de que o quadro societário da Interessada (EQUITEL), a partir de 1º de dezembro de 2003, passou a ser integrado exclusivamente por interpostas pessoas que não são seus verdadeiros sócios, porquanto foram enviados antes desta data, quando o Sr. Marco Antônio Gonçalves ainda era formalmente sócio da Interessada. Cabe observar, porém, que tal constatação não é suficiente para demonstrar a invalidade da conclusão das autoridades fiscais, visto que a análise conjunta de todos os elementos de prova e constatações discriminados nos parágrafos 15 a 20 e 28 a 29.3 da representação administrativa de fls. 02 a 17, conduz a conclusão de que, a partir de 1º de dezembro de 2003 (conforme alteração do contrato social reproduzido às fls. 86 a 92), o quadro societário da Interessada (EQUITEL) passou a ser integrado exclusivamente por interpostas pessoas que não são seus verdadeiros sócios, para que a mesma pudesse usufruir indevidamente do SIMPLES. A alegação de que o ato constitutivo da Interessada (EQUITEL), assim como as suas alterações, teriam respeitado todos os pressupostos e requisitos legais, portanto, não pode prosperar, visto que a mudança do quadro societário efetuada pela alteração de contrato social reproduzida às fls. 86 a 92 (1º de dezembro de 2003) teve por objetivo excluir a Interessada indevidamente do alcance de lei imperativa (artigo 166, inciso VI, do Código Civil). O contribuinte, desde que pratique atos válidos e lícitos, sem dissimulação, pode organizar seus negócios de forma a evitar a ocorrência de fatos delineados em lei como passíveis de tributação. Isso porque a Constituição Federal confere aos cidadãos a liberdade de fazer qualquer coisa que não seja vedada, ou exigida pela lei (artigo 5º, II), e prevê que um dos fundamentos do Estado Brasileiro é a livre iniciativa (artigo 1º, IV). Desse direito, constitucionalmente assegurado, e do fato que a obrigação tributária só pode nascer validamente pela ocorrência efetiva de uma hipótese de incidência prevista em lei (art.150, I da CF), decorre a legitimidade do contribuinte planejar suas atividades de forma a procurar incorrer em situações legais de menor tributação. Fl. 750DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 A linha divisória entre a economia fiscal legítima, denominada pela doutrina de elisão fiscal, e a redução ilegítima da carga tributária, designada de evasão fiscal, é, por vezes, extremamente tênue. Contudo, no presente caso, restou evidente que não agiu a fiscalização no sentido de desconsiderar um planejamento tributário lícito, mas, sim, de buscar a realidade subjacente. Isso porque, dentre os princípios que norteiam o processo administrativo tributário encontra-se o da verdade material, onde o que prevalece é a realidade fática sobre a realidade formal. [...] Portanto, diante das circunstâncias evidenciadas e em razão da primazia da verdade material sobre a formal, o procedimento utilizado pelas autoridades fiscais se mostra correto, porquanto a realidade subjacente demonstra que o quadro societário da Interessada (EQUITEL), a partir de 1º de dezembro de 2003, passou a ser integrado exclusivamente por interpostas pessoas que não são seus verdadeiros sócios. 3. Inocorrência de desconsideração de personalidade jurídica A exclusão da Interessada do SIMPLES Federal, conforme se infere da leitura do ato declaratório executivo de fl. 465 e dos documentos de fls. 461 a 463 e 675, não ocorreu devido a desconsideração da personalidade jurídica da Interessada (EQUITEL), mas sim devido a apuração de que seu quadro societário, após a saída formal do sócio Marco Antônio Gonçalves (fls. 86 a 92), em 1º de dezembro de 2003, passou a ser constituído por interpostas pessoas que não são seus verdadeiros sócios. Nesse contexto, portanto, observa-se que, por falta de qualquer relação com a motivação do ato declaratório executivo de fl. 465, se mostra incabível a apreciação das alegações no sentido de que a Interessada não forma uma empresa só com a CETELBRÁS Educacional Ltda. 4. Grupo econômico de fato Tendo em vista que o presente processo tem como finalidade apreciar apenas questões ligadas a exclusão da Interessada (EQUITEL) do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte –SIMPLES, e que tal fato (exclusão), conforme o ato declaratório executivo de fl. 465, ocorreu devido a apuração de que o quadro societário da Interessada (EQUITEL), após a saída formal do sócio Marco Antônio Gonçalves (fls. 86 a 92), em 1º de dezembro de 2003, passou a ser constituído por interpostas pessoas que não são seus verdadeiros sócios, deixo de analisar as razões de defesa suscitadas contra a configuração de grupo econômico de fato entre as sociedades empresárias MASTERING Treinamento Ltda, Visual Net Web Designer Ltda, CTR Treinamento Ltda e CETELBRÁS Educacional Ltda, já que não guardam pertinência com o ato de exclusão (fl. 465). 