Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.720942/2018-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2014, 2015, 2016
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APURAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. FALTA DE APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS DA CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA.
Ao contrário do que afirmou a contribuinte, a Autoridade Julgadora de primeira instância analisou o argumento da Recorrente e indicou os dispositivos legais que fundamentaram a sua decisão.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. OUTRO MOTIVO PARA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
O fundamento para o arbitramento no AC 2014 foi a imprestabilidade da escrituração contábil.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTAÇÃO POR DOIS REGIMES DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO. CORRETA O PROCEDIMENTO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL.
Conforme exaustivamente consignado no TVF e verificado nos autos, como se verá em detalhe na análise do mérito, a escrita contábil do contribuinte foi considerada imprestável para apuração do lucro pela Autoridade Fiscal, de modo que a lei determina a apuração do lucro pelo lucro arbitrado. A receita contabilizada pelo lucro presumido foi corretamente excluída da apuração pelo lucro arbitrado. Se tivessem sido incluídas, teriam que ser excluídas porque foram oferecidas à tributação, e assim haveria cobrança em duplicidade, e portanto, indevidamente, podendo ser objeto de questionamento pela contribuinte
ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Os documentos e fatos narrados pela Autoridade Fiscal, não contestado pela contribuinte, comprovam a imprestabilidade de sua escrituração contábil, justificando o arbitramento do lucro.
IRPJ/CSLL. APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL, PRESUMIDO OU ARBITRADO. DOIS REGIMES DE TRIBUTAÇÃO NO MESMO TRIMESTRE. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
A apuração do IRPJ e da CSLL é realizada, com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, inexistindo qualquer margem na legislação para a adoção, em relação a um mesmo período de apuração trimestral, de dois regimes de tributação. Este último procedimento macula de nulidade, por vício material, o lançamento de ofício.
IRPJ/CSLL. APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. CONSIDERAÇÃO DE TODAS AS RECEITAS AUFERIDAS NO PERÍODO. DEDUÇÃO DE EVENTUAIS PAGAMENTOS EFETUADOS NO REGIME ANTERIOR.
Uma vez identificada a omissão de receitas, e sendo constatada a incidência em hipótese de adoção do Lucro Arbitrado, toda a apuração dos períodos de apuração incluídos no lançamento deve ser alterada para tal regime de tributação, mediante a consideração de todas as receitas (declaradas e omitidas) e dedução no lançamento de eventuais valores declarados e/ou pagos com base no regime anteriormente adotado.
Numero da decisão: 1302-007.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação, quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de nulidade, por vício material, do lançamento, devido à aplicação de dois regimes de tributação no mesmo período de apuração, vencidos os conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator), Maria Angélica Echer Ferreira Feijó e Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior que votaram por rejeitar a referida preliminar. Os conselheiros Sávio Salomão de Almeida Nobrega e Marcelo Oliveira alteraram o voto anteriormente proferido quanto a esta matéria. Designado o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, para redigir o voto vencedor quanto às matérias em relação às quais o Relator foi vencido. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator.
O conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa (convocado) não votou em relação às preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação, quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo, e de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação quanto à submissão a dois regimes de tributação no mesmo período, pois as matérias já foram votadas pelo Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, conforme art. 110, §5º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e redator designado
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APURAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. FALTA DE APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS DA CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA. Ao contrário do que afirmou a contribuinte, a Autoridade Julgadora de primeira instância analisou o argumento da Recorrente e indicou os dispositivos legais que fundamentaram a sua decisão. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. OUTRO MOTIVO PARA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. O fundamento para o arbitramento no AC 2014 foi a imprestabilidade da escrituração contábil. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTAÇÃO POR DOIS REGIMES DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO. CORRETA O PROCEDIMENTO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL. Conforme exaustivamente consignado no TVF e verificado nos autos, como se verá em detalhe na análise do mérito, a escrita contábil do contribuinte foi considerada imprestável para apuração do lucro pela Autoridade Fiscal, de modo que a lei determina a apuração do lucro pelo lucro arbitrado. A receita contabilizada pelo lucro presumido foi corretamente excluída da apuração pelo lucro arbitrado. Se tivessem sido incluídas, teriam que ser excluídas porque foram oferecidas à tributação, e assim haveria cobrança em duplicidade, e portanto, indevidamente, podendo ser objeto de questionamento pela contribuinte ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Os documentos e fatos narrados pela Autoridade Fiscal, não contestado pela contribuinte, comprovam a imprestabilidade de sua escrituração contábil, justificando o arbitramento do lucro. IRPJ/CSLL. APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL, PRESUMIDO OU ARBITRADO. DOIS REGIMES DE TRIBUTAÇÃO NO MESMO TRIMESTRE. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. A apuração do IRPJ e da CSLL é realizada, com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, inexistindo qualquer margem na legislação para a adoção, em relação a um mesmo período de apuração trimestral, de dois regimes de tributação. Este último procedimento macula de nulidade, por vício material, o lançamento de ofício. IRPJ/CSLL. APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. CONSIDERAÇÃO DE TODAS AS RECEITAS AUFERIDAS NO PERÍODO. DEDUÇÃO DE EVENTUAIS PAGAMENTOS EFETUADOS NO REGIME ANTERIOR. Uma vez identificada a omissão de receitas, e sendo constatada a incidência em hipótese de adoção do Lucro Arbitrado, toda a apuração dos períodos de apuração incluídos no lançamento deve ser alterada para tal regime de tributação, mediante a consideração de todas as receitas (declaradas e omitidas) e dedução no lançamento de eventuais valores declarados e/ou pagos com base no regime anteriormente adotado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 19515.720942/2018-73
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7060742
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1302-007.072
nome_arquivo_s : Decisao_19515720942201873.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : WILSON KAZUMI NAKAYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720942201873_7060742.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação, quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de nulidade, por vício material, do lançamento, devido à aplicação de dois regimes de tributação no mesmo período de apuração, vencidos os conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator), Maria Angélica Echer Ferreira Feijó e Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior que votaram por rejeitar a referida preliminar. Os conselheiros Sávio Salomão de Almeida Nobrega e Marcelo Oliveira alteraram o voto anteriormente proferido quanto a esta matéria. Designado o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, para redigir o voto vencedor quanto às matérias em relação às quais o Relator foi vencido. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator. O conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa (convocado) não votou em relação às preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação, quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo, e de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação quanto à submissão a dois regimes de tributação no mesmo período, pois as matérias já foram votadas pelo Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, conforme art. 110, §5º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e redator designado (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2024
id : 10413897
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:29 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395760361472
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-25T17:38:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-25T17:38:56Z; Last-Modified: 2024-04-25T17:38:56Z; dcterms:modified: 2024-04-25T17:38:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-25T17:38:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-25T17:38:56Z; meta:save-date: 2024-04-25T17:38:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-25T17:38:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-25T17:38:56Z; created: 2024-04-25T17:38:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2024-04-25T17:38:56Z; pdf:charsPerPage: 2279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-25T17:38:56Z | Conteúdo => SS11--CC 33TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 19515.720942/2018-73 RReeccuurrssoo De Ofício e Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1302-007.072 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 09 de abril de 2024 RReeccoorrrreenntteess ALMEIDA & DALE GALERIA DE ARTE LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APURAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. FALTA DE APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS DA CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA. Ao contrário do que afirmou a contribuinte, a Autoridade Julgadora de primeira instância analisou o argumento da Recorrente e indicou os dispositivos legais que fundamentaram a sua decisão. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. OUTRO MOTIVO PARA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. O fundamento para o arbitramento no AC 2014 foi a imprestabilidade da escrituração contábil. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTAÇÃO POR DOIS REGIMES DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO. CORRETA O PROCEDIMENTO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL. Conforme exaustivamente consignado no TVF e verificado nos autos, como se verá em detalhe na análise do mérito, a escrita contábil do contribuinte foi considerada imprestável para apuração do lucro pela Autoridade Fiscal, de modo que a lei determina a apuração do lucro pelo lucro arbitrado. A receita contabilizada pelo lucro presumido foi corretamente excluída da apuração pelo lucro arbitrado. Se tivessem sido incluídas, teriam que ser excluídas porque foram oferecidas à tributação, e assim haveria cobrança em duplicidade, e portanto, indevidamente, podendo ser objeto de questionamento pela contribuinte ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Os documentos e fatos narrados pela Autoridade Fiscal, não contestado pela contribuinte, comprovam a imprestabilidade de sua escrituração contábil, justificando o arbitramento do lucro. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 42 /2 01 8- 73 Fl. 2512DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 IRPJ/CSLL. APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL, PRESUMIDO OU ARBITRADO. DOIS REGIMES DE TRIBUTAÇÃO NO MESMO TRIMESTRE. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. A apuração do IRPJ e da CSLL é realizada, com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, inexistindo qualquer margem na legislação para a adoção, em relação a um mesmo período de apuração trimestral, de dois regimes de tributação. Este último procedimento macula de nulidade, por vício material, o lançamento de ofício. IRPJ/CSLL. APURAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. CONSIDERAÇÃO DE TODAS AS RECEITAS AUFERIDAS NO PERÍODO. DEDUÇÃO DE EVENTUAIS PAGAMENTOS EFETUADOS NO REGIME ANTERIOR. Uma vez identificada a omissão de receitas, e sendo constatada a incidência em hipótese de adoção do Lucro Arbitrado, toda a apuração dos períodos de apuração incluídos no lançamento deve ser alterada para tal regime de tributação, mediante a consideração de todas as receitas (declaradas e omitidas) e dedução no lançamento de eventuais valores declarados e/ou pagos com base no regime anteriormente adotado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação, quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de nulidade, por vício material, do lançamento, devido à aplicação de dois regimes de tributação no mesmo período de apuração, vencidos os conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator), Maria Angélica Echer Ferreira Feijó e Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior que votaram por rejeitar a referida preliminar. Os conselheiros Sávio Salomão de Almeida Nobrega e Marcelo Oliveira alteraram o voto anteriormente proferido quanto a esta matéria. Designado o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, para redigir o voto vencedor quanto às matérias em relação às quais o Relator foi vencido. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator. O conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa (convocado) não votou em relação às preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação, quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo, e de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação quanto à submissão a dois regimes de tributação no mesmo período, pois as matérias já foram votadas pelo Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, conforme art. 110, §5º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e redator designado (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Fl. 2513DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do acórdão 02-93.277, de 29 de maio de 2019 da 3ª Turma da DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo principal ALMEIDA & DALE GALERIA DE ARTE LTDA (“AD”) e pelos sujeitos passivos solidários ANA MARIA ELIAS DALE, CARLOS DALE JUNIOR e JOSE ANTONIO CERQUEIRA DE ALMEIDA contra Auto de Infração lavrado por auditores fiscais lotados na Delegacia Especial de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo – DIFIS. Foram lavrados auto de infração com exigência de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF relativos a fatos geradores dos anos-calendários de 2014, 2015 e 2016, com os valores discriminados na tabela abaixo, com juros e multa qualificada de 150%: A autoridade fiscal considerou imprestável a escrituração contábil mantida pela AD, em decorrência dos fatos consignados no Termo de Verificação Fiscal, juntado às e-fls. 123 a 165, e arbitrou o lucro com base na movimentação financeira do sujeito passivo. A Fiscalização entendeu que as receitas da AD não decorriam de atividade de comissão por intermediação na compra/venda de obras de arte, mas da comercialização por conta própria das obras de arte, auferindo o lucro pela diferença entre o preço pago pelos compradores e o preço pago aos vendedores (proprietários originais das obras de arte). A Fiscalização considerou que houve simulação de prestação de serviço pela AD, quando o que ocorria seria operação comercial de compra e venda de mercadoria. Além da omissão de receita, que foi o fundamento para a exigência de IRPJ e seus reflexos na CSLL, PIS e COFINS, houve a lavratura de auto de infração com exigência de IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Foram arrolados como sujeitos passivos solidários as pessoas físicas de ANA MARIA ELIAS DALE, CARLOS DALE JUNIOR e JOSE ANTONIO CERQUEIRA DE ALMEIDA com fundamento no art. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional. A AD apresentou impugnação às e-fls. 2046 a 2090, com os seguintes argumentos, em síntese; Fl. 2514DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 1)nulidade do auto de infração de IR-Fonte por reabertura de fiscalização de período já fiscalizado sem expressa autorização de autoridade; 2)nulidade do auto de infração por existência de vício material na apuração dos tributos, decorrente da utilização de metodologia estranha, não prevista em lei, na apuração das bases tributáveis, i.e, por não se ter utilizado o efetivo faturamento mensal, mas a média das operações do trimestre; 3)nulidade do auto de infração por utilização de duplo regime de tributação para os mesmos períodos de apuração: lucro presumido (para as receitas de vendas de mercadorias e serviços declarados) e lucro arbitrado para o valor apurado como “omissão de receitas”; 4)nulidade do auto de infração por inadequação do fundamento para a acusação fiscal de opção indevida pelo lucro presumido, ao menos relativamente ao ano-calendário 2014, pois não teria ocorrido a extrapolação do limite de receita no ano-calendário anterior (2013) de R$ 78.000.000,00 prescrito pelo art. 14 do inciso I do artigo 14 da Lei nº 9.718/98; 5)nulidade do auto de infração, por desrespeito a opção do contribuinte pelo lucro presumido. Explica que tendo entendido que ocorrera omissão de receita, a Fiscalização deveria recompor as base de tributação, mas respeitando o regime de tributação adotado pelo contribuinte, o que não teria ocorrido, ao menos em relação ao ano-calendário de 2014; 6)nulidade do auto de infração por não terem sido apontados pela Autoridade Fiscal os “erros e falhas” da escrituração de forma clara e objetiva, impossibilitando o sujeito passivo de exercer plenamente o seu direito de defesa; 7)nulidade do auto de infração por inadequação do arbitramento realizado, tendo em vista que os fatos narrados no TVF determinariam a utilização de procedimentos específicos previstos na legislação tributária para os casos lá consignados de omissão de receita por constatação de saldo credor de caixa mencionada às fls. 164 do TVF e que constam na “Tabela n° 10”, também do TVF; 8)afirma ser indevida a inclusão de ingressos financeiros provenientes de contas bancárias dos sócios; argumenta que, abandonando a presunção legal do art. 282 do RIR de 1999, não pode o fisco qualificar estas entradas como receita da pessoa jurídica, devendo ser excluídos tais valores, caso mantida a autuação; 9)afirmou que foram incluídos na base de cálculo dos tributos ingressos que não podem ser qualificados como receitas, como empréstimos, estornos e devoluções, discriminados no ANEXO I e deveriam ser excluídos da base de cálculo apurada pelo fisco. 10)irresigna-se contra a caracterização de sua atividade imputada pela Fiscalização como de compra e venda e não de prestação de serviço, afirmando que atuou como comissária na aquisição de obras de arte para os compradores, agindo em seu próprio nome, seguindo as instruções para a aquisição das obras de arte especificadas pelos compradores, sendo a comissão recebida definida pela diferença entre o preço pago pelo comprador e o preço pago ao vendedor na intermediação do negócio; 11)afirma que as diligências realizadas pela Fiscalização junto a terceiros confirmariam que o sujeito passivo era “mera intermediária na compra e venda das obras”; 12)aduz que seria indevida a exigência do IRRF por “pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado” por não ter sido comprovado a efetividade do pagamento. E além Fl. 2515DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 disso, a Fiscalização não teria se desincumbido de realizar diligências para identificar a origem e a natureza dos valores que tinha considerado como não tributados; 13)afirma que há valores relacionados pela Fiscalização em planilha designada como “Anexo 18B”, em que a AD justifica a causa e o beneficiário e apresenta os documentos comprobatórios no Anexo II da impugnação, devendo ser excluídos da base de cálculo do IR- Fonte; 14)aduz que a multa de ofício de 150%, por ter caráter de penalidade, seria inaplicável sobre a infração relativa ao IR-Fonte porque a exigência no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, matriz legal do art. 674 do RIR/99, que é calculada mediante base de cálculo reajustada e a aplicação da alíquota de 35% sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sobre recursos entregues a terceiros quando não for comprovada a operação ou a sua causa, não tem cunho tributário; Os sujeitos passivo solidários apresentaram impugnação juntados às e-fls.1962 a 1987 (ANA MARIA ELIAS DALE), e-fls. 1990 a 2016 (CARLOS DALE JUNIOR) e e-fls. 2018 a 2043 (JOSE ANTONIO CERQUEIRA DE ALMEIDA). A impugnações dos sujeitos passivos solidários são idênticas e afirmam, em síntese o seguinte: 1)que a imputação de responsabilidade solidária foi aplicada com base em ilação frágil, sem qualquer sustentação fática ou jurídica, não trazendo a Fiscalização qualquer elemento de prova que pudesse dar lastro à autuação em face dos impugnantes; 2) que a Fiscalização não teria apresentado qualquer indício de dolo ou fraude nas informações prestadas pelo sujeito passivo principal ao Fisco, defendendo que a atividade da empresa era de intermediação na venda de obras de arte, havendo apenas uma divergência com o FISCO relativamente ao enquadramento jurídico dos fatos, nada havendo que autorizasse a imputação de responsabilidade tributária solidária, eis que não teria ocorrido dolo ou fraude no presente caso; 3)que seria nula a imputação de responsabilidade solidária por ausência de motivação, uma vez que os fundamentos legais elencados foram os art. 124, I e 135, III do CTN, que consideram como díspares, uma vez que seus pressupostos fáticos e consequências jurídicas são diametralmente diferentes; 4)que não seria aplicável o art. 135 do CTN para a imputação da responsabilidade solidária porque os impugnantes não agiram com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social; 5)que não haveria nos autos relato de fatos praticados pelos impugnantes, diverso do fato gerador do tributo, tampouco qualquer prova concreta que o impugnante cometeu qualquer ato ilícito, diverso e independente do suposto ilícito cometido pelo sujeito passivo principal e à sua revelia, o que configuraria a ilegitimidade da imputação de responsabilidade; 6)que seria insuficiente para a imputação de responsabilidade tributária solidária com fundamento no art. 124, I do CTN apenas o interesse econômico comum no fato gerador do lançamento, não havendo no caso concreto qualquer indício de interesse jurídico comum; As impugnações foram julgadas pela 3ª Turma da DRJ/BHE, tendo sido reduzida a exigência de tributos em face do acolhimento do argumento da empresa de que não teriam sido excluídas da movimentação financeira as transferências entre contas da própria empresa Fl. 2516DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 referentes ao indicado pelo contribuinte no montante de R$ 2.266.000,00. Por decorrência foram reajustadas as bases de apuração do IRPJ e CSLL dos 2º e 4º trimestres de 2015. Também foram reapurados o PIS e a COFINS devidos, retirando-se da base de cálculo dos tributos as transferências entre contas de mesma titularidade. Além disso, o PIS e a COFINS foram reapurados em bases mensais, em conformidade com a receita efetivamente apurada em cada mês, e não pela média mensal do trimestre como fora apurada pela Fiscalização. A responsabilização solidária dos sócios foi mantida. A ementa do acórdão recorrido está transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E INFRAÇÃO A LEI. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração a lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como seus mandatários. IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. REFLEXOS. Decorrendo as exigências de CSLL, PIS e COFINS da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2517DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Por ter dado parcial provimento à impugnação da AD, com a desoneração de R$ 2.266.000,00 de principal mais os correspondentes juros moratórios e da multa de ofício de 150%, recorreu-se de ofício ao CARF. Irresignados com o r. acórdão, a AD apresentou recurso voluntário (e-fls. 2398 a 2449). Também apresentaram recursos voluntários os responsável tributários solidários Ana Maria Elias Dale (e-fls. 2311 a 2337), Carlos Dale Júnior (e-fls. 2340 a 2366) e José Antonio Cerqueira de Almeida (e-fls. 2369-2395). A AD arguiu, em síntese, o seguinte: -nulidade da decisão de primeira instância porque, segundo ela, a autoridade julgadora de piso não teria respondido de forma clara, objetiva e fundamentada os questionamentos feitos pela impugnante, limitando-se a declarar que os procedimentos foram realizados em conformidade com a legislação, impedindo o conhecimento, por parte da Recorrente, dos fundamentos legais que permitiriam tal conclusão; -ratifica seu argumento que a Autoridade Fiscal autuante teria utilizado metodologia não prevista em lei para apuração das bases tributáveis, na apuração das exigências relativas a acusação de omissão de receitas, e que não caberia à DRJ aperfeiçoar os lançamentos com o refazimento da base de cálculo para convalidação do lançamento; -repisa o argumento de que o lançamento deveria ser anulado por ter a Autoridade Fiscal se utilizado de duplo regime de tributação para os mesmos períodos de apuração: -ratifica que o lançamento deveria ser anulado porque a acusação fiscal de opção indevida pelo lucro presumido não teria indicado o fundamento legal impeditivo dessa opção dentre as 7 situações elencadas pelo artigo 14 da Lei nº 9.718/98; -repete o argumento que a Fiscalização ao apurar os tributos devidos decorrente da suposta omissão de receitas não teria respeitado a opção da contribuinte pelo lucro presumido, ao menos em relação ao ano-calendário 2014; -irresigna-se com o arbitramento lucro, alegando que a Fiscalização não teria demonstrado os “erros e falhas” da escrituração contábil; -refirma que os fatos narrados no TVF determinariam a utilização de procedimentos específicos previstos na legislação tributária; -ratifica ter sido indevida a inclusão de ingressos financeiros provenientes de contas bancárias dos sócios; -reafirma que foram incluídos indevidamente na base de cálculo dos tributos ingressos que não são qualificados como receitas, como empréstimos, estornos e devoluções, discriminados no ANEXO I e deveriam ser excluídos da base de cálculo apurada pelo fisco sustenta que a atividade que exerce é de operações de “consignação”, tanto “mercantil” como na modalidade de “contrato de comissão”, bem como a atividade de “intermediação”, fazendo a aproximação das partes vendedora e compradora, e não de compra e venda como pretendeu caracterizar a Fiscalização; -reafirma que as diligências realizadas pela Fiscalização junto a terceiros confirmariam que a atividade do sujeito passivo era de serviços -repete o argumento que os pagamentos não comprovados representariam parcela ínfima das saídas da Recorrente, e que não foi comprovado por falta de tempo hábil para juntar Fl. 2518DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 os documentos comprobatórios e que seria indevida a exigência do IRRF por “pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado” por não ter sido comprovado a efetividade do pagamento; -alega que os pagamentos que a Fiscalização considerou como sem causa ou a beneficiários não identificados foram devidamente comprovados; -defende a impossibilidade de aplicação da multa de ofício qualificada sobre a exigência prevista no art. 61 da Lei n° 8.981/1995, por esta não ter cunho tributário; -defende que é indevida a aplicação da multa de 150% por não restar comprovada a conduta dolosa, tratando-se apenas de divergência quanto a requalificação jurídica dos fatos (serviços de comissionaria, transmudados pelo Fisco para venda e compra de mercadorias), ou na presunção legal (de “pagamento sem causa”). E destaca que a simples omissão de receita não seria fundamento para a qualificação da multa, com esteio na súmula CARF n° 14; -aduz que seu argumento contra a aplicação da multa qualificada sobre a exigência do IRRF não foi apreciada pela DRJ, cerceando-lhe o direito de defesa, mas entende que no mérito seus argumentos apresentados na impugnação lhes dariam razão; -defende que os autos de infração de CSLL, PIS e COFINS também devem ser cancelados, considerados os mesmos argumentos apresentados em relação ao IRPJ; Requereu ao final o reconhecimento de nulidade da decisão de primeira instância, com a determinação do retorno dos autos para novo julgamento, ou então que se reconheça a nulidade do lançamento. Os responsáveis solidários ANA MARIA ELIAS DALE, CARLOS DALE JUNIOR e JOSE ANTONIO CERQUEIRA DE ALMEIDA apresentaram recurso voluntário com argumentos idênticos, que foram, em síntese, os seguintes: 1)que a decisão recorrida, que manteve a responsabilização tributárias dos sócios, deveria ser anulada por não ter enfrentado os três argumentos de mérito apresentados pelos impugnantes que, segundo eles, seriam suficientes para afastar a responsabilidade tributária a eles imputada; 2)que seria nula a responsabilização tributária dos recorrentes, eis que a Fiscalização teria fundamentado a responsabilização tributária em tipos tributários díspares, cujos pressupostos fáticos e consequências jurídicas são diametralmente diferentes, o que seria equivalente a falta de motivação para a responsabilização; 3)que não haveria motivos para fundamentar a responsabilização dos recorrentes com base no art. 135, I do CTN porque não teriam agido com excesso de poder, infração à lei ou a estatuto; 4)que não seria aplicável o art. 124, I do CTN para fundamentar a responsabilização dos recorrentes pela inexistência de interesse jurídico comum no fato gerador; Requerem ao final o reconhecimento da nulidade da decisão de piso por cerceamento do direito de defesa, ou caso mantida a decisão recorrida que seja reconhecida a ilegitimidade passiva dos recorrentes. A acusação fiscal, a decisão da DRJ e os argumentos de defesa serão analisadas em detalhe no voto. É o Relatório. Fl. 2519DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Voto Vencido Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. Os recursos apresentados pela AD e pelos sujeitos passivos solidários são tempestivos e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, assim deles tomo conhecimento. O sujeito passivo principal e os responsáveis solidários alegam, em sede preliminar, a nulidade da decisão de primeira instância e requerem que seja determinado o retorno do processo à primeira instância para novo julgamento. Vejamos então, primeiramente, os argumentos de nulidade do sujeito passivo principal e na sequência os argumentos de nulidade dos responsáveis tributários solidários. 1.Argumentos de nulidade da decisão recorrida apresentados pelo sujeito passivo principal Alega AD a nulidade da decisão recorrida porque, segundo ela, a autoridade julgadora de primeira instância não teria respondido de forma clara, objetiva e fundamentada os questionamentos feitos pela impugnante, tendo se limitado a declarar que os procedimentos foram realizados em conformidade com a legislação, e com isso teria impedindo o conhecimento, por parte Recorrente, dos fundamentos legais que levaram a autoridade a quo chegar àquela conclusão. O sujeito passivo alega o seguinte: i)que no item 2 da Impugnação, a Recorrente questionou a realização de procedimento de apuração de bases de cálculo dos tributos não autorizado na legislação tributária, ou seja, que para a apuração da base de cálculo dos tributos devidos a autoridade fiscal somou os valores creditados e não justificados por trimestre e dividiu-os por três para obter os valores supostamente omitidos por mês, resultando em valores iguais para todos os meses do trimestre considerado, procedendo de forma contrária ao que que determina o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Segundo a Recorrente, a autoridade julgadora de 1ª instância não teria indicado qual o fundamento legal que permitisse à autoridade fiscal ter adotado o procedimento. ii)que a autoridade fiscal efetuou o lançamento apenas dos valores da suposta omissão de receitas apurada com base nos extratos bancários, mas a legislação tributária (art. 24 da Lei nº 9.249/95 e art. 537 do Dec. nº 3.000/99) determina que a autoridade fiscal deveria reconstituir a base de cálculo dos tributos adicionando os valores da omissão de receita apuradas para a determinação do valor do imposto e do adicional de acordo com a opção de regime de tributação indicado pelo contribuinte. Com o procedimento adotado pela autoridade fiscal, ao lançar somente os valores da suposta omissão de receitas, o sujeito passivo teria sido submetido a dois regimes de tributação no mesmo período considerado, o que seria contrário ao que determina a legislação tributária. A Recorrente alega que a autoridade julgadora de primeira instância não analisou objetivamente a sua razão de defesa, não apresentando resposta objetiva que lhe possibilitasse apresentar contrarrazões. Fl. 2520DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 iii) ratifica que o lançamento deveria ser anulado porque a acusação fiscal de opção indevida pelo lucro presumido não teria indicado o fundamento legal impeditivo dessa opção dentre as 7 situações elencadas pelo artigo 14 da Lei nº 9.718/98; iv)que a autoridade julgadora de primeira instância demonstre exatamente onde assentou sua decisão sobre a existência da autorização expressa para o reexame do tributo no ano-calendário de 2014, eis que, segundo a Recorrente, não localizou nos autos o documento que confirma a informação prestada que consta nos itens 68 e 68.1 do acórdão (que a autorização para reexame estaria expressa na alteração de 29/11/2018 do TDPF). Passo a analisar cada um dos argumentos da Recorrente: i)quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo: A Recorrente alega que na apuração do tributo devido a Autoridade Fiscal teria consolidado os valores apurados por trimestre, e para a receita mensal teria apenas considerado a média, ou seja, teria dividido a receita do trimestre e considerado o mesmo valor nos três meses do trimestre, o que seria contrário ao que determina o art. 42 da Lei n° 9.430/96: Esse procedimento, afrontou de forma irremediável e insanável o lançamento, distorcendo tanto o critério quantitativo como o critério temporal do fato gerador da obrigação, e sendo o lançamento um procedimento vinculado, não pode a autoridade julgadora de primeira instância deixar de reconhecer que tal procedimento foi realizado em desacordo com os preceitos legais citados Então, a Recorrente questiona e requer que a autoridade julgadora de primeira instância responda de forma clara, suscinta, objetiva e fundamentada: a) O procedimento realizado pela autoridade fiscal não provocou incorreção no elemento (base de cálculo) do critério quantitativo e no critério temporal do fato gerador ao considerá-los em momentos distintos do determinado na lei? Basta um simples sim ou não. b) Este procedimento não contraria o disposto no art.42 da Lei nº 9.430/96? Caso insista em negar tal fato, que decline o fundamento legal que ampare o lançamento na forma como foi realizado pela autoridade fiscal. Somente assim, com a clara indicação do fundamento legal que permita tal procedimento, poderá a Recorrente defender-se adequadamente, caso contrário, restará evidente a impossibilidade de defesa da parte. A questão do arbitramento do lucro, regime de apuração do lucro considerada na autuação, é questão de mérito. Por ora, importa verificar se a DRJ teria analisado os argumentos da Recorrente quanto ao procedimento de apuração de bases de cálculo dos tributos adotada pela Fiscalização, e qual foi o fundamento para a DRJ afastar a alegação de nulidade Conforme se verifica da leitura do voto, a autoridade julgadora considerou que a apuração do lucro com base no lucro arbitrado ocorre trimestralmente, nos termos dos arts. 220, 529 , 530 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), vigente à época. Confira-se excerto do voto: METODOLOGIA NÃO PREVISTA EM LEI PARA APURAÇÃO DAS BASES TRIBUTÁVEIS 69. A impugnante argumenta que os requisitos do art. 142 do CTN não foram observados, com a apuração da base de cálculo dos tributos de forma não prevista em lei, além da fundamentação inadequada para o arbitramento do lucro. Acrescenta que o duplo regime pela apuração parcial de lucro arbitrado não tem amparo na legislação vigente. 70. Pois bem, quanto às regras de apuração do lucro arbitrado, o RIR, de 1999, vigente à época dos fatos: Fl. 2521DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Decreto 3000, de 26 de março de 1999 Seção I Apuração Trimestral do Imposto Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art.1º). [...] SUBTÍTULO V LUCRO ARBITRADO CAPÍTULO I HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano - calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO [...] Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). 70.1 O dispositivo legal acima transcrito, vigente à época dos fatos, determina a apuração do Lucro Arbitrado por períodos trimestrais, tal como apurado pelo fisco. Este procedimento está destinado à apuração do lucro, base de cálculo da apuração do IRPJ e da CSLL. 70.2 Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado é determinado mediante a aplicação de percentuais previstos em lei para a apuração do lucro presumido, acrescido de 20%. No caso vertente, nos termos do art. 530 do RIR, de 1999 (vigente à época dos fatos) o arbitramento do lucro é aplicado sobre toda a receita conhecida. Embora não tenha incluído as receitas contabilizadas na base de cálculo do lucro arbitrado, apurando os tributos lançados somente sobre a parte omitida, este procedimento beneficiou o contribuinte e não é causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Fl. 2522DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 70.3 Quanto ao PIS e COFINS, a alegação do contribuinte será apreciada no mérito, considerando que também não se enquadra nas hipóteses de nulidade prevista no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constata-se, portanto, contrariamente ao afirmado pela Recorrente, que a autoridade julgadora de primeira instância analisou o argumento da Recorrente e indicou os dispositivos legais que fundamentaram a sua decisão. A base de cálculo utilizada para o lançamento foram os extratos bancários, discriminados no Anexo 17B, conforme relatado no TVF à e-fls. 133: Os detalhamentos dos valores considerados como RECEITA MENSAL ARBITRADA A PARTIR DOS EXTRATOS BANCÁRIOS, podem ser melhor visualizados junto ao Anexo 17B_Resp_Receitas.xlsx deste TV F (há uma aba para cada mês entre 01/2014 a 12/2016), com valores consolidados por trimestre (última aba do mesmo anexo, intitulada de “Omissão de RB”) e comparados com os valores reconhecidos pela empresa em ECD/ECF, onde encontramos escriturações trimestrais). Para cálculo da receita omitida mensal, dividimos os valores de “DIF REVENDA”, presentes na aba “Omissão de RB” do Anexo 17B_Resp_Receitas.xlsx, que representam as receitas omitidas consolidadas por trimestre e as dividimos por três, atribuindo valores uniformes para cada mês dentro de um único trimestre. Embora a Autoridade Fiscal tenha demonstrado em planilha a receita arbitrada mensal, somou-os por trimestre e dividiu por três, e atribuiu o valor médio apurado para cada mês do trimestre. Nem precisava fazer isso, bastava apenas somar as receitas de cada mês do trimestre, uma vez que a apuração do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Tributado é trimestral. Como pode ser visto no Auto de Infração (Demonstrativo de Apuração do IRPJ), apesar de ter relacionado a receita média mensal, o valor considerado na apuração do IRPJ devido foi a receita do trimestre. O excerto abaixo do 1º trimestre de 2014, não deixa dúvida: Fl. 2523DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Porém, o problema da média da receita apurada teria reflexo na apuração do PIS e da COFINS com incidência cumulativa, tributos que tem apuração mensal, e que afetaria a apuração dos juros de mora. A DRJ reconheceu o equívoco e reapurou os tributos, considerando a receita mensal, e tomou o cuidado de manter o valor apurado pela Autoridade Fiscal quando a receita mensal reapurada foi maior do que a média atribuída pela Fiscalização. Confira-se: 117. Quanto ao PIS e a COFINS, foi efetuado recálculo, considerando a receita apurada pelo fisco - “ANEXO 17-B_tif 10_Resp_Receitas”- excluídas as receitas constantes dos itens 96 e 104.1.1. 118. Equivocadamente as autoridades fiscais, para determinar a base de cálculo mensal da contribuição para o PIS e da Cofins, dividiram em três o montante que haviam apurado de omissão de receita a cada trimestre dos anos-calendários abrangidos pelo lançamento, atribuindo aos três meses de cada trimestre um valor de omissão de receita uniforme. Entretanto, de acordo com a legislação aplicável a essas contribuições, deve- se apurar sua base de cálculo mensal em conformidade com a receita efetivamente apurada em cada mês, a não ser que essa receita não fosse conhecida pelo fisco e houvesse necessidade de a arbitrar. 119. No presente caso, não houve tal necessidade, visto que a receita omitida foi apurada com base nos créditos em conta bancária cuja origem não foi comprovada, deduzida a receita que já havia sido contabilizada pelo contribuinte. As receitas correspondentes a cada mês podem ser obtidas precisamente dos demonstrativos constantes dos autos, pois correspondem aos valores dos créditos em conta bancária cuja origem não foi comprovada. Além disso, o ajuste se faz necessário porque a atribuição da receita mensal deve-se fazer de acordo com os dados efetivamente apurados para que o contribuinte não seja prejudicado no caso dos acréscimos moratórios. Nos casos em que a autoridade fiscal atribuiu a determinado mês receita inferior à que seria corretamente apurada com base nos créditos em conta, foi mantido valor apurado pelo lançamento de ofício, devida, ressalvando-se ao fisco o direito de posteriormente efetuar lançamento complementar, se entender cabível. E, de fato, constata-se que a DRJ procedeu conforme afirmado, eis que reduziu a COFINS/PIS apurada quando a base mensal por ela verificada era menor que a base mensal considerada pela Autoridade Fiscal e manteve a COFINS/PIS apurada quando a base por ela verificada era maior que o considerado pela Autoridade Fiscal. Confira-se: Fl. 2524DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Verifica-se, portanto, que a DRJ tratou de reduzir a base tributável do PIS e da COFINS por erro em sua quantificação, porque a Autoridade Tributária, por equívoco, considerou os valores médios mensais que tinha apurado para o trimestre no caso de IRPJ e CSLL. E como a Autoridade Julgadora constatou que foi lançado um valor maior que o realmente devido, tratou de reduzir ao valor correto, uma vez que o lançamento tributário foi considerado válido pelos seus fundamentos, devendo produzir os efeitos que lhe são próprios. Por não se tratar de aperfeiçoamento do lançamento, não se trata de vício material apta a provocar o cancelamento do Auto de Infração. Portanto, rejeito a nulidade arguida. ii)quanto a submissão a dois regimes de tributação no mesmo período Alega a Recorrente que para apuração do tributo devido deveria ser reconstituída a base de cálculo, com a adição dos supostos valores de receita omitidos para a determinação do valor do imposto e da parcela adicional, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/95, matriz legal do art. 537 do RIR/99, o que não teria sido realizado pela Autoridade Fiscal. Segundo a Recorrente, a Autoridade Fiscal adotou um procedimento contrário à legislação tributária, eis que teria admitido dois regimes de tributação para um mesmo período de apuração: lucro presumido para as receitas declaradas pela contribuinte e lucro arbitrado para as supostas receita omitidas: 1.1.2. A Recorrente também questionou (item 5 da Impugnação) que a autoridade fiscal efetuou o lançamento apenas dos valores da suposta omissão de receitas apurada com base nos extratos bancários, conforme podem ser comprovados nos autos. A legislação tributária (art. 24 da Lei nº 9.249/95 e art. 537 do Dec. nº 3.000/99) determina que a autoridade fiscal deverá reconstituir a base de cálculo dos tributos adicionando os valores da omissão de receita apuradas para a determinação do valor do imposto e do adicional. O art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, regulamentado pelo art. 537 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) dispõem: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.” Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 “Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532” (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Fl. 2525DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Agora, a Recorrente questiona novamente: a) A autoridade fiscal não efetuou o lançamento contrariando o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249/95, regulamentado pelo art. 537 do Decreto nº 3.000/99? Somente um sim ou não é suficiente. b) Caso insista em não reconhecer que o lançamento foi realizado contrariando o disposto na legislação citada, então, que a autoridade julgadora de primeira instância decline os fundamentos legais que permitam à autoridade fiscal lançar, isoladamente, apenas o valor das supostas omissões de receita apuradas. Somente se declinar os fundamentos legais que permitam tal procedimento dissonante, poderá a Recorrente defender-se adequadamente, também sobre esse ponto omisso pela autoridade julgadora de primeira instância. 1.1.3 Evidenciando que a realização do procedimento de lançamento de forma não vinculada, e portanto ilegal, traz consequências irremediáveis na validade do ato administrativo praticado, temos que, ao lançar somente os valores da suposta omissão de receitas, a autoridade administrativa submeteu a Recorrente a dois regimes de tributação nos mesmos períodos considerados, o que novamente contraria a legislação tributária a seguir colacionada (item 5 da Impugnação). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 “Art. 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei.” Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 “Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário.” (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Portanto, um regime de tributação, apenas, para cada período de apuração. A autoridade fiscal, ao não reconstitui as bases de cálculo, como determina a legislação, manteve as receitas declaradas pela Contribuinte na tributação pelo regime do lucro presumido e a parte das supostas receitas omitidas na tributação pelo regime do lucro arbitrado de ofício. A Recorrente então questiona novamente: a) A legislação não determina que o contribuinte somente pode estar submetido a um regime de tributação em cada período considerado? Basta um sim ou não. b) Ao submeter a Recorrente a dois regimes de tributação distintos, a autoridade fiscal não contrariou o disposto na legislação tributária citada? Basta um sim ou não. Caso insista em negar a violação dos dispositivos legais, deverá a autoridade julgadora de primeira instância declarar a fundamentação legal que permita à autoridade fiscal submeter o contribuinte a dois regimes de tributação distintos no mesmo período considerado. Basta apenas citar os fundamentos legais permissivos para que a Recorrente possa exercitar adequadamente o seu direito de defesa, pois temos absoluta certeza que a autoridade julgadora não declinará os dispositivos legais que fundamentam as suas conclusões, simplesmente porque eles não existem, já que a legislação dispõe expressamente no sentido contrário à tentativa da autoridade julgadora em não responder objetivamente ao questionamento. Vejamos o que disse ao final do item 70.2 do acórdão: “Embora não tenha incluído as receitas contabilizadas na base de cálculo do lucro arbitrado, apurando os tributos lançados somente sobre a parte omitida, este procedimento beneficiou o contribuinte e não é causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235, de 1972”, grifo do original. Fl. 2526DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Não é isso que a Recorrente questionou, mas sim o fato de ser o procedimento adotado pela autoridade lançadora contrário ao disposto na legislação tributária, portanto, como poderia estar tal procedimento em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN que dispõe que o lançamento é um procedimento vinculado?, isto demonstra a total discrepância entre os argumentos desenvolvidos pela autoridade julgadora e as suas conclusões. Tais fatos viciam irremediavelmente o julgado, ao impedirem a Recorrente de entender como o raciocínio articulado conduz de forma lógica, racional e congruente à conclusão adotada. Não assiste razão à Recorrente. Conforme exaustivamente consignado no TVF e verificado nos autos, como se verá em detalhe na análise do mérito, a escrita contábil do contribuinte foi considerada imprestável para apuração do lucro pela Autoridade Fiscal, de modo que a lei determina a apuração do lucro pelo lucro arbitrado. A Recorrente reproduz apenas parte da fundamentação da DRJ (no trecho que afirma que a Autoridade Fiscal não incluiu na apuração do lucro arbitrado as receitas contabilizadas) e defende que isso seria causa de nulidade, confira-se: METODOLOGIA NÃO PREVISTA EM LEI PARA APURAÇÃO DAS BASES TRIBUTÁVEIS 69. A impugnante argumenta que os requisitos do art. 142 do CTN não foram observados, com a apuração da base de cálculo dos tributos de forma não prevista em lei, além da fundamentação inadequada para o arbitramento do lucro. Acrescenta que o duplo regime pela apuração parcial de lucro arbitrado não tem amparo na legislação vigente. 70. Pois bem, quanto às regras de apuração do lucro arbitrado, o RIR, de 1999, vigente à época dos fatos: Decreto 3000, de 26 de março de 1999 Seção I Apuração Trimestral do Imposto Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art.1º). [...] SUBTÍTULO V LUCRO ARBITRADO CAPÍTULO I HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano – calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 2527DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO [...] Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). 70.1 O dispositivo legal acima transcrito, vigente à época dos fatos, determina a apuração do Lucro Arbitrado por períodos trimestrais, tal como apurado pelo fisco. Este procedimento está destinado à apuração do lucro, base de cálculo da apuração do IRPJ e da CSLL. 70.2 Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado é determinado mediante a aplicação de percentuais previstos em lei para a apuração do lucro presumido, acrescido de 20%. No caso vertente, nos termos do art. 530 do RIR, de 1999 (vigente à época dos fatos) o arbitramento do lucro é aplicado sobre toda a receita conhecida. Embora não tenha incluído as receitas contabilizadas na base de cálculo do lucro arbitrado, apurando os tributos lançados somente sobre a parte omitida, este procedimento beneficiou o contribuinte e não é causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Concordo com a DRJ. Como a Recorrente optou pelo Lucro Presumido, as receitas declaradas não foram incluídas na apuração pelo Lucro Arbitrado. Se tivessem sido incluídas, teriam que ser excluídas porque foram oferecidas à tributação, e assim haveria cobrança em duplicidade, e portanto, indevidamente, podendo ser objeto de questionamento pela contribuinte. Além disso, como afirmado pela DRJ, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal beneficiou a Recorrente, pois se a receita declarada tivesse sido incluída na apuração pelo Lucro Arbitrado teria sofrido um acréscimo indevido de 20%. Portanto, rejeito a arguição de nulidade por suposta existência de duplo regime de tributação. Por ter sido vencido quanto a nulidade do Auto de Infração, fica prejudicada a análise das demais matérias arguidas no recurso voluntário, e passo a análise do recurso de ofício. Do recurso de ofício O recurso de ofício foi encaminhado pelo presidente da 3ª Turma da DRJ/BHE, por conta das seguintes exonerações: - redução do IRPJ de R$ 17.420.491,74 para R$ 17.365.032,78; - redução da CSLL de R$ 7.871.621,26 para R$ 7.846.664,74; conforme - redução da COFINS de R$ 21.865.614,72 para R$ 20.035.541,24, Fl. 2528DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 - redução do PIS de R$ 4.737.549,72 para R$ 4.341.033,93. A exonerações superavam o limite estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Contudo, na data do presente julgamento está em vigor a Portaria ME n° 2, de 18 de janeiro de 2023, que estabeleceu como valor de limite de alçada para fins de recurso de ofício pelas delegacias de julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) o montante de R$15.000.000,00 (quinze milhões e meio de reais). O montante exonerado (R$ 2.307.004,75) é menor que o limite de alçada, e que para fins de conhecimento de recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103,1 aplica-se o limite de alçada vigente na data da apreciação em segunda instância, o recurso de ofício não deve ser conhecido. Conclusão Por todo o acima exposto, não conheço do Recurso de Ofício, conheço dos recursos voluntários do sujeito passivo principal e dos responsáveis solidários, rejeito a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância e rejeito a nulidade do Auto de Infração por ter se utilizado de dois regimes de tributação para apuração do imposto no mesmo período de apuração. É como voto, (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, redator designado O nobre relator foi acompanhado pelo Colegiado quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e da autuação, quanto ao procedimento para apuração da base de cálculo do tributo; bem como quanto ao não conhecimento do recurso de ofício. Não obstante, foi vencido, por voto de qualidade, quanto à preliminar de nulidade, por vício material, do lançamento, devido à aplicação de dois regimes de tributação no mesmo período de apuração. Este conselheiro foi, portanto, designado como redator do voto vencedor em relação à matéria na qual o relator ficou vencido, de modo que passo a expor os fundamentos que prevaleceram. O Lançamento tratado no presente processo, conforme relatado, foi realizado com base no Lucro Arbitrado para os 2º a 4 trimestres de 2014 e anos-calendários de 2015 e 2016. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 123/166, na autuação, foi adotado o seguinte critério: Os detalhamentos dos valores considerados como RECEITA MENSAL ARBITRADA A PARTIR DOS EXTRATOS BANCÁRIOS, podem ser melhor visualizados junto ao Anexo 17B_Resp_Receitas.xlsx deste TVF (há uma aba para cada mês entre 01/2014 a 12/2016), com valores consolidados por trimestre (última aba Fl. 2529DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 do mesmo anexo, intitulada de “Omissão de RB”) e comparados com os valores reconhecidos pela empresa em ECD/ECF, onde encontramos escriturações trimestrais). Para cálculo da receita omitida mensal, dividimos os valores de “DIF REVENDA”, presentes na aba “Omissão de RB” do Anexo 17B_Resp_Receitas.xlsx, que representam as receitas omitidas consolidadas por trimestre e as dividimos por três, atribuindo valores uniformes para cada mês dentro de um único trimestre. Além disso, a autoridade fiscal realizou o lançamento, pelo Lucro Arbitrado, unicamente com base na receita considerada omitida. Ou seja, todas as receitas que foram, regularmente, declaradas pela autuada se mantiveram sujeitas à apuração com base no Lucro Presumido. Em relação ao primeiro equívoco cometido pela autoridade fiscal, procede a posição externada pelo Relator e o procedimento já adotado pelos julgadores de primeira instância, que adequaram as bases de cálculo mensais da Cofins e da Contribuição ao PIS aos montantes mensais de omissão de receita identificados no lançamento, tendo o cuidado de manter a base de cálculo adotada, quando a omissão constatada era superior àquela formalizada nos Autos de Infração. O equívoco cometido no lançamento não implica a nulidade da autuação. Trata-se de vício completamente sanável, conforme procedimento adotado pelos julgadores a quo, que, absolutamente, não consiste em refazimento ou agravamento do lançamento, ou ainda, alteração de critério jurídico. Trata-se de mera correção da base de cálculo, conforme sói ocorrer em processos administrativos que tratam de lançamento de ofício. Já quanto ao segundo equívoco cometido pela autoridade fiscal, a adoção da apuração com base no Lucro Arbitrado exclusivamente em relação às receitas consideradas omitidas, não se pode concordar com a decisão de piso e com o relator. Segue excerto do voto, que explicita os posicionamentos adotados: 70.2 Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado é determinado mediante a aplicação de percentuais previstos em lei para a apuração do lucro presumido, acrescido de 20%. No caso vertente, nos termos do art. 530 do RIR, de 1999 (vigente à época dos fatos) o arbitramento do lucro é aplicado sobre toda a receita conhecida. Embora não tenha incluído as receitas contabilizadas na base de cálculo do lucro arbitrado, apurando os tributos lançados somente sobre a parte omitida, este procedimento beneficiou o contribuinte e não é causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Concordo com a DRJ. Como a Recorrente optou pelo Lucro Presumido, as receitas declaradas não foram incluídas na apuração pelo Lucro Arbitrado. Se tivessem sido incluídas, teriam que ser excluídas porque foram oferecidas à tributação, e assim haveria cobrança em duplicidade, e portanto, indevidamente, podendo ser objeto de questionamento pela contribuinte. Além disso, como afirmado pela DRJ, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal beneficiou a Recorrente, pois se a receita declarada tivesse sido incluída na apuração pelo Lucro Arbitrado teria sofrido um acréscimo indevido de 20%. Com a devida vênia, não se pode referendar tal posicionamento. Em conformidade com o disposto no art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, a apuração do IRPJ e da CSLL é realizada, “com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário”. Fl. 2530DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-007.072 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720942/2018-73 Não há qualquer margem na legislação para a adoção, em relação a um mesmo período de apuração trimestral, de dois regimes de tributação. Neste sentido, uma vez identificada a omissão de receitas, e tendo constado a incidência da Recorrente em hipótese de adoção do Lucro Arbitrado, conforme art. 530 do RIR/99, a autoridade fiscal deveria ter alterado toda a apuração dos períodos de apuração incluídos no lançamento para tal regime de tributação, mediante a consideração de todas as receitas (declaradas e omitidas) e dedução no lançamento de eventuais valores declarados e/ou pagos. O mero fato de que a conduta adotada pela autoridade fiscal resultou em benefício à Recorrente não afasta a nulidade do lançamento, na medida em que há vício material insanável na conduta prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional (“determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido”). Assim, divergindo do conselheiro relator e em linha com a posição vencedora no julgamento, voto pelo acolhimento da preliminar em questão, com a anulação, por vício material dos lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS, para o qual deveria ter sido adotada a tributação com base no Lucro Arbitrado (ou com ela compatível, no caso das contribuições), sobre todas as receitas auferidas nos períodos de apuração. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2531DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002611/2004-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2000
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OPERAÇÃO BEACON HILL.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
Os documentos comprobatórios anexados aos autos são suficientes para a demonstração da sujeição passiva, pois indicam de forma incontestável que o autuado constou como beneficiário de divisas ao exterior. Tais provas gozam de presunção de veracidade e legitimidade, que não foram elidida, em momento algum pelo Contribuinte, razão pela qual resta mantida a confiabilidade dos dados neles constantes.
