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Numero do processo: 10855.720690/2017-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. DESPESAS INSTRUÇÃO.
Desde que devidamente comprovadas, o contribuinte tem direito a dedução das despesas médicas e de instrução tidas com seus dependentes tributários.
Numero da decisão: 2002-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer um dependente (R$ 2.156,52) e cancelar a glosa das despesas médicas do contribuinte ADEMIR GOMES DE ALMEIDA, no valor de R$ 744,65; por maioria manter a glosa do valor de R$ 26,43 para a dependente LINDALCI GOMES PICHININI, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil; e por qualidade cancelar a glosa com despesas de instrução no valor de R$ 1.406,00 da dependente LARISSA GOMES DE ALMEIDA, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Designada a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez para redigir o voto vencedor quanto à manutenção da glosa R$ 26,43 e quanto ao restabelecimento da despesa com instrução, no valor de R$ 1.406,00.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DEDUÇÕES. DESPESAS INSTRUÇÃO. Desde que devidamente comprovadas, o contribuinte tem direito a dedução das despesas médicas e de instrução tidas com seus dependentes tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer um dependente (R$ 2.156,52) e cancelar a glosa das despesas médicas do contribuinte ADEMIR GOMES DE ALMEIDA, no valor de R$ 744,65; por maioria manter a glosa do valor de R$ 26,43 para a dependente LINDALCI GOMES PICHININI, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil; e por qualidade cancelar a glosa com despesas de instrução no valor de R$ 1.406,00 da dependente LARISSA GOMES DE ALMEIDA, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Designada a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez para redigir o voto vencedor quanto à manutenção da glosa R$ 26,43 e quanto ao restabelecimento da despesa com instrução, no valor de R$ 1.406,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 06 90 /2 01 7- 76 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10855.720690/201776 Acórdão n.º 2002000.256 S2C0T2 Fl. 214 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.173/175) contra decisão de primeira instância (fls.151/163), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação apresentada pelo interessado contra lançamento de ofício formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 137/144, (numeração eprocesso), que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA) relativa ao exercício 2015, anocalendário 2014, de imposto a restituir de R$ 199,45 para imposto suplementar de R$ 6.587,52. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual apresentada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 6.469,56, conforme demonstrado abaixo: Dependentes glosados Motivo da glosa Maria Eduarda Gomes de Almeida Não comprovou relação de dependência. Geni Marques Rodrigues de Almeida Não comprovou relação de dependência. Luciana Gomes de Almeida Não comprovou a condição de universitário. Acrescentou a autoridade autuante: “Contribuinte apresentou documentos em resposta à intimação. Apresentou diploma emitido em 2014 indicando que a filha Larissa cursava faculdade neste ano. Não apresentou comprovação de que a filha Luciana cursava faculdade ou escola técnica de 2º grau em 2014. Não apresentou certidão de nascimento ou RG de Maria Eduarda Gomes de Almeida, indicada como filha na DIRPF. Não apresentou documento de identidade, certidão de nascimento ou de casamento, de Geni Marques Rodrigues de Almeida (informada com o nome incorreto na DIRPF, e informada na condição de madrasta na DIRPF).” Dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 5.658,83; Acrescentou a autoridade autuante: “Contribuinte apresentou documentos em resposta à intimação. Informou o pagamento de R$ 11.137,00 na DIRPF para a Congregação São Bento, referente à Maria Eduarda, informada como filha, todavia não comprovou ser pai da mesma (só apresentou 1 boleto com autenticação bancária, de pagamento para esta PJ, no valor de R$ 393,46). Apresentou boletos do Instituto P. Mackenzie sem autenticação bancária.” Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10855.720690/201776 Acórdão n.º 2002000.256 S2C0T2 Fl. 215 3 Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 12.551,52, conforme abaixo demonstrado: Beneficiário do Pagamento Paciente Valor glosado Motivo da glosa Associação Brasileira dos Não apresentou comprovação, além da já aceita (R$ Titular 3.874,52 Empregados 6.044,48). Notre Dame Intermedica Lindalci G. PIchinini 2.071,00 Não apresentou comprovação. Pagamento a pessoa que não é dependente, boletos com autenticação bancária apresentados no valor de Maria Eduarda Gomes Notre Dame Intermedica 1.874,00 R$ 937,00 e documentos apresentados indicam que de Almeida. o responsável pelo pagamento é Maria Eduarda e não o interessado. Apresentou apenas 1 boleto com autenticação Mediplan Assistencial Ltda Luciana G. de Almeida 512,00 mecânica, no valor de R$ 175,40, contudo para Luciana, cuja dependência foi questionada (glosada). Mediplan Assistencial Ltda Larissa G. de Almeida 512,00 Boletos apresentados sem comprovação mecânica. Não apresentou documento emitido pela empresa, Mediplan Assistencial Ltda Geni R. M. Almeida 3.708,00 referente à Geni (dependente glosada), cuja dependência foi questionada (glosada). Cientificado do lançamento em 24/01/17 (AR à fl. 145), o interessado apresentou impugnação em 21/02/2017 (fls. 04/06 e 09/13). Em apertada síntese, afirma que: apresentou documentos em atendimento à intimação, não havendo razão para se falar na obrigatoriedade do pagamento de tributo; faz jus às deduções, conforme documentos que junta; destaca que junta certidão de casamento de Geni Marques Rodrigues Almeida (madrasta idosa) colaciona texto de doutos e jurisprudência. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÕES. DEPENDENTES. Apenas quando comprovada a relação de dependência, deve o montante correspondente ser deduzido da base de cálculo sujeita à incidência do Imposto de Renda. DEDUÇÕES. DESPESAS INSTRUÇÃO. Apenas é dedutível da base de cálculo do imposto de renda devido a despesa com instrução comprovada, relativa ao contribuinte e seus dependentes. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Apenas é dedutível da base de cálculo do imposto de renda devido a despesa médica comprovada, relativa ao contribuinte e seus dependentes. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10855.720690/201776 Acórdão n.º 2002000.256 S2C0T2 Fl. 216 4 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 14/08/2017 (fl.170); Recurso Voluntário protocolado em 31/08/2017 (fl.171), assinado pelo próprio contribuinte. À partida destaco que a preliminar lançada pelo contribuinte em seu recurso voluntário em verdade tratase de mérito quanto a despesa com dependente, e será assim analisada. Quanto a dependente Luciana Gomes de Almeida, com 24 anos de idade no anocalendário em apreço (certidão de nascimento de fl.26), até o julgamento pela primeira instância, o contribuinte não havia feito prova da sua condição de universitária, porém, em sede de recurso, o contribuinte juntou à fl. 177 o histórico escolar de sua filha perante a PUCSP no curso de enfermagem, bem como o diploma de graduação (fls. 178/179), provando, assim, que a época do anocalendário em discussão, a filha Luciana Gomes de Almeida ostentava a condição de dependente tributária do contribuinte. Reconhecida que foi a condição de dependente tributária da Sra. Luciana Gomes de Almeida, a despesa médica comprovada pelos recibos de fls. 190/193 merece reconhecimento, motivo pela qual cancelo a glosa no valor de R$ 512,00. Reformo. Infelizmente, o rol taxativo do artigo 77 do RIR/99 não contempla a madrasta, sendo, portanto, impossível reconhecer a condição de dependente tributária. Mantenho a glosa. O documento de fl. 208, juntado quando a interposição do Recurso Voluntário, que vem a ser o Demonstrativo de Pagamento exarado pelo Plano de Saúde da Sra. Lindalci Gomes Pichinini, autoriza o cancelamento da glosa, pois comprova o pagamento de despesas médicas tida pelo contribuinte com a sua dependente. Registro, por relevante, que apesar de o contribuinte ter lançado em sua DAA a despesa médica no valor de R$ 2.071,00 (fl.129), e o documento de fl. 208 constar o valor de R$ 2.044,57, entendo que insignificante a diferença de R$ 26,43, portanto é de se deferir o cancelamento da glosa integralmente. Reformo, no particular. Quanto a glosa das despesas médicas em nome da dependente Larissa Gomes de Almeida, estas restam mantidas na forma do julgamento feito pela DRJ, pois nenhuma documentação diversa da apresentada quando do julgamento da impugnação foi apresentada em sede de recurso, sendo que as razões expedidas no julgamento a quo não restaram Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10855.720690/201776 Acórdão n.º 2002000.256 S2C0T2 Fl. 217 5 infirmadas e são mantidas. Registro que o documento de fl. 113, continua sendo ilegível o pagamento no documento juntado à fl. 204. A glosa de despesa médica em nome do contribuinte referente ao vencimento de 25/03/2014, única não aceita pelo julgamento primeiro, deve ser expungida, pois o documento de fls. 206/207, juntado em sede de recurso, está legível e comprova o pagamento da despesa. Dáse provimento. No tocante a despesa com instrução da dependente LARISSA GOMES DE ALMEIDA, a decisão primeira havia cancelado parcialmente a glosa, reconhecendo comprovado o pagamento no valor de R$ 877,00 (fl.159), sendo que o boleto e a prova de pagamento constante do documento de fl. 43 estava ilegível. Pois bem, apesar de entender que o contribuinte não apresentou razões recursais neste particular, tendo apenas resumido os fatos ocorridos nos autos, em razão da discussão em sessão e pela formação da maioria, passo a analisar o tema, reservando meu entendimento que é obrigação do recorrente apresentar razões que contrariem a fundamentação da decisão primeira, sob pena de não ser conhecido o recurso. Dito isto, observo que o documento de fls. 199/200 é o mesmo do de fls. 201/202, observo ainda que o boleto de fl. 200 está no valor de R$ 1.406,00 e o comprovante de pagamento juntado à fl. 199 está no valor de R$ 1.438,82, não sendo possível afirmar se este pagamento de fato se refere ao boleto de fl. 200, até porque a sua legibilidade ainda é parcial e não há discriminação a respeito do que se refere esta diferença de valores. Nada a deferir. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dou provimento parcial, cancelandose integralmente a glosa com a despesa médica e a dedução da dependente LUCIANA GOMES DE ALMEIDA e da despesa médica da dependente LINDALCI GOMES PICHININI, e do contribuinte ADEMIR GOMES DE ALMEIDA, no valor de R$ 744,65, mantendose, no mais, o julgamento primeiro. Determino, ainda, o recálculo do imposto devido e da respectiva multa. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10855.720690/201776 Acórdão n.º 2002000.256 S2C0T2 Fl. 218 6 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator no tocante a duas deduções. No tocante à despesa médica no valor de R$26,43, que tem como beneficiária a dependente Lindalci, entendo que a glosa deve ser mantida, uma vez que o pagamento do valor indicado não restou comprovado. Como consignado pelo relator, o recorrente declarou o valor de R$ 2.071,00 (fl.129), mas trouxe comprovação do pagamento de R$ 2.044,57, sendo que parte dessa despesa já fora acatada na decisão de piso. Ainda que o relator considere a despesa insignificante, é preciso observar a legislação de regência impõe que a despesa dedutível é aquela cujo pagamento reste comprovado, havendo referência expressa a "pagamentos efetuados". Nesse sentido, cabe transcrever o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: .... III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destaques acrescidos) Dessa feita, a glosa do valor de R$26,43, referente ao plano de saúde da dependente Lindalci, deve ser mantida. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10855.720690/201776 Acórdão n.º 2002000.256 S2C0T2 Fl. 219 7 Quanto à despesa com instrução, no valor de R$1.406,00, o relator apontou a legibilidade parcial do documento de fl.199, bem como a divergência de valores entre esse comprovante e o boleto de fl.200. Quanto à legibilidade do comprovante de documento, é possível identificar a data de pagamento (20/1/2014) e o valor (R$1.438,82), sendo documento semelhante aos constantes de fls.45/46, já acatados pelo colegiado de primeira instância. No tocante à diferença dos valores, do exame do boleto bancário (fl.200), verificase que a diferença se justifica pelo fato do pagamento ter se dado após o vencimento, que se deu em 10/1/2014, o que fez incidir mora de R$0,48 ao dia e multa de R$28,12. Pelo exposto, entendo que resta comprovado o pagamento de instrução com a dependente Larissa no valor de R$1406,00. À vista dessas constatações, deve: ser mantida a glosa da despesa médica no valor de R$26,43, e ser restabelecida a despesa com instrução no valor de R$1.406,00. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001829/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. FATO GERADOR MENSAL.
1. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês.
2. Quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003.
NULIDADES. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO E AUTO DEVIDAMENTE MOTIVADOS.
1. A fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente.
2. O acórdão recorrido enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendo-o de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório.
Numero da decisão: 2402-006.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. FATO GERADOR MENSAL. 1. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês. 2. Quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003. NULIDADES. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO E AUTO DEVIDAMENTE MOTIVADOS. 1. A fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente. 2. O acórdão recorrido enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendo-o de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório.
