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Numero do processo: 13805.009083/98-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991
FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - AÇÃO JUDICIAL.
DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não observados os requisitos necessários para a restituição/compensação via
administrativa, dentre estes a desistência da execução do título judicial,
prejudicada a homologação das compensação realizadas, lastreadas em decisão judicial.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-00199
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário,
nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não observados os requisitos necessários para a restituição/compensação via administrativa, dentre estes a desistência da execução do título judicial, prejudicada a homologação das compensação realizadas, lastreadas em 1 decisão judicial. I RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. I ACORDAM os membros da r Câmara / 1 8 Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A CELO GUE1 E CASTRO - Presidente _...--- NAON L BARTOLI - elator Participaram, ainda, do pr sente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes 13ahr Neto. i Processo n° 13805.009083/98-66 S3-C2T1 Acórdão n.^ 3201-00.199 Fl. 283 Relatório Trata-se de Pedido de Restituição (fls. 01), protocolizado 30.07.98, decorrente de recolhimentos indevidos à maior a titulo de Finsocial, nos períodos de 09/89 a 02/91, lastreado na Ação Declaratória n°91.0023909-7, transitada em julgado em 09.05.97, na qual restaram reconhecidos indevidos os pagamentos realizados a título de Finsocial. Instrui o pedido os seguintes documentos: Demonstrativo do Finsocial recolhido a maior no período de 09/89 a 02/91 (fl. 02); DARFs (fls. 04/25); Procuração (fl. 26); Cédula de Identidade do sócio representante (fl. 27); Cadastro Geral de Contribuinte - CGC autenticado (fl. 28); Cópia da IN SRF 110 054 de 22/06/1998 (fls. 29/32); Ata da Assembléia Geral Extraordinária autenticada (fls. 33/34); Alterações Contratuais autenticadas (fls. 35/49); Contrato Social autenticado (fls. 50/56) e Declaração da Comac alegando que os valores pagos a maior, a titulo de Finsocial, não foram compensados (fl. 57). Posteriormente, o contribuinte anexa aos autos Pedidos de Compensação, constantes às fls. 58, 67, 73, 75, 78, 80, 82, 84, 86, 87, 89, 91, 93, 95, 97, 99, 101, 105, 109, 111, 113, 118 e 184, que foram protocolizados respectivamente em 07/08/98, 06/10/98, 10/09/98, 06/11/98, 04/12/98, 06/01/99, 08/02/99, 08/04/99, 06/05/99, 08/06/99, 06/07/99, 10/08/99, 08/10/99, 09/11/99, 14/12/99, 13/01/00, 14/02/00, 15/03/00, 14/04/00, 12/05/00, 07/06/00, 08/03/99 e 09/08/99, sendo todos acompanhados e instruídos de "Planilha referente ao Pedido de Restituição/Compensação". Os autos foram encaminhados para a Divisão de Tributação - EQITD, da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, a qual, através do Despacho Decisório (fls. 115/116), não conheceu do Pedido de Restituição/Compensação do contribuinte, face à decadência do direito, por entender que o prazo para pleitear a referida restituição é 5 anos, a contar da extinção do crédito tributário. Cientificado do Despacho Decisório supra, o contribuinte apresentou tempestiva (AR - fl. 124) manifestação de inconformidade (fls. 125/137), na qual em síntese aduz: (i) a decisão proferida no Despacho Decisório confronta o direito e a • justiça, vez que os pedidos de restituição/compensação foram deferidos por decisão judicial, nos autos da ação declaratória, consoante sentença proferida pela 15° Vara Federal de São Paulo e mantida pelo TRF da 3" Região; (ii) a aludida sentença foi proferida nos autos da Ação Ordinária n° 91.0023909-7, na qual foram realizados depósitos judiciais referente ao Finsocial, a partir de março de 1991, o que enseja o direito de efetuar o levantamento da quantia superior a 0,5%; Processo n" 13805.009083/98-66 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.199 Fl. 284 (111) os artigos utilizados para fundamentar o Despacho Decisório, que indeferiu o Pedido de Restituição, não possuem o condão de sobrepor uma decisão judicial; (iv) com o ajuizamento da Medida Cautelar n° 91.0010925-8, em 15/03/1991, no qual foi deferido o direito de depositar os valores de Finsocial, não transcorreu o prazo para pleitear a restituição, segundo previsto no art. 168, inciso I, do CTN; (v) em 16/04/91 ajuizou a Ação Ordinária sob n° 91.0023909-7, cujo objeto é a cobrança do Finsocial; (vi) com a declaração de inconstitucionalidade da majoração das alíquotas de Finsocial pelo STF, a União foi condenada a restituir ao contribuinte os valores pagos à maior do referido tributo; (vii) o acórdão do TRF da 3' Região manteve a sentença proferida na 15' Vara da Seção Judiciária, ocorrendo o trânsito em julgado 17/04/97, entretanto, os autos somente retornaram à Vara de origem em 17/11/97, para a fase de execução de sentença; (viii) o prazo prescricional não se iniciou, visto que o feito encontra-se sobrestado na fase executótia, pois o contribuinte optou pela restituição/compensação administrativa; (ix) se for considerado que o prazo prescricional se iniciou, este deve ser contado a partir do trânsito em julgado do referido acórdão e não da data da extinção do crédito tributário; (x) a tese sustentada na decisão que indeferiu os Pedidos de Restituição, qual seja, de que o prazo para a restituição é de 5 anos, a contar da extinção do crédito tributário, não possui respaldo legal, haja vista que o crédito extingue-se com o pagamento, que dependerá de homologação pela autoridade administrativa. A fim de corroborar seus argumentos o contribuinte transcreve acórdãos do STJ. Diante do exposto, requer que a presente impugnação seja acolhida para cumprir a decisão judicial proferida pela Y Turma do Tribunal Regional Federal da 3 a Região. A presente manifestação é instruída pelos seguintes documentos: Substabelecimento (fls. 138); Petição da Medida Cautelar Inominada n° 91.0010925-8; (fls. 139/144); Petição da Ação Ordinária n° 91.0023909-7 (fls. 145/149); Cópia da sentença da 34k. p7sier Processo o' 13805.009083/98-66 s3-e2r Acórdào ri.' 3201-00.199 Fl. 285 Justiça Federal da 15" vara, referente à Ação Ordinária n°91.0023909-7 (fls. 150/153); Ementa do Acórdão exarado pelo TRF da 3' Região, referente ao processo n°91.0023909-7 (fl. 154) e cópia do print do andamento processual da Ação Ordinária n°91.0023909-7 (fls. 155). Os autos foram remetidos para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - I — 9" Turma, a qual, após realizar uma breve síntese do processo, propôs o retorno dos autos à EQITD/DICAT/DERAT/SPO, para que o contribuinte fosse intimado e, caso quisesse, apresentasse o inteiro teor do acórdão proferido pelo TRF da 3' Região, nos termos do disposto no art. 17 da IN/SRF n°21/97, bem como esclarecesse sobre o precatório judicial n" 2000.03.00.036930-3, noticiado nos andamentos processuais supracitados (fls. 190/191). Posteriormente, os autos foram remetidos a Divisão de Orientação e Análise Tributária — DERAT/EQITD (fl. 214), que intima o contribuinte a apresentar os seguintes documentos: 1) apresentar o acórdão proferido pela 3' Turma do Eg. TRF da 3" Região que transitou em julgado em 09/05/97, segundo Certidão de Objeto e Pé de 17/06/02, referente à Ação Ordinária sob n° 91.0023909-7; 2) prestar esclarecimentos sobre o precatório judicial n° 2000.03.00.03630-3 e esclarecer qual é o objeto da execução (principal, honorários advocatícios etc). Em atendimento a intimação supra, o contribuinte manifestou-se as tis. 215/218, apresentando os seguintes esclarecimentos: 1. o acórdão proferido nos autos da Ação Ordinária, com Certidão de Trânsito em Julgado (fl. 135), em 09/05/97, por unanimidade de votos, determinou a devolução, por parte do Fisco, do crédito correspondente ao aumento de aliquota de 0,5%; 2. através deste processo administrativo pleiteou a compensação do crédito do Finsocial com débito de Cofins, no período de 07/1998 até 05/2000; 3. o pedido de Compensação foi indeferido na 1" instância administrativa sob o argumento de que o crédito estava prescrito e que a Processo o' 13805.009083/98-66 S3-C211 Acórdão o? 3201-00.199 Fl. 286 inconstitucionalidade da majoração da aliquota da Cotins deveria ser pleiteada judicialmente; 4. em grau de recurso foi anexado cópia do Acórdão que reconheceu o direito creditório, de forma que foi requerida a reforma da decisão de I" instância administrativa; 5. neste mesmo processo administrativo foi exarado parecer, no qual é reconhecido a existência de crédito, que o prazo prescricional não foi iniciado e demonstrando que a Receita reconheceu seu erro; 6. apesar deste reconhecimento, a PGFN inscreveu o débito em Divida Ativa e promoveu a Execução Fiscal n°2003.61.82.070824-2 perante a 9 a Vara das Execuções Fiscais da Seção Judiciária de São Paulo; 7. em decorrência da inscrição em Divida Ativa da União e da propositura da Execução Fiscal, a empresa, premida da necessidade de emissão de Certidão Negativa de Débitos Fiscais, ingressou no Plano de Parcelamento - PAES, parcelando o débito o qual vem pagando nos respectivos vencimentos; 8. ressalta-se que a adesão ao PAES foi regularmente informada no presente processo administrativo; 9. em razão da não compensação do débito inscrito em Divida Ativa, a Recorrente viu-se obrigada a executar a sentença nos autos da Ação Ordinária para reaver seu crédito não compensado; 10. o Precatório ainda não se formou, ocorrendo o levantamento de R$ 51.927,92, referentes a honorários profissionais, como demonstra os documentos anexados. Diante do exposto, requer a compensação do crédito, abatendo-se dos débitos constantes no PAES, excluindo-se a multa que foi acrescida indevidamente ao Plano de Parcelamento. 5 Áti, Processo n° 13805.009083/98-66 S3-C2T1 Acórdão 3201-00.199 Fl, 287 Instruem sua resposta os seguintes documentos: i. Consulta processual no site do TRF da 3" Região, processo n" 94.03.011030-9 (fls. 219/220); Extrato do Comprot (fls. 221); Cópia do acórdão do TRF da 3' Região, referente ao registro n° 94.03.011030-9 autenticado (fls. 221/225 e 230/231); iv. Cópia do acórdão do TRF da 3' Região, referente ao registro n" 89.03.18121-2 (fls. 226/229); v. Oficio CP n° 19.453/2001 — DCOJ exarado pelo TRF da 3" Região trazendo a informação sobre o levantamento do Precatório n° 2000.03.00.036930-3 (fls. 232); vi. Recibo de Depósito Judicial no valor de R$ 51.927,92 (li. 233); vii. Cópia do Parecer exarado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I — 9' Turma (fls. 234/235); viii. Consulta processual n° 200361000129965 (fls. 245/246); ix. Consulta processual n° 2003.03.00.033231-7 (fl. 247); x. Consulta processual n° 91.00239097 (fls. 249/250) xi. Consulta a situação do parcelamento e demonstrativo de pagamentos (fls. 253/258); xii. Consulta processual n° 2000.03.00.036930-3 (fls. 259). Os autos foram remetidos para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I /SP (fls. 260/267), que indeferiu a solicitação pleiteada pelo contribuinte, nos termos da seguinte ementa (fl. 260): "EMENTA: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES 6 Ais Processo n' 13805.009083/98-66 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.199 Fl. 288 Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL; RESTITUIÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO/RENÚNICA. A inobservância das regras relacionadas à RESTITUIÇÃO na via administrativa de valor atinente a título judicial (entre as quais a que estabelece a necessidade de DESISTÊNCIA da EXECUÇÃO perante a Justiça, de assunção de todas as custas e honorários do processo de EXECUÇÃO e de homologação judicial da DESISTÊNCIA da ação de execução, ou RENÚNCIA à EXECUÇÃO), inviabiliza a RESTITUIÇÃO. PARCELAMENTO. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa a desistência do processo. Solicitação Indeferida" Inconformado com a decisão acima (AR — fl. 269-v), o contribuinte apresenta às fls. 270/278, seu Recurso Voluntário, instruido por substabelecimento (fis. 279), no qual reitera os argumentos de sua impugnação e acrescenta, em suma, que: 1) a decisão recorrida afastou a prescrição do direito de pleitear a compensação, apesar de confimdir a prescrição com a decadência, restando sedimentado o entendimento que o prazo prescricional deve ser contado do trânsito em julgado do acórdão que reconheceu o recolhimento a maior de Finsocial; 2) se não tivesse executado a sentença proferida nos autos da ação ordinária, o direito garantido judicialmente estaria prejudicado; 3) a partir do momento em que for afastados todos os empecilhos ao reconhecimento dos créditos apontados na decisão recorrida, o contribuinte procederá com a renúncia do direito à execução para fazer valer seu direito na esfera administrativa; 4) quanto aos débitos inscritos em Divida Ativa que não foram recolhidos em razão da compensação com créditos de FINSOCIAL, estes foram inclusos no PAES; 7 AN, Processo n° 13805.009083/98-66 83-C2T1 Acera() n." 3201-00.199 Fl. 289 5) apesar da inclusão dos referidos débitos no PAES, não há nenhum óbice para que tais valores sejam restituídos e compensados com outros débitos da recorrente, consoante o disposto no art. 66, da Lei 8.383/91. Diante do exposto requer que seja dado provimento ao recurso voluntário anulando a decisão de primeira instância, e reconhecendo, por conseqüência, o direito da recorrente em restituir ou compensar os valores indevidamente recolhidos a título de Finsocial, com o condicionamento de seu exercício a renúncia a execução judicial. E protesta pela produção de todos os meios de provas, bem como pela sustentação oral. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em dois volumes, em 10/12/2008, constando numeração até à fl. 280, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°314, de 25/08/99. É o relatório. Processo n° 13805.009083/98-66 S3-C21.1 Acórdão n.° 3201-00.199 Fl. 290 Voto Conselheiro N1LTON LUIZ BARTOLI, Relator Conheço do Recurso Voluntário, por ser tempestivo e por conter matéria de competência desta Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cuida o presente de pedidos de Restituição/Compensação (astreados em decisão judicial, em virtude da declaração de inconstitucionalidade das majorações das alíquotas do Finsocial. O contribuinte obteve judicialmente, através da Ação Ordinária n° 91.0023909-7, o direito de restituição dos pagamentos com alíquota superior a 0,5% realizados a titulo de Finsocial (11. 153), cujo trânsito em julgado ocorreu em 15.05.1997 (ff 162), de forma que apresentou, administrativamente, seu pedido de Restituição às fls. 01. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, indeferiu o pedido de restituição/compensação do contribuinte, sob o fundamento de que "não ficou configurada a opção pela via administrativa, que se daria pela comprovação da homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução de título judicial ou a renúncia à execução, bem como a assunção de todas as custas e honorários advocaticios referentes ao processo de execução." Após esta breve síntese dos fatos, passo a analisar a controvérsia. Com efeito, dispunha o art. 17 da Instrução Normativa n° 21/97, vigente à época dos pedidos de restituição/compensação apresentados pelo contribuinte, in verbis: "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF n2 73/97, de 15/09/1997) § 1° No caso de titulo judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocaticios. (Redação dada pela IN SRF n 2 73/97, de 15/09/1997) g? 9i Processo n° 13805.009083/98-66 53-C2T1 Acórdão n." 3201-00.199 Fl. 291 § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório." (Incluído pela IN SRF n2 73/97 de 15/09/1997) (g.n.) Nessa mesma esteira dispõe a IN SRF n°210, de 2002 e a IN n°460, de 2004, respectivamente, como será observado nas transcrições abaixo: "A rt. 37. § 2 Na hipótese de titulo judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do titulo judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios. 5Ç 3' Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório." "A rt. 50. áç 2" Na hipótese de titulo judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do titulo judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios." O dispositivo supra foi revogado pela IN/SRF n° 563, de 2005, que assim dispõe: "A rt. 50. § 22 Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do titulo judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios referentes ao processo de execução." Processo n° 13805.009083/98-66 S3-C2T Acórdão n.° 3201-00.199 Fl. 292 Ainda nesse sentido dispõem as IN n° 600/2005, 728/2007 e 900/2008. As disposições acima transcritas têm por escopo evitar a restituição em duplicidade, além de assegurar que não haja concómitância entre o processo administrativo e o judicial, hipótese esta vedada pela Súmula n" 05, deste E. Conselho, in verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Tendo em vista, as afirmações da decisão recorrida, a fim de apurar a real situação do presente processo, consultei, em 08/06/2009, nos sítios do Tribunal Regional Federal da 3 n Região e da Justiça Federal de São Paulo, os andamentos dos processos judiciais que envolvem o pedido em tela. Constata-se que o contribuinte já executou seus honorários advocaticios através do levantamento do precatório n° 2000.03.00036930-3, sendo este arquivado em 11.12.2006, como se observa do andamento extraído do sítio do Tribunal Regional da Terceira Região: 1 Consulta TRF3R Segunda, 08 de junho de 2009 às 08:59 PROCESSO 2000.03.00.036930-3 CLASSE 112540 Precat (PRC) - SP ORIGEM 91.0023909-7 VARA 15 SAO PAULO - SP AUTUAÇÃO 30.06.2000 PARTE A COMAC SAO PAULO S/A MAQUINAS REQTE GILBERTO SAAD ADVG GILBERTO SAAD REQDO Unia° Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVG SIMONE APARECIDA VENCIGUERI AZEREDO RELATOR DES.FED. PRESIDENTE ASSUNTO DIR. PROC. < 110NORARIOS/DESP. PROC. JUDICIAIS (ADV PERITOS,ETC) ORG. JUL. PRESIDÊNCIA LOCALIZ. DIVISA() DE ARQUIVO E GESTÃO DOCUMENTAL ENDEREÇO AV. PAULISTA, 1842 - 2° SUBSOLO N. VOLUMES! N. PÁGINAS O N.CAIXA 0000005852 Todas as Fases do Processo DATA DESCRIÇÃO 11.12.2006 REAROUIVADO -11.12.2006 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2006284498 ORIGEM SUBSECRETARIA DOS FEITOS DA PRESIDÊNCIA 07.12.2006 REMESSA AO ARQUIVO 28.08.2006 RECEBIDO(A) SEM DESPACHO 23.09.2004 CONCLUSOS AO DES.FED.PRESIDENTE DO TRF SEPE 17.09.2004 JUNTADA DE PETIÇÃO No. 2004194547 Processo n" I3805.009083/98-66 S3-C2TI Acórdão o.° 3201-00.199 Fl. 293 02.09.2004 PUBLICADO NO DJU SEÇÃO 2 PÁGINA 202,0 DESPACHO DE FLS. 68 30.08.2004 AGUARDANDO PUBLICACAO AGUARDANDO PUBLICAÇÃO 09.08.2004 RECEBIDO(A) COM DESPACHO/DECISÃO PUBLICAR 28.07.2004 CONCLUSOS AO DES.FED.PRESIDENTE DO TRF COM PEDIDO DE VISTA. 21.07.2004 JUNTADA DE PETIÇÃO No. 2004156381 21.07.2004 RECEBIDO(A) DO ARQUIVO GERAL 20.07.2004 REMESSA GUIA NR.: 2004129620 DESTINO: SUBSECRETARJA DOS FEITOS DA PRESIDÊNCIA 01.10.2002 ARQUIVADO 01.10.2002 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 20020958 12 ORIGEM SUBSECRETAR1A DE FEITOS DA PRESIDENCIA 31.07.2002 PUBLICADO NO DJU DESPACHO ARQUIVEM-SE OS AUTOS El' 1 885 28.06.2002 REMESSA GUIA NR.: 2002095812 DESTINO: DIVISÃO DE ARQUIVO GERAL 24.06.2002 CERTIDÃO PRECATORIO PAGO TOTAL 24.06.2002 JUNTADA DE OFICIO SEM PROTOCOLO DE LIBERAÇÃO N" 0699/02 (JUIZO) E NP 0698/02 (CEE). 24.06.2002 JUNTADA DE RDO DA CEE E OFICIO 61° 19453/01. 06.03.2002 INFORMAÇÃO ENVIADO OFICIO: 699/02 À COMARCA DE ORIGEM. GR: 906/02. 21.02.2002 EXPEDIDO OFICIO LIBERAÇÃO DE PAGAMENTO - OFICIO 200200699-SEPE E C.E.F. 698/2002. 21.02.2002 INFORMAÇÃO - PRECATÓRIO COM AUTORIZAÇÃO DE LEVANTAM ENTO 04.012002 INFORMAÇÃO RECEBIDO-RPAG 01.02.2002 INFORMAÇÃO 14.01.2002 CERTIDÃO ATUALIZAÇÃO (ART. 100, P. lo. CF) 19.12.2001 JUNTADA DE MANDADO DE INTIMAÇÃO MI 83/2001 05.12.2001 INFORMAÇÃO OFÍCIO N"19453 ENVIADO Á COMARCA GR N°2435/01 04.12.2001 EXPEDIDO MANDADO DE INTIMAÇÃO MI N° 83/2001 BLOCO 29605 03 122001 PUBLICADO NO DJU DESPACHO DEFERINDO PRECATORIO BLOCO 29.605 29.11.2001 EMITIDO OFICIO COMUNICANDO TRANSFERENCIA DE VERBA OFICIO NR.: 200119453 16.10.2001 RECEBIDO COM DESPACHO DEFERINDO O PRECATORIO BLOCO 26954 PRATA() A B C 26.09.2001 INFORMAÇÃO RELATÓRIO DE PAGAMENTO NR.529/2001-26,09.2001-K.M. 05.09.2001 INFORMAÇÃO - PRC/RPV COM PAGAMENTO SUSPENSO EM 05.09.2001. 31.08.2001 INFORMAÇÃO INF. PltEC. 479/01 26.07.2001 CONCLUSOS AO DES.FED.PRESIDENTE DO TRF C/ CERTIDÃO PREENCHE OS REQUISITOS DO ART.355 R.I. TRF3a.R CONCLUSO. 08.06.2001 RECEBIDO (0.S. 90/2000) GUIA NR. : 2001069583 ORIGEM : JUIZO FEDERAL DA 15 VARA SA0 PAULO SEC JUD SP 21.05.2001 REMESSA A ORIGEM PARA REGULARIZAÇÃO (0.S. 90/2000) GR.2001069583 Destino: JUIZO FEDERAL DA 15 VARA SAO PAULO Soe Jud SE' 21,05.2001 DECURSO DE PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DAS PARTES 10.05.2001 INFORMAÇÃO SEÇÃO RPRO 10.05.2001 CERTIDÃO PET. NÃO APRECIADA, OS/90, ART.3 § 2° 07.05.2001 INFORMAÇÃO PRÁT. DILAÇÃO DE PRAZO 04.05.2001 JUNTADA DE PETIÇÃO No. 2001086084 10,04.2001 PUBLICADO NO DJU DESPACHO DE BAIXA E REMESSA A ORIGEM 12 (07 Processo n° 13805:009083/98-66 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.199 Fl. 294 28.03.2001 RECEBIDO COM DESPACHO BAIXA NA DISTRIBUIÇÃO E REMESSA A ORIGEM EP 337 AGUARDA PUBLICAÇÃO 23.03.2001 CONCLUSOS AO DES.FED.PRESIDENTE DO TU C/ CERTIDÃO DE NÃO PREENCHE OS REQUISITOS DO ART.355 RI TRF3R 03.08.2000 INFORMAÇÃO RECEBIDO DCOJ P/ ANÁLISE 07.07.2000 INFORMAÇÃO REM. À DPRE 07.07.2000 CERTIDÃO VALOR LANÇADO P/DCOJ 07.07.2000 RECEBIDO(A) DA UFOR (DISTRIBUIÇÃO) 07.07.2000 REMESSA GUIA NR.: 2000083334 DESTINO: SUBSECRETARIA DE FEITOS DA PRESIDENCIA 30.06.2000 REGISTRO Distribuição por registro PRESIDENTE registro do dia 30.06.2000 10:41:04 *** DADOS DA PROPOSTA ***Seq. inclusão 1Petição : Sn. Processo : Q LiquidadoProposta : 2001 Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL)Valor Inicial : RS 42.832,45Valor Atualiz. : R$ 47.422,76Data da Conta : 01.07.1998 Data Atualiz. 01.07.2000 Data Tran.Julg.: 12.06.2000 Data Ajuizain. : Processo Ant. ***** PAGAMENTO ***** Diante do andamento acima transcrito, observa-se que o contribuinte executou seus honorários advocaticios referentes ao processo principal n°91.0023909-7. Já em consulta ao sitio da Justiça Federal de São Paulo, onde se encontram os autos principais n°91.0023909-7, nota-se que este se encontra em andamento, tendo inclusive, agora, em 15.04.2009, sido encaminhado ao TRF3, conforme se depreende do andamento abaixo: PROCESSO 91.0023909-7 (Consulte este processo no TRF1. DATA 16/04/1991 PROTOCOLO CLASSE 29. PROCEDIMENTO ORDINARIO AUTOR COMAC SA0 PALO S/A MAQUINAS ADV. SP196833 - LUIS AUGUSTO EGYDIO CANEDO e outro RE U UNIA° FEDERAL ADV. Proc, ESTEFANIA ALBERTINI DE QUEIROZ ASSUNTO F1NSOCIAL - CONTRIBUICAO SOCIAL - TRIBUTARIO SECRETARIA 15a Vara / SP - Capital-Civel e5) i Processo n" 13805.009083198-66 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.199 A. 295 SITUAÇÃO NORMAL TIPO DISTR. POR DEP ENDENCIA ( ao processo 91.0010925-8 ) em DISTRIBUIÇÃO 23/04/1991 VOLUME(S) 1 LOCALIZAÇÃO C/ TRF em 15/04/2009 VALOR CAUSA 10.000.000,00 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Últimas 20 movimentações Seq Data Descrição 106 15/04/20 REMESSA EXTERNA TRF - 3a. REGIAO PROCESSAR E 09' JULGAR RECURSO Guia n: 136/2009 (15a. Vara) 105 02/04/2009 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 104 30/01/2009 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 103 26/01/2009 RECEBIMENTO NA SECRETARIA i 102 112/01/2009 REMESSA EXTERNA AUTOR OU EOUI VALENTE (PARTE ATIVA) VISTA 101 31/07/2008 ATO ORDINATORIO Descrição do Ato: RECEBIDO DO PROCURADOR 7 Complemento Livre: 100 31/07/2008 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 99 30/06/2008 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 98 24/09/2007 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 97 18/09/2007 REMESSA EXTERNA AUTOR OU EQUIVALENTE (PARTE ATIVA) VISTA 96 05/06/2007 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 95 17/05/2007 RECEBIMENTO NA SECRETARIA REMESSA EXTERNA AUTOR OU EQUIVALENTE (PARTE ATIVA) 94 17/05/2007 VISTA REMESSA EXTERNA AUTOR OU EQUIVALENTE (PARTE ATIVA) 93 17/05/2007 VISTA e, Processo n° 13805.009083/98-66 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.199 R 296 92 23/04/2007 ATO ORDINATORIO Descrição do Ato: I Complemento Livre: RECEBIDO DO PROCURADOR 24 91 23/04/2007 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 90 2 7/02/2007 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 89 15/02/2007 JUNTADO(A) MANDADO CUMPRIDO Identificação Mandado: CITACAO ART. 730 DO CPC Complemento Livre: 1 EXPEDIDO/EXTRAIDO/LAVRADO MANDADO Tipo de Mandado: 88 19/01/2007 DE CITACAO - NOS TERMOS DO ART 730 DO CPC Complemento Livre: 0015.2007.00131 87 12/01/2007 ATO ORDINATORIO (Registro Terminal) Abrindo o ícone referente à "Consulta da Movimentação Número: 102", constante no andamento acima transcrito, deparo-me com a seguinte informação: "Consulta da Movimentação Número : 102 PROCESSO 91.0023909-7 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 12/01/2007 p/ Despacho/Decisão *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Desentranhem-se as cópias juntadas às fls. 218/223. Após, cite-se o réu nos termos do artigo 730 do CPC. Ato Ordinatório (Registro Terminal) em : 12/01/2007 Em decorrência dos autos estão a disposição / foram remetidos/ estão AUTOR OU EQUIVALENTE (PARTE ATIVA) para VISTA ( Sem contagem de tempo ) Disponível 12/01/2009 Recebido 26/01/2009 Devolvido 26/01/2009 Retomo 26/01/2009" A informação acima posta inc remete ao artigo 730 do CPC, que prevê: Processo n° 13805.009083/98-66 S3-C2T1 Acórdlio n." 3201-00.199 Fl. 297 "Art. 730. Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, citar-se-á a devedora para opor embargos em dez (10) dias; se esta não os opuser, no prazo legal, observar-se-ão as seguintes regras:" (grifo nosso) Nessa esteira, concluo que o contribuinte em tela está executando a Fazenda Pública quanto ao direito de restituição que obteve judicialmente, já que os honorários advocaticios, como anteriormente demonstrado, já foram devidamente executados. Ademais, o próprio contribuinte admite em seu Recurso Voluntário (fl. 274) que está promovendo a execução do crédito ora pleiteado, vejamos: "Ocorre que exclusivamente em razão do indeferimento do pedido de restituição administrativa por alegado prescrição, agora afastada, não restou outra alternativa à Recorrente senão executar a sentença proferida nos autos da supracitada ação ordinária, de maneira a fazer valer seu crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Valer dizer: caso a Recorrente não tivesse assim procedido, restaria prejudicado o seu direito devidamente reconhecido em esfera judicial. Essa jOi a única razão que levou a Recorrente a executar, em Juizo, a sentença proferida em seu favor, a qual lhe outorgou o direito ao crédito objeto do presente auto administrativo. " (g.n.) Demonstrado, no deslinde do presente voto, que o contribuinte executa judicialmente a sentença que garantiu seu direito à restituição do valor recolhido a maior, a titulo de FINSOCIAL, restam prejudicados apreciação dos Pedidos de Restituição/Compens'ação realizados administrativamente. No que tange ao pedido de compensação dos débitos inseridos no PAES, este não será objeto de apreciação, urna vez que indeferido o pleito a restituição, superadas estão as questões atinentes a supostos débitos que viriam a ser compensados com o crédito pretendido. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, interposto pelo contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de de 2009. NPON LUI7 RTOL1--- R2,-e tor :1"/ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10860.721204/2011-72
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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score : 1.0
Numero do processo: 12898.000178/2010-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. VALE TRANSPORTE. VERBA INDENIZATÓRIA. FORA DO CAMPO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA BENÉFICA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer a improcedência do levantamento VT - VALE TRANSPORTE, bem como a necessidade de aplicar a multa benéfica do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 e devendo esta ser limitada a 75% em respeito ao artigo 35 - A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. VALE TRANSPORTE. VERBA INDENIZATÓRIA. FORA DO CAMPO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer a improcedência do levantamento VT VALE TRANSPORTE, bem como a necessidade de aplicar a multa benéfica do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 e devendo esta ser limitada a 75% em respeito ao artigo 35 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 78 /2 01 0- 62 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000178/201062 Acórdão n.º 2803002.340 S2TE03 Fl. 199 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000178/201062 Acórdão n.º 2803002.340 S2TE03 Fl. 200 3 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.236.7119, objetiva o lançamento da Obrigação Principal, contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – parte do segurado, inclusive, em relação aos contribuintes individuais; decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados e contribuintes individuais, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 28 a 42, com período de apuração de 01/2005 a 12/2005, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 16 e 17. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 15/03/2010, conforme AR, de fls. 110. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 48 a 84, recebida, em 08/04/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 85 a 108. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 111 a 114. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1233.551 12ª Turma da DRJ/RJI, em 30/09/2010, fls. 115 a 119, no qual o lançamento foi considerado procedente em parte, tendo em vista o reconhecimento de decadência parcial. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 08/09/2011, AR, de fls. 134. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 135 a 141, recebida, em 06/10/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 142 a 159, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que o recurso é tempestivo; Mérito. · que a empresa foi autuada por não recolher a parcela descontada dos segurados sobre o pagamento de vale transporte, pois entendeu o agente fiscal que a recorrente violou a Lei 7.418/85, mas não enumerou e nem indicou o que se teria violado, incorrendo, assim, em cerceamento de defesa e violação ao contraditório, transcreve a IN INSS/DC Nº 04/96, cita doutrina e a Lei 9.784/99; · que consta, também, do lançamento valores em decorrência do não recolhimento em razão de contribuintes individuais, porém o fisco não lista, não discrimina para quais contribuintes individuais tais recolhimento não foram efetivados; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000178/201062 Acórdão n.º 2803002.340 S2TE03 Fl. 201 4 · A recorrente requer e pede: a) a declaração de nulidade do AI, por falta de motivação. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 163. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 163. É o Relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000178/201062 Acórdão n.º 2803002.340 S2TE03 Fl. 202 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Preliminar. A tempestividade foi reconhecida e o recurso está sendo “processado”. Mérito. Não assiste razão a recorrente o agente lançador deixou claro em seu REFISC, de fls. 28 a 42, no item 5.4.3 que “é vedado ao empregador substituir o vale transporte por antecipação, em dinheiro, ou qualquer outra forma de pagamento, salvo no caso de falta ou insuficiência de estoque de vale transporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema.”, sendo esta a violação as normas legais. Desta forma, o cerceamento de defesa e a violação ao contraditório inexistem, sendo desprovida de fundamentos a alegação da recorrente. Todavia, independentemente, do que alegado e da posição do agente lançador. O Supremo Tribunal Federal – STF, em 03/2010, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, decidiu que o vale transporte não é base de cálculo da contribuição previdenciária, ainda, que pago em dinheiro. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela Fl. 202DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000178/201062 Acórdão n.º 2803002.340 S2TE03 Fl. 203 6 permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166 )(destaques são meus). Assim sendo, o levantamento VT – VALE TRANSPORTE deve ser excluído do lançamento. O presente levantamento referese ao período de 01/2005 a 12/2005 e engloba os levantamentos CI – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL classificado como não declarados em GFIP, segundo DD, de fls. 04, pois o VT será excluído como acima esclarecido. No que tange aos contribuintes individuais não assiste razão a recorrente, quando diz que o fisco não discriminou que são estes. O fisco não precisa fazer tal relação e o motivo é muito simples o fisco comparou as GFIP’s declaradas pela empresa com as suas contas contábeis, segundo consta dos itens 5.3 e 6.1, do REFISC, de fls. 28 a 42 e planilhas, de fls. 44 e 45. Podese verificar do DD, de fls. 05 a 07, que foi aplicada a multa de 75%, nos termos do artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009. No entanto, entendo que este procedimento não é o mais correto apesar de constar como sendo a multa mais benéfica, conforme REFISC. Ocorre, porém, que na fase de lançamento o órgão fiscal faz uma operação aritmética e soma para efeitos de comparação das multas, a multa de mora com a multa punitiva pela entrega de GFIP com omissão de fatos geradores e a multa punitiva pela entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas que não se refiram a fatos geradores. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000178/201062 Acórdão n.º 2803002.340 S2TE03 Fl. 204 7 Desta maneira, o fisco soma duas multas de caráter distintos multa de mora pelo atraso no recolhimento com duas multas punitivas por descumprimento de obrigação acessória e depois compara com uma terceira multa, isto é, a multa por lançamento de ofício, a qual tem um terceiro caráter. É simples verificar que este procedimento não é correto. No caso destes autos é só imaginar que o período lançado, que é de 01/2005 a 12/2005 tivesse sido lançado em até 10/2008 e não 03/2010. Na situação esplanada a multa a ser aplicada seria a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. No caso destes autos a multa aplicada é 75%, como isso pode ser mais benéfico ao contribuinte? Este patamar de 75% só será mais benéfico quando a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, chegasse a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento. Feitos estes esclarecimentos necessários, entendo que deve ser aplicado ao lançamento a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 e devendo esta ser limitada a 75% em respeito ao artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Posto isto, afasto a preliminar de cerceamento de defesa e violação ao contraditório, bem como rejeito e refuto todas as alegações de mérito, nos termos acima declinados. Entretanto, reconheço a improcedência do levantamento VT – VALE TRANSPORTE, bem como a necessidade de aplicar a multa benéfica, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000178/201062 Acórdão n.º 2803002.340 S2TE03 Fl. 205 8 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para reconhecer a improcedência do levantamento VT – VALE TRANSPORTE, bem como a necessidade de aplicar a multa benéfica do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 e devendo esta ser limitada a 75% em respeito ao artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10665.723024/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771, DE 1965. REQUISITOS.
