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Numero do processo: 11060.900737/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.546
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 37 /2 01 3- 69 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 4 3 · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.026. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 5 4 Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.403, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 6 5 Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 7 6 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 8 7 PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 9 8 As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11060.900737/201369 Acórdão n.º 3301004.546 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 361DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720095/2015-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem afastar as preliminares de nulidade, i) por deficiência de fundamentação; ii) desrespeito ao regime de apuração de tributos e, iii) ausência de MPF específico para CSLL, PIS e COFINS; no mérito, converter o julgamento em diligência
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem afastar as preliminares de nulidade, i) por deficiência de fundamentação; ii) desrespeito ao regime de apuração de tributos e, iii) ausência de MPF específico para CSLL, PIS e COFINS; no mérito, converter o julgamento em diligência (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .7 20 09 5/ 20 15 -1 7 Fl. 16784DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.785 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 15.199 a 16.773), interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls. 15.158 a 15.194) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela Contribuinte (fls. 928 a 990), acolhendo parte da Impugnação apresentada (fls. 997 a 1.031). O processo versa sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao anocalendário de 2010, acompanhadas de multa agravada (112,5%), lavrada em face da Contribuinte, COOPERFLY COOPERATIVA DE USUÁRIOS DE AERONAVE EM REGIME DE PROPRIEDADE COMPARTILHADA. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à constatação de omissão de receitas, com base em verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, invocando o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Os valores das movimentações financeiras da Contribuintes nas suas contas correntes foram devidamente listados e individualizados em 3 (três) planilhas que instruem as Autuações (fls. 957 a 981): Por entender que a ora Recorrente falhou em entregar a documentação solicitada, mesmo sendo reiteradamente intimada, a multa de ofício foi agravada ao patamar de 112,5%. Por resumir muito bem os fatos da presente contenda, apresentandose excepcionalmente minucioso, adotase doravante parte do relatório expendido pela DRJ a quo: Fl. 16785DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.786 3 A interessada apresentase como uma sociedade cooperativa. Tem por objeto social a aquisição, arrendamento ou uso de aeronaves próprias ou de terceiros e a prestação de serviços a seus associados, afim de que possam executar o programa de atividades a que se propõe (fl. 12). O programa de atividades contempla, fundamentalmente, a manutenção de aeronaves, bem como a estrutura necessária (hangares, serviços administrativos e de manutenção), para uso de seus associados, familiares ou convidados (fl. 13). Os associados poderiam ser pessoas físicas ou jurídicas que se inscrevessem mediante a assinatura de contrato de adesão, subscrevendo quotaspartes do capital social da cooperativa (fl. 14). A responsabilidade de cada associado estaria vinculada à operação de aquisição respectiva e à manutenção das aeronaves em relação às quais o associado inscreveu se (fl. 16). O “Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal” esmiúça as responsabilidades financeiras dos associados. Confirase (fl. 988): “Para aderir ao Programa de propriedade Compartilhada de Aeronaves, o cooperado pagava à Cooperativa uma Taxa de adesão, calculada com base no custo da Aeronave Seccional, incluindo impostos, taxas e custos relativos à sua compra/arrendamento e importação, conforme o caso, e quaisquer outros custos necessários à colocação da aeronave em plenas condições de operação. Além desta taxa, o cooperado pagava à cooperativa uma Taxa Variável representativa dos custos incorridos pelo cooperado pela utilização da aeronave, ou seja, combustíveis, lubrificantes, tarifas aeroportuárias, custo de oficina, previsão para manutenção, etc. Alega, também, que as taxas pagas pelos seus cooperados não eram suscetíveis de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, tendo em vista que não representavam lucro nem receita para a cooperativa, sendo mera recomposição pelas despesas inerentes aos atos cooperativos que praticava.” Esse o cenário negocial no qual a interessada se insere. No período sob fiscalização, que diz respeito ao anocalendário 2010, foram identificados diversos depósitos bancários de origem não comprovada. Essa constatação deu azo à presunção de omissão de receitas nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, equivalente ao artigo 287 (fl. 929) do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A contribuinte, logo ao início dos trabalhos de fiscalização, informou que as contas bancárias da interessada haviam sido bloqueadas judicialmente em função de ações trabalhistas levadas a efeito em face de Marcos Audi, um de seus cooperados. Diante disso, a cooperativa transferiu valores, via contrato de mútuo, para Magali Ferreira Claro (Magali). O valor inicial transferido foi de R$ 11.400.000,00. Mais adiante o valor foi aumentado para R$ 23.000.000,00. Magali movimentou os valores consoante determinações da interessada. Magali confirma que os valores movimentados através da conta bancária nº 2389566, mantida na agência 576 do Banco Itaú, dizem respeito aos negócios da interessada (fl. 986). Fl. 16786DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.787 4 A fiscalização requereu à cooperativa autorização para acessar os dados bancários da interessada. Isso se deu através das diversas intimações relatadas à folha 985 dos autos. Em 29 de junho de 2015, a interessada foi intimada a apresentar informações a respeito da origem de diversos débitos e créditos verificados em conta bancária mantida perante o Banco Santander (agência nº 112, conta nº 130045085). Tais informações deveriam estar devidamente alicerçadas em documentos. Esse o teor do “Termo de Constatação e Reintimação nº 8” (fls. 78 a 83). Em 18 de agosto de 2015, a fiscalização efetuou nova intimação em torno dos débitos e créditos identificados na conta bancária mantida perante o Banco Santander. Confirase trecho da referida intimação (fl. 86): “Com recebimento da movimentação financeira do Banco Santander, elaborouse planilha com débitos e créditos no período de 2010, anexada ao Termo de Constatação e Reintimação n.008 de 29/06/2015,0001 ciência em 02/07/2015, para que a empresa apresentasse informações e respectiva documentação da origem dos valores assinalados com X (coluna INFORMAÇÃO e DOCUMENTOS CORRESPONDENTES). Até o momento, a empresa deixou de atender ao Termo de Constatação e Reintimação n.008.” “ Atender ao Termo de Constatação ciência em 02/07/2015 com informações e créditos e débitos assinalados com X em e Reintimação n.008 de 29/06/2015 com documentação correspondente a origem dos planilha anexa ao mesmo.” Na mesma oportunidade, foi solicitada a apresentação de documentação que permitisse o acesso aos dados bancários atinentes às contas mantidas pela interessada perante o Banco Itaú. Confirase (fl. 985): “Em 14/08/2015 esta auditoria entrou em contato via telefone 11 30829398 e devido a ausência da Sra. Dra Andrea de Moraes Chieregatto falou com o Sr. Dr. Rubens, sendo que o mesmo se comprometeu a apresentar documento para abertura de sigilo bancário do Banco Itaú Unibanco S.A.. Portanto, a empresa deverá apresentar em 05 (cinco) dias corridos os seguintes documentos: Documento válido para abertura de sigilo bancário do Banco Itaú Unibanco.” Em 1º de setembro de 2015, a contribuinte foi instada a se manifestar quanto à origem de créditos depositados na conta bancária mantida perante o Banco Santander (agência nº 112, conta nº 130045085), bem como na conta bancária nº 2389566, mantida na agência 576 do Banco Itaú, operada por intermédio de Magali (fls. 101 a 121). Obtidos os documentos referentes às contas mantidas pela interessada perante o Banco Itaú, a fiscalização a intimou a apresentar Fl. 16787DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.788 5 informações e documentos que dessem suporte à origem de parte dos créditos e débitos então identificados (fls. 858 a 891). Isso ocorreu em 2 de outubro de 2015, tendo por foco a conta nº 353102, mantida perante a agência 1024. No curso da fiscalização, foram efetuadas diversas intimações com foco na obtenção dos dados bancários atinentes às contas mantidas pela interessada perante o Banco Itaú, seja de forma direta, seja por intermédio de Magali, consoante antes referido (fls. 985 e 986). As sucessivas intimações também tiveram por foco identificar a origem, devidamente comprovada, dos depósitos. Quanto ao alegado contrato de mútuo firmado entre a interessada e Magali, a autoridade lançadora aponta a natureza da prova oferecida pela contribuinte (fl. 988): “A empresa Cooperfly apresenta como documentação de suporte para os depósitos efetuados, apenas correspondências da própria empresa ao Banco Itaú com solicitação de transferência entre contas, debitando de sua conta e creditando na conta da Sra Magali. Portanto, diversos valores creditados em conta corrente da Sra Magali Ferreira Claro que foram identificados na conta Caixa MFC e cujo históricos não correspondiam aos depósitos efetuados pela própria empresa Cooperfly, ou seja, eram valores que foram depositados diretamente nesta conta sem antes passar pela conta da empresa, não tiveram sua origem comprovada com documentação hábil e idônea. Portanto, a empresa deixou de apresentar documentos de suporte que justificassem a origem de vários créditos na conta corrente da Sra Magali Ferreira Claro.” No que diz respeito à conta mantida no Banco Santander (agência nº 112, conta nº 130045085), bem como à conta nº 353102, mantida na agência 1024 do Banco Itaú, a fiscalização indicou que as justificativas não restaram alicerçadas em documentos e que, quando existentes documentos, esses não correspondiam aos lançamentos em datas e valores. Confirase trecho do trabalho fiscal (fls. 988 e 989): “Para a ocorrência de débitos em suas contas correntes, a empresa justifica como sendo pagamentos de despesas incorridas pela cooperativa, apresentando algumas Notas fiscais de serviço de Transporte de empresas como EPAI, Global Taxi Aéreo, Helibarra Taxi aéreo, Helirio Taxi Aéreo, Helicidade, Notas fiscais de serviços de manutenção como Lumber manutenção Aeronaves, Tarmar Combustível, Notas de débito, entre outras. Estes documentos fiscais apresentados, não acobertam valores que a empresa alega terem sido recebidos a título de reembolsos, taxas de gestão e taxas variáveis de seus cooperados ou seja, não correspondem em datas e valores aos depósitos efetuados. Apresenta relação de cooperados, José Claudio M.Barboza Jr., Moisés Candi e Support Cargo Ltda e cita alguns valores pagos a título de Taxas de Adesão, apresentando, como documento de suporte, apenas dois contratos de compra de quotas de adesão pelo Sr. Moisés Candi, CPF 035.186.53814 e Sr.José Claudio Marques Barboza Jr, CPF Fl. 16788DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.789 6 071.206.50750, cujos valores e datas não correspondem aos valores depositados em conta corrente. Alega ter contratado uma empresa de factoring chamada Tolowa Serviços de Fomento Mercantil Ltda que assumiu a movimentação financeira, transferindo montantes para a conta da mesma para cobrir despesas automáticas e saldos negativos. Faz menção à DOC 29, mas deixa de anexar tal documento de origem destes depósitos. Apresenta diversos contratos de câmbio de venda da moeda estrangeira para pagamento de diversas despesas no exterior. Os contratos que vieram acompanhados de documentação de seguros, leasing, manutenção de aeronaves foram extraídos desta planilha. Apresenta planilha com valores de contrato de câmbio e cita DOC 78 que não consta nos documentos apresentados. Apresenta diversos contratos firmados entre Cooperativa Cooperfly e cooperados com recompra de cotas do Programa de compartilhamento referentes a diversos lançamentos a débito em conta corrente, ou seja, devolução de valores já recebidos anteriormente pelo referido Programa que prevê Justifica os créditos em conta corrente nos montantes de R$817.461,50, R$ 809.281,50, R$ 1.146.464,00, R$ 1.443.926,50 e R$ 1.375.457,20 como sendo recebimento de valores pela venda de 04 (quatro) aeronaves à empresa Investment Associates Brasil S/C Ltda IAL. Apresenta documentos para fiscalização da empresa Investment, cujos valores não correspondem aos valores creditados em conta corrente. Justifica diversos valores como sendo taxas de gestão, ou reembolso mas não consegue apresentar documentação hábil e idônea da origem destas alegações. Portanto, a empresa apresenta diversas justificativas, mas não apresenta documentos comprobatórios às alegações efetuadas. Quando apresenta documentos, os mesmos, não possuem valores ou datas que correspondam aos créditos efetuados em conta corrente.” Diante desse cenário, a autoridade lançadora lavrou auto de infração com a finalidade de exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis). Esses tributos incidiram sobre a omissão de receitas identificada através dos depósitos bancários em relação aos quais a interessada foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, não tendo logrado êxito nessa tarefa. Adicionalmente, houve a exigência de multa ordinária (75%) agravada (aumentada de metade), uma vez que a colheita de esclarecimentos e documentos levada a efeito pela autoridade lançadora restou dificultada pelo não atendimento das intimações nos prazos marcados, demandando diversas reintimações, consoante já relatado. Assim, a multa de ofício aplicada foi de 112,5%. Fl. 16789DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.790 7 Os depósitos não justificados restaram identificados em três planilhas, a seguir indicadas: O lançamento foi cientificado à interessada em 26 de novembro de 2015 (fl. 993). Em 28 de dezembro de 2015, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fl. 997). Inicialmente alegou a tempestividade da reclamação. Após, reprisou os fatos, dando destaque para a sua condição de estar em processo de liquidação. Confirase (fl. 999): “8. É importante mencionar que, apesar de se encontrar em processo de liquidação (e, pois, sem funcionários para levantamento e organização de documentos), e apesar de a fiscalização se reportar ao ano de 2010, a IMPUGNANTE apresentou, nos prazos nem sempre razoáveis conferidos pela fiscalização, inúmeros documentos que comprovavam a origem dos créditos e débitos relativos às referidas contas correntes.” A impugnante entende que a acusação a ela imputada foi genérica, uma vez que a autoridade lançadora apenas indicou a apresentação de documentos divergentes em datas e valores quando cotejados com os lançamentos nos extratos bancários. Diante disso, argui a nulidade do lançamento nos seguintes termos (fl. 999): “12. Sucede, entretanto, que os autos de infração são absolutamente nulos, tendo em vista que o agente fiscal (i) formulou de forma deficiente a acusação, cerceando o direito de defesa da IMPUGNANTE; (ii) desrespeitou o regime de apuração dos tributos lançados; e (iii) exigiu créditos de CSLL, PIS e COFINS sem respaldo em Mandado de Procedimento Fiscal.” Adicionalmente, levanta a questão da decadência relativamente à Cofins e ao Pis, bem como, no mérito, defende a comprovação dos depósitos bancários. Verifiquese (fl. 999): “13. Ainda que fossem superadas essas intransponíveis nulidades, o que se admite apenas para fins de argumentação, a exigência fiscal deve ser cancelada (i) por uma questão preliminar de decadência que extingue os créditos de PIS e COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 26 de novembro de 2010; e (ii) por uma questão de mérito decorrente da inequívoca existência de origem dos depósitos bancários, bem como do fato de os mesmos não serem receitas tributáveis pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.” Após a impugnante passa a detalhar seus pontos de discordância. Fl. 16790DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.791 8 Reclama da falta de indicação dos motivos que levaram a autoridade lançadora a rejeitar os elementos apresentados. O lançamento seria nulo em razão dessa falta. Caberia à fiscalização apontar de forma individualizada as razões da rejeição. Ao não proceder dessa forma, deu azo ao cerceamento do direito de defesa, inviabilizando o contraditório. Escudouse nos termos do artigo 5º, LV, da Constituição Federal. Referiu doutrina a respeito, bem como decisões emanadas do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Aponta que os atos cooperativos, aqueles levados a efeito entre a cooperativa e os seus associados, não tem caráter mercantil. Dessa forma, tais operações não redundam em lucro. Por tal motivo, não podem as referidas operações ser tributadas por via do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do Pis. O trabalho fiscal teria desconsiderado a existência da cooperativa. Protesta, também, contra a falta de consideração das despesas incorridas pela contribuinte para a obtenção das alegadas receitas. Isso com impacto em relação ao IRPJ e à CSLL. Seria um absurdo presumir que “uma sociedade não tenha incorrido em qualquer despesa para a geração de receitas” (fl. 1.004). No que tange à sistemática de apuração dos tributos, reclama de ofensa aos artigos 248, 250, 277, 289, 290, 291 e 299 seguintes do RIR/99, isso relativamente ao IRPJ e à CSLL. No que diz respeito à Cofins e ao Pis, protesta pela consideração de créditos inerentes à sistemática da não cumulatividade. Diante desses elementos, requer a declaração da nulidade do lançamento. Ainda demanda a nulidade por mais um motivo: a extrapolação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Todas as ordens teriam limitado a fiscalização ao IRPJ. Assim, não seria válido o lançamento em relação à CSLL, à Cofins e ao Pis. Tal comportamento estaria em desacordo com o artigo 5º da Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014. Apresenta julgado do Carf a respeito. Considera ter sido ofendido o princípio da segurança jurídica e da não surpresa, ainda mais quando considerados os distintos regimes de tributação dos tributos. No que diz respeito à decadência, requer o cancelamento das exigências da Cofins e do Pis lançadas em relação aos meses de janeiro a outubro de 2010. As exigências se submetem ao prazo fixado no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que sujeitas ao lançamento por homologação. Assim, o prazo de cinco anos para lançar deve ser contado a partir do fato gerador, verificado, no caso dessas exigência, a partir do final de cada mês. Como o lançamento foi cientificado em 26 de novembro 2015, as exigências relativas aos meses de janeiro a outubro de 2010 já estariam decaídas. Fl. 16791DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.792 9 No mérito, a contribuinte reclama da acusação, que seria improcedente. Aduz que todos os créditos objeto da autuação possuem origem, foram devidamente contabilizados e estão relacionados à sua atividade. Passa a tratar, então, das três planilhas em que apontados os créditos. Quanto à planilha I, a impugnante informa que tentou entregar os documentos e informações que comprovavam a origem e a regularidade dos créditos. Segundo alega, a autoridade administrativa teria recusado o recebimento dos referidos elementos. Confirase (fl. 1.009): “72. Importa inicialmente esclarecer que a IMPUGNANTE, no dia 10 de novembro, diligenciou à Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo para entregar as informações e documentos solicitados nos Termos de Intimação e Reintimação Fiscal nºs 15,16 e 17. 