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Numero do processo: 10183.904232/2012-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 32 /2 01 2- 33 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904232/201233 Acórdão n.º 3803006.090 S3TE03 Fl. 64 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904232/201233 Acórdão n.º 3803006.090 S3TE03 Fl. 65 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720559/2012-35
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 01/01/2010
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA E CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO DAS PESSOAS FÍSICAS. TRABALHADORES DAS CATEGORIAS DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OU SÓ DOS EMPREGADOS. VALORES COM AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU COM RECOLHIMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS. AUSENTE LANÇAMENTO SOBRE VALOR DE PESSOA JURÍDICA, POIS HIPÓTESE FORA DA ÁREA DE INCIDÊNCIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 01/01/2010 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA E CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO DAS PESSOAS FÍSICAS. TRABALHADORES DAS CATEGORIAS DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OU SÓ DOS EMPREGADOS. VALORES COM AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU COM RECOLHIMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS. AUSENTE LANÇAMENTO SOBRE VALOR DE PESSOA JURÍDICA, POIS HIPÓTESE FORA DA ÁREA DE INCIDÊNCIA. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrente CONSÓRCIO PÚBLICO DA REGIÃO SUDOESTE SERRANA CIM PEDRA AZUL. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 01/01/2010 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA E CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO DAS PESSOAS FÍSICAS. TRABALHADORES DAS CATEGORIAS DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL OU SÓ DOS EMPREGADOS. VALORES COM AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU COM RECOLHIMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DAS DIFERENÇAS. AUSENTE LANÇAMENTO SOBRE VALOR DE PESSOA JURÍDICA, POIS HIPÓTESE FORA DA ÁREA DE INCIDÊNCIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 59 /2 01 2- 35 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720559/201235 Acórdão n.º 2803003.248 S2TE03 Fl. 975 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720559/201235 Acórdão n.º 2803003.248 S2TE03 Fl. 976 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.020.0699, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de contribuintes individuais – relativamente a cota patronal. Constitui, também, o presente – PAF o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.020.0702, que objetiva o lançamento das contribuições destinadas a outros entidades e fundos terceiros, ainda, constitui estes autos o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.020.0753, CFL.78, por apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 26 a 38, com período de apuração de 05/2005 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 393 e 394. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 26/06/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03; 13 e Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 23. O contribuinte apresentou as suas defesas, em 25/07/2012, as fls. 423 a 440; 653 a 663; 692 a 696, acompanhada dos documentos, de fls. 441 a 652; 664 a 691; 697 a 724. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 725. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1257.701 13ª, Turma DRJ/BHE, em 10/07/2013, fls. 742 a 756. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 09/08/2013, conforme AR, de fls. 769. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 771 a 775, recebido, em 09/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 771, acompanhado dos documentos, de fls. 776 a 970. Preliminar. · que o recurso é tempestivo; Mérito. · que o auto de infração não alcançou a verdade dos fatos, pois no período de janeiro a agosto/2009 os documentos anexados aos autos demonstram como foi feito o controle dos recolhimentos, bem como não só pessoas físicas foram contratadas, mas, também pessoas jurídicas; Fl. 976DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720559/201235 Acórdão n.º 2803003.248 S2TE03 Fl. 977 4 · que no Resumo dos Pagamentos X Recolhimento/2009 está demonstrado o quanto foi recolhido, a parte da recorrente, bem como o valor devido à época, detalhado por pessoa física e jurídica, ocorrendo uma migração de credenciamentos para pessoas jurídicas, em razão da Lei 8.666/93; · que as notas fiscais de janeiro a agosto/2009 disponibilizadas, dão clara e precisa visão de que não houve infração administrativa ou judicial, para justificar o auto de infração lançado; · que incidiu de forma indevida a contribuição sobre os pagamentos de pessoas jurídicas, devendo este ser revisto para se apurar, o que é realmente devido (se é que há dívida), anulandose os três autos de infração, por flagrante erro de classificação; · Dos requerimentos: a) suspensão dos três autos de infração; b) remessa dos autos a contadoria para a apuração da verdade real; c) e que caso haja crédito a mais, que estes sejam devolvidos para a recorrente. A autoridade preparadora nada falou sobre a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 972. O autos foram distribuídos a esse relator, em 21/11/2013, fls. 973. É o Relatório. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720559/201235 Acórdão n.º 2803003.248 S2TE03 Fl. 978 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. A única preliminar suscitada referese a tempestividade do recurso, porém essa é desnecessária, uma vez que esse julgador reconheceu a existência de tal requisito. Mérito. A demonstração de como foi feito o controle dos recolhimentos e a afirmação de que não só pessoas físicas foram contratadas, no período de janeiro a agosto/2009 nada prova e nada desmerece o auto de infração, pois o agente fiscal deixou bem claro, os fatos geradores lançados por levantamento, bem como demonstrou as origens das informações e os documentos que serviram de base para a obtenção das informações, basta ver a transcrição abaixo. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720559/201235 Acórdão n.º 2803003.248 S2TE03 Fl. 979 6 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720559/201235 Acórdão n.º 2803003.248 S2TE03 Fl. 980 7 Todas as informações estão suportadas nos documentos fornecidos pela recorrente e nas tabelas e planilhas elaboradas com lastro nesses documentos. Aliás, a recorrente faz alegações de forma genérica e imprecisa, pois não indica quais as irregularidades que pensa existir, além de não demonstrar ou provar tais alegações. Demonstrar o quanto foi recolhido, não implica em provar que não houve recolhimento a menor ou que determinada rubrica não foi recolhida in totum, uma vez que a própria fiscalização reconhece que há ocorrência de pagamentos em determinadas competências e valores, conforme consta do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, de fls. 417 e 418, contudo isso não implica dizer que não haja a ocorrência de contribuições ou diferenças a recolher, conforme item do REFISC, abaixo transcrito e dos itens 2.1 a 2.5, supramencionados. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720559/201235 Acórdão n.º 2803003.248 S2TE03 Fl. 981 8 A falta de recolhimento de todas as contribuições lançadas nestes autos ficou demonstrada de forma clara, precisa e objetiva, nos diversos relatórios que compõe o lançamento, ficando configurada a situação de ausência de recolhimento. O lançamento como definido pelo agente lançador decorre exclusivamente das remunerações pagas, devidas ou creditada aos trabalhadores das categorias de empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços a recorrente, não havendo lançamento em função de pessoa jurídica, sendo, também, que para efeito de tributação a migração dos credenciamentos de pessoa física para jurídica, em nada afeta este lançamento, uma vez que só a atividade profissional de pessoa física foi objeto da tributação. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011931/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único desvinculado do salário por força de instrumento de negociação coletiva entre o empregador e seus empregados.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2402-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único desvinculado do salário por força de instrumento de negociação coletiva entre o empregador e seus empregados. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 19 31 /2 00 7- 60 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pela Fazenda contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega a embargante que o acórdão teria incorrido em contradição e obscuridade. Segue transcrição: Ocorre que o caso ora sob análise não parece se amoldar aos requisitos previstos no citado ato declaratório da PGFN. Cabe destacar que a dispensa de interposição de recurso ocorre tão somente na hipótese em que o abono único está previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, o que, s.m.j., não se observou no presente feito. De acordo com o relatado pela autoridade fiscal, o pagamento do abono salarial foi fruto de acordos individuais celebrados entre a empresa e seus funcionários. Nesse sentido, confirase, por oportuno, trecho do relatório fiscal: A empresa estabeleceu com seus empregados acordos individuais plúrimos, resultantes de negociações diretas entre as partes, e concedeu a todos os trabalhadores em atividade abono salarial a ser pago em parcela única. Defende a embargante que não teria sido celebrado entre empregador e empregados a convenção coletiva de trabalho e, por essa razão, o ato de declaratório PGFN nº 16/2011 não se aplicaria ao caso. É o Relatório. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011931/200760 Acórdão n.º 2402003.992 S2C4T2 Fl. 1.188 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. O relatório fiscal emprega a expressão “acordos individuais plúrimos” para se referir ao instrumento de negociação que originou o pagamento do abono único. O fundamento para a incidência foi a necessidade de desvinculação através de lei e não por acordo entre as partes, fls. 356357 do processo principal nº 10680.011914/200722: Portanto, esta alínea vem regulamentar a Lei 8.212/1991 e confirmar a CLT, ao determinar a necessidade da desvinculação por força de lei para afastar a incidência de contribuições previdenciárias, e não por força de acordo coletivo ou individual de trabalho. Segundo a fiscalização, houve acordo entre representantes dos empregados e empregador, de forma que o benefício fosse pago à totalidade dos empregados. De fato, esse acordo não é uma convenção coletiva de trabalho. Acontece que o acórdão embargado, ao aplicar o ato declaratório PGFN nº 16/2011, atevese aos fundamentos do lançamento, ou seja, a necessidade ou não de lei para desvincular o benefício do salário. Mesmo que o entendimento do relator seja pela necessidade de lei, já que, do contrário, se estaria afastando o artigo 214, §9º, item V alínea “j” do Decreto nº 3.048/99, inclinouse à tese do STJ que veio a ser acolhida pela PGFN: ABONO. A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. ... De acordo o entendimento do STJ não há necessidade de lei para afastar a incidência da contribuição previdenciária. Não é somente a convenção coletiva de trabalho o instrumento para a concessão do benefício e sua desvinculação do salário, outros instrumentos de negociação coletiva se prestam para tal finalidade. O instrumento empregado não é da essência da tese adotada pelo STJ e, conseqüentemente, também não seria do ato declaratório PGFN nº 16/2011. É que a convenção coletiva de trabalho é de fato o instrumento mais usual para a concessão de benefícios, Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária” Importante é que não exista habitualidade e que o benefício seja pago indiscriminadamente aos segurados empregados, o que ocorre com o abono único pago coletivamente. Assim, voto no sentido de rejeitar os embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900903/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/09/2004
CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
Numero da decisão: 3302-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno OAB/RJ 117908.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/09/2004 CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno OAB/RJ 117908.
