Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10830.722794/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
Simples Nacional. Termo de Indeferimento. Débitos Tributários Inexistentes.
Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existiu, defere-se a opção.
Numero da decisão: 1302-001.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 Simples Nacional. Termo de Indeferimento. Débitos Tributários Inexistentes. Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existiu, defere-se a opção.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.722794/2011-16
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5611239
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.902
nome_arquivo_s : Decisao_10830722794201116.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
nome_arquivo_pdf_s : 10830722794201116_5611239.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6445997
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048420903550976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722794/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.902 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2016 Matéria Simples Nacional Indeferimento da Opção Recorrente RUMAN SOLUTIONS CONS E ADM DE CONDOMÍNIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS INEXISTENTES. Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existiu, deferese a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 27 94 /2 01 1- 16 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa em epígrafe, efls. 60 a 65, contra o Acórdão nº 0947.964/13, proferido pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, efls 54 a 57, que manteve o indeferimento da opção da empresa pelo Simples Nacional, para o anocalendário de 2011. O aresto restou assim ementado: INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. O contribuinte tem até o último dia do prazo para optar pelo Simples Nacional para regularizar suas pendências cadastrais que impedem sua opção, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. O Termo de Indeferimento da opção, efls. 09, datado em 09 de junho de 2011, destaquei, exibiu as seguintes situações que motivaram o indeferimento da opção, a saber: _ Atividade econômica vedada: 70204/00 Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica _ Atividade econômica vedada: 85503/01 Administração de caixas escolares _ Atividade econômica vedada: 85503/02 Atividades de apoio à educação, exceto caixas escolares A recorrente na manifestação de inconformidade esclarece que no dia 29 de dezembro de 2010 registrou na JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo) a segunda alteração contratual, cuja consolidação em sua terceira cláusula declarou ser objeto social da empresa "serviços combinados de escritório, apoio administrativo e comércio varejista de artigos de escritório e de papelaria." Em 10/01/2011 ao comparecer à Administração Tributária Federal constou que não poderia registrar a alteração contratual porque estava em situação irregular junto à Secretaria da Fazenda Estadual (SEFAZSP) com ocorrência de cassada por inatividade presumida. Ocorre que a empresa buscou solucionar a situação pendente junto à SEFAZ SP em tempo hábil, mas não houve comunicação entre as administrações tributárias e o prazo para hailitação no Simples nacional estava fluindo e esgotandose. Fez a opção por pedido protocolizado no dia 28/01/2011, em vista de ser impedida por meio da internet. Em 01/07/2011 é possível verificarse que o pedido de alteração de atividades principal e secundária para códigos 82113/00 e 47610/03 foram processados e se enquadram nas atividades que podem aderir ao Simples Nacional. A baixa na SEFAZSP foi devidamente peticionada em tempo hábil, pelo que todas as ações foram tomadas pela empresa antes de esgotado o prazo para aderir ao Simples Nacional, estando apta na data de 31 de janeiro de 2011 a aderir à sistemática, pelo que não pode permanecer o indeferimento. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.722794/201116 Acórdão n.º 1302001.902 S1C3T2 Fl. 3 3 A empresa juntou às efls. 10 a 17 a segunda alteração do contrato social, registrada em 29/12/10, o requerimento de baixa na inscrição estadual, a partir de 30/06/2006, protocolizado em 12/01/2011 e o pedido de inclusão no Simples Nacional datado em 28/01/2011 efls. 18 a 22. Às efls. 38 consta um "Acompanhamento da solicitação de CNPJ" emitido via eletrônica, que demonstra que somente em 02/06/2011 a SEFAZSP deferiu a solicitação da empresa e deferiu número de inscrição estadual. Às efls. 40 constou da "Consulta Cadastral Cadastro de Contribuintes de ICMS Cadesp" que a empresa estava inscrita no cadastro a partir de 06/06/2011 (data de início da IE), bem como nas informações tributárias constou os CNAE: Principal : 70204/00 data de início :01/01/2007 Secundários: 85503/01 85503/02 com data de início em 06/06/2011 Novo cartão de CNPJ com a atividade empresarial modificada para os CNAE 82113/00 e 47610/03 foi emitido, eletronicamente, pela empresa em 01/07/2011, sendo que informase, às efls. 46, que o pedido de alteração ocorreu, de fato, em 29/12/2010. O votocondutor do acórdão recorrido fundamentouse na seguinte linha de raciocínio: O contribuinte alega que foi impedido de regularizar seu cadastro CNPJ tendo em vista pendência na SEFAZSP que só veio a ser deferida a regularização em 02/06/2011. Consta nos autos que somente em 27/06/2011 foi transmitida a solicitação de alteração das atividades no cadastro CNPJ. Em consulta ao Sistema CNPJ, verificase que em 29/06/2011 esta foi deferida. Tal alteração está de acordo com a 2ª Alteração Contratual datada de 18/11/2010 e registrada na JUCESP em 29/12/2010. Todavia, em que pese as dificuldades encontradas/argumentos do contribuinte, como este tinha até o último dia de janeiro de 2011 para regularizar as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional e não o fez dentro deste prazo, há que se manter o indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 60 a 65 reiterando os termos da defesa inicial, salientando que não pode ser penalizada pela demora nas soluções dos problemas ocorridos que impediramna de acessar o sistema eletrônico para aderir ao Simples Nacional em tempo hábil e que providenciou tudo que estava ao seu alcance antes do término do prazo legal. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 29/11/13, efls. 58; Recurso – 20/12/13, efls. 60 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O cerne do litígio está em decidir se a alteração dos CNAE que impediam a adesão da recorrente ao Simples Nacional é válida desde o registro da Segunda Alteração Contratual levada à JUCESP e, também, desde que se aplicou a resolver suas pendências junto à SEFAZSP, ou somente após o deferimento efetivo das referidas pendências. A recorrente logrou comprovar o seu ponto de contestação, ou seja, que envidou todos os esforços, dentro do prazo exigido na norma tributária, para cumprir o exigido pela legislação que disciplina o Simples Nacional e aderir à sistemática, mas que os órgãos envolvidos demoraram em proceder as alterações, deferimentos e por isso ficou prejudicada. Entendo que em havendo os deferimentos, ainda que em momento posterior, tanto por parte da Administração Tributária Federal quanto da Estadual para as pendências acusadas antes de encerrado o prazo para a opção, havendo a empresa se empenhado em solucionálas também antes de encerrado o prazo, e, principalmente, ter exercido o direito a solicitar a inclusão no Simples Nacional dentro deste prazo legal, tudo antes de 31 de janeiro de 2011, data fatal para adesão ao Simples Nacional para o anocalendário de 2011, consoante documentos comprobatórios juntados aos autos, há que se deferir a sua inclusão na sistemática de tributação favorecida, diferenciada e simplificada mesmo que retroativamente. Abro parênteses para a situação esdrúxula deparada junto ao fisco estadual, pois naquela Secretaria da Fazenda a recorrente está registrada com inscrição estadual datada com o início a partir de junho de 2011. Todavia, a situação pendente/irregular junto à administração estadual não foi a motivação do indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional e este fato, se impeditivo, deve ser averiguado junto àquela repartição, salientandose que, de qualquer forma, deverá ensejar outro Termo de Indeferimento, dado ser situação diversa daquela veiculada no Termo de efls. 09, objeto deste litígio. Diante destas considerações, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10830.722794/201116 Acórdão n.º 1302001.902 S1C3T2 Fl. 4 5 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003969/2002-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/2001
BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. DECLARAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez que, no processo de apuração da base de cálculo da Contribuição, a Fiscalização Federal demonstre que observou a legislação aplicável e indique com clareza a metodologia de cálculo empregada, considera-se correto e exato o valor apurado. A desqualificação do método empregado e, corolário, a contestação do quantum exigido, requer a indicação e comprovação, com a clareza e objetividade exigidas, dos erros cometidos pelo Fisco.
BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo as receitas não decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 23/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. DECLARAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez que, no processo de apuração da base de cálculo da Contribuição, a Fiscalização Federal demonstre que observou a legislação aplicável e indique com clareza a metodologia de cálculo empregada, considera-se correto e exato o valor apurado. A desqualificação do método empregado e, corolário, a contestação do quantum exigido, requer a indicação e comprovação, com a clareza e objetividade exigidas, dos erros cometidos pelo Fisco. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11020.003969/2002-91
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578723
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.124
nome_arquivo_s : Decisao_11020003969200291.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11020003969200291_5578723.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo as receitas não decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6333577
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048420939202560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003969/200291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.124 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2016 Matéria Auto de Infração Cofins Recorrente VINHOS SALTON S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. DECLARAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez que, no processo de apuração da base de cálculo da Contribuição, a Fiscalização Federal demonstre que observou a legislação aplicável e indique com clareza a metodologia de cálculo empregada, considerase correto e exato o valor apurado. A desqualificação do método empregado e, corolário, a contestação do quantum exigido, requer a indicação e comprovação, com a clareza e objetividade exigidas, dos erros cometidos pelo Fisco. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, até 1º de fevereiro de 2004, incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 39 69 /2 00 2- 91 Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo as receitas não decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a interessada foi lavrado o auto de infração de fls. 04/324, decorrente da verificação de duas infrações: 001falta de pagamento por ter a interessada apresentado pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, apresentando nas respectivas DCTF's os débitos de Cofins como extintos face ao encontro de contas pleiteado/declarado, por força de ação judicial. O pedido em questão, protocolado sob o n° 13016.000366/200141, foi desconhecido pela DRF Caxias do Sul, através de Despacho Decisório cuja cópia foi juntada às fls. 45/52, tendo em vista que os créditos eram originados da quota de contribuição sobre operações de exportação de café em grão cru por outra contribuinte, justificando o desconhecimento por não se tratar de exação administrada pela Secretaria da Receita Federal, tendo também indeferido o pedido de compensação. O Despacho Decisório neste sentido originou processo de representação fiscal (processo n° 11020.000873/200271), determinando o lançamento de ofício dos débitos de Cofins não extintos pela compensação indeferida, valores lançados como infração 001 no presente; 002 diferenças apuradas entre o valor calculado como devido pela aplicação da aliquota na base de cálculo proveniente dos valores escriturados e informados e os valores declarados/pagos a título de Cofins relativamente aos períodos de apuração de agosto de 1997 a dezembro de 2001. 2. Impugnado o lançamento em causa (fls. 331/361), veio o presente processo para esta DRJ, tendose verificado a anulação, pela DRJ em Florianópolis, do Despacho Decisório que desconheceu do pedido de restituição e indeferiu a compensação no processo n° 13016.000366/200141. Foi então o presente enviado em diligência para a DRF de origem, para a juntada de cópia do novo Despacho Decisório, tendo em vista que o destino do lançamento, no que concerne à infração 001, sofre as conseqüências do decidido no processo que trata do pedido de restituição/compensação. Em resposta, a DRF em Caxias do Sul juntou cópia do novo Despacho (fls. 606/621), através do qual foi indeferido o pedido de restituição e não homologada a compensação pleiteada, porém declarando nulos os lançamentos efetuados na dependência do Despacho Decisório anterior ante a nulidade do mesmo, e determinando a cobrança dos valores não extintos pelo encontro de contas não permitido, de acordo com o preceituado no § 7° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, acrescentado pelo artigo 17 da Lei n° 10.833, de 29 de Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.003969/200291 Acórdão n.º 3302003.124 S3C3T2 Fl. 3 3 dezembro de 2003. Esta situação ficou esclarecida à contribuinte, conforme elementos de fls. 635/636, sendo dado prazo para nova manifestação, se assim desejasse. Ante a não manifestação da interessada, retornou o presente à esta Delegacia de Julgamento, para prosseguimento. 3. Esclarecido, desta forma, que o presente lançamento ficou limitado à infração 002 — DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS/PAGOS PELA CONTRIBUINTE, passase a analisar a impugnação apenas nos tópicos que se referem a esta infração. A interessada, no item II da peça impugnatória, sob o título "QUANTO À APURAÇÃO INCORRETA DA BASE DE CALCULO", relata sua inconformidade ante a forma como foi colhida a base de cálculo pela fiscalização, utilizandose de planilhas que expressavam valores referentes ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Considera que os valores da b. e de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido são muito diferentes da base de cálculo da Cofins. Elenca as contas cujos valores deveriam ser excluídos da base de cálculo da contribuição para a Cofins e que não são excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e cita as contas cujos valores deveriam ser incluídos na base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não são na da Cofins. Afirma que a planilha que então junta demonstraria a correta base de cálculo sobre a qual se quantificaria o devido a título de Cofins e cujos valores são reproduzidos nas Declaração de Rendimentos do exercício de 1998, ano base de 1997, DIPJs dos exercícios de 1999 e 2000, anos base de 1998 e 1999. Especifica que, em relação aos anos de 2000 e 2001, as DIPJ's estariam incorretas, embora os pagamentos estivessem corretos, situação corrigida através de Declaração Retificadora. Assim, finalmente requer seja julgado improcedente o auto de infração relativamente às diferenças encontradas, devendo ser declarado nulo o lançamento eis que se utilizou de documentos incorretos, o que teria eivado de vício de forma o lançamento. 4. Juntadas, na ocasião, cópias de elementos que fizeram parte do Auto de Infração, bem como de Procurações, documentos dos outorgados e de assembléias realizadas pela empresa, assim como do auto de infração impugnado, dos processos de pedido de restituição/compensação e de representação fiscal e das DCTF's dos períodos (fls. 362/389). Apresentadas também as planilhas do que considera devido a cada período (fls. 390, 438 e 442) com as cópias das Declarações do Imposto de Renda que estão de acordo com os valores das planilhas, verificandose que a DIPJ retificadora do exercício de 2001 foi entregue em 10/10/2002, mesma data da entrega da DIPJ do exercício de 2002, após o lançamento de que trata o presente. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/2001 Ementa: DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO — Não logrou a interessada comprovar base de cálculo diferente da utilizada pela fiscalização. NULIDADE — Inexistência de vício formal no lançamento em causa, que obedeceu o disposto no artigo 11 do Decreto n°70.235, de 1972. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Insatisfeito com a decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Em primeiro lugar, necessário que se reafirme que o crédito tributário correspondente à Infração 001 do Auto de Infração foi extinto em decorrência da anulação, pela DRJ de Florianópolis, do Despacho Decisória que lhe havia dado causa. Segundo me parece, como o Despacho é anterior ao próprio Auto, por óbvio, à decisão recorrida, a instância a quo entendeu que crédito a ele associado já não estava em litígio. Seja essa ou não a melhor alternativa processual, fato é que, uma vez que esteja claro nos autos que o contribuinte não é mais devedor do crédito correspondente à Infração 001, nenhum prejuízo lhe trará prosseguir no julgamento da Infração que ainda lhe é imputada, a Infração 002. A autuada, a exemplo do que fez em sede de impugnação ao lançamento, contesta apenas os critérios de apuração da base de cálculo da Contribuição utilizados pela Fiscalização Federal. Segundo informa, o Fisco utilizou como base de cálculo do COFINS, os valores constantes da Declaração de Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do Contribuinte e balancete dos meses de dezembro de cada ano. Considera a Operação esta da fiscalização absurda, pois notório que as bases de cálculo do COFINS e do IR/CSLL não são as mesmas, havendo diferenciação em hipóteses de exclusão de operações na sua base de cálculo como isenções diferenciadas. Acrescenta que juntou aos autos documentação contábil comprovando (i) devoluções de vendas pelo valor integral; (ii) vendas realizadas à empresas comerciais exportadoras, (iii) vendas do ativo fixo; (iv) reversões de provisões e (v) recuperação de créditos incobráveis. Contudo, sempre segundo afirma a recorrente, para os julgadores de primeira instância, a documentação contábil juntada não é confiável. O que chama atenção na defesa interposta pelo contribuinte, é a ausência de uma indicação clara acerca dos valores que, segundo alega, teriam sido indevidamente incluídos no auto de infração. De fato, embora refirase aos cinco itens relacionados no parágrafo anterior, não faz qualquer esforço em demonstrálos quantitativamente, fosse por um exemplo escolhido aleatoriamente ou por sua expressão integral. Em lugar disso, dedicase a contestar com veemência a decisão tomada em primeira instância, assim como os fundamentos que lhe suportaram. Buscando melhor examinar a questão, encontrei nas razões de decidir dos i. Julgadores de primeira instância, concessa vênia à defesa, uma abordagem deveras apurada do assunto, se não vejamos. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.003969/200291 Acórdão n.º 3302003.124 S3C3T2 Fl. 4 5 A contribuinte apenas alega que a base de cálculo que foi utilizada pela fiscalização seria a mesma utilizada para cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, não sendo excluídos valores relativos a determinadas contas e nem consideradas inclusões de valores de determinadas rubricas para cálculo do IRPJ e da CSLL e que para a Cofins seriam indevidas. Não especifica valores que corresponderiam a tais contas e sequer qual ou quais determinações teriam sido violadas. Constatase que a base de cálculo dos valores de Cofins lançado foi fornecida pela própria interessada a título de VENDAS nos Demonstrativos do cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social. O lançamento levou em conta as VENDAS, porém com exclusões, previstas em legislação, como se pode notar pelo cotejo entre os valores fornecidos pela contribuinte e os valores afinal utilizados pela fiscalização e cujos demonstrativos fazem parte do auto de infração. O que se observa é que, já em primeira instância de julgamento, constatouse a precitada ausência de indicação precisa e de quantificação dos valores que a defesa considerou indevidamente incluídos no auto de infração. A despeito disso, a então Relatora do processo, com diligência, cotejou os valores lançados pela Fiscalização Federal com as informações fornecidas pelo próprio contribuinte e constatou que foram procedidas as exclusões previstas em lei. Logo a seguir, fez um exame criterioso da metodologia de cálculo empregada pelo Fisco e da legislação de regência. Observese. Primeiro, referindose ao período entre 08/97 e 01/99. 10. Nestes períodos, notase que os demonstrativos apresentados pela interessada do cálculo do IRPJ e da CSSL partiam efetivamente do valor das vendas realizadas e explicitavam o valor do IPI, das devoluções e do IPI incidente sobre as devoluções, sendo que a fiscalização utilizouse destes valores para o lançamento. Já nos períodos de dezembro de 1997 e dezembro de 1998 foram as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização extraídas dos balancetes de verificação daqueles meses, notandose que os cálculos levaram em conta os valores que ali constavam sob as rubricas envolvidas no cálculo da contribuição (vendas, devoluções de vendas, IPI, IPI sobre devolução de vendas, descontos incondicionais). No entanto, nos novos demonstrativos apresentados pela contribuinte para os períodos de agosto de 1997 a janeiro de 1999, quando da impugnação, verificase a exclusão do faturamento de valores que atribui a exportações e valores que seriam de venda do ativo imobilizado, sendo que estes últimos não eram incluídos na base de cálculo (receita bruta) muito menos havendo previsão legal para sua dedução. Quanto às receitas de exportação, não consta do presente qualquer prova de sua existência, sendo que os balancetes de verificação não nomeiam tais receitas. Ademais, constam nas planilhas apresentadas pela contribuinte, outras sutis modificações nos valores dos faturamentos mensais (que, embora não explicitado, parecem ser compostos pelo valor das vendas diminuído do valor do IPI), sem qualquer comprovação ou explicação para tal fato. Frisese que a contribuinte junta planilhas com valores diferentes dos utilizados pela fiscalização, porém não traz nenhuma documentação nova que comprove efetivamente a situação que deseja ver instalada." Depois, entre 02/99 e 12/01. 12. Nestes períodos fevereiro de 1999 a dezembro de 2001 a fiscalização utilizouse dos elementos constantes dos demonstrativos do cálculo do IRPJ e da CSLL e dos balancetes de verificação dos meses de dezembro, todos elementos fornecidos pela contribuinte, elaborando demonstrativo sobre as demais receitas. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Novamente, pelas planilhas apresentadas na impugnação, a contribuinte altera todos os valores que serviram de base ao lançamento, sem esclarecer a que se devem tais alterações e nem juntando comprovantes que elucidem estas alterações. Deduz também valores de exportação e de venda do ativo imobilizado, não juntando comprovação dos valores deduzidos. E conclui, 13. Ora, a contribuinte impugna o lançamento por não concordar com os cálculos que o nortearam, devidamente demonstrados no auto de infração e tendo por base elementos fornecidos por ela mesma e devidamente juntados no auto de infração. Assim, caberia demonstrar e comprovar os motivos de discordância em relação ao lançamento, conforme preceitua o artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972 — Processo Administrativo Fiscal. Esta disposição também pode ser conferida no artigo 16 do mesmo Decreto, como se transcreve: A defesa opõese a esses precisos apontamentos, sob o argumento de que o erro de apuração da base de cálculo estaria comprovado porque os documentos utilizados pela fiscalização não estariam aptos precisála. A seu ver, essa premissa teria ficado patente na afirmação veiculada no voto condutor da decisão recorrida, de que os balancetes de verificação não nomeiam as receitas de exportação. Ora, de onde é que tira essa conclusão? De tudo o que se cuidou até aqui, fica claro que a então Relatora do processo examinou criteriosamente os argumentos de defesa e decidiu que as receitas de exportação suscitadas não estavam, assim como outras exclusões pretendidas, acompanhadas de provas de que efetivamente tinham ocorrido. Não se trata portanto, por óbvio, de desqualificar por completo a força probante desses documentos, mas sim de reconhecer o valor que lhes pode ser atribuído. No caso, ao contrário do que pretendia o contribuinte, eles demonstraram a inocorrência do evento que garantiria a redução da base imponível. E, de fato, desde a Descrição dos Fatos do Auto de Infração o procedimento levado a efeito pelo Fisco demonstrase bastante criterioso, se não vejamos. A base de cálculo da COFINS, foi apurada a partir das planilhas "Cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social" (fls.78/125), fornecidas pelo contribuinte, onde fica perfeitamente identificado o faturamento de cada período (receita de vendas e exclusões de vendas), bem como as demais receitas auferidas mensalmente, e com base no balancete de verificação, do mês de dezembro de cada ano (fls.126/324), resultando na planilha "Composição da Base de Cálculo"(fls 23/27). (grifos acrescidos) A partir da competência Fev/99, a COFINS foi calculada tendo como base de cálculo a definida pelos art. 2.° e 3.° da Lei 9.718/98, ou seja a receita total auferida pelo contribuinte em cada mês, tendo sido excluída a receita de Ganho de Capital (bens do ativo permanente), as Reversões de Provisões e a Recuperação de Créditos Incobráveis. Foi elaborada planilha determinando o montante das "Demais Receitas" a serem computadas na determinação da base de cálculo da COFINS (fls.28/=) Por seu turno, o contribuinte, desde a impugnação ao lançamento, apenas faz referência, em abstrato, a valores que julga serem corretos, sem contudo apresentar um só documento que comprove suas afirmações. Já constava na impugnação ao lançamento. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.003969/200291 Acórdão n.º 3302003.124 S3C3T2 Fl. 5 7 5. Em razão das diferenças nas base de cálculo acima apontadas (entre IR, CSLL e COFINS), jamais poderia a agente fiscal utilizar as planilhas de cálculo de IR e CSLL fornecidas pelo autuado e juntada à fls. 78/125, para base de cálculo da COFINS. 6. Assim, tendo em vista as divergências apontadas acima, inexistem as diferenças por ela apurada de COFINS. Foram utilizadas base de cálculo errada, o que obviamente gerou em diferença no recolhimento. 7. Fornecemos neste ato, planilha contendo a base de cálculo correta, que deveria ter sido utilizada pela agente fiscal, e que comprovam as informações declaradas nos informativos, conforme abaixo: 1) Exercício de 1998 — ano calendário 1997, foi apresentado Declaração de Rendimentos. (cópia anexo). 2) Exercício de 1999 — ano base de 1998, foi apresentado DIPJ (cópia anexo). 3) Exercício de 2000 — ano base de 1999, foi fornecido DIPJ (cópia anexo). Contudo, as planilhas que, segundo alega, conteriam a base de cálculo correta são memórias ou demonstrações de cálculo elaboradas pela própria autuada, mas sem qualquer alusão aos documentos contábeis que lhes atestem a veracidade. Ou seja, como já bem apontado na instância a quo, para demonstrar o equívoco da Fiscalização Federal na apuração da base de cálculo, a defesa aponta valores que, segundo alega, deveriam ter sido excluídos, mas não traz qualquer comprovação ou explicação para tal fato. Em sede de recurso voluntário, conforme já se demonstrou, a autuada fez ainda menos que isso. Da mesma forma, uma vez que não se reconheçam as irregularidades na apuração da base de cálculo arguídas pela Recorrente, nenhuma razão há para que se fale em nulidade do auto de infração por erro na apuração da base imponível. Por fim, tendo em vista o disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho1, necessário excluir da base de cálculo da Contribuição as receitas que não sejam decorrentes das atividadesfim da empresa, tendo em conta a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 585.235QO2, Min. Cezar Peluso. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 2 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 O quadro à folha 28 faz referência a receitas intituladas juros, variações monetárias, aplicações etc. Essas receitas, salvo melhor juízo, não decorrem das atividadesfim da autuada, não devendo, por conseguinte, ser incluídas na base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. VOTO por rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Contribuição as receitas que não sejam decorrentes do exercício da atividadefim da pessoa jurídica. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720062/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL BÁSICO. SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. ESTORNO DO CRÉDITO. CABIMENTO.
