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Numero do processo: 10909.004499/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
EFEITOS DA TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA.
Injustificável o questionamento isolado de qualquer dos tributos integrantes do SIMPLES.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO
A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pelo sujeito passivo regularmente intimado autoriza o lançamento de oficio por omissão de receitas.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 EFEITOS DA TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA. Injustificável o questionamento isolado de qualquer dos tributos integrantes do SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pelo sujeito passivo regularmente intimado autoriza o lançamento de oficio por omissão de receitas. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
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DE ALIM. E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 EFEITOS DA TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA. Injustificável o questionamento isolado de qualquer dos tributos integrantes do SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pelo sujeito passivo regularmente intimado autoriza o lançamento de oficio por omissão de receitas. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 44 99 /2 01 0- 34 Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 590 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 591 3 Relatório FAJOFAMA COM. DE ALIM. E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1 (fls. 549 e ss), que, por unanimidade de votos, afastou as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa e no mérito, deu parcial provimento à impugnação do contribuinte para: manter as exigências do primeiro semestre de 2007, tributado sob o SIMPLES: IRPJ, R$ 8.871,68; PIS, R$ 6.457,25; CSLL, R$ 8.871,68; COFINS, R$ 26.419,76 e INSS, R$ 75.930,48; exonerar o sujeito passivo das exigências do IRPJ e da CSLL relativamente ao segundo semestre de 2007; manter as exigências do segundo semestre de 2007: PIS, R$ 7.130,27 e COFINS, R$ 32.909,02; todos os valores devidos acrescidos da penalidade de ofício, 75%, e encargos moratórios. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: Tratam os presentes autos de exigências de oficio de empresa tributada sob o SIMPLES no primeiro semestre de 2007 e sob Lucro Presumido no segundo semestre de 2007. São as seguintes as exigências questionadas nestes autos, todas acrescidas de penalidade de oficio, 75%, e encargos moratórios: 1.1.Primeiro Semestre de 2007, sob o SIMPLES: IRPJ, R$ 8.871,68, fls. 115; PIS, R$ 6.457,25, fls. 123; CSLL, R$ 8.871,68, fls. 131; COFINS, R$ 26.419,76, fls. 139 e INSS, R$ 75.930,48, fls. 147; 1.2.Segundo semestre de 2007, sob LUCRO ARBITRADO: IRPJ, R$ 21.762,50, fls. 154; PIS, R$ 7.130,27, fls. 161; COFINS, R$ 32.909,02 e CSLL, R$ 11.847,25, fls. 173. 2.De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 177/180, fundamentaram, materialmente, as exações depósitos/créditos bancários, identificados, no montante anual de R$ 3.846.404,97, para os quais intimado, fls.58/89, o sujeito passivo não logrou lhes comprovar as origens, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 2.1.no primeiro semestre de 2007, a receita omitida, sendo exigidas também as diferenças tributárias por alterações de coeficientes ante a receita declarada; 2.2.no segundo semestre de 2007, o arbitramento de lucros, por ausência de livros/documentos contábeis fiscais, fundado, materialmente, o arbitramento Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 592 4 nos depósitos bancários sem origem identificada pelo contribuinte. Em relação ao PIS e a COFINS, a receita omitida. 2.3.Na apuração das bases imponíveis foram considerados os estornos por cheques devolvidos e as receitas declaradas, fls. 95/99. E, para os tributos exigíveis no primeiro semestre de 2007, os valores pagos, fls. 113, 121,129, 137 e 145. 3.No curso do procedimento fiscal foram acostados aos autos pela fiscalização, além de documentos tributários federais, documento de receitas declaradas ao fisco estadual para efeitos do ICMS, R$ 4.476,139,59, fls. 42/43 em montante superior à receita declarada junto à Receita Federal, R$ 337.666,80 e R$ 929.409,50, respectivamente no primeiro e segundo semestres de 2007, fls. 95. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 183/206, que aduziu os seguintes argumentos: 4.1.não possuir livros Diário e Razão; 4.2.que deixou de apresentar Livro Caixa, Registros de Entradas e de Saídas de Mercadorias, Apuração de ICMS e notas fiscais, todos destruídos pela enchente de novembro de 2008, conforme Boletim de Ocorrência acostado aos autos, fls. 265/266; 4.3.que a omissão de receitas implica ausência de escrituração ou contabilização irregular da operação, pois, a contabilidade regular faz prova em favor do contribuinte, não sendo possível ao fisco concluir pela omissão de receitas sem desqualificação dos assentamentos contábeis, conforme jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, ementas reproduzidas à fls. 184/188; 4.4.que compete ao fisco identificar a operação que deu origem ao depósito bancário com receita tributável e que não foi escriturada; 4.4.que os simples depósitos bancários não significam entrada de riqueza nova no patrimônio do contribuinte; implicam, se receitas, a prova do acréscimo patrimonial de que trata o artigo 43, II, do CTN; 4.4.que o Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula 182 consolidou a jurisprudência judicial a respeito da não tributação de depósitos bancários, ementa reproduzida às fls. 192/196; 4.5.que os Conselhos de Contribuintes têm rechaçado a tributação de depósitos bancários sem nexo causal com a renda consumida, ementas reproduzidas nos autos, fls. 196/199; o acréscimo patrimonial, se comprovado, não autoriza a tributação reflexa do PIS, da COFINS e da CSLL ou INSS. 4.6.finalmente, se insurge contra a SELIC, como encargo moratório e a penalidade de ofício, face ao disposto no artigo 150, IV, da Constituição Federal, a exemplo do artigo 52, § 1º do Código de Defesa do Consumidor, alterado pela Lei n° 9.289/96. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 593 5 Em julgamento realizado em 17 de setembro de 2013, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, considerou parcialmente improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1259668 assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CONCEITO DE RENDA. A aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica não se atém, exclusivamente, a acréscimos patrimoniais. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS ECONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 EFEITOS DA TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA. Injustificável o questionamento isolado de qualquer dos tributos integrantes do SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Procedimentos escoimados quer pela Súmula 182 do extinto TRF, quer pelo Decretolei n° 2.471/88, não afastam a presunção legal de omissão de receitas fundada em depósitos bancários para os quais, intimado, o sujeito passivo, titular dos créditos, não lhes identifica as origens. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSUSTENTABILIDADE DE DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIAS. Para os mesmos tributos, mesmos períodos de apuração e mesmos fatos geradores, insustentável a duplicidade de exigências sob lucro presumido e sob lucro arbitrado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 PIS, COFINS e CSLL. REFLEXIVIDADE. A receita omitida, por expressa disposição legal, não se restringe exclusivamente ao imposto de renda; também aos demais tributos federais exigíveis sobre idênticos fatos. PENALIDADE. Sanção por ato ilícito a penalidade por descumprimento de obrigação tributária não se confunde com conceito de tributo. SELIC. Inquestionável sua incidência como encargo moratório, quer em sede administrativa, quer judicial. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 594 6 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 566/587, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: da inexistência de omissão de receitas; da regularidade da escrita fiscal; da inexistência de acréscimo patrimonial; da alíquota zero de PIS e de COFINS; do excesso de penalidade e sua redução para 20%; Recebi os autos, desta feia, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 595 7 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, em 17/12/2010, para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo a janeiro a junho de 2007 e pelo lucro presumido de julho a dezembro de 2007, totalizando o crédito tributário de R$419.399,58, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos em 28/10/2013 (AR de fl. 565), e apresentou em 27/11/2013, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 566/587. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. No que tange à exigência mantida e em discussão, temos o período relativo ao 1º semestre de 2007, em que houve o lançamento por omissão de receitas por depósitos bancários sem comprovação de origem, bem como insuficiência de recolhimento decorrente da alteração de coeficiente, e divergência entre o que foi declarado ao Fisco Estadual e Federal. E quanto ao 2º semestre de 2007, mantevese a exigência de PIS e COFINS, também decorrente da omissão de receitas por depósitos bancários sem comprovação de origem. A recorrente alega que quando intimada no curso da ação fiscal não apresentou o Livro Diário e Razão pois não possuía escrituração contábil, e que não apresentou o Livro Caixa, Registro de Entrada de Mercadorias, Saída de Mercadorias e Apuração do ICMS e Notas Fiscais pois eles foram destruídos pelas enchentes em novembro de 2008, fato devidamente documentado. Alega que sua contabilidade não foi desconsiderada e de tal forma, não poderia ser autuada por omissão de receitas. Fique claro aqui, que a ação fiscal identificou infrações em razão de discrepâncias nas declarações apresentadas ao Fisco Federal e Estadual. Para fins de cálculo do ICMS, declarou uma receita bruta anual de R$4.476.139,59, enquanto que para fins de cálculo do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, informou receita anual de R$1.267.076,30, sendo R$337.666,80 no 1º semestre e R$929.409,50 no 2º semestre. Da mesma forma, com relação aos movimentos bancários não comprovados, alega que por se tratar de mera presunção, sem qualquer vínculo com a realidade, a autuação deve ser cancelada. Ora, a presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 596 8 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, a alegação de que a escrituração do contribuinte deveria ter sido desconsiderado pela Fiscalização não procede. Deveria a recorrente justificar a diferença apurada nas declarações aos Fiscos Federais e Estaduais, ademais, essas declarações foram enviadas antes da ocorrência das enchentes. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 597 9 Esse fato, de se manter a decisão recorrida, não havendo o que se falar em não ocorrência do fato gerador de renda, nos termos do art. 24, §2º, da Lei 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ..... § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social (COFINS) e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Púbico – PIS/PASEP. (grifos acrescentados). Alega a recorrente, também, que tem como objeto social a comercialização de leite e laticínios, e que isso representa mais de 90% de seu faturamento, de tal forma que retirouse do SIMPLES e passou para o Lucro Presumido, e que dessa forma, a alíquota aplicável para o PIS e COFINS seria zero, nos termos da Lei 10.925/2004. Ora, primeiramente esta alegação não foi realizada em sede de impugnação, podendo encontrarse precluso. No entanto, ainda que se proceda em sua análise, sua alegação não merece prosperar, pois, as DACONs apresentadas para o respectivo período (2º semestre de 2007) foram entregues com 100% de sua receita (receitas de vendas de bens e serviços) tributada à alíquota de 0,65% e 3% (PIS e Cofins). Ora vem agora, simplesmente alegar que estaria sujeita à alíquota zero sem apontar se efetivamente tais receitas advém da venda desses produtos? Alega também que se houve a cobrança do SIMPLES não poderia haver cobrança por outra sistemática de tributação e anular a cobrança do PIS e COFINS assim como ocorreu com o IRPJ e CSLL. Aqui também não merece prosperar suas justificativas. No segundo semestre sua opção foi pelo lucro presumido, a autuação arbitrou o seu lucro, e decisão a quo manteve o PIS e COFINS tributado pelo lucro arbitrado, não manteve o IRPJ e CSLL em razão do seu entendimento de que não deve prevalecer o arbitramento com base em depósito bancário sem origem identificada, líquido de receita bruta declarada. A autuação neste tópico foi afastada pela DRJ na parte que se refere ao IRPJ e CSLL em razão da forma de apuração dos tributos, o que não ocorreu com o PIS e a COFINS, ou seja, a omissão de receitas, fato gerador principal não foi afastada. Da inaplicabilidade da taxa Selic/Excesso de Penalidade Também é sedimentado o entendimento acerca da aplicabilidade da taxa Selic, nos termos da Súmula CARF 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10909.004499/201034 Acórdão n.º 1301002.827 S1C3T1 Fl. 598 10 Alega ainda excesso de penalidade, e pugna pela aplicação tãosomente de 20%, penalidade moratória. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720179/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO. Comprovada a essencialidade no processo de industrialização de bens destinados à venda, é possível a apuração de crédito da não-cumulatividade do PIS, na modalidade aquisição de insumos, dos dispêndios da pessoa jurídica com: a) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; b) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial e c) contratação de empresa terceirizada para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente no processo industrial.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. APLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte, ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado, faça-o de forma intencional e com prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO. Comprovada a essencialidade no processo de industrialização de bens destinados à venda, é possível a apuração de crédito da não-cumulatividade da Cofins, na modalidade aquisição de insumos, dos dispêndios da pessoa jurídica com: a) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; b) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial e c) contratação de empresa terceirizada para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente no processo industrial.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. APLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte, ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado, faça-o de forma intencional e com prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração.
