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Numero do processo: 15956.000488/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2003
CONTRADIÇÃO. EXTRATO DE JULGAMENTO E VOTO. AUSÊNCIA DE DECADÊNCIA.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Tratando-se de obrigação acessória aplica-se o prazo do artigo 173, inciso I do CTN, razão pela qual, no caso concreto, não há que se falar em decadência.
Numero da decisão: 2301-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de negar provimento ao recurso, na questão da decadência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2003 CONTRADIÇÃO. EXTRATO DE JULGAMENTO E VOTO. AUSÊNCIA DE DECADÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratando-se de obrigação acessória aplica-se o prazo do artigo 173, inciso I do CTN, razão pela qual, no caso concreto, não há que se falar em decadência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 136 1 135 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000488/200738 Recurso nº 999.999 Embargos Acórdão nº 2301003.267 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria Embargos Decadência Contradição Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRAL PARK COMÉRCIO DE REPRESENTAÇÕES LOGÍSTICAS LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2003 CONTRADIÇÃO. EXTRATO DE JULGAMENTO E VOTO. AUSÊNCIA DE DECADÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de obrigação acessória aplicase o prazo do artigo 173, inciso I do CTN, razão pela qual, no caso concreto, não há que se falar em decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de negar provimento ao recurso, na questão da decadência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 88 /2 00 7- 38 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão de fl 107 a 109 assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2003 Ementa:DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer As disposições da Lei ri° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de descumprimento de dever instrumental, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. MULTA INCONSTITUCIONALIDADE – RETROATIVIDADE BENIGNA Falece a esse órgão administrativo judicante competência para decidir pela inconstitucionalidade de lei. Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32A da Lei n" 8.212, de 24 de julho ,de 1991, corn a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 Sustenta a embargante incidir o acórdão embargado em equívoco, haja vista que o voto condutor do acórdão ao aplicar o artigo 173, inciso I do CTN não verificou decadência no caso concreto. Por outro lado, no extrato do resultado do julgamento constou que fora reconhecida a decadência em parte do período. Os embargos de declaração restaram admitidos pelo Despacho de nº 2301 169. É o relatório. Voto Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15956.000488/200738 Acórdão n.º 2301003.267 S2C3T1 Fl. 137 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, são cabíveis embargos de declaração contra acórdão que contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou omissão sobre ponto sobre o qual a Turma deveria ter se manifestado. Os embargos, portanto, servem para suprimir eventuais vícios que tenha incidido a decisão, de modo a clarificar a prestação jurisdicional administrativa. Se, por um lado, objetivam esclarecer ou completar o julgado, não podem os embargos alterálo. Isto, porque, há recurso próprio para a parte manifestar seu inconformismo e buscar a alteração da decisão. No âmbito desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é o recurso especial, fundamentado nos artigos 67 e seguintes do Regimento Interno No caso concreto o voto condutor do acórdão foi claro, ao analisar a preliminar de decadência, que esta não incidia no caso concreto, razão pela qual fora rejeitada, in verbis: “Ocorre que no caso dos autos a situação é distinta, pois não está se tratando de exigência de tributos não recolhidos integralmente ou parcialmente, mas de descumprimento de obrigação acessória por parte do sujeito passivo. Nessa situação, não há que se cogitar em lançamento por homologação no qual há pagamento antecipado sujeito a posterior homologação pelo Fisco, mas tão somente o cumprimento ou não, pelo sujeito passivo, do dever instrumental que lhe é exigido por lei. Figurese, portanto, o lançamento de ofício embasado nas hipóteses do artigo 149 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual se submete ao prazo previsto no artigo 173, inciso I desse mesmo diploma legal. Isto é, ao prazo qüinqüenal cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido levado a efeito. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre março de 2002 a maio de 2003 e, subsumindose o fato ao dispositivo legal acima apontado, verificase que não padece a autuação de decadência. Pelo exposto, rejeito a preliminar de decadência.” Portanto houve mero equívoco material do extrato do resultado de julgamento, pois onde se lê “para reconhecer a decadência de parte do período com base no artigo 173, I do CTN”, deveria constar “para rejeitar a preliminar de decadência com base no artigo 173, inciso I do CTN”. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os embargos de declaração e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO, a fim de retificar o acórdão embargado de modo a ressaltar que a preliminar de decadência fora rejeitada com base no artigo 173, inciso I, do CTN e, assim, negar provimento ao recurso voluntário na questão da decadência. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 35081.000287/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTE PÚBLICO -OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO
O infrator tem direito à redução da penalidade oriunda da alteração da legislação, conforme previsto no art. 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.212
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTE PÚBLICO -OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO O infrator tem direito à redução da penalidade oriunda da alteração da legislação, conforme previsto no art. 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido
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MINISTÉRIO DA FAZENDA W."':01 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35081.000287/2006-01 Recurso n° 142.029 Voluntário Acórdão e 2301-00.212 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 05 de maio de 2009 Matéria Auto de Infração: Dirigente Público Recorrente JOSÉ MACHADO VILAR Recorrida DRP/SÃO LUIS/MA Asstiwro: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a.31/12/2000 AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTE PÚBLICO -OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GFLP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5°, da Lei n°8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO O infrator tem direito à redução da penalidade oriunda da alteração da legislação, conforme previsto no art. 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo ir 35081.000287/2006-01 S2-IC.3T1 Acórdão n.• 2301-00/12 Fl. 160 ACORDAM os membros da 3* Câmara / V Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por • " ii•:dade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. rt• JULIO ES • 'YIEIRA GOMES Presid ED . V IDAL ator • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo rr 35081.000287/2006-01 S2-C3T1 Acórdão n, 2301-00.212 Fl. 161 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por José Machado Vilar (fls. 127/138) contra a DN n° 09.401.4/0038/2006, de 17/03/2006, da DRP-MA (fls. 104/110), que manteve o lançamento constante do Auto de Infração-AI n° n°35.810.376-2, de 30/09/2005. O Al foi lavrado em nome do recorrente, Prefeito Municipal de Buriti-MA no período de 01/1999 a 12/2000, com base no artigo 41 da Lei 8.212/91, por ter a Prefeitura Municipal deixado de declarar na GFrP a remuneração de alguns segurados nas competências 01/1999 a 12/2000, o que constitui infração ao art. 32, inciso IV, parágrafo quinto da Lei 8.212/91 (fls. 06) A ciência da DN ocorreu em 06/04/2006 e o Recurso Voluntário foi interposto em 08/05/2006, dentro do prazo regulamentar. No Recurso, o recorrente alega, em síntese: I - O AI apresenta nulidade insanável, pois o recorrente não teve oportunidade de falar nos autos, onde consta como endereço a Av. Governador Nunes Freire, s/n°, Centro — Buriti-MA, onde jamais residiu. Esse fato cerceou o direito constitucional ao contraditório; - II — que a responsabilidade pela infração deveria recair sobre a empresa, no caso dos autos, sobre o Município de Buriti-MA, e não sobre o Prefeito Municipal, conforme a própria descrição sumária da infração e do dispositivo legal infringido (art. 32, IV, § 5° da Lei 8.212/91, combinado com o disposto no art. 121, parágrafo único, inciso I, art. 134 e 135, incisos I a III, todos do CTN. No mérito, pede a desconstituição do Auto de Infração. Nas Contra-Razões (fls. 146/156), a DRP de São Luis-MA, assim se manifesta: I — não merece prosperar a alegação de que a intimação do Al foi dirigida ao endereço na Av. Gov. Nunes Freire, s/n°, Centro, Buriti-MA e não para sua residência, pois o AI foi lavrado em nome do Prefeito Municipal, conforme o disposto no art. 41 da Lei 8.212/91. Ademais, na impugnação (fls. 97), o recorrente afirma possuir domicilio no endereço constante do AI e tanto a impugnação, quanto o Recurso Voluntário foram apresentados tempestivamente. E mais, somente no Recurso Voluntário (fls. 127), o recorrente requereu expressamente que as intimações sejam enviadas para o endereço do escritório profissional do seu advogado, situado na Rua dos Sapotis, Qd. 73, n° 15 — Renascença I — CEP 65075-037 — São Luis — MA; II - realmente houve infração ao disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5° da Lei 8.212/91 e que a fiscalização, ao verificar o descumprimento da legislação, corretamente procedeu à lavratura do auto de infração na pessoa do dirigente máximo do órgão • iblico auditado, na data do descumprimento da obrigação acessória descrita no AI, por -4,yer ser ratf 3 ..) Processo n• 35081.000287/2006-01 S2-C3T1 Acórdão a° 2301-00212 Fl. 162 este o responsável pelo cumprimento da citada obrigação, conforme disposto no art. 122 do CTN e art. 41 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Art. 41 — O dirigente de órgão ou entidade da administração federal,estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e de seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. A fiscalização ao verificar o descumprimento da referida legislação, procedeu à lavratura do AI, aplicando a multa correspondente, na forma descrita no Relatório Fiscal (fls. 07/10). A lavratura do AI se deu em nome do dirigente máximo em decorrência de não constar, na Lei Orgânica do Município ou em outro documento, identificação dos responsáveis pela emissão das GFIPs. Entende a DRP que não merecer acolhida a alegação de que o dirigente de órgão público não é o responsável pela falta que motivou a autuação e sim o município de Buriti-MA, pois a autuação em comento diz respeito à obrigação acessória e não à obrigação principal em que o sujeito passivo está plenamente identificado, nos termos do art. 41 da Lei 8.212/91, incidindo, na situação, os artigos 113 "caput" e parágrafo 2° e art. 115, do CTN, in verbis Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. / § 1° (...) § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Esclarece ainda a DRP que, de acordo com o art. 15 da Lei 8.212/;91, a Administração Pública, direta e indireta, é considerada uma empresa, logo as contribuições sociais previdenciárias a seii cargo, devem ser lançadas em nome do Município, através de NFLD, por se tratar de obrigação principal e não se confundir com obrigação acessória. Pede que seja negado provimento ao recurso. .17 É o relatório. ‘ 4 Processo e 35081.000287/2006-01 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.212 A. 163 •Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator O recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os requisito para sua admissibilidade. Entendo que deva ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração • federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Medida Provisória n ° 449, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá corno componentes: a conduta, omissiva ou comissiva; o responsável pela conduta; e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. O próprio caput do art. 106 informa que o que será julgado é o ato, e nesse momento estamos julgando o ato do dirigente, portanto caracterizada a aplicação do art. 106 do CTN. Mesmo porque, nenhum ato que implica em uma conduta humana existe per si, sempre estará atrelado a um agente. Em relação ao dirigente do órgão público, especificamente esse agente, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente da MP n ° 449. sim, em Processo n'35081.00028712006-01 S2-C3T1 Acórdão n, 2301-00.212 Fl. 164 relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Além do mais, a MP n ° 449 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. Não bastasse, a própria Procuradoria da Fazenda, em virtude de consulta formulada pela Receita Federal do Brasil, emitiu o Parecer PGFN/CDAJCAT n° 190 de 2009, por meio do qual reconhece a retroatividade benigna surgida com a MP n ° 449 de 2008. Assim, a própria Receita deixará de efetuar tais lançamentos e ainda em decisões de primeira instância aplicará a retroatividade benévola. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o Chefe do Executivo por meio de Medida Provisória, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juízo de valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, 1 $5 de mai de 2009 441 / r EDGAR SI AL - elator 6 Page 1 _0047500.PDF Page 1 _0047600.PDF Page 1 _0047700.PDF Page 1 _0047800.PDF Page 1 _0047900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13749.720056/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. LAUDO MÉDICO. REQUISITOS.
O reconhecimento de isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria e reforma dos portadores de moléstia grave depende de comprovação mediante Laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
O Laudo médico deverá ser fundamentado com exposição das observações, estudos, exames efetuados, registro das conseqüências incapacitantes e definir o termo inicial da doença (mês/ano), o prazo de validade e se a doença é passível de controle.
