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4616537 #
Numero do processo: 10283.000467/2004-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de decisão de primeira instância sobre a aplicação da multa igual ao valor comercial da mercadoria, de que trata o art. 83 da Lei no 4.502/64. RECURSO NÃO CONHECIDO COM DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA EM FAVOR DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
Numero da decisão: 301-34.242
Decisão: Acordam os Membros da Terceira Câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI

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Numero do processo: 10880.006341/99-33
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 203-00.883
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO

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11337127 #
Numero do processo: 10950.722047/2019-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2018 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. RECURSO APRESENTADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado, sem que haja divergência com relação à decisão de piso, uma vez que não houve apresentação de impugnação. DECADÊNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA, QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO A decadência, por se tratar de questão de ordem pública, pode ser apreciada pelo CARF, ainda que seja suscitada pelo contribuinte só a nível recursal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando o lançamento foi efetuado antes dos prazos previstos nos arts. 150, § 4º, e 173, I, do CT LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. PREVISÃO EM LEGISLAÇÃO. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. EXCLUSÃO OU REDUÇÃO DO VALOR. IMPOSSIBILIDADE. Sempre que restar configurada a sonegação, a fraude ou o conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverá ser duplicado. A alegação de que as multas são confiscatórias e violam os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se tratam de exigências fundadas em normas às quais o julgador administrativo é vinculado, não lhe sendo permitido excluir ou reduzir o seu valor estabelecido na legislação. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, que alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a a 100%, por força da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO Deve ser excluída a responsabilidade solidária imputada ao sócio que não tenha poderes de gestão na empresa, sem a comprovação da sua atuação com infração à lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Comprovada a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ARGUIÇÃO DE INCLUSÃO DE VERBAS INDENIZATÓRIAS NOS LANÇAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Não merecem ser acolhidas as alegações formalizadas pelo sujeito passivo em relação a parcelas que considera indenizatórias, mas que não se encontram comprovadamente incluídas nas autuações. INCRA. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei n° 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. O Salário-Educação previsto no art. 212, §5°, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula n° 732- 26/11/2003. SEBRAE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3° do art. 8° da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. SENAI e SESI. As contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAC foram instituídas, respectivamente, pelo Decreto-lei nº 9.403/46 e pelo Decreto-lei nº 4.048/42, recepcionados pelo art. 240 da CF/88.
Numero da decisão: 2201-012.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I) não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Deolete Rodrigues Groto, por ausência de impugnação; II) não conhecer dos demais recursos voluntários em relação aos temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar, e, no mérito, em dar-lhes provimento parcial para reduzir a multa de ofício aplicada ao percentual de 100%,em virtude da retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Cleber Ferreira Nunes Leite – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Wilderson Botto (substituto[a]integral), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I) não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Deolete Rodrigues Groto, por ausência de impugnação; II) não conhecer dos demais recursos voluntários em relação aos temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar, e, no mérito, em dar-lhes provimento parcial para reduzir a multa de ofício aplicada ao percentual de 100%,em virtude da retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Cleber Ferreira Nunes Leite – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Wilderson Botto (substituto[a]integral), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente)

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2018 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. RECURSO APRESENTADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado, sem que haja divergência com relação à decisão de piso, uma vez que não houve apresentação de impugnação. DECADÊNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA, QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO A decadência, por se tratar de questão de ordem pública, pode ser apreciada pelo CARF, ainda que seja suscitada pelo contribuinte só a nível recursal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando o lançamento foi efetuado antes dos prazos previstos nos arts. 150, § 4º, e 173, I, do CT LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. PREVISÃO EM LEGISLAÇÃO. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. EXCLUSÃO OU REDUÇÃO DO VALOR. IMPOSSIBILIDADE. 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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Comprovada a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ARGUIÇÃO DE INCLUSÃO DE VERBAS INDENIZATÓRIAS NOS LANÇAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Não merecem ser acolhidas as alegações formalizadas pelo sujeito passivo em relação a parcelas que considera indenizatórias, mas que não se encontram comprovadamente incluídas nas autuações. INCRA. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei n° 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. O Salário-Educação previsto no art. 212, §5°, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula n° 732- 26/11/2003. SEBRAE. 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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-05-11T13:07:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-05-11T13:07:11Z; Last-Modified: 2026-05-11T13:07:11Z; dcterms:modified: 2026-05-11T13:07:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-05-11T13:07:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-05-11T13:07:11Z; meta:save-date: 2026-05-11T13:07:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-05-11T13:07:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-05-11T13:07:11Z; created: 2026-05-11T13:07:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 58; Creation-Date: 2026-05-11T13:07:11Z; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-05-11T13:07:11Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10950.722047/2019-61 ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 10 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE INPEÇAS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS EIRELI E RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2018 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. RECURSO APRESENTADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado, sem que haja divergência com relação à decisão de piso, uma vez que não houve apresentação de impugnação. DECADÊNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA, QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO A decadência, por se tratar de questão de ordem pública, pode ser apreciada pelo CARF, ainda que seja suscitada pelo contribuinte só a nível recursal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando o lançamento foi efetuado antes dos prazos previstos nos arts. 150, § 4º, e 173, I, do CT LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo Fl. 19377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 2 reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. PREVISÃO EM LEGISLAÇÃO. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. EXCLUSÃO OU REDUÇÃO DO VALOR. IMPOSSIBILIDADE. Sempre que restar configurada a sonegação, a fraude ou o conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverá ser duplicado. A alegação de que as multas são confiscatórias e violam os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se tratam de exigências fundadas em normas às quais o julgador administrativo é vinculado, não lhe sendo permitido excluir ou reduzir o seu valor estabelecido na legislação. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, que Fl. 19378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 3 alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a a 100%, por força da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO Deve ser excluída a responsabilidade solidária imputada ao sócio que não tenha poderes de gestão na empresa, sem a comprovação da sua atuação com infração à lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Comprovada a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ARGUIÇÃO DE INCLUSÃO DE VERBAS INDENIZATÓRIAS NOS LANÇAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Não merecem ser acolhidas as alegações formalizadas pelo sujeito passivo em relação a parcelas que considera indenizatórias, mas que não se encontram comprovadamente incluídas nas autuações. INCRA. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Fl. 19379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 4 Lei n° 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. O Salário-Educação previsto no art. 212, §5°, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula n° 732- 26/11/2003. SEBRAE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3° do art. 8° da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. SENAI e SESI. As contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAC foram instituídas, respectivamente, pelo Decreto-lei nº 9.403/46 e pelo Decreto-lei nº 4.048/42, recepcionados pelo art. 240 da CF/88. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I) não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Deolete Rodrigues Groto, por ausência de impugnação; II) não conhecer dos demais recursos voluntários em relação aos temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar, e, no mérito, em dar-lhes provimento parcial para reduzir a multa de ofício aplicada ao percentual de 100%,em virtude da retroatividade benigna. Fl. 19380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 5 Assinado Digitalmente Cleber Ferreira Nunes Leite – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Wilderson Botto (substituto[a]integral), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente) RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: 1. O presente processo administrativo corresponde a lançamento de ofício contra a empresa em epígrafe, e responsáveis solidários, em virtude do descumprimento das seguintes obrigações tributárias: - obrigação principal (Código de Receita 2141), referente à contribuição devida pela empresa, prevista no art. 22, incisos I e III, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, no montante de R$ 127.624,64 (cento e vinte e sete mil, seiscentos e vinte e quatro reais e sessenta e quatro centavos), já acrescidos a multa e os juros, abrangendo o período 01/05/2015 a 31/12/2018. - obrigação principal (Código de Receita 2158), referente à contribuição GILRAT com FAP, prevista no art. 22, II, da Lei 8.2121/91, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, no montante de R$ 6.790,45 (seis mil, setecentos e noventa reais e quarenta e cinco centavos), já acrescidos de multa e juros, abrangendo o período 01/05/2015 a 31/12/2018. - obrigação principal (Código de Receita 2164), referente à contribuição devida ao FNDE - Salário Educação, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 11.318,04 (onze mil, trezentos e dezoito reais e quatro centavos), já acrescidos a multa e os juros, abrangendo o período de 01/05/2015 a 31/12/2018. Fl. 19381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 6 - obrigação principal (Código de Receita 2249), referente à contribuição devida ao INCRA, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 904,56 (novecentos e quatro reais e cinquenta e seis centavos), já acrescidos a multa e os juros, abrangendo o período de 01/05/2015 a 31/12/2018. - obrigação principal (Código de Receita 2323), referente à contribuição devida ao SESI, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 6.790,45 (seis mil, setecentos e noventa reais e quarenta e cinco centavos), já acrescidos a multa e os juros, abrangendo o período de 01/05/2015 a 31/12/2018. - obrigação principal (Código de Receita 2317), referente à contribuição devida ao SENAI, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 4.526,68 (quatro mil, quinhentos e vinte e seis reais e sessenta e oito centavos), já acrescidos a multa e os juros, abrangendo o período de 01/05/2015 a 31/12/2018. - obrigação principal (Código de Receita 2369), referente à contribuição devida ao SEBRAE, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 2.715,52 (dois mil, setecentos e quinze reais e cinquenta e dois centavos), já acrescidos a multa e os juros, abrangendo o período de 01/05/2015 a 31/12/2018. 1.1. No Relatório Fiscal (fls. 02/66), são apresentadas as informações abaixo elencadas. 1.2. O contribuinte foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), em 31 de janeiro de 2019, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/MARINGÁ nº 02 (fls 274/275 ), com efeitos a partir de 1º de julho de 2013, por infração ao inciso II do caput do art. 3º, aos incisos I e V do art. 29, todos da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, conjuntamente com o inciso I e § 1º do Caput do art. 83 da Resolução CGSN nº 140, de 22 de maio de 2018. 1.3. O contribuinte foi devidamente cientificado da exclusão mediante o recebimento do Ato Declaratório Executivo via correio, em 05/02/2019. Acompanhando o Ato Declaratório Executivo, foi encaminhado o relatório da Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional contida no Processo 10950-729.827/2018-51. 1.4 Em decorrência da exclusão da empresa do Simples Nacional, a empresa sujeita-se ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados a seu serviço, razão pela qual foi efetuado o lançamento do crédito correspondente. 1.5. A base de cálculo das contribuições utilizada pela fiscalização corresponde às bases de incidência declaradas pela empresa em GFIP apresentadas, relacionadas Fl. 19382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 7 na planilha “Dados de transmissão da GFIP como optante pelo Simples Nacional” O detalhamento da base de cálculo apurada consta das planilhas “Empregados informados em GFIP” (fls.136/138 ) e “Contribuinte Individual informado em GFIP” (fls. 139/141). 1.6. Foram deduzidos do lançamento os valores recolhidos a título de CPP/INSS, relacionados na planilha “Tributos declarados em PGDAS utilizados em abatimento aos valores lançados” (fl. 142/143). 1.7. A fiscalização constatou a existência de grupo econômico de fato, do qual fazem parte o contribuinte e várias outras empresas, que foram arroladas como responsáveis solidárias pelos créditos apurados. Além do contribuinte, fazem parte do grupo econômico as seguintes empresas: a) Ingá Alumínios Ltda - CNPJ 03.636.746/0001-84; b) Ingá Distribuidora EIRELI – CNPJ 09.048.726/0001-79; c) Mercoval Comércio de Auto Peças Ltda - CNPJ 06.169.003/0001-30; d) Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda - CNPJ 00.230.405/0001-16; e) Truck Mourão Peças e Serviços Ltda - CNPJ 09.048.726/0001-79; e f) MD Comércio Auto Peças Ltda - CNPJ 00.250.074/0001-86. 1.8. Também foram incluídas como responsáveis solidários, com fundamento no art. 135 do CTN o contador das empresas, Reginaldo Antônio Fiori - CPF 640.713.679-20; e os seguintes sócios das empresas do grupo econômico: Maria José Pereira Caprioli - CPF 555.499.939-53; Luiz Fernando Caprioli - CPF 062.684.769-99; Ricardo Caprioli - CPF 062.684.779-60; José Evaldo da Silva - CPF 395.458.301-15; Deolete Rodrigues Groto - CPF 895.623.219-91; Luiz Cirineu Caprioli - CPF 389.686.309-68; Cláudia Jeane de Souza Silva - CPF 809.307.609-30; e Anderson Rodrigues Groto - CPF 038.645.229-60. 2. O contribuinte, sujeito passivo, foi cientificado do lançamento em 21/06/2019, conforme AR de fls. 17.911. 2.1. Os responsáveis solidários foram cientificados do lançamento, conforme segue: Ingá Alumínios Ltda – em 21/06/2019 (fls. 17.909); Ingá Distribuidora EIRELI – em 21/06/2019 (fls. 17.910); Mercoval Comércio de Auto Peças Ltda - em 21/06/2019 (fls. 17.903); Fl. 19383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 8 Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda - em 21/06/2019 (fls. 17.907); Truck Mourão Peças e Serviços Ltda - em 21/06/2019 (fls. 17.901); MD Comércio Auto Peças Ltda - em 21/06/2019 (fls. 17.902); Maria José Pereira Caprioli – em 26/06/2019 (fls. 18.143); Luiz Fernando Caprioli - em 26/06/2019 (fls. 18.142); Ricardo Caprioli - em 26/06/2019 (fls. 18.144); José Evaldo da Silva - em 24/06/2019 (fls. 17.906); Deolete Rodrigues Groto - em 24/06/2019 (fls. 17.900); Luiz Cirineu Caprioli - em 26/06/2019 (fls. 18.141); Cláudia Jeane de Souza Silva - em 24/06/2019 (fls. 17.905); Anderson Rodrigues Groto - em 24/06/2019 (fls. 17.904); e Reginaldo Antônio Fiori - em 24/06/2019 (fls. 17.908). DA IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO 3. Em 18/07/2019, o Sujeito passivo apresentou impugnação, por meio do instrumento de fls. 17.935/17.981, onde sustenta, em síntese, os argumentos abaixo. Da Inexistência de grupo Econômico 3.1. Alega que o grupo econômico de fato é o conjunto de sociedades empresariais, juridicamente independentes, sendo que, dentre elas, existe uma sociedade controladora que prevalece sobre as demais, razão pela qual para a caracterização do grupo econômico de fato, é necessária a presença de relação hierárquica entre elas, de efetivo controle de uma empresa sobre a outra. 3.2. Acrescenta que para haver a responsabilidade de grupo econômico é necessária a real participação de cada uma das empresas no fato gerador da obrigação tributária em si, de modo que haveria uma responsabilidade individualizada de cada empresa e não do grupo econômico como uma unidade. 3.3. Cita decisão do STJ, no ARESP 852.074/SP, ao chancelar o reconhecimento do interesse comum previsto no artigo 124, I do CTN, como interesse jurídico comum dos sujeitos passivos na relação obrigacional tributária. 3.4. Enfatiza que a responsabilização tributária solidária entre empresas, decorre não da demonstração hipotética do grupo econômico, mas da comprovação cabal de atuação direta quando da ocorrência do fato gerador, ou seja, o redirecionamento tributário pode ocorrer somente nas seguintes hipóteses: a) quando há a comprovação de subordinação de uma ou mais empresas a uma empresa ou grupo de pessoas, que as dirige, controla e administra, e, cumulativamente, e; b) quando há a prática comum do fato gerador (art. 124 do CTN) ou a confusão patrimonial (art. 50 do CC). Fl. 19384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 9 3.5. Enfatiza que as empresas em questão possuem atividades de naturezas diferentes, ou seja, não possuem identidade em suas atuações, as quais, possuem organização, estrutura e objetivos que não se identificam. 3.6. Sustenta que as empresas utilizadas para fundamentar a exclusão do simples nacional, em nada se identificam com grupo econômico, posto que, realizam atividades diversas e em locais não idênticos. 3.7. Enfatiza que as empresas descritas como solidárias também possuem atuação individualizada com atividades e locais diversos, razão pela qual, estamos diante de empresas com atuação de forma totalmente autônoma, existindo propósito negocial, com a segmentação do negócio por razões comerciais e administrativas, o que não se confunde com evasão fiscal ou atuação simulada por grupo econômico. 3.8. Afirma que a lei das sociedades por ações prescreve, no seu art. 278, que não haverá presunção de responsabilidade solidária entre empresas que compõem o grupo econômico e cada uma responde por suas obrigações. 3.9. Deduz que a regra é que as empresas são independentes entre si, inclusive quanto a responsabilidade tributária, sendo que, a obrigação de uma, não atinge a outra, exceto quando caracterizado grupo econômico em que, haja a comprovação de subordinação de uma ou mais empresas a uma empresa ou grupo de pessoas, que as dirige, controla e administra, e, cumulativamente, que ambas estejam diretamente ligados ao fato gerador. 3.10. Ressalta que, no caso em apreço, não se vê qualquer comprovação de preenchimento destes requisitos, demonstrando que não há qualquer respaldo legal ou fático para a consideração de grupo econômico, posto que, as empresas citadas como solidárias, atuam de forma independente. Acrescenta que a simples identidade de sócios não é elemento suficiente para que haja a consideração de grupo econômico, a fim de atingir outras empresas sob a alegação de responsabilidade tributária solidária. 3.11. Conclui que, com relação a empresa Inpeças Comércio e Distribuição de Peças, não há que se falar em exclusão do simples nacional, posto que não foi comprovada pela autoridade fiscal, a ocorrência de grupo econômico e, que não foi ultrapassado o limite de faturamento descrito na Lei 123/2006. 3.12. Solicita a anulação do lançamento ou, alternativamente, a exclusão dos devedores solidários, posto não existir a atuação sob grupo econômico entre as empresas . Da Ilegalidade da Incidência da Contribuição Social Sobre Verbas Indenizatórias 3.13. Neste tópico, a impugnante inicialmente faz considerações sobre a natureza da base de cálculo das contribuições previdenciárias, alegando que da leitura do disposto no art. 22 da Lei 8.212/91c/c o art. 195 da CF, conclui-se que referida base de é todo e qualquer pagamento efetuado pelo contribuinte a seu Fl. 19385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 10 empregado, desde que possua natureza salarial ou remuneratória, em retribuição ao trabalho prestado. 3.14. Conclui que quaisquer outros valores pagos pelo empregador ao empregado, que não possuam este caráter de contraprestação, não constituem verbas salariais e, por consectário, não integram a base de cálculo da contribuição prevista no artigo 22, I da Lei 8.212/91. 3.15. Passa, então, a defender a não incidência das contribuições lançadas sobre as seguintes verbas, que segundo o seu entendimento têm natureza não remuneratória: a) férias gozadas, b) terço constitucional de férias, c) afastamentos por motivo de doença ou acidente nos quinze primeiros dias, e d) aviso prévio indenizado. 3.16. Conclui que não há incidência das contribuições lançadas sobre referidas verbas, enfatizando para cada uma delas, os respectivos atos normativos que disciplinam a matéria, bem como citações jurisprudenciais e doutrinárias, que embasam o seu caráter não remuneratório. Da Inconstitucionalidade das Contribuições para Terceiros 3.17. A impugnante passa a sustentar que após a edição da EC n° 33/2001, foi acrescentado ao artigo 149 do texto constitucional o § 2º , inciso III, alínea "a", que estabeleceu um rol de bases de cálculo para instituição de contribuições sociais gerais e contribuições de intervenção no domínio econômico, a saber: (i) faturamento; (ii)receita bruta; (iii) valor da operação; e, (iv) valor aduaneiro. 3.18. Salienta que tal rol de bases de cálculo é taxativo e, por conseguinte, restringiu a esfera de competência do legislador ordinário possibilitando-o apenas a criação de contribuições sociais gerais e contribuições de intervenção sobre o domínio econômico sobre as quatro materialidades acima mencionadas, razão pela qual as contribuições para terceiros, por não possuírem as bases de cálculo supra referidas, são inconstitucionais. 3.19. Conclui que as bases de cálculo das contribuições para terceiros foram revogadas, desde a Emenda Constitucional n. 33, de 11 de dezembro de 2001, portanto, inexiste amparo legal para tal cobrança. 3.20. Solicita, então, que seja declarada a inexigibilidade das contribuições para terceiros (Sistema S) com relação ao débito fiscal objeto da presente demanda, tendo em vista a incidência sobre base de cálculo não autorizada. Fl. 19386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 11 Da Multa Confiscatória 3.21. Neste tópico, a impugnante alega que a multa aplicada, como se depreende do demonstrativo de multa e juros de mora, foi equivalente a 150%, em manifesta ofensa ao princípio constitucional do não-confisco, consagrado implicitamente pela Constituição Federal no art. 5°, inciso XXII. Cita doutrina e jurisprudência. 3.22. Assim, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, bem como, em cumprimento aos princípios Constitucionais do não confisco e da proporcionalidade, em caso de aplicação de multa, esta deve ser limitada a 20% sobre o montante do tributo devido Da Multa Qualificada 3.23. Alega que conforme se observa nos itens 250 e 251 do auto de infração, a penalidade qualificada foi aplicada em desfavor do contribuinte sob a alegação de que não houve a apresentação de documentos referentes ao ano de 2018, contudo, a exclusão da empresa do Simples Nacional ocorreu apenas no ano de 2019, conforme se vê na declaração de exclusão datada em janeiro de 2019. 3.24,. Deduz que se a exclusão do Simples Nacional ocorreu no ano de 2019, por óbvio, até esta data, o regime de tributação previsto na Lei 123/2006 imperava, ou seja, no ano de 2018, o regime de tributação vigente (Simples Nacional) não impõe a apresentação de DCTF e GFIP. Acrescenta que não é material ou legalmente possível que se imponha obrigação em desfavor da empresa para que a mesma apresente documentos contábeis referentes a tributação que à época, a empresa não estava submetida. 3.25. Ressalta que o parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei 9430/1996, descreve que a multa de 75% poderá ser cobrada em casos de sonegação, fraude ou conluio, condutas estas, necessariamente, dolosas. 3.26. Salienta que não há qualquer prova dos autos de que o contribuinte tenha agido de forma dolosa em desfavor do fisco, contrariamente a isso, há provas cabais de que a exclusão do Simples Nacional ocorreu somente no ano de 2019,e durante a tributação mediante tal regime, não houve qualquer ato que justifique a penalidade que aqui se impugna. 3.27. Ressalta que a empresa atuou com total boa-fé e prestou contas ao fisco, dentro do Regime Tributário ao qual estava submetida, sendo necessária a comprovação cabal de existência de má-fé para a imposição de multa qualificada. 3.28. Não menos relevante ainda há que destacar que não há que se falar em atuação de grupo econômico, posto que, as atividades das empresas descritas no presente auto de infração, não possuem conexão, posto que, atuam de forma autônoma e individual. 3.29. Conclui que, por inexistir obrigação de apresentação de DCTF e de GFIP no ano de 2018, bem como, pela não comprovação de atuação dolosa do contribuinte, a multa qualificada deve ser excluída do lançamento. Fl. 19387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 12 Do pedido 3.30. Por fim, a impugnante solicita : a) Seja reconhecida a atuação una da empresa Inpeças Comércio e Distribuição de Peças, não havendo que se falar em grupo econômico, tampouco, incidência tributária sobre a soma dos faturamentos das empresas; b) a anulação do Auto de Infração sob ataque, tendo em vista que, não há fundamentos para o desenquadramento do Simples Nacional, posto que, o faturamento isolado da empresa Inpeças Comércio e Distribuição de Peças, não ultrapassou o limite imposto pela Lei 123/2006; c) a improcedência da presente demanda com relação aos devedores ditos solidários, posto que, inexiste atuação sob grupo econômico entre as pessoas citadas; d) que seja afastada a incidência de Contribuição Previdenciária sobre férias gozadas, terço de férias gozadas, aviso prévio indenizado e sobres os quinze dias que antecedem o auxílio-doença, em razão do caráter indenizatório; e) que seja reconhecida a inexigibilidade das Contribuições para Terceiros (SISTEMA S) com relação ao débito fiscal objeto da presente demanda, tendo em vista a ausência de previsão legal; f) a limitação da multa aplicada a ser fixada em patamar máximo de 20% sobre o montante devido, em cumprimento aos princípios constitucionais do não confisco e da proporcionalidade; e g) a exclusão da multa qualificada, tendo em vista que inexiste obrigação de apresentação de DCTF e de GFIP no ano de 2018, tampouco há atuação dolosa, visto que a fragmentação das atividades tem nítido propósito negocial. DAS IMPUGNAÇÕES DAS DEMAIS EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO - RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS. 4. Em 18/07/2019, os responsáveis solidários, pessoas jurídicas que fazem parte do grupo econômico, apresentaram impugnações, por meio dos instrumentos de fls. 17.094/17.993 (Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda); 18.007/18.017 (MD Comércio Auto Peças Ltda), 18.087/18.096 (Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda), 18.099/18.108 (Truck Mourão Peças e Serviços Ltda), 18.020/18029 (Ingá Alumínios Ltda ), 17.996/18003 (Ingá Distribuidora EIRELI), 18.062/18.070. 4.1. Referidas impugnações são idênticas e nelas são deduzidas as mesmas alegações, relativas à inexistência de grupo econômico, feitas pelo Impeças Comércio e Distribuição de Peças EIRELI, já acima sintetizadas e elencadas. 4.2. Argumentam que, como não há a comprovação da existência do grupo econômico, solicitam que sejam excluídas do pólo passivo da presente demanda. DAS IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS – SÓCIOS DA EMPRESAS . Fl. 19388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 13 5. Também em 18/07/2019, os sócios da empresas arroladas como responsáveis solidários, apresentaram impugnações, por meio dos instrumentos de 18.062/18.070 (José Evaldo da Silva), 18.047/18.059 (Luiz Cirineu Caprioli), 18.073/18.084 (Cláudia Jeane de Souza), 18.032/18.044 (Maria José Pereira Caprioli), 18.126/18.138 (Luiz Fernando Caprioli), 18.111/18.123 (Ricardo Caprioli). Os responsáveis solidários Deolete Rodrigues Groto e Anderson Rodrigues Groto não impugnaram o lançamento, conforme Termo de Revelia de fls. 18.146. Referidas Impugnações são idênticas e trazem, em síntese, os argumentos abaixo elencados. Da Ausência do Critério Pessoal para a Responsabilização dos Sócios 5.1. Alegam que, em linhas gerais, o sujeito passivo da Contribuição Previdenciária Patronal e da Contribuição para Terceiros, na qualidade de contribuinte, é pessoa jurídica, razão pela qual não há que se falar em responsabilidade da pessoa física, por dívida tributária, restando demonstrada a ilegalidade da cobrança de tributo em desfavor da pessoa do sócio, posto que, não há hipótese de incidência para sua exigibilidade. Concluem que o critério pessoal resta prejudicado, tendo em vista que os sócios da empresa em questão, não devem responder por suas obrigações tributárias, de modo que não há que se falar em tributo, sob pena de infringir o princípio máximo do Estado Democrático, qual seja, o Princípio da Legalidade. Da Ausência da Responsabilidade dos Sócios Não Administradores 5.3. Ressaltam que, por não exercerem funções de gerência da sociedade quando da ocorrência do fato gerador, e, consequentemente, por não terem agido com excesso de poderes ou infração da lei ou do contrato social, justamente por não exercerem atividade de comando na sociedade, os sócios não administradores não podem ser responsabilizados pelo crédito tributário lançado. 