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Numero do processo: 13808.000299/2002-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatado que houve omissão no Acórdão quanto ao retorno do processo para a Turma a quo, os Embargos de Declaração formam a via adequada para que seja sanada a omissão.
Numero da decisão: 9101-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher o Embargos de Declaração para lhe dar provimento com efeitos infringentes e reconhecer a omissão, sanando-a , com retorno à câmara a quo para apreciação das demais questões.]
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner(Suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e eu Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatado que houve omissão no Acórdão quanto ao retorno do processo para a Turma a quo, os Embargos de Declaração formam a via adequada para que seja sanada a omissão.
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OMISSÃO. Constatado que houve omissão no Acórdão quanto ao retorno do processo para a Turma a quo, os Embargos de Declaração formam a via adequada para que seja sanada a omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher o Embargos de Declaração para lhe dar provimento com efeitos infringentes e reconhecer a omissão, sanandoa , com retorno à câmara a quo para apreciação das demais questões.] (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 02 99 /2 00 2- 29 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN 2 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner(Suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e eu Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra o acórdão n° 9101 001.344, que alega haver omissão em sua manifestação, no que tange a não determinação de reenvio dos presentes autos à Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que ao não reconhecer a ocorrência da decadência, deixou de determinar o retorno dos presentes autos ao Juízo a quo para apreciação das questões não analisadas.. Alega a Embargante que desde a apresentação de sua Impugnação, vem se defendendo com fundamento em dois argumentos principais, a ocorrência da decadência e a mera postergação de recolhimento da CSLL. Ao julgar a presente controvérsia, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I, apreciou todas as questões suscitadas e julgou procedente o lançamento realizado, rechaçando integralmente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Em sede de Recurso Voluntário, a Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção, reconheceu a ocorrência da questão prejudicial (decadência), e por isso não analisou a questão de mérito. Já, no julgamento do Recurso Especial, adstrita a questão sobre a qual versava, (divergência de julgados quanto à ocorrência da decadência), esta Câmara afastou a incidência da decadência. Em síntese é o relatório. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13808.000299/200229 Acórdão n.º 9101001.712 CSRFT1 Fl. 517 3 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann Com razão a Embargante, pois houve omissão no Acórdão embargado ao não se pronunciar sobre o eventual retorno do processo para julgamento pela Turma a quo, das demais questões de mérito suscitadas no curso do processo. De fato com o não reconhecimento da decadência por esta Câmara nos termos do acórdão proferido, devem os presentes autos serem remetidos ao Juízo a quo para apreciação da questão de mérito referente a mera postergação do recolhimento da CSLL. Desta feita, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO AO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para reratificar o Acórdão nº 9101001.344 para que conste, ao final, que está determinado o retorno dos presentes autos ao Juízo a quo, devendose apreciar as demais questões de mérito, uma vez que superada a decadência. Sala das Sessões em, 17 de julho de 2013. (assinado digitalmente) SUSY GOMES HOFFMANN Relatora. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000818/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO.
O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS.
O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
Numero da decisão: 3402-002.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator e do relator designado. Vencidos conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto aos custos com Etiquetas e quanto aos Ovos Incubáveis. Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Conselheiro João Carlos Cassuli Junior quando ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e aplicação da Selic. Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Designada Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor quanto aos ovos incubáveis e etiquetas. Apresentará declaração de voto conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto a SELIC.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Luiz Carlos Shimoyama, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
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INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 08 18 /2 00 7- 39 Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator e do relator designado. Vencidos conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto aos custos com Etiquetas e quanto aos Ovos Incubáveis. Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Conselheiro João Carlos Cassuli Junior quando ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e aplicação da Selic. Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Designada Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor quanto aos ovos incubáveis e etiquetas. Apresentará declaração de voto conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto a SELIC. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Luiz Carlos Shimoyama, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da decisão recorrida, verbis: A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo reconhecimento parcial do direito creditório postulado, com base no não acatamento da apuração de créditos em relação a: a) mercadoria para revenda adquiridas de pessoas físicas; b) aquisições de bens e serviços não enquadrados com insumos, como: b.1) material de uso geral; b.2) material de embalagem e etiquetas, utilizadas no acondicionamento para transportes das mercadorias; b.3) peças de reposição e serviços gerais; b.4) material de segurança; b.5) conservação e limpeza; Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.094 3 b.6) manutenção predial; b.7) ovos incubáveis, considerados como serviços adquiridos de pessoas físicas; b.8) outros itens; c) gastos com transporte de produtos entre filiais, classificados pela cooperativa como despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda; d) crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais, tendo em vista não serem passíveis de ressarcimento, apenas de desconto, ou ainda decorrente da aplicação incorreta do percentual de 60% incidente sobre os insumos adquiridos, quando o percentual correto seria 35%; e) créditos a descontar na importação — foram redistribuídas as Declarações de Importação apresentadas, em função de sua data de registro, bem como a fiscalização excluiu as importações com cujo pagamento foi suspenso devido a operação de DRAWBACK. A interessada apresenta manifestação de inconformidade frente esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Em relação à glosa dos créditos referentes a mercadorias para revenda adquiridas de pessoas físicas, a interessada confirma ter se equivocado na apropriação destes créditos. Requer, tendo em vista estas aquisições se referirem a animais para reprodução, e gerarem crédito presumido das contribuições, que seja reconhecido o direito ao crédito presumido sobre as referidas aquisições. No que tange aos bens e serviços não enquadráveis como insumos, salienta que a decisão considera o conceito de insumo de forma restrita, excluindo incontáveis insumos que a seu ver não são aplicados no produto. Aduz que, em atenção ao artigo 3° da Lei n° 10.833/04, todas as aquisições de bens e serviços utilizados diretamente como insumo na fabricação de produtos destinados à venda geram direito ao crédito. Desta forma, os valores glosados se enquadrariam perfeitamente como insumos, tanto na ótica da Lei n° 10.833/04 quanto da IN/SRF n° 404/2004, artigo 8°. Em relação às peças de reposição de máquinas e equipamentos, sustenta o direito à compensação baseado na similaridade com os créditos decorrentes de depreciação de máquinas, combustíveis e lubrificantes e energia consumida, anexando solução de consulta n° 80, de 13/06/08, que permitiria o creditamento. Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 Em relação às aquisições de caixas de papelão e etiquetas, aduz em primeiro lugar que é equivocada a afirmação da autoridade fiscal de que estes materiais foram utilizados no acondicionamento para transporte. Informa que o material utilizado nas embalagens tem por finalidade garantir a proteção adequada ao produto para minimizar a contaminação, prevenir danos e acomodar o rótulo. Explicita particularidades de algumas embalagens especiais, afirmando que as embalagens são colocadas com fins comerciais. No que tange as aquisições de material de segurança, produtos de conservação e limpeza e bens destinados à manutenção predial, defende o mesmo entendimento exposto em relação ao conceito de insumo, agregando a informação de que, no caso de equipamentos de proteção individual, os mesmo são obrigatórios nos termos da NR 6 e 8. Quanto à aquisição de ovos incubáveis, salienta que não se trata de remuneração de serviço prestado por pessoa física. Informa a adoção do modelo de produção integrado ou verticalizado, que consiste em uma combinação de dois ou mais estágios sucessivos de produção e ou distribuição em propriedade da empresa ou terceiros, mas sob o controle da empresa proprietária. Neste modelo, a agroindústria, por meio de contrato de parceria, fornece ao produtor rural lotes de matrizes poedeiras e ou reprodutores de suínos, lotes de pinto de um a dois dias de vida, assim como leitões. O produtor rural pessoa física, chamado de integrado ou parceiro integrado cuida das matrizes poedeiras, até a fase anterior à incubação dos ovos. O parceiro integrado, de igual modo cria os pintos de um dia e ou leitões até a época do abate, recebendo assistência técnica, ração e medicamentos. O parceiro produtor, em contrapartida, recebe da empresa uma parcela da produção, em cada lote, obtendo para si uma parcela do que foi produzido. A parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. É o caso dos autos, ou seja, a parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde a sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa. Assim, não se trataria de remuneração paga à pessoa física e sim de compra e venda de ovos para incubação. Desta forma, a decisão deve ser reformada para, no mínimo, reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as compras de ovos para incubação. No tocante às despesas de armazenagem de mercadorias e fretes na operação de venda, aduz que o frete incidente sobre as transferências de uma unidade produtora para outra unidade produtora deve ser considerado insumo de produção. Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.095 5 Explica que na granja de aves são produzidos ovos, que é um produto semiacabado para o incubatório. No incubatório são produzidos pintos de um dia que é um produto semiacabado para o produtor. No estabelecimento do produtor são produzidas aves terminadas que é um produto semiacabado para o abatedor. E o processo se encerra apenas no estabelecimento industrializador, de onde sai o produto acabado para o estabelecimento comercial. Em relação aos dispêndios com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, para fins de comercialização, sustenta a possibilidade do creditamento, salientando o posicionamento da 9ª Região Fiscal (solução de consulta n° 71, de 28/02/05). No tocante aos valores creditados a titulo de crédito presumido e alocados no campo de receita de exportação, a recorrente salienta que, em que pese a utilização da interpretação literal leve ao entendimento exposado pela autoridade fiscal, esta interpretação não é única nem isolada. Afirma que os créditos presumidos deixaram de figurar nas disposições do artigo 3° das leis 10.637/02 e 10.833/03 pela simples necessidade de adequálos à realidade da não cumulatividade, e não com o objetivo de impedir a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos. Afirma ainda que mesmo na vigência da Lei n° 10.925/04 os créditos presumidos são passíveis de compensação ou ressarcimento, em razão de que os artigos 5° e 6° das leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu §1°, regulam a utilização dos créditos apurados na forma do respectivo artigo 3°, e não dizem que são exclusivamente os créditos relacionados no artigo 3° de ambas as leis. O inciso II do caput do artigo 3° das leis em questão, permitem, pois duas formas de apropriação de créditos sobre bens utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens: uma de forma direta, que são os denominados créditos ordinários pagos pelos respectivos fornecedores daqueles bens; outra de forma presumida, nas limitações estabelecidas pelo artigo 8° da Lei n° 10.925/04. Tanto os créditos ordinários com o os presumidos vincularse iam à forma dos créditos estabelecida pelo artigo 3° de ambas as leis, e por isso mesmo seriam passíveis de compensação com outros tributos, ou de ressarcimento em espécie. Defende, caso não seja acatado sua argumentação, que isto provocaria o desrespeito da norma constitucional que veda a incidência das contribuições sobre as receitas de exportação, pois somente reconhecer a manutenção dos créditos sem possibilitar sua utilização ou recuperação implicaria em onerar os produtos exportados. Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 Argumenta que o crédito presumido do Pis e da Cofins constitui forma de subvenção, espécie de estímulo financeiro, para reduzi ro impacto tributário existente sobre a produção. Aduz, após explicar a sistemática da dedução, compensação e ressarcimento dos créditos do tributo em tela, afirma que, frustradas as outras formas de ressarcimento, a União deve efetuar o pagamento, mediante a entra ao beneficiário da respectiva soma em dinheiro. Defende que, embora não esteja prevista expressamente no texto do artigo 8°, da Lei n° 10.925/04, há que se reconhecer a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do PIS/COFINS. No que tange a aplicação do percentual de 60% sobre os insumos adquiridos, quando deveriam ter sido aplicado o percentual de 35%, aduz que, em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, o artigo 8° da Lei n° 10.925/04 estabelece o percentual de 60% sobre o valor das aquisições. Argumenta que a Solução de Consulta n° 39, de 27/04/2006, apresenta decisão dos órgãos fazendários neste sentido. No tocante às aquisições de milho inteiro e quebrado, deve, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. Por derradeiro, em relação à glosa da Contribuição ao PIS paga em razão do registro das declarações de importação ter sido efetuado por meio do regime aduaneiro drawback, a interessada não contesta tal vedação a seus créditos. A interessada, todavia, expõe que não se creditou de algumas aquisições feitas por meio de declarações de importação referentes aos meses de abril e julho de 2006. Desta forma, requer que sejam incluídos no cálculo deite período os valores correspondentes a estas exportações. Requer, por fim, a reforma da decisão prolatada, a produção de todas as provas em direito admitido, que o presente recurso seja recebido com efeitos suspensivo e devolutivo, bem como seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0720.500, de 16 de julho de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.096 7 No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. O Sujeito passivo, descontente com a decisão proferida, protocolou recurso voluntário valendose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fossem verificados: a) Quanto ao material de segurança, qual o papel do “creme protetor” e da “meia”? b) Quanto à conservação e limpeza, que tipo de serviço de bem móvel é feito? Qual a participação da limpeza na operação do sujeito passivo? c) Quanto às peças de reposição e serviços gerais, qual a participação da lavagem de roupa no processo produtivo do sujeito passivo? d) Quanto à manutenção predial, os serviços de pintura e de construção civil foram realizados no estabelecimento fabril? A compra de argamassa, calcáreo, tintas, tomadas, torneiras e de concreto usinado foram para o estabelecimento fabril? e) Quanto ao frete, quais foram os valores dos fretes utilizados para transporte de documentos, transporte de insumos entre estabelecimentos, transporte de produto intermediário entre estabelecimentos e transporte de produto final para venda? A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC realizou a diligência e os autos retornaram para análise deste Colegiado. Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.097 9 O Sujeito Passivo apresentou petição sobre o resultado da diligência restringindose a afirmar que: Com a devida vênia, a diligência feita pela Receita Federal de Joaçaba, não pode ser acolhida, pois desconsiderou as informações prestadas pela intimada para, assim, tecer considerações de ordem subjetiva sobre a interpretação da legislação aplicável aos casos suscitados. A competência para dizer qual é o direito aplicável ao caso concreto, neste momento, é do Egrégio Conselho de Contribuintes e não da autoridade fiscal. Cabia a esta tão somente responder de forma objetiva aos questionamentos suscitados, que, como se pode ver, quedou inerte. Assim, tendo a autoridade fiscal respondido aos questionamentos de forma subjetiva, não merecem prosperar as alegações ali lançadas, devendo o E. Conselho, atentar para as informações prestadas pela ora intimada, as quais foram protocoladas em 04/07/12. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo ao mérito. Tratase de processo de pedido de ressarcimento da Cofins nãocumulativa referente ao 3º trimestre de 2006. BENS E SERVIÇOS INSUMOS A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf entendeu que os autos não estavam maduros para julgamento e retornouos para fase instrutória com o fim de sanar dúvidas que assombravam as mentes dos componentes do Colegiado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência em 27/08/2012 e apresentou petição em 12/09/2012 sobre o resultado da diligência. Reproduzo as conclusões da Autoridade Fiscal e os argumentos apresentados pelo recorrente no âmbito da diligência proposta. Item 01 “creme protetor e meias”: O Fisco concluiu que são materiais de proteção individual, contudo não são consumidos pelo produto final. A Recorrente afirma que o creme protetor é equipamento de proteção individual utilizado por trabalhadores que laboram no processo fabril, que tem a finalidade de Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 10 proteger as mãos dos funcionários contra agentes ambientais presentes nas atividades por eles executadas. E as meias têm a função de proteger os pés dos funcionários contra a baixa temperatura. Item 02 – Quais os serviços de bem móvel são realizados e sua participação no processo produtivo? Apuração do Fisco: (...) alega a interessada que o serviço de bem móvel realizado ocorreu, apenas, em conserto de máquinas e equipamentos. No entanto, de acordo com a descrição constante dos documentos acostados aos autos, tratam da aquisição de vassouras de palha e outras espécies, utensílios estes não utilizados diretamente na produção dos bens vendidos, não dando direito a crédito, portanto. Também os serviços discriminados nas Notas fiscais de prestação de serviço serviço de ajardinamento, serviços de lenha, cultivo de horta e pomar, carga e descarga, eventuais roçadas); serviço de limpeza de esgoto da lavagem de caminhões); ref.limpeza e desinfecção de todos os reservatórios de água da unidade); serviços de lavanderia. (...) Resposta do Recorrente: (...) os serviços de bens móveis realizados foram de conserto em máquinas e equipamentos industriais, registrados nas contas contábeis: 30449 máquinas e 30431 equipamentos pertence ao grupo de custeio de produção, bem como serviços de limpezas, os foram contabilizados nas contas de custeio: 30.465, 30.732, 30.422 e 30.449, e o serviço de lavanderia (lavagem de uniforme), contabilizados na conta de custeio: 30.732.(...) Item 03 – Serviços de limpeza. Apuração do Fisco: (...)Relativamente aos serviços de limpeza, assegura a interessada que esta atividade compreende a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos, também a lavanderia industrial (lavagem dos uniformes do pessoal) e ajardinamento de pátios dos estabelecimentos (...) Resposta do Recorrente: (...)Os serviços de limpeza compreendem a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos industriais; lavanderia industrial (lavagem dos uniformes utilizados pelos funcionários que atuam no processo produtivo); e, ajardinamento de pátios dos estabelecimentos fabris.(...) (...)Os produtos adquiridos para a limpeza da área fabril (desinfetante, detergente e vassoura) foram contabilizados na conta contábil de estoque 10.812, já os serviços em bem móveis foram contabilizados nas contas contábeis de custeio sendo, 30.449 máquinas e 41111 30.431 equipamentos, os serviços de limpeza foram contabilizados nas contas de custeio 30.465, Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.098 11 30.732, e 30.422 e 30.449, e o serviço de lavanderia na conta de custeio 30.732.(...) Item 04 – Manutenção predial, serviços de pintura e de construção civil. Apuração do Fisco: (...) Relativamente à manutenção predial e os serviços de pintura e de construção civil, assevera a interessada que foram realizados no estabelecimento fabril. No entanto, ainda que aplicados nos estabelecimentos industriais este fato por si não implica no reconhecimento de que os valores aplicados dão direito ao crédito de Pis e Cofins não cumulativo. Com efeito, em se tratando de serviços de pintura em instalações conforme descrito nas notas ficais pintura acesso indústria e lateral do prédio bloco administ II, pintura circulação de acesso aos vestiários parede/platib, pintura na salda de manutenção de baterias, pintura em calhas, teto, tirantes, suporte de expedição, pintura no setor Mec preparação e piso da oficina, pintura no setor abt, serviço de manutenção civil no setor abt, serviço manutenção civil piso setor Prd, implicam em serviços de reforma e ampliações até porque tem previsão de serem consumos em mais de doze meses, fato que implica em imobilização para futura depreciação.(...) Resposta do Recorrente: (...) A manutenção predial e os serviços de pintura e construção civil foram realizados no estabelecimento fabril e a compra de todos os itens foi utilizada nos estabelecimentos industriais, conforme demonstrado através da cópia de documentos fiscais e razão contábil dos lançamentos dos documentos fiscais na conta de estoque 10812. Para evidenciar a baixa dos itens para manutenção predial na conta de custo de produção das unidades industriais, anexamos também cópia do relatório de saída de materiais (custos) dos itens do estoque e seu lançamento nas contas de custos 30.422, 30.813, 30.431, 30.635 e 30.449. Quanto aos serviços de pinturas o custo foi contabilizado diretamente nas contas de custos 30.422, 30.449 e 30.431. As aquisições de calcáreo foram destinadas à fabricação de ração, ocorrendo a contabilização pela compra do produto na conta de estoque 10.812 e seu consumo evidenciado pela baixa do item na conta de custeio 30.805. Trata se, portanto, de insumo para a fabricação de ração.(...) Item 05 – Fretes Apuração do Fisco: Relativamente aos fretes, a requerente alega de apenas 13,88% (R$ 3.732.125,71 de um total de R$ 26.888.149,52) se referem a despesas de armazenagem, sendo que 35,24% corresponderiam a fretes sobre operações de venda de produtos acabados, porém 50,88% se trataria do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte (frete transferência). Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 12 Resposta do Recorrente: (...)Em relação ao frete informamos que do valor total de R$ 26.888.149,52 glosado no 3º trimestre de 2006, R$ 9.474.689,83 correspondem a transporte de produtos acabados em operação de venda; R$ 3.732.125,71 referem a despesas com armazenagem de produto final para venda, R$ 10.893.057,67 a transporte de produtos acabados entre estabelecimentos para venda (frete transferência), e R$ 2.788.276,31 a transporte de produtos para industrialização (frete transferência). O transporte de produto acabados entre estabelecimentos é contabilizado na conta de estoque 12319, do estabelecimento destinatário. Posteriormente, quando ocorre a efetiva operação de venda do produto, este valor do frete fará parte do custo da mercadoria vendida. Os gastos com frete na operação entre estabelecimentos são imprescindíveis para a efetivação da venda dos produtos fabricados pela recorrente e agregam o custo do próprio produto. É que a empresa comercializa a sua produção em todo território nacional, porém, as suas unidades industriais estão localizadas nos Estados do RS, SC e MS, que transferem a sua produção para os estabelecimentos comerciais localizados nos Estados do PR, SP, RJ, MG, PE e DF. Portanto, os gastos com frete para transferência da produção das unidades industriais para comercialização pelas unidades comerciais agregam o custo do produto, revestindo a característica de insumo ou serviço utilizado na fabricação de produtos destinados a venda.