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Numero do processo: 14041.000147/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos rejeitados.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 47 /2 00 9- 74 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000147/200974 Acórdão n.º 2402004.398 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720244/2007-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
MULTA QUALIFICADA - REQUISITO. OBRIGATORIEDADE.
Para a qualificação da multa de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), é obrigatória a demonstração de comprovação do dolo, não bastando à alegação de reiteração de conduta.
RECURSO ESPECIAL - REQUISITOS.
O recurso especial se destina a uniformizar divergência de interpretações da legislação tributária, não se legitimando diante de pretensão de simples reexame de provas. Aplicação da Súmula nº 7, do STJ.
Numero da decisão: 9101-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. 2) Recurso do Contribuinte: Por unanimidade de votos, recurso não conhecido.
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araujo, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 MULTA QUALIFICADA - REQUISITO. OBRIGATORIEDADE. Para a qualificação da multa de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), é obrigatória a demonstração de comprovação do dolo, não bastando à alegação de reiteração de conduta. RECURSO ESPECIAL - REQUISITOS. O recurso especial se destina a uniformizar divergência de interpretações da legislação tributária, não se legitimando diante de pretensão de simples reexame de provas. Aplicação da Súmula nº 7, do STJ.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 MULTA QUALIFICADA REQUISITO. OBRIGATORIEDADE. Para a qualificação da multa de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), é obrigatória a demonstração de comprovação do dolo, não bastando à alegação de reiteração de conduta. RECURSO ESPECIAL REQUISITOS. O recurso especial se destina a uniformizar divergência de interpretações da legislação tributária, não se legitimando diante de pretensão de simples reexame de provas. Aplicação da Súmula nº 7, do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. 2) Recurso do Contribuinte: Por unanimidade de votos, recurso não conhecido. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 02 44 /2 00 7- 24 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araujo, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Em sessão plenária de 04 de agosto de 2010 a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, apreciando recurso voluntário do contribuinte Comercial e da Terra Ltda., por meio do Acórdão nº 130100362, deulhe provimento parcial apenas para reduzir a multa ao percentual de 75%. A Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência alegando divergência jurisprudencial com relação à redução do percentual da multa qualificada lançada de oficio. Argumenta, em síntese, que a conduta reiterada do contribuinte de omitir receitas evidenciaria o intuito de fraude requerido para a qualificação da penalidade prevista pelo art. 44, inc. II da Lei 9.430/96. Para tanto, indica os acórdãos nºs 10708452 e 10708942, prolatados pela 7ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, como paradigmas hábeis para caracterizar a divergência jurisprudencial. O recurso da Fazenda Nacional teve seguimento, conforme Despacho 62/2011, de 21/03/2011. Ao tomar ciência do Ac. nº 130100362 o contribuinte ingressou com Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Em seguida, ingressou com Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial da decisão recorrida, na qual prevaleceu a forma sobre a verdade material, contrariando outros julgados que cuidaram da matéria. Para comprovar o dissídio jurisprudencial, cita jurisprudência da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara deste CARF, que entende divergente do presente caso, representada pelo acórdão paradigma nº 140200.421, de 28/01/2011, contido no processo nº 10909.003797/200710 e da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, representada pelo acórdão paradigma nº 10808416, de 10/08/2005, contido no processo nº 10070.002184/9552. O Presidente da Terceira Câmara deu seguimento ao recurso, acatando proposta que assim concluiu: Verificase que tanto os acórdãos paradigmas apresentados quanto o acórdão recorrido trataram de matérias em que se discutiu aspectos formais no cumprimento de obrigações acessórias por parte do sujeito passivo, com conclusões distintas. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que deve Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 4 3 prevalecer apenas um formalismo moderado, com o predomínio da verdade material. O acórdão recorrido, por seu turno, considerou que descumpridos os aspectos formais exigidos pela legislação tributária (correta escrituração do livro Caixa) a exigência fiscal deve ser mantida, independente de ter sido comprovado ou não o recebimento das vendas no mesmo período de emissão das notas fiscais. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ambas as partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso da Fazenda Nacional. Conheço do recurso, que se encontra em conformidade com a lei e o Regimento. A Fazenda Nacional contesta a parte da decisão quanto à desqualificação da multa, assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. Havendo dúvidas acerca da intenção dolosa do contribuinte de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário, deve a multa aplicada ser reduzida ao patamar de 75%. Alega a Recorrente divergência em relação à interpretação dada a mesma matéria pelas Sétima e Oitava Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos das ementas a seguir: Acórdão nº 10708452 MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — A conduta reiterada do contribuinte, consistente em omitir ou inserir elementos inexatos nas informações prestadas ao fisco federal, ao passo que ao Fisco Estadual infirmava os valores corretos, justifica a penalidade qualificada. Acórdão nº 10707.08942 IRPJ ANOSCALENDÁRIO DE 2000 E 2001 MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE INFORMAÇÕES EM DCTF'S Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 5 4 E DIPJ'S MANUTENÇÃO A atitude do contribuinte, de escriturar as receitas auferidas em seus livros e de informálas integralmente ao fisco estadual, ao passo que ao fisco federal todas as informações de receitas prestadas em DCTFs e em DIPJs foram "zeradas", evidencia atitude dolosa a justificar a manutenção da multa qualificada, não sendo cabível, aliás, a alegação de que esta teria caráter confiscatório. Para dar seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional o Presidente da 3ª Câmara acolheu proposta que confrontou o acórdão recorrido com o primeiro paradigma (Ac. 10708542) e assim concluiu: “Pela análise do acórdão paradigma, verificase se que a matéria fática decidida é a mesma da tratada no acórdão recorrido. Em ambos, a omissão de receitas foi apurada pelas autoridades lançadoras com base na constatação de diferenças entre os valores das receitas informadas ao fisco estadual e os valores informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também em ambos os casos as autoridades lançadoras entenderam que a conduta reiterada dos fiscalizados eram elementos suficientes para caracterizar a conduta dolosa requerida pela lei para a aplicação da multa qualificada. No entanto, enquanto o acórdão paradigma acolhe o entendimento da fiscalização de que a conduta reiterada do contribuinte de omitir receitas é suficiente para a aplicação da penalidade agravada, no acórdão recorrido verificase exatamente o oposto, entendendo como inexistente a conduta dolosa da contribuinte que pudesse ensejar a qualificação da multa de oficio. Semelhante situação também se observa do teor do segundo acórdão indicado como paradigma pela recorrente.” Não obstante os casos tratados no acórdão recorrido e nos paradigmas indicados tratem de omissão de receitas detectada a partir de diferenças entre os valores declarados à SRFB e os declarados ao Fisco Estadual, é importante destacar que a qualificação da multa só se legitima ante a caracterização do elemento subjetivo (dolo). Assim, diante das situações fáticas análogas (constatação de que as receitas são reiteradamente declaradas ao Fisco Federal em valores interiores aos declarados ao Fisco Estadual), o dolo pode restar ou não caracterizado, a depender de outros elementos que emerjam dos autos. Dessa forma, as especificidades do caso podem justificar decisões diferentes, uma vez que a interpretação se dá ante a lei e os fatos. O acórdão recorrido assim fundamentou a desqualificação da multa: “Reportandose ao quadro demonstrativo de fl. 80, os Auditores Fiscais autuantes justificaram (fl. 79) a aplicação da multa qualificada em face da "prática reiterada de omissão de receita (quase todos os meses de 2004, como mostra a coluna 12), envolvendo valores substancialmente superiores (vide coluna 11) Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 6 5 àqueles que compuseram declaração falsa à RFB (vide coluna 7)", conduta mediante a qual "o contribuinte obteve a redução de tributo". Em primeira instância, a multa qualificada foi confirmada pela Turma Julgadora, escudada nas disposições do art. 71 acima transcrito. Considero que, sobre este ponto, merece ser reformada a decisão recorrida. De se observar que a infração de omissão de receitas, apesar de ter sido apurada por via direta e não por presunção, ficou circunscrita nos autos a um anocalendário e, mesmo assim, não em todos os meses e não de maneira uniforme. Além disto, a recorrente apresentou em sua defesa alegações que bem podem ser tidas como erro na interpretação da legislação aplicável e dos requisitos acerca da adoção do regime de caixa ou de competência. Se tais alegações se demonstraram insuficientes para afastar a incidência tributária, são suficientes para lançar dúvidas acerca da presença do dolo, da intenção de ocultar da autoridade fazendária o fato gerador tributário. E, nessa situação, entendo que deva ser afastada a qualificação da multa, reduzindoa ao patamar de 75%.” Como se vê, a decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara está plenamente justificada pela especificidade do caso, que não permitiu formar uma convicção segura sobre a ocorrência do elemento subjetivo (dolo), necessário à qualificação da multa. E essa decisão enconrase em conformidade com o previsto no art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por pertinentes, transcrevo considerações da ilustre tributarista e membro desta Casa, Karen Jureidini Dias, no voto condutor do Acórdão 9101001537: “(...) Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entendimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade administrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 7 6 (...) Assim sendo, a mera reiteração de condutas equivocadas não pode ensejar a aplicação da multa qualificada. Para tanto, se faz necessária a apresentação de um robusto conjunto probatório, capaz de deixar evidente a conduta fraudulenta. No caso em tela, a Fazenda não conseguiu demonstrar o dolo objetivamente na prática do contribuinte, sendo mister aplicar a norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que dispõe que “ A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Nesse ponto, há que se considerar a possibilidade de ter ocorrido mero erro por parte do contribuinte, (...) Nestes termos, se por um lado seria cabível a multa qualificada pela utilização de prova da reiterada omissão de receitas, entendo que no presente caso, considerando o conjunto fático, é descabida a sua imposição uma vez que o Fisco não logrou êxito em demonstrar o dolo da conduta do contribuinte e os fatos apontam para a possibilidade de ocorrência de mero erro de escrituração contábil.” Lembro, por oportuno, que a CSRF tem se manifestado no sentido de que a reiteração de conduta não é suficiente para qualificação da multa, sendo imprescindível a comprovação do dolo. Confirase: Ac. 9202002.955, de 06 de novembro de 2013 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. A qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, não prospera a aplicação da multa qualificada com base em simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, quando da inocorrência de conduta (comissiva) do sujeito passivo no sentido de impedir a ciência, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Ac. 9202002.576, de 06 de março de 2013 MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. OBRIGATORIEDADE. Para a qualificação da multa de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), é obrigatória a demonstração de comprovação do dolo, não bastando a alegação de reiteração de conduta. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 8 7 Ac. 9202002956, de 06 de novembro de 2013 FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. A qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, não prospera a aplicação da multa qualificada com base em simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Ac. 92020001.662 MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996 só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996. 9101001.615, de 16 de abril de 2013 MULTA QUALIFICADA REQUISITO DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. Isto posto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Recurso do Sujeito Passivo: Para que se decida sobre a possibilidade de conhecimento do Recurso Especial, é necessário bem conhecer a acusação fiscal e a interpretação dada pelo acórdão recorrido que têm relação com a matéria que é seu objeto. Sem isso não é possível analisar se os acórdão indicados como paradigma veiculam interpretação distinta. O auto de infração decorreu da demonstração, pela auditoria fiscal, de que o sujeito passivo omitiu receitas em suas declarações à SRFB. A investigação fiscal partiu da constatação de divergências entre os valores informados pela contribuinte à SEF/MG e aqueles Fl. 658DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 9 8 informados à RFB, o que motivou a intimação para a empresa apresentar livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal. Na análise, o auditor fiscal detectou diferenças entre informações prestadas pelo Livro de Registro de Saídas, pelo Livro de Apuração do ICMS, pelo LivroCaixa e pelos Blocos de Notas Fiscais fornecidos pelo contribuinte. Contestando o lançamento, o contribuinte alegou que deveriam ser excluídas as receitas não recebidas, haja vista que a empresa apurava o SIMPLES de acordo com o regime de caixa e não pelo regime de competência. Ponderou que: (i) a utilização das informações prestadas à SEF/MG acarreta erro, pois o ICMS é apurado segundo o regime de competência, enquanto o SIMPLES é apurado de acordo com o regime de caixa. (ii) equívocos eventualmente cometidos na escrituração de seu livro Caixa, lançando automaticamente valores relativos a vendas concretizadas, mas a receber, também não podem ensejar as exigências ora atacadas, ante a evidência do não recebimento de valores. Relacionou várias notas fiscais cujos valores não foram recebidos, e que devem ser excluídos em face do regime de caixa. Juntou documentos particulares (novação de dívida e aditivo) firmados com uma de suas maiores clientes, para demonstrar o não recebimento das receitas em 2004, bem como declaração da credora de que não pagou as notas fiscais em 2004, bem como declarações de outros clientes no mesmo sentido. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora entendeu que o regime adotado foi o de competência, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 REGIME DE CAIXA 0 regime de caixa só pode ser adotado pelos contribuintes que observarem os pressupostos previstos na Instrução Normativa SRF n° 104/98. Não sendo observados tais requisitos, o regime de apropriação de receitas é o de competência. No recurso voluntário, conforme consta do relatório que integra o acórdão recorrido, o contribuinte busca salientar dois aspectos de defesa: • 0 primeiro, de ordem procedimental, prática: a recorrente reconhece que escriturou seu livro Caixa "com critério idêntico ao adotado para o livro Registro de Saídas, exigido pela legislação do ICMS". Entretanto, isto não impediria a manutenção do sistema de pagamento do SIMPLES com base nos valores efetivamente recebidos. • 0 segundo, de ordem jurídica, é de que as instruções normativas e outros atos não poderiam se sobrepor a um mandamento com matriz constitucional, a saber, o Fl. 659DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 10 9 tratamento jurídico diferenciado para as microempresas e empresas de pequeno porte (art. 179 da CF/88). A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª SEJUL confirmou o decidido pela DRJ, em Acórdão assim ementado: Ementa: SIMPLES. REGIME DE CAIXA. REQUISITOS DE ESCRITURAÇÃO. Os contribuintes optantes pelo SIMPLES que desejarem adotar o reconhecimento de suas receitas pelo regime de caixa devem seguir a forma de escrituração prevista na IN SRF n° 104/1998. Em não o fazendo, sua receita bruta deve ser determinada pelo regime de competência. No recurso especial a Recorrente destaca que a decisão recorrida sob ataque assim resume a decisão para a manutenção da acusação: "Diante disto, tenho por correta a apuração da receita bruta feita pelo Fisco, com base no regime (de competência) é o adotada como regra contábil básica, dele somente podendo se afastar os contribuintes nas situações expressamente autorizadas e desde que cumpridos os requisitos para tanto, o que não é o caso. Em sua escrituração (vide cópias do Livro Caixa As fls. 102/125) a interessada registra tão somente vendas à vista, o que milita contra suas alegações de que teria adotado o regime de caixa. De igual forma, inexiste qualquer registro do reconhecimento de receita por recebimento de valores no ano calendário 2004 por vendas efetuadas em períodos anteriores". Pondera a Recorrente que no recurso voluntário cuidou de indicar os clientes inadimplentes (Alcana Destilaria de Álcool de Nanuque S/A., que respondia por R$ 93.516,48; juntou declaração firmada pela empresa A.N.R. Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda., com crédito na importância de R$ 82.353,93; e a MEDASA Medeiros Neto Destilaria de Álcool S/A. que, conforme declaração anexada, devedora do valor de R$ 148.072,00), e que na decisão da Egrégia 1ª Turma da 3ª Câmara prevaleceu a verdade formal sobre a verdade material, contrariando outros julgados que cuidaram da matéria, citando o Acórdão nº 1402 00.421 e o Acórdão .nº 10808.416, cujas ementas transcrevo: Acórdão 140200421 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 BUSCA DA VERDADE MATERIAL. No processo administrativo fiscal tributário predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros procedimentos dos contribuintes, bem como vícios formais da Administração Tributária, desde que não impliquem em prejuízo ao contribuinte e, por consequência, ao PAF. Recurso de Ofício Provido. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 11 10 Acórdão n°. : 10808.416 PAF REGRAS DE INTERPRETAÇÃO – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VERDADE MATERIAL/FORMALISMO MODERADO — COMPROVAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — GRADAÇÃO DA PENALIDADE — O conceito de despesa no regulamento do imposto de renda, (RIR11999, artigo 299 e Lei 4506/64, artigo 47), obriga a comprovação da necessidade, efetividade e materialidade na realização do dispêndio, (Lei Material). O fisco exige para comprovação do dispêndio a nota fiscal, com base no artigo 300 e 330 do Regulamento do IPI (Decreto 2637 de 25/06/98, Lei Formal). Cabe a autoridade administrativa, no processo exegético de solução de conflitos entre as normas, se guiar pelos princípios elementares que regem o processo administrativo, respeitados os direitos e garantias individuais emanados da CF: art.5°, XXXIV "a", LIV e LV . Entendo não configurada a divergência de interpretações. Em momento algum o acórdão recorrido abraçou interpretação no sentido de privilegiar a verdade formal em detrimento da material. A questão controvertida diz respeito ao regime adotado pela Recorrente (caixa ou competência). Na apreciação dessa questão, o Relator não se limitou ao aspecto formal. Além das considerações quanto ao descumprimento dos requisitos formais previstos na Instrução Normativa nº 104/1998, registra o voto condutor: “Em sua escrituração (vide cópias do Livro Caixa As fls. 102/125) a interessada registra tão somente vendas à vista, o que milita contra suas alegações de que teria adotado o regime de caixa. De igual forma, inexiste qualquer registro do reconhecimento de receita por recebimento de valores no ano calendário 2004 por vendas efetuadas em períodos anteriores.” (negritos acrescentados). Assim, para decidir se o acórdão recorrido prevaleceu a forma sobre a verdade material a CSRF teria, necessariamente, de reexaminar as provas. O recurso especial no processo administrativo fiscal, que se legitima ante interpretações divergentes da lei tributária dada por diferentes colegiados do CARF, é análogo ao recurso especial de competência do Superior Tribunal de Justiça previsto no art. 105, III, “c”, da Constituição Federal, para os casos em que a decisão recorrida “der à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal”. E a Súmula nº 7, do STJ, enuncia: “Súmula STJ nº7 A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. Isto posto, não conheço do recurso do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2014. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10630.720244/200724 Acórdão n.º 9101001.962 CSRFT1 Fl. 12 11 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 662DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018337/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL.
A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos créditos tributários, no qual se incluem multa e juros, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, subsidiariamente com o alienante que prosseguir na exploração da atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS (REPLEG). PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO INFORMATIVO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NÃO ENCONTRADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 88.
O relatório de representantes legais (REPLEG) não implica na atribuição de responsabilidade tributária aos sócios, haja vista que tal procedimento administrativo é meramente informativo.
ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de ilegalidade/inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991, trazendo nova sistemática de cálculo, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta, de modo a verificar qual a multa mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que nega provimento.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos créditos tributários, no qual se incluem multa e juros, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, subsidiariamente com o alienante que prosseguir na exploração da atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS (REPLEG). PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO INFORMATIVO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NÃO ENCONTRADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 88. O relatório de representantes legais (REPLEG) não implica na atribuição de responsabilidade tributária aos sócios, haja vista que tal procedimento administrativo é meramente informativo. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de ilegalidade/inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 37 /2 00 8- 35 Fl. 978DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991, trazendo nova sistemática de cálculo, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta, de modo a verificar qual a multa mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que nega provimento. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.018337/200835 Acórdão n.º 2402004.304 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 05/11/2008 para exigir multa em virtude da falta de entrega das GFIP’s de 05/2004, 01/2005 a 07/2005, 12/2005 a 12/2006 e 02/2007. Foram responsabilizadas, conforme Termos de sujeição passiva” (fls. 89/153 do processo nº 15504.018344/200837) as seguintes empresas: Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda. (CNPJ nº 05.385.879/000150), Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda. (CNPJ nº 05.401.768/000190), Pampulha Ensino Fundamental Ltda. (CNPJ nº 06.001.557/000123), Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda. (CNPJ nº 05.401.766/000100), Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda. (CNPJ: 05.392.395/000139), Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda. (CNPJ nº 06.001.546/000143), Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda. (CNPJ nº 04.901.337/000120), Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda. (CNPJ nº 02.636.995/000107), Promove Serviços Educacionais Ltda. (CNPJ nº 05.376.559/000134), Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda. (CNPJ nº 42.975.896/000174), Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda. (CNPJ nº 05.399.437/000163), Sociedade Educacional Sistema Ltda. (CNPJ nº 23.840.945/000117) e Associação Educativa do Brasil SOEBRAS (CNPJ nº 22.669.915/000127). As Recorrentes interpuseram impugnação (fls. 46/615) requerendo a total improcedência do lançamento. A empresa Associação Educativa do Brasil SOEBRAS interpôs impugnação (fls. 619/764). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, ao analisar o presente caso (fls. 773/797), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) constitui infração à legislação previdenciária deixar de entregar a GFIP; (ii) é devida a inclusão de empresas que compõem o mesmo grupo econômico no polo passivo do lançamento, por solidariedade; (iii) a alegação de que a multa é confiscatória não pode ser discutida na esfera administrativa, haja vista que se trata de exigência legal; (iv) é obrigação do Auditor Fiscal lavrar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que constatada hipótese de crime contra a seguridade social; (v) a prova documental deve ser produzida no momento da impugnação; (vi) a pessoa jurídica que adquiri outra e continua a explorar sua atividade responde pelos tributos devidos até a data do ato; (vii) não há nulidade no MPF; (viii) a multa será relevada em relação a cada ocorrência em que tenha havido a correção da falta, se o infrator for primário e não tiver ocorrida nenhuma circunstância agravante; (ix) a comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. As Recorrentes interpuseram recurso voluntário (fls. 849/955) argumentando que: (i) o uso da marca pela SOEBRAS não pode culminar na sua responsabilidade solidária pelos débitos da PROMOVE; (ii) deverão ser excluídos do polo passivo todos os sócios do Fl. 980DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 sujeito passivo e das empresas tidas como responsáveis solidárias; (iii) a multa é confiscatória; (iv) a SOEBRAS é imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.018337/200835 Acórdão n.º 2402004.304 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que as empresas Promove Participações Ltda., Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda. – EPP, Sistema Educacional Sistema Ltda., e Promove Serviços Educacionais Ltda., (fls. 958/962) foram intimadas por meio de edital após a interposição do recurso. Considerando que tais empresas interpuseram, juntamente com as demais responsáveis, o recurso dentro do prazo previsto, considerando a data de intimação destas, concluise pela tempestividade do recurso. Preenchendo este a todos os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Defendem as Recorrentes que a SOEBRAS não pode ser responsabilizada pelas dívidas do grupo PROMOVE, haja vista que apenas arrenda o uso da marca “Promove”, sendo uma entidade sem fins lucrativos com autonomia e personalidade jurídica própria. Para compreensão do tema, vale destacar trechos do Relatório Fiscal que tratam da responsabilização da SOEBRAS (fls. 13/15): “6. A empresa Associação Educativa do Brasil SOEBRAS, CNPJ 22.669.915/000127, com sede à Rua Dos TIMBIRAS 1532, 14°. Andar SI. 1401, Bairro Funcionários, Belo HorizonteMG, CEP 30.140902, inicialmente, adquiriu das empresas PROMOVE, inclusive da AUTUADA, o direito de uso da marca PROMOVE, conforme contrato particular de "LICENÇA DE USO DE MARCA" datado de 01/11/2006, onde a licenciada (SOEBRAS) deveria utilizar a marca PROMOVE "de forma ampla, efetiva e permanente, em igual ou superior número de unidades educacionais, propiciando a manutenção ou a elevação de seu valor de mercado", ficando, inclusive, investida de "todos os poderes necessários para a defesa da marca PROMOVE, sem prejuízo dos seus próprios direitos". 