Numero da decisão: 2201-002.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Rayana Alves de Oliveira França, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. LAUDO MÉDICO. REQUISITOS. O reconhecimento de isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria e reforma dos portadores de moléstia grave depende de comprovação mediante Laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O Laudo médico deverá ser fundamentado com exposição das observações, estudos, exames efetuados, registro das conseqüências incapacitantes e definir o termo inicial da doença (mês/ano), o prazo de validade e se a doença é passível de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Rayana Alves de Oliveira França, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 00 56 /2 01 2- 24 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13749.720056/201224 Acórdão n.º 2201002.009 S2C2T1 Fl. 68 2 Relatório Da DIRPF/2009 O contribuinte acima identificado apresentou retificadora da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, exercício de 2009, fls. 27 a 31, considerando não tributáveis os rendimentos recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego e do INSS resultando em imposto a restituir no valor de R$33.089,44. Do lançamento O contribuinte, após intimado (fl. 32), não apresentou o ato concessivo da aposentadoria e o laudo pericial emitido por serviço médico oficial e, por isso, os rendimentos recebidos do INSS e do Ministério do Trabalho e Emprego, totalizando R$ 167.513,62, foram considerados tributáveis. Com essas alterações, foi emitida Notificação de lançamento de fl. 5 e seus demonstrativos (fl. 6 a 9) que reduziu a restituição pleiteada para R$5.414,06, valor líquido considerando a parcela já restituída de R$339,14. Da Impugnação Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 a 4 acompanhada dos documentos de fls. 10 a 26 alegando, em síntese, que os rendimentos considerados omitidos decorrem de aposentadoria e que o interessado é portador de moléstia grave, conforme laudo médico oficial juntado aos autos. Apresenta Laudo da Secretaria Municipal de Saúde de Teresópolis (fl. 17) e declaração de aposentadoria emitida pelo Setor de pessoal do Ministério do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro com cópia da publicação no DOU e outros documentos (fl.10 a 16) com o objetivo de comprovar a condição de aposentado. Solicita a restituição integral dos valores na forma declarada. Da decisão de 1ª instância A 4ª Turma da DRJ de Campo Grande por meio do Acórdão 0428.500 (fls. 38 a 41) considerou improcedente a impugnação e manteve a tributação dos rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social e do Ministério do Trabalho e Emprego uma vez que não houve a apresentação do laudo emitido por serviço médico oficial na forma como determina a legislação. Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão 0428.500 em 26/06/2012, AR fl. 44, o contribuinte apresentou em 23/07/2012 o recurso voluntário de fls. 45 a 47, acompanhado dos documentos de fls. 48 a 64, alegando, em síntese: Que o Laudo Médico apresentado à fl. 17 na impugnação e à fl. 49, no recurso, foi emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Teresópolis atestando ser o Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13749.720056/201224 Acórdão n.º 2201002.009 S2C2T1 Fl. 69 3 contribuinte portador da moléstia grave ali referida e, consequentemente, detentor do direito à isenção nos rendimentos auferidos no período. Apresenta Laudo Pericial da Junta Médica do Ministério da Fazenda à fl. 48 que confirma ser o interessado portador de doença grave relacionada no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, fixando prazo de validade definitivo e indicando, inclusive, a necessidade de curatela. Informa que foi solicitado à fonte pagadora Ministério do Trabalho e Emprego a não retenção do imposto de renda a partir de abril de 2012 e que houve a concessão de curatela provisória por medida judicial nos termos de fl. 64. Solicita o acolhimento do recurso com brevidade na solução com base no Estatuto do Idoso para que seja determinada a restituição do imposto de renda por motivo de moléstia grave. Da distribuição do processo O processo foi distribuído, por sorteio, para este relator na sessão pública realizada em 23/01/2013 no CARF em Brasília. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso Voluntário é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade. Dele conheço. A isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria está prevista na Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º inciso XIV, com redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004, a saber: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifei) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13749.720056/201224 Acórdão n.º 2201002.009 S2C2T1 Fl. 70 4 Ainda em relação à isenção acima referida, a Lei nº 9.250, de 1995, no artigo 30 e §§ estabeleceu a forma do seu reconhecimento, a saber: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.(grifei) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Portanto, a isenção dos rendimentos dependem da comprovação que eles sejam decorrentes de aposentadoria ou reforma; que a doença esteja arrolada no inciso XIV, artigo 6º da Lei nº 7.713/88 e que o interessado apresente laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios fixando o prazo de validade e a data de início da incapacidade provocada pela doença. No caso presente, não restam dúvidas tratar de rendimentos decorrentes de aposentadoria fato este já reconhecido no acórdão de 1ª instância conforme se depreende do voto condutor do aresto no trecho que reproduzo abaixo, a conferir: No presente caso, o sujeito passivo comprova que os rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social decorre de aposentadoria por idade (fl.11) e que os rendimentos recebidos do Ministério do Trabalho e Emprego decorrem de aposentadoria por tempo de serviço nos moldes do inciso II do art. 176 da Lei nº 1.711, de 1952 (fl.12), sendo comprovando, assim, o primeiro requisito citado acima. Entretanto, os julgadores da 4ª Turma da DRJ de Campo Grande não reconheceram força probante ao documento apresentado pelo contribuinte (fl. 17 e 49) por considerálo carente das características exigidas pela legislação. Assim concluíram que “não se pode ter como provada, para fins tributários, a existência da doença grave.” No Recurso Voluntário, além do atestado já apresentado na fase processual anterior, o recorrente apresentou Laudo pericial da Junta médica do Ministério da Fazenda que ratificou o quadro de alienação mental já identificado no atestado da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Teresópolis. Além disso, há descrição de um quadro médico com registro de consequências agravantes que levaram os especialistas a indicar a necessidade de curatela conforme o laudo de fl. 48 com prazo de validade definitivo sem, entretanto, se manifestar sobre o termo inicial da doença. Compulsando os autos, constato que assiste razão ao recorrente em suas alegações, posto que na análise dos pedidos de isenção ou restituição do imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave, devem ser analisados Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13749.720056/201224 Acórdão n.º 2201002.009 S2C2T1 Fl. 71 5 todos os elementos de convicção constantes dos autos, tais como, informações, receitas médicas, exames laboratoriais que comprovem o termo inicial da doença ou, pelo menos, reforcem sua indicação em outro expediente. Assim sendo, reconheço valor probante ao documento de fl. 49 que descreveu com os elementos exigidos pela legislação o quadro clínico do interessado, a doença incapacitante indicada pelo CID e o termo inicial da doença – julho de 2006. O documento apresenta, a meu ver, as características formais essenciais a um laudo médico pois foi emitido por profissional médico, CRM/RJ (confirmado em pesquisa no portal do Conselho Federal de Medicina Busca por médico), servidor público municipal investido em função na Secretaria Municipal de Saúde de Teresópolis ( disponível em http://www.teresopolis.rj.gov.br/em pesquisa personalizada com o nome do servidor) conforme consta de publicação oficial do Município em 23/10/2012, a saber: PORTARIA GP Nº 392/2011 – NOMEAR HÉLIO PANCOTTI BARREIROS, matrícula nº 1083059, para exercer o Cargo em Comissão de Chefe do Centro de Hemoterapia, Símbolo DAS3, Cód. 40520, na Secretaria Municipal de Saúde, com efeitos a partir de 10/03/2011. Constato que o laudo de fl.49 da Secretaria Municipal de Saúde de Teresópolis apresenta as características exigidas pela legislação e foi redigido de acordo com o modelo de Laudo Pericial disponível no site da RFB. Como se depreende dos documentos apresentados, e em reconhecimento das assertivas aduzidas no recurso, restou comprovado ter o interessado preenchido, a época dos fatos, os requisitos exigidos pela legislação pertinente, posto que, detinha moléstia grave (alienação mental), diagnosticada por serviços médicos oficiais, cujo resultado, à luz da lei, permite o reconhecimento da isenção do imposto de renda da pessoa física sobre os valores recebidos a título de aposentadoria. Assim, estando comprovado, nos autos, que o beneficiário preenchia os requisitos legais exigidos,dou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13749.720056/201224 Acórdão n.º 2201002.009 S2C2T1 Fl. 72 6 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.009. Brasília/DF, 6 de maio de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.100896/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
FATO GERADOR DO IRPF. A disponibilidade econômica ou jurídica
ocorre quando os recursos estão à disposição do beneficiário em moeda ou em crédito em conta corrente bancária não se assimilando a essa última o crédito contábil na empresa devedora.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.610
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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A disponibilidade econômica ou jurídica ocorre quando os recursos estão à disposição do beneficiário em moeda ou em crédito em conta corrente bancária não se assimilando a essa última o crédito contábil na empresa devedora. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 11/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 10/13) lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigir crédito tributário de IRPF, no valor total de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 R$15.144,95, calculado até 29/02/2008, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$35.200,00. Intimado do lançamento, o contribuinte apresentou sua impugnação, fls.75/80, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do acórdão de primeira instância, o qual adoto: “a) a multa aplicada tem caráter confiscatório; b) não recebeu os rendimentos em tela no ano de 2005, mas somente em 2007, conforme extrato bancário anexo e cópias de correspondência eletrônica; c) incluiu os rendimentos na DIRPF/2008 relativa ao ano calendário 2007. Ao final, são requeridos o expurgo das,multas e dos juros moratórios e a declaração de improcedência do lançamento.” Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, acordaram, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n° 0423.498 de 18/02/2011, em decisão assim ementada: “MULTA. JUROS DE MORA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75%, bem como a incidência dos juros de mora, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não comprovado o recebimento dos rendimentos no anocalendário alegado, mantémse o lançamento. Impugnação Improcedente..” O contribuinte, cientificado dessa decisão, em 30/03/2011 (“AR” fls. 59 Verso), interpôs, na data de 26/04/2011, Recurso Voluntário, acostado ao processo às fls. 68/74 do PDF, acompanhado dos documentos de fls.75/114 do PDF , nos termos a seguir elencados: • O valor de R$ 35.200,00 referese ao pagamento da comissão pela prestação de serviços de intermediação de venda de 01 trator, conforme nota fiscal de serviço avulsa no 619923 emitida pela Prefeitura Municipal de Manaus em 29.12.2004. • Esse valor não foi recebido em 2005, mas apenas em 2007 especificamente no dia 09/08/2007, conforme comprovação de depósito bancário no banco Bradesco Ag no 3001 e na conta corrente do recorrente no 01489925. • Esse rendimento foi devidamente declarado na DIPF/2008, conforme inclusive constatou a decisão de 1a instancia. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10283.100896/200816 Acórdão n.º 2201001.610 S2C2T1 Fl. 2 3 O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A matéria posta a apreciação dessa turma julgadora é essencialmente de prova. O contribuinte alega que emitiu nota fiscal de prestação de serviço em 2004 e não recebeu o pagamento em 2005, conforme declarado pela fonte pagadora, mas somente em 2007. Por essa razão incluiu esse rendimento na DIPF/2008 e não de DIPF/2006, objeto do lançamento. Dentre as razões da decisão de primeira instância para não acatar o pleito, cabe destacar: "As correspondências eletrônicas estão juntadas às f. 14 e 15. De fato, os rendimentos foram declarados na DIRFPF/2008 (f.53). Entretanto, não há nos autos a cópia do extrato bancário aludido. (...) Desta forma não há prova inequívoca de que os rendimentos foram aufiridos somente em 2007. As cópias das correspondências eletrônicas são indícios que poderiam robustecer o conjunto probatório, mas não tem a força probante necessária para o afastamento da tributação." No recurso voluntário, o contribuinte traz vasta documentação, incluindo aludidos (i) extratos bancários, através do qual identifica o depósito e recebimento do valor na data de 09/08/2007, além do (ii) extrato bancário da fonte pagadora, caracterizando a transferência no valor de R$35.200,00, da sua conta corrente para conta corrente do recorrente; (iii) Carta da fonte pagadora solicitando ao Bradesco a transferência do valor de R$35.200,00 para a conta do ora recorrente, na mesma data; bem como, (iv) declaração da mesma firmando a veracidade de pagamento somente na data especificada. Dessa forma, o conjunto probatório careado aos autos, comprova as alegações do contribuinte de que o recebimento do rendimento ocorreu em 2007. Neste tocante importa ressaltar, que independente do ano a que se refere os serviços recebidos, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física ocorre no momento do seu recebimento. Neste sentido há previsão legal expressa no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: “CAPÍTULO I PESSOAS FÍSICAS DOMICILIADAS OU RESIDENTES NO BRASIL Art. 1º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85.”(Grifei.) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 Verificase, portanto, que o imposto de renda das pessoas físicas difere das pessoas jurídicas. O imposto sobre a renda das pessoas físicas incide com base no regime de caixa e não com base no regime de competência, como na maioria das pessoas jurídicas. O regime de caixa determina a tributação no momento em que a renda é materialmente auferida, ou seja, a renda é considerada tributável no momento em que é recebida. Assim restando comprovado que o recebimento se deu apenas em 2007, não deve prosperar o lançamento. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10283.100896/200816 Acórdão n.º 2201001.610 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 11/07/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001861/2002-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DE PROVA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Respeitados os pressupostos de admissibilidade - tempestividade, decisão por maioria de votos prolatada na vigência do antigo Regimento Interno da CSRF e argumentação adequada quanto à contrariedade à lei ou à evidência de prova - é de se conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ainda que o esclarecimento acerca dos limites do voto dissidente tenha ocorrido já na vigência do novo Regimento Interno do CARF.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996
Tendo o conjunto probatório constante dos autos apontado para o efetivo exercício da atividade econômica declarada pelo Contribuinte desde o início da fiscalização, atividade esta que comporta o trânsito de recursos de terceiros na conta-corrente do profissional, ausente diligência para fixação do exato valor dos rendimentos eventualmente omitidos, incabível a manutenção da autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem, tendo em vista o caráter residual desta espécie de exigência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 13/05/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DE PROVA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Respeitados os pressupostos de admissibilidade - tempestividade, decisão por maioria de votos prolatada na vigência do antigo Regimento Interno da CSRF e argumentação adequada quanto à contrariedade à lei ou à evidência de prova - é de se conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ainda que o esclarecimento acerca dos limites do voto dissidente tenha ocorrido já na vigência do novo Regimento Interno do CARF. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Tendo o conjunto probatório constante dos autos apontado para o efetivo exercício da atividade econômica declarada pelo Contribuinte desde o início da fiscalização, atividade esta que comporta o trânsito de recursos de terceiros na conta-corrente do profissional, ausente diligência para fixação do exato valor dos rendimentos eventualmente omitidos, incabível a manutenção da autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem, tendo em vista o caráter residual desta espécie de exigência. Recurso especial negado.