(...) Esses são os fatos contidos nos autos que servirão de base para análise da subsunção dos serviços/aquisição de mercadorias ao conceito de “insumo” contido nas leis que instituíram o regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 65 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.099 13 utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 14 do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.100 15 razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 16 o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.101 17 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 18 b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.102 19 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando a lide, passo ao exame dos itens reclamados pelo recorrente, tendo por base a diligência realizada e o conceito de insumo alhures detalhado. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 20 Bens e Serviços material de uso geral, material de embalagens e etiquetas, peças de reposição e serviços gerais, material de segurança, material de conservação e limpeza, material de manutenção predial, ovos incubáveis, fretes e outros itens. Quanto à imensa lista de elementos que não foram considerados para o cálculo do crédito da Cofins, me reservo a analisar apenas aqueles que o recorrente buscou demonstrar participar de seu processo produtivo. Para os demais, nego de pronto sua inclusão no cálculo do crédito em virtude das alegações estarem órfãs de informações que sustentem seu direito. É bom lembrar que a lide versa sobre pedido de ressarcimento, cujo ônus da prova é do recorrente. a) Material de uso geral avental plástico, bota de borracha, camisa, camiseta impermeável, calça proteção, desinfetante, creme protetor microbiológico, detergentes, lenha de eucalipto, luva, óleos lubrificantes, papel toalha, peças para máquinas, protetor auricular, correias industriais. Entendo que os valores gastos com o avental plástico, camisa, desinfetante, luva, a bota de borracha, a camiseta impermeável, a calça de proteção, o creme protetor microbiológico, o protetor auricular, os óleos lubrificantes e as peças para as máquinas do parque fabril subsumem ao conceito de insumo, devendo fazer parte do cálculo do crédito da Cofins. Quanto aos demais elementos mencionados neste item nego seu aproveitamento por falta de prova. b) Material de Embalagens e Etiquetas caixas de papelão e etiqueta. Quanto a esse item, apenas as caixas de papelão utilizadas no acondicionamento dos produtos para fins de proteção contra ataque ambientais, choques, vibrações impróprias, esmagamento, etc, fazem parte do processo produtivo do recorrente, de forma que devem ser incluídos nos cálculos dos créditos como sendo insumos. Mesma sorte não teve o elemento “etiqueta”, pois não têm nos autos provas mínimas de sua utilização no processo produtivo. c) Material de Conservação e Limpeza Após diligência realizada no estabelecimento do recorrente, é pacífico que os serviços de limpeza compreendem a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos industriais; lavanderia industrial (lavagem dos uniformes utilizados pelos funcionários que atuam no processo produtivo). Portanto, em vista da atividade desenvolvida pela sociedade ser de cunho alimentício, entendo que os valores referentes a estes custos devem fazer parte do cálculo do crédito da Cofins, por estarem contemplados no conceito de insumo. d) Manutenção Predial, Serviço de Pintura e de Construção Civil A diligência revela que a manutenção predial e os serviços de pintura e construção civil foram realizados no estabelecimento fabril e a compra de todos os itens foi utilizada nos estabelecimentos industriais, conforme demonstrado através das cópias dos documentos fiscais e razão contábil. O Fisco apurou que os serviços de pintura foram realizados no acesso a indústria e lateral do prédio bloco administrativo II (pintura circulação de acesso aos vestiários parede/platib, pintura na sala de manutenção de baterias, pintura em calhas, teto, tirantes, suporte de expedição, pintura no setor mec preparação e piso da oficina, pintura no setor abt, serviço de manutenção civil no setor abt e serviço manutenção civil piso setor Produtivo. Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.103 21 Neste caso apenas os custos com a manutenção predial do setor fabril e os serviços de pintura deste mesmo setor tem o direito de fazer parte do cálculo do crédito da exação. Os custos com a manutenção e pintura dos prédios administrativos e outros setores não podem compor o referido crédito. e) Fretes. Em relação ao frete informa a recorrente e não contesta o Fisco: Em relação ao frete informamos que do valor total de R$ 26.888.149,52 glosado no 3 0 trimestre de 2006, R$9.474.689,83 correspondem a transporte de produtos acabados em operação de venda; R$ 3.732.125,71 referem a despesas com armazenagem de produto final para venda, R$ 10.893.057,67 a transporte de produtos acabados entre estabelecimentos para venda (frete transferência), e R$ 2.788.276,31 a transporte de produtos para industrialização (frete transferência). O transporte de produto acabados entre estabelecimentos é contabilizado na conta de estoque 12319, do estabelecimento destinatário. Posteriormente, quando ocorre a efetiva operação de venda do produto, este valor do frete fará parte do custo da mercadoria vendida. Os gastos com frete na operação entre estabelecimentos são imprescindíveis para a efetivação da venda dos produtos fabricados pela recorrente e agregam o custo do próprio produto. É que a empresa comercializa a sua produção em todo território nacional, porém, as suas unidades industriais estão localizadas nos Estados do RS, SC e MS, que transferem a sua produção para os estabelecimentos comerciais localizados nos Estados do PR, SP, RJ, MG, PE e DF. Portanto, os gastos com frete para transferência da produção das unidades industriais para comercialização pelas unidades comerciais agregam o custo do produto, revestindo a característica de insumo ou serviço utilizado na fabricação de produtos destinados a venda. Das informações coletadas concluise que as despesas com fretes estão divididas entre as relativas ao transporte de produtos acabados em operação de venda, ao transporte entre estabelecimentos de produtos acabados e ao frete sobre as compras dos insumos utilizados para industrialização dos produtos a serem comercializados. O aproveitamento do custo com frete relativo ao transporte de produto acabado para venda está previsto na Lei que instituiu a nãocumulatividade. Ressalto apenas que o ônus deve ser suportado pelo vendedor. Os custos dos fretes referentes à aquisição dos insumos incorporam ao custo dos insumos, desde que estejam descriminados na nota fiscal de compra e assumidos pelo comprador. Cumpridos esses requisitos, estarão acobertados pela legislação. Assim, o único problema a ser resolvido se refere ao frete correspondente ao transporte de bens acabados entre estabelecimentos da mesma sociedade. Conforme já Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 22 mencionado o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins tem um alcance maior do que matériaprima, produto intermediário e material de embalagem relacionados ao IPI e menor que os custos de produção do IRPJ. Contudo, defendo que nos casos em que a Lei previu, expressamente, o tipo do bem ou o do serviço que poderá ser utilizado para descontar créditos das exações, aplico os cânones legais. É o caso da despesa com fretes, o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 prevê que apenas os fretes utilizados na operação de venda poderão servir de créditos a serem descontados do valor apurado de exação. No caso em questão, o transporte de produto acabado de um estabelecimento a outro da mesma sociedade não dá direito ao crédito, pois falta previsão legal. Se fosse produto semiacabado, meu entendimento seria diverso, uma vez que esse frete faria parte do processo produtivo da empresa. Portanto, quanto a esse custo, mantenho afastados os valores da base de cálculo do crédito da Cofins. f) Armazenagem As despesas com armazenagem também foi prevista no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 como integrante dos créditos descontáveis da exação. De sorte que afasto a glosa efetuada pela fiscalização e mantida pela instância a quo. g) Ovos incubáveis A operação na visão do recorrente: (...) no modelo de integração/parceria, a empresa firma um contrato de parceria com o parceiro produtor, pessoa física, em que a empresa se compromete a fornecer as matrizes, pintos, leitões, medicamentos, alimentação e assistência técnica, enquanto que o parceiro produtor, pessoa física, participa com as instalações, água, luz, mãodeobra de alimentação e manutenção do lote dos animais recebidos. O parceiro produtor, pessoa física, em contrapartida, recebe da empresa (agroindústria), uma parcela da produção, em cada lote, obtendo para si um parcela do que foi produzido. Tal parcela é estabelecida através da aplicação de uma fórmula específica, constante no contrato, com base na conversão de produção ou conversão alimentar para determinar o fator de eficiência e produção. A parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. É o caso dos autos, ou seja, a parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde a sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa. Ou seja, o parceiro produtor emitiu nota fiscal para acobertar a venda da sua parte na produção. (...) A operação na visão da Autoridade Fiscal: Verificase que o contrato de parceria, anexado aos autos, tem por objeto o fornecimento à cooperativa de ovos para incubação, ovos férteis destinados à produção de pintos de corte. No caso em exame, são formalizados contratos de parceria entre a cooperativa (parceira) e o produtor integrado (matrizeiro), pessoa física. Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.104 23 Este sistema de parceria para fornecimento de ovos para incubação, comumente denominado de integração, de fato, é tradicionalmente empregado no setor avícola. A parceira assume a obrigação de fornecer ao produtor os insumos necessários a produção, quais sejam lotes de aves, machos e fêmeas, além de rações, medicamentos e vacinas, bem como o transporte das aves e dos ovos que saírem da propriedade. O matrizeiro, por sua vez, tem por atribuição a guarda e conservação das aves postas à sua disposição, devendo cumprir uma série de prescrições relativas à criação das aves, além de suprir água potável e energia elétrica nas quantidades necessárias à atividade. Exigese do matrizeiro instalações físicas adequadas, constituídas, no contrato em apreço, de três aviários de 14m x 130m, além dos equipamentos que se fizerem necessários, "de acordo com a avaliação e orientação do departamento técnico da segunda (parceira)", sendo do matrizeiro a responsabilidade pela mão de obra necessária. Quanto à partilha dos frutos da parceria, reproduzse a cláusula contratual que a define: “Cláusula segunda (...) Parágrafo segundo: Ajustam as partes, para efetivação da parceria, que 88% (oitenta e oito por cento) dos ovos provenientes de cada lote de aves entregues, é de propriedade da PARCEIRA, sendo o saldo remanescente de 12% (doze por cento) de propriedade do MATRIZEIRO.” O contrato estabelece ainda que, "em relação ao percentual de 12% (doze por cento) dos ovos produzidos, de propriedade do MATRIZEIRO, comprometese este a dar à PARCEIRA preferência na sua compra, cujas condições serão dispostas em documento específico." Pois bem, como se percebe da leitura das cláusulas deste contrato, bem como dos usos e costumes referentes a contratos de parceria aviária, a parceira exige, para ingresso na atividade, que o matrizeiro possua os aviários e as máquinas conforme suas especificações, bem como que este entregue os ovos nos padrões exigidos pela parceira. Para tal, o matrizeiro deverá fazer investimentos em ativos com elevada especificidade. Esta necessidade de criar um relacionamento em ativos específicos transforma o relacionamento à medida que a transação se desdobra. Antes dos investimentos em ativos específicos serem feitos, uma parte pode ter várias alternativas de negócio, sendo que ela poderia escolher um entre os muitos possíveis negociantes. Mas, depois que o investimento em ativos específicos é feito, as partes têm poucas, se tiver, alternativas de negócios. Assim, uma forma de Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 24 oferta competitiva não se torna mais possível. Ou seja, uma vez que tal investimento em ativos dedicados é feito, o relacionamento muda de uma posição na qual a parte teria uma grande quantidade de negociantes para uma situação em que tem apenas um negociante. No caso analisado, não há a possibilidade (ou se há, é muito pequena) de negociação da produção com a sua segunda melhor alternativa. O produto, em que pese no contrato restar estabelecido que uma parte ser propriedade do matrizeiro, na realidade não lhe pertence, sendo ele apenas o responsável pela condução do setor de produção. Por esta tarefa, a parceira agrícola paga ao matrizeiro uma remuneração, em pecúnia, cujo valor é definido de acordo com a produção. Assim sendo, os valores pagos pela cooperativa aos matrizeiros correspondem à remuneração paga a pessoa física. Após apresentar a operação sob a ótica das partes envolvidas na lide, parto da premissa de que o ônus da prova é do recorrente, em vista do processo tratar de pedido de ressarcimento. Ao meu sentir afirmativas das partes convergem no sentido de que a operação efetuada é de prestação de serviço por pessoa física. Consoante noção cediça, a legislação veda o direito ao crédito relativo ao valor de prestação de serviço por pessoa física. Deste modo, mantenho a decisão da Delegacia de Julgamento quanto à glosa desses valores do cálculo do crédito da Cofins. AGROINDÚSTRIA – RESSARCIMENTO. A Autoridade Fiscal glosou o crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais pelo entendimento de serem passíveis de ressarcimento, apenas de desconto com a própria Cofins na apuração do quantum debeatur. Já o recorrente defende que, embora não esteja prevista expressamente no texto do artigo 8°, da Lei n° 10.925/04, há que se reconhecer a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do PIS/COFINS. Assim, o cerne da questão é definir se os créditos presumidos da agroindústria podem ser objeto de processo de ressarcimento ou de compensação tributária. A solução da lide passa necessariamente pelas irradiações das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.105 25 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 26 Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.106 27 De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Deste modo, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 28 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.107 29 no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, a Lei nº. 12058, de 13 de outubro de 2009 aduziu importantes modificações no tema, a saber: Permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; Autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei nº. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direito concedidos pela Lei nº. 12058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Não se pode esquecer que o art. 106 do CTN autoriza a aplicação de lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 30 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria da Cofins em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pelo contribuinte deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO O recorrente afirmar que houve erro na aplicação do percentual sobre os insumos adquiridos – suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate – em seu julgamento o percentual do crédito presumido deveria ser de 60% e não de 35% como foi feito pela DRJ/Joaçaba. Mesma sorte deveria ter as aquisições de milho inteiro e quebrado em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 trata do percentual em questão: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07. 14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.108 31 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: 1 do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 32 De acordo com as modificações aduzidas pela Lei nº 12.865/2003, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é de 60%. Portanto, o pleito do recorrente tem amparo legal, de sorte de aplico o percentual citado de reformo da decisão a quo quanto a esta matéria. CRÉDITOS A DESCONTAR. Alega o recorrente que a decisão vergastada glosou valores em razão de que foram impados bens através do regime aduaneiro DRAWBACK, com suspensão do PIS, tendo, entretanto, o sujeito passivo se apropriado do crédito, contrariando disposição contida na Lei n° 10.865/04, art, 15, § 1°, que autoriza a apropriação do crédito apenas quanto aos valores efetivamente pagos, o que não seria o caso de importações amparadas pelo DRAWBACK. Entretanto, a divergência entre os valores solicitados e os reconhecidos pela autoridade fiscal, reside noutra situação de fato. Nos meses de JULHO A SETEMBRO de 2007, a recorrente, por motivo ignorado, deixou de incluiu no pedido de ressarcimento, a totalidades as DI's registradas no mencionado período. A totalidade das DI's, por ocasião da apreciação do pedido de ressarcimento do referido, também não foram computadas pela autoridade fiscal. Quanto a essa matéria, entendo que é defeso o aditamento de pedido de ressarcimento visando à inclusão de novos créditos financeiros ao pedido inicial. Novos direitos devem ser pleiteados em novo pedido de ressarcimento, sob pena de cerceamento do direito de defesa e de inobservância do devido processo legal. Nesta linha, acertou a DRJ/Joaçaba em não aceitar a inclusão de novos créditos financeiros ao pedido inicial de ressarcimento. TAXA SELIC A interessada requer que seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. Quanto à possibilidade de aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais referentes ao PIS e a Cofins nãocumulativos, entendo que não há amparo legal, muito pelo contrário, a Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais nela previstos, assim dispondo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art 3°, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e §5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o P1S/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e lido § 3° do art. 1°, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7º, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Portanto, pela regra acima reproduzida, é vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos. Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.109 33 Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: admitir o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos; determinar a aplicação da alíquota de 60% aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; admitir a inclusão dos custos abaixo relacionados no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da Lei n° 10.833/2003: 3.a) aquisição de avental plástico, desinfetante, luva, camisa, de bota de borracha, de camiseta impermeável, de calça de proteção, de creme protetor microbiológico, de protetor auricular, de óleos lubrificantes para as máquinas fabris, de peças para as máquinas do parque fabril e de caixas de papelão utilizadas para o acondicionamento dos produtos finais; 3.b) prestação de serviços de limpeza que compreendam a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos industriais; 3.c) prestação de serviço de lavanderia industrial que efetue a lavagem dos uniformes utilizados pelos funcionários que atuam no processo produtivo; 3.d) manutenção predial do setor fabril; 3.e) transporte dos produtos acabados para venda, desde que o vendedor arque com o ônus; 3.f) frete referente a aquisição dos insumos utilizados no processo produtivo, desde que o comprador arque com o custo; e 3.g) despesas com armazenagem para venda do produto acabado. É como voto. Sala das Sessões, em 29/01/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Sílvia de Brito Oliveira, Redatoradesignada Durante os debates ocorridos na sessão em que ocorreu o julgamento do recurso voluntário interposto neste autos, divergi do Conselheiro relator quanto aos créditos relativos aos ovos incubáveis e às etiquetas. Passo então a expor as razões que conduziram meu voto divergente, que foi seguido pela maioria dos conselheiros presentes na sessão. Relativamente aos ovos incubáveis, a recorrente afirmou que não se trata de pagamento por serviços prestados por pessoa física, mas, sim, de aquisição, de pessoa física, de ovos para incubação, pois adotou um modelo de produção verticalizado, em que, nesse caso, fornece ao produtor rural, pessoa física, matrizes poedeiras, bem como assistência técnica, Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 34 ração e medicamentos necessários, para o produtor rural cuidar dessas matrizes até a fase anterior à incubação dos ovos. Nesse modelo, a pessoa física participa com as instalações, água, luz, mão deobra para alimentação e manutenção do lote de animais recebidos e, como pagamento, recebe uma parcela do que foi produzido (no caso, os ovos incubáveis), essa parcela normalmente é vendida para a própria empresa. Assim, os pagamentos efetuados à pessoa física referemse à compra da parcela da produção de ovos incubáveis pertencente ao produtor rural. Diante dessa situação, comprovada por cópia de contrato entre produtor rural e a recorrente, para os casos em que há recibo ou nota fiscal que ampara a venda à recorrente por produtor rural, pessoa física, de ovos incubáveis, o que se tem é a aquisição de insumos de pessoa física, o que faculta à recorrente a apropriação de crédito presumido calculado com base nessas aquisições, na forma do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Por essas razões, voto pelo provimento parcial do recurso (parcial porque reconhecese como passível de gerar crédito presumido apenas as aquisições comprovadas) para que seja, quanto a este item, permitida a apropriação do crédito presumido previsto no precitado dispositivo legal sobre as aquisições comprovadas de ovos incubáveis de pessoa física. Quanto às etiquetas, percebese que a glosa efetuada juntamente com os créditos de aquisição de embalagens decorreu de paralelo feito com o IPI cuja legislação diferencia embalagem de transporte e embalagem de apresentação para fins de incidência desse imposto. Contudo, para a Cofins e a contribuição para o PIS, essa diferenciação não possui nenhuma relevância, pois, adotada a premissa de inerência ao processo produtivo para a conceituação dos insumos, devem ser afastados os conceitos aplicáveis ao IPI. Destarte, na atividade desenvolvida pela recorrente, no setor alimentício, a embalagem adequada, com as etiquetas apropriadas não só é inerente e pertinente ao processo de produção ou obtenção do alimento, como também é medida de saúde pública, razão pela qual são cabíveis os créditos relativos à aquisição de etiquetas. Diante do exposto, divirjo do Conselheiro relator para prover o recurso também quanto aos créditos decorrentes da aquisição de ovos incubáveis e de etiquetas. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.110 35 Declaração de Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior,com Declaração de voto. Em face do resultado do julgamento, que por maioria de votos, houve por bem em admitir o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos realizados pela Recorrente neste Processo Administrativo Tributário, mas que, parte dos Conselheiros entenderam ser vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos a serem ressarcidos/compensados, coubeme a honrosa tarefa de exprimir as razões desta divergência de fundamentos, embora o resultado final seja o mesmo, no sentido de prover apenas em parte o recurso voluntário. Como bem se sabe, hoje para que o ressarcimento ou a restituição ocorra de forma integral, o sujeito passivo tem direito à correção monetária e juros incidentes sobre os valores indevidamente pagos, salvo nos casos em que a proibição vem expressa, como forma de sanção por procedimento incorreto, indevido ou da desídia do próprio credor. No caso dos autos, a recorrente faz jus ao direito de uso dos créditos apontados pelo art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, apesar de uma aparente resistência criada pelo art. 13 deste último diploma legal, como passo a expor. Antes de mais nada, salientase que os créditos constantes no dispositivo supra mencionado passaram a fazer parte do sistema não cumulativo implantado, decorrendo como consequência um menor recolhimento das contribuições sociais ali disciplinadas, ou de desoneração da cadeia produtiva mediante um sistema de ressarcimento de saldos credores que se acumulem na escrita do contribuinte. Dessa forma, sempre que houver restrições à tomada de créditos, maior será o desembolso (ou o custo) do contribuinte. A premissa inicial é de que, em sendo a restrição ilegítima, o desembolso (ou o custo) equivalente ao crédito não permitido terá sido indevido. Tendo em vista o acima exposto, ouso discordar, data vênia, do entendimento exarado pelos nobres colegas julgadores, pois entendo que, embora possa se extrair do art. 13, da Lei nº 10.833/03, de forma literal, que possa existir uma aparente resistência à atualização monetária sobre os valores a serem ressarcidos nos termos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, na verdade havendo resistência normativa ou através de ato expresso emitido pela Administração, passa a existir o direito a correção. Os créditos pleiteados nesses autos deixaram de ser utilizados por força de norma ou interpretação proibitiva emanada da própria Fazenda, necessitando da interferência deste Conselho CARF, para que se lhe declarasse o direito, transmudandose a sua natureza, vindo a constituir uma dívida de valor. E às dívidas de valor é inconteste a aplicação da SELIC, nos termos do §4º, do art. 39, da Lei n° 9.250/95. Nesse sentido ocorreu o desfecho do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, que embora tenha sido proferido em torno de outro tributo, a circunstância aqui referida mostrase equivalente, razão pela qual se destaca parte do julgado: Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 36 “1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, Dje 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ – 1ª Seção – Rel. Min. Luiz Fux – j. 25.6.2009 DJe 03/08/2009) – grifouse. Como dito, embora o julgado transcrito tenha sido proferido em sede de IPI, a verdade é que o raciocínio se aplica aos créditos escriturais como um todo, no sentido de que, havendo permissão legal para tomada dos créditos e o contribuinte não os escriturou no devido tempo, por sua própria mora ou omissão, não fará jus aos juros e correção, pois que não pode imputar ao Poder Público uma penalização que decorre de sua própria inércia. No entanto, o inverso também é verdadeiro, na medida em que, havendo oposição da Administração Tributária, no tocante ao direito de escriturar determinados créditos, inibindo o contribuinte de lançálos no tempo oportuno, obrigandoo a correr o risco de glosa ou mesmo, forçandoo a buscar guarida num processo litigioso, administrativo ou judicial, será então debitada a mora ao Poder Público, que dessa forma, deverá permitir a incidência de SELIC sobre os créditos que até então tinham seu registro vedado, por norma expressa ou oposição na interpretação dada pela Administração Pública. Tanto é verdadeira a situação que o entendimento já está plasmado na Súmula nº 411, do STJ, que se transcreve: Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.111 37 "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" A aplicabilidade deste entendimento e posicionamento a todos os tipos de créditos escriturais também já foi discutido pelo próprio STJ que, em decisão da 2ª Turma, nos autos do REsp nº 1.203.802/RS, cujo relator foi o Min. Herman Benjamin, em 03.02.2011 (DJe 03.02.2011) expressou seu entendimento como abaixo se alinha: “... 