73. Nesta ocasião, contudo, o agente fiscal que conduziu a fiscalização se recusou a aceitar tais documentos sob a alegação de que já teria encerrado a ação fiscal e lavrado os autos de infração.” Após, a contribuinte discorre sobre as atividades que efetua. Destaca o recebimento de taxas de adesão dos cooperados (quando do ingresso no quadro associativo), bem como taxas fixas decorrentes de gastos comuns aos associados (hangaragem, seguro, tripulação, despesas com pessoal etc) e taxas variáveis decorrentes de gastos específicos atinentes aos vôos realizados (combustíveis, lubrificantes, tarifas aeroportuárias etc). Informa que o recebimento desses valores “se operava por intermédio da emissão de notas de débito” (fl. 1.011). Quanto às taxas fixas e variáveis, o impugnante apresenta planilha que contempla relação de recebimento de taxas fixas e variáveis, bem como taxas de adesão e vôos “demo” (fls. 1.147 a 1.174). Essa relação abrange o período de 4 de janeiro de 2010 até 30 de dezembro de 2010. A contribuinte apresenta, também, notas de débitos que “respaldam os créditos feitos em sua conta corrente” (fl. 1.011). Esses documentos constam das folhas 1.271 a 1.319, muitas vezes acompanhados de outros documentos, como contratos, cheques e outros documentos bancários. Defende, dessa forma, que os créditos alcançados pelo trabalho fiscal possuem origem legítima. Não bastasse isso, a impugnante alega que as operações acima referidas configuram atos cooperativos, que não implicam operações de mercado, nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Dessa forma, as operações em tela não poderiam ser objeto de tributação pelo IRPJ, pela CSLL, pela Cofins e pelo Pis. Confirase a redação do artigo 79 antes referido: (...) Após, a contribuinte apresenta jurisprudência que trata de atos cooperativos e seus efeitos tributários. Fl. 16792DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.793 10 Alternativamente, a impugnante reclama da inobservância do princípio contábil da competência, uma vez que taxas recebidas em 2010 diriam respeito ao anocalendário anterior (2009). Para comprovar a alegação, a impugnante apresenta notas de débito que seriam relativas aos depósitos injustificados (fls. 1.324 a 2.644 – 1.321 notas de débito). Todos esses documentos contemplam, em sua discriminação, a informação “Despesas referente à 01/2010 conforme contrato” ou de meses posteriores, a exceção de 8 notas de débito constantes das folhas 1.367 a 1.369, 1.391, 1.493, 1.507, 1.619, 1.620, que indicam referência ao mês “12/2009”. Como o regime de reconhecimento das receitas é o da competência, e não o de caixa, a exigência seria inválida relativamente às receitas auferidas no anocalendário 2009 e recebida financeiramente no anocalendário 2010. Esse raciocínio vale para o IRPJ, a CSLL, a Cofins e o Pis. No que diz respeito aos juros recebidos em função do atraso no pagamento das taxas devidas pelos cooperados à cooperativa, valores que constam da planilha das folhas 1.147 a 1.174, a impugnante clama pelo afastamento da tributação dos valores, uma vez que teriam natureza jurídica de acessório ao principal (taxas). Dessa forma, como as taxas não configuram receita, pois não implicam em operação de mercado, os juros também não poderiam ser tributados. Quanto às taxas de adesão, que estariam apontadas na mesma planilha referida no parágrafo anterior, a contribuinte alega apresentar os contratos (fls. 2.645 a 2.710) que deram ensejo ao recebimento das referidas taxas. Assim, haveria a comprovação da origem dos recursos. São pouco mais do que vinte contratos que contemplam o recebimento de aeronaves ou dinheiro em sinal e o pagamento parcelado do valor restante das quotasparte alienadas. Existem contratos firmados em 2008, 2009 e 2010. Tais valores, na ótica da impugnante, não poderiam ser tributados, porquanto configuram investimento de um terceiro (cooperado). A contribuinte busca respaldar parte dos depósitos no reembolso de despesas incorridas com vôos de demonstração. Explica que tais vôos são efetuados por pretendentes a cooperados e por cooperados. Na primeira hipótese, com a finalidade de conhecer as aeronaves disponíveis no programa. Na segunda, para fins de eventual migração de uma aeronave para outra no âmbito do programa. Tais operações estariam retratadas em notas de débito elencadas na planilha das folhas 1.147 a 1.174, sob discriminação “vôo demo”. Defende que reembolsos de despesas não seriam receitas. Refere o Pronunciamento nº 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), bem como doutrina, com a finalidade de conceituar receita como acréscimo patrimonial. Apresenta, também, jurisprudência administrativa em seu favor. Solicita, por fim, o cancelamento da exigência fiscal “sobre os valores recebidos na conta corrente nº 353102, da agência 1024, do Banco Itaú a título de reembolso de despesas por vôos de demonstração, destacados na planilha” (fl. 1.020). Indica, ainda, que o depósito realizado no dia 7 de maio de 2010 no valor de R$ 800,00 diz respeito à alienação de uma impressora. Fl. 16793DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.794 11 Informa que o referido valor é inferior ao valor contábil do bem, motivo pelo qual não teria cabimento a exigência do IRPJ e da CSLL. Também não seriam exigíveis a Cofins e o Pis, tendo em vista que a operação seria a alienação de um ativo imobilizado, nos termos do artigo 1º, § 3º, “II”, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do artigo 1º, § 3º, “IV” da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, respectivamente. Reclama, também, da tributação de depósito no montante de R$ 2.429.010,00, recebido em 13 de maio de 2010. Tal valor diria respeito a indenização securitária recebida em função do “sinistro nº 213.330, ocorrido com a aeronave de prefixo PPMAW” (fl. 1.020). O contrato de seguro que deu ensejo à indenização alegada teria sido entabulado junto à Bradesco Seguros. Em 10 de janeiro de 2010, a aeronave antes referida teria sofrido diversos danos, consoante vistoria do Cenipa (fls. 1.175 a 1.177). Junta recibo da indenização, firmado pela impugnante (fl. 1.179), bem como contrato de câmbio no valor da indenização (fls. 1.180 a 1.184), retratando transferência financeira para o exterior operada pelo Banco Itaú Unibanco S/A., em benefício de Cooperfly LLC, sociedade sediada nos Estados Unidos da América. Como o valor diz respeito a uma indenização, uma recomposição patrimonial, estaria justificado o depósito e não seria cabível a incidência dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, Cofins e Pis). Aponta, ainda, que o valor de R$ 2.038,75, recebido no dia 14 de junho de 2010, diria respeito a reembolso de valor pago em duplicidade à empresa Arcon Auto Comércio e Serviços Automotivos Ltda., relativo à nota fiscal nº 1027. Requer, nesses termos, o cancelamento da exigência relativamente a esse valor. Passa a tratar, então, dos depósitos efetuados na conta corrente nº 130045085, mantida na agência nº 112 junto ao Banco Santander, objeto da planilha II. A contribuinte inicia por refutar a acusação fiscal de que os documentos oferecidos no curso da fiscalização não seriam adequados para a comprovação da origem dos valores. Defende que o valor de R$ 2.037,63, lançado no dia 5 de julho de 2010 não seria um crédito, mas um débito, uma saída financeira. Esse erro grosseiro inviabilizaria a exigência fiscal. Trata, mais adiante, dos seguintes créditos em conta corrente: Fl. 16794DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.795 12 Defende que esses valores dizem respeito à alienação de quatro helicópteros, sendo dois Colibri EC 120 (prefixos PPWAB e PP WAC), um Esquilo AS350B3 (prefixo PPMAW) e um France 4C AS 350B3 (prefixo PPWAA). Refere contrato e aditivos que formalizaram a venda das aeronaves, mas deixa de identificar o contrato dentre os documentos juntados à impugnação (deixa em branco a referência – fl 1.024). Compulsando os autos posteriormente à impugnação, não identifiquei contrato que tratasse da alienação em questão. A impugnante faz referência à apresentação do referido contrato no curso dos trabalhos de fiscalização. Identifiquei o contrato às folhas 782 a 785. Na oportunidade, a contribuinte apresentou, também, documentos que comprovariam os pagamentos efetuados pela pretensa adquirente das aeronaves. Confiramse datas e valores: Os documentos em tela são solicitações de emissão de Transferência Eletrônica Disponível (TED) por parte do comprador, frente ao Itaú – Unibanco S/A, em favor da impugnante. Paralelamente, são apresentados documentos bancários que indicam o crédito em conta corrente bancária do comprador de valores próximos àqueles que teriam sido transferidos por via de TED (Fls. 787, 789, 791, 793 e 795). A impugnante informa que apresentou, durante os trabalhos de fiscalização, as notas fiscais por meio das quais documentou a alienação das aeronaves. Segundo aponta, as notas fiscais teriam sido emitidas em 2009. Não indica, entretanto, a localização das referidas notas fiscais nos autos. Compulsando os autos, localizeias às folhas 1.195 a 1.198. Identifiquei, também, correspondências emitidas pela impugnante à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) dando conta da transferência das aeronaves. A contribuinte ainda aduz que o registro contábil da alienação foi realizado no anocalendário 2009. Faz referência à juntada dos registros contábeis, mas não indica os documentos dentre aqueles juntados à impugnação (deixa em branco a referência – fl 1.024). Localizei tais registros às folhas 1.206, 1.209, 1.211 e 1.213/5. Defende que apurou perda contábil na alienação em questão. Inviável, assim, a tributação por via do IRPJ e da CSLL. Requer o cancelamento do lançamento relativamente à alienação das aeronaves, pois considera comprovada a operação. Alega, também, Fl. 16795DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.796 13 que as receitas em questão não são tributáveis por via da Cofins e do Pis, nos termos do artigo 1º, § 3º, “II”, da Lei nº 10.833, de 2003 e do artigo 1º, § 3º, “VI” da Lei nº 10.637, de 2002, respectivamente. Mais adiante, a impugnante busca justificar 15 lançamentos a crédito na conta corrente objeto da planilha II. Informa ter firmado contrato com Tolowa Serviços de Fomento Mercantil Ltda. (Tolowa) para que a contratada assumisse a gestão financeira da impugnante (fls. 1.217 a 1.222), tendo em vista bloqueio judicial das contas bancárias da contribuinte antes noticiado. Magali é sócia de Tolowa. Cabia a Tolowa o pagamento, o recebimento e o acompanhamento das contas a pagar e a receber da impugnante, dentre outras atividades (fl. 1.218). Nesse trabalho, Tolowa abriria conta bancária específica e registraria as atividades em conta gráfica, extra contábil, com toda a movimentação realizada (fl. 1.219). Sobras poderiam ser repassadas à contribuinte (item 3.2.2 à fl. 1.219). Essa a motivação dos 15 créditos contestados pela fiscalização. A impugnante entende que os créditos, elencados à folha 1.185, estão, dessa forma, comprovados. Requer o cancelamento da exigência relativamente aos valores apontados no documento da folha 1.185. A contribuinte contesta, também, a tributação efetivada em função dos créditos abaixo relacionados: Alega que esses valores dizem respeito à redução do capital da sua subsidiária integral Cooperfly LLC, sediada nos Estados Unidos da América. Apresenta, como prova, ata de reunião da diretoria executiva da impugnante, ocorrida em 8 de novembro de 2010, na qual foi deliberada a redução de capital da investida em 9 milhões de dólares (fl. 1.224), bem como contratos de câmbio através dos quais a impugnante alienou dólares transferidos do exterior, pagos por Cooperfly LLC. Confirase datas e valores: Por fim, quanto à planilha II, o crédito realizado no dia 8 de abril de 2010 no valor de R$ 10.076,66 diria respeito a taxa variável paga pelo cooperado Santander Investimentos. Apresenta, como prova, a nota de débito da folha 1.244. Passa a tratar, então, da planilha III. Informa, inicialmente, que a conta corrente nº 2389566, mantida por Magali Ferreira Claro na agência nº 576 do Banco Itaú S/A, foi Fl. 16796DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.797 14 utilizada pela impugnante até junho de 2010. Ao contrário do que teria sido dito pela autoridade lançadora, os créditos teriam sido adequadamente demonstrados quanto à origem dos valores. Assim, a exigência seria infundada. A prova teria sido apresentada no curso da fiscalização, mas a contribuinte se propõe a “novamente demonstrar a origem destes créditos” (fl. 1.027). Aponta, então, que alguns valores considerados pela autoridade lançadora são débitos e não créditos. Repriso datas e valores: A seguir, a impugnante elenca as taxas pagas pelos seus cooperados na planilha das folhas 1.246 a 1.249. Refere que essas taxas encontram respaldo probatório em notas de débito juntadas aos autos em meio a outros documentos (fls. 1.271 a 3.584). Refere, também, a existência de vôos de demonstração que restaram reembolsados à cooperativa. Notas de débito também dariam sustentação a tais lançamentos (fls. 1.271 a 3.584). Reembolsos não configurariam receitas. Cita, por fim, um crédito da impugnante “que estava em favor da IAL” e que “foi transferido para a conta da Sra. Magali para o pagamento das obrigações” (fl. 1.029). O valor do crédito seria de R$ 533.200,00. Alternativamente ao reconhecimento da comprovação da origem dos créditos, a impugnante propõe duas questões: (a) a possibilidade da dedução de despesas na apuração da Cofins e do Pis e (b) a improcedência da multa qualificada. Quanto à primeira, alega que deveriam ter sido deduzidos da base de cálculo da Cofins e do Pis todos os custos e despesas incorridos no período, insumos necessários (fls. 3.585 a 15.112). Quanto à segunda, evoca a súmula nº 25 do Carf, que repriso: (...) Alega que não houve a comprovação do dolo, da fraude ou da simulação. Ao final, pede o cancelamento da exigência ou, subsidiariamente, a dedução de despesas na apuração da Cofins e do Pis e a improcedência da multa qualificada. Solicita, ainda, a possibilidade da juntada de novas provas no curso do processo com a finalidade de esclarecer os fatos. Fl. 16797DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.798 15 Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente o lançamento, excluindo apenas o montante considerado relativo a valores que circularam a débito nas contas correntes analisadas. Confira se a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em contas bancários cuja origem não seja comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante de tal revés, a Contribuinte apresentou Recursos Voluntário (fls. 15.199 a 16.773), em suma, reiterando suas alegações de defesa já trazidas nos autos, bem como apontando especificamente as razões de reforma do v. Acórdão recorrido. Diante da exclusão de crédito tributário e a consequente redução proporcional da multa, foi interposto Recurso de Ofício pela DRJ a quo. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 16798DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.799 16 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário fora apresentado antes da intimação da Contribuinte do v. Acórdão, como consta dos autos (fls. 16.775 a 16.777). Contudo, considerando inclusive a previsão do disposto no § 4º do art. 218 do Código de Processo Civil de 2015, vigente à época do ato processual, não haveria em se falar de recurso prepóstero, devendo dele se conhecer e considerálo tempestivo. O Recurso de Ofício foi expressamente interposto no v. Acórdão recorrido e verificase sua conformidade com as hipóteses de cabimento trazidas na Portaria MF nº 63/20171. Recurso Voluntário Preliminarmente a Recorrente afirma padecer de nulidade o lançamento, por uma multiplicidade de argumentos, como deficiência de fundamentação, desrespeito ao regime de apuração dos tributos e ausência de MPF específico para algumas exigências. Primeiramente, em relação à suposta nulidade pela deficiência de fundamentação, afirma a Contribuinte que os Autos de Infração, ao deixarem de expor concretamente as razões pelas quais as informações e documentos apresentados não foram aceitos, acabaram por cercear o seu direito à ampla defesa e ao contraditório, sendo, assim, nulos de pleno direito. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 16799DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.800 17 Como já abordado no v. Acórdão recorrido, as rejeições de documentos como prova da origem das receitas colhidas e a sua natureza foram devidamente fundamentadas às fls. 988 e 989 do TVF, deixando claro a insuficiência da documentação probante trazida em relação às infrações combatidas. De fato, não houve a fundamentação individual de rejeição de tal documentação apresentada, contudo, tal fato não representa a nulidade das Autuações, vez que a satisfação probatória da Autoridade Fiscal é uma de suas prerrogativas, podendo e devendo investigar os fatos até que se convença da inexistência de infração. Assim, durante a Ação Fiscal foi solicitado e reiterado inúmeras vezes, por Termos de Intimação individuais, a apresentação de documentos hábeis para esclarecer os questionamentos da Autoridade Fiscal, textualmente especificando aquilo almejado. Ainda, devese frisar que o presente caso versa sobre infração de omissão de receitas, sendo expressamente aplicado ao caso o art. 42 da Lei nº .9430/96, instruído com planilhas que apontam clara e individualmente todos os créditos questionados. Desse modo, mesmo que no momento fiscalizatório determinada documentação tenha sido rejeitada como prova, a Recorrente teve todo o direito de apresentálos novamente, em sede de Impugnação, dentro de ambiente contencioso, efetivamente carreando aos autos provas que julga serem bastantes, sendo tal conjunto submetido à dupla análise jurisdicional administrativa. Posto isso, não se vislumbra a ocorrência de cerceamento de defesa ou violência ao contraditório. Tanto assim é que a Contribuinte trouxe longas defesas e acostou milhares de documentos aos autos, que foram devidamente submetidos à análise pela DRJ a quo. Diante disso, afastase tal alegação preliminar de nulidade do lançamento. Em relação ao desrespeito ao regime de apuração dos tributos, afirma a Recorrente que, por ser optante pelo Lucro Real, deveria a Fiscalização ter considerado as despesas incorridas no mesmo período ou previamente intimado a Empresa para apresentálas. Ainda afirma que deveria ter gozado de créditos de PIS e COFINS referentes a receitas incluídas na base de cálculo do lançamento desses tributos. Fl. 16800DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.801 18 Igualmente, não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Como já mencionado, a presente autuação é fundada na acusação de omissão de receitas, incluindo valendo a Fiscalização da presunção legal trazida no bojo da lei nº 9.430/96. Desse modo não existe qualquer obrigação ou mesmo margem legal para a Autoridade Fiscal incluir despesas do período diversas daquelas lançadas em registro e declaradas pela própria Contribuinte em sua DIPJ. Ainda, teve a Recorrente toda a oportunidade de fazer prova de que no período incorreu em despesas não consideras, não sendo necessária a sua intimação específica para tanto. Contudo, em seu recurso atémse a alegar genericamente que não poderia ter a fiscalização desprezado as despesas incorridas no mesmo anocalendário. Em relação à eventual consideração de créditos de PIS e COFINS, é claro que se desconhecida a origem das receitas omitidas, não havendo a prova e a demonstração específica e individual de que tais valores referemse a receitas capazes de dar margem a tal creditamento, não é certo o direito do Contribuinte à tais valores redutores de seu saldo de tributos devidos e nem possível seu computo imediato nos cálculos da Autuação. A mera alegação genérica de que deveria a Fiscalização ter considerado tais supostos créditos não é eficaz. Desse modo, afastase tais alegações preliminares de nulidade do lançamento. Ainda, alega a Recorrente a ausência de MPF específico para CSLL, PIS e COFINS, sendo aquele expediente administrativo expedido apenas para a fiscalização do IRPJ, não havendo qualquer aditamento quando da suas prorrogações. Os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS são meros reflexos da infração de omissão de receitas, apurada na fiscalização do IRPJ. E não obstante, a jurisprudência de todas as C. Seções deste E. CARF é no sentido de não se operar a nulidade do lançamento na forma como alegado pela Contribuinte. Fl. 16801DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.802 19 Ilustrando, confirase trecho da ementa do Acórdão nº 1302001.960, proferido pela C. 2ª Turma da 3ª Câmara dessa 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, publicada em 29/08/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2008 CSLL, PIS E COFINS. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. Posto isso, afastase tal alegação preliminar de nulidade do lançamento. A Recorrente ainda pugna pela ocorrência parcial da decadência dos débitos contidos no lançamento de ofício. Entendese que os débitos de PIS e COFINS do período de janeiro a outubro de 2010, dentro da contagem do prazo quinquenal veiculado pelo art. 150, §4º do CTN, teriam sido alcançados pela caducidade, na medida em que as Autuações correspondentes foram apenas lavradas em 26 de novembro de 2015. Como bem explorado e cabalmente comprovado no v. Acórdão recorrido, restou certo que a Contribuinte não efetuou quaisquer recolhimentos de PIS e COFINS no período abarcado pela suposta ocorrência da decadência. Assim, como assentado na doutrina e jurisprudência judicial e administrativa não havendo qualquer adiantamento ou constituição unilateral prévia do tributo sujeito a lançamento por homologação devido no período, prevalece a incidência da regra do art. 173, inciso I, do CTN, que prevê o inicio da contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, qual seja, in casu: 1 de janeiro de 2011. Desse modo, afastase a alegação de decadência parcial dos débitos lançados. Fl. 16802DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.803 20 Finalmente adentrando o mérito da contenda, a Contribuinte inicialmente contesta os créditos referentes à Planilha I, elaborada e acostada pela Fiscalização(fls. 953 a 977), referente a conta corrente nº 353102, da Agência 1024, do Banco Itaú. Afirma que os valores lá constantes não representam receitas tributáveis e que possui conjunto probatório (já apresentado) que bastaria para tal demonstração, tratando individualmente de cada uma de suas origens. Em suma, explica e alega a Recorrente que cobra taxas fixas de seus cooperados, bem como taxas variáveis, as primeiras referentes ao rateio do custo basal das suas instalações e equipamentos e a segunda referente ao reembolso pelas despesas incorridas com vôos e outras atividades que os cooperados procederam. Também constaria lá valores referentes a juros no atraso de tais taxas, valores de adesão de cooperados no Programa de Propriedade Compartilhada de aeronaves, reembolso de despesas com a vôos demonstrativos para mero interessados em filiaremse, valor de venda de um bem de seu ativo permanente, indenização de seguros por perda de um de seus bens e reembolso de pagamento efetuado pela Cooperativa em duplicidade. Assim, não só estariam tais créditos fora do conceito de receita tributável, vez que tratam de reembolsos específicos, compartilhamento de despesas, indenizações e venda de ativo, como também estaria a Cooperativa desobrigada da emissão de notas fiscais, tratandose a maioria deles de típicos atos cooperativos. Somente em relação a esses débitos da Planilha I (existem mais duas planilhas listando os créditos questionados) a Contribuinte trouxe 5 Anexos listando os valores questionados e vinculandoos a Notas de Débitos também acostada. A Recorrente, em seu Recurso Voluntário, também reapresenta cópias de contratos, referentes a compra e a posterior venda de quotas de seu Programa de Propriedade Compartilhada, bem como seu do seu Livro Razão, ainda que não vinculados em planilha aos créditos questionados, suas datas e as Notas de Débito apresenta. Apenas os documentos reapresentados nesse seu segundo apelo somam mais de 1.500 folhas. Mas existem mais de 15.000 documentos instruindo sua defesa. Fl. 16803DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.804 21 Em relação à documentação apresentada em sede Recurso Voluntário, referente a Planilha I, cabe aqui comentar que a DRJ a quo rejeitou todas as Notas de Débito apresentadas, afirmando o Relator que entendo que se trata de um documento precário. As notas de débito são emitidas pela impugnante. Não há controle externo da referida emissão (numeração, tiragem, vias encaminhadas ao Fisco ou geração de informações encaminhadas ao Fisco etc), tal qual se verifica na emissão de notas fiscais. Pois bem, de fato, isoladamente, as Notas de Débitos tem valor extremamente relativo, visto que emitidas unilateralmente pela parte, com pouco valor fiscal se não nenhum. Contudo, a Contribuinte trouxe, em alguns casos, Notas de Débitos e Contratos referente aos mesmos créditos questionados. E, não obstante, também acosta cópia do Livro Razão onde estaria registrada tal movimentação, no seu devido valor, mencionando o cooperado aderente aos contratos e a Nota de Débito (que possui numeração, diferente daquilo afirmado pela Instância a quo). Posto isso, considerando tal conjunto probatório, de forma sistemática e coletiva, não pode ser, sumariamente, negada a plausibilidade da sua força probatória. Até e principalmente porque aqui tratase de uma cooperativa e, diferente de casos mais ordinários e corriqueiros de omissão de receitas (que envolvem companhias mercantis e industriais), é esperado e natural que a maioria ou boa parte do trânsito financeiro realmente envolva atos cooperados, rateio de despesas e reembolsos. E deve se ter em mente que o tratamento de receita tributável atribuído aos valores questionados pela Fiscalização devese em razão de presunção veiculada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 (cuja correção ou legalidade sequer se questiona), a qual é igualmente aplicada as companhias empresariais e industriais. Fato este que atribui maior sensibilidade à análise factual aqui envolvida. Frisese que em momento algum questionou a natureza de cooperativa da Recorrente ou lhe fora acusada a perpetração de fraude, simulação ou qualquer postura dolosa. Nesse sentido, a comparação que a DRJ promove das Notas de Débitos com Notas Fiscais (atribuindo valor probante apenas a esta segunda) acaba sendo questionável, pois Fl. 16804DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.805 22 realmente não há a obrigação da emissão dessa documentação em relação aos atos cooperados e restituições. Certamente é necessário o controle e registro de tal valores, mas, por sua vez, a Recorrente oferece seus registros e contratos como prova. Nesse ponto, a figura da Nota de Débito, combinada com outros documentos, não de reveste de meio equivocado ou absurdo. Ainda que, por um lado, a presunção de omissão de receitas deve ser elidida por meio de prova da Contribuinte, robusto, preciso e cabal, por outro lado não pode serlhe exigida prova diabólica, devendo ser considerada e ponderada a sua natureza, bem como a das suas atividades e operações típicas. Por fim, apenas frisese que no v. Acórdão não houve nenhuma ponderação da proximidade entre datas entre documentos e créditos, apenas mencionando que não haveria seu encontro. Como já defendido em outros votos, pequenas divergências entre datas, valores (principalmente justificadas, como faz a Recorrente), devem ser consideradas. Porém, como já mencionado, somente a documentação acostada novamente em sede de Recurso Voluntário monta em 1.500 folhas, com provas referentes apenas à Planilha I. Nas demais alegações meritórias do Contribuinte (em relação aos débitos listados nas Planilhas II e III elaboradas pelo Fisco) centenas de outros documentos são diretamente mencionados, além da remissão a outras partes do conjunto probatório apresentado, dentro dos demais 15.0000 documentos trazidos no autos, que encontrase caótico e desordenado, sem qualquer organização lógica. No próprio v. Acórdão da DRJ registrouse que constatase, no que tange às provas juntadas pela Contribuinte, a forma desorganizada como foram apresentadas. E acrescentase que o mais lógico, tendo em vista os termos da acusação, seria a apresentação de documentos em função de cada depósito. Mais adiante, enfrentando a documentação, reconhece que tal ocorrido permitiu apenas conhecimento parcial das provas, quando conclui que se observa de amostra que a documentação apresentada é precária e parcialmente dissonante em datas. Ao seu turno, a Recorrente atribui a desorganização à Repartição Pública que digitalizou tal vasta documentação física. Fl. 16805DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.806 23 Independentemente das afirmações mencionadas sobre a documentação, fato é que a matéria central aqui depende exclusivamente de validade probatória e a análise de sua procedência. Contudo, o imenso volume do conjunto probatório e a sua desorganização atrapalham a necessária e devida análise, bem como constatação de validade e procedência nesta oportunidade singular de julgamento. Desse modo, entende este Conselheiro ser adequado e prudente determinar que procedase a um arranjo lógico e racional de todos os documentos trazidos no feito, relacionandoos às alegações de defesa, e aproveitando a oportunidade para submetêlos ao crivo analítico e individualizado da Unidade Local. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que, após remetidos os autos à Unidade Local de fiscalização, primeiro, intimar o Contribuinte para que: 1) forneça o apontamento claro e racional das provas que arrimam o seu direito alegado, individualizandoas por cada crédito questionado pela Fiscalização, inclusive elaborando planilha com as seguintes informações, preenchidas das seguintes forma: PLANILHA "X" (referente às fls. 953 a 977 acostada pelo Fisco) Item/Linha "X" Documentos Folhas dos autos Justificativa Indicar se I, II ou III Indicar o item das Planilhas Indicar quais documentos acostados (Contrato, Notas de Débito, etc) Apontar a localização do documento nos autos (Ex.: Contrato "z" fls. "x") Relacionar o documento à alegação que se pretende provar (Ex.: Reembolso, Taxa, etc) 2) Após tal fornecimento de informações, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, a D. Unidade Local deve proceder ao seu processamento analítico, elaborando com clareza Relatório formal, justificando conclusivamente a manutenção ou o afastamento dos itens individuais das Planilhas I, II, III que instruem o lançamento de ofício, em face da documentação trazida nos autos, explicando os motivos de eventual rejeição das provas, inclusive apontando possíveis divergência entre datas e valores, quando aplicável. Fl. 16806DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201517 Resolução nº 1402000.564 S1C4T2 Fl. 16.807 24 Deverá, posteriormente, ser dada ciência à Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para uma nova manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 16807DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000206/2010-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se também omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BEM. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO.
O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago e o valor de alienação, o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos.
Numero da decisão: 2402-006.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Vitor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que encaminharam por converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse também omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BEM. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago e o valor de alienação, o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 06 /2 01 0- 80 Fl. 848DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Vitor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que encaminharam por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 15540.000206/201080 Acórdão n.º 2402006.077 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que entendeu por considerar procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 25.03.2010 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 961.377,55, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorreu da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais exercício 2007; e 2 Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada exercício 2007. Com relação à descrição dos fatos, valhome do resumido relatório do acórdão recorrido às fls. 785/786, eis que bem retrata o apurado: 001GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme declarado pelo próprio contribuinte em sua DIRPF EX/2007 e ratificado em sua resposta ao termo de intimação fiscal; Identificação do bem:Automóvel BMW modelo 323i ano 1999, placa CVA 1401 cujo valor de aquisição declarado por R$ 62.000,00, foi alienado por R$ 100.000,00 em 12/06/2006. (...) 002DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 850DF CARF MF 4 Ressaltese que, a fim de dirimir qualquer dúvida quanto ao real valor omitido pelo contribuinte, esta fiscalização efetuou vários expurgos nas planilhas anexas ao Termo de Constatação Fiscal. Após todos esses expurgos, ainda temos saldos mensais de origem não comprovada. Além desses expurgos, foram compensados na apuração anual (dedução anual da base de cálculo) os montantes justificados aceitos pela fiscalização, mas que os valores não puderam ser identificados analiticamente na data do depósito. Ou seja, valores de empréstimos (R$ 570.000,00) e dinheiro em mãos (R$ 100.000,00). Mais detalhes no Relatório Fiscal e Anexos, os quais fazem parte integrante deste lançamento de crédito tributário. (...) Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 784/797, para afastar da tributação, os valores depositados em contas no BOSTON BANK, CITIBANK e SUDAMERIS, vez que não havia evidência da intimação da cotitular, muito embora os extratos bancários atestassem tal condição. Em seu Recurso Voluntário, às fls. 808/816, aduz, em síntese: Que, a semelhança do que teria ocorrido com relação aos depósitos nos bancos CITYBANK, BOSTON e SUDAMERIS, aqueles havidos no UNIBANCO também devem ser expurgados na tributação, uma vez que, em se tratando de conta conjunta, o suplicante não teria tomado conhecimento do lançamento; Que o contribuinte teria identificado, caso a caso, a origem dos depósitos apontados pela Fiscalização, incluindo a origem do depósito realizado, referindo no demonstrativo os casos em que se tratou de dinheiro de origem própria; Que o fisco teria que verificar se os depósitos próprios têm suporte nos rendimentos submetidos à tributação ou se, neste caso, não correspondem a rendimentos tributados. E que as informações prestadas indicam pormenorizadamente a natureza de cada depósito. Adiante, passarei a transcrever excerto do recurso. Dinheiro em mãos. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 15540.000206/201080 Acórdão n.º 2402006.077 S2C4T2 Fl. 4 5 Empréstimos Concedidos. Contrato de Gestão Financeira Firmado com Wilson Ribeiro Diniz. Fl. 852DF CARF MF 6 Ganho na Alienação de Imóveis. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 15540.000206/201080 Acórdão n.º 2402006.077 S2C4T2 Fl. 5 7 É o relatório. Fl. 854DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 12.03.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 27.03.2015. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Durante a analise fiscal, o lançamento considerou os seguintes valores, a partir das justificativas e comprovantes apresentados pelo autuado: JUSTIFICATIVA UNIBANCO CITYBANK SANTANDER BANKBOSTON ACEITAS TRIBUTADOS Distribuição de Lucros => R$ 865.039,29 R$ 71.700,00 R$ 19.800,00 R$ 956,539,29 R$ 0,00 Contrato de Gestão Financeira com o Sr Wilson Ribeiro Diniz => R$ 1.620.194,50 R$ 0,00 R$ 1.620.194,50 Devolução / Estorno => R$ 65.000,00 R$ 65.000,00 R$ 0,00 Empréstimo Recebido => R$ 860.000,00 R$ 570.000,00 R$ 290.000,00 Venda de Bens => R$ 140.000,00 R$ 140.000,00 R$ 0,00 Adiantamento Legalizações => R$ 51.000,00 R$ 26.300,00 R$ 0,00 R$ 77.300,00 Dinheiro em mãos declarado DIRPF => R$ 1.423.327,35 R$ 122.536,19 R$ 42.545,00 R$ 100.000,00 R$ 1.488.408,54 Total => R$ 5.024.561,14 R$ 148.836,19 R$ 114.245,00 R$ 19.800,00 R$ 1.831.539,29 R$ 3.475.903,04 Com isso, os depósitos/contas, segundo as justificativas, resumiramse aos seguintes totais no ano: JUSTIFICATIVA UNIBANCO CITYBANK SANTANDER BANKBOSTON TRIBUTADOS Distribuição de Lucros => R$ 0,00 Contrato de Gestão Financeira com o Sr Wilson Ribeiro Diniz => R$ 1.620.194,50 R$ 1.620.194,50 Devolução / Estorno => R$ 0,00 Empréstimo Recebido => R$ 290.000,00 R$ 290.000,00 Venda de Bens => R$ 0,00 Adiantamento Legalizações => R$ 51.000,00 R$ 26.300,00 R$ 77.300,00 Dinheiro em mãos declarado DIRPF => R$ 1.423.327,35 R$ 22.536,19 R$ 42.545,00 R$ 1.488.408,54 Total => R$ 3.384.521,85 R$ 48.836,19 R$ 42.545,00 R$ 0,00 R$ 3.475.903,04 Com já dito alhures, o acórdão de piso, atento à sumula CARF nº 29, excluiu da tributação os depósitos de origem não comprovada havidos no BOSTON BANK, SUDAMERIS e CITYBANK, na medida em que não havia o registro de eventual intimação ao cotitular das contas então auditadas. Nesse ponto, cumpre notar que a documentação relacionada a tais instituições, em especial o próprio extrato das contas, era clara ao evidenciar a existência de um cotitular, o que não se verificou paras as contas no UNIBANCO, nem mesmo na Ficha Cadastral do recorrente acostada às fls. 541. Assim, as cópias dos cheques trazidas pelo recorrente, em que pese constar, de sua impressão, o nome da cotitular, não asseguram, por si só, que tenham sido impressas em 2006, de forma a retratar, a rigor, a informação no cadastro da instituição no período do lançamento. Nesse contexto, tenho que tal elemento deveria vir acompanhada, de forma a Fl. 855DF CARF MF Processo nº 15540.000206/201080 Acórdão n.º 2402006.077 S2C4T2 Fl. 6 9 robustecer sua alegação, de declaração/informação prestada pela instituição financeira que conduzisse a tal situação, vale dizer, da existência de cotitularidade da conta em 2006. Perceba, caberia ao contribuinte, ante à mesma ponderação feita pela primeira instância julgadora, acostar em seu recurso voluntário a declaração/informação acima sugerida. Com efeito, tenho, neste ponto, por mantida a tributação relacionada aos valores depositados no UNIBANCO. Os depósitos identificados em conta no UNIBANCO estão detalhados às fls. 619/621, que totalizaram R$ 5.024.561,14. Desses valores, pretendeu comprovar a origem da seguinte forma: Distribuição de Lucros => R$ 865.039,29 Contrato de Gestão Financeira com o Sr Wilson Ribeiro Diniz => R$ 1.620.194,50 Devolução / Estorno => R$ 65.000,00 Empréstimo Recebido => R$ 860.000,00 Venda de Bens => R$ 140.000,00 Adiantamento Legalizações => R$ 51.000,00 Dinheiro em mãos declarado DIRPF => R$ 1.423.327,35 Total => R$ 5.024.561,14 A Fiscalização entendeu por comprovadas as origens relativas à Distribuição de lucros, à Devolução / Estorno, à Venda de Bens e, parcialmente, a Empréstimo Recebido no valor de R$ 570.000,00 e a Dinheiro em mãos declarado em DIRPF, no montante de R$ 100.000,00. Desta forma, foram tributados os seguintes valores, com relação aos depósitos naquele banco: JUSTIFICATIVA ACEITAS TRIBUTADOS Distribuição de Lucros => R$ 865.039,29 R$ 865.039,29 R$ 0,00 Contrato de Gestão Financeira com o Sr Wilson Ribeiro Diniz => R$ 1.620.194,50 R$ 0,00 R$ 1.620.194,50 Devolução / Estorno => R$ 65.000,00 R$ 65.000,00 R$ 0,00 Empréstimo Recebido => R$ 860.000,00 R$ 570.000,00 R$ 290.000,00 Venda de Bens => R$ 140.000,00 R$ 140.000,00 R$ 0,00 Adiantamento Legalizações => R$ 51.000,00 R$ 0,00 R$ 51.000,00 Dinheiro em mãos declarado DIRPF => R$ 1.423.327,35 R$ 1.423.327,35 Total => R$ 5.024.561,14 R$ 3.384.521,85 Em que pese a intimação e (re)intimação fiscal (fls. 614 e 640), como de costume nesses casos, exigir que fossem identificadas as origens dos recursos relativos aos lançamentos a crédito, individualizados nos anexos que seguiram (ano calendário 2006), devendo as origens alegadas e identificadas ser devidamente comprovadas através de documentação hábil e idônea, bem como estar acompanhadas de escrituração contábil e fiscal de suporte, o recorrente, ao longo de todo o procedimento fiscal, procurou relacionar parte dos depósitos a supostas operações em valores globais. Em outras palavras, não relacionou, crédito por crédito, às justificativas apresentadas (fls. 630). Fl. 856DF CARF MF 10 O artigo 42 da Lei 9.430/96, como bem assentado no acórdão recorrido, estabelece que se caracterizam também omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse sentido, uma vez intimado na forma acima, competiria ao contribuinte, com vistas a afastar a presunção legal, demonstrar que o depósito questionado retratou uma movimentação patrimonial ou correspondeu a rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte ou mesmo já oferecidos à tributação em sua DIRPF. Veja que, nessa linha, a vinculação do depósito à origem da operação suscitada deve ser feita de forma a não pairar dúvidas quanto à real relação entre eles. Não obstante, a Fiscalização, de forma bastante flexível, a meu ver, acabou por considerar identificadas as origens de alguns daqueles depósitos, ainda que a justificativa apresentada não os individualizasse, como se extrai do excerto do Relatório Fiscal, a seguir: EMPRÉSTIMOS RECEBIDOS => Montante depositado, conforme justificativa do contribuinte =R$ 860.000,00. 