Demonstrada a falta de lançamento do imposto incidente nas saídas de produtos tributados para pessoa física, não contribuinte do imposto, é cabível o estorno do crédito do trimestre.
SUSPENSÃO INDEVIDA. DEPÓSITO FECHADO SAÍDAS COM SUSPENSÃO. REQUISITOS.
A suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados nas saídas de produtos do estabelecimento industrial para depósito fechado condiciona-se ao cumprimento de requisitos como a regular inscrição do destinatário no CNPJ como depósito fechado e a emissão de nota fiscal que indique tratar-se de remessa para depósito, pelo depositante, na remessa, e pelo depósito fechado, no retorno.
Numero da decisão: 3302-003.123
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL BÁSICO. SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. ESTORNO DO CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrada a falta de lançamento do imposto incidente nas saídas de produtos tributados para pessoa física, não contribuinte do imposto, é cabível o estorno do crédito do trimestre. SUSPENSÃO INDEVIDA. DEPÓSITO FECHADO SAÍDAS COM SUSPENSÃO. REQUISITOS. A suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados nas saídas de produtos do estabelecimento industrial para depósito fechado condiciona-se ao cumprimento de requisitos como a regular inscrição do destinatário no CNPJ como depósito fechado e a emissão de nota fiscal que indique tratar-se de remessa para depósito, pelo depositante, na remessa, e pelo depósito fechado, no retorno.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10380.720062/2008-23
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578726
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.123
nome_arquivo_s : Decisao_10380720062200823.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
nome_arquivo_pdf_s : 10380720062200823_5578726.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6333792
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048420964368384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2150; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 650 1 649 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.720062/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.123 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2016 Matéria RESSARCIMENTO. IPI Recorrente NUFARM INDUSTRIA QUIMICA E FARMACEUTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Somente é cabível a realização de perícias quando for considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL BÁSICO. SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. ESTORNO DO CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrada a falta de lançamento do imposto incidente nas saídas de produtos tributados para pessoa física, não contribuinte do imposto, é cabível o estorno do crédito do trimestre. SUSPENSÃO INDEVIDA. DEPÓSITO FECHADO SAÍDAS COM SUSPENSÃO. REQUISITOS. A suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados nas saídas de produtos do estabelecimento industrial para depósito fechado condicionase ao cumprimento de requisitos como a regular inscrição do destinatário no CNPJ como depósito fechado e a emissão de nota fiscal que indique tratarse de remessa para depósito, pelo depositante, na remessa, e pelo depósito fechado, no retorno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 62 /2 00 8- 23 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito básico de IPI, cumulado com Declarações de Compensação, referente ao 4° trimestre de 2004, no valor de R$ 997.501,04 (fls. 01/58). A unidade de origem, após a realização de diligência, cujo resultado encontrase consolidado na informação fiscal de fls. 430/436, reconheceu parcialmente, por intermédio da informação e despacho decisório de fls. 441/443, o direito creditório pleiteado, no montante de R$ 598.154,05, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Foram os seguintes os fundamentos adotados pela autoridade fiscal: A empresa deu saída a diversos produtos adquiridos para industrialização, com o CFOP 5949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), mediante as notas fiscais relacionadas no Demonstrativo de fls. 490/493. Nas notas fiscais de saída consta, como natureza da operação, "remessa para depósito de terceiros", sendo que, em relação a tais operações, não houve a tributação pelo IPI. Ocorre que o depósito de terceiro, destinatário das mercadorias saídas da pessoa jurídica, é José Maria Arruda Filho, CPF no 045.149.39315, não se tratando de um estabelecimento da empresa, nem de armazém geral assim constituído, motivo pelo qual não há previsão legal para tais saídas com suspensão do IPI. Cientificada em 07/10/2009 (AR de fl. 526) a interessada apresentou tempestivamente, em 23/10/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 446/454, na qual alega que: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10380.720062/200823 Acórdão n.º 3302003.123 S3C3T2 Fl. 651 3 a) A parte do crédito negada referese a operação em que o Contribuinte deu saída de insumos adquiridos para industrialização destinandoos a depósito, devidamente acompanhados das notas fiscais com CFOP 5949 (Outras saídas de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), retomando à sede do estabelecimento remetente acompanhado de notas fiscais de entrada, emitidas pelo próprio Contribuinte, conforme notas ficais relacionadas. Na informação fiscal apresentada pela autoridade fiscal, afirma se que o Contribuinte deu saída de mercadoria com suspensão de IPI, sem previsão legal, o que não condiz com a verdade. b) Conforme preceitua o inciso III do art. 42 do RIPI/2002, é simples e evidente o entendimento de que o envio e devolução de produtos remetidos para depósito fechado caracterizase pela suspensão do imposto sobre produtos industrializados. Ora, a legislação não faz restrição ao depósito (local físico) pertencer a pessoa física, tão somente tratando na hipótese de envio da mercadoria para depósito e armazenamento, com posterior devolução ao remetente. c) A própria legislação pertinente (art. 518, VII, do RIPI120002), utilizandose da hermenêutica na modalidade de interpretação autêntica, ou seja, aquele entendimento direcionado emitido pela própria norma no mesmo momento de sua elaboração, não abre precedentes para se restringir o depósito à pessoa física. Dessa forma, o Fiscal, no ato da lavratura do auto e consequente glosa dos créditos, não está livre de seguir esses preceitos, ao contrário, está condicionado a sua aplicação. d) É principio basilar do direito, conforme regra universal hermenêutica, que as normas restritivas de direitos devem ser expressas, e não presumidas, nem podem ter sua interpretação estendida. Ainda mais, conforme estatui a CRF/88, art. 37, caput, e também entendimento uníssono na renomada doutrina administrativa, que a Administração Pública é regida e limitada pelo Principio da Legalidade Estrita, dessa forma, todos os atos produzidos por qualquer ente da Administração devem estar expressos em lei. e) Temse que em sede de "processo administrativo tributário" vale o principio da VERDADE MATERIAL, mandamento nuclear que impele a Administração de decidir sempre com arrimo nos fatos tais como eles se apresentam na realidade. Refere doutrina. f) O estabelecimento em questão, de José Maria Arruda Filho, pelos fatos e natureza da OPERAÇÃO, MOSTRASE, NA REALIDADE, COMO UM PROLONGAMENTO, EXTENSÃO DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. Ora, se todas as notas fiscais de devolução emitidas pelo estabelecimento depositário, remetendo de volta as mercadorias depositadas para o estabelecimento do Contribuinte, são produzidas, preenchidas e possuem todos os caracteres grafados em nome do depositante (contribuinte), então, aplicandose a verdade Fl. 652DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 material, não resta dúvida que o estabelecimento depositário funciona como extensão do estabelecimento do Contribuinte. Portanto, a suspensão do IPI quando da remessa e retorno de mercadorias ao referido depósito, conforme dispõe o art.42, III, do RIPI/2002, é totalmente legal. A falta de previsão legal ocorre na atuação do agente. g) Outro ponto importante a ser observado, é o fato de não ter havido, em nenhum momento, qualquer prejuízo financeiro ao fisco, não houve falta de recolhimento de imposto, uma vez que, o fato gerador do imposto é: a saída do produto a titulo de transferência de propriedade para terceiro — venda, e no caso em tela não ocorre a venda, e sim, apenas a remessa e retomo de mercadoria de depósito fechado. h) Com todo o respeito ao entendimento da autoridade fiscal, salientamos que a autuação não se mostra razoável nem proporcional aos fatos e situações ocorridos com a legislação que prevê e delimita esse caso. i) Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade são tidos pelo STF como decorrência lógica do devido processo legal substantivo, cujo conteúdo e alcance transbordam os limites das relações processuais e ensejam o controle da razoabilidade de todos os atos do Poder Público. j) No caso em concreto percebemos que a finalidade é licita e justa: efetuar a remessa e retorno de mercadoria a depósito fechado, por simples falta TEMPORÁRIA de espaço no estoque, conforme legalmente previsto, sem o pagamento do IPI, com sua devida suspensão. Se houvesse alguma irregularidade na operação da contribuinte, seria o descumprimento único de obrigação acessória, com aplicação de multa, jamais podendo dar ensejo à glosa de créditos. k) Há a necessidade de conversão do julgamento em diligência, para que possa ser apurada a verdade material dos fatos, em atenção ao principio do contraditório e da verdade material, mediante perícia em todos os documentos, tais como notas e livros fiscais. 1) Tomando em conta o alegado, requer: a suspensão, até a apreciação definitiva da Manifestação de Inconformidade, da exigibilidade dos créditos tributários objeto do pedido, segundo determina o art. 48, § 3 0, I, da IN/SRF 600/2005; seja deferido o Pedido de Reconhecimento de Saldo Credor dos créditos de IPI referentes à operação de retorno de mercadoria de depósito fechado e que seja homologada a respectiva PER/DCOMP que o acompanha; a conversão do julgamento em diligência, para a realização de perícia na documentação fiscal e demais que se ache necessária; e que seja realizada a intimação de todos os atos processuais, inclusive quando da inclusão em pauta de julgamento para fins de SUSTENTAÇÃO ORAL de suas razões. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 653DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10380.720062/200823 Acórdão n.º 3302003.123 S3C3T2 Fl. 652 5 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PERÍCIA. REQUISITOS. Descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. SUSTENTAÇÃO ORAL. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Inexiste previsão, no âmbito do processo administrativo fiscal, para a realização de sustentação oral em sede de julgamento de primeira instância. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. FATO GERADOR. Ocorrido o fato gerador do IPI que, nos termos do art. 35 do RIPI/2002, corresponde à saída de produto do estabelecimento industrial, tornase devido o tributo respectivo. IPI. SUSPENSÃO INDEVIDA. Somente podem sair do estabelecimento industrial, com a suspensão do IPI devido, aqueles produtos que tenham sido remetidos, a titulo de armazenagem, para estabelecimento pertencente à mesma pessoa jurídica, a depósito fechado ou a armazémgeral. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação apenas parcial do crédito apontado em PER/DCOMP como compensável, implica, por óbvio, a homologação também parcial da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, no limite do direito creditório existente. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 02/12/2010, conforme AR de fl. 629, apresenta tempestivamente em 23/12/2010, fls. 632/643, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF repisando os argumentos já colacionados na peça impugnatória. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Fl. 654DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade Em relação ao malferimento dos princípios invocados, da proporcionalidade e razoabilidade, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu 1artigo 62 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 655DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10380.720062/200823 Acórdão n.º 3302003.123 S3C3T2 Fl. 653 7 CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Das notificações e intimações Quanto à solicitação de que as notificações e intimações referentes ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, é de se esclarecer que o Decreto nº 70.235, de 1972, norma que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, em seu artigo 23, incisos I, II e III, estabelece as formas de intimação e precisamente no inciso II do referido dispositivo determina que [...por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo]. Nesse sentido, indefere a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio do procurador da Recorrente. Prescindibilidade do Pedido de Perícia A contribuinte insurgese contra o indeferimento do pedido de perícia pela decisão de piso arguindo sua necessidade com o fito de demonstrar que a operação de remessa a depósito de terceiro com suspensão de IPI fora efetuada de forma oportuna, requerendo assim, a realização de perícia em todos os documentos tais como: Notas e Livros fiscais. É oportuno destacar quanto ao pedido de perícia que a Recorrente embora formule os quesitos referentes aos exames pretendidos, nos termos do inciso 2IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, deve ser analisado se o pedido de realização de perícias é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, de acordo com o que dispõe o artigo 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993: c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. 2 O art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim se pronuncia: "Art. 16. A impugnação mencionará: ................................................................ IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” (introduzido pelo art.1º da Lei nº 8.748/93). (grifei). Fl. 656DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Nesse mister, é importante ressalvar que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, como restará demonstrada na análise de mérito. Logo, na espécie em análise, constatase que o exame dos autos demonstra ser prescindível a realização de perícia ou mesmo de uma diligência, em face da existência de provas que permitem ao julgador a cognição dos fatos que motivaram o presente feito, bem como da clareza do tipo legal que rege a espécie dos autos, tal como se verifica na parte meritória da presente peça, motivo pelo qual dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim com acerto decidiu a decisão de piso. Logo, diante dos argumentos expostos e em face da tipicidade presente na espécie dos autos, resta superada a questão relativa à perícia ou diligência, diante dos fundamentos apresentados, com esteio nos artigos 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. MÉRITO Das saídas destinadas à pessoa física Prendese a questão meritória na análise à luz da legislação de regência quanto à remessa de produtos com suspensão do IPI, com o CFOP 5949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), mediante as notas fiscais relacionadas no Demonstrativo de fls. 490/493, onde consta, como natureza da operação, "remessa para depósito de terceiros". Observase que a unidade de origem, após a realização de diligência, cujo resultado encontrase consolidado na Informação Fiscal de fls. 430/436, verificou que o depósito de terceiro destinatário de produtos industrializados pela contribuinte não corresponde a estabelecimento da empresa, nem a armazém geral devidamente constituído para tal, tratandose, antes, de pessoa física (José Maria de Arruda Filho, portador do CPF 045.149.393 15). Os fatos são incontroversos residindo a lide na questão trazida pela Recorrente quanto à inexistência de restrição pela legislação quanto ao fato de o depósito (local fisico) pertencer a pessoa física e da inexistência de prejuízo por parte do fisco, uma vez que o houve o retorno de todos os produtos. Verificase das disposições normativas do Decreto nº 4.544, de 2002 RIPI/2002: Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: Fl. 657DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10380.720062/200823 Acórdão n.º 3302003.123 S3C3T2 Fl. 654 9 I/II (...); III os produtos remetidos pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a depósitos fechados ou armazéns gerais, bem assim aqueles devolvidos ao remetente (Decretolei nº 400, de 1968, art. 11);(grifei). Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57).(grifei) Art. 414. Aplicamse aos depósitos fechados as seguintes disposições relativas aos armazénsgerais: I na saída de produtos para depósito fechado do próprio remetente, situado na mesma Unidade Federada deste, e no retorno ao estabelecimento de origem o art. 404; II na saída de produtos de depósito fechado, com destino a outro estabelecimento, ainda que da mesma empresa depositante o art. 405; III na saída dos produtos para depósito fechado do próprio remetente, situado em Unidade Federada diversa daquela do estabelecimento remetente o art. 407; IV na saída de produtos depositados nas condições do inciso III, com destino a outro estabelecimento, ainda que da mesma empresa depositante o art. 408; e V na saída para depósito fechado pertencente ao estabelecimento adquirente dos produtos, quando depósito e adquirente estejam situados na mesma Unidade Federada o art. 406. Art. 518. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...); VII depósito fechado é aquele em que não se realizam vendas, mas apenas entregas por ordem do depositante dos produtos; e Da interpretação sistemática dos dispositivos acima transcritos, verificase que além de estar consignada a própria definição de depósito fechado, estabeleceu a legislação um regramento com vistas a disciplinar a saída de produtos para depósito fechado, notadamente o art. 414, visto que em todas as remissões feitas aos artigos 404 a 408, cujas operações se referem a saídas de produtos para o depósito fechado ou do depósitos fechado para o estabelecimento depositante há um elemento comum que é a emissão de nota fiscal, documento de emissão de pessoa jurídica inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Nesse mister, é importante destacar as disposições vigentes à época, da IN SRF nº 200, de 2002, que assim dispõe: Fl. 658DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Art. 13. A pessoa jurídica deverá inscrever no CNPJ cada um de seus estabelecimentos, inclusive os situados no exterior. § 1º O estabelecimento é a unidade autônoma, móvel ou imóvel, em que a pessoa jurídica exerce, em caráter permanente ou temporário, atividade econômica ou social geradora de obrigação tributária, principal ou acessória. § 2º Na hipótese de a pessoa jurídica possuir mais de um estabelecimento, a matriz terá o número de ordem igual a 0001, e os demais, denominados filiais, independentemente de outra denominação jurídica, serão numerados em ordem seqüencial a partir de 0002. § 3ºA unidade móvel somente será considerada estabelecimento se a pessoa jurídica não dispuser de unidade imóvel, sendo seu endereço o da pessoa física responsável perante o CNPJ. § 4ºA unidade móvel ou imóvel não será estabelecimento quando considerada mera extensão da atividade de um outro, assim entendida a que for desenvolvida em: I veículos pertencentes a estabelecimento cadastrado; II canteiros de obras, vinculados a estabelecimento cadastrado, desde que nos mesmos não se desenvolva atividade geradora de obrigação tributária principal do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviço de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); III dependências como torres, casasdeforça, depósitos de material e assemelhados, desde que vinculadas a estabelecimento cadastrado; IV templo dedicado, exclusivamente, à prática de atividade religiosa, observada subordinação a entidade nacional ou regional, previamente cadastrada. § 5º O disposto no parágrafo anterior não se aplica a depósito fechado, que deve se inscrever no CNPJ, na condição de filial.(grifei). Para realçar a matéria em destaque fazse pertinente trazer a colação excertos da Informação Fiscal de fls. 430/436 e da decisão de piso: Informação Fiscal de fls. 430/436: Dos dispositivos—legais acima transcritos depreendese, com relação à saída com suspensão de IPI para depósitos fechados, que o RIPI/2002 só prevê: 1.a saída de produtos para depósito fechado do próprio remetente, situado na mesma Unidade Federada deste; 2. a saída de produtos de depósito fechado, com destino a outro estabelecimento, ainda que da mesma empresa depositante; Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10380.720062/200823 Acórdão n.º 3302003.123 S3C3T2 Fl. 655 11 3. a saída dos produtos para depósito fechado do próprio remetente, situado em Unidade Federada diversa daquela do estabelecimento remetente 4.a saída de produtos depositados nas condições do inciso III, com destino a outro estabelecimento, ainda que da mesma empresa depositante. E dispõe sobre a emissão de nota fiscal emitida pelo depósito, no retorno da mercadoria para o estabelecimento depositante. Constatamos que o depósito de terceiro, destinatário das mercadorias saídas da empresa, conforme consta nas notas fiscais de saídas, é José Maria Arruda Filho, CPF no. 045.149.39315. Não se trata de um estabelecimento da empresa, nem de armazém geral, devidamente constituído como tal. Tendo em vista que depósitos fechados devem ser inscritos no CNPJ e manter sua própria escrituração, e haja vista os dispositivos legais, acima relacionados, depreendese que não há previsão legal para saídas com suspensão de IPI, neste caso. Excertos da decisão de piso, fl.625: Ocorre que, conforme ressaltado pela autoridade fiscal, as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo têm como destinatário a pessoa física José Maria de Arruda Filho, portador do CPF 045.149.39315. Assim, o depósito para o qual encaminhou seus produtos não reveste a natureza de depósito fechado ou de armazém geral. Acresçase, ainda, o fato de que o CFOP 5949 (outras saídas de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), constante nas referidas notas fiscais, não indica tratarse da operação invocada pelo sujeito passivo, haja vista que há CFOP especifico para a remessa de mercadorias a depósito fechado, qual seja, 5905 (literalmente: "remessa para depósito fechado ou armazém geral").(grifei). Digno de nota que essa mesma questão já foi decidida, por unanimidade de votos, no âmbito desse E. Conselho com relação ao mesmo sujeito passivo conforme demonstra a ementa e excertos do acórdão nº 380301.317, de 01/03/2011: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 forma genérica e sem atendimento aos requisitos do Diploma Processual Administrativo Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL BÁSICO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA. SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. A falta de lançamento do imposto incidente nas saídas de produtos tributados para pessoa física,não contribuinte do imposto,justifica a reconstituição da escrita fiscal para dar conta dos débitos não apurados. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. DEPÓSITO FECHADO. NOTAS FISCAIS REQUISITOS. A suspensão do imposto nas saídas de produtos do estabelecimento industrial para depósito fechado está condicionada à regular inscrição do destinatário no CNPJ como estabelecimento dessa natureza e à emissão de nota fiscal que indique tratarse de remessa para depósito, pelo depositante, na remessa, e pelo depósito fechado, no retorno.(grifei). Excertos do voto: Mérito – tributação das saídas destinadas à pessoa física de José Maria Arruda Filho Com relação às saídas que têm como destinatário a pessoa física do Sr. José Maria de Arruda Filho, CPF nº 045.149.39315, queda patente que as mesmas não preenchem os requisitos para a suspensão do imposto autorizada pelo art. 42, inc. III, do RIPI/2002, pois o destinatário não é estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas como depósito fechado. Ademais, as referidas operações de saída foram cursadas sob o Código Fiscal de Operações e de Prestações CFOP ora 5901 Remessa para industrialização por encomenda, ora 5949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado, inconsistentes com a natureza da operação alegada pelo recorrente – remessa para depósito. Ainda a militar contra as suas pretensões, fosse o destinatário efetivamente deposito fechado, o contribuinte, ora recorrente, ainda assim deveria ter destacado o imposto nas notas fiscais respectivas, pois não foram tomar as medidas condicionantes da suspensão estabelecidas no art. 404 do RIPI/2002, quais sejam, a emissão de nota fiscal com indicação da natureza da operação – Outras saídas – Remessa para Depósito” ou “ Outras saídas – Retorno de Mercadorias Depositadas”, pelo depositante no primeiro caso, e pelo depositário, no segundo.(grifei). Nada a reparar na decisão recorrida. Considerando a situação fática trazida aos autos verificase que a legislação de regência do IPI, estabelece requisitos a serem cumpridos na saída de produtos com Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10380.720062/200823 Acórdão n.º 3302003.123 S3C3T2 Fl. 656 13 suspensão para depósito fechado, requisitos esses que não estão presentes na situação em exame como acima explicitado, assim inexistindo respaldo legal para a suspensão adotada, submetese a operação à regra de incidência do IPI, tal como regulamentado pelo 3art. 34, inciso II do RIPI/2002, sendo cabível o estorno do crédito do trimestre. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 3 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005900/2008-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/05/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 21/12/2006, 31/01/2007
RECURSO ESPECIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS. DISPARIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência em nível do juízo de admissibilidade do recurso, é tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência ou que se agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente, não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo da questão dos acórdãos paradigmas são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma que se assenta sobre fatos que não coincidem com os do acórdão fustigado.