1. O regramento específico para os créditos de PIS e Cofins apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637∕02 e 10.833∕03 só permite que sejam deduzidos do montante a ser pago a título da própria contribuição. No entanto, havendo saldo credor acumulado ao final do trimestre, é possível a compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, conforme autoriza o art. 16 da Lei 11.116∕2005. 2. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847∕RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), pacificou o entendimento de que somente é devida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão de óbice normativo instituído pelo Fisco. O mesmo raciocínio aplicase aos créditos escriturais de PIS e Cofins obtidos na forma do art. 3º das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, já que não há previsão legal que admita sua correção monetária.” (grifei) No mesmo sentido, analisando se a simples demora na análise de pleito de ressarcimento declinado pelo contribuinte subsumirseia a chamada “resistência ilegítima” da Administração, autorizando consequentemente a incidência da correção monetária, aquele mesmo Superior Tribunal de Justiça, pela sua 2ª Turma (REsp nº 1.331.033 – SC, Rel. Ministro Mauro Campbell, julgado em 02 de abril de 2013), posicionouse favoravelmente a incidência da SELIC, sendo que do voto do Relator cabe destacar: “Decerto, essa lógica é pertinente quando estamos a falar de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro, ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subsequentes (se forem utilizados em um mesmo período de apuração não há diferença de correção monetária, vejase o votovista vencido do Min. José Delgado no REsp. n. 212.899 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Garcia Vieira, julgado em 5.10.1999). Se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendelos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento. Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 38 legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima. Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente. (...) A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada ´resistência ilegítima´. Desse modo, o óbice do fisco a ensejar a incidência de correção monetária se deu em uma e outra hipóteses: a do reconhecimento espontâneo do crédito pela administração tributária com mora e a da negativa reconhecimento do crédito pela administração tributária vindo a ser reconhecido apenas pela via judicial.” (grifei) Do mesmo modo, a Primeira Seção (congregando as 1ª e 2ª Turmas do STJ – competente para julgar essa matéria), acabou firmando posicionamento nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.220.942/SP, de Relatoria do Min. Mauro Campbell Marques (julgado em 14.04 e publicado no DJE em 18.04.2013), reiterando os mesmos termos acima, no qual cita expressamente o trecho relativo ao PIS e COFINS, acima transcrito, na própria Ementa do referido julgado, deixando expresso que o Recurso Representativo de Controvérsia REsp nº 1.035.847/RS (Rel. Min. Luiz Fux), aplicase também a todos os casos de pedidos de ressarcimento, quando os créditos deles objeto, deixam de ser meramente “escriturais”. Assim sendo, com ainda mais razão, em havendo oposição da Administração tributária tolhendo o aproveitamento tempestivo dos créditos, será devida a correção monetária. E para tal fim, se entende como vedação ou oposição ao aproveitamento dos créditos, a edição de Atos Normativos pela Administração, como forma a vedar ou restringir o uso de determinados créditos, como se entende ser o caso das IN’s 247/02 e 404/04, que limitaram a tomada de créditos, quando o insumo não se desgastar no processo produtivo pelo contato direto com o produto em fabricação ou na prestação de serviços. Nessas circunstâncias de oposição da Administração ao registro tempestivo dos créditos, se entende que dúvida não deveria haver, no sentido de ser cabível o direito a Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000818/200739 Acórdão n.º 3402002.313 S3C4T2 Fl. 2.112 39 correção dos créditos apropriados extemporaneamente pelo contribuinte, através do índice da SELIC, nos mesmos termos em que se tem entendido cabível a correção monetária pelo aproveitamento extemporâneos de créditos escriturais em geral, se igualmente não foram escriturados por óbice criado pela Administração. Ao aplicar a SELIC aos créditos reconhecidos tardiamente, administrativa ou judicialmente, ao contribuinte, ainda que sejam oriundos de anteriores créditos escriturais, se está meramente recompondo o poder aquisitivo da moeda e, ao mesmo tempo, compensando o contribuinte pela demora do Estado em reconhecer um direito. E como visto pelo excerto a seguir, não é outro o entendimento do próprio STF como se pode conferir: “... 1. Apesar de ter sido alegado durante todo o processo que a escrituração tardia dos créditos tributários se deu em razão de óbice imposto pelo Estado, tal alegação não foi apreciada pelo acórdão embargado. Configurada, assim, omissão passível de correção por meio de embargos de declaração. 2. Fazem jus à correção monetária os créditos tributários tardiamente escriturados em função de oposição injustificada do Fisco. (RE 200.379EDEDEDv, rel. Min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, DJ 05052006).” (RE 372975, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 21.05.13, DJ de 04.06.13). Embora sendo ainda uma corrente minoritária, este Conselho, já concedeu referido direito aos créditos de PIS não cumulativo, em função deste entendimento, como se pode atestar pelo precedente cuja ementa abaixo segue transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3o, § 1o, I da Lei no 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei no 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 40 Recurso Provido em Parte.” (CARF – 2ª Turma Especial da 3ª Seção – Acórdão 3802001.418 Red. designado Cons. Solon Sehn, julgado em 25.10.12). Assim sendo, nos termos da fundamentação acima declaradas, salvo melhor juízo, é que votei pela admissão da incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido referentes ao PIS e a Cofins nãocumulativos entre a data do pedido de ressarcimento até a data da completa satisfação do crédito. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Conselheiro com Declaração de Voto. Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Numero do processo: 14041.000696/2009-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 23/12/2009
TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA.
Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início.
Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.813
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à questão da tempestividade da impugnação, anulando a decisão de primeira instância e determinando novo julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) que votou pela intempestividade, Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Ivacir Julio de Souza votaram pela realização de diligência para verificar o horário de expediente do dia 23/12/2009 na unidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/12/2009 TERMO INICIAL DE INTIMAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DÚVIDA GERADA EM RAZÃO DE PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE FISCAL QUE EFETUOU O LANÇAMENTO. CONFUSÃO. INTERPRETAÇÃO EM FAVOR DO ADMINISTRADO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA. Demonstrado que o contribuinte incorreu em erro quanto à contagem do termo inicial para protocolo de impugnação em razão de ato exarado da autoridade lançadora competente para sua intimação, há de ser considerado por tempestiva a impugnação ofertada dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir do dia pelo qual o ato transpareceu que fosse o de início. Incorrendo o contribuinte em erro gerado pela administração pública, não pode o administrado ser punido por fato do qual não deu causa, sob pena de ferimento ao princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à questão da tempestividade da impugnação, anulando a decisão de primeira instância e determinando novo julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) que votou pela intempestividade, Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Ivacir Julio de Souza votaram pela realização de diligência para verificar o horário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 96 /2 00 9- 49 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 de expediente do dia 23/12/2009 na unidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000696/200949 Acórdão n.º 2403002.813 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0335.890 da 5ª Turma, que não conheceu da impugnação por intempestividade. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de autodeinfração de obrigação acessória (DEBCAD: 37.264.8002), lavrado contra a empresa em epígrafe em 23/12/2009 (data da cientificação do contribuinte), por infração ao Art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, combinado com o Art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, por deixar de exibir à fiscalização documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 08/10), a empresa, após regularmente intimada pelos Termos de Intimação Fiscal constantes do anexo AN1FISC2, deixou de apresentar, em sua totalidade, diversos documentos, destacando se: contratos celebrados com prestadores de serviços (pessoas jurídicas), contratos celebrados com pessoas físicas, processos trabalhistas, termos de exclusividade de prestação de serviço firmados com empregados e documentos que deram suporte a lançamentos contábeis. DA PENALIDADE Em decorrência da infração cometida, foi aplicada a penalidade prevista no art. 283, inciso II, alínea "j", e art. 373 do RPS, no valor de R$39.874,98 (trinta e nove mil oitocentos e setenta e quatro reais e noventa e oito centavos), partindose do valor mínimo de R$13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), atualizado pela Portaria MPS/MF — n° 48, de 12/02/2009, que foi agravado em três vezes em virtude da ocorrência das circunstâncias agravantes previstas nos incisos II e IV do artigo 290 do RPS (ter a empresa agido com dolo e fraude e, ainda, ter obstado a ação da fiscalização.. DA IMPUGNAÇÃO Em 27/01/2010, a autuada apresentou a impugnação de fls. 20/55, com as seguintes alegações, em síntese: DAS PRELIMINARES Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 que formalizou a impugnação dentro do prazo legal, tendo em vista que foi cientificada do autodeinfração em 23 de dezembro de 2009; assim, o prazo passou a fluir no dia 28 de dezembro de 2009, uma vez que, no dia 24 de dezembro, não houve expediente normal, situação que foi, inclusive, reconhecida pela autoridade lançadora; a nulidade das diligências realizadas por meio dos Termos de Intimação Fiscal n's 05, 06 e 07, porquanto foram utilizados instrumentos inadequados — MPFFiscalização— para a finalidade de instrução do procedimento fiscal pela coleta de informações e documentos, como também pela inusitada "reunião" com funcionários e diretores da empresa; que houve, por parte da fiscalização, verdadeira petição de princípio, em que a conclusão está presente na própria premissa adotada, quando pretende que a contribuinte informe pagamentos "por fora", que, na verdade, não ocorreram, visto que todos os pagamentos da empresa foram registrados em contabilidade disponibilizada à fiscalização; que as solicitações da autoridade fiscal eram efetuadas na tentativa de obrigar uma "confissão" por parte da ora impugnante, no sentido de reconhecer a conclusão a que já havia chegado; que não houve desatendimento às intimações fiscais; que o dever do contribuinte é entregar a documentação para a autoridade fiscal, que, por sua vez, deve examinar os livros e documentos da empresa, identificando eventual crédito tributário, não podendo, portanto, repassar sua atribuição ao contribuinte, sob pena de ofensa ao art. 142 do CTN; que as informações cadastrais, financeiras (extratos bancários) e livros contábeis foram entregues à fiscalização; quanto aos documentos apontados como sonegados, temse que não se entregou o que efetivamente não existia na empresa; registra que cópias de ações judiciais ou mesmo contratos de trabalho não se encontram no rol de documentos de guarda obrigatória, nem se trata de documentação prevista como de fornecimento obrigatório ao Fisco; que contratos celebrados com prestadores de serviços (pessoas jurídicas) não têm pertinência com o objeto da ação fiscalizadora, assim como o inusitado pedido de 1 esclarecimentos em reunião; que todos os termos de intimação foram devidamente respondidos e 1 dadas as motivações das respectivas insurgências; que as nulidades apontadas (inadequação do MPF e extrapolamento dos poderes instrutórios) viciaram todo o procedimento, de modo a nulificar, por conseguinte, o lançamento \. tributário em comento, bem assim de qualquer desatendimento a obrigação acessória. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000696/200949 Acórdão n.º 2403002.813 S2C4T3 Fl. 4 5 DO MÉRITO alega a ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica, por ausência de competência da autoridade fiscal; que a regra da desconsideração prevista no §2° do artigo 229 do Decreto 3.048/99 é hipótese de obrigação não prevista na Lei n° 8.212/91, bem como nas legislações esparsas, restando caracterizado, portanto, o excesso na regulamentação; que, portanto, o dispositivo regulamentar supracitado é inconstitucional e ilegal; que a competência para se configurar materialmente a relação de emprego é exclusiva do Poder Judiciário; assim, a atuação da autoridade fiscal efetivamente contraria o ordenamento jurídico pátrio; que, no caso da ora impugnante, optouse por modelo de contratação mais econômico, não se tratando de qualquer manobra de evasão fiscal, mas sim, de verdadeiro planejamento tributário; que as empresas dos prestadores de serviços, ora desconsideradas para . efeitos previdenciários, foram devidamente constituídas, obedecendo todos os trâmites legais; que os questionários respondidos pelos exempregados, em alguns casos com verdadeiro espírito de vingança, constituem mera declaração particular que, segundo o Art. 368 do Código de Processo Civil — CPC, somente vinculam o seu signatário, não possuindo nenhum valor probante em relação à ora impugnante; que eventuais decisões . judiciais em casos concretos não podem determinar a natureza da relação contratual havida entre a ora impugnante e todos os seus prestadores de serviços; que, na maioria das reclamações trabalhistas anexadas ao auto, foram feitos acordos segundo os quais restou reconhecida a natureza indenizatória das verbas, por conseguinte, reconhecida judicialmente a ausência de incidência da contribuição previdenciária; que há também decisões na Justiça do Trabalho que infirmam a tese da fiscalização quanto à existência de relação de emprego; que eventuais falhas na contabilidade das empresas que tenham na composição societária empregados da impugnante não podem servir sequer de indício contra a CAST; contudo, na intenção de manter a regularidade de sua situação fiscal, a impugnante contratou serviços de contabilidade da Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 empresa BELMONDO para, eventualmente, prestar consultoria às empresas por ela contratadas; quanto à empresa ROCHA E DUARTE, cujos sócios são os mesmos da ora impugnante, temse que a presunção lançada pela fiscalização sequer se sustenta pelos seus próprios termos, pois, se são as mesmas atividades, a contratação da empresa dos sócios da CAST importou, na verdade, em aumento (e não redução) da carga tributária; que o fato de ser empregado da impugnante não impede o trabalhador de prestar serviço por meio de uma pessoa jurídica, especialmente quando os serviços têm natureza eminentemente intelectual; quanto à diferença salarial observada, temse que a atividade de TI (Tecnologia da Informação) pode comportar funcionários (de igual cargo) com variações salariais, dadas as especificidades de currículos e certificações necessárias ao desempenho das atividades; quanto ao arbitramento do crédito tributário, é cediço que tal procedimento é medida extrema, somente devendo ocorrer diante do esgotamento dos meios disponíveis para alcançar as reais bases imponíveis, o que não ocorreu no caso, pois não houve a desclassificação da escrita contábil, não ocorreu o fato gerador nem qualquer embaraço à fiscalização, sendo descabido, portanto, o arbitramento efetuado; que, não subsistindo a obrigação principal, pelos motivos aduzidos, também não procede a obrigação acessória. Requer, por fim, seja acolhida a impugnação e que se julgue insubsistente e improcedente o autodeinfração, cancelandose o débito fiscal. À fl. 103, consta despacho da DICAT/DRFB/DF, encaminhando o processo para julgamento nesta DRJ, após notificar que o prazo para impugnação venceu no dia 26/01/2010, sendo, portanto, intempestiva a defesa apresentada em 27/01/2010. Conclui o Setor que, tendo havido contestação da intempestividade, foi proposto o encaminhamento a este Órgão julgador. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Tempestividade da impugnação O ato de intimação da empresa se encerrou após o horário do expediente normal externo da Delegacia da Receita em Brasília “Em 23/12/2009 o representante da recorrente, Sr. Kleuber Pereira Batista, e o advogado da empresa, Dr. Maurício Maranhão de Oliveira, se dirigiram à Delegacia da Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000696/200949 Acórdão n.º 2403002.813 S2C4T3 Fl. 5 7 Receita Federal em Brasília atendendo solicitação do Sr. Auditor Fiscal André Lima de Castro para que fossem intimados da lavratura do Auto de Infração. O ingresso dos representantes da empresa na sede da Delegacia da Receita Federal em Brasília se deu após às 15h00, o que pode ser confirmado pelos registros da segurança do órgão. Com a presença dos representantes da empresa para que fosse feita a intimação, o Sr. Auditor Fiscal passou à leitura dos Autos de Infração e às explicações que julgou pertinentes; dado a complexidade e o volume de informações, essa audiência de somente se encerrou após o término do horário normal de expediente externo do órgão. Assim, o ato de intimação que em princípio deveria ter sido concluído no dia 23/12/2009, tendo se encerrado após o horário do expediente externo normal do órgão, somente se reputou aperfeiçoado no primeiro dia útil subseqüente no caso, dia 28/12/2009.” Cita email enviado pelo auditor fiscal para a epresa informando que dia 24 “só haverá expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segunda feira. 28/12/2009.” Por força da literalidade do o artigo 5º do Decreto 70.234/72, deve ser excluído o dia do começo qual seja a segunda feira 28/12/2009, de sorte que o trintídio efetivamente se concluiu na quartafeira 27/01 /2010. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A primeira instância não conheceu do recurso por entendêlo intempestivo. O recurso discute especificamente a questão da tempestividade. Abaixo analisarei a questão. É incontroverso que a ciência do lançamento ocorreu em 23/12/2009 e que a impugnação ocorreu em 27/01/2010. Conforme consta do relatório Instruções para o Contribuinte IPC, o prazo para impugnação é de 30 dias, sendo que a contagem inicia no 1º dia útil após a ciência. 3.3.Prazo para a apresentação da impugnação Recebido o Auto de Infração, o contribuinte terá o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência para apresentação da impugnação. O prazo inicial fluirá a partir do 1° dia útil após a data da ciência, observando: a)na contagem dos prazos será excluído o dia da ciência e incluído o dia do vencimento; b)o dia do início e do vencimento da contagem dos prazos serão prorrogados para o 1º (primeiro) dia útil seguinte (com expediente normal), caso recaiam em dia em que não haja expediente integral na unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil; c)os prazos são contínuos. Não se suspendem ou interrompem. Excepcionalmente, será admitida a suspensão por motivo de força maior, caso fortuito, greve ou outro fato que impeça o funcionamento das unidades de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou traga impedimento às partes. Tal orientação está em harmonia com o estabelecido no Decreto 70.235/72. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início (dia da intimação) e incluindose o do vencimento. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000696/200949 Acórdão n.º 2403002.813 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação,. formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A regra adotada no PAF é a mesma do Processo Civil, expressa no artigo 184: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). O citado email do auditor fiscal trazido ao processo, informa que no dia 24/12/2009 não teria expediente normal e que o prazo para impugnação começaria a ser contado a partir da segunda feira, dia 28/12/2009. —Mensagem original—De: Andre Lima de Castro [mailto:andre.l.castro@receita.fazenda.gov.br] Enviada em: quarta feira, 23 de dezembro de 2009 18:31 Para: Kleuber Pereira Batista Cc: Christiano Viñuales de Moraes Assunto: Prazos Senhores, Conforme solicitado, informo que amanhã, 24/12/2009, não é dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal de Brasília. Amanhã só haverá expediente até as 14h00. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos documentos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segunda feira, 28/12/2009. Atenciosamente, André Castro. Entendo correto o informado no email. No presente caso, é incontroverso que a recorrente foi cientificada pessoalmente do lançamento, no dia 23/12/2009, quartafeira, conforme comprova a assinatura no auto de infração (fl. 1), que no dia 24 de dezembro, quintafeira, não houve expediente normal, que dia 25, sextafeira, também não pode ser computado, em razão do feriado (Natal). Igualmente ocorre nos dias 26 e 27, por se tratar de fim de semana (sábado e domingo). Entendo que, feita a notificação dia 23/12, o prazo teve início no dia 28 de dezembro de 2009, segundafeira, encerrando 30 dias após, em 26 de janeiro de 2010. A impugnação foi apresentada intempestivamente dia 27/01/2010. Correta, portanto, a decisão da DRJ, pois a defesa intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Uma vez que me foi incumbida a tarefa de elaborar voto vencedor do presente processo, passo a análise do mérito da tempestividade do presente recurso voluntário em análise, aproveitando para destacar a clareza do voto do conselheiro relator mas que, ao meu ver, data venia, não condiz com a melhor forma de decidir a presente lide. Analisando o processo 14041.000690/200971, conforme Auto de Infração às fls. 11, notase que o contribuinte foi intimado da lavratura do auto de infração no dia 23/12/2009 (quartafeira). Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000696/200949 Acórdão n.º 2403002.813 S2C4T3 Fl. 7 11 A impugnação (fls. 100/134), pelo que se pode observar às fls. 100, foi protocolada no dia 27/01/2010 e conforme documento de fl. 197, a impugnação foi considerada intempestiva, pois foi considerado que o prazo venceu dia 26/01/2010. A recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 214/222, em que juntou documento de fls. 223/224, em que está transcrito email do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil André Lima de Castro (andre.l.castro@receita.fazenda.gov.br) sob o qual fundamenta sua tempestividade. Afirma que o auto de infração foi lido na quartafeira, ao término do expediente da repartição e o referido auditor informou que iria corrigir a questão para fixação do início do prazo para defesa do contribuinte. O referido email foi encaminhado com a seguinte redação: Senhores, Conforme solicitado, informo que amanhã, 24/12/2009, não é dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal de Brasília. Amanhã só haverá expediente até as 14h00. Assim, os prazos de 30 dias discriminados nos prazos que os senhores tiveram ciência na data de hoje só começam a contar a partir da próxima segundafeira, 28/12/2009. O recorrente afirma que o teor do email acima levouo à conclusão de que o início da contagem se daria a partir da segundafeira, e, pelas regras processuais aplicáveis, excluise o dia do início (que seria a segundafeira), passando a correr o prazo a partir da terça feira, dia 29/12/2009. Assim sendo, contandose 30 dias a partir do dia 28 de dezembro de 2009, incluindose o dia do início, o prazo expiraria em 26/01/2010, mas foi protocolada apenas no dia 27/01/2010. A ProcuradoriaGeral da Fazenda apresentou ContraRazões ao Recurso Voluntário às fls. 228/237, afirmando, igualmente, que a Impugnação foi intempestiva. Ressalta o recorrente o trecho do email que informa que só começam a contar a partir da próxima segundafeira, 28/12/2009. Dessa forma, pela literalidade do art. 5º do Decreto 70.235/72, deveria ser excluído o dia do começo, segundafeira 28/12/2009, e incluindo o dia do fim, o termo final se daria em 27/01/2010, quartafeira, data do protocolo da impugnação. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Diante desse quadro, entendo como plausível o entendimento do contribuinte, havendo respaldo para a caracterização da tempestividade por ele alegada. O texto trazido no email, data vênia ao entendimento do relator, é, no mínimo, carregado de dúvida, evento este que não pode ser interpretado em desfavor do sujeito passivo da exação, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica e da proteção da confiança, positivado, dentre outros, no art. 2º da Lei 9.784/99, in verbis: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: ... IV – atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; ... VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; ... XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Não é à toa que o professor José Joaquim Gomes Canotilho afirma que o homem necessita de segurança para conduzir, planificar e conformar autônoma e responsavelmente sua vida. Por isso, desde cedo, se consideraram os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança como elementos constitutivos do Estado de Direito. (Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7º Ed. Coimbra Portugal: Almerida, 2000, p. 257). No âmbito do Código Tributário Nacional, percebese também que o legislador buscou respeitar o princípio da proteção à confiança, a exemplo do que ocorre com o art. 100 e art. 146, ambos do CTN. Para tanto, trago dois trechos doutrinários que podem ser retirados da obra Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 14ª Ed., Leandro Paulsen, Livraria do Advogado, 14ª Ed: A proteção à confiança parte da perspectiva do cidadão. Ela exige a proteção da confiança do cidadão que contou, e dispôs em conformidade com isso, com a existência de determinadas regulações estatais e outras medidas estatais. [...] O princípio da proteção à confiança situase em uma relação de tensão entre estabilidade e flexibilidade. [...] A Lei Fundamental concede aos direitos e interesses do cidadão uma alta hierarquia e põe as Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000696/200949 Acórdão n.º 2403002.813 S2C4T3 Fl. 8 13 pessoas no centro da ordenação jurídica estatal. Disso resulta por si a proteção do cidadão confiante na existência do direito estatal. Os direitos fundamentais e o princípio do estado de direito respaldam isso.” (MAURER. Hartmut. Elementos de Direito Administrativo Alemão. Tradução de Luís Afonso Heck. Porto Alegre: Fabris, 2001, p. 68) *** Tenho para mim que o art. 146 do CTN há de ser entendido em consonância com o art. 100 do CTN, sempre à luz do princípio da irretroatividade constitucional. O art. 100 do CTN nitidamente é voltado à orientação contra a lei, em que o contribuinte não pode ser apenado por seguir interpretação incorreta. Mesmo assim, entendem os tributaristas que não há decisão geral aplicável a um ou mais contribuinte que não implique obrigação de ser seguida, razão pela qual, mesmo no que concerne a lei, aplicarseia o princípio da irretroatividade, visto que os contribuintes são sempre obrigados a seguir a orientação fiscal, a não ser que o Poder Judiciário as estanque.” (MARTINS, Ives Gandra da Silva. O Princípio da Não Cumulatividade no IPI – Inteligência da Lei n. 9.799/1999 em Face do Princípio – Direito ao Aproveitamento do Crédito de Tributos em Operações Finais Imunes, Isentas ou Sujeitas à Alíquota Zero – Parecer. RET 56/17, julago/07) Da leitura acima, depreendese que a proteção à confiança deve ser interpretada em favor do contribuinte, principalmente nos casos de dúvida gerada pelo modo pelo qual as declarações do poder público foram redigidas e informadas, gerando uma confusão na comunicação. À respeito da confusão entre os prazos para apresentação de defesa, colaciono precedente da turma especial desta 2ª Seção de Julgamento, in verbis: PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. DARF COM VENCIMENTO POSTERIOR A TRINTA DIAS. No caso de lançamento eletrônico com notificação acompanhada de DARF, com data de vencimento nela fixada, se o contribuinte impugnar o lançamento até o dia nela estipulado para vencimento do crédito, a impugnação deve ser considerada tempestiva, mesmo que supere o prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir da ciência. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO, Processo n. 10820.001756/200670, Acórdão n. 2801003.222, Relator: Conselheira Tânia Mara Paschoalin) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Outrossim, destaco que o email encaminhado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem natureza de nova intimação e não mero arremate de intimação anterior. Dessa forma, entendo, data máxima venia ao entendimento do relator, que o julgamento pela intempestividade fere o princípio da segurança jurídica, devendo a impugnação ofertada em face do auto de infração ser analisado pela DRJ e seguir o rito do Decreto 70.235/72. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13804.001026/2003-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
PERC. INÍCIO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Tendo em vista a natureza de processo administrativo fiscal que assume o PERC, não há que se falar em decadência ou preclusão do direito do fisco avaliar o pleito da contribuinte no caso.
DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDERA PETIÇÃO DA CONTRIBUINTE. PRETERIÇÃO DE DEFESA. NULIDADE.
Decisão contrária ao pleito da contribuinte, proferida em momento posterior a petição da pleiteante em que esta apresenta informações e documentos, que nem sequer a comenta é clara ofensa ao direito de defesa enquadrando-se no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72.
REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO.
Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no ano-calendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entende-se que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte.
REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC.
Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entende-se o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade.
PERC - DILIGÊNCIA
Tendo em vista o cancelamento da decisão que indeferiu o PERC com base em irregularidade fiscal em momento posterior, bem como à falta de provas sobre a regularidade ou irregularidade fiscal ao tempo da opção, e ainda quanto ao recolhimento integral ou não do débito, determina-se a devolução dos autos à Delegação de Origem para averiguar a regularidade fiscal da contribuinte ao tempo da opção ou em momento posterior, o que lhe for mais benéfico.
Numero da decisão: 1102-001.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o indeferimento do PERC em razão de alegada irregularidade fiscal, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise de mérito do PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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IRPJ Recorrente CHASE MANHATTAN HOLDINGS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 PERC. INÍCIO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Tendo em vista a natureza de processo administrativo fiscal que assume o PERC, não há que se falar em decadência ou preclusão do direito do fisco avaliar o pleito da contribuinte no caso. DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDERA PETIÇÃO DA CONTRIBUINTE. PRETERIÇÃO DE DEFESA. NULIDADE. Decisão contrária ao pleito da contribuinte, proferida em momento posterior a petição da pleiteante em que esta apresenta informações e documentos, que nem sequer a comenta é clara ofensa ao direito de defesa enquadrandose no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO. Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no ano calendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entendese que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte. REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC. Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entendese o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 10 26 /2 00 3- 12 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 3 2 período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade. PERC DILIGÊNCIA Tendo em vista o cancelamento da decisão que indeferiu o PERC com base em irregularidade fiscal em momento posterior, bem como à falta de provas sobre a regularidade ou irregularidade fiscal ao tempo da opção, e ainda quanto ao recolhimento integral ou não do débito, determinase a devolução dos autos à Delegação de Origem para averiguar a regularidade fiscal da contribuinte ao tempo da opção ou em momento posterior, o que lhe for mais benéfico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o indeferimento do PERC em razão de alegada irregularidade fiscal, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise de mérito do PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 449/468 e anexos fls. 469/499) interposto contra Acórdão nº 1621.676 (fls. 437/446) proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 1/SP (DRJ/SPO1), na sessão de 05 de junho de 2009, que, por unanimidade, indeferiu a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão do Delegado que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). Em apertadíssima síntese, a Contribuinte optou na DIPJ 2000, transmitida em 29/06/2000 (fl. 23), pela aplicação de R$ 76.527,84 no Fundo de Investimentos do Nordeste – FINOR (fl. 33). Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 4 3 Ocorre que tão somente R$ 18.167,70 foi aprovado por meio do “Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais”. O fundamento do ato foi: “04 – Redução de Valor por Recolhimento Incompleto do Imposto” (fl. 02). Contra essa decisão foi protocolado o PERC, o qual foi indeferido, conforme o Parecer de fl. 405, sob o argumento “pendências impeditivas” da liberação do incentivo. A Recorrente pleiteia no Recurso Voluntário a declaração de validade do incentivo fiscal ou, subsidiariamente, a nulidade da decisão do Delegado da Receita Federal que indeferiu o PERC, bem como da decisão da DRJ que ratificou o indeferimento, alegando, em suma, não ser possível exigir a comprovação da regularidade fiscal em momento posterior ao da opção pelo incentivo, i.e., ao tempo da apreciação do PERC. Passemos à descrição detalhada dos fatos. Ao efetuar sua declaração de ajuste anual do anocalendário de 1999 (DIPJ 2000), a Recorrente optou por destinar parcela do imposto recolhido a fundos de investimentos regionais (R$ 76.527,84, cf. Ficha 16 da DIPJ – fl. 33). Em 17/09/2002 foi emitido “Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais” pela Secretaria da Receita Federal (fl. 3), liberando a emissão, apenas, de R$ 18.167,70 em títulos, com a seguinte motivação (fl. 03): “04 Redução de valor por recolhimento incompleto do imposto”. Por este fato, a empresa apresentou Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo – PERC em 25/02/2003 (fl. 2), buscando a concessão de seu crédito integral, dando início assim ao presente processo administrativo. Em 17/06/2008 (fl. 232) foi emitida a Intimação nº 3297/2008, informando à contribuinte que haviam pendências a ser solucionadas – baseadas em pesquisa datadas de 16 e 17/06/2008 (fls. 89/231), especificamente: I. Recolhimento incompleto do IRPJ 2000, anocalendário 1999; II. Débitos perante a Dívida Ativa da União; III. Pendências junto ao FGTS; IV. Débitos em cobrança no PROFISC. Nessa intimação foi dado o prazo de 30 dias – contados da data do AR – para resolver as pendências. Em 23/07/2008, a Contribuinte protocolou petição (fl. 233/235) na qual afirma ter sido cientificada da intimação em 23/06/2008, além de alegar que: “Sendo assim, tendo em vista que a Requerente já tomou todas as providências necessárias para regularização das pendências apontadas pela fiscalização, que a baixa dessas pendências Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 5 4 depende de análise das repartições competentes (que deverão analisar a documentação fornecida pela Requerente) e que, por fim, não pode a mesma ser prejudicada pela demora de tais repartições, vem à presença de V.Sa. requerer seja sobrestado o presente processo administrativo até que as repartições se manifestem sobre as manifestações e documentação apresentada pela Requerente” – fl. 235. Em 10/07/2008 foi emitido Parecer (fl. 405) pelo Supervisor da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) no qual se afirmou ter sido constatado, durante análise do processo, que a contribuinte possuía pendências impeditivas à liberação do incentivo. Informa também que a contribuinte foi intimada em 17/06/2008 para regularizar tais pendências. Explica ainda, o parecer, que foi feita nova análise da regularidade fiscal da Contribuinte (fls. 284/403), conforme relatório de 28/08/2008 (fl. 404), constatando se que ainda haviam pendências impeditivas. Conclui que: “Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (lei 9069/95, art. 60), proponho que o processo de PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2000, seja indeferido” – fl. 405. Em 30/07/2008 o Chefe da Divisão assinou o mesmo Parecer, afirmando estar de acordo, e, por fim, o Delegado da Receita Federal declarou sua decisão, indeferindo o PERC “na forma proposta” pelo Parecer, em 29/08/2008 (fl. 405). Intimada deste indeferimento em 18/11/2008 (fl. 407), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 408/418 e anexos em fls. 419/435) em 09/12/2008 (fl. 408), com base nos seguintes argumentos: 1. Nulidade por ausência dos requisitos previstos no art. 31, do Decreto nº 70.235/72. 1.1. Que foi intimado de Parecer, que não se trata de Decisão Administrativa; 1.2. Que, se fosse Decisão Administrativa, não teria cumprido os requisitos do art. 31 do Decreto nº 70.235/72; 2. Nulidade por Inexistência de motivação. 2.1. Princípio da motivação nos arts. 2 e 31 da Lei 10.941/2001; 2.2. Não há fundamentos para exigência de comprovação de regularidade fiscal no momento da apreciação do PERC; 2.3. Que não apenas não restou comprovada a existência dos débitos, como a fiscalização não realizou esforço para investigar a existência deles; 3. Impossibilidade de se exigir da Requerente regularidade fiscal posteriormente à opção pelo investimento. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 6 5 3.1. Que a regularidade fiscal somente seria exigível à época da manifestação da opção e não dez anos depois; 3.2. Que o art. 60 da Lei nº 9.069/95 não dispõe expressamente que a empresa deve apresentar Certidão Negativa de Débitos no momento do despacho do PERC e, tampouco, faz referência à destinação dos Recursos aos Fundos Regionais de Investimento; 3.3. Que, se há necessidade de comprovação da regularidade fiscal pela determinação do citado art. 60, ele tem que ser à época da manifestação da opção e não no momento do despacho da Autoridade Administrativa; 3.4. Que a opção foi manifestada em 2000, e que somente nesta data deve ser perquirida a regularidade do sujeito passivo; 3.5. Pleiteia a reforma do parecer, homologando a destinação do IR, posto que impossível exigir da Requerente a comprovação da regularidade fiscal anos após a opção pelo investimento; 4. Violação do Princípio da Segurança Jurídica e da Legalidade. 4.1. Que a opção pelo investimento foi feita com base nas Leis nº 8.167/91 e 9.532/97; 4.2. Que a Administração Pública não pode, uma vez estabelecida a forma de fruição do incentivo fiscal, impor novas condições para sua concessão; 4.3. Que as leis citadas não cogitam da possibilidade de vedação ao benefício da contribuinte em razão de débitos perante a Secretaria da Receita Federal, a Procuradoria da Fazenda Nacional e muito menos junto ao FGTS; 4.4. Que mesmo que houvessem tais exigências, seria confronto à segurança jurídica negar o direito ao benefício por débitos muitos anos depois da manifestação da opção pelo investimento incentivado; 5. Pleiteia, enfim, que o Parecer seja anulado ou reformado para deferir a ordem de emissão de incentivos fiscais requerida. A 8ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da ora Recorrente. O Acórdão de nº 1621.676 (fls. 437/446), proferido na sessão de 05 de junho de 2009, foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 7 6 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não procede a arguição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PERC – QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS – PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, INDEFERIR a solicitação, nos termos do voto da relatora.” Os fundamentos da decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/SPO1 podem ser assim resumidos: NULIDADE “Como se vê, não é o caso da nulidade imposta pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, posto que o despacho decisório foi proferido por servidor competente (Auditor Fiscal – Titular da DERAT/SP) no cumprimento de seu dever e, ainda, os dispositivos legais e os fatos que amparam a decisão foram devidamente informados (fl. 392) e deles pôde a interessada defenderse. Assim, não assiste razão à impugnante quanto à nulidade arguida” – fl. 440. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL “Em relação, portanto, ao critério temporal a ser utilizado para a verificação de débitos dos contribuintes deve ser considerado o momento da entrega da declaração, ou de seu processamento, bem como o de apreciação do PERC, uma vez que o reconhecimento de um incentivo fiscal está associado a uma condição, conforme se concluiu do disposto no art. 603, § 5º, do RIR/1999 – Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 – (correspondente ao art. 613 do RIR/1994), com base legal no Decretolei nº 1.759, de 1979, art. 2º” – fl. 441. (...) “No caso de que trata o presente processo administrativo, foi constatada a existência de débitos de tributos e contribuições federais junto à RFB e à PGFN, bem como não provada a regularidade junto ao FGTS, conforme informado no despacho decisório (fls. 391/392) e relatório às fls. 273, 274, 275, 276, 281, 284, 286 e 377. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 8 7 Em relação aos débitos a interessada limitase a alegar que a autoridade fiscal deveria ter considerado para a apreciação do pedido a regularidade fiscal no momento da opção, mas não traz a prova de quitação dos débitos. Também deve ser afasta a alegação de que não teria havido, por parte do Fisco, qualquer esforço investigativo no sentido de aferir a real existência dos débitos, pois conforme relatado, a interessada foi intimada em 17/06/2008, a regularizar as pendências (...)” – fl. 446. (...) “Como se vê, a contribuinte incidiu na vedação prevista no art. 60 da Lei nº 9.069/95, de modo que o indeferimento do PERC foi correto.” – fl. 446. Assim ficou o dispositivo do Acórdão em debate: “Por todo o exposto, voto no sentido de INDEFERIR a Manifestação de Inconformidade sob análise.” – fl. 446. A Contribuinte, intimada da decisão em 29/06/2009 (fl. 448), objetivando ver reformado o acórdão nº 1621.676, da 8ª Turma da DRJ/SPO1, interpôs, em 23/07/2009 (fl. 449) Recurso Voluntário (fls. 449/468 e docs. 469/499), requerendo: “Diante de todo o exposto, a Recorrente requer seja provido seu recurso, com a reforma da r. decisão recorrida, a fim de deferir a ordem de emissão de incentivos fiscais requerida. Sucessivamente requer o provimento do recurso para anular o ‘parecer’, anulandose também os atos processuais subsequentes, inclusive a r. decisão recorrida. A Recorrente protesta pela realização de sustentação oral, nos termos do Regimento Interno desse E. Tribunal, requerendo seja previamente intimada nas pessoas dos seus representantes legais a seguir: Cristiane Romano (OAB/SP 123.771SP), Daniella Zagari Gonçalves (OAB/SP nº 116.343) e Marcelo Paulo Fortes de Cerqueira (OAB/SP nº 144.994), advogados, sócios do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, com endereço, respectivamente, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3144, 11º andar, São Paulo – SP, e, também, em Brasília, DF, SCN, Quadra 2, Bloco A, Sala 904A.” – fl. 468. Para tanto, argumentou: PRELIMINARMENTE Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 9 8 PRECLUSÃO TEMPORAL DO DIREITO DA ADMINISTRAÇÃO APRECIAR O PERC – DECADÊNCIA “Ou seja, depois de praticamente 9 anos da opção [pela destinação feita no exercício de 2000, referente ao ano calendário 1999, e análise da PERC somente em 17/06/2008] efetuada pela Recorrente para destinação do imposto aos fundos de investimentos regionais, sobrevém um parecer da Administração que aponta supostas irregularidades fiscais referentes a um período que já se pode dizer remoto” – fl. 454. (...) “Ora, o poderdever da Administração de analisar a regularidade fiscal da Recorrente e indeferir o PERC, caso seja apurada eventual irregularidade, não é atemporal e se submete ao prazo previsto na Portaria Interministerial nº 237, cujo descumprimento evidentemente implica a perda desse direito potestativo da Administração. Por essa razão, por interpretação isonômica, é perfeitamente aplicável ao caso o disposto no art. 54 da Lei nº 9.784/99 e no art. 1º do Decreto nº 20.910/32.” – fl. 455. DA DECADÊNCIA: HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA DECLARAÇÃO DA “OPÇÃO” EFETUADA PELO CONTRIBUINTE “No caso em comento, o termo “a quo” do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, é a data da declaração formalizada pelo contribuinte em DIPJ contendo opção pelo incentivo” – fl. 457. (...) “A partir dessa data [junho de 2000], teria a Administração o prazo de cinco anos para analisar a regularidade da declaração formalizada pela Requerente, intimandoa até junho de 2005, caso eventualmente fosse apurada qualquer irregularidade no procedimento, após o que, considerase homologada tacitamente a declaração” – fl. 457. (...) “Dessa forma, evidente a decadência do direito da D. Fiscalização de analisar a regularidade fiscal da Recorrente, na medida em que transcorreram mais de 5 (cinco) anos entre a data da declaração na DIPJ da “opção” pelo incentivo e a análise e indeferimento do PERC pela Administração, tudo a eivar de nulidade a r. decisão recorrida” – fl. 458. DA ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL PARA HOMOLOGAÇÃO DO INCENTIVO FISCAL Fl. 508DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 10 9 “Nesse cenário, condicionar as atividades e demais atos praticados rotineiramente pelos contribuintes à constante comprovação de regularidade fiscal é inviabilizar o exercício regular da atividade econômica, em flagrante violação do art. 170 da Constituição Federal” – fl. 458. (...) “Ou seja, no caso concreto, ainda que, de fato, existissem apontamentos em nome da Recorrente por ocasião da apreciação do PERC (o que, como já visto, não justifica o indeferimento da opção realizada em momento muito anterior), certo é que eventuais pendências constantes dos sistemas da Receita ou do INSS não podem, em hipótese alguma, comprometer sua opção pela destinação de parcela do imposto de renda pago ao FINAM (e também ao FINOR) como parte do programa de incentivos aos investimentos em fundos regionais” – fl. 460. DOS DEMAIS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO Nº 6279/2008 E O PARECER QUE A EMBASA “Sobre esse ponto, a Recorrente aduziu, na Manifestação de Inconformidade apresentada que, para ser válida, a decisão que aprecia o pedido administrativo de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais deve conter, obrigatoriamente, (i) relatório resumido do processo, (ii) fundamentação legal com a apreciação de todos os argumentos de fato e de direito alegados, (iii) conclusão fundamentada, e (iv) ordem de intimação do contribuinte, nos exatos termos do disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72” – fl. 460. (...) “Ora, o r. parecer limitouse a tomar como fundamento para a solução adotada a existência de débitos fiscais cadastrados em nome da Recorrente, o que foi reiterado pela r. decisão recorrida, sem fazer qualquer esforço investigativo no sentido de aferir a sua real existência, ou minimamente fundamentar de forma válida o entendimento” – fl. 461. (...) “A única conclusão a que se chega, examinando toda essa realidade, é no sentido de que a ‘alternativa’ adotada pela r. decisão recorrida, de eleger o momento da apreciação do PERC como o momento correto para a comprovação da regularidade fiscal da Recorrente, foi o subterfúgio encontrado pelo I. Órgão Julgador para tentar negar o fato óbvio da homologação tácita e da decadência, pois a regularidade fiscal deveria ser apreciada Fl. 509DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 11 10 no momento em que formalizada a opção, e isso, logicamente, dentro do prazo de cinco anos” – fl. 461/462. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR DA RECORRENTE PROVA DE REGULARIDADE FISCAL POSTERIORMENTE À SUA OPÇÃO PELO INVESTIMENTO COMO CONDIÇÃO À FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO “Com efeito, aduz a r. decisão recorrida, equivocadamente, que o art. 60 da Lei 9.069/95 autorizaria a exigência de comprovação de regularidade fiscal do sujeito passivo no momento de homologação do incentivo, quando da análise do despacho do PERC. Ora, em primeiro lugar, tal norma assim não dispõe expressamente e, segundo, não diz ela respeito sequer, à destinação dos Recursos aos Fundos Regionais de Investimento!” – fl. 463. (...) “Os investimentos aos fundos regionais deramse em 2000, ano em que foi entregue a Declaração de Rendimentos da Recorrente. Nesta data, e somente nesta, é que deveria ser perquirida a regularidade do sujeito passivo. Em interpretação sistemática dos arts. 105 e 144, caput, do CTN, só as normas e os quadros fáticos presentes na data da Declaração de Rendimentos poderiam ser levados em conta pela Administração no momento de averiguação do benefício fiscal, em revisão de legalidade do PERC.” – fl. 463/464. DA ILEGALIDADE NA EXIGÊNCIA DE CND COMO PRESSUPOSTO PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO FISCAL “Vêse que as condições impostas aos contribuintes de aplicarem parte do imposto devido em fundos de investimentos regionais eram duas: i) o contribuinte estava obrigado ao pagamento integral do IR, sendo destinada parcela do valor recolhido ao respectivo Fundo; ii) o contribuinte haveria de manifestar essa opção na sua declaração de rendimentos” – fl. 466. (...) “Em ambos os diplomas legais não se cogita da possibilidade do contribuinte ter seu benefício vedado em razão da existência de débitos perante a Secretaria da Receita Federal, a Procuradoria da Fazenda Nacional, muito menos junto à Caixa Econômica Federal!” – fl. 466/467. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 12 11 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 2º, incisos I e VII1, do Regimento Interno do CARF, processos cujo objeto seja decorrente do IRPJ são da competência desta Primeira Seção. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado devidamente constituído nos autos, conforme procuração às fls. 468, 489/491 e 497/498. Posto que a Contribuinte foi cientificada em 29/06/2009, uma segundafeira (fl. 448), o prazo final seria 29/07/2009, uma quartafeira, conforme o art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Considerando que o Recurso Voluntário foi interposto em 23/07/2009, uma quinta feira (fl. 449), não há que se questionar a sua tempestividade. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972, do Recurso Voluntário, tomo conhecimento. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, impõese determinar os pontos controvertidos, a partir dos argumentos constantes no Recurso Voluntário e na fundamentação do Acórdão combatido. As questões, sucessivamente, são as seguintes: a) O Fisco decaiu do direito de questionar a opção da Recorrente ao FINOR? b) Há falha no procedimento capaz de gerar a nulidade deste feito? c) O parecer que indeferiu o PERC se iguala à decisão? Se positivo, está devidamente fundamentado/motivado? d) Quanto ao mérito, é possível exigir comprovação de regularidade em momento posterior àquele da opção? O FINOR 1 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); VII – tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 13 12 Convém, inicialmente, fazer uma breve explicação da natureza do Fundo de Investimentos do Nordeste (FINOR) e do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). Conforme estabelecem o art. 592 e seguintes do RIR/99, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real poderão optar pela aplicação de parcela do IRPJ devido em determinados fundos de investimento, tal como no caso o FINOR, deduzindose tais valores do montante total do imposto devido. Recebidos os dados referente às Declarações dos Contribuinte, bem como às suas opções pelos incentivos, a Receita Federal os processará, analisando a viabilidade de concessão dos benefícios e incentivos pleiteados. Emitirá então ordem de emissão de certificados de investimentos em favor das pessoas optantes2, e emitirá Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais para as Contribuintes. Recebendo (ou exatamente pela não emissão) o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, o contribuinte poderá questionar os valores ali descritos, bem como as infrações imputadas, através do protocolo de um Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Este PERC será então encaminhado para o órgão competente para a sua análise. Aproveitando lição do site da Receita Federal, vêse que: “O protocolo do Perc deverá ser preenchido à vista do contribuinte e encaminhado, juntamente com os demais documentos apresentados, ao setor competente para abertura de Processo Administrativo (Assunto e Código: “INCENTIVOS FISCAIS IRPJ 20215.0”) com posterior envio ao setor responsável pela análise de Perc nas DRF, Demac, Derat ou Deinf jurisdicionante.”3 Observase que o PERC é a “petição inicial” do respectivo processo administrativo, pela qual a Contribuinte pleiteia a reforma da decisão que indefere (total ou parcialmente) a concessão do benefício ou incentivo fiscal. Registrase que o PERC devolve toda a matéria à análise do Fisco. Isto porque a primeira análise da opção pelo investimento é processada diretamente por sistema de computador ou então por AuditorFiscal, confiando apenas na informação disponibilizada pelo contribuinte. Há, neste sentido, o deverpoder publico de, dentro do prazo decadencial, realizar auditoria fiscal, averiguando a regularidade da opção. Portanto, ao protocolar o PERC, a Contribuinte inicia voluntariamente a este procedimento de auditoria. 2 Art. 15 do DecretoLei nº 1.376/74, com redação dada pelo DecretoLei nº 1.752/79. O §1º deste artigo explicita ainda que o valor da ordem será calculado com base nas parcelas do IRPJ recolhido 3 http://www.receita.fazenda.gov.br/GuiaContribuinte/PERC.htm; Fl. 512DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 14 13 Assim, a ordem de emissão é revisada como um todo: analisase não apenas o efetivo pagamento – uma das condições para a emissão das cotas –, mas também a regularidade fiscal e os demais requisitos para o gozo do benefício. Convém ressaltar que a decisão do PERC deve realizar controle de legalidade dos atos administrativos, inclusive declarando a sua nulidade por ilegalidade dos atos anteriores, como aquele que concedeu o benefício em primeiro momento caso o requisito da regularidade fiscal não estivessem cumpridos. Esta lição pode ser extraída do art. 534 da Lei nº 9.784/99 – que trata dos processos administrativos genericamente e tem aplicabilidade subsidiária no caso do Processo Administrativo Fiscal em nível federal, conforme o art. 69 da própria lei –, bem como da Súmula 473 do STF5. Enfim, analisando o PERC, caso seja deferido, haverá emissão de uma Ordem de Emissão Adicional – OEA. Caso seja indeferido, deverá a Contribuinte ser intimada para que se defenda, apresentando alegações e provas, caso queira. Deste ponto em diante, assemelhase a qualquer outro processo administrativofiscal, sendo analisado primeiro pela DRJ e depois, em caso de Recurso de Ofício ou Recurso Voluntário, como no presente, pelo CARF. Pois bem, sobre o PERC, já se estabeleceu a Súmula CARF nº 37: “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Apontase, outrossim, que esta Súmula encontrase relacionada no Anexo Único da Portaria MF nº 383/2010, que atribui efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Significa dizer: não restam dúvidas que não pode o benefício ser indeferido com base em irregularidade fiscal posterior. Impende analisar, entretanto, alguns dos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da súmula: No acórdão nº 19800080, de 09/12/2008, a ementa afirma: 4 Lei nº 9.784, art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 5 Súmula STF nº 473: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 15 14 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. No voto, ainda esclareceu: “Por outro lado, considero que uma vez admitido o deslocamento desse marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal (por exemplo, para a data de exame do PERC, ou outra posterior), há que se admitir também o deslocamento temporal para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. (...) Deste modo, não há corno negar o pedido de revisão, que merece ainda ter seu mérito apreciado pela unidade de origem, uma vez que, afastado o óbice da regularidade fiscal, há ainda o problema em relação ao valor não reconhecido como incentivo, conforme o conteúdo do PERC de fls. 01 e 02 e o extrato de fl. 16.” Registrase que o voto, quanto a este ponto, pode ser aplicado sem ressalvas no caso em tela. Também ali, tratase de redução dos valores emitidos com base em “redução de valor por recolhimento incompleto do imposto”. Enfim, nesse acórdão, o Conselho entendeu no sentido de que a prova da regularidade (ou irregularidade) deveria ser feita com relação ao momento da opção, e não naquele a análise do PERC. Entendeu, ademais, que o momento da opção é aquele da entrega da DIPJ. Por sua vez, o acórdão nº 195.00110, de 10/12/2008, a ementa ficou assim: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 16 15 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do benefício, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Interessantíssimo o acórdão. Novamente entendeu o CARF que a data da opção é aquela da entrega da Declaração. Por outro lado, aponta ainda que é possível a comprovação da regularidade dos débitos que deram causa ao indeferimento em qualquer momento do processo, ou seja, em data posterior à entrega do PERC – e logo, também posterior à opção. Indica, portanto, que a questão não é tanto a regularidade no dia da entrega, mas sim garantir que a Contribuinte venha a quitar seus débitos (ou provar a inexigilidade deles). Por fim, e de grande relevo, afirma também que, caso a Administração Tributária não comprove irregularidade fiscal no momento da opção pelo benefício, então o PERC deve ser deferido. Seguindo em frente, observase a ementa e o voto do acórdão nº 10809808, de 19/12/2008: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. – É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. “Ora, conforme aduzido pelo próprio Recorrente, a regularidade fiscal do contribuinte deve ser aferida quanto ao período relacionado à opção, que, no presente caso, deveria ser de 1995 ou, no máximo de 1996, ano de entrega da declaração de rendimentos.” Analisando o texto da súmula com a visão exposta neste voto, resta plausível compreender que a Súmula CARF nº 37, ao afirmar a prova “deve se ater ao período a que se referir a Declaração”, referese não apenas ao dia exato da Declaração em si, mas também ao anocalendário sobre o qual trata a declaração de rendimentos. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 17 16 Este voto, portanto, permite que a Contribuinte comprove a regularidade em momento anterior àquele da opção, propriamente dito. Portanto, deixa claro que o investimento no Fundo deve ser visto como um benefício, o que efetivamente é, e não um estorvo para a Contribuinte. Neste mesmo sentido, outro acórdão paradigma da Súmula CARF nº 37, a decisão de nº 10709202, de 18/10/2007, o qual afirma no voto: “No caso de que se cuida, junto com PERC, a contribuinte trouxe à colação duas Certidões Positiva com efeito de Negativa fornecidas, uma pela SRF (fl. 17) e outra pela PGFN (fl. 18 e 18v), ambas dentro do prazo de validade. Portanto, a necessária prova da quitação de tributos e contribuições federais foi efetuada pela contribuinte. E não poderia a autoridade administrativa negar validade às certidões negativas, ou, em face da demora na análise do pedido, exigir nova quitação de tributos com validade na data do Despacho Decisório, ou ainda, indeferir o PERC em face da existência de débitos posteriores à data de protocolo do pedido. Isso traria insegurança jurídica, ficando o contribuinte à mercê da administração, que poderia indeferir o pleito assim que verificasse a falta de pagamento de qualquer parcela de tributo ou contribuição. (...) Primeiramente, entendo que a exigência de quitação dos tributos e contribuições está vinculada ao momento em que o contribuinte faz a opção pelo incentivo, portanto, a data da entrega da declaração de rendimentos. De fato, se o benefício fiscal está condicionado à prova da quitação dos tributos e contribuições, só se pode entender que essa prova deve ser produzida no momento da opção. Por outro lado, o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício fiscal, mas sim condicionar o deferimento do incentivo à quitação do débito. Assim, mesmo na existência de débitos por ocasião da opção pelo incentivo, não haverá óbice ao deferimento do pleito, se o contribuinte comprovar a sua regularidade fiscal em relação a esses débitos, em qualquer fase do processo.” De grande valia este acórdão, posto que analisa o sentido do benefício: incentivar a contribuinte a investir nos fundos. Como tal, a burocracia excessiva acaba atrapalhando o propósito final, que é captar recursos para investimentos nas regiões especificadas e oferecer um benefício às Contribuintes. Comprovando a Contribuinte quitação dos tributos, em qualquer momento – mesmo que a quitação tenha ocorrido após a opção – então o pedido deve ser deferido. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 18 17 Ademais, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 – que exige a quitação dos tributos e contribuições federais para a concessão do benefício – não se refere especificamente a nenhum momento específico. Assim, se é adequado exigir que a Contribuinte, para ter um benefício, esteja quite com suas obrigações (tributárias), não há previsão expressa em lei ou jurisprudência estabelecida que limite a comprovação da regularidade pela contribuinte, à data da apresentação da DIPJ. Tendo estabelecido as premissas básicas, retomase ao processo. I. PRELIMINARES IV.1. PRECLUSÃO TEMPORAL DO DIREITO DE APRECIAR A PERC – DECADÊNCIA e HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A contribuinte não alegou este tópico em sede de Manifestação de Inconformidade, inovando no Recurso Voluntário. Ainda assim, por se tratar de matéria que pode e deve ser conhecida de ofício, sobre ela pronuncio. A Contribuinte alega que optou por investir, na DIPJ 2000, anocalendário 1999, parte de seus lucros no FINOR, o que é confirmado pela Ficha 16 – Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 33). O valor histórico investido foi de R$ 76.527,84. Segundo afirma (fl. 454), apenas em 17 de junho de 2008 a Administração pública analisou seu pedido. Apontando a Portaria Interministerial nº 237, de 25 de julho de 20026, art. 2º, argumenta que esta análise deveria ter sido feita até 12 meses a contar de 26/07/2002, data da publicação da Portaria. Não procede esta alegação. In litteris, o artigo: Art.2º Determinar à Secretaria da Receita Federal SRF a inclusão, nos seus normativos internos, para serem observados pelas Delegacias da Receita Federal DRF e Delegacias Regionais de JulgamentoDRJ, do prazo de até doze meses, a contar da data do encerramento do prazo concedido aos contribuintes para ingresso de Pedidos de Revisão de Ordens de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, em cada exercício considerado, para análise e deliberações sobre os PERC relativos ao Exercício 2000 / Ano calendário 1999, e seguintes. Primeiro, o citado artigo não dá o prazo de 12 meses contados da publicação da portaria, mas sim do prazo final concedido aos contribuintes para o ingresso do PERC. Segundo, esta portaria não determina a decadência (nem tampouco a preclusão) do direito de 6http://www.fazenda.gov.br/institucional/legislacao/portarias interministeriais/2002/portariaMFMIN237/?searchterm=imposto Fl. 517DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 19 18 analisar o PERC, mas sim determina a inclusão de Instrução Normativa. Mesmo que a norma afirmasse o que entende a Recorrente, não poderia fazêlo, posto tratarse de norma infralegal. Segundo, a Administração Pública analisou a opção da contribuinte em 17/09/2002, quando emitiu “Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais” (fl. 3). Neste sentido, o PERC, protocolado em 25/02/2003 (fl. 2), dá início a Processo Administrativo. Apesar do longo período transcorrido entre a apresentação do PERC e a sua análise, à falta de legislação que permita a prescrição intercorrente (Súmula CARF nº 11), impossível afastar o direito da Administração Pública de verificar a procedência do PERC em decorrência de transcurso de lapso temporal. Ademais, observase que, por uma questão lógica, a preclusão da análise do PERC é prejudicial à Contribuinte. Vejamos que seu direito foi negado em 2002 (fl. 3), sendo que o PERC visa reformar aquela decisão. Preclusa a análise deste Pedido de Revisão, mantida restaria a decisão inicial da Administração Pública. Quanto ao arts. 54 da Lei nº 9.784/99 e 1º do Decreto nº 20.910/32, ambos aventados pelo Recurso Voluntário, não parecem aplicáveis no caso em tela. O primeiro afirma que decai o direito da administração pública anular os atos administrativos que decorram efeitos favoráveis aos destinatários. Trata, a lei em comento, do Processo Administrativo no Âmbito da Administração Pública Federal e portanto pode ser aplicada apenas subsidiariamente aos processos administrativosfiscais. Já o art. 1º do Decreto nº 20.910/32, afirma expressamente que decaem os direitos e prescrevem as ações contrárias à União, aos Estados e aos Municípios, seja qual for a natureza, no prazo de cinco anos. Assim, quanto ao Decreto, não apenas esta norma seria contrária aos interesses da Contribuinte como também, pelo fato de a Recorrente ter apresentado PERC num prazo inferior a cinco anos em relação à DIPJ e à emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, não houve decadência de seu direito ao crédito, nem prescrição de sua ação para contestar o extrato7. Quanto à Lei, tampouco transcorreram cinco anos entre o ato administrativo (opção pelo investimento) e a fiscalização, que efetivamente ocorreu em 2002. Reafirmase que a intimação de 2008 faz parte do processo administrativo de revisão iniciado em 2003, pela própria Contribuinte. Tampouco há que se falar em homologação tácita da declaração efetuada pela Contribuinte. Registrase que houve um ato indeferindo a sua opção, ainda no ano de 2002. O presente processo administrativo visa atacar este ato, devendo provar que tinha recolhido integralmente o imposto, conforme Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 3). IV.2. NULIDADE POR FALHA PROCEDIMENTAL Alega a Recorrente, em suma, diversos argumentos em conjunto. 7 No mesmo sentido, o acórdão CSRF nº 0105.255, que estabelece – à falta de legislação específica estabelecendo o prazo para a apresentação da PERC – a aplicação do art. 168 do CTN, garantindo assim o prazo de 5 anos. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 20 19 Primeiro, que não há decisão administrativa, mas tão somente parecer, o que seria possível identificar da intimação de 18/11/2008 (fls. 406/407) que se refere expressamente à “Ciência do Parecer” de fl. 405 (folha manual 392). Há que se observar que há, sim, decisão, datada de 29/08/2008. Esta ocorre ao final da fl. 405, mesma do Parecer, quando o Delegado indefere “na forma proposta” o PERC. O equívoco na redação da Intimação nº 6279/2008 não é suficiente para causar nulidade da decisão. Segundo, que, nos termos do art. 31 do Decreto 70.235/72, a decisão deverá conter (i) relatório do processo; (ii) fundamentação legal; (iii) conclusão fundamentada; (iv) ordem de intimação da contribuinte. Tampouco procede esta alegação. É verdade que o parecer é conciso, mas contém sim relatório, fundamentação legal (art. 60 da Lei nº 9.069/95) e conclusão fundamentada, senão vejamos, respectivamente (fl. 405): “O presente processo trata de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente à declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica exercício 2000 – ano calendário 1999.” (...) “a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (lei 9069/95, art. 60)” (...) “foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório (...) INDEFIRO na forma proposta”. Quanto à ordem de intimação, conforme o art. 59 do Decreto 70.235/72, só há nulidade se houver preterição da defesa. Ainda que a decisão não tenha determinado expressamente a intimação da Contribuinte, houve emissão da Intimação nº 6279/2008, a qual foi realizada por AR positivo em 18/11/2008 (fl. 406/407). Portanto, não houve preterição de defesa. Observase, ademais, que o art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99 permite que a decisão consista em mera declaração de concordância com parecer anterior. Portanto, não há ofensa direta ao art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Terceiro, alega a contribuinte que não restou comprovada a existência dos débitos. Este é questão de mérito, que não cabe ser analisada agora. Em que pese sejam afastadas as nulidades apontadas pela Contribuinte, a Lei nº 9.784/99 determina, no art. 63, §2º, que os atos ilegais poderão ser revistos de ofício. Neste sentido, analisamse alguns fatos não aventados no Recurso Voluntário. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 21 20 A Intimação nº 3297/2008 foi emitida em 17/06/2008, determinando que a Contribuinte se pronunciasse no prazo de trinta dias a contar da sua ciência sobre as pendências elencadas (fl. 232). Não se identificou nos autos prova da data da cientificação da contribuinte quanto a esta intimação. Por sua vez, a Contribuinte apresenta petição em 23/07/2008 afirmando ter sido cientificada em 23/06/2008 (fl. 233), informação que deve ser aceita – por falta de prova em sentido contrário e, inclusive, pela verossimilhança: o transcurso de meros seis dias entre a emissão e a intimação –, considerando portanto tempestiva a sua peça. Acontece que o supracitado Parecer foi firmado pelo Supervisor em 10/07/2008 (fl. 405), antes do transcurso de trinta dias da intimação ou mesmo da emissão. Portanto, firmado antes do fim do prazo para a apresentação de informações e documentos. Estranha a data desta emissão, posto que faz referência a relatório datado de 28/08/2008 (fl. 404), ou seja, faz referência a documento pós datado. Ainda assim, não parece tratarse de mero erro de grafia, posto que o Chefe de Divisão assina o mesmo parecer em 30/07/2008, afirmandose de acordo. Se é estranha a data da emissão do parecer antes do relatório, mais improvável parece ser trataremse de dois erros de digitação. Ademais, o fato de que o Delegado da Receita Federal indefere o PERC em 29/08/2008, na mesma folha, é indício de que não se trata de erro. Não é plausível que tenha indeferido ANTES do Chefe de Divisão declararse de acordo. Portanto, concluise que o Parecer foi redigido ANTES do protocolo da petição, e antes mesmo do transcurso do prazo de 30 dias. Há, portanto, preterição ao direito de defesa da Contribuinte posto que não foi garantido o prazo. E preterição de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, gera nulidade do ato. Mais, a despeito do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99, que permite que a decisão consista em mera declaração de concordância com parecer anterior, há nova preterição de defesa quando o Delegado da Receita Federal firma decisão sem considerar a petição apresentada. Ao fazêlo, deixa de analisar as alegações e os documentos juntados, como se não existissem nos autos. Não há nenhuma menção, sequer para afastar os argumentos e provas apresentados, configurandose em nova nulidade nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Portanto, existem duas nulidades na decisão de 29/08/2008 (fl. 405), do Delegado, posto que realizada com preterição do direito de defesa. Primeiro, a questão temporal, e nos parece que a nulidade do Parecer contamina a decisão que nele se baseia. Segundo, porque a decisão posterior à petição da Contribuinte não faz menção a esta, deixando de analisar as alegações e os documentos juntados, claramente preterindo o direito de defesa. II. EFEITOS DA NULIDADE Sendo reconhecida a nulidade da decisão exarada em 29/08/2008 (fl. 405), denominada “parecer” pela Contribuinte, é necessário determinar o retorno dos autos à DERAT/DIORT/ECRER/SPO (departamento de origem) para continuidade da análise do PERC. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 13804.001026/200312 Acórdão n.º 1102001.299 S1‐C1T2 Fl. 22 21 Convém observar o procedimento já estabelecido, por este Conselho Administrativo, para o PERC: não cabe indeferimento de sua análise em decorrência de irregularidade fiscal em momento posterior à opção pelo incentivo, no caso, em 2000. No caso concreto, o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 03) apresentou como única infração “Redução de valor por recolhimento incompleto do imposto”. Em outras palavras, parece que a Contribuinte estava regular ao tempo da opção; do contrário, a Ordem de Emissão de Cotas inicial deveria ter relatado a irregularidade, indeferindo toda a opção do incentivo, e não tãosomente uma parcela desta opção. Portanto, somente poderá ser indeferido o PERC por irregularidade fiscal caso a Autoridade Fiscal apresente provas das suas alegações referente ao tempo da opção. Apontase, outrossim, que esse entendimento está amparado na Súmula CARF nº 37, a qual encontrase relacionada no Anexo Único da Portaria MF nº 383/2010, que atribui efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Não sendo este o caso, a análise do PERC deve se restringir à existência ou não do direito da contribuinte à emissão do restante das cotas. Para tanto, deve observar se há ou não provas do recolhimento integral do tributo cuja parcela se buscou investir. VI. CONCLUSÃO Por todo o exposto, meu voto é no sentido de: Anular a decisão do Delegado que indeferiu o PERC por existência de “pendências” em 2008, e todos os atos seguintes, por preterição ao direito de defesa; Determinar o retorno do processo à Delegacia de origem para que seja dada continuidade à análise da PERC; (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 16682.721105/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
DECISÃO DE 1A INSTÂNCIA. ENFRENTAMENTO DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS. VALIDADE.
