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Numero do processo: 13888.721371/2014-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.506
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 37 1/ 20 14 -4 6 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13888.721371/201446 Resolução nº 3201001.506 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907340/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 73 40 /2 00 8- 71 Fl. 358DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PERDCOMP) 12696.30220.240904.1.3.045716 (efls. 12/15), de 24/09/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJ 2089, PA: 30/09/1999). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775490428 (efl. 11), que analisou as informações e averbou que o pagamento foi integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0225.957 4ª Turma da DRJ/BHE, efls. 28/32). Assim dispôs em relatório aquela decisão de primeira instância: Ciente em 30 de julho de 2008, conforme aviso de recebimento de fls. 15, a interessada apresentou, em 28 de agosto de 2008, a manifestação de inconformidade de fl. 1, alegando tão somente que “os débitos apresentados fiaram compensados com recolhimentos a maior calculados com base de cálculo de 32% sendo a correta 8%. Por um lapso somente no dia 04/08/2008 foram transmitidas as DCTF 's retificadoras.” Para instrução dos autos, foram juntados os seguintes documentos: Declaração de Compensação n° 12696.30220.240904.1.3.045716 (fls. 7/9) e cópia do recibo de entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFS, correspondentes aos quatro trimestres de 1999, recepcionadas em 04/08/2008 (fls. 11/14). É o relatório. A mesma decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito. Adicionalmente a decisão recorrida dispôs que os valores pagos correspondem aos débitos (PA: 2° trimestre de 1999) confessados na DCTF válida entregue em 26/04/2004: (...) Nas DCTFS n° 41847768 e 21931015, apresentadas em 26/04/2004, e válidas por ocasião da transmissão da DCOMP 12696.30220.240904.1.3.045716, a contribuinte declarou que o IRPJ apurado para o terceiro trimestre de 1999, no valor de R$ 10.801,67, seria pago em três cotas de R$ 3.600,56 (docs. fls. 17/19, ora juntados). Para esse período, de acordo com tela do sistama Sinal06 (fls 20), sob o código 2089: foram efetuados três pagamentos, em 29/10/1999, 29/11/1999 e 29/12/1999, sendo aquele efetuado em 29/1 1/1999 o pagamento relativamente ao qual a impugnante pleiteia o direito creditório. (...) Como visto, de acordo com o art. 16, III e § 4°, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, cabe à impugnante o ônus da prova. Caso não o faça, como é a situação aqui tratada, não há como considerar indevido o pagamento no valor de R$ 6.752,09, efetuado em 30/09/1999. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10680.907340/200871 Acórdão n.º 1001000.889 S1C0T1 Fl. 359 3 Por tudo que dos autos consta, não há provas de que a contribuinte faz jus ao direito creditório que pleiteia. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/05/2010 (efl. 35) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 24/06/2010 (efl. 39), em que repete o argumento de que os recolhimentos a maior teriam sido calculados considerando uma base de cálculo de 32% sendo a correta 8%. Adiciona que na decisão recorrida sustentase: “Para justificar o erro, a contribuinte sequer menciona as atividades que exerce, e em que proporção em relação ao total as receitas correspondentes a essas atividades teriam sido auferidas”, o que facultaria a juntada de novos documentos a fim de contrapor os fatos sustentados. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Observo que a DIPJ tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação. Como a DCTF retificadora entregue em 26/04/2004, a que faz alusão a contribuinte, declara como valor do IRPJ a pagar o mesmo contido no DARF referido na PERDCOMP em questão, não restou o crédito a ser compensado que embasa este recurso. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito (considerando uma base de cálculo de 8% sendo incorreta a de 32%) não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza (e que contrariasse a DCTF referida acima), os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou Fl. 360DF CARF MF 4 documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente tenta sanar sua omissão quanto à apresentação de documentos contábeis que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Mas conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10680.907340/200871 Acórdão n.º 1001000.889 S1C0T1 Fl. 360 5 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo, por não trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos contábeis hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Neste sentido, e em caso que se referia também à compensação de alegados créditos fiscais, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722534/2015-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2012 a 31/03/2014
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). COBRANÇA. CALL CENTER.
A atividade de cobrança não se confunde com a atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo.
INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. MANUTENÇÃO.
A Lei nº 8.212/91, no inciso IX de seu artigo 30, trata da responsabilidade objetiva de empresas componentes de um grupo econômico, devendo todas as pessoas jurídicas ser responsabilizadas pelo crédito tributário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. AFASTAMENTO.
Afastada a intenção de burlar a lei desonerativa, de fraudar a real situação fiscal, não devem responder solidariamente pelo crédito tributários diretores, os administradores e o contador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-004.790
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a responsabilidade solidária das pessoas físicas, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deu provimento parcial em maior extensão, e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Acordam ainda, por maioria de votos, em desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencida a conselheira Rosy Andrade da Silva Dias, que manteve a qualificação.Votou pelas conclusões com relação à responsabilidade das pessoas jurídicas a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. Entretanto, findo o prazo regimental, o conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2012 a 31/03/2014 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). COBRANÇA. CALL CENTER. A atividade de cobrança não se confunde com a atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. MANUTENÇÃO. A Lei nº 8.212/91, no inciso IX de seu artigo 30, trata da responsabilidade objetiva de empresas componentes de um grupo econômico, devendo todas as pessoas jurídicas ser responsabilizadas pelo crédito tributário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. AFASTAMENTO. Afastada a intenção de burlar a lei desonerativa, de fraudar a real situação fiscal, não devem responder solidariamente pelo crédito tributários diretores, os administradores e o contador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). COBRANÇA. CALL CENTER. A atividade de cobrança não se confunde com a atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 25 34 /2 01 5- 35 Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.671 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. MANUTENÇÃO. A Lei nº 8.212/91, no inciso IX de seu artigo 30, trata da responsabilidade objetiva de empresas componentes de um grupo econômico, devendo todas as pessoas jurídicas ser responsabilizadas pelo crédito tributário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. AFASTAMENTO. Afastada a intenção de burlar a lei desonerativa, de fraudar a real situação fiscal, não devem responder solidariamente pelo crédito tributários diretores, os administradores e o contador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a responsabilidade solidária das pessoas físicas, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deu provimento parcial em maior extensão, e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Acordam ainda, por maioria de votos, em desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, vencida a conselheira Rosy Andrade da Silva Dias, que manteve a qualificação.Votou pelas conclusões com relação à responsabilidade das pessoas jurídicas a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. Entretanto, findo o prazo regimental, o conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.672 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10825.722534/201535, em face do acórdão nº 0269.299, julgado pela 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 04 de julho de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Em desfavor da PASCHOALOTTO SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA. E OUTROS estão sendo exigidas contribuições previdenciárias (parte patronal) não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, relativas a lançamento fiscal complementar, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 49/52. O item 4 do referido Relatório Fiscal chama atenção que os motivos da constituição do crédito tributário, incluindo a responsabilidade solidária e multa qualificada, estão detalhados no processo administrativo 10825.722491/201415, denominado de principal. Nessa hipótese, o presente processo, de nº 10825.722534/2015 35, é parte integrante, por apensação, do processo de nº 10825.722491/201415, que apurou contribuições em decorrência da fiscalizada ter preenchido o campo “compensação” da GFIP com valores a promover a desoneração das contribuições incidentes sobre a folha de pagamento, mas sem o amparo da Lei nº 12.546/2011, de acordo com o relatado no processo principal, às fls. 249/290, e abaixo indicado o motivo fiscal, em um breve resumo: A atividade principal da empresa fiscalizada, PASCHOALOTTO SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA., doravante apenas denominada PSF, seria de cobrança, não se enquadrando, pois, como empresa de Call Center, e, por conseguinte, não poderia ter sido incluída na desoneração da folha de pagamento, concedida às empresas de Tecnologia da Informação (TI) e de Tecnologia da Informação e Comunicação (TCI), conforme previsto na Medida Provisória nº 540, de 2011, convertida na Lei nº 12.546. No presente processo administrativo fiscal, de nº 10825.722534/201535, foi formalizado o seguinte Auto de Infração – AI: AI 51.058.1862. Contribuições previdenciárias patronais. Essas contribuições, ainda de acordo com o Relatório Fiscal (itens 5 a 9), foram o resultado de um procedimento de fiscalização em face de valores em Intimações para Pagamento (IP) e Débitos Declarados em GFIP (DCG), coexistentes em competências objeto da auditoria, o que, na depuração dos valores, não somente resultou na indicação de exclusões de contribuições controladas no processo principal, bem como em Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.673 4 lançamento complementar, conforme os ajustes indicados nos Anexos I a XXVII, às fls. 54/120. O Relatório Fiscal registra haver ação judicial impetrada pela contribuinte relacionada à substituição da folha de pagamento por um percentual sobre o faturamento. Os documentos relacionados à Ação Judicial (nº 35535 82.2015.4.01.3400, 13a Vara Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal) foram postos às fls. 121/150. De acordo com o processo principal, o procedimento da fiscalizada levou ao não recolhimento das contribuições descontadas dos segurados e das devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos), eis que tais contribuições não estariam sujeitas à substituição da folha de pagamento por percentuais sobre o faturamento, mas apenas as contribuições patronais previstas nos incisos I e III do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, conforme ficou estabelecido pela Lei nº 12.546, de 2011. Para um melhor entendimento, podese anotar os seguintes lançamentos: a) Processo nº 10825.722491/201415 (principal): AI 51.058.1838. Contribuições previdenciárias patronais; AI 51.058.1846. Contribuições previdenciárias descontadas dos segurados; b) Processo nº 10825.722553/201481 (apensado ao principal): AI 51.058.1854. Contribuições devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos); c) Processo nº 10825.722534/201535 (apensado ao principal): AI 51.058.1862. Contribuições previdenciárias patronais “complementares”. Outras informações vindas do processo principal: 1) A multa de ofício foi aplicada em dobro, porquanto a fiscalização entendeu ter havido o cometimento de fraude em razão da redução das contribuições, quando, em GFIP, foram informadas desonerações sem amparo legal; 2) Foram atribuídas as seguintes responsabilidades tributárias com a PSF, exceto para as contribuições devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos): I) Em razão do Grupo Econômico “NP Serviços Financeiros”, e na forma prevista no inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212, de 1991: Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.674 5 II) Em razão do exercício de gerência pelos sócios e administradores, e na forma prevista no inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional – CTN: a) Diretoria: b) Conselho de Administração: III) Em razão da responsabilidade do contador, e na forma prevista no inciso II do artigo 135, e no inciso I do artigo 137, ambos do CTN, combinados com o artigo 1.177, parágrafo único, do Código Civil, Lei nº 10.406, de 10/01/2002: 3) Está sendo formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP para os crimes, em tese, de Apropriação Indébita Previdenciária, e de Crime Contra a Ordem Tributária, tipificados no artigo 168A do Código Penal, e no artigo 2º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 1990, respectivamente. A PASCHOALOTTO SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA. (PSF) com os sujeitos passivos solidários, Nelson Paschoalotto Advogados Associados (atual Roberta Nascimento Advogados Associados), Paschoalotto Participações Ltda., Full Security – Paschoalotto Segurança e Vigilância Ltda., Paschoalotto Recuperação de Créditos Ltda., Paschoalotto Administração e Serviços Ltda., De Carvalho & Faria Ltda., Nelson Paschoalotto, Rodrigo Paschoalotto, Eric Garmes de Oliveira, Vanessa Veruska Paschoalotto, Clóvis Luis Padoveze, Rodrigo F. de Carvalho e Adriel Ferreira e Faria, apresentaram petição, em conjunto, à fl. 1444, para que as razões opostas ao processo principal sejam apreciadas juntamente com presente. Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.675 6 As razões opostas dizem respeito ao Auto de Infração – AI 51.058.1838, que trata das contribuições previdenciárias patronais, e que estão repetidas às fls. 1446/1478. Nessa hipótese, e sabendo que o presente processo (10825.722534/201535) “completa” as contribuições sociais exigidas/controladas no principal (10825.722491/201415), no tocante àquele auto de infração, aqui não se repete o conteúdo da impugnação, mas somente fazse a referência, considerando que a situação é de apreciação em conjunto. A impugnação contra o Auto de Infração – AI 51.058.1862, controlado no presente processo, nº 10825.722534/201535, também foi apresentada em conjunto pela PSF e pelos sujeitos passivos acima citados. A impugnação foi apresentada às fls. 1647/1659, cópia às fls. 1826/1838, sendo abaixo resumida. Tratase de lançamento suplementar que majorou a exigência fiscal posta no processo administrativo nº 10825.722491/201415, devidamente impugnada. Foi mantida a responsabilidade às pessoas indicadas acima, ignorandose a defesa por eles apresentadas no processo principal. O processo encontrase na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte para decisão em primeira instância. Por sugestão do autuante, o processo relativo ao lançamento complementar deve ser julgado em conjunto com o processo principal, incluindose as defesas dos sujeitos passivos responsabilizados, sendo isso necessário para que se tenha a solução do litígio com base no exame da totalidade dos fatos. Na nova investida, foram adotadas providências de duas ordens (proposta para corrigir o lançamento original e cálculo da exigência suplementar), como exemplificam os dados do mês de novembro de 2012 relativos ao estabelecimento matriz. Foi juntado “Quadro” referente a este mês à fl. 1649 (fl. 03 da peça impugnatória), tirado das novas planilhas fiscais. Comenta, ao fazer um exame das planilhas, no caso, com a exemplificação do mês de 11/2012, que não há registro da composição dos valores nelas indicados, e tampouco como eles foram apurados, ressaltando que a única nota de rodapé dá notícia da totalização da exigência fiscal, denominada de desoneração indevida. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.676 7 As justificativas lançadas no Relatório Fiscal não trazem as informações sobre a formação dos valores lançados nas novas planilhas de cálculo: Contudo, a coexistência de valores que deixaram de ser constituídos e valores constituídos que foram incluídos em DGC acabaram por sobreporse em algumas competências; destarte, por realmente necessária, se fez a depuração dos débitos, estabelecimento por estabelecimento, competência por competência, com o fito de evitar o "bis in idem" e que permaneça nos Autos de Infração apenas os valores que, inequivocamente, deixaram de ser considerados como "devidos" nas GFIP e, portanto, objeto de constituição via lançamento de ofício, pela desoneração devida. Por fim, na depuração efetuada, verificouse a ausência de valores de contribuição previdenciária patrimonial, não incluídos no lançamento que se retifica, fazendose a necessária correção por lançamento complementar, com o fito de totalizar o valor indevidamente desonerado, informado no campo de "compensação" das GFIP. São justificativas genéricas, que impedem o conhecimento dos fatos, sendo que o objetivo fiscal teria sido de “totalizar o valor indevidamente desonerado, informado no campo compensação”. A autoridade administrativa apenas autorizou a medida excepcional, não a justificou, porque nesse ato não há uma referência a fato novo, em manifesta colisão com os limites para a revisão de lançamento regularmente notificado e pendente de julgamento. Argumenta que uma das justificativas genéricas, sem base fática apontada, seria a eliminação do bis in idem, mas que não teria sido corrigido, uma vez que na correção do lançamento não foram deduzidos valores denunciados pela impugnante nas respectivas DCTF, correspondentes à contribuição previdenciária incidente sobre a receita, como já requerido na impugnação ao lançamento original. DA REITERAÇÃO DAS RAZÕES APRESENTADAS NO PROCESSO ORIGINAL O Relatório Fiscal do auto de infração complementar reporta ao Relatório do processo original, o que a impugnante requer que as razões apresentadas naquele processo sejam aqui recebidas como razões de defesa ao questionado lançamento suplementar. Isso também é requerido em relação às defesas dos solidários. NULIDADE. REABERTURA DA FISCALIZAÇÃO SEM A DEVIDA MOTIVAÇÃO Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.677 8 Escreve o artigo 906 do Regulamento do Imposto sobre a Renda: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). Assevera que, embora o referido dispositivo seja referente ao Regulamento do Imposto sobre a Renda, tratase de regra aplicável à fiscalização de todos os tributos, pois os limites para a realização de um segundo exame alcança os lançamentos adicionais. Na situação, aduz haver um confronto entre a vedação de novo exame em respeito à segurança jurídica e a prevalência do interesse público centrado no crédito tributário. Diz que a vedação de reabertura de fiscalização não pode ser tomada como valor absoluto, afastandose essa garantia quando constatado, e provado, a existência de fato novo que justificaria a complementação do crédito tributário anteriormente lançado. Afirma que a reabertura de fiscalização ou a autorização para novo exame deve ser devidamente justificada ou motivada. Reporta à Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes no sentido de que “o auto de infração complementar precisa estar vinculado a fatos novos conhecidos após o término da ação fiscal anterior”. Entende que isso não teria sido observado, já que não tipifica fato novo a hipótese de no lançamento original o valor da exigência não estar integralmente computado. Ressalta que a depuração, conforme registrado pela fiscalização, seria para corrigir erros contidos no lançamento original, contudo, sem indicar as suas razões, nada teria a ver com a existência de fatos novos. Comenta que o Fisco agiu para confrontar a impugnação tempestivamente apresentada, sendo que isso não tem tutela no regime do lançamento suplementar disciplinado no artigo 149 do Código Tributário Nacional – CTN. Assevera não ser admissível retirar a eficácia da tempestiva impugnação. Conclui pela nulidade do lançamento suplementar por faltar justa causa. APROFUNDAMENTO DA AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ LACUNAS DO LANÇAMENTO ORIGINAL E DA INFORMAÇÃO FISCAL Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.678 9 Nesse tópico, a impugnante comenta que, ao examinar o AI 51.058.1838 – lançamento original – verificase que o valor exigido foi retirado do campo da contribuição patronal indicada na GFIP, havendo, pois, compatibilidade entre o lançamento e o fato típico, de acordo com os fatos já relatados em defesa: Sua insurgência, nesse momento, voltase contra o primeiro lançamento de ofício (DEBCAD 51.058.1838), que reclama o recolhimento de valores devidos a título de "Contribuições Previdenciárias Patronais incidentes sobre a Folha de Pagamento, cuja base de cálculo foi informada em GFIP, (...)”. Na realidade, a autuação decorre da não homologação da desoneração da folha de pagamento adotada pela impugnante, mediante a sua substituição pela incidência sobre a receita bruta. (...). Entende que essa compatibilidade se perdeu, pois, agora, na planilha que informa a nova apuração do crédito, o valor lançado está centrado na rubrica "desoneração", que corresponde ao valor indicado na coluna "B" da nova planilha de cálculo, identificado pelo termo "GFIP vr. Desoneração". Ressalta que o campo "desoneração" é uma virtualidade, vez que não tem efetiva materialidade, representa um artifício para compatibilizar o uso concomitante da GFIP e da DCTF na denúncia dos valores que integram o campo da contribuição previdenciária e seus elementos correlatos. Reporta aos registros da Informação Fiscal: Contudo, a coexistência de valores que deixaram de ser constituídos e valores constituídos que foram incluídos em DCG acabaram por sobreporse em algumas competências; destarte, por realmente necessária, se fez a depuração dos débitos, estabelecimento por estabelecimento, competência por competência, com o fito de evitar o "bis in idem" e que permaneça nos Autos de Infração apenas os valores que, inequivocamente, deixaram de ser considerados como "devidos" nas GFIP e, portanto, objeto de constituição via lançamento de ofício, pela desoneração indevida. Aduz que não se consegue entender as justificativas da fiscalização, acima, alegando não saber o que estava certo e o que estaria errado no lançamento original. Tem que as afirmativas genéricas passaram a representar uma espécie de “salvo conduto” para que sejam mantidos no anonimato os erros que maculavam o lançamento original, resultando isso em ofensa ao contraditório e ao direito de defesa. Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.679 10 Recorre aos dados do mês de novembro / 2012 do estabelecimento matriz, como exemplo contido no Quadro de fl. 1654, fl. 08 da peça de defesa, para questionar: Vêse que a contribuição patronal dos empregados (R$ 565.597,58) mais a CP CI de R$ 6.149,91, alcança va a cifra de 571.747,49. Não se consegue saber por qualmotivo a versão original no lançamento do ofício apontou a cifra de R$ 450.596,13 como contribuição patronal vinculada aos empregados. Qual elemento ou quais elementos haviam sido excluídos e que, agora, são eliminados? Entende que o lançamento tributário precisa ser preciso, ou, pelo menos, permitir que a sua composição seja conhecida, sendo que, na Informação Fiscal, não teriam sido esclarecidas essas dúvidas. Diz que a saída foi de simplesmente acrescentar o valor de R$ 112.650,89, como lançamento suplementar, alegando ser necessário para "totalizar o valor indevidamente desonerado". Além de não saber o que estava errado no lançamento original, apresenta outra duvida: “A exclusão indicada a título de RAT, correspondente ao mês de 11/2012, é da ordem de R$ 74.098,94, enquanto na GFIP o valor informado é da ordem de R$ 111.139,92”. Afirma que essas indagações alcançam todos os meses autuados, já que em todos existem essas indefinições. Fala que Fisco exige a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento e ignora o valor denunciado em DCTF como contribuição sobre a receita bruta, como já demonstrado na tempestiva impugnação oposta ao lançamento original. Com isso, não teria sido eliminado o bis in idem, que seria uma das causas apontadas para se implementar a revisão do questionado lançamento. O bis in idem prevalece, a despeito de nos autos constar os dados da DCTF, anexada à impugnação. Conclui, por qualquer ângulo sob análise, que o lançamento “suplementar” não tem validade por ausência de liquidez e certeza do crédito tributário reclamado. Diz que cabe ainda avaliar a validade de os dois lançamentos (o original e suplementar) passarem a ficar centrados no campo da desoneração, de acordo com a mudança determinada no Relatório Fiscal. DEMAIS APONTAMENTOS. DIVERGÊNCIAS ENCONTRADAS NAS PLANILHAS Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.680 11 Aqui, a impugnante aponta iliquidez do lançamento dando como exemplo possíveis divergências encontradas nas planilhas elaboradas pelo autuante: No Relatório Fiscal, o Anexo XIV pertence ao CNPJ 0002 – 07/2012, 11, 12/2012, 01 a 12/2013, 01, 03, 04 e 06/2014; na Planilha do Excel o Anexo XIV pertence ao CNPJ 0001 – 11/2012 a 07/2013, 09 e 10/2013; A tentativa de somar todos os valores lançados nas planilhas elaboradas pelo autuante é tarefa dificílima, porquanto não se chega à cifra lançada de R$ 6.556.318,97; O anexo XIV (páginas 81 e 82), que se refere ao CNPJ 0001, indica as competências 11/2012 a 07/2013, 09 e 10/2013, mas não constam dos anexos as competências 06/2013, 07/2013, 09/2013 e 10/2013. Observa que os valores dessas competências, no entanto, estão incluídos no valor do Auto Complementar; Há algumas competências em que o valor da desoneração deduzido do valor que já foi constituído no AI Original não confere com o valor do AI Complementar. Exemplo: A competência 03/2013 do Anexo XVIII – 0005 – 11/2012, 12/2012, 13/2012, 01 a 07/2013, 09/2013 e 10/2013: (+) Valor da Desoneração de R$ 210.850,94 () Valor Incluso no Al Original de R$ 170.737,39 (=) Diferença a ser incluída no AI Complementar: R$ 40.113,55. Observação: Não há qualquer explicação para o valor de R$ 38.865,34; Na competência 03/2014 (Anexo XIII – CNPJ 0008 – 05 a 07/2013 e 02 a 06/2014 (pag. 78 a 80), o valor da desoneração é R$ 195.323,01, e o valor lançado é R$ 222.649,03. Observação: Não há explicação para essa cifra. Entende que estaria evidenciada a imprecisão do lançamento original. NULIDADE LANÇAMENTO CENTRADO EM ELEMENTO DESTITUÍDO DE MATERIALIDADE Aduz que os controles internos vinculados à contribuição previdenciária teriam sido afetados com a instituição desse gravame com base na receita bruta. Segundo o Ato Declaratório Executivo CODAC nº 93, de 2011: A empresa que desenvolve apenas atividade abrangida pela Lei nº 12.546/2011 deverá preencher o campo "Compensação" da GFIP com o total dos 20% sobre a folha de pagamento que deixará de recolher por conta da substituição previdenciária patronal. Dessa feita, o campo "compensação" tornase igual ao campo da denúncia da contribuição que seria incidente sobre a folha de pagamento, e, bem assim, a GFIP perderia Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.681 12 a sua força constitutiva, sendo substituída pela denúncia efetuada na DCTF, centrada no débito previdenciário incidente sobre a receita bruta. Assim, o campo "compensação" seria meramente gráfico, constituindo um artifício para a convivência entre a GFIP e a DCTF, por conta do tratado regime substitutivo da contribuição centrada na receita bruta. A impugnante ainda chama atenção paras as empresas que possuem outras atividades além das beneficiadas pela desoneração: “Estas deverão lançar como compensação o valor da contribuição que deixará de recolher sobre a folha de pagamento, de acordo com o cálculo de redução, nos termos da Lei nº 12.546/2011”. Frisa que a empresa nessa situação seria contribuinte nas duas modalidades da contribuição previdenciária – sobre a folha de pagamento e sobre a receita bruta, sendo esse o motivo de que parte da contribuição continuaria denunciada na GFIP e outra parte na DCTF, a rigor do mencionado Ato Declaratório. Com esse artifício, a GFIP não teria perdido seus dados, uma vez que nela continuam sendo apontados todos os elementos da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento. Nessa lógica, o "campo de compensação” ou “de desoneração" representa uma virtualidade, e a efetiva materialidade continua presente na informação original da GFIPAssim sendo, entende que, quando o Fisco desqualifica a regra substitutiva da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta, que representa o presente litígio, o lançamento de ofício deve tomar como elemento quantitativo da exigência fiscal o valor da contribuição incidente sobre a folha de pagamento, não podendo ser centrado, como teria feito o autuante, no valor de compensação ou no de desoneração. Ressalta que não se trata de uma questão meramente formal, mas sim de o lançamento alcançar o real fato típico. Ainda fala que, mesmo que fosse um ponto meramente formal, isso não afastaria a nulidade do ato de ofício, considerando que a formalidade lhe é inerente. FATO NOVO QUE DESQUALIFICA A COMINAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA A impugnante diz que combateu a qualificação da multa de ofício quando da defesa oposta ao lançamento original, a qual deve aqui ser considerada, fazendo, ainda, ressalva da existência de fato novo depois de apresentada a impugnação, e, aparentemente, de não conhecimento do autuante. Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.682 13 O referido fato novo diz respeito ao cadastro da empresa no Sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB quando ela informou “TI e Lei 12.546”. Para tanto, a impugnante apresenta as possíveis opções de cadastramento no Sistema da RFB, e argumenta que a única alternativa que se aproxima da atividade exercida pela empresa seria a opção vinculada à expressão “TI e Lei 12.546”, uma vez que essa lei é que regula o regime substitutivo. Diz que na cartilha de “Orientações para preenchimento do Demonstrativo de Compensações” consta a referência: “Empresas de TI e abrangidas pelas Leis 11.774/2008 e 12.546/2011 (TI)”. Com isso, a impugnante teria adotado a única alternativa que se revelava pertinente à sua atividade. Nessa medida, não haveria erro no cadastramento, e, muito menos, fraude, e afirma que deve ter realmente acontecido é a temporária desatualização do Sistema da RFB, pois a legislação teria mudado muito rapidamente em curto espaço de tempo. Requer que essa informação seja considerada na avaliação da matéria, uma vez que a constatação definitiva do fato apontado depende de dados internos da própria RFB. Assevera que esse fato foi ignorado pelo autuante quando da emissão do lançamento suplementar, que veio acompanhado da multa qualificada, mas destituída de prova de fraude que a justificaria. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA INDEVIDAMENTE ATRIBUÍDA A impugnante chama a atenção que o lançamento original colheu diversas pessoas como responsáveis solidárias pela exigência endereçada à fiscalizada, Paschoalotto Serviços Financeiros Ltda. (PSF), e que a referida responsabilização se manteve integralmente no lançamento complementar e com idêntica fundamentação. Assim, e ainda considerando que a autoridade fiscal solicitou o julgamento conjunto dos lançamentos (não teria havido alteração da matéria tratada), a impugnante e os responsáveis, com o intuito de evitar repetições desnecessárias, reiteram as razões já lançadas nas defesas apresentadas de modo que sejam promovidos os afastamentos de responsabilidade solidária pelo crédito tributário em questão. Pede atenção ao desconhecimento do Fisco dos problemas nos controles internos da Administração Tributária, conforme o tópico anterior, e que foi considerado como Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.683 14 decisivo para a qualificação da multa, que, no final, seria a causa da responsabilização. DO PEDIDO Diante do exposto, na linha indicada pelo autuante, a impugnante pede que o presente processo seja apensado ao processo principal, de nº 10825.722491/201415, a fim de que se viabilize um único julgamento. Para tanto, requer que as razões de defesa sejam recebidas e avaliadas em conjunto com as postas no processo principal (cópia anexada) culminando com o afastamento dos dois lançamentos de ofício. Por fim, os responsabilizados requerem que sejam afastados os atos que indevidamente lhes atribuíram a responsabilidade pelo crédito exigido da autuada. Foi juntada a última alteração contratual da solidária Roberta Nascimentos Advogados Associados, anteriormente Nelson Paschoalotto Advogados Associados. DA DILIGÊNCIA FISCAL O presente processo, acompanhado com o de lançamento “original”, foi enviado em diligência para a juntada de parte faltante das Planilhas Fiscais, uma vez que não constou a discriminação das contribuições ajustadas e das complementadas nas competências 06/2013, 07/2013, 09/2013 e 10/2013, todas do CNPJ 000106. DA MANIFESTAÇÃO DAS IMPUGNANTES QUANDO DA DILIGÊNCIA FISCAL Em resposta à diligência fiscal, as impugnações, todas feitas em conjunto, são as de fls. 1866/1885, com a juntada, às fls. 1886/2336, de cópias de documentos e defesas apresentadas na inicial. Observase que o termo “impugnante” referese não somente à fiscalizada, PASCHOALOTTO SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA., mas a todos os envolvidos. No aditamento, a impugnante sumariza os fatos; repete questões já postas nas defesas iniciais, e bem assim quando prestou esclarecimentos em relação ao seu cadastro, na Secretaria da Receita Federal do Brasil, de empresa de “TI e Lei nº 12.546”. Em verdade, a impugnante, em relação às iniciais, apenas acresce a tese da ausência de certeza e de liquidez do lançamento de ofício. Para tanto, observa que, na fase de primeira instância, a diligência fiscal aparece duas vezes no Decreto nº 70.235, de 1972, em seu artigo 18 e em seu artigo 29. Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.684 15 O citado artigo 18 disciplina a diligência fiscal requerida pelo impugnante, enquanto o citado artigo 29 trata da diligência determinada pela autoridade julgadora. É preciso definir qual seria a autoridade julgadora, pois ela é a detentora da competência para determinar a diligência fiscal. Conforme o artigo 25 daquele Decreto, tem que o julgamento em primeira instância cabe às “Delegacias da Receita de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal”, o que não teria suporte legal diligência por medida unilateral, como ocorrido no caso vertente. Haveria ainda o cerceamento de defesa, porque o Despacho da 6a Turma da DRJ/BH evidencia que os autuados não conseguem “chegar ao valor de R$ 6.556.318,97”, que corresponde ao crédito lançado de ofício. Fala que o lançamento seria nulo, porquanto não poderia ter sido corrigido quando existente impugnação contra o referido ato de ofício. Reporta ao artigo 145 do Código Tributário Nacional – CTN para ressaltar que o lançamento suplementar teria interferido no lançamento original quando o feito já estava impugnado, e que isso vedava a tentativa de correção por iniciativa da autoridade lançadora. A autoridade lançadora não fez referência ao artigo 149 do CTN, e nem poderia, eis que houve erro no procedimento, e não as situações previstas nesse artigo. A autoridade julgadora não pode interferir na formação do lançamento, que é o escopo da ordem emitida no Despacho de Diligência da 6a Turma, considerando que essa autoridade pode requerer diligência “para o esclarecimento de fatos ou a realização de providências necessárias para a formação do seu convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes”. (Acórdão 220100.606). Repete o Quadro de fl. 4659, referente à competência novembro de 2012, colocado na impugnação do lançamento principal de quando do complementar, e volta a dizer que a planilha não registra a composição dos valores indicados, e nem como foram apurados. A única nota de rodapé da planilha dá notícia da totalização da exigência, denominada de desoneração indevida. As justificativas lançadas no Relatório Fiscal, o qual integra o lançamento suplementar, são genéricas, impedindo o conhecimento dos fatos, sendo que o objetivo fiscal era de Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.685 16 totalizar o valor indevidamente desonerado, informado no campo de compensação. Repetindo alegações das iniciais, comenta que não há no ato de reabertura da fiscalização uma referência ao imperativo de fato novo, colidindo com as barreiras para a revisão de lançamento regularmente notificado e pendente de julgamento administrativo. Volta a comentar que teria ficado na promessa a justificativa genérica (sem base fática apontada) para a eliminação do bis in idem, uma vez que na correção do lançamento não foram deduzidos os valores denunciados pela impugnante nas DCTFs, correspondentes à contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta, sendo, pois, ignorados os pedidos lançados na impugnação ao lançamento original. Em síntese, a manifestação quando da diligência fiscal repete questões de “erro na qualificação da multa de ofício” em razão de possível correção do cadastro da empresa – “TI e Lei nº 12.546”; “da indevida retirada do processo da DRJ” em razão de revisão pela autoridade lançadora; “da alteração unilateral do lançamento regularmente impugnado” em razão de não existir diligência, e sem cientificação dos autuados, não obstante as impugnações por iniciativa da autuada. Ainda, acresce a tese da “ausência de certeza e de liquidez do lançamento de ofício”, conforme acima; e bem assim repete os argumentos das iniciais, que também foram postas nas defesas contra o auto de infração complementar, tais como “a nulidade em razão de reabertura de fiscalização sem motivação”; “do aprofundamento da ausência de liquidez e das lacunas do lançamento original e da informação fiscal”; “das demais divergências encontradas nas planilhas”; “do lançamento destituído de materialidade”; “do fato novo que desqualifica a cominação da multa qualificada”; e “da responsabilidade solidária indevidamente atribuída”. Volta a requerer o julgamento em conjunto dos processos e o afastamento dos lançamentos de ofício, bem como o afastamento dos atos que atribuíram responsabilidade aos demais envolvidos. A DRJ de origem julgou pela improcedência da impugnação, concluindo pela aplicação da multa. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 2480/2526, reiterando as alegações expostas em impugnação, juntamente com a juntada de documentos comprobatórios. Em fl. 2662 houve a apresentação do aditamento do Recurso Voluntário, com a juntada de documento emitido pelo Ministério Público. É o relatório. Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.686 17 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário apresentado pela autada foi realizado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminar de nulidade Quanto as arguição de nulidade do lançamento de que trata o presente feito, observese que, de acordo com o artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e possui status de lei, só se caracteriza a nulidade do lançamento se o ato for praticado por agente incompetente (inciso I), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. 2. Mérito 2.1 Call Center Em relação às atividades de call center e contact center recorrendo à Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), elaborada pela Comissão Nacional de Classificação (Concla), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a qual foi adotada, nos termos da IN SRF nº 700, de 22 de dezembro de 2006, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) temos: CNAE 2.2 – Subclasses Hierarquia Seção N ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES Divisão 82 SERVIÇOS DE ESCRITÓRIO, DE APOIO ADMINISTRATIVO E OUTROS Grupo: 822 SERVIÇOS PRESTADOS PRINCIPALMENTE ÀS EMPRESAS Classe: 82202 ATIVIDADES DE TELEATENDIMENTO Subclasse: 82202/00 ATIVIDADES DE TELEATENDIMENTO Lista de Atividades Código Descrição CNAE 82202/00 ATENDIMENTO A CLIENTES SAC POR TELEFONE, POR TERCEIROS; SERVIÇO DE Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.687 18 82202/00 ATENDIMENTO A CLIENTES POR TELEFONE; SERVIÇO PRESTADO POR TERCEIROS 82202/00 CALL CENTER; SERVIÇO DE 82202/00 CENTRAL DE ATENDIMENTO POR TELEFONE; SERVIÇO PRESTADO POR TERCEIROS 82202/00 CENTRAL DE RECADOS; SERVIÇO DE 82202/00 CENTROS DE RECEPÇÃO DE CHAMADAS 82202/00 CONSULTA SOBRE PRODUTOS POR TELEFONE;SERVIÇOS DE 82202/00 CONTACT CENTER; SERVIÇOS DE 82202/00 CONTATOS TELEFÔNICOS, RECADOS; SERVIÇOS PRESTADOS POR TERCEIROS 82202/00 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES POR TELEFONE; SERVIÇO DE 82202/00 SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO TELEFONE COMPUTADOR; ATIVIDADES DE 82202/00 SISTEMAS DE RESPOSTA VOCAL INTERATIVA; ATIVIDADES DE Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: as atividades de centros de recepção de chamadas e de respostas a chamadas dos clientes com operadores humanos e distribuição automática de chamadas as atividades baseadas em sistemas de integração telefone computador os sistemas de resposta vocal interativa ou métodos similares para o recebimento de pedidos e fornecimento de informação sobre produtos o atendimento telefônico a solicitações de consumidores ou de atendimento a reclamações Esta subclasse compreende também: os centros de emissão de chamadas telefônicas que usam métodos para vender ou promover mercadorias e serviços a possíveis clientes (telemarketing) os centros de emissão de chamadas telefônicas para a realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares Esta subclasse não compreende: os serviços de comunicação de pager (61205/99) Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.688 19 Neste contexto, reproduzimos a seguir ainda outras fontes mencionadas na Solução de Consulta nº 69 Cosit, de 10/03/2015, para elucidar o tema: O call center que se conhece hoje apareceu na década de 1970 nos Estados Unidos (...). A atividade começou a se difundir na década de 1980 nas empresas de infraestrutura e de serviços financeiros por meio de operações de telemarketing ativas e de operações receptivas das centrais de SAC (Araújo, 2003: 09). Não é por acaso que se use tanto a expressão telemarketing para se referir às empresas dessa atividade. Os atuais call centers se desenvolveram com a difusão das práticas de vendas por telefone e de marketing. Os call centers, ou centrais de atendimento, eram reconhecidos como estruturas onde se concentravam as ligações telefônicas com objetivos ligados às funções de vendas e marketing. Assim, os primeiros call centers eram centrais telefônicas de empresas ou instituições estabelecidas com o propósito de oferecer algum tipo de serviço direcionado para agentes externos. No entanto, gradualmente os call centers foram incorporando novas finalidades às suas centrais telefônicas e, desde então, a diversidade de serviços tem aumentado consideravelmente (Padilha e Matussi, 2002:117). Nos anos 1990, a fim de acompanhar as alterações do mercado consumidor (mais comparativo, mais exigente e rigoroso em termos de qualidade e respeito), as empresas em geral, por meio dos call centers, empenharamse para oferecer novos serviços voltados para o atendimento desse novo consumidor. Assim, tornouse obsoleto o termo telemarketing, substituído na década de 1990 pela expressão serviços de call center (EConsulting, 2004: 02). Todavia, as empresas especializadas reivindicam o título de contact center. Historicamente, o telefone tem sido o principal canal de interação com os consumidores. Porém, novas tecnologias foram agregadas aos processos, como as tecnologias de datamining e a utilização de novos canais de comunicação, como a Internet e a tecnologia de Voz sobre Protocolo de Internet (VoIP). Mas, especial destaque deve ser concedido à implantação de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), responsáveis por transformar os call centers em centrais de relacionamento das empresas com seus consumidores. Assim, a integração de várias tecnologias e canais de comunicações aos processos de prestação de serviços transforma os call centers em centros dinâmicos que intensificam as interações entre empresas e consumidores, fatores que caracterizam um contact center (Anton, 2000: 124). Nesse contexto, o call center ou contact center, como unidade prestadora do serviço, representa uma forma facilitadora de comunicação entre as empresas e os consumidores (ou fornecedores) estabelecida por meio da tecnologia, cujo foco é a informação rápida e eficaz. Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.689 20 (NETO. José Borges da Silva. Call Centers no Brasil: um estudo sobre emprego, estratégias e exportações. Dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, como avaliação parcial para a obtenção do Título de Mestre em Economia, desenvolvida sob orientação do Prof. Dr. Germano Mendes de Paula. Uberlândia: Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, 2005. Disponível em < http://www0.ufu.br.ie_dissertacoes/2005/4.pdf . Acesso em 05 jan 2015). O call center tradicional está, atualmente, evoluindo para aquilo que é chamado customer contact center. Uma combinação de desenvolvimento tecnológico (com a Internet sendo o principal motivador) com as necessidades de um mercado em mudança está, essencialmente, transformando os call centers de centros de custo operacional corporativos para um processo de negócio significante. O foco está mudando do lidar com ligações de usuários para maximizar o valor do consumidor com integração significativa. Esses canais de comunicação são sempre integrados com bancos de dados ao longo da empresa, os quais possuem diversos tipos de informações sobre consumidores. O peso do custobenefício vai direcionar o mercado para a adoção dos customer contact centers. (SALLES, Marcos Aurélio. A relação da motivação para o trabalho com as metas do trabalhador: um estudo de caso em uma operadora de call center. Rio de Janeiro: Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, 2008. Dissertação de Mestrado Executivo em Gestão Empresarial. Disponível em . Acesso em 05 jan 2015). Muitas vezes os termos Call Center e Contact Center são utilizados como tendo o mesmo significado. Será que existe diferença entre eles ou tratase apenas de uma variedade de nomenclaturas do setor que significam a mesma coisa? Durante nossos treinamentos e seminários perguntamos aos gerentes e supervisores de call center qual o significado do setor para ele notamos as mais diversas definições, porém ao questionar se há diferenciação entre Call Center, Contact Center e Telemarketing, notamos a grande dificuldade de resposta. O Call Center envolve um conjunto de recursos (computadores, equipamentos de telecomunicação e agentes) que permitirão o fornecimento de serviços via telefone, onde o Customer Service Representative, ou operador interage com os clientes. Com necessidade de aumentar a capacidade de respostas das organizações e o surgimento de outros canais de relacionamento e interação com o cliente (chat, email, web, entre outros) os Call Center passaram a serem chamados de Contact Centers. Para Cardoso (Unified Customer Interaction: Gestão do Relacionamento num Ambiente Misto de Interacção Self e Assistida, Centro Atlântico, Lisboa), o conceito de Call Center só aparece formalmente nos anos 80, apesar de ser possível afirmar que eles existiam bem antes onde o telefone era a principal Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.690 21 ferramenta e tecnologia empregada, sendo uma atividade que consumia bastante tempo, pois os métodos de trabalho eram essencialmente manuais. No final da década de 80 começa a ser utilizada a tecnologia CTI (Computer Telephony Integration) que permitiu a integração de telefonia ao computador, o gerenciamento das ligações e a distribuição das mesmas através dos operadores e grupos de atendimento em serviços. Juntamente com a tecnologia CTI surgiu a IVR (Interactive Voice Response) possibilitando o processamento automático de pedidos e a gestão das chamadas telefônicas. O IVR é um sistema de Resposta Interactiva de Voz, usado nos serviços de apoio telefónico e permite aos clientes interagir com menus e obter informações sobre os seus serviços. Esta tecnologia tornou o atendimento mais rápido e mais eficiente permitindo encaminhar o cliente para o grupo de assistentes especializados em determinados assuntos. A utilização de outras ferramentas de comunicação como email, fax e web, trouxe a necessidade de adaptação do conceito, passando a ser chamado de Contact Center. Diante do exposta acima, podemos perceber que, apesar das diferenças entre Call Center e Contact Center que vão desde os processos de trabalho às tecnologias podemos entender os conceitos não através de uma simples diferenciação, mas sim como resultado da evolução de um setor fundamental para a economia e sociedade. (SILVA, Márcio A. Call center ou contact center: diferenciação ou evolução do setor? Disponível em < http://www.cursoscallcenter.com.br/callcenter contactcenter_13.html >. Acesso em 05 jan 2015). Ante os esclarecimentos acima reproduzidos têmse que as atividades listadas pela CNAE cód. 82202/00 compreendem os serviços de Call center e Contact Center ( Subclasse Atividades de Teleatendimento), cujas características principais são o atendimento remoto a clientes por meio de chamadas, atendimento telefônico, sistemas de integração telefonecomputador, sistemas de resposta vocal interativa ou métodos similares, visando o recebimento de pedidos, fornecimento de informação sobre produtos, atendimento a solicitações de consumidores ou a reclamações, venda ou promoção de mercadorias e serviços a possíveis clientes, realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares. Por outro lado, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) possui uma classe específica para a atividade de cobrança (“82911 COBRANÇA DE FATURAS E DÍVIDAS DE CLIENTES; ATIVIDADES DE”), e esta classe possui uma única subclasse, a saber, “82911/00 ATIVIDADES DE COBRANÇAS E INFORMAÇÕES CADASTRAIS” (consulta disponível em www.cnae.ibge.gov.br; sem destaques no original): Subclasse 82911/00 ATIVIDADES DE COBRANÇAS E INFORMAÇÕES CADASTRAIS Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.691 22 Lista de Atividades 82911/00 ANÁLISE DE CADASTRO PARA APROVAÇÃO DE CRÉDITO; SERVIÇOS DE 82911/00 ANÁLISE E APROVAÇÃO DE CRÉDITO; SERVIÇOS DE 82911/00 COBRANÇA DE FATURAS E DÍVIDAS DE CLIENTES; ATIVIDADES DE 82911/00 COMPILAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE HISTÓRICO DE CRÉDITO DE PESSOAS PARA EMPRESAS CLIENTES; ATIVIDADES DE 82911/00 CONSULTA SOBRE HISTÓRICO DE CRÉDITO DE PESSOAS POR TELEFONE; SERVIÇOS DE 82911/00 INFORMAÇÕES CADASTRAIS; SERVIÇOS DE 82911/00 INFORMAÇÕES PARA AVALIAÇÃO DE CAPACIDADE DE CRÉDITO DE PESSOAS E EMPRESAS; SERVIÇO DE (...) Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: as atividades de cobrança de faturas e de dívidas para clientes e a transferência aos clientes dos pagamentos recebidos as atividades de compilação de informações, como históricos de crédito, de emprego, para empresas clientes o fornecimento de informações sobre a capacidade de endividamento de pessoas e de empresas a instituições financeiras, ao comércio e a empresas de outras atividades que necessitam avaliar a capacidade de crédito de pessoas e empresas (...) Portanto, ratificando o contido no relatório fiscal, o serviço de cobrança não pode ser classificado entre as atividades de teleatendimento e portanto não se confunde com o serviço de call center, previsto no § 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 2008, motivo pelo qual não se enquadra na substituição previdenciária prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011. Dessa forma, ao contrário do que alega a contribuinte, temse que o presente lançamento foi devidamente motivado pela fiscalização, tendo sido expostos, no Relatório Fiscal, o conjunto de circunstâncias fáticas verificadas, bem como a hipótese de incidência das contribuições lançadas, com a indicação das normas pertinentes ao caso em tela. Cabe observar ainda que o próprio Anexo II da NR 17, aprovado pela Portaria nº 9, de 30 de março de 2007, da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, e citado como a única norma que se presta a definir o que vem a ser call center pela contribuinte, não inclui expressamente a atividade de telecobrança entre os serviços de teleatendimento/telemarketing (g.n): Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.692 23 1.1. As disposições deste Anexo aplicamse a todas as empresas que mantêm serviço de teleatendimento/telemarketing nas modalidades ativo ou receptivo em centrais de atendimento telefônico e/ou centrais de relacionamento com clientes (call centers), para prestação de serviços, informações e comercialização de produtos. E que se justificaria a aplicação da referida norma (até por similaridade da atividade) às empresas de telecobrança, por se tratar de norma protetiva da segurança e da saúde do trabalhador; mas, cabe observar que tal fato não tem reflexos na seara tributária. Por fim, para que não pairem dúvidas sobre o tema em questão, reproduzimos a seguir a ementa e trechos da Solução de Consulta nº 104 Cosit, de 22/04/2015, cujo inteiro teor consta do sitio da RFB na internet <http://www.receita.fazenda.gov.br>, sobre o qual deveria a contribuinte ter pleno conhecimento já que o assunto é de seu extremo interesse e ela colaciona em sua defesa apresentada inúmeras pesquisas realizadas, das mais diversas fontes, e vários julgados para fundamentar sua tese e, justamente, aquela que deveria ser a primeira pesquisa a ser efetuada junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Soluções de Consultas Interna (SCI)) para verificar e comprovar se, de fato, a atividade de cobrança por ela realizada estaria abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011, estranhamente, não o faz. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). COBRANÇA. CALL CENTER. A atividade de cobrança não se confunde com a atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011. Dispositivos Legais: Lei nº 11.774, de 2008, art. 14, §§ 4º e 5º; Lei nº 12.546, de 2011, art. 7º; Resoluções IBGE/CONCLA nº 01/2006 e nº 02/2006. Relatório A interessada, acima identificada, formula consulta sobre a Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) de que tratam os arts. 7º a 9º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011 (em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). 2. Informa que a empresa tem como atividade principal o teleatendimento (CNAE 82202/00), e como secundária, dentre outras, a atividade de cobrança e informações cadastrais (CNAE 82911/00) “efetuada no ambiente de Call Center, via teleatendimento ou telecobrança” (fl. 04). 3. Citando o art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011, e o § 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 2008, alega que a atividade de cobrança estaria englobada nas atividades de call center por força da Norma Regulamentadora nº 17, aprovada pela Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho (Portaria SIT) nº 9, de 30 de março de 2007, que conceituaria como call center o ambiente de Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.693 24 trabalho em que as atividades de teleatendimento e telemarketing são conduzidas via telefone e/ou rádio com utilização de computador (fl. 07). Prossegue afirmando que, como a atividade de cobrança é desenvolvida no mesmo ambiente da atividade de teleatendimento, ambas deveriam ter o mesmo tratamento tributário, ou seja, deveriam estar sujeitas à substituição previdenciária prevista no inciso I do art. 7º da Lei nº º 12.546, de 2011 (c/c § 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 2008). (...) Fundamentos (...) 6. A consulente indaga se o serviço de cobrança prestado por meio telefônico, por mensagens ou sistemas eletrônicos pode ser considerado como “serviço de call center”, nos termos do § 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 2008 (sem destaques no original): Art. 14. As alíquotas de que tratam os incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em relação às empresas que prestam serviços de tecnologia da informação TI e de tecnologia da informação e comunicação TIC, ficam reduzidas pela subtração de 1/10 (um décimo) do percentual correspondente à razão entre a receita bruta de venda de serviços para o mercado externo e a receita bruta total de vendas de bens e serviços, após a exclusão dos impostos e contribuições incidentes sobre a venda, observado o disposto neste artigo. (...) § 4º Para efeito do caput deste artigo, consideramse serviços de TI e TIC: (...) VI assessoria e consultoria em informática; VII suporte técnico em informática, inclusive instalação, configuração e manutenção de programas de computação e bancos de dados, bem como serviços de suporte técnico em equipamentos de informática em geral; e (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 5º O disposto neste artigo aplicase também a empresas que prestam serviços de call center e àquelas que exercem atividades de concepção, desenvolvimento ou projeto de circuitos integrados. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) 6.1 Esta definição teria reflexo em possível enquadramento da empresa na substituição previdenciária prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011 (sem destaques no original): Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.694 25 Art. 7º Contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) I as empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4º e 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (...) 7. Segundo informa a própria consulente, a empresa realiza a atividade de “cobrança e gerenciamento de valores recebidos” (fl. 04), atividade esta que, no seu entender, estaria englobada nas de call center, por força do Anexo II da Norma Regulamentadora nº 17, aprovado pela Portaria SIT nº 9, de 30 de março de 2007 (sem destaques no original): TRABALHO EM TELEATENDIMENTO/TELEMARKETING 1. O presente Anexo estabelece parâmetros mínimos para o trabalho em atividades de teleatendimento/telemarketing nas diversas modalidades desse serviço, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente. 1.1. As disposições deste Anexo aplicamse a todas as empresas que mantêm serviço de teleatendimento/telemarketing nas modalidades ativo ou receptivo em centrais de atendimento telefônico e/ou centrais de relacionamento com clientes (call centers), para prestação de serviços, informações e comercialização de produtos. 1.1.1. Entendese como call center o ambiente de trabalho no qual a principal atividade é conduzida via telefone e/ou rádio com utilização simultânea de terminais de computador. 1.1.1.1. Este Anexo aplicase, inclusive, a setores de empresas e postos de trabalho dedicados a esta atividade, além daquelas empresas especificamente voltadas para essa atividadefim. 1.1.2. Entendese como trabalho de teleatendimento/telemarketing aquele cuja comunicação com interlocutores clientes e usuários é realizada à distância por intermédio da voz e/ou mensagens eletrônicas, com a utilização simultânea de equipamentos de audição/escuta e fala telefônica e sistemas informatizados ou manuais de processamento de dados. 7.1. Entretanto, tal alegação não é relevante para a análise da dúvida, vez que o tratamento dado pela norma trabalhista pode não coincidir com o tratamento dado pela norma tributária. A mencionada norma regulamentadora está voltada para aspectos ambientais/laborais, com o objetivo de “proporcionar um máximo de conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente” Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.695 26 para o trabalhador (item 1), sem detalhar as atividades desempenhadas. 7.2. Por sua vez, o art. 14 da Lei nº 11.774, de 2008, tem foco na atividade desempenhada, e não no ambiente, o que pode ser verificado pela análise deste artigo, parcialmente transcrito. Por exemplo, atividades de assessoria e consultoria em informática, bem como de suporte técnico em informática (mencionadas no § 4º), podem ser exercidas em ambiente similar ao de um call center. Entretanto, aquelas atividades não são consideradas como call center, independentemente do ambiente em que são desempenhadas (como se extrai da leitura conjunta dos §§ 4º e 5º do referido artigo). 7.3 Assim, para se solucionar a dúvida levantada, é preciso analisar o disposto na Lei nº 12.546, de 2011, e também na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), pois esta classificação foi utilizada pela mencionada lei em vários de seus dispositivos para delimitar o alcance da substituição previdenciária da CPRB (ver, por exemplo, todos os demais incisos do art. 7º e o anexo II da Lei nº 12.546, de 2011). 8. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas foi elaborada sob a coordenação da Secretaria da Receita Federal e orientação técnica do IBGE, com representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. 9. A versão 2.0 da tabela de códigos e denominações da CNAE foi oficializada mediante publicação no DOU Resoluções IBGE/CONCLA nº 01, de 04 de setembro de 2006, e nº 02, de 15 de dezembro de 2006 (esta e outras resoluções podem ser obtidas no sítio http://subcomissaocnae.fazenda.pr.gov.br/modules/conteudo/con teudo.php?conteudo=18 ). 10. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) possui uma classe específica para a atividade de cobrança (“82911 COBRANÇA DE FATURAS E DÍVIDAS DE CLIENTES; ATIVIDADES DE”). Esta classe possui uma única subclasse, a saber, “8291 1/00 ATIVIDADES DE COBRANÇAS E INFORMAÇÕES CADASTRAIS” (consulta disponível em www.cnae.ibge.gov.br; sem destaques no original): (...) 11. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas também possui uma classe específica para as atividades de teleatendimento (“82202 ATIVIDADES DE TELEATENDIMENTO”). O serviço de call center é classificado na única subclasse desta classe (“82202/00 Atividades de teleatendimento / call center; serviço de”): (...) Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.696 27 12. A mera existência de uma classe específica para a atividade de cobrança e outra, diversa, para a atividade de teleatendimento (inclusive serviço de call center) já seria suficiente para demonstrar que estas atividades não se confundem. Entretanto, para melhor fundamentar este entendimento, examinase a atividade de teleatendimento. 13. Da análise da tabela CNAE, é possível extrair algumas das características das atividades de teleatendimento (subclasse 82202/00) como um todo (abrangendo, portanto, os serviços de call center). São elas: a) o serviço deve ser voltado a um cliente/consumidor, ou a um possível cliente/consumidor; b) ele há de ser remoto (não presencial); c) ele deve ter a finalidade de (i) recepcionar e, na medida do possível, dar uma resposta às solicitações ou reclamações dos consumidores, ou (ii) vender ou promover mercadorias e serviços a possíveis clientes (telemarketing), ou (iii) realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares. 14. Ora, o real cliente da empresa de cobrança é quem a contratou, e não o devedor que receberá a ligação telefônica ou qualquer outra forma de comunicação. A atividade da empresa será cobrar, e não oferecer um produto ou um serviço ao destinatário da comunicação. A estrutura da cobrança é voltada para contatar não clientes/consumidores, mas terceiros, o que já seria suficiente para não considerar o serviço de cobrança como pertencente à classe 82202 (atividades de teleatendimento). 15. Mas não é só. Também a finalidade da empresa de cobrança – recuperação de créditos – é completamente diversa das finalidades da atividade de teleatendimento (item 12, “c”, supra), o que também afastaria sua classificação entre as atividades de teleatendimento. 16. Concluise, portanto, que o serviço de cobrança não pode ser classificado entre as atividades de teleatendimento e não se confunde com o serviço de call center mencionado no § 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 2008. Consequentemente, não se enquadra na substituição previdenciária prevista no inciso I do art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011. Conclusão 17. Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo ao consulente que a atividade de cobrança não se confunde com a atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária prevista no inciso I do art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011. Portanto, ante os fundamentos acima expostos, deveria a empresa manterse atualizada a respeito do posicionamento da RFB sobre o tema, não podendo alegar o seu Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.697 28 desconhecimento para se eximir da obrigação do recolhimento da contribuição previdenciária da "parte patronal", prevista no inciso I do caput do art. 22 da lei nº 8.212/91, corretamente lançada pela fiscalização no Auto de Infração integrante deste processo administrativo fiscal, pois a atividade de cobrança por ela exercida, não se confunde com a atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela lei nº 12.546/11. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. 2.2 Alegações de inconstitucionalidade Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. 2.3 Multa qualificada A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%), por ter entendido que o contribuinte fiscalizado agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Todavia, entendo que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, compreendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de fraude por parte do contribuinte. A conduta realizada pelo contribuinte não acarreta ao meu entender ocorrência de fraude, mas sim de interpretação da legislação diversa da compreendida pela fiscalização. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.698 29 Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte da legislação, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do tributo a ser pago. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Dessa forma, entendo por necessário desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.699 30 2.4 Da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Nesse tópico, as pessoas jurídicas, chamadas como solidárias, questiona a responsabilidade atribuída nos seguintes pontos: 1) Ausência de fraude, de ato ilícito das pessoas jurídicas; 2) Não podem ser responsabilizadas como integrante do alegado grupo econômico, porque não teriam participado da situação configuradora do fato gerador dos débitos exigidos da autuada; 3) Elas não têm relação ou interesse quanto à desoneração da folha de pagamento das empresas de call center, bem como a fiscalização não teria demonstrado tal hipótese; 4) A responsabilidade conjunta, centrada unicamente na existência de grupo econômico, é não conhecer da personalidade de cada pessoa jurídica, e da personalidade patrimonial, na qual se insere a responsabilidade por suas dívidas; 5) Não basta a comprovação da existência de grupo econômico, mas deve haver a constatação de que as pessoas jurídicas tiveram participação na situação configuradora do fato gerador; 6) Não basta o mero interesse econômico; 7) A situação ocorrida foi de uma simples interpretação legal da autuada, sendo que as pessoas jurídicas envolvidas não teriam participado e nem teriam motivos para configurar tal situação; 8) O que se cobra é contribuição social previdenciária, não havendo, pois, confusão do corpo funcional da autuada com as demais pessoas jurídicas. Os empregados da autuada lá trabalham, não havendo interesse das demais em qualquer matéria relacionada; 9) É indevida a atribuição de responsabilidade pelo fato das empresas estarem organizadas para funcionar em conjunto. Não há fraude. Não há comunicação do corpo funcional entre elas; 10) A Nelson Paschoalotto Advogados Associados ainda acrescentou: a) Tem corpo funcional próprio, e recolhe as contribuições sobre a folha de pagamento; b) Não foi afetada a sua tributação pelo enquadramento da autuada no regime substitutivo; c) Tem negócios próprios de cunho jurídico, não se confundindo com a atividade de cobrança com isso, não teria interesse ou participação no ato de enquadrar a atividade da autuada como destinatária da regra específica de substituição do recolhimento previdenciário; Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.700 31 d) Recolhe as contribuições previdenciárias de forma integral, não tendo interesse em competir para a desoneração da folha de pagamento de outra empresa; e) Se fosse o caso de fraudar o Fisco, teria deixado os seus empregados registrados na autuada para se beneficiar da desoneração da folha de pagamento; 11) A De Carvalho & Faria Ltda. ainda acrescentou: a) Não teria sido demonstrado o nexo de causalidade entre a sua atividade, o seu cliente e a sua participação societária com o fato gerador; b) Não foi apresentada uma conclusão que demonstrasse a responsabilidade atribuída; c) Não teria sido citada como parte do Grupo Econômico “NP Serviços Financeiros”; d) Houve superficialidade e contradição ao ser responsabilizada em face do Grupo Econômico; e) Feriramse os princípios da tipicidade, da fundamentação, da razoabilidade e da motivação. Quanto a estes pontos suscitados pelas responsáveis tributárias, a DRJ de origem assim se manifestou: "Conforme o relatado pela fiscalização, percebese que se está diante de um grupo econômico de fato e regular: De fato, porque não se verifica a sua constituição formal através de alguma convenção pela qual as empresas envolvidas se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos objetos, ou para a participação de atividades ou de empreendimentos comuns; Regular, porque é decorrente de decisões legítimas de seus controladores, os quais promoveram a constituição de suas empresas, interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, sem artifícios para omitir, impedir, mascarar ou dificultar a identificação dos verdadeiros sócios e controladores. Não se verifica, na situação, fraude na formação do Grupo Econômico para têlo como irregular, num artifício de se eximir, ilegalmente, do pagamento de contribuições. Mas se verifica o relacionamento entre as empresas, através de seus sócios e controladores, que participam das várias empresas componentes do Grupo Econômico NP, conforme definido na visualização gráfica do Grupo, fls. 31/42 do Relatório Fiscal originário. Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.701 32 O Sr. Nelson Paschoalotto encabeça a administração das empresas, o que se tem como irrefutável a existência de um Grupo Econômico, mesmo que não formalmente constituído, tendo em vista que empresas, com centralização administrativa, formam um todo, e não várias empresas isoladas, ainda que autônomas, e com recursos e patrimônios próprios. É importante dizer que as empresas reconhecem o Grupo Econômico na medida em que existem websites fazendo referência ao Grupo NP, tais como o gruponp.com.br; reclameaqui.com.br/indices/.../gruponpnelson paschoalotto. A fiscalizada, embora não assume literalmente a existência do Grupo NP, mas também não o negue, já afirmou, quando da Intimação Fiscal DRF/BAU/SAORT nº 31/2014, que a Paschoalotto Serviços Financeiros foi apenas devedora solidária para empréstimo com destinação exclusiva à empresa Paschoalotto Administração e Serviços. Ora, não há solidariedade em dívida “por boa vontade”. Se ela é afirmada, é porque há interesse comum, é porque há um grupo de empresas, há um grupo econômico. Outro registro não menos importante: A Paschoalotto Participações Ltda., a Paschoalotto Recuperação de Créditos Ltda., a Paschoalotto Serviços Financeiros Ltda., bem como a Nelson Paschoalotto Advogados Associados possuem o mesmo endereço cadastral, qu também é apontado como domicílio tributário para as pessoas físicas, Ivone Fiori Paschoalotto, Rodrigo Paschoalotto, Vanessa Veruska Paschoalotto e Nélson Paschoalotto. Tudo, conforme se vê, leva a um interesse em comum entre as empresas, considerando que formam um conjunto sob a direção, controle e administração de um mesmo conjunto de pessoas o Sr. Nélson Paschoalotto e familiares. A hipótese, pois, é de um interesse comum nos fatos geradores (inciso I do artigo 124 do CTN), na medida em que o resultado de uma interessa às demais. Portanto, não é o fato de as empresas envolvidas terem atividades distintas, a exemplo da Nelson Paschoalotto Advogados Associados, ou corpos funcionais próprios, ou de já recolherem sobre a folha de pagamento, ou de não terem interesses na desoneração de outra empresa, ou de não haver comunicação dos corpos funcionais, ou de terem formado um Grupo com interesses ilícitos, que não é o caso, que irá definir a solidariedade tributária, mas sim a relação, a participação dos sócios e dos administradores nas empresas componentes. Ora, se a hipótese é de direção, controle e de administração de um mesmo conjunto de pessoas, pouco importa quem Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.702 33 tenha participado da configuração do fato gerador, importa é o interesse econômico / financeiro, que é um só, uma vez que as pessoas jurídicas, pelo menos as de fins lucrativos, além dos fins sociais, que ninguém duvida, são constituídas, obviamente, para gerar resultados positivos / lucros para os seus sócios. Pois bem, não se pode negar a personalidade jurídica e patrimonial de cada empresa envolvida, mas também não se pode negar o interesse na situação, porquanto, no final, o interesse é de seus proprietários, de seus sócios, que são comuns entre as empresas. Nessa razão, a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, no inciso IX de seu artigo 30, trata a responsabilidade das empresas que integram um grupo econômico de forma “objetiva”, sem a necessidade de perquirir a ocorrência de fraude e/ou a participação de cada empresa na ocorrência do fato gerador, basta o interesse comum, que é inerente ao próprio grupo. Sendo uma situação que independe da intenção, e com a previsão expressa em lei (inciso II do artigo 124 do CTN), somente se cogita na existência de grupo econômico, e, se existente, que é a hipótese, configurada está a responsabilidade previdenciária. Quanto à empresa De Carvalho & Faria Ltda., ela pertence ao Grupo não pelo fato de estar submetida a uma mesma administração, mas sim de apenas existir em função do Grupo NP, pois 100% (cem por cento) de sua receita bruta são decorrentes da prestação de serviços à fiscalizada, conforme tratado no item 8.1.1 do Relatório Fiscal “originário”. Nessa razão, a fiscalização não a deixou de considerar como uma empresa do Grupo, tendo em vista que a sua existência é em razão da própria existência do Grupo NP, sendo citada na visualização gráfica do Grupo, às fls. 31/42 do Relatório Fiscal “originário”. Assim, não se vê a alegada falta de motivação e/ou fundamentação, e nem superficialidade e/ou contradição, uma vez que a conclusão não poderia ser outra – a de que a De Carvalho & Faria Ltda. é um “apêndice” do Grupo NP, e, como tal, faz parte desse Grupo. Conforme se verifica, a fiscalização considerou a efetiva existência do Grupo NP, sendo citada na visualização gráfica do Grupo, às fls. 31/42 do Relatório Fiscal “originário”, tendo a DRJ compreendido pela manutenção da responsabilidade tributárias pelas razões apontas acima, as quais compartilho e adoto como razões de decidir. 2.5 Da responsabilidade solidária das pessoas físicas Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10825.722534/201535 Acórdão n.º 2202004.790 S2C2T2 Fl. 2.703 34 Conforme já referido no tópico da "multa aplicada", compreendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de fraude por parte do contribuinte. A conduta realizada pela contribuinte não acarreta ao meu entender ocorrência de fraude, mas sim de interpretação da legislação diversa da compreendida pela fiscalização. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. Assim, diante do fato de inexistes, ao meu entender, elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação, mas tão somente houve uma interpretação da legislação diversa da compreendida pela fiscalização, entendo que não pode ser mantida a responsabilidade tributária às pessoas físicas. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para: a) desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para 75%; b) afastar a responsabilidade tributária das pessoas físicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 2703DF CARF MF
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Numero do processo: 14474.000606/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1990 a 28/02/1999
NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
É dever do Fisco investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico-tributário, cabendo demonstrar a ocorrência dos fatos que servem de suporte à exigência fiscal de forma clara e precisa, principalmente em virtude do princípio da tipicidade cerrada e da verdade material albergada no processo administrativo fiscal. A não demonstração por parte da autoridade administrativa dos fatos e motivos que a conduziram à lavratura do Auto de Infração, refere-se ao conteúdo do ato administrativo, que tem como consequência a contaminação do lançamento por vício material por falha nos pressupostos intrínsecos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO NO TOMADOR DOS SERVIÇOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE INADIMPLÊNCIA DO PRESTADOR.
Diante da não comprovação de inadimplência do prestador dos serviços de cessão de mãodeobra anteriormente ao arbitramento fiscal no tomador, bem como, o entendimento sedimentado da jurisprudência do STJ, deve o crédito tributário ser desonerado por afrontar o disposto no artigo 37 da Lei n° 8.212/91.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. FALTA DE ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Independentemente de a empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT).
A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.
A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da arguição de sua inconstitucionalidade, ilegalidade ou de violação aos princípios constitucionais.
PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. APLICAÇÃO DO CTN.
Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, motivo pelo qual o prazo de decadência a ser aplicado às contribuições previdenciárias e às destinadas aos terceiros deve estar de conformidade com o disposto no CTN.
Com o entendimento do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social utiliza-se o seguinte critério: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do art. 173 do CTN, e, (ii) O pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no §4° do art. 150 do CTN.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.
