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Numero do processo: 19515.001122/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca elidir acórdão que manteve na sua integralidade os Autos de Infração lavrados em face da recorrente nos quais se exige IRPJ SIMPLES e reflexos, relativos ao anocalendário de 2005, totalizando R$ 3.046.770,96, dos quais R$ 229.541,81 correspondem a exigência de IRPJSimples (fls.237/247); R$ 229.541,81 correspondem ao PISSimples – R$ 229.541,81 (fls. 248/258); R$ 713.406,38 à COFINS 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 12 2/ 20 09 -9 8 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 465 Simples (fls. 270/280); R$ 356.703,11 à CSLLSimples (fls. 259/269); e R$ 1.517.577,86 à Contribuição para Seguridade Social INSSSimples (fls.281/291). Para melhor elucidação dos fatos, adoto, parte do Relatório da decisão de 1ª instância (fl. 388/391) por entender que o mesmo narra de forma precisa os fatos dos autos ocorridos até aquele momento processual: 1.Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.211/213, tratase de credito lançado pela Auditoria Fiscal em face do contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), em relação ao anocalendário de 2005, vez que no procedimento fiscal foi constatada omissão de receitas, o que resultou na lavratura de Autos de Infração (acompanhados de demonstrativo de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais – multa e juros), fls. 223/291. 2.Do conteúdo descrito no referido Termo de Verificação Fiscal e dos elementos acostados aos autos, destacamse as seguintes intimações, documentos e informações: 2.1. O procedimento fiscal teve início em 26/06/2008, com a emissão de Termo de Início de Fiscalização (fls24) encaminhado e recebido pelo contribuinte em 26/06/2009, conforme “AR” (fls. 24 –verso). Consta do referido Termo o código de acesso para consulta ao Mandado de Procedimento Fiscal (...). 2.2 Em 28/07/2008, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal (fls. 44), visando à reintimação do contribuinte recebida pelo contribuinte em 01/08/2008, em que é reiterada a solicitação dos elementos constante do Termo de Início. 2.3. Em 07/07/2008, fls.46, o contribuinte solicitou prazo de 20 dias para apresentação da documentação. Em 25/07/2008, solicitou prazo suplementar de 10 dias. E em 12/0/2008, requereu novo prazo de 30 dias, justificando tal pedido à contratação de novo profissional de contabilidade, incumbido em organizar a documentação referente ao anocalendário de 2005. 2.4. Por não terem sido apresentados os documentos solicitados, em 13/08/2008 foi emitido Termo de Embaraço à Fiscalização, fls. 51/52, recebido em 21/08/2008, conforme “AR” às fls. 54 –verso. 2.5. Em 02/09/2008, o contribuinte requer prazo adicional de 30 dias em face de encontrarse em andamento tanto a solicitação dos extratos bancários, como a organização da documentação contábil referente ao período fiscalizado. 2.6. Em 08/09/2008, tendo em vista o pedido do contribuinte e visando não cercear seu direito de defesa, o Auditor Fiscal lavrou Termo de Constatação e Intimação Fiscal estipulando prazo de 20 dias a partir da ciência, ocorrida em 17/09/2008 (fls. 53verso). Em 06/11/2008, requer, novamente, prazo de 30 dias, por só ter conseguido reunir apenas o item 1 dos 6 itens constantes do Termo de Constatação e Intimação Fiscal. 2.7. Em virtude de só ter sido apresentado o Contrato Social (item 1 do referido TCIF), foi emitido Termo de Embaraço à Fiscalização, fls, 59/60, recebido em 14/10/2008, conforme “AR” às fls. 60verso. 2 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 465 2.8. Em 05/11/2008 e 29/12/2008, a Autoridade emitiu novos Termos de Intimação Fiscal a fim de apresentação de alteração de Contrato/Estatuto Social, que ao fim, foi juntada pelo contribuinte em 13/01/2009 (fls.18/19). 2.9. Em 06/11/2008 foi requisitada Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), tendo como destinatários: UNIBANCO – União de Bancos Brasileiros S/A e Banco Bradesco S/A. As informações dos bancos chegaram à Delegacia no mês de dezembro de 2008, fls. 68/168. 2.10. De posse da movimentação solicitada, a AuditoraFiscal verificou os depósitos/créditos nas instituições financeiras cuja origem o contribuinte deveria comprovar documentalmente. Em 28/01/2009, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal (fls. 170/171) ao qual foram anexadas planilhas com os valores depositados/creditados nos bancos, devidamente individualizados (fls.172/180), entregues ao contribuinte em 14/02/2009, conforme histórico do objeto fornecido pelos Correios (fls. 181). 2.11. Apesar da referida intimação de 28/01/2009 para comprovação de seus créditos, nenhum documento foi apresentado pela fiscalizada. Em 03/03/2009, o contribuinte recebeu Termo de Reintimação para a apresentação dos documentos solicitados (fls. 182/183), com prazo irrevogável de 5 dias a partir da ciência. 2.12 Em 11/03/2009, a Autoridade Fiscal lavrou Termo de Reratificação do Mandado de Procedimento Fiscal MPFF 08.1.90.002008039088 e de todos os Termos a ele vinculados, para corrigir a transcrição errônea “tributo: IRPJ” para “tributo: SIMPLES”; ficando ratificados os demais dados e informações presentes nos Termos já referidos. O Termo de Reratificação foi recebido pelo contribuinte em 13/05/2009 (fls.169verso). 2.13. Em 05/04/2009, a Autoridade Fiscal lavrou novo Termo de Reratificação para corrigir o número do endereço do contribuinte constante erroneamente nos Termos lavrados de “n°93” para “n° 572”. 2.14. Em 28/04/2009, o contribuinte recebeu Termo de Reintimação (fls.198/199) e planilhas (fls.201/209), em que o endereço do contribuinte foi corrigido para “n° 572” (fls.200), a fim de apresentar os documentos relacionados, com prazo de 20 dias a partir da ciência. 2.15. No referido Termo de Verificação Fiscal consta que a empresa apresentou em sua Declaração 2005/2006 uma receita total de R$ 882.584,79, enquanto que em suas contas bancarias foram registrados créditos que totalizam R$ 12.338.708,64, valor este incompatível com a receita declarada e, apesar de intimada a comprovar a origem dos referidos créditos, nada foi esclarecido pela fiscalizada, razão do credito tributário exigido em auto de infração sobre a omissão de receita apurada. (...) 2.20. O Contribuinte foi cientificado do Termo de Verificação de todos os Autos de Infrações e do Termo de Encerramento em 30/05/2009 e 01/06/2009, conforme consta dos Avisos de Recebimento (fls.293). O Termo de encerramento da Ação Fiscal foi juntado às fls.292. 4. Em 22/06/2009, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, impugnação à autuação (fls.321/339), acompanhada de documentos (fls. 340/342); procuração, 3 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 465 documento pessoal do procurador e cópia do contrato social. Suas alegações, em síntese, são: PRELIMINARMENTE 4.1. Que os autos de Infração não foram assinados pelo chefe do órgão expedidos ou por outro servidor autorizado, Assim, a Auditora Fiscal é incompetente para assinálos, motivo pelo qual impõese a nulidade dos referidos autos, conforme estabelece o artigo 11, inciso IV do Decreto n° 70.235/72. 4.2. Que a Autoridade Fiscal lavrou os Autos de Infração arbitrando valores em virtude da suposta omissão de receita, sem, contuso, lastrear as exigências em laudos, planilhas, documentos enfim, “indispensáveis à comprovação do ilícito”, consoante determinam a parte final do artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93 e o artigo 333 do Código de Processo Civil – “o nus da prova incumbe a quem alega”. Assim, o Auto de Infração padece de embasamento legal e fático a lhe dar sustentação, além de claramente caracterizado o desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. DO DIREITO 4.3. Que o Fisco indicou equivocadamente a base de cálculo do imposto. Isto e facilmente constatado ao se analisar o extrato de credito – não comprovado elaborado pelo Fisco. Neste, são apontados diversos valores com o histórico “trans.valor entre conta”, “transf cc para cc pj”, “ted transf elet disp” ocorre que em todas as operações com histórico acima, foram identificados como remetente do credito a própria defendente, não podendo ser autuada e, consequentemente, penalizada por realizar transferência entre contas correntes, da própria pessoa jurídica, conforme prevê o inciso I, do parágrafo 3°, do artigo 42, da Lei n.º 9.430/96. 4.4. Que não se verificou que alguns depósitos bancários referemse a cheques que foram anteriormente devolvidos e que a Defendente, por trabalhar com várias instituições financeiras, costumeiramente, realiza transferência de valores de um banco para outro. Assim, a Auditora Fiscal autuou como renda aqueles recursos financeiros que entraram e saíram várias vezes da conta da Defendente, com origem devidamente declarada para o Imposto de Renda e comprovada anteriormente. O Fisco não provou que os valores depositados na conta corrente da Defendente foram consumidos, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Colaciona: doutrina quanto aos elementos de prova do fato gerador tributário; legislação quanto à caracterização de sinais exteriores de riqueza, e, ainda, jurisprudência. 4.5. Que como a Defendente não auferiu nem consumiu a renda alegada pela autuação, nem teve aumento patrimonial incompatível com as receitas declaradas, concluindo que não ocorreu a obrigação tributária, conforme artigo 114 do CTN. Que não sendo devido imposto e as contribuições, também não seriam devidos os acessórios, ou seja, a multa e juros. 4.6. Que mesmo que assim não fosse, o Fisco, equivocadamente, imputou multa de 112,50% sobre suposta omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados. O Fisco não aponta o enquadramento legal que o possibilitou imputar a multa de 112,5%, devendo a mesma ser afastada. DO PEDIDO 4.7. Requer seja convertido o julgamento em diligencia, nos termos do artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72. Caso não seja esse o entendimento, protesta pela juntada de laudo pericial que comprovará o alegado; e, ainda, por todos dos demais meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de novos documentos. 4 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 465 (...) POSTERIOR EXPEDIÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES 5. Em 25/08/2009, foi expedido Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n.º 69/2009 (fls.364) declarando a exclusão do contribuinte do SIMPLES em virtude da receita bruta descrita para o anocalendário 2005 ter ultrapassado o limite legal, com ciência em 02/09/2009 (fls. 367). 5.1. Conforme fls.369, o despacho da EQPIR/DIORT/DERAT/SP de 17/11/2009 informa que, até aquela data, a empresa não havia apresentado impugnação ao referido ato. A 13ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário em sua integralidade sob os seguintes argumentos: Não há que se falar em nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que regem o processo administrativo fiscal; Não se verifica cerceamento de defesa já que houve conhecimento e ciência por parte do contribuinte de todos os requisitos que compuseram a autuação, contendo o auto de infração descrição suficiente dos fatos e correto enquadramento legal; A Lei 9.430/96 estabeleceu em seu artigo 42 a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancaria, regularmente intimado, não comprove , mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de deposito ou de investimento. Desse modo, evidente que o ônus da prova recai ao contribuinte que, tendo diversas oportunidades, não apresentou qualquer prova da origem dos valores em análise; O Regime de Tributação do Imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão; Indeferese pedido de produção de provas ou a realização de perícias quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação; Inconformado o Contribuinte apresentou em 11/06/2011 Recurso Voluntário em face do acordão que manteve o crédito tributário em sua integralidade. Em síntese o Recorrente repassa as alegações trazidas aos autos quando da apresentação da impugnação, vejase: Preliminarmente Nulidade do Auto com fundamento no artigo 11, inciso IV do Decreto n° 70.235/72 haja vista que os autos de Infração não foram assinados pelo chefe do órgão expedidos ou por outro servidor autorizado, sendo, assim, a Auditora Fiscal incompetente para assinálos; Nulidade do Auto sob alegação de que houve cerceamento de defesa e inversão do ônus da prova já que a Autoridade Fiscal lavrou os Autos de Infração arbitrando valores em virtude da suposta omissão de receita, sem, contuso, lastrear as exigências em laudos, planilhas, documentos enfim, “indispensáveis à comprovação do ilícito”, consoante determinam a parte final do artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 5 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 465 8.748/93 e o artigo 333 do Código de Processo Civil – “onus da prova incumbe a quem alega”. Assim, o Auto de Infração padece de embasamento legal e fático a lhe dar sustentação, além de claramente caracterizado o desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; Em sede de mérito alega que: Houve por parte do Fisco, erro na indicação da base de cálculo do imposto. Isto e facilmente constatado ao se analisar o extrato de credito – não comprovado elaborado pelo Fisco. Neste, são apontados diversos valores com o histórico “trans.valor entre conta”, “transf cc para cc pj”, “ted transf elet disp” ocorre que em todas as operações com histórico acima, foram identificados como remetente do credito a própria defendente, não podendo ser autuada e, consequentemente, penalizada por realizar transferência entre contas correntes, da própria pessoa jurídica, conforme prevê o inciso I, do parágrafo 3°, do artigo 42, da Lei n.º 9.430/96; Que não se verificou que alguns depósitos bancários referemse a cheques que foram anteriormente devolvidos e que a Defendente, por trabalhar com várias instituições financeiras, costumeiramente, realiza transferência de valores de um banco para outro. Assim, a Auditora Fiscal autuou como renda aqueles recursos financeiros que entraram e saíram várias vezes da conta da Defendente, com origem devidamente declarada para o Imposto de Renda e comprovada anteriormente. O Fisco não provou que os valores depositados na conta corrente da Defendente foram consumidos, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Colaciona: doutrina quanto aos elementos de prova do fato gerador tributário; legislação quanto à caracterização de sinais exteriores de riqueza, e, ainda, jurisprudência. Que como a Defendente não auferiu nem consumiu a renda alegada pela autuação, nem teve aumento patrimonial incompatível com as receitas declaradas, concluindo que não ocorreu a obrigação tributária, conforme artigo 114 do CTN. Que não sendo devido imposto e as contribuições, também não seriam devidos os acessórios, ou seja, a multa e juros. Que mesmo que assim não fosse, o Fisco, equivocadamente, imputou multa de 112,50% sobre suposta omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados. O Fisco não aponta o enquadramento legal que o possibilitou imputar a multa de 112,5%, devendo a mesma ser afastada. Protestou, ainda, pela juntada de laudo pericial que “comprovará o acima alegado”. Não obstante, cumpre destacar que preliminarmente o Recorrente também alegou a Nulidade do Auto de Infração por Contrariar Garantias e Princípios Constitucionais e o Entendimento pacífico do STF e STJ. Argumenta o Recorrente que a Autoridade Fiscal embasou sua autuação em prova ilícita na medida em que obteve as Requisições de Movimentação Financeira sem autorização judicial, ferindo assim a inviolabilidade do sigilo fiscal do contribuinte. Alega também que para a quebra do sigilo não é suficiente mera autorização do Delegado da Receita Federal, devendo haver autorização judicial como forma de preservar as garantias constitucionais. 6 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 465 Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Geraldo Valentim Neto, Relator. Conforme demonstrado no relatório acima, o Recurso Voluntário insurgese contra a exigência de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuições para a Seguridade Social (INSS), e multa de ofício, em razão da suposta omissão de receitas e insuficiência de recolhimento dos tributos no ano calendário de 2005, apuradas através da análise de extratos bancários obtidos junto ao Banco Bradesco e ao Unibanco S.A. No próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 226/228), a D. Fiscalização afirma que baseouse nos extratos bancários obtidos através de Requisição de Movimentação Financeira em confronto com a receita mensal declarada pelo contribuinte para se concluir acerca da omissão de receitas. Ao analisar as informações contidas no processo verifiquei que todos os extratos envolvidos na autuação foram adquiridos diretamente das instituições financeiras, conforme se depreende do próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 226/228). Tratase, nesse caso, de requisição de extratos bancários diretamente da instituição financeira, matéria de muita discussão no ordenamento jurídico. A discussão acerca da constitucionalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes pelas instituições financeiras diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, está sendo examinada no Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de Recurso Extraordinário (RE nº 601314), o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 23/10/2009, e que aguarda ainda julgamento de mérito. Assim, considerando que a questão ainda não foi resolvida pela Suprema Corte, é dever deste E. Conselho sobrestar o julgamento dos processos que tratam sobre a matéria, conforme dispõe o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, transcrito abaixo: “Art. 62 [...] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: 7 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 465 “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem, suspenderem o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Da mesma forma, devem os recursos encaminhados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – que tratam de matéria com repercussão geral reconhecida e que ainda não foi objeto de decisão definitiva – serem sobrestados até decisão final do Supremo Tribunal Federal, exatamente o caso dos autos. Diante de todo o exposto, manifestome pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto 8 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/09/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10980.721217/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RESCISÓRIA TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. ISENÇÃO. Conforme jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, os juros moratórios recebidos em ação trabalhista decorrente de rescisão do contrato de trabalho são isentos do imposto de renda. Caso dos autos.