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO FORMAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INADMISSIBILIDADE.
Diz-se prequestionada determinada matéria quando o órgão julgador haja adotado entendimento explícito a respeito, incumbindo à parte sequiosa de ver a controvérsia guindada à sede especial instá-lo a fazê-lo. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o acórdão não autoriza a abertura da via recursal especial.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 9303-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de divergência. Vencido o Conselheiro Valcir Gassen (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/05/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 21/12/2006, 31/01/2007 RECURSO ESPECIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS. DISPARIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência em nível do juízo de admissibilidade do recurso, é tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência ou que se agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente, não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo da questão dos acórdãos paradigmas são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma que se assenta sobre fatos que não coincidem com os do acórdão fustigado. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO FORMAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INADMISSIBILIDADE. Diz-se prequestionada determinada matéria quando o órgão julgador haja adotado entendimento explícito a respeito, incumbindo à parte sequiosa de ver a controvérsia guindada à sede especial instá-lo a fazê-lo. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o acórdão não autoriza a abertura da via recursal especial. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Crédito Tributário Exonerado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.005900/2008-37
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5596861
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.387
nome_arquivo_s : Decisao_19515005900200837.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 19515005900200837_5596861.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de divergência. Vencido o Conselheiro Valcir Gassen (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6403620
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048420979048448
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-04-12T17:51:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-04-12T17:51:52Z; Last-Modified: 2016-04-12T17:51:52Z; dcterms:modified: 2016-04-12T17:51:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:74531e96-2b49-4e6f-920e-f159db337d9e; Last-Save-Date: 2016-04-12T17:51:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-04-12T17:51:52Z; meta:save-date: 2016-04-12T17:51:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-04-12T17:51:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-04-12T17:51:52Z; created: 2016-04-12T17:51:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2016-04-12T17:51:52Z; pdf:charsPerPage: 2493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-04-12T17:51:52Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 3.611 1 3.610 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.005900/200837 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.387 – 3ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria PIS. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALSTOM GRID ENERGIA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/05/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 21/12/2006, 31/01/2007 RECURSO ESPECIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS. DISPARIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência em nível do juízo de admissibilidade do recurso, é tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência ou que se agrega a um fato sem alterálo substancialmente, não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo da questão dos acórdãos paradigmas são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma que se assenta sobre fatos que não coincidem com os do acórdão fustigado. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO FORMAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INADMISSIBILIDADE. Dizse prequestionada determinada matéria quando o órgão julgador haja adotado entendimento explícito a respeito, incumbindo à parte sequiosa de ver a controvérsia guindada à sede especial instálo a fazêlo. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o acórdão não autoriza a abertura da via recursal especial. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Crédito Tributário Exonerado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 00 /2 00 8- 37 Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de divergência. Vencido o Conselheiro Valcir Gassen (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 3534 a 3550), em 20 de fevereiro de 2013, contra a decisão, consubstanciada no Acórdão nº 330101.032 (fls. 3511 a 3524), proferida pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 09 de agosto de 2011, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. E nulo o auto de infração no qual não é possível identificar a origem dos valores lançados, visto que o lançamento tem como requisito de validade a observância das determinações contidas no art. 142 do CTN, de modo a verificarse a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinarse a matéria tributável, além de se calcular o montante do tributo devido. Há que se observar, ainda, o art. 10 e incisos, do Decreto n° 70.235/72, dentre as quais destacamse a descrição do fato e a disposição legal infringida. Recurso Voluntário provido. Desta decisão que cancelou o auto de infração, a Fazenda Nacional por intermédio da sua Procuradoria, interpôs em 30 de novembro de 2011 (fls. 3527 a 3529) Embargos de Declaração, aos quais foi negado seguimento em 10 de fevereiro de 2012 por intermédio do Despacho de Decisório em Embargos (fls. 3532) Restando a via do Recurso Especial questionouse, a) da ausência de nulidade no lançamento (fls 3537 a 3539), e, b) a questão da natureza do vício (fls. 3540). No que tange a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o mesmo foi parcialmente admitido conforme o Despacho Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005900/200837 Acórdão n.º 9303003.387 CSRFT3 Fl. 3.612 3 nº 330000.248, de 22 de outubro de 2014 (fls. 3559 a 3564) e pelo Despacho nº 330000.248 R, de 25 de fevereiro de 2015 (fls. 3566), em que manteve na integra o despacho do Presidente da Câmara no sentido de dar seguimento parcial ao recurso especial. A Procuradoria recebeu ciência do Despacho e efetuou a devolução dos mesmos sem manifestação (fls. 3.568). Neste sentido a matéria do Recurso Especial, ora em exame, referese à natureza do vício do lançamento, se formal ou material. A Procuradoria entende que a natureza do vício é formal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valcir Gassen Diante da tempestividade e do atendimento dos requisitos de admissibilidade parcial conheço do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Pública. Afastada a questão de nulidade do lançamento pelo juízo de admissibilidade cabe a discussão quanto à natureza do vício no Recurso Especial. A Procuradoria da Fazenda Nacional afirma por primeiro que não houve manifestação expressa da e. Turma recorrida quanto à natureza do vício declarado, se de natureza formal ou material. Interposto os Embargos de Declaração estes foram rejeitados visto que se entendeu que a matéria não havia sido discutida no processo, portanto não há que se discutir a omissão. Por segundo a Procuradoria sustenta que o vício que tornou nulo o lançamento é de natureza formal amparado na ementa do Acórdão nº 320100.248, aqui na condição de acórdão paradigma (fls. 3540). Assim a ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Recurso de Oficio Negado” Percebese, no entender da Procuradoria, que eventual violação aos elementos do art. 142 do Código Tributário Nacional, que causem eventual cerceamento de defesa, tem natureza formal e não material. Assim dispõe o referido artigo: “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (...).” Aduz também o Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelecendo nos seus arts. 10 e 11 os requisitos que devem fazer parte do auto de infração. Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A questão acerca da natureza do vício do lançamento do auto de infração, se é de natureza formal ou material, tem considerável relevância em decorrência dos efeitos da declaração de cada um. Se for de natureza formal o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos contados a partir da data em que a decisão tornouse definitiva, de acordo com o disposto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. Se o vício for de natureza material contase o prazo a partir da regra geral de decadência disposto no artigo 173, I do referido Código, isto é, o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Entendese que os vícios formais são aqueles relacionados aos requisitos objetivos para a validade de um lançamento, que contradizem a exigências legais do ato administrativo. Já os vícios materiais por seu turno são aqueles relacionados a própria matéria objeto da tributação e envolve questões relacionadas a situações fáticas, à interpretação das normas jurídicas, dados contábeis etc. Vício formal pode ser entendido como o desrespeito aos requisitos burocráticos exigidos no lançamento e vício material como o desrespeito à própria obrigação tributária. De fato, o Acórdão recorrido é silente em relação a natureza do vício, isto é, constatouse vício no lançamento do auto de infração, mas não esclareceu qual a natureza do vício. Mas da leitura do processo, e em particular do voto do Conselheiro Relator no Acórdão n° 330101.032 (fls 3521 a 3524) é possível compreender melhor a questão: (...) De modo a se defender de um lançamento pouco esclarecedor em relação descrição do fato e a disposição legal infringida, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 652/2.093, os quais ensejaram a conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização se pronunciasse sobre os seis itens questionados, quais sejam: I) se a autuação levou em consideração as atividades de todos os estabelecimentos da Recorrente (matriz e filiais); II) tratandose de PIS não cumulativo, informar se foram desconsiderados do cálculo os valores referentes ao PIS cumulativo; III) averiguar se a empresa, de fato, dispunha dos créditos utilizados para deduzir o PIS apurado pela empresa, conforme informados na D1PJ e na Dacon; IV) comprovar a procedência do PIS retido na fonte; V) pronunciarse sobre a alegada dedução indevida do saldo de PIS do mês anterior; VI) apresentar planilha detalhada referente a 2006 e 2007. Por fim, elaborar relatório conclusivo sobre os itens precitados. Além de não executar o que fora demandado a fiscal menciona que por meio do programa Contágil, de uso da Receita, para este fim, foram confrontados os dados extraídos dos meios magnéticos apresentados pelo contribuinte com os disponíveis nos sistemas da RFB. Com base neste cruzamento foram elaboradas planilhas, sendo o contribuinte intimado a "apresentar a documentação probante, suportada por todos os comprovantes contábeis e fiscais cabíveis que justificassem as diferenças apuradas ." De se registrar que dentre os documentos acostados aos autos não se verifica qualquer termo intimando a contribuinte a "apresentar a documentação probante, suportada por todos os comprovantes contábeis e fiscais cabíveis que justificassem as diferenças apuradas.", exceto o Termo de Ciência e Intimação de texto pouco preciso, porém, este termo não se prestaria a solicitar esclarecimentos, pois foi lavrado dia 25/09/2008 (fl. 527), dois dias após a lavratura do auto de infração datado de 23/09/2008 (540) e cientificado à contribuinte juntamente com a autuação (fls. 528 e 546). Por fim o fiscal registra: "Para demonstrar o cotejamento total e a análise de Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005900/200837 Acórdão n.º 9303003.387 CSRFT3 Fl. 3.613 5 todos os dados disponíveis anexamos ao presente processo todo o cruzamento de dados realizado pertinente às Verificações Obrigatórias ." Contudo, conforme mencionado anteriormente, a fiscal trouxe aos autos, desnecessariamente, os documentos elaborados eletronicamente pela fiscalização, de fls. 2.107/2.406, vez que são os mesmos constantes das fls. 231/525. Sem os esclarecimentos que havia entendido necessários ao julgamento, a DRJ houve por bem considerar procedente em parte a impugnação. Quanto ao PIS, há que se observar a existência desta contribuição na modalidade cumulativa, regida pela Lei n° 9.718/98, PIS sob o regime não cumulativo, regrado pela Lei n° 10.637/02, além do PIS Importação, instituído pela Lei n° 10.865/04. Conforme se verifica dos documentos de fls. 596/2.094, apresentados na impugnação, sobretudo as DCTF e Dacon (ex. fls. 1.544, 1.548/1.550), as atividades da contribuinte ensejaram recolhimentos de PIS nas três modalidades, ou seja, cumulativa (cód. 8109), não cumulativa (cód. 6912) e importação (cód. 5434). A apuração de contribuições não cumulativas são de razoável complexidade, sobretudo pela ausência de definição legal do alcance do termo "insumo", consignado no art. 3°, II, da Lei n° 10.637/02, do qual se originam os créditos a serem descontados do PIS apurado. Assim, a questão que se põe acerca de sua amplitude é se o insumo a ser considerado deva ser somente o "direto" ou se o termo deve abarcar, também, os insumos "indiretos". Nesse contexto, visando normatizar o termo "insumo" a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF no 247/02, art. 66, § 5°, no caso do PIS e IN SRF n° 404/04, art. 8°, § 4° para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo "insumo" de modo semelhante ao utilizado pelo IPI. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. De modo mais abrangente, parte da doutrina pugna por uma interpretação irrestrita, nos termos do 1RPJ, na qual todos os custos e despesas que deram ensejo ao faturamento, base de cálculo da contribuição, devam ser considerados como "insumo". A jurisprudência vem se posicionando entre os conceitos adotados pelo IPI e pelo IRPJ. Neste sentido, em julgamento iniciado em junho de 2011, o STJ está dando provimento ao REsp 1246317, possibilitando a indústria alimentícia aproveitar os créditos relativos a materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização. De sua ementa se extrai o seguinte excerto: "4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 30, Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 g da Lei n. 10.637/2002, e art. 30, g da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos." Cumpre, ainda, destacar que, com a instituição do PIS Importação, foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas no art. 15 da Lei n° 10.865/04. Portanto, conforme se depreende, não há como apurar PIS ou Cofins na modalidade não cumulativa, de forma simplista, utilizandose unicamente de processamento eletrônico. É necessário que sejam analisados os procedimentos levados a efeito pela contribuinte. Por outro lado, o lançamento efetuado menciona no TVF após o titulo "Do Direito" artigos da Lei 10.637/02, que dispõe sobre o PIS não cumulativo. De outra banda, na linha seguinte, sob o titulo "Do Enquadramento Legal" assinala a Lei no 9.718/98, que trata de contribuições cumulativas. Contudo, o fiscal autuante não faz qualquer distinção entre as apurações cumulativas e não cumulativas. Por fim, no auto de infração 5. fl. 542, a auditora assinala na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, tão somente o PIS incidência não cumulativa Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago, consignado como Enquadramento Legal: "Art. 149 da Lei n° 5.172/66; Arts. 1 °, 2°, 4° e 10 da Lei n° 10.637/02". De se ressaltar que dentre os documentos produzidos pelo fiscal autuante não ha registro expresso de utilização das Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, para elaboração deste lançamento. De se ressaltar que diante da complexidade de apuração da contribuição não cumulativa, a descrição do fato de modo sucinto como apresentado pela autuante não se presta a viabilizar o adequado exercício da ampla defesa pelo autuado. No mesmo sentido encontramse as planilhas elaboradas pelo fisco as fls. 531/532, as quais não demonstram de que modo os valores lançados foram apurados. E certo que a ausência de tal motivação não só prejudicou a defesa como também impossibilita sua análise pelo julgador. Sobre o tema esclarecedoras são as considerações dos ilustres doutrinadores, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2004, p.477), nos seguintes termos: "11.117. Nulidade Vícios de Incompetência e de Cerceamento de Defesa Evidentemente, há de se contestar aqueles que defendem a idéia de que as hipóteses de nulidade em processo fiscal são apenas, as discriminadas nos incisos I e II artigo 59 do PAF, 0 legislador explicitamente se referiu a duas regras sancionadoras de nulidade, a primeira referese a pressuposto subjetivo (agente competente) de atos processuais (atos, termos, despachos e decisões), enquanto a segunda atende a pressuposto processual de ato decisório, eis que a obediência ao principio constitucional da ampla defesa é mandatória em todo o processo administrativo fiscal. A existência de qualquer ato precedente produzido em ofensa ao contraditório e à ampla defesa macula o ato decisório posterior, que deverá ser tornado ineficaz por declaração de Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005900/200837 Acórdão n.º 9303003.387 CSRFT3 Fl. 3.614 7 nulidade pelo julgador." Relevante enfatizar a necessária motivação dos atos administrativos. No ordenamento pátrio, sua justificação sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmado através da norma positiva, pelo disposto na Lei n° 4.717/65, art.2°. Mais recentemente, houve a edição da Lei n° 9.784/99, corroborando a imprescindibilidade do motivo como sustentáculo do ato administrativo. Dispõe o art. 50 desta lei: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I) neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II) imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (..) § 1° A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores, pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso serão parte integrante do ato. Neste sentido já se pronunciou o então Conselho de Contribuintes, conforme ementa que se traz à colação: Ementa: PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de "recursos" e 'aplicações', consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acórdão 10611750; Recurso 122916; Relatora Sueli Efigênia Mendes de Brito; Data da Sessão 22/02/2001). Portanto, no presente caso, as planilhas elaboradas As fls.531/532 não demonstram como os valores lançados foram apurados. Conforme se verifica, ao lavrar o auto de infração não foram observados os requisitos de validade do lançamento expressos no art. 142 do CTN, no sentido de verificarse a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinandose a matéria tributável além de se calcular o montante do tributo devido. Na mesma toada não foram adequadamente observados os incisos III e IV, do art. 10, do Decreto n° 70.235/72, referente à descrição do fato e a disposição legal infringida. (...).” (grifouse). Com esta necessária citação do voto do relator, que por unanimidade dos Conselheiros, decidiram pela nulidade do lançamento do auto de infração, percebese que o vício é de natureza material, pois diz respeito à própria obrigação tributária e não somente aos requisitos formais exigidos para o lançamento. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala de sessões, em 25 de janeiro de 2016 Valcir Gassen Relator Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator designado O Colegiado discordou do relator, ínclito Conselheiro Valcir Gassen, quanto à configuração do dissídio jurisprudencial no presente caso. Não se pode jamais perder de vista que o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Conforme relatado, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Representação Jurídica, suscitou divergência (i) quanto à ausência de nulidade no lançamento de ofício (acórdãos indicados nºs 1051.994 e 2101001.245) e (ii) quanto à natureza do vício apto a ensejar a nulidade (Acórdão indicado nº 320100.248). Quanto à ausência de nulidade, a decisão recorrida assentou que as planilhas elaboradas pela Fiscalização não demonstravam como os valores lançados foram apurados. Aduziu que não foram observados os requisitos de validade do lançamento expressos no art. 142 do CTN, nem os do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Concluiu assim: Assim sendo, em virtude do desatendimento às formalidades previstas no art. 142 do CTN, incisos III e IV, do art. 10, do Decreto n° 70.235/72 e, ainda, pela restrição imposta à defesa em afronta ao art. 59, II, do precitado Decreto n° 70.235/72, com fulcro no art. 53 da Lei 9.784/99, o auto de infração deve ser anulado. O Acórdão paradigma nº 1051.994, apreciando alegação de nulidade por cerceamento de defesa decorrente da não entrega ao autuado de todos os atos fiscais concomitantes à ciência do auto de infração, rejeitou a arguição porque o recorrente não explicitou quais seriam os documentos faltantes e em que medida a sua falta teria prejudicado o pleno exercício do direito de defesa. O Acórdão paradigma nº 2101001.245, por sua vez, ao apreciar a alegação de cerceamento de defesa pela falta de indicação precisa da legislação que fundamentava o lançamento de ofício, afastou a arguição simplesmente porque o auto de infração continha a legislação que fundamentou a autuação. Como se vê, os acórdãos paragonados decidiram a partir de circunstâncias fáticas absolutamente díspares: a decisão recorrida contemplou planilhas de cálculos tidas por obscuras; o Acórdão 1051.994, apreciou a alegada falta de entrega de documentos, e; o Acórdão nº 2101001.245, a falta de indicação da base legal da autuação. E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.005900/200837 Acórdão n.º 9303003.387 CSRFT3 Fl. 3.615 9 recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” A divergência suscitada não quedou comprovada por meio dos acórdãos indicados como paradigma. Quanto à segunda divergência, compulsando o voto condutor da decisão recorrida jamais pronunciouse sobre a natureza da nulidade, se era formal ou material. O prequestionamento é um requisito de admissibilidade específico dos recursos do gênero extraordinário, que se destinam à tutela do direito objetivo, ou seja, à uniformização do entendimento de como devem ser aplicadas as normas federais infraconstitucionais. Tal pressuposto exige que a violação legal apontada conste na decisão recorrida, caso contrário o órgão ad quem não terá como verificar a correta aplicação à causa. O prequestionamento deve ser expresso, de molde a exigir que a decisão impugnada verse a respeito da questão infraconstitucional controvertida de modo inequívoco ou, ao menos, fazer referência ao dispositivo que regula a matéria impugnada na análise do recurso. É nesse sentido a lição do Min. Marco Aurélio, in verbis (sublinhei): Dizse prequestionada determinada matéria quando o órgão julgador haja adotado entendimento explícito a respeito, incumbindo à parte sequiosa de ver a controvérsia guindada à sede extraordinária instálo a fazêlo. (Ag. 1432420SP, STF, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU. 3.8.1.993, p. 14.445, sublinhei) A propósito, remeto a recorrente ao julgado pelo Acórdão CSRF/0105.720 no recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 10514.037: RECURSO DE DIVERGÊNCIA. O reconhecimento do dissídio jurisprudencial requer que uma norma jurídica incidente sobre fatos semelhantes seja interpretada de forma diversa da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, a reclamar a uniformização da jurisprudência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A falta de apreciação de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o acórdão autoriza a interposição de embargos de declaração, não podendo o recurso de divergência ser acolhido como embargos, se interposto fora do prazo de 5 (cinco) dias previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Não há que se falar em "reexame" pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, se a matéria sequer foi examinada no acórdão recorrido, tampouco fora suscitada em sede de Recurso Voluntário. Cabe registrar, por fim, que o efeito devolutivo profundo não tem aplicação em sede de juízo especial, haja vista a competência exclusiva de harmonização da divergência da CSRF. Por estas razões, o Colegiado, majoritariamente, acabou por concluir que o apelo foi indevidamente admitido à CSRF. Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Como conclusão, pela falta de comprovação das divergências suscitadas, não se conheceu do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala de sessões, em 25 de janeiro de 2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729326/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
IRPF. GANHO DE CAPITAL. MEAÇÃO. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL.
