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Numero do processo: 13971.002416/2005-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. AUSÊNCIA DE ADA. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. AUSÊNCIA DE ADA. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 24 16 /2 00 5- 40 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório HORST GERHARD PURNHAGEN, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 15/12/2005 (AR fl. 35), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Condomínio”, localizado no município de Taio/SC, inscrita na RFB sob nº 47205520, conforme peça inaugural do feito, às fls. 25/34, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0412.525/2007, às fls. 62/79 que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 23/08/2011, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220101.240, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: AREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da area de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA).” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 111/122, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13971.002416/200540 Acórdão n.º 9202003.516 CSRFT2 Fl. 269 3 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 2102000.966 e 30239.244, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito nos Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de reserva legal e preservação permanente são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 4 Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220000.967/2012, às fls. 125/127. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 135/142, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida nos decisórios paradigmas trazidos à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto à área de reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições Fl. 271DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13971.002416/200540 Acórdão n.º 9202003.516 CSRFT2 Fl. 270 5 estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de Fl. 272DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 6 gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente a aludidas áreas, como se constata nestes autos. Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT Fl. 273DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13971.002416/200540 Acórdão n.º 9202003.516 CSRFT2 Fl. 271 7 DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante na conclusão do Acórdão recorrido, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Averbação procedida à margem da matrícula do imóvel, datada de 21/06/2000 (antes da ocorrência do fato gerador), às fls. 09v, como a própria autoridade lançadora reconheceu no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 31/34, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Reserva Legal apresentada pela contribuinte se presta a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 8 Partindo dessas premissas, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte, ainda que não apresentado o ADA, impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 275DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 37299.000231/2004-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NÃO APRESENTAÇÃO DA CAT
Toda empresa é obrigada a comunicar acidente de trabalho ao INSS.
À perícia médica do INSS cabe reconhecer o nexo causal entre a doença e o trabalho e caracterizar o acidente como sendo de trabalho.
A obrigatoriedade de emissão do CAT não se resume à ocorrência da
inaptidão para o trabalho, devendo todas as alterações audiométricas dos segurados serem comunicadas ao INSS, independentemente de tais alterações resultarem na inaptidão do empregado para o trabalho.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.241
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, em negar provimento, ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NÃO APRESENTAÇÃO DA CAT Toda empresa é obrigada a comunicar acidente de trabalho ao INSS. À perícia médica do INSS cabe reconhecer o nexo causal entre a doença e o trabalho e caracterizar o acidente como sendo de trabalho. A obrigatoriedade de emissão do CAT não se resume à ocorrência da inaptidão para o trabalho, devendo todas as alterações audiométricas dos segurados serem comunicadas ao INSS, independentemente de tais alterações resultarem na inaptidão do empregado para o trabalho. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA.
As verbas à título de auxílio-alimentação, ainda que não inscritas previamente no PAT, possuem natureza indenizatória. Por esta razão, tais verbas não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Desta forma tem decidido o STJ e este Conselho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. As verbas à título de auxílioalimentação, ainda que não inscritas previamente no PAT, possuem natureza indenizatória. Por esta razão, tais verbas não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Desta forma tem decidido o STJ e este Conselho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 22 79 /2 00 8- 66 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil com julgamento em Fortaleza, nº 0817.343, fls. 100/105, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.149.8112, referente ao período de 01/2004 a 12/2004, no valor de R$ 17.193,69 (dezessete mil, cento e noventa e três reais e sessenta e nove centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário, referente às contribuições devidas às Outras Entidades (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), por ter a empresa fornecido alimentação aos seus empregados sem estar devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Para tanto, vejase Relatório Fiscal de fls. 28/31: 1. INTRODUÇÃO 1.1 Referese o presente relatório ao crédito lançado através do Auto de Infração 37.149.8112, referente às contribuições devidas às Outras Entidades (FNDE, INCRE, SENAC, SESC e SEBRAE). (...) 3. DOS FATOS E DO LEVANTAMENTO DO CRÉDITO (...) 3.2Analisando os documentos apresentados, folha de pagamento, livros contábeis, guias da Previdência Social – GPS, guias de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e informações à Previdência Social – GFIP, constatouse os seguintes fatos: 3.2.1. A empresa forneceu alimentação aos seus empregados, conforme pudemos atestar pelos arquivos magnéticos, sem estar devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador. No referido relatório fiscal foi elaborada planilha com os dados da contabilidade do contribuinte que demonstram como historio as seguintes anotações, dentre outras: a) PAGTO GÁS BUTANO; b) PAGTO DISTRIB DE CEREAIS; c) PAGTO LG DIST CEREAIS AÇÚCAR; d) PGTO DIS CEREAIS CAFÉ; e) CH427479 NF000019 MAR TROPICAL; f) CH427560 NFC782 MAKRO. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 36/41. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o acórdão 0817.343 de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.012279/200866 Acórdão n.º 2403002.804 S2C4T3 Fl. 3 3 fls. 100/105, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo a totalidade do crédito tributário, conforme ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade dos agentes da administração tributária é plenamente vinculada, não podendo a autoridade fiscal afastar a aplicação da norma legal, plenamente vigente, sob pena de responsabilidade funcional – art. 142, parágrafo único, do CTN. EFICÁCIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais, na ausência de declaração definitiva de inconstitucionalidade do STF, somente obrigam as partes envolvidas no processo, não tendo eficácia erga omnes. EMPREGADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. O valor da alimentação fornecida ao por empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT , integra o salário para fins de incidência de contribuição previdenciária. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, Serjak Manufatura de roupas LTDA., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 111/113, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – O auto de infração não encontra respaldo jurídico; 2 – O pagamento do auxílioalimentação não foi em pecúnia e diretamente aos trabalhadores, não configurando como salário indireto ou salário utilidade. 3 – A empresa teve sua inscrição processada em 23/06/2006, assim, como a recorrente atendeu ao reclame, seus efeitos envolvem todo o período anterior. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.120, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO Conforme se pode observar pelo Relatório Fiscal, a recorrente servia aos seus empregados auxílio alimentação sem estar inscrita no PAT. O contribuinte afirma que a alimentação foi fornecida in natura e diretamente aos trabalhadores. Informa também que teve sua inscrição processada em 23/06/2006. Diante dos fatos analisados no processo, passase ao mérito. É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, que o art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº. 8.212/91 traz em sua redação que não integrará o salário de contribuição a parcela in natura recebida nos termos do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.012279/200866 Acórdão n.º 2403002.804 S2C4T3 Fl. 4 5 A referida norma reproduziu o já disposto na Lei nº. 6.321/76, em seu art. 3º: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas ao Programa de Alimentação do Trabalhador, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo in natura, em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de alimentação que garanta o seu sustento e fiel cumprimento de suas atividades dispostas no contrato de trabalho. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, que in casu foi in natura, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência acerca de situação análoga, a saber, os valores pagos em pecúnia a título de transporte. Tal posicionamento foi assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de valealimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura ). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho , circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (STJ. 1.185.685 – SP 2010/00494616, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de Julgamento: 16/12/2010, 1ª TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2011) (grifos acrescidos) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria no que toca às verbas indenizatórias e a questão da utilização da impossibilidade de relativização do curso legal da moeda: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.012279/200866 Acórdão n.º 2403002.804 S2C4T3 Fl. 5 7 somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, é prudente o posicionamento da Corte Superior na aplicação análoga a alimentação, por trataremse de verbas ofertadas ao empregador em caráter estritamente indenizatório. De outra sorte, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, também adota a posição de a verba a título de alimentação paga em pecúnia é também indenizatória, para tanto, vejase os precedentes abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Recurso que não logra demonstrar a incorreção ou o desacerto do despacho negativo de admissibilidade do recurso de revista. Agravo de instrumento a que se nega provimento. ( TSTAIRR 4334034.2007.5.02.0077 , Relator Juiz Convocado: Flavio Portinho Sirangelo, Data de Julgamento: 09/05/2012, 5ª Turma, Data de Publicação: 18/05/2012) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALEALIMENTAÇÃO. ACORDO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 PRECEDENTES. Esta Corte Superior tem perfilhado entendimento no sentido de que o pagamento da parcela auxílioalimentação em pecúnia, no acordo judicial, decorre do descumprimento de obrigação de fazer, que se resolve em obrigação de indenizar, o que não desnatura sua natureza jurídica indenizatória. Assim, nos termos do artigo 28, § 9º, c, da Lei 8.212/91, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tal parcela. Precedentes do TST. Recurso de revista conhecido e provido." (TSTRR220080.2009.5.15.0079, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data 2ª Turma, DEJT 21.10.2011) **************************************************** ACORDO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALEALIMENTAÇÃO. NATUREZA. A parcela denominada valealimentação recebida em acordo judicial não integra o saláriodecontribuição. Assim é porque o recebimento da referida parcela em pecúnia ocorreu para compensar o não recebimento durante o contrato de trabalho, hipótese que não altera sua natureza jurídica que é indenizatória. Recurso de Revista de que não se conhece." (TSTRR430076.2008.5.15.0003, Relator Ministro João Batista Brito Pereira, 5ª Turma, DEJT 26.8.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CESTA BÁSICA. NATUREZA JURÍDICA. ACORDO HOMOLOGADO NA JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O recebimento da cesta básica em pecúnia, em razão da homologação de acordo judicial, não tem o condão de transmudar a natureza do auxílioalimentação para salarial. Incidência da Súmula 333 do TST e do § 4º do art. 896 da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR15100 39.2006.5.15.0067, Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 19.4.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílio alimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Incólumes os dispositivos legais apontados na revista e superada a divergência jurisprudencial, nos termos da Súmula n.º 333 do TST e do art. 896, § 4.º, da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR2600049.2006.5.15.0013, Relator Juiz Convocado Flavio Portinho Sirangelo, 7ª Turma, DEJT 15.10.2010) Na esteira do raciocínio esposado, destaquese julgado deste Conselho, 2ª Seção, Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010. Apesar de se referir ao transporte em pecúnia, traz em sua ementa, relevante lição a ser aplicada, a de que o Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.012279/200866 Acórdão n.º 2403002.804 S2C4T3 Fl. 6 9 beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Por fim, destaquese que na sessão de 20 de setembro de 2012, esta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos autos do processo 10680.720790/201075, que resultou no acórdão 2403001.629, julgou pela não incidência de contribuição previdenciária no caso de alimentação paga in pecúnia, in verbis: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 03/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4 do CTN. No mérito: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de "Vale Transporte em pecúnia", "Alimento em pecúnia","Cesta Básica in natura"; II) por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9/4430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros da questão da multa. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre Medeiros. Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de alimentação in natura, estando ou não a empresa inscrita no PAT. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento, exonerando o crédito tributário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721512/2012-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. DCTF. FALTA DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INAPLICABILDIADE DE MULTA. DEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES.
