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Numero do processo: 10980.007691/2007-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Verificada a omissão acerca do período decadencial considerado, impõe-se o esclarecimento devido.
Embargos de declaração do contribuinte parcialmente acolhidos.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2803-002.171
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para retificar o acórdão 280301.182.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a omissão acerca do período decadencial considerado, impõese o esclarecimento devido. Embargos de declaração do contribuinte parcialmente acolhidos. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para retificar o acórdão 280301.182. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 76 91 /2 00 7- 14 Fl. 193DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09144.1M8F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.007691/200714 Acórdão n.º 2803002.171 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 194DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09144.1M8F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.007691/200714 Acórdão n.º 2803002.171 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos tempestivamente, contra acórdão 280301.182, sessão de 29.11.2011. O r. acórdão teve como relator original, Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior e este Conselheiro como redator do voto vencedor. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi omisso, pois não se manifestou acerca da decadência e quanto aos serviços prestados que não se sujeitam à retenção. Por fim, requer seja admitido e processado os presentes Embargos de Declaração, a fim de que a C. Turma supra as omissões supra apontadas, manifestandose sobre: (a) a decadência parcial do crédito tributário e (b) as razões pelas quais considera que cada um dos serviços relacionados no voto estão sujeitos à retenção de que trata o art. 31 da Lei n° 8.212/91, inclusive sobre os serviços de fundações; para, se entender pertinente, seja atribuída à decisão efeitos infringentes para, reformado o acórdão embargado, seja dado provimento ao recurso voluntário interposto pela embargante. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09144.1M8F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.007691/200714 Acórdão n.º 2803002.171 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A embargante insurgese acerca de dois pontos principais: Omissão quanto ao prazo decadencial Omissão quanto aos serviços prestados que não se sujeitam à retenção. De pronto cumpre afastar a omissão acerca dos serviços que se sujeitam a mãodeobra. O acórdão recorrido aborda a questão, informando ainda que não houve impugnação quanto a natureza dos serviços prestados, senão vejamos. Cumpre primeiramente apontar que não houve impugnação expressa a nenhum lançamento efetuado, o que, de pronto, atrai a aplicabilidade do art. 17 do decreto 70.235/72, sendo vedado ao contribuinte suscitar discussão nova em sede recursal, em razão do trânsito em julgado administrativo. Quanto ao prazo decadencial, assiste razão a embargante, posto que tal matéria não foi abordada no r. acórdão, constando inclusive do relatório. A fim de sanear tal omissão, esclarecemos o seguinte. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 196DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09144.1M8F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.007691/200714 Acórdão n.º 2803002.171 S2TE03 Fl. 6 5 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Fl. 197DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09144.1M8F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.007691/200714 Acórdão n.º 2803002.171 S2TE03 Fl. 7 6 No presente caso, aplicase a regra do art 173, posto que não há registros de pagamentos parciais constantes na notificação lavrada Assim sendo, aplicandose o art. 173, haveria que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2001, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 30/03/2007. Nessa linha já se manifestou o STJ, no rito do art. 543C do Código Processual, consoante RESP 973.733/SC e nos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010, que transcrevo. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Como só constam lançamentos a partir da competência 01/2002, não há prazo decadencial a ser reconhecido. A nova ementa terá a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. Fl. 198DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09144.1M8F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.007691/200714 Acórdão n.º 2803002.171 S2TE03 Fl. 8 7 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. As competências lançadas pela fiscalização não se encontram em período decadente. Recurso voluntário Negado CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento parcial dos embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para retificar o acórdão 280301.182. Oséas Coimbra Relator Fl. 199DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09144.1M8F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por OSEAS COIMBRA JUNIOR em 14/03/2013 12:31:16. Documento autenticado digitalmente por OSEAS COIMBRA JUNIOR em 14/03/2013. Documento assinado digitalmente por: OSEAS COIMBRA JUNIOR em 14/03/2013 e HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 14/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.1019.09144.1M8F Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CB8E00691FAA6876E4D67A217B5BCD6D2A9E9563 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10980.007691/2007-14. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10073.721394/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/10/2007 a 22/12/2009
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2007 a 22/12/2009 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 13 94 /2 01 1- 02 Fl. 1038DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.053 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10073.721394/2011-02 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou PROCEDENTE/PROCEDENTE EM PARTE, para DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, em atenção à previsão dos dispositivos retro mencionados e em convergência com a Súmula CARF nº 10 para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. Fl. 1039DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.053 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10073.721394/2011-02 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 1040DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12448.900264/2014-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. REINÍCIO DO PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Tendo em vista a obrigação de se aferir se presentes estão os atributos de certeza e liquidez do crédito ofertado pelo sujeito passivo, a retificação de Declaração de Compensação que isoladamente o demonstra acaba por reiniciar o prazo para que a Administração Tributária homologue todas as compensações anteriormente declaradas e vinculadas, daí em diante, à declaração retificadora, não se incorrendo na hipótese de homologação tácita caso o contribuinte seja notificado da decisão que expressamente não as homologou no prazo de 5 (cinco) anos, contados da retificação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO.
O direito à restituição ou compensação do imposto depositado judicialmente poderá ser exercido apenas com a conversão desses depósitos em renda definitiva da União e na medida em que se der essa conversão, sendo também essa a data em que se tem início a contagem do prazo decadencial para o exercício desse direito.
Numero da decisão: 1001-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Fernando Beltcher da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. REINÍCIO DO PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista a obrigação de se aferir se presentes estão os atributos de certeza e liquidez do crédito ofertado pelo sujeito passivo, a retificação de Declaração de Compensação que isoladamente o demonstra acaba por reiniciar o prazo para que a Administração Tributária homologue todas as compensações anteriormente declaradas e vinculadas, daí em diante, à declaração retificadora, não se incorrendo na hipótese de homologação tácita caso o contribuinte seja notificado da decisão que expressamente não as homologou no prazo de 5 (cinco) anos, contados da retificação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. O direito à restituição ou compensação do imposto depositado judicialmente poderá ser exercido apenas com a conversão desses depósitos em renda definitiva da União e na medida em que se der essa conversão, sendo também essa a data em que se tem início a contagem do prazo decadencial para o exercício desse direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Fernando Beltcher da Silva.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. REINÍCIO DO PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista a obrigação de se aferir se presentes estão os atributos de certeza e liquidez do crédito ofertado pelo sujeito passivo, a retificação de Declaração de Compensação que isoladamente o demonstra acaba por reiniciar o prazo para que a Administração Tributária homologue todas as compensações anteriormente declaradas e vinculadas, daí em diante, à declaração retificadora, não se incorrendo na hipótese de homologação tácita caso o contribuinte seja notificado da decisão que expressamente não as homologou no prazo de 5 (cinco) anos, contados da retificação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. O direito à restituição ou compensação do imposto depositado judicialmente poderá ser exercido apenas com a conversão desses depósitos em renda definitiva da União e na medida em que se der essa conversão, sendo também essa a data em que se tem início a contagem do prazo decadencial para o exercício desse direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 02 64 /2 01 4- 07 Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Fernando Beltcher da Silva. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário do contribuinte em face do Acórdão n° 14- 59.930, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (“DRJ”). Na origem, a ora Recorrente apresentara Declarações de Compensação (“DComp”) mediante as quais intentara liquidar débitos próprios lançando mão de crédito alusivo a saldo negativo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica do ano-calendário 2006, este levantado no montante de R$ 688.008,20. Tal pleito se consubstanciara, inicialmente, na DComp n° 38237.74200.300307.1.3.02-1306, apresentada em 30 de março de 2007. Referida DComp foi retificada pela de n° 13021.30625.200409.1.7.02-9351 em 20 de abril de 2009. A autoridade fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, proferiu Despacho Decisório por meio de processamento eletrônico da DComp inicial ativa (retificadora), reconhecendo parcialmente o direito creditório postulado, no valor de R$ 605.036,18, e homologando em parte as compensações declaradas via a citada DComp e as demais a ela vinculadas. No referido Despacho, restou assinalada divergência entre a soma das parcelas de composição do crédito disposta na DComp inicial retificadora (R$ 1.880.412,25) e na correspondente Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”) – R$ 1.890.201,06. Ainda, do total discriminado na DComp em comento, R$ 73.183,21 não se confirmaram, posto que tal quantia se referiria a um depósito judicial associado a ação sem trânsito em julgado. Outros R$ 2.000,00 em pagamentos não foram confirmados pela autoridade fiscal. Sobreveio Manifestação de Inconformidade. Por bem resumir as alegações lançadas pelo contribuinte naquela peça defensiva, valho-me de excertos do relatório da decisão recorrida: Através do despacho decisório eletrônico de fl. 8, emitido em 07/02/2014, a DRF Rio de Janeiro I reconheceu o direito creditório parcial de R$ 605.036,18, de forma a homologar parcialmente o PER/Dcomp nº 13021.30625.200409.1.7.02-9351, e não homologar os PER/Dcomps nº 31339.24410.200907.1.3.02-0769, 05325.22677.181207.1.3.02-7290 e 07110.91824.150108.1.3.02-7309. Cientificado do despacho em 19/02/2014 (fls. 68/69), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 13/20, em 19/03/2014, para alegar que à data da ciência do despacho decisório, 19/02/2014, os PER/Dcomps nº 31339.24410.200907.1.3.02-0769 e 05325.22677.181207.1.3.02-7290 já estavam homologados tacitamente. Mencionou o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e o art. 37 da IN RFB nº 900/2008. Alegou que passados cinco anos da data da entrega da declaração, a compensação estaria homologada tacitamente, de modo que o despacho decisório seria nulo em tal ponto. Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 Insurgiu-se ainda contra a parcela do direito creditório não reconhecida, pois apesar do despacho decisório não ter reconhecido o pagamento de valor R$ 73.183,21, o mesmo seria referente a depósito judicial efetuado em virtude da ação ordinária processo nº 2005.51.01.005669-8. O interessado entendeu que o montante depositado judicialmente não poderia ser objeto de restituição/compensação antes do trânsito em julgado, mas discordou que tal valor compusesse o IRPJ devido. De tal maneira, o IRPJ devido totalizaria R$ 1.119.220,83, e não R$ 1.202.192,86, como apontado no despacho decisório. Concluiu, para solicitar a reforma do despacho decisório, o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações. Naquela peça que inaugurou o litígio, o contribuinte nada disse acerca dos R$ 2.000,00 em pagamentos não confirmados, tampouco esclareceu o que motivara a divergência entre as somas das parcelas de composição do saldo negativo informadas na DComp e na DIPJ. O colegiado de piso afastou a alegação de homologação tácita, manteve a glosa do imposto depositado em juízo e inadmitiu qualquer redução do IRPJ devido naquele ano- calendário (sessão de julgamento ocorrida em 8 de abril de 2016): Conforme estabelece a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007: O primeiro PER/DCOMP em que consta o demonstrativo do crédito é considerado o documento inicial e os demais, aqueles em que foi assinalado o campo “Crédito demonstrado em outro PER/DCOMP” ou em que se constatar que o crédito já foi demonstrado anteriormente, documentos derivados a ele vinculados. A definição do instituto da compensação tem origem na lei civil, estando assim definida nos arts. 368 e 369, do Código Civil: Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem. Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. A compensação de tributos, modalidade de extinção do crédito tributário, está assim prevista no art. 170, do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, tem-se como requisito da compensação a existência de pelo menos duas obrigações líquidas, em que as partes interessadas sejam ao mesmo tempo credor e devedor. A compensação somente se aperfeiçoa mediante o encontro do direito creditório do contribuinte com o crédito tributário: havendo crédito suficiente para quitação do crédito tributário, ocorre a extinção do mesmo. Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 O art. 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim dispõe, sobre a compensação tributária, relativa a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. A admissão de retificação de Declaração de Compensação tem como efeito a alteração do termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita, a teor do que dispõe o art. 80, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, então vigente ao tempo da transmissão da última declaração retificadora, que assim dispõe: Art. 80. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. No caso em que se pleiteia o aproveitamento de crédito resultante de saldo credor de imposto em que o contribuinte apresenta duas ou mais declarações, a indicação dos créditos utilizados nas declarações de compensações se dá mediante meramente a informação do número do PER/Dcomp inicial, onde de fato foi apresentado pelo interessado o demonstrativo de crédito passível de compensação. A retificação do PER/DCOMP inicial possui efeitos no que concerne à estipulação do início do prazo para contagem da homologação tácita não só daquela declaração como de todas as demais, pois as declarações que informam a composição do crédito perante a Fazenda pública, mediante referência a outra declaração devem ser consideradas acessórias a esta, razão pela qual qualquer alteração da declaração inicial obrigatoriamente trará consequências para a análise do direito creditório. Assim, tem-se que o início da contagem de prazo para homologação tácita de todas as declarações analisadas no presente processo se inicia com a data da transmissão do PER/Dcomp nº 13021.30625.200409.1.7.02-9351 (retificador do PER/Dcomp inicial): 20/04/2009. Consequentemente, o termo final para análise das declarações se encerraria em 20/04/2014. Uma vez que o interessado foi cientificado do despacho decisório em 19/02/2014 (fls. 68/69), não há que se falar em homologação tácita de quaisquer das declarações. No que tange ao depósito judicial de R$ 73.183,21, concluo que não assiste razão ao impetrante. Está claro que tal depósito não pode ser considerado como pagamento de estimativa, pois o mesmo está sub judice. Fl. 151DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 Da mesma maneira, não há lógica para se deduzir tal valor do IRPJ devido, já que se o contribuinte for vencedor na ação judicial e houver o levantamento do depósito judicial pelo interessado, o montante será aproveitado em duplicidade. Assim, ao contrário do alegado na manifestação de inconformidade, se a ação judicial for decidida favoravelmente ao contribuinte, o depósito será levantado por ele, não havendo qualquer prejuízo. Lembro que as Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica - PIR 2007 – orientam o contribuinte como proceder no caso de haver imposto discutido judicialmente, determinando que o montante objeto da lide não pode ser considerado como despesa dedutível: [...] O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVAS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ILIQUIDEZ E INCERTEZA. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se reconhece o crédito de pagamento indevido ou a maior de recolhimento mensal, efetuado a título de estimativa mensal de IRPJ, quando o montante requerido se encontra com a exigibilidade suspensa por conta de liminar concedida em depósito judicial, dada a iliquidez e incerteza do direito creditório, ainda que haja depósito judicial da quantia suspensa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. A admissão de retificação de Declaração de Compensação tem como efeito a alteração do termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita. Irresignada, volta-se a Recorrente ao CARF, reiterando os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade e reforçando: (i) que a homologação tácita se dá pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da declaração de compensação, em nada interferindo o fato de outra DComp (ainda que tida por “documento inicial”) ter sido retificada; (ii) quanto ao IRPJ depositado em juízo, que sua opinião não diverge do exposto no Despacho Decisório; (iii) que, por outro lado, os valores supostamente devidos ao final do ano a título de IRPJ, correspondente a R$ 82.972,03, cuja exigibilidade esses depósitos judiciais promoveram a suspensão, pelo mesmo motivo, não devem ser considerados como “IRPJ devido”; e (iv) que caso não obtenha êxito na ação judicial, o valor depositado não poderá mais compor o saldo negativo do ano-calendário 2006, haja vista o decurso do prazo decadencial para repetir o indébito. Requer, em conclusão, o reconhecimento do direito creditório em litígio e a homologação das compensações declaradas. Em petição objeto de solicitação de juntada aos autos em 21 de outubro de 2023, a Recorrente noticia fato superveniente: o valor depositado em juízo foi objeto de conversão em Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 renda da União em outubro de 2019, o que implicaria admissão da quantia na composição do saldo negativo postulado, invocando a Solução de Consulta Cosit n° 1, de 6 de janeiro de 2017. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Ressalvo que o litígio instaurado pelo contribuinte limitou-se à temática da homologação tácita e ao valor tido por depositado em juízo (R$ 73.183,21), e nessa ordem passo a abordá-los. O enfrentamento de matéria de ordem pública pode se dar por provocação do interessado ou de ofício. O tema da homologação tácita de compensações declaradas pelo sujeito passivo, dadas as peculiaridades do caso concreto, comporta reflexão. Partamos, então, para as premissas que balizarão o Voto. Compensação é o encontro de contas entre devedor e credor mutuamente recíprocos. “A” deve a “B” e dele é credor. “B” deve a “A” e dele também é credor. Nada mais natural que, diante dos seus respectivos créditos líquidos e certos, “A” e “B” se compensem, extingam as correspondentes obrigações. O voto condutor do acórdão recorrido foi extremamente feliz na explanação do tema. Retificação de declaração, na seara tributária federal, importa em substituir no todo a declaração retificada, desde que o ato de retificar atenda aos preceitos pertinentes, ou seja, desde que a retificação seja admitida, por não infringir as limitações impostas (artigo 18 da Medida Provisória n° 2.189-49, de 23 de agosto de 2001). Acolhida a retificação de iniciativa do contribuinte pela Administração Tributária, nada mais importa na declaração original, como se a substituída nunca houvesse existido. Parte-se de novas referências, de novas fontes de informação, e, no caso de Per/Dcomps, de novas bases para apreciação, de novo pedido. O caput do art. 170 do Código Tributário Nacional estabelece que o sujeito passivo, mediante observância das garantias e condições que a lei vier a estipular, é autorizado a ofertar à compensação seus créditos líquidos e certos. O art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuida do instituto da compensação na esfera tributária federal, remetendo, em seu parágrafo 14, à outrora denominada Secretaria da Receita Federal o disciplinamento da matéria no âmbito de sua competência: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Admitida a retificação de declaração de compensação, tudo se renova, inclusive o termo de início do prazo para homologação expressa, nos termos do artigo 113 da Instrução Normativa RFB n° 2.055, de 6 de dezembro de 2021, que seguem o contido no artigo 110 da Instrução Normativa RFB n° 1.717, de 17 de julho de 2017, no artigo 92 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012, no artigo 80 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, no artigo 60 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, e no artigo 59 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. Nessa toada, tem-se o seguinte precedente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão n° 9101-005.441, sessão de julgamento realizada em 11 de maio de 2021): COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. INOCORRÊNCIA. A declaração de compensação retificadora tem a mesma natureza da declaração original e a substitui integralmente, independentemente de autorização pela autoridade administrativa, salvo nos casos em que sua apresentação é expressamente vedada. Quando o contribuinte promove alterações como as ora analisadas (no valor do crédito e na data de vencimento de débitos), por meio da declaração retificadora, altera materialmente a declaração original apresentada, sendo a partir da retificadora e somente desta, que a autoridade realiza o seu exame, desconsiderando quaisquer informações contidas na declaração original para fins de sua homologação. Na hipótese do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o que se homologa tacitamente é a compensação pleiteada e não os créditos ou débitos isoladamente declarados, que sequer podem ser examinados com o transcurso do prazo legal concedido à autoridade administrativa para seu exame e homologação. Assim, tendo a contribuinte promovido modificação na compensação em débitos e créditos na compensação originalmente pleiteada, há que se considerar, para fins de contagem do prazo para a homologação tácita, a data da transmissão da PER/DCOMP retificadora, inocorrendo, portanto, a hipótese de homologação tácita. Nessa mesma linha manifestou-se a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, mediante o Acórdão n° 1301-004.776 (sessão de julgamento realizada em 16 de setembro de 2020): COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. RENOVAÇÃO DO PRAZO. O prazo decadencial para o fisco homologar a compensação é de cinco anos contados da data do envio da Per/Dcomp, prazo este que é renovado em caso de apresentação de declaração retificadora. E para não citarmos outros tantos, trazemos à colação excertos da ementa do Acórdão n° 1302-000.999, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento (sessão realizada em 2 de outubro de 2012): COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser conhecida a qualquer tempo, inclusive de ofício. PER/DCOMP RETIFICADORA. REINÍCIO DA CONTAGEM DE PRAZO. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A apresentação da Per/Dcomp retificadora tem como consequência o reinício da contagem do prazo para a homologação da compensação pela autoridade administrativa, previsto no § 5ª do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 medida em que a retificadora substitui a primeira declaração apresentada, que deixa de existir juridicamente, mantidos os demais efeitos, com as alterações. No presente caso, a Recorrente declarou compensação em 2007, visando a liquidar débitos próprios mediante oferta de seu crédito, saldo negativo de IRPJ de 2006. Seguindo na cronologia dos fatos, em 2007 e 2008 intentou extinguir outros débitos, fazendo uso do referido crédito, demonstrado e discriminado na declaração de 2007, esgotando-o. Encerrasse-se a narrativa neste ponto, total razão assistiria à Recorrente, visto que somente em 2014 fora notificada da decisão da Autoridade Fiscal. Contudo, a pessoa jurídica retificou, em abril de 2009, o documento que dizia qual era o seu crédito a ser confrontado. O de 2007, no todo, perdeu eficácia, valor. O credor (a Fazenda Nacional) jamais poderia validar, ou invalidar, as compensações dos débitos isoladamente confessados em 2007 e 2008 tendo por base uma outra declaração inicial àquela altura inativa, imprestável, porquanto é dever da Administração investigar se o crédito que a outra parte lhe oferta reúne os atributos de liquidez e de certeza. Assim, tenho que a retificação promovida pelo contribuinte em abril de 2009, do Per/Dcomp que dera início ao proveito do crédito nela isoladamente demonstrado, deslocou o termo a quo do prazo para homologação expressa de todas as declarações de compensação vinculadas, apresentadas anteriormente à referida substituição. Logo, não vislumbro qualquer hipótese de homologação tácita das compensações objeto dos documentos transmitidos em 2007 e 2008, nada havendo a tal título a ser reformada a decisão recorrida. Ademais, sequer a Recorrente comprova haver alguma similitude fática entre o caso concreto e os dos precedentes não vinculantes citados no recurso. Quanto ao valor do IRPJ depositado em juízo, diga-se que desde a Manifestação de Inconformidade a Recorrente quedara-se resignada quanto à impossibilidade de o mesmo vir a compor o saldo negativo, nas circunstâncias em que o caso se apresenta: Nesse particular, não há divergência entre o entendimento da REQUERENTE e o exposto no despacho decisório, pois depósitos judiciais associados à ação sem trânsito em julgado realmente não são valores passíveis de restituição/compensação [...] No que toca ao ponto, a controvérsia se resume a uma suposta contrapartida: já que o valor depositado em juízo não poderia ser levado ao encontro de contas, o correspondente valor devido também não. O acórdão recorrido foi preciso na fundamentação em sentido oposto ao pretendido pela Recorrente, razão pela qual a acolho como razão de decidir. Salientando que a tese levada ao Judiciário seria a de que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida seria dedutível no levantamento da base de cálculo do IRPJ, digo que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário (Art. 151, inciso III, do CTN). Não significa dizer, prima facie, que o tributo seja de pronto indevido, mas que a Administração não poderia efetivar qualquer ação de cobrança, qualquer restrição, por exemplo, alusiva à regularidade fiscal. Em havendo decisão transitada em julgado em favor do contribuinte, assistir-lhe- ia o levantamento do valor depositado. Em caso contrário, o montante seria convertido em renda definitiva da União (art. 1º da Lei n° 9.703, de 17 de novembro de 1998). Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 Não assiste razão à Recorrente ao alegar que uma decisão judicial a si desfavorável impedir-lhe-ia, na realidade evidenciada no processo administrativo, a repetição do indébito pelo decurso do prazo decadencial (contados a partir da ocorrência do fato gerador do IRPJ – 31 de dezembro de 2006). Dito de outro modo, convertido, em definitivo, o depósito em renda, seria possível a caracterização efetiva de indébito, iniciando-se, a contar do fato superveniente, o prazo para o exercício do direito à sua repetição. Nessa linha, trago precedente: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 ESTIMATIVAS DEPOSITADAS JUDICIALMENTE. DIREITO À COMPENSAÇÃO CONSTITUÍDO NA CONVERSÃO EM RENDA. O direito à restituição ou compensação de valores referentes a estimativas depositadas judicialmente poderá ser exercido apenas com a conversão desses depósitos em renda da União e na medida em que se der essa conversão, sendo também essa a data em que tem início o prazo decadencial para o exercício desse direito. (Acórdão n° 1402-004.259, da 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara/1ª Seção de Julgamento/CARF, julgado em 13 de novembro de 2019, relatoria do Conselheiro Murillo Lo Visco) O precedente referido valeu-se da manifestação emanada da RFB, mediante a Solução de Consulta Cosit n° 1, de 2017 (publicada no Diário Oficial da União de 6 de março de 2017, seção 1, página 60), que dispõe sobre o assunto, inclusive no tocante aos critérios de valoração do suposto indébito, e recebeu a ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: ESTIMATIVAS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO O direito à restituição/compensação de valores referentes a estimativas depositadas judicialmente poderá ser exercido apenas com a conversão desses depósitos em renda da União e na medida em que se der essa conversão, sendo também essa a data em que tem início o prazo decadencial para o exercício desse direito. DISPOSITIVOS LEGAIS: CTN, arts. 151, II, 156, VI e 168, I; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º, 6º e 28; Lei nº 9.703, de 17/11/1998. O racional da Solução de Consulta e do citado precedente aplicar-se-ia na eventualidade da conversão do depósito em renda definitiva da União, hipótese em que o contribuinte poderia, a partir de então, requerer sua restituição, ou empregá-lo em compensações (ainda que em formulários), o que levaria, em qualquer caso, a autoridade fiscal a proceder nova averiguação e, com base no que viesse a observar, decidir o hipotético pleito, não havendo que se falar no prejuízo alegado pela Recorrente. Assim, nada há a ser alterado no encontro de contas do IRPJ, pretendido pela Recorrente, nem reforma alguma há a ser efetuada na decisão recorrida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1001-003.106 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.900264/2014-07 Fl. 157DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13888.000587/2008-26
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2004
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Verificada a obscuridade acerca das razões consideradas para definição do prazo recursal, impõe-se o esclarecimento devido.
Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, com excepcional modificação no período decadencial reconhecido, para considerar a competência 12/1999 como não decadente.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2803-002.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada para excluir do prazo decadencial a competência 12/1999.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2004 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a obscuridade acerca das razões consideradas para definição do prazo recursal, impõe-se o esclarecimento devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, com excepcional modificação no período decadencial reconhecido, para considerar a competência 12/1999 como não decadente. Embargos Acolhidos
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Verificada a obscuridade acerca das razões consideradas para definição do prazo recursal, impõese o esclarecimento devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, com excepcional modificação no período decadencial reconhecido, para considerar a competência 12/1999 como não decadente. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada para excluir do prazo decadencial a competência 12/1999. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 05 87 /2 00 8- 26 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.000587/200826 Acórdão n.º 2803002.185 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.000587/200826 Acórdão n.º 2803002.185 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos, fls. 216 e ss, opostos tempestivamente, contra acórdão, 280300.769. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi obscuro e incorreu em erro material, pois determinou, em relação a decadência, a aplicabilidade do art. 173, I, do CTN e, passo seguinte, considerou a competência 12/1999 decadente. Como o auto foi lavrado em 04/11/2005, tal competência não estaria abarcada pela decadência, segundo a recorrente. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.000587/200826 Acórdão n.º 2803002.185 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A decisão embargada informa o seguinte. Como a presente notificação se refere às competências 04/1999 a 07/2004, tendo sido dado ciência ao contribuinte em 04/11/2005, aplicandose o art. 173 do CTN temos que considerar decadentes as competências anteriores a 12/1999 inclusive. E transcreve jurisprudência acerca do tema RESP 973.733, da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça. A presente questão – alcance da competência dezembro pela regra decadencial do art. 173 do CTN, suscita ampla discussão neste colegiado, sendo que, após divergentes decisões, a Turma, por maioria, consolidou seu posicionamento para excluir tal competência e declarála como período não decadente, em especial após a publicação dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010, que transcrevo. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Transcrevo ementas desta Turma julgadora nesse sentido: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.000587/200826 Acórdão n.º 2803002.185 S2TE03 Fl. 6 5 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados até a competência 11/1998, inclusive. (...) Processo 35013.000661/200593. Acórdão 280300.487. Relator Cons Oseas Coimbra _________________ Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS L ANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8. 212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, incis o I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. (...) Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência das competências 01/2000 a 11/2000, inclusive, nos termos do art. 173, I, do CTN e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor proferido pelo Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima. Processo 11070.002845/200715. Acórdão 2803000.551. Relator para acórdão Cons Amílcar Barca Teixeira Júnior. ____________ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.000587/200826 Acórdão n.º 2803002.185 S2TE03 Fl. 7 6 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUIN QUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclu sive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrê ncia do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, o u do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em de scumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN. ... Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de decretar a extinção dos créditos lançados com base em períodos anteriores à competência 11/2000, inclusive esta e a competência 13/2000, em razão de decadência, bem como para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artig o 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/ 2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à apl icação do art. 32, IV, § 6o, da Lei n. 8.212/1991, com redação an terior à Medida Provisória n. 449/2008. Processo 15504.015484/200853. Acórdão 280301.181. Relator Cons Gustavo Vettorato Tenho assim que este é o posicionamento que pacifica o entendimento do Colegiado e o que melhor aborda a matéria em discussão. Assim sendo, reconhecendo a excepcional possibilidade de efeitos infringentes em sede de embargos declaratórios, deve ser excluída a competência 12 do período decadente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento dos embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a obscuridade apontada, para excluir do prazo decadencial a competência 12/1999. Oséas Coimbra Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13888.000587/200826 Acórdão n.º 2803002.185 S2TE03 Fl. 8 7 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 11522.002295/2007-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/01/2004 a 30/04/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE
RECOLHIMENTO.
Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido.
COFINS - DECADÊNCIA.
A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contando-se a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos
aplica-se o art. 173, I, do CTN.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE
RECOLHIMENTO.
Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido.
PIS - DECADÊNCIA.
A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contando-se a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos aplica-se
o art. 173, I, do CTN.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/01/2004 a 30/04/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. COFINS - DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contando-se a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos aplica-se o art. 173, I, do CTN. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. PIS - DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contando-se a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos aplica-se o art. 173, I, do CTN. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Negado
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FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. COFINS DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contandose a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos aplicase o art. 173, I, do CTN. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. PIS DECADÊNCIA. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contandose a partir do fato gerador para os períodos em que houve pagamentos nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Constatada a inexistência de pagamentos aplicase o art. 173, I, do CTN. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 31/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11522.002295/200761 Acórdão n.º 3801001.115 S3TE01 Fl. 395 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de lançamento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o PIS/Pasep, com fatos geradores compreendidos no período de 01/01/2002 a 31/12/2004, nos valores totais, respectivamente, de R$ 15.974,57 e R$ 201,31, incluindo contribuição, multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2007. 2. A exigência fiscal foi lavrada, nos termos do Relatório de fls. 148/150, em face de que, "no cotejo entre os valores constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal" (fl. 149), foram apuradas diferenças entre o valor escriturado e aquele declarado/pago. 3. A contribuinte tomou ciência da autuação em 27/09/2007 (fls. 144 e 151) e apresentou, em 29.10.2007, a impugnação de fls. 164/202, na qual alega: a) Houve decadência do lançamento quanto a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos (art. 150, § 4°, do CTN). Refere jurisprudência. b) A autoridade fiscal sustentou que "treze notas fiscais não teriam sido escrituradas pela empresa auditada, aduzindo, ainda, que várias entradas de recursos nas contas correntes da empresa fiscalizada também não teriam sido contabilizadas, sendo que, em decorrência dessas alegações, incidiu a aplicação de multa isolada sobre IRPJ e CSLL, bem como a apuração de IRPJ, PIS, COFINS e Contribuição Social (...)". No entanto, houve "verdadeiro equivoco da autoridade fiscal, que realizou levantamento que se mostra ser totalmente impreciso (...), pois que os fatos contábeis que o Fisco alega não terem sido escriturados, efetivamente se encontram registrados nos registros da empresa (...)" (II. 174). "Relativamente As notas fiscais que não teriam sido escrituradas (fl. 4 do Relatório Fiscal), o contribuinte logrou encontrar praticamente todas elas nos livros contábeis analisados pelo Fisco" (fl. 176). c) "De igual forma, equivocase a autoridade fiscal ao aduzir que houve omissão de receita relativamente à nãoescrituração de movimentação financeira havida no ano de 2003 (...)" (fl. 177), haja vista que os mesmos foram efetivamente escriturados. Sustenta impossibilidade de autuação com base apenas em extratos bancários. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 d) Houve erro quanto à alíquota a ser utilizada para encontrar a base de calculo para fins da multa isolada de IRPJ e CSLL. Cita julgados administrativos. e) Também foi indevida a apuração do PIS e da Cofins, de forma reflexa, com base na incidência nãocumulativa, uma vez que a impugnante encontrase dispensada da apuração sob tal sistemática. f) A autoridade fiscal deixou de levar em conta que a impugnante atua no ramo de construção civil, hipótese para a qual a receita bruta corresponde ao valor efetivamente recebido (regime de caixa), em contraponto à tese articulada no relatório fiscal. g) A taxa SELIC não é passível de utilização em matéria tributária, uma vez que corresponde a taxa de juros, representando fator de remuneração financeira, não servindo para corrigir débitos tributários, sob pena de ofensa ao principio da legalidade, vulnerando a Constituição Federal e o art. 161, § 1 0, do CTN. Cita jurisprudência. h) Requer a realização de perícia técnica contábil sobre a documentação da empresa, para fins de localização dos fatos contábeis indicados pelo Fisco como omitidos. Apresenta, dentre outros, quesitos no sentido de que seja esclarecido se determinadas notas fiscais encontramse escrituradas. 4. Em face de tais alegações, requer seja acolhida a preliminar de decadência e declarada a total improcedência do lançamento”. A Delegacia de Julgamento em Belém proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 LANÇAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Provado o não recolhimento do tributo, em face de valor apurado pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, fazse cabível o lançamento de ofício das parcelas não satisfeitas espontaneamente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A incidência de multa de mora e a exigência da taxa Selic, como juros moratórios, encontram supedâneo na legislação vigente, inexistindo qualquer vicio no lançamento em face de os haver observado, no exercício de sua atividade vinculada, a autoridade fiscal. DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11522.002295/200761 Acórdão n.º 3801001.115 S3TE01 Fl. 396 5 O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário que não tenha sido recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 LANÇAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Provado o não recolhimento do tributo, em face de valor apurado pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, fazse cabível o lançamento de oficio das parcelas não satisfeitas espontaneamente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A incidência de multa de mora e a exigência da taxa Selic, como juros moratórios, encontram supedâneo na legislação vigente, inexistindo qualquer vicio no lançamento em face de os haver observado, no exercício de sua atividade vinculada, a autoridade fiscal. DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário que não tenha sido recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme reclamação de fls. 373 a 392 reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme visto anteriormente, tratase dos autos de infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 144/151) e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP (fls. 153/160), nos quais foi exigido os valores não recolhidos das referidas contribuições, nos períodos compreendidos entre 02/2002 a 04/2004. O lançamento foi efetuado em virtude de ter a fiscalização apurado diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 148/150. O resultado do cotejamento entre os valores constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), ou pagos/recolhidos, e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal constam do “Demonstrativo de Diferenças Apuradas pelo AFRFB”, fls. 137/139. De plano, examinase a decadência em face da preliminar suscitada pela impugnante. A Lei nº 8.212/91 estabelecia em seu art. 45 que o prazo do direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos era de 10 (dez) anos. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF), após analisar a matéria em sede de controle difuso de constitucionalidade (precedentes: RE nºs. 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641), editou a seguinte súmula vinculante (Ata da 22ª sessão extraordinária, realizada em 12 de junho de 2008): “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No que concerne aos efeitos da súmula vinculante, o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, assim dispõe: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Nesta mesma direção foi editado o art. 2º da Lei 11.417/2006: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11522.002295/200761 Acórdão n.º 3801001.115 S3TE01 Fl. 397 7 “Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Também, com relação a decadência, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o seguinte entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 973733, DJe 18/09/2009) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5.º do DecretoLei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art.173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC, reafirmouse tal posicionamento (grifouse). (REsp 1090021, DJe 05/05/2010) Não é demais lembrar que, de acordo com o artigo 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações, os Conselheiros deverão observar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11522.002295/200761 Acórdão n.º 3801001.115 S3TE01 Fl. 398 9 Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {grifouse} Assim, diante dos fundamentos acima expostos, é indubitável que o prazo decadencial para a Fazenda Pública exigir (constituir o crédito tributário) a contribuição para o Pis/Pasep e Cofins é àquele disposto no Código Tributário Nacional (§4º do art. 150 se houver pagamento antecipado ou inciso I do art. 173 no caso de não existir pagamento). No caso em tela, o lançamento de ofício corresponde aos períodos de apuração de 02/2002 a 04/2004, cuja ciência ocorreu em 27/09/2007. Também, que os valores de Cofins e Pis/Pasep exigidos no presente processo tiveram origem em procedimento de fiscalização, sem notícia de quaisquer recolhimentos das contribuições nos períodos mencionados. Assim, a contagem do prazo decadencial deverá observar o disposto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Dessa forma, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 27/09/2007, os períodos compreendidos entre 02/2002 a 04/2004 não foram alcançados pela decadência. Quanto ao mérito, a recorrente aduz, conforme fls. 383 do recurso, que: “ No que diz respeito ao mérito do lançamento fiscal, temse que a autoridade Fazendária sustenta sua autuação em diferença apurada entre a DCTF e a declaração feita pela própria empresa em sua escrituração contábil e fiscal. No entanto, tal diferença não existe, uma vez que os valores declarados em DCTF e aqueles constantes na escrituração contábil e fiscal da empresa recorrente são os mesmos, razão pela qual os valores ora em discussão devem ser devidamente desconstituídos”. Todavia, tanto na impugnação quanto no recurso, a recorrente não apresentou elemento algum que pudesse se contrapor aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal. Assim, estando comprovado que os valores lançados a título de Pis/Pasep e Cofins têm origem na diferença encontrada pela fiscalização entre os valores constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), ou pagos/recolhidos, e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, conforme “Demonstrativo de Diferenças Apuradas pelo AFRFB”, fls. 137/139, e, não tendo a recorrente Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 juntado aos autos qualquer documento que indicasse erro na composição da base de cálculo das contribuições, devese manter a exigência que consta do presente processo. Por fim, resta analisar a questão do uso da taxa Selic como taxa de juros. Alega a recorrente que é equivocada a utilização da taxa Selic para esse fim, pelos seguintes motivos: (i) o primeiro porque sua utilização viola o Principio da Legalidade Tributária; (ii) o segundo em razão da impossibilidade da SELIC ser aplicada a titulo de juros moratórios em função da sua natureza remuneratória; (iii) e o terceiro em razão da proibição do anatocismo. Com relação ao tema, cumpre examinar o disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional e os artigos 61 e 63 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcritos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se verifica da leitura do texto acima, os juros de mora não traduzem qualquer efeito punitivo, sendo que o dispositivo acima determina a sua incidência “seja qual for o motivo determinante da falta”. Assim, vencida e não paga a obrigação tributária principal, pouco importa a razão que tenha determinado a mora, concretizase a incidência dos juros. No que se refere à taxa Selic, é descabida a alegação da Impugnante quando diz que esta não se coaduna com o que dispõe o artigo 161 do CTN. Como se verifica da leitura do referido artigo, permitiuse ao legislador ordinário a possibilidade de fixar taxa de juros moratórios diferente daquela prevista em seu texto, atribuindolhe poderes para disciplinar o assunto, podendo fixar a referida taxa em nível superior ou inferior ao constante da Lei Complementar, desde que, naturalmente, fosse fixada em lei, no caso, Lei ordinária. A Taxa Selic foi criada pela Lei nº 9.065, de 1995, art.13, o qual dispôs que os juros de mora “serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11522.002295/200761 Acórdão n.º 3801001.115 S3TE01 Fl. 399 11 Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente”, portanto, dotado de amplo amparo legal. Ademais, para o caso em análise, a natureza da taxa Selic, trazida a debate pela autuada, em si não é relevante. O que importa é que, conforme determinação legal, adota se seu percentual como juros de mora e, uma vez sendo a atividade de fiscalização plenamente vinculada, não há outra medida que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei, nos termos do art. 142 do CTN. Como já visto, o § 1º do art. 161 do CTN estatui que a Lei, no caso ordinária, pode dispor de modo diverso, adotando outro percentual a título de juros de mora, sendo de se aplicar na falta dessa, o percentual de 1% ao mês. Verificase, desse modo, que a cobrança de juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic se pauta pelo estrito cumprimento do princípio da legalidade, característico da atividade fiscal. Por conseqüência, a análise de valor que a impugnante faz a respeito da taxa Selic – questionando sua composição e sua natureza –, assim como as argüições de que a aplicação da taxa Selic incorreria em inconstitucionalidade, não comportam reconhecimento pela via administrativa, prevalecendo o caráter legal que vincula a atividade administrativo fiscal de lançamento, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Ademais, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula CARF nº 4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência consubstanciada no presente auto de infração. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 215DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 12 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.009070/2007-81
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS COMPENSAÇÕES.