5.4. Enfatizam que o art. 135, III, do Código Tributário Nacional, não disciplina a responsabilidade dos sócios por dívidas fiscais, mas sim a responsabilidade dos administradores de sociedade por tais débitos, desde que, haja comprovação cabal as obrigações tributárias sejam resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 5.5. Alegam, então, que a eventual responsabilidade sobre sócios com relação a dívidas tributárias somente pode alcançar os sócios que são gerentes/administradores, não os sócios não-integrantes da administração da sociedade. Da Ausência da Responsabilidade dos Sócios Administradores que não atuaram com Dolo 5.6. Sustentam que o inadimplemento da obrigação tributária pela pessoa jurídica não implica na responsabilidade solidária de sócios ou administradores, conforme dispõe a Súmula 430 do Egrégio STJ. Fl. 19389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 14 5.7. Salientam que referida súmula está em absoluta consonância com o artigo 135 do CTN, na medida em que as normas preveem conduta ativa ou omissiva do agente a ser responsabilizado, sendo que essa conduta deverá ser comprovada pelo agente fiscal em processo administrativo. 5.8. Observam que a responsabilidade prevista no artigo 135 pressupõe dolo, ou seja, apenas existirá responsabilidade se o diretor, gerente ou representante tiver a intenção de praticar uma conduta contrária à lei, ao contrato social ou ao estatuto social. 5.9. Enfatizam que a pessoa jurídica é um ente detentor de direitos e obrigações que não se confunde com as pessoas naturais, e, como consequência, seus direitos e obrigações se restringem exclusivamente aos limites patrimoniais da pessoa jurídica, conforme pode ser observado no art. 156 da Lei 6.404/76. 5.10. Concluem que a busca pela satisfação do crédito tributário, não pode ser efetivada desrespeitando o sistema jurídico posto, em especial ao artigo 135 do CTN, que assevera que a responsabilidade do sócio-gerente depende de prova cabal de atuação dolosa na prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para que a responsabilidade solidária seja válida. Da Ausência de Abatimento das Contribuições já pagas no Simples Nacional 5.11. Por fim, alega que, embora a autoridade fiscal alegue que houve a tributação já recolhida no Simples Nacional, não há, nos autos, qualquer comprovação de que tais abatimentos de fato ocorreram, de modo que é preciso que haja a compensação do montante recolhido no período do lançamento. Do Pedido 5.12. Pelas razões expostas, os impugnantes solicitam: a) que seja reconhecida a ausência de responsabilidade dos sócios pelo crédito lançado; e b) a compensação do montante já pago no Regime Tributário do Simples Nacional DA IMPUGNAÇÃO DO CONTADOR –RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO 6. O responsável solidário Reginaldo Antônio Fiori (contador), em 16/07/2019, apresentou impugnação (fls. 17.914/17.932) , onde alega em síntese: 6.1 Alega que a autoridade fiscal lhe atribuiu a corresponsabilidade de forma exagerada, sem fundamento e sem que tivesse entendido as explicações fornecidas durante procedimento fiscal. 6.2. Afirma que os serviços prestados pelos escritórios de contabilidade dependem estritamente das informações e documentos repassados pelos contratantes e, na estrutura diária da contabilidade, não é incomum que os documentos e dados sejam repassados às vésperas das entregas de declarações e informações ao Fisco. Acrescenta que, neste contexto, é certo que, por mais que Fl. 19390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 15 o contador trabalhe com toda a diligência de que dispõe, ainda se vê limitado pelo tempo e volume de informações que lhe é repassado pelo cliente. 6.3. Enfatiza que o escritório de contabilidade tem como obrigação utilizar os meios necessários para prestar as informações contábeis e fiscais, que se dá por meio da escrituração contábil e declarações fiscais, não assumindo a responsabilidade sobre o conteúdo, que vem das informações, dados e decisões de seus clientes. 6.4. Deduz que o contador não se caracteriza como preposto, pois não se torna representante legal, tampouco responsável por quaisquer decisões da empresa, mas simplesmente executa os serviços de organização e transmissão dos dados contábeis de que dispõe. 6.5. Alega que a vinculação de "responsável" junto ao site da Receita Federal se dá estritamente pelo sistema eletrônico E-CAC, que exige a identificação do contador para permitir a transmissão de documentos e informações contábeis e fiscais de terceira pessoa, não significando que se responsabiliza pelo conteúdo das informações prestadas ou pela opção tributária, tampouco pela omissão que tenha sido advinda de conduta própria de seu cliente, efetivo contribuinte e responsável por qualquer conteúdo repassado ao contador. Ressalta que qualquer suposto dolo alegado em razão da conduta do contador deve vir especificamente demonstrado por sua conduta, que deve ter sido decisiva para suposta lesão ao fisco, e não pelo fato de realizar seu serviço de preenchimento e transmissão de dados e informações geradas e apresentadas pelo cliente. 6.7. Salienta que a representação em nome do cliente se dá apenas e tão somente para o cumprimento de obrigações acessórias; inexistindo fundamento legal para a responsabilidade solidária de terceiros que não têm poder de decisão e gerência, acerca dos fatos geradores que geraram a suposta omissão. 6.8. Alega que o trabalho do contador é orientar o cliente em relação a estratégias salutares e que visam a saúde financeira, tributária, previdenciária e que não ferisse o erário, cabendo ao cliente acatar ou não a forma de trabalho, não tendo o contador nenhum poder de gerência ou tomada de decisão que leve a empresa por este ou aquele caminho. 6.9. Sustenta que o contador, como prestador de serviço, não é merecedor de culpa ou de responsabilidade, uma vez que lhe é pago uma mensalidade para desempenhar o trabalho. 6.10. Conclui que no contrato de prestação de serviços, o contribuinte contador apenas realizava o trabalho que lhe era imputado, rezando sempre pelo bom andamento e dignidade da responsabilidade do licito e seguro, ficando a direção da empresa a decisão sempre de como agir. Fl. 19391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 16 6.11. Por fim, solicita a sua exclusão do polo de responsabilidade criminal, uma vez que demonstrado a boa fé na execução do trabalho, e ainda uma má elaboração do auto, colocando determinações incabíveis e sem fundamentação. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte para excluir responsáveis solidários e manteve o crédito tributário, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2018 LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. PREVISÃO EM LEGISLAÇÃO. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. EXCLUSÃO OU REDUÇÃO DO VALOR. IMPOSSIBILIDADE. Sempre que restar configurada a sonegação, a fraude ou o conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverá ser duplicado. A alegação de que as multas são confiscatórias e violam os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se tratam de exigências fundadas em normas às quais o julgador administrativo é vinculado, não lhe sendo permitido excluir ou reduzir o seu valor estabelecido na legislação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO Deve ser excluída a responsabilidade solidária imputada ao sócio que não tenha Fl. 19392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 17 poderes de gestão na empresa, sem a comprovação da sua atuação com infração à lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Comprovada a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2018 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ARGUIÇÃO DE INCLUSÃO DE VERBAS INDENIZATÓRIAS NOS LANÇAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Não merecem ser acolhidas as alegações formalizadas pelo sujeito passivo em relação a parcelas que considera indenizatórias, mas que não se encontram comprovadamente incluídas nas autuações. FÉRIAS FRUÍDAS E RESPECTIVO ADICIONAL CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA. É devida a contribuição previdenciária sobre as férias fruídas e respectivo adicional constitucional. Em relação às férias indenizadas, estão fora do escopo de incidência da norma previdenciária. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. Somente a partir de junho de 2016 não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado. AUXÍLIO DOENÇA/ACIDENTE Os valores pagos referentes aos quinze dias que antecedem à concessão do auxílio doença/acidente têm natureza salarial e, por consequência, integram o salário de contribuição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2018 INCRA. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei n° 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua Fl. 19393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 18 incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. O Salário-Educação previsto no art. 212, §5°, da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. STF Súmula n° 732- 26/11/2003. SEBRAE. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3° do art. 8° da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. SENAI e SESI. As contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAC foram instituídas, respectivamente, pelo Decreto-lei nº 9.403/46 e pelo Decreto-lei nº 4.048/42, recepcionados pelo art. 240 da CF/88. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de folhas 18.615/18.710, reiterando as alegações suscitadas quando da impugnação, ao final requerendo: a) Seja reconhecida a atuação una da empresa Inpeças Comércio e Distribuição de Peças, não havendo que se falar em grupo econômico, tampouco, incidência tributária sobre a soma dos faturamentos das empresas; b) A anulação do Auto de Infração sob ataque, tendo em vista que, não há fundamentos para o desenquadramento do Simples Nacional, posto que, o faturamento isolado da empresa Inpeças Comércio e Distribuição de Peças, não ultrapassou o limite imposto pela Lei 123/2006; c) Anule o lançamento fiscal por cerceamento a ampla defesa e ao contraditório, reabrindo o prazo recursal ao RECORRENTE e dos demais devedores solidários, para que estes escolham o regime tributário para as empresas; Fl. 19394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 19 d) Anule o lançamento fiscal por cerceamento a ampla defesa e ao contraditório, reabrindo o prazo recursal ao RECORRENTE, para que apresente defesa de exclusão do SIMPLES NACIONAL; e) Reconhecer a DECADÊNCIA sobre os créditos tributários, cujos fatos geradores ocorrem após transcurso temporal de 05 anos, diante da modalidade de “lançamento por homologação “ conforme preconiza o art. 150, § 4º. do CTN; f) Caso não coadune com esta tese, requer alternativamente, a improcedência da presente demanda com relação aos devedores ditos solidários, posto que, inexiste atuação sob grupo econômico entre as pessoas citadas; g) Seja afastada a incidência de Contribuição Previdenciária sobre FÉRIAS GOZADAS, TERÇO DE FÉRIAS GOZADAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SOBRE OS 15 (QUINZE) DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA em razão do caráter indenizatório; h) Seja reconhecida a inexigibilidade das Contribuições para Terceiros (SISTEMA S) com relação ao débito fiscal objeto da presente demanda, tendo em vista a ausência de previsão legal; i) A aplicação do art. 112 do CTN no caso em tela, pois, interpreta-se a lei tributária da maneira mais favorável ao RECORRENTE em caso de dúvidas como é o caso dos autos. Os considerados responsáveis solidários, pessoas físicas e jurídicas, interpuseram recursos voluntários tempestivos, onde reiteram os argumentos das impugnações: Folhas 19.007/19.022 (Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda); folhas 19.105/19.200 (MD Comércio Auto Peças Ltda), folhas 18.909/19.004 (Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda), folhas 18.811/18.906 (Truck Mourão Peças e Serviços Ltda), folhas 18.020/18029 (Ingá Alumínios Ltda ), folhas 18.713/18.808 (Ingá Distribuidora EIRELI), folhas 19.260/19.282 (José Evaldo da Silva), folhas 19.285/19.310 (Luiz Cirineu Caprioli), folhas 19.203/19.229 (Cláudia Jeane de Souza), folhas 19.313/19.339 (Luiz Fernando Caprioli), folhas 19.232/19.257 (Deolete Rodrigues Groto), folhas 18.498/18.503 (Reginaldo Antonio Fiori) É o relatório VOTO Conselheiro CLEBER FERREIRA NUNES LEITE, Relator Do conhecimento Os recursos apresentados pela autuada e pelos considerados responsáveis, Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda, MD Comércio Auto Peças Ltda, Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda, Truck Mourão Peças e Serviços Ltda, Ingá Alumínios Ltda, Ingá Distribuidora Fl. 19395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 20 EIRELI, José Evaldo da Silva, Luiz Cirineu Caprioli, Cláudia Jeane de Souza, Luiz Fernando Caprioli e Reginaldo Antonio Fiori são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles conheço. Não conheço do recurso apresentado por Deolete Rodrigues Groto, uma vez que o recurso voluntário é um apelo da decisão de piso, sendo que não houve apresentação de impugnação. Quanto aos pedidos formulados pela recorrente: b) A anulação do Auto de Infração sob ataque, tendo em vista que, não há fundamentos para o desenquadramento do Simples Nacional, posto que, o faturamento isolado da empresa Inpeças Comércio e Distribuição de Peças, não ultrapassou o limite imposto pela Lei 123/2006; c) Anule o lançamento fiscal por cerceamento a ampla defesa e ao contraditório, reabrindo o prazo recursal ao RECORRENTE e dos demais devedores solidários, para que estes escolham o regime tributário para as empresas; d) Anule o lançamento fiscal por cerceamento a ampla defesa e ao contraditório, reabrindo o prazo recursal ao RECORRENTE, para que apresente defesa de exclusão do SIMPLES NACIONAL; Verifica-se que os pedidos referem-se à matéria estranha a lide do presente processo, que foi tratada no processo 10950.729827/2018-51, portanto não conheço da matéria. Preliminarmente Quanto ao pedido para: e) Reconhecer a DECADÊNCIA sobre os créditos tributários, cujos fatos geradores ocorrem após transcurso temporal de 05 anos, diante da modalidade de “lançamento por homologação “ conforme preconiza o art. 150, § 4º. do CTN; Quanto à esta questão, verifica-se que a recorrente não impugnou a matéria. No entanto, a mesma será apreciada tendo em vista tratar-se de matéria de ordem pública. Da decadência No direito tributário, o prazo decadencial para que autoridade fiscal proceda ao lançamento do crédito tributário está disciplinado no art. 150, § 4º, e no art. 173, inciso I, da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). Ambos os dispositivos legais estabelecem o prazo de cinco anos, existindo diferenças quanto ao marco inicial da contagem (o art. 150, § 4º, CTN, trata de hipótese de contagem de prazo decadencial quando há antecipação do pagamento do tributo). Na análise dos documentos do processo verifica-se que o lançamento compreendo créditos das competências de 01/05/2015 a 31/12/2018 e o contribuinte tomou ciência do Fl. 19396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 21 lançamento em 21/06/2019 (folha 17.911), ou seja, quatro anos depois, sendo evidente, pois, a inocorrência da alegada decadência. Do mérito Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos ART. 114, § 12, INCISO I do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Nº 1.634, DE 21/12/2023, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Do Grupo Econômico de Fato 7.16. Conforme narrativa contida no Relatório Fiscal e demais elementos de provas carreados aos autos, houve a constatação de que a empresa Inpeças Comércio e Distribuição de Peças Ltda faz parte de um grupo econômico de fato, juntamente com as empresas Ingá Alumínios Ltda , Ingá Distribuidora EIRELI, Mourão Diesel Comércio de Auto Peças Ltda, Truck Mourão Peças e Serviços Ltda, Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda e MD Comércio Auto Peças Ltda. 7.17. Em relação ao assunto, cabe salientar que tanto os grupos econômicos de direito quanto os de fato podem se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (modalidade de coordenação) ou sob a forma vertical (controle x subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, a direção ou sua administração. 7.18. A Lei nº 6.404, de 1976, nos seus artigos 265 a 278, trata objetivamente do “grupo de empresas” ou “grupo econômico de direito” (formal), detentores de determinadas prerrogativas, quando cumprem as correspondentes formalidades legais, quanto à sua constituição. A mesma Lei trata, também, nos seus artigos 243 a 264, ainda que indiretamente e de forma não expressa, do “grupo econômico de fato”, que constituem as situações em que um “grupo de empresas”, mesmo não se tendo constituído formalmente, deva ser considerado um “grupo econômico”, em razão de determinadas condições que estejam presentes. 7.19. A existência do “grupo econômico de direito”, aquele formalmente constituído de acordo com às exigências da Lei nº 6.404, de 1976, não apresenta maiores dificuldades, tampouco suscita significativas controvérsias. O mesmo não ocorre, entretanto, com o “grupo econômico de fato”, na medida em que este é criado muitas vezes por razões não declaradas ou nem sempre conhecidas. 7.20. No grupo econômico de fato, as pessoas jurídicas participantes estão relacionadas em decorrência da participação que uma possui no capital Fl. 19397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 22 social das outras, sem que haja um ajuste sobre sua organização formal, administrativa e obrigacional. Portanto, o grupo econômico nem sempre é perceptível, pois quase sempre seus agentes adotam práticas que visam a ocultar ou dissimular a verdadeira natureza do empreendimento, buscando subtrair-se das responsabilidades decorrentes da legislação. 7.21. A situação aparente, no caso do “grupo econômico de fato”, é o da existência de duas ou mais empresas: com composições societárias próprias e específicas; independência apenas formal das pessoas jurídicas que, na prática, possuem a mesma administração; identidade de administradores e contadores; quadro societário composto pelas mesmas pessoas ou parentes; estrutura administrativa comum e atuação idêntica, similar ou complementar. 7.22. As características das empresas que formam um “grupo econômico de fato”, algumas delas mais ou menos evidentes e nem sempre simultaneamente presentes, podem ser: a) controle societário único: são direta ou indiretamente controladas pelas mesmas pessoas ou empresas, sendo estas também controladas pelo mesmo grupo de sócios, geralmente componentes de um mesmo núcleo familiar: pais, irmãos, marido, esposa e filhos; b) administração comum: são formal ou informalmente administradas pelas mesmas pessoas, que são justamente aquelas que detêm o controle societário (seus prepostos ou pessoas interpostas), inclusive com a outorga de procurações, por meio das quais são conferidos amplos poderes de administração, inclusive para a gestão financeira; c) interdependência econômica: organizam-se, sob o aspecto das atividades econômicas, de tal forma que as ações de um dos integrantes estão totalmente dirigidas, subordinadas ou dependentes das atividades dos demais (ou da empresa principal, quando há), como se constituíssem e, na realidade, constituem um único empreendimento econômico (muitas vezes localizadas no mesmo local, ainda que com endereços formalmente diferentes, diferenciadas pelo número da sala, mas, ainda assim, contíguas); e d) confusão patrimonial: adotam práticas administrativas e contábeis “atípicas”, diferentes daquelas próprias das empresas realmente independentes e autônomas. 7.23. E, por se tratar de grupo econômico de fato, não se encontrará todas as formalidades das quais se revestem os grupos econômicos legalmente constituídos. Pois, se assim fosse, desnecessário seria concentrar todos os esforços para trazer todos os elementos de prova, capazes de demonstrar a existência de um grupo econômico de fato. 7.24. O controle societário comum (centralizado), direto ou indireto, é certamente uma das características mais importantes na caracterização do “grupo econômico de fato”, pois dele decorrem os demais efeitos, Fl. 19398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 23 especialmente a apropriação dos benefícios decorrentes do empreendimento, considerado no seu todo. 7.25. Cabe salientar que para a configuração de grupo econômico é dispensável a existência de uma empresa que exerça algum tipo de controle sobre as outras e, tampouco, que as empresas formalizem juridicamente essa união ou que mantenham relação de subordinação. A coordenação é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que pode não haver prevalência de uma empresa sobre a outra, mas a conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade, dos negócios, dos interesses comuns, atuando de forma inequívoca na condição de grupo econômico, no qual, obviamente, não serão encontradas todas as formalidades de que se revestem os grupos econômicos de direito. 7.26. Pois bem, voltando-se agora ao caso concreto, verifica-se que um dado a ser considerado é a comunhão de sócios entre as empresas, que é de relevância na caracterização do grupo econômico, como foi acima enfatizado. Após fazer, no item 33 do Relatório Fiscal, a demonstração do quadro societário das empresas, a autoridade fiscal, nos itens seguintes faz o seguinte relato: Relatório Fiscal: 34. O Sr. José Evaldo da Silva é Sócio Administrador em cinco das sete empresas. 35. O Sr. Luiz Cirineu Caprioli é Sócio Administrador em três das sete empresas. 36. A Sra. Deolete Rodrigues Groto é Sócia Administradora em uma empresa e tem participação societária em outras três empresas conjuntamente com Luiz Cirineu Caprioli e José Evaldo da Silva. 37. Maria José Pereira Caprioli informa nas suas Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF o cônjuge de CPF 389.686.309-68, pertencente a Luiz Cirineu Caprioli. Por sua vez, Luiz Cirineu Caprioli informa nas suas Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física o cônjuge de CPF 555.499.939-53, pertencente à Maria José Pereira Caprioli. Conclui-se que são casados. 38. Ricardo Caprioli e Luiz Fernando Caprioli são filhos de Maria José Pereira Caprioli. 39. Luiz Fernando Caprioli participou do quadro societário da MERCOVOL até 30/08/2016, ingressando no quadro societário da INGÁ DISTRIBUIDORA exatamente na mesma data, 30/08/2016. Nas duas Pessoas Jurídicas a sua condição é de Administrador. Fl. 19399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 24 40. José Evaldo da Silva informa nas suas Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física, exercício 2016, 2017 e 2018 o cônjuge de CPF 809.307.609-30, pertencente a Claudia Jeane de Souza Silva. O endereço declarado nas DIRPF, de José Evaldo da Silva e Claudia Jeane de Souza Silva, exercício 2018 - Ano Calendário 2017 foi o mesmo: Av. Goio Ere, 2539, Apartamento 503, Centro, Campo Mourão PR. Conclui-se que são casados. 41. O percentual de participação societária relativos a José Evaldo Vieira, Luiz Cirineu Caprioli e Deolete Rodrigues Groto, respectivamente em 47,62%, 27,63% e 24,75%, se repete em duas empresas. Na empresa INGÁ ALUMÍNIOS LTDA o mesmo percentual se repete. A diferença é que Claudia Jeane de Souza Silva ocupa a posição de José Evaldo da Silva, seu cônjuge, e Maria José Pereira Caprioli ocupa o lugar do cônjuge Luiz Cirineu Caprioli. 42. Anderson Rodrigues Groto é filho de Deolete Rodrigues Groto, e figurou como Sócio Administrador da Pessoa Jurídica INGÁ DISTRIBUIDORA EIRELI, no período compreendido entre 11/02/2011 e 30/08/2016. Esta empresa recepcionou, simuladamente, os empregados da INGÁ ALUMÍNIOS LTDA quando esta perdeu a condição de optante Pelo Simples Nacional. Trata-se de ato caracterizado como conluio que visou enganar o fisco. Anderson Rodrigues Groto foi Sócio Administrador no período em que houve a simulada transferência de trabalhadores. 7.27. Como pode ser observado, as empresas pertencem majoritariamente a um mesmo grupo familiar e são administradas conjuntamente, preponderantemente por José Evaldo da Silva e Luiz Cirineu Caprioli, que, respectivamente, atualmente administram 5 e 3 dentre as 7 empresas mencionadas. Observa-se, ainda, que as duas empresas não administradas por eles, a Ingá Alumínios Ltda e a Ingá Distribuidora Eireli, possuem como sócios administradores a esposa de José Evaldo da Silva, Cláudia Jeane de Souza Silva, e Delolete Rodrigues Groto (Ingá Alumínios Ltda) e Luiz Fernando Caprioli e Anderson Rodrigues Groto, no caso da Ingá Distribuidora EIRELI. 7.28. Por outro lado, cinco das sete empresas mencionadas possuem o mesmo ramos de atividades, vejamos: a INPEÇAS declara à Receita Federal do Brasil o Cadastro Nacional de Atividade Econômica CNAE 4530-7-01 –Comércio de Peças e Acessórios para veículos Automotores; a MERCOVOL, a MOURÃO DIESEL, a TRUCK MOURÃO e a M D declaram à Receita Federal do Brasil o CNAE 4530-7-03 – Comércio de Peças e Acessórios para Veículos Automotores; a INGÁ ALUMÍNIOS e a INGÁ DISTRIBUIDORA declaram à Receita Federal do Brasil o CNAE 4693-1-00 – Comércio Atacadista de mercadorias em Geral. Fl. 19400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 25 7.29. Outra constatação relevante feita pela autoridade fiscal foi a corriqueira transferência de empregados de empresas que perderam a condição de optante para as empresas que ainda mantinham tal condição. Tal procedimento irregular foi constatado entre as empresas Ingá Alumínios e Ingá distribuidora, bem como entre a Mourão Diesel e a Truck Mourão. Vejamos como se manifestou a autoridade fiscal sobre tais fatos, no itens 44 a 45 do Relatório Fiscal: Relatório Fiscal 44. Existe um vínculo direto e irregular entre a INGÁ ALUMÍNIOS e a INGÁ DISTRIBUIDORA. Quando a primeira perdeu a condição de optante pelo sistema de tributação do Simples Nacional, os seus trabalhadores migraram, artificialmente, para a segunda. Anderson Rodrigues Groto, filho de Deolete Rodrigues Groto, era Sócio Administrador da INGÁ DISTRIBUIDORA quando da migração dos trabalhadores da INGÁ ALUMÍNIOS para A INGÁ DISTRIBUIDORA. Claudia Jeane de Souza Silva também figurava como Sócia Administradora da INGÁ ALUMÍNIOS na época dos fatos. 45. O endereço declarado à Receita Federal do Brasil pelas empresas INGÁ ALUMÍNIOS LTDA e INGÁ DISTRIBUIDORA EIRELI é o mesmo: Rua Braz Izelli, 626, Cidade Industrial, Maringá PR. 46. O artifício de transferir trabalhadores de uma empresa que perdeu a condição de optante pelo Simples Nacional para outra optante se repetiu. O ato envolve as empresas MOURÃO DIESEL e a TRUCK MOURÃO. A MOURÃO DIESEL perdeu a condição de optante pelo Simples Nacional. Houve uma migração dos trabalhadores para a TRUCK MOURÃO, empresa criada recentemente. As duas possuem o mesmo endereço e o mesmo ramo de atividade. 47. O endereço da MOURÃO DIESEL e da TRUCK MOURÃO também são coincidentes: Av. Perimetral Presidente Tancredo de Almeida Neves, 718, Centro, Campo Mourão PR. 7.30. Cabe ser observado que seis das sete empresas usufruem ou usufruíram do sistema de tributação do Simples Nacional, sendo que apenas a Ingá Alumínios estava enquadrada em forma de tributação diversa. Por outro lado, todas as empresas possuem como contador Reginaldo Antônio Fiori, que foi o responsável pela transmissão das GFIP, DCTF, declarações prestadas no PGDAS e entrega de Escrituração Contábil Fiscal com várias incorreções. Tais fatos foram narrados nos itens 49 e 50 do Relatório Fiscal, conforme segue: Relatório Fiscal Fl. 19401DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 26 49.Seis das sete empresas usufruem ou usufruíram do sistema de tributação do Simples Nacional. Apenas a INGÁ ALUMÍNIOS está enquadrada em forma de tributação diversa. Claudia Jeane de Souza Silva figura como Sócia Administradora com participação societária de 47,62%, igual ao do Sr. Jose Evaldo da Silva em outras duas empresas, a MOURÃO DIESEL e a INPEÇAS. Deolete Rodrigues Groto também figura como Sócio Administradora da INGÁ ALUMÍNIOS LTDA. 50. O Sr. Reginaldo Antônio Fiori, profissional do ramo contábil, produz vínculos entre todas as empresas. Figura como responsável pela transmissão das GFIP, DCTF, declarações prestadas no PGDAS e entrega da Escrituração Contábil Fiscal com incorreções de toda a natureza. Teve participação decisiva nas irregularidades encontradas. Participou do envio de informações incorretas prestadas em documentos oficiais, tais como: omitir bases de tributação no PGDAS (M D COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, INGÁ DISTRIBUIDORA, MOURÃO DIESEL), informar documento GFIP como optante pelo Simples Nacional de Pessoa Jurídica que não possuía esta condição (M D COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, MERCOVOL), efetuar entrega de ECF com total ausência de faturamento (M D COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA e INGÁ ALUMÍNIOS LTDA), deixar de informar em DCTF os tributos devidos de empresas não optante pelo Simples Nacional (M D COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA e INGÁ ALUMÍNIOS). Participou também das duas migrações simuladas de trabalhadores empregados das empresas que perderam a condição de optante pelo Simples Nacional para outras enquadradas neste modo de tributação: migração ocorrida da INGÁ ALUMÍNIOS para a INGÁ DISTRIBUIDORA e da migração ocorrida da MOURÃO DIESEL para a TRUCK MOURÃO. 7.31. Com relação às empresas Inpeças Comércio e Distribuição de Peças EIRELI, Ingá Distribuidora Eireli e Ingá Alumínios Ltda, a auditoria fiscal demonstrou, nos itens 148 a 223 do Relatório Fiscal, de uma forma minuciosa e abrangente, todos os fatos que denotam que, na verdade, tais empresas constituem um único empreendimento. Tais fatos foram sintetizados no item 224 do Relatório Fiscal, abaixo transcrito. Relatório Fiscal 224. Em síntese temos que: - As três empresas possuem pessoas ligadas por grau de parentesco, pai, mãe e filhos; - As três empresas vendem as mesmas mercadorias; - As três empresas estão localizadas no mesmo endereço; - Os produtos vendidos pela INGÁ DISTRIBUIDORA EIRELI e INPEÇAS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE Fl. 19402DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 27 PEÇAS LTDA são praticamente todos adquiridos da INGÁ ALUMÍNIOS; - Os produtos vendidos pela INGÁ ALUMÍNIOS para a INGÁ DISTRIBUIDORA e a INPEÇAS são intencionalmente subsidiados; - Quando as vendas são realizadas para outras empresas, os preços de um mesmo produto vendidos na mesma data são idênticos, ou próximo disso, não existindo diferenças se a parte vendedora foi a INGÁ ALUMÍNIOS, a INGÁ DISTRIBUIDORA ou a INPEÇAS. Existe uma administração comum centralizada definindo o preço de venda; - A INGÁ ALUMÍNIOS não possui empregados, contudo não deixou de ter faturamento, inclusive o CFOP 5.101 e 6.101 utilizado nas vendas indicam produção própria; - A INGÁ DISTRIBUIDORA recepcionou os trabalhadores da INGÁ ALUMÍNIOS quando esta deixou de ser optante pelo Simples Nacional; - Comprova-se documentalmente que a empregada contratada pela INGÁ DISTRIBUIDORA, Ana Paula Rodrigues de Moura, recepcionou as intimações encaminhadas pela auditoria à INGÁ ALUMÍNIOS e INPEÇAS. Ou seja, trabalha para as três empresas. - A INPEÇAS declara à Receita Federal do Brasil o código no Cadastro Nacional de Atividade Econômica CNAE 4530-7-01 - COMÉRCIO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES. O erro não é por acaso. A intenção foi esconder do fisco federal a condição de revendedora dos mesmos produtos vendidos ou revendidos pela INGÁ ALUMÍNIOS e INGÁ DISTRIBUIDORA; - A INGÁ ALUMÍNIOS registra contabilmente em seus Livros Caixa o pagamento de faturas de energia elétrica da COPEL. Por outro lado, os Livros Caixa apresentados pela INPEÇAS não registram este tipo de despesa. A INGÁ DISTRIBUIDORA, até o momento, não apresentou seus elementos contábeis. Há que se perguntar se podem existir empresa em operação, com empregados, que não tenha despesas com Agua, Luz e Telefone, no caso a INPEÇAS. - Os extratos da COPEL vinculado ao CNPJ da INGÁ ALUMÍNIOS aponta a existência de uma ligação de energia ativa no endereço Rua José Marasca Filho, 625, Cidade Industrial, Maringá PR, endereço declarado pela INPEÇAS à Receita Federal do Brasil; - Os empregados existentes no documento GFIP da INGÁ DISTRIBUIDORA são, em grande parte, trabalhadores relacionados ao ramo de metalurgia, fundição, usinagem, ferramentaria, operadores de forno, etc. O fato indica que a INGÁ DISTRIBUIDORA é indústria. - O CNAE 4693.1-00 - COMÉRCIO ATACADISTA DE MERCADORIAS EM GERAL, informado à Receita Federal do Brasil, tanto pela INGÁ ALUMÍNIOS como pela INGÁ DISTRIBUIDORA não é verdadeiro e foi dolosamente ocultado buscando benefício tributário indevido. O CNAE correto é o de número 2593- Fl. 19403DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 28 4/00 Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal e a alíquota correspondente do Seguro de Acidente de Trabalho incidente sobre a remuneração de empregado é de 3%. O CNAE 4693-1-01, incorretamente informado, tem a alíquota de 2%. - Considerando todas estas constatações, conclui-se que a criação e existência de três empresas é ato simulado. De fato, existe uma única empresa que explora o ramo industrial. A INGÁ ALUMÍNIOS, embora não declare empregados em suas GFIP, centraliza a produção e repassa boa parte de seus produtos para a INGÁ DISTRIBUIDORA e INPEÇAS. O fatiamento em três Pessoas Jurídicas é um engodo que buscou enganar o fisco federal. 