A existência de débitos perante a Fazenda Pública Federal constitui vedação ao ingresso no Simples Nacional, conforme dispõe o inciso V, art 17, da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006.
Nos caso de comprovação de inexistência de causa para aplicação da multa pela Receita Federal, resta exonerada a penalidade e a consequente solicitação de opção pelo regime de tributação do Simples Nacional, deferido.
Numero da decisão: 1803-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. DCTF. FALTA DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INAPLICABILDIADE DE MULTA. DEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES. A existência de débitos perante a Fazenda Pública Federal constitui vedação ao ingresso no Simples Nacional, conforme dispõe o inciso V, art 17, da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006. Nos caso de comprovação de inexistência de causa para aplicação da multa pela Receita Federal, resta exonerada a penalidade e a consequente solicitação de opção pelo regime de tributação do Simples Nacional, deferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
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DCTF. FALTA DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INAPLICABILDIADE DE MULTA. DEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES. A existência de débitos perante a Fazenda Pública Federal constitui vedação ao ingresso no Simples Nacional, conforme dispõe o inciso V, art 17, da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006. Nos caso de comprovação de inexistência de causa para aplicação da multa pela Receita Federal, resta exonerada a penalidade e a consequente solicitação de opção pelo regime de tributação do Simples Nacional, deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 15 12 /2 01 2- 84 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SCX SISTEMAS INTEGRADOS DE SEGURANÇA ELETRÔNICA LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Rio de Janeiro I (RJ) que considerou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte improcedente. 2. De acordo com autos a contribuinte teve a sua solicitação de opção pelo Simples Nacional indeferida em virtude da existência do débito, a seguir: Débito – código da receita: 1345 Nome do tributo: 1345 Período de apuração: 2011 Vencimento 09/01/2012 Valor R$ 500,00 3. Em sua manifestação de inconformidade apresentada em 17.02.2012, o interessado contestou a multa alegando que não consta ausência de declarações e sustenta que no mês de outubro 2011, não houve entrega de DCTF por ausência de movimento no mês anterior. 4. No entanto, a DRJ do Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: OPÇÃO. INDEFERIMENTO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. Mantémse o indeferimento, se não elidido o débito que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio (fls. 28/29) 5. Cientificado da decisão em 13/03/2013, conforme AR de fl. 32, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 34/35), o qual em síntese tem como argumentos o que segue: a) sustenta que conforme consulta à Declaração emitida no site da Receita Federal, realmente e não houve ausência na entrega das Declarações, com exceção ao mês de outubro2011 que não houve movimento, o que é permitido; b) destaca que o Ato Declaratório Executivo RFB nº 1 de 09 de janeiro de 2012 DOU de 10.01.2012, cancela os lançamentos Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18470.721512/201284 Acórdão n.º 1803002.469 S1TE03 Fl. 3 3 relativos às multas aplicadas pela entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais (DCTF), relativa ao mês de setembro de 2011; c) sustenta que a DCTF referente ao mês de setembro/2011 foi transmitida dentro do prazo, porém devido a problemas no sistema da Receita Federal o prazo foi prorrogado para entrega até 27 de dezembro de 2011 e que as multa aplicadas seriam cancelada desde que transmitidas até esta data; d) aduz ainda que em vários atendimentos agendados em CAC’s foi constatada a entrega da Declaração no prazo correto (24/11/2012) porém não conseguiram suspender a multa lançada indevidamente; e) suscita a consulta feita à ouvidoria do Ministério da Fazenda sob o número 492205 e a sua respectiva resposta, na qual a ouvidoria informa que a reclamação está aguardando posicionamento da área técnica da organização. 6. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo, bem como preenche todos os demais requisitos de admissibilidade sendo imperioso o seu conhecimento e a analise de seu mérito. DA MULTA APLICADA E DO INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES A controvérsia cingese ao fato de que o contribuinte teve o seu pedido de ingresso ao Simples Nacional indeferido conforme Termo de Indeferimento (fl. 3). A solicitação de opção pelo Simples Nacional foi indeferida em virtude de constarem débitos (multa por atraso na transmissão da DCTF de setembro de 2011) da empresa perante a Fazenda Pública Federal, conforme a própria decisão a quo destacou: “Da consulta aos sistemas informatizados da RFB (SIEF, fls. 24), vê se que, par ao exercício de 2011, sob o código 1345, consta o seguinte débito: a) Notificação de Lançamento nº 18480990656073, exercício 2011, período de apuração 24/11/2011, origem PGDDCTF, com Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 vencimento em 09.01/2012, sem pagamento alocado – situação: devedor.” (fl. 30) O colegiado de primeira instância eximiuse de analisar as alegações da contribuinte quanto à exigibilidade ou não da multa sob o argumento de que “as alegações contra a emissão da multa que deu origem ao débito constante no TI deveriam ter sido apresentadas mediante impugnação junto à autoridade lançadora”. Dessa forma, tendo em vista que mediante consulta ao sistema COMPROT constatouse que não houve processo de impugnação relativo à multa constante no TI a exigibilidade da multa não deveria ser analisada. Assim, a decisão restringiuse a analisar somente o cumprimento dos requisitos necessários à inclusão no Simples. Ocorre que, em sede de recurso voluntário, a recorrente insurgese sobre a legitimidade da cobrança e, de fato, se suas alegações possuírem fundamento, não haveria multa a ser aplicada, o que, por consequência, legitimaria a inclusão da empresa no Simples Nacional, já que esse foi o único motivo arguido pela autoridade fiscal para o indeferimento do pedido. A recorrente destacou que à época foi publicado o Ato Declaratório Executivo RFB nº 1 de 9 de janeiro de 2012, o qual cancelava os lançamentos relativos às multas aplicadas pela entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao mês de setembro de 2011, desde que a declaração fosse transmitida até o dia 27 de dezembro de 2011. Eis o texto, in verbis: “Ato Declaratório Executivo RFB nº 1, de 9 de janeiro de 2012 DOU de 10.1.2012 Cancela os lançamentos relativos às multas aplicadas pela entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de setembro de 2011. Ato Declaratório Executivo RFB nº 1, de 9 de janeiro de 2012 A SECRETÁRIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SUBSTITUTA , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF Nº 587, de 21 de dezembro de 2010 , e tendo em vista o disposto na Instrução Normativa RFB Nº 1.212, de 24 de novembro de 2011 , declara: Art. 1º Ficam cancelados os lançamentos relativos às multas aplicadas pela entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao mês de setembro de 2011, desde que transmitidas até 27 de dezembro de 2011. (grifo nosso) Art. 2º Este Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18470.721512/201284 Acórdão n.º 1803002.469 S1TE03 Fl. 4 5 ZAYDA BASTOS MANATTA” Consta à fl. 45 documento que traz a relação das declarações de 2011 e suas respectivas datas de recepção. Percebese que a declaração de setembro foi transmitida em 24.11.2011 como afirmou a recorrente. Assim, têmse justificado a apresentação da declaração de setembro/2011 pelo Ato Declaratório acima mencionado. Quanto à declaração de outubro/2011, resta justificada a sua ausência, uma vez que somente deverão apresentar a DCTF mensal aqueles que tenham débitos a declarar, conforme Instrução Normativa RFB n 1.130 de 18 de fevereiro de 2011, o que segundo a recorrente não houve naquele período. Tal fato não foi contestado pelo Fisco. No tocante à declaração de novembro, conforme calendário de declarações, demonstrativos e documentos de janeiro de 2012 (fl. 18), esta teria como último dia para apresentação da DCTF mensal o dia 20 daquele mês. Em atenção ao calendário, consta que a referida declaração foi recebida em 19.01.2012, portanto, dentro do prazo. Quanto à competência de dezembro/2011 nada foi questionado. Ora, vêse que a relação de declarações apresentadas pela recorrente está correta, uma vez que todas as declarações foram apresentadas na data prevista. Não haveria, assim, razão para a aplicação da multa em comento. Dessa forma, uma vez que a multa foi indevidamente aplicada à contribuinte, deve a multa ser excluída e a solicitação de opção pelo Simples Nacional deferida. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO, a fim de excluir a multa aplicada e deferir a solicitação de opção pelo Simples Nacional. Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 08/02/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.009127/2002-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS COM
SALDO DE PERÍODO ANTERIOR. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a correição do saldo creditório pleiteado, reconhece-se o direito creditório correspondente, homologando-se as compensações até o limite do
crédito reconhecido.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-001.774