Deve ser mantido o auto de infração, quando, intimado, o sujeito passivo deixa de demonstrar a origem das compensações declaradas em GFIP.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A fim de aplicar a retroatividade benigna, deve ser realizada comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que aludia o § 6°, inciso IV, do art. 32, da Lei 8.212, de 1991, e a multa devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2004-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar que a autoridade executora do presente julgado compare as multas previstas no revogado art. 32, § 6º, da Lei 8212/91, com as multas resultantes da aplicação do seu art. 32-A, devendo adotar este último dispositivo nas competências mais favoráveis à recorrente.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS COMPENSAÇÕES. Deve ser mantido o auto de infração, quando, intimado, o sujeito passivo deixa de demonstrar a origem das compensações declaradas em GFIP. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A fim de aplicar a retroatividade benigna, deve ser realizada comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que aludia o § 6°, inciso IV, do art. 32, da Lei 8.212, de 1991, e a multa devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212, de 1991.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-07T14:25:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-07T14:25:15Z; Last-Modified: 2023-08-07T14:25:15Z; dcterms:modified: 2023-08-07T14:25:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-07T14:25:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-07T14:25:15Z; meta:save-date: 2023-08-07T14:25:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-07T14:25:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-07T14:25:15Z; created: 2023-08-07T14:25:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-08-07T14:25:15Z; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-07T14:25:15Z | Conteúdo => SS22--TTEE0044 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 11080.009070/2007-81 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2004-000.024 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 28 de julho de 2023 RReeccoorrrreennttee ELASTEX IND E COMER ELASTICO CONFECCOES IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS COMPENSAÇÕES. Deve ser mantido o auto de infração, quando, intimado, o sujeito passivo deixa de demonstrar a origem das compensações declaradas em GFIP. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A fim de aplicar a retroatividade benigna, deve ser realizada comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que aludia o § 6°, inciso IV, do art. 32, da Lei 8.212, de 1991, e a multa devida com base no art. art. 32- A da mesma Lei 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar que a autoridade executora do presente julgado compare as multas previstas no revogado art. 32, § 6º, da Lei 8212/91, com as multas resultantes da aplicação do seu art. 32-A, devendo adotar este último dispositivo nas competências mais favoráveis à recorrente. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Regis Xavier Holanda (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 90 70 /2 00 7- 81 Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2004-000.024 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.009070/2007-81 Trata-se de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão de impugnação da DRJ que julgou procedente o lançamento. Segue a ementa da decisão: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DECLARAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. COMPENSAÇÃO. Apresentar a GFIP com omissão de deduções e com compensações incorretas constitui infração à legislação previdenciária. Compensação indevidamente declarada em GFIP até 05/2003, se considera erro de preenchimento. O sujeito passivo foi autuado por apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme o relatório fiscal, as informações seriam: a) omissas por deixar de declarar o valor do Salário Família, período 05/00 a 05/06; b) incorretas por compensar valores sem comprovar a origem destes, no período de 08/01 a 05/03. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo basicamente alegou: - as compensações teriam sido efetuadas de acordo com todas as formalidades legais; - deveria ser aplicada a retroatividade benigna, conforme MP 448/2008. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e foram cumpridos os demais pressupostos de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. A tese da retroatividade benigna deve ser igualmente conhecida, visto que a MP 449/2008 é posterior à apresentação da impugnação, de modo que a recorrente não tinha como suscitar a sua retroatividade por ocasião da apresentação da defesa. 2 Compensações Neste tocante, com razão a DRJ e o recurso deve ser desprovido. O sujeito passivo declarou compensações em GFIP sem comprovar a sua origem. Logo, improcedem as alegações da recorrente acerca da regularidade das compensações, que sequer foram comprovadas. Ademais, também não foi informado o valor do Salário Família, período 05/00 a 05/06, conforme demonstrativo de efl. 16. 3 Retroatividade benigna Quanto à retroatividade benigna, o recurso deve ser provido. A presente autuação teve como base legal o art. 32, IV, § 6º, da Lei 8212/91, cuja redação era a seguinte: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2004-000.024 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.009070/2007-81 IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. Ocorre que o § 6º foi revogado pela MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11941/2009. Por consequência, foi incluído o art. 32-A à Lei 8212/1991, cujas multas, atualmente aplicáveis inclusive à hipótese dos autos, são as seguintes: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, em conformidade com o art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, deverá a autoridade executora do presente julgado comparar as multas previstas no revogado art. 32, § 6º, com as multas resultantes da aplicação do art. 32-A, devendo adotar este último dispositivo, nas competências mais favoráveis à recorrente. É importante frisar que o presente lançamento não trata de contribuições previdenciárias, mas sim do descumprimento de obrigação acessória, que inclusive não é relacionada aos fatos geradores de contribuições. Deste modo, parece-me não ser o caso de aplicação da Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME e do item 1.26, “b”, da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. 4 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso, para determinar que a autoridade executora do presente julgado compare as multas previstas no revogado art. 32, § 6º, da Lei 8212/91, com as multas resultantes da aplicação do seu art. 32-A, devendo adotar este último dispositivo nas competências mais favoráveis à recorrente. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2004-000.024 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.009070/2007-81 Fl. 160DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000261/2003-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1995, 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. RETORNO DOS AUTOS PARA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos deu-se provimento parcial do Recurso Voluntário apresentado para: (i).afastar a decadência do direito de o Recorrente requerer a restituição dos créditos de PIS pagos indevidamente ou a maior, (ii) determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de Florianópolis para que, considerando o prazo decadencial de 10 anos para requerimento da restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, analise o mérito do pedido de restituição.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. RETORNO DOS AUTOS PARA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos deuse provimento parcial do Recurso Voluntário apresentado para: (i).afastar a decadência do direito de o Recorrente requerer a restituição dos créditos de PIS pagos indevidamente ou a maior, (ii) determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de Florianópolis para que, considerando o prazo decadencial de 10 anos para requerimento da restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, analise o mérito do pedido de restituição (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora EDITADO EM: 10/10/2012 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 11 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJFlorianópolis/SC (fls. 165 e seguintes), abaixo transcrito: Trata o presente processo de Declarações de Compensação, uma entregue em 29/05/2003 e outras dezoito transmitidas entre os dias 12/06/2003 a 12/08/2004, por intermédio das quais a interessada retro identificada compensou débitos referentes Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, apurados nos períodos compreendidos entre 04/2003 a 07/2004, com créditos decorrentes de pagamentos indevidos da contribuição para o PIS, pagos entre os dias 20/04/1993 a 29/12/1994. A Delegacia da Receita Federal do Brasil — DRF em Blumenau/SC manifestouse, por meio do Despacho Decisório As folhas 105 a 110, pela inexistência de eventual direito a restituição/compensação, posto que o prazo para restituição de indébito tributário é de cinco anos contados da data do pagamento, conforme já está pacificado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por força do Ato Declaratório SRF n. ° 96/1999. Assim, conclui que "tratandose de pagamentos feitos entre os dias 20/04/1993 e 09/12/1994 (...), para o pagamento mais recente o direito a repetição de eventual indébito se extinguiu no dia 09/12/1999. Mesmo quanto aos pagamentos complementares(...), todos efetuados no dia 29/12/1994, o direito se extinguiu em 29/12/1999". Na sequência, a autoridade fiscal coloca a impossibilidade da RFB manifestarse em relação à homologação das compensações regularmente formalizadas antes de abril de 2004, por restarem estas homologadas tacitamente por força do disposto no §5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Por fim, tendo em vista a inexistência do direito do crédito alegado e considerando as compensações tacitamente homologadas, manifestase pela não homologação das compensações apresentadas entre 14/04/2004 a 12/08/2004. A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade onde, inicialmente, faz digressões sobre a evolução da legislação que regrou e regra a exigência das contribuições destinadas ao PIS, sobre os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis es 2.445 e 2449/88, sobre a hipótese e momento de incidência, base de cálculo e prazo de recolhimento dessa contribuição e sobre o direito de compensação. Segue alegando equivoco nos fundamentos jurídicos da decisão, mencionando que, ao contrario do está dito na decisão, seu Fl. 211DF CARF MF Impresso em 26/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 11 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000261/200313 Acórdão n.