7.32. Constata-se que a interligação entre as empresas Inpeças Comércio e Distribuição de Peças Ltda, Ingá Distribuidora Eireli e Ingá Alumínios Ltda, de tão estreita, evidencia a existência de confusão patrimonial entre elas, de modo que podem ser consideradas como um único empreendimento, conforme fartamente demonstrado. 7.33. Cabe ainda salientar que a autoridade fiscal evidenciou as irregularidades de cada empresa envolvida, de forma separada, dentre as quais podemos destacar as seguintes: a) omissão de faturamento no PGDAS (MD Comércio de Auto Peças Ltda -itens 51/58; Ingá Distribuidora Eireli – itens 95/105; Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda - itens 105/107); b) declaração em GFIP como optante do Simples Nacional mesmo após auto de exclusão (Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda - itens 131/138); c) não apresentação de DCTF, apesar de apresentar faturamento (Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda - itens 139/ 141); d) DCTF com inconsistências em relação à auto exclusão do Simples Nacional (MD Comércio Ltda - item 67); e) DCTF com ocultação de tributos (Ingá Alumínios Ltda - itens 93/94; Inpeças Comércio e Distribuição de Peças Ltda - itens 143/147); f) SPED- ECF apresentada com total ausência de faturamento (MD Comércio de Auto Peças Ltda - item 68; Ingá Alumínios Ltda - item 92); g) transferência de trabalhadores de empresas excluídas do Simples Nacional para outra empresa do grupo inserida neste regime de tributação (Ingá Alumínios Ltda - itens 72/ 80; Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda - item 111); h) empresas sem trabalhadores registrados ,que continuavam a exercer atividades e a apresentar faturamento (Ingá Alumínios Ltda - itens 81/90; Mourão Diesel Comércio de Auto Peças Ltda - itens 125/126); i) empresas inseridas no Simples Nacional que “recepcionaram” trabalhadores de outras empresas excluídas deste regime de tributação (Ingá Distribuidora Eireli - item 95; Truck Mourão Peças e Serviços Ltda - itens 114/121); e j) faturamento declarado em PGDAS inferior ao real (Ingá Distribuidora Eireli - item 96). 7.34. Assim, resta evidente que a Fiscalização reuniu um amplo conjunto não só de indícios, mas também de fatos perfeitamente identificados, nos termos do Fl. 19404DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 29 Relatório Fiscal e demais elementos de prova carreados aos autos, e concluiu, de forma acertada, que as empresas em questão formam grupo econômico de fato, nos termos da legislação previdenciária. Vale mencionar que o art. 494 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, assim dispõe: Art. 494. Caracteriza-se grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. 7.35. No caso concreto, constata-se um conjunto de empresas, com sócios comuns pertencentes a um mesmo grupo familiar, atuando no mesmo ramo de atividade, com a utilização e transferências de empregados entre si, com endereços muitas vezes coincidentes, que utilizam os serviços de um mesmo contador e que adotaram práticas fraudulentas e de sonegação similares ao longo dos anos, com o objetivo de lesar o fisco. 7.36. Assim, entendo que resta plenamente demonstrada a existência de grupo econômico de fato entre as empresas envolvidas. Da Responsabilidade Solidária Das Empresas do Grupo Econômico 7.37. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece algumas consequências jurídicas para as pessoas envolvidas na constituição do fato gerador da obrigação tributária, nos seguintes termos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. 7.38. Como pode se observar no artigo 124 do CTN, o legislador atribui a responsabilidade tributária solidária a todos aqueles que tenham interesse comum no fato gerador e/ou pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 19405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 30 7.39. O inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, prevê, especificamente, a responsabilidade solidária quando constatada a existência de um grupo econômico de direito ou de fato, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) [...] IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; 7.40. O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, quanto à questão, também prevê: Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200-A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) 7.41. Ainda no âmbito das contribuições previdenciárias, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, assim se refere ao tema: Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; [...] VII - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal, conforme dispõe o art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN); [...] § 3º Aplica-se a solidariedade prevista no inciso VII do caput às empresas que se associam para a realização de empreendimento e que não atendam ao disposto nos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. [...] Art. 494. Caracteriza-se grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Fl. 19406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 31 Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. 7.42. Pelos dispositivos transcritos, observa-se que o legislador quis alcançar os grupos econômicos de quaisquer naturezas e não poderia ser de outra forma, pois se assim não fosse, estar-se-ia punindo quem, agindo conforme a lei, formaliza-se de acordo com as exigências legais, incentivando a instituição de grupos econômicos de fato. A abrangência da disposição “de qualquer natureza” do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, é ampla, não exigindo, sequer, a prova de sua formal institucionalização, podendo-se acolher a existência do grupo desde que surjam evidências probatórias de que estão presentes os elementos de integração empresarial. 7.43. Neste mesmo contexto, mais especificamente sob o aspecto das relações de emprego e, portanto, da responsabilização do empregador pelo pagamento dos créditos trabalhistas, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prescreve: Art. 2º - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º - Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 7.44. Nota-se semelhança de redação entre a norma inserida na CLT e os dispositivos antes transcritos e é usual que os conceitos doutrinários trabalhistas sejam utilizados no direito previdenciário, inclusive em razão do estreito vínculo que conecta estes dois ramos do direito. 7.45. O Tribunal Superior do Trabalho já decidiu pela responsabilização de empresas pela mera identidade de interesses, não sendo necessária a comprovação nem mesmo de subordinação entre as empresas, conforme voto da ministra Kátia Magalhães Arruda no acórdão proferido no processo 246240- 19.2006.5.02, nos seguintes termos: Irrepreensível a sentença proferida pela MM. Vara de Origem que, de conformidade com o sistema do livre convencimento motivado, da Fl. 19407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 32 persuasão racional e da valoração das provas (art. 131, CPC), entendeu configurado grupo econômico entre as reclamadas e imputou-lhes responsabilidade solidária. Senão, vejamos. De plano, cumpre registrar que a recorrente parte de premissa equivocada, ao entender ser imprescindível à caracterização de grupo econômico a existência de direção, controle ou administração de uma empresa por outra, sob comando único. Isso porque, diante do fenômeno da globalização, das mais diversificadas modalidades de concentração econômica, de atuação empresarial e comercial, dos inúmeros segmentos que se multiplicaram, da absoluta variação de interligações grupais, a ordem juslaboral evoluiu, admitindo a configuração de grupo econômico por coordenação, revestido de contornos mais flexíveis e desprovido da tradicional necessidade que uma das empresas exerça posição de dominação sobre as demais. Trata-se da hipótese em que todas as empresas integrantes têm por finalidade precípua a organização e a concatenação de atos voltados à realização do objeto social, mantendo, no entanto, sua independência e autonomia próprias. Significa dizer, basta que os entes empresariais possuam vínculo de coordenação e comunhão de interesses. 7.46. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do AgRg no AREsp 89.618/PE, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2016, DJe 18/08/2016, assim decidiu em relação à confusão patrimonial e a responsabilidade tributária do grupo econômico de fato: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30 DA LEI N. 8212/1991 E ART. 124 DO CTN. GRUPO ECONÔMICO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. SÚMULA 7 DO STJ. 1. Esta Corte Superior entende que a responsabilidade solidária do art. 124 do CTN, c/c o art. 30 da Lei n. 8.212/1991 não decorre exclusivamente da demonstração da formação de grupo econômico, mas demanda a comprovação de práticas comuns, prática conjunta do fato gerador ou, ainda, quando há confusão patrimonial. Precedentes. 2. O Tribunal ordinário entendeu pela responsabilidade solidária da empresa não pela simples circunstância de a sociedade pertencer ao mesmo grupo econômico do sujeito passivo originário. Antes, reconheceu a existência de confusão patrimonial, considerando haver entre as sociedades evidente identidade de endereços de sede e filiais, objeto social, denominação social, quadro societário, contador e contabilidade, além de as empresas veicularem seus produtos no mesmo sítio na internet . Fl. 19408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 33 3. A questão foi decidida com base no suporte fático-probatório dos autos, de modo que a conclusão em forma diversa é inviável no âmbito do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo regimental desprovido. (Sem grifo no original) 7.47. Pelas razões acima, diante da constatação de que as pessoas jurídicas arroladas como responsáveis solidárias compõem grupo econômico de fato, e que agiram fraudulentamente ao adotar a estrutura societária ora questionada, resta configurada a responsabilidade solidária das mesmas pelos créditos apurados. (...) Das Contribuições Devidas a Outras Entidades e Fundos 7.67. No presente lançamento, além das contribuições previdenciárias, também foram apuradas as contribuições destinadas aos seguintes Terceiros - SENAI, SESI, INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO e SEBRAE. 7.68. A Impugnante apresenta um extenso arrazoado a fim de demonstrar que as contribuições ao INCRA, SEBRAE e “Sistema S” (SENAC, SESC SESI e SENAI) sobre a folha de salários não seriam exigíveis após a Emenda Constitucional (EC) nº 33 de 2001, em razão da incompatibilidade da legislação ordinária que lhes rege com a nova redação do art. 149 da Constituição Federal (CF). Segundo a Impugnante, essa seria a interpretação dada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 559.937/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, quando reconheceu que o rol das bases de cálculo previsto no artigo 149 da CF/88 é taxativo.” 7.69. Com relação a tais alegações, inicialmente, deve ser enfatizado que, conforme já foi acima esclarecido, a jurisprudência administrativa é absolutamente pacífica quanto à incompetência da autoridade administrativa para afastar a aplicação de norma vigente a pretexto de vícios de inconstitucionalidades. Tanto é assim que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) editou a Súmula CARF nº 2, nos seguintes termos: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 7.70. Portanto, quaisquer pedidos ou alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário, cabendo ao interessado o exercício de sua prerrogativa de submeter a matéria ao controle jurisdicional. 7.71. Entretanto, cabe destacar, que no Recurso Extraordinário 559.937/RS, citado pela Impugnante, a discussão tinha por objeto questão específica da base de incidência da contribuição do Pis/Pasep e Cofins na importação, prevista na alínea “a”, inciso III, § 2º do art. 149 da Constituição Federal de 1988, incluído Fl. 19409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 34 pela EC nº 33, de 2001, e não de contribuições sociais para outras entidades e fundos que são objeto do presente lançamento fiscal. 7.72. O dispositivo constitucional a que se refere a Impugnante, tem a seguinte redação: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. [...] § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) [...] III - poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) 7.73. Cumpre esclarecer que cabe à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil a arrecadação das contribuições devidas a terceiras entidades e fundos, nos termos da legislação abaixo transcrita: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social-INSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração ajustada, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicando-se a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. Lei nº 11.457, de 2007 Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as Fl. 19410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 35 atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b, e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando-se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. 7.74. As contribuições do “Sistema S” (SENAI, SESI, SENAC e SESC), criadas anteriormente à Constituição Federal de 1946, foram recepcionadas pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988, com a seguinte redação: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. 7.75. Essas contribuições sociais passaram a ter fundamento expresso no art. 149 da CF como contribuições de interesse das categorias econômicas ou profissionais. O STF, ao julgar o RE nº 396.266, reconheceu que as contribuições do “Sistema S” têm sua matriz constitucional no art. 149 da CF, como contribuição de interesse das categorias econômicas e profissionais, com exceção da contribuição devida ao SEBRAE, que tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico. 7.76. Com efeito, não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na exigência de tais contribuições. SENAI e SESI 7.77. As contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAC foram instituídas, respectivamente, pelo Decreto-Lei nº 9.403/46 e pelo Decreto-Lei nº 4.048/42. Referidos diplomas normativos estabeleceram que: Decreto-Lei nº 9.403, de 25 de junho de 1946 Art. 3º Os estabelecimentos industriais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (artigo 577 do Decreto-lei n.º 5. 452, de 1 de Maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins § 1º A contribuição referida neste artigo será de dois por cento (2 %) sôbre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados. O montante da remuneração que servirá de base ao pagamento da contribuição será aquele sobre o qual deva ser estabelecida a contribuição de previdência devida ao instituto de Fl. 19411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 36 previdência ou caixa de aposentadoria e pensões, a que o contribuinte esteja filiado. (...) Decreto-Lei nº 4.048, de 22 de janeiro de 1942 Art. 4º Serão os estabelecimentos industriais das modalidades de indústrias enquadradas na Confederação Nacional da Indústria obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal para montagem e custeio das escolas de aprendizagem. § 1º A contribuição referida neste artigo será de dois mil réis, por operário e por mês. Art. 6º A contribuirão dos estabelecimentos que tiverem mais de quinhentos operários será acrescida de vinte por cento. Decreto-Lei nº 6.246, de 05 de fevereiro de 1944. Art. 1º A contribuição de que tratam os Decretos-lei nº 4.048, de 22 de janeiro de 1942, e nº 4.936, de 7 de novembro de 1942, destinada à montagem e ao custeio das escolas de aprendizagem, a cargo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, passará a ser arrecadada na base de um por cento sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados. 7.78. Portanto, como referida legislação foi recepcionada pelo art. 240 da CF/88, não merece acolhida a pretensão da impugnante de ser desonerada das contribuições devida ao SESI e SENAI, que devem ser mantidas no lançamento. SEBRAE 7.79. A contribuição destinada ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) foi criada pela Lei nº 8.029/90, que autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública Federal o antigo CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo, consoante disposto em seu artigo 8º: Art. 8º (...) (...) § 3º Para atender à execução das políticas de apoio às micro e às pequenas empresas, de promoção de exportações e de desenvolvimento industrial, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do Decreto-Lei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: (Redação dada pela Lei nº 11.080, de 2004) a) um décimo por cento no exercício de 1991; (Incluído pela Lei nº 8.154, de 1990) Fl. 19412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 37 b) dois décimos por cento em 1992; e (Incluído pela Lei nº 8.154, de 1990) c) três décimos por cento a partir de 1993. (Incluído pela Lei nº 8.154, de 1990) (...) 7.80. O Poder Executivo, fazendo uso da supracitada autorização legal, editou o Decreto nº 99.570/90, transformando o CEBRAE no atual SEBRAE (art.1º). Do mesmo modo que a Lei nº 8.029/90, o Decreto nº 99.570/90 manteve a autorização para o INSS arrecadar o adicional da contribuição, com o repasse ao Sebrae, nos termos seu artigo 6º: O adicional de que trata o parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, será arrecadado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS e repassado ao SEBRAE no prazo de trinta dias após a sua arrecadação. 7.81. Em 28/12/90, foi editada a Lei nº 8.154 que, em seu artigo 8º, § 3º, definiu os percentuais devidos a título do adicional da contribuição, na forma de alíquotas progressivas: 0,1% no exercício de 1991; 0,2% em 1992; e 0,3% a partir de 1993. 7.82. Em relação à matéria, deve ser enfatizado que o STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso, julgado em 2004), exigível das empresas em geral: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. - As contribuições do art. 149, C.F. - contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas - posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. - A contribuição do SEBRAE - Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 - é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L.2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. Fl. 19413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 38 III. - Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. - R.E. conhecido, mas improvido”. (RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 27.2.2004) 7.83. Referido entendimento foi repetido pelo próprio STF, quando da apreciação do Recurso Extraordinário n° 635.682, conforme se constata da leitura do voto do Relator, Ministro Gilmar Mendes. Vejamos a ementa do decisório mais recente, que sepultou, de uma vez por todas, a questão relativa à constitucionalidade do tributo: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados.(RE 635682, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 25/04/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-098 DIVULG 23-05- 2013 PUBLIC 24-05-2013) (grifei) 7.84. O mesmo entendimento foi reiterado no Recurso Extraordinário 382.474: SEBRAE – CONTRIBUIÇÃO – LEI COMPLEMENTAR – DESNECESSIDADE. Não ofende a Constituição a contribuição devida ao Sebrae, sendo inexigível lei complementar.(RE 382474 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 21/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-108 DIVULG 07-06-2013 PUBLIC 10-06-2013) 7.85. Conforme visto, considerando-se a sua finalidade de atender à execução da política governamental de apoio às micro e às pequenas empresas, firmou o STF o entendimento de que a contribuição ao SEBRAE ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, de modo que não lhe alcançam as exigências de lei complementar estipuladas na Constituição Federal para o estabelecimento de normas gerais em matéria tributária (artigo 146, III, a) e para a estipulação de novas fontes de custeio (§ 4º do art. 195 c.c. art. 240, ambos da CF/88), bastando lei ordinária para a sua instituição. 7.86. Assim, não merecem guarida as razões trazidas na impugnação relativas à inexigibilidade da contribuição ao SEBRAE. INCRA Fl. 19414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 39 7.87. A contribuição para o INCRA foi instituída pela Lei nº 2.613/55, que estabelecia, em seu art. 6º, § 4º, a contribuição obrigatória para o então Serviço Social Rural, por parte de todos os empregadores. 7.88. O Decreto-Lei nº 1.110, de 09/07/1970 criou o Instituto Nacional de Reforma Agrária – INCRA, transferindo-lhe todos os direitos, competências, atribuições e responsabilidades do IBRA, do INDA e do Grupo de Reforma Agrária (GERA). 7.89. Posteriormente, o Decreto-Lei nº 1.146/70 destinou ao INCRA cinquenta por cento dos tributos do §4º, do artigo 6º, da Lei nº 2.613/55, in verbis: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de Setembro 1955, mantidas nos termos deste Decreto-Lei, são devidas de acordo com o artigo 6º do Decreto-Lei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do Decreto-Lei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I - Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA 1 - as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste Decreto-Lei; 2 - 50% (cinquenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decreto-lei. (...) Art. 3º É mantido o adicional de 0,4% (quatro décimos por cento) a contribuição previdenciária das empresas, instituído no § 4º do artigo 6º da Lei nº 2.613, de 23 de Setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, § 2º, item VIII, da Lei número 4.863, de 29 de novembro de 1965. 7.90. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais debatida ao longo do tempo, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento caracterizando-a como contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I - A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II - Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. Fl. 19415DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 40 III - Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV - Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 - PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p.331) (grifei) 7.91. Como pode ser observado nos julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). 7.92. Acrescenta-se que, anteriormente, o próprio Supremo Tribunal Federal, no Recurso Especial 325.437/SP, de 03/03/2004, já havia consolidado o entendimento de que essa contribuição atende ao princípio da universalidade e a sua incidência não está condicionada a que a empresa exerça atividade exclusivamente rural. A contribuição não é um tributo corporativista a ser suportado por uma determinada classe. 7.93. A referida contribuição destina-se a fornecer recursos à entidade prevista em lei, atualmente o INCRA, para que, no interesse da sociedade, sejam executadas as políticas públicas voltadas à reforma agrária, tendo, portanto, natureza evidente de contribuição de intervenção do domínio econômico. 7.94. De outra banda, cabe salientar que ainda se encontra pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, também cabe salientar que a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso III, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, tendo em vista que próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição Fl. 19416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 41 criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. 7.95. Conforme já foi acima afirmado, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n° 2 e do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72. 7.96. Desta forma, também não merece acolhida o pleito da impugnante de ser desonerada das contribuições devida ao INCRA Salário-Educação. 7.97. Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, o salário-educação é uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. 7.98. Referida contribuição está prevista no artigo 212, § 5º, da Constituição Federal, e foi regulamentada pelas Leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6.003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF): Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O Salário-Educação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 7.99. Observa-se que são contribuintes do salário-educação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendo-se como tal qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 19417DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 42 não, sociedade de economia mista, empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo poder público, nos termos do § 2º, art. 173 da Constituição, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salário-educação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendo-se como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2º, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salário educação: I- a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II- as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III- as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV- as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V- as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; 7.100. Cabe ser destacado que o Procurador Geral da República ajuizou, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário da Justiça de 10/12/1999, pautou pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindo-lhe efeitos ex tunc: ADC 3 / UF - UNIÃO FEDERAL AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 01/12/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação : DJ 09-05-2003 PPEMENTA: - CONSTITUCIONAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, LEI 9.424/96. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO. DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. FORMAL: LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212 DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA DE REDAÇÃO PELO SENADO. EMENDA QUE NÃO ALTEROU A PROPOSIÇÃO JURÍDICA. FOLHA DE SALÁRIOS - Fl. 19418DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 43 REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES. QUESTÃO INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO. CABIMENTO DA ANÁLISE PELO TRIBUNAL EM FACE DA NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE IMPOSTOS. NÃO SE TRATA DE OUTRA FONTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIO-EDUCAÇÃO DEFINE A FINALIDADE: FINANCIAMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E O SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIÇÃO: AS EMPRESAS. NÃO RESTA DÚVIDA. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI AMPLAMENTE DEMONSTRADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE QUE SE JULGA PROCEDENTE, COM EFEITOS EX-TUNC. (ADC 3/UF – União Federal; Ação Declaratória de Constitucionalidade, Relator Min. Nelson Jobim, julgamento 01/12/1999, publicação DJ de 09/05/2003) Recurso extraordinário. 2. Embargos declaratórios examinados como agravo regimental. 3. Salário educação. Natureza jurídica tributária, nos termos da Constituição de 1988. Disciplina anterior mantida. 4. Fixação válida da alíquota, por meio de ato do Poder Executivo, em face da Emenda Constitucional n.º 1/1969, com base no § 2º do art. 1º do Decreto-lei n.º 1.422/1975, em que se observa técnica de delegação legislativa adotada diante da variação do custo do ensino fundamental. 5. Art. 212, § 5º, da Constituição de 1988. Recepção da contribuição, na forma em que se encontrava disciplinada. 6. Constitucionalidade do art. 15, § 1º, I e II, e § 3º da Lei n.º 9.424/96. Ação Declaratória de Constitucionalidade n.º 3. Decisão com força vinculante, eficácia erga omnes e efeito ex tunc. 7. Natureza jurídica de contribuição social. Inaplicabilidade dos arts. 146, III, a, e 154, I, da Constituição Federal. 8. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 280140 ED/RS; Embargos Declaratórios no Recurso Extraordinário, Relator Min. Néri da Silveira, julgamento 13/11/2001, publicação DJ de 19/12/2001) 1. RECURSO. Extraordinário. Admissibilidade. Salário-educação: Decreto-Lei nº 1.422/75 e Lei nº 9.424/96. Constitucionalidade. Agravo regimental não provido. Precedente. É constitucional a contribuição denominada salário educação, assim em face da Carta pretérita, como da Constituição Federal de 1988. 2. RECURSO. Agravo. Regimental. Contrariedade a jurisprudência assentada sobre a matéria. Argumentação velha e impertinente. Caráter meramente abusivo. Litigância de má-fé. Imposição de multa. Aplicação do art. Fl. 19419DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 44 557, § 2º, cc. arts. 14, II e III, e 17, VII, do CPC. Quando abusiva a interposição de agravo, manifestamente inadmissível ou infundado, deve o Tribunal condenar a parte agravante a pagar multa ao agravado. Reputa-se abusivo o recurso que, sem novos argumentos sobre a quaestio iuris, investe contra orientação sumulada ou jurisprudência assente. (RE 405062 AgR/RJ; Agravo Regimental no Recurso Extraordinário, Relator Min. Cezar Peluso, julgamento 31/05/2005, publicação DJ de 24/06/2005) 7.101. Desta forma, a cobrança da contribuição do salário-educação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, acabando, de uma vez por todas, com qualquer dúvida que ainda pudesse ser suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante. SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. 7.102. Nesse contexto, estando as entidades públicas ou privadas, com fins lucrativos ou não, arroladas no art. 15 da Lei nº 9.424/96, na forma de seu Regulamento e não expressamente excluídas da hipótese de incidência neste prevista, impõe-se reconhecer que tais entidades são contribuintes da contribuição social a ser vertida ao Salário-Educação. 7.103. Assim, também devem ser mantidos, no lançamento, os valores apurados referentes ao salário educação. Da Multa Aplicada 7.104. Por outro lado, também não tem amparo a argumentação apresentada pela impugnante em relação ao caráter abusivo da multa de ofício aplicada com percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), vez que a aplicação da multa decorre de lei e não pode ser modificada de forma discricionária. 7.105. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prevê a sistemática de aplicação da multa de ofício, uma vez determinada sua adoção em matéria do lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, pelo disposto no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91. O dispositivo da Lei nº 9.430/96 prevê tanto a multa de ofício denominada básica (75%), bem como sua majoração percentual conforme circunstâncias previstas no dispositivo. Vejamos. Lei nº 8.212/91 Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifei) Lei n° 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 19420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 45 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 7.106. Como se percebe, a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) tem lugar quando se configurar uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que assim dispõem: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. 7.107. A conduta a ser punida, ensejadora da multa qualificada, portanto, é aquela que decorre do emprego de artifício doloso, vale dizer, intencional, qualquer que seja ele, capaz de iludir a Administração Tributária quanto à ocorrência do fato gerador. 