A meação não representa ganho de capital em relação a um dos cônjuges, especialmente, quando não resta comprovado que este tenha auferido qualquer ganho. No caso concreto renúncia do usufruto das ações da empresa, a qual possui um capital social de R$36.000.000,00, e a liberalidade de um dos cônjuges em doar determinados bens móveis e imóveis, não gera ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO.
No que diz respeito à venda de dois imóveis por meio de empresa da qual impugnante é sócia, não há impedimento legal para que ela organize o seu patrimônio da forma que melhor lhe convier, desde que não ultrapasse os limites estabelecidos em lei.
A holding familiar tem por finalidade a proteção do patrimônio não se prestando como empresa de passagem ou veículo constituindo prova da artificialidade para reduzir imposto referente ao ganho de capital devido pela pessoa física.
Demonstrado que os atos negociais praticados ocorreram em sentido contrário ao contido na norma jurídica, com o intuito de se eximir ou reduzir da incidência do tributo, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% diante da constatação da conduta fraudulenta do contribuinte, com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante do tributo devido, utilizando-se de interposta pessoa jurídica.
PAGAMENTO EFETUADO POR TERCEIRO PESSOA JURÍDICA. APROPRIAÇÃO INADMISSÍVEL.
Os pagamentos feitos por terceiros, e em nome destes, não são eficazes para extinguir a obrigação tributária do contribuinte.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a infração referente ao ganho de capital atinente à 1ª infração (meação), e manter a 2ª infração. Pelo voto de qualidade, restou mantida a multa qualificada bem como a impossibilidade compensação dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica. Ausente, justificadamente, o conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fez sustentação oral o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF: 35.220.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi Relatora.
Luciana de Souza Espindola Reis - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. MEAÇÃO. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. A meação não representa ganho de capital em relação a um dos cônjuges, especialmente, quando não resta comprovado que este tenha auferido qualquer ganho. No caso concreto renúncia do usufruto das ações da empresa, a qual possui um capital social de R$36.000.000,00, e a liberalidade de um dos cônjuges em doar determinados bens móveis e imóveis, não gera ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO. No que diz respeito à venda de dois imóveis por meio de empresa da qual impugnante é sócia, não há impedimento legal para que ela organize o seu patrimônio da forma que melhor lhe convier, desde que não ultrapasse os limites estabelecidos em lei. A holding familiar tem por finalidade a proteção do patrimônio não se prestando como empresa de passagem ou veículo constituindo prova da artificialidade para reduzir imposto referente ao ganho de capital devido pela pessoa física. Demonstrado que os atos negociais praticados ocorreram em sentido contrário ao contido na norma jurídica, com o intuito de se eximir ou reduzir da incidência do tributo, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% diante da constatação da conduta fraudulenta do contribuinte, com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante do tributo devido, utilizando-se de interposta pessoa jurídica. PAGAMENTO EFETUADO POR TERCEIRO PESSOA JURÍDICA. APROPRIAÇÃO INADMISSÍVEL. Os pagamentos feitos por terceiros, e em nome destes, não são eficazes para extinguir a obrigação tributária do contribuinte. Recurso Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.729326/2012-50
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5579892
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.530
nome_arquivo_s : Decisao_10880729326201250.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 10880729326201250_5579892.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a infração referente ao ganho de capital atinente à 1ª infração (meação), e manter a 2ª infração. Pelo voto de qualidade, restou mantida a multa qualificada bem como a impossibilidade compensação dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica. Ausente, justificadamente, o conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fez sustentação oral o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF: 35.220. João Bellini Júnior - Presidente. Alice Grecchi Relatora. Luciana de Souza Espindola Reis - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6341559
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048421031477248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2.003 1 2.002 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.729326/201250 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.530 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente ROSA MARIA DE ALMEIDA LYRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. MEAÇÃO. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. A meação não representa ganho de capital em relação a um dos cônjuges, especialmente, quando não resta comprovado que este tenha auferido qualquer ganho. No caso concreto renúncia do usufruto das ações da empresa, a qual possui um capital social de R$36.000.000,00, e a liberalidade de um dos cônjuges em doar determinados bens móveis e imóveis, não gera ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO. No que diz respeito à venda de dois imóveis por meio de empresa da qual impugnante é sócia, não há impedimento legal para que ela organize o seu patrimônio da forma que melhor lhe convier, desde que não ultrapasse os limites estabelecidos em lei. A holding familiar tem por finalidade a proteção do patrimônio não se prestando como empresa de “passagem” ou “veículo” constituindo prova da artificialidade para reduzir imposto referente ao ganho de capital devido pela pessoa física. Demonstrado que os atos negociais praticados ocorreram em sentido contrário ao contido na norma jurídica, com o intuito de se eximir ou reduzir da incidência do tributo, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% diante da constatação da conduta fraudulenta do contribuinte, com o objetivo de impedir o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 93 26 /2 01 2- 50 Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante do tributo devido, utilizandose de interposta pessoa jurídica. PAGAMENTO EFETUADO POR TERCEIRO PESSOA JURÍDICA. APROPRIAÇÃO INADMISSÍVEL. Os pagamentos feitos por terceiros, e em nome destes, não são eficazes para extinguir a obrigação tributária do contribuinte. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a infração referente ao ganho de capital atinente à 1ª infração (meação), e manter a 2ª infração. Pelo voto de qualidade, restou mantida a multa qualificada bem como a impossibilidade compensação dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica. Ausente, justificadamente, o conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fez sustentação oral o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF: 35.220. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi – Relatora. Luciana de Souza Espindola Reis Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.004 3 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 9ª Turma da DRJ/BHE, nº 0243.762, constante em fls. 1.640/1.657: Do Lançamento Cuidase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008 que formalizou a exigência de crédito tributário, em decorrência da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF. Imposto (2904) R$5.497.542,30 Multa Proporcional R$7.617.143,48 Juros de Mora (até 8/2012) R$2.575.088,56 Valor do Crédito Tributário Apurado R$15.689.774,34 Da 1ª Infração Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.153/1.196, a apuração da omissão de ganhos de capital decorreu do acordo homologado em processo de separação judicial cujos únicos bens partilhados foram os direitos sobre usufruto das ações da empresa Agriholding e os móveis, alfaias, utensílios e objetos da casa em que residia a contribuinte. No próprio acordo ficou determinado que a contribuinte receberia do ex cônjuge o valor de R$6.000.000,00 (isentos na DIRPF 2008), sendo que R$5.592.622,00, correspondentes à parcela do usufruto sobre as ações da Agriholding, referemse aos imóveis relacionados nos itens 1.2 a 1.7 às fls. 1.154/1.155 e os móveis e utensílios que guarneciam sua residência no valor de R$407.378,00. De acordo com o TVF na realidade a contribuinte não recebeu o montante de R$5.592.622,00 como transferência patrimonial, mas sim pela alienação ao exmarido, de parte da meação correspondente à parcela do usufruto sobre as ações da Agriholding S/A. Intimado em sede de diligência que posteriormente resultou em ação fiscal, o exmarido da contribuinte, Sr. José Pessoa de Queiroz Bisneto, informou que não foi determinado valor para o usufruto, o que está corroborado pelo livro de registro de ações da Agriholding acostado aos autos (fls. 895/904). Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Diante disto, apurouse o ganho de capital no valor de R$838.893,30, conforme quadros de fls. 1.186/1.187. Foi aplicada a multa de ofício ordinária no percentual de 75%. Da 2ª Infração Em pagamento da alienação de sua parte na meação correspondente à parcela do usufruto, R$5.592.622,00, a contribuinte recebeu quatro imóveis e dois veículos. Os quatro imóveis foram utilizados para Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) na empresa em que a impugnante é sócia administradora, Parque do Palmar Empreendimentos Imobiliários Ltda. Pouco tempo depois, a sociedade alienou dois desses imóveis. Dos imóveis, três foram transferidos à sociedade da qual a contribuinte é sócia, de acordo com as escrituras públicas acostadas aos autos, fls. 38/57, aptos 171, 91 e 221, situados em São Paulo/SP, mediante dação em pagamento em que o exmarido, José Pessoa, figura como anuente. O outro imóvel corresponde a uma área localizada na Praia do Francês em Maceió/AL. A empresa Parque do Palmar foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o citado aumento de capital. Em resposta, informou que os quatro imóveis avaliados por R$5.372.622,00, constam no livro razão e foram recebidos à conta de Reserva para Futuro Aumento de Capital. A autoridade autuante afirma que o laudo de avaliação apresentado não merece crédito, pois dois dos imóveis foram alienados pouco tempo depois por R$35.000.000,00. Na análise dos livros contábeis apresentados pela Parque do Palmar, a fiscalização descreve diversos lançamentos e conclui que a venda de dois dos imóveis pela pessoa jurídica teve como objetivo reduzir a carga tributária na pessoa física de maneira indevida. Considerando o curto espaço de tempo entre o Adiantamento para Futuro Aumento de Capital e a alienação dos imóveis, em resumo, foram identificados vários pontos que levaram à não aceitação da venda via pessoa jurídica: • As receitas operacionais da Parque do Palmar, desde a sua aquisição pela contribuinte, resumemse àquelas decorrentes da alienação de dois dos imóveis recebidos em AFAC; • Os imóveis foram conferidos à Parque do Palmar via AFAC, quando dois deles ainda estavam em nome de terceiro. Os apartamentos nº 171 e 221 foram alienados antes mesmo do capital ser integralizado; • A empresa Parque do Palmar não possui empregados; • O endereço da Parque do Palmar é o mesmo endereço residencial da sócia, Sra. Rosa Maria; Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.005 5 • A pessoa jurídica não tem inscrição no Conselho Regional de Corretores de Imóveis; • A empresa alienante contratou serviços de terceiros para a promoção, consultoria e intermediação na venda dos dois imóveis; • Os patrimônios da Parque do Palmar e da Sra. Rosa Maria se confundem; • A Parque do Palmar é uma “empresa de prateleira”; • A Alienação de dois apartamentos via pessoa jurídica resultou em vantagem fiscal à contribuinte; • Exceto os dois apartamentos vendidos, a Parque do Palmar possui apenas o apartamento onde reside a Sra. Rosa Maria, a área na Praia do Francês e um apartamento em construção; Às fls. 1.191/1.192 constam planilhas que, segundo afirma a autoridade autuante, evidenciam os sucessivos valores pelos quais os imóveis foram transferidos. A Fiscalização entende que embora os procedimentos possuam aparência normal, sustentada em atos formais e regularmente constituídos, não traduzem a verdadeira vontade das partes, pois houve ocultação e alteração do negócio efetivamente pretendido, o que configura planejamento tributário ilícito. Conclui a autuante que os atos praticados em curto espaço de tempo pela contribuinte, antes mesmo de se tornar sócia da empresa Parque do Palmar, devem ser analisados em conjunto, pois evidenciam uma operação estruturada, previamente engendrada com finalidade exclusiva de reduzir a carga tributária na alienação, aproveitandose do percentual de presunção aplicado à receita bruta da pessoa jurídica. Na apuração do ganho de capital foram considerados os custos de aquisição de R$2.286.656,00 (Apto nº 171) e de R$1.407.983,00 (Apto nº 221), sem correção monetária, nos termos do artigo 16, caput, da Lei 7.713/88, artigo 131 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) e artigo 5º da Instrução Normativa SRF 84/2001. Para esta infração o ganho de capital corresponde a R$4.658.649,00, já considerados os percentuais de redução previstos na Lei 11.195/2005. Neste caso, considerando o procedimento adotado pela contribuinte na formatação do planejamento tributário ilícito, diante do evidente intuito de fraude foi aplicada a multa qualificada no patamar de 150%, nos termos do artigo 44, II da Lei 9.430/96. Da Impugnação Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Cientificada do lançamento, a contribuinte, por seus procuradores, apresentou a peça impugnatória de fls. 1.201/1.248. Com base no artigo 20 da Instrução Normativa nº 84/2001, afirma que a apuração de ganho de capital realizada pela fiscalização partiu da falsa premissa de que o custo de aquisição do direito de usufruto (ações da Agriholding), alienado ao excônjuge pelo valor de R$5.592.622,00, corresponderia a R$0,00. Segundo relata, a autoridade autuante interpretou equivocadamente a declaração de bens e direitos do excônjuge, quando entendeu que os valores declarados tocavam à nua propriedade das ações e não ao respectivo direito de usufruto. Salienta que tudo leva a crer que as ações eram de titularidade dos filhos, exceção feita a alguns títulos detidos pelo próprio declarante e por Rosa Maria. Entende que na verdade o custo de aquisição do usufruto correspondia a R$15.937.663,53. Para corroborar este posicionamento a defesa junta cópia de ação judicial proposta contra o excônjuge que visou declarar a nulidade da doação e a constituição de usufruto de ações da Agriholding em favor dos filhos do casal. Acrescenta que de acordo com o referido processo, desde 2002 os filhos aparecem na titularidade de praticamente todas as ações da Agriholding, cabendo à impugnante e ao exmarido apenas uma ação, conforme boletim de subscrição constante da Assembleia Geral, fl. 149 do processo judicial anexado aos autos às fls. 1.367/1.551. Prossegue afirmando que a doação com reserva de usufruto, independente da validade jurídica é anterior ao ano de 2007, diferente do alegado pela fiscalização. Conclui que está claro que o valor constante da declaração de bens e direitos do excônjuge somente pode referirse ao valor do usufruto e não ao da nuapropriedade que estava em nome dos filhos. Quanto à segunda infração capitulada no auto de infração, aduz que as operações de comercialização de imóveis pela empresa Parque do Palmar são lícitas e traz extenso arrazoado para cravar que a Receita Federal possui uma visão deturpada do uso do planejamento tributário. Informa que após a partilha dos bens a contribuinte optou por organizar o patrimônio imobiliário sob a forma empresarial, inicialmente por meio de AFAC e posteriormente com a integralização do capital em pessoa jurídica cuja atividade econômica passou a ser de compra, venda e aluguel de imóveis, visando futura comercialização ou recebimento de aluguéis. Com o objetivo de proteger o patrimônio, explica que constituiu quotas da empresa Parque do Palmar no percentual de 5% para cada filho. Posteriormente cedeu a eles 85% que lhe cabiam sobre a forma de doação com reserva de usufruto vitalício. Entende que somente por esta explanação já é possível visualizar um propósito negocial que não de ordem tributária para organização do patrimônio. Ressalta que tal organização sob a forma de pessoa jurídica tem Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.006 7 o viés de proteção que evita a contaminação imediata por restrições relacionadas ao CPF dos sócios. Com base em conceitos doutrinários, alega que houve fiel cumprimento dos requisitos de validade, diante da nitidez do planejamento patrimonial e sucessório utilizado. No aspecto cronológico diz que a conferência dos quatro imóveis por meio de AFAC teria ocorrido antes da alienação de dois deles e que houve a conversão em aumento de capital na primeira alteração contratual na JUCESP. Tudo de acordo com a Instrução Normativa SRF 127/88 e Parecer Normativo CST 17/84. Quanto à licitude, a utilização do AFAC em 10/10/2007, na qual terceiros (Jotapar Participações e Célio Cardoso) lavraram em favor da Parque do Palmar, escrituras públicas de Dação em Pagamento, seguida de posterior integralização do capital, atende perfeitamente a legislação. O fato de a venda de dois dos imóveis ter ocorrido entre o AFAC e sua conversão em aumento de capital não obsta ou prejudica as alienações promovidas pela pessoa jurídica, pois a conversão em aumento de capital ratifica a titularidade do bem. Acrescenta ainda que houve o devido registro contábil reconhecido pelo auditor, além de não ter havido qualquer óbice por parte dos tabelionatos de registro de notas e de imóveis. Da mesma forma não houve qualquer irregularidade na transferência do AFAC, por meio de imóveis para a Parque do Palmar, pois este foi um procedimento previsto no acordo homologado judicialmente. Em relação ao propósito negocial, refuta cada um dos pontos trazidos pela fiscalização como indícios que, segundo afirma, levaram à desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Quanto às Receitas operacionais, adverte que no cenário atual a empresa visa agregar ativos imobiliários e não seu desfazimento, pois encontrase em fase de formação de estoque, haja vista a aquisição de outros dois imóveis em 2010 e 2011. No que se refere aos imóveis conferidos via AFAC, quando dois deles pertenciam a terceiros, afirma que já detinha título de crédito judicial que lhe garantia direito transacional sobre eles. Entende que o fato de dois imóveis terem sido alienados em 29/11/2007 e 11/2/2008, não traz qualquer irregularidade contábil no registro do AFAC, pois ficou comprovada a sua substituição em aumento de capital. Discorre sobre a desnecessidade de manter empregados nos quadros da empresa que administra, pois não há esta determinação na legislação. Da mesma forma não há impedimento para que uma pessoa jurídica contrate serviços terceirizados para intermediação de vendas dos imóveis. Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Contrariamente à afirmação fiscal, a empresa não é de fato de uma pessoa só, pois os filhos adentraram no quadro societário no mesmo ato em que houve seu ingresso, cabendo a eles a nua propriedade das quotas. Também afirma que não há nenhum dispositivo legal que proíba que o endereço da empresa seja o da residência do sócio. Quanto à falta de registro da empresa no CRECI/SP, diz que a fiscalização deveria ter tributado as receitas de vendas. Por esta premissa, caberia suscitar vício material de lançamento por erro de sujeito passivo, pois não há pertinência na despersonalização da Parque do Palmar. Contesta a afirmação fiscal de que os patrimônios da Parque do Palmar e da sócia se confundem, pois tal conjectura nada prova a não ser o erro condenável por outras ciências que não a do direito tributário. No que se refere à acusação de ser a Parque do Palmar uma empresa de prateleira, ensina que várias são as dificuldades atuais para a abertura de um CNPJ e que é de conhecimento geral o procedimento usual adotado por escritórios de contabilidade para constituir CNPJ sem efetiva operação e com baixo capital social para depois negociar com terceiros, criando um verdadeiro mercado paralelo. A defesa afirma não concordar com esse cenário, mas se viu obrigada a utilizarse dele para organizar mais rapidamente o patrimônio que futuramente será revertido a favor dos filhos. Alega que a vantagem fiscal de R$2.215.149,00 obtida com a venda dos dois imóveis via pessoa jurídica é mera decorrência da legislação tributária e que os propósitos maiores da conferência dos imóveis à Parque do Palmar foi a organização e proteção do patrimônio por meio do planejamento sucessório. Por fim, contesta a afirmação de que fora os bens vendidos, a Parque do Palmar possui apenas três outros imóveis em estoque, pois a legislação não determina o número mínimo de unidades que a empresa deve deter. Caso o entendimento seja o de que os ganhos de capital devam ser tributados na pessoa física, requer a imputação dos valores pagos pela empresa Parque do Palmar. Neste ponto cita julgado do CARF. Pugna pelo cancelamento da multa qualificada, pois apenas existe fraude, nos termos do artigo 72 da Lei 4.502/64, quando há ação dolosa tendente a obstar a ocorrência do fato gerador. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL. USUFRUTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.007 9 Inexistindo nos autos prova inequívoca de que o valor da nua propriedade é idêntico ao valor do usufruto, o custo de aquisição do direito corresponde ao próprio valor da alienação. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. INTERPOSTA PESSOA. A utilização de interposta pessoa jurídica não altera a condição do contribuinte de real beneficiário do ganho de capital havido na alienação de imóveis. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO. Demonstrado que os atos negociais praticados ocorreram em sentido contrário ao contido na norma jurídica, com o intuito de se eximir da incidência do tributo, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. A liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A aplicação das multas de ofício decorre do cumprimento da norma legal. A prática dolosa, com evidente intuito de fraude, tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a aplicação da multa agravada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0243.762 da 9ª Turma da DRJ/BHE em 24/06/2013 (fl. 1.661). Sobreveio Recurso Voluntário em 23/07/2013 (fls. 1.666/1.736), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Relativamente à primeira infração, segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.153/1.196, a apuração da omissão de ganhos de capital decorreu do acordo homologado em processo de separação judicial cujos únicos bens partilhados foram os direitos sobre usufruto das ações da empresa Agriholding e os móveis, alfaias, utensílios e objetos da casa em que residia a contribuinte. No acordo judicial ficou determinado que a contribuinte receberia do ex cônjuge o valor de R$6.000.000,00 (isentos na DIRPF 2008), sendo R$5.592.622,00, correspondentes à parcela do usufruto sobre as ações da Agriholding, as quais referemse aos imóveis relacionados nos itens 1.2 a 1.7 às fls. 1.154/1.155 e, R$407.378,00, referente aos móveis e utensílios que guarneciam sua residência. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, na realidade a contribuinte não recebeu o montante de R$5.592.622,00 como transferência patrimonial, mas sim pela alienação ao exmarido, de parte da meação correspondente à parcela do usufruto sobre as ações da Agriholding S/A. Diante disto, neste item, o lançamento apurouse o ganho de capital no valor de R$838.893,30, fls. 1.186/1.187. Ocorre que, dá analise dos autos, especialmente do acordo firmado no processo de separação judicial, verificase que a contribuinte renunciou o usufruto (sua meação) e o seu excônjuge lhe transferiria os bens descritos neste acordo, por mera liberalidade. O usufruto não se pode alienar, conforme art. 1.393 do Código Civil. Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação, mas o seu exercício pode cederse por título gratuito ou oneroso. (grifei) Neste caso, não há o que se falar em omissão de ganhos de capital, pois a renúncia do usufruto que estava avaliado em zero na DIRPF do excônjuge não pode ser comparada ao valor dos bens que este lhe doou por mera liberalidade, para apurar ganhos de capital. Portanto estamos diante de uma mera liberalidade dos separandos, que equivale a uma doação. Logo, se o excônjuge doou estes bens por valor superior ao declarado/adquirido, ele deveria apurar ganho de capital e recolher o ITCMD ou ITCD (denominação de acordo com a respectiva Unidade da Federação), uma vez que os bens objeto do acordo judicial referemse à meação da contribuinte. Desse modo, não há ganho de capital da contribuinte na permuta do usufruto das ações da empresa Agriholding, uma vez que este foi proporcional a sua meação, conforme constou expressamente do acordo judicial. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.008 11 No que tange à segunda infração, qual seja, omissão de ganhos de capital decorrente da venda de dois imóveis recebidos por ocasião do acordo judicial à título de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital AFAC na empresa Parque do Palmar, entendo correta a decisão a quo, de modo que deve ser mantido o lançamento neste item. Assim, transcrevo excertos da decisão de primeira instância, os quais ratifico e utilizo como fundamentos para julgar: No que diz respeito à venda de dois imóveis por meio de empresa da qual impugnante é sócia, não há impedimento legal para que ela organize o seu patrimônio da forma que melhor lhe convier, desde que não ultrapasse os limites estabelecidos em lei. É o planejamento sucessório por meio de empresa denominada na doutrina por holding familiar. A holding familiar concentra parte ou a totalidade dos bens de que são proprietários alguns membros de uma mesma família e objetiva a proteção do patrimônio, de forma a facilitar a gestão dos bens e obter maiores benefícios fiscais em caso de sucessão. Seus principais objetivos são, portanto, a blindagem do patrimônio, o planejamento sucessório e tributário e a contribuição de todos para a manutenção da estabilidade financeira e da harmonia familiar. Tal figura societária surge, assim, como proteção ao patrimônio frente a situações de dissolução familiar e de divergências no processo sucessório, evitandose, inclusive, a entrada de pessoas estranhas à configuração inicial do quadro societário da empresa, salvo concordância da totalidade dos sócios. Feita esta introdução, há que se verificar se a empresa Parque do Palmar foi realmente adquirida para administrar os imóveis, com o fim último de proteger o patrimônio familiar ou se visou unicamente ao benefício fiscal da sua sócia administradora. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 No caso em análise, os apartamentos nº 91, 171 e 221 situados em São Paulo/SP e uma área localizada na praia do Francês em Maceió/AL foram recebidos pela contribuinte em 10/10/2007, via cumprimento de acordo homologado judicialmente, na dissolução da sociedade conjugal. No mesmo documento, portanto, na mesma data, os imóveis foram conferidos à Parque do Palmar, empresa da qual a Sra. Rosa Maria passou a ser sócia. [...] Os apartamentos nºs 171 e 221 foram objeto de escrituras de dação em pagamento lavradas em 22/11/2007 e 19/12/2007, respectivamente, oportunidade em que foram conferidos à Parque do Palmar. Esta empresa recebeu o sinal de R$3.750.000,00 em 29/11/2007 e outros R$21.250.000,00 em 19/12/2007 data da lavratura da escritura de compra e venda à Hogart Participações Ltda do apartamento nº 171. O apartamento 221 foi alienado à Aller Participações pelo valor de R$10.000.000,00 em 11/02/2008, momento em que foi efetuado o pagamento e a lavratura da escritura. Daí se percebe que os imóveis permaneceram na titularidade da Parque do Palmar, apenas com o intuito de serem alienados, para que a Sra. Rosa Maria pudesse fugir da tributação do ganho de capital na pessoa física. Tanto é verdade que tendo sido recebidos mediante dação em pagamento, imediatamente deveria ocorrer a alteração contratual de integralização do capital pelo valor dos imóveis, o que somente aconteceu em 12/8/2008, com registro na JUCESP, fls. 240/252, apesar de constar o registro contábil em 3/7/2008, quase um ano após a data considerada do AFAC (10/10/2007), quando a empresa não mais possuía os bens. Daí se percebe que os imóveis permaneceram na titularidade da Parque do Palmar, apenas com o intuito de serem alienados, para que a Sra. Rosa Maria pudesse fugir da tributação do ganho de capital na pessoa física. Tanto é verdade que tendo sido recebidos mediante dação em pagamento, imediatamente deveria ocorrer a alteração contratual de integralização do capital pelo valor dos imóveis, o que somente aconteceu em 12/8/2008, com registro na JUCESP, fls. 240/252, apesar de constar o registro contábil em 3/7/2008, quase um ano após a data considerada do AFAC (10/10/2007), quando a empresa não mais possuía os bens. Não é preciso muito esforço para perceber que não houve aumento de capital com integralização de bens imóveis. Ao contrário do que alega a defesa o aumento de capital se deu em dinheiro, advindo do lucro obtido na venda dos imóveis, basta observar atentamente o item 1 da citada alteração contratual. [...] Ao dar os dois imóveis em AFAC na data de 10/10/2007 a vontade declarada pela contribuinte era proteger o patrimônio familiar com o aumento de capital social da empresa, transmissão das quotas para os seus filhos e instituição de usufruto vitalício sobre os direitos decorrentes. Como já Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.009 13 demonstrado anteriormente, a exteriorização desta intenção nunca houve. A vontade real que emerge dos autos foi uma só: alienar os imóveis pelo maior preço possível na pessoa jurídica, utilizandose da tributação com base no lucro presumido, com vistas a fugir da incidência do imposto de renda na pessoa física. Os resultados obtidos através do planejamento fiscal são próprios do negócio jurídico utilizado, distinguindose da simulação, cujos resultados não são aqueles ostensivamente indicados pelas partes. Observese que para alcançar o negócio fiscal menos oneroso, a contribuinte utilizouse de mero pretexto, qual seja, a alienação via pessoa jurídica, como forma de lesar o Fisco. Para caracterizar o planejamento tributário o contribuinte deve trabalhar com fatos reais e não na produção de mera construção artificial de fatos, que não saia do papel, ou que dele saia em realidade distinta daquela com que se apresenta aos olhos de terceiros. Nesta última situação há um desarranjo, com lesão do direito e prejuízo a terceiros, no caso o Fisco. O que se nota é que se os atos forem reais e definitivos, haverá mudanças na vida das pessoas, ligadas aos seus patrimônios. Logo, a economia fiscal terá sido consequência dessas mudanças. Diversamente, quando os atos tiverem sido apenas aparentes, como é o caso dos autos, não terá havido qualquer mudança, ou a mudança inicial terá sido contrabalançada por outra posterior. A alegação da economia fiscal pretendida não encontra válido suporte nos fatos, porque esses fatos foram neutralizados pela real ocorrência o fato gerador. Os argumentos expendidos pela defesa não possuem força suficiente para sustentar a licitude do planejamento tributário pretendido, pois se caracteriza a simulação quando os atos formais não representam a real intenção, situação em que o fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade não garante a legitimidade do conjunto de operações. Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (aumento de capital/integralização) divergiam da real intenção subjacente (venda instantânea dos imóveis), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. O objetivo da Sra Rosa Maria como sócia não era aumentar o capital social da Parque do Palmar, via AFAC, mas efetuar a venda dos imóveis na pessoa jurídica com sensível redução do imposto devido pela pessoa física. O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. Devidamente demonstrado nos autos que os atos negociais praticados deramse em direção contrária a norma legal, com o intuito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária (art. 149 do CTN), cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a real operação. Importante repisar que a autuação não tratou de desconsiderar a pessoa jurídica como alega a impugnante, mas tão somente os atos que tiveram o objetivo de ludibriar o fisco. Por estes motivos, concluise que o procedimento fiscal foi acertado ao tributar o fato verdadeiramente ocorrido, a venda de imóveis por interposta empresa, com a finalidade clara de beneficiar a pessoa física. No que tange à segunda infração foi aplicada multa qualificada (150%), prevista no artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. No caso dos autos, não houve uma "presunção" de infração, o que se verificouse foi a simulação de um negócio jurídico, a partir da ausência de propósito negocial, cuja finalidade única foi a economia do imposto. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os arts. 71 e 72 da Lei n° Lei 4.502/64, por seu turno, assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tecla ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.010 15 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito de liberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que a diferenciada declaração inexata ou da falta ou pagamento a menor do tributo ou da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Dessa forma, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado (nota fiscal fria, calçada, declaração do beneficiário do pagamento de que não prestou os serviços etc), sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O intuito do contribuinte de fraudar não pode ser presumido: Compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar o Erário Público. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Apesar da nítida intenção da contribuinte em ver reduzida sua tributação, não se vislumbra a presença do dolo relacionado à conduta que levou à pretendida redução de tributo. Nos casos de planejamento tributário, é necessário que seja identificado o dolo relacionado à ilicitude da conduta praticada, e não com relação ao objetivo de redução de tributo. Mesmo porque, está no cerne do conceito de elisão fiscal a existência do direito do contribuinte de planejar seus negócios com o objetivo de redução ou não pagamento de tributos. No entanto, frustrado o planejamento tributário e ausente a evidência de que a contribuinte sabia e queria praticar o ilícito, deve ser afastada a multa qualificada. Temse, assim que, apesar de o negócio ter sido desconsiderado, afastandose os seus efeitos para fins de tributação, identificandose ser o tributo devido, resta evidente que o Recorrente agiu certo de que estaria praticando o chamado negócio jurídico lícito, afastando o dolo apontado. Neste sentido cabe transcrever a ementa do julgado abaixo, o qual coadunase com o entendimento desta relatora: "Processo nº 18471.000009/200633 Recurso nº 154.824 Voluntário Matéria IRPJ E OUTRO Exs.: 2002 a 2004 Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Acórdão nº 10709.601 Sessão de 17 de dezembro de 2008 [...] MULTA QUALIFICADA Ainda que se possa vislumbrar nas condutas da autuada as figuras doutrinárias, e hoje positivadas na legislação civil, da fraude à lei e do abuso de direito, se os atos negociais foram devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando foi dado ao fisco conhecer, sem dificuldade alguma, toda a extensão dos negócios engendrados, não cabe a qualificação da penalidade, porque não provadas as figuras delituosas requeridas pela lei que autoriza a exasperação da penalidade. [...]" Cabe salientar, que a decisão acima citada teve interposição de recurso especial pela PGFN, cujo julgamento ocorreu em 20.01.2016, e a 1ª Turma da CSRF, negou provimento ao referido recurso, Decisão nº 9101002.189, portanto, restando mantida a decisão supratranscrita. Por fim, alternativamente, postula a recorrente que os valores recolhidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sejam reduzidos do imposto a pagar apurado pelo Fisco na presente autuação. Quanto a este requerimento, assiste razão a recorrente, de modo que o valor, efetivamente, recolhido na pessoa jurídica deve ser abatido na presente autuação, a fim de evitar que sejam duplamente tributados os mesmos bens em relação ao mesmo fato gerador, isto é, a venda dos imóveis, pois em assim permanecendo, ocorrerá a tributação na pessoa jurídica e na pessoa física. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para, cancelar a primeira autuação, bem como, em relação à segunda infração, abater recolhimento efetuado pela pessoa jurídica (Parque do Palmar), em relação ao presente fato gerador e reduzir a multa para o 75%. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.011 17 Voto Vencedor Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Redatora Designada Apesar da consistente fundamentação trazida pela ilustre relatora, divirjo do seu voto em relação à multa qualificada e ao aproveitamento de recolhimento feito por terceiros. Multa Qualificada Foi aplicada multa qualificada (150%), prevista no artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, in verbis: Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei 4.502/64: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Vejamos o Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª turma, que trata da multa qualificada: A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. (...) A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Assim, considerando que o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (aumento de capital/integralização) divergiram da real intenção da contribuinte (venda instantânea dos imóveis), evidenciandose a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, verificase que o objetivo da contribuinte como sócia não era aumentar o capital social da empresa Parque do Palmar, via AFAC, mas efetuar a venda dos imóveis na pessoa jurídica com sensível redução do imposto devido pela pessoa física, de modo que a multa qualificada deve ser mantida. Aproveitamento de Recolhimentos realizados por terceiro Pessoa Jurídica Entendo que a legislação veda o aproveitamento, pela Recorrente, dos valores recolhidos pela pessoa jurídica, a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, incidentes sobre o ganho de capital. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.729326/201250 Acórdão n.º 2301004.530 S2C3T1 Fl. 2.012 19 De acordo com o art. 304 do Código Civil, o pagamento realizado por terceiro somente é eficaz para extinguir a obrigação quando feito em nome do devedor: Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste. No mesmo diapasão do Direito Privado, no regime do Direito Tributário, a compensação exige a existência de duas pessoas, simultaneamente credora e devedora uma da outra, e de duas obrigações recíprocas, com a ressalva de que as partes têm de ser credor e devedor recíprocos ex lege e ab initio. Assim, o art. 170, do CTN, e art. 74, da Lei nº 9.430/96, apenas admitem que se proceda ao encontro de contas entre créditos fiscais com créditos do próprio sujeito passivo contra o Fisco, ou seja, apenas no caso de o sujeito passivo ter direito a recebimento de algum crédito seu contra a Fazenda ele pode optar por compensar esse valor com débitos seus para com o Fisco. CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). Ainda que fosse admitido o aproveitamento de créditos de terceiros, tal somente poderia ocorrer mediante requerimento do titular do crédito, formalizado pelo competente instrumento de cessão de crédito. No caso dos autos, não há comprovação de que a pessoa jurídica Parque do Palmar, que é a detentora do suposto direito creditório, tenha formalizado requerimento neste sentido. Portanto, fica indeferido o pedido de aproveitamento de recolhimentos feitos em nome de terceiros. Por fim, em relação às demais matérias do recurso, não abarcadas neste voto vencedor, ratifico o entendimento e os fundamentos expendidos no voto da relatora. Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração referente ao ganho de capital atinente à primeira infração (meação). Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.726169/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. LEI Nº 9.250/95.
Para fazer jus às disposições atinentes à matéria, cabe ao contribuinte apresentar comprovante emitido pela fonte pagadora dos rendimentos onde conste o valor das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, assim como comprovar a data de sua aposentadoria.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofícial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que não aconteceu nos presentes autos.
MULTA DE OFÍCIO.