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito adicional de R$ 363.168,50 de saldo negativo de CSLL referente ao ano-calendário de 2001, homologando-se as compensações efetuadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS COM SALDO DE PERÍODO ANTERIOR. COMPROVAÇÃO. Comprovada a correição do saldo creditório pleiteado, reconhece-se o direito creditório correspondente, homologando-se as compensações até o limite do crédito reconhecido. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito adicional de R$ 363.168,50 de saldo negativo de CSLL referente ao ano-calendário de 2001, homologando-se as compensações efetuadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 91 27 /2 00 2- 51 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 26 de agosto de 2014 26 de agosto de 2014 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO BROOKLIN EMPREENDIMENTOS S/A BROOKLIN EMPREENDIMENTOS S/A FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 684 2 Relatório Brooklin Empreendimentos Ltda recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto n. 70.235, de 1972, objetivando a reforma da decisão de primeira instância que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, verbis: BROOKLIN EMPREENDIMENTOS S/A manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT (fls. 470 a 474), que homologou parcialmente as DCOMP apresentadas pela contribuinte (fls. 01 e processos apensos) relativos ao saldo credor de IRPJ nos anos- calendário 1999 e 2000 e CSLL nos anos-calendário de 2000 e 2001. 2 Ao examinar o crédito declarado nas DCOMP apresentadas, o Auditor Fiscal apurou os seguintes fatos: 2.1 O saldo credor de IRPJ do ano-calendário de 1999, declarado pela contribuinte foi confirmado no seu valor total de R$ 4.981.146,36 (fls. 180), conforme o declarado na DIPJ/2000. Esse saldo, no entanto foi totalmente consumido em compensações sem processo de débitos dos anos-calendário 2000, 2001 e 2002 (fls. 204 a 300), conforme demonstrado no relatório do sistema SAPO (fls. 181 a 199, 202 e 203). 2.2 O saldo credor de IRPJ do ano-calendário de 2000 foi confirmado como sendo R$ 1.233.275,08, igual ao constante na DIPJ/2001. Parte desse valor foi consumido em compensações sem processo (fls. 346 a 399 e 402 a 439), restando apenas o saldo de R$ 59.246,00 (fls. 345) passível de ser compensado. 2.3 O saldo credor de CSLL do ano-calendário de 2000 e declarado na DIPJ/2001, no valor de R$ 21.613,42 (fls. 343) e foi formado pela antecipação mensal por estimativa de fevereiro de 2000 (fls.331), que foi feita sem processo com saldo credor de CSLL do ano-calendário de 1999. 2.4 Analisando o ano-calendário de 1999, em relação a CSLL, o Auditor Fiscal verificou que nas fichas 29 e 30 da DIPJ/2000 (fls. 161 a 167), constava saldo credor de CSLL no montante de 1.271.343,47 (fls. 167), constituída por antecipações mensais feitas por estimativa, recolhidas através de DARF. 2.5 Através da consulta no sistema Sinal 08, somente foram encontrados DARF de recolhimento de CSLL no valor total de R$ 1.585.254,75, reduzindo um pouco o saldo credor de CSLL, que passou a R$ 1.010.239,63. Esse saldo no entanto, foi suficiente para quitar por compensação o valor total da estimativa de fevereiro de 2000, sendo portanto confirmado o saldo credor de CSLL no valor de R$ 21.613,43, relativo ao ano-calendário de 2000 (fls.343). Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 685 3 2.6 Esse saldo credor, no entanto, foi totalmente consumido pela compensação sem processo de débito do ano-calendário de 2001(fls. 307 e 441 a 444). 2.7 O saldo credor de CSLL do ano-calendário de 2001, foi declarado DIPJ/2002 como sendo R$ 363.168,50, constituído por antecipações mensais por estimativa (fls. 456 a 461), através de compensações sem processo com saldos negativos de CSLL dos anos-calendário de 1999 e 2000 (fls. 306, 307 e 444). 2.8 As compensações que foram feitas com o saldo negativo de CSLL do ano- calendário de 1999 puderam ser efetivadas (fls. 303,306 e 307). O débito de abril de 2001 que foi compensado com o saldo credor do ano-calendário de 2000 (fls. 307), só pode ser parcialmente compensado, por falta de saldo credor (fls. 441 a 444). 2.9 Assim, ao invés de saldo credor para o ano-calendário de 2001, foi apurado saldo devedor no valor de R$ 8.131,05. 2.10 Desse modo foi reconhecido o direito creditório da empresa contra o Fisco Nacional no valor de R$ 59.246,00, sobre os quais incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC e foi homologada a compensação das DCOMP apresentadas até o limite desse crédito corrigido. 3 Cientificada da decisão proferida em 06/12/2007, conforme Termo de Ciência de fls. 477, a contribuinte apresentou, em 04/01/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 550 a 554), apresentando as razões a seguir, em síntese: 3.1 Alega que houve erro de preenchimento na DIPJ/2000 e que o valor das antecipações de CSLL pagas por estimativa deve ser corrigido para o valor de R$ 2.511.476,71, conforme DARF que apresenta e demonstrativos. 3.2 Alega que também deve ser considerada compensação com 1/3 da COFINS paga nesse período, entendendo que, desse modo, o saldo credor de CSLL para ano- calendário de 1999 passa a ser de R$ 1.940.044,45. 3.3 Alega que todas as antecipações mensais por estimativa foram feitas através de compensações com o saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1999 e que houve erro de preenchimento da compensação sem processo na DCTF e que não existe compensação com o saldo credor de CSLL do ano-calendário de 2000, devendo-se retificar a informação para que sejam compensados os períodos de apuração de abril e junho de 2001, com o saldo credor de CSLL de 1999. 3.4 Alega que dessa maneira restabelece-se o saldo credor de CSLL da contribuinte no valor de R$ 369.168,50 3.5 Requer que após as correções e cancelamentos de procedimentos do Despacho Decisório, a imediata suspensão da cobrança do débito. 3.6 Alega que as análises procedidas nas PER/DCOMP foram feitas com base em informações equivocadas e deverão ser revistas de pleno direito. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 686 4 3.7 Alega que dada as correções e recomposições de saldos credores que entende ter direito, e que aumentariam seus direitos creditórios em relação a CSLL as homologações devem ser revistas. 3.8 Alega que devido a quantidade de correções de crédito que acredita ter direito, requer a imediata suspensão do cadastramento dos débitos no PROFISC. 3.9 Alega que em razão dessas já citadas alterações requer o cancelamento da remessa dos autos a consideração do superior hierárquico. 3.10 Alega que pelas alterações que entende que devem ser feitas no Despacho Decisório, ..... “a concordância com o mesmo foi tomada com base em informações e dados equivocados, devendo ser revista de pleno direito.” 3.11 Alega que em razão das inúmeras alterações que entende que devem ser feitas, requer o cancelamento de sua remessa a consideração do Chefe da DIORT, cuja decisão, acredita que foi tomada com base em falsas premissas, devendo ser revista de pleno direito. 3.12 Repete novamente, as alegações já feitas nos itens 3.7, 3.8 e 3.9 do presente relatório. 3.13 Por fim, requer que sejam canceladas as exigências fiscais, recompostos os seus direitos de crédito e reformada a decisão tomada no referido despacho. No julgamento de primeira instância, considerou-se improcedente a manifestação de inconformidade. Em resumo, concluiu-se que a tese de defesa refere-se a possíveis erros no preenchimento de declarações de períodos estranhos à lide, o que não invalidaria o raciocínio que embasou o despacho decisório atacado. Intimada da decisão em 09 de janeiro de 2009 (fl. 659), uma sexta-feira, a Interessada apresentou recurso voluntário em 09 de fevereiro de 2009 (fls. 660-665). Em síntese, reafirma os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 687 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme pode-se observar, os pedidos de compensação referem-se a saldos negativos de IRPJ referentes aos anos-calendário de 1999 e 2000, e de CSLL dos anos- calendário de 2000 e 2001. Em resumo, são esses os pontos em análise: SALDO NEGATIVO PERÍODO (ANO- CALENDÁRIO) VALOR PLEITEADO VALOR DEFERIDO UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO IRPJ 1999 4.981.146,36 4.894.146,36 INTEGRAL IRPJ 2000 1.233.275,08 1.233.275,08 APÓS COMPENSAÇÕES, RECONHECEU-SE SALDO R$ 59.246,00 CSLL (*) 2000 21.613,42 21.613,42 COMPENSADO INTEGRALMENTE COM CSLL EM 2001 CSLL (**) 2001 363.168,50 -8.131,05 (*) FORMADO POR COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA COM SALDO NEGATIVO DE CSLL DE 1999. ANALISADO SALDO DE CSLL DE 1999, CONCLUIU-SE QUE ERA MENOR DO QUE O DECLARADO EM DIPJ (DIVERGÊNCIA NOS VALORES RECOLHIDOS) , CONTUDO, SALDO RECONHECIDO FOI SUFICIENTE PARA VALIDAR CRÉDITO PLEITEADO REF. AO AC 2000 (**) FORMADO A PARTIR DE COMPENSAÇÕES COM SALDOS NEGATIVOS DE 1999 E 2000. RECONHECIDO CRÉDITO REFERENTE A 1999. DÉBITO DE ABRIL DE 2001, COMPENSADO COM SALDO CREDOR DE 2000, RECONHECIDO PARCIALMENTE ANTE A INSUFICIÊNCIA DE SALDO CREDOR Não há controvérsia em relação aos saldos negativos de IRPJ em questão, tampouco o saldo pleiteado relativo à CSLL do ano-calendário 2000. Resta controvertido o saldo negativo de CSLL relativo a 2001, uma vez que o despacho decisório, confirmado pela decisão recorrida, entendeu que a Interessada não faz jus a qualquer indébito, uma vez que teria, inclusive, recolhido a menor os valores de CSLL devidos em 2001. Considerando-se que na composição dos saldos negativos de CSLL de 2000 e 2001 havia estimativas que teriam sido extintas mediante compensação com saldo negativo de CSLL relativo ano-calendário de 1999 (sem processo, diretamente na escrita fiscal e informados em DCTF, conforme possibilitava a legislação vigente à época), procedeu a autoridade fiscal responsável pela análise do pleito a verificação de eventual saldo de CSLL supostamente recolhida a maior em 1999. Embora entendesse que o valor de saldo negativo de CSLL indicado na DIPJ 2000 (ano-calendário de 1999) não pudesse ser integralmente confirmado, haja vista a Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 688 6 divergência entre os valores de recolhimentos de CSLL informados em tal declaração e aqueles constantes nos sistemas da RFB, concluiu a autoridade fiscal que haveria saldo suficiente a validar as compensações de estimativas de CSLL referente ao ano-calendário de 2000. Ou seja, relativamente ao ano-calendário de 2000, reconheceu-se integralmente o saldo negativo pleiteado. No que atine às compensações de estimativas de CSLL levadas a efeito no ano-calendário de 2001, parte foi compensada com o saldo negativo de CSLL referente ao ano- calendário de 2000 (saldo esse reconhecido neste mesmo expediente), e parte com suposto saldo negativo de CSLL remanescente do ano-calendário de 1999. E, nesse ponto, a autoridade fiscal concluiu que o saldo disponível do indébito de CSLL referente ao ano-calendário de 1999 seria insuficiente para compensar a estimativa referente ao mês de abril de 2001, e, consequentemente, reconhecer o saldo negativo de CSLL do mesmo período. Sua conclusão baseou-se no demonstrativo de fl. 447, a seguir reproduzido: Embora discorde do posicionamento da Recorrente quanto aos seus anseios de ver retificada, de ofício, os valores declarados em DIPJ e DCTF, alterando-se, inclusive, o saldo de CSLL informado na DIPJ 2000, entendo assistir-lhe razão quanto à liquidez do crédito pleiteado. Isso porque, ao fim e ao cabo, a glosa realizada pela autoridade fiscal em relação ao saldo negativo de CSLL deu-se em razão de divergência entre os valores de recolhimentos de estimativas informados em sua DIPJ/2000 (fl. 168) e os constantes nos registros da RFB (Relatório SINAL08 – fl. 179). À fl. 566, a Recorrente informa e demonstra quais os pagamentos foram realizados a título de estimativas referentes aos meses de 1999, e, a seu sentir, devem ser reconhecidos a título de indébito: Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 689 7 Às fls. seguintes, a contribuinte anexou os documentos que comprovariam tais recolhimentos. Chamo a atenção para o primeiro pagamento, cuja cópia do DARF encontra-se à fl. 567: Esse DARF, referente à estimativa de janeiro de 1999, somente foi recolhido em 29 de fevereiro de 2000 (o vencimento era 28/02/1999). Veja que o contribuinte pleiteia a dedução não só do principal (R$ 926.221,96), mas também dos acréscimos legais (total do DARF de R$ 1.305.231,98). Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 690 8 O valor de CSLL recolhida informada em DIPJ R$ 1.846.358,59 não encontra respaldo com os valores efetivamente pagos, mesmo se abstraindo o recolhimento extemporâneo. Já a soma dos recolhimentos considerada pela autoridade fiscal corresponde a R$ 1.585.254,75. Isso porque, conforme se observa à fl. 179, limitou-se o período de pesquisa dos recolhimentos a 31 de janeiro de 2000, data limite para o pagamento, em dia, da estimativa referente ao mês de dezembro de 1999. Contudo, conforme visto, o recolhimento da estimativa de janeiro de 1999 somente foi efetivada em fevereiro de 2010, deixando, por conseguinte, de constar no demonstrativo consultado pela unidade de origem. Por oportuno, reproduz-se tal extrato de pagamentos (destaque não consta do original): Pois bem. Entendo que o principal do DARF recolhido, ainda que extemporaneamente, também deva compor o saldo negativo do período. Contudo, o valor do indébito deve se limitar ao total do saldo negativo informado em DIPJ, elemento que constitui perante a Administração, para todos os fins, a formalização do direito ao indébito, a ser posteriormente requerido mediante pedido de restituição ou declaração de compensação. À fl. 168 encontra-se ficha 30 da DIPJ ref. à CSLL. Pode-se constatar que o auditor, ao desconsiderar o recolhimento de estimativa realizado extemporaneamente, chegou a novo montante de saldo negativo, qual seja, R$ 1.010.239,63: Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.009127/2002-51 Acórdão n.º 1402-001.774 S1-C4T2 Fl. 691 9 Contudo, adicionando-se o recolhimento de estimativa realizado a posteriori (principal de R$ 926.221,96), chegar-se-ia a um saldo negativo de R$ 1.936.461,59. Ocorre que o contribuinte houvera pleiteado tão somente R$ 1.271.343,47 a título de saldo negativo de CSLL em sua DIPJ. Nesse cenário, não há como se reconhecer saldo superior ao montante declarado em sua DIPJ, exceto se tal valor tivesse sido alterado antes de transcorrido o prazo decadencial (formalização do saldo negativo) e do prazo prescricional para utilização de tal montante, o que, a meu ver, não se demonstrou nos autos. Assim sendo, e considerando-se o reconhecimento de crédito adicional de R$ 926.221,96 referente ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1999, não se mantém a decisão recorrida quanto ao não reconhecimento das estimativas de 2001 - compensadas com saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1999 - , posto que essa havia firmado o entendimento de que não haveria R$ 323.473,84 de saldo disponível em relação à 1999 para compensar estimativas de CSLL do ano-calendário de 2001. Reconhecido o crédito em que basearam-se as compensações, reconhece-se também o saldo negativo pleiteado relativo à CSLL do ano-calendário de 2001. No que tange à diferença entre os valores de Cofins efetivamente paga para fins de compensação de 1/3 desse total com o valor e CSLL apurada, desnecessária sua apuração em face do reconhecimento da integralidade do saldo negativo informado em DIPJ. Ressalta-se que o pedido ora deferido não necessita de alterações ou ajustes nas declarações transmitidas, quer DCTF, DIPJ ou mesmo nas declarações de compensações transmitidas. Trata-se, simplesmente, de ajuste no saldo pleiteado com base em pagamento efetivamente realizado e não computado pela autoridade fiscal responsável pela análise inicial do direito creditório. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito adicional de R$ 363.168,50 de saldo negativo de CSLL referente ao ano-calendário de 2001, homologando-se as compensações efetuadas até esse limite. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13896.001281/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a tributação dos valores referentes à contribuições incidentes sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho. Fez sustentação oral a Dr. Maria Isabel Tostes da Costa Bueno- OAB/SP 115127.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: Paulo Maurício Pinheiro Monteiro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO RETENÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 81 /2 01 0- 11 Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a tributação dos valores referentes à contribuições incidentes sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho. Fez sustentação oral a Dr. Maria Isabel Tostes da Costa Bueno OAB/SP 115127. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.324 3 Relatório Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 0534.651 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal AIOP nº 37.260.0174 no valor inicial de R$ 9.522.474,73. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social que incidem sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho pela prestação de serviços de saúde, mais precisamente as cooperativas UNIMED PAULISTANA — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 43.202.472/000130; UNIMEDRIO Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, CNPJ 42.163.881/000101 e UNIMED FESP Federação Estadual das Cooperativas Médicas, CNPJ 43.643.139/000166. Segundo ainda o Relatório Fiscal, o período abrangido pela fiscalização é de 01/2008 a 12/2008 e as Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa foram apuradas com base no valor das Notas Fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho. Considerando que se trata de serviços executados por profissionais de saúde e que se refere a plano de saúde oferecido pela fiscalizada, a base de cálculo foi calculada em 30% sobre o valor das Notas Fiscais, conforme o disposto no art. 291, inciso I da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 3, de 14 de julho de 2005, cujas disposições foram reiteradas pelo art. 231, inciso I da Instrução Normativa RFB n.° 971, de 13 de novembro de 2009. O Relatório da decisão de primeira instância, assim resume o Relatório Fiscal: i) tratamse das seguintes cooperativas: UNIMED PAULISTANA — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico; UNIMEDRIO — Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro; UNIMED FESP — Federação Estadual das Cooperativas Médicas. ii) no lançamento da contribuição utilizouse como base de cálculo 30% do valor das notas fiscais, por se tratar de serviços executados por profissionais da saúde, em aplicação do art. 291, inciso I, da Instrução Normativa — IN MPS/SRP no 3/2005, reiterado pelo art. 231, inciso I, da IN RFB n° 971/2009; iii) a Autuada — anteriormente sob a razão social ACCESS CLUBE DE BENEFÍCIOS LTDA. — celebrou contratos com essas cooperativas para a prestação de serviços para seus associados e dependentes; Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 iv) a Autuada informou que simplesmente realiza os pagamentos As cooperativas, por conta e ordem das entidades representativas de categorias profissionais, das quais os beneficiários são associados (intermediação), razão pela qual não declarou esses fatos na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações A Previdência Social GFIP; v) parte das notas fiscais foram emitidas em nome das entidades representativas (levantamentos: "NE — PAGTO COOP NF" e "EN — PAGTO COOP NF"), mas que o ônus do pagamento das mesmas foi assumido pela Autuada, como se verifica de sua escrituração contábil; vi) a Autuada considerou como faturamento apenas o valor por ela denominado de "taxa de administração", mediante a alegação de que é intermediária entre os beneficiários/usuários e as cooperativas, mas que não apresentou qualquer documento relativo a essa taxa; vii) serviram de base para o lançamento: DIRPJ 2008; GFIP; Livros Diário e Razão; DIRF 2008. viii) tal situação configura, em tese, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária previsto no art. 337A, inciso I, do Código Penal Brasileiro, na redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, o que será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação A autoridade competente para as providências cabíveis; e ix) integram o presente os Anexos I (contratos e alterações), II (contratos de prestação de serviços amostragem) e III (notas fiscais amostragem). As fls. 85 consta Termo relativo A APENSAÇÃO do processo, lavrado nessa mesma ação fiscal, no 13896.001282/201057 (AI no 37.260.0166). Em relação aos levantamentos efetuados, dispõe o Relatório Fiscal: NA — PAGTO COOP NF: Referente as contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome da empresa ACCESS CLUBE DE BENEFÍCIOS LTDA, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo as competências 01/2008 à 11/2008. NE — PAGTO COOP NF: Referente As contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome das ENTIDADES REPRESENTATIVAS DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo as competências 01/2008 à 11/2008. Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.325 5 AN — PAGTO COOP NF: Referente as contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome da empresa ACCESS CLUBE DE BENEFICIOS LTDA, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo a competência 12/2008. EN — PAGTO COOP NF: Referente as contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome das ENTIDADES X REPRESENTATIVAS DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo a competência 12/2008. O período do débito, conforme o Relatório Fiscal é de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente teve ciência das autuações em 02.07.2010, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 84. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: não presta serviços médicos a sua atuação se resume A viabilização de planos de assistência A saúde coletiva aos beneficiários (pessoas físicas), por meio de parceria com suas respectivas entidades de classes; na qualidade de administradora de benefícios, recebe nota fiscal da operadora de plano de saúde (UNIMED) relativa ao valor do plano devido pelos beneficiários, o qual é cobrado dos mesmos, acrescido do prego do seu serviço (taxa de administração); age por delegação; mesmo nos casos em que as notas fiscais foram equivocadamente emitidas em nome das Entidades, a impugnante que detinha a responsabilidade por sua liquidação financeira; os beneficiários dos serviços prestados pela UNIMED não possuem qualquer vinculação com a impugnante, uma vez que não foram prestados para ela ou para seus empregados, razão pela qual não há que se falar na obrigação de recolher 15% aos cofres públicos; junta aos autos todos os documentos que atestam não ser ela a prestadora dos serviços de saúde contratados junto 6 Unimed, tampouco a Beneficiária de tais serviços médicos; diferentemente do entendimento da fiscalização, a pessoa que efetua a liquidação financeira de uma determinada obrigação não é, necessariamente, a sua efetiva devedora; Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 por ser uma empresa administradora de benefícios, não há que se falar em terceirização de serviços médicos; o que deve prevalecer é a verdade material, segundo a qual é incontroverso o fato de que A impugnante (ou aos seus empregados) não foram prestados serviços médicos pela Unimed; relativamente A obrigação em questão, é irrelevante o adimplemento da obrigação de reter o imposto de renda; a contribuição disciplinada pelo inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 2471991, é absolutamente inconstitucional; de acordo com o Discriminativo do Débito, para as competências de 01 a 11/2008 é exigido multa de 24% e para a competência 12/2008, multa de 75%, sem qualquer explicação, pelo que as mesmas deverão ser revistas; enquanto não vier a ser encerrado o presente, não deve prosseguir a representação fiscal; os seus sócios não podem ser responsabilizados solidariamente, sob pena de ilegalidade, motivo pelo qual deverão ser excluídos do presente processo administrativo. Junta documentos (fls. 147 a 481). O Órgão Julgador de primeira instância baixa o processo em diligência fiscal para que a Fiscalização apresentasse o comparativo da multa aplicada. A AuditoriaFiscal elabora o quadro comparativo da multa aplicada, às fls. 487 a 490, com a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte. O sujeito passivo, devidamente intimado, atravessou uma Manifestação na qual, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: a multa de mora não pode ser majorada no tempo, sob pena de ilegalidade; e os juros calculados com base na Taxa SELIC não podem ser exigidos sobre as multas punitivas, por ausência de previsão legal. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0534.651 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. A empresa que contrata serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, se sujeita à contribuição Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.326 7 previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura por esta emitida. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei nova aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar improcedente a impugnação relativa ao Auto de Infração — Al n° 37.260.0174 (processo n° 13896.001281/2010 11), mantendose o crédito previdenciário por meio dele constituído, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 12 da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002. DRF jurisdicionante, para cientificar o sujeito passivo deste acórdão e demais providências de sua alçada. Sala de Sessões., em 05 de agosto de 2011. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância, em síntese: Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (i) Da ausência de análise dos argumentos e provas de defesa apresentados pela Recorrente Antes de serem expostos os argumentos de mérito, importante destacar o flagrante vício de nulidade cometido pela Turma Julgadora a quo ao proferir o acórdão ora combatido, posto que foram deixados de ser analisados os argumentos e provas apresentados pela Recorrente em contraposição aos fundamentos de validade da autuação fiscal. Nesse sentido, a Recorrente apresentou vasta argumentação, por meio da qual facilmente se verifica que não contratou os serviços prestados por cooperativas para si ou seus empregados, bem como os pagamentos realizados em favor de tais cooperativas não permitem afirmar que a Recorrente fosse efetivamente a tomadora dos serviços (mais adiante, em tópicos relativos a estes argumentos, tais alegações e ilustrações serão novamente apresentadas). (...) Os argumentos apresentados pela Recorrente, que refletem a realidade e serão reiterados no presente recurso, demonstram a inocorrência de fato jurídico tributário que motivaria a cobrança da contribuição incidente nos casos em que ocorre a contratação de cooperativas para a prestação de serviços. Ou seja, tratase de questão que antecede a qualquer discussão relativa à base de cálculo do tributo. (...) Contudo, com relação à ocorrência da contratação de r serviços prestados por cooperativas, o acórdão recorrido simplesmente transcreveu o entendimento exarado pela Autoridade Fiscal, sem qualquer ponderação acerca do que está disposto na impugnação administrativa (...) É simplesmente inaceitável que as alegações da Recorrente sejam desconsideradas sem um justo motivo, em total afronta aos Princípios da Legalidade, do Contraditório, da Ampla Defesa e do Devido Processo Legal.. (ii) Das atividades da Recorrente e a conseqüente inocorrência do fato gerador A fim de proporcionar a este E. CARF o exato contexto fático no qual se insere o presente processo administrativo, , a Recorrente fará uma descrição pormenorizada do seu ramo de atividade, do que resultará a conclusão de que não estão preenchidos todos os elementos necessários para o nascimento da obrigação tributária prevista no artigo 22, inciso IV da Lei n.° 8.212/91: Pois bem. A missão da Recorrente é a de disponibilizar o acesso a planos privados de assistência à saúde, coletivos por adesão, em condições diferenciadas, à população delimitada e vinculada às pessoas jurídicas relacionadas na Resolução Normativa n° 195, de 14 de julho de 2009, da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS. Suas atividades são aquelas descritas no art. 2o da Resolução Normativa n° 196, de 14 de julho de 2009, da Agência Nacional de Saúde Suplementar A N S , típicas de uma "Administradora de Benefícios".). Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.327 9 Em termos legais, a atividade da Recorrente está contemplada no contexto dos planos privados de assistência à saúde, a que alude a Lei n° 9.961, de 28 de janeiro de 2.000, a Lei n° 9.656/98 e das recentes regulamentações expedidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS, a saber, a Resolução Normativa n.° 195/09 (...) (...) Já a Resolução Normativa ANS n.° 196/09 elucida quais são as atividades que podem ser exercidas pelas empresas administradoras de benefícios, como é o caso da Recorrente: (...) Nesse diapasão, as atividades desenvolvidas pela Recorrente, principalmente a de promover a integração entre o interesse da Operadora ^ de Plano de Assistência à Saúde em prestar os serviços para o maior número de pessoas possível e o interesse dos beneficiários vinculados a Pessoas Jurídicas ou Entidades de Classe de usufruir de serviços de saúde suplementar, enquadramse perfeitamente nas normas acima citadas. (...) A Recorrente firma (i) contrato de prestação de serviços de assistência à saúde, coletivo por adesão, com as operadoras de Planos de Saúde autorizadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar para a prestação de serviços médicos (tal qual são as UNIMED's, a Federação das UNIMED's ("FESP") e outras operadoras que atuam no mercado) e (ii) convênios com pessoas jurídicas (doravante denominadas "Entidades"), que congregam pessoas físicas a ela vinculadas (doravante somente "Beneficiários") e aderentes aos serviços de assistência à saúde contratados com as Operadoras de Planos de Saúde (doravante denominado "Benefício"). Nesse sentido, de um lado, relativamente aos Beneficiários dos serviços de saúde (pessoas físicas), a Recorrente viabiliza, por disposição contratual (responsabilidade civil), a efetiva prestação dos serviços de saúde contratados (sob pena de indenização civil) prestados pela UNIMED. E, do outro lado, relativamente às Operadoras de Planos de Saúde, a Recorrente se responsabiliza por oferecer/negociar o seu produto aos Beneficiários vinculados a determinadas Entidades; também por cobrar, recolher e repassar os valores destinados a custear os gastos incorridos na prestação dos serviços médicos ("valor do plano 3 ) , pelas operadoras, bem como por garantir eventual inadimplência dos Beneficiários 4. A Recorrente, na qualidade de Administradora de Benefícios, recebe nota fiscal da Operadora de Plano de Saúde (no presente caso, a UNIMED), relativa aos valores do plano devidos pelos Beneficiários da Entidade. O valor do plano é definido pela Operadora de Plano de Saúde e está discriminado e individualizado nos demonstrativos que acompanham a nota fiscal. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 A Recorrente cobra dos Beneficiários (pessoas físicas) da Entidade o valor do plano, acrescido do preço de seu serviço, que é a "taxa de administração", sem discriminar os valores de cada item. Ou seja, o Beneficiário recebe uma cobrança una, tanto da mensalidade quanto da taxa de administração. A Recorrente paga à Operadora de Plano de Saúde o valor do plano, relativas aos Beneficiários das entidades a ela conveniadas. Em resumo: nos termos da legislação e regulamentação de regência, a Recorrente liquida, por conta e ordem do Beneficiário, o valor do plano cobrado pela Operadora de Plano de saúde. (iii) Insubsistência dos argumentos que fundamentam a autuação fiscal e ratificados pela DRJ Conforme exposto no tópico anterior, a obrigação de recolher a contribuição previdenciária prevista no artigo 22, IV da Lei n.° 8.212/91 depende de 2 (dois) elementos, sendo que um deles a prestação de serviços ao contratante da cooperativa não ocorreu no presente caso. Efetivamente, a Recorrente celebra contratos de prestação de serviços de assistência à saúde com as diversas Cooperativas Médicas (as "UNIMEDs"), que por sua vez é oferecido às Pessoas Físicas vinculadas a determinadas Entidades profissionais, setoriais ou classistas. E, a contratação celebrada pela Recorrente jamais significaria, e nem permitiria presumir (como fez o Sr. Agente Fiscal), que ela seria a tomadora dos serviços médicos prestados pela UNIMED. Isso porque: (a) os serviços médicos são prestados às pessoas físicas (Beneficiários), sendo que nenhum dos empregados ou administradores da Recorrente é Beneficiário dos Planos de Saúde analisados pelo Sr. Agente Fiscal; e (b) a Recorrente figura como contratante por expressa autorização legal (artigo 23 da RNANS n.° 195/09), sendo que cobra o valor das mensalidades devidas pelos Beneficiários porque à UNIMED é vedado fazêlo (artigos 13 e 14 da RNANS n.° 195/09 7 ) . (iv) Inadequação da contribuição de 15% à Constituição Federal (...) A propósito, em face da instituição desta modalidade de contribuição previdenciária, foi proposta a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI n° 2.594, que ainda aguarda julgamento, mas nos autos da qual foi emitido um Parecer pela Procuradoria Geral da República, reconhecendo a inconstitucionalidade da exação (v) Da necessidade de revisão do valor da multa aplicada Com efeito, de acordo com informação contida no "' Discriminativo do Débito", nas competências 01 a 11/2008 é exigido o recolhimento da multa de mora à razão de 24% e na competência 12/2008 é exigido recolhimento da multa de ofício à razão de 75%.. Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.328 11 (vi) Da ilegalidade da majoração da multa pelo decurso de tempo Deveras, não há motivo legal que permita que o percentual da multa de mora prevista na redação original do artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 (aplicada no pre ente caso no período de 01 a 11/2008) seja majorado pelo transcurso do tempo. Isso porque, ao determinar a progressão do percentual da multa lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude in casu, a mora e a prática de atos administrativos ao longo do tempo (tais quais: a apresentação de defesa ou recurso administrativo, o pagamento parcial ou integral do tributo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal e etc.) o artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 acabou por fazer com que a multa assumisse a função compensatória que é própria } e exclusiva dos juros de mora, o que acaba por configurar o malfadado bis in idem. Em outras palavras, não existe justificativa legal capaz de fundamentar a onerosidade do percentual da multa em razão do simples transcorrer do tempo ou em virtude da prática de determinados atos administrativos, já que tais expedientes se prestam a configurar uma nova infração ou a modificar a infração, tornandoa mais lesiva. (vii) Do descabimento da cobrança de juros sobre multa Também é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não podem ser exigidos sobre as multas punitivas, por absoluta ausência de previsão legal. (viii) Do descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais No transcurso da Sessão de Julgamento, no dia 16.10.2013, a Recorrente atravessa Petição nos autos, colacionando julgados, requerendo o sobrestamento do processo em função da Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal acerca da contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas, nos seguintes termos: "QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS S.A., devidamente qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, à prsença de Vossa Excelência, em observância ao parágrafo 1º do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como em atendimento ao parágrafo único do art. 1 º da Portaria CARF n º 001/2012, requerer o sobrestamento do feito, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no RE n º 595.838RG, reconheceu a repercussão geral da matéria sub judice e vem determinando o sobrestamento dos feitos que versam sobre este tema. " Neste julgamento realizado, esta Colenda Turma de Julgamento, considerandose que a informação pública emanada do STF, é no sentido de que os processos Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 que versem sobre o tema 166 Contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas devem estar sobrestados, além do disposto no Regimento Interno do CARF RICARF, Anexo II, em seu artigo 62A, caput e §§ 1º e 2º e na Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, considerou que o presente processo deve ficar sobrestado até a decisão do STF acerca da matéria relativa ao tema 166: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que, nos termos do art. 3º, § 2º da Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, a Secretaria desta Quarta Câmara de Julgamento da Segunda Seção receba o processo e mantenhao em caixa específica, movimentandoo para a atividade SOBRESTADO. O contribuinte atravessou Manifestação nos autos requerendo o julgamento do Recurso a partir da decisão do STF no RE 595.838, aplicandose o art. 62A do RICARF: Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.329 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 0534.651 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal AIOP nº 37.260.0174 no valor inicial de R$ 9.522.474,73. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social que incidem sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho pela prestação de serviços de saúde, mais precisamente as cooperativas UNIMED PAULISTANA — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 43.202.472/000130; UNIMEDRIO Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, CNPJ 42.163.881/000101 e UNIMED FESP Federação Estadual das Cooperativas Médicas, CNPJ 43.643.139/000166. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.304.1756 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do Auditor Fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.330 15 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO (i) Da tributação incidente serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social que incidem sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho pela prestação de serviços de saúde, mais precisamente as cooperativas UNIMED PAULISTANA — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 43.202.472/000130; UNIMEDRIO Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 CNPJ 42.163.881/000101 e UNIMED FESP Federação Estadual das Cooperativas Médicas, CNPJ 43.643.139/000166. Segundo ainda o Relatório Fiscal, o período abrangido pela fiscalização é de 01/2008 a 12/2008 e as Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa foram apuradas com base no valor das Notas Fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho. Considerando que se trata de serviços executados por profissionais de saúde e que se refere a plano de saúde oferecido pela fiscalizada, a base de cálculo foi calculada em 30% sobre o valor das Notas Fiscais, conforme o disposto no art. 291, inciso I da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 3, de 14 de julho de 2005, cujas disposições foram reiteradas pelo art. 231, inciso I da Instrução Normativa RFB n.° 971, de 13 de novembro de 2009. Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário RE 595.838/SP com Repercussão Geral, art. 543B, CPC, impetrado por Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Observase que esta decisão foi publicada na Ata nº 145/2014, publicada em 08/10/2014, DJE nº 196, divulgado em 07/10/2014. Ainda assim, segue trecho do voto do Ministro Relator (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação a seguir: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Acórdão n.º 2403002.775 S2C4T3 Fl. 2.331 17 confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, dispõe que ass decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Diante do exposto, deve ser afastada a autuação para afastar a tributação dos valores referentes à contribuições incidentes sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho. (ii) Demais argumentos. Em função do decidido no tópico acima (i), pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do recurso Voluntário. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para, NO MÉRITO, dar provimento total ao recurso para afastar a tributação dos valores referentes à contribuições incidentes sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.000625/2003-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PAGAMENTO - ARTIGO 150, §4º DO CTN - ENTENDIMENTO EXPOSTO NO ACÓRDÃO PROFERIDO NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543-C, DO CPC. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A contagem do prazo decadencial, nos casos de lançamento por homologação, em que há pagamento, se dá nos termos do §4º, artigo 150, do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543 - C do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 9101-002.003
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A contagem do prazo decadencial, nos casos de lançamento por homologação, em que há pagamento, se dá nos termos do §4º, artigo 150, do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543 C do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 25 /2 00 3- 51 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 1490/1498) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, contra acórdão 1201 00.107 proferido pelos membros da 1ª Turma ordinária, da 2ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, os quais, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência. O presente processo é decorrente de autuação que teve a finalidade de prevenir a decadência do IRPJ e da CSLL que decorreram do excesso de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas em relação ao limite legal de 30% do lucro ajustado; limite este que não foi cumprido pelo contribuinte em razão de ter obtido tutela judicial a seu favor. Cumpre observar que o fato gerado se deu no ano de 1997 e o contribuinte foi cientificado da autuação em 26/03/2003. O acórdão recorrido teve como fundamento o entendimento de que o imposto sobre a renda é lançado segundo a modalidade "por homologação", razão pela qual a regra relativa ao decurso do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, independentemente de pagamento, é prevista no § 4° do art. 150 do CTN. O acórdão foi assim ementado: “Assunto: IRPJ Exercício: 1998 Ementa: DECADÊNCIA — o imposto sobre a renda é lançado segundo a modalidade por homologação. Assim, ressalvada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial é regido segundo as regras próprias dessa modalidade, mesmo na hipótese de lançamento de oficio suplementar.” Em sede de Recurso Especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional, afirmou que no acórdão recorrido houve contrariedade à lei, isto porque, na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipou o pagamento de tributo recolhido mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema. Por fim, pugnou pela reforma do acórdão recorrido para que seja afastada a decadência no caso em exame, uma vez que o lançamento foi efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Em sede de exame de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso (fls.960/962). Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 19515.000625/200351 Acórdão n.º 9101002.003 CSRFT1 Fl. 1.029 3 O contribuinte apresentou contrarrazões e afirmou que, no caso, houve pagamento, conforme DIPJ/98 acostada aos autos, na qual foi apontada a dedução (para efeitos de apuração de eventual saldo de imposto a recolher) de valores referentes ao imposto de renda retido em fonte e a pagamentos mensais de CSLL feitos por estimativa, nos montantes totais de R$138.001,96 e R$148.064,80, respectivamente. Além disso, argumento que apenas por tratar o caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a regra decadencial aplicável é aquela do artigo 150, §4º do CTN. Por fim, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O cerne da questão é a análise da regra que deverá reger o prazo decadencial aplicável ao lançamento: o artigo 173, inciso I, ou o artigo 150, §4°, ambos do CTN. Em diversas oportunidades manifestei meu entendimento no sentido de que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por sua natureza, são passíveis de lançamento no prazo previsto no artigo 150 §4º do CTN, ou seja, o dies a quo do prazo quinquenal para constituição desses tributos é o fato gerador, independentemente de ter ou não havido pagamento. Assim ementava minhas decisões: “IRPJ Ex(s): 1999 IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.373, em 18.10.2007 Publicado no DOU em: 09.09.2008) Com as alterações no Regimento Interno do CARF, foi incluído o mandamento do Art. 62 –A: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543 C do Código de Processo Civil. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Portanto encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. No caso ora em análise temos que: i) Trata de tributos sujeitos ao lançamento por homologação; ii) Houve retenção na fonte de tributo devido (fls. 46). Nesse ponto, cumpre destacar que o Imposto de Renda Retido na Fonte caracteriza antecipação de pagamento do Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 19515.000625/200351 Acórdão n.º 9101002.003 CSRFT1 Fl. 1.030 5 imposto (que será apurado no ajuste do final do ano calendário), cujo recolhimento é realizado por terceiro, ou seja, é a própria fonte pagadora quem tem o encargo de apurar a incidência, calcular e recolher o imposto em vez do beneficiário; iii) Houve pagamento de estimativas mensais da CSLL, conforme informado na DIPJ (acostada às fl. 85); iv) A data dos fatos geradores em debate compreende o ano calendário de 1997; v) A ciência do contribuinte do auto de infração se deu em 26/03/2003. Do exposto, tendo em vista que houve retenção na fonte do imposto de renda (o que caracteriza antecipação de pagamento), bem como pagamento por estimativa da CSLL, deve ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN. Assim, relativamente ao ano calendário de 1997, decaiu o direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Portanto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 10680.002103/2004-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
IRPJ - ENTIDADES DE EDUCAÇÃO - SUSPENSÃO DE IMUNIDADE.
O cancelamento da suspensão da imunidade no processo principal produz efeitos nos processos decorrentes.