Recurso Voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3301-004.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I - por unanimidade de votos, em dar provimento para reverter as glosas de: a) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; b) armazenagem (e demais despesas aduaneiras) de insumos importados no recinto alfandegário e c) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento; II - por maioria de votos, em dar provimento para cancelar o agravamento da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho; e III - por unanimidade de votos, em negar provimento para manter as demais glosas por falta de comprovação de sua essencialidade (materiais de escritório, material de segurança no trabalho, serviços de controle de qualidade, serviços de laboratório etc.) e as glosas quanto à apuração dos excessos da base de cálculo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO. Comprovada a essencialidade no processo de industrialização de bens destinados à venda, é possível a apuração de crédito da nãocumulatividade do PIS, na modalidade aquisição de insumos, dos dispêndios da pessoa jurídica com: a) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; b) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial e c) contratação de empresa terceirizada para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente no processo industrial. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. APLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte, ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado, façao de forma intencional e com prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO. Comprovada a essencialidade no processo de industrialização de bens destinados à venda, é possível a apuração de crédito da nãocumulatividade da Cofins, na modalidade aquisição de insumos, dos dispêndios da pessoa jurídica com: a) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; b) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial e c) contratação de empresa terceirizada para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente no processo industrial. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. APLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte, ao não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 01 79 /2 01 2- 81 Fl. 5165DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.166 2 responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado, façao de forma intencional e com prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração. Recurso Voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I por unanimidade de votos, em dar provimento para reverter as glosas de: a) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; b) armazenagem (e demais despesas aduaneiras) de insumos importados no recinto alfandegário e c) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento; II por maioria de votos, em dar provimento para cancelar o agravamento da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho; e III por unanimidade de votos, em negar provimento para manter as demais glosas por falta de comprovação de sua essencialidade (materiais de escritório, material de segurança no trabalho, serviços de controle de qualidade, serviços de laboratório etc.) e as glosas quanto à apuração dos excessos da base de cálculo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase, na origem, de autos de infração de PIS e COFINS que constituíram o crédito tributário total de R$ 9.604.023,09, somados o principal, multa de ofício agravada e juros de mora. Do relatório da decisão recorrida, extraise os detalhes do litígio: No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade assim contextualiza o lançamento: 3. O contribuinte tem como atividade econômica a industrialização e a comercialização de produtos do segmento de autopeças. 4. A sistemática da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep foi introduzida pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ambas modificadas pela Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 3º dessas leis estabeleceu os créditos que podem ser descontados dentro da sistemática da nãocumulatividade. Fl. 5166DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.167 3 (...) Em 2007, com a publicação da Lei n° 11.529, foi permitido ao setor de autopeças aproveitar o desconto de crédito de PIS e da Cofins sobre o valor integral de bens de capital destinados ao seu parque fabril, in verbis: Art. 1º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, de que tratam o inciso VI do caput do art. 3º da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso VI do caput do art. 3º da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o inciso V do caput do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, poderão ser descontados, em seu montante integral, a partir do mês de aquisição no mercado interno ou de importação, na hipótese de referiremse a bens de capital destinados à produção ou à fabricação dos produtos: I classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) nos códigos 0801.3, 42.02, 50.04 a 50.07, 51.05 a 51.13, 52.03 a 52.12, 53.06a 53.11; b) nos Capítulos 54 a 64; c) nos códigos 84.29, 84.32, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06; e d) nos códigos 94.01 e 94.03; e II relacionados nos Anexos 1 e II da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo serão determinados: I mediante a aplicação dos percentuais previstos no caput do art. 2º da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro 2003, sobre o valor de aquisição do bem, no caso de aquisição no mercado interno; ou II na forma prevista no § 3º do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de importação. 8. Como se verifica da leitura do art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, o legislador, para fins de utilização de crédito na modalidade da nãocumulatividade, optou por listar de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade. Assim, a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. 9. Em relação aos insumos, a legislação definiu que, além dos combustíveis e lubrificantes referidos no inciso II do artigo 3° das Leis n° 10.637, de 2002 e n° 10.833, de 2003, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativas, os bens Fl. 5167DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.168 4 e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 10. Portanto, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 11. Na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas SRF n° 247, de 2002, e n° 404, de 2004, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos. 12. Face aos dispositivos legais elencados nos itens anteriores, em 31/01/2012, através dos Termo de Constatação Fiscal n° 0001, o contribuinte foi cientificado a respeito de divergências entre os saldos das contas de passivo "Pis a recolher" e "Cofins a recolher" e os valores declarados nos Dacon, bem como sobre o aproveitamento de valores como desconto de créditos sobre dispêndios em desacordo com a legislação vigente, conforme detalhado no "Demonstrativo das Diferenças entre Dacon e Contabilidade" e no "Demonstrativo de Créditos do PIS/Cofins Glosados". ... 15. Já no que se refere aos valores considerados como créditos glosados sobre gastos com armazenagem de produtos importados e fretes relativos ao transporte dessas mercadorias do recinto alfandegado até o estabelecimento do importador, não assiste razão ao contribuinte que estariam de acordo com a legislação vigente a interpretação da legislação tributária feita pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através de Soluções de Consulta. Na verdade, somente os valores de PISImportação e CofinsImportação recolhidos quando do registro das respectivas Declarações de Importações (DI) podem ser descontados na apuração das contribuições no regime nãocumulativo, face ao disposto no art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004 (...). 16. Também não há previsão legal para o desconto de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas relacionadas à mãodeobra temporária. ... 18. A partir do esclarecimento do contribuinte no sentido de que o razão contábil não reflete exatamente os créditos descontados, a fiscalização, com o objetivo de identificar os corretos períodos nos quais foram utilizados, confrontou os demais CFOP registrados nos Livros de Apuração de IPI com os valores declarados nos Dacon, levando também em consideração as memórias de cálculo das contribuições apresentadas pelo fiscalizado em resposta aos Termos de Intimação. Nessas memórias, consta que a base de cálculo declarada na LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16 A) é constituída principalmente por valores gastos com mão de obra temporária, armazenagem e fretes sobre compras. Já a base da LINHA 13. OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO (fichas 06A e 16A) é formada por dispêndios com serviços de manutenção, partes e peças de reposição de Fl. 5168DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.169 5 máquinas e equipamentos, locação desses bens e, nos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, créditos extemporâneos desses mesmos gastos e também de mão de obra temporária, armazenagem e frete de mercadorias importadas (recinto alfandegado até o estabelecimento). 19. A partir dos esclarecimentos do contribuinte em resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 0001, ficou claro que os valores registrados nos CFOP 1.124/2.124 industrialização efetuada por outra empresa, compõe a base de cálculo da LINHA 02. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16 A). ... 22. Da confrontação entre os gastos com fretes escriturados nos Livros de Registro de IPI, já deduzidos os valores aproveitados na base de cálculo utilizada na LINHA 07. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES SOBRE VENDAS (fichas 06A e 16A) verificase que os montantes considerados pelo contribuinte como fretes sobre compras na base de cálculo da LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A), excedem, em vários períodos de apuração, o total dos gastos dessa natureza que constam na escrita fiscal (...). 23. Notase, também, que a base de cálculo considerada na LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A) supera em praticamente todos os períodos os valores detalhados na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0006. (...). 24. Além dessas diferenças de bases de cálculo ocorridas na apuração das contribuições, existem os dispêndios sobre os quais foram descontados créditos de PIS e da Cofins em desacordo com os arts. 3º das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, tais como mão de obra temporária, armazenagem e fretes de mercadorias importadas, material de escritório, material de segurança do trabalho e serviços de laboratório e de controle de qualidade, que constam detalhados nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte ao longo da ação fiscal, bem como discriminados nas contas de resultado 3.01.01.07 Despesas Operacionais da contabilidade do contribuinte. Cabe observar que os gastos com armazenagem de matériaprima, locação de veículos, equipamentos de escritório e de hardware, apontados no Termo de Constatação Fiscal n° 0001, não foram localizados na memória de cálculo de apuração das contribuições apresentada pelo contribuinte. Os descontos de créditos de PIS e da Cofins sobre os excessos nas bases de cálculo e dispêndios acima mencionados são glosados pela fiscalização e estão relacionados no Demonstrativo de Glosas de Créditos do PIS/Cofins, que segue anexo a este Termo de Verificação Fiscal. MULTA REGULAMENTAR Constatouse, durante o procedimento fiscal, que o contribuinte preencheu com dados incompletos os Dacon dos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, porquanto não declarou os períodos dos créditos extemporâneos nas fichas 13A e 23A, razão pela qual é cabível a aplicação de multa regulamentar, nos termos do disposto no art. 7º, incisos III e IV, e § 3° da Lei n° 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004. MULTA AGRAVADA Na aplicação das penalidades é considerado o disposto no art. 959, inciso II do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que implica na Fl. 5169DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.170 6 majoração da multa prevista no art. 957, inciso I, em 50%, para os períodos de janeiro/2008 e março/2009, uma vez que o contribuinte apresentou à fiscalização fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do ano calendário de 2008, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 2001. Tratase de responsabilidade objetiva, isto é, as dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte não afastam essa penalidade. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: 06. Destarte, para consecução do seu objeto social, a Impugnante contrata mão de obra temporária a qual é alocada na produção industrial, bem como se faz necessária a contratação de armazenagem no recinto alfandegário para os insumos importados, da mesma forma que se faz necessário a contratação de frete para transporte desses insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento da Impugnante, onde tais insumos serão aplicados no processo produtivo. 07. Desde já, de suma importância esclarecer que a subtração desses serviços, quais sejam, (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial, (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário, (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento, importaria na inviabilidade da produção dos bens comercializados ou na prestação de serviços exercida pela Impugnante. 08. Pois, essencialmente, a Impugnante importa insumos e neste sentido, dispensável salientar que é imprescindível armazenar tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada a produção industrial. 09. Mesmo entendimento se estende a de mão de obra temporária especializada, que é contratada para trabalhar no setor produtivo linha de produção da Impugnante vez que tal serviço visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da mesma. 10. Assim, com base na legislação que trata da sistemática da não cumulatividade das contribuições em tela, mais adiante estudadas pormenorizadamente, a Impugnante se aproveitou do crédito de PIS e COFINS sobre os gastos com a contratação de mão de obra temporária, armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. ... 14. Antes de se adentrar ao mérito do direito aos créditos de PIS e COFINS glosados pela presente autuação, considerando que se pretende demonstrar a legitimidade da apropriação dos mesmos, vez que se enquadram perfeitamente a definição de insumo considerada pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, farseá necessário uma sintética explanação acerca da sistemática da não cumulatividade dessas contribuições. ... 21. O fenômeno da cumulatividade está relacionado com a incidência de determinada espécie tributária sobre uma base que já foi objeto de incidência desse mesmo tributo, provocando, dessa forma, o efeito da oneração do preço, em razão da superposição tributária. Fl. 5170DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.171 7 22. Portanto, quando uma norma afirma que certo tributo não será cumulativo, o que se está determinando é que seja instituído algum meio a fim de impedir que ocorra os nocivos efeitos da incidência em cascata. 23. No caso do ICMS e IPI, a sistemática adotada foi a do direito de abatimento efetivado por meio do desconto do imposto devido do imposto cobrado na operação anterior, sempre que se realizar operação de circulação de mercadorias ou prestação de serviços, para o ICMS, e operação de industrialização de produtos para o IPI. Logo, o método seguido guarda relevância fática com as características destes impostos. 24. Já a técnica empregada para concretizar a nãocumulatividade do PIS e da COFINS se dá pela redução da base de cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e serviços objeto de faturamento em momento anterior, enquanto a do IPI visa evitar o efeito cascata da tributação, por meio de compensação de débitos e créditos. 25. Assim, evidente que a intenção do legislador, por meio da edição das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, foi a de ampliar o conceito de insumo contemplado na legislação do IPI, uma vez que o PIS e a COFINS alcançam outras receitas e não apenas as diretamente vinculadas ao processo produtivo. 26. Tanto é que o artigo 3°, inciso II, das referidas Leis, acima transcritos, ao estabelecer as hipóteses de creditamento para efeito de dedução dos valores das bases do PIS e da COFINS, contempla o aproveitamento de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. 27. Todavia, a Delegacia da Receita Federal do Brasil, com a finalidade de regulamentar as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, editou Instruções Normativas SRF n° 247/2002 (que dispõe sobre o PIS e a COFINS) e 404/2004 (que trata da incidência nãocumulativa do PIS e da COFINS) e respondeu a consultas formuladas por contribuintes restringindo o conceito de insumo às matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e demais bens consumidos no processo produtivo em decorrência do contato físico com o produto em fabricação. 28. Ou seja, buscou na legislação do IPI o critério para os créditos de PIS e de COFINS, numa visão absolutamente restritiva e em descompasso com princípio da nãocumulatividade. ... 30. Ainda que se possa admitir a existência de lacuna quanto ao conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS, devese buscar esse conceito na legislação de tributos que guardem similaridade e que mais se aproximem à do PIS e da COFINS, o que, certamente, não é o IPI. 31. Ora, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS se presta a afastar da receita tributável os gastos necessários à sua obtenção, sejam elas referentes a insumos, ativos ou materiais de uso e consumo, destinados direta ou indiretamente à atividade da empresa. Assim, se sem a aquisição de determinado bem ou serviço for impossível realizar o processo industrial ou prestação dos serviços, não há dúvidas de que o mesmo é aplicado na atividade econômica que gera a receita tributada, motivo pelo qual a despesa incorrida, desde que esteja no âmbito de alcance de tais contribuições, junto à outra pessoa jurídica gera direito ao crédito de PIS e COFINS. ... Fl. 5171DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.172 8 42. Conforme sinalizado inicialmente, a Impugnante, com base na legislação que trata da sistemática da nãocumulatividade das contribuições em tela, se aproveitou do crédito de PIS e COFINS sobre despesas com: (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. ... 44. Assim, no que tange aos serviços dantes referidos, visando demonstrar sua essencialidade para o processo produtivo da Impugnante, se faz necessário uma análise pormenorizada de cada um deles. 45. Ressaltase ainda que a Impugnante já solicitou a elaboração de Laudos, os quais estão sendo preparados por profissionais técnicos e habilitados para tanto, a fim de comprovar cabalmente que sem tais serviços seu processo produtivo restaria totalmente inviabilizado, uma vez que eles são imprescindíveis às atividades da empresa Contribuinte. 47.1 DOS SERVIÇOS MÃO DE OBRA TERCEIRIZADA Cumpre salientar que a Impugnante necessita contratar mão de obra terceirizada especializada para trabalhar em seu setor produtivo linha de produção. Evidente que apesar da legislação em vigor que regulamenta o PIS e a COFINS não trazer explicitamente o direito ao crédito sobre contratação de mão de obra terceirizada, tal serviço é atrelado ao processo produtivo. A contratação do serviço mão de obra especializada visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da empresa Impugnante. Ademais, importante salientar que, além das jurisprudências colacionadas no tópico anterior, a Receita Federal já se pronunciou favoravelmente sobre esse assunto por diversas vezes (...). Tanto é possível o crédito sobre os valores pagos à título de mão de obra, que nos § 2°s dos artigos 3°s das Leis n° 10.367/2002 e 10.8300/2002, há vedação apenas quando a mão de obra é paga a pessoa física, o que não é caso dos autos (...). Evidente que se a vontade do legislador fosse restringir o crédito sobre valores pagos à título de mão de obra tanto à pessoa física, quando à pessoa jurídica, o texto da lei seria diverso. Portanto, diferentemente do apurado pela fiscalização, resta cristalino o direito da Impugnante ao desconto dos créditos de PIS e COFINS sobre as despesas relacionadas à mão de obra pagas a pessoa jurídica, sendo, portanto, totalmente indevida a glosa realizada pela autoridade fazendária. 47.2 FRETE E ARMAZENAGEM NA IMPORTAÇÃO DE INSUMOS Cumpre esclarecer que, essencialmente, a Impugnante importa insumos e neste sentido, tornase imprescindível a armazenagem de tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada sua produção industrial. Desta feita, evidente que sem que o insumo chegue até a empresa, impraticável o processo produtivo da mesma, sendo necessária a contração de armazenagem de insumos importados nos entrepostos aduaneiros e de serviço de frete para transporte desses insumos do porto até seu estabelecimento. Ademais, os serviços de frete e armazenagem nas operações de importação de matérias primas devem ser considerados insumos, uma vez que tais serviços incluemse nos custos dos insumos importados adquiridos e utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 5172DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.173 9 ... Assim, novamente em dissonância ao apurado pela fiscalização, resta comprovado o direito da Impugnante ao desconto dos créditos de PIS e COFINS sobre as despesas relacionadas armazenagem de insumos importados e frete relativos ao transporte desses insumos do recinto alfandegário até o estabelecimento da impugnante, restando, pois, totalmente indevida a glosa realizada pela autoridade fazendária. 