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Numero do processo: 13603.003035/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 426 em face de decisão da DRJ/CE de fls. 388 que decidiu pela improcedência da Impugnação de fls. 223, apresentada em oposição ao lançamento de II e IPI, consubstanciado em Relatório Fiscal de fls. 29 e AIs de fls. 3 e 16. Como de costume, transcrevo o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .0 03 03 5/ 20 03 -1 2 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 506 2 "Da Autuação Da Síntese da ação fiscal e dos aspectos legais aplicáveis ao caso Trata o presente processo do Auto de Infração, lavrado em 30/12/2003, por meio do qual foi lançado o crédito tributário no valor, excluído os acréscimos legais, de R$ 1.459.311,27 (Hum milhão, quatrocentos e cinqüenta e nove mil, trezentos e onze Reais e vinte e sete Centavos), conforme quadro posto abaixo, lavrado sob o fundamento de que a empresa autuada, segundo a autoridade fiscal, não teria observado os limites ou os índices estabelecidos nos art. 6º e 7º do Decreto n° 2.072, de 14/11/1996, perdendo, por isso, direito ao benefício fiscal denominado “Regime Automotivo”, previsto na Lei no 9.449/97. Das considerações iniciais Inicialmente, a fiscalização faz um relato das infrações que, sob seu entendimento, teriam sido cometidas pelo autuado, para, em seguida discorrer acerca: i) da legislação aplicável à matéria em debate (fl. 35), no caso, o art. 1o da Lei nº 9.449/97, transcrito a seguir; ii) do seu entendimento sobre o início do prazo decadencial a ser aplicado no caso em tela (fl. 36), que entende que deva ser considerado no primeiro dia do exercício seguinte ao do encerramento do regime; e iii) do ônus da prova nos casos de concessão de benefício fiscal (fls. 36/37), que afirma ser este um encargo do beneficiário do regime. Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até 31 de dezembro de 1999: I redução de noventa por cento do imposto de importação incidente sobre máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição; Art. 113.Interpretase literalmente a legislação tributária que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do imposto de importação (Lei nº 5.172, de 1966, art. 111, inciso II). Das Infrações Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 507 3 Segundo o “Termo de Verificação Fiscal” de fls 29/71, a autuada teria praticado as seguintes infrações: 1) Durante o ano de 1998, a fiscalizada não teria cumprido a proporção determinada no art. 6o do Decreto no 2.072/96, que estabelece que as aquisições de “Bens de Capital” produzidos no País devem ser, no mínimo, 1,5 vezes o valor das importações de “Bens de Capital” realizadas pelo beneficiário do regime; Acusa a autoridade fiscal que as aquisições de”Bens de Capital”, produzidos no País, totalizaram US$ 4.483.994,03, o que limitaria as importações de “Bens de Capital” com o benefício fiscal ao valor de US$ 2.989.329,35 (US$ 4.483.994,03/1,5). No entanto, as importações de “Bens de Capital” efetuadas pelo interessado neste período totalizaram US$ 3.835.955,00. Logo, conclui a fiscalização, que as importações de bens de capital, com redução do imposto, superaram o limite permitido no montante de US$ 846.625,65 (3.835.955,00 – 2.989.329,35)”, sujeitando o beneficiário à multa prevista no art. 13 do Decreto no 2.072/96, assim como a exigência dos tributos não recolhidos, relativamente aos bens importados que contribuíram para o descumprimento do benefício (fl. 53). 2) Durante os anos de 1998 e 1999, a empresa não teria observado a proporção determinada no art. 7o do Decreto no 2.076/96, que estabelecia que o valor das aquisições de matériaprima produzidas no País pelo beneficiário do regime deveria ser, no mínimo, igual ao valor das importações com redução do imposto de importação da mesma matériaprima, por ano calendário. No caso, alega a fiscalização, o interessado teria importado com redução do imposto matériaprima classificada na posição tarifária 7225.50.00, no montante de US$ 53.301,00 (1998) e US$ 144.233,00 (1999). Todavia, somente teria adquirido a mesma mercadoria no mercado interno em 1999, no montante de US$ 2.538,07. Por isso, a fiscalização concluiu que as importações da matériaprima classificada na posição tarifária 7225.50.00 teriam superado o limite permitido em US$ 53.301,00 no ano de 1998 e em US$ 141.694,93 no ano de 1999, sujeitando o beneficiário à multa prevista no art. 13 do Decreto no 2.072/96, assim como a exigência dos tributos não recolhidos, relativamente às matérias primas importadas que contribuíram para o descumprimento do benefício” (fl. 34). Da importação de Bens de capital em excesso no ano de 1998 Segundo afirma a autoridade fiscal, para que os bens adquiridos pelo autuado se enquadrassem ao conceito de Bens de Capital estabelecido na legislação referente ao Regime Automotivo, deveriam ser observados os seguintes requisitos: a) Que os Bens de Capital se enquadrem no conceito de: “máquinas, equipamentos, inclusive testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade”; b) Que os acessórios, sobressalentes e peças de reposição se refiram a esses Bens de Capital; c) Que os Bens de Capital, Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 508 4 respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição sejam novos; d) Que os Bens de Capital, respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição sejam incorporados ao ativo permanente do beneficiário; e) Que os Bens de Capital, respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição sejam utilizados no processo produtivo do beneficiário. Logo, afirma a fiscalização, qualquer aquisição que não se enquadre estritamente às condições definidas acima, deve ser desconsiderada para fins de comprovação dos limites e proporções estabelecidas para o Regime Automotivo. Sendo assim, a aquisição de bens vinculados às instalações da indústria ou, então, a aquisição de bens somente ligados indiretamente à produção ou, ainda, as aquisições de bens não produzidos no País não podem ser consideradas para fins de cumprimento do regime, uma vez que não se enquadram ao conceito de Bens de Capital definido na legislação. Dos Bens desconsiderados pela fiscalização Após analisar os Relatórios Trimestrais apresentados pelo contribuinte (anexo III), a fiscalização concluiu que os Bens de Capital listados abaixo, adquiridos no mercado nacional durante ano de 1998, deveriam ser excluídos do cômputo da verificação da proporção determinada no artigo 6º do Decreto nº 2.072/96 (fl. 42), pelas seguintes razões: i) Dos Bens de Informática Os Bens de informática apresentados na planilha de fl. 43 teriam sido destinados pelo autuado aos setores auxiliares da produção da empresa, como, por exemplo: centro de treinamento, PCP, logística, almoxarifado, expedição, administrativo, etc. Por isso, o montante no valor de US$ 484.328,86, relativo às referidas aquisições foi desconsiderado pela fiscalização; ii) Dos Bens de Capital de origem estrangeira adquiridos no mercado nacional Os Bens de Capital cujo “Código de Situação Cadastral” indicado nos documentos fiscais informam serem os mesmos importados, no total de US$ 74.645,64 (fl. 44), e aqueles em que a fiscalização, mesmo por meio de vistoria, não teve como identificar sua origem, que totalizam US$ 149.667,00 (fls. 44/45), segundo o entendimento fiscal, devem, também, ser desconsiderados; iii) Dos Bens destinados às instalações do contribuinte e os Bens definidos como móveis e utensílios O Bem de Capital adquirido por meio da nota fiscal nº 667, no valor de US$ 5.918,76, teria sido instalado na subestação de energia do contribuinte e utilizado para eletrificação de um galpão, não como acessório direto ao processo produtivo (fls. 45/48) e o Bem descrito na nota fiscal nº 95369, no valor de US$ 1.039,92, classificado pelo próprio contribuinte como móveis e utensílios, não se enquadram ao conceito legal de Bens de Capital (fl. 50), não devem ser utilizados no cálculo dos percentuais relativos ao Regime Automotivo; iv) Dos Bens de Capital Usados Já o Bem de Capital adquirido por meio da nota fiscal nº 2495, no valor de US$ 17.041,50, a fiscalização afirma que o documento fiscal apresentado pelo próprio contribuinte indica tratarse de bem usado, devendo, pelas mesmas premissas já apresentadas, ser desconsiderado (fl. 49); Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 509 5 v) Da prestação de serviços A simples prestação de serviços não atente à definição de Bens de Capital disposto na legislação referente ao Regime Automotivo, devendo ser desconsiderado o montante no valor de US$ 35.714,29, relativo à nota fiscal nº 136 (fl.49); vi) Dos valores desconsiderados pelo próprio contribuinte A fiscalização, também, desconsiderou, a pedido do próprio contribuinte, os Bens de Capital constantes das notas fiscais emitidas pela empresa Prensas Schüller SA (fl. 50/51), no valor de US$ 658.171,00, por tratarse de aquisições referentes ao 1º trimestre de 1999. Em síntese, os valores suprimidos pela fiscalização foram: Do cálculo da proporção estabelecida no artigo 6º do Decreto nº2.072/96 A autoridade fiscal relata que o contribuinte importou um montante US$ 3.835.955,00 em Bens de Capital no ano de 1998. Por outro lado, no mesmo período, o beneficiário do regime declarou ter adquirido Bens de Capital no mercado nacional no valor total de US$ 5.910.521,00. Sendo que, desse valor, como já visto, US$ 1.426.526,97 foram desconsiderados pela fiscalização, remanescendo, logo, o montante de US$ 4.483.994,03. Sendo assim, para que fosse respeitada a proporção de 1:1,5 estabelecida no art. 6º do Decreto nº 2.072/96, o montante dos Bens de Capital adquiridos no mercado nacional permitiriam a importação de Bens de Capital no valor máximo de US$ 2.989.329,35, ou seja: US$ 4.483.994,03 / 1,5 = US$ 2.989.329,35 Por conseqüência, a fiscalização constatou que o valor importado pelo contribuinte com o benefício fiscal teria excedido em US$ 846.625,65 (US$ 3.835.955,00US$ 2.989.329,35) o permitido pela legislação. Por fim, concluiu a fiscalização que o descumprimento da proporção estabelecida no regime implica na multa no valor de 70% do valor FOB das importações que concorreram para o referido descumprimento, resultando na multa no valor de R$ 699.988,94. Observase que no cálculo da multa a fiscalização, para fins de apuração da Base de Cálculo, considerou as importações mais recentes, ou seja, “considerou as importações ocorridas a partir de Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 510 6 31/12/1998, retroagindo até que fosse alcançado o montante FOB de US$ 846.625,65” , conforme Anexo X. Dos tributos exigidos No entendimento fiscal, o interessado somente poderia usufruir do benefício do Imposto de Importação referente ao Regime Automotivo quando observada a proporção determinada pelo art. 6º do Decreto nº 2.072/96. Logo, tendo o contribuinte apresentado importações excedentes, devem ser exigidos os tributos não recolhidos em virtude do benefício fiscal. Da importação de matéria prima em excesso nos anos de 1998 e 1999 A empresa autuada, também, foi acusada de não ter atingido a proporção estabelecida no art. 7º do mesmo decreto, que estabelece a relação entre as matériasprimas produzidas no país e as matériasprimas importadas, que deveria ser de um por um, não teria sido observada. Do conceito de matériaprima Considerando que o Decreto nº 2.072/96, para aplicação dos seus dispositivos, não definiu qual seria o conceito de “mesma matériaprima”, a fiscalização lançou mão do Decreto nº 97.409/88, que promulgou a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadoria, e achou por bem aceitar, para fins de aferição da proporção determinada no art. 7º do Decreto nº 2.072/96, aquisições no mercado nacional classificadas na mesma posição tarifária das matériasprimas importadas pelo Contribuinte, ao amparo do Regime Automotivo. Das matériasprimas importadas em excesso em 1998/1999 Afirma a fiscalização que o beneficiário do regime teria descumprido a proporção determinada pela art. 7º do Decreto nº 2.072/96, relativamente às importações da matériaprima classificada na posição NCM 7225.50.00, cujo valor totalizou US$ 197.930,00, enquanto as aquisições no mercado interno teriam somado US$ 2.538,07. Logo, considerando que a proporção autorizada pela legislação seria de um por um, as importações realizadas pela autuado teriam excedido o permitido em US$ 194.694,93. Da penalidade aplicável e dos tributos exigidos Importadas matériasprimas em excesso, exigese a penalidade prevista no art. 14 do Decreto nº 2.072/96, no percentual de 60% a ser aplicada sobre o valor FOB das importações que teriam concorrido para o descumprimento da proporção estabelecida no referido art. 7º do mesmo decreto (fl. 53). Assim, segue a fiscalização, considerando que o valor das importações totalizam R$ 323.461,05 (fls. 55/54), impõese a penalidade no valor de R$ 194.076,63 (RS 323.461,05 X 60%). Com base no mesmo fundamento que autorizou o lançamento dos tributos suspensos em função do descumprimento do art. 6º do Decreto nº 2.072/96, a inobservância do art. 7º, também, implica na exigência dos tributos referentes às importações que teriam concorrido para o descumprimento da proporção ali estabelecida (fl. 57). Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 511 7 Por fim, a fiscalização, às fls. 58/71, apresenta a legislação que trata do Regime Automotivo. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 06/01/2004 (fl. 4), o autuado apresentou, em 05/02/2004, a impugnação de fls. 223/255, onde, após um breve resumo da autuação, alega, preliminarmente, que teria ocorrido a decadência do direito do fisco de exigir o crédito tributário, sob o argumento de que tanto o Imposto de Importação, quanto o Imposto sobre Produtos Industrializados seriam tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150 da Código Tributário Nacional (CTN) e que, por isso, passados cinco anos após a ocorrência do fato gerador, já deveriam ter sido considerados tacitamente homologados e, por consequência, definitivamente extintos, nos termos do §4º do mesmo artigo. Para reforçar tal entendimento, o interessado colou decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da 1ª Câmara do, então, Conselho de Contribuintes (CC) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o tema. Do Mérito Da exigência quanto ao Imposto de Importação Do prensa mecânica não considerada no montante referente aos Bens de Capital de produção Nacional A autuada alega que, por um equívoco, o valor de US$ 5.558.071,71, referente a aquisição de uma prensa produzida no mercado interno não foi incluída no Relatório Trimestral de Prestação de Contas do regime Automotivo referente ao ano de 1998, sendo indevidamente considerada no relatório de 1999. Afirma, ainda, que com os documentos juntados ao processo restaria comprovado que a citada prensa mecânica teria adquirida em 25/03/1998 (Nota fiscal nº 30365) e contabilizada em conta do ativo permanente em 30/04/1998, conforme imposto pelo artigo 15 do Decreto nº 2.072/96: Art. 15. Para efeito deste Decreto, serão consideradas realizadas: I as importações, na data do desembaraço aduaneiro; II as aquisições de "Bens de Capital" produzidos no País, na data da incorporação ao ativo permanente dos "Beneficiários"; III as aquisições de "Insumos" fabricados no País, na data da entrada no estabelecimento do "Beneficiário". Sendo assim, considerando a aquisição e contabilização em 1998 da prensa mecânica produzida no mercado nacional, a proporção entre as aquisições dos Bens de Capital produzidos no País e as importações de Bens de Capital beneficiadas com o regime seria de 2,62 (fl.234) estaria dentro do limite exigido pela legislação. Dos Bens de Capital desconsiderados pela fiscalização No entender da empresa autuada, o Decreto nº 2.072/96, considera como Bens de Capital todos os utilizados no processo produtivo e incorporados ao ativo permanente: Art. 2º Para fins desse Decreto, consideramse: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 512 8 I " Bens de Capital": máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição, utilizados no processo produtivo e incorporados ao ativo permanente; Segundo alega, os bens utilizados no processo produtivo, tais como, equipamentos de informática, equipamentos utilizados para eletrificação do galpão de produção, equipamento para acondicionamento de eixo e tanque de combustível, entre outros, seriam essenciais à operação da empresa, embora alguns desses bens não estejam em contato físico direto com o produto final. O fato, segue o impugnante, de integrarem a cadeia de produção seria suficiente para assegurar a sua inclusão na base de cálculo da proporção prevista na legislação referente ao Regime, uma vez que representariam bens aplicados na produção, nos termos do dispositivo legal supra transcrito. Portanto, sustenta o autuado, a regra do desgaste físico dos bens não pode ser aplicada ao presente caso, uma vez que a análise das normas que regem o regime automotivo demonstra que em nenhum momento a legislação condicionou a redução do imposto de importação à aplicação física direta no processo produtivo como pretendeu o fiscal autuante. Logo, não poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. Para robustecer seu argumento, o interessado cita legislação do Estado Minas Gerais (Art. 222 do RICMS) e da Secretaria da Receita Federal (Art. 25 da IN SRF nº 11/96), referente à matéria tratada na lide (fls. 236/238). Diante do entendimento exposto acima, pretende a interessada que os Bens de Capital indiretamente ligados à produção, que foram afastados pela fiscalização, no valor de US$ 1.426.526,97, sejam considerados no cômputo da proporção delineada pela legislação, Portanto, considerando os valores acima, a proporção estabelecida na legislação referente ao regime seria 2,99, como vista a fl. 239, sendo descabida a cobrança do crédito tributário objeto da lide. Da matéria prima importada em excesso nos anos de 1998 e 1999 Alega o impugnante que a expressão “mesma matéria prima” constante no art. 7º do Decreto nº 2.072/96 se refere à matéria prima essencial utilizada na elaboração do produto final ou, quando menos, levar em conta o capítulo inerente ao código para classificação da matéria prima. Por isso, não poderia a fiscalização, ao calcular o montante da mercadoria adquirida no mercado interno, considerar somente a mercadoria nacional com a mesma classificação fiscal da mercadoria importada. O autuado afirma ser uma empresa de fabricação de componentes automotivos, entre os quais tanques de combustível, que, atualmente, podem ser fabricados com utilização de chapas (bobinas) ou podem ser de plástico. Sendo que, para fabricação do primeiro, são utilizadas chapas com diferentes tipos de proteção superficial, dentre elas, a galvanização, que consiste em revestir a chapa com zinco ou outros metais. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 513 9 Continuando na argumentação, a empresa impugnante defende que as mercadorias classificas nas posições 72.25 (Produtos laminados planos, de outros aços ligados, de largura igual ou superior a 600 mm) e 72.26 (Produtos laminados planos, de outros aços ligados, de largura inferior a 600 mm), para fins de apuração da proporção determinada no art. 7º do Decreto nº 2.072/96, devem ser consideradas a mesma mercadoria, pois não importa a espessura, a largura ou o cumprimento da matéria prima, uma vez que ela pode ser adaptada com facilidade para o seu uso específico, ou seja, compor o produto final obtido por meio da industrialização. Ademais, discriminação feita pela agente fiscal não estria indo ao encontro dos próprios objetivos traçados pelo Governo Federal ao instituir o Regime Automotivo por meio da Medida provisória nº 1.024/95, que teria como principal meta a redução do imposto de importação, visando o crescimento da produção e geração de empregos e qualidade dos produtos fabricados no País. Assim, no entendimento do interessado, não deveria a fiscalização ter desconsiderado a matéria prima código 7210.30.10, conforme relatório de Aquisição de Matéria Prima, cuja quantidade supera em muito a quantidade importada e resultaria na cumprimento da proporção determinada no art. 7º do Decreto nº 2.072/96. Da cobrança da multa regulamentar e da multa de ofício Aduz o acusado que o Auto de Infração contempla tanto a multa de ofício relativa ao Imposto de Importação, quanto a multa regulamentar de 60% e 70% sobre a base de cálculo desse imposto, caracterizando, assim, penalidade em duplicidade pelo descumprimento de uma mesma obrigação, no caso, pela inobservância das proporções determinadas nos art. 6º e 7º do Decreto nº 2.072/96. Na defesa dos seus argumentos, traz ao processo decisão do, então, Conselho de Contribuintes sobre a aplicação cumulada da multa de ofício com regulamentar (fls. 248/249). Seguindo sua defesa, o interessado afirma que: i) Não seria razoável que o contribuinte que se viu habilitado à fruição da redução do imposto de importação, por ter atendido todas as normas e procedimentos indispensáveis para a habilitação no chamado “Regime Automotivo”, sofra, alem da cominação da multa de ofício sobre o valor do imposto, a aplicação da multa regulamentar, frisese, quatro vezes maior que o valor da obrigação principal, enquanto o contribuinte que não está enquadrado no regime, deixando de pagar o imposto incidente sobre a importação, somente será penalizado pela aplicação da multa de ofício sobre o valor do tributo que deixou de ser recolhido.