7.108. Vejamos como se manifesta a autoridade fiscal em relação ao motivo da qualificação da multa, nos itens 267 a 270, do Relatório Fiscal: APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA 267. A aplicação de multa qualificada duplicada, com capitulação legal no §1°, inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, está diretamente vinculada às condutas dolosas dos dirigentes do Sujeito Passivo. As circunstâncias objetivas descritas, encontrou guarida na hipótese prevista nos artigos n° 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, abaixo transcrito, em conjunto com o estabelecido no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 19421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 46 Lei n° 9.430/96 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) " Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 268. Foi verificado no ano calendário 2018 que a INPEÇAS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS LTDA obteve faturamento mediante a emissão de Notas Fiscais de vendas que atingiram o montante de R$ 1.768.749,33. Portanto, os documentos DCTF apresentados não representam a realidade financeira da Pessoa Jurídica. Foi ocultado faturamento nas DCTF apresentadas neste ano calendário. Foram declarados como devidos 5 (cinco) registros de apenas R$ 10,00 (dez Reais) da contribuição à COFINS, cópia do extrato em anexo. A conduta é típica de sonegação descrita no caput do art. 71 da Lei n° 4.502/64: "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais e das condições pessoais de contribuinte, susceptíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito Fl. 19422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 47 tributário correspondente." 269. A INPEÇAS COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS LTDA faz parte de um grupo econômico de fato criado para usufruto indevido do sistema de tributação do Simples Nacional, mediante o fracionamento do faturamento. Foram cometidos todos os tipos de irregularidades de natureza tributária, descritos anteriormente. O grupo econômico criado e os atos praticados se enquadram no descrito no Art. 73. da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964: "conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 270. Então, cabe a aplicação em dobro de multa atingindo o total de 150,00% (duas vezes 75,00%) 7.109. Observa-se que restou plenamente caracterizada a situação descrita no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 para a imposição da multa qualificada, pois a autuada, de forma intencional, agiu visando impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência da obrigação tributária, devendo ser mantida a multa no percentual de 150% sobre o valor das contribuições apuradas. 7.110. Por outro lado, cabe enfatizar que, na lavratura dos autos de infração, não é lícito ao agente público, discricionariamente, furtar-se de aplicar a lei vigente ao quantificar o montante do crédito tributário exigível de ofício, inclusive no tocante à penalidade cabível, estando sua atividade vinculada à legislação que dispõe acerca da multa a ser aplicada. Nos termos do artigo 116, inciso III da Lei n.° 8.112, de 11/12/1990: Art.116. São deveres do servidor: (...) III - observar as normas legais e regulamentares; (...). 7.111. Acrescenta-se, por oportuno, que o respeito aos princípios da capacidade contributiva e da proporcionalidade, previstos na Constituição Federal, é dirigido ao Legislador. Tais princípios orientam a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Entretanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. 7.112. Assim, contra os argumentos contidos na impugnação e que se referem a um suposto valor abusivo da multa aplicada, por suposta inconstitucionalidade por violação de princípios constitucionais, deve ser considerada a impossibilidade, no âmbito administrativo, de se afastar a aplicação ou deixar de se observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 19423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 48 7.113. Repita-se, não pode o julgador administrativo afastar a aplicabilidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva do plenário do STF. Portanto, referidos dispositivos legais, que embasam a aplicação da multa de ofício, inclusive a sua majoração, encontram-se em plena vigência e, portanto, são de aplicação obrigatória pela Administração. 7.114. Desta forma, também não merece reparo a imposição da multa qualificada, incidente sobre o montante das contribuições lançadas. Assim, mantem-se a qualificação da multa, deve-se, porém, aplicar ao caso a retroatividade benigna, diante da superveniência da Lei nº 14.689/2023, que reduziu o percentual da multa qualificada a 100%, dando nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, para reduzir o percentual da multa qualificada ao montante de 100%. DA ANÁLISE DAS IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS – PESSOAS JURÍDICAS. 8. Os responsáveis solidários, pessoas jurídicas que fazem parte do grupo econômico, apresentaram impugnações, que são idênticas e nelas são deduzidas as mesmas alegações, relativas à inexistência de grupo econômico, feitas pelo Inpeças Comércio e Distribuição de Peças EIRELI. Argumentam que, como não há a comprovação da existência do grupo econômico, solicitam que sejam excluídas do polo passivo da presente demanda. 8.1. Conforme pode acima ser verificado, as questões relativas à existência do grupo econômico de fato e, consequentemente, a responsabilização solidária das empresas participantes do grupo, ora impugnantes, já foram analisadas nos itens 7.16 a 7.47 deste voto. 8.2. Pelas razões ali expostas, diante da constatação de que as pessoas jurídicas arroladas como responsáveis solidárias compõem grupo econômico de fato, e que agiram fraudulentamente ao adotar a estrutura societária ora questionada, deve ser mantida a responsabilidade solidária das mesmas pelo crédito constituído. DA ANÁLISE DAS IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS – SÓCIOS DAS EMPRESAS 9. As impugnações apresentadas pelos sócios das empresas que fazem parte do grupo econômico são idênticas, onde pugnam que seja reconhecida a ausência de responsabilidade dos sócios pelo crédito lançado e que sejam abatidos do lançamento os valores já pagos no Regime Tributário do Simples Nacional. Responsabilidade Solidária dos Sócios Administradores –Pessoas Físicas 9.1. Com relação á solidariedade dos sócios, cabe enfatizar que, conforme visto, a fraude restou demonstrada a partir da constatação de que os administradores das pessoas jurídicas envolvidas optaram conscientemente por constituir empresas para fracionar o faturamento do grupo e permitir a permanência das mesmas no Simples Nacional. Ademais, as irregularidades que evidenciam sonegação fiscal, a Fl. 19424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 49 partir da prestação de informações falsas e com omissão de receita em documentos fiscais, também restaram fartamente demonstradas nos autos. Tais condutas caracterizam a sonegação fiscal e a fraude definidas na Lei n° 4.502/1964, artigos 71 e 72. 9.2. Com base nas informações contidas no quadro societário das empresas (item 33 do Relatório Fiscal), os sócios das pessoas jurídicas com poderes de gestão à época da ocorrência dos fatos gerados são os seguintes: 1) José Evaldo da Silva (MD Comércio de Auto Peças Ltda, Inpeças Comércio e Distribuição de Peças Ltda, Mourão Diesel Com. de Auto Peças Ltda, Truck Mourão Peças e Serviços Ltda e Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda); 2) Cláudia Jeane de Souza Silva (Ingá Alumínios Ltda); 3) Luiz Cirineu Caprioli (MD Comércio de Auto Peças Ltda, Truck Mourão Peças e Serviços Ltda e Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda); 4) Luiz Fernando Caprioli (Ingá Distribuidora Eireli, Mercovol Comércio de Auto Peças Ltda); 5) Deolete Rodrigues Groto (Ingá Alumínio Ltda); e 6) Anderson Rodrigues Groto (Ingá Distribuidora Eireli). 9.3. Referidas pessoas físicas, como sócios-administradores das empresas envolvidas, são solidariamente responsáveis pelos créditos apurados, com fundamento no CTN, artigo 135, inciso III, que estabelece a responsabilidade tributária dos diretores, gerentes e administradores de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. CTN Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 9.4. Como já foi fartamente debatido, os fatos narrados permitem apontar que os administradores, conscientemente, optaram por integrarem grupo econômico de fato irregular e omitiram do fisco receitas tributáveis. 9.5. Por outro lado mesmo que se pudesse discutir se ocorreu ou não o dolo no caso examinado, a simples infração da lei já é elemento suficiente para se caracterizar a responsabilidade tributária a que se refere o artigo 135 do CTN, conforme consta do Parecer PGFN/CRJ/CAT/N° 55/2009 A respeito da necessidade de presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, deve-se observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tão-só a presença de "infração de lei" (=ato ilícito), a qual, pela Teoria Geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante Fl. 19425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 50 alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). 9.6. Assim, deve ser mantida a responsabilidade solidária pelos créditos lançados imputada aos sócios administradores José Evaldo da Silva, Cláudia Jeane de Souza Silva, Luiz Cirineu Caprioli, Luiz Fernando Caprioli, Deolete Rodrigues Groto e Anderson Rodrigues Groto. Responsabilidade Solidária dos Sócios Não Administradores –Pessoas Físicas 9.7. O quadro societário das empresas (item 33 do Relatório Fiscal) indica que Maria José Pereira Caprioli é sócia não administradora da Ingá Alumínios Ltda desde 15/12/2004 e que Ricardo Caprioli foi sócio não administrador da Ingá Distribuidora Eireli de 4/4/2016 a 6/3/2019. 9.8. A fiscalização atribuiu a eles a responsabilidade solidária com fundamento no CTN, artigo 124, inciso I, e artigo 135, inciso III, nos seguintes termos: Relatório Fiscal Maria José Pereira Caprioli inscrita no CPF 555.499.939-53 -Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto -A Pessoa Física figura no quadro societário da Pessoa Jurídica de Razão Social INGÁ ALUMÍNIOS LTDA inscrita no CNPJ 03.636.746/0001-84. Esta Pessoa Jurídica forma Grupo Econômico de Fato com, ao menos, outras seis empresas, entre elas a INPEÇAS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS LTDA. -A questão mais aguda em relação a empresa INGÁ ALUMÍNIOS LTDA é que não possui trabalhadores desde fevereiro de 2011. Quando a Pessoa Jurídica perdeu a condição de optante pelo Simples Nacional, os seus empregados foram todos transferidos artificialmente para a Pessoa Jurídica INGÁ DISTRIBUIDORA EIRELI inscrita no CNPJ 09.048.726/0001-79. Não houve rescisão do contrato de trabalho. Foram mais de trinta empregados que, de um mês para outro, migraram da empresa INGÁ ALUMÍNIOS para a empresa INGÁ DISTRIBUIDORA. Ocorre que a INGÁ ALUMÍNIOS não deixou de ter atividade, já que continuou emitindo Notas Fiscais de Vendas, ou seja, a transferência de trabalhadores foi ato simulado, com objetivo de ocultar do fisco as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos seus trabalhadores. Houve conluio. -Outra questão relevante é que a INGÁ ALUMÍNIOS LTDA apresentou Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais ideologicamente falsos, omitindo tributos devidos sobre o faturamento. -A Sra. Maria José Pereira Caprioli é cônjuge de Luiz Cirineu Caprioli, mãe de Luiz Fernando Caprioli e Ricardo Caprioli, outros envolvidos nas diversas Fl. 19426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 51 irregularidades encontradas. As constatações da auditoria são pormenorizadas neste Relatório do Auto de Infração. (...) Ricardo Caprioli inscrito no CPF 062.684.779-60 -Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto. -A Pessoa Física figura no quadro societário da Pessoa Jurídica de Razão Social INGÁ DISTRIBUIDORA EIRELI inscrita no CNPJ 09.048.726/0001-79. Esta Pessoa Jurídica forma Grupo Econômico de Fato com, ao menos, outras seis empresas, entre elas a INPEÇAS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS LTDA. Foram verificados diversos atos caracterizados como sonegação. -A empresa INGÁ DISTRIBUIDORA EIRELI ocultou parte de faturamento no Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional PGDAS, visando se manter no sistema de tributação estabelecido pela Lei Complementar n° 123/06. -Outra irregularidade verificada pela auditoria está relacionada a migração de trabalhadores, anteriormente pertencente à Pessoa Jurídica de Razão Social INGÁ ALUMÍNIOS LTDA inscrita no CNPJ 03.636.746/0001-84. Quando esta perdeu a condição de optante pelo Simples Nacional, houve uma migração de seus trabalhadores para a Pessoa Jurídica INGÁ DISTRIBUIDORA EIRELI. Não houve rescisão do contrato de trabalho. Foram mais de trinta empregados que, de um mês para outro, migraram da empresa INGÁ ALUMÍNIOS para a empresa INGÁ DISTRIBUIDORA. Ocorre que a INGÁ ALUMÍNIOS não deixou de ter atividade, já que continuou emitindo Notas Fiscais de Vendas, ou seja, a sua folha de pagamentos foi, simuladamente transferida para outra. O Sr. Ricardo Caprioli é filho da Sra. Maria José Pereira Caprioli, que por sua vez é cônjuge de Luiz Cirineu Caprioli, outros envolvidos nas diversas irregularidades encontradas. As constatações da auditoria são pormenorizadas neste Relatório do Auto de Infração. (...) 258. A solidariedade passiva implica dizer que cada um dos devedores responde pela dívida toda. O Estado, credor da obrigação tributária, poderá, assim, cobrar seu crédito tributário de um ou de todos os devedores, quando solidários. Esse é o significado contido no caput do art. 124 do CTN Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). Fl. 19427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 52 259. No inciso I do art. 124 do CTN foram definidos como devedores solidários aqueles que tenham interesse comum "na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". 260. São devedores solidários as Pessoas Físicas envolvidas no quadro societário do Sujeito Passivo, pessoas diretamente beneficiadas pelas irregularidades encontradas na Pessoa Jurídica sob ação fiscal. As Pessoas Jurídicas formadoras de Grupo Econômico de Fato também devem figurar como solidários com o lançamento contido neste processo de débito. O profissional de contabilidade da empresa, participante dos atos praticados, assume a condição de devedor solidário. Todos os envolvidos, Pessoas Físicas e Jurídicas, participaram ou ainda participam do conluio. 261. Portanto, a responsabilidade solidária está inequivocamente comprovada no que foi até aqui expendido, assim como o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, pois as evidências são robustas de que há, por parte dos envolvidos, a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, consoante disciplinamento contido nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN - Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. 262. Tendo em vista as condutas descritas acima, que configuram clara infração à Lei, devem responder solidariamente pelo crédito tributário constituído neste Processo Administrativo Fiscal todos os envolvidos. 9.9. Va salientar que o Secretário da Receita Federal do Brasil aprovou o Parecer Normativo Cosit/RFB n° 04, de 10/12/2018, que trata da solidariedade prevista no artigo 124, inciso I, do CTN (interesse comum). 9.10. Logo no início do citado parecer, o seu item 10, deixou claro que a responsabilidade tributária prevista no inciso I do artigo 124 do CTN é figura autônoma e não se confunde com a responsabilidade tributária de que trata o artigo 135 do CTN. 9.11. Na síntese conclusiva do mencionado parecer, definiu-se: (...) b.1) a responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição; deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo; b.2) o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito; Fl. 19428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 53 (...) 9.12. Dos trechos do Relatório Fiscal acima transcritos, tem-se que a fiscalização não discriminou de maneira detalhada a conduta dos sócios Maria José Pereira Caprioli e Ricardo Caprioli na prática de atos ilícitos em conjunto com os sócios administradores das empresas das quais eram sócios. 9.13. Do que foi transcrito, depreende-se que a imputação da responsabilidade se baseou simplesmente no fato de serem os mesmos sócios de pessoas jurídicas que integram grupo econômico de fato irregular, cujas empresas adotaram práticas ilícitas. 9.14. Entende-se que, para fins de imputação da responsabilidade solidária, é necessária a demonstração de que ambos concorreram, comissiva ou de forma omissiva, com a situação da prática de atos ilícitos que configuraram a fraude e/ou sonegação fiscal, o que não restou demonstrado nos autos. 9.15. Desse modo, por verificar que não estão presentes as hipóteses de responsabilidade solidária dispostas no CTN, artigo 124, inciso I e artigo 135, inciso III, entendo que deve ser excluído o vínculo de responsabilidade solidária imputada a Maria José Pereira Caprioli e Ricardo Caprioli. Valores Recolhidos no Simples Nacional 9.16. Quanto à alegação de que os valores pagos a título de contribuição previdenciária patronal na sistemática do Simples Nacional, não foram abatidos do crédito lançado, cabe salientar que a autoridade fiscal deixa claro no Relatório Fiscal que tais valores foram sim considerados para reduzir o montante da contribuição apurada. Senão vejamos: Relatório Fiscal 8. A auditoria considerou os recolhimentos efetivamente realizados e contidos no documento de arrecadação gerado pelo Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional PGDAS. A Planilha denominada "Contribuinte: INPEÇAS COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS LTDA - CNPJ 04.690.410/0001-62 -Planilha: Tributos Efetivamente Recolhidos Declarados em PGDAS", em anexo, aponta na coluna "INSS/CPP", a contribuição previdenciária patronal contida no Documento de Arrecadação do Simples Nacional - DAS utilizado em abatimento aos valores lançados. Os créditos foram utilizados para abater a contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga ao trabalhador empregado. 9. Já as contribuições contidas na Guia da Previdência Social GPS constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil foram consideradas, prioritariamente, para abatimento das contribuições previdenciária descontadas dos segurados que prestaram serviços ao Sujeito Passivo. O Salário Família/Maternidade também foi utilizado em Fl. 19429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 54 abatimento às contribuições descontadas dos segurados informadas no documento GFIP. 9.17. O valores efetivamente recolhidos declarados em PGDAS estão discriminados na planilha de fl. 142 e foram devidamente abatidos do crédito lançado, referente à contribuição patronal incidente sobre as remunerações dos empregados, conforme pode ser constado no Demonstrativo de Apuração da Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, que faz parte do Auto de Infração (fls. 67/93). 9.18. Portanto, não tem cabimento a alegação dos impugnantes. DA ANÁLISE DA IMPUGNAÇÃO DO CONTADOR 10. Também foi imputada a responsabilidade solidária ao contador Reginaldo Antônio Fiori, com fundamento no CTN, art. 124, inciso I e art. 135. Vejamos como se manifestou a autoridade fiscal, no Relatório Fiscal: Reginaldo Antônio Fiori inscrito no CPF 640.713.679-20 - Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto - A Pessoa Física é o profissional de contabilidade contratado pela empresa INPEÇAS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS LTDA. O sr. Reginaldo Antônio Fiori tem responsabilidades na elaboração e envio de Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais DCTF no ano calendário 2018 com incorreções, ocultando do fisco federal tributos e contribuições. - A empresa em questão agiu de forma a ludibriar o fisco federal com participação decisiva do profissional de contabilidade. - As irregularidades cometidas estão detalhadas neste Relatório Fiscal do Auto de Infração e na Representação para Exclusão do Simples Nacional contida no processo 10950-729.827/2018-51. A empresa, por meio de seus administradores e do contador, promoveu uma série de condutas caracterizadas como sonegação fiscal. Condutas dolosas buscando esconder bases de incidência de tributos e contribuições. - O devedor solidário figura como responsável pela contabilidade de várias Pessoas Jurídicas que formam, entre si, Grupo Econômico de Fato irregular. A INPEÇAS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS LTDA é uma delas. - A apresentação de vários documentos oficiais em pelo menos sete Pessoas Jurídicas, tais como GFIP, DCTF, PGDAS e Escrituração Contábil Fiscal - ECF com inconsistências lesaram o fisco federal. O profissional contador figura como envolvido nas irregularidades, participando ativamente em diversos atos caracterizados por má-fé. - As constatações da auditoria são pormenorizadas neste Relatório do Auto de Infração. Fl. 19430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 55 (...) 261. Portanto, a responsabilidade solidária está inequivocamente comprovada no que foi até aqui expendido, assim como o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, pois as evidências são robustas de que há, por parte dos envolvidos, a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, consoante disciplinamento contido nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN - Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. 262. Tendo em vista as condutas descritas acima, que configuram clara infração à Lei, devem responder solidariamente pelo crédito tributário constituído neste Processo Administrativo Fiscal todos os envolvidos. 263. Para uma melhor compreensão da SOLIDARIEDADE PASSIVA é salutar a transcrição dos artigos 124, I e 135, ambos do CTN - Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I- as pessoas referidas no artigo anterior; II- os mandatários, prepostos e empregados; III- os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (grifamos) 264. Apresentar GFIP, declarações no PGDAS, ECF e DCTF com incorreções beneficiou, dolosamente, os envolvidos anteriormente nominados. 10.1. Do que consta nos autos, não há dúvida da participação do Sr. Reginaldo Antônio Fiori, como contador das empresas envolvidas, na confecção e entrega de PGDAS, DCTF, ECF e GFIP contendo declarações falsas, na intenção de sonegar tributos. Além de transmitir as declarações das demais empresas do Grupo. 10.2. O esquema fraudulento descrito pela autoridade fiscal não poderia ser operacionalizado sem a participação do contador. É inegável a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada, mas das demais empresas integrantes do grupo econômico de fato, visto que as declarações foram entregues com conteúdo falso, diante das expressivas quantias movimentadas sem os correspondentes tributos confessados, aliado ao fato de que, na prática, havia apenas uma empresa. Ao atuar como Contador Fl. 19431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 56 Independente, prestando serviços de contabilidade de forma autônoma, sem vínculo empregatício, correto o enquadramento feito pelo Fisco no art. 135 do CTN, que também trata de “mandatários, prepostos e empregados”. Veja-se: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (Grifou-se) 10.3. Vale ressaltar que o Código Civil também impõe responsabilização dos contadores, nos atos dolosos perante terceiros, que no caso é a Fazenda Pública, em decorrência da sonegação de tributos. Transcreve-se abaixo: “Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). ...................... Seção III Do Contabilista e outros Auxiliares Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos.”(grifou-se) 10.4. O fato de ele ser o mesmo contador para todas as empresas do grupo apenas contribui para o fato de estar ciente e atuar com dolo na fraude ao fisco em comento, numa visão panorâmica do ocorrido, em total oposição à lei. Com essa ciência do ilícito e intenção deliberada, não há que se falar em subordinação, e sim em cooperação para atingir a um determinado fim. 10.5. Soma-se a isto, o fato de não ser um empregado do grupo e sim um terceiro independente, o que descaracteriza a condição de agir sob ordens decorrentes da relação de emprego, sujeitas à subordinação. 10.6. Nessa linha, cabe citar jurisprudência do CARF na mesma direção por meio dos seguintes trechos de ementas: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTADOR. PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA E CONSCIENTE NOS ATOS DOLOSOS. Comprovada nos autos a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada, mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135, inciso II, do CTN. Fl. 19432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 57 (Acórdão CARF nº 1302-001.705, proferido na sessão de 25 de março de 2015) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos mandatários, prepostos e administradores de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorram de atos daqueles, praticados com infração dolosa à lei. (Acórdão CARF nº 1401-001.852, proferido na sessão de 12 de abril de 2017) 10.7. Assim, deve ser mantida a responsabilidade solidária imputada ao contador, Sr. Reginaldo Antônio Fiori. Da Ilegalidade da Incidência da Contribuição Previdenciária Sobre Verbas Indenizatórias Quanto à esta questão assim manifestou-se a DRJ no acórdão recorrido: Da Ilegalidade da Incidência da Contribuição Social Sobre Verbas Indenizatórias 7.48. A impugnante após fazer considerações sobre a natureza da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conclui que devem ser excluídos da base de cálculo utilizada, no presente lançamento, os valores de várias verbas de natureza indenizatória, não passíveis de incidência de contribuições sociais, quais sejam, os valores pagos a título de: afastamento por motivo de doença ou acidente nos quinze primeiros dias, férias gozadas e o seu terço constitucional e aviso prévio indenizado. 7.49. Com relação a tal tópico, embora a impugnante faça uma extensa defesa da não incidência das contribuições lançadas sobre referidas verbas, enfatizando para cada uma delas, os respectivos atos normativos que disciplinam a matéria, com citações jurisprudenciais e doutrinárias que sustentam o seu caráter indenizatório, deve ser salientado que tais alegações têm caráter genérico, não sendo demonstrado nos autos que, na base de cálculo utilizada pela Fiscalização, estão incluídos valores referentes a tais verbas. Cabe enfatizar que as alegações, apresentadas em impugnação, desacompanhadas de prova, não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal, sendo insuficientes para elidir o lançamento de ofício 7.50. Entretanto, a despeito da não comprovação da incorreção da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal, saliento que as rubricas questionadas pela impugnante, com exceção do aviso prévio indenizado (partir de junho de 2016) não têm natureza indenizatória, mas sim, remuneratória, conforme abaixo demonstrado. (...) Fl. 19433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.703 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.722047/2019-61 58 Quanto às verbas, auxílio-doença/acidente nos 15 primeiros dias de afastamento, 1/3 de férias e aviso prévio indenizado, o CARF já entende pela não incidência da contribuição previdenciária sobre as mesmas. No entanto, para que as mesmas sejam excluídas do lançamento, a contribuinte deveria demostrar que na base de cálculo utilizada pela Fiscalização, estão incluídos valores referentes a tais verbas Nas folhas de 136/138, constam as planilhas das bases de cálculo do INSS, na qual constam os valores totais de remuneração de empregados sem identificação das verbas. O lançamento foi efetuado a partir da exclusão da recorrente da sistemática de tributação do SIMPLES NACIONAL, que resultou em necessidade de recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços ao sujeito passivo, sendo que as bases de tributação foram verificadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, que foram apresentadas pela empresa por meio da conectividade social. Da análise do Relatório Fiscal, verifica-se que no lançamento não consta demonstrada a inclusão, pela fiscalização, das verbas citadas na impugnação e no recurso, Na GFIP são informados apenas os fatos geradores das contribuições à Previdência Social. Assim, a documentação apresentada não é suficiente para demonstrar o erro da fiscalização, o alegado pela contribuinte, de incluir no lançamento verbas isentas Portanto, não tendo o sujeito passivo apresentado documentos que comprovem o pagamento das verbas nas datas indicadas, bem como, ter demonstrado que o lançamento teria incluído parcelas que não sofreriam a incidência do tributo, mantém-se as verbas no lançamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto por I) não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Deolete Rodrigues Groto, por ausência de impugnação; II) não conhecer dos demais recursos voluntários em relação aos temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação, e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar, e, no mérito, em dar-lhes provimento parcial para reduzir a multa de ofício aplicada ao percentual de 100%,em virtude da retroatividade benigna. Assinado Digitalmente CLEBER FERREIRA NUNES LEITE Fl. 19434DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16692.721022/2016-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando os autos estão devidamente instruídos, de maneira que sua realização se revela prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 DESCONTO DE CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. Despesas aduaneiras na exportação de produtos acabados não constituem insumos do processo produtivo do Contribuinte, por não se enquadrarem no conceito fixado de forma vinculante pelo STJ quanto aos critérios de essencialidade e relevância. Tais serviços não guardam qualquer vínculo com o processo produtivo da empresa. DESCONTO DE CRÉDITOS. COMISSÕES DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a crédito das contribuições não cumulativas, a título de insumo, as despesas com comissões de vendas, que se referem a atividades posteriores à finalização da elaboração do produto, integrantes da operação de venda. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NÃO RETIFICADAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 231. A apuração extemporânea de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, a exemplo do EFD-Contribuições, conforme Súmula CARF nº 231. DESCONTO DE CRÉDITOS. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. O ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do direito pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. DESCONTO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA CONTRATADA, COSIP E OUTRAS DESPESAS. SÚMULA CARF Nº 224. IMPOSSIBILIDADE. Somente compõem a base de cálculo de créditos das contribuições não cumulativas o valor despendido com a energia elétrica efetivamente consumida, não estando abrangidas despesas relativas à demanda contratada, Contribuição para o Custeio de Iluminação Pública (COSIP) etc., conforme Súmula CARF nº 224. DESCONTO DE CRÉDITOS. ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS. POSSIBILIDADE. As despesas com serviço de armazenagem de mercadorias dá direito a crédito das contribuições não cumulativas com base no inciso IX, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, todos da Lei nº 10.833/2003, ainda que a armazenagem não seja realizada no âmbito de uma operação de venda. DESCONTO DE CRÉDITOS. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. ARRENDANTE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE Não é possível o desconto de crédito calculados sobre o valor do arrendamento agrícola pago a arrendante pessoa física, vez que a hipótese legal do inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 está expressamente adstrita aos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica. DESCONTO DE CRÉDITOS. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EMPILHADEIRAS. POSSIBILIDADE. As empilhadeiras são verdadeiros equipamentos, cuja locação para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. DESCONTO DE CRÉDITOS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. TRATORES UTLIZADOS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA. REGIME DO §14 DO ART. 3º DA LEI Nº 10.833/2003. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de tratores destinados ao ativo imobilizado para utilização no processo produtivo de soja, milho e algodão são passíveis de desconto de créditos no regime previsto no §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, por se tratar de máquinas aplicadas na produção de bens destinados à venda.