48. Não obstante a certeza de procedência da presente Impugnação, com o consequente cancelamento do Auto de Infração e Imposição de Multa em referência, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como do contraditório e da ampla defesa que norteiam o processo administrativo tributário, requer desde já, seja deferido a posterior juntada dos Laudos Técnicos que estão sendo preparados por profissionais habilitados, a fim de que não restem quaisquer dúvidas acerca da essencialidade dos serviços, cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pela fiscalização, à atividade produtiva da Impugnante. ... 55. Por fim, tem plena convicção a Impugnante que, a vista dos robustos argumentos apresentados, a exigência administrativa que lhe é feita é totalmente improcedente, todavia, na remota hipótese do não acolhimento destes e apenas para fins de argumentação, resta a improcedência total das multas que foram aplicados. 56. Isto, pois, restou consignado pela Fiscalização que a Impugnante apresentou fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do anocalendário de 2008, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 2001 e que, tratandose de responsabilidade objetiva, as dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte não afastam essa penalidade. 57. Cumpre esclarecer a multa aplicada pela fiscalização, embora esteja embasada no Regulamento do Imposto de Renda, art. 957, inciso I, a mesma decorre da previsão legal constante do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 58. Assim, como restará demonstrado pelo posicionamento da doutrina, bem como pela jurisprudência administrativa e judicial, para a imputação da penalidade agravada, é necessário que o contribuinte não atenda às intimações da autoridade fiscal e a falta de atendimento deve ser total, de modo que implique em omissão, por parte do sujeito passivo, em responder às indagações da autoridade fiscal e apresentar documentos. 59. Contudo, devese frisar que o fato de a autoridade fiscal considerar que o atendimento, por parte do sujeito passivo, foi precário e não suficiente para esclarecer as dúvidas ou apresentar documentos não é suficiente para caracterizar o tipo da penalidade agravada. 60. In casu, a empresa Impugnante não deixou de atender as solicitações da fiscalização, apenas as atendeu com alguns dias de atraso, contudo, as solicitações foram atendidas na integralidade. 61. Da mesma forma que, não havendo fraude, dolo ou tentativa de embaraçar a fiscalização, o que de fato não aconteceu no presente caso, não há se aplicar a multa agravada. ... 65. Desta feita, não estando presente os motivos ensejadores ao agravamento da multa aplicada, na remota hipótese de ser mantida a presente autuação, o que se admite apenas à título de argumentação, a multa agravada deverá ser relevada. Fl. 5173DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.174 10 66. Segundo constou do Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante teria preenchido com dados incompletos os DACON's dos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, bem como não declarou os períodos dos créditos extemporâneos nas fichas 13A e 23A, razão pela qual lhe foi aplicada a multa regulamentar disciplinada pelo art. 7°, incisos III e IV, e § 3° da Lei n° 10.426/2002. ... 70. O descumprimento da obrigação acessória faz com que recaia multa sobre o infrator, com a finalidade clara de sancionar o descumprimento das obrigações fiscais, e não de recompor o patrimônio desfalcado, o que está evidente no caso em tela, com relação às multas aplicadas no tocante ao período de agosto/2009 e março/2010. 71. Ainda, não restam dúvidas quanto a boa fé da Impugnante, que nunca teve a intenção de fraudar o Fisco com informações inverídicas, não havendo nenhum registro de outros períodos ou autuações neste sentido. 72. Ademais, de se dizer que não há nenhuma norma regulamentadora dispondo acerca da necessidade de declarar em DACON possíveis créditos extemporâneos, desta forma, não lhe é razoável ser aplicada uma multa por falta de declaração, quando, na realidade, não existe lei assim dispondo. Assim, sendo, imperioso que a multa regulamentar aplicada à Impugnante seja cancelada. 73. Diante de todo o exposto, é a presente para requerer à Vossa Senhoria que receba regularmente a Impugnação ora apresentada, vez que tempestiva, devendo ser totalmente acolhida, para cancelar o Auto de Infração e Imposição de Multa constante do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 0812400/00228/2011, vez que insubsistentes as alegações tecidas pelo Nobre Agente Fiscal, haja vista ter a Impugnante esclarecido a possibilidade de aproveitamento de crédito de PIS e de COFINS sobre as despesas com (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial, vez que a subtração de tais serviços importaria na inviabilidade da produção dos bens comercializados ou na prestação de serviços por ela exercida. 74. No entanto, na remota hipótese de que se confirme a infração imputada à Impugnante no presente AIIM, fazse necessário que sejam relevadas as multas agravada e regulamentar, uma vez comprovado que a empresa atendeu às Intimações da Fiscalização, não havendo que se cogitar tentativa de fraudar ou burlar o Fisco, nos termos da jurisprudência e doutrina colacionadas na presente defesa. A 3ª Turma da DRJ/CPS, no Acórdão n° 0538.282, manteve a integralidade da autuação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 5174DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.175 11 No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão de obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. FRETES. Somente os valores das despesas realizadas com fretes e armazenagem contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados na sistemática de apuração não cumulativa. Fretes pagos para o transporte de bens dentro ou entre as unidades da empresa não geram créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inexistência de Multa Regulamentar Quanto à aplicação da multa regulamentar definida no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, no Termo de Verificação Fiscal, há a seguinte afirmação: MULTA REGULAMENTAR Constatouse, durante o procedimento fiscal, que o contribuinte preencheu com dados incompletos os Dacon dos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, porquanto não declarou os períodos dos créditos extemporâneos nas fichas 13A e 23A, razão pela qual é cabível a aplicação de multa regulamentar nos termos do disposto no art. 7, incisos III e IV, e parágrafo 3 da Fl. 5175DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.176 12 Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n. 11.051/2004. Entretanto, o auto de infração (efls. 2.9532.980) não constituiu a exigência dessa multa, logo tal matéria não é parte deste julgamento. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da impugnação, para pleitear o reconhecimento dos créditos de: (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial, bem como o cancelamento da multa agravada aplicada, já que a empresa atendeu a todas as intimações da Fiscalização. Em petição datada de 15 de fevereiro de 2017, a Recorrente sustenta dois pontos: I) Nulidade do auto de infração e (ii) Juntada de novos documentos aos autos que comprovam o direito creditório da Recorrente. Informa que, no presente caso, verificase do “Demonstrativo das glosas de créditos de PIS/COFINS”, que acompanhou o auto, elaborado pela D. Fiscalização, que as glosas dos créditos não foram especificadas. E que na apuração do D. Fiscal, em diversas oportunidades, deixa de mencionar a quais notas fiscais se referem os valores indicados como glosados. Alega que o Auditor Fiscal elaborou demonstrativo sem qualquer referência às notas fiscais ou muitas vezes sequer fazendo referência ao fornecedor. Portanto, impossível para a Recorrente verificar amplamente quais foram os créditos glosados, o que resultou na impossibilidade de exercer amplamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa no presente processo. Dessa forma, o auto seria nulo por cerceamento de defesa. Salienta que: Cumpre esclarecer que, não obstante o argumento de nulidade do AIIM não ter sido alegado nas razões da Impugnação Administrativa e no Recurso Voluntário destes autos, por se tratar de matéria de ordem pública, alegável a qualquer tempo, a ora Recorrente demonstrará de forma inequívoca a nulidade que macula a integralidade do presente AIIM. Ademais, junta aos autos notas fiscais da prestação de serviços, os quais entende como "insumos" de sua atividade, efls. 32855025. Justifica a recente juntada, nos seguintes termos: Apenas neste momento foi possível o levantamento de referidos documentos, considerando o grande volume de papéis em arquivos físicos e sucessivas trocas de gestão da Recorrente, o que dificultou em muito a sua localização. Ao final de sua manifestação, requer: Por derradeiro, o “Demonstrativo das glosas de Crédito de PIS/COFINS” do Auto de infração em comento, por não indicar Notas Fiscais a que se referem os créditos glosados ou até mesmo em algumas oportunidades não fazer referência ao “fornecedor”, tornou impossível a possibilidade da Recorrente Fl. 5176DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.177 13 em se defender plenamente das acusações fiscais, de modo que se impera o reconhecimento da nulidade do auto de infração ou, caso não seja este o entendimento dos I. Conselheiros, que seja determinada a baixa dos autos em diligência para esclarecimentos da autoridade administrativa. Esta Turma de Julgamento decidiu pela conversão do feito em diligência, Resolução nº 3301000.282, para a comprovação da efetiva associação das despesas (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial ao processo produtivo da Recorrente. A diligência foi cumprida, conforme relatório de efls. 5.0475.048, cujo teor foi: Foram apreciados os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte na impugnação e revisados os procedimentos da fiscalização, chegandose às conclusões a seguir relacionadas. Quanto ao item (i), esclarece a fiscalização que parte dos gastos com mão de obra temporária que foram glosados pela fiscalização são aplicadas diretamente na produção industrial da Recorrente, conforme planilha anexa a este Relatório, elaborada a partir dos centros de custos identificados na conta 0000331113 – Mão de Obra Temporária MOD da Escrituração Contábil Digital; Quanto aos itens (ii) e (iii), esclarece a fiscalização que as despesas com armazenagem e fretes glosadas envolvem na totalidade componentes importados e destinados ao processo industrial da Recorrente, porquanto estão registradas nas Notas Fiscais Eletrônicas de Entradas dessas importações e na Escrituração Fiscal Digital com o CFOP 3.101, isto é, compras para industrialização. A manifestação da empresa foi parcialmente contra o parecer fiscal, conforme efls. 5.1095.117. Em seguida, por entender que ainda restavam dúvidas quanto aos critérios utilizados para segregação entre a mão de obra terceirizada alocada na produção industrial e a mão de obra administrativa, bem como o porquê do reconhecimento “parcial” apontado na diligência anterior, esta Turma converteu novamente o feito em diligência, Resolução n° 3301 000.462, para que a unidade de origem: 1 Esclarecesse o motivo do reconhecimento “parcial” no item (i), segregando a mão de obra terceirizada alocada na produção industrial e a mão de obra administrativa. Justificasse a razão da manutenção das glosas. Fl. 5177DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.178 14 2 Esclarecesse todos os pontos de divergência apontados pela Recorrente nas efls. 51095117. 3 Em razão dos pontos de divergência apontados pelo contribuinte, elaborasse manifestação, ratificando ou retificando o resultado da diligência anterior, para os itens (i), (ii) e (iii). Cumprida a nova diligência, do novo relatório fiscal (efls. 5.1385.140) constou: Quanto ao item 1: partir dos testes realizados nos centros de custos informados na Escrituração Contábil Digital – ECD do contribuinte, a conclusão é a de que todos os gastos com mão de obra temporária cujos créditos foram glosados pela fiscalização destinaramse diretamente à produção industrial da Recorrente, conforme nova planilha anexada ao Relatório. Quanto ao item 2: nenhum documento acoberta as alegações do contribuinte, salientando o Douto Fiscal que não foram apresentadas notas fiscais que justificassem os excessos de base de cálculo. Quanto ao item 3: as despesas com armazenagem e fretes glosados envolvem a totalidade dos componentes importados e destinados ao processo industrial da Recorrente, porquanto estão registradas nas Notas Fiscais Eletrônicas de Entradas dessas importações e na Escrituração Fiscal Digital com o CFOP 3.101, isto é, compras para industrialização. O contribuinte manifestouse sobre o resultado da diligência (efls. 5.152 5.156), ratificou o pedido de creditamento dos itens (i), (ii) e (iii), nada opôs aos esclarecimentos prestados pelo AFRF no item 2, bem como apresentou planilha de saldos remanescentes de PIS e COFINS, já excluídos os itens (i), (ii) e (iii). É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Nulidade do Auto de Infração Alega a Recorrente, em petição de efl. 3.269, que: (...) requer a Vossas Senhorias, que apreciem a questão de ordem pública ora suscitada, de modo a reconhecer a nulidade Fl. 5178DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.179 15 do presente AIIM que o macula integralmente, em face da falta de indicação específica dos documentos fiscais em que se apurou as glosas dos créditos, que resultou na falta de clareza da autuação e impediu a plena defesa da Impugnante. No presente caso, verificase do “Demonstrativo das glosas de créditos de PIS/COFINS”, que acompanhou o AIIM, elaborado pela D. Fiscalização, que as glosas dos créditos não foram especificadas. Vejase que na apuração do D. Fiscal, em diversas oportunidades, deixa de mencionar a quais notas fiscais se referem os valores indicados como glosados. De se concluir que o Auditor Fiscal elaborou demonstrativo sem qualquer referência às notas fiscais ou muitas vezes sequer fazendo referência ao fornecedor. Portanto, restou impossível para a Recorrente verificar amplamente quais foram os créditos glosados, o que resultou na impossibilidade de exercer amplamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa no presente processo. Pela falta de informações essenciais à verificação da legalidade das provas trazidas aos presentes autos que respaldaram a autuação, o Auto de Infração é nulo na forma do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72, por ter preterido o direito de defesa da Recorrente. Ao contrário do que alega a Recorrente, as glosas efetuadas pela autoridade fiscal tiverem como suporte: listas de fornecedores e de clientes, bem como os arquivos digitais com detalhamentos das notas fiscais e, claro, a escrituração contábil digital e fiscal da empresa. Ademais, a planilha das glosas, que consta nas efls. 2.934 e seguintes, permitem a identificação das glosas com as respectivas notas fiscais. A autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração foi clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. Portanto, não se vislumbra nulidade do auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. O que pretende a Recorrente é a reforma do julgado da DRJ, questão de mérito que será analisada a seguir. Insumos para fins de creditamento Princípio da nãocumulatividade Fl. 5179DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.180 16 Conforme relatado, foram glosados os créditos de mão de obra temporária, armazenamento (e demais despesas aduaneiras) e fretes de mercadorias importadas, por entender a fiscalização que não há previsão legal para seu aproveitamento. Portanto, o ponto controvertido nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos com armazenagem (e demais despesas aduaneiras) de produtos importados, fretes relativos ao transporte de mercadorias do recinto alfandegado até o estabelecimento do importador e contratação de mão de obra temporária, por entendêlos como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo (restritivo) que norteou a autuação é o seguinte: 10. Portanto, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 11. Na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. No mesmo toque, o critério utilizado pela DRJ/Campinas para analisar o caso foi: Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. A atividade desenvolvida pela Recorrente é a industrialização e a comercialização de produtos do segmento de autopeças, demonstrado em seu objeto social. Logo, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Fl. 5180DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.181 17 Em razão disso, só podem ser considerados como insumos os bens e os serviços essenciais à prestação de serviços ou à fabricação dos produtos destinados à venda, o que demanda, então, o cotejo entre a atividade da empresa e a despesa pleiteada como insumo. As despesas em litígio não se confundem com os custos agregados à operação de importação. Os custos agregados à importação regemse pela legislação das contribuições incidentes na importação, ou seja, nos termos da Lei nº 10.865/04, art. 7° e 15. Assim, por exemplo o valor do frete internacional dos bens importados, por integrar a base de cálculo da CofinsImportação dá direito a crédito. Todavia, sem dúvida, os três itens citados linhas atrás, pleiteados como insumos não compõem o valor aduaneiro, que é base da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS devidas nas importações. Logo, essas despesas estão relacionadas ao PIS e à COFINS internos, uma vez que se tratam de bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, ou seja, custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Tratamse de operações distintas: a importação e as posteriores (já em território nacional) de armazenagem e frete do Porto até o local de industrialização. Dito de outra forma, não se confundem a operação de importação de um bem e a prestação de serviços contratados no mercado interno com a finalidade de destinar os bens importados ao estabelecimento industrial, para posterior venda. Assim, são dispêndios realizados no país e pagos para pessoas jurídicas aqui domiciliadas. Em suma, na análise deste caso não deve ser considerada a aplicação da Lei nº 10.865/2004, mas sim a aplicação da sistemática da nãocumulatividade, nos termos das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002. É o que se faz a seguir. (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial Quanto ao insumo “contratação de mão de obra temporária”, a DRJ entendeu que apenas o trabalho executado pelo empregado temporário é que pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo e nunca os serviços prestados por empresa de trabalho temporário, a qual atua na função de intermediária na contratação e na seleção dos mesmos. Por outro lado, alega a Recorrente que a contratação tem outra função e é essencial: Cumpri salientar que a Recorrente necessita contratar mão de obra terceirizada especializada para trabalhar em seu setor produtivo – linha de produção. Evidente que apesar da legislação em vigor que regulamenta o PIS e a COFINS não trazer explicitamente o direito ao crédito sobre contratação de mão de obra Fl. 5181DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.182 18 terceirizada, tal serviço é atrelado ao processo produtivo. A contratação do serviço mão de obra especializada visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da empresa Recorrente. Tratandose de regular contratação de empresa de trabalho terceirizada para disponibilização de mão de obra temporária, somente será considerada insumo aquela aplicada diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, permitindo a apuração de créditos das contribuições em relação aos dispêndios correlatos. Nesse sentido, a Solução de Consulta nº 105 – Cosit, de 31 de janeiro de 2017, item “d” da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. PEÇAS E PARTES DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. Observados os demais requisitos legais, permitem a apuração de crédito da não cumulatividade da Cofins, na modalidade aquisição de insumos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), os dispêndios da pessoa jurídica com: a) aquisição de produtos intermediários utilizados na produção de bens destinados à venda; b) aquisição de partes e peças de reposição de máquinas empregadas diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda; c) contração de serviços de manutenção de máquinas empregadas diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda; d) contratação de empresa de trabalho temporário para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente na produção de bens destinados à venda. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3°, II; IN SRF nº 404, de 2004, art. 8º, I, “b” e § 4°; Lei nº 6.019, de 1974, arts. 2º e 4º. PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11/10/ 2016. Adoto os fundamentos da referida Solução de Consulta, como razões de decidir: 9. Quanto ao item “d” questionase sobre a possibilidade de apurar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins em relação a seus dispêndios com “a mão de obra aplicada na produção e seus acessórios pagos a pessoa jurídica, excetuandose aqueles diretamente pagos a pessoa física integram a etapa produtiva e têm natureza essencial para sua própria atuação”. 10. Entendese, pois, que a consulente utiliza mão de obra disponibilizada por terceiras pessoas jurídicas, pois acerca dos Fl. 5182DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.183 19 dispêndios com mão de obra própria há vedação legal expressa de creditamento (inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) 11. Tendose claro tal ponto, resta ressaltar que a terceirização de mão de obra somente é permitida para as atividadesmeio da pessoa jurídica, sendo vedada nas atividadesfim, nos termos da Súmula nº 331 do TST – Tribunal Superior do Trabalho, que assim dispõe: “TST Enunciado nº 331 Revisão da Súmula nº 256 Res. 23/1993, DJ 21, 28.12.1993 e 04.01.1994 Alterada (Inciso IV) Res. 96/2000, DJ 18, 19 e 20.09.2000 Mantida Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a e serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000)”). 