6.1 A licenciada (SOEBRAS) nos termos do contrato acima mencionado, se responsabilizaria também pelo pagamento das obrigações trabalhistas das empresas licenciantes. 6.2 As licenciantes (empresas PROMOVE) outorgaram à Licenciada, ainda, através do ato mencionado supra, procuração específica, conferindo a esta os poderes para, perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, praticar todos os atos necessários à prorrogação do prazo de validade da marca PROMOVE e adoção de todo e qualquer ato que se destinasse à manutenção e proteção de seus registros. 6.3 A licenciada (SOEBRAS) inscreveu, para o exercício das atividades assim pactuadas, novos estabelecimentos no CADASTRO NACIONAL DE PESSOA JURÍDICA CNPJ, mantendo os mesmos endereços e CNAE CADASTRO NACIONAL DE ATIVIDADE ECONÔMICA dos estabelecimentos das empresas PROMOVE: 6.4 Em segundo ato a SOEBRAS, por contrato particular intitulado "CONTRATO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL TRESPASSE", adquiriu das empresas mencionadas no item 4, todo o complexo de bens organizado para exercício da atividade, Fl. 982DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 compostos da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto "todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11° e 448 das Consolidações das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins (...)". 6.5 Além deste mencionado contrato, a SOEBRAS fez constar em seu Balanço Patrimonial em 31/12/2007, a aquisição supra mencionada, lançando em seu Ativo Diferido o montante de R$ 14.383.436,00, referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS e PROMOVE FACULDADES, "incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins". 6.6 Contudo, a AUTUADA não procedeu às devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, ou. seja, não efetuou a sua baixa de estabelecimento, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último arquivamento neste órgão o Contrato de Alienação mencionado no item 6.4 registrado na JUCEMG sob o n°. 3817071. Tampouco cumpriu as obrigações frente à administração tributária, permanecendo ainda como ativa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ da Receita Federal do Brasil, entregando, inclusive a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ Ano Calendário 2007 Exercício 2008.” Com base nos fatos apontados acima, a responsabilização da SOEBRAS foi fundamentada no art. 133, inc. II do CTN, segundo o qual: “Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: (...) II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.” Analisando as informações acima, bem como os Contratos Particulares de Alienação de Estabelecimento Empresarial – TRESPASSE, não há dúvidas de que a SOEBRAS adquiriu toda a atividade empresarial da Promove Participações, dando continuidade ao negócio. Este Conselho, em situações semelhantes, reconheceu a responsabilidade subsidiária do adquirente quando este dá continuidade à atividade alienada, sob a mesma ou outra razão social, senão vejamos: “CONTRIBUINTE. ALIENAÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU ESTABELECIMENTO COMERCIAL. CONTINUIDADE DAS ATIVIDADES. Provado que a pessoa jurídica alienou, a qualquer título, fundo de comércio ou estabeleciment o onde se deu a infração e que continuou suas atividades, esta responde pela obrigação tributá ria na condição de contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos créditos tributários, no qual se incluem multas e juros, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, subsidiariamente com o alienante que prosseguir na exploração da a tividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.” Fl. 983DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.018337/200835 Acórdão n.º 2402004.304 S2C4T2 Fl. 5 7 (CARF, 1ª Seção, 2ª T. Especial, PAF nº 11516.721812/201241, Cons. Rel. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Sessão de 04/06/2014) Outrossim, as alegações das Recorrentes se referem tão somente ao uso da marca pela SOEBRAS, não havendo qualquer contestação dos fatos apurados pela fiscalização. Em vista disso, vislumbrase que a responsabilização da SOEBRAS é devida, não devendo ser realizado qualquer reparo neste ponto. Pleiteiam as Recorrentes ainda o afastamento da responsabilidade dos sócios do grupo Promove. No entanto, vale salientar que os sócios do Grupo Promove não foram responsabilizados, não havendo qualquer “Termo de Sujeição Passiva” lavrado em seus nomes. O fato de eles terem sido elencados no “REPLEG – Relatório de Representantes Legais” (fl. 06) não implica na atribuição de responsabilidade tributária, haja vista que tal procedimento administrativo é meramente informativo. Nesse sentido, vale transcrever a Súmula nº 88 do CARF: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, sem razão as Recorrentes. Pretendem as Recorrentes discutir a inconstitucionalidade da multa e dos juros aplicados, por violação ao princípio do nãoconfisco. Todavia, impende ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na sua suposta inconstitucionalidade e ilegalidade, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Posto isso, não há como se acatar os argumentos das Recorrentes. Sustentam as Recorrentes que a SOEBRAS detém imunidade tributária, por ser supostamente uma associação sem fins lucrativos. No entanto, verificase que as Recorrentes não juntaram qualquer documento que comprove a direito da SOEBRAS à imunidade tributária, fazendo alusão apenas à legislação, estatuto social e a decisões judiciais de terceiros, com efeitos inter partes. Assim, não se vislumbra a possibilidade de se atestar a imunidade tributária da SOEBRAS. Por fim, cumpre destacar que, constatada a ausência de entrega das GFIP’s de 05/2004, 01/2005 a 07/2005, 12/2005 a 12/2006 e 02/2007, a autoridade administrativa aplicou multa prevista na tabela de cálculo de que trata o art. 32, § 4º da Lei n. 8.212/91, com a atualização do valor mínimo pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 77/08, conforme se verifica no Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fl. 18). Fl. 984DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 A d. DRJ relevou as multas aplicadas pela falta de entrega das GFIP’s de 01/2005 a 07/2005, 12/2005 a 06/2006, por ter a empresa corrigido a infração. Assim, restaram devidas apenas as seguintes competências: 07/2006 a 12/2006 e 02/2007 (fl. 793). A penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991, passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. II, da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).(...) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Tal norma leva em consideração a fração de 2% ao mêscalendário, incidente sobre o montante das contribuições do mês, limitada a 20%, ao passo em que a legislação revogada toma por base uma penalidade de acordo com o número de segurados da empresa. Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, comparandose aquela prevista no art. 32, § 4º da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.528/97), com a multa de que trata o art. 32A, inc. II, da Lei nº 8.212/1991, atualmente em vigor, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que as multas aplicadas nas competências de 07/2006 a 12/2006 e 02/2007 sejam comparadas com a forma de cálculo trazida pelo 32A, inc. II da Lei n° 8.212/91, de modo que ao final seja exigida a multa mais benéfica. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10940.002991/2007-83
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. POSSIBILIDADE. ATIVIDADE IMPEDITIVA NÃO CARACTERIZADA.
Restando apurado em diligência fiscal que a Contribuinte presta serviços de assistência técnica autorizada, referente a concertos de aparelhos celulares e de comunicação, atividade que não veda o ingresso no Simples Nacional, há que ser reconhecido o seu direito de ingressar no regime de tributação simplificada.
Numero da decisão: 1802-002.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. POSSIBILIDADE. ATIVIDADE IMPEDITIVA NÃO CARACTERIZADA. Restando apurado em diligência fiscal que a Contribuinte presta serviços de assistência técnica autorizada, referente a concertos de aparelhos celulares e de comunicação, atividade que não veda o ingresso no Simples Nacional, há que ser reconhecido o seu direito de ingressar no regime de tributação simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 29 91 /2 00 7- 83 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que considerou correto o indeferimento do pedido de inclusão da Contribuinte no Simples Nacional, conforme já havia decidido a Delegacia de origem (DRF Ponto Grossa/PR). Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0634.236, às fls. 54 a 56: Trata o processo da Manifestação de Inconformidade de fls. 26 a 29, apresentada em face do Despacho n° 125/2008, fls. 19 a 21, que indeferiu o pedido de inclusão no Simples Nacional em razão de atividade econômica vedada. 2. Em sua defesa, protocolada tempestivamente segundo a unidade de origem, em 28/04/08, a Impugnante alega, em síntese, que: a) deverá ser privilegiada a prevalência da realidade dos fatos; b) a atividade vedada foi excluída do Contrato Social em 17/11/04, porém, mesmo constando no contrato, essa atividade nunca foi praticada pela empresa; c) a filial de Francisco Beltrão encontravase desativada desde 2006; d) na época da adesão ao Simples Nacional, apenas nos cadastros da Receita Federal é que constava a atividade vedada, e somente em relação às filiais. Acrescentese que os cadastros da Receita Federal já foram atualizados. 3. Diante dessas considerações, requer a contribuinte a sua inclusão no Simples Nacional. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR considerou correta a negativa de inclusão da Contribuinte no Simples Nacional, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO PELO SIMPLES. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Indeferese o Pedido de Inclusão no Simples Nacional quando constar no cadastro da empresa, na base do CNPJ, atividade econômica vedada para essa sistemática de tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 4 3 Sem Crédito em Litígio O voto que orientou a decisão administrativa de primeira instância apresenta os seguintes fundamentos: [...] 6. Em que pesem os argumentos postados na defesa, não há possibilidade da matriz da empresa ser enquadrada no Simples Nacional e as filiais não serem enquadradas. 7. Pela sistemática do Simples Nacional, o ingresso nessa modalidade de tributação abarca a empresa em sua totalidade, ou seja, matriz e filiais. Cabe acrescentar, inclusive, que na apuração da receita bruta para fins de enquadramento, será considerado o somatório das receita de todos os estabelecimentos da empresa, sendo o recolhimento dos tributos efetuado por intermédio da matriz, segundo dispõe o art. 21, parágrafo 1º, da Lei Complementar n° 123, de 2006: [...] 8. Portanto, o fato de constar atividade vedada apenas em relação às filiais não autoriza o ingresso da empresa no Simples Nacional se a atividade da matriz for permitida. 9. Quanto à alegação de que a atividade vedada constava apenas no cadastro da Receita Federal, vejamos o que dispõe o art. 9º de Resolução CGSN n° 4, de 2007: Art. 9º Serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se as ME e as EPP atendem aos requisitos pertinentes. 10. Conforme se observa no dispositivo colacionado acima, serão utilizados os códigos de atividade econômica (CNAE), informados pelo contribuinte no CNPJ, para verificar se a atividade da empresa é passível de enquadramento no Simples Nacional. Portanto, se a empresa promoveu alteração em seu Contrato Social, deveria ter providenciado a devida atualização de seu cadastro na base do CNPJ. Essa, inclusive, é uma obrigação tributária. Vide o disposto na Instrução Normativa n° 568, de 08/09/05: Art. 22. É obrigatória a comunicação pela entidade de toda alteração referente aos seus dados cadastrais. §1º No caso de ato sujeito a registro, a comunicação de que trata o caput deverá ocorrer até o último dia útil do mês subseqüente à data do registro da alteração. 11. Por fim, esclarecemos ser irrelevante o fato da filial estar ou não em atividade, pois, se na base do CNPJ constava atividade vedada, a empresa não estava autorizada a ingressar no Simples Nacional. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 5 4 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 26/12/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/01/2012 com os argumentos abaixo descritos: a atividade constante era impeditiva do ingresso no Regime Especial do Simples Nacional conforme disposto nos arts. 12 a 16 da Lei Complementar n° 123, de 2006, porém a alteração contratual excluindo esta atividade foi registrada na Junta Comercial do Paraná em 17/11/2004, data muito anterior ao pedido de enquadramento no Simples Nacional; conforme disposto no art. 22 da Instrução Normativa n° 568, de 08/09/2005, o Contribuinte já procedeu à alteração em seu cadastro na base do CNPJ, segue comprovante em anexo; diante do exposto, requerse que o presente recurso seja inicialmente admitido e no mérito provido, no sentido de reconhecer o direito de a Contribuinte ser enquadrada no Regime do Simples Nacional, uma vez que a atividade foi excluída, e as alterações no CNPJ foram devidamente realizadas. Em 10/09/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.312, às fls. 74 a 79, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Cumprida a resolução, o processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 203 a 207, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que manteve a negativa em relação à sua inclusão no Simples Nacional (a partir de 01/07/2007). O indeferimento de sua opção para ingresso no Simples Nacional foi motivado pelo fato de constar no CNPJ das filiais 002 e 003, situadas em Guarapuava/PR e Francisco Beltrão/PR, a indicação de atividade econômica vedada para o regime simplificado: “CNAE 42219/05 Manutenção de estações e redes de telecomunicações”. O Despacho Decisório da Delegacia de origem, às fls. 14, indica o art. 17, XI, da Lei Complementar 123/2006 como fundamento legal para a negativa do enquadramento no Simples Nacional: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; A Delegacia de Julgamento considerou correto o Despacho Decisório acima referido. Em suas peças de defesa, a Contribuinte não está defendendo a possibilidade de um enquadramento parcial no Simples Nacional, ou seja, a inclusão da matriz e não das filiais, como sugerido na decisão recorrida. Sua argumentação é que o