Caracteriza-se como área de preservação permanente e, por isso, não tributável, a área constituída nos parâmetros legais e demarcada, com precisão, em Laudo Técnico formalizado por profissional competente.
ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS.
Considera-se Reserva Legal e, por isso, não tributável, a área que tenha sido constituída nos parâmetros legais, averbada à margem da inscrição do imóvel no Registro Público e demarcada, com precisão, em Laudo Técnico formalizado por profissional competente. Ausente qualquer um desses quesitos, descaracteriza-se a área beneficiada, tornando-a tributável.
Numero da decisão: 2201-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a APP Área de Preservação Permanente de 365,79 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª Wilma Kumnel, OAB/SP 147.086.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Marcio de Lacerda Martins e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771, DE 1965. REQUISITOS. Caracteriza-se como área de preservação permanente e, por isso, não tributável, a área constituída nos parâmetros legais e demarcada, com precisão, em Laudo Técnico formalizado por profissional competente. ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS. Considera-se Reserva Legal e, por isso, não tributável, a área que tenha sido constituída nos parâmetros legais, averbada à margem da inscrição do imóvel no Registro Público e demarcada, com precisão, em Laudo Técnico formalizado por profissional competente. Ausente qualquer um desses quesitos, descaracteriza-se a área beneficiada, tornando-a tributável.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771, DE 1965. REQUISITOS. Caracterizase como área de preservação permanente e, por isso, não tributável, a área constituída nos parâmetros legais e demarcada, com precisão, em Laudo Técnico formalizado por profissional competente. ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS. ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS. Considerase Reserva Legal e, por isso, não tributável, a área que tenha sido constituída nos parâmetros legais, averbada à margem da inscrição do imóvel no Registro Público e demarcada, com precisão, em Laudo Técnico formalizado por profissional competente. Ausente qualquer um desses quesitos, descaracterizase a área beneficiada, tornandoa tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a APP – Área de Preservação Permanente de 365,79 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª Wilma Kumnel, OAB/SP 147.086. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 24 /2 01 1- 31 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 252 2 MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Marcio de Lacerda Martins e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Notificação de Lançamento foi emitida para exigir do contribuinte acima identificado o crédito tributário de R$187.628,52, sendo R$81.164,74 de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2006, acrescido de R$60.873,55 de multa de ofício e R$45.590,23 de juros de mora (calculados até 10/12/2011). Da DITR/2006 O contribuinte informou na declaração do ITR do exercício 2006 (fls. 14 a 22) que o imóvel possui área total de 1.649,5 hectares sendo 109,2 hectares de área de preservação permanente, 733,9 hectares de reserva legal e 10,0 hectares ocupados com benfeitorias. Do lançamento Com base na DITR/2006, a fiscalização intimou o contribuinte para apresentar os documentos que comprovassem os dados declarados. Não confirmado o endereço constante da DITR/2006, AR fl. 11 devolvido com informação “mudouse”, foi necessária a publicação de Edital, fl.12, com a ciência presumida do contribuinte em 11/11/2011. Não obtendo resposta do contribuinte, a fiscalização glosou as áreas de preservação permanente e de reserva legal e alterou o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$460.000,00 (R$278,87/ha) para R$1.363.988,05 (R$826,91/ha) com base em dados coletados pelo Sistema de Preços de Terras (SIPT). A Notificação do Lançamento, a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o Demonstrativo de Apuração do Imposto devido e o Demonstrativo da Multa de Ofício e Juros de Mora constam às fls. 3 a 8 Da impugnação Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 29 a 31, alegando, em síntese: A ocorrência de cerceamento do direito de defesa por ter sido lavrada a Notificação sem que ele tivesse oportunidade de apresentar os documentos comprobatórios. Apresenta Laudo para demonstrar que a área cujo uso está vinculado à preservação permanente é de 1.084,7 ha contra apenas 843,1 ha declarados. Considera comprovada a isenção da área total do imóvel de 1.649,5 ha, inserida na Zona de Proteção Ambiental do entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, conforme apontado no mapa de situação do imóvel. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 253 3 Informa que, com base em levantamento da Prefeitura Municipal de São Roque de Minas, município sede da Comarca que abrange Vargem Bonita, o valor médio das terras é de R$773,07 por hectare e considerando que as terras do imóvel se enquadram entre as de Chapadão de 1ª, de 2ª e de 3ª, bem como de terrenos pedregosos, o valor médio cai para R$305,25 por hectare. Considera que o ADA não pode ser exigido para a dedução das áreas ambientais em face do que diz o § 7, do artigo 10 da Lei 9.393/1996, não obstante a vigência do artigo 17O, caput e § 1º, da Lei nº 6.938/1981, e cita acórdãos do CARF e decisões Judiciais para referendar seus argumentos. Da decisão de 1ª instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Brasília, por meio do Acórdão 0348.752, deu provimento parcial à impugnação para reduzir o imposto suplementar de R$81.164,74 para R$59.709,04 pelas razões apontadas a seguir. Depois de afastada a preliminar de cerceamento de defesa e nulidade do lançamento, o Colegiado considerou comprovado o Valor da Terra Nua (VTN) de R$1.006.392,94 apurado pelo Laudo de Avaliação de fls. 109 a 152 apresentado na impugnação. Entretanto, manteve a glosa das áreas não tributáveis referentes à área de preservação permanente e de reserva legal sob os seguintes argumentos: 1. Não foi comprovada a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente conforme determina a Lei nº 4.771, de 1965 com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989; Lei nº 9.393. de 1996; e art. 12 do Decreto nº 4.382, de 2002. 2. Não foi comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) no IBAMA conforme determina o Decreto nº 4.382, de 2002 (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000. Quanto ao fato do imóvel estar localizado no entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, consta do voto condutor do acórdão (fl. 213): É de ressaltar que o fato de imóvel encontrarse localizado na Zona de Proteção Ambiental do entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra, isto é, em uma Área de Proteção Ambiental, vizinha a citada unidade de proteção integral, não autoriza dispensar o contribuinte da comprovação da exigência relativa ao ADA. Outra questão enfrentada no acórdão diz respeito à dispensa de prévia comprovação dos dados informados na DITR e seu possível alcance ao caso concreto. O trecho do voto condutor (fl. 214) esclarece a questão da seguinte forma, in verbis: Em suma, a dispensa de prévia comprovação não pode ser entendida para afastar a necessidade de o contribuinte, quando assim exigido pela autoridade fiscal, comprovar o cumprimento tempestivo de exigências legais previstas para justificar as áreas Fl. 253DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 254 4 ambientais que se pretende para fins de exclusão do cálculo do ITR, previstas na lei ambiental (Código Florestal) e legislação tributária (Lei 9.393/96 e Decreto nº 4.382/2002 – RITR), nem à dispensa de protocolização do ADA junto ao IBAMA (art. 17O da Lei 6.938/1981, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000). Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão 0348.752 em 25/06/2012, o contribuinte apresentou em 25/07/2012 o Recurso Voluntário de fls. 225 a 243 alegando, em síntese que: A exigência do ADA para se ter o reconhecimento da isenção da área de preservação permanente não pode prosperar em virtude da MP 2.16667, de 2001 que dispensou o contribuinte de qualquer comprovação prévia sendo suficiente sua declaração que pode ser contestada pelo Fisco e, caso seja inverídica, incorre o contribuinte nas penalidades e sanções legais. A Fazenda Baú Chapadão está totalmente inserida no Parque Nacional da Serra da Canastra conforme os documentos juntados e que solicitou manifestação do ICMBio mas não conseguiu a tempo de poder apresentála neste processo. Requer o restabelecimento da área de preservação ambiental glosada indevidamente e não reconhecida em 1ª instância. Essas áreas são comprovadamente existentes no imóvel que não tem vocação agropecuária. Requerida a juntada aos autos do Ofício 260/2012 expedido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Da distribuição do processo Processo distribuído, por sorteio, a este Relator na sessão de novembro de 2012 realizada no CARF em Brasília. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Dele conheço. Com a entrega da DITR/2006, o recorrente pretendia deduzir da área total do imóvel rural as áreas não tributáveis previstas na legislação do ITR. Essas áreas são consideradas não tributáveis face às restrições de uso que lhe foram impostas pelo legislador, objetivando proteger o meio ambiente e conservar a fauna e a flora. No rol dessas exceções, a área de preservação permanente foi dimensionada em números que não deixam margem a dúvidas, nos termos do artigo 2º da Lei nº 4.771, de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989, a conferir: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 255 5 Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Pela simples leitura do artigo acima reproduzido, verificase que foram perfeitamente dimensionadas e identificadas as áreas protegidas, cabendo ao proprietário, para usufruir a dedução, providenciar o levantamento minucioso de todos os elementos necessários para delimitar a área sob proteção. Para executar este levantamento é necessária a atuação de profissional competente e habilitado tecnicamente para a atividade. Nesse ponto, o Laudo apresentado pelo recorrente preenche todos os requisitos legais e comprova a área de preservação permanente como definida no art. 2º da Lei 4.771, de 1965 e alterações posteriores, de 365,79 hectares resultado da soma das áreas de 81,66 hectares e 284,13 hectares discriminadas à fl. 134. O Laudo registra outras áreas que para serem consideradas de preservação permanente exigem ato específico do Poder Público, conforme determina o art.3º da Lei 4.771, de 1965 e alterações, não apresentado pela recorrente. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 256 6 As áreas de preservação permanente (propriamente dita – art. 2º da Lei 4.771, de 1965) e de Reserva Legal independem de qualquer ato do Poder Público para serem reconhecidas como não tributáveis pelo ITR mas devem ser constituídas obedecendo aos parâmetros legais e demarcadas, com precisão, em Laudo Técnico formalizado por profissional competente ou pessoa jurídica especializada, além da averbação à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente, no caso da Reserva Legal. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas reconhecidas diretamente pela lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo Poder Público por meio de ato próprio. Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, conforme se deduz do exposto no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Assim, concluo que o art. 170 da Lei nº 6.938, de 1981 impõe a exigência da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Quanto à área de Reserva Legal, verifico que consta do laudo a indicação de 718,60 hectares que não estão devidamente averbados na matrícula do imóvel. Assim, devido a falta da averbação na matrícula do imóvel da área indicada como de Reserva Legal não é possível deduzila da área total do imóvel para apurar a área tributável. O Ofício que a recorrente faz referência no Recurso Voluntário foi juntado à fl.249 e atesta, a pedido da interessada, que “a Fazenda Baú e Chapadão, propriedade de Antonietta da Silva Rego, situada no município de Vargem Bonita MG encontrase parcialmente dentro da Poligonal do Parque Nacional da Serra da Canastra descrita no Decreto Federal 70.355/72” Sobre o Parque Nacional da Serra da Canastra consta do Resumo Executivo do Ministério do Meio Ambiente (disponível na internet acesso por meio do endereço www.icmbio.gov.br/portal/images/.../PM_PNSC_Resumo_Executivo.PDF) a seguinte descrição: O Parque Nacional da Serra da Canastra (PNSC), que compreende uma área de aproximadamente 200 mil hectares, foi criado em 3 de abril de 1972, por meio do Decreto nº 70.355 e está situado na região sudoeste do Estado de Minas Gerais, abrangendo os municípios de São Roque de Minas, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória, Capitólio e Vargem Bonita. Na criação do PNSC, a desapropriação de terras e a não aceitação dos limites dessa Unidade de Conservação (UC) por parte da comunidade local foram motivos de conflito entre esta e o órgão gestor. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 257 7 Do total da área decretada, 71.525 ha estão com a situação fundiária regularizada, ou seja, sob posse e domínio do Ibama, enquanto os outros 130.000 ha são constituídos por propriedades/posses, não estando ainda regularizados. Como Parque Nacional esta unidade de proteção forma o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC que foi instituído pela Lei nº 9.985, de 2000 que também estabeleceu os critérios e as normas para a criação, implantação e gestão dessas unidades de conservação, a saber: (grifei) Art. 7o As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral; II Unidades de Uso Sustentável. § 1o O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. § 2o O objetivo básico das Unidades de Uso Sustentável é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Art. 8o O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I Estação Ecológica; II Reserva Biológica; III Parque Nacional; IV Monumento Natural; V Refúgio de Vida Silvestre. [...] Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. § 2o A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 258 8 § 3o A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento. § 4o As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal. Assim, concluise que enquanto não desapropriadas, como prevê o §1º do art. 11 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, as áreas particulares incluídas nos limites do Parque Nacional continuarão atendendo aos interesses privados de seus proprietários ou de quem tem a posse a qualquer título sem, entretanto, influenciar na questão tributária debatida neste processo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 365,79 hectares. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 258DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10665.723024/201131 Acórdão n.º 2201002.004 S2C2T1 Fl. 259 9 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.004. Brasília/DF, 3 de junho de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 03/06 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 10320.002482/2009-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007
NULIDADE. DESCRIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE DIFERENCIAÇÃO ENTRE AUTUAÇÕES CONEXAS. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ART. 59, II DO DECRETO 70/235/72
É nulo o auto de infração que possui mesmo objeto de outro conexo, decorrente do mesmo procedimento fiscal, sem ter dado o fiscal subsídios para o contribuinte avaliar e diferenciar as exigência, causando assim, cerceamento do direito de defesa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão por vício material. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DESCRIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE DIFERENCIAÇÃO ENTRE AUTUAÇÕES CONEXAS. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ART. 59, II DO DECRETO 70/235/72 É nulo o auto de infração que possui mesmo objeto de outro conexo, decorrente do mesmo procedimento fiscal, sem ter dado o fiscal subsídios para o contribuinte avaliar e diferenciar as exigência, causando assim, cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão por vício material. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 82 /2 00 9- 10 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002482/200910 Acórdão n.º 2403002.035 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão prolatada em sede de Acórdão da DRJ, que manteve em todos os seus termos o lançamento consolidado em 09/03/2009, sob o DEBCAD n. 37.083.0130, cujo importe corresponde a R$ 6.989,76 (seis mil, novecentos e oitenta e nove reais e setenta e seis centavos). O Auto de Infração lavrado pretende o recolhimento de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, compreendidas pelas competências 04/2006 a 12/2007, relativas à parte da Empresa sobre a remuneração dos segurados empregados no que diz respeito a terceiros (FNDE, SESC, SENAC, SEBRAE E INCRA). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 33/36, verbis: “1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, relativas à parte da Empresa sobre a remuneração dos segurados empregados no que diz respeito a terceiros (FNDE, SESC, SENAC, SEBRAE E INCRA), devidamente relacionadas em título deste relatório denominado ‘Levantamento’, adiante identificado. Estas contribuições foram apuradas nos Documentos de Caixa e Folhas de Pagamento de Empregados tendo sido declaradas em GFIP. (...) 3. A Empresa enquadravase como Entidade Filantrópica com Isenção, conforme verificado no FPAS 639 informado pela mesma em suas GFIP’s, entretanto não nos apresentou documentos necessários para tal enquadramento solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e tampouco solicitou isenção de tributos à RFB. Desta forma, procedemos ao levantamento dos fatos geradores como empresa normal e fizemos RFFP – Representação Fiscal para Fins Penais por crime contra ordem tributária, além de apropriação indébita”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 57/63. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, em 15 de março de 2012, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, prolatou o Acórdão 0823.259, de fls. 307/315, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 355DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, §7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL. REQUERIMENTO. Para fatos geradores ocorridos até 29/11/2009, a imunidade prevista na Constituição Federal, art. 195, §7º, somente alcançava as entidades beneficentes de assistência social que atendiam os requisitos determinados na Lei nº 8.212/91, art. 55, dentre eles ser reconhecida como de utilidade pública federal. Para fazer jus à imunidade em tela, devia ser apresentado requerimento, que era analisado juntamente com os documentos que deviam ser anexados (Lei nº 8.212/91, art. 55, §1º). Reconhecido o direito à isenção (imunidade), os seus efeitos eram gerados a partir da data do protocolo do pedido (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 art. 208, §2º). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Em obediência aos princípios da estrita legalidade e da verdade material, uma vez tendo sido detectado equívoco na apuração da base de cálculo, devem ser retificados os lançamentos efetuados a maior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte. DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 325/327, requerendo a reforma do Acórdão, alegando em síntese que é portador de todos os documentos necessários para a sua isenção, não havendo que falar em falta de pedido e conseqüente indeferimento. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002482/200910 Acórdão n.º 2403002.035 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl.348, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Obras Sociais da Paróquia de Vitória do Mearim foi autuada em razão de não ter preenchido, à época dos fatos geradores das contribuições previdenciárias em discussão neste processo administrativo, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 para gozo da imunidade prevista no art. 195, parágrafo 7º da CF. A este conselheiro, chegaram três processos decorrentes da mesma autuação: a) Processo nº: 10320.002482/200910, no valor de R$ 6.989,76, referente a parte de terceiros, no período de R$ 6.989,76; b) Processo nº: 10320.002480/200921, no valor de R$ 275.639,99, referente a parte da Empresa sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho; c) Processo nº: 10320.002483/200964, no valor de R$ 76.129,17, referente a parte de terceiros, no período de 01/2004 a 12/2007. Da análise dos processos acima negritados, percebese que o objeto de cobrança é o mesmo, qual seja, a contribuição para terceiros, no entanto, os valores para cada competência são diferentes. Compulsando os autos, verificase do Discriminativo Analítico de Débito de ambos os processos há divergência considerável no valor, vejamos abaixo o comparativo entre alguns valores: Competência Processo nº: 10320.002483/200964 (fl. 06/24) Processo nº: 10320.002482/200910 (fl. 06/09) 04/2006 R$ 15.600,00 R$ 4.199,00 05/2006 R$ 15.600,00 R$ 3.300,00 08/2006 R$ 15.833,33 R$ 3.300,00 12/2006 R$ 15.600,00 R$ 3.650,00 11/2007 R$ 20.660,00 R$ 5.100,00 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Da análise dos relatórios fiscais, não é possível encontrar qualquer diferenciação na base de cálculo, ou seja, a razão de existir duas autuações diversas, para a exigência da mesma rubrica, terceiros. Ao contrário, o que se encontra é a semelhança, em ambos, há redação a mesma redação, qual seja: Este levantamento referese a remuneração de empregados apurada em folhas de pagamento e recibos de férias e termos de rescisões de contrato de trabalho extra folha. Diante desse quadro, percebese que há confusão entre os fatos geradores descritos nos dois processos administrativos, gerando assim, dúvidas quanto ao mérito dos levantamentos. Mediante esta situação, percebese que o fiscal descumpriu com o disposto no art. 10, III, do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Esclareçase que o vício aqui presente é material e não meramente formal. Uma vez que atinge o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, esta Segunda Seção já julgou desta forma no Recurso Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 10808.174 de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a Fl. 358DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002482/200910 Acórdão n.º 2403002.035 S2C4T3 Fl. 5 7 elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Destarte, caracterizada está a infração ao disposto no art. 10, III, do Decreto 70.235/72 uma vez que a descrição dos fatos está prejudicada em razão da aparente duplicidade da autuação, bem como ao art. 142 do CTN. E, não havendo possibilidade de discriminar a diferença das bases de cálculo dos dois processos, há inconteste afronta ao direito de defesa (art. 59, II do Decreto 70.235/72), inquinando a exigência de nulidade material. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso para dar provimento, anulandoo por vício material. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 360DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001431/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRRF - ÔNUS DA PROVA - CPC ARTIGO 333 - APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA.