12. Desta forma, considerandose que, nos termos da legislação trabalhista, a única possibilidade de contratação de trabalhadores para as atividadesfim da empresa por meio de pessoa jurídica interposta ocorre nos casos de contratação de empresa de trabalho temporário, o questionamento apresentado será respondido tomando por pressuposto que a contratação de trabalhadores nas atividadesfim (produção), a que a consulente faz referência, ocorre por meio de empresa de trabalho temporário. 13. Cabe, assim, destacar os mandamentos dos arts. 2º e 4º da Lei nº 6.019, de 03 de janeiro de 1974: Art. 2º Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou à acréscimo extraordinário de serviços. (...) Art. 4º Compreendese como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos. (...) Art. 9º O contrato entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora de serviço ou cliente deverá ser obrigatoriamente escrito e dele deverá constar expressamente o motivo justificador da demanda de trabalho temporário, assim como as modalidades de remuneração da prestação de serviço. (...) Art. 11 O contrato de trabalho celebrado entre empresa de trabalho temporário e cada um dos assalariados colocados à disposição de uma Fl. 5183DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.184 20 empresa tomadora ou cliente será, obrigatoriamente, escrito e dele deverão constar, expressamente, os direitos conferidos aos trabalhadores por esta Lei. 14. Extraise desses dispositivos que a contratação da prestação de serviços se dá entre a pessoa jurídica tomadora do serviço e a empresa de trabalho temporário prestadora do serviço. Em situação regular, os empregados pessoas físicas mantém contrato de trabalho (vínculos empregatícios) apenas e tão somente com a empresa de trabalho temporário, recebendo dela sua remuneração e subordinandose a ela em última instância (conquanto haja subordinação indireta à pessoa jurídica tomadora do serviço). Somente haverá vínculo empregatício entre o trabalhador pessoa física e a pessoa jurídica tomadora do serviço caso sejam descumpridas as regras da Lei nº 6.019, de 1974 (por exemplo, prazo máximo de permanência do trabalhador temporário de três meses, admitida prorrogação desse prazo a pedido do interessado e a juízo do órgão regional do Ministério do Trabalho e Emprego, art. 10). 15. Portanto, não resta dúvida de que, em caso de contratação regular de empresa de trabalho temporário nos termos da Lei nº 6.019, de 1974, a pessoa jurídica tomadora do serviço não estará pagando mão de obra a pessoa física, mas contratando um serviço prestado por pessoa jurídica como qualquer outro, afastandose a aplicação da vedação de creditamento estabelecida no inciso I do § 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003. 16. Deveras, apesar de ensejar o labor de pessoa física, a contratação de empresa de trabalho temporário pode permitir a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins pela pessoa jurídica contratante porque a receita auferida pela empresa contratada estará sujeita à incidência das contribuições, cumprindo a regra elementar da não cumulatividade (crédito correspondente ao débito pago na etapa anterior). 17. Assim, não há óbice à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de empresa de trabalho temporário para disponibilização de mão de obra temporária, devendo ser analisados os requisitos ordinários da legislação das contribuições para apuração de créditos. 18. Considerando a inexistência de previsão expressa de creditamento em relação dos mencionados dispêndios, a única possibilidade de creditamento ocorrerá na modalidade aquisição de insumos (inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). Como já exposto, o relatório da segunda diligência apontou que todos os gastos com mão de obra temporária glosados se destinaram diretamente à produção industrial da Recorrente (efl. 5.139). Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao creditamento das despesas com contratação de mão de obra alocada na produção industrial, nos termos dos art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 5184DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.185 21 (ii) armazenagem (e demais despesas aduaneiras) de insumos importados no recinto alfandegário e, (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento Para os insumos “armazenagem (e demais despesas aduaneiras) de insumos em recintos alfandegários” e “fretes relativos ao transporte de mercadorias do recinto alfandegado até o estabelecimento do importador”, entendeu a DRJ ser possível a apuração de créditos apenas para as operações de armazenagem de mercadorias no bojo de operações de venda, mas não de aquisição de insumos que serão armazenados em recinto alfandegário, bem como não haver previsão legal para créditos a partir de gastos com fretes não relacionados às operações de venda. Em sentido contrário, assevera Recorrente quanto à armazenagem e ao frete: Cumpre esclarecer que, essencialmente, a Recorrente importa insumos e neste sentido, tornase imprescindível a armazenagem de tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada sua produção industrial. Desta feita, evidente que sem que o insumo chegue até a empresa, impraticável o processo produtivo da mesma, sendo necessária a contratação de armazenagem de insumos importados nos entrepostos aduaneiros e de serviço de frete para transporte desses insumos do porto até seu estabelecimento. Ademais, os serviços de frete e armazenagem nas operações de importação de matériasprimas devem ser considerados insumos, uma vez que tais serviços incluem se nos custos dos insumos importados adquiridos e utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados a venda. O frete pago na aquisição, quando suportado pelo comprador, integra o custo de aquisição dos bens e mercadorias, gerando direito ao crédito das contribuições. Neste caso, tratase de frete pago na aquisição dos insumos destinados à industrialização. Entendo que o frete se subsome ao disposto no art. 3°, II, das Leis n° 10.637 e 10.833, os quais autorizam o creditamento de bens e serviços utilizados como insumos na industrialização de produtos destinados à venda. A 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestou no acórdão nº 9303 004.318, sessão 15/09/2016, pela possibilidade de creditamento de frete, inclusive aquele frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte: Fl. 5185DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.186 22 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. Quanto às despesas com armazenamento das mercadorias importadas para industrialização, há direito ao credimento, porquanto há expressa previsão de direito a crédito no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, para a Cofins, e no inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, para a Contribuição para o PIS/Pasep. Tratase de previsão genérica de crédito em relação a despesas com armazenagem, abrangendo tanto armazenagem de mercadorias nacionais quanto de importadas. A única exigência é a constante no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003: que a despesa com armazenagem seja derivada de aquisição do serviço junto à pessoa jurídica domiciliada no País, o que é o caso. No sentido da possibilidade de creditamento do armazenamento em recinto alfandegado, cito o acórdão nº 3402004.033, julgado em 25/04/2017: FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Ademais, favorável ao creditamento de armazenagem e demais despesas alfandegárias de bens importados, cito o acórdão n° 3201003.170, Rel. Marcelo Giovani Vieira, julg. 27/09/2017: NÃOCUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM OPERAÇÕES FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO. Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem de insumos, na importação, compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geram direito ao crédito de Pis e Cofins no regime nãocumulativo. Fl. 5186DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.187 23 A segunda diligência fiscal (efls. 5.1395.140) atestou que as despesas com armazenagem (e demais despesas aduaneiras) e fretes glosados envolvem a totalidade dos componentes importados e destinados ao processo industrial da Recorrente, porquanto estão registradas nas Notas Fiscais Eletrônicas de Entradas dessas importações e na Escrituração Fiscal Digital com o CFOP 3.101, isto é, compras para industrialização. Logo, entendo que é legítima a tomada de crédito em relação às despesas de armazenamento (e demais despesas aduaneiras) e fretes sobre compras de insumos, pagos a pessoas jurídicas, porque destinadas à industrialização, devendo as glosas serem revertidas. Cabimento da aplicação da Multa Agravada Relata a autoridade fiscal, no termo de verificação: Na aplicação das penalidades é considerado o disposto no art. 959, inciso II do Decreto n. 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que implicava na majoração da multa prevista no art. 957, inciso I, em 50%, para os períodos de janeiro/2008 e março/2009, uma vez que o contribuinte apresentou à fiscalização fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do anocalendário de 2008, no padrão da Instrução Normativa SRF n. 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n. 15 de 2001. Tratase de responsabilidade objetiva, isto é, as dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte não afastam essa penalidade. O art. 959, II, do Regulamento do Imposto de Renda dispõe: Art.959.As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, §2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 265 e 266; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 267. Por sua vez os art. 265 e 266 do RIR/99 dispõem: Art.265.As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado no período de apuração imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a um milhão seiscentos e trinta e três mil, setenta e dois reais e quarenta e quatro Fl. 5187DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.188 24 centavos e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11 e §1º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos e sistemas deverão ser apresentados (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, §2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). Art.266.A inobservância do disposto no artigo anterior acarretará a imposição das multas previstas no art. 980 (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12). Parágrafo único. O prazo de apresentação dos arquivos de que trata o artigo anterior será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, parágrafo único). Por outro lado, na efl. 3214 a empresa afirma: "In casu, a empresa Recorrente não deixou de atender as solicitações da fiscalização, apenas as atendeu com alguns dias de atraso, contudo, as solicitações foram atendidas na integralidade." A lei atribui penalidade à falta de apresentação de arquivos eletrônicos em face de intimação da autoridade fiscal no prazo determinado por esta. Segundo descrito no Termo de Verificação, a contribuinte teria apresentado à fiscalização fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do anocalendário de 2008. A defesa apresentada argumenta que a pena seria aplicável apenas nos casos de completo não atendimento às intimações, não cabendo nos casos em que a autoridade venha a considerar que o atendimento teria sido precário. Reconhece, no entanto, que teria atendido as solicitações com alguns dias de atraso. Acolho o argumento da Recorrente. Entendo não ser devido o agravamento, uma vez que a empresa alimentou de informações o trabalho fiscal, por meio de documentos e de sua escrita fiscal, os quais permitiram a lavratura do Auto de Infração. Nesse sentido: Acórdão n° 3401002.084 MULTA AGRAVADA. ARQUIVOS DIGITAIS NÃO ENTREGUES. AÇÃO FISCAL CONCLUÍDA COM BASE EM INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE. PREJUÍZO À FISCALIZAÇÃO NÃO DEMONSTRADO. INAPLICABILIDADE. A falta de atendimento a intimação para entrega de arquivos Fl. 5188DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.189 25 digitais não autoriza o agravamento da multa de ofício, quando a ação fiscal não restou impedida, a fiscalização demonstrou os prejuízos causados e o lançamento foi efetuado com base em informações fornecidas pelo contribuinte, o que exclui a majoração da penalidade, cujos percentuais retornam a 75%, nas infrações sem dolo, ou a 150%, nas dolosas. Assim, para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. Por essa razão, deve ser afastado o agravamento, por ausência dos seus pressupostos de aplicação. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício para 75%. Demais glosas O Termo de Verificação relata: Além dessas diferenças de bases de cálculo ocorridas na apuração das contribuições, existem dispêndios sobre os quais foram descontados créditos de PIS e da COFINS em desacordo com os arts. 3 das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, tais como mão de obra temporária, armazenagem e fretes de mercadorias importadas, material de escritório, material de segurança do trabalho e serviços de laboratório e de controle de qualidade, que constam detalhados nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte ao longo da ação fiscal, bem como discriminados nas contas de resultado 3.01.01.07 Despesas Operacionais da contabilidade do contribuinte. Cabe observar que os gastos com armazenamento de matériaprima, locação de veículos, equipamentos de escritório e de hardware, apontados no Termo de Constatação Fiscal n.0001, não foram localizados na memória de cálculo de apuração das contribuições apresentada pelo contribuinte. Os descontos de créditos de PIS e da COFINS sobre os excessos nas bases de cálculo e dispêndios acima mencionados são glosados pela fiscalização e estão relacionados no Demonstrativo de Glosas de Créditos do PIS/COFINS. Em contraposição, o item 17 do recurso voluntário expressa (efl. 3.197): No Demonstrativo das Glosas de Créditos de PIS/COFINS que integra o Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal lista uma série de aquisições cuja natureza impediria a apuração de créditos. Estão lá relacionados gastos, por exemplo, com materiais de escritório, material de segurança no trabalho, serviços de controle de qualidade, serviços de laboratório, além de ajustes na apuração denominados “Excesso de base de Fl. 5189DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.190 26 cálculo de fretes sobre compras” e “Excesso de base de cálculo sobre o total em memória de cálculo”. Em sentido contrário, entendo que a contestação das glosas foi feita apenas de forma genérica. A Recorrente, reitera que todos os serviços prestados por pessoas jurídicas estão envolvidos na sua própria prestação de serviços. Contudo, a prova da essencialidade da prestação desses serviços para a atividade da Recorrente não foi feita. Não houve a descrição pormenorizada de suas atividades e como as mesmas dependeram desses serviços de terceiros. Não foram acostados contratos, laudos técnicos, manuais ou outros elementos para se aferir essa essencialidade. Logo, entendo que as glosas foram corretas, já que não se subsomem ao disposto no inciso II do art. 3º, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. É sabido que, na apuração de Cofins nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Não basta que uma despesa seja potencialmente insumo. Entendo que as manifestações da Recorrente não contemplaram o ataque direto à exigência fiscal sobre essas outras rubricas: material de escritório, material de segurança do trabalho, serviços de controle de qualidade, equipamento prevenção de incêndio, e serviços de laboratório. Dessa forma, deve ser negado provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Excessos da base de cálculo de PIS e COFINS A fiscalização procedeu aos ajustes na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, denominados “Excesso de base de cálculo de fretes sobre compras” e “Excesso de base de cálculo sobre o total em memória de cálculo”. Ressalto que essas rubricas não foram satisfatoriamente contestadas pela Recorrente, devendo, por conseguinte, serem mantidas. Explico. Relatou a autoridade fiscal, no Relatório da Fiscalização (efls. 29062952): 22. Da confrontação entre os gastos com fretes escriturados nos Livros de Registro de IPI, já deduzidos os valores aproveitados na base de cálculo utilizada na LINHA 07. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES SOBRE VENDAS (fichas 06A e 16A), verificase que os montantes considerados pelo contribuinte como fretes sobre compras na base de cálculo da LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A), excedem, em vários períodos de apuração, o total dos gastos dessa natureza que constam na escrita fiscal, conforme a seguir demonstrado. Fl. 5190DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.191 27 (...) 23. Notase, também, que a base de cálculo considerada na LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A) supera em praticamente todos os períodos os valores detalhados na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0006. (...) O relatório da segunda diligência fiscal aduziu que inexiste fato novo que justifique o excesso de base de cálculo constatado na ação fiscal. E ainda (efl. 5.139): Já na parte que se refere à linha 03. Serviços Utilizados como Insumos das fichas 06A e 16A dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, a composição dessas bases de cálculo estão detalhadas no item 23 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 2906/2952. Oportuno ressaltar que os dados relevantes colhidos nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte ao longo da ação fiscal estão fielmente reproduzidos no Termo de Verificação Fiscal de forma a demonstrar as irregularidades tributárias que ensejaram o lançamento do crédito tributário. Desses arquivos digitais, foram entregues cópias ao contribuinte tão logo os requereu, conforme fls. 5057/5104, e especificamente o da memória de cálculo da linha 03. Serviços Utilizados como Insumos foi autenticado no Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA com o código hash 78ec7d04ee5138e4 7299d8b60411e6d4 (vide anexo a este relatório). Cabe observar que a ação fiscal não baseouse tão somente em demonstrativos apresentados pelo contribuinte, mas também na Fl. 5191DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.192 28 escrituração contábil digital e fiscal, conforme se vê no Termo de Constatação Fiscal de fls. 1067/1107 e na resposta de fls. 2901/2905. Constam na Resposta à Intimação às fls. 385/1066 as cópias dos livros de entrada de todos os estabelecimentos do contribuinte, nos quais estão as informações relativas aos fretes contratados e cujos totais foram confrontados com a apuração dos créditos do PIS e da Cofins nos Dacon. De se observar que nos recursos apresentados o contribuinte sequer apontou quais contas contábeis justificam a formação da base de cálculo de créditos consideradas na linha 03. Serviços Utilizados como Insumos. O certo é que os testes feitos pela fiscalização na escrituração contábil digital do contribuinte não identificaram os gastos com armazenagem de vendas que, segundo alegado pelo contribuinte, justificariam os excessos de base de créditos mencionados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2906/2952. Na manifestação à segunda diligência, o contribuinte expressamente concordou com os esclarecimentos do relatório fiscal para o item 2. Logo, não há reparos a serem feitos no processo fiscalizatório quanto a este ponto. Conclusão Do exposto, devem ser revertidas as glosas de: i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; (ii) armazenagem (e demais despesas aduaneiras) de insumos importados no recinto alfandegário e (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. Os valores a serem utilizados como crédito são aqueles efetivamente demonstrados na escrituração da Recorrente, o que deve ser verificado quando da liquidação do acórdão. Por outro lado, devem ser mantidas as demais glosas por falta de comprovação de sua essencialidade (materiais de escritório, material de segurança no trabalho, serviços de controle de qualidade, serviços de laboratório etc.), bem como as glosas quanto à apuração dos excessos da base de cálculo. Por fim, deve ser cancelado o agravamento da multa de ofício, mantendo a aplicação no percentual de 75%. Em suma, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 5192DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Acórdão n.º 3301004.392 S3C3T1 Fl. 5.193 29 Fl. 5193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002219/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/05/1996
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/05/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 19 /2 01 0- 51 Fl. 197DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19515.002219/201051 Acórdão n.º 2201004.229 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 199DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 19515.002219/201051 Acórdão n.º 2201004.229 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 201DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000354/2007-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
CONHECIMENTO. PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF N. 83.
Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando o acórdão paradigma vai de encontro à súmula CARF, no caso, que dispõe não incidir CSLL sobre valores decorrentes de atos cooperados.
Numero da decisão: 9101-003.512
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 CONHECIMENTO. PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF N. 83. Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando o acórdão paradigma vai de encontro à súmula CARF, no caso, que dispõe não incidir CSLL sobre valores decorrentes de atos cooperados.