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ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 03 /2 00 9- 48 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno – OAB/RJ 117908. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada de débito de Cofins (cód. 585601), relativo ao período de apuração de dez/05, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins (cód. 2172) do período de 08/04, recepcionada pela RFB em 13/01/2006, tudo conforme se verifica na cópia da Perd/Comp constante dos autos (fls. 265 e seguintes). A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 270). Cientificada da decisão (fl. 274), em 04/03/09, a contribuinte apresentou, em 03/04/09, Manifestação de Inconformidade (fls. 03/10) alegando, em resumo, que: 1. reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida, pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo recolherá a diferença; 2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; 3. contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; 4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03, com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL, CERJ/AMPLA e SAMARCO, aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; 5. as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas ao Pis e a Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03); 6. na mesma direção opinou a ANEEL pelo ofício nº 1.431/2006SFF/ ANEEL, juntado ao presente recurso; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900903/200948 Acórdão n.º 3302002.599 S3C3T2 Fl. 3 3 equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas ao Pis/Cofins nãocumulativa; 7. ao perceber a falha retificou a contabilidade, mas olvidou de retificar a DCTF; 8. ao constatar a situação apresentou Per/Dcomp’s, mas cometeu novo equívoco, ensejando compensação parcialmente indevida, cujo débito será quitado; 9. ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar; 10. não obstante os erros que estão sendo corrigidos, é indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior. A contribuinte requer a homologação da compensação declarada. Em 20/04/10, a contribuinte, em Aditamento à Manifestação de Inconformidade, solicita juntada de novas peças aos autos (fls. 278/286). Os autos foram baixados em diligência (fls. 299/300) para a Autoridade a quo: (1) confirmar as receitas decorrentes de cada contrato no período de apuração do crédito;(2) discriminar e quantificar em tabela específica, quando houver, o crédito relativo a cada contrato. A Delegacia de origem, então, informou (fl. 397 e seguintes) que a receita bruta somada à receita recebida no mês em exame (07/04) diminuída da receita diferida resultava no total de R$ 47.308.633,08, equivalendo ao que fora informado pela contribuinte como submetida ao regime cumulativo. A Delegacia, porém, registrou que o valor retido efetivo não correspondia ao considerado pela contribuinte. Cientificada, a contribuinte aditou sua Manifestação de Inconformidade, onde alegou, em resumo, que: 1. a diligência constatou que as receitas vinculadas aos contratos no período equivalem ao valor das receitas consideradas no regime cumulativo; 2. divergiu, porém, do total retido, pois a requerente não conseguiu localizar os documentos comprobatórios; 3. optou por desprezar a citada diferença na composição do seu direito creditório. Pede o reconhecimento do direito creditório no valor remanescente, homologando sua compensação.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade e reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado.” Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Intimada do acórdão supra em 11.06.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11.07.2012. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente, faço referência às duas causas de nulidade invocadas pelo contribuinte. A primeira, quanto aos termos da IN no. 21/79, conquanto interessante a observação do conceito de contrato prédeterminado com entidades governamentais, não creio que afete esse julgamento, posto que a questão aqui decidida o será por força da própria Lei. A segunda, quanto à inobservância do art. 30 do RPAF, não creio também ser aplicável in casu, uma vez que os pareceres mencionados e que são de vinculação obrigatória são os proferidos pelo Ministério da Fazenda e seus órgãos, e ainda assim dentro de certos parâmetros. Afasto portanto as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, a recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição do PIS/COFINS com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu de forma contrária, ou seja, que estava correta a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS com incidência não cumulativa, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Nos termos do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, combinado com o artigo 109 da Lei nº 11.196/05, as receitas provenientes de contratos predeterminados estão sujeitas ao regime cumulativo, no seguinte sentido: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900903/200948 Acórdão n.º 3302002.599 S3C3T2 Fl. 4 5 c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (...)” Lei nº 11.196/05 “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Tal determinação aplicase ao PIS, conforme redação dada pela Lei nº 10.865/04: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (...)” No mesmo sentido, são as prerrogativas prescritas nos artigos 2º e 3º da IN/SRF nº 658/2006: “Do Regime de Incidência Art. 2 º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3 º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 º Ressalvado o disposto no § 3 º , o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2 º , da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” Pois bem, conforme exposto no acórdão recorrido, para ser possível a adoção do regime cumulativo, devese preencher alguns requisitos, sendo dentre eles os seguintes: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/03; 3. contrato para um período superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado. Também, conforme relatado no acórdão proferido pela DRF do Rio de Janeiro, consta dos autos que o Recorrente firmou contratos de fornecimentos de energia elétrica com 05 (cinco) empresas, sendo que da análise desses contratos os i. julgadores elaboraram o seguinte quadro: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900903/200948 Acórdão n.º 3302002.599 S3C3T2 Fl. 5 7 CONTRATO FURNAS GERASUL (Tractebel) CERJ (Ampla) SAMARCO COELCE (fl. dos autos) (43) (101) (160) (240) (254) Bem / serviço En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica Data 05/05/98 20/10/99 26/06/02 30/09/03 14/10/02 Prazo 20 anos 20 anos 20 anos 30/09/03 a 31/12/06 01/01/03 a 31/12/04 Preço PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u De todo exposto, o ponto crucial para dirimir a controvérsia, provém da definição de contrato a preço predeterminado. O parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006, supracitado prescreve que “O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. Nesse mesmo sentido é o artigo 109 da Lei n 11.196/06 acima mencionada. Vimos que dispor acerca dos “reajustes de preços” o legislador referese, apenas a reajustes comuns aplicados a quaisquer contratos, de forma genérica, de forma a melhor refletir a variação dos custos de produção e custos dos insumos utilizados. Assim, aplicandose os índices do mercado, caracterizado está o atendimento da exigência do parágrafo 3º da IN nº 658/06, onde está determinado que o reajustes não pode ultrapassar essa variação prescrita na legislação. Todavia, de forma equivocada ao julgar a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, os i. julgadores entenderam que, devido aos contratos serem ajustados anualmente, pelos reais índices inflacionários, no caso o IGPM, a partir desse reajuste a Recorrente deveria computar suas receitas através do regime da nãocumulatividade, pois teria ocorrido neste caso a alteração no preço do fornecimento, o que impõe a exclusão do regime cumulativo. Não compartilho desse entendimento, pois o reajuste de preços realizados anualmente, não descaracteriza os contratos a “preço predeterminado”. Conforme exposto pelo i. Conselheiro relator Ivan Allegretti, em seu voto proferido no acórdão nº 3403002.248: “Quanto ao cerne da aplicação do parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 e do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, entendo que se destinam deliberadamente a impedir que se possa interpretar a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a “preço predeterminado”. Isto, aliás, justifica a determinação do parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que tal interpretação deve ser Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 tomada em conta desde 1º novembro de 2003, ou seja, tal como se imprimisse efeito declaratório à interpretação do que seja contrato por preço predeterminado, previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03. Esta nova Lei, portanto, teve a finalidade de integrar o sentido da Lei anterior. A intenção, ao que tudo indica, foi a de alinharse à interpretação que os Tribunais já vinham pronunciando para o dispositivo da Lei nº 10.833/05, antes da Lei nº 11.196/05 ter vindo à lume.” (CARF – Acórdão nº 3403002.248. Rel. Ivan Allegretti. Sessão 23.05.2013) Neste sentido, o Judiciário sem exceção, tem reconhecido o direito dos contribuintes nessa situação. Citemos os seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO À REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA LEI N° 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/04. ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005. 1. Discutese a validade da tributação na forma preconizada pelo artigo 10, inciso XI, cc. artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder Público, antes de 31 de outubro de 2003, por período certo, superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a ilegal INSRF n° 468/04, que, desbordando do texto legal e alterando os critérios de tributação traçados pela lei, definiu o que vem a ser preço determinado. 2. A INSRF n° 468/04 conferiu interpretação equivocada ao inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03. 3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” 4. Apelação e remessa oficial improvidas.” (TRF 3ª Região. Rel. ELIANA MARCELO. MAS 200561000030246. DJ 06/12/2007) “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. PERMANÊNCIA NO REGIME DA CUMULATIVIDADE. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900903/200948 Acórdão n.º 3302002.599 S3C3T2 Fl. 6 9 CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B, DA LEI 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 658/06. INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. 1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04 e 658/06, impediu que contratos, embora se subsumindo as hipóteses previstas na Lei 10.833/03, usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. 3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com preço preestabelecido pela Receita Federal encontra óbice na inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa. 4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação tributária, resta autorizada a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, com qualquer tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. 5. Remessa oficial a que se nega provimento.” (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) grifos nossos A Secretaria da Receita Federal, de forma equivocada, bem como utilizando se de norma inadequada para a alteração da legislação, no caso a Instrução Normativa, tentou impedir que os contratos por preços predeterminados usufruíssem do regime da cumulatividade, por entender que a mera atualização monetária acarretaria a mudança no preço, entendimento do qual não compartilho. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Ademais, conforme exposto pela Recorrente, a APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”, cuja resposta provém do Ofício nº 1431/2006SFF/ANEEL, no seguinte sentido: “ (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...)” De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Assim, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. Por fim, salientamos que o Ofício supracitado foi expedido pela ANEEL que é agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos, sendo que, uma resposta oficial proveniente dessa agência do Governo sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, em face da segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Finalizando, considerando que o Despacho Decisório na sua origem não analisou os valores dos créditos, importante que a Delegacia de origem apure os respectivos, e que lhe seja concedido o direito sobre os valores ao final calculados. Por todo exposto, conheço do recurso, e doulhe provimento parcial para autorizar a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, sujeita à devida valoração do crédito efetivamente existente. É como voto Sala das Sessões, em 28 de maio de 2014. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 469DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900903/200948 Acórdão n.º 3302002.599 S3C3T2 Fl. 7 11 Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Como relatado, a empresa Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Restituição de valor tido por ela como pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado no dia 15/03/04. Processado o pedido, o Delegado da DRF em Niterói constatou que o DARF informado no PER foi integralmente utilizado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, não existindo pagamento indevido. Por esta razão, e somente por esta razão, o pedido de restituição foi indeferido. Portanto, o Delegado da DRF em Niterói, única autoridade competente para reconhecer originalmente o direito ao crédito pleiteado, fundamentou sua decisão exclusivamente no fato do DARF estar integralmente alocado a débito declarado em DCTF. Para tomar essa decisão, a autoridade competente da RFB não precisou conhecer das razões que levaram a empresa Recorrente a pleitear a restituição. O fato de não existir pagamento disponível para restituição foi o suficiente para a autoridade competente tomar a sua decisão. E assim o fez. Não se conformando com a decisão, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade reconhecendo que não efetuara a retificação da DCTF. Expõe as razões que a levaram a cometer referido erro. Além disso, e principalmente, aduz a empresa interessada as razões que a levaram a efetuar recolhimento a maior de PIS. Diz a recorrente que o pagamento indevido ocorreu porque foi incluído, indevidamente, na base de cálculo do PIS não cumulativo, receitas sujeitas à tributação cumulativa do PIS, pelas razões que cita. Tendo em vista as razões que levaram ao indeferimento do pedido, essas alegações da recorrente não podem integrar a lide porque o Despacho Decisório atacado pela Manifestação de Inconformidade nada disse sobre esta matéria e nela não se fundamentou. Sendo único o fundamento fático para o indeferimento do pedido (Darf alocado a débito regularmente declarado), qualquer outro fato que eventualmente tenha acontecido com a Recorrente não pode integrar a lide estabelecida neste processo. Portanto, enganase a decisão recorrida quando afirma que a questão central do contencioso é a definição do regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas. O resultado da diligência, com o qual concorda a Manifestante, limitouse apenas a apurar as receitas vinculadas aos contratos Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 no PA (do crédito), mas nada informou quanto ao segundo item da diligência pedida relativo ao crédito. Tal item basicamente traduziase em enfrentar a questão central do contencioso, a de definir o regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas Tal matéria não foi apreciada e nem decidida pelo Delegado da DRF em Niterói, autoridade da RFB competente para decidir pedido de restituição. Ao apreciar e decidir tal matéria, que foi alegada em sede de Manifestação de Inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ ultrapassou os limites de sua competência. Além de ter decidido, originalmente, pedido de restituição, a Turma de Julgamento deixou de apreciar as razões da empresa interessada sobre os motivos que a levaram a pedir a restituição sem antes retificar a DCTF. Deveria a Turma de Julgamento ter decidido se é possível ou não apresentar pedido eletrônico de restituição sem retificar a DCTF onde consta o débito que o pagamento foi alocado. Porventura entendesse a Turma de Julgamento da DRJ que o pedido poderia ser realizado sem a prévia retificação da DCTF, o processo deveria retornar à DRF de Niterói para o Delegado apurar a existência de indébito, à luz das alegações trazidas pela empresa interessada e das providencias que entendesse necessárias. Ou seja, afastado o óbice do Despacho Decisório, apurarseia a eventual existência de pagamento indevido. Alias, esse entendimento é pacífico nesta Turma de Julgamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3302002.365, de 26/11/2013 (Processo nº 10650.900486/200923) e 3302 002.210, de 27/06/2013 (Processo nº 10166.908050/200944). Portanto, o entendo que deverseia afastar o motivo de indeferimento do pedido de restituição (DARF alocado a débito declarado em DCTF) e determinar que a DRF apure a eventual existência de pagamento indevido. Havendo pagamento indevido, seria o mesmo restituído à empresa interessada ou utilizado em compensação regularmente declarada, conforme o caso. Estas são as razões pelas quais não posso acompanhar o Ilustre Relator, já que conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a razão do indeferimento do pedido de restituição e determinar que o Delegado da DRF em Niterói apure a existência de indébito e, se for o caso, proceda a restituição. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10916.000172/2010-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/09/2005, 24/09/2005, 27/09/2005, 29/09/2005
