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Numero do processo: 19515.004412/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. POSSIBILIDADE.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE.
O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
SISTEMA GFIP/SEFIP. VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE.
Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x.
FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. GFIP VÁLIDA.
Sujeitam-se ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considera-se válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência.
ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELA LEI N° 11.941/2009.
Alega o Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pela Lei n° 11.941/2009. Contudo, o Recorrente não comprovou a sua adesão, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO.
Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto n° 70.235/72, o contribuinte deverá suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal que não se contraponham às conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO PARCIAL.
Havendo a impugnação parcial da exigência, a parte não impugnada não instaura a fase contenciosa, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70.235/72.
MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO
O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por casuístico está jungida às normas constantes no parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF.
Numero da decisão: 2401-005.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite (relator) que dava provimento parcial ao recurso para limitar a multa ao percentual de 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Processo julgado em 05/07/2018, às 9h.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. POSSIBILIDADE. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. SISTEMA GFIP/SEFIP. VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE. Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. GFIP VÁLIDA. Sujeitam-se ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considera-se válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência. ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELA LEI N° 11.941/2009. Alega o Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pela Lei n° 11.941/2009. Contudo, o Recorrente não comprovou a sua adesão, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto n° 70.235/72, o contribuinte deverá suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal que não se contraponham às conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Havendo a impugnação parcial da exigência, a parte não impugnada não instaura a fase contenciosa, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70.235/72. MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por casuístico está jungida às normas constantes no parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF.
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POSSIBILIDADE. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. SISTEMA GFIP/SEFIP. VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 44 12 /2 01 0- 27 Fl. 4502DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.503 2 Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. GFIP VÁLIDA. Sujeitamse ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considerase válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência. ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELA LEI N° 11.941/2009. Alega o Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pela Lei n° 11.941/2009. Contudo, o Recorrente não comprovou a sua adesão, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto n° 70.235/72, o contribuinte deverá suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal que não se contraponham às conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Havendo a impugnação parcial da exigência, a parte não impugnada não instaura a fase contenciosa, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70.235/72. MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de Fl. 4503DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.504 3 inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por casuístico está jungida às normas constantes no parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite (relator) que dava provimento parcial ao recurso para limitar a multa ao percentual de 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Processo julgado em 05/07/2018, às 9h. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar os relatórios já elaborados em ocasiões anteriores e que bem elucidam a controvérsia posta, para, ao final, complementá los (fls. 1000/1004, 3643/3645 e 4441/4445). Pois bem. O presente processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração n° 37.171.3625, lavrado em 08/12/2010, relativo a contribuições (parte patronal, não declarada em GFIP) devidas à Seguridade Social, incidentes sobre remunerações pagas ou Fl. 4504DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.505 4 creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores e autônomos) não recolhidas nas épocas próprias, referente à contribuição da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. O crédito previdenciário que aqui se discute abrange o período de 02/2006; 08/2006 e 01/2007 a 12/2007, inclusive 13° salário, no montante de R$ 5.647.869,21 (cinco milhões, seiscentos e quarenta e sete mil, oitocentos e sessenta e nove reais e vinte e um centavos), consolidado em 08/12/2010. O Relatório Fiscal de fls. 677/688, informa, em síntese, que: (a) Os valores das contribuições apuradas tiveram origem nos montantes mensais lançados nas folhas de pagamento, planilhas de contribuintes individuais apresentadas e em sua contabilidade nas contas dos Grupos 3.1.01.01.01 – Mão de Obra (Custo), 5.1.01.01.01 Despesas de Pessoal, 3.1.01.05.01 – Serviços de Terceiros Pessoa Física, 5.2.02.01.01.00003 – Comissões sobre Vendas; (b) Os pagamentos efetuados, não declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social podem ser observados de forma individualizada na planilha anexa aos autos; (c) Analisando os arquivos digitais da Folha de Pagamento (MANAD) e o arquivo digital do sistema GFIP, elaboramos uma planilha comparativa das informações individualizadas dos segurados obrigatórios (empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais), separados por estabelecimento e por competência, obtidas da Folha de pagamento (MANAD) e confrontadas com a GFIP; (d) Da análise destes demonstrativos e em pesquisa ao sistema de arrecadação, concluímos que o contribuinte deixou de recolher aos cofres públicos os valores constantes no demonstrativo elaborado pela fiscalização, em anexo, relativos ao crédito tributário da contribuição social devida à Seguridade Social, da parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; (e) Foram utilizados os seguintes códigos de levantamento: IN – Contribuintes Individuais não declarados em GFIP com multa de ofício de 75%; ND – Segurados empregados não declarados em GFIP com multa de ofício de 75%; e SN – Segurados empregados não declarados em GFIP com multa de mora de 24%; (d) Foi feita a comparação entre a situação atual e a anterior, no tocante à aplicação da multa, observouse que a mais benéfica ao contribuinte para as competências fevereiro e agosto de 2006 é a situação atual, aplicandose a multa de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e, para o período de janeiro a dezembro de 2007, é a situação anterior à MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, aplicandose a multa de mora de 24% mais a multa da obrigação acessória CFL 68, conforme demonstrativo “Rodopa Comparativo AI CFL 68 + 24% x 75%”, em anexo. Tendo sido cientificado, pessoalmente, dos Autos de Infração em 15/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 716/732, acompanhada de cópia de documentos às fls. 733/991. Fl. 4505DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.506 5 Alegou, em síntese, o Impugnante, o que segue: (a) Após breve relato sobre a autuação e o desenvolvimento de sua atividade mercantil, o Contribuinte alega que todos os documentos solicitados foram devidamente entregues à fiscalização, e da sua análise e das próprias informações prestadas, restou concluída e comprovada a efetiva Declaração por parte do Contribuinte, das suas obrigações junto a Fazenda Nacional, no tocante a valores devidos a título previdenciário, mais especificamente à Seguridade Social da parte da Empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), nos valores constantes do demonstrativo elaborado pela fiscalização e dos documentos trazidos pela fiscalizada, salvo pequenas distorções; (b) Ocorre que o aludido débito já estava devidamente declarado pelo Impugnante, tanto em suas obrigações acessórias, principais e lançamentos contábeis, ocorridos no mesmo período em sua contabilidade e até por se tratar de LCD Lançamento de Débito Confessado, muito antes da lavratura do presente Auto de Infração; (c) Conhecendo tal inadimplência por falta de recolhimento das contribuições previdenciárias no período em pauta, o Impugnante tempestivamente optou pela adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, optando pela inclusão no mesmo de todos os seus débitos, inclusive os previdenciários; (d) Os débitos em questão não podem ser exigidos no presente Auto de Infração, pois, já era conhecido e estava inserido no parcelamento, trazido pela Lei 11.941/2009, e sua exigência configura verdadeira cobrança em duplicidade; (e) O Impugnante vem pagando as parcelas mínimas do parcelamento, e aguardando a sua ulterior consolidação, para inserção plena do débito em questão, que conforme dito possui objeto hábil a lançamento no parcelamento; (f) O aludido débito não pode mais ser exigido, salvo inadimplência do Impugnante em relação ao pagamento das parcelas mínimas do parcelamento, ou após sua consolidação, as parcelas efetivamente devidas; (g) Além disso, deverão ser aplicados ao corrente débito, todos os descontos e abatimentos proporcionais das multas e juros, nos termos da Lei 11.941/2009, que com certeza culminará na sua redução; (h) A fiscalização fez incidir multa de mora exacerbada ao não considerar o disposto no artigo 150, IV, da Constituição da República, em síntese: que é vedado à União utilizar tributo com efeito de confisco. Transcreve doutrina; (i) Após discorrer sobre a matéria, alegou que é inconstitucional a aplicação da multa de mora no patamar exigido, por ter caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior; (j) Considerando que não houve omissão na formação da base de cálculo, as informações foram transmitidas corretamente e o débito é objeto de parcelamento trazido pela Lei 11.941/2009, que atenuara os seus juros de mora e outras multas de ofício ou mora, não merece prosperar a multa de mora aplicada, ao menos nos patamares atribuídos; Fl. 4506DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.507 6 (k) Caso entenda pela manutenção da multa, a mesma deve ser fixada em seu limite máximo legal, retornandose à fiscalização ou outro órgão competente para compilação correta dos valores a serem aplicados, ou na observância da Lei nº 11.941/2009; (l) O D. Fiscal levantou valores já devidamente declarados espontaneamente pelo Contribuinte/Impugnante, em GFIPs devidamente entregues; (m) Os valores retidos de Empregados e Terceiros, de cada estabelecimento da empresa, de todas as competências objeto da presente, qual seja, Janeiro/2007 a Dezembro/2007, foram devidamente recolhidos, conforme também demonstrado e esclarecido pela Fiscalização; (n) Além do Contribuinte/Impugnante ter declarado os mencionados débitos objeto da presente autuação, em suas obrigações acessórias, o mesmo também realizou todos os lançamentos contábeis referente às provisões de tais valores, em sua Contabilidade; (o) Requer seja a impugnação recebida e, no mérito, integralmente provida para anular e julgar improcedente o Auto de Infração nº 37.171.3625, consubstanciado nas razões acima, em especial para anular a multa de mora aplicada; (p) Requer na remota hipótese de manutenção do presente Auto de Infração, seja o presente débito mantido no parcelamento trazido pela Lei n° 11.941/2009, aproveitando todos os benefícios, do qual a Impugnante é aderente, mesmo que a multa de mora seja mantida integralmente, aplicandose as reduções previstas no mencionado ordenamento; (q) Ainda assim, esclarece o Impugnante que, à par da presente defesa, não abre mão do parcelamento, motivo pelo qual não discute o débito principal que já é objeto do parcelamento, mas tão somente a multa de mora que não foi reduzida equitativamente; (r) Caso o débito lançado no auto de infração seja excluído do aludido parcelamento em decorrência da interposição da presente impugnação, o que não se acredita, requer seja determinada a imediata devolução do prazo para interposição de nova defesa contra o auto na sua integralidade; (s) Protestase provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo desde já a realização das diligências necessárias, em especial a remessa dos autos ao perito ou contador, para correta aferição da multa de mora aplicada, abrindose nova oportunidade ao Impugnante para contestála; (t) Requer ainda, sejam as intimações e notificações referentes ao presente encaminhadas diretamente à sede do Impugnante, na pessoa do seu representante legal, mediante carta registrada ou outro expediente legal, sob pena de nulidade absoluta, não se admitindo, sob hipótese alguma, a intimação via imprensa oficial. Posteriormente, sobreveio julgamento proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do Acórdão nº 1633.245 (fls. 999/1016), de 17/08/2011, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 4507DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.508 7 Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça e decorre do princípio da legalidade da Administração. Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Não cabe em sede de processo administrativo a discussão sobre legalidade ou constitucionalidade de lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DA MULTA APLICADA. NATUREZA DE NÃO CONFISCO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O valor da multa aplicada decorre do disposto na Lei, tendo em vista a mora do contribuinte ao deixar de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias. O que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente, que de forma objetiva fixa os valores a serem aplicados, sendo que não se pode afastar o critério legal, baseandose em critérios subjetivos de justiça. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT jurisdicionante do Fl. 4508DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.509 8 contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) O lançamento em questão se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto no artigo 2° da Lei 11.457 de 16/03/2007; (b) Considerando que o Impugnante apresentou impugnação tempestiva e não comprovou a ocorrência de nenhuma das situações previstas no art. 16 do Decreto n° 70.235/72, indefiro o pedido para devolução do prazo para apresentação de nova defesa e ou juntada de provas; (c) A respeito da realização de perícia e diligência previsto nos artigos 16, inciso IV e § 1º, e 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09/12/1993, só há perícia se o fato depender de conhecimento especial, o que não é o caso do presente processo, posto conforme demonstrado, o crédito aqui tratado se encontra devidamente constituído e fundamentado, não formulando o Impugnante os quesitos necessários para apreciação de seu pedido, e ainda não indicando o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; (d) Não houve qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa, sendo o presente Auto de Infração lavrado em obediência ao princípio da estrita legalidade, informando com objetividade e clareza a origem do lançamento de crédito, sua composição, bem como os dispositivos legais e os documentos que o fundamentaram, atendendo a todas as normatizações sobre a matéria, permitindo assim, o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte; (e) Não prospera o argumento do Impugnante de que os débitos em questão não podem ser exigidos no presente Auto de Infração, pois já eram conhecidos e estavam inseridos no parcelamento trazido pela Lei nº 11.941/2009, em razão do período de apuração (janeiro de 2007 a dezembro de 2007); (f) Inicialmente, cabe lembrar que o presente Auto de Infração abrange o período de 02/2006 e 08/2006 e 01/2007 a 13/2007 e o contribuinte não faz qualquer menção em sua defesa quanto ao período de 2006, ressaltando apenas que o período de 01/2007 a 13/2007 já estava devidamente declarado, tanto em suas obrigações acessórias, principais e em lançamentos contábeis ocorridos no mesmo período em sua contabilidade e até por se tratar de LDC – Lançamento de Débito Confessado, motivo pelo qual não impugnou o montante principal do débito apurado; (g) Da análise dos demonstrativos constantes no Auto de Infração e em pesquisa ao sistema de arrecadação, concluise que o contribuinte deixou de recolher aos cofres públicos as diferenças referentes aos valores constantes no demonstrativo elaborado pela fiscalização, relativos ao crédito tributário da contribuição social devida à Seguridade Social, da parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de Fl. 4509DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.510 9 incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT e as destinadas aos Terceiros; (h) É importante ressaltar que o Impugnante alega, mas não comprova nos autos os argumentos referentes ao parcelamento por ele efetuado abrangendo os valores aqui lançados, e sendo assim, vale o princípio de que “alegar e não provar é o mesmo que não alegar”; (i) O sujeito passivo afirma que vem pagando as parcelas mínimas do parcelamento e aguardando a sua ulterior consolidação para inserção plena do débito em questão, mas não consta dos autos nenhum pedido de desistência de Impugnação em nome da defendente; (j) O documento juntado na defesa, para tentar comprovar a opção da empresa pelo Parcelamento Especial, amparado pela Lei 11.941/2009, não apresenta nenhum número DEBCAD, bem como não apresenta o período do débito abrangido pelo mesmo, impossibilitando, desta forma, a comprovação dos fatos narrados na defesa; (k) Sendo assim, considerando que o contribuinte não comprova a inclusão do débito em pauta em qualquer parcelamento devidamente consolidado pela Receita Federal do Brasil, não há que se rever o lançamento efetuado, nem se falar em cobrança em duplicidade; (l) Do acima exposto concluise que, se a empresa estivesse inscrita em algum parcelamento consolidado, contendo as mesmas competências do período aqui apurado, o mesmo teria sido apropriado ao lançamento como o foram as Guias da Previdência Social (GPS) recolhidas pela empresa e apresentadas durante a ação fiscal, o que não ocorreu; (m) Dessa forma, as alegações da defesa e os documentos juntados pelo Contribuinte não servem para elidir os valores aqui apurados; (n) Ocorre que, com o intuito de verificarmos as GFIP´s entregues pelo Impugnante, para confrontarmos os valores por ela declarados e os apurados pela fiscalização, consultamos o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e constatamos que embora a empresa tenha juntado na defesa cópias de GFIP´s por ela declaradas, entregou na rede bancária novas GFIP´s, apagando do sistema as informações anteriormente prestadas; (o) Tomandose como exemplo a competência 02/2007, verificase que a empresa entregou 4 GFIP’s para esta competência entre 07/03/2007 e 04/07/2008, sendo duas com o FPAS 612 e duas com o FPAS 515; (p) Sendo assim, muito embora a empresa tenha declarado informações nas GFIP’s e na contabilidade; ter alegado e juntado na defesa GFIP’s que abrangem o período do débito aqui discutido, tais informações não constam mais do sistema informatizado para possibilitar a referida comparação; (q) Vale esclarecer ainda que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar uma única GFIP para cada chave (dados básicos que identificam a GFIP: CNPJ, competência, FPAS e código de recolhimento); Fl. 4510DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.511 10 (r) Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP entregue posteriormente como GFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave. Assim, no caso de retificação de informações de GFIP anteriormente transmitidas para uma referida competência, o contribuinte deve informar na nova GFIP todos os trabalhadores constantes daquela apresentada anteriormente, e a informação a ser retificada; (s) Tivesse a empresa entregue GFIP’s na forma estabelecida pelo Manual da GFIP, não haveria substituição das GFIP´s entregues anteriormente e os valores apurados pela fiscalização poderiam ser confrontados no sistema a qualquer tempo; (t) No presente caso, a fiscalização informa que elaborou uma planilha comparativa das informações individualizadas dos segurados obrigatórios (empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais), separados por estabelecimento e por competência, obtidas das Folha de Pagamento (MANAD), as quais foram confrontadas com as GFIP apresentadas durante a ação fiscal, resultando no presente lançamento; (u) O Impugnante não comprovou nos autos que os valores aqui apurados foram parcelados ou recolhidos e, estes seriam os únicos motivos que fariam com que o presente débito pudesse ser revisado ou eventualmente alterado; (v) Ressaltase que conforme acima exposto, os valores recolhidos pela empresa foram devidamente apropriados ao débito, mediante as Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS apresentadas pelo sujeito passivo durante a ação fiscal; (w) Ao realizar os lançamentos