objeto social foi alterado desde 17/11/2004, muito antes do pedido de enquadramento no Simples Nacional; que embora constasse no contrato, a atividade impeditiva nunca foi praticada pela empresa; que a atividade vedada ficou constando apenas no cadastro da Receita Federal (e somente em relação às filiais); e que as alterações no CNPJ foram devidamente realizadas. Em 10/09/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.312, às fls. 74 a 79, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 7 6 O voto que orientou a solicitação de diligência foi exarado nos seguintes termos: Não entendo que os fundamentos apresentados pela decisão recorrida sejam suficientes para a negativa em definitivo da inclusão da Contribuinte no Simples Nacional. A informação constante do cadastro CNPJ é a primeira fonte de consulta para a verificação das atividades desenvolvidas pelos contribuintes, e esta é a razão do referido art. 9º da Resolução CGSN n° 4, de 2007. O dado cadastral é uma referência importante para o processamento das opções de ingresso no regime simplificado, mas não configura um critério absoluto. Nem mesmo a informação contida nos contratos sociais das empresas tem essa característica, porque as vedações legais visam alcançar as atividades efetivamente exercidas pelas empresas, e a descrição formal é apenas uma referência disso. O manual “perguntas e respostas” do Simples Nacional, que pode ser consultado no endereço eletrônico http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Perguntas/ Perguntas.aspx, nas perguntas 1.4 e 1.5, indica que o exercício de atividade vedada impede a opção pelo Simples Nacional independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária, independentemente do montante das receitas com ela auferidas, e ainda que ela não esteja prevista no contrato social. O que importa para o enquadramento ou não no Simples são as atividades efetivamente exercidas pela empresa, e a informação constante do CNPJ (e mesmo no contrato social) tem relevância na medida que reflete essa realidade. A consolidação do contrato social, às fls. 09 e 11, assinada em 17/11/2004 e registrada em 06/09/2006, traz as seguintes informações: Primeira Cláusula: A sociedade gira sob o nome empresarial de Telepon Tecnologia em Sistemas Telefônicos Ltda Me. Segunda Cláusula: A sociedade tem sua sede em Ponta Grossa, Paraná, à Rua Coronel Dulcídio, 1168, Centro, CEP 84010280. Terceira Cláusula: A sociedade tem sua filial em Guarapuava, Paraná, à Rua Quintino Bocaiúva. 1257, Sala 03, Centro, CEP 85010300. Quarta Cláusula: A sociedade tem sua filial (2) em Francisco Beltrão, Paraná, à Rua Ponta Grossa, 1843, sala, Centro, CEP 85601600. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 8 7 Quinta Cláusula: O objeto social é o de comércio varejista de peças, acessórios e aparelhos celulares, serviços de conserto em aparelhos celulares. [...] Vêse que a atividade vedada deixou de constar do contrato social da empresa, abrangendo inclusive as filiais, antes da opção pelo Simples Nacional. Contudo, não há nos autos outros documentos (livros contábeis/fiscais, notas fiscais, contratos firmados com fornecedores ou clientes, etc.) aptos a demonstrar as atividades efetivamente desenvolvidas pela Contribuinte. A solução do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que Delegacia de origem, à luz da documentação contábil/fiscal, das informações constantes nos sistemas da Receita Federal, e de outros elementos que entender necessários, verifique e informe qual é a atividade efetivamente desenvolvida pela Contribuinte, e se esta configura alguma das hipóteses de vedação ao Simples Nacional. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com ciência da Contribuinte para que possa se manifestar no prazo de 30 dias. Depois disso, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Ponta Grossa/PR atenda ao acima solicitado. A diligência foi realizada, e o processo devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 203 a 207. No atendimento à resolução, a Delegacia de origem prestou os seguintes esclarecimentos: [...] A interessada (foi) intimada a apresentar: livros contábeis/fiscais; notas fiscais; contratos firmados com fornecedores ou clientes; ou ainda, outros documentos comprobatórios aptos a demonstrar as atividades desenvolvidas pela empresa, no período semestral que antecede a opção para o ingresso no Simples Nacional (01/07/2007) Em resposta a intimação a interessada protocolizou relação de documentos (fls. 85 a 87), sendo destes retidos: Livro Diário, Razão e Caixa do anocalendário 2007 e notas fiscais de entrada Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 9 8 e de saída do período de 01/01/2007 a 30/06/2007, conforme Termo de Retenção de Documentos (fl. 182). Procedemos a análise dos elementos apresentados. Contrato Social (fls. 96 a 136) Consta no Contrato Social que o objeto social era “manutenção, instalação, e reparos em central telefônica”, com início de atividade em 01/07/1989 (fl. 96). Através da Primeira Alteração Contratual, o objeto passa a ser "manutenção, instalação reparos e comércio de central telefônica e representações comerciais” (fl. 102). [...] Na Décima Alteração, o objeto social passou a ser "comércio varejista de peças, acessórios e aparelhos celulares, serviços de conserto em aparelhos celulares", registrada na Junta Comercial em 06/09/2006 (fl. 121). [...] Através do Contrato Social e Alterações, foi constatado que a mudança da atividade vedada foi retirada do objeto social antes da data para inclusão no Simples Nacional, em 17/11/2004 (fl. 121), através da Décima Alteração Contratual. Contratos de Prestação de Serviços: Foram apresentados contratos de prestação de serviços, como autorizada, com as seguintes fabricantes: Nokia do Brasil Tecnologia Ltda., CNPJ 02.140.198/000134 (fls. 137 a 152). Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda., CNPJ 00.280.273/000722 (fls. 153 a 172). Gradiente Eletrônica S/A., CNPJ 43.185.362/000107 (fls. 173 a 177). Sony Ericsson Mobile Communications do Brasil Ltda. (fls. 178 a 181), correspondência referente a instruções Contrato Geral de Prestação de Serviços AGDA 2010:0560. Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias: Por amostragem, constatamos que a entrada de mercadorias são destinadas ao conserto de aparelhos celulares e de comunicação. Notas Fiscais Saída/Mão de Obra: Por amostragem, constatamos que as notas fiscais foram emitidas ,em sua grande maioria, para as empresas relacionadas nos contratos de prestação de serviços acima relacionadas. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 10 9 Não encontramos cobrança de prestação de serviços que demonstram o exercício da atividade vedada que foi motivo da não inclusão ao Simples Nacional. Escrituração Contábil: Foram apresentados os livros Diário, Razão, Caixa, Registro de Entradas, Registro de saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Prestação de Serviços, Registro de Inventário. Analisamos principalmente os grupos de contas contábeis: 31102 receita com prestação de serviço; 31104 receita com prestação de serviços da filial. Confrontamos, por amostragem, as receitas com prestação de serviços e as notas fiscais de saída de mercadorias/prestação de serviços e notas fiscais de entrada de mercadorias. As mercadorias da interessada, em sua maioria, são destinadas ao conserto de aparelhos celulares e de comunicação via rádio. CONCLUSÃO Com base na documentação apresentada, a qual foi analisada por amostragem, concluímos que a prestação de serviços da interessada é a de assistência técnica autorizada, atividade não vedada para ingressar no Simples Nacional. [...] Isto posto, cientificamos a interessada da presente Informação Fiscal, a qual tem o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar impugnação, após, encaminhamos ao Carf para prosseguimento do julgamento. De acordo com as informações colhidas na diligência fiscal, a interessa presta serviços de assistência técnica autorizada, referente a concertos de aparelhos celulares e de comunicação, atividade não vedada para ingressar no Simples Nacional. Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito de a Contribuinte ser enquadrada no regime de tributação simplificada Simples Nacional. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10940.002991/200783 Acórdão n.º 1802002.388 S1TE02 Fl. 11 10 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000319/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO.
Cumpre ao contribuinte apresentar prova que refutem as diferenças expostas no auto de infração, em não o fazendo deve prevalecer a imputação tributária.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Constatada insuficiência de recolhimento, tomando em conta a diferença de base de cálculo, o lançamento deve prevalecer o lançamento.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Dá-se a exclusão do sistema simplificado quando a empresa optante por esse sistema não respeita os limites de aferição de receita bruta disciplinado na legislação de regência.
Numero da decisão: 1803-002.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva- Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO. Cumpre ao contribuinte apresentar prova que refutem as diferenças expostas no auto de infração, em não o fazendo deve prevalecer a imputação tributária. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada insuficiência de recolhimento, tomando em conta a diferença de base de cálculo, o lançamento deve prevalecer o lançamento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Dá-se a exclusão do sistema simplificado quando a empresa optante por esse sistema não respeita os limites de aferição de receita bruta disciplinado na legislação de regência.
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PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA/ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO. Cumpre ao contribuinte apresentar prova que refutem as diferenças expostas no auto de infração, em não o fazendo deve prevalecer a imputação tributária. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada insuficiência de recolhimento, tomando em conta a diferença de base de cálculo, o lançamento deve prevalecer o lançamento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Dáse a exclusão do sistema simplificado quando a empresa optante por esse sistema não respeita os limites de aferição de receita bruta disciplinado na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 03 19 /2 00 9- 41 Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de autos de infração referentes ao anocalendário de 2005, por meio dos quais são exigidos da empresa recorrente IRPJ (Simples), Pis (Simples), CSLL (Simples), Cofins (Simples), INSS (Simples), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. Tudo, em decorrência, de omissão de receita, caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração. A empresa recorrente foi intimada a apresentar os Livros Comerciais e Fiscais, mas informou que os livros caixa e registro de inventário, bem como os demais documentos da empresa havia sido extraviados pelo contabilista responsável. Apresentou cópia de comunicado ao Inspetor da Receita Estadual em Araruama, datado de 28/8/2007 (fls. 119/120), cópia do registro de ocorrência, datado de 15/12/2006 (fls. 122/123), cópia de publicação de extravio no Diário Oficial do Est. Do Rio de Janeiro em 28/2/2007 (fl. 124) e cópia de publicação de extravio no jornal O Fluminense de 28/2/2007 (fl. 125). Frente a resposta da empresa, a mesma foi intimada para, no prazo de 20 dias, promover a reescrituração dos livros caixa e registro de inventário. Mas, alegou ser impossível a recomposição da escrituração, visto o extravio de todos os documentos de receitas e despesas. Assim, foi intimado o fornecedor da recorrente, Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais Ltda (CNPJ 17.249.111/001615), para relacionar e apresentar todas as notas fiscais emitidas em nome da recorrente, no período de 1/1/2005 a 31/12/2005, bem como a comprovação dos respectivos pagamentos. 2 Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Recebido o material do fornecedor, a recorrente foi cientificado desta documentação e intimada a pronunciarse. Em resposta, reiterou o extravio da documentação fiscal e contábil. Assim, procedeuse a comparação dos pagamentos das compras com as receitas declaradas, tributandose as diferenças como omissão de receitas, nos termos do art. 281, II, do RIR11999. Foram recalculados os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, calculados os tributos sobre as receitas omitidas e as diferenças sobre os valores não recolhidos. Somando se os pagamentos no período de fevereiro a dezembro, R$ 2.373.360,24, com a receita declarada em janeiro, R$ 38.049,20, obtémse o montante de R$ 2.411.409,44, o qual ultrapassa o limite disposto no art. 9°, II, da Lei 9.317/1996 (R$ 2.400.000,00). Este fato constituiuse motivo para exclusão do Simples, conforme art. 14, I, combinado com o art. 13, II, "a", da citada lei, com efeitos a partir do anocalendário subsequente (art. 15, IV). Portanto, a recorrente foi excluída do Simples, nos termos do ato declaratório executivo n° 47, de 1/7/2009 (fl. 4 do anexo I), a partir de 1/1/2006. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação, aduzindo que apesar da pequena margem de lucro na atividade, adotou a sugestão do contador e aderiu ao Simples, forma ilógica e irracional para produto com baixa rentabilidade. Refere que os livros da escrituração foram furtados em 14/02/2006, que as violentas chuvas dos dias 1 a 4 de maio de 2005, que assolaram a região onde se situa o estabelecimento da recorrente, tornaram o precário depósito um mar de água e lama que, de forma total ou irreversível, destruíram e tornaram inaproveitáveis todo o estoque existente, em um total incontável de caixas com embalagens de tetrapack, resultantes dos produtos recebidos das notas fiscais de n' s 213420 a 245659, no valor total de R$ 905.877,91. Afere, de igual modo, que nem todas as mercadorias anotadas nas notas fiscais se danificaram com a tempestade, já que parte delas se constituiu em vendas dos meses correspondentes e foram oferecidas à tributação. Aduz que a diferença apresentada em cada mês perdeuse porque era imprópria para venda e consumo e outra parte que não imprópria para consumo foi doada. Nesse caminho, salienta que não se pode presumir que a mercadoria recebida e paga tenha sido vendida ou rotulada como omissão de receita. Afere que os pagamentos dos débitos foram quitados com recursos dos familiares. E, observa que a receita é a venda do produto com a correspondente entrada de recursos, sendo um equívoco impor como receita o ato de pagamentos dos débitos contraídos. No tocante à multa de 75%, aduz ser a mesma confiscatória e inconstitucional. E, quanto à Selic, entende que a mesma é ilegal e inconstitucional. E que mantidas as tributações reflexas do Pis, da Cofins e da CSLL, deverá ser provocado pelo julgador o conflito de competência. Por fim, salienta que o arbitramento do lucro, leiase omissão de receita, deve ocorrer somente em casos extremos. A autoridade de primeira instância, em sua decisão, entendeu por bem manter integralmente o lançamento. Aduz que a despeito da recorrente não possuir a escrituração do 3 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 livro caixa, os pagamentos efetuados ao seu fornecedor Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais Ltda em 2005 (R$ 2.373.360,24), demonstram uma grande disparidade com a receita declarada (R$ 436.501,11). Para um saldo inicial de caixa/banco no valor de R$ 2.376,81 e final de R$ 2.868,25 (fl. 100), sem que tenha havido aporte de capital ou obtenção de empréstimos, os pagamentos ao fornecedor só podem ter vindo de operações não declaradas. O argumento de que os pagamentos foram realizados com recursos de familiares carece de comprovação. Frisa que o art. 40 da Lei 9.430/1996 dispõe que a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita e que tratase de uma presunção legal, que inverte o ônus da prova. Nesse contexto, a perda parcial do estoque, em decorrência de chuvas, em nada altera a presunção e a inversão do ônus da prova. Da mesma forma, o conceito de receita não sofre qualquer alteração, pois se recursos a empresa dispunha, suas operações devem demonstrar de onde vieram. Nesse contexto, a autoridade salienta que em sendo receita os pagamentos não contabilizados, o calculo dos tributos a serem recolhidos na modalidade do Simples depende unicamente do montante das receitas e respectivas alíquotas, nos termos da Lei 9.317/1996, não se tratando de arbitramento, mas de uma forma legal simplificada, de livre opção do contribuinte, de se apurar os respectivos tributos (IRPJ, Pis, Cofins, CSLL e Contribuições Previdenciárias), tendo como base a receita apurada. Portanto, não há qualquer conflito na apuração dos valores devidos. No tocante à multa e encargos moratórios, observa o julgador a quo que as alegações de confisco e inconstitucionalidade não são oponíveis à instância administrativa, por serem matérias reservadas aos órgãos judiciais. Cita o art. 26A do Decreto 70.235/72, jurisprudência do STJ, no sentido de legitimar a Selic e Sumula 04 do CARF. Refere, de igual modo, que por estar vinculado à lei, não compete ao julgador administrativo negar a aplicação de leis validamente promulgadas. Quanto à exclusão do Simples, o julgador de primeira instância aduz que diante da manutenção do lançamento, com apuração de receitas superiores ao limite legal para manutenção na sistemática do Simples, é de se manter a exclusão do regime, nos termos do Ato Declaratório n° 47, em anexo. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário. A ciência se deu em 24.11.2009, mas não consta dos autos o comprovante (envelope) de postagem, razão pela qual estou entendendo como tempestivo o recurso protocolado. Em suas razões, a empresa recorrente aduz o já disposto na impugnação, acrescendo apenas o ponto referente à exclusão do Simples. Afere a mesma sobre o tratamento diferenciado que as pequenas e médias empresas possuem, defendido na Constituição Federal (art. 170), bem como do dever constitucional de defendêlas. Argumenta ser inconstitucional a exclusão do simples promovida, citando jurisprudências nesse sentido. 4 Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de autos de infração, referentes ao anocalendário de 2005, por meio dos quais são exigidos da empresa recorrente IRPJ (Simples), Pis (Simples), CSLL (Simples), Cofins (Simples), INSS (Simples), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. Tudo, em decorrência, de omissão de receita, caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração. Alega a empresa não deter os livros contábeis e fiscais do ano em apreço, juntando ao feito documentos que comprovam terem os mesmo sido extraviados. Diante desses fatos, a fiscalização promoveu a intimação do fornecedor da empresa recorrente, que apresentou as notas fiscais emitidas em nome da recorrente, bem como a comprovação dos respectivos pagamentos. De posse dessa documentação, a fiscalização procedeu à elaboração de planilha com a diferença entre os pagamentos das compras com as receitas declaradas. A autuação se deu sobre a tributação das diferenças como omissão de receitas. Temse que foram recalculados os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, calculados os tributos sobre as receitas omitidas e as diferenças sobre os valores não recolhidos. Foram somados os pagamentos no período de fevereiro a dezembro, R$ 2.373.360,24, com a receita declarada em janeiro, R$ 38.049,20, obtémse o montante de R$ 2.411.409,44, que ultrapassa o limite disposto no art. 9°, II, da Lei 9.317/1996 (R$ 2.400.000,00). Assim, procedeuse à exclusão do Simples, conforme art. 14, I, combinado com o art. 13, II, "a", da citada lei, com efeitos a partir do anocalendário subsequente (art. 15, IV). Preliminarmente, a empresa recorrente alega violação aos princípios constitucionais tanto quanto à exclusão do simples, quanto à multa, bem como quanto aos acréscimos legais (SELIC). Contudo, há que se levar em conta que essa esfera administrativa não é a esfera competente para tratar de questões referentes à ilegalidade de lei ou sua constitucionalidade. Tais questões são pertinentes à esfera do Poder Judiciário, tal como determina a Sumula Carf n. 02, senão vejamos: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” 5 Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Assim, a aplicação da multa, dos acréscimos legais e da exclusão do Simples, por estarem fundamentadas em leis vigentes e encontraremse em perfeito acordo com a legislação pátria, merecem procedência. No mérito, entendo que, mesmo diante das fatalidades encaradas pela empresa, esta tem o dever de fazer prova. No caso, as alegadas chuvas podiam ter sido documentadas, apresentando laudo de que o depósito da empresa se encontrava inundado danificando seu estoque. De igual modo, a empresa poderia comprovar as transferências de valores, por parte dos familiares, tal como alegado. Importa que se frise: quem alega necessita provar. No presente feito, a simples alegação de que os valores utilizados para os pagamentos foram ofertados por parentes e familiares não vieram aos autos, tal como não foi apresentado laudo do extravio do estoque ou de que o mesmo foi afetado pelas chuvas da região. Assim, tomando em conta que a fiscalização procedeu de modo efetivo à circularização das receitas, restando configurada a omissão de receitas, deve prevalecer a autuação em sua integralidade. Neste sentido, temse como válida a exclusão do sistema simplificado sempre que os valores do faturamento bruto extrapolarem os limites legais para tanto. Comprovando que o faturamento da empresa no ano calendário foi superior ao limite legal, há que se promover à exclusão para o ano subsequente, tal como foi realizado no presente feito. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 6 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 7 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009512/2007-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e indeferiu a restituição quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa.
Numero da decisão: 3803-006.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e indeferiu a restituição quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 95 12 /2 00 7- 05 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Observo que a numeração das folhas do processo utilizada como referência neste Relatório e Voto é a do processo digitalizado e não a do processo físico. Tratase de Despacho Decisório, às fls. 48 a 53 que indeferiu o Pedido de Restituição às fls 2 a 4, não reconhecendo o direito creditório reclamado. A Requerente apresentou Pedido de Restituição em 6/11/2007, em formulário apropriado, alegando pagamento indevido de PIS em outubro/2002 e dezembro/2002, em virtude da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, sob o argumento de que o ICMS não faz parte do faturamento ou da receita bruta da empresa sendo receita dos Estados. O pedido foi analisado pela SEORT da DRF/Campinas em 16/01/2008 que concluiu pelo indeferimento do pleito. Na fundamentação do ato, consta: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DA PARCELA RELATIVA AO ICMS. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, entendendose esta como a totalidade das receitas obtidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida. Incluso, neste conceito, o valor do ICMS. Somente as parcelas legalmente autorizadas é que podem ser excluídas da base de cálculo desta contribuição federal, não estando enquadrada nessa situação a parcela relativa ao ICMS. Entendimento consoante As atuais e inequívocas jurisprudências administrativa e judicial. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Cientificada em 23/01/2008, a contribuinte apresentou em 31/01/2008 Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte. O r. despacho decisório (...), firma o entendimento de que o PIS incide sobre a totalidade das receitas. Quanto a essa assertiva, a Impugnante nada tem a objetar. Não pode, contudo, concordar com o complemento dessa assertiva, no tocante ao entendimento oficial de que o ICMS integra a receita auferida pela Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.009512/200705 Acórdão n.º 3803006.365 S3TE03 Fl. 3 3 contribuinte. Ora, não é preciso grande esforço para perceber que o ICMS é receita do Estado tributante; nunca do contribuinte. Ao que aborda doutrinariamente o conceito de Receita Bruta concluindo o que “só há receita se o ingresso de recursos tornarse parte integrante do patrimônio do contribuinte”; e que é necessário “ que o referido ingresso tenha origem, direta ou indireta, do exercício da atividade da empresa.” Passa então a defender o argumento de que ICMS é receita do Estado: Na realidade, o valor correspondente ao imposto, ao ICMS, representa receita do Estado. 0 valor do imposto é apenas retido pelo contribuinte e na seqüência repassado ao Estado. Portanto, esse valor não integra o patrimônio do contribuinte; nem corresponde ao exercício da sua atividade. E utiliza como fundamento à sua argumentação as discussões traçadas no STF no exame do RE n° 240.785/MG e a posição dominante dos votos até aquele momento no sentido de que “não se inclui na base de cálculo da contribuição, considerado o faturamento, o valor correspondente ao ICMS”. Afirma não tratarse “de juizo de inconstitucionalidade das normas que regulam o PIS e a COFINS. (...) sim, de juizo que determina o alcance dessas normas, perfeitamente possível de ser proferido no controle administrativo interno dos atos administrativos centrados nessas leis.” Alega que ”o exame do artigo 3º da Lei n° 9.718/98 (...) não evidencia que (...) a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para a seguridade social está autorizada.” Acaba por pedir o provimento da manifestação de inconformidade e o reconhecimento do direito à restituição pleiteada. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pelas contribuições do PIS e da Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão, salvo quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos esgrimidos em primeiro grau e aduz ter se equivocado a decisão a quo, ao sugerir a pretensão de discutir inconstitucionalidade de normas; diz que a interpretação do art. 3º da Lei nº 9.718/98 dada pela Corte Suprema do País não autoriza a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição; evoca julgamento no e. Supremo Tribunal Federal (RE nº 240.785), que conta com o voto de seis ministros a favor do pleito da recorrente; ainda, que o RE nº 574.706 conta com repercussão geral e trata da mesma matéria dos autos, e por isso requer o sobrestamento do feito (art. 62A do RICARF); ao final, requer o deferimento da restituição sub analisis. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. A discussão acerca do tema de fundo deste contencioso é por demasiado conhecido de todos neste Colegiado, e bem por isso não devo alongarme no ponto. Trago apenas alguns arestos da lavra dos meus pares, em ordem cronológica, nos quais me apoio para expressar meu pensamento acerca do assunto: Acórdão 3803005.199; Sessão de 28 de janeiro de 2014 Relator: Hélcio Lafetá Reis Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.009512/200705 Acórdão n.º 3803006.365 S3TE03 Fl. 4 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Acórdão nº 3803006.164; Sessão de 28 de maio de 2014 Relator: Belchior Melo de Sousa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Por outro giro, também há carência de provas para estribar o pleito restituitório. Não há dúvida de que cabe ao Requerente o ônus de demonstrar inequivocamente a efetiva existência do direito pleiteado, pois o ônus da prova compete a quem o alega, ou, neste caso, a quem pleiteia a restituição. A Lei 9.784/99, que “regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal”, estabelece, quanto à obrigação de provar: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. O Código de Processo Civil (CPC) assim dispõe sobre o tema: Art.333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...). Tendo em vista que nenhuma nova prova foi produzida, aí se tem mais uma razão para indeferir o pleito apresentado, pois o ônus de provar in casu é do contribuinte que Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 alega o crédito. Se o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa deve prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e indeferiu a restituição. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721189/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Tratando-se de lançamento decorrente, aplica-se a o resultado do julgamento no processo tido como principal.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo apropria despesas que se referem a operações inexistentes e amparadas em documentação inidônea.