º 380101.119 S3TE01 Fl. 2 3 direito de crédito decorre não da Medida Provisória n° 1.212/95, mas da inconstitucionalidade dos DecretosLeis ifs 2.445 e 2.449/88. Finda por defender que não ocorreu a alegada decadência de seu direito de compensar os valores que recolheu indevidamente a titulo de PIS. Nesse sentido aduz: o prazo para repetição de indébito, conforme jurisprudência já firmada pelo STJ, é de 10 anos, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador mais cinco anos a contar da homologação tácita, e não de apenas 5 anos como pretende a autoridade fiscal; que esse entendimento é o válido até a data da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, que, a pretexto de ser "interpretativa", na realidade "editqu nova regulamentação legislativa da questão da decadência", tratandose então de ei nova", razão pela qual não pode ser aplicada retroativamente, atingindo somente "os s que ocorreram depois da data de sua vigência"; e por fim, que o prazo decadencial somente começaria a fluir a partir da data da publicação da Resolução do Senado Federal, ato que reconheceu a inconstitucionalidade da exação em tela, da qual decorre o seu direito de crédito. Analisando o litígio, a DRJFlorianópolis /SC entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 165 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERMS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1995, 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Às fls. 69 e seguintes, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • Que tem direito à restituição dos créditos, uma vez que decorrem do de pagamentos indevidos de PIS com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº's. 2.445/88 e 2.449/88. • Que, in casu, não se operou a decadência, uma vez que o prazo para se requerer a restituição de tributos indevidamente pagos é de 10 anos e não de 05 anos como entendeu a Delegacia de Julgamento de Florianópolis (SC); É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 26/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 11 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A questão posta em discussão envolve dois pontos, quais sejam (i) prazo decadencial para requerimento de restituição de créditos tributários pagos indevidamente pelo contribuinte; (ii) direito ao crédito de PIS pago com base nos DecretosLeis nº's. 2.445/88 e 2.449/88, que foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, sendo posteriormente retirados do ordenamento jurídico por resolução do Senado Federal. Por fins didáticos, os pontos acima indicados serão analisados separadamente e na ordem em que foram citados. Primeiramente, com relação ao prazo decadencial, assiste razão ao Recorrente. Como se denota dos autos, o Recorrente apresentou declarações de compensação apresentadas entre 14/04/2004 a 12/08/2004, indicando créditos passíveis de compensação “decorrentes de pagamentos, tidos como indevidos, efetuados entre os dias 20/04/1993 e 29/12/1994” (fl. 166). Ou seja, a princípio, alguns pedidos de compensação foram protocolizados dentro do prazo de 10 anos, contados desde a ocorrência do fato gerador. E é este, in casu, o prazo que deve ser aplicado. Explicase. Até o advento da Lei Complementar 118 de 09 de Fevereiro de 2005 era pacífico nos Tribunais entendimento de que o prazo para requerer a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de 10 anos (tese dos 05 mais 05). Em reiterados julgados, os Tribunais ratificaram o entendimento de que a data de extinção do crédito tributário, para fins de contagem do prazo previsto no artigo 168, I do CTN (Lei 5.172/66), se daria depois decorridos 05 anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo (homologação tácita). Após este prazo se iniciaria o prazo de 05 anos definidos no CTN para que fosse requerida a restituição do indébito tributário. Neste sentido, vejase, como exemplo, o julgado do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ISS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. 1. Consolidado no âmbito desta Corte que, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 11 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000261/200313 Acórdão n.º 380101.119 S3TE01 Fl. 3 5 pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. (...) (REsp 1109559/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/08/2011, DJe 09/08/2011) Todavia, com o advento da citada Lei Complementar 118/05, houve mudança no entendimento. A legislação em referência determinou, em seu artigo 3º, que a extinção do crédito tributário se daria com o pagamento e não com a homologação tácita do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E mais, pretendeu dar efeitos retroativos à aludida interpretação. Confirase a redação dos artigos 3º e 4º da Lei: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Neste diapasão, sem adentrar, neste momento, em todas as discussões travadas pela doutrina e pelos Tribunais acerca do alcance da referida interpretação, registrese que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a questão, considerou que o prazo reduzido para requerer a restituição só se daria após a entrada em vigor da Lei Complementar. Vejase a ementa do julgado proferido pela Corte Suprema: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 11 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL02605 02 PP00273) Como mencionado alhures, o pedidos de compensação do Recorrente foram protocolizados entre 14/04/2004 a 12/08/2004, junto à Delegacia da Receita Federal de Rio do Sul (SC), e os créditos indicados como pagos indevidamente são do período compreendido entre outubro de 20/04/1993 e 29/12/1994. Ou seja, alguns pedidos analisados nesta decisão foram realizados dentro do prazo estipulado pela legislação (interpretação dada pelos Tribunais) vigente à época. Portanto, in casu, não se aplica a decadência invocada pela fiscalização, ficando essa desde já afastada. O segundo ponto que deve ser abordado nesta decisão é se o Recorrente tem direito ao crédito de PIS pago com base nos DecretosLeis nº's. 2.445/88 e 2.449/88, que foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, sendo posteriormente retirados do ordenamento jurídico por resolução do Senado Federal. Ocorre, contudo, que neste caso, a Douta Delegacia de Julgamento de Florianópolis, uma vez que declarou, data venia, indevidamente, a decadência do pedido de restituição dos créditos tributários do Recorrente, não analisou o mérito do recurso, qual seja, se o Recorrente tem direito à restituição do crédito declarado como pago indevidamente. Desta forma, para que não haja supressão de instância no presente julgamento, deverão os autos retornar à Delegacia de Julgamento de Florianópolis para que, considerando o prazo decadencial de 10 anos para requerimento da restituição dos tributos Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 11 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000261/200313 Acórdão n.º 380101.119 S3TE01 Fl. 4 7 sujeitos ao lançamento por homologação, analise o pedido de restituição do Recorrente e, em conseqüência, se os créditos ali declarados são suficientes para a amortização dos débitos constantes no pedido de compensação protocolizados pela Recorrente. Importante ressaltar que, em atendimento ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, caso haja necessidade, a Delegacia de Julgamento poderá requerer informações e documentos ao Recorrente, afim de verificar a origem e a autenticidade dos créditos apontados no pedido de restituição. Por tudo, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário apresentado para: (i) aplicar a decadência de 10 anos para o Recorrente requerer a restituição dos créditos de PIS pagos indevidamente ou a maior; (ii) determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de Florianópolis para que, considerando o prazo decadencial de 10 anos para requerimento da restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, analise o pedido de restituição do Recorrente e, em conseqüência, se os créditos ali declarados são suficientes para a amortização dos débitos constantes no pedido de compensação protocolizado pela Recorrente. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/06/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 10/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 11 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11020.915328/2009-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA, TAXA SELIC. LEGALIDADE, SÚMULA N° 4 DO
CARF.
Nos termos da Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA, TAXA SELIC. LEGALIDADE, SÚMULA N° 4 DO CARF. Nos termos da Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 08/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sergio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e José Luiz Bordignon. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11020.915328/200957 Acórdão n.º 380101.120 S3TE01 Fl. 102 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP transmitida em 23/06/2009 (fls. 01/03), com base em suposto pagamento a maior a título da COFINS do período de apuração de 31/10/2007 feito supostamente por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 20/11/2007, no valor total de R$ 60.433,50, com débito da mesma contribuição do período de apuração de maio de 2009, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 22.027,49. A DRF de origem através do despacho decisório eletrônico de fls. 04, não homologou a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP foi utilizado integralmente para quitar débitos em nome do contribuinte, não restando crédito disponível para a almejada compensação. Inconformada, a contribuinte, apresentou manifestação de inconformidade às fls. 07/44, sustentando essencialmente a nulidade do despacho decisório de origem, pautando se em argumentos tais como a ausência de fundamentação válida, desvio de finalidade administrativa na medida em que o despacho apenas teria sido proferido com o condão de interromper o prazo de homologação tácita dos valores compensados, cerceamento de defesa, ausência de observância ao princípio da verdade real bem como a desproporcionalidade da multa aplicada e a inaplicabilidade da taxa SELIC aos débitos constituídos em seu desfavor em face da não homologação da compensação. A DRJ de Porto Alegre – RS, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pela contribuinte através do acórdão de fls. 58 e 59, considerando a ausência de comprovação do direito ao crédito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP. Devidamente intimado a contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário de fls. 63/99 em 08/09/2011, e que se vale basicamente dos mesmos argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. A ausência de fundamentação da decisão ou o semsentido dos argumentos utilizados para a sua fundamentação atentam contra a possibilidade de se recorrer da mesma, pois a ausência dos motivos que conduziram o julgador a seu ato decisório impedem a possibilidade de refutação do raciocínio, pois não é possível acesso ao raciocínio, e, conseqüentemente, à construção lógica que culminou na decisão. Expressase assim o Professor Paulo de Barros Carvalho1: "O motivo esta atrelado aos fundamentos que ensejaram a celebração do ato. Pode vir expresso em lei ou ficar a critério do administrador. Tratarseá, então, de ato vinculado ou discricionário, segundo a hipótese. No primeiro caso, lerá o agente que houver de exarálo de justificar a existência do motivo, sem que o ato será inválido ou, pelo menos, invalidável por ausência de motivação. Deixado ao talante do agente, no entanto, poderá ele expedilo sem motivação expressa, mas, caso venha a mencionála, ficará jungido aos motivos aduzidos". Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem 1 Carvalho, Paulo de Barros; Curso de Direito Tributário, Editora Saraiva, 17ª edição; 2005. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11020.915328/200957 Acórdão n.º 380101.120 S3TE01 Fl. 103 5 dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Quanto à desproporcionalidade da multa aplicada, ante os argumentos expendidos, que abrangeram somente a discussão da inconstitucionalidade por conta de entender a Recorrente ser confiscatória, é defeso a esse conselho apreciar tal argumento pois o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fiindamente crédito tributário objeto de: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 6 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a taxa SELIC aplico o disposto na súmula nº 42 do CARF no sentido de que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Mesmo se assim não o fosse, por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional (grifos não constam do original): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei n° 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3º, conjugado com o artigo 5º, § 3º, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art. 5º. O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de 2 Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11020.915328/200957 Acórdão n.º 380101.120 S3TE01 Fl. 104 7 Liquidação e Custódia SELIC, para títulos .federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901783/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2008
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos pedidos de restituição é do contribuinte o ônus de demonstrar, de forma cabal e específica, seu direito creditório.