Numero da decisão: 2401-005.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reconhecer a decadência até a competência 02/1994; b) excluir o lançamento relativo aos pagamentos feitos a título de "Mantimentos/Refeições"; c) determinar o cálculo da contribuição para o seguro de acidente do trabalho, referente ao período de 07/97 a 12/97, de acordo com a atividade preponderante por estabelecimento da empresa, individualizado pelo CNPJ; e d) excluir o lançamento relativo à responsabilidade solidária por cessão de mão-de-obra. Votaram pelas conclusões quanto à responsabilidade solidária os conselheiros Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que davam provimento parcial em menor extensão para manter o lançamento referente à responsabilidade solidária por cessão de mão-de-obra e não declarar a decadência deste levantamento para o período de 12/93 a 02/94.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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VÍCIO MATERIAL. É dever do Fisco investigar e verificar a ocorrência do fato jurídicotributário, cabendo demonstrar a ocorrência dos fatos que servem de suporte à exigência fiscal de forma clara e precisa, principalmente em virtude do princípio da tipicidade cerrada e da verdade material albergada no processo administrativo fiscal. A não demonstração por parte da autoridade administrativa dos fatos e motivos que a conduziram à lavratura do Auto de Infração, referese ao conteúdo do ato administrativo, que tem como consequência a contaminação do lançamento por vício material por falha nos pressupostos intrínsecos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO NO TOMADOR DOS SERVIÇOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE INADIMPLÊNCIA DO PRESTADOR. Diante da não comprovação de inadimplência do prestador dos serviços de cessão de mãodeobra anteriormente ao arbitramento fiscal no tomador, bem como, o entendimento sedimentado da jurisprudência do STJ, deve o crédito tributário ser desonerado por afrontar o disposto no artigo 37 da Lei n° 8.212/91. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. FALTA DE ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Independentemente de a empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 06 06 /2 00 9- 20 Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.728 2 constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da arguição de sua inconstitucionalidade, ilegalidade ou de violação aos princípios constitucionais. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. APLICAÇÃO DO CTN. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, motivo pelo qual o prazo de decadência a ser aplicado às contribuições previdenciárias e às destinadas aos terceiros deve estar de conformidade com o disposto no CTN. Com o entendimento do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social utilizase o seguinte critério: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do art. 173 do CTN, e, (ii) O pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no §4° do art. 150 do CTN. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento. Fl. 2728DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.729 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reconhecer a decadência até a competência 02/1994; b) excluir o lançamento relativo aos pagamentos feitos a título de "Mantimentos/Refeições"; c) determinar o cálculo da contribuição para o seguro de acidente do trabalho, referente ao período de 07/97 a 12/97, de acordo com a atividade preponderante por estabelecimento da empresa, individualizado pelo CNPJ; e d) excluir o lançamento relativo à responsabilidade solidária por cessão de mãodeobra. Votaram pelas conclusões quanto à responsabilidade solidária os conselheiros Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que davam provimento parcial em menor extensão para manter o lançamento referente à responsabilidade solidária por cessão de mãodeobra e não declarar a decadência deste levantamento para o período de 12/93 a 02/94. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar parcialmente o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 14ª Turma da DRJ/SP1 e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 2575/2594). Pois bem. Tratase de Notificação de Lançamento de Débito – (NFLD) DEBCAD n° 32.680.1723, lançada pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, KRAFT FOODS BRASIL S/A, nova denominação social de KRAFTA LACTA SUCHARD BRASIL S/A, no valor total de R$ 18.909.324,86 (Dezoito milhões, novecentos e nove mil, trezentos e vinte e quatro reais e oitenta e seis centavos), consolidado em 25/03/1999 que, conforme o Relatório Fiscal de fls. 376/392, e planilha anexa, de fls. 397/628, referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, da empresa, financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho – SAT (para competências até 06/97) e a partir de 07/97, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e, as destinadas aos terceiros (salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). O Contribuinte foi intimado do lançamento em 26/03/1999. Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.730 4 Os seguintes lançamentos compõem o débito originário: PAT – Programa de Alimentação Trabalhador, SAT – Diferença SAT Lacta – DSL, SAT – Diferença SAT, AJC – Ajuda de Custos Funcionário, CML Cessão de Mão de Obra – Lacta, CMO Cessão de Mão de Obra, CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refreslo, CRÊ Auxílio Creche Lacta, GLO Glosa de Compensação SAT Lacta, RCT Reclamatória Trabalhista, TML Serviço Temporário Lacta, TMP Serviço Temporário, TPQ Serviço Temporário – Q Refresko. Resumidamente, integram o lançamento as seguintes rubricas: (i) Ajuda de Custo. (ii) Auxílio Creche. (iii) Mantimentos/Refeições em desacordo com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. (iv) Processos Trabalhistas. (v) Diferenças SAT. (vi) Despesas com Cessão de Mão de Obra. (vii) Glosa de Compensação. No prazo regulamentar, a empresa impugnou o lançamento através do instrumento de fls. 642/655 e fls. 658/677, documentos às fls. 678 a 1055. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da GRAF 21.608.001, a qual a impugnante estava jurisdicionada à época do lançamento, solicitou, fls. 1067/1068 alguns esclarecimentos ao fiscal notificante no que tange aos valores considerados como saláriode contribuição da rubrica Mantimentos e Refeições em desacordo com o PAT e, quanto à cobrança de contribuições para terceiros nos levantamentos de responsabilidade solidária. Cumprida a diligência, às fls. 1069, o Auditor Fiscal informou que os valores para o cálculo do saláriodecontribuição da rubrica Mantimentos/Refeições já levaram em consideração os descontos da parte do empregado. Também declara que dos levantamentos referentes à responsabilidade solidária devem ser excluídos os valores cobrados a título de terceiros. Posteriormente, o mesmo setor baixou o processo em diligência, (fls. 1077/1078), tendo em vista as alegações e documentos apresentados pela empresa, mormente no que se refere aos levantamentos de responsabilidade solidária. Às fls. 1784/1924, encontrase o resultado da diligência que concluiu, motivadamente, pela retificação dos levantamentos CMQ, CML, TML, CMO, TMP, ante a pesquisa realizada, com referência às diversas empresas prestadoras de serviço e a documentação apresentada pela empresa. Salientase que cópia da informação fiscal, das planilhas e suas alterações foram encaminhadas como Anexos da DecisãoNotificação n° 14 401.4/0339/2002. Às fls. 1934/1936, mediante provocação da autoridade julgadora, a Auditoria Fiscal notificante complementa a informação fiscal anterior e faz algumas retificações nos Fl. 2730DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.731 5 valores incorretamente digitados nas planilhas que foram transcritos na DecisãoNotificação n° 14401.4/0339/2002, notadamente no item 5 da DN onde constam identificados os levantamentos, as competências, o salário de contribuição original, o salário de contribuição a retificar e o salário de contribuição retificado. Também foram revistas e excluídas da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito dos lançamentos referentes à solidariedade, as contribuições correspondentes às entidades Terceiros. A DN n° 14401.4/0339/2002, no item 11, concluiu após a análise da impugnação apresentada, do pronunciamento fiscal, das provas produzidas, e pelo disposto nos Pareceres CJ/1710/1999, de 2.521/2001 e OI/CONJ/INSS PG/DAR n° 02/1999, pela retificação do valor originariamente apurado e nas competências que relata, e mantido integralmente nas demais. Analisados os autos em confronto com a defesa apresentada pelo Contribuinte foi emitida a DecisãoNotificação n° 14401.4/0339/2002, que julgou o lançamento procedente em parte, fls. 2143/2174. A decisão foi homologada pelo Chefe da Divisão de Arrecadação do INSS/PR, fls. 2175, em 20/09/2002. A Notificada recorreu da decisão, apresentando o recurso de fls. 2180/2202, acompanhado do depósito prévio obrigatório, fls. 2222, no valor de R$ 5.105.355,06, restituído pela AP n° 001/2007 no montante de R$ 9.212.102,67 {5.105.355,06 (total líquido) + 4.106.747,61 (Juros Selic)}, fls. 2425, alegando, em síntese: a) Que a decisão da autoridade “a quo” está inquinada de nulidade insanável, já que desconsiderou quando da prolatação da decisão o pagamento realizado das rubricas: “ajuda de custo”, “auxíliocreche” e “processos trabalhistas”. b) Que em virtude da decadência, consoante o disposto nos artigos 150, § 4° e 156, VI, do CTN, os períodos de 01/1990 a 03/1994 não poderiam ter sido cobrados. c) Que relativamente à rubrica Programa de Alimentação ao Trabalhador, o julgador “a quo”, contrariou a posição do Superior Tribunal de Justiça, alegando que a ausência de inscrição da Recorrente no Programa de Alimentação do Trabalhador junto ao Ministério do Trabalho é o bastante para sustentar o lançamento efetuado. No entanto, há que se salientar a necessidade de serem conferidas sanções premiais à recorrente que, voluntariamente se engajou no programa orientado em razão da política global do Estado, devendo as normas ser interpretadas de maneira mais proveitosa para as partes. Que a aplicação da doutrina do Direito Premial, deve levar à conclusão de total improcedência da exação, já que esta foi edificada pela simples interpretação literal de atos administrativos, sob um rigorismo exacerbado. d) Que com relação às diferenças de SAT cobradas, caberia ao agente fiscal determinar o grau de risco da atividade desenvolvida pela recorrente através da sua observação efetiva e não a partir da interpretação de um código lançado em uma tabela que não abrange todas as atividades, não exaurindo o objetivo para o qual foi criada. Ademais, que para os períodos de julho de 1997 a 02/1999, o recolhimento do SAT nos moldes preconizados pelo Decreto 2.173/97 viola flagrantemente os Princípios da Equidade no Custeio Fl. 2731DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.732 6 da Previdência Social, da Capacidade Contributiva, da Legalidade apresentando a contribuição do Seguro Acidente do Trabalho faceta de inconstitucionalidade. Que o dispositivo regulamentar não encontra amparo constitucional ou legal, já que a Lei 8.212/91 não autorizou a generalização pretendida com base na atividade preponderante a qual acarreta uma majoração indevida do tributo, além de tomar impreciso e inválido o procedimento pretendido pela fiscalização. e) Que por decorrência lógica, é plenamente aceitável, a compensação levada a efeito pela sociedade nos períodos de janeiro de 1992 a maio de 1993, em virtude de reenquadramento do grau de risco da atividade desenvolvida em seus estabelecimentos, ocorrido em junho de 1993, o qual reduziu o percentual de 3 para 2%, não podendo o agente fiscal glosar tais valores. f) Que no que tange à exigência a título de responsabilidade solidária – cessão de mãodeobra, refuta os fundamentos do julgador singular, baseados em presunção, sem amparo no ordenamento, com mais uma violação do princípio da legalidade. Alega ainda que se o INSS não fiscalizar as sociedades fornecedoras de mãodeobra para se informar acerca do recolhimento da contribuição previdenciária, poderá experimentar enriquecimento sem causa, não cabendo à tomadora substituirse ao INSS na fiscalização dos procedimentos adotados pelos cedentes de mãodeobra. Ao final solicita a produção de provas, juntada de novos documentos realização de prova pericial, sustentação oral e reitera o endereço dos advogados para fins de intimação. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos apresentou contrarrazões (fls. 2228/2233), incialmente afastando a ocorrência de qualquer nulidade a ser declarada com referência à DecisãoNotificação recorrida e esclarecendo que o julgador singular não desconsiderou o pagamento efetuado das rubricas “ajuda de custo”, “auxílio creche” e “processos trabalhistas”. Esclarecendo que o pagamento de parte do débito após a ciência da lavratura não tem o condão de alterar ou retificar o lançamento, motivo pelo qual não é matéria a ser apreciada na sede do contencioso administrativo. Não se trata de matéria impugnada, muito pelo contrário, considerada pelo próprio sujeito passivo como procedente. Os autos foram encaminhados ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, onde foi distribuído e encaminhado à 2ª Câmara de Julgamento, fls. 2234. Por meio da Decisão n° 000143, de 11/12/2004, fls. 2235/2241, os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, Decidiram, por Maioria, em converter o julgamento em diligência, a fim de que fosse demonstrada a cessão de mãodeobra de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 31, § 3° da Lei 8.212/91, excetuadas as empresas de trabalho temporário. Apresentou Voto Divergente, o Relator Representante das Empresas, Antonio Corrêa Júnior, sendo vencido. Cabe destacar o seguinte trecho do voto vencedor: [...] No caso em análise, embora o Auditor Fiscal notificante tenha entendido que houve cessão de mãode obra, não chegaram a demonstrar os requisitos legais citados anteriormente. A fim de preservar a correção do Fl. 2732DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.733 7 lançamento, e em respeito aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa, entendemos que tal irregularidade deve ser sanada. A aludida caracterização, no nosso entender, só seria prescindível no caso das empresas de trabalho temporário, pois nessa hipótese a cessão de mãodeobra é inerente à própria natureza dos serviços desenvolvidos, a teor da Lei n° 6.019/74. Conclusão: Voto pela conversão do julgamento em diligência, para que: sejam os autos remetidos ao Auditor Fiscal notificante, a fim de que seja demonstrada a cessão de mãodeobra no caso em tela, de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 31, § 3° da Lei n° 8.212/91, excetuadas as empresas de trabalho temporário; após, seja o contribuinte intimado a se manifestar no prazo de 05 dias. De acordo com o entendimento consolidado pela Egrégia 2ª CAJ, a demonstração dos requisitos: (i) colocação da mãodeobra à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros; (ii) continuidade dos serviços realizados pelos segurados colocados à disposição do contratante é condição essencial de validade do lançamento, pois o Auditor Fiscal da Previdência Social, enquanto agente da Administração Pública, está vinculado aos seus princípios norteadores, notadamente o princípio da legalidade. A Lei 8.212/91 teria estabelecido requisitos para a configuração da cessão de mãodeobra, incumbiu à fiscalização o ônus de sua demonstração, pois embora a Lei conceda aos atos da fiscalização a presunção de legitimidade, também determina que estes atos devem ser devidamente fundamentados. O entendimento contrário implicaria em cerceamento de defesa para o contribuinte, pois não teria este como impugnar o lançamento, haja a vista a ausência de fundamentação fática. No caso em análise, embora o Auditor Fiscal notificante tenha entendido que houve cessão de mãodeobra, não chegaram a demonstrar os requisitos legais citados anteriormente. A fim de preservar a correção do lançamento, e em respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, entende que tal irregularidade deve ser sanada. A aludida caracterização, entendem, só seria prescindível no caso das empresas de trabalho temporário, pois nessa hipótese a cessão de mãodeobra é inerente à própria natureza dos serviços desenvolvidos, a teor da Lei n° 6.019/74. Cumprida a diligência, a teor do despacho de fls. 2290/2296, foi feita a comunicação à empresa, cientificada em 24/08/2004 e, concedido prazo de dez dias para apresentação de razões, fls. 2298. A empresa não apresentou suas razões no prazo concedido, fls. 2303/2304. Da Diligência ressalto as seguintes informações do Auditor Fiscal diligente: Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.734 8 (i) Apesar de formalmente solicitado através do TIAD (fls. 2247/2249) a empresa apresentou apenas os contratos das empresas: Gocil Serviços de Vigilância e Segurança Ltda./Indústria de Chocolates Lacta S/A; Settle Consultoria, Assessoria e Sistemas Ltda./Indústria de Chocolates Lacta S/A; PST Serviços Técnicos Ltda. / KIBON S/A; Gerra e Gerra S/C Ltda. / KIBON S/A; Orbram – Segurança e Transporte de Valores Ltda./ IAG – Indústrias Alimentícias Gerais S/A; Orbram – Organização E. Brambilla Ltda. / IAG – Indústrias Alimentícias Gerais S/A; SOC’S Serviço Ostensivo de Corpo de Segurança S/C Ltda. / IAG – Indústrias Alimentícias Gerais S/A; Faukan Ltda. / KIBON S/A. (ii) Que a empresa não logrou identificar os demais prestadores arrolados nos levantamentos como sendo “Serviços de Terceiros”, “Serviços Executado por Terceiros” e outras denominações utilizadas pela empresa em sua escrituração contábil, da mesma forma em que não conseguiu identificar, quando do levantamento proposto pela AFPS Notificante. (iii) Que da análise do contido nos contratos que lhe foram apresentados, concluiu o Auditor Fiscal, responsável pela diligência, que restou claro que os serviços contratados pela empresa tem efetivamente a natureza de Cessão de Mão de Obra, expressamente tipificadas no parágrafo 4°, do artigo 31, da Lei 8.212/91, pois que, tratamse em sua maioria de serviço de vigilância, segurança, limpeza, conservação e serviço de copa, serviços esses não diretamente relacionados com a atividade finalística da empresa. (iv) Informou o Auditor Fiscal que deixou de emitir autodeinfração por falta de apresentação de documentos ou sua apresentação deficiente, uma, porque já foi emitido o autodeinfração n° 35.132.7827 com a mesma finalidade quando da diligência efetuada pela AFPS notificante em 15/02/2001, outra, porque a empresa aparentemente desconhece o paradeiro dos livros e documentos requeridos, porque em sua maioria tratamse de livros e documentos de empresas incorporadas. (v) Informa ainda, que analisando o contido no presente processo, constatou que o AFPS que efetuou a diligência anterior, propôs a exclusão de base de cálculo nas diversas competências correspondente levantamentos CMQ, CML, CMO, TML e TMP, que foi acolhido pelo Serviço de Análise, contudo, verificouse que a exclusão não abrangeu a rubrica “contribuição do empregado” incidente sobre as mesmas bases de cálculo. (vi) E, entendendo ser necessário a exclusão daqueles valores do débito, relacionou por levantamento, nas suas correspondentes competências, os valores que devem ser excluídos, fls. 2291/2296. Posteriormente, o processo foi encaminhado à 2ª CaJ, pelo Serviço de Análise de Defesa e Recursos em Curitiba – PR (14401.4), após expirado o prazo para manifestação da interessada e, sem que as tivesse apresentado e, foi observado pelo Fiscal Analista que a retificação do débito informada deverá ser analisada e consubstanciada em Acórdão do CRPS quando do julgamento do recurso pendente de julgamento, tendo em vista a instância de julgamento ser, naquele momento, do CRPS. Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.735 9 A 2ª CAJ proferiu, então, o Acórdão n° 0000740, de 13/07/2006, fls. 2315/2319, que anulou a Decisão Notificação n° 14.401.4/0339/2002, fls. 2143/2174, por unanimidade dos votos, para que fosse analisada a contabilidade das prestadoras de serviços remanescentes, objetivando comprovar a regularidade, ou não, de suas contribuições perante a Previdência Social, assegurando a existência do crédito imputado à Notificada por solidariedade. Os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização (14.4012), em 04/12/2006, para cumprimento do Acórdão n° 740/2006, de 13/07/2006, da 2ª CaJ, que determinou fosse efetuada pelo Serviço de Fiscalização análise da contabilidade das prestadoras de serviços mediante cessão de mãodeobra. A Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal – SAPAC, fls. 2430, manifestou no seguinte sentido: (1) Que o processo foi encaminhado ao Setor para cumprimento do Acórdão (fls. 2236 a 2239), o qual, anulou a Decisão Notificação 14.401.4/0339/2002 e determinou que, fosse analisada a contabilidade das prestadoras de serviço e, se mantidos os levantamentos referentes à cessão de mãodeobra, estes deveriam ser desmembrados em NFLD distintas por prestador de serviço. (2) Observou que o período a que se referem os levantamentos referentes à cessão de mãodeobra é de 11/1991 a 06/1998. Que a ciência do contribuinte ocorreu em 26/03/1999, portanto, estão decadentes as competências compreendidas no período de 11/1991 a 06/1993 e, que as demais competências (06/1993 a 06/1998), não estariam decadentes visto haver contencioso administrativo em andamento; (3) Salienta que no que se refere à verificação da contabilidade das empresas prestadoras de serviço, período (06/1993 a 06/1998) foi alcançado pela decadência, pois, de acordo com os autos do processo, estas não foram cientificadas do lançamento do crédito imputado ao tomador por solidariedade, não estando, portanto, obrigadas a manter a documentação contábil por tempo superior ao estabelecido em lei (parágrafo 11°, art. 32 da Lei 8.212/91, parágrafo 4°, art. 150 do CTN e inciso I do art. 173 do CTN). (4) Conclui que não é possível cumprir a determinação da 2ª CAJ – Segunda Câmara de Julgamento do CRPS (fls. 2315/2319), que determina a análise da contabilidade as empresas prestadoras de serviço, objetivando comprovar a regularidade ou não das contribuições previdenciárias com vistas a assegurar a existência do crédito. Tendo em vista o Acórdão n° 0000740/2006 da 2ª CAJ que anulou a DecisãoNotificação n° 14.401.4/0339/2002 e, para assegurar o contraditório e a ampla defesa, nos termos do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, foi aberto prazo de trinta dias para manifestação da empresa, também foi determinado o encaminhamento do despacho de fls. 2430, manifestação da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal – SAPAC, como consta do Despacho n° 131 da 6ª Turma da DRJ/CTA, fls. 2434/2435. O Contribuinte foi devidamente cientificado, em 11/09/2009, conforme AR às fls. 2437. Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.736 10 Em 30/06/2009 a Equipe de Contencioso Previdenciário da DRF – Curitiba PR, encaminhou os autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), esclarecendo que o Contribuinte foi devidamente cientificado da diligência fiscal a que se referiu o Acórdão, e informando acerca da impossibilidade de cumprimento da decisão da 2ª CAJ/CRPS, uma vez que o período do crédito, relativamente às prestadoras de serviço, estaria atingido pela decadência quinquenal, nos termos do despacho de fls. 2432/2433. A empresa KRAFT FOODS BRASIL S.A. apresentou manifestação às fls. 2440/2441, em 13/10/2009, alegando: (a) Que a decisão inicialmente proferida neste processo administrativo foi anulada pela 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, visto que a NFLD respectiva foi lavrada em desconformidade com a legislação em vigor, e sem a confirmação dos pressupostos essenciais para atribuição da responsabilidade solidária à Recorrente. (b) Que na referida decisão, foi determinada a necessária análise da “contabilidade das prestadoras de serviços remanescentes, objetivando comprovar a regularidade, ou não, de suas contribuições perante a Previdência Social, assegurando a existência do crédito imputado à Notificada por solidariedade” (Acórdão 740/2006). (c) Que decorridos mais de três anos da mencionada determinação, informa a d. fiscalização do INSS que os supostos créditos relativos aos períodos de 11/1991 a 06/1993 foram atingidos pela decadência, consoante o disposto no artigo 13, I, da Lei Complementar 128, de 19/12/2008, o qual revogou, em observância à Súmula do E. Supremo Tribunal Federal, o artigo 46 da Lei 8.212/91. (d) Que quanto aos créditos do período de 06/1993 a 06/1998, a d. fiscalização igualmente confirma estarem extintos pela decadência, porquanto mostrouse inviável a verificação da contabilidade das empresas prestadoras de serviços. Segundo o auditor fiscal, “estas não foram cientificadas do lançamento do crédito imputado ao tomador por solidariedade, não estando, portanto, obrigadas a manter a documentação contábil por tempo superior ao estabelecido em lei”. (e) Que, não logrou a d. fiscalização, nas três oportunidades que lhe foram deferidas (lavratura da NFLD e duas diligências), demonstrar os requisitos essenciais do lançamento tributário, previstos no artigo 142 do CTN e na Lei 8.212/91. (f) Diante disso, estando confirmada a invalidade integral da NFLD 32.680.1723, por sua iliquidez, incerteza e inexigibilidade, tanto pelas razões de mérito, como em função da decadência reconhecida pelo r. despacho de fls. 2351 (fl. 2430), reitera a Recorrente todas as suas alegações anteriores e seu pedido para que seja anulado o referido lançamento fiscal. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do Acórdão nº Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.737 11 1624.635 (fls. 2572/2628), de 18/03/2010, cujo dispositivo considerou procedente em parte a Impugnação, cancelando as contribuições devidas referente ao crédito nas competências: (i) de 01/1990 a 11/1993 referente ao levantamento PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador; (ii) nas competências de 11/1991 a 11/1993 referente ao levantamento CMQ Cessão de Mão de Obra – Q – refresco; (iii) de 11/1991 a 07/1993 referente ao levantamento TPQ Serviço Temporário Q Resfresko; (iv) de 01/1993 a 11/1993 referente aos levantamentos CML Cessão de Mão de Obra –Lacta, CMO – Cessão de Mão de Obra, TML Serviço Temporário Lacta e TMP Serviço Temporário, todos em razão da decadência nos termos do art. 173, inciso I do CTN e, nas competências: (v) de 06/1993 a 02/1994 referente ao levantamento DSL – SAT Diferença SAT Lacta e (vi) de 06/1993 a 01/1994 referente ao levantamento GLO Glosa de compensação SAT Lacta, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN. Com relação aos levantamentos AJC – Ajuda de custos Funcionário; CRE – Auxílio Creche Lacta e RCT Reclamatório Trabalhista, a 14ª Turma de Julgamento decidiu manter integralmente os valores apurados pela fiscalização, devendo ser apropriado ao lançamento o recolhimento em GPRS 3, cópia às fls. 2150, no valor de R$ 117.222,02, e extinto o crédito pelo pagamento. Por fim, os membros da 14ª Turma de Julgamento entenderam que nos levantamentos: CML – Cessão de Mão de Obra – Lacta, competências de 12/1993 a 12/1997; CMO Cessão de Mão de Obra, competências de 12/1993 a 06/1998; CMQ Cessão de mão de Obra – Q Refresko, competências de 12/1993 a 04/1994; TML Serviço Temporário Lacta, competências de 12/1993 a 12/1997 e, TMP Serviço Temporário, competências de 12/1993 a 06/1998 o crédito deve ser retificado conforme manifestação e planilhas elaboradas pela Fiscalização juntadas aos autos às fls. 1713/1853, às fls. 1863/1865 e, às fls. 2215/2221 e, também nesses levantamentos (CML, CMO, CMQ, TML, TMP) são excluídas as contribuições relativas aos Terceiros. Assim, alterase o valor principal, originariamente lançado, de R$ 8.830.448,37 (oito milhões e oitocentos e trinta mil e quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e sete centavos) para R$ 4.896.298,79 (quatro milhões e oitocentos e noventa e seis mil e duzentos e noventa e oito reais e setenta e nove centavos), acrescido de juros e multa de mora, consolidado em 25/03/1999, nos termos do relatório, voto e DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 2371/2489), anexado aos autos. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1990 a 28/02/1999 PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. APLICAÇÃO DO CTN. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, motivo pelo qual o prazo de decadência a ser aplicado às contribuições previdenciárias e às destinadas aos terceiros deve estar de conformidade com o disposto no CTN. Com o entendimento do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social utilizase o seguinte critério: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do art. 173 do Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.738 12 CTN, e, (ii) o pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no § 4° do art. 150 do CTN. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Não procede a arguição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES LEGAIS. Os pagamentos de verbas em desacordo com as hipóteses taxativas de sua exclusão integram o salário de contribuição e sobre estes valores incidem as contribuições sociais. Artigo 28, I c/c § 9° da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9° do Decreto 3.048/99. PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador – integram o saláriodecontribuição, e sobre ele incidem as contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a terceiras entidades, os valores relativos à alimentação fornecidos sem a devida inscrição da empresa no programa oficial instituído. SAT – Seguro Acidente do Trabalho. É devida a contribuição ao seguro de acidentes do trabalho tal qual prevista no inc. II, do art. 22 da Lei 8.212/91 e regulamentada pelos Decretos vigentes à época dos fatos geradores. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODE OBRA. SOLIDARIEDADE. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados, ressalvado o direito de regresso do contratante contra o executor. Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.739 13 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. FORMAS. A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, ressalvados os direitos de regresso e da retenção dos valores. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTENTE. A responsabilidade solidária está prevista no Código Tributário Nacional e não comporta benefício de ordem. O fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. A solidariedade prevista no art. 31, da Lei n° 8.212/91, de 24 de julho de 1991, referese às contribuições previdenciárias, não existindo responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para terceiros para nenhuma empresa. Parecer CJ/MPAS 1710, de 07/04/1999. BASEDECÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: Da Decadência Parcial do Direito de Lançar 1. Na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), lavrada em 25/03/1999, e cientificada ao Contribuinte em 26/03/1999, foram lançadas contribuições devidas à Seguridade Social, relativas ao período de 01/1990 a 02/1999. 2. Tendo sido declarado inconstitucional, por meio de Súmula Vinculante, pelo STF, o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, com o reconhecimento, pelos ministros do STF, de que apenas lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária – como a decadência, nos termos do artigo 146, inciso III, Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.740 14 alínea “b” da Constituição Federal, deve ser observado, agora, pela Administração Pública, o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) – Lei n° 5.172, de 25/10/1996. 3. Quando não ocorre nenhuma antecipação de pagamento, como no caso em análise referente aos lançamentos: PAT – Programa de Alimentação Trabalhador; CML Cessão de Mão de Obra – Lacta; CMO Cessão de Mão de Obra; CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refresko; TML Serviço Temporário Lacta; TMP Serviço Temporário e TPQ Serviço Temporário – Q Refresko, vez que não há, na presente NFLD, referência a qualquer antecipação de pagamento parcial das contribuições lançadas pela fiscalização, o prazo decadencial de cinco anos contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito, consoante o inciso I do artigo 173 do CTN. 4. Como a notificação ao Contribuinte ocorreu em março/1999, há que ser revisto o lançamento, de ofício, declarandose a decadência parcial do lançamento objeto desta Notificação, em relação às contribuições devidas à Seguridade Social, competências 01/1990 a 11/1993, sendo a elas aplicável o inciso V do artigo 156 do CTN, que prevê a extinção do crédito tributário pela decadência. 5. Assim para fins de cômputo do prazo de decadência, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, para os levantamentos abaixo identificado, mantida as competências indicadas na coluna “D”: A B C D Levantamentos Competências Estabelecimento Competência remanescente PAT – Programa de Alimentação Trabalhador 01/1990 a 04/1994 57.003.881/000111 12/1993 a 04/1994 CML Cessão de Mão de Obra – Lacta 01/1993 a 12/1997 57.003.881/000111 12/1993 a 12/1997 CMO Cessão de Mão de Obra 01/1993 a 06/1998 57.003.881/000111 12/1993 a 06/1998 CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refresko 11/1991 a 04/1994 57.003.881/000111 12/1993 a 04/1994 TML Serviço Temporário Lacta 01/1993 a 12/1997 57.003.881/000111 12/1993 a 12/1997 TMP Serviço Temporário 01/1993 a 06/1998 57.003.881/000111 12/1993 a 06/1998 TPQ Serviço Temporário – Q Refreslo 11/1991 a 07/1993 57.003.881/000111 nihil 6. Quanto à competência 12/1993, o crédito correspondente teve vencimento na competência 01/1994, razão pela qual somente a partir desta competência é que poderia ser objeto de lançamento e, portanto, também Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.741 15 não foi abrangido pela decadência, tendo em vista que poderia ser constituído até 31/12/1993 (cinco anos contados a partir do primeiro exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). 7. Quando restar evidenciado a antecipação de pagamento parcial das contribuições lançadas pela fiscalização, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir da ocorrência do fato gerador, a regra a ser aplicada é a que está estabelecida no parágrafo 4°, do art. 150, do CTN, nos termos da alínea “e” do Parecer PGFN/CAT/N° 1.617, de 18/08/2008. É o caso dos lançamentos: GLO Glosa de Compensação SAT Lacta; SAT – Diferença SAT Lacta – DSL. 8. A notificação ao Contribuinte ocorreu em março/1999, há que ser revisto o lançamento, de ofício, declarandose a decadência parcial do lançamento objeto desta Notificação, em relação às contribuições devidas à Seguridade Social, competências 06/1993 a 02/1994, sendo a elas aplicável o inciso V, do artigo 156 do CTN, que prevê a extinção do crédito tributário pela decadência. 9. Assim, para fins de cômputo do prazo de decadência, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN para os levantamentos abaixo identificados, mantida as competências indicadas na coluna “D”, para os lançamentos: GLO Glosa de Compensação SAT Lacta; SAT – Diferença SAT Lacta – DSL e, mantidos integralmente os valores nas competências contidas nos lançamentos: SAT – Diferença SAT. A B C D Levantamentos Competências Estabelecimento Competência remanescente GLO Glosa de Compensação SAT Lacta 06/1993 a 01/1994 57.003.881/000111 Nihil SAT – Diferença SAT Lacta – DSL 06/1993 a 13/1997 57.003.881/000111 03/1994 a 13/1997 SAT – Diferença SAT 08/1997 a 09/1997; 05/1998 a 02/1999 57.003.881/000111 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 10/1997 57.003.881/002246 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 10/1997 57.003.881/003307 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 09/1997 57.003.881/005423 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 57.003.881/005504 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 08/1997 57.003.881/005857 Não decadente SAT – Diferença SAT 04/1998 a 02/1999 57.003.881/006403 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/006586 Não decadente Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.742 16 SAT – Diferença SAT 07/1997 a 04/1998 57.003.881/008600 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 02/1999 57.003.881/008791 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 02/1999 57.003.881/008872 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 10/1997 57.003.881/008953 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 10/1997 57.003.881/009097 Não decadente SAT – Diferença SAT 07/1997 a 01/1998 57.003.881/009178 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 01/1999 57.003.881/009330 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1999 a 02/1999 57.003.881/009763 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 06/1998 57.003.881/009844 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/009925 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 06/1998 57.003.881/010346 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/010427 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/010699 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/010850 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/011075 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/011156 Não decadente SAT – Diferença SAT 01/1998 a 02/1999 57.003.881/011318 Não decadente 10. O prazo decadencial das contribuições destinadas aos Terceiros também deve obedecer ao prazo decadencial de 05 anos previsto no CTN, em face da interpretação sistemática da legislação. Assim, afastase a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212/91, bem como as demais disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de 10 anos para as contribuições destinadas aos Terceiros, em consonância com a Súmula vinculante n° 08 do STF. 11. Da mesma forma que para as contribuições destinadas à seguridade Social e no presente as constantes do levantamento PAT e considerando que o lançamento inclui fatos geradores ocorridos nos períodos de 01/1990 a 04/1994, com débito consolidado em 25/03/1999 e ciência pessoal dada ao contribuinte em 26/03/1999, há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL do lançamento, excluindose os valores referentes às competências 01/1990 a 11/1993, nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista que não houve recolhimentos parciais nas referidas competências, conforme pode ser constatado nos autos, notadamente no DAD – Discriminativo Analítico de Débito. Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.743 17 12. Ainda, face a Súmula Vinculante n° 8, cuja publicação se deu no Diário da Justiça (DJ) e no Diário Oficial da União (DOU) em 20/06/2008, declarando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, temse que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos que tratam dos prazos de prescrição e decadência em matéria tributária. 