Numero da decisão: 1402-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratando-se de lançamento decorrente, aplica-se a o resultado do julgamento no processo tido como principal. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo apropria despesas que se referem a operações inexistentes e amparadas em documentação inidônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEDUTIBILIDADE. A dedução de custos ou despesas com prestação de serviços condicionase à efetiva comprovação da operação que lhes deu origem. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo apropria despesas que se referem a operações inexistentes e amparadas em documentação inidônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratandose de lançamento decorrente, aplicase a o resultado do julgamento no processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 11 89 /2 01 2- 72 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.721189/201272 Acórdão n.º 1402001.831 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/05, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$678.408,69, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes calculados até 04/2012. Foi também formalizado o Auto de Infração de fls. 12/14, a título de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, no montante total de R$261.736,05, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes calculados até 04/2012. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal foram glosadas as despesas com serviços de consultoria que teriam sido prestadas pela empresa EMBLEMA CONSULTORIA E PARTICIPAÇÕES. Devidamente intimado a apresentar contratos de prestação de serviços, notas fiscais e comprovantes de pagamentos referentes aos serviços de consultoria prestados pela EMBLEMA o Contribuinte não atendeu integralmente à solicitação do Fisco: os contratos de prestação de serviços e as notas fiscais de número 106, 108, 110, 114, 118, 119, 120, 122, 124, 125, 126, 185, 186, 189 e 192 (no valor total de R$376.700,00) não foram apresentados. Conforme Termo de Constatação Fiscal e Certidão de Baixa emitida pela Prefeitura Municipal de Rio Acima – MG (cidade onde a EMBLEMA teria seu cadastro fiscal, dados do CNPJ), ambos acostados aos autos, desde 30 de maio de 2006, a EMBLEMA está com as atividades formalmente encerradas, não podendo assim ter emitido notas fiscais de prestação de serviços ao longo do anocalendário de 2008. Na aludida Certidão de Baixa consta que a atividade da EMBLEMA era a prestação de serviços referente a aluguel de automóveis, e não consultoria, conforme consta nas notas fiscais por ela emitidas. Ainda conforme o mencionado Termo de Constatação Fiscal, a empresa EMBLEMA apenas iniciou o procedimento na Prefeitura de Rio Acima/MG, para obtenção de domicílio na Rua Afonso Pena, 818, sala 0244, Centro; mas nunca exerceu qualquer atividade nesse endereço; e não há qualquer informação sobre o paradeiro da EMBLEMA ou de seus sócios. Os tributos lançados (IRPJ e CSLL) com base na glosa de despesas tiveram a multa de ofício correspondente qualificada, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, posto que, em tese, o contribuinte incorreu no art. 71, da Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, dolosamente, procurou impedir parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, no momento em que se valeu de notas fiscais inidôneas para reduzir o montante do imposto e da contribuição devidos. A interessada manifestase em impugnação alegando em síntese que não poderia ser responsabilizada por irregularidades formais de seus fornecedores. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Reclama que não foram realizadas diligências que demonstrassem a não ocorrência da prestação dos serviços limitandose o Fisco a buscar informações sobre a prestadora. Apresenta laudo pericial contábil em que se demonstraria a legitimidade das despesas regularmente escrituradas e a efetiva prestação dos serviços e indica jurisprudência administrativa e judicial que lhe seria favorável. Por fim questiona a imputação da multa qualificada pois os serviços foram prestados e não teria dado causa aos ilícitos cometidos por terceiros. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte prolatou o Acórdão 0242.130 negando provimento à impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA A multa de ofício será qualificada, quando restar devidamente caracterizado em procedimento fiscal, o evidente intuito de fraude, nos termos da lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A glosa de custo também repercute na exigência da CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese ao reflexo. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorreu a este Colegiado, ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Em primeira apreciação, esta turma julgadora resolveu converter o julgamento do recurso em diligência para que fosse apurado eventual saldo de prejuízos fiscais passível de compensação com a exigência apurada. A diligência foi efetuada tendo como resultado, pelas razões expostas no relatório juntado aos autos, a proposta de manutenção da exigência. É o Relatório. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.721189/201272 Acórdão n.º 1402001.831 S1C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em se tratando de análise da dedutibilidade de custos ou despesas operacionais, a legislação estabelece que devam se referir a operações efetivamente realizadas e lastreadas em documentação hábil e idônea. No presente caso, é incontestável que as notas fiscais apresentadas não são documentos hábeis e idôneos para atestar a prestação do serviço. Tal fato não foi questionado pela recorrente que, nesse ponto, afirma não poder ser responsabilizada por ilícitos cometidos pelos seus fornecedores. A única linha de defesa adotada foi a isenção de responsabilidade perante irregularidades cometidas pelos fornecedores. Perguntase: Qual foi o serviço de consultoria realizado? Ainda que por hipótese, e apenas por hipótese, fosse superada a questão das irregularidades no fornecedor, caberia perguntar que espécie de consultoria seria prestada por uma empresa com objeto social de locação de veículos a uma outra do ramo de vestuário especializado? Pois bem. A resposta, de acordo com o contrato de prestação de serviços, é: “consultoria na área de elaboração de relatórios diversos através de processamento de dados e afins”. Mais vago, impossível. A decisão de primeira instância já havia deixado clara a necessidade de comprovação de realização dos serviços. Não se trata aqui de notas fiscais ou demonstração de pagamentos. Comprovar a realização do serviço significa apresentar algum elemento que tenha se originado do serviço prestado. Por exemplo, se a consultoria significava a apresentação de relatórios, onde estão tais documentos? É notório que a atividade de consultoria é de difícil mensuração daí porque, tendo em vista o valor significativo das despesas a esse título, seria de se esperar que houvesse uma preocupação maior da recorrente em lastrearse com elementos probantes, o que não ocorreu. Em relação à multa qualificada, aqui não se trata de uma simples omissão. O sujeito passivo reduziu o resultado tributável apropriando despesas relativas a operações que não ocorreram e lastreadas em documentos inidôneos. O dolo está materialmente demonstrado. Em primeira apreciação, esta turma julgadora resolveu converter o julgamento do recurso em diligência para que fosse apurado eventual saldo de prejuízos fiscais passível de compensação com a exigência apurada. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Na solicitação restou clara a necessidade de apresentação do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para que fosse atestada a existência de saldo de prejuízos compensáveis e, não menos importante, a eventual compensação posterior do saldo porventura existente, o que inibiria o aproveitamento na apuração da exigência de que tratam os autos. A fiscalizada não atendeu à intimação para apresentação do LALUR , sob o argumento de se referir a fatos ocorridos há mais de cinco anos, o que desobrigaria a guarda dos elementos requeridos. Sem dúvida que tal argumento não pode ser acatado pois a discussão envolve o aproveitamento de prejuízos fiscais, em relação ao qual não há prazo de utilização. Assim, o Livro em questão seria elemento essencial na demonstração dos valores compensáveis para efeito de comparação com o SAPLI e confirmação de que os prejuízos e bases de cálculo negativas da CSLL apuradas, não foram compensados em períodos posteriores. Do exposto voto, por negar provimento ao recurso. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 976DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000866/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS.
Procede a cobrança da multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos, quando o sujeito passivo obrigado não a apresenta tempestivamente.
Numero da decisão: 2102-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), .Núbia Matos Moura, Alice Grechi, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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Procede a cobrança da multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos, quando o sujeito passivo obrigado não a apresenta tempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 10/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 08 66 /2 00 6- 14 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.000866/200614 Acórdão n.º 2102003.016 S2‐C1T2 Fl. 72 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), .Núbia Matos Moura, Alice Grechi, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 62/63, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 55/56 dos autos, que julgou procedente o lançamento relativo à aplicação de multa em face do atraso na entrega de Declaração de Rendimentos do ano calendário 2001, realizado através da notificação de lançamento emitida em 20/04/2006 (fls. 11/12 dos autos), da qual o contribuinte tomou ciência em 25/04/2006, conforme consulta de postagem de fl. 17. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no montante de R$ 165,74, correspondente à multa por atraso na entrega da declaração. Quando do processamento de dados, a Receita Federal verificou que a declaração sob análise foi entregue em 14/02/2006, com quase quatro anos de atraso (fl. 18). Assim, com fundamento nos arts. 790 e 964 do DecretoLei nº 3.000/1999 (RIR/99), aplicouse multa mínima pelo atraso na entrega da declaração de ajuste, tendo em vista que a declaração do RECORRENTE não resultou em imposto devido. DA IMPUGNAÇÃO Em 16/05/2006, a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, impugnação de fl. 02 alegando que, em decorrência do parecer SACAT nº 10820/56/2005, da lavra do ilustre AFRF Aparecido Santos Pereira, aprovado pelo Chefe da SACAT (fls. 05/06), foi considerada excluída da pessoa jurídica INSTITUTO BRASILEIRO DE EXTENSÃO JURÍDICA ARAÇATUBA S/C LTDA. – IBEJUR, CNPJ n° 04.561.732/000101, e que tal exclusão teria efeito retroativo, conforme decidido no mencionado parecer. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 55/56 dos autos, julgou procedente o lançamento da multa, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.000866/200614 Acórdão n.º 2102003.016 S2‐C1T2 Fl. 73 3 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Procede a cobrança da multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos, quando o sujeito passivo obrigado não a faz tempestivamente. Lançamento Procedente” Nas razões do voto que compõe o julgamento, a autoridade julgadora entendeu que a RECORRENTE estava obrigada à apresentação da Declaração de Ajuste Anual por força do que dispõe e Instrução Normativa SRF n° 110,de 2001, art. 1º, por ser sócio ou titular de firma/empresa. Desta forma, julgou procedente o lançamento tributário, mantendo a multa de R$ 165,74. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 16/07/2007 (fl. 61), apresentou recurso voluntário de fls. 62/63, em 27/07/2007, reiterando o alegado em sua impugnação; ou seja, que o Parecer SACAT nº 10820/56/2005, datado de 22/09/2005, havia a excluído do quadro societário da pessoa jurídica INSTITUTO BRASILEIRO DE EXTENSÃO JURÍDICA ARAÇATUBA S/C LTDA. – IBEJUR, inscrita no CNPJ sob o nº 04.561.732/000101. Assim, por não mais integrar o quadro societário de pessoa jurídica, não tinha a obrigação de apresentar DIRPF, sendo improcedente a multa cobrada. Contudo, a RECORRENTE pagou a multa objeto do presente processo (fl. 68) e requereu a sua devolução integral. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima Como consta no relatório, é objeto do presente processo administrativo a multa por não entrega de DIPF. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.000866/200614 Acórdão n.º 2102003.016 S2‐C1T2 Fl. 74 4 A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 16/07/2007 (fl. 61), apresentou recurso voluntário de fls. 62/63, em 27/07/2007, reiterando o alegado em sua impugnação; ou seja, que o Parecer SACAT nº 10820/56/2005, datado de 22/09/2005, havia a excluído do quadro societário da pessoa jurídica INSTITUTO BRASILEIRO DE EXTENSÃO JURÍDICA ARAÇATUBA S/C LTDA. – IBEJUR, inscrita no CNPJ sob o nº 04.561.732/000101. Conforme consta dos autos, a RECORRENTE pagou a multa objeto do presente processo (fl. 68) e requereu a sua devolução integral. Ocorre que o interesse em recorrer é incompatível com o pagamento do crédito tributário, conforme artigo 150 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em razão do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em virtude do pagamento. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.000866/200614 Acórdão n.º 2102003.016 S2‐C1T2 Fl. 75 5 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905067/2008-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. INTIMAÇÃO FISCAL.