referentes às provisões dos valores aqui discutidos, em sua contabilidade, a impugnante apenas comprova que cumpriu o determinado no art. 32, II, da Lei n° 8.212/91. No entanto, tal fato em nada altera o procedimento fiscal ou o valor do crédito apurado; (x) Diante do acima exposto, as alegações da defesa e os documentos juntados aos autos em nada alteram o procedimento fiscal que apurou valores devidos aos cofres públicos, não declarados em GFIP, conforme demonstrado pela fiscalização; (y) Conforme consta no Relatório Fiscal, feita a comparação entre a situação atual e a anterior, no tocante à aplicação da multa, observouse que a mais benéfica ao contribuinte para as competências fevereiro e agosto de 2006 é a situação atual, aplicandose a multa de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, ou seja, 75% e, para o período de janeiro a dezembro de 2007, a mais benéfica ao contribuinte é a situação anterior à MP n° 449/2008, convertida em Lei n° 11.941/2009, aplicandose a multa de mora de 24% mais a multa da obrigação acessória CFL 68; (z) Quanto aos argumentos de que a multa seria abusiva e teria caráter confiscatório, os mesmos não podem prosperar, porquanto o que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente, que de forma objetiva fixa os valores a serem aplicados, sendo que não se pode afastar o critério legal, baseandose em critérios subjetivos de justiça; (aa) Quanto aos questionamentos do Impugnante relativos à legalidade/constitucionalidade de leis, temse que os atos administrativos são vinculados e Fl. 4511DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.512 11 obrigatórios, devendo a autoridade administrativa observar o que determinam as normas legais (art. 26A do Decreto n° 70.235/72); (bb) Cabia ao Impugnante apresentar ou demonstrar suas alegações com elementos capazes de desconstituir o lançamento, em especial documentos probantes, tendo em vista que os atos administrativos possuem como atributo intrínseco a presunção de legitimidade e legalidade e, com efeito, não logrou fazêlo; (cc) A intimação deve ser realizada no domicílio tributário do sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo; (dd) Entretanto, a competência para intimação do presente acórdão e demais intimações compete à DERAT jurisdicionante do sujeito passivo, pois, de acordo com o disposto no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT compete desenvolver, dentre outras, as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e parcelamento de débitos. Inconformado com a decisão de piso, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário (fls. 1023/1065), no qual, após breve relato de suas atividades empresariais e das autuações combatidas, apresentou os seguintes argumentos: (a) Não há crédito a ser exigido posto que as contribuições constantes do lançamento já foram incluídos em parcelamento especial; (b) O órgão julgador trouxe ao processo informações que o recorrente desconhecia, as quais alteraram inclusive a descrição da suposta infração, portanto, merece o recorrente a reabertura do prazo de defesa; (c) A empresa somente veio a tomar conhecimento de supostas substituições das informações prestadas mediante a GFIP com a decisão recorrida, devendo ser anulado o AI, posto que o fisco não descreveu o fato gerador a contento, deixando de tratar de erros cometidos nas transmissões da guia informativa; (d) A DRJ, ao detectar os alegados erros que teriam motivado a substituição dos valores declarados, deveria, pelo menos, ter retornado o processo à fiscalização para que fosse procedido a emenda do relatório, com reabertura de prazo para defesa; (e) Além de que a empresa possui os protocolos de envios da GFIP, comprovando suas afirmações, ao passo que o órgão recorrido não juntou aos autos nenhuma comprovação de que os dados teriam sido apagados; (f) Não houve por parte do autuado qualquer retransmissão de dados que pudesse acarretar na falha apontada pela DRJ; (g) Ao trazer ao processo fato novo e, com base nesse, decidir contra o sujeito passivo, o órgão recorrido violou a garantia constitucional ao contraditório e à ampla defesa; Fl. 4512DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.513 12 (h) Agiu conforme a legislação, não podendo ser prejudicado por erros em sistemas sobre os quais não tem gestão; (i) O julgador de primeira instância deveria ter trazido ao processo as provas de que o sujeito passivo incorreu nos erros que motivaram as autuações, conforme determinam os artigos 36 e 37 da Lei n.º 9.784/1999; (j) No mínimo, o erro apontado deveria ter sido demonstrado com informações prestadas pela instituição bancária responsável pelo recebimento e processamento dos dados declarados na GFIP; (k) Os AI foram lavrados de forma genérica, dificultando a produção da defesa e, somente após a decisão da DRJ, as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores foram demonstrados; (l) O recorrente comprovou que bem antes do início do procedimento fiscal já havia declarado, até em montantes superiores, os valores lançados, fato que impediria a constituição dos créditos; (m) A realização de diligência/perícia é imprescindível para solução da contenda, ainda mais quando a DRJ apresentou novos fatos, sem comproválos; (n) Para comprovar suas alegações, o sujeito passivo mais uma vez junta aos autos todas as GFIP entregues via sistema; (o) Observese que, prevalecendo o entendimento da DRJ, a Fazenda perderá mais de R$ 1.464.361,57, posto que as contribuições confessadas pelo sujeito passivo suplantam os valores lançados; (p) O julgamento apresentase incoerente, posto que o próprio fisco reconheceu que as contribuições declarados na GFIP estavam provisionadas na contabilidade do recorrente; (q) A multa de mora aplicada é confiscatória; (r) A multa de ofício não deve prevalecer, posto que o sujeito passivo declarou as contribuições na GFIP; (s) O fisco não apresentou demonstrativo de comparação da multa mais benéfica, conforme exige a Instrução Normativa n.º 971/2009. Ao final requereu: (a) A declaração de nulidade do acórdão recorrido, em razão da inovação nos fundamentos das autuações; (b) A improcedência das lavraturas, posto que as contribuições já haviam sido confessadas; (c) A exclusão das multas aplicadas; Fl. 4513DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.514 13 (d) Que o processo fosse baixado em diligência, de modo que lhe sejam apresentados os motivos que levaram à desconsideração das declarações efetuadas; (e) Que lhe fosse dada oportunidade de se manifestar sobre esses fatos, antes da nova decisão de primeira instância. Inicialmente distribuído ao Ilmo. Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, o presente processo foi incluído em pauta de julgamento de 18 de abril de 2013, na qual os julgadores da então composição desta r. Turma, decidiram, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência por meio da Resolução nº. 2401000.276 (fls. 3642/3651), nos termos do voto da Redatora Designada Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme abaixo: (...) Ou seja, existe realmente um descompasso entre as informações trazidas pelo auditor fiscal em seu relatório e aquelas utilizadas pelo órgão julgador para manutenção do lançamento, contudo, não entendo que isso implica a nulidade da referida decisão ou mesmo do lançamento, necessitando apenas sejam prestados esclarecimentos, de forma a possibilitar ao contribuinte ter apreciadas suas alegações, e os documentos colacionados aos autos. Não identifico na referida decisão, nulidade, tendo o julgador esclarecido ao recorrente que a entrega posterior de novas GFIP na mesma chave, implica sobreposição das mesmas, apagandose dos sistemas da Receita Federal as informações anteriores. Todavia, o recorrente, alega não ter sido informado dessa sobreposição durante o procedimento fiscal, o que realmente não consta do relatório, fato que criou obstáculo aos seus argumentos, impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa. É nesse ponto, que entendo devam ser prestados esclarecimentos detalhados entre os documentos GFIP que o contribuinte diz ter entregue para declarar os fatos geradores e aqueles descritos pelo auditor fiscal como constantes do sistema e que servirão de base para a comparação entre os valores declarados, não declarados e recolhidos. É nesse ponto, que entendo ser desnecessária a declaração de nulidade, visto que tal fato poderá ser sanado por meio de uma diligência, na qual seja O RECORRENTE INTIMADO: a apresentar planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência com cada uma das GFIPs entregues, com a respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega; em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada; Deve ser enfatizado ao recorrente, que o mesmo não deverá indicar na planilha apenas, as GFIPs que alega ter entregue, para rebater o lançamento, mas todas as GFIP, por ele transmitidas em cada competência. De posse desses documentos (planilha contendo as informações), deverá auditor elaborar nova planilha, agora incluindo, os valores das bases de cálculo apuradas durante o lançamento nos documentos apresentados pela empresa e da GFIP constante nos sistemas da Receita. Fl. 4514DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.515 14 Entendo que dessa forma, poderemos esclarecer no lançamento em questão, o que foi apurado de base, as GFIP entregues, a GFIP entregue por último, e a GFIP constante do SISTEMA. Dito fato, embora trabalhoso, mostrase necessário, uma vez que descreveu a autoridade fiscal ter apreciado as GFIPs apresentadas pelo contribuinte durante o procedimento e não ter mencionado a sobreposição das mesmas em seu relatório, quando utilizou as informações dos sistemas da Receita para comparar com os fatos geradores apurados durante o procedimento. Ademais, apenas com esse comparativo será possível afastar ou acatar os argumentos do recorrente de que não houve entrega de novas GFIPs capazes de sobrepor as anteriores, e da impossibilidade de lançar no presente AIOP valores já declarados. Por fim, apenas no intuito de esclarecer, foi colacionado recentemente pelo recorrente uma planilha, com informações semelhantes, porém apenas, destacou as GFIP que o mesmo alega ter entregue, sem prestar informações sobre outras GFIP entregues para a mesma competência, razão pela qual imprescindível a diligência requerida. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. Em cumprimento à Resolução nº. 2401000.276 (fls. 3642/3651), foi elaborado o Termo de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento (fls. 4359 e ss), sendo apresentadas as seguintes conclusões: Com relação a planilha de Base de Cálculo apurada e GFIPs válidas já constam no Relatório Fiscal que acompanhou os lançamentos dos AI – Autos de Infração em questão, inclusive detalhando competência, segurando, NIT, estabelecimento, base de cálculo declarada e não declarada, contribuição de segurado declarada e não declarada e diferenças apuradas. Lembramos que todas as GFIPs entregues constam no sistema, sejam válidas ou substituídas, sendo considerada válida aquela entregue por último à época do lançamento. Em 18/03/2014 o contribuinte apresentou relação de GFIPs entregues (anexa ao processo nesta data) porém só relacionou as primeiras de cada estabelecimento e não todas como solicitado, inclusive com os códigos de entrega divergentes aos que constam no sistema, portanto não atendeu as solicitações do Termo de Início de Procedimento Fiscal de 03/02/2014 que intimava o sujeito passivo a: Apresentar planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência com cada uma das GFIPs entregues, com a Fl. 4515DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.516 15 respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega, em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada. INDICAR NA PLANILHA TODAS AS GFIPs ENTREGUES (TRANSMITIDAS) EM CADA COMPETÊNCIA E NÃO SOMENTE AS ALEGADAS PARA REBATER O LANÇAMENTO DE CRÉDITO. Diante do exposto, estamos procedendo ao encerramento da presente diligência fiscal mantendo os lançamentos dos Autos na sua totalidade e dando ciência ao contribuinte supracitado, por via postal com Avisos de Recebimento – AR, da diligência, do seu encerramento e do resultado da diligência, cientificando também o contribuinte do prazo de 10 (dez) dias, conforme art. 44, Lei 9.784 de 29/01/1999, para, caso não concorde com os resultados desta diligência, apresentar contrarazões por escrito, nos Centros de Atendimento ao Cliente – CAC, conforme segue: (...) Intimado a se manifestar, o contribuinte apresentou a petição de fls. 4368/4370, reiterando as alegações tecidas na Impugnação e no Recurso Voluntário. Houve a apresentação de embargos de declaração (fls. 4398/4409), em face da Resolução nº. 2401000.276 (fls. 3642/3651) que determinou a conversão do feito em diligência, sendo rejeitados (fls. 4426/4431). Por entender pela insuficiência das conclusões apresentadas no Termo de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento (fls. 4359 e ss), em sessão de julgamento realizada no dia 09/05/2017, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, houve por bem prolatar a Resolução n° 2401000.573 (fls. 4440/4448), novamente convertendo o feito em diligência, nos termos que seguem: a) Para que a fiscalização, admitindo que não há nestes autos as informações que ora se requer, apresente planilha com as bases de cálculo por competência utilizadas no lançamento, bem como todas as GFIP’s que constam nos sistemas da RFB e as GFIP’s utilizadas como parâmetro para o presente lançamento (ou seja, a última entregue e considerada válida no sistema informatizado da RFB); b) Acaso a fiscalização identifique que em alguma das competências houve a ocorrência de entrega de GFIP antes do procedimento fiscal, não considerada na lavratura do Auto de Infração e que seja capaz de alterar o lançamento, que também faça constar referida informação no resultado da diligência; e c) Que seja a Recorrente intimada para se pronunciar sobre quais GFIP’s teriam sido entregues e que não sejam aquelas utilizadas pela fiscalização como parâmetro do lançamento, que não constem na planilha a vir a ser elaborada pela fiscalização, com a devida prova de suas alegações. Posteriormente, em cumprimento à diligência fiscal requerida, foi lavrado o Termo de Início de Procedimento Fiscal – Diligência (fls. 4454), que houve por bem intimar o contribuinte para apresentar planilha detalhada, por competência e por estabelecimento, Fl. 4516DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.517 16 relacionando cada uma das GFIPs entregues e informando, para cada respectiva GFIP, o seu Número de Controle da GFIP, a sua data de entrega, a competência a que se refere, o código de entrega e a base de cálculo declarada. Regularmente intimado, o contribuinte requereu, no dia 17/08/2017, a solicitação de prazo suplementar de 60 (sessenta) dias (fls. 4456). Em seguida, houve a lavratura do Termo de Reintimação Fiscal (fls. 4471), tendo sido o contribuinte notificado no dia 13/10/2017 (fls. 4472). Novamente, o contribuinte requereu a prorrogação do prazo para atendimento da intimação, por mais 20 (vinte) dias (fls. 4473). Após o escoamento do prazo solicitado, no dia 29/01/2018, a diligência foi encerrada e formalizada no documento Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4476/4496), no qual a autoridade fiscal reforçou a procedência integral do lançamento, tendo sido o contribuinte intimado a se manifestar, no prazo de 10 (dez) dias (fls. 4479), em 05/02/2018 (fls. 4497). Até a presente data o contribuinte não se manifestou. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário, sendo redistribuídos a este Relator, tendo em vista que o Conselheiro, anteriormente designado, não mais integra o colegiado. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento, mas não em sua integralidade, conforme será explicitado mais adiante. 2. Conexão. Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo aos processos destacados abaixo, pois versam sobre exigência de crédito tributário e pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos: (a) Processo n° 19515.004413/201071 que trata do Auto de Infração n° 37.171.3641, lavrado em 08/12/2010, relativo a contribuições sociais devidas pelo contribuinte a terceiros (SalárioEducação, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre Fl. 4517DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.518 17 remunerações pagas ou creditadas a seus segurados empregados e não recolhidos nas épocas próprias à Seguridade Social. (b) Processo n° 19515.004415/201061 que trata do Auto de Infração n° 37.171.3668, lavrado em 08/12/2010, sob a acusação de infração ao disposto no artigo 32, IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a alteração do Decreto n° 4.729/2003, em razão de o contribuinte apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Por fim, destaco que todos os processos mencionados acima foram redistribuídos a este Relator. 3. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não Fl. 4518DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.519 18 oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Cabe lembrar que o presente Auto de Infração abrange o período de 02/2006 e 08/2006 e 01/2007 a 13/2007 e o contribuinte não fez qualquer menção em sua defesa quanto ao período de 2006, ressaltando apenas que o período de 01/2007 a 13/2007 já estava devidamente declarado, tanto em suas obrigações acessórias, principais e em lançamentos contábeis ocorridos no mesmo período em sua contabilidade e até por se tratar de LDC – Lançamento de Débito Confessado. Assim, não restou configurada a instauração da fase litigiosa do procedimento para o período de 2006, conforme previsto no artigo 14 do Decreto n° 70.235/72, mas tão somente da exigência referente ao período de 2007. Caso o recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 4. Do pedido de juntada de documentos na fase recursal. Adentrandose na questão probatória pertinente aos autos, o contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, requereu, novamente, a juntada das GFIPs transmitidas, referentes ao período de 02/2006 a 12/2007, devidamente impressas, bem como, na oportunidade, Guias de Recolhimento do FGTS. Ademais, após a apresentação do apelo recursal, em petição de fls. 3431/3634, o contribuinte requereu a juntada e apreciação do Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada, documento interno e disponibilizado pela Receita Federal do Brasil de Jales (SP), após requerimento formal e recolhimento das respectivas custas. Na mesma oportunidade, requereu a juntada de “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas”. Esclareço que, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, a prova documental será apresentada na Impugnação, precluindo o direito da prática do ato em outra oportunidade, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, o § 5°, do mesmo dispositivo legal, transfere ao litigante, o ônus de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas para que a autoridade julgadora aceita a juntada posterior de documentos, após apresentada a Impugnação. Assim, tendo em vista que o Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada se trata de documento novo, não se encontrando anteriormente à disposição do contribuinte, não vejo óbices para sua juntada. Na mesma toada, autorizo a juntada da Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais Fl. 4519DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.520 19 e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas”, eis que elaborada com base no Relatório denominado CVALDIV. Da mesma forma, não vejo óbice para autorizar a juntada das GFIPs, eis que o contribuinte, anteriormente, já apresentara as GFIPs devidamente impressas, com apuração do saldo consolidado por competência. Também não vejo óbices para a juntada das Guias de Recolhimento do FGTS, eis que tais documentos colaboram para o atingimento do princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu o fato gerador e sua real expressão econômica. Tais documentos são pertinentes, pois se destinam a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, com isso, evitamse eventuais discussões acerca do cerceamento do direito de defesa, garantindo ao contribuinte a ampla possibilidade de instrução probatória. Esclareço, contudo, que tal fato não implica em acatar os argumentos de defesa, tendo em vista que o julgador é livre para formar seu convencimento e valorar a prova. 5. Preliminares. 