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Numero do processo: 10120.000871/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.581
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 890 2 Relatório O processo trata de lançamento de ofício (auto de infração do IRPJ) dos anos- calendário 2005, 2006 e 2007. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário em (e-fls.711/726), em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Brasília, proferido na sessão de 09/07/2010 (e-fls. 491/499), que julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal. Quantos aos fatos, consta dos autos: - que, em 05/02/2010, em procedimento de revisão interna de declarações efetuado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Goiânia, conforme informa o despacho (e-fl. 112), restou lavrado Auto de Infração do IRPJ dos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, observado o regime do lucro real anual (e-fls. 97/106); - que foi imputada a seguinte infração, in verbis: (...) 001 - GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is), em função de insuficiência de saldo, apurado pelo cotejo entre os dados declarados na DIPJ e o saldo de prejuízo(s) fiscal(is) acumulado(s), controlado(s) por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, nos anos- calendário 2005, 2006 e 2007, conforme demonstrativo abaixo: A/C LUCRO REAL VR COMPENSADO SALDO COMPENSÁVEL VR COMPENSADO INDEVIDAMENTE 2005 3.476.173,31 1.042.851,99 97.243,03 945.608,96 2006 2.096.658,63 628.997,59 0,00 628.997,59 2007 16.613.151,08 4.983.945,32 0,00 4.983.945,32 Intimado via postal em 26/11/2009 a prestar os esclarecimentos necessários quanto às ocorrências constatadas, o sujeito passivo não se manifestou. Assim, está sendo lavrado o presente Auto de Infração de conformidade com o disposto no Art. 341, Inciso II, do RIR/99. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 945.605,96 75,00 31/12/2006 R$ 628.997,59 75,00 31/12/2007 R$ 4.983.945,32 75,00 Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 891 3 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. (...) - que o montante do crédito tributário lançado de ofício - Auto de Infração do IRPJ dos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, em 05/02/2010, multa de ofício de 75% e juros de mora atualizados até 29/01/2010, perfaz o montante de R$ 3.140.990,50, assim especificado: Imposto 1.561.637,93 Juros de mora (calculados até 29/01/2010) 39.624,13 Multa Proporcional 1.175.728,44 Total (Valor do crédito tributário apurado) 3.140.990,50 Ciente do lançamento fiscal em 11/02/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 11/03/2010, cujas razões estão bem resumidas no relatório da decisão recorrida e que transcrevo, no que pertinente (e-fls. 482/483), in verbis: (...) - a empresa está obrigada a divulgar gratuitamente a propaganda partidária ou eleitoral, e, em virtude de tal obrigatoriedade, goza do benefício fiscal de exclusão do lucro liquido dos valores relacionados com a divulgação eleitoral gratuita; - sobre o mencionado beneficio fiscal, o art. 52 da Lei n. 9.096/95 e o art. 99 da Lei n. 9.504/97 dispõem que as emissoras de rádio e televisão, obrigadas à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral, poderão excluir do lucro liquido, para efeito de determinação do lucro real, o valor correspondente a 80% do preço do espaço comercializável que fora utilizado para propaganda eleitoral ou partidária gratuita; - no ano-calendário de 2004, a impugnante apurou um valor a excluir, a titulo de divulgação eleitoral gratuita, de R$ 18.327.939,21, conforme tabelas demonstrativas elaboradas pela defesa; - que referida exclusão de R$ 18.327.939,21 foi efetuada na Parte “A” do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR, anexo 4), gerando um prejuízo fiscal da ordem de R$ 15.609.572,55, ano-calendário 2004, também escriturado na Parte “B” do mesmo Livro, uma vez escriturado o referido prejuízo fiscal, a impugnante começou a compensá-lo nos anos-calendário seguintes, conforme tabela abaixo: data descrição débito crédito saldo 31/12/2004 Prejuízo fiscal apurado no ano-calendário de 2004, conforme parte "A" do LALUR 15.609.572,55 15.609.572,55 31/12/2005 Compensação de prejuízo fiscal, conforme parte "A" do LALUR 2005 1.042.851,90 14.566.720,56 Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 892 4 31/12/2006 Compensação de prejuízo fiscal, conforme parte "A" do LALUR 2006 628.997,59 13.937.722,97 31/12/2007 Compensação de prejuízo fiscal, conforme parte "A" do LALUR 2007 4.983.945,32 8.953.777,65 - ocorre que na DIPJ 2005, ano-calendário 2004, a impugnante informou, de forma equivocada, a título de exclusão apenas o montante de RS 2.718.366,66, e não o valor de R$ 18.327.939,21 escriturado no LALUR, o que geraria um prejuízo fiscal de R$ 15.609.572,55. Mas, posteriormente esse equívoco foi retificado por meio da entrega da DIPJ retificadora (Anexo 6); - de acordo com a legislação tributária, a constituição do prejuízo fiscal, e, portanto, o direito de utilizá-lo na compensação dos resultados positivos dos anos seguintes, ocorre exclusivamente a partir do momento em que o contribuinte apura e o registra no LALUR. Na etapa seguinte, o contribuinte tem a faculdade de compensar o prejuízo fiscal escriturado na Parte “B” do LALUR com resultado tributável positivo, observando o limite de 30% do Lucro Real, o que ocorreu no caso em tela; - a impugnante escriturou corretamente as partes “A” e “B” do LALUR na época das apurações das referidas bases de cálculo; que, no presente caso, o auto de infração foi lavrado, pois o auditor se baseou somente no controle de prejuízo fiscal mantido pela RFB, sendo que esse controle é alimentado exclusivamente pelas informações prestadas pelo contribuinte através da entrega da DIPJ. - portanto, a constituição do prejuízo fiscal ocorre com a escrituração do LALUR, logo a DIPJ é uma mera obrigação acessória criada para suprir o Fisco de informações suficientes para fiscalizar e arrecadar tributos federais, isso significa que o equívoco material de alguma informação prestada na DIPJ jamais terá o condão de invalídar um direito devidamente constituído através do LALUR em conformidade com a legislação tributária; - considerando que a impugnante está provando a existência do saldo de prejuízo fiscal constituído no ano-calendário de 2004, e de que este é suficiente para compensar o resultado positivo dos anos-calendário de 2005, 2006 e 2007, na razão de 30 % do lucro real apurado, a autuação deve ser integralmente cancelada; - a impugnante retificou e entregou a DIPJ 2005, ano-calendário 2004, sendo que a mesma não foi objeto de fiscalização, e, ainda, que tivesse sido, o inciso I, do art. 145, do CTN, é categórico ao permitir a retificação da declaração mediante impugnação do lançamento; - considerando que o processo administrativo deve ser incessantemente pautado no principio da busca da verdade material, e que a impugnante provou de forma cabal a existência do saldo de prejuízo fiscal, não há o que se falar em insuficiência de recolhimento de IRPJ; - caso exista dúvida sobre a existência ou validade dos referidos argumentos e documentos juntados pela impugnante, que a impugnante se coloca à disposição para apresentar quaisquer esclarecimentos e/ou Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 893 5 documentos que se fizerem necessários. Caso seja necessário expungir dúvidas, requer a conversão do julgamento em diligência, principalmente com o fim de se fazer valer o princípio da busca da verdade material e aplicação correta da legislação fiscal; - com o objetivo de justificar seus argumentos de fato e de direito, a impugnante cita entendimentos doutrinários e decisões do Conselho de Contribuintes. Por fim, requer: - Que o auto de infração seja integralmente cancelado, e o presente processo seja arquivado; - Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, e, ainda, pede que, caso os Julgadores entendam necessário, seja determinada diligência fiscal, tudo para comprovar os fatos acima descritos ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas. (...) Na sessão de 09/07/2010, a 2ª Turma da DRJ/Brasília julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o lançamento de ofício, conforme Acórdão (e-fls. 480/488), cuja ementa, parte dispositiva e fundamentação do voto condutor, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de o contribuinte retificar suas DIPJS decai no mesmo prazo final estipulado pela legislação tributária para a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário respectivo. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. EXIGIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO O princípio da verdade material não dispensa a comprovação dos fatos alegados pelo contribuinte, que precisam estar demonstrados e comprovados nos autos. LALUR. PROVA. O LALUR não serve como prova se apresentado isoladamente, sem o amparo dos demais livros cujo registro é obrigatório (Diário e/ou Razão). JURISPRUDÊNCIA. DOUTRINA Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 894 6 Doutrina e jurisprudência não gozam de status de legislação tributária e não vinculam a Administração Tributária federal, logo não vinculam este órgão judicante. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA E PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO REJEITADO. Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, O requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1° artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Voto (...) Primeiramente, verifica-se que a contribuinte em sua DIPJ 2005, ano- calendário 2004, originária (fls. 292/340) apenas informou, na ficha 09 A - Demonstração do Lucro Real - PJ em Geral, no item 36 - Divulgação Eleitoral Gratuita, o valor R$ 2.718.366,66, sendo que após o inicio do procedimento fiscal, encaminhou uma DIPJ retificadora em 08/03/2010, onde alterou esse valor para R$ 18.327.939,21. (...) No caso em tela, a DIPJ 2005 entregue pelo interessado em 08/03/2010 é inválida, porque foi apresentada mais de cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores, uma vez que sua alteração ocorreu posteriormente ao período em que o fisco tinha direito de auditar essa declaração. No entanto, caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca o erro cometido em sua DIPJ 2005, incorrido pela interessada na transcrição de valores em sua Declaração de Ajuste Anual, mesmo que anterior ao exercício autuado, cabe à Fazenda Pública retificar tal erro. Verifica-se, então, que o primeiro ponto a ser discutido nos autos é se a impugnante demonstrou se realmente houve a divulgação eleitoral gratuita, no ano-calendário de 2004, no valor de R$ 18.327.939,21. (...) A empresa não apresentou nenhum documento fiscal emitido por ela no intuito de demonstrar o preço da propaganda da emissora, portanto Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 895 7 não ficou comprovado nos autos que a impugnante teria se equivocado ao preencher sua DIPJ 2005 com o valor de R$ 2.7l8.366,66 a título de Divulgação Eleitoral Gratuita, e que o correto seria o valor de R$ 18.327.939,21. (...) Em outras palavras, não é suficiente ao princípio da verdade material a mera alegação de uma suposta verdade: é imprescindível a comprovação do fato. E não há elementos nos autos, nem mesmo entre os trazidos pela impugnação, para se formar convicção quanto à correção das alegações do contribuinte, conforme já exposto. DA APRESENTAÇAO DO LALUR A interessada anexa cópias dos livros LALUR 2004, 2005, 2006 e 2007 para demonstrar que os valores glosados de prejuízos compensados indevidamente em 2005, 2006 e 2007 tiveram origem em 2004. O LALUR não serve como prova se apresentado isoladamente, sem o amparo dos demais livros cujo registro é obrigatório (Diário e/ou Razão). Inclusive, a informação prestada pela própria contribuinte à RFB em sua DIPJ 2005 originária é divergente do LALUR, motivo pelo qual é de se considerar que o prejuízo fiscal alegado em 2004 não restou comprovado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS A respeito da jurisprudência administrativa e doutrina trazidas à colação, nos termo do art. 100, II, do Código Tributário Nacional não constituem normas complementares da legislação tributária, tampouco vinculam a administração, pois inexiste lei que lhes confira a efetividade de caráter normativo. PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE OUTRAS PROVAS EM DIREITO ADMITIDAS (...) No caso, o sujeito passivo não comprovou o motivo de força maior que impedira a apresentação de outras provas, quando da apresentação da peça impugnatória do lançamento fiscal. Diante do exposto, em relação a novas juntadas de provas documentais na primeira instância de julgamento - como quer a autuada, entendo que já ocorreu a preclusão processual, nos termos do art. 16, § 4°, do PAF, em face da não comprovação do motivo de força maior. Em relação ao pedido de perícia/diligência fiscal, também o pedido foi formulado em desacordo com § 1° do art. 16 do PAF, pois não identificou as matérias que teria pretensão de comprovar, não justificou tal necessidade, não formulou quesitos e não nomeou perito. Por conseguinte, indefiro o pedido de juntada de novos documentos e de realização de diligência fiscal/perícia, nesta fase do processo, por serem desnecessários para a resolução da lide, e o pedido, ademais, foi formulado em desacordo com a legislação processual de regência. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 896 8 (...) Ciente dessa decisão em 18/08/2010 (e-fl. 499), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/09/2010 (e-fls. 500/525), reiterando as razões já deduzidas em sua defesa na instância a quo, ou seja: (...) 2.1 De plano, cumpre consignar, por relevante, que a legislação eleitoral, notadamente as leis de números 9.096, de 1995 e 9.504, de 1997, impõe às emissoras de rádio e televisão a obrigação de realizar transmissões gratuitas, para todos os partidos políticos. 2.2 Como forma de amenizar o prejuízo imposto por ter de cumprir tal obrigação, as mesmas regras jurídicas facultam a tais empresas o direito de compensação, em razão da cessão do espaço destinado ao Horário Eleitoral Gratuito, de parte do denominado “preço do espaço comercializável", em função do “tempo que seria efetivamente utilizado (...)", em programação destinada a publicidade comercial, tendo por base o “período de duração da propaganda eleitoral gratuita." 2.3 Portanto, a questão que se coloca consiste em demonstrar: i) que ocorreram as transmissões da propaganda eleitoral; e ii) a quanto montou o direito a exclusão do lucro líquido, a título de propaganda eleitoral gratuita. 2.4 Releva esclarecer que no caso concreto, por se tratar de fato extra contabilmente apurado, o resultado encontrado é registrado diretamente na Parte “A” do LALUR, sem transitar, necessariamente, pelo sistema contábil, o que implica concluir no sentido de que, ao contrário do manifestado pelo ilustre relator do voto condutor do Aresto recorrido, a simples exibição dos Livros Diário e Razão se apresenta irrelevante para conferir autenticidade, veracidade e certeza quanto aos resultados apurados em razão da cedência dos espaços para as transmissões da propaganda eleitoral gratuita. 2.5 Ao revés, a simples existência da requisição ou da autorização emitida pelo Órgão competente, acompanhada dos controles internos da emissora, no caso, do formulário denominado “mídia eletrônica", além das tabelas de preços praticados nas datas próximas à realização dos eventos, conferem às planilhas e tabelas elaboradas a capacidade para a necessária comprovação do montante a ser excluído do Lucro Líquido para o fim de apuração do Lucro Real do período. 2.6 Com o objetivo de comprovar, de forma definitiva, inconteste, irreprochável, o valor a ser reconhecido como direito à redução ou exclusão do Lucro Líquido, para o efeito de se determinar o Lucro Real, em razão da transmissão da propaganda eleitoral gratuita, a Recorrente está promovendo a juntada, na forma de Anexos, alem das tabelas que já se encontram às fls. 89 a 92 e 206 a 210 do presente processado, ainda os seguintes documentos comprobatórios: (...) Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 897 9 2.7 A Recorrente, na composição dos ANEXOS, está fornecendo documentos que comprovam desde a autorização ou requisição do horário eleitoral gratuito, por meio das Atas das Reuniões do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás - TRE, revelando o objetivo de definir o Plano de Mídia para atendimento as eleições de 2002 e 2004, como também o Ofício Circular n° 12/2002 - SAT, originário do TRE de Goiás, acompanhado da Escala de Horários para a propaganda eleitoral a ser cumprida pela emissora. 2.8 Faz juntar as tabelas das inserções efetuadas nas transmissões, pela Televisão, da propaganda eleitoral gratuita, relativamente às eleições de 2002 e o pleito municipal de 2004. 2.9 Frise-se que nem o Decreto n° 3.516, de 2000, que regulamentou o artigo 52 da Lei n° 9.096, de 1995, muito menos o Decreto n° 3.786, de 2001, que regulamentou o artigo 99 da Lei n° 9.504, de 1997, continham as exigências invocadas pelo ilustre relator do voto condutor do Acórdão vergastado, as quais surgiram com o advento do Decreto n° 5.331, de 4 de janeiro de 2005, em momento bem posterior a realização da propaganda eleitoral gratuita. 2.10 Todavia, como está sobejamente comprovado, o valor correspondente ao horário eleitoral no ano de 2004 (fls. 256), que nosso ordenamento jurídico confere a Recorrente o direito de excluir do Lucro Líquido, alcançou o montante de R$ 18.327.939,21. A memória de cálculo transcrita na Parte “A” do LALUR indica que após adições e exclusões permitidas pela legislação de regência, apurou-se saldo negativo de R$ 15.609.572,55, que corresponde ao valor do prejuízo fiscal alcançado no ano-calendário de 2004. 2.11 No preenchimento do formulário utilizado para prestar as Informações Econômico-Fiscais - DIPJ, do exercício de 2005, ano- calendário de 2004, por um lapso, um equívoco, transcreveu-se na ficha 09A, item 36, rubrica “Divulgação Eleitoral Gratuita", a importância de R$ 2.718.366,66, quando o correto seria indicar a importância de R$ 18.327.939,21. 2.12 num esforço hercúleo para descobrir a razão da transcrição equivocada do valor correspondente a divulgação eleitoral gratuita chegou~se à seguinte conclusão: Lucro Líquido antes do IRPJ ...........R$ 2.559.089,72 Adições ao Lucro Liquido................ R$ 5.264.078,76 Subtotal ............................................R$ 7.823.168,48 Exclusões: Recebidos de Órgãos Públicos ..............R$ 5.104.801,82 Provisão a título de H.E ........................R$ 2.718.366,66 Subtotal ..................................................R$ 7.823.168,48 Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 898 10 2.13 Vale dizer, restou excluído a título de compensação pela cedência do Horário Eleitoral Gratuito, apenas o valor que complementaria ou que seria suficiente para igualar o total das exclusões ao resultado da somatória das adições com o Lucro Líquido antes do IRPJ, o que, no pensar do técnico encarregado de prestar as informações, não apontaria nem lucro real nem prejuízo no período de apuração. 2.14 Tal raciocínio foi utilizado por longo período, em razão de orientação emanada da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB, que indicava para o preenchimento das declarações de imposto de renda das pessoas jurídicas, relativamente à questão da compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores. 2.15 Importante salientar que o prejuízo apurado, tendo presente a legislação aplicável ao caso concreto, no valor de R$ 15.609.572,55, transcrito na Parte "B" do LALUR, tal como consta do documento juntado por cópia às fls. 259, é que foi objeto de compensação nos períodos subseqüentes, observado o limite de 30% do Lucro Liquido Ajustado. 2.16 Impende consignar que a compensação de prejuízos fiscais, observada as restrições fixadas em lei, traduz-se como faculdade concedida aos contribuintes que ostentam tal condição, cabendo-lhes optar ou não por promover a compensação de forma total ou parcial, em um único ou em diversos períodos de apuração. 2.17 Ora, no caso vertente, os registros contábeis mantidos pela Recorrente evidenciaram Lucro Líquido no importe de R$ 2.559.089,72, sendo certo que em razão dos ajustes permitidos pela legislação de regência (adições e exclusões), chegou-se a um prejuízo fiscal, comprovado e evidenciado pelos registros no LALUR, de R$ 15.609.572,55. 2.18 Estão provados: a) o valor da propaganda eleitoral gratuita que confere à Recorrente o direito à exclusão do Lucro Líquido no período; b) o registro desse valor na parte “A” do LALUR, como também o controle do prejuízo alcançado no ano-calendário de 2004, na parte “B” do mesmo Livro; e c) a razão pela qual restou consignado na ficha 09A, item 36, rubrica “Divulgação Eleitoral Gratuita", a quantia de R$ 2.718.366,66. 2.19 É incontroverso que a Lei n° 9.096, de 1995, por seu artigo 46, impõe às emissoras de rádio e televisão a obrigação de realizar transmissões gratuitas, em favor dos partidos políticos. 2.20 Como forma de compensação pela cedência do horário para transmissão gratuita da propaganda eleitoral, o mesmo diploma legal outorga às emissoras de rádio e televisão o direito de compensarem, fiscalmente, parte da perda verificada em razão da não utilização do espaço destinado às propagandas institucionais. 2.21 A Lei n° 9.504, de 1997, promoveu inúmeras alterações na legislação eleitoral, inclusive indicando dias e horários para divulgação da propaganda eleitoral gratuita, nas eleições para Presidente da República, Deputado Federal, Governador de Estado, Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 899 11 Deputado Estadual ou Distrital, Senador, Prefeito e Vice-Prefeito, e Vereadores. 2.22 A compensação fiscal pela cedência do horário eleitoral gratuito restou mantida pelo artigo 99 do citado diploma legal. 2.23 A regulamentação da compensação fiscal foi introduzida com o advento do Decreto n° 3.516, de 2000, que por meio do seu artigo 1° autorizou às emissoras de televisão, sociedades que por força de Lei estão obrigadas a divulgarem a propaganda eleitoral gratuita, a excluir do Lucro Líquido, para o efeito de se determinar o Lucro Real, valor correspondente a oito décimos, ou 80% (oitenta por cento) do resultado obtido com a multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial no período de duração da propaganda eleitoral gratuita. 2.24 Vale dizer, dentro do período de tempo reservado à propaganda eleitoral gratuita, a emissora de televisão tem, previamente estabelecido, espaço reservado para utilização de propaganda comercial, como também dispõe de tabelas de preços dos espaços comercializáveis, sendo certo que a base de cálculo da compensação fiscal de que trata o artigo 99 da Lei n° 9.504, de 1997, é obtida pela multiplicação desses dois fatores. (...) 2.26 Em face da permissão outorgada pela legislação eleitoral, a Recorrente apurou, no ano-calendário de 2004, a título de ressarcimento em razão da utilização do horário eleitoral gratuito, o montante de R$ 18.327.939,21, registrado às fls. 003 do LALUR, parte cuja prova restou apresentada ainda na fase impugnativa, sendo que nesta oportunidade está novamente exibindo, sob forma de Anexo - II fls. 65/86). (...) 2.33 Portanto, para o deslinde da controvérsia importa saber se, no caso, a Recorrente satisfez a todas essas condições, e se deixou de corretamente transportar para a DIPJ entregue à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o valor da compensação fiscal que o ordenamento jurídico lhe outorga, em razão da transmissão do horário eleitoral gratuito. (...) 3.1 Face às razões expostas, (...) o sujeito passivo espera e confia que seja conhecido e dado provimento ao presente Recurso Voluntário e, de consequência, venha de ser reformado o Acórdão ora atacado, prolatado pela Egrégia Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília - DF, por ser de inteira Justiça. (...) Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 900 12 Em face das alegações e documentos juntados pela recorrente quando da apresentação do recurso voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª SEJUL do CARF, na sessão de 09/12/2015, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301- 000.289– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (e-fls. 768/776), cujo voto condutor, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) Contudo, entendo que o processo não preenche todos os requisitos para que possa ser efetivamente julgado nesta sessão. Gira a lide em torno da glosa de prejuízo fiscal apurado no ano- calendário de 2004 em razão de suposto erro no preenchimento da DIPJ 2005. O prejuízo se deu em razão de exclusão do lucro líquido daquele exercício por força de propaganda eleitoral gratuita, como forma de compensação pela cessão do horário para transmissão da referida propaganda, nos termos das Leis nº 9.096 e 9.504. A contribuinte, ora recorrente, alega que, no ano-calendário de 2004, apurou um valor a excluir, a título de divulgação eleitoral gratuita, de R$ 18.327.939,20, conforme escriturado no LALUR, mas informou, de forma equivocada, a título de exclusão apenas o montante de R$ 2.718.366,66 na DIPJ 2005. A despeito do alegado erro de preenchimento na declaração em questão (DIPJ), alega o contribuinte que os lançamentos efetuados no LALUR comprovam o alegado prejuízo fiscal de R$ 15.609.572,55, no ano-calendário 2004, e foi com esse saldo de prejuízo fiscal que a empresa efetuou as compensações relativas aos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, valores esses objeto de glosa pela autoridade fiscal. Primeiramente, verifica-se que a contribuinte em sua DIPJ 2005 Originária, ano-calendário 2004, (fls. 292/340), apenas informou, na ficha 09A- Demonstração do Lucro Real PJ em Geral, item 36- Divulgação Eleitoral Gratuita, o valor R$ 2.718.366,66, sendo que após o inicio do procedimento fiscal, encaminhou uma DIPJ retificadora, em 08/03/2010, onde alterou esse valor para R$ 18.327.939,21. Cabe aqui esclarecer que o direito de o contribuinte retificar suas DIPJs decai no mesmo prazo final estipulado pela legislação tributária para a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário respectivo. Assim, por força da decadência, deixo de analisar a DIPJ retificadora apresentada pela recorrente em março de 2010, uma vez que estaria decaído o direito de proceder com tal retificação. Ainda que assim não fosse, não recorre a contribuinte quanto à decadência, portanto esta matéria não está sub judice. Portanto, para o deslinde da controvérsia importa saber se, no caso, a Recorrente satisfez todas essas condições, e se não deixou de transportar para a DIPJ entregue à Secretaria da Receita Federal do Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 901 13 Brasil, o valor da compensação fiscal que o ordenamento jurídico lhe outorga em razão da transmissão do horário eleitoral gratuito. Assim, comungando com o entendimento da ora recorrente quanto à necessidade de análise da documentação apresentada (mídias eletrônicas), entendo que os presentes autos devam ser baixados em diligência para que a autoridade preparadora se manifeste quanto o que se segue: 1) qual o preço de propaganda da recorrente vigente no dia anterior à data de início da propaganda partidária ou eleitoral objeto destes autos?; 2) o preço da propaganda acima guarda proporcionalidade com os praticados pela recorrente trinta dias antes e trinta dias depois do inicio da propaganda eleitoral ou partidária objeto deste litígio?; 3) o tempo efetivamente utilizado em publicidade pela recorrente foi calculado respeitando-se o limite máximo de vinte e cinco por cento do tempo destinado à propaganda partidária ou eleitoral, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual?; 4) o preço da publicidade nas inserções de trinta segundos e de um minutos, transmitidas nos intervalos da programação normal da recorrente, foi calculado com base no preço vigente na data e no horário imediatamente anterior ao das referidas inserções?; 5) o tempo efetivamente utilizado nas inserções descritas no item 4 acima, respeita o limite de 100% das mesmas?; 6) a exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real relativo ao ano- calendário 2004 corresponde a oito décimos do resultado da multiplicação: - do preço do espaço comercializável (perguntas 1, 2 e 4), pelo tempo que seria efetivamente utilizado (perguntas 3 e 5)?; e 7) com base na exclusão apurada no item 6 acima, o prejuízo fiscal apurado no ano- calendário 2004 estaria devidamente convalidado, em que pese o alegado erro de preenchimento da DIPJ 2005? Concluída a diligência, deve ser dada ciência de seu conteúdo à interessada, ofertando-lhe prazo de trinta dias para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na seqüência, o processo deve retornar a este órgão para prosseguimento do julgamento. (...) Realizada a diligência fiscal pela DRF/Goiânia, o resultado consta do Relatório Fiscal de Diligência de 16/02/2017 juntado aos autos (e-fls. 881/882). Intimada do resultado do Relatório Fiscal de Diligência em 23/02/2017(e- fls.883/885) para se manifestar nos autos no prazo especificado, a contribuinte não se manifestou, deixando transcorrer o prazo in albis, conforme despacho de encaminhamento dos autos ao CARF da DRF/Goiânia de 06/04/2017 (e-fl. 886), que transcrevo: (...) Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 902 14 Encerramos nesta data a diligência solicitada pelo CARF referente ao contribuinte acima identificado (Procedimento Fiscal n° 01.2.01.00- 2016-0006-7, com a lavratura do Relatório Fiscal de Diligência, constante do presente processo. O referido relatório foi encaminhado por via postal juntamente com o Termo de Ciência de Relatório Fiscal de Diligência, oferecendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para caso desejasse se manifestasse. A ciência pelo contribuinte ocorreu em 23/02/2017 conforme AR anexo. Findo o prazo concedido não houve manifestação do sujeito passivo. Assim, sugerimos que o presente processo seja encaminhado para o CARF para prosseguimento do julgamento. (...) É o relatório. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 903 15 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, conforme atesta o despacho de encaminhamento dos autos do processo ao CARF pela DRF/Goiânia, de 09/11/2010 (e-fls. 761), que transcrevo, in verbis: (...) Nesta data anexei, numerei e rubriquei, às fls. 722, o extrato deste processo emitido por sistema informatizado da RFB, SIEF. Conforme Intimação n° 1018/2010 de fls. 458/460 e informações de.. fls. 465/465 verso, a interessada foi cientificada em 18/08/2010 do Acórdão n° 03-37919/2010 da DRJ/BSB, proferido às 447/455. Apresentou o Recurso Voluntário de fls.467/481, instruído com os documentos de fls. 482/711, em 16/09/2010 (chancela às fls.466), portanto, tempestivamente (Art. 33 do Decreto n° 70.235/1972). Com as informações acima, proponho o envio do presente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação (Regimento Interno do ÇARF, aprovado pela Port. MF n° 256, de 22/06/2009). Observo que este processo é composto por 04(quatro) volumes. (...) Assim, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Conforme relatado, em procedimento de revisão interna de declarações (art. 835 do RIR/99), o fisco glosou compensação indevida de prejuízos fiscais quanto aos anos- calendário 2005, 2006 e 2007 (saldo de prejuízo fiscal insuficiente do ano-calendário 2004), implicando lançamento de ofício de diferença do IRPJ para os anos-calendário 2005, 2006 e 2007, consoante Auto de Infração do IRPJ lavrado em 05/02/2010 (e-fls. 97/106). Aqui, cabe observar: (i) Ainda no curso do procedimento de revisão interna (antes da glosa), a contribuinte foi intimada pelo fisco para que prestasse esclarecimentos acerca das compensações de prejuízos fiscais dos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, tendo em vista a insuficiência de saldo de prejuízos fiscais do ano-calendário 2004 (art. 835, §3º, RIR/99), Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 904 16 conforme Intimação Fiscal de 23/11/2009 (ciência em 26/11/2009 por via postal - AR) (e-fls. 03/05), conforme intimação que transcrevo seu teor, in verbis: (...) Do procedimento de revisão da Declaração de Informações Econômico-Fiscais re1ativo(s) ao(s) ano(s)-calendário 2005, 2006 e 2007, DIPJ 2006, DIPJ 2007 e DIPJ 2008, foi(ram) constatada(s) as seguintes ocorrências: 1) Os valores informados em DIPJ referentes a "CSLL a Pagar" por estimativa estão superiores aos informados em DCTF no ano- calendário 2006; 2) - Compensação a maior de prejuízo fiscal na apuração do Lucro Real. (...) A presente intimação exclui a espontaneidade, nos termos do artigo 7º, parágrafo primeiro e inciso I do Decreto 70.235/72, observado o disposto do artigo 909 do Decreto 3.000/99. (...) (ii) Entretanto, em relação à insuficiência do saldo de prejuízos fiscais do ano- calendário 2004 que foi utilizado indevidamente nos anos-calendário 2005, 2006 e 2007 (compensação de prejuízos fiscais indevida), a contribuinte não prestou esclarecimentos, apenas limitou-se em fornecer à Fiscalização em 03/12/2009 (e-fl. 06): a) a retificadora da DIPJ ano-calendário 2006; b) a retificadora da DCTF ano-calendário 2006. (iii) Na sequência, em 15/01/2010 a contribuinte foi intimada novamente, e desta vez o fisco comunicou à fiscalizada que a DCTF retificadora que apresentara não tem efeito contra a Fazenda Nacional para exclusão de responsabilidade por infração tributária pela perda da espontaneidade quanto a fatos geradores anteriores à data de ciência do início do procedimento de fiscalização (e-fls. 11/12), que transcrevo, in verbis: (...) Comunico que a DCTF apresentada em 03/12/2009 não será considerada haja vista a perda da espontaneidade em 26/11/2009, data do recebimento da Intimação Fiscal, nos termos do Art. 7º, Parágrafo Primeiro e Inciso I do Decreto 70.235/72. Assim, os tributos serão lançados por Auto de Infração. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 02 (duas) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es)- Fisca1(is) da Receita Federal do Brasil, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará por via postal, Aviso de Recebimento (AR). (...) Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 905 17 (iv) A contribuinte tomou ciência da 2ª (segunda) intimação fiscal em sede de procedimento de revisão interna em 20/01/2010, por via postal, conforme Aviso de Recebimento - AR (e-fl. 12). Mais adiante, a contribuinte tomou ciência do Auto de Infração do IRPJ em 11/02/20120, por via postal, conforme Aviso de Recebimento - AR (e-fl. 107). Em 11/03/2010, a contribuinte protocolizou a impugnação, defesa em primeira instância de julgamento (e-fls. 113/134), juntando, dentre outros documentos: a) copia da DIPJ 2005, ano-calendário 2004, onde apurara Lucro Real R$ 0,00, ou seja, inexistência de prejuízo fiscal (e-fls. 90/191), e Recibo de Entrega da DIPJ à RFB, transmissão eletrônica pela Internet em 01/06/2005 (e-fl. 89); b) cópia da DIPJ 2005 (retificadora), ano-calendário 2004, onde apurara Prejuízo Fiscal de R$ (-15.609.572,55) (e-fl. 140/187), e Recibo de Entrega da DIPJ retificadora, transmissão eletrônica pela Internet apenas em 08/03/2010 (e-fl. 139). A decisão recorrida não acatou a DIPJ retificadora do ano-calendário 2004, pois fora apresentada após o prazo decadencial que o fisco tinha para revisão. Diante dessa situação, realmente a DIPJ 2005 (retificadora), quanto ao ano- calendário 2004, não pode ser objetada contra o fisco. Se isso não bastasse, a DIPJ retificadora, também, não pode ser objetada contra o fisco, pois foi apresentada após dia 26/11/2010 (data de ciência do início do procedimento de fiscalização), pela perda da espontaneidade. A ineficácia contra o fisco da declaração retificadora apresentada após ciência do início do procedimento de fiscalização (perda de espontaneidade), como no caso, é pacífica, matéria inclusive já sumulada pelo CARF, desde longa data, conforme verbete da Súmula CARF nº 33, que transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Portanto, a DIPJ 2005 (retificadora), ano-calendário 2004 (apresentada em 08/03/2010), pelas razões expostas, não pode ser objetada contra o fisco. Não obstante, a decisão recorrida quando enfrentou a questão da invalidade da DIPJ retificadora pela ocorrência da homologação tácita, aplicação do 4º do art. 150 do CTN, admitiu a possibilidade da contribuinte, com base na sua escrituração contábil e fiscal, comprovar o alegado erro, ou seja, comprovar qual o valor correto do prejuízo fiscal apurado do ano-calendário 2004.. Nesse sentido, transcrevo - no que pertinente - a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, no que pertinente (e-fls. 425/436), in verbis: (...) Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 906 18 Primeiramente, verifica-se que a contribuinte em sua DIPJ 2005, ano- calendário 2004, originária (fls. 292/340) apenas informou, na ficha 09 A - Demonstração do Lucro Real - PJ em Geral, no item 36 - Divulgação Eleitoral Gratuita, o valor R$ 2.718.366,66, sendo que após o inicio do procedimento fiscal, encaminhou uma DIPJ retificadora, em 08/03/2010, onde alterou esse valor para R$ 18.327.939,21. Cabe aqui esclarecer que o direito de o contribuinte retificar suas DIPJs decai no mesmo prazo final estipulado pela legislação tributária para a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário respectivo. Essa regra legal decorre das regras que estipulam o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, mediante o lançamento de oficio. Não seria admissível que pudesse o contribuinte alterar suas declarações relativas a períodos em relação aos quais o Fisco não pudesse mais analisar a assertividade das informações declaradas, mormente quando tais informações reflitam em períodos de apuração subsequentes. Se o contribuinte pudesse retificar declarações relativas a períodos em relação aos quais já caducou o direito do Fisco constituir o crédito tributário, este ficaria impedido de aquilatar a correção das informações prestadas. Conforme o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172/1966, a Fazenda Pública dispõe de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para rever os lançamentos por homologação. Se esse prazo expirar sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorrida a homologação tácita pelo decurso do prazo de cinco anos, decai o direito de o Fisco alterar o lançamento, e, consequentemente, o direito de o contribuinte retificar sua declaração. De outra forma, se os decaimentos não fossem simultâneos, poderia o contribuinte fazer uma retificação após o prazo de cinco anos, declarando, por exemplo, um saldo credor de IRPJ maior que o original, e o Fisco estaria impedido de rever este valor. (...) No caso em tela, a DIPJ 2005 entregue pelo interessado em 08/03/2010 é inválida, porque foi apresentada mais de cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores, uma vez que sua alteração ocorreu posteriormente ao período em que o fisco tinha direito de auditar essa declaração. No entanto, caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca o erro cometido em sua DIPJ 2005, incorrido pela interessada na transcrição de valores em sua Declaração de Ajuste Anual, mesmo que anterior ao exercício autuado, cabe à Fazenda Nacional retificar tal erro. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 907 19 Verifica-se, então, que o primeiro ponto a ser discutido nos autos é se a impugnante demonstrou se realmente houve a divulgação eleitoral gratuita, no ano-calendário de 2004, no valor de R$ 18.327.939,21. (...) A empresa não apresentou nenhum documento fiscal emitido por ela no intuito de demonstrar o preço da propaganda da emissora, portanto não ficou comprovado nos autos que a impugnante teria se equivocado ao preencher sua DIPJ 2005 com o valor de R$ 2.718.366,66 a título de Divulgação Eleitoral Gratuita, e que o correto seria o valor de R$ 18.327.939,21. (...) Como demonstrado, a decisão recorrida, embora tendo rejeitado a DIPJ retificadora pela fundamentação já transcrita antes, admitiu a discussão do valor que deveria ser excluído na apuração do lucro real, a título de Divulgação Eleitoral Gratuita com base na escrituração contábil/fiscal, mas caberia à contribuinte comprovar, de forma cabal, nos autos, mediante escrituração contábil e fiscal (com documentos de suporte) que o valor correto a ser excluído seria R$ 18.327.939,21 e não R$ 2.718.366,66, quanto ao ano-calendário 2004. Porém, como visto a decisão recorrida manteve o lançamento fiscal, pois a) a contribuinte por ocasião da apresentação da impugnação quanto ao alegado erro de fato no preenchimento da DIPJ 2005 - Original, ano -calendário 2004, não juntou, não produziu, não carreou aos autos prova cabal, a partir de sua escrituração contábil e fiscal, que pudesse justificar o cálculo do valor a título de Divulgação Eleitoral Gratuita, para efeito de exclusão na apuração do lucro real, ou seja, que o valor correto à luz da legislação eleitoral de regência não seria R$ 2.718.366,66, mas sim R$ 18.327.939,21; b) ainda rejeitou a produção prova após a entrega da impugnação: - pela ocorrência de preclusão processual, pois as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da apresentação da impugnação, exceto a hipótese de motivo de força maior (a contribuinte não comprovou motivo de força maior); - rejeitou a realização de diligência fiscal, pois é ônus probatório do contribuinte juntar aos autos meras provas documentais, como cópias de livros e documentos que sustentariam sua escrituração contábil e fiscal. Nesta instância recursal, em face dos elementos de prova juntados aos autos por ocasião da apresentação do recurso voluntário (ainda tendo constatado insuficiência de prova do alegado erro de fato quanto ao preenchimento da DIPJ 2005-original, ano-calendário 2004), esta 1ª Turma/3ª Câmara (claro, na época a composição desta Turma era diversa da atual), o julgamento foi convertido em diligência, na sessão de 09/12/2015, conforme voto condutor que transcrevo a seguir (e-fls. 768/776), in verbis: (...) Contudo, entendo que o processo não preenche todos os requisitos para que possa ser efetivamente julgado nesta sessão. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 908 20 Gira a lide em torno da glosa de prejuízo fiscal apurado no ano- calendário de 2004 em razão de suposto erro no preenchimento da DIPJ 2005. O prejuízo se deu em razão de exclusão do lucro líquido daquele exercício por força de propaganda eleitoral gratuita, como forma de compensação pela cessão do horário para transmissão da referida propaganda, nos termos das Leis nº 9.096 e 9.504. A contribuinte, ora recorrente, alega que, no ano-calendário de 2004, apurou um valor a excluir, a título de divulgação eleitoral gratuita, de R$ 18.327.939,20, conforme escriturado no LALUR, mas informou, de forma equivocada, a título de exclusão apenas o montante de R$ 2.718.366,66 na DIPJ 2005. A despeito do alegado erro de preenchimento na declaração em questão (DIPJ), alega o contribuinte que os lançamentos efetuados no LALUR comprovam o alegado prejuízo fiscal de R$ 15.609.572,55, no ano-calendário 2004, e foi com esse saldo de prejuízo fiscal que a empresa efetuou as compensações relativas aos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, valores esses objeto de glosa pela autoridade fiscal. Primeiramente, verifica-se que a contribuinte em sua DIPJ 2005 Originária, ano-calendário 2004, (fls. 292/340), apenas informou, na ficha 09A- Demonstração do Lucro Real PJ em Geral, item 36 - Divulgação Eleitoral Gratuita, o valor R$ 2.718.366,66, sendo que após o inicio do procedimento fiscal, encaminhou uma DIPJ retificadora, em 08/03/2010, onde alterou esse valor para R$ 18.327.939,21. Cabe aqui esclarecer que o direito de o contribuinte retificar suas DIPJs decai no mesmo prazo final estipulado pela legislação tributária para a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário respectivo. Assim, por força da decadência, deixo de analisar a DIPJ retificadora apresentada pela recorrente em março de 2010, uma vez que estaria decaído o direito de proceder com tal retificação. Ainda que assim não fosse, não recorre a contribuinte quanto à decadência, portanto esta matéria não está sub judice. Portanto, para o deslinde da controvérsia importa saber se, no caso, a Recorrente satisfez todas essas condições, e se não deixou de transportar para a DIPJ entregue à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o valor da compensação fiscal que o ordenamento jurídico lhe outorga em razão da transmissão do horário eleitoral gratuito. Assim, comungando com o entendimento da ora recorrente quanto à necessidade de análise da documentação apresentada (mídias eletrônicas), entendo que os presentes autos devam ser baixados em diligência para que a autoridade preparadora se manifeste quanto o que se segue: 1) qual o preço de propaganda da recorrente vigente no dia anterior à data de início da propaganda partidária ou eleitoral objeto destes autos?; Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 909 21 2) o preço da propaganda acima guarda proporcionalidade com os praticados pela recorrente trinta dias antes e trinta dias depois do inicio da propaganda eleitoral ou partidária objeto deste litígio?; 3) o tempo efetivamente utilizado em publicidade pela recorrente foi calculado respeitando-se o limite máximo de vinte e cinco por cento do tempo destinado à propaganda partidária ou eleitoral, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual?; 4) o preço da publicidade nas inserções de trinta segundos e de um minutos, transmitidas nos intervalos da programação normal da recorrente, foi calculado com base no preço vigente na data e no horário imediatamente anterior ao das referidas inserções?; 5) o tempo efetivamente utilizado nas inserções descritas no item 4 acima, respeita o limite de 100% das mesmas?; 6) a exclusão do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real relativo ao ano calendário 2004 corresponde a oito décimos do resultado da multiplicação: do preço do espaço comercializável (perguntas 1, 2 e 4), pelo tempo que seria efetivamente utilizado (perguntas 3 e 5)?; e 7) com base na exclusão apurada no item 6 acima, o prejuízo fiscal apurado no ano-calendário 2004 estaria devidamente convalidado, em que pese o alegado erro de preenchimento da DIPJ 2005? Concluída a diligência, deve ser dada ciência de seu conteúdo à interessada, ofertando-lhe prazo de trinta dias para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na seqüência, o processo deve retornar a este órgão para prosseguimento do julgamento. (...) Pois bem. Os autos do processo retornaram ao CARF com o Relatório de Diligência (e-fls. 881/882). Entretanto, os resultados apresentados são insuficientes para resolução da lide. Para solução da contenda, torna-se mister enfrentar os seguintes pontos: a) restou comprovado o erro de fato, quando o sujeito passivo informou ao fisco prejuízo fiscal de R$ 0,00 quanto ao ano-calendário 2004? O benefício fiscal, à luz da legislação eleitoral, a título de Divulgação Eleitoral Gratuita, excluído na apuração do lucro real, quanto ano-calendário 2004, corresponde ao montante de R$ 18.327.939,20 escriturado no LALUR ou o montante de R$ 2.718.366,66 que foi informado na DIPJ 2005? Qual desses valores foi apurado com observância da legislação eleitoral de regência?. Apenas relembrando: Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 910 22 (...) A contribuinte, ora recorrente, alega que, no ano-calendário de 2004, apurou um valor a excluir, a título de divulgação eleitoral gratuita, de R$ 18.327.939,20, conforme escriturado no LALUR, mas informou, de forma equivocada, a título de exclusão apenas o montante de R$ 2.718.366,66 na DIPJ 2005. (...). b) o prejuízo fiscal de R$ 15.609.572,55, ano-calendário 2004, esta demonstrado na escrituração contábil/fiscal? (...) A despeito do alegado erro de preenchimento na declaração em questão (DIPJ), alega o contribuinte que os lançamentos efetuados no LALUR comprovam o alegado prejuízo fiscal de R$ 15.609.572,55, no ano-calendário 2004, e foi com esse saldo de prejuízo fiscal que a empresa efetuou as compensações relativas aos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, valores esses objeto de glosa pela autoridade fiscal. (...) Todavia, o Relatório da Diligência Fiscal produzido pela DRF/Goiânia (e-fls. 881/882), não foi conclusivo, não trouxe conclusão alguma acerca do valor do benefício fiscal excluído pela contribuinte na apuração do lucro real. Ou seja, qual desses valores estaria correto a título de Divulgação Eleitoral Gratuita, nos termos da legislação de regência eleitoral; aquele informado na DIPJ 2005 original, ano-calendário 2004, ou o valor constante do Livro Lalur? No Relatório, a autoridade responsável pela Diligência Fiscal, resumiu-se a relatar intimação da contribuinte e apresentou, como resultado da diligência, a transcrição das respostas monossilábicas e meramente remissivas da contribuinte aos questionamentos constantes da Resolução do CARF, nada tendo apurado quanto ao alegado erro de fato, e quanto ao valor da Divulgação Eleitoral Gratuita e valor do prejuízo fiscal, ano -calendário 2004, ou seja: - qual o valor correto do beneficio fiscal à luz do art. 52 da Lei n. 9.096/95 e art. 99 da Lei n. 9.504/97, a título de divulgação eleitoral gratuita? R$ 18.327.939,20 escriturado no LALUR ou o montante de R$ 2.718.366,66 que foi informado na DIPJ 2005? Faltou memória de cálculo do valor correto do benefício fiscal - Divulgação Eleitoral Gratuita - à luz da legislação eleitoral de regência quanto ao ano-calendário 2004; Faltou resumo da memória de cálculo; Faltou apresentar os resultados mediante relatório circunstanciado e conclusivo. A propósito, transcrevo o resultado da diligência da fiscalização da DRF/Goiânia que, nessa parte, apenas tratou de reproduzir na íntegra as respostas da contribuinte aos questionamentos da Resolução CARF (e-fls. 881/882), in verbis: Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 911 23 (...) Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 1, intimou-se a recorrente a se manifestar com relação aos questionamentos do Exmo. Sr. Relator. Em resposta, a recorrente informou o seguinte: "Resposta 1 - O preço praticado pela recorrente é aquele vigente no dia anterior à data de início da propaganda eleitoral da propaganda eleitoral (conforme tabelas em anexo): a)Ano de 2002 i)Tabela de outubro de 2001 a março de 2002; ii) De abril de 2002 a setembro de 2002; iii) De outubro de 2002 a março de 2003 b) Ano de 2004 i)Tabela de outubro de 2003 a março de 2004; ii) De abril de 2004 a setembro de 2004; iii) De outubro de 2004 a março de 2005; Resposta 2 - Sim. Conforme demonstrado pelos mapas de Mídia Eletrônica composta de data e hora da veiculação, programa e tabela de preço praticado por cada evento, o preço praticado guarda proporcionalidade com o preço da propaganda, (itens "a" e "b" da resposta 1. Resposta 3 - Sim. As transmissões em bloco têm origem nas solicitações recebidas do TRE ou TSE com definição do tempo a ser utilizado pela propaganda partidária ou eleitoral. Ao recepcionar o pedido é gerado um mapa de Mídia Eletrônica, composto de: i) data e hora da veiculação; ii) programa a ser veiculado; iii) quantidade de inserções; iv) custo unitário; v) custo total e tabela de preços praticados pela Recorrente. O cálculo do preço é resultado da aplicação do coeficiente de 0,25 (vinte e cinco centésimos) do tempo destinado a propaganda partidária eleitoral, nesta modalidade e sobre o resultado encontrado desta equação, aplicado oito décimos (80%). Resposta 4 - Tendo por base as tabelas já juntadas aos Autos, no caso das inserções o cálculo respeitou o preço vigente na data e horário imediatamente anterior a cada um dos eventos. Resposta 5 - Sim. Nas transmissões das inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal da Recorrente, tem a mesma origem TRE ou TSE, com definição do tempo a ser utilizado pela propaganda partidária ou eleitoral. Ao recepcionar o pedido é gerado mapa de Mídia Eletrônica, composto de: data e hora da veiculação, programa a ser veiculado, quantidade Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 912 24 de inserções, custo unitário, custo total e tabela de preços praticados pela recorrente. Resposta 6 - Sim. A Recorrente respeitou o limite legal estabelecido para a exclusão do lucro líquido para efeito de se determinar o Lucro Real. Resposta 7 - Tendo por base a documentação apresentada, os esclarecimentos prestados e a legislação de regência, a Recorrente entende haver satisfeitos todos os requisitos legais e, por isso, restou convalidado o prejuízo Fiscal correspondente ao ano-calendário 2004 e inserido na DIPJ de 2005, vez que ocorreu, inequivocamente, erro no preenchimento daquele formulário." Quanto a Resposta 7 salientamos que a Ação Fiscal realizada na empresa se restringiu a REVISÃO DE DECLARAÇÃO, referente a compensação a maior de prejuízo fiscal na apuração do lucro real relativa aos anos-calendário 2005 a 2007 e valores da CSLL a Pagar informados em DIPJ superiores aos informados na DCTF no ano- calendário de 2006. Assim, o ano-calendário de 2004 não foi objeto da Ação Fiscal, o que impossibilita convalidar o prejuízo apurado no ano- calendário de 2004. É o que temos a relatar, informando que uma cópia do presente relatório será enviada à interessada para que, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento deste. (...) Como visto, pela citada Resolução do CARF, em síntese, foi solicitado à unidade de origem da RFB, que a Fiscalização procedesse diligência fiscal, e apresentasse resultado conclusivo, cabal, com memória de cálculo (resumo), mediante relatório pormenorizado, circunstanciados a essas questões. Os autos do processo, por conseguinte, carecem de instrução processual complementar para colher informações e provas para formação da convicção do julgador acerca dessas questões e de relatório conclusivo acerca do valor correto do Divulgação Eleitoral Gratuita e do prejuízo fiscal, ano-calendário 2004. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência fiscal, determinando o retorno dos autos do processo à DRF/Goiânia, para que a Fiscalização, realize diligência fiscal, proceda intimações da contribuinte se for o caso, e ao final do procedimento apresente relatório de diligência fiscal pormenorizado, circunstanciado, conclusivo, cabal, com memória de cálculo de valores (resumo), acerca das questões formuladas na Resolução CARF anterior e quanto às questões mencionadas a seguir: - se o valor do benefício fiscal de R$ 18.327.939,20, a título de Divulgação Eleitoral Gratuita do ano-calendário 2004, registrado no LALUR, e excluído do Lucro Real pela contribuinte, foi apurado na forma da legislação eleitoral de regência? - se houve o alegado erro de fato no preenchimento da DIPJ 2005, ano- calendário 2004 (original), quanto ao valor da Divulgação Eleitoral Gratuita de R$ 2.718.366,66 e quanto ao prejuízo fiscal do referido ano valor 0,00? Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10120.000871/2010-09 Resolução nº 1301-000.581 S1-C3T1 Fl. 913 25 - Se prejuízo fiscal do ano-calendário 2004, escriturado no LALUR, no valor de R$ (-15.609.572,55) foi apurado na forma da legislação eleitoral de regência? - Se o prejuízo fiscal de R$ (-15.609.572,55), ano-calendário 2004, esta demonstrado, comprovado na escrituração contábil/fiscal? Do resultado da diligência, a contribuinte deverá ser intimada, abrindo-se prazo de trinta dias a partir da ciência para, caso queira, se manifestar nos autos. Transcorrido o lapso temporal, com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. É como voto. (assinado digialmente) Nelso Kichel Fl. 913DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000327/2009-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 03 27 /2 00 9- 12 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos. Lançamento, mediante notificação e posteriormente despacho decisório fundamentou recusa de documentos por falta de justificativas, e pratica reiterada de deduções elevadas. A DRJ apontou problemas de falta de endereço, nome do paciente e identificação do profissional. Os recibos de fls. 65/66 (22/23), emitidos por Leandro Valente Alves fisioterapeuta, no total de R$4.000,00, identificam o responsável pelo pagamento apenas como Marcos Antônio, portanto, uma identificação incompleta prejudicando sua vinculação à despesa. Além disso, não informam o paciente do tratamento ali mencionado, faltando, por conseguinte, evidência da condição prevista no art. 80, §1º II, do RIR/1999; por óbvio, não havendo no documento comprobatório a identificação individual do paciente do tratamento, devidamente prestada pelo profissional de saúde emitente, não se pode afirmar ter sido pago para o próprio contribuinte, podendo o responsável, por liberalidade, ter pago em benefício de outra pessoa; mantémse a glosa da dedução correspondente. O recibo de fl. 67 (24), no valor de R$12.000,00, não identifica o paciente do tratamento ali mencionado, faltando, da mesma forma, evidência da condição prevista no art. 80, §1º II, do RIR/1999; não identifica, pasmem, nem o emitente do recibo: nele não foi aposto o nome por extenso, somente uma assinatura, não consta o CPF – ao contrário do afirmado , nem o endereço profissional, portanto, completamente em desacordo com o art. 80, §1º III, do RIR/1999, visto que tais requisitos estão expressos neste dispositivo legal; e, mais, não há identificação, também, de ser o emitente profissional de saúde, ou seja, não foi nele aposto o registro no respectivo Conselho Regional de Classe, prejudicando sobremaneira a verificação da subsunção ao caput do art. 80 do RIR/1999; diante de tanta irregularidade, este documento se mostra inútil para qualquer fim; há de ser mantida a glosa da dedução correspondente. Destarte, os documentos oferecidos carecem de força probante para o fim a que se destinaram, devendo ser mantida a glosa da dedução a título de despesas médicas no valor de R$16.000,00, ratificando, nesse aspecto, os termos do Despacho Decisório e Termo Circunstanciado de fls. 44/45. Voto Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13643.000327/200912 Acórdão n.º 2001000.550 S2C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome da contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. A falta de indicação mais clara do profissional foi alegada pelo acórdão de impugnação, mas o próprio Despacho Decisório ao descrever a prática recorrente de dedução desse profissional o aponta como dentista. Há elementos na documentação que indicam a necessidade de verificação, investigação. O lançamento fez uma tentativa de inquinar inidoneidade por uma prática de dedução repetida de valores elevados do mesmo profissional, mas o que é um indício a investigar passou a ser um fator de recusa. No caso, afora a repetição citada, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 102DF CARF MF 4 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13643.000327/200912 Acórdão n.º 2001000.550 S2C0T1 Fl. 4 5 IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Fl. 104DF CARF MF 6 Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.001720/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA
Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9º-A, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admite-se as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-005.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para DAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsoboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admitese as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para DARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 20 /2 00 8- 41 Fl. 966DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 967 2 de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsoboi (Suplente Convocado). Relatório Contra a empresa UNIMED NOROESTE/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA COOPERATIVA, doravante denominada de UNIMED NOROESTE/RS, foi lavrado Auto de Infração formalizando a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 468.094,79, referente a fatos geradores entre 31/10/2003 e 31/12/2004. Esse valor (principal) foi acrescido de juros moratórios. O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, proferida pelo STJ, nos autos dos processos nºs 2001.71.10.0008467 e 92.00108008 (art. 151, incisos II e IV do CTN). De acordo com as decisões proferidas em sede do Mandado de Segurança, constatase que o contribuinte obteve provimento judicial favorável, junto ao STJ, reconhecendo o direito à isenção da COFINS sobre os atos tipicamente cooperativos, quais sejam: àqueles correspondentes à atividade fim das cooperativas. Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente protocolizou Impugnação, defendendo a nulidade do lançamento, devido a imprecisão da autuação e de seu Relatório, que teria impedido a cooperativa de exercer plenamente seu direito de defesa. No mérito, caso não acolhida a nulidade do lançamento, solicitou que fosse reconhecida a decadência dos créditos tributários anteriores a outubro de 2003, além da improcedência total do lançamento, por ter violado o ato cooperativo e alargado indevidamente a base de cálculo da contribuição lançada, conforme defendido pela cooperativa em ações judiciais, relacionadas no Termo de Constatação das autuações. Pediu, ainda, que fossem afastados os juros de mora, tendo em vista a suspensão da exigibilidade, por decisão judicial, do crédito tributário lançado. Sustenta, por fim, que, independente da tese quanto ao conceito de ato cooperativo e de faturamento, o lançamento incluiu valores na base de cálculo da exação, cuja exclusão seria autorizada pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98. Ressaltou a Recorrente, que o citado tema não é discutido judicialmente, pedindo a realização de diligência para comprovar tal fato se necessário. Apreciando a impugnação, a DRJ em Porto Alegre (RS), em 18/07/2012, emitiu o Acórdão nº 1039.687, que julgou improcedente as alegações. Cientificado da decisão acima destacada, a recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a nulidade do acórdão recorrido, porque apreciou genericamente e sem fundamentação o argumento da cooperativa, de que a exclusão da base de cálculo, permitida pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e o conceito de receita bruta, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não seriam objeto de discussão judicial e, portanto, deveriam ser conhecidas pela DRJ, ante a ausência de concomitância de discussão da matéria. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 968 3 No mérito, a recorrente defendeu a reforma do julgado, pois teria violado o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e mantido indevida tributação de receitas que não constituiriam faturamento da cooperativa (para a recorrente, o faturamento da sociedade cooperativa se resume a sua taxa de administração e os resultados não repassados aos seus associados), levandose em conta a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo STF. Os autos foram, então, encaminhados para este CARF, para apreciação do recurso. Em 25/03/2014, a 2ª TO, da 2ª Câmara, da 3ª Sejul, prolatou o Acórdão nº 3202 001.115 (fls. 824/830), concluindo o seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA PARCIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A DRJ DAR CONTINUIDADE AO JULGAMENTO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida,cabe o enfrentamento das questões pela instância a quo, onde restar não comprovada a simultaneidade das discussões, para que não sobre venha supressão de instância. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte. E conclui com o seguinte dispositivo (fl. 830): "(...) Forte nessas razões, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando o retorno dos autos à instância a quo, para que esta se pronuncie quanto às questões (art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98), em que não ficou evidenciada a opção pela via judicial, proferindo novo julgamento." (Grifei). Em 16/05/2014, o processo foi encaminhado à DRJ/POA, para o atendimento no disposto do Acórdão do CARF acima referenciado (fl. 836). Devolvido o processo à DRJ/POA, foram os autos analisados. Em 24/06/2014 emitiuse pedido de diligência para, em especial, efetuarse novas verificações/análises quanto à questão das deduções permitidas às operadoras de planos de saúde, que tiveram por fundamento o art. 3º, § 9º com seus incisos, da Lei nº 9.718, de 1998, e que, no entendimento do CARF, não se encontravam sob discussão judicial. Em atendimento a diligencia, o Órgão preparador anexou documentos e a Informação Fiscal de fls. 858 a 862. Cientificada a Recorrente apresentou nova impugnação onde em síntese, elaborou as seguintes razões: • a diligência realizada demonstra que, com exceção dos custos assistenciais decorrentes dos atendimentos realizados aos beneficiários de outras operadoras, a fiscalização aceitou os demais. Os custos assistenciais decorrentes de atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando na base de cálculo, apenas Fl. 968DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 969 4 as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Este valor (diferença), a Unimed inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação; • foram mantidas glosas ao arrepio da Lei. Ela determina que o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, podem ser abatidos da base de cálculo; • o valor depositado, a título de COFINS, no processo judicial não foi considerado pela fiscalização, que tributou duas vezes a mesma grandeza econômica. Ocorre que já foi depositado, juntamente com outros valores do Ato Principal, este valor remanescente, considerados todos os custos assistenciais de usuários de outras operadoras, mantida a tributação apenas sobre a receita da Unimed; • pede seja considerada a integralidade da disposição legal e, via de consequência, autorizada a exclusão total dos custos assistenciais, inclusive os de beneficiários de outras operadoras. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 CARF. DECISÃO ANULADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF entendido pela inexistência de concomitância quanto as deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, e anulado a decisão de primeira instância, procedese a novo julgamento com o enfrentamento das questões propostas na impugnação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. PAF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 970 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora são cabíveis seja qual for o motivo determinante da falta, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em resumo, a decisão recorrida não conhece da Impugnação na parte levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa, rejeita a preliminar de nulidade argüida e julga a Impugnação procedente em parte, nos termos do relatório e voto. Do total de R$ 468.094,79 lançado, foi excluído R$ 408.307,38, ficando um saldo remanescente de R$ 59.787,41, conforme quadro demonstrativo à fl. 888. Em 24/11/2014 (cópia do AR Correios à fl. 890), a Recorrente foi devidamente cientificada da decisão e não se conformando com o resultado da decisão, em 17/12/2014 (fl. 892), apresentou o recurso voluntário de fls. 892/897, onde argumenta em síntese, que: aduz que na origem, realizada diligência, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, a decisão cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no §3º do art. 3º, pela Lei nº12.873/13; a tese foi acolhida, sendo que a decisão merece reparos apenas por não excluir a totalidade dos valores lançados, em relação aos custos com usuários de outras operadoras. Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade); este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. Afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal; em vista disto, a contribuinte elaborou PLANILHA (como elemento de prova) demonstrando que a autuação segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica; requer Diligência diante da necessidade de conferência dos valores mantidos na autuação, que decorrem dos custos com atendimentos de beneficiários de usuários de outras operadoras, bem porque houve dupla tributação sobre o mesmo valor (da taxa de administração, em face da tributação desta receita de intercâmbio), entende seja necessária uma diligência específica para comprovação destas irregularidades no auto de infração. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 971 6 Em face do exposto, postula o acolhimento integral do recurso, com o cancelamento da exigência fiscal, em sua integralidade. Alternativamente, a realização de uma diligência, com a finalidade específica de enfrentar o ponto colocado neste recurso. (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada). Os autos foram, então, foram remetidos ao CARF e distribuídos para este Conselheiro dar prosseguimento ao julgamento do Recurso. Quando da análise do Recurso, este Colegiado decidiu baixar os autos em diligência, conforme Resolução nº 3402001.038, de 31/08/2017 (fls. 933/941), nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, pugnando à a autoridade fiscal da DRF Santo Ângelo/RS, que procedesse à análise da documentação (tomando por base a PLANILHA demonstrativa de fls. 898/899), apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar seus argumentos. Em 18/10/2017, dando cumprimento à Diligência, a DRF/Santo Ângelo/RS, após intimação da Recorrente, procedeu as análises e elaborou a Informação Fiscal de fls. 948/951 e tomou a ciência da empresa dandolhe prazo para manifestarse. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2. Objeto da lide Os procedimentos que redundaram nas exigências constantes do respectivo Auto de Infração, bem como os fatos apontados como determinantes para o lançamento, cingemse aos valores deduzidos pela empresa da base de cálculo da COFINS com base no inciso III, do §9º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, relativos aos períodos de apuração (PA) 10/2003 a 12/2004, que foram glosados integralmente pelo Fisco. Já os valores devidos a título de COFINS sobre os atos cooperativos próprios (ACP) foram lançados de ofício, com exigibilidade suspensa. A concomitância verificada entre Processo Administrativo e Judicial, já se encontra superada pela decisão a quo, e não foi objeto de contestação pela Recorrente em seu recurso interposto. 3. Das deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998 Trata a matéria nestes autos de glosa de deduções da base de cálculo utilizada pela empresa relativo a custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da Fl. 971DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 972 7 cobertura oferecida pelos planos de saúde despesas médicas, hospitalares e de laboratório incluindose nestes custos decorrentes de beneficiários da própria operadora UNIMED e os decorrentes de beneficiários de outras operadoras intercâmbios entre UNIMED. A Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela MP nº 2.15835, de 2001, que disciplinou a sistemática de apuração cumulativa do PIS/COFINS para as operadoras de planos de assistência à saúde (arts. 2º e 3º, §§ 1º, 2º e 9º). Em razão de discussões relativas à interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º, a RFB, mediante SC Cosit nº 23, de 2011, a RFB se posicionou no sentido de que as operadoras de planos de assistência à saúde não poderiam deduzir da base de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes). No entanto, a Lei nº 9.718, de 1998, foi alterada pela Lei nº 12.873, de 2013, que incluiu o § 9ºA, com objetivo de esclarecer acerca da interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º. Vejase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (...) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) (os grifos não constam do original) Grifei. Desta forma, com a publicação da Lei nº 12.873, de 2013, que acrescentou o §9ºA, restou pacificada qualquer divergência quanto à interpretação do inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ou seja, restou autorizado às operadoras de planos de saúde deduzirem a totalidade dos custos assistenciais decorrentes não somente dos serviços médicos prestados aos beneficiários de outras operadoras, mas também aos utilizados pelos seus próprios beneficiários. Não bastasse o texto do enfocado §9ºA já deixar expresso que a regra ali disposta tem caráter interpretativo, o art. 8ºA, da Lei nº 9.718/98 (também incluído pelo art. 19, da Lei nº 12.873/2013), ao fazer remissão a este parágrafo, deixa mais uma vez claro que o sobredito dispositivo constitui “norma de interpretação”. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 973 8 "Art. 8ºA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9º do art. 3º desta lei, observada a norma de interpretação do § 9ºA, produzindo efeitos a partir de 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória n° 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota". Tratandose, pois, de norma interpretativa, ela deve ser retroativamente aplicada, em função do que preceitua o inciso I, do art. 106, do CTN, por ser mais benéfica ao contribuinte, na medida em que proporciona exclusão da base de cálculo das contribuições mais ampla que a definida na interpretação da RFB. E em sendo possível a exclusão das despesas próprias da base de cálculo do PIS e da COFINS, não subsistiria mais a diferença apurada pela fiscalização no valor a pagar das contribuições. Dentro desse contexto, a decisão a quo, concordou que com a inserção do novo dispositivo legal (§9ºA, ao art. 3º da Lei nº 9.718/98), tornaram a interpretação dada pela fiscalização superada. Vejase a conclusão do voto condutor (fl. 883): "(...) De ver, ainda, que a autoridade fiscal, durante a auditoria e na formalização do lançamento tributário, se valeu de interpretação de lei que, apesar de então vigente, acabou sendo superada por posterior dispositivo legal de caráter interpretativo. A superveniência legal expressamente estabelece seu caráter interpretativo, o que, a teor do inciso I do art. 106 do CTN, lhe dá efeito retroativo. Muito embora a autoridade fiscal tenha se valido de referenciais legais (ato legal e ato administrativo, por exemplo) que estavam efetivamente em vigor à época da fiscalização e de sua conclusão, tais referenciais, com a posterior inserção do § 9º A ao artigo específico da Lei nº 9.718, de 1998, tornaram a interpretação dada superada, donde inválido tudo quanto foi produzido em face do manejo de tais referenciais (...). "(...) Diante deste quadro, impõese o cancelamento do lançamento, na parcela alcançada pelo critério jurídico incorreto, devendose afastar a exigência da COFINS relativa à glosa dos valores das deduções à base de cálculo das contribuições, contabilizados nas contas indicadas pela Fiscalização (ver demonstrativo ao final deste Voto)". Observase que na Informação Fiscal elaborada pela DRF/Santo Ãngelo/RS, quando da diligência solicitada pela DRJ/POA, a fiscalização elaborou os seguintes demonstrativos: "1 Detalhamento das Receitas e Custos (fls. 846/851) e 2 Demonstrativo de Ajustes das Glosas Lançadas de Ofício" (fl. 844), indicando que "(...) No quadro abaixo, estão demonstrados os valores lançados originalmente no auto de infração, os ajustes efetuados por força da nova interpretação inserida pelo § 9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e o débito remanescente mantido no auto". Nesta tabela de fl. 861/862, a Fiscalização apresenta um resumo demonstrativo mensal, informando que do total de R$ 468.094,79 lançado, foi excluído R$ 408.307,38, ficando um saldo remanescente de R$ 59.787,41. Essa mesma tabela foi reproduzida pela DRJ em sua decisão à fl. 888. Por outro lado, a Recorrente, argumenta que na diligência realizada, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria Recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, entende que a decisão Fl. 973DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 974 9 cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no art. 3º, pela Lei nº 12.873/13. Destaca em seu recurso que, (...) Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Afirma que este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. E, que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal. Em vista disto, a Recorrente elaborou uma PLANILHA demonstrando que o Fisco segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica. Alega que em vista disto, o presente feito envolve uma questão de ajuste matemático, não apreciação de teses jurídicas. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, o presente julgamento foi convertido em diligência (Resolução nº 3402001.038, de 31/08/2017 4ª. Câmara / 2ª Turma Ordinária), solicitando as seguintes informações: a) apurar a veracidade da afirmação da Recorrente de que a autuação (saldo remanescente) segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica, conforme consta da PLANILHA demonstrativa de fls. 898/899 (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada), em resumo, para quantificação pelo Auditor Fiscal autuante, da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento; e b) se confirma a alegação de que este valor (diferença remanescente no lançamento), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado nos autos (afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal). Concluído os trabalhos da Diligência, que resultou na Informação Fiscal elaborada pelo Fisco (fls. 948/951), destaco trechos abaixo reproduzidos que são suficientes para o deslinde da questão. Vejase: "(...) Dá análise dos valores apresentados pela recorrente na planilha de fls. 892/899, comparados com os valores constantes das planilhas de fls. 846 a 851, elaboradas pela fiscalização (detalhamento de custos e receitas) e planilhas de fls.844 a 845 (demonstrativo de ajuste das glosas lançadas), concluise que efetivamente houve um equívoco quando da realização da diligência, que apontou um saldo de débitos remanescente a cobrar no presente processo. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Acórdão n.º 3402005.380 S3C4T2 Fl. 975 10 O valor do débito mantido em cobrança, inclusive, não se refere a custos glosados, mas sobre receitas de intercâmbios, que não faziam parte do lançamento. Como o valor do débito lançado neste auto de infração, decorreu exclusivamente da glosa de custos que haviam sido excluídos da base de cálculo das contribuições pela Unimed, e diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, concluise que, uma vez admitidas as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, os quais haviam sido objeto de glosas, resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Esta conclusão pode ser verificada nos demonstrativos anexados as fls. 944 a 945". (Grifei). Quanto ao item b) da Diligência, muito embora a Fiscalização informa que não se confirma a informação da Recorrente, de que as diferenças remanescentes cobradas no lançamento, ela tenha incluída na base de cálculo e realizado depósito judicial, e que os valores dos débitos são exatamente a receita de atendimento de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal. E conclui que pode ser que a referida receita tenha sido incluída na base de cálculo, mas que os valores depositados correspondem a 3% desta receita, não restou confirmado. No entanto, tornase irrelevante este questionamento, em face do resultado apontado pela citada Diligência, quanto a inexistência de saldo remanescente a ser cobrado no presente processo, sendo que os depósitos judiciais serão analisados quando do trânsito em julgado da ação judicial em questão. 4. Dispositivo Em face de todo o exposto, considerando que a Diligência realizada confirma a inexistência de saldo remanescente a ser cobrado neste processo, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, com o cancelamento integral da exigência fiscal. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 975DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000620/2010-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO.