A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3403-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maoria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. INTIMAÇÃO FISCAL. A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maoria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. INTIMAÇÃO FISCAL. A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maoria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 67 /2 00 8- 35 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante não homologando de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retornou a este Colegiado após a Resolução que determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não. O pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC foi no sentido de que não cabe qualquer revisão no Despacho Decisório que negou a compensação pleitada. Além disso, afirmou que o Recurso Voluntário sequer poderia ter sido conhecido, porquanto firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto. O CARF decidiu que diante do resultado da primeira diligência há necessidade de uma nova, desta feita para conceder à Recorrente o prazo de trinta dias para sanar a irregularidade na representação processual e, segundo, no mesmo prazo manifestarse, se quiser, sobre a diligência já realizada e a ora determinada. Antes da concessão do prazo acima mencionado, a unidade de origem deve adotar procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns já restou sanada a representação processual e foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Reforçase, assim, a necessidade de nova investigação. Votou, portanto, por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.905067/200835 Acórdão n.º 3403003.220 S3C4T3 Fl. 6 3 i) primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS; ii) segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis; e iii) terceiro, intime o contribuinte a, em até trinta dias, sanar a falha na representação de seu Recurso Voluntário e, no mesmo prazo, se quiser, manifestarse sobre os resultados das duas diligências realizadas. A diligência retornou atestando retenção de R$ 24.954,42 (código 6147), realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. E afirma a autoridade que o crédito não representaria natureza jurídica de pagamento indevido ou a maior. Afirma ainda que a Recorrente não se aproveitou do crédito, mas que não providenciou a retificação de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Voto O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A única prova existente nos autos é a de que houve retenção na fonte código de arrecadação 6147, assim mesmo, com base em um extrato do sistema SIAFI, que nem mesmo é administrado pela RFB. Nem mesmo o DARF indicado no PER de fato existe, quedando patente que foi forjado pelo contribuinte com o objetivo de contornar as restrições – deliberada e criteriosamente – criadas nos sistemas PERDCOMP e SCC. E não se diga que o montante retido na fonte pela Universidade Federal de Santa Catarina é indevido e, portanto, passível de restituição. Enquanto antecipação do devido, conforme expressamente afirma o § 3° do art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, os valores retidos são apenas o produto da multiplicação da alíquota de incidência pelo valor do pagamento. A retenção, assim procedida, jamais será passível de restituição. E é essa, justamente, a razão pela qual o SCC “trava” restituições de recolhimentos com o código 6147. A regra geral é a de que se deduzam os valores retidos do valor devido ao final apurado – excepcionada nos casos de tributação definitiva na fonte , não se podendo dizer, por conta disto, que os valores retidos sejam "pagamentos indevidos ou a maior"; só depois de sua confrontação com os valores devidos, e da constatação de que ainda restam créditos favoráveis ao sujeito passivo, é que se pode dizer, tecnicamente, que existem tais Fl. 52DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 "pagamentos indevidos ou a maior". Antes disso não. Reitero: os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com base no art. 64 da Lei nº 9.430, de 19961, não se tratam de créditos apurados passíveis de restituição ou ressarcimento. Eles ensejam tãosomente sua dedução de débitos da mesma contribuição, conforme o disposto nos §§ 3° e 4° do art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996. Antes de qualquer pleito repetitório, a recorrente deveria ter levado os valores retidos na fonte à confrontação com os valores devidos relativos ao mesmo período de apuração, para só depois, em restando crédito favorável, veiculálo no PER. A recorrente descuidouse e deixou de incluir as retenções efetuadas pela UFSC na apuração da Contribuição. Que providência tomou? Escriturou em sua contabilidade as retenções na fonte, refazendo seus livros? Não há prova alguma disso. Aliás, se alega que somente percebeu a existência da retenção em 2004, é provável que o valor nem tenha sido registrado na contabilidade em 2002. Recuperou junto à fonte pagadora os comprovantes da retenção? Nada consta nesse sentido, pois como já dito, a única prova existente nos autos é um extrato do sistema SIAFI. Procedeu à nova apuração da contribuição, desta feita aproveitando a retenção na fonte para dedução do valor devido? Desafio o nobre relator a encontrar nos autos uma mísera linha de cálculos. Retificou a DIPJ e a DCTF respectivas? É verdade: a recorrente apresentou quatro DCTFs retificadoras em (em 23/11/2004, 07/10/2005, 23/04/2007, 09/05/2007) e uma DIPJ retificadora (em 29/03/2007), ainda após a transmissão da DComp (em 14/05/2004). Mas pasmem: em todas elas, o débito da Cofins teve sempre o mesmo valor: R$ 7.717.262,01. O contribuinte, até 13/12/2013, data de sua última manifestação no processo, não refez livros, ou efetuou qualquer correção nas DCTF ou DIPJ, tão somente transmitiu, no mesmo dia (14/05/2004), um amontoado de DComp2, visando a resolver, de uma tacada, o que foi feito incorretamente durante quatro anos, provavelmente contando com a histórica leniência do CARF, que na maior parte desses processos, acabou transferindo para a Administração – liberalidade injustificada – o ônus de proceder à apuração do direito creditório que já deveria ser líquido e certo no momento da transmissão da DComp, como se fosse dever do Fisco atuar como assessoria contábilfiscal de contribuintes desatentos. 1 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1° A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2° O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4° O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5° O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6° O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7° O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8° O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. 2 Em pesquisa rápida no sistema EProcesso, para o CNPJ 83.878.892/000155, constatei a existência de 77 (setenta e sete) processos tratando de pedidos de restituição. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.905067/200835 Acórdão n.º 3403003.220 S3C4T3 Fl. 7 5 De acordo com a DCTF vigente, o valor do débito da Contribuição de novembro de 2002 é de R$ 7.717.262,01. Constam do sistema Sinal recolhimentos relativos a esse período de apuração nos valores de R$ 7.219.619,58 e R$ 497.642,43, perfazendo exatamente o valor apurado. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 12268.000432/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
ARBITRAMENTO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL INSANÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Realizar arbitramento da base de cálculo sem que haja a devida motivação, sem indicação da fundamentação legal e sem explicitar os métodos utilizados implica em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser decretada a nulidade da autuação.
Em razão do lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, tal nulidade deve ser reconhecida pela ocorrência de vício material. Este, por tratar de aspectos substanciais quanto à devida descrição e quantificação do fato gerador da obrigação tributária, configura-se como vício insanável.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. INOCORRÊNCIA.
O Lançamento Substitutivo deve restringir-se tão somente a corrigir o vício que o anulou. Os aspectos relevantes da relação tributária, a exemplo de base de cálculo, sujeito passivo, e descrição dos fatos geradores, devem permanecer os mesmos, sob pena de se configurar nova autuação a partir da utilização de novos critérios, afastando, por conseguinte, a aplicação do art. 173, II do CTN.
NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO EXTINTO PELA DECADÊNCIA.
Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que o novo lançamento realizado após terem se passado mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador encontra-se fulminado pela decadência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que acolhia a decadência tão somente para os responsáveis solidários.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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FALTA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL INSANÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Realizar arbitramento da base de cálculo sem que haja a devida motivação, sem indicação da fundamentação legal e sem explicitar os métodos utilizados implica em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, devendo ser decretada a nulidade da autuação. Em razão do lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, tal nulidade deve ser reconhecida pela ocorrência de vício material. Este, por tratar de aspectos substanciais quanto à devida descrição e quantificação do fato gerador da obrigação tributária, configurase como vício insanável. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. INOCORRÊNCIA. O Lançamento Substitutivo deve restringirse tão somente a “corrigir” o vício que o anulou. Os aspectos relevantes da relação tributária, a exemplo de base de cálculo, sujeito passivo, e descrição dos fatos geradores, devem permanecer os mesmos, sob pena de se configurar nova autuação a partir da utilização de novos critérios, afastando, por conseguinte, a aplicação do art. 173, II do CTN. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITO EXTINTO PELA DECADÊNCIA. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que o novo lançamento realizado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 04 32 /2 00 8- 24 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 após terem se passado mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador encontrase fulminado pela decadência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que acolhia a decadência tão somente para os responsáveis solidários. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000432/200824 Acórdão n.º 2401003.715 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por WDL TÊXTIL LTDA., sucessora da DELARA BRASIL LTDA. (“WDL/Delara”), em relação à cobrança de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração DEBCAD de nº 37.171.7230, referente a contribuições sociais previdenciárias destinadas a terceiros com período de apuração entre 01/01/2000 a 31/12/2000, cuja ciência foi obtida em 15/09/2008 (fl. 03). Transcrevo a seguir, trechos do relatório do Acórdão de primeira instância (Acórdão DRJ nº 0633.679 – 5ª Turma da DRJ/CTA), o qual sintetiza bem os fatos alegados pela autoridade autuante acerca do lançamento, bem como o quanto alegado pelas referidas empresas em suas respectivas impugnações: “Trata o presente de Auto de Infração em que se exige da empresa acima indicada e das solidárias relacionadas a seguir, no valor total de R$ 860.872,28, sendo R$ 330.930,65 de contribuições destinadas aos terceiros devidas pela empresa, R$ 99.279,20 de multa e R$ 430662,43 de juros de mora, estes calculados até 10/09/2008. Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração: 1.4 O presente lançamento substitui a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.513.8433 julgada nula em 28/11/2006 conforme acórdão 2059/2006 da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. Conforme artigo 45, II da Lei 8.212/91, o prazo decadencial para lançamento das presentes contribuições sociais voltou a fluir na data em que se tornou definitiva a referida decisão(em 29/12/2006 conforme certificado no verso da fl. 2262 do processo 12268.000179/200817 referente à NFLD 35.513.8433). ... 3. O objeto do presente lançamento são as contribuições previdenciárias devidas pelo referido contribuinte, a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. 3.1. O crédito ora constituído representa as contribuições sociais devidas pela autuada arrecadadas pela receita federal do Brasil e destinadas a outras entidades – “terceiros” (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). 4. Os fatos geradores identificados foram devidamente lançados conforme relatório RL (Relatório de Lançamentos). O código de levantamento utilizado foi “REF” que nesse auto de infração detalha os valores encontrados na contabilidade da empresa (livros “Diário” números 153 a 188, ano 2000, contas contábeis 5.1.14.01.26.11000 a 5.1.1.14.01.26.608010 do grupo contábil 5.1.14.01.26 de título “Despesas Extraordinárias”). Nas referidas contas constam lançamentos descritos de forma genérica como Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 “despesas extraordinárias”, bem como lançamentos em cuja descrição constam as expressões “comissões”, “incentivo”, “serviço prestado”, “pagto por fora”, “serv. Extra” associadas a nomes de pessoas ou às palavras “colaborador” e “motorista”. Esse conjunto de lançamentos conduz à presunção de que se relacionam diretamente a pagamentos por trabalhos realizados. 4.1 Cópias das folhas dos livros “Diário” onde constam os referidos registros contábeis encontramse juntadas no Auto de Infração Debcad nº 37.171.7256. 5. Os registros descritos como “movimentos caixa bancos” levam à presunção de serem autorizações ou ordens de transferência de valores das contas bancárias da Delara para os “colaboradores” que lhe prestaram trabalho. 6. A fim de confirmar essas constatações o contribuinte foi intimado, em 07/04/2008 e 12/06/2008, para apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos nas contas contábeis em comento. Até a presente data não se atendeu às intimações. Nada restou à fiscalização a não ser tomar por ocorridos os fatos presumidos (pagamentos de remuneração extra folha), aferir indiretamente as bases de cálculo da exação e lançar as contribuições previdenciárias incidentes à espécie. 6.1. Em razão da não apresentação de documentos foi emitido o auto de infração debcad nº 37.171.7221. 7. Os valores encontrados e totalizados por competência foram lançados conforme o código “BC”. 8. Os registros contábeis referentes aos grupo de contas “despesas extraordinárias” estão transcritos, ipsis verbis, a seguir. Ao final de cada competência inseriuse a respectiva totalização. Na seqüência o Relatório Fiscal do Auto de Infração relacionada uma a uma, conta por conta, todas as despesas consideradas como remuneração no presente lançamento, discriminadas por competência e com indicação do histórico resumido do lançamento contábil, seu código, data e respectivo valor. Em seguida, informa que: 13. Os fatos geradores da exação ora lançada são as remunerações pagas a empregados em decorrência (sic) trabalhos prestados conforme esmiuçado nos itens 4 a 8 retro. ... As remunerações e contribuições sociais objeto do presente Auto de Infração não foram declaradas em GFIP (guias de Recolhimento do fundo de garantia e Informações à Previdência Social). Essa omissão já foi relatada em Representação Fiscal para Fins Penais vinculada à NFLD 35.513.8433, ora vinculada à ação penal 2003.70.00.0447174 em trâmite na 1ª Vara Criminal de CuritibaPR. Será comunicado ao juízo da substituição do lançamento. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000432/200824 Acórdão n.