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Numero do processo: 10935.001857/2004-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO. NULIDADE.
É nulo o Despacho decisório proferido sem indicação plena dos motivos de fato e de direito que constituíram seu fundamento, por violação do princípio da motivação insculpido na Constituição federal e no artigo 2º da lei nº 9.784/99.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PRAZO PRESCRICIONAL NA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. EFEITO VINCULANTE EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
As decisões proferidas pelo STF na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, conforme reza o artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1002-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, declarando a nulidade do Despacho Decisório que denegou o pedido de restituição, afastando a prescrição do direito de repetição do suposto indébito tributário e determinando que os autos voltem a Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte para apreciação do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO. NULIDADE. É nulo o Despacho decisório proferido sem indicação plena dos motivos de fato e de direito que constituíram seu fundamento, por violação do princípio da motivação insculpido na Constituição federal e no artigo 2º da lei nº 9.784/99. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PRAZO PRESCRICIONAL NA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. EFEITO VINCULANTE EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. As decisões proferidas pelo STF na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, conforme reza o artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO. NULIDADE. É nulo o Despacho decisório proferido sem indicação plena dos motivos de fato e de direito que constituíram seu fundamento, por violação do princípio da motivação insculpido na Constituição federal e no artigo 2º da lei nº 9.784/99. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PRAZO PRESCRICIONAL NA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. EFEITO VINCULANTE EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. As decisões proferidas pelo STF na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, conforme reza o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 18 57 /2 00 4- 91 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 169 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, declarando a nulidade do Despacho Decisório que denegou o pedido de restituição, afastando a prescrição do direito de repetição do suposto indébito tributário e determinando que os autos voltem a Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte para apreciação do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por retratar os fatos com propriedade até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do pedido de restituição, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/CTA: "Por meio do Pedido de Restituição de fl. 3, o interessado requereu, em 11 de junho de 2004, a restituição de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL referente ao ano calendário de 1995. Os créditos seriam oriundos de pagamentos realizados pelas empresas COMAGRIL S/A VEÍCULOS E MÁQUINAS AGRÍCOLAS, CNPJ no 77.888.147/000194, e CASAGRANDE VEÍCULOS DOIS VIZINHOS S/A, CNPJ no 82.312.356/000125, ambas incorporadas pelo peticionário. O Pedido totalizou R$23.197,90 em valores originais, os quais, depois de atualizados até a data da apresentação da petição, resultavam em R$63.249,07, segundo cálculos realizados pelo próprio interessado. Ao requerimento foram anexados,ainda, os documentos de fls. 5 a 81. Em Despacho Decisório proferido em 5 de outubro de 2011 (fls. 88/89), do qual o contribuinte foi cientificado no dia 14 daquele mesmo mês (fl. 91), a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF em Cascavel/PR indeferiu o Pedido de Restituição. Inicialmente, esclareceu que houve equívoco na identificação do crédito pleiteado, pois, ainda que tenha havido prejuízo no fim do exercício, os pagamentos não são indevidos, posto que se Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 170 3 referem a antecipações obrigatórias para as empresas que optaram pelo lucro real ou que estavam obrigadas àquela forma de apuração do imposto. Aduz, portanto, que o contribuinte deveria ter pleiteado a restituição do saldo negativo de CSLL apurado no exercício e que, além disso, na apuração do saldo negativo, os pagamentos feitos em atraso deveriam ser computados pelo valor principal, sem a multa e os juros. Assim, afirma que, do pagamento realizado em 30 de junho de 1995, apenas R$1.188,31 poderiam ser utilizados para o cálculo do saldo negativo de CSLL. No que se refere ao prazo para pleitear a restituição, afirmou que o direito creditório está extinto em virtude da prescrição qüinqüenal, nos termos do art. 168 do CTN c/c o art. 3o da Lei Complementar no 118, de 9 de fevereiro de 2005, posto que o pedido, relativo a pagamentos realizados em 1995, foi apresentado em 11 de junho de 2004. Ressalta que, ainda que se considere que o crédito se trata, na realidade, de saldo negativo de CSLL, a prescrição qüinqüenal também teria ocorrido, uma vez que o encerramento do período de apuração se deu em 31 de dezembro de 1995. Inconformado, o interessado apresentou, em 16 de novembro de 2011, a manifestação de inconformidade de fls. 98 a 116, à qual juntou os documentos de fls. 117 a 119. Decadência Nesse recurso, alega, inicialmente, que o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento da ADIn no 1.1022/ DF, firmou o entendimento de que 'O prazo decadencial só começa a correr após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos', e que referido entendimento decorre do previsto no art. 168 do CTN. Assim, afirma que quem pagou tributo indevido tem, num primeiro momento, o direito assegurado por lei à restituição (art. 165 do CTN) e, em seguida, o prazo de 5 (cinco) anos para o exercício desse direito. Em seguida, defende que o art. 168 do CTN não trata de prescrição, vez que a extinção é do próprio direito e não da ação para exercêlo,mas sim de decadência; cita doutrina e jurisprudência. Em outro aspecto, afirma que nos lançamentos por declaração do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como nos de ofício, ou, ainda, por arbitramento, não há dúvida de que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento do tributo lançado, consoante previsto no art. 156, I, do CTN; porém dificuldades surgem com os lançamentos por homologação, aos quais se refere o art. 150, do CTN. Nesse sentido, alega que, nesse tipo de lançamento tributário, que é o caso dos autos, praticamente todo o trabalho de apuração do imposto de renda é deixado a cargo do sujeito passivo da obrigação tributária, limitandose a autoridade administrativa lançadora a homologar os atos por ele Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 171 4 praticados, de maneira que, no lançamento por homologação, é o contribuinte quem calcula o tributo ou contribuição a ser recolhido, sem qualquer ingerência prévia da autoridade administrativa lançadora nesses procedimentos de apuração do quantum debeatur, ressalvada àquela o direito de verificar, dentro do prazo decadencial, se a obrigação foi bem adimplida; cita doutrina. Assim, conclui que, nos tributos lançados por homologação, o prazo decadencial para a formulação de pedido, administrativo ou judicial, de repetição de indébitos tributários, inclusive através de compensação, se inicia na data em que o pagamento antecipado do tributo foi homologado por ato expresso da competente autoridade fiscal. Na ausência de procedimento homologatório e transcorridos os 5 (cinco) anos previstos no § 4o, do art. 150, do CTN, perfectibilizase a homologação tácita, a partir da qual começa a contagem do prazo de decadência cominado no art. 168, I, do CTN; cita jurisprudência. Desse modo, em se tratando de tributos enquadráveis na modalidade de lançamento por homologação, o que alega ser o caso dos autos, alega que o prazo para o exercício do direito à repetição do que foi pago indevidamente ou a maior que o devido contase, não a partir da data do pagamento indevido, mas da data em que expirou, para a autoridade administrativa lançadora, o prazo de 5 (cinco) anos de que esta dispôs para formalizar o ato homologatório, sem o fazer. Daí porque o prazo decadencial somente começaria a correr depois de decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos. Diante disso, infere não se poder falar em prescrição ou decadência do crédito objeto do pedido de restituição em voga, vez que os créditos apurados referemse ao anocalendário de 1995, de modo que, somente em 2005 os valores equivalentes estariam acobertados pelo manto da decadência. Nulidade. Violação do princípio do contraditório e da ampla defesa. Em outro aspecto, o manifestante alega que o Pedido de Restituição teria sido indeferido pelo simples fundamento de que houve equívoco na identificação do crédito pleiteado e que 'Ainda que tenha havido prejuízo no fim do exercício, os pagamentos não são indevidos, posto que se referem a antecipações obrigatórias para as empresas obrigadas ou optaram pelo Lucro Real.' Afirma, entretanto, que o auditor fiscal deixou de esclarecer os fundamentos legais aplicáveis ao caso em apreço, assim como a subsunção dos respectivos dispositivos aos fatos discutidos nos presentes autos, a fim de que a contribuinte pudesse perfilhar ou não do posicionamento adotado. Por esse motivo, entende que a decisão administrativa deve ser declarada nula, vez que, além de não atender aos requisitos informadores da atividade administrativa, qual seja, o princípio da motivação dos atos administrativos, violou também, Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 172 5 obliquamente, o direito da requerente à ampla defesa e ao contraditório. Na seqüência, discorre que o princípio da motivação é considerado, dentre os demais princípios que norteiam a Administração Pública, um dos mais importantes, vez que sem a motivação não há o devido processo legal, pois a fundamentação surge como meio interpretativo da decisão que levou à prática do ato impugnado, sendo verdadeiro meio de viabilização do controle da legalidade dos atos da Administração; cita doutrina. Afirma ainda que, justamente em decorrência disso, a Lei no 9.784, de 1999, a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, determina que o administrador público deverá promover, na prática do ato, a 'indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinaram a decisão' (art. 2o, VII) e que, em face da relevância de tal princípio, a referida Lei erigiu capítulo exclusivo para tratar da motivação, onde apontou as hipóteses em que necessariamente deverá haver a justificação do ato, entre elas, as decisões em recursos administrativos. Segue alegando que, de outro lado, a falta de motivação da decisão administrativa ora em referência implicou diretamente na extensão do exercício do direito de defesa do contribuinte, na medida em que inexistem no texto decisório os fundamentos legais e a correlação fáticojurídico necessárias entre a pretensão da peticionária e o posicionamento adotado pelo auditor fiscal. Nesse sentido, afirma que a Constituição Federal reportase ao princípio do devido processo legal em seu art. 5o, inciso LIV, que prescreve que 'ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal', e que, no inciso seguinte, o legislador constituinte trata mais especificamente da obediência a esse princípio no âmbito do processo administrativo, prevendo que 'aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes'. Daí, aduz que, em sentido processual, a expressão tem significado mais restrito e compreende a garantia de ampla defesa, o contraditório, a prévia determinação da competência e o direito a uma decisão fundamentada que ponha termo ao processo; cita doutrina. Dessa forma, conclui que, no caso dos autos, todavia, ao não expor as razões pelas quais a Administração delimitou os termos da decisão administrativa guerreada, a requerente se viu impedida de impugnar o despacho decisório em seus exatos termos. Isso porque, uma vez exposto de maneira ampla e genérica somente a parte dispositiva da decisão adotada pelo auditor fiscal, não restou outra alternativa à requerente senão impugnar genericamente as razões esposadas na decisão administrativa. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 173 6 Desse modo, sustenta não haver outra solução senão a anulação do Despacho Decisório, vez que, mesmo que sejam sanados os vícios apontados, passando a integrar a decisão os fundamentos que ensejaram a posição adotada pela Receita Federal, a requerente somente poderia apresentar a sua efetiva defesa já em sede de recurso administrativo. Possibilidade de restituição dos créditos de CSLL decorrentes da base de cálculo negativa de períodos anteriores Com relação a esse tema, o manifestante relata que, desde o anocalendário de 1995, o lucro real e a base de cálculo da CSLL, devidamente ajustados pelas adições e exclusões previstas legalmente, puderam ser reduzidos mediante a compensação das bases de cálculo negativas da CSLL apuradas em exercícios anteriores. Por sua vez, afirma que, com a edição da Lei no 9.430, de 1996, restou consignado que o contribuinte estaria legitimado não só à compensação do saldo do tributo apurado, mas também lhe foi assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Daí, relata que empresas incorporadas recolheram, no ano calendário de 1995, estimativas que, ao final do exercício financeiro, após a realização dos ajustes contábeis, constatou trataremse de pagamento indevido, pelo que solicitou a restituição do valor recolhido a maior. Da mesma forma, em relação à própria requerente, constatou o pagamento do IRPJ a maior. Contudo, nos termos da decisão proferida pela RFB, 'ainda que tenha havido prejuízo no fim do exercício, os pagamentos não foram considerados indevidos, posto que se referem a antecipações obrigatórias para as empresas obrigadas ou que optaram pelo Lucro Real. Nesse caso, o contribuinte deveria ter pleiteado a restituição do saldo negativo da CSLL apurada no exercício'. Então, alega lhe parecer claro que o fiscal não atentou para a norma jurídica prevista nos textos legais, segundo os quais o contribuinte possui a opção de compensar a base de cálculo negativa nos exercícios posteriores ao período de apuração do crédito, com eventual base de cálculo positiva, ou pedir restituição do tributo pago a maior. Assim, não haveria o que se discutir quanto à obrigatoriedade do recolhimento antecipado da CSLL, entretanto, o próprio ordenamento jurídico e a sistemática adotada pela Receita Federal do Brasil permitem a restituição de valores eventualmente recolhidos a maior ou a dedução do valor da CSLL apurado anualmente (ajuste). Cita ainda que as empresas incorporadas efetuaram o recolhimento da CSLL devida no anocalendário de 1995, correspondente ao valor resultante da aplicação da alíquota da CSLL sobre o resultado ajustado referente a cada um dos meses. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 174 7 Todavia, quando do ajuste anual, verificouse que as empresas auferiram lucro líquido negativo e conseqüentemente uma base de cálculo negativa da CSLL. Diante disso, surgiram duas hipóteses para utilizarse do crédito de CSLL: (i) a dedução no final do anocalendário, na declaração de ajuste, ou seja, na DIPJ, em que se deduz toda a estimativa paga no período correspondente, podendo gerar saldo negativo passível de compensação, ou (ii) pedido de restituição. Entende, portanto, que, uma vez presente a hipótese de configuração de saldo negativo de CSLL no fim do períodobase, poderá a requerente solicitar restituição ou compensação de pagamento a maior ou indevidamente. Ressalta também que a adoção de tal procedimento está em conformidade com o entendimento perfilhado pela própria Receita Federal do Brasil; cita solução de consulta. Em complementação, discorre que impedir que a requerente se restitua do valor recolhido a maior representa perda de patrimônio, vez que a CSLL, no presente caso, foi recolhida sobre parte que não é lucro, mas sim patrimônio da empresa. Sustenta que a Constituição Federal de 1988 outorgou competência à União para instituir impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza, o que foi confirmado pelo CTN. Na seqüência, discorre longamente sobre a diferença entre renda e patrimônio para, ao fim, concluir que, caso não fosse possível a restituição da CSLL paga e, tendo sido apurado prejuízo, estaria sendo tributado o capital da pessoa jurídica, o que seria inconstitucional; cita jurisprudência administrativa e judicial. Por fim, infere que o auditor fiscal, ao indeferir o pedido de restituição dos valores de CSLL recolhidos a maior, negou vigência aos ditames legais, merecendo a decisão reforma na sua integralidade, devendo ser aceitos os créditos objeto deste processo. Restituição do valor correspondente à multa moratória Na seqüência, informa que a decisão administrativa entendeu pela impossibilidade de o contribuinte computar, na apuração do saldo negativo da CSLL, a multa moratória incidente sobre as obrigações tributárias recolhidas em atraso. Entretanto, alega que o reconhecimento da referida parcela como crédito a ser restituído é medida que se impõe, vez que o recolhimento de tributos antes de qualquer procedimento da administração tributária configura denúncia espontânea, razão pela qual a multa moratória é indevida e, conseqüentemente, as parcelas recolhidas a título de multa moratória, em tal caso, devem ser repetidas. Ao citar o art. 138 do CTN, matriz legal da denúncia espontânea, alega que o requisito obrigatório e indispensável à sua incidência é que o contribuinte, ainda que a destempo, cumpra com a obrigação tributária; cita jurisprudência. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 175 8 Assim, verificada a ocorrência de pagamentos de contribuições e impostos em atraso, os quais foram acrescidos de multa moratória, procedeu a peticionaria ao levantamento dos valores recolhidos com as correções permitidas, encaminhando pedido de restituição. Cita jurisprudência, tanto judicial quanto administrativa, que conclui pela possibilidade de restituição nesses casos, pelo que alega também não merecer prosperar o Despacho Decisório nesse sentido. Ante tudo o que expôs, requereu o acolhimento de sua manifestação de inconformidade, com o conseqüente deferimento de seu pedido de restituição". A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/CTA, no acórdão n. 0635.810, de 1 de março de 2012 (efl. 124), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:1995 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa a ausência de bases legais na decisão quando tal omissão não acarreta nenhum prejuízo à manifestação do contribuinte, mormente nos casos de pedidos de restituição, hipóteses nas quais a declaração de nulidade somente prejudicaria o interessado. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição do saldo credor apurado na declaração de rendimentos extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contado a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A espontaneidade de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional não obsta a incidência da multa de mora decorrente do inadimplemento da obrigação tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO OCORRÊNCIA. DÉBITO DECLARADO ANTES DO PAGAMENTO. Não se considera espontâneo o pagamento de tributo realizado após a indicação do débito em DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995 CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR NÃO CARACTERIZADO. DIRETO CREDITÓRIO RECONHECIDO COMO SALDO NEGATIVO. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 176 9 Nos casos em que o contribuinte opta por calcular sua CSLL com base no lucro real anual e, no fim do ano, apura saldo negativo, os pagamentos realizados a título de CSLL mensal por estimativa passam a compor esse saldo. Nesse caso, tendo o contribuinte exercido o direito ao seu crédito da contribuição no período, devem ser tais pagamentos de estimativa reconhecidos como direito creditório, porém, da natureza de saldo negativo de CSLL, ficando esse crédito limitado ao montante do saldo negativo confirmado para o anocalendário e ao valor do direito exercido pelo interessado. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 139), no qual, apresenta os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). Preliminarmente o Recorrente diz que o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no sentido de que "...antes do advento da LC 118/2005, a repetição do indébito deveria observar a homologação tácita ou expressa do lançamento, quando, a partir de então, iniciava a contagem do prazo decadencial de 05 (cinco) anos", que "...com o advento da LC 118/2005, o prazo decadencial passou a nortearse pelo pagamento antecipado do tributo, nos termos dispostos pelo art. 168,1 do Código Tributário Nacional", que "...a nova sistemática ao contrário do que sustenta o Fisco não retroage para acobertar situações efetivadas antes do advento da LC 118/2005, cujos efeitos somente incidiram a partir de 09/06/2005", que "Neste Caso, devese ter em mente que os fatos geradores cuja restituição se pleiteia ocorreram em 1995, motivo pelo qual, considerando não ter ocorrido a homologação expressa do lançamento, temse que o prazo para se pleitear a restituição acaba sendo de 10 (dez) anos a contar do fato gerador" e que "Portanto, considerando que o Pedido de Restituição foi protocolado em 11/06/2004, descabido se falar na extinção do direito à restituição". Aduz que "...o Superior Tribunal de Justiça considerou que o art. 3o da LC 118/2005 foi muito além de simplesmente interpretar o art. 168, I, do Código Tributário Nacional, tendo, na verdade, modificado substancialmente o alcance da norma interpretada", que "...o STJ derrubou a maliciosa interpretação dada ao art. 3º da LC 118/2005 pelo Legislador, ao considerar que seus efeitos são unicamente prospectivos, e não retroativos", que "O efeito retroativo do art. 3º da LC 118/2005 almejado pelo Legislador, encontrase expresso no art. 4º da mesma Lei..." e que (sic) "A última parte do retro citado artigo foi declarado inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça, por ofensa aos artigos 2º e 5º, XXXVI da Constituição Federal". Sustenta que "O entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal é, igualmente, no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código" e que "Esta Corte Administrativa, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.° 256, de 2009, deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo". Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 177 10 Com relação ao mérito propriamente dito, relata que apresentou "...pedido de restituição, a fim de restituirse do crédito correspondente a pagamentos indevidos de CSLL, efetuados pelas empresas incorporadas pela peticionária, quais sejam, CASA GRANDE VEÍCULOS DOIS VIZINHOS S.A. e COMAGRIL S.A. VEÍCULOS E MÁQUINAS AGRÍCOLAS, no anocalendário de 1995..." e que "As empresas incorporadas, assim como a peticionária, na época dos fatos, eram tributadas pelo lucro real anual, ou seja, efetuavam o recolhimento mensal do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, calculados por estimativa". Sustenta que "com a edição da Lei n. 9.430/96, restou consignado que o contribuinte estaria legitimado não só à compensação do saldo do tributo apurado, mas também lhe foi assegurado a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior, conforme dispõe o art. 6o, § 1o, inc. II, c/c com os art. 28 e 66, todos da Lei n. 9.430/96", que "Balizada por tais disposições legais, a requerente, ao identificar que as empresas incorporadas recolheram, no anocalendário de 1995, o importe de R$ 23.197,00 (vinte e três mil cento e noventa e sete reais) de CSLL, apurado por estimativa, e que, ao final do exercício financeiro, após a realização dos ajustes contábeis, constatou o pagamento indevido da referida exação, solicitou a restituição do valor recolhido a maior" e que "Portanto, no caso dos autos, uma vez presente a hipótese de configuração de saldo negativo de CSLL no final do períodobase, poderá a requerente requerer restituição ou compensação de pagamento a maior ou indevidamente". Relativamente à possibilidade de restituição do valor correspondente à multa moratória por Denúncia espontânea, afirma que "O artigo 138, do CTN, dispõe que ' A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração'" , que "... imprescindível se faz atentar para o entendimento firmado pelo c. STJ, que ao interpretar o art. 138, do CTN, posicionouse no sentido de que promovendo o contribuinte a denúncia espontânea, a multa prevista no referido dispositivo, a título de penalização pela prática de infração tributária, não é devida e, portanto, passível de restituição..." e que "...verificada a ocorrência de pagamentos de contribuições e impostos em atraso, os quais foram acrescidos de multa moratória, procedeu a peticionaria ao levantamento dos valores recolhidos com as correções permitidas, encaminhando pedido de restituição". Como forma de lastrear os fundamentos do Recurso Voluntário, colaciona diversos acórdãos de jurisprudência e cita escólio de doutrina. Conclui sua peça de defesa requerendo a procedência de seu Recurso Voluntário para afastar a decadência e acolher os créditos pleiteados. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 178 11 Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares Inicialmente, constato que o acórdão recorrido consigna como um primeiro fundamento denegatório do Recurso Voluntário o fato de o pedido de restituição encontrarse prescrito, entendendo que em 31/12/2004 já havia expirado o prazo postulatório de 5 (cinco) anos, iniciado em 01/01/2000, conforme indica o excerto seguinte: (...) Portanto, tendo alegado direito creditório surgido em 31/12/1999 (data da extinção do crédito tributário do IRPJ), excluindose tal dia da contagem do prazo (dia de início da contagem), o prazo para se pedir restituição e ou compensação iniciouse em 01/01/2000 e se extinguiu no dia 31/12/2004, ou seja, cinco anos após o pagamento indevido. Conseqüentemente, tendo a contribuinte apresentado o Pedido de Restituição em 06/06/2005, inferese que o seu direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório para fins de restituição ou de compensação estava extinto pelo decurso do prazo decadencial. Como preliminar, o Recorrente contesta a alegação de prescrição, sob o fundamento de que o Supremo Tribunal Federal decidiu que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação relativos a pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005 de tributos sujeitos a lançamento por homologação será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, deste mesmo código. A controvérsia apontada, portanto, cingese à definição do prazo de prescrição do pedido de restituição apresentado pelo recorrente em prazo superior a cinco anos, tese adotada pela Fazenda Nacional, em contraposição à tese dos dez anos (cinco + cinco) defendida pelo STJ e STF para os pedidos realizados até a edição da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, anteriormente a junho de 2005. Em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC), a Corte Superior deliberou sobre o Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 179 12 prazo prescricional das ações de repetição de indébitos tributários, em face da Lei Complementar nº 118/05 e a constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 180 13 Como se observa, definiuse naquela assentada que a prescrição qüinqüenal não alcança situação de contribuintes que ingressaram com pedidos de restituição dos indébitos tributários antes da edição da Lei Complementar nº 118/05, reconhecendose o prazo de dez anos para o ingresso de pedidos desta natureza, a contar do fato gerador. Por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF – RICARF, este colegiado vinculase às decisões proferidas pelo STF, processadas sobre o rito do art. 543B e "C" do CPC: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Posteriormente, foi editada súmula do CARF no mesmo sentido do posicionamento firmado no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS, dotada de força vinculante aos órgãos de julgamento integrantes deste Conselho (grifos nossos): Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Considerandose não mais restar dúvida quanto à fixação do prazo prescricional de 10 anos do fato gerador para ingresso com pedido de restituição oriundo de pagamento indevido ou a maior, concluise que assiste razão ao Recorrente, eis que sua solicitação foi protocolizada em 11/06/2004 (efls. 03) e tratou de suposto indébito tributário de saldo negativo de CSLL de período de apuração encerrado em 31/12/1995, enquadrandose, portanto, dentro do prazo estabelecido na sistemática dos cinco + cinco. Pelo exposto, afastase a prescrição do prazo como motivo impeditivo à análise do pleito do Recorrente. Outro aspecto preliminar apontado pelo Recorrente é que o Despacho Decisório deixou de esclarecer os fundamentos legais aplicáveis ao caso, pelo que deve ser declarado nulo, uma vez que, além de não atender aos requisitos informadores da atividade administrativa, mais precisamente, ao princípio da motivação dos atos administrativos, violou também o direito da requerente à ampla defesa e ao contraditório. Eis os fundamentos do Despacho Decisório relativos ao mérito do pedido de restituição: Primeiramente, cabe esclarecer que houve equívoco na identificação do crédito pleiteado. Ainda que tenha havido prejuízo no fim do exercício, os pagamentos não são indevidos, posto que se referem a antecipações obrigatórias para as Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 181 14 empresas obrigadas ou que optaram pelo Lucro Real. Nesse caso, o contribuinte deveria ter pleiteado a restituição do saldo negativo da CSLL apurada no exercício. Na apuração do saldo negativo, os pagamentos feitos em atraso devem ser computados pelo valor do principal, sem a multa e os juros. Portanto, do pagamento realizado em 30/06/1995, apenas R$ 1.188,31 podem ser utilizados para o cálculo do saldo negativo da CSLL. Por outro lado, o acórdão recorrido sustentou que não houve violação ao direito de defesa do Recorrente, conforme indica o excerto seguinte: Nesse aspecto, não assiste razão ao contribuinte, posto que não restou configurado nos autos que a defesa apresentada tenha sido limitada por omissão no ato da administração. Da leitura da Manifestação de Inconformidade apresentada percebese, claramente, ter havido por parte do interessado perfeita compreensão das razões de indeferimento, posto que todos os aspectos levantados na decisão foram perfeitamente defendidos. Por outro lado, há que se frisar que eventual declaração de nulidade em nada beneficiaria o manifestante. Isso porque, nestes autos, não se está diante de exigência formulada pela RFB, mas sim de pedido de restituição efetuado pelo contribuinte. Portanto, qualquer ato que determine o retorno do processo ao seu estado inicial apenas causaria maior demora na solução da questão, o que, imaginase, não deve ser objetivo do interessado, posto que esse deve desejar reaver, no menor espaço de tempo possível, os valores que julga ter pagado indevidamente. Há que se considerar, portanto, não haver qualquer aspecto que justifique a declaração de nulidade da decisão atacada. Entendo que assiste razão ao Recorrente também quanto a esse ponto. Vêse que o Despacho Decisório apenas afirma que houve equívoco na identificação do crédito pleiteado, posto que referiase a antecipação obrigatória e não a pagamento indevido, porém, não faz a distinção jurídica entre estes dois conceitos e não apresenta de forma clara, explícita e congruente os motivos pelos quais chegou a esta conclusão, nem consigna os fundamentos legais e normativos que, em tese, justificariam o entendimento. Nesse contexto, entendo que houve prejuízo ao direito de defesa do Recorrente por deficiência de motivação do ato administrativo. É cediço que a motivação é um princípio basilar consagrado na Constituição federal e na lei nº 9.784/99 e sua ausência pode acarretar, por via de conseqüência, a nulidade do ato administrativo, sobretudo quando negue ou deixe de analisar pleitos dos administrados. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 182 15 A opinião balizadora do saudoso administrativista Hely Lopes Meirelles, reproduzida no trecho abaixo, vai ao encontro desse entendimento (grifos nossos): Pela motivação o administrador público justifica sua ação administrativa, indicando os fatos (pressupostos de fato) que ensejam o ato e os preceitos jurídicos (pressupostos de direito) que autorizam sua prática. Claro está que em certos atos administrativos oriundos do poder discricionário a justificação será dispensável, bastando apenas evidenciar a competência para o exercício desse poder e a conformação do ato com o interesse público, que é pressuposto de toda atividade administrativa. Em outros atos administrativos, porém, que afetam o interesse individual do administrado a motivação é obrigatória, para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. A motivação é ainda obrigatória para assegurar a garantia da ampla defesa e do contraditório prevista no art. 5º, LV, da CF/88. Assim, sempre que for indispensável para o exercício da ampla defesa e do contraditório, a motivação será constitucionalmente obrigatória. A motivação, portanto, deve apontar a causa e os elementos determinantes da prática do ato administrativo, bem como o dispositivo legal em que se funda. Esses motivos afetam de tal maneira a eficácia do ato que sobre eles se edificou a denominada teoria dos motivos determinantes, delineada pelas decisões do Conselho de Estado da França e sistematizada por Jeze (v. cap. IV, item 5). Em conclusão, com a Constituição/88 consagrando o princípio da moralidade, ampliando o do acesso ao Judiciário e exigindo explicitamente que as decisões administrativas dos tribunais sejam motivadas ( cf. inc. X do art. 93, aplicável ao Ministério Público em face do§ 4º do art. 129, na redação da EC 45), a regra geral é a obrigatoriedade da motivação, para que a atuação ética do administrador fique demonstrada pela exposição dos motivos do ato e para garantir o próprio acesso ao Judiciário. Em suma, a motivação deve ser eficiente, de modo a ensejar seu controle a posteriori. Leis infraconstitucionais têm proclamado a observância do princípio da motivação. Assim, na esfera federal, a referida Lei 9.784, de 29.1.99, diz que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação (art. 2º). No processo e nos atos administrativos a motivação é atendida com a 'indicação dos pressupostos de fato e de direito' que determinarem a decisão ou o ato (parágrafo único do art. 2º e art. 50). A motivação 'deve ser explícita, clara e congruente'(§ 1º do art. 50). Assim, se não permitir o seu devido entendimento, a motivação não atenderá ∙aos seus fins, podendo acarretar a nulidade do ato. (...) Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 183 16 Diz, ainda, que a motivação é obrigatória quando os atos "neguem, limitem ou afetem direitos e interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou de seleção pública; dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; decidam recursos administrativos; decorram de reexame de oficio; deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo' (art. 50, I a VIII). Quando se tratar de 'decisões de órgãos colegiados ou de decisões orais' a motivação 'constará da respectiva ata ou de termo escrito' (§ 3º do art. 50). Ademais, não fosse o falso óbice da prescrição e dada a natureza da matéria, é razoável supor que o pedido de restituição teria sido analisado com maior profundidade e acurácia pela Unidade de Origem, de modo a que a decisão de mérito não ficasse restrita a 5 (cinco) linhas, como, de fato, ocorreu. Diante desse quadro, considero que o Recorrente teve seu direito de defesa cerceado, acarretando a nulidade do Despacho Decisório, a teor do que dispõe o inciso II do artigo 59 do decreto nº 70.235/72g (grifos nossos): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Dispositivo Pelo exposto, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, declarando a nulidade do Despacho Decisório que denegou o pedido de restituição, afastando a prescrição do direito de repetição do suposto indébito tributário e determinando que os autos voltem a Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte para apreciação do mérito do pedido. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10935.001857/200491 Acórdão n.º 1002000.569 S1C0T2 Fl. 184 17 Aílton Neves da Silva Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000429/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CORRELATA. MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP.
A sorte de Autos de Infração relacionados, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
Numero da decisão: 9202-007.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardoza - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 28/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CORRELATA. MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP. A sorte de Autos de Infração relacionados, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardoza - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Paula Fernandes.
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MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP. A sorte de Autos de Infração relacionados, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardoza Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 29 /2 00 9- 21 Fl. 948DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 2401002.864, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, no dia 23 de janeiro de 2013, que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao levantamento "vantagem a dirigente", conforme ementa transcrita abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores. Mesmo sendo declarada a reconstituição da NFLD CORRELATAS face vício formal na sua constituição, como a autuação deuse em função da informação errônea de optante pelo SIMPLES, e os fatos geradores terem sido apurados na própria GFIP, não há que se anular o AI, face persistir a infração até a data da nova lavratura MULTA RETROATIVIDADE BENIGNANA superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Recurso Voluntário Provido em Parte CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratandose de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõese à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela Fl. 949DF CARF MF Processo nº 15956.000429/200921 Acórdão n.º 9202007.198 CSRFT2 Fl. 948 3 lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (autoenquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa os valores referentes ao levantamento "vantagem a dirigente". Como muito bem relatado pela Câmara a quo, peço vênia para transcrever o relatório constante no acórdão nº 2401002.864: O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.230.0073, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 06, No período de 01/2005 a 02/2005 a empresa deixou de declarar em Guia de Recolhimento do FGTS e Informação Previdência Social GFIP os valores relativos a remuneração aos dirigentes conforme descrito no relatório do Auto de Infração da Obrigação Principal que apurou as verbas apontadas como Prólabore aos dirigentes. Neste mesmo período, a empresa se autoenquadrou como Entidade Imune, deixando de informar e recolher os valores devidos Previdência Social, quota patronal (empresa) e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), apuradas sobre os valores pagos ou creditados aos segurados empregados e da parte da empresa sobre os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais, nos termos da Lei 8.212/91 de 24/07/91, regulamentada pelo Decreto no 3.048/99 de 06/05/99 RPS Regulamento da Previdência Social alterações posteriores. Fl. 950DF CARF MF 4 Procedendo dessa maneira a empresa deixou de incluir todos os fatos geradores na GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social infringindo assim, o disposto na Lei no. 8.212/91, artigo 32, inciso IV e § 5º , também acrescentado pela Lei no. 9.528/97 de 10/12/1997 combinado com o art. 225, inciso IV, §4º do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no. 3.048 de 06/05/1999. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial alegando que a deficiência na descrição dos fatos acarreta nulidade do auto de infração por vício formal e não material, conforme efls.. Conforme despacho de admissibilidade de efls. 931/935, o REsp da PGFN foi admitido em relação a segunda divergência apontada, conforme trecho transcrito abaixo: Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e o primeiro paradigma, motivo pelo qual entendo que está configurada a segunda divergência jurisprudencial apontada. De fato, em situações semelhantes, em que houve deficiência na descrição dos fatos, o primeiro paradigma declarou a nulidade do lançamento por vício formal, enquanto que o aresto atacado considerou tal mácula vício material. Por oportuno, reproduzo o seguinte trecho do Acórdão n.º 203 09.332:(...) O Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 941/945, alegando que a matéria objeto do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não se encontra em discussão no presente caso, requerendo o não conhecimento do presente Recurso e/ou a sua negativa. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Conforme despacho de admissibilidade de efls. 931/935, o REsp da PGFN é tempestivo, porém, devemos verificar os demais requisitos de admissibilidade. Conforme despacho de admissibilidade de efls. 1.118/1.121, o REsp da PGFN é tempestivo entretanto, do acórdão paradigma Acórdão n.º20309.332 trazido para subsidiar o pedido, consta na Ementa, inadvertidamente, a designação Vício Formal, incorrendo em contradição direta ao subsequente decisum e ao voto, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVAS A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses Fl. 951DF CARF MF Processo nº 15956.000429/200921 Acórdão n.º 9202007.198 CSRFT2 Fl. 949 5 previstas na norma legal. (Art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72). Preliminar rejeitada. COFINS NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo que se anula ab initio. (Terceira Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes. 10980.014934/9729.) ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: 1) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de pedido de juntada de documentos; e II) no mérito, por maioria de votos, em anular o processo ab initio. Vencidos os Conselheiros Vahnar Fonseca de Menezes (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Suplente) e Otacílio Dantas Cartaxo. Esteve presente ao julgamento o Advogado da Recorrente Altair Santana da Silva. Entretanto, é absolutamente claro, do voto da Ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez Lopes, que se a ausência de motivação levou aquele colegiado ao reconhecimento do vício material, inexistindo divergência apontada pela Fazenda Nacional, verbis: O princípio da legalidade impõe que o agente público observe, fielmente, todos os requisitos expressos na lei como da essência do ato vinculado 3 . O seu poder administrativo restringese, em tais casos, ao de praticar o ato, mas o de praticar com todas as minúcias especificadas na lei. Omitindoas ou diversificandoas na sua substância, nos motivos, na finalidade, no tempo, na forma ou no modo indicados, o ato é inválido. 110 Inserese da leitura do art. 142 do CTN que o auto de infração deve conter, com clareza e precisão, todos os elementos necessários à identificação precisa da suposta obrigação tributária que se está constituindo, a saber: a indicação precisa e objetiva das atividades que pretende tributar, indicando, também, detalhadamente, as operações que ensejaram a ocorrência do fato gerador da obrigação. Esses são requisitos mínimos impostos pelo CTN para dar validade à exigência fiscal. De igual modo, tais requisitos devem, obrigatoriamente, estar conjugados com a respectiva "motivação" de forma a permitir ao contribuinte/interessado possa examinar a pretensão fiscal, atendendoa ou se defendendo mediante uma devida impugnação. ... A regra do art. 142 do CTN é de inequívoca clareza. A expressão "determinar" significa conformar por inteiro; não permitir dúvida; e afastar zonas cinzentas. Determinar é dar perfil completo, o desenho absoluto, nítido, claro e cristalino. E tal determinação tem que ser apresentada pelo sujeito ativo, no lançamento, e não pelo sujeito passivo. Nesse sentido, temse que Fl. 952DF CARF MF 6 o lançamento é nulo, por falta de vinculação à norma jurídica com a devida descrição dos fatos. ... Em análise aos autos, verificase, portanto, a inexistência da devida motivação do ato administrativo. Não basta a mera invocação da norma jurídica, supostamente aplicável ao fato sem que se explique como e por quê aquela norma jurídica deve ser aplicada. Motivar não é simplesmente apontar o texto da lei, eis que a isso se dá o nome de "fundamentação legal". As partes, tanto quem constitui o crédito tributário, pelo lançamento, como quem se insurge contra o ato administrativo, deverão justificar o porquê do ato administrativo ou da decisão administrativa, ou da não concordância com o ato administrativo. Celso Antonio Bandeira de Mello considera o princípio da motivação como • essencial ao processo administrativo, definindoo como "o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fálico da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, técnicas e jurídicas que servem da calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar a procedência jurídica e racional perante o caso concreto ". Por oportuno, conveniente transcrever frase de Benthan, citada por Nfichelle Taruffo: "good decisions are such decisions for which good reasons can be given" (boas decisões são aquelas decisões para as quais boas razões podem ser dadas"6. Em verdade, o agente fiscal pode e deve efetuar o ato administrativo do lançamento de acordo com as razões de seu livre convencimento, todavia, deve explicitar as razões que o levaram a adotar este ou aquele procedimento, de maneira que seu procedimento não se configure em arbítrio, logo, imprescindível, indicar, na descrição dos fatos, "os motivos que lhe formaram o convencimento". Ressaltese que essa exigência tem implicação substancial e não meramente formal. Em se tratando de pessoa jurídica de fins não lucrativos, não basta, portanto, a autoridade julgadora dizer que houve falta de pagamento e reportarse a artigos genéricos da lei, como se fosse uma pessoa jurídica comum, eis que necessária, sob pena de nulidade, a exteriorização da base fundamental do procedimento. Portanto, por entender ter ocorrido vício de forma na constituição do crédito tributário, defeito insanável do ato jurídico, que deve ser declarada a qualquer tempo, independentemente de argüição, voto pela nulidade do processo ab initio Como não foi conhecido AC 20601.026, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial da Fazenda Nacional. A maioria do Colegiado, entretanto, entendeu que não deve ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional dada a perda do objeto do presente em decorrência do reconhecimento do vício material constante da Obrigação Principal. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 953DF CARF MF Processo nº 15956.000429/200921 Acórdão n.º 9202007.198 CSRFT2 Fl. 950 7 Fl. 954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720628/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/11/2011
PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR ERRO NO CRITÉRIO DO LANÇAMENTO, POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INDEFERIMENTO.
Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O Relatório Fiscal deixa claro que a data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é definida como a data do exercício das opções pelo empregado. Preliminar indeferida.
STOCK OPTION PLANS. PLANO OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES REGRA. NATUREZA MERCANTIL E NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSÁRIA A EXISTÊNCIA DO RISCO. INEXISTÊNCIA DE RISCO, DERVIRTUAMENTO DO INSTRUMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA SALARIAL COM INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Nos casos de opção de compra de ações das empregadoras pelos empregados ou diretores sem apoio financeiro daquelas, mediante preço representativo ao de mercado, não considera-se remuneração, nem fato gerador de contribuições previdenciárias, pois representam apenas um ato negocial da esfera civil/empresarial. Portanto, as Stock Options têm natureza mercantil e, desta forma, não incide Contribuição Previdenciária.
Entretanto, para que isso ocorra, necessário que a Contribuinte demonstre que no seu plano o funcionário paga pelas opções de compra de ações, que as ações tenham preço de acordo com o mercado, sendo este sujeito às variações de mercado, havendo o risco do investimento, que é inteiramente do funcionário.
O recebimento da Opção de Compra de Ação de forma gratuita pelo funcionário elide o risco do negócio. Se não há risco no negócio, perde-se a natureza mercantil da Stock Option, constatando a natureza salarial e a incidência dos reflexos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. DEVIDO. SÚMULA 108 CARF.
Súmula 108 CARF: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO. STOCK OPTIONS. AÇÕES COM CLÁUSULA RESTRITIVA DE VENDA IMEDIATA. LOCK UP. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações sujeitas à cláusula lock up, caracterizam-se como remuneração, cabível, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias.
O exercício de opção é um direito que ingressa no patrimônio jurídico do beneficiário em razão da relação de trabalho que ele mantém com a empresa. No momento em que recebe as ações, o beneficiário já está sendo remunerado, afinal, mesmo antes de serem revendidas, as ações acrescem ao patrimônio do trabalhador e lhe trazem uma série de vantagens, tais como, o direito ao recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, direito ao voto, podem ser alugadas para terceiros e transferíveis por herança.
O fato gerador é remunerar a prestação do trabalho o que foi feito com a entrega das ações, ainda que submetidas a um prazo de lock up. Não se justifica a exclusão das ações submetidas a lock up do lançamento.
Numero da decisão: 2301-005.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendiam não tributável o recebimento de ações decorrente de opções simples, e 2) por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que negavam provimento. Designada para fazer o voto vencedor do recurso de ofício a conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes.
João Maurício Vital - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2010 a 30/11/2011 PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR ERRO NO CRITÉRIO DO LANÇAMENTO, POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INDEFERIMENTO. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O Relatório Fiscal deixa claro que a data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é definida como a data do exercício das opções pelo empregado. Preliminar indeferida. STOCK OPTION PLANS. PLANO OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES REGRA. NATUREZA MERCANTIL E NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSÁRIA A EXISTÊNCIA DO RISCO. INEXISTÊNCIA DE RISCO, DERVIRTUAMENTO DO INSTRUMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA SALARIAL COM INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Nos casos de opção de compra de ações das empregadoras pelos empregados ou diretores sem apoio financeiro daquelas, mediante preço representativo ao de mercado, não considera-se remuneração, nem fato gerador de contribuições previdenciárias, pois representam apenas um ato negocial da esfera civil/empresarial. Portanto, as Stock Options têm natureza mercantil e, desta forma, não incide Contribuição Previdenciária. Entretanto, para que isso ocorra, necessário que a Contribuinte demonstre que no seu plano o funcionário paga pelas opções de compra de ações, que as ações tenham preço de acordo com o mercado, sendo este sujeito às variações de mercado, havendo o risco do investimento, que é inteiramente do funcionário. O recebimento da Opção de Compra de Ação de forma gratuita pelo funcionário elide o risco do negócio. Se não há risco no negócio, perde-se a natureza mercantil da Stock Option, constatando a natureza salarial e a incidência dos reflexos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. DEVIDO. SÚMULA 108 CARF. Súmula 108 CARF: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO. STOCK OPTIONS. AÇÕES COM CLÁUSULA RESTRITIVA DE VENDA IMEDIATA. LOCK UP. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações sujeitas à cláusula lock up, caracterizam-se como remuneração, cabível, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias. O exercício de opção é um direito que ingressa no patrimônio jurídico do beneficiário em razão da relação de trabalho que ele mantém com a empresa. No momento em que recebe as ações, o beneficiário já está sendo remunerado, afinal, mesmo antes de serem revendidas, as ações acrescem ao patrimônio do trabalhador e lhe trazem uma série de vantagens, tais como, o direito ao recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, direito ao voto, podem ser alugadas para terceiros e transferíveis por herança. O fato gerador é remunerar a prestação do trabalho o que foi feito com a entrega das ações, ainda que submetidas a um prazo de lock up. Não se justifica a exclusão das ações submetidas a lock up do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendiam não tributável o recebimento de ações decorrente de opções simples, e 2) por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que negavam provimento. Designada para fazer o voto vencedor do recurso de ofício a conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes. João Maurício Vital - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Redatora Designada (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
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NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR ERRO NO CRITÉRIO DO LANÇAMENTO, POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INDEFERIMENTO. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O Relatório Fiscal deixa claro que a data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é definida como a data do exercício das opções pelo empregado. Preliminar indeferida. STOCK OPTION PLANS. PLANO OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES REGRA. NATUREZA MERCANTIL E NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSÁRIA A EXISTÊNCIA DO RISCO. INEXISTÊNCIA DE RISCO, DERVIRTUAMENTO DO INSTRUMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA SALARIAL COM INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Nos casos de opção de compra de ações das empregadoras pelos empregados ou diretores sem apoio financeiro daquelas, mediante preço representativo ao de mercado, não considerase remuneração, nem fato gerador de contribuições previdenciárias, pois representam apenas um ato negocial da esfera civil/empresarial. Portanto, as Stock Options têm natureza mercantil e, desta forma, não incide Contribuição Previdenciária. Entretanto, para que isso ocorra, necessário que a Contribuinte demonstre que no seu plano o funcionário paga pelas opções de compra de ações, que as ações tenham preço de acordo com o mercado, sendo este sujeito às variações de mercado, havendo o risco do investimento, que é inteiramente do funcionário. O recebimento da Opção de Compra de Ação de forma gratuita pelo funcionário elide o risco do negócio. Se não há risco no negócio, perdese a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 28 /2 01 5- 77 Fl. 3168DF CARF MF 2 natureza mercantil da Stock Option, constatando a natureza salarial e a incidência dos reflexos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. DEVIDO. SÚMULA 108 CARF. Súmula 108 CARF: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO. STOCK OPTIONS. AÇÕES COM CLÁUSULA RESTRITIVA DE VENDA IMEDIATA. LOCK UP. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações sujeitas à cláusula lock up, caracterizamse como remuneração, cabível, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias. O exercício de opção é um direito que ingressa no patrimônio jurídico do beneficiário em razão da relação de trabalho que ele mantém com a empresa. No momento em que recebe as ações, o beneficiário já está sendo remunerado, afinal, mesmo antes de serem revendidas, as ações acrescem ao patrimônio do trabalhador e lhe trazem uma série de vantagens, tais como, o direito ao recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, direito ao voto, podem ser alugadas para terceiros e transferíveis por herança. O fato gerador é remunerar a prestação do trabalho o que foi feito com a entrega das ações, ainda que submetidas a um prazo de lock up. Não se justifica a exclusão das ações submetidas a lock up do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendiam não tributável o recebimento de ações decorrente de opções simples, e 2) por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que negavam provimento. Designada para fazer o voto vencedor do recurso de ofício a conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes. João Maurício Vital Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.169 3 Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Redatora Designada (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2501/2529) e Recurso de Ofício interpostos em face da decisão da DRJ (fls. 2476/ 2491) proferida pela 9ª Turma da DRJ/RPO, Acórdão 1460.090 de 13 de abril de 2016, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo Contribuinte nas fls. 2357/2383 e manteve em parte o crédito tributário lançado, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 30/11/2011 STOCK OPTIONS. BENEFÍCIO OFERECIDO COMO CONTRAPRESTAÇÃO AO TRABALHO. CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS COMPATÍVEIS COM SUA NATUREZA REMUNERATÓRIA. O benefício oferecido aos trabalhadores representado pelas ações da empresa negociadas a preços inferiores aos praticados pelo mercado em decorrência da adesão ao plano de opções de ações (stock options), destinase a remunerar os serviços prestados. As características próprias deste benefício não são incompatíveis com sua natureza remuneratória. STOCK OPTIONS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DA REMUNERAÇÃO. A remuneração se consuma com a efetiva transferência aos trabalhadores das ações, desde que estas possam ser Fl. 3170DF CARF MF 4 comercializadas no mercado financeiro de imediato, sendo irrelevante a futura destinação dessas ações. STOCK OPTIONS. AÇÕES COM CLÁUSULA RESTRITIVA DE VENDA IMEDIATA. LOCK UP. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CORRESPONDENTE, CALCULADO COM BASE NO VALOR DE MERCADO, QUANDO AINDA NÃO ERA POSSÍVEL A VENDA DESSAS AÇÕES. Não integra a base de cálculo os valores apurados em decorrência do ganho decorrente da aquisição pelos trabalhadores de ações oferecidas pela empresa a preços inferiores aos praticados pelo mercado, quando tais ações não poderiam ser negociadas pelos trabalhadores naquele momento, por estarem sujeitas à cláusula lock up (restrição para venda imediata). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Após o lançamento, incidem juros sobre a multa de ofício, pois, esta integra o crédito tributário lançado, não havendo que se fazer distinção em relação à aplicação da regra contida no artigo 161 do Código Tributário Nacional CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme consta do Auto de Infração (fl. 2345/2353) e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 2278/23339, tratase do DEBCAD n. 51.011.1572 AIOP onde foram apurados valores referentes à contribuição devida à Seguridade Social, prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91, incidente sobre a remuneração paga a diretores executivos (contribuintes individuais), sob a forma de outorga de opções de ações (Stock Options) que dão direito à subscrição de ações da companhia, lançandose o crédito tributário no valor de R$ 32.386.599,57 (trinta e dois milhões, trezentos e oitenta e seis mil reais, quinhentos e noventa e nove reais e cinqüenta e sete centavos). Segundo o Termo de Verificação Fiscal: · A companhia outorga a opção de compra de ação dela própria “gratuitamente”; sendo que o trabalhador somente adquire a opção após o prazo de carência, sem pagar qualquer preço pela opção (não há prêmio, como ocorre no mercado de stock options). · O proprietário da ação pode negociar as ações adquiridas gratuitamente de forma livre no mercado, inclusive na mesma data de exercício, ou então em momento que julgar mais oportuno e vantajoso, salvo os casos em que a empresa impõe condições, em geral temporais, para alienação da ação adquirida. · Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a concessão das stock options não se dá de forma gratuita, visto que a empresa ganha o serviço prestado como pagamento do prêmio, tratandose de uma remuneraçãoutilidade, sendo que o trabalhador, ao não desembolsar Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.170 5 quantia em dinheiro para adquirir a stock option, só corre o risco de ganhar e nunca de perder, sendo a stock option uma operação sem quaisquer riscos para o trabalhador. · Há o reconhecimento pela Contribuinte, em documentos societários e informativos, do caráter remuneratório da outorga de opção de ações aos seus diretores, cuja finalidade principal é a retenção de determinados profissionais e a contratação de outros. · O fato gerador da obrigação tributária principal, em se tratando de situação jurídica pendente de condição suspensiva (como é o caso das outorgas de opções de ações para trabalhadores), reputase perfeito e acabado desde o momento do implemento da condição, ou seja, é mensurável pelo valor justo da opção de compra, tomando como base o valor justo das opções outorgadas na data da mensuração (outorga), baseandose nos preços de mercado, se disponíveis; · Uma vez que não foram apresentados os valores justos das opções outorgadas, e que o preço de exercício não reflete esse valor, a base de cálculo foi aferida pelo valor intrínseco da operação, ou seja, pela diferença, na data do exercício, entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício pago pelo beneficiário da opção. A base de cálculo do lançamento das contribuições apuradas foi calculada de acordo com o plano adotado, sendo que existem dois Opção Simples e Opção de Sócios. Para o primeiro, a base de cálculo das contribuições apuradas (montante da remuneração paga), conforme consta no Termo de Verificação Fiscal e demonstrado nas planilhas de fls. 2.340/2.344, foi calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de vencimento do prazo de carência. Para o último plano, não há pagamento de preço de exercício pelo beneficiário, esse pagamento se traduz em uma obrigação de fazer (nas opções bonificadas o participante deve investir em ações da empresa parte ou a integralidade da participação líquida nos lucros e resultados que tiver recebido no ano anterior. Assim sendo, para essas opções, a base de cálculo é aferida e calculada multiplicandose a quantidade exercida pelo valor de mercado da ação na data do exercício. A Contribuinte apresenta Impugnação nas fls. 2357/2383 requerendo: · Preliminar de Nulidade da Autuação pela utilização do arbitramento fictício da base de cálculo, em que a fiscalização considerou como sendo a diferença entre o valor de mercado da ação x preço de exercício previsto no Plano de Opção, justificando seu provimento pela falta de apresentação do valor justo da outorga durante a fiscalização; · Que somente após o decurso dos prazos previstos e da satisfação das demais condições do Plano é que o titular da opção pode exercêla, dependendo, ainda, das condições e perspectivas do mercado de Fl. 3172DF CARF MF 6 ações, pois o exercício das opções pode, afinal, acarretar para ele (como ocorre com qualquer investidor no mercado de ações) um ganho ou uma perda; · Que os Planos de Opções de Compra de Ações não têm caráter Salarial ou Remuneratório, visto que no presente caso há risco sim na operação, que há previsão expressa acerca da indisponibilidade de 50% das ações pelo prazo de dois anos após o exercício; que o titular das opções, para exercêlas e adquirir as ações, realiza um investimento num mercado de risco, como é o mercado de capitais; que não se trata de salário ou remuneração o potencial ganho, pois o eventual ganho que possa ser obtido no mercado de ações (assim como eventual perda) não depende do trabalho prestado pelo titular da opção, sendo que o resultado positivo ou negativo decorrerá das oscilações do mercado e não da execução da sua função profissional; · Inexistência de remuneração diante do mero exercício de um direito de compra de ações sendo indevida as atuações sobre as pessoas exerceram a opção ofertada, mas não venderam a ação, visto que não ocorreu o fato gerador; · Não Incidência de Juros Sobre Multa de Ofício; Nas fls. 2476/2491 a DRJ entende pela procedência parcial da Impugnação, cuja fundamentação: · No Brasil, ainda não há legislação previdenciária específica que discipline as stock options para empregados. Isso talvez porque essa modalidade de pagamento adotada por algumas empresas brasileiras seja ainda relativamente recente; · Os pagamentos realizados por meio das stock options para empregados possuem as seguintes peculiaridades: é diferido, isto é, não observa a periodicidade mensal; são pessoais e intransferíveis, não sendo possível negociar as opções recebidas; convive ao lado da parcela remuneratória fixa e mensal também paga aos trabalhadores; depende de manifestação de vontade do trabalhador mediante a prévia adesão ao plano da empresa; o trabalhador não desembolsa valores para aquisição do direito de comprar ações da empresa; não é extensível a todos trabalhadores da empresa, pelo contrário, somente aqueles considerados pela administração como mais talentosos foram agraciados com o benefício. Algumas das características reforçam sua natureza previdenciária como o fato de ser pessoal e intransferível e não ser estendido a todos os empregados, razão pela qual não há como enquadrálo em qualquer das exceções previstas no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991; · Sobre a discussão do fato gerador, o Relatório Fiscal deixa claro que a data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é definida como a data do exercício das opções pelo empregado; · Sobre os valores do prêmio para a Base de Cálculo, o prêmio é um valor fixo pago pelo comprador para adquirir o direito de opção de Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.171 7 compra das ações, somente utilizado nas stock options mercantis, ativos financeiros derivativos, negociados em bolsa de valores ou em mercados de balcão, sendo que o arbitramento, com base na Lei nº 8.212/1991, art. 33, §3º, realizado pela fiscalização foi justificado conforme razão de fl. 2334 – “Uma vez que não foram apresentados os valores justos das opções outorgadas, e que o preço de exercício não reflete esse valor, aferimos a base de cálculo pelo valor intrínseco da operação, ou seja, pela diferença, na data do exercício, entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício pago pelo beneficiário da opção”; · Sobre a alegação de que o Relatório Fiscal não contém qualquer fundamentação ou motivação para a autuação dos Planos de Opções Bonificadas destinado aos altos executivos, verifica que a fiscalização explica as duas opções sendo que nas opções bonificadas o participante deve investir em ações da empresa parte ou a integralidade da participação líquida nos lucros e resultados que tiver recebido no ano anterior e o fato de o participante ser obrigado a investir em ações da empresa uma parte da remuneração global recebida da própria empresa não afasta o plano de opções bonificadas do plano de opções simples; · Sobre a alegação de que a possibilidade de