MULTA. DOLO. Configurado nos autos a utilização de documentos inidôneos para deduzir despesas médicas dos rendimentos tributáveis, caso em que o percentual de multa deve ser de 150%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os juros de mora pagos em ação trabalhista no contexto de perda de vínculo empregatício. Vencido o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que dava provimento em maior extensão. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EIVANICE CANARIO DA SILVA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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JUROS MORATÓRIOS. ISENÇÃO. Conforme jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, os juros moratórios recebidos em ação trabalhista decorrente de rescisão do contrato de trabalho são isentos do imposto de renda. Caso dos autos. MULTA. DOLO. Configurado nos autos a utilização de documentos inidôneos para deduzir despesas médicas dos rendimentos tributáveis, caso em que o percentual de multa deve ser de 150%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os juros de mora pagos em ação trabalhista no contexto de perda de vínculo empregatício. Vencido o Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que dava provimento em maior extensão. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 12 17 /2 01 1- 85 Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EIVANICE CANARIO DA SILVA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relatório Recurso Voluntário interposto em 14/07/2011 para reverter a decisão proferida no Acórdão 0631.487 da 4a. Turma da DRJ/CTA, de 03/05/2011, que considerou procedente em parte a impugnação do contribuinte para o lançamento tributário objeto deste processo. A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 16/06/2011. A decisão guerreada está assim ementada. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. FÉRIAS VENCIDAS NÃO GOZADAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO. FGTS. AVISO PRÉVIO. ISENÇÃO. As férias vencidas não gozadas por necessidade do serviço, o FGTS e o aviso prévio, são verbas isentas do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. HORAS EXTRAS. COMISSÕES. DEVOLUÇÕES DE DESCONTOS. ADICIONAL DE HORAS EXTRAS. REFLEXOS. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis todas as verbas, recebidas por meio de ação trabalhista, para as quais não haja expressa previsão legal de isenção. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGRA. A sogra só pode ser considerada dependente na declaração em conjunto, que só se configura quando há rendimentos próprios do cônjuge ou companheiro(a) do contribuinte. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA. Os serviços de instrumentação cirúrgica somente são considerados despesas médicas, para fins de dedução, quando fizerem parte da conta hospitalar ou forem pagos a quem pertence àquelas categorias profissionais expressamente Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Acórdão n.º 2101002.421 S2C1T1 Fl. 3 3 referidas na legislação tributária, obedecidas as atribuições próprias de cada profissão. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, possui previsão legal e aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. É dolosa a conduta de fazer uso de documento que sabe não corresponder a uma efetiva prestação de serviço médico. O recorrente arrolou as seguintes razões. 1. Alega cerceamento do direito de defesa tendo em vista que a autoridade notificante lançou o valor de R$ 59.224,48 a título de tributo mas não demonstrou clara e pormenorizadamente a origem desse valor e também as alíquotas tributárias aplicadas. Também não apresentou fundamentação legal para os percentuais de multas de 75% e 150%. 2. A autuação é nula, pois não consta nos autos o número do processo administrativo gerado pelo auto de infração. 3. O contribuinte recolheu os valores devidos a título de imposto de renda, conforme determinação do juízo trabalhista, de R$ 49.358,55. A base de cálculo seria de R$ 259.792,41. Cometeu erro por aplicar o percentual de 70% à base de cálculo prevista na referida guia de retirada. Entende que esse erro é formal, uma vez que não houve redução do tributo devido. 4. Os montantes devidos constam nos autos da ação trabalhista, que foram juntados com a impugnação e efetivamente pagos. 5. Não incide imposto de renda sobre juros moratórios, pois representam indenização dos prejuízos sofridos em decorrência do recebimento a destempo das obrigações trabalhistas que lhe eram devidas. Colaciona decisões judiciais a respeito. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 6. Entende que a apuração dos valores de tributos devidos deve ser feita pelo regime de competência, conforme art. 12 da Lei 7.713/88. 7. A autoridade fiscal glosou a dedução com a dependente sra. Olvina Borsuk, mãe da esposa do recorrente, sem amparo legal. A referida senhora é dependente financeiramente da ajuda do recorrente e, por isso, deve ser considerada dependente. 8. Também foram glosadas despesas médicas relativas aos recibos emitidos por Patrícia Baby Calomeno (R$ 150,00), e Sistema de Saúde Proclin (R$ 8.071,10) lançado a título de despesa médica hospitalar porque não teria sido possível conferir a efetiva emissão das notas 20725 e 20773. Afirma que as despesas foram efetivamente suportadas pelo recorrente, de formas que faz jus à dedução. A referida empresa está ativa e não há motivos para que a multa importe 150% do valor lançado. Esse percentual de multa ofende o princípio da proporcionalidade e do nãoconfisco(art. 150, IV, CF/88). 9. Alega boafé, pois não teria agido com intenção dolosa para tentar se beneficiar de descontos que soubesse indevidos. A fraude narrada no relatório fiscal não se presume e deve ser efetivamente comprovada pelo fisco. 10. A multa é descabida, pois os valores foram retidos na fonte pela própria Justiça do Trabalho. Ao final, sumariza que na eventualidade de não serem acatadas as arguições anteriores, requer que: a)seja excluído da base de cálculo os valores recebidos a título de juros compensatórios, b) seja recalculado o valor devido a título de IR pelo regime de competência, e c)seja excluída a incidência da multa de ofício tendo em vista a inocorrência de dolo. Em 18 de março de 2014, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os juros de mora pagos em ação trabalhista no contexto de perda de vínculo empregatício. O presente processo tinha como relator o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e como redator do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Entretanto, os dois Conselheiros (relator e redator) tiveram seus mandatos encerrados antes de formalizar a referida decisão. Assim, foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época da decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais, motivo de ter sido conhecido. Faço notar que: a) a presente Conselheira não participava deste Colegiado à época do julgamento do Recurso e da conseqüente prolação do Acórdão aqui formalizado; b) Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Acórdão n.º 2101002.421 S2C1T1 Fl. 4 5 foram improfícuas as tentativas de obtenção das razões de decidir adotadas na ocasião pelo Conselheiro Relator. Destarte, me limito, na presente formalização, a reproduzir o decisum constante em ata, argumentando no caso do voto vencedor da forma que entendo ser possível legalmente. Voto Vencedor Conselheira ad hoc Maria Cleci Coti Martins O recorrente indicou como dependente (código 31) sua sogra, a sra. Olivina Borsuk. Conforme informação à efl. 10, o contribuinte declara que os valores pagos à PROCLIN seriam relativos ao plano de saúde anual da mesma senhora. Conforme já esclarecido na decisão de primeira instância, o contribuinte não poderia ter incluído a sogra como dependente, uma vez que a esposa não está incluída na sua declaração de rendimentos. Conforme o inc. IV, art. 35 da Lei 9.250/95, apenas os pais, os avós ou bisavós, que não auferirem rendimentos (tributáveis ou não) superiores ao limite de isenção mensal podem ser considerados dependentes para o imposto de renda. Pelo mesmo motivo, não se pode aceitar os recibos de despesas médicas relativas ao plano de saúde da sra. Olivina Borsuk. A decisão recorrida manteve a multa de ofício de 75%, conforme o inciso I, art. 44 da Lei 9430/96, e também a de 150%, tendo em vista se considerar configurado nos autos a utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas médicas (docs. fls. 08/09) pelo recorrente. Conforme os cálculos especificados no acórdão a quo, o recorrente teria recebido na reclamação trabalhista o montante global de R$ 513.334,71, já incluso nesse valor o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 49.358,55. A análise dos valores recebidos já teria sido analisada para discriminar quais as rubricas deveriam ter sido oferecidas à tributação na declaração de ajuste anual. Entretanto, os valores recebidos referemse à rescisória trabalhista, cujas verbas relativas a juros de mora são consideradas isentas de imposto de renda, conforme jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista proteger o trabalhador em situação econômicosocial desfavorável (perda do emprego). RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. (REsp 1227133/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CESAR ASFOR ROCHA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/09/2011, DJe 19/10/2011) Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Acórdão n.º 2101002.421 S2C1T1 Fl. 5 7 3.2. . O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item "3", subsistindo a isenção decorrente do item "4" exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n. 8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (REsp 1089720/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/10/2012, DJe 28/11/2012) Conforme os documentos à efl. 1172, o valor recebido na ação trabalhista é de R$ 513.334,71. Utilizandose a proporção juros e principal contida na efl. 1172, concluo que 56,127552% do valor recebido referese a juros. Observase que alguns dos valores considerados isentos ou submetidas à tributação exclusiva, incluindo os juros moratórios, já foram excluídos da tributação pelo julgador a quo, conforme a tabela à efl. 1281, que totalizam 28,36% (21,83% + 6,53%). O restante, 71,64% do valor recebido, que, conforme a decisão a quo é de R$ 367.752,98 foi considerado para efeitos tributários. Considerando a mesma proporção juros e principal da efl. 1172, temse que o total de juros incluído no restante do valor tributável e que deveria ser isento de tributação é de R$ 206.410,75 (R$ 367.752,98 * 56,127552%). Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Desta forma, entendo que a turma rejeitou as preliminares e deu provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os juros de mora pagos em ação trabalhista no contexto de perda de vínculo empregatício. MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora ad hoc Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11543.003543/2003-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2003
NORMAS PROCESSUAIS - Princípio do non reformatio in pejus
O resultado do julgamento não pode agravar a situação da recorrente, devendo examinar a questão posta nos limites do pedido recursal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto). Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto). Conselheira Nanci Gama declarou se impedida. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 35 43 /2 00 3- 19 Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Cuidase de recurso especial por decisão nãounânime e contrariedade à Lei interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1404 a 1429) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1389 a 1400) que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário. O auto de infração foi lavrado com suspensão de exigibilidade, em face de liminar obtida pela recorrente no Processo judicial na 2002.02.01.0068549, em que contesta as alterações introduzidas na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins pela Lei nº 9.718, de 1998. As infrações apuradas disseram respeito à exclusão de valores negativos dos grupos de contas contábeis 45 (receitas financeiras) e 48 (outras receitas). Esclareceu a Fiscalização que as variações cambiais passivas foram consideradas incorretamente na apuração e que, na conta "lucro na venda de bens do almoxarifado", foram considerados valores lançados a débito. A recorrente contestou o lançamento, alegando, inicialmente, que a variação cambial considerada como receita financeira, para fins de inclusão na base de cálculo da Cofins, é a efetivamente auferida, afirmando ainda que a receita de variação cambial objeto da lançamento é receita decorrente da exportação e, portanto, imune à tributação da Cofins. Não oferecendo contestação quanto à conta "lucro na venda de bens do almoxarifado". O lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, decisão esta reformada pela Colenda Turma a quo, em acórdão que possui a seguinte ementa (reproduzida apenas na parte em discussão): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 28/02/2003 ... CONTRATO DE CÂMBIO DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA FINANCEIRA MOMENTO DA APURAÇÃO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Por determinação legal e para fins de apuração da Cofins, considerase receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato. No regime de competência, mensalmente ajustase a variação cambial ativa de cada contrato desde a data da contração, de modo a preservar a base de cálculo real da exação. Não existe previsão legal para excluir a variação canibal passiva da base de cálculo da Cofins. COFINS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas não se caracterizam como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da contribuição. A douta Câmara entendeu que apenas a variação cambial ativa "efetiva" poderia ser propriamente considerada "receita" tributável de forma que determinou a exclusão Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11543.003543/200319 Acórdão n.º 9303003.169 CSRFT3 Fl. 1.400 3 da base de cálculo da parcela excedente de receita contabilizada "antecipadamente" pelo regime de competência, e não auferida ao final da operação. Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, requerendo a manutenção do auto de infração. A recorrente diverge quanto à exclusão de receitas não definitivas – variações cambiais ativas na base de cálculo da contribuição. O recurso foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. O sujeito passivo apresentou contra razões às fls. 1462 a 1472. É o relatório. Voto Conselheiro Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. Discutese a inclusão de variações cambiais ativas na base de cálculo da Cofins. Este tema, atualmente não abarca maiores discussões nesta casa, tendo em vista a previsão constante do art. 62A do Regimento Interno do Carf, que determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B do CPC devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STF, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, decidiu1 que: O que se discute nestes autos é se as receitas das variações cambiais ativas podem ser consideradas como receitas decorrentes de exportação, de modo a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência do PIS e da COFINS. Tenho que a resposta é positiva. Variações cambiais constituem atualizações de obrigações ou de direitos estabelecidos em contratos de câmbio. Estão compreendidas entre dois grandes marcos: a contratação (fechamento) do câmbio, com a venda, para uma instituição financeira, por parte do exportador, da moeda estrangeira que resultará da operação de exportação; e a liquidação do câmbio, com a entrega da moeda estrangeira à instituição financeira e o 1 RE nº 627.815/PR, sessão de 23/05/2013, relatora Min. Rosa Weber Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 consequente pagamento, ao exportador, do valor equivalente em moeda nacional, à taxa de câmbio acertada na data do fechamento do contrato de câmbio. No âmbito tributário, as variações cambiais dizemse: i) ativas, quando são favoráveis ao contribuinte, gerandolhe receitas; e ii) passivas, quando o desfavorecem, implicando perdas. [...] Percebese que as receitas advindas de variações cambiais ativas são consequência direta das operações de exportação de bens e/ou serviços (conjugadas à oscilação cambial favorável), qualificandose como “receitas decorrentes de exportação”. De fato, o contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, estando diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas: o exportador vende a divisa estrangeira que receberá do comprador à instituição financeira autorizada a operar com câmbio, a fim de receber o pagamento em moeda nacional. [...] Corrobora, por fim, o presente posicionamento, o fato de a imunidade em questão não ser concedida apenas às “receitas de exportação”, senão às “receitas decorrentes de exportação” (art. 149, § 2º, I). O adjetivo “decorrentes” confere maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional; evidencia, por consequência, a intenção, plasmada na Carta Política, de se desonerarem as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. Em suma, eventual variação da taxa de câmbio entre o fechamento e a liquidação do contrato configura receita decorrente de exportação, sempre que seja favorável ao exportador. Logo, as receitas cambiais relativas à exportação estão abrangidas pela imunidade do art. 149, § 2º, I, da Carta Constitucional. [...] 4. Isso posto, conheço do recurso extraordinário da União, mas negolhe provimento, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. 5. Recurso extraordinário conhecido e não provido. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11543.003543/200319 Acórdão n.º 9303003.169 CSRFT3 Fl. 1.401 5 6. Aos recursos sobrestados, que aguardam a análise da matéria por esta Corte, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. Contudo, não se pode, aqui aplicar tal decisão. A uma porque tal matéria já foi expressamente analisada pela instância a quo e se, sobre o resultado do julgamento o sujeito passivo não se insurgiu, é porque, tacitamente, concordou com a decisão proferida. A duas porque não se trata de matéria de ordem pública, e, sobretudo em respeito ao princípio do non reformatio in pejus. que veda o agravamento da situação da recorrente, em benefício da parte que não se insurgiu. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional e mantenho o acórdão recorrido, nos termos em que prolatado. Joel Miyazaki Relator Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.002703/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO
Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 23/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 03 /2 00 4- 11 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 EDITADO EM: 23/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de processo administrativo de compensação para a qual o contribuinte utilizouse de crédito de IPI decorrente da entrada de insumos isentos. O direito ao crédito foi reconhecido por meio de ação judicial já transitada em julgado. O caso é complexo e envolve muitos processos administrativos e judiciais. Por razão de economia processual e lógica de julgamento, todos os processos administrativos referentes a este assunto, portanto conexos, que estavam em pauta na sessão de 27 de janeiro de 2015, foram julgado concomitantemente, tendo sido proferido uma única e completa decisão nos autos do processo administrativo principal, qual seja: 10735.000001/99 18. Em virtude deste fato, adoto, para os devidos fins de direito, o relatório proferido naqueles autos e lido em sessão. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, este processo foi julgado concomitantemente ao processo administrativo principal no 10735.000001/9918. Nesta oportunidade resumiuse o assunto em discussão da seguinte forma: “O debate em relação ao CRÉDITO abrange os efeitos da alteração da norma que obrigou (i) o trânsito em julgado da ação para fins de compensação (art. 170A do CTN) e os efeitos da Instrução Normativa nº 41/2000, que inseriu uma nova situação ao direito da contribuinte em contraposição à coisa julgada favorável à empresa Nitriflex, proferida nos autos do MS nº 98.00166580 (o qual concedia o direito de crédito no período de Jul/88 a Jul/98 e autorizava a compensação nos moldes da IN 21/97) (ii) a situação específica da Recorrente em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250 e, (iii) os efeitos da IN/SRF 517, que a partir de 2005 passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado (iv) quantificação dos créditos. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11516.002703/200411 Acórdão n.º 3302002.830 S3C3T2 Fl. 11 3 Em relação aos DÉBITOS é preciso analisar (i) a homologação tácita das compensações de terceiros e (ii) especificamente em relação aos processos administrativos no 11516.002703/200411, 11610.001259/200367 e 10930.003102/200391 a preliminar de nulidade da decisão proferida pela DRFFlorianópolis/SC, por suposta incompetência para tanto, nos termos da IN/SRF 21/97.” A decisão proferida foi única e completa, tendose analisado, nesta oportunidade, todas as matérias em julgamento. Ante o exposto, é o presente para ADOTAR e REITERAR a decisão proferida nos autos do processo 10735.000001/9918, concluindose pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso ora analisado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10611.000409/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 19/03/2007, 28/03/2007, 13/06/2007
COMÉRCIO EXTERIOR. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. MULTA DE 100% DO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS.
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, considerando-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento ou com multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, caso estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Procedeu à sustentação oral a representante da parte, Dra. Onizia de Miranda Aguiar Pignatari, OAB/DF 26538.
Joel Miyazaki - Presidente
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Redatora ad hoc
Paulo Sérgio Celani - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 19/03/2007, 28/03/2007, 13/06/2007 COMÉRCIO EXTERIOR. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. MULTA DE 100% DO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, considerando-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento ou com multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, caso estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INFRAÇÃO ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Procedeu à sustentação oral a representante da parte, Dra. Onizia de Miranda Aguiar Pignatari, OAB/DF 26538. Joel Miyazaki - Presidente Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Redatora ad hoc Paulo Sérgio Celani - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente à época do julgamento).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/03/2007, 28/03/2007, 13/06/2007 COMÉRCIO EXTERIOR. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. MULTA DE 100% DO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, considerandose dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento ou com multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, caso estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INFRAÇÃO ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Procedeu à sustentação oral a representante da parte, Dra. Onizia de Miranda Aguiar Pignatari, OAB/DF 26538. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 04 09 /2 00 9- 38 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 437 2 Joel Miyazaki Presidente Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Redatora ad hoc Paulo Sérgio Celani Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente à época do julgamento). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o processo de crédito tributário constituído para cobrança da multa prevista no art. 23, inc V, § 3° do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no montante de R$ 269.902,14, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, que, sujeita à pena de perdimento, não foi localizada ou foi transferida a terceiro ou consumida. Art. 23 Consideramse dano ao erário as infrações relativas as mercadorias: V — estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1° 0 dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 3º A pena prevista no § 1° convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida. Da autuação Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 438 3 Do Relatório de Auditoria de fls. 08/63, são extraídos os excertos abaixo que representam, de forma resumida, as razões aduzidas pela fiscalização para a constituição do lançamento: em procedimento de verificação fisica da Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) n° 07/00111395, foi constatado pela Alfândega do Porto de VitóriaES que a mercadoria "rolos de arame farpado" encontravase acompanhada de etiquetas em português que continham dados técnicos dos produtos e informações da empresa Fábrica de Telas São Jorge Ltda (Fábrica de Telas), não havendo qualquer referência ao suposto fabricante chinês (SHANGAI FATO GROUP) e ao suposto importador, SCIB Serviço e Comércio e Indústria do Brasil Ltda (SCIB), consignados no BL e na fatura; na impossibilidade de iniciar naquele momento a ação fiscal, aquela unidade deferiu a DTA e em 22/01/07, por meio do Memorando SAPEL ALFNTA N° 2007 002, representou o fato A unidade de destino do transito, a Delegacia da Receita Federal de Juiz de ForaMG; na EADI de Juiz de Fora, a mercadoria objeto da Declaração de Importação (DI) n° 07/07654607, relacionada àquela DTA foi apreendida, aplicandose a pena de perdimento, com o entendimento de que é "proibida a importa cão de produto estrangeiro com rótulo escrito, no todo ou em parte, na lingua portuguesa, sem indicação do país de origem, seja no rótulo ou no produto", e, "O emprego dessa rotulagem fere o disposto no art. 45, inciso II da Lei n° 4.502/64, regulamentada pelo art. 222 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI) e, ainda, o art. 37 da Lei n°8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), pois poderia induzir o consumidor e a fiscalização a tomarem como nacional o produto estrangeiro" (vide fl. 97); em agosto de 2007, o TRF da la Região concedeu efeito suspensivo ativo ao agravo de instrumento da empresa SCIB, "determinando a suspensão da pena de perdimento e a liberação das mercadorias (..)19. em procedimento especial de combate A interposição fraudulenta de pessoas no comércio exterior realizado na SCIB, foi verificada a origem dos recursos aplicados nas operações e a efetiva participação da empresa nas transações comerciais declaradas, mediante aplicação do rito definido na Instrução Normativa SRF n° 228/2002; Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 439 4 ao final do procedimento não restou comprovada a irregular integralização e origem ilícita dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior. "Entretanto, constatamos a ocorrência de diversas operações de importação por conta e ordem de terceiros/ocultação do real adquirente, o que devido as alterações introduzidas pela lei 11.488/07, não configura mais hipótese de inaptidão do CNPJ"; em janeiro de 2008, com o encerramento da fiscalização anterior sem proposta de declaração de inaptidão do CNPJ, foi aberto procedimento de fiscalização especifico para os lançamentos referentes ao perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa e, ao mesmo tempo, realizada diligencia na Fábrica de Telas, para a apuração de mais informações acerca das operações realizadas com a empresa SCIB; o foco principal da atividade da empresa SCIB é a importação de máquinas copiadoras usadas para posterior "reconstrução" e venda no mercado interno, cujo projeto foi aprovado pelo Decex pelo prazo de 3 anos (Comunicado Decex/CGDC05/2176, de 23/11/05) e nunca atuou por conta e ordem (fls. 64 a 69). Por sua vez, a Fábrica de Telas São Jorge Ltda, administrada de forma familiar, está cadastrada sob o CNAE 2592602, fabricação de produtos de trefilados de metal, e, do mesmo modo, nunca esteve vinculada à SCIB em operação de importação por conta e ordem (fls. 70 a 72); concluise após os trabalhos de auditoria nas duas empresas que as importações efetuadas através das DI n° 07/03527775 ("telas"), 07/04006140 ("arames galvanizados") e 07/07654607 ("arame farpado"), apesar de terem sido registradas em nome da SCIB, foram totalmente financiadas com recursos da Fábrica de Telas, a quem as mercadorias eram remetidas logo após o desembaraço, como pode ser constatado na análise das notas fiscais de entrada e saída emitidas em números seqüenciais e com as mesmas quantidades; não é suficiente que o importador detenha capacidade econômica e operacional para que a operação possa ser dita como "própria". A uma, porque a essência da operação "por conta e ordem de terceiros" consiste no interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que a motivação do importador para promover a nacionalização das mesmas não existiria. A duas, porque a hipótese da pena de perdimento introduzida pela Medida Provisória n° 66/02 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 440 5 (convertida na Lei no 10.637/02) inclui também a simulação; a ocultação do adquirente ou, mais recentemente, do encomendante predeterminado, é artifício empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, quais sejam: (a) não figurar como contribuinte "equiparado a industrial" e evitar a incidência do IPI nas operações subseqüentes; e (b) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior. Além disso, o uso da interposta pessoa interfere na avaliação do risco da operação, mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos; a "importação direta", modalidade que sempre foi utilizada pela SCIB desde a sua constituição, corresponde ao método convencional, no qual o interessado (importador) contata (ou é contatado) pelo fornecedor (exportador) e negocia diretamente as condições e termos da compra, e, obviamente, as operações são realizadas com seus próprios recursos e por seu próprio risco, ou seja, não haveria problema nenhum se a SCIB importasse mercadorias pela modalidade de "importação direta" e as revendessem a quem quer que seja, desde que a operação de importação fosse realizada com recursos próprios; acontece que durante o procedimento de auditoria constatouse que a importadora SCIB recebeu antecipadamente os valores referentes à importação das mercadorias constantes da DI no 07/03527775, 07/04006140 e 07/07654607, o que leva conclusão de que a operação de importação foi financiada por terceiros, ou seja, foi realizada por conta e ordem da Fábrica