Numero da decisão: 9202-011.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202312
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2000 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OPERAÇÃO BEACON HILL. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. Os documentos comprobatórios anexados aos autos são suficientes para a demonstração da sujeição passiva, pois indicam de forma incontestável que o autuado constou como beneficiário de divisas ao exterior. Tais provas gozam de presunção de veracidade e legitimidade, que não foram elidida, em momento algum pelo Contribuinte, razão pela qual resta mantida a confiabilidade dos dados neles constantes.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 19515.002611/2004-52
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7060749
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9202-011.115
nome_arquivo_s : Decisao_19515002611200452.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 19515002611200452_7060749.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 20 00:00:00 UTC 2023
id : 10413916
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:29 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395766652928
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-01-11T01:25:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-01-11T01:25:38Z; Last-Modified: 2024-01-11T01:25:38Z; dcterms:modified: 2024-01-11T01:25:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-01-11T01:25:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-01-11T01:25:38Z; meta:save-date: 2024-01-11T01:25:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-01-11T01:25:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-01-11T01:25:38Z; created: 2024-01-11T01:25:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-01-11T01:25:38Z; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-01-11T01:25:38Z | Conteúdo => CCSSRRFF--TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 19515.002611/2004-52 RReeccuurrssoo nnºº Especial do Contribuinte AAccóórrddããoo nnºº 9202-011.115 – CSRF / 2ª Turma SSeessssããoo ddee 19 de dezembro de 2023 RReeccoorrrreennttee FRANCISCO MASSEI NETO IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2000 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OPERAÇÃO BEACON HILL. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. Os documentos comprobatórios anexados aos autos são suficientes para a demonstração da sujeição passiva, pois indicam de forma incontestável que o autuado constou como beneficiário de divisas ao exterior. Tais provas gozam de presunção de veracidade e legitimidade, que não foram elidida, em momento algum pelo Contribuinte, razão pela qual resta mantida a confiabilidade dos dados neles constantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 11 /2 00 4- 52 Fl. 373DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.115 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.002611/2004-52 Na origem, cuida-se de lançamento para cobrança do Imposto de Renda das Pessoas Físicas em função de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos e origem não comprovada no âmbito da operação Beacon Hill. O relatório fiscal encontra-se às fls. 82/85. Impugnado o lançamento às fls. 95/110, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP julgou-o procedente às fls. 127/139. Por sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção negou provimento ao recurso voluntário de fls. 147/193, por meio do acórdão 2301-006.199 – fls. 219/234. Inconformado, o autuado interpôs embargos de declaração às fls. 246/253, suscitando omissões no acórdão de recurso voluntário, os quais foram rejeitados pelo presidente da turma às fls. 269/272. Não conformado, o autuado interpôs recurso especial às fls. 283/302, pleiteando, ao final, o seu conhecimento e provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, desobrigando-o do recolhimento de quaisquer quantias. Em 29/3/21 - às fls. 350/357 – foi dado seguimento parcial ao recurso do sujeito passivo para fosse reexaminada a matéria “comprovação da titularidade da conta – presunção e ônus da prova”. Não foi dado seguimento quanto à matéria “nulidade do acórdão quando não apreciadas todas as razões de defesa” Intimada do recurso interposto pelo contribuinte em 28/10/21 (processo movimentado em 28/9/21 – fl. 363), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões tempestivas às fls. 364/370 em 30/9/21 (fl. 371), propugnando pelo seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator O recorrente tomou ciência do despacho que rejeitara seus aclaratórios tempestivos em 17/3/20 (fl. 278/9) e apresentou seu recurso especial tempestivamente (por força das Portarias RFB nº 543/20 e 936/20) em 30/6/20, consoante se extrai do carimbo aposto à fl. 283. Não havendo questionamentos em contrarrazões e preenchidos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, dele conheço. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria “comprovação da titularidade da conta – presunção e ônus da prova” O acórdão de recurso voluntário foi assim ementado, naquilo que interessa ao caso: DEPÓSITOS DE NUMERÁRIOS NO EXTERIOR. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o beneficiário final de transferências bancárias efetivadas no exterior, não há como prosperar a alegação de que não realizou as operações ou que não possui conta corrente no exterior. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos omitidos, apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também Fl. 374DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.115 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.002611/2004-52 sujeitos ao ajuste anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual vigente à época. CASO BANESTADO - BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES. Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituem-se em elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2a Vara Federal Criminal de Curitiba - PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações. Sua decisão se deu no seguinte sentido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Trata-se de lançamento efetuado no âmbito da operação Beacon Hill, há muito conhecida por este colegiado. Em específico, o recorrente teria figurado como beneficiário final dos valores movimentados no exterior no ano de 1999, no montante total de US$ 165.000,00, depositados em conta corrente igualmente mantida no exterior, no CitiBank NYC, e identificados por meio da subconta ELEVEN – nº 310057. Sustentou o recorrente que não possuía conta no exterior, tampouco teria sido provado pelo Fisco sua existência. É dizer, que seria ele titular de conta no exterior. Que o único documento (fl. 10) em que constaria seu nome seria naquele emitido pela própria Receita Federal, sem assinatura e sem informação de sua origem. A divergência foi previamente admitida com base apenas no acórdão paradigma de nº 2101-002.306, nos seguintes termos: No caso do recorrido, ainda que o contribuinte tenha alegado não ser o titular da conta, o Colegiado entendeu estar demonstrada sua vinculação com os recursos movimentados no exterior, em face do conjunto probatório apresentado pela Fiscalização. Ao contrário, no paradigma o Colegiado considerou, diante da negativa do contribuinte sobre a autoria das operações examinadas, que o conjunto probatório apresentado pela Fiscalização não seria suficiente para comprovar a titularidade dos recursos movimentados no exterior, afastando o lançamento por insuficiência de provas. Como já dito, o caso em exame, vale dizer, a operação por meio da qual resultara o lançamento, já foi apresentado a este colegiado por mais de uma vez e, em decorrência dela, são/foram produzidos os seguintes documentos (extraídos do relatório fiscal) e conta com as seguintes características e intervenientes: 1. Representação Fiscal n° 329/04 (fls. 09); 2. Operações da Representação Fiscal n° 329/04 (fls. 10); 3. Cópia Laudo de Exame Econômico — Financeiro - Laudo n°1297/04 INC (fls. 11 a 21); Fl. 375DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.115 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.002611/2004-52 4. Cópia Ofício n° 120/03-PF/FT/SR/DPF/PR (fls. 22 a 24), de 04/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao MM. Juiz Federal da 2' Vara Criminal de Curitiba / PR, versando sobre pedido de Quebra de Sigilo Bancário no exterior, via Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal (MLAT); 5. Cópia Decisão do MM. Juiz Federal da 2a Vara Criminal de Curitiba / PR (fls. 25 a 30), de 14/08/2003, definindo extensão e compartilhamento das quebras de sigilos bancários no exterior, via MLAT (IPL 207/98); 6. Cópia Ofício n° 001/03 PF/FT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003 (fls. 31 a 36), do Delegado de Polícia Federal ao Dr. Robert Morgenthau, "District Attorney's Office of the County of New York", solicitando o afastamento de sigilos bancários e pedindo investigação criminal nos EUA; 7. Cópia "Order to Disclose", emitida pela Justiça da Suprema Corte, Judge Renee White (fls. 37 a 39); 8. Cópia Expediente da Sra. Rebecca Roiphe, "Assistant Discrict Attorney of the County of New York" — (fls. 40), de 09/09/2003, permitindo o acesso aos dados que discrimina; 9. Cópia Decisão do MM. Juiz Federal, da 2a Vara Criminal de Curitiba / PR (fls. 42 e 43), de 20/04/2004, transferindo os dados da quebra de sigilo bancário para a Receita Federal; 10. Cópia dos Memos. do Delegado da Polícia Federal aos Peritos Federais Criminais FT/CC5, para emissão de Laudo Pericial referente ao elementos existentes nos arquivos magnéticos de cada conta ou subconta: - Memo n° 351/04 PF/FT/SR/DPF/PR (fls. 53); - Memo n° 371/04 PF/FT/SR/DPF/PR.(fls. 54); 11. Cópia do Laudo de Exame Econômico-Financeiro n° 1258, de 18/05/2004, demonstrando a consolidação da movimentação financeira de todas contas e subcontas administradas pela Beacon Hill (Laudo Global), às fls. 55 a 61; 12. Cópia Ofício n° 146/2004 — GJ da 2a Vara Federal Criminal de Curitiba (fls. 41) informando sobre as decisões proferidas em 20/04/2004 e em 27/04/2004 no processo n° 2003.7000030333-4 e decisão proferida em 29/04/2004 no processo n° 2004.7000008267-0, autorizando que a Força Tarefa Policial CC5 compartilhe com a Receita Federal o material e documentos relativos a contas mantidas no exterior; 13. Cópia Decisão do MM. Juiz Federal, da 2a Vara Criminal de Curitiba / PR (fls. 44 a 47) de 27/04/2004 — Processo n° 2003.7000030333-4; 14. Cópia Decisão do MM. Juiz Federal, da 2a Vara Criminal de Curitiba / PR (fls. 48 a 52) de 29/04/2004 — Processo n° 2004.7000008267-0. São os seguintes os intervenientes: • Remetente/ordenante • Intermediador financeiro • Beacon Hill Service Corporation – BHSC • Banco JP Morgan Chase/NY/Outros Bancos Fl. 376DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.115 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.002611/2004-52 • Beneficiário Remetente: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia como responsável pela remessa das divisas ao exterior. Confunde-se, em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita; Ordenante: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como responsável pela ordem/determinação de movimentação de recursos no exterior. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "order Customer" e/ou "details of payment", antecedido da sigla B.0.(By order); Beneficiário: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "ACC Party" e/ou "Ult.Benef', podendo estar antecedido da sigla FFC ("for further credit"); Intermediário: Pessoa física ou jurídica, responsável pela intermediação de compra e venda de moeda estrangeira, à margem do Sistema Financeiro, atuando nas operações de remessa/repatriação de recursos para/do exterior ou na movimentação de recursos no exterior. Em algumas transações, o beneficiário figura, simultaneamente, como ordenante/remetente dos recursos. No que toca ao documento citado pelo recorrente como sendo o único no qual apareceria seu nome, importa mencionar as observações promovidas pelo julgador de primeira instancia, encampadas pelo colegiado a quo, que bem o detalha. Confira-se: O documento de fl. 10, que traz as operações em que o contribuinte consta como beneficiário final, decorreu de análise realizada pelos Peritos Criminais Federais do Instituto Nacional de Criminalística, nas mídias computacionais de movimentação financeira disponibilizadas pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, e que resultou no Laudo de Exame Econômico-Financeiro Laudo n° 1297/04-INC (fls. 11/18). Dita planilha (fl. 10) extraída do Laudo n° 1297/04 — INC (fls. 11/18) aponta, claramente, o impugnante, o Sr. Francisco Massei Neto, como o beneficiário final das operações de movimentação de divisas realizadas em 12/08/1999, 03/09/1999 e 10/09/1999, nos montantes de US$15,000.00, US$100,000.00 e US$50,000.00, utilizando-se da sub conta Eleven Finance Corporation n° 310057, mantida/administrada pela Beacon Hill Service Corporation junto ao JP Morgan Chase Bank de Nova Iorque. Referem-se, no caso, a numerários depositados em conta corrente mantida em instituição financeira sediada no exterior (Citibank NYC), cuja origem dos recursos o impugnante não logrou comprovar e nem foram declarados em sua declaração de ajuste anual DIRPF/2000 (fls. 05/07). Assinale-se, aqui, que a fiscalização não encontrou nos sistemas eletrônicos da RFB registro de homônimo do fiscalizado, afastando-se, destarte, a hipótese de homonímia (Termo de Verificação Fiscal de fls. 69/72 e pesquisa de fl. 03). Vê-se, portanto, que não se trata de qualquer documento ou de documento sem origem, e sim de transcrição – por peritos oficiais - de informações contidas em documentos recebidos do exterior no bojo de operação policial acompanhada pela justiça. Sobre a força probante de tais documentos, reproduzo as razões de decidir da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no julgamento do acórdão de nº 9202- 007.098, que se aplicam, mutatis mutandi, ao presente caso nos seguintes termos: [...] Em que pese procure o recorrente, diga-se, sem sucesso, desqualificar as provas dos autos, penso que o tipo de operação praticada objetivava ocultar das autoridades fiscais Fl. 377DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-011.115 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.002611/2004-52 brasileiras recursos no exterior e, dessa feita, a prova produzida pela fiscalização dificilmente seria obtida por meio de registros contábeis do contribuinte ou em documento por ele assinado. Ademais, a maioria dessas transações financeiras era efetuada por ordens verbais ou eletrônicas, portanto o convencimento probatório é formado por um conjunto de elementos que convergem no sentido de revelar a ocorrência de determinados fatos envolvendo certos agentes. Os documentos e/ou informações obtidas pela Polícia Federal, com os quais embasou o Laudo Pericial, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações, se não contrapostas, valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Portanto, o laudo identifica como material examinado o dossiê da conta analisada, contendo cópias reprográficas de documentos bancários e cadastrais, as mídias computacionais apresentadas pela promotoria do Distrito de Nova Iorque e o laudo abrangendo a movimentação financeira na conta Beacon Hill Service Corporation BHSC. Registre-se, ainda, que até prove em contrário, o contribuinte não possui homônimos, nem muito menos, marido e mulher possuem nomes comuns, razão pela qual, considerando todas as cautelas que cercam as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, consciente ou inconscientemente, quanto ao nome do contribuinte ou estivesse tentando encobrindo terceiros. Assim, conclui-se que em que pese que a Recorrente afirme não tem qualquer conhecimento sobre a empresa Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento ocorreu tendo por base em indícios, verifica-se nos autos, que a Recorrente, foram ordenantes de uma remessa ao exterior, para serem creditados na conta de YORK NY, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais. Ao contrário do que alega a recorrente, documento em que ela, juntamente ou separadamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. [...] O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Diante desse fato, compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Nesse contexto, a mera alegação de que não efetuou as operações apontadas pela fiscalização, desacompanhadas de qualquer outro meio de prova, não é suficiente para elidir a tributação Portanto, deve ser mantida a exigência na forma preconizada pela autoridade fiscal. Nesse contexto, penso que o documento de fl. 10 (e-fl.12) é suficiente a caracterizar a condição do recorrente de beneficiário final dos valores lá mencionados, impondo- lhe a comprovação da origem desses valores. Note-se, não se está a exigir que se produza prova negativa, mas sim que se forneça elementos que possam, além da mera negativa geral, efetiva e minimamente contraditar o que consta em tais documentos oficiais. Algo, por exemplo, que suscitasse a incorreção de seus dados naqueles relatórios, tais como, a perda de documentos pessoais ou providencias legais ou Fl. 378DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-011.115 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.002611/2004-52 judiciais adotadas em face daqueles que o apontaram como remetente/ordenante dos recursos, e por aí vai. Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso para NEGAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 379DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10166.729380/2012-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA ARGUIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZÕES E FUNDAMENTOS PERFILHADOS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 114, §12, I, DO RICARF.
Nas hipóteses em que o sujeito passivo não apresenta novéis razões de defesa em sede recursal, o artigo 114, §12, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) autoriza o relator a transcrever integralmente a decisão proferida pela Autoridade julgadora de primeira instância, caso concorde com as razões de decidir e com os fundamentos ali perfilhados.
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE.
Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Somente se reconhece o direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior quando houver suporte em provas consistentes, não bastando meras alegações dissociadas da efetiva comprovação.
Numero da decisão: 1002-003.352
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Miriam Costa Faccin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Luis Angelo Carneiro Baptista e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: MIRIAM COSTA FACCIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA ARGUIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZÕES E FUNDAMENTOS PERFILHADOS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 114, §12, I, DO RICARF. Nas hipóteses em que o sujeito passivo não apresenta novéis razões de defesa em sede recursal, o artigo 114, §12, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) autoriza o relator a transcrever integralmente a decisão proferida pela Autoridade julgadora de primeira instância, caso concorde com as razões de decidir e com os fundamentos ali perfilhados. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE. Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Somente se reconhece o direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior quando houver suporte em provas consistentes, não bastando meras alegações dissociadas da efetiva comprovação.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10166.729380/2012-71
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7059160
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1002-003.352
nome_arquivo_s : Decisao_10166729380201271.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MIRIAM COSTA FACCIN
nome_arquivo_pdf_s : 10166729380201271_7059160.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Luis Angelo Carneiro Baptista e Miriam Costa Faccin.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
id : 10406810
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:19 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395772944384
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-18T14:57:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-18T14:57:21Z; Last-Modified: 2024-04-18T14:57:21Z; dcterms:modified: 2024-04-18T14:57:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-18T14:57:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-18T14:57:21Z; meta:save-date: 2024-04-18T14:57:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-18T14:57:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-18T14:57:21Z; created: 2024-04-18T14:57:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; Creation-Date: 2024-04-18T14:57:21Z; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-18T14:57:21Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10166.729380/2012-71 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-003.352 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 03 de abril de 2024 Recorrente OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO ONS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA ARGUIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZÕES E FUNDAMENTOS PERFILHADOS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 114, §12, I, DO RICARF. Nas hipóteses em que o sujeito passivo não apresenta novéis razões de defesa em sede recursal, o artigo 114, §12, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”) 1 autoriza o relator a transcrever integralmente a decisão proferida pela Autoridade julgadora de primeira instância, caso concorde com as razões de decidir e com os fundamentos ali perfilhados. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE. Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático- probatório dos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 1 §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 93 80 /2 01 2- 71 Fl. 673DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Somente se reconhece o direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior quando houver suporte em provas consistentes, não bastando meras alegações dissociadas da efetiva comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Luis Angelo Carneiro Baptista e Miriam Costa Faccin. Fl. 674DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 Relatório Trata-se, na origem, de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 36153.55173.090408.1.7.04-7970 e relacionados, em que a Contribuinte pretende compensar débitos tributários próprios com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 170.623,93 (cento e setenta mil, seiscentos e vinte e três reais e noventa e três centavos), conforme DARF arrecadado em 30.06.2003, sob o código de receita 0473, relativo ao período de apuração encerrado em 07.06.2002, no valor total de R$ 261.320,73 (duzentos e sessenta e um mil, trezentos e vinte reais e setenta e três centavos). Conforme se verifica dos autos, o Despacho Decisório (e-fls. 175/181), não reconheceu o direito creditório pretendido, de forma que, a compensação não restou homologada, conforme consta do relatório a seguir delineado: “Trata o presente processo da análise das Declarações de Compensação Eletrônicas (DCOMPs) de nos 36153.55173.090408.1.7.04-7970 (fls. 2 a 6) e 20771.69422.090408.1.7.04-0894 (fls. 7 a 11), transmitidas em 09/04/2008, com o objetivo de compensar débitos diversos com pretenso crédito de Pagamento Indevido ou a Maior, no valor original de R$ 170.623,93, referente ao pagamento de DARF (fl. 19) no valor total de R$ 261.320,73, sob o código de receita 0473, período de apuração 07/06/2002, efetuado no dia 30/06/2003. O pagamento foi confirmado nos sistemas da RFB, conforme extrato de fl. 172. 2. Anteriormente, em 31/08/2004, a contribuinte transmitiu a DCOMP de nº 10790.67923.310804.1.3.04-4089 (fls. 142 a 146), em que informa no demonstrativo de crédito o mesmo pagamento descrito no parágrafo acima, no valor total de R$ 261.320,73. O crédito original utilizado nessa DCOMP foi de R$ 90.696,80, sendo o restante, R$ 170.623,93, utilizado da seguinte forma: R$ 93.625,39 no demonstrativo de crédito das DCOMP 36153.55173.090408.1.7.04-7970 e R$ 76.998,54 no demonstrativo de crédito da DCOMP 20771.69422.090408.1.7.04-0894. A DCOMP 10790.67923.310804.1.3.04-4089 encontra-se homologada por disposição legal, conforme processo nº 10166.901531/2010-62, e as DCOMPs transmitidas em 09/04/2008 constituem o objeto de análise do presente processo. 3. Cabe destacar que a DCOMP 36153.55173.090408.1.7.04-7970 é retificadora da DCOMP 10845.38256.010904.1.3.04-4025, transmitida em 01/09/2004, e a DCOMP 20771.69422.090408.1.7.04-0894 é o resultado da sequência de retificações da DCOMP 40882.27041.030904.1.3.04-5481, transmitida em 03/09/2004. Essas informações foram extraídas do histórico Sief-Perdcomp de fl. 147. 4. Inicialmente a contribuinte foi intimada (Intimação Nº 802/2012 – fl. 12) a justificar por que entende que o referido pagamento é indevido e a apresentar a documentação que ampara as suas alegações. Em atendimento à intimação, a contribuinte apresentou a resposta de fls. 13 a 15 e os documentos de fls. 16 a 131. 5. Em sua resposta a contribuinte expôs o contexto em que se deu o pagamento supostamente indevido. Em 27/10/2000, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) firmou o Contrato Comercial nº 140/2000 (fls. 20 a 43) com a empresa Alstom Brasil Ltda, representando o Consórcio ALS, que era composto pelas empresas Alstom Brasil Ltda e Alstom T&D S/A, com sede em Paris, França. Tal contrato teve como objeto o fornecimento de 3(três) Sistemas de Supervisão e Controle (SSC) totalmente integrados e operacionais, compostos de equipamentos (hardware) e programas de computador (software) para os Centros Regionais de Operação Nordeste, Norte e Sul, de propriedade do ONS. Fl. 675DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 6. Em 04/04/2001, o ONS e o Banco do Brasil S/A firmaram contrato de financiamento à importação (fls. 44 a 55) através de uma linha de crédito que se referia a contrato de empréstimo externo assinado pelo Banco do Brasil S/A e o Societé Generale, França, o qual se destinava a financiar até 85% do valor do Contrato Comercial nº 140/2000, relativo à importação de bens e serviços oriundos da França. 7. Na Cláusula Quarta do contrato assinado entre o ONS e o Banco do Brasil S/A (fl. 46) está estabelecido que o ONS efetuará o pagamento do principal em moeda estrangeira em 12 (doze) prestações semestrais e sucessivas, vencendo-se a primeira seis meses após a Data de Início de Repagamento. Por sua vez, a Cláusula Quinta trata do pagamento dos juros ao emprestador, exigíveis semestralmente junto com a parcela de principal. 8. Ocorre que, conforme consta do Memorando de Entendimentos firmado em 28/03/2003 (fls. 56 a 59), foi considerado pelas Partes, no momento da celebração do Contrato Comercial entre o ONS e a Alstom, o aproveitamento, na França, pela Alstom T&D S/A, dos valores relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) à razão de 15%, nos termos da Portaria MF nº 287/72, que regulamenta o art. XII (Royalties) da “Convenção com a França para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento”, promulgada pelo Decreto 70.506/72, tendo ficado ajustado que o ONS forneceria o comprovante do recolhimento do IRRF no Brasil. 9. Contudo, o financiamento contratado pelo ONS liberou os pagamentos à ALSTOM T&D S/A sem que tivesse ocorrido a retenção e o recolhimento do IRRF no Brasil pelo ONS. Diante disso, foram acordados entre as Partes os procedimentos necessários para o ajuste e a efetivação dos recolhimentos do IRRF devidos. 10. Em uma primeira tentativa de regularizar as retenções de IRRF, foram feitos recolhimentos com base nas Invoices, sendo uma delas, a de fl. 17, a que resultou no pagamento objeto de análise deste processo. No entanto, de acordo com o Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte – Mafon, o pagamento sob o código 0473 tem como fato gerador a remessa de divisas ao exterior, ou seja, neste caso, o fato gerador ocorre no pagamento das parcelas do financiamento contratado junto ao Banco do Brasil, e não no registro contábil da Invoice que acompanhou os equipamentos importados. 11. Quando da liquidação da referida Invoice por meio da remessa dos valores relativos à parcela semestral, o Banco do Brasil questionou a falta de recolhimento do IRRF. Neste momento, o ONS manifestou o entendimento de que não era devido o recolhimento sobre a remessa, uma vez que o ONS já havia efetuado a retenção com base no lançamento contábil da Invoice. 12. Após várias interações sobre o assunto, o ONS decidiu apurar o IRRF no momento das remessas, considerando como crédito próprio os valores recolhidos anteriormente com base no lançamento contábil das Invoices emitidas. Nessa linha, a contribuinte apresentou às fls. 14 e 60 tabela com os números das PER/DCOMPs transmitidas com o objetivo de extinguir os débitos de IRRF gerados quando das remessas de divisas ao exterior, referentes às prestações 03/2003, 09/2003, 03/2004 e 09/2004. 13. Em complemento à resposta à Intimação Nº 802/2012, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 132 a 139. Tais documentos consistem: de uma planilha (Anexo 01 – fl. 134), em que estão discriminados os valores de principal, juros e saldo devedor de cada uma das parcelas do financiamento obtido junto ao Banco do Brasil; da memória de cálculos das amortizações semestrais (Anexo 02 – fls. 135 a 136), em que é apresentada a base de cálculo para o IRRF de cada parcela do financiamento; e o do contrato de prestação de serviço de consultoria em negócios internacionais (Anexo 03 – fls. 137 a 139) firmado entre o ONS e o Banco do Brasil, com vistas a que as operações ocorressem de acordo com a legislação vigente na época. Fl. 676DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 14. Em seguida, a contribuinte foi intimada (Intimação Nº 1190/2012 – fl. 140) a apresentar: a) as Invoices correspondentes ao cumprimento do Contrato nº 140/2000, sobre as quais houve o pagamento supostamente indevido de IRRF; b) os comprovantes de pagamentos ou os números das DCOMPs por meio dos quais a contribuinte regularizou a retenção de IRRF quando da remessa de divisas ao exterior, na ocasião do pagamento das parcelas do financiamento; e c) os extratos SWIFT emitidos pelo Banco Central referentes às remessas de divisas ao exterior relativas ao pagamento das parcelas do financiamento. 15. A contribuinte foi cientificada da Intimação Nº 1190/2012 no dia 14/09/2012, conforme Aviso de Recebimento anexado à fl. 141. O prazo estipulado para a apresentação dos documentos foi de 10 (dez) dias corridos, a contar do recebimento da Intimação. Tal prazo se encerrou no dia 26/09/2012, não tendo a contribuinte apresentado qualquer resposta.” A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (e-fls. 184/190), por meio da qual, sustentou, em síntese, as seguintes alegações: (i) foi firmado contrato de financiamento à importação junto ao Banco do Brasil S/A, sendo certo que a retenção do IRRF deveria ser realizada quando das remessas das parcelas mensais ao exterior e não quando do registro contábil da invoice de e-fls. 17, como equivocadamente realizado pela Interessada; (ii) todos os contratos firmados pela Interessada e as informações relativas às parcelas do financiamento contratado e à memória de cálculo das amortizações semestrais foram apresentados quando do atendimento ao TI n° 802/2012, e encontram-se devidamente acostados aos autos do presente processo; (iii) entretanto, a SRFB expediu, o Termo de Intimação n° 1.190/2012, através do qual requereu a apresentação das invoices correspondentes ao contrato n° 140/2000, bem como os comprovantes de pagamento ou os números das declarações de compensação utilizadas para extinguir os débitos de IR oriundos das remessas ao exterior das 12 parcelas decorrentes do cumprimento ao contrato de financiamento à importação dos equipamentos objeto do contrato n° 140/2000, além dos extratos swifts emitidos pelo Banco Central do Brasil relativos às referidas remessas; (iv) considerando o volume de informações solicitadas e por se tratar de documentos emitidos há mais de 10 anos, o Banco do Brasil não logrou disponibilizar as informações à Interessada em tempo hábil para o atendimento ao TI n° 1190/2012, razão pela qual não foi possível a apresentação da documentação solicitada através do referido TI; (v) entretanto, após o decurso do prazo para o atendimento ao TI n° 1190/2012, o Banco do Brasil concluiu o levantamento das informações e remeteu à Interessada os contratos de câmbio referente às doze parcelas do financiamento, bem como os espelhos dos DARFs referente aos recolhimentos de IRRF efetuados sobre as remessas para quitação do financiamento no período de 2005 a 2008; Fl. 677DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 (vi) destarte, são anexados à presente Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: a) Os contratos de câmbio referente às doze parcelas do contrato de financiamento; b) Os respectivos comprovantes de pagamento — DARFs e PER/DCOMPs —utilizados para extinguir os débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF; (vii) após a análise dos DARFs utilizados para o recolhimento do IRRF incidente sobre as parcelas mensais do contrato de financiamento à importação, pode-se constatar a ocorrência dos seguintes fatos: i) O código de receita utilizado pelo Banco do Brasil para efetuar o recolhimento do IRRF foi o "0481"; ii) O recolhimento do IRRF referente às parcelas do ano de 2005 (março e setembro) foi efetuado no CNPJ do Banco do Brasil. A informação obtida pelo ONS foi que o fechamento do câmbio era realizado entre Bancos. Por este motivo o recolhimento no CNPJ do Banco do Brasil; iii) O recolhimento do IRRF referente às parcelas do período de 2006 a 2008 foi efetuado no CNPJ do ONS; iv) O DARF referente a retenção do IRRF realizada sobre a 1a parcela do financiamento, no valor de R$ 65.186,09, não foi enviado pelo Banco do Brasil ao ONS. Entretanto, será anexado o extrato bancário da conta corrente do ONS contendo o valor exato e a respectiva data da realização da operação, como forma de demonstrar o correto e pontual recolhimento do IRRF; (viii) houve divergência nos códigos utilizados. O Banco do Brasil utilizou o código de receita 0481 e a Interessada utilizou o código 0473. Juntou-se aos autos pesquisa e-CAC dos pagamentos código 0481 (Anexo 1 às e-fls. 194/195). Os autos foram encaminhados à Autoridade Julgadora de 1ª instância para que a Manifestação de Inconformidade apresentada fosse apreciada. E, em 09 de julho de 2020, a 3ª Turma da Delegacia Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (“DRJ/RJO”), em Acórdão de nº 12-117.920 (e-fls. 630/650), entendeu por bem julgá-la improcedente, ao fundamento de que: (i) no caso concreto, constatou-se que a Interessada não havia informado em DCTF, débito de IRRF, código 0473, PA 07/06/2002, no valor de R$ 218.294,82, a que se refere ao pagamento de R$ 261.320,73, recolhido em 30/06/2003 (e-fls. 19), ora requerido como pagamento indevido, pelo que se depreende da tela do SIEF-FISCEL; (ii) o valor pleiteado nos PER/DCOMP, ora em análise, no valor de R$ 170.623,93, foi reservado a este processo nº 10166.729380/2012-71, conforme telas do SIEF-Documentos de Arrecadação; (iii) a Autoridade Fiscal questionou o motivo de a Interessada considerar tal pagamento como indevido. A partir das respostas e dos documentos apresentados pela Interessada, não restou comprovado o crédito; (iv) a Interessada, em linhas gerais, alega que o recolhimento foi indevido, pois recolheu com base no invoice às e-fls. 17 e não nas efetivas remessas ao Fl. 678DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 exterior e que houve as retenções quando daquelas remessas. Para comprovar o alegado, a Interessada, além dos documentos já apresentados durante a análise da autoridade fiscal, anexou à manifestação de inconformidade os documentos às e-fls. 194/581, que consistiam em PER/DCOMP, comprovantes de pagamentos e contratos de câmbio; (v) conforme pode-se verificar no invoice de e-fls. 17, o valor de 576.013,76 Euros se referia ao Evento nº 7, do Anexo C, do Contrato nº 140/2000; (vi) segundo a Interessada, foi utilizada a taxa de câmbio do dia 07/06/2002, apurando-se o valor de R$ 1.451.871,48 (e-fls. 18). Com base nessa conversão, o IRRF seria R$ 217.780,72. O DARF , ora pleiteado como indevido, traz o valor de principal, no montante de R$ 218.294,82 (e-fls. 19); (vii) veja que há inconsistências nos dados apresentados. Primeiro, o invoice traz a data emissão em 13/05/2002, com prazo de pagamento até o dia 23/05/2002. Assim, não há coerência em relação a data da conversão utilizada, qual seja, o dia 07/06/2002. Segundo, o valor do IRRF apurado pela taxa de câmbio do dia 07/06/2002, no montante de R$ 217.780,72, é divergente daquele informado no DARF, no montante de R$ 218.294,82. Fato que dificulta a associação do DARF, ora pleiteado como indevido, com o valor apurado em relação a uma duvidosa data de conversão; (viii) como visto, não há como afirmar, com certeza, que o DARF se refere àquele valor do invoice; (ix) considerando que o DARF seja referente à retenção decorrente do invoice de e-fls. 17, passemos a análise do fundamento daquele documento. Com base nas alegações a Interessada, o pagamento foi indevido, pois utilizou a data da contabilização do invoice e não da data da efetiva remessa. No entanto, havia, no corpo do invoice o prazo para pagamento em 23/05/2002. A pergunta que se faz é se houve ou não o pagamento; (x) conforme consta na solicitação de pagamento à e-fls. 16, o prazo para pagamento seria 08 (oito) dias úteis, de acordo com a 13ª cláusula do Contrato nº 140/2000 (e-fls. 20/43); (xi) e sobre esse tema, constata-se que foi realizado um contrato de financiamento entre a Interessada e o Banco do Brasil (e-fls. 44/55), cujo objetivo era obter empréstimo no exterior para viabilizar a importação de bens e serviços, num valor total de EUR 5.424.551,27, vinculado ao contrato nº 140/2000 (e-fls. 20/43); (xii) o financiamento deveria ser pago em 12 parcelas semestrais, onde constarão tanto o valor de principal como de juros pactuados. E os pagamentos serão efetuados ao Banco do Brasil que será o responsável por remetê-los ao Emprestador na França; Fl. 679DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 (xiii) note-se que o valor indicado como saldo devedor na coluna “f" da Tabela 3, no montante de EUR 5.385.035,17, difere daquele constante no contrato, no montante de EUR 5.424.551,27; (xiv) ainda durante os procedimentos de análise do crédito pela Autoridade Fiscal, a Interessada apresentou um Memorando de Entendimentos (e-fls. 56/58) firmado entre ela e o Consórcio formado pela ALSTOM BRASIL LTDA e a ALSTOM T&D S/A, em 28/03/2003, para definir orientações acerca do recolhimento do IR; (xv) verifica-se, pelo Memorando de Entendimento descrito acima, que consta no último item do Anexo I o valor de EUR 576.013,76, datado de 07/06/2002, em conformidade com a data de apuração contida no DARF de e-fls. 19, bem como o valor constante do invoice de e-fls. 17. Fato que se pode concluir que a retenção na fonte foi decorrente daquele pagamento, sendo recolhido o DARF com acréscimo de juros sem multa moratória, como ficou estipulado no próprio memorando; (xvi) o pagamento ocorreu e a própria empresa estrangeira ALSTOM T&D S/A cobrou o comprovante de pagamento de IR para aproveitamento na sua apuração fiscal na França. Ora, foi justamente para a utilização do IR é que a Interessada se comprometeu a efetuar o pagamento do IRRF, recolhido em 30/06/2003, ou seja, pouco tempo após a assinatura daquele memorando ocorrido em 28/03/2003; (xvii) assim, não há como considerar indevido o pagamento do IR efetuado, no montante de R$ 261.320,73 (e-fls. 19), uma vez que houve o pagamento à empresa no exterior, reconhecido por ambas naquele memorando. Além do que, se houve o aproveitamento do IR pago no Brasil pela empresa estrangeira na sua apuração fiscal na França, não há como a empresa brasileira requer tal valor como pagamento indevido; (xviii) caso isso ocorresse, estaria o mesmo imposto sendo aproveitado duplamente. Já que se o pagamento do IR é indevido, não poderia ser utilizado o comprovante de pagamento na França para evitar dupla tributação; (xix) o pleito da Interessada é em relação a pagamento efetuado antes março, sendo que toda a documentação apresentada e alegações são para justificar que os pagamentos após março foram efetuados corretamente. Ou seja, comprovar que os recolhimentos de IRRF relativos aos pagamentos a partir de março foram efetuados não tem o condão de descaracterizar o efetivo pagamento ocorrido à empresa estrangeira antes de março de 2003, que gerou o recolhimento em atraso do IRRF; (xx) assim, não há como reconhecer o DARF, no valor de R$ 261.320,73, recolhido em 30/06/2003, apresentado à e-fls. 19, como pagamento indevido. Fl. 680DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 Confira-se, a propósito, a ementa da decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PERDCOMP. DESPACHO MANUAL. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito pretendido, mantém-se o ato decisório que não homologou a compensação efetuada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em 06/05/2021, a Contribuinte tomou conhecimento do resultado do julgamento do Acórdão nº 12-117.920 -, através de sua Caixa Postal – Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme se verifica do “Termo de Ciência por Abertura de Mensagem” (e-fl. 657), e, na sequência, entendeu por apresentar Recurso Voluntário (e-fls. 660/666) por meio do qual ratificou as alegações levantadas em sede de Manifestação de Inconformidade, e suscitou, ainda, as seguintes alegações: (i) o ONS efetuou o recolhimento do IRRF no momento do registro contábil, tendo por base as múltiplas manifestações da COSIT que ora entendem que o IRRF só depende do registro contábil, ora entendem que depende da disponibilidade jurídica do rendimento; (ii) ao assim proceder, o ONS encontrou dificuldades práticas em concretizar as remessas oriundas do financiamento, já que o Banco do Brasil se recusava a fazer os envios sem que a retenção tivesse por base a data das remessas de pagamento; (iii) para superar as dificuldades práticas e permitir o pagamento ao exterior, o ONS optou por recolher novamente o IRRF, mas, desta vez, na data da remessa ao exterior, o que gerou um pagamento em duplicidade – já que pela mesma operação material ocorrerão dois pagamentos, sendo o primeiro, i.e. o efetuado na data do registro contábil, indevido; (iv) mesmo demonstrado que todos os pagamentos referentes aos eventos de financiamento foram regularmente efetuados, o v. acórdão recorrido insiste em rejeitar o pleito do ONS, sem apresentar justificativas de mérito, mas apenas se valendo de subterfúgios sem influência ao deslinde do caso, como divergências a maior recolhidas pelo ONS apenas para ter uma margem de segurança na operação; (v) repare que o v. acórdão recorrido alega que o valor devido era de R$ 217.780,72 (duzentos e dezessete mil, setecentos e oitenta reais e setenta e dois centavos), sendo que foram recolhidos R$ 218.294,82 (duzentos e dezoito mil, duzentos e noventa e quatro reais e oitenta e dois centavos), catorze dias após a data limite para o pagamento da invoice; Fl. 681DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 (vi) a pequena diferença de aproximadamente R$ 500,00 (quinhentos reais) reflete justamente uma margem de segurança na operação e a extrapolação do limite de pagamento para a invoice; (vii) fato gerador do IRRF, conforme atestado pelo v. acórdão é a data da remessa, portanto, não há qualquer inconsistência em ter se valido do câmbio da data da remessa, ainda que a invoice tenha um prazo de pagamento anterior, já que o que importa para fins fiscais é a remessa e não o limite para pagamento da invoice; (viii) o ONS também logrou demonstrar todos os pagamentos de IRRF devidamente feitos e atrelados efetivamente às datas de remessa dos valores, conforme fls. 220/602, razão pela qual o pagamento efetuado pelo DARF de fls. 19 é manifestamente indevido pois resulta de duplicidade corrigida pelos pagamentos efetuados sobre as efetivas remessas. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Costa Faccin, Relatora. Admissibilidade e Tempestividade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma dos artigos 43 2 e 65 3 da Portaria MF nº 1.634/2023 - Regimento 2 Art. 43. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III - Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), exceto nas hipóteses previstas no inciso II do art. 44; IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 45; V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples- Nacional), bem como exigência de crédito tributário decorrente da exclusão desses regimes, independentemente da natureza do tributo exigido; VI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII - tributos, penalidades, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Fl. 682DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). Dele, portanto, tomo conhecimento. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 06/05/2021 (e-fl. 657), apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 07/06/2021 (e- fl. 659), ou seja, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 4 . Portanto, é tempestivo o recurso apresentado e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito O propósito recursal consiste no reconhecimento do direito creditório referente ao pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 170.623,93 (cento e setenta mil, seiscentos e vinte e três reais e noventa e três centavos), conforme DARF arrecadado em 30.06.2003, sob o código de receita 0473, relativo ao período de apuração encerrado em 07.06.2002, no valor total de R$ 261.320,73 (duzentos e sessenta e um mil, trezentos e vinte reais e setenta e três centavos). Conforme exposto no relatório, o Despacho Decisório (e-fls. 175/181), não reconheceu o direito creditório pretendido, sob o fundamento de que, “Não comprovada a existência, assim como a origem do direito creditório, deve ser não homologada a compensação”. Confira-se: 3 Art. 65 As Turmas Extraordinárias julgam, preferencialmente, recursos voluntários relativos à exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de dois mil salários mínimos, assim considerado o valor do principal mais multas ou, no caso de reconhecimento de direito creditório, o valor do crédito pleiteado, na data do sorteio para as Turmas, bem como os processos que tratem: I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 683DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 O Acórdão recorrido manteve integralmente o Despacho Decisório, nos seguintes termos: “40. Segundo a Interessada, foi utilizada a taxa de câmbio do dia 07/06/2002, apurando-se o valor de R$ 1.451.871,48 (e-fls. 18). Com base nessa conversão, o IRRF seria R$ 217.780,72. O DARF , ora pleiteado como indevido, traz o valor de principal, no montante de R$ 218.294,82 (e-fls. 19). [...] 42. Veja que há inconsistências nos dados apresentados. 43. Primeiro, o invoice traz a data emissão em 13/05/2002, com prazo de pagamento até o dia 23/05/2002. Assim, não há coerência em relação a data da conversão utilizada, qual seja, o dia 07/06/2002. 44. Segundo, o valor do IRRF apurado pela taxa de câmbio do dia 07/06/2002, no montante de R$ 217.780,72, é divergente daquele informado no DARF, no montante de R$ 218.294,82. Fato que dificulta a associação do DARF, ora pleiteado como indevido, com o valor apurado em relação a uma duvidosa data de conversão. 45. Com visto, não há como afirmar, com certeza, que o DARF se refere àquele valor do invoice. [...] 67. Assim, não há como reconhecer o DARF, no valor de R$ 261.320,73, recolhido em 30/06/2003, apresentado à e-fls. 19, como pagamento indevido”. (e-fls. 639 e 650, g.n.) Na espécie, conforme demonstrado, verifica-se que a decisão recorrida justificou a glosa do pagamento indevido ou maior (R$ 170.623,93), justamente porque a “o pleito da Interessada é em relação a pagamento efetuado antes março, sendo que toda a documentação apresentada e alegações são para justificar que os pagamentos após março foram efetuados corretamente”. Portanto, à luz da decisão recorrida e do que mais consta dos autos, caberia à Recorrente o esclarecimento das divergências apontadas, bem como a comprovação do suposto pagamento indevido ou maior, para fazer jus ao direito creditório pleiteado, o que de fato não fez. Da análise de suas razões recursais, verifica-se que a Recorrente limitou-se em reiterar que, “logrou demonstrar todos os pagamentos de IRRF devidamente feitos e atrelados efetivamente às datas de remessa dos valores, conforme fls. 220/602, razão pela qual o pagamento efetuado pelo DARF de fls. 19 é manifestamente indevido pois resulta de duplicidade corrigida pelos pagamentos efetuados sobre as efetivas remessas”. Dessa forma, considerando que a Recorrente não trouxe nenhum argumento e/ou justificativa capaz de demonstrar equívoco no Acórdão recorrido e, por concordar com os fundamentos utilizados, decido mantê-lo por seus próprios fundamentos, valendo-me do artigo Fl. 684DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 50, §1º, da Lei nº 9.784/99 5 c/c o artigo 114, §12, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”) 6 , o qual adoto como razão de decidir, in verbis: “30. Tempestiva a manifestação de inconformidade – MI, dela conheço. 31. MÉRITO 32. De início, cabe ressaltar que o Pedido de Restituição decorre de um direito alegado pelo sujeito passivo e este deve estar fundamentado e acompanhado de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. 33. Nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao interessado, quanto ao fato constitutivo do seu direito, ou seja, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao interessado. 34. No caso concreto, constatou-se que a interessada não havia informado em DCTF, débito de IRRF, código 0473, PA 07/06/2002, no valor de R$ 218.294,82, a que se refere ao pagamento de R$ 261.320,73, recolhido em 30/06/2003 (e-fls. 19), ora requerido como pagamento indevido, pelo que se depreende da tela do SIEF-FISCEL inserida abaixo: 35. Assim, o valor pleiteado nos Perdcomp, ora em análise, no valor de R$ 170.623,93, foi reservado a este processo nº 10166.729380/2012-71, conforme telas do SIEF-Documentos de Arrecadação inseridas abaixo: 5 § 1º. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 6 §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; Fl. 685DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 36. A autoridade fiscal questionou o motivo de a Interessada considerar tal pagamento como indevido. A partir das respostas e dos documentos apresentados pela Interessada, não restou comprovado o crédito. 37. A Interessada, em linhas gerais, alega que o recolhimento foi indevido, pois recolheu com base no invoice às e-fls. 17 e não nas efetivas remessas ao exterior e que houve as retenções quando daquelas remessas. Para comprovar o alegado, a Interessada, além dos documentos já apresentados durante a análise da autoridade fiscal, anexou à manifestação de inconformidade os documentos às e-fls. 194/581, que consistiam em Perdcomp, comprovantes de pagamentos e contratos de câmbio. 38. Passe-se ao julgamento. 39. Conforme pode-se verificar no invoice de e-fls. 17, o valor de 576.013,76 Euros se referia ao Evento nº 7, do Anexo C, do Contrato nº 140/2000. 40. Segundo a Interessada, foi utilizada a taxa de câmbio do dia 07/06/2002, apurando-se o valor de R$ 1.451.871,48 (e-fls. 18). Com base nessa conversão, o IRRF seria R$ 217.780,72. O DARF , ora pleiteado como indevido, traz o valor de principal, no montante de R$ 218.294,82 (e-fls. 19). 41. Elaborou-se a tabela abaixo para melhor visualização: 42. Veja que há inconsistências nos dados apresentados. 43. Primeiro, o invoice traz a data emissão em 13/05/2002, com prazo de pagamento até o dia 23/05/2002. Assim, não há coerência em relação a data da conversão utilizada, qual seja, o dia 07/06/2002. 44. Segundo, o valor do IRRF apurado pela taxa de câmbio do dia 07/06/2002, no montante de R$ 217.780,72, é divergente daquele informado no DARF, no montante de R$ 218.294,82. Fato que dificulta a associação do DARF, ora pleiteado como indevido, com o valor apurado em relação a uma duvidosa data de conversão. 45. Com visto, não há como afirmar, com certeza, que o DARF se refere àquele valor do invoice. 46. Considerando que o DARF seja referente à retenção decorrente do invoice de e- fls. 17, passemos a análise do fundamento daquele documento. 47. Com base nas alegações a Interessada, o pagamento foi indevido, pois utilizou a data da contabilização do invoice e não da data da efetiva remessa. No entanto, havia, no corpo do invoice o prazo para pagamento em 23/05/2002. A pergunta que se faz é se houve ou não o pagamento. 48. Conforme consta na solicitação de pagamento à e-fls. 16, o prazo para pagamento seria 08 (oito) dias úteis, de acordo com a 13ª cláusula do Contrato nº 140/2000 (e-fls. 20/43), cujo trecho transcreve-se abaixo: “CLÁUSULA 13ª - CONDIÇÕES DE PAGAMENTO Aprovada a realização de um evento pelo ONS, as respectivas solicitações de pagamento acompanhadas dos documentos de cobrança definidas na Cláusula 12° serão pagas pelo ONS, com fundos próprios ou pela utilização do financiamento contratado pelo ONS junto, a entidade financiadora, na conta, Fl. 686DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 agência e banco indicados pela CONTRATADA, nas condições definidas nos parágrafos seguintes: Parágrafo 1° — O pagamento dos valores dos eventos estabelecidos no Anexo C — CRONOGRAMA DE EVENTOS PARA PAGAMENTO, para as parcelas que serão financiadas, dar-se-á através da liberação de autorização de pagamento do ONS diretamente à CONTRATADA para que esta apresente à entidade financiadora. O ONS deverá liberar as autorizações de pagamento no prazo de 08 (oito) dias úteis após a aprovação do respectivo evento. Parágrafo 2° — O pagamento dos valores dos eventos estabelecidos no Anexo C — CRONOGRAMA DE EVENTOS PARA PAGAMENTO, para as parcelas que não serão financiadas, deverão ser feitos pelo ONS no prazo de 30 (trinta) dias corridos após a aprovação do respectivo evento. Parágrafo 3° — Caso a aprovação de um evento seja retardada por culpa exclusiva do ONS, a data atribuída à esta aprovação será a data da solicitação de aprovação do respectivo evento encaminhada pela CONTRATADA ao ONS. Parágrafo 4° — Para as solicitações de pagamento de reajuste de preços de parcelas que não serão financiadas, o ONS disporá de 15 (quinze) dias corridos para análise e pronunciamento a partir da aprovação do evento. Parágrafo 5° — Para as solicitações de pagamento de reajuste de preços de parcelas que serão financiadas, o ONS disporá de 4 (quatro) dias úteis para análise e pronunciamento a partir da aprovação do evento. Parágrafo 6° - Para que o ONS possa cumprir com as suas obrigações, dentro dos prazos estabelecidos, relativas ao pagamento ou liberação das autorizações de pagamento emitidas por conta deste CONTRATO, a CONTRATADA deverá observar as seguintes disposições: 1) a CONTRATADA apresentará ao ONS a solicitação de pagamento, nas condições e prazo previstos na Cláusula anterior no seguinte endereço: ONS — OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO ESCRITÓRIO CENTRAL DIRETORIA DE OPERAÇÃO — DOP Rua da Quitanda 196 22° andar Rio de Janeiro Brasil 2) caso a CONTRATADA apresente as Solicitações de Pagamento além do prazo estabelecido na Cláusula anterior, a cada dia útil de atraso correspondera prorrogação de 1 (um) dia útil no prazo de pagamento ou liberação mencionado nesta Cláusula; 3) os documentos de cobrança deverão indicar o número e o objeto deste CONTRATO; 4) o pagamento dos valores estabelecidos no Anexo B — Tabela de Fornecimento e Preços, ofertados na modalidade DDP como disposto na cláusula 10ª', de acordo com os eventos definidos no Anexo C — CRONOGRAMA DE EVENTOS PARA PAGAMENTO, serão feitos mediante a emissão pela CONTRATADA de até 5 tipos de solicitação de pagamento (principal ou reajuste), a saber: Fl. 687DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 solicitação de pagamento em moeda estrangeira de parcela financiada olicitação de pagamento em moeda estrangeira de parcela não financiada; solicitação de pagamento em moeda local de parcela financiada solicitação de pagamento em moeda local de parcela não financiada solicitação de pagamento em moeda estrangeira, que será paga em moeda local, de parcela não financiada; 5) as solicitações de pagamento serão pagas ou liberadas para pagamento, pelo ONS para a Empresa consorciada indicada pela CONTRATADA; 6) nenhum pagamento será efetuado até que seja apresentada a Garantia de Cumprimento do CONTRATO, mencionada na Cláusula 29 - GARANTIA DE CUMPRIMENTO DO CONTRATO; 7) o não cumprimento, pela CONTRATADA, do disposto nos subitens 1, 3, e 4 no que aplicável, facultará o ONS a devolver os documentos de cobrança e a contar um novo prazo de vencimento, a partir do dia da reapresentação. Parágrafo 7° - Na ocorrência de erro, de dúvida ou omissão quanto aos documentos que acompanham a solicitação de pagamento, o ONS pagará ou liberará para pagamento a parcela não controvertida no prazo contratual, ficando a parcela restante para ser paga ou liberada para pagamento após a solução da controvérsia, no prazo de 6 (seis) dias úteis a contar da data em que as pendências forem solucionadas e os documentos forem aprovados pelo ONS. Parágrafo 8° —O atraso no pagamento das solicitações de pagamento não financiados em moeda nacional, por culpa exclusiva do ONS, implicará na aplicação de multa moratória de 1% (hum por cento) ao mês, acrescida dos custos financeiros calculados pela variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), sobre o valor do débito, calculados pro rata die, desde a data do vencimento até a data do efetivo pagamento, caracterizado pelo pagamento integral da obrigação em atraso cumulativamente à respectiva multa e ao respectivo custo financeiro. Parágrafo 9° —O atraso no pagamento das solicitações de pagamento financiados em moeda nacional, por culpa exclusiva do ONS, implicará na aplicação de multa moratória de 1% (hum por cento) ao mês, acrescida dos custos financeiros calculados pela variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), sobre o valor do débito, calculados pro rata dia, desde a data prevista para a liberação da autorização de pagamento até a efetiva data desta liberação, caracterizada pela liberação da autorização de pagamento integral da obrigação em atraso cumulativamente à respectiva multa e ao respectivo custo financeiro. Parágrafo 10° —O atraso no pagamento das solicitações de pagamento não financiados em moeda estrangeira convertidos em Reais na data do pagamento, referentes a despesas de importação, por culpa exclusiva do ONS, implicará na aplicação de multa moratória de 1% (hum por cento) ao mês, acrescida dos custos financeiros calculados pela variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), sobre o valor do débito, calculados pro rata die. desde a data prevista do vencimento até a data do efetivo pagamento, caracterizado pelo pagamento integral da obrigação em atraso cumulativamente à respectiva multa e ao respectivo custo financeiro. Fl. 688DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 Parágrafo 11° —O atraso no pagamento das solicitações de pagamento não financiados em moeda estrangeira, que não sejam referentes a despesas de importação, por culpa exclusiva do ONS, implicará na aplicação de multa moratória de 0,5% (meio por cento) ao mês, sobre o valor do débito, calculados pro rata die, desde a data prevista do vencimento até a data do efetivo pagamento, caracterizado pelo pagamento integral da obrigação em atraso cumulativamente à respectiva multa. Parágrafo 12° — O atraso no pagamento das solicitações de pagamento financiados em moeda estrangeira, por culpa exclusiva do ONS, implicará na aplicação de multa moratória de 0,5% (meio por cento) ao mês, sobre o valor do débito, calculados pro rata die, desde a data prevista para a liberação da autorização de pagamento até a data efetiva desta liberação , caracterizada por esta liberação da autorização de pagamento integral da obrigação em atraso cumulativamente à respectiva multa. .......” (grifaram-se) 49. Como visto acima, o pagamento se referia a valor relativo ao financiamento previsto no Contrato nº 140/2000, uma vez que tal prazo de 08 (oito) dias úteis só é citado no parágrafo 1º , que trata do pagamento do financiamento. Logo, conclui-se que o invoice de e-fls. 17 se foi pago por meio de financiamento. 50. E sobre esse tema, constata-se que foi realizado um contrato de financiamento entre a Interessada e o Banco do Brasil (e-fls. 44/55), cujo objetivo era obter empréstimo no exterior para viabilizar a importação de bens e serviços, num valor total de EUR 5.424.551,27, vinculado ao contrato nº 140/2000 (e-fls. 20/43), conforme trecho extraído do contrato: “BANCO DO BRASIL S.A., sociedade de economia mista, com sede em Brasília, Distrito Federal, por sua Agência Negócios Internacionais Rio (RJ), situada na Rua Lélio Gama, 105 - 5° andar, Centro, Rio de Janeiro (RJ), inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ/MF sob o número 00.000.000/4367-20, doravante denominado BANCO, representado neste ato pelos Gerentes, ao final assinados, e Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS, estabelecido na Rua da Quitanda, 196 - 5° andar - Centro - Rio de Janeiro (RJ) , inscrito no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ/MF sob o número 2.831.210/0002-38, representado neste ato por seus Diretores Mário Fernando de Melo Santos, brasileiro, casado, engenheiro, portador do documento de identidade 001923-D - CREA - PE, e do.CPF 000.541.194-72, residente e domiciliado na Rua Joaquim Nabuco, 212 - ap. 302 - Ipanema - Rio de Janeiro (RJ) , e Heitor Gontijo de Paula, brasileiro, casado, portador do documento de identidade M 129.361 - SSP-MG, e do CPF 008.924.326-91, residente e domiciliado na Rua Barão da Torre, 19 - ap. 405 - Ipanema, Rio de Janeiro (RJ) , ao final assinados, doravante denominado simplesmente FINANCIADO, Considerando que o BANCO assinou com Societé Generale, França ("EMPRESTADOR") o contrato de empréstimo externo denominado Credit Agreement, celebrado em 28.06.1994 e seus aditivos e, ainda, o Application Form n. 4, daqui por diante, simplesmente "Linha de Crédito"; Considerando que a Linha de Crédito é destinada a financiar até 85% (oitenta e cinco por cento) do valor de contrato comercial relativo à importação de bens e/ou serviços oriundos da França, ou, se de outros países, observados os limites e condições fixados pelas autoridades francesas; Considerando que o FINANCIADO celebrou contrato de compra e venda/fornecimento de "03 (três) Sistemas de Supervisão e Controle (SSC), totalmente integrados e operacionais, compostos de equipamentos (hardware) e programas de computador (software), para os Centros Regionais de Operação Nordeste, Norte e Sul, de propriedade da ONS", na forma do contrato comercial número 140/2000, de 27.10.2000 Fl. 689DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 ("Contrato Comercial") celebrado com CONSÓRCIO ALS, constituído pelas empresas ALSTOM BRASIL LTDA e ALSTOM T&D S.A. ("EXPORTADOR"); .................. CLÁUSULA PRIMEIRA - DO FINANCIAMENTO: O BANCO, em razão da Linha de Crédito, concede ao FINANCIADO, que, neste ato o aceita, o financiamento à importação, correspondente a: a) 80% (oitenta por cento) do valor, deduzidos os impostos, dos bens e serviços importados, correspondentes à parte francesa do Contrato Comercial celebrado entre o FINANCIADO e o EXPORTADOR, no valor de EUR 4.211.341,70 (quatro milhões, duzentos e onze mil, trezentos e quarenta e um EUROS e setenta centavos); b) a porção de bens e serviços de origem brasileira, deduzidos os impostos, limitada a 15% (quinze por cento) dos bens e serviços franceses, equivalente ao valor de EUR 789.626,57 (setecentos e oitenta e nove mil, seiscentos e vinte e seis EUROS e cinqüenta e sete centavos); c) 100% (cem por cento) do valor relativo ao prêmio de seguro de crédito contratado pelo EMPRESTADOR junto à Compagnie Française D'Assurance pour le Commerce Extérieur - COFACE ("SEGURADORA"), no valor de EUR 423.583,00 (quatrocentos e vinte e três mil e quinhentos e oitenta e três euros); d) 100% dos juros devidos ao EMPRESTADOR, à taxa de 5,59% a.a. (cinco inteiros e cinqüenta e nove centésimos pontos percentuais ao ano), durante o Período Preliminar do Crédito, incidentes sobre os valores desembolsados, os quais serão automaticamente acrescidos ao valor financiado ao término de cada período de juros; e e) prêmio adicional de seguro de crédito contratado pelo EMPRESTADOR junto à Companhie Française D' Assurance pour le Commerce Extérieur COFACE ("SEGURADORA") no percentual de 8,47% (oito inteiros e quarenta e sete centésimos pontos percentuais) flat incidente sobre o valor dos juros descritos na letra d) acima. O FINANCIADO concorda expressamente com a transferência dos termos e condições da Linha de Crédito oferecida pelo BANCO, contidas no presente contrato, bem como aceita e se confessa devedor no valor de EUR 5.424.551,27 (cinco milhões, quatrocentos e vinte e quatro mil, quinhentos e cinqüenta e um Euros e vinte e sete centavos), correspondentes à soma dos valores mencionados nas letras a), b) e c) supra, equivalente ao contravalor em moeda nacional de R$10.603.261,87 (dez milhões, seiscentos e três mil, duzentos e sessenta e um reais e oitenta e sete centavos), obtido pela aplicação da taxa cambial de venda praticada pelo BANCO no Mercado de Taxas Livres do dia útil anterior ao da celebração deste contrato. O FINANCIADO concorda, outrossim, que sobre o valor ora confessado serão acrescidos os valores em moeda estrangeira e contravalores em moeda nacional descritos na letra d) e e) supra, obtidos pela aplicação da taxa cambial de venda praticada pelo BANCO no Mercado de Taxas Livres (do dia útil anterior ao da utilização). ............... Parágrafo Segundo: O BANCO informará ao FINANCIADO sobre a não aprovação, suspensão ou cancelamento do financiamento, ficando o FINANCIADO obrigado a ressarcir o BANCO de todas as despesas e encargos incorridos em razão deste Contrato. Fl. 690DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 .............” (grifaram-se) 51. Como visto, com base no contrato nº 140/2000 e no financiamento acima, há a previsão de pagamentos às partes envolvidas da forma detalhada abaixo: 52. Com relação aos pagamentos a serem realizados para cumprir o financiamento, o contrato prevê: “CLÁUSULA QUARTA - Pagamento do Principal: O FINANCIADO pagará ao BANCO o valor total da dívida determinada na cláusula Primeira, em moeda estrangeira, em 12 (doze) prestações semestrais e sucessivas, vencendo-se a primeira seis meses após a Data de Início de Repagamento. Parágrafo Único - O FINANCIADO declara-se ciente de que, por força dos termos da Linha de Crédito a que alude a Cláusula Primeira deste instrumento, qualquer parcela de reembolso cujo vencimento recaia em dia não útil, em Paris, terá seu vencimento postergado para o dia útil imediatamente posterior, mantendo-se inalterada, todavia, a data prevista para o pagamento da prestação subseqüente. CLÁUSULA QUINTA - Pagamento de Juros: O FINANCIADO pagará ao BANCO, e esse ao EMPRESTADOR, juros de 5,59 % a.a. (cinco inteiros e cinqüenta e nove pontos percentuais ao ano) calculados sobre o saldo devedor e exigíveis semestralmente, juntamente com a parcela de principal. Parágrafo Único: Durante o Período Preliminar do Crédito, os juros serão capitalizados no início de cada período de seis meses contados retroativamente da Data de Início do Repagamento. Os juros serão computados à taxa de 5,59% a.a. (cinco inteiros e cinqüenta e nove pontos percentuais ao ano): a) pelo período exato de seis meses sobre o valor já utilizado no primeiro dia do referido período; e b) pelo período corrido entre a data de cada utilização e o fim de seu respectivo período de 6 (seis) meses, sobre o valor utilizado durante o referido período de 6 (seis) meses. ...................... CLÁUSULA DÉCIMA - Impostos e Outros Encargos: O FINANCIADO se obriga a pagar ao BANCO o valor correspondente aos tributos e despesas exigíveis por ocasião das remessas de principal e encargos, tais como: a) imposto de renda-IR e imposto sobre operações de crédito, câmbio, seguro e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários - I0F; b) quaisquer outras despesas normalmente cobradas ou incorridas pelo BANCO para efetivar as transferências de valores para o exterior e c) todos os custos e ônus internos e externos referentes a este Contrato. Parágrafo Único: Caso ocorra desembolso ao EXPORTADOR estrangeiro em moeda diversa daquela pactuada no financiamento, em razão de sua indisponibilidade no mercado ou por outras questões, os custos adicionais incorridos para esse desembolso correrão por conta exclusiva do FINANCIADO. Fl. 691DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 ................ CLÁUSULA VIGÉSIMA - Autorização Para Efetivar Débitos em Conta do Financiado: O FINANCIADO autoriza o BANCO, de forma irrevogável e irretratável, a efetuar lançamentos a débito da conta-corrente que o FINANCIADO mantenha junto ao BANCO, para pagamento de principal, juros, comissões e demais encargos pactuados neste Contrato, assim como para reembolso de despesas que o BANCO venha a efetivar para a plena conservação e regularidade de seus direitos creditórios, inclusive as despesas de impostos, taxas, custas e emolumentos relativos aos presente Contrato e respectivo registro no cartório competente. ................” (grifaram-se) 53. Então, com base nas cláusulas acima, o financiamento deveria ser pago em 12 parcelas semestrais, onde constarão tanto o valor de principal como de juros pactuados. E os pagamentos serão efetuados ao Banco do Brasil que será o responsável por remetê- los ao Emprestador na França. 54. A Interessada apresentou planilhas (e-fls. 134/136) em resposta às intimações da autoridade fiscal, detalhando os pagamentos, que reproduzimos abaixo: Fl. 692DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 55. Note-se que o valor indicado como saldo devedor na coluna “f" da Tabela 3, no montante de EUR 5.385.035,17, difere daquele constante no contrato, no montante de EUR 5.424.551,27. 56. Ainda durante os procedimentos de análise do crédito pela autoridade fiscal, a Interessada apresentou um Memorando de Entendimentos (e-fls. 56/58) firmado entre ela e o Consórcio formado pela ALSTOM BRASIL LTDA e a ALSTOM T&D S/A, em 28/03/2003, para definir orientações acerca do recolhimento do IR. Transcrevem-se trechos abaixo: “CONSIDERANDO QUE .................... b) Na celebração do Contrato foi considerado o aproveitamento na França pela ALSTOM T&D S/A dos valores devidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) à razão de 15% nos termos da Portaria MF no. 287172, que regulamenta o Adido XII (Royalties) da "Convenção com a França para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos Sobre o Rendimento" promulgada pelo Decreto 70.506/72, tendo ficado ajustado que o ONS forneceria o comprovante do recolhimento do IRRF no Brasil c) Contudo, o financiamento contratado pelo ONS para efetuar os pagamentos devidos à ALSTOM T&D S/A, está liberando os pagamentos à ALSTOM T&D S/A diretamente no exterior, não lendo ocorrido a retenção e o recolhimento do IRRF no Brasl pele ONS. ..................... Fl. 693DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 I — DO RECOLHIMENTO DO IRRF INCIDENTE SO8RE AS PARCELAS JÁ PAGAS À ALSTOM T&D S/A I.1) O ONS efetuará o pagamento do IRRF incidente sobre as parcelas já pagas a título de serviços e software à ALSTOM T&D S/A, mediante envio de recursos pela ALSTOM com a qual o ONS compromete-se em pagar de imediato o imposto devido e encaminhará o comprovante original do recolhimento para a ALSTOM T&D S/A. ................. I.3) O saldo devido a título de juros incidentes em razão de atraso no recolhimento do imposto, conforme calculados em Reais na forma de legislação, estimados em cerca de R$ 167.690,74 (cento e sessenta e sete mil, seiscentos e noventa Reais e setenta e quatro centavos) será pago pelas Partes como segue: a) A ALSTOM T&D SIA acrescentará ao valor a ser adiantado ao ONS para pagamento do IRRF o valor em Reais equivalente à EURS 10.412,00 (dez mil quatrocentos e doze Euros) na data da remessa, o qual corresponde ao rendimento financeiro obtido pela ALSTOM T&D S/A na França sobre os valores não retidos de IRRF, conforme demonstrado no Anexo I, e 50% do saldo remanescente para o pagamento dos juros incidentes em razão do atraso no recolhimento do imposto. b) Ao ONS caberá o pagamento de 50% do saldo remanescente do valor dos juros, descontando-se o valor de EUR$ 10.412,00, conforme descrito no item anterior. A ALSTOM em contra-partida apoiará o ONS na retirada de dúvidas para implantação do Controle Automático de Geração do Centro Regional de Operação Norte, para a configuração do DTS nos Centros de Operação Nordeste, Norte e Sul, para a configuração das funções de análise de rede e para a configuração do protocolo ICCP. Em caso de requisição de suporte adicional, uma proposta de serviço será enviada pela ALSTOM. I.4) As Partes acordam que o recolhimento a ser efetuado não contemplará multa por atraso, uma vez que o pagamento se caracteriza como denúncia espontânea na forma do art. 138 do Código Tributário Nacional. A ALSTOM deverá apoiar o ONS na execução dos procedimentos necessários a implementação e sustentação da denúncia espontânea, ¡unto aos órgãos competentes. II -- DOS RECOLHIMENTOS FUTUROS DE IRRF II.1) Para os pagamentos futuros à ALSTOM T&D S/A a título de serviços e software com recursos de financiamento, antes de determinar ao Agente Financiador a liberação dos pagamentos à ALSTOM T&D SIA, o ONS efetuará o pagamento do IRRF incidente, mediante adiantamento de recursos pela ALSTOM, com qual o ONS compromete-se em pagar de imediato o imposto devido, e encaminhará o comprovante original do recolhimento para a ALSTOM T&D S/A. I.2) Para os pagamentos futuros com recursos próprios do ONS à ALSTOM T&O S/A a título de serviços e software a NOS efetuará normalmente o pagamento do IRRF descontado do valor principal e encaminhará o comprovante original do recolhimento para a ALSTOM T&D S/A. ................... Anexo I Juros associados ao recebimento antecipado do IR na França Fl. 694DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 ............” (grifaram-se) 57. Verifica-se, pelo Memorando de Entendimento descrito acima, que consta no último item do Anexo I o valor de EUR 576.013,76, datado de 07/06/2002, em conformidade com a data de apuração contida no DARF de e-fls. 19, bem como o valor constante do invoice de e-fls. 17. Fato que se pode concluir que a retenção na fonte foi decorrente daquele pagamento, sendo recolhido o DARF com acréscimo de juros sem multa moratória, como ficou estipulado no próprio memorando. 58. Como visto, o pagamento ocorreu e a própria empresa estrangeira ALSTOM T&D S/A cobrou o comprovante de pagamento de IR para aproveitamento na sua apuração fiscal na França. Ora, foi justamente para a utilização do IR é que a Interessada se comprometeu a efetuar o pagamento do IRRF, recolhido em 30/06/2003, ou seja, pouco tempo após a assinatura daquele memorando ocorrido em 28/03/2003. 59. Assim, não há como considerar indevido o pagamento do IR efetuado, no montante de R$ 261.320,73 (e-fls. 19), uma vez que houve o pagamento à empresa no exterior, reconhecido por ambas naquele memorando. Além do que, se houve o aproveitamento do IR pago no Brasil pela empresa estrangeira na sua apuração fiscal na França, não há como a empresa brasileira requer tal valor como pagamento indevido. 60. Caso isso ocorresse, estaria o mesmo imposto sendo aproveitado duplamente. Já que se o pagamento do IR é indevido, não poderia ser utilizado o comprovante de pagamento na França para evitar dupla tributação. 61. A Interessada apresenta, na manifestação de inconformidade os contratos de câmbio relativos às remessas ocorridas a partir de março de 2003, bem como comprovantes de pagamento e Perdcomp para confirmar a extinção do IRRF (e-fls. 196/580). No entanto, tais documentos não afetam a o DARF recolhido em 30/06/2003, uma vez que este se refere ao pagamento à empresa estrangeira ocorrido em 07/06/2002. 62. E fica claro no memorando de e-fls. 56/58 que aqueles valores pagos antes de março de 2003 deveriam ser regularizados com o efetivo recolhimento do IR de imediato. E os recolhimentos futuros seriam efetuados antes da liberação do pagamento. 63. Ora, é evidente que a partir de março, que é o período ao qual os contratos de câmbios juntados na manifestação de inconformidade se referem, a sistemática de retenção na fonte passou a ser nos moldes previstos naquele memorando. 64. Já os valores pagos anteriormente a março de 2003 foram regularizados com o pagamento de DARF específico, como é o caso do ora pleiteado como indevido. 65. Concluindo, temos que os pagamentos se dividem em dois tipos: Aqueles realizados a partir de março de 2003, aos quais a Interessada apresenta documentos, como contratos de câmbios, comprovantes de pagamentos, Perdcomp, e estão demonstrados nas tabelas 3 e 4, informadas pela própria Interessada; e Fl. 695DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 Aqueles realizados antes de março de 2003, onde a Interessa realizou o pagamento, por meio de DARF, do IRRF com acréscimo de juros e sem a multa moratória para que a empresa estrangeira fizesse o aproveitamento do IR na França. 66. E o pleito da Interessada é em relação a pagamento efetuado antes março, sendo que toda a documentação apresentada e alegações são para justificar que os pagamentos após março foram efetuados corretamente. Ou seja, comprovar que os recolhimentos de IRRF relativos aos pagamentos a partir de março foram efetuados não tem o condão de descaracterizar o efetivo pagamento ocorrido à empresa estrangeira antes de março de 2003, que gerou o recolhimento em atraso do IRRF. 67. Assim, não há como reconhecer o DARF, no valor de R$ 261.320,73, recolhido em 30/06/2003, apresentado à e-fls. 19, como pagamento indevido. 68. Diante do acima exposto, não procedem as alegações da interessada. 69. CONCLUSÃO 70. Face o exposto, voto por negar provimento à manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o Despacho Decisório nº DRF/BSB/Diort . 71. É o meu voto”. Não é demais destacar que o ônus da prova compete a quem alega possuir o direito, conforme dispõe o artigo 373 do Código de Processo Civil (CPC): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse ponto, registro a jurisprudência deste Conselho: NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático- probatório dos autos. (Processo n° 13884.900958/2008-10. Acórdão n° 1002-000.779. Sessão de 06/08/2019. Relator Aílton Neves da Silva, g.n.) Outro ponto crucial a considerar é que o artigo 170 do Código Tributário Nacional (“CTN”) 7 exige para o reconhecimento da compensação declarada que o crédito nela pleiteado 7 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 696DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1002-003.352 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.729380/2012-71 seja dotado dos requisitos de liquidez e certeza, motivo pelo qual deve ser indeferido o pleito da Recorrente, eis que tais atributos não foram efetivamente comprovados no presente recurso. Logo, não merece reforma o Acórdão recorrido. Dispositivo Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para nessa extensão, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin Fl. 697DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000618/2004-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptá-lo às determinações do RE.