Não há de se falar em nulidade quando a decisão de 1a instância enfrenta, de forma expressa, todos os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Preliminar rejeitada.
INCENTIVO FISCAL. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. PREVALÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA EM RELAÇÃO ÀS NORMAS CONTÁBEIS. REGRAS CONTÁBEIS NÃO CARACTERIZAM CONDIÇÃO PARA CONCESSÃO OU FRUIÇÃO DE INCENTIVO FISCAL, MAS TEM COMO OBJETIVIO O CONTROLE DA CORRETA UTILIZAÇÃO DO BENEFÍCIO.
Se é fornecido à fiscalização documentos suficientes ao controle da utilização do benefício, bem como se há escrituração em apartado (contas especificas) dos dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da lei 11.196/05, ainda que este seja feito durante a fiscalização e/ou posteriormente à sua contabilização, não há que se falar em inobservância do inciso I, artigo 22, da Lei 11.196/05.
INCENTIVO FISCAL. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. PARECER TÉCNICO NÃO CONCLUSIVO. DIVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTO ENTRE ORGÃOS DO MCT. MANUTENÇÃO DO INCENTIVO.
A incerteza gerada a partir de pareceres emitidos por órgãos do MCT sobre a natureza do projeto de inovação apresentado pelo contribuinte, principalmente quando verifica-se divergência entre eles, não pode ter como consequência a perda do incentivo.
Numero da decisão: 1201-000.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, considerando que: i) a contabilização extemporânea em contas específicas não é motivo suficiente para a glosa dos dispêndios, vencidos o Relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso, e ii) por maioria de votos, que os laudos apresentados devem ser admitidos como comprovação para efeito do direito ao benefício, vencidos o Relator e a Conselheira Maria Elisa Boechat, sendo que o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz votou pelas conclusões, porquanto defendia a realização de diligência com vistas à análise dos laudos por parte da fiscalização.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
(Documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(Documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
(Documento assinado digitalmente)
João Carlos de Lima Junior Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Maria Elisa Boechat, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ENFRENTAMENTO DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS. VALIDADE. Não há de se falar em nulidade quando a decisão de 1a instância enfrenta, de forma expressa, todos os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Preliminar rejeitada. INCENTIVO FISCAL. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. PREVALÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA EM RELAÇÃO ÀS NORMAS CONTÁBEIS. REGRAS CONTÁBEIS NÃO CARACTERIZAM CONDIÇÃO PARA CONCESSÃO OU FRUIÇÃO DE INCENTIVO FISCAL, MAS TEM COMO OBJETIVIO O CONTROLE DA CORRETA UTILIZAÇÃO DO BENEFÍCIO. Se é fornecido à fiscalização documentos suficientes ao controle da utilização do benefício, bem como se há escrituração em apartado (contas especificas) dos dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da lei 11.196/05, ainda que este seja feito durante a fiscalização e/ou posteriormente à sua contabilização, não há que se falar em inobservância do inciso I, artigo 22, da Lei 11.196/05. INCENTIVO FISCAL. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. PARECER TÉCNICO NÃO CONCLUSIVO. DIVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTO ENTRE ORGÃOS DO MCT. MANUTENÇÃO DO INCENTIVO. A incerteza gerada a partir de pareceres emitidos por órgãos do MCT sobre a natureza do projeto de inovação apresentado pelo contribuinte, principalmente quando verificase divergência entre eles, não pode ter como consequência a perda do incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 05 /2 01 1- 75 Fl. 16313DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, considerando que: i) a contabilização extemporânea em contas específicas não é motivo suficiente para a glosa dos dispêndios, vencidos o Relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso, e ii) por maioria de votos, que os laudos apresentados devem ser admitidos como comprovação para efeito do direito ao benefício, vencidos o Relator e a Conselheira Maria Elisa Boechat, sendo que o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz votou pelas conclusões, porquanto defendia a realização de diligência com vistas à análise dos laudos por parte da fiscalização. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (Documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (Documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator (Documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Maria Elisa Boechat, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Fl. 16314DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo aos anoscalendário de 2007 e 2008 no valor de R$ 8.510.035,11, acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, com crédito tributário total de R$ 17.615.031,36, além de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativa aos anoscalendário de 2007 e 2008, no valor de R$ 3.161.175,29, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, com crédito tributário total de R$ 6.551.063,66, conforme valores calculados até 30 de novembro de 2011. O lançamento tem como fundamento a glosa de exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, com base no artigo 250, I, do RIR/99, bem assim a apuração incorreta da CSLL. A ação fiscal foi motivada por seleção interna para a verificação de indícios de exclusão indevida nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de valores relativos a incentivos fiscais nos anos de 2007 e 2008. A fiscalização apontou que o contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para o controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento, P&D, de inovação tecnológica (recursos humanos e serviços de terceiros) nos anos de 2007 e 2008, conforme exigência contida no inciso I, do artigo 22, da Lei nº 11.196/05 (conhecida como Lei do Bem) e que, para o ano de 2007, o Ministério da Ciência e Tecnologia emitiu parecer não recomendando que os projetos apresentados pelo contribuinte fossem enquadrados como sendo de pesquisa e desenvolvimento, conforme os termos e os propósitos estabelecidos em lei. Em 16 de junho de 2011, o Contribuinte tomou ciência do Termo de Início da ação fiscal, no qual foi intimado a apresentar e informar, entre outras providências: 1. Os valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica a que se refere o artigo 17, inciso I, da Lei nº 11.196/2005, deduzidos como despesas operacionais na apuração do lucro líquido do exercício relativo aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, anexando cópias do Livro Razão onde constassem as contas contábeis que os registraram e suas contrapartidas; 2. Quais percentuais dos valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica, deduzidos como despesas operacionais na apuração do lucro líquido do exercício, foram excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, conforme artigo 19, §§ 1º e 3º da Lei nº 11.196/2005, e qual o valor, em reais, das respectivas exclusões; 3. Cópias das folhas do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) que indicassem as exclusões realizadas, nos anos calendários de 2007 a 2009, a título de dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação Fl. 16315DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 5 4 tecnológica, conforme artigo 19, §§ 1º e 3º da Lei nº. 11.196/2005; 4. Indicar as linhas e as fichas de suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ's), relativas aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, em que foram declaradas as despesas operacionais e as exclusões a título de dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica; 5. Caso os valores constantes de determinadas linhas abarcassem não só os dispêndios a esse título, mas também outras despesas/exclusões, o contribuinte deveria compôlos, explicitando as demais despesas/exclusões e apresentando a documentação comprobatória (cópias das Folhas do Razão e/ou LALUR, balancetes mensais etc.) onde estivessem registradas; 6. Demonstrações do Resultado do Exercício e as apurações das bases de cálculo do IRPJ (lucro real) e da CSLL, relativas aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009; 7. Cópias dos formulários entregues ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em atendimento ao disposto no art. 17, §7º, da Lei nº. 11.196/2005, e no art. 14 do Decreto nº. 5.798/2006, relativos aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, bem como cópias das folhas do Livro Razão onde constassem as contas contábeis que registraram os dispêndios ali presentes, bem como suas respectivas contrapartidas. O contribuinte entregou parcialmente os documentos solicitados, conforme atesta a autoridade fiscal, em 06 de julho de 2011, e requereu dilação do prazo, por vinte dias, para o atendimento aos demais itens. Em atenção ao pedido de prorrogação foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 01, lavrado e com ciência do contribuinte na mesma data. Por meio de resposta protocolizada em 26 de julho de 2011 o Contribuinte informou que: 1. Os valores despendidos com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica a que se refere o art. 17, I, da Lei nº 11.196/2005, foram de R$ 15.983.705,46 para o ano de 2007 e de R$ 28.148.369,73 para o ano de 2008, sendo que no ano de 2009 não houve a utilização deste benefício; 2. O percentual dos valores despendidos com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica que foram excluídos das bases de cálculo do IRPJ e CSLL nos anos calendário de 2007 e 2008 foi de 80%, de tal sorte que as parcelas dedutíveis de dispêndio foram R$ 12.786.964,37 e R$ 22.518.695,78, respectivamente; 3. Acrescentou que tais valores foram excluídos, respectivamente, para os anos de 2007 e 2008, nas linhas 37 e 65, das fichas 09A, para o IRPJ, e linhas 33 e 49, das fichas 17, para a CSLL; Fl. 16316DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 6 5 4. Anexou cópias dos formulários para apresentação ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), de informações sobre as atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica das pessoas jurídicas beneficiárias dos incentivos fiscais previstos no Capítulo III, da Lei nº 11.196/2005, relativos aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, (Anexos TELEMAR Formulário MCT2007 e TELEMAR Formulário MCT2008); 5. No anocalendário de 2007, o Contribuinte realizou dispêndios com a contratação de serviços na área de tecnologia, conforme se depreendem das informações enviadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia, com formulários em anexo. Com o fito de obter mais informações sobre a utilização dos incentivos fiscais para a inovação tecnológica, relativas ao anocalendário de 2010, foram emitidos os Termos de Intimação Fiscal n. 02 e n. 03, lavrados e com ciência do contribuinte em 22 de agosto de 2011 e 12 de setembro de 2011, respectivamente. Após a análise dos documentos e dos esclarecimentos prestados pela Contribuinte, em que esta informa que não utilizou o incentivo fiscal permitido no artigo 17, I, da Lei nº 11.196/2005, aliado ao fato de que utiliza duas contas patrimoniais do ativo para o controle de dispêndio, de modo a atender ao disposto no artigo 22, I, do mesmo diploma legal, a Fiscalização emitiu os Termos de Intimação Fiscal n. 04 e n. 05, lavrados e com ciência da contribuinte em 21 de outubro de 2011 e 14 de novembro de 2011, respectivamente, pelos quais esta foi intimada a apresentar: a) Registros contábeis do dispêndio; b) Carta Telemar de 03 de outubro de 2011; c) Contas contábeis 13210203 e 13250203; d) Divergências entre os valores MCT e os saldos das contas contábeis 13210203 e 13250203; e) SINCO – Arquivos Contábeis. Em resposta, o contribuinte forneceu esclarecimentos, documentos e arquivos digitais. A auditoria, após analisar o conjunto de informações, constatou que não foi observado o requisito do artigo 22, I, da Lei nº 11.196/05, que exige o controle contábil dos dispêndios e pagamentos, de que tratam os artigos 17 a 20 desta lei, em contas específicas. A fiscalização informou que os dispêndios realizados pela Contribuinte com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica ocorridos no anocalendário de 2010 serão objeto de análise e apuração em ação fiscal posterior. Foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n. 06, no qual foi solicitada a contabilidade do anocalendário de 2007, validada e gerada para entrega por meio do sistema SINCO Contábil, além de restar consignado que o MPF de origem fora alterado, em 29 de novembro de 2011, para a inclusão das operações relativas ao anocalendário de 2008, com a devida ciência da Contribuinte. Fl. 16317DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 7 6 Em resposta, a Contribuinte entregou em arquivos digitais os documentos contábeis solicitados. Ao término da ação fiscal, a autoridade lançadora verificou a necessidade de glosa das exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2010, por entender que a empresa não poderia se beneficiar do incentivo fiscal previsto na Lei nº 11.196/05, visto não ter observado o requisito do art. 22, I, desse diploma legal, que prescreve a obrigação de manter contas contábeis específicas para o controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica – P&D. Especificamente em relação ao anocalendário de 2007, alegou que as exclusões não estariam autorizadas, em face da existência de Parecer do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT que não aprovou o enquadramento, como projetos de P&D, do pleito formulado pela Contribuinte para o período. Aduziu, ainda, que não foi atendido o disposto no art. 22, I, da Lei nº 11.196/05, na medida em que foram identificadas algumas divergências entre os valores lançados nessas contas e aqueles informados nos formulários do MCT e que não seria esta a melhor técnica para proceder ao controle dos dispêndios, sob o argumento de que estes não teriam sido registrados. Por conta dessas duas razões, glosou integralmente as exclusões efetuadas pela Recorrente. Ao principal foi acrescentado multa de 75% e juros calculados com base na taxa SELIC. Devidamente intimada dos Autos de Infração, a Recorrente apresentou impugnação, em 17 de janeiro de 2012, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com P&D, em estrita observância ao que dispõe o artigo 22, inciso I, da Lei n° 11.196/05, (contas contábeis 13210203 e 13250203) para controle dos dispêndios com P&D; 2. Tendo por base que o artigo 22, inciso I, da Lei n° 11.196/05, o Decreto n° 5.798/06 e a Instrução Normativa RFB n° 1.187/11, não prescreveram a forma ou prazo para a contabilização dos dispêndios, não poderia a fiscalização, por mera liberalidade, alargar o conteúdo daquela legislação, criando exigência ali não prevista; 3. A adoção de duas contas de ativo específicas decorreu da necessidade de observar simultaneamente as exigências da Lei do Bem (artigo 22, inciso I, da Lei n° 11.638/07, bem como do Plano de Contas fixado pela Anatel (Resolução n° 396); 4. Em total conformidade com as regras contábeis registrou os dispêndios com P&D em contas específicas de ativo, criadas para esta única finalidade (Conta Dispêndios com Inovação Tecnológica 13210203 e sua contrapartida, Conta Transferências de Dispêndios com Inovação Tecnológica 13250203); Fl. 16318DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 8 7 5. Não cabe desqualificar as contas patrimoniais de ativo utilizadas especificamente para o fim de controle dos dispêndios com P&D, sob a alegação de que não se trataria de técnica contábil mais indicada, por não ter registrado os dispêndios pelo regime de competência; 6. O artigo 247, § 1º do RIR/99 não se presta como fundamento para exigir a contabilização dos dispêndios e contas específicas sob o regime de competência; 7. Os dispêndios com P&D foram todos eles contabilizados segundo o regime de competência, em seu respectivo grupo de contas. O controle em duas contas de ativo foi feito a posteriori, apenas para atender as exigências da Lei do Bem, o que é perfeitamente possível tendo em vista que esses mesmos registros não alteram o resultado da empresa; 8. Como o benefício é fruído via ajuste (exclusões) no LALUR, a contabilidade não é afetada, tampouco o resultado do período. Daí a razão pela qual se pode validamente afirmar que os lançamentos fiscais feitos posteriormente não implicam violação ao art. 247, § 1º do RIR/99, visto que os dispêndios seguem o regime de competência; 9. O IRPJ e a CSLL foram apurados em regime de competência, como manda a lei, assim como todas as despesas alocadas também o foram; apenas, posteriormente, é que os dispêndios classificáveis como despesas operacionais, nos termos do artigo 17, inciso I, da Lei do Bem, foram lançados em conta específica para atender as exigências da lei, o que, reafirmese, não representou qualquer impacto na apuração do lucro líquido. Tanto isso é verdade que a fiscalização em momento algum questionou a apuração regular do IRPJ e da CSLL; 10. A constatação de que uma parcela ínfima dos valores relativos aos dispêndios com P&D não foram lançados nas contas de ativo 13210203 e 13250203 não é fundamento jurídico para a glosa total, uma vez que este fato poderia, no máximo, implicar a sua própria glosa, não se prestando como fundamento suficiente para a glosa integral, inclusive dos valores efetivamente contabilizados nas contas de ativo criadas com a específica finalidade de servir de controle dos dispêndios com P&D incorridos no ano calendário; 11. O MCT não tinha qualquer razão jurídica para não aprovar o Projeto de P&D relativo ao ano de 2007, uma vez que o projeto discriminou, de forma pormenorizada, todas as informações a respeito da pesquisa realizada e o artigo 17, inciso I, deixa claro que todos os dispêndios com P&D classificáveis como despesas operacionais podem ser deduzidos do lucro real e não apenas aqueles contratados de microempresa ou empresa de pequeno porte; 12. O respectivo Parecer não é conclusivo no sentido de que os dispêndios não correspondiam a P&D; Fl. 16319DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 9 8 13. O que levou à sua reprovação foi o fato de entender o MCT que as informações constantes do Formulário, em especial as relativas ao item 4.1, não evidenciariam, com clareza, as atividades de pesquisa contratadas pela empresa; 14. O parecer, todavia, não corresponde à realidade dos fatos. Analisando o Formulário MCT apresentado percebese que todos os campos exigidos pelo Ministério foram detalhadamente preenchidos, discriminado a empresa, de forma pormenorizada, os novos produtos que estava desenvolvendo, bem como as melhorias alcançadas pelo desenvolvimento desses projetos de pesquisa; 15. O equívoco fica ainda mais notório quando se verifica que o principal problema apontado pelo MCT diz respeito ao preenchimento do item 4.1 do Formulário (fls. 9 do Parecer). Ocorre que este item se destina apenas a esclarecer se as linhas de P&D contidas no Programa foram alteradas no último ano, sendo o campo de resposta objetivo: sim ou não; 16. Todos os dispêndios com P&D classificáveis como despesas operacionais podem ser considerados no cômputo do beneficio fiscal, conforme artigo 18, da Lei n° 11.196/05; 17. Não cabe exigir juros SELIC sobre a multa. Em sessão realizada no dia 16 de março de 2012, a 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, negou provimento à Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com os acréscimos moratórios. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. DISPÊNDIOS. BENEFÍCIO FISCAL. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica somente poderão ser excluídos do lucro líquido se forem controlados contabilmente em contas específicas. Artigos 17; 19; 22, inciso I; e 24, da Lei nº.11.196/2005. ESCRITURAÇÃO. CONFIABILIDADE. A falta de integridade e tempestividade na escrituração de informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância e confiabilidade. Resoluções CFC nº. 750/93 de 1993 e CFC nº. 1282/10. RECLASSIFICAÇÃO. EFEITOS FISCAIS. Fl. 16320DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 10 9 A reclassificação somente terá efeitos fiscais se tornar as informações contábeis mais claras, precisas e confiáveis. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. PARECER TÉCNICO. O parecer técnico emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia vincula a Receita Federal, uma vez que aquele órgão é que tem a competência legal para opinar sobre matéria técnica a ele afeita. Artigo 14, do Decreto nº 5.798, de 2006. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161, CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, a Contribuinte foi intimada, em 24 de outubro 2012, da decisão da Delegacia de Julgamento e em 22 de novembro do mesmo ano, representado por seu advogado, interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida, sob a alegação de que os julgadores de origem deixaram de enfrentar os argumentos dispostos na Impugnação e apenas se limitaram a afirmar que a Receita Federal está vinculada ao Parecer Técnico CGIT/MCT nº 0008/2011, por ser o Ministério da Ciência e Tecnologia o órgão responsável por opinar sobre a matéria técnica; 2. A Delegacia de Julgamento, ao apresentar uma decisão dissociada do conteúdo daquilo que se impugnou, viola o direito de defesa da parte, sendo tal decisão nula, nos termos do que prescreve o art. 59, II, do Decreto n. 70.235/72. 3. Utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com P&D, em estrita observância ao que dispõe o art. 22, I, da Lei n. 11.196/05; 4. A própria fiscalização reconheceu a adequação da forma de contabilização eleita, afinal, baseouse nela para identificar cada equívoco cometido na contabilização dos dispêndios; 5. A Lei nº 11.196/05, o Decreto nº 5.798/06 e a IN RFB nº 1.187/11 limitaramse a estabelecer a necessidade de controle em contas específicas dos valores relativos a dispêndio com P&D, sem determinar, contudo, o prazo ou a forma específica para a sua contabilização; 6. Contabilizou todos os dispêndios com P&D em regime de competência, nos termos da lei. O controle em contas específicas de ativo é que foi feito “a posteriori”, o que é perfeitamente possível, na medida em que não afeta o resultado da empresa no período; Fl. 16321DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 11 10 7. O controle em contas específicas foi posterior apenas à realização e à contabilização dos dispêndios, mas não à fruição do benefício; 8. A decisão de adotar duas contas de ativo específicas para controlar os dispêndios com P&D decorreu da necessidade de observar simultaneamente as exigências da Lei do Bem (art. 22, I) e da Lei nº 11.638/07; 9. A legislação que regula a concessão de benefícios fiscais deve ser interpretada literalmente não apenas pelo contribuinte, mas também pelo Fisco; 10. Há, no caso da Recorrente, obrigatoriedade de investimento sistemático em inovação para melhoria dos serviços de telecomunicação que presta; 11. É cabível a apreciação da improcedência do Parecer Técnico emitido pelo MCT, por duas razões fundamentais: a) o MCT extrapolou sua competência ao entender que apenas os dispêndios com a contratação de terceiros que se enquadrassem como microempresa ou empresa de pequeno porte para a execução de pesquisa com P&D poderiam ser deduzidos do lucro real; b) Referido Parecer não é conclusivo no sentido de que os dispêndios não correspondiam a P&D; 12. No caso da Recorrente, o MCT não tinha qualquer razão jurídica para não aprovar o Projeto de P&D relativo ao ano de 2007, pois o projeto discriminou, de forma pormenorizada, todas as informações a respeito da pesquisa realizada e o art. 17, I, deixa claro que todos os dispêndios com P&D classificáveis como despesas operacionais podem ser deduzidos do lucro real e não apenas aqueles contratados de microempresa ou empresa de pequeno porte; 12. Não há permissivo legal para fazer incidir juros SELIC sobre multa. Por fim, requereu que a preliminar seja acolhida para que se anule a decisão de primeira instância e, caso não for este o entendimento, que a autuação seja cancelada. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Fl. 16322DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 12 11 Voto Vencido Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. No intuito de enfrentar todos os argumentos apresentados no Recurso, passo a analisar, de forma tópica, as alegações, sem prejuízo de agrupar aquelas que possuem evidente correlação. 1. Preliminar de nulidade da decisão recorrida, por não enfrentar os equívocos jurídicos do Parecer do MCT Neste ponto, a Recorrente alega nulidade na decisão de primeira instância sob os seguintes argumentos: i) Não houve afirmação de que os dispêndios indicados não corresponderiam a investimentos em P&D; ii) O MCT afirmou, equivocadamente, que somente dispêndios correspondentes à contratação de terceiros enquadrados como microempresa ou empresa de pequeno porte poderiam ser deduzidos do lucro real, enfrentando, assim, matéria jurídica tributária fora de sua competência. Entendo que a alegação não pode prosperar, ante a literalidade da própria decisão recorrida, que expressamente esclarece: Conforme relatado, a Fiscalização glosou a exclusão de dispêndios com inovação tecnológica para os anoscalendário de 2007 e 2008, com o fundamento que o contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para o seu controle, conforme exigência contida no inciso I do artigo 22 da Lei nº.11.196/05, a denominada Lei do Bem. Além disto, para o ano de 2007 o MCT, (Ministério da Ciência e Tecnologia), produziu parecer não recomendando que os projetos apresentados pelo contribuinte fossem enquadrados como sendo de pesquisa e desenvolvimento, P&D, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei nº.11.196/05. (grifamos) A simples leitura do excerto, que introduz o voto que originou a decisão, nos permite concluir que esta se baseou no fundamento de que o contribuinte não utilizou as contas específicas de controle e, de modo complementar, no fato de o Parecer do MCT não ter recomendado o enquadramento dos projetos como de pesquisa e desenvolvimento. Fl. 16323DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 13 12 No meu entendimento, a ocorrência do primeiro fundamento, por si só, já seria condição suficiente para justificar o lançamento, conforme será mais bem demonstrado no decorrer deste voto. Ainda assim, não me parece razoável alegar que a decisão recorrida sequer enfrentou a validade jurídica do Parecer do MCT, pois a ele dedicou diversos parágrafos, a seguir transcritos: Além dos pontos acima analisados, consta nos autos que o Parecer do Ministério da Ciência e Tecnologia MCT não corroborou o enquadramento como projetos de P&D apresentados pelo contribuinte no ano base 2007, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei n° 11.196, de 21.11.05. O artigo 14 do Decreto nº 5.798, de 2006, deixa claro que é ônus do contribuinte prestar ao Ministério da Ciência e Tecnologia esclarecimentos e informações pertinentes ao caso. Assim, com base nas informações prestadas, o Órgão competente do MCT entendeu por incluir o contribuinte na relação das “Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas e/ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei n° 11.196/05”. Este mesmo dispositivo determina que a pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata o caso fica obrigada a prestar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em meio eletrônico, conforme instruções por este estabelecidas, informações sobre seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, até 31 de julho de cada ano. O parágrafo 2º, do mesmo artigo, determina que o Ministério da Ciência e Tecnologia remeterá à Secretaria da Receita Federal as informações relativas aos incentivos fiscais. Resta claro, portanto, que a competência para decidir quanto à matéria referente a programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, é do Ministério da Ciência e Tecnologia. Assim, o parecer técnico emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia vincula a Receita Federal, uma vez que aquele órgão é que tem a competência legal para opinar sobre matéria técnica a ele afeita. Ausente nos autos qualquer irregularidade referente ao Parecer, o mesmo deve ser aplicado pela Receita Federal do Brasil, uma vez que o Ministério da Ciência e Tecnologia é o órgão que tem a competência para decidir sobre a matéria. (grifamos) Percebese, à evidência, que o Parecer foi apreciado pela decisão, que inclusive atestou, de modo inequívoco, que no seu entendimento não havia qualquer irregularidade, o que nos leva a concluir que os supostos equívocos alegados pela Recorrente foram expressamente combatidos, razão pela qual afasto a preliminar suscitada. Fl. 16324DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 14 13 2. A Recorrente cumpriu o requisito do art. 22, I, da Lei n. 11.196/05 ao utilizar conta de ativo específica para controle dos dispêndios com P&D: a lei não estabelece forma ou prazo para a contabilização O argumento de que a lei não estabelece forma ou prazo para a contabilização, de per si, pareceme inusitado, posto que, se levado às últimas consequências, simplesmente permitiria que a formalização não ocorresse. Existe um postulado lógico elementar no sentido de que a formulação de argumento genérico, para ser válida, precisa ser testada em todo o universo de possibilidades e, como se pode depreender no caso dos autos, tal assertiva, caso aplicada, nos levaria a conclusões absurdas. No entanto, a Lei n. 11.196/05 nos traz indicativos claros sobre a forma e o momento da contabilização das contas destinadas a controlar os dispêndios relativos à inovação tecnológica. A dicção do artigo 17, I, do referido diploma legal nos ajuda a desvendar a questão: Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: I dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, de valor correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou como pagamento na forma prevista no § 2o deste artigo; (grifamos) O dispositivo determina, para além de qualquer dúvida, que só poderão ser deduzidos dispêndios quando classificáveis como despesas operacionais pela legislação do IRPJ, de forma que é induvidoso que a forma e o prazo de sua contabilização devem seguir o rito preconizado para tais despesas. Somente isso já seria suficiente para rechaçar a ausência de preceitos defendida pela Recorrente, que a levou a contabilizar os dispêndios relativos à inovação tecnológica como contas de ativo, conforme se tem notícia dos autos. Mais há mais. Resta claro que a própria Lei n. 11.196/05 remete o intérprete, expressamente, a outras fontes de referência. É cediço que a escrituração contábil busca evidenciar os atos e fatos ocorridos no tempo e no espaço. E a Lei n. 6.404/76, trazida pela Recorrente como fundamento para a alegada “liberdade de escrituração adota pela companhia”, traz comando em sentido exatamente contrário, ao dispor: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de Fl. 16325DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 15 14 contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifamos) Os Princípios Fundamentais da Contabilidade, no Brasil, foram aprovados pela Resolução CFC n. 750/93, com a redação atualmente dada pela Resolução CFC n. 1.282/2010. Entre esses princípios dois merecem destaque, para a compreensão da matéria aqui debatida: o princípio da oportunidade e o princípio da competência, conforme definições a seguir. Art. 6º O Princípio da Oportunidade referese ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas. Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10) (grifamos) (...) Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10) A Resolução CFC n. 774/94, vigente ao tempo da escrituração dos fatos que ensejaram o presente processo, aprovou o Apêndice interpretativo dos princípios fundamentais de contabilidade, que possui força vinculante para todos os profissionais de contabilidade no Brasil, dada a competência privativa do Conselho Federal de Contabilidade para editar normas regulamentares1. O item 2.3.1 da referida norma aborda os aspectos conceituais do princípio da oportunidade, nos seguintes termos: Aspectos conceituais O Princípio da OPORTUNIDADE exige a apreensão, o registro e o relato de todas as variações sofridas pelo patrimônio de uma Entidade, no momento em que elas ocorrerem. Cumprido tal preceito, chegase ao acervo máximo de dados primários sobre o patrimônio, fonte de todos os relatos, demonstrações e análises posteriores, ou seja, o Princípio da Oportunidade é a 1 Princípios Fundamentais e Normas Brasileiras de Contabilidade, 3ª edição, Conselho Federal de Contabilidade – Brasília, 2008 Fl. 16326DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 16 15 base indispensável à fidedignidade das informações sobre o patrimônio da Entidade, relativas a um determinado período e com o emprego de quaisquer procedimentos técnicos. É o fundamento daquilo que muitos sistemas de normas denominam de “representação fiel” pela informação ou seja, que esta espelhe com precisão e objetividade as transações e eventos a que concerne. Tal tributo é, outrossim, exigível em qualquer circunstância, a começar sempre nos registros contábeis, embora as normas tendem a enfatizálo nas demonstrações contábeis. O Princípio da OPORTUNIDADE abarca dois aspectos distintos, mas complementares: a integridade e a tempestividade, razão pela qual muitos autores preferem denominálos de Princípio da UNIVERSALIDADE. O Princípio da OPORTUNIDADE tem sido confundido algumas vezes, com o da COMPETÊNCIA, embora os dois apresentem conteúdos manifestamente diversos. Na oportunidade, o objetivo está na completeza da apreensão das variações, do seu oportuno conhecimento, enquanto, na competência, o fulcro está na qualificação das variações diante do Patrimônio Líquido, isto é, na decisão sobre se estas o alteram ou não. Em síntese, no primeiro caso, temos o conhecimento da variação, e, na competência, a determinação de sua natureza. A tempestividade do registro A tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que ocorrerem, mesmo na hipótese de alguma incerteza, na forma relatada no item anterior. Sem o registro no momento da ocorrência, ficarão incompletos os registros sobre o patrimônio até aquele momento, e, em decorrência, insuficientes quaisquer demonstrações ou relatos, e falseadas as conclusões, diagnósticos e prognósticos. (grifamos) O texto reproduzido, quer pela força normativa, quer pela extrema clareza de seus termos, afasta qualquer argumento da Recorrente no sentido de que não existia previsão legal para a escrituração dos dispêndios classificáveis como despesas operacionais e que a fiscalização não poderia ter exigido como “melhor técnica” coisa diversa do seu entendimento. Ao revés, os registros contábeis deveriam atender, pela força vinculante dos enunciados transcritos, os critérios da legislação do IRPJ e dos princípios da contabilidade típicos das despesas operacionais, o que efetivamente não ocorreu, fato que, por si só, já garante a procedência dos lançamentos efetuados pela fiscalização. 3. Da ausência de previsão legal acerca do momento da segregação dos dispêndios em contas especificas Ante o que foi exposto no tópico anterior, entendo que a alegação supracitada não pode prosperar. Fl. 16327DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 17 16 Diz a Recorrente, literalmente que: Não há na legislação brasileira nenhum dispositivo que prescreva a obrigatoriedade de se proceder à segregação dos dispêndios no mesmo momento em que é feita sua contabilização. E em outra passagem afirma: Pois bem. Conforme já demonstrado na defesa, o art. 22,1, c/c o art. 24 da Lei n. 11.196/05, condiciona o uso do benefício fiscal estabelecido no art. 19 desta mesma lei ao controle contábil em contas específicas dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis como despesas operacionais pela legislação do IRPJ: (...) Já fundamentamos nosso entendimento de que os dispêndios previstos na Lei n. 11.196 devem seguir, forçosamente, o rito contábil das despesas operacionais, conclusão que a própria Recorrente parece adotar, conforme destacado no trecho acima. Ora, a própria Recorrente indica o momento, segundo seu entendimento, sobre o controle contábil a ser efetuado, vale dizer, este deve ser realizado durante o período de apuração e de acordo com as regras do IRPJ para as despesas operacionais, na medida em que incorridas, conforme expressamente reconhecido pela interessada! O que é absolutamente óbvio e natural, porque oriundo dos preceitos normativos citados, pois, do contrário, seria de se indagar, apenas a título de curiosidade: Quando deveria ser feito tal controle? A qualquer tempo, a critério do beneficiário? Por óbvio que a resposta a tais indagações difere frontalmente da posição defendida pela Recorrente, visto que não se pode aceitar a tese de um controle a posteriori dos fatos, ainda que anterior à apuração do resultado. Ressaltese que o fator tempo sempre foi determinante para a segurança jurídica e a transparência das operações, notadamente quanto aos registros contábeis, o que não foi, na hipótese dos autos, observado pela Contribuinte. 4. A decisão de adotar conta de ativo específica para controle dos dispêndios com P&D decorreu da necessidade de observar simultaneamente as exigências da Lei do Bem e da Lei n. 11.638/07 Quanto a este tópico, pareceme incontroverso que se a Recorrente pretendia compatibilizar os dispositivos da chamada Lei do Bem com aqueles previstos pelas novas regras das S/A deveria, sobretudo, ter aplicado os princípios contábeis de forma adequada e efetuado os registros de acordo com o que foi explicitado neste voto, visto que dessa forma estariam mais bem assegurados os interesses dos acionistas e credores, nos exatos termos da alegação formulada. Fl. 16328DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 18 17 Em arremate, aproveitamos para enfatizar que, ante a existência de comandos normativos que preconizam os procedimentos contábeis que deveriam ser adotados pela Contribuinte, a demanda da Recorrente, pela interpretação literal dos dispositivos que concedem benefícios fiscais, foi totalmente aplicada pela autoridade lançadora, de sorte que a sua atuação, nesse contexto, não merece reparos. Aliás, o fato de pugnar pela interpretação literal no presente caso me parece produzir efeitos contrários àqueles pleiteados pela Recorrente. Não há dúvida de que a Lei no Bem trouxe, lato sensu, diversos benefícios fiscais às empresas que se enquadrarem nos requisitos nela previstos. A possibilidade de dedução, em percentuais superiores ao normal, dos dispêndios com inovação tecnológica encontrase prevista nos artigos 17 e 19 da citada norma, que, conforme já consignado, estabelecem “incentivos fiscais”, na exata dicção do caput do artigo 17. Pois bem. O artigo 22, I, da Lei do Bem determina que: Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I – serão controlados contabilmente em contas específicas; e (...) (grifamos) Ora, se o tema versado nos dispositivos acima diz respeito a incentivos fiscais, que notadamente reduzem a base de cálculo dos tributos e o consequente crédito tributário devido ao Estado, a única interpretação viável para a espécie é aquela consubstanciada no artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Além de resolver a questão relativa ao crédito, o artigo 111 do CTN, no seu inciso III, também não deixa dúvidas sobre a necessidade de lei para a dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. E, se existe lei que determina que os dispêndios e pagamentos relativos à inovação tecnológica devem ser controlados contabilmente em contas específicas, como expressamente exige o artigo 22, I, da Lei n. 11.196/05, por certo que não há lei dispensando tais obrigações (e nem poderia haver, dado que tal norma conflitaria com os princípios contábeis e a legislação societária, conforme já demonstrado). Fl. 16329DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 19 18 E foi exatamente com base nessas impropriedades que o autoridade fiscal fundamentou a glosa das despesas, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal: Além disto, o contribuinte deixou de observar as disposições contidas no inciso I do art. 22 da Lei nº. 11.196/05, que determina que os dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da mesma Lei, sejam controlados contabilmente em contas específicas; Verificouse que houve única e exclusivamente uma reclassificação contábil, efetuada ao final do exercício em que os dispêndios foram efetuados, visando apenas dar um aspecto formal de cumprimento da exigência estampada no inciso I do art. 22, daquela Lei; Assim, por exemplo, parcela dos dispêndios, classificada como Recursos Humanos no Formulário MCT 2007, no montante total de R$ 972.430,76 não foi classificada nas contas próprias do referido programa; Dispêndios com Recursos Humanos que compuseram aquele valor foram lançados no decorrer do exercício de 2007 no grupo de contas do programa juntamente com outras despesas de pessoal não relacionado com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, conforme comprova o anexo Balancete 2007 Grupo 2111 Pessoal Encargos Benefícios; Da mesma forma, parcela dos dispêndios com serviços de terceiros relacionada como serviços de terceiros no Formulário MCT 2007, no montante de R$ 15.011.275,00 foi reclassificada para as contas 13210203 e 13250203 ao final do exercício de 2007, (em 31/12/2007), conforme extratos Razão destas contas, apresentados pelo contribuinte (Anexo Reclassificação Contábil Inovação Tecnológica 2007) e confirmados pelo exame da contabilidade do contribuinte no ano de 2007 (Anexo Razão 2007 Contas 13210203 e 13250203); Tal reclassificação teve como objetivo apenas dar um aspecto formal de cumprimento da exigência legal contida no inciso I do art. 22 da referida Lei, uma vez que, verificouse que, em 31/12/2007, foram criados todos os lançamentos de dispêndios de serviços de terceiros (R$ 15.011.275,00) informados no Formulário MCT 2007 (a débito na conta de ativo 13210203 e a crédito na conta de amortização 13250203); As parcelas de serviços de terceiros declaradas no Formulário MCT 2007 tiveram seus lançamentos contábeis registrados em conta de fornecedor (0021120140 FORNECEDORESENTR MERC/SERVENTR FATURA) juntamente com outros prestadores de serviços não relacionados aos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica declarados no Formulário MCT 2007 (Anexo Lançamentos Contábeis Prest Serv PJ 2007); Fl. 16330DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 20 19 Para o ano de 2008, apesar de o parecer produzido pelo MCT corroborar o enquadramento como sendo de P&D, os projetos apresentados pelo contribuinte, foi constatado pela análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais apresentados, e da contabilidade do mencionado ano (extraída do SPED Contábil), que o contribuinte, também neste ano, deixou de observar as disposições contidas no inciso I do art. 22 da Lei nº.11.196/05, que determina que os dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da mesma Lei, sejam controlados contabilmente em contas específicas. Tal qual para o ano de 2007, verificouse que houve única e exclusivamente uma reclassificação contábil, efetuada ao final do exercício em que os dispêndios foram efetuados, visando apenas dar um aspecto formal de cumprimento da exigência estampada no inciso I do art. 22, da mencionada Lei; Assim, considerando que o contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica (recursos humanos e serviços de terceiros) no transcurso dos anoscalendário 2007 e 2008, conforme exigência contida na Lei do Bem, e para o anocalendário de 2007 foi elaborado, ainda, parecer do MCT não recomendando o enquadramento como sendo projetos de P&D, os apresentados pelo contribuinte no ano base de 2007, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei n. 11.196/05, foi realizada a glosa das exclusões realizadas naqueles anos, com base no benefício fiscal previsto nos dispositivos acima mencionados.