5.1. Da arguição de nulidade do auto de infração e da decisão de primeira instância em decorrência do cerceamento do direito de defesa e contraditório. Pedido de prova pericial. Alega o recorrente, a nulidade dos lançamentos efetuados pela fiscalização, bem como do acórdão proferido pela decisão de primeira instância, por entender que vulneram os princípios do contraditório e da ampla defesa, com resultado danoso ao seu interesse defensivo, pela surpresa de fatos novos imputados, sem prova, e colhidos informalmente, após a apresentação da impugnação. Assim, entende que, no desenrolar do processo administrativo, deveria ter sido notificado ou intimado para se manifestar pessoalmente ou por meio do seu advogado, tomando ciência dos novos fatos, documentos, aferições procedidas e das informações colhidas de maneira informal e extemporânea, pelo Julgador, principalmente dos fatos que culminaram no redirecionamento do relato fiscal e no julgamento do feito, em homenagem ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, defende que sua intimação era imprescindível para que pudesse apresentar e opor argumentos e/ou documentos acerca da diligência informal empreendida pelo Julgador que apontou falhas no sistema de transmissão das GFIPs (transmissão de novas GFIPs e/ou GFIPs retificadoras que substituíram as anteriores), fato de importância que, no seu entendimento, alterou o auto de infração e corroborou para a manutenção da referida exigência. Ademais, sustenta ter o direito incondicional de produzir e requerer as diligências e perícias necessárias para contrapor os novos elementos elencados e imputados pelo julgador, inclusive a apresentação de provas que estariam na posse do ente administrativo. Pois bem. Entendo que a questão se encontra superada, tendo sido outorgado ao contribuinte, durante o processo administrativo, a mais ampla possibilidade de produção de provas, além do exercício do contraditório, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Fl. 4520DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.521 20 Vale lembrar que após a apresentação do apelo recursal, em petição de fls. 3431/3634, o contribuinte requereu a juntada e apreciação do Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada, documento interno e disponibilizado pela Receita Federal do Brasil de Jales (SP), após requerimento formal e recolhimento das respectivas custas. Na mesma oportunidade, requereu a juntada de “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas”. É ver, ainda, que com a prolação da Resolução n° 2401000.276 (fls. 3642/3651), de lavra desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências verificadas entre as GFIPs apresentadas e os dados constantes no sistema informatizado da Receita Federal. Ato contínuo, sobreveio a instauração do Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência n° 08.1.90.002014002069, com a consequente intimação do contribuinte, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 3963/3964), a apresentar: planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência, com cada uma das GFIPs entregues, com a respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega e em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada; sendo necessário, ainda, indicar na planilha todas as GFIPs entregues (transmitidas) em cada competência e não somente as alegadas para rebater o lançamento de crédito. O contribuinte, após requerer a prorrogação de prazo para atendimento da intimação (fls. 3986/3987), compareceu aos autos, requerendo a juntada da planilha elaborada conforme solicitação fiscal (fls. 3993/4355), contendo: (i) GFIPs entregues por competência (mês e estabelecimento); (ii) Data de entrega de cada GFIP; (iii) Código de entrega de cada GFIP; (iv) Base de cálculo declarada em cada GFIP. Em seguida, foi lavrado o Termo de Ciência de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento de Diligência Fiscal n° 08.1.90.002014002069 (fls. 4359/4360), tendo sido o contribuinte devidamente intimado para se manifestar sobre o resultado da diligência, no prazo de 10 (dez) dias, o que foi feito no dia 04/04/2014 (fls. 4368/4370). Ademais, o presente feito foi novamente convertido em diligência, por meio da Resolução n° 2401000.573 (fls. 4440/4448), de lavra desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, tendo sido o contribuinte intimado em duas oportunidades para prestar esclarecimentos (fls. 4454 e 4471), quedandose, contudo, inerte, mesmo após ter solicitado a prorrogação de prazo (fls. 4456 e 4473). Como consequência, houve a formalização do Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4476/4496), encaminhado para o contribuinte, oportunizandose, sua manifestação, também no prazo de 10 (dez) dias (fls. 4479), tendo tomado ciência no dia 05/02/2018 (fls. 4497), quedandose, também, inerte. Pois bem. Vale lembrar que a fiscalização utilizou para cálculo dos valores das contribuições as informações constantes em GFIP, bem como o valor das remunerações pagas pela empresa e seus segurados informadas nas folhas de pagamento, nas planilhas de contribuintes individuais e na contabilidade da empresa, conforme podese verificar no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 681/692). Fl. 4521DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.522 21 Dos valores apurados foram abatidos do lançamento os valores recolhidos pelo contribuinte nas respectivas guias de Recolhimento – GPS, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 795/825). Constato que foi oportunizado ao contribuinte o devido processo legal e a ampla possibilidade de instrução probatória, não havendo qualquer nulidade no presente feito, estando íntegro o acórdão proferido pela decisão de piso. Friso que o exercício da ampla defesa, se não exercido, foi por opção do contribuinte, tendo sido outorgado durante o curso do processo administrativo a mais ampla oportunidade para se manifestar e comprovar suas alegações. Ademais, não há nenhum vício que macula o presente lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente considerando que o contribuinte teve oportunidade de se manifestar durante todo o curso do processo administrativo, após a conversão do feito em diligência, o que ocorreu em duas oportunidades. Nesse desiderato, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou eventual pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensandoo de comprovar suas alegações. Deve haver um lastro mínimo de indício probatório e que exija conhecimentos técnicos ou científicos para fins de autorizar o deferimento de prova pericial, não sendo a hipótese dos autos. Dessa forma, entendo que o presente feito não demanda maiores investigações e está pronto para ser julgado, dispensando, ainda, a produção de prova pericial técnica, por não depender de maiores conhecimentos científicos, podendo a questão ser resolvida por meio da análise dos documentos colacionados nos autos, bem como pela dinâmica do ônus da prova, conforme se verá. E, ainda, o feito em questão perdura desde o ano de 2010, sendo dever dos conselheiros observar o devido processo legal, assegurando às partes igualdade de tratamento e zelando pela rápida solução do litígio (art. 41, III, Anexo II, do RICARF). Por último, não prospera a alegação que resta nulo lançamento efetuado e as multas aplicadas, em razão da falta de apresentação do Termo de Verificação Fiscal. Além de se tratar de argumento trazido apenas em sede de apelo recursal, estando, portanto, sua análise preclusa, o Termo de Verificação Fiscal questionado pelo recorrente nada mais é do que o Relatório Fiscal (fls. 681/692) que acompanha o presente Auto de Infração. Estando devidamente superadas e enfrentadas as questões acima, passo a analisar o mérito. 6. Mérito. 6.1. Da alegação de que o débito apurado já foi declarado em GFIP. Fl. 4522DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.523 22 Conforme consta no Relatório Fiscal de fls. 681/692, a acusação fiscal está lastreada pelos seguintes fundamentos e elementos de prova que elucidam didaticamente o caminho percorrido pela fiscalização para se chegar ao montante autuado: (a) Os valores das contribuições apuradas tiveram origem nos montantes mensais lançados nas folhas de pagamento, planilhas de contribuintes individuais apresentadas e em sua contabilidade nas contas dos Grupos 3.1.01.01.01 – Mão de Obra (Custo), 5.1.01.01.01 – Despesas de Pessoal, 3.1.01.05.01 – Serviços de Terceiros Pessoa Física, 5.2.02.01.01.00003 – Comissões sobre Vendas; (b) Os pagamentos efetuados, não declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações sobre a Previdência Social podem ser observados de forma individualizado na planilha anexa aos autos; (c) Para facilitar a compreensão dos lançamentos efetuados foram utilizados os códigos de levantamento IN – Contribuintes Individuais não declarados em GFIP com multa de ofício de 75%; ND – Segurados empregados não declarados em GFIP com multa de ofício de 75% e SN – Segurados empregados não declarados em GFIP com multa de mora de 24%; (d) Foi feita a comparação entre a situação atual e a anterior, no tocante à aplicação da multa, tendo sido observado que a mais benéfica ao contribuinte no período de janeiro a dezembro de 2007 foi a situação anterior à MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, e para os meses de fevereiro e agosto de 2006, prevaleceu a situação atual, conforme determina o artigo 106, II, alínea “c” do CTN – Lei n° 5.172/66 (tabela comparativa); (e) O crédito apurado destinase a Seguridade Social, correspondente à Contribuição da empresa: 20% e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho: 3%; (f) Serviram de base para análise e apuração do crédito: as contas contábeis do contribuinte (elencadas acima), GFIPs constantes no sistema da Previdência Social, planilhas de pagamento a Contribuintes Individuais e Folhas de Pagamento apresentadas. Pois bem. Insurgindose contra o presente lançamento, o recorrente traz como principal argumento de mérito para elidir a acusação fiscal, a alegação no sentido de que o débito levantado de ofício já estava declarado pelo contribuinte em sua GFIP, apresentada, tempestivamente, não incorrendo, portanto, na conduta infracional apontada pelo fisco. Para reforçar sua alegação, o contribuinte juntou, aos autos, durante o curso do processo administrativo, os seguintes documentos: GFIPs (fls. 867/986 e 1358/1561); Ficha da DIPJ 2008 – Ano Calendário 2007 (fls. 987); Acompanhamento do pedido de parcelamento (fls. 990/991); Balancete Patrimonial da Empresa do Período Encerrado em 31/12/2006 e 31/12/2007 (fls. 988/989); Fl. 4523DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.524 23 GFIPs transmitidas, referentes ao período de 02/2006 a 12/2007, devidamente impressas, bem como as Guias de Recolhimento do FGTS (fls. 1147/3424); Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada e “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas” (fls. 3431/3634). E, ainda, após a primeira conversão do julgamento em diligência, com a prolação da Resolução n° 2401000.276 (fls. 3642/3651), o contribuinte fez a juntada de planilha (fls. 3993/4355), contendo: (i) GFIPs entregues por competência (mês e estabelecimento); (ii) Data de entrega de cada GFIP; (iii) Código de entrega de cada GFIP; (iv) Base de cálculo declarada em cada GFIP. Contudo, entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte, longe de ilidirem a acusação fiscal, reforçam o acerto do lançamento. Isso porque, as GFIPs juntadas aos autos pelo recorrente, de fato, foram “excluídas” ou “substituídas” por outras, de modo que para afastar o presente lançamento, não basta a juntada de GFIPs, exigindo, ainda, que sejam as últimas GFIPs transmitidas, pois somente essas é que são consideradas válidas. É ver os exemplos abaixo: Competência Número de Controle da GFIP Situação 01/2007 Grk1MN9t7b00007 Exportada – Substituída 02/2007 BiI7XUvjjxb00009 Exportada – Substituída 03/2007 MyP41sTUxcM00005 Substituída – Não Exportada 04/2007 KPE1l2wThCh00000 Excluída – Substituída 05/2007 CnK6u1jn4CL00001 Exportada Substituída A conclusão acima foi, inclusive, a mesma do Acórdão n° 1633.245 – de lavra da 12ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 999/1016), bem como do Termo de Ciência de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento da 1ª Diligência Fiscal (fls. 6046/6048), e, ainda, do Relatório de Encerramento da 2ª Diligência Fiscal (fls. 6170/6190). É ver os seguintes excertos: Acórdão n° 1633.245 – 12ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 999/1016) (...) Ocorre que, com o intuito de verificarmos as GFIP´s entregues pela Impugnante, para confrontarmos os valores por ela declarados e os apurados pela fiscalização, consultamos o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e constatamos que embora a empresa tenha juntado na defesa cópias de GFIP´s por ela declaradas, entregou na rede bancária novas GFIP´s, apagando do sistema as informações anteriormente prestadas. Tomandose como exemplo a competência 02/2007, verificase que a empresa entregou 4 GFIP’s para esta competência entre Fl. 4524DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.525 24 07/03/2007 e 04/07/2008, sendo duas com o FPAS 612 e duas com o FPAS 515. Sendo assim, muito embora a empresa tenha declarado informações nas GFIP’s e na sua contabilidade; ter alegado e juntado na defesa documentos que abrangem o período do débito aqui discutido, tais informações não constam mais do sistema informatizado para possibilitar a referida comparação. (...) Vale esclarecer ainda que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar uma única GFIP para cada chave (dados básicos que identificam a GFIP: CNPJ, competência, FPAS e código de recolhimento. Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP entregue posteriormente como GFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave. Assim, no caso de retificação de informações de GFIP anteriormente transmitidas para uma referida competência, o contribuinte deve informar na nova GFIP todos os trabalhadores constantes daquela apresentada anteriormente, e a informação a ser retificada. Diligência Fiscal n° 08.1.90.002014002069 (fls. 4359/4360) (...) Resultado do Procedimento Fiscal: O contribuinte entregou e vem entregando novas GFIPs para os diversos estabelecimentos e competência que acabam por alterar as bases de cálculo e consequentemente os valores devidos, e em nenhum momento verificase que o contribuinte ao entregar as GFIPs retificadoras observou o que determina o Manual da GFIP/SEFIP especificamente o Capítulo V – RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES Item 1 – ORIENTAÇÕES GERAIS PARA RETIFICAÇÃO VIA GFIP/SEFIP. Relatório de encerramento de diligência fiscal (fls. 4476/4496) (...) Portanto a sistemática de retificações da GFIP (transmissão de novo arquivo SEFIPCR.SFP, contendo todos os fatos geradores) data de 2005 (não tendo sido modificado até o presente), sendo que a empresa objeto dos lançamentos fiscais NÃO efetuou as retificações das suas GFIPs de acordo com a legislação, ou seja, transmitiu novos arquivos SEFIPCR.SFP informando apenas parte dos fatos geradores, por esse motivo houve a lavratura de Autos de Infração referentes à obrigação acessória. Fl. 4525DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.526 25 Ademais, conforme esclarecido no Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4476/4496), não se constatou em nenhuma competência a ocorrência de entrega de GFIP antes do procedimento fiscal, não considerada na lavratura do Auto de Infração e que fosse capaz de alterar o lançamento. Em resumo, as GFIPs devidamente “exportadas”, foram consideradas na apuração do débito, sendo que os valores ali constantes não foram utilizados para o cálculo das contribuições referentes à “Obrigação Principal”, evitandose, com isso, sua constituição em duplicidade. Conforme esclarecido, a fiscalização efetuou o lançamento das Contribuições Previdenciárias considerando os valores das remunerações pagas pela empresa a seus segurados, informados nas folhas de pagamento, nas planilhas de contribuintes individuais e na contabilidade da empresa. Não é demasiado esclarecer que o registro das informações em GFIP, dos dados da empresa e dos trabalhadores, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos valores devidos ao INSS, bem como das remunerações dos trabalhadores e do valor a ser recolhido ao FGTS, tratase de obrigatoriedade introduzida pela Lei nº 9.528/97, não se tratando de mera faculdade do contribuinte. Fato é que desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a Lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas Leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, devem cumprir esta obrigação1. Ademais, a obrigatoriedade de entrega da GFIP persiste ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Inexistindo recolhimento ao FGTS e informações à Previdência Social, o empregador/contribuinte deve transmitir pelo Conectividade Social um arquivo SEFIPCR.SFP com indicativo de ausência de fato gerador (sem movimento), que é assinalado na tela de abertura do movimento, para o código 1152. As informações prestadas incorretamente devem ser corrigidas por meio do próprio SEFIP a partir de 01/12/2005, conforme estabelecido no Capítulo V do Manual da GFIP aprovado pela IN RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008. Os fatos geradores omitidos devem ser informados mediante a transmissão de novo arquivo SEFIPCR.SFP, contendo todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações3. Dessa forma, como bem esclarecido pela decisão de piso, a partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar uma única GFIP para cada chave (dados básicos que identificam a GFIP: CNPJ, competência, FPAS e código de recolhimento). 1 GFIP e SEFIP – Orientações Gerais. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/gfipsefipguiadofgtse informacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefiporientacoesgerais>. Acesso em: 13/06/2018. 2 GFIP e SEFIP – Orientações Gerais. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/gfipsefipguiadofgtse informacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefiporientacoesgerais>. Acesso em: 13/06/2018. 3 GFIP e SEFIP – Orientações Gerais. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/gfipsefipguiadofgtse informacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefiporientacoesgerais>. Acesso em: 13/06/2018. Fl. 4526DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.527 26 Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP entregue posteriormente como GFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave. Assim, no caso de retificação de informações de GFIP anteriormente transmitidas para uma referida competência, o contribuinte deve informar na nova GFIP todos os trabalhadores constantes daquela apresentada anteriormente, e a informação a ser retificada, sob pena de a GFIP restar incompleta. O Órgão Julgador de 1ª Instância, consultando o sistema SEFIP/GFIP, constatou que, para as competências do período fiscalizado, a empresa autuada declarou inúmeras GFIPs para a mesma competência, sobrepondose umas às outras, todas preenchidas em desacordo com as orientações sobre chave de GFIP/SEFIP e modalidades, nos subitens 7.1 e 7.2 no Capítulo I do Manual da GFIP. Dessa maneira, nos sistemas informatizados da RFB restaram registrados, tão somente, as declarações contidas na última GFIP enviada com a mesma chave, a qual, reitere se, substitui integralmente as informações declaradas nas GFIPs anteriores. Nesse sentido, malgrado o Recorrente alegue ter declarado os fatos geradores nas GFIPs do período em questão, não se tratam das últimas GFIPs transmitidas e consideradas válidas, pois foram substituídas ou excluídas. Ao agir de maneira equivocada, em desconformidade com as determinações e orientações constantes no Manual da GFIP/SEFIP para Usuários do SFIP 8, tal fato acarretou a substituição das informações antes prestadas pela empresa, como alerta o item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.44. O lançamento tomou como base as informações prestadas em folhas de pagamento e GFIP, sem que o recorrente tenha trazido aos autos, qualquer documentação hábil ou mesmo idônea a demonstrar a efetiva declaração em GFIP válida ou mesmo eventual equívoco nas declarações prestadas. Comprovar a declaração em GIFIP, mas que não seja GFIP válida (última transmitida), não é o suficiente para afastar a acusação fiscal. Alertase, ainda, que todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao período fiscalizado, encontramse registrados no Relatório de Documentos Apresentados (fls. 795/825) e que foram considerados pela fiscalização quando dos lançamentos efetuados, não sendo possível arguir a exigência de cobrança em duplicidade. Nesse sentido, as diferenças de contribuições sociais apuradas no lançamento tributário não foram declaradas em GFIPs correspondentes, antes do início do procedimento fiscal, tampouco recolhidas em Guias da Previdência Social – GPS. Descabe, ainda, a alegação do recorrente no sentido responsabilizar o Fisco ou a Instituição Bancária responsável pela suposta transmissão das GFIPs, pois é o próprio 4 Manual da GFIP/SEFIP Para Usuários do SEFIP 8.4. Orientação para prestação das informações. Atualização: 10/2008. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/gfipsefipguiadofgtseinformacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefip orientacoesgerais> . Acesso em: 13/06/2018. Fl. 4527DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.528 27 contribuinte que tem o dever de zelar pelo bom e efetivo cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo possível transferir responsabilidade que lhe é imposta, por força de lei, a terceiros. E, ainda, apesar de o contribuinte defender com veemência que desconhece a existência eventuais GFIPs retificadoras, no curso do processo administrativo, acaba por reconhecer sua existência, afirmando, contudo, que o ônus de sua juntada nos autos seria da própria fiscalização. É ver o seguinte trecho da manifestação de fls. 4368/4370, protocolizada no dia 04/04/2014: Finalmente, vale ressaltar que a não apresentação pela requerente de eventuais GFIP’s retificadoras, não pode ter o condão de validar a lavratura do Auto de Infração, posto ser flagrante a sua nulidade. Ademais, conforme consta no relatório de encerramento do procedimento fiscal ora impugnado, o sr. Auditor fiscal afirma que “todas as GFIP’s entregues constam no sistema, sejam válidas ou substituídas (...)”, o que demonstra cabalmente que todas as informações solicitadas (GFIP’s entregues por competência, data de entrega, código de entrega e base de cálculo declarada de cada GFIP) constam no banco de dados da Previdência Social, inexistindo, portanto, qualquer óbice para que o sr. Auditor atendesse a determinação emanada do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e que deu origem a presente diligência, qual seja, a elaboração de nova planilha esclarecendo os lançamentos em questão e sua manifestação quanto aos documentos juntados posteriormente a apresentação do recurso, consistente no Relatório “CVALDIN”, documento interno da Receita Federal comprobatório de que não existe nenhuma divergência dos valores declarados espontaneamente pelo contribuinte, com os que constam nos bancos de dados da Previdência Social, que pudesse ensejar ou justificar o aditamento e alteração substancial do auto de infração. E, ainda, o próprio contribuinte, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal RPF/MPF n° 08.1.90.00.2014.00206 (fls. 3963/3964), por meio de consulta ao sistema DATAPREV GFIP WEB – Usuário UI21404/0935880, demonstrou ter absoluta ciência da existência das GFIPs retificadoras (fls. 3993/4355), fato anteriormente negado, uma vez que alegou ter sido surpreendido, com essa informação, tão somente durante o curso do processo administrativo. Ademais, após a elaboração do Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4476/4496) pela autoridade fiscal, como resultado da 2ª Conversão do Julgamento em Diligência, o contribuinte foi intimado no dia 05/02/2018 (fls. 4497) para se pronunciar sobre “quais GFIPs teriam sido entregues e que não sejam aquelas utilizadas pela fiscalização como parâmetro do lançamento, que não constem na planilha elaborada pela fiscalização, com a devida prova de suas alegações”, sendo que permaneceu inerte, mostrando desinteresse na instrução probatória. Por outro lado, a alegação de que o ônus de colacionar aos autos as GFIPs substitutas seria do fisco que possui o controle das informações fiscais, merece profundas ressalvas. O princípio da verdade material exige que o fisco busque as provas para fundamentar Fl. 4528DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.529 28 suas alegações, mas o contribuinte tem também a obrigação de colaborar para que a realidade dos fatos venha a prevalecer, sobretudo quando a prova é de seu próprio interesse. Entendo que caberia ao contribuinte demonstrar a efetiva validade das GFIPs que colacionou aos autos, por serem as últimas transmitidas antes do início da ação fiscal ou lançamento, ou, ainda, apresentar as GFIPs retificadoras com a declaração dos respectivos fatos geradores e com validade perante o sistema da Receita Federal, ou, até mesmo, a existência de eventuais erros de declaração, ônus esse que não se desincumbiu. Nesse ponto, vale transcrever as lições de Fabiana Del Padre Tomé5: Tendo em visa ser a prova uma espécie de fato que se reporta a outro enunciado fático, motivando o fato jurídico em sentido estrito, apresentase a prova como elemento indispensável para a regular constituição do fato jurídico em sentido estrito, no âmbito de norma jurídica em sentido estrito [mais especificamente, de norma individual e concreta]. Tal conclusão aplicase ainda que a assertiva seja referente a fatos negativos. A negação de um fato jurídico exige determinação no tempo e no espaço, caracterizando aquilo que Devis Echandía denominou negativas formais, por seu conteúdo implicar afirmação de fato positivo contrário ao alegado pela parte adversa. Semelhante é o posicionamento de Nicola Framarino dei Malatesta, para quem “a negação de uma determinada qualidade e a de um direito determinado são sempre formais”. Esclarece o autor: “Não se nega a qualidade de branco a um objeto, senão para asseverar que sua cor é vermelha, verde, amarela, ou qualquer outra, contrária ao branco. A negação de uma qualidade é sempre, portanto, formal, tendo por conteúdo imediato, a afirmação de uma outra qualidade. [...] A existência real de todo direito concreto está sempre ligada à existência de condições positivas. Por isso, de um lado, o sujeito exclusivo do direito é a pessoa humana e não se pode conceber um direito, direi assim, suspenso fora do sujeito; do outro, a existência de todo direito concreto está ligada à existência de determinadas condições positivas e não é por isso admissível pela existência de condições positivas contrárias. Quando, pois, se nega um direito a uma pessoa, se o afirma a outra ou ao menos se afirma uma condição positiva, incompatível com a existência do direito em questão”. A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. (Grifo nosso) 5 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 288289. Fl. 4529DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.530 29 Ressalto, ainda, que não se trata de invocar a presunção de legitimidade dos atos administrativos para fazer prevalecer a autuação, dado que é “(...) insustentável o lançamento ou o ato de aplicação de penalidade que não tenha suporte em provas suficientes da ocorrência do evento”6, mas sim de privilegiar a correta distribuição do ônus da prova, já que o fato alegado e não comprovado, no sentido de que as GFIPs colacionadas aos autos em defesa são válidas, é de interesse do próprio contribuinte. Ademais, conforme novamente esclarece Fabiana Del Padre Tomé7, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Para além do exposto, o Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4476/4496) foi enfático em afirmar que não se constatou em nenhuma competência a ocorrência de entrega de GFIP antes do procedimento fiscal, não considerada na lavratura do Auto de Infração e que fosse capaz de alterar o lançamento. E, ainda, o mesmo Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4476/4496) afirmou que: Nos Autos de Infração referentes a obrigação principal os argumentos elencados pelo contribuinte contra o lançamento fiscal não se sustentam visto que a sobreposição de GFIPs NÃO alterou o cálculo das contribuições lançadas, posto que foram calculadas pela diferença entre os valores devidos (decorrentes dos fatos geradores encontrados nas folhas de pagamento, nas planilhas de contribuintes individuais e na contabilidade da empresa) e dos valores recolhidos nas guias de recolhimento – GPS. Oportuno, ainda, refutar as alegações do contribuinte no sentido de que a regularidade do procedimento adotado estaria comprovada no Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada e “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas” (fls. 3431/3634). Tratase de documento interno da Receita Federal do Brasil e que, no meu entendimento, não tem o alcance probatório que o contribuinte alega ter, mormente considerando que serviram de base para análise e apuração do presente lançamento, as contas contábeis do contribuinte, as GFIPs constantes no sistema da Previdência Social quando do fato gerador, as planilhas de pagamento a Contribuintes Individuais, bem como as Folhas de Pagamento apresentadas. Em outras palavras, foi mediante o confronto desses documentos é que a fiscalização tributária efetuou o lançamento que aqui se combate. Assim, o Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada e “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas” (fls. 3431/3634), apenas traz uma visão isolada das informações constantes em GFIPs no sistema da 6 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 298. 7 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 4530DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.531 30 Receita Federal, em momento dissociado do fato gerador, sendo que o lançamento tributário em questão, referese justamente a débitos não declarados em GFIP, não havendo comprovação do contribuinte em sentido contrário, ou seja, de que os débitos objeto do presente lançamento foram efetivamente declarados tempestivamente em GFIP válidas. Nesse compasso, o comparativo elaborado pelo contribuinte levou em consideração GFIPs que já foram substituídas e que, portanto, não se prestam a afastar a higidez do presente lançamento. Ademais, o número de controle das GFIPs constantes no Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada (fls. 3431/3634), são de GFIPs posteriores ao lançamento tributário, não fazendo prova, pois, de que o contribuinte havia declarado os débitos em GFIP em momento anterior à ação fiscal. Tal fato é possível constatar mediante a análise em conjunta do número de controle das GFIPs constantes no Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada (fls. 3431/3634), com o documento pertencente ao sistema DATAPREV GFIP WEB – Usuário UI21404/0935880, apresentado pelo próprio contribuinte em sua resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal RPF/MPF n° 08.1.90.00.2014.00206 (fls. 3963/3964). É ver os seguintes exemplos: Datas Competência Número de Controle da GFIP Envio Gravação Exportação Auto de Infração Consolidado em Situação 02/2007 HCc0Hv2Eztu00008 19/12/2011 22/12/2011 23/12/2011 08/12/2010 Exportada 08/2007 P78e2CEXumo00009 27/12/2011 30/12/2011 31/12/2011 08/12/2010 Exportada 11/2007 DOSxYbc7frt00005 29/12/2011 31/12/2011 02/01/2012 08/12/2010 Exportada Tais fatos demonstram, ainda, que o contribuinte, após o lançamento tributário e após o Acórdão de primeira instância, transmitiu novas GFIPs com o intuito de sanar o erro, contudo, não afetando a integridade do lançamento tributário a que se discute, por não ter se desincumbido do ônus de demonstrar que, quando do fato gerador, os débitos já estavam devidamente declarados em GFIPs válidas. Dessa forma, sujeitamse ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considerase válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência. Assim, com base nos elementos apresentados nos autos, houve omissão nas informações prestadas em GFIP e no recolhimento dos valores devidos, prestadas em desacordo com a folha de pagamento do contribuinte, de modo que a fiscalização agiu com acerto, estando correto, neste ponto, o lançamento tributário efetuado. 6.2. Da alegação de que houve opção e deferimento de adesão ao Parcelamento Especial da Lei n° 11.941/2009 e que a cobrança posta nos autos ocorre em duplicidade. Fl. 4531DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.532 31 O recorrente ainda alega que, tempestivamente, optou pela adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009, incluindo todos os seus débitos, inclusive os previdenciários. Assim, entende que os débitos não poderiam ser exigidos no presente auto de infração, eis que já eram conhecidos e estavam inseridos no parcelamento, trazido pela Lei n° 11.941/2009, sendo que sua exigência configuraria verdadeira cobrança em duplicidade. Ocorre que, apesar de o contribuinte apresentar essa alegação com bastante insistência, não apresentou nenhum documento capaz de confirmar a inclusão do débito em pauta em qualquer programa de parcelamento previsto em lei, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade, estando íntegro, neste ponto, o lançamento. Conforme esclarecido pela decisão de piso, o documento juntado na defesa, para tentar a comprovação da opção do contribuinte pelo Parcelamento Especial previsto pela Lei n° 11.941/2009, não apresenta nenhum número DEBCAD, nem mesmo o período do débito abrangido pelo mesmo, impossibilitando, desta forma, a comprovação dos fatos narrados. E, durante todo o curso do processo administrativo, após a decisão proferida em 1ª instância, o contribuinte não se preocupou em esclarecer tais apontamentos, alegando, genericamente, mas sem provas, a suposta opção pelo parcelamento. Ademais, destaco que, em consulta pública ao sítio da Receita Federal do Brasil, no ambiente “Consulta Parcelamentos Concedidos no Âmbito da RFB8”, constam os seguintes resultados relativos ao contribuinte: CNPJ/MF Consulta Parcelamentos Concedidos no Âmbito da RFB Matriz 65.791.980/000133 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Transportes 65.791.980/000214 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Cassilândia 65.791.980/000486 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Sinop 65.791.980/000567 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Cassilândia 65.791.980/000648 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Peruíbe 65.791.980/000800 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Santa Fé do Sul 65.791.980/000990 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Divisão Higiene e Limpeza 65.791.980/001024 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Santa Fé do Sul (indústria) 65.791.980/001105 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Carapicuíba 65.791.980/001296 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Boutique de Carnes 65.791.980/001377 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Araçariguama 65.791.980/001458 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ 8 Consulta Parcelamentos Concedidos no Âmbito da RFB. Disponível em: < http://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/ATSPO/Parcelamento/Consulta.asp>. Acesso em: 14/06/2018. Fl. 4532DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.533 32 Filial Araraquara 65.791.980/001962 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial – Triparia – Santa Fé do Sul 65.791.980/000303 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial – Sinop – Couro 65.791.980/000729 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Para além do exposto, ressaltese que os valores recolhidos pela empresa foram devidamente apropriados ao débito, mediante as Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS apresentadas pelo sujeito passivo durante a ação fiscal. Nesse sentido, se o contribuinte estivesse inscrito em algum parcelamento consolidado, contendo as mesmas competências do período aqui apurado, o mesmo teria sido apropriado ao lançamento como o foram as Guias da Previdência Social (GPS) recolhidas pela empresa e apresentadas durante a ação fiscal, o que não ocorreu. Mais uma vez, entendo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório, não sendo possível atestar a veracidade de suas alegações e, apesar da insistência e resistência em reconhecer a higidez do presente lançamento, não logrou êxito em produzir prova em sentido contrário. Decerto, considerando que o contribuinte não comprovou a inclusão do débito em pauta em qualquer programa de parcelamento ou o recolhimento dos montantes autuados, não há que se rever o lançamento efetuado, nem que se falar em cobrança em duplicidade. Diante do acima exposto, as alegações da defesa e os documentos juntados aos autos em nada alteram o procedimento fiscal que apurou valores devidos aos cofres públicos, não declarados em GFIP, conforme demonstrado pela fiscalização. 6.3 Da Multa de Mora. Alega o contribuinte, ora recorrente, que conforme preconizado pela Instrução Normativa RFB n° 971/2009, em seu artigo 476A e incisos, no caso de lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2008 deve ser aplicada a penalidade mais benéfica, cuja análise deve ser realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) Somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) Multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01 de dezembro de 2008, aplicarseiam as multas previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Contudo, sustenta que a fiscalização deixou de apontar a comparação acima para aferição da multa de ofício indevidamente lançada, restando nula a aplicação da mesma por desrespeito a RFB/971/2009 e face a ausência de qualquer descumprimento legal. Defende, ainda, que não houve levantamento de ofício o que via de consequência impediria a aplicação Fl. 4533DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.534 33 de qualquer tipo de penalidade, uma vez que o débito já estava constituído pelo lançamento realizado pelo próprio contribuinte. Assim sendo, argumenta que deva ser afastada a aplicação da multa de ofício ou mesmo que a referida multa seja aplicada considerando o disposto no art. 476A da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, em observância à legislação mais benéfica, de acordo com os períodos em análise. Pois bem. De início, cabe lembrar que o presente Auto de Infração abrange o período de 02/2006 a 12/2007, sendo que o contribuinte não fez qualquer menção em sua defesa quanto ao período de 2006, ressaltando apenas que o período de 01/2007 a 12/2007 já estava devidamente declarado, tanto em suas obrigações acessórias, principais e em lançamentos contábeis ocorridos no mesmo período em sua contabilidade e até por se tratar de LDC – Lançamento de Débito Confessado, motivo pelo qual não impugnou o montante principal do débito apurado. Dessa forma, não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento para o período de 2006, conforme previsto no artigo 14 do Decreto n° 70.235/72, eis que não houve a impugnação desta exigência, mas tão somente da exigência referente ao período de 2007. Ademais, apenas em seu apelo recursal é que o contribuinte questiona o fato de a fiscalização supostamente ter deixado de apontar a comparação para aferição da multa de ofício lançada, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. Apesar da preclusão do argumento, trazido apenas em sede de apelo recursal, e apenas a título de esclarecimento, conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 681/692), constato que foi feita a comparação entre a situação atual e a anterior, no tocante à aplicação da multa, sendo observado que a mais benéfica ao contribuinte para as competências fevereiro e agosto de 2006 seria a situação atual, tendo sido aplicada a multa de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, ou seja, 75% e, para o período de janeiro a dezembro de 2007, foi constatado que a mais benéfica ao contribuinte seria a situação anterior à MP n° 449/2008, convertida em Lei n° 11.941/2009, aplicandose a multa de mora de 24% mais a multa da obrigação acessória CFL 68. É ver, ainda, os Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais constantes no DEBCAD em questão (fls. 82/83): 601 – ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA 601.09 – Competências: 02/2006, 01/2007 a 13/2007, 07/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, “a”, “b” e “c”, parágrafos 2. Ao 6. e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CÁLCULO DA MULTA PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês e do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20% a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM Fl. 4534DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.535 34 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em até 15 dias do recebimento da notificação; 30% após o 15. dia do recebimento da notificação; 40% após a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS; 50% após o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CRÉDITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA: 60% quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; 100% após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). (...) 701 – FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 – Competências: 02/2006 a 08/2006 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 75% Falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata – Lei 9.430/96, art. 44, Inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Assim, não merece guarida a pretensão do contribuinte, eis que, ao contrário do que afirma, a fiscalização realizou a comparação entre a situação atual e a anterior, no tocante à aplicação da multa (tabela comparativa de fls. 679), inclusive respeitando os termos da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. E, ainda, conforme assinalado acima, o contribuinte não logrou êxito em comprovar que o débito em questão já estava constituído em lançamento realizado anteriormente. Fl. 4535DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.536 35 Apenas faço um pequeno reparo na decisão de piso, determinando, de ofício e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, tão somente para o período de 2007 (eis que não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento para o período de 2006, conforme previsto no artigo 14 do Decreto n° 70.235/72), o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. É ver os dispositivos supracitados, na redação anterior e na redação atualmente vigente: LEI N° 8.212/99 COM REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N° 11.941/09 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 4536DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.537 36 d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifo nosso) LEI N° 8.212/99 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 11.941/09 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. Fl. 4537DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.538 37 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifo nosso) LEI N° 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (grifo nosso) Esclareço que na legislação anterior inexistia a multa de ofício, em decorrência do lançamento de ofício, existindo tão somente a multa de mora, em decorrência no atraso do recolhimento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. A punição do art. 35 da referida lei apenas se relacionava com demora no pagamento, sendo mensurada de acordo com o momento em que houvesse o recolhimento. Com o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, os §§ 1° a 4° do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foram revogados, tendo sido dada nova redação ao caput do art. 35, que limitou a multa de mora ao patamar de 20% (vinte por cento), ante a exigência de se aplicarem as disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, entendo que a comparação da multa de mora com a multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 não se sustenta, eis que o dispositivo trata de multa de ofício, que não existia na legislação à época do lançamento. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma razão de existir, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Assim, se a mora era punida com multa moratória, com a alteração da legislação só é possível a aplicação da nova multa moratória, prevista no caput do artigo 35 da Fl. 4538DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.539 38 Lei n° 8.212/91 que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, independentemente se o contribuinte declarou o débito em GFIP ou não. Esse entendimento possui eco, ainda, na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que, em diversas oportunidades, decidiu pela aplicabilidade do limite de 20% (vinte por cento) previsto no art. 35 da Lei n° 8.212/91 c/c as disposições do art. 61 da Lei n° 9.430/96, em obediência ao art. 106, II, do CTN: RECURSO ESPECIAL Nº 1.689.832 SP (2017/01922940) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : MACK COLOR ETIQUETAS ADESIVAS LTDA ADVOGADO : LUIZ GUILHERME GOMES PRIMOS SP118747 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 2/STJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. NORMA TRIBUTÁRIA SUPERVENIENTE DE CARÁTER PUNITIVO, PORÉM MAIS BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. DECISÃO (...) I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. II In casu, controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212/91 pela Lei n. 11.941/09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430/96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). III Esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212/91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. Precedentes. IV Recurso Especial provido. (REsp 1585929/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 26/04/2016) Diante do exposto, com base no art. 932, V, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, III, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, dou provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de fevereiro de 2018. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES Relator (STJ REsp: 1689832 SP 2017/01922940, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Publicação: DJ 06/02/2018) RECURSO ESPECIAL Nº 1.473.004 PR (2014/01957156) RELATOR : MINISTRO OG FERNANDES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O RECORRIDO : LATICINIOS CAMPO MOURÃO LTDA ME ADVOGADO : JOAQUIM QUIRINO MENDES PR034184 DECISÃO Vistos, etc. (...) No que diz respeito à aplicação retroativa da legislação tributária mais benéfica, melhor sorte não socorre a Fazenda Nacional, pois o art. 35A da Lei n. 8.212/1991, prevendo nova Fl. 4539DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.540 39 sistemática de aplicação de multas, tem origem na Lei n. 11.941/2009. Desse modo, aplicase a legislação vigente na época em que os fatos geradores ocorreram, nos termos do art. 144, bem como a penalidade mais benéfica em relação a atos não definitivamente julgados, conforme orientação normativa constante do art. 106, II, c, todos do CTN: Art. 106. A lei aplica se a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. [...] Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REDUÇÃO DA MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 128, 460, 512 E 515 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES STJ. 1. É pacífico o entendimento desta Corte no sentido de que, tratandose de execução não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN, que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfico ao contribuinte mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. 2. Não configura julgamento extra petita a redução de multa, de ofício, com base em lei mais benéfica ao contribuinte, em processo no qual se discute a nulidade do débito fiscal. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no Ag 1.026.499/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/8/2009, DJe 31/8/2009). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, nego provimento ao recurso especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 18 de outubro de 2017. Ministro Og Fernandes Relator (STJ REsp: 1473004 PR 2014/01957156, Relator: Ministro OG FERNANDES, Data de Publicação: DJ 20/10/2017) RECURSO ESPECIAL Nº 1.686.484 SP (2017/01782875) RELATORA: MINISTRA REGINA HELENA COSTA RECORRENTE : BRASMANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO : JOSÉ RAIMUNDO DE ARAÚJO DINIZ SP060608 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL INTERES. : RICAHRD CHENG TSU FU INTERES. : KUN TU LEE INTERES. : HSIEH HSIEN LIANG DECISÃO Vistos. (...) O art. 35A da Lei n. 8.212/91, prevendo nova sistemática de aplicação de multas, tem origem na Lei n. 11.941/09. Desse modo, considerando que os fatos são pretéritos a 2009, aplicase a legislação vigente à época em que os fatos geradores ocorreram, nos termos do art. 144, bem como a penalidade mais Fl. 4540DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.541 40 benéfica em relação a atos não definitivamente julgados, conforme orientação normativa constante do art. 106, II, 'c', todos do CTN (REsp 1452527/RS, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 07/05/2015, DJe 10/06/2015). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 941.577/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 25/10/2016) Isto posto, com fundamento no art. 557, § 1ºA, do Código de Processo Civil, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial, para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). Publiquese. Intimese. Brasília (DF), 09 de outubro de 2017. MINISTRA REGINA HELENA COSTA Relatora (STJ REsp: 1686484 SP 2017/01782875, Relator: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Publicação: DJ 18/10/2017) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PREMISSA EQUIVOCADA. SÚMULA 284/STF. INAPLICABILIDADE. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO PARA 20%. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. PRECEDENTES. HONORÁRIOS. CABIMENTO. 1. Tratandose de ato não definitivamente julgado, aplicase a lei mais benéfica ao contribuinte, para redução de multa, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea c, do CTN. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa seguir o patamar de 20% que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. 3. Precedentes: AgRg no AREsp 185.324/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.8.2012; AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/5/2011; REsp 1117701/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 19/10/2009. 4. O art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distingue a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), hipótese prevista tão somente com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei de Custeio da Seguridade Social, restringindo sua incidência aos casos ocorridos após sua vigência, sob pena de retroação. 5. É firme o entendimento no sentido de que a procedência do incidente de exceção de pré executividade, ainda que resulte apenas na extinção parcial da execução fiscal ou redução de seu valor, acarreta a condenação na verba honorária. Precedentes. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos. (STJ EDcl no AgRg no REsp: 1275297 SC 2011/02091671, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 03/12/2013, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/12/2013) Saliento que não se trata de decisão extra petita ou mesmo ultra petita, eis que se trata de matéria de ordem pública, cuja aplicação decorre de lei (art. 106, II, “c”, do CTN), independentemente da vontade manifestada pela parte nos autos do presente processo. Fl. 4541DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.542 41 Ante o exposto, voto no sentido de determinar, de ofício, tão somente para o período de 2007 (eis que não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento para o período de 2006, conforme previsto no artigo 14 do Decreto n° 70.235/72), o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. 7. Das alegações acerca da legalidade e inconstitucionalidade da legislação. Em seu apelo recursal o contribuinte alega, ainda, a inconstitucionalidade da multa de mora aplicada no patamar exigido, por ter supostamente caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior. Contudo, já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tratase, ainda, de mandamento previsto no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e Fl. 4542DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.543 42 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A proibição consta, ainda, no art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº Fl. 4543DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.544 43 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Temse, pois, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. 8. Da intimação pessoal do patrono do contribuinte e da sustentação oral. O contribuinte, em seu petitório recursal, protesta pela realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso, mediante intimação pessoal de seu patrono, sob pena de nulidade. Para tanto, requer sejam as intimações e notificações referentes ao presente processo, expedidas em nome do advogado Erick Alexandre do Carmo Cesar de Jesus, portador da OAB/SP 252.824, sob pena de nulidade absoluta. Contudo, tratase de pleito que não possui previsão legal no Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, nem mesmo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, por força do art. 37 do referido Decreto. Ademais, o art. 23, incisos I a III do Decreto n° 70.235/72, dispõe expressamente que as intimações, no decorrer do contencioso administrativo, serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo e não a seu patrono. Por fim, cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para determinar, de ofício, tão somente para o período de 2007 (eis que não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento para o período de 2006, conforme previsto no artigo 14 do Decreto n° 70.235/72), o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. É como voto. Fl. 4544DF CARF MF Processo nº 19515.004412/201027 Acórdão n.º 2401005.650 S2C4T1 Fl. 4.545 44 (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Divirjo tão somente em relação ao entendimento de ser cabível recálculo de ofício da multa aplicada com base em critério diverso do veiculado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009, o qual lastreou o art. 476A da IN RFB nº 971, de 2009, incluído pela IN RFB nº 1.027, de 2010. Isso porque, em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar regramento a ser traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009; regramento incompatível com o recálculo vertido no voto do Relator. Logo, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 4545DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.010535/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
CIÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. NULIDADE.
Não tendo se configurado a tentativa frustrada de intimação do sujeito passivo, seja pela via postal, seja pela tentativa de intimação pessoal, revela-se precipitada a publicação do Edital, visando a dar ciência da autuação, antes que tivessem sido preenchidos os requisitos para a sua afixação, impondo-se a decretação de sua nulidade.
SIMPLES. FATO GERADOR MENSAL. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO E EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE DÉBITO. RECONHECIMENTO.
Ausente da imputação fiscal as figuras de dolo, fraude ou simulação e a existência de declaração/recolhimentos dos tributos federais pelo regime simplificado impõe a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 1302-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da intimação por edital e de decadência suscitadas e, em consequência, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 CIÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. NULIDADE. Não tendo se configurado a tentativa frustrada de intimação do sujeito passivo, seja pela via postal, seja pela tentativa de intimação pessoal, revela-se precipitada a publicação do Edital, visando a dar ciência da autuação, antes que tivessem sido preenchidos os requisitos para a sua afixação, impondo-se a decretação de sua nulidade. SIMPLES. FATO GERADOR MENSAL. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO E EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE DÉBITO. RECONHECIMENTO. Ausente da imputação fiscal as figuras de dolo, fraude ou simulação e a existência de declaração/recolhimentos dos tributos federais pelo regime simplificado impõe a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN.
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OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente PRONTUR TURISMO E CÂMBIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 CIÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. NULIDADE. Não tendo se configurado a tentativa frustrada de intimação do sujeito passivo, seja pela via postal, seja pela tentativa de intimação pessoal, revelase precipitada a publicação do Edital, visando a dar ciência da autuação, antes que tivessem sido preenchidos os requisitos para a sua afixação, impondose a decretação de sua nulidade. SIMPLES. FATO GERADOR MENSAL. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO E EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE DÉBITO. RECONHECIMENTO. Ausente da imputação fiscal as figuras de dolo, fraude ou simulação e a existência de declaração/recolhimentos dos tributos federais pelo regime simplificado impõe a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da intimação por edital e de decadência suscitadas e, em consequência, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 35 /2 00 5- 85 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 506 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 506DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 507 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1016.115, proferido pela 1ª Turma da DRJ_Porto Alegre/RS, em 29 de maio de 2008, que julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento efetuado pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, relativo ao anocalendário 2000, nos termos sintetizados na sua ementa, verbis: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 INTIMAÇÃO POR EDITAL. Demonstrada nos autos a tentativa de intimação pessoal, que resultou improfícua, cabível a intimação mediante afixação de edital. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de contribuições sociais, o prazo é de dez anos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Demonstrado nos autos a origem regular das informações que embasaram a exigência, descabe a argüição de cerceamento de defesa. A falta de tradução dos documentos em língua estrangeira, cujas expressões de interesse para o feito foram traduzidas no relatório da ação fiscal, não inquinam o feito de nulidade, sobretudo considerando que a atividade exercida pelo contribuinte pressupõe domínio mínimo da língua inglesa. IRPJ. SIMPLES. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Demonstrada a realização de pagamentos à ordem do contribuinte não contabilizados, correta a presunção legal de omissão de receitas. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por bem descreve o feito, adoto o relatório contido no acórdão recorrido, verbis: Tratase de apreciar impugnação ao lançamento formalizado em 13/12/2005 constituindo o crédito tributário abaixo discriminado, exigido no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) (fls. 03 a 46): Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 508 4 [...] Segundo o relatório da ação fiscal que integra o auto de infração (fl. 48 a 58), o lançamento decorreu, em síntese, das seguintes irregularidades: a) que no curso do inquérito instaurado para apuração de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária decorrente dos trabalhos promovidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou as operações do Banco do Estado do Paraná (CPI do Banestado), foram identificadas operações praticadas pelo contribuinte, nas quais figura como ordenante ou remetente de divisas no exterior; b) que as remessas de divisas eram efetuadas por meio de contas bancárias da Lespan S.A, nos Estados Unidos da América, totalizando US$298.485,25; c) que o contribuinte, regularmente intimado a informar a natureza das movimentações de divisas no exterior, informou, após dilação do prazo inicial, não existir na sua contabilidade registro que permitisse identificar a natureza das operações, acrescentando ser possível tratarse de transferência de recursos de terceiros efetuadas com indicação, não reconhecida, da Prontur; g) ante a falta de escrituração de pagamentos efetuados, a autoridade administrativa entendeu caracterizada a hipótese de omissão de receitas prevista no art. 281, inciso II, c/c com o art. 190 do Decreto nº 3.000, de 26/03/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A ciência do lançamento deuse por edital afixado em 15/12/05 (fl. 372), considerandose notificado o contribuinte em 30/12/05. Em 26/01/06 o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento calcada, resumidamente, nos seguintes argumentos (fls. 381 a 411): 1. Preliminarmente: a) que o valor total da exigência neste processo e o lançado no processo 11080.010751/200521 totalizam R$903.221,68, enquanto que a pretensa omissão de receitas é de R$559.187,89, demonstram inconsistências insuperáveis em vista da exorbitância do lançado; b) que foram acrescidos juros calculados pela variação Selic, sem fundamentação legal específica a autorizar a aplicação da referida taxa; c) que o lançamento é nulo frente às irregularidades formais concernentes a intimação, pois não foi obedecido o rito previsto no art. 10, V, do PAF, dado que, ao mesmo tempo, foi utilizado o encaminhamento postal do auto de infração e a afixação de edital, procedimento vedado por lei, uma vez que a intimação por edital só pode prevalecer se improfícuos os demais meios. Assim, sendo nulo o edital, não houve intimação, levando à nulidade o lançamento; d) que, mesmo admitindose válida a notificação, entende que o lançamento apenas foi efetuado em 10/01/06, data da entrega da cópia do processo, ou seja, após cinco anos do fato gerador, quando já ocorrido o hiato decadencial a teor dos art. 150, § 4º, e 156, inciso V, do Código Tributário Nacional. Adianta, neste sentido, ser inaplicável o art. 173 do CTN por incomprovada fraude, que sequer foi alegada pelo Fisco. Também entende imprestável a tese dos “cinco anos mais cinco”, suplantada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 509 5 e) ainda sobre decadência, postula pela inaplicabilidade do disposto nos art. 11, 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, posto que não citada no enquadramento legal dos autos e, dada sua condição de reflexivas do auto de IRPJ, sucumbem com este; f) que houve cerceamento de defesa pois a comprovação dos fatos sobre os quais está construída a exigência não foi trazida aos autos, calcada unicamente em planilha elaborada pelo Fisco, sem mostrar a documentaçãofonte dessas informações. Desta forma, os elementos comprobatórios são frágeis, não servindo para estribar as conclusões do Fisco; g) alega que o fato de a impugnante constar nos documentos como “originator” não autoriza inferir que os valores são receitas omitidas pela empresa. Formula, nesse sentido, uma série de questões que entende não ser possível responder com base nos autos, configurando cerceamento de defesa; h) questiona se houve conferência, no nascedouro dos documentos, de que o “originator” era efetivamente a litigante. Exemplifica a fragilidade dos elementos utilizados no fato de a autoridade, questionada no curso do procedimento fiscal, não ter declinado a qual moeda correspondiam os valores referidos nos documentos; i) por fim, entende cerceada sua defesa tendo em vista que os documentos trazidos ao processo não foram traduzidos, concluindo estarem ausentes provas mínimas para escorar o lançamento, em prejuízo de sua defesa, do que restaria, como única solução, a decretação da nulidade do feito. 