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ATOS COOPERADOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS PROFISSIONAIS DAS CIÊNCIAS E DAS ARTES DO CENTRO OESTE DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 CONHECIMENTO. PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF N. 83. Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando o acórdão paradigma vai de encontro à súmula CARF, no caso, que dispõe não incidir CSLL sobre valores decorrentes de atos cooperados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 54 /2 00 7- 87 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 14120.000354/200787 Acórdão n.º 9101003.512 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, ora julgado sob a sistemática repetitiva, cuja divergência apresentada gira em torno da definição da incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no que tange à "sobra líquida" decorrente de atos cooperados, afastada pelo acórdão recorrido por entender que não possuía natureza de lucro, contrariamente aos acórdãos paradigmas indicados. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, passando se, assim, a ser analisado. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 14120.000354/200787 Acórdão n.º 9101003.512 CSRFT1 Fl. 4 3 Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, verificase que o objeto do recurso fazedário diz respeito à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no que tange aos atos cooperados., posicionamento este, porém, contrário à atual Súmula CARF n. 83, que assim dispõe em sua redação: "Súmula CARF 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004". Diante da regra regimental que impede o conhecimento do recurso cujo paradigma, na data do exame de admissibilidade, seja contrário à súmula do Tribunal, não se entende possível, desse modo, o seu conhecimento, como inclusive decidiu esta turma na recente sessão de 06 de fevereiro de 2018, da qual resultou o acórdão n. 9101003.408. Nesse sentido, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000527/2005-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2000, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004
MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO.
É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada DIF-Papel Imune, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
DIES A QUO PARA EXIGÊNCIA DA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. PUBLICAÇÃO DO ADE DE CONCESSÃO DO REGISTRO ESPECIAL NO D.O.U.
A publicidade da concessão do Registro Especial se dá por intermédio de Ato Declaratório Executivo, publicado no Diário Oficial da União, a teor do § 1º do art. 2º da IN/SRF nº 27/2011, a partir de quando então passa a ser exigível a apresentação da DIF-Papel Imune, e não com a notificação do contribuinte a respeito.
DIF-PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA, INDEPENDENTE DE TER HAVIDO OU NÃO OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE NO PERÍODO.
Conforme expressamente disposto no parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº 159/2002 (com força normativa dada pelo art. 16 da Lei nº 9.779/99), que aprovou a versão 1.0 do programa gerador da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF-Papel Imune), a apresentação da declaração é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
Numero da decisão: 9303-006.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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EPP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2000, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada “DIFPapel Imune”, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. DIES A QUO PARA EXIGÊNCIA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. PUBLICAÇÃO DO ADE DE CONCESSÃO DO REGISTRO ESPECIAL NO D.O.U. A publicidade da concessão do Registro Especial se dá por intermédio de Ato Declaratório Executivo, publicado no Diário Oficial da União, a teor do § 1º do art. 2º da IN/SRF nº 27/2011, a partir de quando então passa a ser exigível a apresentação da DIFPapel Imune, e não com a notificação do contribuinte a respeito. DIFPAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA, INDEPENDENTE DE TER HAVIDO OU NÃO OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE NO PERÍODO. Conforme expressamente disposto no parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº 159/2002 (com força normativa dada pelo art. 16 da Lei nº 9.779/99), que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 27 /2 00 5- 85 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19515.000527/200585 Acórdão n.º 9303006.669 CSRFT3 Fl. 297 2 aprovou a versão 1.0 do programa gerador da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), a apresentação da declaração é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório O histórico da lide, eu diria, é um tanto singular, pois tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tanto pela Fazenda Nacional, como pelo contribuinte, mas não contra o acórdão que julgou o Recurso Voluntário, e sim contra o acórdão de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte relativos ao primeiro, sendo que os dois tratam de três discussões distintas acerca da DIF Papel Imune (sendo que a consignada no primeiro acórdão – redução da multa por aplicação da retroatividade benigna – terminou por não ser mais objeto de controvérsia). Vejamos primeiramente a ementa do Acórdão 340100.497, que julgou o Recurso Voluntário, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 128 a 130): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/10/2000, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004 DIF. PAPEL IMUNE. PENALIDADE PELO ATRASO. LEI N° 11.945/2009. REDUÇÃO. Por força do art. 10, § 4º, da Lei n° 11.945/2009, que se aplica aos lançamentos anteriores em virtude da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "c" do CTN, a multa pelo atraso na entrega da DIF Papel Imune é reduzida aos valores estipulados no citado parágrafo, descabendo exigila nos montantes Fl. 297DF CARF MF Processo nº 19515.000527/200585 Acórdão n.º 9303006.669 CSRFT3 Fl. 298 3 estabelecidos anteriormente pelo art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Recurso Provido em Parte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 141 a 151), nos quais sustenta que a decisão teria incorrido em omissão sobre argumentos por ele deduzidos no Recurso Voluntário que poderiam elidir por completo a imposição da multa infligida, consistindo tais argumentos na inaplicabilidade de normas alinhadas no lançamento à situação do recorrente, asseverando não ter se utilizado de papel imune (além do que nem estaria habilitada a utilizálo antes de abril de 2004), bem assim, que teria sido inobservado o princípio da legalidade na exigência da obrigação acessória de apresentação da DIFPapel Imune. Os embargos foram acolhidos (fls. 155 e 156) e julgados da seguinte forma (fls. 158 a 161), resultando no Acórdão 3401002.180: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão relativa a alegações do recurso voluntário desprezadas pelo acórdão embargado, para complementálo acolhemse os embargos de declaração, dandoselhes efeitos infringentes porque a análise dos temas omitidos implica em modificação no resultado do julgamento. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. MARCO INICIAL DA OBRIGATORIEDADE. NECESSIDADE DE NOTIFICAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune DIFPapel Imune se inicia a partir do trimestre em que o contribuinte é cientificado da concessão do Registro Especial, sendo que tal notificação há de ser feita nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, para que possa ser exigida a multa pelo atraso na entrega da DIF. Antes dessa notificação não pode ser exigida a penalidade, ainda que já tenha sido publicado no Diário Oficial da União o ato declaratório concessivo do Registro Especial. MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. LEI N° 11.945/2009. REDUÇÃO. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19515.000527/200585 Acórdão n.º 9303006.669 CSRFT3 Fl. 299 4 Por força do art. 1º, § 4º, da Lei n° 11.945/2009, que se aplica aos lançamentos anteriores em virtude da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "c" do CTN, a multa pelo atraso na entrega da DIF Papel Imune é reduzida aos valores estipulados no citado parágrafo, descabendo exigila nos montantes estabelecidos anteriormente pelo art. 57 da Medida Provisória n° 2.158/352001 Contra esta decisão a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de Divergência (novamente anexado à fls. 221 a 227, pois antes, às fls. 169 a 175, ficou faltando a segunda página), ao qual foi dado seguimento (fls. 178 a 182), no qual argumenta que a obrigatoriedade da entrega DIFPapel Imune se daria já com a publicação do Ato Declaratório Executivo no Diário Oficial da União, e não somente a partir da data em o contribuinte é cientificado da concessão do Registro Especial, isto ainda independentemente de ela ter operado com papel imune a partir deste marco inicial. O contribuinte também apresentou Recurso Especial (fls. 189 a 201), ao qual também foi dado seguimento (fls. 283 a 287), agora limitandose sua defesa – em razão do já decidido no julgamento dos Embargos de Declaração – à alegação de que não caberia a aplicação de qualquer multa, já que nunca teria operado com papel imune. Apresentou ainda Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 256 a 266), a qual, por sua vez, também apresentou Contrarrazões ao do contribuinte (fls. 289 a 294). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. No mérito, já vimos que a “dosimetria” da pena em si pela falta de apresentação, no prazo, da DIFPapel Imune, não foi objeto de discussão nos Recursos Especiais apresentados, mas, mesmo que assim não fosse, a matéria é mais que conhecida nesta Turma, inclusive com diversos votos de minha lavra, como o do Acórdão nº 9303004.953, proferido em 10/04/2017 (em decisão unânime, sendo que na sessão a composição do Colegiado era muito similar), no qual está consignado o seguinte na ementa: VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 19515.000527/200585 Acórdão n.º 9303006.669 CSRFT3 Fl. 300 5 Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. O que efetivamente veio a esta CSRF para julgamento são dois pontos: 1) A partir de que data passa a ser exigível a apresentação da DIFPapel Imune – se com a publicação do Ato Declaratório Executivo no Diário Oficial da União ou somente a partir da data em o contribuinte é cientificado da concessão do Registro Especial; 2) Se é obrigatória ou não a entrega da declaração mesmo que não haja operação com papel imune. É até possível tratar do dois assuntos ao mesmo tempo, já que também é pacífico nesta Turma o posicionamento em relação a estes temas (ainda que indiretamente, para o segundo). Tomemos por base primeiro o que diz a legislação – começando, como não poderia deixar de ser, pelo Código Tributário Nacional, quando fala das obrigações acessórias de forma geral: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. É consabido que quando CTN fala em “legislação” tributária, aí estão embutidas também as normas complementares. E, no caso da Receita Federal, há remissão legal expressa (Lei nº 9.779/99) sobre a sua competência para regular as obrigações acessórias de seu interesse: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A IN/SRF nº 71/2001, que dispôs sobre o Registro Especial e instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), trata expressamente do primeiro assunto em discussão, não deixando margem a dúvidas: Art. 2º O registro especial será concedido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic), em cuja jurisdição estiver localizado o estabelecimento a requerimento da pessoa jurídica interessada, que deverá atender aos seguintes requisitos: (Redação dada pela IN SRF 101, de 21/12/2001) (...) Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19515.000527/200585 Acórdão n.º 9303006.669 CSRFT3 Fl. 301 6 § 1º A publicidade da concessão do registro especial darseá por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União (DOU), que conterá: (Redação dada pela IN SRF 101, de 21/12/2001) E a IN/SRF nº 159/2002, que aprovou o programa gerador da declaração, versão 1.0, deixou bem clara a obrigatoriedade de entrega na situação que aqui também se discute: Art. 2º A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Vejamos agora a ementa de decisão unânime e recente desta Turma (Acórdão nº 9303004.951, na mesma Sessão de 10/04/2017, também de minha lavra): MULTA REGULAMENTAR. DIFPAPEL IMUNE. A pessoa jurídica fica obrigada a apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune DIFPapel Imune, a partir da publicação do ato declaratório no Diário Oficial da União. Recurso Especial do Procurador Provido. No voto condutor está consignado que “A matéria já foi apreciada por esta Terceira Turma da CSRF, decidindo de forma favorável à tese de que a obrigação de entrega da DIF Papel Imune seria a partir da publicação do ADE no Diário Oficial da União, independentemente de ter havido ou não operação no período”. A decisão a que me referi (e inclusive adotei como razões de decidir) é o Acórdão nº 930101.428, de 05/04/2011, que teve como Relator o ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, sendo que, na transcrição daquele Voto condutor – no qual são trazidas a instruções normativas aqui citadas –, ao final se vê que é dito que “Consoante noção cediça, o Diário Oficial é o meio oficial e hábil para dar ciência dos atos da administração pública ...” e “não é necessário empreender grandes esforços intelectuais para concluir que, com a publicação do ADE no Diário Oficial da União, o contribuinte estava obrigado a entregar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação no período”. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720484/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIPJ. RETIFICAÇÃO.
A DIPJ retificadora entregue depois do início do procedimento fiscal não pode ser admitida como prova hábil para alterar a exigência fiscal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade quando não são conhecidas alegações apresentadas intempestivamente.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
Preclui o direito à apresentação de provas com a apresentação da impugnação, a não ser que haja justificativa em um dos incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972.
CONCORDÂNCIA EXPRESSA. EXIGÊNCIA DEFINITIVA.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência com a qual o impugnante expressamente concorde.
REEXAME. AUTORIZAÇÃO.
O reexame de período já fiscalizado requer ordem escrita da autoridade competente.
IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.
MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA.
A autoridade julgadora não pode tomar conhecimento da manifestação apresentada fora do prazo regulamentar.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA DE OFÍCIO.
O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei.
JUROS DE MORA.
A cobrança de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício tem previsão legal.