(fl. 249); ii) A aplicação de penalidade quatro vezes superior ao valor da obrigação principal atentaria contra os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, aos quais está adstrita a Administração Pública. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 514 10 Juntando, novamente, decisão da Câmara Superior de Recurso Fiscais, do STF e o posicionamento de parte da doutrina sobre a matéria. (fl. 251/253); Da exigência quanto ao Imposto Sobre Produtos Industrializados Quanto ao IPI, o impugnante declara que “a análise do Auto de Infração demonstra que este é decorrente dos mesmos questionamentos efetuados em relação ao Imposto de Importação. Dito isso, qualquer análise relativa ao IPI fica diretamente vinculada `a decisão dessa DRJ para fins do II, cuja defesa já está apresentada” (fl. 253) Além disso, no caso em questão, a incidência tributária do IPI nas operações de importação seria isenta, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 9.493/97: Art. 1º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, relacionados em anexo, importados ou de fabricação nacional, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas. Portanto, tendo em vista o dispositivo legal acima, as mercadorias sob análise não estariam sujeitas à tributação do IPI, não podendo o fisco cobrar o referido imposto mesmo na hipótese de a impugnante não possuir o benefício fiscal do imposto de importação relativo ao Regime Automotivo (fl. 254). Ademais, continua a defesa, “considerando que o vinculo do lançamento do IPI é a falta ou insuficiência no recolhimento do II, o mesmo tornase indevido tendo em vista as irregularidades aduzidas anteriormente acerca da cobrança deste último” (fl. 254). Por fim, o impugnante requer a procedência da impugnação, cancelandose o presente Auto de Infração. Da Diligência Fiscal Em 19/08/2008, por decisão da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza, o processo foi convertido em diligência, nos termos do despacho de fls. 344/355, cujo teor transcrevo abaixo: 1Verificar, junto aos assentamentos contábeis e fiscais do impugnante se o maquinário constante na Nota Fiscal nº 030365 (fls. 272), perfaz as condições exigidas pela fiscalização tributária para integrar o rol de bens de capital referente ao anocalendário de 1998; 2Caso positivo o item anterior, aferir as conseqüências advindas com sua retirada do ano de 1999; 3Analisar a pertinência da utilização dos demais equipamentos do qual se insurge o sujeito passivo, apresentando, ao final, demonstrativo indicando qual o crédito tributário remanescente, à luz das conclusões emanadas do Parecer Cosit nº 13, de 31 de maio de 2004; 4Ao final, elaborar relatório sucinto sobre o solicitado, acrescentando quaisquer outras informações que sejam do interesse para o deslinde da questão, à vista dos argumentos acostados pelo sujeito passivo. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 515 11 Atendendo a solicitação desta DRJ, a unidade de origem apresentou o Relatório de fls. 361/366, onde afirma que: 1) O maquinário constante na Nota Fiscal nº 030365 atende às condições impostas pela legislação para integrar o rol de Bens de Capital e que, por essa razão, deve ser considerado para aferição da proporção determinada no art. 6º do Decreto nº 2.072/96. Sendo assim, o valor de Bens de Capital de origem nacional adquiridos pelo autuado totalizariam US$ 10.042.065,74, sendo superior ao valor necessário para reconhecimento do benefício pleiteado pelo contribuinte; 2) Para o ano calendário de 1999, mesmo excluído o valor do equipamento em questão, o contribuinte continuaria a respeitar a proporção determinada pela legislação; 3) Deixou de adotar a providência solicitada no item 3, visto que esta se tornou irrelevante na discussão relativa aos Bens de Capital, já que o referido crédito não mais estaria sendo exigido; 4) Com base nas considerações acima, somente parte do crédito tributário, referente ao descumprimento da proporção determinada no art. 7º do Decreto nº 2.072/96 deveria ser mantida, conforme quadro abaixo: Da Manifestação do autuado Cientificado das informações e dos documentos juntados ao processo em razão da diligência fiscal em 13/01/2012 (fl. 369), o impugnante manifestouse em 08/02/2012 (372), apresentando a manifestação de fls. 373/381, onde, em síntese, ratificou seus argumentos iniciais, apresentados na impugnação, referentes ao descumprimento relativo ao art. 7º do decreto nº 2.072/96. É o relatório." A decisão recorrida, proferida no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não compete ao julgador administrativo apreciar alegações sobre supostas afrontas aos Princípios Constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade e o do não confisco, em face da submissão da esfera administrativa ao Princípio da legalidade. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 516 12 ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999 REGIME AUTOMOTIVO. DESCUMPRIMENTO DAS PROPORÇÕES E DOS LIMITES ESTABELECIDOS PELA LEGISLAÇÃO. INEXIGIBILIDADE DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. NULIDADE A inobservância das proporções ou dos limites definidos na legislação referente ao Regime Automotivo não autoriza a exigência do Imposto de Importação que seria devido caso o beneficiário não houvesse se habilitado ao referido regime. REGIME AUTOMOTIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PENALIDADES. A não comprovação do cumprimento das condições onerosas previstas na legislação do Regime Automotivo impõe a cobrança das multas estabelecidas no art. 13 do Decreto nº 2.072/96, que regulamenta o referido regime. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o seu recurso voluntário tempestivamente e reiterou os argumentos suscitados em sua Impugnação no que tange à parte do mantida do lançamento após a decisão de primeira instância, apresentou novos documentos e reapresentou os documentos que podem comprovar a utilização da matéria prima. Os autos foram novamente pautados e distribuídos para julgamento nos moldes do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 517 13 É preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. Algumas considerações devem ser registradas. A decisão de primeira instância reconheceu o direito mas não deu provimento às alegações do contribuinte por falta de prova, conforme trecho exposto a seguir: "Entretanto, considero equivocada a premissa adotada pelo agente autuante, que, ao conceituar a expressão “mesma matéria prima” com base exclusivamente na classificação fiscal da mercadoria, esqueceuse de que, nem sempre, matérias primas classificadas em um mesmo código fiscal são iguais, podendo, inclusive, possuir funções completamente distintas. Por fim, há, também, o entendimento, ao qual me alinho, de que “mesma matéria prima” são aquelas cujas características físicas essenciais são similares e que têm a mesma função quando aplicadas ao produto acabado. Tal entendimento não seria tão restritivo ao ponto de quase neutralizar o objetivo do benefício fiscal e, também, não seria frágil como o método que se fundamenta exclusivamente na classificação fiscal das mercadorias sob análise. Pois bem, no caso concreto, o crédito tributário que ainda persiste para apreciação, cuja motivação foi o descumprimento da proporção prevista no art. 7º, recaiu sobre as Declarações de Importação (DI) nos 98/12891692 e 99/01115698, que instruíram a importação da mercadoria declarada como “Chapa de aço em bobina”, classificada no código NCM nº 7225.50001 (fl. 215) O autuado refuta a acusação alegando que teria direito ao benefício do Regime Automotivo sobre tais importações em virtude da aquisição, no mercado interno, de bobinas de aço, classificadas no código NCM nº 7210.30102, em valores muito superiores aos necessários para a observância da proporção definida no já citado art. 7º, que foi desconsiderada pela fiscalização. Ao se analisar os dois códigos fiscais sobre os quais paira a controvérsia, vêse que se trata de bobinas laminadas de largura igual ou superior a 600mm e que diferença entre eles reside principalmente na composição do aço que as constitui, questão que, por si só, não implica concluir que, sob o enfoque da legislação que regula o Regime Automotiva, tais mercadorias não possam consideradas como “mesma matéria prima”. No entanto, a impugnante, sobre a qual, no caso, recai o ônus da prova, não apresentou nenhum documento que comprovasse ter adquirido as citadas bobinas no mercado interno, não há, então, o que se retocar na parte do lançamento fiscal referente à matéria prima importada pelo autuado. Assim, julgo improcedente a impugnação, mantendo a parte do crédito tributário motivada pelo excesso de importação de matéria prima, no valor de R$ 194.076,51, por não ter o impugnante comprovado sua Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 518 14 alegação de aquisição de matéria prima no mercado nacional de forma a atingir a proporção estabelecida no art. 7º do Decreto nº 2.072/96." Entendimento sobre a matéria que deve ser prestigiado, porque, em que pese o Art. 7.º, do Decreto 2.072/96 utilizar a expressão "mesma matéria prima"1 e a legislação prever a aplicação da literalidade na interpretação de benefícios fiscais2, a comprovação de que o contribuinte utiliza a mesma matéria prima não depende somente da classificação fiscal utilizada. Assim, em prestígio à verdade material, largamente consubstanciada na jurisprudência deste Conselho administrativo e prevista no Decreto 70.235/72 e legislação que regula o processo administrativo fiscal, as Notas Fiscais e demais documentos juntados em Recurso Voluntário, conforme trechos expostos a seguir: ... ... 1 Art. 7º A proporção entre as aquisições de cada matériaprima produzida no País e as importações da mesma matériaprima com redução do imposto de importação deverá ser, no mínimo, por ano calendário, de um por um. Parágrafo único. A proporção a que se refere o caput deste artigo poderá ser alterada por acordo entre as entidades de classe representativas da indústria de matériasprimas e a empresa interessada, homologado pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 519 15 ... ... ... Considerando que os mencionados documentos não foram analisados até o presente momento, a fim de que seja possível concluir se são suficientes para a permissão da utilização do benefício previsto no Art. 7.º do Decreto 2.072/96, é crucial para a solução desta lide administrativa que a autoridade de origem analise as notas fiscais e documentos de fls 444 e seguintes, assim como os documentos juntados em Impugnação. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a fiscalização analise as notas fiscais e documentos de fls 444 e seguintes, assim como os documentos juntados em Impugnação e aponte se as matérias primas podem ser consideradas as mesmas, com base no Art. 7.º do Decreto 2.072/96, independentemente da classificação fiscal utilizada. a fiscalização pode intimar o contribuinte para os esclarecimentos necessários; Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13603.003035/200312 Resolução nº 3201001.385 S3C2T1 Fl. 520 16 Após, o contribuinte deve ser cientificado do resultado do relatório fiscal e se manifestar. Por fim, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Resolução proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 520DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000470/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA.
Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da existência do direito de crédito indicado nas declarações incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas.
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, o contribuinte deve apresentar as provas solicitadas pela Fiscalização, sob pena de restar seu pedido indeferido.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Não há que se falar em realização de diligência para complementação da instrução processual quando demonstrado que o contribuinte deixou, sem motivos, de apresentar as provas no momento oportuno e, ainda mais, afirma que deixou de apresentá-las por serem em grande quantidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da existência do direito de crédito indicado nas declarações incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, o contribuinte deve apresentar as provas solicitadas pela Fiscalização, sob pena de restar seu pedido indeferido. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Não há que se falar em realização de diligência para complementação da instrução processual quando demonstrado que o contribuinte deixou, sem motivos, de apresentar as provas no momento oportuno e, ainda mais, afirma que deixou de apresentá-las por serem em grande quantidade. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. Na apuração de PIS nãocumulativo, a prova da existência do direito de crédito indicado nas declarações incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, o contribuinte deve apresentar as provas solicitadas pela Fiscalização, sob pena de restar seu pedido indeferido. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Não há que se falar em realização de diligência para complementação da instrução processual quando demonstrado que o contribuinte deixou, sem motivos, de apresentar as provas no momento oportuno e, ainda mais, afirma que deixou de apresentálas por serem em grande quantidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 04 70 /2 01 0- 17 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 319 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Na origem, tratouse de processo de representação formalizado para análise do Pedido Eletrônico de Ressarcimento de nº 00439.86025.110108.1.1.089002 (fls. 06 a 08), de PIS no regime nãocumulativo exportação, referente ao 4º trimestre de 2007 (créditos de PIS NãoCumulativo – exportação do 4º Trimestre de 2007), no valor total de R$ 1.578.541,80 (um milhão, quinhentos e setenta e oito mil, quinhentos e quarenta e um reais e oitenta centavos), para ser compensado com débitos informados em DCOMP listadas nas fls. 9/82. Posteriormente, foi interposta a Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório não homologatório. A análise foi fundamentada no resultado do procedimento fiscal, com o escopo de verificar a regular apuração e recolhimento do PIS e da COFINS, no anocalendário de 2007, que resultou no Auto de Infração formalizado no processo administrativo nº 15868.720137/201112. O Relatório Fiscal (fls. 127/144) concluiu pela glosa de parte dos créditos utilizados pelo contribuinte, a partir de nova apuração realizada, tendo em vista o contribuinte não ter apresentado a devida comprovação dos créditos tomados. Consta do despacho decisório, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento e, consequentemente, não homologou as Declarações de Compensação a ele vinculadas: 3. O crédito em tela foi analisado pela DRF Araçatuba em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Regional (MPF) nº 08.1.90.002011022590, que determinou a realização dos procedimentos necessários para o exame dos dados, valores e demais informações constantes dos pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS e a Cofins, bem assim a análise dos aspectos legais e formais dos referidos pedidos. 4. Com base nesse MPF o crédito em questão foi analisado pela Seção de Fiscalização da DRF Araçatuba, que em sua informação fiscal (fls. 127 a 144) opinou pelo reconhecimento ao contribuinte do crédito no montante de R$ 2.192.418,04 (dois milhões, cento e noventa e dois mil, quatrocentos e dezoito reais e quatro centavos), antes do desconto do PIS devido no período, que monta R$ 3.357.765,14 (três milhões, trezentos e cinquenta e sete mil, setecentos e sessenta e cinco reais e quatorze centavos). 5. Assim, a SAFISAraçatuba não apurou crédito a ser ressarcido para o contribuinte, tendo inclusive procedido ao lançamento do PIS devido no trimestre, tendo em vista que o crédito de PIS nãocumulativo apurado foi menor do que o PIS Fl. 319DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 320 3 devido (fls. 145 a 152). O crédito apurado e os débitos mês a mês são os seguintes: 11. Segundo relatório elaborado pela Seção de Fiscalização da DRF Araçatuba (SAFIS), foram feitas diversas glosas na base de cálculo do crédito, que estão demonstradas no relatório e nas planilhas constantes do CD entregue para o contribuinte (fls. 127 a 144). 12. Com base nos ajustes realizados, a DRF Araçatuba refez o DACON do contribuinte com os novos valores apurados e constatou que o interessado não tem saldo de crédito a ser ressarcido (fls. 85 a 123). O relatório do acórdão recorrido bem sintetiza os pontos defendidos pela Recorrente em sua impugnação: O contribuinte dividiu a Manifestação de Inconformidade em 4 partes: I Os Fatos, II O Direito, dividido em 2 partes com 14 subdivisões, III Pedido de diligência e perícia IV Pedido. Na alegação dos fatos o contribuinte informa em síntese que: 1) Protocolou Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS apurados no 4º Trimestre de 2007; 2) O indeferimento do Pedido de Ressarcimento foi prolatado pela Delegacia Especial de Administração e Orientação Tributária – DERAT/SPO, tendo sido baseado no trabalho da Delegacia da Receita Federal de Araçatuba acerca da liquidez e certeza do Crédito pleiteado, em conformidade com o MPFF nº 8.1.90.002011022590 (fls. 232), que transferiu temporariamente a competência da DeratSP para a DRF/Araçatuba; Na parte II – O Direito, o contribuinte alegou em síntese que: 1) O Despacho Decisório merece ser cancelado, com o retorno destes autos para a DERAT/SP com o fim de ser realizada uma nova fiscalização considerando a nulidade de todo o trabalho fiscal realizado pelos AFRF; 2) A nulidade de todo o trabalho fiscal decorre da observância dos termos do Mandado de Procedimento Fiscal, pelos seguintes motivos: a) a fiscalização deveria ter sido realizada no estabelecimento da Impugnante Fl. 320DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 321 4 localizada no Município de São Paulo Capital e por AFRF com jurisdição sobre tal localidade vinculados a DERAT/SP, b) muitas intimações terem sido emitidas por apenas um dos AFRFB, sem a participação do outro, não existindo no MPFF permissão para atuação individual dos AFRFBs, mas apenas em conjunto, com a consequente nulidade de todos os atos por eles emitidos de forma isolada e por fim, c) a inexistência de citação no MPFF da suposta Delegação de Competência; 3) Conclui que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF deveria ter sido emitido pelo Superintendente, e em assim não tendo ocorrido, clama pela inexistência de Ato Administrativo transferindo a competência para Araçatuba efetuar a fiscalização; 3) Invoca que mesmo que não existam as irregularidades até agora apontadas, persiste a nulidade decorrente do fato de as autoridades emitentes do MPFF serem servidores atuando em Delegação de competência relacionada a função de Delegado da Receita Federal do Brasil; 4) O Despacho Decisório emitido pela DRF/Araçatuba também deve ser anulado por ter sido emitido por autoridade incompetente porque somente o Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo possuía competência para emitir tal decisão conforme demonstra o artigo 57, caput da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008; 5) Não existe autorização da referida Instrução Normativa para modificação da competência para emissão do Despacho Decisório, ocasionando a nulidade da decisão ora recorrida por ter sido emitida por autoridade incompetente, o Chefe da SaortSeção de Orientação e Análise Tributária da DRF/Araçatuba; 6) O Despacho Decisório também deve ser cancelado por ter sido emitido após o encerramento da fase instrutória de apuração do ressarcimento, sem intimação do contribuinte, desrespeitando a formalidade prescrita no art. 44 da Lei nº 9.784/99, procedimento essencial a sua validade; 7) O dispositivo citado garante à recorrente o direito de se manifestar, no prazo de 10 dias da instrução realizada pela fiscalização, especialmente para fazer suas observações e apresentar razões para garantir a apreciação do seu pedido de ressarcimento; 8) O posicionamento da fiscalização de que a Recorrente buscou embaraçar a fiscalização não merece ser acatado porque a empresa buscou apresentar à fiscalização todos os documentos solicitados e justificativas de suas operações; 9) Tendo os próprios AFRFs reconhecido a entrega de documentos a DEFIC e de diversos arquivos digitais, não haveria motivos para que fossem solicitados novos documentos e esclarecimentos, simplesmente emitiram um Parecer, sendo este posicionamento flagrantemente irregular, em conformidade com o art. 928 do Regulamento do Imposto de Renda; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 322 5 10) A fiscalização agiu sem razoabilidade e contrariando diversos dispositivos legais, entre os quais os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784/99; 11) Reitera sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais e esclarecimentos que se fizerem necessários, estando os mesmos já à disposição da fiscalização no seu estabelecimento e que suportará consideráveis prejuízos por