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Quando apurada, na pessoa jurídica, J. través de "Suprimento de Caixa de Origem não Comprovada", "Passivo Fictício" e "Saldo Credor de Caixa", está sujeita, em sua totalidade, ao imposto incidente so- bre o lucro distribuído e auferido pelos sócios ou titular de firma individual, fa ce à disponibilidade económica que antecj de o crédito ou reingresso dos recursosnã pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial, nos term. do relatório e voto que passam a integrar o presente julga- do u /i.. Sala das S-- j ••e em 13 de dezembro de 1985- I( il AMADOR O '-la ' ÁNDEZ - PRESIDENTE --------- A, k \--- ,2 'I • -----'1"JL-r- IM .tnerL. -------'-------- UL P'" k .4! --1 if - RELATOR__ --- ----- i - LUIZ FERNANDi 0.I n EIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO - NAL v .v. articiparam, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse lheiros: JACINTO DE MEDEIROS CAKMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEI- RA, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA, CARLOS ROBERTO MONTEIRO BERTAZI, PEDRO MARTINS FERNANDES, JOSÉ AUGUSTO SALLES DE CARVA LHO, ANTONIO DA SILVA CABRAL, CARLOS AGOSTINHO ALÉSSIO OLIVETO e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. . , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Ni g 0410/050.410/82-90 RECURSO:~ :: RD/104-0.271 ACÓRDÃON9: : CSRF/01-0.615 RECORRENTE: : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CARLOS ROBERTO SILVA BELTRÃO RELATÓRIO O Procurador da Fazenda Nacional junto ã E. 4Q. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes recorre para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no artigo 39, inci- so I, do Decreto n9 83.304/79, objetivando a reforma do Acórdão n9 104-4.684, de 13 de agosto de 1984, às fls. 114/121, através do qual foi parcialmente provido, por maioria de votos, o Recurso n9 42.648, interposto pelo sujeito passivo CARLOS ROBERTO SILVA BEL- TRÃO, no sentido de reconhecer que, nos casos de omissão de recei_ ta na pessoa jurídica que cause a tributação reflexa na pessoa fl._ _ sica do titular da firma individual, sob a Cédula "F" de sua De- claração de Rendimentos, o valor tributável na pessoa física será a diferença encontrada entre o lucro tido por distribuido e o im- }/ posto de renda suportado pela pessoa jurídica. O Acórdão sob exame está assim ementado: "CÉDULA "F" - RENDIMENTOS - LUCROS TRIBUTAÇÃO REFLEXA - A legislação fiscal de regência con- sidera distribuido ao (s) sócio (s) da p_f: soa m ---- jurídica ou ao titular da empresa individi) n o -, , i .---'í ,-/ DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 . SERVIÇO ~mERAL PROCESSO N9 0410/050.410/82-90 2. Acórdão n9-CSRF/01-0.615 lucro que lhe for imputado em processo regu- lar. Tratando-se, contudo, de quantia cuja distribuição à pessoa física seja apenas pre- sumida, o Montante a ser incluído na Cédula "F" será a diferença entre o lucro da pessoa jurídica e a parcela correpondente ao valor do imposto de renda exigido no processo ma- triz." É lida em Plenário a peça recursal, que se se_ que às fls. 723/126, na qual o Ilustre Procurador da Fazenda Na- cional apresenta como decisão ,2paradigma o Acórdão n9 CSRF/ /01-0.284, desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. O recurso Especial para esta Câmara foi admi- tido pelo Ilustre Presidente da E. 4 .. Câmara, por despacho de fls. 138/1 . 1, não tendo o sujeito passivo apresentado contra-ra- z6es.t4 /7- c-2 ,/— É o Relatório. ,/ .,„.., SERVIÇO PUBLICO PROCESSO N9 0410/050,410/82-90 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.615 V' O T O_ _ _ - Conselheiro RAUL PIMENTEL, relator. Verifica-se nos presente autos que, ao ser re conhecido no aresto recorrido a possibilidade de o sócio da pes soa jurídica que sofreu o lançamento ex officio ver-se tributado reflexivamente pela diferença encontrada entre a receita sonega- da pela empresa e o imposto por ela suportado, como sendo esse o lucro presumidamente distribuido a seus sócios, pretendeu a E. 4C- Câmara do 19 Conselho de Contribuintes estender aos casos de omissão de receita a jurisprudência firmada por esta Câmara Supe_ rior de Recursos Fiscais para os casos em que, exclusivamente,por inexistência ou desclassificação de escrita a pessoa jurídica te_ nha seu lucro arbitrado,na forma prevista no artigo 399 do RIR/ /80. A impossibilidade de ser aplicado o mesmo tra_ tamento tributário nas duas espécies de distribuição de lucro já foi exaustivamente examinada por esta Câmara, ao ensejo do julga mento do Recurso n9 RP/104-0.082, como faz certo o Acórdão CSRF/ /01-0.284, sob o magnífico Voto do Conselheiro. Dr. AMADOR OUTE- RELO FERNÁNDEZ, digno Presidente deste Colegiado, cujos fundamen_ tos adoto como razão de decidir, como se aqui transcrito fora, solicitando ã Secretaria a sua juntada aos presente autos. pecia4/ Por essas razões, dou provimento ao RecursoEs IX 7- )/ i 7 Brasília DF. - -- .-- - ---------- :_.------'11T_LI__:.___ ._ ------'"' -":--- RAUL-P-1-4ENTEL - ' ELATO\R-, ------------- .--- Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.002330/90-11
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Sessao de27 de seterrbro de 19 91 ACORDÃO N -WRF/03-01.859 9, Recurso n g: RP/303 — 1 . 003 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Recorrida : TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: SEMp TOSHIBA AMAZONAS S/A. 1 - Infração administrativa ao controle das importaçaes. II - Emissão da GI apOs chegada da mercado ria ao pals, mas antes do registro clã respectiva declaração de importação, momento do fato gerador do imposto (art. 23 do Decreto-lei n9 37/66). III- Caracterizado embarque da mercadoria no exterior antes de emitida a GI e não importação sem GIoudocumentoequi valente. Infração punida na forma do inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. IV - Negado provimento ao Recurso da Pro- curadora da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos . termos do relatOrio e voto que passam a integrar opresente julgado. ala das Se f iies (DF), em 27 de seteMbro de 1991. , MA r r á g 1 , - PRESIDENTE .,, ....V ''- , ,--v- 1. RA A COSTA - RELATOR IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NA CIONAL . DAMEFP/0E- SECOS N q 064/90 4.H. V _ V - , Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOSt ALVES DA FONSECA, UBALDO CAMPELO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e SE- BASTIÃO RODRIGUES CABRAL. &I IY4* ‘ ‘) • -, (zt- p vIço runLir O FrPEF1AL PROCESSO N2 10283/002330/90-11 RECURSO N 2 RP/ 303-1.003 ACÓRDÃO CSRF/ 03-01.859 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3 2 CÂMARA DO 3 2 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A RELATÓRIO A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com a de cisão proferida pelo Conselho de Contribuintes nos autos do processo em referencia, interpas o presente recurso especial para ver restabe lecida a aplicação da penalidade prevista no inciso II do art. 526, do RA, posto ter a recorrida, mesmo acolhendo a infração descrita nos autos, desclassificado tal sanção para a prevista no inciso VI do mesmo dispositivo legal. Afirma a recorrente que o acórdão recorrido contraria as disposições constantes do inciso II do já mencionado art. 526, uma vez que a empresa autuada importou insumos diversos antes de emitida a respectiva Guia de Importação. Lembra a peticionária que a autuada contestara a autua- ção alegando que a G.I., emitida pela CACEX, não é documento consti- tutivo de seu direito de importar, o qual é garantido pela aprovação de projeto pela SUFRAMA. Quanto a isso, defende a recorrente não ser a G.I. um do cumento meramente declaratório do direito de importar, caracterizan do-se num documento essencial ao despacho de importação e, no caso da Zona Franca de Manaus, sua essencialidade é verificada no art. 35 do DL n 2 1455/76, regulamentado pela Portaria Interministerial n2 192/76 que estipula em seu item I: "as importações efetuadas através da Zona Franca de Manaus ficam sujeitas à obtenção de Guia de Impor- tação, previamente ao embarque das mercadorias no exterior." Faz menção à IN-SRF n 2 89/83 que, normatizando o assun- to, interpreta que a emissão da Guia de Importação após o embarque das mercadorias não exclui os benefícios fiscais previstos no D.L. n 2 288/67 o que, porém, não prejudica a aplicação das penalidades previstas. A emissão da G.I. após o ingresso das mercadorias no dtpaís, prática esta normatizada pela Port. n 2 222/81, visa dar cober ) PROCESSO N9 10283/002.330/90-11 3-r iiço r-1,n t i r c) rt-1,1-rml_ tura à formalização do despacho aduaneiro, mas nem por isso tem o condão de elidir a infração já configurada. Sendo assim, à semelhança do que decidiram os acórdãos 303-25.264 e 303-25.182, não há como eximir a empresa do pagamento da multa exigida no auto de infração, uma vez que importou mercado- rias ingressadas no país anteriormente à emissão da G.I. 0 contribuinte, paralelamente à apresentação de suas contra-alegaçOes, dirigiu a esta Câmara Superior, recurso especial, o qual não foi objeto do despacho do Presidente da Câmara recorrida, previsto no art. 5 2 da Portaria n 2 434/79. Contraditando as razões da recorrente, expOe o sujeito passivo que, se realmente a infração tivesse sido cometida, consis tina esta na emissão tardia da G.I., à qual corresponde a penalida- de descrita no inciso VI do art. 526, e não na importação sem guia a que se reporta o inciso II desse mesmo artigo. Assim, prossegue, o entendimento não pode ser outro se- não o de que o processo administrativo de importação já estava con- cluído, restando apenas a emissão da guia para bem formalizar o ato, praticado em razão de proj to aprovado pela SUFRAMA É o relatório. 4.\ ) Proc. n g 10283-002330/90-11sFnvie rúnuico rnt,EnAL Ac. CSRF/05-01-859 VOTO 4. A mercadoria Foi embarcada, no exterior e descarre- gada em territário nacional, antes que tivesse sido emitida a cor- :esponeente guia de importação. A autoridade julgadora local, am primeira instância, entendeu que com a entrada da mercadoria se co .... racterizara uma importaçao sem GI ou documento equivalente, razao pela qual exigiu da empresa o pagamento da multa de que trata o inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. . O Recurso Especial ,interposto contra a decisão não . .., — unanime da douta 3a. Cara do 3 g Conselho de Contribuintes í mani - . . Festa o mesmo entendimento da digna autoridade administrativa local. . Peço vênia para discordar da douta Procuradora da Fazenda Nacional. Com efeito, o simples fato de haver descarregado a mercadoria não configura ainda em sua plenitude o conceito de im portação para os efeitos da legislação específica. Deve-se salientar, como consta dos autos, que a im- portadora não se descuidara da obtenção do documento mas estavam em curso suas gestães junto às autoridades governamentais competen tes (SUFRAMA e CACEX), com razoável antecedência, de modo que Fi- cara ela a depender de autorizaçães cujo desfecho dependia tão sc5 . .... de decis ooes unilaterais desses rgaos sem que ela pudesse exercer - . qualquer interferência. Ademais, nesse ínterim, a transaçao comer- . cial com o exportador estrangeiro estava em curso e foi concluída, sendo a mercadoria sob encomenda afinal posta para embarque nos por tos estrangeiros, submissa às des p esas normais de armazenagem e capatazia, etc. A demora na expediçao do documento admita-se como normal, não vindo a justificar para a importadora tenha determina . do o embarque no exterior, por sua conta e risco, ciente de que co metia uma infraçao, já que no obtivera ainda a CI. O que acima se relata, como está nos autos, serve . para demonstrar que "importaçao" no se resume no mero ato de fazer ingressar a mercadoria no territário nacional, mas percorre toda uma tramitação, fase por fase, sob pena de se tornar um descaminho. Acrescente-se ainda que essa tramitação, alem do pedido de licencia , ento, prossegue com outros procedimentos da iniciativa do impor-kr] IS )- a Proc. n 2 10283-002330/90-11 - Ac. CSRF/03-01.859 t, H,;(:) rim, ,r7DEn,..t, _ 5. tador, junto as autoridades portuárias no porto de descarga e peran te a administração aduaneira. Nesses procedimentos, o contribuinte vai manifestar a sua intenç go e seu interesse de dar continuidade 'á sua importaç go atá obter o desembaraço aduaneiro, condiç go para afi nal receber sua carga. Não á demais lembrar ainda que o contribuinte tem que cumprir prazos para promover o despacho das mercadorias ou dar- -lhe continuidade, sob risco de vir a cometer a infraç go de aban - dono cuja pena será a declaraçgo especifica a que se segue o proces so para aplicação da pena de perdimento, em favor da Fazenda Nacio- nal, No caso desta importação, está comprovado que, final , mente, a CACEX expediu a GI (ou GIs) em data anterior "a do registro da declaração de importaçao, momento esse que se deve ter como adue . le em que, formalmente, ocorreu o fato gerador do imposto de impor- 1 taç go (art. 23 do Decreto-lei nQ 37/66). Como bem admite a Fazenda Nacional, no seu Recurso, a GI atende 'a formalizaçao do despacho a- , duaneiro, o que induz a convicçao da que, na espécie, completado o despacha aduaneiro com a existência da GI, a ínfraçgo que restou a . descoberto foi a do embarque antes da emiss go da GI ou documento e- quivalente, conforme previsto no inciso VI do art. 526 do RA. A penalidade do inciso II do mesmo art. 526 está re- servada "à infraçgo descrita como: "importar mercadoria do exterior sem guia de im portaçao ou documento equivalente...." A previsgo á para os casos em que não tenha sido emi tida. a GI atá o momento do registro da DI. O caso mais comum á o da divergência de mercadoria, isto á, entre a licenciada na GI e aquela que se verifique em conferência física, divergência usualmen te atestada através de laudos laboratoriais. No caso em foco, existe (m) a(s) guia (s) de impor- tação, emitida (s) especificamente para a(s) mercadoria(s) constan- te (s) do despacho de importaçgo. Por entender que a decis go da 3a. Câmara do 3Q Canse lho da Contribuintes foi exarada cm os melhores fundamentos de di reito, voto para negar provimento ao Recurso Especial. -,.,, ,, Sala das SesWies ...:am 27 de setembro de 199 i - If.--) ., ........: 'al' OU N ' Itamar VieUa da Costa - Relator IN. 4 1 - - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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ACORDÃO N.° -05RF.43=C1.443 Recurso n.° - RP/302-0.332 Recorrente - FAZENDA NACIONAL Recorrida: - SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FERTIMPORT TRANSPORTADORA E COMISSÁRIA DE DESPACHOS • LTDA. • FALTA DE MERCADORIA importada a gra- nel, por via marítima. Conferência fi nal de manifesto. , Responsabilidade fiscal do transportador. As faltas não superiores a 5% (cinco por cento) do total manifestado excluem a respon sabilidade do transportador quanto "à-- multa prevista no art. 106, II, d, do Decreto-lei n9 37/66, mas não quanto ao Imposto de Importação. Aplicação da Instrução Normativa do S.R.F. n9 • 12/76. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. - ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimentó provimento ao recurso es pecial, bem como determinar a remessa dos autos ã Câmara de origem, a fim de que seja apreciado o mérito, por inteiro, nos termos do relat6 rio e voto que passam a integrar o presênte julgado. Vencidos os Conse lheiros Afonso Celso de Mattos Lourenço e Paulo César de Ávila e Sil va. • Sala das Sessões (DF), em 26 de junho de 1987. / / URGEL P REI" , /OPES - PRESIDENTE f I WALDO REI SILVA - RELATOR v. v. ', LUIZ ANDO 0, 1 IRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: HÉLIO LOYOLLA DE ALENCASTRO, HAMILTON DE SÃ DANTAS, JOSÉ FAÇANHA MAME- DE e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. i , I 1 , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Nq 10845/002.889 f86-71 RECURSO N9: RP/302-0.332 ACÓRDÃO N9: -CSRF/03-01.443 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL TRECORRIDA: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FERTIMPORT TRANSPORTADORA E COMISSARIA DE DESPACHOS LTDA. RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador junto à 2a. Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, pleiteia a reforma do Acórdão n9 302-30.782/86 (f is. 64/69), pelo qual a referida Cama ra, apreciando caso de falta de mercadoria importada a granel, por via marítima, apurada em conferência final de manifesto, deu provi- mento, por maioria de votos, ao recurso interposto pela empresa 5 transportadora, ora recorrida, conforme resumido na respectiva emen ta, verbis: "FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA (granel sólido). Conferência final de manifesto. Diferença para me- nos, entre o manifestado e o descarregado, inferior a 56, considera-se inevitável, nos termos da I.N. do S.R.F. n9 12/76". Do respectivo voto condutor, da lavra do Conselhei- ro Luiz Carlos Viana de Vasconcelos, constam as razões de decidir da douta Câmara a quo, nos seguintes termos: "O presente processo trata da importação de sul fato de amónia a granel, onde, em uma partida de 22.000.000 quilos, houvea falta de 289.335 qui- los.