Numero da decisão: 1302-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, vencido o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias (relator), e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães do Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente MICROSENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIPJ. RETIFICAÇÃO. A DIPJ retificadora entregue depois do início do procedimento fiscal não pode ser admitida como prova hábil para alterar a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quando não são conhecidas alegações apresentadas intempestivamente. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Preclui o direito à apresentação de provas com a apresentação da impugnação, a não ser que haja justificativa em um dos incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. CONCORDÂNCIA EXPRESSA. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência com a qual o impugnante expressamente concorde. REEXAME. AUTORIZAÇÃO. O reexame de período já fiscalizado requer ordem escrita da autoridade competente. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 84 /2 01 3- 08 Fl. 8432DF CARF MF 2 MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA. A autoridade julgadora não pode tomar conhecimento da manifestação apresentada fora do prazo regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. JUROS DE MORA. A cobrança de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício tem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, vencido o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias (relator), e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães do Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte Microsens Ltda., no qual a autoridade fiscal alega que foram identificadas, no anocalendário de 2009, receitas operacionais escrituradas e nãodeclaradas, além de omissões de receitas com base nos depósitos bancários realizados nas contas de titularidade do contribuinte. O procedimento de fiscalização foi muito bem esmiuçado no acórdão recorrido, por isso, pedese venia para transcrevêlo: Consta no processo que a contribuinte foi cientificada do Termo de Início de Procedimento Fiscal em 19/08/2011, por meio do qual foi intimada a apresentar, relativamente ao anocalendário Fl. 8433DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.432 3 (AC) de 2009, o livro Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, Lalur, Registro de Apuração do ICMS, contrato social e alterações, extratos bancários, arquivos digitais e livro Registro de Apuração do IPI (relativo aos AC de 2008 e 2009). Relata o autuante que, no AC de 2009, a empresa optou pela apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo lucro real trimestral (DIPJ AC de 2009 às folhas 4505/4554), tendo apresentado DIPJ com os campos destinados a apuração do IRPJ e da CSLL sem valores "zerados". Foram selecionados os lançamentos contábeis creditados na conta "21402001 Adiantamento de Clientes" (razão contábil às folhas 7199/7405), procedentes de depósitos/créditos em contas correntes bancárias, constantes na relação anexa ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 04/fevereiro/2013 (folhas 1265/1274), para que a contribuinte apresentasse os comprovantes (recibo/nota fiscal/fatura/duplicata/nota promissória/contrato e/ou outros documentos) da origem dos recursos creditados/depositados, acompanhados dos respectivos documentos de créditos em c/c (aviso de lançamento, recibo de depósito, TED, DOC ou outro documento fornecido pela instituição financeira); e informasse/indicasse as notas fiscais de saída vinculadas as essas antecipações, relacionandoas por data, n° do documento fiscal e valor. A contribuinte apresentou em anexo ao expediente de 12/março/2013 (folhas 1298/1333), os arquivos das Notas Fiscais (folhas 5788/6940) juntamente com o relatório denominado "Relatório antecipação atualizado com todas as vinculações" (folhas 6941/6965), no qual procedeu às vinculações destes documentos fiscais às antecipações recebidas através de créditos / depósitos em contas correntes bancárias e escrituradas a título de "2140200/ Adiantamento de Clientes". Analisando os documentos e justificativas apresentados, verificouse que parcela dos valores creditados / depositados ficaram sem a devida comprovação de origem pela falta de atendimento à solicitação na forma acima reproduzida da parte do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 04/fevereiro/2013 (folhas 1265/1274). Tendo em vista os documentos apresentados, a fiscalização constatou que, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não foram considerados os valores da Demonstração de Resultado do Exercício do AC de 2009 (folhas 1751/1754), bem como nos valores registrados no Lalur do citado AC (folhas 4569/4575), conforme os dados (sem valores"zerados") constantes na ficha 04A (Custos dos Bens e Serviços Vendidos PJ em Geral), na ficha 05A (Despesas Operacionais PJ em Geral), na ficha 06A (Demonstração de Resultado PJ em Geral), na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real PJ em Geral), na Ficha 12A (Cálculo do IRPJ sobre Lucro Real PJ em Geral) e na Ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) da Declaração de Informações Econômico Fl. 8434DF CARF MF 4 Fiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2009, (folhas 4505/4554). Diante do exposto, foram apuradas as bases de cálculo IRPJ e CSLL conforme Quadro I a seguir, elaborado com base nos valores constantes no Lalur do ano calendário de 2009 (folhas 4569/4575) e nas DRE relativas ao 1o Trimestre de 2009 (folhas 1751), 2o Trimestre de 2009 (folhas 1752), 3o Trimestre de 2009 (folhas 1753) e ao 4o Trimestre de 2009 (folhas 1754): (...) A empresa procedeu a entrega / transmissão da DIPJ RETIFICADORA do AC de 2009 (folhas 4505/455), e apresentou as DCTFs do 1o semestre/2009 (folhas 4489/4502) e do 2º semestre/2009 (folhas 4503/4504), sem as declarações/informações relativas ao IRPJ e a CSLL. Ainda, procedeu as compensações e recolhimentos do IRPJ e da CSLL do AC de 2009 conforme "Quadro II" a seguir, elaborado com base no "Demonstrativo de Recolhimentos e Compensações do IRPJ e da CSLL do Ano Calendário de 2009", (folhas 7407), que será considerado na constituição dos créditos tributários: (...) Foi apurada omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem dos valores creditados em contas correntes de titularidade da empresa fiscalizada, relativo aos valores contabilizados a crédito da conta 21402001 Adiantamento de Clientes (razão da conta às fls. 7199/7405). A contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos valores creditados nas contas correntes (fls.1265/1274) e apresentou as justificativas anexas ao expediente de 12/março/2013 (folhas 1298/1333), no qual apresentou os arquivos das Notas Fiscais (folhas 5788/6940), juntamente com o relatório denominado "Relatório antecipação atualizado com todas as vinculações" (folhas 6941/6965) em que procedeu às vinculações destes documentos fiscais às antecipações recebidas por meio de créditos / depósitos em contas correntes bancárias e escrituradas a titulo de "21402001 Adiantamento de Clientes". Constatou a fiscalização que restou parcela dos valores creditados/depositados sem a devida comprovação de origem. Para melhor compreensão dos dados e documentos encaminhados pela empresa fiscalizada em atendimento à intimação, a fiscalização elaborou "Demonstrativo das vendas vinculadas aos registros contábeis escriturados a crédito da conta "adiantamento de clientes", apresentado pela fiscalizada em atendimento a intimação" (folhas 7408/7462). Foram relacionados os depósitos/créditos de origem não comprovada na "Relação dos depósitos/créditos sem comprovação de origem efetuados em contas correntes bancárias mantidas pela fiscalizada, de valores escriturados na conta adiantamento de clientes", (folhas 7463/7464), ficando estes, sujeitos a exigência de crédito tributário, por constituírem Fl. 8435DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.433 5 Omissão de Receita, conforme artigo 42 da Lei n° 9.430/96, os quais são nos seguintes valores: Notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.7745 a 7753, subscrita por Márcia Cristina Ferreira (documento de fl.8216), na qual alega: ● A impugnante foi autuada por supostamente ter declarado/transmitido a DIPJ do ano calendário 2009 com base no Lucro Real Trimestral, onde há alegação de que essa declaração estava com lucro operacional escriturado e não declarado. ● Impende ressaltar que a forma pela qual se efetivou o presente auto de infração retrata a prática de atos de desrespeito aos princípios da moralidade e eficiência. ● Não obstante, foram atendidas todas as intimações descritas na folhas 01 e 02 do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, itens 2, 2.1,2.2. Referente ao Item 3.1, foram entregues a DIPJ impressa e em PDF, juntamente com os arquivos SVA, conforme protocolo de 23/02/2012. Quanto à conta 21402001 Adiantamento de Clientes, tem natureza transitória, pois os valores recebidos de órgãos públicos são feitas as vendas para as "Unidades Gestoras Executora”, onde é faturada é 1 (uma) nota fiscal de venda em sua integralidade por unidade gestora executora, e as entregas dos materiais ou serviços são em diversas localidades em suas respectivas unidades de controle vinculadas, conforme prevê esta modalidade Instrução Normativa n° 568/RFB RECEITA FEDERAL DO BRASIL anexo. E quanto aos clientes corporativos, são pagamentos parciais de notas fiscais de vendas. ● Iniciada a fiscalização e fornecida toda a documentação exigida, entendeu por bem a autoridade administrativa proceder o lançamento de supostos débitos de PIS, COFINS, IRPJ E CSLL e reflexos, desconsiderando os demonstrativos trimestrais, o Sped, que estavam todos escriturados e registrados em seus livros fiscais, conforme folha 04 do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. ● Devese acrescentar que se não houvesse a declaração, transmissão, ou omissão de receitas, não se falaria em recolhimentos de impostos, compensações, Dacon, onde as receitas estão declaradas em sua totalidade, além do faturamento e lucro operacional do exercício de 2009. ● Com base nessa tese de omissão de receitas, retificou a DIPJ 2009, para que não reste nenhuma margem a dúvidas sobre as operações do contribuinte. Fl. 8436DF CARF MF 6 ● As vendas em sua maioria são feitas através de pregão eletrônico e licitações governamentais, o que valida ainda nossas informações através das fontes pagadoras, informados pelos órgãos públicos na Dirf Declaração de Imposto de Renda na Fonte. Vale salientar ainda que vários órgãos públicos estão dispensados de fazer esta declaração. ● Ainda no contexto dos impostos federais, a contribuinte, antes mesmo de receber o auto em questão, já se encontra sob nova fiscalização de PIS, Cofins, IRPJ E CSLL, visto que já foi objeto de fiscalização realizada neste em questão. Neste preciso sentido, dispõe o artigo 47 da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2003: "Art. 47. Em relação a um mesmo período de apuração e mesmo tributo ou contribuição, somente será admitido um segundo exame mediante ordem escrita pela autoridade competente para a expedição de mandado de procedimento fiscal" Não poderia e nem deveria em respeito aos princípios constitucionais da moralidade e eficiência a autoridade administrativa, por meio auto de infração e sem autorização escrita da autoridade responsável pela expedição de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), cobrar da ora impugnante valores supostamente devidos a título da PIS, COFINS, IRPJ F CSLL, sendo que nem acabou uma fiscalização e já se está começando outra. ● Desta forma, resta demonstrada a arbitrariedade da autuação fiscal sofrida pela impugnante e, assim, impõese o cancelamento de plano da presente cobrança. ● Por todo o exposto, requer a impugnante: a) Que seja cancelado o auto de infração em questão, b) o cancelamento do crédito tributário lançado no presente auto de infração, por ser o mesmo absolutamente inconsistente e, caso assim não seja entendido, a exclusão dos juros e da multa de oficio, indevidamente aplicados no caso em tela. Consta no processo o documento de fls. 7933 a 7938, apresentado a destempo (em 05/06/2014), no qual a contribuinte, por meio de procuradores, apresenta novas alegações. Depois da apresentação da impugnação, a contribuinte foi intimada a apresentar a procuração com poderes específicos para Márcia Cristina Ferreira representála no processo, conforme determina o art. 16, II do PAF. Em resposta, foi apresentada a procuração de fl. 8216 e a contribuinte ratificou os termos da impugnação apresentada em 02/10/2013, pela procuradora Márcia Cristina Ferreira (procuração anexada na presente oportunidade), bem como os termos da manifestação protocolizada em data de 05/06/2014, pelos procuradores Arnaldo Conceição Júnior, Jorge Luiz Mazeto e Juliana Koque de Muzio Conte (procuração anexada às fls. 7939 no presente processo). Fl. 8437DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.434 7 Informou, ainda, a impugnante a respeito da desistência parcial do débito de IRPJ do 4o Trimestre do exercício de 2009, de valor originário de R$ 143.748,82, com vencimento em 31/01/2010. Esclareceu que permanecem na discussão administrativa os demais créditos tributários objeto do presente Auto de Infração. Em análise à impugnação apresentada, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIPJ. RETIFICAÇÃO. A DIPJ retificadora entregue depois do início do procedimento fiscal não pode ser admitida como prova hábil para alterar a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009 CONCORDÂNCIA EXPRESSA. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência com a qual o impugnante expressamente concorde. REEXAME. AUTORIZAÇÃO. O reexame de período já fiscalizado requer ordem escrita da autoridade competente. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA. A autoridade julgadora não pode tomar conhecimento da manifestação apresentada fora do prazo regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. JUROS DE MORA. Fl. 8438DF CARF MF 8 A cobrança de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício tem previsão legal. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, a nulidade do acórdão recorrido, tendo em vista a ausência de análise da documentação juntada aos autos pelos julgadores da DRJ. No mérito, replicando os argumentos apresentados em impugnação, requer o cancelamento do Auto de Infração e, em caráter subsidiário, a impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de mora. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 16/12/2014, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 14/01/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado por Microsens Ltda, devendo ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, em processo de fiscalização instaurado, o agente fiscal que promoveu a autuação identificou duas supostas ilicitudes cometidas pelo Recorrente, quais sejam: (i) receitas operacionais escrituradas e não declaradas e (ii) omissão de receitas que foram identificadas através de créditos de valores nas contas correntes da Recorrente. Por isso, aquele agente entendeu por bem lavrar Auto de Infração, no qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, todos relativos ao ano calendário de 2009. Na impugnação apresentada, o Recorrente alegou a impossibilidade de prosperar da autuação. Como comprovação, alegou que a documentação anteriormente apresentada ao agente fiscal refutaria as ilações às quais o fiscalização chegou ao lavrar o Auto de Infração. Posteriormente, sem inovar nas argumentações anteriormente apresentadas em sua Impugnação, o Recorrente apresentou manifestação, na qual, além de reforçar os seus argumentos, requereu a juntada de documentação que, em tese, corroborariam com as suas alegações. Como dois principais pontos apresentados, o Recorrente demonstrou (inclusive com documentos): (i) as retenções dos tributos realizadas pelos órgãos públicos, que não foram consideradas pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração; e, (ii) a origem dos créditos tidos como "omissão de receitas" pelo agente fiscal. Contudo, ao analisar o presente procedimento administrativo, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente a Impugnação apresentada, desconsiderando por completo os documentos Fl. 8439DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.435 9 juntados pelo Recorrente, bem como a retificação da sua DIPJ, que, em um primeiro momento, havia sido apresentada "zerada". Vejase trecho do acórdão recorrido: A respeito da retificação da DIPJ do anocalendário de 2009, temse que ela foi feita em 23/09/2013 (fls. 8239 a 8356), depois do início do procedimento fiscal que se deu em 19/08/2011 (fl.5). De acordo com o PAF, art. 7º, § 1º, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, ficando excluída a espontaneidade em relação aos atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Assim, a partir da ciência do primeiro ato escrito praticado por servidor competente, ou seja, o termo de início de fiscalização, a contribuinte fiscalizada deixou de usufruir da espontaneidade. Por esse motivo, foram considerados como não declarados os valores incluídos na DIPJ retificadora. Relativamente à receita omitida caracterizada pela falta de comprovação da origem dos valores creditados em contas correntes de sua titularidade, a contribuinte, na impugnação, apresentou apenas alegações, sem, contudo, anexar qualquer prova da origem dos valores questionados pelo fisco. O PAF dispõe em seu art. 16, III, que devem ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possuir, que possam influir na solução do litígio. Não tendo sido apresentadas quaisquer provas, não se altera o lançamento feito. Quanto à alegação de que foi iniciada nova fiscalização relativa ao período fiscalizado e aos tributos lançados no presente processo, temse que a contribuinte não anexou aos autos qualquer prova dessa afirmação. O art. 906 do RIR/1999, prevê expressamente a possibilidade de nova fiscalização no mesmo período anteriormente examinado, desde que autorizada por escrito pelo Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. Eventual fiscalização posterior a que resultou no presente lançamento de ofício deve estar autorizada, o que deve ser verificado no respectivo procedimento e não afeta esse processo. Ademais, o procedimento fiscal que culminou no presente lançamento de crédito tributário foi autorizado por MPF, conforme se pode ver à fl. 2. Com relação às alegações constantes no documento de fls. 7933 a 7938, apresentado em 05/06/2014, cabe registrar que foram apresentadas depois de vencido o prazo de trinta dias para impugnar, estabelecido pelo art. 15 do PAF. Dessa forma, não se instaurou o litígio quanto às referidas alegações, não podendo as autoridades julgadoras delas tomarem conhecimento. Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou a sua declaração (DIPJ), apresentou farta documentação, tanto no atendimento das intimações que recebeu, como no Fl. 8440DF CARF MF 10 momento da apresentação da Impugnação, além de ter trazido documentação complementar após o protocolo da sua defesa. Em análise superficial a estes documentos, podese concluir que a fiscalização e posteriormente o douto julgador a quo deixaram de apreciar os argumentos e comprovações apresentados pelo contribuinte. No julgamento da Impugnação apresentada pela Recorrente, registrese, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir, em especial, se houve as mencionadas retenções de tributos pelos órgãos públicos e o motivo pelo qual elas não foram consideradas quando da apuração dos valores supostamente devidos pelo Recorrente. Entretanto, o douto julgador a quo se limitou a dizer que "foram excluídos da exigência fiscal os valores compensados e/ou pagos pela contribuinte antes do início do procedimento fiscal, conforme foi informado à fl.7468.", sem analisar as retenções supostamente sofridas. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é Fl. 8441DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.436 11 realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Fl. 8442DF CARF MF 12 Não se pode olvidar que, no processo administrativo, não há a formação de uma lide propriamente dita. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. O que não restou feito no presente processo. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, é eivada de nulidade a decisão que, além de desconsiderar todos os elementos de prova juntados aos autos (mesmo que a destempo, em sua mínima parte, ressalte se), não busca a realidade dos fatos, nos termos invocados pelo Recorrente, nas peças e documentos acostados aos autos. Este tem sido o entendimento dos julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confirase: Acórdão: 2401004.699 Número do Processo: 10437.720466/201462 Data de Publicação: 09/06/2017 Contribuinte: NORMAN AUGUSTO BERNA PAPST Relator(a): LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. NULIDADE. VERDADE REAL E VERDADE FORMAL. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade m Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento para anular o acórdão de primeira instância. Vencido o conselheiro Márcio de Lacerda Martins. Em razão da nulidade do acórdão de primeira instância, restou prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Por outro lado, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, não se pode deixar de consignar que o Recorrente trouxe em sua impugnação os argumentos que, a princípio, tornariam como indevidos os créditos tributários constituídos pela fiscalização. E Fl. 8443DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.437 13 aqueles argumentos foram apenas reforçados quando da apresentação de manifestação apartada nos autos. Ressaltese, inclusive, que, na Impugnação, a Recorrente juntou farta documentação, em especial, documentos que, a princípio, comprovariam as retenções na fonte realizadas pelas fontes pagadoras (órgãos públicos), cuja análise não foi feita pela douta turma julgadora. Por todo o exposto, voto por anular o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), determinando seja novamente analisada a Impugnação apresentada, com base em toda a documentação carreada nos autos, podendo, inclusive, serem determinadas diligências pelo julgador a quo, caso entenda como necessárias para o deslinde da questão. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Voto Vencedor Ainda que o I. Conselheiro Relator tenha manifestado seus argumentos com o brilhantismo de praxe, a maioria da Turma Julgadora entendeu que não se trata de caso de nulidade de decisão de primeira instância e, mais, por negar provimento ao recurso voluntário, pelos motivos que passo a expor. Estamos tratando de uma questão que sempre provocou as mais apaixonadas manifestações: o confronto entre o princípio da verdade material e a preclusão dos atos processuais. Antes de 1997, com a edição da Medida Provisória nº 1.602, convertida na Lei nº 9.532, do mesmo ano, a matéria era ainda mais controvertida, uma vez que só havia a previsão de que as provas deveriam ser apresentadas na impugnação (inciso II do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, cm a redação dada pela MP 367, de 1993, convertida na Lei nº 8.748, do mesmo ano): Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) (grifei) Alguns, extremados, entendiam que a prova só poderia ser apresentada juntamente com a impugnação e outros, evidenciavam que a verdade material impunha a análise probatória em qualquer momento processual. A citada MP 1.602 acrescentou o § 4º ao artigo 16, com o seguinte teor: Fl. 8444DF CARF MF 14 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, contemporizouse a situação, fazendo prevalecer a apresentação extemporânea desde que justificadamente. Por óbvio, caso haja fato ou direito superveniente, a prova só pode ser produzida após a novidade; da mesma forma não há que ser provado o fato ou as razões que o contribuinte ainda não conhecia, por serem trazidos posteriormente aos autos; e, ainda, se força maior impedir a apresentação tempestiva. De fato, o processo não pode ficar pendente de apresentação de provas ad aeternum, sob pena de não satisfazer ao princípio da eficiência, ou mesmo descumprir o sentido teleológico de sua existência, prorrogando a decisão até que não satisfaça ao interesse público a que se destina. O limite estabelecido no transcrito § 4º parece obedecer ao princípio da razoabilidade. As alegações também devem obedecer ao prazo impugnatório, sob pena de ocorrerem as mesmas inconsistências. No caso presente não há correções a serem feitas no acórdão recorrido, uma vez que decidiu com acerto em relação às matérias e provas trazidas após o prazo legal, sem nenhuma justificativa plausível, bem como conheceu de todas as alegações julgandoas com correção. Acato assim as razões de decidir da DRJ, que transcrevo: A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Dela conheço. Verificase dos documentos anexados aos autos que a contribuinte expressamente concorda com o IRPJ no valor de R$ 143.748,82 , relativo ao 4º trimestre de 2009. Dessa forma, nos termos do art. 16, III, e 17 do PAF, citado valor de IRPJ é definitivo, na esfera administrativa, não podendo mais ser objeto de contestação nas instâncias superiores. A contribuinte alega na impugnação que atendeu todas as intimações feitas e a fiscalização desconsiderou os demonstrativos trimestrais (os quais estavam escriturados e registrados em seus livros fiscais), os Dacon (onde as receitas estão declaradas em sua totalidade) e efetuou o lançamento de ofício. Informou que retificou a DIPJ 2009. Ao contrário do que afirma a contribuinte, foram considerados no cálculo dos tributos exigidos nos autos de infração os valores constantes nos demonstrativos trimestrais escriturados e Fl. 8445DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.438 15 registrados em seus livros fiscais, mas não declarados em DIPJ antes do início da fiscalização. E ainda, foram excluídos da exigência fiscal os valores compensados e/ou pagos pela contribuinte antes do início do procedimento fiscal, conforme foi informado à fl.7468. Cabe registrar que, ainda que tenha atendido às solicitações feitas pelo fisco, a contribuinte deixou de declarar em DIPJ a totalidade das receitas auferidas e de recolher os correspondentes tributos devidos no anocalendário de 2009. Tampouco incluiu em DCTF quaisquer valores a título de IRPJ e CSLL. Dessa forma, agiu corretamente o auditor fiscal, tendo em vista que, constatando a ocorrência de infração à legislação tributária, por força de sua vinculação à lei, tem o dever de constituir, por meio do lançamento, o crédito tributário porventura devido (art.142 do CTN). A respeito da retificação da DIPJ do anocalendário de 2009, temse que ela foi feita em 23/09/2013 (fls. 8239 a 8356), depois do início do procedimento fiscal que se deu em 19/08/2011 (fl.5). De acordo com o PAF, art. 7º, § 1º, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, ficando excluída a espontaneidade em relação aos atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Assim, a partir da ciência do primeiro ato escrito praticado por servidor competente, ou seja, o termo de início de fiscalização, a contribuinte fiscalizada deixou de usufruir da espontaneidade. Por esse motivo, foram considerados como não declarados os valores incluídos na DIPJ retificadora. Relativamente à receita omitida caracterizada pela falta de comprovação da origem dos valores creditados em contas correntes de sua titularidade, a contribuinte, na impugnação, apresentou apenas alegações, sem, contudo, anexar qualquer prova da origem dos valores questionados pelo fisco. O PAF dispõe em seu art. 16, III, que devem ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possuir, que possam influir na solução do litígio. Não tendo sido apresentadas quaisquer provas, não se altera o lançamento feito. Quanto à alegação de que foi iniciada nova fiscalização relativa ao período fiscalizado e aos tributos lançados no presente processo, temse que a contribuinte não anexou aos autos qualquer prova dessa afirmação. O art. 906 do RIR/1999, prevê expressamente a possibilidade de nova fiscalização no mesmo período anteriormente examinado, desde que autorizada por escrito pelo Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. Eventual fiscalização posterior a que resultou no presente lançamento de ofício deve estar autorizada, o que deve ser verificado no respectivo procedimento e não afeta esse processo. Fl. 8446DF CARF MF 16 Ademais, o procedimento fiscal que culminou no presente lançamento de crédito tributário foi autorizado por MPF, conforme se pode ver à fl. 2. Com relação às alegações constantes no documento de fls. 7933 a 7938, apresentado em 05/06/2014, cabe registrar que foram apresentadas depois de vencido o prazo de trinta dias para impugnar, estabelecido pelo art. 15 do PAF. Dessa forma, não se instaurou o litígio quanto às referidas alegações, não podendo as autoridades julgadoras delas tomarem conhecimento. Quanto à multa de ofício, verificase que a sua exigência está prevista na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, com a redação dada pelo art. 14 da MP nº 351, de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007): Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorarcom a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2º nos incisosI, II e III: Artigo 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Como se vê referida multa é aplicada nos lançamentos de ofício e decorrede expressa previsão legal, não podendo a autoridade administrativa cancelar a sua exigência,uma vez que a sua atividade é plenamente vinculada. Relativamente à cobrança dos juros de mora, temse que está prevista no CTN, em seu art. 161, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso , os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (Grifouse) Conforme indicado no auto de infração, a exigência de juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic encontra respaldo no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, Fl. 8447DF CARF MF Processo nº 11634.720484/201308 Acórdão n.º 1302002.703 S1C3T2 Fl. 8.439 17 calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (…) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Grifouse) Verificase, desse modo, que a cobrança de juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic, pautase pelo estrito cumprimento do princípio da legalidade, característico da atividade fiscal. Por conseqüência, mantémse a exigência dos juros de mora calculados pela taxa Selic. Desta forma, concluo por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado Fl. 8448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916311/2011-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.437
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 11 /2 01 1- 18 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916311/201118 Acórdão n.º 9303006.437 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.935, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916311/201118 Acórdão n.º 9303006.437 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916311/201118 Acórdão n.º 9303006.437 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916311/201118 Acórdão n.º 9303006.437 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.974874/2012-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. O conselheiro Cássio Schappo acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. O conselheiro Cássio Schappo acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. O conselheiro Cássio Schappo acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 74 87 4/ 20 12 -3 2 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 278 2 A contribuinte apresentou Dcomp na qual solicitava a compensação de créditos de Cofins, com débitos de CIDE Remessa e Cofins Importação. Sobreveio, em seguida, o referenciado despacho, cujo conteúdo não homologou a compensação efetivada, sob argumento de terse verificado alocação de crédito para quitação de outros débitos informados pela parte. Manifestação de Inconformidade A contribuinte narra fatos nos quais teria apresentado Dcomp visando a compensação de déditos CIDE remessa ao exterior, e de Cofins Importação, referente ao período de apuração especifico, mediante a confrontação de créditos oriundos do pagamento a maior de Cofins. Menciona que o sistema da Receita Federal expediu despacho decisório indeferindo a compensação compensada sob o argumento de que tal crédito fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos informados no referido Dcomp. Discorre sobre a sistemática de apuração de Pis e Cofins pelo regima não cumulativo, ao qual estava submetido. No entanto, em razão do disposto no artigo 10, XXV da Lei 10833/2003, cujo conteudo disciplina as receitas decorrentes de atividades ligadas à tecnologia da informação, fazendo com que se submetesse ao sistema cumulativo. E, justamente em decorrência deste levantamento, constatou a existência de pagamentos a maior. DCTF e DACON Originária Na Dacon entregue originariamente, a recorrente apurou a Cofins tão somente pela sistemática da não cumulatividade, gerando débito a pagar, efetivamente pago e declarado em DCTF. Regime Cumulativo Após levantamento, houve a devida segregação das receitas sujeitas ao regume cumulativo da Cofins, no qual se observa o saldo credor apontado no intitulado documento 08 planilha aponta que as receitas, conforme segregadas, correspondem aos balancetes acostados sob título documento 09, ou seja, com dados retirados do balancete de apuração de créditos e débitos de Cofins, é possivel constatar a suficiência dos créditos. Desta forma, assevera que nas DCTF e DACON originárias Retificação DACON Ao tentar corrigir o erro material cometido, a contribuinte, equivocadamente, retificou a DACON e não retificou a DCTF, fazendo assim, o devido encontro de contas. Por esta razão , não foi aceita a compensação solicitada. DRJ/BEL Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 279 3 A defesa da contribuinte foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0132.064 3ª Turma ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF. DACON. A DCTF e o DACON, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem, tampouco materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório da decisão de piso, por bem demonstrar a realidade fática, foi transcrito a seguir: Cuida o presente da declaração de compensação em face de pagamento indevido ou a maior de fls. 3/7, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Através do despacho decisório de fl. 8, respectivas compensações restaram não homologadas, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Inconformada, em 11 de dezembro de 2012, apresentou a interessada manifestação de inconformidade (fls. 12/21), por meio da qual, em síntese, assevera que, à época dos fatos, apurava a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins através da sistemática da nãocumulatividade, sujeitandose às respectivas alíquotas de 1,65% e 7,6%. Contudo, relativamente às receitas decorrentes das atividades correspondentes à tecnologia da informação, conforme disposição do art. 10, XXV, da Lei n. 10.833, de 2003, deveria a contribuinte sujeitar se ao regime cumulativo das referidas contribuições, cujas alíquotas equivaleriam a 0,65% e 3%, respectivamente. Aconteceria que, equivocadamente, embora houvesse apurado recolhimento a maior de Cofins, a contribuinte teria indevidamente retificado o Dacon original relativo ao mês de agosto de 2008, deixando de retificar a DCTF correspondente ao mesmo período, quando teria levado a efeito recolhimento no montante de R$ 35.623,66, enquanto o devido seria R$ 4.290,08. Frisa ainda que o Dacon retificador, transmitido em 04 de dezembro de 2012, estamparia o relatado. A quitação restaria demonstrada por intermédio de DCTF retificadora enviada na mesma data. A análise dos elementos carreados aos autos por ocasião da inconformidade decorreria da necessária observância dos princípios da verdade material e da liberdade de apreciação da prova. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 280 4 Elenca jurisprudência administrativa e judicial. A seguir, trechos do voto que delimitam a questão a ser tratada adiante. Em síntese, figuram em dois lados, contribuinte e fisco, arguindo sob a necessidade e peso de cada prova. Isto porque, a fim de ver admitida a redução da quantia a título de Cofins por ela própria declarada ao Fisco e efetivamente recolhida aos cofres públicos, deveria a interessada carrear aos autos rol probatório inequívoco a fundamentar a medida. A apresentação de DCTF retificadora, notese, mesmo que eventual e tempestivamente recepcionada e processada pela administração tributária, não confere, de plano, direito ao crédito almejado. Em vez disto, neste particular intuito, limitase a carrear aos autos, além dos respectivos Dacon(s) e DCTF(s) originais e retificadores, documentos intitulados “Planilha de créditos/débitos de COFINS” (doc. 8) e “Balancetes de créditos/débitos de COFINS”, elementos que, isoladamente, inclusive porque elaborados pela própria interessada, não se revelam hábeis à comprovação de qualquer direito creditório. Na espécie, haveria de restar demonstrada de forma induvidosa, por intermédio de documentação hábil e idônea, a existência do crédito invocado Recurso Voluntário A recorrente reprisou os fatos anteriormente narrados em suas manifestação de inconformidade. Em suas razões para reforma do acórdão recorrido, expôs que o voto condutor da decisão de primeiro piso, julgou improcedente a manifestação de inconformidade pelo único argumento de que os documentos acostados aos autos não foram hábeis o suficiente para comprovar a existência do crédito. Repisou o fato de ter levantado a possibilidade de a autoridade fazendária, caso entendesse necessário, a conversão em diligência, a fim de satisfazer o ônus probatório exigido pela autoridade competente. Em resumo, foram esses os argumentos. DCTF e DACON Originária Na Dacon entregue originariamente, a recorrente apurou a Cofins tão somente pela sistemática da não cumulatividade, gerando débito a pagar, efetivamente pago e declarado em DCTF. Origem do Crédito Regime Cumulativo Após levantamento, houve a devida segregação das receitas sujeitas ao regume cumulativo da Cofins, no qual se observa o saldo credor apontado no intitulado documento 08 planilha aponta que as receitas, conforme segregadas, correspondem aos balancetes acostados sob título documento 09, ou seja, com dados retirados do balancete de apuração de créditos e débitos de Cofins, é possivel constatar a suficiência dos créditos. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 281 5 Indica o regime de apuração não cumulativa com regra geral a qual julgava estar submetida, enquanto que, em verdade, depreendendose da leitura do artigo 10, XXV da Lei 10.833/03, as receitas deveriam receber tratamento diverso. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário que clama pela legitimidade de compensação de crédito cuja origem terseia configurado em decorrência da indevida apuração de Cofins pela metodologia não cumulativa. A questão gira em torno dos meios de prova aptos a comprovar a ocorrência do mencionado pagamento indevido. Para a contribuinte, o pagamento indevido, ocasionado pela equivocada apuração de Cofins não cumulativo, estaria comprovado com o confronto da DCTF e DACON, além da planilha demonstrativa da apuração da Cofins, apresentada após o despacho decisório, pois acredita que, em seu conjunto, tal documentação detém capacidade probatória suficiente para a demonstração do crédito, originalmente apontado na DCTF original. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado, qual seja, os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento indevido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Trata das decisões em sede de despacho decisório, acerca do controverso assunto das análises eletrônicas de DComp. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 282 6 informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 283 7 direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 284 8 comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 285 9 PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 286 10 para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 287 11 Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.974874/201232 Resolução nº 3001000.071 S3C0T1 Fl. 288 12 Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito, e, em perfazimento à orientação acima exposta, julgo conveniente a conversão deste processo em diligência, para oportunizar ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal colacionada aos autos, a origem dos valores trazidos à compensação. Demonstradas as operações, e confirmada a estreiteza do regime aplicado, configurado estará o erro material cometido, e, portanto, a legalidade das DIPJ e DACON que condizem com a DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008245/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. AUTARQUIA MUNICIPAL. PASEP.
As autarquias são contribuintes do PASEP, tendo como base de cálculo o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade de direito público interno, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO.
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, independentemente da origem e destinação dos recursos, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas.
MULTA DE OFICIO. ARTIGO 112, DO CTN. INAFASTABILIDADE.