Numero da decisão: 9202-011.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE. Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptá-lo às determinações do RE.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10875.000618/2004-76
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7060484
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9202-011.210
nome_arquivo_s : Decisao_10875000618200476.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 10875000618200476_7060484.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
id : 10412270
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:25 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395834810368
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-03-29T00:49:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-03-29T00:49:24Z; Last-Modified: 2024-03-29T00:49:24Z; dcterms:modified: 2024-03-29T00:49:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-03-29T00:49:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-03-29T00:49:24Z; meta:save-date: 2024-03-29T00:49:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-03-29T00:49:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-03-29T00:49:24Z; created: 2024-03-29T00:49:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-03-29T00:49:24Z; pdf:charsPerPage: 1958; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-03-29T00:49:24Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.000618/2004-76 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202-011.210 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 22 de março de 2024 Recorrente HILÁRIO DA COSTA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE. Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptá-lo às determinações do RE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, , Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Guilherme Paes de Barros Geraldi (suplente convocado) e Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Na origem, cuida-se de lançamento para cobrança do Imposto de Renda das Pessoas Físicas em função de omissão de rendimentos com vínculo empregatício, recebidos no bojo de reclamatória trabalhista. A descrição dos fatos encontra-se às fls. 33/34. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 06 18 /2 00 4- 76 Fl. 370DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.210 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10875.000618/2004-76 Impugnado o lançamento às fls. 2/25, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP julgou-o procedente em parte às fls. 187/192, apenas para excluir do lançamento as verbas não tributáveis e os honorários advocatícios. Por sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção deu parcial provimento ao Recurso Voluntário de fls. 198/218, por meio do acórdão 2401-006.198 – fls. 241/249. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Especial às fls. 301/314, requerendo seu conhecimento e provimento para que seja cancelada a decisão recorrida e, sucessivamente, a devolução dos autos à instância a quo para que esta analise os demais argumentos de mérito constantes do Recurso Voluntário, e que não foram analisados, sob pena de supressão de instância. Em 12/11/21 - às fls. 345/352 - foi dado seguimento parcial ao recurso do sujeito passivo para que fosse rediscutida a matéria “Erro do lançamento fiscal ante a existência de incorreções na apuração realizada pela fiscalização. Efeitos.” Não foi dado seguimento quanto à matéria “Verbas indenizatórias que não foram excluídas da base de cálculo do imposto pela DRJ. Necessidade de apreciação pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção”. Intimada do recurso interposto pela contribuinte em 10/4/22 (processo movimentado em 11/3/22 – fl. 358), a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões tempestivas às fls. 359/367 (em 17/3/22), pugnando pelo desprovimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator O recorrente tomou ciência do acórdão de Recurso Voluntário em 31/8/21 (fl. 294) e apresentou seu Recurso Especial tempestivamente em 15/9/21, consoante se extrai da mensagem eletrônica de fls. 298/299. Não havendo questionamento em Contrarrazões e preenchidos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, dele conheço. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria “Erro do lançamento fiscal ante a existência de incorreções na apuração realizada pela fiscalização. Efeitos”. O acórdão recorrido foi assim ementado, naquilo que importa ao caso: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. In casu, o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário 2000 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Sua decisão se deu no seguinte sentido: Fl. 371DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.210 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10875.000618/2004-76 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência). Em seu recurso, busca o recorrente a aplicação do entendimento vazado paradigmático 2202-003.588, no sentido de se promover o cancelamento do lançamento, dada a impossibilidade jurídica de se efetuar seu ajuste na forma como determinada pelo colegiado recorrido. De fato, naquele paradigma – julgado da sessão de 21/9/16, já sob a égide do RE 614.406/RS - deu-se provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, na medida em que se entendeu seria necessário um novo, já que o anterior estaria eivado de vicio que teria maculado aspectos substancias da hipótese de incidência tributária. O caso em tela cuida de lançamento sobre omissão de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) por meio de reclamatória trabalhista, que se valeu da sistemática de caixa (base de cálculo e alíquotas vigentes à época do recebimento) para a determinação da base de cálculo da exigência. Nesse contexto, a decisão guerreada concluiu deveria ser observado o julgamento do RE 614.406/RS, que se deu sob a sistemática da repercussão geral, e determinou o recálculo do tributo com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tidos como omitidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Confira-se: Verifica-se que o caso em pauta envolve o tema rendimentos recebidos acumuladamente, razão pela qual o crédito tributário lançado foi apurado com base na tabela e alíquota vigente no ano de recebimento, sendo o cálculo do imposto a pagar apurado pelo valor global. Em relação ao saldo remanescente da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, é imperioso atentar para a decisão definitiva de mérito no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, a qual deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vale dizer, o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário 2000 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Pois bem. Trata-se de matéria há muito discutida nesta Turma, que tem jurisprudência na mesma linha do que foi decidido pelo colegiado recorrido. Nesse rumo, adoto como minhas, as razões de decidir da Redatora do voto vencedor do acórdão 9202.007.557, julgado na sessão de 31/1/19. Confira-se: Fl. 372DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.210 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10875.000618/2004-76 O apelo visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinando-se tão somente o recalculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. No acórdão recorrido, entendeu-se pelo cancelamento da exigência. A matéria nâo é nova neste Colegiado e já foi objeto de inúmeros julgamentos, com provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Dentre esses julgados, destaca-se o Acórdão n° 9202-006.000, de 27/09/2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, cujos fundamentos ora adoto e colaciono como minhas razoes de decidir: "Sem duvida, reconhece-se aqui. em linha com a recorrido, que a matéria sob litigio foi abjeta de análise recente pelo STF. no âmbito do RE 614.406'RS. objeto de transita em julgado em 11/12/2014. feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida tem 20 de outubro de 2010/. obedecida assim a sistemática prevista no art. 543-B da Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte das Conselheiras deste CARF das ditames do Acórdão prolatado par aquela Suprema Corte em 23/10/2014. a partir de previsão regimental contida na art. 62. §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343. de 09 de junho de 2015. Reportando-me a este último julgado vinculante, nato. porém, que. ali. se acordou, por maioria de mtos. em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713. de 1988. devendo acorrer, na forma ali determinada, a 'incidência mensal para o cálculo da imposto de renda correspondente à tabela progressna vigente na periodo mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (-.)', afastando-se assim a regime de caixa. Todav'ia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713. de 1988. note-se. diploma plenamente vigente na época em que efetuada a lançamento sob análise, o qual. ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Sacional. não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equhocado ou vicio material na lançamento efetuado. A propósito, de se notar que as dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 20. em nenhum momento foram abjeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concreta. Deflui daquela decisão da Suprema Corte. em meu entendimento, inclusive, o plena reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diversa daquele apurado quando do lançamento, a qual. repita-se. obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro tear do dccisum do STF. é notório que. ainda que se tenha rejeitado a surgimento da obrigação tributária somente no momento da recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entende-se. ali. inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valares acumulados pelo contribuinte pessoa física. mas agora a ser calculada em momento pretérita, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a detida vénia ao posicionamento esposada por alguns membros deste Conselho, entendo que. a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive a contrariar as razões de decidir que embasam o dccisum vinculanie, no qual, reitero, em nenhum momento, note-se, se cogiia da Inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 373DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.210 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10875.000618/2004-76 Se. por um lado. manter-se a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713. de 1988. conforme decidida de forma definitiva pelo STF. violaria a Isonomia no que tange aos que receberam as verbas detidas 'em dia' e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti-isonõmico também em relação aos que também receberam em dia e recolheram detidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação da montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas coma das alíquotas vigentes á época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja. de acorda com o regime de competência. Assim, não há que se falar em impossibilidade de recalculo do montante devido pelo Contribuinte pelo regime de competência, de sorte que o Recurso Especial da Fazenda Nacional deve ser provido. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 374DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000561/2010-51
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2008
MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. APÓS PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Uma vez iniciado o procedimento fiscal, a reaquisição da espontaneidade, forte no artigo 7º do Decreto 70.235/72, implica a exclusão apenas da multa de ofício.
Numero da decisão: 2004-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202312
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2008 MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. APÓS PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Uma vez iniciado o procedimento fiscal, a reaquisição da espontaneidade, forte no artigo 7º do Decreto 70.235/72, implica a exclusão apenas da multa de ofício.
turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 11065.000561/2010-51
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7060673
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2004-000.174
nome_arquivo_s : Decisao_11065000561201051.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 11065000561201051_7060673.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 28 00:00:00 UTC 2023
id : 10413436
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:27 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395849490432
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-01-12T20:33:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-01-12T20:33:57Z; Last-Modified: 2024-01-12T20:33:57Z; dcterms:modified: 2024-01-12T20:33:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-01-12T20:33:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-01-12T20:33:57Z; meta:save-date: 2024-01-12T20:33:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-01-12T20:33:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-01-12T20:33:57Z; created: 2024-01-12T20:33:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-01-12T20:33:57Z; pdf:charsPerPage: 2207; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-01-12T20:33:57Z | Conteúdo => SS22--TTEE0044 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 11065.000561/2010-51 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2004-000.174 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 28 de dezembro de 2023 RReeccoorrrreennttee TRANSPORTADORA SILVEIRA GOMES LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2008 MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. APÓS PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Uma vez iniciado o procedimento fiscal, a reaquisição da espontaneidade, forte no artigo 7º do Decreto 70.235/72, implica a exclusão apenas da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente). Relatório Cuida o presente de lançamento para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa (DEBCAD 37.253.118-0) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados contribuintes individuais a serviço da empresa, pagamentos e/ou créditos efetivados a cooperativas de trabalho. O Relatório Fiscal encontra-se às fls. 44/48. O sujeito passivo impugnou o lançamento às fls. 98/108. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 05 61 /2 01 0- 51 Fl. 316DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2004-000.174 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.000561/2010-51 A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS julgou procedente em parte o lançamento às fls. 268/277, por meio do acórdão a seguir ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2008 AI Debcad nº 37.253.118-0 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. ESPONTANEIDADE READQUIRIDA. RECOLHIMENTOS. DECLARAÇÃO EM GFIP. RETIFICAÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. O pagamento efetuado nestas circunstâncias, acrescido de juros e multa de mora, deve ser abatido do crédito lançado, retificando-o. PROVA DOCUMENTAL COMPLEMENTAR. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê- lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Cientificado do acórdão de impugnação, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 297/304. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator. Da admissibilidade O contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação em 9/5/14, em uma sexta feira (fl. 286) e apresentou seu recurso tempestivamente em 9/6/14 (fl. 297). Preenchido os demais requisitos para a sua admissibilidade, dele conheço e passo a analisar-lhe o mérito. Do mérito Como relatado, trata-se de lançamento para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados contribuintes individuais a serviço da empresa, pagamentos e/ou créditos efetivados a cooperativas de trabalho. A discussão que chegou a esta instância diz respeito ao aproveitamento de recolhimentos, em relação a período em que se alega estar acobertado pela espontaneidade, com vistas à exclusão das multas de ofício e de mora. Sustenta o recorrente ser incabível a renovação da exclusão da espontaneidade, mas apenas a sua prorrogação, que deveria se dar dentro dos 60 (sessenta) dias da última intimação. Vale dizer, procurou diferenciar “prorrogação” de “renovação” para, ao final, pugnar pelo afastamento da multa de ofício e da de mora. Sobre a temática da multa de mora, é de se destacar que no julgamento do REsp nº 1.149.022/SP, que se deu sob a sistemática dos recursos repetitivos, a Corte superior reconheceu a denúncia espontânea nas hipóteses em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do Fl. 317DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2004-000.174 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.000561/2010-51 débito tributário sujeito a lançamento por homologação e acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a – antes de qualquer procedimento da Administração Tributária –, notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Confira-se trecho do referido acórdão proferido no RESP 1.149.022/SP a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional ,tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/6/2010, DJe 24/6/2010) – sem destaques no original. Fl. 318DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2004-000.174 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.000561/2010-51 Na linha do assentado, pode-se extrair que só há que se falar da exclusão das multas punitivas (mora e de ofício) “antes de qualquer procedimento da Administração Tributária”. Com isso, penso que uma vez cientificado o contribuinte do início do procedimento fiscal, restou afastada a possibilidade da exclusão da multa moratória na forma do julgado acima ementado. De fato, a questão da reaquisição da espontaneidade veio insculpida no artigo 7º do Decreto 70.235/72, que estabeleceu normas acerca do processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, onde há de se falar, aí sim, de multa de ofício; e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Logo, penso que à luz desse arcabouço normativo, essa possibilidade de reaquisição da espontaneidade, quanto já cientificado do início do procedimento, só se aplica, em relação ao caso em tela, à multa de ofício, tema este já enfrentado por ocasião do julgamento de primeira instância, cujas razões de decidir lá expostas convergem com a deste Relator, onde foi admitida a utilização dos pagamentos pretéritos à reaquisição da espontaneidade, excluindo- se a multa de ofício sobre os créditos lançados a eles correspondentes. Nesse sentido, o Enunciado de Súmula CARF nº 75, verbis: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. A propósito, colaciono fragmento do voto vencedor do acórdão 02-02.844, de 16/10/2007, um dos acórdãos paradigmas da sumula acima: Uma vez restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa e juros de mora), ficando excluída a aplicação da multa de oficio. Em outras palavras, tenho que a partir da ciência do início do procedimento fiscal até sua notificação do termo de encerramento, não há que se falar da exclusão da multa de mora, ainda que, ao longo desse lapso temporal, venha o fiscalizado readquirir sua espontaneidade, forte naquele artigo 7º, já que este se aplicaria apenas às multas lançadas em processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários. Ademais, consta da decisão recorrida que nos recolhimentos efetuados, incluíram-se os juros e a multa. Confira-se o seguinte excerto: A autuada efetuou recolhimentos em 30/06/2008, em 06/11/2008, 05/06/2009, 09/06/2009 e 10/12/2009 acompanhados de acréscimos legais (multa e juros de mora), comprovados por meio de cópia de GPS – Guia da Previdência Social de fls. 188/247, conforme demonstrado pela fiscalização no relatório “Pagamentos Efetuados No Período da Fiscalização”, de fls. 248. Não vislumbrando reparos a serem promovidos, a manutenção da decisão recorrida é um imperativo. Forte no exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 319DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2004-000.174 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.000561/2010-51 Fl. 320DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900409/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PAF - RECURSO VOLUNTÁRIO PRAZO - ARTS. 5º E 33 DEC. Nº 70.235/72 – INTEMPESTIVIDADE – COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
O recurso voluntário deve ser interposto nos trinta dias seguintes ao do recebimento da intimação do resultado da decisão singular, sob pena de perempção. A tempestividade do recurso administrativo é requisito essencial para a devolução da matéria impugnada ao órgão julgador, pois intempestivo o recurso, opera-se a coisa julgada administrativa, tornando os seus efeitos efetivos e aptos a atingirem o patrimônio do particular
Numero da decisão: 3402-001.192
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se
conheceu do recurso
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 09 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PAF - RECURSO VOLUNTÁRIO PRAZO - ARTS. 5º E 33 DEC. Nº 70.235/72 – INTEMPESTIVIDADE – COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. O recurso voluntário deve ser interposto nos trinta dias seguintes ao do recebimento da intimação do resultado da decisão singular, sob pena de perempção. A tempestividade do recurso administrativo é requisito essencial para a devolução da matéria impugnada ao órgão julgador, pois intempestivo o recurso, opera-se a coisa julgada administrativa, tornando os seus efeitos efetivos e aptos a atingirem o patrimônio do particular
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10920.900409/2008-65
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 7154053
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3402-001.192
nome_arquivo_s : 340201192_10920900409200865_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
nome_arquivo_pdf_s : 10920900409200865_7154053.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso
dt_sessao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4741788
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 09 09:43:04 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1815237522593153024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.900409/200865 Recurso nº 888.648 Voluntário Acórdão nº 3402001.192 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE Recorrente CASA DAS TINTAS MABA LTDA. Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS DRJ PAF RECURSO VOLUNTÁRIO PRAZO ARTS. 5º E 33 DEC. NO 70.235/72 – INTEMPESTIVIDADE – COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. O recurso voluntário deve ser interposto nos trinta dias seguintes ao do recebimento da intimação do resultado da decisão singular, sob pena de perempção. A tempestividade do recurso administrativo é requisito essencial para a devolução da matéria impugnada ao órgão julgador, pois intempestivo o recurso, operase a coisa julgada administrativa, tornando os seus efeitos efetivos e aptos a atingirem o patrimônio do particular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, João Carlos Cassuli Junior, Sílvia de Brito Oliveira e Angela Sartori presentes à sessão. Relatório Fl. 87DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E Assinado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, 19/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 39/69) contra o v. Acórdão DRJ/FNS nº 0720.935 de 27/08/10 constante de fls. 32/35 exarado pela 4ª Turma da DRJ de Florianópolis SC que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade” de fls. 07/15, mantendo o Despacho Decisório da DRF de Joinville SC (fls. 06), que indeferiu e deixou de homologar a Declaração de Compensação de créditos da PIS, cuja restituição foi pleiteada em razão de suposto erro no recolhimento da contribuição por indevida inclusão na base de cálculo de receitas transferidas para terceiros (art. 3º, § 2º inc. III da Lei nº 9718), com débitos vencidos de tributos administrados pela SRF. Por seu turno a r. decisão de fls. 32/35 da 4ª Turma da DRJ de Florianópolis SC, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade” de fls. 07/15, mantendo o Despacho Decisório da DRF de Joinville SC (fls. 06), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2004 BASE DE CALCULO. RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS.IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição social (receita bruta) valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 39/69) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o seu direito de dedução da base de cálculo da contribuição de receitas transferidas para terceiros nos termos do art. 3º, § 2º inc. III da Lei nº 9718 e homologar a compensação do suposto crédito com os débitos objeto do pedido de compensação nos termos da jurisprudência que cita. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário (fls. 39/69) não reúne as condições de admissibilidade e é manifestamente intempestivo, eis que o Acórdão recorrido (Acórdão DRJ/FNS nº 07 20.936 de 27/08/10 constante de fls. 32/35), exarado pela 4ª Turma da DRJ de Florianópolis SC foi intimado por via postal em 17/09/10 (AR fls. 37) e o referido recurso (fls. 40/70) foi postado em 21/10/10 (fls. 38), portanto fora do prazo de 30 dias conforme determina o Decreto no 70.235/72, que em seus arts. 5º e 33 dispõe que: Fl. 88DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E Assinado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, 19/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10920.900409/200865 Acórdão n.º 3402001.192 S3C4T2 Fl. 2 3 “Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.” Assim, operouse a coisa julgada administrativa, como reiteradamente proclamado pela Jurisprudência judicial e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. DECADÊNCIA. DECISÃO ADMINISTRATIVA PASSÍVEL DE REVISÃO POR RECURSO COM EFEITO SUSPENSIVO. APELO INTEMPESTIVO. TERMO A QUO DA IMPETRAÇÃO INICIADO APÓS A FLUÊNCIA DO PRAZO RECURSAL. DECADÊNCIA CONFIGURADA. 1. A tempestividade do recurso administrativo é requisito essencial para a devolução da matéria impugnada ao órgão julgador, pois intempestivo o recurso, operase a coisa julgada administrativa, tornando os seus efeitos efetivos e aptos a atingirem o patrimônio do particular. 2. Passível a revisão e a correção do ato administrativo por recurso com efeito suspensivo, a decadência da impetração da ação mandamental iniciouse, no presente caso, a partir da fluência do prazo do recurso intempestivo. 3. Decadência da ação mandamental devidamente configurada.” 4. Recurso desprovido.” (Ac. da 2ª Turma do STJ no RMS nº 10338PR; Reg. nº 1998/00846646, em sessão de 19/11/2002, Rel. Min. LAURITA VAZ, publ. in DJU de 16/12/02 p. 283) Nesse sentido a Jurisprudência cristalizada na Súmula nº 6 do antigo E. 2º CC aprovada em sessão plenária de 18/09/07 cujo teor é o seguinte: “Súmula nº 6 – É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Isto posto, voto no sentido de NÃO CONHECER do presente Recurso Voluntário . É o meu voto. Sala das Sessões, em 1º de junho de 2011. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E Assinado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, 19/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 90DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E Assinado digitalmente em 16/06/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, 19/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.722749/2019-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2017 a 30/09/2017
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
Numero da decisão: 3302-014.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.268, de 17 de abril de 2024, prolatado no julgamento do processo 13804.722726/2019-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denise Madalena Green, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), José Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mariel Orsi Gameiro, Aniello Miranda Aufiero Junior (Presidente)
Nome do relator: ANIELLO MIRANDA AUFIERO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 09 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2017 a 30/09/2017 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 13804.722749/2019-16
anomes_publicacao_s : 202410
conteudo_id_s : 7152407
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3302-014.287
nome_arquivo_s : Decisao_13804722749201916.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : ANIELLO MIRANDA AUFIERO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13804722749201916_7152407.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.268, de 17 de abril de 2024, prolatado no julgamento do processo 13804.722726/2019-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denise Madalena Green, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), José Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mariel Orsi Gameiro, Aniello Miranda Aufiero Junior (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
id : 10702033
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 09 09:42:45 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1815237522612027392
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-10-29T14:22:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-10-29T14:22:44Z; Last-Modified: 2024-10-29T14:22:44Z; dcterms:modified: 2024-10-29T14:22:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-10-29T14:22:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-10-29T14:22:44Z; meta:save-date: 2024-10-29T14:22:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-10-29T14:22:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-10-29T14:22:44Z; created: 2024-10-29T14:22:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-10-29T14:22:44Z; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-10-29T14:22:44Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13804.722749/2019-16 ACÓRDÃO 3302-014.287 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de abril de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SYNGENTA SEEDS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2017 a 30/09/2017 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.268, de 17 de abril de 2024, prolatado no julgamento do processo 13804.722726/2019-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denise Madalena Green, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), José Renato Pereira de Deus, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mariel Orsi Gameiro, Aniello Miranda Aufiero Junior (Presidente) RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Fl. 777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.287 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13804.722749/2019-16 2 Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem. O pedido é referente ao crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A decisão recorrida, negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2017 a 30/09/2017 ROYATIES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do(a) PIS/PASEP devido(a) sob o regime não cumulativo, não cabe o aproveitamento de créditos decorrentes de pagamento de royalties. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a mencionada decisão a recorrente interpôs recurso voluntário, onde reprisa os argumentos trazidos em manifestação de inconformidade. Eis o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade; portanto, dele tomo conhecimento. Como mencionado anteriormente, a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente. Mais especificamente, no caso concreto, o ponto a ser resolvido reside na possibilidade de os royalties pagos em contrapartida ao licenciamento de tecnologia serem considerados insumos para efeitos de apuração de créditos de PIS/Pasep, vez que tal despesa seria essencial para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente. Para a DRJ, o presente caso resolver-se-ia com a aplicação da Solução de Consulta nº 116/2021, pois, para ela, "Apesar de o caso proposto para essa solução de consulta não ser exatamente o mesmo do destes autos, a fundamentação Fl. 778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.287 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13804.722749/2019-16 3 utilizada na decisão é a mesma que se aplica aqui, porque trata da questão geral referente à possibilidade de apropriação de créditos decorrentes de pagamento de royalties. Nela está estabelecido o entendimento de que o pagamento de royalties evidentemente não se trata de aquisição de bens, o que está em harmonia com os argumentos acima expostos, e igualmente não se trata de aquisição de serviços, pois na cessão de direito de uso não se visualiza a presença de obrigação de fazer." Entretanto, entendo que essa não é a melhor solução para o deslinde da demanda que aqui se apresenta. Para entender a questão em sua essência, é necessário primeiro delimitar o conflito em discussão. No centro da controvérsia está a viabilidade de registrar créditos de PIS devido a pagamentos feitos a título de royalties por transferência de tecnologia (know-how). A questão central aqui reside na análise do conceito de insumos e, consequentemente, no direito aos créditos de PIS não cumulativos resultantes dos pagamentos feitos pelo Contribuinte como royalties por transferência de tecnologia (know-how). A maior parte da discussão travada no presente processo envolve o conceito de insumo para fins de apuração do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo previsto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, sendo que tal conceito já se encontra consolidado junto ao CARF/CSRF e foi pacificado pelo STJ (REsp n. 1.221.170/PR – Tema 779/780), julgado mediante a sistemática repetitiva. Além disso, destaca-se a importância da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, emitida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional no final de setembro de 2018, a qual deve ser observada pela Administração Pública, conforme o artigo 19 da Lei 10.522/2002. Dado o conceito de insumo para efeitos de creditamento das contribuições para o PIS e COFINS, é importante analisar as atividades da empresa para determinar se o creditamento realizado está relacionado ao seu processo produtivo. A empresa tem como atividade principal, conforme definido na Cláusula Terceira do seu Contrato Social: Cláusula 3ª - A Sociedade tem por objeto social as seguintes atividades: a) A produção, armazenagem, reembalagem, beneficiamento, comercialização, importação, exportação, transporte, distribuição, classificação, certificação e analise de sementes básicas, certificadas e fiscalizadas, de produção de terceiros; b) A pesquisa e desenvolvimento genético de espécies de cultivares, biotecnologia, armazenagem, comercialização, importação e exportação de produtos relacionados com suas atividades; c) A prestação de serviços em geral, inclusive de pesquisa, experimentação e análises químicas e físicas no campo da agronomia; Fl. 779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.287 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13804.722749/2019-16 4 d) Comércio, armazenagem, importação e exportação de defensivos agrícolas em geral, inseticidas, fungicidas, formicidas, herbicidas, rodenticidas e outros produtos químicos corre/atos para a agricultura, bem como fertilizantes simples ou compostos, suas matérias primas, corretivos do solo, bem como seus derivados e implementos agrícolas; e) O arrendamento, a participação e/ou deter participações em outras Sociedades nacionais ou estrangeiras como sócio, quotista ou acionista, bem como formar e participar de consórcios Wou forni venturas e firmar acordos de parceria, tendo como objetivo a exploração e a consecução do objeto social da Sociedade. O A comercialização, importação, exportação, transporte e armazenagem de grãos, cereais, óleos vegetais e farelos, fertilizantes simples ou compostos, suas matérias primas, corretivos do solo, bem como seus derivados e implementos agrícolas. g) exploração de ~idades agrícolas em geral, inclusive a produção, beneficiamento, comercialização, importação, exportação, distribuição, armazenagem, reembalagem, transporte, distribuição, classificação, certificação, análise, tratamento e pesquisa (inclusive com defensivos agrícolas) de grãos, sementes, flores, frutos, plantas, gramas, mudas, plentulas (`PLLIGS") e germoplasma, inclusive de produção de terceiros; h) plantio, beneficiamento e comercialização de cana de açúcar, suas mudas e resíduos; é pesquisas, testes, experimentações, desenvolvimento, análises tecnicas de quaisquer produtos (e seus resíduos) contemplados em seu objeto social, incluindo a análise, certificação e controle de qualidade de tais produtos; é laboratório de fitopatologia - quarentena vegetal; k) prestação de serviços técnicos especializados inerentes as atividades agrícolas, incluindo, mas não se limitando, a serviços de pesquisa, experimentação e analises químicas e físicas no campo da agronomia, engenharia agronômica, de manejo valeta( tratamento fitossanitário, plantio ou consultoria a terceiros; o prestação de serviços de: preparação do solo, colheita de produtos agrícolas e corte de cana-de- açúcar m)comercialização de sucatas de plástico, Papel, Papelão, madeira, borracha e metais ferrosos ou não; e n) gestão, gerenciamento, administração e serviços de cobrança de royalties; o) serviços de pulverização de lavouras e controle de pragas agrícolas, e p) serviços de introgressão de eventos biotecnológicos para conversão de linhagens de terceiras. A Contribuinte afirma que, independentemente da perspectiva adotada, a exclusão dos créditos de PIS registrados deve ser rejeitada, pois os royalties são considerados bens móveis utilizados pela Recorrente como insumos na sua atividade de produção. O assunto aqui tratado já foi objeto de decisão pela CRSF, naquela ocasião, foi emitido o Acórdão nº 9303-008.742, de 13/06/2019, relatado pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello. Gostaria de solicitar permissão para citar partes dos Fl. 780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.287 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13804.722749/2019-16 5 argumentos apresentados, os quais adoto como complementares para a presente decisão. Para iniciar, vejamos a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2008 a 31/10/2008 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária (...). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Destaco a seguir os fundamentos utilizados para embasar o voto acima: “(...) No caso dos autos, conforme já afirmado no acórdão recorrido, o knowhow que é fornecido à Recorrente nada mais é do que a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões. É evidente que o know-how para produção é necessário e diretamente aplicado ao processo produtivo, constituindo, sem sombra de dúvidas, em insumo para a produção. Há de se acrescentar que os royalties tratados neste processo (transferência de tecnologia) devem ser considerados como bens móveis nos termos do artigo 83 do Código Civil e, consequentemente, enquadrados como "bens" nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. O know-how que é fornecido à Recorrente é a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões, sendo essencial ao processo produtivo, constituindo-se em insumo para a produção. Fl. 781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.287 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13804.722749/2019-16 6 Há de se acrescentar ainda que, conforme descrito pela recorrente, a produção de pistões depende da transferência dos conhecimento e pagamento de royalties: [...] A produção dos pistões, hão de concordar V. Sas., depende integralmente dos conhecimentos técnicos que lhe são transferidos pela matriz localizada na Alemanha. Como exaustivamente demonstrado nestes autos, o processo produtivo é bastante complexo e envolve uma série de etapas onde os controles, ajustes e parâmetros utilizados são absolutamente cruciais para se garantir não só a qualidade do produto como a sua própria fabricação. Os processos produtivos da Recorrente, repita-se, são regidos por uma série extensa de normas e procedimentos internos desenvolvidos pela matriz e aplicados na produção local. Nesse contexto, são inúmeros os exemplos de tecnologias e know-how transferidos pela matriz e efetivamente aplicados ao processo produtivo, tais como: composição da liga, determinação dos parâmetros de tratamento térmico, utilização de compostos de alta tecnologia para camadas superficiais redutoras de atrito, etc. [...] No mesmo sentido do reconhecimento do pagamento de direitos autorais como insumos, já se manifestou esta 3ª Turma da CSRF, no Acórdão n.º 9303- 006.604 , que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. INSUMOS. DIREITOS AUTORAIS. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à indústria fonográfica a aquisição de direitos autorais para a produção de suas obras, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos (...)” É importante ressaltar que estamos lidando com a transferência de tecnologia para a produção de produtos distintos dos pistões, como foi o caso concreto mencionado anteriormente. Fl. 782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.287 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13804.722749/2019-16 7 Portanto, com base no exposto acima, o direito ao crédito de PIS deve ser reconhecido devido aos pagamentos efetuados a título de royalties por transferência de tecnologia (know-how). Desta forma, por todo o acima exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente Redator Fl. 783DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11080.911278/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
Ementa:
NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR DOCUMENTOS.
Não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário.
NULIDADE POR ALTERAÇÃO DO MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO.
Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida fundamentam-se na inexistência de crédito disponível, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa por alteração do motivo determinante do ato administrativo de não homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quanto este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a apresentação do DARF como prova do suposto indébito.
Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-001.167
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 09 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR DOCUMENTOS. Não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. NULIDADE POR ALTERAÇÃO DO MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida fundamentam-se na inexistência de crédito disponível, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa por alteração do motivo determinante do ato administrativo de não homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quanto este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a apresentação do DARF como prova do suposto indébito. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11080.911278/2009-24
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 7153018
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3402-001.167
nome_arquivo_s : 340201167_11080911278200924_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11080911278200924_7153018.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4741813
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 09 09:43:04 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1815237522624610304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.334 1 1.333 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.911278/200924 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 340201.167 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria COFINS Recorrente CENTRO CLÍNICO GRAVATAÍ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR DOCUMENTOS. Não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. NULIDADE POR ALTERAÇÃO DO MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida fundamentamse na inexistência de crédito disponível, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa por alteração do motivo determinante do ato administrativo de não homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quanto este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a apresentação do DARF como prova do suposto indébito. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Nayra Bastos Manatta Presidente (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, João Carlos Cassuli Junior, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Júlio César Alves Ramos, Silvia de Brito Oliveira e Fernando Luis Da Gama Lobo D Eça. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA Processo nº 11080.911278/200924 Acórdão n.º 340201.167 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de COFINS, no montante de R$ 307,04 (trezentos e sete reais e quatro centavos), com crédito relativo ao período de apuração de Fev/03, oriundo de recolhimento indevido/a maior de COFINS, no total de R$ 9.314,98 (nove mil, trezentos e quatorze reais e noventa e oito centavos). A DRF/POA não homologou a compensação pleiteada, emitindo o Despacho Decisório nº. 831673715, de 20/04/2009, sob o argumento de não haver direito creditório propriamente dito, por entender que o pagamento anterior, bem como a compensação realizada em 13/07/2005, já havia quitado débitos da contribuinte, não havendo, assim, direito creditório. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte tomou ciência da decisão supracitada em 30/04/2009, mediante Aviso de Recebimento (fl. 28) e apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01/05), tempestivamente, em 27/05/2009. Alegou, em síntese, que o crédito a ser utilizado para compensação pleiteada está comprovado pelo DARF recolhido, o qual é a única prova necessária para que haja a restituição do indébito ou a compensação, não cabendo descartálo para que seja substituído pela DCTF, que não é prova determinante para a restituição do pagamento indevido, cujo único modo apropriado seria mediante o DARF. Aduz que nem a DIPJ ou a DCTF geram direito de crédito ao Fisco, pois seria a DARF o documento indispensável para tal, haja vista que o descumprimento de um dever instrumental (informar valores devidos em DIPJ ou DCTF) não poderiam afetar o direito material do contribuinte (valor efetivamente devido). Argumenta que o direito creditório esta relacionado com o efetivo pagamento do tributo e que todos os valores compensados possuem a respectiva guia DARF, legitimando lhe, assim, o crédito. Ao fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito, que seja homologada integralmente a compensação objeto da Manifestação de Inconformidade e que lhe seja possibilitada a retificação da DCTF, objetivando a correção do valor devido. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 94DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA 4 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS), decidiu pelo não reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1025.844 (fls. 36 e 37), de 17/06/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de Apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA – INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art. 333, inciso II do Código de Processo Civil. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido A DRJ/POA aduz que tanto a DIPJ como a DCTF são documentos informados pelo contribuinte ao Fisco, onde contam, dentre vários dados, os valores devidos pelo contribuinte referente a determinado tributo. A DCTF, mais especificamente, é instruída pela IN nº. 129/1986, com caráter de confissão de dívida, com base na autorização outorgada pelo Decreto Lei nº. 2.124/1984. Diante disso, a DRJ/POA alega que para o contribuinte se utilizar do pagamento da DARF como prova de valores pagos a maior, deveria apresentar documentos contábeis e fiscais que viessem a comprovar erro na confissão de dívida (DCTF). A DRJ argumenta que, diferente do alegado na Manifestação de Inconformidade, não há nos autos documentação comprobatória da liquidez e certeza do direito creditório alegado. Lembra, ainda, que de acordo com o art. 333 do CPC, cabe a quem alega a prova desta alegação. Conclui pela improcedência da retificação da DCTF, ressaltando que de acordo com a IN SRF 695/2006, com alterações da IN SRF 730/2007, o contribuinte só poderá retificar DCTF quando o faz espontaneamente. No caso em questão, portanto, a mudança objetivando alterar a exigência fiscal não poderá ser efetuada, nem ser feita de ofício, salvo comprovação de erro escusável no seu preenchimento. Alerta que além de não ter comprovado o supracitado erro de preenchimento, a contribuinte não juntou nenhum documento fidedigno que sustente suas alegações. Determina, a DRJ/POA, que a exigência dos débitos indevidamente compensados seja acompanhada da multa e dos juros de mora pertinentes. Conclui, ao final, que diante da inexistência/insuficiência de créditos compensáveis, ou da prova dos mesmos, não é cabível a homologação da compensação pleiteada, pelo que concluiu no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA Processo nº 11080.911278/200924 Acórdão n.º 340201.167 S3C4T2 Fl. 1.336 5 DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 13/08/2010 (vide AR de fl. 39), a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 13/09/2010, o recurso de fls. 40 e 57. Após breve relato dos autos, a recorrente ressalta que lhe causa estranheza o fato de a DRJ indeferir seu pleito sob a alegação de que não teriam sido apresentados documentos contábeis e fiscais relativos ao crédito compensado, ressaltando que em momento algum foi intimada para tal. Aduz, em preliminar de nulidade, que a Autoridade Fiscal descumpriu um dever que lhe cabia, qual seja, diligenciar em busca de informações que pudessem formar seu convencimento, em visível descumprimento ao que determina o art. 29 da Lei 9.784/99, incorrendo, segundo a recorrente, em manifesta ilegalidade. Argumenta, também em preliminar de nulidade do PAF, que o acórdão recorrido traz novos motivos para o indeferimento, o que não pode admitirse. Fundamenta que no Despacho Decisório, a Fiscalização diz não haver direito creditório para a compensação sob o fundamento de que o valor da DARF já teria sido utilizado para quitar outros débitos, já a decisão da DRJ, ora recorrida, fundamenta a improcedência no dever da recorrente comprovar, através de documentos contábeis e fiscais, que houve erro no preenchimento da DCTF. A recorrente ressalta que houve uma evidente alteração, determinada pela DRJ, na motivação do ato administrativo que não homologou a compensação, o que acarretaria na nulidade completa da decisão de não homologação da compensação, haja vista que a Administração fica vinculada ao motivo anteriormente dado, ficando vedada a aplicação de motivação superveniente diversa da inicial. Alerta, ainda, que o órgão julgador apenas informou que a recorrente deveria realizar a juntada de novos documentos, sem sequer cumprir com seu dever de intimar o contribuinte a apresentar tal documentação, devendo, portanto, ser anulada a decisão. Ainda reitera a sua tentativa de pedir a retificação de DCTF, pedido esse que foi indeferido, dificultando o posicionamento da empresa em comprovar a origem do crédito pleiteado. Para a recorrente, causa estranheza o fato de que mesmo sendo autorizado aos contribuintes a apresentação de DCTF retificadora, não lhe seja autorizada essa retificação. Considerando que a Administração entende que não há direito creditório porque o DARF de pagamento corresponde ao valor declarado em DCTF, nada seria mais lógico, na visão da recorrente, do que permitir a pleiteada retificação. Ao fim requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; a anulação do acórdão ora recorrido, haja vista os apontamentos constantes em seu recurso. Requer, ainda, quem em caso de manutenção da decisão da DRJ, esta seja reformada com a homologação do pedido de compensação formulado. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA 6 DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 78 (setenta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA Processo nº 11080.911278/200924 Acórdão n.º 340201.167 S3C4T2 Fl. 1.337 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de desenvolvimento válido e eficaz, foi apresentando tempestivamente, de modo que dele tomo conhecimento. Não vislumbro matéria de Ordem Pública passível de se conhecida de ofício, de modo que passo a abordar as razões recursais apresentadas para julgamento deste Colegiado. I – Preliminar de nulidade da decisão recorrida, por inobservância do dever de instrução processual a cargo da Administração Afirma a recorrente, em preliminar, que a decisão recorrida seria nula, ante ao fato de que, pois ao afirmar que "para utilizar o documento de pagamento (DARF) como instrumento para comprovar valores pagos a maior que o devido, o contribuinte deveria apresentar documentos contábeis e fiscais para comprovar que houve erro na confissão de divida (DCTF), pois houve perda da espontaneidade deste, nos termos do art. 70.235/1972", a Administração (através da DRJ) teria descumprido o dever a ela imposto, de intimar o contribuinte a apresentar os tais documentos contábeis e fiscais relativos ao crédito compensado. Por tal razão, conclui que há nulidade da decisão objurgada, trazendo doutrina e jurisprudência. Em que pese o bom raciocínio jurídico demonstrado pela recorrente, no caso não vislumbro ser hipótese de nulidade por cerceamento de defesa, fruto da suposta omissão, por parte da Administração, da intimação para a parte apresentar documentos contábeis e fiscais que demonstrariam o erro no preenchimento da DCTF enviada, e, portanto, a existência do pagamento indevido veiculado no DARF que sustentou o pedido de compensação. Isto porque, no tocante ao direito ao crédito pressuposto para o envio do PER/DCOMP objeto desses autos , é dever do contribuinte demonstrar cabalmente que o mesmo esteja recolhido, e que esse recolhimento seja indevido. Ao enviar a DCTF, veiculando um “autolançamento” tributário, que legalmente importa em “confissão de dívida”, o contribuinte firmou uma presunção (relativa), de que suas atividades particulares fizeram eclodir o “fato gerador” do tributo, sendo dimensionados os aspectos da obrigação tributária, que veio, então, a ser veiculada em um documento próprio que declarou os contornos da relação jurídica tributária ao Fisco Federal. Neste tipo de presunção relativa, teria o contribuinte o direito de alterála, comprovando erro em qualquer dos elementos da obrigação tributária, sendo que poderia têlo feito via retificação da DCTF, alternativa apenas viável antes do início do procedimento de Fl. 98DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA 8 fiscalização, ou então, no curso do processo administrativo fiscal, mediante a juntada de documentos que demonstrassem o erro na apuração do crédito tributário confessado. Assim, esse ônus é unicamente do contribuinte, pois que é pressuposto do direito por ele defendido perante a Administração, não cabendo ao Poder Público suprir uma omissão que caberia ao próprio contribuinte, pois que “constitutivo” do seu direito ao crédito. As nulidades em matéria tributária, embora não sejam as únicas fontes de Direito Positivo que as arrolam, vem expressamente citadas na norma de regência do Processo Administrativo Fiscal aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: CAPÍTULO – III DAS NULIDADES Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, no art. 59 estão arrolados os casos de nulidade material, ou absoluta, que não poderão, segundo permissão do art. 60, ambos do Decreto nº 70.235/1972, serem saneadas pela autoridade julgadora em sede de processo administrativo tributário. Essas nulidades deverão ser proclamadas sempre que importarem em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que, reportandose ao caso em concreto, Fl. 99DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA Processo nº 11080.911278/200924 Acórdão n.º 340201.167 S3C4T2 Fl. 1.338 9 não se verificou, pois que o contribuinte dispôs de diversas oportunidades para trazer ao PAF os documentos pertinentes, mas não o fez. É dizer: deixou de apresentar tais documentos contábeis e fiscais quando da Manifestação de Inconformidade, ou mesmo quando do Recurso Voluntário. Assim, entendo que não há qualquer nulidade na decisão recorrida, pois que ausente o cerceamento do direito de defesa, pois que foi garantido ao contribuinte a aplica defesa e o contraditório, inclusive tendo a própria decisão recorrida deixado expresso quais documentos deveria o contribuinte ter produzido, e, mesmo assim, a recorrente não os trouxe em sede recursal, hipótese em que, aí sim, se iria avaliar da pertinência de seu conhecimento, em face dos princípios informadores do processo administrativo fiscal. Diante dessas considerações, forçoso concluir que efetivamente a recorrente não cumpriu o ônus da prova que sobre ela incide, não havendo obrigação da Administração Tributária suprir a prova que esteja a cargo do próprio contribuinte. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade por falta de intimação da parte para apresentar documentos. II – Preliminar de nulidade por alteração do motivo determinante da Não Homologação da Compensação. Pretende a recorrente, em preliminar, ver declarado nulo todo o processo administrativo fiscal, ou então a decisão recorrida (a recorrente não esclarece a extensão do seu pedido), porque a mesma teria alterado a motivação do despacho que não homologara a compensação por ela pleiteada através do PER/DCOMP. Realmente, acaso a base fática realmente fosse a afirmada pelo contribuinte, seria hipótese de se decretar a nulidade da decisão recorrida (e não do processo como um todo), o conforme o caso, ser cancelado o despacho decisório (se aquele motivo não fosse verdadeiro), determinandose a prolação de novo julgamento pela DRJ competente, ou então, o novo lançamento, conforme o caso. No entanto, no caso em concreto, não vislumbro a alteração na motivação da não homologação da compensação pleiteada pela recorrente. Continua ela sendo a mesma, qual seja: inexistência de crédito decorrente de pagamento indevido para compensação. Apenas que o despacho decisório afirma que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”, enquanto que a decisão recorrida, proferida pela DRJPorto Alegre, é textual em fundamentar que “não há nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados”. Portanto, a motivação da não homologação da compensação pleiteada é a mesma, sendo que a decisão inaugural do PAF afirma não haver crédito disponível para a compensação, o que é reafirmado pela decisão recorrida, que tendo analisado a decisão de não Fl. 100DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA 10 homologação e também o teor da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, não encontrou as provas que poderiam negativar àquela conclusão inicial, sobressaindo a conclusão desta última, de que efetivamente não haveria prova da existência de crédito disponível para a compensação pleiteada. Assim, não vislumbrando alteração na motivação do ato administrativo de não homologação de compensação, nem inovação da decisão recorrida com relação ao despacho indeferindo a compensação, voto por rejeitar a preliminar de nulidade ventilada pela recorrente. III – Mérito. No tocante ao mérito, a recorrente reafirma que a apresentação do DARF recolhido seria suficiente para sustentar o pleito de restituição do indébito, o qual seria a única prova necessária para suprir o pedido de compensação correspondente, não cabendo descartálo pelo fato de não estar amparado pelas informações contidas na DCTF respectiva, já que aquele é a prova indispensável, e esta seria apenas um documento para cumprimento de obrigação acessória, cuja retificação deixou de proceder por vedação do próprio sistema, em face da perda da espontaneidade, razão pela qual pleiteia a sua retificação nesses autos. Aduz que nem a DIPJ ou a DCTF geram direito de crédito perante ou ao Fisco, pois seria a DARF o documento indispensável para tal, haja vista que o descumprimento de um dever instrumental (informar valores devidos em DIPJ ou DCTF) não poderiam afetar o direito material do contribuinte (valor efetivamente devido). Argumenta que o direito creditório esta relacionado com o efetivo pagamento do tributo e que todos os valores compensados possuem a respectiva guia DARF, legitimando lhe, assim, o crédito. Passando a análise dos argumentos despendidos pela recorrente, inicialmente é de se concluir que o DARF eu veicula o pagamento, é de fato de direito indispensável para que haja o pleito da restituição do indébito, nos termos do art. 165, do CTN, como evidenciam os precedentes colacionados pela recorrente. No entanto, a prova do pagamento (efetivada pela apresentação do DARF autenticado pela instituição financeira – ou chancelado via internet), é apenas um dos pressupostos indispensáveis para que haja a restituição do indébito tributário (via pagamento em espécie ao contribuinte, ou pela via da compensação tributária). Outro elemento, também indispensável, é de que aquele pagamento seria indevido. Portanto, para a restituição do indébito, necessário o pagamento indevido. O primeiro (pagamento) é provado pelo DARF (ou recibo equivalente), e o segundo (o indébito), é provado de forma precária , pela DCTF (original ou retificadora), ou pela documentação contábil ou fiscal do contribuinte (esta qual amparam a apuração do tributo e as informações alocadas na DCTF). Assim, em que pese ter a recorrente juntado o DARF recolhido, o qual prova que houve pagamento em favor do Fisco, não há provas de que esse efetivo pagamento teria sido indevido ou a maior. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA Processo nº 11080.911278/200924 Acórdão n.º 340201.167 S3C4T2 Fl. 1.339 11 Essa prova deveria ter sido produzida até a data do julgamento através da juntada de documentos contábeis e fiscais hábeis a demonstrar que as informações colacionadas pelo contribuinte na DCTF, não eram exatas, e, portanto, ensejariam a retificação daquele documento, não fosse a impossibilidade decorrente da perda da espontaneidade. É dizer: mesmo não podendo retificar a DCTF, deveria o contribuinte demonstrar que teria elementos materiais que ensejariam sua retificação, já que aquela reflete os fatos empresariais havidos. No tocante ao ônus da prova, como já bem observado pela decisão recorrida, ele segue a regra do art. 333, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, pelo que compete a parte que afirma a prova do fato constitutivo de seu direito, ou impeditivo do direito alegado pela outra parte. Portanto, no ato que o contribuinte efetuou a transmissão de um PER/DCOMP, atraiu para si o ônus de provar não só o pagamento, mas acima de tudo que o pagamento houvera sido indevido ou a maior. Ao Fisco não cabe a produção de prova que esteja a cargo e que esteja na posse do próprio contribuinte. Diferente seria se o contribuinte apresentasse provas a seu cargo, e emergissem dúvidas na autoridade julgadora, caso em que, aí sim, poderia ser intimado o contribuinte a complementar ou prestar esclarecimentos quanto as provas carreadas ao processo de fiscalização ou ao processo administrativo fiscal. No entanto, não é o que se vislumbra no caso dos autos. Assim à míngua de prova da existência do crédito líquido e certo utilizado para a compensação pleiteada pelo contribuinte, voto no sentido de rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Joao Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 102DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 12/07/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 12/07/2011 por NAYRA BASTOS MANA TTA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010752/2003-81
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/07/1993 a 31/05/1994
PIS. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.935
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Sat Nov 09 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1993 a 31/05/1994 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Negado.