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CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DE PROVA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Respeitados os pressupostos de admissibilidade tempestividade, decisão por maioria de votos prolatada na vigência do antigo Regimento Interno da CSRF e argumentação adequada quanto à contrariedade à lei ou à evidência de prova é de se conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ainda que o esclarecimento acerca dos limites do voto dissidente tenha ocorrido já na vigência do novo Regimento Interno do CARF. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Tendo o conjunto probatório constante dos autos apontado para o efetivo exercício da atividade econômica declarada pelo Contribuinte desde o início da fiscalização, atividade esta que comporta o trânsito de recursos de terceiros na contacorrente do profissional, ausente diligência para fixação do exato valor dos rendimentos eventualmente omitidos, incabível a manutenção da autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem, tendo em vista o caráter residual desta espécie de exigência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 61 /2 00 2- 11 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 10/09/2008, foi julgado o Recurso Voluntário 154.642, prolatandose o Acórdão 10249.236 (fls. 495 a 500), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Comprovada a origem dos depósitos pelo contribuinte, caberia fiscalização observar o disposto nos §§ 2°. e 5°. do art. 42 da Lei n.° 9.430/96. Recurso provido.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso por erro na apuração do crédito tributário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Nübia Matos Moura que provia em menor extensão.” Cientificada do acórdão em 18/02/2009 (fls. 501), a Fazenda Nacional opôs, em 19/02/2009, os Embargos de Declaração de fls. 504/505, com fundamento no art. 57 do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.001861/200211 Acórdão n.º 9202002.651 CSRFT2 Fl. 15 3 antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, apontando a ocorrência de omissão, relativamente ao ponto em que a Conselheira Núbia Matos Moura teria ficado vencida. O processo foi enviado ao Relator que, por meio de despacho de 28/07/2010 (fls. 506), devolveuo ao Presidente da Câmara, para que fosse encaminhado à Conselheira Núbia Matos Moura. Neste mesmo despacho de fls. 506, o Presidente da Câmara, por meio de despacho aposto manualmente, encaminhou o processo à Conselheira, “para informar a exata extensão de seu voto, com vistas à análise dos Embargos opostos”. Em resposta, esta esclareceu, por meio de despacho datado de 03/12/2010 (fls. 507): “Conforme solicitado às fls. 506, informo que quando do julgamento do recurso nº 154.642, acórdão 10249.236, votei no sentido de dar provimento em parte para excluir da base de cálculo do imposto tãosomente os valores para os quais o contribuinte apresentou cópia dos cheques emitidos por seus clientes e depositados nas contascorrentes examinadas.” Cientificada do esclarecimento em 07/12/2010, a Fazenda Nacional interpôs, em 20/12/2010, o Recurso Especial de fls. 510 a 520, com fundamento no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, c/c art. 4º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 – Recurso por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova. O apelo contém os seguintes argumentos, em síntese: o acórdão recorrido, na esteira do entendimento do voto condutor, considerou comprovada a origem de diversos depósitos, com base exclusivamente em declarações apresentadas por terceiros, que, segundo alegações do contribuinte, seriam clientes dos quais teria recebido dinheiro por via de depósitos bancários para pagamentos de material e mão de obra na prestação de serviços de fiscalização em construção civil; estes valores não podem ser excluídos da autuação, pois se baseiam em declarações, sem lastro na demonstração cabal das operações bancárias por meio de provas mais consistentes; de tal maneira, tais recursos, por não constatada sua origem, devem mantidos no lançamento; nessa perspectiva, tornase mais razoável a orientação firmada no voto vencido, proferido pela Conselheira Núbia Matos Moura, que concluiu pela redução da base tributável, por dela excluir tão somente os valores em relação aos quais o contribuinte apresentou cópia dos cheques emitidos por seus clientes e depositados nas contascorrentes examinadas; na verdade, o posicionamento consubstanciado no voto divergente é o que deve prevalecer; percebese, claramente, a partir do exame do dispositivo citado, que a presunção de omissão de receitas ou de rendimentos dos valores depositados em contas de depósito ou de investimento condicionase à ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos utilizados nessas operações; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 o comando legal, quanto a esse ponto, é expresso, ainda, no sentido de que a comprovação da origem, quando houver, deverá ser feita mediante documentação hábil e idônea; no caso dos autos, o relator considerou comprovada a origem de valores depositados, em face de declarações genéricas prestadas por terceiros, que informaram tão somente ter efetuado depósitos na conta do contribuinte, sem, contudo, apontar precisamente os valores supostamente depositados para pagamentos de material e mão de obra; cabe ao contribuinte a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores por ele mantidos em conta de depósito ou de investimento junto a instituição financeira, ônus do qual, no presente caso, não se desincumbiu em relação a maior parte dos depósitos objeto da presente autuação; o dispositivo legal da presunção de omissão de receitas por depósito bancário de origem não comprovada é exato quanto à presunção que cria. Não se presume como renda omitida a soma dos valores depositados na conta bancária no anocalendário, porém, cada depósito é considerado individualizadamente; cumpre ao sujeito passivo demonstrar que os valores individualmente especificados ali depositados não são receita omitida, a partir de clara demonstração da origem para cada um dos depósitos; não se pode aceitar declarações deveras genérica, sem especificação do depósito que se pretende comprovar; tratase de presunção legal relativa de omissão de receitas ou rendimentos, que somente será afastada no caso de o contribuinte, através de documentação hábil e idônea, comprovar a origem dos valores depositados/creditados em sua conta bancária; verificase, assim, que a referida presunção legal é a favor do Fisco, portanto, o citado diploma atribui ao particular o ônus da prova quanto à origem dos valores que circulam, em seu nome, em instituições bancárias; nesse sentido, o contribuinte deve comprovar a origem dos depósitos individualmente, com coincidência de datas e valores das operações que alega para justificá los; com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; é evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, cabendo ao contribuinte demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável; assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições impostas pelo permissivo legal, é do sujeito passivo o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável ou que já foi tributado; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.001861/200211 Acórdão n.º 9202002.651 CSRFT2 Fl. 16 5 desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo; indiscutivelmente, tal presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados; não há dúvidas de que a Lei n° 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei n° 7.713, de 1988; ora, no presente processo, a constituição do credito tributário decorreu em face de o contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa; ademais, à luz da Lei n° 9.430, de 1996, cabe ao contribuinte, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o beneficio que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas; em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento; além do mais, é cristalina na legislação de regência (§ 3º do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias; a legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação; nos autos ficou evidenciado, por meio de indícios e provas, que o contribuinte recebeu os valores questionados neste auto de infração, sendo que neste caso está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação em que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo, isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o autuado possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao contribuinte produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores; a presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova: neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil, cabendo ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta; registrese que, para a comprovação da origem dos depósitos, é indispensável que os documentos idôneos indiquem o pagamento de rendimentos em data e valor coincidentes com os depósitos, ou seja, é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos, consoante já aduzido anteriormente; o entendimento adotado pela maioria do colegiado a quo, no sentido de considerar comprovada a origem dos valores constantes de depósitos bancários mediante a declaração genérica de terceiros, além de configurar ofensa à literal e expressa disposição do art. 42 da Lei n.° 9.430, de 1996, viola o principio da verdade material, critério balizador da instância administrativa, pela contrariedade evidente ao conjunto probatório, em favorecimento de uma indicação meramente formal; nessa perspectiva, devese adotar a orientação firmada no voto vencido que somente considerou comprovada a origem dos valores em relação aos quais foram apresentadas copias de cheques emitidos por clientes e depositados nas contas correntes do contribuinte, pois, tão somente neste caso, observouse o cumprimento dos requisitos legais para fins de demonstração inequívoca da vinculação individual entre os depósitos e os valores indicados para justificálos. Ao final , a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2100 00.266/2011, de 26/05/2011 (fls. 521/522). Cientificado do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, e do despacho que lhe deu seguimento em 24/08/2011 (AR de fls. 522/verso), o Contribuinte ofereceu, em 08/09/2011, as ContraRazões de fls. 525 a 529, contendo os seguintes argumentos, em resumo: sou engenheiro civil e atuo na área de construção de residências, como responsável técnico, fazendo a fiscalização, compras de materiais e orientando na execução dos serviços; como praxe, os tomadores dos serviços depositam, nas minhas contas bancárias, os valores referentes ao pagamento dos materiais adquiridos nas obras e as despesas com mão de obra; ocorre que, em 03/10/2002, fui notificado para, com relação ao exercício de 1997, exibir os extratos bancários relativos as minhas contas junto ao Banco Itaú, bem como comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem e o destino dos recursos depositados nas respectivas contas; de boafé, apresentei os documentos solicitados, mas, em 13/12/2002, fui surpreendido com a lavratura do Auto de Infração que originou o presente processo administrativo; no referido Auto de Infração, a Receita Federal me cobra valores de imposto de renda sob a alegação de que eu não comprovei a efetiva origem dos recursos depositados nas minhas contas bancárias, nem os seus respectivos destinos; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.001861/200211 Acórdão n.º 9202002.651 CSRFT2 Fl. 17 7 apresentei impugnação, esclarecendo a origem dos valores e mostrando novos documentos, que demonstravam que os depósitos realizados nas minhas contas diziam respeito ao pagamento de mão de obra e de materiais das obras, ou seja, deixei claro que os valores não me pertenciam, nem me geraram a obtenção de renda; por meio da Intimação n° 329/2006, fui comunicado que a minha defesa não havia sido acolhida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza – CE; apresentei, então, recurso voluntário, trazendo onze envelopes contendo novos documentos que comprovaram, de maneira individualizada, a origem e o destino dos valores que entraram em minhas contas bancárias; a partir das provas trazidas ao processo, a 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu pelo provimento do meu recurso voluntário, reconhecendo, assim, que não foram respeitados, pela fiscalização, os §§ 2° e 5°, do art. 42, da Lei n° 9:430, de 1996. a Fazenda Nacional, não se conformando, apresentou o recurso especial ora contraarrazoado, no qual extrapola os limites estabelecidos em lei, para o seu cabimento, ignora as provas hábeis e idôneas que eu trouxe aos autos; e, ainda, argumenta que não teriam sido comprovadas, com exceção dos casos em que há cópias dos cheques emitidos pelos tomadores dos serviços, as origens e os destinos dos valores depositados nas minhas contas bancárias. entretanto, conforme demonstrarei a seguir, os fundamentos apresentados pela Fazenda Nacional contrariam o que dispõe a legislação vigente. Preliminar o julgamento do recurso voluntário se iniciou na sessão do dia 10/09/2008 e encerrou na sessão do dia 03/12/2010 (complementação da decisão anterior); segundo os artigos 4° e 7°, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, o recurso especial fundado em violação à lei ou à evidência da prova só poderia ser apresentado contra decisões que ocorreram em sessões realizadas até o dia 1º/07/2009; entendo que, se o Recurso Especial tivesse sido apresentado em face da decisão do dia 10/09/2008, o recurso seria cabível; no entanto, com a apresentação de Embargos de Declaração, houve uma complementação da decisão anterior, na sessão realizada em 03/12/2010; tendo em vista que o recurso especial foi apresentado levando em conta a decisão proferida no dia 03/12/2010, há o desrespeito aos artigos 4° e 7°, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, portanto o recurso especial não pode ser conhecido. Mérito caso o Recurso Especial seja conhecido, saliento que, no mérito, ele não pode prosperar, já que, diferentemente do que nele consta, foram apresentadas, sim, provas Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 individualizadas dos depósitos bancários realizados nas minhas contas bancárias, no exercício de 1997; para tanto, basta examinar todos os documentos e todos os esclarecimentos que apresentei no recurso voluntário. Vale, neste ponto, transcrever as razões que a 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes considerou, ao dar provimento ao meu recurso voluntário: 'Para comprovar tais fatos, trouxe aos autos CÓPIA DOS CHEQUES QUE RECEBEU E EMITIU BEM COMO DECLARAÇÕES DOS MENCIONADOS CLIENTES (...) Primeiramente, cumpre observar que, de acordo com o disposto no art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, é possível a apreciação de provas produzidas após a impugnação, tendo em vista a impossibilidade de o Recorrente têlas apresentado oportunamente, motivo pelo qual analisamos DETIDAMENTE no presente caso todos os documentos por ele acostados. (.) Notese que, após indicar todas as obras que foram executadas sob sua responsabilidade e os nomes dos respectivos proprietários, o Recorrente apresenta em seu recurso uma relação de documentos (fl. 108) que comprovam os fatos por ele narrados tanto na impugnação quanto no referido recurso voluntário, (.) Quanto às DECLARAÇÕES DOS TOMADORES DOS SERVIÇOS (fls. 121/126), É POSSÍVEL CONSTATAR QUE ELES REALIZARAM DEPÓSITOS NA CONTA CORRENTE DO RECORRENTE, a título de prestação de serviço de fiscalização de construção de casas e pagamento de mão de obra e material. Notese, ainda, que o Recorrente apresentou diversas copias de cheques que (i) foram emitidos pelos tomadores de serviços e (ii) cheques que ele mesmo emitiu para os empreiteiros das referidas obras. A apresentação das declarações dos tomadores de serviços, dos alvarás das obras e dos cheques de terceiros ou do próprio Recorrente COMPROVAM A VEROSSIMILHANÇA DE SUAS ALEGAÇÕES, como também a coerência de suas explicações. Alias, é oportuno destacar, nesse sentido, que desde o inicio da fiscalização, o Recorrente tem procurado comprovar que os valores depositados em sua conta corrente não lhe pertencem, não tendo, em nenhum momento, se negado a apresentar os esclarecimentos necessários. (.) Considerandose, portanto, que todos os documentos juntados aos autos comprovam as alegações do Recorrente, devendose considerar identificados os depósitos, bem como o fato de que a fiscalização não observou o disposto nos § 2° e § 5º do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, voto no sentido de DAR provimento ao recurso." Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.001861/200211 Acórdão n.º 9202002.651 CSRFT2 Fl. 18 9 verificase, claramente, que a documentação que eu trouxe ao processo, alem de ser hábil e idônea, conforme determina a legislação em vigor, é esclarecedora quanto a. origem e ao destino dos valores depositados nas minhas contas bancárias, comprovando o rígido controle das operações efetuadas; dentre as provas que apresentei, destaco: (i) planilhas que indicam, de forma individualizada, a origem dos valores, com a menção à data dos depósitos, ao nome dos depositantes (tomadores dos serviços), ao nome dos bancos (em caso de transferências e cheques), ao número dos cheques (em caso de cheques) e aos valores dos depósitos; (ii) extratos bancários devidamente identificados; (iii) cópias de cheques; (iv) notas fiscais em nome dos tomadores dos serviços, que comprovam o destino dos importes depositados; (v) recibos, (vi) microfilmagens de cheques emitidos; (vii) declarações dos tomadores dos serviços, com firma reconhecida, reconhecendo os depósitos indicados na planilha com seus respectivos nomes; e (viii) cópias dos documentos (RG, CPF e IPTU) de todos os depositantes (origem dos valores depositados); indiscutivelmente, há um conjunto probatório hábil e idôneo, na forma pela qual estabelece o art. 42, caput, da Lei n° 9.430, de 1996, e que de forma alguma deve ser considerado genérico, não pode a Fazenda Nacional, em total desrespeito ao referido artigo, ignorar prova hábil e idônea e tratála como sendo inábil e inidônea; ressalto que não houve, em momento algum, a discussão quanto à suposta idoneidade das provas que apresentei; além disso, não há qualquer justificativa plausível para se desconsiderar as provas dos autos; por essa razão, não pode a Fazenda Nacional simplesmente desprezar prova revestida de legalidade e de fé pública (como, por exemplo, as declarações assinadas pelos tomadores dos serviços, com firma reconhecida) e tentar trazer uma solução "mais razoável'; poderia até se cogitar a desconsideração das referidas provas, caso tivesse se questionado a autenticidade e a idoneidade das provas, mas como, no presente caso, isso não ocorreu, não há como aceitar que a solução "mais razoável" seja pelo desprezo de prova hábil e idônea; se não bastassem todas as provas já produzidas, mais uma vez, demonstrando a minha boafé e o meu compromisso com a verdade e com a justiça, trago uma nova planilha que demonstra, de maneira individualizada e pormenorizada, a origem e o destino dos valores (doc. 03); na prática, a planilha complementa, esclarece e especifica informações que eu já havia trazido ao processo, portanto está devida e exaustivamente demonstrada a origem e o destino dos depósitos bancários efetuados nas minhas contas correntes, no exercício de 1997, até o limite do que uma pessoa física está habilitada a conseguir; diante de todas as provas apresentadas, caso este Conselho entenda indispensável a apresentação de provas que só poderiam ser fornecidas por instituições financeiras nas quais os meus clientes mantinham contas correntes, peço que, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n.° 105, de 2001 e do artigo 197, inciso II do Código Tributário Nacional, solicite a quebra de sigilo bancário de tais clientes. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do recurso, ou que se lhe negue provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, c/c art. 4º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 – Recurso por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova. A matéria a ser examinada diz respeito a autuação por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Em sede de ContraRazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando: “0 julgamento do recurso voluntário se iniciou na sessão do dia 10/09/2008 e se encerrou na sessão do dia 03/12/2010 (complementação da decisão anterior). Segundo os arts. 4° e 7°, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, o recurso especial fundado em violação à lei ou à evidência da prova só poderia ser apresentado contra decisões que ocorreram em sessões realizadas até o dia 01/07/2009. Entendo que, se o recurso especial tivesse disso apresentado em face da decisão do dia 10/09/2008, o recurso seria cabível. No entanto, com a apresentação de embargos de declaração, houve uma complementação da decisão anterior, na sessão realizada em 03/12/2010. Tendo em vista que o recurso especial foi apresentado levando em conta a decisão proferida no dia 03/12/2010, há o desrespeito aos arts. 4° e 7°, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, o recurso especial não pode ser conhecido.” Os Embargos de Declaração ora tratados, à época de sua interposição, eram disciplinados pelo art. 57 do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007. Dito dispositivo assim determinava: “Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Câmara, pelo Procurador da Fazenda Nacional, por Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.001861/200211 Acórdão n.