Numero da decisão: 9101-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Estiveram presentes e procederam à sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Paulo Roberto Riscado Junior e a Patrona da Recorrida, Dra. Misabel de Abreu Machado Derzi OAB-MG 16082.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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O cancelamento da suspensão da imunidade no processo principal produz efeitos nos processos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Estiveram presentes e procederam à sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Paulo Roberto Riscado Junior e a Patrona da Recorrida, Dra. Misabel de Abreu Machado Derzi OABMG 16082. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 21 03 /2 00 4- 98 Fl. 907DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.002103/200498 Acórdão n.º 9101002.007 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo cuida de exigências de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, resultantes da suspensão da imunidade da entidade Centro Educacionais de Formação Superior CEFOS, para o período de 01/01/1997 a 31/12/2001, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 128/2003. Os créditos relativos ao IRPJ e à CSLL do anocalendário de 1998 constam do processo nº 10680.018634/200311. Em sessão plenária de 28 de março de 2007, nos autos deste processo, a 5ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, mediante Acórdão 10516.357, por maioria de votos deu provimento ao recurso de Centro Educacional de Formação Superior CEFOS, mantendo a imunidade e cancelando os créditos tributários, conforme ementa a seguir: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Consoante o artigo 146, inciso II, da CF188, as limitações constitucionais ao poder de_ tributar devem ser editadas por lei complementar conforme sentença definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 93.770 e suspensão de dispositivos das leis n° 8.212/91, 9.430/96 e 9.532/97 relacionadas com a limitação do poder de tributar. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA LEIS JULGADAS INCONSTITUCIONAIS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – O Decreto n° 2.194/97 e Parecer PGFN/CRF n°439/96 determinam sejam observadas, inclusive, pelas autoridades administrativas as sentenças definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO : SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Restabelecida a imunidade tributária, estão prejudicados os lançamentos efetuados para a cobrança de IRPJ e CSLL, especialmente, quando os fundamentos para a suspensão da imunidade e para a exigência de tributos e contribuições são os mesmos. . IRPJ LANÇAMENTO BASE DE CÁLCULO LUCRO REAL A base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica é o lucro real, arbitrado ou presumido e se a autoridade fiscal optar pela tributação com base no lucro real, o lucro deve ser apurado na forma do artigo 60 e seus §§ do Decretolei n° 1.598/77 e observância do disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 113/98 e, por consequência, a tributação do 'superávit' correspondente à diferença entre as receitas e despesas não serve como base de cálculo por não constituir lucro real, nem lucro presumido ou arbitrado. CSLL INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO LANÇAMENTO BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido apurado na forma do artigo 2° e seus §§ da Lei n° 7.689; de 1988. A simples diferença entre a receita e as despesas operacionais não pode ser equiparado ao lucro líquido que Fl. 908DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.002103/200498 Acórdão n.º 9101002.007 CSRFT1 Fl. 4 3 consiste no resultado apurado com observância da legislação comercial com os ajustes estabelecidos. Recursos voluntários conhecidos e providos.” Informa o Relatório: “Encontrase neste recurso o litígio correspondente o IRPJ e à CSLL relativa aos anoscalendário de 1999 a 2001, em decorrência da suspensão da imunidade tributária no período de 1° de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2001. A suspensão da imunidade tributária, consoante Termo de Constatação e Notificação Fiscal, e DESPACHO (suspensão de Imunidade), de fls. 49 a 67, deuse em virtude de (fls. 144, do processo n° 10680.0070991200373): (...) Os fundamentos para a lavratura dos Autos de Infração com exigência de IRPJ e CSLL (fls. 41 do processo n° 10680.018634/200311) foram exatamente iguais aos da suspensão da imunidade tributária.” No voto condutor, registrou o Relator que: “(...) o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 128/2003 já foi julgado por esta Quinta Câmara no Acórdão n° 10516.308, de 28/02/2007 e declarada sua ineficácia e restabelecido o direito à imunidade tributária do sujeito passivo para o período de 1° de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2001. ”. Ciente do Acórdão 10516.357 em 11/09/2007, a Procuradoria da Fazenda Nacional, dentro do prazo regimental, interpôs recurso especial alegando contrariedade à lei (artigo 37, § 1° da Lei n° 8.981/95, art. 18 da Lei n° 7.450/85) e à prova dos autos. Afirmou a Recorrente que a suspensão da imunidade tributária, tratada nos autos do processo administrativo n° 10680.018634/200311 (que foi objeto do Acórdão 105 16.308) ainda não foi definitivamente julgada na esfera administrativa, e requereu o julgamento do presente processo simultaneamente com o recurso especial interposto naqueles autos. No mérito, afirmou que o Ato Declaratório Executivo n° 128/2003 suspendeu a imunidade da contribuinte, por não atendidos os requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/97. E que a própria contribuinte reconheceu que remunera seus dirigentes. Aduziu que a afirmação da decisão recorrida, no sentido de que o art. 12, § 2°, da Lei n° 9.532/97 estaria suspenso em razão da liminar concedida pelo STF, na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.8023/DF, está equivocada. Que a alínea "a" do § 2° do art. 12 da Lei n° 9.532/97 teve sua eficácia referendada pelo STF e que tal dispositivo referese a norma reguladora da constituição e funcionamento da entidade imune, podendo, assim, ser regulada por lei ordinária. Em relação às contribuições sociais, afirmou que a contribuinte, em sua impugnação e recurso voluntário, reconhecia não ser beneficiária da imunidade prevista no art. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.002103/200498 Acórdão n.º 9101002.007 CSRFT1 Fl. 5 4 195 da Constituição Federal; contudo, ao apresentar memorial, às fls. 380/390, requereu o reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições para o custeio da Seguridade Social, prevista naquele mesmo artigo. Acrescentou que, quando admitiu não ser imune às contribuições sociais, a entidade afirmou não possuir lucro líquido. Portanto, o Ato Declaratório Executivo n° 138/2003 teria suspendido apenas a imunidade do IRPJ, e não da CSLL, já que não se suspende o que não se usufrui. Em decorrência, afirmou ser irrelevante a análise dos requisitos para fruição da imunidade, tendo em vista que a contribuinte reconhece não ser beneficiária do referido incentivo fiscal. Não obstante, afirmou, que ao contrário do alegado pela decisão recorrida, o art. 55 da Lei n° 8.212/91 não foi suspenso pela liminar concedida na ADI n° 2.028, estando em pleno vigor. Quanto à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afirmou que toda a diferença positiva entre receitas e despesas que tenham sido escrituradas, deduzidos os custos e encargos, deve ser considerada lucro, independentemente da denominação adotada pela contribuinte (superávit). Acrescentou que a entidade, a partir da prática de infrações, perdeu o direito à imunidade, devendo, desde então, manter sua escrituração contábil e fiscal na forma das leis comerciais e fiscais. E que, em que pese a alegação da contribuinte quanto à necessidade de ajustes na base de cálculo, não demonstrou, objetivamente, os ajustes necessários. Do mesmo modo, em relação ao IRRF incidente sobre aplicações financeiras, a Contribuinte não apresentou o comprovante de retenção do imposto, emitido pela fonte pagadora. A interessada apresentou contrarrazões ao recurso especial. Incluído em pauta da sessão de 25 de janeiro de 2010, a 1ª Turma da CSRF, pela Resolução 910100.003, decidiu sobrestar o julgamento do processo para que seja julgado em conjunto com o de n° 10680.018634/200311, nos termos do voto do relator, a seguir reproduzido: O lançamento em questão é decorrente do processo administrativo n° 10680.018634/200311 (recurso n° 143798), em que se discute a suspensão da imunidade tributária nos anos 1998 a 2001, período objeto do presente lançamento. Dito processo aguarda julgamento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. De acordo com o art. 32, § 9°, da Lei n° 9.430/96, o presente processo administrativo deve ser julgado simultaneamente com aquele processo, haja vista que o lançamento em questão decorre da suspensão da imunidade tributária, discutida naqueles autos.. Em 22 de abril de 2010 o processo (físico) foi encaminhado à DRF em Belo Horizonte. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.002103/200498 Acórdão n.º 9101002.007 CSRFT1 Fl. 6 5 Em sessão de 05 de julho de 2010 foi julgado o recurso especial interposto nos autos do processo nº 10680.018634/200311, tendo resultado no Acórdão 910100605, cuja ementa e parte dispositiva são a seguir transcritas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: IMUNIDADE, ENTIDADE DE ENSINO SUBMISSÃO A LEI COMPLEMENTAR.. REMUNERAÇÃO DOS DIRIGENTES. Para a fruição da imunidade tributária pelas entidades de educação, sem fins lucrativos, deverão ser observados os requisitos estabelecidos no Código Tributário Nacional, recepcionado com status de Lei Complementar pela Constituição Federal, e não aqueles previstos no art. 12 da Lei (ordinária) n° 9.532/97. E o art. 14 do CTN, aplicável à matéria, não fixa como requisito à fruição do incentivo fiscal a ausência de remuneração de dirigentes, mas apenas a não distribuição de parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo. O pagamento de salários aos dirigentes, por serviços prestados como professor, não configura fato impeditivo para o gozo da imunidade tributária. IRPJ. LANÇAMENTO. BASE DE CALCULO LUCRO REAL. A base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica é o lucro real, arbitrado ou presumido. Se a autoridade fiscal optar pela tributação com base no lucro real, o lucro deve ser apurado na forma do artigo 60 e seus §§ do Decretolei nº 1598/77 e observância do disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 113/98 e, por consequência, a tributação do 'superávit' correspondente diferença entre as receitas e despesas não serve como base de calculo por não constituir lucro real, nem lucro presumido ou arbitrado. CSLL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL é o lucro liquido apurado na forma do artigo 20 c seus §§ da Lei n° 7.689, de 1988. A simples diferença entre receita e as despesas operacionais não pode ser equiparado ao lucro liquido que consiste no resultado apurado com observância da legislação comercial com os ajustes estabelecidos. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões na questão da CSLL e da composição da base de cálculo, nos termo do relatório e voto que integram o presente julgado.” Em 24 de janeiro de 2011, a Chefe da Secretaria da 1ª Seção juntou aos autos cópia do Acórdão 910100.605, lavrando o seguinte termo: Fl. 911DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.002103/200498 Acórdão n.º 9101002.007 CSRFT1 Fl. 7 6 “Em atenção à resolução 910100003 fls. 708 a 710, juntei aos autos às fls. 713 a 718, o Acórdão 910100.605 referente ao processo conexo 10680.018634/200311” A interessada, em 24 de maio de 2011, requereu regular prosseguimento do feito relativo ao PAF n. 10680.002103/200498. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Conforme se depreende do relatório, o Acórdão recorrido declarou a ineficácia do Ato Declaratório que suspendeu a imunidade da interessada pelo período de 01/01/1997 a 31/12/2001 e, por via de consequência, cancelou os autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL. Como razões de decidir adotou as do Acórdão n. 10516.308, proferido no Processo nº 10680.018634/200311, conforme assenta o voto condutor: “Em verdade o presente processo não se apresenta tecnicamente como decorrente daquele contido no recurso n° 143.798, julgado por esta C Câmara na sessão de 28.02.2007 (Acórdão n° 105 16.308), porém contém com ele estreita ligação umbilical porquanto decorrem ambos da suspensão da imunidade da recorrente, motivo porque, apesar de desnecessário, se motiva esta Câmara a referendar a decisão prolatada no recurso n° 143.798, pelo acolhimento das mesmas razões de decidir. Por seu turno, esta E. Turma ao julgar o recurso da Fazenda Nacional concernente ao processo da cassação da imunidade, por unanimidade de votos, manteve a decisão recorrida no sentido de manter a imunidade e cancelar os créditos tributários, cuja ementa e parte dispositiva são a seguir transcritas (Acórdão 910100605): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: IMUNIDADE, ENTIDADE DE ENSINO SUBMISSÃO A LEI COMPLEMENTAR. REMUNERAÇÃO DOS DIRIGENTES. Para a fruição da imunidade tributária pelas entidades de educação, sem fins lucrativos, deverão ser observados os requisitos estabelecidos no Código Tributário Nacional, recepcionado com status de Lei Complementar pela Constituição Federal, e não aqueles previstos no art. 12 da Lei (ordinária) n° 9.532/97. E o art. 14 do CTN, aplicável à matéria, não fixa como requisito à fruição do incentivo fiscal a ausência de remuneração de dirigentes, mas apenas a não distribuição de parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.002103/200498 Acórdão n.º 9101002.007 CSRFT1 Fl. 8 7 O pagamento de salários aos dirigentes, por serviços prestados como professor, não configura fato impeditivo para o gozo da imunidade tributária. IRPJ. LANÇAMENTO. BASE DE CALCULO LUCRO REAL. A base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica é o lucro real, arbitrado ou presumido. Se a autoridade fiscal optar pela tributação com base no lucro real, o lucro deve ser apurado na forma do artigo 60 e seus §§ do Decretolei nº 1598/77 e observância do disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 113/98 e, por consequência, a tributação do 'superávit' correspondente diferença entre as receitas e despesas não serve como base de calculo por não constituir lucro real, nem lucro presumido ou arbitrado. CSLL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL é o lucro liquido apurado na forma do artigo 20 c seus §§ da Lei n° 7.689, de 1988. A simples diferença entre receita e as despesas operacionais não pode ser equiparado ao lucro liquido que consiste no resultado apurado com observância da legislação comercial com os ajustes estabelecidos. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões na questão da CSLL e da composição da base de cálculo, nos termo do relatório e voto que integram o presente julgado.” Com o Acórdão nº 910100.605, proferido nos autos do Processo nº 10680.018634/200311, a decisão quanto à ineficácia da suspensão da imunidade tornouse definitiva na instância administrativa, impondose aqui a manutenção in totum da decisão recorrida, razão pela qual nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, 07 de outubro de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 913DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.002103/200498 Acórdão n.º 9101002.007 CSRFT1 Fl. 9 8 Fl. 914DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.005660/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN.