numero_processo_s : 10680.010752/2003-81
conteudo_id_s : 5998522
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9303-000.935
nome_arquivo_s : Decisao_10680010752200381.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10680010752200381_5998522.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
id : 7717710
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 09 09:43:12 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1815237522645581824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1480; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 322 1 321 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.010752/200381 Recurso nº 227.033 Especial do Procurador Acórdão nº 930300.935 – 3ª Turma Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria PIS Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1993 a 31/05/1994 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 03/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório A matéria devolvida a este Colegiado cingese ao prazo decadencial para se constituir crédito das contribuições sociais, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso nº 230.135, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Nos termos do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, aplico neste voto a tese adotada no julgamento do Recurso nº 230.135, paradigma para o caso em discussão. A matéria trazida a debate gira em torno de se decidir se se aplica o prazo decenal do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991 ou os cinco anos do CTN, e ainda o termo inicial da contagem. No tocante à duração do prazo, a questão foi apascentada na Jurisprudência deste Colegiado, com a edição da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. Com isso, o prazo de decadência de todos os tributos é de 5 anos, nos termos preconizados no CTN. Resta, então, decidir qual o termo de início, se o da data de ocorrência do fato gerador § 4º do art. 150 do CTN ou se o do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do inciso I do Código Tributário Nacional. Conforme se verifica dos autos, a autuação deveuse a diferenças havidas entre os valores pagos e outros encontrados nas DCTF, quando comparados com os constantes na DIPJ e nos livros contábeis. Isto é, houve pagamento. Superada está a possibilidade de aplicar o art. 45, acima referido, uma vez que a Súmula nº 8 do STF afastou a norma nele contida do ordenamento tributário, por inconstitucional. Passamos então à apreciação do dia a partir do qual deve ser contado o prazo decadencial. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.010752/200381 Acórdão n.º 930300.935 CSRFT3 Fl. 323 3 A posição, diversas vezes expressada, é de que tributos sujeitos ao lançamento por homologação constituem modalidade de atividade mista, fisco/contribuinte, como meio de facilitação da formalização e do cumprimento da obrigação tributária. O contribuinte faz as contas e paga, quando for o caso, e o auditor fiscal analisa a atividade como um todo, homologando ou não o pagamento. É assim que entendo o conteúdo da norma inscrita no art. 150, § 4º. Vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ....................................................................................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De outro lado, nos termos do art. 142 do CTN, a atividade de lançamento é privativa da autoridade administrativa: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, definido que o lançamento é atividade privativa e vinculada da autoridade tributária, penso que o legislador desejou informar pela norma contida no art. 150 do CTN, a possibilidade de, posteriormente à atividade de organização das contas pelo contribuinte, à luz de sua interpretação das normas legais (interpretação do contribuinte), fazer com que a atividade de lançamento, privativa do auditor fiscal, e normalmente prévia ao pagamento, seja posterior ao mesmo, no momento em que a autoridade tributária afere a correção do procedimento desenvolvido pelo contribuinte – suas contas, regimes, atividades, e tudo o mais que constitui a formação do lançamento, e homologa ou não o pagamento oferecido antecipadamente, no exercício da atividade de fiscalização. Como já disse, estamos diante de norma simplificadora da atividade do fiscal e do contribuinte, tanto que, expirados os Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 cinco anos sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, presumese correta a atividade, homologase o pagamento e considerase definitivamente extinta a obrigação tributária. Ocorre que o pagamento antecipado, não vem acompanhado do memorial contendo a contabilidade da empresa, e outras informações que podem socorrer o agente público na hora de proceder o lançamento. De outro lado, o pagamento antecipado noticia ao Fisco a ocorrência de um fato gerador de obrigação tributária, e que o crédito tributário, dela decorrente, está a espera de formalização por meio de um ato administrativo. Nesse caso, entendeu o Legislador que o Fisco dispõe de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador para formalizar o lançamento ou homologar o pagamento efetuado, se não o fizer, nesse prazo considerase homologada a antecipação realizada pelo sujeito passivo, e definitivamente extinto o crédito tributário. Situação diferente é aquela em que o sujeito passivo não antecipa o pagamento do tributo devido, neste caso, não há falarse em homologação. Com isso, o prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, conforme disposição expressa do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, houve antecipação de pagamento, e não ficou constatado simulação, fraude ou dolo, assim, o termo inicial é o do art. 150,§ 4º do CTN. Do exposto, nego provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.726918/2017-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
AUTO DE INFRAÇÃO. INCORREÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Eventual incorreção na apuração da base de cálculo não macula a validade do auto de infração, mormente se não há prejuízo à defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO – REVISÃO DE OFÍCIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA – APÓS TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL.
Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de ofício seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do crédito tributário, bem como na base de cálculo, que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROCEDIMENTO FISCAL -REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA
O fato de a fiscalização dar ciência à empresa do prosseguimento dos trabalhos investigativos no lapso temporal de 60 dias após o Termo de Início de Fiscalização não lhe restitui a espontaneidade, nos precisos termos do art. 7º, § 2° do Decreto n° 70.235/72.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação/manifestação de inconformidade, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, sob pena, inclusive, de supressão de instância.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS.
Falece a este Colegiado se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
GLOSA DE DESPESAS. OPÇÃO POR PARCELAMENTO ESPECIAL – PERT APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA.
O procedimento fiscal se inicia a partir do primeiro ato de ofício, praticado por servidor competente, fato que exclui a espontaneidade. Assim, a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária - PERT, efetuada durante o procedimento de fiscalização, não ilide o lançamento de ofício quanto à acusação fiscal de que reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, tampouco a aplicação de multa de ofício.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2012
IRRF. CONSTATAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE DUPLO REAJUSTAMENTO. EXONERAÇÃO.
A constatação, inequívoca, inclusive pela Autoridade Fiscal Diligenciante, de que ocorreu duplo reajustamento quando da constituição dos créditos tributários de IRRF, impõe-se a sua exoneração.
PRAZO DECADENCIAL. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 114.
O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN.
CONSÓRCIO. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO.
O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica, portanto, não pode ser contribuinte de tributos, os quais são de responsabilidade das consorciadas, nos limites das condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações.
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995.
Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa.
IRPJ/CSLL PELA GLOSA DE DESPESAS. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA. EXIGÊNCIA SIMULTÂNEA. COMPATIBILIDADE.
Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, bem assim os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
A tributação pelo o Imposto de Renda exclusivamente na fonte, em relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, não exclui a incidência de IRPJ e CSLL resultante da glosa das despesas fictícias, as quais são indedutíveis por previsão legal expressa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL.
Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INEXISTÊNCIA.
Não se aplica ao caso sub judice o princípio da não surpresa e da confiança, forte no artigo 146 o CTN, pois a alteração de critério jurídico vinculase à interpretações possíveis de uma mesma norma em relação aos mesmos fatos e ao mesmo contribuinte, o que não se vislumbrou no presente caso.
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO PARA MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO.
Não havendo questionamentos específicos para os itens do lançamento consistente na qualificação da multa, considera-se preclusa a discussão desta matéria.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração.
RESPONSABILIDADETRIBUTÁRIA.
São solidariamente obrigados os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
Numero da decisão: 1201-007.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) dar parcial provimento aos recursos voluntários do contribuinte autuado e dos responsáveis tributários Cineas Feijó Valente e Cristina Maria Valente Atchabahian para reduzir o percentual de cálculo da multa de ofício qualificada para 100%; (ii) em dar parcial provimento ao recurso voluntário dos responsáveis tributários Marco Antônio Valente e Ricardo Gonçalves Valente para afastar as respectivas imputações de responsabilidade. Os Conselheiros Lucas Issa Halah e Alexandre Evaristo Pinto acompanharam o voto do relator pelas suas conclusões.
Sala de Sessões, em 8 de outubro de 2024.
Assinado Digitalmente
Raimundo Pires de Santana Filho – Relator
Assinado Digitalmente
Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Alexandre Evaristo Pinto, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 09 09:00:00 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202410
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10845.726918/2017-51
anomes_publicacao_s : 202410
conteudo_id_s : 7152359
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1201-007.038
nome_arquivo_s : Decisao_10845726918201751.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10845726918201751_7152359.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) dar parcial provimento aos recursos voluntários do contribuinte autuado e dos responsáveis tributários Cineas Feijó Valente e Cristina Maria Valente Atchabahian para reduzir o percentual de cálculo da multa de ofício qualificada para 100%; (ii) em dar parcial provimento ao recurso voluntário dos responsáveis tributários Marco Antônio Valente e Ricardo Gonçalves Valente para afastar as respectivas imputações de responsabilidade. Os Conselheiros Lucas Issa Halah e Alexandre Evaristo Pinto acompanharam o voto do relator pelas suas conclusões. Sala de Sessões, em 8 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho – Relator Assinado Digitalmente Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Alexandre Evaristo Pinto, Neudson Cavalcante Albuquerque.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2024
id : 10700855
ano_sessao_s : 2024
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. AUTO DE INFRAÇÃO. INCORREÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Eventual incorreção na apuração da base de cálculo não macula a validade do auto de infração, mormente se não há prejuízo à defesa. AUTO DE INFRAÇÃO – REVISÃO DE OFÍCIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA – APÓS TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de ofício seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do crédito tributário, bem como na base de cálculo, que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROCEDIMENTO FISCAL -REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA O fato de a fiscalização dar ciência à empresa do prosseguimento dos trabalhos investigativos no lapso temporal de 60 dias após o Termo de Início de Fiscalização não lhe restitui a espontaneidade, nos precisos termos do art. 7º, § 2° do Decreto n° 70.235/72. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação/manifestação de inconformidade, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, sob pena, inclusive, de supressão de instância. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Falece a este Colegiado se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 GLOSA DE DESPESAS. OPÇÃO POR PARCELAMENTO ESPECIAL – PERT APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. O procedimento fiscal se inicia a partir do primeiro ato de ofício, praticado por servidor competente, fato que exclui a espontaneidade. Assim, a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária - PERT, efetuada durante o procedimento de fiscalização, não ilide o lançamento de ofício quanto à acusação fiscal de que reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, tampouco a aplicação de multa de ofício. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2012 IRRF. CONSTATAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE DUPLO REAJUSTAMENTO. EXONERAÇÃO. A constatação, inequívoca, inclusive pela Autoridade Fiscal Diligenciante, de que ocorreu duplo reajustamento quando da constituição dos créditos tributários de IRRF, impõe-se a sua exoneração. PRAZO DECADENCIAL. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 114. O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. CONSÓRCIO. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica, portanto, não pode ser contribuinte de tributos, os quais são de responsabilidade das consorciadas, nos limites das condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. IRPJ/CSLL PELA GLOSA DE DESPESAS. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA. EXIGÊNCIA SIMULTÂNEA. COMPATIBILIDADE. Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, bem assim os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. A tributação pelo o Imposto de Renda exclusivamente na fonte, em relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, não exclui a incidência de IRPJ e CSLL resultante da glosa das despesas fictícias, as quais são indedutíveis por previsão legal expressa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL. Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INEXISTÊNCIA. Não se aplica ao caso sub judice o princípio da não surpresa e da confiança, forte no artigo 146 o CTN, pois a alteração de critério jurídico vinculase à interpretações possíveis de uma mesma norma em relação aos mesmos fatos e ao mesmo contribuinte, o que não se vislumbrou no presente caso. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO PARA MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO. Não havendo questionamentos específicos para os itens do lançamento consistente na qualificação da multa, considera-se preclusa a discussão desta matéria. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. RESPONSABILIDADETRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigados os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 09 09:42:44 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1815237522690670592
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-10-28T13:57:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-10-28T13:57:34Z; Last-Modified: 2024-10-28T13:57:34Z; dcterms:modified: 2024-10-28T13:57:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-10-28T13:57:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-10-28T13:57:34Z; meta:save-date: 2024-10-28T13:57:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-10-28T13:57:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-10-28T13:57:34Z; created: 2024-10-28T13:57:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 78; Creation-Date: 2024-10-28T13:57:34Z; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-10-28T13:57:34Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10845.726918/2017-51 ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 8 de outubro de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTES CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA E OUTROS FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. AUTO DE INFRAÇÃO. INCORREÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Eventual incorreção na apuração da base de cálculo não macula a validade do auto de infração, mormente se não há prejuízo à defesa. AUTO DE INFRAÇÃO – REVISÃO DE OFÍCIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA – APÓS TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de ofício seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do crédito tributário, bem como na base de cálculo, que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROCEDIMENTO FISCAL - REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA O fato de a fiscalização dar ciência à empresa do prosseguimento dos trabalhos investigativos no lapso temporal de 60 dias após o Termo de Fl. 3865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 2 Início de Fiscalização não lhe restitui a espontaneidade, nos precisos termos do art. 7º, § 2° do Decreto n° 70.235/72. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação/manifestação de inconformidade, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, sob pena, inclusive, de supressão de instância. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Falece a este Colegiado se manifestar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, ex vi súmula nº 28. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 GLOSA DE DESPESAS. OPÇÃO POR PARCELAMENTO ESPECIAL – PERT APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. O procedimento fiscal se inicia a partir do primeiro ato de ofício, praticado por servidor competente, fato que exclui a espontaneidade. Assim, a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária - PERT, efetuada durante o procedimento de fiscalização, não ilide o lançamento de ofício quanto à acusação fiscal de que reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, tampouco a aplicação de multa de ofício. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2012 Fl. 3866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 3 IRRF. CONSTATAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE DUPLO REAJUSTAMENTO. EXONERAÇÃO. A constatação, inequívoca, inclusive pela Autoridade Fiscal Diligenciante, de que ocorreu duplo reajustamento quando da constituição dos créditos tributários de IRRF, impõe-se a sua exoneração. PRAZO DECADENCIAL. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 114. O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete- se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. CONSÓRCIO. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica, portanto, não pode ser contribuinte de tributos, os quais são de responsabilidade das consorciadas, nos limites das condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. IRPJ/CSLL PELA GLOSA DE DESPESAS. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA. EXIGÊNCIA SIMULTÂNEA. COMPATIBILIDADE. Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, bem assim os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou Fl. 3867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 4 titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. A tributação pelo o Imposto de Renda exclusivamente na fonte, em relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, não exclui a incidência de IRPJ e CSLL resultante da glosa das despesas fictícias, as quais são indedutíveis por previsão legal expressa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL. Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INEXISTÊNCIA. Não se aplica ao caso sub judice o princípio da não surpresa e da confiança, forte no artigo 146 o CTN, pois a alteração de critério jurídico vincula-se à interpretações possíveis de uma mesma norma em relação aos mesmos fatos e ao mesmo contribuinte, o que não se vislumbrou no presente caso. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO PARA MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO. Não havendo questionamentos específicos para os itens do lançamento consistente na qualificação da multa, considera-se preclusa a discussão desta matéria. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que lei nova aplica-se a ato Fl. 3868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 5 ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigados os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) dar parcial provimento aos recursos voluntários do contribuinte autuado e dos responsáveis tributários Cineas Feijó Valente e Cristina Maria Valente Atchabahian para reduzir o percentual de cálculo da multa de ofício qualificada para 100%; (ii) em dar parcial provimento ao recurso voluntário dos responsáveis tributários Marco Antônio Valente e Ricardo Gonçalves Valente para afastar as respectivas imputações de responsabilidade. Os Conselheiros Lucas Issa Halah e Alexandre Evaristo Pinto acompanharam o voto do relator pelas suas conclusões. Sala de Sessões, em 8 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho – Relator Assinado Digitalmente Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Fl. 3869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 6 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Alexandre Evaristo Pinto, Neudson Cavalcante Albuquerque. RELATÓRIO Da Autuação e da Impugnação Trata o presente de Recursos Voluntários, às fls. 3594/3619, 3643/3657, 3668/3682, 3692/3706 e 3716/3730, apresentado em face do acórdão nº 101-005.487, exarado pela 8ª Turma da DRJ01, em 13 de janeiro de 2021, às fls. 3546/3573, que julgou procedente em parte as Impugnações apresentadas pela CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA (doravante denominada CORPUS) e responsáveis tributários, às fls. 3122/3147, 3169/3194, 3197/3222, 3225/3250, 3253/3275 e 3297/3332, contra Autos de Infração lavrados pela Coordenação-Geral de Fiscalização - Cofis, às fls. 2863/2912, através dos quais foram constituídos os tributos abaixo relacionados, no montante principal de R$ 8.583.409,44, apurados em conformidade com o regime tributário do Lucro Real trimestral, referentes ao ano-calendário de 2012. Conforme apontado, também foi caracterizada a responsabilidade tributária dos sócios administradores: os Senhores Cineas Feijó Valente, Marco Antonio Valente, Ricardo Gonçalves Valente e Cristina Maria Valente Atchabahian, em relação ao crédito tributário constituído: Por bem descrever os fatos que desembocaram no presente processo, reproduzo os termos do relatório da decisão da DRJ de origem - a partir do item: I – DO PROCEDIMENTO FISCAL, complementando-o ao final: I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 3870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 7 Do Relatório Fiscal de fls. 2.916/2.994, parte integrante dos autos de infração, extraem-se as seguintes informações. Previamente, cabe esclarecer que houve encerramento parcial desta fiscalização, relativamente ao ano-calendário de 2012, relativa à fiscalização do IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos e IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte, anos-calendário de 2012 a 2015, cuja forma de tributação do contribuinte foi declarada por meio do Lucro Real, com regime de apuração foi o Trimestral, na DIPJ. Informou a autoridade fiscal que a CORPUS está organizada na forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, cuja como objeto social na época dos fatos apurados nestes autos era a “execução ou a exploração dos serviços relativos a todos os setores e modalidades de limpeza pública, como exemplificativamente, coleta de lixo, varrição e destinação final de resíduos sólidos, podendo ser resíduos domiciliares, industriais ou resíduos de serviços de saúde, serviços de água e esgoto, incluindo construção, manutenção e operação de redes e sistemas de tratamento, seja por regime de contratação ou concessão pública, manutenção de áreas verdes, parques, jardins, paisagismo, capina química, aplicação de produtos saneantes domissanitários em locais públicos, fornecimento de mão-deobra, desinsetização e desratização, construções de usinas e estações de transbordo de lixo, alugueis de veículos e de outros meios de transporte, aluguéis de máquinas e equipamentos de outros tipos, aluguéis de objetos pessoais e domésticos”. A fiscalização iniciou-se em 01/07/2015 e foi motivada pelo fato de a empresa CORPUS estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pela Receita Federal do Brasil (RFB), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF), que desbaratou um esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo as maiores empreiteiras do país. De acordo com as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal, revelouse um grande esquema criminoso na Petrobras que envolvia a prática de crimes contra a ordem econômica, corrupção e lavagem de dinheiro, com a formação de um poderoso cartel, autodenominado de “Clube”, do qual participaram as empresas ODEBRECHT, ENGEVIX ENGENHARIA, OAS, UTC, CAMARGO CORREA, TECHINT, ANDRADE GUTIERREZ, MENDES JÚNIOR, PROMON, MPE, SKANSKA, QUEIROZ GALVÃO, IESA, GALVÃO, GDK E SETAL. Nesse esquema, que durou pelo menos dez anos (2004-2014), grandes empreiteiras organizadas em cartel, pagavam propina para altos executivos da Petrobras e outros agentes públicos para obter contratos com a aquela petrolífera, impondo gastos adicionais nesses contratos (superfaturamento) e utilizando-os para financiar pagamentos indevidos a partidos políticos, políticos eleitos ou outros agentes políticos. Esses executivos da Petrobras não só se omitiam em relação aos procedimentos adotados pelo cartel, do qual tinham conhecimento, mas também restringiam quais empresas eram convidadas para participar das licitações para Fl. 3871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 8 execução das obras, incluindo-se a empresa escolhida pelo cartel para ser a ganhadora dentre as participantes, alternando entre as mesmas quais seriam as empresas vencedoras. Salientou a autoridade fiscal que restou claro, no decorrer da investigação da Operação Lava Jato, que o esquema fraudulento não se resumiu somente a contratos estabelecidos com a Petrobrás, pois se verificou que tais práticas não se restringiram somente aos contratos firmados com a estatal, uma vez que vários outros contratos assinados com órgãos públicos, nas suas diversas esferas governamentais, também continham o DNA da corrupção. O leque de corrupção era muito maior, envolveu contratos de obras envolvendo usinas nucleares a estádios de futebol e, conforme avançam as investigações, novas áreas são reveladas. Asseverou que, nesse contexto insere-se a contribuinte autuada, uma que vez o Consórcio SOMA, do qual é partícipe, efetuou pagamentos, da ordem de R$ 6 milhões (um único pagamento feito em 13/04/2012), referente a locação de máquinas, veículos e equipamentos, à empresa JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA., a qual pertence ao grupo do doleiro ADIR ASSAD, de MARCELLO JOSÉ ABBUD e MAURO JOSÉ ABBUD, e nunca prestou os “serviços” para os quais tinha sido contratada. Esclareceu a autoridade fiscal que, conforme exposto no item 1 do TVF, já foi lavrado auto de infração anterior, relativo à contratação das empresas RODART, BORAPACK, VMP e MEDIX, e o procedimento atual se referia apenas à TALKITA. Informou que foram lavradas diversas intimações para que a fiscalizada pudesse comprovar, de maneira inequívoca e cabal, a efetiva realização dos serviços prestados por diversas empresas contratadas por ela, que envolviam, principalmente, serviços de engenharia, consultoria e locação de equipamentos, as quais foram selecionadas tomando em conta diversos fatores que geraram dúvidas quanto à sua existência de fato, que, a princípio, não seriam condizentes com empresas similares que atuam nos mesmos ramos: o número de empregados, sua capacidade operacional (instalações adequadas, propriedade de equipamentos/veículos, dentre outros), recolhimentos de tributos, tempo de atuação no mercado, gama de clientes e demais aspectos próprios de cada tipo de serviço. Salientou a autoridade fiscal que, quando uma das empresas selecionadas para averiguação havia prestado os serviços para os quais foram contratadas, o contribuinte enviava farta documentação probatória, enquanto, para outras, isso não acontecia. Após as idas e vindas nas respostas obtidas ao longo de diversos Termos de Intimação fiscal, a auditoria buscou localizar pagamentos realizados pelo contribuinte a título de propina ou pagamentos não usuais para a atividade da empresa, que geraram despesas e/ou custos que foram deduzidos indevidamente Fl. 3872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 9 na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Concluiu que as supostas mercadorias fornecidas pela TALKITA ao SOMA nunca existiram e que as empresas envolvidas participaram de complexa teia que tinha o intuito de dificultar o rastreamento do dinheiro recebido pelo SOMA. Esclareceu que as empresas RODART, BORAPACK, VMP, TALKITA e MEDIX compartilharam modus operandi idêntico, por meio da emissão de notas fiscais em desfavor do SOMA para logo depois encerrarem suas atividades, com evidências de constarem interpostas pessoas em seu quadro societário. Identificou ainda, por meio dos extratos bancários das empresas (RODART, BORAPACK e TALKITA), que tais empresas tinham significativas transferências de valores entre si, além de transferências para outras empresas com indícios de pessoas interpostas em seu quadro societário e de saques em espécie. Aduziu que as sucessivas transferências de valores para diversas empresas inexistentes de fato teria o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro, de forma a frustrar eventual investigação para determinar o paradeiro dos valores e quem foi o beneficiário final dos pagamentos feitos a essas empresas. Dessa forma, considerando que o contribuinte não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados que fossem aptos a comprovar a efetiva prestação de serviços, com relação às despesas consideradas não comprovadas pela autoridade fiscal, a glosa alcançou os valores, no montante de R$ 36.433.549,53, constantes de notas fiscais emitidas pela empresa e distribuídas pela TALKITA INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS QUIMICOS LTDA, CNPJ 53.472.916/0001- 00. Já a exigência do IRRF, decorrente de operações não comprovadas ou sem causa, alcançou os pagamentos efetuados à empresa (TALKITA) emitente de notas fiscais, cujas despesas apropriadas pelo contribuinte CORPUS foram consideradas operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem fruição pelo sujeito passivo e consórcios que integrou de qualquer serviço prestado ou do recebimento de quaisquer produtos ou mercadorias, cujos pagamentos foram usadas para dificultar ou impossibilitar o rastreamento dos recursos pagos aos reais beneficiários. MULTAS DE OFÍCIO – QUALIFICAÇÃO Em face das infrações descritas, a fiscalização aplicou o percentual da multa de ofício qualificada aos tributos apurados, nos termos do inciso I e § 1º art. 44, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14, da Lei 11.488/07, posto que o contribuinte praticou atos que deliberada e sistematicamente demonstram a presença do DOLO, no sentido de ter a consciência e agir em conluio visando produzir os efeitos (sonegação e fraude) descritos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. Fl. 3873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 10 Acrescentou a autoridade fiscal que a fiscalizada cometeu, em tese, crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal ao deduzir como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), valores pagos a um destinatário irreal, inapto, inexistente de fato, baseada em uma operação igualmente irreal, inexistente, sem comprovação, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa, sujeito à incidência do IRRF à alíquota de 35%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA À evidencia da prática de infração à lei, na forma de sonegação, dolo e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, a fiscalização incluiu no pólo passivo da obrigação tributária, na condição de responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados, os sócios administradores da fiscalizada: (1) CINEAS FEIJÓ VALENTE, (2) MARCO ANTONIO VALENTE, (3) RICARDO GONÇALVES VALENTE e (4) CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN. Tal responsabilidade foi atribuída com base no Inciso III do art. 135 do CTN, pois teriam os diretores, gerentes ou representantes listados praticado efetivamente atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. II. DAS IMPUGNAÇÕES II.1 DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA Cientificada dos autos de infração em 21/12/2017, e irresignada, a contribuinte CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA apresentou a impugnação de fls. 3.122/3.147, em 18/01/2018, por meio da qual oferece, em síntese, as seguintes razões de defesa. II.1.1 Da Inclusão no PERT e nulidade dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL Argumentou a impugnante que informou à autoridade fiscal de forma expressa e tempestiva durante o procedimento fiscalizatório que, para aquelas contratações em que não se conseguiu localizar e reunir documentação cabal, teria havido a inclusão/confissão dos débitos de IRPJ/CSLL no Programa Especial de Regularização Tributária - PERT, em 30/08/2017, instituído pela Medida Provisória n° 783/2017 (posteriormente convertida na Lei 13.496/17), na modalidade indicada no art. 2°, III, " b", da referida MP, conforme demonstrariam o recibo de adesão e respectivo comprovante de pagamento da primeira parcela (fls. 1647/1675), cuja adesão teria sido validada pelo sistema da Receita Federal, conforme intimação recebida em sua Caixa Postal eletrônica, em 9/12/2017. Com o intuito de demonstrar que os valores lançados de ofício pelo Fisco federal em dezembro/2017 já se encontravam devidamente incluídos desde agosto/2017 no PERT, a Impugnante apresentou o Laudo Técnico Contábil (doc. 2), no qual se verificaria que, a partir de cotejamento de notas fiscais de fornecedores dentro de cada trimestre calendário, cem por cento autuado estaria regularmente Fl. 3874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 11 incorporado ao parcelamento. Inclusive, tal adesão teria se dado com a inclusão de uma multa de ofício de 75% e dos juros de mora, em virtude de ter perdido sua espontaneidade, em razão da ação fiscal em curso. Assim apresentou uma tabela resumo da adesão, elaborada a partir das Notas Fiscais de fornecedores, fls. 1658/1675, na qual se incluem os documentos da empresa TALKITA INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Com isso, acredita que haveria absoluta nulidade do trabalho fiscal, o qual deveria ser cancelado em linha com recente jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. II.1.2 Do vício material do lançamento tributário - erro na apuração da base de cálculo No que tange à acusação contra a Impugnante de que não teria havido a respectiva contrapartida de qualquer fornecimento de mercadoria, relativos aos pagamentos realizados para a empresa TALKITA, argumentou que teria ocorrido erro da autoridade fiscal ao realizar o lançamento de IRRF, em virtude de um duplo reajustamento na base de cálculo, o que levaria à nulidade desses lançamentos de IRRF. Assim, acredita a impugnante que, ao realizar o 14 pagamentos, no dia 15/06/2012, por meio do Consórcio SOMA para a empresa TALKITA, por meio das NF's n. 000664, 000665, 000666, 00667, 000669, 000670, 000671, 000672, 000673, 000674, 000675, 000676, 000677, 000678, no valor total de R$ 239.281,00, esses foram, de acordo com o determinado pelo § 3° do artigo 61 da Lei n. 8.981/95, no montante de R$ 368.124,62. No entanto, argumenta que houve, após o reajustamento realizado, antes de aplicar a alíquota de 35%, sobre o valor de R$ 368.124,62, mais um reajustamento, implicando em um novo valor de base de cálculo na quantia de R$ 566.345,56, o que implicaria num duplo reajustamento, o que resultou em erro na determinação da base de cálculo do IRRF, contaminando o lançamento com vício material insanável, tornando-o completa e totalmente nulo de pleno direito. Para embasar seu entendimento de ocorrência de erro material nos lançamentos em discussão, citou entendimentos doutrinários e julgados de DRJ e do CARF. Por fim, caso não sejam consideradas as razões apresentadas, a Impugnante requer a realização de perícia contábil, de modo a ser atestado o erro de base de cálculo. Para tanto, indica como seu assistente técnico o Sr. Edson Donizete de Paiva e cita os quesitos a serem respondidos II.1.3 Da decadência do direito da fazenda ao lançamento para os fatos geradores relativos ao ano de 2012 Além da alegadas nulidades apresentadas, aduz que o lançamento padece de inconsistências, uma vez que os valores cobrados a título de IRRF estão sujeitos ao lançamento por homologação e, por conseqüência, ao prazo decadencial previsto Fl. 3875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 12 no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional - CTN, o qual se deu na data em que ocorreram cada um dos pagamentos realizados pela Impugnante aos seus fornecedores. Neste contexto, alega que considerando que, até a presente data, a Impugnante não teria sido formalmente intimada acerca do auto de infração do IRRF, por meio do seu domicilio eletrônico tributário (doc. 3), todos os créditos tributários relativos ao ano de 2012 estariam atingidos pela decadência e, portanto, extintos nos termos do art. 156, inciso V, do CTN. Citou parecer PGFN/CAT nº 1650/2013 e julgados do CARF. II.1.4 Da impossibilidade de cobrança de valores a título de IRRF relativos aos fornecimentos contratados diretamente pelo consórcio soma Suscitou que os autos de infração em tela são relativos a contratações e pagamentos por fornecimentos realizados através do Consórcio SOMA, da qual a Impugnante é consorciada, porém não exerce, nem nunca exerceu, a posição de empresa-líder, discriminados no documento "Anexo - Base de cálculo IRRF CORPUS SOMA TALKITA AC 2012.xls", motivo pelo qual não tinha qualquer ingerência sobre o pagamento e retenção de valores por aquele consórcio. Como prova, ressaltou a cláusula 8 do Termo de Constituição de Consórcio SOMA, para concluir que qualquer cobrança a título de IRFON sobre as transações do Consórcio SOMA deveriam recair sobre a empresa-líder, posição essa nunca ocupada pela lmpugnante. Nesse sentido, citou o disposto no artigo 1°, cc. §§ 1° e 2°, da Lei 12.402/2011, bem como Instrução Normativa SRF n° 1.199/2011. Aduziu que a própria Receita Federal, por meio da sua Nota Técnica n° 6/2016, questionou se o consórcio de sociedades empresárias poderia figurar no pólo passivo da relação jurídico-tributária e se as empresas que o integram são responsáveis solidárias pelas obrigações tributárias e previdenciárias decorrentes das atividades realizadas em consórcio. Concluiu que, nos termos da cláusula 8ª do Termo de Constituição do Consórcio e em estrita observância às normas internas da própria Receita Federal do Brasil, devem ser integralmente cancelados todos e quaisquer valores cobrados da Impugnante a título de IRRF sobre pagamentos efetuados pelo Consórcio SOMA, tendo em vista que somente poderiam ser exigidos em face das empresas-líderes, jamais da Impugnante. II.1.5 Da impossibilidade de cobrança de valores de IRRF cumulados com IRPJ/CSLL Neste ponto alega que haveria dupla punição (bis in idem) contra a Impugnante, por meio da cumulação de cobrança de IRPJ/CSLL e de IRFON sobre as exatas mesmas transações do ano-calendário de 2012. Cita posicionamento do CARF a seu favor. Fl. 3876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 13 Cita também a Solução de Consulta Interna n° 11 - COSIT, de 08/05/2013, para argumentar que os pagamentos foram realizados a beneficiários identificados e tiveram como causa notas fiscais que não podem ser reputadas como inidôneas, pois o fornecedor autuado ostentava situação regular perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas - CNPJ à época de suas respectivas contratações pelo Consórcio SOMA, no ano de 2012. II.2 DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO CINEAS FEIJÓ VALENTE Cientificado dos autos de infração em 23/08/2018, e irresignado, o responsável solidário CINEAS FEIJÓ VALENTE, apresentou a impugnação de 3253/3.332, em 11/09/2018, por meio da qual oferece, em síntese, as seguintes razões de defesa. II.2.1 DA AUSÊNCIA DE ELEMENTOS QUE DEMONSTREM QUALQUER PARTICIPAÇÃO DO IMPUGNANTE NOS ATOS CLASSIFICADOS DE ILÍCITOS, EM PARTICULAR ANTE A AUSÊNCIA DE INDICIAMENTO OU OFERECIMENTO DE DENÚNCIA FACE AO IMPUGNANTE. Suscitou que, embora a ação fiscal tenha sido pautada na operação LAVA JATO, a investigação não resultou no oferecimento de denúncia ou qualquer elemento ou indício que revelasse uma possível responsabilidade do Impugnante pelos fatos narrados, tendo a fiscalização se baseado na contratação e pagamento por fornecimento, os quais estariam devidamente contabilizados, de forma que tais elemento foram indicados de forma genérica. Alega, que não houve nenhum ato de ocultação ou dissimulação de quaisquer desses atributos - natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade - de bens lícitos ou ilícitos, pois a empresa sempre teria apresentado postura colaborativa e auxiliou em todos os atos solicitados. Por outro lado, argumentou que não se identifica no auto de infração qual teria sido o produto e o proveito dos crimes, muito menos, não haveria informação sobre qual seria a infração penal antecedente e quando ela teria sido praticada, para que se configure a acessoriedade material parcial, inerente ao tipo penal do art. 1º da Lei n° 9.613/1998. Ressaltou que haveria dois óbices jurídicos para que se considere que a infração antecedente seria o crime contra a ordem tributária. O primeiro, que ainda não haveria lançamento definitivo do tributo devido, o que encontraria óbice na Súmula Vinculante n° 24 do STF. O segundo é que somente se considera consumado o crime de sonegação fiscal, no momento do lançamento definitivo do tributo. Logo, ainda não tendo ocorrido tal fato, é impossível, do ponto de vista lógico e cronológico, considerar que o produto que ainda não existe, já possa ter sido objeto de ocultação ou dissimulação anterior. Alegou que não há no auto de infração a indicação de que tal crime seria de competência da justiça federal, porque nunca atuou no âmbito federal e não recebeu valores da União. Mesmo que houvesse tal delito, esse teria sido praticado "em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas Fl. 3877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 14 entidades autárquicas ou empresas públicas" (CR, art. 109, caput, inciso IV) a atrair a competência da Justiça Federal. Logo, em caso de se considerar, mesmo em tese, existente tal delito, sua apuração será de responsabilidade de Justiça Estadual. Por fim, aduz que restou demonstrado a inexistência de qualquer ato (doloso ou culposo) que pudesse ser enquadrado no art. 135, III, do CTN, evidenciando a improcedência da pretensão fiscal de responsabilizar solidariamente o lmpugnante pelas obrigações tributárias da empresa autuada. II.2.2 INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS Neste tópico, argumentou que para a imputação de responsabilidade a sócios e administradores por débitos da pessoa jurídica, necessário se faz exercerem cargo de direção e agirem conscientemente de forma contrária à legislação societária ou às normas de funcionamento da empresa (contrato social, estatutos), buscando satisfazer interesse pessoal. No entanto, há necessidade de comprovar que o ato doloso foi praticado no interesse comum de ambos. Não é o que ocorre quando o dirigente da empresa age no exercício de suas funções, ainda que não as exerça a contento (culpa)). Citou precedentes do CARF. Assim, competiria ao Fisco comprovar que o sócio ou administrador, agindo conscientemente contra as normas de direito privado, praticou o ato deflagrador da obrigação tributária em seu próprio interesse. Tratando-se de atividade inerente ao lançamento (identificação do sujeito passivo), a imputação de responsabilidade aos dirigentes da pessoa jurídica deve ser adequadamente motivada, aplicando-se a "teoria dos motivos determinantes". Desse modo, a invocação de 'motivos de fato' falsos, inexistentes, ou incorretamente qualificados vicia o ato. Citou jurisprudência do STF e do CARF. Argumentou que a Fiscalização deveria ter comprovado ter o Impugnante (a) infringido dolosamente normas de direito privado, para satisfazer interesse próprio e que (b) tal conduta resultasse na obrigação tributária objeto do auto de infração que deu origem a este processo administrativo. Concluiu que a falta de indicação de razões concretas que pudessem justificar a aplicação ao caso do art. 135, III, do CTN implicaria a nulidade do lançamento e do Termo de Responsabilidade Tributária. II.2.3 DOS VÍCIOS MATERIAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Por fim, reforçou as alegações relativas aos vícios materiais que a fiscalização teria incorrido nos lançamentos de IRPJ, CSL e IRRF contra a CORPUS e que também maculariam a responsabilização reflexa ao sócio-administrador. III DAS IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS MARCO ANTONIO VALENTE, RICARDO GONÇALVES VALENTE e CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN Fl. 3878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 15 Cientificados dos autos de infração e irresignados, os responsáveis solidários MARCO ANTONIO VALENTE, RICARDO GONÇALVES VALENTE e CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN apresentaram suas impugnações, por meio das quais deduziram alegações idênticas às apresentadas pela responsável CINEAS FEIJÓ VALENTE em sua peça de impugnação. Assim, para evitar repetições desnecessárias, quanto às alegações idênticas, reportome ao resumo das razões de defesa do responsável CINEAS FEIJÓ VALENTE, que integra o subitem II.2 deste relatório. III. DA DILIGÊNCIA Em 08 de outubro de 2018, por meio do Acórdão de Resolução nº 03-000.665, a 8ª turma da DRJ/Brasília requereu a realização de diligências, para averiguação das seguintes questões suscitadas pela impugnante: Nessa conformidade, proponho, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a conversão do julgamento em diligência, devendo o presente processo retornar à Delegacia da Receita Federal em Santos (SP), para que a autoridade fiscal diligenciante adote as seguintes providências, podendo para tanto proceder à verificação de livros e documentos ou prestar outras informações que entender relevantes para o deslinde da controvérsia: 1. Examinar as alegações apresentadas pela contribuinte em sua peça de impugnação quanto à ocorrência de duplo reajustamento na base de cálculo na apuração do IRRF, considerando os preceitos contidos no § 3º, do artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. 