º 9202002.651 CSRFT2 Fl. 19 11 fundamentada, dirigida ao Presidente da Câmara, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. § 2º O despacho do Presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da Câmara em caso contrário. § 3º Os embargos de declaração serão submetidos à Câmara, caso o conselheiro relator, ou outro designado pelo Presidente da Câmara para se manifestar, assim o decida.”. No caso em apreço, não há dúvida no sentido de que o Presidente da Câmara acolheu os Embargos opostos pela Fazenda Nacional, reconhecendo a omissão apontada, tanto assim que encaminhou os autos à Conselheira que proferira o voto divergente, para que ela esclarecesse o alcance de sua discordância em relação ao voto condutor do aresto. Assim, a omissão ora tratada implicava na alteração da parte dispositiva do acórdão, estabelecendo inclusive os limites para a interposição de recurso da Fazenda Nacional por contrariedade à lei ou à evidência de prova, em matéria que envolve essencialmente a análise do conjunto probatório constante dos autos. Dante disso, o processo teria de retornar à pauta de julgamento, para deliberação da Câmara, conforme determina o §2º, do art. 57, acima transcrito. Entretanto, o acórdão até o momento não foi alterado, porém a omissão nele verificada foi efetivamente suprida por meio de despachos constantes dos autos (fls. 506/507). Nesse passo, verificase que a Fazenda Nacional, a quem interessava a reparação da omissão, foi informada dos limites do provimento parcial, o que possibilitou o exercício de seu direito ao recurso pelo art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno. O Contribuinte argumenta que, uma vez que o recurso foi interposto em face da complementação da decisão, ocorrida em 03/12/2010, a Fazenda Nacional não mais teria o direito à modalidade de recurso apresentada, que somente contemplaria as decisões proferidas até 1º/07/2009. Diante de tal alegação, entende esta Conselheira que a decisão proferida em 10/09/2008 foi por maioria de votos, o que já garantia o direito à modalidade de recurso pretendida pela Fazenda Nacional. O que ocorreu foi que a ausência de especificação acerca do voto dissidente prejudicou o direito da Recorrente, o que foi reparado posteriormente. Assim, com a prolação do Acórdão 10249.236, em 10/09/2008, a Fazenda Nacional adquiriu o direito de recorrer por contrariedade à lei e à evidência de prova, direito este que foi impedida de exercer, pela ocorrência de omissão quanto à abrangência do voto dissidente, o que foi sanado posteriormente por meio de despachos de esclarecimento. Destarte, entendendo que um lapso processual não pode prejudicar o direito adquirido pela ora Recorrente, conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, na modalidade eleita, qual seja, por contrariedade à lei ou à evidência de prova, e passo a examinálo. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que o Contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contascorrentes, de forma individualizada, com coincidência de datas, valores e depositantes. Na esteira do voto dissidente, a Recorrente aceita como comprovados apenas os valores para os quais o Contribuinte apresentou cópia dos cheques emitidos por seus clientes e depositados nas contascorrentes examinadas. Como tal Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 comprovação abrange parcela muito pequena dos depósitos, cabe a este Colegiado examinar praticamente a totalidade dos elementos que deram origem ao lançamento. Nesse passo, verificase que a autuação foi lastreada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: “Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica;” Tratase da fiscalização efetuada em duas contascorrentes, mantidas em nome do Contribuinte no Banco Itaú durante o anocalendário de 1997. Analisandose a ação fiscal, iniciada em 03/10/2002 (fls. 01), constatase que em nenhum momento foi apresentada ao Contribuinte, conforme determina o §3º, acima transcrito, uma relação individualizada dos créditos cuja origem ele deveria comprovar. O que sempre foi apresentado ao Contribuinte, por meio dos Termos de Início de Fiscalização, de Intimação e de Constatação (fls. 03, 07 a 09 e 44/46), foi uma relação de valores mensais, totalizados, incluindo até mesmo as transferências entre contascorrentes, perfeitamente identificadas nos extratos de fls. 20 a 43. Como se pode verificar, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal exibe uma relação de valores, que representam os totais mensais dos depósitos considerados sem comprovação da origem, que corresponde ao total dos créditos efetuados nas contascorrentes, subtraídos os valores correspondentes aos resgates de aplicações, as transferências entre as duas contascorrentes objeto da autuação – com base em demonstrativo apresentado pelo Contribuinte às fls. 12 – e os rendimentos declarados pelo Contribuinte (Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1998, anocalendário de 1997, às fls. 04 a 06). O Contribuinte, por sua vez, desde o primeiro momento esclareceu ser Engenheiro, e que os depósitos efetuados em suas contascorrentes não lhe pertenciam, mas sim serviriam para efetuar pagamentos de material e mãodeobra, relativos às obras que fiscalizava. Na oportunidade, apresentou a relação dos nomes e endereços de seus clientes, que teriam efetuado os depósitos (fls. 11), bem como diversos protocolos, solicitando ao Banco Itaú documentos necessários à comprovação da origem dos depósitos, inclusive cópias de cheques depositados em suas contas e por ele emitidos (fls. 14 a 18). Ademais, o Contribuinte apresentou os extratos das referidas contas, já indicando os depositantes que conseguiu identificar (fls. 20 a 43). Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.001861/200211 Acórdão n.º 9202002.651 CSRFT2 Fl. 20 13 Claro está que a simples indicação dos nomes dos depositantes nos extratos não poderia, isoladamente, ser considerada como prova absoluta, porém o conjunto probatório apresentado até aquele momento, inclusive as informações constantes da Declaração de Ajuste Anual, confirmando a ocupação do contribuinte, bem como exibindo rendimentos recebidos de pessoas físicas, inclusive com recolhimento de carnêleão. Ademais, o Contribuinte não se quedou inerte, mas sim buscou obter os comprovantes junto à instituição financeira, o que se sabe ser bastante difícil, tendo em vista o tempo decorrido (quase cinco anos). Diante de tal contexto, no entender desta Conselheira, a fiscalização já teria indícios suficientes para direcionar a autuação à tributação específica, conforme a atividade econômica que o próprio Contribuinte confessou e declarou exercer. Nesta senda, a fiscalização já dispunha da lista de clientes, que certamente teriam contratos de prestação de serviços firmados com o Contribuinte, fixando inclusive a respectiva remuneração. Entretanto, a fiscalização foi iniciada em 03/10/2002, sendo que em 31/12/2002 iria operarse a decadência, o que decerto impediu uma apuração mais minuciosa. Assim, o Auto de Infração foi lavrado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem identificação de origem. O Contribuinte, por sua vez, mantevese ativo na busca de outros elementos de prova, apresentando juntamente com a impugnação os Alvarás onde consta como responsável técnico, relativos às obras que desde o início da fiscalização havia mencionado, onde figuram também os nomes de seus clientes (fls. 63 a 72). Na oportunidade, apresentou novas relações dos cheques depositados, com mais identificações (fls. 73 a 81). Mantida a autuação, o Contribuinte seguiu tentando comprovar suas alegações, apresentando, em sede de Recurso Voluntário, onze envelopes, contendo relação complementar de cheques e transferências efetuadas, com mais identificações; cópias de cheques de clientes, correntistas do Banco Itaú; cópias e segundas vias de notas fiscais, pedidos e recibos, de materiais e mão de obra, uma vez que os originais foram entregues aos clientes; cópias de cheques, fornecidas pelo Banco Itaú, utilizados para pagamento de mão de obra dos empreiteiros que prestaram serviços nas obras referidas; relação e identificação das contas de clientes que fizeram, além de depósitos, transferências para as contas objeto da autuação; cópias dos documentos, CPF e RG e IPTU, dos clientes que não puderam ser contatados (Gilson de Campos, Mitie Tsuruda e Sizuka Tsuruda), bem como daqueles que, que, receosos, não se dispuseram a assinar a declaração (Milton Kiyoshi Uchima, Makio Goto, Jefferson da Costa Ramalho e Pedro Issamu Tsuruda). Ademais, o Contribuinte assim esclareceu: "Através dos documentos anexados, espero comprovar que os valores depositados não me pertencem, pois demonstram a origem e o destino dos valores creditados e debitados em minhas contas correntes. Apesar do meu interesse em colaborar para o esclarecimento desses valores, encontrei dificuldades, principalmente junto ao Banco Itaú, na obtenção de microfilmagem dos cheques depositados, falta de tempo hábil para a apresentação de documentos e o desinteresse de algumas pessoas as quais prestei serviço" O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim estabelece: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim sendo, tendo em vista o conjunto probatório constante dos autos, no sentido do efetivo exercício, pelo Contribuinte, de atividade econômica que comporta o trânsito de recursos de terceiros na contacorrente do profissional prestador dos serviços, entendo não ser possível a manutenção da autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem. É certo que não se pode afirmar que não teria havido omissão de rendimentos por parte do Contribuinte, já que este certamente recebia remuneração pela prestação dos serviços de fiscalização de obras. Entretanto, a meu ver, somente uma fiscalização voltada para a tributação específica, conforme previsto no art. 42, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996, teria o condão de fixar a exata medida de uma eventual omissão de rendimentos. Diante do exposto, uma vez que, na fase em que se encontra o processo, já não é cabível a realização de diligência, e em face da impossibilidade de se fixar, com exatidão, o total dos rendimentos eventualmente omitidos, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15922.000120/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/11/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÓCIO COTISTA. AUSÊNCIA DE DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL.
Dar ou atribuir cota ou participação nos lucros, a sócio quotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, não constitui infração ao disposto no art. 52 da Lei nº 8.212/91, caso reste improvado o débito das contribuições previdenciárias.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.848
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Substituto: Edgar Silva Vidal.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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DISTRIBUIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÓCIO COTISTA. AUSÊNCIA DE DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. Dar ou atribuir cota ou participação nos lucros, a sócio quotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, não constitui infração ao disposto no art. 52 da Lei n.º 8.212/91, caso reste improvado o débito das contribuições previdenciárias. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/03 /2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Substituto: Edgar Silva Vidal. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Edgar Silva Vidal, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/03 /2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15922.000120/200767 Acórdão n.º 230101.848 S2C3T1 Fl. 49 3 Relatório 1. Tratase de recurso de ofício interposto pela julgadora de primeira instância (Delegacia da Receita Federal em Campinas – SP) contra decisão que julgou improcedente o lançamento de débito feito em desfavor da empresa STAMPAFARE EMBALAGENS LTDA. 2. Segundo o relatório fiscal, o débito lançado se deu em razão de o contribuinte ter dado ou atribuído “cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando em débito com a Seguridade Social, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 52, II, combinado com o art. 280, II, do regulamento da previdência Social – RPS.” 3. A ementa da decisão monocrática restou vazada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Dar ou atribuir cota ou participação nos lucros, a sócio quotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, não constitui infração caso reste improvado o débito das contribuições previdenciárias, na forma da Lei. Lançamento Improcedente.” É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso de ofício, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO RECURSO DE OFÍCIO 2. Conforme relatório fiscal, a infração se deu em razão de o contribuinte ter, em 28 de novembro de 2003, dado ou atribuído “cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando em débito com a Seguridade Social, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 52, II, combinado com o art. 280, II, do regulamento da previdência Social – RPS.” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/03 /2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. A seu turno, a decisão vergastada, contrariamente ao procedimento adotado pelo auditor fiscal, firmou posição no sentido de que “a inadimplência não se configura como crédito da seguridade social, assim, o presente Auto improcede tendo em vista que a motivação da autuação foi o não repasse aos cofres públicos das contribuições. Frisase que os valores inadimplidos não foram declarados em GFIP – Guias de recolhimento de FGTS e informações para a Previdência Social, assim, não há como admitir a autuação.” 4. Desta forma, conclui o julgador de primeira instância que “dar ou atribuir cota ou participação nos lucros, a sócio quotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, não constitui infração caso reste improvado o débito das contribuições previdenciárias, na forma da Lei.” 5. Pois bem, analisando os autos, perfilho o mesmo entendimento daquele pronunciado na decisão monocrática que julgou improcedente auto de infração, conforme passarei a demonstrar a seguir. 6. A Lei n.º 8.212/91 em seu no seu artigo 52, II, na redação vigente à época, impôs a regra de vedação à distribuição dos lucros, no entanto, não conceituou a palavra débito conforme se pode constatar da redação legal: “Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: I distribuir bonificação ou dividendo a acionista; II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sóciocotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento.” 7. A referida lei dispõe no parágrafo 7º, do artigo 33 que o “crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte”. Razão pela qual somente a partir daí é que a fiscalização poderia formar qualquer convicção a respeito da infração nominada em seu relatório. 8. Partindo da conceituação acima e do cotejamento com o estabelecido no art. 52, temos o próprio fisco colacionou informações nos autos no sentido de que as notificações de débito foram lavradas apenas em 29/11/2005, enquanto que a distribuição dos lucros se deu em 28/11/2003, ou seja, anterior à constituição regular do débito. 9. É o que consta dos autos: “Às fls. 19/21 constam cópias das telas obtidas da consulta ao sistema informatizado da DATAPREV, no arquivo DÍVIDA ATIVA – CONSULTA AS INFORMAÇÕES DO CRÉDITO, de onde se extrai que foram lavradas as NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 35.806.5879 e 35.806.5887, em 29/11/2005.” (fl. 47 – verso) 10. Dessa forma, levando em consideração que no momento da distribuição não havia óbice legal firmo meu posicionamento no sentido da inviabilidade da manutenção do auto de infração e mantenho, portanto, a decisão recorrida, negando provimento ao recurso de ofício. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/03 /2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15922.000120/200767 Acórdão n.º 230101.848 S2C3T1 Fl. 50 5 CONCLUSÃO 11. Ante o exposto, conheço do recurso de ofício, mas NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/03 /2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.910746/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2000
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DILIGêNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Numero da decisão: 3803-003.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGêNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 46 /2 00 8- 84 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP no 15234.57769.260104.1.3.049325 (fls. 9/13, numeração eletrônica), transmitido em 26/01/2004, que busca utilizar crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS da competência abril de 2000, recolhido em 15 de maio de 2000, no valor original de R$ 7.430,30 para compensação com débito do mesmo tributo das competências Setembro, outubro e novembro de 2003 no valor total de R$ 12.286,74. A DRF em São Paulo emitiu Termo de Intimação (fls. 2) através do qual informa à contribuinte a não localização do DARF indicado, requer regularização e comunica que a não regularização acarretaria no indeferimento do pedido de compensação. O sujeito passivo tomou conhecimento do Termo em 15/12/2006 (AR fls. 7) e sobre este silenciouse. O Despacho Decisório (fls. 1) indeferiu o pedido da contribuinte por não localizar o DARF indicado, como já verificado em intimação entregue anteriormente. Irresignada a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde, em suma, alega que a autoridade administrativa concluiu pela inexistência do crédito sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. Conclui pedindo a anulação do Despacho Decisório, e diligencia para a verificação dos fatos, alternativamente pede a homologação do PER/DCOMP. A DRJ/SP1 indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Em seu acórdão ressalta que a contribuinte já tinha sido alertada para a não localização do DARF em Termo de Intimação, e que a Manifestação de Inconformidade serve para a contribuinte interpor recurso colacionando provas a fim de sanar os equívocos. Entendeu que o sujeito passivo não logrou êxito em comprovar a existência do credito alegado em PER/DCOMP, e argumenta que a diligencia não se presta a suprir falha da própria contribuinte. Inconformada o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário a esta turma julgadora, onde, em síntese, alega que não foi intimado a demonstrar a existência do crédito, afronta ao Inciso II do artigo 59 do decreto 70.235/72 e ao artigo 3º da Lei 6.830/80 por preterição ao direito de defesa, por fim requer a nulidade da decisão, diligência para atestar os créditos e alternativamente que seja homologada a compensação É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte apresentou PER/DCOMP que foi indeferido pela não localização do DARF informado como crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.910746/200884 Acórdão n.º 3803003.784 S3TE03 Fl. 11 3 Da preliminar de nulidade. O sujeito passivo pugna pela nulidade do despacho decisório que não homologou PER/DCOMP, por entender que o seu direito de defesa teria sido preterido. Invoca o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, vejamos: “Art. 59. São nulos:[...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” O argumento não procede. A contribuinte tem seu momento regulamentar para apresentação de provas na manifestação de inconformidade conforme § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, isto bastava para garantia do seu direito de defesa, contudo, em analise dos autos verificamos que anteriormente ao despacho decisório foi dada oportunidade para o contribuinte regularizar o pedido de ressarcimento através de Termo de Intimação, o qual foi recebido e não respondido. Com isso, afasto a nulidade do despacho decisório e passo a discutir o mérito da questão. Comprovação de Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/COFINS em razão da não aplicação do § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhuma prova para comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de conformidade. A não traz aos autos provas contábeis e fiscais necessárias e indispensáveis à comprovação do credito requerido. A contribuinte teve pelo menos dois momentos para apresentação de provas que sustentasse o seu pedido, uma quando foi intimada a regularizar o pedido de ressarcimento e outra no momento em que apresentou a sua manifestação de conformidade, em nenhum deles carreou provas suficientes. Do pedido de diligência. Acerca do pedido de diligência formulado pela requerente, cabe lembrar que esta não se presta a suprir a obrigatoriedade do sujeito passivo em carrear provas ao processo, nem suplantar sua inércia. O Decreto 70.235/72 em seu artigo 18 estabelece as condições para sua realização, conforme exposto: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” No presente, concluímos como prescindível a diligencia, pois a falha da contribuinte em não arrolar provas necessárias está devidamente comprovada, não restando qualquer duvida a ser dirimida. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, e indeferir o pedido de diligência. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.910746/200884 Acórdão n.º 3803003.784 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900838/2008-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2002 a 31/06/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN.