( it? /14 tft DM F - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10845/002.889/86-71 2. ACÓRDÃO N9-CSRF/03-01.443 A Secretaria da Receita Federal, reconhecendo a inevitabilidade da ocorrência de peso a menor no transporte marítimo de granéis, houve por bem baixar a Instrução Normativa n9 12/76, onde declara exclui da a responsabilidade do transportador, para efeito de aplicação da multa no art. 106, inciso II, alínea "d", do Decreto-lei n9 37/66, por extravio ou falta de mercadoria, quando a diferença para menor é infe- rior a 5% do total manifestado. A expedição da Instrução Normativa n9 12/76, se por um lado definiu critérios para cobrança da multa prevista no dispositivo supra-citado, por outro ense jou, nos seus considerandos, a criação de excluden= tes da responsabilidade definida no art. 60, parágra fo único, do Decreto-lei n9 37/66. No presente caso, a falta apurada foi de 1,32% do total manifestado. Verifica-se que está abaixo do limite de tolerância estabelecido pela IN n9 12/76 , para fins de exclusão de penalidade por faltas. Por conseguinte, considerando os fatores deter- minantes da diminuiçao das mercadorias importadas a granel, transportadas por via marítima, entendo ser aplicável, no caso, a Instrução Normativa já referi- da. Isto posto, dou provimento ao recurso, prejudi- cados os demais argumentos". O recurso especial (fl. 70), lido na integra em ses- são (lê), fundamenta-se nos argumentos a seguir resumidos: a) a Instrução Normativa do S.R.F. n9 12/76 exclui a responsabilidade do transportador apenas pelo pagamento da multa, em caso de falta de mercadoria até 5% da quantidade manifestada; b) só mediante a comprovação da ocorrência de caso fortuito ou força maior poderá ser dispensado o tributo (I.I.) além da tolerância fixada pela I.N. do S.R.F. n9 95/84; c) como não foi apresentada nenhuma prova nesse sen- tido, deverá ser cobrado o aludido tributo. .1( (-7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10845/002.889/86-71 3. Acórdão n9-CSRF/03-01.443 Contra-razOes tempestivas do sujeito passivo às fls. 76/77, igualmente lidas na integra em sessão (lê), pedindo a confir- mação do r. aresto recorrido, à base das seguintes alegaçOes: "Na invocada IN/SRF n9 12/76, está expressamen- te reconhecido e declarado que são inevitáveis as quebras no transporte marítimo de carga a granel,bem como ali -Lambem estão apontadas as variadas causas que provocam o evento e que não podem ser imputadas à responsabilidade do transportador. Se se reconhece que, por isso, o transportador não pode ser penalizado com a imposição de multa, é paradoxal e mesmo surpreendente que se pretenda res ponsabilizá-lo pelo imposto que eventualmente não te- nha sido recolhido pelo consignatário da carga." - 2 o relatório.94( "--)) 4-2 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10845/002.889/86-71 4. ACÓRDÃO N9-CSRF/03-01.443 VOTO Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, Relator: Tomo conhecimento do recurso especial, que é tempes tivo e encontra fulcro,no art. 39, inc. I, do Decreto n9 83.304/79. A questionada Instrução Normativa do S.R.F. n9 12/ /76 teve em mira, como expresso em seu texto, fixar um limite de to- lerância na diminuição de peso ou quantidade verificada no transpor te marítimo de granis, mas unicamente para efeito de aplicação da penalidade especifica prevista em lei (art. 106, II, d, do Decreto -lei n9 37/66). Assim, dispae a referida norma, após enumeração dos vários fatores que podem ocasionar tais diferenças para menos: "As diminuiçOes verificadas no confronto entre o peso manifestado e o peso apurado após a descarga, nos casos de mercadorias importadas do exterior, a granel, por via marítima, não superiora3a5% (cinco por cento), excluem a responsabilidade do transpor- tador para efeito de aplicação do disposto no art. 106, inciso II, alínea d, do Decreto-lei n9 37, de 18 de novembro de 1966.v Portanto, a I.N. em tela permite apenas a exclusão da penalidade, caso a diferença para menos esteja contida dentro do limite de tolerância (5%) da quantidade total manifestada, não haven_ do qualquer disposição expressa de lei ou norma complementar em que possa fundamentar-se a decisão recorrida para extensão da tolerância ao tributo respectivo. Nesse sentido também é o entendimento adotado na es_) fera judiciária, como se vê do acórdão unânime da 4a. Turma do E. Tribunal Federal de Recursos,pr atado na Apelação Cível n9 . m( 417 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10845/002.889/86-71 5. ACÓRDÃO N9-CSRF/03-01.443 107.136-RJ (D.J. de 23/04/87, pg. 7055, Sç. I), em cuja ementa se lê o seguinte: "Nos casos de mercadorias importadas do exte ror, a granel, por via marrtima, as faltas não su- periores a 5% (cinco por cento) excluem a responsa- bilidade do transportador quanto a multa, mas não com relação ao Imposto de Importação. Decreto-,lei n9 37/66, art. 19, parágrafo único: 60, II, paragra fo único; e 41, III. Aplicação." Isto posto, dou provimento ao recurso especial, de- vendo, em conseqüência, o processo retornar a c. Câmara a quo, para julgamento das demais questOes de mérito suscitadas no recurso volun trio. Brasília (DF)., em 26 de junho de 1987. g • I ED,-LDO REIS DA SI Á - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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ACRÊSCIMO DE VOLUMES AO MANIFESTO: lega , lidade da aplicação da multa fixa pre vista no art. 107, inciso VI, do Decre to-lei n9 37/66 (na nova redação do art--, -, 59 do Decreto-lei n9 751/69), em seu va lor atualizado anualmente pela autorid -a- de competente, por força de previsão le- gal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: , ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provime ao Recurso Especial. Vencido o Conselheiro Luiz Carlos ,ogueir ,_ Sala das Se f : Ors/bF), emç2 . de agosto de 1981. °1if4104 -_, AMADOR O 1I1 ' 4,A(NDEZ PRESIDENTE1, 111D0 RE ' S k(41!A : .7 'W • . ' ktifOitC .. ' RELATOR 40.' ADHEMILS• BASTOS DE C A:HO PROCURADOR DA FA- ,, ' / ., / - ZENDA NACIONAL ,, Participaram, ainda, do presente julga ir c), os seguintes Conselhei ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, FRANCISf0 MARTINS LEITE CAVALCANTE, PAULO DE ALMEIDA, RANDOLFO HENRIQUE DE SeUZA NETO e SEBASTIÃO RODRI GUES CABRAL. \ , : , .k ..,:\•.:., ••Q¡:;,',„..-,;Y , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/059.095/80 RECURSO rq .°, RP/303-0.372 ACÓRDÃO N.°: CSRF/03-0.544 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RELATÓRIO . O recurso da Fazenda Nacional visa á reforma do Acórdão n9 20.121, de 24.03.81, da 3a. Câmara do Egrégio 39 Con selha de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimen to ao apelo do sujeito passivo, para o fim de mandar reduzir a multa fixa prevista no art. 107, inciso VI, do Decreto-lei n9 37/66 (na redação dada pelo art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), por volume acrescido ao manifesto, ao valor vigorante ã 'época da importação. Os fundamentos do acórdão recorrido vem assim re sumidos na respectiva ementa, "verbis": "Acréscimo de mercadoria. Estabelecimento de con- troles pela administração aduaneira, pelos quais toma conhecimento dos fatos. Recurso provido. , Arrima-se o douto procurador recorrente, em seu arrazoado de fls. 27/29, que leio na integra em plenário, espe cialmente nas disposiçOes dos arts. 105 do Código Tributário Na_ cional e 110 do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66, segundo os quais todos os valores expressos em cruzeiros na legislação tributária são atualizados anualmente de acordo com os índices próprios de 04, - D M F - RJ/1 .877) .° C - C - Secgraf - 1600/7 ‘ 2. , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/059.095/80 AcOrdão n9-CSRF/03-0.544 , correção monetária estabelecidos pelo õrgão competente. _ Não houve apresentação de contra-razOes pelo su jeito passivo 6P ('-/ R o relatOrio.n_j .,PY / , . , , / . , , 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/059.095/80 AcOrdão n9-CSRF/03-0.544 VOTO Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, Relator: Cinge-se o litígio, exclusivamente, à cominação da multa prevista no art. 107, inciso VI, do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66 (na redação dada pelo art. 59 do Decreto-lei n9 751/ 69), no caso de acréscimo de volumes ao manifesto do navio. Em numerosas e reiteradas decisões, esta Câmara Superior já firmou o entendimento de que aludida penalidade é de ser aplicada em seu valor atualizado monetariamente, nos preci sos termos do disposto no art. 99 da Lei n9 4.357/64, combinado com o art. 110 do Decreto-lei n9 37/66. No presente caso, entendo bem e legalmente apli cada dita penalidade, através do lançamento efetuado pelo auto de infração e notificação fiscal de fl. 1-v, eis que, na oca sião, seu valor já se achava atualizado monetariamente por ato administrativo que, de acordo com autorização legal, estabeleceu os novos valores desse tino de multa (fixada em cruzeiros), des tinados a vigorar durante o exercício de 1980. Isto posto, dou provimento ao recurso especial Brasília - DF., em 21 de agosto de 1981. / / / 7 WALDO REIS DA 5 RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.915562/2006-49
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN).
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO DECLARADO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.769
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência do direito do fisco revisar a formação e aproveitamento dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ; vencido o Conselheiro Carlos Pelá (relator) que entende que esse prazo é de 5 anos contados da entrega da DIPJ. No mérito, por unanimidade de votos, reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 43.738,27 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Albertina Silva dos Santos Lima - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO DECLARADO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida 7ª Turma da DRJ/SPOI ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO DECLARADO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 55 62 /2 00 6- 49 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência do direito do fisco revisar a formação e aproveitamento dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ; vencido o Conselheiro Carlos Pelá (relator) que entende que esse prazo é de 5 anos contados da entrega da DIPJ. No mérito, por unanimidade de votos, reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 43.738,27 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Trata o presente processo de declarações de compensação formalizadas sob os n°s 35748.19042.140803.1.3.030051, 31591.74205.150803.1.3.030087, 38818.16378.030903.1.3.031853; 10212.17005.100903.1.3.030548; 29735.68230.170903.1.3.03 8179; 21862.71671.240903.1.3.030090; 13314.44270.011003.1.3.033190 e 121.90195.081003.1.3.032025, para compensação de débitos próprios de IRRF e CSLL apurados nos meses de maio e junho do ano calendário 2003, com créditos de Saldo Negativo da CSLL relativo ao ano calendário 2002 (Exercício 2003), correspondente a R$ 312.758,86. Conforme despacho decisório de fls. 34/43, a DERAT/SP reconheceu apenas parte do direito creditório do contribuinte (R$ 269.020,59), deixando de validar as compensações realizadas no valor de R$ 43.738,27, haja vista a retificação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001. A retificação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 levada à cabo pela DERAT no momento da análise do presente pedido de restituição/compensação, deu se em razão do não reconhecimento das compensações de débitos de estimativa da CSLL do anocalendário 2001, com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000. Transcrevase trecho do despacho: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 4 3 As estimativas de CSLL declaradas em DCTF (fls. 16/22) como compensadas sem processo utilizaram crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000. Porém, tendo sido verificada a ocorrência de cisão parcial da empresa em 31/01/2001 (fls. 09), não será admitida a utilização de eventuais créditos apurados até a data da cisão, uma vez que não houve meios para determinar o aproveitamento de tais créditos pelo sucessor da parte cindida. Portanto, as compensações sem processo não serão validadas e consideradas na apuração da CSLL do exercício de em análise. (fls. 38.) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos de fls. 116/141, alegando, em síntese, que: 1) São espúrias as retificações do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001 perpetrada pela DERAT/SP, no curso da análise da matéria, em razão do não reconhecimento das compensações dos débitos de estimativa apurados no período, com saldo negativo da CSLL do ano calendário 2000; 2) O procedimento adotado pela autoridade fiscal padece de total nulidade, tendo em vista valores apurados nos anoscalendário 2000 e 2001 já se encontram homologados; 3) A retificação extemporânea do saldo negativo dos anoscalendário 2000 e 2001, viola ao princípio da ampla defesa e afronta aos arts. 90 e 12 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual a revisão adotada pela DERAT/SP não pode mitigar a restituição do saldo negativo apurado no anocalendário 2002. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes; 4) Ainda que fosse possível a retificação do saldo negativo da CSLL dos anoscalendário em questão, questiona as conclusões emanadas pela DERAT/SP segundo as quais não reconheceu compensações de débitos de estimativas da CSLL do referido período, com saldo negativo da CSLL do ano 2000, em face de impossibilidade de se certificar a utilização de valor proveniente de sociedade cindida; 5) Anexa cópia da Ata de Reunião de Diretoria que aprovou o Protocolo e Justificativa de cisão parcial, bem como Laudo de Avaliação do acervo líquido, a fim de atestar que os créditos relativos ao saldo negativo do anocalendário 2000, mesmo após a cisão, permaneceram sob o controle e propriedade da própria empresa cindida; 6) Esclarece que a cisão parcial em comento limitouse apenas a transferência da Pirelli Cabos S/A de ações adquiridas pela interessada, em razão da operação de, aquisição realizada na ocasião da abertura de capital da referida sociedade, não havendo a transferência de qualquer outro tipo de ativo, motivo pelo qual resta claro o equivoco das conclusões integrantes do despacho decisório; A DRJ/SPO manteve o despacho decisório de fls. 34/43, por entender que a contribuinte não comprovou o crédito informado na DIPJ/2002 (anocalendário 2001). Nessa ocasião restou consignado que (i) a autoridade administrativa está compelida a retroagir sua análise acerca da certeza e liquidez dos créditos invocados a fatos que tenham ocorrido em períodos de apuração anteriores, ainda que supostamente atingidos Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 5 4 pela decadência do direito de constituir crédito tributário; (ii) o exame da regularidade da composição da base de cálculo serve de fundamento à determinação do saldo negativo do imposto (certeza e liquidez do crédito), não podendo implicar em lançamento de diferenças de tributo porventura apurado, se já ultrapassado o termo final da contagem do prazo decadencial. Nesse contexto, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 167/229) repisando as alegações de sua peça impugnatória e anexando os seguintes documentos para comprovar seu direito creditório: 1) Razão contábil da empresa, demonstrando a manutenção pela recorrente do crédito relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000 após a cisão ocorrida em 2001; 2) Balancetes do período anterior e posterior a cisão da empresa, comprovando a manutenção do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000; 3) DCTF comprobatória do pagamento das estimativas de CSLL do ano 2000, informadas na DIPJ/2001, a fim de demonstrar a composição do referido crédito; 4) Comprovantes de arrecadação; 5) DIPJ 2001 e 2002: Ficha resumo relativa ao cálculo da CSLL nos anos calendários 2000 e 2001, demonstrando a existência de saldo negativo de CSLL nos períodos. É o Relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Da preliminar A discussão preliminar dos autos é conhecida e se resume em saber se, no âmbito das compensações de bases negativas de IRPJ e CSLL, o fisco pode efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos passados (atingidos pela decadência), mas que repercutem nos créditos pleiteados pelos contribuintes em períodos futuros (ainda não decaídos). Sobre o tema já me manifestei algumas vezes nesta Colenda Câmara, apresentando entendimento que vem sendo corroborado pelos meus ilustres pares. O primeiro ponto a ser considerado é o de que, a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo fiscal ou saldo negativo é apurado. Devese considerar ainda, que a redução no futuro do saldo de prejuízo fiscal ou saldo negativo de CSLL referente a períodos passados e alcançados pela decadência não pode ser admitida, já que se equipara a lançar valores naquele período. A esse respeito, converge a jurisprudência deste Conselho. Vejamos algumas decisões: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) No que diz respeito à glosa do prejuízo fiscal, sustentou a recorrente que o prejuízo foi efetivamente apurado a maior em decorrência de erro no cálculo do seu valor em 1997, em função de ter sido a ele adicionado também o montante do prejuízo não operacional, adição essa que a recorrente reconhece ser vedada pelo disposto no artigo 511 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 7 6 Ocorre que essa adição não poderia ser questionada pela fiscalização em função do decurso do prazo decadencial. Com efeito, o valor do prejuízo fiscal, compensado a maior nos anos calendário de 2001 e 2002, foi apurado no ano calendário de 1997. Como o auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2005, já teria ocorrido a decadência do direito de o fisco revisar os valores em questão. (...)Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CITY; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram.(Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 8 7 decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada.(Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). IRPF ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição de participação societária alienada, constante da declaração anual de ajuste do exercício de 1992, tempestivamente apresentada, não é passível de contestação, presente a decadência, prevalecendo, se maior, sobre outro que venha a ser apurado pelo fisco. Na íntegra: (...)Tratase de lançamento de ofício do imposto de renda de pessoa física fundado em ganho de capital em alienação de participações societárias ocorridas em 1995, cua tributação foi diferida para as datas dos efetivos recebimentos dos valores, fls. 03. (...)No que respeita a custo de aquisição, presente a decadência, a fiscalização não poderia questionar valores de mercado constantes da DIRPF/92, como ressaltado pela autoridade recorrida. (Acórdão 10418.701, Relator Roberto William Gonçalves, DOU em 03/09/2002). CSLL BASE NEGATIVA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Na íntegra: (...) No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99; portanto, em princípio, o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/1994. Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541/92. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 9 8 A redução indevida, ou falta de adição ao lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo do lançamento de ofício. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.(Acórdão 108 06.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. Na íntegra: (...)Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no Fl. 246DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 10 9 que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (...) Essas premissas, como não poderia ser diferente, devem nortear o exame da compensação do prejuízo fiscal. Todavia, neste particular, é preciso terse presente que reduzir o valor do prejuízo apurado, mediante a impugnação de valores apropriados ao resultado do período de sua formação, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele exercício. Com efeito, a redução do prejuízo fiscal de um período, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não de um dispêndio lá apropriado, ou sobre a falta de tributação de uma receita ou ganho havido no período da sua formação, inserese, portanto, no campo do lançamento de ofício. (...) Submisso às premissas colocadas e para reforçar a coerência necessária, diferente seria o tratamento quando o fisco recalcular lucro inflacionário em períodos já atingidos pela decadência, constatando, em função da ação fiscal, que o contribuinte teria realizado valores menores que o mínimo exigido nesses períodos. Ocorrendo essa hipótese entendemos que deve o fisco considerar como se realizado fosse o mínimo exigido para esse período, evitandose assim a transferência da tributação suplementar não mais possível para períodos posteriores ainda não atingidos pela decadência. Ainda nesse ponto, mas agora analisando os reflexos na recomposição do lucro real dos períodos afetados pelo recalculo do lucro inflacionário passível de diferimento, tendo em vista as premissas já referidas, não podem ser aceitas as glosas efetuadas pela fiscalização no valor excluído do lucro real, a título de lucro inflacionário diferido, nos anos de 1991 e 1º semestre de 1992. Reduzir aquelas exclusões implicam na redução dos prejuízos fiscais apurados pela empresa naqueles períodos (=lançar, como visto), o que não é mais possível face ao decurso do prazo decadencial. (Acórdão nº : 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 11 10 lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido.(Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Que fique claro que, em virtude da íntima relação de interdependência entre períodos de apuração, eventual glosa realizada pelo fisco não poderá refletir na composição das bases em anoscalendários anteriores já atingidos pela decadência. Com todo respeito às opiniões divergentes, é incabível dizer que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com compensação do saldo negativo ou do prejuízo fiscal e não com a sua apuração. Isso porque, tratamse de efeitos futuros continuados de ato pretérito. Não pode o Fisco alterar informações e valores da contabilidade já alcançados pela homologação tácita. A esse propósito, é necessário fazer constar que, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao enfrentar a problemática da contagem do prazo decadencial de base negativa de CSLL (Acórdão 40105.873), muito embora tenha decidido que entre a formação da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do direito de constituir o crédito tributário, deixou consignado que assim seria, pois a fiscalização, na ocasião, não efetuou qualquer juízo de valor no tocante à formação do saldo de base de cálculo negativa, restringindose a refazer o histórico dos valores declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração do saldo a compensar nos anos seguintes. Reforçase com isso o entendimento que adoto para decidir que não é possível retroagir no tempo para, após cinco anos, alterar os lançamentos contábeis do sujeito passivo. É exatamente o caso dos autos. A retificação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 levada à cabo pela DERAT no momento da análise do presente pedido de restituição/compensação (despacho decisório datado de 07.08.2008), deuse em razão do não reconhecimento das compensações de débitos de estimativa da CSLL do anocalendário 2001, com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000. Assim, a fiscalização deixou de homologar o crédito pleiteado pela recorrente (Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2002), uma vez que não conseguiu validar as compensações dos débitos de CSLL paga por estimativa nos meses de março a setembro de 2001 com créditos do saldo de prejuízo fiscal próprio e de empresa incorporada, do ano calendário de 2000, já alcançados pela decadência. Uma vez que tais créditos não podem ser questionados face à homologação tácita e decadência, há de ser confirmada a totalidade do crédito pleiteado pela recorrente, com a consequente homologação das compensações efetuadas. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 12 11 Do mérito Passo a analisar o mérito, considerando a hipótese de a maioria dos presentes superar a preliminar argüida pela Recorrente. Em suma, as estimativas de CSLL declaradas em DCTF (fls. 16/22) como compensadas sem processo utilizaram crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000. Porém, tendo sido verificada a ocorrência de cisão parcial da empresa em 31/01/2001 (fl. 09), foi admitida a utilização de créditos apurados até a data da cisão, uma vez que não houve meios para determinar o aproveitamento de tais créditos pelo sucessor da parte cindida. Portanto, as compensações sem processo não foram validadas e consideradas na apuração da CSLL do exercício em análise. No que tocam às alegações de que o saldo negativo não integraria os valores oriundos da empresa cindida, vale repisar os argumentos da decisão de primeira instância: (...) vale frisar que o contribuinte não apresentou na manifestação de inconformidade, meios de prova bastantes que objetivassem comprovar nitidamente a asserção em comento e sustentar a reforma da decisão administrativa, bem como a restauração da glosa para fins de composição do saldo negativo apurado no período em discussão. Nesse panorama, cabe ressaltar que a falta ou insuficiência de meios probatórios inviabilizam a intenção do contribuinte em revelar a composição do pretenso direito correlato ao período de apuração noticiado na defesa e conexos ás alegações asseveradas em suas contrarazões, hipótese esta que também prejudica a formação de convicção acerca da certeza e liquidez do crédito reclamado na manifestação de inconformidade. Assim, compete acentuar que para denotar a liquidez e certeza do crédito impõese deixar patente que o pretenso direito encontrase devidamente apoiado em demonstração comparativa e detalhada dos registros dos fatos contábeis vinculados à apuração dos saldos negativos interdependentes, cotejadas com os dados consignados na Declaração de Informação Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica. Além disso, confere igualmente imprescindível que o interessado comprove mediante escrituração dos fatos contábeis e apresentação das respectivas Demonstrações Financeiras previstas pela legislação comercial e fiscal, as quais indiquem expressamente que tais créditos não foram utilizados em compensações em períodos de apuração distintos do mesmo tributo, demonstrem a constituição do ATIVO (direito patrimonial) oriundo do saldo negativo da contribuição e o correspondente aproveitamento contábil das respectivas antecipações para fins de dedução do CSLL devida nos anos calendário que integram o litígio. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 13 12 Em resumo, compete ao contribuinte trazer aos autos os materiais probatórios previstos na legislação tributária, acompanhados pelas respectivas Demonstrações Financeiras, Livros Fiscais (Livro Razão) e Livros Comerciais (Livro Diário), devidamente escriturados e registrados à época dos eventos circunstanciados, para fins de denotar a legitimidade das apurações relativas à contribuição, o controle das antecipações mensais e as oportunas compensações nas contas patrimoniais correspondentes. Nesse sentido, é cediço que o apoio de defesa pautado em meras alegações, não tem a força de Verdade Material em sede dos ritos e formalidades disciplinados para o Processo Administrativo Fiscal, os quais demandam o amparo mediante apresentação de material probatório hábil e idôneo em conformidade com a legislação tributária. ... Em suma, cabe ao sujeito passivo comprovar o que atesta, sob pena de preclusão do direito de interpor em outro momento processual. Destarte, configurase a inexistência de prova inequívoca que implique descaracterizar os efeitos do despacho decisório, circunstância que prejudica a formação de convicção acerca da certeza e liquidez da parcela do crédito glosado pela autoridade administrativa. Assim, como se vê, o direito creditório pleiteado foi rejeitado em razão da inexistência de comprovação das alegações da Recorrente e da preclusão do seu direito em fazer prova em momento posterior ao da apresentação da sua peça impugnatória. Não é assim que penso. Em prestígio ao princípio da verdade material, ao contribuinte é facultado apresentar provas no processo administrativo em qualquer momento antes da decisão final. Nesta linha, a Recorrente apresenta os seguintes documentos para comprovar seu direito creditório: 1) Razão contábil da empresa, demonstrando a manutenção pela recorrente do crédito relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000 após a cisão ocorrida em 2001; 2) Balancetes do período anterior e posterior a cisão da empresa, comprovando a manutenção do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000; 3) DCTF comprobatória do pagamento das estimativas de CSLL do ano 2000, informadas na DIPJ/2001, a fim de demonstrar a composição do referido crédito; 4) Comprovantes de arrecadação; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 14 13 5) DIPJ 2001 e 2002: Ficha resumo relativa ao cálculo da CSLL nos anos calendários 2000 e 2001, demonstrando a existência de saldo negativo de CSLL nos períodos. Os documentos juntados são hábeis a comprovar o direito creditório alegado e devem ser aceitos como prova em função do princípio da verdade material. Posto isso, voto preliminarmente, por dar provimento ao recurso voluntário tendo em vista a impossibilidade de o Fisco efetuar ajustes em períodos já alcançados pela decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 43.738,27 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 251DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Designado para redigir o voto vencedor quanto a preliminar de decadência (preclusão), passo a discorrer sobre os fundamentos que acarretaram sua rejeição. DECADÊNCIA (PRECLUSÃO) DA POSSIBILIDADE DE AUDITORIA DOS ELEMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA O ilustre relator entende que o fisco não mais poderia verificar a regularidade dos atos que originaram o direito creditorio, haja vista o transcurso do prazo decadencial de cinco anos.. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, em 2006 o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no anocalendário 2000, ou seja, constituir exigências tributária. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN conforme acima grifado. O “prazo de preclusão” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. Logo, para se falar em preclusão, a lei deveria atribuir à Administração Pública o dever de glosar o ágio amortizável registrado a partir da data dos registros contábeis. Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. Não há, em lei, previsão para a glosa de ágio registrado na contabilidade em decorrência de subscrição de ações ou de incorporação nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97. Frisese: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 16 15 O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frisese, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador.. Recentemente, o professor Marco Aurélio Greco manifestou o entendimento de que “não existe direito adquirido da empresa de usar o ágio mesmo depois de passados cinco anos do fato gerador.” A afirmação foi feita na V Jornada de Debates sobre Questões Polêmicas de Direito Tributário, promovida pela FISCOSoft em junho de 2011. Para o Dr. Greco, a tese bate de frente com entendimento do Supremo Tribunal Federal. "Não se tem direito adquirido ao prejuízo, conforme disse o Supremo ao julgar a trava de 30% para redução do lucro tributável", diz. Em 2009, o STF entendeu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um benefício fiscal e que, por isso, não havia nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assevera ele que, enquanto o ágio não é amortizado totalmente, não existe fato consumado, apenas expectativa de direito. "A empresa espera que futuramente estará sujeita ao IR e ao regime de apuração do lucro real. Mas não existe direito adquirido a regime jurídico. Ela vai se submeter àquele a que se enquadrar na data da ocorrência do fato gerador." Por isso, em relação aos autos de infração lavrados depois de passados cinco anos da informação do ágio ao fisco, Greco afirma que a prática é legal. "O auto não existe sozinho, mas decorre da contabilização irregular", defendeu. "Embora a segunda conduta aconteça cinco anos depois, é causal, não bastante em si." Segundo ele, não há prazo para o fisco reconhecer a irregularidade, mas somente para impedir o aproveitamento. "As amortizações feitas no passado ficam consolidadas. Apenas as posteriores podem ser desconsideradas." Tais considerações primam pela coerência e vem ao encontra da tese defendida neste voto. Vejamos, na prática, algumas situações abusivas que podem decorrer do entendimento defendido pelo nobre recorrente (contribuintes optantes pelo lucro real anual): i) No ano de 1998, determinado contribuinte adquire um bem não depreciável, composto por várias partes e peças, pelo valor total de $100, mas contabiliza no ativo por $200; nos anos seguintes permanece pelo mesmo valor em seus livros contábeis e Fl. 253DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 17 16 balanços. No ano 2007, vende esse bem por $180 e não apura ganho de capital. Sofre auditoria em 2010 e o Fisco solicita a comprovação do custo contabilizado, ele não apresenta notas fiscais de aquisição sequer das peças efetivamente compradas, alegando que o ano de 2001 já estava decaído, logo, ocorreu a preclusão do Fisco de verificar tais custos. É isso mesmo? O tempo pode homologar o que nunca existiu, e permitir que produza efeitos futuros, impedindo a constituição do crédito tributário devido ? Estou certo de que a resposta é não. ii) No ano de 1999 o contribuinte realiza a construção de uma planta industrial com vida útil de 20 anos e contabiliza regularmente os custos. No ano de 2001 inicia a depreciação a 5% ao ano. É Fiscalizado em 2008 e apresenta apenas parte dos custos da construção realizada. Então? o Fisco não poderia glosar o excesso os encargos de depreciação de 2003 a 2007? Evidente que sim, pois esses encargos submetemse ao regime de competência e o contribuinte deve fazer prova da efetividade dos mesmos o que só é possível mantendo em boa guarda os comprovantes dos custos e despesas incorridos. iii) No ano de 2000 o contribuinte adquire um imóvel por $1000. Contabiliza a aquisição por $12.000, utilizando para tanto um documento fraudado. Realiza uma incorporação em 2001, acrescentando diversos custos inexistentes. Vende esse imóvel, já fracionado, nos ano de 2001 e 2002, apurando um pequeno ganho em 2002 que é declarado e o tributo recolhido. É fiscalizado em 2008 (anocalendário 2002). De plano alega que o ano 2002 já está decaído, afinal passaramse mais de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores. Todavia, com receio de o Fisco apurar a verdade dos fatos, apresenta o aludido documento de aquisição. O Fisco efetua diligências e apura todas as fraudes tributárias. Em relação à 3a. situação hipotética acima (“iii”), cabe questionar: qual o amparo legal para o Fisco realizar em 2008 uma auditoria do ano de 2002, se o contribuinte estava em tese regular perante a Administração Tributária, inclusive tendo efetuado os recolhimentos? há vedação expressa em lei para a auditoria fiscal alcançar os anos de 2000 e 2001, nos quais apurou a verdade dos fatos? Respondo: a única vedação expressa nessa hipótese “ìii” é para constituição do crédito tributário relativo ao ano de 2001, em face da decadência. Este Conselho já se manifestou sobre alegações dessa natureza em diversos acórdãos. Em um deles, inclusive, o contribuinte alegou a preclusão para rever o ágio devidamente registrado na contabilidade. Tratase do acórdão 10709.545, cuja ementa é a seguinte: EMENTA DECADÊNCIA — OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL GLOSA DE ÁGIO. O fisco pode questionar fatos ocorridos no passado cujos efeitos fiscais se dão no futuro, pois o tempo não pode transformar em verdadeiro o que não era real, nem tampouco desfazer o que consolidou, desde que a readequação dos fatos situados em períodos já decaídos não decorra de juízo de valor. É o caso da formação de ágio maior por erro de cálculo, cujos efeitos fiscais somente se verifiquem no futuro, na sua amortização ou na utilização como custo na baixa”. (Grifei) No aludido processo o contribuinte registrou o ágio de forma equivocada em 1995, mas apenas amortizou o valor em 2000. O contribuinte alegou que a fiscalização estaria proibida, face o prazo decadencial, de glosar esse ágio. Tal argumentação foi refutada pela Câmara. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 18 17 Noutro acórdão, de nº 10419.219, de 27/02/2003, que tratou da retificação de prejuízo fiscal da atividade rural de período anterior, com reflexo em outro período de apuração do tributo ainda não atingido pelo decadência, a decisão também foi favorável à tese defendida por este relator. Vejamos transcrições da ementa, dispositivo e voto condutor: Acórdão 10419.219 de 27/02/2003 EMENTA IRPF ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 – ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – DECADÊNCIA – ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de anocalendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatando se que o anocalendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em ano calendário abarcado pela decadência. DISPOSITIVO ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. VOTO CONDUTOR “(...) De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência.Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. (...) A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. (Grifei) Vejase que na situação versada no Acórdão 10419.219, o contribuinte foi intimado a comprovar o saldo de prejuízos da atividade rural do ano de 1989 que foi aproveitado no anocalendário de 1996. Diante do fato de o contribuinte ter efetuado correções a maior do aludido valor no ano de 1990, a fiscalização glosou o excesso de compensações Fl. 255DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 19 18 utilizado para reduzir o tributo devido em 1996. O contribuinte alegou decadência nessa revisão, que foi rejeitada pelo Colegiado, haja vista que tais valores “influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente”. Analisemos o Acórdão nº CSRF/0400.054, de 21/06/2005. Vejamos sua ementa e dispositivo: Acórdão CSRF 0400.054 de 21/06/2005 EMENTA IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. DISPOSITIVO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do mérito do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente relatório. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, José Ribamar Barros Penha e Wilfrido Augusto Marques que negaram provimento ao recurso.. VOTO CONDUTOR No caso, a fiscalização verificou inicialmente que o prejuízo da atividade rural fora incorretamente apurado na declaração do exercício de 1995, com indevida utilização nas declarações dos exercícios posteriores (1996 a 2000). A origem da incorreção seria o fato de a contribuinte haver procedido à atualização monetária indevida dos saldos de prejuízos e de incentivos fiscais nos anoscalendário de 1989 e 1990 (fls. 12 a 18). No acórdão recorrido, foi acolhida a arguição de decadência, sob o seguinte argumento (fls. 276) (...) De plano, verificase que tal entendimento carece de base legal. No caso em apreço, o lançamento, cientificado a contribuinte em 28/09/2000, abarcou os anos calendário de 1996 e 1999, que ainda não se encontravam atingidos pela decadência, seja qual for o angulo pelo qual se analise. Destarte, uma vez que os anoscalendário fiscalizados não haviam sido atingidos pela decadência, não há óbice à exigência de comprovação acerca dos elementos que de alguma forma influenciaram os respectivos lançamentos, ainda que vinculados a exercícios anteriores. Ressaltese que os anoscalendário anteriores aos autuados, em que teria ocorrido o alegado lapso na correção dos saldos de prejuízo a compensar estes sim alcançados pela decadência não foram revistos. 0 que houve foi tãosomente a retificação do valor do prejuízo a compensar, apropriado nos exercícios fiscalizados. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 20 19 Nesse sentido é o Acórdão n° 10419.219, de 27/02/2003, cujo voto vencedor foi acatado por unanimidade de votos, assim ementado: (...) (Grifei) Apesar de ambos os acórdãos acima terem tratado de atividade rural na pessoa física, cumpre esclarecer que a Legislação sempre estabeleceu a obrigatoriedade de escrituração para os contribuintes que desejam aproveitar prejuízos de períodos anteriores. Aliás, na redação original da Lei 8.023/1990, acima de determinado valor de receitas era obrigatória a escrituração comercial. Outrossim, cumpre registrar que em situações análogas, nas quais a verificação de fatos, documentos e registros contábeis, de períodos atingidos pela decadência , com repercussão futura favorável ao contribuinte, ou seja, erros que lhe prejudicam, as decisões deste Conselho são sempre favoráveis à retificação dos lançamentos nos períodos ainda não atingidos pela decadência, inclusive para reconhecimento de direito creditório. Cite se como exemplo as seguintes situações em que se admite retificação favorável ao contribuinte: Lucro Inflacionário Inexistente. Fiscalização autua em 2000 a falta de realização do Lucro Inflacionário Diferido (parcelas realizáveis em 1996 a 1999. Somente em sede recurso, o Contribuinte verifica e alega que errou na apuração/declaração do LI de 1991, estando patente que seu Patrimônio Líquido era maior que o ativo imobilizado. Conselho exclui da base de cálculo o lucro inflacionário de 1991, e determina ainda, que as realizações mínimas de 1992 a 1995, porventura não efetuadas, sejam diminuídas do Saldo (existe inclusive súmula neste sentido). Ao fim e ao cabo, mantemse apenas a tributação do saldo do inflacionário efetivamente existe nos anos de 1996 a 1999. Custo de aquisição de imóvel declarado a menor. Pessoa Física e Jurídica. Contribuinte declara/contabiliza a menor o custo de aquisição de imóvel no ano de 1996 e seguintes. Em 2004 aliena o imóvel e não recolhe ganho de capital. Fiscalização autua em 2006 e toma como custo o valor declarado/contabilizado. Contribuinte faz prova do custo de aquisição real do imóvel. Conselho acolhe o custo efetivo, e reduz a exigência ainda que isso implique no reconhecimento de erros de escrituração e/ou declaração de períodos atingidos pela decadência. Nesse sentido vide acórdãos deste Conselho: Acórdão 10321611 processo 13925000136200129 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF – Havendo a pessoa jurídica, no períodobase de 1990, apurado saldo devedor de correção monetária e não possuindo lucro inflacionário diferido de exercícios anteriores, não há que se falar em adição ao lucro real, a partir do períodobase de 1993, do valor que corresponder à diferença entre a variação do IPC e do BTNF, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário. Acórdão 10514773 processo 10166016076200115 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA O início da contagem do prazo decadencial para o Fisco dáse a partir do momento em que é possível efetuar o lançamento, no exercício financeiro em que deve ser tributada a Fl. 257DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 21 20 sua realização, e não imediatamente após o termo do anocalendário em que foi gerado o lucro inflacionário. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA RECOMPOSIÇÃO DE SALDO A recomposição do saldo de lucro inflacionário acumulado deve levar em consideração, para fins de decadência, as parcelas de realização do ativo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei nº 9.065/95, a partir de 1º/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, rejeitando a preliminar de decadência e, no mérito, acatar o pleito no sentido de se excluir as parcelas do lucro inflacionário que deveriam ser realizadas nos anos calendários de 1993 e 1994. Acórdão 10194663 processo 10410.001504/200168 LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO DA CORREÇÃO IPC/BTNF. ERRO DE FATO. Não procede a exigência de crédito tributário decorrente de erro cometido pela pessoa jurídica no preenchimento da declaração de rendimentos, tendo informado a maior o saldo credor da diferença de correção IPC/BTNF. Acórdão 10193740 _ processo 10880.008657/9805 ERRO DE FATO. PREJUIZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação de prejuízos, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. PREJUIZO FISCAL INSUFICIENTE. DECADÊNCIA: Apesar de não haver prejuízo fiscal suficiente para compensar o lucro real apurado em determinado período de apuração, deixase de propor a formalização da exigência em virtude de já ter transcorrido, nesta data, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário respectivo. ERRO DE FATO. BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação da base negativa da contribuição social, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO Acórdão 10416265, processo 10920.000343/9699 IRPF GANHOS DE CAPITAL CUSTO DE AQUISIÇÃO ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA Deve prevalecer para efeitos fiscais o custo de aquisição constante da Escritura Pública de Compra e Venda devidamente registrado no Registro de Imóveis, quando este for mais favorável ao contribuinte que o custo avaliado pelo valor de mercado, em 31/12/91, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992. O fato gerador do imposto de renda é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.915562/200649 Acórdão n.º 1402000.769 S1C4T2 Fl. 22 21 Enfim, ao contribuinte incumbe a prova da regularidade dos valores utilizados para redução da base de cálculo nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem a prerrogativa de deles discordar, enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para constituição do crédito tributário correspondente; podendo, para tanto, efetuar verificações em períodos anteriores, já atingidos por esse mesmo prazo decadencial; vedada, obviamente, a possibilidade de apuração e constituição de créditos tributários desses últimos. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de impossibilidade do Fisco efetuar a auditoria dos elementos contábeis e fiscais dos anoscalendário anteriores a 5 anos, para verificar valores com repercussão tributária em períodos posteriores. Por fim, quanto as demais matérias, entendo que as razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator não merecem reparos e devem prevalecer neste julgado. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência do direito do fisco revisar a formação e aproveitamento dos saldos negativos de recolhimento do IRPJ; e, no mérito, reconhecer o direito creditório ao valor remanescente de R$ 43.738,27 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS PELA, Assina do digitalmente em 27/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10935.005258/2007-90
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/1997 a 12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, tratando-se de descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
ENQUADRAMENTO NO FPAS. REGULARIDADE.
O enquadramento no FPAS e seus reflexos na alíquota da contribuição social destinada a Entidades e Fundos (Terceiros) faz-se por auto enquadramento, reservando-se à Fiscalização Previdenciária o levantamento de valores decorrentes de eventuais erros verificados na ação fiscal. O referido procedimento encontra respaldo legal no Decreto Lei n° 5.452, de 01/05/43
(CLT) e na Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/05.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO
DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991.
A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou
posteriormente à autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão
administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com a não declaração de dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação
da multa prevista no art. 32, §6º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2301-002.662
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir dos ensejadores da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL LAR Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/1997 a 12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicase o disposto no artigo 173, I. ENQUADRAMENTO NO FPAS. REGULARIDADE. O enquadramento no FPAS e seus reflexos na alíquota da contribuição social destinada a Entidades e Fundos (Terceiros) fazse por auto enquadramento, reservandose à Fiscalização Previdenciária o levantamento de valores decorrentes de eventuais erros verificados na ação fiscal. O referido procedimento encontra respaldo legal no DecretoLei n° 5.452, de 01/05/43 (CLT) e na Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/05. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991. A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou posteriormente à autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 2 2 A apresentação de GFIP com a não declaração de dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §6º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir dos ensejadores da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Marcelo Oliveira – Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração, de nº 37.109.4690, lavrado em face de COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL LAR, do qual foi notificado em 05/10/2007, em virtude de ter a Recorrente apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia Do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos códigos FPAS e Terceiros para alguns estabelecimentos, ou seja apresentar a GFIP com omissões, inexatidões de dados não relacionados aos fatos geradores, conforme se depreende do Relatório Fiscal (fls. 2). Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 3 3 A multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, par. 6º da Lei n o 8.212/91, na redação dada pela Lei n o 9.528/97, em combinação com o inciso III, do art. 284, do Decreto n o 3.048/99, o valor da infração para o descumprimento da obrigação acessória objeto desta autuação será de 5% (cinco por cento) do limite mínimo fixado pela Previdência Social, por campo da GFIP com informações inexatas. Já pelo art. 102 da Lei n o 8.212/91 em combinação com o art. 372, do Decreto n o 3.048/99 ficou estipulado que os valores em moeda corrente seriam reajustados periodicamente. Assim, para fins de regularização, foi imputado à Recorrente o pagamento do valor de R$ 11.712,96 (onze mil, setecentos e doze reais e noventa e seis centavos). Irresignada, apresentou a Recorrente Impugnação (fls. 148), no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DECADÊNCIA. REGULARIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ENQUADRAMENTO NO FPAS. A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Apresentar GF IP com informações inexatas, incompletas ou omissas acarreta multa no valor de 5% do limite mínimo fixado pela Previdência Social, por campo da GFIP com tais irregularidades. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito administrativo e não têm o condão de tornar nulo o lançamento. Quanto ao enquadramento no FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social), será feito pelo próprio contribuinte, cabendo Auto de Infração em caso informação incorreta na GFIP. As Entidades e Fundos para os quais a empresa deverá contribuir são definidos em função de sua atividade econômica, e as respectivas alíquotas são identificadas de acordo com o Código FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social. Lançamento Procedente Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário (fls. 209), alegando em suma: a) A nulidade da autuação por falta de Mandado de Procedimento Fiscal regular; b) A total improcedência do crédito tributário que se refere a fatos geradores supostamente ocorridos no período de Janeiro/ 1999 a Outubro/2002; c) A inexistência de previsão legal em lei ordinária expressa e específica para a imposição de obrigação tributária acessória; d) A ilegalidade do reenquadramento dos códigos FPAS que exigem contribuição ao INCRA com alíquota indevidamente majorada em percentual superior a 0,2%. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 4 4 Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da nulidade do MPF Alega a Recorrente que a autuação em comento é nula, uma vez que o segundo MPF foi expedido fora do prazo previsto e em favor do mesmo auditor fiscal especificado no MPF anterior. Meu entendimento, já expresso em diversos precedentes acerca do instrumento em comento (Mandado de Procedimento Fiscal), é o de que a instauração do procedimento de fiscalização e a ciência da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal são exigências da Legislação fiscal e servem ao princípio maior que rege a administração, que é a segurança jurídica do ato administrativo lançado contra o contribuinte. Assim, a complementação do MPF segue igual rito e formalidade, devendo servir para informar que o sujeito passivo continua sob ação fiscal, bem como para avalizar o procedimento final que é o lançamento de crédito ou a emissão de auto de infração. Neste diapasão, se a legislação determina que um novo MPF expedido após expirado um mandado anterior seja dirigido a outro auditor fiscal, então esta exigência integra a validade da própria atividade fiscal, considerando o caráter formal de que se revestem os atos administrativos. Diante do caso em comento, entendo que o presente lançamento não está revestido de todas as formalidades essenciais para que se considere que houve a regularidade do procedimento administrativo que originou a lavratura do auto, visto que não observou as condições e os limites impostos pela legislação em vigência que se consubstanciam em requisitos de eficácia do mesmo. Frisese, porque importante, que não se trata de mero formalismo, mas sim de garantir ao contribuinte a legitimidade do procedimento adotado pelo fisco para a feitura de lançamento, visto que o MPF também instrumento de controle da atividade de fiscalização. Esse foi o posicionamento adotado no julgamento do Recurso n.º 147.388, cujo relator foi o nosso Presidente, Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, in verbis: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 5 5 nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo Anulado. Dessa maneira, o processo deveria ser anulado porquanto o vício no MPF tolhe o início, ou, no caso, a seqüência do procedimento fiscalizatório. Entretanto, esta Turma vem reiteradamente superando os óbices encontrados nos MPF’s, sob o fundamento de que apenas se trata de instrumento de planejamento, controle e acompanhamento da ação fiscal, de modo que, sob a ótica do contribuinte, serve tão somente para darlhe ciência do início do procedimento fiscal. Diante do posicionamento da maioria da Turma de que não há validade nos MPF’s, passo ao exame dos demais pontos suscitados pelo recorrente. Da Decadência Parcial Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 6 6 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. No caso em apreço, a Recorrente descumpriu obrigação acessória, não havendo que se falar na aplicação do art. 150, § 4º do CTN, mas sim no seu art. 173, I, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 7 7 Da leitura do dispositivo legal acima em destaque, extraímos que aquele define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. Sabese que existe entendimento ao qual me filio que defende que, nos casos dos fatos geradores ocorridos em dezembro, o lançamento somente poderia ser realizado após transcorrido o prazo para pagamento, no caso de obrigações principais, e apresentação de GFIP, em relação a obrigações acessórias. Considerando que a obrigação tem seu vencimento no mês seguinte ao do fato gerador, somente a partir de janeiro é que o lançamento poderia ser realizado, iniciandose somente no primeiro dia do exercício seguinte o prazo decadencial. Exemplificando este entendimento, a obrigação de apresentar GFIP com todos os fatos geradores ocorridos em dezembro/2002 somente teria seu vencimento em janeiro/2003, iniciandose o prazo decadencial em 01/01/2004. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, firmou entendimento no julgamento do REsp 973.733SC de que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, isto é, no mesmo mês deste quando referente a descumprimento de obrigacao principal. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 8 8 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (grifase). Com a vinculação imposta aos Conselheiros pelo art. 62A do RICARF em relação aos julgados proferidos em sede de recursos repetitivos pelo STJ, deve ser adotado como o dies a quo do prazo decadencial para o descumprimento das obrigações acessórias, primeiro de janeiro do ano subsequente a data que o lançamento poderia ter sido realizado, logo como o lançamento da competência de dezembro/2002 só poderia ser realizado em janeiro de 2003, o prazo decadencial iniciase em 01/01/2004, e não em 01/01/2003. Deste modo, considerando que, no caso dos autos, o crédito previdenciário foi constituído em 05/10/2007, envolvendo as competências situadas no período compreendido entre 01/1997 a 12/2006, encontramse decaídas as competências relacionadas aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, em virtude de terem sido atingidas pelo prazo decadencial limite para a efetuação do lançamento. Do regular enquadramento no FPAS Ainda que tenha a Recorrente apresentado alegações no sentido de invalidar o reenquadramento no FPAS, os argumentos por ela apresentados não possuem o condão de ilidir ou anular o procedimento fiscal. Ora, afirma a Recorrente que o reenquadramento no FPAS, feito pela fiscalização, não tem suporte legal, bem como que contraria o disposto no art. 10, § 2°, incisos Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 9 9 I a VII, da Medida Provisória n° 2.16840 e art. 12, do Decreto n° 3.017/99, além de majorar indevidamente a contribuição para o INCRA. Todavia, o enquadramento no FPAS e seus reflexos na alíquota da contribuição social destinada a Entidades e Fundos (Terceiros) fazse por auto enquadramento, reservandose à Fiscalização Previdenciária o levantamento de valores decorrentes de eventuais erros verificados na ação fiscal. A execução de tal procedimento é feita a partir da consideração da atividade econômica do estabelecimento. Destarte, caso a empresa possua mais de um estabelecimento, o enquadramento, no FPAS, será realizado com base na atividade desenvolvida em cada estabelecimento, haja vista que o estabelecimento deverá contribuir para a entidade à qual seus empregados são beneficiários diretos. No que pertine à legalidade do enquadramento no FPAS, cabe analisar o DecretoLei n° 5.452, de 01/05/43 (CLT), que, nas questões relativas ao enquadramento da atividade econômica dispõe: Art. 581. Para os fins do item III do artigo anterior, as empresas atribuirão parte do respectivo capital às suas sucursais, filiais ou agências, desde que localizadas fora da base territorial da entidade sindical representativa da atividade econômica do estabelecimento principal, na proporção das correspondentes operações econômicas, fazendo a devida comunicação às Delegacias Regionais do Trabalho, conforme localidade da sede da empresa, sucursais, filiais ou agências.(Redação dada pela Lei n°6.386, de 9.12.1976) § 1° Quando a empresa realizar diversas atividades econômicas, sem que nenhuma delas seja preponderante, cada uma dessas atividades será incorporada à respectiva categoria econômica, sendo a contribuição sindical devida à entidade sindical representativa da mesma categoria, procedendose, em relação às correspondentes sucursais, agências ou filiais, na forma do presente artigo. (Redação dada pela Lei n°6.386, de 9.12.1976) 2° Entendese por atividade preponderante a que caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente em regime de conexão funcional. (Redação dada pela Lei n° 6.386, de 9.12.1976) Analisandose a seara previdenciária, a Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/05, traz o seguinte comando: Art. 137. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidem sobre a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social, sendo devidas: (.) § 1º As entidades e fundos para os quais o sujeito passivo deverá contribuir são definidas em função de sua atividade econômica e as respectivas aliquotas são identificadas mediante o enquadramento desta na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo HL § 2º O enquadramento na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, é efetuado pelo sujeito passivo de acordo com cada atividade econômica por ele exercida, ainda que desenvolva mais de uma atividade no mesmo estabelecimento, observados os § § 1° e 20 do art. 581 da CLT. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 10 10 Quanto ao procedimento fiscal de reenquadramento no FPAS, feito pela fiscalização, traz a Instrução Normativa SRP n° 03/2005 a seguintes regra: Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei n° 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3" da Lei n° 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme aliquotas discriminadas na Tabela de Aliquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo HL § 3° Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo HI, a SRP, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Destarte, resta afastada a alegação de falta de suporte legal para o reenquadramento no FPAS, realizado na Auditoria Fiscal. Quanto ao suposto descumprimento ao disposto no art. 10, § 2°, incisos I a VII, da Medida Provisória n° 2.16840 e art. 12, do Decreto n° 3.017/99, cabe destacar que tais dispositivos estabelecem a substituição das contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem IndustrialSENAI; Serviço Social da IndústriaSESI; Serviço Nacional de Aprendizagem ComercialSENAC; Serviço Social do ComércioSESC; Serviço Nacional de Aprendizagem do TransporteSENAT; Serviço Social do TransporteSEST e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural—SENAR pela contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo — SESCOOP. Porém, conforme se observa nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito — NFLD’S, lavradas contra a empresa, em nenhum momento foi lançada alguma destas contribuições substituídas cumuladas com a contribuição para o SESCOOP, conforme o disposto abaixo: D Destarte, temse por afastada a alegação de que o reenquadramento descumpriu a legislação do SESCOOP. No que pertine a alegação de que a contribuição devida ao INCRA foi majorada indevidamente, em virtude de a Recorrente estar discutindo a cobrança da contribuição em comento nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.70.05.0060652, não terá este Conselho que se pronunciar acerca da matéria uma vez que tal conduta importa na materialização de uma hipótese de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, a teor do disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98). PERÍODO Sal. Educ. SENAR SESCOOP TOTAL 06/1992 a 11/1999 2,50% 2,50% 5% 12/1999 em diante 2,50% 2,50% 5% Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 11 11 O art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Tal entendimento, inclusive, já foi sumulado por este Conselho de Contribuintes, conforme dispõe a Súmula Nº 1 do CARF, a seguir transcrita: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Assim, se a parte apresentou a matéria na sua defesa e recurso e também ingressou com ação judicial, deve ser reconhecida a renúncia ao contencioso administrativo, que deve ficar limitada, evidentemente, à matéria que lhes forem idênticas. Diante disso, não há razão para se conhecer, no que se refere às questões relativas à contribuição devida ao Incra, do presente Recurso, dado o fato de a Recorrente já ter interposto ação judicial discutindo a exigibilidade da referida contribuição Da aplicação de penalidade benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido em GIFIP dados não correspondentes a fatos geradores na GFIP, sendo lhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §6º da Lei nº 8.212/1991, correspondente a 5% do valor mínimo previsto no art. 92 da mesma Lei por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, remetendo a quantificação aos arts. 225, IV e §4º, 284, III e 373 do Regulamento da Previdência SocialRPS. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 12 12 "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 13 13 Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reconhecer a decadência dos períodos anteriores a dezembro de 2001, bem como para que seja aplicada a multa prevista no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de março de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10935.005258/200790 Acórdão n.º 2301002.662 S2C3T1 Fl. 14 14 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 10680/013.183/86-18 SESSMO de 20 de novembro de 1992 ACóRDMO N2 cl:: /0:1. RECURSO ESPECIAL N2 RD/ :l.0 - IRPJ - EXu 1.982 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA - QUINTA CAMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE COMPTPUINTES ! ,.. , SUJEITO PASSIVO: CIMENTO CAUE S/A. 1 MER , IRPJ - BENS DESTINADOS A VENDA Et 1 indevida a exig@ncia do imposto sobre diferença de correção monetária, relativa a imóveis classificados no Ativo Circulante e comprovadamente destinados A venda. , Rejeitada a preliminar de inadmissibilidade do recurso - Negado 1 provimento .! !! Vistos. relatados e discutidos os presentes autos . de recurso interposto por FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da CAmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em RE3EITAR a preliminar de . . , inadmissibilidade do recurso, nos termos do relatório e voto que • passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Dicler de Assunção, Carlos Walberto Chaves Rosas, Afonso Celso Mattos Lourenço, Wilfrido Augusto Marques (Substituto) e Sebastião Rodrigues Cabral ,• que a acolhiam. No Mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencida a Conselheira Mariam Seif, que provia o recurso. Declarou-se impedido na votaço o Conselheiro Waidevan Alves de Oliveira. Pt INIP , 4/// , PROCESSO NR 10680/013.183/86-18 ACóRDRO N2 CRSF/01 -01.427 d.s Sessffs em 20 de novembro de 1992 ,!:41 Apv mA,410:50 .... PRESIDENTE ...A , :. )0 3DR :r RELATOR VISTO EM LUIZ FERNANDO OL17,2X:ZES - PROCURADR DAO FA ZE:NDA NAC. Ia- SIESSAD Participaram., ainda., do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: IRINEU SIMIANER, JUAREZ DE MORAIS, EVANDRO PEDRO PINTO e MARIA DA GLORIA DE OLIVEIRA COELHO LEAL. rj ., PROCESSO N2 10600/013.183/86-18 3. RECURSO N2: RD/105-0.229 ACÓRDA0 N2 CRSF/01-01.027 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: CIMENTO CAUE S/A. . RELATÓRIO 1 1 I s A Fazenda Nacional, por sua Procuradoria junto à Quinta CRmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, inconformada com o decidido no Acórdão n2 105-04.602, de 09.07.90, fls. . 683/697, apela à CRmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 698/701, com base no artigo 32, inciso II, do Decreto n2 1 83.304/79. 1 t ii ri A exiOncia tributária, na parte que motivou. o . ,. , recurso especial, segundo descrito no auto de irlfraçXo, fls. 537, .,, ílincide sobre omissão de receita de correção monetária de bens u destinados à venda: salas e garagens no Edifício 15@ Avenida, 1 "caracterizada pelo. falta de corre0o monetária na época própria, dos (<8ens Destinados à Venda», Classificados pela empresa no . . Ativo Realizável. Apurada a iMport2ncia de Cr$ 29.378.975, ...", ..1„. , com enquadramento legal nos arte. 156, 165, 174, 347 e 387, II, J do RI RISO., art. 179, III. da Lei n2 6.404/76 e PN-C8T n2 108/78, i• item 7. , A decisão de primeira inst'ãincia manteve a fl exigWm:ia, cujas razffes de decidir est'So sintetizadas na seguinte ementa: "Omissão de Receita de Correção Monetária - Procedente a tributação da receita de correção monetária incidente sobre imóveis não necessários 6 manutenço da atividade explorada e n'So vendidos até a data do balanço seguinte ao de sua aquisiçãb bem como a efetuada a menor sobre Empréstimo Compulsório da Eletrobrás." 4r. ' • 4 \ _ PROCESSO N9 10680/013.183/96-1e 4. ACORDA() Ng CSRE/01-01.A27 A C2mara recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário formulado pela contribuinte, na parte em discussWo, em decis'ão assim ementadan "BENS DESTINADOS A VENDA - Comprovado que os imóveis adquiridos como forma de viabilizar negócios situados dentro dos objetivos operacionais da empresa destinavam-se à venda, e só foram transferidos para o Ativo Permanente quando referida venda se mostrou inconveniente por retração do mercado. Indevida, no caso, a correrão,. monetária relativa ao período de construc2(o." A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, inconformada, apresentou recurso especial de diverg@ncia, argumentando, em subst2ncia, que o julgado diverge do decidido por esta C2mara Superior, Acórdão n2 CSRF/01-0.436, e pela Primeira C2mara, Acórdão ng. 101-73.310, , cujas ementas vão transcritas: Acórdão ng. CSRE/01-0.436: "ATIVO PERMANENTE - Investimentos - Classifica-se no ativo permanente, subgrupo investimentos o valor dos imóveis ad quiridos em dação em pagamento pela pessoa jurídica que não exerce . atividade imobiliária e que não comprovou a destinação desses bens para revenda, em razão do que aludido valor está sujeito à correçXo monetária." Acórd2b n2 101-73.310n "CORREÇA0 MONETARIA DO ATIVO PERMANENTE - Empresa, . cuja atividade fundamental não consiste na , exploraçNo de operacíNes imobiliárias, deve classificar os imóveis, que porventura venha pretender alienar, em contas do ativo permanente, até o momento da sua alienação, baixa ou liquidação sujeitando-os à correção monetária, guando da elaboração do balanço patrimonial. Para i tkr) h 1. i. 1 ,,, , PROCESSO Ng 10680/013.183/86-18 5. ACÓRDA0 hig CSRF/01-01.427 as empresas que não se dedicam a atividades imobiliárias, a venda de imóveis é mera transacão eventual." Argumentou ainda, a digna Procuradoria que u "A intenção comprovada de que os imóveis se destinavam à venda, hipótese em que só poderiam ser comtabilizados no ativo circurlante, tornaria válido o lançamento procedido pela empresa, mas não trouxe, ela, aos autos qualquer prova, limitando-se a alegar tal intenção, o que não tem o poder de elidir o ilícito fiscal. Vale observar, que tendo posteriormente alterado o próprio lançamento para o ativo permanente, implicitamente foi reconhecida a natureza de investimento em bens imóveis, enquadrando-se a operação na hipótese do item 7.4.1 do PARECER NORMATIVO n2 108/78, sendo devida a correção monetária do período anterior, em que o bem foi erroneamente lançado, Como bem colocado no voto proferido no acórdão paradigma, a empresa dedicando-se a atividade diversa da compra e venda de imóveis não possuía ((a faculdade de classificar ou reciassificar as contas patrimoniais, segundo critérios subjetivos de sua conveni8ncia». Finalizou, pedindo provimento ao recurso para reformar o acórdão recorrido no que tange a matéria ora questionada. ,, O recurso especial foi admitido, segundo despacho da ilustre Presidente da Quinta C2mara, fls. 710. . ,,, Cientificada da interposição do recurso especial, 1 a contribuinte ofertou contra-razeles, tempestivamente, fls. - 714/729, em resumo, quer ...ir., tÀ \\Nili n e i ,i[ 1_ . :'• 1 PROCESSO N2 10680/013.183/86-18 6. 1 í ACóRDA0 N2 C8RE/01-01.A27 - são distintas as situacbes em confronto, não se I , lhes podendo atribuir o mesmo teor de julgamento; , E - a situação fática, neste processo, indica a transação entre uma empresa que se dispunha a lançar e construir , um "shopping-conter" e a autuada que se dispunha a fornecer-lhe 1 todo o cimento e concreto; é transação usual em grandes empreendimentos; o fornecedor permuta parcela de seu giro (estoques) por outro elemento contábil que irá integrar o seu 1 giro, sobre o qual não houve pretensão de imobilização; , - o Acórdão nQ CSRF/01-0.436, refere-se à aquisição de imável por dação em pagamento, onde não se ocmprovou a destinação dos bens para venda; no presente caso, provou, .1 quantum satis, a destinaçâo do bem como o fim único e exclusivo de venda; [ i - o Acórdão nQ 101-73.310, trata de situação 1 também diversa, na qual OS imóveis "estavam corretamente classificados no grupo ativo fixo" e, por tanto, sujeitos à correpWo fricinetãri. H - no presente caso, a empresa manteve os valores .1 das operaçbes enfocadas contabilizadas no Circulante, durante o i período de construção do edifício, visto sua real intenção de . comercialização; como a recessão econamica não permitiu a venda, deliberou alugar as unidades imobiliárias, classificando-as daí em diante, no grupo imobilizado, mas tão logo tornou-se possível, . efetuou a venda em novembro/96; o que confirma a sua intenção inicial; - evoca a seu favor o entendimento expresso no ACórdão n2 103-07.67 (sic) de 16.10.85, de cuja ementa se extrai 1 4)4 - . PROCESSO Ng 10680/013.183/86-18 7. ACÓRD .R0 N2 CSRE/01-01.A27 que é indevida a exiq*@ncia de imposto sobre o saldo credor de correção monetaría apurada na ação fiscal, relativa a imóveis classificados no Ativo Circulante e comprovadamente destinados â venda. Espera que seja mantido integro o acórdão recorrido. - É o relatório. 44t. PROCESSO N2: 10680/013.183/86-18 8. ACÓRDPO N2: CSRF/01-01.427 VOTO Conselheiro. CANDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator Presentes os pressupostos legais de admissibilidade do recurso especial de diverg@ncia, impetrado pela Fazenda Nacional. Deve ser conhecido. Nas suas contra-razOes. a contribuintes aflora uma preliminar de inadmissibilidade do recurso especial, argumentando, em síntese que as situações em confronto tratadas nos arestos paradigmas são distintas da hipótese discutida nesses autos. A preliminar é improcedente, segundo entendo, na medida em que envolve questão relativa à correta classificação de unidades imobiliárias, para efeitos de correção monetária do balanço, matéria ventilada nos acórdãos paradigmas, devendo o recurso ser solucionado como quesfilio de mérito. Os elementos contidos nos autos revelam que a empresa, realmente, tinha a intenção de vender as unidades imobiliárias adquiridas na transacNo que envolveu o fornecimento de concreto à obra. Os documentos carreados ao processo, como as correspondWncias de corretoras de imóveis, opções de venda, o contrato de locação, face à retração dos negócios imobiliários à época, e a posterior venda dos imóveis, levam ao convencimento da regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte e ao acolhimento de suas contra-razães. `À"1 ). PROCESSO NP: 1030. , 01,1s:2,5 -1g 9. AU:RDA° N2: CSRE/01 -01.427 1 , No mais por entender que a Quinta CJimara deste i Conselho, decidiu escorreitamente, à luz da legislação de 1 rec(ncia e dos elementos contidos nos autos, adoto e transcrevo 1 1 as razbes de decidir do ilustre ex -Conselheiro dose Rocha, autor do voto condutor da sentença ora recorrida, na parte que trata da l' matéria "sub judice, in verbis: ii [ "OMISSO DE RECEITA DE CORREÇA0 MONETARIA DE BENS [ DESTINADOS A VENDA. Alguns pontos fundamentais para a análise deste i item devem ser observadowJ 1 1 12) - A aquisiç(o dos imOveis foi feita n2 i i I 1. .:1.1"1 5;.: ;.:k f ri 1....:TI . I... C) Cl C) 1...':' in ri I' e end i men to „ emri 0 1. •, 1. 