2. Apresentar proposta fundamentada para acolhimento (total ou parcial) ou não acolhimento das alegações da impugnante, com a elaboração de novos demonstrativos analíticos (planilhas) que contenham os valores remanescentes e resumo do tributo ainda devido (IRRF), fazendo expressa referência às folhas do presente processo; 4. Concluída a diligência, do seu resultado deverá ser dado ciência ao contribuinte e os respectivos responsáveis tributários arrolados para que, caso queiram, se manifestem nos autos. Após, retorne-se a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF). Após adoção das providências requeridas por meio do referido Acórdão, a autoridade fiscal diligenciante lavrou o Relatório de Informação Fiscal de fls. 3.349/3.409, por meio do qual propôs o acolhimento parcial das alegações da impugnante e, em face das informações disponíveis, efetuou a correta apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, por meio da análise de documentação fornecida pelo impugnante. IV. DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Fl. 3879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 16 Cientificado do mencionado Termo de Encerramento de Diligência, o sujeito passivo Corpus, em petição constante das folhas 3.424 a 3.430, apresentou as seguintes alegações: Do vício material do AIIM de IRRF Ao reconhecer seu equívoco, o Auditor Fiscal teria atestado a ocorrência de vício material no lançamento tributário de dezembro de 2017, fulminando o AIIM de IRRF de nulidade, uma vez que a matéria tributável seria condição sine qua non para a constituição do lançamento tributário no termo do artigo 142 do CTN. Asseverou que a autoridade fiscal buscou refazer a base de cálculo do IRRF a partir de um critério distinto ao inicialmente utilizado, o que seria expressamente vedado pelo art. 146 do CTN. Da precariedade do trabalho fiscal Alegou que, apesar de o Auditor Fiscal ter cumprido a diligência determinada pela DRJ/DF e confirmado o erro material insanável da base de cálculo do AIIM de IRRF, ele por sua própria iniciativa decidiu também trazer aos autos fatos novos advindos de inquéritos policiais ainda em andamento, não tratados no lançamento original de dezembro de 2017. Acredita que com isso a autoridade fiscal pretendia legitimar o seu trabalho fiscal, mas em verdade conseguiu apenas o efeito exatamente inverso, trazendo consigo causa de nulidade absoluta de todo o lançamento original, inclusive dos AIIMs de IRPJ e CSLL. Do pedido Reiterou todos os argumentos trazidos em sua impugnação de fls. 3122/3147, para então requerer à DRJ/DF a anulação in totum dos AIIMs de IRRF, IRPJ e CSL, em face das informações trazidas aos autos pela DRF-Santos em sua resposta à diligência, as quais confirmam a ocorrência de vício material insanável do AIIM de IRRF e a completa precariedade do trabalho fiscal original de dezembro de 2017. Subsidiariamente, caso a DRJ/DF decida por não anular os AIIMs de IRPJ e CSL, requereu o desentranhamento das informações estranhas à diligência fiscal trazidas pela DRF-Santos. V. DA MANIFESTAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Produziram os responsáveis tributários arrolados no procedimentos fiscalizatório, os Sr.(a)s, MARCO ANTONIO VALENTE, RICARDO GONÇALVES VALENTE, CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN e CINEAS FEIJÓ VALENTE, alegações idênticas as relatadas para o contribuinte CORPUS. Da Decisão Recorrida Fl. 3880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 17 Após apreciar os Autos de Infração, às fls. 2863/2912, o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 2916/2995, e as Impugnações apresentadas pela contribuinte e responsáveis tributários, às fls. 3122/3147, 3169/3194, 3197/3222, 3225/3250, 3253/3275 e 3297/3332, a 8ª Turma da DRJ01 exarou o Acórdão nº 101-005.487, em 13 de janeiro de 2021, às fls. 3546/3573, que: a) rejeitou as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada por CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA, a fim de reduzir os lançamentos de IRRF, no ano-calendário de 2012, de acordo com o relatório e voto; e b) rejeitou as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos administradores da pessoa jurídica, os Senhores Cineas Feijó Valente, Marco Antonio Valente, Ricardo Gonçalves Valente e Cristina Maria Valente Atchabahian, mantendo-os na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário remanescente. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 PRAZO DECADENCIAL. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU NÃO COMPROVAÇÃO DA CAUSA O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012 GLOSA DE DESPESAS. PARCELAMENTO ESPECIAL - PERT. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. O procedimento fiscal se inicia a partir do primeiro ato de ofício, praticado por servidor competente, fato que exclui a espontaneidade. Assim, a adesão ao Parcelamento Especial - PERT, efetuada durante o procedimento de fiscalização, não ilide o lançamento de ofício quanto à acusação fiscal de que reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Fl. 3881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 18 Ano-calendário: 2012 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, ainda que esse pagamento resulte em redução do lucro líquido da empresa. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Dos Recursos Voluntários A CORPUS tomou ciência da sobredita decisão em 04/02/21, através da sua Caixa Postal, considerada Domicílio Tributário Eletrônico – DTE na RFB, às fls. 3586, e os responsáveis tributários: os Senhores Ricardo Gonçalves Valente, Cineas Feijó Valente e Cristina Maria Valente Atchabahian, tomaram ciência em 15/04/21, consoante Avisos de Recebimento – AR, às fls. 3589/3591, respectivamente, enquanto o Sr. Marco Antônio Valente, tomou ciência em 19/04/21, por meio de AR, às fls. 3588. Do Recurso Voluntário Impetrado Pela CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA Indignada a CORPUS, em 08/03/21, protocolou Recurso Voluntário, às fls. 3594/3619, e, citando doutrina e jurisprudências administrativas e judiciais, além de requerer a suspensão da exigibilidade, apresentou os seguintes pedidos e causa de pedir sintetizados: Dos Autos de IRPJ/CSLL - Da Nulidade em Virtude da Inclusão dos Créditos Tributários no PERT Antes das Respectivas Lavraturas. Que, em 30/08/2017, aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária - PERT, instituído pela MP nº 783/2017, convertida na Lei nº 13.496/2017, incluindo/confessando 100% do valor de IRPJ e CSLL lançado pelo Fisco, acrescidos de multa de ofício de 75%. Nessa senda, aduz que por não caber qualquer lançamento adicional sobre valor anteriormente confessado em parcelamento, sob pena de dupla cobrança dos mesmos tributos, restam eivados de absoluta nulidade o trabalho fiscal e os fundamentos do acórdão recorrido, Fl. 3882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 19 notadamente este último por faze (...) indevida interpretação restritiva da legislação do PERT, criando um requisito inexistente de espontaneidade para a adesão. (...) Pelo quanto acima exposto, resta claro a prevalência da multa de ofício de 75%, uma vez que a adesão ao parcelamento / anistia PERT ocorreu antes do lançamento de ofício, sendo necessária a aplicação analógica do art. 6º, da Lei nº 8.218/1991 c/c art. 4º da LINDB. Ademais, acrescenta que readquiriu a espontaneidade, em respeito ao art. 7º, §2º, do Decreto 70.235/1972, bem como súmula nº 75 do Carf, dado que (...) entre a intimações de fls. 1593/1595 e 1676/1679, bem como a devida adesão ao PERT houve o transcurso de prazo superior a 60 dias, de modo que a Recorrente recuperou a sua espontaneidade, com efeitos retroativos. Citou jurisprudência do Carf em prol de corroborar com sua ilação. (...) Prosseguindo neste ponto, o r. acórdão incorre em absoluta nulidade por manifesta contradição conclusiva, pois mantém intactos os lançamentos de ofício de IRPJ/CSLL ao mesmo tempo em que determina à origem que inclua a multa de 150% no PERT. (...) Ora, ilmos. Conselheiros, isso então significa dizer que estando os valores de IRPJ/CSLL corretamente incluídos no PERT, deve o lançamento de ofício ser, por conseguinte, cancelado, sob pena de malfadada dupla cobrança desses mesmos tributos. Dos Autos de IRRF - Do Vício Material Por Erro na Apuração na Base de Cálculo e Violação aos Arts. 142 e 146 do CTN (...) Conforme anteriormente mencionado, o r. acórdão recorrido reconheceu a parcial improcedência do AIIM de IRFON, gerando a sua redução, tendo em vista o resultado da diligência fiscal. (...) Ao bem reconhecer os seus erros, a r. autoridade autuante atestou a ocorrência dos vícios materiais identificados pela Recorrente na sua impugnação. (...) Faltou, entretanto, à DRJ decretar a nulidade do referido auto de infração in initio litis, não sendo possível admitir a pretensa convalidação mediante as retificações realizadas na diligência fiscal, nos termos dos arts. 142, do CTN. (...) Além disso, o Sr. Auditor Fiscal, ao reconhecer o erro cometido, buscou refazer a base de cálculo do IRFON a partir de um critério distinto ao inicialmente utilizado, o que é expressamente vedado pelo art. 146 do CTN. Em prol das suas acepções, mencionou doutrina jurisprudência deste Tribunal. Dos Autos de IRRF – Da Alteração do Lançamento Após o Período Decadencial (...) O r. acórdão ainda deve ser retificado, pois, mesmo que se admita que poderia ter alterado por conta própria o lançamento anterior de IRFON, em hipótese não autorizada pelo artigo 149, parágrafo único, incorreu em manifesta violação ao artigo o 150, § 4º, do CTN. Fl. 3883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 20 (...) Com efeito, embora estejamos tratando de lançamento relativo ao IRFON pertencentes ao ano-calendário de 2012, a Recorrente tomou ciência da reformulação promovida no lançamento de ofício pelo r. acórdão ora recorrido apenas em 04/02/2021. (...) Data maxima venia, a reformulação do lançamento pela DRJ de tributo extinto pela decadência é cristalina, o que evidencia a sua realização a destempo, sendo inadmissível que se utilize o artigo 60, do Decreto nº 70.235/72, como pretenso ardil para contornar a vedação maior dos artigos 149, parágrafo único, e 150, § 4º, do CTN. (...) Note-se ao final deste tópico que, mesmo se porventura aplicada ao IRFON a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, ainda assim a reformulação pela DRJ em 2021 do lançamento tributário de IRFON de 2012 encontra-se fulminada pela decadência. Dos Autos de IRRF - Da Impossibilidade de Cobrança de Valores a Título de IRRF Relativos aos Fornecimentos Contratados Diretamente Pelo Consórcio SOMA (...) De acordo com o r. acórdão recorrido, restaram afastados todos os argumentos de defesa da Recorrente neste tópico, dado o singelo entendimento de que ela, na condição de consorciada, deve responder solidariamente pelo IRFON relativo aos fornecimentos contratados pelo Consórcio SOMA conforme o art. 1º, da Lei nº 12.402/2011, mesmo que não constando da posição de empresa-líder e, portanto, desprovida de poderes de administração para autorizar os pagamentos sob combate. Assevera que, consoante Nota Técnica nº 6/2016, se a situação se enquadra no preceituado no § 2º, do art. 6º, da Instrução Normativa da RFB nº 1.199/2011, (...) isto é, se a empresa líder contratar, pagar, reter e cumprir as obrigações acessórias, tudo no seu nome e CNPJ, também não deve haver controvérsia, e a questão deve-se resolver com base no inciso I do parágrafo único do art. 121 do CTN. A empresa líder realizará os procedimentos em seu nome e CNPJ (como contribuinte e codevedora das obrigações), e as demais consorciadas respondem solidariamente pelo que ela fizer ou deixar de fazer, por força do § 2º da Lei nº 12.402, de 2011. Nesse caso o lançamento, o auto de infração ou a aplicação de multa será efetuado em nome da líder, vinculando as demais por solidariedade. Destarte, considerando a cláusula 8ª, do Termo de Constituição de Consórcio, que dispõe que as empresas-líderes assumiram a responsabilidade pela contratação e pelo respectivo pagamento, em nome do Consórcio SOMA, e que a Recorrente nunca se revestiu da condição de empresa-líder ou sequer teve poderes de administração, é incabível a lavratura exclusivamente contra si de auto de infração de IRRF por pagamentos contratados pelo multicitado consórcio, entretanto caberia a vinculação das demais participantes por solidariedade. Fl. 3884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 21 Desta feita, diante do exposto, devem ser integralmente cancelados todos e quaisquer valores cobrados da Recorrente a título de IRRF sobre pagamentos efetuados pelo Consórcio SOMA. Dos Autos do IRRF - Da Impossibilidade de Cobrança de Valores de IRRF Cumulados com IRPJ/CSLL - Do Manifesto BIS IN IDEM Aduz que a cumulação da autuação de IRPJ/CSLL com a de IRRF se mostra como uma malfadada dupla penalização / bis in idem repudiada em nosso ordenamento jurídico. Nessa senda, afirma que o Carf já se posicionou pela impossibilidade jurídica de acumular as duas autuações. Em prol da sua acepção, assevera que no Art. 61, da Lei nº 8.981/95, o ato ilícito vem tipificado como “um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado”, sendo este o elemento essencial da sua hipótese de incidência, em afronta ao determinado no art. 3º, do CTN, pois instituiu (...) uma multa sob o percentual de 53,85%, à qual o Fisco ainda fez incidir uma nova e verdadeira penalidade de ofício majorada à razão de150% nos termos do art. 44, § 1º. da Lei 9.430/96, caracterizando-se um bis in idem. Além do sobredito, a acumulação combatida também é incompatível com o disposto no §3º, do art. 41, da Lei nº 8.981/95. (...) Deste modo, para que pudesse minimamente buscar alguma justificativa para lançar de ofício o IRFON conjuntamente com IRPJ/CSLL, o Fisco federal deveria haver ao menos deduzido os valores do mesmo IRFON das bases de cálculo de IRPJ/CSLL autuadas, (...) Ou seja, por qualquer ângulo que se analise a partir de uma interpretação sistemática da legislação federal à luz do CTN, a hermenêutica jurídica não permite a concomitância dos lançamentos de ofício de IRPJ/CSLL e de IRFON, eivando-os de absoluta nulidade. Dos Autos de IRRF - Da Idoneidade das Notas Fiscais Por Conta da Regularidade no CNPJ à Época Dos Fatos Geradores Argumenta, citando a Solução de Consulta Interna nº 11 – COSIT, que (...) é de clareza hialina que no presente caso os pagamentos foram realizados a beneficiários identificados e tiveram como causa notas fiscais que não podem ser reputadas como inidôneas, afinal a TALK11TA (fornecedora autuada) ostentava situação regular perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ à época de suas respectivas contratações pelo Consórcio SOMA, já que a sua situação cadastral somente foi baixada em 25/09/2013. Dos Autos de IRRF - Da existência de causa para os pagamentos efetuados Fl. 3885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 22 Assevera que os autos de infração de IRRF combatidos não atacam (...) a causa em si do negócio, mas supostos motivos subjetivos, não exteriorizados e também não comprovados, que seriam o pagamento de supostas vantagens indevidas, nunca provadas, nem pela Receita Federal e tampouco no inquérito policial em questão, no qual, aliás, não existe sequer indiciamento algum de qualquer diretor da Recorrente. Neste ponto, cita jurisprudência do Carf em favor da sua acepção. Dessarte, ao diferenciar causa de motivo, bem como discorrer que os motivos são irrelevantes à relação jurídica, afirma que, na autuação combatida, a Fiscalização incorreu em erro, pois perseguiu a causa que motivou o negócio, em vez da efetiva causa do negócio, não se enquadrando ao disposto no § 1º, do art. 61, da Lei nº 8.981/95. (...) Diante do acima exposto, percebe-se que a causa dos pagamentos efetuados pela Recorrente está instrumentalizada por notas fiscais (apresentação da causa no mundo corpóreo), não existindo qualquer contestação da d. Fiscalização de que a obrigação foi satisfeita, mas, ao revés, a própria RFB reconhece a existência dos pagamentos. (...) Em tese, ou bem o destinatário é identificado e o pagamento tem causa e, neste caso, cobra-se apenas o IRPJ/CSLL ou bem o destinatário não é identificado ou o pagamento não tem causa, caso em que se cobra apenas o IRFON. Mas cobrar ambos, concomitantemente, configura verdadeira contradição em termos, pois estar-se-ia a punir porque o pagamento teria identificação do destinatário e causa (IRPJ/CSLL) e ao mesmo tempo porque não teria essa mesma identificação ou causa (IRFON). Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada no Percentual de 150% - Necessária Redução Para 75% Argumenta que não se sustenta (...) a assertiva final do r. acórdão recorrido no sentido de que a Recorrente não teria impugnado a multa qualificada de 150%. (...) Obviamente que a multa qualificada de 150% foi impugnada por derivação lógica da inclusão da multa de 75% no PERT antes da lavratura dos autos de infração de IRPJ/CSLL. (...) Outrossim, a irresignação contra a multa qualificada de 150% foi fartamente rebatida na impugnação contra o lançamento de IRFON, bem como nas impugnações dos responsáveis solidários, todas elas julgadas em conjunto pelo r. acórdão ora recorrido; (...) Dentro desse mesmo contexto, se o r. acórdão estiver efetivamente correto no sentido de que a multa de 75% incluída no PERT pela Recorrente não foi suficiente para afastar o lançamento de ofício – o que mais uma vez se admite apenas a título argumentativo!– ainda assim deveria a DRJ ter concluído de forma diversa. (...) Agindo de modo coerente, a DRJ deveria ter determinando que a unidade de origem efetuasse a imputação proporcional do valor do PERT aos autos de infração de IRPJ/CSL, prosseguindo-se na cobrança apenas pela alegada diferença decorrente da multa de 150%, reduzida, porém à razão de 90% conforme inciso II, do art. 6º. da Lei 8.218/1991, aplicável de modo mais favorável ao contribuinte nos termos do art. 112, IV, do CTN. Fl. 3886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 23 Ademais, protesta em favor do cancelamento da multa qualificada (150%) aplicada no caso concreto, por duas razões: (...) (i) todas as transações foram plenamente contabilizadas e declaradas ao Fisco federal; e (ii) a Recorrente, na condição de empresa minoritária do Consórcio SOMA (18%), não detinha poder de administração. Outrossim, deve considerar os efeitos do cancelamento quanto aos temas da contagem do prazo decadencial já abordados nos tópicos anteriores, prevalecendo o art. 150, §4º, sobre o art. 173, I, ambos do CTN. (...) Ainda que estes Ilmo. Julgadores entendam pelo indeferimento das alegações acima -- o que ora se admite ad argumentandum --, ainda assim é de rigor a redução da multa aplicada de 150% ao patamar de 75%, dado que a inclusão do débito no programa de parcelamento foi feita antes do lançamento de ofício, o que implica na necessária redução da multa pela metade. Da Conclusão e do Pedido Ao final, requereu conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário e reforma da decisão recorrida para efeito de cancelamento integral dos lançamentos de ofício sob combate face aos sobreditos argumentos. (...) Por fim, a Requerente protesta desde já pela sustentação oral de suas razões de recurso quando do oportuno julgamento por esse E. Conselho administrativo. Do Recursos Voluntários Impetrados Pelos Responsáveis Tributários: CINEAS FEIJÓ VALENTE, MARCO ANTONIO VALENTE, RICARDO GONÇALVES VALENTE E CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN Irresignados os responsáveis tributários, apresentaram, em 30/04/21, em peças separadas, os respectivos Recursos Voluntários, às fls. 3643/3657, 3668/3682, 3692/3706 e 3716/3730. Considerando que os conteúdos são semelhantes, em favor de evitar a repetição, resumiremos, de forma conjunta, os pontos guerreados. Nessa quadra, citando doutrina e jurisprudências administrativas e judiciais, além de requerer a suspensão da exigibilidade, apresentaram as seguintes argumentações: Da Ilegitimidade Passiva Assevera que o acórdão recorrido utilizou de um só fundamento para a manutenção da responsabilidade solidária de todos os administradores da CORPUS - que os atos praticados pela pessoa jurídica ocorreram com a participação ou consentimento de seus administradores. (...) tal entendimento não merece prevalecer, pois a realidade fática não é a trazida pelo levantamento fiscal e tampouco pelo acórdão recorrido. Inicialmente, porque tal alegação é genérica e sem Fl. 3887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 24 qualquer demonstração efetiva do suposto dolo cometido pelo Recorrente, a fim de ensejar a sua responsabilização pelos débitos tributários autuados. Ressalva que (...) força-tarefa conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda e da Receita Federal, não foi apresentado qualquer elemento ou indício que revelasse uma possível responsabilidade do Recorrente pelos fatos narrados, ademais em relação aos pagamentos supostamente irregulares do Consórcio SOMA do auto de infração, do qual a CORPUS sempre foi minoritária (detentora de 18%) e desprovida de poderes de administração. (...) Ademais disso, frise-se que não houve nenhum ato de ocultação ou dissimulação de quaisquer desses atributos – natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade – de bens lícitos ou ilícitos. Ao contrário, a empresa sempre apresentou postura colaborativa e auxiliou em todos os atos solicitados, tendo a autuação se baseado nos próprios dados da regular contabilidade do Consórcio SOMA e da CORPUS. (...) Portanto, a falta de indicação de razões concretas que pudessem justificar a aplicação ao caso do art. 135, III, do CTN, especialmente no que se refere aos pagamentos efetuados pelo Consórcio SOMA, implica a nulidade do lançamento e do Termo de Responsabilidade Tributária que cobra, do Recorrente, tributos supostamente devidos pela pessoa jurídica. Cita jurisprudências do Supremo Tribunal Federal – STF, do Superior Tribunal de Justiça – STJ e deste Tribunal. Dos Vícios Materiais do Lançamento Tributário No que toca a este tópico, os responsáveis tributários produziram idênticas alegações relatadas para o contribuinte CORPUS. Do Pedido (...) Diante de todo o acima exposto, requer-se que seja afastado qualquer vínculo de responsabilidade solidária do Recorrente e, por conseguinte, haja sua imediata exclusão do polo passivo da autuação, cancelando-se o Termo de Responsabilidade Tributária, como medida de Direito. É o Relatório Fl. 3888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 25 VOTO Conselheiro Raimundo Pires de Santana Filho, Relator DA ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que os acórdãos das instâncias administrativas, bem como decisões judiciais e posicionamentos doutrinários, embora de inestimável valor como fonte de consulta, servem apenas como forma de ilustrar e reforçar a argumentação dos litigantes, dado que não têm o condão de alterar determinações expressas na legislação. Ademais, no que diz respeito às decisões judiciais, além de não se constituírem em normas complementares do direito tributário nos termos do art. 100, do CTN1, devem ser respeitadas as limitações impostas pelo Decreto nº 2.346/1997, e as determinações contidas no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002. Quanto às citações doutrinárias que a defendente traz lume em seu petitório, em diversos tópicos da peça recursal, ressalva-se que a doutrina não integra a legislação tributária, conforme define o art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN2. Também as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa de Julgamento, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do art. 26 A, do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.196/20053. Veja-se também a 1 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 2 Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sôbre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 3 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 3889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 26 conclusão do Parecer Normativo Cosit nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013, que se presta a bem elucidar o tema: Diante do exposto, conclui-se que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Antes de analisarmos os pleitos preliminares e meritórios apresentados pela Defesa, consta dos Recursos Voluntários requisição em favor da suspensão da exigibilidade dos débitos lançados de ofício. Aqui, convém ressaltar que a própria Impugnação e o Recurso Voluntário, suspendem a exigibilidade do crédito. Essa é a regra geral de atribuição de efeito suspensivo aos recursos, prevista no inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional (CTN). Destarte, nos termos da legislação ora citada e por ter a Contribuinte e os Responsáveis Tributários atravessado tempestivamente os apontados recursos, neste momento a exigência encontra-se suspensa. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Os responsáveis tributários asseveraram que (...) haveria dois óbices jurídicos para que se considere que a infração antecedente seria o crime contra a ordem tributária. Trata-se de pleito relacionado à Representação Fiscal Para Fins Penais formalizada, nos termos do caput, do art. 83, da Lei nº 9.430/964. (...) § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1 o e 2 o da Lei n o 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168- A e 337-A do Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público Fl. 3890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 27 Quanto a este tema, há um rito especial para essas representações, disciplinado, à época dos fatos geradores das autuações em tela, pela Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010 – revogada pela Portaria RFB nº 1.750, de 12/11/2018. No âmbito deste Conselho, cabe menção à Súmula CARF nº 28: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais”, de observação obrigatória pelos Conselheiros deste Tribunal em cumprimento ao disposto no art. 123, do Anexo do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 20235. DA DELIMITAÇÃO DA LIDE Consoante relatado, do lançamento original, todo o montante lançado relacionado ao IRRF foi integralmente impugnado. Entretanto, no que toca aos créditos tributários autuados relativos ao IRPJ/CSLL foram totalmente incluídos no PERT. Após a decisão de primeira instância, parte do lançamento de IRRF foi exonerado, bem como foi declarada a preclusão processual no tocante a multa de ofício qualificada por carência de impugnação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DAS PRELIMINARES Da Nulidade dos Atos Administrativos Da Introdução A Recorrente e os Responsáveis Solidários (apenas suscitam a preliminar de nulidade relacionada ao item “a”) alegam que os atos administrativos estão eivados de nulidade pelos motivos abaixo elencados: depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) 5 Art. 123. A jurisprudência assentada pelo CARF será compendiada em Súmula de Jurisprudência do CARF. (...) § 4º As Súmula de Jurisprudência do CARF deverão ser observadas nas decisões dos órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 3891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 28 a) Dos Autos de IRPJ/CSLL, em Virtude da Inclusão dos Créditos Tributários no PERT Antes das Respectivas Lavraturas; e b) Dos Autos de IRRF, em Razão do Vício Material Por Erro na Apuração na Base de Cálculo e Violação aos Arts. 142 e 146 do CTN. Antes de aprofundarmos a análise dos sobreditos questionamentos, é salutar esclarecer que em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa esculpidos no inciso LV, art. 5º, da Constituição Federal6, tem-se como dispositivo legal aplicável no âmbito da Administração Tributária o Decreto nº 70.235, de 1972, que versa a respeito do processo administrativo fiscal e do julgamento do contencioso (PAF), por conseguinte, no tema, não demanda aplicação subsidiária de outros dispositivos da lei geral do processo administrativo federal (Lei no 9.784/1999). A par disso, tem-se que consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235, de 19727, a fase processual da relação fisco-contribuinte inicia-se com a impugnação tempestiva da exigência e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração Tributária. Ainda, nos termos do Decreto nº 70.235, de 19728, somente se pode cogitar de declaração de nulidade do ato administrativo de lançamento quando o ato tiver sido lavrado por agente incompetente (art. 59, inciso I) ou, quando a preterição do direito de defesa se der em uma fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária (art. 59, inciso II). Veja-se que as demais irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio, conforme o art. 60, do assinalado dispositivo. 6 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 7 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 8 Das Nulidades Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 3892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 29 Destarte, a priori, à luz dos dispositivos legais que regem a matéria, no caso em exame não se evidencia motivos capazes e suficientes para decretar a nulidade dos atos administrativos, uma vez que os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. Neste ponto, merece citação a Súmula CARF nº 1629, estabelecida nos termos do art. 123, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, através da qual se denota que com só a partir do protocolo da impugnação se instaura o direito ao contraditório e a ampla defesa. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridades fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo. Houve observância das normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 98, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): 9 Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 3893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 30 O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Feita a introdução, nos inclinaremos na análise detalhada das questões de nulidade levantadas pela Recorrente. Da Nulidade dos Autos de IRPJ/CSLL - em Virtude da Inclusão dos Créditos Tributários no PERT Antes das Respectivas Lavraturas A Recorrente e os Responsáveis Solidários aduzem que em virtude da CORPUS ter aderido ao Programa Especial de Regularização Tributária - PERT, instituído pela MP nº 783/2017, convertida na Lei nº 13.496/2017, antes da conclusão do procedimento fiscal em comento, envolvendo a confissão de 100% do valor principal de IRPJ e CSLL lançado de ofício, acrescido da multa de ofício de 75%, não caberia qualquer lançamento adicional sobre esse montante parcelado, sob pena de duplicidade da cobrança dos mesmos tributos, restando assim contaminado de nulidade os atos administrativos combatidos, notadamente o acórdão recorrido (...) por manifesta contradição conclusiva, pois mantém intactos os lançamentos de ofício de IRPJ/CSLL ao mesmo tempo em que determina à origem que inclua a multa de 150% no PERT. Neste ponto, cita jurisprudência do CARF alinhada a sua acepção. Outrossim, acrescentam que a Autuada readquiriu a espontaneidade, em respeito ao art. 7º, §2º, do Decreto 70.235/1972, bem como súmula nº 75 do Carf10, dado que (...) entre a intimações de fls. 1593/1595 e 1676/1679, bem como a devida adesão ao PERT houve o transcurso de prazo superior a 60 dias, de modo que a Recorrente recuperou a sua espontaneidade, com efeitos retroativos. Carreou decisões deste Tribunal que corroboram com sua conclusão. 10 Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Fl. 3894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 31 A decisão de primeira instância, citando o art. 7º, do Decreto nº 70.235/72 - PAF11, de pronto afasta a pretensão da Defesa ao sustentar que o início de procedimento fiscal exclui a espontaneidade, visto que o caso sob julgo teve início em 01/07/2015, conforme Termo de Início de Fiscalização, às fls. 131/133, e a Recorrente solicitou sua inclusão no PERT em 30/08/2017, às fls. 1651/1653. Conclui, registrando que quando da adesão ao PERT, a CORPUS não estava abrigada pelo instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138, do CTN12, e, dessa forma, deve a unidade preparadora de origem verificar eventuais saldos remanescentes a serem acrescidos ao referido PERT, incluindo-se aí a multa de ofício qualificada, a qual não foi objeto de litígio nos presentes autos, considerando-se matéria não impugnada. Em que pese o inconformismo dos Recorrentes, o entendimento não tem amparo normativo, pelos seguintes motivos. Vê-se que, em outras palavras, a pretensão da Defesa é de que seja reconhecida a impossibilidade de o auto de infração abranger os débitos incluídos no PERT, por acreditar que há prevalência da confissão de dívida no parcelamento sobre o lançamento de ofício, e assim, afastar a multa de ofício que estaria vinculada aos tributos lançados. Contudo, como muito bem evidenciado pela decisão recorrida, uma vez iniciado o procedimento fiscal, fica excluída a espontaneidade do contribuinte, implicando na responsabilidade pelas infrações que vierem a ser apuradas, nos termos do art. 7º, do PAF. Aqui merece registro que não prospera a alegação que readquiriu a espontaneidade, visto que, de acordo com o § 2º, do art. 7º, do PAF – acima transcrito – uma vez iniciado o procedimento fiscal o ato que o formalizou tem validade por sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, através de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A partir da própria explicação da Recorrente, observa-se que não restou constatado interregno superior a sessenta dias entre as intimações que lhe assegurasse a pretensão, posto 11 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (g.n.) 12 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se fôr o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (g.n.) Fl. 3895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 32 que: (...) em 08.06.2017, foi expedida a intimação de fls. 1593/1595 para que a Recorrente apresentasse novos documentos e informações; em 31.07.2017, foi expedida a intimação de fls. 1639/1640 para simples prorrogação do procedimento de fiscalização, sem qualquer requisição de documentos e informações; em 30.08.2017, a Recorrente aderiu ao PERT (fl. 1651); e, somente em 25.09.2017, foi expedida a intimação de fls. 1676/1679 solicitando novos documentos. (g.n.) Destarte, independente da espécie de parcelamento (ordinário ou especial) requerido após o início do procedimento fiscal, embora esteja resguardado o direito do contribuinte de incluir os débitos, concretizando a confissão de dívida desses valores, que, em tese, dispensaria a formalização por lançamento dos montantes “confessados”, indubitavelmente não impossibilita/invalida a lavratura de auto de infração quanto aos mesmos montantes, muito menos tem o condão de afastar automaticamente a responsabilidade por multas punitivas decorrentes de falta de pagamento de tributo. A sobredita acepção está em consonância com a jurisprudência administrativa prevalente do CARF, notadamente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme ementas transcritas: OPÇÃO POR PARCELAMENTO ESPECIAL (PAES) APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. ESPONTANEIDADE. Opção pelo PAES no decorrer da ação fiscal não afasta a aplicação de multa de oficio, uma vez que o início do procedimento exclui a espontaneidade do contribuinte. (Acórdão nº 9101-001.541 – 1 Turma. Sessão de 21/11/2012) PAES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Legítimo o lançamento para a constituição de penalidade de ofício quando não há espontaneidade, ainda que para a inclusão deste no Parcelamento. (Acórdão nº 9101-00.649 – 1 Turma. Sessão de 31/08/2010) MULTA DE OFÍCIO. PARCELAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. O parcelamento de débito após o início do procedimento fiscal não afasta a multa de oficio por ausência de espontaneidade. (Acórdão nº 9303-005.046 – 1 Turma. Sessão de 12/04/2017) Além disso, não podemos olvidar que, no presente caso, o crédito tributário não havia sido constituído por meio do presente lançamento de ofício, um procedimento anterior e necessário para liquidação pelo parcelamento questionado. Assim, não será a possibilidade de parcelamento, antes do encerramento do procedimento inquisitorial, uma causa suficiente para a exoneração do próprio lançamento tributário, pois não se pode extinguir, por parcelamento, o crédito tributário que sequer foi constituído, nos termos dos artigos 142 e 155-A do CTN13. 13 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 3896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 33 Apenas a título de registro, diferente dos demais valores lançados de ofício nestes autos, a administração da cobrança dos valores indicados no PERT, faz-se no âmbito deste programa. Daí a justificativa para a decisão recorrida determinar a inclusão dos valores referentes à multa qualificada – 150% - que carecia de formalização quando da efetivação da opção, embora a CORPUS tenha confessado, quando da adesão ao PERT, a multa de ofício de 75%. Nessa linha intelectiva, não há que se falar em nulidade absoluta do lançamento e deve ser mantida a decisão guerreada, em razão de que restou demonstrado a lisura da ação do Fisco ao efetuar o lançamento com a respectiva multa de ofício qualificada, em decorrência de estar no exercício, conforme já afirmado, de um dever de ofício. Tanto assim que a própria lei instituidora do PERT – nos termos do § 2º, do art. 1º, da Lei nº 13.496/201714 - previu a inclusão de tais casos nesse Parcelamento Especial. Da Nulidade dos Autos de IRRF - em Razão do Vício Material Por Erro na Apuração na Base de Cálculo e Violação aos Arts. 142 e 146 do CTN Neste ponto, a Recorrente, em razão do acórdão recorrido ter reconhecido parcialmente a improcedência do Auto de Infração do IRRF, exonerando parte do crédito tributário lançado de ofício, por acatar o resultado da diligência, aduz que, embora a autoridade autuante tenha admitido a ocorrência de vício material, não passível de convalidação, a nulidade não foi decretada pela Autoridade Julgadora, nos termos do art. 142, do CTN. (...) Além disso, o Sr. Auditor Fiscal, ao reconhecer o erro cometido, buscou refazer a base de cálculo do IRFON a partir de um critério distinto ao inicialmente utilizado, o que é expressamente vedado pelo art. 146 do CTN. A decisão recorrida tratou a questão como preliminar e meritória. Quanto a esta última perspectiva, apreciaremos no momento oportuno. (...) Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. § 1 o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. § 2 o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória. § 3 o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. § 4 o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3 o deste artigo importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica. 14 Art. 1º Fica instituído o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) na Secretaria da Receita Federal do Brasil e na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, nos termos desta Lei. (...) § 2º O Pert abrange os débitos de natureza tributária e não tributária, vencidos até 30 de abril de 2017, inclusive aqueles objeto de parcelamentos anteriores rescindidos ou ativos, em discussão administrativa ou judicial, ou provenientes de lançamento de ofício efetuados após a publicação desta Lei, desde que o requerimento seja efetuado no prazo estabelecido no § 3º deste artigo. (g.n.) Fl. 3897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 34 Em sede preliminar, rejeitou as alegações de nulidade sob o fundamento de que, em concreto, houve a correção de mero erro de fato ao aplicar o cálculo disposto no §3, do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 198515, e a matéria tributária encontra-se detalhada nos autos, visto que os pagamentos foram identificados e efetivamente confirmados, como também restou demonstrado que a contraprestação contabilizada está relacionada a operações não comprovadas ou sem causa. Entendemos que não assiste razão à Recorrente, posto que como muito bem explanou a decisão de piso, tratou-se de correção de erro de fato cometido pela Autoridade Autuante quando da concretização do reajustamento previsto no § 3º, do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995, em prol de apurar o rendimento bruto e a base de cálculo do imposto IRRF incidentes sobre os pagamentos relacionados às operações não comprovadas ou sem causa, do qual a Recorrente teve amplo conhecimento e lhe foi oportunizado o devido prazo para se manifestar ou contrapor. Em suma, refere-se à situação de incorreção na apuração na base de cálculo, cuja retificação é admitida pela legislação atinente, conforme será demonstrado. Nessa linha de raciocínio, inicialmente destacamos que, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, a revisão de ofício de lançamento quando há erro de fato é autorizada pelos arts. 145, III, c/c art. 149, IV, ambos do CTN16. Aqui, merece registro em que pese autorize a revisão do lançamento quanto ao erro de fato, o Código Tributário Nacional não autoriza a revisão do lançamento quando há – se o caso – erro de direito. A esse respeito, são as primorosas considerações de Humberto Ávila: A mudança de orientação da Administração quer com relação à prática até então adotada, quer com referência aos atos de lançamento já efetuados, só pode dizer respeito a erros de fato, nunca erros de direito. Com efeito, se a Administração, por algum motivo, entende que a legislação foi mal-aplicada, só pode mudar a orientação para o futuro, não para o passado, inclusive por determinação do art. 15 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. (...) § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. 16 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...) III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. (g.n.) Fl. 3898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 35 146 do Código Tributário Nacional. (Segurança Jurídica – Entre Permanência, Mudança e Realização no Direito Tributário, Malheiros, 2011, p. 458) Como também entende Ricardo Lobo Torres, reiterando a impossibilidade de revisão de lançamento por erro de direito: Enquanto o artigo 149 exclui o erro de direito dentre as causas que permitem a revisão do lançamento anterior feito contra o mesmo contribuinte, o artigo 146 proíbe a alteração do critério jurídico geral da Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia para os fatos pretéritos (O Princípio da Proteção da Confiança do Contribuinte, RFDT 06/09, dez/03) Também os assinalados normativos não legitimam tal alteração pela autoridade julgadora administrativa. Em suma, representa o julgamento de processos administrativos uma forma de se controlar a legalidade do lançamento de ofício, carecendo as autoridades julgadoras de competência para refazer o lançamento. Entretanto, no que toca ao erro de fato, de pronto, segundo o art. 60, do Decreto nº 70.235/1972, já citado neste voto, no âmbito do contencioso, não importarão em nulidade as demais irregularidades, incorreções e omissões, as quais devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio. Já o § 3º, do art. 18, do mesmo decreto17, em respeito aos princípios do contraditório e ao da ampla defesa, garante aos Sujeitos Passivos o direito de nova impugnação administrativa quando detectadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. O art. 41, do Decreto nº 7.574/2011 18 , se alinha a tal diretriz normativa, explicitando a possibilidade de alteração de lançamento e a necessária oportunização de 17 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 18 Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada ( Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, § 3º , com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º ). § 1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I - em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou Fl. 3899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 36 contencioso desde impugnação administrativa. Inclusive, tal dispositivo também dispõe sobre erro de fato, ao possibilitar tal alteração do lançamento por: (a) apuração incorreta da base de cálculo (inciso I, alínea a), (b) não inclusão de matéria devidamente identificada no crédito tributário (inciso I, alínea b) ou (c) fatos novos, desconhecidos pela autoridade lançadora original (inciso II). Ou seja, está devidamente engajado às diretrizes do Código Tributário Nacional. Enfim, se o Codex Fiscal e demais normas que disciplinam o processo administrativo fiscal admitem a reparação de eventuais erros de fato, notadamente quando há apuração incorreta da base de cálculo do crédito tributário conforme o caso em espécie, cometidos pela Autoridade Autuante, inclusive quando resultem em agravamento da exigência inicial, cuja correção se perfaz mediante concretização de lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar, indiscutivelmente não há qualquer óbice em corrigir tal equívoco de fato que se reverta em exoneração, até porque representa uma típica situação abarcada pelo princípio “quem pode o mais, pode o menos”. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, traz-se à colação o entendimento expresso nas seguintes ementas extraídas de acórdãos desse Egrégio Conselho Administrativo: AUTO DE INFRAÇÃO. INCORREÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Eventual incorreção na apuração da base de cálculo não macula a validade do auto de infração, mormente se a apontada imprecisão resta incomprovada. (Acórdão nº 3401004.376 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 01/02/2018) ERRO DE FATO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (Acórdão nº 2001-004.222 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária. Sessão de 28/04/2021) II - em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I - complementar o lançamento original; ou II - substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. § 4º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. § 5º O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4º será objeto de um único acórdão. (g.n.) Fl. 3900DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 37 ERRO DE FATO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não havendo prejuízo à defesa, não há que se declarar a nulidade do lançamento por erro de fato. (Acórdão nº 2101-002.336 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária . Sessão de 17/10/2013) Quanto à alegação de afronta ao art. 146, do CTN19, com a devida vênia, também se equivoca a Defesa, posto que, segundo demonstraremos, a retificação de incorreções na apuração da base de cálculo não se constitui em mudança do critério jurídico. Sobre o tema, é salutar citar os comentários do professor Hugo de Brito Machado: “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotada uma entre várias alterativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado” (Curso de Direito Tributário, 30ª ed., Malheiros, 2009, p. 176). Nessa quadra, está clara que a vedação a mudança do critério jurídico, encartada no art. 146, do CTN, revela-se uma proteção aos princípios da confiança e da não surpresa, pois se o que se espera é que a conduta do contribuinte se adapte ao entendimento do Fisco, este não pode alterar seu entendimento ao sabor do vento, devendo respeitar, para o mesmo contribuinte, os fatos geradores já constituídos. Quer dizer, trata-se de previsão que visa impedir a utilização de outro critério admissível e escorreito de interpretação normativa, ou, como ensinado por Hugo de Brito, a escolha de um critério entre outros colocados à discricionariedade do agente público. A jurisprudência deste tribunal, corrobora com o sobredito entendimento: MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INEXISTÊNCIA. Não se aplica ao caso sub judice o princípio da não-surpresa e da confiança, forte no artigo 146 o CTN, pois a alteração de critério jurídico vincula-se à interpretações possíveis de uma mesma norma em relação aos mesmos fatos e ao mesmo contribuinte e não ao erro de direito ou a fatos envolvendo contribuintes diferentes. (Acórdão nº 1302-002.631 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 14/03/2018) INOVAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO. CTN, ARTS. 145, 146 E 149. 