A regra contida no artigo 333 do CPC é de aplicação subsidiária ao PAF. Cabe ao contribuinte a prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. Não comprovada a retenção pela fonte pagadora, tampouco o recolhimento por parte do beneficiário dos rendimentos, incabível o aproveitamento do respectivo valor na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2201-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
EDITADO EM: 25/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRRF - ÔNUS DA PROVA - CPC ARTIGO 333 - APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. A regra contida no artigo 333 do CPC é de aplicação subsidiária ao PAF. Cabe ao contribuinte a prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. Não comprovada a retenção pela fonte pagadora, tampouco o recolhimento por parte do beneficiário dos rendimentos, incabível o aproveitamento do respectivo valor na Declaração de Ajuste Anual.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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A regra contida no artigo 333 do CPC é de aplicação subsidiária ao PAF. Cabe ao contribuinte a prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. Não comprovada a retenção pela fonte pagadora, tampouco o recolhimento por parte do beneficiário dos rendimentos, incabível o aproveitamento do respectivo valor na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 14 31 /2 00 8- 18 Fl. 32DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório O contribuinte supra identificado foi autuado por realizar compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$3.274,52 (três mil duzentos e setenta e quatro reais e cinqüenta e dois centavos) não informado pela Pires Serviços de Segurança e Transporte Ltda, CNPJ n° 60.409.877/000596. O notificado apresentou impugnação tempestiva em 03/07/2008 alegando que os valores informados na Declaração de Ajuste Anual do IRPF decorrem da retenção relativo a Reclamatória Trabalhista movida contra a empresa citada no valor de R$14.132,77 (quatorze mil cento e trinta e dois reais e setenta e sete centavos) e recebida em janeiro de 2005, conforme Processo n° 00546.661/0107, cujo valor foi informado na DIRPF do exercício de 2006 com Imposto a Restituir. Pelo exposto requer a improcedência da notificação e a restituição do Imposto Retido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Inicialmente devemos esclarecer que o objeto do presente recurso é exclusivamente a questão da não comprovação de retenção de rendimentos uma vez que a autoridade lançadora não localizou na DIRF da suposta fonte pagadora o lançamento de IRRF em nome do contribuinte em questão, glosando em sua DAA o valor que alega ter sido retido. Nesta estiera vale citar o artigo 333 do CPC, in verbis: “Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Desta forma, caberia ao contribuinte provar a retenção, o que não seria difícil tendo em vista que o juiz trabalhista determinou a comprovação dos recolhimentos fiscais em 15 dias. Contudo, o contribuinte não logrou êxito em se desincumbir do ônus que sobre ele recaia, uma vez que os documentos coligidos aos autos não demonstram a efetividade da retenção. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11030.001431/200818 Acórdão n.º 2201001.980 S2C2T1 Fl. 33 3 Diante do exposto e de tudo mais que dos autos consta, nego provimento ao recurso. É como voto. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 16327.720009/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL - Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento do crédito tributário - com idêntico objeto, impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem apreciação do mérito.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
Numero da decisão: 1401-000.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em face da opção pela via judicial.
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(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Cristiane Silva Costa e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL - Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento do crédito tributário - com idêntico objeto, impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem apreciação do mérito. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em face da opção pela via judicial. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Cristiane Silva Costa e Jorge Celso Freire da Silva.
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NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em face da opção pela via judicial. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 09 /2 01 2- 30 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720009/201230 Acórdão n.º 1401000.971 S1C4T1 Fl. 354 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Cristiane Silva Costa e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720009/201230 Acórdão n.º 1401000.971 S1C4T1 Fl. 355 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: De acordo com o Auto de Infração, o crédito tributário lançado encontrase com a exigibilidade suspensa por força de Depósito Judicial, no Mandado de Segurança 2008.61.000153394, tendose efetuado o lançamento para prevenir eventual decadência. A autoridade fiscal apurou falta de recolhimento da CSLL relativos aos seguintes fatos geradores: Fato gerador Valor 12/2008 R$1.325.663,40 31/12/2009 R$1.687.387,55 31/12/2010 R$3.342.171,38 DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado da autuação em 06/01/2012 (fl.188) e apresentou em 03/02/2012, a impugnação de fls. 190199, acompanhada dos documentos de fls. 200229, cujas alegações se resumem a seguir. I Dos Fatos Alega o impugnante que a Medida Provisória n° 413/2008, por meio de seu artigo 17, alterou o artigo 3° da Lei n° 7.689/1998, majorando a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) do setor financeiro em geral de 9% para 15%. A majoração não poderia ter sido efetuada por meio da Medida Provisória, uma vez que a autorização fere frontalmente o princípio da isonomia entre contribuintes e foi autorizada somente pela Emenda Constitucional n° 20/98, a qual não poderia ser regulada por Medida Provisória. Objetivando revestir de legalidade a inconstitucionalidade, a Medida Provisória n° 413/2008 foi convertida na Lei n° 11.727/08. Afirma ser inexigível a contribuição social referida no auto de infração, primeiro em face de alíquota diferenciada e, ato contínuo, pela inegável inconstitucionalidade, bem como pela impossibilidade de regular matéria que foi objeto de Emenda Constitucional por meio de Medida Provisória. II Do Mérito. Aduz o requerente que a justificativa de que a nova regulamentação se Fl. 355DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720009/201230 Acórdão n.º 1401000.971 S1C4T1 Fl. 356 4 originou da Lei 11.727/08, fruto da conversão da Medida Provisória n°431/88, não procede, sob pena de se violar o princípio da reserva da iniciativa. Sustenta que as duas espécies legislativas não podem ser equiparadas. Alega que a conversão de uma medida provisória inconstitucional em lei, como no presente caso, não resulta em uma lei constitucional, pois sua origem já estava eivada de vício. Afirma o contribuinte que de um lado a Constituição autoriza no §9° do art 195, a instituição de alíquotas diferenciadas na incidência da Contribuição à Seguridade Social para determinadas pessoas jurídicas, de outro impõe, no parágrafo 5o de tal preceito constitucional e no art 194,V, que haja correspondência entre os valores arrecadados e a sua destinação. Dai deriva a imperatividade da observância do Princípio da Referibilidade sempre que o legislador instituir a distinção de tratamento que lhe faculta o parágrafo 9o do art. 195 da carta maior. Aduz que, no caso da majoração da alíquota estabelecida pela MP 413/2008, a causa desse tratamento distinto não decorre da necessidade de adequar a participação das pessoas jurídicas ali mencionadas no respectivo valor que demandam da Seguridade Social, em razão da atividade econômica, utilização de mão de obra, porte ou condição do mercado de trabalho ( referibilidade). Constata também a inconstitucionalidade decorrente da ofensa ao Principio da Solidariedade, ou seja, além do mero propósito arrecadatório, essa alteração onerou exclusivamente as pessoas jurídicas previstas em seu artigo 17. Observa o impugnante que o Supremo Tribunal Federal, quando da apreciação da constitucionalidade da Lei n° 7.689/88, consideroua como sendo tributo vinculado a determinada atuação estatal, jungido a princípios norteadores da imposição tributária. Dentre os princípios constitucionais, sobrelevase o atinente à isonomia, o qual tem sido ostensivamente afrontado pela legislação da Contribuição Social sobre o lucro, inclusive pela Medida Provisória n° 413 e Lei n° 11.727/08. Aduz o interessado que considerando o período de 1(um) ano prescrito pela legislação vigente para fins de apuração da CSLL, cujo fato imponível se dará em 31/12/2008, a majoração de alíquota de tal contribuição levada a efeito pela edição de MP n°413/08, convertida na Lei n°11.727/08, somente poderia produzir os efeitos pretendidos a partir do início do período de apuração subseqüente ao atual, cujo dies a quo é 01/01/2009. Por outro lado, argumenta que a CSLL está sujeita ao princípio da anterioridade nonagesimal. Portanto, ainda que se entenda que a Lei n°11.727/2008 convalida a inconstitucionalidade do artigo 17 da Medida Provisória n°413/2008, em virtude do aludido princípio da anterioridade específica, deveria começar a produzir afeitos somente sobre os fatos ocorridos a partir de 23 de setembro de 2008. No MS 2008.61.000153394 (fls.3062), o pedido de liminar foi indeferido (fls. 2529), reconhecendose apenas o direito subjetivo ao depósito judicial. Em 17/02/2009, a segurança foi denegada (fls.99103). Apelando o impetrante, os autos subiram ao TRF da 3ª Região, onde foi negado provimento à apelação, em 09/06/2011, conforme cópia de acórdão anexada (fls.161169). Os autos encontram se desde 27/04/2012, na Assessoria Judiciária da Vice Presidência do TRF da 3ª Região (fls.235236). Fl. 356DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720009/201230 Acórdão n.º 1401000.971 S1C4T1 Fl. 357 5 É o relatório. A DRJ NÃO CONHECEU da impugnação face à opção pela via judicial, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, tentando afastar a súmula do CARF aplicada pela DRJ: Requer a nulidade do auto de infração por não sido apresentado os elementos necessários para constituição do crédito tributário por meio do lançamento, afrontando assim o artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como afastando por completo a incidência da Súmula n°. 1 do CARF, uma vez que a matéria que gera a nulidade do auto de infração não está sendo apreciada pelo Judiciário, assim, possibilitando a apreciação por esse Ilustre Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720009/201230 Acórdão n.º 1401000.971 S1C4T1 Fl. 358 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Constato a existência de ação judicial em que o contribuinte insurgese contra a elevação da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido – CSLL das instituições financeiras, de 9% para 15%, prevista no art.17 da Medida Provisória nº 413/2008. Constatase, assim, que há coincidência entre o objeto do pedido judicial e presente auto de infração. Dessa forma, em relação à matéria discutida em ação judicial dispõe o § único, do art. 38, da Lei nº 6.830/80, in verbis: “Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda pública só é admissível em execução, na forma da Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do ato declaratório da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (grifei) A interposição de ação judicial produz um efeito capital que é a perda do poder de continuar a parte a litigar na esfera administrativa, ou seja, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso por acaso interposto, como preceitua o citado dispositivo legal. A desistência da via administrativa não é um ato unilateral de vontade do contribuinte, mas uma imposição de lei em sentido estrito. O assunto é bastante pacífico não comportando maiores digressões, tendo sido inclusive sumulado em todos os Conselhos (Súmula 1º CC nº1), in verbis: Súmula 1ºCC nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) . Por sua vez, em suas razões recursais tenta discutir novamente essa mesma matéria em sede administrativa por vias transversas. Notadamente o recurso inova na matéria pleiteando uma nulidade apenas como forma de contornar a súmula acima, o que já se poderia de antemão considerar como matéria preclusa, por não ter sido aventada na primeira instãncia. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720009/201230 Acórdão n.º 1401000.971 S1C4T1 Fl. 359 7 Porém, cabe salientar que considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Outrossim, não há dúvida, como quer fazer crer a Recorrente quanto à base de cálculo consignada no auto de infração. O crédito tributário lançado corresponde à diferença da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido – CSLL das instituições financeiras, de 9% para 15%, prevista no art.17 da Medida Provisória nº 413/2008. Tal valor encontrase com a exigibilidade suspensa por força de Depósito Judicial, no Mandado de Segurança 2008.61.000153394, tendose efetuado o lançamento para prevenir eventual decadência. . Estranho é na fase impugnatória o contribuinte deixa bem assente que entendeu cristalinamente essas questões e na fase recursal, apenas como meio transverso de se discutir a matéria de fundo levanta tais questionamentos. Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso em face da opção pela via judicial. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 359DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10932.000659/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Apr 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 30/01/2006 a 30/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91.
A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91.