ter considerado o recebimento do direito creditório na definição do preço de exportação das mercadorias que foram exportadas; 12) Considerando as flagrantes demonstrações da existência das operações, a motivação do indeferimento não tem previsão legal; 13) Sendo a Recorrente uma das maiores empresas do setor do agronegócio brasileiro, como poderia a fiscalização entender que não teria nenhum crédito da contribuição para o PIS no período do 3° Trimestre de 2007?; 14) Pelo entendimento dos AFRFs a Recorrente não teria nenhum direito e como isto pode ser admitido como válido considerando a impossibilidade da Recorrente exercer sua atividade sem adquirir insumos e serviços que garantem direito ao crédito?; 15) Tais fatos demonstram a falta de razoabilidade do posicionamento dos AFRFs porque simplesmente negaram tais fatos de forma integral, algo que contraria a razoabilidade das coisas e até todos os documentos que foram apresentados pela Impugnante; 16) Considerando isto, jamais poderia ter sido indeferido o Pedido de Ressarcimento, porque a fiscalização deveria ter continuado com as diligências no estabelecimento da Recorrente; 17) O Despacho Decisório merece ser cancelado por ter sido lavrado com base em um levantamento fiscal precário, por ter entre outros motivos, desconsiderado todos os documentos da Recorrente; 18) Como poderia ter o seu pedido de ressarcimento totalmente desconsiderado pelos AFRFs sem uma justificativa plausível e demonstração da totalidade dos créditos não serem legítimos?; 19) Basta a análise do Despacho Decisório e do Parecer SAORT para se apurar que os AFRF contestaram pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não tendo contestado os demais, demonstrando a insubsistência de suas alegações e falta da demonstração dos fundamentos de seu posicionamento; 20) Isto prejudica a ampla defesa da Recorrente, ofendendo o artigo 5°, inciso LV da Constituição Federal de 1988, por implicar, da forma em que foi lavrado, cerceamento do direito de defesa, existindo mansa e pacífica jurisprudência de ocasionar tal vício a nulidade da autuação; 21) Com fundamento no Princípio da Verdade Material, a Recorrente apresenta alguns documentos que comprovam o seu direito creditório e Fl. 322DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 323 6 regularidade de suas operações, bem como requer diligência e perícia para que seja apurado a existência do seu direito creditório; 22) Nesta Manifestação a empresa está juntando alguns documentos comprobatórios do direito creditório porque, vários outros, por serem em grande quantidade, estão à disposição no seu estabelecimento; 23) Deve ser considerado por este juízo que a Impugnante possui direito ao Crédito da contribuição para o PIS por adquirir insumos tributados no mercado interno, como pode apurado na Planilha de Apuração anexa cujo resultado remonta R$ 3.395.891,60 (três milhões trezentos e noventa e cinco mil, oitocentos e noventa e um reais e sessenta centavos) (doc. 03) (fls. 200); 24) Também estão sendo anexadas três Notas Fiscais exemplificativas de aquisição de insumos no 4° Trimestre de 2007 para demonstrar que a Recorrente efetivamente adquiriu mercadorias como algo desconsiderado pela fiscalização (doc. 06), (fls.226/228); 25) A Recorrente também tem o direito ao ressarcimento com a incidência da SELIC, da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento e/ou compensação, por ser um índice de atualização monetária; 26) O r. Despacho Decisório também deve ser reformado porque não homologou as compensações que já haviam sido homologadas tacitamente nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 31 de dezembro de 1996; Na parte III da Manifestação de Inconformidade (fls. 179), o contribuinte solicita a realização de perícias e diligências para ser constatada, por este juízo, a existência do direito creditório pleiteado administrativamente. Formula quesitos e nomeia o perito. Na parte IV (fls.180), a Recorrente pede que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para ser cancelado o r. Despacho Decisório para que esta DD. DRJ reconheça o direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento formulado pela Recorrente e a homologação das compensações correspondentes ao crédito reconhecido. Solicita que na hipótese desta DD.DRJ entender não ser possível reconhecer o direito creditório conforme pleiteado acima, que ao menos cancele o r. Despacho Decisório diante dos vícios demonstrados nesta Manifestação de Inconformidade para: 1) reconhecer a competência da DERAT/SP para atuar nestes autos determinando a realização de uma nova fiscalização, a ser realizada no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de São Paulo, Capital, com a posterior emissão pelo Delegado da DERAT/SP de um novo Despacho Decisório analisando e deferindo o Pedido de Ressarcimento do Crédito da contribuição para o PIS pleiteado pela Recorrente e homologando as compensações realizadas com o direito creditório correspondente, ou 2) sucessivamente, caso entenda ser competente para apreciar o Pedido de Ressarcimento a autoridade que emitiu o Despacho Decisório, que ao Fl. 323DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 324 7 menos cancele esta decisão e determine a realização de novas verificações fiscais a serem realizadas no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de São Paulo, Capital, com a posterior emissão de um novo Despacho Decisório analisando e deferindo o Pedido de Ressarcimento do Crédito da contribuição para o PIS pleiteado pela Recorrente e homologando as compensações realizadas com o direito creditório correspondente. Requer, ainda, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário de todos os débitos vinculados às compensações relacionadas a estes autos até a decisão final quanto ao pedido de ressarcimento. Requer, o reconhecimento da homologação das compensações declaradas a RFB no período igual ou superior a 5 (cinco) anos contados anteriormente a data da ciência do Despacho Decisório pela Recorrente no dia 29 de maio de 2012, por ter ocorrido, em relação a tais casos, a homologação tácita e extinção definitiva do crédito tributário dos débitos compensados, nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 31 dezembro de 1996, e artigo 29, §2° da IN SRF n° 600/2005. Requer, outrossim, a realização da perícia e diligência na forma pleiteada no tópico III, no qual estão satisfeitos os pressupostos exigidos pelo artigo 16, inciso IV c/c §1° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Reitera, ainda, estarem os documentos comprobatórios do direito creditório à disposição da fiscalização na sua sede e somente não está anexando os mesmos por serem em grande quantidade gerando o pedido de diligência e perícia. A 16ª Turma da DRJ/RJ1, no acórdão nº 12060.101, por unanimidade de votos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS NÃOCUMULATIVO. MATÉRIA JÁ APRECIADA. Não cabe apreciação de matéria já analisada em processo anterior relativo ao mesmo período e mesmo tributo. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa a falta de intimação ao contribuinte para se manifestar no curso da ação fiscal, estando garantido seu direito de defesa com a ciência do lançamento, por meio da impugnação. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. Autoridades outorgadas em Mandado de Procedimento Fiscal Regional, prolatado pelo Superintendente, são Fl. 324DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 325 8 competentes para fiscalizar contribuintes de jurisdição diversa. DECISÃO. NULIDADE. Não é nula a Decisão proferida por autoridade competente e devidamente fundamentada. SELIC. Incabível aplicação da Taxa Selic em processos de Ressarcimento por não se tratar de pagamento indevido. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia, especialmente para verificar questão de mérito já apreciada em outro processo administrativo. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Ocorre a homologação tácita das compensações requeridas no lapso de 5 (cinco) anos a partir da solicitação. No seu recurso voluntário, a empresa repisou os exatos argumentos da anterior impugnação, acrescentando os tópicos: “o indeferimento do pedido de perícia e diligência e nulidade pela falta de apreciação de relevante questão”. Alega que o acórdão recorrido é nulo, porque deixou de apreciar as razões defendidas no item II.1.4 e II.1.7 da manifestação de inconformidade relacionadas à incorreta e ausente motivação necessária para a validade do despacho decisório, e, houve ofensa ao princípio da verdade material, tendo em vista que a fiscalização não realizou todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o crédito do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminares Fl. 325DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 326 9 Quanto à alegação de nulidade do acórdão da DRJ, porque deixou de apreciar as razões defendidas no item II.1.4 e II.1.7, verifico que não houve omissão na decisão de piso, quanto a esses pontos: Sobre a incorreta e ausente motivação necessária para a validade do despacho decisório, observase do voto condutor: A recorrente se insurge também contra a motivação do indeferimento apresentada no Despacho Decisório, que segundo ela, não possui previsão legal, entendendo que só é possível ocorrer o indeferimento se o contribuinte não possuir efetivamente direito ao Ressarcimento, e que pelo fato de as operações estarem flagrantemente demonstradas, bem como a Recorrente ser uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, não é possível entender como a fiscalização concluiu pela inexistência de créditos para o PIS do quarto trimestre de 2007, como se a empresa não adquirisse insumos para a sua produção. A fiscalização não concluiu pela inexistência de créditos a serem descontados. O que ocorreu foi uma nova apuração. Como consta do próprio Despacho Decisório às fls. 155, a fiscalização opinou pelo reconhecimento de R$ 2.192.418,04 (dois milhões, cento e noventa e dois mil, quatrocentos e dezoito reais e quatro centavos), antes do desconto do PIS devido no período, que monta R$ 3.357.765,14 (três milhões, trezentos e cinquenta e sete mil, setecentos e sessenta e cinco reais e quatorze centavos). O que se concluiu obviamente é que os créditos foram todos utilizados, não havendo existência de créditos passíveis de Ressarcimento. (...) Por sua vez, sobre a ofensa ao princípio da verdade material, “tendo em vista que a fiscalização não realizou todos os atos necessários para apuração do crédito”, consta do voto condutor: No curso da ação fiscal, em relação ao 4º trimestre de 2007, o contribuinte foi intimado em 25/10/2011, por via postal, a apresentar elementos e informações. Não sendo atendida, a fiscalização compareceu ao estabelecimento do contribuinte em 09/11/2011, reiterando o que já havia sido solicitado. No lugar da memória de cálculo dos créditos o contribuinte apresentou planilhas que não demonstravam os insumos considerados nem a forma de apuração dos valores apresentados nos DACON, levando a fiscalização a concluir pela imprestabilidade do material apresentado. Em 06/12/2011 a fiscalização mais uma vez esteve nas dependências do contribuinte em São Paulo, quando foi exigida explicação imediata de algumas informações, entretanto, as respostas continuaram sendo insuficientes. Assim, nesta mesma data foi lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização (fls.253). Fl. 326DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 327 10 (...) No que concerne à alegação de que seria impossível exercer suas atividades sem adquirir insumos, cumpre esclarecer que o indeferimento do pleito não foi devido ao fato de que a empresa não adquirir insumos no período, mas sim porque as aquisições não foram comprovadas na forma e no valor considerados pela contribuinte no DACON, ou seja, pode haver aquisições que não gerem créditos, como as havidas de pessoas físicas, ou que gerem crédito parcial, ou ainda que para gerar crédito dependam da forma de utilização do bem ou serviço, e ainda outras situações específicas que somente podem ser esclarecidas se as operações forem detalhadas e, para isso, é preciso que a postulante forneça todos os elementos e esclarecimentos à fiscalização. Portanto, o fato de os créditos não terem sido atestados pela fiscalização. E o lançamento do crédito tributário efetuado, não implica a conclusão de que as operações não aconteceram, mas sim que a requerente não logrou comprovar que as operações ocorreram da forma por ela declarada no DACON e se deram origem a créditos da contribuição na forma por ela considerada. Por se tratar de um pleito de natureza exoneratória e, portanto, onerosa para a Fazenda Pública, a unidade da RFB que o analisa tem por dever de ofício verificar os livros e documentos contábeis e fiscais da contribuinte para confirmação da existência do crédito e do seu valor. Pela falta de apresentação dos cálculos dos créditos descontados e outras informações, a Fiscalização poderia simplesmente ter glosado a totalidade dos créditos, entretanto, procedeu a uma nova apuração, mantida em julgamento de primeira instância. Somese a isso ao fato de nem na Impugnação do Auto de Infração, nem nesta Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos Autos qualquer documentação capaz de comprovar que teria créditos no montante que alega. Assim, o acórdão recorrido afastou todas as razões alegadas, resultando no indeferimento integral da manifestação de inconformidade. Prosseguindo, as demais preliminares arguidas foram: ofensa ao MPF; MPF deveria ter sido emitido pelo Superintendente e inexistência de ato administrativo transferindo a competência para Araçatuba realizar a fiscalização; nulidade do despacho decisório – incompetência da DRF/Araçatuba e do Chefe da SAORT; falta de intimação da Recorrente para se manifestar sobre o fim da instrução; apresentação de documentos; deveres e direitos previstos na Lei n° 9.784/99; falta de legislação garantindo o indeferimento – DIFIS/SP atestou a existência do direito creditório; incorreta e inexistente motivação; levantamento fiscal precário; cerceamento do direito de defesa e princípio da verdade material. Entendo que não houve inovação nos argumentos da empresa, arguidos na impugnação, então adoto a fundamentação da decisão de piso, nos termos do art. 57, § 3º, do Fl. 327DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 328 11 RICARF, com redação da Portaria n° 329/2017, e do art. 50, §1° da Lei n° 9.784/99, por considerar que não há nulidade no procedimento fiscal, tampouco no despacho decisório: (...) liquidez e certeza do crédito, no valor de R$ 1.578.541,80 (Hum milhão, quinhentos e setenta e oito mil, quinhentos e quarenta e um reais e oitenta centavos) foram verificadas pela fiscalização de Araçatuba, através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.002011022590 (fls.232), emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, em consonância com o art. 6º, § 4º da Portaria RFB nº 11.371/2007. Assim não há como compreender o questionamento do recorrente acerca da validade do procedimento de fiscalização, exatamente por argumentar que o MPFF deveria ter sido emitido pela Superintendência da Região Fiscal, tendo em vista o domicílio tributário ser na cidade de São Paulo. Na mesma linha não prosperam os argumentos de Nulidade do procedimento, bem como do Despacho Decisório, pelo fato de algumas Intimações no curso da fiscalização terem sido efetuadas por somente um dos fiscais responsáveis ou pelo fato de a lavratura do Auto não ter sido feita nas dependências do contribuinte, pelo simples fato de não haver previsão legal para tanto e por estes fatos não trazerem qualquer prejuízo ou cerceamento de defesa para o contribuinte. Prosseguindo na tentativa de anular o Despacho Decisório, o contribuinte insurgese contra a incompetência do Chefe da Saort – Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba para proferir o Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento. Caberia razão ao contribuinte se o Despacho Decisório, ora guerreado, não tivesse sido prolatado pela DERAT/SP Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária, com base no trabalho fiscal realizado na Delegacia de Araçatuba, conforme pode ser verificado às fls. 140 do processo. Além disso entende o contribuinte que o Despacho Decisório deve ser cancelado por não ter sido intimado acerca do fim da fase instrutória para assim se manifestar acerca das conclusões dos trabalhos da fiscalização. Cita o art. nº 44 da Lei nº 9.784/99. A Lei citada estabelece normas básicas sobre o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Tratase de Norma Geral. Ocorre que o Processo Administrativo Fiscal é regido pelo Decreto nº 70.235/72. Norma Específica. A fase litigiosa do procedimento fiscal é instaurada com a Impugnação, conforme consta do art. 14 do referido Decreto. Esse é o momento da manifestação do contribuinte. Antes disso, ao longo do procedimento fiscal, o contribuinte é intimado a apresentar documentação fiscal e contábil, informações suplementares, planilhas de cálculo, entre outras informações. A critério da fiscalização o contribuinte pode também ser intimado a se manifestar sobre o resultado de alguma conclusão prévia, que possa ainda suscitar alguma dúvida, com o objetivo de encerrar o procedimento da forma mais segura possível, mas não há qualquer obrigatoriedade do contribuinte ser intimado a se manifestar após a fase instrutória e antes da conclusão do procedimento. No Processo Fiscal ao contribuinte é assegurado a ciência do Auto de Infração, que abre o prazo para Impugnação, não tendo ele sofrido qualquer cerceamento de defesa como tenta demonstrar, até porque ao longo da fiscalização foi por diversas vezes intimado a prestar informações e esclarecimentos. Analisandose o Processo nº 15868.720137/201112 referente ao Auto de Infração lavrado em decorrência do trabalho de verificação das Bases de Cálculo Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 329 12 do PIS no ano de 2007, com o objetivo de apurar a veracidade dos valores apresentados em Pedidos de Ressarcimento de créditos referentes aos 4º trimestre, podemos concluir que a fiscalização foi bastante diligente na busca da verdade material. No Termo de Verificação Fiscal às fls. 127/144 resta claro que o contribuinte não forneceu a memória de cálculo da apuração dos créditos descontados, fornecendo à fiscalização planilhas que eram meras cópias dos DACON. O contribuinte foi intimado por diversas vezes a apresentar a documentação referente aos créditos, não tendo atendido a nenhuma delas. Assim a fiscalização compareceu ao estabelecimento da empresa em São Paulo em pelo menos duas ocasiões com o objetivo de obter a documentação necessária, conforme veremos a seguir. Não obtendo a documentação, que o contribuinte teria obrigação de manter, já que se utilizou do benefício de descontar os créditos na apuração da PIS devida mensalmente, a fiscalização a partir da escrituração contábil da empresa elaborou o cálculo dos créditos em trabalho minucioso, detalhando a metodologia utilizada (fls.127/144). Foi então elaborada planilha com a apuração da PIS, bem como os novos DACON (fls.85/123). O resultado foi enviado para o contribuinte através de Intimação de 04/10/2011, para que no prazo de 10 (dez) dias apresentasse esclarecimentos e informações, o que não ocorreu. Assim, não cabe, em nenhuma hipótese, a argumentação de nulidade pela falta de intimação para que se manifestasse sobre o fim da fase instrutória, pelo fato de não haver previsão de nulidade previsto no Decreto nº 70.235/72 para este caso, além de ter sido intimado do resultado do trabalho da fiscalização (documentos do processo nº 15868.720137/201112). Quanto a negativa de que não embaraçou os trabalhos da fiscalização, da leitura do Termo de Verificação já citado e anexado aos autos deste processo às fls. 253, fica patente a falta de interesse e morosidade da empresa em responder as intimações efetuadas. Reclamam também por nulidade pela falta de intimação para apresentação de documentos e falta de abertura de prazos para entregálos. Data Vênia, esses argumentos de nulidade do Despacho Decisório bem como do Procedimento Fiscal soam como procrastinatórios, tendo em vista serem de uma fragilidade incompreensível, já que pela simples leitura do processo do Auto de Infração caem por terra os argumentos tão imponentemente defendidos, como pôde ser observado até agora. No curso da ação fiscal, em relação ao 4º trimestre de 2007, o contribuinte foi intimado em 25/10/2011, por via postal, a apresentar elementos e informações. Não sendo atendida, a fiscalização compareceu ao estabelecimento do contribuinte em 09/11/2011, reiterando o que já havia sido solicitado. No lugar da memória de cálculo dos créditos o contribuinte apresentou planilhas que não demonstravam os insumos considerados nem a forma de apuração dos valores apresentados nos DACON, levando a fiscalização a concluir pela imprestabilidade do material apresentado. Em 06/12/2011 a fiscalização mais uma vez esteve nas dependências do contribuinte em São Paulo, quando foi exigida explicação imediata de algumas informações, entretanto, as respostas continuaram sendo insuficientes. Assim, nesta mesma data foi lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização (fls.253). A Fiscalização, como já foi dito, realizou