13. A modulação dos efeitos da decisão faz uma ressalva, no entanto, quanto aos recolhimentos já realizados pelos contribuintes, que não terão direito a restituição, a menos que já tenham ajuizado as respectivas ações judiciais ou solicitações administrativas até a data do julgamento (11 de junho de 2008). Assim, são legítimos os recolhimentos efetuados nos prazos previstos nos artigos 45 e 46 e não impugnados antes da conclusão do julgamento que declarou a inconstitucionalidade do mencionado artigo 45 da Lei n° 8.212/1991. Apenas os contribuintes que ajuizaram ações até 11/06/2008, data do julgamento no STF, serão beneficiados com a declaração de inconstitucionalidade e deverão receber de volta o tributo que foi recolhido indevidamente. Já aqueles contribuintes que não ajuizaram ações até a última quartafeira, não terão direito a reaver o que já pagaram. 14. É o caso dos autos em relação aos levantamentos: AJC – Ajuda de Custo Funcionário; CRE Auxílio Creche Lacta, RCT Reclamatória Trabalhista, não impugnados pela empresa e cujos valores foram recolhidos em GRPS 3, acostado às fls. 728, que faz parta da Impugnação (doc. 8). No caso dessas rubricas e como consta da impugnação a empresa admitiu que houve um equívoco e reconhecendo o erro, providenciou o pagamento. 15. Da ajuda de custos, do auxílio creche e dos processos trabalhistas, rubricas 2.1, 2.2 e 2.4 a empresa admite que houve um equívoco e reconhecendo o erro, providenciou o pagamento, juntando a guia de recolhimento doc. 8, fls. 728. Assim, quanto a esses levantamentos não há que se falar em exclusão dos valores levantados na NFLD 32.680.17823, seja pela aplicação do art. 173, I, seja, pelo art. 156, IV, ambos do CTN, em relação aos levantamentos CRE Auxílio Creche Lacta e, RCT Reclamatória Trabalhista, já que afastada sua ocorrência em relação ao levantamento: AJC – Ajuda de Custo Funcionário, cuja competência inicial é maio/1995. Levantamentos Competências Estabelecimento Consolidado em 25/03/1999 AJC – Ajuda de Custos Funcionário 05/1995 a 06/1995, 01/1996 a 12/1996, 01/1997 a 12/1997, 01/1998 a 03/1998, 06/1998 57.003.881/000111 56.583,34 CRE Auxílio Creche Lacta 01/1993 a 12/1993, 01/1994 a 12/1994, 01/1995 a 12/1995 57.003.881/000111 51.639,72 Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.744 18 RCT Reclamatória Trabalhista 02/1994, 07/1996 a 10/1996, 12/1996, 01/1997, 03/1997, 08/1997, 12/1997, 04/1998 a 06/1998 57.003.881/000111 8.998,96 Total 117.222,02 Constitucionalidade/Legalidade 16. As alegações da empresa relativas à inconstitucionalidade e ilegalidade de dispositivos normativos não são passíveis de apreciação por instância administrativa, devendo ser carreadas ao Poder Judiciário, que tem competência para a discussão de tais questões. Assim sendo, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surtirá efeitos enquanto vigente, e será obrigatoriamente cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) Revestida das Formalidades Legais 17. O presente lançamento não tem qualquer vício, seja de nulidade ou mesmo cerceamento de defesa, estando embasado em fatos materiais e princípios legais. O ato administrativo consubstanciado nesta NFLD possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado. A fundamentação legal do lançamento de crédito é apresentada no Relatório Fiscal, e seus anexos, no qual consta toda a legislação que embasa o lançamento, por rubrica e por competência, separados os diversos levantamentos e estabelecimentos da empresa. Possui motivo de fato, tendo havido, pela fiscalização, a verificação concreta da situação para a qual a lei previu o cabimento do ato. O Relatório Fiscal e os seus anexos possibilitam a compreensão da origem das exigências lançadas, pois descrevem de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições lançadas, o período a que se referem, as razões dos procedimentos adotados, e os demonstrativos de cálculo. 18. Quanto à arguição de nulidade por cerceamento de defesa, em razão do exíguo prazo para impugnação, temse que tanto a Lei 8.212/91 como o Decreto 70.235 são claros quanto aos prazos processuais; ademais, pedidos de dilação de prazo efetuados pela defendente, até os legalmente indeferidos, foram aproveitados a seu favor, como se constata nos autos, toda a documentação apresentada foi analisada e aproveitada para revisão dos valores lançados. 19. Verificase, também, que por ocasião da realização das diligências fiscais foram concedidos prazos para que a empresa apresentasse a documentação solicitada, com o fim de elidir a responsabilidade solidária. Constatase que a Impugnante deixou de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, como: cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas, devidamente vinculadas às notas fiscais de serviço/fatura, bem como as respectivas folhas de pagamento, e contratos Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.745 19 de prestação de serviço, assumindo, assim, a responsabilidade pelas contribuições devidas. 20. Não assiste razão à Impugnante quanto ao argumento de sobreposição de períodos da rubrica diferença de SAT. Da análise conjunta do Relatório Fiscal, do Relatório de Fatos Geradores e do Discriminativo Analítico do Débito, percebese que o AFPS utilizou levantamentos separados para apuração da diferença de SAT oriunda da empresa incorporada “Indústrias de Chocolate Lacta S/A” (período 06/93 a 12/97 e 13° salário) e da empresa “Kraft Lacta Suchard Brasil S/A” (período 07/97 a 02/99). 21. Portanto, a presente NFLD encontrase revestida das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto no caput do artigo 33, e artigo 37 da Lei n°8.212/91, vigentes à época da lavratura, tendo sido formulada de modo que a Notificada tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa, observados os princípios da motivação e da legalidade dos atos administrativos. 22. Somente para argumentar, salientese que a DecisãoNotificação n/ 14 401/0339/2002, de 20/09/2002, que declarou o contribuinte devedor do crédito de R$ 12.621.818,74 (doze milhões e seiscentos e vinte e um mil e oitocentos e dezoito reais e setenta e quatro centavos), produziu todos os efeitos em relação à parte do débito revisado por aquela decisão e que foi devidamente homologada pela autoridade competente à época do fato, fls. 2102/2103. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) – Razões de Mérito 23. Ultrapassadas as preliminares, apreciase as razões de mérito. A impugnante alega e discorre sobre: a incidência de contribuição previdenciária em relação ao levantamento referente ao fornecimento de refeições sem o amparo do PAT; sobre o levantamento de glosa de compensação do adicional de SAT – GLO Glosa de compensação SAT Lacta; os levantamentos referentes à diferença de SAT e, o da Responsabilidade Solidária. 24. Com relação ao levantamento referente ao fornecimento de refeições ou mantimentos para os funcionários, sem o amparo do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, verificase que a empresa não demonstrou a sua inscrição no referido programa nos exercícios de 1990, 1992, 1993 e 1994, pretendendo atribuir indevidamente o ônus probatório da não inscrição ao INSS, mesmo quando o próprio Ministério do Trabalho confirmou o não recebimento dos comprovantes de inscrição no PAT. Diante das evidências (nem a empresa nem o Ministério do Trabalho encontraram os comprovantes de inscrição), correto o procedimento fiscal de apurar o respectivo débito. 25. A Lei n° 8.212/91, em seu artigo 28, define o saláriodecontribuição, prevendo de forma taxativa as parcelas que não o integrariam em seu § 9° Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.746 20 e, ao contrário do que entende a impugnante, a parcela referente ao PAT, a alimentação concedida pela requerente aos seus empregados tem natureza salarial, em virtude da falta de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador junto ao Ministério do Trabalho. Temos que a parcela que foi considerada como base de cálculo do lançamento não se encaixa nas referidas hipóteses de exclusão. 26. Quanto à alegação de que a alimentação fornecida pela empresa se deu de forma onerosa, ou seja, que havia uma participação dos empregados, a qual era descontada dos seus salários, temos que o suporte parcial do custo do benefício pelos empregados não descaracterizaria a sua natureza de salário indireto e, por via de consequência, sua exclusão do campo de incidência das contribuições previdenciárias. E, nem poderia ser diferente, eis que a parte não custeada pelo benefício certamente constitui um acréscimo à sua renda mensal, já que, em não recebendo tais prestações, teria necessariamente que efetuar desembolsos com sua própria alimentação (no caso das refeições realizadas na empresa). Vale a pena ressaltar que a fiscalização no momento da apuração da base de cálculo não fez nela integrar a parcela custeada pelos empregados, confirmando assim a exatidão do procedimento fiscal. 27. Assim, o pagamento de alimentação, por empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), constitui fato gerador de contribuição previdenciária e não se trata de parcela excluída do conceito de salário de contribuição ou de “ganho eventual”. 28. Quanto à alegação de incorreção na revisão do enquadramento da empresa referente ao SAT, a empresa não demonstrou ter o fiscal utilizado código equivocado, vez que a atividade exercida pelos estabelecimentos das Indústrias de Chocolate Lacta S/A é mesmo a fabricação de doces, sujeita à alíquota de 3%, consoante Tabela de Códigos de Acidente do Trabalho. 29. Da legislação de regência, ressaltase que o artigo 26 e seus parágrafos do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social – ROCSS aprovado pelo Decreto n° 612/92 remete à Relação de Atividades Preponderantes – Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT, anexa ao Regulamento, para que a empresa se enquadre num dos três graus de risco. As aplicações de critérios objetivos constantes do Decreto regulamentador e Anexos atendem aos princípios da segurança jurídica e da legalidade administrativa, protegendo assim os contribuintes contra possíveis arbítrios da Administração Pública, caso cada Auditor Fiscal pudesse determinar o grau de risco de cada empresa por ele fiscalizada. 30. Quanto à afirmação da impugnante de que os critérios para a aplicação de alíquotas eram mais justos na vigência do Decreto n° 612/92, temos que, a previsão do Decreto 2.173/97 e do Decreto 3.048/99 atendeu perfeitamente ao que dispunha a Lei 8.212/91, notadamente no inciso II, do artigo 22, que previa a exação e, determina a aplicação das alíquotas, conforme o grau de risco. Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.747 21 31. O enquadramento num dos graus de risco era determinado pela atividade preponderante da empresa e não do estabelecimento. O critério descrito a partir do Decreto 2.172/97, artigo 26 e respectivos incisos e parágrafos, decorria da própria lei, que já previa a atribuição da alíquota por empresa, assim não há que se falar que tenha ocorrido inovação na legislação tributária, ou criação de nova base de cálculo. 32. Assim, procede o levantamento de glosa de compensação do adicional de SAT – GLO Glosa de Compensação SAT Lacta – e, também os 26 (vinte e seis) levantamentos referentes à diferença de SAT. Da Responsabilidade Solidária 33. Como já exposto, o Relatório Fiscal informa que na presente NFLD, nos lançamentos CML Cessão de Mão de Obra – Lacta; CMO Cessão de Mão de Obra; CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refresko; TML Serviço Temporário Lacta; TMP Serviço Temporário e TPQ Serviço Temporário – Q Refresko, referemse às contribuições incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados das empresas prestadoras de serviços que relaciona, considerando a responsabilidade solidária da tomadora dos serviços, inclusive em relação às empresas que incorporou, conforme determina o artigo 31, caput e parágrafos, da Lei n° 8.212/91, nas redações anteriores à Lei n° 9.711/98. 34. Em relação à solidariedade, temse que: solidariedade significa a co responsabilidade entre as partes envolvidas no negócio, gerando a obrigatoriedade de se assumir os encargos previdenciários oriundos de débitos apurados; a solidariedade fiscal é a passiva; a solidariedade não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. 35. O artigo 121, inciso II do CTN, descreve o sujeito passivo como “responsável” quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A Lei n° 8.212/91, artigo 31, e parágrafos (redação anterior à Lei n° 9.711/98), determina a responsabilidade solidária, objeto da presente NFLD, estando, portanto, amparada em lei a cobrança da obrigação do responsável tributário. 36. Conforme dispõe o artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, a responsabilidade solidária não comporta o benefício da ordem. 37. A Lei n° 8.212/91 não está em conflito com as disposições sobre solidariedade previstas no Código Civil, uma vez que a responsabilidade solidária ora contestada foi prevista na lei previdenciária, bem como existe mais de um devedor (prestador e tomador de serviços), concorrendo numa mesma obrigação (recolhimento de contribuições previdenciárias), como determina o artigo 892 e parágrafo único do Código Civil, citado pela Defendente. 38. O instituto da solidariedade não se compadece com a obrigatoriedade de se ouvir primeiro uma das partes envolvidas para, somente após ser Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.748 22 verificada a inadimplência desta, forçarse a outra ao cumprimento da obrigação. Não poderia ser exigida a prévia fiscalização da prestadora de serviço, pois tal hipótese seria benefício de ordem, e não configura o disposto na Lei, como forma de elisão da responsabilidade solidária: somente será elidida mediante comprovação dos recolhimentos. Da Não Elisão da Responsabilidade Solidária. Da Exigência de GPRS Específica 39. Está perfeitamente amparado em lei o procedimento fiscal de lançar contra a tomadora, as contribuições previdenciárias cujo recolhimento a contratante dos serviços, no caso a Notificação, não conseguiu comprovar. Para o período de 12/1993 a 12/1996, os ditames estabelecidos pelo artigo 31 e §§ da Lei 8.212/91, nas redações anteriores à Lei 9.711/98, nos trazem a hipótese de elisão da responsabilidade solidária para os casos de prestação de serviço mediante cessão de mão deobra: “somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições”. 40. Nos termos da legislação vigente, §§ 3° e 4° do artigo 31, da Lei n° 8.212/91, acrescidos pela Lei n° 9.032/95, para que ocorra a elisão da responsabilidade solidária: (a) o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço – folhas e guias específicas; (b) a tomadora de serviços deve exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento específica. 41. Vale ressaltar que para o período anterior à Lei n° 9.032/96, era possível aceitar guias de recolhimento genéricas desde que houvesse correlação entre as guias apresentadas e o serviço prestado, nos termos do Parecer/CJ n° 1830/99, o que foi observado pela fiscalização quando das diligências e que culminou na retificação do crédito nos casos revisados e confirmados pela DN n° 14401.4/0339/2002 e que responde ao questionamento da impugnante. 42. Após análise dos diversos documentos juntados na defesa, como folhas de pagamento, guias de recolhimento e declarações de contabilidade regular de algumas empresas prestadoras de serviço ou construtoras, o AuditorFiscal notificante retificou o presente débito, ora considerando as guias até então não apresentadas à fiscalização, ora dando por elidida a responsabilidade solidária da empresa notificada, como demonstrara os itens 3 a 5 da DN n° 14401.4/0339/2002, tornada nula e, que ora se reitera, como segue. 43. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da GRAF 21.608.001, à qual a impugnante estava anteriormente jurisdicionada, solicitou, às fls. 1057/1058 alguns esclarecimentos ao fiscal notificante no que tange aos valores considerados como saláriodecontribuição da rubrica Mantimentos e Refeições em desacordo com o PAT e quanto à cobrança Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.749 23 de contribuições para terceiros nos levantamentos de responsabilidade solidária. 44. Às fls. 1059, o AFPS informa que os valores para o cálculo do saláriode contribuição da rubrica Mantimentos/Refeições já levaram em consideração os descontos da parte do empregado. Também afirma que dos levantamentos referentes à responsabilidade solidária devem ser excluídos os valores cobrados a títulos de terceiros. 45. Posteriormente, o mesmo setor baixou o processo em diligência (fls. 1064/1065), tendo em vista as alegações e documentos apresentados pela empresa, mormente no que se refere aos levantamentos de responsabilidade solidária. 46. Às fls. 1713/1853, encontrase o resultado da diligência que concluiu, motivadamente, pela retificação dos levantamentos CMQ, CML, TML, CMO, TMP, ante a pesquisa realizada, com referência às diversas empresas prestadoras de serviço e a documentação apresentada pela empresa. 47. As conclusões da fiscalização foram utilizadas na DN n° 14 401.4/0339/2002, com sua nulidade, mesmo que produzindo os seus efeitos, assim, ratifico essas conclusões que constam do DADR, fls. 2371/2489. 48. Às fls. 1863/1865, mediante provocação da autoridade julgadora, a AFPS notificante complementou a informação fiscal anterior, fazendo algumas retificações nos valores incorretamente digitados nas planilhas e que ora ratificamos. 49. Os Salários de Contribuição apurados originariamente nos levantamentos sofreram correções, como segue na planilha de fls. 2612/2617 do voto. 50. A rubrica “contribuição do empregado” incidente sobre as mesmas bases de cálculo dos valores excluídos nas diversas competências correspondente aos levantamentos: CMQ, CML, CMO, TML e TMP, acima identificados, foram retificados no lançamento, após a exclusão das competências atingidas pela decadência, também demonstradas no DADR, e como segue nas planilhas de fls. 2617/2621 do voto. Do Arbitramento 51. No que diz respeito à alegação de que a base de cálculo e a alíquota utilizadas para lançar o débito por solidariedade não foram definidas em lei, em desrespeito ao princípio constitucional da estrita legalidade tributária e que a fim de se utilizar o método de aferição indireta, com base na Ordem de Serviço 176/97, seria necessário a prévia fiscalização das prestadoras de serviço, não assiste razão à Defendente. 52. Durante a auditoria, a partir do exame da contabilidade da Notificada, constatouse a contratação de empresas para cessão de empregados para Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.750 24 prestação de serviços. Foram solicitados os contratos, notas fiscais, folhas de pagamento e comprovação dos recolhimentos, referentes à mão de obra que trabalhou na tomadora. A empresa, apesar de devidamente intimada, não apresentou os contratos de prestação de serviços, nem as folhas de pagamento e guias de recolhimento GRPS específicas, tendo apresentado apenas parte das notas fiscais e no momento das diligências. 53. Ao descumprir o seu dever legal de fornecer a documentação solicitada e necessária, referente à prestação de serviços em epígrafe, o Contribuinte deu razão à inversão do ônus da prova. Há motivo, inclusive, para a inversão do ônus da prova da ocorrência efetiva da cessão de mão de obra, conforme a Declaração de Voto contida no Acórdão n° 000143/2004, à fls. 2161/2167. 54. Portanto, o arbitramento e a aferição indireta, conforme praticados pela fiscalização, no presente caso, estão completamente amparados na legislação vigente (art. 148 do CTN c/c art. 33, § 3° da Lei n° 8.212/91). 55. Tendo em vista que não foram apresentados documentos que demonstrassem a efetiva remuneração dos segurados empregados que prestaram serviço à Defendente, foi arbitrado o salário de contribuição a partir dos valores das notas fiscais/faturas. A autoridade lançadora atingiu o objetivo da auditoria fiscal realizada, através dos meios legalmente previstos. O salário de contribuição foi apurado como 40% do valor das notas fiscais/faturas, e a contribuição do segurado foi calculada pela aplicação da alíquota mínima. 56. O Parecer CGMT/DCMT n° 02/2006 pacificou o entendimento da Administração em relação à responsabilidade solidária. 57. Tampouco procede a alegação de que ao se eleger como base de cálculo o valor total das notas de serviços emitidas contra a notificada e não a remuneração paga pelas prestadoras de serviços a seus funcionários, criouse novo tributo sem previsão legal e constitucional e feriuse o princípio da capacidade contributiva, eis que foi tributado o próprio capital da notificada, vale lembrar que não se tributou o valor total das notas fiscais e sim o percentual eleito como critério para aferição indireta do tributo devido, ante a falta ou insuficiência da documentação apresentada pelo tomador de serviço. Por outro lado, não se trata de novo tributo incidente sobre o faturamento, como sustenta a impugnante, mas forma indireta de apuração das contribuições incidentes sobre a folha de salários da prestadora de serviços. Tal critério, como já exposto anteriormente, parte de uma presunção de que parcela dos valores pagos pelo tomador de serviços aos cedentes de mãodeobra há de remunerar os seus funcionários, que prestaram serviços ao tomador, pelo que restou estabelecida a vinculação material com o fato gerador das contribuições. 58. Frisese que quanto ao levantamento TMP, competência 06/97, referente à Nota Fiscal 517, verificouse erro de digitação do valor do SC. Ao invés de digitar R$ 76,30, foi digitado R$ 763,50, pelo que foi corrigido de ofício, em atenção aos princípios da legalidade objetiva e da busca da Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.751 25 verdade material que informam o processo administrativo tributário, o valor total do Salário de Contribuição a ser retirado da competência 06/96, que passou a ser R$ 51.988,79. 59. Ressaltese que as contribuições lançadas neste processo, nos lançamentos referentes à solidariedade, correspondentes às entidades denominadas terceiros, foram excluídas, de ofício, da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, conforme o disposto no Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS n° 1.710, de 07/04/1999. 60. Vale lembrar que a decisão proferida no acórdão n° 0000740, de 13/07/2006, da 2ª CAJ (fls. 2238/2242), determinou a análise da contabilidade das empresas prestadoras de serviço, objetivando comprovar a regularidade ou não das contribuições previdenciárias com vistas a assegurar a existência do crédito imputado à Notificada por solidariedade, restando impossibilitada seu cumprimento em razão da decadência. 61. Notese que, tendo sido declarado inconstitucional, por meio de Súmula Vinculante, pelo STF, o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias e, considerando o entendimento firmado no parecer PGFN/CAT n° 1617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, que, com fulcro no artigo 42 da Lei Complementar n° 73/1993, vinculou todos os órgãos autônomos e entidades do Ministério da Fazenda. 62. É o entendimento firmado no parecer PGFN/CAT n° 1617/2008 que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, como as contribuições previdenciárias, aplicase o prazo decadencial dos artigos 150, parágrafo 4°, ou 173, inciso I, do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente. 63. Assim, para efeitos de cômputo do prazo de decadência e não restando evidenciado a antecipação de pagamento parcial das contribuições lançadas pela fiscalização, aplicase a regra do art. 173, Inc. I, do CTN, para os levantamentos abaixo identificados, mantida as competências indicadas na coluna “D”: A B C D Levantamentos Competências Estabelecimento Competência remanescente CML Cessão de Mão de Obra – Lacta 01/1993 a 12/1997 57.003.881/000111 12/1993 a 12/1997 CMO Cessão de Mão de Obra 01/1993 a 06/1998 57.003.881/000111 12/1993 a 06/1998 CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refresko 11/1991 a 04/1994 57.003.881/000111 12/1993 a 05/1994 Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.752 26 TML Serviço Temporário Lacta 01/1993 a 12/1997 57.003.881/000111 12/1993 a 12/1997 TMP Serviço Temporário 01/1993 a 06/1998 57.003.881/000111 12/1993 a 06/1998 TPQ Serviço Temporário – Q Refresko 11/1991 a 07/1993 57.003.881/000111 nihil 64. Em relação ao tomador a notificação ao Contribuinte ocorreu em 26 de março/1999, motivo pelo qual o lançamento há que ser revisto de ofício, declarandose a decadência parcial do lançamento objeto desta Notificação, em relação às contribuições devidas à Seguridade Social, competências 11/1991 a 11/1993, sendo a elas aplicável o inciso V, do artigo 156 do CTN, que prevê a extinção do crédito tributário pela decadência. 65. O presente lançamento não tem qualquer vício que enseje sua nulidade, conforme consta no acórdão n° 0000740/2006 da 2ª CaJ do CRPS. 66. Das três razões que ensejaram a nulidade da Decisão Notificação de n° 14.401.4/0339/2002, fls. 2070/2101, temos que: (i) O contribuinte foi cientificado da Diligência Fiscal, fls. 1713/1856, e de todos os atos processuais que se seguiram, como consta do relatório e, apresentou nova impugnação, fls. 2360/2361; (ii) Quanto ao segundo e ao terceiro motivo, o Parecer CGMT/DCMT n° 02/2006 pacificou o entendimento da Administração em relação à responsabilidade solidária, conforme exposto anteriormente. 67. Por tudo aqui articulado, não procedem as alegações da impugnante quanto ao fato de a fiscalização não demonstrar os requisitos essenciais do lançamento tributário, seja na lavratura da NFLD e nas duas diligências que se seguiram, seja pela sua interpretação equivocada da Decisão do CRPS que anulou a Decisão Notificação de n° 14.401.4/0339/2002. O lançamento é válido, líquido e certo, conforme argumentado. 68. Diante de todo o exposto, a notificação em questão foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, encontrandose perfeitamente respaldada na legislação previdenciária, estando, portanto, correto o procedimento fiscal que retificou o débito. Conclusão 69. Por tudo aqui articulado e de acordo com a legislação pertinente, não há justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal nulo ou improcedente, razão pela qual restou caracterizado que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em epígrafe foi lavrada em conformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis. Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.753 27 70. Diante do exposto, voto pela procedência em parte do lançamento, cancelando as contribuições devidas referente ao crédito nas competências: (i) de 01/1990 a 11/1993 referente ao levantamento PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador; (ii) nas competências de 11/1991 a 11/1993 referente ao levantamento CMQ Cessão de Mão de Obra – Q – refresco; (iii) de 11/1991 a 07/1993 referente ao levantamento TPQ Serviço Temporário q Refresço; (iv) de 01/1993 a 11/1993 referente aos levantamentos CML Cessão de Mão de Obra – Lacta, CMO – Cessão de Mão de Obra, TML Serviço Temporário Lacta e TMP Serviço Temporário, todos em razão da decadência nos termos do art. 173, inciso I, do CTN e, nas competências: (v) de 06/1993 a 02/1994 referente ao levantamento DSL – SAT Diferença SAT Lacta e (vi) de 06/1993 a 01/1994 referente ao levantamento GLO Glosa de compensação SAT Lacta, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN. 71. Voto pela manutenção integral do lançamento com relação aos levantamentos AJC – Ajuda de custos Funcionário; CRE – Auxílio Creche Lacta e RCT Reclamatória Trabalhista, devendo ser apropriado ao lançamento o recolhimento em GPRS 3, cópia às fls. 2150, no valor de R$ 117.222,02, e extinto o crédito pelo pagamento. 72. Voto pela procedência em parte do lançamento, retificando os valores lançados nos levantamentos: CML Cessão de Mão de Obra – Lacta, competências de 12/1993 a 12/1997; CMO Cessão de Mão de Obra, competências de 12/1993 a 06/1998; CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refresko, competências de 12/1993 a 04/1994; TML Serviço Temporário Lacta, competências de 12/1993 a 12/1997 e, TMP Serviço Temporário, competências de 12/1993 a 06/1998, nos termos da manifestação e planilhas elaboradas pela Fiscalização juntadas aos autos às fls. 1713/1853, às fls. 1863/1865 e, às fls. 2215/2221. 73. Voto pelo cancelamento das contribuições relativas aos Terceiros, nos termos dos dispostos nos Pareceres da Consultoria Jurídica n° 1.710/1999, nos levantamentos (CML, CMO, CMQ, TML, TMP). 74. Em virtude das retificações alterase o valor principal, originariamente lançado, de R$ 8.830.448,37 (oito milhões e oitocentos e trinta mil e quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e sete centavos) para R$ 4.896.298,79 (quatro milhões e oitocentos e noventa e seis mil e duzentos e noventa e oito reais e setenta e nove centavos), acrescido de juros e multa de mora, consolidado em 25/03/1999, nos termos do relatório e voto. 75. A exclusão das competências atingidas pela decadência, e das retificações apontadas, está demonstrada no DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 2371/2489), que integra o voto, o qual demonstra os créditos exonerados e mantidos no lançamento original. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 2632/2653), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.754 28 (a) No tocante à cessão de mãodeobra, para os períodos limitados nos quais não foi reconhecida a decadência, que não foram verificadas “as contabilidades das prestadoras de serviços (...), objetivando comprovar a regularidade de suas contribuições à Previdência Social”, não atendendo, portanto, a determinação do v. Acórdão n° 740/2006, da D. 4ª Câmara de Julgamento do antigo CRPS. Como havia sido anulada a decisão de 1ª instância administrativa por este aspecto, e não foi sanada a irregularidade, deve ser cancelada a parcela remanescente da autuação, por violação ao artigo 142 do CTN. (b) No que tange ao PAT, por ser indevida a exigência tanto pelo fato de que as refeições objeto da autuação não podem ser consideradas como integrantes do “saláriodecontribuição”, como pela aplicação das regras do chamado Direito Premial, por meio das quais também se conclui pela insubsistência da exação. (c) No que se refere ao SAT, tendo em vista a regularidade dos pagamentos efetuados pela recorrente, com o correto enquadramento de seu estabelecimento, individualizado segundo o grau de risco específico da atividade naquele desenvolvida. (d) Por fim, protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de novos documentos, realização de prova pericial e sustentação oral de seu direito, reiterando, para fins de intimações, o endereço de seus advogados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento dos recursos Voluntário e de Ofício. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator Recurso de Ofício 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso de Ofício foi apresentado com supedâneo no artigo 34, do Decreto n° 70.235/72 c/c as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/97, em observância ao artigo 1° da Portaria MF n° 03/2008 que previa a interposição do apelo necessário sempre que a decisão exonerasse o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Isso porque, por meio do Acórdão n° 1624.635, proferido em 18/03/2010, a 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP1, Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.755 29 julgou procedente em parte a impugnação, alterando o valor originalmente lançado de R$ 8.830.448,37, para R$ 4.896.298,79. A Portaria MF n° 63/2017, D.O.U de 10/02/2017 (seção 1, página 12), revogou a Portaria MF n° 03/2008 e majorou o limite da alçada para a interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Dessa forma, tendo em vista que o montante exonerado foi superior, portanto, ao novo limite de alçada previsto na Portaria MF n° 63/2017, aplicável aos processos na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF n° 1031), decido pelo conhecimento do Recurso de Ofício. 2. Mérito. Conforme relatado, as exclusões foram determinadas: a) Pelo reconhecimento da decadência parcial, por aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, em relação às contribuições devidas à Seguridade Social, competências 01/1990 a 11/1993 (Súmula Vinculante n° 8 do STF), para os lançamentos: PAT – Programa de Alimentação Trabalhador; CML Cessão de Mão de Obra – Lacta; CMO Cessão de Mão de Obra; CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refresko; TML Serviço Temporário Lacta; TMP Serviço Temporário e TPQ Serviço Temporário – Q Refresko, vez que não há, na presente NFLD, referência a qualquer antecipação de pagamento parcial das contribuições lançadas pela fiscalização. b) Pelo reconhecimento da decadência parcial, por aplicação da regra do art. 150, § 4°, do CTN, em relação às contribuições devidas à Seguridade Social, competências 06/1993 a 02/1994 (Súmula Vinculante n° 8 do STF), para os lançamentos: GLO Glosa de Compensação SAT Lacta; SAT – Diferença SAT Lacta – DSL, vez que restou evidenciado a antecipação de pagamento parcial. c) Pelo reconhecimento de que o prazo decadencial das contribuições destinadas aos Terceiros também deve obedecer ao prazo decadencial de 05 anos previsto no CTN, em consonância com a Súmula Vinculante n° 08 do STF. d) Pelo reconhecimento da decadência parcial, por aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, em relação às contribuições devidas à Seguridade Social, competências 11/1991 a 11/1993 (Súmula Vinculante n° 8 do STF), para os lançamentos: CML Cessão de Mão de Obra – Lacta; CMO Cessão de Mão de Obra; CMQ Cessão de Mão de Obra – Q Refresko; TML Serviço Temporário Lacta; TMP Serviço Temporário e TPQ Serviço Temporário – Q Refresko, vez que não há, na presente NFLD, referência a qualquer antecipação de pagamento parcial das contribuições lançadas pela fiscalização. 1 Súmula CARF n° 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.756 30 e) Por ter sido reconhecido pela fiscalização erros no lançamento, corrigidos após análise dos diversos documentos juntados na defesa, como folhas de pagamento, guias de recolhimento e declarações de contabilidade regular de algumas empresas prestadoras de serviço, ora considerando as GPRS até então não apresentadas à fiscalização, dando por elidida a responsabilidade solidária da empresa notificada, conforme itens 3 a 5 da DN n° 14401.4/0339/2002, tornando nula e, reiterada pelo Acórdão proferido pela DRJ, conforme DADR de fls. 2453/2571. f) Em razão de erros nos valores digitados nas planilhas, e reconhecidos pela fiscalização, conforme fls. 1934/1936, ratificados no Acórdão de DRJ, notadamente nas fls. 2612/2621. g) Em razão de correção de ofício, efetuado pela fiscalização, no tocante aos lançamentos referentes à solidariedade, correspondentes às entidades denominadas terceiros, por força do disposto no Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS n° 1.710, de 07/04/1999, no sentido de que a solidariedade prevista no art. 31, da Lei n° 8.212/91, referese às contribuições previdenciárias, não existindo responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para terceiros para nenhuma empresa, inclusive no caso dos órgãos públicos. Assim, foram excluídos os levantamentos CML, CMO, CMQ, TML, TMP). h) Reconhecimento da extinção do crédito tributário no tocante às rubricas “ajuda de custo”, “auxílio creche” e “processos trabalhistas”, em razão do recolhimento, em GRPS 3, pelo contribuinte (fl. 2223). Sendo assim, estou de acordo com as exclusões efetuadas e nego provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 2675, e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.757 31 Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Por fim, cumpre pontuar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Mérito. 3.1. Da responsabilidade solidária – cessão de mãodeobra. Alega a recorrente que, em razão da impossibilidade de verificação da contabilidade das empresas prestadoras de serviços por ter ocorrido a decadência, o lançamento deveria ter sido anulado, por descumprimento de pressuposto fundamental para a atribuição de responsabilidade solidária à recorrente. Ademais, sustenta que o entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça, era no sentido de que, antes do advento da Lei n° 9.711/98, não havia para o tomador de serviços o dever de apurar e reter os valores devidos pelas prestadoras de serviços e, por esta razão, não era permitido à Fazenda Pública apurar tal valor mediante aferição indireta feita a partir do exame da contabilidade da primeira, sem antes apurar os possíveis recolhimentos efetuados pelas segundas. Pois bem. Destaco que, de início, vislumbro na hipótese, que o presente auto de infração foi nitidamente lavrado com base em presunção, em ofensa ao art. 142 do CTN, sendo essa nulidade insanável. Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.758 32 É de se ressaltar que, por meio da Decisão n° 000143, de 11/12/2004, fls. 2235/2241, os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, Decidiram, por Maioria, em converter o julgamento em diligência, a fim de que fosse demonstrada a cessão de mãode obra de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 31, § 3° da Lei 8.212/91, excetuadas as empresas de trabalho temporário, o que nos leva a concluir que a fiscalização não motivou o ato administrativo adequadamente. Cabe destacar o seguinte trecho do voto vencedor: [...] Observase do dispositivo legal supracitado que, para que reste caracterizada a cessão de mãodeobra, devem ser atendidos os seguintes requisitos: * colocação da mãodeobra à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros; * continuidade dos serviços realizados pelos segurados colocados à disposição do contratante. Salientamos que, antes da edição da Medida Provisória 1.6631598, posteriormente convertida na Lei n° 9.711/98, tais pressupostos constavam da redação original do § 2° do citado art. 31, bem como de suas alterações posteriores. Portanto, sua observância por parte dos Auditores Fiscais da Previdência já era obrigatória, desde a publicação da Lei n° 8.212/91. De acordo com o recente entendimento consolidado por esta Egrégia CAJ, a demonstração dos requisitos acima listados é condição essencial de validade do lançamento, pois o Auditor Fiscal da Previdência Social, enquanto agente da Administração Pública, está vinculado a seus princípios norteadores, notadamente o princípio da legalidade. Dessa forma, não pode se escusar de proceder de acordo com o que dispõe a Lei. Assim, uma vez que a Lei 8.212/91 estabeleceu tais requisitos para a configuração da cessão de mãodeobra, incumbiu à fiscalização o ônus de sua demonstração, pois embora a Lei conceda aos atos da fiscalização a presunção de legitimidade, também determina que estes atos devem ser devidamente fundamentados. O entendimento contrário implicaria em cerceamento de defesa para o contribuinte, pois não teria este como impugnar o lançamento, haja vista a ausência de fundamentação fática. Aliás, não por outro motivo a Lei de Custeio estabelece, em seu art. 37, que a notificação de débito deverá conter a discriminação clara e precisa dos fatos geradores. No caso em análise, embora o Auditor Fiscal notificante tenha entendido que houve cessão de mãodeobra, não Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.759 33 chegaram a demonstrar os requisitos legais citados anteriormente. A fim de preservar a correção do lançamento, e em respeito aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa, entendemos que tal irregularidade deve ser sanada. A aludida caracterização, no nosso entender, só seria prescindível no caso das empresas de trabalho temporário, pois nessa hipótese a cessão de mãodeobra é inerente à própria natureza dos serviços desenvolvidos, a teor da Lei n° 6.019/74. Conclusão: Voto pela conversão do julgamento em diligência, para que: sejam os autos remetidos ao Auditor Fiscal notificante, a fim de que seja demonstrada a cessão de mãodeobra no caso em tela, de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 31, § 3° da Lei n° 8.212/91, excetuadas as empresas de trabalho temporário; após, seja o contribuinte intimado a se manifestar no prazo de 05 dias. Cumprida a diligência, a teor do despacho de fls. 2290/2296, foi feita a comunicação à empresa, cientificada em 24/08/2004 e, concedido prazo de dez dias para apresentação de razões, fls. 2298. Da Diligência ressalto as seguintes informações do Auditor Fiscal diligente: (vii) Apesar de formalmente solicitado através do TIAD (fls. 2247/2249) a empresa apresentou apenas os contratos das empresas: Gocil Serviços de Vigilância e Segurança Ltda./Indústria de Chocolates Lacta S/A; Settle Consultoria, Assessoria e Sistemas Ltda./Indústria de Chocolates Lacta S/A; PST Serviços Técnicos Ltda. / KIBON S/A; Gerra e Gerra S/C Ltda. / KIBON S/A; Orbram – Segurança e Transporte de Valores Ltda./ IAG – Indústrias Alimentícias Gerais S/A; Orbram – Organização E. Brambilla Ltda. / IAG – Indústrias Alimentícias Gerais S/A; SOC’S Serviço Ostensivo de Corpo de Segurança S/C Ltda. / IAG – Indústrias Alimentícias Gerais S/A; Faukan Ltda. / KIBON S/A. (viii) Que a empresa não logrou identificar os demais prestadores arrolados nos levantamentos como sendo “Serviços de Terceiros”, “Serviços Executado por Terceiros” e outras denominações utilizadas pela empresa em sua escrituração contábil, da mesma forma em que não conseguiu identificar, quando do levantamento proposto pela AFPS Notificante. (ix) Que da análise do contido nos contratos que lhe foram apresentados, concluiu o Auditor Fiscal, responsável pela diligência, que restou claro que os serviços contratados pela empresa tem efetivamente a natureza de Cessão de Mão de Obra, expressamente tipificadas no parágrafo 4°, do artigo 31, da Lei 8.212/91, pois que, tratamse em sua maioria de serviço de vigilância, Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.760 34 segurança, limpeza, conservação e serviço de copa, serviços esses não diretamente relacionados com a atividade finalística da empresa. Destaco que as intimações para fins de esclarecimentos, por parte do contribuinte acerca da existência de efetiva ou não “cessão de mãodeobra”, foram efetuadas durante o curso do processo administrativo e não antes da lavratura do auto de infração, não cabendo ao julgador, no meu entender, sanear vício de nulidade do auto de infração com o intuito de preserválo, ultrapassando direitos e garantias do contribuinte. A motivação deve preexistir quando da lavratura do auto de infração, não sendo possível que diligências posteriores passem a integrar a motivação do lançamento tributário. Com isso, o auto de infração é claramente nulo porquanto desmotivado. Ademais, além da nulidade em virtude da violação do dever geral de motivação dos atos administrativos, o auto de infração incorre também, em particular, em violação do art. 142 do CTN2, pois não prova o que alega, como já aclarado pela doutrina: Em suma, à luz do art. 142 do CTN, em qualquer hipótese a prova da ocorrência do fato gerador do tributo está a cargo do fisco e a circunstância de ele expedir um ato administrativo de exigência tributária que pressupõe a ocorrência do fato gerador não torna a alegação dessa ocorrência coberta pela presunção da legitimidade, nem inverte o ônus da prova. Não cabe ao contribuinte provar a inocorrência do fato gerador, incumbe, isto sim, ao fisco demonstrar a sua ocorrência.3 É gizar, a propósito, que o dever de motivar o ato administrativo, assim como a verdade material – princípios regentes do processo administrativo tributário – impõem à Administração Fazendária verdadeiro dever de provar, típica e privativamente estatal – o que não foi observado no caso concreto. Não há no Auto de Infração em epígrafe, qualquer comprovação do agente autuante a respeito da ocorrência dos fatos elencados (cessão de mão deobra). Nesse contexto, nunca é demais lembrar que o ônus da prova incumbe a quem acusa, ainda que seja este o agente estatal. O interesse público ou a presunção de legitimidade dos atos administrativos não acobertam nem permitem acusação sem prova. Nesse sentido, o próprio Estado (e seus agentes) deve fazer cumprir e obedecer aos ditames constitucionais processuais, com o fim do assegurar aos cidadãos o exercício dos direitos e garantias e a segurança jurídica e resguardar, aí sim, o interesse público. Já com relação ao argumento no sentido de que antes do advento da Lei n° 9.711/98, não havia para o tomador de serviços o dever de apurar e reter os valores devidos pelas prestadoras de serviços e, por esta razão, não era permitido à Fazenda Pública apurar tal 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 GRECO, Marco Aurélio. Lançamento, in Do Lançamento, Caderno de Pesquisas Tributárias, v. 12, São Paulo: CEEU/Res. Tributária, 1987, p.1701. Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.761 35 valor, sem antes apurar os possíveis recolhimentos efetuados pelas segundas, destaco que também assiste razão à recorrente. Isso porque, com a edição da Lei nº 9.711/1998 (com produção de efeitos apenas a partir de 01/02/1999), passou a ser da empresa contratante/tomadora de serviços a responsabilidade exclusiva pelo recolhimento da contribuição previdenciária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/1991. É ver os exatos termos do artigo 29 da Lei nº 9.711/1998 que determinou a produção de efeitos apenas prospectivos: Art. 29. O art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, produzirá efeitos a partir de 1o de fevereiro de 1999, ficando mantida, até aquela data, a responsabilidade solidária na forma da legislação anterior. Cabe destacar que a redação anterior do artigo 31 da Lei nº 8.212/1991 já previa a responsabilidade solidária do contratante de serviços, porém, antes de proceder à cobrança da tomadora, necessário seria, verificar a contabilidade da prestadora para fins de apuração e constituição do crédito. Nessa esteira, o STJ tem entendido que, nos períodos anteriores a 01/02/1999, o lançamento contra o tomador de serviços requer prévia fiscalização da(s) prestadora(s), o que, segundo se infere dos autos, não ocorreu no caso concreto. É ver os seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ.(grifei) 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.762 36 Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1348395/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/11/2012, DJe 04/12/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EMPRESA CONTRATANTE. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. SOLIDARIEDADE. REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N. 9.711/87 QUE ESTABELECEU A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO / AFERIÇÃO INDIRETA APENAS A PARTIR DA CONTABILIDADE DA EMPRESA CONTRATANTE (DEVEDORA SOLIDÁRIA). ART. 33, § 6º, DA LEI N. 8.212/91 E 148 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O presente caso cuida de situação anterior à Lei n. 9.711/98, hipótese diversa da retratada no acórdão embargado, merecendo, portanto, reforma. Houve omissão quanto à tese de que a responsabilidade da sociedade tomadora somente poderia ter sido invocada se ficasse constatada, mediante verificação da autarquia previdenciária junto à prestadora dos serviços, o inadimplemento da contribuição previdenciária. 2. Não existindo para o contratante, antes da Lei n. 9.711/98, o dever de apurar e reter valores, não era permitido à Fazenda Pública utilizarse da técnica do § 6º do art. 33 da Lei n. 8.212/91 para aferir indiretamente o montante devido a partir do exame da contabilidade da empresa contratante de mão de obra, sem antes buscar a apuração da base de cálculo e de eventuais pagamentos realizados na documentação do contribuinte (executor/cedente). Isso deveria ter ocorrido primeiramente em relação à contabilidade de quem tinha o dever de apurar e pagar o tributo, ou seja, a empresa cedente de mão de obra. 3. Sendo insuficiente a documentação da empresa contribuinte, seria possível ao órgão fazendário buscar na documentação de terceiros, tal como o contratante, os elementos necessários à estipulação do tributo devido mediante arbitramento (art. 148 do CTN). 4. Apenas a partir da Lei n. 9.711/98, quando a empresa contratante de mão de obra passou a ser responsável tributário, se tornou possível aplicar a técnica da aferição indireta do § 6º do art. 33 da Lei n. 8.212/91 diretamente em relação à sua contabilidade, porquanto passou competir a ela o dever de apurar e efetivar retenções em nome da empresa cedente. 5. Dessarte, não se está a negar a solidariedade entre a empresa contratante e a cedente de mão de obra antes da Lei n. 9.711/98. O óbice à cobrança intentada pela Fazenda Pública é a forma utilizada para Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.763 37 apurar o crédito tributário, porquanto se utilizou da aferição indireta a partir do exame da contabilidade do devedor solidário apenas, deixando de buscar os elementos necessários junto à empresa cedente (contribuinte). 6. Precedentes: AgRg no REsp 840179/SE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24.3.2010; REsp 727.183/SE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 18.5.2009; e REsp 780.029/RJ, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 5.11.2008. 7. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes. (STJ EDcl no AgRg no Ag: 1043396 RJ 2008/00891601, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 05/10/2010, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 15/10/2010) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EMPRESA CONTRATANTE. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. SOLIDARIEDADE. REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N. 9.711/87 QUE ESTABELECEU A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO / AFERIÇÃO INDIRETA APENAS A PARTIR DA CONTABILIDADE DA EMPRESA CONTRATANTE (DEVEDORA SOLIDÁRIA). ART. 33, § 6º, DA LEI N. 8.212/91 E 148 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O cerne da questão ora debatida é saber se o § 6º do art. 33 da Lei n. 8.212/91 podia ser aplicado ao contratante de mão de obra em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n. 9.711/98, que conferiu nova redação ao art. 31 da Lei n. 8.212/91. 2. Não existindo para o contratante, antes da Lei n. 9.711/98, o dever de apurar e reter valores, não era permitido à Fazenda Pública utilizarse da técnica do § 6º do art. 33 da Lei n. 8.212/91 para aferir indiretamente o montante devido a partir do exame da contabilidade da empresa contratante de mão de obra, sem antes buscar a apuração da base de cálculo e de eventuais pagamentos realizados na documentação do contribuinte (executor/cedente). Isso deveria ter ocorrido primeiramente em relação à contabilidade de quem tinha o dever de apurar e pagar o tributo, ou seja, a empresa cedente de mão de obra. 3. Sendo insuficiente a documentação da empresa contribuinte, seria possível ao órgão fazendário buscar na documentação de terceiros, tal como o contratante, os elementos necessários à estipulação do tributo devido mediante arbitramento (art. 148 do CTN). 4. Apenas a partir da Lei n. 9.711/98, quando a empresa contratante de mão de obra passou a ser responsável tributário, se tornou possível aplicar a técnica da aferição indireta do § 6º do Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.764 38 art. 33 da Lei n. 8.212/91 diretamente em relação à sua contabilidade, porquanto passou competir a ela o dever de apurar e efetivar retenções em nome da empresa cedente. 5. Dessarte, não se está a negar a solidariedade entre a empresa contratante e a cedente de mão de obra antes da Lei n. 9.711/98. O óbice à cobrança intentada pela Fazenda Pública é a forma utilizada para apurar o crédito tributário, porquanto se utilizou da aferição indireta a partir do exame da contabilidade do devedor solidário apenas, deixando de buscar os elementos necessários junto à empresa cedente (contribuinte). 6. "(...) a responsabilidade solidária de que tratava o referido artigo 31 da Lei 8.112/91, com a redação da época, não dispensava a existência de regular constituição do crédito tributário, que não poderia ser feita mediante a aferição indireta nas contas da tomadora dos serviços." (REsp 727.183/SE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 18/05/2009) 7. Agravo regimental não provido. (STJ AgRg no REsp: 840179 SE 2006/00857907, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 09/03/2010, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 24/03/2010) Depreendese, pois, que apenas a partir da Lei n° 9.711/98, quando a empresa contratante de mãodeobra passou a ser responsável tributário, se tornou possível aplicar a técnica da aferição indireta do § 6º do art. 33 da Lei n. 8.212/91 diretamente em relação à sua contabilidade, porquanto passou competir a ela o dever de apurar e efetivar retenções em nome da empresa cedente. Ante o exposto, ancorado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entendo pela improcedência da exigência fiscal a título de responsabilidade solidária por cessão de mãodeobra. 3.2. Do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Alega a recorrente que, com o objetivo de proporcionar maior conforto e comodidade a seus empregados, garantindo, concomitantemente, maior produtividade para si, proporciona refeições em suas dependências, as quais são pagas pelos próprios empregados, mediante desconto em folha de salários. Dessa forma, entende que as refeições não poderiam ser consideradas como integrantes do “saláriodecontribuição”, posto que, quando muito, devem ser tidas como mera relação comercial realizada entre as partes e tendo por objeto a respectiva prestação de direito disponível. Ademais, no tocante à ausência de inscrição no PAT, alega que providenciou o registro no programa nos anos de 1990 e 1992, sendo que em relação aos exercícios de 1990, 1992, 1993 e 1994 tais registros não foram encontrados, de modo que o auto de infração não poderia se sustentar sob um rigorismo exacerbado que vê “meios” destituídos de “fins”, como se o PAT tivesse finalidade divorciada com a política global do Estado. Propõe uma interpretação teleológica (finalística) da lei e dos atos administrativos e da novel teoria do Direito Premial. Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.765 39 Consta no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 32.680.1723 (fls. 380/397) o seguinte: 2.3. Da Rubrica Mantimentos/Refeições em desacordo com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador 2.3.1. O crédito é proveniente da empresa QRefresko S/A, CGC 52.005.097/000129 e filiais, incorporada conforme consta da Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 30/05/1994. 2.3.2. A base de cálculo da contribuição previdenciária é o “saláriodecontribuição”, assim considerado, para o empregado, a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês, em uma ou mais empresas, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvadas as exclusões legalmente expressas, e para o empresário, o saláriobase (art. 28, inciso I, III e parágrafos da Lei n° 8.212/91). 2.3.3. A empresa apurou na forma da lei o saláriode contribuição, conforme consta de suas Folhas de Pagamento de Salários. Na análise dos Lançamentos Contábeis constantes dos Livros Diário e Razão, constatamos a existência da conta Despesas com Mantimentos/Refeições, fornecidos mensalmente aos seus empregados. A empresa apresentou os comprovantes de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalho – PAT, apenas dos exercícios de 1988, 1989 e 1991. Nos exercícios de 1990, 1992, 1993 e 1994 a empresa não participou do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, conforme OFÍCIO/Mtb/SSST/PAT/N° 274/98 de 24 de junho de 1998 do Ministério do Trabalho (fornecido pela empresa, cópia anexa ao Relatório Fiscal). 2.3.4. Assim, considerando que tem natureza salarial o fornecimento de refeições/mantimentos, sejam em espécie ou “in natura” sem que o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT esteja previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho, os valores lançados a título de mantimentos/refeições constituem base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, integrando, portanto, o saláriodecontribuição nos exercícios de 1990, 1992, 1993 e 1994, quando a empresa deixou de se inscrever no referido programa, conforme prevê: (...) A decisão de piso entendeu da seguinte forma: [...] 36.5. Quanto à alegação de que a alimentação fornecida pela empresa se deu de forma onerosa, ou seja, que havia uma participação dos empregados, a qual era Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.766 40 descontada dos seus salários, temos que o suporte parcial do custo do benefício pelos empregados não descaracterizaria a sua natureza de salário indireto e, por via de consequência, sua exclusão do campo de incidência das contribuições previdenciárias. E, nem poderia ser diferente, eis que a parte não custeada pelo benefício certamente constitui um acréscimo à sua renda mensal, já que, em não recebendo tais prestações, teria necessariamente que efetuar desembolsos com sua própria alimentação (no caso das refeições realizadas na empresa). Vale a pena ressaltar que a fiscalização no momento da apuração da base de cálculo não fez nela integrar a parcela custeada pelos empregados, confirmando assim a exatidão do procedimento fiscal. 36.6. Assim, o pagamento de alimentação, por empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), constitui fato gerador de contribuição previdenciária e não se trata de parcela excluída do conceito de salário de contribuição ou de “ganho eventual”. Entendo que, neste ponto, assiste razão á recorrente. Isso porque, conforme reiteradas decisões emanadas do Superior Tribunal de Justiça, e reconhecidas, inclusive, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, independentemente da empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados, por não possuir natureza salarial. Ante o exposto, determino a exclusão do lançamento atinente à rubrica “Mantimentos/Refeições em desacordo com o PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador”. 3.3. Do Seguro Acidente do Trabalho – SAT. Alega a recorrente que as atividades desenvolvidas, nos estabelecimentos que ensejaram a lavratura da presente NFLD (estabelecimentos das Indústrias de Chocolate Lacta), eram de distribuição dos produtos vindos das unidades industriais, e os lotes recebidos eram divididos e redistribuídos em lotes menores, para os clientes da recorrente. Assim, alega que o manuseio dos produtos Lacta nos centros de distribuição era feito com cuidados distintos dos atribuídos aos alimentos em geral, já que são comercializados em unidades de pequeno peso, variando entre 2,7 e 12kg, devendo esta peculiaridade ser levada em conta quando do enquadramento do grau de risco de tais estabelecimentos no SAT. Sustenta, pois, que caberia ao agente fiscal determinar o grau de risco da atividade desenvolvida pela recorrente por meio de observação efetiva, e não a partir da interpretação de um código lançado em uma tabela. Assim, considerando que tais estabelecimentos individualizados pelo seu CNPJ, desenvolviam atividade de distribuição dos Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.767 41 produtos vindos das unidades industriais, com grau de risco médio (2%), não poderiam ser compelidas a recolher o SAT pela alíquota de 3%, correspondente ao risco grave. E, ainda, alega que, para os períodos de julho de 1997 a fevereiro de 1999, o recolhimento do SAT nos moldes preconizados pelo Decreto n° 2.173/97 (revogado pelo Decreto n° 3.048/99 que atualmente regulamente a matéria) violaria flagrantemente os princípios constitucionais da equidade no Custeio da Previdência Social e da legalidade, constantes, respectivamente, dos arts. 194 e 150 da CF/88, vez que elegeu a atividade econômica preponderante, assim entendida a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos ou médicosresidentes, como elemento generalizados de enquadramento. Para o período de 01/11/91 a 30/06/97, entendo que agiu com acerto a decisão de piso, pois a atividade exercida pelos estabelecimentos das Indústrias de Chocolate Lacta S/A estava sujeita à alíquota de 3%, consoante Tabela de Códigos de Acidente do Trabalho. Cabe ressaltar que o Decreto nº 612/92 estabelecia como o critério para aferição da atividade preponderante o maior número de empregados por estabelecimento, sendo que era considerado estabelecimento da empresa a dependência, a matriz ou filial (art. 26, § 2°, do Decreto n° 612/92). Já para o período de 07/97 a 12/97, com superveniência do Decreto 2.173/97, a verificação de risco da atividade preponderante passou a ser feita considerando a empresa como um todo, o que foi mantido pelo Decreto nº 3.048/99. Após reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a cobrança do SAT deve ser feita levandose em consideração o grau do risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio, ou, quando houver apenas um registro, tomando por base o grau de risco da atividade preponderante, foi editada a Súmula nº 351 do STJ, com a seguinte redação: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” O entendimento foi reconhecido no Parecer PGFN nº 2.120/2011 e Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, de modo que o enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Vale ressaltar que a fiscalização lavrou o auto de infração considerando o enquadramento no correspondente grau de risco observando a preponderância da atividade que ocupava o maior número de segurados dentro da empresa, e não de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ. Dessa forma, entendo que assiste razão à recorrente, de modo a determinar o recálculo da Contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ, nos termos das alíquotas vigentes à época. Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.768 42 Em relação aos demais argumentos trazidos pela recorrente, estes escapam à competência legal da autoridade julgadora de instância administrativa, sobretudo por não ter competência para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. De toda sorte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, na ocasião do julgamento do RE nº 343.446/SC, Relator o Ministro Carlos Velloso, DJ de 4/4/03, declarou constitucional a instituição, mediante lei ordinária, da contribuição ao Seguro Acidente de Trabalho (SAT), afastando as alegações de ofensa aos princípios da isonomia e da legalidade. Naquela oportunidade, entendeu o STF, sobre o poder regulamentar de que trata o art. 84, IV, da CF/88, que “o fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos riscos de ‘atividade preponderante’ e ‘grau de risco leve, médio e grave’, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F, art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I”. Ante o exposto, acolho as razões da recorrente, para determinar o recálculo da Contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), referente ao período de 07/97 a 12/97, de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ, nos termos das alíquotas vigentes à época. 3.4. Da decadência. Embora não arguido pela recorrente, e por se tratar de matéria de ordem pública, no tocante à decadência, cabe invocar ao caso em questão entendimento já sumulado no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Dessa forma, entendo que cabe reconhecer a decadência de todo o crédito tributário remanescente em sede recursal, até a competência 02/1994, reformando a decisão recorrida que, para fins de aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, reconheceu pagamento antecipado, apenas os recolhimentos parciais considerados mediante análise individualizada de cada rubrica especificamente exigida no auto de infração, e não do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação. 4. Do pedido de produção de provas e juntadas de novos documentos, bem como de realização de prova pericial. Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 14474.000606/200920 Acórdão n.º 2401005.849 S2C4T1 Fl. 2.769 43 Quanto ao pedido de juntadas de novos documentos, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, são expressos em relação ao momento em que as alegações da recorrente, devidamente acompanhadas dos pertinentes elementos de prova, devem ser apresentadas, ou seja, na impugnação. Portanto, não cabe à recorrente se valer de pedido de diligência para apresentar provas não trazidas aos autos no momento oportuno, quando esse ônus lhe cabia, por ter operado sua preclusão. Com relação ao pedido de perícia formulado pela recorrente, destaco que sua realização somente se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficientemente demonstrados pelas provas aportadas ao processo, não sendo essa a hipótese dos autos. Nesse desiderato, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou eventual pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensandoo de comprovar suas alegações. Dessa forma, rejeito os pedidos de diligência e perícia, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, por consideralos prescindíveis ao julgamento da lide. 5. Do pedido de realização de sustentação oral. A recorrente, em seu petitório recursal, protesta que seja resguardado o direito de realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso. Cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso de Ofício, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, bem como por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para: (i) declarar a improcedência da exigência fiscal a título de responsabilidade solidária por cessão de mãodeobra; (ii) excluir do lançamento tributário a rubrica “Mantimentos/Refeições em desacordo com o PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador)”; (iii) determinar o recálculo da Contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), referente ao período de 07/97 a 12/97, de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ, nos termos das alíquotas vigentes à época; (iv) reconhecer a decadência de todo o crédito tributário remanescente em sede recursal, até a competência 02/1994, por força do art. 150, § 4°, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 2769DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.721049/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.495
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 04 9/ 20 14 -1 7 Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13888.721049/201417 Resolução nº 3201001.495 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 389DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.004558/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995
INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE.
É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso do domicílio fiscal tendo em vista o disposto no § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2
A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo pr
escricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91.
Numero da decisão: 3201-004.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995 INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso do domicílio fiscal tendo em vista o disposto no § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo pr escricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91.
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IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso do domicílio fiscal tendo em vista o disposto no § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo pr escricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula CARF nº 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 45 58 /2 00 1- 91 Fl. 228DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 198/205, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1623.228 – 9ª. Turma da DRJ/SP1, efls. 187/195, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade negando o pedido de compensação. O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Em 10/10/2001 a empresa: pede restituição de diferenças de Pis no valor de R$ 114.419,50 de abril de 1991 a outubro de 1995, arguindo indébito dada a suspensão dos DecretosLeis 2.445 e 2.449/88 pela Resolução 49 do Senado; pede compensação com futuros débitos de Pis e Cofins, pelas IN's SRF 21 e 73 (fl 15). Considerando que o direito de pleitear a restituição perece após 5 (cinco) anos da extinção do crédito tributário pelo pagamento, a restituição foi indeferida com fundamento nos artigos 165 e 168, I, da Lei n° 5.172 (CTN), citando o art. 127 do Código Civil; no Parecer PGFN/CAT/ 1.538/99 e na LC 118/2005. Não constam Compensações declaradas eletronicamente e o Pedido de Compensação em branco foi tido por inábil para compensação, pois em desacordo com a IN SRF 21/97 (fl 146). A decisão destacou acórdão pela prescrição quinquenal em ação judicial de autoria da empresa (pleito para compensar Pis fl 148). A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11/3/2009 (fls. 149, verso) e em 6/4/2009 a empresa, inconformada, (fls. 1 50/ 160) argumenta, em suma: o prazo é decadencial; o CTN em seu artigo 168, item I, trata de repetição de indébito, em até 5 anos de extinção do crédito tributário; pelo artigo 150 inciso 4° o crédito tributário é extinto pela Fazenda; o prazo prescricional é de dez anos do fato tributário; o STJ considera 10 anos o prazo para repetir/compensar (art. 66, Lei 8.383/91 e 168 do CTN); Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11610.004558/200191 Acórdão n.º 3201004.297 S3C2T1 Fl. 229 3 a extinção do crédito dáse na homologação do lançamento antecipado (art. 150, CTN); transcreve decisões do STJ sobre a tese dos cinco mais cinco e do prazo para repetir em cinco anos da homologação (não contado da Adin nem da Resolução do Senado); ataca a aplicação da LC 118 antes de sua vigência, transcrevendo decisões do Conselho de Contribuintes e do STJ. Requer reconhecimento de seu direito a pleitear: a) a restituição do Pis de 1990 a 1996, declarado inconstitucional pelo STF; b) a compensação do Pis de 1990 a 1996, declarado inconstitucional pelo STF. Requer envio de intimações apenas ao advogado. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 1623.228 – 9ª. Turma da DRJ/SP1, efls. 187/195, está assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995 INTIMAÇÃO. MEIOS E/OU DIRECIONAMENTO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE PREPARADORA. Compete à unidade preparadora a escolha do direcionamento e/ou do meio para comunicar ato processual (e.g.: pessoal, eletrônica, postal e/ou edital) objeto do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, e alterações. Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 31/10/1995 PIS REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou a contribuição, alegado como pagamento indevido ou maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, assim considerada a data do pagamento do tributo. COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. Fl. 230DF CARF MF 4 O TRF da 3ª. Região reconheceu que em 26/6/2001 já prescrevera o prazo a possibilidade de compensar diferenças de Pis advindas dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. COMPENSAÇÃO. PEDIDO INEPTO. Por falta de objeto (débito), desnaturase o pedido de compensação. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. INVIABILIDADE. E inviável compensar sem direito creditório reconhecido (art 170 do CTN). Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos A Recorrente descreve que em 10/10/2001 protocolou Pedido de Restituição/Compensação dos valores pagos a maior a título de PIS, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal, relativo aos anoscalendários 1990 a 1996. O Pedido de Restituição/Compensação foi indeferido sob a alegação de que o direito de pleitear a restituição ou a compensação de tributos e contribuições estaria decaído, tendo em vista o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Do Prazo A Recorrente alega que a lide se refere ao termo inicial do prazo de contagem para a devolução, via restituição ou compensação, de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do PIS. Sustenta que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/05 seria incompatível com a sistemática dos §§1° e 4° do art. 150 e inciso VII do art. 156 do CTN. Nesse sentido, argumenta que caberia aplicar a sistemática prevista no art. 150 e seus parágrafos do CTN, tendo em vista que esses dispositivos regulamentam os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do PIS, bem como sua prescrição/decadência. É imperioso, portanto, deixar claro que efetuado o pagamento antecipado, somente após sua homologação pelo lançamento, expressa ou tacitamente, dáse a extinção do crédito tributário e a partir de então é que começa a contagem decadencial de 5 (cinco) anos para que o sujeito passivo pleiteie a restituição do que fora pago indevidamente. Mesmo porque, a despeito de ser antecipado, o pagamento não é definitivo, conforme o art. 156, VII do CTN. (RV efl. 202) Traz argumentos de cunho constitucional acerca da segurança jurídica, tripartição do poder, devido processo legal e garantia do ato jurídico perfeito. Tendo em vista que a LC nº 118/05 entrou em vigor no dia 09/06/2005, a Recorrente argumenta que para os fatos geradores anteriores a edição da norma havia a presunção de que o prazo prescricional para reaver eventual valor pago a maior seria de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador do tributo. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11610.004558/200191 Acórdão n.º 3201004.297 S3C2T1 Fl. 230 5 Então, aceitar que a LC n° 118/2005, que diminuiu esse prazo de prescrição, produza efeitos sobre os fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua vigência representa ofensa ao princípio da segurança jurídica (art. 5°, XXXVI, da CF), vez que o pagamento antecipado do tributo é ato jurídico perfeito, cujas regras, inclusive as relativas ao prazo para reaver o valor pago a maior, não podem ser alteradas por lei posterior. (RV, efl. 203) Expõe que em relação aos fatos geradores ocorridos até 09/06/2005 aplicase o prazo prescricional decenal. Cita jurisprudência do STJ. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDEBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NAO SIMPLESMENTE. INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3°. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4°, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. (...) 3. O art. 3° da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4°, segunda parte, da LC 118L2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3°, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2°) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5°, XXXVI). (AI nos EREsp 644.736 / PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Corte Especial, DJ 27.08.2007) Em suma, pugna por seu direito à restituição/compensação de todos os valores recolhidos a título de PIS nos 10 anos anteriores à data do Pedido de Restituição/Compensação. Do Pedido A Recorrente requer que seja reformado o Acórdão, reconhecendose o direito de restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS, com base nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF (competências 1990 a 1996). Fl. 232DF CARF MF 6 Requer ainda que todas as intimações referentes a esse processo sejam feitas em nome do patrono. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. Prazo Decadencial Inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88 De forma objetiva, a lide cingese, em primeiro plano, a determinar se ocorreu a decadência/prescrição do direito de pleitear a restituição do PIS. A discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e a jurisprudência administrativa e judicial por algum tempo. De forma ilustrativa, a divisão pode ser vista na discussão da própria natureza do prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De forma direta é de amplo conhecimento que a Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, inovou na contagem dos prazos, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal ao invés do decimal para a decadência/prescrição. O assunto, contudo, encontrase resolvido por meio da Súmula CARF 91, cuja aplicação é vinculante nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF. Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, devese afastar a decadência/prescrição do presente caso, uma vez que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento levandose em conta que o pleito de restituição é anterior a 09/06/05. Quanto a análise de matérias de cunho constitucional cabe aplicar a Súmula CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Matéria Constitucional Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11610.004558/200191 Acórdão n.º 3201004.297 S3C2T1 Fl. 231 7 Quanto a matéria de cunho constitucional cabe aplicar a Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Intimações No tocante ao pedido de que todas as intimações ocorram no endereço do patrono da empresa, cabe informar que as intimações, publicações ou notificações devem obrigatoriamente serem dirigidas ao domicílio fiscal do sujeito passivo nos termos do § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. Art. 23 § 4.º. Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Redação de todo o parágrafo 4.o dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para afastar a decadência/prescrição do direito de pleitear a restituição e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito do litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.720584/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2011 a 09/12/2011
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DE MERCADORIA IMPORTADA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. MULTA POR CESSÃO DE NOME. DESCABIMENTO.
É descabida a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, quando não comprovada a fraude ou simulação negocial, na realização de operações de importação, tendente à ocultação dos reais adquirentes das mercadorias, não se configurando a necessária interposição fraudulenta quando os intervenientes estão respaldados em contratos comerciais válidos, possuem capacidade econômico-financeira e operacional para realização das operações e não restou demonstrada qualquer irregularidade na sua execução, não servindo de prova meras conjecturas fundadas em relações societárias e direitos de exclusividade.