06/10/2005, 11/10/2005, 12/10/2005, 15/10/2005, 20/10/2005, 22/10/2005,
23/10/2005, 03/11/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 6. 00 01 72 /2 01 0- 02 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.000172/201002 Acórdão n.º 3801003.261 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11070.000461/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria, convertido o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Acordam os membros do colegiado: Por maioria, convertido o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida, Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Kepler Weber Industrial S.A. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 00 46 1/ 20 07 -5 0 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000461/200750 Resolução nº 3401000.779 S3C4T1 Fl. 232 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. O deferimento do pedido de perícia não se justifica se os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão, sobretudo quando o pedido deixar de atender os requisitos legais para sua formalização. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LEI n° 9.779/99 (ART.11). INFRAÇÕES APURADAS EM OUTRO PROCESSO. SALDO CREDOR ALTERADO DE OFÍCIO. Tratandose o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI fulcrado no artigo 11 da Lei no 9.779/99, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo, a solução do litígio prendese ao decidido para o lançamento face A estreita vinculação existente entre os processos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade fls. 138/158, contra despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS, fls.130/131, que reconheceu parcialmente direito ao ressarcimento ao crédito de IPI pleiteado no valor de R$ 613.122,75, autorizado pela Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente ao 10 trimestre de 2005, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido no valor de R$ 66.866,29. A glosa no valor de R$ 546.256,46, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 80/84, é decorrente da reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, 92, pelas seguintes infrações: "1 Crédito indevido de IPI — Nota Fiscal de Devolução/Retorno de Produtos O contribuinte creditouse indevidamente do IPI, em relação as notas fiscais de entradas de produtos, sem que aqueles produtos tivessem efetivamente entrado no estabelecimento da empresa. As operações em que houve o creditamento indevido são: Devoluções e retornos de remessas referentes a vendas para entrega futura p/ refaturamento (CFOP 1.949, 2.949) Devoluções de produtos do estabelecimento p/ refaturamento (CFOP 1.201 ,2.201) Devolução de produto do estabelecimento (CFOP 2.949) Outras entradas (CFOP 2.949) Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000461/200750 Resolução nº 3401000.779 S3C4T1 Fl. 233 3 Nestas operações não houve a efetiva entrada do produto no estabelecimento da empresa..." Tais infrações apuradas resultaram na reconstituição da escrita da contribuinte no período em apreço, cujo desfecho redundou em crédito tributário constituído de oficio Auto de Infração n° 11070.001443/200876, bem como na redução dos saldos credores relativos aos períodos de apuração que a requerente entende fazer jus para ressarcimento em conformidade com o disposto no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Em sua inconformidade sustentou, em resumo, que a glosa do crédito por entrada de mercadorias devolvidas e refaturadas não foi suficientemente motivada pela Autoridade Fiscal. Pugna pela aplicação dos artigos 164, 190, 191, 323, 359 e 378 do RIPI, não observados pela Autoridade Fiscal, e que no seu entender dão suporte para escrituração do crédito em operações que não representam o efetivo ingresso de mercadorias no estabelecimento. Argumenta que atendeu o estabelecido em Regulamento, pois a comprovação da entrada dos produtos devolvidos é documental, feita por intermédio do registro da operação no livro registro de Entrada (modelo 1) e no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3). Na sequência pugna pelo cumprimento do principio da não cumulatividade do IPI, cita decisões do Conselho que entende favoráveis aos seus argumentos. Ao final, requer produção de prova pericial. Julgada improcedente a manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em apertado escorço, que o presente feito é correlato ao Processo nº 11070.001443/200876, por ser este “principal em relação aos presentes autos, se aguarde o julgamento, esperando que seja reformada a decisão guerreada o acórdão 10.23.063 Terceira Turma da DRJ POA , reconhecendo o equivoco da Autoridade quando concluiu por adotar glosa de créditos de IPI por entradas em devolução, e tributação de saídas da mesma mercadoria. Provido o recurso voluntário apresentado nos autos do processo principal 11070.001443/200876, restará afastada a reconstituição da escrita fiscal, e dela fazendo surgir reflexos no saldo credor apurado em cada período, mantendose saldo credor apurado pelo contribuinte, assim a confirmação da procedência do saldo apurado. Assim como a decisão recorrida reportouse as razões e fundamentos proferidos no acórdão do processo tido por principal, as razões de recurso são também ora deduzidas com apoio no recurso voluntário apresentado no processo principal número 11070.001443/200876.” É a síntese do necessário Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA NECESSIDADE DE REMESSA DO FEITO À 3ª TURMA Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000461/200750 Resolução nº 3401000.779 S3C4T1 Fl. 234 4 Analisando as razões recursais apresentadas pela contribuinte, observase que esta afirma, reiteradamente, que o presente feito é decorrente do Processo nº 11070.001443/200876, decorrente de auto de infração e, por consectário, vinculante do processo ora apreciado. Ademais, a própria contribuinte afirma aludida vinculação (fls. 215/216) “Naquele processo principal de número 11070.001443/200876 foram alterados créditos e débitos, com a reconstituição da escrita, dela resultando diferenças que foram então, e obedientes ao principio da não cumulatividade, utilizadas pela Fiscalização a fim de encontrar o novo saldo, ao final de cada período de apuração. Decorrência da reconstituição da escrita, ao final dos períodos de apuração restou acolhido a maior parte do pedido de restituição. Porém parte do saldo a restituir restou prejudicado na apreciação do presente processo, justamente em função do Auto de Infração guerreado no processo n. 11070.001443/200876. Eis que os autos do presente processo que originalmente tratava de restituição, acaba sendo reflexo daquilo que restou, e restará (ou não) acolhido no processo principal. Resta pois admitir a dependência do presente processo em relação a outro em fase de julgamento, a qual decorre do fato de que o Auto de Infração que restou impugnado, dando origem ao processo de número 11070.001443/200876 que objeto do Acórdão 1023.063 da Terceira Turma da DRJPOA, contra o qual foi deduzido Recurso Voluntário a fim de encontrar a improcedência. Assim, a glosa do crédito do IPI na entrada e a manutenção do IPI na saída resultaram na reconstituição da escrita, e os novos saldos credor ou devedor ao final de cada período de apuração tiveram fundamento na mesma e única ação fiscal. A repercussão do mesmo procedimento fiscal material assim se realizou pela mesma reconstituição da escrita de créditos e débitos, de um mesmo período, dela decorrendo a insuficiência de créditos identificada neste processo. Sendo a insuficiência de crédito resultado das alterações impostas pelo Auto de Infração que foi impugnado, e gerou outro processo administrativo, identificado pelo número 11070.001443/200876, e encontrando esse último em fase de • julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte ora recorrente, não é possível alcançar outra solução, que não a dedução do presente recurso voluntário, amparado nas matérias discutidas no processo principal.” Outro não foi o entendimento da DRJ, vislumbrando a existência de vinculação entre os processos e observando que o deslinde do presente feito depende do julgamento do processo nº 11070.001443/200876, tanto que os processos foram julgados em conjunto e no acórdão ora guerreado utilizouse as razões de decidir do processo principal. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000461/200750 Resolução nº 3401000.779 S3C4T1 Fl. 235 5 “Conforme relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI com base no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração formalizado no processo 11070.001443/200876, lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo. O auto de infração que deu origem à reconstituição da escrita fiscal da contribuinte foi julgado procedente por meio do Acórdão n° 1023.064 — 3a Turma da DRJ/POA, de 04 de dezembro de 2009 (fls. 168/170). Reconheço que a solução do litígio no presente processo está vinculada decisão de mérito do Auto de Infração acima referido, dada a relação de causa e efeito entre ambos, pois a confirmação da autuação é conseqüência do reconhecimento de que os débitos apurados pela Fiscalização estão corretos e da reconstituição da escrita fiscal restou para o período apenas o saldo credor de R$ 66.866,29. Mostrase desnecessário aqui reproduzir todas as razões minuciosamente expendidas naquele acórdão como sustentáculo para a manutenção do crédito tributário constituído de oficio, uma vez que a cópia do acórdão proferido no processo de auto de infração encontrase presente nos autos e se presta a instruir o posicionamento adotado nesse voto, que é pelo indeferimento da manifestação de inconformidade e manutenção do despacho decisório da DRF/Santo Ângelo de fls. 130/131. Consultando o sítio virtual deste Conselho, observase que o processo principal foi distribuído ao Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, da 3ª Turma da 4ª Câmara desta Terceira Seção. Assim, com o escopo de evitar julgamentos divergentes e por estar o presente feito diretamente relacionado com o Processo nº 11070.001443/200876, entendo que estes autos devam ser encaminhados ao mencionado Conselheiro. Relator Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 19647.004645/2005-67
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 04/2011. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 08/2011. ABRANGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DISPOSIÇÃO SOBRE COMPENSAÇÃO.
Os Atos Declaratórios PGFN n° 04/2011 e n° 08/2011 autorizam a dispensa de contestação em ações judiciais envolvendo a denúncia espontânea, sendo que o primeiro ato define que a multa de mora deve ser afastada e o segundo ato esclarece que caracteriza a denúncia espontânea o pagamento, concomitante à retificação da declaração, da diferença de débito declarado a menor, mas ambos os atos nada dispõem sobre se a compensação configura ou não o instituto do art. 138 do CTN.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO-EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO.
Para efeito da caracterização da denúncia espontânea a compensação não se equipara ao pagamento, já que possuem efeitos distintos, pois este extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior, e aquele sujeita-se a uma condição resolutória de decisão de não-homologação, que pode retonar o débito à condição de não-extinto.
COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. IMPUTAÇÃO. REGULARIDADE.
Se a declaração de compensação é entregue posteriormente ao vencimento dos débitos incidem-se multa e juros de mora, de acordo com o art. 61 da Lei n° 9.430/96, que afasta a alegação de falta de previsão legal, sendo válido o procedimento de imputação do crédito primeiramente no principal e posteriormente nos respectivos acréscimos moratórios, e assim sucessivamente para cada débito, em ordem crescente de data de vencimento.