um minucioso trabalho de apuração, tanto dos créditos descontados como do próprio PIS apurado mensalmente, para os 4º trimestre do ano de 2007. Foram geradas neste trabalho 28 planilhas que constam do processo 15868.720137/201112, portanto, não cabe também o Fl. 329DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 330 13 argumento de que a fiscalização agiu sem razoabilidade, contrariando diversos dispositivos legais. A recorrente se insurge também contra a motivação do indeferimento apresentada no Despacho Decisório, que segundo ela, não possui previsão legal, entendendo que só é possível ocorrer o indeferimento se o contribuinte não possuir efetivamente direito ao Ressarcimento, e que pelo fato de as operações estarem flagrantemente demonstradas, bem como a Recorrente ser uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, não é possível entender como a fiscalização concluiu pela inexistência de créditos para o PIS do quarto trimestre de 2007, como se a empresa não adquirisse insumos para a sua produção. A fiscalização não concluiu pela inexistência de créditos a serem descontados. O que ocorreu foi uma nova apuração. Como consta do próprio Despacho Decisório às fls. 155, a fiscalização opinou pelo reconhecimento de R$ 2.192.418,04 (dois milhões, cento e noventa e dois mil, quatrocentos e dezoito reais e quatro centavos), antes do desconto do PIS devido no período, que monta R$ 3.357.765,14 (três milhões, trezentos e cinquenta e sete mil, setecentos e sessenta e cinco reais e quatorze centavos). O que se concluiu obviamente é que os créditos foram todos utilizados, não havendo existência de créditos passíveis de Ressarcimento. A discussão sobre a apuração feita pela fiscalização fica restrita ao procedimento fiscal consubstanciado no processo nº 15868.720137/201112. O Auto foi impugnado, sendo integramente mantido, conforme Acórdão nº 1441.143 da DRJ/POR (fls. 238). Logo, a argumentação de que o procedimento fiscal foi efetuado de forma precária, sem que o contribuinte tivesse tido a oportunidade de apresentar documentação fiscal e outros documentos, além de explicitar que a fiscalização desconsiderou os documentos apresentados pela Recorrente, além de ter cerceado seu direito de defesa, não tem a menor lógica, tendo em vista que apuração dos créditos foi feita a partir exatamente da escrituração contábil da empresa. Carecem assim de fundamentos as alegações de que os fiscais não foram razoáveis, que se furtaram a analisar os documentos e que contestaram apenas pequenos elementos componentes do crédito, mas não os demais, e ainda que deveriam continuar com as diligências, pois diante da negativa da postulante em apresentar os documentos solicitados não há o que se analisar. No que concerne à alegação de que seria impossível exercer suas atividades sem adquirir insumos, cumpre esclarecer que o indeferimento do pleito não foi devido ao fato de que a empresa não adquirir insumos no período, mas sim porque as aquisições não foram comprovadas na forma e no valor considerados pela contribuinte no DACON, ou seja, pode haver aquisições que não gerem créditos, como as havidas de pessoas físicas, ou que gerem crédito parcial, ou ainda que para gerar crédito dependam da forma de utilização do bem ou serviço, e ainda outras situações específicas que somente podem ser esclarecidas se as operações forem detalhadas e, para isso, é preciso que a postulante forneça todos os elementos e esclarecimentos à fiscalização. Liquidez e certeza dos créditos objeto do presente processo e direito ao ressarcimento A Fiscalização refez a apuração do PIS, segregando as hipóteses de creditamento. Cumpria ao contribuinte apresentar as provas do direito aos créditos pleiteados, o que não aconteceu. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 331 14 O ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Houve comprovação nos autos de que a empresa foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios de seu direito creditório. Todavia, sem o atendimento à fiscalização, não há como comprovar a existência de parte dos créditos da nãocumulatividade, porque não foram colocados à disposição do fisco. No caso, devese ainda acrescentar que se trata de pedido de iniciativa do próprio contribuinte, para o qual, necessariamente, deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Logo, o momento oportuno para apresentação de provas aconteceu quando das intimações pela fiscalização, na manifestação de inconformidade ou até mesmo em sede de recurso voluntário. Isso porque as declarações, informações, documentos e registros contábeis elaborados pelos contribuintes somente fazem prova a seu favor perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, se calcados em documentos fiscais hábeis e idôneos. Em suma: · A alegação vaga de que os documentos comprobatórios dos créditos glosados estão à disposição da fiscalização não ilide a falta de cumprimento do ônus probatório da Recorrente; · O crédito de insumos para ser utilizado, ressarcido ou compensado, depende de comprovação de sua certeza e liquidez. A Recorrente pretende demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos com argumentação genérica; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 332 15 · Na falta de comprovação parcial dos créditos, o pedido de ressarcimento/compensação deve sim ser indeferido e, · Não houve cerceamento de defesa, mas descumprimento do ônus probatório do direito ao crédito da recorrente. Por fim, ressaltese que quanto a esta matéria, já houve a análise no processo n° 15868.720137/201112, cujo objeto é o auto de infração decorrente das glosas. Direito ao ressarcimento com Selic A Recorrente pleiteia o direito ao ressarcimento com a incidência da SELIC, da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento e/ou compensação, por ser um índice de atualização monetária. Não há razão no argumento, pois cabe SELIC apenas nos casos de Ressarcimento, com fundamentos no art. 72, §5º, I da Instrução Normativa nº 900. Homologação tácita das compensações Requer a reforma do despacho decisório, por entender ter havido homologação tácita das compensações, com fundamento no art. 74, §5° da Lei n° 9.430/1996; O PER nº 00439.86025.110108.1.1.089002 foi transmitido em 11/01/2008, por sua vez as DCOMP, a ele vinculadas, foram transmitidas entre 31/01/2008 a 31/07/2008. Considerando que a ciência do Despacho Decisório se deu em 27/06/2012, não houve homologação tácita. Pedido de perícia/diligência A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo requerente. Por sua vez, as diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12585.000470/201017 Acórdão n.º 3301004.796 S3C3T1 Fl. 333 16 Como já mencionado anteriormente, a prova da certeza e liquidez dos créditos não foi feita pela interessada. Logo, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer pedido de diligência e perícia. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 333DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003021/2004-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF.
Nos termos da Sumula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário das contribuições sociais, quando se verifica ter se escoado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN.
LANÇAMENTO. JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA.
O lançamento pode ser efetuado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, nos termos do art. 9°., parágrafo 2°., do Decreto no. 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º, da Lei no. 8.748/93.;
ARBITRAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
Não há a presença da contradição pretendida quando da concomitância entre arbitramento e multa qualificada.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS DE GERÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a pratica de atos de gestão do responsável arrolado que não possuía a condição de sócio-gerente da sociedade, a responsabilidade tributária (art. 135, III do CTN|) deve ser afastada.
Numero da decisão: 1302-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência da CSLL dos três primeiros trimestres de 1998 e do PIS e da Cofins até novembro/1998, votando pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca e, no mérito, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca que dava provimento quanto à multa qualificada; e, ainda. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Marcos Rubens Soares dos Santos. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Recorrentes BRUFRUIT COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. Nos termos da Sumula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário das contribuições sociais, quando se verifica ter se escoado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN. LANÇAMENTO. JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA. O lançamento pode ser efetuado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, nos termos do art. 9°., parágrafo 2°., do Decreto no. 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º, da Lei no. 8.748/93.; ARBITRAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não há a presença da contradição pretendida quando da concomitância entre arbitramento e multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS DE GERÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovada a pratica de atos de gestão do responsável arrolado que não possuía a condição de sóciogerente da sociedade, a responsabilidade tributária (art. 135, III do CTN|) deve ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência da CSLL dos três primeiros trimestres de 1998 e do PIS e da Cofins até novembro/1998, votando pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca e, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 21 /2 00 4- 47 Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 3 2 no mérito, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca que dava provimento quanto à multa qualificada; e, ainda. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Marcos Rubens Soares dos Santos. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0320.586, de 27 de abril de 2007, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente os lançamentos, registrandose a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de ofício, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. Às contribuições, aplicase o art. 45 da Lei no. 8.212/91. Decadência apenas no lançamento de IRPJ em relação aos fatos geradores 31/03, 30/06 e 30/09. LANÇAMENTO. JURISDIÇÃO X COMPETÊNCIA. O lançamento pode ser efetuado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, nos termos do art. 9°., parágrafo 2°., do Decreto no. 70.235/72, com redação dada pelo art. 1o, da Lei no. 8.748/93. • ARBITRAMENTO X QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não há a presença da contradição pretendida quando da concomitância entre arbitramento e multa qualificada. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Amplamente demonstrado e comprovado que as três pessoas físicas responsabilizadas eram sócias de direito ou de fato à época do fato gerador. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEGALIDADE E Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 4 3 CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. CSLL. COFINS. PIS. Seguem a sorte da matéria do IRPJ. Lançamento Procedente em Parte Houve Recurso de Ofício, em função da exoneração de crédito tributário acima do limite legal que, à época era de R$500.000,00 (Portaria nr. 3275/2001, art. 2º). A recorrente foi autuada, em virtude de não recolhimento de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e Cofins, conforme autos de infração à fl. 776/808, referentes ao anocalendário 1998, no valor total de R$ 6.584.791,01 (sendo os juros de mora calculados até 30/11/2004) IRPJ R$2.569.842,84; Cofins, CSLL e PIS: R$724.052,07; R$2.227.853,22; R$1.063.042,88. A partir da verificação de movimentação financeira incompatível com a receita declarada, concluiuse que teria havido omissão de receitas relativas a depósitos bancários não contabilizados. Assim, arbitrouse o lucro, nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/96, em função da falta de comprovação da origem de depósitos bancários. Para essa apuração, expurgaramse os recursos creditados a título de empréstimos bancários, devolução de cheques, estornos diversos, resgates de aplicações financeiras e transferências intercontas. A multa foi qualificada, em função da simulação de participação societária; da omissão de declarações; da não apresentação da documentação contábil e fiscal, e da prestação de informações discrepantes dos documentos apresentados; e omissão de prestação de informações às autoridades fazendárias. Nessa situação, concluiuse que houve o intuito de elidir a responsabilidade dos reais proprietários da empresa, quanto ao não recolhimento dos tributos e contribuições devidos, bem como do crédito tributário ora lançado. Tais fatos ensejaram o enquadramento na situação de sonegação fiscal. Concluiuse que, são responsáveis tributários (art. 135, inc. III, CTN), os sócios Pedro Fernandes Neto, Valdeci Silva Teles e Marcos Rubens Soares dos Santos que, em vista de diversas situações descritas no Termo de Constatação de Responsabilidade Tributária (fl. 1338), são sóciosgerentes de fato e de direito da recorrente. Na primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf (fl. 1512, vol. VIII), decidiuse por anular os atos processuais, desde a intimação, por edital, da recorrente, determinandose a intimação por via postal no endereço declinado pela contribuinte. À época, a intimação teria sido realizada por edital, face à situação "inapta" da empresa. O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1302 000.110, de 18 de outubro de 2011, dessa Segunda Turma Ordinária (fls. 01/05), para que fossem intimados os responsáveis tributários, Pedro Fernandes Neto (fl. 1565, intimado em 19/03/2012) e Valdeci Silva Teles (fl. 1567, intimação sem êxito; e fl. 1.570, intimação por Edital: fixado em 02/07/2012 e retirado em 24/08/2012). Não obstante a oportunidade respeitada, tais responsáveis tributários não se manifestaram. Não houve a intimação do responsável solidário, Marcos Rubens Soares dos Santos para cientificarse do acórdão recorrido, oportunizandolhe a interposição de Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 5 4 recurso voluntário. Esse ato, no caso, era obrigatório, pois esse devedor impugnou a decisão da DRJ. Para regularizar essa questão, evitandose eventual alegação de nulidade, essa Turma converteu novamente o julgamento em diligência para que fosse designado o retorno dos autos à DRF de origem visando intimar do Acórdão da DRJ, o responsável tributário: Marcos Rubens Soares dos Santos. Em cumprimento, a DRF intimou o último responsável tributário, em 16/10/2017 que interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 16/11/2017. Assim, há para exame, somente os recursos voluntários interpostos pela contribuinte e pelo responsável tributário Marcos Rubens Soares dos Santos. Acórdão Recorrido O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de decadência, com base no art. 149, inc. V c.c. art. 173, inc. I do CTN. Concluiuse que os fatos geradores verificados até novembro de 1998, precluíram somente em 31/12/2009. Acolheuse a alegação de decadência somente em relação aos lançamentos de IRPJ relativos aos fatos geradores 31/03, 30/06 e 30/09. Também foi rejeitada a alegação de nulidade do auto de infração, pelo fato de ter sido lavrado em São Paulo (DEFIC SP). A recorrente insurgiu ressaltando que haveria a obrigatoriedade de ser autuada em seu domicílio, DRF Vitória ES. Da mesma forma, não foram acolhidas as alegações genéricas de que o auto de infração seria nulo, em razão de falta de tipificação legal, pois o auditor fiscal fundamentou detalhadamente os lançamentos. No mérito, aplicouse multa qualificada, em decorrência de sonegação fiscal (art. 71, CTN), simulação de participação societária, cumulativamente com a omissão de declarações e de apresentação de informações e documentos. Concluiuse que, não haveria contradição entre a aplicação de multa qualificada e o arbitramento do lucro. Pois, o arbitramento decorreu da falta de apresentação de livros comerciais e fiscais e a qualificação da multa, do caráter doloso dos atos e omissões do contribuinte e seus sócios, demonstrados nos autos, que resultou na falta de recolhimento de tributo. A DRJ registrou que a recorrente não se opôs à conclusão pela responsabilidade tributária (art. 135, inc. III, CTN). Cingiuse a defender que os sócios Marcos e Valdeci não poderiam ser responsabilizados, pelo fato de não serem sóciosgerentes. Não houve contestação, em relação ao sóciogerente Pedro Fernandes. Concluise que seriam responsáveis tributários, os sócios Pedro e Marcos. Valdeci seria apenas uma interposta pessoa ("laranja"). Concluiuse como receitas omitidas, os depósitos em contas bancárias de origem não comprovada, com base nas disposições do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Afastouse a alegação de que não teria sido demonstrada a certeza e a liquidez dos valores considerados como receita, mediante detalhada apuração, excluindose valores indevidos. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 6 5 A contestação sobre a aplicação da Taxa Selic foi afastada, com base nas disposições do art. 61 da Lei nº 9.430/96 e na vinculação auditor fiscal à norma legal. Mantevese a exigibilidade das contribuições (CSLL, PIS e COFINS). Diante da exclusão de valores, a DRJ refez os cálculos dos tributos devidos. Em conclusão a DRJ julgou parcialmente procedentes os lançamentos, conforme a seguir indicado, mantendose a qualificação da multa de ofício e a cobrança de juros de mora (Selic), incidentes sobre as parcelas remanescentes dos tributos: IRPJ reduzir o imposto (principal) de R$ 701.165,19 para R$ 145.977,66; CSLL reduzir a CSLL (principal) de RS 290.066,08 para R$ 265.076,88; PIS reduzir o PIS (principal) de RS 196.398,86 para RS 179.479,10; Cofins reduzir a Cofins (principal) de R$ 604.304,31 para RS 552.243,48. Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário apresentaramse as razões tratadas no voto a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, somente a empresa contribuinte e o responsável tributário, Marcos Rubens Soares dos Santos, interpuseram Recurso Voluntário. Verificase que os recursos são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade. Conheço dos Recursos. O Acórdão recorrido reconheceu a decadência do IRPJ envolvendo os primeiros três trimestres de 1998 (31/03, 30/06 e 30/09). Manteve o quarto trimestre, com base no artigo 173, inc. I (fls. 1374). Não considerou a decadência quanto às contribuições sociais, tendo em vista que, só decairiam no prazo de 10 anos (fls. 1375). Manteve a multa qualificada e o lucro arbitrado, devido a não apresentação de livros comerciais e fiscais, e a constatação de práticas dolosas pelos sócios (fls. 1377). Manteve a responsabilidade tributária dos sócios e exsócios da recorrente, por concluir "que todas as alterações contratuais tiveram por objetivo único simular a participação societária do contribuinte, para fugir à responsabilização tributária por irregularidades que vinham sendo praticadas e resultavam em falta de recolhimento de tributos, sendo sóciosgerentes efetivos, de fato, por todo o período aqui tratado, os senhores Pedro e Marcos (fls. 1379 e 1380). Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 7 6 A DRJ afastou a possibilidade de se analisar a legalidade do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, com base no Parecer da PGFN/CRE/n° 948/98 (fls. 1381). Não acolheu as alegações da recorrente quanto à falta de liquidez (fls. 1382). Excluiu da base de cálculo a venda de ativo; créditos incorridos em 1997, por falta de provas; baixas de aplicações financeiras: dois valores haviam sido considerados pelo Auditor Fiscal segundo valor total e não pelo ganho (Bradesco e Unibanco fls. 1045; 1302/4 planilhas de fls. 38 e 74 e planilha de fls. 30); excluiu o valor de R$1.696,77 (fls. 1186); incluiu créditos por transferência bancárias no montante de R$5.324.088,89, segundo listagem, não tinham sido incluídos pelo Fisco, enquanto que os lançamentos bancários ( "CRD DOC ELET", "DEP 24 HS", "DOC COMPENS" no Banespa; "DEPÓSITO C/C BDN" e "DEPÓSITO EM CHEQUE", no Bradesco conta 658472; "DEP. TRANSF. ENTRE AG BDN" no Bradesco c/c 313181; e "DEPÓSITO CX EXPR", no Unibanco) não permitiam de imediato concluir que decorressem de transferências de numerários efetuados pelo contribuinte de outra conta de sua titularidade (fls. 1385); com relação (item 74 da decisão) feita uma análise do afirmado, fora elaborada uma planilha com as exclusões devidas (fls. 1386). O recálculo dos tributos pode ser resumido da seguinte forma: Tributo Exigido (R$) Reduzido (R$ ) IRPJ 145.977,66 CSLL 290.066,08 265.076,88 PIS 196.398,86 179.479,10 COFINS 604.304,31 552.243,48 Decadência das Contribuições Preliminarmente, a recorrente alega que o acórdão recorrido deve ser reformado para se declarar a decadência, também dos créditos de PIS e COFINS, cujo prazo seria de 5 anos, e não de 10 anos, em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: STF. Súmula Vinculante nº 8. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. A recorrente foi intimada da autuação, em 04/08/2004 (AR, fl. 13). A referida Súmula foi publicada no DJe de 20.6.2008, com efeito ex nunc, visando assegurar a segurança jurídica das relações obrigacionais tributárias de modo a vedar repetições de indébito de valores pagos, anteriormente a tal divulgação de inconstitucionalidade. A referida Súmula foi publicada no DJe de 20.6.2008, com efeito ex nunc, visando assegurar a segurança jurídica das relações obrigacionais tributárias de modo a vedar repetições de indébito de valores pagos, anteriormente a tal divulgação de inconstitucionalidade, conforme consta da decisão do STF, verbis: Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 8 7 “Decisão: O tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto da relatora. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008.” No entanto, no que se refere à constituição e exigência das contribuições nos processos em curso, aplicase a regra geral no sentido de que as decisões definitivas no controle concentrado têm efeito ex tunc. Ante ao exposto, cumpre acolher a preliminar de decadência da CSLL, relativamente aos três primeiros trimestres de 1998 e do PIS e COFINS, até novembro de 1998. Multa Qualificada A recorrente alega que o acórdão recorrido deve ser reformado para afastar a qualificação da multa. Sustenta que a falta de apresentação de documentos e declarações e o não pagamento de tributos, em 1998, ensejaria somente a multa de ofício de 75%. Não caberia a qualificação para 150%. Ressalta que os registros sobre a ocorrência de dolo, não estaria devidamente demonstrada nos autos; que dolo não poderia ser presumido. A DRJ reafirmou o entendimento da DRF no sentido de que a multa teria sido qualificada, em virtude da "ocorrência intencional de sonegação fiscal, em decorrência da simulação de participação societária”. Registrouse que, houve o intuito de sonegar, na forma prevista no art. 71 do CTN. Ao contrário do que sustenta a recorrente, verificase nos autos que a qualificação da multa decorreu de atitudes de caráter doloso, evidenciados pelos atos e omissões da contribuinte, por meio de seus sócios, devidamente registrados e detalhados no termo de constatação fiscal (fls. 1320 e 1321). A expressiva movimentação financeira não declarada e não contabilizada, movimentada pelos reais sócios gerentes da recorrente, aliado a falta de apresentação de declaração e recolhimento dos tributos, demonstra de forma inequívoca que houve intenção de sonegar. Dessa forma, mantémse a qualificação da multa. Responsabilidade Tributária dos Sócios A recorrente alega que somente os sóciosgerentes à época dos fatos geradores poderiam ser responsabilizados; que seria necessário a análise individualizada do envolvimento e circunstâncias relativas a cada um dos sócios, Pedro Fernandes Neto, Valdeci Silva Teles e Marcos Rubens Soares dos Santos, cujas alegações são expostas a seguir. Utilizandose de indagações e respostas relacionadas com a data dos fatos geradores e a participação de cada um dos sócios nos negócios da empresa, a recorrente defende que era somente o sócio, Pedro Fernandes Neto, que administrava a contribuinte, Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 9 8 com exceção dos últimos cinco dias do quarto trimestre de 1998, que estaria sob a direção de Caldei Silva Teles. Alega que o sócio, Marcos Rubens Soares dos Santos teria sido somente testemunha em alteração contratual. Em suas razões de recurso, o responsável tributário, Marcos Rubens Soares dos Santos sustentou que, “à época dos fatos tributados não era, como nunca fora sócio da empresa autuada, carecendo de provas a alegação de ser sócio de fato”. Sustenta que “a questão da responsabilidade foi focada na impugnação da empresa, quer quanto ao disposto no art. 134, quer com relação ao art. 135 do CTN, bastando o quanto fincado a fls. 16 e seguintes da impugnação”. O recorrente ainda registrou que, “passou a operar na empresa autuada, em 19/12/2001, fls. 23 dos autos, enquanto o lançamento tributário é de 10/12/2004 (fls. 779) e diz respeito ao ano de 1998 (fls. 781/782). À vista das razões dos recorrentes, destacamse os seguintes registros do Auto de Constatação Fiscal (fls. 1345 e 1346): Os sócios, de acordo com os arts. 134 e 135 da Lei n° 5.172/66 (CTN) são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto ou ainda no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Nestes casos a responsabilidade dos sócios é solidária, respondendo com os bens pessoais dos mesmos. Analisamos as alterações contratuais e os documentos enviados pelos bancos (ficha cadastral) além da DIRPF do Sr. Pedro Fernandes Neto, anocalendário 1999 e constatamos: O sr. Pedro Fernandes Neto foi sócio majoritário, com poderes de gerência desde sua constituição em 24/10/1986, até 26.12.1998. A alteração de contrato social, de 26/12/1998, com a transferência societária para o sr. Valdeci Silva Teles e Leonora Rodrigues Pereira, se deu com o testemunho do sr. Marcos Rubens Soares dos Santos. A transferência da empresa, para o sr. Valdeci Silva Teles, que não foi localizado, e Leonora Rodrigues Pereira, também não focalizada, constituiu um dos motivos pela qual a Brufruit foi considerada Inapta; Toda atividade da empresa e sua movimentação bancária, no anocalendário de 1998, se deu por intermédio do sr. Pedro Fernandes Neto; Na DIRPF do sr. Pedro Fernandes Neto, anocalendário 1999, consta empréstimo realizado pela Brufruit Com. Importação e Exportação Ltda.CNPJ 56.590.698/000105, na ficha dividas e ônus reais, no valor de R$ 230.000,00, caracterizando portanto, vinculo com a empresa. O pagamento se deu no ano seguinte, conforme DIRPF do anocalendário 2000. As diversas alterações de endereço da empresa, inclusive mudança de São Paulo para o Paraná e do Paraná para o Rio de Janeiro e depois para Vitória/ES, com inclusão de interposta pessoa (sr. Valdeci Silva Teles, que sucedeu ao sr. Pedro Fernandes Neto), voltando depois para o Rio de Janeiro/RJ, presumem a intenção de ocultar sua real localização. Na alteração contratual de 26/12/1998. em que há transferência da empresa para os srs. Valdeci Silva Teles e Leonora Rodrigues Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 10 9 Pereira, uma das testemunhas do contrato é o sr. Marcos Rubens Soares dos Santos. O mesmo ocorre nas alterações contratuais de 31/03/1999 e 19/07/1999. A transferência do capital social para duas "offshores" no Uruguai, em 2002, tem como seu representante legal (GerenteDelegado), sr. Marcos Rubens Soares dos Santos, CPF 004.808.67704. Este também atua como testemunha no contrato de alteração social de transferência da sociedade dos srs. Pedro e Marlene para os srs. Valdeci Silva Teles e Leonora Rodrigues Pereira. De acordo com os registros da SRF, não se encontram nos locais informados como também não tem capacidade financeira para gerir negócios Não consta entrega de DIRPF. (...) A simulação de participação societária, a omissão de declarações, a não apresentação da documentação contábil e fiscal, e a prestação de informações em descompasso com os documentos probantes e/ou recusa tácita, via omissão, de prestação de informações às autoridades fazendárias, levam a interpretação de que há o Intuito de elidir a responsabilidade dos reais proprietários da empresa, quanto ao não recolhimento dos tributos e contribuições devidos, bem como, em consequência, do crédito tributário ora lançado. Tais teses acima expostas encontram alicerce no artigo 1*, inciso I da Lei 4.729, de 14 de julho de 1965, combinado com o artigo 6o da mesma lei que define o crime de sonegação fiscal, a saber: Art. 1º Constitui crime do sonegação fiscal: I prestar declaração falsa ou omitir total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por let. Art 6º Quando se tratar de pessoa jurídica, a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta lei será de todos os que, direta ou indiretamente ligados à mesma, de modo permanente ou eventual, tenham praticado ou concorrido para a prática de sonegação fiscal. Sendo assim, toda a conduta acima configura, em tese, CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA, capitulado na Lei 8.137/90. artigos 1o, I e 2º, I. assim descritos: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I Omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias: Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa, ou omitir declaração de rendas, bens ou latos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo. Com base em tais fatos e fundamentos, a DRJ manteve como responsáveis tributários, os sócios Pedro Fernandes Neto e Marcos Rubens Soares dos Santos. Excluiu se a responsabilidade do sócio, Valdeci Silva Teles. Fundamentouse que, por presunção legal, esses seriam os gestores dos negócios comerciais e tributários da empresa à época dos Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 11 10 fatos. Sendo assim, deveriam assumir a condição de responsáveis tributários pelas infrações à lei cometidas pela recorrente. Não obstante os fundamentos da DRJ, verificase que, assiste razão ao recorrente, Marcos Rubens Soares dos Santos. Pois, não há nos autos demonstração estaria enquadrado nos ditames do art. 135, inc. III do CTN, como responsável tributário, eis que, só há registro de que assinou alterações de contratos sociais de empresa autuada, na qualidade de testemunha. Nesse contexto, cumpre afastar a responsabilidade tributária de Marcos Rubens Soares dos Santos e manter a responsabilidade tributária do sócio Pedro Fernandes Neto (art. 135, inc. III, CTN). Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada A recorrente alega que os depósitos bancários não poderiam ser considerados receitas para fins de arbitramento do lucro. Afirma que, a Fiscalização não teria observado registros nos extratos bancários que não poderiam ser incluídos como receita, tais como: a) cheques devolvidos; b) crédito por venda de ativo imobilizado no montante de R$ 50.000,00. Juntou como prova os documentos às fl. 1081/1083; c) créditos por transferências bancárias; d) créditos ocorridos correspondentes a valores incorridos tributados em 1997, mas apenas recebidos em 1998 apresentou um demonstrativo à fl. 950, indicando que possuía crédito a receber de clientes (R$ 1.289.996,54) e de outras contas (R$ 134.981,84), perfazendo um total de R$ 1.424.978,38. Como prova trouxe às fl. 951 uma cópia da DIPJ/98, Ficha 18 Ativo, onde no ativo circulante ao final de 1997 estavam registrados tais valores. O recebimento integral desses créditos teria ocorrido nas contas 40.3946 do Bradesco (RS 873.829,74) e 41584 do Banespa (R$ 302.977,49, em janeiro, R$ 134.916,36, em fevereiro, e R$ 113.196,43, em março). Como prova desses recebimentos, trouxe cópias dos extratos às fl. 961/975; baixas de aplicações em fundos de curto prazo, em um montante de R$ 278.973,46, considerados como sujeitos à tributação pelo seu valor total e não pelo ganho efetivamente ocorrido. Como prova trouxe aos autos os extratos às fl. 1045,1186 1302e 1304; A DRJ concluiu que a certeza e a liquidez da pretensão fiscal decorreriam da autorização contida no art. 42 da Lei no. 9.430/96, concomitante com a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários por parte do contribuinte. A existência ou não do prejuízo fiscal alegado, mas não comprovado pelo contribuinte, não tem qualquer influência na apuração da omissão de receitas com base na presunção legal. Isto porque o suposto prejuízo pode decorrer exatamente da omissão de receitas, que reduziu indevidamente a base de cálculo. Assim, a DRJ analisou as informações, fatos e documentos apresentados pela recorrente e concluiu, nos seguintes termos: Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 12 11 60. Em relação ao suposto crédito por venda de ativo imobilizado, inicialmente cabe registrar que efetivamente o mesmo foi considerado pela autoridade fiscal como receita omitida, conforme planilha à fl. 130. Resta, então, avaliar a procedência do argumento do contribuinte. 61. Com base nos documentos trazidos pelo contribuinte, percebese que o crédito não decorreu de venda de ativo imobilizado, mas de indenização paga por seguro em virtude de incêndio de veículo. Resta considerar que a origem do crédito foi comprovada, não podendo mais ser considerado como receita omitida com base na presunção legal do art. 42 da Lei no. 9.430/96, que serviu de base para o lançamento. 62. Não resta dúvida de que, vez que o contribuinte não apresentou declaração para o ano 1998, não sujeitando à tributação qualquer receita, tal indenização por seguro pela perda de bens do ativo seria tributável, abatida do custo do bem móvel, mas submetendose às normas de tributação especifica, e não ao disposto no art. 42, vez que, conforme dito, a origem do crédito foi comprovada. 63. Tal entendimento está amparado no disposto no parágrafo 2o, do art. 42 da Lei no. 9.430/96: 2º Os valores cuja origem houver lido comprovada, que não houverem lido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 64. Diante do exposto, resta considerar que tal crédito deverá ser excluído da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal. 65. Quanto aos créditos apontados como ocorridos em 1998, correspondendo, todavia, a valores incorridos tributados cm 1997 (créditos a receber clientes e outras contas), não resta dúvida que estes foram considerados pela autoridade fiscal como receitas omitidas, consoante planilhas às fl. 80/102 e 133. 66. Não há dúvida também que, em se confirmando a alegação com provas hábeis, caberia a exclusão dos créditos, seja porque estes não mais se subsumiriam na presunção legal de omissão de receita, haja vista o disposto no parágrafo segundo acima mencionado, seja porque sua tributação deveria ocorrer em 1997. 67. Entendo, porém, também ser incabível o pleito do contribuinte, em virtude da insuficiência de provas de que tais valores seriam recebimentos de créditos a receber já tributados no ano anterior (regime de competência). 68. Em que pese a rubrica dos extratos do Banespa fazer referencia à liquidação de cobrança, não é possível afiançar apenas com base nestes que os créditos decorreram de operações comerciais realizadas em 1997. O sujeito passivo não colacionou notas fiscais, faturas e outros documentos que permitissem fazer tais ilações com segurança. 69. Além disso, as rubricas do Bradesco tratam de operação com DOC, o que nem com o exercício de boa vontade permite deduzir que tais créditos em conta corrente se referiram à liquidação de créditos a receber do contribuinte. 70. No que se refere às baixas de aplicações em fundos de curto prazo, que teriam sido consideradas como sujeitas à tributação pelo seu valor total e não pelo ganho efetivamente ocorrido, esclareço que os montantes de R$ 45.528,10 (Bradesco fl. 1045), RS 137.707,33 (Unibanco fl. 1302) e R$ 58.785,32 (Unibanco Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 13 12 fl. 1304) foram devidamente excluídos pela autoridade fiscal, conforme indicado nas planilhas às fl. 38 e 74, integrando o a coluna "Total 2", considerados como valores não tributáveis na planilha à fl. 30. 71. Contudo, equivocadamente foi considerado como receita omitida o montante de RS 1.696,77 (Unibanco fl. 1186), conforme planilha à fl. 41, pois a rubrica do depósito é a mesma dos demais valores do Unibanco excluídos pela autoridade fiscal. Em vista disso, esta parcela deverá ser excluída da base de cálculo dos tributos. 72. Em seguimento, quanto aos créditos por transferências bancárias apontados pelo contribuinte, que totalizam o montante de RS 5.324.088,89, os abaixo listados não foram incluídos pelo AuditorFiscal, razão pela qual, para estes a alegação é infundada (o acórdão apresenta quadro analítico detalhado sobre o quanto apurado). 73. Ressaltese que as rubricas dos lançamentos bancários ("CRD DOC ELET", "DEP 24 HS", "DOC COMPENS", no Banespa; "DEPOSITO C/C BDN" e "DEPOSITO EM CHEQUE", no Bradesco conta 658472; "DEP. TRANSF. ENTRE AG BDN", no Bradesco c/c 313181; e "DEPOSITO CX EXPR" no Unibanco) não permitem de imediato concluir que decorreram de transferência de numerário efetuado pelo contribuinte de outra conta de sua titularidade. Um exemplo de tal afirmação é a rubrica 'Deposito C/C BDN" que no extrato à fl. 1048 representou um depósito em cheque que foi devolvido posteriormente. O contribuinte passaria cheque sem fundo para si próprio? Então, não resta dúvida de que, para expurgar os valores, a autoridade fiscal efetuou um batimento entre as diversas contas, a fim de verificar saídas em mesmo montante e data em outras contas. 74. Em relação aos demais valores que, segundo o contribuinte, referemse a transferências bancárias entre suas contas (com as rubricas já mencionadas), e que foram considerados nas bases de cálculo dos tributos lançados, efetuei uma análise dos extratos acostados pela autoridade fiscal aos autos, a fim de confirmar a veracidade da alegação. Uma vez que o contribuinte indicou de qual conta provinha cada valor creditado, a verificação foi feita apenas no extrato referente à conta informada (a DRJ também apresentou quadro analítico a respeito do quanto apurado). 75. Por fim, em relação aos cheques devolvidos, após uma análise dos documentos acostados, elaborei a planilha em anexo a este acórdão, indicando os valores que devem ser expurgados. 76. Cabe salientar que grande parte dos cheques devolvidos pode ter sido depositado cumulativamente. Contudo, o contribuinte não apontou tal situação quando ocorrida, razão pela qual a verificação realizada expurgou, em regra, apenas os valores devolvidos para os quais houve depósitos anteriores em mesmo valor. Em poucos casos, quando o depósito cumulativo de mais de um cheque era facilmente perceptível, o expurgo também foi efetuado. Frisese, ainda, que foram considerados apenas os depósitos ocorridos um ou dois dias antes. Diante da análise detalhada realizada pela DRJ e das exclusões realizadas com base em provas apresentadas pela recorrente, concluise que não há fundamento para a reforma da decisão recorrida. Por fim, a recorrente alega que não caberia a Taxa Selic sobre os débitos. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 19515.003021/200447 Acórdão n.º 1302003.003 S1C3T2 Fl. 14 13 Essa alegação foi afastada pela DRJ, com base no art. 61 da Lei nº 9.430/96, registrandose, ainda, a vinculação do julgador à norma legal. Por todo o exposto, voto no sentido por acolher preliminar de decadência na forma retro descrita e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da empresa autuada e dar provimento ao recurso voluntário de Marcos Rubens Soares dos Santos. Recurso de Ofício A DRJ interpôs Recurso de Ofício, face à exoneração de créditos tributários, conforme detalhado no acórdão recorrido. À época era de R$500.000,00 o valor a partir do qual era obrigatório o exame em duplo grau (Portaria nr. 3275/2001, art. 2º). Na forma verificada, o Recurso de Ofício também está em conformidade com o atual limite legal de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). Sendo assim, é de se conhecer do Recurso. Diante do detalhamento realizado pela DRJ e em conformidade com a conclusão acima, ratificandose os valores excluídos, por terem sido alcançados pela decadência (lançamentos referentes aos fatos geradores de 31/03, 30/06 e 30/09/1998), bem assim face à exclusão da responsabilidade tributária de Valdeci Silva Teles, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1611DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000349/2008-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.096
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 49 /2 00 8- 61 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.000, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 644DF CARF MF Processo nº 11686.000349/200861 Acórdão n.º 9303007.096 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 645DF CARF MF
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Numero do processo: 12266.723917/2014-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2012
AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA DE MERCADORIAS. TRIBUTOS. EXIGÊNCIA.
Cabível a exigência dos tributos e multas de ofício relativamente à saída irregular e sem os respectivos recolhimentos de tributos, da Amazônia Ocidental para o restante do território nacional, de mercadorias antes importadas com gozo de benefícios fiscais locais.
AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR. MULTA SUBSTITUTIVA. PERDIMENTO DE MERCADORIAS. ARTS. 696 e 689, I DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2009. TIPICIDADE. AUSÊNCIA.
A aplicação de sanção administrativa é legítima somente quando a conduta do administrado corresponde perfeitamente ao dispositivo legal que define a infração.
Não obstante possa haver a equiparação da saída das mercadorias da Amazônia Ocidental com a saída da Zona Franca de Manaus para outros fins, é vedada tal equiparação para caracterizar a infração consolidada no art. 696 do Regulamento Aduaneiro/2009, o que equivaleria ao emprego da analogia para criar infrações administrativas.
A situação fática de mercadoria proveniente da Amazônia Ocidental que foi introduzida irregularmente no restante do País, sem o regular procedimento de "internação" cabível, não encontra correspondência também no dispositivo legal consolidado no art. 689, I do Regulamento Aduaneiro/2009, que tutela o controle aduaneiro relativamente à carga e à descarga de mercadoria importada ou a exportar.