A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. LEI Nº 9.250/95. Para fazer jus às disposições atinentes à matéria, cabe ao contribuinte apresentar comprovante emitido pela fonte pagadora dos rendimentos onde conste o valor das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, assim como comprovar a data de sua aposentadoria. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofícial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que não aconteceu nos presentes autos. MULTA DE OFÍCIO. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10120.726169/2014-94
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5601521
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.364
nome_arquivo_s : Decisao_10120726169201494.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10120726169201494_5601521.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6417350
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048421066080256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.726169/201494 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.364 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente CARLOS ROBERTO MUSSI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. LEI Nº 9.250/95. Para fazer jus às disposições atinentes à matéria, cabe ao contribuinte apresentar comprovante emitido pela fonte pagadora dos rendimentos onde conste o valor das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, assim como comprovar a data de sua aposentadoria. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofícial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que não aconteceu nos presentes autos. MULTA DE OFÍCIO. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 61 69 /2 01 4- 94 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Maria Cleci Coti Martins Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10120.726169/201494 Acórdão n.º 2401004.364 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 23/06/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2013, AnoCalendário 2012, na qual foi constatada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 54.645,19 (cinquenta quatro mil, seiscentos e quarenta cinco reais e dezenove centavos), recebidos pelo titular. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave pelo contribuinte, foi juntado aos autos Laudo Pericial emitido pela Perícia Médica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (fls. 76/84), dispondo que o contribuinte é portador de Hepatopatia crônica. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando ser isento em razão de ser portador de moléstia grave e a inaplicabilidade da multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA – CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS ENTRE 1989 E 1995. Apenas estão alcançadas pela isenção do imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria as contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, até o limite do imposto pago sobre as contribuições deste período. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A impugnação deve ser instruída com as provas em que se fundamentam as razões de defesa. Tratase de ônus exclusivo do contribuinte, cuja responsabilidade não pode ser transferida ao Fisco. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Não deve ser reconhecido o direito à isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria, quando o beneficiário apresenta Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em que conste diagnóstico que descreva uma doença não prevista dentre aquelas do rol taxativo constante na legislação.” Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte apresentou as seguintes alegações: · Requisitou a urgência no julgamento em virtude de ser portador de moléstia grave; · Sobre os valores recebidos, a PREBEG vem, sistematicamente, desrespeitando a Lei 7.713/1988, retendo imposto de renda na fonte, por ocasião dos pagamentos, embora esses pagamentos, além de serem efetuados a portador de doença grave não sejam tributados, porque as contribuições foram efetuadas anteriormente a vigência da Lei 9.250/1995. Aduz que somente os últimos seis meses de contribuição foram efetuados sob a égide da nova Lei, destarte, somente a estes se aplicaria a tributação. · Descabida e infundada a alegação de omissão de receitas, visto que o valor foi integralmente declarado no quadro de rendimentos isentos e não tributáveis, conforme disposição da Lei nº 7.714/1988. · A lei 9.250/95 omitiuse quanto a situação préexistente, nas quais as contribuições que formaram o chamado fundo de reserva de poupança já haviam sido tributadas no momento do recebimento dos salários mensais, vez que anteriores à edição da referida norma legal, com o que afigurase inconstitucional e ilegal o bis in idem do imposto federal, em decorrência de incidir sobre a renda já tributada, utilizada para constituir poupança resgatada. · Alega que sobre os valores recebidos pelo recorrente não incidem o Imposto de Renda, nem na fonte, nem na declaração anual de ajustes, conforme expressa disposição do art. 12A, da Lei 7.713/1988, bem como por ser o autor, portador de doença grave, nos termos do art. 69A da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. · Colaciona jurisprudências e alega que o STJ firmou entendimento no sentido de que Laudo Médico particular é suficiente para comprovar a moléstia grave. · Por fim, aduz que por ter prestado todos os esclarecimentos e informado o rendimento em sua DIRF, não deverá ser aplicada a multa de 20%, não de ofício, conforme dispõe o artigo 112 CTN. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10120.726169/201494 Acórdão n.º 2401004.364 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 09/02/2015, conforme AR às fls. 142, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 11/03/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Contribuições efetuadas anteriormente a vigência da Lei 9.250/1995 Sobre o tema a Receita Federal expediu a instrução normativa RFB nº 1343, de 05 de abril de 2013, in verbis: “Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece normas e procedimentos relativos ao tratamento tributário a ser aplicado na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Art. 2º Para os beneficiários que se aposentarem a partir de 1º de janeiro de 2013, a entidade de previdência complementar (fonte pagadora) fica desobrigada da retenção do imposto na fonte relativamente à complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência complementar, inclusive a relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário, no limite que corresponda aos valores das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de que trata o art. 1º. § 1º Os valores das contribuições a que se refere o caput, naquelas hipóteses, devem ser abatidos da complementação de aposentadoria recebida de previdência complementar, mês a mês, até se exaurirem. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 § 2º A fonte pagadora deverá fornecer ao beneficiário comprovante de rendimentos, com a informação dos valores abatidos na forma deste Capítulo, no quadro correspondente aos rendimentos isentos e não tributáveis. § 3º Deverão ser observadas as disposições contidas nos arts. 8º a 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, para os beneficiários que se aposentaram entre 1º de janeiro de 2013 e a data da publicação desta Instrução Normativa, e que sofreram retenção indevida ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte. Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: I na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário de 2012, exercício de 2013, deverão informar o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma: a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. § 2º Adotados os procedimentos previstos nos incisos I e II do caput e restando saldo a exaurir, este poderá ser aplicado nas DAA dos exercícios futuros, até o seu exaurimento. § 3º Para o cálculo do montante a ser excluído de tributação, a RFB disponibilizará planilha de cálculo em seu Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10120.726169/201494 Acórdão n.º 2401004.364 S2C4T1 Fl. 5 7 sítio na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 4º Para elaboração e transmissão da declaração retificadora deverão ser utilizados os Programas Geradores da Declaração (PGD), na mesma forma de tributação utilizada e demais orientações, relativos aos exercícios de que trata o inciso II do caput. § 5º Se da declaração retificadora resultar saldo de imposto a restituir superior ao da declaração original, a diferença entre o saldo a restituir referente à declaração retificadora e o valor eventualmente já restituído será objeto de restituição automática, por meio dos lotes mensais de restituição do IRPF, a serem disponibilizados na rede bancária. § 6º Se a retificação resultar em redução de imposto já pago na declaração original, a restituição ou a compensação do imposto pago indevidamente deverá ser requerida mediante a utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço mencionado no § 3º. § 7º O pagamento da restituição ou do imposto pago indevidamente será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente a partir do mês de maio do exercício correspondente ao da declaração, ou a partir do mês subsequente ao do pagamento, até o mês anterior ao da restituição, e de 1% (um por cento) no mês em que o crédito for disponibilizado ao contribuinte na rede bancária. § 8º A restituição relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário e ao regime de que trata a Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, no período a que se refere o caput, deverão ser pleiteadas por meio de apresentação do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a ser protocolado na unidade do domicílio tributário do sujeito passivo. Nesse sentido, para fazer jus às disposições atinentes à matéria, cabe ao contribuinte apresentar comprovante emitido pela fonte pagadora dos rendimentos de onde conste o valor das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, assim como comprovar a data de sua aposentadoria. O direito ao aproveitamento das contribuições pagas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, em relação à parcela que compete a determinando anocalendário, extinguese com o prazo de 5 (cinco) anos, conforme dispõe o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional e o PARECER Normativo COSIT/RFB nº 6, de 4 de agosto de 2014. Confirase: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 8 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF EMENTA: BENEFÍCIO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS NO PERÍODO DE 1º DE JANEIRO DE 1989 a 31 DE DEZEMBRO DE 1995. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de não haver ação judicial em curso, o beneficiário que recebeu de entidade previdência complementar valores a título de complementação de aposentadoria, submetidos à tributação do imposto de renda, correspondentes às contribuições exclusivamente por ele efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, pode pleitear a restituição do montante do imposto pago indevidamente, na forma disciplinada pelo art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.343, de 2013. Se dessa operação remanescer crédito de contribuições, ele será abatido dos rendimentos de complementação de aposentadoria recebidos a título de décimo terceiro salário, importando a restituição do imposto na forma do § 8º do art. 3ºda Instrução Normativa RFB nº 1.343, de 2013. Na hipótese de ainda restar saldo a exaurir, este poderá ser aplicado nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios futuros, até o seu exaurimento (§ 2º do art. 3º). O contribuinte passa a ter direito à restituição do imposto de renda correspondente às contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 a partir do primeiro recebimento da complementação de aposentadoria submetido à incidência do imposto sobre a renda. O direito ao aproveitamento do crédito de contribuições, na forma acima, em relação à parcela que compete a cada anocalendário, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados do dia 31 de dezembro desse anocalendário, data em que se considera ocorrido o fato gerador do IRPF. Na parte relativa ao décimo terceiro salário, o direito extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da retenção indevida. Considerandose a aposentadoria ocorrida em 2008, o direito à exclusão do crédito de contribuições, na parte atinente ao montante de rendimentos tributáveis recebidos a título de complemento de aposentadoria nesse ano calendário, extinguiuse em 31 de dezembro de 2013, prazo final para apresentação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) retificadora relativa ao anocalendário de 2008, exercício de 2009. Na hipótese de o crédito de contribuições exceder aos rendimentos de complementação de aposentadoria originalmente tributados no anocalendário de 2008 (computado o décimo terceiro salário), o saldo poderá ser aplicado em DAA retificadora referente ao anocalendário de 2009 (exercício de 2010), desde que esta seja apresentada até 31 de dezembro de 2014.” Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10120.726169/201494 Acórdão n.º 2401004.364 S2C4T1 Fl. 6 9 Nesse descortino, o contribuinte nada apresenta a fim de comprovar essa alegação. Ao decidir impugnar o lançamento, o contribuinte assume o ônus de apresentar documentos que respaldem as alegações trazidas, sob pena de serem considerados não alegados os fatos não provados. Não comprovado nos autos os requisitos exigidos para reconhecimento do alegado direito, não há como acatar a argumentação do contribuinte. 2.2. Da moléstia grave Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 19 de dezembro de 2004, determinam: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Nesse sentido, o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia grave fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Confirase: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia grave e natureza específica do rendimento, qual sejam, provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 10 Verificase que o cerne da controvérsia em questão é a possibilidade de isenção do Imposto de Renda do contribuinte ante a ausência de Laudo Médico Oficial que ateste a moléstia grave. O laudo apresentado no curso da ação fiscal, à fl.99, não foi emitido por médico integrante de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios. Acrescentese que tal documento também não consigna doença elencada na letra da lei. O relatório médico complementar apresentado (fls.71/72) pelos mesmos motivos já exarados, não os socorre. A teor da legislação citada, os registros de internações e exames realizados em 2013 (fls. 74/83) também não são documentos hábeis a fazer a prova exigida. O relatório médico emitido em receituário do Hospital de Doenças Tropicais (fl.73), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, datado de 11/06/2014, não indica que no anocalendário 2012, que aqui se analisa, o contribuinte era portador de moléstia grave prevista em lei. Por todo o exposto, em razão da documentação anexada não comprovar que o recorrente era possuidor de moléstia grave à época do pagamento do imposto, os rendimentos recebidos até essa data não têm direito a isenção requerida. 2.3. Da inaplicabilidade da multa de ofício O recorrente alega que não omitiu quaisquer rendimentos, já que o valor foi informado no quadro relativo àqueles isentos e não tributáveis. No entanto, ao classificar indevidamente os rendimentos omitidos como isentos e nãotributáveis, na declaração de ajuste anual, o contribuinte deixou de apurar corretamente e de recolher o imposto devido. Sobre o assunto, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), editou o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190, de 26 de janeiro de 2009, no qual, ao analisar a natureza da multa de ofício, deixa claro que esta se presta a penalizar, de forma indistinta, as condutas de “não pagamento” ou “pagamento parcial” da contribuição, bem como a “falta de entrega da declaração” ou a “declaração inexata”. Nessa dimensão, interpreta que o fato gerador da multa de ofício corresponde a condutas que, se praticadas isoladamente, constituiriam fatos geradores da obrigação principal e da obrigação acessória concernente à entrega da declaração. Assim, a inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. Recordese: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10120.726169/201494 Acórdão n.º 2401004.364 S2C4T1 Fl. 7 11 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.725047/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2008 a 30/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Tendo em vista a ocorrência de contradição no corpo do acórdão embargado, os embargos opostos merecem acolhida de modo a sanar o vício apontado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para rerratificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, passando o resultado do julgamento embargado a ser o seguinte: "dar provimento ao recurso voluntário".
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos de Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2008 a 30/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Tendo em vista a ocorrência de contradição no corpo do acórdão embargado, os embargos opostos merecem acolhida de modo a sanar o vício apontado. Embargos Acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11020.725047/2011-29
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5579900
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.941
nome_arquivo_s : Decisao_11020725047201129.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 11020725047201129_5579900.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para rerratificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, passando o resultado do julgamento embargado a ser o seguinte: "dar provimento ao recurso voluntário". Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos de Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6341567
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048421090197504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 605 1 604 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.725047/201129 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402004.941 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2016 Matéria SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Embargante RIO GRANDE ENERGIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Tendo em vista a ocorrência de contradição no corpo do acórdão embargado, os embargos opostos merecem acolhida de modo a sanar o vício apontado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para rerratificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, passando o resultado do julgamento embargado a ser o seguinte: "dar provimento ao recurso voluntário". Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos de Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 50 47 /2 01 1- 29 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por RIO GRANDE ENERGIA S/A em face do v. acórdão 2402003.995, prolatado por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/06/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS NÃO EMPREGADOS. APLICAÇÃO DA LEI Nº 6.404/76. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei nº 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”, não se sujeitando às regras previstas na Lei nº 8.212/91, que se referem à relação jurídica “Empregador x Empregado”. Assim, não merece prosperar o lançamento efetuado sob o argumento de que somente os segurados empregados poderiam ser considerados beneficiários do pagamento de PLR par fins de não incidência das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Sustenta a embargante que o julgado incorreu em contradição, na medida em que a fundamentação adotada quando do julgamento não condiz com o dispositivo do acórdão e do voto prolatado. Prestadas as devidas informações, fora determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11020.725047/201129 Acórdão n.º 2402004.941 S2C4T2 Fl. 606 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente aponto que reconheço, desde já, a contradição apontada pela embargante entre a parte dispositiva do acórdão e a fundamentação adotada pelo voto condutor do acórdão embargado. Por tais motivos, os embargos merecem acolhida, de modo a que seja re ratificado o acórdão embargado. Passo, por oportuno, prima facie, a submeter a julgamento e ratificar a anterior fundamentação constante do voto embargado, a qual entendo deva prosperar, conforme apontado a seguir: MÉRITO Inicialmente há de se apontar que ao efetuar o lançamento, o ilustre auditor incluiu numa mesma rubrica os pagamentos efetuados a título de bônus por resultados atingidos e incentivo de longo prazo em rubrica única, os qualificando, a meu ver, em sua totalidade, como pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, o que também restou concluído pelo v. acórdão de primeira instância, que assim tratou tais rubricas. Dito isso, passo a análise dos fundamentos constantes no recurso. Fato é que conforme já relatado, as verbas foram consideradas como base de cálculo das contribuições previdenciárias pelo fato de que concluiu a fiscalização que a Participação nos Lucros e Resultados somente pode ser paga a segurados empregados, daí excluídos os contribuintes individuais, no caso, os diretores não empregados, em conformidade com aquilo o que determina o art. 28, 9o da Lei 8.212/91, a seguir, c/c/ a Lei 10.101/00: “LEI 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica LEI 10.101/00 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo.” Todavia, em que pesem os argumentos expostos pela fiscalização, mesmo considerando que a recorrente não trouxe em seu recurso toda a matéria de direito sobre o tema, ela se insurge quanto ao pagamento da PLR resumirse apenas aos segurados empregados, entendendo que os contribuintes individuais também podem ser considerados como beneficiados pelo programa, cabe ressaltar que esta Turma já possui entendimento consolidado sobre o tema. E o entendimento já consolidado em vários julgamentos foi capitaneado em voto do eminente Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, nos autos do processo 15504.012725/200993, na sessão de 10 de julho de 2012, oportunidade na qual se reconheceu que o pagamento de PLR a diretores estatutários decorria de acordo efetuado entre os acionistas e diretores, relação jurídica esta que escapa ao alcance da Lei 8.212/91, sujeitandose às regras da Lei 6.404/76. O julgamento restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA DA AUTUAÇÃO. ANULAÇÃO. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11020.725047/201129 Acórdão n.º 2402004.941 S2C4T2 Fl. 607 5 Constituído o lançamento com base em premissa equivocada, há o desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício material. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI Nº 6.404/76. INAPLICAÇÃO DA LEI Nº 8.212/91. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei nº 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”, não se sujeitando às regras previstas na Lei nº 8.212/91, que se referem à relação jurídica “Empregador x Empregado”. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio alimentação, independentemente de prévia inscrição do contribuinte no PAT Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Recurso voluntário provido em parte.” Transcrevo, por oportuno, pedindo vênias ao eminente Relator para adotar como fundamentos de decidir no presente caso, excerto do voto que reflete o dito entendimento e que já fora objeto de discussão por esta Turma. Confirase: “Como pode se verificar no item 2.3 do relatório fiscal (fl. 38), houve a distribuição de lucros aos diretores estatutários, haja vista que é uma sociedade anônima, nos termos da Lei nº 6.404/76. Cabe pontuar, primeiramente, que a Lei nº 6.404/76 trata os diretores da mesma forma que os administradores, tal como se verifica em seu art. 145, in verbis: "Art. 145. As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicam se a conselheiros e diretores." As regras relativas à participação desta classe de trabalhadores estão claramente previstas no art. 152 da Lei n. 6.404/76, que assim dispõe: "Art. 152. A assembléia geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202." Analisando as regras expostas acima, temse que, por ser a assembleia geral que delibera sobre a concessão de participação aos diretores estatutários, estáse diante de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”. Nesse sentido, destacase que a participação dos diretores estatutários é contabilizada em conta do patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não paga pela empresa em si (por meio de escrituração em conta de resultado). Neste contexto, não há que se falar na aplicação do art. 28 da Lei nº 8.212/91, pois os valores recebidos pelos diretores estatutários não se inserem na relação jurídica “Empregador x Empregado”, não havendo que se falar na incidência das contribuições previdenciárias. Em vista disso, é mister que seja excluído do presente lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos realizados a título de “PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DA DIRETORIA EXECUTIVA – PLE.” Por fim ressalto que no caso dos autos, a participação paga efetivamente decorreu de decisão tomada pelo Conselho de Administração, conforme restou apontado do relatório fiscal da infração, o que fortalece o entendimento supra mencionado. Logo, estão expostos e ratificados nesta assentada os fundamentos pelos quais o recurso voluntário merece o seu provimento. Assim, diante de tal cenário, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS de declaração, sanando a contradição apontada, para reratificar a parte dispositiva do voto e acórdão embargado, a qual passará a ser lida como “Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.” É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000919/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005, 01/02/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
DECADÊNCIA
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR
Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros;
A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO
Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
ILEGALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL DE 2,5%
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2202-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
-
EDITADO EM: 23/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005, 01/02/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. DECADÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. ILEGALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL DE 2,5% O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.000919/2010-31
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5610232
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.374
nome_arquivo_s : Decisao_16327000919201031.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000919201031_5610232.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora. - EDITADO EM: 23/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6444779