2. No mérito: a) que os valores apresentados pelo Fisco, foram obtidos de fontes externas, não sendo responsabilidade da litigante; b) por argumento, mesmo que os valores obtidos de fontes externas fossem vinculados à litigante, não poderiam ser erigidos à condição de receita bruta e subseqüentemente serem utilizados em pagamentos sem causa, por falta de previsão legal; c) por fim, não há comprovação da ocorrência dos pagamentos, pressuposto material para incidência do imposto de renda na fonte, não reconhecendo a imputação do seu nome nas pretensas operações apresentadas pela autoridade, colhidas em extratos de origem duvidosa. Postula não se poder inferir que transferências interbancárias possam ser tachadas de operações sem causa ou a beneficiário não identificado; d) que não se trata de alegar “presunção de veracidade e fé pública” dos documentos como alegado pela autoridade administrativa, mas sim de se presunção de que, a partir de uma falsa imputação da condição de “originator”, sem qualquer outra evidência, que houve omissão de receita e pagamento sem causa; e) reforça a inconsistência das provas pelo fato de que se robustas fossem o Fisco não perderia a oportunidade para qualificar a multa e lavrar representação criminal; f) que os fatos não se ajustam às hipóteses referidas no art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda. Além disso, houve presunção, ilegal, de ter a pretensa omissão de receitas a natureza de receita bruta como definido no art. 186 do RIR/99 e, se assim não fosse, tal omissão não seria tributável em face da modalidade de apuração dos tributos escolhida (SIMPLES); Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 510 6 g) por fim, alega ter o Fisco ocorrido em erro na quantificação dos tributos devidos, pois não foi esclarecido se os valores informados nas planilhas eram grafados em dólares norteamericanos ou reais, questionando também a cobrança dos juros moratórios com base na taxa Selic. Com estes argumentos aqui sintetizados, requer o cancelamento integral da exigência. A interessada foi cientificada da decisão de primeiro grau em 14/10/2008 (Ar, fls. 499), tendo interposto o recurso voluntário em 05/11/2008 (fls. 464), no qual reitera os termos de sua impugnação e refuta as conclusões do acórdão recorrido, conforme bem sintetizado na conclusão de sua peça recursal, verbis: Ainda, em homenagem à síntese, a Recorrente pede venia para apresentar, de forma resumida, os principais pontos desta defesa: 1. preliminarmente, requerse a decretação da nulidade do lançamento por irregularidades formais que tornaram nula a intimação do Lançamento, ou, sucessivamente, requerse a fixação do dia 10/01/2006 como data em que se deu a notificação do lançamento (argüições item 2.1 do Recurso Voluntário fundamento legal art. 10, inc. V, art 23, inc. III e art. 59, inc II, todos do Dec. 70.235/72); 2. ainda, preliminarmente, requerse a decretação da extinção integral das exigências, no que concerne ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, incidentes sobre a pretensa omissão de receitas que teria ocorrido em 2000, por decaídas, em vista do contido no § 4º do artigo 150 do CTN, pois, segundo este dispositivo legal, os tributos somente podem ser constituídos nos cinco anos após a ocorrência do fato gerador; então, considerando que o lançamento se consumou em 10 de janeiro de 2006, é intempestivo por já transcorrido o hiato decadencial; sucessivamente, caso não seja aceito como termo final para contagem do prazo decadencial o dia 10/01/2005, e sim o dia 30/12/2005, sejam considerados decaídas, por homologadas tacitamente, as exigências com fatos geradores anteriores a 30/12/2005; por fim, é de lembrar que o sistema de tributação adotado em 2000 é o SIMPLES, o que implica apuração mensal dos tributos lançados (argüições no item 2.2 do Recurso Voluntário — fundamento legal art. 150, § 40 e 156, inc. VII, ambos do CTN); 3. por fim, ainda nas preliminares, requerse a nu!idade da autuação, por cerceamento de defesa, pois a origem e a comprovação dos fatos sobre os quais está construída a exigência não é trazida aos autos; toda a exação foi deduzida de uma planilha elaborada pelo Fisco, que não mostrou a documentaçãofonte dessas informações (argüição no item 2.3 do Recurso Voluntário — fundamento legal art. 59, II, do Dec. 70.235/72 e art. 142 do CTN); 4. no mérito, contestamse as pretensas omissões referidas nos Autos de Infração, por insubsistentes, pois a movimentação financeira atribuída à Litigante não é dela; também, a referência à Recorrente, qualificandoa como "originator", é improcedente; reafirmase que a PRONTUR não tem qualquer responsabilidade ou participação na movimentação financeira a ela equivocadamente atribuída pelo Fisco (argüições no item 3.1 e 3.2 do Recurso Voluntário — fundamento legal art. 114 e 142 do CTN); 5.também no mérito, contestase eventual pretensão de justificar a origem da matéria tributável com base numa das presunções legais previstas no art. 281, do RIR199; nenhuma das hipóteses elencadas no citado artigo têm congruência com a situação trazida do exterior pelo Fisco, indevidamente atribuída à Recorrente Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 511 7 (argüições no item 3.3 do Recurso Voluntário — fundamento legal art. 114 e 142 do CTN e art. 281 do RIR/99); 6. por último, ainda nas questões de mérito, mostrase ter sido irregular a sistemática de apuração adotada pelo Fisco para a quantificação das exigências constituídas, que utilizou ilegalmente o SIMPLES; ademais, existem outras inconsistências na quantificação das pretensas omissões de receitas, todas fortes para impedir que prospere o lançamento (argüições no item 3.4 do Recurso Voluntário fundamento Legal art. 192, inc. XIII, art. 195, inc. I e art. 196, II, todos do RIR/99; art. 114 e 142, do CTN). É o relatório. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 512 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. Preliminares 1. Da nulidade da intimação por Edital A recorrente apresenta, inicialmente, três preliminares que invalidariam a atuação. A primeira alegação aponta para a necessidade de decretação da nulidade da intimação do lançamento, que teria sido efetuada irregularmente por meio de Edital, ou ainda, alternativamente que seja reconhecida como data de ciência do lançamento o dia 10/01/2006, quando o sócio da empresa teria sido formalmente notificado do lançamento. Transcrevo trechos do recurso voluntário em que a recorrente apresenta suas razões, verbis: 2.1 Da Nulidade do Lançamento por Falta de Intimação [...] Especificamente quanto à pretendida intimação, segundo se infere do relatado pelo próprio Fisco (fl. 373 e 374), ao mesmo tempo em que ele utilizou a via postal para encaminhar a notificação ao Fiscalizado também utilizou a forma de notificação por edital. Além, ainda convocou o Contribuinte para comparecer à Repartição para ser notificado. Porém, este procedimento simultâneo é vedado pelo art. 23 do Dec. 70.235/720, conforme se infere do disposto em seu parágrafo 1º que admite a forma por edital, mas somente após se demonstrar improfícua uma das modalidades previstas nos incisos do caput do art. 23. Então, considerando que a intimação pessoal, bem como a por via postal (Anexo II da Impugnação) ainda não haviam se mostradas improfícuas em 15/12/2005, o edital poderia ter sido publicado a partir do dia 19 de dezembro, o que levaria a notificação, válida, para o dia 03 de janeiro de 2006, em vista da contagem de prazo prevista no § 2°, inciso IV, do art. 23 do Dec. 70.235/72, acima referido. Assim, sendo nulo o edital, não houve intimação, o que contraria o disposto no art. 10, inciso V, do Dec. 70.235/72, levando à nulidade o lançamento em vista do contido no art. 59, inciso II, do mesmo diploma legal. Ainda, é necessário esclarecer que a Litigante somente tomou conhecimento da autuação em janeiro de 2006, quando, após o recesso de festas de fimdeano da Recorrente, procurou informações na Repartição Autuante. Foi aí que o mandaram Fl. 512DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 513 9 requerer cópias dos processos, no que foi atendido em 10 de janeiro de 2006 (Anexo I da Impugnação). Foi nessa data que tomou conhecimento dos Autos de Infração. Por fim, é de repisar, caso não seja acolhida a tese da nulidade aqui pleiteada, seja considerado como termo final, para fins de contagem do hiato decadencial por homologação, o dia 10/01/2006. Ademais, as irregularidades aqui argüidas têm amplo apoio na jurisprudência administrativa, como se pode observar pelas ementas a seguir transcritas: [...] Ante o exposto, pede a Recorrente seja declarado nulo o lançamento em face das irregularidades na notificação, acima expostas. Todavia, caso não seja acolhida tal tese, requer seja aceita como data da notificação o dia 10/01/2006, por ser esta a data em que o Recorrente efetivamente tomou conhecimento do lançamento, e não a data de 30/12/2005 data do edital, como quer a DRJ e o Fisco. Para melhor compreensão dos fatos relacionados à ciência do auto de infração, transcrevo a íntegra do Termo de Constatação Fiscal nº 001, lavrado em 30/12/2005, pela autoridade fiscal autuante (fls. 380/381), verbis: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado e de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99) , CONSTATAMOS os fatos abaixo discriminados: No dia 12/12/2005 a AuditoraFiscal da Receita Federal, Maria Cláudia P. Silveira, entrou em contato telefônico com a empresa Prontur Turismo e Câmbio, pelo número 3221.6566, para tentar agendar com o procurador da empresa, Sr, Pietro Predebon, um horário para entregarlhe os autos de infração relativo ao encerramento da fiscalização MPF 10.1.01.002005006003 e MPF complementar 10.1.01.0020050060031. A auditora foi informada, por uma pessoa da empresa, de que ele não se encontrava. A auditora, então, solicitou que lhe fosse enviado recado para entrar em contato com SRF o mais breve possível. No dia 13/12/2005, o Sr. Pietro Predebon, entrou em contato com a auditora e disse que estava viajando, encontrandose fora da cidade de Porto Alegre, e que só retornaria a Porto Alegre na sextafeira, dia 16/12/2005. A auditora comunicoulhe da necessidade de entregar os documentos relativos ao final da fiscalização. O Sr. Pietro comprometendose a comparecer nesta delegacia da SRF no dia 16/12/2005, às 14h para receber os documentos relativos ao encerramento da fiscalização. Em 14/12/2005 esta fiscalização enviou, via postal, os autos de infração para o endereço da matriz da empresa, sito à Av. Independência, 1211/sala 06, em Porto Alegre, e para a filial, sito à Rua Borges de Medeiros, n 445, em Porto Alegre. Todos os dois documentos retornaram ao remetente com a observação de que a empresa estava fechada. Na ausência de representante da empresa para ciência pessoal e frustada a tentativa de ciência via postal, foi publicado em 15/12/2005 o edital número garantindo a ciência ainda dentro do ano de 2005, sob risco de decadência para constituição do crédito tributário. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 514 10 O Sr. Pietro Predebon não comparaceu conforme combinado no dia 16/12/2005, às 14h, nem em outro dia e horário, nem realizou contato telefônico com esta fiscalização. Ainda que já esgotadas as tentativas pessoais e postais, e já publicado o edital, tentamos novos contatos para que o contribuinte pudesse receber cópia dos autos de infração, mas novamente ficou caracterizada a intenção de não receber os documentos. No dia 19/12/2005, os auditoresfiscais Maria Cláudia Silveira e Paulo Sérgio Quintela, foram até o endereço da matriz e filial da empresa e encontraram ambas fechadas com um aviso de que retomariam em janeiro. No endereço da matriz, foram informadas por um homem que estava na frente da empresa, de que havia outra empresa no shopping Moinhos de propriedade do Sr. Pietro Predebon. Os auditores foram até a empresa, de propriedade do irmão do Sr. Pietro, Sr. Rodrigo. Foi perguntado se o Sr. Pietro se encontrava e foilhes informado que não se encontrava. No dia 21/12/2005, foi enviado via postal os documentos a Sr. Rejane Predebon, sócia da empresa e mãe do Sr. Pietro Predebon, para seu endereço residencial, constante da base CPF, à rua Potiguara, n 174, em Porto Alegre/RS. Os documentos retornaram ao remetente com o aviso de "destinatário ausente". No dia 30/12/2005 esgotouse o prazo do edital, sem que tenha comparecido qualquer representante da empresa para tomar ciência dos autos de infração. O art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, na redação vigente à época da ciência do lançamento, estabeleci, verbis: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo ou mediante registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, de acordo com regulamentação da Administração Tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 232, de 2004) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 515 11 I no endereço da Administração Tributária na internet; (Incluído pela Medida Provisória nº 232, de 2004) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 232, de 2004) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial ou local. (Incluído pela Medida Provisória nº 232, de 2004) § 1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Medida Provisória nº 232, de 2004) a) quinze dias após a data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 232, de 2004) b) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluído pela Medida Provisória nº 232, de 2004) III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (destaques nossos) Analisando a sequência de eventos, relatadas pela autoridade fiscal, que tiveram por objetivo dar ciência ao contribuinte do auto de infração, me parece ter razão a recorrente. Senão vejamos. A autoridade fiscal relata que entrou em contato telefônico com a empresa fiscalizada, no dia 12/12/2005, visando "agendar com o procurador da empresa, Sr, Pietro Predebon, um horário para entregarlhe os autos de infração", tendo sido informada por funcionários que o mesmo não se encontrava, tendo, então, solicitado que aquele procurador da empresa entreasse em contato com a SRF. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 516 12 No dia 13/12/2005, segundo relato da autoridade fiscal, o procurador, Sr. Pietro Predebon, entrou em contato informando que estava ausente da cidade de Porto Alegre até a sextafeira, dia 16/12/2005, tendo se comprometido, dito representante da empresa, a comparecer na repartição. no dia 16/12/2005, às 14, para receber os documentos. Relata, mais adiante, que o Sr. Pietro não compareceu ao órgão no dia e horário marcados, nem tampouco realizou novo contato telefônico. Não obstante os contatos relatados e o compromisso agendado com o contribuinte para o dia 16/12/2005, a autoridade fiscal relata que já no dia 14/12/2005 enviou, via postal, os autos de infração para os endereços da matriz e filial da empresa. Informa que, "todos os dois documentos retornaram ao remetente com a observação de que a empresa estava fechada." Na sequência, relata que, diante da "ausência de representante da empresa para ciência pessoal e frustada (sic) a tentativa de ciência via postal, foi publicado em 15/12/2005 o edital número (sic) garantindo a ciência ainda dentro do ano de 2005, sob risco de decadência para constituição do crédito tributário. Examinando as cópias dos envelopes de envio e AR's juntado às fls. 371 a 375, verificase que a ECT realizou diversas tentativas de entrega dos autos de infração nos dois endereços indicados (matriz e filial), nos dias 15/12/05, 16/12/05 e 19/12/05, que restaram frustradas, tendo devolvido as correspondências a remetente (SRF) com a indicação "Fechado/Férias". De todo este relato, se constata que a autoridade fiscal, preocupada, com razão, com o prazo decadencial, desencadeou uma série de iniciativas buscando cientificar a contribuinte em tempo hábil. Ocorre que, antes mesmo de concluir e ver frustradas as tentativas de intimação pessoal (art. 23, inc. I do PAF) e por via postal (art. 23, inc. II do PAF), a autoridade fiscal decidiu publicar o Edital nº 127/05, de 14 12/2005 (fls. 379), e afixálo a partir do dia 15/12/2005 nas dependências da DRF Porto Alegre, visando a suprir eventuais falhas nas tentativas de intimação já iniciadas (pessoal e postal). O procedimento do Fisco, neste caso, não atendeu ao que dispõe expressamente o inc. III do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que transcrevo novamente, verbis: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (destaque nosso) O que se verifica no presente caso é que, sequer havia se consumado a tentativa de intimação pessoal da contribuinte, fato que só viria a ocorrer alguns dias depois de afixado o edital, conforme relata a autoridade fiscal, verbis: Ainda que já esgotadas as tentativas pessoais e postais, e já publicado o edital, tentamos novos contatos para que o contribuinte pudesse receber cópia dos autos de Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 517 13 infração, mas novamente ficou caracterizada a intenção de não receber os documentos. No dia 19/12/2005, os auditoresfiscais Maria Cláudia Silveira e Paulo Sérgio Quintela, foram até o endereço da matriz e filial da empresa e encontraram ambas fechadas com um aviso de que retomariam em janeiro. No endereço da matriz, foram informadas por um homem que estava na frente da empresa, de que havia outra empresa no shopping Moinhos de propriedade do Sr. Pietro Predebon. Os auditores foram atém a empresa, de propriedade do irmão do Sr. Pietro, Sr. Rodrigo. Foi perguntado se o Sr. Pietro se encontrava e foilhes informado que não se encontrava. (destaque nosso) Melhor sorte não teve a opção de intimação pela via postal, cuja última tentativa pelo agente da ECT ocorreu, conforme relatado, no dia 19/12/2005. A autoridade fiscal relata ainda que, também posteriormente à publicação do edital, enviou correspondência ao endereço de uma das sócias da pessoa jurídica, mas a entrega também não se concluiu, verbis: No dia 21/12/2005, foi enviado via postal os documentos a Sr. Rejane Predebon, sócia da empresa e mãe do Sr. Pietro Predebon, para seu endereço residencial, constante da base CPF, à rua Potiguara, n 174, em Porto Alegre/RS. Os documentos retornaram ao remetente com o aviso de "destinatário ausente". (destaque nosso) De fato, consta às fls. 376/378 cópia do envelope de envio e AR devolvido, nos quais se verifica a tentativa frustrada de entrega pela ECT no dia 22/12/2005, por ausência da destinatária, e a observação de que o AR foi devolvido à remetente em 26/12/2005 (fls. 378). Diante dos dados relatados pela própria autoridade fiscal, resta evidenciado que foi precipitada a publicação do referido Edital, sem que tivessem sido preenchidos os requisitos para a sua afixação. De fato, apenas no dia 19/12/2005 restou configurada a tentativa frustrada de intimação do sujeito passivo, tanto pela via postal, como pela tentativa pessoal, intentada posteriormente à afixação do Edital. Neste caso, apenas no dia 20/12/2005 poderia ter sido publicado/afixado o edital nas dependências da unidade da Receita Federal, dandose início, no dia seguinte, à contagem do prazo de 15 dias para a consumação da intimação, nos termos do art. 23, § 2º, inc. III do Decreto nº 70.235/1972, diante do que a intimação somente considerarseia efetivada no dia 04/01/2006. Desta feita, entendo que assiste razão à recorrente, impondose reconhecer como nula a intimação feita por edital, ante ao descumprimento dos requisitos essenciais à sua utilização. O contribuinte informa, por sua vez que só tomou ciência, de fato, do lançamento no dia 10/01/2006, quando recebeu cópia dos documentos contidos nos autos, conforme correspondência juntadas às fls. 422. Nesta correspondência, o contribuinte relata que tomou ciência no dia 04/01/2006, por edital, dos processos administrativos nº 11080.010751/200521 e 11080.010535/20058. Suscita que seja considerada a data de 10/01/2016, como a data de ciência da autuação para todos os efeitos legais, em especial, para a contagem do prazo decadencial. À míngua de outros elementos nos autos que apontem outra data de ciência e do recebimento da cópia dos autos, e, considerando, que o próprio contribuinte afirma ter tomado ciência Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 518 14 do Edital no dia 04/01/2016, entendo que esta deve ser considerada a data da ciência, o que, aliás coincidiria, com a data de desafixação do Edital, caso este tivesse sido corretamente publicado. 2. Da decadência do lançamento A recorrente requereu a decretação da extinção integral das exigências lançadas em face da omissão de receitas apurada no anocalendário 2000, com base no art. 150, § 4ºdo CTN. Alega que, considerandose que o lançamento teria se consumado em 10/01/2006, já teria transcorrido o prazo decadencial, uma vez que não foi aplicada multa qualificada e tendo em vista a existência de pagamentos em todos os meses do ano calendário 2000 e, ainda, considerandose que o Simples tem fato gerador mensal. Entendo que assiste razão à recorrente. Com efeito, considerandose a conclusão do tópico anterior, no qual manifestei meu entendimento de que a ciência efetiva do lançamento teria ocorrido no dia 04/01/2016, há que se considerar tal prazo para a aferição do prazo decadencial. Com relação ao prazo aplicável impõese a este colegiado observar o quanto decidido pelo E. STJ, no julgamento do Resp. nº 973.733/SC, proferido no rito dos recursos repetitivos estabelecido no art 543C do antigo CPC, conforme dispõe o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. O referido julgado foi sintetizado na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREs p 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 519 15 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso, o lançamento foi realizado com aplicação da multa de ofício de 75%, ausente, portanto, a acusação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Assim, importa verificar se ocorreram pagamentos e/ou declaração de débitos, ainda que parciais, relativamente aos períodos de apuração do anocalendário de 2000, que poderiam estar decaídos, conforme alega a recorrente, caso sujeitos ao prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Ao exame dos autos verifico que consta às fls. 144/147, cópia da Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica, PJ 2001 Simples, na qual consta a apuração de débitos (Ficha 04) em todos os meses do anocalendário 2000. Considerandose que a referida declaração constituise em instrumento de confissão de débitos perante a RFB, na medida em que as empresas optantes pelo Simples estava dispensadas de apresentação de DCTF, configurase a necessária "declaração prévia do Fl. 519DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200585 Acórdão n.º 1302002.905 S1C3T2 Fl. 520 16 débito", referida no julgado do STJ, para justificar, contrario sensu, a aplicação do art. 150 § 4º do CTN. Assim, considerandose o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador para se efetuar o lançamento e verificandose que o último período de apuração lançado (dezembro/2000) somente poderia ter sido objeto de formalização pelo Fisco até o dia 31/12/2005, revelamse decaídos todos os períodos de apuração objeto do lançamento nos presentes autos. Tendo em vista a obrigatoriedade de observância do entendimentos do STJ, exarado no rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência suscitada para cancelar integralmente a exigência. Diante do que foi apreciado até este ponto, resta prejudicada a análise dos demais pontos do recurso. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do Edital de ciência da autuação, reconhecer parcialmente a decadência do lançamento e, em consequência, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 520DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.902790/2011-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9).