5. Efeitos da exclusão A Lei nº 9.317/1996, ao tratar dos efeitos da exclusão do SIMPLES Federal na hipótese em que é constatado que a pessoa jurídica foi constituída por interpostas pessoas que não são os seus verdadeiros sócios, preceituava que: Lei nº 9.317/1996 Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; (...) Fl. 751DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. (...) § 3º A exclusão de ofício dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Da leitura dos dispositivos normativos transcritos acima, depreende-se que a exclusão da Interessada (EQUITEL) do SIMPLES, efetuada por meio do ato declaratório executivo de fl. 465, jamais poderia ter produzido efeitos a partir de 01 de janeiro de 2001, como fixado no citado ato de exclusão (fl. 465), já que, somente após a saída formal do sócio Marco Antônio Gonçalves, em 1º de dezembro de 2003 (conforme alteração de contrato social reproduzida às fls. 86 a 92), é que o quadro societário da Interessada (EQUITEL) passou a ser integrado exclusivamente por interpostas pessoas que não são seus verdadeiros sócios. Dessa forma, tendo em vista que a Interessada não era optante pelo SIMPLES em dezembro de 2003, e que optou por tal regime em 1º de janeiro de 2004 (conforme registrado na representação administrativa de fls. 02 a 17), entendo que por força do disposto no inciso V do artigo 15 da Lei nº 9.317/1996, a data de início da produção dos efeitos do ato de exclusão de fl. 465 deve ser alterada para 01/01/2004. Cabe ressaltar, por fim, que as alegações no sentido de que o início da produção dos efeitos do ato de exclusão de fl. 465 antes de 01 de maio de 2009 fere o disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional e as garantias constitucionais da irretroatividade da norma jurídica tributária, do direito adquirido e da segurança das relações jurídicas, não podem ser apreciadas no presente julgamento, já que é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de artigo de lei regularmente editado. Tal impedimento se deve ao caráter vinculado da atuação das instâncias administrativas. Assim, quaisquer discussões acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos legais exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor. Nesse sentido, preceitua o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] 6. Conclusão Ante o exposto, voto pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, para declarar que exclusão do SIMPLES efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo nº 41/2009, da Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC (fl. 465) só deve surtir efeito a partir de 01/01/2004. Logo, não cabem reparos ao Acórdão da 5ª Turma DRJ/FNS/SC nº 07-28.732, de 10.05.2012, e-fls. 682-694. Jurisprudência e Doutrina Fl. 752DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 1003-002.861 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.001656/2005-27 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Inconstitucionalidade de Lei Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 753DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000037/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. VÍCIO FORMAL. NÃO EXISTÊNCIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO, CONFORME PREVISÃO DO ART. 33, 2o E 3o DA LEI N. 8.212/91. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO.
Código CNAE vigente há época da fiscalização não enseja nulidade formal. Ademais, não é qualquer equívoco capaz de anular um Auto de Infração. Se o AI estiver compreensível, não há vício formal.
Constitui infração deixar de apresentar documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social.