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048421094391808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 357 1 356 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000919/201031 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.374 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente BANCO CITICARD S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005, 01/02/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. DECADÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Conforme disposto na súmula CARF nº 89, a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 19 /2 01 0- 31 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 ILEGALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL DE 2,5% O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 23/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada Relatório Adoto, no que diz respeito, o Relatório da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo : 1. Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais — AIOP (DEBCAD 37.296.6101) lavrado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, onde foram lançados valores referentes As contribuições sociais devidas a terceira entidade, no caso,o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, incidentes sobre as remunerações pagas, nas competências 02, 03, 08, 10 e 11/2005, e 02, 03, 06 e 08 a 12/2006,aos seus segurados empregados, a titulo de Participação no Lucros ou Resultados — PLR e de Vale Transporte VT, em desacordo com as legislações pertinentes. 1.1. Conforme verificase nos autos, em especial no Relatório do AIOP (fls. 64/99), a Fiscalização constatou, mediante exame das informações da empresa contidas na sua contabilidade, na sua folha de pagamentos e nos documentos relativos ao Plano de PLR, que seus empregados receberam, nas competências citadas no item 1 acima, por conta de PLR, valores pagos em desacordo com as condições estabelecidas na Lei 10.101/2000 para abrigá los da incidência das contribuições previdenciárias, e, montantes Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 358 3 em dinheiro, a titulo de ValeTransporte, em afronta à legislação pertinente; ausente o recolhimento tempestivo das contribuições correspondentes a tais verbas, igualmente não declaradas pela Impugnante na sua Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações da Previdência Social — GFIP, procedeu a Agente Fiscal ao seu lançamento de oficio no presente AIOP. 1.2. Informa ainda a AuditoraFiscal autuante ter aplicado na ação fiscal o principio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea "c", do Código Tributário Nacional — CTN, na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (nãodeclaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente A. época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de oficio de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009;dessa comparação, detalhada nas planilhas dos Anexos I e II (fls. 277/278), resultou, na ação fiscal, a aplicação das multas previstas na legislação de regência em 02, 03, 08 e 10/2005 e 02 e 11/2006, tendo prevalecido a norma superveniente nas competências 11/2005 e 03, 06, 08 a 10 e 12/2006. Para as contribuições devidas a Outras Entidades ("Terceiros"), como as do presente AIOP, tal comparação é desnecessária, já que não ha previsão da multa por descumprimento da obrigação acessória, aplicandose, em todas as competências, a multa de mora prevista na legislação de regência, sempre menos severa que a multa de oficio da norma superveniente. 1.3. Importa o crédito no valor de R$ 157.235,51 (cento e cinqüenta e sete mil, duzentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e um centavos), consolidado em 12/08/2010. 1.4. Conforme informado As fls. 114, em 18/08/2010 o presente processo foi apensado ao de n° 16327.000917/2010/41. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada contestou o lançamento através do instrumento 115/169, alegando em síntese que: Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF 2.1. para exigir o recolhimento das contribuições previdenciárias de 2005,a AuditoraFiscal autuante examinou acordos próprios e convenções coletivas de PLR celebrados em 2004, que ensejaram os pagamentos realizados em 2005, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF a autorizava a fiscalizar documentos somente a partir de 01/2005, maculando a atuação fiscal como um todo; além disso, a lavratura do presente AIOP ocorreu após o prazo de validade do MPF, invalidando a autuação; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Da decadência 2.3. com a edição recente da Súmula Vinculante no 8, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, de modo que, tendo a autuação fiscal sido lavrada em 08/2010, foi alcançado pela decadência o período anterior a 07/2005, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, já que houve o recolhimento antecipado de contribuições previdenciárias no período autuado; Da Participação no Lucros ou Resultados — PLR 2.4. nas negociações de PLR envolvendo categorias com grande quantidade de empregados, estes, representados pelos respectivos sindicatos, anseiam e pleiteiam a distribuição de valores fixos, estipulados em convenções coletivas (participação indireta na geração do lucro), enquanto os acordos próprios de cada empresa prevêem o rateio conforme o cargo e função de cada trabalhador (participação direta na geração do lucro); os instrumentos de negociação aplicados nos anos fiscalizados eram muito semelhantes aos acordados em anos anteriores, não representando nenhuma novidade aos trabalhadores; as negociações com sindicatos de categorias expressivas são complexas e perduram por longos períodos durante o ano, com diversos trâmites burocráticos, conduzindo à assinatura das respectivas convenções, via de regra, nas épocas finais do ano, o que não significa que seus termos não tenham sido previamente negociados entre as partes; 2.5. a PLR, formalizada em acordos e convenções, não integra a remuneração dos trabalhadores, porque atrelase ao atingimento (sic) de metas empresariais, sem caráter contraprestativo (ao contrário do salário), com natureza de fomento A integração entre capital e trabalho, não recebendo, por isso, a incidência de contribuição previdenciária; não há, portanto, motivo para a Agente Fiscal ter desconsiderado a forma adotada para os pagamentos de PLR aos empregados, imputandolhes a natureza verba salarial sujeita tributação previdenciária; 2.6. são absurdas as alegações da Agente Fiscal de que o acordo próprio de PLR não possuiria regras objetivas, metas a atingir e mecanismos de aferição do cumprimento do acordado, cujo anexo descreve claramente todos os indicadores de desempenho considerados para a distribuição de PLR; quanto As metas a considerar para o rateio, cuja fixação a Lei 10.101/2000 não impõe, como o faz com os direitos substantivos, nunca causaram dúvidas As partes acordantes, embora o instrumento não trate de seus pormenores visto envolverem dados sigilosos, cujo conhecimento por concorrentes poderia causar lhe sérios prejuízos; 2.7. a ausência do sindicato na última reunião do Acordo de PL em nada maculou o processo de negociação ocorrido naquele ano, visto que o representante• sindical recebeu uma via dos instrumentos no momento em que os assinou, assinatura esta que, na ausência de indicação de outro elemento de prova na Lei 10.101/2000, é hábil p Fl. 360DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 359 5 ara aferir a participação sindical nas negociações de PLR; 2.8. devese considerar que a Convenção Coletiva de Trabalho — CCT dos bancários envolve dezenas de sindicatos e federações, com realidades dispares entre os segmentos de negócios abrangidos em todo o Brasil, em longo processo negocial, finalizado antes da subscrição do documento; não há, portanto, que se falar em invalidação da CCT, cujo reconhecimento está consignado na própria Constituição Federal — CF, em razão de sua assinatura ao final das negociações, pois ao longo destas seus termos foram previamente acordados entre as partes, que deles tinham, conseqüentemente, pleno conhecimento, conforme exige a Lei 10.101/2000, sendo irrelevante, nesse aspecto, a data de subscrição da CCT; 2.9. ante a abrangência das CCTs dos bancários, o único critério possível de ser nelas inserido como meta em um acordo de PLR é a lucratividade do setor econômico, dependendo exclusivamente do seu percentual o valor a ser distribuído; a Lei 10.101/2000 impõe tãosomente a fixação dos direitos substantivos e não das metas que serão utilizadas para verificação da sua concretização, os quais, no presente caso, são claros e objetivos; Do ValeTransporte VT 2.10. a isenção de contribuição previdenciária sobre o fornecimento de VT aos empregados está prevista na alínea "f' do § 90 do art. 28 da Lei 8.212/91, com a ressalva de que se de "na forma da legislação própria"; ocorre que a Lei 7.418/85, instituidora deste beneficio, é autoaplicável e não veda nenhuma forma de entrega de tal verba, apenas o Decreto 95.247/87 impôs a restrição ao pagamento em dinheiro, extrapolando sua função legislativa, ao inovar as disposições da citada Lei 7.418/85, em afronta ao principio da estrita legalidade; 2.11. o VT pago em dinheiro somente integraria a base de cálculo de contribuições previdenciárias se fosse creditado em retribuição aos serviços prestados pelo empregado, mas ele não é pago pelo trabalho, e sim para o trabalho, possuindo natureza eminentemente indenizatória; os empregados da Impugnante que optaram pela concessão do VT recebem nada mais que o valor suficiente para seu deslocamento ao local de trabalho, sem proporcionalidade A. sua remuneração, produtividade ou qualquer medida que denote retributividade deste beneficio; 2.12. a Lei 7.418/85, ao instituir o VT, estendeu o beneficio aos servidores públicos da Administração Federal direta ou indireta; ocorre que tanto o Decreto 2.880/98 como a Medida Provisória — MP 2.16536/01, ao criar, para esses servidores, o denominado "AuxilioTransporte", pago em pecúnia, que, por sua finalidade e suas características, equivale ao VT, atribuiu lhe natureza jurídica indenizatória, isentandoo da contribuição ao Plano de Seguridade Social; ora, se os pagamentos em Fl. 361DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 dinheiro efetuados pela Unido possuem natureza indenizatória, esta não poderia ser modificada simplesmente por serem realizados por pessoas jurídicas de direito privado; Da revisão do valor da multa 2.13. é ilegal o procedimento adotado pela Agente Fiscal na definição da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme determina o art. 106, II, "c" do CTN, devendo ser o mesmo revisto, já que a metodologia em vigor á. época dos fatos é sempre mais benéfica Impugnante, pois prevê multa de 24 a 100%, ao passo que a norma superveniente (Lei 11.941/2009) estabelece penalidade de 75 a 150%; 2.14. a multa de mora eventualmente devida não pode ser calculada de forma progressiva no tempo ou com base em atos administrativos, assumindo a função compensatória própria e exclusiva dos juros de mora, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/91, na redação anterior à dada pela MP 449/2008, que a revogou e, no texto superveniente, remete a cobrança de multa e juros de mora sobre contribuições previdenciárias em atraso ao art. 61 da Lei 9.430/96, que limita o percentual da penalidade a 20%; Da inclusão dos diretores no pólo passivo da autuação 2.15. devem os diretores da Impugnante ser excluídos da "Relação de Vínculos" do presente processo administrativo, já que as únicas hipóteses legais em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser solidariamente responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias, estão previstas nos arts 134 e 135 do CTN, sendo que tais hipóteses não ocorreram no presente caso, não podendo ser presumidas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento negou provimento a Impugnação em decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 30/11/2005, 01/02/2006 a 31/03/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a titulo de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9°, "j", da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9 0, X, Fl. 362DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 360 7 e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99. VALE TRANSPORTE. Integram o saláriodecontribuição previdenciário os valores pagos em pecúnia aos empregados por conta de ValeTransporte, desobedecendo a legislação pertinente. Art. 28, § 9 0, "f", da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9 0, VI, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Conforme disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, são legitimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o saláriodecontribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de oficio, utiliza se a regra geral do art. 173, I, do CTN. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. Tratandose de .ato não definitivamente julgado, a administração deve aplicar a lei nova ao ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. Art. 106, II, "c", do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3' do art. 4' da Lei n" 6.830/80. Em relação a alegação da Impugnante de que a fiscalização não poderia utilizar as convenções coletivas de PLR firmadas em 2004 para fundamentar os lançamentos realizados em 2005, uma vez que o MPF limitavase ao período de 01/2005 a 12/2006, a DRJ concluiu pela sua improcedência, pois o pagamento das verbas foi efetuado em 2005, sendo, portanto, deste ano as contribuições previdenciárias exigidas no AIOP. Além disso, em relação a alegação de que a lavratura do AIOP teria ocorrido após o prazo de validade do MPF 08.1.66.002009000023 (fls. 01/04), a DRJ mencionou que este teve sua data de validade sucessivamente prorrogada até 30/08/2010, posterior, portanto, a Fl. 363DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 consolidação do AIOP em 10/08/2010 (fls. 295 e 298/309). Sendo assim, não haveria que se falar em invalidade da autuação por perda do prazo de validade do MPF. Em relação à decadência, embora tenha reconhecido a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, entendeu a DRJ que, como não houve pagamento das verbas objeto da autuação, o prazo decadencial deveria ser contado tomando como base o dies a quo estabelecido no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional e não o prazo no artigo 150, §4º alegado pela Impugnante. Em relação aos valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, entendeu a DRJ que essa não se adequava ao previsto na Lei 10.101/2000. Isso porque a CCT/PLR (fls. 56/76) a) "não exige uma única condição a ser cumprida pelos trabalhadores, como as citadas no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, que pudesse ser aferida objetivamente em avaliação ao cumprimento acordado(...)não há qualquer critério de avaliação do desempenho dos mesmos que os incentivassem a melhorar sua produtividade, colaborando para obtenção de um lucro ou de um resultado previamente pactuado. b) não contém assinatura prévia ao período que se refere. c) teria violado a semestralidade exigida no §2º do art.3º da Lei 10.101/2000 ao prever a possibilidade de antecipação do pagamento. Em relação aos valores relativos ao Vale Transporte, concluiu a DRJ que o art. 4º da Lei nº 7.418, de 1612/1985 proíbe quaisquer outras formas de prestação do benefício, dentre elas, o adiantamento em dinheiro. Em relação ao abono, entendeu a DRJ que o pagamento único não retira sua natureza salarial, uma vez que o abono faz parte da remuneração do trabalhador, ainda que previsto em CCT, uma vez a esta somente possui força normativa no âmbito do direito do trabalho. Em relação ao questionamento da Impugnante quanto ao critério de lançamento das multas, esclareceu a DRJ que, antes da publicação da Medida Provisória nº 449 de 04/12/2008,. aplicavase a multa de mora sobre o descumprimento de obrigação principal prevista no então vigente art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212/91, nos percentuais de 24% a 100% conforme a data em que fosse paga a contribuição em atraso e, eventualmente, somavase a multa punitiva por descumprimento de obrigação acessória, prevista nos revogados §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, referente à não apresentação, omissão de fatos geradores ou erro no preenchimento da GFIP. Com o advento da mencionada MP, que alterou o art. 35 e introduziu o art. 35A na Lei 8.212/91 passou a ser exigida uma única multa de ofício, equivalente a 75% do valor da contribuição devida Assim, tratandose de fato gerador ocorrido anteriormente a publicação da MP, tendo o Auto de Infração sido lavrado posteriormente a essa data, deve a fiscalização, em obediência ao disposto na alínea "c", inciso II, do art. 106 do CTN, cotejar a penalidade prevista na legislação de regência com a nova multa de ofício aplicando esta caso resulte menos gravosa que aquela. Esclarece, ainda, que essa sistemática está prevista no art. 476A da Instrução Normativa nº 971, de 13/11/2009 e que a autoridade fiscal cumpriu rigorosamente essa sistemática. Finalmente, quanto aos argumentos que sustentam a exclusão dos diretores da Impugnante do "Relatório de Vínculos" (fls. 312/313), afirmou a DRJ que o referido relatório Fl. 364DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 361 9 não tem como escopo incluir os sócios ou diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas listar todos os representantes legais do sujeito passivo, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial. Sendo assim, o simples fato de constar nos autos uma relação com nome e endereços dos representantes da autuada não significa que a Administração está imputando aos dirigentes a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.649702), reiterando os argumentos da impugnação. Enfatiza, em particular, o seguinte aspecto: Em relação ao pagamento da PLR o Relatório fiscal entendeu estar descaracterizado o pagamento de tais verbas em razão dois motivos. O primeiro por terem as convenções sido assinadas somente ao final do anobase e, o segundo, em razão das convenções não possuírem metas claras e objetivas de modo a incentivar a produtividade, não podendo ser utilizada como meta a lucratividade do setor. Diante disso, ressalta que o argumento utilizado pela DRJ relativo a regra da semestralidade configuraria argumento novo não mencionado no Auto de Infração consistindo, portanto, em inovação do critério jurídico do lançamento. Alega ainda, em fase recursal, a incorreção dos valores autuados, pois a Autoridade Fiscal, assim como a DRJ, não atentou para o fato de que os valores refletidos na rubrica 3242 "Adto PLR CCR Bancários" estão compreendidos nos valores pagos sob a rubrica 3499 PLR CCT Bancários É o relatório. Voto Conselheira Relatora: Júnia Roberta Gouveia Sampaio O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1. PREMILINARES A Recorrente alega três preliminares, quais sejam: a) nulidade do Auto de Infração, uma vez que o MPFF nº 08.1.66.002009 000023 tinha como objeto a fiscalização de contribuições previdenciárias do período de 01/2005 a 12/2006 e, por esse motivo, a auditoria fiscal não detinha autorização para fiscalizar documentos relativos ao ano de 2004. (fls. 653/655) b) decadência do lançamento relativo ao período anterior a 07/2005,.nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. c) que base de cálculo utilizada pela auditoria fiscal está incorreta, pois de acordo com o Anexo I do AI DEBCAD nº 37.296.6110 (que detalha os pagamentos de PLR), os empregados do Recorrente receberam pagamentos sob as seguintes nomenclaturas: PPR Fl. 365DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 10 Prog. Part. Resul (rubrica 040), PPR Verba Acessória (rubrica 3231), PPR Adto 50% (rubrica 3025), PLR CCT Bancários (rubrica 3499) e Part. Resultados PR (rubrica 073) Analisaremos, a seguir, cada uma dessas alegações. 1.1) NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DO PERÍODO PREVISTO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL No CARF, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da Fl. 366DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 362 11 norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimentofiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Além disso, a alegação do Recorrente no sentido de "o fato gerador dos pagamentos realizados pelo Recorrente em 2005 foram as Convenções de PLR negociadas e celebradas no ano de 2004, período não albergado pelo Mandado de Procedimento Fiscal a meu ver, não se sustenta. Isso porque o artigo 28 da Lei nº 8.212/91 é claro ao dispor que o fato gerador das contribuições previdenciárias é "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês" . Dessa forma, não há que se falar em fato gerador da PLR no exercício de 2004, pois antes da data prevista na convenção para o pagamento da PLR não há que se falar em valores "pagos" "devidos" ou "creditados" o que somente veio a ocorrer em 2005. Em face do exposto, rejeito a primeira preliminar suscitada. 1.2) DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO AO PERÍODO ANTERIOR A 07/2005 Conforme mencionado no relatório, a DRJ entendeu que, em razão da ausência de recolhimento das rubricas autuadas, o prazo decadencial não deveria ser contado de acordo com norma do artigo 150, §4º do CTN mas de acordo com a prevista no art. 173, motivo pelo qual, não teria ocorrido a decadência das competências mencionadas pela Impugnante, ora Recorrente. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 12 Tal controvérsia já foi definitivamente solucionada por este Conselho ao editar a Súmula 99 que assim dispõe: Súmula 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração De acordo com a mencionada súmula, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizados no período autuado, ainda que tais recolhimentos não se refiram as rubricas autuadas. Sendo assim, levandose em consideração que as contribuições objeto do lançamento fiscal se referem ao período de 01/2005 a 12/2006 e que a autuação fiscal foi lavrada somente em 08/2010 resta caracterizada a decadência relativas as competências de 01/2005 a 07/2005. 1.3) DA INCORREÇÃO DOS VALORES AUTUADOS Alega ainda a Recorrente que base de cálculo utilizada pela auditoria fiscal está incorreta. Isso porque, segundo afirma, de acordo com o Anexo I do AI DEBCAD nº 37.296.6110 (que detalha os pagamentos de PLR), os empregados do Recorrente receberam pagamentos sob as seguintes nomenclaturas: PPR Prog. Part. Resul (rubrica 040), PPR Verba Acessória (rubrica 3231), PPR Adto 50% (rubrica 3025), PLR CCT Bancários (rubrica 3499) e Part. Resultados PR (rubrica 073) Dessa forma, a Auditoria fiscal não se atentou para o fato de que os valores constantes na rubrica 3242 (Adto. PLR CCT Bancários) estão compreendidos nos valores pagos sobre a rubrica 3499 PLR CCT Bancários). Conforme esclarece a Recorrente: Isso se explica porque, no mês de fevereiro de cada ano o Recorrente efetuava o adiantamento de parcela dos valores devidos a título de Participação nos Lucros ou Resultados Convenção Coletiva de Trabalho, e, no final daquele mesmo mês, o Recorrente efetuava o pagamento de eventual diferença entre o valor adiantado e aquele devido a título de PLR da Convenção Coletiva Exemplificativamente: um empregado fazia jus ao recebimento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, conforme previsão contida na Convenção Coletiva de Trabalho de 2004. Na primeira semana de fevereiro de 2005, o Recorrente adiantou o valor de R$ 1.000,00 e lançou este mesmo valor (R$ 1.000,00) na rubrica 3242 “adto. de PLR CCT Bancários". E, no final daquele mesmo mês, o Recorrente lançou na rubrica 3499 “PLR CCT Bancários" o valor devido (R$ 5.000,00), porém só pagou o montante de RS 4.000,00. No entanto, a Sra. Agente Fiscal e a DRJ não atentaram para este fato (de que os empregados do Recorrente não receberam a Fl. 368DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 363 13 totalidade dos valores expressos na rubrica 3499); equivocadamente entenderam que as rubricas 3242 e 3499 tratariam de pagamentos distintos, quando na verdade se compensaram. (...) Ademais, as informações disponibilizadas pelo Recorrente à Sra. Agente Fiscal, por intermédio do “MANAD", claramente indicam que parte dos valores autuados tratam de desconto (vide coluna "indicador”: pagamento / desconto) do empregado, motivo pelo qual jamais poderiam ter sido considerados como pagamentos de PLR. Tal incorreção poderia ser objeto de diligência junto a Auditoria fiscal. No entanto, de acordo com o §3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta " 2) MÉRITO 2.1) DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Antes de proceder a análise sobre o tema da Participação no Lucros e Resultados, é importante delimitar a motivação utilizada pela Autoridade Fiscal para descaracterizar os planos de PLR da então autuada. Essa motivação vem sintetizada no item 5.36 do trabalho fiscal (fls.507/508), abaixo transcrito: "5.36 Diante do exposto, vemos que as Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação nos Lucros e Resultados dos Bancos não cumprem as disposições legais para afastarem a natureza salarial dessa parcela, haja vista que: (i) foram negociadas e assinadas somente ao final dos anos base, sendo retroativas aos períodos de participação;e (ii) não contam com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação Delimitada a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal, fica clara a inovação promovida pela Delegacia Regional de Julgamento ao apontar irregularidade da semestralidade do pagamento o que lhe é vedado, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nestes termos: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontrase escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Fl. 369DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 14 Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamentodeve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantêlo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal (grifamos) (Acórdão nº 9202003.196; sessão de 07/05/2014; Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Dessa forma, correta a alegação da Recorrente (fls. 672) no sentido de que ao apontar suposto vício na semestralidade do plano, a DRJ teria inovado na fundamentação jurídica sem competência para tanto. Feita a delimitação dos supostos vícios apontados no Programa de Participação nos Lucros e Resultados da Recorrente, analisaremos o instituto da PRL tal como previsto na Lei nº 10.101/2000, 2.1.1) A REGULAMENTAÇÃO DA PLR PELA LEI Nº 10.101/2000 A Constituição Federal, ao tratar dos direitos conferidos aos trabalhadores assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Tratase de norma de eficácia limitada, cuja regulamentação se deu por meio da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994. De forma harmônica com a Constituição Federal, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, também determinou que a participação nos lucros ou resultados da empresas somente não integraria o salário de contribuição, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nestes termos: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 370DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 364 15 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, determina os requisitos da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, tendo resultado da conversão em lei da já citada Medida Provisória nº 794, de 1994, após sucessivas reedições.São esses os termos da lei reguladora: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade,nos termos do art. 7o, inciso XI da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2 É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (grifamos) Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 16 A leitura dos artigos acima transcritos nos permite verificar a existência de normas prescritivas (determinam a conduta a ser observada) e normas permissivas Essa distinção, a nosso ver, é fundamental para interpretação da obediência ou não do plano de PLR ao estabelecido na mencionada lei. Em primeiro lugar, observase que o artigo 1º da lei é norma de conteúdo programático, ou seja, trata da finalidade da lei que seria, em suas palavras, "integração entre o capital e o trabalho" "incentivo à produtividade O artigo 2º traz uma norma prescritiva ao determinar que a participação deverá ser objeto de negociação coletiva realizada por comissão paritária, acordo ou convenção coletiva. O §1º do artigo 2º, por sua vez, traz normas prescritivas e permissivas ao determinar que "dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas" e que, para essa finalidade poderão, ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Da leitura do referido parágrafo constatase que a norma prescritiva nele prevista referese a imposição de regras claras e objetivas. Tais regras podem utilizar como parâmetro a produtividade, a lucratividade ou a realização de programas de metas e resultados a depender da especificidade do setor econômico e do tipo de negociação realizada. Em outras palavras, a lei não determinou quais as regras deveriam constar do Programa de Participação dos Lucros. Apenas exigiu que tais regras fossem claras e objetivas. Isso fica ainda mais claro quando, em seu artigo 3º, §2º, veda, expressamente, que o pagamento seja feita em periodicidade inferior à 6 (seis) meses. Feitas essas observações iniciais, passaremos a análise do Plano de Participação de Lucros e Resultados da Recorrente, bem como das objeções utilizadas pela Autoridade fiscal para descaracterizálo. 