Numero da decisão: 3302-006.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (Relator), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Paulo Guilherme Déroulède, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Raphael Madeira Abad para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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MULTA Recorrente VIVA COSMETICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2011 a 09/12/2011 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DE MERCADORIA IMPORTADA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. MULTA POR CESSÃO DE NOME. DESCABIMENTO. É descabida a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, quando não comprovada a fraude ou simulação negocial, na realização de operações de importação, tendente à ocultação dos reais adquirentes das mercadorias, não se configurando a necessária interposição fraudulenta quando os intervenientes estão respaldados em contratos comerciais válidos, possuem capacidade econômicofinanceira e operacional para realização das operações e não restou demonstrada qualquer irregularidade na sua execução, não servindo de prova meras conjecturas fundadas em relações societárias e direitos de exclusividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (Relator), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Paulo Guilherme Déroulède, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Raphael Madeira Abad para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 05 84 /2 01 5- 18 Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Trata o presente processo do auto de infração lavrado para exigência da multa prevista no art. 33 da Lei n.° 11.488/2007, regulamentada pelo art.727 do Decreto n° 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), no valor de R$133.215,62, pela prática da infração de cessão do nome da pessoa jurídica para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação. Segundo relato da fiscalização, a autuada agiu como interveniente em operações de importação por encomenda da empresa MRA COSMÉTICOS LTDA, CNPJ: 06.194.426/000100, sem identificar nas declarações de importação registradas pela Trading Quimetal o correto encomendante e sem que os mesmos estivessem habilitados a operar no comércio exterior. A ocultação do sujeito passivo responsável pelas operações de importação é punível com a pena de perdimento das mercadorias, respondendo solidariamente o sujeito passivo oculto e o ostensivo (art. 23, V, §§1.° e 2.° do DecretoLei n.° 1.455/76 (com alterações). Por outro lado, a pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa no montante de 10% do valor da operação. A fiscalização concluiu que a autuada foi contratada pela MRA para ocultar das autoridades nacionais a condição de responsável pela operação de importação e de contribuinte do IPI e as relações comerciais existentes entre a MRA e as exportadoras BULGARI CORPORATION OF AMERICA, COFINLUXE S.A. E HERMES PARFUMS. A multa foi aplicada sobre o valor aduaneiro total de cada DI (planilhas 1 e 2), observado o valor mínimo de R$5.000,00 por DI, nos termos do art. 33 da Lei n.° 11.488/2007. A ocultação do real adquirente dos produtos estrangeiros consiste numa atividademeio, geralmente utilizada para tentar ocultar outras infrações e objetivos visados pelos infratores, como por exemplo: a) em caso de lançamento de crédito tributário o patrimônio do real adquirente é protegido da execução fiscal; b) o real adquirente perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial; c) no caso de importador e exportador vinculados, buscase fugir da legislação de Preço de Transferência e Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 4 3 de Valoração Aduaneira, possibilitando que as empresas vinculadas alterem o custo das mercadorias importadas e de suas Receitas da forma que lhes for mais conveniente e d) "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores. No que se refere aos preços de transferência, o art. 14 da Lei n.° 11.281/2006, dispõe que sempre que houver vinculação entre o exportador estrangeiro e a empresa importadora ou a encomendante nos termos do artigo 23 da Lei n.° 9.430/1996 a empresa importadora e/ou a encomendante deve(m) observar as determinações dos artigos 18 a 24 da Lei n.° 9.430/1996, quando da apuração do imposto de renda sobre as suas operações. Com relação ao IPI, conforme estabelece o artigo 13 da Lei n.° 11.281/2006, a empresa encomendante é equiparada a estabelecimento industrial e, portanto, é contribuinte desse imposto. Conseqüentemente, o encomendante deverá, ainda, recolher o imposto incidente sobre a comercialização no mercado interno das mercadorias importadas e cumprir com as demais obrigações acessórias previstas na legislação desse tributo, podendo ainda aproveitar o crédito de IPI originário da operação de aquisição das mercadorias do importador. A VIVA Cosméticos e a Cosméticos Carvalho agiam como simples executoras das encomendas da MRA. Seu papel era apenas o de se interpor entre a Trading (EXIMBIZ ou QUIMETAL) e a MRA (real compradora das mercadorias). Destaca a fiscalização, que, quando intimadas a apresentar todos os Contratos existentes entre elas, tanto a Cosméticos Carvalho quanto a MRA deliberadamente esquivaram se de apresentar qualquer contrato relacionado aos produtos das marcas Bulgari, Salvador Dali e Hermes. Apresentado o contrato entre Cosméticos Carvalho e MRA, a autoridade fiscal, examinandoo, constatou que estas empresas ocultaram as obrigações das partes e a natureza da Cosméticos Carvalho de mero ocultador da verdadeira encomendante, a MRA. No ano de 2011, a MRA foi a única destinatária final de todos os produtos de perfumaria das marcas Salvador Dali, Hermes e Bulgari importados diretamente das proprietárias destas marcas. Apesar de a Cosméticos Carvalho e VIVA Cosméticos possuírem instalações industriais e atuarem como indústria em diversas operações, nestas operações de importação, seu verdadeiro papel não é nem o de encomendante, nem o de industrial, nem o de (re)vendedor, mas sim o de mero ocultador do verdadeiro sujeito passivo/real adquirente/encomendante, a VIVA. Os fatos que caracterizam essa situação são os seguintes: 1. O exportador estrangeiro é o detentor das marcas comercializadas; 2. Os produtos importados, por serem de renome mundial, não podem ser alterados no Brasil, sob pena de perda de sua autenticidade. Para garantir a autenticidade dos produtos, eles vêm acabados e embalados do exterior, não podendo sofrer nenhum tipo de alteração no seu conteúdo ou apresentação; Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 5 4 3. O processo ao qual os produtos são submetidos no estabelecimento da Cosméticos Carvalho, que se resume à aposição do selo de autenticidade e de uma proteção de papel celofane, sequer pode ser considerado como industrialização, por força do art. 6°, § 2°, do RIPI/2010; 4. Cabe ressaltar que todas as Notas Fiscais de venda de mercadorias da VIVA Cosméticos para a MRA no ano de 2011, indicavam o CFOP 6.102, código utilizado para indicar vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, ou seja, simples revenda de mercadorias, quando não há qualquer processo de industrialização no estabelecimento; 5. Os produtos importados são integralmente destinados à MRA poucos dias após a data do desembaraço, o que indica uma prévia definição do adquirente final da mercadoria antes mesmo de sua nacionalização. Em média, as Notas Fiscais de saída de mercadoria da Cosméticos Carvalho para a MRA são emitidas em até 3 (três) dias do/ desembaraço da DI pela Quimetal; 6. Os produtos importados saem do Espírito Santo (Porto de Vitória), indo para o estabelecimento da Viva Cosméticos no Rio de Janeiro, e depois retornando ao estabelecimento 001 da MRA de novo no Espírito Santo, para depois serem distribuídos por todo o território nacional. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1418/1466 trazendo os seguintes argumentos para contestar a autuação: ü Inicialmente protesta pela tempestividade da impugnação apresentada; ü Resume que a fiscalização está lhe aplicando a multa equivalente ao valor aduaneiro, tendo em vista a impossibilidade de apreensão das mercadorias objeto dos autos, com fulcro nos artigos 23, V, §§ l.° e 2.° do DecretoLei n.° 1.455/76 e 689, inciso XXII, § 6.°, do Decreto n.° 6.759/09, sustentando que a impugnante teria cedido seu nome para ocultar a empresa MRA Cosméticos Ltda, que seria a suposta encomendante das mercadorias objeto dos autos. A impugnante figura como sujeito passivo solidário no presente lançamento; ü Tal presunção (não há provas de qualquer fraude praticada nas importações objeto dos autos, até mesmo porque não houve) teria como fundamento a tomada por empréstimo das conclusões do procedimento especial de fiscalização da IN SRF 228/02 instaurado em face de terceira empresa que não se confunde com a impugnante: INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS CARVALHO LTDA; ü A lavratura do presente auto decorre da transposição, sem qualquer juízo crítico, das supostas conclusões alcançadas em procedimento Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 6 5 administrativo diverso instaurado em face da Cosméticos Carvalho e que a impugnante não fez parte; ü No entendimento da Secretaria da Receita Federal, apesar de a impugnante possuir instalações industriais e atuar como indústria em diversas operações, seu verdadeiro papel não era nem o de encomendante, nem o de industrial, nem o de (re) vendedor, mas sim o de suposto ocultador do verdadeiro sujeito passivo/real adquirente/encomendante, a MRA; ü Para tanto, sustenta que teve acesso a um "Contrato de Compra e Venda de mercadorias firmado entre VIVA Cosméticos e Cosméticos Carvalho" que comprovaria competir à MRA indicar de quem a impugnante compraria os materiais do contrato, e quanto seria adquirido, tratandose de uma compra por encomenda; ü Acusa a fiscalização que, como os produtos importados, por serem de renome mundial, não poderiam ser alterados no Brasil, sob pena de perda de autenticidade, não podendo se falar em industrialização e sim mero repasse de mercadorias, partindo de uma premissa de que só existiria a modalidade de industrialização de transformação; ü Em que pese o Fisco sustentar que a autuação seria um "fruto dos fatos e documentos ali verificados", na prática ocorreu mera transposição das conclusões supostamente obtidas no aludido procedimento para as importações ora autuadas, o que, por si só, já é causa de nulidade. Da leitura do extenso Termo de Constatação anexo ao Auto de Infração, verificase que o Fisco se dedica a narrar fatos que estão relacionados às importações em que a Cosméticos Carvalho atuou como encomendante e não à impugnante, pois nenhuma análise foi feita para as importações dos autos; ü Desta forma, pugna que essa DRJ afaste dos presentes autos as eventuais consequências jurídicas advindas de tais fatos, eis que completamente estranhos à impugnante e os quais ela, consequentemente, não possui qualquer ingerência; ü Uso inadequado de prova emprestada e a impossibilidade de se adotar como verdade absoluta os fatos supostamente apurados processo administrativo instaurado em face de terceiro; ü Ausência de descrição específica das irregularidades supostamente praticadas no processo de importação dos autos; ü O reconhecimento pela própria Receita Federal de que inexiste qualquer irregularidade nas operações de importação; ü No caso concreto, quem foi alvo do procedimento especial de fiscalização da IN SRF 228/2002 foi a empresa Indústria Carvalho e não a impugnante, tendo o agente fiscal se limitado a estender para os Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 7 6 presentes autos as impressões obtidas no aludido procedimento, conforme destacado acima; ü O relacionamento existente entre a impugnante e a mra. ausência de demonstração de fraude; ü Ao final requer a nulidade do auto tendo em vista a não comprovação da responsabilidade solidária e da ocorrência de interposição fraudulenta. A 7ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, através do Acórdão de Impugnação n° 0739.186, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü No tocante a estas alegações tendentes a anular tanto o procedimento fiscal empreendido como o próprio auto de infração é de se esclarecer que as ações fiscais, por se tratarem de procedimentos de caráter investigativo, podem ser conduzidas unilateralmente por parte da autoridade fiscal, carreando aos autos as provas que considerou suficientes para a comprovação dos fatos jurídicos por ela indicados. Do ponto de vista processual, a fiscalização apresentou os documentos que, em tese, dão sustentação à autuação; ü A escolha entre importar mercadoria estrangeira por conta própria (importação direta) ou por meio de um intermediário contratado para esse fim é livre e perfeitamente legal, seja esse intermediário um prestador de serviço ou um revendedor. Entretanto, tanto o importador quanto o real adquirente ou encomendante, devem ser devidamente identificados perante o Fisco, cumprirem as obrigações acessórias previstas na legislação e, conforme o caso, observar o tratamento tributário específico dessas operações, as quais devem ser expressamente informadas à Aduana por meio da Declaração de Importação – DI; ü A interposição ilícita de pessoas na importação, em especial por ocultação do adquirente, acarreta dano ao controle aduaneiro, uma vez que o real interveniente envolvido na operação foge à fiscalização aduaneira, porque não figura ostensivamente perante o fisco, por ocasião da importação, impossibilitando o exame do cumprimento de obrigações principais e acessórias; ü Com relação à empresa MRA, cujo nome fantasia é VIZCAYA, foi constatado que não possui habilitação para operar no comércio exterior. A fiscalização verificou no sítio da internet que a MRA (VIZCAYA) informa que desenvolve produtos de tratamentos capilares e cuidados para o corpo, e distribui no país as marcas de perfumes internacionais como Burberry, Bvlgari, Hermès, Montblanc, Jimmy Choo, Van Cleef & Arpels e Lanvin; Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 8 7 ü No ano de 2011, todos os produtos destinados à MRA pela Cosméticos Carvalho foram artigos de perfumaria das marcas SALVADOR DALI, HERMES e BULGARI importados diretamente das empresas Confiluxe S/A , Hermes Parfums e Bulgari Corporation of America, proprietárias mundiais destas marcas. Inclusive, todas as importações de perfumes e/ou águas de colônia (NCM 3303.00) destas marcas provenientes daqueles exportadores foram encomendadas pela autuada, VIVA Cosméticos Ltda e Indústria de Cosméticos Carvalho Ltda; ü A empresa VIVA além de possuir a mesma sócia majoritária que a Cosméticos Carvalho, Sra Ivanilza Carvalho Martins, com 99% e 60% das cotas, respectivamente, importava perfumes dos mesmos exportadores e os fornecia para a MRA. Este tipo de operação efetuada pela VIVA foi realizada até dezembro de 2011, quando passou a ser realizada unicamente pela Cosméticos Carvalho, sucedendoa na operação de importação por encomenda destes produtos; ü Ainda que seja contestada a vinculação entre as empresas VIVA e Cosméticos Carvalho feita pela fiscalização e a autuada pretenda afastar os fatos relatados no auto relacionados à Cosméticos Carvalho, certo é que se pode constatar que as operações feitas por esta última são similares às da VIVA (além da composição societária), corroborando o entendimento de que uma sucedeu a outra nas operações de importação de perfumes; ü Percebese que, no caso da empresa MRA, ainda que não tenha sido configurada vinculação entre ela e os exportadores, havia um direcionamento dos produtos importados das marcas acima referidas para ela, como que uma exclusividade. Neste caso constatase o real interesse da empresa MRA nas importações dos produtos das marcas as quais representa e vende; ü Esta visão das operações, onde a empresa MRA adquire integralmente os produtos de perfumaria de marcas internacionais, importados pela VIVA, está demonstrada através das planilhas elaboradas pela fiscalização às fls. 58/81 onde constam todas as importações feitas pela VIVA e destinadas à adquirente MRA; ü Com relação à empresa adquirente MRA, a fiscalização informa que obteve apenas o contrato firmado com a empresa Compania Universal de Perfumeria Francesa S.A., mas que não continha a relação dos produtos abrangidos e o contrato entre a Cosméticos Carvalho e MRA, e que também não incluía os produtos importados; ü Assim, dada a não apresentação de contrato ou mesmo apresentação com informações incompletas, não é possível fazer uma análise tal como se deu com a empresa Puig Brasil. Mas salientese, que tal omissão não aproveita a autuada visto que tais contratos refletiriam a mesma relação de interdependência já vista entre estas empresas; Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 9 8 ü Percebese que os produtos importados de que trata a presente autuação podem então passar por um procedimento de simples colocação de etiquetas exigidas pela ANVISA ou colocação de celofane. Isto porque tais produtos ainda que sejam acabados necessitam de colocação de etiquetas com as informações exigidas pela ANVISA para sua introdução no mercado nacional; ü Todavia o procedimento de colocação de rótulos para atendimento de exigências legais, de acordo com o Regulamento do IPI, Decreto n.° 7.212./2010, art. 6.°, § 2.°, não é considerado industrialização. A colocação de celofane, quando efetuada, serve de proteção à embalagem, não se caracterizando embalagem de apresentação, nos termos do art. 4.°, inciso IV do mesmo diploma legal; ü Portanto ainda que sejam apostas etiquetas nos perfumes com as informações exigidas pelas autoridades administrativas (ANVISA) no estabelecimento da autuada, não pode tal procedimento ser considerado industrialização; ü Aliás, a autuada insiste na ocorrência de industrialização dos produtos para justificar a encomenda dos produtos. E como se vê, os únicos procedimentos lá efetuados são meramente para atender as exigências legais da ANVISA; ü Concluise, portanto, que não é considerado industrialização o mero processo de etiquetagem em mercadoria que não sofreu processo de industrialização na empresa, sendo realizado, apenas, por uma exigência legal (ANVISA, por exemplo); ü Quanto aos elementos que a autuada entende que devam estar presentes para que somente assim possa se comprovar a interposição fraudulenta é de se esclarecer que justamente este tipo de fraude (simulação e ocultação) se caracteriza por tentar iludir o controle aduaneiro, fazendo parecer um negócio legal, quando, na verdade, a operação real é outra. Por esta razão as provas da interposição fraudulenta (no caso, ocultação do real encomendante) se dá por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente pouco poderiam atestar, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato; ü Por todo o exposto, com base nos fatos descritos e exame dos documentos apresentados, concluo que a autuada VIVA Cosméticos cedeu seu nome para realização de importações, ocultando a verdadeira encomendante das mercadorias importadas, estando perfeitamente tipificada a infração nos termos do art. 33, da Lei n.° 11.488/2007. A empresa VIVA COSMETICOS LTDA tomou ciência do Acórdão de Impugnação em 02/03/2017, às folhas 1.673. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 10 9 A empresa VIVA COSMETICOS LTDA ingressou com Recurso Voluntário em 03/04/2017, folhas 1.675, apresentando suas razões de folhas 1.677 à 1.710. Foi alegado que: ü É importante registrar desde logo que a própria DRJ reconhece (fls. 1662) que as operações objeto dos autos são legais do ponto de vista comercial (legislação civil); ü Entretanto, a autuação da Recorrente foi mantida sob o fundamento de que teria “cedido o seu nome para ocultar a real encomendante das mercadorias” (fls.1651); ü Ocorre que para que um cosmético ou perfume possa ser vendido no mercado brasileiro, ele precisa atender à legislação da Vigilância Sanitária; ü Este requisito apesar de ser aparentemente simples, demanda uma estrutura de negócio sólida e especializada; ü Como se tratava de fornecimento de marca nacional, foi firmado contrato escrito para estabelecer as obrigações entre as partes, que, como em todo contrato de trato sucessivo, tem a cláusula de preço/produtos complementada por anexo; ü Em 2009, a sócia majoritária das empresas CARVALHO conseguiu abrir espaço para adquirir produtos importados com marcas internacionais e revendelos no Brasil; ü Por não ter know how nem interesse de mudar seu negócio, ela ofereceu à MRA empresa com expertise na venda a varejo fazer a distribuição; ü A CARVALHO continuou trabalhando no segmento em que é especializada e, assim, realizava o controle de qualidade, reembalagem e etiquetagem (processo industrial de beneficiamento) e a venda do produto pronto para ser colocado no mercado consumidor; ü A Recorrente sempre teve a liberdade de vender perfumes para qualquer empresa. E a maior prova disso é a inexistência de contrato de fornecimento de perfumes; ü A exclusividade é uma consequência do bom trabalho desenvolvido pela sua cliente MRA e da confiança que decorre da relação que já existia em decorrência do fornecimento de cosméticos. A exclusividade da MRA é mantida ou cancelada de acordo com o seu desempenho; ü Com efeito, como as aquisições da MRA em relação aos produtos da marca Salvador Dali passaram a não mais atender às expectativas do grupo buscouse outra distribuidora no mercado interno que melhor Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 11 10 atendesse às expectativas comerciais da Recorrente (Se a performance de venda não é boa, a distribuidora deixa de fazer novas aquisições). ü Tratase da empresa Frajo Internacional de Cosméticos que passou a ser a distribuidora exclusiva dos perfumes da marca Salvador Dali importados por encomenda pelo grupo CARVALHO, conforme se verifica do site oficial da aludida empresa (http://www.frajo.com.br/); ü O próprio auto de infração reconhece que a Recorrente teve no ano de 2011 uma receita líquida, inclusive de impostos de R$ 45 milhões de reais e recolheu cerca de R$ 5 milhões de reais de ICMS, IPI, COFINS e ISS, sem considerar o IPI; ü O laudo elaborado por laudo público, relativo aos procedimentos de beneficiamento de perfumes, também comprova (Relatório Técnico n° 000.918/15, doc. 01) (i) que os perfumes importados não estão aptos à comercialização antes da a Recorrente adotar os procedimentos determinados pela ANVISA (item 12); e, (ii) que os procedimentos determinados pela ANVISA não podem ser executados em estabelecimento exclusivamente comercial, por dependerem de instalações e maquinários específicos e funcionários qualificados (item 12); ü Com efeito, a resposta ao quesito 15 coloca uma pá cal no debate estabelecido nos presentes autos pois esclarecem que os perfumes antes de serem comercializados no mercado interno necessitam passar pelo procedimento de industrialização e que tal procedimento não pode ser realizado por uma empresa exclusivamente comercial como é o caso da MRA, por exemplo; ü Dessa forma, resta clara a incorreção da descrição simplista, apresentada pelo Fisco dos procedimentos aos quais os produtos que ingressam no estabelecimento industrial da Recorrente são submetidos como se tudo não passasse de uma “fraude” para ocultar o repasse direto de mercadorias; ü A alegação de fraude também está afastada pela comprovação de que a Recorrente foi eleita pelos produtores dos perfumes Salvador Dali, Hèrmes e Bvlgari como encomendante/industrial; ü Esta situação é comprovada pelas invoices (fls. 1479/1501) que demonstram que os exportadores mantêm relações comerciais com o importador e indicam a Recorrente como encomendante. Tal situação ocorre não só em relação às três marcas objeto do auto de infração, mas sim em relação a todas as importações; ü Com a devida vênia, afigurase inconcebível cogitar que um exportado detentor de marcar de renome internacional emitiria uma fatura comercial e encaminharia uma mercadoria em nome de uma empresa que não seria a responsável por honrar com os compromissos contratuais assumidos; Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 12 11 ü Resta cristalina, portanto, a ausência de qualquer participação da MRA no processo de importação dos perfumes, sendo, apenas, distribuidora que os adquire no mercado interno; ü Com efeito, o RADAR exclusivamente encomendante (art. 2°, II, b, item 4), sempre foi concedido sem maior análise, como um simples cumprimento de obrigação acessória, uma vez que na prática o limite financeiro era do RADAR do importador; ü Verificase, com a devida vênia, que a habilitação era quase “automática” para as pessoas jurídicas que comprovassem a sua existência de fato e de direito, sendo incontroverso nos presentes autos a existência da empresa MRA, cliente da Recorrente; ü Esta situação ocorreu até 03/2015 quando a Receita Federal alterou a regra para as pessoas jurídicas habilitadas na modalidade simplificada, como exclusivamente encomendante, transpondoas, automaticamente, no siscomex, para a categoria de pessoa jurídica limitada a US$ 150.000,00 semestrais do artigo 2°. da IN SRF 1.288/2012; ü Outra razão que impede a indicação do nome da MRA nas Declarações de Importação como sendo supostamente a “encomendante da encomendante” é que se trata de uma exigência impossível de ser implementada na prática; ü Ocorre que no SISCOMEX não há campo destinado a indicar o cliente (MRA) daquele que figurou como encomendante (V'IVA Recorrente) em uma importação por encomenda; ü Com efeito, ao registrar uma nova Declaração de Importação, o sistema só permite a inserção do nome do importador e do adquirente, inexistindo qualquer campo dedicado a eventuais intervenientes; ü Dessa forma, o Fisco não pode autuar uma empresa por ter supostamente omitido o nome de um interveniente no processo de importação se ele mesmo não destina um campo específico para tanto; ü Assim, haveria, no máximo, descumprimento de uma obrigação acessória, o que poderia gerar a aplicação de multa por declaração inexata; ü Tratase de multa prevista no artigo 711, III, do Regulamento Aduaneiro, a qual deveria ter sido aplicada no caso concreto diante dos fatos narrados no Auto de Infração que não indicam, com a devida vênia, a ocorrência de fraude ou simulação; ü Não haveria razão lógica para a MRA querer se habilitar no RADAR, uma vez que quem tinha contato com os exportadores eram a importadora e a Recorrente (invoices, fls. 1479/1501 e item35), que Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 13 12 tem, inclusive, o poder de parar de vender os perfumes para ela, como de fato fez em relação aos perfumes Salvador Dali, item 22; ü É fato notório que se a MRA não teria qualquer dificuldade em obter o RADAR de ENCOMENDANTE que para ser deferido bastava a comprovação da existência da empresa item 46/57 situação incontroversa. PEDIDO Desta forma, requerse a essa d. Colegiado que julgue IMPROCEDENTE o presente Auto de Infração com a consequente exoneração do crédito tributário, tendo em vista as razões acima; Sucessivamente, na remota hipótese de os argumentos acima serem afastados, o lançamento não há como prosperar haja vista sua nulidade pelas seguintes razões: a) O Auto de Infração adota as conclusões aludido procedimento especial de fiscalização instaurado em face de outra empresa (Carvalho Cosméticos) como premissas de fatos irrefutáveis e invencíveis objetivando estender à Recorrente supostas irregularidades que teriam sido apuradas na indigitada fiscalização especial; e, b) O Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em TODAS as DI's mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto n° 70.235/72. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a Recorrente foi intimada acerca do Acórdão de Impugnação em 02/03/2017 (quintafeira). Dessa forma, o prazo de 30 (trinta) dias se iniciou em 03/03/2017 (sexta feira), restando inconteste a tempestividade do presente Recurso apresentado na presente data. O recurso voluntário foi apresentado em 03/04/2017, folhas 1.675, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 14 13 ü A autuação da Recorrente sob o fundamento de ter cedido nome para ocultar a real encomendante das mercadorias; ü A participação da MRA no processo de importação dos perfumes, sendo, apenas, distribuidora que os adquire no mercado interno; ü A ocorrência de fraude; ü A impossibilidade de indicação do nome da empresa MRA nas Declarações de Importação como a “encomendante da encomendante”; ü O eventual descumprimento de uma obrigação acessória, o que poderia gerar, no máximo, a aplicação de multa por declaração inexata; ü Não haveria razão lógica para a empresa MRA querer se habilitar no RADAR; ü O fato de que a empresa MRA não teria qualquer dificuldade em obter o RADAR de ENCOMENDANTE. Passase à análise. ¨ A INFRAÇÃO POR "CESSÃO DE NOME" COMO CONSEQUENCIA DA PRÁTICA EFETIVA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A infração por "cessão de nome" tipificada no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, que pauta a exigência do presente Auto de Infração, é concomitante com a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, infração tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, pois o importador de direito (interposta pessoa) CEDE O NOME para o importador de fato (sujeito passivo oculto). Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Se a autoridade preparadora entende que existiu prática de interposição fraudulenta de terceiros, na forma do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, por força do dever de ofício deve proceder o lançamento da multa referente a infração por "cessão de nome" tipificada no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Por conseguinte, para examinar a incidência da infração por "cessão de nome", devese verificar a ocorrência da prática de interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 15 14 Em suma: não se pode disassociar a infração por "cessão de nome" da prática de interposição fraudulenta de terceiros. O que não passava de uma construção jurisprudencial / doutrinária, hoje está normatizado n artigo 11 da IN SRF n° 228/2002: ° Artigo 11 da IN SRF n° 228/2002: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. § 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 3º A hipótese prevista no inciso I do caput contempla a ocultação de encomendante predeterminado. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) ¨ O CONCEITO DE INTERPOSIÇÃO EM OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO A função da sólida construção jurisprudencial é fornecer critérios precisos para a equânime e indistinta aplicação da Lei. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 16 15 O dicionário eletrônico Houaiss, fornece uma definição precisa da locução interposição, que se adéqua ao contexto aqui a ser evidenciado: ato ou efeito de interpor(se) Locuções i. de pessoa jur substituição intencional por terceiro, num processo simulatório, do verdadeiro interessado num ato jurídico. Fonte: (http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=interposi%25C3%25A7%25C3%25A3o, em 01/08/15) A expressão “interposição fraudulenta” foi cunhada pela primeira vez em nosso Sistema Jurídico na Medida Provisória n° 66/2002. Para colher o exato alcance que pretendeu dar o legislador à citada expressão é necessário comparar termos semelhantes e seus respectivos significados. Aurélio Buarque de Holanda conceitua “interposição de pessoa” como “simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar”. No Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva, definese interposição como meterse de permeio, colocarse entre. É a intervenção de uma pessoa em negócio alheio, por ordem de seu dono ou a mandado dele. A pessoa interposta, com o fito de cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pode fazer, é colocada ou posta entre este e um terceiro. A interposta pessoa nada mais é que aquela que executa um ato jurídico ou uma série de atos jurídicos, a mando ou ordem de alguém. O ato jurídico, objeto da presente análise, é justamente a operação de importação maculada pela prática de interposição fraudulenta de terceiros. Portanto, um ilícito aduaneiro. O ato de se interpor em operação de importação, pressupõe necessariamente a existência de dois participes: 1. O importador ➞ aquele que se apresenta às autoridades aduaneiras como responsável pela nacionalização da mercadoria. Importador é aquele que promove a entrada do bem no território nacional. Há dois pressupostos básicos para se caracterizar o importador: a) deve estar devidamente HABILITADO no Sistema SiscomexRADAR; b) é aquele que efetua o registro da Declaração de Importação em seu nome. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 17 16 2. O sujeito passivo oculto (ou responsável pela operação de importação) ➞ aquele que se vale do importador para obter a nacionalização da mercadoria à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. O sujeito passivo oculto é aquele que não pode ou não quer promover a operação de importação em seu próprio nome. Por isso se vale outro ( o importador ) para obter produto importado no mercado interno. É de se frisar que é perfeitamente possível, à luz da legislação aplicável, que terceiro utilize o importador para obter produto importado no mercado interno. A legislação prevê duas formas de identificar o terceiro (REAL COMPRADOR no mercado interno ) responsável pela importação: I. modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros"; e II. modalidade de "importação por encomenda". Não se valendo dessas duas modalidades de importação, fica caracterizada a seguinte situação: Ø o REAL COMPRADOR no mercado interno (sujeito passivo oculto) obtém a nacionalização do bem importado, por intermédio do importador interposto, sem a adoção formas previstas na legislação aplicável, permanecendo à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 18 17 ❉ A normatização do conceito de interposição fraudulenta de terceiros em operações de importação. Coube ao artigo 59 da Lei n° 10.637/02, normatizar o conceito de interposição fictícia de pessoas para a área aduaneira, denominandoo de interposição fraudulenta de terceiros. O referido artigo alterou a redação do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455, de 07 de Abril de 1976, que define as infrações que causam dano ao Erário, acrescentandolhe o inciso V, além de quatro novos parágrafos. ❖ Decreto Lei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 19 18 Deve ser feita uma observação. No inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, o legislador trata da mesma forma as seguintes expressões: I. sujeito passivo oculto aquele que importa o bem através de um importador interposto; II. real comprador aquele que adquire o bem importado através de importador interposto no mercado interno; e III. responsável pela operação (importação) aquele que mesmo não adquirido o bem importado no mercado interno, exerce o "Domínio do Fato" sobre a operação de importação. Essas expressões ao serem usadas pelo legislador como sinônimas, retratam a mesma pessoa: o terceiro no mercado interno (dentro do território nacional) que se vale de um importador interposto para obter a nacionalização de um bem, à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. ❉ Formas de constatação da existência do sujeito passivo oculto Existem, a princípio, duas formas de constatação da existência do sujeito passivo oculto: · Por AÇÃO DIRETA – A fiscalização evidencia a existência e identifica o sujeito passivo oculto a partir de duas situações: 1. Verificação de que a fonte dos recursos aplicados na operação de comércio exterior advém de terceiro; ou 2. Verificação que terceiro foi de fato o responsável pela operação em comércio exterior (possuiu/exerceu o “domínio do fato” sobre a transação), sendo o importador um instrumento para obter o bem importado. Em ambos os casos, o terceiro deveria se identificar aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros e assim não procedeu. · Por AÇÃO INDIRETA – O fisco não identifica o sujeito passivo oculto. Contudo, o ato omissivo do importador, em não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, autoriza a fiscalização a presumir que terceiro (não identificado) financia a operação em comércio exterior. Essa é a mesma conclusão da lição de Deiab Junior e Nepomuceno (2008), ao se referirem às inovações trazidas à baila pela alteração do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76: a) apenou com perdimento a mercadoria de origem estrangeira, na importação ou na exportação, quando constatada a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, e; Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 20 19 b) criou a presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, quando não comprovada a origem, disponibilidade e a transferência, dos recursos empregados em tais transações. DEIAB JUNIOR, Remy; NEPOMUCENO, Bruno Carvalho. Interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior perpetradas por pessoas físicas. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1794, 30 maio 2008 . Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/11329>. Acesso em: 16 dez. 2012. Portanto, há duas formas de constatação da prática de interposição fraudulenta de terceiros: 1. Prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros (Ocultação) – Conduta infracional tipificada no inciso V do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 – É a constatação da ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável através de fraude ou simulação. Sua inspiração vem da norma geral antielisiva do Parágrafo Único do artigo 116 do CTN, que pode estar relacionada ou não com a legislação que cuida do crime relacionado à ordem tributário e a “lavagem de dinheiro”, responsável por municiar a fiscalização para o combate da interposição fictícia de pessoas em operações de comércio exterior, o que implica na necessidade de comprovação, mediante a demonstração por parte da fiscalização, de quem é de fato o real sujeito passivo beneficiado. Aplicação do processo conhecido como “follow the money”. 2. Prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros – Conduta infracional tipificada no §2° do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 – Advém de uma presunção legal, o que acarreta ao importador/exportador a necessidade comprovar a origem, disponibilidade e a transferência, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Sua inspiração vem não só da norma geral antielisiva já citada, como também do artigo 1º da Lei nº 9.613/98 e municia a fiscalização com um mecanismo de controle para coibir a prática, pelo sujeito ocultado, do crime relacionado à “lavagem de dinheiro” por sucessivas operações internacionais, podendo estar relacionado com outras irregularidades tributárias, como por exemplo, fraude no preço/valor declarado (sub ou superfaturamento). O artigo 11 da IN SRF n° 228/2002 contempla essa formatação de constatação da prática de interposição fraudulenta de terceiros e determina seus respectivos efeitos, substanciados no artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 e no artigo 81 da Lei n° 9.430/96: ° Artigo 11 da IN SRF n° 228/2002: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 21 20 correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. § 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 3º A hipótese prevista no inciso I do caput contempla a ocultação de encomendante predeterminado. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) ❉ Inftações decorrentes de cada prática de interposição fraudulenta de terceiros A prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros implica em duas infrações: ¨ Uma infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do Decreto Lei 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento, tendo por destinatário o real adquirente da mercadoria e conseguinte conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Uma infração imprópria que pode ser cometida por qualquer um na condição de REAL COMPRADOR em coautoria com o importador interposto. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 22 21 ¨ Outra infração tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007, punível com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), tendo por destinatário a pessoa jurídica que cedeu seu nome. Uma infração própria, já que para cometêla o agente deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. A prática PRESUMIDA da interposição fraudulenta de terceiros também implica em duas infrações: ¨ Uma infração tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento e conseguinte conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida, tendo por destinatário o importador de direito (INTERPOSTO), em razão da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Uma infração própria, já que para cometêla o agente deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. ¨ Outra infração tipificada no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96, que determina a declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Coadunase para essa constatação, o seguinte artigo: ¹ Artigo 99 do DecretoLei nº 37/66: Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 23 22 cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. (Grifo e Negrito Nossos) ❉ Do ônus probatório A depender da forma de constatação da existência do sujeito passivo oculto, o ônus probatório irá oscilar: Ø Na prática efetiva o ônus probatório é da fiscalização: Cabe à ação fiscal reunir os elementos que indicam a ocorrência da interposição fraudulenta de terceiros entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto. Ø Na prática presumida o ônus probatório é do importador: Cabe ao importador a comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados na importação, na forma do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. ❉ A caracterização da infração O núcleo da infração da prática de interposição fraudulenta de terceiros é o USO DE INTERPOSTA PESSOA em operação de comércio exterior com o propósito de ACOBERTAR o sujeito passivo oculto. A partir disso são detectadas duas espécies da mesma infração: · Infração 1: O uso de interpostas pessoas como instrumento (meio) para acobertar a identificação do responsável pela importação (OCULTAÇÃO) por infração contra o sistema tributário nacional (FRAUDES FISCAIS/SIMULAÇÃO). · Infração 2: O uso de interpostas pessoas como instrumento (meio) para acobertar a identificação do responsável pela importação (OCULTAÇÃO) por infração contra o sistema financeiro nacional (LAVAGEM DE DINHEIRO/SIMULAÇÃO). Nesse diapasão, há três formas de se caracterizar a prática de interposição fraudulenta de terceiros: 1. A PARTIR DA NÃO IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS A administração aduaneira deve estar atenta à movimentação de recursos financeiros de origem desconhecida ou não comprovada associada ao uso de interposta pessoa em operação de comércio exterior. 