º 2401003.715 S2C4T1 Fl. 4 5 Regularmente intimada do lançamento, a autuada apresentou impugnação nos autos, alegando, em síntese, que: o lançamento seria nulo de pleno direito, tendo indicado que se trata de lançamento substitutivo da NFLD nº 35.513.8433, a Fiscalização necessariamente deveria ter juntado aos autos o inteiro teor daquela NFLD a fim de que o contribuinte dela pudesse ter inteiro conhecimento e, assim, poder exercer plenamente sua defesa; além disso, em 2008, ano do presente lançamento, os fatos geradores de contribuição previdenciária ocorridos em 2000 já teriam sido todos atingidos pela decadência, especialmente os descritos nos autos, uma vez que a decisão do CRPS que decidiu pelo cancelamento da NFLD anterior o fez por ali constatar um vício material insanável e não um vício formal, como pretende a Fiscalização ao invocar o artigo 45, inc. II da Lei nº 8.212/91 como fundamento para a exigência; por fim, tendo o artigo 45 da Lei nº 8.212/91 sido considerado inconstitucional, não seria possível utilizarse da previsão do citado inciso II como fundamento do presente lançamento. Recebida a peça de defesa e anexada aos autos, foi informado pela EQCOP da SECAT/DRFCTA, que foram anexados os autos da NFLD nº 35.513.8433 ao presente lançamento, sem, contudo, que disso fosse cientificada a autuada, tendo os autos sido remetidos para julgamento nesta DRJ. É o relatório.” À fl. 73 foi informado que o presente PAF foi apensado ao Processo de nº 12268.000434/200813. Instada a se manifestar acerca da impugnação apresentada às fls. 51/55, a 5ª Turma da DRJ/CTA proferiu o Acórdão de nº 0633.679, abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 AIOP nº 37.171.7230 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente impugnada pelo sujeito passivo. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA A falta de juntada aos autos da notificação anteriormente anulada pela segunda instância administrativa somente seria motivo de nulidade do procedimento por cerceamento de defesa com relação às empresas que antes não tivessem sido cientificadas do teor daqueles autos, hipótese Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 que não se pode acolher quando o sujeito passivo e o sujeito ativo de ambos lançamentos são os mesmos. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO DA AFERIÇÃO INDIRETA. VÍCIO FORMAL Não configura vício material e sim formal a falta de indicação do fundamento legal e da descrição dos fatos que justificariam a apuração da base de cálculo do tributo por meio de aferição indireta, situação em que, para fins de contagem do prazo decadencial, se aplica o disposto no inciso II, do artigo 173 do CTN, com vistas à lavratura do lançamento substitutivo. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO Não configura novo lançamento o lançamento lavrado em substituição ao anteriormente julgado nulo por vício formal, desde que não tenha ocorrido nova auditoria fiscal, apuração de novos fatos geradores ou ampliação da auditoria anterior. Impugnação Procedente em Parte. Devidamente intimada do acórdão de primeira instância (fl. 91), a empresa interpôs Recurso Voluntário de fls. 95/103 dirigido a este Conselho alegando em síntese: · preliminarmente, que seja declarado nulo o acórdão de primeira instância, por ausência de enfrentamento das razões contidas na impugnação que apontam o cerceamento de defesa da recorrente, por não ter sido disponibilizado, nestes autos, as peças referentes ao processo da NFLD substituída; · seja reconhecida a decadência do lançamento na medida em que a última competência teria ocorrido em dezembro de 2000, tendo em vista a anulação da NFLD substituída por vício insanável, sendo este material, e não formal como sustenta o fiscal autuante, e ainda a impossibilidade de amparo no art. 45, II da Lei 8.212/91, artigo este declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante nº 8, tampouco no art. 173, II do CTN, por não tratarse de vício formal. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000432/200824 Acórdão n.º 2401003.715 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como se pôde perceber do relatório, a peça recursal veicula matérias preliminares, não adentrando no mérito da exigência consubstancializada no Auto de Infração DEBCAD de nº 37.171.7230, referente a “Terceiros”, lançado em substituição da NFLD DEBCAD de nº 35.513.8433. Passemos então analisar as razões recursais. CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente, em seu recurso voluntário alega a ocorrência de cerceamento de defesa em relação ao presente lançamento, por não ter sido colacionada à autuação as peças dos autos referentes à NFLD de nº 35.513.8433, anulada anteriormente. Há que se observar, no entanto, que o processo referente à NFLD de nº 35.513.8433, anulada pelo acórdão nº 2059/2006 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, tratouse de autuação diretamente contra a DELARA BRASIL LTDA, atual WDL TÊXTIL LTDA. Esta empresa, ora recorrente, nos autos do Processo Administrativo no qual veio a ser anulada a NFLD de nº 35.513.8433, foi devidamente cientificada daquela autuação, apresentou impugnação, recurso, foi intimada do resultado de julgamento que anulou a referida NFLD, entre outros atos realizados no curso do processo administrativo, como se observa da documentação juntada no PAF de nº 12268.000434/200813, ao qual este foi apensado, às fls. 339/2645, antes do julgamento de primeira instância. Ora, a WDL/Delara alegar eventual desconhecimento dos fatos ocorridos nos autos referentes a NFLD de nº 35.513.8433, de modo a implicar cerceamento de defesa, vai de encontro ao alegado pela própria empresa naqueles autos, obtendo lá uma decisão favorável que culminou na anulação do referido lançamento originário. Compartilho do posicionamento adotado pelo relator do acórdão de primeira instância, cuja parte do voto transcrevo abaixo: “De fato, o Relatório Fiscal do Auto de Infração indica indubitavelmente que o presente lançamento se deu em substituição à NFLD nº 35.513.8433 e, conforme indicado acima no relatório deste voto, os autos desta NFLD somente foram juntados aos autos após a ciência do lançamento ao sujeito passivo e, como também aqui já indicado, desta juntada a empresa não foi cientificada. É certo que no campo puramente formal, estamos diante de uma falha que pode, sim, levar ao cerceamento da defesa da autuada afinal, se este é mero lançamento substitutivo de outro anteriormente anulado, até mesmo para que se possa comparar Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 um e outro para efeito de se apurar se, de fato, tratase de lançamento substitutivo, o primeiro lançamento deveria ter sido juntado aos autos. Entretanto, é preciso lembrar que o Processo Administrativo Fiscal não se rege pelo Princípio da Verdade formal, mas pelo Princípio da Verdade Material. E sob este aspecto, ao menos no que diz respeito à autuada, é absurdo supor que não tenha conhecimento do teor do lançamento anterior, afinal foi ele lavrado contra ela própria!” Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa em relação à recorrente WDL/Delara. DECADÊNCIA Afirma a Recorrente que o Acórdão de nº 2059/2006 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, que determinou a anulação da NFLD nº 35.513.8433, o fez sob a justificativa de ocorrência de vício insanável que implicou em cerceamento de defesa. Segue trecho do citado acórdão: Embora tenha efetuado um arbitramento da base de cálculo utilizada, a auditoria fiscal não informou ao contribuinte que realizou esse procedimento. Não inseriu a fundamentação legal que autoriza o arbitramento no relatório Fundamentos Legais do Débito e, também, não informou no Relatório Fiscal. Toda a motivação e fundamentação que serviram de base ao lançamento devem ser informadas ao notificado. Entendo que deixar de reconhecer e informar ao contribuinte que efetuou um procedimento de arbitramento, a auditoria fiscal cerceou o direito de defesa do mesmo e tal vício não me parece passível de saneamento. Como é cediço, somente os vícios formais são passíveis de saneamento, de modo que é permitido, a depender do caso (e do tipo de vício formal), corrigir o erro durante o próprio processo, desde que oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo autuado, ou até mesmo se socorrer no caso previsto no art. 173, inciso II do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No entanto, para que haja suporte no caso prescrito no inciso II do art. 173 do CTN, se faz necessário que o novel lançamento restrinjase tão somente a “corrigir” o vício formal que o anulou. Ou seja, o suporte fático, fatos geradores, base de cálculo, sujeito passivo, enfim, os aspectos relevantes da relação tributária sejam exatamente os mesmos, corrigindose apenas a formalidade anteriormente não atendida. Daí falarse em “Lançamento Substitutivo” para correção de vício formal. Na presente situação, a meu ver, há três fatores que obstam a aplicação do referido dispositivo. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000432/200824 Acórdão n.º 2401003.715 S2C4T1 Fl. 6 9 O primeiro se diz respeito à fundamentação legal utilizada pelo fiscal autuante. Como sinalizado no relatório, o presente lançamento foi lastreado no art. 45, inciso II da Lei 8.212/91, cujo caput foi declarado inconstitucional pelo STF, e posteriormente retirado integralmente do ordenamento jurídico pela Lei Complementar n 128/2008. Logo, sequer há fundamentação do lançamento no art. 173, inciso II do CTN, de modo que não há como sustentar aplicação do mesmo (situação excepcional) ao presente caso. Segundo. Como visto acima, o acórdão CRPS que anulou a NFLD nº 35.513.8433, o fez por “ocorrência de vício insanável”, por claro cerceamento do direito de defesa do autuado, vez que o crédito exigido não era dotado de certeza e de liquidez, por ausência de fundamentação legal e fática dos métodos utilizados pelo fiscal autuante para aplicação do “arbitramento de base de cálculo”. Logo, tratavase de vício material insanável, e não de vício formal. Se vício formal fosse, o novo lançamento cingirseia à correção da “formalidade da lavratura do auto de infração” que não foi atendida, não sendo este o caso. Trazemos abaixo um precedente da Câmara Superior que, em situação semelhante a dos autos, por não ter a autoridade fiscal se desincumbido do ônus de realizar com perfeição a descrição da ocorrência do fato gerador, bem como da matéria e metodologia utilizada para a quantificação do tributo exigido, foi declarada a nulidade por vício material, vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. [...] Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na decisão dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. [...] Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullitésansgrief ou o princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistemas rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincumbido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Processo n. 36944.005076/200612, recurso n. 248.835, sessão de 06 de novembro de 2012). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Terceiro. Igualmente, como aqui já firmado, para ser Lançamento Substitutivo o lançamento deveria lastrearse sob o mesmo suporte fático e elementos da relação jurídicotributária. Ora, perfeitamente podemos concluir que trata de nova autuação pois a presente se deu a partir da utilização de bases de cálculo distintas para o mesmo período de apuração do lançamento anteriormente anulado, logo, os fatos geradores considerados não foram os mesmos. Por demonstrar de forma clara e objetiva a ausência de vício formal, bem como a impossibilidade de os lançamentos substitutivos inovarem os aspectos intrínsecos do lançamento original, trago os fundamentos esposados no voto do relator do acórdão de primeira instância, Auditor Caio Eduardo Zerbeto Rocha, com os quais convirjo: Como se pode ver, a determinação da base de cálculo da exação é parte fundamental da imposição tributária e, por conseguinte, a correta e indubitável indicação seja do fundamento legal, seja dos fatos que levaram à apuração desta base por meio de aferição indireta é elemento do núcleo do lançamento tributário. E como tal, o vício que se apure relativamente à fundamentação legal e à indicação fática que levou à sua adoção como critério de apuração da base de cálculo do lançamento é certamente um vício material. (...) Analisando o lançamento presente em confronto com o lançamento ao qual se propõe ser substitutivo, se apura que as bases de cálculo apuradas num e noutro não coincidem nas competências 03, 04, 06 e 12/2000. (...) A apuração de bases de cálculos diferentes para as mesmas competências é um indicativo explícito que o segundo lançamento não se trata de mero lançamento substitutivo do primeiro, mas sim de novo lançamento, apurado sobre os mesmos fatos, mas com apuração diversa da base de cálculo. E isso é reforçado pela indicação de que o contribuinte foi novamente intimado a apresentar documentos para que fossem feitas novas verificações (...) Extraise da informação acima que os documentos utilizados para a primeira aferição da base de cálculo foram os mesmos utilizados nesta segunda, afinal, intimado, o contribuinte não apresentou a documentação requisitada e, por isso, foi autuado. Mas se a documentação foi a mesma, se as bases apuradas foram diversas nas competências acima é um indicativo de que foi feita nova apuração dos valores devidos. E um lançamento substitutivo não se presta a novas apurações do montante devido, conforme se extrai dos julgados abaixo: AC. 10247829, de 16/08/2006, publicado no DOU de 23/11/2007, p. 131, rel. MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA (designado) VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 12268.000432/200824 Acórdão n.º 2401003.715 S2C4T1 Fl. 7 11 confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. AC.10806.850, de 20/02/2002, publicado no DOU de 03/05/2002, p. 18, rel. NELSON LÓSSO FILHO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Quando o lançamento originalmente constituído for anulado por vício formal e o novo lançamento resultar em aprimoramento da exigência inicial, a contagem do prazo decadencial deslocase do disposto no inciso II, art. 173 do CTN, para encontrar abrigo no art. 150 e seu parágrafo 4º CTN, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Assim, seja porque o procedimento anterior foi anulado por vício material, seja porque este procedimentos não se poderia ser meramente substitutivo daquele, resta inaplicável ao caso a regra do artigo 173, II, do CTN e, por isso, devese aplicar ao caso concreto a regra decadencial ordinária. E no caso dos autos, seja pela aplicação da regra do §4º, do artigo 150, seja pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I, ambas do Código Tributário NacionalCTN, é certo que em 15/09/2008, data da ciência pessoal do lançamento à DELARA BRASIL LTDA, ou em 18/09/2008, data da ciência por via postal do termo de sujeição passiva aos responsáveis solidários, os fatos geradores de tratam estes autos, todos relativos ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2000, já haviam sido atingidos pela decadência. Logo, não há como sustentar a aplicação do art. 173, inciso II do CTN para a recorrente. Como visto nos acórdãos citados no voto acima transcrito, bem como nos julgados trazidos pelos recorrentes em seus Recursos Voluntários, tal tema é absolutamente pacificado no âmbito deste CARF. Transcrevo abaixo um dos julgados mais recente sobre tal tema, que demonstra inexoravelmente o acerto e a vigência atual deste entendimento: NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO MATERIAL O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. A nulidade do lançamento por vício material, não permite lançamento substitutivo escudado no artigo 173,II, do Código Tributário Nacional. (CARF. Acórdão 2302003.295 –3ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 13 de Agosto de 2014) Por fim, trazemos abaixo entendimento externalizado também recentemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o mesmo assunto de normas gerais de direito tributário: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ACOLHIMENTO DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que encontrase colhido pela decadência o lançamento feito há mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, cabendo seu acolhimento de ofício por se tratar de matéria de Ordem Pública Recurso especial conhecido e negado. (CSRF. Acórdão 9202002.898 – 2ª Turma. Sessão de 12 de Setembro de 2013) Diante de tudo o que fora exposto, tendo em vista que os débitos do Auto de Infração em questão de nº 37.171.7230, referente a contribuições sociais previdenciárias destinadas a terceiros referemse a fatos geradores ocorridos entre 01/01/2000 a 31/12/2000, e intimação em 15/09/2008 (WDL/Delara, fl. 03), voto no sentido de reconhecer a decadência integral do crédito tributário exigido através do presente lançamento, seja com base na regra do §4º, do artigo 150, seja pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I, ambas do CTN, declarandoo extinto por força do art. 156, inciso V também do CTN. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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