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DECADÊNCIA. FATO GERADOR MENSAL. 1. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês. 2. Quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003. NULIDADES. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO E AUTO DEVIDAMENTE MOTIVADOS. 1. A fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente. 2. O acórdão recorrido enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendoo de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 18 29 /2 00 8- 92 Fl. 152DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração, no montante de R$1.421.776,54, para a constituição e cobrança das contribuições devidas à seguridade social, relativas às contribuições dos segurados, descontadas e não recolhidas. De acordo com o relatório fiscal, serviram de base para o levantamento as folhas de pagamento, notas de empenho, portarias de nomeação, GFIPs, entre outros.. O município apresentou impugnação tempestiva, na qual alegou: 1. a decadência das contribuições cujos fatos geradores são anteriores a 26/12/2003 (art. 150, § 4º, do CTN); 2. a nulidade do auto de infração por não atender ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional e no artigo 10, III e IV, do Decreto n° 70.235/72, alegando a inexistência, nos autos, da descrição objetiva dos fatos que teriam gerado a obrigação e os respectivos enquadramentos legais; 3. o auto de infração não veio instruído com demonstrativo apto a indicar exatamente quais receitas integraram a base de cálculo, em cada período de apuração, inviabilizando o exercício dos direitos ao contraditório e à ampla defesa; 4. impugna expressamente a totalidade dos valores registrados no auto de infração, aduzindo serem os mesmos indevidos; 5. requer a realização de diligência com a finalidade de decompor e destacar separadamente os valores e respectivas rubricas que integram os valores tributáveis. Apresenta os quesitos e indica assistente técnico; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11444.001829/200892 Acórdão n.º 2402006.267 S2C4T2 Fl. 3 3 6. requer, finalmente, o acolhimento das preliminares suscitadas, reconhecendo a decadência parcial e a nulidade do auto de infração. No mérito, requer a insubsistência e o arquivamento do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas quando presentes nos autos todos os elementos necessários ao seu correto entendimento. O contribuinte foi intimado da decisão em 30/03/2010 e interpôs recurso voluntário em 29/04/2010, no qual reiterou os seguintes fundamentos de sua impugnação: 1. decadência parcial, cujo termo final é em 26/12/2003, uma vez que a autuação é de 26/12/2008; 2. existência de cerceamento de defesa diante da ausência de especificação da matéria tributável e da falta de específica descrição dos fatos que ensejaram a autuação; 3. no mérito, afirma que a decisão recorrida não motivou adequadamente a "pertinência dos valores registrados no auto de infração". Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 154DF CARF MF 4 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Das questões preliminares 2.1 DA DECADÊNCIA O recorrente afirma que o termo final seria em 26/12/2003, uma vez que a autuação é de 26/12/2008. Lembrese que a DRJ decotou do lançamento as contribuições relativas ao período de 12/2002 a 11/2003. Pois bem. O fato de o lançamento ter sido realizado em 26/12/2008 não altera o resultado da decisão recorrida. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês. Em sendo assim, quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003. Logo, deve ser negado provimento ao recurso neste particular. 2.2 DA FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Em tópico de mérito, o recorrente afirma que a decisão recorrida não teria motivado adequadamente a pertinência dos valores registrados no auto de infração. Essa alegação será recebida como preliminar, pois, se fosse acolhida, implicaria a nulidade da decisão por preterição do direito de defesa. Significa dizer que se a decisão recorrida tivesse vício de motivação, este Conselho teria que declarar a sua nulidade (art. 59 do Decreto 70235/72), o que impediria o exame de mérito do Auto de Infração. O que se observa, contudo, é que a fiscalização, ao examinar as folhas de pagamento, os recibos de pagamento de autônomos, as notas de empenho, as notas fiscais de prestação de serviços, os contratos de prestação de serviços, o livro razão analítico de despesas e de fornecedores, as rescisões de contrato de trabalho, as GFIPs, entre outros documentos elaborados pelo próprio sujeito passivo ou por ele detidos, identificou o fato gerador das contribuições ora lançadas, procedendo, ainda, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do tributo devido, à identificação do sujeito passivo, enfim, realizando todos os atos necessários à constituição do crédito. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11444.001829/200892 Acórdão n.º 2402006.267 S2C4T2 Fl. 4 5 Foram relatados todos os fatos que, no entender da autoridade autuante, implicavam o dever de pagar o tributo e os demais consectários legais dele decorrentes (tais como juros e multa) e o auto tem vários anexos, entre os quais o anexo "FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO". A DRJ, ainda, antes de proceder ao julgamento da impugnação apresentada pelo contribuinte, converteu o julgamento em diligência, para fazer constar nos autos a relação pormenorizada dos transportadores autônomos, dos membros do conselho tutelar e dos contribuintes individuais, inclusive com a apresentação das planilhas demonstrativas, o que trouxe maior clareza à fiscalização, propiciando um trabalho mais adequado à defesa do contribuinte. Ademais, e noutro giro, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu ao recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Ou seja, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente. Ao julgar a impugnação do sujeito passivo, por outro lado, impugnação que estava mais centrada em teses preliminares do que propriamente meritórias, a Delegacia de Julgamento enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendoo de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório. Nesse contexto, devem ser rejeitadas as preliminares de nulidade da decisão recorrida e de nulidade do Auto de Infração. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005380/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PRELIMINARES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INADEQUAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DO ATO. IRRETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDÊNCIA.
Não há que se falar de cerceamento de defesa, com fulcro em devolução parcial de documentos devolvidos, quando estes dizem respeito apenas à apuração parcial de crédito tributário vinculado à obrigação tributária e período de apuração específico, inexistindo o encerramento da ação fiscal que prosseguiu normalmente no que tange às verificações do cumprimento das demais obrigações tributárias descritas no MPF-F. No caso concreto, a Recorrente, em nenhum momento, solicitou a devolução de documentos que a Fiscalização reteve, o que, per se, revela que não eram imprescindíveis à interposição do Recurso Voluntário em apreço, como também não o foram quando da impugnação interposta à instância de piso.
Não há que se falar de eventual inadequação jurídica do ato de exclusão da empresa do Simples Federal quando a matéria já foi objeto de outro processo administrativo fiscal, inclusive com pronunciamento definitivo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sobre a matéria.
A retroatividade dos efeitos do ato de exclusão da empresa do Simples Federal é determinada pela legislação tributária e seu eventual afastamento por suposta ofensa ao Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária é matéria que foge à competência material do Processo Administrativo Fiscal.
Um dos efeitos imediatos da exclusão do Simples Federal é a tributação pelas regras aplicáveis às empresas em geral, ex vi legis.
GFIP. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. LANÇAMENTO DE MULTA. PROCEDÊNCIA.
Todas as empresas, independentemente do regime de tributação, são obrigadas a informar mensalmente ao INSS, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no § 4°. do art. 32 da Lei n. 8.212/1991.
QUESTÕES DE MÉRITO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTAÇÃO E DE CONJUNTO PROBATÓRIO.
Ausente argumentação de mérito acompanhada de conjunto probatório com força suficiente para ilidir o lançamento, resta prejudicada a sua apreciação.
Numero da decisão: 2402-006.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PRELIMINARES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INADEQUAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DO ATO. IRRETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDÊNCIA. Não há que se falar de cerceamento de defesa, com fulcro em devolução parcial de documentos devolvidos, quando estes dizem respeito apenas à apuração parcial de crédito tributário vinculado à obrigação tributária e período de apuração específico, inexistindo o encerramento da ação fiscal que prosseguiu normalmente no que tange às verificações do cumprimento das demais obrigações tributárias descritas no MPFF. No caso concreto, a Recorrente, em nenhum momento, solicitou a devolução de documentos que a Fiscalização reteve, o que, per se, revela que não eram imprescindíveis à interposição do Recurso Voluntário em apreço, como também não o foram quando da impugnação interposta à instância de piso. Não há que se falar de eventual inadequação jurídica do ato de exclusão da empresa do Simples Federal quando a matéria já foi objeto de outro processo administrativo fiscal, inclusive com pronunciamento definitivo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sobre a matéria. A retroatividade dos efeitos do ato de exclusão da empresa do Simples Federal é determinada pela legislação tributária e seu eventual afastamento por suposta ofensa ao Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária é matéria que foge à competência material do Processo Administrativo Fiscal. Um dos efeitos imediatos da exclusão do Simples Federal é a tributação pelas regras aplicáveis às empresas em geral, ex vi legis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 53 80 /2 01 0- 73 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10950.005380/201073 Acórdão n.º 2402006.489 S2C4T2 Fl. 102 2 GFIP. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. LANÇAMENTO DE MULTA. PROCEDÊNCIA. Todas as empresas, independentemente do regime de tributação, são obrigadas a informar mensalmente ao INSS, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no § 4°. do art. 32 da Lei n. 8.212/1991. QUESTÕES DE MÉRITO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTAÇÃO E DE CONJUNTO PROBATÓRIO. Ausente argumentação de mérito acompanhada de conjunto probatório com força suficiente para ilidir o lançamento, resta prejudicada a sua apreciação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 243/256 em face do Acórdão n. 06 31.601 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA (efls. 228/237), que julgou improcedente a impugnação de efls. 215/224 e manteve o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.272.4000 Código de Fundamentação Legal 68 valor total de R$ 62.998,76 constituído em 15/10/2010 (efls. 02/05) relativo a descumprimento de obrigação acessória, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 130/146. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10950.005380/201073 Acórdão n.º 2402006.489 S2C4T2 Fl. 103 3 A Recorrente apresentou em 16/11/2010 a impugnação de efls. 215/224, julgadas improcedentes pela DRJ/CTA, conforme entendimento assim sumarizado no Acórdão n. 0631.601 (efls. 228/237): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AIOP 37.272.4000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVOLUÇÃO PARCIAL DE DOCUMENTOS A devolução parcial de documentos quando motivada pelo encerramento também parcial da Ação Fiscal não conduz diretamente ao cerceamento da defesa do contribuinte, especialmente se este sequer tiver requisitado à Fiscalização a devolução ou cópias dos documentos retidos para apreciação quando da elaboração de sua defesa, não se podendo dizer de recusa do que não foi requerido. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. INADEQUAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DO ATO. A discussão relativa à eventual inadequação jurídica do ato de exclusão da empresa do SIMPLES é matéria que deve ser discutida nos autos relativos especificamente à exclusão e não nos eventuais lançamentos de créditos tributários dali decorrentes. IRRETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SIMPLES. A retroatividade dos efeitos do ato de exclusão da empresa do SIMPLES é determinada pela legislação tributária e seu eventual afastamento por suposta ofensa ao Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária é matéria que foge à competência material do Processo Administrativo Fiscal. EXCLUSÃO DO SIMPLES E CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO CONCOMITANTE. NULIDADE. Efeito imediato da exclusão da empresa do SIMPLES é sua tributação pelas regras aplicáveis às empresas em geral, de maneira que ao Fisco, tendo conhecimento da exclusão e da existência de créditos tributários não constituídos, resta obrigatória a sua constituição pelo lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 0631.601 (efls. 228/237) em 06/06/2011 (efls. 238/239), a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário (efls. 243/256), com data de 06/07/2011, aduzindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da impugnação, a saber: PRELIMINARMENTE: i) Nulidade do lançamento em virtude de cerceamento de defesa por não lhe terem sido devolvidos todos os documentos entregues à Fiscalização durante a Ação Fiscal, sem os quais a empresa não pode exercer plenamente o seu direito de defesa, bem assim porque a lei previa que, se a pessoa jurídica optou pelo ingresso no sistema (SIMPLES), mas perdeu o direito— ao ingresso por fato superveniente, a legislação determinada (sic) que fosse excluída a partir do próximo exercício fiscal, preservando, assim, a segurança jurídica; Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10950.005380/201073 Acórdão n.º 2402006.489 S2C4T2 Fl. 104 4 ii) o Ato Declaratório Executivo n° 91, de 21/09/2010, que excluiu a empresa do SIMPLES e serviu de marco para que o lançamento ocorresse, seria meio inadequado para o fim desejado pois, como ato declaratório, apenas reconheceria e declararia determinada situação ou fato, sendo que no caso concreto,. que se trata de exclusão do regime diferenciado de tributação, o ato adequado seria um ato constitutivo. iii) Não observância do Princípio da Irretroatividade uma vez que o Ato Declaratório Executivo n. 91/2010, determinaria que os .efeitos da exclusão da empresa do SIMPLES deveriam retroagir a 01/01/2007; iv) não teria sido observado o efeito suspensivo da exclusão da empresa do SIMPLES uma vez que aquela exclusão foi impugnada pela empresa enquanto não houvesse uma decisão administrativa definitiva para aquela exclusão, não poderia ser constituído o crédito tributário que decorreria da exclusão, sendo nulo. NO MÉRITO: v) Conforme demonstrado na preliminar, o fisco deu causa ao cerceamento de defesa, haja vista ter o mesmo utilizado e analisado os livros contábeis, livros de entradas e saídas e de prestação de serviços (conforme bem comprovado no tópico "Documentos analisados'), documentos estes os quais foram analisados concomitantemente com os demais documentos os quais foram devolvidos ao Recorrente; vi) A não devolução dos ditos documentos que encontramse apreendidos os quais foram "analisados" pelo fisco, conforme já demonstrado, gerou o cerceamento de defesa, inviabilizando o contraditório, impedindose a apresentação de defesa quanto ao mérito da causa, motivo pelo qual, pedese a nulidade do lançamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 243/256) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Para uma melhor contextualização da lide em apreço, é oportuno destacar que o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.272.4000 (efls. 02/05) tem origem na exclusão da Recorrente do regime de tributação Simples Federal, consubstanciada no Ato Declaratório Executivo n. 91, de 21/09/2010, com efeitos a partir de 01/01/2007 (efl. 43), conforme elucida o Relatório Fiscal (efls. 130/146). Outrossim, é também relevante ressaltar que a exclusão em tela é resultante de procedimento administrativo abrigado no processo n. 10950.005178/201041, no âmbito do qual teve direito ao contraditório e à ampla defesa. Muito bem. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10950.005380/201073 Acórdão n.º 2402006.489 S2C4T2 Fl. 105 5 Preliminarmente, a Recorrente alega cerceamento de defesa em virtude de não lhe terem sido devolvidos todos os documentos entregues à Fiscalização durante a Ação Fiscal, sem os quais a empresa não pode exercer plenamente o seu direito de defesa, bem assim porque a lei previa que, se a pessoa jurídica optou pelo ingresso no sistema (Simples Federal), mas perdeu o direito ao ingresso por fato superveniente, a legislação determinava que fosse excluída a partir do próximo exercício fiscal, preservando, assim, a segurança jurídica. Não obstante o Termo de Devolução Parcial de Documentos (efl. 152), resta elucidada à efl. 151 a razão pela qual ocorreu a devolução de forma apenas parcial: a ação fiscal abrigada no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n. 0910500.2009.008090 foi encerrada totalmente apenas no que se refere às Contribuições Previdenciárias e para Outras Entidades Terceiros no período de 01/2006 a 12/2007, tendo o seu prosseguimento normal no que tange às verificações do cumprimento das demais obrigações tributárias descritas no retrocitado MPF. Desta forma, os documentos devolvidos à Recorrente dizem respeito às obrigações tributárias acima especificadas e vinculadas ao período de apuração 01/2006 a 12/2007, destacandose que a Recorrente, em nenhum momento, solicitou a devolução dos demais documentos (referentes às demais obrigações tributárias) que a Fiscalização reteve, o que, per se, revela que não eram imprescindíveis à interposição do Recurso Voluntário em apreço, como também não o foram quando da impugnação, espancandose assim qualquer alegação de cerceamento de defesa. Quanto ao questionamento relativo à eventual irregularidade do ato de exclusão do Simples Federal (ADE n. 91/2010), resta prejudicada a sua apreciação no âmbito deste processo, vez que foi objeto do Processo Administrativo Fiscal n. 10950.005178/2010 41, havendo, inclusive, pronunciamento definitivo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sobre a matéria, nos termos do Acórdão n. 110300577. Ainda em sede de preliminar, a Recorrente argumenta sobre a nulidade do lançamento em lide com espeque na irretroatividade dos efeitos da exclusão do Simples Federal, vez que, no seu entendimento, não poderiam ser retroativos, bem assim na não observância do efeito suspensivo decorrente do recurso apresentado em face da exclusão do Simples Federal. Os arts. 15 e 16 da Lei n. 9.317/1996 (Simples Federal), vigente à época dos fatos e que disciplinava o regime de tributação Simples Federal, são suficientemente claros ao definir o marco temporal dos efeitos da exclusão, bem como a ausência de previsão de efeito suspensivo em face de recurso que venha a ser interposto, verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°. [...](grifei) Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (grifei) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10950.005380/201073 Acórdão n.