2.1.2 ACORDOS PRÓPRIOS. 2.1.2.1 AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO De acordo com a DRJ não houve participação do sindicato nos Acordos de PLR firmados pela Recorrente, pois "embora convidada, não houve participação da entidade sindical na Reunião para exame e Aprovação da Renovação do Acordo para Participação dos Trabalhadores nos Lucros e Resultados, realizada em 23/09/2004, conforme consignado na respectiva ata (fls. 132), tentando a Recorrente fazer crer que a mera ciência da ocorrência da reunião e do seu teor configurariam tal participação, tendo a assinatura do sindicalista sido a posteriori. Conforme ressalta a Recorrente tal argumentação não deve prosperar, pois o acordo de PLR tinha o prazo de vigência de 2 anos (1º de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2004 (cláusula 18). O referido acordo foi assinado em 23 de maio de 2003 e arquivado 23 de junho de 2003. Em 23/09/2004 foi realizada reunião para aprovação e renovação do acordo de PLR 2003/2004, ocasião em que foram aprovados/retificados todos os termos e condições anteriormente negociados. Assim, ao contrário do decidido pela DRJ, não entendo que a Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 365 17 referida reunião seria parte integrante do processo de negociação, uma vez que tratavase de procedimento de revisão do Acordo vigente nos anos de 2003 e 2004, cujos termos e condições eram válidos e vigentes e não sofreram qualquer tipo de alteração. Ademais, conforme já decidido por esta Conselho no Acórdão 205.00.213 "a Lei 10.101/00 em seu §2º prevê necessidade do arquivo do instrumento de acordo nos sindicatos, no entanto, não há determinação expressa de prazo par ao respectivo protocolo na entidade. 2.1.2.2 OS ACORDOS DE PLR NÃO APONTARIAM QUALQUER PROGRAMA DE METAS OU RESULTADOS PREVIAMENTE ACORDOS E SEUS RESPECTIVOS MECANISMOS DE AFERIÇÃO De acordo com a DRJ, os acordos próprios de PLR não apontam qualquer tipo de programa de metas ou resultados previamente acordados e seus respectivos mecanismos de aferição, ou seja, "não se indica aos empregados o tipo de ação a desenvolver para fazerem jus à PLR, contrariando o real propósito do instituto. Além disso, tais acordos "contemplam apenas um fluxo de apuração do valor do benefício a partir do lucro obtido pela empresa, sem estipulação das metas a alcançar pelos contemplados e da forma de avaliação de seu desempenho. Em primeiro lugar, é importante destacar, que a criação de fatores de produtividade é uma faculdade legal, pois a lei 10.101/00 dispõe que "poderão, ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade". Se os metas de produtividade são uma faculdade sua ausência ou incorreção não são motivos para descaracteriza o plano de PLR. De todo modo, independente da interpretação que se dê ao dispositivo legal, entendo que os critérios adotados nos acordos são claros e objetivos. Conforme se verifica, foram adotados os seguintes passos para a definição do pagamento de PLR: 1º Verificase o grupo de salários não qual está enquadrado o empregado. A partir dessa classificação, é definido o múltiplo de salário inicial que poderá ser pago a título de PLR (denominado "target") 2º O "target" é multiplicado pelo fator extraído dos indicadores de desempenho; 3º O valor obtido é multiplicado pelo fator LAIR; 4º O valor obtido pelo fator LAIR é, então, multiplicado pelo fator "marked share" 5º E, por fim, os valores obtidos da multiplicações acima é multiplicado pelo fator "scorecard" definindo, assim, o valor do PLR a pagar , respeitando o critério de proporcionalidade para os casos pertinentes. Em face do exposto, entendo que os acordos firmados pelo Recorrente estão atrelados a critérios e parâmetros claros e objetivos. 2.2.2 AS CONVENÇÕES NÃO CONTARIAM COM REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO À FIXAÇÃO DOS DIREITOS SUBJETIVOS E ADJETIVOS. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 18 Em relação a alegação da Recorrente que o critério objetivo utilizado pelo setor financeiro era a lucratividade (um dos critérios previstos na Lei 10.101/2000) a Delegacia Regional de Julgamento o rejeitou com base da seguinte fundamentação (fls. 635) 7.11.2 Não se discute o emprego da lucratividade dos bancos como critério para determinar o valor a ser distribuído a propósito de PLR; o inaceitável é que as CCT/PLR, como se depreende da sua leitura, não exigem uma única condição a ser cumprida pelos trabalhadores, como as citadas no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, que pudesse ser aferida objetivamente, em avaliação ao cumprimento do acordado apenas há estipulação de datas de pagamento e de valores compostos de percentuais do saláriobase e de estipulação de datas de pagamento e de valor compostos de percentuais do saláriobase e de parcelas fixas, sem que se exija qualquer contrapartida dos empregados não há qualquer critério de avaliação do desempenho dos mesmos que os incentivassem a melhorar sua produtividade, colaborando para obtenção de um lucro ou de um resultado previamente pactuado e integrando capital e trabalho, como pretende, explicitamente, a lei regulamentadora em seu art. 1º . (grifamos) Pela leitura do trecho acima transcrito, percebese que a DRJ confunde a PLR com incentivo à produção. Todavia, "a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. Ademais, como bem ressaltou a Recorrente, é importante atentar para peculiaridade das negociações firmadas pelo setor financeiro. Tais peculiaridades demonstram que a exigência de programa de metas e adoção de outro critério que não a lucratividade do setor acabaria por inviabilizar a Participação de Lucros e Resultados. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a negociação do setor a que pertence a Recorrente é realizada (como faculta a própria lei 10.101/2000) por meio de Convenção Coletiva, a qual é significativamente distinta dos acordos coletivos. Enquanto os acordos tem abrangência restrita a uma empresa (o que permite a previsão de regras e critério específicos para realidade daquela empresa) a convenção coletiva tem abrangência ampla, incluindo, assim, uma pluralidade de empresas e realidades negociais distintas. Como esclarece a Recorrente em sua impugnação, a convenção coletiva trabalho aplicável aos bancários envolve 111 sindicatos, 6 federações, 1 confederação representativa dos trabalhadores, além de 1 federação e 7 sindicatos representativos de empregadores espalhados por todo Brasil. Parece claro que as realidades experimentadas pelos empregadores e empregados nas diversas regiões do país são muito distintas. Sendo assim, as eventuais metas e critérios adotados para um banco de varejo na região norte do país não podem ser reproduzidas por um banco de investimentos na região sul. Por esse motivo, o estabelecimento de metas para o setor tem que levar em conta o ponto de conexão possível entre as diversas realidades negociais, qual seja, a lucratividade. A lucratividade é exatamente o critério reconhecido nas convenções coletivas de trabalho referente aos bancários. O valor a ser distribuído depende, exclusivamente, do Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 366 19 percentual de lucratividade do banco e do crescimento do lucro líquido comparado ao ano anterior. Tratase, portanto, de uma meta coletiva cuja adoção não foi vedada pela Lei nº 10.101/2000. Conforme se verifica pela leitura das cláusulas primeiras das Convenções Coletivas relativas aos anos de 2004, 2005 e 2006 é possível identificar com clareza e precisão o critério utilizado, o valor a ser pago, e as regras para pagamento. Vejamos, a título exemplificativo, a CCT relativa ao ano de 2004: 2004 CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Ao empregado admitido até 31.12.2003, em efetivo exercício em 31.12.2004, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2005 de 80%(oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2004, acrescido do valor fixo de R$ 705,00 (setecentos e cinco reais), limitado ao valor de R$ 5.010,00 (cinco mil reais) PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual , o valor fixo e o limite máximo convencionados no "caput" desta Cláusula, a título de Participação no Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2004, como teto, o percentual de 15% (quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Quando o total da participação nos Lucros e Resultados calculado pela regra básica do "caput" for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2004, o valor individual deverá ser majorado até alcançar (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.020,00 (dez mil e vinte reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. (...) PARÁGRAFO SEXTO O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2004 (balanço de 31.12.2004) estará isento do pagamento da Participação nos Lucros e Resultado" A jurisprudência desse Conselho tem reconhecido que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização,baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, Rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721). Merece transcrição, pela clareza e profundidade com que aborda a questão, parte do voto do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 20 . “Sem embargos, se analisarmos de forma mais detida a exigência contida no §1º do art. 2º ut mencionado, veremos que os instrumentos de negociação deverão prever regras "claras e objetivas" , e esse é o ponto central da questão, porque o que a Lei exige não são metas ou resultados, mas sim preceitos que não sejam geradores de dúvidas que impeçam a qualquer das partes envolvidas o direito de observar o quanto fora acordado. Talvez o que aqueles que defendem que a implementação de um plano de participação nos lucros deve sempre prever metas ou resultado, inadvertidamente esteja, confundindo essa distribuição com incentivo à produção, confusão essa que a melhor doutrina não aceita. É obvio que o incremento da produção e a obtenção de lucros são questões que interessam a ambas as partes envolvidas no pagamento da verba em questão mas não é seu objetivo principal. a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. (grifamos) Como bem esclarece o voto acima transcrito, a participação nos lucros ou resultados é uma modalidade negocial na qual um empregador (diretamente ou por meio do sindicato) negocia junto aos seus empregados (representados por comissão ou sindicato) a distribuição de valores atrelados a metas empresariais e não a execução dos contratos de trabalho. Pela leitura do texto da convenção, fica claro que foi estabelecida a periodicidade da distribuição e seu período de vigência. Além disso, a CCT adotou como regra o pagamento de um valor fixo, observandose um teto. Quanto aos prazos para revisão do acordo, é notório que as Convenções Coletivas do Trabalho são revistas anualmente pelos sindicatos das categorias, restando cumpridos, no meu entender, os requisitos básicos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. 2.2 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO SÚMULA CARF 89 A discussão sobre a eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontrase definitivamente solucionada pela Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Em face do exposto, devem ser cancelados os lançamentos efetuados a esse título. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000919/201031 Acórdão n.º 2202003.374 S2C2T2 Fl. 367 21 Diante do exposto, devem ser cancelados os lançamentos efetuados em relação aos pagamentos efetuados a esse título. Os pedidos relativos às multas bem como a discussão sobre a não incidência do juros sobre multa restam prejudicados diante do provimento do Recurso Voluntário 3) CONCLUSÃO Em face de todo exposto, acolho a preliminar de decadência relativa às competências 01/2005 a 07/2005. Quanto ao mérito, dou provimento ao recurso para afastar os lançamentos relativos aos pagamentos relativos à Participação nos Lucros e Resultados PLR, Vale transporte pago em dinheiro e abono único previsto em Convenção Coletiva do Trabalho. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 377DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720263/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso voluntário intempestivo.
Numero da decisão: 2301-004.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário intempestivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16095.720263/2011-28
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5606303
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jul 02 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.722
nome_arquivo_s : Decisao_16095720263201128.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16095720263201128_5606303.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6427724
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048421102780416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 343 1 342 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720263/201128 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.722 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de julho de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente SAMUEL RAMOS PINHEIRO Recorrida UNIÃO (REPRESENTADA PELA FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1643.507, exarado pela 22ª Turma da DRJ em São Paulo1 (fls. 295 a 303 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 196 a 228) é referente ao imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), anocalendário 2006, 2007 e 2008. É exigido crédito tributário de R$1.989.579,97, dos quais R$556.477,53 correspondem a imposto, R$181.028,01 a juros de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 63 /2 01 1- 28 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 mora (calculados até 31/10/2011) e R$1.252,074,43 à multa proporcional, no percentual de 225%. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de omissão de rendimentos identificada através de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas com documentação hábil e idônea. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese: (a) como preliminares, (a.1) a existência de citações, no auto de infração, de leis inexistentes; (a.2) que não há riqueza tributável, inexistindo em conseqüência capacidade contributiva, a qual não foi objeto de qualquer trabalho por parte da autoridade competente; (a.3) que os saldos das contas bancárias nos dias 31 de dezembro dos anos 2006, 2007 e 2008 são, respectivamente, de R$5,60, R$31.832,27 e R$9.560,66; (a.4) que esteve afastado do emprego por auxílio doença previdenciário; que não tinha obrigação de entregar declarações de ajuste; (b) no mérito, que: (b.1) todos os meses os débitos e créditos totalizam valores aproximados, demonstrando tratarse de operações nas quais há entradas e saídas de recursos, devido ao fato de ter emprestado suas contas bancárias ao tio, Josias Alves Genuíno, CPF 241.708.95800, funcionário encarregado do setor de obras da Prefeitura Municipal de Ferraz de Vasconcelos; cujas provas estariam sendo levantados e seriam juntadas aos autos; (b.2) não há aquisição de bens e/ou direitos originários dos créditos que resultasse em variação patrimonial; (b.3) os créditos nas contas correntes bancárias não se constituem necessariamente em renda e/ou proventos de qualquer natureza e tampouco em acréscimos patrimoniais; (b.4) os valores levantados não estão em consonância com o artigo 42 da Lei 9.430/96, inciso II, parágrafo 3° por constar depósitos de valores irrisórios; (b.5) a falta de manifestação aos Termos de Prosseguimento e de Intimação/Reintimação da Ação Fiscal foi pela total inexequibilidade do atendimento dada a amplitude das imposições. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recebeu a seguinte ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.720263/201128 Acórdão n.º 2301004.722 S2C3T1 Fl. 344 3 CAPACIDADE CONTRIBUTIVA DO CONTRIBUINTE. O princípio da capacidade contributiva é dirigido ao legislador com a finalidade de orientar a elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A ciência dessa decisão ocorreu em 04/03/2013 (aviso de recebimento, fl. 315). Em 16/04/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 316 a 339), no qual foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação e foi pedido o cancelamento do lançamento. O processo foi distribuído para este relator em 12/03/2015 (fl. 342). Em 26/01/2016, esta Turma encaminhou os autos em diligência (Resolução 230100.570) “para que seja informada a data de ciência da decisão recorrida”, tendo em vista que a data da intimação, ilegível, apontava para 14/03/2013 (fl. 315), o que caracterizaria a intempestividade do recurso voluntário. Como resposta, a fiscalização informou que a intimação ocorreu em 04/03/2013 (fl. 347) É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O aviso de recebimento EBCT da fl. 315 assinala a data de intimação em dois campos distintos: no primeiro lêse 04/03/2013, e no segundo podese ler 04/03/2013 ou 14/03/2013: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 De qualquer sorte, é intempestivo o recurso voluntário apresentado em 16/04/2013, pois mesmo que a ciência da decisão tivesse ocorrido em 14/03/2013, o termo final para a sua interposição teria ocorrido em 15/04/2013 (prorrogado do dia 13/04/2013, sábado, para o primeiro dia útil, segundafeira). Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18239.005407/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. CONTRIBUINTE SEM RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INDEDUTIBILIDADE.
A contribuição à Previdência Oficial descontada de rendimentos isentos do próprio contribuinte ou por este recolhida na condição de contribuinte individual (autônomo), é dedutível na Declaração de Ajuste Anual, desde que o próprio contribuinte tenha rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração anual.
Considerando que o contribuinte não teve no ano-calendário de 2008 rendimentos tributáveis, mas tão somente seu dependente, deverá ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. CONTRIBUINTE SEM RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INDEDUTIBILIDADE. A contribuição à Previdência Oficial descontada de rendimentos isentos do próprio contribuinte ou por este recolhida na condição de contribuinte individual (autônomo), é dedutível na Declaração de Ajuste Anual, desde que o próprio contribuinte tenha rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração anual. Considerando que o contribuinte não teve no ano-calendário de 2008 rendimentos tributáveis, mas tão somente seu dependente, deverá ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18239.005407/2010-85
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5579886
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.034
nome_arquivo_s : Decisao_18239005407201085.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 18239005407201085_5579886.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6341553
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048421110120448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18239.005407/201085 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.034 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL SOBRE RENDIMENTOS DO DEPENDENTE Recorrente PAULO TINOCO BALLOUSSIER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. CONTRIBUINTE SEM RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INDEDUTIBILIDADE. A contribuição à Previdência Oficial descontada de rendimentos isentos do próprio contribuinte ou por este recolhida na condição de contribuinte individual (autônomo), é dedutível na Declaração de Ajuste Anual, desde que o próprio contribuinte tenha rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração anual. Considerando que o contribuinte não teve no anocalendário de 2008 rendimentos tributáveis, mas tão somente seu dependente, deverá ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 54 07 /2 01 0- 85 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18239.005407/201085 Acórdão n.º 2402005.034 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 07/11) relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por meio da qual se exige crédito tributário oriundo das deduções indevidas de Previdência Oficial da base de cálculo, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2009, ano calendário 2008, o seguinte fato: “Dedução Indevida de Previdência Oficial Glosa do valor de R$ 16.836,41, indevidamente deduzido a tÍtulo de contribuição à Previdência Oficial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. A dedução foi glosada por se referir a rendimento isento, não oferecido à tributação na declaração do contribuinte.” Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou novas alegações em 08/09/2011 (fls. 27 a 30), onde, resumidamente, aduziu que: 1. atendeu a Intimação Fiscal em 07/10/2010 na DERAT e lá apresentou toda a documentação solicitada, conforme documento de fl. 35; 2. adicionou que os rendimentos de sua dependente em sua declaração, ficando cristalino o direito à dedução de Previdência Oficial. Cita legislação e decisões do CARF. 3. Por fim, requer que seja reformada a decisão da RFB sendo declarada a improcedência total da Notificação de Lançamento pelos fatos, provas e argumentos aduzidos. A DRJ julgou procedente em sua totalidade a impugnação. Cientificado da decisão de primeira instância em 08/05/2013 (fls. 58), o interessado interpôs, em 06/06/2013, o recurso de fls. 60/62. Nas razões recursais aduz que: lança os seus rendimentos e de seus dependentes em sua DIRPF. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE DESPESAS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL SOBRE RENDIMENTOS DO DEPENDENTE Cumpre esclarecer que inexiste óbice a inserção de cônjuge como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual (DAA), conforme dispõe o art. 35, inciso I, da Lei 9.250/1995. Lei 9.250/1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; Isso não irá transmutar a sua DIRPF/2008 apresentada em conjunto, pois conforme reza o caput do art. 8º do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos. Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999: Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. §§ 1º a 3º (omissis) Extraise do dispositivo legal acima que só se pode falar em tributação em conjunto de rendimentos quando ambos os cônjuges perceberam no anocalendário em referência rendimentos sujeitos à tributação. Se apenas um dos cônjuges os recebeu, como na espécie (fls. 43/48), inapropriado qualificar a Declaração de Ajuste Anual entregue como declaração em conjunto. A conjunção na declaração, por assim dizer, deve ser não apenas dos cônjuges, mas também e principalmente dos rendimentos tributáveis respectivamente percebidos. A teor dos arts. 7º e 8º da Lei 9.250/1995, o resultado do ajuste anual do imposto de renda apurado com lastro na Declaração de Rendimentos, terá como base de cálculo a soma de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, menos as deduções legais. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18239.005407/201085 Acórdão n.º 2402005.034 S2C4T2 Fl. 4 5 Lei 9.250/1995: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O prazo de que trata este artigo aplicase inclusive à declaração de rendimentos relativa ao exercício de 1996, ano calendário de 1995. § 2º O Ministro da Fazenda poderá estabelecer limites e condições para dispensar pessoas físicas da obrigação de apresentar declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) (Produção de efeito) (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Na espécie, extraise dos autos que a contribuição da Previdência Oficial é do próprio contribuinte (Recorrente) e não da sua dependente. Caso o Recorrente também possuísse rendimentos tributáveis em sua DAA, poderia ser admitida a dedução pretendida, pois não basta a simples inclusão de rendimentos do dependente. O conjunto fático probatório acostado aos autos aponta que o contribuinte não teve no anocalendário de 2008 rendimentos tributáveis, mas tão somente seu dependente. Logo, como o Recorrente não demonstrou rendimentos tributáveis no ano calendário de 2008, não poderá ser deduzida a sua contribuição à previdência oficial dos rendimentos da dependente, devendose manter a glosa efetuada pelo Fisco. Nesse sentido, têmse as orientações contidas nos Manuais "Perguntas e Respostas do IRPF" disponibilizados a cada anocalendário pela Receita Federal do Brasil, tratando da dedução da contribuição à previdência oficial prevista no inciso IV do art. 4º da Lei 9.250/1995, e aqui reproduzidas no que tange ao anocalendário dos fatos examinados (2008): “CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL 309 A contribuição à previdência oficial descontada de rendimentos isentos do próprio contribuinte ou por este recolhida na condição de contribuinte individual (autônomo), é dedutível na Declaração de Ajuste Anual? Sim, desde que o contribuinte tenha rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração anual.” Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 .............................................................................................. “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE DEPENDENTE 314 O contribuinte pode deduzir a contribuição previdenciária oficial ou privada paga em nome de dependente sem rendimentos próprios? Em relação à previdência oficial somente podem ser deduzidas as contribuições pagas em nome do dependente que tenha rendimentos próprios, os quais sejam tributados em conjunto com os do declarante.” Diante disso, inexistindo rendimento tributável do contribuinte a compor a base do ajuste anual do imposto de renda, descabida a dedução da contribuição à previdência oficial postulada, devendo ser mantido o lançamento. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