19 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento sòmente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 3901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 38 Não há alteração no critério jurídico do lançamento quando a principal razão da decisão administrativa é a mesma que fundamentou o auto de infração. (Acórdão nº 9101 003.075 – 1ª Turma/CSRF. Sessão de 12/09/2017) Desvelado o significado, ao cotejarmos o que informou a autoridade fiscal na peça acusatória original no TVF, às fls. 2.977/2.983, a respeito da autuação do IRRF, com a conclusão da Autoridade Fiscal Diligenciante, parte integrante do Relatório de Informação Fiscal de fls. 3.349/3.409, cuja análise será mais aprofundada em âmbito meritório, podemos inferir, com a devida vênia, que se equivoca a Defesa ao alegar que houve a multicitada “mudança de critério jurídico”. Isto porque restou hialino que não se trata de situação de adoção pelo Fisco de uma interpretação normativa correta na diligência divergente da também adequada albergada na peça acusatória inicial. Melhor dizendo, os fundamentos utilizados pela Autoridade Autuante e Autoridade Diligenciante são admissíveis no mundo jurídico e idênticos – em suma, consideraram líquidos os pagamentos realizados ao fornecedor, e aplicaram o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá a incidência do imposto, de acordo com o preconizado no § 3º, do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995. Ademais, sequer houve mudança de critérios na apreciação das provas, visto que adota os mesmos valores de pagamentos levantados pela Autoridade Autuante esteado em idênticas percepções. Dessarte, pelos motivos expostos, afasto a preliminar. Da Ilegitimidade Passiva Da Impossibilidade de Cobrança de Valores a Título de IRRF Relativos aos Fornecimentos Contratados Diretamente Pelo Consórcio SOMA A CORPUS e os responsáveis solidários inconformados com a decisão de primeira instância testificam que não deve prosperar o entendimento de que, a Autuada por fazer parte do consórcio SOMA, deve responder pela atuação do IRRF, relativo aos fornecedores contratados pelo consórcio, cujas operações não foram comprovadas ou suas causas, em respeito ao disposto no art. 1º, da Lei nº 12.402/201120, posto que nunca ocupou a posição de empresa-líder e, 20 Art. 1º As empresas integrantes de consórcio constituído nos termos do disposto nos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, observado o disposto nos §§ 1º a 4º. § 1º O consórcio que realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis. § 2º Se a retenção de tributos ou o cumprimento das obrigações acessórias relativos ao consórcio forem realizados por sua empresa líder, aplica-se, também, a solidariedade de que trata o § 1º . § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º abrange o recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, da contribuição prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, inclusive a incidente sobre a remuneração dos Fl. 3902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 39 portanto, estava desprovida de poderes de administração para autorizar os pagamentos sob combate. Em benefício do seu pleito, alegam que de acordo com a clausula 8ª, do Instrumento de Constituição de Consórcio, às fls. 1107/1129, que dispõe que as empresas-líderes assumiriam a responsabilidade pela contratação e pelo respectivo pagamento, em nome do Consórcio SOMA, e, conforme afirmado, a Recorrente nunca se revestiu da condição de empresa- líder ou sequer teve poderes de administração, por conseguinte, é incabível a lavratura exclusivamente contra si dos autos de infração de IRRF por pagamentos contratados pelo multicitado consórcio, os quais devem ser integralmente cancelados, por caracterizar ILEGITIMIDADE PASSIVA. Quer dizer, deveriam ter sido lavrados contra o Consórcio SOMA ou concomitante deveriam recair sobre a empresa líder, admitindo-se a vinculação, em ambos os casos, das demais consorciadas por solidariedade, em cumprimento ao disposto no art. 121, I, do CTN21. Nessa linha intelectiva, cita a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.199/2011 e a Nota Técnica (NT) nº 6/201622. A decisão de primeira instância deliberou que não assistia razão a Interessada, dado que o art. 1º, da Lei 12.402/2011, determina que as consorciadas, deverão responder pelos tributos devidos relativos às operações realizadas pelo consórcio, de acordo com o seu percentual de participação. Ademais, nesta mesma linha, a cláusula 4.4, do Instrumento de Constituição do Consórcio SOMA, prevê que as consorciadas responderão solidariamente pelos atos praticados pelo citado Consórcio. Afinal acrescentou que, diante de todas as peças acostadas aos autos, trabalhadores avulsos, e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, além da multa por atraso no cumprimento das obrigações acessórias. (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) § 4º O disposto neste artigo aplica-se somente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(g.n.) 21 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; 22 Nota Técnica nº 6/2016 “Se ocorrer o que prevê o caput do art. 6º ou o inciso I do § 1º do mesmo artigo, da Instrução Normativa nº 1.199, de 2011, isto é, se as retenções, o recolhimento dos tributos retidos e o cumprimento das obrigações acessórias correspondentes forem feitos em nome e no CNPJ de cada consorciada, (...) o lançamento ou qualquer imposição tributária terá que ser desmembrado, de modo a permitir sua individualização às consorciadas, de acordo com a participação de cada uma no empreendimento. Cada consorciada será o sujeito passivo de sua própria obrigação; e todas responderão, solidariamente, pelos tributos devidos, por força do § 1º do art. 1º da Lei nº 12.402, de 2011. E se ocorrer o que prevê o § 2º do art. 6º, isto é, se a empresa líder contratar, pagar, reter e cumprir as obrigações acessórias, tudo no seu nome e CNPJ, também não deve haver controvérsia, e a questão deve-se resolver com base no inciso I do parágrafo único do art. 121 do CTN. A empresa líder realizará os procedimentos em seu nome e CNPJ (como contribuinte e codevedora das obrigações), e as demais consorciadas respondem solidariamente pelo que ela fizer ou deixar de fazer, por força do § 2º da Lei nº 12.402, de 2011. Nesse caso o lançamento, o auto de infração ou a aplicação de multa será efetuado em nome da líder, vinculando as demais por solidariedade.” Fl. 3903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 40 atuou escorreitamente o Fisco (...) uma vez que restou nítido o proveito tributário obtido pela CORPUS, na medida em que apropriou as despesas relativas aos pagamentos realizados à empresa TALKITA. Para o deslinde da questão, inicialmente cabe trazermos à baila os arts. 278 e 279, da Lei nº 6.404/76 23, que disciplinam a constituição de consórcio, dos quais destacamos: o consórcio não goza de personalidade jurídica; as consorciadas somente se obrigam quanto às condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações; a solidariedade entre as consorciadas não se presume; e no termo de constituição devem estar expressos: a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; e as normas sobre administração do consórcio, contabilização e representação das sociedades consorciadas. O art. 1º, da Lei nº 12.402/2011, na mesma linha da norma das S/A, dispõe que as empresas integrantes dos consórcios respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento. Contudo, prevê a solidariedade das consorciadas, no caso de o consórcio realizar a contratação, em nome próprio, bem como quando a empresa líder realiza a retenção de tributos ou o cumprimento das obrigações acessórias, relativos ao consórcio, em nome próprio. A IN RFB nº 1.199/2011, ao regulamentar a supradita norma, replica os assinalados ordenamentos e, notadamente nos arts. 2º e 6º24, no que toca aos pagamentos decorrentes das 23 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I - a designação do consórcio se houver; II - o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III - a duração, endereço e foro; IV - a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V - normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI - normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII - forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII - contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. 24 Art. 2º As empresas integrantes de consórcio constituído nos termos dos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 1976, respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, observado o disposto nos §§ 1º e 2º. § 1º O consórcio que realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas ou físicas, com ou sem vínculo empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis. Fl. 3904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 41 operações do consórcio sujeitos à retenção na fonte dos tributos administrados pela RFB, reafirma a responsabilidade proporcional das consorciadas de acordo com a sua participação no empreendimento no que diz respeito a retenção, o recolhimento e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias. Entretanto, ressalva, no caso de o consórcio realizar a contratação, em nome próprio, existe a possibilidade das consorciadas ou o consórcio, assumir a responsabilidade pela retenção dos tributos correspondentes e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, mediante opção irretratável para o ano-calendário e exercida quando do primeiro recolhimento. Ainda sobre a sobredita norma infralegal, abre-se precedente para empresa líder realizar a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias utilizando-se do próprio CNPJ, situações em que assume a responsabilidade pela contratação e pagamento, em nome do consórcio, de pessoas jurídicas. Tanto a NT nº 6/2016 como o Parecer PGFN/CAT nº 814/201625 ratificam as deduções supra. A primeira, orienta como deve ser procedido o lançamento de ofício ou qualquer § 2º Se a retenção de tributos ou o cumprimento das obrigações acessórias relativos ao consórcio forem realizados por sua empresa líder, aplica-se, também, a solidariedade de que trata o § 1º. (...) Art. 6º Nos pagamentos decorrentes das operações do consórcio sujeitos à retenção na fonte dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil na forma da legislação em vigor, a retenção, o recolhimento e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, devem ser efetuados em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. § 1º Na hipótese de o consórcio realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas ou físicas, com ou sem vínculo empregatício, a responsabilidade pela retenção dos tributos correspondentes e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, caberá: I - às consorciadas, mediante a utilização do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) próprio de cada pessoa jurídica, se o consórcio apenas efetuar as contratações, ficando a responsabilidade pelos pagamentos à conta das consorciadas beneficiárias das contratações; ou II - ao consórcio, mediante a utilização do CNPJ próprio do consórcio, se este também efetuar os pagamentos relativos às contratações. § 2º Na hipótese do § 2º do art. 2º, se a empresa líder assumir, no contrato de que trata o art. 279 da Lei nº 6.404, de 1976, a responsabilidade pela contratação e pagamento, em nome do consórcio, de pessoas jurídicas ou físicas, com ou sem vínculo empregatício, a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias deverão ser efetuados pela empresa líder, mediante seu CNPJ próprio. § 3º No caso do § 2º, as obrigações acessórias relativas à retenção dos tributos deverão ser prestadas em conjunto com as obrigações acessórias da empresa líder. § 4º Nas situações previstas no inciso II do § 1º e no § 2º, aplicar-se-ão as normas de retenção a que está sujeita a empresa líder. § 5º As situações previstas nos incisos I e II do § 1º, não poderão ser aplicadas concomitantemente entre si, nem com a situação prevista no § 2º, devendo a opção escolhida prevalecer para todo o ano-calendário. § 6º A opção de que trata o § 5º será manifestada de forma irretratável mediante o primeiro recolhimento referente a tributos retidos realizado no ano-calendário. 25 PGFN/CAT nº 814/2016 CONSÓRCIOS DE SOCIEDADES EMPRESARIAIS COMO SUJEITO PASSIVO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Arts. 278 e 279 da Lei n 6.404/76. Lei 12.402/2011 (conversão da MP 510). Instrução Normativa RFB n 1.199/2011. (…) a) no que concerne à sujeição passiva no âmbito da contratação por meio de consórcios, a regra geral é a da não presunção da solidariedade das empresas consorciadas, regra esta que permanece mesmo após a promulgação da Lei nº 12.402/2011 (arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76); b) a responsabilidade das empresas consorciadas será solidária Fl. 3905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 42 imposição tributária se ocorrer as situações previstas no caput do art. 6º ou no inciso I, do § 1º, do mesmo artigo, da IN nº 1.199, de 2011 – desmembramento, de modo a permitir sua individualização às consorciadas, de acordo com a participação de cada uma no empreendimento; e se verificar o previsto no § 2º do art. 6º, do multicitado normativo – quando a empresa líder contratar, pagar, reter e cumprir as obrigações acessórias, tudo no seu nome e CNPJ. Neste caso o lançamento, o auto de infração ou a aplicação de multa será efetuado em nome da pessoa jurídica líder, vinculando as demais por solidariedade. No que tange ao segundo, ressalva que no que concerne a Sujeição Passiva, a regra geral é de não presunção de solidariedade e esta só emana quando o consórcio realiza negócios em nome próprio ou da empresa líder. Analisando o instrumento de constituição do Consórcio SOMA - Soluções em Meio Ambiente, CNPJ 14.758.018/0001-61, às fls. 1107/1129, criado em 17/10/2011 e registrado na JUCESP em 07/12/2011, observa-se que inicialmente estava formado pelas seguintes consorciadas: DELTA CONSTRUÇÕES S/A, CNPJ nº 10.788.628/0001-57 (participação 51%); CAVO SERVIÇOS E SANEAMENTO S/A, CNPJ nº 01.030.942/0001-65 (participação 39%); e CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA, CNPJ nº 31.733.363/008-36 (participação 10%). Consoante clausulas 4ª, 7ª e 8ª, a liderança é exercida pela DELTA, a quem cabia a representação e administração do consórcio; as consorciadas respondem solidariamente pelos atos praticados em consórcio, segundo o percentual de participação de cada empresa; e todos os recebimentos eram faturados em favor do Consórcio SOMA. Em 02/06/2012, a composição foi alterada, com a saída da empresa líder DELTA, a qual foi substituída pela CAVO, estabelecendo nova proporcionalidade de participação: CAVO (82%) e CORPUS (18%), e o instrumento de constituição sofreu modificações para adaptar a nova realidade, mas sem alterações das obrigações e responsabilidades ressalvadas. Compulsando o TVF, às fls. 2916/2995, observa-se: 3.15. E é nesse contexto que se insere a fiscalizada: o Consórcio SOMA (já anteriormente qualificado), do qual é partícipe, efetuou pagamentos, da ordem de R$ 6 milhões (um único pagamento feito em 13/04/2012), referente a locação de máquinas, veículos e equipamentos, à empresa JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA, CNPJ 10.361.606/0001-06. (...) 3.17. Nesse contexto, o que ficou evidente na investigação, foi que as empresas utilizadas para “esquentar” ou dar um ar de legalidade ao dinheiro utilizado na quando se optar pela realização de negócios jurídicos em nome próprio ou da empresa líder (parágrafos 2º e 3º do art. 1º da Lei 12.402/2011); c) quando do exercício da opção prevista nos parágrafos 1º, 2º e 3º do art. 1º da Lei 12.402/2011, o consórcio deverá efetuar diretamente a retenção e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias no CNPJ do consórcio e/ou da empresa líder, com a responsabilidade solidária das empresas consorciadas; d) apenas quando as empresas consorciadas optarem pela contratação em nome do consórcio é que será possível efetuar a retenção de tributos e o cumprimento de obrigações acessórias no CNPJ do consórcio. Data: 19/05/2016. Fl. 3906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 43 corrupção, também não ficaram restritas aos contratos com a Petrobras: foram aproveitadas em outras oportunidades. E é nesse ponto que a fiscalizada se insere em todo este contexto: o Consórcio SOMA (já anteriormente qualificado), do qual é partícipe, efetuou pagamentos, da ordem de R$ 6 milhões (um único pagamento feito em 13/04/2012), referente a locação de máquinas, veículos e equipamentos, à empresa JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA, CNPJ 10.361.606/0001- 06, empresa pertencente ao doleiro ADIR ASSAD, que nunca prestou os “serviços” para a qual teria sido contratada, que participou do esquema fraudulento ora apontado e ao longo deste Relatório iremos apontar os resultados desta investigação. (...) 8.12.4. Em 05/2012, a TALKITA passa a fornecer para o SOMA, as mercadorias DETERGENTE DESENGRAXANTE SUPERCONCENTRADO, DETERGENTE BACTERICIDA e DETERGENTE BACTERICIDA DESODORIZANTE, em valores expressivos (cada nota fiscal tinha o valor de cerca de R$ 200 mil, sendo que havia emissão de quatro a seis notas fiscais por dia). Tais mercadorias teriam sido supostamente adquiridos somente da empresa REPOX AMBIENTAL E COMERCIAL IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA (CNPJ 02.688.903/0001-32). (...) 8.12.12. Destacamos que nos extratos da TALKITA não encontramos nenhum pagamento aos supostos fornecedores das mercadorias que ela revendeu ao SOMA. 8.12.13. Considerando que: 8.12.13.1. O administrador de fato da REPOX (que foi o principal fornecedor das mercadorias supostamente vendidas pela TALKITA ao SOMA) admitiu que emitiu notas fiscais a pedido de terceiros, sem nunca ter contato com as mercadorias vendidas; 8.12.13.2. Que a TALKITA não pagou as mercadorias que supostamente adquiriram e revenderam ao SOMA; 8.12.13.3. Que a TALKITA repassou os valores recebidos pelo SOMA a diversas outras empresas com indícios de inexistência de fato e com pessoas interpostas em seu quadro societário; 8.12.13.4. É forçoso concluir que as supostas mercadorias fornecidas pela TALKITA ao SOMA nunca existiram, e que ambas as empresas participaram de complexa teia de empresas para dificultar o rastreamento do dinheiro recebido pelo SOMA. (...) 9.14. Em relação aos fornecedores contratados no âmbito do CONSORCIO SOMA, os custos e despesas a serem glosados foram retirados dos arquivos de contabilidade do CONSORCIO, e foram disponibilizados na planilha anexa “Anexo Fl. 3907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 44 - Contabilidade glosas AC 2012 SOMA TALKITA.xls”. A conta contábil objeto de glosa é "3.4.1.01.0029 - MATERIAIS P/ COLETA E VARRIÇÃO". 9.15. A CORPUS apurava em sua própria contabilidade os reflexos das despesas e custos do SOMA nas contas contábeis agrupadas sob as contas sintéticas "5.4.4.02 - CUSTO CONSÓRCIO SOMA", "5.4.4.03 - DESPESAS CONSÓRCIO SOMA" e "5.4.3.01 - APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS DO CONSÓRCIO", com base no percentual de participação da CORPUS no SOMA. Tal percentual começou com 10%, aumentando para 18% em 29/06/2012, conforme exposto no item 2 do presente Termo. Sendo assim, a glosa do IRPJ e CSLL será proporcionalizada dessa forma. 9.16. De acordo com todo o exposto nesse relatório e tomando por base as planilhas acima apresentadas, será glosado o valor total de R$ 2.402.198,02, referente ao fornecedor TALKITA, contratado no âmbito do SOMA. Por fim, seguem imagens de notas fiscais emitidas pelos contratados em desfavor do Consórcio SOMA, as quais foram emitidas em NOME e no CNPJ do SOMA: Fl. 3908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 45 Retomando, pelo exposto, resta cristalino que: todas as contratações, faturamentos, pagamentos e respectivas contabilizações eram realizados em nome e CNPJ do CONSÓRCIO SOMA – CNPJ 14.758.018/0001-61; e as empresas indicadas como líderes só detinham poderes para administrar e representá-lo. Assim, ao conjugarmos todos os elementos factuais, a priori, verifica-se que as empresas líderes não eram responsáveis pela contratação e pagamento, em seus nomes e CNPJ, e, por consequência, pela retenção e cumprimento das obrigações acessórias, no que toca aos contratos firmados pelo sobredito consórcio. Destarte, ao subsumirmos o caso concreto às normas que disciplinam as relações tributárias entre consorciadas, infere-se que, diante da constatação supra, afasta-se totalmente a possibilidade de concretizar o lançamento de ofício do IRRF sob julgo em desfavor da empresa líder vinculando as demais por solidariedade. De outro giro, entendo que agiu corretamente a Autoridade Autuante ao efetivar o lançamento de ofício do IRRF em nome da CORPUS, respeitando o percentual de sua participação no SOMA, isto é, conforme vimos, iniciando em 10% e aumentando para 18% em 29/06/2012, pois, segundo demonstraremos, o consórcio não detém legitimidade passiva. Tal acepção advém do fato do consórcio originar-se de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento. Conforme vimos, o consórcio de que trata a lei societária tem caráter mercantil. Nessa quadra, não há impedimento para distribuir lucros, apesar de não possuir capital próprio, até porque não tem como objetivo constituir uma nova pessoa jurídica. Inclusive, a sua duração tende a ser sempre curta, determinada, coincidente sempre com o término de sua finalidade específica, diferente das contraentes cujo fim é muito mais abrangente e que possuem tempo de duração longo ou indeterminado, e as suas personalidades jurídicas jamais se confundem com o consórcio. Também restou claro que o consórcio carece de personalidade jurídica – embora tenha que ter CNPJ, sede e uma consorciada nomeada como líder. Dessa forma, quando alguém assina pelo consórcio o faz porque tem permissão contratual para tanto. Quando a organização atua em consórcio é responsável somente por seus atos e pelas obrigações que assumiu face aos outros consorciados. A escrituração contábil do consórcio pode ser mantida em apartado, mas, ao final, vai integrar a contabilidade de cada uma das organizações consorciadas no que disser respeito à sua participação no contrato de consórcio. A falência ou insolvência de alguma das consorciadas não se estende às outras, mantendo-se o consórcio. Nessa linha intelectiva, como não tem personalidade jurídica, não tem capacidade legal para recolher tributos, ou melhor, não pode ser contribuinte de impostos. O próprio art. 1º, da Lei nº 12.402/2011, corrobora com essa dedução ao preceituar que os tributos devidos são de Fl. 3909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 46 responsabilidade das consorciadas, na razão de suas atividades e arrecadações relacionadas ao consórcio. A discorrida intelecção encontra ressonância neste Tribunal, de acordo com as ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. (Acórdão nº 1401-002.888 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 18/09/2018) PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. (Acórdão nº 2301-008.954 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 06/04/2021) Em suma, irretocável o acórdão recorrido por ter mantido integralmente autuação de IRRF sobre os pagamentos cujas operações não foram comprovadas ou careceram de causa, relativos às contratações do consórcio SOMA, visto que, por tudo discorrido, foram atendidas as determinações do art. 1º, da Lei nº 12.402/11, e respeitada a proporcionalidade de participação da consorciada CORPUS, disposta na Clausula 4.5, do Instrumento de Constituição de Consórcio e suas alterações. Dessa forma, rejeita-se a arguição de ilegitimidade passiva. DO MÉRITO Dos Autos de Infração Recorridos Da Introdução Conforme relatado dos tributos lançados de ofício, no que tange aos Autos de Infração de IRPJ e CSLL a Recorrente alega apenas a preliminar de nulidade fundada nas argumentações de cobrança em duplicidade dos créditos tributários incluídos no PERT, a qual afastamos. Os débitos lançados foram integralmente inclusos no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), fls. 1647/1649. Fl. 3910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 47 Ademais, não podemos olvidar que, quanto à apuração reflexa, o lançamento da CSLL, por ser decorrência da exigência do IRPJ em razão da glosa de custos/despesas operacionais não comprovadas, segue a mesma sorte deste. Em relação ao Auto de Infração de IRRF sobre pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou sua causa, os Recorrentes insurgem-se quanto aos seguintes pontos (os Responsáveis Solidários apenas quanto aos itens “b”, “c” e “d”): a) Da Prejudicial de Decadência; b) Da Impossibilidade da Cobrança de IRRF Cumulada com as de IRPJ/CSLL (pleito também dos responsáveis solidários); c) Da Idoneidade das Notas Fiscais; e d) Da Existência de Causa para os Pagamentos Efetuados. e) Do Vício Material do Lançamento Tributário - Por Erro na Apuração na Base de Cálculo Dos Autos de IRRF - Da Prejudicial de Decadência Antes de darmos seguimento a análise meritória dos pleitos sob julgo, merece relevo destacar que a DECADÊNCIA se trata de um tema de direito material, portanto de mérito ou, melhor dizendo, prejudicial do mérito. Essa acepção é ratificada pelo disposto no art. 487, do Código Processual Civil - CPC (Lei nº 13.105/2015)26. Nessa senda, a Recorrente assevera que só tomou conhecimento da reformulação promovida no lançamento de ofício do IRRF, em favor da correção do reajustamento para apurar o rendimento bruto e a base de cálculo, pelo acórdão recorrido, apenas em 04/02/2021. Assim, considerando que a citada autuação abrangeu fatos geradores relacionados ao ano-calendário de 2012, a decadência deve ser reconhecida, visto que a retificação incorreu em manifesta violação aos art. 149, § único, e 150, § 4º, ambos do CTN27. (...) Note-se ao final deste tópico que, mesmo se 26 Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: (...) II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição;(g.n.) 27 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será êle de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado êsse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 48 porventura aplicada ao IRFON a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, ainda assim a reformulação pela DRJ em 2021 do lançamento tributário de IRFON de 2012 encontra-se fulminada pela decadência. Inicialmente, temos que firmar o entendimento de que a decadência28 consiste na perda do direito da Administração Tributária de constituir o crédito tributário. Trata-se de instituto de direito público, não atingido pela preclusão, e sendo indisponível o crédito tributário deve ser declarado de ofício, independentemente do requerimento do sujeito passivo da ação fiscal. De outro giro, conforme explanado exaustivamente, neste voto, em sede preliminar relativa à multicitada revisão do reajustamento, ao efetuarmos uma interpretação sistemática do determinado no § 3º, do art. 18, e art. 60, ambos do PAF, combinados com o disposto nos arts. 145, III, e 149, IV, ambos do CTN, bem como nos termos do art. 41, do Decreto nº 7.574/2011, encontramos guarida para inferir que não há vedações para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de incorreções na apuração da base de cálculo do crédito tributário já constituído por meio de Auto de Infração, promova a revisão de ofício, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação – neste caso, registro que a combatida revisão foi provocada pela Recorrente através da peça impugnatória, às fls. 3122/3147. Destarte, em prol da perfeita harmonia entre os institutos – decadência e revisão de ofício – e, por conseguinte, do ordenamento jurídico, entendo que caso a revisão de ofício seja realizada após o transcurso do prazo decadencial, por ter perecido o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, somente são cabíveis ajustes na apuração deste, bem como na sua base de cálculo, desde que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a 28 CONCEITO DE DECADÊNCIA Decadência, no nosso conceito, é o fenômeno que acarreta a perda do direito subjetivo do Fisco constituir o crédito tributário pelo ato jurídico chamado lançamento, em decorrência da inércia, ultrapassando o prazo legal para tanto. A decadência faz morrer, decair, perecer o próprio direito material, impedindo que a Fazenda Pública proceda ao lançamento, e constitua, conseqüentemente, o crédito tributário. Melhor explicando, devemos esclarecer que, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária, ainda ilíquida. A le gislação tributária exige a formalização de um ato oficial do Fisco para conferir liquidez à obrigação tributária surgida a pós a ocorrência do fato gerador, e tal formalização se dá com o ato denominado lançamento. O lançamento, uma vez formalizado, tem o condão de constituir o crédito tributário, ou seja, oficializa e documenta um crédito tributário da Fazenda Pública, surgido com a ocorrência daquele fato gerador, do qual nasceu uma obrigação tributária. O lançamento, como veremos mais adiante, torna líquida a obrigação tributária surgida. Conforme o Ministro do STF Moreira Alves [02], "o direito de lançar é u m direito potestativo modificativo”, pois o Fisco transforma a obrigação tributária ilíquida em obrigação tributária líquida, isto é, no próprio crédito tributário. Relembrando, então, a decadência atinge o direito subjetivo do sujeito ativo da relação jurídica tributária, que é uma relação jurídica de direito material. A decadência decorre sempre de lei, mais especificamente de Lei Complementar, pois o artigo 146, III, alínea “b” da Carta Magna exige. E o Código Tributário Nacional é uma Lei Complementar, embora seja materialmente complementar e formalmente ordinária. E à decadência se aplicam os princípios da legalidade e da segurança jurídica. [...] http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/decad%C3%AAncianodireitotribut%C3%A1riobrasileiro Fl. 3912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 49 correção de erros formais. Entretanto, em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação, como verificado no presente caso. A assinalada percepção já foi albergada neste Tribunal, consoante ementas abaixo transcritas com nossos destaques: AUTO DE INFRAÇÃO – REVISÃO DE OFICIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1a . INSTANCIA – DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de ofício seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do credito tributário, bem como na bases de cálculos, que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindose o prazo de 30 dias para impugnação. (Acórdão nº 1402-00.257 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 03/09/2010) AUTUAÇÃO FISCAL. VÍCIOS DE ILEGALIDADE. REVISÃO DE OFÍCIO. REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. INAPLICABILIDADE. A Administração deve rever seus próprios atos eivados de vícios de legalidade, não havendo que se falar em lapso decadencial quando a revisão de ofício resulta em redução da exigência fiscal indevida e não extinta, beneficiando o sujeito passivo. (Acórdão nº 1001-002.928 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária. Sessão de 09/05/2023) Na espécie, não obstante, quando da alteração do lançamento em questão (04/02/2021), tenha se operado a contagem do prazo decadencial prevista no 173, I29, do CTN – em respeito a Súmula CARF nº 11430 de aplicação obrigatória por este relator -, é despiciendo, pois será demonstrado, quando da análise do mérito, que a retificação na apuração da base de cálculo do IRRF sobre pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou sua causa, foi fundada em erro de fato, da qual culminou exoneração parcial dos valores autuados e o reajustamento não mereceu qualquer reparo, tendo sido garantido ao Sujeito Passivo amplo direito de defesa. 29 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 30 Súmula CARF nº 114: O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Fl. 3913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 50 Descabe, portanto, a argüição de caducidade, visto que, nesse caso. Dos Autos de IRRF – Das Contestações de Mérito a) Da Introdução No mérito propriamente dito, os Recorrentes combateram o lançamento do IRRF sob quatro prismas – os responsáveis solidários insurgiram-se apenas quanto aos três primeiros: Da impossibilidade da Cobrança de IRRF Cumulada com as de IRPJ/CSLL – bis in idem; Da idoneidade das Notas Fiscais; e Da existência de causa para os pagamentos efetuados. Do Vício Material do Lançamento Tributário - Por Erro na Apuração na Base de Cálculo Em benefício de otimizar a lógica argumentativa deste voto, antes de nos inclinarmos à apreciação dos pleitos da Defesa, peço vênia para expor sobre os pressupostos fáticos e jurídicos que envolvem a incidência do IRRF, nos termos do art. 61, da Lei nº 8.981/95. b) Dos Pressupostos Fáticos e Jurídicos para Tributação do IRRF Previsto no art. 61, da Lei nº 8.981/95 Antes da análise de cada espécie dos pleitos meritórios dos Recorrentes, é essencial trazermos à baila a transcrição do art. 61, da Lei nº 8.981/95, que tem a seguinte redação: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei n" 8.383, de 1991. § 2a Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.(g.n.) O caput do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, instituiu a tributação exclusiva na fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados. Igualmente, o seu §1º aplica a mesma tributação quando há constatação do pagamento/entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, independente de contabilização, mas não for comprovada a operação ou a Fl. 3914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 51 sua causa, ou seja, se o Fisco se depara com pagamentos cujas operações ou a sua causa não forem comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitará o Sujeito Passivo à incidência do imposto de renda (que deveria ter sido retido na fonte), exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. Outrossim, infere-se do comando supra, mesmo na interpretação mais comezinha, que a sua aplicação não está autorizada quando não restar comprovado pelo Fisco o pagamento a beneficiário não identificado ou o pagamento ou entrega de recursos a sócio ou terceiro sem comprovação da operação ou da causa do dispêndio. Nessa seara, o ato de realizar o pagamento configura-se no pressuposto material da norma em questão, condição indispensável para que se efetive a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. Trata-se de uma limitação, dado que tem a Fiscalização o ônus de identificar as saídas, contabilizadas ou não, de forma direta, concreta, sendo inadmissível a sua presunção. Além disso, uma vez comprovado o pagamento, deve o Fisco justificar que não foi possível, mesmo após diligências, identificar o beneficiário do pagamento ou a causa/comprovar a operação. Nessa senda, é devido o lançamento se não identificado o beneficiário, contudo, caso o seja, será verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. No que toca a definição de operação e causa, bem como a comprovação, me permito valer dos fundamentos aduzidos pelo ilustre Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior no Acórdão nº 1201-003.195, os quais adoto: (...) 105. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que ensejou o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. 106. Nesse sentido, para comprovar tanto a operação quanto a causa não basta uma roupagem jurídica, o registro contábil, tampouco a apresentação da nota fiscal, é indispensável que o contribuinte comprove de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da operação e a causa do pagamento. (g.n.) (...) A sobredita acepção está em consonância com a jurisprudência administrativa prevalente do CARF, conforme ementas abaixo transcritas: Fl. 3915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 52 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, OU QUANDO NÃO FOR COMPROVADA A OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Por expressa determinação legal, sujeitam-se ao IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. (Acórdão nº 9101-004.153 – CSRF / 1ª Turma. Sessão de 07/05/2019) PAGAMENTOS REALIZADOS SEM COMPROVAÇÃO DO BENEFICIÁRIO OU A SUA CAUSA. CAUSAS AUTÔNOMAS DE INCIDÊNCIA. A premissa contida no § 1º do art. 61 da Lei 8.981/95 é clara no sentido de que o IRRF será cobrado “também” quanto “aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular”, deixando extreme de dúvidas que: i) a ausência de causa é, sim, um “tipo” autônomo da aludida regra de responsabilização (ou incidência, para quem assim o preferir); ii) este tipo pressupõe o conhecimento quanto ao destinatário dos recursos, mormente quando explicitamente se refere aos “terceiros” ou aos sócios e/ou acionistas. Assim o aludido preceptivo será aplicado tanto no caso em que se desconhecer os destinatários, como na hipótese em que, mesmo que conhecidos os beneficiários, a ausência de uma causa ainda imporá a exigência do IRRF na forma do aludido artigo de lei. (Acórdão nº 9101-006.342 – CSRF / 1ª Turma. Sessão de 05/10/2022) PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. INCIDÊNCIA EXCLUSIVA NA FONTE. PRESUNÇÃO SOBRE EXISTÊNCIA DO PAGAMENTO. ELEIÇÃO DISCRICIONÁRIA DA DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. EXIGÊNCIA INSUBSISTENTE. A exigência de IRRF de que trata o art. 61 da Lei nº 8.981/95 não se sustenta se a autoridade fiscal não comprova, ainda que por meio da escrituração contábil do contribuinte, os registros específicos dos pagamentos assim como a data em que teriam sido realizados. O lançamento de IRRF realizado com base em presunção de pagamentos lastreado em elementos frágeis e com eleição discricionária da data de ocorrência do fato gerador não se sustenta. (Acórdão nº 9101-005.251 – CSRF / 1ª Turma. Sessão de 12/11/2020) Também contribui para esclarecimento do preceptivo sob análise, colacionarmos excertos do Acórdão nº 1201-003.397, cujo redator do voto vencedor foi o Ilustre Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, que traz uma visão sobre o tema no tocante a sua natureza de presunção legal, com a qual pactuo: (...) É certo que o IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 possui especificidades que permitem classificá-lo como uma exceção. O IRRF em geral já é uma exceção, pois é fruto de uma substituição tributária do Imposto de Renda Fl. 3916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 53 (das pessoas físicas e das pessoas jurídicas). O IRRF com tributação exclusiva na fonte, uma modalidade de IRRF, é uma exceção maior ainda, pois toda a tributação fica contida no substituto tributário, não havendo reflexo sobre a apuração realizada pelo contribuinte, que não oferece à tributação a receita obtida. O tributo da espécie é uma exceção ainda mais específica, pois é uma substituição tributária com tributação exclusiva e cujo fato gerador não é o pagamento, pois o tributo passa a ser exigível apenas a partir do momento em que o substituto tributário não informa à fiscalização a identificação do contribuinte ou a causa do pagamento. Entendo que o IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 é exigido do substituto tributário por meio de uma presunção legal. Nessa presunção, o fato conhecido é a existência de um pagamento cujo destinatário se desconhece ou cuja causa é desconhecida e cujo desconhecimento se deve à atitude omissiva do substituto tributário. O fato desconhecido é que dá ensejo à omissão presumida. Assim, a exigência do IRRF em tela muito se assemelha à exigência do IRPJ prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, em que a presunção legal tem como fato conhecido a existência de depósito bancário cuja origem o contribuinte não comprova. Saliente-se que o ordenamento jurídico tributário possui outros casos semelhantes de presunção, como o saldo credor de caixa, o passivo a descoberto e os pagamentos não escriturados (art. 12, §2º, do Decreto-Lei nº 1.598/1977 e art. 40 da Lei nº 9.430/1996. A diferença entre essas espécies e o IRRF em tela é que, aqui, a tributação se dá sobre o substituto tributário e não sobre o contribuinte. Portanto, a conduta que dá ensejo ao acionamento da presunção legal em tela é a simples omissão em informar o real beneficiário do pagamento ou a sua real causa econômica, independentemente da existência, ou não, de intuito doloso. Em resumo, a exigência do IRRF sob apreciação tem natureza de presunção legal, ou seja, a partir de um fato conhecido – a inquestionável realização de pagamento, pressuposto material da norma em questão - e da negativa (expressa ou tácita) do Fiscalizado em identificar o efetivou destinatário – verdadeiro titular dos rendimentos, na espécie, quem tenha se valido de estrutura simulada ou fraudulenta que não permite rastrear o destino da renda transferida - ou a real origem econômica do dispêndio, a lei autoriza que seja exigido o tributo de quem realizou o pagamento, por uma presunção de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento, associada a uma substituição tributária. Nessa quadra, como é comum às presunções legais desse tipo, a Fiscalização não está obrigada a rastrear a utilização do pagamento, de outro giro, pode o Sujeito Passivo afastar a acusação fiscal ao demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou ao apontar, cumulativamente, o destinatário do pagamento e a sua real origem econômica (esclarecimento da natureza do pagamento). No que tange à compreensão de alguns doutrinadores – inclusive citados pela Defesa – de que na norma em questão o ato ilícito vem tipificado como “um pagamento sem Fl. 3917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 54 causa ou a beneficiário não identificado”, sendo este o elemento essencial da sua hipótese de incidência, em afronta ao determinado no art. 3º, do CTN31, ouso discordar. Não obstante, sem pretensão de inovar, no que toca à licitude da materialidade do imposto previsto no art. 61, da Lei nº 8.981/95, bem como no que diz respeito ao antagonismo com a multa qualificada, trago a exposição do ilustre Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior no Acórdão nº 1201-003.195, que bem representa minha compreensão a respeito do tema: 108. Quanto ao suposto antagonismo do IR-Fonte com a multa qualificada, o argumento ganha força em face da onerosidade da alíquota de 35%, a qual se agrava com o reajustamento da base de cálculo. Concordo que se trata de uma tributação onerosa. No entanto, esta era a alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 9.8981, de 1995, prevista em seu art. art. 8º. O fato desta última alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9. 250, de 1995 e aquela permanecido no mesmo patamar é opção legislativa. 109. Por mais onerosa que seja a alíquota, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo4 não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplicá-la à hipótese vertente, ao argumento de dupla penalidade, significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considerá-lo inconstitucional, o que é vedado a este CARF. Por derradeiro, partindo da premissa que tributo não é sanção, importa ressalvar que a excepcional espécie de IRRF em questão submete-se a tributação exclusiva na fonte, em outras palavras, o pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual e, por conseguinte, o destinatário não poderá deduzi-lo na sua declaração de ajuste. Não obstante, tal ressalva não se constitui óbice à dedução do valor retido e recolhido pela fonte pagadora, referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada, do IRRF lançado de ofício. c) Da impossibilidade da Cobrança de IRRF Cumulada com as de IRPJ/CSLL No que está relacionado a este tópico, os Recorrentes aduzem que a cumulação da autuação de IRPJ/CSLL com a de IRRF caracteriza-se como dupla penalização / bis in idem repelida 31 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 3918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 55 por nosso ordenamento jurídico, na espécie notadamente por afronta aos arts. 3º e 43, do CTN32. Subsidiariamente, caso assim não entenda, deveria o Fisco Nacional deduzir da base de cálculo do IRPJ/CSLL, os valores lançados de IRRF no mesmo período, em respeito ao determinado no §3º, do art. 41, da Lei nº 8.981/95. Citam jurisprudências do Carf e doutrinas em favor da sua acepção. Divergimos dos Recorrentes, pois, além de já termos afastado a concepção de penalidade do IRRF em foco, pactuamos com o entendimento expressado pela decisão guerreada de que é plenamente compatível a glosa de despesas que não foram comprovadas/inexistentes, as quais foram deduzidas na apuração do lucro líquido contábil, elemento essencial para o cálculo da base sobre a qual incidem o IRPJ e a CSLL; concomitante com o lançamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento a beneficiário não identificado ou cujas operações não foram comprovadas ou sem causa, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. Vejamos. Primeiro, porque nessa quadra não há espaço para suscitar que essas incidências tributárias se corporificam sobre uma mesma base, materialidade ou que há caracterização de bis in idem, posto que não se está perante a um único fato a partir do qual se extrai uma dupla incidência tributária. Segundo, devido à referida coadunabilidade evidenciar-se por se tratar de distintos fatos geradores (despesas incorridas e pagamentos), seja qual for o ângulo de visualização das suas exterioridades: material, temporal, quantitativa e pessoal. A respeito da distinção quanto à materialidade dos fatos geradores apontados, mister trazer à baila o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 9101-004.543, de Relatoria da Ilustre Conselheira Andréa Duek Simantob, que bem representa minha compreensão a respeito do tema: Há casos em que as despesas podem ter sido glosadas (por inexistentes), mas que sequer foram de fato pagas aos pretensos beneficiários, como ocorre no caso das chamadas “notas de favor”. Neste caso, haveria a exigência somente de IRPJ e de CSLL pela glosa das despesas inexistentes, mas não haveria exigência de IRRF porque não estaria materializado o correspondente pagamento. 32 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (...) Art. 43. O impôsto, de competência da União, sôbre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1 o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2 o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 3919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 56 Noutro giro, há casos em que — mesmo se tratando de pagamentos comprovadamente efetuados, mas relativos a despesas inexistentes, posto que não comprovada a correspondente operação ou a sua causa — pode haver somente a exigência de IRRF, mas não a exigência de IRPJ e de CSLL. Isto pode ocorrer por várias razões, dentre as quais o fato de o sujeito passivo estar submetido ao regime de tributação do lucro presumido ou arbitrado, por exemplo, regimes os quais são em regra indiferentes às despesas para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ou então, ainda, pode ocorrer que o sujeito passivo, mesmo estando submetido ao regime do lucro real, tenha apurado prejuízo fiscal no período em questão. Todas essas hipóteses citadas, dentre outras que se poderia imaginar, evidenciam a clara distinção das infrações quanto ao seu aspecto material. Quanto ao aspecto temporal, a exigência do IRPJ e da CSLL se dá no momento correspondente ao aproveitamento fiscal do custo inexistente (ao final do período de apuração do lucro tributável). Já no caso do IRRF, a exigência se dá no momento da efetivação do pagamento sem causa que o justifique. Há clara distinção, portanto, também com relação ao aspecto temporal. No aspecto quantitativo, igualmente se afiguram distintas as suas bases de cálculo. E as bases de cálculo são distintas não somente em razão do reajustamento do valor do pagamento sobre o qual recairá o imposto na fonte, mas também em razão da própria distinção material quanto aos fatos geradores captados por cada uma das incidências, posto que, conforme visto, pode haver despesas inexistentes que não motivam pagamentos, e pode também haver pagamentos sem causa completamente desvinculados de alguma despesa contabilmente reconhecida. Portanto, também com relação ao aspecto quantitativo as incidências são distintas. Por fim, quanto ao aspecto pessoal, nada obstante o sujeito passivo sobre o qual recaem as exigências seja o mesmo, não se pode ignorar o fato de que, enquanto este sujeito passivo, no que diz respeito à exigência de IRPJ e de CSLL, encontra-se claramente na posição de contribuinte (que reduziu indevidamente o seu lucro), no caso do IRRF, muito embora a lei não expressamente assim o designe, a condição por ele ostentada é a de responsável, por se constituir na fonte pagadora dos rendimentos cuja operação ou causa não restou comprovada. É inegável, ademais, que a não identificação da causa dos pagamentos impede o fisco de confirmar a regular tributação do rendimento auferido pelos beneficiários dos pagamentos assim feitos, circunstância esta que acentua a completa desvinculação entre os fundamentos jurídicos que dão suporte à materialidade de cada uma das infrações reportadas (glosa de custos, de um lado, e pagamentos sem causa, de outro). Portanto, sob todas as óticas, não há como prosperar a tese de um suposto bis in idem quanto às mencionadas exigências.