º 2402006.489 S2C4T2 Fl. 106 6 No caso concreto, a Recorrente incidiu na hipótese do art. 9°, II, vez que auferiu no anocalendário 2006 receita bruta superior a R$ 2.400.000,00, surtindo, destarte, efeitos a exclusão do Simples a partir de 01/01/2007, conforme consignado no ADE n. 91/2010. Isto posto, rejeito as preliminares, No mérito, verificase que a Recorrente não aduz argumentação plausível de ser apreciada, com mais razão ainda pela ausência de conjunto probatório capaz de ilidir os fundamentos do lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.272.4000 (efls. 02/05). Com efeito, a Recorrente limitouse à argumentação nos seguintes termos: Conforme demonstrado em preliminar, o fisco deu causa ao cerceamento de defesa, haja vista ter o mesmo utilizado e analisado os livros contábeis, livro de entradas e saídas e de prestação de serviços (conforme bem comprovado notópico "Documentos Analisados'), documentos estes os quais foram analisados concomitantemente com os demais documentos os quais foram devolvidos ao Recorrente. A não devolução dos ditos documentos que encontramse apreendidos os quais foram "analisados" pelo fisco, conforme já demonstrado, gerou o cerceamento de defesa, inviabilizando o contraditório, impedindose a apresentação de defesa quanto ao mérito da causa, motivo pelo qual, pedese a nulidade do lançamento. Não obstante a escassa argumentação da Recorrente em sede de recurso voluntário, entendo oportunas as considerações que teço a seguir acerca da matéria em lide. A Lei n. 9.317/1996, amoldandose à essência do art. 179 da CF/88, ao dispor sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Federal. Assim, a partir da opção pelo regime de tributação Simples, a pessoa jurídica que se enquadrasse nos requisitos determinados pelo retrocitado diploma legal recolheria os tributos nela previstos de forma unificada, inclusive as contribuições para a Seguridade Social a cargo da empresa discriminadas no art. 22 da Lei n. 8.212/1991. Todavia, restou excluída da sistemática de unificação de tributos a incidência das contribuições sociais previdenciárias para a Seguridade Social do Segurado, previstas nos arts. 20 e 21 da Lei n. 8.212/1991. Posteriormente, a Lei Complementar n. 123/2006 revogou a Lei n. 9.317/1996 e instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, determinando recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos tributos mencionados em seu art. 13, entre os quais a contribuição patronal (art. 22 da Lei n. 8.212/1991) e, da mesma forma que o diploma legal revogado, não incluiu a contribuição dos segurados (arts. 20 e 21 da Lei n. 8212/1991). No caso concreto, conforme já relatado, a Recorrente foi excluída do regime de tributação Simples Federal com efeitos a partir de 01/01/2007, havendo a Fiscalização procedido à lavratura de autos de infração por descumprimento de obrigação acessória consubstanciada em apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10950.005380/201073 Acórdão n.º 2402006.489 S2C4T2 Fl. 107 7 geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme caracterizado nas razões de fato e de direito consignadas no Relatório Fiscal de efls. 130/146. Todavia, a Recorrente replica, de forma genérica, nas preliminares e no mérito, as mesmas alegações utilizadas em face das autuações referentes aos Autos de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal (AIOP), objeto de processos próprios, e não enfrenta de forma específica o lançamento consignado no Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória (AIOA) DEBCAD n. 37.308.4000, lavrado por descumprimento de obrigação acessória sob Código de Fundamentação Legal 68, no valor de R$ 62.998,76. É oportuno destacar que o lançamento do crédito tributário em lide, referente a descumprimento de obrigação acessória, independe do regime de tributação em que esteja enquadrada a pessoa jurídica (empresa), inclusive Simples (Federal ou Nacional), nos termos do art. 32, IV, e §§ 3°. e 5°., da Lei n. 8.212/1991, em consonância com o disposto no art. 284, II, do Decreto n. 3.048/1999, com a redação dada pelo Decreto n. 4.729/2003. Com efeito, todas as empresas são obrigadas a informar mensalmente ao INSS, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no § 4°. do art. 32 da Lei n. 8.212/1991. Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 243/256), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 266DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720181/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 81 /2 01 1- 87 Fl. 59244DF CARF MF Processo nº 10410.720181/201187 Acórdão n.º 3401004.995 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59245DF CARF MF Processo nº 10410.720181/201187 Acórdão n.º 3401004.995 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59246DF CARF MF Processo nº 10410.720181/201187 Acórdão n.º 3401004.995 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59247DF CARF MF Processo nº 10410.720181/201187 Acórdão n.º 3401004.995 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59248DF CARF MF Processo nº 10410.720181/201187 Acórdão n.º 3401004.995 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59249DF CARF MF Processo nº 10410.720181/201187 Acórdão n.º 3401004.995 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59250DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.000114/2002-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
FRETES NA COMPRA DE INSUMOS
Os fretes não são computados no cálculo do crédito presumido porque não são insumos a serem aplicados no processo produtivo.
AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS
Os valores dos insumos adquiridos de cooperativas devem ser inclusos no cálculo do crédito presumido com arrimo no julgamento do Recurso Especial 993.164, julgado em sede de repetitivo.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Recurso especial do contribuinte e da Fazenda parcialmente providos.
Numero da decisão: 9303-007.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para (i) restabelecer a glosa dos fretes referente à aquisição de insumos; e (ii) determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, considerando como termo final a data do efetivo pagamento de cada glosa revertida. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para (i) restabelecer a glosa dos fretes referente à aquisição de insumos; e (ii) determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, considerando como termo final a data do efetivo pagamento de cada glosa revertida. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 FRETES NA COMPRA DE INSUMOS Os fretes não são computados no cálculo do crédito presumido porque não são insumos a serem aplicados no processo produtivo. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS Os valores dos insumos adquiridos de cooperativas devem ser inclusos no cálculo do crédito presumido com arrimo no julgamento do Recurso Especial 993.164, julgado em sede de repetitivo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Recurso especial do contribuinte e da Fazenda parcialmente providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para (i) restabelecer a glosa dos fretes referente à aquisição de insumos; e (ii) determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, considerando como termo final a data do efetivo pagamento de cada glosa revertida. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 1. 00 01 14 /2 00 2- 76 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13051.000114/200276 Acórdão n.º 9303007.155 CSRFT3 Fl. 3 2 do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte e da Fazenda contra o Acórdão 220100.208 (fls. 334/343), de 08/05/2009, o qual teve o seguinte resultado, nos termos do acórdão em embargos 340100.361, de 19/10/2009 (fl. 351/353) : A Fazenda manejou recurso especial de contrariedade à lei (fls. 356/370), admitido na íntegra pelo despacho de fl. 385, postulando a reforma do aresto recorrido para que seja restabelecida a glosa "quanto às aquisições de cooperativa e quanto aos fretes relacionados a esses insumos". O contribuinte, em contrarrazões (fl. 389/390), pugnou pelo improvimento do especial interposto pela Fazenda. De sua feita, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência (fls. 398/402), admitido pelo Despacho de fls. 479/484 apenas em relação à taxa SELIC, postulando que seja incluído no cálculo do crédito presumido os valores das aquisições de insumos de pessoas físicas e "a atualização dos créditos deferidos pela SELIC". É o relatório. Voto Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13051.000114/200276 Acórdão n.º 9303007.155 CSRFT3 Fl. 4 3 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço dos recursos do contribuinte e da Fazenda nos termos em que admitidos. Emerge do relatado que a matéria devolvida a nosso conhecimento cingese ao pedido da Fazenda para que seja restabelecida a glosa dos valores adquiridos de cooperativas e o frete pago na aquisição desses insumos, e o pleito do contribuinte, na parte admitida, é para que sobre os valores ressarcidos seja aplicada a taxa SELIC. I RECURSO DA FAZENDA NACIONAL FRETE DE INSUMOS Dispõe a lei instituidora do benefício (Lei 9.363) no parágrafo único do art 3°, que: “Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”.(grifei) Sem embargo, entendo que o legislador foi explícito que em relação às hipóteses elencadas deve ser aplicado, quando não suficientemente claro os conceitos abarcados pela própria norma instituidora do benefício, as leis de regência do IR e do IPI. Assim, restrito os contornos do litígio em relação a quais produtos se incluem no conceito de matérias primas ou produtos intermediários, é de aplicarse então, subsidiariamente, a legislação do IPI. E, cediço, o termo legislação é amplo, não se restringindo à lei em seu sentido formal, mas compreendendo também as normas infralegais, como os decretos e atos administrativos pertinentes à matéria. Dessarte, não sendo a lei instituidora do benefício definitivamente clara quanto a tais conceitos, determina o legislador, vez que se utilizou da sistemática do IPI para concessão do ressarcimento daquelas contribuições embutidas nos produtos efetivamente exportados, que seu alcance deve ser buscado na legislação de regência daquele tributo. Esse é o alcance do termo subsidiário. Tenho para mim que só podem dar margem a ressarcimento de PIS e COFINS, a título de crédito presumido de IPI, aquelas mercadorias que, consoante o entendimento previsto na legislação do IPI, possam enquadrarse no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. E, de acordo com a legislação do IPI, tais insumos são aqueles que dão margem aos créditos básicos, ou seja, aqueles que geram o direito subjetivo do contribuinte de creditarse de forma a moldarse nos preceitos constitucionais da nãocumulatividade do IPI. Nesse passo, concluo que o benefício só existirá em relação às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram direito ao crédito, pois é isto que dispõe a norma a ser aplicada subsidiariamente. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13051.000114/200276 Acórdão n.º 9303007.155 CSRFT3 Fl. 5 4 Estatui o art. 25 da Lei 4.502/64, reproduzido no art. 82, inciso I do RIPI/82 que: Art. 82 – Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.(grifei). É assente na jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes que para dar margem ao creditamento é necessário que os insumos sejam consumidos no processo de industrialização ou sofram desgaste em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, o que não é o caso dos insumos acima elencados. Nesse sentido, a ementa1 a seguir transcrita: “CRÉDITO DO IMPOSTO – MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM – Para aproveitamento do crédito, os bens devem ser consumidos no processo de industrialização ou sofrer desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou vice versa e, ainda, não estarem compreendidos entre os bens do ativo permanente.... Portanto, para que determinado insumo possa servir de base ao cálculo do litigado benefício fiscal, deve ficar provado à exaustão, e este ônus é de quem pede, que efetivamente o insumo foi utilizado no processo produtivo em ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, desde que nesse processo sofra perda ou modificação de suas propriedades físicas e/ou químicas. O Parecer Normativo CST 65/79, aclarando o alcance da norma insculpida no art. 25 da Lei 4.502/64, aduziu que os produtos intermediários e as matériasprima que não integrem o produto final mas que sofram, em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como desgaste, o dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, também dará margem ao creditamento. A contrário senso, de acordo com a legislação de regência do IPI, a qual devemos buscar elementos subsidiários para definir o alcance dos termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, consoante a norma de regência do benefício pleiteado nestes autos, qualquer insumo utilizado no processo produtivo que não atenda tais requisitos não darão margem ao creditamento do IPI, e, por conseguinte, não poderão ser utilizados no cômputo do benefício da Lei 9.363/96. Em conclusão, o que deve ser perquerido para sabermos quais produtos que dão margem ao chamado creditamento básico, e, portanto, a inclusão no benefício, é identificarmos se eles entram no processo produtivo, ou integrando o produto final, quando não 1 Ac. 20165.182 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13051.000114/200276 Acórdão n.º 9303007.155 CSRFT3 Fl. 6 5 cabe maiores digressões, ou quando exercem ação direta sobre o produto em fabricação, ficando demonstrado seu desgaste físico e/ou químico. E é justamente por entender que não há contato direto que dou provimento ao recurso da Fazenda para restabelecer a glosa dos fretes de insumos adquiridos. Contudo, em relação às aquisições de cooperativas deve ser negado provimento, mesmo não tendo havido a incidência das contribuições que a Lei 9.363/96 visa ressarcir, a matéria já foi objeto de decisão do STJ em sede de recurso repetitivo (REsp 993.164), a qual, por força regimental (art. 62), devo, necessariamente, aplicála. Entendeu o STJ que mesmo em operações não sujeitas à incidência do PIS/COFINS dá direito ao creditamento, como no caso das aquisições de insumos de cooperativas. Assim, dou provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa dos fretes de insumos. II RECURSO DO CONTRIBUINTE ATUALIZAÇÃO PELA SELIC Como dito, o recurso especial do contribuinte foi admitido exclusivamente quanto à taxa SELIC. Postula em seu recurso que seja aplicada a taxa SELIC desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento. Vem se firmando de forma majoritária nesta Turma da CSRF que só há que se falar em aplicação de taxa SELIC quando restar caracterizada a oposição estatal ao pedido de ressarcimento. No caso em tela, como se dessume do termo de verificação fiscal e do despacho decisório local (fl. 135), do pleito total no valor histórico de R$ 254.324,86, foi deferido o valor de R$ 64.487,50. Portanto, só há que se falar em oposição ao valor correspondente à diferença entre o pedido e o deferido. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. No âmbito das turmas de julgamento do CARF têm se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados referidos estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Dessa leitura, concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco ao aproveitamento de referidos créditos permite que seja reconhecida a incidência da atualização monetária pela aplicação da taxa Selic. Porém, para a incidência da correção que se pretende, há que existir, necessariamente, o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento, com causas de pedir diversas, temse que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto, somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima mencionadas. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13051.000114/200276 Acórdão n.º 9303007.155 CSRFT3 Fl. 7 6 E quanto ao termo inicial para aplicação da taxa SELIC, dos repetitivos a que aludi o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Em consequência, manifestouse que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Com efeito, no presente processo, entendo, com base no exposto, que sobre os valores deferidos posteriormente ao despacho inicial, deve ser aplicada a taxa SELIC a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até seu efetivo creditamento. Dessarte, deverá o órgão local tomar como termo inicial (dies a quo) os 360 dias após o protocolo do pedido e como termo final (dies ad quem) a data do pagamento do crédito suplementar. Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. CONCLUSÃO Em face do exposto: 1 Dou provimento parcial ao recurso da Fazenda para restabelecer a glosa dos valores de fretes referente à aquisição de insumos de cooperativas; e 2 Dou provimento parcial ao recurso do contribuinte para determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento, considerando como termo final a data do efetivo pagamento de cada glosa revertida. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13051.000114/200276 Acórdão n.º 9303007.155 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 519DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915144/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2000
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. RITO PROCESSUAL INADEQUADO. NULIDADE FORMAL.