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.279
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9). PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 27 90 /2 01 1- 95 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 72 2 declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 50/64) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 41/45), proferida em sessão de 27 de agosto de 2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0247.296, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/14) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 06/06/2011 (efl. 26), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 39723.40537.120707.1.3.040603, transmitido em 12/07/2007, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 73 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n.º rastreamento 932724606 emitido eletronicamente em 06/06/2011, referente ao PER/DCOMP n.º 39723.40537.120707.1.3.040603. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 756,35, representado por Darf recolhido em 12/07/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n.º 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma trás consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214, 215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 74 4 Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2004 6106 R$ 4.778,90 12/07/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Efl. 26 R$ 4.778,90 DB: cód 6106 PA 30/06/2004 R$ 4.778,90 Valor Total R$ 4.778,90 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Com base nesse postulado (possibilidade de os indícios servirem de fundamento para uma sentença condenatória), seria razoável concluir que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, em processos de restituição, ressarcimento ou compensação, em que cabe ao contribuinte a prova de seu direito, a DRF estaria autorizada a negar o pedido, com base em indício que aponte para a inexistência ou insuficiência de crédito. Frisase que, na fase que precede a decisão de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação, ainda não há contraditório, de modo que aquele indício será objeto de contestação pelo contribuinte e apreciação pela DRJ, juntamente com outras provas produzidas no processo. Nesse sentido, o contribuinte não apresenta nada que conteste o fundamento do despacho decisório. Nele, está consignado que o Darf foi integralmente utilizado para o pagamento do débito declarado pelo contribuinte, não restando saldo para operar a compensação. Limitase a questionar a legalidade da legislação que regula o instituto da compensação e defender o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Não apresenta nenhuma documentação fiscal em favor de seu suposto crédito. EXCLUSÃO DE ICMS A base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. Somente a lei pode modificar a base de cálculo do tributo. A legislação do PIS/PASEP e da COFINS prevê exclusões da base de cálculo. Especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, excluemse da receita bruta o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos regimes. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 75 5 Admitir qualquer outra exclusão, equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão não é sequer válida em sede de julgamento administrativo. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 30/09/2013, segundafeira, efls. 46/48, e protocolo em 17/10/2013, efl. 49), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar ao conhecimento do mérito Aduz o recorrente que a notificação acerca das conclusões do despacho decisório foi nula, uma vez que não foi pessoal ao representante legal, em que pese ter sido entregue na sede da pessoa jurídica, e, por conseguinte, tornaria todo o procedimento nulo, além disto alegou temática constitucional para objetivar seu argumento. Aprecio a questão a título de Preliminar e, desde logo, afastoa, haja vista se tratar de tema sumulado no contencioso administrativo. Deveras, a Súmula CARF n.º 9 enuncia que: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 76 6 A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10246574, de 01/12/2004, 10420408, de 26/01/2005, 10614266, de 21/10/2003, 10707076, de 20/03/2003, 10807562, de 16/10/2003, 20168026, de 20/05/1992, 202 08457, de 21/05/2003, 20209572, de 14/10/1997, 20171773, de 02/06/1998, 20306545, de 09/05/2000. Demais disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Quanto ao tema constitucional, temse a Súmula CARF n.º 2 enunciando que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10194876, de 25/02/2005, 10321568, de 18/03/2004, 10514586, de 11/08/2004, 10806035, de 14/03/2000, 10246146, de 15/10/2003, 20309298, de 05/11/2003, 201 77691, de 16/06/2004, 20215674, de 06/07/2004, 20178180, de 27/01/2005, 20400115, de 17/05/2005. Vejase, o processo de compensação é regido pelo rito processual do Decreto n.º 70.235, de 1972, conforme disciplina o art. 74, § 11, da Lei 9.430, de 1996, sendo certo que as intimações ou notificações poderão ser feitas por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo contribuinte (Decreto 70.235, art. 23, II), aliás, para fins de intimação, considerase domicílio tributário o endereço postal fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à Administração Tributária (Decreto 70.235, art. 23, § 4.º, I). De mais a mais, não há prova de qualquer prejuízo para a defesa, não houve preterição do direito de defesa, não se observa quaisquer das causas de nulidades listadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 77 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. No recurso voluntário o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a maior), porém não vejo como dar provimento ao pleito vindicado. Primeiro, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS. O debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Aliás, recentemente, em sessão de 15/03/2017, sob a sistemática de julgamento de recursos extraordinários repetitivos, o Supremo Tribunal Federal (STF) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 78 8 julgou a problemática, mas ainda não definitivamente, face à Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no qual consta pedido de fixação de modulação de efeitos, conforme pode ser analisado nas pesquisas públicas acerca do Recurso Extraordinário RE n.º 540.706/PR, tendo sido fixada a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS”. Por conseguinte, como a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs recurso de Embargos de Declaração, requerendo, inclusive, modulação de efeitos da decisão proferida pelo Colegiado Constitucional, sobrestouse o curso do trânsito em julgado da decisão, não se podendo falar em decisão definitiva. Nesse contexto, a decisão proferida pelo STF, em que pese ter adotado tese favorável aos contribuintes, ainda não se reveste do atributo da definitividade, haja vista a pendência de julgamento do recurso supramencionado. Logo, ressalvando posicionamento pessoal deste relator acerca da desnecessidade de trânsito em julgado para percepção dos efeitos vinculante da decisão proferida em sede de julgamento de recurso extraordinário repetitivo pelo STF, nos termos do artigo 927, inciso III, do Novo Código de Processo Civil, entendo aplicável, no presente caso, a Súmula n.º 2 do CARF. Observo, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento da impossibilidade de conhecer questão constitucional ao dispor que: “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por fim, cumpre destacar que a Receita Federal do Brasil expediu a Solução de Consulta DISIT/SRRF06 n.º 6.012, de 31 de março de 2017, na qual dispôs o seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para a COFINS devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para a COFINS incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 79 9 Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10875.902790/201195 Acórdão n.º 1002000.279 S1C0T2 Fl. 80 10 atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905742/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 42 /2 00 8- 56 Fl. 489DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000444 (fls. 153/155), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10980.905742/200856 Acórdão n.º 3402005.362 S3C4T2 Fl. 490 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 491DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 139 a 145. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 4.830,72 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10980.905742/200856 Acórdão n.º 3402005.362 S3C4T2 Fl. 491 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 4.830,72, nos exatos termos do relatório fiscal produzido pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 493DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720352/2016-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DIÁRIA. ASTREINTES.
Incide imposto de renda pessoa física sobre as astreintes.
JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ASTREINTES.
Os juros de mora e correção monetária de astreintes são tributáveis.
MULTA DE OFÍCIO. MÁ-FÉ. ERRO. DIRPF
A aplicação da multa de ofício independe da intenção do agente.
Numero da decisão: 2002-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DECISÃO JUDICIAL. MULTA DIÁRIA. ASTREINTES. Incide imposto de renda pessoa física sobre as astreintes. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ASTREINTES. Os juros de mora e correção monetária de astreintes são tributáveis. MULTA DE OFÍCIO. MÁFÉ. ERRO. DIRPF A aplicação da multa de ofício independe da intenção do agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Virgílio Cansino Gil Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 03 52 /2 01 6- 11 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10166.720352/201611 Acórdão n.º 2002000.113 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado auto de infração por Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos acumuladamente sujeitos a tributação exclusiva na fonte, bem como multa de ofício e juros de mora. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, requerendo a nulidade da Notificação de Lançamento, e ou requer que seja excluído os juros moratórios e correção monetária. Entende o contribuinte, que o rendimento contestado é isento ou não tributável, pois possui natureza jurídica de indenização, não havendo de se falar sobre a multa de ofício, sobre juros e correção monetária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, para manter o auto em sua integralidade. Entendendo que a multa astreintes tem caráter punitivo, encontrandose no campo de incidência do Imposto de Renda, e que a infração tem responsabilidade objetiva, incidindo os juros de mora. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo que seja julgado procedente seu recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O crédito tributário é decorrente de indenização paga em processo judicial, referente a multa por descumprimento de ordem judicial (astreintes), conforme sentença de fls. 38/40. Entendeu a r. decisão de origem, que os valores recebidos a título de multa diária de caráter punitivo, determinada pelo juiz contra a parte que deixou de atender decisão judicial, encontrase no campo de incidência do Imposto de Renda, pois representariam acréscimo patrimonial. Equivocada a interpretação dada pela decisão a quo, pois a astreintes, dado seu caráter decorrente de descumprimento de ordem judicial no caso em tela, se destina única e Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10166.720352/201611 Acórdão n.º 2002000.113 S2C0T2 Fl. 4 3 exclusivamente a recompor o patrimônio da parte inocente, que diante da omissão e do descumprimento de ordem judicial tem lesado seu direito, e consequentemente seu patrimônio. Ainda, sobre a natureza jurídica da astreintes, temos que se trata de indenização que objetiva a reparação de dano anteriormente causado, pois a sua efetividade somente ocorre após o descumprimento de ordem judicial. Registro, que indenizar significa repor o patrimônio no estado em que se encontrava antes do dano, compensar alguém da perda de alguma coisa que, voluntariamente, não perderia, implica dever, obrigação da parte de quem paga, e direito, crédito da parte de quem recebe. O pagamento decorrente de ato ilegal da administração pública não constitui fato gerador do tributo. O contribuinte/aposentado não pode ser apenado pela desídia da autarquia, que negligenciou em restabelecer seu benefício. Assim, dado o caráter indenizatório da astreintes e que sua finalidade é a de recompor o patrimônio e não de acréscimo, reconheço que não há incidência de IR sobre a parcela. Referente aos juros de mora, sigo o mesmo entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que assim julgou "os juros e a correção monetária seguem a mesma natureza de verba principal". Portanto, reconhecida a isenção da parcela recebida pelo contribuinte (principal), o acessório (juros de mora) segue a mesma sorte. Pelo exposto voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, tornando o crédito tributário exonerado. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Voto Vencedor Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora Designada. Peço vênia para divergir do entendimento do Conselheiro relator. Breve escorço O lançamento tributou 98.598,47 de multa (astreinte) recebidos acumuladamente, com número de meses igual a 2,6 meses, compensando 2.957,95 de imposto retido na fonte (fl. 56). Com isso o resultado da Dirpf passou de 1.232,09 a restituir para 20.957,55 de imposto a pagar (fl. 59) mais 15.718,16 de multa de ofício e 5.962,42 de juros de mora (fl. 52), totalizando 42.638,13. O Auditor Fiscal informa que o rendimento é tributável por falta de previsão legal para sua isenção (fl. 55). O contribuinte, em sua impugnação, alega que o Inss suspendeu a sua aposentadoria e a Justiça determinou o restabelecimento do pagamento, sob pena de multa diária de 1.000,00 reais. O cumprimento da ordem só veio 79 dias depois, o que resultou em uma multa de 79.000,00 que foi convertida em favor do beneficiário ao final do processo. Defende que a multa deve ser interpretada como indenização pelo período que teve sua verba Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10166.720352/201611 Acórdão n.º 2002000.113 S2C0T2 Fl. 5 4 salarial retirada, e não como remuneração ou acréscimo patrimonial. Evoca jurisprudência e o Parecer PGFN 2123/2011 que entende tratar de situação análoga, haja vista que o parecer trata de danos morais e a suspensão da sua aposentadoria deixoulhe sem saber como arcar com os custos necessários à mantença de sua família, causandolhe evidente sofrimento íntimo, devendo a multa arbitrada judicialmente servir para compensar a dor, angústia e sofrimento causados ao defendente. Aduz que a incidência de IR sobre o valor da indenização pago pela União (Inss), seria o mesmo que diminuir o valor da penalidade, pois o imposto retornará aos cofres públicos. Argumenta ainda que a multa era de 79.000,00 e o restante são juros moratórios e correção monetária, sobre os quais não incide imposto de renda porque esses consectários legais visam a assegurar o valor da moeda (correção monetária) e a indenizar o credor pelo atraso no pagamento (juros de mora). Afirma que não houve máfé, nem omissão, já que os valores constam da declaração e o possível equívoco no preenchimento não justifica o lançamento da multa de ofício. Cita jurisprudência e por fim, requer a procedência da impugnação, a nulidade do lançamento e o reconhecimento da correção da Dirpf que apresentou. Alternativamente, pede a retirada da multa de ofício e a exclusão dos juros moratórios e correção monetária da tributação, considerandose ainda o valor retido pela instituição financeira para cômputo de eventual saldo devedor. A DRJ julgou a impugnação improcedente e o contribuinte, em sede de recurso voluntário reitera os argumentos e o pedido da impugnação, citando doutrina e jurisprudência. Astreinte Nas palavras de De Plácido e Silva, astreinte é medida cominatória de constrição contra devedor, cujo valor diário, fixado pelo juiz, durará enquanto permanecer a inadimplência1. O autor Marcus Vinicius Rios Gonçalves trata do tema com riqueza de detalhes, motivo pelo qual trazemos abaixo um breve resumo de suas palavras. Dentre os vários meios de coerção, a multa, que se assemelha às astreintes do direito francês, é um dos mais eficientes. Ela é um mecanismo de coerção para pressionar a vontade do devedor renitente que, temeroso dos prejuízos que possam advir ao seu patrimônio, acabará por cumprir a decisão judicial. Na fixação dessa multa, cabe ao juiz avaliar o caso concreto para decidir o montante razoável, o qual não pode ser irrisório, sob pena de não pressionar a vontade do devedor, nem tão elevado, que o credor acabe preferindo que a obrigação não seja cumprida e que o devedor permaneça inerte. O juiz tem ampla liberdade de modificar o valor da multa, de ofício ou a requerimento das partes, quando verificar que ela se tornou insuficiente ou excessiva, podendo alterarlhe ainda a periodicidade ou mesmo excluíla. Tais alterações podem ocorrer mesmo após o trânsito em julgado, pois este impede a rediscussão do que o juiz decidiu a respeito da pretensão, mas não dos meios de coerção utilizados para fazer com que o devedor cumpra aquilo que lhe foi imposto. Essa liberdade do juiz decorre do fato de a multa não ser punição, mas meio de coerção, de pressão sobre a vontade do devedor. O juiz só não terá essa liberdade se a multa tiver sido convencionada pela partes em título executivo extrajudicial, caso em que o acordo deve prevalecer. Mas ainda assim ele poderá reduzila se verificar que é excessiva, mas não pode aumentála, caso a repute insuficiente, em virtude do disposto no art. 814, parágrafo único do CPC. 1 Vocabulário Jurídico Conciso. De Plácido e Silva. 1ª ed. p. 71. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10166.720352/201611 Acórdão n.º 2002000.113 S2C0T2 Fl. 6 5 Contudo, pode ocorrer que o devedor permaneça inerte por longo tempo e o valor da multa tornese excessivo. Verificando o juiz que já correu tempo suficiente, deve dar por encerrada a incidência da multa, reduzindoa ao razoável. Cumpre ao credor, então, requerer outros meios de coerção ou a conversão em perdas e danos. Por vezes, o credor deixa de requerer a conversão em perdas e danos ou qualquer outra providência na expectativa de que ela se torne maior a cada dia, trazendolhe proveito financeiro. Caso haja conversão em perdas e danos, o credor poderá executar cumulativamente a indenização e a multa2. Como se pode ver, as astreintes têm finalidade coercitiva, não se confundindo com a respectiva indenização por perdas e danos que possa advir da demora ou inadimplemento da obrigação. As astreintes não tem como finalidade precípua a reparação de dano anteriormente causado, não têm visam de recompor o patrimônio da parte, de forma que o seu recebimento representa inequívoco acréscimo patrimonial. Importante destacar que, para que uma verba seja isenta de imposto de renda, não basta ser chamada de indenização. É preciso, antes de tudo, que haja expressa previsão legal para sua exclusão do campo de incidência tributária. Considerando que não há dispositivo legal isentivo que ampare as astreintes, tais valores encontramse no campo de incidência do imposto de renda pessoa física. A Solução de Consulta Disit/SRRF08 193/2013 corrobora esse entendimento, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF MULTA COMINATÓRIA (ASTREINTE). INCIDÊNCIA. Os valores recebidos a título de multa cominatória (astreinte) decorrente de decisão judicial são tributáveis pelo imposto sobre a renda e sujeitam a fonte pagadora à retenção. Eventual falta da retenção não exonera o beneficiário da obrigação de submeter esses rendimentos à tributação na sua Declaração de Ajuste Anual. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 1966, CTN, arts. 43, § 1º, 111, inciso II e 118, inciso I; Decreto nº 3.000, de 1999, RIR/1999, arts. 37, 38, 39, inciso XVI, 639 e 718; Parecer Normativo SRF nº 1, de 2002. Jurisprudência e doutrina Em princípio, a decisão proferida em processo judicial ou administrativo aplicase tãosomente ao caso concreto ao qual se refere e às partes envolvidas no litígio. Assim, tais decisões não tem, em regra, eficácia normativa que estenda seus efeitos genericamente a outros casos. No mais, a jurisprudência do STJ, parecer e doutrina mencionados pelo contribuinte tratam de indenização por dano e não de multa astreintes como é o caso em tela. As situações não são análogas e ainda que fossem, não se pode aplicar isenção por analogia, pois as isenções tributárias obedecem o princípio da estrita legalidade3 e da literalidade4. 2 Direito Processual Civil Esquematizado. Marcus Vinicius Rios Gonçalves. 8ª ed. p. 784 a 786. 3 Art. 176, Código Tributário Nacional. 4 Art. 111, Código Tributário Nacional. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10166.720352/201611 Acórdão n.º 2002000.113 S2C0T2 Fl. 7 6 A jurisprudência do Carf citada pela parte trata de caso de erro causado por informação prestada pela fonte pagadora, o que não é o caso dos autos, de acordo com a documentação que consta do processo. As súmulas citadas tratam de multa qualificada o que também não é o caso dos autos, haja vista que a multa aqui foi de 75% (fl. 60). Juros moratórios e correção monetária O contribuinte alega que não incide IR sobre os juros moratórios e correção monetária. Contudo, tais rubricas são tributáveis por força do disposto no art. 43, § 3º c/c art. 56 do Decreto 3.000/99. Em razão do seu caráter acessório, tais verbas seguem a natureza do principal. Como as astreintes são tributáveis, seus juros e correção monetária também o são. Multa de ofício O contribuinte alega que não houve máfé e que não omitiu valores em sua declaração, sendo que o possível equívoco não justifica o lançamento da multa de ofício. Contudo, as penalidades tributárias independem da intenção do agente5. A boafé do contribuinte evita o agravamento da multa6, mas não o exime completamente dela7 por ser esta uma responsabilidade objetiva. As reduções legais são aquelas previstas no art. 44, § 3º da Lei 9.430/96, conforme já descrito à fl. 60 dos autos. Retenção O contribuinte pede que seja considerado o valor retido pela instituição financeira, contudo, tal valor já foi considerado no cálculo do tributo, conforme comprova a fl. 54 dos autos onde consta o cômputo de IRRF Retido no valor de 2.957,95. Dessa forma, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo 5 Art. 136, Código Tributário Nacional. 6 Art. 44, §§ 1º, 2º e 4º, Lei 9.430/96. 7 art. 44, I, Lei 9.430/96. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10166.720352/201611 Acórdão n.º 2002000.113 S2C0T2 Fl. 8 7 Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.724075/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DR.I. cabe o enfrentamento das questões, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância.