O artigo 112, do CTN, não possui o condão de afastar a cobrança de penalidade em razão de diferentes interpretações da legislação tributária sobre os elementos constitutivos do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 3401-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. AUTARQUIA MUNICIPAL. PASEP. As autarquias são contribuintes do PASEP, tendo como base de cálculo o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade de direito público interno, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, independentemente da origem e destinação dos recursos, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas. MULTA DE OFICIO. ARTIGO 112, DO CTN. INAFASTABILIDADE. O artigo 112, do CTN, não possui o condão de afastar a cobrança de penalidade em razão de diferentes interpretações da legislação tributária sobre os elementos constitutivos do fato gerador do tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
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AUTARQUIA MUNICIPAL. PASEP. As autarquias são contribuintes do PASEP, tendo como base de cálculo o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, inclusive as que tenham sido arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade de direito público interno, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, independentemente da origem e destinação dos recursos, sendo somente possíveis as deduções expressamente previstas. MULTA DE OFICIO. ARTIGO 112, DO CTN. INAFASTABILIDADE. O artigo 112, do CTN, não possui o condão de afastar a cobrança de penalidade em razão de diferentes interpretações da legislação tributária sobre os elementos constitutivos do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 82 45 /2 01 0- 52 Fl. 385DF CARF MF 2 TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 375 e seguintes), contra decisão da DRJ/SP, que manteve integralmente os valores lançados a título de Contribuição Social para o PASEP supostamente devidos pela Recorrente entre 2006 e 2009, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Do Lançamento de Ofício Naquela ocasião, foi lavrado auto de infração (fls. 240 e seguintes) por insuficiência do recolhimento da contribuição para o Pasep referente aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2009. Naquela oportunidade, foram as seguintes razões que levaram ao lançamento de ofício: i) Em auditoria realizada na prefeitura Municipal de São Luis de Montes Belos, e na análise preliminar da documentação apresentada pelo município, na apuração/composição do total da Receita Corrente Acumulada nos dados contábeis fornecidos pela Prefeitura, em comparação ao total da Receita Corrente verificada em consulta ao site do Governo Federal, dados referentes ao sistema Finanças do Brasil — FINBRA, da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, foram constatadas divergências que após relacionadas em planilha demonstrativa, foram submetidas ao contribuinte através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 0001, para os devidos esclarecimentos; ii) Após os esclarecimentos prestados por representante legal da prefeitura municipal de São Luis de Montes Belos, foi verificada a existência do Fundo de Previdência Municipal dos Servidores Públicos, criado por lei com a finalidade de gerir o Regime Próprio da Previdência Social dos Servidores do Município de São Luis de Montes Belos/GO — PREVIBELOS, dotado de personalidade jurídica de direito publico, natureza autárquica, com autonomia administrativa e financeira; iii) De acordo com a lei nº 9.715/98, integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP, devida pelas prefeituras, as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital recebidas, incluindose nas receitas correntes quaisquer receitas tributarias arrecadadas pelo próprio Município ou por outra entidade da administração publica municipal. Da leitura do art. 7 ° da Lei 9.715, de 1998, verifica se que o Município poderá deduzir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP as transferências correntes e de capital que destinarem a outras entidades da Administração Pública. Portanto, do entendimento da norma legal citada, os valores realizados a titulo de Receitas Intra Orçamentárias Correntes e as Receitas Correntes originadas na autarquia, e discriminadas nos demonstrativos Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10120.008245/201052 Acórdão n.º 3401004.013 S3C4T1 Fl. 386 3 fornecidos, ou seja no PREVIBELOS, foram deduzidas da base de cálculo do município, para serem tributadas na própria autarquia; iv) Tal discriminação foi possível, em virtude do próprio município ter apresentado os Comparativos da Receita Prevista com a Arrecadada de todo o período da ação fiscal, discriminando as receitas por órgãos do Poder Executivo e PREVIBELOS. No portal do cidadão do Tribunal de Contas dos Municípios TCM, foi possível confirmar os valores de receitas arrecadadas, com detalhamento mensal por entidade da administração pública municipal; v) Em consultas realizadas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, detalhando os pagamentos efetivados e DCTF entregues do tributo auditado, não identificouse nenhum recolhimento ou DCTF entregue para a autarquia; Da Impugnação Inconformado, o Contribuinte interpôs Impugnação (fls 256 e seguintes), alegando, em síntese, a nulidade do lançamento efetuado pelas seguintes motivações: 1. Defendeu que a Recorrente não é sujeito passivo da obrigação de recolher PASEP, mas sim o respectivo município. 2. Aduziu que a Recorrente possui imunidade constitucional, nos termos dos artigos 195, I e II, da CF/88; 3. Alegou que as receitas oriundas das transferências de recursos pelo Município de São Luis de Belos Montes não estão sujeitas ao PASEP Concretamente, concessa venha, a Base de Cálculo, eleita pelo digno autuante, é errônea, pois realiza, também, um levantamento através da DAF Distribuicão de Arrecadação Federal, constante do site do Banco do Brasil, Janela governo Federal, fls. 406 a 486, Vol. III e da Lista de Convênios, por Municípios, retirada do Portal da Transparência do Governo Federal, fls. 487, vol. III. Esta forma procedimental fere, de plano, o disposto no artigo 142 do CTN, não se pautando pela cristalina transparência legal, sem qualquer comprometimento com o "cerne da vexata quaestio", que deveria ser demonstrado cabalmente, através da base documental do contribuinte respeitando as Norma Brasileiras de contabilidade — NBC, que faz prova para seu detentor. (...) De fato e de direito há eiva de nulidade no lançamento consubstanciado no presente Auto de Infração pela errônea eleição da Base de Cálculo. O contribuinte, Pessoa Jurídica de Direito Público, possui escrita contábil, que não poderia ter sido desprezada pelo Órgão autuante. Os valores deveriam ter sido verificados, em sua totalidade, sob pena de haver a imputação arbitramento de forma ilegal em detrimento da escrita contábil. Fl. 387DF CARF MF 4 O fisco elegeu BASE DE CALCULO diversa da que deveria ser utilizada, propiciando uma enorme ampliação/alargamento, PENALIZANDO, ASSIM, O CONTRIBUINTE. No lançamento consubstanciado no AI, conforme afirmado pelo autuante, constam diversos valores que foram incluídos na Base de Cálculo do PASEP DE FORMA INDEVIDA. 4. Alega que as transferências decorrentes dos fundos de participação dos tributos federais e estaduais, previstos na Constituição Federal, já sofreram retenção do PASEP, não havendo justificativa para sua reinclusão, caso que resultaria em bitributação. Dentre estes valores temos as transferências constitucionais • devidas pelo Estado ao Município que são exemplificadas pelo ICMS e IPVA. Também estão incluídas, indevidamente, as transferências constitucionais devidas pela União ao Município. No caso do FPM os valores já foram retidos quando do repasse. Persistindo esta situação ocorre bitributação que é, veementemente, repudiada sob todos os aspectos. De mesma sorte estão inclusas na BC de forma indevida todas as transferências intragovernamentais. Pelo visto acima a BASE DE CALCULO escolhida pelo fisco é totalmente improcedente e irreal o que torna nulo de pleno direito respectivo lançamento. Ao fim, apresentou tabela sumarizando o que seriam os valores de PASEP devidos, baseados na premissa da exclusão dos valores recebidos dos fundos acima mencionados e solicitou prova pericial (diligência) para que fosse novamente apurada a base imponível da contribuição social, juntando documentos comprobatórios de sua demanda que julgo necessários para a realização da análise pericial. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acordão 1653.926 (fls. 1.084 e seguintes), exarado pela DRJ/SP, mantendo integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10120.008245/201052 Acórdão n.º 3401004.013 S3C4T1 Fl. 387 5 TRANSFERÊNCIAS CONSTITUCIONAIS. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os Municípios ao receberem dos Estados e da União valores relativos às transferências constitucionais devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PASEP, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas na legislação pertinente. PERÍCIA CONTÁBIL. A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. É prescindível a perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para a decisão do processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Abaixo seguem as principais razões da decisão de primeiro grau: (a) Sobre a preliminar de nulidade decorrente da via eleita pela fiscalização para calcular o tributo ausência de informação quanto ao fato gerador: 10. Em sede de processo administrativo fiscal as nulidades estão colocadas no art. 59 do Decreto no 70.235, de 06/03/1972, cuidando o art. 60 do mesmo Decreto de outras irregularidades. A seguir transcrevese referidos artigos: (...) 11. No tocante ao lançamento, o art. 59 somente admite, literalmente, nulidade por incompetência do agente, uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento de direito de defesa, não se aplicaria ao Auto de Infração. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 12. O Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente, contém a descrição dos fatos acompanhada da capitulação legal da infração, não se cogitando tampouco, na hipótese, de cerceamento do direito de defesa da contribuinte. A empresa foi cientificada do lançamento decorrente da fiscalização levada a efeito na empresa, tendolhe sido facultado o prazo regulamentar para apresentar impugnação com as razões de defesa que entendeu pertinente, inclusive a produção das provas admitidas em direito, tudo de acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. 13. Portanto, afastase a nulidade pretendida pela impugnante. (b) Sobre a base de dados usada pela fiscalização para o cálculo do PASEP Fl. 389DF CARF MF 6 14. Alega a impugnante que a base de cálculo eleita pela fiscalização é errônea, pois também utiliza levantamento através do DAF (Distribuição de Arrecadação Federal) constante do site do Banco do Brasil, e da Lista de Convênios retirada do Portal da Transparência do Governo Federal. Que foram incluídas indevidamente na base de cálculo os valores das transferências constitucionais devidas pelo Estado ao Município (ICMS e IPVA), das transferências constitucionais devidas pela União aos Municípios, e todas as transferências intragovernamentais. Que no caso do FPM os valores já foram retidos quando do repasse, e que portanto, ocorre bitributação. 15. Da análise da Descrição dos Fatos do Auto de Infração (fls. 587/588) e dos Demonstrativos dos Valores Apurados da Contribuição ao PASEP de fls. 366 a 413, verificase que a base de cálculo considerado pelo Fisco foi exatamente a informada pelo contribuinte nos Demonstrativos “Comparativos de Receita Prevista com Arrecada” (fls. 08 a 358). O “Total Receitas” considerados nos Demonstrativos de fls. 366 a 433 correspondem exatamente aos valores de “Receita Correntes” informados nos Demonstrativos “Comparativos de Receita Prevista com Arrecada” (fls. 08 a 358). 16. As deduções consideradas estão discriminadas nos Demonstrativos de fls. 366 a 433, sendo que os valores que já tiveram retenção do PASEP foram obtidos dos site do Banco do Brasil (DAF Distribuição de Arrecadação Federal – fls. 434 a 582). Observese ainda que também foram considerados pela Fiscalização todos os valores de PASEP Retidos pelo Banco do Brasil e os valores pagos e/ou declarados em DCTF. (...) 18. Conquanto a impugnante conteste o auto de infração alegando que a autoridade fiscal baseouse no DAF, constante do site do Banco do Brasil, e da Lista de Convênios retirada do Portal da Transparência do Governo Federal, isto em nada desqualifica a origem dos dados obtidos pela fiscalização porquanto o contribuinte não traz nenhum elemento, nenhum indício sequer de erro ou falha nos números e fatos apresentados pela Fiscalização. 19. A autoridade fiscal bem apontou as bases econômicas em que se fundamentou para autuar o contribuinte. Caberia a impugnante contestálas, apresentando, por exemplo, a documentação contábilfiscal que lhe pudesse ser favorável. Todavia, o mesmo se limita, sem qualquer razão e conexão lógica, a duvidar dos valores utilizados na autuação (que foram ou por ela própria fornecidas ou retirados dos sites do Banco do Brasil e Portal da Transparência) e a solicitar perícia. (c) Sobre a base de cálculo do PASEP, prevista na Lei Federal 9.715/1998 23. Pela leitura desses dispositivos verificase que a base de cálculo da contribuição ao PASEP dos Municípios é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. 24. Os conceitos de receitas correntes e de capital estão definidos no art. 11 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, que estatuiu as Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal: 25. O Manual Técnico de Contabilidade aplicada ao Setor Público, aprovado pela Portaria Conjunta STN/SOF nº 3, de 2008, de uso obrigatório por parte da Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10120.008245/201052 Acórdão n.º 3401004.013 S3C4T1 Fl. 388 7 União, Estados, Distrito Federal e Municípios, assim conceitua transferência corrente e transferência de capital: 5.1.1.7 TRANSFERÊNCIA CORRENTE É o ingresso proveniente de outros entes/entidades, referente a recursos pertencentes ao ente/entidade recebedora ou ao ente/entidade transferidora, efetivado mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência, desde que o objetivo seja a aplicação em despesas correntes 5.2.1.4 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL É o ingresso proveniente de outros entes/entidades, referente a recursos pertencentes ao ente/entidade recebedora ou ao ente/entidade transferidora, efetivado mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência, desde que o objetivo seja a aplicação em despesas de capital. (...) 27. Constituindo, portanto, as transferências de recursos da União e dos Estados para os Municípios, transferências correntes recebidas, é indiscutível que os valores respectivos devem compor a base da cálculo da aludida contribuição. Nesse contexto, deve ser rejeitada a alegação da impugnante de que as transferências constitucionais da União e dos Estados para os Municípios não compõem a base de cálculo do PASEP. 29. Por fim, quanto a alegação da impugnante que caso do FPM os valores já foram retidos quando do repasse, e que portanto, ocorre bitributação, a defendente não comprova a efetividade das correspondentes retenções, muito menos que não foram descontadas na apuração do saldo lançado. 30. Ao contrário, todas as retenções de fonte conhecidas, obtidas por meio dos relatórios fornecidos pelo Banco do Brasil, nas quais se presumem contidas as retenções decorrentes das transferências do FPM, foram devidamente deduzidas no auto de infração. (d) Sobre o pedido de diligencia/perícia: 33. Constatase que todos os quesitos foram formulados de modo genérico e superficial, sendo que bastaria ao contribuinte apresentar os documentação [SIC] que atesta os erros na apuração do PASEP devido, isto é, os DARF pagos (e não considerados pela fiscalização), os comprovantes retenções fornecidos pelo Banco do Brasil, a escrituração contábil que é o suporte hábil a comprovar a composição da base de cálculo, de forma a caracterizar um início de prova favorável que revelasse a necessidade de realização de perícia. 34. É princípio consagrado em direito que quem alega tem que provar, incumbindo, pois, ao contribuinte a instrução do processo com documentos hábeis e idôneos que comprovam seus argumentos e descaracterizam outros acostados aos autos. 35. Se a impugnante pretende infirmar valores apurados pela Fiscalização com base em Demonstrativos fornecidos pela própria contribuinte e extratos de retenções do Banco do Brasil, a ela incumbe comprovar o equívoco cometido. No caso, não é razoável requerer a apuração da base de cálculo por perícia contábil, Fl. 391DF CARF MF 8 visto que os documentos hábeis a esse intento estariam de posse do próprio contribuinte, os quais teriam que ser apresentados na oportunidade da impugnação. 36. Ao requerer perícia contábil sem especificar e demonstrar motivos que justifiquem mais exames da matéria, a impugnante utilizase, em parte, da chamada negativa geral, desatendendo o princípio da impugnação especificada, que rege o Direito processual. Cabe à própria autuada, mediante exame do auto de infração e de seus anexos, comparandoos com os dados e documentos constantes da sua escrita contábil e fiscal, atacar os pontos que julga equivocados. Não é caso para procedimento pericial. Para levantar e atacar tais questões é que existe a impugnação ao lançamento. Por fim, a decisão ressaltou que os recolhimentos aludidos pelo contribuinte já foram incluídos no cálculo do lançamento pela autoridade fiscal, não assistindo razão à sua redução Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reprisando os argumentos expostos na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de ilegitimidade passiva da Recorrente Não merece prosperar a alegação da Recorrente. Nos termos da legislação em vigor à época do fato gerador, o Pasep era devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas (artigo 2º, inciso III, da Lei Federal 9.715/1998). No seu regulamento (Decreto Federal 4.524/2002), o PASEP especifica o que seriam as “pessoas jurídicas de direito público interno”: Art. 67. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III). Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10120.008245/201052 Acórdão n.º 3401004.013 S3C4T1 Fl. 389 9 Parágrafo único. A contribuição é obrigatória e independe de ato de adesão ao Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio de Servidor Público. Como se vê, a legislação incluiu as autarquias municipais no rol de contribuintes da contribuição social. A autarquia, na doutrina de MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO (in Direito Administrativo, 17ª ed., pp. 368 e 369), é “pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle administrativo exercido nos limites da lei”. Nessa linha, as entidades autárquicas possuem objeto específico, determinado pela lei de sua criação, podendo inclusive atuar na atividade de previdência social nos três níveis de governo. Isto posto, há de se reconhecer que a Recorrente é uma autarquia, e, como tal, está sujeita à contribuição social para custeio do PASEP. Sobre a incidência e a base de cálculo da Contribuição Social ao PASEP Embora instituída pela Lei Complementar 8/1970, a incidência e base de cálculo do PASEP estão previstos na Lei Federal 9.715/1998, que, no inciso III, do seu art. 2º dispõe que terá como base de cálculo o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. E, pelo § 3º do mesmo artigo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. Assim, parece certo que uma autarquia previdenciária é contribuinte do PASEP em relação às suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, desde que não sejam oriundas de transferências tratadas originalmente como receitas do Tesouro Nacional Fl. 393DF CARF MF 10 O Decreto regulamentar expressou a incidência e a base de cálculo da mesma forma: Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Frisese que a dedução prevista no parágrafo segundo prevê somente a possiblidade da exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, não havendo qualquer dispositivo normativo que limite a incidência da contribuição nos casos de receita proveniente dessas transferências. Isto porque, enquanto a norma criou tal mecanismo de modo a se evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido – se entendermos pela exclusão dos valores recebidos pela entidade autárquica – estaremos criando hipótese de não incidência plena em toda a cadeia, haja vista não possuir previsão legal nesse sentido. Adicionalmente, restando claro pelos autos que a fiscalização veio a deduzir da base de cálculo todas as retenções, não há o que se falar de exclusão adicional nesse ínterim. Por fim, quanto ao afastamento da multa de ofício com base no artigo 112, do Código Tributário Nacional, não guarda qualquer coerência com o disposto naquele dispositivo. A regra inerente ao artigo 112 é a de que, havendo diferentes interpretações sobre os aspectos relacionados às penalidades de natureza tributária, deverá ser aplicada aquela mais benéfica ao contribuinte; não cabe aplicação de tal norma para afastar a penalidade por falta de pagamento de tributo simplesmente em razão de haver diferentes interpretações sobre a incidência tributária. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10120.008245/201052 Acórdão n.º 3401004.013 S3C4T1 Fl. 390 11 Fl. 395DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917742/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.541
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 74 2/ 20 11 -1 8 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.917742/201118 Resolução nº 3301000.541 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.425. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.917742/201118 Resolução nº 3301000.541 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.917742/201118 Resolução nº 3301000.541 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10830.917742/201118 Resolução nº 3301000.541 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 134DF CARF MF
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