0 contribuinte não apresentou elementos que comprovem a efetiva origem destes depósitos. Porém, no intuito de esclarecer o ocorrido, esta fiscalização aceitou os valores declarados em sua DIRPF, bem como nas DIRPF dos credores, únicos documentos disponíveis. Desta forma, os nomes citados em sua declaração são os seguintes: NOME VALOR Joel Francisco R$ 30.000,00 Ricardo Moritz R$ 30.000,00 Felipe Castanheira de Souza R$ 140.000,00 Aluisio Duarte T. Aquino R$ 40.000,00 Fernando da Cunha Sterea R$ 150.000,00 Denise Presgrave Paiva R$ 180.000,00 TOTAL R$ 570.000,00 Em virtude da dificuldade na identificação dos depósitos. Esse montante de R$ 570.000,00 será utilizado como dedução anual da base de cálculo do imposto apurado neste lançamento. Veja que em atenção à intimação fiscal, por meio da qual o autuante requisitou ao recorrente os contratos de empréstimo, declaração, com firma reconhecida em cartório, dos credores indicando datas e valores totais emprestados, parciais entregues/depositados e demais comprovantes bancários, todos coincidentes aos valores depositados, o contribuinte respondeu que: "Não existem contratos dos empréstimos feitos ou recebidos pelo intimado uma vez que foram feitos na base da confiança mutua decorrente de amizade entre as partes, porém todos os envolvidos declararam em suas respectivas DIPFs os valores consignados, que foram movimentados através de créditos bancários identificados na resposta anterior e/ou em espécie" Fl. 857DF CARF MF Processo nº 15540.000206/201080 Acórdão n.º 2402006.077 S2C4T2 Fl. 7 11 De toda sorte, tenho por não comprovada a origem dos recursos retratados pelos depósitos na monta de R$ 290.000,00, como sendo "empréstimos recebidos", seja por não terem sido declarados nas respectivas DIRPF, consoante apurado pela fiscalização, seja pela não apresentação de qualquer documentação hábil e idônea que os ampare. No que toca aos depósitos no montante de R$ 1.620.194,50, o contribuinte juntou às fls. 631/632, um Contrato Particular de Gestão Financeira, datado de 01.06.2005, sem qualquer registro em cartório, tampouco com o reconhecimento, também em cartório, das firmas dos signatários, que pudessem assegurar, minimamente, a correção daquela data. Em função do documento apresentado, a Fiscalização intimou o recorrente a apresentar escrituração contábil e fiscal dos contratantes, relativa aos valores encaminhados ao contratado, coincidentes em data e valor com os depósitos efetuados, e demais comprovantes bancários (TED, DOC, etc.), o que não foi atendido pelo autuado. É dizer, por meio dessas singelas duas laudas, o recorrente pretendeu afastar de si, a presunção legal, por certo relativa, da omissão de rendimentos atribuída aos depósitos em conta de sua titularidade, cujas origens não fossem comprovadas. Assim, tal instrumento, que noticia a suposta contratação do recorrente para gerir financeiramente os recursos do Sr Wilosn Ribeiro Diniz e/ou de suas empresas, desacompanhado dos documentos correspondentes às entradas e saídas que sensibilizaram referida conta bancária (ex. cópia de cheques, DOC, TED, etc) relacionando, por óbvio, os contratantes; e da comprovação de que a origem daqueles recursos referese a negócios titularizados pelo contratante, Sr wilson, e/ou por suas empresas não é, ao ver deste Relator, hábil à comprovação da origem daqueles depósitos, tal como pretendido pelo autuado. Ademais, destaquese o registrado naquele Relatório Fiscal, quanto ao relacionamento entre os contratantes. Vejamos: Ressaltase que o Sr. Wilson foi citado como sendo interposta pessoa do contribuinte ora fiscalizado em processo de autuação, protocolado sob o número 15540.000454/200997, sobre a empresa Intecdat Serviços Técnicos Ltda CNPJ 06.959.6331000108, conforme trecho extraído do relatório fiscal deste processo: "Apesar de alegar que exerceu contrato de gestão das contas do Sr. Wilson Ribeiro Diniz, a verdade é que Ruy Castanheira de Souza sempre foi o real responsável pela movimentação das contas mantidas não só pela Intecdat, como também por outras empresas abertas em nome do Sr. Wilson e de outros "laranjas", os quais manipulava a seu bel prazer, já que eram pessoas de poucas posses e se sujeitavam a fornecer seus nomes para a realização de negócios ilícitos, em troca de recebimentos de valores irrisórios..." Prosseguindo, no que toca aos depósitos na monta de R$ 1.423.327,35, que pretendeu justificar o contribuinte como sendo "dinheiro em mãos declarado em DIRPF", a Fiscalização houve por bem considerar comprovada a origem de apenas R$ 100.000,00, que se refeririam a diferença entre o declarado para o início (R$ 320.000,00) e final (R$ 220.000,00) de 2006 em sua DIRPF/2007. Fl. 858DF CARF MF 12 Assim, valeuse a Fiscalização do raciocínio de que daqueles R$ 320.000,00 em 01.01.2006, R$ 100.000,00 haviam sido depositados e o restante R$ 220.000,00 permanecera com o autuado, em mãos, em 31.12.2006. Percebese que o entendimento se coaduna com a sistemática adotada pelo autuante, quando tratou dos empréstimos recebidos, no sentido de que toda a movimentação do contribuinte darseia, a rigor, por meio de instituição financeira. Nesse diapasão, o contribuinte foi intimado a esclarecer e comprovar como conseguiu depositar R$ 1.588.408,54 durante 2006, uma vez que o valor inicial declarado em sua DIRPF/07 perfazia o valor de R$ 320.000,00. Nesse ponto, cumpre esclarecer que os depósitos, ainda que correspondam a valores depositados pelo próprio contribuinte, provenientes de quantia que, em tese, poderia ter recebido em espécie ao longo do ano, devem ter sua origem comprovada, a teor daquele artigo 42 da Lei 9.430/96. Por fim, quanto ao ganho apurado na alienação do veículo BMW, modelo 323i, ano 1999, placa CVA1401, a Fiscalização valeu do custo de aquisição declarado por R$ 62.000,00 em sua DIRPF, e do valor de alienação de R$ 100.000,00, chegandose ao IR de R$ 5.700,00 (R$ 38.000,00 * 15%). Em seu recurso, o autuado sustenta a correção do valor de aquisição em função da perda do poder aquisitivo. É dizer, requer seja excluída da base de cálculo, a atualização monetária que comporia o valor de alienação. Traz como fundamento legal, o artigo 97,§ 2º do CTN. Verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 15540.000206/201080 Acórdão n.º 2402006.077 S2C4T2 Fl. 8 13 § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Veja que o fundamento legal de que pretende se utilizar, que consagra o princípio da legalidade em matéria tributária, vem no sentido de que a atualização monetária da base de cálculo do tributo, quando permitida em Lei, não caracterizaria majoração do tributo ou sua redução. Não quer dizer, como quer fazer crer o recorrente, que o estaria autorizando, na inexistência de qualquer norma nesse sentido, a atualizar o valor de custo ou expurgar, do valor de alienação, eventual parcela nesse sentido. Note que o artigo 16 da Lei 7.713/88 é claro, neste caso, ao definir o custo de aquisição do bem como sendo o valor por ele pago. No mesmo sentido, o artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 estabelece como valor de alienação, o preço efetivo da operação de venda. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, para, no mérito, NEGARLHE provimento. Mauricio Nogueira Righetti Relator + Fl. 860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000102/2007-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem apresente informações acerca da sistemática de tributação definitivamente pacificada, referente ao ano-calendário 2001.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Relatório
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.006829/00-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ART. 11, LEI Nº 9.779/99. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA. ABSORÇÃO. CONEXÃO PROCESSUAL.
Identificada a conexão entre processos administrativos, a decisão prolatada em um deles vincula o julgamento dos demais, razão pela qual reconhecido que os créditos básicos, então requeridos em pedido de ressarcimento, com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, foram aproveitados e absorvidos na reconstituição de escrita fiscal, com manutenção do lançamento pela reversão dos saldos credores apresentados, mostra-se correta a decisão de não homologação das compensações a ele atreladas.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-005.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ART. 11, LEI Nº 9.779/99. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA. ABSORÇÃO. CONEXÃO PROCESSUAL. Identificada a conexão entre processos administrativos, a decisão prolatada em um deles vincula o julgamento dos demais, razão pela qual reconhecido que os créditos básicos, então requeridos em pedido de ressarcimento, com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, foram aproveitados e absorvidos na reconstituição de escrita fiscal, com manutenção do lançamento pela reversão dos saldos credores apresentados, mostra-se correta a decisão de não homologação das compensações a ele atreladas. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ART. 11, LEI Nº 9.779/99. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA. ABSORÇÃO. CONEXÃO PROCESSUAL. Identificada a conexão entre processos administrativos, a decisão prolatada em um deles vincula o julgamento dos demais, razão pela qual reconhecido que os créditos básicos, então requeridos em pedido de ressarcimento, com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, foram aproveitados e absorvidos na reconstituição de escrita fiscal, com manutenção do lançamento pela reversão dos saldos credores apresentados, mostrase correta a decisão de não homologação das compensações a ele atreladas. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 68 29 /0 0- 27 Fl. 145DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, fundado no art. 11 da Lei nº 9.779/99, combinado com declarações de compensação, cujo despacho decisório de não homologação apontou, como fundamento, a inexistência dos saldos credores, a partir da constatação que diversos produtos saíram do estabelecimento sem lançamento do IPI, o que acarretou a reconstituição da escrita fiscal e a lavratura de auto de infração para exigência do tributo devido, como consolidado no PA 11080.009073/200553. Em manifestação de inconformidade o contribuinte requereu apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o encerramento daquele feito, por força da conexão processual. A DRJ Porto Alegre/RS manteve o indeferimento do pleito ao argumento que os créditos rogados haviam sido absorvidos pela reconstituição da escrita, promovida no PA 11080.009073/200553, não remanescendo saldo credor a amparar a compensação aviada, e, como não houve contestação expressa a esse respeito, a sua não homologação estava definitivamente constituída em âmbito administrativo. O recurso voluntário reprisou a manifestação de inconformidade. Em 11/12/2007, através da Resolução nº 203.00.870, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência para aguardar a prolação de decisão administrativa irreformável no PA 11080.009073/200553. Em 01/08/2017 foi noticiado nesse processo o encerramento do contencioso administrativo naqueles autos, com a juntada do Acórdão nº 3402003.450, de 23/11/2016. Em função do relator original não mais compor o colegiado houve a redistribuição, por sorteio, do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursais já foi oportunamente aferido, quando da primeira inclusão em pauta do processo. Inicialmente averiguada a conexão entre os feitos, a turma julgadora decidiu pela conversão do julgamento em diligência, com atrelamento do desfecho desse processo ao Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11080.006829/0027 Acórdão n.º 3401005.011 S3C4T1 Fl. 146 3 resultado daquele, de modo que, inexistindo qualquer questão de mérito a ser tratada na presente assentada, limitase a cognição a estender as conclusões lá expostas, diante do pedido eminentemente incidental apresentado. Nesse passo, a 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, no Acórdão nº 3402 003.450, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, com exoneração da multa majorada à situação mencionada, consoante se extrai do seu dispositivo: “Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à sujeição da atividade do contribuinte ao IPI com base nos mesmos fundamentos declinados no Acórdão 9303003.245; e b) por unanimidade de votos, afastouse o agravamento da multa de ofício em relação aos produtos que não foram objeto da consulta formulada. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurenttis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.” A ementa do decisório encontrase vazada no seguintes termos: “IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONFECÇÃO DE BOBINAS DE PAPEL PERSONALIZADAS. A operação de cortar bobinas de papel adequandoas aos tamanhos próprios para sua utilização em máquinas registradoras ou calculadoras, com ou sem impressão de dizeres convenientes aos clientes, constitui operação de industrialização (beneficiamento). IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA LISTA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO. Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. MULTA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. EXISTÊNCIA DE CONSULTA CONTRÁRIA À CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE. A circunstância agravante prevista no artigo 449, II do RIPI/98 somente se aplica à multa relativa ao erro de classificação dos produtos sobre os quais a consulta pretérita versou. Recurso parcialmente provido.” Fl. 147DF CARF MF 4 O aresto não deixa dúvida que houve saída de produtos do estabelecimento requerente sem o devido destaque do imposto, mostrandose procedente a recomposição dos saldos e a absorção integral dos créditos básicos, o que, por via reflexa, implica na reversão dos saldos credores então apurados e que respaldaram o pedido de ressarcimento formulado no processo sub examine. A inexistência dos saldos credores requeridos, por seu turno, corrobora o indeferimento do pleito e a não homologação das compensações vinculadas, mostrandose corretos o despacho decisório e a decisão de primeiro grau administrativo. Outrossim, o acolhimento parcial do voluntário pelo Acórdão 3402003.450 não modifica esta inferência, porque se restringiu a abater consectário legal, não havendo qualquer redução de tributo lançado. De igual forma, não altera o quadro estampado a existência de decisão antecipatória de tutela em ação ordinária, para suspensão da exigibilidade do referido crédito tributário respectivo, ou mesmo de sentença extinguindoo. Por cautela, em 28/11/2017, mediante consulta ao sistema eprocesso, constatei a juntada, pelo contribuinte, de peças judiciais relativas ao Procedimento Comum nº 500952091.2017.4.04.7100/RS, perante a 13ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, TRF 4ª Região, onde questionou a exigência fiscal consubstanciada no PA 11080.009073/200553 defendendo que a atividade exercida – personalização de bobinas e álbuns de fotografia – não configuraria processo de industrialização, submetendose essas operações tão somente à incidência do ISSQN, como segue (efl. 1330, PA 11080.009073/200553): A sentença julgou procedente o pedido para extinguir o crédito tributário, com base nas Súmulas TFR 143/83 e STJ nº 156/96, entendendo caracterizada a predominância da prestação de serviços, de modo a afastar a incidência do IPI. Em função da tese patrocinada no processo judicial – inocorrência de operação de industrialização nas atividades exercidas pelo contribuinte – resta claro que o deslinde desse processo administrativo não sofre qualquer interferência do feito judicial, haja vista que, se revertida a decisão judicial proferida, o crédito tributário constituído (PA 11080.009073/200553) passa a ser exigível e os créditos básicos respectivos teriam sido absorvidos na recomposição dos saldos devedores, não havendo qualquer valor a ressarcir; ao contrário, se mantida, reconhecese que o contribuinte não é sujeito passivo do IPI e, nessa condição, não há que se falar em nãocumulatividade, créditos básicos, saldos credores e, Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11080.006829/0027 Acórdão n.º 3401005.011 S3C4T1 Fl. 147 5 muito menos, em direito a ressarcimento pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, sendo improcedente, de qualquer modo, a compensação proposta. Todavia, essa manifestação se faz a título de obter dictum, mesmo porque o único pedido feito se restringiu à suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa litigiosa no PA 11080.009073/200553, o que já se verificou, à luz do art. 78 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF 343/15). Assim, confirmada a inexistência dos créditos básicos formadores dos saldos credores requeridos, deve ser mantida a decisão de não homologação das compensações, motivo pelo qual, afinal, voto por negar provimento ao recurso voluntário manobrado. Robson José Bayerl Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.901891/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 18 91 /2 00 8- 22 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13884.901891/200822 Acórdão n.º 3401004.951 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.623, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13884.901891/200822 Acórdão n.º 3401004.951 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13884.901891/200822 Acórdão n.º 3401004.951 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13884.901891/200822 Acórdão n.º 3401004.951 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13884.901891/200822 Acórdão n.º 3401004.951 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000212/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
A menos que se destinem a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo aqueles suscitados em momento posterior.
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO.
Integram o auto de infração o relatório fiscal e todos os demais documentos que lhe são anexos, não havendo que se falar em ausência de motivação ou fundamentação para o lançamento quando os dispositivos legais que dão suporte ao auto de infração estão exaustivamente elencados no relatório denominado FLD - Fundamentos Legais do Débito.
ARBITRAMENTO. SISTEMÁTICA A SER ADOTADA. NORMA VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO.
A sistemática a ser adotada para o cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros por arbitramento é aquela constante de atos normativos em vigor por ocasião da lavratura do auto de infração.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E RETIFICADO COM BASE EM NORMATIVOS VIGENTES. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não há que se falar em ausência dos requisitos de liquidez e certeza quando o lançamento é efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo contribuite a partir de permissivo legal que o ampara.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REGISTRO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INOBSERVÂNCIA. ARBITRAMENTO.