Numero da decisão: 2402-006.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que não conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DR.I. cabe o enfrentamento das questões, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindo-se os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que não conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DR.I. cabe o enfrentamento das questões, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 40 75 /2 01 1- 52 Fl. 472DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindose os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que não conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11060.724075/201152 Acórdão n.º 2402006.305 S2C4T2 Fl. 473 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 395/449, tomado contra Acórdão de fls. 379/386, emanado da 4ª Turma da DRJ/POA, que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação apresentada, por entender que havia renúncia à instância administrativa. Transcrevo, por oportuno, o Relatório da r. decisão guerreada: Mediante Notificação de Lançamento, Demonstrativos e Descrição dos Fatos, fls. 195 a 198, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 368.757,25, calculados até 30/11/2011, em virtude da constatação de infringência a dispositivos legais, referente ao anocalendário de 2007, descrita a seguir. 1. A autoridade lançadora detectou omissão de ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas não negociadas em Bolsa. Enquadramento legal: Arts. 43, 105, 109, 111, inciso I, 144, 151, inciso II e 178, do código Tributário Nacional; arts. 1° a 3° e §§, 16 e §§, 19 e 58, da Lei n° 7.713/1988; arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.134/1990, arts. 7° e 21 da lei n° 8.981/1995; art. 10, § único e 17 da Lei n° 9.249/95; arts. 117, 123 inciso I, 126, 128, § 9°, 130 e §§, 131, 135, 138, 140 e 142 do Decreto n° 3.000/1999 – RIR/1999; arts. 7° e 16, da Instrução Normativa SRF 84/2001, fl 508. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 261 a 309, alegando que a fiscalização produziu o cálculo do imposto de renda sem considerar o direito adquirido à isenção de tributo sobre as ações adquiridas até 31 de dezembro de 1983, que foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.71.02.0014672, impetrado pelo impugnante, com o objetivo de garantir o direito à isenção do imposto de renda, lembra também o DecretoLei n° 1.510/1976. Salienta que a fiscalização reconhece que ele impetrou Mandado de Segurança para o fim de garantir o direito à isenção do imposto de renda. Afirma que a fiscalização realizou o lançamento de oficio considerando como tributável o lucro obtido com a venda das ações adquiridas até 31 de dezembro de 1983. Invoca a nulidade do lançamento, devido à incorreta apuração do custo médio ponderado, no qual foram consideradas, também, as ações alcançadas pela isenção e também pela exigência de imposto sobre matéria cuja exigibilidade esteja suspensa, conforme a legislação. E mesmo havendo exclusão da parcela devida relativo ao ganho de capital sobre ações adquiridas até 31121983, há a alteração do valor encontrado, invalidando integralmente o lançamento. Fl. 474DF CARF MF 4 Alega, também, que a fiscalização somente poderia efetuar o lançamento para fins de prevenção de decadência, determinando a suspensão da cobrança do crédito tributário até o deslinde da ação judicial. Porém promoveu a imediata cobrança, inclusive com os acréscimos de multa e juros de mora. Discorre com relação ao princípio da unicidade da jurisdição, afirmando que a fiscalização violou tal princípio ao sustentar a inexistência do direito adquirido à isenção, lançando o tributo sobre a parcela cuja discussão encontrase sob o crivo do Poder Judiciário. Conclui que, se o órgão de julgamento administrativo não pode examinar a mesma questão levada ao Poder Judiciário, tão pouco poderia ser levantada qualquer questão pela fiscalização, por completa incompetência e submissão à decisão judicial. Embora não tenha havido o trânsito em julgado da referida ação, aguardase apenas o julgamento de um último recurso (Embargos de Declaração), interposto pela Fazenda nacional junto ao Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, não há como coexistir duas normas sobre o mesmo fato. A fiscalização entende como inaplicável o artigo 169 da lei n° 6.404/1976 como critério de rateio das bonificações recebidas pelo impugnante, além de que não tem o condão de produzir efeitos tributários de isenção. Tendo como argumentos, que a proporcionalidade prevista em lei trata apenas da obrigatoriedade que as bonificações sejam distribuídas de acordo com o percentual de cada acionista, que as ações distribuídas em bonificação não seriam acessórias em relação às ações que lhes deram origem. Tais argumentos não merecem prosperar, pois são dissociados de premissas básicas do direito societário e tributário. Afirma que para a ação recebida em bonificação, seja de natureza de ação nova subscrita, é necessário verificar se há ingresso de recursos do acionista para o recebimento das bonificações. Assim, não havendo qualquer subscrição de novas ações pelo impugnante, pelo fato de que sequer era necessário o recebimento de ações em bonificação, permitindose a simples alteração do valor nominal das ações já existentes, não se tratando, portanto, de transferência de patrimônio da companhia para o acionista ou aumento patrimonial. Com relação ao rateio das bonificações, acredita ser incorreto o auto de infração ao sustentar que para fins tributários, as ações recebidas em bonificação, sejam consideradas como ações novas e que a forma de rateio utilizada pelo impugnante tenha se baseado em normas revogadas. O contribuinte afirma, que realizou depósito judicial do imposto de renda diante os autos do Mandado de Segurança, que foi reconhecido no auto de infração. Requer, ao final,o acolhimento da preliminar de nulidade do Auto de Infração, não sendo esse o entendimento, que seja cancelado o Auto de Infração em razão de incorreta interpretação acerca da natureza jurídica das ações recebidas Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11060.724075/201152 Acórdão n.º 2402006.305 S2C4T2 Fl. 474 5 em bonificação, ou então, que seja afastada a aplicação de multa e juros de mora sobre os valores depositados judicialmente." Em seu recurso, alega o recorrente que o fundamento para não conhecimento da Impugnação (prévia ação judicial) não deve ser mantido, uma vez que a matéria tratada naquela demanda judicial não se refere ao objeto da presente demanda fiscal. Em seguida, aduz que, diferentemente do que entendido pela d. Fiscalização, a ação judicial teria garantido ao Recorrente a isenção total referente à venda da participação societária. De tal forma, a Impugnação deveria ser conhecida para excluir o lançamento conforme determinado na decisão judicial transitada em julgado, para reconhecer o direito à isenção da Recorrente. A seu ver, resta como inquestionável a necessidade de conhecimento da impugnação para a desconstituição do auto de infração, uma vez que, se mantido, seria cobrado valor de forma indevida. Além disso, argui, ainda de forma preambular, que as preliminares de mérito apresentadas não teriam sido objeto de exame pela d. DRJ, devendo ser, nesta oportunidade verificadas, para que não subsista auto de infração eivado de nulidades. Assim, requer a reforma do acórdão para que a impugnação seja conhecida e acolhida nos termos em que redigida. No mais, reprisa os mesmos argumentos lançados em sua peça de Defesa (fls. 261/309), requerendo, ao final, que seja acolhida a preliminar de nulidade do auto em razão da isenção no cálculo de apuração do imposto, ou seja determinado o cancelamento do crédito tributário e sua extinção ou, ainda, seja afastada a aplicação de multa e juros de mora sobre os valores depositados na esfera judicial. Às fls. 450/455, junta as decisões tomadas pelo c. Superior Tribunal de Justiça no supracitado processo. Às fls. 456, colaciona a Certidão de Transito em Julgado da ação mandamental. Às fls. 464, junta a Fazenda Nacional o Acórdão nº 2202002.550, em que a 2ª Turma Ordinária desta Câmara haveria reconhecido a concomitância parcial de processo administrativo com mandado de segurança, tendo em vista que o objeto da ação se restringiu à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital auferido antes de 31 de dezembro de 1983. Transcrevese a ementa do referido julgado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I RPF Exercício :2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Fl. 476DF CARF MF 6 Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DR.I. cabe o enfrentamento das questões , pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância Embargo acolhido." Com isso, o processo veio para julgamento. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11060.724075/201152 Acórdão n.º 2402006.305 S2C4T2 Fl. 475 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo, entretanto, interposto contra decisão que, em razão de concomitância com ação judicial, não conheceu da impugnação, portanto, este tema deve permear a análise de admissibilidade do mesmo. O voto emitido pelo Relator da decisão recorrida, de inicio, aborda a questão da concomitância, nos seguintes termos: "Verificamos, segundo informações do próprio interessado e no relatório fiscal, que ele possui ação judicial, segundo os documentos, fls. 446 a 456 e 616 a 640, tratando da tributação sobre o ganho de capital, com a instituição pelo DecretoLei nº 1.510/1976, invocando a isenção para alienações das ações após o período de cinco anos, inclusive para as vendas após a Lei nº 7.713/1988, ressaltando o direito adquirido e assegurado à isenção. Embora na petição inicial, mesmo truncada, fls. fls. 08 a 26, não verificamos a demanda específica sobre as bonificações e o cálculo de apuração do ganho de capital, entendemos que estas matérias dependem diretamente da decisão judicial, em caráter definitivo, sobre o reconhecimento da isenção do imposto para as ações solicitadas pelo contribuinte e sua interdependência. Assim, a questão já se encontra sob a tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, fato que torna inútil qualquer pronunciamento da esfera administrativa quanto ao mérito do pleito contido na peça impugnatória, relativa à omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. Desta forma, para essa infração, está caracterizada a renúncia à esfera administrativa, na forma do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/1980. [...] Diante de todo o exposto e por tudo que do processo consta, voto pelo NÃO CONHECIMENTO da impugnação, haja vista a renúncia à instância administrativa pela interposição de medida judicial." A ação judicial em questão é o Mandado de Segurança nº 2007.71.02.0014684 tendo por objeto o reconhecimento da isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido pela venda de participação societária de ações adquiridas antes de 31 de dezembro de 1983 e mantidas no patrimônio dos impetrantes por mais de 5 anos, mas não abrangendo a totalidade dos lançamentos realizados. Fl. 478DF CARF MF 8 Como se depreende da leitura do trecho do voto colacionado, o próprio Relator da decisão de piso reconhece que a referida ação judicial não abrange integralmente o lançamento, em especial as bonificações e o calculo de apuração de ganhos de capital, entendendo, porém, haver prejudicialidade ao seguimento do feito, em que pese o pedido estar restrito a isenção. Sobre o tema, a PGFN, através da manifestação de Fls 800 a 801, registra ser apenas parcial a concomitância sustentada na decisão de piso emitida no presente processo. Registrou ainda a existência de precedente da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção, relacionado a ação judicial de mesma natureza e com o mesmo objeto daquela que foi erigida pelo Recorrente como impeditiva da continuidade do feito. Tratase de decisão emitida através do Acórdão n° 2202002.550, cuja cópia consta as fls 802 a 807, onde o colegiado, por unanimidade, entendeu haver concomitância apenas parcial e, em respeito ao principio do duplo grau de jurisdição, determinou o retorno do feito para manifestação da DRJ abrangendo a matéria não decida. O precedente colacionado possui extrema semelhança com o caso ora analisado, eis que as o provimento buscado tem por base os mesmos fundamentos e incide sobre ações da mesma empresa adquiridas em condições semelhantes. Assim, a questão não apresenta grande complexidade a merecer maiores dilações argumentativas, tanto o Recorrente, quanto a PGFN indicam de modo claro que a concomitância é parcial devendo a decisão de piso ser parcialmente reformada para que os autos retornem e a parcela dos lançamentos não contidos no objeto do MS tido por concomitante, seja reapreciada garantindo ao feito o duplo grau de jurisdição. Nosso convencimento é neste sentido, eis que todos os elementos dos autos indicam ser o encaminhamento processual mais adequado. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, restituindose os autos à primeira instância administrativa de modo que sejam analisadas as alegações trazidas na impugnação e não abrangidas na ação judicial. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920517/2009-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/03/2006
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.955
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/03/2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.920517/200959 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.955 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/03/2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 17 /2 00 9- 59 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 9303006.955 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803006.315, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 9303006.955 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 9303006.955 CSRFT3 Fl. 5 4 contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 9303006.955 CSRFT3 Fl. 6 5 “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 9303006.955 CSRFT3 Fl. 7 6 Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 9303006.955 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000048/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da PIS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PIS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da PIS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 48 /2 01 0- 20 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 2 No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.870. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 7 Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10925.000048/201020 Acórdão n.º 3401005.029 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908915/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 89 15 /2 00 9- 73 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10840.908915/200973 Acórdão n.º 1301003.243 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo do IRPJ: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos do IRPJ vincendo." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10840.908915/200973 Acórdão n.º 1301003.243 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao período de apuração de 31/12/2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10840.908915/200973 Acórdão n.º 1301003.243 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.720011/2017-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Tendo a recorrente logrado fazer a prova exigida pela fiscalização, a despesa deve ser restabelecida.
Numero da decisão: 2002-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento, determinando o restabelecimento integral da despesa médica.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Tendo a recorrente logrado fazer a prova exigida pela fiscalização, a despesa deve ser restabelecida.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente TEREZINHA ASSMANN BRUSCHI MARQUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Tendo a recorrente logrado fazer a prova exigida pela fiscalização, a despesa deve ser restabelecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, determinando o restabelecimento integral da despesa médica. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 72 00 11 /2 01 7- 18 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13027.720011/201718 Acórdão n.º 2002000.168 S2C0T2 Fl. 58 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 19/23), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2014. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$5.062,82 para R$112,82. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, tendo em vista que o documento comprobatório apresentado não identificava o profissional e seu registro no respectivo conselho profissional. Além disso, intimada, a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento da despesa. Impugnação Cientificada à contribuinte em 5/6/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 19/6/2017, à fl. 2/17 dos autos, na qual a contribuinte defende a dedutibilidade do valor declarado, indicando a juntada de documentos comprobatórios da despesa. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente (fls. 38/41). A decisão consigna que, embora a contribuinte tenha sanado a falta apontada no recibo apresentado, não logrou comprovar o efetivo pagamento da despesa. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/11/2017 (fl. 42), a contribuinte, em 14/12/2017 (fl. 44), apresentou recurso voluntário, às fls. 44/54, no qual indica a juntada de documentos bancários de forma a comprovar os resgates e a transferência para o profissional. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.34). Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13027.720011/201718 Acórdão n.º 2002000.168 S2C0T2 Fl. 59 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de despesas médicas. No curso da ação fiscal, a contribuinte foi intimada a comprovar o efetivo pagamento da despesa, tendo em vista que seu rendimento mensal seria incompatível com esse gasto. Na impugnação, a contribuinte limitouse a apresentar documentação visando a sanar as falhas formais no recibo apresentado, tendo sido mantida a glosa pela falta de comprovação do efetivo pagamento. Agora, em seu recurso, a contribuinte junta extrato bancário (fl.46), o qual demonstra os resgates de aplicações financeiras efetuados por ela no mês de abril de 2013, bem como documento comprobatório da transferência efetuada para Giovani Locatelli no valor de R$18.000,00 em 8/4/2013 (fl.45). Dessa forma, restando plenamente comprovado o efetivo pagamento da despesa declarada (fl.28), sua glosa deve ser cancelada. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, para cancelar integralmente a glosa da despesa médica, no valor de R$18.000,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 59DF CARF MF
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