1. ,, 80;; i i 1 22) - os imóveis ficaram prontos apenas ao final do ano de 1982p 32) - os imóveis foram alugados em abril de 1993, e a partir daí a empresa os reclassificou como ,, ATIVO PERMANENTE, passando a corriwi-log . 1 , 40 ) - os imóveis foram vendidos em 10.11.36, e o u seu custo considerado para fins 4 de baixa II', constitui-se no valor contabil, sem computar a [I correçWo monetária no ano-base de 1981. 1' 1 A fiscalizaço reconhece que (fls. 610) 1 -rx... a intenção da empresa foi UNICA E EXCLUSIVAMENTE, possibilitar o incremento na venda de seus produtos e serviços», e que [ <e.A documentaçãao tra2:ida como prova que os im6veis [foram colocados a venda, datam de 14.12.1932 e n , í 11.01.03. Ilo existe comprovaço de venda no per-S.odo de 1981»„ 1 A matéria objeto de tributac2(o, neste processo é a correção monetária relativa ao ano-base de 1991 1 (período-base seguinte àquele em que pela primeira ver . o bem figurou na rubrica do :, Ati ,.c. \ .4 1 1 1 PROCESSO N2: 10680/013.183/86-18 /O. AURORO N9: CSRE/01-01.427 Circulante, no balanço). Os reflexos dessa correção monetária, tanto no Ativo Permanente, como no Patrim6nio Liquido da empresa, nos exercícios de 1983 a 1985,foram objeto de outro Auto de Infração, que constitui o processo n2 10680/013.185/86-35. recurso n9 95.563. Registre-se, preliminarmente, que a exig'ência de que um valor lançado no Ativo Circulante seja repassado para o Ativo Permanente, caso permaneça no Ativo até o final do exercício seguinte àquele em que foi contabilizado, refere-se a parti»' cipaçes societárias (ite(fl 7, inciso I, alínea da IN 71/78). Não consta essa exig@ncía com relação a ((outros direitos, de qualquer natureza,...» de que se trata a alínea "b"do referido dispositivo. No caso, as provas trazidas ao processo, e as próprias afirmaçffes da fiscalização, convergem para a convicção de que os imóveis em nenhum momento tiveram como destinação sua utilização permanente pela empresa, ainda que sob a forma de investimento. Motivou a compra o interesse em vender seu produto, o cimento a ser consumido na construção. A intenção de venda é confirmada tão logo os imóveis tiveram sua construção concluída, ou seja, em 14.12.82, consoante ratifica a fiscalização às fls. 610. Cerca de 120 (cento e vinte) dias depois, em abril de 1983, não tendo conseguido vender os imóveis, face à crise que grassava o setor imobiliário. foram eles alugados, e transferidos do Circulante para o Permanente, passando a ser corricaidos a partir daí. Os documentos juntados, os fatos em si, o tempo entre a conclusão das obras e a locação dos imóveis, tudo apresenta características de normalidade, de procedimentos administrativos compatíveis com o interesse empresarial, sem qualquer preocupação de acobertar fatos que pudessem ensejar a ocorrê-ncia de fato gerador de tributo. A própria venda dos imóveis, em 1986, confirma a intenção sempre presente dessa venda. [ Esses fatos todos levam à convicção de que a empresa procedeu corretamente. Não repassou os valores pagos na construção do imóvel nos anos- k4 211i ; PROCESSO Ng: 10680/013.183/86-18 ACóRDRO Ng : CSRF/01-01.427 bases de 1980 e 1981 para o Ativo Permanente, ao final de 1981, por ser definida a intenção de venda daqueles imóveis. Nem a IN-SRF n2 71/78, e muito menos o PN 108/78, exigem esse procedimento com investimentos que nãO selam participaçdes societárias. Diz o referido Parecer Normativo, em seu su bifem 7.4 .1 t: - Desse modo, as aplicaceles em direitos, não destinados à manutenção da atividade da empresa, quando a intençWo do investidor seja a de permanência. se classificam como investimento passível de correção monetária. É o caso, por exemplo, das aplicações em imóveis no necesários à manutenção da atividade explorada e não destinados à revenda.» (grifei) Portanto, se a ativação é devida nos casos de imóveis não destinados à venda,não a é para os destinados Aquele fim. Neste caso, se se quisesse adotar o rigor pretendido pela fiscalização, de que não tendo ocorrido a venda deveriam os valores ser transferidos para o Permanente, esse rigor poderia fl ser transposto, também, para as mercadorias que, embora destinadas a venda, constassem do estoque ao final de um período base, e por qualquer razNo alheia a vontade da empresa, não fosssem vendidas no período base seguinte." Pelas razffes expostas, voto no sentido de rejeitar a preliminar de inadmissibilídade suscitada e, no mérito, nego provimento ao recurso especial de diverçOncia, interposto pela Fazenda Nacional. Brasília (DF), em 20 de novembro de 1992 - c 1 w oDR = -EUBER - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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II - Emissão da GI apOs chegada da mercado ria ao país, mas antes do registro da respectiva declaração de importação, momento do fato gerador do imposto (art. 23 do Decreto-lei n9 37/66). III- Caracterizado embarque da mercadoria no exterior antes de emitida a GI e não importação sem GI ou documento equi valente. Infração punida na forma do inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. IV Negado provimento ao Recurso da Pro- curadora da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada pelo Cons. Sebastião Rodrigues Cabral, que foi vencido. No merito, per unanimidade de votos, negar prOvi- mento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a inte- grar o presente julgado. a .as Sessões (DF), em 17 de agosto de 1992. ar" MAR, À t - PRESIDENTE Á-11J DAMEFP/Or- 3EC08 N2 054/90 V . V . MBERTO FILHO - RELATOR IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NA- CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros ITAMAR VIEIRA DA COSTA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, JOÃO HOLANDACOS TA, SÉRGIO CASTRO NEVES e UBALDO CAMPELO NETO. /II (1111 ,tr r/m1 ,: r1 rt,ntirnrrf,--^M. PROCESSO N 2 10283/004.309/90-04 RECURSO N 2 RP/303-1.032 ACÓRDÃO CSRF/03-01.949 , RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3 2 CÂMARA DO 3 2 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: SEMP TOSHIBA AMAZONAS S/A RELATÓRIO A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com a de cisão proferida pelo Conselho de Contribuintes nos autos do processo em refer 'éncia, interpôs o presente recurso (-special para ver restabe lecida a aplicação da penalidade prevista no inciso II do art. 526, do RA, posto ter a recorrida, mesmo acolhendo a infração descrita nos autos, desclassificado tal sanção para a prevista no inciso VI do mesmo dispositivo legal. Afirma a recorrente que o acórdão recorrido contraria as disposições constantes do inciso II do já mencionado art. 526, uma vez que a empresa autuada importou insumos diversos antes de emitida a respectiva Guia de Import'ação. Lembra a peticionária que a autuada contestara a autua- ção alegando que a G.I., emitida pela CACEX, não é documento consti- tutivo de seu direito de importar, o qual é garantido pela aprovação de projeto pela SUFRAMA. Quanto a isso, defende a recorrente não ser a G.I. um do cumento meramente declaratório do direito de importar, caracterizan do-se num documento essencial ao despacho de importação e, no caso da Zona Franca de Manaus, sua essencialidade é verificada no art. 35 do DL n 2 1455/76, regulamentado pela Portaria Interministerial n2 192/76 que estipula em seu item I: "as importações efetuadas através da Zona Franca de Manaus ficam sujeitas à obtenção de Guia de Impor- tação, previamente ao embarque das mercadorias no exterior." Faz menção à IN-SRF n 2 89/83 que, normatizando o assun- to, interpreta que a emissão da Guia de Importação após o embarque das mercadorias não exclui os benefícios fiscais previstos no D.L. n 2 288/67 o que, porém, não prejudica a aplicação das penalidades previstas. A emissão da G.I. após o ingresso das mercadorias no0:1 país, prática esta normatizada pela Port. n 2 222/81, visa dar cober, iN , 1 , 4 PROCESSO N9 10283/004.309/90- 04 3.rFerrint. tura à formalização do despacho aduaneiro, mas nem por isso tem o condão de elidir a infração já configurada. Sendo assim, à semelhança do que decidiram os acórdãos 303-25.264 e 303-25.182, não há como eximir a empresa do pagamento da multa exigida no auto de infração, uma vez que importou mercado- rias ingressadas no país anteriormente à emissão da G.I. O contribuinte, paralelamente à apresentação de suas contra-alegaçaes, dirigiu a esta Câmara Superior, recurso especial, o qual não foi objeto do despacho do Presidente da Cãmara recorrida, previsto no art. 5 Q da Portaria n g 434/79. Contraditando as razOes da recorrente, expõe o sujeito passivo que, se realmente a infração tivesse sidocometida, consis tina esta na emissão tardia da G.I., à qual corresponde a penalida- de descrita no inciso VI do art. 526, e não na importação sem guia a que se reporta o inciso II desse mesmo artigo. Assim, prossegue, o entendimento não pode ser outro se- não o de que o processo administrativo de importação já estava con- cluído, restando apenas a emissão da guia para bem formalizar o ato, -praticado em razão de projeto aprovado pela SUFRAMA É o relatório. , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/004.309/90-04 4. Acórdão n9-CSRF/03-01.949 VOTO Conselheiro HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO, relator. Adoto o voto do Conselheiro João Holanda Costa: "A mercadoria foi embarcada, no exterior e descarregada em território nacional, antes queti - vesse sido emitida a correspondente guia de im- portação. A autoridade julgadora local, em pri- meira instância, entendeu que com a entrada da . mercadoria se caracterizara uma importação sem GI ou documento equivalente, razão pela qual exi giu da empresa o pagamento da multa de que trata o inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. , O Recurso Especial, interposto contra a deci são não unânime da douta 3a. Câmara do 39 Conse = . lho , de Contribuintes,manifesta o mesmo entendi- mento da digna autoridade administrativa local. Peço vênia para discordar da douta Procurado ._ ria da Fazenda Nacional. Com efeito, o simples fato de haver descarregado a mercadoria não con- figura ainda em sua plenitude o conceito de im- portação para os efeitos da legislação específi- ca. Deve-se salientar, como consta dos autosrque a importadora não se descuidara da obtenção do documento mas estavam em curso suas gestoes jun- to às autoridades governamentais competentes (SU FRAMA e CACEX), com razoável antecedência, de mo do que ficara ela a depender de autorizaçaescujj desfecho dependia tão só de decisaes unilaterais ' desses 'órgãos sem que ela pudesse exercer qual- quer interferência. Ademais, nesse ínterim, a transação comercial com o exportador estrangeiro estava em curso e foi concluída, sendo a mercado ria sob encomenda afinal posta para embarque nos portos estrangeiros, submissa às despesas nor- mais de armazenagem e capatazia, etc. A demora na expedição do documento admite-se como normal, não vindo a justificar para a importadora tenha determinado o embarque no exterior, por sua con- ta e risco, ciente de que cometia uma infração, 1ÇI , já que não obtivera ainda a GI. IN i ff' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/W14.309/90-04 5. . AcOrdão n9-CSRF/03-01.949 O que acima se relata, como está nos autos, serve para demonstrar que "importação" não se re_ sume no mero ato de fazer ingressar a mercadoria no territOrio nacional, mas percorre toda umatra_ mitação, fase por fase, sob pena de se tornar um descaminho. Acrescente-se ainda que essatra- mitação, além do pedido de licenciamento, prosse gue com outros procedimentos da iniciativa do ij portador, junto às autoridades portuárias no por" to de descarga e perante a administração aduanei ra. Nesses procedimentos, o contribuinte vai ma- nifestar a sua intenção e seu interesse de dar continuidade ã sua importação até obter o desem- baraço aduaneiro, condição para afinal receber sua carga. Não é demais lembrar ainda que o contribuin te tem que cumprir prazos para promover o despa- cho das mercadorias ou dar-lhe continuidade, sob - risco de vir a cometer a infração deabandono cuja pena será a declaração especifica a que se segue , o processo para aplicação da .pena de perdimento, em favor da Fazenda Nacional. , No caso desta importação, está comprovado que, finalmente, a CACEX expediu a GI (ou GIs)em data anterior à do registro da declaração de im- portação, momento esse que se deve ter como aque le em que, formalmente, ocorreu o fato geradordo imposto de importação (art. 23 do Decreto-lei nd9a 37/66). Como bem admite a Fazenda Nacional, no seu Recurso, a GI atende à formaliza2ão do despa cho aduaneiro, o que induz à convicçao de que,na espécie, completado o despacho aduaneiro comexis tencia da GI, a infração que restou a descoberto foi a do embarque antes da emissão da Gi ou do- . cumento equivalente, conforme previsto no inciso VI do art. 526 do RA. A penalidade do inciso II do mesmo art. 526 está reservada à infração descrita como:, "importar mercadoria do exterior sem guiade , importação ou documento equivalente ..." A previsão é para os casos em que não tenha sido emitida a GI até o momento do registro DI. O caso mais comum e o da divergência de mer- cadoria, isto e, entre a licenciada na Gi e aque la que se verifique em conferência física, diver - gencia usualmente atestada atraves de laudos la- boratoriais. iN !''N ti) \ , ,,,„, , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/004.309/90-04 6. Acórdão n9-CSRF/03-01.949 No caso em foco, existe(m) a(s) guia(s) .de importação, emitida(s) especificamente para a(s) mercadoria (s) constante (s) do despacho de impor- tação. Por entender que a decisão da 3a. Câmara do 39 Conselho de Contribuintes foi exarada com os melhores fundamentos de direito, voto para negar provimento ao Recurso Especial." Brasília - D.F., em 17 de agosto de 1992. HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO - RELATOR R in , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fisc-l-,unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espe- cial /, p/ Sala dases-Oe@ (DF), em 23 de julho de 1982. r / ,f_ .,,OR Oigai ílir n LNDEZ NI - 'RESIDENTE , th.. IIIM ...- - LUIZ CARLOS D cd r14; A 10 -- RELATOR v LUIZ FERhDO (._, VEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram,ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE, PAU- LO DE ALMEIDA, PAULO CÉSAR DE ÁVILA E SILVA, EDWALDO REIS DA SILVA E SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. J V') SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 1050/051.614/81-01 RECURSO N.° :-RF/ 3 O 3- O . 701 ACÓRDÃO N.° :CSRF/0 3- O . 978 RECORRENTE:FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CONTROLES ROBERTSHAW DO BRASIL S.A. RELATÕRIO Através do acOrdão n9 21.966 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, foi dado provimento ao re- curso interposto pela empresa CONTROLES ROBERTSHAW DO BRASIL S/A., que fora intimada a recolher a diferença do Imposto de Importação, juros e correção monetária, tendo em vista haver a fiscalização constatado que a importadora aplicou incorretamente a allquota re- lativa aos tributos incidentes sobre a mercadoria importada atra- vés da Declaração de Importação n9 80 , registrada a DRF de Rio Grande em 19/01/81, deixando, assim, de observar o disposto no art. 19 da Resolução do CPA n9 88, de 11/06/80. Dessa decisão, recorre o ilustre o Procurador da Fazenda Nacional junto àquela Câmara, sustentando a existência do Telex Circular n9 BR 09751, de 3/7/80, que esclarece não alcançar o art. 49 do Decreto-lei 1.775, às mercadorias importadas em con- signação, para admissão ou já admitidas, ou ainda objeto de admis- são temporária. A empresa não apresentou contra-raz8es. A fim de melhor esclarecer aos Srs. Consel DM F — RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N91050/051.614/81-01 2. Acórdão n9-CSRF/ 03-0.978 , desta Câmara Superior, leio na integra o acórdão recorrido, bem co mo os termos do recu so es-cial, que passam a fazer parte inte- grante do presente. P / É o r atOrio. , , , , -- __!' SERVIçOPúnICOFEDERAL PROCESSO N c? 1050/051.614/81-01 03. A&Srno n9 CSRF/03-0.978 VOTO_ _ _ _ . _ Conselheiro LUIZ CARLOS NOGUEIRA - Relator O Decreto-Lei n9 1775, em seu artigo 49 é de clare_ . za meridiano quando dispOe "Art. 49 - Fica assegurado o despacho adua- neiro com o tratamento anterior, às mercadorias em boxeadas no exterior, alé a entrada em vigor deste Decreto-lei." Por outro lado, a Resolução n9 88 do CPA,datada de 10.07.80, estabeleceu a allquota de 30% para o produto, ressalvou_ do, também, as mercadorias embarcadas antes da vigéncia do meneio_ nado Decreto-Lei. Data venia, não procedem as alegaçSes do Sr. Procu rador, uma vez que o Telex Circular BR 09751, não tem força que possa relegar o plano inferior o que jé fora estabelecido por lei. No caso vertente, o conhecimento marrtimo anexado' ao processo n91050/051.614/81-01 dá conta que a mercadoria foi em_ barcada em 11/03/80 , anteriormente à entrada em vigor dá cita_ da Resolução do CPA como também do DL 1775. Assim, voto no sentido de negar provimento ao re - curso es .. -cial, para manter a decisão proferida pela Câmara recor rido. /1 B-asIlia, DF, em 23 de julho de 1982. , .__________"- .KA . • .,- -- --T--)_ - — LUIZ CAr -.ÃPS NOGUEIRA .---,LATOR __. i _, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001191/90-45
Data da sessão: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 1
Data da publicação: Wed Jun 10 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IPI - São condicionais os descontos concedidos para pagamento à vista, que tenham também como objetivo compensar encargos de financiamento obtido pelo adquirente junto a entidade financeira da qual participe o vendedor. Aplicação do art. 14, parágrafo único, da Lei 4.502/64. Recurso não provido.