Sujeita-se ao lançamento pela via do arbitramento o contribuinte que deixa de registrar, em contas individualizadas dos livros contábeis, todos os fatos geradores das contribuições sociais, por obra de construção civil e por tomador de serviços.
Numero da decisão: 2402-006.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. A menos que se destinem a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo aqueles suscitados em momento posterior. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO. Integram o auto de infração o relatório fiscal e todos os demais documentos que lhe são anexos, não havendo que se falar em ausência de motivação ou fundamentação para o lançamento quando os dispositivos legais que dão suporte ao auto de infração estão exaustivamente elencados no relatório denominado FLD - Fundamentos Legais do Débito. ARBITRAMENTO. SISTEMÁTICA A SER ADOTADA. NORMA VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A sistemática a ser adotada para o cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros por arbitramento é aquela constante de atos normativos em vigor por ocasião da lavratura do auto de infração. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E RETIFICADO COM BASE EM NORMATIVOS VIGENTES. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não há que se falar em ausência dos requisitos de liquidez e certeza quando o lançamento é efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo contribuite a partir de permissivo legal que o ampara. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REGISTRO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INOBSERVÂNCIA. ARBITRAMENTO. Sujeita-se ao lançamento pela via do arbitramento o contribuinte que deixa de registrar, em contas individualizadas dos livros contábeis, todos os fatos geradores das contribuições sociais, por obra de construção civil e por tomador de serviços.
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NÃO CONHECIMENTO. A menos que se destinem a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo aqueles suscitados em momento posterior. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO. Integram o auto de infração o relatório fiscal e todos os demais documentos que lhe são anexos, não havendo que se falar em ausência de motivação ou fundamentação para o lançamento quando os dispositivos legais que dão suporte ao auto de infração estão exaustivamente elencados no relatório denominado “FLD Fundamentos Legais do Débito”. ARBITRAMENTO. SISTEMÁTICA A SER ADOTADA. NORMA VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A sistemática a ser adotada para o cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros por arbitramento é aquela constante de atos normativos em vigor por ocasião da lavratura do auto de infração. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E RETIFICADO COM BASE EM NORMATIVOS VIGENTES. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não há que se falar em ausência dos requisitos de liquidez e certeza quando o lançamento é efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo contribuite a partir de permissivo legal que o ampara. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REGISTRO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INOBSERVÂNCIA. ARBITRAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 02 12 /2 01 0- 22 Fl. 2611DF CARF MF 2 Sujeitase ao lançamento pela via do arbitramento o contribuinte que deixa de registrar, em contas individualizadas dos livros contábeis, todos os fatos geradores das contribuições sociais, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0125.071 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ/BEL) que julgou procedente em parte impugnação apresentada em face de Auto de Infração lavrado sob o Debcad nº 37.271.9996 para a apuração de contribuições devidas a outras entidade ou fundos, os denominados terceiros, relativas às competências 05/2007 a 11/2008. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 2560/2577): Relatório Fiscal Conforme noticia o Relatório Fiscal de fls. 40/43 do Volume – V1, o lançamento referese a remunerações apuradas por arbitramento, com base na legislação da aferição indireta, prevista no art. 33, § 3º o da Lei n° 8.212, de 24/07/91, com redação dada pela MP n° 449,de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, e no art. 233 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pela falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obras de construção civil sob matrículas n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75 e n° 41.590.01505/77, tendo sido arbitrado o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aplicandose o percentual de 40% (quarenta por cento) do valor dos contratos de prestação de serviços firmados com o Município de Nhamundá e o Município de Parintins, da seguinte forma: Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 3 3 a) Obra sob matrícula n° 31.430.00506/72: Dividiuse o valor do contrato n° 005/2007 (execução de melhorias sanitárias domiciliares), firmado em 10/05/2007 com a Prefeitura Municipal de Nhamundá, no valor de R$ 335.741,20, por 5 (cinco). O resultado de 40% (quarenta por cento) de R$ 67.148,24 (R$ 335.741,20 : 5 = R$ 67.148,24) foi lançado no período de 05/2007 a 09/2007, conforme competências em que as guias de previdência social GPS foram recolhidas. Constam os levantamentos não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, AF – REMUNERAÇÃO ARBITRADA (05/2007, 06/2007, 07/2007 e 09/2007), AF1 REMUNERAÇÃO ARBITRADA (08/2007); b) Obra sob matrícula n° 41.590.01504/75: Dividiuse o valor do contrato n° C004/2006PMPCML (construção da praça cristo redentor, na cidade de Parintins), firmado em 22/12/2006 com a Prefeitura Municipal de Parintins, no valor de R$ 2.398.088,45, por 11 (onze). O resultado de 40% (quarenta por cento) de R$ 218.008,04 (R$ 2.398.088,45 : 11 = R$ 218.008,04) foi lançado no período de 10/2007 a 08/2008, conforme competências em que as guias de previdência social GPS foram recolhidas. Consta o levantamento não declarado em GFIP, AF – REMUNERAÇÃO ARBITRADA (10/2007 a 08/2008); c) Obra sob matrícula n° 41.590.01505/77: Dividiuse o valor do contrato n° C007/2006PMPCML (construção de uma escola padrão com 12 salas de aulas e ginásio poliesportivo coberto, na comunidade do mocambo, no município de Parintins), firmado em 12/12/2006 com a Prefeitura Municipal de Parintins, no valor de R$ 2.360.602,08, por 14(quatorze). O resultado de 40% (quarenta por cento) de R$ 168.614,43 (R$ 2.360.602,08 : 14 = R$ 168.614,43) foi lançado no período de 10/2007 a 11/2008, conforme competências em que as guias de previdência social GPS foram recolhidas. Consta o levantamento não declarado em GFIP, AF – REMUNERAÇÃO ARBITRADA (10/2007 a 11/2008). Entre outras informações, destaco ainda, conforme o referido Relatório Fiscal de fls. 40/43 do Volume – V1, que: a) Foram utilizados os valores dos contratos de execução para aferição indireta, em razão da constatação de que as duas formas de arbitramento da mãode obra da construção civil, previstas na Instrução Normativa RFB n° 971, de 13.11.2009, no artigo 336 (com base na nota fiscal de prestação de serviços) e nos artigos 338 a 363 (com base na área construída e no padrão de construção) não são aplicáveis. A primeira, pela falta de apresentação de notas fiscais, faturas ou recibos; e a segunda, pela falta de apresentação de documentos comprobatórios das áreas cadastradas no Sistema da Receita Federal, enquadramento das obras, tipos de edificações; b) A empresa não apresentou livros contábeis durante a ação fiscal. Da Impugnação Às fls. 79/87 do Volume – V1, em 20/09/2010, acompanhada de seus anexos, a empresa interessada apresenta impugnação, mediante a os argumentos que a seguir transcrevo a síntese. Da Preliminar Inicialmente faz um resumo dos fatos para em seguida, quanto a preliminar argüir a nulidade do auto de infração. Postula pela nulidade por erro essencial no lançamento, com fulcro no artigo 37 da Constituição Federal e no art. 2º da Lei Federal n° 9.784/1999, alegando que Fl. 2613DF CARF MF 4 teria ocorrido cerceamento de defesa, quando do lançamento, vez que o agente fiscal teria autuado matéria não constante do termo de início da ação fiscal, requerendo apenas a documentação relativa às obras de construção civil sob as matrículas n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75, não requisitando nenhum documento referente à obra matriculada sob o número n° 41.590.01505/77. Deste modo, aduz a impugnante que não teria tido conhecimento de tal exigência e, portanto, não seria lícito a autoridade fiscal alegar a omissão na GFIP e a falta da GPS Guia da Previdência Social de obra em que não teria solicitado a documentação pertinente por meio hábil. Argumenta ainda, quanto ao pedido de nulidade do lançamento, que seria inaplicável o seu arbitramento, vez que a autoridade fiscal teria procedido de forma ilegal, considerando que, após a entrega, no domicílio tributário do impugnante, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, datado de 23/02/2010, solicitando a documentação das obras de construção civil sob matrículas n° 31.430.00506/72 e n° 41.590.01504/75, teria retornado a empresa, obtendo cópias das Guias e após não mais comparecendo ao estabelecimento da notificada, que por sua vez veio a receber, pelos Correios, via AR, em 19/08/2010, o auto de infração ora impugnado. Alega que o arbitramento seria medida extrema, somente aplicável nas condições estabelecidas em lei, conforme prevê o §3°, do art. 33 da Lei 8.212/91, nos casos em que ocorrer recusa ou sonegação de qualquer informação ou sua apresentação deficiente à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que segundo a defendente, não teria ocorrido, no caso em questão. Informa outrossim, que em virtude de ação judicial de busca e apreensão realizada na sede da empresa, teria havido retenção de vários documentos, inclusive os de objeto da referida ação fiscal, conforme Certidão da Justiça Federal de 1º grau, Seção Judiciária do Estado do Amazonas, 2°Vara Criminal, em anexo. Esclarece a defendente que teria buscado junto aos órgãos contratantes das referidas obras toda a documentação pertinente e necessária para a aferição e comprovação do pagamento das Contribuições devidas à Seguridade Social, carreado aos autos. Do Mérito Quanto ao mérito, alega que teria apresentado toda a documentação necessária à comprovação dos valores pagos a título de salário na execução das obras de construção civil, matrículas n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75 e n° 41.590.01505/77, que estariam constando na GFIP da empresa (matriz e filial), em razão de que esses empregados não informados em documentos específicos de cada obra, realizariam tarefas em várias obras da empresa, alternadamente, não sendo possível individualizar o valor que receberiam a título de cada tarefa realizada, de acordo com artigo 162, caput e parágrafo único da IN MPS/ SRP n° 03/2005 e solução de consulta n° 333/2009. Argumenta que teria recolhido em duplicidade a contribuição social previdenciária, conforme guias em anexo, tendo em vista que ao elaborar GFIP para as referidas obras teria incluído trabalhadores constantes da GFIP do CNPJ. Argüi que a fiscalização ao realizar o arbitramento não teria utilizado para a apuração da base de cálculo da mãodeobra, a aplicação de 50% (cinqüenta por cento) do valor dos contratos, os quais foram realizados sob o regime de empreitada total com o fornecimento de material, onde estariam incluídos não só o custo referente à utilização de mãodeobra, como também o custo dos materiais utilizados nas construções, de acordo com o estabelecido nos §§ 1º e 3º , do artigo 451 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009, agindo dessa forma em contrário a lei. Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 4 5 Entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal requer: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração pelas razões de fato e de direito expostas; b) caso não acatada, seja acolhida a presente impugnação, em seu caráter suspensivo, e julgados improcedentes todos os termos do referido auto de infração, declarandose por via de conseqüência a insubsistência do Processo Administrativo, finalizando com o conseqüente arquivamento do mesmo; c) seja permitido provar o acima alegado, por todos os meios em direito admitidos, inclusive prova pericial e documental. Carreia aos autos os seguintes documentos: a) Contrato Social e Alterações; b) GFIP da matriz, das obras e da filial em Parintins; c) GPS da matriz e das obras; d) Contratos das obras; e) Notas Fiscais de serviços das obras; f) Folhas de Pagamento; g) RAIS Relação Anual de Informações Sociais dos anos calendário 2007 e 2008; h) GPS de retenções na fonte das referidas obras; i) Livro Razão; j) Livro Caixa; l) Certidão da Justiça Federal de 1º grau, Seção do Amazonas. Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/BEL julgou a impugnação procedente em parte, conforme se pode verificar da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008 AFERIÇÃO INDIRETA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão deobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando, não houver apresentação de escrituração contábil. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 450 RFB nº 971, de 13/11/2009. A verificação de elementos capazes de alterar a base de cálculo do lançamento do crédito previdenciário, obriga a Administração Pública a promover sua retificação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário (fls. 2585/2592) o sujeito passivo alega, em síntese, que: Fl. 2615DF CARF MF 6 Ausência de Motivação para o Arbitramento: desde o recebimento do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal o Auditor foi cientificado que os livros fiscais, livros contábeis, contratos de prestação de serviços e notas fiscais emitidas, dentre outros documentos, haviam sido retidos/apreendidos pela Justiça Federal; procurou em quatro oportunidades, entregar a documentação que havia recuperado tanto da justiça quanto junto aos seus contratantes, haja vista, que o AuditorFiscal não mais compareceu ao estabelecimento da autuada; não obteve sucesso na entrega dos documentos porque em nenhuma das oportunidades encontrou a autoridade autuante no endereço informado no Termo de Intimação Fiscal – TIF e os servidores do Setor SEFIS recusaram recebêlos; juntou referidos documentos à impugnação na esperança que estes fossem analisados quando do julgamento. Infere que os livros Diário ainda não haviam sido devolvidos pela Justiça Federal por ocasião da impugnação; os livros Diário, por cópia, anexados a este recurso, demonstram que estes foram devolvidos à recorrente em 05/02/2011 e, portanto, não havia como apresentalos no decorrer do procedimento fiscal ou anexálos à impugnação. Aduz que a apresentação extemporânea dos livros fiscais está respaldada pelo § 4º art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; a Fiscalização e DRJBEL, pelo menos, deveriam haver confirmado se realmente os documentos Fiscais e Contábeis encontravamse sob a custodia da Justiça Federal. Cita o art. 37, da Lei nº 9.784/1999, o qual indicaria a adoção do procedimento aventado; a autoridade administrativa pode rever de ofício seus atos e decisões sempre que surgirem fatos novos que acarretem a alteração do lançamento tributário, mediante aplicação dos princípios da verdade material e da legalidade, que impõem a revisão do ato administrativo, a qualquer tempo, sempre que verificada sua desconformidade com o ordenamento jurídico; não se vislumbra no Relatório Fiscal que a recorrente deliberadamente e intencionalmente tenha deixado de apresentar os documentos solicitados e, se assim o fez, foi porque os livros e documentos estavam custodiados na Justiça Federal; motivar não é simplesmente reproduzir o texto da Lei, devese explicitar o fundamento normativo, o fundamento fático e as razões técnicas e jurídicas que dão respaldo aos atos do agente público, somente dessa forma podese avaliar a procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Cita arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999; tivesse a fiscalização confirmado junto a Justiça Federal que os livros e documentos fiscais e contábeis estavam sob sua custodia, evidentemente seria afastada a aplicação da aferição indireta por força do que determina os incisos “a”, “b” e “c”, do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/1972; Ausência de Fundamentação Legal para Arbitrar: a DRJBEL informa no Relatório do Julgamento que as hipóteses que autorizam a aferição indireta estão tratadas nos §§ 3º, 4º e 6º, do Art. 33, da Lei 8.212/1991; consta no item 5 do Relatório Fiscal, taxativamente, que o arbitramento da BC da contribuição para o INSS foi aplicada com respaldo no § 3º, do art. 33, Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 5 7 da Lei nº 8.212/91, sendo que os §§ 4º e 6º não poderiam ser invocado porque a escrituração contábil não foi examinada pela fiscalização; os §§ 4° e 6º não constam no Relatório Fiscal e foram incluídos no relatório de julgamento pela DRJBEL; Ausência de Fundamentação Infralegal para Arbitrar: o instrumento infralegal para aferir a base de cálculo da contribuição previdenciária e de terceiros vigente à época dos fatos é a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14/07/2005; não consta no Relatório Fiscal nenhum dispositivo infralegal justificando a adoção do arbitramento; verificase no relatório de julgamento que a douta 5ª Turma da DRJBEL, buscando suprir essa ausência, tanto no Relatório Fiscal RF quanto no relatório “Fundamentos Legais do Debito – FLD”, invocou e lastreou sua decisão em regras contidas na Instrução Normativa nº 971/2009, comprovando vício na origem do lançamento; pode ser observado no relatório do acórdão de primeira instância que ora é invocada a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, ora a “Instrução Normativa RFB nº 971/2009”, conforme a conveniência do julgador. esse artifício foi utilizado porque a norma de regência à época dos fatos, Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 (anos de 2007 e 2008), não permitia o arbitramento com base na suposta irregularidade suscitada pela DRJBEL (descumprimento do estabelecido no item II, do art. 381, c/c com o art. 47, da IN 971/2009); o art. 597 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 é taxativo, impondo o arbitramento somente nos casos de omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados ou, ainda, se ocorrer recusa de apresentação de qualquer documento ou informação, ou apresentação deficiente ou a tentativa de sonegálos; a suposta irregularidade de deixar de escriturar em títulos próprios ou não escriturar por obra de construção civil e por tomador de serviço não se configurava em motivo para o arbitramento da base de cálculo da contribuição para o INSS, sendo, tão somente, o descumprimento de uma obrigação acessória. Reproduz doutrina que diz corroborar a ilegalidade do arbitramento adotado pela fiscalização; a motivação é indispensável para possibilitar o exercício das garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório conforme preceitua o art. 5º, LV, da CF/88, essa regra da Carta Magna, impõe à Administração Pública o dever de justificar seus atos, apontar os fundamentos de fato e de direito, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada; Ausência de Liquidez e Certeza do Credito: não foram observadas as determinações do art. 2o da Lei 9.784/99, onde verificase o dever de a Administração Pública obedecer, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência; Fl. 2617DF CARF MF 8 a adoção de critérios ilegais, parciais e injustos na determinação do valor da base de cálculo (100% do valor do contrato) que multiplicou o valor do credito, a ausência da busca pela verdade material (os livros e documentos estavam ou não sob a custodia da Justiça) aliado a ausência de fundamentação legal tanto no Relatório Fiscal quanto no FLD, constituemse em vícios que comprometem a hiqidez da garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário e de tereiros e o exercício do direito de defesa da recorrente, devendo o lançamento fiscal ser julgado nulo por vício material a teor do art. 661 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005. Requer, por fim, o acolhimento das provas trazidas aos autos no recurso voluntário, a anulação do auto de infração por falta de motivação legal e a realização de diligência para verificação de eventuais diferenças de recolhimento das contribuições, à luz da documentação e livros fiscais e contábeis. A diligência requerida pelo sujeito passivo foi realizada no âmbito do Processo nº 14367.000210/201033 e suas conclusões serão objeto de análise na presente decisão, visto que referido feito fiscal é em tudo semelhante à presente autuação, diferenciandose tão somente quanto à contribuição objeto de lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, entretanto dele conheço parcialmente haja vista a superveniência de alegações que não foram suscitadas na impugnação e não se destinam a contrapor razões expostas no recurso voluntário. Motivação para o Arbitramento No início do tópico do recurso voluntário onde o sujeito passivo discute a motivação para o arbitramento, há parágrafo em que, ao reiterar que teve livros fiscais, livros contábeis, contratos de prestação de serviços e notas fiscais emitidas, dentre outros documentos, retidos/apreendidos pela Justiça Federal, a contribuinte infere ter procurado, sem sucesso, a autoridade responsável pelo procedimento fiscal em quatro oportunidade para entregar a documentação que havia recuperado tanto da justiça quanto junto aos seus contratantes. Informa ainda que os servidores do Serviço de Fiscalização teriam se recusado a receber tais documentos. Embora não seja demais informar que as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõem de serviço de protocolo onde os contribuintes podem apresentar documentos solicitados por ocasião de procedimentos fiscalizatórios realizados por aquele órgão, há ainda que se esclarecer que as alegações acima mencionadas não vieram acompanhadas por qualquer elemento probatório. Ademais, o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, norma que regula o Processo Administrativo Fiscal – PAF em âmbito federal, é expresso no sentido de que, a menos que se destinem a contrapor razões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação. Contudo, Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 6 9 não há qualquer registro na peça impugnatória da ocorrência do fato narrado no recurso voluntário razão pela qual não se conhece de tais argumentos. Sobre o argumento recursal de que o Fisco ou a DRJ/BEL poderiam se valer do art. 37 da Lei nº 9.784/1999 para confirmar junto a Justiça Federal que parte dos documentos do sujeito passivo estavam sob custódia judicial e que isso afastaria o arbitramento das contribuições previdenciárias e de terceiros lançadas, asseverase que o referido art. 37 trata de fatos e dados registrados em documentos “existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo”. No caso, os citados documentos não estavam a disposição da Administração, mas sim do Poder Judiciário, o que afasta a incidência do dispositivo legal em questão. Além do que, o conteúdo desses documentos, apresentados em conjunto com recurso voluntário, e que foram levados a análise do Fisco em diligência demandada por esse órgão julgador, será oportunamente examinado. Fundamentação Legal para Arbitrar Ao revés do que afirma a recorrente, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito (fls. 22/24) traz relação com todas as disposições legais que dão fundamento à apuração das contribuições previdenciárias e de terceiros por aferição indireta, dentre elas os §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991: 061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA – CONSTRUCAO CIVIL 061.05 Competências : 05/2007, 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 11/2008 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação da Lei n. 10.256, de 09.07.2001 e alteração da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.09), parágrafos 3. e 4. (com as alterações da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.942, de 27.05.09) e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. O fato de não haver menção expressa a determinado dispositivo legal no Relatório Fiscal de Infração não significa que esse não tenha servido de base para a autuação, ainda mais quando referido dispositivo encontrase elencado no FLD que, além de integrar o Auto de Infração, é citado é expressamente no referido relatório como sendo o documento que discrimina a legislação de regência da ocorrência do fato gerador. Vejamos a referência feita no Relatório Fiscal ao FLD: 14. As informações relativas aos fundamentos legais correspondentes ao lançamento de crédito, abrangendo todos os fatos geradores estão discriminadas no documento FLD Fundamentos Legais do Débito, anexo deste AI Auto de Infração. 