outorga de opções de compra de ações está prevista na legislação brasileira, notadamente no art. 168, §3°, da Lei nº 6.404/1976, este fato não retira o caráter remuneratório previdenciário do pagamento recebido, sendo que a Seguridade Social é regida por legislação própria, mais especificamente a Lei nº 8.212/1991; · As doutrinas e julgados da Justiça do Trabalho que afastam a natureza salarial das Stock Options não podem servir de fundamento para a pretensão; · Sobre a alegação de que a opção de compra das ações é um risco, verificase que após o empregado ou diretor possuir o direito de venda das ações recebidas, cabe ao mesmo decidir pela venda ou manter a propriedade das ações, não tendo mais vínculo com a empresa, e o eventual ganho não é completamente desconectado com o trabalho prestado pelo titular da opção, pois o acionista irá trabalhar para melhorar o desempenho da empresa; · Sobre a alegação da condição indisponibilidade de 50% das ações pelo prazo de dois anos após o exercício – lock up – a DRJ entendeu que estas ações devem ter tratamento distinto, por estarem presas à cláusula restritiva de venda. Sobre estas ações não se pode dizer que tenham sido transferidas ao beneficiário do plano de ações desde logo com os mesmos atributos das ações que poderiam ser negociadas sem restrição temporal; Fl. 3174DF CARF MF 8 · A constrição imposta pela cláusula lock up interfere de maneira determinante, de modo que não se pode afirmar que tenha ocorrida a remuneração ao mesmo tempo em que o beneficiário exerceu a opção de compra das ações. Isso porque somente após o vencimento da cláusula impeditiva da venda podese dizer que houve a transferência das ações ao trabalhador, com todos os benefícios que lhes são inerentes, sendo esta a situação considerada para a definição da remuneração sujeita à tributação. Desta maneira, os ganhos decorrentes das ações alcançadas pelo lock up deverão ser excluídos da base de cálculo das contribuições lançadas. Assim, a base de cálculo do lançamento deve ser reduzida em 50% (cinqüenta por cento). · Sobre os juros, observa que não houve a incidência de juros sobre a multa de ofício, mas somente sobre o valor principal, assim como, ainda que não se vislumbre na presente autuação a incidência de juros sobre a multa de ofício, a sua eventual cobrança em momento posterior, caso reconhecida a procedência do débito, encontrase amparada pela legislação de regência. Nas fls. 2501/2529, a Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário requerendo: 1. Nulidade da Autuação – erro no critério do lançamento. Ausência de motivação do lançamento, uma vez que a autoridade fiscal vinculou a retribuição da empresa pela prestação de serviços dos administradores a concessão gratuita das Stock Options, abdicando, a empresa, do prêmio, já que se tais opções fossem ofertadas em mercado, haveria essa cobrança em face do investidor. Em que pese a autoridade lançadora ter entendido pelo caráter remuneratório diante do fato de as ações serem concedidas de forma gratuita, houve a tributação no valor intrínseco da operação – diferença entre o valor do preço do exercício pago pelo executivo e o valor de mercado da ação que sequer foi vendida, de forma a se tributar a expectativa de direito, justificando a premissa com o argumento de que tal montante seria quantificável – Acórdão 280303.815 CARF da 3ª TE da 2ª Seção de 05/11/2014. 2. Ausência de motivação da autuação no que tange o plano de opções bonificadas; 3. Natureza societária dos planos de opções de compra de ações – os planos preveem condições associadas aos fatores de risco do mercado de ações, sendo que lei 6.404/76 (art. 168, §3º) permite a outorga, sendo matéria estatutária e o plano deve ser aprovado pela Assembleia Geral de Acionistas; 4. Do caráter não salarial ou remuneratório dos planos – as stock options não têm natureza salarial, consistem em programas, cuja a finalidade é incentivar os detentores de cargos de Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.172 9 liderança e dentro das condições associadas aos fatores de risco, destacase a indisponibilidade de 50% das ações pelo prazo de dois anos após o exercício (oscilação e incerteza do mercado – investimento num mercado de risco, não havendo sustentação para a afirmação do Fisco de que se trata de verba salarial); 5. Inexistência de remuneração diante de mero exercício de um direito de compra de ações – ao autuar situações em que as pessoas exerceram a opção ofertada, mas não venderam a ação, o fiscal parte da premissa de que o fato gerador da contribuição previdenciária seria mera possibilidade de lucro na venda da ação no mercado, o que não encontra fundamento; 6. Reconhecimento, pelo CARF, do caráter mercantil dos planos de stock options da Contribuinte – Acórdão 2401003.890 de 11/02/2015 – sendo que o plano de opções de compra de ações nesta decisão do CARF é similar ao presente caso; 7. Do plano de Opção de Compra de Ações Unibanco – Performance – Ações Bonificadas – esta outorga opções para aquisição de ações aos executivos altamente qualificados da contribuinte, com objetivo de atração e mantença destes funcionários em seu quadro, sendo que para participar do programa, o executivo deve destinar o percentual de 50 a 100% do valor do seu Bônus Líquido para a aquisição de Ações próprias de emissão do Unibanco, a preço de mercado (sem subsídio algum da Contribuinte), assim como deverá manter as ações durante o prazo de 3 a 5 anos da data da opção outorgada, estando sujeito ao risco inerente à volatilidade da ação no mercado de capitais, encontrase, portanto: onerosidade, risco e eventualidade – demonstrando ser contrato mercantil de risco; 8. Efetiva possibilidade de perda de capital pelos beneficiários dos planos – termo de constatação da KPMG comprovou que a venda das ações nas datas permitidas pelo Plano resultaria em prejuízo ao executivo, conforme constata as simulações, que demonstrou que o plano da contribuinte é mera expectativa de direito, onerosa, eventual e sujeita ao risco da cotação das ações no mercado, afastando o caráter remuneratório da verba; 9. Não incidência de juros sobre a multa de ofício; Nas fls. 2735/3164 a Contribuinte junta dois Termos de Constatação elaborado pela KPMG sobre os planos de Stock Options ofertados pela mesma. Embora intimada, a PGFN não apresentou Contrarrazões (fl. 2718). Fl. 3176DF CARF MF 10 Este é o relatório do processo. Voto Vencido Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme constata das fls. 2499, a Contribuinte teve acesso e intimação da decisão em 16/05/2016, iniciandose o prazo de 30 dias para apresentação do recurso voluntário no dia 17/05/2016 e encerrando no dia 15/06/2016. A Contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 15/06/2016, portanto tempestivo o Recurso Voluntário, conheço do mesmo e passo a análise de seu mérito. Com relação ao Recurso de Ofício, observa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conforme Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, o valor de alçada aumentou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). O valor exonerado na DRJ (fls. 342) não excede o limite. Tendo em vista que o valor exonerado excede o limite de R$2.500.000,00, conheço também do Recurso de Ofício. Mérito Preliminar – nulidade da autuação A Contribuinte requer a nulidade da autuação por erro no critério do lançamento, por ausência de motivação do lançamento, uma vez que a autoridade fiscal vinculou a retribuição da empresa pela prestação de serviços dos administradores a concessão gratuita das Stock Options, abdicando, a empresa, do prêmio, já que se tais opções fossem ofertadas em mercado, haveria essa cobrança em face do investidor. Segundo a Contribuinte, em que pese a autoridade lançadora ter entendido pelo caráter remuneratório diante do fato de as ações serem concedidas de forma gratuita, houve a tributação no valor intrínseco da operação, calculado com a diferença entre o valor do preço do exercício pago pelo executivo e o valor de mercado da ação que sequer foi vendida, de forma a se tributar a expectativa de direito, justificando a premissa com o argumento de que tal montante seria quantificável. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972: Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.173 11 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso, não se vislumbra a ocorrência de quaisquer uma das hipóteses previstas no Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. O Relatório Fiscal deixa claro que a data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é definida como a data do exercício das opções pelo empregado. E ainda, se justifica a utilização arbitramento, com base na Lei nº 8.212/1991, art. 33, §3º, visto que a contribuinte, embora intimada para apresentar os valores justos das opções outorgadas e o Modelo Matemático utilizado no cálculo, respondeu que o valor justo é o preço atribuído ao objeto da opção, o qual se encontra informado na base analítica de opções de aquisição de ações de que trata o item 02 do Termo de Intimação Fiscal n° 03 no campo descrito como Preço de Exercício, ou seja, o preço de exercício não reflete o valor justo da opção outorgada, visto que corresponde ao valor pago pelo beneficiário para a obtenção da ação à qual a opção concede o direito e, diante do fato de que não foram apresentados os valores justos das opções outorgadas, e que o preço de exercício não reflete esse valor, a base de cálculo foi aferida pelo valor intrínseco da operação (diferença, na data do exercício, entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício pago pelo beneficiário da opção). Portanto, não se vislumbra a ocorrência da nulidade arguida pela Contribuinte no lançamento do presente Auto de Infração. Stock Options – Natureza Mercantil ou Salarial? O presente caso trata da omissão de recolhimento de Contribuição Social Previdenciária incidente sobre o plano de Stock Options instituído pela Contribuinte em benefício aos seus empregados (todos do alto escalão), durante o período de apuração consistente de 01/06/2010 a 30/11/2011, em que houve o lançamento do crédito tributário no valor de R$ 32.386.599,57 (trinta e dois milhões, trezentos e oitenta e seis mil reais, quinhentos e noventa e nove reais e cinquenta e sete centavos). Sobre Stock Options, observa sua definição na doutrina como sendo uma remuneração baseada em ações, ou seja, uma opção de compra de ações oferecida a determinados empregados, com base em critérios estabelecidos previamente em um plano, ainda sem legislação específica. Sua definição no dicionário jurídico em inglês determina ser Stock Options uma forma de compensação diferida que permite um empregado comprar ações das empresas a um preço fixo (como o preço prevalecente mercado no momento do contrato), a qualquer momento (como quando o preço de mercado tem aumentado) durante um determinado número Fl. 3178DF CARF MF 12 de anos.1 (Merriam Webster’s Dictionary of Law: “a form of deferred compensation that allows a employee to buy corporate stock at a set price (as the prevailing Market price at the time of the contract) at any time (as when the Market price has risen) during a designated number of years”) Surgiu primeiramente nos Estados Unidos, local em que o regime das stock options permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. Se o valor da ação ultrapassa o preço, o beneficiário obtém lucro e, em consequência, duas alternativas lhe são oferecidas: revender de imediato a mais valia ou guardar os seus títulos e se tornar um empregado acionista. As opções de ações possuem um prazo de validade e, não raro, também estão sujeitas a um período de carência. Seja dizer, contado da aquisição, pelo empregado, da opção de ações, deve transcorrer um período de carência, após o qual é conferido ao mesmo o direito de "exercer a opção", efetivamente realizando a compra das ações, no momento que lhe parecer mais favorável, sempre dentro do prazo de validade. Para a formação do plano de opções de ações, são definidas regras, procedimentos e critérios para a sua produção de efeitos. Os planos são detalhados, na maioria das vezes, com informações acerca do tipo de ação a ser concedida, período de carência a ser respeitado, prazo de exercício da opção, dentre outros procedimentos a serem cumpridos para a execução do plano. Portanto, nos EUA, a estrutura mínima dos planos de compra de ações consiste em ter: a) aprovação do plano pela assembleiageral; b) outorga ou concessão do benefício; c) cumprimento das condições; d) período de exercício da opção; e) venda das ações. Destacase que a decisão em participar ou não do plano de opções de ações oferecido pela empresa é de cunho do empregado Mas qual seria o objetivo da empregadora? São vários. Destacamse: 1. Engajar o profissional no desenvolvimento e crescimento da empresa, de forma que a valorização da empresa e, consequentemente suas ações, traga benefícios não somente à empresa, mas também ao profissional participante do plano de ações à Cultura de Propriedade ownership – “cuidando do que é seu”; 2. Fazer nascer nos empregados a possibilidade de se tornarem acionistas das empresas para as quais trabalham e ainda obter um rendimento financeiro, quando, e se, for verificada a valorização das ações de sua empregadora; Portanto, observa que o instituto é um incentivo ao empregado, a lutar pelo melhor desenvolvimento econômico da empresa, o que, consequentemente, permite a melhora no valor de suas ações da Companhia, assim como é um benefício para a empresa, que terá empregados incentivados a aumentar seu valor no mercado de ações. Uma empresa valorizada e produtiva no mercado permite a efetivação da função social da propriedade privada, ou seja, permite: a permanência ativa da Fonte Pagadora dos empregados, possibilita o aumento na oferta de vagas de emprego, por ter maior demanda 1 Tradução livre de Merriam Webster’s Dictionary of Law: a form of deferred compensation that allows a employee to buy corporate stock at a set price (as the prevailing Market price at the time of the contract) at any time (as when the Market price has risen) during a designated number of years. Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.174 13 de seus produtos e serviços; viabiliza o aumento no pagamento de impostos ao Estado; aumenta o consumo no mercado interno com os demais credores que se relaciona para fornecimento dos bens de produção da cadeia produtiva, e etc. Em outras palavras, a empresa ativa e valorizada viabiliza o desenvolvimento econômico do próprio Estado. Portanto, valoro o instituto como sendo de grande valia à produção e ao desenvolvimento econômico do Estado brasileiro. Dentro da legislação brasileira, encontrase sua permissão legislativa na Lei das S/A (6.404/1976), que em seu Art. 168 determina: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária: § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Entretanto, não há sua previsão em outra legislação. A falta de previsão normativa torna a remuneração baseada em ações uma figura atípica no nosso sistema jurídico: sem tratamento fiscal, previdenciário e trabalhista definido. A grande discussão sobre as Stock Options diz respeito à sua Natureza Jurídica. Se salarial, incide contribuições previdenciárias; se mercantil, não há incidência de contribuições sociais previdenciárias, havendo impactos apenas no momento da venda para a Pessoa Física. Para a Fazenda Nacional no presente caso, há interpretação extensiva do Art. 33 da Lei 12.973/2014 no sentido de que o Plano de Stock Option incidirá contribuição previdenciária sobre o acréscimo patrimonial dos empregados considerando ser uma verba remuneratória e não indenizatória. Determina o art. 33 e 34 da Lei 12.973/2014: Art. 33. O valor da remuneração dos serviços prestados por empregados ou similares, efetuada por meio de acordo com pagamento baseado em ações, deve ser adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real no período de apuração em que o custo ou a despesa forem apropriados. § 1º A remuneração de que trata o caput será dedutível somente depois do pagamento, quando liquidados em caixa ou outro ativo, ou depois da transferência da propriedade definitiva das ações ou opções, quando liquidados com instrumentos patrimoniais. § 2º Para efeito do disposto no § 1o, o valor a ser excluído será: I o efetivamente pago, quando a liquidação baseada em ação for efetuada em caixa ou outro ativo financeiro; ou II o reconhecido no patrimônio líquido nos termos da legislação comercial, quando a liquidação for efetuada em instrumentos patrimoniais. Fl. 3180DF CARF MF 14 Art. 34. As aquisições de serviços, na forma do art. 33 e liquidadas com instrumentos patrimoniais, terão efeitos no cálculo dos juros sobre o capital próprio de que trata o art. 9o da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, somente depois da transferência definitiva da propriedade dos referidos instrumentos patrimoniais. Portanto, para o FISCO, como não há previsão no §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91 de que as Stock Options não integram saláriodecontribuição, tratase de um tipo de remuneração, ou seja, de salário indireto, e incide contribuição previdenciária. Entretanto, tratase de interpretação extensiva por parte do FISCO, ação contrária ao próprio ordenamento jurídico que determina o princípio da legalidade à administração pública e a autoridade fiscal não pode alterar o conteúdo de institutos privados para tributar, nos termos do Art. 110 do CTN: CTN Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Não pode ter interpretação extensiva de forma a penalizar o contribuinte. Na Doutrina, verificase a prevalência do entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre as Stock Options: Os planos de opções de compra de ações nada mais são do que oportunidades de investimentos sujeitos aos riscos e volatilidade do mercado inerentes às referidas operações financeiras. Nesse sentido, se posicionam Amauri Mascaro do Nascimento2 e Sérgio Pinto Martins3, justificando que a relação estabelecida no âmbito das Stock Option é uma relação mercantil ligada a uma operação financeira. Destacamse outros posicionamentos: Por isso, entendemos que o ‘ganho’ eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda de ações de sua empregadora não tem natureza salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviço4 Elas (ações) não representam um complemento da remuneração, mas um meio de estimular o empregado a fazer coincidir seus interesses com o dos acionistas. Isto porque, se o valor das ações da empresa subir, ganharão revendêla. 5 Neste conselho, verificamse as seguintes decisões sobre a matéria: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA 2 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Salário, Conceito e Proteção, Ed. LTr, 2008, pág. 378/379 3 MARTINS, Sergio Pinto. Natureza do Stock Option no Direito do Trabalho. Suplemento OT – Legislação, Jurisprudência e Doutrina, ano XXIV, n.11, p.3, São Paulo: Thomson IOB, nov. 2005 4 BOMFIM, Vólia. Direito do Trabalho, 7º edição, editora Método, p. 832. 5 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho, p. 783. Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.175 15 COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, seja, pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações, possibilidade de venda antecipada, estabelecimento do custo de R$1,00, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos. Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações.), desde que constatado a natureza salarial da verba. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. O fato gerador no caso de plano de stock options ocorre com o efetivo exercício do direito de adquirir ações, posto que, constatado o ganho do trabalhador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiros. Para efeitos de aferir a natureza salarial do benefício, não há necessidade de que o trabalhador tenha recebido dinheiro, mas qualquer ganho auferido, mesmo na forma de utilidades, pode constituir remuneração e por consequência salário de contribuição para efeitos previdenciários. IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA ANTECIPADA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES VÍCIO NO LANÇAMENTO. O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações. Fl. 3182DF CARF MF 16 CARF. Acórdão nº 2401003.891, Sessão de 11 de fevereiro de 2015. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. REMUNERAÇÃO. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO. Salário de Contribuição, para o contribuinte individual, é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. No presente caso a concessão de “stock options” aos segurados contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo devem integrar o salário de contribuição, pois foram concedidos pelo trabalho do segurado, integraramse ao patrimônio do segurado e não podem ser conceituados como oriundos de negócio mercantil, pois ausente risco. Acórdão nº 2301003.597, Sessão de 20 de junho de 2013. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO. Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço prefixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES; não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria alterado os planos existentes em 2006 e 2007, permitido empréstimos cuja quitação davase pela venda de ações cujo totalidade do direito ainda não havia se integralizado ou recebimento de participação em lucros e resultados, em relação a contribuintes individuais. Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.176 17 Correto o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra de ações.), considerando os vícios apontados pela autoridade fiscal. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. UTILIDADES FORNECIDAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONSTITUEM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O fato de o dispositivo legal previdenciário não ter detalhado expressamente o termo “utilidades”, como fazendo parte do salário de contribuição dos contribuintes individuais, não pode, por si só, ser o argumento para que as retribuições na forma de utilidades sejam afastadas como ganho indireto dessa categoria de trabalhadores. O texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. PLANOS ANTERIORES A 2004 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL DOS FUNDAMENTOS PARA DESCARACTERIZAÇÃO DOS PLANOS. Partindo do pressuposto de que os planos de opções de compra de ações (Stock Options) possuem natureza mercantil. Cabe a autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar que houve desvirtuamento dos referidos planos, a ponto de que venham a ser desnaturados como decorrentes de uma operação mercantil e caracterizados como remuneração indireta. Não comungo do entendimento de que a ausência de demonstração do desvirtuamento dos planos de opções de compra de ações (Stock Options), tratese de mero vício formal, posto que caso a fiscalização não demonstre o efetivo desvirtuamento há de ser mantida a natureza mercantil dos referidos planos, que não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, o que acarreta a improcedência do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP PREVIDENCIÁRIO STOCK OPTIONS A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação Fl. 3184DF CARF MF 18 que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da autuação. CARF. Acórdão nº 2401003.044, Sessão de 18 de junho de 2013 OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS; A) RELATO DO PRESENTE CONTRATO; B) NATUREZA JURÍDICA DAS OPÇÕES DE COMPRA DAS AÇÕES; C) DEFINIÇÃO DE STOCK OPTIONS; D) DESCARACTERIZAÇÃO DO STOCK OPTIONS COMO REMUNERAÇÃO NATUREZA MERAMENTE MERCANTIL; E) ANÁLISE DO CONTRATO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES; F) AUSÊNCIA DO ASPECTO TEMPORAL E MATERIAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA Contrato de opção de compra de ações firmado com pessoa física que envolve o seu trabalho tem o caráter mercantil cível ou trabalhista, dependendo de suas características. No caso em tela o contrato celebrado entre a Recorrente e o Beneficiário indicado, ficou comprovado que para exercer o direito de opção de compra de ações só pode ser exercido enquanto o Beneficiário mantiver vínculo empregatício, ou seja, uma condição sem a qual não (conditio sine qua non) existe o direito de compra de ações. Contrato em que não há risco para a Recorrente na relação, ficando tão somente ao trabalhador que presta seu serviço em troca de um possível ganho de capital, o que fere a relação frontalmente, a medida que não há equidade nela. No presente caso há traços marcantes da subordinação, dependência e controle, que determinam a relação de contrato de trabalho ao simples fato de a Recorrente estabelecer no contrato que a opção de compra somente poderá ser exercida pelo empregado/beneficiário enquanto este prestar serviços a ela e ou a Companhia. CARF. Acórdão nº 2301004.137, sessão de 10 de setembro de 2014. STOCK OPTION PLANS. PLANO OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES SEM PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA DA Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.177 19 EMPREGADORA. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Nos casos de opção de compra de ações das empregadoras pelos empregados ou diretores sem apoio financeiro daquelas, mediante preço representativo ao de mercado, não considerase remuneração, nem fato gerador de contribuições previdenciárias, pois representam apenas um ato negocial da esfera civil/empresarial. Acórdão nº 280303.815, Sessão de 5 de novembro de 2014. A concessão de Stock Option é a oferta de uma opção de compra futura de ação da empresa. Portanto, uma opção de compra de ação é um valor mobiliário derivativo. Apesar do valor da opção derivar do valor da ação, opção e ação são bens totalmente distintos, independentes um do outro, sendo negociados individualmente no mercado e cuja aquisição traz diferentes consequências ao seu titular. Quem adquire uma ação de uma empresa tornase acionista dela. Já com a opção de compra de ação, adquirese o direito e não a obrigação de comprar uma ação por um preço preestabelecido (chamado de preço de exercício da opção), numa data ou a partir de uma data também preestabelecida (que se denomina data de exercício da opção ou vencimento da opção e é uma data futura). Portanto, analisando as decisões recentes dos planos de Stock Options e sua incidência de contribuição previdenciária, observa que este Conselho entente pela natureza mercantil das Stock Options, e, desta forma, não incide Contribuição Previdenciária. Entretanto, para que isso ocorra, necessário que a Contribuinte demonstre que no seu plano o funcionário paga pelas opções de compra de ações, que as ações tenham preço de acordo com o mercado, sendo este sujeito às variações de mercado, havendo o risco do investimento, que é inteiramente do funcionário. Caso contrário, haverá desvirtuamento do instituto, considerandoo como salário indireto e incidência dos reflexos que, neste caso, contribuição social previdenciária. Assim sendo, o plano de Stock Option deverá contemplar os seguintes requisitos para que seja entendido como pagamento de natureza mercantil e não incidir contribuição previdenciária: 1. a opção de compra da ação deve ter prazo de carência para a aquisição da opção (data em que o empregado poderá efetivar a compra da ação); 2. a opção de compra de ação deverá prever o valor prefixado a ser pago pela ação no prazo de carência; 3. a aquisição da opção de compra deve ser onerosa (empregado deve pagar para ter a opção de compra de alguma forma); 4. deve haver o risco do investimento (o empregado não pode somente ganhar, deverá ter o risco de perder com a compra da opção), ou seja, Fl. 3186DF CARF MF 20 se no prazo da carência o valor da ação no mercado de valores estiver inferior ao preço préfixado, o empregado, provavelmente, não exercerá seu direito de opção de compra da ação, amargurando com o prejuízo do investimento na aquisição da opção de compra; 5. a aquisição da opção de compra não pode ser obrigatória (deve partir do empregado a decisão de adquirir ou não a opção de compra); 6. após a aquisição efetiva da ação, o proprietário da ação (empregado) pode disponibilizar sua ação da forma como pretender no mercado de valores; Notase que há quatro momentos cruciais relacionados a stock options: outorga da stock option (disponibilização da opção de compra pela empresa), aquisição da stock option (empregado adquire a opção de compra), exercício da stock option (na data do exercício/carência, o empregado efetiva sua opção de compra e adquire as ações da empresa) e venda, livremente, da ação no mercado de valores. No presente caso, observa através da análise dos planos para a outorga de opções de ações da Contribuinte, referentes ao período apurado, que a concessão da opção de compra das ações se dá na forma gratuita. Não há qualquer contraprestação onerosa pelo funcionário, eleito pelo Comitê para ser agraciado com a Opção de Compra de Ação, para adquirir a Opção de Compra de Ação. No caso em tela, ocorre da seguinte forma: o Comitê elege os funcionários que recebem, gratuitamente, a Opção de Compra de Ação. Nesta Opção de Compra de Ação resta estipulado o prazo de exercício/carência da opção de compra, ou seja, a data em que o funcionário poderá comprar efetivamente a ação da Companhia e se tornar acionista da mesma; e define o valor a ser pago pela ação, prefixado pelo Comitê, que leva em conta o valor de mercado de uma ação da Companhia dos últimos três meses, feito uma média aritmética, cujo valor pode acrescer ou decrescer em até 20%, estipulação esta a cargo do próprio Comitê no momento da emissão da opção de compra de ações. Quando chega a data do prazo de exercício/carência estipulado, o funcionário poderá escolher se compra ou não a ação. Se o valor da ação vendida na Bolsa de Valores na data do prazo de exercício/carência for maior que o valor estipulado na Opção de Compra de Ação, o empregado optará pela compra da ação, e, desta forma ganhará com a diferença dos valores. Em contrapartida, se o valor da ação vendida na Bolsa de Valores na data do prazo de exercício/carência for menor que o valor estipulado na Opção de Compra de Ação, o empregado não optará pela compra, perde a opção de compra e, desta forma não terá nenhum prejuízo, pois não pagou nada para ter a opção de compra. Para facilitação, exemplifica: o Comitê da contribuinte outorga gratuitamente ao funcionário José uma opção de compra de ação da Companhia, com prazo de exercício/carência estipulado para 20/12/2019, e valor a ser pago pela ação de R$13,00. Na data de 20/12/2019, a ação da Companhia tem valor de mercado de R$25,00 e, portanto, por óbvio que o funcionário José exercer a compra da sua opção de compra, pois pagará R$13,00 numa ação que vale R$25,00, tendo lucro de R$12,00. Mas se na data de 20/12/2019, a ação da Companhia tiver o valor de mercado de R$10,00, o funcionário José não exercerá sua opção de compra de ação, pois o valor da Opção de Compra é superior ao valor de mercado. Ao não Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.178 21 exercer sua opção de compra de ação, o funcionário José não terá qualquer prejuízo, visto que não pagou qualquer valor para ter a Opção de Compra. Portanto, não se vislumbra o risco do negócio no presente caso, pois o funcionário recebe de forma gratuita a Opção de Compra de Ação da Contribuinte. E se não há risco no negócio, perdese a natureza mercantil da Stock Option, constatando a natureza salarial e a incidência dos reflexos. Tratase do requisito fundamental para caracterização da natureza mercantil das Stock Options, a necessidade de haver o risco no negócio, o que determina a necessidade de a Opção de Compra de Ação ser onerosa e NÃO gratuita, como ocorre no presente caso. Inclusive, a Contribuinte já teve este mesmo plano de Stock Options analisado por este Conselho e, inclusive, com decisão recente perante a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9202006.628 de 21 de março de 2018), cujo entendimento foi pela caracterização da natureza salarial dos planos da Contribuinte, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR DE IMPOSTO DE RENDA. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizamse como remuneração, cabível, desta forma a incidência de contribuições sociais previdenciárias. Neste caso, em fevereiro de 2015, a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção havia entendido que os ganhos dos diretores nos planos de compra de ações da Contribuinte não tinham natureza de salário, pois possuíam caráter mercantil, afastandose a incidência de contribuição previdenciária. Entretanto a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) recorreu para a Câmara Superior, que reverteu o entendimento. A reforma da decisão do Recurso Voluntário através do Recurso Especial manejado pelo Procurador se deu por voto de qualidade. Para a Câmara Superior, os planos da Contribuinte tinham natureza jurídica de remuneração, tributável pela contribuição à Seguridade Social, visto que, nos termos do voto do Relator Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, os documentos apresentados pela própria Contribuinte à US Securities and Exchange Comission (equivalente norteamericana à Comissão de Valores Mobiliários), afirmam expressamente que as Stock Options são uma forma de remuneração variável aos funcionários. Além disto, segundo entendimento formado pela Câmara Superior, o acordo dava margem para que o Comitê de Opções do Itaú Unibanco, gestor dos planos oferecidos aos empregados, ajustasse o preço de exercício, tratandose de uma forma de contraprestação pelo trabalho. Fl. 3188DF CARF MF 22 O plano analisado pela Câmara Superior é semelhante ao analisado no presente processo, a participação era pessoal e intransferível, o funcionário recebia a opção de compra de forma gratuita, em troca de trabalhar na empresa ao longo do período de carência. Caso o diretor deixasse o quadro de funcionários da Contribuinte durante o período da carência, perdia a opção de compra e, consequentemente perderia a opção de compra das ações. Portanto, diante do fato de que a Contribuinte disponibilizou a opção de compra de ações de forma gratuita, não se vislumbra o risco ao empregado, requisito indispensável para a caracterização da natureza mercantil, razão pela qual constatase o desvirtuamento do plano de Stock Option da Contribuinte, indeferindo o pedido. Juros sobre Multa de Ofício Alega a Contribuinte que os juros de mora sobre a multa de ofício não seriam aplicáveis, por ausência de previsão legal. Este pedido apresenta Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto incide juros sobre a multa de ofício. Recurso de Ofício Recorrese de ofício diante da exoneração da Contribuinte à valor excedente de R$2.500.000,00 pela decisão da DRJ, que entendeu pela exclusão da base de cálculo das contribuições lançadas sobre os ganhos decorrentes de ações alcançadas pelo Lock Up. Concordo com a decisão da DRJ, razão pela qual não merece revisão. Essas ações não puderam ser negociadas de imediato, por conta do lock up, havendo a necessidade de se aguardar o lapso temporal exigido para então negociálas no mercado, ou seja, não se pode dizer que tenham sido transferidas ao beneficiário do plano de ações desde logo com os mesmos atributos das ações que poderiam ser negociadas sem restrição temporal, razão pela qual não se pode afirmar que tenha ocorrida a remuneração ao mesmo tempo em que o beneficiário exerceu a opção de compra das ações. Somente após o vencimento da cláusula impeditiva da venda podese dizer que houve a transferência das ações ao trabalhador, com todos os benefícios que lhes são inerentes, sendo esta a situação considerada para a definição da remuneração sujeita à tributação. Portanto, não há a ocorrência do fato gerador, razão pela qual os ganhos decorrentes das ações alcançadas pelo lock up devem realmente ser excluídos da base de cálculo das contribuições lançadas, não provendo do Recurso de Ofício. Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.179 23 CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e do recurso de ofício, para que no mérito negar provimento à ambos os recursos. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Voto Vencedor Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Redatora Designada Peço licença para discordar da Ilustre Conselheira Relatora e dar provimento ao recurso de ofício, por entender que os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações sujeitas à cláusula lock up, caracterizamse como remuneração, cabível, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias. De plano constatase que, o próprio contribuinte reconhece que os planos de Stock Options por ele utilizados constituem remuneração variável, o que pode ser confirmado pela análise do estatuto social, do formulário 20F (relatório prestado à US Securities and Exchange Comission – SEC, órgão regulador do mercado de valores americano) e pelas atas de outorgas das opções de compras de ações Reproduzo a seguir alguns trechos desses documentos, extraídos do relatório fiscal: · Estatuto Social da Instituição financeira Art. 6º COMITÊ DE NOMEAÇÃO E REMUNERAÇÃO – Compete ao Comitê de Nomeação e Remuneração definir a política de remuneração dos Diretores, compreendendo o rateio da verba global e anual fixada pela Assembléia Geral, o pagamento da participação nos lucros (item 4.2), a outorga de opções de compra de ações (item 3.2) e a concessão de benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta as responsabilidades, o tempo dedicado às funções, a competência e a reputação profissional e o valor dos serviços no Mercado. (...).(grifei) · Formulário 20F (fls. 2301 a 2305) 6E. Propriedade de Ações Plano de Opção de Compra de Ações Fl. 3190DF CARF MF 24 Somos uma das poucas empresas brasileiras a remunerar os executivos com planos de opção de compra de ações desde 1995. Consequentemente, parte da remuneração variável da nossa gerência é feita na forma de opção de compra de ações, gerando comprometimento com o nosso desempenho. Nosso plano de opção de compra de ações, ou o Plano, foi oficializado e encontrase disponível no nosso website de relações com investidores desde 2002.(grifei) O Plano tem por objetivo reter os serviços de nossos diretores e obter funcionários altamente capacitados. Cada opção dá a seu detentor o direito a uma ação preferencial.Quando as opções são exercidas, emitimos novas ações ou transferimos ações em tesouraria para o detentor da opção.(grifei) O Plano é administrado pelo Comitê de Nomeação e Remuneração, composto de seis a oito membros eleitos anualmente pelo conselho de administração, e presidido por um dos membros do conselho de administração. (grifei) (...) Exercício 2009: 6B. Honorários Concedemos também aos diretores executivos opções no âmbito do plano descrito no “Item 6E. Propriedade de ações – Plano de opção de compra de ações.” Cada opção dá a seu detentor o direito de comprar uma ação preferencial. Quando as opções são exercidas, podemos emitir novas ações ou transferir ações em tesouraria para o detentor da opção.(grifei) 6C. Práticas do Conselho de Administração ÓRGÃOS ESTATUTÁRIOS Comitê de Pessoas Nosso Comitê de Pessoas é responsável pela definição de modelos de remuneração para os funcionários do Itaú Unibanco Holding (inclusive o estabelecimento de pacotes de remuneração para o CEO, vicepresidentes e diretores, sujeitos à aprovação do Conselho de Administração). Esse comitê também é responsável pela definição de opções de compra de ações, recrutamento, treinamento, assessoria e retenção de funcionários talentosos.(grifei) · Atas de Outorgas das Opções de Compra de Ações Ata de Reunião do Comitê de Remuneração de 20 de fevereiro de 2006: O Comitê de Remuneração define que a remuneração dos diretores compreende a somatória dos honorários mensais e especiais, as participações semestrais nos lucros, a outorga de opções de compra de ações, a concesão de benefícios de qualquer natureza e as verbas de representações; (grifei Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.180 25 Ata de Reunião do Comitê de Nomeação e Remuneração de 11 de fevereiro de 2008: O Comitê decidiu que a remuneração total dos executivos deve ser composta por quatro elementos: (i) remuneração mensal fixa, (ii) remuneração variável – dinheiro, (iii) remuneração variável – opção, e (iv) benefícios; (grifo nosso) A remuneração em opções deve seguir relação direta à remuneração variável paga em dinheiro, na seguinte proporção: (i) VicePresidentes: 85%, (ii) Diretores Executivos: 85%, (iii) Diretores Gerentes: 50%; O valor da remuneração originado pelas opções deve ser calculado pela multiplicação da quantidade de opções outorgadas pelo prêmio (valor) da opção, que por sua vez é calculado pela metodologia Black & Scholes; (grifo nosso) Da análise dos trechos transcritos, verificase, sem sombra de dúvidas, que a própria fiscalizada considera os planos de stock options por ela ofertados como remuneração. A outorga de opções de compra de ações é uma forma de remuneração a longo prazo, funcionando como um mecanismo de reconhecimento de desempenho dos beneficiários, bem como de atração e retenção de funcionários considerados talentosos ou estratégicos. Em retribuição aos planos de remuneração com base em ações, o contribuinte recebe serviços dos beneficiários como contraprestação das opções de compra de ações outorgadas. Não há pagamento de prêmio pelo beneficiário na aquisição das opções de compra de ações, ou seja há um desvirtuamento da natureza mercantil do Stock Options do Itaú Unibanco. Da leitura dos artigos 22 e 28 da Lei nº 8.212/1991, concluise que a hipótese de incidência descrita pelo legislador se assenta no exercício de atividade remunerada por aquele que a lei define como segurado obrigatório. Nesse compasso considerase remuneração a parcela referente à contraprestação dos serviços prestados havida pelo segurado obrigatório independentemente do título que se lhe atribua ou da forma como se revista no mundo jurídico. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Lei nº 13.189, de 2015) Vigência (grifei) (...) Fl. 3192DF CARF MF 26 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).(grifei) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(grifei) (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o . (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) A Constituição Federal, em seu art. 195, prescreve: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifo nosso) De acordo com a legislação supracitada, podese estabelecer que o fato gerador é a remuneração ou todo e qualquer pagamento ou crédito, ou ainda incremento patrimonial do segurado em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades ou benefícios que ampliem o patrimônio do segurado. Logo, os plano de stock options, sem natureza mercantil, devem sofrer a incidência das contribuições sociais previdenciárias, posto que constituem remuneração, independentemente de se converterem após o período de aquisição em pecúnia ou ações da própria empresa. Em conformidade com exposto, podemos afirmar que os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações sujeitas à cláusula lock up, caracterizamse como remuneração, pois Fl. 3193DF CARF MF Processo nº 16327.720628/201577 Acórdão n.º 2301005.772 S2C3T1 Fl. 3.181 27 o exercício de opção é um direito que ingressa no patrimônio jurídico do beneficiário em razão da relação de trabalho que ele mantém. No momento em que recebe as ações, o beneficiário já está sendo remunerado, afinal, mesmo antes de serem revendidas, as ações acrescem ao patrimônio do trabalhador e lhe trazem uma série de vantagens, tais como, o direito ao recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, direito ao voto, podem ser alugadas para terceiros e transferíveis por herança. Não se justifica a exclusão das ações submetidas a lock up do lançamento. O fato gerador é remunerar a prestação do trabalho, o que foi feito com a entrega das ações após a prestação dos serviços, ainda que submetidas a um prazo de lock up. Destacase ainda que a decisão do beneficiário de permanecer com as ações em nada difere da decisão de um empregado que resolve investir seu salário no mercado de capitais. Os riscos advindos dessa decisão são riscos pessoais assumidos pelo trabalhador que jamais terão o condão de alterar a natureza do pagamento recebido da empresa. Cito, para ilustrar este entendimento, o acórdão 2401003.209 proferido pela primeira turma da quarta câmara em 18 de junho de 2013. AIOP (37.260.5230) PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕESSTOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindo lhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES; não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria alterado os planos existentes em 2006 e 2007, permitido empréstimos cuja Fl. 3194DF CARF MF 28 quitação davase pela venda de ações cujo totalidade do direito ainda não havia se integralizado ou recebimento de participação em lucros e resultados, em relação a contribuintes individuais. Correto o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra de ações.), considerando os vícios apontados pela autoridade fiscal. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador.(grifei) (...) Conforme descrito no voto da Ilustre Relatora o contribuinte já teve este mesmo plano de Stock Options analisado por este Conselho e, inclusive, com decisão recente perante a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9202006.628 de 21 de março de 2018), cujo entendimento foi pela caracterização da natureza salarial dos planos da Contribuinte. A base de cálculo do lançamento das contribuições foi calculada pela fiscalização de acordo com o plano adotado e foi apurada de forma correta. Neste caso, como não houve pagamento de preço de exercício pelo beneficiário, pois esse pagamento se traduz em uma obrigação de fazer, a base de cálculo foi aferida e calculada multiplicandose a quantidade exercida pelo valor de mercado da ação na data do exercício. Desta forma, o entendimento levado a efeito pela autoridade fiscal, encontra se acertado, pois no momento em que houve o recebimento das ações pelo beneficiário, ocorreu, sim, o fato gerador, pois naquela oportunidade houve acréscimo em seu patrimônio decorrente de serviços por ele prestados. A base de cálculo também foi apurada de forma correta. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício e manter o lançamento das contribuições apuradas sobre os ganhos decorrentes de ações alcançadas pelo Lock Up. É como voto. Sheila Aires Cartaxo Gomes (assinado digitalmente) Fl. 3195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720527/2011-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006,2007
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 05 27 /2 01 1- 69 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10435.720527/201169 Acórdão n.º 1402003.495 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10435.720527/201169 Acórdão n.º 1402003.495 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917078/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.590
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Trata o presente processo de DCOMP lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido da Cofins, segundo informações do contribuinte. Através de despacho decisório emitido pela DERAT/São Paulo a compensação resultou não homologada. Fundamentou a unidade de origem que, apesar de o DARF discriminado no PER/DCOMP ter sido localizado, fora integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 17 07 8/ 20 13 -8 3 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10880.917078/201383 Resolução nº 3201001.590 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito baseouse em mero equívoco no preenchimento da DCTF apresentada pela manifestante. Tal equívoco consistiria em ter declarado, em DCTF (original), valor da contribuição maior que o devido, do que resultou o recolhimento indevido. Informou que no DACON retificador consta o débito da contribuição igual a zero, ou seja, não que não havia valor da contribuição a ser recolhido no período em tela, e que apresentou a DCTF retificadora respectiva, para corrigir o equívoco, após a ciência do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. CRÉDITO ALEGADO SEM LIQUIDEZ E CERTEZA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Inexistindo certeza e liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação. DACON. RETIFICAÇÂO.PROVA. A retificação da Dacon, por si só, não demonstra a improcedência do despacho decisório, devendo ser acompanhada da comprovação do erro em que se funde. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento indevido da Contribuição decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, entretanto, com a correspondente retificação da DCTF efetuada somente após a ciência do indeferimento do pleito. No Recurso Voluntário alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão e Memória de Cálculo da contribuição. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10880.917078/201383 Resolução nº 3201001.590 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.587, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10880.917075/201340, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.587): (...) "Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. A decisão considerou a DCTF originalmente transmitida e não a sua retificadora, transmitida somente após a ciência no despacho decisório. Contudo, conforme aduz a contribuinte o pagamento indevido é decorrente de apuração incorreta informada em seu Dacon, quanto ao valor devido da Contribuição para PIS/Cofins. A retificação foi realizada e por conseguinte transmitiu o pedido de restituição cumulado com compensação. Ocorre que os valor do débito da Contribuição informado em Dacon não corresponde àquele lançado em DCTF (original, não retificada) e não prevalece sobre este (na DCTF) pois a Declaração1 tem efeito jurídico de confissão de dívida e o Demonstrativo2 apenas de informação. Assim, o encontro de contas (crédito x débitos), no que concerne ao pretenso crédito, foi realizado com base em valores divergentes de débitos de PIS/Cofins consignados no Dacon (retificador) e a DCTF (original). A decisão recorrida denegou o pedido sob o fundamento de que a DCTF não fora retificada a contribuinte não carreou aos autos provas do pagamento indevido. 1 IN SRF nº 14/2000 Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União 2 Solução de Consulta Interna nº 48 DIPJ e DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Dipj e o Dacon tem caráter informativo. Estes documentos não estão enumerados como típicos de confissão de dívida, para efeito de inscrição do saldo a pagar em Dívida Ativa, pelos art. 1° da IN SRF n° 77, de 1998 e § 4°, art, 1°, da IN RFB n° 767, de 2007, nem por outro ato normativo. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10880.917078/201383 Resolução nº 3201001.590 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente alega, ainda em manifestação de inconformidade, que o pagamento indevido de PIS/Cofins decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, contudo, com a correspondente retificação da DCTF somente após a ciência do indeferimento do pleito. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à exigibilidade de retificação da DCTF para comprovação do direito creditório antes da prolação do despacho decisório, nas situações em o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que haja na instauração do contencioso (manifestação de inconformidade) elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tomase como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. In casu, há indício de provas nos argumentos da recorrente e maior probabilidade de sua veracidade exsurge no recurso voluntário e os documentos anexos. Na defesa, a interessada apresenta suas "notas explicativas" para demonstrar que o Dacon original foi preenchido com erro no tocante a apuração do PIS a pagar. O ponto que importa à solução da lide é que, retificado ou não, o valor do saldo credor disponível era suficiente para liquidar o débito e ainda manter saldo credor para o período de apuração seguinte. O quadro demonstrativo de apuração de PIS extraídos das informações do Dacon confirmam o provável erro de apuração da Contribuição devida: Constatase que o saldo credor disponível (item 4) ainda no Dacon original era suficiente para liquidar o débito de PIS (item 3) e restar saldo remanescente. Nada obstante, a contribuinte consignou em sua DCTF original o valor apurado tendoo recolhido por intermédio de DARF. Entendo que de fato é plausível o cometimento de erro material na apuração do PIS pois evidenciouse, com os valores informados pela recorrente, a existência de saldo credor no período suficiente para liquidar o débito apurado. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10880.917078/201383 Resolução nº 3201001.590 S3C2T1 Fl. 6 5 A constatação de erro de fato na apuração de tributos que se transfere para a DCTF implica reconhecer o lapso e reapurar o efetivo valor devido. Mas não se pode tomar por verdadeiro o valor do crédito informado no Dacon retificado, pois há de ser confirmado pela Fiscalização quanto à composição tanto do saldo credor (item 4) como o Pis devido (item 3), por meio do confronto das informações e os documentos da contribuinte. Assim, para se fazer prevalecer o princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência e o retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco, quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento." Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou documentos fiscais e memórias de cálculo que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF, em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000653/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/11/2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN.
NULIDADE. RELATÓRIO DOS CO-RESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA
O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co-responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante.
MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. DESCUMPRIMENTO.
Deixar a empresa de efetuar a retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa aos serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA. AGRAVAMENTO. CABIMENTO
O agravamento da multa não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade.
Numero da decisão: 2401-005.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/11/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. NULIDADE. RELATÓRIO DOS CO-RESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co-responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de efetuar a retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa aos serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA. AGRAVAMENTO. CABIMENTO O agravamento da multa não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/11/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. NULIDADE. RELATÓRIO DOS CORESPONSÁVEIS. INSUBSISTÊNCIA O fato dos sócios da empresa terem sido relacionados no relatório de co responsáveis não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88 Vinculante. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de efetuar a retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA. AGRAVAMENTO. CABIMENTO O agravamento da multa não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 53 /2 00 7- 00 Fl. 114DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP (DRJ/CPS) que julgou procedente o AI Auto de Infração n° 37.139.7154, na forma do voto do Relator, conforme ementa do Acórdão nº 0523.229 (fls. 86/93): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/11/2007 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de efetuar a retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal de serviços, prestados mediante cessão de mãodeobra, constitui infração à legislação previdenciária. Lançamento Procedente O presente processo trata do AI Auto de Infração DEBCAD n° 37.139.715 4 (fl. 02), lavrado pelo fato do Contribuinte ter deixado de efetuar a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços, os quais foram prestados sob a forma de cessão de mãodeobra. De acordo com o Relatório da Infração e da Aplicação de Multa (fls. 23/26): Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16095.000653/200700 Acórdão n.º 2401005.959 S2C4T1 Fl. 3 3 1. A omissão implica infração ao art. 31, caput, da Lei n° 8.212, de 24 71991, c/c o art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999; 2. Foi aplicada a penalidade pecuniária cominada nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 283, caput, e § 30, e art. 373 do RPS; 3. Após a atualização promovida pela Portaria MPS no 142, de 11/04/2007, a penalidade pecuniária importava em R$ 1.195,13 que, em razão da ocorrência de 3 agravantes genéricas, foi elevada em 8 vezes, totalizando o valor de R$ 9.561,04. Em 28/11/2007 o Contribuinte tomou ciência pessoalmente do Auto de Infração (fl. 02) e, em 21/12/2007, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 41 a 48, instruída com os documentos nas fls. 49 a 83. Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0523.229, em 16/09/2008 a 9ª Turma julgou o Auto de Infração procedente. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão, via Correio, em 28/10/2008 (AR fl. 97) e interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 99 a 109, em 26/11/2008. Em suas razões recursais faz um breve relato dos fatos (fls. 491/493). Prossegue expondo os motivos que considera determinantes para a reforma da decisão recorrida, quais sejam: 1. A nulidade do lançamento em razão do relatório fiscal ser confuso e não possuir a indicação das circunstâncias em que foi praticado a suposta infração, acarretando com isso o cerceamento do seu direito à ampla defesa; 2. A necessidade de suspensão do trâmite administrativo deste processo até o trânsito em julgado do processo administrativo que trata da NFLD DEBCAD nº 37.139.7081 que discute se efetivamente houve o descumprimento ao artigo 31 da Lei n° 8.212/91 (retenção de 11% nos serviços de mãodeobra); 3. A abusividade da multa cominada e a impropriedade de sua aplicação, que claramente ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade. expressos na Constituição Finaliza requerendo o provimento integral do Recurso Voluntário apresentado, a decisão recorrida e o reconhecer a sua insubsistência. Alternativamente, requer o seu sobrestamento até o julgamento em definitivo da NFLD DEBCAD nº 37.139.7081. Subsidiariamente requer que seja reduzida a multa aplicada ao seu patamar inicial (R$ 1.195,13) ou, ao menos, elevada em apenas 2 vezes (R$ 2.390,26) e não oito (8) vezes como quis a Fiscalização. Fl. 116DF CARF MF 4 Destaca também a necessidade de exclusão dos seus representantes legais do Relatório de CoResponsáveis, visto que a pretendida aplicação de responsabilidade a terceiros pela Fiscalização, sem qualquer prova de infração à lei ou ao estatuto social, agride a legislação tributária (artigos 134, inciso VII, e 135, inciso III, do CTN). É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade do Auto de Infração – cerceamento do direito de defesa A Recorrente alega nulidade do Auto de Infração uma vez que não foi lançado de acordo com o que determina o artigo 293 do Decreto n° 3.048, de 6.5.1999. Aduz que a Fiscalização limitouse a citar o dispositivo legal infringido, sem determinar precisamente, as circunstâncias em que foi praticado o suposto ato infracional pela Notificada. De acordo com o Relatório da Infração, foi constatado que a empresa autuada, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra com relação à empresa PLUS PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA, deixou de reter e recolher onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento à RFB, em nome da empresa cedente da mãodeobra, contrariando o que dispõe no artigo 31 da Lei n° 8.2121991, com a redação dada pela Lei n° 9.711/1998, combinado com o art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Demonstra ainda a reincidência genérica que eleva a multa em duas vezes cada uma, de acordo com o artigo 292, inciso IV do Decreto nº 3.048/99, e aplica a multa prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e RPS, art. 283, §3º e art. 373. Consoante se verifica do processo, o Auto de Infração foi devidamente fundamentado, com clara motivação e indicação das circunstâncias de fato e de direito do presente caso no que tange à multa e ao seu agravamento. Nesse diapasão, não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado, em várias ocasiões, para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. Dessa forma, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Relatório de Representantes Legais REPLEG Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16095.000653/200700 Acórdão n.