de Telas São Jorge; em que pese às operações serem, presumivelmente, por conta e ordem, nos termos do art. 27 da Lei 10.637/02, não foram seguidos os preceitos previstos nos artigos 2° ao 5° da IN SRF n° 225 de 18 de outubro de 2002, configurando assim a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas; o ganho auferido pela empresa, real adquirente, foi efetuar operações de comércio exterior sem estar habilitada para isso, burlando os controles aduaneiros previstos no art. 36 da IN 455/2004 substituído pelo art. 26 da IN 650/2006. Observase também que o uso deste estratagema possibilitou que essa empresa deixasse de ser equiparada a contribuinte do IPI na importação de mercadoria industrializada, inciso I do artigo 9° do Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 441 6 Decreto 4.544 002, uma vez que os produtos já foram adquiridos no mercado interno; desta feita, o IPI incidente na operação foi pago na proporção ao valor da mesma, pela SCIB e não foi devido pela Fábrica de Telas Sao Jorge Ltda, quando da venda do mesmo produto já agregado de sua margem de lucro. E certo que, independentemente do motivo de se utilizar esta sistemática, com ela buscouse ludibriar os controles aduaneiros; percebese que, no presente caso, houve coordenação entre o real adquirente das mercadorias estrangeiras e o importador por conta e ordem, o que implica que respondem conjuntamente pelas infrações praticadas, conforme o disposto no art. 95, inc. V, do DL n° 37/66. Sendo assim, estão solidariamente obrigados o contribuinte, qual seja, a pessoa jurídica importadora SCIB — Serv. e Com. Ind. do Brasil Ltda, que procedeu h importação por conta e ordem da empresa adquirente, e o responsável solidário, adquirente das mercadorias, a empresa Fabrica de Telas São Jorge Ltda, o qual tornase ciente através do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 276/277); conforme exposto ao longo do relatório, ficou demonstrado de forma inequívoca que a SCIB atuou como interposta pessoa nas operações de importação, ocultando a Fábrica de Telas São Jorge Ltda frente ao fisco, ensejando a aplicação da pena de perdimento, por caracterizar dano ao Erário nas operações de comércio exterior, nos termos do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002, Regulamento Aduaneiro (RA12002), que consolidou a matéria em seu artigo 618, com base legal no art. 105 do Decretolei n.° 37/66 e no art. 23, XXII e parágrafo único do Decretolei n.° 1.455/76, pela ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Cumpre observar que o recolhimento dos tributos incidentes sobre as importações realizadas não descaracteriza o dano ao Erário; configurada a condição de real adquirente da Fábrica de Telas e a aplicação da pena de perdimento prevista no inciso XXII, do art 618, do Decreto no 4.543/02, a empresa foi intimada a disponibilizar as mercadorias para que fosse aplicada a penalidade. Em atendimento a intimação a empresa respondeu que "As mercadorias adquiridas da empresa SCIB já foram vendidas conforme consta das notas fiscais de saída em poder desta fiscalização Fl. 441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 442 7 como não foi possível a localização de tais mercadorias importadas, uma vez que, conforme resposta a intimação, já foram vendidas, ou seja, foram entregues a consumo, aplicase § 3° do art. 23 do DecretoLei 1.455/76, que estabelece que a pena de perdimento decorrente de dano ao Erário será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não foi localizada ou que foi consumida; os valores aduaneiros encontrados são os mesmos reconhecidos pelo importador nas DI e oferecidos ao fisco como base de cálculo do imposto de importação. Das impugnações Inicialmente, esclareçase que em virtude da identidade quase total, as impugnações serão relatadas conjuntamente, fazendose as adaptações necessárias quanto aos pontos não coincidentes, de modo a contemplar todos os argumentos apresentados por ambas empresas. Cientificadas pessoalmente do auto de infração e do termo de sujeição passiva solidária, em 18/02/09 e 19/02/09, respectivamente, conforme fls. 1 e 61 e fl. 277, as empresas apresentaram, em 20/03/09, as impugnações de fls. 278/286 e fls. 317/324, de onde são extraídas as seguintes alegações: embora tenha a Autoridade Fiscal mencionado terem sido as mercadorias acobertadas pela DI n.° 07/07654607 liberadas por decisão judicial, cingiuse a transcrever trechos do decisum que indeferiu tal pleito, tendo sido necessária a interposição de agravo de instrumento pela SCIB. Conforme a decisão que determinou a liberação das mercadorias, não há que se falar em indícios de fraude, apenas em razão da existência de rótulos em nome de empresa diversa; a Autoridade Fiscal alega a existência de interposição fraudulenta nas operações acobertadas pelas DI 07/03527775, 07/04006140 e 07/07654607, sendo a SCIB interposta pessoa da Fábrica de Telas São Jorge Ltda; a autuação levada a cabo pela Fiscalização, teve como fundamento a análise dos valores depositados pela Fábrica de Telas São Jorge em favor da SCIB, assim como as informações por ela prestadas, o que indica que as mercadorias importadas teriam como destinatário final aquela empresa certa e determinada, o que caracterizaria a interposição fraudulenta. Tais argumentos não podem prevalecer porque; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 443 8 primeiro: conforme se verifica pela análise dos BL que acompanham as DI 07/03527775, 07/04006140 e 07/07654607, registradas em 19/03/07, 28/03/07 e 13/06/07, respectivamente, o embarque das mercadorias ocorreu em 03/02/07, 17/02/07 e 15/12/06. Por sua vez, os depósitos bancários aludidos pelos AFRFB ocorreram entre 18/01/07 e 12/02/07. Constatase, então, que as referidas mercadorias já haviam sido embarcadas, quando dos supostos adiantamentos; não se pode dizer que o fato de terem sido constatados os depósitos realizados pela Fábrica de Telas São Jorge em favor da SCIB, represente a ocorrência de adiantamentos para financiamento da aquisição das mercadorias no exterior. Pelo contrário, revelamse como espelhos das transações realizadas entre as empresas, quando as mercadorias já se encontravam embarcadas. Entender a Fiscalização que tais depósitos em favor da SCIB representam, na verdade, indícios de fraude, corresponderia a um indevido ingresso na alçada comercial desta com seus clientes, o que não se pode permitir; a interposição ocorre quando a empresa que recebe o adiantamento não dispõe de recursos para realizar a operação por si mesma. Quando a importadora dispõe dos recursos, mas recebe o adiantamento por questões meramente comerciais, não há irregularidade alguma, que dirá interposição fraudulenta. 0 fato de uma empresa estar pronta para atender, no mercado interno, a uma possível ou provável demanda de um cliente não significa que seja um "laranja' desse cliente. Nada no ordenamento jurídico brasileiro impede que uma empresa importe com vistas a vender para outra; é necessário que se faça a distinção precisa de conceitos: uma coisa é "importar por alguém, ocupando o papel de alguém"; outra, bastante diferente, é "importar para vender para alguém". 0 que a legislação combate é a interposição fraudulenta na importação, a utilização de recursos de terceiros, as escuras, com vistas a excluir do controle do fisco os recursos utilizados no comércio exterior. Esta é a mens legis, que deve ser respeitada ao se analisar as operações de importação e na hora de se aventar em impor qualquer penalidade aos sujeitos passivos. Ou seja, o vedado é importar por alguém, utilizandose de artifícios dolosos; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 444 9 no caso presente, a Fiscalização nem mesmo coloca em dúvida a capacidade das empresas ou a origem licita dos recursos; segundo: desde o advento da IN SRF 229/2002 o exercício das atividades de importador e exportador, na prática, passou a depender de uma autorização prévia da Receita Federal, obtida mediante um penoso procedimento, no bojo do qual é examinada a regularidade fiscal e a capacidade econômica da empresa e de seus sócios, para, ao final, ser atribuída a esta um limite, expresso em dólares, para as operações de comércio exterior que poderão ser realizadas, em cada período de seis meses; a fiscalização após árduo procedimento fiscal concluiu que a SCIB tem capacidade financeira comprovada para efetuar, semestralmente, suas importações. Portanto, a conclusão elementar a que se pode chegar é a de que, tendo a SCIB importado dentro do limite deferido, a capacidade financeira é indiscutível, razão pela qual deve ser afastada a hipótese de interposição fraudulenta; e, terceiro: ao se confrontar o valor CIF constante nas DI, com aqueles apostos nas Notas Fiscais de entrada e de saída respectivas, vêse que os valores destas últimas são muito superiores. Ou seja, as saídas ocorreram com evidente lucro nas transações. Ora, em uma importação por conta e ordem, ao contrário, o valor pago pelo encomendante lid de ser o valor efetivo da importação, ou, ao menos, um valor muito próximo a este, ao qual se acrescentaria uma comissão pelo serviço prestado pelo importador. Não é o caso das importações em tela, nas quais transparece claramente que o titular das mercadorias e condutor dos negócios é a SCIB; no art. 23, inc. V, do DL 1.455/76, fundamento legal deste auto de infração, é elemento do tipo a presença de fraude ou simulação, as quais, obviamente, não podem ser presumidas, mas provadas por quem as alega. No caso dos presentes autos não há sequer uma prova de fraude. A importação sob apreço é absoluta e completamente regular; o posicionamento da Administração é pacífico, no sentido de que, para ter validade, a autuação fundada no cometimento de fraude, esta tem de estar comprovada, conforme julgados da Delegacia de Julgamento em Florianópolis e do Terceiro e do Primeiro Conselho de Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 445 10 Contribuintes do Ministério da Fazenda, citados a titulo de exemplo; considerando ser elementar do tipo o dolo de fraudar, inexistente nas importações objeto deste auto, concluise que não se cometeu a indigitada infração, não havendo fundamento válido para a aplicação da pena de perdimento; caso ainda se entenda pela existência de interposição fraudulenta nas presentes importações o que não é verdade, é evidente a absoluta incoerência da autoridade aduaneira que, por um lado, pugna pela ocorrência de interposição fraudulenta na importação, acusando a SCIB de não ser a real adquirente das mercadorias, ou seja, de não ser a real importadora e, por outro, paradoxalmente, aplica ao suposto "laranja" a penalidade que deveria ser imposta ao "real adquirente" das mercadorias, promovendo, na linha de seu tortuoso e equivocado raciocínio, autêntica expropriação a non domino; a Fábrica de Telas está a se defender, na condição de devedora solidária, de um auto de infração imposto à SCIB, ou seja, a SCIB é apontada como sujeito passivo de uma infração, à qual se está imputando uma multa igual a 100% do valor aduaneiro; enquanto da Telas São Jorge se espera garantir esse crédito tributário solidariamente; ainda que a Fiscalização tivesse agido corretamente e efetuado o lançamento da conversão do perdimento em multa de 100% do valor aduaneiro o que não fez — deve ser ressaltado que à SCIB não caberia tal multa e, sim, de 10% do valor aduaneiro, conforme disposto no art. 33, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Isto porque a SCIB foi autuada sob a imputação de haver cometido a infração descrita como interposição fraudulenta de terceiros na importação, não podendo ser considerada o "real sujeito passivo da obrigação tributária"; resta demonstrado que o auto de infração carreia evidente equivoco, não meramente em sua capitulação legal, mas na própria apuração dos fatos e aplicação do direito. Afetase, assim, a regra inserta no artigo 142, do CTN, comprometendo irremediavelmente o lançamento ora impugnado; o auto de infração ora guerreado foi lavrado em face da SCIB, na qualidade de contribuinte, como se esta tivesse, diretamente, cometido o fato gerador da obrigação. Não cabe, portanto agora, a pretexto de se manter a todo o Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 446 11 custo a exigência, querer imputarlhe a condição de responsável pela infração, e à Fábrica de Telas a condição de contribuinte, sendo certo que estas condições não se lhe foram atribuídas em sede de descrição dos fatos e enquadramento legal; essa imputação simplesmente não é aceitável, visto que não cabe instância julgadora promover remendos no lançamento, com o fim de mantêlo a qualquer custo. E cediço que a fase de julgamento não e compatível com o aperfeiçoamento do lançamento, que deveria ter sido corretamente efetuado pela autoridade competente; o artigo 149 do CTN rejeita inovação no lançamento, no tocante a matéria de direito, sendo, pois, ilegítimo esse tipo de aperfeiçoamento. E válido ressaltar que sobre os fatos ora em análise foi atribuída pela fiscalização significação jurídica incompatível com a norma que deveria ter sido aplicável. O lançamento, no que tange as questões de direito é definitivo e inalterável, exceto em caso de penalidade, em beneficio do contribuinte; foi exatamente este o entendimento externado pela DRJ de São Paulo, que aplicou a citada Lei n° 11.488/07 a fatos geradores ocorridos em 2003 e rejeitou a tentativa de se punir o importador solidariamente ao adquirente; é certo, pois que a lei nova, mais benéfica ao contribuinte, na medida em que atribui pena pecuniária de 10% à infração, antes apenada com a pena de perdimento, aplica se ao caso concreto, ex vi, artigo 106 do CTN; desta forma, mesmo em sendo considerada correta a imputação da autoridade lançadora, qual seja, a acusação de que a SCIB praticou "interposição fraudulenta", ainda assim deve o lançamento ser julgado improcedente, primeiro, pelos motivos antes expendidos e, segundo, porque, nos casos de interposição fraudulenta, aplicase o disposto na Lei n° 11.488/2007, tudo em conformidade com o prescrito no CTN; da mesma forma, não se há de mencionar nada acerca de solidariedade, quando se está diante de um lançamento irrecuperável. Por fim, a SCIB requer que seja "declarado improcedente, por completo, o auto de infração e/ou, reduzida a tributação a 10% do valor aduaneiro, em adequação ao comando da Lei n° 11.488/2007"; e a Fábrica de Telas solicita que "levando em conta que não houve interposição Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 447 12 fraudulenta na importação, e, mesmo se houvesse ocorrido (o que não é o caso), não seria aplicável a penalidade veiculada no auto de infração, requerse a V Sa seja declarado improcedente, por completo, o auto de infração". A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 19/03/2007, 28/03/2007, 13/06/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. No caso dos autos, encontramse delineados os contornos que caracterizam as operações em tela como importações por conta e ordem de terceiros, embora carentes de formalidades legais. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Redatora ad hoc Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 448 13 Por intermédio do despacho de fl. 435, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o relatório e voto vencido do Acórdão 3201001.207, em razão de o Relator original, Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, não mais integrar o Colegiado. A minuta do acórdão (relatório e voto vencido) foi entregue à secretaria da Câmara pelo relator original, a qual foi adotada no relatório e será reproduzida neste voto vencido. Voto do Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a autoridade aduaneira afirma que a importação deveria ter sido registrada na modalidade “por conta e ordem de terceiros” (sendo a Fábrica de Telas São Jorge a adquirente e proprietária das mercadorias e a SCIB mera mandatária), e não por conta própria da SCIB, como ocorreu nas três operações sob análise. Os seguintes fatos, aliados ao disposto no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 constituem o fundamento do auto de infração: A SCIB recebeu valores antecipados da Fábrica de Telas São Jorge; Tais valores foram utilizados no fechamento do câmbio; e, Tais valores também foram utilizados para pagamento dos impostos. Confirase (fls. 43, 40 e 41 do auto de infração): O conjunto dos fatos apresentados acima corrobora com a idéia de que a SCIB importou por conta e ordem de terceiros. Entretanto, apenas os fatos mencionados em "i) e ii) já seriam suporte fático suficiente para a caracterização, por presunção legal, da importação por conta e ordem de terceiros, conforme dispõe o artigo 27 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, reproduzse: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (grifei) i) A SCIB recebeu antecipadamente os valores referentes : As NFs 1318, 1319,, 1320 e 1321 de 22/03/2007 Saida Para Fabrica de Telas São Jorge Valor de R$ 139.066 •Refereinse 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilidado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 449 14 a integralidade das mercadorias importadas na DI n° 07/03527775 de 19/03/2007. A NF 1324 de30/03/2007 Saida Para Fabrica de Telas São Jorge Valor de R$ 130.586 Referese a integralidade das mercadorias importadas na DI n° 07/04006140 de 28/03/2007. As NFs 509, 510, 511 e 512 de 04/09/2007 Saida Para Fabrica de Telas São Jorge Valor de R$ 293.016 Referen ise a integralidade das mercadorias importadas na DI n° 07/0765460 7 de 13/06/2007. As notas fiscais emitidas pela SCIB à Fábrica de Telas São Jorge perfazem um total de R$ 562.668. Todavia, constatase que em 20/03/2007, 99% deste valor, ou seja, R$ 557.526, já havia sido pago a SCIB, sendo que até esta data nenhuma nota fiscal tinha sido emitida e as Dis ainda não tinham sido registradas. ii) A SCIB efetuou o pagamento do Câmbio das importações com recursos financiados pela Fábrica de Telas São Jorge: — DI no 07/03527775, de '19/03/2007 contrato de Câmbio 07/006667 — Pago em 18/01/2007 no valor dê 53.829,43; — DI no 07/07654607 de 13/06/2007 Contrato de cambio 07/006665 — Pago em 18/01/2007 no valor de 151.377,67 — DI no 07/04006140 de 28/03/2007 — Contrato de Cambio 07/038890 — Pago em 11/04/2007 no valor de 56.808,87. iii) Os registros das Dis também foram realizados com os recursos antecipados, haja vista que quando o registro ocorreu, quase 90% do valor de face das notas fiscais já havia sido pago. Data máxima vênia, o simples fato de haver adiantamentos não faz com que a operação deva ser caracterizada como sendo uma importação por conta e ordem. Apenas gera uma presunção RELATIVA de que a operação deveria ter sido feita nesta modalidade, consoante comando expresso do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, transcrito no item anterior. Com efeito, como será demonstrado a seguir, o auto de infração não se sustenta por não estarem presentes os requisitos imprescindíveis à caracterização de uma importação por conta e ordem, mormente os seguintes aspectos: TODOS os supostos adiantamentos ocorreram após a compra das mercadorias, o que é apto, por si só a descaracterizar a presunção relativa de que teria ocorrido uma importação por conta e ordem – consoante posicionamento mais atual da DRJ, decisões proferidas em data posterior ao protocolo do recurso – item 34, abaixo; TODOS os documentos da importação estão em nome da SCIB, indicando que foi ela quem adquiriu a mercadoria perante o exportador, não havendo uma prova sequer da participação do adquirente dos bens no mercado interno nas negociações – até por impossibilidade material, já que a mesma não existiu (artigo 3º, § 3º da IN SRF n º 225/02); e, Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 450 15 Existência de margem de lucro nas operações de venda dos produtos importados (artigo 87, inciso V da IN SRF nº 247/02). Ademais, em relação à DI nº 07/07654607 é incontroverso que as mercadorias foram liberadas mediante decisão judicial (fls. 21 do auto de infração), o que impõe a aplicação do ADN nº 03. Confirase: 1. A SCIB importou mercadorias através da DI no 07/0765460 7, sendo que durante procedimento de conferência física foi verificada a existência de 96.000 quilos de fios de aço, declarados como oriundos da China, que se apresentavam em rolos acondicionados em caixas de papelão rotuladas na língua portuguesa, sem indicação do país de origem e com os dados de outra empresa brasileira: FABRICA DE TELAS SAO JORGE LTDA. A mercadoria foi objeto do auto de infração n° 0610400/00309/07; no qual aplicouse a pena de perdimento. Entretanto, o TRF da 1ª Regido concedeu efeito suspensivo ativo ao agravo de instrumento da empresa SC1B — Serviço e Comércio e Indústria do Brasil Ltda, "determinando a suspensão da pena de perdimento e a liberação das Mercadorias". (fls. n° 95 a 112). I. 1 A Aplicação do ADN nº 03 em Relação à DI nº 07/07654607: Conforme relatado em petição protocolada em 24/09/2012(Doc. 1), Como relata o auto de infração, as mercadorias objeto da DI n°. 07/07654607 foram liberadas por determinação judicial incidental, nos autos da ação judicial n°. 2007.34.00.0275370(Doc.2). A referida ação judicial (petição inicial doc. 2) tem por objeto o seguinte pedido de mérito: (i) a confirmação do direito da AUTORA ao desembaraço aduaneiro, e consequente entrega, das mercadorias objeto da DI n° 07/07654607(...) A questão posta em juízo (direito ao desembaraço aduaneiro) é francamente antagônica à penalidade objeto deste PAF (multa substitutiva ao perdimento), porque se há direito ao desembaraço, não pode subsistir perdimento, nem multa que o substitua. Acresçase a isto o fato de que por ocasião da r. Sentença (doc. 3 atualmente pendente de julgamento de recurso de apelação) o MM. Juiz da 5a. Vara Federal/DF julgou improcedente a ação, afirmando no último parágrafo da sentença o seguinte: "Ademais, tenho que a existência de rotulagem indicando o nome de outra empresa brasileira (FABRICA DE TELAS SÃO JORGE LTDA fls. 24) é indicativa da possível existência de fraude, a teor do inciso V do artigo 23 do Decretolei n°. 1.455/76 (...)" Verificase, portanto, que a ação, de rito ordinário, tem por objeto a declaração do direito ao desembaraço aduaneiro (antagônico com a pena de perdimento, ou com a penalidade substitutiva), e que a Fazenda Nacional (RÉ), a quem compete alegar todas Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 451 16 as causas impeditivas do direito alegado pela Recorrente (Autora), fez exatamente isto, inclusive quanto à questão da suposta ocorrência de interposição fraudulenta, que portanto será necessariamente decidida no bojo da ação. I. 2 A Ausência dos Elementos Caracterizadores da Importação por Conta e Ordem Documentos da Importação Emitidos no Nome da SCIB (Importadora) Consoante definição apresentada pelo Fisco em seu site (http://www.receita.fazenda.gov.br/TextConcat/Default.asp?Pos=2&Div=Aduana/ContaOrdem Encomenda/ContaOrdem/), a importação por conta e ordem de terceiro: “ (...) é um serviço prestado por uma empresa – a importadora –, a qual promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa – a adquirente –, em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/02 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/02). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa – a importadora por conta e ordem –, que é uma mera mandatária da adquirente (Grifo no original) Logo, na importação por conta e ordem a importadora é uma mera prestadora de serviços da adquirente, sendo esta a responsável por toda a negociação com o exportador. Tal modalidade de importação pode ser assim resumida: Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 452 17 Sendo que: A – O adquirente faz toda a negociação comercial com a exportadora, sendo o mandante da importação, ou, em outros termos, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora por via de interposta pessoa, sem que haja qualquer ilegalidade. Neste sentido é o posicionamento oficial da Receita Federal – que institui tal modalidade de importação, através da IN SRF n° 225/02, consoante se depreende da simples leitura do site: http://www.receita.fazenda.gov.br/TextConcat/Default.asp?Pos=2&Div=Aduana/ContaOrdem Encomenda/ContaOrdem/, disponível em 12/05/2011/. Confirase: “Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa – a importadora por conta e ordem –, que é uma mera mandatária da adquirente.” (Grifo nosso) B – A importadora é, desta forma, uma mera mandatária do adquirente e, nesta condição, importa as mercadorias, por conta e ordem dele. No caso dos autos, todavia, a negociação foi feita diretamente pela SCIB, inexistindo qualquer participação da Telas São Jorge, que apenas comprou as mercadorias da importadora no mercado interno, conforme comprovam as Notas Fiscais de Venda. Tal fato é corroborado pelos próprios Bls e invoices acostados aos autos, que demonstram que as mercadorias foram vendidas e remetidas à SCIB. Com efeito, se a Telas São Jorge tivesse comprado as mercadorias do exportador e a SCIB tivesse sido mera mandatária dela, em uma importação por conta e ordem, a fatura comercial estaria consignada à ela e não à SCIB, consoante determinação do artigo 3º, §2º da IN SRF n º 247/02: Art. 3º Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 453 18 (...) § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias.(Grifo nosso) Não é demasiado destacar que a disposição acima transcrita, além de afastar a presunção legal prevista no artigo 27, da Lei n.º 10.637/2002, visa a conferir segurança jurídica ao exportador e à adquirente das mercadorias negociadas. Com a devida vênia, afigurase inconcebível cogitar que um exportador emitiria uma fatura comercial e encaminharia uma mercadoria em nome de uma empresa que não seria a responsável por honrar com os compromissos contratuais assumidos. Com efeito, qual a garantia que o exportador teria que o contrato fosse adimplido, caso constasse o nome de uma terceira pessoa em todos os documentos que espelham a negociação? O AFRFB ignora esses aspectos e sustenta que as operações teriam ocorrido por conta e risco da Telas São Jorge, sem, contudo, afastar a veracidade das informações contidas nos documentos instrutórios da importação, atuando com base na presunção legal do artigo 27 da Lei n.º 10.637/2002, que é RELATIVA. A matéria objeto dos autos foi tratada no Acórdão DRJ São Paulo nº 17.52.491 de 21 de Julho de 2011 no qual foi afastada tese idêntica a dos autos: “A importação por conta e ordem não recebe esse nome por acaso. A expressão ‘conta’ está relacionada com a origem dos recursos da importação. Assim o real adquirente é a pessoa jurídica que arca com os custos da importação. A expressão ‘ordem’ determina quem realiza a compra de fato, quem escolhe o bem, negocia o preço e as condições de entrega. Essa é a empresa que deve figurar na fatura comercial, que nada mais é que o instrumento que documenta a compra realizada. (...) (...) LOGO, NÃO BASTA O FORNECIMENTO DOS RECURSOS, TEM QUE HAVER PROVA DE QUE O TERCEIRO É O REAL ADQUIRENTE DOS BENS.” (Grifo nosso) Depósitos Feitos em Datas Posteriores ao Embarque e ao Faturamento das Mercadorias. Outra prova cabal de que inexiste qualquer irregularidade nas operações objeto dos autos decorre da comparação entre as datas do faturamento das mercadorias com a data do suposto “adiantamento”. Destacase que as mercadorias importadas pela via marítima, em regra, são vendidas quando elas estão em altomar. Não seria crível que um empresário ficasse inerte, sem procurar clientes, esperando muitas vezes mais de 30 (trinta) dias para mercadoria chegar ao Brasil, para só então começar a procurar compradores para as mercadorias importadas. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 454 19 Uma empresa que assim atue e pretenda desembaraçar suas mercadorias, armazenálas, para só então ofertálas, certamente irá à falência, em razão de custos exponencialmente elevados. Esclarecese, que a DI 07/03527775 foi registrada em 19/03/2007, ou seja, 60 (sessenta dias) após a compra, que ocorreu em 12/01/2007, que a DI 07/0765607 foi registrada em 13/06/2007, ou seja 6 (meses) após o embarque, que ocorreu em 15/12/2006, e que a DI 07/04006140 foi registrada em 28/03/2007, ou seja, 40 (vinte) dias após o embarque, que ocorreu em 17/02/2007.. Não há que se confundir planejamento financeiro e logística de venda eficiente com fraude ou simulação, mormente quando são apresentados meros argumentos desprovidos de qualquer suporte probatório. Tão logo a compra é fechada com o exportador, a importadora procura seus clientes para oferecer seus produtos. Demonstrando o seu interesse nas mercadorias, a negociação ocorre durante o trajeto dos bens. Exatamente tal fato ocorreu com todas as DI´s: DI Data do Embarque Data do Suposto Adiantamento (fls. 38/39) 07/07654607 15/12/2006 (doc. 4 ) 04/01/2007 Não é possível cogitar que o valor recebido a partir de 04/01/2007 foi um adiantamento, eis que é POSTERIOR ao embarque (15/12/2006). Dessa forma, resta inconteste que a negociação do produto importado ocorreu DURANTE o trajeto da origem até o Brasil, não se tratando de uma conta e ordem, como leva a crer a autoridade fiscal. Não demasiado destacar que a venda de tais produtos durante seu trajeto é a essência do negócio e não caracteriza irregularidade alguma. Exatamente por essa razão é que 2ª Turma da DRJ São Paulo concluiu, nos Acórdãos nº 1752151 e n.