Recurso de Ofício provido
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-005.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2012 AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA DE MERCADORIAS. TRIBUTOS. EXIGÊNCIA. Cabível a exigência dos tributos e multas de ofício relativamente à saída irregular e sem os respectivos recolhimentos de tributos, da Amazônia Ocidental para o restante do território nacional, de mercadorias antes importadas com gozo de benefícios fiscais locais. AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR. MULTA SUBSTITUTIVA. PERDIMENTO DE MERCADORIAS. ARTS. 696 e 689, I DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2009. TIPICIDADE. AUSÊNCIA. A aplicação de sanção administrativa é legítima somente quando a conduta do administrado corresponde perfeitamente ao dispositivo legal que define a infração. Não obstante possa haver a equiparação da saída das mercadorias da Amazônia Ocidental com a saída da Zona Franca de Manaus para outros fins, é vedada tal equiparação para caracterizar a infração consolidada no art. 696 do Regulamento Aduaneiro/2009, o que equivaleria ao emprego da analogia para criar infrações administrativas. A situação fática de mercadoria proveniente da Amazônia Ocidental que foi introduzida irregularmente no restante do País, sem o regular procedimento de "internação" cabível, não encontra correspondência também no dispositivo legal consolidado no art. 689, I do Regulamento Aduaneiro/2009, que tutela o controle aduaneiro relativamente à carga e à descarga de mercadoria importada ou a exportar. Recurso de Ofício provido Recurso Voluntário provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2012 AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA DE MERCADORIAS. TRIBUTOS. EXIGÊNCIA. Cabível a exigência dos tributos e multas de ofício relativamente à saída irregular e sem os respectivos recolhimentos de tributos, da Amazônia Ocidental para o restante do território nacional, de mercadorias antes importadas com gozo de benefícios fiscais locais. AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR. MULTA SUBSTITUTIVA. PERDIMENTO DE MERCADORIAS. ARTS. 696 e 689, I DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2009. TIPICIDADE. AUSÊNCIA. A aplicação de sanção administrativa é legítima somente quando a conduta do administrado corresponde perfeitamente ao dispositivo legal que define a infração. Não obstante possa haver a equiparação da saída das mercadorias da Amazônia Ocidental com a saída da Zona Franca de Manaus para outros fins, é vedada tal equiparação para caracterizar a infração consolidada no art. 696 do Regulamento Aduaneiro/2009, o que equivaleria ao emprego da analogia para criar infrações administrativas. A situação fática de mercadoria proveniente da Amazônia Ocidental que foi introduzida irregularmente no restante do País, sem o regular procedimento de "internação" cabível, não encontra correspondência também no dispositivo legal consolidado no art. 689, I do Regulamento Aduaneiro/2009, que tutela o controle aduaneiro relativamente à carga e à descarga de mercadoria importada ou a exportar. Recurso de Ofício provido Recurso Voluntário provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 39 17 /2 01 4- 58 Fl. 2303DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) em Florianópolis que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, "MANTENDO a exigência relativa à MULTA SUBSTITUTIVA AO PERDIMENTO e EXONERANDO a cobrança de TRIBUTOS NA IMPORTAÇÃO, por erro de identificação da data de ocorrência da hipótese de incidência, no valor total de R$4.534.692,76". Versa o processo sobre auto de infração lavrado em face de irregularidades na internação de mercadorias estrangeiras da Amazônia Ocidental para o restante do território nacional, para a exigência de II, IPI, multas de ofício, juros de mora e multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, no montante total de R$ 11.594.037,57. As irregularidades apontadas no Relatório de Fiscalização Aduaneira foram as seguintes: 5.1. Internação de mercadorias da Amazônia Ocidental AOC para o restante do território aduaneiro sem o registro das respectivas DIPI ou DIPE ou DSI. Demonstrada a internação de mercadorias sem a devida apresentação das declarações correspondentes, procedeuse ao cálculo da multa imputável, conforme Art. 689, inciso I, § 1º e Art. 696 do Decreto nº 6.759/2009. (...) 5.2. Falta de recolhimento do Imposto de Importação (II) devido na internação de produtos da AOC, importados com benefícios fiscais do Decreto Lei nº 356, de 1968. Ficou comprovada a internação de mercadorias sem o devido recolhimento do Imposto de Importação – II. Dessa forma efetuouse o lançamento do referido imposto, além dos acréscimos legais previstos no inciso I do Art. 44 e § 3º do Art. 61 da Lei nº 9.430/1996. No caso sob exame, o fato gerador do imposto de importação é a saída da mercadoria da AOC, conforme estabelece o art. 6º do Decretolei nº 288/67 e Art. 509 do Decreto 6.759/2009. Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 12266.723917/201458 Acórdão n.º 3402005.606 S3C4T2 Fl. 2.304 3 A alíquota aplicada é aquela constante da TEC1 vigente na data da saída da mercadoria da AOC, data em que deveria ter sido registrada a DI/PI, DI/PE ou DSI, conforme art. 509 do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro), disposição normativa relativa à ZFM aplicável à AOC por força do art. 1º do DecretoLei nº 356/68. (...) 5.3. Falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) devido na internação de produtos da AOC, importados com benefícios fiscais do DecretoLei nº 356, de 1968. Ficou comprovada a internação de mercadorias sem o devido recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Dessa forma efetuouse o lançamento do referido imposto, além dos acréscimos legais previstos no inciso I do Art. 44 e § 3º do Art. 61 da Lei nº 9.430/1996. No caso sob exame, o fato gerador do imposto sobre Produtos Industrializados é a saída da mercadoria da AOC, conforme estabelece o art. 6o do Decretolei no 288/67 e Art. 509 do Decreto 6.759/2009. A alíquota aplicada é aquela constante da TIPI2 vigente na data da saída da mercadoria da AOC, data em que deveria ter sido registrada a DI/PI, DI/PE ou DSI. (...) A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) A pena de perdimento somente é cabível quando demonstrado o dano ao Erário, consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos, estando presentes a máfé e o dolo (específico) do agente. As mercadorias sujeitas a pena de perdimento não são produto de contrabando ou de descaminho. b) No documento fiscal havia expressa menção de tratarse de venda de mercadoria estrangeira com o destaque do imposto e do correlato registro contábilfiscal dessa operação, não tendo havido ocultação das mercadorias. c) A internação das mercadorias está sujeita somente ao Imposto de Importação, uma vez que o IPI foi “integralmente pago e expressamente destacado nas notas fiscais de saída, não tendo ocorrido pela empresa autuada o aproveitamento de crédito do mencionado imposto que não incidiu quando da importação, em razão do benefício fiscal da suspensão”. d) Não há norma que discipline o “desembaraço aduaneiro de internação”, relativo às mercadorias provenientes da Amazônia Ocidental, sendo que a IN SRF nº 242/2006 somente é aplicável à ZFM. Assim, não há fato gerador do II e do IPI – vinculado, já que o fato gerador do imposto, na importação, é o desembaraço aduaneiro – e este não ocorreu em face da falta de normatização, a cargo da RFB. e) A multa de ofício (75%) não é devida. O julgador de primeira instância acolheu em parte as alegações da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: O contribuinte alega que o IPI teria sido integralmente pago, mas não apresentou qualquer comprovante de recolhimento desse imposto, nem o Livro de Registro de Apuração do IPI, modelo 8, nem tampouco demandou qualquer diligência para aferir essa informação na sua contabilidade. Em razão disso, não vemos como ser aceita essa afirmação do impugnante. Fl. 2305DF CARF MF 4 É cabível a internação, processada na Amazônia Ocidental, de mercadorias importadas com os benefícios fiscais conferidos àquela região pelos DecretosLeis nº 288/67 e nº 356/68. O despacho de internação deve ser processado mediante registro de DI ou de DSI, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 680/2006 ou da Instrução Normativa SRF nº 611/2006; Caso haja exportação ou internação de mercadoria sem a competente autorização aduaneira, temos a materialização da hipótese de contrabando, prevista no art. 39 do DecretoLei nº 288/67, c/c art.1º do DecretoLei nº 356/68, sujeitando a mercadoria a duas ordens de consequências: pena de perdimento e exigência dos tributos devidos na importação. Não se pode substituir a data de ocorrência do fato gerador, prevista em Lei Complementar, pela data de expedição da Nota Fiscal de Saída, caso se pretenda lançar os tributos que não foram pagos quando da importação, mas que são efetivamente devidos, ainda que não tenha havido o registro da competente Declaração. Cabe exonerar a impugnante do valor lançado a título de Imposto de Importação e IPI – vinculado, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício, por ter sido utilizada data não prevista em lei como de ocorrência da hipótese de incidência. Cientificada dessa decisão pela via postal em 25/05/2016, a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 24/06/2016, alegando, em síntese: i) As mercadorias foram internadas acobertadas com a documentação legalmente prevista, não ensejando a aplicação de pena de perdimento, por burla à vigilância aduaneira, vez que a autorização prévia da autoridade aduaneira ainda não pode ser exigível na falta de norma integrativa que estabeleça o procedimento para obtenção de tal autorização. ii) Não há que se cogitar descumprimento de formalidade na obtenção da autorização aduaneira para a internação das mercadorias a partir da AMOC, requisito exigido pelo art. 105, inciso I do Decretolei nº 37/66 para aplicação da pena de perdimento. Por consequência, não é possível a aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento, prevista no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76. iii) Não tendo sido provado a máfé ou dolo não é cabível a aplicação da pena máxima no âmbito aduaneiro, de usurpação da legítima propriedade do bem. Em momento algum a recorrente ocultou da Receita Federal do Brasil a ocorrência da venda dessas mercadorias importadas para o restante do território nacional, bem como, adotou todos os procedimentos da boa e recomendada prática fiscal e contábil das operações mercantis. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida exonerou a contribuinte do valor lançado a título de Imposto de Importação (II) e IPI vinculado, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício, nos seguintes valores originais: Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 12266.723917/201458 Acórdão n.º 3402005.606 S3C4T2 Fl. 2.305 5 (b.1). Imposto de Importação, adicionado de juros de mora e da multa de ofício (75%) = R$ 2.225.870,53; (b.2). IPI vinculado, adicionado de juros de mora e da multa de ofício (75%) = R$ 2.308.822,23; Assim, tendo em vista a exoneração do tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), tomase conhecimento do recurso de ofício, nos termos da Portaria MF nº 63/2017 (D.O.U de 10/02/2017) e da Súmula CARF nº 103. A DRJ exonerou as exigências de II e IPI e as multas de ofícios decorrentes sob a seguinte fundamentação: (2). Como não houve, nessa hipótese, registro de DI/DSI, para fins de obtenção da mencionada autorização, cremos que os impostos devem tomar por base a Declaração de Admissão das mercadorias, isso porque os arts.6º e 7º, do DecretoLei nº 288/67, c/c Decreto nº 356/68, regulamentado pelo art. 6º, do Decreto nº 61.244/67, e pelo art.512, do Decreto nº 6.759/2009, respectivamente, bem como o art.37 caput, do DecretoLei nº 1.455/76, regulamentado pelo art.509, do Decreto nº 6.759/2009, não dispuseram sobre qualquer hipótese de incidência de qualquer tributo, mas, vale frisar, apenas aludiram que a “internação” estaria sujeita ao “pagamento de todos os impostos de uma importação do exterior”, caso não houvesse industrialização na ZFM, ou “sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação”, no caso de industrialização na ZFM41. (...) Tais dispositivos [arts. 19 e 46 – I do CTN] sinalizam que o fato gerador do II é a entrada no território nacional48, enquanto que o do IPI – vinculado é o desembaraço aduaneiro49. Considerando que o momento exato de entrada no território nacional pode ser de difícil – quiçá impossível aferição, o legislador previu que a ocorrência de um “determinado fato” seria considerada para fins de cálculo do Imposto de Importação: a data de registro da Declaração de Importação50. Quanto ao desembaraço aduaneiro, na importação, esse é o ato final da conferência aduaneira51, em face do qual é autorizada a entrega da mercadoria ao importador. Em ambos os casos, vale frisar, em relação à Declaração Aduaneira apresentada quando a mercadoria ingressou no território nacional, independentemente se, para uma determinada região desse território, há previsão legal de aplicação de regime tributário exonerativo – exceção à regra de tributação na importação. Sendo assim, não se pode substituir a data de ocorrência do fato gerador, prevista em Lei Complementar, pela data de expedição da Nota Fiscal de Saída, caso se pretenda lançar os tributos que não foram pagos quando da importação, mas que são efetivamente devidos, ainda que não tenha havido o registro da competente Declaração. No entanto, o fato sustentado pelo julgador a quo não corresponde à fundamentação constante no Relatório de Fiscalização, conforme se verifica abaixo: Foram extraídas da base de dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) todas as declarações de importação registradas pela empresa entre 07/2011 e 12/2012 com benefício "Amazônia Ocidental" (Anexo III deste relatório). Para fins de cálculo dos tributos devidos na saída da AOC das mercadorias devese utilizar o valor aduaneiro das mesmas, conforme Art. 75, Fl. 2307DF CARF MF 6 inciso I do Decreto 6.759/2009, e tal informação é a constante da DI de Admissão na ZFM Isenção Amazônia Ocidental. Porém, não foi possível identificar para cada item das notas fiscais de saída qual o número da DI/Adição em que haviam sido importados os itens relacionados. A informação do número da DI nas NFe de saída não foi preenchida e, na resposta à intimação, a empresa afirmou não ter esse controle. Para sanar essa dificuldade fizemos o batimento do estoque considerando, para fins de determinação do valor aduaneiro dos itens, as DI's registradas cerca de dois meses antes da primeira saída, tomando esse prazo como razoável para o giro do estoque da empresa. Ou seja, iniciamos com as DI's registradas em novembro/2011 e assim sucessivamente até atingir a quantidade de mercadorias saídas da AOC para cada uma das NCM. A exceção a essa regra foi a NCM 4013.90.00 em que consideramos a DI 11/13557569 adição 001 registrada em 21/07/2011 para definição do valor aduaneiro das mercadorias vendidas a partir de janeiro/2012, pois a próxima DI nessa NCM foi desembaraçada apenas em 09/01/2012. No Anexo IV Declarações de Importação com Benefício Amazônia Ocidental Referência para Valor Aduaneiro consta a lista de todas as DI's que serviram de referência para definição do valor aduaneiro das mercadorias saídas da AOC. Observese que a quantidade total de mercadorias saídas da AOC desse anexo é a mesma constante do Quadro Resumo de Saídas da AOC ao final do Anexo II Notas Fiscais Eletrônicas de Saída da Amazônia Ocidental Origem Estrangeira Importação direta reproduzido abaixo. (...) Tal procedimento visou identificar o valor aduaneiro das mercadorias internadas, salientando que o referido valor serviu de base para o cálculo das penalidades e impostos lançados nesse procedimento, conforme preconiza a legislação vigente. [negritei] Ao que se percebe, a fiscalização não discorda que a exigência tributária deve se reportar à importação anterior, que fora efetuada com o benefício fiscal relativo à Amazônia Ocidental (vide parte em negrito acima). Em nenhum momento a fiscalização disse que a data considerada para a ocorrência dos fatos geradores seria a data da Nota Fiscal de Saída. Ocorreu que, diante da ausência de informações por parte da contribuinte, para vincular cada mercadoria da nota fiscal com a corresponde Declaração de Importação (Admissão)/Adição, a fiscalização adotou um método bastante razoável para identificar o valor aduaneiro declarado pela contribuinte, por ocasião das admissões na Amazônia Ocidental, para as mercadorias discriminadas nas notas fiscais de saída, o qual consistiu em considerar o prazo de dois meses como o de giro do estoque da empresa, ou seja, cada mercadoria importada com o benefício demoraria dois meses para sair do estabelecimento da contribuinte fiscalizada. Nos Anexos IV e V do Relatório de Fiscalização foram devidamente detalhadas as Declarações de Importação das quais foram extraídos os valores aduaneiros para o cálculo dos montantes dos tributos exigidos no presente lançamento, que deixaram de ser recolhidos em face do benefício fiscal na entrada das mercadorias na Amazônia Ocidental, como se vê abaixo: Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 12266.723917/201458 Acórdão n.º 3402005.606 S3C4T2 Fl. 2.306 7 No mais, a então impugnante sequer discorda que a exigência dos tributos seria cabível quando da internação para o restante do território nacional das mercadorias adquiridas com o benefício fiscal, apenas alegando, sem comprovar que teria recolhido o IPI, o que foi bem rechaçado pela decisão recorrida, nos seguintes termos: O contribuinte veio aos autos, em sua impugnação, demandando, entre outras coisas, que o IPI não seria devido, uma vez que “integralmente pago e expressamente destacado nas notas fiscais de saída, não tendo ocorrido pela empresa autuada o aproveitamento de crédito do mencionado imposto que não incidiu quando da importação, em razão do benefício fiscal da suspensão” 10. Contudo, não foi apresentado qualquer comprovante de recolhimento desse imposto, nem foi apresentado o Livro de Registro de Apuração do IPI, modelo 8, conforme previsto no art.444 – VIII e §7º, arts. 477 e 478, c/c arts. 8º e 9º, do Decreto nº 7.212/2010. Por outro lado, também não foi demandada qualquer diligência para aferir essa informação na contabilidade do contribuinte. Em razão disso, não vemos como ser aceita essa afirmação do impugnante. Também não prospera a alegação da então impugnante de que faltaria normatização integrativa que disciplinasse o desembaraço aduaneiro de internação da Amazônia Ocidental para o restante do território nacional. Na falta de legislação específica para disciplinar o despacho de internação de mercadorias a partir da Amazônia Ocidental, e diante da impossibilidade técnica de se utilizar das regras trazidas pela IN SRF nº 242/2002, devem ser aplicadas as normas gerais que regem o despacho de importação, veiculadas pela Instrução Normativa RFB nº 680/2006, como entendeu a autoridade fiscal. Assim, entendo que deve ser dado provimento ao recurso de ofício, restabelecendose a exigência relativa ao Imposto sobre a Importação e ao IPI e às multas de ofício decorrentes. RECURSO VOLUNTÁRIO Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. No auto de infração e no Relatório de Fiscalização, a exigência da multa sobre o valor aduaneiro, em substituição à pena de perdimento foi assim fundamentada: Auto de Infração: 002 MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face à venda e saída da mercadoria da Amazônia Ocidental sem a autorização da autoridade aduaneira. Todos os fatos estão descritos no RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA EQFIA/ALF/MNS nº 044/2014. O Relatório e seus anexos de I a V são partes integrantes deste Auto de Infração. Data Valor Multa Regulamentar Fl. 2309DF CARF MF 8 29/09/2014 R$ 7.059.344,81 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 1º e 2º do DecretoLei nº 356/68. Arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03. (...) Relatório: Conforme exposto no art. 1º do DecretoLei nº 356/68 acima, a Amazônia Ocidental AOC e a Zona Franca de Manaus ZFM compartilham a mesma matriz legal. Tal fato fica claro ao observarmos que o DecretoLei nº 356/68 não criou nenhum benefício, apenas estendeu parte dos benefícios previstos no DecretoLei 288/67 à AOC. Assim, concluise que aplicamse à AOC as disposições normativas aplicáveis à ZFM, algumas das quais descritas abaixo. No Art. 3º do DecretoLei 288/67 fica claro que o benefício fiscal com relação ao imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados está vinculado à destinação das mercadorias. (...) DecretoLei nº 288/67: “Art 39. Será considerado contrabando a saída de mercadorias da Zona Franca sem a autorização legal expedida pelas autoridades competentes.” (grifo nosso) Decreto 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro: "Art. 696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 505, por configurar crime de contrabando (DecretoLei no 288, de 1967, art. 39)."( Redação até 16/05/2013)(grifo nosso) IN SRF 242/2002: “Art. 25. A saída da ZFM de mercadoria não autorizada pela fiscalização aduaneira, nos termos desta Instrução Normativa, será considerada contrabando, conforme previsto no art. 39 do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, punido com a aplicação da pena de perdimento.” (grifo nosso) O Decreto 6.759/2009 define internação: "Art. 508. Denominase internação, para os efeitos deste Capítulo, a entrada, em outros pontos do território aduaneiro, de mercadoria procedente da Zona Franca de Manaus, nos termos dos arts. 509 e 512" (grifo nosso). (...) A legislação supracitada se refere à internações de mercadorias a partir da ZFM. Como não é possível o registro de Declaração para Controle de Internação DCI por empresa sediada fora da ZFM, o despacho de internação da AOC para o restante do território aduaneiro deve ser processado através de Declaração de Importação do tipo Internação ZFM Produto Industrializado (PI) DI/PI ou Internação ZFM Produto Estrangeiro (PE) DI/PE, observada a IN SRF no 680/2006. Tal procedimento está respaldado no § 2º do Art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 680, de 2 de outubro de 2006. (...) Alternativamente pode ser utilizada a Declaração Simplificada de Importação DSI, prevista na IN SRF nº 611/2006. Nesse caso, deve ser observado o disposto no ADE SRRF02 no 32, de 2007 (publicado à pág. 27. Seção 1. Diário Oficial da União (DOU) de 14 de Junho de 2007). Sendo assim, a saída das mercadorias da AOC para o restante do território aduaneiro é autorizada por meio do registro da DI/PI ou DI/PE ou DSI. (...) Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 12266.723917/201458 Acórdão n.º 3402005.606 S3C4T2 Fl. 2.307 9 No caso de não apresentação da DI/PI ou DI/PE ou DSI, no procedimento de internação a partir da AOC, a saída da mercadoria é considerada contrabando e está sujeita à pena de perdimento conforme descrito no Art. 696 e Art 689, inciso I e § 1º do Decreto 6.759 de 2009 por não ter autorização da autoridade aduaneira para saída da AOC. Nesse caso, a saída de mercadorias da Amazônia Ocidental é equiparada à saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus, conforme dito acima. (...) Decretolei nº 1.455/76: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) Decretolei no 37/1966: Art. 105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: I em operação de carga já carregada, em qualquer veículo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo;(grifo nosso) (...) Assim, caso a mercadoria objeto da pena de perdimento tenha sido revendida a terceiros fica clara a impossibilidade de aplicação da pena, convertendose a mesma em multa equivalente ao valor aduaneiro. Em que pese a questão de qual seria o procedimento adequado para o despacho de "internação" da mercadoria a partir da Amazônia Ocidental, verificase a existência de outro problema relevante na tipificação para a pena de perdimento das mercadorias. No âmbito do direito administrativo sancionador vigora o princípio da tipicidade, corolário dos princípios da legalidade e da segurança jurídica (art. 2° da Lei n° 9.784/99), segundo o qual a conduta apontada como proibida deve ter precisa correspondência na norma legal. A tipicidade constituise em garantia do Estado de Direito, que permite ao cidadão antever as condutas proibidas e as respectivas sanções, para que diligencie no sentido de não cometêlas, como bem afirmou Mello1: Assim, não será o particular surpreendido com a imposição de sanção administrativa pela adoção de um comportamento que não sabia fosse proibido, e tampouco pela imposição de uma medida punitiva que desconhecia, escolhida arbitrariamente pela Administração Pública. A sanção administrativa assim aplicada não cumpriria sua finalidade preventiva, pois, como ensina Celso Antônio Bandeira de Mello, “o pressuposto inafastável das sanções implicadas nas infrações administrativas é o de que exista a possibilidade de os sujeitos saberem previamente qual a conduta que não devem adotar (...)”. É dizer, “cumpre que tenham ciência perfeita de como evitar o risco da sanção (...)”. 1 MELLO, Rafael Munhoz de. Princípios Constitucionais de Direito Administrativo Sancionador: as sanções administrativas à luz da Constituição Federal de 1988. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 134/145. Fl. 2311DF CARF MF 10 A aplicação de sanção administrativa é legítima somente quando a conduta do administrado corresponde perfeitamente ao dispositivo legal que define a infração, conforme assentado pelo STJ nos EDcl no RMS 21274/GO2: 3. Os atos da Administração Pública devem sempre pautarse por determinados princípios, dentre os quais está o da legalidade. Por esse princípio, todo e qualquer ato dos agentes administrativos deve estar em total conformidade com a lei e dentro dos limites por ela traçados. 4. A aplicação de sanções administrativas, decorrente do exercício do poder de polícia, somente se torna legítima quando o ato praticado pelo administrado estiver previamente definido pela lei como infração administrativa. (...) Dessa forma, assim como no direito penal, no direito administrativo sancionador não se cogita do emprego da analogia para criar infrações administrativas ou agravar as penalidades delas decorrentes. Com efeito, não obstante possa haver a equiparação da saída das mercadorias da Amazônia Ocidental com a saída da Zona Franca de Manaus para outros fins, é vedada tal equiparação, como efetuada pelo autuante, para caracterizar a infração consolidada no art. 696 do Regulamento Aduaneiro/2009, abaixo transcrito: Art. 696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 505, por configurar crime de contrabando (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39). [redação original] Art. 696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando necessária, por configurar crime de contrabando (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39; e Decreto Lei nº 1.455, de 1976, art. 26). [Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013] Ademais, a conduta retratada nos autos de "venda e saída da mercadoria da Amazônia Ocidental sem a autorização da autoridade aduaneira" não se subsome ao tipo infracional consolidado no inciso I do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, como a abaixo se demonstra. A conduta rechaçada pelo art. 689, I do Regulamento Aduaneiro diz respeito à mercadoria encontrada "em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga" encontrada numa das circunstâncias abaixo enumeradas: a) sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou b) sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; Ao que se observa, o referido tipo infracional tutela o controle aduaneiro relativamente à carga e à descarga de mercadoria importada ou a exportar e ao veículo que a transporta, de forma que o ato da autoridade aduaneira e a formalidade essencial de que se fala só podem estar associados a essas questões carga/descarga/veículo. Tanto que infrações dessa natureza são geralmente apuradas em ações fiscais realizadas dentro zona primária dos portos, aeroportos e pontos de fronteira, onde comumente são efetuados os procedimentos de regular admissão e saída do País de mercadorias na importação e exportação, ou nas zonas de vigilância aduaneira. 2 STJ, 1ª Turma, Embargos de Declaração no Recurso em Mandado de Segurança 200600076016 – EDcl no RMS 21274/GO, Relatora Min. Denise Arruda, julg. 14/11/2006, DJ de 30/11/2006, p. 148. Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 12266.723917/201458 Acórdão n.º 3402005.606 S3C4T2 Fl. 2.308 11 In casu, do que se deduz do Relatório de Fiscalização, a circunstância "b" acima foi a parte do dispositivo utilizada para tipificar a conduta punível da recorrente, no entanto, a fiscalização não se deu ao trabalho de explicar porque a situação fática eventualmente se subsumiria à primeira parte do tipo, qual seja, mercadoria "em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga". De fato, não é mesmo o caso, pois as mercadorias sequer foram encontradas pela autoridade fiscal, tendo sido inclusive aplicada a multa substitutiva ao perdimento, não havendo que se falar na hipótese de mercadoria em operação de carga ou descarga prevista no dispositivo. Por certo, a melhor exegese do tipo veiculado pelo art. 689, I do Regulamento Aduaneiro/2009 não pode ser alcançada com a supressão da primeira parte do dispositivo, como se a questão do descumprimento de "formalidade essencial estabelecida em ato normativo" fosse independente dela. A vingar esse absurdo entendimento, qualquer descumprimento de ato normativo no âmbito aduaneiro que não tivesse uma penalidade específica poderia ser punido com a pena de perdimento das mercadorias, que é uma penalidade aplicável somente a situações mais graves do ponto de vista do controle aduaneiro. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano3 acerca da interpretação literal: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engano, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 88/227. Fl. 2313DF CARF MF 12 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Dessa forma, a situação fática retratada nos autos, de mercadoria proveniente da Amazônia Ocidental que foi introduzida irregularmente no restante do País, sem o regular procedimento de "internação" cabível em face do benefício fiscal aplicado na anterior importação, apurada pela fiscalização nos sistemas informatizados da RFB e nos documentos fiscais da contribuinte, não encontra correspondência no dispositivo legal consolidado no art. 689, I do Regulamento Aduaneiro/2009. Vale dizer, em se tratando de saída de mercadoria da Zona Franca de Manaus4, pela base legal mencionada na redação atual do art. 696 do Regulamento Aduaneiro (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 26), a pena de perdimento seria aplicável com fundamento no art. 26 do Decretolei nº 1.455/76, e não no art. 23 desse Decretolei5, como efetuado pelo autuante (art. 23, IV do Decretolei nº 1.455/76 c/c art. 105, I do Decretolei nº 37/66). Portanto, em face de ausência de subsunção dos fatos aos tipos infracionais consolidados nos arts. 696 e 689, I do Regulamento Aduaneiro/2009, entendo que deve ser exonerada do lançamento a multa equivalente ao valor aduaneiro, que havia sido exigida em substituição à pena de perdimento das mercadorias. Assim, pelo acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e de dar provimento ao recurso de ofício. 4 Não se olvide que o presente processo trata da saída de mercadoria da Amazônia Ocidental, situação não abrigada no art. 39 do Decretolei nº 288/67. 5 Decretolei nº 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) Art 26. As mercadorias de importação proibida na forma da legislação específica em vigor serão apreendidas, liminarmente, em nome e ordem do Ministro da Fazenda. Parágrafo único. Independentemente do curso de processo criminal, as mercadorias a que se refere este artigo poderão ser alienadas ou destinadas na forma deste Decretolei. Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 12266.723917/201458 Acórdão n.º 3402005.606 S3C4T2 Fl. 2.309 13 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 2315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.986469/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 64 69 /2 00 9- 61 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.986469/200961 Acórdão n.º 1201002.432 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.986469/200961 Acórdão n.º 1201002.432 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.986469/200961 Acórdão n.º 1201002.432 S1C2T1 Fl. 5 4 A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005206/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Na compensação, o procedimento homologatório a ser efetivado pela
autoridade administrativa vincula-se, de forma indissociável, aos elementos indicados nas declarações de compensação submetidas ao seu exame, representados, em essência, pelo direito creditório tido como líquido e certo e pelos débitos que se pretende extinguir. Comprovada a insuficiência do crédito indicado para o encontro de contas, a homologação em referência deve se dar de forma parcial.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.724
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Na compensação, o procedimento homologatório a ser efetivado pela autoridade administrativa vincula-se, de forma indissociável, aos elementos indicados nas declarações de compensação submetidas ao seu exame, representados, em essência, pelo direito creditório tido como líquido e certo e pelos débitos que se pretende extinguir. Comprovada a insuficiência do crédito indicado para o encontro de contas, a homologação em referência deve se dar de forma parcial. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
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INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Na compensação, o procedimento homologatório a ser efetivado pela autoridade administrativa vinculase, de forma indissociável, aos elementos indicados nas declarações de compensação submetidas ao seu exame, representados, em essência, pelo direito creditório tido como líquido e certo e pelos débitos que se pretende extinguir. Comprovada a insuficiência do crédito indicado para o encontro de contas, a homologação em referência deve se dar de forma parcial. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Fl. 174DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 171 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 172 3 Relatório DIPLOMATA DISTRIBUIDORA E VAREJO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Curitiba. Trata o processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2001. O direito creditório pleiteado foi reconhecido no exato montante em que foi requerido, porém, foi considerado insuficiente para compensar, integralmente, os débitos apontados pela contribuinte para o encontro de contas. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 117/119), por meio da qual sustentou: que, na data do vencimento da obrigação, era detentor de direito de crédito gerado anteriormente ao nascimento do débito e por isso teria o direito de ver extinto o débito sem qualquer restrição, nos termos do art. 21, § 2°, da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30/09/2002; que o despacho decisório não explicaria, de modo detalhado, o motivo de o crédito não ser suficiente para extinguir totalmente o débito; que mesmo que se entendesse que os débitos deveriam ser atualizados pela taxa SELIC até a data do envio dos PER/DCOMP (28/05/2003), ainda assim o crédito seria de montante superior aos débitos, pois a indexação de ambos seria de rigor, o que continuaria a levar à suficiência do crédito para extinguir os débitos declarados; que não haveria que se falar em cobrança de multa moratória, pois, sendo o crédito anterior ao débito, o contribuinte não poderia ser onerado com tal encargo, mesmo porque a espontaneidade em formalizar a compensação elidiria tal exigência, em face da aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional, já que tal ato foi anterior a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 0627.292, de 08 de julho de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado:. COMPENSAÇÃO DECLARADA APÓS O VENCIMENTO DO DÉBITO. EXIGÊNCIA DE MULTA MORATÓRIA. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 173 4 Os débitos compensados após os vencimentos sofrerão a incidência dos acréscimos moratórios previstos na legislação, relativos ao período compreendido entre os vencimentos e a apresentação dos PER/DCOMP. Ciente da Decisão de primeira instância em 26 de julho de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 155, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24 de agosto de 2010, conforme registro de recepção de folha 157, por meio do qual, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, sustenta: que a mera afirmação de que remanesceriam valores pendentes de pagamento após o devido encontro de contas, é causa de nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa; que o julgador levou em consideração apenas o valor total do imposto devido (R$ 112.500,00), sem observar o limite de crédito utilizado por ela em sua compensação (R$ 55.586,97), o que acaba por distorcer o resultado final da apuração do crédito remanescente; que, se o próprio Contribuinte limitou a sua compensação a determinada parcela do crédito (R$ 55.586,97, em valores originários), não pode a administração tributária estender tal intento, para promover a quitação da totalidade do tributo exigido em determinado período (a análise da compensação deve se limitar ao objeto da respectiva declaração PER/DCOMP). É o Relatório. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 174 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A controvérsia a ser enfrentada no presente processo está representada pela constatação, por parte da autoridade administrativa competente, de insuficiência de crédito na compensação pleiteada pela contribuinte. O direito creditório indicado pela contribuinte para o encontro de contas referese a SALDO NEGATIVO de imposto de renda do anocalendário de 2001, no montante de R$ 184.783,42, e foi, na sua integralidade, reconhecido pela autoridade administrativa. Entretanto, ao efetivar o encontro de contas, a unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos da contribuinte (Delegacia da Receita Federal em Curitiba) constatou que o crédito era insuficiente para extinguir os débitos apontados, motivo pelo qual promoveu homologação parcial da compensação pleiteada. A contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, momento em que alegou: que a conclusão da Delegacia da Receita Federal mostravase equivocada, visto que, fazendo a mera atualização do crédito, a partir de sua origem, poderia ser observado que o montante de crédito era suficiente para extinguir todos os débitos declarados; que, se na data de vencimento da obrigação, era detentor de direito de crédito gerado anteriormente ao nascimento do débito, teria ele o direito de ver extinto o débito sem qualquer restrição, nos termos do artigo 21, § 2°, da Instrução Normativa SRF n° 210/02; que cabia destacar que o despacho decisório não explicou, de modo detalhado, a razão pela qual o crédito não era suficiente para extinguir totalmente o débito; que, ainda que se entendesse que os débitos deveriam ser atualizados pela taxa SELIC para a data do envio das PER/DCOMP (28.05.03), ainda assim o crédito seria de montante superior aos débitos, pois a indexação de ambos (crédito e débito) é de rigor, o que continuaria a levar à suficiência do crédito para extinguir os débitos declarados; que não haveria que se falar em cobrança de multa moratória, pois, sendo o crédito anterior ao débito, não poderia ser onerada com este encargo, mesmo porque a espontaneidade em formalizar a compensação a elide, em face da aplicação do artigo 138, do Código Tributário Nacional, já que tal ato foi anterior a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Esses, portanto, são os exatos termos da defesa inicial apresentada pela contribuinte. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 175 6 A Turma Julgadora de primeiro grau, apreciando tais argumentos, decidiu indeferir a solicitação ali veiculada com base nos seguintes fundamentos: 1. a planilha apresentada pela contribuinte não demonstrou que os saldos negativos eram suficientes para quitar todos os débitos, nas datas de seus vencimentos, sem a adição da multa moratória; 2. no dia 28/05/2003, dia em que a contribuinte declarou as primeiras compensações, entrou em vigor a Instrução Normativa SRF nº 323 que, alterando a redação da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, determinou que os débitos sofressem incidência de acréscimos moratórios desde a data do vencimento até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte renova argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade no sentido de que o crédito apontado nas declarações de compensação é suficiente para extinguir os débitos declarados. Afirma que a decisão de primeira instância não chega a explicar, de modo detalhado, o porquê do crédito não ser suficiente para extinguir totalmente o débito. Diz que não há no processo qualquer demonstração do porquê se afirma que o crédito indicado na DCOMP não extingue todo o débito, mas somente a mera afirmação de que remanesceriam valores pendentes de pagamento após o devido encontro de contas, o que seria causa, a rigor, de nulidade, por cerceamento do direito de defesa. Relativamente à análise efetuada sobre a valoração da primeira compensação, argumenta que ela se mostra equivocada, não merecendo prosperar, pois o julgador levou em consideração apenas o valor total do imposto devido (R$ 112.500,00), sem observar o limite de crédito utilizado por ela em sua compensação (R$ 55.586,97), o que, segundo o seu entendimento, acaba por distorcer o resultado final da apuração do crédito remanescente. Afasto, de pronto, a alegação de que não restam descritos na decisão recorrida os fundamentos do indeferimento proferido. Com efeito, a transcrição abaixo, representativa de excertos do voto condutor da decisão recorrida, estampa, de forma clara, os motivos que serviram de suporte para a autoridade julgadora considerar insuficiente o crédito indicado para compensação, senão vejamos: A contribuinte argumenta que a planilha de cálculos por ela elaborada (fls. 121127) permite visualizar toda a evolução de utilização do crédito e evidencia que, no mês de vencimento de cada débito constante dos PER/DCOMP, o montante atualizado seria suficiente para extinguilo. O que a contribuinte está a afirmar é que, não fosse a adição de multas moratórias, o valor do saldo negativo seria suficiente para extinguir por compensação todos os débitos consignados nos PER/DCOMP. Contudo, tal assertiva não é consistente. Com efeito, o primeiro débito compensado é aquele discriminado no PER/DCOMP nº 09867.03430.280503.026900 (fls. 07), no importe de R$ 112.500,00, vencido em 08/01/2003. No PER/DCOMP, a contribuinte declarou que, para a extinção desse débito, do crédito original foi utilizada a parcela de R$ 55.586,97. Contudo, em sua planilha (fls. 124) a contribuinte demonstra estar utilizando, do crédito original, apenas a parcela de R$ 54.943,33, sobre a qual, aplicada a taxa acumulada SELIC (33%), resultaria a compensação de débito no importe de apenas R$ 73.074,63, valor do débito que, segundo a planilha, teria sido compensado. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 176 7 Ora, não foi esse o valor do débito compensado. O valor compensado foi de R$ 112.500,00. Assim, caso refeita a planilha utilizando, do crédito original, o valor necessário para compensar o débito, mesmo sem a multa moratória, ficaria faltando crédito no final. O que se vê, portanto, é que a planilha apresentada pela contribuinte não consegue demonstrar, como pretendia, que os saldos negativos eram suficientes para quitar todos os débitos, nas datas de seus vencimentos, sem a adição da multa moratória. (GRIFEI) Resta evidente, portanto, que a decisão combatida cuidou de explicitar, com clareza solar, as razões do indeferimento, vez que demonstrou que, ainda que não se avançasse na questão da incidência da multa moratória, a própria planilha trazida pela contribuinte refletia a questionada insuficiência de direito creditório. A Recorrente, contestando o apurado pela autoridade julgadora de primeiro grau em relação ao primeiro débito compensado, alega: Ora, se o próprio Contribuinte limitou a sua compensação a determinada parcela do crédito (R$ 55.586,97 em valores originários), não pode a administração tributária estender tal intento, para promover a quitação da totalidade do tributo exigido em determinado período. A análise da compensação deve se limitar ao objeto da respectiva declaração PER/DCOMP. Tal argumentação, pelo que foi possível depreender, revela contradição, pois, se a defesa da contribuinte é toda ela dirigida para sustentar que o crédito apontado para compensação é suficiente para extinguir os débitos indicados, não faz o menor sentido afirmar que a Administração Tributária não pode estender a compensação para promover a quitação da totalidade do tributo exigido em determinado período. À evidência, o procedimento homologatório a ser efetivado pela autoridade administrativa vinculase, de forma indissociável, aos elementos indicados nas declarações de compensação submetidas ao seu exame, representados, em essência, pelo direito creditório tido como líquido e certo e pelos débitos que se pretende extinguir. Alega ainda a Recorrente que o acórdão recorrido merece reparo na parte em que afirma não caber a exclusão da multa de mora em casos de denúncia espontânea. Diz que, desconsiderar o disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional, é se afastar do melhor entendimento doutrinário e jurisprudencial, segundo o qual nenhuma penalidade é devida nos casos de denúncia espontânea. Argumenta que a IN SRF nº 323, de 2003, não pode ser invocada em defesa da prevalência da multa, já que se trata de norma hierarquicamente inferior ao Código Tributário Nacional. Destaco, primeiramente, que não estamos diante de denúncia espontânea acompanhada de PAGAMENTO, circunstância em que, nos exatos termos do disposto no caput do art. 138 do Código Tributário Nacional, poderseia apreciar se a responsabilidade pela infração poderia ser excluída. O presente processo trata de COMPENSAÇÃO, instituto que, em que pese o fato de se revelar também como forma extintiva de crédito tributário (CTN, art. 156, II,), com PAGAMENTO não se confunde (CTN, art. 156, I). Fl. 180DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 177 8 Não obstante, ainda que se empreste interpretação extensiva ao dispositivo autorizador da exclusão da penalidade, penso, em consonância com manifestações advindas do Superior Tribunal de Justiça, que o instituto da denúncia espontânea não alcança tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, eis que, neste caso, o dever de apurar o montante devido e efetuar o seu recolhimento é transferido para o sujeito passivo, independentemente de prévio exame por parte da autoridade administrativa. Nessa linha, o contribuinte, ao apurar o tributo devido; prestar ao Fisco a informação devida; e providenciar a extinção do crédito tributário correspondente, nada mais fez que cumprir com o determinado pela legislação de regência, não havendo que se falar que tais providências possam revelar DENÚNCIA ESPONTÂNEA de infração. Aditese que, no caso vertente, não existe nos autos qualquer indicação de que os débitos apontados pela Recorrente para compensação eram desconhecidos da Administração Tributária, o que, também por essa razão, afasta a tese de que estamos diante de infração denunciada espontaneamente. Transcrevo, abaixo, manifestações em segunda instância administrativa na linha do entendimento aqui esposado. Acórdão nº 20181545, de 06/11/2008 COMPENSAÇÃO EFETUADA APÓS VENCIMENTO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. A compensação condicionada a ulterior homologação da autoridade fiscal não caracteriza o pagamento do montante devido na forma prevista no art. 138 do CTN, não caracterizando denúncia espontânea Acórdão nº 29100014, de 29/10/2008 COMPENSAÇÃO. Incidem acréscimos moratórios sobre os débitos, objeto de Declaração de Compensação, quando estiverem vencidos na data de apresentação/transmissão da declaração. Acórdão nº 19700037, de 20/10/2008 COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. O procedimento do sujeito passivo por meio do qual confessa a existência de débito e requer compensação não corresponde à denuncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que compensação não é pagamento. No que diz respeito à Instrução Normativa SRF nº 323, de 2003, não identifico o vício apontado pela Recorrente, pois, diferentemente do alegado, o referido ato normativo foi editado em perfeita harmonia com o Código Tributário Nacional (art. 100, I), uma vez que, como norma complementar, introduziu mero esclarecimento acerca dos termos inicial e final para cômputo dos acréscimos legais no caso de extinção de débitos por meio de compensação, o que, à evidência, não constitui violação de lei. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Fl. 181DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.005206/200859 Acórdão n.º 130200.724 S1C3T2 Fl. 178 9 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 182DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906235/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 35 /2 01 2- 86 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13819.906235/201286 Acórdão n.º 1301003.307 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13819.906235/201286 Acórdão n.º 1301003.307 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13819.906235/201286 Acórdão n.º 1301003.307 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13819.906235/201286 Acórdão n.º 1301003.307 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13819.906235/201286 Acórdão n.º 1301003.307 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13819.906235/201286 Acórdão n.º 1301003.307 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13819.906235/201286 Acórdão n.º 1301003.307 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 11891.000527/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/10/2007 a 03/10/2007
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA.
Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão da concomitância.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/10/2007 a 03/10/2007 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 05 27 /2 00 7- 48 Fl. 166DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 29/11/2007 (fls. 2/11), contra a empresa acima qualificada, para assegurar o prazo decadencial de lançamento do crédito tributário no valor de R$ 30.505,12 (trinta mil, quinhentos e cinco reais e doze centavos) relativamente ao PIS e COFINS vinculados à importação. formalizando lançamento das contribuições não recolhidas oportunamente, incidentes sobre a importação de 2 (dois) equipamentos ECÓGRAFO COM ANALISE ESPECTRAL DOPPLER constantes das Declarações de Importação de n° 07/13361071 (registrada em 02/10/2007), e da de n° 07/13449483 (registrada em 03/10/2007). O contribuinte processou o despacho aduaneiro dos referidos equipamentos , entendendo que tal operação estava amparada por imunidade prevista constitucionalmente. O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n°2007.38.00.0287288 da 12' Vara da Justiça Federal em Minas Gerais (art. 151, inciso IV do CTN). O referido Mandado de Segurança foi impetrado objetivando afastar a exigência das contribuições COFINSImportação e PIS Importação no desembaraço aduaneiro dos citados equipamentos. A liminar foi deferida em 11/09/2007 (anteriormente ao registro das DI’s), suspendendo a exigibilidade do crédito tributário referente às contribuições e determinando a imediata liberação das mercadorias. O contribuinte foi cientificado deste auto de infração, e, inconformado com o teor do mesmo, apresentou, tempestivamente, impugnação, fls. 44/56, em 28/01/2008. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/10/2007 a 03/10/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Liminar concedida em Mandado de Segurança. Não se toma conhecimento da impugnação quando a mesma matéria está sendo objeto de ação judical. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas argumentações apresentadas na sua impugnação. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11891.000527/200748 Acórdão n.º 3402005.583 S3C4T2 Fl. 167 3 É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. O presente processo trata de auto de infração de PIS/COFINS Importação, suspenso por decisão judicial (art. 151, inciso IV do CTN), lavrado para prevenir a decadência dos referidos tributos. Noticiase nos autos que a Recorrente teria importado 2 (dois) equipamentos do modelo ECÓGRAFO COM ANALISE ESPECTRAL DOPPLER constantes das Declarações de Importação de n° 07/13361071 e n° 07/13449483 (LI's n°07/11172932 e 07/11172940), nas quais não teria recolhido as contribuições para o PIS e a COFINS vinculados à importação por força de liminar obtida no mandado de segurança nº 2007.38.00.0287288 da 12ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais. Com efeito, resta analisar se o referido processo judicial tem identidade de objeto com o discutido no presente processo administrativo de lançamento fiscal, o que pode ensejar o reconhecimento da existência de concomitância entre os processos. Trazemse trechos da liminar concedida pela Justiça Federal no MS nº2004.61.00.0132695 que denotam o objeto da ação: Tratase de Mandado de Segurança impetrado por CLINICA DELFIN GONZALES MIRANDA LTDA contra ato do INSPETOR DA ALFANDEGA DA SRF DO AEROPORTO DE CONFINS/MG e do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE MG, objetivando afastar a exigência da COFINS importação e PIS importação sobre dois equipamentos denominados ecógrafos com análise espectral Doppler,realizando o seu desembaraço aduaneiro. Aduziu, em síntese, que com o advento da Medida Provisória n°164/04, passou a sofrer nova incidência tributária no desempenho de sua atividade de importação com a instituição do PIS importação e da COFINS importação, argumentando que as mudanças configuram manifesta violação a inúmeros dispositivos constitucionais, de modo a também malferir não apenas alguns dispositivos, mas vários princípios constitucionais que inibem o 'poder de tributar do Estado. Requer a concessão de liminar objetivando a suspensão do pagamento das referidas contribuições e o imediato desembaraço aduaneiro dos equipamentos que a Impetrante adquiriu no exterior, os quais, alega, tem por objetivo Fl. 168DF CARF MF 4 modernizar a assistência. aos seus pacientes, uma vez que seu objeto social principal é a prestação de serviços médicos. ... Por tudo que fora argumentado, dúvidas não subjazem relativamente à presença dos pressupostos autorizativos da concessão da tutela de urgência, sendo oportuno frisar que, em casos tais, o Juiz, dentro do Estado de Direito, mormente após ter o seu poder de ordenar as Medidas que julgar necessárias e adequadas para evitar dano à parte, provocado pelo adversário, alçado a nível constitucional , deve sempre evitar o perecimento do direito, razão pela qual, hei por bem CONCEDER A LIMINAR requerida, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, a titulo de PIS e COFINS importação, decorrente da importação dos aparelhos discriminados nas LI's n°07/11172932 e 07/11172940, determinado as autoridades coatoras que procedam à imediata liberação da mercadoria citada na inicial deste mandamus. (negritos nossos) Pelos trechos acima transcritos, restou comprovado que no processo judicial se discute a mesma matéria tratada na autuação, referente à incidência do PIS/COFINS vinculados à importação dos equipamentos denominados ecógrafos com análise espectral Doppler constantes das DI´s de n° 07/13361071 e n° 07/13449483 (LI's n°07/11172932 e 07/11172940). Este Colegiado fica, portanto, impedido de analisar matérias que foram levadas para o judiciário pela Empresa com a mesma identidade e objeto com o processo administrativo. Como se sabe, a discussão de determinada matéria na esfera judicial implica, necessariamente, na renúncia ao recurso administrativo quanto a mesma matéria, uma vez que o poder Judiciário detém o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, a Súmula Carf nº1 preceitua: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (negrito nosso) Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11891.000527/200748 Acórdão n.º 3402005.583 S3C4T2 Fl. 168 5 Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.720611/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
LANÇAMENTO. CITAÇÃO POR EDITAL. REQUISITOS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72
Citação edilícia é procedimento que somente se justifica após a caracterização irrefutável da tentativa frustrada de intimação do contribuinte por meio das outras modalidades previstas na norma.
Entende-se por "dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação" a repartição administrativa a qual o Contribuinte está vinculado.
Numero da decisão: 9202-007.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente CLAUDIOMAR VICENTE KEHRNVALD Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LANÇAMENTO. CITAÇÃO POR EDITAL. REQUISITOS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72 Citação edilícia é procedimento que somente se justifica após a caracterização irrefutável da tentativa frustrada de intimação do contribuinte por meio das outras modalidades previstas na norma. Entendese por "dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação" a repartição administrativa a qual o Contribuinte está vinculado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 11 /2 00 7- 61 Fl. 490DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de notificação de lançamento para pagamento suplementar de ITR, relativo ao exercício 2005, haja vista a alteração do valor do imposto apurado motivado pela não comprovação da área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural e ainda pelo fato de o Contribuinte não ter apresentado Laudo de Avaliação do Imóvel, nos termos da ABNT, para fins de comprovação do VTN declarado. A Delegacia de Julgamento manteve o lançamento, tendo formalizado seu entendimento por meio do Acórdão 0346.740. Dessa decisão o Contribuinte, após três tentativas frustradas de intimação via postal, foi cientificado do resultado do julgamento por meio do Edital nº 011317021200015, afixado em 14/08/2012 e desafixado em 29/08/2012 (fl. 161). O Contribuinte, em 10/12/2012, se apresenta fazendo juntar aos autos Recurso Voluntário cujo conteúdo no mérito ratifica suas alegações de defesa, e em sede de preliminar pugna pelo seu conhecimento tendo em vista supostas irregularidade no procedimento de intimação da decisão de primeira instância. Após o trâmite processual, a peça recursal foi submetida à 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária a qual, por maioria de votos, entendeu como válida a intimação edilícia realizada e consequentemente não conheceu do recurso por sua intempestividade. O acórdão 2201002.772, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 PAF. INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA REITERADA DO CONTRIBUINTE EM SEU DOMICÍLIO FISCAL. VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita tanto pessoalmente quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e/ou via postal, em virtude da ausência reiterada do contribuinte em seu domicílio fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTAGEM DE PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Intimado o contribuinte por edital, conforme determina o artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, há de se ratificar a perempção, já que não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10218.720611/200761 Acórdão n.º 9202007.190 CSRFT2 Fl. 491 3 formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Após a rejeição dos seus embargos de declaração, o Contribuinte apresenta recurso especial de divergência. Apontando como paradigma os acórdãos 210201.809 e 2101 01.529 é devolvido a este Colegiado as seguintes teses: nulidade de intimação edilícia realizada na dependência de Administração Fazendárias diversa daquela do domicílio fiscal do contribuinte e nulidade de citação edilícia quando não esgotados os demais meios de intimação. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos regimentais, razão pela qual, ratificando o despacho de admissibilidade dele conheço. Segundo o Recorrente o acórdão recorrido incorreu em erro ao concluir pela intempestividade do recurso voluntário deixando de acolher sua tese de nulidade da intimação. No caso a intimação foi edilícia, tendo sido apontada as seguintes irregularidades: a frustração da intimação postal se deu porque todas as tentativas foram feitas em horários comerciais, por lógica o contribuinte não seria encontrado em sua residência pois estaria trabalhando, e ainda que a afixação do edital foi feita em recinto localizado em cidade diversa do seu domicilio. Não se nega a regularidade e a expressa previsão legal de realização de intimação das partes por edital, entretanto esse procedimento somente se justifica após a caracterização irrefutável da tentativa frustrada de intimação do contribuinte por meio das outras modalidades previstas na norma. O art. 23 do Decreto nº 70.235/72 faculta ao sujeito ativo da relação tributária a possibilidade de utilização de três formas ordinárias de intimação: pessoal, postal e eletrônica, e deixa claro que a quarta modalidade intimação edilícia é forma excepcional de comunicação com o Contribuinte. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 492DF CARF MF 4 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Marcos Vinicius Neder e a ex Conselheira Maria Teresa Martínez López, na obra "Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado", fizeram a seguinte consideração ainda atual na concepção desta Relatora sobre o tema: "Dispõe o preceito legal que a intimação poderá ser efetuada por edital quando resultarem não proveitosos um dos meios referidos anteriormente (pessoal, postal, telegráfico). O próprio Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento que "por inviabilizar o pleno exercício do direito de defesa, assegurado constitucionalmente, a intimação ficta, via publicação na imprensa oficial, não é o meio adequado a darse ciência ao interessado de infração cometida. Tanto quando possível, esta deve ser pessoal, admitindose, no entanto, possa ser feito mediante postado". Por estes precedentes, deve o agente fiscal adotar a intimação por edital apenas quando existirem fortes razões que justifique este medida excepcional." Neste contexto, a conclusão que fazemos do dispositivo legal é no sentido de ser possível a intimação por edital no caso da frustração de quaisquer uma da modalidades ordinárias de intimação, não se exige o esgotamento de todas elas. No caso concreto entendo que este requisito foi vencido. Temos nos autos as cópias dos AR's (159/160) onde constam os apontamentos do funcionário dos Correios justificando a devolução da correspondência após três tentativas de intimar o Contribuinte em sua residência. O argumento de que tais tentativas se deram em horário comercial não é suficiente para invalidar o procedimento, afinal este também é o período geralmente utilizado pelos serviços postais, não por outra razão lembro ser comum que nestes casos os destinatários sejam advertidos acerca da presença do carteiro na residência facultando a retirada do objeto na agência postal mais próxima. Entretanto, embora deve ser afastada a primeira tese de nulidade, conforme acima tratado, entendo como pertinente acolher as razões do recurso no que tange a Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10218.720611/200761 Acórdão n.º 9202007.190 CSRFT2 Fl. 492 5 necessidade de que o respectivo edital seja afixado nas dependências da Receita Federal a qual o Contribuinte esteja vinculado. O Recorrente tem como domicílio fiscal a cidade de Redenção no Pará, sendo que o edital foi fixado na sede da Delegacia da Receita Federal de Marabá. A distância entre essas duas cidades é de mais de 350 quilômetros, mostrando ser desarrazoada a interpretação feita pelo Colegiado a quo sobre qual seria órgão encarregado da intimação. Se já é pouco provável que um contribuinte seja efetivamente intimado por meio de edital afixado nas dependência de órgão localizado em seu domicílio, aplicar entendimento defendido pelo acórdão recorrido seria o mesmo que reduzir a previsão normativa em letra morta. Assim, com base no princípio da razoabilidade e considerando a melhor interpretação a ser dada ao art. 23, §1º, II do Decreto nº 70.235/72, concluo pela existência de nulidade na intimação do Contribuinte acerca do acórdão proferido pela DRJ, devendo ser aplicável ao caso a norma do §5º do 26 da Lei nº 9.784/99: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. § 1o A intimação deverá conter: I identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; II finalidade da intimação; III data, hora e local em que deve comparecer; IV se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazerse representar; V informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; VI indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. § 2o A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento. § 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4o No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Fl. 494DF CARF MF 6 Assim impõese entender que o contribuinte foi efetivamente intimado quando do seu comparecimento espontâneo, o qual se deu exatamente com a apresentação do Recurso Voluntário. Diante de todo o exposto, dou provimento ao recurso devendo os autos retornarem à Turma a quo para devida apreciação do Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 495DF CARF MF
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