º 2401005.959 S2C4T1 Fl. 4 5 O Recorrente se insurge contra a inclusão das pessoas físicas na relação de representantes legais e aduz que tal procedimento, por si só, gera a nulidade do lançamento fiscal. Não assiste razão ao Recorrente. O fato dos sócios da empresa terem sido incluídos no relatório de representantes legais não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. A Súmula CARF nº 88, vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, traz o seguinte enunciado acerca da matéria: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ademais, o lançamento foi constituído exclusivamente em nome da empresa Sant Gobain Abrasivos Ltda. como sujeito passivo tributário, razão pela qual, rejeito as razões recursais suscitadas. Aplicação da multa Inicialmente, cabe esclarecer que o presente processo administrativo é reflexo do processo administrativo nº 16095.000647/200744 e diz respeito à incidência da multa por não retenção dos onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços em nome da empresa cedente de mão de obra O processo administrativo nº 16095.000647/200744 é relativo à exigência da contribuição de 11 % (onze por cento) incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviço, nos termos determinados pelo art. 31 da Lei n° 8.212191. Referido processo foi submetido a julgamento nessa mesma seção, tendo a Turma negado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. A discussão da presente demanda cingese à questão da razoabilidade e proporcionalidade da multa aplicada e ao cálculo decorrente das circunstâncias agravantes. Argumenta a Recorrente que a elevação da multa em oito vezes em face da ocorrência de três circunstâncias agravantes genéricas e, na forma como imposta, configura situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além do efeito confiscatório. Aduz que a reincidência ocorre uma vez a cada infração que é novamente cometida, e como o presente AI versa sobre uma única infração, não há que se falar em "reincidências", mas tão somente em apenas uma reincidência. Fl. 118DF CARF MF 6 Assevera ainda que ocorreu um equívoco na conclusão da decisão de primeira instância, pois o valor de R$ 1.195,13 (valor base) multiplicado por 6 (seis) resultaria no montante de R$ 7.170,78 e não de R$ 9.561,04. Pois bem. O Regulamento da Previdência Social, em seu capítulo IV, que trata DAS CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES DA PENALIDADE, e no capítulo VI que trata DA GRADAÇÃO DAS MULTAS, assim estabelece: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; II as agravantes dos incisos I e II do art. 290 elevam a multa em três vezes; III as agravantes dos incisos III e IV do art. 290 elevam a multa em duas vezes; IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Parágrafo único. Na aplicação da multa a que se refere o art. 288, aplicarseá apenas as agravantes referidas nos incisos III a V do art. 290, as quais elevam a multa em duas vezes. Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007). (Grifamos). Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16095.000653/200700 Acórdão n.º 2401005.959 S2C4T1 Fl. 5 7 Como se viu, o contribuinte não efetuou as retenções de que era responsável por força do art. 31 da Lei nº 8.212/91, que determina a obrigação de a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Por sua vez, no Relatório Fiscal consta a fundamentação da aplicação da multa consubstanciada no art. 283, caput e §3º, do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, devidamente atualizada. De acordo com o parágrafo único do art. 290 do Decreto nº 3.048, de 1999, caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. Conforme o relatório da fiscalização, o agravamento da multa se deu por conta reincidências do contribuinte em diferentes infrações: Al AUTO DE INFRAÇÃO, CFL 89 DEBCAD nº 35.594.6718, de 05/04/2004; Al AUTO DE INFRAÇÃO, CFL 35 DEBCAD nº 37.076.8698, de 02/03/2007; AUTO DE INFRAÇÃO, CFL 35 DEBCAD nº 37.048.2000, de 23/08/2007. O agravamento ocorre a cada reincidência, nos termos do inciso IV do artigo 292 do RPS. Desse modo, referido agravamento não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade. Portanto, correta a fundamentação da infração e da multa aplicada pela fiscalização, razão pela qual entendo como improcedente os argumentos da defesa. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares apontadas e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000344/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 34 4/ 20 04 -8 9 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 14041.000344/200489 Resolução nº 1301000.630 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Em 15/12/2004, foi lavrado auto de infração do IRPJ, atinente aos 3° e 4° trimestres do anocalendário 1999, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 5.804.593,19, assim discriminado (fls. 02/08): a) imposto R$ 2.210.800,52; b) juros de mora (calculados até 30/11/2004) R$ 1.935.692,29; c) multa de oficio (75%) R$ 1.658.100,38. Total: R$ 5.804.593,19. Infrações imputadas: 1) — GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE — SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. Fato gerador 30/09/1999 — Valor Tributável R$ 521.773,30. Enquadramento legal: RIR/99, arts. 247, 250 —111, 251 § único, 509, 510 e 511 e IN SRF 11/96, art. 36, caput, e §§. 2) — FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARTE DO IMPOSTO A PAGAR INFORMADO NA DIPJ. DÉBITO NÃO CONFESSADO EM DCTF. Fundamento legal: RIR/99, arts. 841, I, III e IV. Valor do imposto a pagar: a) quanto ao fato gerador de 30/09/1999, R$ 1.989.029,57 ; b) quanto ao fato gerador de 21/12/1999, R$ 91.327,63. O sujeito passivo tomou ciência do auto de infração, por via postal, em 17/12/2004, conforme Aviso de Recebimento à fl. 38; apresentou impugnação em 17/01/2005 às fls. 40/48, juntando, ainda, os documentos às fls. 49/94. Consta da impugnação, em síntese, o seguinte: 1) — Preliminar de decadência do direito da Fazenda Pública exigir crédito tributário relativos a períodos anteriores a dezembro de 1999: que, desde a edição da Lei n° 8.383/91, o IRPJ sujeitase a lançamento por homologação; que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos, prazo contado a partir do fato gerador, consoante art. 150, § 4°, do CTN; que, ao tempo da autuação combatida, a impugnante estava sujeita ao regime de recolhimento trimestral do IRPJ; que o marco inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese, é o término do trimestre a que se refere o tributo objeto de lançamento. Quanto à questão do IRPJ ser um tributo sujeito a lançamento por homologação, o sujeito transcreve, nesse sentido, diversos precedentes da jurisprudência administrativa (Acórdãos do 1° CC e suas câmaras); que tendo a impugnante tomado ciência do auto de infração em 17/12/2004, os valores lançados em relação aos períodos anteriores a 17/12/1999 encontramse decaídos, segundo o entendimento da impugnante. 2) No mérito: 2.1) Da ilegalidade de limitarse a compensação de prejuízos nãooperacionais com lucro fiscal operacional. O conceito de renda: em relação à infração imputada "compensação indevida de prejuízo fiscal não operacional com lucro fiscal operacional, Fl. 635DF CARF MF Processo nº 14041.000344/200489 Resolução nº 1301000.630 S1C3T1 Fl. 4 3 que não pode prevalecer tal entendimento do Fisco, sob pena de desnaturarse o conceito de renda e, por conseqüência, atentarse contra o CTN e contra a CF; que renda, conforme entendimento uníssono da doutrina e da definição legal do art. 43 do CTN, consiste em acréscimo patrimonial. Na ausência de tal acréscimo inexiste renda e, por tal razão, não há que se falar em IR, por inocorrência de seu fato gerador; que, de modo injustificado, quando o prejuízo referese a período distinto daquele em que foi apurado o lucro a ser compensado, pretende o Fisco limitar tal compensação, impondo que a mesma só se dê entre resultados de mesma natureza; que não há justificativa para tal entendimento, uma vez que todo prejuízo implica redução de patrimônio, devendo necessariamente ser considerado no momento de apuração da renda auferida, fato gerador do IRPJ; que apesar de tal limitação encontrarse prevista na Lei n° 9.249/95, tratase de norma inválida, posto que atenta contra o conceito de renda do art. 43 do CTN e contra o art. 146, III, "a" da CF , que exige norma complementar em matéria de definição do fato gerador de tributos; que a natureza não operacional de determinado prejuízo não o descaracteriza; que impedir a compensação desse prejuízo com eventual lucro operacional implica em autorizar a União a tributar, por meio do IR, a receita do contribuinte, em claro atentado a CF, que delimita, como fato gerador do IR, a renda e contra o CTN, que conceitua renda como acréscimo patrimonial; 2.2) — Do recolhimento integral do tributo devido: em relação à infração imputada insuficiência de recolhimento do IRPJ, cujo débito foi declarado na DIPJ e não foi objeto de confissão na DCTF, que tal infração não pode prevalecer; que o agente do Fisco baseouse unicamente na divergência de informações prestadas pelo contribuinte; que o AuditorFiscal não verificou se a diferença encontrada fora objeto de pagamento; que mero equívoco em declaração não é capaz de ensejar a cobrança de tributo, sendo imprescindível que se verifique a efetiva insuficiência dos valores recolhidos; que, no presente caso, todos os valores exigidos a título de insuficiência de recolhimento/declaração foram objeto de pagamento, seja por meio de compensação com o IRRF (aplicação financeira), seja por meio de compensação com o IRRF (retido por órgão público), seja por meio de recolhimento por DARF; que a propósito: a) o montante de IRPJ a pagar R$ 1.989.029,57 informado na DIPJ 2000 referente ao terceiro trimestre de 1999 , foi objeto de compensação com valores referentes ao IR sobre aplicações financeiras retido na fonte (fl. 91); que, por conseguinte, não pode ser objeto de autuação; b) que o montante de IRPJ a pagar R$ 91.327,63 informado na DIPJ 2000 — referente ao quarto trimestre de 1999 , foi recolhido por meio de dois DARF. O primeiro, no valor de R$ 30.549,14 (fl. 85) e, o segundo, no valor de R$ 58.454,21 (fl. 86) que totalizam R$ 58.454,21 e que o restante do valor autuado também foi objeto de pagamento por meio de DARF, conforme será comprovado posteriormente (sic). Obs: o valor de R$ 91.327,63 — objeto de autuação — referese à diferença entre o IRPJ a pagar R$ 1.062.235,50 informado na DIPJ 2000 (4° trimestre) à fl. 92 e o valor confessado R$ 970.907,91 em DCTF (fls. 93/94). 2.3) — Da inexibilidade de multa da impugnante por supostas infrações tributárias praticadas por suas sucedidas: que é assente na doutrina e na jurisprudência que as empresas sucessoras somente respondem pelas empresas sucedidas, em termos de multa punitiva, se houver formalização do lançamento antes do ato de incorporação; que este, também, o entendimento do art. 132 do CTN; que, destarte, a responsabilidade da sucessora restringese apenas aos tributos, não abarcando a multa aplicada, caso aplicada após a operação de sucessão; que a multa aplicada anteriormente ao ato de incorporação integra o patrimônio passiva da empresa, sendo possível, portanto, exigi la da incorporadora; que, no caso, a multa foi aplicada em momento posterior à Fl. 636DF CARF MF Processo nº 14041.000344/200489 Resolução nº 1301000.630 S1C3T1 Fl. 5 4 incorporação, não podendo, por tal motivo, ser exigida da empresa incorporadora, que não tinha conhecimento da irregularidade praticada pela sucedida. Ainda, nesse sentido, colaciona ou transcreve diversos precedentes, nesse sentido, da jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; que, na presente hipótese, como o ato de incorporação da Telebrasília Celular S/A pela Tele Centro Oeste Celular Participações S/A deuse em 26/04/2002, tendo o Auto de Infração sido lavrado apenas em dezembro/2004, é ilegítima a exigência da multa lançada. Por fim, a impugnante pede a improcedência do lançamento fiscal. Ainda, sucessivamente, pede sejam excluídos dos valores eventualmente remanescentes a multa cobrada da impugnante. Ademais, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial por documentação que serão posteriormente localizados pela impugnante, nos termos do art. 16, § 5° do Decreto n° 70.235/72. A autoridade de primeira instancia julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 116 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA Para lançamento de ofício de diferença de imposto a pagar, o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação da inteligência dos arts. 149, V, e 173, I, do CTN. PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. LUCRO FISCAL OPERACIONAL DO PERÍODO. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. NÃO OBSERVÂNCIA DA NATUREZA DOS RESULTADOS. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. QUESTIONAMENTO QUANTO À SUA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE: I Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros de mesma natureza, observado o limite previsto no art. 15 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. II A atividade de lançamento fiscal é vinculada e obrigatória, não compete ao agente do fisco, seja ele responsável pelo lançamento, seja ele julgador administrativo do ato administrativo de lançamento, deixar de aplicar a legislação vigente, sob pena de responsabilidade funcional. III Não compete ao julgador administrativo conhecer da alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação tributária federal, pois tal competência é monopólio do Poder Judiciário, em face dos princípios da unidade de jurisdição e da separação dos poderes. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ A PAGAR INFORMADO NA DIPJ E NÃO CONFESSADO EM DCTF Em relação à diferença de imposto a pagar do terceiro trimestre de 1999 lançada de ofício, mantémse a exigência fiscal, pela inexistência de comprovação, nos autos, de pagamento ou compensação. Quanto à diferença de imposto a pagar do quarto trimestre de 1999 lançada de ofício, revisase o lançamento para acolher os recolhimentos comprovados, devendose fazer a Fl. 637DF CARF MF Processo nº 14041.000344/200489 Resolução nº 1301000.630 S1C3T1 Fl. 6 5 alocação desses recolhimentos ao débito de imposto lançado, ficando afastada a multa de ofício em relação ao débito do imposto extinto pela alocação dos referidos recolhimentos. SUCESSÃO SOCIETÁRIA. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. APLICAÇÃO DE MULTA APÓS A OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO. INFRAÇÃO DA SUCEDIDA. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR PELA MULTA FISCAL. EXIGÊNCIA MANTIDA: I Sucessão por incorporação da controlada pela controladora importa na inexorável assunção dos direitos e deveres da sucedida pela sucessora, sejam passados, presentes e futuros compromissados, nos termos da lei, não cabendo a exclusão da responsabilidade se os acionistas e administradores se confundem. II Ainda que se entenda como excluída a multa de ofício por força do disposto no artigo 132 do CTN, tal exegese não pode prevalecer quando o controle efetivo da incorporada e incorporadora pertence ao mesmo grupo econômico. III Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando o negócio jurídico objetiva apenas a redução de custos de empresa do mesmo grupo societário da empresa sucedida. PROTESTO PELA APRESENTAÇÃO DE TODOS OS MEIOS DE PROVA ADMITIDOS EM DIREITO, MORMENTE PROVAS DOCUMENTAIS Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1º artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte O crédito tributário relativo à compensação de prejuízos foi mantido pela DRJ, assim como o correspondente à diferença identificada no cotejo DIPJ/DCTF do terceiro trimestre. Quanto à diferença DIPJ/DCTF do quarto trimestre, foi determinada a alocação dos recolhimentos comprovados (fls. 85/86) ao imposto lançado, além da exclusão da multa de ofício sobre o “débito de imposto lançado e abatido pela referida alocação”, permanecendo a exigência quanto ao saldo remanescente. Cientificada do acórdão em 15/02/2007 (fls. 125), a interessada interpôs o recurso no dia 16/03/2007 (fls. 182), acompanhado de relação de bens e direitos para arrolamento (fls. 238). Suscitou preliminar de decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo ao terceiro trimestre de 1999, com base nas disposições do art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, considerou ilegal a limitação à compensação de prejuízos não operacionais. Assegurou ter havido pagamento integral do tributo devido nos meses de setembro e dezembro de 1999, seja por meio de DARF, seja por meio de compensação. Sustentou que as empresas sucessoras só respondem pelas multas decorrentes de infrações tributárias praticadas por empresas sucedidas na hipótese de formalização do lançamento ocorrida antes do ato de incorporação, o que não ocorreu no caso deste processo. O ato de incorporação da Telebrasília Celular S/A pela Tele Centro Oeste Celular Participações Fl. 638DF CARF MF Processo nº 14041.000344/200489 Resolução nº 1301000.630 S1C3T1 Fl. 7 6 S/A se deu em 26/04/2002 (fls. 67/73) enquanto o auto de infração foi lavrado em dezembro de 2004. Tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade pelo STF da exigência de arrolamento para seguimento do recurso, a recorrente requereu a liberação do bem arrolado (fls. 276). Os autos foram encaminhados à unidade de origem para realização de diligência por meio da Resolução nº 10102.665/2008 (fls. 297), retornando instruído com a informação fiscal de fls. 328. Tendo em vista o não atendimento à Resolução, os autos foram novamente encaminhados à unidade de origem para realização de diligência por meio da Resolução nº 1103000.095/2013 (fls. 373). Cientificada da Resolução nº 1103000.095/2013 (fls. 373), a interessada ofereceu esclarecimentos dia 19/03/2015 (fls. 516), retornando os autos instruídos com a informação fiscal de fls. 596. No dia 19 de novembro de 2018, foi protocolada petição em que a Recorrente alega que, após inúmeras tentativas, logrou êxito em angariar os relatórios das DIRFs que comprovariam seus argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 14041.000344/200489 Resolução nº 1301000.630 S1C3T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Diligencia Conforme relatado, em petição protocolada em 19 de novembro de 2018, a Recorente juntou aos autos novos documentos (fls. 626 e segs) que alega comprovariam seus argumentos de defesa. Desta forma, em nome do principio da verdade material, voto no sentido de que os autos retornem a unidade de origem para que tais documentos sejam analisados, que se averigúe e manifestese quanto à compensação do débito de 09/1999 com crédito de IRRF aplicações financeiras na forma de relatório circunstanciado em relação as conclusões sobre o teor dos mesmos. Solicitase, ainda, que seja realizada diligencia fiscal nos sistemas informatizados da receita federal em relação a Dirf transmitida pelo Banco HSBC (retenção no valor de R$ 46.140,74). Que seja dada ciência ao contribuinte, abrindose prazo para manifestação, após a conclusão da analise das autoridades da unidade de origem, antes do retorno dos autos a este colegiado. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 640DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.003103/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1990 a 31/10/1995
CRÉDITO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
A autoridade fiscal deverá apurar o recolhimento a maior, caso a quantificação do crédito já não tenha sido objeto da decisão judicial. A certeza e liquidez do crédito é condição para a restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do CTN.
DECISÃO JUDICIAL. INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO.
O indébito tributário reconhecido por decisão judicial deve ser atualizado na forma estabelecida pelo judiciário. Não existindo colisão com o decido judicialmente, os valores passíveis de restituição, no âmbito da Receita Federal, deverão ser atualizados até 31/12/1991 com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27/06/1997. Os valores passíveis de restituição, apurados de 1992 a 1995, serão expressos em UFIR e convertidos para Real utilizando-se a UFIR vigente em janeiro de 1996, no valor de 0,8287. A partir de janeiro/1996, serão acrescidos juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente até o mês anterior da restituição, mais o percentual de 1% relativamente ao mês em que a restituição for efetivada.
COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL.
A compensação do débito do contribuinte ou a utilização do crédito que possua contra a Fazenda Nacional deve ser efetuada obedecendo-se à proporcionalidade entre o principal e os respectivos acréscimos, conforme disposto nas normas tributárias.