A exclusão do Simples é obrigatória quando for constatado o embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada.
OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA.
O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS.
A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA.
A exclusão do Simples Nacional é obrigatória quando houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária.
OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA.
O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples Nacional, a pessoa jurídica, que durante o ano-calendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS.
A norma trata o ato da exclusão do Simples Nacional como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2008
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. A exclusão do Simples é obrigatória quando for constatado o embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. A exclusão do Simples Nacional é obrigatória quando houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples Nacional, a pessoa jurídica, que durante o ano-calendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS. A norma trata o ato da exclusão do Simples Nacional como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. A exclusão do Simples é obrigatória quando for constatado o embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. A exclusão do Simples Nacional é obrigatória quando houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples Nacional, a pessoa jurídica, que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 06 20 /2 01 0- 35 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 770 2 A norma trata o ato da exclusão do Simples Nacional como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 24, de 09.04 2010, fl. 22, com efeitos a partir de 01.01.2005, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1° O contribuinte PEREIRA RODRIGUES COM. ART. VESTUÁRIO LTDA, CNPJ — 83.198.002/000164, excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, por não ter apresentado o Livro Caixa no curso da fiscalização, configurando embaraço a fiscalização, consoante o disposto no inciso II, do artigo 14, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e ainda pelo art. 9°, inciso IX, da mesma lei, que também determina a exclusão do SIMPLES quando da participação, de titular ou sócio, em mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° da Lei n° 9.317/96, fatos que importam em hipótese de exclusão de oficio do SIMPLES, com fundamento no artigo 12, da mesma Lei. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 771 3 Art. 2° A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1° de janeiro de 2005, conforme disposto no inciso V do artigo 15 da Lei 9.317/96, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC. A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 25, de 09.04.2010, fl. 23, com efeitos a partir de 01.07.2007, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1º O contribuinte PEREIRA RODRIGUES COM. ART. VESTUÁRIO LTDA, CNPJ 83.198.002/000164, excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, por não ter apresentado o Livro Caixa no curso da fiscalização, configurando embaraço a fiscalização e ainda por ter sido constatado que durante o anocalendário de 2008 o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização foi superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período, fatos que importam na sua exclusão de oficio do Simples Nacional, com fundamento no artigo 29, inciso VIII e X, da Lei Complementar n° 123/2006, respectivamente. Art. 2° A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1° de julho de 2007, conforme disposto no artigo 29, § 1º, da LC n° 123, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis — SC. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0729.149, de 31.05.2012, efls. 704717: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ilegalidade de atos normativos federais é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. Impugnação Procedente em Parte [...] Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade, mantendo os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 24, de 09 de abril de 2010, para o ano de 2005 e mantendo os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 25, de 09 de abril de 2010 para o ano de 2008. [...] SIMPLES FEDERAL [...] Já, em relação ao argumento de que não ficou provado o “embaraço à fiscalização”, temse que não assiste razão à interessada. [...] Em face ao exposto, fica mantida a exclusão do Simples Federal para o ano calendário 2005. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 772 4 SIMPLES NACIONAL [...] Oportuno observar que este fato não exclui a constatação da ocorrência noticiada pela autoridade fiscal, uma vez que efetivamente, nos termos da legislação colacionada, ocorreu o embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estava obrigada a empresa sob ação fiscal. [...] No tocante aos efeitos da exclusão, o impugnante alega que, a extrapolação do limite de aquisições de mercadorias versus ingressos de recursos, iniciou em março de 2008, portanto, somente a partir desse período poderiam se tornar válidos os efeitos retroativos da norma. Entretanto, considerando a ausência de elementos, principalmente em decorrência da ausência do livro caixa, não há como identificar de forma clara em que mês, ou quais meses do ano calendário o valor das aquisições de mercadoria para comercialização foi superior a 80% dos ingressos de recursos. A planilha apresentada pela fiscalização, fl. 08, apresenta os valores totalizados para o ano de 2008. Desta forma, há que se considerar o efeito de exclusão a partir de janeiro de 2008, nos termos do § 1º do art. 29 da Lei Complementar, já colacionado acima. [...] Desta forma, considerando tudo que foi exposto, há que se manter a exclusão do Simples Nacional com relação ao ano de 2008. Notificada em 18.07.2013, fls. efls. 718719, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.08.2013 (segundafeira), efls. 721766, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que se refere aos atos de exclusão argui que são nulos. Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 24, de 09.04 2010 Referente ao suposto embaraço à fiscalização suscita que: Assim, ao diagnosticar a ausência da entrega do livro caixa,os procedimento correto seria a aplicação somente da penalidade pecuniária, tendo em vista se tratar de falta de obrigação acessória, mas tão somente a referida exigência, sob pena de considerar tal ato abuso de poder. Agora, tentar caracterizar a falta de entrega do livro caixa como embaraço a fiscalização, tendente a exonerar a empresa da forma de tributação diferenciada, é deveras exagerado. Ademais, tendo a impugnante apresentado todos os demais documentos necessários à análise do cumprimento das obrigações previdenciárias, não restam caracterizados os elementos para a configuração da infração, pois não há que se falar em tipificação genérica de embaraço.[...] Denotase que no presente caso, não houve destaque por parte do agente fiscal sobre qualquer outra causa que resultasse em comprovar o embaraço à fiscalização, restando insubsistente suas alegações, merecendo ser rechaçadas de imediato, cancelando o ato de exclusão do Simples Federal por ausência de fundamento legal. Por fim, asseverase que aplicar a multa por descumprimento de obrigação acessória e excluir a empresa do regime de tributação diferenciado, pelo mesmo fato, importa em dupla punição, isto é, o vedado e nefasto "bis in idem". No que toca à suposta participação do sócio com mais de 10% de outra empresa defende que: Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 773 5 Porém, tal argumento não merece acolhida, pois, desde 2003 a Recorrente possui como sócias a Sra. Clarissa Pereira Rodrigues com o percentual de 4,98% das quotas e a Sra. Leila Pereira Rodrigues com o percentual de 95,02% das quotas. A Sócia Leila Pereira Rodrigues, que possui o maior percentual, não participa de qualquer outra empresa, nem como sócia, nem como representante legal, conforme demonstra o documento emitido pela Junta Comercial do Estado, já juntado aos autos, onde se denota a veracidade da afirmação. Com relação à sócia, Sra. Clarissa Pereira Rodrigues, a mesma possui apenas 4,98% das quotas, sequer chegando ao limite de 10% fixado no inciso IX do artigo 9o da Lei 9.317/96, que dispõe sobre as vedações à opção pelo Simples Federal. Ademais, é importante esclarecer que, até junho de 2003, conforme se observa nas alterações contratuais, já colecionadas nos autos, a sócia Clarissa possuía 50% das quotas da Recorrente. Mas, ao iniciar participação em outra sociedade, Rodrigues Pereira Indústria e Comércio, o total das quotas foi reduzido para 4,98%, sendo adequado, portanto, nos ditames da Lei. [...] Outro ponto que merece destaque é a impossibilidade de somar faturamento das empresas de que a Sra. Clarissa era sócia, ou seja, observase que a Lei 9.317/96 não faz qualquer menção à opção tributária da outra empresa cuja sócia da empresa optante do SIMPLES está impedida de participar. Em relação à impossibilidade dos efeitos da exclusão retroativa a 10.01.2005 diz que: Em outras palavras, as peculiaridades do caso em apreço afastam a incidência da regra do inciso II, do artigo 15 da Lei 9.317/96, haja vista o enorme período que decorreu entre o possível fato excludente e a exclusão, fugindo ao suporte fático daquela regra. Portanto, muito embora os Nobres Julgadores, não tenham se posicionado pela aplicação ao presente caso do princípio geral da ciência dos atos, temse que tal principio, deve sim ser aplicado, pois garante que os efeitos da exclusão só se iniciem a partir da notificação do contribuinte, como forma de assegurar a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Logo, os efeitos da exclusão da Recorrente no Simples Federal só poderiam surtir resultados a partir do trânsito em julgado da decisão administrativa que mantivesse sem reformas a exclusão da sistemática de tributação diferenciada. Mas, apesar de a norma vedar, expressamente, a possibilidade de se conferir efeitos desde a data de adesão ao sistema, a fiscalização além de impor efeito retroativo aos últimos 5 (cinco) anos, ainda fez a imposição, no mesmo ato, de Autos de Infração (DEBCAD n° 37.215.4492 e n° 37.263.2874) exigindo tributos em consequência da exclusão. Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 25, de 09.04.2010, No que diz respeito ao suposto embaraço à fiscalização aduz que: Contudo ao fundamentar o argumento nos termos da lei, a autoridade o fez com fulcro no inciso VIII "falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária". Assim, é notório que a legislação dispôs de dois incisos distintos para fatos excludentes diversos, ou seja, o inciso II e o inciso VIII não se tratam da mesma infração. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 774 6 Portanto, caracterizase nitidamente como vício insanável o erro na fundamentação legal, comprovado pela simples análise do Ato Declaratório Executivo, onde o mesmo descreve determinada infração e a qualifica diversamente. [...] Todavia, segundo consta do Ato Declaratório n. 25, a exclusão que se pautou no incisos VIII e IX da Lei Complementar 123/06, teve efeitos retroativos à 01/07/2007. [...] Assim, os Julgadores, entenderam que os efeitos do embaraço não deveriam se dar para os períodos de 2005 a 2008, e sim a partir da data que efetivamente ocorreu à fiscalização, ou seja, 2010, porém analisando a decisão, verificase que a mesma foi omissa com relação aos efeito do embaraço para o ano de 2009, logo os efeitos do embaraço também não poderão se dar para este período. Não obstante isso, apesar de excluir os efeitos retroativos mantevese o entendimento da configuração de embaraço a fiscalização, entendimento esse que não deve prosperar conforme argumentos abaixo. [...] Desse modo, ao diagnosticar a ausência da entrega do livro caixa, o procedimento correto seria a aplicação somente da penalidade pecuniária, tendo em vista se tratar de falta de obrigação acessória, mas tão somente a referida exigência, sob pena de considerar tal ato abuso de poder. Agora, tentar caracterizar a falta de entrega do livro caixa como embaraço a fiscalização, tendente a exonerar a empresa da forma de tributação diferenciada, é deveras exagerado.[...] Denotase que no presente caso, não houve destaque por parte do agente fiscal sobre qualquer outra causa que resultasse em comprovar o embaraço ã fiscalização, restando insubsistente suas alegações, merecendo ser rechaçadas de imediato, cancelando o ato de exclusão do Simples Nacional por ausência de fundamento legal. Por fim, asseverase que aplicar a multa por descumprimento de obrigação acessória e excluir a empresa do regime de tributação diferenciado, pelo mesmo fato, importa em dupla punição, isto é, o vedado e nefasto "bis in idem". Atinente à suposta aquisição de mercadorias em limite superior aos ingressos de recursos menciona que: As informações destacadas acima têm por base os dados constantes do livro de entrada e da Declaração Anual de Simples Nacional, documentos esses já juntados aos autos. É importante registrar que os valores apresentados como entradas são referentes às aquisições de mercadorias, não estando inclusos os valores de outras entradas como transferência entre matriz e filiais. Da mesma forma, as saídas consignadas acima se tratam de vendas de mercadorias efetuadas pela Recorrente, não estando incluso o montante de transferência entre matriz e filiais. Logo, se analisarmos os percentuais apresentados acima, denotase que a Recorrente, efetivamente extrapolou um pouco o limite de 80% registrado na legislação. [...] Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 775 7 O acréscimo no estoque é justificável e comprovado através do livro de inventário, o que não se junta ao processo, tendo em vista que a fiscalização não realizou a devolução do respectivo documento. Tal afirmação pode ser verificada com o comprovante de entrega dos documentos, que incluiu o livro de inventário, emitido pela contabilidade na época da fiscalização. Portanto ao realizar a entrega e ciência dos Autos de Infração, a fiscalização apenas fez a devolução das GFIP's e folhas de pagamento que também estavam em poder do agente fiscal, não o fazendo do respectivo livro. [...] É visível nos documentos já acostados que a Recorrente, no ano calendário, valeuse de empréstimos consignados e adiantamentos de valores junto às operadoras de cartão de crédito, para manter o fluxo de caixa da empresa, restando comprovado o ingresso de outros recursos, merecendo, assim, ser rechaçada a infração ora pontuada. Sobre a impossibilidade dos efeitos da exclusão retroativos a 01.01.2008 esclarece que: Portanto, também nesse caso, deve ser aplicado ao caso o princípio geral da ciência dos atos, no qual os efeitos só se iniciam a partir da notificação do contribuinte, como forma de garantir a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Há de se ressaltar que o §8° do artigo 6º da Resolução CGSN nº 15, [...], os efeitos da exclusão da Recorrente no Simples Nacional só poderiam surtir resultados a partir do trânsito em julgado da decisão administrativa que mantivesse sem reformas a exclusão da sistemática de tributação diferenciada.[...] Assim, denotase a impossibilidade legal de impor efeitos retroativos ao presente caso, e mais, de exigir tributos oriundos do ato declaratório de exclusão que sequer foi analisado na esfera administrativa. [...] Destarte, destaca o parágrafo primeiro do artigo 29 que, ocorrendo a exclusão de ofício, os efeitos advindos de tal ato surtirão a partir do mês de ocorrência dos fatos que deram ensejo à exclusão. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante as razões expostas, requer a esse colendo Conselho o provimento do presente Recurso Voluntário, reformando o Acórdão proferido pela 6a turma, para: a) cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 24, tendo em vista, erros diagnosticados quanto a capitulação para sua emissão; o cancelamento do embaraço, em razão da sua não configuração e consequentemente a sua exclusão diante da sua fundamentação equivocada, caso não seja esse o entendimento, pugna se pelo cancelamento do Ato, diante da comprovação de inexistência de seu quadro societário representante com mais de 10% em outra empresa; Na remota hipótese de manutenção da configuração da infração, que seus efeitos retroajam somente a partir da data do transito em julgado do processo administrativo. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 776 8 b) cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 25, tendo em vista a dissonância entre a descrição dos fatos e a caracterização da infração; o cancelamento do embaraço, em razão da sua não configuração e consequentemente a sua exclusão diante da sua fundamentação, caso não seja esse o entendimento, pugnase pelo cancelamento do Ato, diante da comprovação de que a impugnante não extrapolou o limite legal de 80% nas aquisições de mercadorias versus ingressos de recursos. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples A Recorrente afirma que não incorreu em embaraço a fiscalização, já que apresentou todos os documentos necessários. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, normatiza: Art. 7° [...] § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, [...] A exclusão do Simples é efetivada de ofício no caso em que restar comprovada a negativa não justificada de exibição do Livro Caixa com a escrituração de toda movimentação financeira, conduta tipificada como embaraço a fiscalização. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 777 9 Consta na Representação Fiscal, fls. 0103: Intimada, a empresa PEREIRA RODRIGUES COMÉRCIO DE ARTIGO DE VESTUÁRIO LTDA. —EPP não apresentou a escrituração contábil regular (Livros Diário e Razão) nem tampouco o Livro Caixa com a Movimentação Financeira, como lhe faculta a legislação, [...] A despeito da não apresentação da Contabilidade, a partir dos elementos disponíveis (DASN; PJSI; GFIP; FOLHA DE PAGAMENTO/MANAD; CONTRATO SOCIAL E ALTERAÇÕES), realizei análise da composição societária, bem como da Receita Bruta das empresas integrantes do referido grupo econômico. A Recorrente instrui os autos, entre outros documentos, com comprovantes de arrecadação, Extratos do Simples Nacional, Livro de Registro de Entradas, Livro de Registro de Inventário, extratos bancários, notas fiscais, fls. 255684. Contudo, não foi apresentado o Livro Caixa, contendo a movimentação financeira, inclusive bancária. A tipificação por embaraço a fiscalização está motivada pela injustificada apresentação do Livro Caixa de escrituração obrigatória por lei. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente esclarece que o sócio não participa com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, define: Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: [...] II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998) II empresa de pequeno porte a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; [...] O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. O limite legal que se impõe no período de 01.01.1997 a 31.12.1998, é que na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior ao da opção, receita bruta superior a R$720.000,00 e no início de atividade o valor de Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 778 10 R$60.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. No período de 01.01.1999 a 31.12.2005, tenha auferido receita bruta superior a R$1.200.000,00 e no início de atividade o valor de R$100.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento. A partir de 01.01.2006 tenha auferido receita bruta superior a R$2.400.000,00 e no início de atividade o valor de R$200.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento. Consta na Representação Fiscal, fls. 0103: A empresa PEREIRA RODRIGUES COMÉRCIO DE ARTIGO DE VESTUÁRIO LTDA. —EPP CNPJ: 83.198.002/000164, cujas atividades se iniciaram em 01/06/1991, foi constituída, originariamente, pelo casal: IZER FIGUEIRA RODRIGUES FILHO, CPF: 366.547.01704 e LEILA PEREIRA RODRIGUES, CPF: 909.709.18968, cabendo a cada um o percentual de cinqüenta por cento (50%) do capital social. Em 07/07/1997, o sócio IZER cedeu suas cotas, SEM PREÇO, a filha menor CLARISSA PEREIRA RODRIGUES, CPF: 026.710.49951, sendo que esta ficou sendo representada por sua mãe LEILA PEREIRA RODRIGUES. Em 15/03/2003, a sócia CLARISSA PEREIRA RODRIGUES cedeu parte de suas cotas, SEM PREÇO, a sua mãe LEILA PEREIRA RODRIGUES, ficando com uma participação de apenas cinco por cento (5%) do capital social. A sociedade, que antes era administrada apenas pela sócia LEILA, passou a ser administrada por ambas as sócias e pelo administrador contratado IZER FIGUEIRA RODRIGUES FILHO, que renunciou ao cargo em 23/07/2003. Nessa mesma época, com início de atividades em 01/04/2003, foram criadas as empresas RODRIGUES PEREIRA INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. CNPJ: 05.605.773/000115 e RODRIGUES PACHECO INDUSTRIA E COMERCIO DE TECIDOS LTDA — EPP CNPJ: 05.587.024/000102. A empresa RODRIGUES PEREIRA foi constituída tendo como sócios CLARISSA PEREIRA RODRIGUES, com noventa e cinco por cento (95%) do capital e o pai IZER FIGUEIRA RODRIGUES FILHO, com cinco por cento (5%) do capital. Em resumo: a Recorrente/Pereira Rodrigues Comércio de Artigo do Vestuário Ltda., CNPJ 83.198.002/000164 tem as seguintes sócias: Leila Pereira Rodrigues, CPF: 909.709.18968, com 95% do capital e Clarissa Pereira Rodrigues, CPF: 026.710.49951, com 5% do capital; a pessoa jurídica Rodrigues Pereira Indústria e Comércio de Confecções Ltda., CNPJ: 05.605.773/000115, tem os seguintes sócios: Clarissa Pereira Rodrigues, CPF: 026.710.49951, com 95% do capital e Izer Figueira Rodrigues Filho, CPF: 366.547.01704, com 5% do capital. a receita bruta global de ambas as pessoas jurídicas ultrapassou no ano calendário de 2005 o limite legal de R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), Fl. 778DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 779 11 conforme Tabela 1 que indica as informações extraídas da Representação Fiscal, fls. 0104, constantes nos registros internos da RFB. Tabela 1 Receita Bruta Global AnoCalendário (A) Receita Bruta R$ Pereira Rodrigues Comércio de Artigo do Vestuário Ltda (B) Receita Bruta R$ Rodrigues Pereira Indústria e Comércio de Confecções Ltda (C) Receita Bruta Global R$ D = (B +C) 2005 700.578,01 732.350,60 1.432.928,61 Assim, a descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento concomitante das condições legais excludentes. A Recorrente tem como sócia Clarissa Pereira Rodrigues, CPF: 026.710.49951, que também é sócia de outra pessoa jurídica Pereira Indústria e Comércio de Confecções Ltda., CNPJ: 05.605.773/000115 com participação de 95% do capital. Ademais, o percentual de participação da sócia no capital da Recorrente é de fato irrelevante para fins de subsunção do fato no inciso IX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996. Ademais, não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A contestação proposta na peça recursal, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente suscita que os efeitos do ato de exclusão somente podem surtir após a definitividade da decisão administrativa. Consta no Acórdão da 6ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0729.149, de 31.05.2012, efls. 704717: "mantendo os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 24, de 09 de abril de 2010 para o ano de 2005". A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prescreve: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 780 12 Ainda atinente a matéria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial Representativo da Controvérsia REsp nº 1.124.507/MG1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 08.06.2010, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. Verificase que a Recorrente incorreu em situação excludente e assim no ano calendário de 2005 sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Além disso, não há previsão legal que ampare a alegação da Recorrente de que os efeitos do ato de exclusão do Simples somente podem surtir após definitividade da decisão administrativa. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos. Logo, não cabem reparos ao Acórdão da 6ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0729.149, de 31.05.2012, efls. 704717. Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional A Recorrente defende que não incorreu em embaraço a fiscalização, que não se confunde com a "falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária", circunstância que torna o ato de exclusão improcedente. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 20016, determina: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: [...] § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. [...] Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em Recurso Especial Representativo da Controvésia nº 1.124.507/MG. Órgão Julgador: Primeira Seção. Relator: Ministro Benedito Gonçalves. Julgado em 28 abr. 2010. Publicado no DJe em 06 mai.2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo=200900296277>. Acesso em 27 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 781 13 informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, [...] VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Consta na Representação Fiscal, fls. 0103: Intimada, a empresa PEREIRA RODRIGUES COMÉRCIO DE ARTIGO DE VESTUÁRIO LTDA. —EPP não apresentou a escrituração contábil regular (Livros Diário e Razão) nem tampouco o Livro Caixa com a Movimentação Financeira, como lhe faculta a legislação, [...] A despeito da não apresentação da Contabilidade, a partir dos elementos disponíveis (DASN; PJSI; GFIP; FOLHA DE PAGAMENTO/MANAD; CONTRATO SOCIAL E ALTERAÇÕES), realizei análise da composição societária, bem como da Receita Bruta das empresas integrantes do referido grupo econômico. A Recorrente instrui os autos, entre outros documentos, com comprovantes de arrecadação, Extratos do Simples Nacional, Livro de Registro de Entradas, Livro de Registro de Inventário, extratos bancários, notas fiscais, fls. 255684. Contudo, não foi apresentado o Livro Caixa, contendo a movimentação financeira, inclusive bancária. A menção ao embaraço a fiscalização foi de força retórica. A verdadeira motivação atémse na injustificada apresentação do Livro Caixa de escrituração obrigatória por lei. A conduta tipificada que está em litígio está descrita com precisão, qual seja, "não ter apresentado o Livro Caixa no curso da fiscalização", que consta expressamente no ato de exclusão. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que não houve aquisição de mercadorias em limite superior aos ingressos de recursos. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 20016, prevê: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] X for constatado que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; Consta na Representação Fiscal, fls. 0103: Cumpre observar que não foi possível identificar a competência, a partir da qual se daria a exclusão do SIMPLES NACIONAL, no exercício de 2009, em relação As Compras, por ausência de dados mensais. Em resumo: o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, é superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos de recursos no mesmo Fl. 781DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 782 14 período, conforme Tabela 2 que indica as informações extraídas da Representação Fiscal, fls. 0107, constantes nos registros internos da RFB. Tabela 2 Porcentagem entre Receita Bruta e Compras AnoCalendário (A) Receita Bruta R$ (B) Compras R$ (C) Porcentagem entre Receita Bruta e Compras % D = (C*100/B) 2008 1.308.579,70 1.171.654,06 89,53 Assim, a descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento da condição legal excludente. Consta no Acórdão da 6ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0729.149, de 31.05.2012, efls. 704717, cujos fundamentos de fato e de direito são adotados nessa segunda instância de julgamento: Pelo exposto, se verifica que a análise efetuada pela autoridade fiscal sob este aspecto demonstrou ser correta, conforme planilha constante dos autos, fl. 08, a qual informa que para o ano de 2008, a Receita Bruta apurada foi de R$ 1.308,579,70 sendo que neste período a empresa apresentou um custo com aquisição de mercadoria no valor de R$ 1.171.654,06, o que extrapolou o percentual de 80% previsto no inciso X do art. 29 da Lei Complementar 123/2006. Quanto a justificativa de que o acréscimo de estoque se justificaria pelo exame do livro de inventário, a impugnante alega que este documento não teria sido devolvido a empresa pelo autoridade fiscal. Entretanto, nada consta dos autos que venha a comprovar estas alegações. No que se refere aos argumentos de que os valores das despesas no ano em análise não seriam representativos pelo fato de ocorrer diversas aquisições de mercadorias para pagamento a prazo, resta observar que esta tese não merece prosperar uma vez que a entrada de estoque no ativo da empresa ocorre pelo regime de competência, devendo ser efetuado desta forma os devidos registros pertinentes.Quanto a suposta entrada de outras entradas de recursos, tais como financiamentos e empréstimos para reforço do capital de giro, o impugnante ficou no campo das alegações. Cabe observar que o próprio interessado não apresentou o livro caixa para exame por parte da fiscalização de forma que resta prejudicado seus argumentos no sentido de justificar as supostas movimentações financeiras que alega ter ocorrido. Ademais, não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A contestação proposta na peça recursal, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente argui que os efeitos do ato de exclusão somente podem surtir após a definitividade da decisão administrativa. Consta no Acórdão da 6ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0729.149, de 31.05.2012, efls. 704717: "mantendo os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 25, de 09 de abril de 2010 para o ano de 2008". A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 20016, ordena: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 783 15 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. [... Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Verificase que a Recorrente incorreu em situação excludente e assim no ano calendário de 2008 sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Além disso, não há previsão legal que ampare a alegação da Recorrente de que os efeitos do ato de exclusão do Simples Nacional somente podem surtir após definitividade da decisão administrativa. A norma trata o ato da exclusão do Simples Nacional como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permite a retroação de seus efeitos. Logo, não cabem reparos ao Acórdão da 6ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0729.149, de 31.05.2012, efls. 704717. Argumentos Congruentes A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 24, de 09.04 2010 emitido com fundamento na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e ao Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 25, de 09.04.2010 expedido com base Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, foram lavrados por servidor competente que verificando a ocorrência das causas de vedação os emitiu revestidos das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 784 16 Ademais, as circunstâncias explicitamente narradas nos atos de exclusão não acarretaram prejuízo para a defesa da Recorrente, que se defende dos fatos e não do enquadramento legal. No caso, a peça de defesa revela que a pessoa jurídica conhece plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, abrangendo questões de fato e de direito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Os atos de exclusão tiveram seus conteúdos analisados pela decisão de primeira instância administrativa, inclusive no que se refere a configuração de embaraço a fiscalização, a saber, Acórdão da 6ª Turma/DRJ/FNS/SC nº 0729.149, de 31.05.2012, efls. 704717: SIMPLES FEDERAL [...] Com efeito, a norma de regência caracteriza o embaraço à fiscalização a simples negativa, não justificada, de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada. A interessada limitouse apenas a argumentar que explicou a autoridade fiscal que os livros contábeis estavam em processamento, o que não a isenta da obrigatoriedade da apresentação do documento requisitado. [...] SIMPLES NACIONAL [...] Oportuno observar que este fato não exclui a constatação da ocorrência noticiada pela autoridade fiscal, uma vez que efetivamente, nos termos da legislação colacionada, ocorreu o embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estava obrigada a empresa sob ação fiscal. Vabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal3: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 785 17 A Recorrente argumenta que há duplicidade de exigências (bis in idem) no que se refere à lavratura dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.215.4492 e 37.263.28742 formalizados concomitantemente com o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 24, de 09.04 2010 e o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 25, de 09.04.2010. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão da sistemática, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Vale esclarecer que os Autos de Infração DEBCAD nºs 37.215.4492 e 37.263.28742 não estão formalizados nos presentes autos e por essa razão quaisquer alegações pertinentes a esses lançamentos devem ser analisadas nos processos fiscais específicos para este fim (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Via de regra, no Auto de Infração de exigência de crédito tributário há a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e determinação da exigência com a regular intimação para que o sujeito passivo cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. No presente processo são examinados o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 24, de 09.04 2010 emitido com fundamento na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 25, de 09.04.2010 expedido com base Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vale destacar que o Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples previsto na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional determinado pelo Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, tratam da implementação do tratamento jurídico diferenciado dispensado às microempresas e às empresas de pequeno porte, pela União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas, conforme determina o art. 179 da Constituição Federal. Assim, somente pode usufruir dessas sistemáticas integradas de pagamentos a pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação, motivo que impede sua adesão ou permanência nos regimes unificados de arrecadação. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício darseá de ofício pela autoridade administrativa. Além disso os atos de exclusão não têm natureza jurídica de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por essas razões não há que se falar em bis in idem entre os mencionados Autos de Infração e o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 24, de 09.04 2010 e o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 25, de 09.04.2010, pois todos os atos foram exarados nos estritos limites da atuação administrativa da aplicação da lei de ofício. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11516.000620/201035 Acórdão n.º 1003000.108 S1C0T3 Fl. 786 18 presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 786DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.002433/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/05/2005
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA
Os depósitos bancários não escriturados, cuja origem não-tributável não seja comprovada pelo titular da conta corrente, regularmente intimado, caracterizam presunção de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA CORRENTE DA PESSOA FÍSICA. ATIVIDADE COMERCIAL. ATIVIDADE NA PESSOA JURÍDICA.
É insubsistente o pleito de ilegitimidade passiva da empresa sob alegação de lançamento baseado em depósitos bancários em conta de pessoa física, quando resta comprovado que a conta era utilizada para movimentar operações efetuadas pela pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1402-003.270
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/05/2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA Os depósitos bancários não escriturados, cuja origem não-tributável não seja comprovada pelo titular da conta corrente, regularmente intimado, caracterizam presunção de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA CORRENTE DA PESSOA FÍSICA. ATIVIDADE COMERCIAL. ATIVIDADE NA PESSOA JURÍDICA. É insubsistente o pleito de ilegitimidade passiva da empresa sob alegação de lançamento baseado em depósitos bancários em conta de pessoa física, quando resta comprovado que a conta era utilizada para movimentar operações efetuadas pela pessoa jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA Os depósitos bancários não escriturados, cuja origem nãotributável não seja comprovada pelo titular da conta corrente, regularmente intimado, caracterizam presunção de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA CORRENTE DA PESSOA FÍSICA. ATIVIDADE COMERCIAL. ATIVIDADE NA PESSOA JURÍDICA. É insubsistente o pleito de ilegitimidade passiva da empresa sob alegação de lançamento baseado em depósitos bancários em conta de pessoa física, quando resta comprovado que a conta era utilizada para movimentar operações efetuadas pela pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, na matéria conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 24 33 /2 00 7- 21 Fl. 977DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Federal, referente a fatos geradores corridos nos anoscalendário de 2002 a 2005, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 302.999,80, entre principal, multa e juros corrigidos até dezembro/2007. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o que ensejou o lançamento fiscal. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: Pela descrição dos fatos (fls. 19/26), a ação fiscal começou em 05/09/2007, na pessoa física (PF) de Horozino Rodrigues da Silva, CPF nº 314.992.10663, por descoberta de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. As contas correntes são do Banco do Brasil S/A sob nº 2.4333 e 8.882 X. Após regular intimação, o mesmo apresentou os extratos bancários requeridos, os quais, após analisados pelo Fisco, foram relacionados no anexo ao termo de intimação nº 01 (fls. 336/361) para que o seu titular justificasse a origem dos respectivos recursos. Em sua resposta este afirmou que grande parte dos depósitos pertence a produtores rurais listados na planilha da empresa GERDAU, cabendolhe apenas a menor parte relativa ao frete de transporte de carvão vegetal, que faz em veículos de sua propriedade. O contribuinte foi, então, intimado mediante o termo de verificação e de intimação fiscal nº 01 (fls. 402/404) a apresentar documentos que comprovassem as tais operações de frete e a sua relação com os depósitos/créditos da GERDAU. Mas, conforme o autuante, da análise da documentação apresentada Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10540.002433/200721 Acórdão n.º 1402003.270 S1C4T2 Fl. 978 3 em resposta ao termo de verificação e intimação (fls. 405/406), restou comprovada a origem dos depósitos/créditos efetuados nas contas bancárias do Sr. Horozino listados na planilha constante do anexo 01, pela GERDAU, e em concordância com os valores na planilha “Histórico Financeiro” (fls. 407/424) entregues. Ressalta, porém, que não fora possível a comprovação efetiva de que esses depósitos/créditos se referiam a serviços de transportes, já que não houvera nenhuma declaração da empresa Gerdau detalhando operações de frete. Refere ainda o autuante que nas duas planilhas entregues pelo Sr. Horozino que indicam supostos serviços de frete de transporte de carvão vegetal de pequenos produtores rurais à Gerdau, não consta nenhuma assinatura, não há nenhuma indicação da relação dos valores constantes nas planilhas com aqueles depositados/creditados nas contas correntes bancárias nem constam os valores dos respectivos fretes. Ademais, há diferenças de valores constantes em uma planilha e outra. Intimado a esclarecer tais pendências, mediante o termo de constatação e intimação fiscal nº 01 (fls. 402/404), o Sr. Horozino da Silva justificou, por escrito (fls. 405/406), que tais depósitos são realizados em suas contas por se tratar de pequenos produtores rurais que não têm como ir até o Estado de Minas Gerais entregar e receber os valores da venda de carvão, cabendo essa tarefa ao transportador, já que o pagamento só é possível mediante a conferência da carga, ou seja, não há pagamento para entrega futura e devido ao perigo de transporte de valores em face da atual violência, sendo mais seguro o depósito em conta corrente do transportador, como é o seu caso, para posterior entrega aos respectivos destinatários. E quanto à diferença de valores nas duas planilhas entregues pelo Sr. Horozino indicando supostos serviços de fretes pelo transporte de carvão vegetal de pequenos produtores rurais, este justificou que se deviam a adiantamentos feitos aos seus motoristas, pela própria Gerdau, no histórico financeiro. Portanto, segundo a descrição dos fatos, a PJ foi autuada por omissão de receita, com base em depósitos bancários feitos pela empresa GERDAU na conta corrente (c/c) do Sr. Horozino Rodrigues da Silva, sendo necessária a equiparação a pessoa jurídica, nos termos do art. 150 do RIR/1999, em face da prática habitual de atividade comercial com o objetivo de lucro, isto é, a venda de carvão vegetal. Consta que a PJ Horozino Rodrigues da Silva, CNPJ nº 16.396.178/000133, apresentou DSPJinativa relativamente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, e no anocalendário de 2005 apresentou DSPJSimples toda zerada. Os valores dos extratos bancários utilizados nos lançamentos estão relacionados na planilha de fls. 96/103 e consolidados à fl. 104. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: A contribuinte foi cientificada em 26/12/2007 (AR à fl. 489) e apresentou impugnação em 22/01/2008 (fls. 492/510), instruída com os elementos anexos às fls. 511/625, alegando, em síntese, que: (i) O autuante não apresentou uma nota fiscal (NF) sequer que comprove que a autuada (PJ) prestou serviço de transporte ou forneceu carvão à empresa Gerdau. Isto é, não há qualquer prova ou indício de que a PJ autuada tivesse recebido algum pagamento pelo carvão ou frete prestado à Gerdau, seja através de recibo ou extrato Fl. 979DF CARF MF 4 bancário, até porque inexiste conta bancária em nome da PJ autuada, levando à conclusão que tais imputações são desprovidas de verdade material. (ii) Não haveria motivo para se proceder a exigência fiscal em comento, uma vez que a PJ autuada está inativa desde o exercício de 2002, fato comprovado pela ausência de qualquer movimentação comercial ou financeira. (iii) Destarte, a PJ Horozino Rodrigues da Silva seria parte ilegítima na relação obrigacional tributária em questão, pois a responsabilidade pelo pagamento dos tributos exigidos seria da PF Horozino Rodrigues da Silva, transportador autônomo, como se vê na defesa ao auto de infração objeto do processo nº 10540.002438/200753 (MPF nº 0510300/00171), ou quando muito aos fornecedores de carvão vegetal. Cabendo, por conseguinte, a nulidade do feito. (iv) A presente exigência fiscal está sendo duplamente cobrada no auto de infração lavrado contra a pessoa física Horozino Rodrigues da Silva. Eis que como se constata no corpo de ambos os autos de infração o fundamento das exigências fiscais é o mesmo. Assim, caso prospere tal cobrança, estaria caracterizado o confisco tributário vedado pelo art. 150, inc. IV, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988). (v) Reforça que os lançamentos que originaram aos autos de infração não podem prosperar por infringir o princípio da verdade material, já que o Fisco não arrolou qualquer prova das imputações que atribuiu à autuada; bem como por falta de motivação, em face da inatividade da PJ autuada, configurando ilegitimidade passiva; e a ocorrência de duplicidade da exigência fiscal, porque esta já teria sido alvo de autuação na pessoa física de Horozino Rodrigues da Silva. (vi) Ilustra as suas alegações fazendo citações de jurisprudência e doutrina. (vii) Requer, pelo exposto, a declaração de nulidade dos autos de infração, por ser de direito e da mais lídima justiça. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu por dar negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/05/2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA Os depósitos bancários não escriturados, cuja origem nãotributável não seja comprovada pelo titular da conta corrente, regularmente intimado, caracterizam presunção de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. NULIDADE PROCESSUAL Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10540.002433/200721 Acórdão n.º 1402003.270 S1C4T2 Fl. 979 5 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA CORRENTE DA PESSOA FÍSICA. É insubsistente o pleito de ilegitimidade passiva da empresa sob alegação de lançamento baseado em depósitos bancários em conta de pessoa física, quando resta comprovado que a conta era utilizada para movimentar operações efetuadas pela pessoa jurídica. Lançamento Procedente. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: o caso concreto não envolve nenhum fator de nulidade processual, pois o auto de infração atendeu o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972; quanto à ilegitimidade passiva, denegouse, pois a base de cálculo utilizada no presente processo é decorrente exclusivamente dos depósitos bancários efetuados pela empresa Gerdau nas contas bancárias auditadas, em face de pagamentos pela comercialização de carvão vegetal. Os demais depósitos bancários, não comprovados foram tributados na pessoa física e da sua esposa. Por conseguinte, não há qualquer nenhuma duplicidade de lançamentos; a recorrente tenta alegar que apenas parte dos depósitos era da sua atividade de comercialização de carvão vegetal, mas não conseguiu demonstrar e comprovar tal alegação. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 28/04/2009, a recorrente apresentou recurso voluntário em 15/05/2009. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: houve infringência ao princípio da estrita legalidade da tributação; o auto de infração padece de falta de motivação pessoa jurídica inativa desde 2002; ilegitimidade passiva; duplicidade da exigência fiscal, pois houve autuação fiscal também sobre a pessoa física. Nos termos finais da sua peça recursal, ipsis litteris: Fl. 981DF CARF MF 6 Senhores Conselheiros, a Emérita 4a Turma de julgamento não poderia considerar procedente o lançamento cm comento, posto que ocorreu: 1) Duplicidade de exigência fiscal sobre um mesmo fato, consoante jurisprudência desta casa acima referida; 2) Falta de motivo originado do equívoco do autuante; 3) Ilegitimidade passiva do autuado; 4) Infringência ao princípio da estrita legalidade da tributação, uma vez que, a ação fiscal está fundamentada em presunção sobre presunção, em detrimento de qualquer prova da ocorrência dos fatos imputados ao autuado. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando se o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede deferimento É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Federal, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002 a 2005, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. A ação fiscal começou na pessoa física do Sr. Horozino, sendo autuado na pessoa jurídica, por prática habitual de atividade comercial com objetivo de lucro, todos os valores referentes à comercialização de carvão vegetal com o empresa Gerdau. A pessoa jurídica vinha entregando DSPJ como inativa nos anos em foco. Os demais valores constantes nas contasbancárias foram lançados na pessoa física, em outro processo administrativo fiscal. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10540.002433/200721 Acórdão n.º 1402003.270 S1C4T2 Fl. 980 7 Na sua impugnação, alega que não houve prova nos autos que prestou serviço de transporte ou forneceu carvão à Gerdau. Estaria inativa desde 2002, o que improcede a autuação fiscal. Destarte, a pessoa jurídica seria parte ilegítima na obrigação tributária, e quem praticou os atos seria a pessoa física, já objeto de autuação em outro processo. o que denotaria a ocorrência de duplicidade da exigência fiscal. Na decisão a quo, não se vislumbrou nenhuma nulidade no lançamento fiscal. Igualmente, entendeu bem caracterizado pela autoridade fiscal a parte concernente aos valores constituídos sobre a pessoa jurídica, que foram sobre a comercialização de carvão vegetal com a empresa Gerdau, e não houve nenhuma duplicidade de valores com o outro lançamento fiscal efetuado na pessoa física. As alegações da recorrente que os valores seriam parte sua e parte de outras pessoas não foram comprovados na sua impugnação. Na sua peça recursal reitera praticamente os mesmos argumentos da sua peça impugnatória, no que seja: duplicidade da exigência fiscal, falta de motivação, ilegitimidade passiva e infringência ao princípio da estrita legalidade da tributação. Das questões suscitadas na peça recursal da alegação da duplicidade da exigência fiscal Alega a recorrente que o presente processo decorre dos mesmos fundamentos das exigências fiscais lavradas sobre a pessoa física, através do auto de infração lavrado decorrente do MPF nº 0510300/00171/07. A autoridade julgadora a quo rechaçou tal alegação, pois vislumbrou no presente auto de infração a sua base de cálculo baseada somente nos depósitos bancários feitos pela emprega Gerdau, oriundos de pagamentos pela venda de carvão vegetal. Os demais depósitos identificados nas contas bancárias, que não foram comprovados sua origem, foram tributados na pessoa física do Sr. Horozino da Silva e da sua esposa, já que se trata de como contacorrente conjunta. O outro processo de autuação fiscal é o nº 10540.002438/200753, em que foi anexado uma cópia da descrição dos fatos foi anexada ao presente, para caracterizar que não ocorreu a duplicidade de exigência fiscal invocada. Compulsando os autos, na descrição dos fatos da autuação fiscal, a autoridade fiscal informa que apenas os valores de depósitos bancários em que houve a comprovação da origem através dos depósitos/créditos realizados pela Gerdau referentes a venda de carvão vegetal estariam sendo tributados na pessoa jurídica do Sr. Horozino, o presente processo. O Sr. Horozino, aplicandose o art. 150 do RIR/99, se caracteriza como empresa individual, e em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil já estava inscrito no CNPJ sob o nº 16.396.178/000133, prevalecendo tal condição cadastral para imputação da sujeição passiva na presente autuação fiscal. Tal CNPJ imediatamente retrocitado apresentou declarações de inatividade à Receita Federal, referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. Em relação ao ano calendário de 2005 apresentou declaração de pessoa jurídica Simples, porém com receita bruta declarada zerada para todo o ano, e também não foi identificado nenhum pagamento em este período na pessoa jurídica. Fl. 983DF CARF MF 8 Em efls. 98 a 106, apresenta o anexo 01 relação dos depósitos bancários efetuados pela Gerdau nas contas bancárias do Sr. Horozino Rodrigues da Silva. O outro processo administrativo 10540.002438/200753, cuja autuação fiscal foi sobre a pessoa física do Sr. Horozino, a relação de valores que serviram de base de cálculo constam na efls. 270 a 294. Cotejando ambas relações de valores, não se verifica duplicidade. Ou seja, os valores de depósitos efetuados pela Gerdau, conforme listagem e notas fiscais constantes em ambos processos administrativos fiscais, não foram base de cálculo para a autuação fiscal na pessoa física. Tais valores de pagamentos realizados pela Gerdau foram objetos de base de cálculo apenas na autuação fiscal constante no presente processo administrativo em análise. Considerando o acima aposto, entendo por bem NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. da alegação da falta de motivação da autuação fiscal, pois estaria inativa desde 2002, e da alegação da ilegitimidade passiva Alega a recorrente que não havia motivo para se proceder a exigência fiscal em comento, uma vez que, a empresa autuada encontrase inativa desde o exercício de 2002. Fato este comprovado pela ausência de qualquer movimentação comercial ou financeira por parte da pessoa jurídica autuada. Ademais também alega que houve ilegitimidade passiva por não ser responsável pela suposta obrigação tributária imputada. A decisão a quo entendeu que os pagamentos foram decorrentes exclusivamente dos depósitos efetuados pela empresa Gerdau em face da comercialização de carvão vegetal. Tal situação caracterizaria uma atividade habitual, com fins lucrativos, sujeitandose à equiparação à pessoa jurídica nos termos do art. 150, inc. II do RIR/1999, o que elidiria as alegações da recorrente. Repisando a análise no tópico anterior, e como se vislumbra nos autos, na e fls. 367 a 369, a recorrente reconhece que exercia a atividade de frete e comercialização de carvão, para Siderúrgica pertencente a empresa Gerdau, que fica localizada no estado de Minas Gerais. Na sua linha argumentativa, alega que prestava apenas os serviços de frete, e que os valores recebidos são pertencentes a produtores rurais fornecedores de carvão, aos quais os repassava. Nas suas palavras: Com efeito, os valores depositados nas mencionadas contas pertencem aos produtores rurais que produziram o carvão vegetal, cabendo ao Intimado, como já frisado, o valor do frete pelo transporte da carga. Tal resposta adveio em resposta a uma intimação fiscal no seguinte contexto: 1) o procedimento fiscal se iniciou na pessoa física do Sr. Horozino, o qual foi intimado no termo de início da ação fiscal (efl. 119) a apresentar os extratos bancários sob sua titularidade; Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10540.002433/200721 Acórdão n.º 1402003.270 S1C4T2 Fl. 981 9 2) em resposta ao item acima, apresenta os extratos bancários (efls. 121 a 338); 3) baseado na análise dos extratos bancários apresentados, gerouse a intimação fiscal para justificar os depósitos/créditos ocorridos nas contas bancárias da recorrente (efl. 339 e anexos de efls. 340 a 364); 4) neste momento, em resposta a intimação fiscal imediatamente acima é que a recorrente trouxe a tona a questão de exercer a atividade de frete e comercialização de carvão, conforme já comentado acima (efls. 367 a 369). Nesta resposta que suscita a sua atividade, apresenta anexos (efls 373 a 401), em que apresenta os seguintes elementos: 1) cópia de um extrato de pagamentos ou de razão, sem título (efls. 373 a 389), em que cita referência, data de vencimento, montante e especificações do item a ser pago. Não há maiores detalhamentos das informações ali contidas, mas se visualiza que se trata de um extrato de razão que informa data e valores pagos; 2) relatório de fornecimento de carvão vegetal, em que conta o número da nota fiscal, data, nome e demais valores destacados da nota fiscal (efls. 390 a 401). Tal relatório está timbrado pela empresa Gerdau, mas sem nenhuma assinatura de alguém desta. Posteriormente a isto, a autoridade fiscal autuante lavrou termo de constatação e de intimação fiscal (efls. 539 a 540), em que constata a entrega e questiona a validade destes anexos entregues logo acima, e intima a comprovar efetivamente as supostas operações realizadas, principalmente no que tange à alegação da recorrente, que seriam valores de produtores rurais e esta repassou os valores. Em resposta (efls. 542 a 543), a recorrente, então fiscalizada, apresenta novamente o relatório da Gerdau, desta vez assinado por responsável da empresa (efls. 544 a 574) e alega novamente que exerceu apenas a atividade de transportador do carvão, apresentando algumas notas fiscais para comprovar tal situação (efls. 575 a 589). Contudo, analisandose as notas fiscais apresentados, o Sr. Horozino não consta como transportador em nenhuma. A autoridade fiscal autuante analisou os valores e documentos ali constantes e entendeu que não identificou nenhuma comprovação efetiva que esses depósitos/créditos se referiam a serviços de transporte de carvão vegetal, pois não foi entregue nenhuma declaração da Gerdau detalhando as operações, ou algum outro elemento que o serviço fosse apenas de frete, além das notas fiscais não constarem Sr. Horozino como o transportador. Assim, no seu entender, os valores identificáveis como efetuados pela empresa Gerdau nas contascorrentes da recorrente foram na realidade decorrente da venda de carvão vegetal, e não meros serviços de transporte. E como já exposto anteriormente, foram tratados como receitas na pessoa jurídica, a quem recaiu a autuação fiscal. Na sua peça impugnatória apresenta declaração da empresa Gerdau, e também de produtores rurais, em que informa que parte dos valores pagos eram para os produtores rurais. Contudo, não se vislumbra exatamente como se deu a operação: se o pagamento foi via o Sr. Horozino, transitando nas suas contascorrentes, ou diretamente aos Fl. 985DF CARF MF 10 produtores rurais. Tais elementos foram objeto de análise na decisão a quo nos seguintes termos: Nas declarações anexas às fls. 606/609, com data de 20/12/2007, os produtores relacionados no citado RELATÓRIO declaram que receberam o percentual de 70% do pagamento referente às NFs em comento, só não está dito de quem receberam o respectivo numerário, se diretamente da Gerdau ou através de pagamentos efetuados por Horozino Rodrigues da Silva. Apresentou ainda cópias de declaração de motoristas dizendo que foram contratados por Horozino Rodrigues da Silva para realização do transporte de carvão vegetal da Bahia para Minas Gerais (fls. 611/614), com data de 04/01/2008, a fim de vincular a prestação do serviço de frete à autuada, posto que o autuante havia dito na descrição dos fatos que em nenhuma das notas fiscais apresentadas figurava o nome de Horozino Rodrigues da Silva como transportador, constando o nome de pessoas diversas e em veículos que não constam em suas declarações de PF nem no Sistema Renavam como sendo de sua propriedade (fls. 454/458). Ou seja, apesar de instado a comprovar, o Sr. Horozino não comprovou que parte dos valores que transitaram nas suas contascorrentes seriam de terceiros. O que se comprovou, e foi pela autoridade fiscal autuante, é que determinados valores depositados nas contascorrentes eram de atividade comercial, configurandose omissão de receitas na pessoa jurídica, e sobre estas constituiu a presente autuação fiscal. Compulsandose todos os elementos constantes no processo administrativo fiscal, vislumbrase muitas alegações da recorrente, mas que não elidiram a legitimidade passiva da pessoa jurídica ora autuada, e que toda a autuação fiscal está devidamente motivada. No momento em que há valores que se comprovam depositados pela empresa Gerdau na sua contacorrente, e foram demonstrados e até confirmados pela recorrente que foram decorrentes de sua atividade comercial, a discussão ficou apenas no que tange a se os valores depositados foram totalmente para si ou parte foi repassada. Deste eventual repasse de valores, como já dito acima, a recorrente não logrou comprovar. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item. da alegação da infringência ao princípio da estrita legalidade da tributação Alega a recorrente que houve infringência ao princípio da estrita legalidade da tributação, e que tal afrontaria o art. 5º, inciso II da Constituição Federal. Evoca também o art. 150 da Constituição Federal, no que tange, no seu entender, à falta de lei para a autuação fiscal ocorrida. A partir de então, na sua peça recursal, discorre sobre questões principiológicas. Contudo, nesta linha de defesa, exclusivamente adotada nesta parte da peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10540.002433/200721 Acórdão n.º 1402003.270 S1C4T2 Fl. 982 11 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Conclusão: Voto por conhecer parcialmente, e na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 987DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.100250/2008-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF.
O Supremo Tribunal Federal -STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS com origem em exportações transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos das contribuições sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão-de-obra do parque industrial.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE.
Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo.
Numero da decisão: 9303-006.615
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em relação à cessão onerosa de créditos de ICMS; (ii) por maioria de votos, em negar-lhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; (iii) por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; e (iv) por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento para restabelecer a glosa com relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. CESSÃO ONEROSA. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. O Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS com origem em exportações transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos das contribuições sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãode obra do parque industrial. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 02 50 /2 00 8- 76 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11065.100250/200876 Acórdão n.º 9303006.615 CSRFT3 Fl. 3 2 No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em relação à cessão onerosa de créditos de ICMS; (ii) por maioria de votos, em negar lhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; (iii) por voto de qualidade, em darlhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; e (iv) por unanimidade de votos, em darlhe provimento para restabelecer a glosa com relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 340101.098, que deu provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11065.100250/200876 Acórdão n.º 9303006.615 CSRFT3 Fl. 4 3 BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DOS INSUMOS E DA MÃO DEOBRA DO PARQUE INDUSTRIAL. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias têm direito a créditos sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA A REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL. INSUMOS. Os créditos decorrem das aquisições efetuadas no mês de serviços, utilizados como insumos, na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, entendendose como insumos, para esse fim, “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. De se enquadrar nessa descrição os gastos com serviços contratados junto a terceiros, pessoas jurídicas, para a remoção de lixo industrial. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial quanto à inclusão da cessão onerosa de ICMS da base de cálculo das contribuições e quanto ao conceito de insumos para o PIS e COFINS nãocumulativos, conceito este que, no caso, afeta o direito de creditamento em relação às despesas com a remoção de resíduos industriais e aos gastos com combustíveis e lubrificantes consumidos por veículos utilizados no transporte de insumos e de mãodeobra do parque industrial. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11065.100250/200876 Acórdão n.º 9303006.615 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.612, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 11065.000463/200807, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303006.612): "O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, dizem respeito a inclusão ou não na base de cálculo da contribuição, dos valores relativos à cessão onerosa de créditos do ICMS, e a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, relacionados aos combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos, de mãodeobra do parque industrial e despesas com remoção de resíduos industriais. Tratase de PER/Dcomp entregue em 28/12/2007 no qual foi indicado crédito de PIS/Pasep a ser ressarcido com fundamento no § 2º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, relacionado ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 168.497,86, cujo reconhecimento pela autoridade fiscal foi apenas parcial, da ordem de R$ 147.732,33. Segundo o Despacho Decisório, a glosa de parte do pedido foi motivada: a) pela não inclusão na base de cálculo da contribuição devida no período dos valores correspondentes à cessão de crédito do ICMS a terceiros; e pelo aproveitamento de créditos originados: b.1) da aquisição de combustíveis utilizados na frota própria de veículos; b.2) do pagamento de serviços a terceiros, pessoas jurídicas, pela prestação de serviços de remoção de resíduos industriais; b.3) da aquisição de mercadorias com o fim de exportação; e b.4) de bonificações, doações, amostras e indenizações recebidas. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que a cessão onerosa de créditos do ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e COFINS, e segundo, que no regime da não cumulatividade dessas Contribuições as indústrias têm direito a créditos sobre os dispêndios com combustíveis dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial. Feito este intróito inicial, passo ao julgamento. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Quanto à cessão onerosa de créditos do ICMS a terceiros, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, de Relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS. Vejamos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11065.100250/200876 Acórdão n.º 9303006.615 CSRFT3 Fl. 6 5 COFINS não cumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida (RE 606.107 – RG, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ 20.8.2010). Neste sentido, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF, na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto não assiste razão a Fazenda Nacional. NÃO CUMULATIVADE DO PIS E DA COFINS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES DOS VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS E DA MÃODEOBRA DO PARQUE INDUSTRIAL Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11065.100250/200876 Acórdão n.º 9303006.615 CSRFT3 Fl. 7 6 prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte tem como atividade principal o curtimento, a industrialização, a comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino e de outros materiais para sofás. Neste sentido, por força do que dispõe o art. 5°, I, da Lei n. 10.637/02, ela está dispensada do recolhimento do PIS/PASEP sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior, e tem assegurado o direito de crédito da mesma contribuição, na forma disposta pelo art. 30, do mesmo diploma legal. Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do PIS e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Sem embargo, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11065.100250/200876 Acórdão n.º 9303006.615 CSRFT3 Fl. 8 7 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, referente aos combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos. No que tange os dispêndios relacionados com despesas de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra, entendo que estes não geram direito à crédito, pois não são essenciais ao processo de produção. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL" (...)1 "Em que pese a clareza e objetividade do voto do Conselheiro Relator, peço vênia para dele discordar em parte. Esclareço que apenas discordo quanto à questão do creditamento do gasto com retirada de resíduos industriais, acompanhando o Conselheiro Relator nas demais matérias enfrentadas neste recurso. Meu entendimento é o de que não cabe crédito sobre o valor do serviço de retirada de resíduos que são gerados pela produção, por que essa retirada ocorre após o momento em que o produto está pronto para a venda. Salientese que, em que pese, durante o processo industrial poder ocorrer simultaneamente fabricação e retirada de resíduos, do ponto de vista lógico, os resíduos são a consequência da produção e, assim, os resíduos retirados se referem a resíduos gerados por unidades prontas, ainda que novas unidades estejam sendo produzidas. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto do relator do processo paradigma na qual foi reconhecido o direito de aproveitamento de créditos quanto aos serviços pagos a terceiros para remoção de lixo industrial, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio no presente processo. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303006.612). Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11065.100250/200876 Acórdão n.º 9303006.615 CSRFT3 Fl. 9 8 Pois bem, uma vez pronto o produto, qualquer gasto posterior, ainda que necessário para à atividade da entidade, em geral, não configura custo necessário a sua produção. Com a produção completa e acabada no momento em que o produto é fabricado, em tese, nada impede que um cliente adquirisse aquele produto, antes da retirada dos resíduos gerados por sua fabricação. Ora, isso afasta a necessidade do gasto para fabricação do produto. Reforça esse entendimento a Solução de Divergência Cosit n° 26 de 30/05/2008, que, analisando o gasto com transporte de produtos acabados, também utiliza, como razão de decidir a desnecessidade do gasto para que o produto esteja apto à venda. A seguir, encontra reproduzida a ementa da referida solução de divergência: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Portanto, ficam excluídos dos créditos da Cofins não cumulativa os gastos com a retirada de resíduos decorrentes da atividade de produção." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais e para restabelecer, também, a glosa dos créditos relacionados aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 400DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.005771/2010-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2008
PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO.
Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007.
CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO.
Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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LOGISTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/06/2008 PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO. Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO. Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 57 71 /2 01 0- 19 Fl. 140DF CARF MF 2 norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende combater a aplicação da multa prevista no artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66 com a nova redação estabelecida no artigo 77 da Lei 10.833/03. Alegou, preliminarmente, a ilegitimidade passiva, sob o argumento no qual agentes de carga e transportadores não se confundem, havendo, no caso, responsabilização solidária sem expressa previsão legal. No mérito, aponta a impossibilidade de aplicação do teor textual previsto no inciso IV, e, pelos motivos a seguir descritos, Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga ((bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de consequencia, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 140 3 artigo 37 do Decreto Lei 37 / 66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. o artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baledeação. Prazos dado às prestações de informações São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; Fl. 142DF CARF MF 4 d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a consequente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A embarcação chegou ao Brasil, RJ, e proveniente de Valencia, Espanha, em 17 de junho de 2008, atracando às 08:15, conforme detalhado em extrato de escala constante destes autos. A data, 17 de junho de 2008, e a hora, 08:15, relativas à atracação, estabelecem o limite para a agência de navegação prestar as informações do veiculo de carga, conforme inteligência do artigo 22 e 50, da IN 800. A agencia de navegação MSC Mediterranean, após ter informado o manifesto de sua compentencia, e efetuado as devidas vinculações às escalas, informou tempestivamente o Conhecimento eletrônico, no dia 13 de junho de 2008. Consta como consignatário da CE, a empresa NEWS Logistics, ora recorrente, Haja vista ser o porto do Rio de Janeiro, o primeiro de atracação e o destino da carga, a data e hora limite para que a NEWS, ora recorrente, prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos artigos 22 e 50 da IN 800/07, é a da atracação da embarcação, ou seja, 17 de junho de 2008, as 80hrs15. Conforme consta, a NEWS procedeu a desconsolidação da carga somente no dia 17/06/08, as 10hrs17min41. Desta forma, intempestiva. tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA AP6S 0 PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante As fls. 20 a 21. Sujeição à Multa Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 141 5 Por fim, a informação no sistema Carga, no momento do desbloqueio, sujeita a aplicação da multa prevista na alínea e, IV do artigo 107 do DL 37/66, com a data de referência em 17 de abril de 2008. Documentos anexados · Extrato da Escala; · Extrato do Manifesto; · Consulta de agencia de navegação / Desconsolidador; · Extrato do Conhecimento Eletrônico. Impugnação Em sua narração de defesa, a recorrente relata ter sido alvo de auto de infração por não ter prestado informações sobre as cargas transportadas em momento tempestivo, motivo pelo qual lhe foi aplicada a multa prevista no artigo 107, IV, e do decreto lei 37/66, nos seguintes termos: a multa será aplicada ao prestador de serviços internacionais quandoa informação não for prestada na forma e prazo Inocorrência de infração ou extemporaneidade na prestação de informações Alega que as informações foram prestadas no prazo. Clama a aplicação do artigos 105 e 116 do CTN, e o argumento da irretroativdade da lei tributária, merecendo ser transcrito os seguintes trechos da impugnação. Ora, tendo em vista que a embarcação transportando a carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em porto nacional em 17/06/2008 (CE 130.805.119.701.397), constatase que não havia obrigatoriedade de observação do prazo de antecedência estipulado para a prestação de informações pela IMPUGNANTE, dado que o prazo determinado pelo artigo 22, nos termos do artigo 50 da IN 800/07, somente seria cogente após 1 0 de janeiro de 2009. a obrigação de prestação de informações no prazo previsto no artigo 22 era até o dia 01 de abril de 2009. Dessa forma, a legislação vigente no momento de ocorrência do "fato gerador', qual seja, no instante em que as informações deveriam ser prestadas, é a legislação que deve ser aplicada ao caso concreto para determinação do prazo para cumprimento da obrigação de prestação de informações por sua vez, que de acordo com o artigo 22 da IN RFB n° 800/2007, as informações deveriam ser prestadas quarenta e oito horas antes da chegada das embarcações a descarregarem em porto nacional. Todavia, referido dispositivo tomarseia de observação obrigatória somente a partir de 10 de Janeiro de 2009, nos termos do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 a •seguir transcrito: Art. 50 Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Fl. 144DF CARF MF 6 Parágrafo único. 0 disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar, informações sobre: I a escala, com antecedência minima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Nem se. alegue que o parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 levaria a entendimento diverso, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC— empresa consolidadora de cargas ou, ainda, das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Ilegitimidade do Agente desconsolidador Classificase, conforme encontrase assentado, como agente desconsolidador, não podendo ser equiparada a agente de navegação. Mais tarde, assegura que a figura da autuada equiparase a do agente de navegação marítima. Cita a súmula 192 do extinto TFR: o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. Por fim, evidencia as impropriedades do auto de infração, atribuindo a necessidade de respeitar as características da relação tributária, o arquétipo do contrato mandato. Irretroatividade e aplicação da multa a partir de 2009 A carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em 17/06/2008, alegando, como visto, não haver a obrigatoriedade de observação do prazo de antecedencia. Levanta a utilização do artigo 105 do CTN irretroatividade da lei que as informações deveriam ser prestadas 48 horas antes da chegada das embarcações , conforme artigo 22, inciso II, da IN 800/2007 Acrescenta, porém, os termos do artigo 50 da IN 800/2007, cujo mandamento impende a obrigação para somente a partir de 1 de janeiro de 2009 Pondera, também, pela alteração trazida pela IN 899/2008, a qual postergou ainda mais a obrigatoriedade, desta vez, para abril de 2009 Ausência de prejuízo ao Erário Merecem ser transcritos os seguintes trechos da impugnação: 24. De fato, segundo consta da autuação, a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, As 8:15:00, e a inclusão do CEMercante Agregado (HBL) 130805119701397 foi procedida na mesma data As 10:17:41, ou seja, pouco mais de duas horas após a efetiva atracação. 25. Ressaltase que a informação foi prestada na data da atracação e de forma espontânea pela IMPUGNANTE, sendo certo que a inclusão da informação no sistema decorridas duas Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 142 7 horas da atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro'ou bo erário público. Proporcionalidade e razoabilidade Requer a aplicação do artigo 2 da lei 9784/99, no sentido de conferir efeitos concretos aos comando da proporcionalidade e reazoabilidade na aplicação de sanções administrativas. A seguir, trechos que delineiam o raciocínio empreendido: Com efeito, a sanção pecuniária imposta, multa regulamentar de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), não observa a proporcionalidade e razoabilidade, que deve permear os atos administrativos, haj a. vista i) a ausência de lesão ao erário, ii) o pleno . exercicio do controle aduaneiro e iii) a boafé da IMPUGNANTE que, duas horas após a atracação da embarcação, Promoveu a inclusão do CEMercante no sistema. Conversão da multa em pena de Advertência Requereu a conversão da multa em pena de advertência, prevista no artigo 76, I, j, da Lei 10.833/03, cominada com o artigo 45 da IN 800/07. DRJ/RJ O acórdão emanado pela referenciada DRJ, encontrase dispensado da formação de ementa, motivo pelo qual, deixase de transcrevêla, seguindose à transcrição do relatório. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para exigência tributária no valor de 5.000,00, referente a multa do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37 de 18/11/1966, aplicada a agente de carga por deixar de prestar informação sobre carga transportada, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração que a interessada, na condição de agente desconsolidador de carga, informou operação de desconsolidação de carga depois da atracação do navio que a transportava. A irregularidade foi cometida em relação ao Conhecimento de Embarque (CE) Mercante Máster nº 130.805.118.396.876 (CE – House nº 130.805.119.701.397), configurando a situação prevista no artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800 de 27 de dezembro de 2007, a qual impõe a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, com multa de R$ 5.000,00 por informar desconsolidação de CE Mercante fora do prazo estabelecido pela legislação. Fl. 146DF CARF MF 8 Cientificada por Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 29 a 41. Pondera a Impugnante que não é parte legitima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que a imposição do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 não poderia ser lhe aplicada, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC empresa consolidadora de cargas ou das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Alega a impugnante que o auto de infração em questão fundamentase em norma que não produzia efeitos à época do fato gerador, citando o artigo 105 do CTN, ipis litteris: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Entende que na época dos fatos, a prestação de informações não precisava observar o prazo do artigo 22 da Instrução Normativa n° 800/2007, uma vez que no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, o referido artigo não tinha aplicação cogente, sendo válido apenas a partir de janeiro de 2009. No mesmo sentido afirma que com a IN RFB n° 899/2008, que modificou a redação do artigo 50 da IN n° 800/2007, houve ainda maior postergação dos prazos de antecedência, tornado a obrigatoriedade de prestar informações no prazo previsto no artigo 22 inexigível até o dia 1º de abril de 2009. Observa ainda a ausência de prejuízo ao erário, bem como que pela observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois que a atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro ou ao erário público. A imposição de multa por mero atraso no cumprimento de uma obrigação de prestação de informações, que não ensejou qualquer embaraço ao pleno exercício do controle aduaneiro (bem jurídico que a obrigação acessória pretende resguardar), mostrase desproporcional à finalidade da norma. Verificada a diminuta ou inexistente lesividade da conduta da impugnante, já que realizou de forma espontânea a prestação das informações sobre o CEMercante pouco tempo depois da atracação da embarcação, possibilitando o efetivo controle da entrada, saída e movimentação das cargas transportadas em território nacional, não se justifica a aplicação da penalidade de multa. Com vistas a observar os princípios legais atinentes à graduação e aplicação de penalidades, notadamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, deveria ser aplicada a penalidade de advertência, prevista no artigo 76, I, "j" da Lei n° 10.833/03 c/c o artigo 45 da IN n° 800/2007. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 143 9 Requer que seja anulado o Auto de Infração, promovendo a declaração de insubsistência do presente AI com a anulação/cancelamento da cobrança e exigibilidade da multa. Do voto, merecem transcrições os seguintes trechos, relativo à aplicabidade da multa em decorrência da análise de direito intertemporal travada nestes autos: Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Sendo assim, no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória a determinação de cumprimento dos prazos de informação da carga já se encontrava em vigor. Desta forma, não se pode recorrer a alegação de que não se esteja cumprindo a regra geral de aplicação da lei tributário, ou seja, sua aplicação prospectiva e imediata prevista no artigo 105 do CTN. Sobre a ilegitimidade passiva, extraise do voto condutor: Relativamente ao argumento de tratarse de mero NVOCC empresa consolidadora de cargas, sem poder ficar sujeito às exigências dos mandamentos da Instrução Normativa nº 800/07, especificamente o dispositivo do artigo 50, informo que estão sujeitos à multa em tela a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou o mero desconsolidador de carga, equiparandose ao transportador marítimo. Sobre os fatos: A fiscalização relata que a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, às 08:15hs, sendo esta a data/hora limite para que a empresa prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. No entanto, a empresa NEWS LOGISTICS LTDA, procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) n° 130.805.119.701.397, somente no dia 17/06/2008, às 10:17:41hs, restando, portanto, INTEMPESTIVA a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata. Fl. 148DF CARF MF 10 Sobre a denúncia espontânea: Cabe observar que o bloqueio da carga no Sistema se deu antes de qualquer pedido de retificação da informação, portanto iniciado procedimento fiscal para apurar a irregularidade, antes mesmo de qualquer solicitação do contribuinte. Alegação de falta de prejuízo ao erário público: Com relação à alegação de falta de prejuízo ao Erário e da falta de conduta lesiva, por conta do admitido registro intempestivo da desconsolidação da carga, é suficiente salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, não cabendo falar, portanto, em modalidade culposa ou dolosa, uma vez que “a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 94, § 2º, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN). Conversão da pena, conforme artigo 45 da IN 800/2007 a expressão “e quando for o caso” não confere possibilidade de escolha sobre a aplicação de pena, mas sim sua cumulatividade quando couber. Recurso Voluntário O recurso apresentado insurgese em face da decisão de primeira instância que manteve a cobrança da multa imposta com fundamento no artigo 107, IV, e do DL 37/66 Ilegitimidade Passiva Alega a não sujeição passiva por parte da recorrente, mencionando a seção II da IN 800/2007, mais especificamente o consolidador estrangeiro (NVOCC) e o agente de carga. Deste modo, pelo artigo 4.º da mencionada IN, a empresa de navegação seria representada pelo agência marítima. Ainda, em seu artigo 6.º, indica a existência da obrigatoriedade do transportador pela prestação de informações. Desobrigatoriedade de Agente Desconsolidador em prestar informações Outro ponto abordado, a recorrente não se confunde com as figuras dos agentes arrolados, não se enquadrando como empresa de transporte, prestadora de serviço de transporte porta a porta e agente de carga. A recorrente é agente desconsolidador, e, por analogia, poderia ser comporada a agente de navegação. Por isso, relata que a recorrente, seria mero agente de cargas apontado pelo agente emissor do HBLS, conforme telas do SISCARGA, e neste sentido, a empresa MSC Meditarranean Shipping deveria ser responsabilizada pela prestação de informações. Junta jurisprudência relativo ao cancelamento de auto de infração com fundamento no item c, do inciso IV do artigo 107 do DL 37/66. Atraso no envio das informações por parte do embarcador Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 144 11 Alega que as informações prestadas foram as corretas e, para prestar as informações, depende das informações prestadas por embarcadores e a confirmação das informações pelo consignatário, exatidão e tempestividade na prestação de informações dos armadores, e, por isso, houve o apontado atraso. Por ser mero agente de cargas, não possui a gestão náutica, e para saber od andamento, dependfe da comunicação oficial do armador Ausência de prejuízo As informações foram prestadas de forma correta, e não houve liberação de carga o envio das informações à autoridade aduaneira, havendo, portanto ciência e a anuência da fiscalização. Denúncia espontânea Traz o artigo 138 do CTN, pois a requerente, sem nenhuma provocação da autoridade, imputou, espontaneamente, as informações logo após ter recebido as informações alega ainda que haja afastamento do instituto pelo DLs 4.543/2002 e 6.759/2009, o CTN fora recepcionado com força de lei complementar. entregue em momento anterior a lavratura do auto, tendo o procedimento fiscal iniciado após a retificação, em conformidade com o artigo 102, parágrafo 2.º do DL 37/66, introduzida pela lei 12.530/2010. Retroação da Lei 12.530/2010 Por fim, a norma, veiculada no ordenamento jurídico no ano de 2010, retroagiria beneficamente ao fato aqui imputado. Ausência de Obrigação Legal período de contingencia 31/03/2009 nas disposições finais transitórias foi estabelecida a data de vigência de aplicação do prazo de 48 horas antes da chegada da embarcação para a prestação de informações, com o objetivo de oportunizar a devida preparação dos operadores do sistema Tal oportunização ocorreu com o diferimento do prazo incial, em 1 de janeiro de 2009, postergado para 1 de abril de 2009, tornando incabível o argumento da aplicação do artigo 50. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo Fl. 150DF CARF MF 12 prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Tempestividade Analisando os autos temse que o Recurso Voluntário é tempestivo. Conhecimento Parcial A fim de analisar sua admissibilidade, temse que deve sêlo apenas parcialmente, excluindose, do conhecimento, a parte atinente ao argumento no qual o atraso na prestação das informações deveuse ao atraso no envio das informações por parte do embarcador, vez que, tal argumento veio à tona apenas em sede recursal. Preliminar de Sujeição passiva Alega a recorrente a ocorrência de sujeição passiva inadequada aos fatos apresentados nas narrativas e versões descritas. Em especial, destacase argumentos da recorrente: Sendo descabida a pretensão do administrador de atingir os agentes marítimos, desconsolidador ou agente de carga. Isto por que, não há previsão legal para a aplicação da responsabilidade solidária pretendida pela autoridade fazendária. Entretanto, há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007: artigo 2.º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; Neste ponto, não assiste razão à recorrente, sendo negado provimento. MÉRITO Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 145 13 Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência Fl. 152DF CARF MF 14 da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 146 15 Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n.1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Fl. 154DF CARF MF 16 Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 147 17 (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Argumentos prejudicados Os argumentos trazidos a respeito da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal período de contingência 31/03/2009, ficam prejudicados, tendo em vista o provimento do pedido relativo à não aplicação da multa por haver norma mais benéfica que alterou o termo inicial do início da incidência da multa. Conclusão. Diante do exposto, Conheço parcialmente do recurso, para excluir da apreciação o argumento atinente ao motivo do atraso na prestação de informações, que teria ocorrido pelo envio tardio por parte do embarcador. Em sede de preliminares, rejeito o pedido de reconhecimento de ilegitimidade passiva. No mérito, aceito a argumentação relativa a não incidência da multa por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, dando, neste ponto DOU PROVIMENTO ao recurso. Sobre os temas da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal em prestar as informações, consideroos prejudicados, não sendo necessária sua análise. Assim, conheço parcialmente do recurso para lhe dar parcial provimento, excluindo o dever recolhimento da multa. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, acompanhado pelo Ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Fl. 156DF CARF MF 18 Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual há "norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade". Preâmbulo 2 Atentese, o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no julgamento do processo 10711.005630/201098, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.354): "Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. A fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 148 19 Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; Fl. 158DF CARF MF 20 c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10711.005771/201019 Acórdão n.º 3001000.360 S3C0T1 Fl. 149 21 Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima, entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, uma vez que resta sobejamente evidenciado que o recorrente procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) somente depois de a embarcação ter atracado no porto do Rio de Janeiro, ou seja, prestando a informação INTEMPESTIVAMENTE, tanto que gerouse de forma imediata, pelo sistema Carga, um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO"." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf (Portaria MF 343 de 09.06.2015), proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso de voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724699/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
Ementa:
MATÉRIA NÃO ARTICULADA NA IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto da impugnação, eis que isto fere o principio do contraditório, ampla defesa implicando em supressão de instância.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO
Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea os dispêndios incorridos para que o valor possa ser considerado custo de aquisição.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Numero da decisão: 2402-006.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 Ementa: MATÉRIA NÃO ARTICULADA NA IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto da impugnação, eis que isto fere o principio do contraditório, ampla defesa implicando em supressão de instância. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea os dispêndios incorridos para que o valor possa ser considerado custo de aquisição.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
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INOVAÇÃO NA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto da impugnação, eis que isto fere o principio do contraditório, ampla defesa implicando em supressão de instância. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea os dispêndios incorridos para que o valor possa ser considerado custo de aquisição.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 46 99 /2 01 2- 12 Fl. 765DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 11080.724699/201212 Acórdão n.º 2402006.207 S2C4T2 Fl. 766 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 754/759, tomado contra Acórdão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação de fls. 647/653, mantendo o imposto no valor de R$ 226.072,21 no anocalendário 2009 e R$ 5.984,55 no ano calendário 2009, a ser acrescido de multa e juros. Por bem delinear a controvérsia até o momento da interposição do apelo, reproduzo o relatório da decisão guerreada: Contra o contribuinte qualificado foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 02/25, referente ao exercício 2009 e 2010, anocalendário de 2008 e 2009, em 24/04/2012, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto263.418,15 Juros de Mora – calculados até 04/201296.485,85 Multa Proporcional (passível de redução)197.563,62 Valor do crédito tributário apurado557.467,62 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: 001 – Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos – Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Adquiridos em Reais Fato geradorValor Apurado (R$)Multa (%) 11/03/2008198.261,5975,00 11/04/2008201.147,1975,00 21/05/2008288.934,0075,00 09/06/2008201.039,4475,00 22/11/20081.243.209,6075,00 05/02/200943.538,0075,00 Em sua peça recursal, aduz o contribuinte que d. DRJ, ao considerar os documentos juntos aos autos como “inidôneos”, agiu de forma incorreta, uma fez que não teria apontado neles nenhum tipo de “fraude”. Acrescenta que as despesas lançadas estariam protegidas pela “estabilidade jurídica”, uma vez que o lançamento teria sido feito corretamente, bem como que alguns Fl. 767DF CARF MF 4 valores teriam sido, inclusive, lançados em patamar inferior ao que determinado pela tabela de Custo Unitário Básico – da SINDUSCON. Assim, aventa que, apesar de terem sido os documentos carreados ignorados, tais como comprovantes de compra de materiais e recibos de mãodeobra, o parâmetro CUB não poderia ser afastado, eis que seria “índice idôneo a comprovar o custo de aquisição, pois um simples cálculo aritmético com base neste indicador comprova a veracidade das declarações. ” (sic fls. 758). Em seguida, complementa que a questão cerne do presente recurso é que o arbitramento feito pelo Fisco não pode ser feito sem parâmetro, registrando que o Custo Unitário Básico é meio idôneo para comprovar os gastos despendidos, de acordo com o art. 17 da Instrução Normativa 84/2001. Aponta que “é legítimo o procedimento de lançamento por arbitramento (aferição indireta), dede que haja um balizador para sustentar e nortear os valores lançados, sob pena de NULIDADE DO LANÇAMENTO” (palavra por palavra, fls. 758). Assenta também que a OS INSS/DAF nº 116/94, que regulamenta o art. 33§ 4º da Lei nº 8.212/91 adota a tabela CUB no cálculo por aferição indireta do valor da mãode obra, sendo fornecida pelo SINDUSCON de cada Estado da Federação, sendo aplicada também no cálculo de contribuições previdenciárias. Direciona que “padrão do imóvel” e “tipo do imóvel” são conceitos distintos. O primeiro referenciase à classificação do imóvel de “padrão baixo, normal/médio ou alto”, e o segundo conceito classifica a destinação do imóvel, a saber, residencial, comercial e/ou industrial. Por derradeiro, requer que seja dado provimento ao recurso para que seja anulado o auto de infração, uma vez que haveria falta de critério objetivo para escorar a autuação. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11080.724699/201212 Acórdão n.º 2402006.207 S2C4T2 Fl. 767 5 Voto Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1 Admissibilidade. O recurso, tempestivo, preenche alguns requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal insculpidos no Decreto nº 70.235/72, entretanto, uma questão possivelmente impeditiva do seu conhecimento necessita ser avaliada. Ao confrontar a peça inicial e a manifestação recursal, percebese que o Recorrente articulou os mesmos fatos, entretanto, ao tratar do direito, fundamentos, pontos de discordância e provas, adotou linhas diversas. No presente caso, na impugnação, o contribuinte se insurge contra o lançamento indicando a decadência como ponto de discordância e fundamentos de direito aptos a anular o mesmo. Já em sua peça recursal, relata as mesmas questões de fato, porém, fundamenta sua tese apenas na adoção da Tabela CUB como elemento para definição do custo de aquisição do imóvel, por consequência, pede a anulação do lançamento. Apesar de ambas as manifestações terem por pleito a anulação do lançamento, a razão essencial para isso é completamente diversa, o que, em nosso sentir, representa inovação na lide. Vejamos o que dispõe do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." No presente caso, não caberia a aplicação do princípio da verdade material uma vez que a verdade material não tem relação com o disposto no Art.16 e 17 do Decreto 70.235/72. Ao buscar superar o óbice referido com base em tal princípio encontraríamos dificuldade, eis que a nova matéria articulada não é de fato, mas de direito. Buscar superar a questão rumo ao conhecimento da matéria com suporte em tal princípio, numa situação que não tem natureza probatória, mas sim procedimental e de direito implicaria em supressão de instância ferindo em contraditório, eis que o fisco, sobre tais argumentos, não pode se manifestar. A aceitação da Tabela CUB na determinação de custos presumidos da construção é tema recorrente e que conta com divergências no âmbito do CARF. Em que pese Fl. 769DF CARF MF 6 tratarse de prova indiciária de tais custos, sua aceitação demanda discussão de direito mais ampla e que não foi oportunizada por omissão do Recorrente em primeira instância. Em decorrência disso, a matéria ventilada em recurso deve limitarse àquela abordada pelo Recorrente em sua Impugnação, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos em sede recursal, por violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, supressão de instância, bem como ao da lealdade processual, que deve preponderar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador, conforme estabelece a legislação que rege a matéria. Por todo exposto, voto por não conhecer dos argumentos recursais que tratam da Tabela CUB eis que os mesmos não integravam a impugnação. Merece conhecimento, entretanto, a confrontação de cálculos realizados pelo contribuinte e Agente Fiscal, frente aos documentos carreados aos autos, eis que tais elementos foram tratados na peça impugnatória. 2 No Mérito. Em sua manifestação recursal contra o Acórdão de nº 0369.026 proferido pela 7ª Turma da DRJ/BSB, o recorrente não tratou de decadência e centrou sua manifestação de inconformidade na confrontação dos cálculos fiscais e na existência de parâmetros indiciários capazes de infirmar a base utilizada para definir os custos de aquisição dos imóveis alienados. A decisão obstada promoveu uma revisão do lançamento ao verificar que o Ilustre Agente fiscal deixou de aplicar as hipóteses redutoras de base de calculo prevista na legislação, refazendo o calculo, implicando em redução do valor originário da autuação. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, foi por julgar procedente em parte a impugnação, para manter imposto suplementar no valor de R$ 226.072,21 no ano calendário 2008 e R$ 5.984,55 no anocalendário 2009, todos os valores a serem acrescidos de multa de ofício e juros de mora, nos termos da legislação vigente. Ainda inconformado com a solução vestibular da lide, interpôs o presente recurso pretendendo ver totalmente fulminado o auto de infração, sob o argumento de total inexistência de ganho de capital no presente caso, eis que não foi considerada a Tabela CUB do Sinduscon na determinação da base de calculo, uma vez que não é dada ao Agente Fiscal o arbitramento desprovido de qualquer parâmetro. Analisando os dados utilizados na apuração do ganho de capital feita pelo contribuinte frente aqueles adotados pela Autoridade Lançadora, resta claro que a divergência existente está centrada no custo de aquisição considerado para cada um dos imóveis e também a data de aquisição do terreno no município de Cachoeirinha. Apenas como curiosidade probabilística, salta aos olhos o fato dos custos de aquisição dos imóveis localizados no Loteamento Novo Sarandi, ai incluídos os de construção, terem ao ser consolidados, exatos R$ 300 mil. Isto é bem incomum, eis que estamos tratando de obras, onde, como o próprio Recorrente lembrou na impugnação, apresentam variações. Notem que, sendo as tabelas de calculo apresentas pelo Recorrente em sua peça, tais imóveis foram vendidos pelos mesmos R$ 300 mil, não havendo que se falar em ganho de capital, eis que a diferença entre valor de aquisição com obras e o valor de alienação é igual a zero. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11080.724699/201212 Acórdão n.º 2402006.207 S2C4T2 Fl. 768 7 O Recorrente alega que houve arbitramento ilegal do custo de aquisição sem qualquer parâmetro, entretanto, ao nosso sentir, não houve arbitramento. O que de fato ocorreu, como acertadamente já asseverou a decisão recorrida, foi a utilização exclusiva de documentos hábeis e idôneos, bem como a desconsideração daqueles que não apresentavam tais características ou impossibilitavam a leitura. Vejamos o que registrou o voto vendedor: "Em relação aos Depósitos 07, 21 e 22 (e respectivos boxes de estacionamento), consta da intimação de fls. 143 que a autoridade fiscal elaborou demonstrativos com as despesas efetivamente comprovadas, anexadas às fls. 160/161 (ano calendário 2007), 260 (anocalendário 2008) e 496/498 (ano calendário 2006), sobre as quais o contribuinte foi intimado a se manifestar e apresentar documentação complementar. No mesmo documento há ainda informação de que “Dentre os documentos apresentados, encontramse simples pedidos e orçamentos que, assim como os documentos ilegíveis, são impróprios à comprovação de despesas”. Tivemos o trabalho de verificar tais documentos e o registro do Agente Fiscal e do Relator da decisão recorrida refletem a realidade probatória do caso e revelam que tato o auto de infração quanto a decisão recorrida, ao desconsiderar documentos divergentes, orçamentos, simples pedidos e documentos ilegíveis, foram as mais acertadas não merecendo retoques. Quanto a adoção da Tabela CUB na definição dos custos de construção, tal argumento não será conhecido, pelas razões já expostas na analise de admissibilidade. Conclusão Ante ao exposto voto por conhecer em parte o recurso para, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915950/2008-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.403
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 50 /2 00 8- 91 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.512, de 24/09/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário. No Recurso Especial, o contribuinte insurgiuse contra o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) ao pagamento da contribuição, alegando, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por forca do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, c/ o § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio de despacho de exame de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.390, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915948/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.390): "O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 4 3 Consoante o acórdão recorrido, o recurso voluntário do contribuinte foi improvido sob dois fundamentos a saber: i) falta de comprovação da certeza e liquidez do indébito reclamado, ou seja, não apresentou as notas fiscais (cópias) das vendas de mercadorias para empresas localizadas na ZFM nem documentos de suas internações naquela Zona Franca; e, ii) o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para aquela Zona Franca ao pagamento do PIS e da Cofins. No entanto, o contribuinte, em seu recurso especial, suscitou divergência apenas em relação ao fundamento II: o não reconhecimento da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas à ZFM. Este fato, por si só, implicaria o não conhecimento do presente recurso, tendo em vista que apenas um dos fundamentos é suficiente para o indeferimento do ressarcimento pleiteado e, consequentemente, a não homologação da Dcomp em discussão. Contudo, por força do princípio da ampla defesa, entendo que o recurso deve ser conhecido. Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 5 4 IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 6 5 Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 7 6 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 8 7 vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 9 8 algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 10 9 entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 11 10 E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 12 11 o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido mas, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720336/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Constatando-se que a empresa foi devidamente intimada e que teve acesso aos autos do processo apresentando recursos no prazo legal, entende-se pela inexistência de cerceamento do direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROPORCIONALIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. INAPLICÁVEL.