Só há relevação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.634
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
dt_index_tdt : Sat Mar 26 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. VÍCIO FORMAL. NÃO EXISTÊNCIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO, CONFORME PREVISÃO DO ART. 33, 2o E 3o DA LEI N. 8.212/91. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO. Código CNAE vigente há época da fiscalização não enseja nulidade formal. Ademais, não é qualquer equívoco capaz de anular um Auto de Infração. Se o AI estiver compreensível, não há vício formal. Constitui infração deixar de apresentar documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. Só há relevação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14485.000037/2007-21
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4902099
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.634
nome_arquivo_s : 2403000634_14485000037200721_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 14485000037200721_4902099.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4743487
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 26 09:56:06 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1728355848681422848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 75 1 74 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.000037/200721 Recurso nº 200.000 Voluntário Acórdão nº 240300.634 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CONSTRUTORA HERMAN KLASING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. VÍCIO FORMAL. NÃO EXISTÊNCIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO, CONFORME PREVISÃO DO ART. 33, 2o E 3o DA LEI N. 8.212/91. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO. Código CNAE vigente há época da fiscalização não enseja nulidade formal. Ademais, não é qualquer equívoco capaz de anular um Auto de Infração. Se o AI estiver compreensível, não há vício formal. Constitui infração deixar de apresentar documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. Só há relevação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ivacir Julio de Souza – Presidente Substituto Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Participaram do presente de julgamento, os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14485.000037/200721 Acórdão n.º 240300.634 S2C4T3 Fl. 76 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado por infringência ao artigo 33, §§ 2° e 3° da Lei 8.212/91 combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, uma vez que, de acordo . com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa não apresentou o Livro Diário do exercício de 2006, regularmente solicitado através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD's de 16/01/07 e 12/06/07 (fls. 11/12 e fls.17). 1.1. A multa aplicada está prevista no artigo 283, II, alínea "j" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado pela Portaria MPS n° 142 de 11/04/2007, em função do disposto nos artigos 92 e 102, ambos da Lei d. 8.212/91 e art. 373 do Decreto 3.048/99. O montante da multa corresponde a R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), pertinente à infração, sem ocorrência de agravantes ou atenuantes (fls. 04, 05 e 08). DA IMPUGNAÇÃO 2. A autuada apresentou defesa tempestiva, fls. 22/27, acompanhada de procuração, contrato social e documentos (fls. 29/42), na qual narra a ação fiscal e alega, em síntese: 2.1. a nulidade do auto de infração por erro formal quanto à identificação do código CNAE (n° 4521.7), desativado pela Resolução n° 1/2006, sendo correto o código n° 41.20400, sob o argumento que tal equívoco afronta o art. 10, incisos III e IV do Decreto 70.235/72 e ocasiona o cerceamento do direito de defesa da impugnante; 2.2. no mérito, alega que ficou surpresa com a lavratura da presente autuação, por falta de apresentação do Livro Diário do ano 2006 afirmando que "todos os documentos solicitados pela Auditora Fiscal da Receita Federal foram prontamente entregues". Apresenta cópia simples da capa do Diário e do Termo de Abertura com autenticação da JUCESP (fls. 41/42), observando que o livro foi autenticado em 18/06/07, anteriormente à lavratura da presente autuação; 2.3. ressalta que faltou à Fiscal atuar com legalidade e responsabilidade ao aplicar multa de forma isolada, sem sequer analisar com zelo os documentos apresentados; 2.4 indica que o lançamento fiscal é um ato administrativo vinculado e, portanto, deve observar os princípios da legalidade, oficialidade, inquisitoriedade, a vinculabilidade, a motivação e a verdade material; 2.5. ressalta que, em consonância com o princípio da oficialidade, a obrigação da administração de investigar a verdade dos fatos tributáveis, considerando os documentos apresentados pelo contribuinte, independe de qualquer provocação, devendo ser praticada "ex officio". Colaciona doutrina; 2.6. afirma que o Livro Diário está à disposição da Administração, junta cópia simples do Termo de Abertura e da capa do Livro (fls. 41/42) e entende presentes todos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 os requisitos do §1o do art. 291 do Decreto 3.048/99, razão pela qual requer a relevação da penalidade aplicada; 3. Pelas razões expostas, requer, a impugnante, o acolhimento da preliminar suscitada para que seja declarada a nulidade do lançamento por erro formal e, no mérito, para que seja dado integral provimento à impugnação, determinandose o cancelamento do crédito previdenciário ou a relevação da multa aplicada. 3.1. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em especial por prova documental complementar. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da impugnante, a 14a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I – SP DRJ/SPOI, emitiu o Acórdão n° 1615.205, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 60/67), com os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14485.000037/200721 Acórdão n.