Tendo sido o Despacho Decisório e o acórdão recorrido proferidos em desacordo com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve ser reformado o ato administrativo de modo a assegurar ao contribuinte a aplicação do devido processo legal.
Numero da decisão: 3201-003.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso e em declarar a nulidade formal do acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese de compensação como não declarada.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RITO PROCESSUAL INADEQUADO. NULIDADE FORMAL. Tendo sido o Despacho Decisório e o acórdão recorrido proferidos em desacordo com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve ser reformado o ato administrativo de modo a assegurar ao contribuinte a aplicação do devido processo legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso e em declarar a nulidade formal do acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese de compensação como não declarada. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 51 44 /2 00 6- 51 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório BF UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) relativa a alegado pagamento indevido da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a compensação na extensão declarada pelo contribuinte, em razão da inexistência do crédito na amplitude pretendida. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou o cancelamento do despacho decisório e a homologação total da compensação, com a consequente extinção do crédito tributário, arguindo o seguinte: a) obtivera concessão de segurança para afastar a incidência do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, garantindolhe a observância das Leis Complementares nº 7/1970 e 70/1991 no que se refere à base de cálculo do PIS e da Cofins, observandose as alíquotas determinadas nas Leis n° 9.715/1998 e 9.718/1998 e reconhecendo o direito à compensação das quantias pagas "a maior" com parcelas vincendas das próprias contribuições; b) a Autoridade Fiscal fundamentou de forma singela o Despacho Decisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência do direito pleiteado; c) o crédito pleiteado é líquido e certo, conforme se depreende da leitura dos demonstrativos anexados; d) homologação tácita do seu pedido, formalizado em data anterior ao Despacho Decisório; e) em razão da regra geral da decadência, o Fisco tem o prazo de 5 anos para conferir e homologar expressamente a atividade do contribuinte referente à apuração e quitação de tributo, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN; f) ainda que não fosse aplicável o § 4° do art. 150 do CTN, o art. 74, § 5°, da Lei nº 9.430/1996 dispôs que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação; g) no momento da ciência do despacho decisório, já havia transcorrido o prazo de cinco anos para a autoridade administrativa pronunciarse quanto ao crédito utilizado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia de documentos dos patronos, procuração, alteração e consolidação do Contrato Social, PER/DCOMP, Despacho Decisório, planilhas demonstrativas e sentença judicial. Nos termos do Acórdão nº 1629.445, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido nos seguintes termos: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 4 3 1) o despacho decisório encontravase devidamente motivado; 2) o reconhecimento do crédito exigia a sua comprovação, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo; 3) a compensação de crédito oriundo de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos artigos 170 A do CTN e 74 da Lei n° 9.430/1996 (e alterações posteriores); 4) considerarseá não declarada a compensação realizada pelo Contribuinte quando o suposto direito creditório decorre de ação judicial não transitada em julgado, por força do disposto no § 12 do art.74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações posteriores); 5) a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores. Transcorrido este prazo sem manifestação da Administração Pública, homologam se as compensações declaradas, não sendo aplicável a homologação tácita às situações em que a compensação é considerada como não declarada nos termos dos §§ 12 e 13 do mesmo artigo. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário e reiterou os argumentos de defesa apresentados, defendendo a (i) ocorrência da homologação tácita das declarações de compensação, (ii) nulidade do despacho decisório por violação ao princípio da verdade material e carência de fundamentação/improcedência das alegações e (iii) inaplicabilidade do art. 170A do CTN a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.695, de 23/05/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915140/200673, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.695): Existe questão preliminar no presente feito, que suscito de ofício, prejudicial ao exame do mérito. Nesse aspecto, introduzo o tema com a excelente fundamentação do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, quando relator do Acórdão nº 3201003.407, proferido por unanimidade nesta Turma em sessão de 2 de fevereiro de 2018: Sobrepõese ao enfretamento das razões recursais da pessoa jurídica WAC e de seu sócio, Walter Alves Cavalcante, matéria processual precedente a qualquer outra a ser enfrentada neste julgamento em razão de sua indisponibilidade e dever de pronunciamento de ofício pelos julgadores administrativos. Tratase do (des)cumprimento do prazo legal para interposição de peças recursais de defesa perante os órgãos colegiados administrativos a tempestividade da impugnação considerada matéria de ordem pública. As questões de ordem pública são aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, em geral, referemse à existência e admissibilidade da ação, aos atos que impulsionam o desenvolvimento válido e regular do processo refletindose na própria segurança jurídica. A tempestividade dos recursos é pressuposto processual de que decorre tratarse de matéria de ordem pública, e assim tem decidido o STF, como nos EMB. DECL. no AG.REG. no Agravo de Instrumento AI nº 802.037/RJ, de relatoria do Min. Celso de Mello: A tempestividade que se qualifica como pressuposto objetivo inerente a qualquer modalidade recursal constitui matéria de ordem pública, passível, por isso mesmo, de conhecimento ex officio pelos juízes e Tribunais. A inobservância desse requisito de ordem temporal, por parte do interessado, provoca, como necessário efeito de caráter processual, a incognoscibilidade, do recurso interposto ou, quando ausente este, do pedido de reconsideração.(STF, AI nº 802.037/RJ, publicado DOU em 15/12/2014. Relat. Min. Celso de Mello) Ademais, determina o caput art. 64 da Lei nº 9.784/99, que "O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 6 5 ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência." Pois bem. Como se verifica pelo relato dos fatos, tratase de procedimento administrativo fiscal originado de Despacho Decisório eletrônico proferido pela RFB que, num primeiro momento, informou a NÃO HOMOLOGAÇÃO da Compensação Declarada. Após apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte, apesar de afirmar que "configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal (art. 15 do Decreto n° 70.235/72)" a DRJ proferiu julgamento concluindo por ter sido NÃO DECLARADA a compensação apresentada pelo contribuinte. Vale salientar que inicialmente a Compensação foi tida por NÃO HOMOLOGADA, e não, como deveria, NÃO DECLARADA, exclusivamente em razão de erro cometido pelo contribuinte no preenchimento da sua Declaração de Compensação. Confirase o seguinte trecho do Acórdão DRJ: 8.1 De pronto, a alegação apresentada pelo Contribuinte, confirmada pela existência da ação judicial supramencionada, acaba por demonstrar o incorreto preenchimento da declaração PER/DCOMP. Frisese que no item "Dados Iniciais" desse documento, constam campos específicos para informar se o crédito é oriundo de decisão judicial e, nesse caso, qual o número do processo judicial. A interessada, entretanto, declarou não se tratar de crédito discutido judicialmente (fl. 5). 8.2. Por outro lado, cumpre assinalar que, embora tenha a Requerente comprovado a existência de decisão judicial que lhe era favorável, não restou demonstrado que a ação judicial já estava transitada em julgado na data da apresentação do PER/DCOMP. Confirase, ainda, o seguinte trecho da ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerarseá não declarada a compensação realizada pelo Contribuinte em DCOMP quando o suposto direito credit6rio decorre de ação judicial não transitada em julgado, por força do disposto no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações posteriores). Ou seja, apenas depois de estar de posse dos documentos apresentados pelo contribuinte é que, constatado equívoco por parte do próprio contribuinte na prestação de declaração, é que o fundamento decisório pôde ser reformado pela Administração Tributária, por meio do Acórdão DRJ. Tratase de hipótese típica de revisão do lançamento tributário previsto no art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 7 6 IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Com efeito, não há dúvida de que, na situação fática dos autos, está se diante de situação de COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, uma vez que o crédito declarado era decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, encontrando, portanto, expressa vedação legal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; Nos termos de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recursos Representativos de Controvérsia, de aplicação obrigatória por esta Corte, a limitação imposta pelo art. 170A do CTN é válida para todas as ações ajuizadas após a sua vigência, ou seja, após 10 de janeiro de 2001, data da Edição da Lei Complementar nº 104/2001, que inseriu referido dispositivo. Veja entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1167039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 8 7 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Na hipótese dos autos, o Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0276539, por meio do qual se postulou o reconhecimento do credito utilizado, foi impetrado apenas em 31/10/2001, conforme consulta ao sítio da Justiça Federal no Estado de São Paulo: É de salientar que nem mesmo o contribuinte questiona o fato de que as compensações deixaram de ser aceitas exclusivamente em razão da vedação imposta pelo art. 170A do CTN (portanto, compensação não declarada), aduzindo, quanto a isto, que tal limitação apenas seria aplicável aos fatos geradores ocorridos após a vigência da redação do referido artigo. Não é esse, como visto, o entendimento do STJ. Assim, nos termos do §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o rito processual previsto no Decreto Lei nº 70.235/72 não é cabível na presente espécie: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (...) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 9 8 § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9oe 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto noinciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (...) § 13. O disposto nos §§ 2oe 5oa 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Não obstante ser claro o não cabimento da Manifestação de Inconformidade, não se pode afastar o fato de que foi concedido ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade e, mais do que isso, o acórdão da DRJ, a despeito de afirmar ser hipótese de COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, afirmou textualmente que "configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo" e considerou "improcedente a manifestação de inconformidade, mantendose o Despacho Decisório de fls. 1". Pontuo que não se trata de hipótese na qual a decisão administrativa poderia suplantar disposição legal, atribuindo à defesa apresentada efeitos não previstos em lei. Tratase, outrossim, de evidente nulidade formal incorrida pela Autoridade Lançadora, ocasionada, como dito, em razão de informação equivocada prestada pelo contribuinte e, portanto, passível de retificação. Logo, em se tratando de hipótese de não cabimento de Manifestação de Inconformidade, resta prejudicada a análise dos argumentos do contribuinte acerca da ocorrência de homologação tácita. Ademais, o despacho decisório de não homologação e não de não declaração, como prevê a lei foi proferido em razão de erro do Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.915144/200651 Acórdão n.º 3201003.699 S3C2T1 Fl. 10 9 contribuinte que não informou, em sua declaração, que os créditos utilizados tinham origem em ação judicial não transitada em julgado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e declarar a NULIDADE FORMAL do Acórdão recorrido, devendo os autos retornarem à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese como compensação não declarada. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário e declarar a nulidade formal do Acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese como compensação não declarada. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007495/00-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o mugamento para vinculação ao processo nº 13851.000076/2002-36, nos termos do voto da Conselheira Redatora designada, Edeli Pereira Bessa. Vencida a Conselheira Relatora que dava provimento parcial ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o mugamento para vinculação ao processo nº 13851.000076/200236, nos termos do voto da Conselheira Redatora designada, Edeli Pereira Bessa. Vencida a Conselheira Relatora que dava provimento parcial ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 49 5/ 00 -5 2 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Este litígio foi objeto da Resolução nº 180100.129, deliberada em 13 de junho de 2012, efls. 635 a 646, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: A empresa protocolizou, em 16/10/00, dois Pedidos de Restituição nos valores de R$ 240.370,44 e R$ 743.809,49 – valores originais – a título de devolução de IRRF retido em operações de “renda fixa” e retenções em aplicações swap relativas ao ano calendário de 1999 (exercício de 2000), respectivamente – fls. 01 a 04. Solicitou também que os valores acima, corrigidos, sejam compensados com os tributos federais, consoante Pedido de Compensação de fls. 05. A autoridade a quo, preliminarmente, remeteu os autos à fiscalização para que fosse analisada a veracidade dos créditos alegados pela contribuinte – fls. 40. Nesta diligência, constatouse que o saldo negativo de IRPJ acusado na DIPJ/00, ficha 13 A, foi informado no montante de R$ 2.053.941,51 e que decorre diretamente do valor informado a título de IRRF nesta DIPJ. Na Intimação Fiscal Sorat/Eqort nº 049/05, fls. 181 e ss, a autoridade fiscal esclareceu à contribuinte que não cabe restituição isolada de IRRF, mas tão somente saldo negativo de IRPJ. Solicitou também que a empresa esclarecesse quanto à divergência entre os valores informados na DIPJ/00 (fls. 272) e no Pedido de Restituição/Compensação objeto deste processo, a título de IRRF. Intimou a apresentação de livros contábeis, informes de rendimentos e demonstrativos que possibilitassem identificar, junto à contabilidade, as retenções nas fontes, bem como demonstrasse, e comprovasse, que as receitas financeiras correlatas às retenções foram oferecidas à tributação no mesmo anocalendário ou em que proporção foram apropriadas, se respeitado o regime de competência– 1999 (fls. 181 e 182). Ainda foi solicitado um demonstrativo de composição de valores da conta “outras receitas financeiras”, perfazendo um total de R$ 3.469.603,66, valor informado na DIPJ/00. A empresa explicou às fls. 196, em suma, que está a pleitear somente parte do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, porque este valor é a parcela que não foi utilizada (R$2.053.941,51 – R$ 984.179,93). Às fls. 273 e ss foi emitido o Despacho Decisório indeferindo o Pedido de Restituição de IRRF e, conseqüente, Pedido de Compensação de tributos federais, pelas seguintes razões: “O IRRF não se enquadra em nenhum dos casos, nem mesmo no do inciso I do art. 2o IN SRF nº 460/04 (pagamento indevido ou a maior). É que a retenção na fonte é devida por lei e não constitui, em princípio, indébito ou recolhimento a maior. O IRRF é considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração. Em conseqüência, o contribuinte deve deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do períodobase. Só o saldo negativo de imposto a pagar que porventura decorra desse confronto na declaração constitui crédito passível de restituição ou compensação. Em outras palavras, os recolhimentos efetivados do Imposto de Renda na Fonte são devidos na forma da lei, e não dão ensejo à restituição/compensação por si só. O valor a restituir ou a pagar é calculado na declaração final de ajuste, sendo o IRRF parte da apuração do resultado do exercício. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 4 3 No presente caso, verificamse as seguintes divergências: a) nos formulários de fls. 01 e 02, o contribuinte solicitou a restituição de parte do IRRF (códigos 3426 e 5273), no valor total (originário) de R$ 984.179,93 sendo que, na DIPJ do anocalendário 1999, o saldo negativo decorre da compensação de IRRF no valor de R$2.053.941.51 (fl. 270). b) os valores constantes dos informes de rendimentos anexados pelo sujeito passivo (fls.07/12) totalizam R$ 984.179,93, coincidindo com o valor total solicitado no pedido de restituição; porém, no sistema IRF/CONS (fls. 185/193), o total do IRRF declarado pelas fontes pagadoras foi de R$ 5.984.689,06, divergindo, portanto, do valor deduzido na DIPJ (R$ 2.053.941,51) e do solicitado no pedido de restituição (R$ 984.179,93).” (grifos no original) Aquela autoridade entendeu que os valores não restaram devidamente vinculados às receitas financeiras oferecidas à tributação pela empresa, indeferindo os pedidos. Inconformada, a empresa apresentou a devida manifestação – fls. 308 e ss – argumentando, em apertada síntese, que: não há óbice na legislação vigente à época da interposição do pedido para a devolução de IRRF e compensação com débitos federais; a própria autoridade depois segue no sentido da possibilidade; há legitimidade no pedido visto que os valores informados na declaração sobrepujam o valor pleiteado à restituição e compensação; o montante que excede ao presente pedido pode ser requerido quando e se a contribuinte quiser; as informações fornecidas ao fisco pelo Citibank, em aplicação de swap estão flagrantemente equivocadas, haja vista a Dirf entregue e o informe de rendimentos apresentados, os quais retratam exatamente a mesma conta; o valor total de R$ 5.984.689,51 não está correto, mas sim o valor informado pela contribuinte na DIPJ/00; segue explicitando sobre os valores de receitas provenientes das variações cambiais; demonstra, como exemplo, da lisura dos seus procedimentos a cópia do lançamento de determinada conta “hedge”; etc A Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP exarou o Acórdão nº 11.399/06, fls. 377 e ss, indeferindo o pedido de restituição do contribuinte por tratarse de IRRF e não saldo negativo de IRPJ e, ainda, não ter a empresa comprovado a vinculação entre as receitas oferecidas à tributação e as antecipações (IRRF) ora requeridas. Assim restou ementado o aresto: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1999 Ementa: LUCRO REAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CUMULADO COM COMPENSAÇÃO. Somente é passível de restituição o saldo negativo do IR, decorrente do confronto entre o imposto apurado como devido na declaração e o valor do IRFonte sobre os rendimentos, comprovadamente, oferecidos à tributação, por representar este último antecipação do devido Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.” Fundamentouse, em parte, o votocondutor, sobre as argumentações da manifestante: Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 5 4 “Dito isso, cabe destacar, também, que, de acordo com a legislação que rege a matéria, em se tratando de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, o tratamento tributário dado ao IRRF, quando não exclusivo na fonte (definitivo), é o da antecipação do IRPJ devido na declaração de imposto de renda pessoa jurídica DIPJ, correspondendo a rendimentos ou receitas que integram o lucro real. Portanto, o que é passível de restituição é o saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ, decorrente do IRRF superior ao IRPJ devido, no período de apuração e não compensado nos períodos subseqüentes. A corroborar esse entendimento, reproduzse aqui o artigo 76 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com redação dada pela Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995: [...] Vêse, assim, que a questão aqui tratada não é de simples direito ou não à restituição, mas de apuração de saldo negativo de IRPJ passível de repetição, vale dizer, ao direito à devolução do indébito antepõese a obrigação de provar que o valor pago antecipadamente (a qualquer título estimativa ou retenção na fonte, por exemplo) supera o montante devido. Não há que se furtar, então, da seguinte conclusão: a eventual possibilidade de restituição deveria, basicamente, advir do saldo negativo do IRPJ oriundo dessa expressão: Imposto de Renda a pagar apurado na DIPJ menor que o Imposto Retido na Fonte declarado na mesma DIPJ. E foi esse o caminho traçado no despacho decisório de fls. 273/276, como já mencionado no relatório. A autoridade fiscal responsável pela apreciação do pedido deixou consignada, em síntese, o que segue: Os valores constantes dos informes de rendimentos anexados pelo sujeito passivo (fls. 07/12) totalizam R$ 984.179,93, coincidindo com o valor total solicitado no pedido de restituição; porem no sistema IRF/CONS (fls. 185/193), o valor total do IRRF declarado pelas fontes pagadoras foi de R$ 5.984.689,06, divergindo, portanto, do valor deduzido na DIPJ (R$ 2.053.941,51) e do solicitado no pedido de restituição. Acrescentese, também, que conforme determinação do art. 170 do Código Tributário Nacional é a lei que pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Alega, inicialmente, a requerente que o montante do IRRF que compõe o saldo negativo do imposto de renda relativo ao anocalendário 1999, ora pleiteado, originase da retenção sobre aplicações financeiras, cujos valores foram incluídos no respectivo saldo globalizado na DIPJ do exercício 2000, acrescendose ao resultado econômico as correspondentes receitas que originaram as retenções. Complementa sua defesa, arguindo que as divergências entre os montantes constantes da DIPJ (R$ 2.053.941,51) e os informados pelas fontes pagadoras (R$ 5.984.689,06), devidamente apontados no despacho decisório, corroborariam a legitimidade do pedido. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 6 5 Passemos, primeiramente à análise do IRRF sobre as aplicações financeiras de renda variável. A autoridade fiscal indeferiu a dedução considerando que o contribuinte não comprovou ter oferecido os rendimentos auferidos à tributação na linha 21 da Ficha 07 A \ Demonstração do Resultado, da DIPJ 2000 (fl. 50), haja vista discrepâncias entre o valor ali apontado (R$ 856.048,70) e aqueles constantes dos comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras (R$ 4.961.578,41), que compõem as fls.203/208. Aduz o contribuinte que os devidos valores foram integralmente oferecidos à tributação na DIPJ 2000, e que contabilizou as receitas advindas dos ganhos verificados na conta de investimento decorrentes das operações cambiais, gerando receita. E mais, que a respectiva retenção na fonte, no valor de R$ 5.984.689,06, tal como informado pelas fontes pagadoras à SRF e constante do sistema IRF/CONS, está equivocada, sendo R$ 2.053.941,51 o correto. Entende, assim, ter demonstrado a lisura do procedimento adotado na apuração dos resultados. Por conseguinte, assevera que a diferença de receita financeira detectada no despacho decisório devese a erro perpetrado pelas instituições bancárias ao enviar informações para a SRF, e que não haveria qualquer prejuízo ao Erário Federal, uma vez que teria sido tributado o resultado correto. Contudo, no que se refere à alegada correção no procedimento da contribuinte e da divergência entre os resultados apontados, cabe observar que além de os totais constantes da DIPJ não coincidirem com os dados constantes do sistema IRF/CONS, concluise que as informações prestadas pela contribuinte à Receita Federal não se encontram respaldadas nos autos em qualquer escrituração contábil/fiscal ou documentos hábeis, deixando, também sob este aspecto, de ser comprovada a apuração de saldo credor nos períodos, e, conseqüentemente indevida qualquer utilização de valor apontado na DIPJ a título de crédito junto à Fazenda Pública. Ressaltese que os elementos trazidos aos autos pela recorrente são insuficientes para estabelecer a verdade material de forma inconteste, limitandose, dentre outros, às cópias do Livro Razão (fls. 338/367) e do documento de fí.375, com suposta assinatura do Banco Citibank, porém sem identificação no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ. A documentação comprobatória de que as receitas financeiras teriam de fato integrado o valor adicionado ao lucro líquido não foi trazida à colação pela impugnante. Portanto, não restando comprovada a regularidade na apuração do saldo negativo de IRPJ indicado na declaração do anocalendário de 1999, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado, dada a inexistência nos autos de certeza e liquidez quanto ao pretenso crédito.” Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 396 a 412, esclarecendo e argumentando extensivamente sobre os seguintes pontos: a) em 16/10/00 formulou pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ composto por valores relativos a IRRF decorrentes de aplicações de variação cambial, a saber, CDB, SWAP e HEDGE, em virtude do saldo da DIPJ/00 negativo de IRPJ no montante de R$ 2.053.941,51; em sequência, solicitou a compensação com débitos tributários vincendos; b) a autoridade a quo indeferiu o pedido com fulcro na IN/SRF nº 460/04 porque entende não ser possível compensar IRRF com outros tributos administrados pela SRF Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 7 6 (atual RFB) e, ainda, divergência dos valores de IRRF informados pelo sistema interno da RFB (Dirf), pela DIPJ/00 e nos pedidos de restituição; c) a turma julgadora de primeira instância superou a impossibilidade de compensar o saldo negativo de IRPJ com outros tributos, mas manteve o indeferimento porque o valor pleiteado carece de certeza e liquidez; d) aquela turma inovou a decisão anterior para confirmar a total legalidade do pedido da recorrente em compensar saldo negativo de IRPJ, bastando, pois, que se comprove o referido saldo; e) a controvérsia reside especificamente em comprovarse que a recorrente submeteu à tributação os rendimentos que geraram as retenções pelas fontes e qual o correto e devido saldo negativo de IRPJ; f) nas ficha 07A – Demonstração de Resultado, Receita Líquida das Atividades, item 20; e ficha 13A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, Deduções – item 15: estão todas as receitas correspondentes às retenções oferecidas à tributação, conforme comprova a cópia da DIPJ/00; g) tais rendimentos advieram das aplicações swap e hedge atreladas ao dólar americano que naquele ano teve forte alta no mercado, gerando bons ganhos em investimentos realizados na moeda estrangeira; h) neste mesmo ano a recorrente apurou também variação cambial negativa no valor de R$ 45.213.733,12 – item 31 da Ficha 07A da DIPJ/00; foram juntados em sede de manifestação de inconformidade todos documentos comprobatórios das contas de resultado que justificam os créditos, além da escrituração do livro contábil Razão de todos os meses de 1999, contas ativas e passivas de variação cambial, com receitas e respectivos IR retidos pelas fontes; i) para demonstrar a lisura dos procedimentos efetuados pela recorrente, juntou se, ainda, por amostragem, cópias dos lançamentos contábeis da conta “hedge CCF 02/99”, em que se decompõem o resultado bruto da aplicação, o resultado líquido e o montante retido a título de IRRF e o pagamento dos juros – faz tabela demonstrativa dos valores; j) se houvesse omissão de receitas a fiscalização certamente haveria de ter efetuado o lançamento ex officio; não o fazendo, concluise que todas as receitas foram declaradas e submetidas à tributação; k) quanto às divergências de valores de IRRF apontadas pela autoridade a quo esclarece que só vem corroborar o direito que a recorrente possui da restituição pleiteada, pois os demais valores encontrados sobrepujam o valor do pedido ora debatido; ou seja, a recorrente pede de restituição o valor de R$ 984.179,93, enquanto na DIPJ/00 informou R$2.053.941,51 e no sistema IRF/Cons foi informado R$ 5.984.689,06; l) quanto ao saldo remanescente cabe à recorrente decidir quando e se irá pedir a restituição, sendo direito facultativo seu, sobre o qual a autoridade fiscal não pode se manifestar; m) cabe ainda esclarecer que quanto ao valor de R$5.984.689,06 informado originalmente pelo “Citibank” a título de rendimento advindo de aplicação swap está notoriamente errado; no mês de março de 1999 a recorrente recebeu R$ 164.799,99 e Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 8 7 foilhe retido R$ 32.959,99 (informe de rendimentos), enquanto no sistema da RFB constou absurdos R$ 25.140.314,19 e R$ 5.028.062,81, respectivamente; verifiquese que é a mesma conta e o mesmo período, o que comprova erros cometidos pelas instituições financeiras; n) o indeferimento do presente pedido não pode se fundamentar nas informações prestadas por terceiros exclusivamente ao fisco, que são de total desconhecimento da recorrente, que, ao contrário, apresentou provas de que faz jus à restituição do valor pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ; o mínimo que se espera é que as instituições financeiras sejam intimadas a re ou ratificar as informações prestadas, dado o equívoco, por exemplo, do “Citibank”; é dever da autoridade fiscal investigar os valores para poder indeferir o pedido de restituição. Por derradeiro, solicita que o presente julgamento seja convertido na realização de diligência para verificação da verdade material dos fatos no que concerne às informações prestadas pelas fontes pagadoras e, posteriormente, o conseqüente deferimento do pedido ora efetuado. O colegiado após algumas ponderações, resolveu enviar os autos para a realização das seguintes diligências, necessárias ao deslinde do litígio. In verbis: V) Conversão do julgamento em realização de diligências De todo o exposto, há ainda dois pontos a serem esclarecidos pela recorrente para dirimirse o litígio, razão pela qual converto o julgamento deste processo na realização de diligências a fim de verificar o que segue. V.a) a contabilização das receitas a seguir discriminadas, analiticamente, em vista do valor informado na DIPJ/00 a título de “ganhos obtidos em renda variável” estar dissonante do valor ora apurado – R$ 856.048,70 versus R$ 2.834.817,78 – , com as cópias das folhas do Razão para comprovar: Inst. Financeira Aplic Financ Mês Receita Credit Coml de France (CCF) swap Mar 913.766,87 Bco Europeu p/ América Lat swap jan 1.209.778,64 set 201.199,95 Citibank S/A swap jan 281.272,32 mar 164.799,99 nov 64.000,01 Total 2.834.817,78 V.b) a autoridade designada ao cumprimento das diligências ora solicitadas deverá verificar na contabilidade da recorrente, ainda, se o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/00 não foi total/parcialmente utilizado para compensar os IRPJ de meses (estimativas) do ano de 2000, visto que, naquela época, era possível a compensação via escrituração contábil; V.c) deverá ainda ser verificado pela unidade de jurisdição se há outro processo de restituição/compensação cujo objeto seja o saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1999, exercício financeiro de 2000. Conclusão Ao final dos levantamentos, a autoridade fiscal deverá elaborar um Relatório sobre o resultado das diligências e dar ciência à recorrente do mesmo, facultando a sua manifestação no prazo regulamentar. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 9 8 Em atendimento às diligências solicitadas, a autoridade fiscal esclareceu às efls. 830 a 834: [...] Em atendimento ao item 1 da intimação supra, o contribuinte não prestou nenhum esclarecimento a respeito da divergência de valores (R$ 856.048,70 x R$ 2.834.817,78), apenas afirmou que "os valores retidos na fonte (sejam os constantes do sistema IRF/CONS sejam os informados na DIPJ) já eram suficientes para dar sustentação legal a um pedido de restituição/compensação" (fls. 656 a 658) Quanto ao item 2 da intimação, o sujeito passivo apresentou cópias autenticadas de partes do Balancete de Verificação dos meses de janeiro a dezembro de 2000, sendo que informações relativas ao imposto de renda constavam apenas dos meses de abril, julho, agosto, setembro, outubro e dezembro. Somente os termos de abertura do Livro Diário Consolidado (cópias autenticadas) dos meses de janeiro a dezembro de 2000 foram apresentados (fls. 659 a 685). Em complemento, o contribuinte afirmou que o saldo negativo do anocalendário 1999 não fora compensado na contabilidade do ano de 2000, visto que não houve pagamento de imposto neste período (fls. 658). Ademais, pesquisouse o sistema DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Federais) Gerencial com o intuito de verificar a existência de alguma compensação do pleiteado saldo negativo naquela declaração. Contudo, não houve nenhum resultado positivo a respeito, conforme fls. 690. [...] No que respeita à verificação de outros processos administrativos envolvendo o Saldo Negativo de IRPJ de 1999, a autoridade diligente constatou, em suma: 13851.001141/200160 (fls. 695 a 709) Neste processo o contribuinte solicitou restituição de IRRF sobre Outros Rendimentos (código de retenção 8045) do anocalendário 1999 no valor de R$ 954,82, alegando que este estaria enquadrado no saldo negativo apurado na DIPJ 2000. Consta também pedido de restituição relativo aos anoscalendário 1997, 1998 e 2000. [...] 13851.000076/200236 (processo apenso 13851.000238/200236) [fls. 710 a 734] O primeiro processo compreende pedido de restituição referente aos anos calendário 1997 e 1999, para este último no valor R$ 56.302,00 (código de receita 3426), combinado com um pedido 31/12/2001. No processo apenso, o sujeito passivo apresentou pedido de restituição de IRRF sobre operações de swap no montante de R$ 282.195,71, bem como pedido de compensação de tributos sob os códigos 8109 (PA 31/01/2002), 2172 (PA 31/01/2002) e 2172 (PA 28/02/2002). Para os dois pedidos de restituição, o contribuinte também alegou a existência de saldo negativo de R$ 2.053.941,51 apurado na DIPJ/2000. Atualmente, os processos encontramse nesta Delegacia para verificação do saldo negativo alegado pelo contribuinte, nos termos da Resolução n° 140100020, da 4a Câmara, 1a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 10 9 [...] Assim, com base nas informações anteriormente citadas e considerando o valor do saldo negativo apurado na DIPJ/2000, podese afirmar que não houve duplicidade de pedido de restituição, mas que o contribuinte requereu "partes" do saldo negativo em alguns dos citados processos. [...] Concluiu, Em resumo ao solicitado na diligência, temse: V.a) O contribuinte não esclareceu a respeito da divergência de valores (R$ 856.048,70 x R$ 2.834.817,78); V.b) Diante da documentação apresentada, não foi possível verificar a compensação, na contabilidade, do saldo negativo pleiteado. Além disso, o sujeito passivo afirmou que o saldo negativo do anocalendário 1999 não fora compensado na contabilidade do ano de 2000, visto que não houve pagamento de imposto neste período; e V.c) Não houve duplicidade de pedido de restituição, verificouse que o contribuinte requereu "partes" do saldo negativo da Dipj/2000 em alguns dos citados processos anteriormente. Às efls. 838 a 840, a empresa manifestouse a respeito das diligências realizadas esclarecendo, ao final, que: De fato, a empresa tinha um crédito muito maior a ser restituído, entretanto, por alguma situação que não vem ao presente caso, a empresa requereu somente a restituição de "parte" do crédito, como afirmado pela I. Auditora Fiscal; Pelos documentos ora acostados, vislumbrase que o montante de Swap e Renda Fixa totalizam o montante de R$ 984.179,93, comprovando assim, a origem do crédito que se pretende restituir. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 11 10 VOTO VENCIDO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo. Aproveito, novamente, considerações sobre a matéria discutida já tecidas na Resolução nº 1801000.129/12. Antes, porém fixo três premissas fundamentais para o julgamento da lide, alertando à recorrente para a impossibilidade de se afastar esta decisão deste tripé: 1º) as informações inseridas em DIPJ não constituem provas, em vista deste documento possuir natureza meramente informativa e não constitutiva de qualquer direito, diferentemente de DCTF que constituem confissões de débitos tributários; 2º) por conseguinte, os valores informados em DIPJ, por si só, sem estarem respaldados em registros contábeis e documentação correlata não podem prevalecer e serem considerados em detrimento destes lançamentos contábeis; 3º) é matéria superada neste órgão colegiada, entendimento manso e pacífico, que se os rendimentos/receitas correlatos aos IRRF requeridos não foram oferecidos à tributação, não há que se admitir a sua compensação com o IRPJ devido, ou sua restituição, por, obviamente, não ter cabimento restituirse o que não foi pago/computado nas receitas tributadas. Verifiquese: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A contabilidade, nos caso fichas do Livro Razão exibida pela contribuinte faz prova dos IRRF a que faz jus, bem como haver oferecido à tributação as receitas correspondentes. No caso de não constatarse estes assentamentos contábeis, do IRRF ou das receitas, não há como se deferir qualquer restituição de IRRF somente com fulcro em informes de rendimentos fornecidos por terceiros, pelo fato de as receitas correspondentes não terem sido oferecidas à tributação pelo beneficiário das retenções. Passamos à análise, passo a passo, da pretensão da recorrente. Os negritos não pertencem ao texto original da Resolução já redigida. Preliminarmente, cumpre esclarecer que o objeto do presente processo são os Pedidos de Restituição de IRRF discriminados às fls. 01 e 02, retidos por ocasião de aplicações financeiras a título de “renda fixa” (cód. 3426) e swap (cód. 5273), no valor total de R$ 984.179,93, razão pela qual este colegiado declarase competente para analisar e apreciar o presente litígio. O Pedido de Compensação é secundário, como salientado pela primeira instância, e os efeitos sobre este decorrem do in/deferimento dos Pedidos de Restituição. A turma julgadora a quo explicou à recorrente que é inviável o pedido de restituição de IRRF em face de vedação legal, a saber o artigo 76 da Lei n° 8.981, de 20 Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 12 11 de janeiro de 1995, com redação dada pela Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 (transcrito no acórdão recorrido). Desta constatação, explicou que o Pedido de Restituição deveria ter sido do saldo negativo de IRPJ, e aquele valor deveria ser cabalmente comprovado pela contribuinte, o que não o fazendo, justificou o indeferimento de ambos pedidos e não homologação da compensação pleiteada, mantido este indeferimento na primeira instância. Por isto, não pode a recorrente afirmar taxativamente que o presente processo agora tratase da restituição do saldo devedor negativo de IRPJ, no valor de R$ 2.053.941,51, grifei. O objeto do presente litígio em sede recursal continua sendo as restituições de IRfonte, cujo reflexo caiu diretamente no saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1999 (DIPJ/00), no valor total de R$ 984.179,93. Esclarecido este ponto crucial, todavia, tem os colegiados de segunda instância admitido pacificamente que se transmude o pedido de restituição de IRfonte em pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ. Sigo a corrente majoritária. Mas, volto a destacar, no presente caso o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/00 é parcial, limitado a R$ 984.179,93, visto que os contribuintes não podem, após a decisão prolatada nos processos de restituição/compensação, modificar o valor do pedido. Abrese importante parênteses aqui, para ratificar este entendimento. O presente litígio foi instaurado para pedido de restituição de IRRF, inadmissível por força do artigo 76 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com redação dada pela Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. No entanto, este conselho tem admitido a transmutação do pedido de restituição para pedido de restituição/compensação de Saldo Negativo de IRPJ, ainda mais porque veio posterior pedido de compensação de débitos tributários com este crédito e o referido saldo negativo na DIPJ decorreu dos IRRF informados. Mas o limite requerido pela recorrente foi fixado no Pedido de Restituição no valor de R$ 984.179,93 e assim será o objeto deste litígio, ou seja, restituição, com posterior compensação, de Saldo Negativo de IRPJ, parcial, no valor de R$ 984.179,93. Continuando, do já redigido e apreciado na Resolução, Passando ao mérito da questão proposta, verifico que às fls. 06 e 44 a recorrente discriminou as fontes pagadoras dos rendimentos advindos de aplicações financeiras, bem como os impostos retidos pelas fontes. São estas: Citibank, Bradesco, CCF do Brasil, Banco Europeu para a América Latina e Banco do Brasil, perfazendo rendimentos percebidos, no ano de 1999, de aplicações financeiras, o total de R$ 4.961.578,41, assim distribuídos: a) R$ 3.719.047,92 a título de swap; b) R$ 1.242.530,49 a título de renda fixa Analiticamente, segundo os informes dos rendimentos: Inst. Financeira Aplic Financ Mês Receita IRRF fls. Credit Coml de France (CCF) swap Jan 7.365,90 1473,18 203 Fev 794.397,83 158.879,57 Mar 913.766,87 182.753,37 Abr 4.811,74 962,32 Mai 38.519,29 7.703,87 Jun 21.992,48 4.398,49 Jul 9.161,10 1.832,22 renda fixa Jan 990,80 198,17 Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 13 12 Mar 264,97 52,99 Abr 11.581,68 2.316,33 Mai 108.176,60 21.635,32 Jun 14.604,46 2.920,87 Jul 1.093.614,70 210.587,73 Bco Europeu p/ América Lat swap jan 1.209.778,64 241.955,72 204 set 201.199,95 40.239,95 Bradesco S/A swap mai 6.349,85 1.269,93 205 renda fixa mai 12.324,64 2.454,80 Banco do Brasil S/A swap total 31,90 6,38 206 renda fixa total 74,24 14,50 cprazo total 766,92 153,34 pre total 131,48 26,29 207 Citibank S/A swap jan 281.272,32 58.254,46 208 mar 164.799,99 32.959,99 jul 1.600,01 320,00 nov 64.000,01 12.800,00 Total 4.961.578,37 986.169,79 Na DIPJ/00, como a própria recorrente explicita, na Ficha 7A – Demonstração de Resultados, há informado pela recorrente as seguintes receitas que interessam ao litígio: _ variação cambial ativa : R$ 29.922.006,41 – linha 20 _ ganhos auferidos no mercado de renda variável : R$ 856.048,70 – linha 21 _ outras receitas financeiras : R$ 3.469.603,66 – linha 24 A partir destas rubricas e valores, iniciamos a análise da assertiva da recorrente de que as receitas advindas das aplicações financeiras discriminadas às fls. 06 e 44, pela própria contribuinte, foram declaradas e oferecidas à tributação. I) Das “outras receitas financeiras” – resposta da recorrente às fls. 196, in verbis: Os juros recebidos de clientes, ainda que estes recebimentos hajam gerado IRRF, não podem ser considerados como as receitas correlatas àquele IRFonte especificado nos pedidos de restituição de fls. 01 e 02, objetos deste litígio, pois não são rendimentos provenientes de aplicações financeiras em swap ou renda fixa, consoante os informes de rendimentos acostados aos pedidos pela recorrente. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 14 13 Os valores discriminados sob a rubrica “Anexo”, das “Divisões” “Food TEC” e “CBV”, contabilizados em “DIV’S” (suponho diversas contas contábeis), também não foram relacionados com as referidas aplicações financeiras acima discriminadas, não estando pois as receitas financeiras nesta linha incluídas. Nas folhas do Razão juntadas pela recorrente, fls. 210 a 223, encontramse as seguintes contas, que se referem à “CBV”: “Variação Cambial Dívida (Fam. Vianna) – CBV” e “Variação Cambial Interco CBV” e, ainda, encontrase a conta “Imposto de Renda – Mútuo CBV FMC”, demonstrando cabalmente que as aplicações financeiras não integraram a linha 24 da Ficha 7A da DIPJ/00. II) Das Variações Cambiais Ativas (receitas) A despeito da recorrente não ter feito a conexão das contas contábeis com as aplicações de hedge que lacunamente induz estarem retratadas nos informes de rendimentos que fundamentam os pedidos de restituição em apreço e haverem sido as receitas contabilizadas em “variações cambiais”, o Razão comprova diversamente às suas alegações. O Razão apresentado pela recorrente possui as seguintes contas contábeis pertinentes a variações cambiais, que notadamente retratam operações de empréstimos, mútuos e outros contratos, como é da natureza das variações cambiais e algumas aplicações de hedge, não coincidentes com os informes de rendimentos vinculados aos pedidos de restituição ora sob análise (sem correlação com valores e identificação de instituição financeira ou espécie de aplicação) – repito, não se visualiza nenhuma operação coincidente com os informes de rendimentos acima especificados. A saber: variação cambial – caixinha / sobre pagamento antecipado de juros / correção de IRPJ a compensar pela Selic / empréstimo em U$ I Financ / aplicação U$ EXP NOTES1 / empréstimo U$ 63 Caipira / empréstimo U$ Zero Cupon / aplic U$ hedge – EXP NOTES / INTERCO – CBV / empréstimo Chase – City / dívida empréstimo fam Vianna – CBV / empréstimo FMC Corp 22k JETWAY. III) Dos ganhos auferidos no mercado de renda variável: As folhas do Razão apresentadas – fls. 210 a 222 não possibilitam verificar as contas pertinentes aos recebimentos das receitas advindas das aplicações financeiras sob análise. Todavia, espelham as contas de IRRF a recuperar/compensar/sobre aplicações financeiras, destacandose, primeiramente, aquelas operações registradas que não se referem às aplicações financeiras atreladas aos pedidos de restituição de fls. 01 e 02 (negritei). Cito cada conta contábil que se refere a IRRfonte que não está relacionado com os informes apresentados (negritei novamente): 1) Conta contábil 0000.1990.00003 57 01.01.05.06.01 “Imposto de renda a compensar” – esta conta aponta para um saldo acumulado de anos anteriores no valor de R$ 226.275,17; não é de aplicação financeira do ano de 1999 – não consta nos informes; 2) Conta contábil 0000.1990.00004 58 01.01.05.06.01 “Imposto de renda a recuperar 1998” – também aponta para um saldo acumulado no valor de R$ 10.388,35, 1 É um título representativo de direitos creditórios de exportação e lastreiase obrigatoriamente em contratos de compra e venda firmados entre o exportador e empresas estrangeiras importadoras. A presença do contrato mercantil de compra e venda é fundamental para a legalidade da operação. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 15 14 que pertence a outros anos; em agosto de 1999 esta conta sofreu um acréscimo de R$ 271.694,35 com histórico de que é concernente a “vr ref IR s/ remessa de juros empréstimo 35M”; portanto este IR também não é pertinente às aplicações financeiras ora discutidas; 3) Conta contábil 0000.1990.00005 617 01.01.05.06.01 – “IR a recuperar – aplic fin 1999” – esta conta merece ser analisada de forma acurada, mês a mês. Apesar da rubrica, há IR retido sobre empréstimos e outras aplicações que não constam nos informes de rendimentos que embasam os pedidos de restituição em questão. Assim estão “fora” dos valores pleiteados: 3.1) Janeiro: as reversões de provisões de IR sobre “empréstimo BEAL 63 Caipira jan/99” (v. variação cambial empréstimo em U$ fls. 222), e das provisões de IR sobre “v monet ativa HEDGE 40 dd e 12 dd” porque os valores ali consignados não conferem com os valores discriminados nos informes de rendimentos e a recorrente não explicitou de que instituição financeira são estas aplicações em hedge, sabendose pelo próprio Razão que há rendimentos declarados em Variação Cambial – EXPORT NOTES2; 3.2) Fevereiro: novamente aparecem contabilizações de reversão de provisões de IR sobre empréstimo “BEAL 63 Caipira” – jan e fev/99 – e “CITI”, cujos valores não constam nos informes de rendimentos fornecidos – aliás, observese que, por contraprova, nos referidos informes não há rendimentos pagos em fevereiro/99, com exceção da aplicação financeira em swap no CCF (Credit Coml France) que gerou um rendimento de R$ 794.397,83 e uma retenção de R$ 158.879,57 não contabilizados no Razão da recorrente e ora pleiteado nos pedidos de restituição; 3.3) Março: novamente é de se excluir a “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira”; 3.4) Abril: só foi novamente contabilizada a “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira”; 3.5) Maio : idem 3.6) Junho : idem; 3.7) Julho : idem, quanto a rubrica “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira” e de igual forma os IR retidos por ocasião dos dois “RESGATE EXPORT NOTES IR RETIDO NA FONTE”, por não se identificar nos informes de rendimentos esta aplicação financeira; 3.8) Agosto : sem movimentação 3.9) Setembro : a retenção de IR registrada está no informe de rendimentos fornecido pelo BEAL (Banco Europeu América Latina) swap – R$ 40.239,95; 3.10) Outubro : sem movimentação 3.11) Novembro : a retenção de IR registrada está no informe de rendimentos fornecido pelo Citibank swap – R$ 12.800,00; 3.12) Dezembro : sem movimentação; 2 É um título representativo de direitos creditórios de exportação e lastreiase obrigatoriamente em contratos de compra e venda firmados entre o exportador e empresas estrangeiras importadoras. A presença do contrato mercantil de compra e venda é fundamental para a legalidade da operação. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 16 15 4) os valores registrados nas demais contas contábeis, em dezembro, sob as rubricas a seguir elencadas, não podem ser pleiteados neste processo porque não se referem às aplicações financeiras e retenções objetos dos pedidos ora analisados – a propósito estas contas só aparecem em dezembro e apenas assinalam saldos advindos de outros períodos: 4.1) “I. Renda a Recuperar – JETWAY” – R$ 56.302,00 – (Variação Cambial – empréstimo); 4.2) “I. Renda Mútuo CBVFMC” – R$ 256.205,22; 4.3) “I. Renda a Recup – Aplic Fin – JETWAY” – R$ 226,65. IV) Da análise do Razão e das retenções de IRFonte contabilizadas versus informes de rendimentos A seguir relaciono quais as retenções de IR realizadas pelas fontes pagadoras discriminadas nos informes de rendimentos ora analisados que foram efetivamente contabilizadas pela recorrente, conforme comprovam os assentamentos contábeis do Razão apresentado: Inst. Financeira Aplic Financ Mês IRRF fls. (Razão) Credit Coml de France (CCF) swap Mar 182.753,37 212 Bco Europeu p/ América Lat swap jan 241.955,72 210 set 40.239,95 218 Citibank S/A swap jan 58.254,46 210 mar 32.959,99 212 nov 12.800,00 221 Total 568.963,49 Bem, deste ponto, solicitouse a realização de diligências, conforme relatado. Na diligência requerida, muito importante destacar que, não foram apresentadas as fichas do Livro Razão relativas às receitas correspondentes aos IRRF acima relacionados, consoante requerido na Resolução nº 180100.129/12, nem tampouco a recorrente logrou explicar a diferença entre o valor declarado a título de "ganhos auferidos no mercado de renda varíavel" R$ 856.048,70 (Ficha 7A, linha 21) e a somatória das receitas espelhadas nos informes de rendimentos apresentados junto aos pedidos de restituição (R$ 4.961.578,41); nem tampouco conseguiu explicar o valor de R$ 2.834.817,78 relativo às receitas correspondentes às retenções acima discriminadas, cujos IRRF foram contabilizados. Portanto, temos a seguinte situação neste litígio, em face aos assentamentos contábeis, aos valores declarados em DIPJ, aos informes de rendimentos e ao requerido pela recorrente: i) das receitas declaradas (DIPJ/00) a título de "outras receitas financeiras", no valor de R$ 3.469.603,66, Ficha 7A, linha 24, nenhuma operação registrada no Razão é coincidente com os valores discriminados pela recorrente, ou está registrada a título de operações swap e renda fixa, consoante item I deste voto; ii) das receitas declaradas (DIPJ/00) a título de "variação cambial ativa", no valor de R$ 29.922.006,41 Ficha 7A, linha 20 nenhuma operação registrada no Razão é Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 17 16 coincidente com os valores discriminados pela recorrente a título de operações swap e renda fixa, consoante item II; iii) embora a recorrente não tenha exibido os assentamentos contábeis relativos às receitas/rendimentos auferidos, ofereceu à tributação a título de GANHOS AUFERIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL (Ficha 7A, linha 21), o valor de R$ 856.048,70, pressupondo estarem inseridas nesta rubrica (única que sobrou) as referidas receitas de swap e renda fixa cujos IRRF a recorrente requer nos pedidos de restituição objetos deste litígio. Primeira conclusão é que a recorrente, por absoluta falta de comprovação nos assentamentos contábeis e valores informados na DIPJ/00, não ofereceu à tributação o valor auferido com todas receitas de swap, renda fixa, curto prazo e pre, espelhadas os informes de rendimentos acostados aos autos às efls. 06 a 44, da ordem de R$ 4.961.578,37, sendo incabível a restituição requerida no valor de R$ 986.169,79 (primeira tabela elaborada neste voto). O segundo ponto, é que os IRRF registrados no Razão, cujas operações estão identificadas por swap, apesar de remontarem o valor de R$ 568.963,49, consoante última tabela acima elaborada, correspondem a uma receita no valor de R$ 2.834.817,78, cujo oferecimento à tributação na DIPJ/00 não foi comprovado pela recorrente; como visto o valor oferecido a título de ganhos auferidos no mercado de renda variável é da ordem de R$ 856.048,70. Verifiquese da tabela abaixo o ora concluído, a partir do requerimento da contribuinte e dos informes de rendimentos apresentados: Inst. Financeira Aplic Financ Mês Receita Razão (fls.) IRRF Razão (fls.) Credit Coml de France (CCF) swap Jan 7.365,90 nihil 1473,18 Fev 794.397,83 nihil 158.879,57 Mar 913.766,87 nihil 182.753,37 212 Abr 4.811,74 nihil 962,32 Mai 38.519,29 nihil 7.703,87 Jun 21.992,48 nihil 4.398,49 Jul 9.161,10 nihil 1.832,22 renda fixa Jan 990,80 nihil 198,17 Mar 264,97 nihil 52,99 Abr 11.581,68 nihil 2.316,33 Mai 108.176,60 nihil 21.635,32 Jun 14.604,46 nihil 2.920,87 Jul 1.093.614,70 nihil 210.587,73 Bco Europeu p/ América Lat swap jan 1.209.778,64 nihil 241.955,72 210 set 201.199,95 nihil 40.239,95 218 Bradesco S/A swap mai 6.349,85 nihil 1.269,93 renda fixa mai 12.324,64 nihil 2.454,80 Banco do Brasil S/A swap total 31,90 nihil 6,38 renda fixa total 74,24 nihil 14,50 cprazo total 766,92 nihil 153,34 pre total 131,48 nihil 26,29 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 18 17 Citibank S/A swap jan 281.272,32 nihil 58.254,46 210 mar 164.799,99 nihil 32.959,99 212 jul 1.600,01 nihil 320,00 nov 64.000,01 nihil 12.800,00 221 Total dos informes 4.961.578,37 nihil 986.169,79 Total no Livro Razão exibido 0,00 568.963,49 T. receitas informes X IRRF contabl. 2.834.817,78 568.963,49 Total DIPJ/00 receitas (7A21) 856.048,70 (30,20%) 171.826,97 (30,20%) Diante do exposto, podese concluir que, se da importância de R$ 2.834.817,78, somente foram oferecidos à tributação o valor de R$ 856.048,70 (30,20%), do valor correspondente a R$ 568.963,49, a recorrente faz jus à restituição de IRRF no valor de R$ 171.826,97 (30,20%), incidente sobre aplicações financeiras (operações de swap, renda fixa e outros), refletido no Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999. No que respeita às demais considerações inseridas na informação fiscal de efls. 838 a 840, há que se relevar que, da verificação fiscal nos controles da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil), no anocalendário de 2000 não houve nem pagamento de IRPJ, nem informação de débito a este título em DCTF, pelo que este valor não foi compensado, podendo ser utilizado, até este limite, para compensar os débitos tributários confessados no Per/Dcomp dos autos. À unidade de jurisdição da recorrente solicitase, quando da execução deste acórdão, de imediato, anexar no eprocesso cópia deste acórdão aos demais processos de restituição/compensação que refletem na apuração do Saldo Negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1999, a fim de evitarse decisões conflitantes, consoante informado às efls. 838 a 840. Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 171.826,97, relativo ao Saldo Negativo de IRPJ, parcial, referente ao anocalendário de 1999, refletido pelas retenções de IR provenientes de aplicações financeiras, cujas receitas foram oferecidas à tributação, na DIPJ/00, e homologar as compensações pleiteadas nestes autos, até o limite do crédito ora deferido. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10830.007495/0052 Resolução nº 1302000.410 S1C3T2 Fl. 19 18 VOTO VENCEDOR Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Está claramente demonstrado no voto condutor do julgado que o direito creditório abordado neste processo é distinto das demais parcelas de crédito, também referentes ao IRPJ do anocalendário 1999, tratadas no processo administrativo nº 13851.000076/2002 36. Contudo, como evidenciado na diligência decorrente da Resolução nº 1801 000.129, o processo administrativo nº 13851.000076/200236 também foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 140100.020 e, em consulta aos seus autos digitais, foi possível verificar que o relatório produzido em razão daquela requisição não é claro acerca da distinção entre as retenções que constituíram o crédito tratado naqueles autos e as que motivam o pleito veiculado nestes autos. Há, portanto, a possibilidade de, na análise do crédito tratado no processo administrativo nº 13851.0000076/200236, ser reconhecido crédito alcançado pelo provimento parcial ao recurso voluntário, aqui proposto pela Conselheira Relatora. E, apesar do cuidado da Conselheira Relatora em determinar quando da execução deste acórdão, de imediato, anexar no eprocesso cópia deste acórdão aos demais processos de restituição/compensação que refletem na apuração do Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999, a fim de evitarse decisões conflitantes, consoante informado às efls. 838 a 840, devese considerar que o julgamento proferido nestes autos poderia ser objeto de embargos e/ou de recurso especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, retardando o envio dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para execução do julgado e a consequente notícia, nos autos do processo administrativo nº 13851.000076/200236, do reconhecimento parcial do crédito aqui proposto. Considerando, ainda, que o processo administrativo nº 13851.000076/200236 encontrase aguardando distribuição/sorteio nesta 1ª Seção de Julgamento, a maioria qualificada do Colegiado entende que o presente julgamento deve ser SOBRESTADO para que referido processo seja distribuído por conexão à Conselheira Relatora, de modo a promoverse seu julgamento conjuntamente com o presente processo. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. Fl. 879DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.720182/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabível embargos de declaração, quando existe omissão no acórdão embargado, ainda que sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1201-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Cabível embargos de declaração, quando existe omissão no acórdão embargado, ainda que sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 82 /2 01 3- 21 Fl. 7921DF CARF MF 2 Consta no Relatório do Acórdão Embargado o seguinte (páginas 5/6) em relação à decisão da DRJ: Mesmo diante dos argumentos trazidos pela impugnante, a 1ª Turma da DRJ/CTA proferiu acórdão n° 0642.385, fls. 7667/7690, no qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação. Da decisão recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – com base no artigo 34 do Decreto n° 6 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF n° 03/2008. Em síntese, não acatouse as preliminares de nulidade do lançamento fiscal, no entanto, foi reconhecida a decadência do PIS e da Cofins do mês de fevereiro/2008 e, no mérito, julgouse procedente em parte o lançamento fiscal, mantendo R$ 3.566.654,61 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, R$ 1.289.959,63 de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, R$ 294.394,55 de Contribuição para o Programa de Integração Social –PIS e R$ 1.420.070,98 de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, além das respectivas multas de lançamento de ofício de 75% e dos acréscimos legais (taxa Selic). Na sessão de julgamento de 22 de outubro de 2014 foram apreciados os recursos: de ofício interposto pela DRJ, e, o voluntário interposto pela contribuinte autuada, restando assim decidido no Acórdão nº 1202001.207, proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, em rejeitar as preliminares suscitadas e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O mencionado Acórdão nº 1202001.207, ora embargado, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2008, 2009 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ CONTA ADIANTAMENTO DE CLIENTES REMESSAS EFETUADAS PELAS EMPRESAS FRANQUEADAS VENDAS À VISTA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO CORRESPONDENTE Os valores repassados pelas empresas franqueadas, decorrentes da venda à vista de produtos da marca Ortobom e de outras mercadorias fornecidas pelo franqueador (a interessada), representam, em todos os seus elementos constitutivos, o negócio jurídico de uma operação de compra e venda; como tais repasses materializam o exato montante da receita de vendas à vista a ser reconhecida pelo franqueador, os valores constante dessa conta cujo oferecimento à tributação não restou comprovado são considerados mantidos à margem da escrituração. Fl. 7922DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 3 3 Além do mais, o Recurso Voluntário deve estar instruído com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não possuem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os tributos e contribuições cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa sujeitamse à modalidade de lançamento por homologação, tendo o seu prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EXPRESSA PREVISÃO LEGAL ARTIGO 44,I, DA LEI Nº 9.430/96 CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO CARACTERIZADO De acordo com o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Portanto, legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratandose de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS.Ano calendário:2008, 2009 Notificada da referida decisão em 27/02/2015, a PGFN opôs embargos de declaração em 24/03/2015 (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que foram admitidos consoante exposto no despacho (efls.7858/7862), de 23/03/2016 da lavra do Presidente da 2ª Câmara Marcos Aurélio Pereira Valadão, e encaminhado o presente processo para inclusão em lote de sorteio no âmbito da 1ªSEÇÃO/CARF/MF/DF, nos termos do art. 49, § 5º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 7923DF CARF MF 4 Consta do mencionado despacho de admissibilidade a seguinte transcrição dos embargos: Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. [...]Como visto, no acórdão embargado não foi indicada a existência de recolhimentos parciais de PIS e COFINS no período de apuração de fevereiro de 2008, reconhecido como decaído. No acórdão de primeira instância também não consta essa informação. Na decisão da DRJ de origem ficou consignado apenas que o autuado promoveu recolhimentos de IRPJ e CSLL. Analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão em sua fundamentação. Observase que o acórdão embargado não se pronunciou acerca do entendimento sobre o tema encampado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial repetitivo e acerca do disposto no art. 62A do RICARF. [...] O referido dispositivo foi incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, ou seja, em momento anterior à prolação do acórdão embargado. Nada obstante essa norma regimental, o acórdão embargado passou ao largo de qualquer consideração acerca do entendimento encampado pelo Superior Tribunal de Justiça em decisão de mérito definitiva sobre o tema. [...]Sequer há qualquer consideração no julgado objeto dos presentes embargos para afastar, de forma fundamentada, a aplicação do entendimento agora objeto de recurso repetitivo proferido pelo STJ. Vejase que o artigo 62A do RICARF determina a obrigatoriedade de reprodução dos referidos entendimentos. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também tem consolidado o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tãosomente diante da existência de pagamento parcial das contribuições devidas. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. No presente caso, não ficou devidamente exposta a tese da Turma julgadora, se seria necessária ou não a existência de recolhimentos parciais para a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN. Assim, o Colegiado foi omisso sobre a questão. Caso perfilhasse essa tese, no sentido de se fazer necessária a existência de recolhimentos parciais na competência para aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, remanesceria a omissão no julgado, pois não foram identificados quais elementos de prova constantes dos autos que permitiram a conclusão de que houve o pagamento antecipado, de forma a promover uma motivação clara e isenta de dúvidas. Fl. 7924DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 4 5 Demais disso, a indicação ora postulada tem o condão de permitir às partes a exata compreensão das razões acolhidas pela Turma a quo no contexto fático que se retrata nos autos, até porque o pagamento parcial antecipado relativo ao tributo exigido não foi detectado de plano. Logo, cumpre referir a falta de fundamentação do acórdão em relação à matéria, em atenção ao disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no artigo 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 31 e da Lei nº 9.784/99, sob pena de decretação de nulidade. Nesses termos, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Outrossim, prequestionamse as matérias aqui tratadas, uma vez que não foram objeto de análise expressa pelo Colegiado, a fim de que a Fazenda Nacional possa interpor recurso, se cabível. [...] Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 64, inciso I e art. 65, ambos do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para sanar/retificar os vícios acima apontados no acórdão embargado. Sobre os embargos de declaração e em sede de juízo de admissibilidade, consta do despacho, o seguinte: Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Decadência Tanto o IRPJ e a CSLL são imposto e contribuição sujeitos ao lançamento por homologação, pois o contribuinte deve apurar e Fl. 7925DF CARF MF 6 efetuar o eventual pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública. O recorrente alega que houve decadência dos fatos geradores ocorridos no Primeiro Trimestre de 2008. Na modalidade de lançamento por homologação os impostos e contribuições devem ser antecipados pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, pois, nessa situação, a atuação da autoridade administrava é posterior. Ocorre a homologação quando a autoridade tem o conhecimento da atividade assim exercida pelo contribuinte, de efetuar o recolhimento sem seu prévio exame, expressamente a homologando, ou, se não houver a manifestação expressa do fisco, dentro do prazo estabelecido pelo artigo 150, § 4º do CTN, havendo também a homologação dessa atividade, no entanto, de forma tácita. O prazo estabelecido pelo referido artigo é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fasto gerador, desde que o contribuinte tenha efetuado os recolhimentos de IRPJ e CSLL com base no lucro real trimestral e não tenha restando comprovada a ocorrência das figuras de sonegação, fraude ou simulação. Como no caso em questão não restou configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou simulação e houve o recolhimento de IRPJ e CSLL, o prazo de decadência deve ser contado da ocorrência do fato gerador, conforme dita o supracitado artigo. No entanto, não assiste razão à recorrente, uma vez que é optante do regime de tributação com base no lucro real e por ter sido cientificada do lançamento fiscal em 27/03/2013 (fl. 7326). À vista disso, os fatos geradores de IRPJ e CSLL do 1º trimestre/2008 ainda não se encontravam alcançados pelo instituto da decadência quando a impugnante foi cientificada do lançamento fiscal. Entretanto, o mesmo não se pode dizer dos lançamentos reflexos de PIS e Cofins do período de apuração de fevereiro/2008, já que se encontravam decaídos quando da cientificação do lançamento fiscal, já que sua apuração é mensal. Nesse sentido, improcedentes as alegações da recorrente neste tópico. A situação de omissão está apontada objetivamente em relação ao recurso de ofício, especificamente no tema em que a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu a decadência do PIS e da Cofins do mês de fevereiro de 2008 sem que fosse verificada a existência de pagamento antecipado. Vale esclarecer que o entendimento constante na decisão do Superior Tribunal de Justiça exarada no Recurso Especial Repetitivo nº 973.733 com mérito transitado em julgado em 22.10.20092 é o seguinte: Fl. 7926DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 5 7 O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Ademais é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária (art. 62 do Anexo II do RICARF). Registrese que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a motivação da existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 para fins de reconhecimento da decadência com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. (Negritei) Na sessão realizada em 27/07/2017, o colegiado, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em que participava a presente conselheira, proferiu a Resolução nº 1302000.510 (efls.7.882/7.888), na qual se entendeu como imprescindível, para a verificação da decadência, a informação sobre a real existência de pagamento de PIS e Cofins em relação ao mês de fevereiro/2008. Deste modo, converteuse o julgamento em diligência para que os presentes autos fossem encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina/PR para: elaborar relatório circunstanciado, informando se houve por parte da empresa autuada, pagamento de PIS e Cofins em relação ao mês de fevereiro/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina/PR, após a diligência realizada, elaborou o Relatório Circunstanciado (efls.7.908/7.911), conclusivo para a análise, do qual foi cientificado ao sujeito passivo (efls.7.912/7.915) que em nada se manifestou contrariamente. É o relatório. Voto Fl. 7927DF CARF MF 8 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora Consta do Relatório que, notificada em 27/02/2015, do Acórdão nº 1202 001.207, 22 de outubro de 2014, proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, a PGFN opôs embargos de declaração em 24/03/2015, no prazo regulamentar (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), portanto, tempestivos. Deles conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1302000.510, de 27/07/2017 (efls.7.882/7.888), mencionada no relatório acima, proferida pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, da qual participava a presente relatora e também relatora do voto condutor da predita Resolução. Vejamos: Conforme relatado, os embargos de declaração opostos pela PFN foram admitidos consoante exposto no despacho acima, tendo em vista a constatação de que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a motivação da existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 para fins de reconhecimento da decadência com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Compulsandose os autos (Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal) verifico que os lançamentos relativos ao PIS e à Cofins decorrem das OMISSÕES DE RECEITAS apuradas nos meses de fevereiro de 2008 a 2009, e que a pessoa jurídica autuada adota o regime da não cumulatividade estabelecido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, com a incidência não cumulativa, é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art 1º, §§ 1º e 2º e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, §§ 1º e 2º). Nesse passo, apesar de não se verificar nos autos qualquer menção a pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 não seria nenhum despautério presumirse que para fins de reconhecimento da decadência adotouse como base o § 4º do art.150 do Código Tributário Nacional, em razão de que, não havendo autuação em relação ao faturamento do mês de fevereiro/2008 e somente em relação à receita omitida, é porque houve pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 em relação às receitas declaradas e tributadas do mesmo período de apuração. Todavia, para que não paire nenhuma dúvida em relação à motivação da existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008 para fins de reconhecimento da decadência com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, fazse necessária a juntada de Demonstrativo e DARFs, de modo a evidenciar a questão em comento. Fl. 7928DF CARF MF Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1201002.272 S1C2T1 Fl. 6 9 Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina/PR para: elaborar relatório circunstanciado, informando se houve por parte da empresa autuada, pagamento de PIS e Cofins em relação ao mês de fevereiro/2008, do que deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Do Relatório Circunstanciado da diligência (efls.7.908/7.911) encaminhado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Londrina/PR consta, no essencial, o seguinte: A fim de cumprir a Resolução n° 1302000.510, da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), foi feita pesquisa por documentos de arrecadação pagos de PIS e COFINS, relativos ao mês de fevereiro de 2008, da empresa FABRICADORA DE ESPUMAS E COLCHOES NORTE PARANAENSE LTDA, CNPJ 02.292.653/000117. A busca foi feita no Sistema SIEF – Documentos de Arrecadação e teve como parâmetros (1) o período de arrecadação (data de pagamento) de 01/02/2008 a 01/02/2010 e (2) o CNPJ 02.292.653/000117. Essa pesquisa recuperou um total de 318 registros, abarcando diversos tributos. Desse total, foram encontrados 13 pagamentos relativos ao período de apuração fevereiro/2018, os quais são exibidos na Tabela I abaixo: Tabela I – Documentos de Arrecadação Pagos ref. ao Período de Apuração Fevereiro/2008. ... 20/03/2008 29/02/2008 36.963,84 6912 PIS NÃO CUMULATIVO (LEI 10.637/02) 20/03/2008 29/02/2008 170.257,68 5856 COFINS NÃOCUMULATIVA Conforme destaque da Tabela I acima, os dois últimos pagamentos referemse, respectivamente, a PISNão cumulativo e a COFINSNão cumulativa. Os comprovantes de arrecadação desses dois documentos seguem anexos e fazem parte deste relatório. ... Da aludida tabela e dos documentos anexados, verificase que o PIS e a Cofins relativos ao período de apuração (29/02/2008) foram arrecadados em 20/03/2008. Depreendese do acórdão embargado que da autuação não restou configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou simulação, e, conforme explicitado no Relatório Circunstanciado de diligência, houve em março de 2008, recolhimento de PIS e Cofins relativos ao período de apuração de fevereiro/2008. Nesse passo, constatada a existência de pagamento antecipado de PIS e de Cofins do mês de fevereiro de 2008, para fins de reconhecimento da decadência com base no § Fl. 7929DF CARF MF 10 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, o prazo deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, conforme dita o mencionado dispositivo legal. Assim, ocorrido fato gerador em 29/02/2008, o PIS e a Cofins do período de apuração de fevereiro/2008, deveria ter sido lançado e cientificado ao contribuinte até 29/02/2013. Tendo o contribuinte sido cientificado do lançamento fiscal em 27/03/2013, como esclarecido no acórdão embargado, tais contribuições de PIS e Cofins do período de apuração de fevereiro/2008, já se encontravam decaídos quando da cientificação do lançamento fiscal, tal como decidido no recurso de ofício e no acórdão embargado. Diante do exposto, conheço da omissão no acórdão embargado, razão pela qual acolho os embargos de declaração, sem no entanto darlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 7930DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014184/2008-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO.
O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007).
Numero da decisão: 1003-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007).
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INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 41 84 /2 00 8- 01 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.014184/200801 Acórdão n.º 1003000.088 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 02 27.762, de 22 de julho de 2010, da 4ª Turma da DRJ/BHE que não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte. O Recorrente efetuou pedido de inclusão no Simples Nacional, alegando que a CGC havia sido liberada em 26/02/2008 e o sistema não aceitou seu requerimento de opção pelo Simples Nacional, em razão do prazo. Afirma que teve a atividade iniciada em 07/11/2007, contudo a conclusão ocorreu apenas em 04/03/2008 (fl.01). Através do Despacho Decisório DRF/BHE nº 2001/2009 o pedido da Recorrente foi indeferido, por não ter havido a comprovação de que tenha a contribuinte tentado a formalização da solicitação de inclusão no Simples Nacional no prazo de 10 (dez) dias após o último deferimento de inscrição (fls. 24 a 26). A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi não foi conhecida pela DRJ, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 INÍCIO DE ATIVIDADE PRAZO PARA OPÇÃO Nos termos da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, a empresa em início de atividade tem o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição para efetuar a opção pelo Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com o acórdão, a Recorrente apresentou recurso voluntário requerendo, em síntese, nova revisão no processo para a inclusão retroativa no Simples Nacional a partir de 11/06/2008, destacando que não foi realizada a opção pelo Simples Nacional no prazo determinado em lei, contudo a empresa recolheu todos os impostos na forma do Simples Nacional nos meses de 08/2008 a 12/2008. Aduz que possui baixo faturamento e que, se o recurso não for acolhido, não terá como pagar os impostos. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso A Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, revogou a Lei nº 9.317/96 (Simples Federal), e instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.014184/200801 Acórdão n.º 1003000.088 S1C0T3 Fl. 4 3 Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, assim dispondo em seu artigo 16, caput Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário Na época da solicitação do pedido de inclusão no Simples, vigorava a Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, que, em seu art. 7º, estabelecia o seguinte: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da, opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional. § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. Segundo se depreende do artigo acima transcrito, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada até o último dia do mês de janeiro, contudo, para empresas em início de atividade, para não ser aplicada essa limitação temporal, a legislação determina que elas terão 10 (dez) dias, contados do último deferimento para realizar sua inscrição, a qual terá efeitos a partir do cadastro no CNPJ , desde que observado o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data da abertura. Entendo ser esses os limites temporais para empresas no início da atividade. O prazo de 180 (cento e oitenta) concedidos é o prazo máximo para o pedido de inclusão no Simples Nacional, desde que respeitados os prazos do § 3º, inciso I. Ou seja, a legislação não prevê aumento do prazo, mas apenas a redução dele. No presente caso, a data de abertura da empresa foi em 11/06/2008 (fls. 65). Segundo informações do acompanhamento da solicitação do CNPJ via internet (fls. 69 e 70), a solicitação de inscrição estadual foi concedida em 19/07/2008 e a inscrição municipal foi deferida em 21/07/2008. Considerando a determinação legal, a Recorrente teria 10 (dias), contados do último deferimento de inscrição, qual seja, 21/07/2008, para efetuar a opção para inclusão no Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.014184/200801 Acórdão n.º 1003000.088 S1C0T3 Fl. 5 4 Simples Nacional. Ocorre, porém, que não há nos autos comprovação de que tal requerimento tenha sido realizado. A própria Recorrente, em seu recurso voluntário, reconhece não ter realizado o requerimento dentro do prazo legal, tendo a RFB considerando formalizado o requerimento apenas em 29/10/2008 (fl. 01), com o requerimento inicial que deu origem a este processo. É digno registrar que a prova de suas alegações devem ser apresentadas pela Recorrente, ônus do qual não se desincumbiu. Em razão disso, não há como concluir ter havido erro por parte da autoridade fiscal que justificasse a inclusão da Recorrente na sistemática do Simples Nacional. Em razão do decurso de prazo de 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição, estabelecido pelo inciso I do § 3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, deve ser mantido o indeferimento da inclusão retroativa à sistemática do Simples Nacional Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660360/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660360/201201 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.761 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 60 /2 01 2- 01 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660360/201201 Acórdão n.º 3401004.761 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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