Numero da decisão: 201-68140
Nome do relator: Não Informado
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Recorrida N DRF EM SANTO ANDRE - SP São condicionais os descontos Concedidos para pagamento â vista, que tenham também como objetivo compensar encargos de financiamento obtido pelo adquirente junto a entidade financeira da qual participe o vendedor. Aplicação do art. 14, parágrafo • único, da Lei 4.502/64. Recurso não provido. ' Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de , recurso interposto por FORD BRASIL S/A. . ,, • , ACORDAM os Membros da Primeira CÊmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo moto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros LINO DE AZEVEDO' MESQUITA, ANTONIO MARTINS CASTELO BRANCO (Relator) e SERGIO GOMES, ',..T11.C.ISO. Designado para redigir o Acórdão, o Conselheiro ARISTOFANES FONTOURA DE HOLANDA. O Conselheiro HENRIQUE NEVES DA SILVA , declarou-se impedido. Ausente, justificadamente, o Conselheiro DOMINGOS ALFEU COLENCI DA SILVA NETO. , • Sala das Sessffes, em 10 de junho de 1992. , ' , , ROBERTO B;'''.*.......,OSA DE CASTRO - Presidente R .1.'..::3 "I ' O I" IÁ 11 E: S .:'' O 3 O 1 :;.: i::::1 ) E: H O 1....1::.:'i 11 I) Á .... R ,:•:•:, :1. .:::I. 1...1:3 r I.)1:::, 5 :i. f: J: rt a c! 1:::1e , 1 1 't L i 0,- , $ --1:r1F`CAMI-ÃGO - Procurador -Repre - I sentante da Fa-, zenda Nacional VISTA EM SESSAO DE Pwl.j.cir....ou, ainda, do presente julgamento, a Conselheira SELMA SANTOS SALOMAU WOLSZCZAK. OPR/mías/MG/JA. :I. ,w04, tS0WWw., 4,,,w0 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO. , •4''''W-f, WW:0 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , -.,,,,,,- Processo no 10.805-001.191/90-45, , I Recurso Hg:: 87.322 . AcórdWo No g 201-68.140 Recorrente g FORD BRASIL S/A. , RELATORIO A Empresa acima idwIt.ificada, ora Recorrente, teve contra si lavrado o Auto de Infração de fl. 28, no qual foi exigido o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados. , • Verificaram e constataram os autuantes que a referida Empresa, por seu estabelecimento industrial, deixou de lançar e conseqüentemente reLolhel . o cri, tado tributo, inc:identii. ,.. na saída dos produtos vendidos, por redução que entenderam indevida, da sua base de cálculo imponivel, sob a forma de desconto para cobrir custos financeiros de suas c:e ss sob a rubrica de "desconto para pagamento á vista'. Consideraram, os autuantes, infringidos os art. 62g 63, II e parágrafo 3g e 107, II, do vigente Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n2 87.981 de 23 de dezembro de 1982 (RIPI/82), observadas ainda as, disposiçes dos artigos 22, I .4 5A;; 55, I, "b" e 59 do mesmo - regulamento e da Portaria NE no A7, de 15 de janeiro de 1980. 1 Inconformada com a autuação impugnou tempestivamente com os argumentos adiante resumidos::, , Preliminarmente. Cita o art. 150 do [:1 l'1 e art. 5 41 a 61 do RIPT/82, grifando no parágrafo Ao do art. 150 o seguinte:: "expirado esse prazo sem que a Fazenda PUblica se tenha pronunciado, considera-se homolooado o lançamento e definitivamente extinto o crédito". i Cita ainda o "art. 61 - o direito de constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos, contados:: 1 - da ocorrOncia do fato gerador, quando -, tendo o sujeito passivo 1 antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa não homologar o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei n2 5.172/66, art. 150, parágrafo A( i)g Diz que "no caso em discussão, o auto de infração está a exigir diferenças de TPT e seus consectários, relativamente i aos fatos geradores praticados pela impugnante no período de 1 0t.04.85 a 30.04.85. Ora, da data da lavratura do referido Auto de Infração (20.04.90), retroagindo-se 5(cinco) anos, atinge-se a data 2 1 , . 64'5 Mákw.', t4MW, MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO -4 ';1090 -\4' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no:: 10.805-001.191/90-45 Acórdão no:: 201-68,140 , de 20.04.85, cujo marco temporal, por determinação da lei e pelo, decurso do prazo de deLadencia, veio considerar automaticamente homologados os lançamentos e pagamentos do 1P1 correspondentes aos fatos geradol . es ocovt. idos no período de 01.04.85 a 19.04.85 e em conseqüenda definitivamente extintos os respectivos créditos tributários". , Requer, a Impugnante, reconhecimento e a declaração da extinção do crédito tributário relativo ao período de 01.04.85 a 19.04.85, em decorrendo do pagamento antecipado e a homologação do lançamento pelo decurso do prazo de decadéncia nos expressos termos dos artigos 150 e 156, inc. VII, do CUI e dos artigos 54 a 61 do RIP1/82. , I - quanto a comercialização e concessão comercial:: que os veículos que produz são comercializados mediante contratos de concessão comercial celebrados sob a égide da Lei n2 6.729/79 e• que a comercialização é unicamente efetuada para pagamento á. vista dos preços dos produtosg • I - relativamente aos financiamentos com garantia real:: , que a comercialização dos veículos automóveis, se dá através de financiamentos 6 rede distribuidora, LonLedidos por sociedadeS de crédito, financiamento e investimento, integradas no siStema, finanLeiro, na forma da Lei no 4595/64g , - os meios e formas de pagamento são procedidas das seguintes formas:: 1 a) a entidade financeira paga a impugnante, 6 vista, pelo valor correspondente as aquisiçes de veículos feitas pelo distribuidor, contra a apresentação de duplicatas, passando a incidir, desse momento, enLargos financeiros à conta do distribuidorg , b) o distribuidor, nas condi0.5es ajustadas nos respectivos contratos,.paga à entidade financeira quando vender aos consumidores finais ou no prazo até 180 dias, prevalecendo o evento que primeiro ocorrerg 1 1 , . c) as vendas dos produtos da Recorrente aos • seus , distribuidores, com cobertura de financiamentos rotativos • de créditos concedidos por entidades financeiras, foram realizadas para pagamento, dos preços 6 vista, contra simples apresentação das duplicatas a essas sociedadesg d) no tocante aos descontos concedidos g em todas as '''A l A '''. operaç3es comerciais, concede descontos que tem a finalidade de aliviar as despesas financeiras dos distribuidores, relativamente ao período em que os veículos comprados não estejam disponíveis para a i venda, em razão:: , , , 3 „ , , ,..., , , , ' goAw MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Processo ng. :: 10.805-001.191/90-45, Acórdão na:: 201-68.140 , - do período de transboi. te entre a fàbrica e o estabelecimento do distribuidor i - limpeza, ajustes e revisesg estímulo à manutenção no estabelecimento do dis- tribuidor, de estoque adequados de veicHlr“::g, • - são descontos pré-ajustados, Contratuais e in- condicionais, cencedidos a todas os distribuidores nos termos da convenção de marca celebrada entre o fabricante e a rede de 1 diist.ribui0o na forma da Lei na 6.729/79g , , - uma vez que só vende ã vista (grifou-se) a expressão "desconto para pagamento à vista" resulta de mero erro , formal na subscrição do documenta fiscal e não se presta a - distinguir entre venda à vista e venda a prazo para as .11.na1.idwic,s, , do IPIg, ,, . , - solicita a realização de perícia para a elucidação do emprego impróprio da expressão "desconto para pagamento à vista",, indicando o Sr. Euclides Paulin como perito::, . , - a. autoridade de 42 :1 ri negou o pedido de perícia, tendo como base os documentos anexados ao processo, principalmente os de fls. 2/3 (esclarecimentos prestados pela , Autuada ao Fisco Federal) que, segundo a autoridade, oferecem elementos de bastante convicção para que se profira decisão de mérito. Indefiro a solicitação, por entender (:1esnecária a perícia cogitada, ao amparo do artigo 17 do Decreto na 70.235/72. A autoridade de 42 :1. no observa (fl. 129) que a alegação de que é improcedente a autuação em relação aos fatos, geradores -ocorridos no período de 01 a 19 de abril de 1985, alegando a Recorrente, que tal perlado jà estava abrangido pela fase decadencial, eis que foi cientificada da autuação em 20.04.90, não se confirMa devido ao fato, de que reclama-se o pagamento do IPI, não lançada, cujo prazo decadencial começaria fluir a pai . tir do la dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito pas:ãivo poderia , ter tomado a iniciativa do lançamento, conforme se depreende do ar E. 61, inciso II, do Dec. n2 87.981/82, abaixo transcrito cuja matriz , legal é o art. 173, inciso I, da Lei na 5.172/66:! "art. 61 - o direito de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados::, I... omissis ......., , . , II - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já . poderia ter tomado a iniciativa do lançamento. , 4 - - ,, '--;A''! paiw .MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nç.). 10.805-001.191/90-45 , AcórW:Co ns2N 201-68.140 1 , . - considera a autoridade de lA insUÁncia, os fun-, damentos da autuação como válidos, citando normas jurídicas do . . Código Civil (fl. 128) para caracterizar a. condicionalidade dos descontos concedidos pela ReLoi.rente. • Cita que o argumento de que a Recorrente teria incorrido em "mero erro formal" ao rotular aqueles abatimentos como "desconto para pagamento à vista". Quando o correio seria apenas a , menção da expressão "desconto", por só comercializar seus produtos â "vista", no viu como acolher as r' az da Recorrente neste sentido, dada a irrelevância do argüido. Â autoridade de lA instância, indeferiu a impugnaço em seu todo, mantendo a cobrança 1 do crédito tributáriog seu recurso, a este Conselho, a Recorrente solicita que seja declarada a integral nulidade da decisão de 1.A ins •UAnci ...i., posto que, segundo a Recorrente, a mesma foi prolatada em . flagrante ofensa à Lei e prova constantes dos autos e, ainda, por ter dissentido dos ensinamentos da doutrina. , Reafirma que seus produtos s'ão vendidos somente â vista e que a solicitaç'ão de perícia tinha como objetivo confirmar a condição de venda dos produtos. 1 Cita que ao não conceder a realizaç:ão da prova pericial, a decisão recorrida violou, de frente, o art. 52, inciso LA), da Constituição Federal de 1988, que assegura aos litigantes e aos acnsados em geral, os princípios do contraditório de ampla defesa, com os meios e recursos a eles inerentes., Cita acórdo da ....2.5A Câmara do Primeiro Conselho dé Contribuintes, de n2 103 -07. q 53 de 21.07.86, lavrado, por unanimidade de votos, e em cuja ementa está ditoN "EMENTA:: IRPJ - Decisão de Primeira Instância - •, Nulidade - Omissão na apreciação de pedido de :c:' 'i E nula a decisãb de lA instância. que é omissa (silente) quanto ao pedido expresso de i :1. 1. outra devendo :::.er proferida na devida forma. Recurso provido". Argumenta que as suas vendas se:: ' feitas à vista, de acordo com os contratos de concess'ão comercial celebrados sob a égide da Lei 6.729, de 27.11.79, WAii.:', disciplina a concessãb, comercial entre produtores e distribuidores de veículos de via terrestre., , Os financiamentos, são concedidos por sociedades de crédito, financiamento e irlve,...s.t.imen-to integradas no Sistema , Financeiro Nacional, na forma da Lei in (4.5Y5, de 31712/60. , , 5 , 1 , ,!qa. o‘ek.- 43 ~ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO.ewv g st,:' p".=-, '‘04Q50, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo no g 10.805-001.191/90-45 . , . Acórdão np g 201-68.140 , Explica (fls. 145/147) a mecânica da forma de pagamentos feitos pelos concessionários, pela compra dos velculos, dizendo que os veículos são sempre pagos à vista pela entidade financeira. 1 . Cita o Prof. Washington de Barros Monteiro, em sua 'Obra Curso de Direito Civil - Parte Geral - 2a Edição Saraiva parágrafo 2332 1 "Em primeiro lugar, a condição diz respeito a um evento futuro. Fato passado, ou mesmo presente, ainda que ignorado, não é condição. Realmente, se esta se reporta a um fato passado, ou presente, uma de duas terá ocorrido, ou o fato se verificou ou não se verificou. No primeiro caso, a estipulação deixou de , , ser condicional, convertendo-se em pura e simples, sem afetar a disposição. No segundo, a estipulação , tornou-se ineficaz por ter falhado o implemento da condição. , Veja-se o exemplo ministrado pot Spencer Vampreg Prometo certa quantia se premiado foi meu bilhete de loteria que ontem correu nesse caso, 6u o bilhete está premiado e a obrigação constante de minha promessa é pura e simples (e não condicional), ou o , bilhete está branco e, em tal hipótese, A ir:'roesase, anulou, tornando-se ineficaz a declaração da vontade. ,, , O direito pátrio, nessa matéria, como as demais i legislaçffes, em geral, conformou-se ao sistema i romano, que não admitia como verdadeiras condiçffes aquelas "quase ad preterível praesens tempus referuntue", as " quais, a rigor, nada deixam em, suspenso. São por isso denominadas condiOes impróprias. Mas a condição, além de referir-se a fato futuro, precisa relacionar-se ainda a um, acontecimento incerto, que pode se verificar, ou não. Se o fato futuro for certo, como a morte, por exemplo, não será mais condição e sim TOrmo". Afirma-se então que os descontos não foram descontos 1, ' condicionais, como entendeu a fiscalização, posto que não se, subordinaram a eventos futuros e incertos. , Cita o Prof. j•X. Carvalho de Mendonça, em sua obra 1 (Tratado de Direito Comercial Brasileiro, VI volume, la parte, 4a Ediç(o, Livraria Freitas Bastos, paga. 98/99/100), para reafirmar incondicionalidade dos negócios feitos pela Recorrente. Reedita as razffes de sua impugnação e solicita, no mérito a reforma da decisão recorrida. E o relatório. i 6 , . , . "J(~ ,te~ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 40-W SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no:: 10.805-001.191/90-45 Acórdo no:: 201-68.140 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO MARTINS CASTELO BRANCO , i Preliminarmente Não vejo razão á Recorrente no tocante ao cerceamento de defesa alegado (fl. 142), em face . da não existencia de omissão por parte da autoridade de ia instcia, que valeu-se do art. 17 do Decreto 70.235/72 para indeferir o pleito. Quanto a nulidade da decisão, também não observei p quaisquer motivos que nos permitam anulá-la, tendo em vista que a constituição do crédito tributário foi feita com a -estrita , observância das normas ditadas pelos artigos 142 e 144 do Código Tributário Nacional e da mesma forma_o foram em relação ao artigo 10 do Do c: Federai no 70.235/72 que disp?ie sobre o processo 1 administrativo fiscal, eis que se verifica constar do Auto de Infração de fl. 26a oLorrencia do fato gerador. A determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido:j a identificação do sujeito passivo, a aplicação da penalidade cabível e, enfim, se enLentram presentes todos os pressupostos previstos nos incisos I a VI do art. 10 do Dec. 70.235/72. • , Quanto a :i. cri da autuação em relação aos fatos geradores ocorridos no petIodo de 01 a 19 de abril de 1985, dou a razão • Recorrente, em face do art . .. 150 CTN que diz:: i "Art. 150 - o lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento seM prévio exame da autoridade administrativa opera-se, pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa., I parágrafo ig :-. omissis - , i parágrafo 22 - omissis - -parágrafo 32 - omissis - parágrafo 42 - se a lei não fixar prazo a • ho- mologação, será. ele de cinco anos a contar da ocorrendo do fato g•radorr, expirado esse prazo sem que a Fazenda PUblico se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrendo de dolo, fraude ou simulação". 1 7, , , i , • , nu% MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 1",ii k SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo ngn 10.805-001.191/90-45 , . Acórdão non 201-68.140 No Mérito Sendo o ponto conidevado pela fiscalização, para a autuação, a existOncia de desconto condicional nas vendas da, Pernrrente para seus concessionários, in....wrendo asim na redução indevida da base imponível para o cálculo do IPI, impffe ,...e a con:..ideração do estabelecimento da ocorrOncia da condição ou não, ,Çpontadas para 05 devidos descontos. ,, Ma recurso recentemente julgado por este Conselho, em matéria semelhante COM relatório do Ilustre Conselheiro Dr. L. :i. de Azevedo Mesquita, onde a Recorrente teve SCU recurso provido, pode mo ... retirar ensinamentos como os que o Prof. Emílio Betti, na sua obra "Teoria Geral do Negócio Jurídico, tradução para a língua Portuguesa de Fernando Miranda, "Coleção Coimbra Editõra". Portugal dissertan, "Chama-se ... condição, não só à previsão hipotética de um evento futuro e objetivamente incerto, mas também a esse evento, na medida em que a parte faz depender da sua verificação o valor vinculativo do negócio..." 1 Observado, ainda, o Código Civil, em seu art. 1. define condição COMO:: • "Art. 114 - Considera se condição a cláusula que , subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e in c I...x, r Não encontro, de forma inquestionável razão para determinar COMO condicional o desconto feito pela Recorrente aos seus cf....m.m....cn ,:ionários ., estando, assim, a Recorrente, •praticando um de::,....onto incondicional, portanto na forma da legislação do IPI (art. 63, parágrafo 32 do 1 IPI/82) excluída da base de cálculo do tributo. 1 Assim sendo e com ba ..,e no a,pre ...entado rio ... autos dou provimento ao re.,:curso. Sala das SessCies, em 10 de junho de 1992. , Alf T 01,1:1: O 11(:*IRT:1: ,.' S C:ASTI:El...O BRANCO • / , , 1::3 , , , Aya., 0745" MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 4ggN 4 11‘ . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo riqN 10.805-001.191/90-45 AcórdUo rigN 201-68.140 VOTO DO CONSELHEIRO ARISTWANES FONTOURA DE HOLANDA, RELATOR- DESIGNADO . . Examino a primeira preliminar levantada pela Recorrente2 nulidade da decisão recorrida, ' em virtude do indeferimento da perícia solicitada. Esta, segundo a Recorrente, se dirigiria a comprovar, que as vendas que realizara teriam sido para pagamento à vista, e não a prazo. 