Numero da decisão: 1801-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Leonardo Mendonça Marques que davam provimento por admitir a denúncia espontânea suscitada. O Conselheiro Leonardo Mendonça Marques apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 04/2011. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 08/2011. ABRANGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DISPOSIÇÃO SOBRE COMPENSAÇÃO. Os Atos Declaratórios PGFN n° 04/2011 e n° 08/2011 autorizam a dispensa de contestação em ações judiciais envolvendo a denúncia espontânea, sendo que o primeiro ato define que a multa de mora deve ser afastada e o segundo ato esclarece que caracteriza a denúncia espontânea o pagamento, concomitante à retificação da declaração, da diferença de débito declarado a menor, mas ambos os atos nada dispõem sobre se a compensação configura ou não o instituto do art. 138 do CTN. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃOEQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 46 45 /2 00 5- 67 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Leonardo Mendonça Marques que davam provimento por admitir a denúncia espontânea suscitada. O Conselheiro Leonardo Mendonça Marques apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/45, todas com crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999, no valor original de R$ 1.396.029,30, para compensação de débitos ali declarados. Por meio do despacho decisório de fl. 53, emitido em 02/03/2007, baseado no Relatório de Informação Fiscal de fls. 47/52, a DRF/Recife homologou as compensações até o limite do crédito, que foi reconhecido no valor de R$ 1.406.829,30. Foi interposta manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/Recife, conforme acórdão de fls. 112/120, prolatado em 30/04/2008. Cientificada da decisão em 24/12/2010, conforme AR de fl. 130, tempestivamente, em 03/01/2011, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 131/143, acompanhado dos documentos de fls. 144/161, que se resume a seguir: a. Relata que, em outubro de 2006, recebeu Autos de Infração, de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699, entre as quais constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte; b. Anota que, em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, em que os fiscais informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização; c. Cita trecho do termo fiscal; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 3 3 d. Explica que, por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem a existência de saldo negativo de CSLL do ano de 1999, no valor de R$ 1.396.029,30. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor com diversos débitos fiscais seus, entre os quais a CSLL de maio de 2003 e a CSLL de março de 2001; e. Segue narrando que a Delegacia da Receita Federal em Recife homologou as compensações efetuadas até certo limite e determinou a cobrança de débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito, com fundamento em Relatório de Informação Fiscal, em que é afirmado simplesmente que foram procedidas diligências nos assentamentos contábeis e fiscais da empresa, nas DCTFs, nas DIRFs e nas próprias Declarações de Compensação. Após, foram preparados alguns demonstrativos, com o objetivo de confirmar ou não a existência do crédito pleiteado e o seu real valor. Com base em tais demonstrativos e sem outras explicações, o Relatório conclui que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 seria ligeiramente superior ao valor pleiteado originariamente pela contribuinte (foi pleiteado R$ 1.396.029,360 e admitido R$ 1.406.829,30). Segundo se infere dos demonstrativos anexados ao Relatório de Informação Fiscal (que não dá qualquer fundamento para suas conclusões), a homologação parcial devese a inclusão de exigência de multa de mora, que não foi recolhida pela contribuinte. Isso levou à utilização do credito da contribuinte de forma mais célere, esgotandoo com menos débitos fiscais; f. Reclama que foi apresentada a manifestação de inconformidade, que a DRJ decidiu não reconhecer o direito creditório da contribuinte, ratificando o procedimento da repartição de origem; A denúncia espontânea afasta a imposição de qualquer tipo de multa g. Cita o artigo 138 do CTN e tece comentários sobre a denúncia espontânea; h. Entende que a denúncia espontânea visa evitar o absurdo que seria, caso o contribuinte, tendo conhecimento de certa irregularidade, optasse por permanecer impontual no cumprimento da obrigação, aguardando a propositura de eventual ação fiscal. Se esta não viesse a ocorrer, o crédito tributário terminaria por se extinguir, pela decadência ou prescrição (art. 156, V, do CTN) e o contribuinte estaria obtendo uma vantagem às custas do Erário Público. Desse modo, a denúncia pode ser utilizada pelo contribuinte toda vez que, havendo a constatação de ato ilícito, o sujeito passivo da relação tributária decida regula situação perante a Administração Fiscal; i. Pondera que no caso presente, o que ocorreu foi justamente isso. A contribuinte constatou, em dezembro de 2003, que possuía débitos fiscais relacionados à CSLL (devida pelo regime de estimativa) de setembro de 2003. Decidiu, então, regularizar sua situação perante a Administração Fiscal e realizou, espontaneamente, a compensação com crédito fiscal que detinha, relacionado ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. A compensação foi realizada antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, o que configura a espontaneidade, requisito dará que a denúncia afaste a responsabilidade do contribuinte e as penalidades a ela inerentes; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 4 j. Contesta o entendimento de que não teria ocorrido denúncia espontânea, pois a teria apresentado apenas a Declaração de Compensação DCOMP, sem estar acompanhada de uma petição afirmando expressamente estar realizando tal denúncia. A Declaração de Compensação DCOMP aponta a existência do débito que está sendo pago por meio da compensação, assim como sua data de vencimento. Basta, portanto, a DCOMP para que a Administração Fiscal verifique que existia um débito fiscal não pago, o que configura uma infração devidamente comunicada à Administração. A comunicação da denúncia está, desse modo, claramente configurada; k. Aduz que afirmar que só existe denúncia espontânea caso seja protocolada petição autônoma, na qual se afirme estar realizando tal ato é não só criar obrigação não prevista em lei como também prenderse a formalismo exacerbado e sem sentido; l. Reclama da decisão da DRJ, que foi baseada na IN SRF n° 210/2002 e 460/04, o que evidencia a ilegalidade dos procedimentos adotados pela autoridade administrativa, tendo em vista que os trabalhos fiscais estão em desacordo com o art. 138 do CTN, dispositivo normativo recepcionado pela CF/88 como Lei Complementar; Ilegalidade na imputação proporcional de principal e multa m. Contesta o procedimento de imputação proporcional, pelo qual a DRF/Recife pretendeu que parte dos valores recolhidos fosse convertida em pagamento da multa moratória de 20%. Além de irregular, já que destituído de base legal, tal procedimento da DRF/Recife levou ao aumento do valor da exigência; n. Justifica que a Lei n. 9.430/96 previa, em seu artigo 44, que as multas de 75% e de 150% seriam exigidas, entre outras hipóteses, "isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de mora; (...)" (§ Io, II). Ocorre que a Medida Provisória n° 351/07 (convertida na Lei n° 11.488/2007), em seu artigo 14, alterou a redação do referido artigo 44. A partir dela não existe mais a previsão de aplicação das multas de 75% e de 150% isoladamente para a situação referida. o. Destaca que, em caso de incidência de multa, compete ao fisco impôla, descabendo transmudar o pagamento feito pelo contribuinte como parte da multa de mora. Em outras palavras, ela não pode qualificar como pagamento de multa o recolhimento de tributo. A Administração Fiscal não tem o poder/competência para alterar a natureza de um pagamento. Poderia fazêlo apenas se houvesse previsão normativa expressa que lhe desse tal competência. Na ausência de lei nesse sentido, a natureza e destino do pagamento feito pelo contribuinte têm que ser respeitado; p. Entende que tal procedimento é não só irregular, dado que desprovido de base legal, com o também mais oneroso para o contribuinte. Realmente, ao realizar a imputação proporcional, a DRF/Recife tratou como pendente de recolhimento até hoje parte do principal, com juros computados desde seu vencimento. Na verdade, porém, todo o principal já foi pago pela contribuinte e deveria ter sido constituída e exigida apenas a multa moratória, computada sobre o valor original do débito (novamente admitindose a premissa, com a qual não se concorda, de que o art. 138 do CTN não seria aplicável); q. Conclui que o Despacho Decisório deve, então, ser reformado, com a devolução dos créditos indevidamente compensados mantendose a homologação integral da compensação realizada , pois a contribuinte não compensou seus Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 4 5 créditos com multa moratória que ela entende indevida em razão do artigo 138 do CTN. O CARF, competente apenas para revisar os atos da DRJ, deve limitarse a analisálos e, verificando estarem eles em desacordo com a legislação, deve cancelálos. Não pode ele impor corretamente a multa moratória. Desse modo, na hipótese de se entender devida a multa moratória, ela deverá vir a ser posteriormente imposta e exigida pela Delegacia da Receita Federal de forma correta, e não por meio do irregular e mais oneroso procedimento da imputação. Por todos esses motivos, é imperioso, no caso, o afastamento da imputação proporcional realizada e a homologação integral da compensação; Indevida revisão de lançamento r. Relata que o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da Teleceará Celular S/A). A revisão de ofício decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação adotada pela solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, que é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, segundo o Relatório de Informação Fiscal, a revisão de ofício seria indispensável (item 2). Assim, foi apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada em processos específicos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de vários despachos decisórios, a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança de valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; s. Aduz que o novo valor total exigido por intermédio de tais despachos decisórios é superior ao valor diminuído pela revisão de ofício havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200599 é de R$ 12.844.744,59, em relação à Teleceará, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal (item 4 doc. j). Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos pela contribuinte é de R$ 31.000,324,20 (conforme planilha preparada pela contribuinte/quadro 11 doc. j). Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em vários processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado e que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN); t. Com base no art. 145 do CTN, argumenta que o lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei; u. Sustenta que, no caso concreto, houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face uma revisão de ofício fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 6 redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 160 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valor total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 160 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento preenchida; v. Entende que, por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de ofício, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento. Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração de procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de ofício uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento , Em ta caso, tal modificação somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução; w. Assevera que a DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar critério jurídico que representa um aumento na carga tributária global – para um contribuinte em relação a fatos geradores passados, o que não pode ser aceito; x. Conclui que resta provado que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de e critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas; Conclusão y. Conclui que o Despacho Decisório da DRF/Recife, ao ter homologado parcialmente a compensação realizada pela contribuinte, deve ser reformado, para que a compensação seja integral, (i) seja em razão da aplicação do artigo 138 do CTN, pois a denúncia espontânea afasta qualquer tipo de multa, (ii) seja em razão de ter sido irregular o procedimento da DRF/Recife em realizar a chamada imputação proporcional, alterando a natureza de parte do pagamento feito pelo contribuinte. Ademais, o Despacho Decisório da DRF/Recife é fruto de uma revisão de oficio de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 5 7 O contribuinte enviou as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/45, todas com crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999, no valor original de R$ 1.396.029,30, para compensação de débitos ali declarados. Por meio do despacho decisório de fl. 53, emitido em 02/03/2007, baseado no Relatório de Informação Fiscal de fls. 47/52, a DRF/Recife homologou as compensações até o limite do crédito, que foi reconhecido no valor de R$ 1.406.829,30. Nos cálculos de compensação, a autoridade administrativa considerou multa e juros de mora. Inicialmente, cabe esclarecer que a TIM Nordeste S/A sucedeu as empresas Telasa Celular S/A, Teleceará Celular S/A, Telern Celular S/A, Telepisa Celular, Telpa Celular S/A e TIM Nordeste Telecomunicações S/A (antiga Telpe Celular S/A). Essas empresas sucedidas efetuaram uma série de compensações com crédito de saldo negativo de IRPJ e CSLL e de pagamento indevido de estimativa de IRPJ e CSLL. As Per/Dcomps foram analisadas de forma conjunta pela DRF/Recife. Consta que, na data de 07/03/2007, foi dado ciência ao contribuinte da seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004622/200552 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 6.892,25 19647.004630/200507 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 6.892,25 19647.004632/200598 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 6.892,25 19647.004633/200532 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 5.839,32 19647.004267/200511 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 1.052,94 19647.004645/200567 CSLL Saldo Negativo 1999 1.396.029,30 19647.004646/200510 CSLL Saldo Negativo 2000 698.847,46 19647.004647/200556 CSLL Saldo Negativo 2001 183.199,96 19647.004642/200523 CSLL Saldo Negativo 2002 287.993,00 19647.004623/200505 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 215.020,48 19647.004266/200577 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 841.145,12 19647.004624/200541 IRPJ Pagamento Indevido 31/07/2002 648.080,52 19647.004625/200596 IRPJ Pagamento Indevido 30/06/2002 19.029,88 19647.004626/200531 IRPJ Pagamento Indevido 30/09/2002 1.592.733,24 19647.004627/200585 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 977.677,85 19647.004631/200543 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 893.749,79 19647.004256/200531 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 278.383,73 19647.004634/200587 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2002 845.368,90 19647.004635/200521 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 1.097.095,99 19647.004636/200576 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2002 1.981.278,34 19647.004637/200511 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2002 607.753,95 19647.004638/200565 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2002 1.246.309,42 19647.004639/200518 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 1.076.690,18 19647.004640/200534 IRPJ Pagamento Indevido 05/09/2002 984.866,13 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 8 19647.004652/200569 IRPJ Saldo Negativo 1998 1.020.281,41 19647.004651/200514 IRPJ Saldo Negativo 1999 1.492.056,02 19647.004648/200509 IRPJ Saldo Negativo 2000 2.320.730,85 19647.004649/200545 IRPJ Saldo Negativo 2001 781.343,92 19647.004650/200570 IRPJ Saldo Negativo 2002 2.992.684,38 TOTAL 24.505.918,83 Posteriormente, em 02/04/2007, o contribuinte recebeu a seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004709/200520 IRPJ Saldo Negativo 1998 2.682.451,33 19647.004708/200585 IRPJ Saldo Negativo 1999 70.109,36 19647.004707/200531 IRPJ Saldo Negativo 2000 155.636,23 19647.004706/200596 IRPJ Saldo Negativo 2001 464.344,19 19647.004705/200541 IRPJ Saldo Negativo 2002 3.254.351,98 19647.010742/200670 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 370.412,98 19647.010744/200669 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 185.744,94 19647.010745/200611 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 335.130,66 19647.010746/200658 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 334.771,15 19647.004704/200505 CSLL Saldo Negativo 1998 551.418,05 19647.004702/200516 CSLL Saldo Negativo 2000 4.267,08 19647.004701/200563 CSLL Saldo Negativo 2001 49.883,52 19647.004700/200519 CSLL Saldo Negativo 2002 22.823,95 19647.010749/200691 CSLL Pagamento Indevido 30/06/2002 5.000,03 19647.010751/200661 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 1.990,77 19647.010752/200613 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 1.990,76 19647.010753/200650 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 14.106,31 19647.010756/200693 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 2.843,96 TOTAL 8.507.277,25 Posteriormente, em 27/04/2007, o contribuinte recebeu a seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004738/200591 IRPJ Saldo Negativo 1998 259.739,40 19647.004537/200547 IRPJ Saldo Negativo 1999 145.897,98 19647.004736/200501 IRPJ Saldo Negativo 2000 798.208,07 19647.004735/200558 IRPJ Saldo Negativo 2001 67.375,42 19647. 