(g.n.) Fl. 3920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 57 No mesmo sentido do presente voto, assim também já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, consoante os precedentes a seguir transcritos: IRPJ/CSLL PELA GLOSA DE DESPESAS. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA. EXIGÊNCIA SIMULTÂNEA. POSSIBILIDADE Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, bem assim os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. A tributação pelo do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, em relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, não exclui a incidência de IRPJ e CSLL resultante da glosa das despesas fictícias, as quais são indedutíveis por previsão legal expressa. (Acórdão nº 9202-009.937 – CSRF / 2ª Turma. Sessão de 23/09/2021) CONCOMITÂNCIA DE INCIDÊNCIA DE IRPJ/CSLL PELA GLOSA DE DESPESAS E DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA Quando não for comprovada a causa do pagamento, incide o IRRF. Por outro lado, uma despesa fictícia deve ser glosada, para que IRPJ e CSLL incidam sobre as bases de cálculo corretas. Consequentemente, se um contribuinte efetua pagamento por serviço e o deduz na apuração dos lucros tributáveis, mas não prova a efetiva prestação, incidem IRPJ/CSLL pela glosa da despesa e IRRF devido à ausência de causa para o pagamento. (Acórdão nº 9101-004.543 – CSRF / 1ª Turma. Sessão de 07/11/2019) Neste ponto, merece repisar que não é plausível depreender, da leitura do art. 61, da Lei nº 8.981/95, que a constatação de despesas não comprovadas, por si só, mesmo se baseando nos mesmos elementos de prova, seja suficiente para caracterizar que ocorreu um pagamento a beneficiários não identificados ou sem causa, para efeito de incidência do IRRF. A subsunção ao aludido preceptivo requer que o Fisco envide todos os esforços no sentido de exaurir a busca pelo beneficiário do pagamento ou, caso identificado, comprovar a operação ou a causa do dispêndio. Extenuadas essas pretensões, aplica-se o dispositivo. Em resumo, pelo exposto, só podemos glosar as despesas e concomitantemente aplicar o preconizado no art. 61, da Lei nº 8.981/95, quando não há comprovação delas e, de modo síncrono, verificarmos a situação em que a contabilidade registra o pagamento a um destinatário irreal ou em relação a uma operação igualmente irreal, circunstâncias que caracterizam o pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Trazendo as sobreditas considerações para o presente caso, as glosas das despesas/custos com a aquisição de mercadorias que não tiveram a materialidade comprovada visaram evitar a redução indevida dos Resultados dos Exercícios da empresa CORPUS – na Fl. 3921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 58 condição de contribuinte - relativos ao ano-calendário de 2012. Resultaram do não atendimento ao preceituado nos arts. 217, 290 e 299 e 304, do RIR/9933 vigente à época dos fatos. Sob outra perspectiva, as exigências de IRRF trata-se exclusivamente da incidência do imposto na fonte sobre pagamentos – que a efetivação foi comprovada e não houve contestação - cujas operações não foram comprovadas ou não teve uma causa admissível no mundo jurídico, nos termos do § 1º, do art. 61, da Lei nº8.981/95. Nesta espécie, a renda é do beneficiário do pagamento e a Recorrente, fonte pagadora, apenas se torna "responsável" pelo recolhimento do imposto que seria devido por outrem. Em outras palavras, a CORPUS não está na condição de contribuinte, mas precisamente na condição de responsável, conforme previsto no art. 121, II, do Código Tributário Nacional34. 33 Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei nº 9.430, de 1996, art. 82). Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei nº 9.430, de 1996, art. 82, parágrafo único). (...) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I - o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II - o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III - os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV - os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V - os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). (...) Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (...) Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei nº 3.470, de 1958, art. 2º). 34 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: (...) II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 3922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 59 No que tange ao pleito subsidiário – possibilidade de dedução da base de cálculo do IRPJ/CSLL, dos valores lançados de IRRF no mesmo período, nos termos do §3º, do art. 41, da Lei nº 8.981/95 - também não pode prosperar porque não há subsunção à norma apontada. A uma, pelo fato da CORPUS atuar como substituto tributário, melhor dizendo não é o beneficiário do pagamento ou o contribuinte do multicitado tributo. A duas, como vimos, por se submeter a tributação exclusiva na fonte, portanto não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual. Concluindo, importa salientar que o lançamento de IRRF, como se viu, decorre de disposição legal taxativa, de modo que somente seria possível afastar sua aplicação, sob o fundamento de vedação ao bis in idem, como pretendem os Recorrentes, caso se entendesse pela inconstitucionalidade da norma instituidora. No entanto, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento vinculante, consubstanciado na Súmula CARF nº 235. d) Da Idoneidade das Notas Fiscais Neste ponto, a CORPUS assevera que no presente caso os pagamentos foram realizados a beneficiário identificado e teve como causa notas fiscais que não podem ser reputadas como inidôneas – cita Solução de Consulta Interna nº 11 – COSIT, de 08/05/2013 -, em decorrência da situação cadastral regular do fornecedor cujos pagamentos foram glosados, à época dos fatos geradores, de acordo com as provas colacionadas aos autos. Cita jurisprudências do Carf e doutrinas para subsidiar a sua ilação. Entendo que não assiste razão aos Interessados pelos seguintes motivos. É inquestionável, conforme relatado e muito bem evidenciou pela decisão recorrida, que há nos autos - notadamente no TVF, item 8, às fls. 2916/2995 -, substanciais provas de que ocorreram pagamentos realizados pelo Consórcio SOMA em contrapartida de negócios simulados – cuja operação não foi comprovada ou não houve causa – em favor da empresa TALKITA que, independentemente de estar ativa no cadastro da RFB, era seguramente inexistentes de fato. Quer dizer, verificou-se um desvirtuamento nas operações realizadas entre tomador e fornecedor de mercadorias. Ora, como não restam dúvidas que os serviços não foram prestados ou as mercadorias tampouco foram entregues, as notas fiscais que os ampara, malgrado registradas na contabilidade, não produziram os efeitos contábil e fiscal esperados, pois não retratavam a verdade dos fatos. Ou seja, trata-se de documentos fiscais “frios”, fraudulentos e, portanto, inidôneos, pouco importando a situação cadastral de quem os emitiu. Nesse sentido, trago precedentes do CARF, cujos fundamentos estão sintetizados nas ementas abaixo transcritas com nossos destaques: 35 Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 60 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM GLOSA DE DESPESAS DO IRPJ. I- Operação comercial revestida de normalidade pressupõe a efetiva prestação do serviço ou aquisição de mercadoria. Uma vez efetuado o pagamento, consuma-se cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado. II - Desvirtuamento nas operações entre tomador e prestador de serviços, com utilização de notas fiscais frias para lastrear eventos inexistentes e mascarar a verdadeira causa de saída de recursos da empresa, fazem com que a empresa reduza a base de cálculo por meio da contabilização de despesa, e por outro lado, o beneficiário dos ingressos não os ofereça à tributação, por ser desconhecido. III - Por isso, autuação fiscal recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços. IV - Por determinação legal, o pólo passivo nas duas pontas da relação jurídica é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços (beneficiário que não pode ser identificado) para o tomador de serviços. Responde o tomador de serviços como sujeito passivo indireto pela tributação do IRRF. (Acórdão nº 9101003.341 – 1ª Turma. Sessão de 17/01/2018) PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PROVA DOS PAGAMENTOS. Correta a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte de que trata o art. 61 da Lei 8.981/1995 sobre pagamentos lastreados em documentos comprovadamente inidôneos, registrados na contabilidade da interessada a crédito da conta Caixa. A inidoneidade dos documentos não ilide o fato de que os recursos deixaram o patrimônio da empresa, destinando-se a beneficiários não identificados. (Acórdão nº 1301-00.761 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 23/11/2011) Adotando essa linha de raciocínio, tais constatações, segundo exaurido neste voto, consistem em causas que legitimam perfeitamente a glosa das despesas relacionadas que reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como conduzem ao enquadramento dos correspondentes dispêndios na situação contemplada no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95, devendo, à vista disso, ser efetuada a exigência do IRRF. Portanto, irretocável as autuações e a decisão recorrida por mantê-las. Fl. 3924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 61 e) Da Existência de Causa para os Pagamentos Efetuados No que tange a este tópico, sustenta que os autos de infração de IRRF combatidos não atacam a causa do negócio, mas supostos motivos subjetivos, não exteriorizados, relativos ao pagamento de supostas vantagens indevidas, que nunca foram provadas. Em favor de subsidiar seu entendimento, diferenciou causa de motivo, ressaltando que estes são irrelevantes à relação jurídica. Por conseguinte, a Fiscalização incorreu em erro, pois perseguiu a causa que motivou o negócio, em vez de da efetiva causa do negócio – instrumentalizada nas notas fiscais apresentadas - não se enquadrando ao disposto no § 1º, do art. 61, da Lei nº 8.981/95, sendo de rigor o cancelamento integral da autuação combatida. Colacionou jurisprudência administrativa e doutrina em benefício da sua argumentação. Acerca do antecedente do preceptivo em discussão – pagamento “sem causa” - mister mencionarmos o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 1201-003.397, cujo redator do voto vencedor foi o Ilustre Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, com os destaques em negrito, que bem representa minha compreensão a respeito do tema: (...) A exigência do IRRF prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 é uma presunção legal, ou seja, a partir de um fato conhecido (o pagamento) e da negativa do fiscalizado em informar o destinatário ou a real origem econômica do pagamento, a lei permite a exigência do tributo de quem fez o pagamento, por uma presunção de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento, associada a uma substituição tributária. Nesse viés, como é ordinário nas presunções legais desse tipo, o contribuinte pode afastar a acusação fiscal ao demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou ao apontar, cumulativamente, o destinatário do pagamento e a sua real origem econômica. Não há dúvida de que houve os pagamentos. Também não há dúvida de que a empresa SP Terraplanagem recebeu os pagamentos apontados na referida tabela. Todavia, não foi esclarecida a causa de tais pagamentos. A sociedade empresária é um ente de natureza econômica e as suas ações devem ser tomadas nesse contexto. O pagamento, como ação de natureza econômica, deve estar inserido em um contexto negocial ou patrimonial. Esse contexto é a causa do pagamento. Na espécie, o contribuinte não logrou localizar os pagamentos realizados no seu contexto econômico. Ademais, tratando-se de mecanismo de presunção legal, não cabe ao fisco rastrear a utilização desse pagamento, aprofundando a investigação para determinar, em concreto, o eventual ilícito tributário decorrente do pagamento, uma vez que este é o objeto da presunção legal. (g.n.) Fl. 3925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 62 Ora, segundo exaurimos, in casu, é inquestionável a ocorrência dos pagamentos – pressuposto material do dispositivo em questão – como também que a empresa fornecedora de mercadorias contratada recebeu esses dispêndios, contudo, é inegável que, ante considerável arcabouço probatório, não detinha capacidade operacional para atender aos objetos das contratações firmadas, relacionados às notas fiscais. Também já esclarecemos neste voto que a operação consiste no negócio jurídico (no caso a prestação de serviço ou a venda de mercadorias) que motivou o pagamento, e a causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento, os quais, quando não comprovados, acarretam a incidência do IRRF. Ademais, a relação umbilical entre ambos, permite-nos inferir que quando não comprovada a primeira, também podemos considerar o pagamento sem causa. Outrossim, não basta a operação e a causa dos pagamentos estarem contabilizados, tampouco lastreados por notas fiscais, posto que a comprovação inequívoca da efetividade de ambos demanda a apresentação de documentação hábil e idônea. Pois bem, perante esse cenário, não há como prosperar a tese da Defesa que houve causa nos negócios envolvidos na autuação, portanto, não se subsome ao disposto no § 1º, do art. 61, da Lei nº 8.981/95, dado que estava instrumentalizada nas notas fiscais apresentadas, justamente em virtude de a CORPUS não ter logrado êxito em comprovar a efetividade dos negócios jurídicos ou elucidar as suas origens econômicas – causas – nos quais os pagamentos estavam inseridos. Em síntese, alinhado ao entendimento exposto, a Recorrente não conseguiu assentar os pagamentos detectados no seu contexto econômico, sendo assim, correto o lançamento combatido, uma vez que careciam de causa, enquadrando-se perfeitamente a situação no multicitado preceito. f) Da Nulidade dos Autos de IRRF - em Razão do Vício Material Por Erro na Apuração na Base de Cálculo e Violação aos Arts. 142 e 146 do CTN Quando do protocolo da exordial, a Recorrente contestou asseverando que houve erro por parte da Autoridade Fiscal ao realizar o lançamento de IRRF, no tocante aos pagamentos realizados à empresa TALKITA INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS QUIMICOS LTDA, em virtude de um duplo reajustamento na base de cálculo, o que levaria à nulidade desses lançamentos de IRRF. Nos termos do § 3º, do art. 61, da Lei nº 8.981, de 199536, o valor pago é considerado como rendimento líquido do IRRF à alíquota de 35%, por conseguinte, é necessário 36 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. (...) Fl. 3926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 63 realizar o reajustamento em favor de apurar o rendimento bruto e a base de cálculo do imposto, conforme fórmula informada pela autoridade fiscal, às fl. 2.982: VB = VP/(1-0,35), onde VB = Valor da Base de Cálculo do IRRF Ajustada e VP = Valor do Pagamento O relator do voto condutor da decisão combatida, diante da provocação da Recorrente, ao analisar a planilha contida nos autos, referente ao "Anexo - Base de cálculo IRRF CORPUS SOMA TALKITA AC 2012.xls”, constatou que houve o reajustamento dos valores proporcionalmente alocados pela CORPUS. Todavia, também verificou que, quando a Autoridade Autuante transportou os valores de pagamentos para o Auto de Infração, o Sistema da Receita Federal do Brasil providenciou um outro reajustamento automaticamente – vide às fls. 2.909 (“DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE”) dos presentes autos. Diante do observado, o colegiado da 8ª turma da DRJ01, por meio do Acórdão de Resolução nº 03-000.665, determinou realização de diligência junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos (SP), para que aquela Unidade examinasse as alegações quanto a: 1. Examinar as alegações apresentadas pela contribuinte em sua peça de impugnação quanto à ocorrência de duplo reajustamento na base de cálculo na apuração do IRRF, considerando os preceitos contidos no § 3º, do artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. 2. Apresentar proposta fundamentada para acolhimento (total ou parcial) ou não acolhimento das alegações da impugnante, com a elaboração de novos demonstrativos analíticos (planilhas) que contenham os valores remanescentes e resumo do tributo ainda devido (IRRF), fazendo expressa referência às folhas do presente processo; 4. Concluída a diligência, do seu resultado deverá ser dado ciência ao contribuinte e os respectivos responsáveis tributários arrolados para que, caso queiram, se manifestem nos autos. Após, retorne-se a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF). Cumprida a diligência, conforme consignado no Relatório de Informação Fiscal, às fls. 3.349/3.409, a Autoridade Fiscal Diligenciante reconheceu que a Recorrente possuía parcial razão em relação à ocorrência do duplo reajustamento do IRRF, produzindo novos cálculos corretos os quais se encontram na planilha anexa do arquivo não paginável “Anexo - Base de cálculo IRRF CORPUS SOMA TALKITA AC 2012.xls”, às fls. 3.410, cujos valores passam a ser os seguintes: § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Fl. 3927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 64 A decisão recorrida adotou as conclusões do Relatório de Informação Fiscal, às fls. 3.349/3.409, em prol da procedência em parte das alegações da Suplicante relacionado ao duplo reajustamento da base de cálculo do IRRF, as quais foram acolhidas nos limites do “Anexo - Base de cálculo IRRF CORPUS SOMA TALKITA AC 2012.xls”, às fls. 3.410. Pois bem, considerando que a preliminar de nulidade sobre o mesmo tema já foi afastada neste voto, entendo que a decisão de primeira instância não merece retoques, dado que adotou comora razões de decidir os fundamentos apontados no Relatório de Informação Fiscal produzido pela Autoridade Diligenciante, em virtude de ter restado parcialmente procedente a ponderação da Recorrente no que toca à ocorrência de duplo reajustamento dos IRRF incidentes sobre os pagamentos decorrentes de operações não comprovadas ou sem causa lançados de ofício. Da Multa De Ofício Qualificada a) Da Preclusão Consumativa A Recorrente protestou em favor do cancelamento da multa qualificada (150%) aplicada no caso concreto, por duas razões: (...) (i) todas as transações foram plenamente contabilizadas e declaradas ao Fisco federal; e (ii) a Recorrente, na condição de empresa minoritária do Consórcio SOMA (18%), não detinha poder de administração. Assevera que não procede a assertiva do acórdão recorrido no sentido de que não teria impugnado a sobredita multa, posto que resta obvia o combate por derivação lógica da inclusão da multa de 75% no PERT antes da lavratura dos autos de infração do IRPJ/CSLL. Ademais, essa penalidade foi substancialmente rebatida no que toca ao lançamento do IRRF, como também nas impugnações dos responsáveis solidários, julgadas em conjunto pela decisão a quo. Subsidiariamente, caso as precitadas alegações sejam indeferidas, defende: a) redução da multa aplicada de 150% ao patamar de 75%, dado que a inclusão do débito no Fl. 3928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 65 programa de parcelamento foi feita antes do lançamento de ofício, o que implica na necessária redução da multa pela metade; ou b) o prosseguimento da cobrança pela diferença decorrente da multa de 150%, reduzida, porém à razão de 90% conforme inciso II, do art. 6º. da Lei 8.218/1991, aplicável de modo mais favorável ao contribuinte nos termos do art. 112, IV, do CTN. Compulsando os autos, notadamente as peças de impugnação da Autuada e dos Responsáveis Solidários, às fls. 3122/3147, 3169/3194, 3197/3222, 3225/3250, 3253/3275 e 3297/3332, corroboro com a decisão de primeira instância quanto à ausência de contestação no que toca imputação da multa de ofício e a sua qualificação, nos termos do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488/200737. De resto, não assiste razão a Recorrente quando alega que o combater por derivação lógica ao incluir a multa de 75% no PERT, visto que a adesão a este programa, conforme exaurido neste voto, ocorreu antes da lavratura dos autos de infração, por conseguinte, antes da imputação da mencionada multa de ofício qualificada. Inclusive, os recolhimentos das parcelas não combatidas – referente a autuação do IRPJ/CSLL - foram concretizados incluindo a multa qualificada aplicada em 150%. Ou seja, está cristalino que os Recorrentes ao requererem o cancelamento da multa qualificada (150%), carrearam ao Recurso Voluntário um argumento inovador que não deve ser reconhecido, visto que inédito. Quer dizer, refere-se a nova matéria a ser enfrentada por esta Egrégia Turma, assim, pode-se concluir que está preclusa por consistir em nova razão noticiada em sede recursal. É sabido e consabido que as alegações – motivos de fato e de direito em que se fundamenta a impugnação, os pontos de discordância e as razões que inferir - e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o Interessado fazê-lo em outro momento processual, salvo nos casos expressamente admitidos em lei, nos termos do art. 16, § 4º, do PAF38. 37 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 38 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 3929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 66 Dessarte, ao não combater a qualificação da multa de ofício em sede de impugnação, consolidou-se a situação jurídica materializada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, nessa fase recursal, rediscutir ou, muito menos, desviar a discussão para ponto já pacificado. Além disso, tal impedimento também encontra óbice no duplo grau de jurisdição de observação obrigatória pelo contencioso administrativo tributário. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. (Acórdão nº 1002-000.122 – Turma Extraordinária / 2ª Turma – Sessão de 03/04/2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2003 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO, ABRANGÊNCIA DO PEDIDO. INOVAÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL. O ressarcimento de tributos é um direito subjetivo a ser exercido dentro de regras administrativas processuais próprias, estabelecidas na legislação tributária. A análise do pedido limitar-se-á ao direito creditório pleiteado, sendo incabível a apreciação de outros créditos não abrangidos na solicitação inicial, pois é defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso ou de manifestação de inconformidade. (Acórdão nº 3302-010.035 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 17/11/20) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. (Acórdão nº 201-81.255 - Primeira Câmara do Segundo Conselho – Sessão de 03/07/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Fl. 3930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 67 PRECLUSÃO. Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, opera-se a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidando-se a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. (Acórdão nº 203-07.328 - Terceira Câmara do Segundo Conselho. Sessão de 23/05/2001) À vista disso, repisamos, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na Impugnação, justamente porque não se instaurou o contencioso administrativo para tais questões, sob pena, inclusive, de caracterizar uma situação de supressão de instância. Em suma, por se configurar em matéria carreada no Recurso Voluntário que discrepa dos argumentos apresentados em sede de Impugnação, restou caracterizada a preclusão consumativa. Quanto ao pedido para redução da multa aplicada de 150% ao patamar de 75%, nos termos estipulados para o programa PERT, importa destacar que, diferente dos demais valores lançados de ofício nestes autos, a administração da cobrança dos valores indicados no PERT, faz-se no âmbito deste programa, disciplinado pela Lei nº 13.496/2017. Nesse diapasão, entendo que as reduções tanto dos juros de mora como das multas envolvidas – inclusa a de ofício – devem respeitar a modalidade escolhida pela Interessada – art. 2º, III, alínea “b”, da apontada norma especial39, a qual detém prevalência sobre a geral - Lei nº 8.218/91, em respeito ao princípio da especialidade. Todavia, a competência para apreciar qualquer pedido relacionado à parcelamento de débitos (ordinário ou especial) – inclusos os encargos moratórios e multas - reside no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e os processos administrativos com este objeto são regidos pela norma instituidora do parcelamento especial e pela Lei nº 9.748/99, e não pelas disposições inerentes aos processos administrativos fiscais preceituadas no Decreto nº 70.235/72 - PAF. Nessa quadra, carece o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF da competência 39 Art. 2º No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo que aderir ao Pert poderá liquidar os débitos de que trata o art. 1º desta Lei mediante a opção por uma das seguintes modalidades: (...) III - pagamento em espécie de, no mínimo, 20% (vinte por cento) do valor da dívida consolidada, sem reduções, em até cinco parcelas mensais e sucessivas, vencíveis de agosto a dezembro de 2017, e o restante: (...) b) parcelado em até cento e quarenta e cinco parcelas mensais e sucessivas, vencíveis a partir de janeiro de 2018, com redução de 80% (oitenta por cento) dos juros de mora e 50% (cinquenta por cento) das multas de mora, de ofício ou isoladas; Fl. 3931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 68 para se manifestar ou impor qualquer comando a respeito de redução da multa de ofício sob julgo. b) Da Retroatividade Benigna No presente caso, ocorre que após a 8ª Turma da DRJ/BSB, em 14 de março de 2021, às fls. 3871/3908, exarar o Acórdão recorrido, mantendo a qualificação da multa de ofício no percentual de 150%, em respeito ao disciplinamento normatizado no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, este sofreu modificação pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, e, notadamente o inciso VI, do § 1º, do assinalado normativo, passou a disciplinar a questão da seguinte forma, abaixo in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) (g.n.) Quer dizer, a alteração mencionada reduziu o percentual da multa de ofício qualificada imputada de 150% para 100%. Dessarte, atrai-se a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN40, inclusive passível da aplicação de ofício, uma vez que lei nova se aplica a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. Nessa senda, embora no presente caso, decidimos pela manutenção, indiscutivelmente cabe a redução do percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% em respeito à retroatividade benigna. 40 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 3932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 69 À título de argumentação, quanto à aplicação do apontado benefício à matéria preclusa, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já manifestou entendimento de que não há que se falar em preclusão quanto à aplicação desse benefício, posto que tal providência deve ser adotada, inclusive de ofício, pela autoridade administrativa. É o que se colhe do Acórdão nº 9202-007.424, proferido em 11/12/2018, sob a relatoria da d. conselheira Maria Helena Cotta Cardoso, que traz a seguinte ementa: PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em preclusão quanto à aplicação da retroatividade benigna das multas previdenciárias, visto tratar-se de procedimento que pode ser adotado de ofício pela Autoridade Administrativa, conforme Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em seu voto, consignou aquela d. conselheira: (...) No caso do acórdão recorrido, determinou-se o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 (art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996). Quanto à primeira matéria, constata-se que o art. 2º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, assim estabelece: "Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput dar-se-á por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo dar-se-á: I – mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II – de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrar-se em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento." (grifei) Destarte, verifica-se que a aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c", do inciso II, do art. 106, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), pode ser levada a cabo de ofício pela Autoridade Administrativa, ou seja, independentemente de requerimento específico do sujeito passivo, em sede de Impugnação ou de Recurso Fl. 3933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 70 Voluntário. Aliás, a concessão de ofício não requer sequer a formalização desses remédios processuais, podendo ser efetuada inclusive por ocasião do ajuizamento da execução fiscal, conforme disposto expressamente na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Assim, constatando-se que o lançamento pode ser retificado de ofício pela autoridade administrativa, para aplicação da penalidade mais benéfica, não há que se falar em preclusão, razão pela qual nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nesta matéria. (...) Face ao exposto, na espécie entendo que deve ser aplicado o benefício à epígrafe, posto que a superveniência da lei mais benéfica é posterior à apresentação do recurso voluntário, bem como, conforme visto, a concessão de ofício não exige inclusive a ocorrência de fase contenciosa, uma vez que é passível de aplicação por ocasião do ajuizamento da execução fiscal, consoante disposto expressamente na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Da Responsabilidade Tributária Da Introdução Segundo relatado, os responsáveis tributários: CINEAS FEIJÓ VALENTE, MARCO ANTONIO VALENTE, RICARDO GONÇALVES VALENTE e CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN, que eram sócios-administradores da CORPUS no período fiscalizado, insurgiram-se contra o acórdão recorrido, mediante apresentação de peças recursais separadas, às fls. 3643/3657, 3668/3682, 3692/3706 e 3716/3730, contudo com idênticas abordagens. Em brevíssima síntese, alegaram ilegitimidade passiva das imputações, uma vez que jamais praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto, requisitos necessários para a responsabilização prevista no art. 135, III, do CTN41. Além disso, protestaram em favor da existência de vícios materiais que a Fiscalização teria cometido nos lançamentos combatidos e que foram mantidos pela decisão recorrida, tais como: nulidade dos lançamentos por vício material, em virtude da inclusão dos créditos tributários no PERT antes das respectivas lavraturas; impossibilidade de cobrança de valores a título de IRRF relativos aos fornecimentos contratados diretamente pelo consórcio SOMA; e no tocante a impossibilidade de cobrança de valores de IRRF cumulados com IRPJ/CSLL , por se caracterizar como manifesta dupla penalização ou bis in idem. 41 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de podêres ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 71 Considerando que as linhas de defesa de ambos são basicamente idênticas, apreciaremos os argumentos formulados em conjunto. Da Ilegitimidade Passiva Resumidamente, asseveram que o acórdão recorrido se baseou em fundamento genérico, destoante da realidade e sem qualquer demonstração efetiva do cometimento de dolo por parte dos responsabilizados. Além disso, frisa que, diferente da Fiscalização, a força-tarefa conjunta de diversos órgãos da Administração Pública não imputou responsabilidade aos Recorrentes. Acrescentam que todos os fatos levantados pela Fiscalização estavam contabilizados, bem como não restou demonstrado nenhum ato de ocultação ou dissimulação. Muito pelo contrário, a CORPUS, ao longo do procedimento fiscal, sempre se apresentou colaborativa e auxiliou em todos os atos solicitados, tendo a autuação se baseado nos próprios dados da regular contabilidade do Consórcio SOMA e da CORPUS. Concluem arguindo que carece os autos de indicação das razões concretas em favor de justificar a responsabilização tributária pelos tributos lançados de ofício nos termos do art. 135, III, do CTN, notadamente quanto aos pagamentos realizados pelo Consórcio SOMA. Logo, devem ser afastados tais vínculos de responsabilidade e imediata exclusão do polo passivo da autuação. Citam jurisprudência administrativa e judicial para subsidiar suas argumentações. A decisão recorrida, subsidiou a manutenção das responsabilidades tributárias em comento, inicialmente, ressaltando que as informações prestadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, complementadas por substancial lastro probatório produzido pela Fiscalização, inquestionavelmente deram lastro tanto à apuração de irregularidades cometidas pela contribuinte CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA no âmbito da legislação tributária federal, como também permitiram concluir que os aludidos atos praticados pela Recorrente ocorreram com a participação ou consentimento de seus administradores. Portanto, os sócios-administradores agiram com infração à lei, na medida em que autorizaram ou concordaram com a apropriação, pela CORPUS, de despesas não comprovadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e/ou despesas sabidamente fictícias, acobertadas por documentos ideologicamente falsos. Neste ponto, merece registro que nossa análise se restringirá à participação dos Interessados nos fatos e condutas apurados e demonstrados pela Fiscalização, nos estritos limites dos autos e da competência deste Conselho. Fixada a premissa, ressalvamos que a responsabilização dos apontados sócios- administradores da CORPUS fundou-se no art. 135, III, do CTN, especificamente em relação a atos Fl. 3935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 72 praticados com infração a lei, na forma de sonegação, dolo e conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/6442. No que tange ao tema, ressaltamos que é plenamente possível os sócios administradores responderem pessoalmente, perante a sociedade e terceiros prejudicados (Fazenda Pública, inclusive), por culpa no desempenho de suas funções, ou seja, pelos fatos decorrentes de sua má gestão, consoante disposto no artigo 1.016 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)43. Todavia é imperioso que, para aplicação do mencionado preceito, a Autoridade Fazendária comprove, para além de qualquer dúvida, que os administradores agiram com excesso de poderes ou infração à lei. O ato ilícito ensejador da responsabilidade tributária do administrador pode ser tanto culposo quanto doloso, mas tanto um quanto o outro satisfaz a hipótese do artigo 135 do CTN. Sobre o assunto, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 assim se manifestou: 59. A respeito da necessidade de presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, deve-se observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tão-só a presença de ‘infração de lei’ (= ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separaram as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupa-se com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. 42 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 43 Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Fl. 3936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 73 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; e) O ato ilícito ensejador de responsabilidade tributária pode ser tanto culposo quanto doloso; f) A prova da prática de ato ilícito por parte do administrador compete à Fazenda Pública (salvo normas especiais probatórias, como a relativa à CDA). 61. De tudo isso, é importante guardar que o ‘sócio-gerente’, de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, torna-se responsável não por ser ‘sócio’, mas por ter cometido ato ilícito enquanto ‘gerente’. Em verdade, a condição de sócio é irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Destarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito. (g.n) Assim sendo, é relevante ressaltar ilações relativas à responsabilidade solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, que contribuem para sua caracterização, corroboradas pelo Parecer supra. A primeira refere-se a natureza da pessoa jurídica. Trata-se de uma ficção da lei, não sendo capaz, portanto, de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus diretores, gerentes e representantes ou dos seus mandatários, prepostos e empregados, quem demonstra capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade. A segunda diz respeito a interpretação do capitulado no inciso III, do art. 135, do CTN, uma vez que o malefício que decorre da norma não se corporifica com uma simples participação como sócio-gerente, administrador, diretor ou equivalente nos atos da empresa que determina a responsabilização tributária pessoal. Há que se reconhecer a existência do excesso Fl. 3937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 74 de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, ou seja, só se configura com a junção dos dois fatores. Aplicando a precitada linha cognitiva ao caso concreto, inicialmente destaco que, consoante cláusula 5ª e §§, do Contrato Social da CORPUS, a administração e a representação legal da empresa eram exercidas pelos sócios-administradores sinalados de forma conjunta, embora a representação da sociedade se perfaça pela assinatura de no mínimo dois. Além disso, a composição do quadro societário permaneceu inalterada em todo o período coberto pelo procedimento fiscal. Dos fundamentos para a responsabilidade solidária que constam do TVF, às fls. 2916/2995, destacamos: a) Restou demonstrado que houve pagamentos a empresas sem a devida contrapartida de entrega de mercadorias. Ao darem seu aval, ao liberar pagamentos a empresas que de fato não cumpriram o esperado, mesmo antes disso, ao assinarem contratos com empresas de fachada, os responsáveis pela fiscalizada tinham plena consciência de suas atitudes e agiram com dolo, fraude e má-fé; b) Em relação às aquisições efetuadas junto à TALKITA, não foram apresentados para fiscalização nenhum contrato ou comprovante de negociação. c) Registra que intimada a identificar quais administradores autorizaram ou determinaram os pagamentos efetuados à TALKITA, a Autuada assim se pronunciou: d) Ressalta que, pelo contrato social o Sr. Cineas, sozinho, não poderia ter feito tais contratações e autorizado tais pagamentos, pois somente a participação de dois administradores da empresa teria o condão de criar obrigações para a CORPUS; e) (...) Destacamos que a TALKITA foi o segundo maior fornecedor do SOMA em 2012, com aquisições em 2012 de R$ 15 milhões, atrás apenas da empresa SODEXO PASS, conforme levantamento feito na conta “FORNECEDORES” do SOMA; f) (...) Ora, como os três outros administradores poderiam ter fechado os olhos a despesas de tal vulto, que inclusive estariam servindo para diminuir o lucro contábil da empresa, diminuindo os dividendos a serem pagos a todos os quotistas? g) (...) Ora, que diligência e cuidado foram evidenciados pelos demais administradores, ao permitir que, de forma reiterada e recorrente, fossem contratadas empresas inexistentes de fato e realizados pagamentos por serviços que não foram prestados? Fl. 3938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 75 h) (...) A única resposta possível a tal questionamento é que os demais administradores sabiam e aprovavam a contratação e o pagamento às supracitadas empresas. Os demais administradores, ao não se insurgir ou questionar tais práticas, atuaram com a chamada "cegueira deliberada", intencionalmente deixando de se inteirar ou de agir em situações em que teria o dever legal de fazê-lo; i) (...) Ao atuar de forma conjunta e coordenada para suprimir ou reduzir o montante do tributo devido pelo pagamento de serviços fictícios, os administradores em questão praticaram as condutas de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Além disso, praticaram condutas que, em tese, configuram o CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, previsto no artigo 1º, inciso I, e IV, e artigo 2º, inciso I, da Lei 8.137/90, bem como condutas que se amoldam, em tese, com a conduta descrita no art. 1º da Lei nº 9.613 (com a redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012), que tipifica o crime de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, nos seguintes termos: "Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal". Prosseguindo, dos autos resulta comprovado que os contratos serviam exclusivamente para acobertar o esquema ilícito de pagamento de propinas, sob o disfarce de uma suposta prestação de serviços ou aquisição de mercadorias, que jamais ocorreram. Os montantes pactuados foram significativos e os pagamentos rotineiros, assim como restou patente a incapacidade operacional dos contratantes para execução dos objetos contratados, como bem demonstrou a Autoridade Fiscal ao carrear fotos dos supostos estabelecimentos das empresas “noteiras”. Destarte, resta indubitável da leitura do TVF e do enorme volume de documentos colacionados – elementos produzidos pela Polícia Federal e Ministério Público, no âmbito da denominada operação Lava Jato, e destaque para o conjunto probatório produzido pela Fiscalização, especialmente o detalhado no item 8 do TVF, às fls. 2916/2995 - que os sócios- administradores responsabilizados: CINEAS FEIJÓ VALENTE (era Presidente da CORPUS e há declaração não refutada de Cristina afirmando que era o responsável pelas autorizações e pagamentos das contratações) e CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN (que, na condição de sócia-administradora, ao informar que o Sr. CINEAS era quem autorizava as contratações e pagamentos, indubitavelmente tinha conhecimento da fraude e não adotou medidas cabíveis para impedir), tinham plena consciência de que os contratantes eram empresas de papel ou inexistentes, sem qualquer condição de atender aos seus objetos. Todavia, não há nos autos comprovação de que os sócios-administradores MARCO ANTONIO VALENTE e RICARDO GONÇALVES VALENTE agiram com excesso de poderes ou infração à lei. Podemos até admitir que tal conhecimento não fosse a priori, quer dizer, ao tempo da celebração dos contratos, mas que eles tinham plenas condições de verificar, ante a não prestação de serviços ou falta das mercadorias adquiridas, que as empresas contratadas eram inidôneas e, Fl. 3939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 76 assim, adotar as medidas cabíveis, entretanto, conforme exaurimos, para subsunção à responsabilidade solidária sob julgo não cabe presunção, requer comprovação. A ausência de qualquer contestação ou questionamentos, aliada à recorrência dos pagamentos sem causa, por mercadorias que jamais foram entregues, nos permite afirmar, sem qualquer margem de dúvidas que os dirigentes CINEAS e CRISTINA tinham plena ciência e consciência da fraude que perpetraram, mas, nos atendo exclusivamente aos autos, não podemos extrair a mesma ilação em relação aos sócios-administradores MARCO e RICARDO. Conforme apontado neste voto, a modalidade de responsabilidade tributária estabelecida pelo art. 135, III, do CTN, é eminentemente subjetiva, por fundar-se na pessoalidade e na conduta dolosa ou culposa do agente, posto que brota a partir da constatação de um ato ilícito. Neste prisma, por tudo explanado, entendo que não merece reparos o trabalho realizado pela Autoridade Fiscal, que demonstrou de forma cabal e inequívoca a materialidade dos fatos imputados à Recorrente, tal como logrou êxito em provar o vínculo dos responsáveis solidários CINEAS e CRISTINA com os fatos geradores da obrigação tributária, igualmente que praticaram o ato ilícito assinalado ou que o toleraram quando deveriam evitar, tampouco o aresto combatido. Sem embargo, por total carência de provas materiais, não podemos pactuar com o mesmo desfecho quanto aos sócios-administradores MARCO e RICARDO, portanto, pugnamos pela reforma da decisão recorrida. A linha de interpretação adotada neste voto, encontra ressonância na jurisprudência deste Tribunal, segundo ementas abaixo transcritas: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE DIRETORES DE S/A. CARACTERIZAÇÃO DO EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI OU A ESTATUTOS. Mantém-se a responsabilidade tributária solidária de diretores quando caracterizada a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei ou a estatutos. (Acórdão nº 1201-002.922 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 14/05/2019) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigados os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade. (Acórdão nº 1201 -001.901 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 21/09/2017) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante, mesmo que de fato, da contribuinte for colocado no polo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. (Acórdão nº 1401 -002.888 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 18/09/2018) Nesses termos, entendo que devem ser MANTIDAS as responsabilidades tributárias ora combatidas dos Srs. CINEAS FEIJÓ VALENTE e CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN, não Fl. 3940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 77 obstante AFASTADAS as imputadas aos Srs. MARCO ANTONIO VALENTE e RICARDO GONÇALVES VALENTE. Dos Vícios Materiais do Lançamento Tributário No que toca a este tópico, os responsáveis tributários produziram idênticas alegações, relatadas para o contribuinte CORPUS, partes integrantes da sua peça recursal, relacionadas à existência de vícios materiais que a Fiscalização teria cometido nos lançamentos combatidos e que foram mantidos pela decisão recorrida. Nessa toada, tais vícios também maculariam a responsabilização reflexa aos sócios-administradores. Desse modo, considerando que essas argumentações foram minuciosamente apreciadas neste voto, em prol de evitar repetições desnecessárias e estima a concisão, reporto- me neste ponto aos fundamentos utilizados por este Relator quando do exame das razões de defesa oferecidas pela Recorrente CORPUS SANEAMENTO E OBRAS LTDA, os quais adoto integralmente, como se aqui estivessem transcritos, para aplicar a tudo o quanto suscitado pelos responsáveis solidários. Dos Lançamentos Reflexos de CSLL Quanto ao Auto de Infração de CSLL, decorrente das mesmas matérias fáticas descritas no Auto de Infração do IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado, mutatis mutandis, o que foi decidido para o Auto de Infração principal, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Do Pedido de Sustentação Oral A CORPUS ao final da peça recursal protestou pela sustentação oral de suas razões de recurso quando do oportuno julgamento por esse E. Conselho administrativo. Saliento que o Recurso Voluntário não é meio apropriado para requerimento de sustentação oral e a intimação acerca da inclusão do processo em pauta de julgamento deve respeitar o Regimento Interno do CARF. As pautas de julgamento dos recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação de dia, hora e local para acompanhamento de cada sessão de julgamento, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o mandatário da Contribuinte, querendo, realizar sustentação oral na sessão de julgamento, conforme o RICARF e portarias que regulamentaram o requerimento da realização de Sustentação Oral. Fl. 3941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.038 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.726918/2017-51 78 Pelo exposto, esta pretensão não poderá ser atendida, porquanto sem amparo legal. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, oriento meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares de nulidade e ilegitimidade passiva e, no mérito, rejeitar as prejudiciais de decadência e manter integralmente todos os créditos tributários integrantes da lide, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive a redução do percentual da multa de ofício qualificada imputada de 150% para 100%, em decorrência da aplicação obrigatória da retroatividade benigna, em estrito respeito à modificação inserida no inciso VI, do §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, bem como AFASTAR as responsabilidades solidárias dos Srs. MARCO ANTONIO VALENTE e RICARDO GONÇALVES VALENTE e MANTER as responsabilidades solidárias dos Srs. CINEAS FEIJÓ VALENTE e CRISTINA MARIA VALENTE ATCHABAHIAN. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho Fl. 3942DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