Numero da decisão: 1302-006.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente a Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, substituída pela Conselheira Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente a Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, substituída pela Conselheira Miriam Costa Faccin.
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DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de restituição é do contribuinte o ônus de demonstrar, de forma cabal e específica, seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente a Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, substituída pela Conselheira Miriam Costa Faccin. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, fls. 087/099 1 interposto contra decisão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 17 83 /2 01 4- 10 Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.920 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901783/2014-10 primeira instância, proferida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 075/082, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2008 EMENTA. Ementa vedada pela Portaria RFB nº 2724, de 27 de setembro de 2017. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido ACÓRDÃO Acordam os membros da 22ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para não reconhecer o direito creditório postulado e indeferir o pedido de restituição. Para esclarecimento, a recorrente protocolou Pedido de Restituição (PER), fls. 045 (09958.95505.271213.1.2.03-7289). Despacho Decisório, fls. 060, analisou o pleito da Recorrente e indeferiu o PER, nos seguintes termos: A recorrente foi cientificada da decisão e apresentou sua Manifestação de Inconformidade (MI), fls. 002/005, alegando, em síntese, que cometeu equívoco no recolhimento de R$ 12.742.332,65. A DRJ analisou a manifestação e proferiu a decisão citada, negando o direito creditório da recorrente. Para a DRJ, em síntese, os motivos para a negativa foram: 1 Numeração conforme arquivo pdf. Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.920 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901783/2014-10 A contribuinte alega erro de fato, em que o recolhimento de CSLL apurado pela estimativa mensal, referente ao mês de dezembro de 2008, no valor de R$ 12.742.332,65, foi realizado em 30/01/2009, sob o código 6758. ... Em consulta aos sistemas da Receita Federal, confirma-se que foi efetuado tal pagamento no código 6758, porém o valor encontra-se indisponível e vinculado ao período de apuração de janeiro de 2008, conforme telas a seguir estampadas: ... Ainda que se reconhecesse o pagamento apontado, o fato é que o total das parcelas de crédito informadas no PER/DComp (totalizando R$ 14.870.594,86) é inferior à CSLL devida (no valor de R$ 15.916.488,87), portanto não haveria comprovação de saldo negativo no período. A esse respeito, a contribuinte nada alegou. Assim não há reparo a ser fazer no despacho decisório. Cientificada da decisão em 09/03/2021, fls. 086, a recorrente apresentou seu recurso, em 07/04/2021, fls. 087/099. A Recorrente inicia seus argumentos alegando que no ano de 2008 apurou CSLL devida de R$ 15.376.164,90, conforme sua DIPJ, tendo recolhido antecipadamente durante o ano o valor de R$ 22.011.161,69, como demonstra o quadro que elaborou, sendo esse valor composto pelos DARFS recolhidos de janeiro a novembro de 2008, no valor total de R$ 2.128.262,21 (já reconhecido/confirmado no despacho decisório), outro DARF de estimativa de R$ 12.742.332,65 e por depósitos judiciais no valor de R$ 7.140.556,84. Reitera seus argumentos de que o recolhimento de R$ 12.742.332,65 deveria ter sido considerado, pois não o foi por seu erro. Afirma que a decisão recorrida informa que o recolhimento de R$ 12.742.332,65 está vinculado ao período de apuração de janeiro de 2008, mas não o considera para calcular o saldo negativo de 2008. Na continuação, informa que a decisão recorrida não analisou a questão dos depósitos judiciais. Afirma que na época dos fatos possuía Mandado de Segurança, visando a discussão da inconstitucionalidade do aumento da alíquota de CSL de 9 para 15% para as Instituições Financeiras, conforme previsto na Medida Provisória n.º 413/2008. Destaca que efetuou depósitos judiciais da diferença (6%), já que não obteve a liminar. Informa que no decorrer da ação judicial apresentou desistência e que os depósitos foram convertidos em renda para a União, motivo de considera-los no saldo negativo de CSLL do ano de 2008. Requer a aplicação do Princípio da Verdade Material. O Recurso foi enviado ao CARF, para análise e decisão. Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.920 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901783/2014-10 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. ADMISSIBILIDADE: O recurso atende os requisitos de admissibilidade previstos na Legislação, sendo tempestivo e pertinente, motivo pelo qual dele se toma conhecimento, para examinar as razões trazidas pela recorrente. DO MÉRITO: A Recorrente apresenta três argumentos para buscar obter o reconhecimento do direito creditório constante em seu pedido de restituição. O primeiro refere-se ao aproveitamento de recolhimento de R$ 12.742.332,65, que afirma que não foi considerado devido a erro que cometeu. Não há como atender ao pleito da Recorrente. Como constata a decisão recorrida, mesmo que esse recolhimento fosse considerado o valor dos recolhimentos seria inferior ao valor devido, constante em DIPJ, elaborada e entregue pela Recorrente, que não discorda do valor devido. Além do mais, como consta de tela na decisão recorrida, fls. 081, o valor está indisponível e vinculado ao período de apuração de janeiro de 2008.. Portanto, nega-se provimento ao recurso, nesse ponto. Em um segundo ponto a Recorrente afirma que a decisão recorrida nem chegou a analisar seus depósitos judiciais, que foram convertidos em renda para a União. Na leitura integral da Manifestação de Inconformidade não há pedido quanto a esses recolhimentos. E nem poderia haver, pois esses recolhimentos de depósitos judiciais não fizeram parte de seu pedido de restituição, fls. 048/051. Assim, por esses recolhimentos não constarem do litígio, nega-se provimento ao recurso nesse ponto. Por fim a Recorrente afirma que a Administração Pública deve obediência ao Princípio da Verdade Material. Correta a afirmação da Recorrente, só que não se trata de verificação da Verdade Material, mas sim de alterar o pedido original da Recorrente para adicionar recolhimentos que não constavam no pedido. Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.920 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.901783/2014-10 Portanto, nesse ponto também não há razão no argumento. CONCLUSÃO: Diante do exposto, nega-se provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 205DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726224/2009-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/10/2009
MULTA DE OFÍCIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL 30).
Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, constitui infração à legislação de regência, sujeitando a multa prevista no art. 283, I, do Decreto nº 3.048/99 (RPS), atualizada pela Portaria MPS/MF nº 48, de 12/02/2009.
Numero da decisão: 2003-005.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/10/2009 MULTA DE OFÍCIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL 30). Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, constitui infração à legislação de regência, sujeitando a multa prevista no art. 283, I, do Decreto nº 3.048/99 (RPS), atualizada pela Portaria MPS/MF nº 48, de 12/02/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto e Wilderson Botto.