15. Foi observada a legislação de regência da ocorrência do fato gerador, conforme discriminado no documento FLD Fundamentos Legais do Débito, anexo deste AI Auto de Infração. Fl. 2619DF CARF MF 10 Acerca da suscitada impossibilidade de se invocar na decisão fustigada o § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 como fundamento para a manutenção parcial do lançamento, visto que os livros contábeis não foram apresentados em razão de situação acima retratada (retenção/apreensão pela Justiça Federal), convém atentar que referido dispositivo embora tenha sido reproduzido no acórdão recorrido, não serviu de fundamento para a decisão da DRJ/BEL, mas sim os §§ 3º e 4º do referido art. 33, conforme se pode constatar da excerto do voto condutor do julgado a quo: Destarte, considero motivado o arbitramento, pelo método da aferição indireta da base de cálculo de contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil, constantes do presente Auto de Infração, com base nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 e art. 381 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. (Grifei) Sem razão a recorrente neste ponto. Fundamentação Infralegal para Arbitrar e Liquidez e Certeza do Crédito Lançado Retomandose a discussão acerca da possibilidade de se efetuar lançamento de crédito tributário por meio de arbitramento, destacase que essa modalidade de lançamento encontra previsão no art. 148 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Amparado na pressuposto encerrado no Codex Tributário, o legislador ordinário orienta o arbitramento das contribuições sociais a partir dos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 7 11 critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Em primeiro lugar, impende deixar claro que o lançamento das contribuições sociais encontra suporte no CTN e na Lei nº 8.212/1991 e não em atos infralegais. E ainda, as disposições normativas transcritas acima autorizam, ressalvado o ônus da prova em contrário pelo contribuinte, o arbitramento nas seguintes circunstâncias: a) sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado; b) ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; c) se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. No caso da construção civil, constatada a inexistência de prova regular e formalizada, a lei autoriza que o valor da mãodeobra empregada na execução dos serviços seja obtido mediante cálculo efetuado de forma proporcional à área construída, e de acordo com critérios definidos pela Secretaria da Receita Federal. É certo que, também nesse caso, caberá ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A sistemática estabelecida nos atos infralegais editados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil têm por objetivo orientar a Fiscalização no cálculo das contribuições sociais pela metodologia da aferição indireta e, portanto, a norma aplicável a determinado caso é aquela vigente à época da realização do procedimento fiscal. Todavia, ainda que não o fosse, temse que as disposições contidas na Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005 e na Instrução Normativa RFB nº 971/2009 são absolutamente idênticas no que se refere à aferição indireta da remuneração empregada em obras de construção civil, o que joga por terra a argumentação recursal segundo a qual a norma infralegal de regência à época dos fatos (INSS/SRP nº 03/2005) não permitia o arbitramento nas situações apuradas pelo Fisco. Ademais, o art. 597 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, que o sujeito passivo diz vedar o arbitramento na situação ora analisada, foi transcrita em semelhantes termos no art. 447 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Confirase: INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/SRP Nº 03/2005 INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971/2009 Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não Fl. 2621DF CARF MF 12 registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentá los deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentá los deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para fins do disposto no inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme disposto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 47 desta Instrução Normativa. Com base no art. 597 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, infere a recorrente que, à época da ocorrência dos fatos geradores: Verificase que a Instrução Normativa é taxativa, impondo o arbitramento somente nos casos de omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados ou, ainda, se ocorrer recusa de apresentação de qualquer documento ou informação, ou apresentação deficiente ou a tentativa de sonegálos. Dessa forma a suposta irregularidade de deixar de escriturar em títulos próprios ou não escriturar por obra de construção civil e por tomador de serviço não se configurava em motivo para o arbitramento da base de cálculo da contribuição para o INSS, sendo, tão somente, o descumprimento de uma obrigação Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 8 13 acessória. Dessa forma, fica evidente a falta de motivação para o arbitramento com base nas normas infralegais, considerando a comprovação da existência dos livros fiscais e contábeis e que estes, juntos com outros documentos fiscais e contábeis, estavam custodiados na Justiça Federal. (Grifos do Original) Ocorre que o arbitramento não teve por base omissão de lançamento contábil ou ainda a falta de registro, em demonstrativos contábeis, do movimento real da remuneração de segurados da Previdência Social. Tampouco por deixar a empresa de escriturar em títulos próprios, por obra de construção civil e por tomador de serviço, a remuneração dos segurados envolvidos na execução dessas obras. Asseverese que as demonstrações contábeis sequer foram disponibilizadas ao Fisco quando do procedimento fiscal, razão pela qual o lançamento não foi motivado por erros ou omissões havidas na contabilidade. A motivação para o arbitramento foi a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, consoante previsão contida nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, reproduzida no inciso III do art. art. 597 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005 (inciso III do art. 447 Instrução Normativa RFB nº 971/2009), conforme se pode verificar dos trechos do Relatório Fiscal que abaixo se transcreve: 7. A Empresa não apresentou livros contábeis (livros diário, razão, caixa e registro de inventário, balancetes contábeis e balanços patrimoniais) durante a ação fiscal, resultando na lavratura do Auto de Infração n° 37.272.0005 por descumprimento da obrigação acessória prevista no código de fundamentação legal 38 (deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social); deixou ainda de prestar todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Receita Federal do Brasil, na forma por ela estabelecida: como comprovante de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT; comprovante de fornecimento de vale transporte; comprovantes de matrícula de obras de construção civil; notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados; alvarás de licença e habitese para construção; e projetos aprovados de obra de construção civil, infringindo a obrigação acessória prevista no código de fundamentação legal 35 (deixar a empresa de prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização), resultando na lavratura do Auto de Infração n° 37.272.0013. 8. A Empresa não preparou folhas de pagamento específicas para as obras de construção civil matrículas CEI n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75 e n° 41.590.01505/77, não discriminando separadamente a mãodeobra alocada para os empreendimentos da construção civil. Por descumprimento dessa obrigação acessória prevista no Código de Fundamentação Legal 30, é lavrado o Auto de Infração n° 37.272.0021. Fl. 2623DF CARF MF 14 No caso concreto, e nos Termos do Relatório Fiscal, a autoridade autuante aferiu o custo da mãodeobra a partir do procedimento a seguir relatado: em razão da constatação de que as duas formas de arbitramento da mãodeobra da construção civil, previstas na Instrução Normativa RFB n° 971, de 13.11.2009, no artigo 336 (com base na nota fiscal de prestação de serviços) e nos artigos 338 a 3631 (com base na área construída e no padrão de construção) não são aplicáveis. A primeira, pela falta de apresentação de notas fiscais, faturas ou recibos; e a segunda, pela falta de apresentação de documentos comprobatórios das áreas cadastradas no Sistema da Receita Federal, enquadramento das obras, tipos de edificações. Apercebase que em razão da não apresentação de notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, referidos no art. 336 e 451 da Instrução Normativa nº 971/2009, optou a o Fisco por a considerar que o custo da mãodeobra empregada nas obras de construção civil em questão equivalia a 40% (quarenta por cento) do valor dos contratos examinados. Esse procedimento encontra amparo no inciso III do § 1º do art. 3812 da supracitada Instrução normativa, cuja transcrição fazse imperiosa: Art. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse da RFB; V quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados de forma deficiente. § 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 336, 451 e 455, sobre o valor da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; 1 Os artigos da IN RFB nº 971/2009 correspondem respectivamente aos arts. 427, 429 e 455 da IN INSS/SRP nº 03/2005. 2 Art. 473 da IN INSS/SRP nº 03/2005. Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 9 15 II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. [...] (Grifei) Antes de prosseguir a presente análise, importa ressalvar que não assiste razão ao sujeito passivo quando esse afirma inexistir norma infralegal para o arbitramento levado a efeito no procedimento fiscal, eis que a norma a ser considerada para esse fim é aquela vigente à época do lançamento, no caso a IN RFB nº 971/2009. Porém, cabe reiterar que os procedimento utilizados pelo Fisco já constavam da IN INSS/SRP nº 03/2005, que vigorava quando da ocorrência dos fatos geradores que aqui se discute. Além do que, essa indagação não foi ao menos suscitada na impugnação e, à luz do inciso III do art. 16 e do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, não nos cabe conhecer de razões trazidas somente em sede de recurso voluntário. De outra parte, conquanto se arvore contra os fundamentos aventados no acórdão recorrido, os quais representariam inadequada complementação do Relatório Fiscal, vale ressaltar que essa fundamentação foi trazida a baila pelo Colegiado a quo por demanda apresentada pela recorrente no intuito de reduzir o valor o valor do tributo indiretamente aferido. Senão vejamos o que consta da impugnação: Importante ressaltar, que os contratos acima mencionados foram realizados no regime de empreitada total com o fornecimento de material, de modo que no montante dos contratos estão incluídos não só o custo referente à utilização de mãodeobra, como também o custo dos materiais utilizados nas construções [...]. O que inclusive vem discriminado nas notas fiscais de serviços da obra n° 31.430.00506/72, em anexo, que determinam que 50% (cinqüenta por cento) do valor total recebido referemse à mão deobra. Diante destas informações, vale lembrar o que dispõem os parágrafos 1º e 3, do artigo 451 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009: [...] Portanto, ao realizar o arbitramento a autoridade fiscal deveria ter utilizado como base de cálculo 50% (cinqüenta por cento) do valor dos contratos, referentes à mãodeobra, e não o valor total, como de fato o fez, agindo em clara contrariedade a lei. (Grifei) Ademais, somente por ocasião da impugnação foram acostados aos autos as notas fiscais relativas aos contratos que deram azo ao presente Auto de Infração, sendo que referidas notas não discriminam os materiais empregados na obra. Fl. 2625DF CARF MF 16 Com base em referidos documentos, e à luz do disposto nos arts. 336, 337, 381, 450, I e 451, § 1º da Instrução Normativa nº IN RFB nº 971/2009, DRJ/BEL retificou o lançamento, aplicandolhe um redutor de 50%, consoante reclamado na impugnação. Abaixo a redação dos dispositivos que deram suporte à decisão de primeira instância administrativa e que ainda não foram reproduzidos no presente voto: Art. 336. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. Art. 337. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material, ou de utilização de equipamentos, ou de ambos, na execução dos serviços contratados, o valor dos serviços contido na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços deverá ser apurado na forma prevista no art. 451, observado o disposto no art. 455. Art. 450. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde, no mínimo, ao percentual de: I 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; [...] Art. 451. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços será apurado na forma do art. 450. § 1º Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 450. [...] Reiterese que o arbitramento está fundamentado tanto no art. 148 do CTN quanto nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei 8.212/1991 e os procedimentos adotados para a determinação do valor do tributo encontramse detalhados na IN RFB nº 971/2009 e na IN INSS/SRP nº 03/2009. Do mesmo modo, a DRJ/BEL, ao retificar o lançamento, também lançou mão de disposições insertas em citados atos normativos, sendo que a recorrente não apresentou até a impugnação elementos que pudessem ser considerados aptos ao pleno atendimento de seus pleitos. Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 10 17 Em vista disso, além de não se verificar a suscitada falta de motivação, não se vislumbra qualquer ofensa ao princípio da legalidade e ampla defesa ou a inúmeros outros princípios indiscriminadamente referidos no recurso voluntário. Em virtude disso, não há nenhum indício de que a autoridade autuante ou mesmo o Colegiado Recorrido tenham descumprido o art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Na mesma linha, não assiste razão ao sujeito passivo quando esse faz referência a ausência de liquidez e certeza do crédito, pois o lançamento foi efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo contribuite, com base no permissivo legal que lhe atribui o ônus da prova em contrário. Assim, afasto a preliminar de nulidade. Demonstrações Contábeis Apresentadas no Recurso Voluntário Insta mencionar que os livros contábeis da empresa foram apresentados por ocasião do recurso voluntário, nos autos do Processo nº 14367.000210/201033, tendo sido, inclusive objeto de análise pela Fiscalização a partir de diligência demanda por este órgão julgador. Desta feita, tendo em vista que os fatos abordados naquele processo são semelhantes aos que aqui se analisa, diferenciandose apenas em virtude de lá terem sido lançadas as contribuições da empresa e aqui aquelas relativas às outras entidade ou fundos, os denominados terceiros, não há, por óbvio a necessidade de nova diligência para que o Fisco se posicione novamente sobre os mesmos documentos, cabendonos recorrer aos esclarecimentos contidos na Informação Fiscal decorrente da citada diligência. Sobre a escrituração contábil, o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, estabelece: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Com base no imperativo legal, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 trouxe a seguinte disciplina: Art.225. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; [...] § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão Fl. 2627DF CARF MF 18 exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (Grifei) No mesmo sentido é a IN INSS/SRP nº 3/2005: Art. 60. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: [...] IV lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções e os totais recolhidos, observado o disposto nos §§ 4º, 5º e 7ºe ressalvado o previsto no § 6º, todos deste artigo; [...] § 4º Os lançamentos de que trata o inciso IV do caput, escriturados nos Livros Diário e Razão, são exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições sociais, devendo: [...] II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as nãointegrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições sociais a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (Grifei) Não obstante o disposto, dentre outros, no inciso II do § 4º do art. 60 IN INSS/SRP nº 3/2005, as demonstrações contábeis referidas no recurso voluntário não discriminam de forma minimamente adequada as obras executadas pela empresa, e isso restou claramente evidenciado na Informação Fiscal acostada às fls. 3113/3117 do Processo nº 14367.000210/201033, no que não foi contestada pela recorrente. Observese o relato da autoridade autuante a esse respeito: Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 14367.000212/201022 Acórdão n.º 2402006.158 S2C4T2 Fl. 11 19 13. Pelas interpretações das instruções normativas discriminadas, constatase que a obra de construção civil recebe tratamento similar a um estabelecimento da empresa, principalmente ao que se refere à contabilização de fatos geradores e de contribuições relacionados. O entendimento é que movimentação contábil da obra de construção civil deve ser lançada em contas individualizadas, formando um centro de custo para cada obra. 14. A contabilização de uma forma genérica, sem especificar os elementos relativos à obra de construção civil, descaracteriza a situação. Pela auditoria dos livros apresentados posteriormente ao encerramento do procedimento fiscal, verificase que não há escrituração de fatos geradores, dos custos, das contribuições e de outros elementos, relacionados às obras, e que não há formação de centro de custo para cada obra executada, e adicionase que a Empresa, por não atender ao Termo Inicial, não acrescenta fato novo à matéria. 15. Os livros contábeis em anexo ao Processo, e os apresentados durante a diligência, com lançamentos não individualizados e não identificados, associados à omissão da Empresa ao TIPF — Termo de Início de Procedimento Fiscal, são essenciais para definição de que os fatos geradores e as contribuições foram lançados em desacordo com o que determinam as instruções normativas, prejudicando a regularização das obras pelo exame da escrita contábil. Ao contrário do que imagina a recorrente, que o fato de deixar a empresa de escriturar em títulos próprios ou não escriturar por obra de construção civil e por tomador de serviço os fatos geradores das contribuições sociais objeto do lançamento não se traduzia em motivo para o arbitramento da base de cálculo de tais contribuições, mas tãosomente em descumprimento de uma obrigação acessória, posto que inexistiria norma infralegal a amparar a conduta adotada pelo Fisco, em verdade, a IN INSS/SRP nº 3/2005 e outros atos normativos que lhe antecederam já previam a hipótese de aferição indireta em situações em que a escrituração contábil fosse elaborada em desacordo com o especificado em legislação própria. Sobre o tema, dispõe o inciso II do art. 473 da norma: Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: [...] II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 4ºdo art. 60; Desse modo, considerandose que os fatos geradores das obras de construção civil foram contabilizados de uma forma genérica, sem que houvesse a especificação dos elementos relativos a essas obras, vêse que os livros contábeis apresentados no recurso Fl. 2629DF CARF MF 20 voluntário não acodem a apelante, pois não se mostram aptos a infirmar o arbitramento das contribuições sociais que remanesceram no Auto de Infração. Quanto à decisão administrativa reproduzida no apelo recursal, além de não vincular o julgador administrativo, foi proferida em contexto diverso do retratado nos autos e, por esses motivos, não socorrem a suplicante. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 2630DF CARF MF
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Numero do processo: 35948.002904/2003-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DA PROVA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
É de se conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional contra decisão não unânime, proferida na vigência da Portaria MF nº 147, de 2007, em que a Recorrente alega adequadamente a contrariedade à lei ou à evidência da prova, ainda que o apelo seja interposto já na vigência da Portaria MF nº 256, de 2009.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. DILIGÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO. NULIDADE.