º 1752152, que: “(...) não ‘adiantou’ recursos para a importação, já que a aquisição junto ao exportador foi anterior à transferência bancária. Esse ‘adiantamento’ referese à transação posterior” Merece ser acolhida a alegação da defesa de que a mercadoria foi revendida durante seu trânsito para o Brasil (...) A fiscalização não apresentou nenhuma outra prova que corrobore sua tese. Se, ao menos, o “adiantamento” de Melo e Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 455 20 Freitas fosse anterior ao faturamento e ao embarque seria indício de que essa empresa seria o real adquirente junto ao exportador e de que, consequentemente, a fatura em nome da AFIL seria falsa (Grifo nosso)” Portanto, a demonstração de que o suposto adiantamento foi posterior ao embarque, e ao faturamento que o antecede, é prova cabal de que inexistiu interposição fraudulenta. Em verdade os supostos adiantamentos constantes de fls. 38/39 não guardam qualquer relação com o pagamento das DI´s objeto dos autos, tratandose, em verdade, de pagamento de outras operações. Basta comparar o valor supostamente adiantado, com o valor das despesas subsequentes. Entre 04/01/2007 e 18/01/2007 a SCIB recebeu aproximadamente R$ 310.000,00 quando os câmbios debitados no dia 18/01/2007 totalizam aproximadamente R$ 205.000,00 (fls. 38/39). É cediço que em operações por conta e ordem, os valores adiantados pelos adquirentes visam cobrir as despesas que serão incorridas até o momento da realização de cada despesa, até mesmo porque o lucro é cobrado fora da nota fiscal de venda, através de nota fiscal de serviço, consoante será detalhado no item 44, abaixo. Tal situação demonstra que também inexistiu adiantamento em relação às outras duas importações. A Existência de Margem de Lucro nas Operações Uma das provas de que as operações objeto dos autos não configuram importações por conta e ordem é o fato de que o valor de venda das mercadorias acobertadas pelas DI’s em referência possui margem de lucro. Em relevante precedente sobre a matéria objeto dos autos, a DRJ de Florianópolis (2ª Turma) firmou o entendimento de que os adiantamentos financeiros regularmente registrados na contabilidade da importadora seriam prova da origem regular, salvo se não comportarem lucro: “DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FLORIANÓPOLIS 2 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0710367 de 03 de Agosto de 2007 (...) Adiantamentos financeiros, de clientes compradores de mercadorias importadas, regularmente registrados na contabilidade da importadora e comprovados através de extratos bancários, constituem prova de origem regular dos recursos disponíveis, portanto, importações que tenham base neles não podem ser consideradas na determinação do valor da multa substitutiva da pena de perdimento, salvo se o valor de comercialização da mercadoria não comportar lucro, pois por Fl. 455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 456 21 presunção hominis, nenhuma firma irá importar para outra, sem nenhuma vantagem (...) (Grifo nosso)” Em sentido semelhante, este Conselho de Contribuintes considerou que operações em que o valor da entrada dos produtos, por unidade, é praticamente igual ao valor da saída, demonstraria a existência de uma importação por conta ordem: “(...) Há míngua de explicação também para o fato de as transações comerciais da recorrente apresentarem valor de entrada, por unidade, praticamente igual ao valor de saída, diferindo apenas por um centavo, sendo até menor que o de entrada (fls. 775/776), (...)” (Recurso 137.722 Acórdão nº 302 39.540, 18 de junho de 2008, Grifo nosso) O CARF também decidiu que a presença de prejuízo ao invés de lucro, presume a existência de tal operação – situação que não ocorreu no caso dos autos. Verificando as condições fáticas das operações entre 4 de janeiro de 2006 e 20 de setembro de 2006, envolvendo as empresas mencionadas, uma dessas salta a vista de qualquer observador, afeto ou não ao mundo dos negócios: foram realizadas com prejuízos ao importador. Por si só tal fato já me permite presumir que há interesse de outro nessas operações ou não perdurariam por tanto tempo, por razoes econômicas. De fato, não há vedação legal para operações comerciais com prejuízo. Não é de se esperar que a lei ou outro ato normativo venha tratar de situações absolutamente esdrúxulas e anormais no âmbito do comércio. A autoridade autuante não definiu como infração operar no comércio exterior com prejuízo, mas dentro de uma lógica comercial aceitável, indicou como indício de operação irregular tal fato e associando o com os demais a seguir apontados concluiu pela existência de um importador real que estaria de fato acobertado nas operações de importação.” ((Recurso nº 907.793, Acórdão nº 320100.846, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2012, Grifo nosso) Ao contrário, no caso dos autos, as Notas Fiscais de Entrada e de Saída das mercadorias importadas demonstram que elas possuem margem de lucro, o que afasta a tese de que haveria uma importação por conta e ordem, uma vez que na NF de saída de importação por conta e ordem somente são repassados os custos da importação (basicamente o II, já que todos os outros tributos estão sujeitos à sistemática de débito e credito e, assim, se neutralizam). Vejamos: 07/03527775 (ANEXO I) R$ 86.223,00 R$ 139.066,00 R$ 52.843,00 61,28643% 07/07654607 (ANEXO II) R$ 208.026,00 R$ 293.017,00 R$ 84.991,00 40,85595% 07/04006140 (ANEXO III) R$ 82.204,00 R$ 130.586,00 R$ 48.382,00 58,85602% Tais decisões possuem como base o fato de que uma operação por conta e ordem de terceiros não comporta lucro, sendo a prestadora de serviços (importadora) Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 457 22 remunerada através de nota fiscal de serviços, nos termos do Art. 87, inciso V da IN SRF 247/02: Art. 87. Em virtude do disposto nos arts. 12 e 86, a pessoa jurídica importadora deverá: V – emitir, na mesma data referida no inciso IV, nota fiscal de serviços, tendo por destinatário o adquirente, pelo valor cobrado a título de serviços prestados para a execução da ordem emanada do adquirente. Parágrafo único. Na nota fiscal de serviços deverá constar o número das notas fiscais de saída das mercadorias a que corresponder os serviços prestados. (Grifo nosso) Nestes termos, o relator original votou pelo provimento ao recurso. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado Não obstante o excelente voto proferido pelo Conselheiro Relator, propondo o provimento do recurso voluntário, a turma, por voto de qualidade, decidiu em sentido contrário, por entender que as razões que fundamentaram seu voto, bem como as apresentadas no recurso não foram suficientes para afastar aquelas que fundamentaram a decisão recorrida. As razões de decidir expostas no acórdão recorrido fundamentaram também a decisão dos Conselheiros que votaram pelo não provimento do recurso voluntário, de modo que aquelas razões de decidir são também adotadas no presente voto. Conforme observado no voto do Relator, segundo o Auto de Infração, a SCIB recebeu antecipadamente os valores das saídas para a Fábrica de Telas São Jorge acobertadas pelas: 1) Notas fiscais 1318, 1319, 1320 e 1321, de 22/03/2007, que correspondem à integralidade das mercadorias importadas por meio da Declaração de ImportaçãoDI nº 07/03527775, de 19/03/2007. 2) Nota fiscal nº 1324, de 30/03/2007, correspondente à integralidade das mercadorias importadas por meio da DI nº 07/04006140, de 28/03/2007. 3) Notas fiscais 509, 510, 511 e 512 de 04/09/2007, correspondente à integralidade das mercadorias importadas por meio da DI nº 07/07654607, de 13/06/2007. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 458 23 Até 20/03/2007, previamente à emissão destas notas fiscais, que somaram R$ 562.668,00, 99% deste valor havia sido pago à SCIB, e, antes das datas dos registros das declarações de importação, 90% do valor de face das notas fiscais haviam sido pagos. Os contratos de câmbio foram liquidados com os recursos adiantados pela Fábrica de Telas São Jorge. Em 18/01/2007, foi liquidado o contrato de câmbio 07/006667, relativo à DI nº 07/03527775, de 19/03/2007. Em 18/01/2007, foi liquidado o contrato de câmbio 07/006665, relativo à DI nº 07/07654607, de 13/06/2007. Em 11/04/2007, foi liquidado o contrato de câmbio 07/038890, relativo à DI nº 07/04006140, de 28/03/2007. Vejase que os dois primeiros contratos foram liquidados antes mesmo dos registros das declarações de importação. O art. 27 da Lei nº 10.637, de 30/12/2001, diz: “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” Os arts. 77 a 81 da MP nº 215835, de 24/08/2001, assim dispõem: “Art.77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.32.................................................... ................................................... Parágrafo único.É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art.78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: "V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 459 24 Art.79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art.80. A Secretaria da Receita Federal poderá: Iestabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art.81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador.” Assim, segundo o art. 27 da Lei nº 10.637, de 2001, se ocorreu uma operação de comércio exterior mediante utilização de recursos de terceiro, por força desta norma, tal operação deve ser tida como realizada por conta e ordem deste terceiro. O princípio da legalidade, que norteia a atuação da Administração Pública, não pode ser afastado pelos argumentos expendidos pelo Ilustre Relator. O fato de os documentos da operação de importação terem sido formalizados em nome da SCIB não exclui a incidência desta norma. O mesmo se aplica à alegação de que houve margem de lucro nas operações de venda interna dos produtos. Em especial, aos Conselheiros do CARF, por força do art. 62 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, é vedado afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, salvo nas condições previstas no parágrafo único deste artigo. Aqui, nenhuma daquelas condições está presente. Em decorrência dos fatos apurados e do disposto no art. 27 da Lei nº 10.637, de 2001, aplicase o disposto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455, de 7/41976, norma que possui status de lei, citado abaixo. “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 460 25 ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ( Vide Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010 ) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 ) § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Conforme afirmado pela autoridade fiscal, o recebimento antecipado de valores e a utilização destes para fechamento do câmbio já seriam suficientes para caracterização da utilização de recursos de terceiro em operação de comércio exterior, o que implicaria a aplicação da pena de perdimento e, no caso de consumo ou nãolocalização da mercadoria, a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Porém, conforme também afirmado pela autoridade fiscal, o adiantamento foi em tal monta que permitiu também o pagamento dos tributos incidentes na operação de comércio exterior. E, conforme trecho de decisão judicial transcrita no voto do Conselheiro Relator, o MM. Juiz da 5ª Vara Federal/DF, ao julgar improcedente ação judicial iniciada pela SCIB, destacou “a existência de rotulagem indicando o nome de outra empresa brasileira (FABRICA DE TELAS SÃO JORGE LTDA – fls. 24)”, indicativa de possível existência de fraude. Se volumes contêm rotulagem com o nome da Fábrica de Telas São Jorge, a compra das mercadorias contidas nestes volumes não ocorreu durante o seu transporte do país de origem até o país de destino, pois esta rotulagem se fez antes do embarque dos volumes. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 461 26 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza analisou detidamente os fatos e apresentou fundamentos que adoto como razões de decidir. Transcrevo parte do voto vencedor da decisão recorrida: “Embora nas 3 DI em comento a empresa SCIB tenha declarado ser a própria adquirente das mercadorias, os autos contêm provas decisivas de que as importações quando foram realizadas já tinham destinatário certo: a empresa Fábrica de Telas São Jorge Ltda, autuada solidariamente neste processo. Entre essas provas podem ser citadas, exemplificadamente: a mercadoria importada por meio da DI n° 07/07654607 encontravase acompanhada de etiquetas em português que continham dados técnicos dos produtos e informações da empresa Fábrica de Telas, porém nenhuma referência ao importador SCIB, o que foi motivo para sua apreensão, com vistas à aplicação da pena de perdimento, decisão administrativa que foi sobrestada por mandado judicial, conforme relatado; depósitos bancários no valor total de R$ 289.095,22 efetuados pela Fábrica de Telas na conta corrente da empresa SCIB, foram contabilizados por esta nos livros Razão e Diário em janeiro e fevereiro/07 na conta do passivo Adiantamento de Clientes Importação, antes mesmo da emissão da notas fiscais de entrada e saída das mercadorias importadas (fls. 116/117); toda a mercadoria importada era quase ou imediatamente transferida para a Fábrica de Telas (dois dias após ou no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada no caso das DI n° 07/03527775 e 07/04006140, respectivamente). Quanto à DI n° 07/07654607 (sub judice), as notas fiscais de saída foram emitidas em 04/09/07, mesma data do desembaraço, antes mesmo de ser emitida a nota fiscal de entrada n° 534, de 17/10/07 (vide planilha 03 na fls. 15, docs. de fls. 134/142); cerca de 99% do valor total das importações foi pago com recursos da Fábrica de Telas, antes mesmo do registro das DI, conforme demonstra a planilha 4 na fl. 22 e os documentos de fls. 171/182; analisandose o objeto social, registrado na cláusula segunda do contrato social da empresa SCIB (fl. 192), adiante transcrito, verificase que as mercadorias importadas, descritas nas DI como telas galvanizadas, arame galvanizado e fios de cabo de aço, não podem ser enquadradas entre os produtos que a empresa se propõe a importar para o desenvolvimento da sua própria atividade mercantil (conforme verificou a fiscalização em diligência, o foco principal da empresa é a importação de máquinas copiadoras para posterior reconstrução e venda no mercado interno), mas faria sentido a importação dessas mercadorias se fosse relacionada à outra finalidade trazida pela mesma cláusula contratual: prestação de serviços na área de comércio exterior. Por outro lado, temse que os produtos importados guardam perfeita correspondência com o objetivo da empresa Fábrica de Telas: exploração da "atividade de indústria e comércio de telas, artefatos de arame e ferro" (fl. 328): (...) Assim, estando sobejamente demonstrado nos autos que as operações de importação em tela foram realizadas com recursos da empresa Fábrica de Telas (vide item 17, do Relatório de Auditoria, fls. 29/33 e os documentos de fls. 113/117, fl. 162, fls. 170/182 e fls. 266/275), as alegações das impugnantes de que esses recursos são apenas "adiantamentos por questões meramente comerciais" não podem ser opostas à Fazenda Nacional com o condão de afastar as disposições do art. 27, da Fl. 461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 462 27 Lei n° 10.637/02, já transcrito, ficando plenamente caracterizado que as operações de importação formalizadas por meio das DI 07/03527775, 07/04006140, e 07/07654607, são, de fato, importações por conta e ordem na acepção legal do termo.” Muito claro o voto da decisão recorrida ao apontar disposições de instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, expedidas com amparo no art. 80 da MP nº 2.15835, de 2001, e no art. 16, da Lei nº 9.779, de 1999, que não foram atendidas nas operações de importação discutidas nestes autos. Em especial, deixaram de ser atendidas várias disposições das Instruções Normativas da RFB nº 225, de 2002, que estabelece requisitos e condições para a atuação de pessoas jurídicas importadoras em operações promovidas por conta e ordem de terceiros, e a nº 247, de 2002, que determina obrigações acessórias para as empresas importadoras por conta e ordem e para as adquirentes, o que possibilitou às empresas ocultarem a real atuação de cada uma nas operações de importação fiscalizadas. Transcrevo outra parte do voto condutor da decisão recorrida, com grifos meus: “Nas operações sob exame, além do descumprimento da legislação de regência, ficou patente a intenção das empresas autuadas de ocultarem os seus reais papéis de atuação, pois instadas em diversas ocasiões a se manifestarem, as auditadas sonegaram informações acerca das transferências bancárias da Fábrica de Telas para a SCIB, que, conforme já ressaltado, cobriram quase 99% do valor das importações e foram realizadas antes mesmo dos registros das DI, chegando a adquirente a afirmar que os pagamentos haviam sido realizados em espécie após o recebimento das mercadorias, somente admitindo a existência dos depósitos bancários prévios quando foi diretamente inquirida a se manifestar sobre eles, conforme fica bem caracterizado na minudente narrativa das intimações apresentadas pela fiscalização nas fls. 15/26. Por exemplo, na fl. 16, as autoridades administrativas registraram: Em 27 de maio de 2008, REINTIMAMOS, (...), a apresentar os documentos solicitados no "item 1" da intimação anterior, uma vez que não o fez: [Sublinhei] O aludido item 1 intimava a Fábrica de Telas a comprovar o efetivo pagamento das Notas Fiscais emitidas pela empresa SCIB em seu nome, com a apresentação de "DOC, TED, cheques e outros". Mais adiante, nas fls. 17/21, os fiscais consignaram: Não satisfeitos com os documentos apresentados, em 17 de junho de 2008, INTIMAMOS pela 3ª vez, (...), a apresentar os documentos conforme abaixo: [...] Em 02 de julho de 2008, (...), a empresa respondeu: (fl. n°146) “..., afirmamos que as Nfs relacionadas, foram quitadas nas respectivas épocas de compra, logo após os recebimentos das mercadorias, com pagamento a vista, em moeda corrente do pais, com recurso provenientes do caixa da empresa, ..." Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 463 28 "Entendemos pois que apresentamos tudo o que foi solicitado por V.Sa., pois se o pagamento foi feito em moeda corrente, não podemos ter comprovantes de DOC, TED, CHEQUES, TRANSFERÊNCIAS OU EXTRATOS BANCÁRIOS, por que os mesmos não foram utilizados para o efetivo pagamento." Sabedores de que a empresa realizou operações bancárias, através de TED, em nome da SCIB, continuamos com as intimações, e, em 09 de julho de 2008, INTIMAMOS (.) a apresentar os LIVROS RAZÃO, DIÁRIO E CAIXA — ano 2007. Finalmente, em 10 de setembro de 2008, fomos direto ao assunto e INTIMAMOS a Fábrica de Telas São Jorge através do Termo de Intimação Fiscal n° 2008.09.1001 (fls. n°161), (.), a esclarecer o que se segue: 1. Informar o motivo pelo qual a empresa efetuou cada um dos depósitos abaixo em nome da SCIB. [...] Em 23 de setembro de 2008, a empresa, em atendimento ao termo de Intimação Fiscal n° 2008.09.1001, respondeu:(fl .nº 162) Os depósitos são antecipações de partes do pagamento pelas mercadorias, objetos das notas fiscais n° 1318, 1319, 1320, 1321, 1324, 509, 510, 511 e 512. No que se refere às intimações e respectivas respostas da empresa SCIB, extraise os seguintes trechos do relatório fiscal (fls. 25/26): [...] Em 10 de novembro de 2008, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal (...), o contribuinte apresentou os documentos solicitados e com relação ao item 3 respondeu: (fls. n° 190 a 203) [...] b) Fizemos uma conciliação dos valores recebidos dos clientes, e verificamos que os lançamentos recebidos da Fabrica de Telas Sao Jorge Ltda. (.),foram lançados indevidamente a débito da conta de adiantamento de clientes, sendo que os valores foram recebidos em espécie e lançados na conta caixa, portanto não haverá a contra partida de crédito, conforme solicitação de V. sas. Em 11 de novembro de 2008, através do Termo de Intimação Fiscal e Solicitação de Esclarecimento n° 2008.11.1101 (fls. n° 204 e 205) (...), intimamos o contribuinte a apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados abaixo: I — Qual o motivo dos depósitos (TED) abaixo recebidos na conta da SCIB? [...] Em 25 de novembro de 2008, o contribuinte (...) respondeu o Termo de intimação n°2008.11.1101 da seguinte forma )fl. 207): Outrossim, em relação a intimação fiscal n° 2008.11.1101, vimos informar que se trata de fato relacionado aos anteriores administradores e proprietários da SCIB, razão pela qual não temos conhecimento ou registro de tais situações, a qual Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 464 29 deve ser informada pelo Sr. Nilton Carlos Hey Avelar, pessoa que, como ressaltado, era o administrador a época.” Os fatos apurados pela fiscalização, amparados em documentos e esclarecimentos prestados, deixam claro a ocorrência de ação intencional simulando operação de comércio exterior na qual se ocultou o real adquirente de mercadorias oriundas do exterior, iludindo o controle aduaneiro. Assim, não se acolhem as alegações de que não houve dano ao erário porque não ficou comprovada fraude ou simulação. Quanto à alegação de que a SCIB não poderia figurar no pólo passivo do auto de infração, também sem razão a recorrente. Por todo o exposto, ficou claro que a SCIB praticou a infração que enseja a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas ou a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias se estas foram consumidas ou não localizadas. A infração se caracterizou pela utilização de recursos de terceiro que se deu ocultandose o terceiro. Apenas com a efetivação de ação fiscal se identificou o terceiro, real adquirente das mercadorias. A legislação citada acima determina que nestes casos considerase que a operação foi realizada por conta e ordem do real adquirente (art. 27 da Lei nº 10.637, de 2001) para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da MP nº 2.15835, de 2001. A imputação de responsabilidade e conseqüentemente da pena ao real adquirente não exclui a imputação da pena à pessoa jurídica que atuou como importadora no despacho de importação. Segundo o art. 95, V, do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2001, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, responde conjunta ou isoladamente, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Os incisos I e IV deste artigo dispõem que respondem pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática e a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. No caso em discussão a SCIB promoveu o despacho aduaneiro de mercadorias sujeitas à pena de perdimento que tinham como real adquirente a Fábrica de Telas São Jorge, concorrendo para a prática da infração, de modo que de ambas, SCIB e Fábrica de Telas São Jorge, devese exigir o cumprimento da pena aplicável. Cito os arts. 94 e 95 do DecretoLei nº 37, de 1966: “Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 465 30 § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)” Referência aos artigos 94 e 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, bem como de disposições do Regulamento Aduaneiro que regulamentavam estes dispositivos, constaram do Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante e indissociável do Auto de Infração, em tópico que trata da responsabilidade pelas penalidades pecuniárias, fundamentando a sujeição passiva estabelecida no Auto de Infração, de modo que: i) O Auto de Infração contém os fundamentos para a exigência da penalidade pecuniária imputada; ii) Não houve remendo ao Auto de Infração, com vistas a mantêlo a qualquer custo, conforme alega a recorrente. Por outro lado, não cabe afastar a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias consumidas ou não encontradas sob alegação de que à SCIB só poderia ser imputada a multa de 10% sobre o valor da operação acobertada pela cessão do nome, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488, de 15/6/2007. É que esta multa, imputável apenas ao cedente de nome para a ocultação do real adquirente, não exclui aplicação da pena de perdimento das mercadorias que, por sua vez, cede lugar à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias entregues a consumo. A multa de 10% pela cessão do nome veio substituir a declaração de inaptidão, prevista no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, tendo constado no parágrafo Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 466 31 único do art. 33, da Lei nº 11.48, de 2007, que à hipótese prevista no caput não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo, com amparo no art. 727, §3º, do Decreto nº 6.759, de 5/2/2009, que é possível existirem casos em que ambas as multas sejam aplicáveis: a de 10%, imputável apenas ao cedente do nome; e a de 100%, imputável ao real adquirente e àquele que promoveu o despacho aduaneiro em que se apurou ocultação do real adquirente ou àquele que concorreu para a prática da infração, observandose que o pagamento da multa por um dos imputáveis aproveita aos demais. Cito o dispositivo: “Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput) (...) §3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas.” No caso destes autos, a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, que ocupa o lugar da pena de perdimento, é aplicável. Quanto à ação judicial que tem como objeto pedido de desembaraço aduaneiro e entrega das mercadorias descritas na DI nº 07/07654607, ela não interfere no presente julgamento. O desembaraço e a entrega de mercadorias importadas não excluem a aplicação das normas citadas neste voto e não excluem o exercício de atividade vinculada da autoridade fiscal: apuração da infração e proposição de aplicação de penalidade. Houvesse alguma interferência ou fossem iguais as matérias discutidas no processo judicial e neste administrativo, seria o caso de aplicação da Súmula CARF nº 1, que possui o seguinte enunciado: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Porém, no presente caso, o desembaraço aduaneiro e a entrega das mercadorias não estão em discussão, mas, sim, a aplicação da pena de perdimento das mercadorias pela caracterização de dano ao erário, decorrente de interposição fraudulenta em operação de comércio exterior, que é punida com a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, se estas foram consumidas ou não localizadas. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10611.000409/200938 Acórdão n.º 3201001.207 S3C2T1 Fl. 467 32 Sendo distintas as matérias, cabe apreciação por este Colegiado das matérias constantes do presente processo, não se podendo falar em renúncia à instância administrativa.. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Sérgio Celani Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, As sinado digitalmente em 22/04/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900202/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.175
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Barreto. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11040900202/200869 Resolução n.º 330200175 S3C3T2 Fl. 2 2 Tratase de Declaração de Compensação (fls. 01/05) apresentada para quitar débitos de COFINS (competências agosto a outubro de 2000) com crédito derivado de DARF pago a maior, também a título de COFINS (competência 04/2000). O Despacho Decisório (fls. 06) foi emitido eletronicamente e não homologou a compensação realizada por constatar que o DARF indicado como gerador do crédito teria sido utilizado para quitar outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/16) a Recorrente alega que o crédito gerado na competência 04/2000 deriva de pagamento realizado em valor superior ao devido, em razão de ter incluído na base de cálculo do tributo valores que não correspondem ao faturamento. Isto porque, de acordo com a legislação vigente à época, e posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, a base de cálculo do PIS e da COFINS seria a totalidade de receitas. Ao utilizar esta base de cálculo a Recorrente incluiu valores que não correspondiam a seu faturamento, inclusive o valor do ICMS devido pela empresa. Entende, assim, que tem direito a reaver os valores pagos indevidamente, pois apurados mediante a utilização de base de cálculo equivocada. A decisão da DRJ (fls. 31/32) manteve a não homologação da compensação, por entender que se trata de matéria de constitucionalidade de normas e por entender que não possui competência para se manifestar sobre tal aspecto. Alega, ainda, que não há nos autos prova da liquidez e certeza dos créditos, o que inviabilizaria a compensação. A Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 35/44), reiterando as alegações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia versa sobre a existência ou não de créditos suficientes para promoção da compensação pretendida nos autos. A Recorrente alega que no valor pago a título de COFINS, referente à competência abril/2000 foram incluídos, no cálculo da contribuição, valores que não integrariam sua base de cálculo, o que teria gerado um pagamento indevido, passível de compensação. Alega a Recorrente que parte do pagamento indevido se deve à inclusão na base de cálculo da COFINS – apurada em abril/2000 – de valores que embora correspondessem à totalidade das receitas (base de cálculo determinada pela legislação vigente à época – Lei nº 9.718/98), diante do reconhecimento da inconstitucionalidade da norma que exigia a incidência do tributo sobre tais valores, os valores apurados e pagos além do que representasse, de fato, o faturamento da empresa, ou seja, a receita derivada da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, seria considerado pagamento indevido. Ainda, segundo alega a Recorrente, na base de cálculo da contribuição apurada e paga na competência 04/2000 – que teria gerado o crédito ora sob análise teriam sido Fl. 61DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11040900202/200869 Resolução n.º 330200175 S3C3T2 Fl. 3 3 incluídos valores relativos ao ICMS. De acordo com entendimento da Recorrente tais valores não deveriam compor a base da contribuição, pois não representam faturamento da empresa, o que evidenciaria um recolhimento indevido, gerador de crédito compensável. Nos autos, contudo, não constam documentos ou planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo da COFINS, apurada em abril de 2000, pela Recorrente. Tal fato impede o julgamento adequado da lide. O indício de existência do direito creditório da Recorrente é evidente, e se dá pela própria declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS, trazida pela Lei nº 9.718/98, realizada pelo Supremo Tribunal Federal. Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA, devendo a autoridade administrativa: Intimar a Recorrente para que esta apresente, no prazo de 30 dias, todos os documentos que entender necessários à comprovação de que na base de cálculo da COFINS de abril de 2000 foram incluídos valores que não correspondiam ao seu faturamento (receita da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços), identificando, inclusive, os valores de ICMS que alega terem sido objeto de incidência da contribuição (Planilhas demonstrativas, documentos que comprovam os valores indicados nas planilhas, DCTF’s, comprovação de valores de ICMS incluídos na base da contribuição, balanços, etc); Após, a autoridade fiscal competente deverá analisar os documentos apresentados, elaborando parecer conclusivo acerca da existência (ou não) do crédito, com indicação de valores, bases, etc. Ainda, a autoridade administrativa deverá intimar a Recorrente do mencionado parecer, para que esta se manifeste em 30 dias, em respeito ao princípio do contraditório. Em seguida, os autos deverão ser reencaminhados a este Egrégio Conselho para julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 62DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002143/2001-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/05/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não havendo obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão, não são cabíveis embargos de declaração.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3101-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade, negou-se provimento aos embargos de declaração.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado.