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 30, por não ter o contribuinte confeccionado as suas folhas de pagamento com todas as remunerações dos segurados a seu serviço.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 60 /2 00 9- 51 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Código de Fundamento Legal 30, por não ter o contribuinte confeccionado as suas folhas de pagamento com todas as remunerações dos segurados a seu serviço. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005660/200951 Acórdão n.º 2302003.526 S2C3T2 Fl. 226 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedentes as impugnações da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração Debcad n° 37.180.0820, lançado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, procedimento fiscal instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0819000.2008.00965, no valor total de R$ 1.329,18 (um mil e trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), lavrado em 07/12/2009, por deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social conforme previsto na Lei n° 8.212/91, art. 32,1, combinado com o art. 225, I e § 9o, do Regulamento da Providência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 2. Consoante o Relatório Fiscal da Infração, fls. 05, ficou constatado que a empresa apresentou Folha de pagamento com informações que não correspondiam à totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, em todo ano de 2004, que foram encontradas parcelas relativas a "Comissões" de funcionários, pagas fora da folha de pagamento, as quais foram identificadas na contabilidade na conta "Serviço de Apoio Departamento Comercial" e, que o total das remunerações informadas na folha demonstrouse menor do que as informações constantes na RAIS da empresa, e na GFIP transmitida antes do início do procedimento fiscal. 2.1. Salienta a fiscalização que não ocorreram circunstância agravantes (...) DA IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo legal, a Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 28/58 e 101/131 e, documentos de fls. 59/90 e 132/139, onde alega: (...) (destaques nossos) É de se considerar que a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Após referido procedimento, como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas improcedentes, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN); * nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo; * a suposta falha na confecção das folhas de pagamento, que se refere aos valores encontrados na contabilidade sob a rubrica “Serviços de Apoio ao Departamento Comercial” (comissões), decorre de presunção e inferência indevidas; * que as multas sejam relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99; * ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005660/200951 Acórdão n.º 2302003.526 S2C3T2 Fl. 227 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Assevera a recorrente que deve ser reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo. Como destacado no relatório supra, a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Portanto, concluise que, com a reabertura do prazo de defesa, não se consolidou qualquer prejuízo à recorrente, razão pela qual a sua argumentação não merece prosperar. Decadência. Alega a recorrente a decadência parcial do lançamento, com base no artigo 173, I, do CTN, sendo que deveriam ser desconsiderados os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN). É sabido que se sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários originamse sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. Portanto, não assiste razão à recorrente quanto à contagem do prazo decadencial. Confecção das folhas. Aduz a recorrente que a suposta falha na confecção das folhas de pagamento, que se refere aos valores encontrados na contabilidade sob a rubrica “Serviços de Apoio ao Departamento Comercial” (comissões), decorre de presunção e inferência indevidas. Não é verdade. No que tange, ao lançamento contábil de comissões, estas foram consideradas remunerações de empregados, em razão da recorrente ter se quedado inerte quanto à solicitação de documentos de suporte e de esclarecimentos. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Em realidade, o que houve foi a recusa e a sonegação na entrega de documentos e na prestação das informações, hipótese em que compete à autoridade fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Outrossim, no exame da escrituração contábil e da documentação apresentada, a fiscalização constatou que a contabilidade não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, razão pela qual foram apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tudo nos termos do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91 e do art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei n° 8.212/91 Art. 33. (...) (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, inequívoca a legitimidade da autuação e das demais conclusões fiscais. Relevação da Multa. A recorrente requer sejam as multas relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99. Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005660/200951 Acórdão n.º 2302003.526 S2C3T2 Fl. 228 7 prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) O dispositivo referese exclusivamente às multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, sendo de se considerar que não houve o preenchimento de seus requisitos por parte da recorrente. Ademais, em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Taxa Selic. Aduz a recorrente a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10510.720135/2011-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2013
IPI. ISENÇÃO. TAXI.
Cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor por motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi) quando comprovado que este efetivamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ISENÇÃO. TAXI. Cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor por motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi) quando comprovado que este efetivamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 01 35 /2 01 1- 50 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.720135/201150 Acórdão n.º 3801004.748 S3TE01 Fl. 93 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A pessoa física em epígrafe pleiteou a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóvel de passageiros, para uso em categoria de aluguel (táxi), de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 28/31, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju (SE) indeferiu o pedido, tendo em vista a constatação de que a interessada não exerce a atividade de taxista, pois não foi encontrada no município de Capela exercendo essa atividade e não é conhecida por taxistas daquele município, conforme termo de constatação fiscal de fls.20/21. Devidamente cientificada da decisão (fl. 40), a interessada interpôs manifestação de inconformidade, conforme peça de fls. 42, por meio da qual alegou que a autoridade administrativa que analisou seu pedido não apresentou provas contundentes que ensejassem o indeferimento, somente declarações de 4 (quatro) taxistas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2013 ISENÇÃO. TÁXI. EXERCÍCIO EFETIVO DA ATIVIDADE. REQUISITO. A isenção do IPI na aquisição de veículo de aluguel (táxi) a ser utilizado no transporte autônomo de passageiro destinase ao profissional que efetivamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, alegando que a presente discussão foi objeto de litígio na Justiça Federal, n° 000275342.2012.4.05.8500 (movimentação processual em anexo), onde em sentença exarada pela Meritíssima Juíza Federal da Ia Vara, Dr" Telma Maria Santos Machado, foi absolvida após o devido processo legal, com o fundamento parcial transcrito da seguinte forma: "a ré Mônica realmente trabalha Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.720135/201150 Acórdão n.º 3801004.748 S3TE01 Fl. 94 3 como taxista c possuía alvará para tanto, tinha direito à isenção de IPI para compra de automóvel e, portanto, não prestou declaração falsa perante a Receita Federal". É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.720135/201150 Acórdão n.º 3801004.748 S3TE01 Fl. 95 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A legislação que trata da isenção pleiteada concedida aos taxistas para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I – motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei n ° 9.317, de 5 de dezembro de 1996) II – motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); O direito à isenção do IPI para a aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi) foi negado pois, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, o interessado não teria logrado comprovar que efetivamente exerce esta atividade em veículo de sua propriedade. Apesar da recorrente ter apresentado a autorização do Poder Público para o exercício da atividade de taxista no Município de Capela/SE, a diligência efetuado pelo Fisco constatou que a contribuinte não foi encontrada no município de Capela exercendo a atividade de taxista, bem como por não era conhecida por taxistas daquele município. A autoridade administrativa representou penalmente a contribuinte por, em tese, ter prestado declaração falsa para obtenção de isenção de IPI. na compra de automóvel. táxi., delito previsto no art. 2o, I, da Lei n° 8.137/90. Instaurada a ação penal a contribuinte foi absolvida conforme sentença abaixo: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.720135/201150 Acórdão n.º 3801004.748 S3TE01 Fl. 96 5 EMENTA PENAL CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. DECLARAÇÃO FALSA PARA OBTENÇÃO DE ISENÇÃO DE IPI. COMPRA DE AUTOMÓVEL. TÁXI. ART. 2o, I, DA LEI NO 8.137/1990. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. 1. A conduta delitiva não depende do prejuízo causado à fazenda pública, pois se trata de um crime formal, que se consuma com a mera prestação falsa ou omissão de declaração, sendo irrelevante a existência de supressão ou redução de tributos. 2. Tendo em vista que a acusada realmente trabalhava como taxista, conforme prova testemunhal e interrogatório colhidos, e possuía alvára de licença, tinha direito à isenção do IPI para compra de automóvel e, portanto, não prestou declaração falsa perante a Receita Federal. 3. Impossibilidade de condenação da denunciada, pois não houve prática da conduta descrita no art. 2°, I, da Lei 8.137/'90 uma vez que não houve subsunção da conduta ao tipo penal em comento. 4. Conduta atípica. Absolvição Na fundamentação da sentença a Exma Sra Juíza da da Ia Vara Federal considerou: Analisando as provas produzidas nos autos, verifico que, apesar de as testemunhas arroladas pela acusação, taxistas do município de Capela, terem informado que desconhecem a ré, as demais pessoas ouvidas e o interrogatório colhidos provaram que a denunciada realmente laborou como taxista, fazendo o trajeto de passageiros entre as cidades de Aracaju e Capela. Ressalto que o fato de os taxistas da cidade não conhecerem a ré decorre da circunstância de que a mesma somente trabalhava com contatos por telefone com os passageiros, não ficando parada no ponto da cidade. Além disso, como afirmou, não participava da cooperativa de taxistas de Capela. Contudo, tal fato não desnatura a afirmação de diversas testemunhas de que contrataram os serviços de táxi da denunciada. Desta forma, tendo em vista que a ré Mônica realmente trabalhava como taxista e possuía alvará para tanto, tinha direito à isenção do IPI para compra de automóvel e, portando, não prestou declaração falsa perante a Receita Federal. Assim de acordo com o afirmado pelo próprio Ministério Público, constato a impossibilidade de condenação da denunciada, pois não houve prática da conduta descrita no art. 2°, I, da Lei 8.137/90, e, assim, inexiste subsunção da conduta ao tipo penal em comento. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.720135/201150 Acórdão n.º 3801004.748 S3TE01 Fl. 97 6 Portanto, é Indene de dúvida que a conduta narrada na exordial acusatória não e típica, o que conduz a absolvição da denunciada. Assim, pelo que consta nos autos e as provas colhidas no processo judicial, comprovado que a requerente efetivamente exerce a atividade de taxista em veículo de sua propriedade, atendidos os demais requisitos previstos em lei, é de se conceder o benefício pleiteado. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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