Numero da decisão: 3401-005.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Cons. André Henrique Lemos (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Tiago Guerra Machado.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Redator Ad Hoc.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1990 a 31/10/1995 CRÉDITO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A autoridade fiscal deverá apurar o recolhimento a maior, caso a quantificação do crédito já não tenha sido objeto da decisão judicial. A certeza e liquidez do crédito é condição para a restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. DECISÃO JUDICIAL. INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO. O indébito tributário reconhecido por decisão judicial deve ser atualizado na forma estabelecida pelo judiciário. Não existindo colisão com o decido judicialmente, os valores passíveis de restituição, no âmbito da Receita Federal, deverão ser atualizados até 31/12/1991 com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27/06/1997. Os valores passíveis de restituição, apurados de 1992 a 1995, serão expressos em UFIR e convertidos para Real utilizando-se a UFIR vigente em janeiro de 1996, no valor de 0,8287. A partir de janeiro/1996, serão acrescidos juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente até o mês anterior da restituição, mais o percentual de 1% relativamente ao mês em que a restituição for efetivada. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A compensação do débito do contribuinte ou a utilização do crédito que possua contra a Fazenda Nacional deve ser efetuada obedecendo-se à proporcionalidade entre o principal e os respectivos acréscimos, conforme disposto nas normas tributárias.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1990 a 31/10/1995 CRÉDITO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A autoridade fiscal deverá apurar o recolhimento a maior, caso a quantificação do crédito já não tenha sido objeto da decisão judicial. A certeza e liquidez do crédito é condição para a restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. DECISÃO JUDICIAL. INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO. O indébito tributário reconhecido por decisão judicial deve ser atualizado na forma estabelecida pelo judiciário. Não existindo colisão com o decido judicialmente, os valores passíveis de restituição, no âmbito da Receita Federal, deverão ser atualizados até 31/12/1991 com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27/06/1997. Os valores passíveis de restituição, apurados de 1992 a 1995, serão expressos em UFIR e convertidos para Real utilizandose a UFIR vigente em janeiro de 1996, no valor de 0,8287. A partir de janeiro/1996, serão acrescidos juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente até o mês anterior da restituição, mais o percentual de 1% relativamente ao mês em que a restituição for efetivada. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A compensação do débito do contribuinte ou a utilização do crédito que possua contra a Fazenda Nacional deve ser efetuada obedecendose à proporcionalidade entre o principal e os respectivos acréscimos, conforme disposto nas normas tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 31 03 /2 00 9- 41 Fl. 1117DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Cons. André Henrique Lemos (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Tiago Guerra Machado. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Redator Ad Hoc. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório do Acórdão da DRJ/POA, de piso (efl. 1.052 e ss.) por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente processo do aproveitamento de créditos pela empresa em epígrafe fundados no mandado de segurança nº 2000.71.000382302, no qual foi solicitado oreconhecimento da inexigibilidade dos recolhimentos efetuados sob a égide dos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, com a autorização para compensação ods valores pagos a maior com PIS e Cofins. A sentença, datada de 28/05/2001, julgou extinto o processo para fatos geradores anteriores a setembro de 1990 e, de resto, denegou a segurança. Em Acórdão de 05/09/2002, o TRF/4a Região deu parcial provimento à apelação da impetrante para reconhecer o direito de recolher o PIS de acordo com a Lei Complementar 07/70, sendo a base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (“semestralidade”), e autorizar a compensação dos valores recolhidos a maior, corrigidos, com débitos do próprio PIS. As parcelas recolhidas para competências anteriores a 11/90 foram consideradas prescritas. O STJ negou seguimento ao recurso especial da União. A ação transitou em julgado em 12/07/2004. A empresa transmitiu declarações de compensação (Dcomp) entre 28/10/2004 e 28/12/2004, utilizando o referido crédito para a compensação de débitos de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 11080.003103/200941 Acórdão n.º 3401005.458 S3C4T1 Fl. 1.118 3 IRRF. O valor do crédito informado na primeira Dcomp, calculado até outubro de 2004, foi de R$ 2.418.502,13 (o que corresponderia, de acordo com o despacho decisório, ao valor de R$ 867.748,60 em 01/01/96). Através do Despacho Decisório DRF/POA no 1.893/2009 (fls. 932 a 9351), o crédito é apurado e reconhecido parcialmente no valor de R$ 808.364,59, composto da parcela de R$ 704.599,00, convertida em reais e atualizada até 01/01/96, e da parcela de R$ 103.765,59, correspondente aos valores históricos dos pagamentos realizados após aquela data. (fls. 442 a 470). As compensações foram homologadas até o limite do crédito. Os valores foram calculados de acordo com a sistemática da semestralidade, sem a correção da base de cálculo, a partir da competência 11/90 até 10/95. Foram anexados aos autos os documentos relacionados ao cálculo do crédito, como o demonstrativo de apuração de débitos, demonstrativo de pagamentos, demonstrativo de vinculações auditadas, documentos e despacho de setor de parcelamento indicando os pagamentos a maior em processo de parcelamento. O despacho registra ainda que foram aceitas as compensações com outros tributos, que não o PIS, em decorrência de legislação superveniente autorizando, de acordo com os esclarecimentos da RFB constantes da Nota Cosit (Coordenação Geral de Tributação) 141/2003. Efetivada a compensação, restou homologada a compensação de oito débitos e parcialmente a compensação de um débito de IRRF (fl. 943). O contribuinte foi cientificado em 16/12/2009 (fl. 1.048). Em 15/01/2010, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 995 a 1.047). Indica que é detentora de parecer contábil que apurou crédito suficiente para as compensações. Questiona vários pontos do cálculo realizado. Em síntese contesta: (i) a escolha dos pagamentos para alocação aos débitos de PIS, indicando que deveria ter sido aproveitado o pagamento arrecadado no próprio período, e que, em decorrência, não foram considerados os pagamentos efetuados entre 11/90 e 01/91; (ii) o demonstrativo de vinculações, por não permitir verificar se o saldo do pagamento após abatimento do PIS foi corrigido e sob quais critérios, quando aproveitado para abater outro período de apuração (cita como exemplo a vinculação efetuada ao débito de novembro de 1990); (iii) o demonstrativo dos créditos (fls. 675 e 676, ou fls. 803 e 804 do eproc), por não contemplar o período 11/90 a 09/91 e os valores recolhidos serem superiores aos apontados; (iv) o demonstrativos de conversão dos créditos das fls. 677 e 678 (fls. 805 e 806), pois não indica os períodos de apuração, não sendo possível identificar a origem e a forma de apuração do valor em 01/01/96; (v) o fato de não Fl. 1119DF CARF MF 4 terem sido contemplados todos os pagamentos de 1997; (vi) a apuração de crédito decorrente do parcelamento, na qual não seria possível identificar o período de apuração nos extratos de pagamentos, além do valor do crédito estar incorreto, uma vez que os períodos de 08/90 até 03/94 deveriam ser excluídos do parcelamento, devendo ser restituído o correspondente a 55.255,83 Ufir; (vii) o demonstrativo de consolidação dos créditos, pelos valores não terem sido atualizados, em prejuízo à empresa; e, (viii) a compensação, pois não deveria ser efetuada na forma definida pela RFB, mas sim abatendose, primeiro, apenas a atualização do crédito, e reduzindo o principal apenas quando de seu esgotamento. Considerando que possui crédito suficiente para a compensação integral dos valores, requer cancelar e anular o despacho decisório e o débito tributário em cobrança. (Negritos do Relator). A DRJ/POA à unanimidade de vtos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão a seguir: CRÉDITO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A autoridade fiscal deverá apurar o recolhimento a maior, caso a quantificação do crédito já não tenha sido objeto da decisão judicial. A certeza e liquidez do crédito é condição para a restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. DECISÃO JUDICIAL. INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO. O indébito tributário reconhecido por decisão judicial deve ser atualizado na forma estabelecida pelo judiciário. Não existindo colisão com o decido judicialmente, os valores passíveis de restituição, no âmbito da Receita Federal, deverão ser atualizados até 31/12/1991 com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27/06/1997. Os valores passíveis de restituição, apurados de 1992 a 1995, serão expressos em UFIR e convertidos para Real utilizandose a UFIR vigente em janeiro de 1996, no valor de 0,8287. A partir de janeiro/1996, serão acrescidos juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente até o mês anterior da restituição, mais o percentual de 1% relativamente ao mês em que a restituição for efetivada COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A compensação do débito do contribuinte ou a utilização do crédito que possua contra a Fazenda Nacional deve ser efetuada obedecendose à proporcionalidade entre o principal e os respectivos acréscimos, conforme disposto nas normas tributárias. A Postulante tomou ciência do acórdão em 11/01/2013 (ef. 1.64), vindo a interpor recurso voluntário em 08/02/2013 (efl. 1.65), no qual basicamente reitera os argumentos constantes na manifestação de inconformidade e junta Parecer Contábil (efl. 1.102 Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11080.003103/200941 Acórdão n.º 3401005.458 S3C4T1 Fl. 1.119 5 e ss.), entendendo que o acórdão merece reforma, pois o critério adotado pela Receita Federal retirou da Recorrente a atualização monetária determinada em decisão judicial profereida no mandado de segurança, deduzindo tão somente débitos com os valores de seus créditos. Arremata o aludido Parecer Contábil que, caso houvesse procedido de forma correta haveria cr´dito a ser restituído a Postulante e não saldo a pagar, no valor de R$ 243.477,32, em 29/12/04 (efl. 775). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Inicialmente, esclarecese que quando se trata de PER/DCOMP, cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Como se sabe, de regra, nestas situações, o ônus probatório compete ao contribuinte, art. 373, I, do CPC. Assim, para que seja possível a homologação da compensação é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DACON. Registrese que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada perante a Fazenda Pública. O origem do crédito, como se viu, versa sobre ação judicial transitada em julgado, na qual se questionou o pagamento a maior ou indevido de PIS, dos DDLL 2.445/88 e 2.449/88. O questionamento foi favorável a Recorrente, cuja decisão apontou índice de atualização do crédito. A Administração reconheceu o crédito e o homologou, porém, remanesceu a discussão sobre a atualização. No entendimento da Recorrente, a Administração não seguiu o Fl. 1121DF CARF MF 6 que fora determinado na decisão judicial, e para reforçar sua argumentação, juntou Parecer Contábil Esta, portanto, a celeuma. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do referido artigo determina que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a Contribuinte fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos, abaixo citados. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. A jurisprudência deste E. Tribunal até flexibilizou o texto seco da norma acima, permitindo, como se disse, sobrevenham documentos que comprovem a existência do crédito. Esta flexibilização tem a ver com a verdade real, porém, não bastando apenas a DCTF retificadora, mas sim, para que o elo informativo do crédito se feche, imprescindíveis que documentos hábeis e idôneos o lastreiem. Diante da decisão da DRJ, no primeiro momento oportuno, a Recorrente, em sede de seu voluntário, defendeu que não houve respeito aos índices fixados na decisão judicial, o que fora corrobora pela juntada de Parecer Contábil. A fim de se perseguir a justiça tributária, fazendo com que, de um lado, a Administração arrecade exatamente o que lhe é devido, e de outro, o contribuinte pague estritamente o que lhe é imposto, bem como se busque a verdade real, e ainda, evitandose o enriquecimento sem causa, prudente que o julgamento seja convertido em diligência, retornando os autos à Unidade de Origem se manifeste sobre a existência e disponibilidade do crédito alegadamente destinado à compensação, elaborando Relatório Fiscal conclusivo sobre a apuração, dentre outros dados, confrontando os recolhimentos efetuados a maior ou indevido, o que fora contido na decisão judicial, os índices por ela fixados e o resultado disso para fins da compensação efetivada, por meio de tabela que se consiga acompanhar e confrontar todas estas informações, possibilitando que o feito chegue maduro para julgamento, poupandose futura litigiosidade. Após, deverá o sujeito passivo ser cientificado do resultado da realização da diligência, no prazo de 30 (trinta) dias, de acordo com o parágrafo único do artigo 35 do Decreto 7.574/2011.” Vencido na proposta de diligência, o relator original votou pelo provimento do recurso, acolhendo o parecer contábil juntado em sede recursal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11080.003103/200941 Acórdão n.º 3401005.458 S3C4T1 Fl. 1.120 7 Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado, Redator Designado A despeito da sugestão do conselheiro relator, restou decidido pela Turma, por maioria, que é descabida a proposta de diligência, uma vez que não teria havido descumprimento da decisão judicial na análise dos pedidos de compensação respectivos. Assim, inexistindo no Recurso qualquer novo elemento de direito ou de prova a ser analisado pelo Colegiado, adoto os fundamentos da decisão recorrida (fls. 1051 a 1062) por entender serem irretocáveis à análise do caso, nos termos do artigo 57, §3º, do RICARF de modo que, no cálculo do crédito elaborado pela RFB, não houve violação aos métodos previstos na legislação tributária e reconhecidos no âmbito da decisão judicial. Por todo o exposto, entendo pelo conhecimento do Recurso, porém negando lhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 1123DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000903/2006-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2000 a 31/07/2004
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE.
As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência do PIS/Pasep não-cumulativo.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-007.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/2000 a 31/07/2004 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência do PIS/Pasep não-cumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência do PIS/Pasep nãocumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 03 /2 00 6- 11 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 18471.000903/200611 Acórdão n.º 9303007.881 CSRFT3 Fl. 404 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 285 a 304) com fulcro no artigo 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340301.503 (efls. 252 a 265) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21/03/2012, no sentido dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2000 a 31/07/2004 Ementa: DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é dado conhecer de ofício da decadência sempre que, por ausência de provocação do interessado, o debate sobre a decadência não é travado na instância a quo. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º. INCONSTITUCIONALIDADE. É inconstitucional o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, no que pretendeu ampliar a base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS para compreender não apenas o faturamento da pessoa jurídica, mas também toda e qualquer espécie de receita, independentemente da natureza e da origem. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 18471.000903/200611 Acórdão n.º 9303007.881 CSRFT3 Fl. 405 3 As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo da contribuição ao PIS, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras e falíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira e Robson José Bayerl quanto à questão do regime de reconhecimento de receitas na sistemática da nãocumulatividade. Sustentou oralmente pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ no. 24.968. Não resignada, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (efls. 285 a 304) suscitando divergência jurisprudencial com relação à exclusão da base de cálculo do PIS nãocumulativo (Lei n.º 10.637/02) das receitas de variação cambial ativa. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 20180.817 e 3302 01.408. Sustenta, em síntese, que: (a) de acordo com a redação da Lei n.º 9.718/98, o termo receita corresponde à totalidade de receitas contábeis computadas por determinada empresa, sendo irrelevante a sua classificação contábil. (b) Para o presente caso, pois, onde se busca desvendar se no conceito de receita encontramse contempladas as receitas apenas "escriturais", o art. 3°, §1º, da Lei n.º 9.718/98 (e art. 1º, §1° da Lei n° 10.637/02) já é suficiente para concluir que as receitas meramente escriturais, não definitivas, devem ser oferecidas à tributação; (c) Cita como exemplo a Lei n.º 6.404/79, que em seu art. 187, §1º, determina que as receitas e os rendimentos ganhos no período, serão computados na determinação do resultado do exercício, independentemente da sua realização em moeda. Referida lei reestruturou o sistema contábil brasileiro e estabeleceu como regra a utilização do chamado “regime de competência”, para o reconhecimento das receitas, sendo aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação de pagar a despesa; (d) Por isso, eventuais receitas registradas e não “realizadas em moeda” não perdem a natureza de “receita” pela ausência de pagamento. A expressão "receita", na referida lei, quer se referir ao elemento de registro contábil, e não ao ingresso efetivo de valores; (e) A variação cambial ativa, considerada pela recorrente como "falsa receita", é um clássico registro contábil previsto pela lei como receita, e não ha corno escapar de tal conclusão; Fl. 406DF CARF MF Processo nº 18471.000903/200611 Acórdão n.º 9303007.881 CSRFT3 Fl. 406 4 (f) Cita, ainda, outras disposições legais que se referem especificamente às variações cambiais e a consideração de tais registros como receitas: art. 18, da Lei n.º 1.598/77; art. 9º, da Lei n.º 9.718/98; artigos 375 e 378 do RIR/1999; (g) Nos termos da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999 (atual MPV 2.15835/01), o contribuinte passou a optar pelo regime através do qual desejava apurar as receitas de variação cambial: caixa ou competência. No presente caso, o contribuinte manteve o regime de competência na apuração das receitas mensais. Logo, devem ser reconhecidas por período de apuração, independentemente da efetiva liquidação das operações que a geraram; (h) Por fim, aduz que não há que se falar em aplicação do disposto no Decreto nº 5.164/2004 ao presente caso, haja vista que o mesmo produziu efeitos a partir de 02 de agosto de 2004, data posterior à ocorrência dos fatos geradores objeto de tributação (01/07/00 a 31/07/2004). Pede provimento. Consoante despacho de admissibilidade s/nº (efls. 306 a 309), o apelo especial da Fazenda Nacional teve seguimento, pois comprovada a divergência jurisprudencial, bem como atendidos os demais requisitos do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. Nessa esteira, devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 319 a 324), postulando a negativa de provimento ao recurso. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, Fl. 407DF CARF MF Processo nº 18471.000903/200611 Acórdão n.º 9303007.881 CSRFT3 Fl. 407 5 de 09 de junho de 2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de incidência do PIS/Pasep nãocumulativo sobre as variações cambiais ativas decorrentes de exportação, devido à imunidade do art. 149, §2º, inciso I da CF/88 Ocorre que as variações cambiais ativas são oriundas e inerentes aos contratos de exportações de bens, decorrendo diretamente do negócio jurídico realizado pela empresa. Assim, não podem as operações cambiais ser dissociadas da exportação das mercadorias, por resultarem de exigência de outros países para os quais a Contribuinte efetua as exportações. Portanto, a imunidade do PIS e da COFINS (cumulativas e nãocumulativas) prevista no art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal para as receitas decorrentes de exportação, abrange as variações cambiais ativas. A regra da imunidade visa impedir a incidência das contribuições sobre todas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços para o exterior, originadas do mesmo fato gerador, qual seja, a operação de exportação. Não é possível segregar as receitas da venda de mercadorias das variações cambiais ativas, por se constituírem em exigência das relações de comércio internacional. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, reconheceu que as receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade para afastar a incidência do PIS e da COFINS. A decisão foi proferida nos autos do recurso extraordinário nº 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, cujos fundamentos foram sintetizados na seguintes ementa, in verbis: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Fl. 408DF CARF MF Processo nº 18471.000903/200611 Acórdão n.º 9303007.881 CSRFT3 Fl. 408 6 Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) No mesmo sentido, manifestouse o Superior Tribunal de Justiça ao julgar o AgRg no AREsp 23033/RS, de relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, e cujos fundamentos do acórdão foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação (AgRg no REsp 1.143.779/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma). 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 23.033/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 12/12/2011) Colacionase outras duas ementas de julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça no mesmo sentido de afastar a tributação pelo PIS e COFINS das variações cambiais ativas, in verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NORMAS DE ISENÇÃO E IMUNIDADE. PRECEDENTES. 1. Tratase de agravo regimental interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que, ao negar seguimento ao recurso especial fazendário, entendeu que não incide tributação de PIS e COFINS sobre variações cambiais positivas decorrentes das receitas de exportação de mercadorias. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 18471.000903/200611 Acórdão n.º 9303007.881 CSRFT3 Fl. 409 7 2. "A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em um caso análogo, decidiu que: "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente." (REsp 1.059.041/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 4.9.2008). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1143779/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 25/11/2010) TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL COFINS PIS VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA NÃOINCIDÊNCIA MANDADO DE SEGURANÇA DECLARAÇÃO DE COMPENSABILIDADE DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS SÚMULA 213/STJ TAXA SELIC INCIDÊNCIA A PARTIR DOS PAGAMENTOS INDEVIDOS SUFICIÊNCIA DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. O mandado de segurança é instrumento adequado para a declaração de compensabilidade do crédito tributário, que será efetuada, respeitado o prazo prescricional, junto à Administração tributária. Precedentes. 3. Incide a Taxa Selic, como correção monetária e juros de mora, desde o pagamento indevido. Precedentes. 4. Segundo a jurisprudência desta Corte, a receita decorrente da variação cambial positiva relativa às operações de exportação não se sujeitam à tributação pelo PIS e pela COFINS. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. 6. Recurso especial do contribuinte provido. (REsp 982.870/PE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/09/2010, DJe 20/09/2010) Dispositivo Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910086/2012-37
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.910086/201237 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.065 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente JPTE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 00 86 /2 01 2- 37 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13896.910086/201237 Acórdão n.º 3003000.065 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS/PASEP, no valor de R$ 8.109,06, referente ao período de apuração de agosto de 2009. A Delegacia da RFB de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, inexistindo, desse modo, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente argumentou que é prestadora de serviços na área de engenharia, tendo, como tomadora de serviços, o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Sustentou que a sistemática da nãocumulatividade do PIS/COFINS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que fossem descontados créditos atinentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, ex vi do artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar seu direito creditório, a recorrente apresentou, então, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada, além de PER/DCOMP. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/10/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13896.910086/201237 Acórdão n.º 3003000.065 S3C0T3 Fl. 4 3 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente sustentou erro material ao transmitir a DCTF e Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13896.910086/201237 Acórdão n.º 3003000.065 S3C0T3 Fl. 5 4 DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13896.910086/201237 Acórdão n.º 3003000.065 S3C0T3 Fl. 6 5 Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os documentos apresentados, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que pudessem reduzir seus débitos apurados e informados nas declarações originais. Nesse sentido, a simples juntada de notas fiscais variadas, sem qualquer explicação e demonstração de como influenciam a apuração das contribuições sociais, não é suficiente para comprovar e elucidar os fundamentos da retificação realizada no DACON e DCTF. Para comprovar seu direito, a recorrente deveria ter apresentado demonstrativo de apuração das contribuições sociais, contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, indicando todos os documentos que comprovem sua natureza e valor, e demonstrando sua escrituração contábilfiscal. Do material probatório apresentado, não há como saber a natureza e extensão de eventuais deduções na apuração da contribuição social de que resultou o crédito pleiteado nos autos. Não há demonstrativo de apuração, não há escrituração contábil e fiscal, não há elucidação analítica para explicar a suposta redução do débito informado nas declarações retificadas. Sublinhese que notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, quando desacompanhadas de outros elementos que demonstrem sua escrituração e, sobretudo, seu cômputo na apuração do tributo devido, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. A compensação tributária impõe a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recorrente, apesar de juntar notas fiscais diversas sem documentos contábeis e fiscais que demonstrem sua escrituração , não faz qualquer vinculação de tais notas a eventuais contas de despesas dedutíveis no regime da nãocumulatividade que poderiam servir para a redução do tributo devido. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13896.910086/201237 Acórdão n.º 3003000.065 S3C0T3 Fl. 7 6 No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". Quanto a tal questão, registrese que a recorrente teve toda a possibilidade de apresentação dos citados documentos em seu recurso. Não o fez. Neste caso, ocorreu a preclusão do direito de apresentar prova documental além daquela trazida no recurso voluntário. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 254DF CARF MF
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