A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto-enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa ser aplicada nos moldes do art. 35, inciso II, na redação vigente à época dos fatos geradores, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, c do CTN. Vencida a conselheira relatora Juliana Campos de Carvalho Cruz. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Arlindo da Costa e Silva
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Mársico Lombardi, Fábio Pallaretti Calcini, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 06 59 /2 00 9- 45 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa ser aplicada nos moldes do art. 35, inciso II, na redação vigente à época dos fatos geradores, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Vencida a conselheira relatora Juliana Campos de Carvalho Cruz. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Arlindo da Costa e Silva Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Mársico Lombardi, Fábio Pallaretti Calcini, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Tratase o Auto de Infração de penalidade aplicada em decorrência da pessoa jurídica, no período de 01/2006 a 12/2007, incluído 13/2006 e 13/2007, por ter deixado de recolher as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. O não recolhimento ocorreu pelo fato do sujeito passivo ter informado em GFIP o código FPAS 639 Entidade Beneficiente de Assistência Social, usufruindo a isenção da parte patronal e GILRAT, sem contudo, requerer o seu gozo, a tempo, ao órgão competente. Neste contexto, por não ter o Ato Declaratório, concluiu o auditor que não poderia usufruir do benefício. A aplicação da multa de mora foi efetuada considerando a MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09 que instituiu o art. 35A da Lei nº 8.212/91, o percentual de setenta e cinco por cento. Cientificada da autuação, a entidade apresentou impugnação (fls. 69/79), em tempo hábil, alegando que preencheu todos os requisitos exigidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91 e que a ausência de pedido administrativo perante o INSS é mera formalidade que não anula a isenção a que faz jus. Afirmou, ainda, que é uma entidade sem fins lucrativos e que não remunera os membros do Conselho Fiscal e Diretoria Executiva, nem muito menos distribui lucros, além do que foi declarada como de Utilidade Pública Municipal e Federal. Defendeu o caráter confiscatório da multa e, ao final, pleiteou a improcedência da ação fiscal. Os membros da 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Campinas (SP), por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 139/146). Intimada do julgado (fls. 137/138), interpôs, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 152/165) ratificando os argumentos dispostos na impugnação. Eis o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Protocolado recurso em tempo hábil, passo à análise do mérito. I DA ISENÇÃO: A ação fiscal referese às contribuições previdenciárias devidas, no período de 01/2006 a 12/2007, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Conforme relatório fiscal, a entidade beneficente deixou de recolher as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, contribuintes individuais e menores aprendizes por entender está abrangida pelo benefício concedido pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, embora inexista requerimento perante o INSS. Antes da MP 446/08, a norma assim prescrevia: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido... § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 216 5 ... 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. " A isenção a que versa a legislação ordinária encontra fundamento de validade no art. 195, §7º da Constituição Federal cuja norma concede às entidades beneficentes isenções ao pagamento de contribuições prebidenciárias, desobrigandoas ao recolhimento da parcela patronal e as destinadas aos terceiros, vide: "Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." O art. 55 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP 446/08, exigia que a entidade que preenchesse todos os requisitos, para usufruir da isenção, protocolasse requerimento perante o INSS. Ocorre que, em novembro de 2009, com a entrada em vigor da Lei 12.101, a exigência daquele requerimento deixou de existir. Na ocasião, para o gozo da isenção, bastava a posse do certificado emitido pelo Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento das condições dispostas no art. 29, abaixo transcritos: "Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006." A Lei nº 12.101/09 entrou em vigor na data da sua publicação, em 30/11/2009. O lançamento foi lavrado posteriormente, em 16/12/2009. Ainda que o período da autuação corresponda aos exercícios de 2006 e 2007, na hipótese, deve incidir o novo regramento por estabelecer novos procedimentos fiscalizatórios. O art. 144, §1º do CTN dispõe que ao lançamento deve ser aplicada a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros: "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." Este entendimento encontra respaldo no Acórdão nº 2401002.807, de 22.11.2012, da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, cujo voto vencedor foi proferido pelo Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, a seguir: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 217 7 LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratandose de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõese à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional..." Não é demais lembrar que o próprio Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, regulamentador da Lei nº 12.101/09, admitiu a retroatividade ao determinar que os Atos Cancelatórios e Pedidos de Isenção pendentes de julgamento retornassem às competentes Delegacias da Receita Federal para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção (vale dizer: dispostos nos incisos do art. 55 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pela MP 448/09), conforme arts. 44 e 45: “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei nº 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Na esteira dos argumentos acima dispostos e ressaltando que a ação fiscal teve como fundamento tão somente a ausência de requerimento administrativo perante o INSS, não há como prosperar a cobrança (da contribuição social incidente sobre as remunerações pagas ao menor aprendiz, segurados empregados e contribuintes individuais e destinadas a terceiros) ante a aplicação da Lei 12.101/09 na linha do disposto no art. 144, §1º do CTN. II DA MULTA CONFISCATÓRIA: Embora reconheça ser indevida a cobrança do crédito tributário, apenas para tornar límpida a decisão, segue breve comentário a respeito da multa aplicada. Aduziu o Recorrente que a multa seria confiscatória, pois aplicada de forma desproporcional. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 De acordo com o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;” (grifo nosso) Esta Egrégia Corte Administrativa sumulou a matéria dispondo não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vide: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Logo, resta impedida a apreciação no que tange a confiscatoriedade da multa. Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para darlhe provimento, reconhecendo a retroatividade da Lei n° 12.101/09, nos moldes do art. 144, §1º do CTN e, neste sentido, extinguir totalmente o crédito tributário. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Voto Vencedor DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pela Ilustre Relatora relativo ao lançamento tributário ora em apreciação. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 218 9 Por definição legal, constituise tributo toda prestação pecuniária compulsória, expressa em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Originariamente, o CTN elencou como tributos os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. Com o advento da publicação da nova Carta Constitucional, tanto a mais balizada doutrina, como também, os tribunais superiores, máxime o STF, passaram a acomodar no conceito de Tributo também as contribuições sociais bem como os empréstimos compulsórios, em virtude de essas exações ostentarem igualmente os elementos objetivos caracterizadores fixados no art. 3º do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. A Constituição da República estabeleceu no §7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos) Cabe inicialmente trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em relevo, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 219 11 expressamente serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II Seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713/2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732/98. §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713/2001). Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nessa prumada, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. No caso em apreciação, o lançamento tributário houvese por formalizado em razão de a entidade recorrente não ter efetuado tempestivamente o recolhimento das contribuições previdenciárias por ela devidas, consoante exigência fiscal inscrita na Lei nº 8.212/91. Constatou o agente fiscal notificante que, mesmo sem ser titular do direito de isenção em realce, a entidade informava nas GFIP o código FPAS 639, que é específico para as Entidades Beneficentes de Assistência Social reconhecidas pela autarquia previdenciária, mediante Ato Declaratório, como detentoras do direito a isenção de contribuições previdenciárias. Noticiese que a carência do direito formal à isenção houvese por reconhecido pela própria Recorrente. Cabenos enfatizar que, por se tratar de hipótese de renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva, a teor das disposições plasmadas no art. 111, II do CTN. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 220 13 Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Não podemos concordar com qualquer possibilidade de incidência, ao caso concreto, do preceito inscrito no §1º do art. 144 do CTN, conforme defendido pela Insigne Relatora, uma vez que o art. 29 da Lei nº 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, a justificar a incidência retroativa da Lei nº 12.101/2009. Código Tributário Nacional Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. O citado art. 29, ao revés, instituiu, sim, dentro da nova ordem jurídica inaugurada pela aludida Lei nº 12.101/2009, os requisitos necessários exigidos das entidades beneficentes certificadas na forma do Capítulo II dessa lei para fazer jus à isenção do pagamento das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, os quais passaram a ser de observância obrigatória a contar da efetiva vigência e eficácia da Lei nº 12.101/2009, em atenção à regra geral encartada no caput do art. 144 do CTN. Discordamos, igualmente, da interpretação dada pela Eminente Relatora ao dispositivo encapsulado no art. 44 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/09. Ao contrário da exegese concebida no voto condutor, entendo que o dispositivo insculpido no suso citado art. 44 expressamente inadmite a retroatividade da lei nova em tela, na medida em que determina que os Atos Cancelatórios e Pedidos de Isenção pendentes de julgamento retornem às competentes Delegacias da Receita Federal para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador, e não em conformidade com a lei nova, reconhecendo, assim, a primazia do princípio tempus regit actum. Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei nº 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Por tais razões, em virtude da carência de requisito essencial previsto no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, consistente no requerimento formal da isenção ora em realce ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, pugnamos pela improcedência das alegações veiculadas no Recurso Voluntário interposto pelo SODIPROM Centro de Formação de Aprendizes de Diadema. DA PENALIDADE PELO ATRASO NO RECOLHIMENTO DO TRIBUTO Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Urge ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 221 15 O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promove a constituição formal do crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos em competências anteriores à vigência da MP nº 449/2008, ocasião em que fulguravam vigentes e eficazes as normas atinentes à incidência de multa de mora irradiadas pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 222 17 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, coloquialmente falando, a lei que deu com uma mão, retirou com a outra. Se por um lado reduziu o percentual da multa moratória, incentivando dessarte a denúncia espontânea, pelo outro, fez inserir no ordenamento jurídico, em ádito, uma outra penalidade, assim denominada multa de ofício, visando a desencorajar o inadimplemento tempestivo da obrigação tributária principal. No novo regime legislativo, em se tratando de recolhimento espontâneo, o atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias é apenado com a multa moratória assinalada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96. Dispensando agora um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, tratandose de lançamento de ofício, como assim se configura o presente caso, enquanto que a legislação anterior à MP nº 449/2008 previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, antes da inscrição em dívida ativa, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44 da Lei nº 9.430/96, à razão fixa de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada, enquanto não ajuizada a execução fiscal. Diante de tal cenário, tratandose de lançamento de ofício, o atraso objetivo no recolhimento de contribuições previdenciárias pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, circunstância que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa de mora é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN, concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora de recolhimento trazida pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal obedecer à lei vigente à Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10932.000659/200945 Acórdão n.º 2302002.472 S2C3T2 Fl. 223 19 data de ocorrência do fato gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10805.900546/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de fatos constitutivos do direito ao crédito decorrente do pagamento a maior indicado na declaração de compensação.
LIDE. LIMITE OBJETIVO. CRÉDITO INDICADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
A natureza e especificidade do crédito indicado na declaração de compensação não reconhecido no despacho decisório estabelece o limite objetivo da lide, não outro crédito que venha a ser alegado na defesa, não devendo ser conhecido argumento recursal que extrapolam este contorno.