A solicitação de diligência para esclarecimento de dúvidas acerca do arbitramento aplicado no lançamento, já na fase de julgamento em segunda instância, não pode resultar na alteração do critério desse arbitramento, sob pena de nulidade por cerceamento de direito de defesa.
Numero da decisão: 9202-006.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DA PROVA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. É de se conhecer de Recurso Especial da Fazenda Nacional contra decisão não unânime, proferida na vigência da Portaria MF nº 147, de 2007, em que a Recorrente alega adequadamente a contrariedade à lei ou à evidência da prova, ainda que o apelo seja interposto já na vigência da Portaria MF nº 256, de 2009. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. DILIGÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO. NULIDADE. A solicitação de diligência para esclarecimento de dúvidas acerca do arbitramento aplicado no lançamento, já na fase de julgamento em segunda instância, não pode resultar na alteração do critério desse arbitramento, sob pena de nulidade por cerceamento de direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 94 8. 00 29 04 /2 00 3- 15 Fl. 709DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 35.513.8441, relativo às Contribuições Previdenciárias dos segurados empregados, da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às entidades e fundos denominados terceiros (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), incidentes sobre pagamento de remunerações a título de comissões aos segurados empregados e apuradas por aferição indireta, no período de 01/1999 a 12/1999 e de 01/2001 a 07/2001, conforme Relatório Fiscal de efls. 334 a 339. A autuação foi mantida em primeira instância, ainda na Secretaria Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 14401.4/0388/2003 (fls. 179 a 199 Volume 4) e, quando do julgamento do recurso no Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), a 4ª Câmara de Julgamento o converteu em diligência, conforme a Decisão nº 93/2004, nos termos do despacho de fls. 01 a 04 Volume 1: "Através da Decisão nº 93/2004 de fls. 290 a 293, os membros da 4a Câmara de Julgamento do CRPS decidiram, por unanimidade em converter os autos em diligência, de acordo como o voto da Sra. Relatora, que analisando o processo concluiu que os elementos que levaram à fiscalização a proceder ao arbitramento não foram adequadamente demonstrados no período lançado, o que restou dúvidas, principalmente, quanto à escolha dos parâmetros utilizados na aferição indireta. Sendo assim, procede a formulação de quesitos (1 a 6) à Fiscalização, para que esta elucide as questões consideradas necessárias para o julgamento do recurso." O resultado da diligência consta às fls. 03 a 124 Volume 2. Às fls. 126 a 145 Volume 2, constam as Razões de Manifestação da Contribuinte acerca do resultado da diligência, assim resumidas: "4.1 Isto posto: (i) tendo em vista a nulidade do 'novo lançamento' pretendido pela Sra. Auditora Fiscal, conforme os argumentos expostos em a preliminar argüida pela ora Recorrente no item 2.0 supra; (ii) o reconhecimento pela própria Sra. Auditora Fiscal de que a base utilizada para o arbitramento constante da NFLD é totalmente insubsistente e lastrada em fundamentos absolutamente falsos, tanto que reduziu, de ofício, o valor do lançamento em mais de 40%; (iv) a improcedência da NFLD, haja vista a total insubsistência do procedimento de arbitramento ilegalmente levado a efeito pela Sra. Auditora Fiscal, o que ocorreu tanto na NFLD original, quanto naquela decorrente da diligência, é a presente manifestação para requerer o prosseguimento do julgamento do recurso perante Fl. 710DF CARF MF Processo nº 35948.002904/200315 Acórdão n.º 9202006.692 CSRFT2 Fl. 710 3 este E. CRPS, com a conseqüente declaração da nulidade da NFLD n° 35.513.8441." Às fls. 147 a 161 Volume 2, o INSS manifestase no sentido da manutenção da decisão recorrida, assim concluindo: " 11. Ante o exposto e face o pronunciamento fiscal de fls. 297 a 394, entendese cumprida a Decisão e que a Auditoria Fiscal agiu com lisura e corretamente ao lavrar a presente NFLD, pois agindo de forma contrária, não cumpriria com seu dever funcional, e deixaria de arrecadar as contribuições devidas à Seguridade Social. Sendo assim a Delegacia da Receita Previdenciária reitera todos os argumentos formulados por ocasião das contrarazões de fls. 246 a 265 dos autos, ao tempo que pede e espera que se a Colenda 4a Câmara de Julgamento do CRPS vier a conhecer do recurso/aditamento interpostos pela empresa, NEGUELHE PROVIMENTO, a fim de manter a decisão recorrida." Quando do retorno da diligência, em 20/06/2005, foi proferido o Acórdão CRPS nº 1.198/2005 (fls. 164 a 172 Volume 2), com a seguinte decisão: "Extraise daí que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos NFLD lavrada sem a emissão ou com extinção do prazo do respectivo MPF, é nula de pleno direito por lhe faltar ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes. Assim, ainda que tenha sido emitido MPF e/ou MPFC, devem ser observados os prazos constantes do artigo 12, do Decreto n° 3.969/2001, ou aquele inscrito no próprio MPF, para que os atos futuros tenham validade, por estarem amparados por tal ato, como por exemplo a lavratura da notificação fiscal. (...) Na hipótese dos autos, o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, às fls. 21, determinou que o prazo para seu cumprimento perduraria até 20 de dezembro de 2002. Por seu turno, a lavratura da NFLD ocorreu somente em 23 de dezembro de 2002, portanto, fora do prazo de validade do respectivo MPF C, sendo nulo de pleno direito o lançamento, conforme restou circunstanciadamente demonstrado. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E ANULAR A NOTIFICAÇÃO, por vício formal insanável." Contra esta decisão foi apresentado, em 27/07/2005, pelo INSS, às fls. 175 a 191 Volume 2, o Pedido de Revisão de Acórdão, no sentido de que fosse revertida a nulidade e, no mérito, negado provimento ao recurso da Contribuinte: "9. Em face de todo o exposto, espera esta Delegacia da SRP que V. Exa. acolha o presente pedido de revisão do Acórdão Fl. 711DF CARF MF 4 n°1198/2005 prolatado por esta 4ªCAJ/CRPS, afastando de plano a decisão de nulidade da NFLD n°35.513.8441, emitindose nova decisão, ao tempo em que pede e espera que se esta Colenda 4ª Câmara de Julgamento do CRPS vier a conhecer do recurso interposto pela autuada, NEGUELHE PROVIMENTO, por ser um ato lídimo e de JUSTIÇA." Intimada do Pedido de Revisão de Acórdão, a Contribuinte ofereceu as Contrarrazões de fls. 198 a 204, assim concluindo: "Portanto, levandose em consideração que à época da lavratura da NFLD respectiva, em 23 de dezembro de 2002, não havia o Mandado de Procedimento Fiscal a que alude o art. 31, III da Portaria MPAS n° 520/2004, deve ser mantido o V. Acórdão recorrido que declarou a nulidade da NFLD respectiva, em respeito ao Princípio da Legalidade, fundamental ao Estado Democrático de Direito, como medida da mais lídima Justiça." O Pedido de Revisão apresentado pelo INSS foi examinado pela 4ª CAJ em 11/01/2006, por meio do Despacho nº 24/2006 (fls. 209 a 215 Volume 2). A decisão foi pelo não processamento da revisão, indeferindose o pleito, conforme a seguinte conclusão: "Na hipótese dos autos, verificase que a recorrente, ainda que em outras palavras, tão somente voltou a discutir matéria já analisada por esta egrégia 4ª Câmara, oportunidade em que fora exarado Acórdão n° 1.198/2005, ora atacado, impondo o não conhecimento do seu pedido de revisão, nos precisos termos do artigo 60, § 7º, da Portaria MPS n° 88/2004, in verbis: 'Art. 60. [...] § 7º Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador.' (grifamos) Neste contexto, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantida a nulidade da NFLD na forma decidida pela 4a Câmara, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório combatido, mormente no que diz respeito aos requisitos para o conhecimento do pedido de revisão." Em 31/03/2006, foi apresentado novo Pedido de Revisão, pela Secretaria Previdenciária (fls. 8 a 29 Volume 3), com base no art. 60 do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, RICRPS, aprovado pela Portaria n° 88, de 2004, do Ministro da Previdência Social, que assim estabelecia: "Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I violarem literal disposição de lei ou decreto; Fl. 712DF CARF MF Processo nº 35948.002904/200315 Acórdão n.º 9202006.692 CSRFT2 Fl. 711 5 III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável;" Enquanto o Pedido de Revisão aguardava julgamento, houve a fusão das Secretarias da Receita Federal e Previdenciária, de sorte que o processo passou a tramitar no antigo Segundo Conselho de Contribuintes. Nesse passo, ao Pedido de Revisão foi dado seguimento, conforme Despacho nº 205557, de 22/09/2008, da 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 46 a Volume 3): "QUANTO À REGRA DE APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS: Inicialmente, devese esclarecer quanto à regra de aplicação das normas processuais que regem o contencioso administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias após a vigência da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. O disposto no §3° do artigo 5º, a seguir transcrito, decorre da regra geral segundo a qual se aplicam imediatamente aos atos processuais pendentes as normas que entrarem em vigor, artigo 1.211 caput do Código de Processo Civil, e, quanto aos atos já praticados, ficam respeitadas as então vigentes. Assim é que §2° do artigo 5º da mesma Portaria reconhece aplicação do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Portaria MPS/GM n° 88, de 22 de janeiro de 2004, no que se refere aos processos em tramitação quanto, especialmente, ao exame dos pressupostos de admissibilidade dos recursos interpostos e requerimentos protocolados. "Art. 5º (...). §2° Aplicase o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n" 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no §1º, nos processos administrativofiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. §3° Os julgamentos e atos processuais pendentes nos processos referidos no §1º serão regulados pelo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais ". QUANTO À ADMISSIBILIDADE DO PEDIDO DE RECURSO: Fundamenta o presente pedido de revisão, como visto alhures, o artigo 60 do Regimento Interno do CRPS, em face de violação de dispositivo do Código Tributário Nacional. O acórdão que se pretende ver revisto anulou a NFLD 35.513.8441 em face de ter sido sobre a mesma o contribuinte notificado em data posterior ao prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Entendeu a E. 4ª CaJ. que tal ocorrência fulmina o ato Fl. 713DF CARF MF 6 do lançamento de nulidade, de acordo com o artigo 31, inciso III da Portaria n° 520. Determina esse dispositivo legal que são nulos os lançamentos tributários não precedidos de MPF. A colenda Câmara aproximou o MPF vencido à inexistência anterior de um Mandado de Procedimento Fiscal. Assim não adentrando no mérito do crédito constituído fulminou de nulidade o ato administrativo do lançamento. No caso sob exame, verifico que os argumentos trazidos pelo requerente demonstram a contrariedade literal. Isto porque não há, no acórdão sob revisão, demonstração do cerceamento de defesa. Conforme se depreende do relatório do ilustre relator, fls. 457/460, o sujeito passivo utilizouse dos meios disponíveis para sua defesa, demonstrando total compreensão dos fundamentos relativos ao crédito reclamado. Ressaltase, ainda, que no Decreto n° 3.969/2001 não há previsão da nulidade do lançamento quando a ciência é posterior ao vencimento do MPF. Assim, violou o artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Prosseguindo, é pacífico no âmbito deste Conselho que a nulidade somente pode ser declarada diante de expressa disposição legal neste sentido que impeça o saneamento do ato administrativo, conforme artigo 60 do Decreto n° 70.235/72; como nos casos previstos no artigo 59 do mesmo diploma legal: (...) Destarte, entendo que deva ser dado seguimento ao recurso, com fundamento no inciso X do artigo 29 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/07." Assim, com base no parecer acima, o Sr. Presidente da 5ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes acolheu o Pedido de Revisão como recurso do art. 151, inciso III, do CTN, e designou como Relator ad hoc o Conselheiro Marcelo Oliveira, nos termos do art. 29, inciso III, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007 (fls. 50 Volume 3). Às fls. 37 a 41 Volume 3, constam as Contrarrazões oferecidas pela Contribuinte, com o seguinte pedido: "Portanto, tratandose o pedido de revisão de mera reiteração de pedido anteriormente formulado e não conhecido por esta Egrégia Câmara, requer se digne este ínclito Órgão Judicante de não conhecer do presente, tendo em vista as disposições contidas no art. 60 do Regimento Interno do CRPS. Todavia, caso V. Sas. entendam por conhecêlo, a Requerida reportase às Contra razões anteriormente juntadas, pelas quais demonstrou a impropriedade de se efetuar qualquer revisão no Acórdão que entendeu pela nulidade do procedimento fiscal, como medida da mais lídima Justiça." Em sessão plenária de 03/03/2009, o Pedido de Revisão do Acórdão nº CRPS nº 1.198/2005 foi julgado como se Recurso Voluntário fosse, prolatandose o Acórdão nº 2301 00.075 (fls. 545 a 549), assim ementado: Fl. 714DF CARF MF Processo nº 35948.002904/200315 Acórdão n.º 9202006.692 CSRFT2 Fl. 712 7 “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2001 AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção, civil pode ser obtido mediante aferição indireta. NULIDADE. AFERIÇÃO. Os critérios para aferição devem possuir relação com o fato gerador e o quantum devido, sob pena de nulidade. Processo Anulado.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira.” O processo foi recebido na PGFN em 01/12/2009 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 552) e, em 05/01/2010, foi interposto o Recurso Especial de fls. 554 a 566 (Relação de Movimentação de fls. 553). O apelo, interposto na modalidade "Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova", está fundamentado no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e no art. 4º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 139/2012, de 01/03/2012 (fls. 567/568). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: conforme os arts. 59 c/c 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese dos autos, o acórdão decidiu pela anulação da autuação, por cerceamento de defesa, ao considerar que faltaram clareza e precisão na descrição do fato gerador; sucede que da leitura detida da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, bem como do Relatório Fiscal de Notificação e dos demais termos que acompanham o procedimento fiscal, concluise, indubitavelmente, que tudo está em plena conformidade com o que estabelece o Decreto nº 70.235, de 1972, e a Lei nº 8.212, de 1991; Fl. 715DF CARF MF 8 o fato gerador das contribuições, remunerações pagas a segurados sob a forma de comissões, foi devidamente comprovado pela fiscalização, conforme relata a Delegacia da Receita Previdenciária às fls. 509, nos seguintes termos: "O fato gerador do lançamento ocorreu e não foi honrado. E o contribuinte, preferiu, ao seu talante, descumprir os mandamentos legais, não registrando os fatos contábeis em títulos próprios de sua escrituração, não prestando os devidos esclarecimentos à Fiscalização, não apresentando a documentação pertinente, sonegando e não recolhendo as contribuições devidas à Seguridade Social." logo, a fiscalização desde o início descreve os fatos da obrigação tributária, não havendo certeza somente quanto ao montante tributável, razão pela qual se procedeu a apuração por meio da aferição indireta; assinalese o esforço da fiscalização em realizar o lançamento com os dados disponíveis, tendo em vista que o autuado, embora, intimado várias vezes, não apresentou os documentos essenciais à elaboração do trabalho fiscal, este, aliás, foi o motivo para o arbitramento efetuado; somente em sede de diligência, por força de ação exibitória de documentos, a auditoria fiscal teve acesso a documentos, antes sonegados, que permitiram retificar a base tributável; logo, fica clara a obstrução da ação fiscal pelo contribuinte, que agiu de modo a dificultar o trabalho dos auditores, na apuração do cumprimento das obrigações junto à Seguridade Social; é preciso mencionar, a propósito, a vedação do ordenamento jurídico a que as partes litigantes aleguem a própria torpeza e, com isso, ajam de forma contraditória; com efeito, não pode o próprio autuado postular a anulação do lançamento, que é resultado de sua conduta em não apresentar os documentos necessários à apuração das obrigações fiscalizadas; ressaltese que não há cerceamento de defesa, pois em todo o momento processual foi dada oportunidade ao sujeito passivo para se manifestar, inclusive sobre o resultado da diligência; por fim, importante pontuar que as diligências efetuadas em sede de julgamento, assim como ocorreu na hipótese, buscam sanar eventuais incorreções do lançamento, cuja retificação é a medida mais razoável, em consagração aos mais modernos princípios de instrumentalidade das formas e de celeridade processual; tais postulados expressam a inconveniência de ser declarada a nulidade de atos processuais irregulares, quando não houve prejuízo para as partes, restando claro que o contribuinte não foi prejudicado pelo ajuste do lançamento, pois desse ajuste, a base tributável foi consideravelmente reduzida, claramente em seu benefício. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que seja restabelecido o lançamento, com a retificação procedida às fls. 394. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 35948.002904/200315 Acórdão n.