1 Não encontrei nos autos elementos de convicção que justiticssem a referida perícia. Com efeito, a matéria de fato acha-se suficientemente t,:sclarecida, quer pela descrição dos fatos efetuada no Auto de Infração de fls. 24/20, quer pelas :i. ri prestadas pela Empresa, às fls. 03/04. Estas últimas, calcadas na cláusula 3a, II e III, dos contratos celebrados entre a Autuada, a FORD Financiadora S/A - Crédito, Financiamento e Investimentos e Concessionários - distribuidores da primeira (cópias de exemplares desses contratos às fls. 49/84), dão conta de que "após a emissão da nota fiscal de , venda pela Ford ao Distribuidor, a duplicata correspondente é apresentada à instituição financeira... constituindo, portanto, uma venda à vista...". , Tais informaçffes não foram contestadas pela fiscalização ou pela autoridade prolatora da decisão recorrida, por ' não restarem dúvidas sobre a natureza de vendas à vista, das operaOes examinadas, documentadas pelas notas fiscais-fatura a que o auto de infração e respertivos demonstrativos fazem refewOrm....i.a. 1 Pelo exame das cópias constantes às fls. 14/21, verifico que os documentos fiscais mencionados consignam claramente serem para , pagamento à vista as operaOes de venda de produtos neles discriminados. E, como foram emitidos com observância das, formalidades legais e regulamentares (art. 242 do RIPI), emissão essa não questionada pela fiscalização, é de se concluir pela sua idoneidade, inclusive quanto à expressão "desconto para pagamento à vista", neles ciJnstant.e. - . Por outro lado, não é relevante para a solução do litígio perquirir se a autuada realizava vendas somente â vista, somente a prazo, ou nas duas modalidades, a seus concessionários distribuidores, em qualquer período. a.ffl é saber se as vendas de que tratam os I autos, às quais corresponderam saídas de produtos tributados do estabelecimento da Autuada, foram realizadas contra pagamento â vista, abatendo-se do preço declarado (base de cálculo do IPI), a I título de "desconto para pagamento à vista", quantia determinad / 9 , , . . . ,,,,am8 . P.WIRÁN MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ,l'íwFM-,--, , '‘4610 • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n22 10.805-001.191/90-45 , . Ac6rdão n22 201-68.140 segundo parmetros estabelecidos pela vendedora e aceitos pelos , adquirentes. Tenho que esse fato é indubitavelmente demonstrado DOS autos. . Destarte, não foi instaurada a controvérsia sobre a matéria de fato, estando esta, como demonstrado, :1. ri , esclarecida nos autos. Desnecessária é a perícia, . portanto, não configutando o seu indeferimento a "pteterição do direito de defesa", a que alude o artigo 59, II, do Decreto 70.235/72. , , , Tampouco foi violado o art. 52, LV, da Constituição, , porquanto a Autuada exercitou ampla defesa, no contraditério inst,mi.rado, tendo tido aces ,..o a todos os "meios e recursos" usual e razoavelmente admitidos pelo direito aplicável, ai não incluídas , perícias flagrantemente prescindíveis, impertinentes à solução da lide, ou de caráter nitidamente protelatário. O precedente jurisprudencial trazido à colação pela , Recorrente também não lhe aproveita, eis que a decisão recorrida não foi omissa, ou silente, quanto à apreciação-do pedido de perícia, tendo, ao contrário, justificado o indeferimento. (fls. 1291. . , Na realidade, a controvérsia não gira em torno da matéria de fato analisada, mas é suscitada por questão de direito, , qual seja, a de incidencia ou nas da norma expressa no artigo 14, patágrafo Unico, da Lei n2 0.502/64, sobre os fatos descritos no auto de ini'tação tendo em vista a natureza da desoneração concedida , pela Autuada, a titulo de desconto, ao., distribUidores dos produtos por ela fabricados. Por e,::,::.a,; razes, rejeito a preliminar. , Quanto â segunda preliminar - homologação tácita dos i lançamentos efetuados pela Autuada, no período de 12 a 19/04/85 - tenho^que a Recorrente situou corretamente a questão. Com efeito, a denUncia fiscal trata de imposto parcialmente não lançado pelo contribuinte, para a determinação do qual obviamente foi necessário rever o lançamento efetUado pelo conE. ribuinte. , . E precisamente ii.:: ,..a revisão que era inadmissível, em , 20/04.90, (data da lavratura do auto de infra ç. em relação aos lançamentos feitos pelo contribuinte no período de ig a 19/04/85. Isso porque já decorrera o período de cinco anos, contados da. oCorrência dos respectivos fatos geradores, período esse . , • estabelecido em lei (art. 150, parágrafo 42 do CTH, e art. 6l., I, do 1I1I/82) para que a autoridade administrativa se Manifesta e sobre a correção do lançamento, homologando o ou não. Decorrido tal pra c/' , 10, _ ' .00'Ntk--- • 4SMWI) MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 1 ,eU7-., , NOWW SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' Processo no:: 10.905-001.191/90-45 Acórdão npN 201-60.140 - sem que houvesse ocorrido a manifestação da autoridade, era de, , considerar "homologado o lançamento e definitivaffiente extinto o crédito", noS termos do dispositivo do CTN, cit.a.do . 1 E que, embora parcial, houvera em lançamento feito pelo contribuinte, de e9.)écie "lançamento por homologação" (arts. 15( do CTN e 55 do RIPI/02) não tendo a fiscalização comprovado a ocorrencia de dolo, fraude ou simulação. Para ' questioná-lo, e promover a sua alteração, a autoridade administrativa competente , para efetuar o lançamento dispunha de cinco anos, contados da ocorrOncia do fato gerador. Não agindo nesse tempo, configurou-se a homologação do lançamento feito pelo contribuinte, e a consecffiente extinção do crédito tributário. (V. art. 150, parágrafo Ao, do CTN, e 50, parágrafo único, do RIPI). , Diferente seria a conclusão na hipótese de inocorrOncia do lançamento, de fato ou nas situaçies descritas no art. 57, do 1:;.I1::I/82, em que caberia a apreciação da decadOncia, decorrente de prazo mais largo (V. art. 173, I, do CTN, e 61, II, do RIPI) exatamente porque a constituição do crédito tributário dependeria de apuração fiscal mais complexa - inclusive por demandar mais tempo para investigação dos fatos e do direito aplicável - do que a requerida para a homologação de lançamento já antecipado pelo, sujeito passivo. , Pot essas razes, acolho a preliminar. Mo mérito, observo, de início, que não pode prosperar , a alegação da Recorrente, de que cometem "erro formal" ao consignar nas notas fiscais de vendas de veículos, examinadas pela fiscalização, a expressão "desconto para pagamento à vista". , Esses documentos fiscais, como já mencionei na análise das preliminares, se revestem das formalidades legais e regulamentares, sendo idÕneos portanto para os fins a que se 1 destinam, retratando o seu contexto a substãncia da operação que descrevem. Não • razoável supor que a autuada, dotada de notória sofisticação organizacional operacional, não os tivesse cancelado e remetido, nos termos do regulamento, em c. ,~ de erro com tão significativos reflexos nos campos tributário e negociai. i - Assim, a expressão "desconto para pagamento à vista", , aposta nos referidos documentos fiscais, que são integralmente idóneos, deve ser tomada como válida em todos os seus termos formais, e como expressão do que substancialmente objetivou o emitente:: subordinar a efetividade do abatimento ao "pagamento à, V ista", como estipulado na Cláusula Terceira do "Contrato de Financiamento Rotativo para Compra de Veículos com Garantia Real" celebrado entre a FORD BRASIL SIA, a FORD Financiadora S/A Crédito, 4,,r, Financiamento e -Investimentos e o concessionário - distribuidor. / 11 , .. , , , I Á:4N ni:N MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO, , ,, 10W2 Nnffigrj . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo no): 10.805-001.191/90-45 . Acórdão no): 201-68.140 A teUetida disposição contratual estabelece que os , financiamentos deverão set utilizados para a aquisição de veículos "que a devedora ((::oncessionário - distribuidor) fizer â FORD (FORD . Ti..BRAS S/A), e que serão pagos a esta pela credora (FORD Financiadora S/A Crédito, Financiamento e 1.W.n::StiWi!nt.C. 1 por conta e ordem da Devedora, do seguinte modor, , conformidade com o acordo estabelecido entre as partes e objetivando esse(a) financiamento(s), a i CREDORA se obriga a pagar a FORD, em caráter rotativo, o valor ' correspondente às compras de 1 veículos que a DEVEDORA realizar junto à FOR D, observadas as cláusulas deste contrato.r ' II - na data em que a FORD entregar o(s) velculo(s) à empresa encarregada de transportá-lo(s) . ao esE.abelecimento da DEVEDORA, ou ao seu bastante procurador, a FORD remeterá à CREDORA (s) , duplicata(s) referente(s) venda(s) realizada(s), devidamente endossada(s) a esta, acompanhada(s) de correspondOncia relacionando e caracterizando O(s) I veículo(s) cuja (s) venda (s) à DEVEDORA deu(ram) origem aos respectivos saques. III - no dia da entrega da(s) duPlicata(s) mencionada(s) no item II supra a CREDORA se obriga a pagar à FORD o valor correspondente a(s) duplicata(s) recebida(s) o qual será simultaneamente debitado â DEVEDORA na conta para esse fim aberta, que se destina exclusivamente a evidenCiar a movimentação financeira deste contrato". Assim, fez :,:e depender o desconto de um evento necessariamente posterior à sua estipulação. Evento futuro, , portanto, consequente ao ajuste de compra e venda, e passível de ser r eleito pelo vendedor como condição modificativa do preço avençado, , pela ' 1/ a ncnrrOncia nos termos da cláusula contratual mencionada. No campo tributário, tal evento também se situaria , após a ocorrencia do fato gerador, marco temporal do surgimento da obrigação tributária e portanto da determinação da base de cálculo. Destarte, embota relacionado com fatos anteriores â ,:.Ha concessão, como a celebração da compra e venda e do "Contrato de Financiamento..." aludido, o desconto teve sua efetividade subordinada a evento futuro, qual seja o pagamento de acordo com a Cláusula Terceira III, do contrato aqui referido. I Parece-me também não haver dúvida quanto à incerteza r do evento, uma vez que havia possibilidade de não realização do pagamento que o concessionário distribuidor prometia efetuar à ' lq/ 12r ,J0W- 4-~ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO - AK... '44gM SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 Processo n2N 10.805-001.191/90-45 Acórdão no:: 201-68.140 .. vendedora (FORD BRASIL), pot intermédio da entidade financeira (FORD FinwIciadora). Tanto assim que os credores, independente das causas que pudessem acarretar o inadimplemento (indisponibilidade de recursos na financeirag sujeição desta a medidas oficiais, restritivas de sua atividade, por exemplo), procuraram assegurar-se do ressarcimento de eventual falta de pagamento, mediante inserção, no contrato, das cláusulas sexta, sétima, nona e décima, em cujo, contexto está subjacente a possibilidade de não pagamento do débito, , do concessionário - distribuidor. , Todas essas cláusulas estabelecem mecanismos de recuperação do preço total dos veículos (incluidos acréscimos ., financeiros), inclusive os valores correspondentes ao desconto, concedido com a finalidade declarada de "ressarcir" o concessionário ' dos encargos financeiros contratados formalmente com a FORD , Financiadora, isto é, para "eliminar" ou "minimizar" tais (Mus. Isso contribui também para mostrar a subordinação do dnsconto ao pagamento, como determinado na Cláusula Terceira, do "Contrato de Financiamento... ", tendo em vista que o desconto sé seria efetivo em caso de integral cumprimento das disposiçffes contratuais referidas. Caso contrario, o valor total a pagar englobaria o preço sem desconto uma vez que a financiadora estaria habilitada contratualmente é recuperação integral de seus créditos (inclusive encatgos integrais). . , Tenho assim como demonstrada a natureza condicional , do desconto concedido pela Autuada, o que me leva é conclusão de ter sido indevida a sua exclusão da base de cálculo do IPI, a teor do 1 disposto no art. 14, parágrafo único da Lei 4.502/64 e do art. 63, TI, e parágrafo 32, do RIPI/82. , Reforça ainda a minha convicção o entendimento dé que o referido dispositivo legal tem por objetivo a manutenção da integridade da base de cálculo, so admitindo dela sejam excluídos os descontos, abatimentos ou diferenças que efetivamente representem uma livre transferencia de recursos do alienante para o adquirente, isto é, uma transferOncia que assegure ao adquirente a livre disposição dos recursos havidos sob o título de desconto, diferença 1 ou abatimento. Oualquer restrição a essa livre disponibilidade implica inclusão na base de cálculo, do valor correspondente ao, cliremtn„ diferença ou abatimento. - Essa interpretação deve-se, primeiro, a que a exegese do dispositivo não sofre restrição pelo disposto na parte final do parágrafo 32 do art. 63 do RIPI, que busca (e apenas isso) orientar a administração fiscal sobre o conceito de condição utilizando o , contido na lei civil, sem contudo esgotar, por essa indicação, o alcance do dispositivo que visou a regulamentarg segundo, é constatação de que na Conformidade do art. 109 do CTN pode a intérprete ou aplicador da legislação . tributária utilizar conceitos de direito privado para deles extrair efeitos próprios do Direito . 71-/ , , 13 ,, , MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO4ye ‘k400 • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no:: 10.805-001.191/90-45 . 1 . Acórdão ng. r. 201-68.140 , Tributio, como os que dizem re.,peito à composição da base de cálculo. No caso dos autos é clara a restrição â livre disponibilidade dos recursos correspondent e ao desconto:: estes se reservam à satisfação parcial do ,, encatgos financeiros a que se obrigou o adquirente, como a própria Recorrente reconhece, ao alegar a natureza compensatória do desconto. De sorte que o que foi economizado na operação formal de compra será neueriamente utilizado na compensação com os • débitos contraídos na operação formal de financiamento. Dada a forte e notária vinculação societária entre vendedora e financiadora, nãop è difícil concluir que o desconto em tela não • ditado pela liberalidade - incondicionalidade - que a lei exige como pressuposto para sua exclusão da base de cálculo, mas por conveniOncia da ' economia interna das empresas partícipes do negócio. Tal conveniüncia não deve ter o efeito de provocar a redução da bA .; e de cálculo do IPI, por não haver nitidamente amparo legal para isso. Em verdade, o "Contrato de Financiamento..." • que consta dos autos é um instrumento repi. esentativo de convenção particular elaborada de conformidade com o Direito Privado, mas imprestável para produzir o efeito tributário que a fisLalização detectou:: redução da base de cálculo do IPI, a título de concessão de desconto incondic.ioruU- Isto porque o abatimento do preço dos,,, produtos, apesar da forma jurídica empregada,: não tem 'a característica essencial de incondicionalidade parecendo antes resultar de abuso de forma, configurado pela utilização do aludido instrumento contratual para acobertar a redução . indevida da base de cálculo do IPI. Transcrevo, a propósito, adotando-os também como razGes de decidir, fundamentos de memorável voto proferido na CSRF , pelo Conseheiro Lourierdes Fiuza dd,. Santos, acolhido pelo Colegiado, para provimento do Recurso Especial RP/201-0.133:: "A apreciação da lide por esse 'Étngulo do "abuso de forma" é absolutamente pertinente, visto que, , estando em discussão a interpretação de cláusulas, 1 , contratuais, necessário se torna, no interesse da tributação (que é interesse público), examiná-las, não só pela aparüncia externa do seu texto, como pela , intenção das partes, não formalizada expressamente co apresentada -:..(di íorma que oculta essa intenção., Tal modo de analisar os fatos nada tem a ver com ', introduçáo de cri c:' no feito, como argúi o sujeito passivo. O fato entendido e julgado como ilícito fiscal é a redução indevida do valor 7 tributável. Esse fato não foi alterado, não valend.....-p7 , n/ - t 14 - 1 . 1 -9/ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO -~Re SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 Processo nqn 10.805-001.191/90-45 , Acórdão no:: 201-68.140 , como argumento contrário a análise feita por . ãngulos, diversos, inclusive o da simulação. Ainda quanto ao voto do Conselheiro OSVA1Dn TANCREDO DE OLIVEIRA, 'reporto-me a texto que foi buscar em lide discutida no àmbito da administração . tributária do Estado do Rio de Janeiro., onde é posta, a seguinte questão:: , . , 'Posto o administrador tributário diante de tão evidente desvirtuamento de formas e categorias jurídicas, de que lançam mão alguns, p contribuintes na estrututação fwmal de seus negócios, há que perguntar co teria ele - o , administrador - de quedar-se inerte ante a intocabilidade da forma eleita por aqueles contribuintes para a consecução dos seus oLei jetivos:: menor pagamento ou pagamento de tributo diferido no tempo.' , , O racioncínio desenvolvido com invocação de pronunciamento do jurista JOSE EDUARDO MONTEIRO DE ,, BARROS nos seguintes termosn , 'Ao direito privado interessa o princípio da autonomia das vontades e ao direito tributário , (como direito público) interessa o objetivo visado pelas partes, pelos interessados e • pi.eváleLe o interesse público. Isso significa que (embora nãO de maneira absoluta, total) ele abstrai a forma dos atos, para se preocupar apenas com a sua substància. Adquire relevãncia especial a substància dos atos, muito mais do - que a sua própria forma. Em outras palavras:: tem em mira mais a realidade econÔmica subjacente nas relaçffes jurídicas, do que a forma léxica, verbal, dos atos jurídicos, das transaçffes.' Ao final, chega â Lonclusão de que "é legítima a , perscrutação da verdadeira natureza da atividade, de forma jurídica quando ela- se mostre atípica e inadequada â . realidade econômica do negócio celebrado". Outra não é a situação que se v0 no presente feito. E, pol.tanto, não pode deixar de ser questionada a forma aparente das cláusulas contratuais vis-a-vis com "a realidade econÓmic yk subjacente." i ' 15 ,..,.... , .. , MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO •kL~ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, ----~ Proce n nw.: 10.805-001.191/90-45 . . Acór~ nQn 201-68.140 , , E evidente que ao industrial ê . licito reduzir sua margem de ganho, se isso melhor convêm â sua estratégia empresarial. Há, porém, n2i:o perder de vista tratar-se de ajuste entre particulares que nãb pode repercutir na área tributária. Por essa razão, é , defeso âs partes compensar C:mus e vantagens pela via da redu0o do imposto a pagar. Impertinente, pois,- cogitar-se de prática comercial, como alega o vendedor, quando se está frente a uma in1ra0o fiscal. , p O Fisco iVÈCo interfere (nem pode) na economia interna das empresas para ditar normas quanto ao modo , pelo qual ajustam suas relaçi. cnmerciAis. nAhçá-lhe, contudo, em defesa do Erário,•zelar pelo direito que . lhe assiste de receber o que for devido." Ante o exposto, voto pelo n:':Co provimento do recurso. Sala•das Sessffes, em 10 de junho de 1992. . 2y/uAVr-fr-'-l_- . , ARIS/õFANO:.'FONTOURA DE HOLANDA , , , , . . .. 16
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