Não cabe ao CARF a análise de princípios constitucionais que são dirigidos ao legislador e não à administração tributária.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Ano-calendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizando-se de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou tê-la adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005.
Numero da decisão: 1401-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Abel Nunes de Oliveira Neto
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatando-se que a empresa foi devidamente intimada e que teve acesso aos autos do processo apresentando recursos no prazo legal, entende-se pela inexistência de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROPORCIONALIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. INAPLICÁVEL. Não cabe ao CARF a análise de princípios constitucionais que são dirigidos ao legislador e não à administração tributária. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Ano-calendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizando-se de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou tê-la adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005.
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INOCORRÊNCIA. Constatandose que a empresa foi devidamente intimada e que teve acesso aos autos do processo apresentando recursos no prazo legal, entendese pela inexistência de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROPORCIONALIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. INAPLICÁVEL. Não cabe ao CARF a análise de princípios constitucionais que são dirigidos ao legislador e não à administração tributária. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 03 36 /2 01 0- 01 Fl. 1489DF CARF MF 2 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Anocalendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Peço a venia aos colegas de turma para transcrever o relatório da Decisão de Piso sobre o caso. 1.Trata o processo de lançamentos (fls. 01/99), com ciência em 06/09/2010 (fls. 100/101), decorrentes do: 2.SIMPLES: (Io Semestre do anocalendário 2007) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofíns e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 2.162.286,71, fls.03/46, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. 3.LUCRO ARBITRADO: (2o Semestre do anocalendário 2007) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofíns e Contribuição para a Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.489 3 Seguridade Social, no montante de R$1.317.163,80, fls.60/87, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. 4.De acordo com o Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, o contribuinte optou pelo SIMPLES no l°Semestre de 2007, e por este motivo teve o cálculo do tributo a pagar obedecendo a sistemática deste modelo de tributação. 5.Quanto ao 2o Semestre, continua relatando o Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, como o contribuinte não optou pelo SIMPLES, assim como sua escrituração revelou evidentes indícios de fraude, ou conteve vícios, erros ou deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, o imposto devido trimestralmente foi determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. Amparouse a fiscalização no que diz o art.530, II, a) do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto] de* Renda, [...] 6.Segundo Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, a imputação fundamentouse na Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. 7.Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 22/10/2010, fls.525/564, alegando o seguinte: 7.1 Pede a juntada de todos os autos de infração em um só processo; 7.2 houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; 7.3 O fisco não solicitou preliminarmente esclarecimentos específicos a propósito da matéria lançada. Não foi oportunizada a prestar esclarecimentos específicos sobre a matéria; O auditor deveria ter solicitado explicações melhores sobre a matéria a ser lançada'. 7.4 Promoveu o lançamento fora do local da falta, contrariando o art. 10 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972; 7.5 Deveria ter sido desenquadrada por via Diário Oficial da União, abrindo se prazo para interposição de recurso e logo após iniciase todos os procedimentos para homologação e constituição do crédito tributário; 7.6 Deveria ser aplicada uma tributação com base no lucro presumido; 7.7Não foram considerados os impostos efetuados, os memorandos de exportações e os pagamentos/depósitos que são utilizados para pagamento dos planos de manejos sustentáveis para extração das madeiras para depois ocorrer venda da madeira. Fl. 1491DF CARF MF 4 7.8Não levou em consideração as Notas Fiscais de Entradas de Mercadoria e os Livros Fiscais existentes, pois os depósitos bancários se substanciam não somente na compra e venda de madeiras e sim de suas matériasprimas antecipada que são os projetos de manejos florestais, que tudo devem ser preparados 1 ano antecipadamente e no período do verão, sob pena de não se consolidarem as vendas ao mercado exterior. 7.9Não houve incorporação de nenhum valor ao patrimônio da empresa recorrente, somente quando houver a liberação/das licenças ambientais e que poderão expor a venda e a partir daí efetuar o pagamento dos impostos e demais encargos. 7.10.Todos os depósitos creditados na conta corrente da recorrente, havia uma destinação própria para cada projeto de manejo, que não objeto de questionamento por parte do fisco federal, (doc. em anexo), não ocorrendo qualquer lucro ou acréscimo patrimonial na empresa, ao contrário, somente decréscimos (dívidas); 7.11. Encontrou dificuldade de conseguir todos os extratos bancários solicitados; 7.12. As multas tem efeito de confisco e expropriação; 7.13. Os auditores não sabem informar com mais clareza o quanto o sujeito passivo deve, pois o seu arbitramento é confuso, os valores expressos nas planilhas estão incorretos. 7.14Todos os depósitos não foram considerados como válidos e estão devidamente comprovados e admitidos pelo próprio auditor. 7.15 Deve ser obedecida a súmula vinculante n°29 do STF; 7.16 Protesta por todos os meios de provas que se fizerem necessários e a juntada posterior de outros documentos que possam trazer a verdade dos fatos com mais clareza em favor da recorrente. 7.17 Requer a improcedência total do Auto de Infração e seu arquivamento. A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.490 5 MULTA QUALIFICADA Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Anocalendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Chegando a este CARF o processo teve o seu julgamento sobrestado até o pronunciamento final por parte do STF com relação à possibilidade de quebra do sigilo bancário por requisição da administração tributária. Concluído o julgamento no STF, decidindose pela legalidade do procedimento, o processo retornou à análise. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1493DF CARF MF 6 Passando à análise dos argumentos aduzidos no recurso, temos o seguinte: Inicia com a análise da autuação e aponta o modo de proceder da fiscalização como irregularidades de procedimento. Apresenta extensa argumentação mas não apresenta pedido específico a respeito. Apenas irresignações quanto ao procedimento adotado pela fiscalização. Princípio da Proporcionalidade na aplicação de penalidades ao contribuinte. Neste ponto apresenta entendimento do STF e preceitos da Constituição sem, igualmente, apresentar pedidos específicos. Alega cerceamento do direito de defesa com ação realizada pela fiscalização. Alega que a fiscalização não solicitou esclarecimento ao contribuinte, tendo por consequência o cerceamento do direito de defesa que causaria a nulidade da autuação. Alega ainda que a s multas seriam confiscatórias. Mérito Cerceamento do direito de defesa. Neste ponto traz a única alegação fática de que os depósitos nas contas se refeririam a adiantamentos de fornecedores para posterior fornecimento de madeira. Alega que estes depósitos serviriam para custeio dos projetos de manejo. Alega que não se caracterizou a omissão alegada pela fiscalização. Alega que a empresa é hipossuficiente em sua relação com o fisco e que o julgamento pela DRJ foi parcial. Que o lançamento não verificou a capacidade econômica do contribuinte. Pede a nulidade total do lançamento. Do cerceamento do direito de defesa e dos procedimentos adotados pela fiscalização. Analisando a peça recursal verificamos, de início a exímia capacidade técnica dos patronos do recorrente na análise acurada dos dispositivos legais e constitucionais, além das opiniões doutrinárias sobre o assunto. Entretanto, apesar do esmero na contestação teórica da autuação e das diversas irresignações contra os procedimentos adotados pela fiscalização, a argumentação fática restringese, unicamente, à alegação de que os valores depositados em contacorrente e caracterizados pela fiscalização como omissão de receitas seriam oriundos de adiantamentos de clientes para realização do manejo florestal para posterior fornecimento de madeira. Passando a nossa análise sobre a documentação acostada ao processo verificamos que não houve irregularidades no procedimento realizado pela fiscalização. Foram realizadas as intimações de praxe e, diante do não atendimento às requisições dos extratos bancários, foram emitidas as requisições de movimentação financeira aos bancos e solicitados os extratos da movimentação da empresa. Mais ainda, após o recebimento dos extratos bancários das instituições financeiras a fiscalização, atendendo ao procedimento correto, intimou a empresa a justificar os depósitos verificados em suas contascorrentes. Referida intimação teve, como resposta a apresentação das Guias informadas à Secretaria da Fazenda do Estado comprovando as vendas realizadas no período. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.491 7 Ocorre, que foram a apresentação destas guias, a empresa não apresentou nenhuma justificativa dos depósito, nem ao menos fez qualquer conciliação entre os valores das notas fiscais e os valores depositados em suas contascorrente. A título de teste, verifiquei diretamente o valor de três notas fiscais de emissão do contribuinte do mês de setembro de 2007 e procuramos localizar o valor na relação de depósitos solicitados pela fiscalização. Verificando os meses de setembro, outubro e novembro, não localizamos nenhum valor relativo a estas três notas fiscais. Com este teste simples, pudemos confirmar que a fiscalização apresentou a análise correta acerca do fato que a empresa não atendeu à fiscalização no tocante à apresentar as justificativas da origem dos depósitos realizados em suas contascorrentes. O que se demonstra das verificações realizadas neste momento é que, apesar de a empresa apresentar alegações acerca de um possível cerceamento do direito de defesa, de que haveria justificativa para o ingresso de recursos nas contas da empresa que seriam de possíveis adiantamentos recebidos de clientes, verificamos que, em verdade, os fatos processualmente apresentados não foram os alegados pela fiscalização. Não ocorreu cerceamento do direito de defesa vez que a empresa foi devidamente intimada e teve oportunidade de falar e de fazer provas em seu favor. No entanto deste ônus a empresa não se desvencilhou. Não apresentou provas, não conciliou valores, não trouxe justificativas acompanhadas das provas respectivas. Apenas apresentou, já em sede de impugnação inúmeros documentos como notas fiscais, documentos de exportação, etc. Entretanto, sem nenhuma vinculação destes valores e justificativa, ao menos exemplificativa dos fatos ocorridos, a simples apresentação de documentos não tem o condão de infirmar as alegações apresentadas pela fiscalização. Da Quebra do Sigilo bancário por emissão de RMF Resultado da inação da empresa é que a legislação prevê, em benefício do fisco, a inversão do ônus da prova. Intimada a empresa a identificar a origem das transações em contacorrente que lhe foram creditadas, passou a ser seu ônus apresentar a comprovação das mesmas e não do fisco. Se a empresa é a detentora da contacorrente e dos registros, nada mais normal do que esta pudesse apresentar a comprovação e informações. Ao não se desincumbir de seu ônus processual, aplicase à hipótese a presunção legal estabelecida pela norma Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1495DF CARF MF 8 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Assim é que não procede a alegação de nulidade pela presunção, posto que a presunção realizada com vistas a imputar as infrações obedeceram todos os requisitos determinados pela norma com a prévia intimação da empresa. Ademais, com o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, em 24/02/2016, com repercussão geral reconhecida, foi fixado o entendimento acerca da constitucionalidade da LC 105/2001, bem como sua aplicação retroativa, sendo de aplicação obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF 343/2015). RE 601.314 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.492 9 jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Também, as Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da LC 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. O recorrente intimado a fornecer os seus extratos bancários, não os apresentou, cabendo à fiscalização a emissão de RMF diretamente à instituição financeira. Tal procedimento transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade na quebra do sigilo bancário da recorrente. Desta forma, não assiste razão ao recorrente. Do Cumprimento das Normas do SIMPLES e do Arbitramento do Lucro. Do Local da Lavratura do Auto de Infração Em relação ao cumprimento das normas legais para a emissão dos autos de infração do SIMPLES e do Lucro arbitrado, não merecem ressalvas os termos do voto proferido pela Delegacia de Julgamento. O lançamento pelo SIMPLES, relativo ao 1º semestre de 2007, baseouse no excesso de receita bruta durante o ano e aplicou as alíquotas do SIMPLES. Fl. 1497DF CARF MF 10 O lançamento do lucro arbitrado relativo ao 2º semestre de 2007 baseouse na inexistência de opção do contribuinte em relação ao SIMPLES NACIONAL, sistemática nova que incluia os tributos estaduais e municipais. Assim, não havendo opção por parte do contribuinte e inexistindo escrituração contábil e fiscal de forma a possibilitar a apuração sob a sistemática do Lucro Real, não era possível a aplicação do Lucro Presumido, da forma pretendida pela empresa, posto não existir opção para tanto. Tornase obrigatório, nestes casos a apuração do lucro por Arbitramento com base na receita bruta, da forma como executado pela fiscalização. Pelo exposto, não havendo irregularidade procedimental, não assiste razão ao recorrente. Caracterização da Omissão de Rendimentos Em relação à omissão de receitas que o recorrente alega não ter sido caracterizada e que levou o fiscal a considerar ilícita uma conduta lícita, peguemos, em primeiro lugar, as normas legais atinentes ao assunto. Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) ....... § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.493 11 relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Ora, verificandose a legislação em questão, comprovase que após a análise dos extratos bancários da empresa junto às instituições financeiras, foram elaborados demonstrativos dos lançamentos individualizados e devidamente intimado o contribuinte para apresentar justificativas da origem dos depósitos em questão. A empresa, devidamente cientificada, não apresentou justificativas, item a item da origem dos valores depositados. Limitouse a apresentar argumentação genérica de que poderiam ser originados em antecipações de fornecedores, ou apresentou notas fiscais diversas que, conforme nossa análise e da fiscalização, sequer puderam ser confirmadas por amostragem. Não procedem, desta maneira, as argumentações apresentadas pelo recorrente. A omissão foi comprovada de acordo com os estritos termos da Lei. Diante dos fatos, comprovados de acordo com as normas legais, não encontram guarida argumentos genéricos que não levam à infirmar a acusação de omissão. Em sendo assim, não devem ser acolhidas as alegações do recorrente neste ponto. Preceitos Constitucionais e Princípio da Proporcionalidade. Hipossuficiência do contribuinte. Com relação a estas alegações, discorridas em extensa argumentação, devemos ter em mente que as normas constitucionais aventadas devem ser observadas pelo Poder Legislativo quando da edição de normas infraconstitucionais, Assim, em nossa Carta Magna encontramse os limites de atuação dos entes públicos, responsáveis pela edição de leis instituidoras de tributos. Sendo as Leis instituidoras editadas seguindo o devido processo legislativo, presumemse constitucionais não cabendo aos órgãos da administração tributária interpretar ou não estas normas de acordo com os princípios constitucionais. Pelo contrário, a administração tributária tem o poderdever de aplicar as normas tributárias postas, o seu descumprimento é causa de infração funcional. Ao contribuinte, como no caso do recorrente, que entende que alguma das normas aplicadas ofenderiam os preceitos constitucionais cabe o direito de acionar o Poder Judiciário no sentido de questionar a constitucionalidade das normas e sustar a sua aplicação. Não cabe à administração tributária esta análise. Mais não é cabível, nem ao menos permitida, posto que a análise da constitucionalidade das normas é tarefa exclusiva do Poder Judiciário dentro do sistema de freios e contrapesos que sustenta os sistemas jurídicos modernos. A esse respeito vige a Súmula 02 do CARF, nos seguintes termos. Fl. 1499DF CARF MF 12 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103 21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203 09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204 00115, de 17/05/2005 Pelo exposto, em relação a estes pontos, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. Nulidade do Lançamento Em relação às diversas alegações de nulidade do lançamento, verificada a análise já procedida neste voto, conforme os termos acima apresentados, não se verifica a ocorrência de nenhuma das hipóteses do Decreto nº 70.235/82 no que trata de nulidades. Vejamos o texto da norma no que trata das nulidades no processo administrativofiscal da União. CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Consoante o vislumbrado nas normas acima, da análise dos argumentos do contribuinte e do auto de infração não estão presentes nenhum dos requisitos a autorizar a Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.494 13 aplicação da nulidade no referido processo, visto não existir incompetência da autoridade lançadora nem cerceamento ao devido direito de defesa da parte. Do exposto, também neste ponto entendo não assistir razão ao contribuinte. Multa Qualificada Finalmente, em relação à qualificação da multa, iremos tratar deste ponto apesar de não haver, na extensa petição do recurso, nenhum pedido relativo à sua revisão. Entretanto, para evitar embargos por omissão, entende este relator que o tema deve ser tratado neste voto. Para analisar o tema, transcrevemos as condutas apontadas pela fiscalização para a aplicação da qualificação. Normalmente me posiciono no sentido de excluir a qualificação quando paira alguma dúvida sobre o procedimento adotado pela empresa. No presente caso, de outro modo, vemos que a empresa declarou à Receita Federal a inexistência de receitas tributáveis, ao passo que, ao fisco estadual, declarou a existência de receitas em valores significativos, que montaram em mais de R$ 10 milhões no ano. Assim procedendo evidentemente a empresa detinha conhecimento e, mais ainda, demonstra a real intenção de omitir do fisco federal os valores de receitas sujeitos à tributação quando os declarou ao fisco estadual. Ou seja, praticou atos tipificados nos art, 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 que sujeitam o contribuinte à qualificação da multa. Pelo exposto, em relação à constatação de elementos da qualificadora, entendo assistir razão à fiscalização, devendo ser mantida a qualificação da multa aplicada. Fl. 1501DF CARF MF 14 Por todo o exposto e apresentado voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário mantendo a autuação da forma decidida pela Decisão de Piso. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1502DF CARF MF
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