O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a incidência da chamada multa moratória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO TARDIO DO TRIBUTO QUE ANTECEDE A CONFISSÃO DO DÉBITO EM DCTF. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.
Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o pagamento tardio que antecede a declaração do débito em DCTF afasta a imposição de penalidade pecuniária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3403-001.546
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira (Relatora) e Robson José Bayerl. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 31/06/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN. O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a incidência da chamada multa moratória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO TARDIO DO TRIBUTO QUE ANTECEDE A CONFISSÃO DO DÉBITO EM DCTF. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o pagamento tardio que antecede a declaração do débito em DCTF afasta a imposição de penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Provido
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MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN. O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a incidência da chamada multa moratória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO TARDIO DO TRIBUTO QUE ANTECEDE A CONFISSÃO DO DÉBITO EM DCTF. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o pagamento tardio que antecede a declaração do débito em DCTF afasta a imposição de penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira (Relatora) e Robson José Bayerl. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Marcos Tranchesi Ortiz Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho e Robson José Bayerl., e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – DRJ/CTA que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio do PER/DComp nº 23630.89577.230804.1.3.043907 nos termos do despacho decisório emitido em 09/05/2008. O pedido de compensação objetiva compensar recolhimento a maior de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, efetuado em 31/07/2002. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$ 1.848,00. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório, fls. 06/08. Por bem relatar os argumentos trazidos pela recorrente, adoto trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 39v: Segundo o despacho decisório, cientificado em 21/05/2008 (fl. 09), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado (parte do pagamento de R$ 36.848,00, cod. 2172, efetuado em 31/07/2002) encontravase totalmente utilizado, não restando crédito disponível para os fins desejados. Na manifestação apresentada a contribuinte, após breve relato dos fatos, defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado, discorre sobre a impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente (a teor do art. 138 do CTN) e aduz o caráter sancionatório da multa aplicada. Ao final, pede o acolhimento da manifestação, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, a não lavratura de auto de infração para exigir a multa de mora e a não aplicação, por parte da Fazenda, de multa isolada punitiva. A 3ª Turma da DRJ/CTA, no Acórdão nº 0628.762, de .13 de outubro de 2010, fls. 39/40, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo os termos do despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 31/06/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10950.900838/200885 Acórdão n.º 3403001.546 S3C4T3 Fl. 83 3 O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o credito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Cientificada da decisão em 08/12/2010, fls. 42, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2010, fls.43/57, repisado os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade, trazendo em seu bojo outras decisões judiciais e administrativas desse colegiado os quais fortalecem seu entendimento. Com base na argumentação em que se fundamenta seu recurso, a recorrente entende que restou demonstrado o direito de reaver aquilo que foi pago indevidamente a titulo de multa, motivo para determinar totalmente procedente o pedido de compensação. Ao final pede pela procedência do recurso interposto, com a reforma integral da decisão recorrida. Por maioria de votos, esse colegiado resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência (Resolução 3403000241), a fim de que os autos retornassem se à DRF de origem para que, fls. 66/68: (i) o órgão preparador rastreie e confirme a ocorrência do pagamento supostamente a maior, cuja guia de recolhimento está às fls. 30 dos autos; (ii) informe a data precisa em que efetivamente realizado referido pagamento. O processo retorna a este órgão colegiado, com o relatório de diligência, fl. 73 e a manifestação da recorrente sobre o mesmo, fls. 78/79. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente sob o entendimento da impossibilidade da exigência de multa sobre os débitos tributários pagos espontaneamente, amparadose no instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, ingressa com o pedido de compensação utilizando como crédito, decorrente de pagamento indevido, o valor R$ 1.848,00 que equivale a multa de mora incidente sobre o débito recolhido em atraso, antes de qualquer notificação fiscal e da feitura da DCTF. Conforme relatado processo resolveram os membros desta turma, por maioria, converter o julgamento em diligência, sendo vencida essa relatora, para que (i) o Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 órgão preparador rastreasse e confirmasse a ocorrência do pagamento supostamente a maior, cuja guia de recolhimento está às fls. 30 dos autos; e (ii) informasse a data precisa em que efetivamente realizado referido pagamento. Em resposta às fls. 73, a unidade de origem confirma a ocorrência do pagamento referente a guia de recolhimento (DARF), acostada à fl. 30, arrecadado em 31/07/2002. Em adição, informa que o pagamento encontrase alocado a débito de Cofins, período de apuração junho de 2002, vencimento em 15/07/2002, no valor de R$35.122,86, totalmente utilizado, não havendo saldo disponível. A requerente, em sua manifestação ao resultado da diligência, vem rebatendo que o pagamento foi anterior a entrega da DCTF. Sendo pacífica a jurisprudência administrativa no sentido de que é indevida a penalidade, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. O resultado da diligência e os argumentos trazidos pela recorrente na manifestação ao relatório da diligência solicitada não alteram o meu entendimento firmado quando do julgamento de outros processos da ora recorrente sobre a mesma matéria, nos quais fui a relatora vencida. Por essas razões adoto e transcrevo o voto que apresentei anteriormente: O dispositivo legal citado tem a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Discorre que o propósito do art. 138 é incentivar que os inadimplentes, por vontade própria, regularizem sua situação perante o fisco, concretizandose pela exclusão da responsabilidade pela infração cometida, com isso, pela não imposição de qualquer tipo de penalidade. Cita alguns julgados da Corte que vem aplicando esse entendimentos. Juntou a esses argumentos posicionamentos desse Conselho Administrativo que seguem o entendimento dado pelo Judiciário. Tece ainda comentários sobre a natureza sancionatório da multa de mora. Tratarei, preliminarmente, sobre os julgados administrativos e judiciais trazidos aos autos pela recorrente para fortalecer seu entendimento, com fundamento no instituto da denúncia espontânea, pelo qual o pagamento voluntário do tributo, antes de qualquer procedimento fiscal e mesmo antes da entrega da DCTF, elidiria a obrigação de pagar a multa de mora, mesmo quando realizado intempestivamente, conclusão retirada do artigo 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Vem a recorrente rebatendo que não deve ser alegado que a jurisprudência apresentada não pode ser estendida administrativamente, com a equivocada justificativa de que Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10950.900838/200885 Acórdão n.º 3403001.546 S3C4T3 Fl. 84 5 inexiste norma legal que lhe confira eficácia normativa, como assim quer a autoridade julgadora em seu decisum. E continua,: (...)o interesse estatal de arrecadar só existe no espaço autorizado pelo interesse público reconhecido pela Constituição Federal. Esta a razão, pela qual, os órgãos administrativos, na defesa de seus interesses não podem atropelar o interesse público constante e garantido pelo Poder Judiciário, ao passo que nenhuma pretensão ou decisão administrativa, pode conflitar com o interesse público na dicção que dele fazem os Tribunais Superiores. E continua, ainda: Deste modo, ao negar direito ou beneficio concedido no que tange â alguma exigência fiscal, mesmo diante de sucessivas decisões e entendimentos majoritários dos Tribunais Superiores, notadamente do Superior Tribunal de Justiça, implicase a manifesta inversão de valores, na medida em que significa colocar o interesse estatal acima do interesse público definido na Constituição Federal. E mais, ao assim decidir, o órgão administrativo expõe o Poder Público à inconveniente situação de promover cobranças de um crédito tributário marcado por iminente ilegalidade reconhecida judicialmente em outros casos. Importante frisar ainda, que a ausência de previsão legal estabelecendo a vinculação das decisões administrativas, não impede que as mesmas venham a ser pautadas no bom senso e legalidade, sendo inaceitável, portanto, a alegação do Fisco no sentido de não considerar as decisões colacionadas pela recorrente, ao passo que no atual estágio de amadurecimento das instituições e do relacionamento entre Fisco e contribuinte, a administração tributária ainda pretenda colocar o seu interesse arrecadatório acima do interesse público definido na Constituição, sob o argumento formal de que não está vinculada legalmente a decisões judiciais proferidas em favor de outros contribuintes. Salienta que inúmeros e recentes posicionamentos desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais corroboram e confirmam o entendimento do Judiciário. Cumpre esclarecer a recorrente, que em obediência aos preceitos insculpidos na Constituição Federal, não podem os órgãos administrativos trazerem para si atribuições que não lhe são permitidas/próprias, sob pena de usurparem competências que não lhes foram conferidas pela nossa Carta Política. Porque caso, dessa forma, agissem, estariam sim, saindo fora contorno definido, em flagrante desrespeito ao interesse público. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Daí porque só podem reconhecer como norma, o que por norma encontrase definida no ordenamento jurídico brasileiro. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. Assim mesmo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento. No tocante as decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data venia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Quanto à natureza da multa de mora ser condenatória ou não, temos posicionamentos diversos. Mas o Supremo Tribunal Federal, expressamente, reconheceu na súmula 565 a multa moratória como uma pena administrativa. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10950.900838/200885 Acórdão n.º 3403001.546 S3C4T3 Fl. 85 7 Devese salientar que a exigência da multa de mora decorre de mandamento expresso na lei (arts. 43, 61 e 5º, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Importa salientar, tratandose de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de o contribuinte antecipálo não o exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer fora dos prazos previstos, como no específico caso. O sistema legal tributário brasileiro tem mantido, de forma regular e consistente, a multa de mora para o pagamento espontâneo do contribuinte, e a multa de ofício, para a exigência formulada em lançamento pela autoridade fiscal. Nesse passo, extrair da leitura do art. 138 do CTN que ele seja um incentivo aos inadimplentes, tornaria sem eficácia os dispositivos legais que prevêem a multa de mora, como se tal exigência não existisse no ordenamento pátrio. Por fim, sob uma ótica sistemática, a exoneração da multa de mora para o contribuinte retardatário seria uma subversão do ordenamento jurídico no que diz respeito à determinação de prazos, uma vez que o contribuinte poderia pagar o tributo no momento que quisesse, sem a imposição de qualquer sanção, desde que fosse antes da atuação oficial, ou seja, seria equivalente à mitigação do prazo legalmente estipulado. Portanto, não acolho a argumentação da recorrente. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Voto Vencedor De acordo com a ilustre relatora, Conselheira Liduína M. Alves Macambira, a liquidação tardia de obrigações tributárias sujeitas a lançamento por homologação compele o contribuinte – em qualquer hipótese – à multa moratória prevista pelo artigo 61, da Lei no. 9.430/96. Tenho, todavia, seguido orientação teórica distinta, segundo a qual, nestas espécies tributárias, o pagamento a destempo, quando efetuado antes que o sujeito passivo confesse a obrigação em instrumento apropriado, elide a incidência da multa de mora em questão. O raciocínio que me conduz à conclusão passa por duas etapas: a primeira consiste em afirmar a natureza punitiva da multa de mora e, assim, a eficácia da denúncia espontânea sobre o encargo; a segunda, em investigar a influência da confissão espontânea da dívida tributária sobre a aplicabilidade do instituto. Eis o art. 138 do CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. A denúncia espontânea consiste em opção políticofiscal do legislador. Pretendeu ele estimular o cumprimento voluntário de obrigações fiscais pelo contribuinte, eximindoo de sanções sempre que decida emendar qualquer irregularidade fiscal dentro de um determinado intervalo de tempo. Cuidase de figura tributária afim a do “arrependimento eficaz”, presente na área do direito penal. Dois elementos fáticos compõem a hipótese de incidência do instituto, a saber: (a) a correção voluntária da irregularidade fiscal pelo contribuinte (art. 138, caput); e (b) a ausência de procedimento administrativo iniciado ao tempo da correção (art. 138, parágrafo único). A conseqüência normativa, lêse no mesmo artigo 138, é a “exclusão da responsabilidade do contribuinte por infrações tributárias”. A primeira indagação levantada acima diz justamente com o consequente normativo do art. 138: qual infração tributária é excluída pela denúncia? Já a segunda análise relacionase ao segundo elemento da hipótese normativa: podese falar em “ausência de procedimento administrativo” se o contribuinte já declarou o débito em DCTF? Enfrentemos, pois, as duas questões. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10950.900838/200885 Acórdão n.