004734/200511 IRPJ Saldo Negativo 2002 566.669,94 19647.010757/200638 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2002 143.219,01 19647.010760/200651 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2002 133.338,68 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 6 9 19647.010762/200641 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2002 161.913,29 19647.010763/200695 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2002 189.581,53 19647.010764/200630 IRPJ Pagamento Indevido 30/06/2002 184.650,56 19647.010766/200629 IRPJ Pagamento Indevido 31/07/2002 230.808,82 19647.010770/200697 IRPJ Pagamento Indevido 31/08/2002 56.492,06 19647.010771/200631 IRPJ Pagamento Indevido 30/09/2002 313.140,51 19647.004740/200561 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 334.157,68 19647.010773/200621 IRPJ Pagamento Indevido 30/11/2002 175.610,21 19647.010775/200610 IRPJ Pagamento Indevido 31/12/2002 139.230,74 19647.010777/200617 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 177.282,61 19647.010778/200653 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 132.116,42 19647.010779/200606 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 231.229,19 19647.010780/200622 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 100.364,98 19647.004733/200569 CSLL Saldo Negativo 1998 139.441,22 19647.004732/200514 CSLL Saldo Negativo 1999 621.177,86 19647.004731/200570 CSLL Saldo Negativo 2000 325.776,64 19647.004730/200525 CSLL Saldo Negativo 2001 23.188,08 19647.004729/200509 CSLL Saldo Negativo 2002 124.384,26 19647.010781/200677 CSLL Pagamento Indevido 30/06/2002 12.042,95 19647.010783/200666 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 1.780,33 19647.010784/200619 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 1.780,34 19647.010785/200855 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 1.780,34 19647.010786/200608 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 1.780,33 TOTAL 5.794.159,47 Os processos de números 19647.004734/200511 e 19647.010777/200617 (em nome de Telepisa Celular S/A), 19647.004705/200541, 19647.004706/200596 e 19647.010744/200669 (em nome de Telern Celular S/A), 19647.004645/200567 e 19647.004646/200510 (em nome de Teleceará Celular S/A) foram distribuídos para julgamento nesta Primeira Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, os quais estão sendo julgados concomitantemente, na mesma sessão de julgamento. No presente processo, que trata de Dcomps com crédito de saldo negativo da CSLL do ano calendário 1999, a DRF/Recife reconheceu crédito em valor superior ao direito creditório pleiteado pelo contribuinte. O valor original do crédito apurado na DIPJ/2000 foi de R$ 1.396.029,30, enquanto que a autoridade administrativa reconheceu um crédito de R$ 1.406.829,30, conforme Relatório de Informação Fiscal, à fl. 48. Assim, não está sob litígio o valor do direito creditório, mas sim os cálculos de compensação, às fls. 50/52. Observase que os débitos, que se referem a estimativas de CSLL de períodos entre março de 2000 a junho de 2003, foram compensados com cobrança de multa e juros de mora, já que os respectivos vencimentos são anteriores à data da transmissão das Dcomps, que foram todas apresentadas em 17/12/2003. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 10 O cerne da controvérsia, portanto, é se a cobrança da multa de mora é devida, ou seja, se o instituto da denúncia espontânea se aplica sobre débitos quitados por meio de compensação. A cobrança de multa de mora, em caso de denúncia espontânea, recentemente sofreu mudança de entendimento na Administração Tributária, como decorrência de decisões judiciais pacificadas. A vinculação das instâncias administrativas aos julgados judiciais pacificados no STF e STJ é ordem legal, com previsão no art. 19 da Lei nº 10.522 de 19 de julho de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que exige a edição de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1º Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2º A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1º, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3º Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4º A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (Grifouse) No caso, há dois atos declaratórios da PGFN, aprovados pelo Ministro de Estado da Fazenda, pertinentes ao assunto: os de número 4 e 8, de 20/12/2011: ATO DECLARATÓRIO Nº 04/2011 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 7 11 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional”. JURISPRUDÊNCIA: REsp 922.206, rel. min. Mauro Campbell Marques; REsp 1062139, rel. min. Benedito Gonçalves; REsp 922842, rel. min. Eliana Calmon; REsp 774058, rel. min. Teori Albino Zavascki e AGRESP 200700164263, rel. min. Humberto Martins. Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional ____________________________________________________ ATO DECLARATÓRIO Nº 08 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 12 JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010 Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Pois bem. Uma leitura atenta dos dois enunciados permite concluir que, embora sucintos, tratase de duas interpretações do instituto da denúncia espontânea (CTN, art. 138), sob aspectos bem diversos. O segundo ato responde à indagação: “quando ocorre a denúncia espontânea?”, de forma não exaustiva; pelo contrário, ela cuida de uma situação bem específica. O primeiro ato responde à seguinte pergunta: “qual a conseqüência da denúncia espontânea?”, também sob um enfoque específico. As duas situações específicas referemse a casos que têm sido objeto de divergências, não somente na esfera judicial, mas também internamente na RFB. O Ato Declaratório PGFN n° 04/2011 soluciona a divergência que havia sobre se a denúncia espontânea abrangia também a multa de mora, tendo em vista que muitos agentes entendiam que o benefício alcançava somente a multa de ofício. Prevaleceu o entendimento de que ambas as multas são afastadas. Questão mais complexa é a que lida com a caracterização da denúncia espontânea, tendo em conta a multiplicidade de situações fáticas que podem ocorrer. Dentre essa variedade, o Ato Declaratório PGFN n° 08/2011 se ateve a uma das várias possibilidades fáticas envolvendo a existência ou não da declaração do débito. Mais uma, porque o STJ já havia sumulado que quando o contribuinte declara o débito e paga a destempo não há denúncia espontânea: Súmula 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. (DJe 08/09/2008) O verbete acima não é claro o suficiente para elucidar o caso em que o sujeito passivo declara o débito a menor e posteriormente quita a diferença. O Ato Declaratório PGFN n° 08/2011, pondo fim a essa controvérsia, determina que nesse caso haverá denúncia espontânea, desde que se efetue a quitação da diferença concomitantemente com a retificação da declaração. Muito bem, após esses esclarecimentos, podemos começar a responder a questão crucial do presente processo: “e a compensação?”. A resposta é: a compensação simplesmente não foi discutida nesses dois atos declaratórios da PGFN. O que os procuradores fazendários estão dispensados de contestar são as lides envolvendo: i) cobrança de multa de mora na denúncia espontânea; ii) cobrança de multa sobre diferença de débito declarado a menor e pago concomitantemente à retificação da declaração. Nada há sobre compensação. Resta então interpretar o art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 8 13 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No fundo, o que se pretende saber é se o termo “pagamento” contido no caput alcança a figura da compensação. Na minha avaliação, entendo que não. O ponto de partida é art. 156 do CTN, abaixo copiado. CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. De acordo com o legislador, o pagamento, ao lado da compensação, são espécies do gênero “modalidades de extinção”. O que vale para o gênero vale para a espécie, mas a recíproca não é verdadeira, lógica esta que se extrai do silogismo aristotélico. Se a compensação também excluísse a responsabilidade pela denúncia espontânea, porque não o fariam as demais formas de extinção do crédito tributário? A dação em pagamento em bens Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 14 imóveis (inciso XI) configura denúncia espontânea? É mais razoável e prudente concluir que, se o legislador pretendesse contemplar a compensação, ou outras formas de extinção do crédito, não teria escrito somente “pagamento” no caput do art. 138 do CTN. Se assim o fez, é porque quis dizer que pagamento é pagamento, e não se confunde com compensação. E de fato, tratase de duas espécies distintas, com efeitos diferenciados. O pagamento extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior. O mesmo não ocorre com a compensação, porque ela se sujeita a uma condição (resolutória) de decisão de não homologação, que resolve (reverte) os efeitos, fazendo com que o débito retorne à condição de nãoextinto. Teleologicamente falando, a denúncia espontânea guarda similaridade com o instituto do arrependimento, do direito penal, que o CP garante sob duas formas, o arrependimento eficaz (art. 15) e o posterior (art. 16). Em ambas, o benefício (responder somente pelos atos já praticados e redução da pena, respectivamente) somente é concedido quando houver prova do arrependimento (impedimento do resultado no art. 15 e reparação do dano e restituição da coisa no art. 16). Nos dois institutos, o penal e o tributário, a função é a mesma: a prevalência da premiação sobre o castigo. Se no direito penal exigese certeza de que o acusado está arrependido, o mesmo vale para a denúncia espontânea. E tal certeza somente é obtida pelo pagamento. Art. 15 O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 16 Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) A título de reforço, constatei que vários dos processos de compensação relacionados no início do acórdão já foram julgados em segunda instância. Dentre estes, os que tiveram que enfrentar o assunto da denúncia espontânea, todos, sem exceção, foram julgados no mesmo sentido do presente voto, conforme atestam as seguinte ementas: Número do Processo 19647.004707/200531 Contribuinte TELERN CELULAR S/A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/09/2013 Relator(a) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Nº Acórdão 1101 000.945 Acordam os membros do colegiado em: 1)por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade; e 2)por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente se as compensações promovidas em atraso não foram acompanhadas dos juros de mora devidos. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 9 15 ____________________________________________________ Número do Processo 19647.004708/200585 Contribuinte TELERN CELULAR S/A Tipo do Recurso RECURSO OLUNTARIO Data da Sessão 29/03/2011 Relator(a) MARIA DE LOURDES RAMIREZ Nº Acórdão 1801000.520 Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. ____________________________________________________ Número do Processo 19647.004733/200569 Contribuinte TELEPISA CELULAR S.A. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 15/12/2010 Relator(a) SELENE FERREIRA DE MORAES Nº Acórdão 1803000.725 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Fonseca Vicentini, Luciano Inocêncio dos Santos e Benedicto Celso Benício Júnior, que davam provimento ao recurso. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. O procedimento do sujeito passivo por meio do qual confessa a existência de débito e requer compensação não corresponde à denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que compensação não é pagamento. Na peça de defesa, a recorrente também alega ilegalidade na imputação proporcional de principal e multa. Que o art. 44 da Lei n° 9.430/96 não mais prevê a aplicação das multas de 75% e de 150% isoladamente para a situação referida. Que, caso a multa fosse devida, caberia ao fisco exigila, em vez de tratar o recolhimento de tributo como pagamento de parte da multa de mora. Que a Administração Fiscal não tem o poder/competência para alterar a natureza de um pagamento. Que poderia fazêlo apenas se houvesse previsão normativa expressa que lhe desse tal competência. Enganase a litigante. O art. 44 da Lei n° 9.430/96 disciplina a multa de ofício, que não é o caso dos autos, que cuida da multa de mora, a qual tem previsão no art. 61 da mesma lei, abaixo copiado. Com base nessa autorização legal, a Administração Tributária, ao disciplinar a compensação, estipulou expressamente a exigência de acréscimos moratórios na hipótese de declaração entregue posteriormente ao vencimento do débito, a teor do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003. Afastase, portanto, a alegação de inexistência de previsão legal. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 16 Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) ____________________________________________________ Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Quanto à imputação da multa de mora, entendo que agiu corretamente a autoridade administrativa ao adotar o procedimento de imputação, primeiramente no principal e posteriormente nos acréscimos moratórios do respectivo débito, e assim sucessivamente para cada débito, em ordem crescente de data de vencimento. A matéria é muito bem elucidada pela Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão n° 1101000.945, da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido na sessão de 12/09/2013, em voto que adoto como razões para decidir: E esta imputação, por sua vez, deve ser proporcional, vez que o Código Tributário Nacional não ampara a amortização linear, na medida em que se limita a abordar a imputação de pagamentos nos seguintes termos: [...] Inexistindo neste, ou em outros dispositivos do CTN, regra expressa de precedência entre tributo, multa (de mora ou de ofício) e juros moratórios, a forma de alocação de pagamentos entre as parcelas componentes de um mesmo crédito tributário deve ser definida mediante utilização da analogia admitida no art. 108 do CTN, tendo em conta o que estabelecido em outro ponto daquele Código: [...] Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 10 17 Portanto, se a restituição obedece a critério proporcional, por analogia e simetria, a imputação do pagamento também deverá observálo. Significa dizer que o direito creditório reconhecido deve ser distribuído proporcionalmente para quitação do principal, multa e juros de mora devidos na data da entrega da DCOMP, exigindose ou cobrandose o principal remanescente, que será acrescido de multa e juros de mora calculados até a data em que o recolhimento complementar venha a ser efetivado. A possibilidade de se exigir, isoladamente, penalidades em razão da inobservância do prazo de recolhimento de tributos, cumulada com a falta de recolhimento de multa de mora, deixou de existir com a revogação do art. 44, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/2007. Assim, o art. 43 da Lei nº 9.430/96 somente resta aplicável para fins de constituição de juros de mora isolados, nas hipóteses em que o sujeito passivo deixa de recolhêlos em razão de ordem judicial, e a constituição deste crédito tributário se faz necessária para prevenir a decadência. Registrese, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça já firmou interpretação, no âmbito do REsp nº 921.911/RS, em favor da imputação aqui em debate, ou seja, de direito creditório utilizado para compensação de débitos em atraso, sem acréscimos moratórios. A ementa do referido julgado, proferido pela Primeira Turma daquele Tribunal em 01/04/2008, deixa claro o entendimento ali firmado: [...] O Ministro José Delgado, citando doutrina e outras decisões judiciais, afastou a aplicação subsidiária do Código Civil em matéria tributária em razão da revogação expressa do art. 374 daquele diploma legal, e complementou que proceder de forma distinta daquela adotada pela Receita Federal ensejaria quebrar de isonomia entre os critérios para a cobrança de débitos e créditos fiscais. Reforçou, ainda, que o caput do art. 163 do CTN, bem como a natureza indexadora da taxa SELIC, permitem concluir que o montante do crédito tributário é uno e indivisível, justificando a imputação proporcional, além do fato de a capitalização de juros ser vedada pelo art. 167 do CTN. Posteriormente, em acórdão proferido em 14/10/2008, sob relatoria do Ministro Castro Meira, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça adotou o mesmo entendimento, acrescentando o reconhecimento da validade das Instruções Normativas que disciplinaram a imputação na forma aqui adotada. Reproduzse a ementa do referido acórdão, decorrente do AgRg no Resp nº 971.016/SC: [...] Acórdão mais recente, proferido em 10/02/2011 em razão do REsp nº 1.115.604/RS, confirma a manutenção deste entendimento no âmbito do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 18 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS AT. 165, 458 E 535, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PRECATÓRIO. MORATÓRIA DO ART. 78 DO ADCT. JUROS DE MORA EM CONTINUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NA HIPÓTESE. RESPEITO DO PRAZO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. ART. 354 DO CC/02. INAPLICABILIDADE NA SEARA TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES. 1. Cumpre afastar a alegada ofensa dos arts. 165, 458, II e 535 do CPC, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre as questões que foram postas à deslinde, adotando, contudo, orientação contrária à pretensão dos ora recorrentes, não havendo que se falar em deficiência ou omissão na prestação jurisdicional conferida na origem. 