Numero da decisão: 3202-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo (1) das razões de defesa em relação à glosa de créditos descontados sobre máquinas e equipamento adquiridos de pessoas físicas e (2) do tópico recursal “devolução de vendas”; em indeferir o pedido de diligência por prescindível, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reverter as glosas relativas aos créditos: (1) com aquisição de perfis, (2) das notas fiscais de nº 32, 69, 70 e 571, apresentadas na manifestação de inconformidade, (3) com aluguel de empilhadeiras e (4) dos encargos de depreciação calculados na forma do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/03 sobre as aquisições de tratores. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL LUIZ BUENO DA CUNHA

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(ATUAL DENOMINAÇÃO DE TERRA SANTA AGRO S.A) INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando os autos estão devidamente instruídos, de maneira que sua realização se revela prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 DESCONTO DE CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. Despesas aduaneiras na exportação de produtos acabados não constituem insumos do processo produtivo do Contribuinte, por não se enquadrarem no conceito fixado de forma vinculante pelo STJ quanto aos critérios de essencialidade e relevância. Tais serviços não guardam qualquer vínculo com o processo produtivo da empresa. DESCONTO DE CRÉDITOS. COMISSÕES DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a crédito das contribuições não cumulativas, a título de insumo, as despesas com comissões de vendas, que se referem a atividades posteriores à finalização da elaboração do produto, integrantes da operação de venda. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NÃO RETIFICADAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 231. A apuração extemporânea de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins só é admitida mediante retificação das declarações e Fl. 11253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 2 demonstrativos correspondentes, a exemplo do EFD-Contribuições, conforme Súmula CARF nº 231. DESCONTO DE CRÉDITOS. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. O ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do direito pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. DESCONTO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA CONTRATADA, COSIP E OUTRAS DESPESAS. SÚMULA CARF Nº 224. IMPOSSIBILIDADE. Somente compõem a base de cálculo de créditos das contribuições não cumulativas o valor despendido com a energia elétrica efetivamente consumida, não estando abrangidas despesas relativas à demanda contratada, Contribuição para o Custeio de Iluminação Pública (COSIP) etc., conforme Súmula CARF nº 224. DESCONTO DE CRÉDITOS. ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS. POSSIBILIDADE. As despesas com serviço de armazenagem de mercadorias dá direito a crédito das contribuições não cumulativas com base no inciso IX, § 1º, inciso II, e art. 15, inciso II, todos da Lei nº 10.833/2003, ainda que a armazenagem não seja realizada no âmbito de uma operação de venda. DESCONTO DE CRÉDITOS. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. ARRENDANTE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE Não é possível o desconto de crédito calculados sobre o valor do arrendamento agrícola pago a arrendante pessoa física, vez que a hipótese legal do inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 está expressamente adstrita aos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica. DESCONTO DE CRÉDITOS. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EMPILHADEIRAS. POSSIBILIDADE. As empilhadeiras são verdadeiros equipamentos, cuja locação para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. DESCONTO DE CRÉDITOS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. TRATORES UTLIZADOS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA. REGIME DO §14 DO ART. 3º DA LEI Nº 10.833/2003. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de tratores destinados ao ativo imobilizado para utilização no processo produtivo de soja, milho e algodão são Fl. 11254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 3 passíveis de desconto de créditos no regime previsto no §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, por se tratar de máquinas aplicadas na produção de bens destinados à venda. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo (1) das razões de defesa em relação à glosa de créditos descontados sobre máquinas e equipamento adquiridos de pessoas físicas e (2) do tópico recursal “devolução de vendas”; em indeferir o pedido de diligência por prescindível, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reverter as glosas relativas aos créditos: (1) com aquisição de perfis, (2) das notas fiscais de nº 32, 69, 70 e 571, apresentadas na manifestação de inconformidade, (3) com aluguel de empilhadeiras e (4) dos encargos de depreciação calculados na forma do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/03 sobre as aquisições de tratores. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Tratam os autos do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) em que são pleiteados créditos de COFINS não cumulativa apurados no primeiro trimestre de 2014, recebidos da cisão parcial da empresa Vanguarda do Brasil S.A., CNPJ nº 01.372.342/0001-10. Parte dos créditos está vinculada à receita não tributada no mercado interno e parte, à receita de exportação. Após realização de procedimento fiscal que teve por objeto a verificação da regularidade das informações prestadas acerca dos créditos, foi emitido Despacho Decisório por Fl. 11255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 4 meio do qual a autoridade administrativa deferiu parcialmente o crédito. O reconhecimento parcial se deveu a glosas de despesas relacionadas a:  Aquisições de bens utilizados como insumo;  Aquisições de serviços utilizados como insumo;  Armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda;  Aquisições de energia elétrica e térmica;  Aquisições de máquinas, equipamento e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de aquisição);  Aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica;  Aluguéis de prédios;  Devolução de vendas sujeitas à incidência não cumulativa. Além das glosas, como parte dos créditos origina-se de aquisições no mercado interno vinculadas à receita de exportação, foram refeitos cálculos relativos ao rateio proporcional da receita bruta auferida. Cientificada da decisão, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em que apresenta esclarecimentos sobre sua atividade produtiva e contesta as glosas relacionadas a (i) bens utilizados como insumos (Aquisição de insumos sem pagamento de PIS/COFINS e Aquisição de insumos sem pagamento de PIS/COFINS – monofásico (ii) aquisição de serviços não enquadrados no conceito de insumo (Aluguel de Veículos: Locação de caminhão – Transbordo, Frete Interno, Trasbordo e Frete Material Secundário, Frete alíquota zero – aquisição de insumos e combustível, Análise de amostras de solo, Armazenagem e carregamento, Despesas com exportação e demais serviços) (iii) Energia elétrica e energia térmica (iv) Aluguel de Máquinas e Equipamentos (v) Contraprestações em face de Arrendamentos Mercantis (vi) Máquinas e Equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado (vii) Outras operações com Direito a Crédito. Também se insurgiu contra o Método de Determinação dos Créditos – Rateio da Receita Bruta Auferida. A 3ª Turma da DRJ09 considerou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente, reconhecendo crédito complementar. Irresignada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, em que repisa alguns dos argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade e, em síntese: 1. Requer que seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que seja cancelada a glosa dos créditos de COFINS sobre aquisição de bens utilizados como insumos, aquisição de serviços utilizados como insumos, crédito extemporâneo, e sobre despesas com frete na operação de venda, energia elétrica, aluguel de máquinas e equipamentos, máquinas, Fl. 11256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 5 equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, aluguel de prédios (arrendamentos rurais), e devoluções de vendas; 2. Subsidiariamente, requer que os autos sejam baixados em diligência “com o intuito de confirmar o alegado”. É o relatório. VOTO Conselheiro Rafael Luiz Bueno da Cunha, Relator 1. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. 2. Preliminar – conversão em diligência No tópico “V. Subsidiariamente: da necessidade de conversão do julgamento em diligência” a recorrente requer “a conversão do julgamento do presente recurso em diligência, com o intuito de confirmar o alegado”. Em que pese tenha sido feito de forma subsidiária e ao final do recurso voluntário, o pedido deve ser analisado em sede de preliminar ao mérito. Sustenta seu pedido alegando que: A necessidade de conversão do julgamento em diligência, no presente caso, é imprescindível para que se possa apurar a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, especialmente para que o corpo fiscal tenha a oportunidade de confirmar a legitimidade dos créditos pleiteados com base em todos os documentos já acostados aos autos. Verifica-se, no entanto, que os autos estão devidamente instruídos, e todos os elementos de fato e de direito das matérias sob discussão estão bem delineados. Dessa forma, estando presentes todos os elementos necessários à apreciação pelo julgador, inclusive do ponto de vista da instrução probatória, é prescindível a diligência requerida, motivo pelo qual voto pelo seu indeferimento. 3. Mérito Como visto, tratam os autos de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS não cumulativa apurado pela recorrente na aquisição de bens e serviços utilizados na atividade da empresa, que se dedica principalmente ao cultivo de grãos, como soja e milho, mas também de algodão. Parte do crédito requerido foi glosada pela unidade responsável pela análise do pedido de ressarcimento. Do montante glosado, parte foi revertida pela autoridade julgadora de primeira instância. Contra a decisão, foi apresentado o recurso voluntário ora em apreço, em que são contestadas glosas relativas às seguintes matérias: Fl. 11257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 6  Aquisição de bens utilizados como insumos  Aquisição de serviços utilizados como insumo  Créditos extemporâneos  Fretes  Energia elétrica  Aluguel de prédios  Aluguel de máquinas e equipamentos  Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado  Devolução de vendas Passemos à análise de cada umas das matérias acima. 3.1. Aquisição de bens utilizados como insumos Antes de analisar as aquisições de bens que a autoridade fiscal glosou por considerar não se tratar de insumos, importante sintetizar os critérios a partir dos quais o conceito de insumo contido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 deve ser aferido para fins de creditamento da Contribuição para o PIS e da COFINS. O tema foi apreciado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.221.170/PR, que se deu sob a sistemática dos recursos repetitivos e em que foram firmadas as seguintes teses (Temas Repetitivos 779 e 780): (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Portanto, os critérios determinantes para que um bem ou serviço denote o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições deve levar em conta sua essencialidade ou relevância na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Sobre esses critérios, oportuno transcrever trecho do voto-vista da Ministra Regina Helena Costa, cuja tese foi acordada pela maioria dos Ministros no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. [...] tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento Fl. 11258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 7 estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (grifo nosso) É importante frisar que a essencialidade e a relevância referidas pela decisão do STJ relacionam-se à atividade produtiva, e não a qualquer atividade no âmbito de uma empresa, em consonância com o que prevê o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcrito. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifo nosso) É nesse sentido a Nota SEI nº 63/2018, editada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional com o fim de analisar a decisão do STJ. [...] tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Também nesse sentido é o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, editado pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB). Ao analisar 15. Neste ponto já se mostra necessário interpretar a abrangência da expressão “atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto essa Fl. 11259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 8 expressão, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito da não cumulatividade das contribuições em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (administrativa, jurídica, contábil, etc.), a verdade é que todas as discussões e conclusões buriladas pelos Ministros circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. 16. Aliás, esta limitação consta expressamente do texto do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que permite a apuração de créditos das contribuições em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. 17. Das transcrições dos excertos fundamentais dos votos dos Ministros que adotaram a tese vencedora resta evidente e incontestável que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. (grifo nosso) Assentadas essas premissas interpretativas, deve-se ter em conta que a recorrente se dedica principalmente ao cultivo de grãos, como soja e milho, mas também de algodão. Passemos, então, à análise dos itens que tiveram o crédito glosado em função de não se subsumirem ao conceito de insumo. Com relação à glosa de crédito sobre a aquisição de bens a título de insumo, consta da Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT Nº 0406/2017 - que fundamentou o Despacho Decisório emitido pela autoridade fiscal da Diort/Derat/SP: Os valores referentes a notas emitidas pelo próprio interessado (nota de entrada emitida pelo próprio detentor do crédito), ou com base de cálculo do PIS e da COFINS zerada, foram glosadas (ressalvados os bens de tributação monofásica). Também foram glosadas as notas que não foram encontradas na base do SPED, ou sua cópia em PDF não foi apresentada, bem como bens adquiridos sujeitos à alíquota zero, isenção, suspensão, etc. Os bens referentes a partes e peças de manutenção de motos foram glosados por não serem aplicados aos produtos destinados a venda. O detalhamento das glosas consta da planilha “Bens_Insumos_x_NFe” constante do arquivo não paginável “Bens Insumos x NFe.xlsx”. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que deveriam ser revertidas as seguintes glosas: [...] os bens que correspondem à aquisição, ainda que em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições ou que tenham sido objeto de cobrança concentrada ou monofásica da contribuição em etapa anterior da cadeia econômica, como a aquisição com combustíveis, lubrificantes, óleos e adjuvantes, Fl. 11260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 9 peças, acessórios e parte de veículos e máquinas, tais como pneu, câmara de ar, parafuso, arruela, porca, lanterna, palheta, cubo de roda, cilindro, mola, amortecedor, filtro, retentor, graxa, óleo diesel etc., podem ser considerados insumos da atividade produtiva e, portanto, os créditos devem ser restabelecidos. Além disso, as glosas relativas a gastos de material de manutenção, como perfil, chave luz, chave biela, alicate de pressão, chave pneumática etc., utilizados nas unidades produtivas da empresa e na manutenção de veículos, tratores e equipamentos também foram revertidas. Outros créditos restabelecidos pelo acórdão recorrido são os relativos a notas fiscais em que consta “DT. EMISSÃO 2013” na coluna “OBSERVAÇÃO” da planilha “Bens_Insumos_x_NFe”. Por sua vez, foram mantidas as glosas motivadas (coluna “Observação” da planilha “Bens_Insumos_x_NFe”) como “NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE INSUMO” e “NÃO SE ENQUADRA COMO INSUMO” em relação a gastos com veículos leves e motocicletas, por não terem vinculação com o processo produtivo da recorrente, além das que contêm “NF NÃO APRESENTADA. DT. EMISSÃO 2013”, “NF NÃO APRESENTADA” e “NFE NÃO FOI ENCONTRADA NA BASE SPED PARA DESTINATÁRIO” na motivação. São em relação a essas, portanto, que remanesce a controvérsia. Em seu recurso voluntário, a recorrente se insurge contra a manutenção das glosas ao argumento de que: Especificamente para veículos, não se pode olvidar que eles são utilizados para deslocamento das equipes técnicas para efetuar as análises necessárias no pré- plantio, durante o cultivo, durante a colheita e pós-colheita, sendo, portanto, essenciais para a realização destas atividades. Nesta senda, inquestionável a natureza essencial das peças e equipamentos, na medida em que necessários não somente à manutenção do maquinário empregado no processo de beneficiamento do algodão e de grãos, mas também a manutenção da frota de veículos para transporte de insumos e dos próprios colaboradores em longas distâncias dentro de sua unidade de produção. Analisando a planilha “Bens_Insumos_x_NFe” constante do arquivo não paginável “Bens Insumos x NFe.xlsx”, verifica-se que as glosas no 1º trimestre de 2014 motivadas como “NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE INSUMO” e “NÃO SE ENQUADRA COMO INSUMO”, descritas como “material de manutenção”, referem-se a: Trimestre Descrição Descrição Mercadoria/Serviço Observação Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO "PERFIL ""U""" / AH229212 Não se enquadra no conceito de insumo Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO ALICATE PRESSAO Não se enquadra como insumo Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO CHAVE / AR51481 Não se enquadra no conceito de insumo Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO CHAVE BIELA 16MM / 001428 Não se enquadra no conceito de insumo Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO CHAVE LIGA DESLIGA 1 POSIÇAO / IM-11185S Não se enquadra no conceito de insumo Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO CHAVE LUZ UNIVERSAL TIC TAC Não se enquadra no conceito de insumo Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO PERFIL / U / AH218189 Não se enquadra no conceito de insumo Trim1 MATERIAL DE MANUTENCAO PERFIL U / N372259 Não se enquadra no conceito de insumo Fl. 11261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 10 Ao contrário do que consta do acórdão recorrido - que já reverteu as glosas sobre as chaves e sobre o alicate, restando apenas os perfis – não foi possível identificar itens empregados em “veículos leves e motocicletas”. Tratando-se os perfis sobre os quais recaíram as glosas de peças de reposição empregados em máquinas agrícolas1, entendo que tais glosas devem ser revertidas. Nesse sentido o Parecer Normativo COSIT nº 05/2018: 81. Questão importantíssima a ser analisada, dada a grandeza dos valores envolvidos, versa sobre o tratamento conferido aos dispêndios com manutenção periódica dos ativos produtivos da pessoa jurídica, entendendo-se esta como esforços para que se mantenha o ativo em funcionamento, o que abrange, entre outras: a) aquisição e instalação no ativo produtivo de peças de reposição de itens consumíveis (ordinariamente se desgastam com o funcionamento do ativo) [...] [...] 85. Desde há muito a Secretaria da Receita Federal do Brasil tem considerado que os bens e serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado diretamente responsáveis pelo processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros podem ser considerados insumos [...] Por sua vez, com relação às glosas com os motivos “NF NÃO APRESENTADA. DT. EMISSÃO 2013”, “NF NÃO APRESENTADA” e “NFE NÃO FOI ENCONTRADA NA BASE SPED PARA DESTINATÁRIO”, a recorrente alega que: [...] apresentou em sede de Manifestação de Inconformidade o restante dos documentos fiscais que demonstram a legitimidade dos créditos (fls. 2564/3005). Pois bem, das glosas relativas ao 1º trimestre de 2014 pelos motivos “NF não apresentada. DT. emissão 2013”, “NF não apresentada” e “NFe não foi encontrada na base SPED para destinatário” constantes da planilha “Bens_Insumos_x_NFe” do arquivo não paginável “Bens Insumos x NFe.xlsx”, analisando-se os documentos de fls. 2564-3005, foi possível identificar 4 notas fiscais, quais sejam: nºs 32, 69, 70 e 571. Com relação a essas, entendo que as glosas devem ser revertidas, mantendo-se as demais por falta de comprovação do direito creditório. Antes o exposto, na matéria, voto por dar parcial provimento ao recurso para: 1. Reverter as glosas relativas às aquisições de perfis (coluna “Observação” como “Não se enquadra no conceito de insumo” e “Não se enquadra como insumo” na planilha “Bens_Insumos_x_NFe” do arquivo não paginável “Bens Insumos x NFe.xlsx”); 2. Reverter as glosas relativas às notas fiscais de nº 32, 69, 70 e 571. 3.2. Aquisição de serviços utilizados como insumo 1 https://shop.deere.com/br/pt/product/AH229212%3A-Calha-de-A%C3%A7o/p/AH229212 https://shop.deere.com/br/pt/product/AH218189%3A-Perfil-de-Aco-de-Fixacao-Modelo-U-da-Unidade-do-Picador-de-Palha-para-Colhedoras-de- Cereais/p/AH218189 https://shop.deere.com/br/pt/product/N372259%3A-Perfil-de-Aco-de-Fixacao-dos-Dutos-de-Ar-da-Unidade-de-Colheita-para-Colhedoras-de- Algodao/p/N372259 Fl. 11262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 11 Com relação à glosa de crédito sobre a aquisição de serviços utilizados como insumo, consta da Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT Nº 0406/2017 - que fundamentou o Despacho Decisório emitido pela autoridade fiscal da Diort/Derat/SP: Foram glosados na rubrica serviços os valores referentes a alugueis, transbordo, comissões de vendas, serviços de exportação e serviços de classificação, por não se enquadrarem no conceito de insumo, bem como, notas que não foram apresentadas em pdf. O acórdão recorrido reverteu parte das glosas, mantendo-as em relação ao seguinte: [...] mantém-se a glosa de créditos com pagamento de pedágios, “serviços gerais mais quilometragem”, “viagem à fazenda”, e os deslocamentos que não têm especificação ou finalidade, como “deslocamento interno”, “deslocamento até a unidade”, “deslocamento de Teresina a Currais, revisão 125”, “quilometragem agro amazonia”, “quilometragem”, “referente a quilometragem para a fazenda”, “serviço e deslocamento” etc., por não estarem caracterizadamente vinculados ao processo produtivo. Em relação a despesas com exportação, ainda que os gastos efetuados pela pessoa jurídica correspondam a despesas necessárias à consecução de seus objetivos empresariais, uma vez que são realizados em momento posterior à etapa da produção dos bens ou da prestação dos serviços estão fora da literalidade do dispositivo legal que somente autoriza o crédito de bens e serviços utilizados na produção ou na prestação de serviços. [...] as despesas com comissões sobre vendas não geram créditos não cumulativos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins por não serem caracterizadas como insumos [...]. O mesmo entendimento aplica-se a despesas com exportação, exportação com safra, exportação/frete/armazenagem, gastos com embarque de produtos para a exportação e despesas portuárias, que são realizados em momento posterior à etapa da produção dos bens ou da prestação dos serviços [...] [...] [...] nos casos em que a fiscalização observou que os documentos foram emitidos há meses e até há anos ao período em que se pleiteou os créditos, que estão fundamentados como “Dt Emissão 2011”, “Dt Emissão 2012”, “Dt Emissão 2013” e “Dt Emissão ago 2013”, diferentemente da situação anterior, caracteriza-se como aproveitamento de créditos extemporâneos. Nesses casos, é pacífico o entendimento da administração tributária de que o aproveitamento de créditos solicitados intempestivamente deve, além de obedecer ao prazo decadencial, ter os dados do Dacon e DCTF retificados nas competências dos créditos [...] E no tocante às motivações decorrentes de “NF NÃO APRESENTADA”, “NF ILEGÍVEL” , “NF REFERENTE A OUTRA EMPRESA PARTICIPANTE” e “NÃO SE TRATA Fl. 11263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 12 DE NOTA FISCAL DE SERVIÇO” permanecendo sem comprovação os valores dos créditos pleiteados e glosados, mantém-se o procedimento fiscal Em seu recurso voluntário, a recorrente se insurgiu contra as glosas relativas a despesas com comissões, despesas com exportação, gastos com embarque de produtos para a exportação, despesas portuárias, confecção de prateleiras para armazenagem e serviço de classificação, além de despesas com deslocamento / quilometragem / diária. Com base nas premissas fixadas no tópico anterior, passemos à análise das glosas contestadas. 3.2.1. Despesas com exportação, despesas com comissões e fretes sobre vendas Ao analisar o PER objeto destes autos, verifica-se que, no período sob análise, qual seja, 1º trimestre de 2014, a autoridade fiscal glosou serviços descritos como “DESPESAS C/ EXPORTACAO” e “SERVICO / COMISSAO DE VENDAS” na planilha “Serviços x PDF” do arquivo não paginável “Serviços x PDF.xlsx”, por não se subsumirem ao conceito de insumo, já que desvinculados da produção. A recorrente se insurge contra tais glosas sob a alegação de que: É inegável que os gastos incorridos pela Recorrente a título de despesas aduaneiras são, na mesma medida, essenciais para a consecução de suas atividades, sendo impossível a operacionalização da exportação de sua produção sem que se incorra nos gastos inerentes à remessa internacional de mercadorias. As glosas estão discriminadas na planilha “Glosado” constante do arquivo não paginável “Serviços Insumos – 2014.xlsx”. Como visto, para que sejam considerados insumos nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, os serviços devem, necessariamente, ser utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. As despesas incorridas para exportação dos bens se referem a aquisições de serviços posteriores à etapa produtiva, de maneira que, ainda que importantes para a consecução do objeto social da recorrente, não podem ser enquadradas como insumos para fins de desconto de créditos das contribuições não cumulativas. Nesse sentido já se posicionou a 3ª Turma da Câmara Superior deste Conselho por diversas vezes: Acórdão 9303-015.136, de 14/05/2024, Relatora Cons. Liziane Angelotti Meira Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 [...] CRÉDITOS. DESPESAS PORTUÁRIAS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGA E DESCARGA. PRODUTOS ACABADOS. NÃO CABIMENTO. Fl. 11264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 13 Despesas portuárias na exportação de produtos acabados não constituem insumos do processo produtivo do Contribuinte, por não se enquadrarem no conceito fixado de forma vinculante pelo STJ quanto aos critérios de essencialidade e relevância. Tais serviços não guardam qualquer vínculo com o processo produtivo da empresa. Acórdão 9303-011.239, de 10/02/2021, Relatora Cons. Tatiana Midori Migiyama ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 [...] CRÉDITOS. DESPESAS PORTUÁRIAS. ESTADIAS. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO Não há como caracterizar que esses serviços portuários de exportação seriam insumos do processo produtivo para a produção de açúcar e álcool. Não se encaixarem no conceito quanto aos fatores essencialidade e relevância, na linha em que decidiu o STJ. Tais serviços não decorrem nem de imposição legal e nem tem qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte. Da mesma forma, o pagamento de comissões de venda está relacionado à etapa de comercialização dos bens, não se referindo à etapa produtiva. Assim, também as despesas com comissões pagas às pessoas jurídicas pelos serviços de venda não podem ser consideradas insumos. É nesse sentido o Parecer Normativo COSIT nº 05/2018: 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade (“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões”). (grifo nosso) Nesse mesmo tópico recursal, a recorrente contesta a glosa de fretes sobre venda, alegando que: [...] o artigo 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, autoriza o desconto de créditos das Contribuições com despesas incorridas na aquisição de insumos, assim como o inciso IX do mesmo artigo, onde resta estabelecido que as despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, conquanto suportadas pelo vendedor, podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS/COFINS. Fl. 11265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 14 Quanto a isso, ressalto que tais serviços, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando devidamente comprovados, possuem enquadramento legal próprio para tomada de crédito, qual seja, o art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, não cabendo creditamento de frete sobre vendas a título de insumo. Aqui, além de não se tratar de insumos, analisando as planilhas “Glosado” do arquivo não paginável “Serviços Insumos – 2014.xlsx” e “Fretes x CTe” do arquivo não paginável “Fretes x CTE.xlsx”, verifica-se que as glosas se deram por falta de comprovação, não havendo reforma a ser feita na decisão recorrida. Assim, voto por negar provimento nessa matéria, mantendo as glosas com a Descrição Mercadoria/Serviço como “DESPESAS C/ EXPORTACAO” e “SERVICO / COMISSAO DE VENDAS” na planilha “Serviços x PDF” do arquivo não paginável “Serviços x PDF.xlsx”. 3.2.2. Despesas com deslocamento / quilometragem / diária A autoridade fiscal glosou despesas relacionadas a deslocamentos, diárias e quilometragem, por entender que não se referiam a serviços utilizados como insumo. Em relação a esse ponto, estando a conclusão do órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento deste Relator, com fundamento no art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/1999, e no art. 114, §12º, inciso I, da Portaria MF nº 1.634/2023 (RICARF), adoto os fundamentos da decisão recorrida, transcrevendo, abaixo, o voto ao qual me filio: Por outro lado, mantém-se a glosa de créditos com pagamento de pedágios, “serviços gerais mais quilometragem”, “viagem à fazenda”, e os deslocamentos que não têm especificação ou finalidade, como “deslocamento interno”, “deslocamento até a unidade”, “deslocamento de Teresina a Currais, revisão 125”, “quilometragem agro amazonia”, “quilometragem”, “referente a quilometragem para a fazenda”, “serviço e deslocamento” etc., por não estarem caracterizadamente vinculados ao processo produtivo. Como se vê, trata-se de descrições genéricas a partir das quais não há comprovação de que estão intrinsecamente ligadas à atividade produtiva. Assim, nego provimento ao recurso nesse ponto. 3.3. Créditos extemporâneos A autoridade fiscal também glosou despesas motivadas pela emissão da Nota Fiscal fora do período de apuração, constando os motivos “Dt Emissão 2011”, “Dt Emissão 2012”, “Dt Emissão 2013” e “Dt Emissão ago 2013” na planilha “Serviços x PDF” do arquivo não paginável “Serviços x PDF.xlsx”. O acórdão recorrido ratificou o entendimento de que se trata de aproveitamento de crédito extemporâneo e manteve as glosas. Em seu recurso voluntário, a recorrente contesta as glosas ao argumento de que Diversamente do que concluiu o Julgador a quo, uma vez não efetuado o creditamento da contribuição no período em que escriturados os documentos das respectivas operações, o contribuinte poderá fazê-lo extemporaneamente, ou Fl. 11266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 15 seja, em período posterior ao dos fatos econômicos geradores dos créditos, nos termos da permissão contida na legislação tributária vigente que instituiu a não cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS, conforme se vê do §4°, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 [...] é improcedente a orientação do v. acórdão que vincula a apropriação de créditos extemporâneos de PIS/COFINS à observância do aludido regime de competência e, assim, à necessária retificação de obrigações acessórias (EFD e DCTF), conforme fls. 7185 a 7187 dos autos. A discussão sobre a necessidade ou não de retificação das obrigações acessórias para aproveitamento de créditos extemporâneos não é nova no âmbito deste Conselho. No entanto, o tema não merece maiores digressões neste voto, haja vista que se trata de matéria objeto de Súmula deste Conselho. Trata-se da Súmula CARF nº 231: SÚMULA CARF Nº 231 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Importa salientar que a Súmula em questão é de observância obrigatória por parte deste colegiado, conforme dispõe o art. 25, inciso II e §13º do Decreto nº 70.235/1977. Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) [...] II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 13. Os órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput deste artigo observarão as súmulas de jurisprudência publicadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (grifamos) Por fim, vale dizer que, embora o caso concreto não envolva DACON, mas sim de EFD-Contribuições, obrigação acessória que sucedeu a DACON, os fundamentos da súmula se mantêm e ela deve, obrigatoriamente, ser aplicada ao caso dos autos. Ante o exposto, nego provimento ao recurso também nesse tópico recursal. 3.4. Fretes Fl. 11267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 16 Houve também glosa de créditos relativos a despesas com fretes que denominou “movimentação interna” e “fretes sobre compras”; além disso, em alguns casos as glosas decorreram de falta de comprovação do direito creditório. As glosas constam da planilha “Fretes x CTe” do arquivo não paginável “Fretes x CTe.xlsx”. Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente defendeu o direito aos referidos créditos sob o argumento de que: [...] a acepção da expressão “frete na operação de venda”, contida nº inciso IX do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, abarca justamente a conjunção de operações que, em suma, possibilitam o transporte de insumos ou bens acabados, de forma a viabilizar a própria venda. Diga-se, não se fala aqui em simples “frete de venda”, mas dos fretes que possibilitam a operação de venda como um todo. Neste sentido, é inegável que o frete interno constitui valor econômico que, em último nível, agrega ao custo do produto vendido. [...] Não por outro motivo, este raciocínio também se aplica ao entendimento fiscal acerca do chamado “frete sobre compras”. Ao analisar a matéria, o acórdão recorrido reverteu as glosas de créditos motivadas como “movimentação interna” e “não se trata de frete sobre vendas” na planilha “Fretes x CTe” do arquivo não paginável “Fretes x CTe.xlsx”, no entanto, destacou que: Por outro lado, quanto à glosa com motivação decorrente de “cte não encontrado na base sped”, “não é tomador do serviço” e “descrição não coincide com cte” permanece sem comprovação. Pelo que se mantém o procedimento fiscal. Em seu recurso voluntário, a recorrente se limitou a afirmar que: [...] frise-se que a Recorrente apresentou todos os documentos comprobatórios seja em sede de fiscalização, seja em sede de Manifestação de Inconformidade, tendo falhado o v. acórdão na busca pela verdade material, pelas razões já apresentadas no presente Recurso [...] Imperioso destacar que, para o período objeto do PER sob análise, em relação às glosas que permanecem controversas nessa matéria, todas foram motivadas como “Cte não encontrado na base SPED tendo como remetente Vanguarda para o ano de 2014”. Apesar da alegação genérica da recorrente de que teria apresentado a documentação, não foi possível localizar nos autos os CTes glosados, de maneira que ela não se desincumbiu de comprovar o direito creditório em discussão. Assim, nego provimento ao recurso nessa matéria. 3.5. Energia elétrica Conforme consta da Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT Nº 0406/2017 - que fundamentou o Despacho Decisório emitido pela autoridade fiscal da Diort/Derat/SP, a autoridade Fl. 11268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 17 fiscal glosou parcialmente os créditos tomados sobre despesas relacionadas à energia elétrica, por entender que: [...] gera direito a créditos do PIS/PASEP e da COFINS a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, e não a energia elétrica contratada, nem tampouco o valor total da fatura de energia elétrica. Não gerando, assim, o direito a crédito os valores tais como taxas de iluminação pública, demanda contratada, juros, multa, créditos diversos, benefícios de ICMS, devoluções de ICMS, dentre outros que possam fazer parte da fatura [...] Também houve glosas por faturas não apresentadas ou aproveitamento em duplicidade, além de despesas incorridas fora do período sob análise. As glosas estão detalhadas na planilha “Energia” do arquivo não paginável “Energia x PDF.xlsx”. O acórdão recorrido reverteu as glosas sobre as despesas motivadas por “despesa incorrida fora do período em análise”, mantendo as demais. Inconformada, a recorrente se insurge contra a decisão em seu recurso voluntário, argumentando que: [...] o Julgador a quo manteve a glosa dos créditos apropriados sobre energia elétrica sob o argumento de que supostamente tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à contribuição de iluminação pública, demanda contratada, juros e multas [...] Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. [...] Tal raciocínio, diga-se, representa afronta à própria sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, na medida em que busca desconstituir o direto à tomada de créditos sobre efetivo custo de aquisição de insumo. Entendo que não assiste razão à recorrente. O entendimento deste Conselho é o de que somente é possível a apuração de crédito da Contribuição para o PIS e da Cofins em relação às despesas com energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não estando aí contempladas outras despesas, como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada de energia. Tal entendimento é objeto da Súmula CARF nº 224, transcrita abaixo. SÚMULA CARF Nº 224 Fl. 11269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 18 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/08/2025 – vigência em 01/09/2025 Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. Ante o exposto, voto por negar provimento a este tópico do recurso. 3.6. Aluguel de prédios Conforme consta da Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT Nº 0406/2017, a autoridade fiscal efetuou glosas de “alugueis/arrendamentos de pessoa física” e de “alugueis/arrendamentos não comprovados”. Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente se insurgiu contra as glosas, alegando que “todos os documentos foram apresentados em sede de fiscalização para infirmar o convencimento do fiscal quanto ao crédito a ser ressarcido. Fala-se aqui dos contratos de arredamento”. O acórdão recorrido manteve as glosas, entendendo que a recorrente não apresentou documentação comprobatória suficiente para infirmar a conclusão da autoridade tributária que efetuou as glosas. Em seu recurso voluntário, a recorrente volta a contestar as glosas, repisando que “todos os documentos foram apresentados em sede de fiscalização para infirmar o convencimento do fiscal quanto ao crédito a ser ressarcido. Fala-se aqui dos contratos de arredamento, conforme demonstrando no Laudo Técnico (fl. 55)”. Analisando-se as planilhas constantes das fls. 918 (aluguéis de prédios) e 1299 (arrendamentos), verificam-se no período em análise (1º trimestre de 2014) glosas relativas às fazendas “Guapirama” e “Terra Mãe”, motivadas pelo fato de o contrato ter sido firmado por pessoa física. Com relação ao tema, o art. 3º inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, é expresso em determinar que o desconto de créditos só se aplica a aluguéis pagos a pessoa jurídica, de maneira que não há reforma a fazer na decisão. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (grifo nosso) Assim, nego provimento ao recurso em relação a esse ponto. Fl. 11270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 19 3.7. Aluguel de máquinas e equipamentos Houve também glosas em relação a créditos apropriados como aluguéis de máquinas e equipamentos. Na Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT Nº 0406/2017, a autoridade fiscal consignou que: Os valores referentes a alugueis de veículos foram glosados por não se enquadrarem no conceito de máquinas. Além disso, foram também glosados alugueis de pessoa física, serviços e os alugueis não comprovados [...] As glosas estão discriminadas na planilha de fl. 917. Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente se insurge contra as glosas, afirmando que: Ora, por se tratar a Manifestante de empresa que atua no ramo da produção de bens agropecuários, bem como no comércio destes, imprescindível se faz que tenha um local para guardar o seu estoque, e que para a movimentação interna dos itens sejam empregadas empilhadeiras e demais máquinas/bens que auxiliam na gestão, organização e desenvolvimento de suas atividades. [...] Ademais, ainda que a fiscalização tenha entendido que não houve locação de máquinas em determinados casos, mas prestação de serviços atrelados ao aluguel, não se poderia considerar a negativa de tomada destes créditos, na medida em que a própria legislação de regência autoriza a apuração de créditos também nestes casos, principalmente se considerarmos a essencialidade destes bens no âmbito do processo produtivo da Manifestante. O acórdão recorrido acolheu em parte as razões da recorrente, revertendo as glosas motivadas como “prestação de serviços” e “apresentado contrato de prestação de serviços”. Por outro lado, manteve as glosas com a motivação “Locação de veículo”, por entender, assim como a autoridade tributária que efetuou as glosas, que empilhadeira se enquadram no conceito de veículos. Também foram mantidas as glosas motivadas por “Doc. não apresentado”, por falta de comprovação. Em seu recurso voluntário, a recorrente volta a se insurgir contra as glosas relacionadas à locação do que o acórdão recorrido considerou como sendo veículos. Nesse ponto, entendo que assiste razão à recorrente. Vejamos. O inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite a apropriação de créditos da COFINS sobre o aluguel de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados na atividade da empresa. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 11271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 20 IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; No caso sob discussão, o fundamento da glosa foi de que as empilhadeiras são veículos automotores, razão pela qual a despesa com seu aluguel não estaria abarcada pela referida hipótese normativa de creditamento. Com a devida vênia, entendo que tal entendimento é equivocado. Classificar empilhadeiras como um mero veículo automotor com base em sua capacidade de se locomover por meios próprios, desconsiderando por completo a finalidade precípuo para qual foram projetadas, qual seja, movimentar (em especial, içar e baixar) cargas, notadamente cargas pesadas, de difícil movimentação manual, excluindo essa espécie de bem do conteúdo semântico do vocábulo “equipamento” a que se refere o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, não parece ser a interpretação adequada da norma. A despeito de sua capacidade de se deslocar por meios próprios, as empilhadeiras são equipamentos que possuem finalidade específica diversa de um mero transporte de cargas, de maneira que despesas com seu aluguel subsomem-se à hipótese do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Importa notar, também, que, não se tratando de mero veículo de transporte de carga, não há que se falar na aplicação da Súmula CARF nº 190, exclusivamente aplicável a veículos de transporte de carga ou de passageiros. Acrescento, ainda que a recorrente não apresentou contestação em relação à manutenção das glosas motivadas como “contrato referente a 2013” e “fora do período em análise - contrato limitado a 20800,00”, referentes a períodos de apuração anteriores, de maneira que, não tendo havido impugnação, tais glosas estão mantidas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso na matéria, exclusivamente para reverter as glosas com o motivo “Trata-se de aluguel de veículo empilhadeira, não abarcado pela legislação” na planilha de fl. 917. 3.8. Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado Foram também efetuadas glosas de créditos apropriados pela recorrente sobre despesas com aquisição de bens incorporados ao seu ativo imobilizado. Na Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT Nº 0406/2017, a autoridade fiscal consignou que: Na relação apresentada pelo contribuinte, vários valores encontravam-se em duplicidade, portanto foram glosados. Os valores referentes a compras de ativos imobilizados de outras empresas, bem como compras não tributadas, também foram glosados. Foram glosadas, ainda, as compras de veículos [caminhões e tratores], por não se enquadrarem no conceito de máquinas ou equipamentos. Na maioria dos casos, a recorrente efetuou o desconto com base no regime do §14º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que permite o desconto mensal de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS calculados sobre o valor correspondente a 1/48 do valor de aquisição do bem, no prazo de quatro anos. Fl. 11272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 21 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Como se vê, trata-se de regime aplicável especificamente a máquinas e equipamentos (não contemplando outros bens) utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, e não a quaisquer bens destinados ao ativo imobilizado. Além disso, em alguns casos, a recorrente utilizou o regime do art. 1º, inciso XII, da Lei nº 11.774/2008, que permite o desconto imediato de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS em relação a máquinas e equipamentos destinados à produção de bens ou a prestação de serviços adquiridos a partir de julho de 2012. Art. 1º As pessoas jurídicas, nas hipóteses de aquisição no mercado interno ou de importação de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços, poderão optar pelo desconto dos créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de que tratam o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, da seguinte forma: (Redação dada pela Lei nº 12.546, de 2011) [...] XII – imediatamente, no caso de aquisições ocorridas a partir de julho de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.546, de 2011) As glosas estão detalhadas na planilha “Imobilizado x PDF” do arquivo não paginável “Imobilizado x PDF.xlsx”. Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente se insurgiu contra as glosas, argumentando que: No que se refere a aquisição de caminhões, há precedente do CARF autorizando o aproveitamento da depreciação dos caminhões que se incorporaram no ativo com base na mesma legislação de regência da viabilidade de creditamento pela aquisição: Fl. 11273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 22 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Os encargos de depreciação de caminhões off road, incorporados ao ativo imobilizado e utilizados na produção de minérios, geram direito a crédito. (Ac. 3402-002663, sessão de fevereiro de 2015 – ALEXANDRE KERN) Ademais, quanto as glosas sobre a aquisições de máquinas e equipamento de pessoa física e adquirido com alíquota zero (peças de aeronaves), além das instalações posto de combustível, como já devidamente exposto alhures, cumpre consignar ser possível a tomada de créditos, tanto por expressa previsão legal, quanto pela essencialidade do item na atividade desenvolvida pela Manifestante. O acórdão recorrido não acolheu os argumentos da recorrente e manteve as glosas, decisão contra a qual ela novamente se insurgiu. Em relação às glosas de créditos apropriados sobre aquisições de caminhões incorporados ao ativo imobilizado, seu Recurso Voluntário, a recorrente se limita a mencionar precedente do CARF: ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CAMINHÃO. POSSIBILIDADE. A possibilidade de desconto de crédito em relação aos encargos de depreciação relativos a máquinas e equipamentos se restringe aos bens utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) Assim a hipótese autorizativa é envolvendo produção, caso não que encontra-se fora do contexto da atividade da empresa. (...) Reverto a glosa aos encargos de depreciação sobre caminhões utilizados em transporte de leite. (Processo: 11070.900259/2016-11; Acórdão: 3201-009.149; 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Relator: Laércio Cruz Uliana Junior; Sessão: 27/08/2021) Ocorre que, como a própria recorrente menciona, o julgado em questão tratou de caso de desconto de créditos calculados sobre o valor dos encargos de depreciação de caminhões. Ou seja, a discussão estava adstrita à possibilidade de desconto de créditos com base na regra geral (créditos calculados com base nos encargos de depreciação), nada tendo a ver com a questão discutida nestes autos, que versa sobre a aplicabilidade do regime de desconto previsto no §14º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 a caminhões incorporados ao ativo imobilizado. Além de invocar um julgado que não se amolda ao caso discutido nos autos, a recorrente não trouxe qualquer outro argumento para infirmar a glosa efetuada. Assim, não há Fl. 11274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 23 como acatar o pleito de reversão das glosas, não havendo reforma a ser feita em relação a glosa de créditos referentes a caminhões, que, de fato, são veículos de transporte de carga. Já em relação a glosas relativas a tratores, a recorrente se insurge ao argumento de que: Ainda, cabe ressaltar que parte dos Notas Fiscais glosadas se referem à aquisição de tratores para utilização no processo produtivo da Recorrente, conforme apontado no Laudo Técnico (fl. 54): 12.1.6. AQUISIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO Fazem parte deste conjunto de bens os: implementos agrícolas diversos, colheitadeiras, correias transportadoras, tratores, motores elétricos, motorredutores, máquinas de pré-limpeza, rebocadores, pulverizadores entre outros. Todos estes bens participam de forma integral no processo produtivo da empresa, sem os quais, conforme demonstrado nos processos descritos nos capítulos 8, 9 e 10, não seria possível manter o fluxo produtivo e a manutenção das atividades da empresa com o propósito de obter os produtos por ela comercializado. (Processo: 16682.901573/2018-06; Acórdão: 3201-009.693; 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Presidente e Redator: Hélcio Lafetá Reis; Sessão 16/12/2021) Deste modo, diante da atividade da Recorrente, demonstrada à exaustão ao longo desta peça, não há dúvida de que os tratores adquiridos são aplicados estritamente no seu processo produtivo, de modo que não se pode glosar os créditos em questão. Em que pese a discussão não recaia sobre a utilização dos tratores no processo produtivo da recorrente, vez que as glosas se deram ao argumento de que trator é veículo, não sendo considerado máquina ou equipamento, de maneira que não se enquadrariam no regime do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, o que foi corroborado pelo acórdão recorrido, nesse ponto, entendo que a decisão merece ser reformada. Vejamos: Consta dos autos que a recorrente se dedica principalmente ao cultivo de grãos, como soja e milho, mas também de algodão. Na persecução de seu objeto social, a recorrente informou que utiliza tratores nas etapas de “correção e preparo do solo”, “semeadura”, “pulverização – aplicação de maturadores” e “colheita”. Tendo em conta a natureza da atividade da recorrente, trata-se de alegação verossímil. Nesse contexto, notadamente tendo em vista a atividade desenvolvida pela recorrente, classificar trator com um mero veículo, desconsiderando por completo sua finalidade de puxar/rebocar objetos, excluindo essa espécie de bem do conteúdo semântico do vocábulo “máquina” a que se refere o §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, não parece ser a interpretação adequada da norma. Como exemplo, podemos citar a utilização de tratores para puxar/rebocar as máquinas semeadoras e os pulverizadores. Fl. 11275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 24 Assim, dentro do processo produtivo da recorrente - produção agrícola - a função precípua desempenhada pelos tratores não é de transporte, mas sim de maquinário propriamente dito, de maneira que entendo plenamente cabível o desconto de créditos com base no regime do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Nesse sentido: Acórdão 3402-012.275, de 19/09/2024, rel. Cons. Jorge Luis Cabral Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 [...] CRÉDITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. Tratores e colheitadeiras, assim como outros equipamentos utilizados na produção agroindustrial dão direito aos créditos previstos nos art. 3º, incisos VI, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004, assim como ao previsto no § 14, deste mesmo artigo, nesta última Lei citada. (grifo nosso) Dessa forma, voto pela reversão das glosas relativas a encargos de depreciação de tratores (coluna “Descrição Item” contém “Trator” e motivo (coluna “Observação”) é igual a “Veículo” na planilha “Imobilizado x PDF” do arquivo não paginável “Imobilizado x PDF.xlsx). Além disso, a recorrente trouxe razões de defesa em relação à glosa de créditos descontados sobre máquinas e equipamento adquiridos de pessoas físicas, no entanto, não constam na planilha “Imobilizado x PDF” do arquivo não paginável “Imobilizado x PDF.xlsx glosas por esse motivo, razão pela qual essa parte da argumentação não deve ser conhecida. Por fim, destaco que, no recurso voluntário, não houve impugnação específica quanto à manutenção das glosas pelas seguintes motivações: “NF não apresentada”, “NF não se refere a este item”, “Venda de ativo imobilizado”, “Partes e peças de aeronaves. Aliq zero”, “Item em duplicidade” e “Venda de Sucata”, estabilizando-se a matéria no sentido decidido pelo acórdão de primeira instância, qual seja, pela manutenção das glosas. 3.9. Devolução de vendas Em que pese a Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT Nº 0406/2017 traga um tópico sobre “Devolução de Vendas Sujeitas à Incidência Não Cumulativa”, nota-se que não houve glosas relativas à matéria no 1º trimestre de 2014, período do PER objeto destes autos. A despeito disso, a recorrente trouxe em seu Recurso Voluntário, razões de defesa em relação a essa matéria. Não havendo controvérsia sobre a matéria no período de apuração dos créditos objeto do PER ora analisado, entendo que esse tópico recursal não deve ser conhecido. 4. Dispositivo Ante o exposto, voto no seguinte sentido: 1. Conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo: Fl. 11276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.557 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721022/2016-71 25  Das razões de defesa em relação à glosa de créditos descontados sobre máquinas e equipamento adquiridos de pessoas físicas;  Do tópico recursal “Devolução de Vendas”. 2. Rejeitar a preliminar de conversão de julgamento em diligência; 3. Dar parcial provimento ao recurso, para: a) Reverter as glosas relativas às aquisições de perfis (coluna “Observação” como “Não se enquadra no conceito de insumo” e “Não se enquadra como insumo” na planilha “Bens_Insumos_x_NFe” do arquivo não paginável “Bens Insumos x NFe.xlsx”); b) Reverter as glosas relativas às notas fiscais de nº 32, 69, 70 e 571, por terem sido apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade; c) Reverter as glosas com aluguel de empilhadeiras (motivo “Trata-se de aluguel de veículo empilhadeira, não abarcado pela legislação” na planilha de fl. 917); d) Reverter as glosas relativas a encargos de depreciação de tratores (coluna “Descrição Item” contém “Trator” e motivo (coluna “Observação”) é igual a “Veículo” na planilha “Imobilizado x PDF” do arquivo não paginável “Imobilizado x PDF.xlsx) É como voto. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha Fl. 11277DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1. Admissibilidade 2. Preliminar – conversão em diligência 3. Mérito 3.1. Aquisição de bens utilizados como insumos 3.2. Aquisição de serviços utilizados como insumo 3.2.1. Despesas com exportação, despesas com comissões e fretes sobre vendas 3.2.2. Despesas com deslocamento / quilometragem / diária 3.3. Créditos extemporâneos 3.4. Fretes 3.5. Energia elétrica 3.6. Aluguel de prédios 3.7. Aluguel de máquinas e equipamentos 3.8. Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado 3.9. Devolução de vendas 4. Dispositivo

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Numero do processo: 10435.720521/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DIRETA. IMUNIDADE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS SOBRE MULTA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. CASO EM EXAME 1.1. Recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/BSB, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD nº 51.059.989-3, lavrado para constituição de crédito relativo à contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, referente ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2011, inclusive 13º salário. 1.2. A parte-recorrente defendeu, em síntese: (i) a inaplicabilidade da contribuição sobre receitas de exportação, por força da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal; (ii) a ausência de competência da autoridade fiscal para imposição de multa de ofício; e (iii) a ilegalidade da incidência de juros moratórios sobre o valor da multa aplicada. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2.1. Há três questões em discussão: (i) saber se incide a contribuição ao SENAR sobre receitas decorrentes de exportação direta, à luz da imunidade constitucional prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal; (ii) saber se a autoridade fiscal possui competência legal para aplicação da multa de ofício em lançamento de crédito tributário; e (iii) saber se há fundamento legal para a incidência de juros moratórios sobre o valor da multa de ofício. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. Não se conheceu das alegações relativas à inclusão de tributos (ICMS, ICMS-ST e IPI) na base de cálculo da contribuição ao SENAR, tampouco da discussão sobre a caracterização de receita de exportação direta como indireta, por tratarem de matéria não abrangida pelo auto de infração objeto do presente recurso. 3.2. No tocante à imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, firmou-se o entendimento, com base na jurisprudência do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de que a contribuição ao SENAR possui natureza jurídica de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, o que a exclui do alcance da imunidade aplicável às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. 3.3. A matéria relativa à natureza jurídica da contribuição ao SENAR encontra-se submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal no Tema 1320 da repercussão geral, o que, entretanto, não impede a manutenção da jurisprudência consolidada do CARF no sentido da inaplicabilidade da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. 3.4. A alegação de ausência de competência da autoridade fiscal para aplicação de multa de ofício foi rejeitada. O art. 142 do Código Tributário Nacional atribui à autoridade administrativa a competência para constituir o crédito tributário, o que compreende a aplicação da penalidade cabível, desde que amparada em hipótese legal expressa. 3.5. A incidência de juros sobre o valor da multa foi igualmente mantida, porquanto autorizada pelo art. 161 do CTN, sendo a penalidade pecuniária parte integrante da obrigação tributária principal, nos termos do art. 113, § 1º, do mesmo diploma. O entendimento também encontra respaldo na Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2202-011.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, exceto as alegações de inconstitucionalidade, bem como os pedidos relacionados à (a) inclusão dos valores de ICMS, ICMS-ST e IPI na base de cálculo da contribuição prevista no art. 22-A da Lei nº 8.212/91, além da (b) inclusão de receita de exportação direta como se indireta fosse; e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO

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CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO DIRETA. IMUNIDADE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS SOBRE MULTA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. CASO EM EXAME 1.1. Recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/BSB, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD nº 51.059.989-3, lavrado para constituição de crédito relativo à contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, referente ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2011, inclusive 13º salário. 1.2. A parte-recorrente defendeu, em síntese: (i) a inaplicabilidade da contribuição sobre receitas de exportação, por força da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal; (ii) a ausência de competência da autoridade fiscal para imposição de multa de ofício; e (iii) a ilegalidade da incidência de juros moratórios sobre o valor da multa aplicada. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2.1. Há três questões em discussão: Fl. 763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 2 (i) saber se incide a contribuição ao SENAR sobre receitas decorrentes de exportação direta, à luz da imunidade constitucional prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal; (ii) saber se a autoridade fiscal possui competência legal para aplicação da multa de ofício em lançamento de crédito tributário; e (iii) saber se há fundamento legal para a incidência de juros moratórios sobre o valor da multa de ofício. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. Não se conheceu das alegações relativas à inclusão de tributos (ICMS, ICMS-ST e IPI) na base de cálculo da contribuição ao SENAR, tampouco da discussão sobre a caracterização de receita de exportação direta como indireta, por tratarem de matéria não abrangida pelo auto de infração objeto do presente recurso. 3.2. No tocante à imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, firmou-se o entendimento, com base na jurisprudência do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de que a contribuição ao SENAR possui natureza jurídica de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, o que a exclui do alcance da imunidade aplicável às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. 3.3. A matéria relativa à natureza jurídica da contribuição ao SENAR encontra-se submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal no Tema 1320 da repercussão geral, o que, entretanto, não impede a manutenção da jurisprudência consolidada do CARF no sentido da inaplicabilidade da imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. 3.4. A alegação de ausência de competência da autoridade fiscal para aplicação de multa de ofício foi rejeitada. O art. 142 do Código Tributário Nacional atribui à autoridade administrativa a competência para constituir o crédito tributário, o que compreende a aplicação da penalidade cabível, desde que amparada em hipótese legal expressa. 3.5. A incidência de juros sobre o valor da multa foi igualmente mantida, porquanto autorizada pelo art. 161 do CTN, sendo a penalidade pecuniária Fl. 764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 3 parte integrante da obrigação tributária principal, nos termos do art. 113, § 1º, do mesmo diploma. O entendimento também encontra respaldo na Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, exceto as alegações de inconstitucionalidade, bem como os pedidos relacionados à (a) inclusão dos valores de ICMS, ICMS-ST e IPI na base de cálculo da contribuição prevista no art. 22- A da Lei nº 8.212/91, além da (b) inclusão de receita de exportação direta como se indireta fosse; e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Por brevidade, transcrevo o relatório elaborado pelo órgão julgador de origem, 5ª Turma da DRJ/BSB, de lavra da Auditora-Fiscal Verônica Evane do Prado Cardoso (Acórdão nº 03- 70.311): Trata o presente processo de lançamento de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP - DEBCAD nº 51.059.989-3, consolidado em 17/03/2014, no valor de R$ 261.923,58 (duzentos e sessenta e um mil novecentos e vinte e três reais e Fl. 765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 4 cinquenta e oito centavos), em desfavor da empresa em epígrafe, no período compreendido entre as competências 01 a 12/2011, inclusive 13º salário. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 04/06, o presente débito refere-se aos valores das contribuições destinadas ao SENAR, devidos pela empresa, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, inclusive a receita bruta das exportações diretas. Os fatos geradores apurados pela fiscalização não foram declarados em GFIP. Informa ainda a fiscalização que a apuração dos créditos foi efetuada com base na análise dos lançamentos das contas contábeis das vendas de Açúcar Cristal, Álcool Anidro, Álcool Hidratado e Açúcar Exportação Indireta. A base de cálculo foi obtida pelo confronto entre os valores da receita bruta lançada na contabilidade e os declarados em GFIP e foram obtidos por meio de consultas ao sistema GFIPWEB. Da Impugnação. Tempestivamente o contribuinte apresentou a impugnação, de fls. 78/100, alegando, em síntese: Preliminarmente requer o julgamento do presente auto de infração conjuntamente com os de DEBCAD nº 51.059.988-5, por serem conexos e por possuírem a mesma base de cálculo tanto para a contribuição destinada à Previdência Social como ao SENAR. Em prosseguimento informa que é pessoa jurídica de direito privado e tem como atividade a fabricação de açúcar bruto, sendo parte da produção exportada, estando sujeita ao recolhimento das contribuições previdenciárias na forma do art. 22-A da Lei nº 8.212/91, na condição de agroindústria. A impugnante repete todas as alegações apresentadas no auto de infração relativa às contribuições da empresa e às destinadas ao GILRAT, afirmando que a base de cálculo da contribuição prevista no art. 7º da Lei nº 12.546/11 é a mesma da do art. 22-A da Lei nº 8.212/91 que é a receita bruta. E se na Lei nº 12.546/11 tanto as vendas canceladas como os descontos e o IPI não compõem a base de cálculo, na Lei nº 8.212/91 também não podem incluir. Alega que a fiscalização incluiu na base de cálculo da contribuição previdenciária as deduções de vendas, o IPI, o ICMS-ST e o ICMS, de modo que houve um flagrante erro na determinação da matéria tributável, devendo ser, portanto, cancelado o lançamento. Conclui que apesar de não constar expressamente, a própria RFB, na Solução de Consulta nº 121, de 26 de junho de 2012, interpretando o art. 7º dispõe que não integra a receita bruta o IPI, ICMS e as vendas canceladas, inclusive as devoluções de mercadorias. Assegura que embora se enquadre nos requisitos para configurar como receita não está contemplada no conceito justamente por não representar receita nova e Fl. 766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 5 definitiva, ensejadora de capacidade contributiva. A impugnante apresenta o conceito de receita bruta disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil, alegando que neste se excluem as parcelas elencadas. Outro argumento consiste na afirmativa da impugnante de que a fiscalização incluiu indevidamente na base de cálculo da contribuição para o SENAR às receitas de exportação, classificadas contabilmente como exportação indireta, vez que as receitas de exportação não sofrem incidência de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, por estarem enquadradas na norma imunizante da Lei Maior (CF/88, art. 149, § 2º, inciso I). Relata que a própria fiscalização excluiu da base de cálculo das contribuições patronais as receitas de exportação, mas não estendeu essa exclusão à contribuição para o SENAR. Justifica que houve equívoco de contabilização, eis que se trata de exportação direta, conforme se comprova da nota fiscal e registro de exportação. Defende que a imunidade prevista no artigo 149, § 2º, I da Constituição Federal, alcança tal exação. Afirma que no caso do SENAR, o sujeito passivo é o empregador e os beneficiários os cidadãos que desfrutam das atividades promovidas por esta entidade de serviço social e de formação profissional vinculada ao sistema sindical, sem caráter retributivo, consiste, portanto, de uma contribuição social, de espécie geral que está enquadrada na norma imunizante da CF/88, logo é improcedente a contribuição em comento. Cita jurisprudência pátria para corroborar seu entendimento. Insurge-se ainda contra a multa de ofício ora aplicada sob o argumento de que a autoridade fiscal não tem competência para impor multas, ou seja, sua competência restringe-se a propor a aplicação da multa, nos termos do art. 142 do CTN. Alega ainda que a citada proposição da multa deve obedecer aos princípios da isonomia e da proporcionalidade, respeitando também que a multa se refere apenas à parte controversa já que o suposto recolhimento do imposto se deu em consequência de uma interpretação legítima da impugnante. Ante o exposto requer a anulação do auto de infração e a redução da multa e a exclusão dos juros. Da Diligência. Considerando a alegação da autuada de que foram incluídos na base de cálculo das contribuições lançadas valores referentes a vendas canceladas, inclusive tendo sido juntados na impugnação documentos referentes a este argumento, os autos foram devolvidos em diligência à DRF de origem para que fosse esclarecido, se parte dos valores considerados como “receita bruta proveniente da Fl. 767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 6 comercialização”, e consequentemente incluída na base de cálculo das contribuições lançadas, refere-se às vendas canceladas. Como resultado da diligência o auditor autuante emitiu a Informação Fiscal, de fls. 608/609, da qual foi dada ciência ao contribuinte, com as devidas e possíveis alterações. O contribuinte se manifestou às fls. 614/615, alegando concordar com as retificações procedidas em sede de diligência, mas alega que ainda persiste a improcedência do presente auto pelas outras razões expostas na impugnação. Referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. São devidas pelo produtor rural pessoa jurídica, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, em substituição às contribuições incidentes sobra à folha de pagamento. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. É devida a contribuição ao SENAR na comercialização da produção rural com o mercado externo, não lhe sendo aplicável à imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SENAR. SUBROGAÇÃO. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Outras Entidades - Terceiros, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 7 Cientificado do resultado do julgamento em 02/05/2016, uma segunda-feira (fls. 692), a parte-recorrente interpôs o presente recurso voluntário em 01/06/2016, uma quarta-feira (fls. 693), no qual se sustenta, sinteticamente: a) A inclusão dos valores de ICMS, ICMS-ST e IPI na base de cálculo da contribuição ao Senar fere o conceito legal de receita bruta, porquanto tais valores não se traduzem em ingresso definitivo no patrimônio da parte- recorrente, tratando-se de tributos não cumulativos e/ou de valores dos quais o contribuinte é mero depositário, não representando riqueza nova e, portanto, sem aptidão para gerar capacidade contributiva. b) A inclusão de receita oriunda de exportação direta como base de cálculo da contribuição para o SENAR ofende a imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, pois se trata de contribuição social geral (e não de interesse de categoria econômica), alcançada pela regra imunizante aplicável às receitas de exportação. c) A inclusão de receita de exportação direta como se indireta fosse constitui erro de contabilização e resulta em vicio material na constituição do crédito, pois a própria documentação apresentada (nota fiscal e registro de exportação) demonstra tratar-se de exportação direta, fato este não enfrentado pela decisão recorrida. d) A aplicação automática de multa de ofício viola os princípios da proporcionalidade e da isonomia, na medida em que desconsidera a existência de interpretação legítima e razoável da parte-recorrente sobre a norma, e fere o disposto no art. 112 do CTN, que impõe interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida na gradação da penalidade. e) A autoridade fiscal não tem competência para aplicar multa, mas apenas para propor sua aplicação, nos termos do art. 142 do CTN, razão pela qual o lançamento padece de vício formal no ponto. f) A incidência de juros de mora sobre multa de ofício afronta o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/96, dado que essa penalidade não decorre diretamente de tributo ou contribuição não recolhidos, mas sim de infração à obrigação principal, sendo descabida a sua majoração por encargos moratórios. Diante do exposto, pede-se, textualmente: “[…] que seja anulada a decisão recorrida para que outra seja proferida analisando a questão omitida. Ultrapassada a preliminar, a Recorrente requer, no mérito, que sejam acolhidos os argumentos defendidos no decorrer da sua defesa e neste recurso para, Fl. 769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 8 julgando improcedente a acusação fiscal e reformando parcialmente a decisão recorrida (na parte que manteve o lançamento), anular os Autos de Infração impugnados (DEBCAD’s 51.059.988-5 e 51.059.989-3). Pede, sucessivamente, que seja afastada ou reduzida a multa de ofício e, em qualquer caso, que os juros de mora sejam aplicados apenas em relação ao principal. Por fim, a Recorrente pede que seja atribuída à legislação a interpretação que lhe for mais favorável em obediência ao art. 112 do CTN.” É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino, Relator 1 CONHECIMENTO Conheço parcialmente do recurso voluntário, porquanto tempestivo e aderente aos demais requisitos para exame e julgamento da matéria, com exceção da matéria indicada a seguir. Não conheço das razões recursais e do respectivo pedido, relativos à inconstitucionalidade da multa, nos termos da Súmula CARF 02. Nesse contexto, os únicos objetos válidos deste recurso voluntário são: a) Aplicabilidade da imunidade às Contribuições ao Senar; b) A inclusão dos valores de ICMS, ICMS-ST e IPI na base de cálculo comum aos tributos versados neste e no RV 10435.720521/2014-34; c) Ausência de competência da autoridade fiscal para aplicar a multa; e d) Ilegalidade da incidência da Selic sobre a multa. 2 MÉRITO 2.1 IMUNIDADE DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SENAR A questão foi bem equacionada pela i. Conselheira Miriam Xavier, no julgamento do RV 14098.720077/2012-14 (Ac. 2401-011.410), cujas razões adoto: Fl. 770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 9 SENAR. RE 816.830. Sobre eventual questionamento sobre a constitucionalidade da contribuição social para o Senar, a matéria foi apreciada pelo STF, que concluiu ser ela constitucional. Veja-se a tese firmada no Tema 801 de repercussão geral: É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. Ao contrário do que entende a recorrente, a Administração entende que a contribuição para o Senar é de interesse de categoria econômica ou profissional. A Instrução Normativa – IN RFB nº 971/2009, determina: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. [...] § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. O mesmo se verifica na atual IN RFB nº 2.110/2022 Art. 148. As contribuições sociais previdenciárias de que trata este Capítulo não incidem sobre as receitas decorrentes de exportação. (Constituição Federal, art. 149, § 2º, inciso I; e STF, ADI nº 4.735/DF, de 2020) Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Senar, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Menciono, ainda, o seguinte trecho do voto da conselheira-relatora Ana Cecilia Lustosa da Cruz, que, não obstante a existência diacrônica posterior de outros precedentes, ainda me parecem mais consistentes do que a tese contrária (RV 11020.721682/201137, Ac. 9202- 006.510): Fl. 771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 10 De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Extrai-se, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Ao meu ver, as contribuições de intervenção no domínio econômico são mais abrangentes, no aspecto da sua destinação, que as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois aquelas fomentam determinado setor com o fim de incentivar e instigar o mercado, de forma pragmática, principalmente em momentos de crise, contribuindo na regulação da ordem econômica e refletindo políticas do governo que afetam toda a sociedade, e estas têm sua aplicação adstrita ao financiamento das respectivas categorias profissionais ou econômicas, em áreas específicas, apenas para o seu fomento. No que tange à distinção entre as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas e as contribuições sociais, entendo que estas contribuições também possuem maior abrangência, ao se destinarem ao financiamento social (bem-estar e justiça social), de um modo geral, e não voltado ao interesse de determinadas categorias. Além disso, outra distinção salutar reside no fato de que os recursos o produto das contribuições sociais gerais que ingressam aos cofres públicos decorrentes da sua arrecadação mantém o caráter público e serão aplicados conforme sua vinculação (as verbas arrecadadas são mantidas em poder do Estado para sua aplicação finalística), enquanto os produtos das contribuições que ingressam aos cofres do SENAR perdem o caráter de recurso público, como já decidiu o STF (AG .REG. NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.953). Fl. 772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 11 Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais. Diante de todo o exposto, nota-se que a Recorrida não faz jus à imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal. Dessa orientação não divergiu o acórdão-recorrido. Diante do exposto, rejeito o argumento. 2.2 INAPLICABILIDADE DOS JUROS À MULTA DE OFÍCIO, POR NÃO COMPOREM O CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ARTS. 139 E 161 DO CTN) O recorrente argumenta inexistir base legal para incidência de juros sobre o valor da multa. Porém, o art. 161 do CTN prevê expressamente a incidência de juros sobre o crédito tributário inadimplido. O art. 113, §1º, do mesmo código dispõe que a penalidade pecuniária compõe a obrigação principal, sendo portanto compreendida no conceito de crédito tributário. Diante do exposto, rejeito o argumento. 2.3 APLICAÇÃO DA TAXA SELIC O recorrente argumenta inexistir base legal para incidência de juros sobre o valor da multa. Nos termos da Súmula 108/CARF: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Diante do exposto, rejeito o argumento. Fl. 773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 12 2.4 AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA APLICAÇÃO DE MULTA O acórdão recorrido afastou expressamente o argumento relativo à ilegitimidade da autoridade fiscal para imposição da multa de ofício. Fundamentou que a aplicação da penalidade decorre de competência vinculada da autoridade lançadora, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que estabelece que o lançamento “compreende a aplicação da penalidade cabível”. Assinalou que a multa foi aplicada com base no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, o qual remete ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, de modo que, tratando-se de penalidade legalmente cominada, a atuação do Fisco é obrigatória e não discricionária. De outro lado, a parte-recorrente sustenta que o lançamento padece de vício formal, porquanto a autoridade fiscal não teria competência para impor multa, mas tão somente para propor sua aplicação. Fundamenta essa alegação no caput do art. 142 do CTN, que utiliza o verbo "propor" ao se referir à penalidade. Defende que a aplicação automática da penalidade, sem individualização da conduta, comprometeria a validade do lançamento. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário mediante lançamento, procedimento que compreende: (i) verificação da ocorrência do fato gerador, (ii) determinação da matéria tributável, (iii) cálculo do montante devido, (iv) identificação do sujeito passivo e, sendo o caso, a aplicação da penalidade cabível. A expressão “propor a aplicação da penalidade cabível” não tem o sentido de atribuir a terceiros a competência para aplicação da multa, mas apenas de reconhecer que essa aplicação está condicionada à presença dos pressupostos legais objetivos que a autorizem. O parágrafo único do mesmo artigo esclarece, de forma peremptória, que “o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. No caso concreto, o lançamento da multa foi formalizado com fundamento no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, que remete expressamente à aplicação das penalidades previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, cuja redação determina a imposição da multa de 75% nos casos de lançamento de ofício por falta de recolhimento ou por declaração inexata. A autoridade fiscal atuou, assim, nos limites da legalidade estrita, e no exercício de competência vinculada. Não houve, tampouco, qualquer elemento nos autos que evidencie vício de forma ou de motivação na lavratura do auto quanto à imposição da multa. Conforme se observa do Relatório Fiscal, a multa incide sobre base quantificada e explicitamente apurada, sem indicativo de abuso, excesso ou subjetividade. Não há, portanto, vício de competência, e o argumento recursal deve ser rejeitado. Fl. 774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.915 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720521/2014-34 13 3 DISPOSITIVO Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário, com exceção das alegações de inconstitucionalidade, bem como dos pedidos relacionados à (a) inclusão dos valores de ICMS, ICMS-ST e IPI na base de cálculo da contribuição prevista no art. 22-A da Lei nº 8.212/91, além da (b) inclusão de receita de exportação direta como se indireta fosse, e, na parte conhecida, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 775DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 CONHECIMENTO 2 MÉRITO 2.1 IMUNIDADE DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SENAR 2.2 INAPLICABILIDADE DOS juros À multa de ofício, por não comporem o crédito tributário (arts. 139 e 161 do CTN) 2.3 Aplicação da Taxa Selic 2.4 AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA APLICAÇÃO DE MULTA 3 DISPOSITIVO

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11336687 #
Numero do processo: 10979.000117/2002-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 203-00.853
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA

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Siape 91650 1 0644 40:031A1 05,1054M ctr ,11 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2Q CC-MF Fl. Processo le : 10979.000117/2002-60 Recurso n2 : 130.900 Recorrente : ZANATTO, SCHUPP & CIA LTDA. Recorrida : DRJ em Curitiba—PR RESOLUÇÃO N° 203-00.853 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ZANATTO, SCHUPP & CIA LTDA. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2007. A itntomo Presidedte zerra N eto Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Silvia de Brito Oliveira, Mauro Wasilewski (Suplente) e Odassi Guerzoni Filho. Ausentes os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva e Luciano Pontes de Maya Gomes. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2Q CC-MF Fl. Processo n2 : 10979.000117/2002-60 Recurso n2 : 130.900 Recorrente : ZANATTO, SCHUPP & CIA LTDA. RELATÓRIO Trata-se do Auto de Infração relativo à Co -fins, períodos de apuração compreendidos entre 01/06/97 a 31/12/97, incluindo juros de mora e multa de oficio de 75%. A ciência ocorreu em 11/12/2001. Em impugnação, a interessada sustenta ser detentora de ação judicial transitado em julgado, proferida nos autos do Mandado de Segurança no 91.00.11985-7, impetrado em litisconsórcio e com o objeto de se reconhecer os créditos originários de recolhimentos a maior do antigo Finsocial. Demonstra ainda que, detentora da decisão judicial definitiva, buscou na esfera administrativa o reconhecimento para compensar tais valores supostamente recolhidos a maior e que ora estariam em discussão no PA n° 10980.009115/98-50. A Terceira Turma da DRJ em Curitiba, A unanimidade, julgou procedente o lançamento, afastando as razões de insurgencia da interessada. Recorre a interessada por voluntário a este Segundo Conselho, repisando seus argumentos de impugnação. E o relatório. 0;E: Drac ilia ,a klari:de Cursin.. 2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-MF Fl. Processo n : 10979.000117/2002-60 Recurso n 130.900 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA 0 Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais exigidos pelo Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Socorro-me na elaboração deste voto dos comandos previamente estipulados pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. Como relatado, a exigência é combatida mediante a argüição de duas compensações: - uma especifica e relativa a direito creditório reconhecido em ação judicial (MS n°91.00.11985-7); e - e outra compensação mais genérica, cujos créditos são da própria recorrente. Como o litígio sobre os créditos da cedente é objeto do Processo Administrativo no 10980.009115/98-50, atualmente em sede de recurso especial da Fazenda Nacional e para a Terceira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, e como a decisão final naquele deve ser levada em conta neste, convem que este processo seja julgado após aquele. Não ha como proferir uma decisão em segunda e última instância num pleito envolvendo compensação quando a liquidez e certeza do crédito são discutidas em outro processo, que ainda não tem decisão definitiva. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento do recurso em diligencia, determinando que se aguarde a decisão final no Processo n° 1098.0009115/98-50, atualmente em sede de recurso especial. Após o término daquele devem ser acostadas ao presente processo cópias das decisões lá proferidas, com retorno destes autos a esta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para apreciação. Sala das Sessões, e 1 de s mbro de 2007. VOW t DALTON C R.O_D MIRANDA \ r: F.11E-SGUIDO CONS,_i_ 1..... ,.. ..„...:, i , CONFERE COM O U: , .c...;.w. , -. 1 •• –0---/---0-1— 3 5rasIlia. Maritde Mot. Siope 91650

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11342658 #
Numero do processo: 11020.720843/2013-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2011 TAMPAS, CHUMBADORES, PRESILHAS, SUPORTES E OUTROS COMPONENTES DE PORTAS E JANELAS, DE ALUMÍNIO E AÇO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÓDIGO 8302.41.00 DA TIPI. Com base na RGI/SH 1, nota 1 do capítulo 83 (texto da posição 83.02) e na RGI-6 (texto da subposição 8302.41) da TIPI, tampas, chumbadores, presilhas, suportes e outros componentes de portas e janelas, de alumínio e aço, classificam-se no código 8302.41.000 da TIPI.
Numero da decisão: 3002-004.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Carsola Marcarenas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).
Nome do relator: NEIVA APARECIDA BAYLON

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Carsola Marcarenas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).

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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÓDIGO 8302.41.00 DA TIPI. Com base na RGI/SH 1, nota 1 do capítulo 83 (texto da posição 83.02) e na RGI-6 (texto da subposição 8302.41) da TIPI, tampas, chumbadores, presilhas, suportes e outros componentes de portas e janelas, de alumínio e aço, classificam-se no código 8302.41.000 da TIPI. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao – Presidente Fl. 302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.136 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.720843/2013-37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Carsola Marcarenas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente). RELATÓRIO Para fins de economia processual adoto o relatório da decisão recorrida a fim de elucidar os fatos que motivaram a autuação, vejamos: Trata-se de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada por meio do Auto de Infração de fls. 2 a 20. A Fiscalização apurou que a autuada deixou de destacar corretamente o IPI devido, em razão de erro na classificação fiscal de parte dos produtos por ela industrializados. Em decorrência desse equívoco, procedeu à revisão das classificações adotadas e à constituição do crédito tributário correspondente ao imposto que deixou de ser escriturado, em virtude da utilização de alíquotas incorretas. Segundo informado, a autuada fabrica diversos produtos cuja matéria-prima predominante é o alumínio (Anexo I – fls. 21/49) ou o aço (Anexo II – fl. 50), enquadrados como metais comuns na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). O procedimento fiscal limitou-se à análise desses produtos. A Fiscalização registrou que houve equívoco na adoção genérica dos códigos 7610.10.00 e 7308.30.00 da TIPI para parcela dos produtos industrializados, consistentes em componentes de portas e janelas, tais como tampas, chumbadores, presilhas e suportes (Anexo I – fls. 21/49 e Anexo II – fl. 50). Destacou-se que os critérios de classificação fiscal, embora considerem a matéria- prima constitutiva do produto, não se restringem a esse aspecto, devendo observar as regras e notas explicativas pertinentes. Assim, produtos compostos de alumínio, em um primeiro momento, podem ser enquadrados na Seção XV da TIPI, dedicada aos metais comuns e suas obras. Contudo, impõe-se a análise das Notas Explicativas dessa Seção, a fim de identificar corretamente a natureza das mercadorias ali abrangidas. Nesse contexto, a Fiscalização fez referência à Nota 3 da Seção XV, que define o conceito de “metais comuns”, bem como às Considerações Gerais das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), segundo as quais os Capítulos 72 a 76 e 78 a 81 abrangem os metais comuns, em bruto ou sob a forma de produtos e respectivas obras, excetuados os artefatos metálicos incluídos nos Capítulos 82 ou 83, independentemente do metal constitutivo. Fl. 303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.136 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.720843/2013-37 3 Prosseguindo na análise classificatória, concluiu-se que as obras de alumínio poderiam, em tese, ser enquadradas no Capítulo 76 (Alumínio e suas obras) ou no Capítulo 83 (Obras diversas de metais comuns), ambos integrantes da Seção XV. Todavia, chamou-se a atenção para a Nota 2 da referida Seção, especialmente sua alínea “c”, que trata das chamadas “partes de uso geral”, compreendendo, entre outros, os artigos das posições 83.01, 83.02, 83.08 e 83.10. À luz dessas disposições, a Fiscalização entendeu que as obras classificadas nos Capítulos 82 e 83 encontram-se excluídas dos Capítulos 72 a 76 e 78 a 81, afastando, assim, a possibilidade de enquadramento das partes e peças de alumínio, componentes de portas e janelas, em posições diversas daquelas previstas no Capítulo 83. Dessa forma, definiu-se o enquadramento dos componentes objeto da ação fiscal — tais como ancoragens, chumbadores, luvas, suportes, presilhas e tampas — na posição 83.02 da TIPI. Com base na Regra Geral de Interpretação (RGI) 1 do Sistema Harmonizado, na Nota 1 do Capítulo 83, na RGI 6 e no texto da subposição 8302.41, concluiu-se que as mercadorias analisadas classificam-se no código NCM/TIPI 8302.41.00, com alíquota de 5,0%, conforme a TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006/2006, observadas as NESH aprovadas pelo Decreto nº 435/1992 e atualizadas pela IN RFB nº 807/2008. Inconformada, a autuada apresentou Impugnação, insurgindo-se contra a autuação sob o argumento de que não teria ocorrido erro na classificação fiscal. Inicialmente, invocou o texto da posição 76.10 da TIPI, sustentando que as peças que fabrica — ancoragens, chumbadores, conexões, luvas, presilhas e suportes — seriam distintas daquelas classificadas no Capítulo 83, tais como dobradiças, rodízios e fechos. Aduziu que seus produtos, destinados a pilares, armações, colunas, estruturas, portas, janelas e caixilhos, estariam abrangidos pela posição 76.10, por se tratarem de componentes de outras estruturas. Acrescentou, ainda, que não seria cabível a utilização do Capítulo 83 da TIPI, haja vista a existência de capítulo específico para o alumínio e suas obras, afirmando que, no caso concreto, os itens não possuiriam classificação própria diversa. Argumentação semelhante foi apresentada em relação aos produtos classificados no código 7308.30.00 da TIPI. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, conforme Acórdão assim ementado: TAMPAS, CHUMBADORES, PRESILHAS, SUPORTES E OUTROS COMPONENTES DE PORTAS E JANELAS, DE ALUMÍNIO E AÇO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÓDIGO 8302.41.00 DA TIPI. Com base na RGI/SH 1, nota 1 do capítulo 83 (texto da posição 83.02) e na RGI-6 (texto da subposição 8302.41) da TIPI, tampas, chumbadores, presilhas, suportes e outros componentes de portas e janelas, de alumínio e aço, classificam-se no código 8302.41.000 da TIPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido . Fl. 304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.136 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.720843/2013-37 4 Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente alega em síntese: 1. Inexistência de Erro: A empresa sustenta que não houve erro na classificação fiscal de seus produtos, mas sim uma falha de interpretação por parte do agente fiscal, que foi posteriormente esclarecida. 2. Consulta à Receita Federal: Para fundamentar sua defesa, a recorrente, com o apoio da Associação dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (AFEAL), realizou consultas formais à Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal. A resposta a essas consultas confirmou que a classificação fiscal utilizada pela empresa (NCM 7610.1000) estava, de fato, correta. 3. Alíquota Zero e Ausência de Prejuízo: O argumento central da recorrente é que tanto a classificação fiscal que utilizava (NCM 7610.1000 - portas e janelas) quanto a que a autoridade fiscal defendia como correta (NCM 7610.9000 - outros) possuem uma alíquota de IPI de 0%. Dessa forma, a empresa conclui que não houve qualquer prejuízo financeiro ao erário, tornando a autuação infundada. É o relatório. VOTO Conselheira Neiva Aparecida Baylon, Relatora. Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Trata-se de Recurso Voluntário interposto por MEGAN ACESSÓRIOS PARA ESQUADRIAS LTDA, doravante Recorrente, contra decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), consubstanciada no Acórdão nº 09- 74.984, que julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento de ofício referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o período de apuração de 01/08/2010 a 31/12/2011. Conforme relatado, a Recorrente sustenta, em sede de preliminar, a nulidade da autuação fiscal sob o argumento de erro na classificação fiscal dos produtos, bem como a inexistência de prejuízo ao erário, uma vez que as classificações discutidas resultariam, segundo alega, em alíquota zero de IPI. Todavia, a matéria suscitada não ostenta natureza preliminar, porquanto não se refere a vício formal apto a obstar o exame do mérito, mas sim ao próprio cerne da controvérsia, consistente na correta classificação fiscal das mercadorias. Assim, rejeito a preliminar arguida. Fl. 305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.136 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.720843/2013-37 5 No mérito, a controvérsia reside na correta classificação fiscal, para fins de incidência do IPI, de mercadorias descritas como “tampas, chumbadores, presilhas, suportes e outros componentes de portas e janelas, de alumínio e aço”. A autoridade fiscal entendeu que os produtos, classificados pela Recorrente nos códigos 7610.10.00 e 7308.30.00 da TIPI, deveriam ser enquadrados no código 8302.41.00, por se tratarem de guarnições e ferragens destinadas especificamente a construções, o que ensejou a exigência do IPI à alíquota de 5%. Consoante as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, em especial a RGI 1, a classificação fiscal deve ser determinada pelos textos das posições e pelas Notas de Seção e de Capítulo, prevalecendo a especificidade da função do produto sobre o material que o compõe. No caso, os itens autuados, embora fabricados predominantemente em alumínio, apresentam forma, características e destinação específicas como componentes funcionais de esquadrias, enquadrando-se, portanto, no Capítulo 83 da TIPI, que abrange guarnições, ferragens e artigos semelhantes para construções. A posição 76.10, invocada pela Recorrente, destina-se às estruturas principais de alumínio, não alcançando acessórios e componentes de aplicação específica. Nesse sentido, toma-se como paradigma o Acórdão nº 3401-005.151, de 23 de julho de 2018, que apreciou situação virtualmente idêntica, envolvendo a classificação fiscal de dobradiças, rodízios e outras guarnições de alumínio para construções. Naquela oportunidade, a 4ª Câmara da Primeira Turma Ordinária, por unanimidade, negou provimento ao recurso da contribuinte, mantendo a classificação no código 8302.41.00 da TIPI. A ementa do julgado é elucidativa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Dobradiças de alumínio classificam-se no código 8302.10.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Rodízios de alumínio classificam-se no código 8302.20.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes, de alumínio, para construções, classificam-se no código 8302.41.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Assim, mantém-se a classificação fiscal no código 8302.41.00 da TIPI, bem como a exigência do IPI correspondente, não prosperando a alegação de inexistência de prejuízo ao erário, uma vez que a correta classificação fiscal antecede a definição da alíquota aplicável. Ante o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.136 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.720843/2013-37 6 Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon Fl. 307DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13016.000202/92-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2000
Numero da decisão: 203-00.862
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RENATO SCALCO ISQUIERDO

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Numero do processo: 13119.000042/96-90
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 203-00.881
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALLES RIBEIRO DE QUEIROZ

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Numero do processo: 10950.725905/2019-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2017 a 30/06/2017 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Sendo a exclusão das receitas decorrentes das vendas de produtos aos associados equiparada à hipótese de não incidência, aplica-se o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, assegurando-se a manutenção dos créditos de PIS e Cofins, desde que comprovada a tributação dos insumos correspondentes na etapa anterior da cadeia econômica. DIREITO CREDITÓRIO. Pis-pasep/COFINS NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. TEMA 1.093 STJ O art. 17, da Lei nº. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior ao art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº. 10.833/2003, não revogou as vedações nele previstas, não sendo permitida a constituição de créditos de Pis-Pasep/Cofins relativo à aquisição de bens para revenda sujeitos à tributação monofásica. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS. Dispõe a Súmula CARF nº 217 que os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.
Numero da decisão: 3302-015.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas relativas aos créditos tomados sobre fretes e seguros vinculados à transferência de matéria-prima e insumos, e sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, à exceção dos encargos referentes aos itens amperímetro, analisador de rede, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos e endoscópio; e, (ii) por maioria de votos, reverter as glosas relativas aos créditos vinculados às aquisições regularmente tributadas na etapa anterior da cadeia econômica, cujas receitas de venda foram excluídas da base de cálculo das contribuições, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.602, de 09 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10950.722589/2020-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Marcos Unaian Neves de Miranda (Substituto), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas relativas aos créditos tomados sobre fretes e seguros vinculados à transferência de matéria-prima e insumos, e sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, à exceção dos encargos referentes aos itens amperímetro, analisador de rede, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos e endoscópio; e, (ii) por maioria de votos, reverter as glosas relativas aos créditos vinculados às aquisições regularmente tributadas na etapa anterior da cadeia econômica, cujas receitas de venda foram excluídas da base de cálculo das contribuições, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.602, de 09 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10950.722589/2020-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Marcos Unaian Neves de Miranda (Substituto), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).