EDITADO EM: 30/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), e Tarásio Campelo Borges. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, negou-se provimento aos embargos de declaração. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), e Tarásio Campelo Borges. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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Não havendo obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão, não são cabíveis embargos de declaração. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade, negouse provimento aos embargos de declaração. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), e Tarásio Campelo Borges. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 21 43 /2 00 1- 65 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, por alegada omissão do Acórdão 310100.219, nos termos dos arts. 64, I e 65 do RICARF. O Acórdão embargado recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 16/05/2001 PERDIMENTO. PENA PECUNIÁRIA. AÇÃO JUDICIAL. MEDIDA LIMINAR. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. A concessão de tutela jurisdicional pleiteada pela Interessada, importa autoridade administrativa estrita observância aos direitos reconhecidos liminarmente em Ação Ordinária com pedido de antecipação de tutela, dada a prerrogativa constitucional do poder judiciário para o controle jurisdicional dos atos administrativos, e, sobretudo, do principio da segurança jurídica. Auto de Infração Nulo por descumprimento de ordem judicial. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional alega uma série de omissões relativas ao sistema processual civil, que deveria guiar a interpretação do dispositivo da decisão concessiva da tutela antecipada, e, por conseguinte, a sua extensão à esfera administrativa. A embargante alega que o pedido de antecipação de tutela teria sido dirigido estritamente à manutenção da posse do veículo, não abrangendo o pedido de anulação da Intimação GP 228/99. Desse modo, haveria omissão em relação ao que dispõe o art. 293 do Código de Processo Civil. Segundo seu entendimento, não havia qualquer decisão judicial proibindo a autoridade administrativa de lavrar Auto de Infração por descumprimento do art. 463 do RIPI/98 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 108, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.165, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10314.002143/200165 Acórdão n.º 3101001.165 S3C1T1 Fl. 4 3 Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. O r. acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, declarando nulo o Auto de Infração de fls. 01/05, em razão de ter sido lavrado em suposto descumprimento de decisão proferida em sede de antecipação de tutela no Processo Judicial n° 1999.61.00.0269058, instaurado perante a 1a Vara Cível Federal de São Paulo (fls. 78 e verso). Esta turma julgadora, no acórdão embargado, apresentou os fundamentos que embasaram a decisão colegiada pelo provimento do recurso voluntário apresentado. Transcrevo excertos do voto do acórdão 310100.219: “Na espécie, penso que a matéria não requer maiores delongas, vez que, tendo sido o presente Auto de Infração lavrado em razão do não atendimento à Intimação GP 228/99, encontravase, a ora Recorrente, quando da sua lavratura, sob os efeitos da antecipação da tutela jurisdicional concedida (medida liminar). Nesse particular, entendo que assiste razão à Recorrente, pois, ao meu sentir, o auto de infração em comento não deveria ter sido lavrado. De fato, referido Auto de Infração reputa o ato passível de punição à recusa de entregar o bem para a SRF, ignorando a existência de decisão judicial que anulava os efeitos da intimação GP 228/99 decorrente de outro processo administrativo. No caso vertente, entendo, que a concessão de tutela jurisdicional importa autoridade administrativa estrita observância aos direitos reconhecidos liminarmente em Ação Ordinária com pedido de antecipação de tutela, dada a prerrogativa constitucional do poder judiciário para o controle jurisdicional dos atos administrativos, e, sobretudo, do principio da segurança jurídica. Portanto, independentemente da "Ação Ordinária de Desconstituição de Intimação Administrativa, com pedido de antecipação dos efeitos de tutela" ter transitado em julgado ou não, entendo irrelevante tal fato, em razão da tutela jurisdicional liminarmente obtida pela Recorrente.” As alegações da Fazenda Nacional, acerca de questões processuais, não caracterizam a omissão do acórdão embargado. Esta turma de julgamento efetivamente apreciou as questões pertinentes para o deslinde da questão, e expressamente manifestou sua posição acerca da matéria. Entendo que a questão levantada pela embargante não se trata de omissão, mas sim de reapreciação da questão meritória. Assim, considerando que os Embargos de Declaração não constituem instrumento hábil à revisão dos fundamentos que serviram de base à decisão, não há razão para reformulála. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Diante do exposto, voto por negar provimento aos embargos de declaração. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/07 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000002/00-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DECADÊNCIA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Sendo a decadência
matéria de ordem pública, se a decisão não analisou todas as questões que a influenciam, cabem embargos para suprir a omissão.
DECADÊNCIA TERMO INICIAL No caso de lançamento feito para substituir lançamento anterior anulado por vício formal, o termo inicial da decadência se rege pelo inciso II do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 9101-001.033
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional para rerratificar o acórdão nº 910100.117, de 11/05/2009, declarando não ocorrida a decadência, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para apreciação das razões de mérito.
Nome do relator: Valmir Sandri
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DECADÊNCIA TERMO INICIAL No caso de lançamento feito para substituir lançamento anterior anulado por vício formal, o termo inicial da decadência se rege pelo inciso II do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional para rerratificar o acórdão nº 910100.117, de 11/05/2009, declarando não ocorrida a decadência, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para apreciação das razões de mérito. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Suzy Gomes Hoffmann e João Carlos de Lima Junior. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10825.000002/0087 Acórdão n.º 9101001.033 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração (fls. 132/135), interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 910100.117 (fls. 123/129) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial por ela apresentado e manteve o cancelamento da exigência de que tratam os autos, em função da decadência. Manifestase a embargante pela ocorrência de omissão na decisão hostilizada, tendo em vista que a contagem do prazo decadencial feita pelo voto condutor não teria levado em consideração que o presente lançamento foi decorrente da anulação de lançamento anterior em função de vício formal, o que implicaria na contagem do prazo de caducidade sob as regras do inciso II, do art. 173, do CTN. O Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF admitiu os embargos ao fundamento de que, por envolver matéria de ordem pública, a decisão não poderia deixar de analisar todas as questões que poderiam influenciar no teor do julgado. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10825.000002/0087 Acórdão n.º 9101001.033 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Cuidase, no caso, de lançamento originalmente formalizado mediante notificação eletrônica, anulado por vício formal (cópia do despacho às fls. 19/20). O contribuinte tomou ciência do despacho que anulou a notificação de lançamento suplementar em 14/10/98. O auto de infração para refazer o lançamento anulado foi lavrado em 03/01/2000, e cientificado ao contribuinte em 14/02/2000. A questão do prazo decadencial não foi suscitada pelo sujeito passivo em nenhuma das peças de defesa. Porém, por envolver matéria de ordem pública, a decadência foi argüida de oficio na apreciação do recurso voluntário, tendo sido cancelado o lançamento pela aplicação do §4º, art. 150, do CTN (termo inicial, data da ocorrência do fato gerador, prazo de cinco anos). A Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91. A 1ª Turma da CSRF, por unanimidade de votos, negou provimento ao especial, confirmando o acórdão recorrido, que aplicou a norma do §4º, art. 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador). Em sede de embargos, alega a Fazenda Nacional que não foi considerado tratarse de lançamento feito para regularizar lançamento anterior anulado por vício formal. Como ponderou o Presidente da 3ª Câmara, por ser matéria de ordem pública, caberia ao julgador analisar todos os aspectos envolvidos, e assim, cumpre suprir a omissão. No caso de lançamento anulado por vício formal, o termo inicial para a contagem a decadência se rege pelo art. 173, inciso II, do CTN, que reza: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados: I ...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento efetuado.” Tendo o contribuinte tomado ciência da decisão que anulou o lançamento em 14/10/98, e dela não tendo sido interposto qualquer recurso, em fevereiro de 2000, quando cientificado o sujeito passivo do auto de infração em litígio, o crédito correspondente não estava alcançado pela decadência. Nesses termos, acolho os embargos para suprir a omissão e retificar o Acórdão n. 910100.117, de 11/05/2009, declarando não ocorrida a decadência, devendo os autos serem restituídos ao CARF para analisar o mérito. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10825.000002/0087 Acórdão n.º 9101001.033 CSRFT1 Fl. 4 4 Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722244/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a fim de que sejam adotadas as providências necessárias ao encaminhamento para esta Turma julgadora dos processos nº 10.380.720380/2008-94 e 10380901733/2006-93, anteriormente distribuídos à 4ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o presente recurso tendo em vista a relação de causa e efeito entre eles. Ausente os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a fim de que sejam adotadas as providências necessárias ao encaminhamento para esta Turma julgadora dos processos nº 10.380.720380/2008-94 e 10380901733/2006-93, anteriormente distribuídos à 4ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o presente recurso tendo em vista a relação de causa e efeito entre eles. Ausente os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrente CONSTRUTORA MARQUISE S A Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a fim de que sejam adotadas as providências necessárias ao encaminhamento para esta Turma julgadora dos processos nº 10.380.720380/200894 e 10380901733/200693, anteriormente distribuídos à 4ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o presente recurso tendo em vista a relação de causa e efeito entre eles. Ausente os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 22 24 4/ 20 10 -5 3 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10380.722244/201053 Resolução nº 1402000.166 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente expediente trata de multa isolada, de valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), em face de declarações de compensação consideradas não declaradas, constantes dos processos administrativos nºs 10.380.720380/200894 e 10380901733/200693, pendentes de julgamento pela Quarta Turma Especial da Quarta Câmara, da Primeira Sessão. Os processos nºs 10.380.720380/200894 e 10380901733/200693 foram distribuídos ao Conselheiro Walter Adolfo Maresch em 14/09/2012, isto é, em data posterior à distribuição do processo aqui analisado (10380.722244/201053). É o relatório. Voto O recurso interposto é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Contudo, não é possível adentrar ao mérito visto que a multa isolada de que trata este processo decorrente da não homologação de declarações de compensação feitas nos autos dos processos nºs 10.380.720380/200894 e 10380901733/200693. Assim, o processo referente à multa isolada deve ser decidido em conjunto com os outros. Não se pode apreciar a questão da multa isolada sem levar em conta a decisão em relação aos processos em que se considerou não declaradas as compensações. Ademais, no caso do autos, a exigência do crédito tributário é superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), circunstância que à luz do artigo 8º, do Regimento Interno do Carf, supera o limite de valor conferido às Turmas Especiais. Somase ao exposto as disposições do artigo 6º do anexo II do Regimento Interno do Carf que assim dispõe: Art. 6º. Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que sejam adotadas as providências necessárias ao encaminhamento para esta Turma julgadora dos processos nº 10.380.720380/200894 e 10380901733/200693, anteriormente distribuídos à 4ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o presente recurso tendo em vista a relação de causa e efeito entre eles. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 27/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900447/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 47 /2 00 8- 11 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 3801004.962 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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