º 240300.634 S2C4T3 Fl. 77 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 56 e 60, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A recorrente pleiteia que seja considerado nulo o Auto de Infração objeto da lide, por vício formal, sob o argumento de que ele está instruído com o código da Classificação Nacional de atividades Econômicas – CNAE, desativado desde 01/01/2007 Ocorre que, como bem frisou a DRJ no seu acórdão, consta o número vigente há época da fiscalização (01/07/2003 a 31/12/2006). Ademais, mesmo que assim não fosse, não é qualquer falha que torna um Auto de Infração nulo, nesse sentido é pacífica a Doutrina e Jurisprudência. Assim lecionam Marcos Vinícios Neder e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3a edição, Dialética, 2010, pág. 65), verbis: “Não resta dúvida, portanto, que o ato administrativo necessita de motivação. Entretanto, o cerne da discussão está em verificar os limites da fundamentação usada pela autoridade administrativa, isto é, se o fornecimento é suficiente ou não para a análise do caso, o que apenas pode ser verificado com o exame criterioso do ato em comento. Ada Pellegrini Grinover sustenta ‘o princípio do prejuízo constitui seguramente a viga mestra do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida’. Nessa linha de raciocínio, são admitidas pequenas falhas formais no ato administrativo se não ficar caracterizado o prejuízo por elas causado. É o que se pode verificar na decisão da Primeira Seção do Tribunal Regional Federal da 4a Região, a saber: ‘Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – Artigo 11 do Decreto 70.235/72 – Falta do Nome, Cargo e Matrícula do Expedidor – Ausência e Nulidade. 1. A falta de indicação, no Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 auto de notificação de lançamento fiscal expedido por meio eletrônico, do nome, cargo e matrícula do servidor público que o emitiu, somente acarreta nulidades no processo administrativo quando evidente o prejuízo causado ao contribuinte. 2. No caso dos autos, a notificação deve ser tida como válida, uma vez que cumpriu suas finalidades, cientificando o recorrente da existência do lançamento e oportunizandolhe prazo para defesa. Embargos Infringentes improvidos.’” (grifo nosso) Portanto, levandose em consideração que o objeto do Auto de Infração é o descumprimento de uma obrigação acessória, eventual equívoco num número que serve para a verificação do grau de risco das contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, prevista no art. 22, II da Lei n. 8.212/91 que, em nada se relaciona com o objeto da lide, não deve ser motivo ensejador para a anulação do Auto de Infração. Em outras palavras, não obstante o AI em tela não conter vício formal, pois o número do código CNAE utilizado foi o vigente no período da fiscalização, o Auto de Infração está fundamentado e cristalino, tanto que impugnado em todos os seus termos pela recorrente. DO MÉRITO O auto de infração lançado contra a empresa teve por base a obrigação de apresentar para o fisco o Livro Diário referente ao exercício 2003, documentos esses relacionados com as contribuições previdenciárias, infringindo assim, o disposto no artigo 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91 (vigente há época), c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, Decreto n. 3.048/99, verbis: Lei n. 8.212/91: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14485.000037/200721 Acórdão n.º 240300.634 S2C4T3 Fl. 78 7 Decreto n. 3.048/99: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Pela não apresentação dos documentos solicitados pelo auditor, com base nos arts. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91, foi instaurada a multa prevista nos artigos 283, inciso II, “j” e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99 e atualizado pela Portaria MPS n. 142 de 11/04/2007, no valor R$ 11.951,21, verbis: Lei n. 8.212/91: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto n. 3.048/99: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria n. 142: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) VI o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS e de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos); Conforme consta no Relatório Fiscal da Infração, fl. 04, a empresa foi intimada nos dias 07/05/2007 e 12/06/2007, através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, para apresentar o Livro Diário do exercício 2006, porém não apresentou. Apesar de impugnar essa informação, a recorrente não comprovou a entrega no momento da fiscalização. Por outro lado, informou ter autenticado no Livro Diário exercício 2006 na JUCESP em 18/06/2007 (fl. 64), portanto 3 dias antes do Lançamento. Levandose em conta o que os atos emanados pelos servidores públicos presumemse de veracidade, chegase à conclusão de que não há como prosperar a simples impugnação, sem a prova correspondente. Fica evidenciado que a empresa cometeu uma falha ao não apresentar o Livro Diário do exercício 2006, conforme solicitado. DO PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA A recorrente pleiteia relevação da multa, com base no art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, então vigente há época, verbis: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14485.000037/200721 Acórdão n.º 240300.634 S2C4T3 Fl. 79 9 primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifo nosso) A recorrente juntou nas fls. 41/42 dos autos a simples capa do Livro Diário, sem contudo, apresentar o seu completo teor. Diante disso, verificase que a recorrente não corrigiu a falta dentro do prazo para impugnação, conforme previsão legal. Por esse motivo, não deve ser aplicada a relevação da multa. CONCLUSÃO Diante do exposto, nego provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
score : 1.0