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G. EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/10/2009 MULTA DE OFÍCIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL 30). Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, constitui infração à legislação de regência, sujeitando a multa prevista no art. 283, I, do Decreto nº 3.048/99 (RPS), atualizada pela Portaria MPS/MF nº 48, de 12/02/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto e Wilderson Botto. Relatório Trata-se o presente feito de exigência fiscal, no valor de R$ 1.329,18, relativa a multa aplicada à contribuinte por ter deixado de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme se depreende do AIOA - DEBCAB nº 37.230.346-3 (CFL 30). Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 95/101): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 24 /2 00 9- 61 Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.542 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726224/2009-61 Do Lançamento de Ofício Trata-se do Auto de Infração - AI nº 37.230.346-3, no valor de R$ 1.329,18, com ciência pessoal em 28/10/2009, formalizado pela fiscalização em razão de ter o contribuinte deixado de preparar suas folhas de pagamentos de acordo com os padrões e normas estabelecidos, nos termos do disposto no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c art. 225, inciso I e § 9º do Decreto 3.048/99 (CFL 30). Do Relatório da Fiscalização 2. Do que consta do Relatório Fiscal do Auto de Infração, os seguintes fatos merecem ser destacados (fls. 21/23): 2.1. a empresa não incluiu em suas folhas de pagamento do período de 01/2005 a 12/2006 a remuneração indireta concedida aos seus empregados na forma de bolsas de estudo (ajuda escolar) aos seus dependentes; 2.2. os Relatórios Fiscais dos AI nº 37.230.343-9 e 37.230.344-7 trazem todos os detalhes acerca da apuração do fato gerador acima; 3. O contribuinte impugnou a exigência em 27/11/2009, alegando, em síntese, que (fls. 49/78): Da inocorrência de ganho econômico para os empregados 3.1. as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos seus empregados não constituem um ganho econômico para estes, mas sim um ganho social; 3.2. tratam-se, na verdade, das denominadas utilidades benefício social, que, segundo classificação proposta por Cléber Lúcio de Almeida, não correspondem à prestação in natura concedida a título de retribuição econômica pelo trabalho, funcionando apenas como incentivo ao trabalhador em razão da melhoria de sua condição social; 3.3. em conformidade com a Convenção nº 95 da OIT, o art. 458 da CLT, modificado pela Lei 10.243/01, diz que as utilidades concedidas pelo trabalhador a título de educação não possuem natureza salarial; 3.4. de acordo com o art. 28, I, da Lei 8.212/91, somente o ganho econômico sob a forma de utilidade estará sujeito à tributação, não interessando as demais espécies de ganho (tais como, intelectual, cultural, social, etc.), sob pena de violação ao princípio constitucional da capacidade econômica; 3.5. as utilidades benefício social, ainda que não contempladas na lista do art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91, por não importarem em um ganho econômico para o empregado, mas sim em um ganho social, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias; 3.6. o Auditor Fiscal partiu de duas premissas falsas para efetuar o lançamento: i) a educação dos bolsistas seria um dever dos seus pais, e não do Estado; e, caso não existisse o benefício, os mesmos teriam que realizar desembolso financeiro para mantê-los na instituição de ensino ou em outra do mesmo nível; 3.7. no caso da primeira premissa, de acordo com os arts. 205 e 208, I e II, da CF/88, a educação básica é dever do Estado, e deve ser proporcionada de forma gratuita à sociedade; à família incumbe apenas oferecer o suporte necessário para que o aluno possa ingressar e frequentar o ensino público; 3.8. desse modo, o ganho financeiro indireto é exclusivo do próprio Estado, que deixou de arcar com a educação dos alunos bolsistas na rede pública de ensino, e não os seus pais e responsáveis; 3.9. no tocante à segunda premissa, como a autoridade fiscal sabe o que aconteceria se as bolsas de estudo não fossem concedidas? Os empregados teriam condições de manter seus dependentes em uma escola particular ou seriam compelidos a matriculá-los em escolas públicas? Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.542 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726224/2009-61 3.10. ambas as possibilidades poderiam ocorrer; não há como ter certeza da ocorrência de uma em detrimento da outra, embora fosse mais provável, de acordo com a realidade brasileira, a segunda hipótese, isto é, que os empregados matriculassem seus dependentes na rede pública de ensino; 3.11. a subsunção do fato concreto à hipótese de incidência não admite divagações, deve-se satisfazer absolutamente todos os critérios do fato abstratamente previsto na norma; 3.12. a utilidade concedida pelo empregador, portanto, deve representar, necessariamente, um ganho econômico aos seus segurados, pelo que se conclui que a construção hipotética feita pela fiscalização jamais poderia nortear a subsunção do fato à regra matriz de incidência; Da inexistência de habitualidade na concessão das bolsas de estudo 3.13. ainda que houvesse ganho econômico, inexistiria o requisito da habitualidade na concessão das bolsas de estudo, o que também impediria a concretização da regra matriz de incidência, uma vez que o fato gerador é o pagamento/recebimento de remunerações devidas ou creditadas a qualquer título, aí incluídos os ganhos habituais do empregado; 3.14. a habitualidade é afastada na medida em que a concessão das bolsas de estudo se dá apenas por um determinado lapso temporal - enquanto os filhos dos empregados se encontram no ensino infantil ou fundamental; 3.15. tal entendimento conta com o referendo da jurisprudência pátria, conforme decisão do TRF da 2ª Região no Agravo Regimental no AC nº 2001.02.01.014880-2; Da interpretação do art. 28, § 9º, “t”, da Lei 8.212/91 3.16. ao promover o acesso dos seus empregados ou dependentes à educação, através das bolsas de estudo, o empregador age em estrita consonância com o que determina os arts. 205 e 227 da CF/88; 3.17. fazendo-se uma interpretação do art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 conforme à constituição, chega-se à conclusão de que as bolsas de estudo concedidas aos empregados, sejam elas em benefício próprio ou em benefício de seus dependentes, não integram o salário de contribuição; 3.18. interpretar literalmente a norma isentiva, nos termos do art. 111 do CTN, não significa restringir o seu alcance, mais sim interpretá-la de forma livre, sem violar o seu comando normativo, de forma a garantir a finalidade à qual se propõe; 3.19. este também é o entendimento assentado pelo STJ no REsp nº 921.851, de 23/10/07, que decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores relativos às bolsas de estudo concedidas a filhos de empregados da empresa; 3.20. desse modo, caso se entenda pela incidência de contribuição previdenciária, o lançamento também não poderá subsistir, uma vez que as bolsas de estudo concedidas estariam amparadas pela isenção do art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91; 4. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 26/10/2009 BOLSA DE ESTUDO. DEPENDENTE. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCLUSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO. Fl. 186DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.542 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726224/2009-61 As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados anteriormente ao advento da Lei 12.153/11 ostentam caráter remuneratório e devem ser incluídas em folha de pagamento, haja vista a inexistência de isenção expressa. Cientificada da decisão, em 13/06/2014 (fls. 103), a contribuinte, por procuradora habilitada interpôs, em 15/07/2014, recurso voluntário (fls. 105/137), reportando-se às alegações da peça impugnatória, a seguir brevemente sintetizados por meio dos seguintes tópicos: 1. Dos Fatos; 2. Do Descabimento da Multa Aplicada em Razão da Não Incidência das Contribuições Previdências sobre as Bolsas de Estudos Concedidas pela Recorrente aos Dependentes dos seus Empregados: 2.A) Da Inocorrência de Ganho Econômico para os Empregados da Recorrente; 2.B) Da Inexistência do Requisito da Habitualidade nas Concessões de Bolsas de Estudo aos Dependentes dos Empregados da Recorrente; e 3. Do Descabimento da Multa Aplicada em Face da Isenção das Contribuições Previdenciárias Previstas no Artigo 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91. Cita escólio doutrinário e jurisprudência judicial a justificar as alegações recursais. Requer, ao final, a improcedência da autuação ou, no caso de se entender pela possibilidade da incidência tributária, seja reconhecido que as operações descritas estariam abarcadas pela isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 138/152. Sem contrarrazões. Em 08/09/2023, foi juntado aos autos mandado de notificação e intimação judicial, emitido no processo nº 1087726-09.2023.4.01.3400, movido pela contribuinte, que tramita na 4ª Vara Federal do Distrito Federal, noticiando o deferimento do pedido liminar formulado e determinando o julgamento do presente feito no prazo improrrogável de 30 dias (fls. 156/183). Em 11/09/2023, em face da dispensa do mandato da conselheira relatora, Ana Cecília Lustosa da Cruz, ocorrida em 10/08/2023, o processo foi enviado para novo sorteio, sendo-me distribuído em 12/09/2023, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Do descumprimento de obrigação acessória – da falta de preparação de folha de pagamento das remunerações pagas aos segurados empregados: Fl. 187DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.542 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726224/2009-61 Insurge-se, a Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/RJ1, que manteve a penalidade apurada, por falta de preparação de folha de pagamento das remunerações pagas a todos segurados a seu serviço, importando na aplicação da multa mínima de R$ 1.329,18, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido da exclusão da multa de ofício aplicada. Assim, passo ao cotejo dos documentos carreados, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção da autuação traçados na decisão recorrida (fls. 99/101): 6. À época da ocorrência dos fatos geradores a norma isentiva emanada da alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 possuía a seguinte redação: “t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).” 7. Do que se depreende do preceito supra, somente não sofriam incidência de contribuição previdenciária as bolsas de estudo concedidas a empregados e dirigentes da empresa, não incluídos os seus respectivos dependentes, o que revelava a nítida intenção do legislador de instituir o benefício com o objetivo de proporcionar melhor qualificação aos profissionais para o exercício de suas funções. O benefício se revertia para a própria empresa, uma vez que se criava um ambiente mais favorável para o aumento da produtividade, ilação esta não aplicável no caso dos dependentes. 8. Somente com advento da Lei 12.153/11, que ampliou a abrangência da isenção para as despesas com educação, passou-se a admiti-la também em relação às parcelas pagas em benefício dos dependentes dos segurados, senão vejamos: “t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011)” (grifo nosso) (...) 10. Destarte, ao não incluir em folha de pagamento os valores gastos com a educação dos dependentes dos seus empregados, que, no período da infração, possuía caráter remuneratório para todos os efeitos previdenciários, o contribuinte, de fato, transgrediu o comando normativo contido no art. 225, inciso I e § 9º do Decreto 3.048/99, que assim dispõe: “Art.225. A empresa é também obrigada a: I - preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: (...)” 11. Isso posto, resolvo negar provimento à impugnação do contribuinte, mantendo a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação acessória. Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-005.542 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726224/2009-61 Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, da análise dos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 95/101) e aliado às informações contidas na autuação e no relatório fiscal da infração (fls. 2/5 e 21/43), não há como prosperar a pretensão recursal. Cabe salientar que autuação decorreu do descumprimento da obrigação prevista no art. 32, I da Lei nº 8.212/91, consistente na falta de preparação, como lhe competia, da folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço – com especial destaque para a ausência de lançamento dos valores relativos às bolsas de estudo (ajuda escolar) fornecidas aos filhos dependentes de seus empregados - de acordo com os padrões e normas estabelecidos, o que ensejou a multa mínima prevista no art. 283, I, do RPS, atualizada pela Portaria MPS/MF nº 48, de 12/02/2009, urgindo a manutenção da decisão recorrida. Portanto, restando desatendido o cumprimento das obrigações acessórias legais, em conformidade com a legislação de regência, conforme aliás requisitado pela fiscalização, correta é a manutenção da penalidade, razão pela qual reconheço a subsistência do crédito tributário exigido. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento fiscal realizado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 189DF CARF MF Original
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