º 9202006.692 CSRFT2 Fl. 713 9 Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 23/03/2012 (efls. 609), a Contribuinte, em 04/04/2012, ofereceu as Contrarrazões de efls. 612 a 641 (protocolo de efls. 612), contendo os seguintes argumentos: Da inadmissibilidade do recurso preliminarmente, fazse mister ressaltar que o Recurso Especial ofertado pela Fazenda Nacional foi interposto em 05/01/2010, ou seja, já sob a égide da Lei n° 11.941, de 27/05/2009; não há qualquer controvérsia temporal como insinua a Fazenda Nacional para justificar a interposição de Recurso Especial absolutamente incabível, pois fundado no fato de que teria havido violação a dispositivo de lei ou à evidência de prova, ao tentar se valer de uma Portaria Ministerial, a MF n° 256, de 22/06/2009, o novo Regimento Interno do CARF, para justificar o cabimento de sua peça recursal; ainda que a interpretação dada aos arts. 4o e 7o do referido Regimento pela Fazenda estivessem corretos, o que não é a hipótese, conforme se verá a seguir, ainda assim uma Portaria não teria o condão de dispor contrariamente a texto expresso de Lei, a de n° 11.941, que visou objetivamente restringir o cabimento das hipóteses de Recurso Especial, seja da Fazenda Nacional seja dos contribuintes, sendo essa portaria ilegal; ademais disso, o art. 4o do Regimento estatui que os recursos interpostos em face de acórdãos proferidos em sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento, ou seja, serão simplesmente processados e não admitidos nas hipóteses x e y; notase, perfeitamente, que os artigos transcritos dizem respeito ao processamento do Recurso Especial, a sua formalização e não aos requisitos para o seu cabimento. Da nulidade com efeito, o acórdão recorrido é claro sobre as razões que levaram a Câmara a decidir pela nulidade do lançamento vergastado, pontualmente: "Após a Impugnação da Recorrente, da decisão de primeira instância, do recurso impetrado e da conversão do julgamento em diligência pela CAJ, a fiscalização alterou os fundamentos da realização da aferição."; ocorreu afronta total aos princípios que regulam o direito à ampla defesa, por meio do lançamento do crédito tributário, do Processo Administrativo Fiscal que se norteia pelo estabelecido nos arts. 145 e 149 do Código Tributário Nacional; a fiscalização ignorou por completo as determinações da Egrégia 4a Câmara de Recursos, deixando de responder a todos os quesitos, preferindo justificar o novo lançamento que fez ao invés de esclarecer o anterior, sem olvidar de que a fase para eventual retificação se é que se pode falar em retificação in casu se dá até a decisão de 1a Instância; as diligências foram determinadas com o objetivo de subsidiar a decisão da Egrégia Câmara de Julgamento quanto à validade do lançamento que restou mantido pela 1a Fl. 717DF CARF MF 10 Instância Revisora, eis que a Ilustre Conselheira Relatora manifestou dúvidas quanto aos parâmetros utilizados no procedimento de aferição indireta, em face da falta de demonstração dos elementos que levaram a fiscalização a proceder ao arbitramento; a diligência foi requerida no exato espírito da lei, pelo que serviria a mesma, ou para melhor instrução do processo (ou da decisão do Tribunal), ou para o saneamento de vício sanável, já que o entendimento da Egrégia 4a Câmara de Julgamento foi no sentido de que os elementos que motivaram o arbitramento não restaram suficientemente demonstrados; entretanto, a fiscalização, ciente de que a NFLD não possuía o mínimo de fundamento, preferiu proceder a uma "retificação" do suposto débito, que nada menos é do que outra NFLD, o que é vedado não somente pelo Regimento Interno do Órgão Judicante como pelo Código Tributário Nacional; não se pode, mormente em fase recursal, modificar o lançamento nos critérios fáticos e jurídicos que o embasam; até mesmo o prazo assinado para que a Contribuinte se manifestasse sobre o resultado da diligência, de dez dias, é muito inferior ao prazo legal para o oferecimento da impugnação. Do mérito a conclusão dos Srs. Auditores Fiscais decorreu do fato de terem encontrado, no curso do procedimento fiscalizatório levado a efeito na documentação contábil da Contribuinte, cópias de reclamatórias trabalhistas, em não mais do que duas ações judiciais em que os reclamantes pugnaram pelo pagamento de verbas trabalhistas, e, em tais procedimentos judiciais, realizou a Contribuinte acordos, sem que tais pagamentos implicassem no reconhecimento da procedência das reclamatórias, mas sim em uma maneira de colocar fim ao litígio, vez que os ônus de sua tramitação importavam em despesas que a Contribuinte entendia não justificáveis; e quanto às demais alegações de que não foram entregues os documentos solicitados, em realidade, tratase de uma inverdade, pois nos termos do relatório elaborado pelos Srs. Auditores Fiscais, inúmeros documentos foram apreendidos para análise; jamais reconheceu a Contribuinte, como de fato não reconhece, o pagamento de comissões a todos os seus funcionários indistintamente, sendo certo que, àqueles que faziam jus ao seu recebimento, este foi realizado na forma da lei, conforme bem demonstram os relatórios fornecidos pela Contribuinte aos Srs. Auditores Fiscais e que dão conta do pagamento de referidas comissões a alguns dos funcionários e em alguns meses, e não a todos os funcionários durante todo o ano; depreendese, portanto, a insubsistência do arbitramento levado a efeito, pois deveriam ter fiscalizado tão somente a existência de recolhimento de contribuição previdenciária relativamente aos pagamentos constantes dos referidos relatórios; nenhum outro elemento buscaram os Srs. Auditores Fiscais, preferindo a conclusão de que se houve pagamento de comissões em dois meses, houve também pagamento em todo o período fiscalizado; notese, ademais, que dos citados relatórios fornecidos pela Contribuinte, constatase que, em um mês (março de 1999) houve pagamento de comissões no total de R$ 5.072,24, enquanto que, no mês seguinte (abril de 1999), houve pagamento de comissões no Fl. 718DF CARF MF Processo nº 35948.002904/200315 Acórdão n.º 9202006.692 CSRFT2 Fl. 714 11 total de R$ 146.225,12; tal fato é por si só suficiente à comprovação de que: (i) apenas alguns poucos funcionários recebiam comissões; e (ii) tais comissões eram pagas em caráter extraordinário; a Fiscalização não poderia ter escolhido uma conta contábil do ano de 2000, denominada "despesas extraordinárias", para servir de base de incidência de Contribuições Previdenciárias nos dezenove meses do período fiscalizado; o Fisco não está legalmente autorizado a transferir ao particular seu dever jurídico de investigação em busca da verdade material quanto à cobrança de tributos ou imposição de penalidades; a Contribuinte, ao apresentar a documentação solicitada, anexou uma série de documentos que possibilitariam a aferição de sua regularidade em relação ao recolhimento das Contribuições Previdenciárias de sua responsabilidade, inclusive dos relatórios de pagamentos de comissões ocorridos no período fiscalizado, afirmase, desde logo, pois, que referidos documentos demonstravam que o pagamento das multicitadas "comissões", conforme anteriormente frisado, não se dava em relação a todos os seus funcionários, mas apenas em relação a parcela mínima deles, e de forma excepcional, em alguns meses do ano; tendo em vista que a Fiscalização apontou genericamente as possíveis omissões de recolhimentos, sem demonstrar de forma material e fática quais são e em relação a quais funcionários isso ocorreu, em respeito ao princípio da verdade material haveria de ser declarada nula a NFLD já em primeira instância administrativa e, principalmente, desprezado o arbitramento levado a efeito, por ser evidente a sua ilegalidade; há uma infinidade de regras para se efetuar a aferição indireta, caso esta fosse cabível no caso presente, o que não se admite, pois a Contribuinte forneceu todos os elementos solicitados pelos fiscais, sendo certo que os mesmos deixaram de levar em consideração quase a totalidade dos requisitos necessários ao arbitramento contidos nos incisos do art. 61, da IN nº 70, de 2002; a NFLD e os documentos que a compõem, inclusive os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e os Termos de Apreensão de Documentos TAD, em nenhum momento registraram ter havido sonegação de documentos por parte da autora; já o relatório, especificamente no item IV, apresentou uma série de contradições, todas ignoradas em primeira instância administrativa; claro e provado está o absurdo cálculo do arbitramento efetuado pelos Fiscais: a Contribuinte, pelos cálculos efetuados, deveria pagar comissão para todos os seus colaboradores no mínimo em percentual superior a 14% sobre o seu faturamento bruto; nem se argumente, neste caso, o fato de que boa parte do faturamento da empresa é entregue a terceiras empresas prestadoras de serviços, o que, se considerado, tornaria ainda mais elevado o percentual em referência, comprovandose, mais uma vez, a desproporcionalidade da NFLD; no entanto, para se ter uma melhor ideia do descabimento dos valores indevidamente lançados mediante arbitramento, cumpre apontar que, se considerada a média de salários mínimos utilizada pela peça de autuação nos períodos fiscalizados, temse uma média mensal de pagamento de remuneração superior a três salários mínimos por funcionário, somente a título de comissões, desconsiderados os respectivos salários, sendo inconcebível Fl. 719DF CARF MF 12 admitirse que a Contribuinte remunerasse seus funcionários com uma quantia média de R$ 600,00 por mês, somente a título de comissões; neste diapasão, temse por evidente o fato de que, mesmo que possível o arbitramento em tela, o que em realidade não admite a Contribuinte, a Contribuição lançada não poderia exceder o limite do razoável, não poderia consumir grande parte ou quase a totalidade do patrimônio da Contribuinte, muito menos inviabilizar o seu negócio, sendo lícita e correta, em casos que tais, a aplicação do Princípio da Proporcionalidade; nessa marcha, impossível conceberse lançamento tributário, por meio do instituto do arbitramento, de valor tão elevado, principalmente se considerado o inconteste fato da inexistência de ausência de recolhimento da contribuição previdenciária, o qual, em persistindo, acarretará, inclusive, locupletamento sem causa por parte do INSS, com desproporcional empobrecimento, ou até mesmo exaurimento, da fonte pagadora; por isso mesmo, afora a inafastável desproporcionalidade do tributo indevidamente lançado, cabe aqui afirmar o seu caráter eminentemente confiscatório, que é vedado pelo inciso IV, do artigo 150, da Constituição Federal. Ao final, a Contribuinte requer a manutenção do acórdão recorrido, afastandose o lançamento objeto da NFLD combatida. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase do Debcad 35.513.8441, relativo às Contribuições Previdenciárias dos segurados empregados, contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às entidades e fundos denominados terceiros (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), incidentes sobre pagamento de remunerações a título de comissões aos segurados empregados e apuradas por aferição indireta, no período de 01/1999 a 12/1999 e de 01/2001 a 07/2001, conforme Relatório Fiscal de efls. 334 a 339. No acórdão recorrido, declarouse a nulidade do lançamento por vício na descrição do fato gerador, e a Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, alegando a inexistência de vício, uma vez que não teria havido prejuízo à defesa. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, alegando que o apelo foi interposto já em 2010, portanto sob a égide da Lei nº 11.941, de 2009, que não mais previa o cabimento de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova. Embora não caiba a este Colegiado questionar a legalidade do Regimento Interno do CARF, importa salientar que a mesma Lei nº 11.941, de 2009, alterou também o art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, que passou a vigorar com a seguinte redação: Fl. 720DF CARF MF Processo nº 35948.002904/200315 Acórdão n.º 9202006.692 CSRFT2 Fl. 715 13 Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. Nesse passo, utilizandose da prerrogativa que lhe foi legalmente concedida, o Regimento Interno do CARF RICARF estabeleceu, em seus artigos 4º e 5º, regras de transição, garantindo direitos tanto para a Fazenda Nacional como para os Contribuintes. No caso da modalidade recursal ora tratada garantiuse, no caso de acórdão proferido antes da vigência do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, o direito à sua utilização, por meio do art. 4º, da citada Portaria: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Ressaltese que essa regra de transição garantiu o direito não apenas à modalidade recursal ora tratada, como também ao Recurso Voluntário contra o provimento, total ou parcial, de Recurso de Ofício, modalidade que somente contemplava o sujeito passivo, bem como ao Recurso Extraordinário, disponível a ambas as partes. Acrescentese que a regra de transição do art. 5º garantiu o direito à apresentação de Agravo, também disponível a ambas as partes. Quanto ao inciso I, do art. 7º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, este assim dispunha: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; (...) § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. (grifei) Destarte, tratase de recurso de cognição ampla, cujos pressupostos processuais são: a) decisão não unânime; e b) simples alegação de contrariedade à lei ou à evidência da prova. Com efeito, no acórdão recorrido a decisão não foi unânime, já que restou vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Ademais, a Fazenda Nacional alega em seu recurso que o julgado teria contrariado a legislação tributária precisamente, os arts. 11, 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 e art. 33, §§ lº, 3º e 6º, art. 37, caput da Lei nº 8.212, de 1991 bem como o conjunto probatório carreados aos autos do processo. Fl. 721DF CARF MF 14 Assim, constatase que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional atendeu aos pressupostos regimentais, portanto dele conheço e passo a analisarlhe o mérito. Em seu apelo, a Fazenda Nacional elabora relatório resumindo o que ocorreu no processo, porém omite a parte que mais influenciou os julgadores, na tomada de decisão pela declaração de nulidade do lançamento, que foi a diligência solicitada pela Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que resultou em um novo lançamento, desta vez abandonandose o critério de arbitramento utilizado na autuação original e adotandose novo critério. É o que expressamente consta do voto do acórdão recorrido, sequer mencionado ou contraditado pela Fazenda Nacional: "Preliminarmente, a questão de importância que deve ser analisada. O lançamento foi efetuado, originalmente, utilizando a conta contábil Despesas Extraordinárias (DE) como base para a aferição. Após a impugnação da recorrente, da decisão de primeira instância, do recurso impetrado e da conversão do julgamento em diligência pela CAJ, a fiscalização alterou os fundamentos da realização da aferição. A conta DE foi desprezada integralmente e foram utilizados outros critérios. O lançamento tributário, sem dúvida alguma, é um dos atos praticados pelo Estado que devem possuir o máximo de formalismo e correção na sua confecção. A exigência de ofício tributos pelo Estado deve possui o máximo de certeza em sua constituição. Sabemos que essa certeza fica prejudicada no caso do lançamento arbitrado, permitido pela legislação e corretamente aplicado pela fiscalização, devido à falta de apresentação de documentos por parte da recorrente. Mas mesmo o lançamento arbitrado deve seguir parâmetros razoáveis, que mantenham relação com o fato gerador do tributo e com o quantum a ser exigido. A alteração dos fundamentos para a aferição, após os questionamentos da CAJ, por parte da fiscalização, demonstra, de forma clara, que nem os responsáveis pelo lançamento arbitrado conseguiram fundamentar a exigência. O Processo Administrativo Fiscal (PAF) deve, como determina a legislação, ser formal, possuir fases. Todos esses procedimentos buscam respeitar o Estado Democrático de Direito, onde as exigências tributárias devem decorrer e ser mantidas pela intenção do legislador, representante do povo, e não às custas de argumento sobre o interesse coletivo. A própria legislação que trata do assunto não permite alterações. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 35948.002904/200315 Acórdão n.º 9202006.692 CSRFT2 Fl. 716 15 (...) Portanto, restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputado lançamento sem a descrição clara e precisa de seu fato gerador, prejudicando seu direito de defesa. Com efeito, o Decreto nº 70. 235, de 1972, assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (grifei) Assim, conforme consta do acórdão recorrido e não foi contraditado pela Fazenda Nacional após o julgamento em Primeira Instância, já na fase de recurso ao CRPS, uma diligência solicitada para obtenção de esclarecimentos acerca do critério utilizado para o arbitramento, resultou na alteração desse critério, sem que fosse reaberto o rito do Processo Administrativo Fiscal, para este que, a julgar pelo que constou do acórdão recorrido, resultou em um novo lançamento. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 723DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726609/2009-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 09 /2 00 9- 29 Fl. 177DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2801003.313, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 40/44, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 47 e ss. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 59/69, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, deve ser reformado o lançamento apenas para cancelar a exigência da multa de ofício no percentual de 75%. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE MOTIVAÇÃO PARA DECIDIR TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10580.726609/200929 Acórdão n.º 9202006.334 CSRFT2 Fl. 3 3 O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em erro no preenchimento da declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda das pessoas físicas, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora. Súmula CARF nº 73. Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 79/108, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que Fl. 179DF CARF MF 4 desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 3. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 4. Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Recorrente apresentou acórdão paradigma reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora, em contrariedade ao decido no acórdão recorrido. 5. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Arguiu que a titularidade do imposto de renda de cobrança não é da Recorrida e sim do Estado da Bahia e, daí, a falta de legitimidade da União para figurar no polo ativo dessa relação jurídicotributária. Às fls. 157/163, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso apenas em relação à terceira divergência arguida: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória”. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 164/165, que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Do Despacho de Exame de Admissibilidade, o Contribuinte foi intimado, conforme fls. 169. Às fls. 172 e ss., a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, sem preliminar alegada requereu, em síntese, a manutenção do acórdão por seus próprios e jurídicos fundamentos em relação à matéria recorrida. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10580.726609/200929 Acórdão n.º 9202006.334 CSRFT2 Fl. 4 5 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e Fl. 181DF CARF MF 6 c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastála no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência (fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10580.726609/200929 Acórdão n.º 9202006.334 CSRFT2 Fl. 5 7 Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. Fl. 183DF CARF MF 8 A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10580.726609/200929 Acórdão n.º 9202006.334 CSRFT2 Fl. 6 9 A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Fl. 185DF CARF MF 10 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.726609/200929 Acórdão n.º 9202006.334 CSRFT2 Fl. 7 11 Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.900044/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 44 /2 00 8- 26 Fl. 108DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 61/66, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 49/53, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 37452.99678.191103.1.3.041650, fls. 20/25, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 8.600,58 oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 8.827,64. Conforme Despacho Decisório de fl. 17, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.4) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.5) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 15374.900044/200826 Acórdão n.º 2201004.418 S2C2T1 Fl. 96 3 3.6) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos autos; 3.7) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/35) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 49/53): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 17 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fls. 28/39). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário Fl. 110DF CARF MF 4 O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 07/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 60 e a tela de consulta dos Correios de fl. 82, apresentou o recurso voluntário de fls. 61/66 em 08/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 0324/00, que tramitou na 34ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 86/93). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de condenação resultante de ação trabalhista, deveria recolher o valor de R$ 8.316,22 a título de IRRF (conforme cálculos de fls. 86/87). No entanto, o RECORRENTE alega ter cometido erro na apuração do tributo (deixou de deduzir da base de cálculo do imposto a parcela da contribuição previdenciária), assim efetuou o recolhimento do IRRF no montante indevido de R$ 8.600,58 (fl. 83). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF no valor correto de R$ 8.316,22 (fl. 93). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 17, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 0/09/2003. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15374.900044/200826 Acórdão n.º 2201004.418 S2C2T1 Fl. 97 5 Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Fl. 112DF CARF MF 6 Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 0324/00, que tramitou na 34ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.900044/200826 Acórdão n.º 2201004.418 S2C2T1 Fl. 98 7 confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 114DF CARF MF 8 Fl. 115DF CARF MF
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