º 3403001.546 S3C4T3 Fl. 86 9 1. Art. 138 do CTN: Aplicabilidade às Multas Moratórias. A tese geralmente sufragada por quem advoga a inafastabilidade da multa moratória nas hipóteses de denúncia espontânea adota por premissa suposta distinção entre multas “administrativas”, também chamadas “punitivas”, de um lado, e multas “moratórias” ou “indenizatórias”, de outro. A primeira espécie de multa, dizse, é aquela aplicada de ofício pela Administração, com o escopo de intimidar o contribuinte faltoso, de sancionálo pelo descumprimento da obrigação tributária, dissuadindoo de reincidir na prática. Já a segunda espécie, a multa de mora, prestase ao escopo único de indenizar o Erário pelo lapso em que ficou privado do tributo devido, em razão do atraso do contribuinte em adimplilo. A distinção está cristalizada no Parecer Normativo CST nº 61/79: “As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. Punitiva é aquela que se funda no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde o arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. A multa de natureza compensatória destinase diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável a indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios.” Feita essa distinção, o próximo passo do iter exegético é associar o vocábulo “infração” à multa punitiva apenas, é dizer, somente a multa punitiva decorria de uma infração do contribuinte, já que a multa moratória decorreria da simples necessidade de indenizar o Fisco. Como o art. 138 do CTN vem encartado dentro de Seção denominada “Responsabilidade por Infrações”, a denúncia espontânea, concluise, aplicase unicamente às multas punitivas. Divirjo da tese já na sua premissa. Entendo que toda e qualquer sanção guarda escopo necessariamente punitivo e que, para a indenização do Fisco credor, estão aí os juros moratórios. Nesse sentido, o pensamento de Sacha Calmon: “Em direito tributário é o juro que recompõe o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. A multa é para punir, assim como a correção monetária é para garantir, atualizandoo, o poder de compra da moeda. Multa e indenização não se confundem. É verdade que do ilícito pode Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 advir obrigação de indenizar. Isto, todavia, só ocorre quando a prática do ilícito repercute no patrimônio alheio, inclusive o estatal, lesandoo. O ilícito não é a causa da indenização; é a causa do dano. (...) Nada tem a ver com a multa que é sancionatória” (Teoria e Prática das Multas Tributárias. Rio de Janeiro: Forense, 2001. p. 72). Lucia Valle Figueiredo argutamente advertia que, fosse indenizatória a natureza da multa moratória, e teríamos bis in idem com os juros moratórios: “Realmente, não se pode afirmar, data venia dos que pensam em contrário, que a multa moratória não seja sanção. Se não se entendêla como sanção, os juros devidos (esses, sim, constituemse em autêntica compensação pela mora), seriam bis in idem, situação repelida pelo direito” (Da natureza sancionatória da multa e dos efeitos decorrentes das cassações de liminares. in RDDT 63/105). Agora, ainda que a taxionomia das multas proposta pelo Fisco subsistisse, não se justificaria restringir o alcance do art. 138 a apenas uma de suas espécies. Estarseia a enxergar no texto positivado uma limitação que nele não se encontra. Onde nele está dito que apenas as multas punitivas se submetem à disciplina da denúncia espontânea? Acaso o não pagamento do tributo no vencimento não é uma “infração” tributária? Hugo de Brito Machado esmiúça o ponto: “Ainda que a multa moratória não tivesse natureza punitiva, no caso da denúncia espontânea do atraso no pagamento indiscutivelmente incide o artigo 138 do Código Tributário Nacional, pois este não se refere a punição. Esse dispositivo na verdade exclui a responsabilidade pela infração, vale dizer, qualquer que seja a consequência da infração restará excluída. Seja essa consequência uma punição, ou simplesmente o dever de reparar ou indenizar o credor pelo atraso” (Comentários ao CTN. v. II. São Paulo: Atlas, 2004. p. 656). Cabe aqui o alerta de Sampaio Dória acerca da excessiva iniciativa exegética que por vezes acomete os aplicadores do direito: “Seria lógico admitir que o legislador, querendo atingir todo o gênero, mencionasse tão só uma de suas espécies quando, livre de quaisquer peias, poderia referir o gênero ao invés da espécie? Tão inepto é o legislador que precisa socorrerse do aplicador para a articulação da mens legis?” (Elisão e evasão fiscal. São Paulo: Lael. 1971, p.68). Quando o CTN quis referir apenas às multas ditas moratórias – por mais que a ciência do direito condene a distinção –, o fez com absoluta desenvoltura e precisão, como no art. 134, parágrafo único (“o disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório”). Há mais. Se a multa moratória não guardasse ímpeto punitivo, mas apenas indenizatório, restaria, a meu ver, completamente sem sentido a previsão legal de que a multa de ofício – esta sim punitiva, como querem os partidários da tese – substitui a moratória (RIR/99, art. 950, §3º); ora, se as finalidades são diferentes, não haveria razão para não cumulálas. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10950.900838/200885 Acórdão n.º 3403001.546 S3C4T3 Fl. 87 11 Dizse, ainda, que a nãoincidência da multa moratória no caso de pagamento intempestivo representaria um convite ao atraso, pois o agravamento financeiro infligido ao contribuinte impontual seria ínfimo. O argumento me remete ao dilema filosófico do copo “metade cheio, metade vazio”. Sim, não será um despautério enxergar, na denúncia espontânea aplicada à multa moratória, um convite ao atraso, assim como igualmente possível é enxergar um convite a cessar o atraso. Assim preferiu o legislador, essa foi sua opção de política fiscal. Ademais, para desestimular o atraso tem o legislador a ferramenta dos juros moratórios, aos quais o art. 161 CTN não impõe teto. Sacha Calmon adverte a respeito: “Ora, podem os legisladores ordinários (...) fixar um juro equiparado ao bancário, igualando o custo do dinheiro não pago à Fazenda ao tomado à rede bancária. Poderiam até fixálo um pouco acima tornandoo pouco atraente do ponto de vista financeiro. Com isto desestimulariam a inadimplência” (op. cit. p. 110) Poucos anos após a promulgação do CTN, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar lide falimentar em que se debatia a inclusão ou não de multa fiscal dentre os créditos cobráveis na falência, decidiu: “De fato, não disciplina o CTN as sanções fiscais de modo a extremálas em punitivas ou moratórias, apenas exige a sua legalidade, art. 97, V. (...). Nessa conformidade, a sanção fiscal aplicada ao falido, compensada a mora pela correção monetária do tributo exigido e pelos juros moratórios, é sempre punitiva, pois que a sanção aplicada, não o é pela mora, mas pelo simples fato do inadimplemento, daí considerar a sua natureza como punitiva, não como moratória” (RExt nº 79.625. Rel. Min. Cordeiro Guerra. j. 14.08.75) Forte neste entendimento, o Supremo cancelou a sua Súmula nº 191, vigente desde 1963, segundo a qual “incluise no crédito habilitado em falência a multa fiscal simplesmente moratória”, e aprovou a nova Súmula nº 565, pela qual “a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência”. E, já na vigência da nova súmula, voltou a decidir o Supremo: “Ora, a exoneração da responsabilidade pela infração e da consequente sanção, assegurada, amplamente, pelo art. 138 do CTN, é necessariamente compreensiva da multa moratória, em atenção e prêmio ao comportamento do contribuinte” (RExt nº 106.068. Rel. Min. Rafael Mayer. j. 6.8.85). No STJ, esse sempre foi o entendimento dominante (e que, segundo entendo, está atualmente sumulado no verbete nº 436, conforme verseá a seguir): “Considerase ‘denúncia espontânea’, para os efeitos do Art. 138 do CTN, a confissão de dívida, efetivada antes de ‘qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização’. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 Contribuinte que denuncia espontaneamente, débito tributário em atraso e recolhe o montante devido, com juros de mora, fica exonerado de multa moratória (CTN ART. 138)” (1ª Turma. REsp 241.114/RN. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros. j. 13.3.01). “Configurase denúncia espontânea o recolhimento de tributo acrescido o valor principal de correção monetária e juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo. Multa moratória indevida” (2ª Turma. REsp 511.340/MG. Rel. Min. Eliana Calmon. j. 6.11.03). No CARF, a questão ainda é disputada, mas já há precedentes da Câmara Superior no sentido aqui defendido: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. Recurso especial negado” (1ª Turma do CSRF. Proc. 10675.000081/0079. Rec. 123295. Rel. Cons. Remis Almeida Estol. j. 1.12.03). “DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. MULTA DE OFÍCIO Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial negado” (3ª Turma do CSRF. Proc. 11968.000894/200115. Rec. 325351. Rel. Cons. Anelise Daudt Prieto. j. 6.11.2006) Enfim, entendo que a denúncia espontânea da infração pelo contribuinte afasta a incidência de multa moratória. Há, contudo, uma importante exceção a essa regra geral, conforme se passa a demonstrar. 2. Art. 138 do CTN e Prévia Declaração do Débito em DCTF. Como já se viu, um dos componentes do suporte fático da denúncia espontânea é a inexistência de procedimento administrativo fiscalizatório em curso quando do pagamento tardio realizado pelo contribuinte. Pretendeu com isso o legislador prestigiar somente o contribuinte que logrou emendarse antes de qualquer mobilização do Fisco a respeito do seu atraso. Vencido e não pago integralmente o tributo, iniciase – permitasenos uma imagem algo lúdica – uma espécie de “corrida” entre o contribuinte em mora e o Fisco. Se este deflagra a auditoria antes de aquele realizar o pagamento, frustrase o suporte fático do art. 138 do CTN; o Fisco “venceu a corrida”. Se, ao contrário, aquele efetua o pagamento antes de instaurada a auditoria, a “vitória” é do contribuinte, e o art. 138 incide em seu favor. É preciso, contudo, interpretar inteligentemente o ponto, de modo a dar sentido a esse elemento fático trazido pelo parágrafo único do art. 138 do CTN. A ausência de Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10950.900838/200885 Acórdão n.º 3403001.546 S3C4T3 Fl. 88 13 prévio procedimento fiscalizatório só pode ser tomada como requisito da denúncia quando, evidentemente, seja necessário algum procedimento fiscalizatório. Quando, diante da mora do contribuinte, o Fisco estiver dispensado de instaurar procedimento tendente a constituir o crédito tributário, por se considerar já constituído, não se há de ter por realizado o suporte fático do art. 138. Se, nessa hipótese, o contribuinte atrasado purga a mora antes de alguma ação fiscal, não se poderá dizer que aquele haja se antecipado ao Fisco, simplesmente porque nenhuma providência do Fisco era de se aguardar. Não terá havido – abusemos da imagem uma derradeira vez – a “largada” da corrida, pois o Fisco estava dispensado de corrêla. Pois bem. Segundo a Súmula nº 436 do E. STJ, a “entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo o débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco”. Está, pois, consagrado em nosso meio jurídico que o conjunto de informações prestadas pelo contribuinte em DCTF configura lançamento tributário; por mais controvertido que a tese possa ter sido, por mais dissonante com art. 142 do CTN que a idéia possa soar, é preciso curvarse ao entendimento sumulado do STJ, a bem da caríssima segurança jurídica. Caminhemos para a frente, enfim, sem perder nunca o ímpeto crítico, é verdade, mas sem, tampouco, desafiar as construções exegéticas já consolidadas pela jurisprudência pátria. Se assim é, estando o débito em atraso devidamente confessado – leiase, constituído, lançado – em DCTF, não há mais o que cogitar acerca de denúncia espontânea. Recebendo a informação do débito em DCTF e não identificando a guia de pagamento no vencimento, o Fisco, somando esses dois fatos, constatará a infração do contribuinte, isto é, a infração já será de conhecimento do Fisco. Não há mais o que denunciar! Por isso, entendo acertado – e coerente com a já referida Súmula nº 436 – o entendimento do STJ consolidado na Súmula nº 360: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Análise dos julgados que redundaram na edição da súmula revela justamente a idéia aqui sustentada, pela qual não se pode cogitar de início de procedimento fiscalizatório quando não se faz necessário nenhum procedimento fiscalizatório. Confirase: “Se a declaração do contribuinte elide a necessidade de formal constituição do crédito tributário, tanto assim que a Fazenda, após o vencimento, já pode inscrever o crédito em dívida ativa e iniciar o processo de cobrança judicial em caso de inadimplemento, não é razoável admitir que o benefício da denúncia espontânea seja aplicado em situações como esta, em que já constituído o crédito fiscal” (1ª Seção, REsp 850.423/SP. Rel. Min. Castro Meira. j. 28.11.07). Em outros julgados, evidenciase que, se o Fisco já tudo sabe sobre o atraso do contribuinte, despiciendo seria manter a denúncia como estímulo à boa conduta do contribuinte: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 14 “O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte” (1ª Seção. EREsp nº 629.426/PR. Rel. Min. José Delgado. j. 13.12.04). “Tratandose de débito declarado e não pago pelo contribuinte, tornase despicienda a homologação formal, passando a ser exigível independentemente de prévia notificação ou instauração de procedimento administrativo fiscal. Assim, como o art. 138, do CTN, condiciona a denúncia espontânea a tributos cujo fato gerador não seja de conhecimento do Fisco (...) não se aplica ao caso em tela, sendo devida a multa moratória” (1ª Turma. AgRg no Resp 326.160/RS. Rel. Min. Milton Luiz Pereira. j. 6.8.02). Muitos constatam nesse entendimento uma injusta e contraditória vantagem aos contribuintes que sequer declaram seus débitos ao Fisco, comparativamente àqueles que não pagam o tributo mas, ao menos, declaramno. Dizem: “Ou seja, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, mais vale sonegar informações à Fazenda, omitindo registro, deixando de emitir documentos fiscais e de escriturar os respectivos livros do que agir de boafé, reconhecendo seus débitos tributários e observando os deveres formais impostos pela legislação” (Sérgio André R.G. da Silva. Denúncia espontânea e lançamento por homologação: comentários acerca da jurisprudência do STJ. in RDDT 98/111). Embora respeitável e persuasivo, o argumento não convence. Seria o mesmo que dizer que a existência de prazo decadencial beneficia o contribuinte que não declara seus débitos ao Fisco, afinal estes terão a chance de verem seus débitos extintos pela fluência do quinqüênio, enquanto aqueles que diligentemente declararam o débito já não desfrutarão dessa possibilidade. O contribuinte que opta por omitir informações em DCTF sujeitase a uma série de outras e severas contingências das quais o contribuinte que declara adequadamente está a salvo, como a de suportar multa de ofício e, principalmente, a de incorrer no tipo penal do art. 1º, I da Lei nº 8.137/90. A circunstância de assistirlhe o benefício da denúncia espontânea não me parece bastante para justificar uma exegese diversa sobre o tema. Ainda sobre a Súmula nº 360 do STJ, entendo que ela, ao consolidar a regra excepcional de nãoincidência do art. 138 do CTN aos casos de tributos já declarados, consagrou também a regra geral de incidência do art. 138 sobre a multa moratória. Basta ler o verbete com ótica a contrario sensu: se a denúncia espontânea não se aplica aos tributos lançados por homologação regularmente declarados, é porque, antes disso, necessariamente se aplica aos tributos lançados por homologação não regularmente declarados. Noutro giro, entendo que a súmula, respondendo à segunda pergunta levantada no início deste voto, respondeu também, afirmativamente, à primeira delas. Um esclarecimento final é oportuno. Ao estender a denúncia espontânea à multa moratória, não estou aqui reconhecendo, nem indireta, nem incidentalmente, a inconstitucionalidade do art. 61, caput da Lei nº 9.430/96, que institui essa modalidade de multa. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10950.900838/200885 Acórdão n.º 3403001.546 S3C4T3 Fl. 89 15 Explicome. Se, antes de iniciada a fiscalização, o pagamento pode ser feito sem multa de mora, e se, sobrevindo o lançamento de ofício, a multa de mora é substituída pela de ofício, seria de concluir nunca aplicável a multa de mora, o que equivaleria a recusar qualquer eficácia normativa ao dispositivo legal que a institui. Não é assim. O entendimento aqui sufragado reserva campo de incidência da multa de mora em pelo menos duas situações: (a) quando o contribuinte efetua o pagamento atrasado do tributo após o início e antes do encerramento da fiscalização; e, principalmente, (b) quando o contribuinte paga o tributo em atraso após haver declarado o débito na DCTF. Portanto, ao conciliálo com o art. 138 do CTN, não pretendo suprimir por inteiro, longe disso, o campo de incidência do art. 61 da Lei nº 9.430/96. 3. Conclusões. Em vista destas considerações e, ainda, tendo em vista que, no caso concreto, a confissão da obrigação tributária via DCTF é posterior ao recolhimento tardio do tributo, tenho por aplicável a regra do artigo 138 do CTN e, por conseguinte, voto pelo provimento do recurso voluntário, a fim de se homologar a compensação declarada. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 13971.910878/2009-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-004.