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SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Sendo a exclusão das receitas decorrentes das vendas de produtos aos associados equiparada à hipótese de não incidência, aplica-se o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, assegurando-se a manutenção dos créditos de PIS e Cofins, desde que comprovada a tributação dos insumos correspondentes na etapa anterior da cadeia econômica. DIREITO CREDITÓRIO. Pis-pasep/COFINS NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. TEMA 1.093 STJ O art. 17, da Lei nº. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior ao art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº. 10.833/2003, não revogou as vedações nele previstas, não sendo permitida a constituição de créditos de Pis-Pasep/Cofins relativo à aquisição de bens para revenda sujeitos à tributação monofásica. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS. Dispõe a Súmula CARF nº 217 que os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas relativas aos créditos tomados sobre fretes e seguros vinculados à transferência de matéria-prima e insumos, e sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, à exceção dos encargos referentes Fl. 8207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 2 aos itens amperímetro, analisador de rede, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos e endoscópio; e, (ii) por maioria de votos, reverter as glosas relativas aos créditos vinculados às aquisições regularmente tributadas na etapa anterior da cadeia econômica, cujas receitas de venda foram excluídas da base de cálculo das contribuições, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.602, de 09 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10950.722589/2020-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Marcos Unaian Neves de Miranda (Substituto), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de créditos de Pis-Pasep/Cofins no regime não cumulativo, vinculados a receitas de exportação, formalizado pela interessada por meio de PER/DCOMP. No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa analisou o direito creditório pleiteado e reconheceu parcialmente o pedido, em razão da realização de diversas glosas, fundamentadas, em síntese, no entendimento de que parte dos créditos teria sido apurada em desacordo com a legislação aplicável ao regime não cumulativo de Pis-Pasep/Cofins. As glosas decorreram, essencialmente, dos seguintes fundamentos: (i) Rateio de receitas: revisão da metodologia adotada pela contribuinte para apuração da proporção entre receitas do mercado interno, receitas não tributadas e receitas de exportação, com ajustes nos percentuais utilizados após análise das planilhas e documentos apresentados; (ii) Aquisições de bens para revenda e insumos: glosa de créditos decorrentes de aquisições realizadas junto a cooperados ou vinculadas a operações Fl. 8208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 3 submetidas à suspensão, alíquota zero, isenção, regime monofásico ou não incidência das contribuições, sob o fundamento de inexistência de pagamento das contribuições na etapa anterior da cadeia; (iii) Serviços adquiridos de cooperados: glosa de créditos em razão do entendimento fiscal de inexistir previsão legal para o creditamento nessas hipóteses; (iv) Ativo imobilizado: glosa de créditos relativos a encargos de depreciação de bens considerados não diretamente utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços; (v) Outros ajustes correlatos: glosa de valores relativos a juros e correção monetária, bem como de aquisições realizadas sob regime de suspensão das contribuições, além da exclusão de valores indevidamente incluídos na base de cálculo dos créditos (como ICMS-ST e IPI). Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou, em síntese: (i) ser cooperativa agroindustrial que realiza vendas no mercado interno e externo não tributadas, fazendo jus ao ressarcimento dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, nos termos das Leis nº 10.637/2002, nº 10.833/2003; (ii) que as saídas com exclusão da base de cálculo das contribuições devem receber o mesmo tratamento das operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, com fundamento na Solução de Consulta nº 151/2011 (SRRF09/Disit), que, segundo sustenta, teria eficácia vinculante; (iii) que possui direito ao ressarcimento — e não apenas à manutenção — dos créditos relativos a tais operações, com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004; (iv) a legitimidade do creditamento nas aquisições de bens para revenda e insumos, inclusive quando sujeitos à incidência monofásica, substituição tributária ou ausência de recolhimento anterior das contribuições, defendendo afronta ao princípio da não cumulatividade; (v) o direito ao crédito sobre o valor do ICMS-ST incidente nas aquisições, por integrar o custo do produto; (vi) interpretação ampliativa do conceito de insumo, com base nos critérios de essencialidade e relevância definidos pelo STJ no REsp nº 1.221.170, bem como em manifestações da PGFN e da RFB; Fl. 8209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 4 (vii) o direito ao crédito sobre despesas de frete entre estabelecimentos, armazenagem, pedágio, seguro e serviços logísticos, por se tratar de custos vinculados ao processo produtivo; (viii) o direito ao crédito sobre bens do ativo imobilizado, inclusive sobre encargos de depreciação e sobre equipamentos utilizados na atividade produtiva; (ix) o direito ao crédito relativo a custos agregados aos produtos dos cooperados, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 635/2006; (x) o direito ao crédito presumido relativo à exportação de café, sustentando que os CFOPs demonstrariam a destinação exportadora, requerendo diligência para comprovação, caso necessário; (xi) a necessidade de realização de diligência para verificação das alegações, com fundamento no princípio da verdade material. A DRJ julgou improcedente a referida Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: REGIME NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÃO PARA REVENDA DE PRODUTOS NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição, para revenda, de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DESCABIMENTO. Descabe, em sede de contencioso administrativo fiscal, discussão acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis vigentes no ordenamento jurídico pátrio, haja vista a presunção de constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo, cujas autoridades administrativas estão vinculadas. REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST) não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Sobre a parcela do ICMS-ST não poderá a pessoa jurídica descontar créditos de PIS e de Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS. RATEIO DE CRÉDITOS. EQUIPARAÇÃO DE CUSTOS AGREGADOS A RECEITA NÃO TRIBUTADA. IMPOSSIBILIDADE. Os custos agregados, de que trata o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que as cooperativas agropecuárias estão autorizadas a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, não se equiparam a receitas não tributadas. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser Fl. 8210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 5 mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. Devidamente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário por meio do qual reiterou os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 1. Dos créditos relativos a operações cujas receitas são objeto de exclusão da base de cálculo das contribuições Quanto a este ponto, a DRJ entendeu que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 assegura a manutenção de créditos apenas nas hipóteses expressamente nele previstas — suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência — não havendo previsão legal que autorize a extensão automática desse tratamento às hipóteses de exclusão da base de cálculo. A Recorrente, por sua vez, sustenta que a Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit teria reconhecido o direito à manutenção dos créditos relativamente às operações cujas receitas são objeto de exclusão da base de cálculo, defendendo que tal exclusão deveria receber o mesmo tratamento jurídico conferido às hipóteses de suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A controvérsia foi recentemente enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça, que, no julgamento do EDcl no AgInt no REsp nº 2.151.967/SC, fixou importantes premissas jurídicas aplicáveis à matéria. Em síntese, firmou-se que, no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, a manutenção dos créditos exige a comprovação de que as aquisições que os geraram foram tributadas, já que o crédito decorre da incidência na etapa anterior da cadeia econômica. Por isso, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 assegura a manutenção dos créditos mesmo quando não há incidência na operação de saída, não sendo essa circunstância, por si só, suficiente para afastar crédito regularmente constituído. Fl. 8211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 6 Nesse cenário, entendeu-se que a exclusão das receitas de vendas de produtos aos associados da base de cálculo do PIS e da Cofins, por caracterizar hipótese de não incidência, estaria abrangida pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O referido acórdão restou assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PIS. COFINS. SOCIEDADE COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. ATO COOPERATIVO. CREDITAMENTO. MANUTENÇÃO. I - A controvérsia consiste em saber se as exclusões da base de cálculo aplicáveis às sociedades cooperativas agropecuárias pertencem ou não à classe "isenção, alíquota zero ou não incidência", com o intuito de definir a possibilidade de ressarcimento do saldo credor do PIS e da COFINS, nos termos do art. 16 da Lei n. 11.116/2005. II - A Segunda Turma, no julgamento do REsp n. 2.073.859, em 8/8/2024, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, estabeleceu como premissas: i) a exclusão das receitas das vendas de produtos aos associados da base de cálculo do PIS e da COFINS equivale à não incidência tributária; e ii) o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 garante a manutenção integral dos créditos mesmo nos casos de não incidência do PIS e da COFINS, desde que a respectiva aquisição de bens e serviços tenha sido tributada pelas contribuições, visto que a possibilidade de utilização de crédito na etapa subsequente pressupõe o pagamento do tributo na etapa anterior da cadeia econômica (Tema 1.093/STJ). III - A contribuinte possui o direito ao aproveitamento e à manutenção do crédito de PIS e COFINS, nos termos do art. 16 da Lei n. 11.116/2005 e do art. 17 da Lei n. 11.033/2004, em relação às exclusões da base de cálculo das contribuições, sob a condição de que os insumos correspondentes tenham sido tributados na etapa anterior. IV - Embargos de declaração acolhidos para julgar procedente o agravo interno e dar provimento ao recurso especial. (EDcl no AgInt no REsp n. 2.151.967/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 15/10/2025, DJEN de 20/10/2025.) Pelo exposto, sendo a exclusão das receitas decorrentes das vendas de produtos aos associados equiparada à não incidência, mostra-se aplicável o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, assegurando-se a manutenção dos créditos de PIS e Cofins, desde que comprovada a tributação dos insumos correspondentes. Desse modo, devem ser revertidas as glosas relativas aos créditos vinculados às aquisições de produtos regularmente tributados na etapa Fl. 8212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 7 anterior da cadeia econômica, cujas receitas de venda foram excluídas da base de cálculo das contribuições. 2. Do direito aos créditos nas aquisições de bens para revenda – aquisição bens submetidos à tributação monofásica Quanto a este ponto, sustenta a Recorrente que, desde o advento da Lei nº 11.033/2004, especialmente em razão do disposto em seu art. 17, teria sido autorizada a apuração de créditos de PIS e Cofins sobre mercadorias sujeitas ao regime de tributação monofásica, sob o argumento de que referido dispositivo teria revogado tacitamente o art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Não assiste razão à Recorrente. Em que pese se tratar de questão que foi durante muito tempo bastante controvertida, verifica-se que, no ano de 2022, sobreveio a tese firmada no âmbito dos REsps 1.894.741/RS e 1.895.255/RS, em sede de recursos repetitivos, no sentido de que “o art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003.” Ambos os acórdãos restaram assim ementados: “RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. RECURSO REPETITIVO. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA AS SITUAÇÕES DE MONOFASIA. RATIO DECIDENDI DO STF NO TEMA DE REPERCUSSÃO GERAL N. 844 E NA SÚMULA VINCULANTE N. 58/STF. VIGÊNCIA DOS ARTS. 3º, I, "B", DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003 (COM A REDAÇÃO DADA PELOS ARTS. 4º E 5º, DA LEI N. 11.787/2008) FRENTE AO ART. 17 DA LEI 11.033/2004 COMPROVADA PELOS CRITÉRIOS CRONOLÓGICO, DA ESPECIALIDADE E SISTEMÁTICO. ART. 20, DA LINDB. CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS INDESEJÁVEIS DA CONCESSÃO DO CREDITAMENTO. 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: Súmula Vinculante n. 58/STF: "Inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio da não cumulatividade"; Fl. 8213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 8 Repercussão Geral Tema n. 844: "O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero". 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns.10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Isto porque a vedação para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (creditamento), além de ser norma específica contida em outros dispositivos legais - arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 (critério da especialidade), foi republicada posteriormente com o advento dos arts. 4º e 5º, da Lei n. 11.787/2008 (critério cronológico) e foi referenciada pelo art. 24, §3º, da Lei n. 11.787/2008 (critério sistemático). 4. Nesse sentido, inúmeros precedentes da Segunda Turma deste Superior Tribunal de Justiça que reconhecem a plena vigência dos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, dada a impossibilidade cronológica de sua revogação pelo art. 17, da Lei n. 11.033/2004, a saber: AgInt no REsp. n. 1.772.957 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 07.05.2019; AgInt no REsp. n. 1.843.428 / RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 18.05.2020; AgInt no REsp. n. 1.830.121 / RN, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 06.05.2020; AgInt no AREsp. n. 1.522.744 / MT, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 24.04.2020; REsp. n. 1.806.338 / MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 01.10.2019; AgRg no REsp. n. 1.218.198 / RS, Rel. Des. conv. Diva Malerbi, julgado em 10.05.2016; AgRg no AREsp. n. 631.818 / CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.03.2015. 5. Também a douta Primeira Turma se manifestava no mesmo sentido, antes da mudança de orientação ali promovida pelo AgRg no REsp. n. 1.051.634 / CE, (Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Regina Helena Costa, julgado em 28.03.2017). Para exemplo, os antigos precedentes da Primeira Turma: REsp. n. 1.346.181 / PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16.06.2014; AgRg no REsp. n. 1.227.544 / PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 27.11.2012; AgRg no REsp. n. 1.292.146 / PE, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 03.05.2012. 6. O tema foi definitivamente pacificado com o julgamento dos EAREsp. n. 1.109.354 / SP e dos EREsp. n. 1.768.224 / RS (Primeira Seção, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgados em 14.04.2021) estabelecendo-se a negativa de constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (negativa de creditamento). 7. Consoante o art. 20, do Decreto-Lei n. 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB): "[...] não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão". É preciso compreender que o objetivo da tributação monofásica não é desonerar a cadeia, mas concentrar em apenas um elo da cadeia a tributação que seria recolhida de toda ela caso fosse não cumulativa, evitando os pagamentos Fl. 8214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 9 fracionados (dupla tributação e plurifasia). Tal se dá exclusivamente por motivos de política fiscal. 8. Em todos os casos analisados (cadeia de bebidas, setor farmacêutico, setor de autopeças), a autorização para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, além de comprometer a arrecadação da cadeia, colocaria a Administração Tributária e o fabricante trabalhando quase que exclusivamente para financiar o revendedor, contrariando o art. 37, caput, da CF/88 - princípio da eficiência da administração pública - e também o objetivo de neutralidade econômica que é o componente principal do princípio da não cumulatividade. Ou seja, é justamente o creditamento que violaria o princípio da não cumulatividade. 9. No contexto atual de pandemia causada pela COVID - 19, nunca é demais lembrar que as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS possuem destinação própria para o financiamento da Seguridade Social (arts. 195, I, "b" e 239, da CF/88), atendendo ao princípio da solidariedade, recursos estes que em um momento de crise estariam sendo suprimidos do Sistema Único de Saúde - SUS e do Programa Seguro Desemprego para serem direcionados a uma redistribuição de renda individualizada do fabricante para o revendedor, em detrimento de toda a coletividade. A função social da empresa também se realiza através do pagamento dos tributos devidos, mormente quando vinculados a uma destinação social. 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. 11. Recurso especial não provido.” Fl. 8215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 10 (REsp n. 1.894.741/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 27/4/2022, DJe de 5/5/2022.) Verifica-se, assim, que o STJ firmou entendimento no sentido de que o art. 17, da Lei nº 11.033/2004, ainda que posterior aos arts. 3º, §2º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e Cofins sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, vedados pelas referidas leis. Nos termos do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF) o referido julgado é de observância obrigatória e deverá ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto a este ponto, portanto, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. 3. Da apropriação de parcela do custo de aquisição de bens adquiridos para revenda (ICMS-ST) Quanto a este ponto, sustenta a Recorrente que faria jus ao creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins sobre a parcela do custo de aquisição correspondente ao ICMS recolhido sob o regime de substituição tributária (ICMS-ST), ao argumento de que tal montante integraria o custo efetivo de aquisição das mercadorias. Também quanto a este ponto não assiste razão à Recorrente. A respeito da incidência das contribuições ao PIS e à Cofins sobre o valor referente ao ICMS-ST, foi, recentemente, firmada a tese na ocasião do julgamento do REsp nº 1896678 / RS, na sistemática dos repetitivos, nos seguintes termos: O ICMS-ST não compõe a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS devidas pelo contribuinte substituído no regime de substituição tributária progressiva. Nesse contexto, não há dúvida de que, por força do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, justamente por não estar sujeito ao pagamento das referidas contribuições, não é possível a apuração do crédito sobre o ICMS-ST destacado na nota fiscal de aquisição de bens adquiridos para revenda. Esse entendimento, embora não vinculante, vem sendo adotado pelo STJ. A título exemplificativo, destaco a ementa a seguir: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMS SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DA SEGUNDA TURMA DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. Fl. 8216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 11 1. Trata-se de Agravo Interno contra decisão que não conheceu do Recurso Especial, ante o óbice da Súmula 83/STJ (fls. 451-457, e-STJ). 2. Consoante a orientação jurisprudencial da Segunda Turma do STJ, "o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e § 2º, da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003", de modo que "o valor do ICMS-ST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003" (AgInt no REsp 1.937.431/SC, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 12.11.2021). Nesse sentido: AgInt nos EDcl no REsp 1.881.576/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 18.3.2021; AgInt no REsp 1.515.092/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 6.4.2021; REsp 1.456.648/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.6.2016. 3. Ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser promovida na decisão agravada, proferida com fundamentos suficientes e em consonância com entendimento pacífico da Segunda Turma do STJ, não há prover o Agravo que contra ela se insurge. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.054.861/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. 4. Dos ajustes nas aquisições de bens utilizados como insumos Quanto a este ponto, sustenta a Recorrente que a fiscalização teria glosado indevidamente créditos relativos a bens utilizados como insumos adquiridos com suspensão do pagamento, alíquota zero ou sem incidência das contribuições. Sustenta, ainda, que a fundamentação fiscal estaria baseada em interpretação restritiva do conceito de insumo, com fundamento nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, as quais teriam sido superadas pelo entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, que adotou os critérios da essencialidade e relevância. Não assiste razão à Recorrente. Neste ponto, corretamente entendeu a DRJ ao consignar que as glosas realizadas não decorreram de interpretação restritiva do conceito de insumo, mas sim da aplicação direta de hipóteses legais de vedação ao creditamento e de impropriedades específicas na apuração dos créditos. Fl. 8217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 12 De fato, conforme bem destacado pela decisão recorrida, ainda que o conceito de insumo tenha sido ampliado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR — posteriormente internalizado pela Administração Tributária por meio da Nota SEI nº 63/2018 da PGFN e do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018 — tal entendimento restringe-se à interpretação do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não afastando as vedações expressas previstas no § 2º do referido dispositivo legal. Com efeito, o art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 é expresso ao dispor que não gera direito a crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nos casos de isenção, quando utilizados como insumo em operações igualmente desoneradas. Pelo exposto, deve ser mantida a glosa também quanto a este ponto. 5. Das Despesas com Frete, Armazenagem, Pedágio e Seguro A controvérsia neste ponto diz respeito ao direito ao creditamento de PIS e Cofins sobre despesas relacionadas a frete, armazenagem, pedágio e seguro, especialmente em operações de transferência entre estabelecimentos da própria Recorrente. Quanto aos gastos com frete e seguro na aquisição de insumos, entendo que assiste razão à Recorrente. Nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, é admitido o creditamento das contribuições relativamente a bens e serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda. O conceito de insumo deve ser interpretado conforme os critérios de essencialidade e relevância, nos termos do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, sob o rito dos recursos repetitivos. Sobre a questão, a Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022 estabelece expressamente: Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). (...) Fl. 8218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 13 § 1º Consideram-se insumos, inclusive: (...) XXIII - frete e seguro no território nacional quando da aquisição de bens para serem utilizados como insumos na produção de bem destinado à venda ou a prestação de serviço a terceiros; e Assim, por se enquadrarem expressamente no conceito de insumo, devem ser revertidas as glosas relativas ao frete e seguro vinculados à transferência de matérias-primas e insumos. Por outro lado, no que se refere às despesas com frete de produtos acabados, aplica-se a Súmula CARF nº 217, redigida nos seguintes termos: Súmula CARF nº 217 Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. O referido entendimento é vinculante aos Conselheiros deste CARF, de modo que deve ser mantida a referida glosa. No que se refere ao vale-pedágio, também não há que se falar em direito a crédito. Nos termos do art. 2º da Lei nº 10.209/01, o valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Diante da referida exclusão, não há dúvida a respeito da aplicação do disposto no art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.637/2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(...)I - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Nesse sentido, destaco o entendimento adotado, por unanimidade de votos, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, no Acórdão nº 3402-009.384, de relatoria do Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares: Fl. 8219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS SOBRE VALE-PEDÁGIO. Não havendo incidência das contribuições sociais não- cumulativas sobre o valor do vale-pedágio, conforme determina o art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001, não há autorização para a tomada de crédito sobre os dispêndios relacionados, a teor do inc. II do § 2° do art. 3° das leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003. (3402-009.384 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Conselheiro Relator Lázaro Antônio Souza Soares - Sessão de 27 de outubro de 2021) Dessa forma, entendo que devem ser mantidas as glosas quanto a este ponto. Por fim, no que se refere às despesas com armazenagem, expedição e controle de estoques, a fiscalização consignou que houve glosa de valores classificados como “Outros Serviços” nas Notas Fiscais de armazenagem, tais como serviços administrativos e controle de unidade, seguros, outras despesas, envio de amostras, marcação de sacaria, entre outros. Destacou, ainda, que parte das glosas decorreu de inconsistências documentais, tais como ausência de apresentação de documentos fiscais, impossibilidade de verificação das operações por outros meios, duplicidade de registros de notas fiscais e apropriação simultânea dos mesmos valores tanto como despesas de armazenagem quanto como serviços classificados como insumos. A DRJ, por sua vez, manteve a glosa ao fundamento de que, à luz da legislação aplicável e do entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça, o creditamento de despesas de armazenagem e frete somente seria admitido nas hipóteses expressamente previstas no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, ou seja, quando relacionados à armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. A contribuinte, por sua vez, sustenta que as despesas com armazenagem, expedição de produtos e controle de estoques se enquadrariam no conceito de insumos, por serem necessárias e indispensáveis ao funcionamento da cadeia produtiva, razão pela qual seriam passíveis de gerar créditos no regime não cumulativo das contribuições. Todavia, não assiste razão à Recorrente. Conforme entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios Fl. 8220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 15 da essencialidade ou relevância, exigindo demonstração concreta de que o gasto é indispensável ou relevante para o processo produtivo ou para a prestação do serviço. No caso concreto, a Recorrente limita-se a reproduzir precedente judicial de forma genérica, sem demonstrar, de maneira individualizada, a essencialidade ou relevância das despesas glosadas para o seu processo produtivo específico. Dessa forma, ausente a comprovação da natureza de insumo das despesas discutidas, bem como diante das inconsistências documentais apontadas pela fiscalização, correta se mostra a manutenção da glosa efetuada. Assim, deve ser mantida a decisão recorrida quanto a este ponto. 6. Ajustes de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado Quanto a este ponto, a controvérsia refere-se ao direito ao creditamento de PIS/Pasep e Cofins sobre encargos de depreciação e sobre o valor de aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A fiscalização apurou a apropriação de créditos relativos a bens do ativo imobilizado que, em seu entendimento, não estariam vinculados à produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços. Por sua vez, a Recorrente sustenta, de forma genérica em seu Recurso Voluntário, que os bens adquiridos guardariam relação com sua atividade produtiva, invocando, para tanto, os critérios de essencialidade e relevância previstos no REsp nº 1.221.170/PR e reproduzidos no Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018. No que tange ao fundamento jurídico apresentado pela Recorrente, como bem destacou a DRJ, a hipótese em análise não se enquadra no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 (insumos), mas sim no inciso VI do mesmo dispositivo legal, que trata especificamente de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, nos seguintes termos: Art. 3º (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Fl. 8221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 16 Assim, o creditamento relativo a bens do ativo imobilizado somente é admitido quando demonstrado que tais bens são efetivamente utilizados no processo produtivo. Foi justamente essa a irregularidade identificada pela fiscalização. No presente caso, a Autoridade Fiscal procedeu à glosa de créditos relativos aos seguintes bens do ativo imobilizado: sistema de alarme; câmera de vídeo; furadeira industrial com martelete; GPS Garmin; caldeirão de alta pressão (capacidade 200L – reforma); furadeira; máquina de solda; alinhador de eixo; esmerilhadeira; forno industrial para aquecimento de rolamentos e engrenagens; serra circular; secador de grãos de alta performance com precisão; lavadora Stihl; bomba manual para graxa (7 kg); roçadeira Stihl FS 85; carreta tanque com bomba (4.300 litros); soprador Stihl BG 86; torno universal paralelo; paleteira manual (capacidade 3 toneladas); roçadeira costal Stihl; roçadeira central lateral hidráulica; cortina de ar (1,50 m); painel em lona com estrutura metálica; propulsora pneumática para graxa; máquina de solda inversora; furadeira/parafusadeira industrial; alicate amperímetro digital; esmerilhadeira Bosch 18A1; pá carregadeira frontal para trator; rosqueadora automática monoposto com posicionador de tampas; farinógrafo; esmerilhadeira Makita 9558HPG; semeadora Prec Top Line; guincho traseiro para trator; pulverizador motorizado; esmerilhadeira Makita 220V; semeadora adubadora SHM; conjunto motobomba; refratômetro; máquina de solda inversora ARC 200; máquina de solda retificador inversor; máquina de solda inversora ESAB Bantam; transportador mecânico de correia (8 metros); pulverizador eletrônico; pulverizador manual costal; pá agrícola modulada; motor 50 CV (4 polos); sistema de termometria (Projeto 59/2017); serra fita motor 1,5 CV; carrinho de mão (150 litros). Como já consignado, a Recorrente menciona, a título meramente exemplificativo, bens como alicates, calibradores, sopradores, esmerilhadeiras, furadeiras, entre outros. Embora em seu Recurso Voluntário não tenha apresentado comprovação específica e individualizada da utilização direta desses bens no processo produtivo — limitando-se a alegações genéricas de vinculação à atividade produtiva –, verifica-se que o presente feito está sendo analisado em conjunto com os processos nº 10950.727316/2018-02, 10950.727429/2018-08 e 10950.727431/2018-79, nos quais foi apresentado laudo técnico detalhado. Fl. 8222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 17 Nesse contexto, considerando que o processo produtivo da Recorrente permanece idêntico, entendo ser possível a utilização do referido laudo como elemento probatório também neste processo, para fins de verificação da efetiva vinculação dos bens à atividade produtiva. Naquela oportunidade, após a análise realizada, concluiu-se pela reversão das glosas referentes aos bens adubadeira, agitador magnético, alinhador de eixo, aparelho de GPS, balanças, betoneira, bicicleta cargueira, bombas diversas, caixas d’água, calibrador de pressão, carretas diversas, carrinhos diversos, compressores de ar, conjuntos de irrigação, dosímetro de ruído, empilhadeira, enceradeira, escadas, esmerilhadeiras, exaustores eólicos, forno elétrico industrial, furadeiras, lavadoras de alta pressão, medidores de distância, de energia e de nível, motobombas diversas, motoserra, parafusadeiras, pistolas para pintura e pulverização, politriz, prensas hidráulicas, pulverizadores, roçadeiras, máquinas de cortar grama, semeadeiras, sistema de alarme, sopradores, talhas, tanques para diesel, termômetro, testador digital de cabos, transformadores, tratores agrícolas, ventiladores, entre outros. Por outro lado, permaneceram mantidas as glosas relativas aos bens identificados como alicate amperímetro, analisador de rede, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos e endoscópio. Diante do exposto, entendo que, em razão da similaridade das glosas realizadas com aquelas analisadas nos processos mencionados, devem ser revertidas as glosas relativas aos créditos sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, excetuando-se apenas aqueles referentes aos itens amperímetro, analisador de rede, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos e endoscópio. 7. Custos agregados aos produtos dos associados Quanto a este item, a controvérsia refere-se ao alegado direito de ajuste da base de cálculo das contribuições mediante dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, com fundamento no inciso V do § 8º do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 635/2006. A DRJ, neste ponto, entendeu que a fiscalização analisou corretamente a matéria à luz do art. 17 da Lei nº 10.684/2003 e da regulamentação constante da Instrução Normativa SRF nº 635/2006, tendo reconhecido os custos agregados devidamente comprovados, bem como glosado apenas aqueles que não encontravam respaldo na documentação apresentada ou na metodologia legal de apuração. Fl. 8223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 18 Destacou, ainda, que a fiscalização realizou análise comparativa entre os valores de custos agregados informados pelo contribuinte e aqueles efetivamente apurados com base na documentação constante dos autos, demonstrando, inclusive, por meio de tabelas, as divergências identificadas. Ressaltou, ademais, que a exclusão prevista no art. 17 da Lei nº 10.684/2003 não possui natureza de isenção tributária típica, mas constitui técnica de apuração da base de cálculo das contribuições, razão pela qual deve observar estritamente os limites e condições previstos na legislação. A Recorrente, por sua vez, limita-se a invocar genericamente o disposto no art. 11, inciso V e § 8º da IN SRF nº 635/2006, sustentando que os custos glosados estariam relacionados às atividades desenvolvidas com os produtos entregues pelos cooperados. Todavia, não demonstra de forma específica (i) quais valores teriam sido apurados de forma equivocada pela fiscalização; (ii) qual seria o erro metodológico na apuração realizada; (iii) ou de que forma os custos glosados estariam efetivamente vinculados aos produtos dos cooperados. Também não há impugnação técnica ou documental dos valores constantes das tabelas elaboradas pela fiscalização, tampouco demonstração concreta de inconsistência nos critérios adotados. Assim, as alegações recursais permanecem em nível genérico, desacompanhadas de comprovação capaz de afastar as conclusões do procedimento fiscal e do julgamento de primeira instância. Dessa forma, correta a decisão da DRJ ao manter a glosa relativa aos ajustes de custos agregados aos produtos dos associados, não havendo fundamento para sua reforma. 8. Do crédito presumido Quanto ao direito ao crédito presumido, entendeu a fiscalização que o contribuinte não teria comprovado a destinação dos produtos à exportação. A Recorrente, por sua vez, entendeu que a simples indicação de CFOPs supostamente vinculados a operações destinadas ao exterior seria suficiente para tanto. No entanto, como bem decidiu a DRJ, a mera indicação de CFOP não se presta a comprovar a efetiva exportação das mercadorias, sendo imprescindível a apresentação de documentos hábeis — tais como memorandos de exportação, registros de despacho aduaneiro e Fl. 8224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 19 documentos de embarque — aptos a demonstrar a saída física dos bens do território nacional. Conforme consignado nos autos, a fiscalização intimou expressamente a contribuinte para apresentação dos documentos comprobatórios das exportações, os quais não foram apresentados. Ademais, mesmo após a indicação por parte da DRJ de qual seria a documentação hábil e idônea apta a demonstrar a efetiva realização das exportações, a Recorrente, em sede recursal, limitou-se a reiterar alegações genéricas acerca da destinação dos produtos ao exterior, sem, contudo, apresentar qualquer novo documento que pudesse ao menos demonstrar a verossimilhança do seu direito. Assim, ausente comprovação documental da efetiva destinação das mercadorias à exportação, correta a glosa efetuada pela fiscalização e mantida pela DRJ, devendo ser mantida a decisão recorrida quanto a este ponto. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas aos créditos (i) tomados sobre fretes e seguros vinculados à transferência de matéria-prima e insumos, e sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, à exceção dos encargos referentes aos itens amperímetro, analisador de rede, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos e endoscópio; e (ii) vinculados às aquisições regularmente tributadas na etapa anterior da cadeia econômica, cujas receitas de venda foram excluídas da base de cálculo das contribuições. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas aos créditos tomados sobre fretes e seguros vinculados à transferência de matéria-prima e insumos, e sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, à exceção dos encargos referentes aos itens amperímetro, analisador de rede, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos e endoscópio; e as glosas relativas aos créditos vinculados às aquisições regularmente tributadas na etapa anterior da cadeia econômica, cujas receitas de venda foram excluídas da base de cálculo das contribuições. Fl. 8225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.607 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.725905/2019-29 20 Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Fl. 8226DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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