2. A jurisprudência desta Corte é pacífica quanto à não incidência de juros moratórios em continuação quando do pagamento das parcelas do precatório na forma do art. 78 do ADCT, desde que respeitado o prazo constitucional. Precedentes. 3. Não havendo direito ao cômputo de juros moratórios na hipótese, resta prejudicada a análise da alegada ofensa dos arts. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95 e 161, § 1º, do CTN. Contudo, em razão do princípio da non reformatio in pejus, deve ser mantido o acórdão recorrido na parte que determinou a incidência de juros legais de 6% ao ano, a partir da segunda parcela. 4. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputar seá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. Precedentes. 5. Recurso especial não provido. A recorrente alega, finalmente, que houve indevida revisão de lançamento, elaborada no processo administrativo n° 19647.009690/200699, que redundou no desmembramento de vários processos de compensações, como o presente. Afirma que o novo valor total exigido por despachos decisórios é superior ao valor diminuído pela revisão de ofício. Que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado e que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). A reclamação não procede, e sequer mereceria ser conhecida, por ser matéria estranha ao presente litígio, já que a revisão ocorreu nos autos do processo n° 19647.009690/200699. Mas convém esclarecer que a revisão de ofício não resultou em aumento de créditos tributários, como alega equivocadamente a recorrente. Pelo contrário, os referidos lançamentos foram reduzidos, à luz da orientação dada pela Solução de Consulta Interna Cosit n° 18/2006, segundo a qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Ou seja, é através dos processos de compensação que os débitos de estimativa não homologada estão sendo cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. CONCLUSÃO. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 11 19 Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 20 Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator A divergência havida no julgamento do recurso voluntário, trata da definição sobre a equiparação da compensação ao “pagamento” disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, para os fins de caracterização da espontaneidade da conduta do sujeito passivo. Vale ressaltar, que essa questão específica do enquadramento da compensação nos termos da norma do artigo 138, não foi definida na sistemática do artigo 543 C, do Código de Processo Civil. Há, na Corte Superior, julgados favoráveis (AgRg Resp 1.136.372/RS) e contrários (AgRg Resp 1.277.545/RS) à compreensão defendida pela ora recorrente. Nesta e. Corte Administrativa também há precedentes nos dois sentidos, sinalizando que a matéria permite e demanda pronunciamento do colegiado. O artigo 138 em comento tem a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A Seção em que está inserida a norma supra trata da “Responsabilidade por Infrações”, tendo evidente foco na conduta do sujeito passivo. No artigo 138, o legislador concluiu a Seção com a exclusão da responsabilidade ocasionada por uma certa conduta do contribuinte, tendente a estabilizar e pacificar a relação com o fisco, preservando a efetivação do crédito tributário, com sua arrecadação atrelada aos juros pela mora. Dentre as causas eleitas pela norma complementar para extinguir o crédito tributário, está a compensação, arrolada logo abaixo do pagamento: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; Tenho que a literalidade do artigo 138 não afasta a compensação de sua dinâmica de incidência. Tem razão a recorrente quando afirma que o artigo 138 não revela benefício fiscal. Tratase de regramento geral consignado na norma complementar, de delimitação da responsabilidade por infrações. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 12 21 Avaliando o propósito da norma, o que se enuncia é a relevância da conduta do sujeito passivo de anteciparse a qualquer ação do fisco, quitando a dívida. Prestigiase o ato deliberado do contribuinte de regularizar seu débito, mesmo que ainda não submetido à ação coercitiva do ente estatal. Cabe verificar os efeitos definidos pelo legislador ordinário para as compensações: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, os efeitos do pagamento e da compensação, e o poder liberatório de ambos, são absolutamente associados em seus termos, e atuam com plena identidade na incidência do artigo 138. No dois casos, a efetiva quitação dependerá da ulterior verificação por parte do sujeito ativo (ou da homologação tácita). Portanto, o defeito que, por vezes, se opõe à compensação para afastála da seara da denúncia espontânea (sobre não revelar quitação imediata), não se afigura válido, pois também é assim que se dá com o pagamento. Ademais, nos termos vistos no caso dos autos, o pleito de compensação está a pressupor um pagamento anterior, que se apresentou indevido, a maior. Então, já houve pagamento, que apenas precisa ser alocado a outro débito. Nesse sentido pedese vênia para colacionar trecho da fundamentação adotada pelo i. Conselheiro Neudson Albuquerque, no Acórdão 1803002.091: No âmbito da jurisprudência administrativa do CARF, a questão também não está pacificada, existindo decisões contrárias à equivalência entre pagamento e compensação (por exemplo,o Acórdão nº1101000.945, de 12 de setembro de 2013) e decisões favoráveis à referida equivalência (por exemplo, Acórdão nº1402001.424, de 6 de agosto de 2013). A presente Turma de Julgamento, ao apreciar o processo nº 19515.002401/200464,entendeu que a compensação equivale ao pagamento para fins de atrair a regra de decadência insculpida no artigo 150, §4º, do CTN (homologação tácita de tributo sujeito a lançamento por homologação). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 22 Naquela ocasião, acompanhando o relator, manifesteime pela equivalência em tela, considerando que a compensação é apenas a afetação de um pagamento anterior, que foi realizado indevidamente e está disponível para ser utilizado. Pela mesma razão, entendo que a equivalência em tela deve ser reconhecida para fins de verificação da denúncia espontânea, conforme dizia a agora cancelada Nota Técnica Cosit nº1, de 2012. (destaque não está no original) Em outro julgado do CARF (Acórdão 1302001.237), em que o recurso voluntário foi negado pelo voto de qualidade, o i. Conselheiro Marcio Frizzo fez declaração de voto, do qual extraio o seguinte excerto: ...pareceme que a denúncia espontânea tem duas finalidades. A primeira é fazer com que o contribuinte pague todos os tributos decorrentes dos atos que pratica, colocandose em situação regular perante a Administração. A consequência é o reestabelecimento do equilíbrio jurídico na relação entre Fisco e contribuinte. A segunda finalidade é carrear aos cofres públicos importâncias juridicamente devidas, embora o agente arrecadador desconhecesse o ato que deu causa à imposição tributária. A conseqüência é o recebimento de receita tributária inadimplida sem a mobilização dos recursos humanos das Administrações Fazendárias (pois a confissão deve preceder as medidas fiscalizatórias). Notese que os servidores públicos são custeados pela Administração, de modo que quanto mais denúncias espontâneas ocorrerem, menor a necessidade de servidores fiscalizando os contribuintes e,também,menor o custo financeiro dessa atividade. O benefício para o contribuinte é o afastamento de sua responsabilidade tributária, especificamente no que tange às multas moratórias e de ofício; para o Fisco, o benefício é o recebimento de valores que, possivelmente, jamais seriam entregues sem a mobilização de seus servidores em procedimentos fiscalizatórios e com baixíssima possibilidade de a exigência tributária tornarse litigiosa, seja na esfera administrativa ou judicial. Do que se expôs até o presente momento, fica claro que o instituto é interessante a ambos os sujeitos da relação jurídicotributária. Por isso, devese ter em mente que impor obstáculos à plena eficácia da denúncia espontânea traz prejuízos também para a Fazenda Pública. O mais grave, contudo, é que óbices têm surgido após a confissão do contribuinte, fato que lança insegurança jurídica sobre o art. 138doCTN. Por todos esses aspectos, assento a procedência da argumentação da recorrente quanto à desnecessidade, pela configuração da denúncia espontânea, de adição da multa de mora ao débito compensado. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 19647.004645/200567 Acórdão n.º 1801001.834 S1TE01 Fl. 13 23 Assim, encaminho voto por dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência de adição da multa de mora. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Numero do processo: 10920.911177/2012-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 77 /2 01 2- 57 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911177/201257 Acórdão n.º 3801003.374 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10675.000960/2001-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto participou do julgamento em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que se declarou impedida de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Irene Souza da Trindade Torres, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 09 60 /2 00 1- 80 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto participou do julgamento em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que se declarou impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Irene Souza da Trindade Torres, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 225 a 244) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 202 a 221) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer os créditos referentes às aquisições de cooperativas e incidência da taxa Selic a parti do pedido. O v. acórdão recorrido possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI AnoCalendário: 2000 Ementa: IPI CRÉDITO SOBRE A AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS Para apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI é irrelevante se houve ou não incidência de PIS e Cofins na etapa anterior. Precedentes da Câmara de Recursos Fiscais. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303002.253 CSRFT3 Fl. 286 3 O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art.39, §4° da Lei n°9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Em vista da decisão acima, a Recorrente interpôs Recurso Especial, a fim de retirar da base de cálculo do crédito presumido de IPI com ressarcimento de PIS/Cofins: a incidência da taxa SELIC a partir do pedido e as aquisições de cooperativas. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fls. 247 a 248 a 846 no que tange à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições de insumos de cooperativas, e no tocante à incidência da SELIC no ressarcimento do IPI. Contrarrazões às fls. 299 a 310. É de se destacar que o contribuinte também interpôs recurso especial (fls. 266 a 274), mas este teve seu seguimento negado através do r. despacho de fls. 313 a 314, confirmado pela r. decisão do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais às fls. 315. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial da Fazenda Nacional merece ser conhecido. Quanto ao mérito, todavia, o recurso especial da Fazenda Nacional não merece melhor sorte. Deveras, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial do contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas, também objeto do presente processo. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10675.000960/200180 Acórdão n.º 9303002.253 CSRFT3 Fl. 287 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para corroborar o meu entendimento quanto à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao qual me filio: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 18471.000835/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
FALTA DE RECOLHIMENTO.
COMPENSAÇÃO EM DCOMP. ATO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO ANULADO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Restam definitivamente extintos os débitos que, compensados mediante DCOMP, não sejam objeto de ato de não-homologação válido editado antes de expirado o prazo de 5 (cinco) anos contado da data de apresentação da DCOMP.
Numero da decisão: 1101-001.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em Exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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COMPENSAÇÃO EM DCOMP. ATO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO ANULADO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Restam definitivamente extintos os débitos que, compensados mediante DCOMP, não sejam objeto de ato de nãohomologação válido editado antes de expirado o prazo de 5 (cinco) anos contado da data de apresentação da DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 35 /2 00 7- 63 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório VALE S/A (sucessora de FERTECO MINERAÇÃO S/A), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ I que, por maioria de votos, julgou PROCEDENTE lançamento formalizado em 16/07/2007, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 5.148.088,12. A autoridade lançadora constatou que parcelas da CSLL devida nos anos calendário 2002 (R$ 571.293,21) e 2003 (R$ 1.610.602,95) deixaram de ser declaradas e recolhidas, ensejando sua exigência de ofício (fls. 99/100). Impugnando o lançamento, a contribuinte informou que houve compensação dos referidos valores com saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001, mediante apresentação de DCOMP, e que houve erro no preenchimento das DCTF. Indicou que as compensações são tratadas nos processos administrativos nº 10768.100591/200357 e 10768.003571/200339, e argumentou que a Fiscalização teve acesso a sua escrituração, de modo que poderia ter verificado as compensações promovidas, as quais impediriam novo lançamento. Defendeu, assim, que somente lhe seria aplicável a penalidade por não apresentação de DCTF, e que o lançamento seria nulo, na medida em que, ante a não homologação das compensações, a cobrança dos débitos seria promovida nos outros processos administrativos citados. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · O lançamento é válido porque observa as disposições do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN; · O interessado não nega a existência dos débitos, mas apenas contesta a insuficiência de recolhimento. Por sua vez, as compensações alegadas foram declaradas em 31/03/2003 e 30/04/2003, e não são consideradas confissão de dívida, assim como não o é a DIPJ na qual os débitos foram informados. Correto, assim, seu lançamento de ofício com fundamento no art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99; · Não está comprovada a alegação de erro no preenchimento da DCTF, mormente tendo em conta que houve retificação posterior com a mesma omissão. Assim, os débitos não estão declarados em DCTF, não estão confessados e, portanto, houve insuficiência de recolhimento, e não mero erro de preenchimento; · A suspensão da exigibilidade na forma do art. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 somente opera efeitos no âmbito dos processos de compensação. Nestes autos, a suspensão da exigibilidade dependerá de recurso ao Conselho de Contribuintes; · Nos processos de compensação a discussão diz respeito ao direito creditório utilizado, e os débitos ali informados não produzem efeitos jurídicos, porque não declarados. Os débitos só foram efetivamente constituídos pela Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 4 3 Fiscalização, e com perfeita aplicação da multa de 75%, inexistindo cobrança em duplicidade. A Julgadora Maria Lucia Miceli votou pela improcedência do lançamento por entender que DCOMP, enquanto não julgada, tem efeito de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/11/2008 (fl. 374) e 03/12/2008 (fl. 371), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/11/2008 (fls. 377/389), no qual reprisa as justificativas apresentadas na impugnação. Argumenta que inexiste vedação de compensação de débitos não declarados em DCTF, e se opõe a lançamento fiscal decorrente de mero erro formal no cumprimento de obrigações acessórias. Reitera a argüição de nulidade em razão da duplicidade de cobrança e por equivocada tipificação da infração cometida, vez que não houve insuficiência de recolhimento de CSLL, reafirmando ser cabível, apenas, aplicação de multa por erro no preenchimento da DCTF. Defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da manifestação de inconformidade interposta nos processos de compensação, e pede a declaração de insubsistência da autuação. O recurso voluntário aqui interposto foi distribuído para relatoria da Conselheira Sandra Maria Faroni, então integrante da 2a Turma Ordinária desta 1a Câmara, que em 09/12/2009 solicitou diligência para juntada, a estes autos, de cópia das decisões proferidas nos processos administrativos nº 10768.100591/200357 e 10768.003571/200339, ou de sua apensação a estes autos em caso de decisão definitiva naqueles processos (fls. 399/400). A autoridade administrativa local informou que os mencionados processos administrativos estão anexados ao raiz de nº 18471.000836/200716, localizado neste Conselho (fl. 423). Os autos deste processo foram distribuídos ao Conselheiro José Ricardo da Silva, que noticiou a sua vinculação ao processo administrativo nº 18471.000836/200716, sendo providenciada a distribuição de ambos para sua relatoria, em razão da conexão (fl. 424/425). Realizado novo sorteio, ambos processos administrativos foram distribuídos a esta Conselheira para apreciação dos recursos voluntários interpostos. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os lançamentos formalizados neste e no processo administrativo nº 18471.000836/200716 decorrem do mesmo procedimento fiscal (MPFRI nº 07190002007 006947), por meio do qual a autoridade lançadora, examinando os valores devidos pela incorporada Ferteco Mineração S/A, a título de CSLL e IRPJ, nos anoscalendário 2002 e 2003 (este encerrado em agosto/2003, em razão da extinção da pessoa jurídica por incorporação), aferiu que débitos apurados nos ajustes anuais daqueles anoscalendário, confirmados na DIPJ e no LALUR, não haviam sido declarados em DCTF nem recolhidos. Além disso, no processo administrativo nº 18471.000836/200716 foi exigida multa de ofício isolada sobre a parcela de R$ 431.347,26, porque a estimativa informada em DIPJ para o mês de janeiro/2003 (R$ 2.623.684,23) seria superior à parcela informada em DCTF (R$ 2.192.336,97). Em ambos os casos a contribuinte alegou que os tributos exigidos haviam sido objeto de compensação mediante DCOMP tratadas nos processos administrativos nº 10768.100591/200357 e 10768.003571/200339, e que teria errado ao preencher a DCTF. Porém, a partir daí, os litígios percorreram caminhos diferentes: 1) a impugnação interposta nestes autos foi rejeitada, por maioria de votos, porque as compensações alegadas pela contribuinte eram objeto de DCOMP não considerada confissão de dívida, assim como não o era a DIPJ; e 2) a impugnação interposta nos autos do processo administrativo nº 18471.000836/200716 suscitou diligência, em razão da qual foi informado que a necessidade de lançamento dos valores ali exigidos decorreu da não homologação das compensações tratadas nos processos administrativos alegados pela impugnante, mas a decisão de não homologação foi inicialmente anulada em 1a instância de julgamento, ensejando nova decisão que reconheceu parcialmente o crédito e homologou compensações, excluídas aquelas que não representavam confissão de dívida dos débitos, dentre elas as DCOMP que alcançaram os débitos aqui exigidos, prevalecendo aquela decisão na medida em que a contribuinte não a contestou. Aos autos do processo administrativo nº 18471.000836/200716 está apensado o processo administrativo nº 10768.001644/200358, o qual reúne, por apensação, os processos administrativos nº 10768.001998/200301, 10768.100591/200357, 10768.003571/200339 e 10768.004342/200331. Ao analisar tais compensações, a autoridade fiscal constatou que a interessada limitouse a indicar, naquelas declarações, a espécie e o período a que o crédito se refere [saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001], sem, no entanto, identificar qual o valor do crédito requerido, bem como observou que não foram trazidos aos autos quaisquer documentos ou provas da liquidez e certeza daquele crédito, requisitos exigidos pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, para que se autorize a compensação. Assim, intimou a interessada a retificar as DCOMP e juntar os elementos necessários, porém a correspondência dirigida ao endereço da incorporada foi devolvida, seguindose intimação por edital, para posteriormente constatarse a incorporação, e intimarse a incorporadora, que não apresentou resposta à intimação. Foram juntadas aos autos do processo administrativo nº 10768.001644/200358 outras DCOMP transmitidas em 30/09/2003 e 21/09/2005 (esta enviada pela incorporadora), também com vistas à utilização do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001. Considerando a omissão acerca do Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 6 5 valor do crédito utilizado na primeira DCOMP e as informações conflitantes nas demais DCOMP apresentadas, bem como a falta de atendimento a intimação, a autoridade fiscal concluiu pela nãohomologação das compensações, elaborandose a representação de nº 15374.000748/200635 para as providências em relação aos débitos indicados nas DCOMP que não eram consideradas confissão de dívida. A decisão foi cientificada à incorporadora em 23/05/2006. Manifestando inconformidade contra tal ato de nãohomologação, a contribuinte alegou que havia utilizado, nas compensações, saldo negativo de IRPJ e de CSLL referentes ao anocalendário 2001. O julgamento, então, foi convertido em diligência para esclarecimentos acerca da análise do crédito, e posteriormente para verificação de eventual lançamento de IRPJ ou CSLL no anocalendário 2001. Ao final, em sessão de 30/08/2007, a 3a Turma da DRJ/Rio de JaneiroI decidiu anular o despacho decisório, porque a falta de indicação do valor do crédito não impediria a análise do direito creditório, inclusive antes evidenciado em DIPJ. Os autos foram devolvidos à DERAT/RJ em 13/09/2007, mas em 16/07/2007 a contribuinte já havia sido cientificada dos lançamentos aqui em debate. Ainda nos autos do processo administrativo nº 10768.001644/200358 e seus apensos, ao analisar os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2001, a autoridade fiscal emitiu despacho decisório em 07/03/2008, reduzindo o saldo negativo de IRPJ de R$ 8.846.481,14 para R$ 8.798.407,92, reconhecendo integralmente o saldo negativo de CSLL no valor de R$ 3.372.008,60, e determinando sua imputação às DCOMP reunidas naquele processo e nos apensos. A contribuinte teve vistas dos autos e desta decisão em 19/03/2008. Todavia, em 12/05/2008 a decisão foi retificada, em razão da constatação de que débitos compensados não haviam sido objeto de confissão de dívida e, assim, submetidos a lançamento neste processo, no processo administrativo nº 18471.000836/200716, bem como nos processos administrativos nº 18471.000833/200774 e 18471.000834/200719, estes últimos tratando de débitos de COFINS e Contribuição ao PIS, também compensados com os saldos negativos antes mencionados. Asseverando que em razão de tais lançamentos está sendo feita a cobrança dos débitos, a autoridade fiscal os excluiu dos cálculos de homologação. Os demonstrativos juntados àqueles autos evidenciam que foram liquidados os demais débitos compensados, remanescendo a parcela de R$ 1.343.055,89 do valor original do saldo negativo de IRPJ, e a totalidade do saldo negativo de CSLL (R$ 3.372.008,60). A contribuinte foi cientificada deste novo despacho decisório em 07/07/2008, mas não manifestou inconformidade. Há, nos autos, apenas registros acerca de compensações de ofício. As compensações que guardam relação com as exigências veiculadas neste e no processo administrativo nº 18471.000836/200716 são as seguintes: · Processo administrativo nº 10768.100591/200357: a contribuinte utiliza saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 para liquidar em 31/03/2003: o O ajuste anual de IRPJ do anocalendário 2002 no valor de R$ 3.700.975,00, ao passo que o lançamento nos autos do processo administrativo nº 18471.000836/200716 exige o ajuste anual de R$ 3.640.467,70, por não confirmar as estimativas de março/2002 (R$ 3.196.795,40) e Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 7 6 dezembro/2002 (R$ 504.179,60), mas deduzindo o IRRF de R$ 60.507,30; e o O ajuste anual de CSLL do anocalendário 2002 no valor de R$ 571.293,21, idêntico ao exigido neste processo, porque não confirmada a estimativa de março/2002 no valor de R$ 1.153.006,31, assim desconstituindo o saldo negativo originalmente informado em DIPJ de R$ 581.713,13; · Processo administrativo nº 10768.003571/200339: a contribuinte utiliza saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 para liquidar em 30/04/2003: o A estimativa de IRPJ de março/2003 no valor de R$ 4.471.897,07, que compõe a exigência de R$ 4.903.244,33 no anocalendário 2003, presente nos autos do processo administrativo nº 18471.000836/200716; e o A estimativa de CSLL de março/2003 no valor de R$ 1.610.602,95, idêntico ao exigido neste processo porque não confirmada a estimativa de março/2003 naquele valor, assim aumentando o saldo a pagar originalmente informado DIPJ. Deste conjunto estão sendo excluídas as compensações declaradas para a estimativa de IRPJ devida em janeiro/2003, controladas nos processos administrativos nº 10768.001644/200358 (R$ 257.257,83) e nº 10768.100591/200357 (R$ 1.935.0179,14), porque estes valores, somados, totalizam R$ 2.192.336,97, montante declarado em DCTF e vinculado às correspondentes compensações, e assim admitido pela Fiscalização, que reputou não comprovada apenas a parcela de R$ 431.347,28, resultante da diferença entre a parcela declarada de R$ 2.192.336,97, e o montante apurado para aquele mês, de R$ 2.623.684,23. A parcela de R$ 431.347,28 integrou a exigência final de R$ 4.903.244,33 no anocalendário 2003, bem como ensejou a exigência de multa isolada, ambas nos autos do processo administrativo nº 18471.000836/200716. Frente a este relato, resta evidenciado que a contribuinte não apresentou justificativa plausível para a falta de recolhimento da parcela de R$ 431.347,28. Desde sua impugnação, alega apenas que houve mero erro no preenchimento da DCTF, porém este erro ensejou declaração a menor do que a estimativa apurada e, ainda assim, considerada na apuração do ajuste anual, assim reduzindo o saldo a pagar. A recorrente acrescentou que o mesmo valor foi informado a maior a título de CSLL no mesmo período, o que, por si só, já anularia o suposto débito, bem como que o Sr. Fiscal Autuante não considerou o crédito de CSLL quando da lavratura do auto de infração, o que, caso tivesse ocorrido, acarretaria a anulação do débito. Inferese, daí, que a contribuinte teria deixado de recolher estimativa de IRPJ em janeiro/2003, mas teria apurado a maior estimativa de CSLL no mesmo período, e pretende que seja feito um encontro de contas entre tais valores, providência inadmissível não só porque se tratam de tributos com destinações diferentes, mas especialmente por se tratar de compensação dependente da apresentação de DCOMP desde a alteração promovida pela Medida Provisória nº 66/2002 no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 8 7 Com referência às demais parcelas, temse que os débitos haviam sido originalmente extintos mediante apresentação de DCOMP, porém, uma vez não homologadas as compensações, o efeito extinto foi afastado, autorizando o lançamento de ofício aqui promovido (art. 74, §2o da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002). Contudo, uma vez anulado o ato de não homologação, restabelecese o status quo, ou seja, os débitos voltam a estar extintos, demandando a edição de novo ato de nãohomologação para se restabelecer a exigibilidade dos débitos compensados, ato este que deve ser cientificado ao sujeito passivo antes de transcorridos 5 (cinco) anos da apresentação DCOMP. Neste sentido já se manifestou esta Turma de Julgamento, acolhendo proposta de voto apresentada por esta Relatora. Inicialmente, por meio do Acórdão nº 1101 000.883 declarouse a nulidade do despacho decisório por vícios de motivação, consignandose que: Diante deste contexto, clara está a nulidade do despacho decisório de não homologação das compensações, resultante da omissão das razões de convencimento daquele ato, consoante lecionam Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002): A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. O resultado desta omissão é o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que não tem a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de seu crédito nas duas esferas do contencioso administrativo. Daí a nulidade prevista no Decreto nº 70.235/72: Art 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Considerando que a nulidade afeta o ato que impediria a homologação tácita das compensações, impõese reconhecer que nesta data não é mais possível erigir qualquer questionamento contra as compensações aqui apreciadas. Inócuo, assim, declarar a nulidade, apenas, da decisão recorrida, com vistas a restabelecerse integralmente o direito de defesa da contribuinte a partir da exposição dos motivos que poderiam ter fundamentado a nãohomologação das compensações. Em Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 9 8 conseqüência, é desnecessário apreciar os elementos complementares trazidos pela recorrente, com vistas a ver validadas as deduções de IRRF promovidas na apuração do saldo negativo aqui utilizado. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar o ato de nãohomologação questionado.. Referido acórdão foi embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em razão de obscuridade, requerendo esclarecimentos acerca do motivo pelo qual a Turma não considerou, como causa interruptiva do prazo previsto no citado dispositivo legal, o despacho decisório emitido em 04/05/2011, que não homologou as DCOMPs apresentadas. Para suprir o vício apontando, os embargos foram acolhidos, assim expondo esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 1101000.933: Assim, ante a omissão das razões de convencimento daquele ato, declarouse a nulidade do despacho decisório de nãohomologação das compensações, com fundamento no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, dado o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que não teve a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de seu crédito nas duas esferas do contencioso administrativo. Neste ponto, esta Relatora entendeu pertinente esclarecer que a declaração de nulidade do despacho decisório se impunha por não ser mais possível reparar os efeitos do cerceamento ao direito de defesa mediante declaração de nulidade, apenas, da decisão recorrida, de modo a facultar nova defesa à interessada a partir da exposição dos motivos que poderiam ter fundamentado a nãohomologação das compensações. E isto porque na data do julgamento do recurso voluntário (11/04/2013), já havia transcorrido o prazo previsto para formulação do ato de nãohomologação das compensações, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...]