2. A PARTIR DA IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL DE INFRAÇÃO CONTRA O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL A Lei nº 8.137, de 1990, define crimes contra a Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 24 23 ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo. Nesse contexto, a legislação objetivou não só evitar as fraudes fiscais, como também dar maior efetividade na cobrança de tributos buscando identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. 3. A PARTIR DA IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL A Lei nº 9.613, de 1998, dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como sobre a prevenção da utilização do sistema financeiro. Portanto, tem se também como finalidade não cuidar da questão puramente tributária, mas coibir crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores. Na prática as três causas se mesclam, e assim existe a hipótese de haver infrações entrelaçadas, mas sempre com o USO DE INTERPOSTA PESSOA COMO INSTRUMENTO (MEIO) PARA DIFICULTAR A IDENTIFICAÇÃO do sujeito passivo oculto. ❉ A sanção prevista A legislação apenou a prática de interposição fraudulenta de terceiros com o perdimento da mercadoria de origem estrangeira. A nova redação do § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, dada pela Lei nº 12.350/10, substituiu a redação originariamente dada pela Medida Provisória n° 66/2002, em 29 de agosto de 2002, e estipulou a seguinte alternância de procedimentos – ritos: · Pena de perdimento ➞ se a mercadoria em situação irregular for apreendida pela fiscalização ( rito aplicado: artigo 27 do Decreto Lei n° 1.455/76 ); ou · Multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do valor aduaneiro) ➞ se a mercadoria passível de perdimento não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida ( rito aplicado: Decreto n° 7.574/2011). Estáse assim diante de uma alternância de ritos procedimentais, a depender da retenção ou não da mercadoria passível de perdimento. É de se enfatizar o seguinte: ainda que a multa equivalente ao valor aduaneiro receba a designação de “crédito tributário”, por ser advinda de um lançamento, isso não altera a natureza jurídica da prática de interposição fraudulenta de terceiros: um ato ilícito passível de sanção (pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro). ▣ A PRÁTICA EFETIVA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A demonstração da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros engloba três pontos: Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 25 24 1. Identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto; 2. Constatação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto; 3. Demonstração da FRAUDE ou SIMULAÇÃO. ❉ A identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto Salientase que esse é o primeiro passo ou o pressuposto básico e necessário para a caracterização da prática efetiva, mas longe de ser o suficiente. Como dito, o ato de se interpor em operação de importação, pressupõe necessariamente a existência de dois participes. Na demonstração da prática efetiva, a fiscalização tem o dever de identificar tanto o importador interposto como o sujeito passivo oculto. A fiscalização deve também evidenciar que o sujeito passivo oculto se valeu do importador interposto para obter produto importado no mercado interno. Portanto, é indispensável a demonstração pela fiscalização da revenda do produto importado no mercado interno entre os dois participes, ou a revenda do importador a alheio ( MERO COMPRADOR) sob a determinação do sujeito passivo oculto. A caracterização da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros pode ocorrer através de diversos elementos, tais como: · a destinação integral e imediata das mercadorias importadas; · o conhecimento prévio ao registro da DI do destinatário das mercadorias importadas; Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 26 25 · rotulagem das mercadorias importadas com sinais de identificação do adquirente (logotipo, marcas etc.); · especificidade das mercadorias que são importadas para um único adquirente, ou conjunto restrito de adquirentes, de tal forma que a importação não poderia ser realizada para posterior comercialização no mercado interno. Atualmente, duas formas de “terceirização” das operações de comércio exterior são reconhecidas e reguladas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): · A importação por conta e ordem uma empresa (a adquirente), interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços (a importadora por conta e ordem) para que esta, utilizando os recursos originários da contratante. providencie, entre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente; · A importação por encomenda uma empresa (a encomendante predeterminada), interessada em uma certa mercadoria, contrata uma outra empresa (a importadora) para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante. A escolha entre importar mercadoria estrangeira por conta própria ou por meio de um intermediário, contratado para esse fim, é livre e perfeitamente legal, seja esse intermediário um prestador de serviço ou um revendedor. Entretanto, tanto o importador quanto o adquirente ou encomendante. conforme o caso, devem observar o tratamento tributário específico dessas operações e alguns cuidados especiais, a fim de não serem autuados ou, até mesmo, que as mercadorias sejam apreendidas. Para que uma operação de importação por encomenda ou importação por conta e ordem seja realizada de forma perfeitamente regular, é necessário, antes de tudo, que Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 27 26 tanto as empresas encomendantes e adquirentes quanto a empresa importadora estejam habilitadas para operar no Siscomex, nos termos da legislação respectiva. Além de habilitação de todos os intervenientes (encomendante, adquirente e importador), nas operações de importação terceirizadas, é necessário apresentar, à unidade da RFB com jurisdição para fiscalização aduaneira sobre o estabelecimento matriz da encomendante ou adquirente, cópia do contrato firmado entre as empresas (encomendante ou adquirente e importadora), caracterizando a natureza de sua vinculação, a fim de que a contratante e a contratada sejam vinculadas no Siscomex. pelo prazo ou operações previstos no contrato. A fim de promover o despacho aduaneiro das mercadorias importadas, conforme determina o art. 3o, da IN SRF n° 634/06 e o art. 3o, da IN SRF n° 225/02, ao elaborar a Declaração de Importação, o importador, pessoa jurídica contratada, deve informar que não se trata de uma operação por conta própria, indicando, em campo próprio na ficha “importador” da DI, o número de inscrição do encomendante ou do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). A falta de indicação do encomendante ou adquirente na Declaração de Importação, bem como a ausência de habilitação de alguma das partes no Siscomex e a ausência de vinculação do contrato na Receita Federal caracterizam a situação de ocultação do sujeito passivo ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, punível com a pena de perdimento das mercadorias (art. 23 V, do Decretolei n° 1.455/76 com a redação dada pela Lei n° 10.637/02). ❉ Das modalidades de Importação Não há propriamente uma definição normatizada e, portanto, estanque do que vem a ser a importação direta. Poderseia esboçar aqui uma definição sob o sério risco de fazêla incompleta ou até mesmo imperfeita e assim confundir mais do que auxiliar. Por isso, tomase o caminho mais fácil e seguro. Se tanto a Importação por “conta e ordem” como a Importação por “encomenda” possuem definições precisas dadas pela Lei e se apenas existem três modalidades e possibilidades de importação no Brasil, valese do critério da complementaridade para se estabelecer que aquilo que não for Importação por “conta e ordem” e Importação por “encomenda” será, portanto, uma importação direta. É mister que se compreenda um ponto chave na consolidação da legislação de combate a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior e que servirá para o adequado deslinde do caso ora em análise: O artigo 27 da Lei n° 10.637/02 e a IN SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002 – responsáveis pela definição, previsão e regulamentação da modalidade de Importação por “conta e ordem” – assim como o artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 e a IN SRF nº 634/2006 responsáveis pela definição, previsão e regulamentação da modalidade de Importação por “encomenda” não criam qualquer conduta infracional. O que elas regulamentam, simplesmente, são formas permissivas de atuação de empresa interposta na importação. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 28 27 Assim, temos que inicialmente o artigo 27 da Lei n° 10.637/02 (modalidade de Importação por “conta e ordem”) e posteriormente o artigo 11 da Lei n° 11.281/06 (modalidade de Importação por “encomenda”) criam formas permissivas do uso do importador interposto. Caracterizada a prática de qualquer uma dessas duas modalidades de Importação, sem a adoção dos respectivos procedimentos previstos para a adequada identificação do adquirente ou do encomendante no mercado interno, resta configurada a ocultação do sujeito passivo (real beneficiário da importação) pelo importador interposto. ❉ A identificação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto Para a seguinte indagação: existe a possibilidade da prática de interposta pessoa (importador interposto) em operações de importação frente à legislação brasileira? A resposta é SIM: Ø seja através da Importação por “conta e ordem”; ou Ø seja através da Importação por “encomenda”. Portanto, o passo subsquente ao da identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto é a demonstração por parte da fiscalização de que: Ø a modalidade de importação “direta” eleita pelo importador oculta uma modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros"; ou Ø a modalidade de importação “direta” eleita pelo importador oculta uma modalidade de "importação por encomenda". Em outros termos: justamente para não identificar o REAL COMPRADOR no mercado interno do produto importado, foi eleita a modalidade de importação “direta”. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 29 28 ❉ identificação da modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" Para uma adequada análise, partese do conceito normativo da importação por conta e ordem de terceiros: · Disciplinada pelos artigos 80, 81 da Medida Provisória n° 2.158/0135 e artigo 29 da Medida Provisória n° 66/2002, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, com definição jurídica dada pelo artigo 27 da Lei n° 10.637/02: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O artigo transcrito autoriza a seguinte presunção: denominar de importação por conta e ordem de terceiros a importação realizada mediante utilização de recursos de terceiros. Assim, se a operação de importação é adimplida (fechamento do câmbio) com recursos de terceiro, a modalidade de importação a ser reconhecida será a importação por conta e ordem de terceiros, na forma do artigo 27 da Lei n° 10.637/02. O fluxograma nos auxiliará na visualização do contexto: Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 30 29 ❉ Identificação da modalidade de importação “por encomenda” Para uma adequada análise, partese do conceito normativo da importação por encomenda: · Disciplinada pelo artigo 11 da Lei 11.281/06 e regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006, com definição jurídica dada pelo artigo 11 da Lei n° 11.281/06: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. Como dito, na redação do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, o legislador se valeu de três expressões análogas: I. sujeito passivo oculto; II. real comprador; e III. responsável pela importação. Usase uma outra expressão com o mesmo significado para explorar adequadamente o conceito de importação por encomenda: “PESSOA PREDETERMINADA”. A nova expressão tem o seu propósito porque vem a retratar uma faceta específica e determinante para a identificação da modalidade de "importação por encomenda" : A tomada de risco. Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 31 30 Se na modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" a regra de ouro é entender a gênese do recurso e sua consequencia no financiamento da operação de importação, na modalidade de "importação por encomenda" a regra de ouro é identificar se o importador correu risco quanto à revenda do produto importado no mercado interno. Há que se comente um detalhe de suma importância: A bem dizer, o critério tomada de risco também pode e deve ser usado para caracterizar a modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros", pois se entende que a tomada de risco de revenda das mercadorias importadas no mercado interno é uma característica essencial da importação direta. Isso porque: Ø na Importação por “conta e ordem” no momento da nacionalização – registro da Declaração de Importação – já existe no mercado interno comprador certo (ADQUIRENTE); e Ø na Importação por “encomenda” no momento da nacionalização – registro da Declaração de Importação – já existe no mercado interno comprador certo (ENCOMENDANTE). Portanto, é perfeitamente possível ver em um Auto de Infração o uso do critério tomada de risco conjugado com o repasse de recursos para evidenciar uma importação por conta e ordem de terceiros. Contudo, é o repasse de recursos a característica essencial daquela modalidade de importação. Na importação por encomenda, dado o seu conceito normativo inexiste qualquer repasse de recursos. Por isso, que o critério tomada de risco passa a ser relevante em sua caracterização. Tomase por base um quadrinho usado comumente para retratar a modalidade de importação direta: Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 32 31 Ø O importador adquire a mercadoria no mercado externo com recursos próprios e a revende no mercado interno para comprador indeterminado. Um outro quadrinho auxiliará a compreensão do conceito de PESSOA PREDETERMINADA: Ø O importador adquire a mercadoria no mercado externo com recursos próprios e a revende no mercado interno para comprador determinado (REAL COMPRADOR). A pessoa predeterminada é o comprador de bem importado definido antes da data do registro da Declaração de Importação. Como dito, a tomada de risco de revenda das mercadorias é uma característica essencial da importação direta, enquanto que na Importação por “conta e ordem” e na Importação por “encomenda” no momento da nacionalização – registro da Declaração de Importação – já existe no mercado interno comprador certo (REAL COMPRADOR). Em uma operação de venda casada, como a promovida por uma interposta pessoa em operações de importação este risco é inexistente, já que toda operação de compra e venda foi previamente arranjada e seus termos são bem conhecidos no momento em que o importador promove o despacho aduaneiro das mercadorias. Essa premissa decorre de modo direto e imperioso do objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil em pretender possuir controle absoluto sobre o destino de todas as mercadorias importadas por empresas nacionais. Aquele que é destinatário de bem importado, já conhecido no momento do registro da respectiva Declaração de Importação, deve ser necessariamente informado aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros na forma da IN SRF nº 225/02 para a modalidade de Importação por “conta e ordem” e da IN SRF nº 634/2006 para a modalidade de Importação por “encomenda” , sob o risco de configuração da prática de interposição fraudulenta de terceiros e conduta tendente a burlar os controles aduaneiros. O registro da Declaração de Importação é o marco eleito para identificar a PESSOA PREDETERMINADA, pois: Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 33 32 1. É o aspecto temporal que define o momento da entrada do bem no território aduaneiro; 2. É o instante de nacionalização do bem possível de ser precisado; 3. Antes desse instante a legislação pátria não tem qualquer efeito sobre o bem importado; 4. Só com o registro da Declaração de Importação é que se reúne toda a gama de informações suficientes para atender os requisitos exigidos pelas Instruções Normativas citadas. E ainda se acrescenta: Antes do ingresso da mercadoria no território nacional o bem é completamente alienígena ao ordenamento jurídico pátrio. Quem comprou, porque comprou, quando comprou, como pagou são questões por ora estranhas à fiscalização aduaneira, até mesmo porque a mercadoria pode vir a ter outro destino que não o Brasil. A ação da fiscalização aduaneira brasileira, com relação à mercadoria importada, só tem sentido a partir do seu ingresso no País. Esse momento a legislação precisa muito bem, inclusive em termos de minutos e até segundos: é o registro da Declaração de Importação. A partir desse instante é que o bem passa a ter relevância ao ordenamento jurídico pátrio, em particular à ação da fiscalização aduaneira da Receita Federal do Brasil. Para poder exercer sua expertise e verificar a regularidade da importação e assim atender a premissa de possuir controle absoluto sobre o destino de todas as mercadorias importadas por empresas nacionais, no momento do registro da Declaração de Importação o importador tem o dever de informar esse fato à fiscalização aduaneira através da adoção da modalidade de Importação por “conta e ordem” ou modalidade de Importação por “encomenda” a depender da forma de financiamento da importação. Se no momento do registro da Declaração de Importação a mercadoria tem destino certo no mercado interno – PESSOA PREDETERMINADA – é dever do importador expor esse fato, sob pena de burla aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. E nesse contexto, é inegável que o importador age como interposta pessoa, pois a mercadoria apenas transpassa por ele. Por vezes sequer adentra ao seu estabelecimento comercial. Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 34 33 Uma questão que é comumente suscitada é a alegação de que para se caracterizar a modalidade de "importação por encomenda" é necessário que o encomendante participe da transação comercial com o fornecedor estrangeiro. O legislador contemplou essa situação nos §§ 3º e 4º, do inciso I, do artigo 112 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009: § 3o A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros (Lei no 11.281, de 2006, art. 11, caput). § 4o Considerase promovida na forma do § 3o a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior (Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 3o, com a redação dada pela Lei nº 11.452, de 2007, art. 18). (grifo e negrito nossos) Portanto, a participação do encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior é irrelevante para a caracterização da modalidade de "importação por encomenda". ❉ Identificação do responsável pela importação. Está aqui diante de um terceiro modo de identificação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto, à margem da modalidade de importação praticada: reconhecer quem foi o responsável pela importação. Um adendo se faz necessário: como já dito, usualmente, a fiscalização identifica a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros pela desconstituição da Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 35 34 modalidade de importação direta adotada pelo importador com a consequente caracterização da modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" ou de “por encomenda”. Todavia, há um outro modo de demonstrar esse liame, à margem de qualquer demonstração de repasse de recursos e/ou tomada de risco. É demonstrar que o responsável pela importação utilizou o importador interposto como um longa manus. É uma outra ótica da fiscalização reconhecer a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros dissociada do critério da capacidade econômica: o REAL COMPRADOR no mercado interno seria identificado como sendo aquele que detém o “Domínio do Fato”. Um outro modo de compreender (identificar) o responsável pela importação é através da seguinte constatação: sem a sua vontade a importação não aconteceria. Percebam uma nova variante da prática de interposição fraudulenta de terceiros: Quem exerce o “domínio do fato” pode vir a ser ou não o destinatário dos produtos importados no mercado interno. A mercadoria transacionada PODE SEQUER passa por ele assim como o dinheiro referente à transação. Ainda assim, é ele que determina todas as coordenadas do importador. Portanto, é tido como o responsável pela importação. IMPORTANTE: Se não for constatado o liame entre os assim denominados “importador interposto” e “sujeito passivo oculto”, aquele que a fiscalização a priori identificou como REAL COMPRADOR no mercado interno perde essa qualificação e passa a ser tratado como um “MERO COMPRADOR”, não cabendo assim qualquer tipificação da conduta no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. ❉ Demonstração da FRAUDE ou SIMULAÇÃO. Como visto, o significado de “interpor”, verbo transitivo, é "pôr entre". Já a fraude representa todo artifício empregado com o fim de enganar uma pessoa e causarlhe prejuízo. Destarte, tomando como base o simples significado das palavras, é possível concluir que interposição fraudulenta é a situação fática em que determinado ente fica numa posição de "intermediário" (importador ostensivo) com o objetivo de esconder outro agente (adquirente ou encomendante), causando prejuízo ao erário ou dificultando os controles administrativos das Aduanas. Embora a fraude já esteja perfeitamente caracterizada, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964, cumpre ainda atentar que o bem jurídico protegido pela norma contida no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1º, alteração 2ª, do Decreto lei nº 400, de 30 de dezembro de 1968, não é unicamente o Erário, mas a norma visa essencialmente resguardar o controle aduaneiro e proteger a economia nacional, que se vêem afetados pela importação fraudulenta e pela entrada clandestina de mercadorias no País. Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 36 35 Nesse passo é possível discernir entre a fraude tributária stricto sensu e a fraude aduaneira que abrange, além dos aspectos estritamente fiscais atinentes àquela, também os extrafiscais, próprios do controle aduaneiro. Nesse sentido, fraude aduaneira não se restringe à fraude exclusivamente tributária. Assim, em matéria aduaneira, a fraude assume uma feição própria, de modo que o termo “importação fraudulenta” transcende a conduta dolosa de tãosomente evitar ou reduzir o pagamento de tributo, não se restringindo à “fraude”, tal como conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, de feição estritamente tributária. Envolve também as ações dolosas empreendidas para burlar os controles aduaneiros, com o intuito de lograr benefícios ilicitamente, com p. ex., obter vantagens cambias, remeter divisas irregularmente etc. Em tais situações, pode ocasionalmente não haver insuficiência ou falta de recolhimento de impostos, porém não se há de negar a caracterização da importação como fraudulenta, porquanto resta evidente a ação dolosa em ilidir o controle aduaneiro para fruição de vantagens ilícitas em detrimento da economia nacional, bens jurídicos que a norma visa assegurar. Então, em relação a operações aduaneiras, seria um contrasenso exigir que a fraude se caracterizasse unicamente pela falta ou insuficiência de pagamento dos impostos incidentes na importação. No ordenamento jurídico encontramos exemplos dessa acepção, em que a importação fraudulenta não necessariamente implica supressão ou redução do imposto devido. É o caso art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (DOU 31/12/2002), que pune uma espécie de importação fraudulenta, caracterizada pela ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, mesmo não havendo repercussão no recolhimento do imposto. Assim, “importação fraudulenta” significa importação com fraude ao controle aduaneiro, mitigandose a feição estritamente tributária de “reduzir ou evitar o pagamento do imposto” ocorrendo nos casos em que a falsificação ou a adulteração de documentos acarrete dano ao citado controle, mesmo que não haja repercussão no tratamento tributário. A propósito observese o lúcido ensinamento de ROOSEVELT BALDOMIR SOSA: "consiste a falsidade documental, em matéria aduaneira, em elaborar documento falso, ou alterálo total ou parcialmente de modo a iludir o controle administrativo. Também se conhece a falsidade ideológica, que é quando o documento se mostra verdadeiro, mas não expressa a verdade” (Comentário à lei aduaneira: Regulamento Aduaneiro, São Paulo: Aduaneiras, 1993, vol. III, p. 187) . A prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. é uma conduta que o legislador entendeu por bem não tolerar, dado o seu RISCO POTENCIAL. O quadro abaixo indica as três etapas para a consumação da infração, de acordo com a prática efetiva. Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 37 36 A AUTUAÇÃO DA RECORRENTE SOB O FUNDAMENTO DE TER CEDIDO NOME PARA OCULTAR A REAL ENCOMENDANTE DAS MERCADORIAS A Empresa MRA foi constituída em 07/04/2004, com sede no mesmo bairro da PUIG Brasil (CEM, s/n, Quadra 1, lote M04, bairro TIMS, Serra ES). Seu nome fantasia é VIZCAYA e, assim como a PUIG Brasil, a empresa não possui habilitação para operar no comércio exterior. De acordo com seu sítio na rede mundial de computadores, a MRA (VIZCAYA) informa que: “Desde 1991 a Vizcaya Cosméticos se consolida no mercado de beleza brasileiro atuando em duas frentes: 1. desenvolvendo produtos de tratamentos capilares e cuidados para o corpo; e 2. distribuindo no país as melhores marcas de perfumes internacionais.” Na seção “Perfumes”, reproduzida abaixo, a empresa esclarece que: “Vizcaya representa grandes nomes internacionais: Burberry, Bvlgari, Hermès, Montblanc, Jimmy Choo, Van Cleef & Arpels e Lanvin, trazendo ao consumidor todo o prestígio e glamour das marcas mais famosas do mundo.” Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 38 37 É possível, inclusive, comprar os perfumes que a MRA (VIZCAYA) representa diretamente no site, através da Loja Virtual. No ano de 2011, TODOS os produtos revendidos à MRA pela Cosméticos Carvalho foram importados diretamente das empresas Confiluxe S/A , Hermes Parfums e Bulgari Corporation of America, proprietárias mundiais das marcas SALVADOR DALI, HERMES e BULGARI, que a MRA afirma representar e distribuir no país. A fim de conhecermos o quão expressivos foram os volumes de importação destinados à MRA, a fiscalização pesquisou no programa DW Aduaneiro todas as importações de mercadorias da posição NCM 3303.00, durante o ano de 2011, tendo como exportadores as empresas COFINLUXE, HERMES e BULGARI CORPORATION OF AMERICA, e foram geradas as planilhas denominadas “Relatório Bulgari”, “Relatório Hermes” e “Relatório Cofinluxe”, em anexo. As planilhas demonstram que, no ano de 2011, salvo uma única DI sem cobertura cambial e com valor aduaneiro abaixo de R$2.000,00 (n° 11/20467022), as únicas empresas brasileiras que importaram produtos de perfumaria das marcas SALVADOR DALI, HERMES e BULGARI diretamente das empresas proprietárias destas marcas foram: ü a EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNATIONAL, CNPJ :31.757.503/000130, tendo como encomendante ou adquirente a empresa VIVA COSMÉTICOS LTDA, CNPJ: 03.807.033/000136, doravante denominada VIVA Cosméticos; e ü INDUSTRIA E COMERCIO QUIMETAL SA, CNPJ: 27.240.464/000121, tendo como encomendante a empresa INDUSTRIA DE COSMETICOS CARVALHO LTDA CNPJ: 09.006.813/000163. Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 39 38 Diferentemente do que era de se esperar, a distribuidora MRA não figura como sujeito passivo/real adquirente/encomendante em nenhuma das operações de importação dos perfumes das marcas que representa. Em vez disso, as mercadorias seguem um tortuoso e sofisticado caminho: De janeiro a 09 de dezembro de 2011 (data de registro das DI): elas eram importadas pela empresa EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNATIONAL, tendo como encomendante ou adquirente a empresa VIVA Cosméticos, que posteriormente os repassava à MRA. A partir de 02 dezembro de 2011 (data de registro das DI): elas passaram a ser importadas pela Quimetal, por encomenda da Cosméticos Carvalho, que posteriormente os repassava à Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 40 39 MRA. Tanto a Quimetal quanto a Eximbiz atuavam apenas como importadores diretos, executando as formalidades das importações e repassando os produtos à Cosméticos Carvalho ou à VIVA Cosméticos, que seriam, pretensamente, os encomendantes e (re)vendedores desses produtos após um processo industrial. Entretanto, apesar de VIVA Cosméticos e Cosméticos Carvalho possuirem instalações industriais e atuarem como indústria em diversas operações, nestes casos, seu verdadeiro papel não era nem o de encomendante, nem o de industrial, nem o de (re)vendedor, mas sim o de mero ocultador do verdadeiro sujeito passivo/real adquirente/encomendante, a MRA. Tanto a empresa VIVA Cosméticos, quanto a Cosméticos Carvalho, possuem a mesma sócia majoritária, a Sra Ivanilza Carvalho Martins (99% das cotas da primeira e 60% das cotas da segunda), atuam no ramo de perfumaria e produtos cosméticos e, de acordo com a Primeira Alteração Contratual de Cosméticos Carvalho, em março de 2008, a Cosméticos Carvalho recebeu parte dos ativos da VIVA Cosméticos e um aumento de capital em decorrência de uma cisão parcial desta empresa. Além de idêntica sócia majoritária, ambas as empresas possuíam, em 2011, idêntico “modus operandi”: parte de seu faturamento era decorrente de Receita de industrialização/ produção e outra parte de Receita de Revenda. No caso dos produtos revendidos (CFOP 6102), todos eram produtos de perfumaria importados por encomenda através de uma Trading e posteriormente repassados para os mesmos clientes: PUIG Brasil e MRA no caso da Cosméticos Carvalho e somente MRA no caso da VIVA Cosméticos. A VIVA Cosméticos utilizava a trading EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNATIONAL, e a Cosméticos Carvalho, a trading INDUSTRIA E COMERCIO QUIMETAL S.A. Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 41 40 Comparando a data de emissão das Notas Fiscais de revenda (CFOP: 6102) da VIVA Cosméticos e da Cosméticos Carvalho para a MRA, resta claro que a Cosméticos Carvalho sucedeu a VIVA Cosméticos nas operações de intermediação de importação para a MRA, pois a última Nota Fiscal de revenda para a MRA foi emitida pela VIVA Cosméticos em 14/12/2011, enquanto a primeira Nota Fiscal de revenda da Cosméticos Carvalho para a MRA foi emitida em 09/12/2011. Ademas, o tipo de mercadoria revendida pela VIVA Cosméticos para a MRA era o mesmo daquele revendido pela Cosméticos Carvalho, ou seja, produtos de perfumaria das marcas pertencentes aos exportadores COFINLUXE, HERMES E BULGARI CORPORATION e adquiridos diretamente dos proprietários destas marcas. Deliberadamente a MRA tentou esconder a existência de sua relação comercial com a VIVA Cosméticos, de quem adquiriu, no período de março a dezembro/2011, mercadorias no valor de R$6.938.618,66, conforme tabela em anexo , valor bem acima dos R$2.867.037,92 adquiridos da Indústria de Cosméticos Carvalho, cujo contrato foi por ela apresentado. Em que pese a omissão da MRA, a fiscalização teve acesso ao Contrato de Compra e Venda de mercadorias firmado entre VIVA Cosméticos e Cosméticos Carvalho, apresentado pela Cosméticos Carvalho em atendimento ao Termo de Início de ação fiscal e Intimação n° 1/2015. De acordo com a cláusula 2.3 deste contrato, abaixo transcrita, cabe à MRA indicar de quem a VIVA comprará os materiais do contrato, e quanto será adquirido ('Estimativa”), ou seja, tratase de uma compra por encomenda. A MRA tem tanto controle da operação de importação e contato com os fornecedores que, na cláusula 2.4, tornase necessário estabelecer que a Notas Fiscais serão emitidas para a VIVA. Essas cláusulas demonstram a intenção de usar a empresa VIVA como um mero anteparo entre o importador interposto empresa EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNATIONAL e o REAL COMPRADOR da mercadoria importada no mercado interno: empresa MRA. Mais do que isso: Evidencia o exercício do “Domínio do Fato” pela empresa MRA, real interessada nas operações de importação em análise. Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 42 41 No caso em tela, a MRA tencionava manterse oculta nas importações, escondendo do fisco sua relação de verdadeira importadora, e, por isso, era necessário que todos os documentos fossem emitidos para a VIVA. A VIVA Cosméticos e a Cosméticos Carvalho agiam como simples executoras das encomendas da MRA (anteparos). Seu papel era apenas o de se interpor entre a Trading (EXIMBIZ) e a MRA (real compradora das mercadorias), conduta infracional tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Cabe destacar, ainda, que, quando intimadas a apresentar todos os Contratos existentes entre elas, tanto a Cosméticos Carvalho quanto a MRA deliberadamente esquivaram se de apresentar qualquer contrato relacionado aos produtos das marcas BULGARI, SALVADOR DALI E HERMES. Em que pese as empresas envolvidas terem intencionalmente ocultado a existência dos Contratos entre MRA e Cosméticos Carvalho e entre MRA e as empresas exportadoras detentoras das marcas de perfumes SALVADOR DALI, BULGARI E HERMES, cuja apresentação deixaria ainda mais clara a simulação ocorrida nas suas operações de importação, outras fatos demonstram que a Cosméticos Carvalho cedeu seu nome para ocultar, nas operações de importações por ela promovidas, a empresa MRA em “modus operandi” bastante similar ao da Puig BRASIL, sua outra clientes de serviços de importação.. Conforme demonstrado anteriormente, no ano de 2011, as únicas empresas brasileiras que importaram produtos de perfumaria das marcas SALVADOR DALI, HERMES e BULGARI diretamente das empresas proprietárias destas marcas foram VIVA Cosméticos (encomendante de Eximbiz) e Cosméticos Carvalho (encomendante de Quimetal), e ambas repassaram integralmente esses produtos sem qualquer tipo de industrialização e em pouquíssimos dias (em média 3) para a MRA. É inverossímil que empresas detentoras de marcas de renome mundial como SALVADOR DALI, HERMES e BULGARI não tenham controle de que empresas estariam autorizadas a comercializar ou fornecer seus produtos, ou não formalizem esse controle através de Contratos de Fornecimento ou de uso de marcas. Além de não ser usual no mercado mundial de perfumes esse tipo de procedimento (haja visto o “modus operandi” da Antonio PUIG , dona da marca PUIG, cliente da Cosméticos Carvalho), outra prova de que tal controle de fato existe é que, no ano de 2011, a MRA foi a única destinatária final no Brasil de TODOS os produtos de perfumaria das marcas SALVADOR DALI, HERMES e BULGARI adquiridos e importados diretamente das proprietárias destas marcas. Apesar de a Cosméticos Carvalho e VIVA Cosméticos possuírem instalações industriais e atuarem como indústria em diversas operações, nestas operações de (re)vendedor, mas sim o de mero ocultador do verdadeiro sujeito passivo/real adquirente/encomendante, a MRA. Os fatos que caracterizam essa situação são os seguintes: Ø O exportador estrangeiro é o detentor das marcas comercializadas; Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 43 42 Ø Os produtos importados, por serem de renome mundial, não podem ser alterados no Brasil, sob pena de perda de sua autenticidade; Ø Para garantir a autenticidade dos produtos, eles vêm acabados e embalados do exterior, não podendo sofrer nenhum tipo de alteração no seu conteúdo ou apresentação; Ø O processo ao qual os produtos importados são submetidos no estabelecimento da Cosméticos Carvalho, que se resume à aposição do selo de autenticidade e de uma proteção de papel celofane, sequer pode ser considerado como industrialização, por força do art. 6°, § 2°, do RIPI/2010; Ø É importante que se faça uma perfeita distinção entre o que seja embalagem de apresentação e embalagem de transporte, porque o inciso IV, do artigo 4, do RIPI conceitua como operação de industrialização apenas aquela que importe em alterar a apresentação do produto pela colocação de embalagem de apresentação; Ø Não se considera como acondicionamento de apresentação aquele em que a sua natureza e as características do seu rótulo atendam, apenas a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos (art. 6°, § 2°). A PARTICIPAÇÃO DA MRA NO PROCESSO DE IMPORTAÇÃO DOS PERFUMES, SENDO, APENAS, DISTRIBUIDORA QUE OS ADQUIRE NO MERCADO INTERNO É alegado no item 28 do Recurso Voluntário: 28. Com efeito, a atividade desenvolvida pela empresa é incontroversamente necessária (os procedimentos são executados para atender a exigências legais da ANVISA) situação reconhecida, inclusive, pela d. DRJ5 (fls.1822) e lucrativa, o que por si só é, data máxima vênia, motivo suficiente para afastar qualquer alegação de fraude. No caso em tela, a Cosméticos Carvalho foi intimada a esclarecer detalhadamente todas as etapas de industrialização dos produtos vendidos para a PUIG Brasil e MRA Cosméticos, indicando o material utilizada em cada etapa (Termo de Intimação n° 3/2015). Em resposta, a empresa apresentou um fluxograma no qual descreve sua atividade como uma prestação de serviço, não uma industrialiazação, que se resume a: 1. Registro do produto na ANVISA. 2. Retirar o celofane dos cartuchos. Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 44 43 3. Criar etiqueta, conforme normas da ANVISA para nacionalização do produto. 4. Colocação de etiqueta de nacionalização 5. Colocação do selo de originalidade da ADIPEC (Associação dos Distribuidores e Importadores de Perfumes, Cosméticos e Similares). 6. Celofanizar 7. Colocar em caixa de embarque. Por silogismo, essas mesmas etapas são aplicadas à Recorrente VIVA Cosméticos. Assim estipula o art. 6°, § 2°, do RIPI/2010: Art. 6o Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. (...) § 2o Não se aplica o disposto no inciso II do caput aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos. (Grifo e negrito nossos) Portanto, adequada a interpretação do Acórdão de Impugnação que não caracteriza industrialização quando a natureza do acondicionamento e as características do rótulo do produto atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos. Cabe ressaltar que todas as Notas Fiscais de venda de mercadorias da VIVA Cosméticos para a MRA no ano de 2011, indicavam o CFOP 6.102, código utilizado para indicar vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, ou seja, simples revenda de mercadorias, quando não há qualquer processo de industrialização no estabelecimento. Portanto, a própria documentação – obrigação tributária acessória – atesta que não houve processo de industrialização no estabelecimento. Assim, as atividades prestadas pela VIVA para a MRA no que tange aos produtos das marcas SALVADOR DALI, HERMES E BULGARI nunca foram de industrialização. Os produtos importados são integralmente destinados à MRA, poucos dias após a data do desembaraço, o que indica uma prévia definição do adquirente final Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 45 44 da mercadoria antes mesmo de sua nacionalização ( REAL COMPRADOR no mercado interno ). Em média, as Notas Fiscais de saída de mercadoria da Cosméticos Carvalho para a MRA são emitidas em até 3 (três) dias do desembaraço da DI pela Quimetal. Os produtos importados fazem um custoso vai e vem, saindo do Espírito Santo (Porto de Vitória), vindo para o estabelecimento da VIVA Cosméticos ou da Cosméticos Carvalho no Rio de Janeiro, e depois retornando ao estabelecimento 001 da MRA de novo no Espírito Santo, para depois serem distribuídos por todo o território nacional. Pela relação de interdependência aparentemente existente entre as empresas, tal vai e vem tem por objetivo a não observância de valores tributáveis mínimos para fim de apuração do IPI, pois, por interpretação distorcida da legislação, alguns contribuintes entendem que o valor tributável mínimo não incide quando os estabelecimentos do remetente e do atacadista estão situados em municípios diferentes. A MRA estabelecimento matriz 0001, sediada no Espírito Santo, é a destinatária de todas as mercadorias vendidas à MRA pelas empresas VIVA Cosméticos e Cosméticos Carvalho. Dentre os produtos importados por encomenda da VIVA Cosméticos e da Cosméticos Carvalho, além de perfumes e afins, também são importados produtos destinados à MRA que nada têm a ver com os objetos sociais da VIVA Cosméticos e da Cosméticos Carvalho, tais quais expositores de papelão, cartões olfativos, tampas de acrílico para provador, cadernos, vidros de perfume fictícios para exposição e espelhos, tudo relacionado às marcas BULGARI, SALVADOR DALI E HERMES. Isso corrobora o fato de que tanto VIVA Cosméticos quanto Cosméticos Carvalho agiam como simples executoras das encomendas da MRA. Seu papel era apenas o de se interpor entre a Trading (Importadora direta) e a MRA (real compradora das mercadorias). Tais mercadorias não sofriam qualquer tipo de industrialização ou alteração de embalagem. Mesmo assim, elas entravam no país através do Porto de Vitória, no Espírito Santo, eram transportadas até o estabelecimento da VIVA Cosméticos ou da Cosméticos Carvalho, no Rio de Janeiro, retornavam para a filial da MRA, no Espírito Santo, para depois serem distribuídas pelo Brasil exatamente da mesma forma que chegaram ao país. A justificativa para o trajeto custoso dessas mercadorias era, simplesmente, ocultar das autoridades nacionais a condição de encomendante da MRA e, desta forma, desonerála das obrigações relativas ao IPI. É alegado nos itens 29 e 30 do Recurso Voluntário: O laudo elaborado por laudo público, relativo aos procedimentos de beneficiamento de perfumes6, também comprova (Relatório Técnico n° 000.918/15, doc. 01) (i) que os perfumes importados não estão aptos à comercialização antes da a Recorrente adotar os procedimentos determinados pela ANVISA (item 12); e, (ii) que os procedimentos determinados Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 46 45 pela ANVISA não podem ser executados em estabelecimento exclusivamente comercial, por dependerem de instalações e maquinários específicos e funcionários qualificados (item 12). Com efeito, a resposta ao quesito 15 coloca uma pá cal no debate estabelecido nos presentes autos pois esclarecem que os perfumes antes de serem comercializados no mercado interno necessitam passar pelo procedimento de industrialização e que tal procedimento não pode ser realizado por uma empresa exclusivamente comercial como é o caso da MRA, por exemplo: Mais adiante é alegado nos itens 31 a 33 do Recurso Voluntário: 31. A resposta ao quesito 11 do Relatório Técnico deixa claro que são realizados testes de qualidade e análises dos produtos antes destes serem comercializados: 32. Já na reposta ao quesito 16 verificase que todos os produtos passam por processos industriais de maior ou menor complexidades antes de serem colocados à venda e que tais processos necessitam de maquinário e funcionários qualificados: Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 47 46 A Recorrente apresenta uma tecnicidade para transformar o destinatário final das mercadorias importadas no mercado interno, empresa MRA, de REAL COMPRADOR em MERO COMPRADOR. O fato dos produtos importados serem submetidos a procedimentos da ANVISA, por quem quer que seja, não reverte o fato de que a empresa MRA ser o destinatário final das mercadorias importadas no mercado interno, o que se designou alhures de PESSOA PREDETERMINADA. Devese lembrar que as planilhas demonstram que, no ano de 2011, salvo uma única DI sem cobertura cambial e com valor aduaneiro abaixo de R$2.000,00 (n° 11/20467022), as únicas empresas brasileiras que importaram produtos de perfumaria das marcas SALVADOR DALI, HERMES e BULGARI diretamente das empresas proprietárias destas marcas foram: Ø EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNATIONAL; e Ø INDUSTRIA E COMERCIO QUIMETAL SA De janeiro a 09 de dezembro de 2011 (data de registro das DI): elas eram importadas pela empresa EXIMBIZ COMÉRCIO INTERNATIONAL, tendo como encomendante ou adquirente a empresa VIVA Cosméticos, que posteriormente os repassava à MRA. A partir de 02 dezembro de 2011 (data de registro das DI): elas passaram a ser importadas pela Quimetal, por encomenda da Cosméticos Carvalho, que posteriormente os repassava à MRA. Tanto a Quimetal quanto a Eximbiz atuavam apenas como importadores diretos, executando as formalidades das importações e repassando os produtos à Cosméticos Carvalho ou à VIVA Cosméticos, que seriam, pretensamente, os encomendantes e (re)vendedores desses produtos após um processo industrial. Entretanto, apesar de VIVA Cosméticos e Cosméticos Carvalho possuirem instalações industriais e atuarem como indústria em diversas operações, nestes casos, seu verdadeiro papel não era nem o de encomendante, nem o de industrial, nem o de (re)vendedor, mas sim o de mero ocultador do verdadeiro sujeito passivo/real adquirente/encomendante, a empresa MRA. Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 48 47 É alegado nos itens 40 a 42 do Recurso Voluntário: Resta cristalina, portanto, a ausência de qualquer participação da MRA no processo de importação dos perfumes, sendo, apenas, distribuidora que os adquire no mercado interno. Assim, a Recorrente realizou vendas no mercado interno à MRA, distribuidora dos, não tendo sido produzida uma prova sequer (até mesmo por impossibilidade material) de fraude nas importações. Data máxima vênia, o fato de a MRA não possuir interesse em atuar no comércio exterior, limitandose sua atuação à distribuição de perfumes no mercado interno não deveria configurar, com a devida vênia, qualquer fraude, apenas uma opção comercial. Ficou demonstrado na elaboração do argumento precedente que a empresa MRA era a PESSOA PREDETERMINADA das operações de importação aqui em análise. No mercado interno ela figura como REAL COMPRADORA das mercadorias importadas e devido a isso deveria ser identificada como o ENCOMENDANTE nas Declarações de Importação. Se a empresa MRA possuía ou não possuía RADAR e os motivos porquê, eventualmente, não detinha o RADAR à época das operações de importação em análise, são fatos irrelevantes para a configuração da conduta infracional da infração por "cessão de nome". Uma vez que a empresa MRA não foi identificada como encomendante, resta tipificada a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros e por conseguinte a infração por "cessão de nome". Não cabe também a aplicação da conduta infracional tipificada no artigo 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Isso porque não se trata de mera inexatidão das informações administrativo tributárias, cambiais ou comerciais, mas sim de prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, como demonstrado ao longo do presente VOTO. ▣ A INFRAÇÃO POR “CESSÃO DE NOME” A infração por “cessão de nome” surge como uma consequencia da prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Ceder seu nome, mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seu real beneficiário, ficando sujeita a multa tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 49 48 documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). (Grifo e negrito nossos) Chamase a atenção para a expressão utilizada pelo legislador "com vistas", o que denota que a conduta infracional tipificada pelo artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 dispensa resultado, sendo uma infração de conduta. Uma vez caracterizada a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, com fulcro no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, o importador interposto incorre também em infração por "cessão de nome". Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Jorge Lima Abud. Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 50 49 Voto Vencedor Raphael Madeira Abad – Redator Designado. Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento integral ao recurso voluntário, sob o argumento de que restou caracterizada a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, mantendo o Acórdão 07.39.186 lavrado pela 7ª Turma da DRJ/FNS, que assim concluiu: "Por todo o exposto, com base nos fatos descritos e exame dos documentos apresentados, concluo que a autuada VIVA Cosméticos cedeu seu nome para realização de importações, ocultando a verdadeira encomendante das mercadorias importadas, estando perfeitamente tipificada a infração nos termos do art. 33, da Lei n.º 11.488/2007, in verbis: (...)" Segundo menciona o próprio relatório que embasou o a fiscalização concluiu que as empresas participantes da operação comercial sob análise efetivamente existem e que as operações financeiras ocorreram de fato Então, não há acusação de ausência de capacidade econômico financeira ou inexistência de f ato da autuada e demais intervenientes, pelo que, a única imputação reside na descaracterização da condição de real adquirente da mercadoria. Também não há, nos autos, qualquer afirmação, ilação ou prova de que as empresas brasileiras negociavam diretamente com os fornecedores estrangeiros ou antecipavam recursos financeiros a autuada, como sói ocorrer nesse tipo de operação, mas sim, que ditas empresas, encomendavam os produtos e quantidades diretamente à autuada, no mercado interno, que, por sua vez, promovia a importação, na modalidade por encomenda, através da empresa QUIMETAL. Não há acusação de falsidade material ou ideológica dos documentos que instruíram as operações de importação, mormente as faturas comerciais, nem se questiona o trânsito físico das mercadorias entre os estabelecimentos, ou ainda a realização de atividades fabris contratualmente previstas, em que pese o fato de que tais atividades, em sua maioria, não configuram “industrialização” para a finalidade da legislação do IPI (Lei nº 4.502/64), em que pese reconhecêlas como operações fabris, do ponto de vista comercial. Oportuno acentuar que essa conclusão – que não há integral operação de industrialização nessas atividades –, não afasta a equiparação a estabelecimento industrial dos intervenientes, nos termos da legislação do imposto, para as finalidades nela dispostas. Como já ressaltado, a autuação decorreu basicamente na relação societária entre exportador estrangeiro e distribuidor, a correspondência entre produtos importados e saídos do estabelecimento equiparado a industrial (autuado), prazo exíguo entre o desembaraço e a saída dos produtos, exclusividade para comercialização das marcas e termos dos contratos firmados entre os intervenientes. Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 51 50 Em outra frente, não se negou a existência física das empresas envolvidas, a capacidade operacional e econômicofinanceira delas, a realização de atividades fabris, a validade dos contratos para importação dos produtos e a responsabilidade pelas tratativas comerciais com o exportador estrangeiro. A imposição da multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07, em princípio e a meu ver, exige prova do consilium fraudis, o conluio, ante o princípio da autonomia patrimonial inerente às pessoas jurídicas, eis que as sociedades, à luz do direito civil e comercial, têm existência própria e distinta de seus sócios e, logicamente, das demais pessoas de direito, sejam elas naturais ou jurídicas. Prescreve o mencionado dispositivo: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais).” A cessão de nome e/ou documentário fiscal para ocultação de terceiros constitui abuso da personalidade jurídica, consubstanciada na confusão patrimonial, hipótese que acarreta, nos termos do art. 50 do Código Civil, a desconsideração da personalidade jurídica. Assim, em tese, não é possível falarse em cessão de nome/documentário fiscal sem minimamente tangenciar a fraude, que, por sua vez, exige prova específica ou, pelo menos, um forte conjunto indiciário da simulação negocial. Nestes autos, como antecipado, a caracterização da interposição comercial a respaldar a penalidade, na visão da fiscalização, fundouse, basicamente, no fato da PUIG (Brasil) pertencer ao mesmo conglomerado comercial que o exportador estrangeiro, Antonio Puig S/A (Espanha), e pelas informações obtidas nos sítios virtuais, tanto de PUIG quanto de MRA, que ambas seriam as distribuidoras das marcas importadas em território brasileiro, além de uma virtual quebra da cadeia do IPI e burla à legislação de preços de transferência e valoração aduaneira. Ocorre que essa vinculação societária, isoladamente, por não ser vedada pela legislação, não pode ser guindada a indício de ocultação do real adquirente se desacompanhado de outros elementos conducentes a essa situação. Outro indício de interposição narrado pela fiscalização é a correspondência entre os produtos importados e os documentos de saída e o diminuto prazo entre o desembaraço e a emissão da nota fiscal de saída. Contudo, é estreme de dúvidas que o produto importado chega ao país semiacabado e sujeito a algumas providências de adequação à legislação da ANVISA e preparação final para consumo, sendo que o autuado é contratado para, além da realização da importação, adotar as providências necessárias a finalizar a apresentação desses produtos (encartuchamento e “celofanização”, p.e.), antes de despachálos aos destinatários comerciais no território nacional – PUIG e MRA. Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 52 51 Também não se discute que a autuada tenha exercido essas atividades fabris sobre os produtos importados objeto do lançamento. A exclusividade de comercialização dos produtos foi outro indício assinalado, o que poderia revelar, de fato, a mencionada interposição. Nesse ponto merece destaque que a PUIG (Brasil) é o distribuidor exclusivo, no Brasil, das marcas importadas de Antonio Puig S/A, contudo, há contrato comercial formal ajustado entre esta última e a Carvalho concertando a realização das operações de importação e os serviços de preparação dos produtos, antes da entrega ao distribuidor exclusivo. Eventuais disparidades identificáveis nos contratos, ao meu entender, não conduzem à cessão fraudulenta do nome para realização de operações de importação, pois não se provou antecipação de recursos pela PUIG (Brasil) à Carvalho, bem como eventual ausência de propósito negocial, ou mesmo que as operações ajustadas não tivessem ocorrido, como contratado. A definição das especificações, quantidades e prazos de nacionalização, antes de revelar ocultação do real adquirente, parece atender à logística dos negócios entabulada entre os envolvidos, ao passo que, sendo PUIG (Brasil) o distribuidor exclusivo no país, a esta empresa caberia a avaliação da demanda pelos produtos e não à Carvalho, que apenas importava e os preparava para distribuição. No que tange à definição de preço no mercado interno, pelo exportador estrangeiro, ainda que não sirva como indício de “cessão de nome”, poderia indicar alguma infração à observância dos valores tributáveis mínimos, consoante legislação do IPI, porém, isso não foi alvo de investigação. A escolha por esta cadeia de negócios, na forma como concebida, ainda que possa ter atendido a um bem elaborado planejamento tributário, apenas pelo seu desenho, não se enquadra na infração catalogada. No caso concreto a fiscalização limitouse a indicar a potencial conduta infracional de iludir a legislação do IPI e de valoração aduaneira e preços de transferência, porém, não aprofundou as investigações necessárias ao esclarecimento dessas suposições. Ou seja, a imputação é abstrata e genérica, sem suporte em elementos concretos de convicção. Se existe ou existiu burla à incidência do IPI, à valoração aduaneira ou preços de transferência, não bastariam suspeitas ou hipóteses, ainda que fundadas em presunções relativas (hominis) – baseadas nas regras de experiência, pelo que ocorre diuturnamente em situações assemelhadas –, mas a prova dessa ocorrência, através de fiscalização específica sobre essas questões. Desse modo, o único fundamento da autuação se resume no emprego de uma logística operacional que, no cotidiano aduaneiro, tem revelado a pretensão de seus utilizadores à ocultação do real adquirente da mercadoria. É fato que a maioria esmagadora das situações julgadas nesse colégio envolvem fraudes onde as pessoas jurídicas importadoras apenas emprestam seu nome para formalização da importação, registrando declarações de importação, como se fossem próprias, Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 53 52 e que, no curso das fiscalizações, constatase que os recursos financeiros são disponibilizados antecipadamente pelos terceiros e também as negociações comerciais são por ele entabuladas, o que demonstraria a interposição fraudulenta. No caso dos autos, contudo, não há prova de antecipação de numerário, de eventuais irregularidades na origem dos recursos, e também não se questionou a integral realização das operações. O fato de o contrato prever cláusulas que limitam o direito do livre estabelecimento de preços, bem como obrigar a entrega dos produtos ao distribuidor exclusivo no país não pode conduzir, por si só, à inferência que houve cessão de nome e/ou documentário fiscal, sem que comprovada a ausência de intuito comercial do ajuste firmado ou a simulação das operações com vistas a dissimular o real negócio jurídico, o que não foi feito nesse trabalho fiscal. A “logística operacional”, de fato, aparenta o emprego de um planejamento tributário destinado à redução da carga tributária, contudo, essas situações exigem fiscalização específica e a prova de sua ocorrência ou, ainda, um robusto conjunto probatórioindicário, o que não se verificou nesses autos. A importação de mercadorias por encomendante predeterminado, a partir de pedido formulado no mercado interno, por empresa nacional, a meu ver, não exige que esse “encomendante nacional” tenha de se submeter a registro para operação no comércio exterior, se nenhum ardil, simulação ou fraude foi utilizada na operação de importação ou mesmo na negociação. De fato, é dever da fiscalização detectar possíveis infrações à legislação, como destacado, porém, ninguém pode ser autuado pelo possível cometimento de uma infração, mas tãosomente pela efetiva prática infracional. Por outro lado, a existência de uma “conexão por interesse em comum entre os envolvidos no negócio” não pode, em hipótese alguma, desacompanhada de prova de fraude ou simulação, ser alçada à condição de razão para exigência de multa por cessão de nome. Segundo essa exegese, o contrato é válido, mas como o objeto (produto) é estrangeiro, há irregularidade na importação, porque o controle aduaneiro foi ludibriado, mas, ao mesmo tempo, não aponta qual controle aduaneiro foi logrado ou mesmo qual lesão ao interesse público foi perpetrada pela autuada. Em resumo, não consigo vislumbrar qualquer ocultação de real adquirente ou interposição fraudulenta a justificar a cessão de nome ou documentário fiscal, porquanto havia contratos formais para realização das operações de importação, não houve antecipação de numerário, as partes demonstraram possuir capacidade econômicofinanceira e operacional para realização das tarefas ajustadas; as importações foram efetivadas em consonância com as normas baixadas pela RFB; e, os documentos relativos aos negócios foram apresentados. O acervo probatório carreado aos autos não desqualifica as operações na forma como realizadas, lastreandose o lançamento, em minha visão, em presunções relativas, por si só, insuficientes ao desiderato de demonstrar a ocorrência de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas. Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10074.720584/201518 Acórdão n.º 3302006.011 S3C3T2 Fl. 54 53 Como assinalado alhures, a fiscalização aparenta enxergar na estrutura de importação montada um planejamento tributário visando a elisão do IPI e do IRPJ, além dos tributos sobre o comércio exterior, pela suposta inobservância de valores tributáveis mínimos, valor aduaneiro e preços de transferência Estranhamente, porém, passa ao largo dessas questões, suscitando sua possível verificação apenas como argumento para exigência da multa imposta, sem direcionar as verificações a esse rumo. Se havia alguma infração à legislação do IPI, valoração aduaneira ou preços de transferências, não há nos autos qualquer informação de realização de trabalho fiscal tendente a apurar a ocorrência desses ilícitos fiscais, de maneira que manter o lançamento com base nessas suposições, a partir de conjecturas, o que pareceu ser o caso do lançamento e da decisão sob vergasta, corresponde a configurar uma infração apenas por ilações, o que não encontra sustentáculo em lei. A multa pela cessão de nome ou documentário fiscal é uma pena acessória, uma vez que a conduta nela descrita é uma “infraçãomeio” para prática de outros ilícitos tributários, que necessariamente exigem apuração própria e aprofundada, de modo que não vejo possibilidade de sua manutenção isolada, quando não averiguadas as infrações principais, como no caso vertente. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso. Raphael Madeira Abad. Fl. 1833DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006459/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 24/11/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. DESCRIÇÃO TÉCNICA DE LAUDO.
A descrição dos aspectos técnicos de mercadoria em laudo deve ser observada pelo julgador administrativo, conforme art. 30 do PAF. A mercadoria Alquibenzeno 9, descrita tecnicamente como uma mistura de alquibenzenos, uma outra mistura de hidrocarboentos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65% em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86, classifica-se na NCM 2707.50.00.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/11/2003
MATÉRIA DE DEFESA. PRECLUSÃO.
A matéria não arguida em Impugnação resta preclusa, nos termos do artigo 17 do PAF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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DESCRIÇÃO TÉCNICA DE LAUDO. A descrição dos aspectos técnicos de mercadoria em laudo deve ser observada pelo julgador administrativo, conforme art. 30 do PAF. A mercadoria Alquibenzeno 9, descrita tecnicamente como uma mistura de alquibenzenos, uma outra mistura de hidrocarboentos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65% em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86, classificase na NCM 2707.50.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/11/2003 MATÉRIA DE DEFESA. PRECLUSÃO. A matéria não arguida em Impugnação resta preclusa, nos termos do artigo 17 do PAF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 64 59 /2 00 8- 62 Fl. 186DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 10/04/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa de controle administrativo, por falta de licenciamento de importação, prevista no Art. 169, inc. I, alínea "b" e § 2°, inciso I do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 61 da Medida Provisória n° 135/03. e da multa por classificação fiscal incorreta, prevista no art. 84, I da MP 2158 85/2001, totalizando o valor de R$ 11.771,96, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, através da Declaração de Importação No. 03/10276700, de 24/11/2003, a mercadoria descrita como “HIGH FLASH LIVIANO (ALQUIL BENZENO), com classificação fiscal no código NCM 2707.99.00 – Outros óleos e produtos da destilação dos alcatrões da Hulha... – com incidência da alíquota 0% (nihil) para o Imposto de Importação e o Imposto de Produtos Industrializados; Através do pedido de exame laboratorial 3010/03, foi processado o Laudo de Assistência Técnica No. 3200.01, de 15/12/2003, foi apurado que o produto em análise se tratava de Mistura de Alquilbenzenos, uma outra mistura de hidrocarbonetos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65%, em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86; A fiscalização entendeu ser correta para o produto a classificação fiscal no código NCM 2707.50.00; A conclusão da fiscalização se pautou nas Regras Gerais No. 1 e No. 6 do Sistema Harmonizado; Cientificada do auto de infração, a interessada protocolizou impugnação na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, alegando, em síntese, que: O produto importado foi o “Alquilbenzeno 9”, utilizado para formulação de gasolina, fato não descaracterizado pelo exame laboratorial; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.006459/200862 Acórdão n.º 3201004.257 S3C2T1 Fl. 3 3 A classificação fiscal adotada pela PETROBRAS foi a mesma adotada pela empresa fabricante e pela empresa exportadora do produto quando de sua remessa ao Brasil; Estando o produto devidamente classificado pela empresa remetente, não poderia a empresa compradora adotar classificação fiscal diversa; Foi considerado o grau de pureza do produto para efetuar sua classificação fiscal em código NCM diverso daquele apontado como correto pela fiscalização; Por não haver um único critério para se proceder a classificação fiscal do produto, é razoável que ambas classificações sejam aceitas; A Receita Federal do Brasil RFB ao editar a Instrução Normativa No. 638/2006, reconhece que o produto Alquilbenzeno 9 pode ter classificação fiscal tanto no código NCM 2707.50.00, quanto no código NCM 2707.99.00; Houve boa fé da autuada; Em não havendo prejuízo ao Erário, devese anular o Auto de Infração. A DRJ/São Paulo/SP – 22ª Turma, por meio do Acórdão 1676.697, de 22/03/2017, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 24/11/2003 Mistura de Alquilbenzenos O resultado do Laudo de Assistência Técnica, que identificou o produto como uma Mistura de Alquilbenzenos, uma outra mistura de hidrocarbonetos aromáticos que destilam, incluídas as perdas, uma fração superior a 65%, em volume, a 250º C, segundo método ASTM D86, encontra perfeita ressonância com o texto do código NCM 2707.50.00, conforme aplicação das Regras Gerais No. 1 e No. 6 do Sistema Harmonizado. A empresa então apresentou Recurso Voluntário onde reitera as razões da Impugnação. Acrescenta em suas razões a inaplicabilidade da multa por falta de licenciamento de importação, asseverando como correta a descrição da mercadoria, conforme Ato Declaratório Normativo SRF 13/2002, e que não se aplica multa nos casos de erro de classificação fiscal sem máfé, suscitando aplicação do Ato Declaratório Cosit 12/97. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, veicula matéria de competência desta turma e, não havendo outros óbices, deve ser conhecido. 1 – Preclusão A recorrente suscita a inaplicabilidade das multas por aplicação do Ato Declaratório Interpretativo 12/97. Também suscita a inaplicabilidade da multa por falta de licenciamento das mercadorias, quando a mercadoria estiver corretamente descrita, com base no Ato Declaratório Normativo SRF 13/2002. Todavia, tais matérias não foram objeto de arguição na Impugnação, restando preclusas, nos termos do artigo 17 do PAF. 2 – Classificação Fiscal da Mercadoria A mercadoria em foco é descrita como “High Flash Liviano – Alquil Benzeno 9”. A empresa o classificou no código 2707.99.00 da NCM. O Fisco, com base em laudo da Funcamp, classificou no código 2707.50.00. Com efeito, a Instrução Normativa da Receita Federal 638/2006, trata de classificação de mercadoria que apresenta a mesma descrição do produto, nas duas posições utilizadas: O SECRETÁRIO RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e considerando o disposto na Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, com as alterações posteriores, nos Decretos nº 4.565, de 1º de janeiro de 2003, nº 4.940, de 29 de dezembro de 2003, e nº 5.060, de 30 de abril de 2004, e no que consta do processo nº 11128.003680/200435, resolve: Art. 1º O anexo II da Instrução Normativa SRF nº 422, de 17 de maio de 2004, fica acrescido dos seguintes códigos, respectivos produtos e unidade de medida estatística. PRODUTO UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA NCM 2707.50.00 DC 801 Alquibenzeno 9 AB9 kg líquido NCM 2707.99.00 DC 801 Alquibenzeno 9 AB9 kg líquido Todavia, tal fato não significa, como pretende a recorrente, que ambos os códigos são possíveis para a mesma mercadoria. O que se estabeleceu é que há duas Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.006459/200862 Acórdão n.º 3201004.257 S3C2T1 Fl. 4 5 mercadorias, com mesma descrição, mas com composições/características diferentes, que devem ser classificadas em código diferentes a depender dessas composições/características. 27.07 Óleos e outros produtos provenientes da destilação dos alcatrões de hulha a alta temperatura; produtos análogos em que os constituintes aromáticos predominem, em peso, relativamente aos constituintes não aromáticos. 2707.10.00 Benzol (benzeno) 2707.20.00 Toluol (tolueno) 2707.30.00 Xilol (xilenos) 2707.40.00 Naftaleno 2707.50.00 Outras misturas de hidrocarbonetos aromáticos que destilem, incluindo as perdas, uma fração igual ou superior a 65 %, em volume, a 250 °C, segundo o método ASTM D 86 2707.9 Outros: 2707.91.00 Óleos de creosoto 2707.99 Outros 2707.99.10 Cresóis 2707.99.90 Outros Conforme se verifica, a mercadoria em foco, por atender exatamente ao texto da subposição 2707.5, conforme o laudo (fl. 31), deve ser lá classificada. A caracterização técnica dos laudos deve ser observada pelo julgador administrativo, conforme artigo 301 do PAF. A correta classificação fiscal na NCM é obrigação do importador, conforme artigo 942 do regulamento aduaneiro, independentemente da classificação utilizada pelo fornecedor. 3 – Erro de boafé A ausência de dolo ou máfé não é oponível no caso de infração objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN3 e artigo 673 do regulamento aduaneiro4. 4 – Conclusão 1 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. 2 Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas (DecretoLei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o, caput) 3 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 4 Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Fl. 190DF CARF MF 6 Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 191DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.723125/2012-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente LAERTE SOARES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 31 25 /2 01 2- 11 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10825.723125/201211 Acórdão n.º 2002000.387 S2C0T2 Fl. 87 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 18/21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$26.320,11 para R$1.121,51. O resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento aponta que o benefício da isenção pleiteada não se estenderia aos proventos recebidos por militares transferidos para a reserva remunerada (fl.9), tendo sido mantido o lançamento que apontou a omissão de rendimentos no valor de R$144.333,95. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 3/12/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 18/12/2012, às fls. 2/15 dos autos, assim sintetizada pela decisão de piso: É portador de Espondiloartrose Anquilosante, moléstia prevista na Lei 7.713/88, desde junho de 2.002, bem como, aposentado desde julho de 1.996, o que se pode comprovar através do Laudo Médico Pericial emitido pelo Serviço Público Municipal e através da publicação no DOE, de 18 de julho de 1.996, ambos em anexos; A transferência para a Reserva a Pedido, motivo alegado para o indeferimento do pleito do Impugnante, equivale a aposentadoria por tempo de serviço, como se pode verificar através da DECLARAÇÃO do Comando de Policiamento do Interior Quarto, assinada pelo Major PM Chefe da Divisão Administrativa de Pessoal e Finanças, SUGAR RAY ROBSON GOMES, em anexo, que diz: ...foi transferido para a reserva, (inatividade/aposentadoria), conforme publicação no DOE n 136, de 18 de julho de 1.996. Declaro ainda que os termos "reserva", "reforma.", "inatividade" e "aposentadoria", tem o mesmo significado, de acordo com a terminologia policialmilitar. Como podemos verificar, tratase de una questão terminológica que não interfere no "status quo" do Impugnante, que desde julho de 1.996 encontrase inativo conforme declaração do comando da Policial Militar do Estado de São Paulo e sendo portador de moléstia grave, ESPONDILOARTROSE Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10825.723125/201211 Acórdão n.º 2002000.387 S2C0T2 Fl. 88 3 ANQUILOSANTE, desde junho de 2.002, preenche os requisitos previstos na Lei 7.713/88, ou seja, ser aposentado e portador de moléstia grave, fazendo jus ao reconhecimento da isenção de Imposto de Renda Pessoa Fisica, sobre os rendimentos de Aposentadoria; Ademais, conforme publicação do DOE de 22 de setembro de 2.011, o Impugnante foi Reformado a partir de 01 de março de 2.009, conforme cópia em anexo. Portanto, deve ter reconhecido o direito a Isenção de Imposto de Renda Pessoa Física a partir do diagnóstico da doença, ou seja, junho da 2.002, devendo ter restituídos os valores pagos a esse titulo, respeitando o prazo decadencial de 5 anos. Requer, diante do exposto, o acolhimento da impugnação apresentada e o reconhecimento do direito a isenção de IRPF previsto na Lei 7.713/88, por ser portador de moléstia grave desde junho de 2.002, cancelandose o débito fiscal reclamado e restituindo os valores pagos indevidamente. A impugnação foi apreciada na 11ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente em decisão assim ementada (fls. 30/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVAÇÃO O documento hábil para comprovar a moléstia grave, para fins de isenção do Imposto de Renda, é o laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A moléstia deve constar das hipóteses elencadas na legislação que trata da isenção por moléstia grave (Lei no. 7.713/1988, art. 6o., inc. XIV). É literal a interpretação da legislação tributária que dispõe sobre isenção, de acordo com o artigo 111 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 24/6/2016 (fl. 41), o contribuinte, em 22/7/2016 (fl. 44), por intermédio de representante legal, apresentou recurso voluntário, às fls. 44/63, no qual alega, em apertado resumo, que: teria havido um erro de preenchimento no laudo apresentado anteriormente, indicando a juntada de novo laudo, que demonstraria ser ele portador de paralisia irreversível e incapacitante, fazendo em seguida um apanhado sobre o conceito da enfermidade que lhe acomete. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10825.723125/201211 Acórdão n.º 2002000.387 S2C0T2 Fl. 89 4 aduz ter demonstrado ser portador de moléstia tipificada em lei, bem como aposentado desde 18/6/1996, devendo ter seu direito a isenção reconhecido a partir da data de diagnóstico da doença, em junho de 2002. Posteriormente, em 8/8/2017, o recorrente voltou a se manifestar, informando sobre a existência de sentença judicial que, no seu entendimento, alcançaria a autuação objeto destes autos (fls. 70/84). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Ação Judicial Sobre as peças judiciais juntadas às fls. 71/83, constatase que a ação proposta, de embargos à execução fiscal, recai sobre o exercício 2008, não alcançando o exercício 2011, objeto destes autos. Portanto, não há que se falar em concomitância nestes autos. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente da São Paulo Previdência SPPREV (fl.19), os quais ele alega seriam isentos do IR por serem decorrentes de aposentadoria e ser ele portadora de moléstia grave. O colegiado de primeira instância entendeu que o recorrente deixou de atender a uma das condições necessárias para o reconhecimento da isenção pleiteada foi cumprida pelo contribuinte, como registrado nos trechos reproduzidos a seguir: De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, sendo a comprovação da doença grave feita obrigatoriamente através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. ... Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10825.723125/201211 Acórdão n.º 2002000.387 S2C0T2 Fl. 90 5 No presente caso, o Impugnante passou a receber proventos de reforma a partir de 01.03.2009 e, portanto, caso comprovada legalmente a moléstia, fará jus à isenção somente a partir desta data, nos termos do art. 6º, § 4º, I, a, da INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 1500, DE 29 DE OUTUBRO DE 2014. O laudo pericial apresentado não obstante classifique a doença como Espondiloartrose Anquilosante, traz como identificação da doença a Artrose Coxo Femural e Artrose de Joelho e os Códigos Internacionais de Doença CID M161 e M171. Conforme pesquisa, os referidos códigos referemse a: M16.1 Outras coxartroses primárias M17.1 Outras gonartroses primárias A Espondilite Ancilosante, também chamada de Espondiloartrose Anquilosante, é classificada pelo Código Internacional de Doenças como M45 Espondilite ancilosante, dentro do grupo das dorsopatias. O laudo pericial apresentado comprova que o Impugnante possui artrose coxo femural e artrose de joelho, doenças classificadas nos CID M16.1 e M17.1, e que não fazem parte do grupo das dorsopatias, da qual somente a espondilite ancilosante – CID M45 é referida no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/88. Desta forma, com base no exposto e tendo em vista o art. 111, II da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional, que exige que a legislação que concede isenções deve ser interpretada literalmente, considero não comprovado o direito à isenção. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente alega equívoco no laudo anterior, afirmando que a moléstia que lhe acomete é paralisia irreversível e incapacitante, fazendo uma longa explanação sobre o mal. Acrescenta ser aposentado desde 1996. Quanto à isenção pleiteada, pertinente colacionar a Súmula CARF nº 63: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto à natureza dos rendimentos, a decisão de piso já reconhecera que o recorrente fora reformado desde 2009, tendo questionado apenas a existência da moléstia. Em seu recurso, o recorrente junta laudo de fl. 58, expedido pela Secretaria de Estado da Saúde Coordenadoria de Serviços de Saúde Cais Professor Canídio Botucatu Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10825.723125/201211 Acórdão n.º 2002000.387 S2C0T2 Fl. 91 6 SP, o qual atesta que o recorrente é portador de paralisia irreversível e incapacitante desde 6/2002. Tratase de laudo emitido por serviço médico oficial e que concluiu pela existência de doença elencada no artigo 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 1988. Assim, nos termos da legislação tributária, restam preenchidos todos os requisitos e o recorrente faz jus ao benefício da isenção sobre rendimentos de reserva no ano calendário 2010, ora em análise. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.973355/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.486
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PIS/COFINS. CRÉDITO ORIUNDO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente SADIVE S. A. DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 35 5/ 20 11 -7 6 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.973355/201176 Resolução nº 3201001.486 S3C2T1 Fl. 198 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão da DRJ em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório proferido pela DERAT/São Paulo, que, por sua vez, indeferiu o pedido de restituição. Nos termos do despacho decisório, o indeferimento do pleito foi devido à inexistência do direito creditório alegado, uma vez que o pagamento apontado com origem do crédito, informado como a maior ou indevido, não foi localizado. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que faz jus ao crédito informado, uma vez que comprova a existência do pagamento não localizado pelo sistema da RFB. Afirma que o crédito alegado referese a parcelas do PIS/Cofins que incidiram sobre valores que escapavam ao conceito de faturamento, na forma inconstitucionalmente posta pela Lei nº 9.718, de 1998. Por lapso, deixou de informar que o pagamento não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação em DCOMP anteriormente transmitida, objeto de discussão no PAF nº 13807.010069/200288, conforme informado em DCTF. Cita para a sua defesa o princípio da estrita legalidade, da tipicidade cerrada e da verdade material, além de ementas de acórdãos do CARF. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Essencialmente, o colegiado a quo decidiu que "não existindo a comprovação do pagamento informado como origem do crédito, indeferese o conseqüente pedido de restituição". No recurso voluntário apresentado foram repisados os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.973355/201176 Resolução nº 3201001.486 S3C2T1 Fl. 199 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.480, de 24/10/2018, proferida no processo 10880.973356/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.480): "Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte sustenta que o crédito existe e aponta que a compensação equivocada foi que originou o pagamento indevido, que o pagamento indevido ocorreu em compensação que não deveria ter ocorrido sobre despesas não operacionais, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98 (vide julgamentos dos RE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840 do STF), que tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme Art 62 do regimento interno. Quanto ao erro de preenchimento na Dcomp, por apontar a origem do crédito de um pagamento indevido, que não se trata totalmente de um erro, este não pode se tornar um impedimento à obtenção do crédito existente e incontroverso. Ratificando tal entendimento, este Conselho já se pronunciou em diversas oportunidades. Destaco abaixo somente algumas mais recentes pronúncias, da Câmara Superior e da Primeira Seção de Julgamento: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1 Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (anocalendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2 A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.973355/201176 Resolução nº 3201001.486 S3C2T1 Fl. 200 4 divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. (Processo 10880.932547/200827, Data da Sessão 02/02/2016, Acórdão n. 9101 002.203). (...) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído, até o limite apurado nos anos calendário objeto do pedido. (Processo 11610.005921/200358, Data da Sessão 21/01/2016, Acórdão 1301001.918). A mencionada compensação é objeto do processo 13807.010069/200288, que foi julgado neste Conselho e registrado no Acórdão de n.º 3403003.595, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 UNIDADE DE JURISDIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. APLICAÇÃO. Conforme Súmula CARF no 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com o trânsito em julgado do processo judicial, resta à fiscalização aplicar ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 Ementa: COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ENCONTRO DE CONTAS. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.973355/201176 Resolução nº 3201001.486 S3C2T1 Fl. 201 5 Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela Lei Complementar no 104/2001 (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DE PRAZO EM ANOS. Os prazos em meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência, conforme art. 132, § 3o do Código Civil brasileiro (Lei no 10.406/2002). Assim, uma DCOMP apresentada em 13/02/2003 só se considera homologada tacitamente em 14/02/2008." O recurso voluntário foi parcialmente provido neste mencionado processo conexo, conforme resultado do julgamento transcrito a seguir: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer a homologação tácita em relação ao pedido de compensação apresentado em 12/09/2002, e para, em função da unidade de jurisdição, devolver o processo à unidade preparadora, para que aplique ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário, não cabendo a oposição do art. 170A do CTN, em função de a data de propositura da ação judicial ser anterior à Lei Complementar no 104/2001 (conforme REsp no 1.164.452/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos), ressalvando que tal unidade da RFB, antes de implementar a decisão judicial, deve certificarse de que as quantias demandadas no presente processo não estejam sendo objeto de execução judicial, determinando à recorrente que apresente o respectivo pedido de desistência da execução, homologado pelo juízo. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP no 246.569, que desistiu do pedido de adiamento do julgamento para a sessão de março." Assim, se a compensação constante no processo conexo extinguiu débitos de Cofins sobre receitas não operacionais, o pagamento indevido poderia ser configurado e o contribuinte teria o direito à uma nova compensação. Os autos apontam indícios de que os débitos já foram pagos. Este entendimento já foi objeto desta Turma de julgamento e pode ser encontrado no precedente consubstanciado no Acórdão 3201002.824. Considerando que a não homologação do crédito foi fundamentada unicamente sobre a premissa de que não foi comprovado o crédito desta nova compensação pois não há DARF juntada aos autos que comprove o pagamento do tributo a ser compensado, justificase a busca da verdade material. Diante do exposto, votase pela conversão do presente processo em diligência, para que: 1 A DRF informe quais os débitos extintos na compensação do processo conexo, dentro dos créditos que o contribuinte pleiteia. Os documentos juntados em Manifestação de Inconformidade também devem ser apreciados de forma que fique claro se a compensação do Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.973355/201176 Resolução nº 3201001.486 S3C2T1 Fl. 202 6 processo conexo extinguiu débitos de Cofins sobre receitas não operacionais, com a devida análise sobre a natureza destas receitas. Após elaborado relatório fiscal, o contribuinte deve ser cientificado e deve ser oportunizada sua manifestação. Cumprida a diligência, retornem os autos a este Conselho para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) informe quais os débitos extintos na compensação do processo conexo, dentro dos créditos que o contribuinte pleiteia. Os documentos juntados em Manifestação de Inconformidade também devem ser apreciados de forma que fique claro se a compensação do processo conexo extinguiu débitos do PIS/Cofins sobre receitas não operacionais, com a devida análise sobre a natureza destas receitas; b) após elaborado relatório fiscal, o contribuinte deve ser cientificado e deve ser oportunizada sua manifestação; c) cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