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 03/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 78 /2 00 9- 66 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório A contribuinte formalizou perante a DRF/BlumenauSC Per/DComp para o encontro de contas com créditos decorrentes de pagamento realizado a maior, sendo o pedido indeferido por meio de despacho decisório que informou não haver crédito disponível para efetuar a compensação declarada. Irresignada a contribuinte manifestou a sua inconformidade, argumentando pela necessidade da busca da verdade material, deduzindo pela declaração de nulidade do ato administrativo que não homologou a compensação declarada, sob a égide da ausência de motivação e de fundamentação, o que ensejaria o desvio de finalidade, laborando em prejuízo ao exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Pugnou, ainda, pela não exigência dos juros (taxa Selic) e da multa de mora, por se contrapor aos princípios da vedação ao confisco, razoabilidade e da proporcionalidade, devendo os juros exigidos se limitar ao disposto no CTN. Conclusos vieram os autos para a apreciação da 4a Turma de Julgadores da DRJ/FNS, quando em 25/05/12, proferiram decisão por meio do acórdão nº 0729.074, nos termos seguintes: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O condutor do acórdão em questão entendeu que os valores declarados em DCTF, por se constituírem em confissão de dívida, só podem ter natureza infirmada diante da sua retificação, o que não ocorreu,in casu. Esclareceu que enquanto não retificados, tais valores Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910878/200966 Acórdão n.º 3803004.069 S3TE03 Fl. 7 3 informados são considerados como devidos, não ficando disponíveis para qualquer tipo de repetição: compensação, restituição, ressarcimento ou reembolso. Aduziu, ainda, que não há vício no despacho decisório, eis que a motivação e fundamentação deixaram claro a razão da não homologação, pois compulsando os autos constatou que o despacho decisório faz referência objetiva e sumária à inexistência do crédito alegado pelo sujeito passivo, não havendo desdobramentos fáticos ou jurídicos que justificassem mais do que foi dito, eis que consta de campo próprio do Per/DComp que o recolhimento afirmado pela contribuinte como indevido foi integralmente utilizado pela própria contribuinte para o pagamento do débito relativo ao próprio tributo e ao próprio período de apuração indicados no próprio documento de arrecadação – DARF. Admitiu, entretanto, o relator, que se o contribuinte tivesse retificado previamente a sua DCTF, reduzindo o valor do débito original, não teria tido o seu crédito declarado pela DRF/BlumenauSC como indisponível, o que poderia levar a uma eventual homologação da compensação intentada. Quanto à contestação da exigência da multa de mora e dos juros de mora, tais questões não restaram apreciada em razão da ausência de competência, pois em relação aos julgamentos de reconhecimento de direito creditório, a competência das DRJ se limita à aferição da efetiva existência ou não desse direito alegado pelo contribuinte. A ciência da decisão de primeira instância pela contribuinte se deu por meio de Termo de Ciência por Decurso de Prazo de quinze dias, a contar da disponibilização dos documentos nele acostados na Caixa Postal, Módulo eCAC, do site da Receita Federal. A data de disponibilização dos documentos na Caixa Postal foi 31/05/12 e a data da ciência do acórdão da manifestação de inconformidade por decurso de prazo deuse em 15/06/12. Entretanto, a protocolização do recurso voluntário na CAC da DRF/Caxias do Sul somente ocorreu em 18/06/2012, conforme se depreende do recebimento pelo servidor em seu carimbo. O recurso voluntário aviado reiterou os argumentos expendidos na peça inaugural de forma minudente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 comprovação de sua existência, bem assim não procedeu à retificação da DCTF para, mediante a alteração dos valores originalmente informados, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Noticiam os autos que a recorrente argüiu pela ausência de fundamentação no feito e que deveria haver sido intimada para prestar esclarecimentos ou mesmo para proceder a retificação da DCTF, e que a não ocorrência de tais situações resultou em prejuízo ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal, restando caracterizada assim a nulidade do feito. Neste sentido formulou assertivas que a fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa, ex vi do art. 37 da CF/88, assinalando que a autoridade administrativa antes de não homologar a compensação declarada deveria se certificar da origem do crédito. Não subsiste a pretensão de nulidade do feito. É o que se demonstrará a seguir. A DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à comprovação da liquidez e certeza dos débitos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, que efetivamente não ocorreu por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência do crédito alegado na DComp. Assim utilizandose das informações constantes dos sistemas RFB a fiscalização constatou que o pagamento informado por meio de DARF foi integralmente utilizado para o pagamento de débito regularmente declarado pela própria contribuinte, não restando saldo credor para à satisfação da compensação. Por sua vez a decisão recorrida observou que a contribuinte não efetuou a retificação dos valores informados na DComp por meio da retificação da correspondente DCTF. Compulsando os autos verificouse que a fiscalização amparouse em informações do sistema RFB alimentado pela própria contribuinte, que em momento algum laborou em demonstrar a efetividade da existência do crédito alegado, ou seja, não logrou em demonstrar a certeza e a liquidez necessária a consubstanciar a sua pretensão. Quanto a este aspecto os fatos falam por si só. A decisão consubstanciouse em seus próprios fundamentos, com base no princípio da verdade material, utilizandose de informações fornecidas pela recorrente, tornandose despicienda a sua intimação, pois discricionária é a demanda neste sentido. Partindose do pressuposto de que as informações prestadas regularmente ao Fisco são as mesmas que alimentam os registros contábeis e fiscais da recorrente, e que tais Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910878/200966 Acórdão n.º 3803004.069 S3TE03 Fl. 8 5 informações foram utilizadas pela autoridade administrativa para a comprovação da inexistência de saldo credor para à satisfação da compensação declarada, não há se alegar cerceamento de defesa e muito menos ao contraditório, pois a peça recursal analisada em toda a sua amplitude reflete o direito de audiência e o devido processo legal. No item atinente ao crédito passível de compensação, a recorrente discorre acerca da verdade material para, justificar a possibilidade de comprovação do crédito em qualquer fase processual, entretanto não laborou em demonstrar a efetivamente existência do crédito alegado. E mais. A título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, tais assertivas não se opõem ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, que prevê que o momento de apresentação da prova dáse simultaneamente com a interposição da impugnação/manifestação de inconformidade, não podendo sêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, outrossim esclarecendo que a recorrente não se insere neste contexto. Determina, ainda, o disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. Como dito a recorrente não laborou em demonstrar a razão superveniente que a impediu de apresentar, oportunamente, os documentos trazidos em outro momento processual. Por tal razão não há como acolher o seu pleito neste aspecto. Igualmente não logrou infirmar o conteúdo do decidido no despacho decisório eletrônico, ou mesmo demonstrar a existência de liquidez, certeza e disponibilidade do crédito informado no Per/DComp, para a satisfação da compensação, mediante a homologação e extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. A função do julgador administrativo no âmbito o CARF é a verificação do controle da legalidade e a aplicação da lei ao caso concreto. A aplicação da Taxa Selic a título de juros de mora encontra amparo legal, não havendo a declaração de inconstitucionalidade neste sentido pelo Pleno dos Tribunais Superiores. Este é o entendimento remansoso adotado majoritariamente nos julgamentos realizados no âmbito do CARF. Finalmente, a não apresentação de documentos necessários à comprovação de direito creditório juntamente com a impugnação, por quem de direito, no prazo e na forma da Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 legislação tributária, impede a revisão de ofício e enseja o lançamento para o cumprimento de exigência fiscal. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 12196.000143/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
Ementa:
PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS.
A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da Nota Fiscal exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas.
Processo Administrativo Fiscal
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Não merecem acolhimento as alegações que não se façam acompanhar das provas que lhe deem embasamento
Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
PENSÃO ALIMENTÍCIA. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA.ALCANCE.
As normas do Direito de Família não condicionam a fixação de alimentos à separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$3.408,02 (treis mil, quatrocentos e oito reais, dois centavos) e com pensão alimentícia no valor de R$14.400,00(Quatorze mil, quatrocentos reais), nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento parcial em menor extensão por não admitir a dedução da despesa médica de R$1.200,00 por falta de comprovação adequada
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 Ementa: PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da Nota Fiscal exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo Administrativo Fiscal ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Não merecem acolhimento as alegações que não se façam acompanhar das provas que lhe deem embasamento Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF PENSÃO ALIMENTÍCIA. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA.ALCANCE. As normas do Direito de Família não condicionam a fixação de alimentos à separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso Provido em Parte.
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VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da Nota Fiscal exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Não merecem acolhimento as alegações que não se façam acompanhar das provas que lhe deem embasamento Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF PENSÃO ALIMENTÍCIA. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA.ALCANCE. As normas do Direito de Família não condicionam a fixação de alimentos à separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 00 01 43 /2 00 9- 05 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$3.408,02 (treis mil, quatrocentos e oito reais, dois centavos) e com pensão alimentícia no valor de R$14.400,00(Quatorze mil, quatrocentos reais), nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento parcial em menor extensão por não admitir a dedução da despesa médica de R$1.200,00 por falta de comprovação adequada (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício 2006, anocalendário 2005, em virtude de terem sido glosadas deduções de pensão alimentícia (R$ 14.400,00), e despesas médicas.( R$ 20.226,04). Na impugnação, consoante o relatório da decisão de primeira instância, foi alegado o seguinte: · Não recebeu nenhuma intimação; · A pensão alimentícia decorreu de decisão judicial, segundo o processo n° 103.04.0009663, da 5ª vara do juizado especial cível e criminal da comarca de Campo Grande e comprovante de rendimentos pagos, fls. 07; · As despesas médicas estão comprovadas, segundo os documentos anexos; · Requer o cancelamento do lançamento. A 4ª Turma da DRJ Campo Grande (MS) julgou parcialmente procedente a impugnação, restabelecendo a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 14.880,00. Foi mantida parte da glosa de despesas médicas e a glosa da pensão alimentícia, sob os seguintes fundamentos: QUANTO A DESPESAS MÉDICAS: (...) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12196.000143/200905 Acórdão n.º 2802002.211 S2TE02 Fl. 34 3 Assim, é necessário que seja comprovado: 1. Quem são as pessoas que receberam tratamento para que fique comprovado que estas pessoas são o próprio contribuinte ou seu dependente; 2. Que haja, nos recibos médicos apresentados, a descrição dos serviços prestados para que fique caracterizado se tratar de despesas médicas dedutíveis; 3. A comprovação do efetivo desembolso, especialmente quando as despesas forem de elevado valor para que se verifique se este ocorreu e se ocorreu dentro do anocalendário; Verificase pela legislação acima citada, que são três exigências para comprovar a despesa a título de despesa médica: 1. APRESENTAR NOTA FISCAL, QUANDO SERV. MÉD DE PESSOA JURÍDICA. 2. COMPROVAR A EFETIVA REALIZAÇÃO DO SERVIÇO MÉDICO E O EFETIVO DESEMBOLSO (ATRAVÉS DE EXAMES. PRONTUÁRIOS E DE CHEQUES NOMINATIVOS, CARTÃO DE CRÉD, EXTRATO BANCÁRIO, E T C ) . (...) UNIMED VALOR TOTAL DE R$ 4.146,04 A impugnante traz aos autos o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora Ministério Público Estadual, na qual consta no campo informações complementares o desconto referente ao plano de saúde UNIMED. Em virtude da legislação tributária citada, depreendese que a despesa com o plano de saúde tem que estar relacionada com os gastos da própria impugnante ou dependente declarado na declaração de ajuste anual.Assim, o comprovante de pagamento apresentado não é suficiente para a comprovação da despesa, de forma que é essencial que fosse trazido aos autos a declaração do plano de saúde, que conste de quem é ou de quem são os beneficiários.De forma que se deve manter a glosa. CENTRO DE DIAGNOSTICO LABORATORIAL PRÓLAB LTDA VALOR DE R$ 1498,00 A impugnante traz aos autos a nota fiscal para comprovar a despesa médica, entretanto nesta não consta a data, mas anexo a nota consta o recibo a qual atesta o recebimento do valor de R$ 298,00, logo a dedução da despesa médica deve ser restabelecida parcialmente. DA PENSÃO ALIMENTÍCIA. A impugnante argumenta que a pensão alimentícia decorreu de decisão judicial, segundo o processo n° 103.04.0009663, da 5a vara do juizado especial cível c criminal da comarca de Campo Grande e comprovante de rendimentos pagos, fls. 07. A legislação tributária prescreve na sua pergunta 332, do IRPF 2006 Perguntas e Respostas, em relação a pensão alimentícia dedutível, in verbis: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 PENSÃO JUDICIAL DEDUTÍVEL 332 — Quais são as pensões judiciais dedutíveis pela pessoa física? São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Atenção: As despesas com instrução e as despesas médicas pagas nome do alimentando, em razão de decisão judicial ou acordo judicialmente, podem ser deduzidas somente na declaração seus campos próprios, observado o limite anual relativo instrução (RS 2.198.00). Na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração devem ser informados o nome e o número de inscrição no beneficiários da pensão e o valor total pago no ano, mesmo descontado pelo empregador em nome de apenas um dos beneficiários. (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 42, II, e 8?, II, "f; RIR/1999, Inferese da legislação tributária que a pensão alimentícia dedutível. até mesmo da prestação de alimentos provisionais, deve ser oriunda, conforme normas do Direito de Família e sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Certificase que o § 2º , do artigo 3º , da Lei n° 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, exclui da competência desse juizado as causas de natureza alimentar, in verbis: Art. 3º O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim I as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário II as enumeradas no art. 275, inciso II, do Código de ProcessoCivil; III a ação de despejo para uso próprio; IV as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não no inciso 1 deste artigo. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12196.000143/200905 Acórdão n.º 2802002.211 S2TE02 Fl. 35 5 § 1º Compete ao Juizado Especial promover a execução: I dos seus julgados; II dos títulos executivos extrajudiciais, no valor de até quarenta mínimo, observado o disposto no § 1° do art. 8º desta Lei. § 2º Ficam excluídas da competência do Juizado Especial natureza alimentar, falimentar, fiscal e de interesse da Fazenda Pública e também as relativas a acidentes de trabalho, a resíduos e ao estado e capacidade das pessoas, ainda que de cunho patrimonial. § 3º A opção pelo procedimento previsto nesta Lei importará em renúncia ao crédito excedente ao limite estabelecido neste artigo, excetuada a hipótese de conciliação. Visto que a impugnante aduz na sua argumentação de que a pensão decorreu do processo n° 103.04.0009663, da 5ª vara do juizado especial cível e criminal da comarca de Campo Grande, não pode prosperar, pois se visualiza no § 2º , do artigo 3°, da Lei n° 9.099/95, que a decisão proveniente desse órgão judicial não trata de causa de família. Além disso, a beneficiária da alegada pensão, na sua declaração em conjunto com o seu cônjuge, informou tal rendimento no campo transferências patrimoniais, de modo que esta não reconhece como pensão alimentícia. Consequentemente, para a prova do ato é essencial a apresentação da cópia da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, na vara de família. Como a impugnante não trouxe aos autos demonstração evidente da sua argumentação, por conseguinte não se acolhem as suas alegações. Ciente do acórdão em 12/07/2011, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 04/08/2011 argumentando o seguinte: DA GLOSA INDEVIDA DE R$ 1.200,00 DO CENTRO DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL PROLAB, CNPJ 04.685.133/000108 Assevera que a Nota Fiscal n° 432 no valor de R$ 1.200,00 é relativa ao ano de 2005, a omissão no preenchimento da data no documento não pode vir em prejuízo da recorrente e estará provada a prestação daquele serviço.às fls. 79. DA GLOSA INDEVIDA DO GASTO COM A UNIMED Informa que não tem contrato individual com o plano, mas aderiu a contrato do Ministério Público com o plano. Anexa às fls. 87 Declaração , do Ministério Público, informando em favor de quem efetuou os descontos em folha R$ 2.208.02 para si própria e R$ 1.938,02 em favor do cônjuge.Alerta para o art 884 do Código Civil, que manda restituir ao prejudicado todo enriquecimento sem causa. Assevera que seu cônjuge não fez a dedução de seus R$ 1.938,02, o que facilmente pode ser verificado pela declaração de EDUARDO JOSÉ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 RIZKALLAH, CPF 614.537.14120. Se fosse mantida a glosa dos R$ 1.938,02, como o cônjuge não declarou esse valor, a Receita experimentaria flagrante enriquecimento sem causa, pois o cônjuge tem renda declarada e poderia facilmente ter declarado. Enfim, acima da discussão se cônjuge é dependente no conceito estritamente tributário, está a vedação ao enriquecimento sem causa. Quer os indiscutíveis R$ 2.208,02 gastos na UNIMED pela própria recorrente, quer os R$ 1.938,02 gastos pelo cônjuge, essas despesas existiram e são dedutíveis, seja por declaração conjunta, seja separada, seja por desconto em folha conjunto, seja separado. Afinal, um cônjuge pode transferir rendimento para que outro pague e nem por isso perde seus direitos. Pode fazer com que o outro desconte em folha, e lhe repassar o valor, e, portanto, pagar indiretamente a mesma despesa, desde que respeitada a soma. Jamais se justificaria qualquer apego a rigorismos, ainda mais quando não alteram o saldo tributário devido pela família, com fincas a obter odioso enriquecimento sem causa em favor da Receita, assim como não houve em favor da recorrente ou do cônjuge. 3. DA GLOSA INDEVIDA DA PENSÃO JUDICIAL PRESTA OS SEGUINTES ESCLARECIMENTOS QUANTO AOS QUESTIONAMENTOS CONTIDOS NO ACORDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DAS NORMAS DE "DIREITO DE FAMÍLIA" O Direito de Família estatui que o parente necessitado pode obter alimentos do que pode provêlos (art. 1.694 e segs. do CC), observadas a necessidade do alimentado e a possibilidade do alimentante. Na parte processual, podese fazer valer esse direito a partir de ação judicial contenciosa ou homologação de acordo. Essas são as normas aplicáveis do Direito de Família contempladas na dita resposta à pergunta 332 do IRPF 2006, que admite a homologação de um acordo, não obrigando que houvesse ação contenciosa. DA COISA JULGADA A coisa julgada faz lei entre as partes e produz efeitos. Mesmo em processos judiciais de homologação de acordo, como o juntado aos autos, existe a participação do Ministério Público como fiscal da lei (art. 82 do CPC), que poderia alegar qualquer questão impeditiva, além do próprio controle judicial dos acordos. Se houvesse simulação, ou incompetência do juiz, não haveria homologação. Tratase de sagrado princípio constitucional. Nem mesmo a lei pode influir na coisa julgada, quanto mais a Receita, que não pôs em dúvida a existência do processo e de seu julgamento. DO PRETEXTO ABSURDO DO ACÓRDÃO EM RELAÇÃO À VARA EM QUE FOI PROCESSADO O ACORDO Para manter a glosa da pensão judicial, a Receita entendeu que o acordo deveria ter sido homologado por juiz de vara de família, e não de Juizado Especial, em face do art. 3º , § 2º , da Lei n° 9099/95. Essa imaginada incompetência, que as partes não alegaram e nem o Ministério Público e nem o juiz cogitou quando homologou o acordo, quer agora a Receita fazer valer ao glosar a pensão. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12196.000143/200905 Acórdão n.º 2802002.211 S2TE02 Fl. 36 7 Todavia, a competência primária para homologação de acordo de Direito de Família não é da vara de família e nem do juizado, mas da Justiça Estadual, pois vara de família ou vara de juizado não são ramos autônomos. São varas e como tais são criadas onde convier. Têm as atribuições que convier. Isso é autonomia dos Poderes (art. 3o da CF), cabendo ao Judiciário, e não à Receita, criar as varas e dar atribuições aos juizes. Competência em razão da matéria, dentro da Justiça Estadual, é decidida pela Justiça Estadual. Para isso existem os códigos de organização e divisão judiciária, mais as normas do Tribunal criando e instalando as varas, dotandoas do todo ou parte das atribuições da Justiça Estadual. No caso concreto, as varas dos juizados só tinham atribuição dentro dos estritos termos da Lei n° 9.099/95, até que receberam competência para que seus juizes e suas estruturas fizessem homologações de acordo, para desafogar as varas de família, deixandoas preferencialmente para o contencioso. Assim foi o caso em Campo Grande, da 8a Vara (justiça itinerante) e das varas territoriais (na época, 3 a Vara Mata do Jacinto, 4 a Vara Moreninhas, 5a Vara UCDB). Nesse sentido, a Resolução n° 2841/01, DJMS 27.11.2001, que designou tais juizes para, cumulativamente com os respectivos juizes titulares, de forma simultânea e sem prejuízo de suas funções, perante os respectivos juizados onde são titulares, auxiliar as Ia, 2a, 3a e 4a Varas de Família e Sucessões, na comarca de Campo Grande, exclusivamente nos feitos relativos à família, nos limites fixados nesta Portaria (art. Io). Os artigos 2o e 3o especificam que essa delegação ocorreu especificamente para casos em que havia acordo, remetendose os autos às Varas de Família caso não se chegasse à composição ou houvesse necessidade de execução. Mais tarde, a Portaria n° 505/2008, do mesmo Tribunal, revogou a anterior. Tudo isso só para provar que a vara do juizado que homologou o acordo era competente quando o fez. DA DECLARAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS DA PENSÃO COMO OUTRO PRETEXTO INDEVIDO DA GLOSA O acórdão, de passagem, disse que na declaração dos beneficiários da pensão constava que tinham recebido transferência patrimonial. Como se o pagamento de uma pensão não fosse uma espécie de transferência. E como se mera impropriedade de preenchimento do beneficiário mudasse as relações entre alimentante e alimentado. Todavia, a forma de declaração do beneficiário não desnatura a natureza da pensão, pois provado está que existiu processo judicial, nem implica em que ele "não reconhece" que recebeu os valores da pensão. Os beneficiários foram signatários do acordo homologado, com o que reconhecem muito bem o que recebem como pensão. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio gira em torno das seguintes matérias: Despesas Médicas Glosa do valor de R$5.346,04 referente à dedução a titulo de despesas médicas , sendo R$1.200,00 relacionada a NF n° 432, emitida pleo CENTRO DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL PROLAB e R$4.146,04 relacionada ao plano de saude UNIMED. Pensão Alimentícia Glosa do valor de R$ 14.400,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Quanto a despesas médicas, importa ressaltar que, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Passa se análise individualizada de cada documento: Nota Fiscal 432 emitida pleo CENTRO DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL PROLAB, no valor de R$1.200,00 Com efeito, conforme se observa a decisão de primeira instância e recurso voluntário, temse evidência de que houve efetivamente erro de fato no preenchimento da NOTA FISCAL pois inexiste a data de emissão. Falha essa só apontada no acordão de primeira instância. Entretanto, consta na referida NF a discriminação dos serviços como exames laboratorias, fls 22. Destarte, a recorrente afirma que tratase despesas realizadas no ano de 2005 e apresenta as fls. 23,. 25, 26, 27, os resultados dos exames , todos com a data de requisição de 24/11/2005 A vista do exposto, entendese que em nome do princípio da verdade material e da adequada valoração das provas, deve ser restabelecido a recorrente o valor de R$1.200,00, a título de despesas médicas. Plano de Saude UNIMED, no valor de .R$4.146,04 A declaração de fls. 87 esclarece que RS 2.208,02 (Dois mil, duzentos e oito reais e dois centavos), referese a parte da recorrente e R$ 1.938,02 (Um mil, novecentos e trinta e oito reais e dois centavos) parcela relativa ao seu cônjuge. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12196.000143/200905 Acórdão n.º 2802002.211 S2TE02 Fl. 37 9 É de se ressaltar que como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. No caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo outro cônjuge ou pelos filhos, na qual todas as deduções a que estes teriam direito são substituídas pelo desconto simplificado, a parcela do plano de saúde correspondente ao outro cônjuge ou aos filhos é considerada indedutível na declaração do titular do plano. Apesar de pertinentes as considerações da recorrente, com relação a esta questão, observase que a recorrente não possui dependente relacionado em sua declação, assim como não prestou nenhuma informação no campo 11(informações do cônjuge) . Limitouse a alegar o que poderia ser facilmente sanado com a apresentação da cópia da declaração apresentada pelo seu cônjuge. Vêse que a recorrente apenas alega, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações quanto a parcela do plano de saude de seu cônjuge, não merece sucesso o seu recurso, nesta parte. Destarte devese restabelecer somente o valor de R$ RS 2.208,02(Dois mil, duzentos e oito reais e dois centavos) DA PENSÃO ALIMENTÍCIA Cuida o presente caso de glosa da dedução efetuada na base de cálculo do IRPF, no período fiscalizado, a título de Pensão Alimentícia Judicial, decorrente de uma de decisão judicial, Homologação de Acordo de Alimentos nº 2004.163.08236. em favor do irmão da contribuinte, MARCELO HENRIQUE BARRETO NOGUEIRA, sendo esse representado por Marta Barreto Nogueira(mãe,) . Entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que, tendo a pensão decorrido do processo n° 103.04.0009663, da 5ª vara do juizado especial cível e criminal da comarca de Campo Grande, não pode prosperar, pois se visualiza no § 2º, do artigo 3°, da Lei n° 9.099/95, que a decisão proveniente desse órgão judicial não trata de causa de família. Além disso, a beneficiária da alegada pensão, na sua Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 declaração em conjunto com o seu cônjuge, informou tal rendimento no campo transferências patrimoniais, de modo que esta não reconhece como pensão alimentícia. Consequentemente, para a prova do ato é essencial a apresentação da cópia da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, na vara de família. Insta frisar que as fls.88, a recorrente apresenta a PORTARIA N° 2841/01, baixada pelo Exmo Sr. Des. José Augusto de Souza, Presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, nos dias 22 e 23/11/2001que assim dispõe: O Desembargador JOSÉ AUGUSTO DE SOUZA, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, no uso de suas atribuições legais, atendendo decisão do Conselho Superior da Magistratura, em sessão extraordinária realizada em 22/11/2001 e, CONSIDERANDO o disposto no artigo 46 da Lei 1.511/94, Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado de Mato Grosso do Sul, que estabelece que "em casos especiais e no interesse da justiça, o Conselho poderá designar um ou mais juizes, de qualquer entrância, para exercer a jurisdição de qualquer comarca ou vara, cumulativamente com o titular por prazo a ser fixado, prorrogável, se necessário, pelo tempo que entender conveniente ". CONSIDERANDO que as quatro varas de família e sucessões da Comarca da Capital encontramse com grande volume de processos em curso, havendo necessidade de serem adotadas medidas que possam desafogar os serviços judiciários afetos às respectivas varas; (...) Às fls. 93 está a HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO DE ALIMENTOS Nº 2004.163.08236, datada de 16/08/2004 com o seguinte teor: “que CRISTIANE BARRETO NOGUEIRA RIZKALLAH e MARCELO HENRIQUE BARRETO NOGUEIRA promovem perante este Juízo, solicito a V, Exa. providências necessárias no sentido de que se proceda o desconto em folha de pagamento de Cristiane Barreto/Nogueira Rizkallah, no valor de R$1.200,00, mensalmente e deposite na conta. 18406, agência 23710/Julio de Castilho, Banco Bradesco S/A” Às fls. 95 Ficha financeira relativa ao ACORDO DE ALIMENTOS, em questão. Ademais, as e disposições acerca de pensão alimentícia, mais precisamente aquelas estabelecidas no Código Civil, art. 1694 a 1710, não condiciona a fixação de alimentos à separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes, contemplando uma noção abrangente de família para tal propósito. Por lógico, estabelece condições para que os alimentos sejam fixados pelo juiz, tais como a necessidade de quem pede e à capacidade do reclamado em suportáos. Importante observar, ainda, que a Lei nº 9,250, de 1995, ao cuidar da dedução a título de pensão alimentícia, apenas estabeleceu: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12196.000143/200905 Acórdão n.º 2802002.211 S2TE02 Fl. 38 11 II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia de R$ 117,00 (cento e dezessete reais) por dependente;(Redação dada pela Lei nº 11.119, de 25/05/2005) (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...) Observase que a Lei, limitouse a determinar que estava tratando das pensões pagas em face das normas do Direito de Família e condicionar à existência de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial. Portanto, no caso, deve ser considerada a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação da contribuinte de pagar alimentos ao irmão, perfeitamente compatível com as normas do Direito de Família. A pensão foi paga por meio de desconto em folhas de pagamentos (comprovante fls. 86), e não restou provado que a recorrente pudesse se desobrigar de tal encargo. Logo, deve ser restabelecido o valor de R$ 14.400,00 declarado a título de pensão alimentícia judicial. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$3.408,02(treis mil, quatrocentos e oito reais, dois centavos) e a glosa da pensão alimentícia no valor de R$14.400,00(Quatorze mil, quatrocentos reais). (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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