Numero da decisão: 3803-004.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, e, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de fatos constitutivos do direito ao crédito decorrente do pagamento a maior indicado na declaração de compensação. LIDE. LIMITE OBJETIVO. CRÉDITO INDICADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A natureza e especificidade do crédito indicado na declaração de compensação não reconhecido no despacho decisório estabelece o limite objetivo da lide, não outro crédito que venha a ser alegado na defesa, não devendo ser conhecido argumento recursal que extrapolam este contorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, e, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 05 46 /2 00 8- 16 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 34169.58721.150404.1.7.044307 (retificadora), fls. 2/6, em que utilizou como crédito pagamento a maior de PIS relativo ao período de apuração maio de 2003, no valor de R$ 5.162,64. Despacho Decisório Eletrônico da DRF/Santo André, fl. 7, de 24 de abril de 2008, não homologou a DComp, por estar o pagamento integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para dita compensação. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 23/26, a Contribuinte alegou, inicialmente, que o indeferimento da compensação não ocorreu com base em fundamentos legais, pois se pautou na suposta inexistência de crédito. Afirmou que o crédito decorrente do DARF indicado encontrase sob a análise pela Delegacia da Receita Federal em Santo André, no processo administrativo n° 10805.001618/200417, portanto, enquanto não apreciado o processo o presente feito deve estar sob efeito suspensivo. Ponderou que a decisão que não reconhece a existência de crédito vinculado a processo administrativo que está pendente de julgamento é precipitada, para dizer o mínimo, e ilegal, para ser exato. Em julgamento da lide, fls. 56/59, a DRJ/Campinas verificou que a solicitação contida no referido processo administrativo, n° 10805.001618/200417, trata do reconhecimento do direito creditório referente aos saldos negativos de IRPJ e CSLL, ano calendário 2002, processo apreciado em 06 de fevereiro de 2007. Concluiu, portanto, que nem o tributo nem o período de apuração guardam conexão com o crédito objeto do presente processo: PIS não cumulativo, período maio de 2003. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.900546/200816 Acórdão n.º 3803004.181 S3TE03 Fl. 134 3 Cientificada da decisão em 27 de julho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 85/130, em 27 de agosto de 2012, em que, preliminarmente, levantou o argumento de falta de fundamentação adequada do despacho decisório ao apontar para a violação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 sem especificar qual das materialidades normatizadas nos parágrafos desse artigo, a impossibilitar, por via direta, a sua defesa, ferindo de morte o direito da Recorrente ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, voltou a insistir na existência de crédito suficiente, no processo administrativo n° 10805.001618/200417, para abarcar o debito compensado na DComp sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, porém não atende a requisito para sua admissibilidade, como se verá. Nulidade – despacho decisório Não obstante o recurso voluntário deva reportarse à razão de decidir contida na decisão de primeira instância, não sendo válido e eficaz arrazoar sobre os fundamentos e afirmações da decisão da Autoridade Administrativa, porquanto o processo não anda para trás, cito a afirmação contida no despacho decisório de fl. 19, para ressaltar a clareza na descrição do fato analisado, hábil a dar o norte da defesa da Contribuinte, sobretudo estando de posse do documento analisado, a DComp: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 5.162,64. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A DComp da Contribuinte apresenta crédito de pagamento a maior de PIS. O despacho decisório indica o valor parcial do DARF utilizado na DComp, como Limite do crédito analisado. A Contribuinte defendese sustentando a existência de crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de saldo negativo no processo administrativo n° 10805.001618/200417. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Desse modo, reputo infundada a alegação de obscuridade por não informar o despacho decisório qual o dispositivo infringido do art. 74 da Lei nº 9.430/96, pois a materialidade está nitidamente exposta. Além de desarrazoada a alegação, o argumento e o pedido de nulidade estão sendo inaugurados no recurso voluntário. Este é um pedido inepto, por não ser repetição de um pedido antecedente (prequestionamento) e por atacar a decisão singular, não a do órgão colegiado. Rejeito a preliminar. Mérito A recorrente reintroduz o mesmo argumento da manifestação de inconformidade, de existência de crédito de IRPJ e CSLL no processo administrativo n° 10805.001618/200417, apesar da clareza da Julgadora a quo em apontar o equívoco da defesa, bem assim para o fato jurídico sob análise neste processo e para o erro de foco da Defesa. Isso pode ser visto no excerto do voto abaixo transcrito: O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada a Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Isso porque as informações em que se baseou a autoridade para não homologar a compensação declarada, como já se disse, são oriundas das próprias declarações prestadas pelo sujeito passivo, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações. Colocada a resolução do litígio na forma como exposta pela decisão de primeira instância, cumpria à Recorrente atacar possível ilegalidade dela o que não fez para, ao menos, poder insistir (com pertinência) no seu argumento de existência de crédito. Reitere se, uma vez mais, que o crédito que alega possuir não tem qualquer conexão com o indicado na DComp sob análise e que fixou, desde a origem, o contorno da presente lide. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 21 de maio de 2013 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.900546/200816 Acórdão n.º 3803004.181 S3TE03 Fl. 135 5 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.961938/2008-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2002
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa, razão pela qual não se acolhe a arguição de nulidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 19 38 /2 00 8- 59 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório CENTRO ÓTICO COMERCIAL LTDA., insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1629.337, proferido pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP n° 23598.17390.261004.1.3.049100 fls. (01 e 05) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS cód. 2172, no montante de R$ 1.074.184,10, ocorrido em 31/12/2002, com débito de IRPJ e CSLL. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 26/10/2004, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fls. 09, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da Requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Inconformado, o contribuinte, por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 13 a 24, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: Ab initio afirma que não foi homologada a declaração de compensação em questão sob a alegação de inexistência de crédito passível de compensação, mas não foi informada a devida fundamentação legal e motivação, o que eiva de nulidade tal ato administrativo de não homologação. Preliminarmente a Manifestante demonstra a tempestividade de sua manifestação de inconformidade e alega cerceamento de defesa em virtude da ausência de motivação e fundamentação legal. Neste sentido, ressalta que no processo administrativo os atos praticados devem apresentar os requisitos mínimos legalmente elencados e observar os princípios constitucionais do art. 37 da Constituição Federal, discorrendo sobre os mesmos. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.961938/200859 Acórdão n.º 3802001.686 S3TE02 Fl. 112 3 Acrescenta o teor do parágrafo 4º do artigo 74 da Lei Federal nº 9.430/1996 que estabelece que “os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelo agente público, são considerados declaração de compensação”, considerando injusto imputar ao contribuinte a tarefa de um agente público, ou seja, tornar a declaração como se ato administrativo fosse. Destaca que não basta que “os princípios sejam seguidos de forma cega”, mas que, sobretudo, a Administração Pública deve garantir ao contribuinte o direito de ampla defesa, constitucionalmente expresso no artigo 5º, LV da Constituição Federal. Assim, aponta a necessidade de saber qual o motivo da não homologação da Declaração de Compensação e que a simples informação de que não fora verificada a existência de qualquer direito creditório não pode e não deve ser considerada. Aduz doutrina sobre o tema. Retoma seus argumentos, reitera que não foi identificada corretamente a norma na qual o fato se subsume, o que impede que a Manifestante de conhecer claramente as razões da não homologação de sua Declaração de Compensação, bem com qual legislação é baseada. Ainda, reafirma que a lacônica e infundada justificativa de que “não se verificou a existência de direito de crédito”, não pode prevalecer e nem ser considerada, pois tolhe o direito à ampla defesa da Manifestante. Traz à colação doutrina e jurisprudência sobre a questão de motivação. Conclui o tópico entendendo que como não houve a descrição correta das razões que lavaram à não homologação da Declaração de Compensação, não merece prevalecer tal ato administrativo, devendo o mesmo ser revisto para, ao final, se não cancelado, ser homologada a declaração. Mais uma vez, retoma a argumentação no sentido de ato administrativo inválido, agora pela inobservância do art. 37 da Constituição Federal, por ausência de requisitos para validarem a prática do ato administrativo; acrescenta o que dispõe o art. 142 do CTN e afirma a ocorrência de supressão da via administrativa – apuração do crédito – o que entende ter sido prejudicial à Manifestante, pois, além de ter sido imputada a simples declaração ao Fisco como débito, ainda não restou atendida a exigência legal de necessidade de agente público competente para efetuar o ato administrativo e, consequentemente, foi desrespeitado o regramento constitucional. Por outro lado, a Requerente alerta que, supostamente, se a decisão não homologar seu requerimento porque fora feito através de petição, salienta que, mais uma vez, estará caracterizada a afronta à Constituição Federal, na propalada ampla defesa garantida no âmbito judicial e administrativo. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Afirma que não há razão para que a petição não seja aceita, em detrimento da via eletrônica. Acrescenta que entende ser vedada ao agente público exigir forma diversa dentre aquelas possibilidades que o contribuinte tem para se manifestar. Aduz que não se trata de dever de declarar pelo meio eletrônico e sim faculdade do contribuinte em escolher por qual o meio a legislação lhe faculta formular o aludido pedido. Salienta que de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 600/2005 – artigo 26, §1º para os créditos datados ou anteriores a 2004 de determinados tributos, é facultado ao contribuinte, a formulação do pedido de declaração de compensação por requerimento escrito (petição). Conclui que, se esta for a fundamentação, é desarrazoada a não homologação do pedido de compensação, uma vez que a ora Manifestante formulou o aludido pedido em meio que melhor o conveio (petição), conforme facultado pela legislação atinente ao caso. Em seu pedido requer que sua manifestação de inconformidade seja conhecida e recebida para anular o Despacho Decisório e que, ato contínuo, seja homologada a Declaração de compensação levada a termo pelo contribuinte. Acompanham a impugnação os seguintes documentos: procuração; alterações do contrato social e petição acompanhada de substabelecimento do Patrono do Contribuinte. Cópia do Despacho Decisório e respectiva intimação. É o relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 13ª Turma da DRJ/SP1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelo quais julgou improcedência da Manifestação de Inconformidade. Vejase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação, seja por conta da vinculação total do pagamento a débito próprio interessado ou pela não confirmação da existência do documento de arrecadação informado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.961938/200859 Acórdão n.º 3802001.686 S3TE02 Fl. 113 5 É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações e notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o §4º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Como se verifica do relatório que acompanha o presente voto, a defesa da Recorrente se funda unicamente em alegações de nulidade do Despacho Decisório. De acordo com o entendimento esposado na peça recursal ora analisada: “A incorreção praticada pelo Sr. Auditor Fiscal ao não identificar corretamente a norma a qual o fato se subsume impede que o Recorrente conheça claramente as razões da não homologação de sua declaração de compensação e em qual legislação é baseada. A lacônica e infundada justificativa de que “não se observou a existência de crédito” não pode prevalecer e nem ser considerada, pois tolhe o direito à ampla defesa do Recorrente. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Notese que a inobservância de um dos direitos fundamentais do contribuinte. Desta feita, para que um desses direitos não seja desrespeitado se faz necessário que o despacho decisório seja revisto, aclarando quais as razões que não justificam a homologação da declaração de compensação e, por fim, para que seja concedida a compensação e sua posterior homologação.” Nas palavras da Recorrente devese “anular o r. despacho decisório que não homologou a declaração de compensação e a r. decisão recorrida, em afronta evidente ao artigo 37 da Constituição Federal, ante à falta de fundamentação legal e motivação da decisão”. O vício de nulidade suscitado pela Recorrente não merece ser acolhido, na medida em que não se verificam na espécie quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O Despacho Decisório guerreado preencheu todas as formalidades exigidas, apontando as razões de fato e os fundamentos de direito para o indeferimento do pedido de compensação e fornecendo à contribuinte todos os elementos necessários à elaboração de sua defesa. Da análise do referido despacho é possível verificar o apontamento não só a capitulação legal correlata (arts. 165 e 170, CTN e art. 74, Lei nº 9.430/96), como também a justificação da não homologação da compensação declarada (não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal). É válido mencionar, inclusive, que a Recorrente foi intimida pela autoridade fiscalizadora antes mesmo do Despacho Decisório para que sanasse quaisquer divergências causadoras da não localização do DARF em questão (Termo de Intimação fl. 7 e Aviso de Recebimento fl. 13), o que foi solenemente ignorado pelo sujeito passivo. Resta claro, portanto, a inocorrência da preterição do direito de defesa da contribuinte, que teve oportunidade de esclarecer os fatos em momento anterior à instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal que, como se sabe, se inicia com a apresentação da Impugnação e, no caso de processos envolvendo compensação, com a Manifestação de Inconformidade (art. 14, Decreto nº 70.235/72). Considerando o exposto, deve ser afastada a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente quanto ao Despacho Decisório nº 811459372. Outrossim, no que tange ao instituto da compensação, insta salientar que é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Neste espeque, observese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve de fato o pagamento do DARF indicado na PER/DCOMP. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.961938/200859 Acórdão n.º 3802001.686 S3TE02 Fl. 114 7 Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, pelo que deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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