§ 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 10 9 § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] (negrejouse) Nestes termos, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário. Esta extinção somente deixa de existir se a autoridade competente edita o ato de nãohomologação da compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP. Transcorrido este prazo sem a manifestação da autoridade competente, o crédito tributário está definitivamente extinto pela compensação. Contudo, para desfazer o efeito extintivo da DCOMP, o ato de nãohomologação deve ser válido, ou ao menos passível de convalidação. E requisito essencial de validade dos despachos ou decisões administrativas – modalidade na qual se inclui o ato de nãohomologação – é a sua elaboração sem cerceamento ao direito de defesa do interessado, ou seja, com exposição dos motivos que sustentam o ato, como bem exposto por Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002), no excerto doutrinário transcrito no acórdão embargado: A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. E, caso não se admita a classificação do ato de nãohomologação como despacho ou decisão na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, importa ter em conta que sua subsistência como ato administrativo de qualquer espécie dependeria, necessariamente, de motivação nos termos da Lei nº 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. [...] Nestes termos, a motivação deve ser explícita, clara e congruente para sustentar a afirmação de inexistência do direito creditório apontado pelo sujeito passivo na DCOMP. Isto porque, se assim não fosse, bastaria à autoridade administrativa iniciar os trabalhos de análise da compensação, e apontar algum vício aparente, para se desincumbir do ônus que o legislador lhe impôs de declarar a inadmissibilidade da compensação no prazo legal. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 11 10 Por certo há despachos decisórios que, mesmo não abordando por completo o mérito da compensação, prestamse como causa interruptiva do prazo legal de não homologação. É o caso, por exemplo, das análises que se restringem a aspectos preliminares da compensação, como legitimidade, prescrição ou possibilidade do pedido. O mesmo se diga em relação aos atos de nãohomologação decorrentes da impossibilidade de análise do direito creditório por falta de colaboração do sujeito passivo que tem o dever de guarda da documentação de suporte do crédito tributário. E também os atos de nãohomologação que se fundam em expressos indícios consistentes e convergentes acerca da inexistência do direito creditório. Contudo, em tais circunstâncias há ato válido, devidamente motivado, que permite a defesa pelo interessado, e assim impede a homologação tácita da compensação pelo transcurso do prazo legal. Em tais condições, novas análises pela autoridade administrativa são possíveis durante o contencioso administrativo, de modo a solucionar dúvidas decorrentes da defesa que o sujeito passivo pode validamente produzir. Mas, se aqueles óbices preliminares não são opostos, e a análise da compensação centrase na própria existência do direito creditório, a nãohomologação somente existe, como ato administrativo, quando expressa motivos que a sustentem. A existência formal do ato, praticado por autoridade competente e cientificado ao sujeito passivo, de nada vale quando o seu conteúdo não reúne razões compreensíveis para a nãohomologação da compensação. Haveria burla ao prazo legal de nãohomologação das compensações caso se admitisse irrestritamente que novas análises fossem exteriorizadas pela autoridade administrativa durante o contencioso administrativo, ou a partir da declaração de nulidade do despacho decisório. No presente caso, a análise material do direito creditório possivelmente foi realizada, mas como não foi exteriorizada por completo no ato administrativo cientificado ao sujeito passivo, ela não integrou sua motivação em tempo hábil. Ou seja, motivos existem, mas eles não integram o ato administrativo em debate. Trata se de um vício à primeira vista formal – na formatação do ato –, mas que repercute no próprio conteúdo do ato administrativo cientificado ao sujeito passivo, e assim revela seus reais contornos de vício material, que somente poderia ser convalidado se o Fisco ainda dispusesse de tempo para nãohomologação das compensações. Por sua vez, a DCOMP transmitida mais recentemente pelo sujeito passivo data de 03/12/2007, e o prazo para sua nãohomologação expirou em 03/12/2012. Logo, em 11/04/2013, quando apreciado o recurso voluntário, nada mais poderia ser feito para suprir o vício de motivação constatado no despacho decisório que motivou o presente litígio. Como referido despacho decisório não reunia os requisitos de validade para caracterizarse como causa interruptiva do prazo legal de não homologação, pertinente foi a declaração de sua nulidade no voto condutor do acórdão embargado. Por estas razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada, mas sem lhes dar efeitos infringentes, subsistindo o provimento dado ao recurso voluntário. (negrejouse) No presente caso, o primeiro despacho decisório, expedido nos autos do processo administrativo nº 10768.001644/200358 e apensos, não invocou aspectos preliminares para negar homologação às compensações. Por sua vez, a análise implementada em relação ao mérito, apesar de apontar as deficiências formais de sua exposição na DCOMP e a falta de atendimento às intimações para prestar esclarecimentos, foi invalidada pela decisão de 1a instância que anulou o despacho decisório também por vício de motivação. Referida decisão, porque favorável ao sujeito passivo, é definitiva no âmbito administrativo. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 12 11 Para maior clareza, transcrevese a ementa e os fundamentos do voto condutor da referida decisão: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO EQUIVOCADA. E nulo o pronunciamento da autoridade lançadora baseado em motivação equivocada. [...] Tempestiva a manifestação de inconformidade, dela conheço (somente agora em razão do volume de serviços). A autoridade lançadora, através do Despacho Decisório — Parecer n° 070/06 (fls. 68/71), não reconheceu do direito creditório e, em decorrência, não homologou as Dcomp. No Despacho Decisório, a autoridade lançadora ressalva que o interessado foi intimado a indicar o valor do crédito e a apresentar documentos que comprovassem o direito requerido e que o não atendimento invalidou o reconhecimento de direito creditório. Apesar de o valor do saldo negativo não constar das Dcomp, o interessado indicou que o crédito tinha origem em saldo negativo de 1RPJ e CSLL e apontou o ano calendário (2001). No Despacho Decisório, a autoridade lançadora analisou várias Dcomp: fls. 1/2 e 54/66 deste processo; fls. 1/2 do processo apenso 10768.001998/200301; fls. 1/2 do processo apenso 10768.100591/200357; fls. 1/2 do processo apenso 10768.003571/200339; fls. 1/2 do processo apenso 10768.004342/200331. A autoridade lançadora esclarece que "tais DCOMP foram incluídas nesta análise em virtude de nelas ter sido vinculado como crédito a compensar o mesmo que é objeto do presente Parecer" Deste modo, ainda que o valor do crédito não estivesse indicado, a autoridade lançadora pôde identificar o crédito pleiteado. Os saldos negativos de 1RPJ e de CSLL do ano calendário de 2001 constam da DIPJ/2002 (fls. 121 e 126, respectivamente). O julgamento foi convertido em diligência (fl. 248) com a seguinte solicitação: Informe se foi instaurado procedimento fiscal em relação ao interessado, referente ao ano calendário de 2001, e, em caso afirmativo, se foram alterados os valores declarados a titulo de IRPJ a pagar (fl. 121) e CSLL a pagar (ti. 126). Na informação de 11. 249, foi dito que "não foi instaurado procedimento fiscal em relação ao interessado referente ao ano calendário de 2001, relativamente ao lRPJ e CSLL". Os saldos negativos de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2001 apresentados na DIPJ/2002 são passíveis de compensação, conforme legislação abaixo reproduzida. A Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, que disciplina a restituição e a compensação, assim dispõe: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 13 12 Art. 5° Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I — na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II — na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. (...) Art. 51. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) IV — na hipótese de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, o mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Deste modo, somente uma análise da consistência dos saldos negativos de 1RPJ e de CSLL apresentados na DIPJ/2002 poderia levar ao não reconhecimento do direito creditório. A motivação indicada no Parecer Conclusivo, fundamento do indeferimento da homologação no Despacho Decisório de fl. 71, é equivocada. O pronunciamento da autoridade administrativa com motivação equivocada acarreta a nulidade do ato. Em face do exposto, voto no sentido de que seja anulado o Despacho Decisório— Parecer n° 070/06 (fls. 68/71), devendo ser refeito o ato. E, a corroborar o entendimento de que o prazo de homologação das DCOMP continuava tendo como termo inicial a data de sua apresentação, a autoridade fiscal encarregada inicialmente da segunda análise das DCOMP requereu diligência à DEFIS/RJ ressaltando que em virtude do prazo previsto no parágrafo 5 ° do artigo 74 da Lei 9.430/96, o presente processo deverá ser devolvido a esta Eqpej/Diort, após diligência, até, no máximo, o dia 27/01/2008, para finalização da análise quanto à compensação pleiteada (fls. 309/310 do processo apenso nº 10768.001644/200358). De toda sorte, é oportuno consignar que referido prazo também se aplica às DCOMP apresentadas antes da edição da Medida Provisória nº 135/2003, dado que ao estipular a homologação tácita das DCOMP depois de transcorridos 5 (cinco) anos de sua apresentação a lei não fez qualquer ressalva. A Receita Federal, aliás, ao editar a Instrução Normativa SRF nº 600/2005 admitiu em seu art. 70 que até mesmo os pedidos de compensação apresentados antes da Medida Provisória nº 66/2002, e convertidos em DCOMP porque pendentes de apreciação naquele momento, sujeitavamse ao mencionado prazo de 5 (cinco) anos para homologação, reproduzido no art. 29, §2o daquele ato normativo. Assim, em razão do que exposto em votos proferidas por esta Relatora, integrados aos Acórdãos nº 1101000.883 e 1101 000.933 e acima transcritos, o prazo para homologação das DCOMP continuou fluindo desde a apresentação destas, pois o ato de não homologação que se prestaria a obstálo foi anulado por vício de motivação. Por sua vez, como demonstrado, com exceção da parcela de IRPJ devida desde janeiro/2003 (R$ 431.347,28), os demais débitos exigidos estão vinculados a DCOMP apresentadas em 31/03/2003 e 30/04/2003. A primeira análise válida do mérito destas DCOMP foi concluída em 07/03/2008, mas antes da imputação dos créditos reconhecidos aos débitos Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 14 13 compensados, dentre eles aqueles exigidos nestes autos, a autoridade fiscal retificou sua decisão em 12/05/2008, para excluir dos débitos a serem considerados no presente processo, dentre outros, aqueles aqui exigidos. Ao final, a decisão proferida em 12/05/2008 homologa as demais compensações até o limite do direito creditório reconhecido, e nada diz acerca dos demais débitos compensados. Ressaltese que a autoridade fiscal não apresenta qualquer justificativa legal para excluir tais débitos dos cálculos de compensação, bem como deixa de declarar sua não homologação. A autoridade julgadora de 1a instância, por sua vez, ao apreciar tal conduta nestes autos, entendeu que não poderia contrariála porque a contribuinte não manifestara inconformidade contra ela. Todavia, como mencionado, não houve ato de nãohomologação para tais compensações, editado depois da anulação do primeiro despacho decisório. Logo, a contribuinte não foi intimada a manifestar sua inconformidade quanto a este ponto. Acrescentese, também, que o lançamento de ofício dos débitos objeto da DCOMP não seria justificativa para o procedimento acima mencionado, na medida em que o lançamento verificouse, justamente, depois da representação de nº 15374.000748/200635, expedida depois do primeiro ato de nãohomologação expedido nos autos do processo administrativo nº 10768.001644/200358 (e apensos), posteriormente anulado. Assim, da mesma forma que a primeira nãohomologação autorizou o lançamento de ofício, o reconhecimento do direito creditório na segunda análise deveria se prestar como elemento para desconstituir a exigência, se não por imputação direta do direito creditório, ao menos por meio de reserva do crédito correspondente e comunicação ao órgão julgador encarregado da apreciação do litígio. Por tais razões, se o primeiro ato de nãohomologação foi anulado, e o segundo despacho decisório, após a retificação, deixou de se manifestar contrariamente à homologação das compensações de débitos aqui exigidos, impõese reconhecer que operouse a homologação tácita das DCOMP apresentadas em 31/03/2003 e 30/04/2003, restando definitivamente extintos os débitos por meio delas compensados. Ainda, é oportuno registrar, em razão dos debates desenvolvidos na sessão julgamento, a possibilidade de se interpretar, também, que a decisão proferida em 07/03/2008, reconhecendo a quase totalidade do indébito pleiteado, teria o efeito de homologar as compensações aqui veiculadas, de modo que ultrapassado o prazo fixado em lei para revisão das compensações, não seria mais possível desfazer aquele ato em 12/05/2008, como pretendeu a autoridade fiscal ao excluir daquela compensação os débitos aqui exigidos. O resultado de ambas interpretações, porém, seria o mesmo: a impossibilidade de negar homologação à compensação dos débitos aqui exigidos por meio de ato praticado em 12/05/2008. Assim, devem ser afastadas as exigências correspondentes: · Ao ajuste anual de IRPJ do anocalendário 2002 no valor de R$ 3.640.467,70, vinculado à compensação objeto do processo administrativo nº 10768.100591/200357, declarada em 31/03/2003; · Ao ajuste anual de CSLL do anocalendário 2002 no valor de R$ 571.293,21, vinculado à compensação objeto do processo administrativo nº 10768.100591/200357, declarada em 31/03/2003; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.000835/200763 Acórdão n.º 1101001.085 S1C1T1 Fl. 15 14 · Ao ajuste anual de IRPJ do anocalendário 2003, mas apenas na parcela correspondente a R$ 4.471.897,07, vinculado à compensação objeto do processo administrativo nº 10768.003571/200339, declarada em 30/04/2003; e · Ao ajuste anual de CSLL do anocalendário 2003, vinculado à compensação objeto do processo administrativo nº 10768.003571/200339, declarada em 30/04/2003; Em conseqüência, os direitos creditórios vinculados a tais débitos por meio destas compensações não podem ser destinados a compensações de ofício, consoante inferese dos elementos juntados às fls. 407/491 do processo apenso nº 10768.001644/200358. Considerando que os débitos aqui exigidos estão integralmente alcançados pelas compensações acima referidas, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento aqui veiculado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 449DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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