(grifamos) A necessidade de controle específico, exigida pela norma e desconsiderada pela Recorrente, foi exemplarmente analisada na decisão de 1a instância, cujos argumentos me parecem irrefutáveis: Neste sentido, a expressão “contas específicas” que se encontra no artigo 22, inciso I, da Lei nº.11.196/2005, remete ao fato de os dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica, necessariamente, deverão estar em contas especialmente criadas para tal fim, e, portanto, separadas das demais despesas da sociedade empresarial, vez que, na espécie, aqueles dispêndios possuem natureza especial reveladora de um benefício fiscal. Em síntese, “contas específicas” no presente contexto, são aquelas que o seu título, por si só, já revelam a exclusividade do seu conteúdo. Registrese que a finalidade do artigo 22, inciso I, da Lei nº.11.196/2005, é que a contabilidade revele de maneira clara, direta e inquestionável os dispêndios ocorridos a título de pesquisa e inovação tecnológica, quando da efetiva ocorrência dos fatos ensejadores dos respectivos lançamentos contábeis. E não poderia ser de outra forma, pois o termo “controle” que também consta naquele dispositivo, implica que o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos sem o que não há Fl. 16331DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 21 20 que se falar em controle. O sentido etimológico da expressão “controle” é: ato, efeito ou poder de controlar; domínio; governo; ..., enfim, é uma conduta que se coaduna com a contemporaneidade dos fatos. Notese que o texto legal não menciona “registrados”, “escriturados” ou “contabilizados”, mas sim, que “Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei serão controlados contabilmente em contas específicas.” A tese do contribuinte que a contabilização a posteriori ou a reclassificação poderia suprir o controle nos termos previstos naquele dispositivo, estaria correta se todos os fatos tivessem ocorrido em 31/12/2007 (ou 31122008). Pensar de outro modo estarseia esvaziando o sentido do termo “controle” do artigo 22, inciso I, da Lei nº.11.196/2005. 5. Ausência de fundamento legal para a glosa integral dos valores contabilizados Neste ponto, diz a Recorrente: Não é razoável que um mero erro formal, correspondente à identificação de que pequena parcela das notas fiscais relativas a dispêndios com P&D não foram lançadas nas contas de ativo e que, como reconhecido pela decisão recorrida, não alterou o resultado contábil da empresa, seja usado como único fundamento para indeferir integralmente o uso do benefício fiscal em questão. Atitude como esta representará a aplicação de penalidade à empresa em situações em que é incontroverso que ela investiu em P&D e contabilizou tais valores, como reconhecido pela própria fiscalização. Equivocase a Recorrente ao dizer que o “mero erro formal” foi o único fundamento para indeferir integralmente o benefício fiscal. Ante toda a evidência, os autos demonstram, à exaustão, que os fundamentos para a glosa integral foram diversos, a saber: a) Ausência de escrituração adequada, nos moldes já delineados; b) Intempestividade dos registros contábeis e c) Parecer técnico do MCT indeferindo o enquadramento das despesas como P&D, para o anocalendário de 2007. Conquanto qualquer um deles, no meu entendimento, já seria suficiente para a glosa integral, por óbvio que a somatória de todos apenas reforça o acerto dos lançamentos efetuados. Fl. 16332DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 22 21 A autoridade lançadora fundamentou, de forma exaustiva, todos os requisitos da autuação, inclusive quanto à glosa integral dos dispêndios, conforme relata o Termo de Verificação Fiscal: 3.2 Da perda do benefício fiscal 3.2..1 Observese que, conforme os art. 22, inciso I, e art. 23 do citado diploma legal, abaixo reproduzidos, os dispêndios e pagamentos a título de dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica devem ser controlados em contas contábeis específicas e os benefícios fiscais respectivos somente podem ser usufruídos caso a pessoa jurídica esteja em dia com suas obrigações fiscais. (grifamos) Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I serão controlados contabilmente em contas específicas: e II somente poderão ser deduzidos se pagos a pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País, ressalvados os mencionados nos incisos V e VI do caput do art. 17 desta Lei. Art. 23. O gozo dos benefícios fiscais e da subvenção de que tratam os arts. 17 a 21 desta Lei fica condicionado à comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica. 3.2.2 Por fim, salientese que o descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos fiscais ou sua utilização indevida ensejam a perda dos mesmos, bem como a cobrança de tributos eventualmente não recolhidos por sua utilização, acrescidos de juros e multa de mora ou ofício e sem prejuízo das sanções penais cabíveis. (grifamos) Art. 24. O descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos de que tratam os arts. 17 a 22 desta Lei bem como a utilização indevida dos incentivos fiscais neles referidos implicam perda do direito aos incentivos ainda não utilizados e o recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos em decorrência dos incentivos já utilizados, acrescidos de juros e multa, de mora ou de ofício, previstos na legislação tributária, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. Também não procede o argumento de que “O fato de a fiscalização ter conseguido segregar as notas fiscais reclassificadas comprova a confiabilidade da informação”. Primeiro porque não se trata de confiabilidade, porque se assim fosse, não haveria os erros percebidos pela fiscalização e não contestados pela Recorrente. Como a escrituração contábil da empresa não seguiu os preceitos normativos, coube à autoridade lançadora, cujo trabalho de apuração me parece exemplar, detectar a impropriedade dos lançamentos e, inclusive, indicar erros nos valores reclassificados. A Recorrente ainda afirma que a fiscalização teria “tacitamente reconhecido a higidez dos procedimentos adotados”: Fl. 16333DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 23 22 Nesse sentido, é de se concluir que a própria fiscalização reconheceu, ainda que tacitamente, a higidez do procedimento adotado pelo contribuinte de criar contas de ativo específicas para controlar contabilmente os dispêndios com P&D, o que reforça a inconsistência da autuação. Ora, no entendimento da Recorrente tudo é possível ante o suposto permissivo legal (que obviamente inexiste), inclusive efetuar o controle de despesas objeto de incentivo fiscal em contas do ativo, para, quando bem entender, fazer as respectivas reclassificações! Aliás, neste passo, é de se perguntar: Se o procedimento adotado pela Contribuinte era correto, no seu entendimento, porque então fazer a “reclassificação das contas”? Se a lei, no seu entendimento, autoriza os lançamentos efetuados, não conseguimos entender a razão de reclassificálos, pois, se estavam corretos e primavam pela higidez deveriam ser mantidos! A decisão recorrida enfrentou este tema com os seguintes argumentos, que bem demonstram os fatos: O que se verifica nos autos, mais especificamente, nos documentos “Balancetes Mensais 2007, parte 1 de 2 e parte 2 de 2” que o plano de contas do contribuinte não discrimina as contas referentes aos dispêndios referentes à pesquisa e inovação tecnológica. Da mesma forma, o documento “Balancete 2007 Grupo 2111 Pessoal Encargos Benefícios” comprova que dispêndios com recursos humanos relacionados com pesquisa e inovação tecnológica foram lançados no decorrer do ano de 2007 no grupo de contas 211.1 Pessoal, Encargos e Benefícios, juntamente com outras despesas de pessoal a eles não relacionados. Igualmente, parcelas de serviços de terceiros referentes à pesquisa e inovação tecnológica foram registrados na conta de fornecedor (0021120140FornecedoresEntrMerc/ServEntr Fatura) juntamente com outros prestadores de serviços não relacionados aos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, conforme comprova o documento Lançamentos Contábeis Prest Serv PJ 2007 e Razão Março2007 Conta21120140. Por outro lado, alegou o contribuinte que registrou os dispêndios com P&D em contas específicas de ativo, criadas para esta única finalidade (Conta Dispêndios com Inovação Tecnológica 13210203 e sua contrapartida, Conta Transferências de Dispêndios com Inovação Tecnológica 13250203), conforme docs. 05 e 06. Conforme já mencionado, o contribuinte também arguiu que o controle nestas duas contas de ativo foi feito a posteriori, fruto de uma reclassificação e que não houve alteração do resultado do exercício. Os documentos 05 e 06 mencionados pelo contribuinte se encontram no conjunto “Documentos Diversos – outros – DEMAIS DOCUMENTOS PARTE 1 e PARTE 2”. Na parte 1, Fl. 16334DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 24 23 constatase que as informações ali constantes até a página 138, (manuscrito), referemse ao ano de 2011. Da mesma forma, a penúltima página. Nas demais páginas há informações mencionando a conta 0013210203 – Dispêndios c/ Inovação Tecnológica referente ao ano de 2007 e 2008. Na parte 2, consta documento Demonstração Contábil Estruturada Plano de Contas, apresentando contas patrimoniais e de resultado. Quanto a estes documentos, parte 1 e 2, constatase que os valores ali contidos não estão em consonância com aqueles que constaram nos formulários apresentados ao Ministério da Ciência e Tecnologia, (doc. TELEMAR Formulário MCT2007), relativos aos anosbase de 2007 e 2008. O mesmo ocorre com o documento “Reclassificação Contábil Inovação Tecnológica” apresentado pelo contribuinte quando da ação fiscal. As diferenças ocorreram, notadamente, com valores referentes a despesas com recursos humanos, serviços de terceiros e com empresas prestadoras de serviço. Todas as constatações acima, que acolho integralmente, demonstram que não houve a propagada higidez na contabilidade da Contribuinte e, no meu sentir, justificam o lançamento integral das glosas, sem prejuízo dos comentários que ainda serão feitos no próximo tópico. 6. Dos equívocos do Parecer do MCT Neste derradeiro tópico passo a enfrentar, conjuntamente, todos os argumentos apresentados pela Recorrente acerca do Parecer MCT, até porque são correlatos. Convém ressaltar que os lançamentos foram lastreados em extensa análise da contabilidade da Contribuinte, como demonstram os vários termos de intimação e a vastíssima documentação trazida aos autos. Ademais, a autoridade fiscal elaborou planilhas demonstrando, minuciosamente, as origens dos valores – que sequer são contestados pela Recorrente – e o seu entendimento acerca dos lançamentos contábeis e das razões que levaram à autuação. Nesse sentido, não merece reparos a conduta fiscal, que foi extremamente diligente na condução dos trabalhos, conforme se pode perceber dos trechos a seguir, transcritos do Termo de Verificação Fiscal: 4.2.1 No anocalendário de 2007, apesar do contribuinte ter realizado dispêndios com a contratação de serviços na área de tecnologia, conforme se depreende das informações enviadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia, formulários em anexo, os mesmos não podem ser enquadrados como dispêndios de inovação tecnológica, não ensejando, portanto, a exclusão de oitenta por cento de seu valor a título de benefício fiscal. PROVA CABAL DISSO é o Parecer Técnico Conjunto n. 008/2011 (PTC n. 009/2011) da Coordenação Geral de Inovação Tecnológica (CGIT) e da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação (CGTE), ambas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Fl. 16335DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 25 24 QUE NÃO CORROBORA O ENQUADRAMENTO COMO PROJETOS DE P&D APRESENTADOS PELA BENEFICIÁRIA TELEMAR NORTE LESTE S/A NO ANO BASE 2007 CONFORME OS TERMOS E OS PROPÓSITOS ESTABELECIDOS NA LEI N. 11.196 DE 21/11/2005 (Anexo Parecer TELEMAR 2007). (destaques no original) 4.2.2 De fato, como já visto, pelo art. 17, §7o da Lei n. 11.196/2005 e pelo art. 14 do Decreto n. 5.798/2006, as pessoas jurídicas beneficiárias dos incentivos fiscais relacionados à pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica são obrigadas a prestar informações ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) sobre seus programas nessa área até 31 de julho de cada ano, informações essas que são repassadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) por força do §2o do art. 14 do citado Decreto. 4.2.3 O referido Parecer PTC n. 008/2011 menciona ainda que o MCT relativo ao ano base 2007 classificou a empresa TELEMAR NORTE LESTE S/A no Anexo II do Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais, na relação das "Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas e/ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei no 11.196/05, cujo relatório foi enviado oficialmente ao Secretário da Receita Federal do Brasil em 09/12/2009. 4.2.4 Contas contábeis específicas 2007 No que pese o parecer produzido pelo MCT, não recomendando o enquadramento como projetos de P&D apresentados pela TELEMAR NORTE LESTE S/A no ano base de 2007, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei n. 11.196/05, esta Auditoria ainda constatou, pela análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais apresentados, e da contabilidade do ano de 2007 (apresentada pela empresa), que o Contribuinte deixou de observar as disposições contidas no inciso I do art. 22 da referida Lei, que determina que os dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da Lei do Bem sejam controlados contabilmente em contas específicas. (grifamos) 4.2.4.1 Informa o Contribuinte em sua carta de esclarecimentos (Anexo Resposta à Intimação em 03/02/11) que visando "o cumprimento da determinação constante do inciso I, do art. 22, da lei em comento, a Companhia registrou os respectivos montantes, ainda, em conta de ativo (contas contábeis 13210203 e 13250203) sem qualquer efeito no resultado ou influência no patrimônio líquido.". Contudo esta Auditoria verificou que se trata única e exclusivamente de uma reclassificação contábil, efetuada ao final do exercício em que os dispêndios foram efetuados, visando apenas dar um aspecto formal de cumprimento da exigência estampada no inciso I do art. 22. O uso destas contas de "reclassificação", além de estranhas aos princípios contábeis não atendem à exigência legal de controle dos dispêndios por contas contábeis específicas, que registrem os fatos contábeis pelo regime da competência. (grifamos) Fl. 16336DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 26 25 4.2.4.2 A falta de controle nesta "reclassificação” fica tão evidente na medida em que o próprio Contribuinte deixa de promover a "reclassificação" às parcelas de valores de dispêndios informados no Formulário MCT 2007, no montante de R$ 972.430,76. 4.3.1 O Parecer Técnico Conjunto n. 068/2011 (PTC n. 068/2011) da Coordenação Geral de Inovação Tecnológica (CGIT) e da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação (CGTE), ambas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), corroborou o enquadramento como projetos de P&D apresentados pela beneficiária TNL PCS S/A no ano base 2008, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei no 11.196, de 21/11/2005 (Anexo Parecer TELEMAR 2008). 4.3.2 Contas contábeis específicas 2008 Contudo, no que pese o parecer produzido pelo MCT corroborar o enquadramento como projetos de P&D apresentados pela TNL PCS S/A no ano base de 2008, esta Auditoria constatou, pela análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais apresentados, e da contabilidade do ano de 2008 (extraída do SPED Contábil), que o Contribuinte deixou de observar as disposições contidas no inciso I do art. 22 da referida Lei, que determina que os dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da Lei do Bem sejam controlados contabilmente em contas específicas. (grifamos) 4.3.2.1 Informa o Contribuinte em sua carta de esclarecimentos (Anexo Resposta à Intimação em 03/10/2011) que visando "o cumprimento da determinação constante do inciso I, do art. 22, da lei em comento, a Companhia registrou os respectivos montantes, ainda, em conta de ativo (contas contábeis 13210203 e 13250203) sem qualquer efeito no resultado ou influência no patrimônio líquido.". Contudo esta Auditoria verificou que se trata única e exclusivamente de uma reclassificação contábil, efetuada ao final do exercício em que os dispêndios foram efetuados, visando apenas dar um aspecto formal de cumprimento da exigência estampada no inciso I do art. 22. O uso destas contas de "reclassificação", além de estranhas aos princípios contábeis não atendem à exigência legal de controle dos dispêndios por contas contábeis específicas, que registrem os fatos contábeis pelo regime da competência. (grifamos) 4.3.2.2 A falta de controle nesta "reclassificação" fica tão evidente na medida em que o próprio Contribuinte deixa de promover a "reclassificação" de parcelas de valores de dispêndios informados no Formulário MCT 2008, no montante de R$ 184.607,44. A leitura dos fundamentos da autuação não deixa margem para dúvidas, no sentido de que a autoridade lançadora efetivamente detectou problemas e vícios na contabilidade da empresa, que culminaram nos lançamentos ora recorridos. Fl. 16337DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 27 26 Ademais, ao contrário do que aduz a Recorrente, entendo que os Pareceres MCT são conclusivos e não extrapolaram sua competência, visto que foram utilizados, em caráter complementar – e nesse sentido, ratificados –, pela autoridade competente. Embora a Recorrente ressalte que não há impugnação quanto a matéria técnica dos Pareceres, resta claro que a autoridade lançadora analisou a questão da natureza e da pertinência dos dispêndios supostamente aplicados em P&D e, no exercício de sua plena competência tributária, os considerou como inadequados. Tal entendimento foi corroborado pela decisão de primeira instância e, no meu sentir, é absolutamente correto. Não vislumbro qualquer problema no fato de os Pareceres do MCT mencionarem, ao longo de suas considerações, posicionamento acerca dos artigos da lei, sejam eles de natureza técnica ou tributária. Pareceme incongruente a tese de que tais comentários teriam usurpado (nas palavras da Recorrente), a competência da Receita Federal na interpretação da legislação tributária, até porque o Termo de Verificação Fiscal é exaustivo, como demonstrado, ao enumerar os critérios de interpretação que adotou, bem como os efeitos tributários deles decorrentes, tanto assim que lavrou, no exercício de sua competência, os respectivos lançamentos! Por fim, o argumento de que o Parecer MCT não é conclusivo, embora inócuo à luz do que já demonstramos, não representa a realidade dos fatos. Diz a Recorrente que: Com efeito, um dos argumentos que motivaram o referido Parecer foi a circunstância de não ter a empresa "evidenciado, com maior grau de clareza, quais foram, de fato, as atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e/ou inovação tecnológica realizadas pela empresa". Com base nisso, concluiu o seguinte: Tais constatações concorreram para que o MCT, relativo ao ano base 2007, tenha classificado a empresa no Anexo II do Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais, na relação das "Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei n. 11.196/05. Neste passo cabem dois comentários. O primeiro é que se o próprio Ministério possui classificação específica para as “Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei n. 11.196/05” essa qualificação, por óbvio, é diferente da decisão que reconhece ou corrobora o enquadramento das despesas como P&D. Depois, se as informações foram imprecisas ou incompatíveis, no entender daquelas autoridades, resta claro que o parecer é conclusivo. Apenas a guisa de ilustração, dados imprecisos ou incompatíveis fulminam sim os procedimentos neles baseados, assim como, por analogia, o ato de injetar sangue incompatível num indivíduo pode leválo à morte... Fl. 16338DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 28 27 Portanto, entendo que os Pareceres combatidos em nada prejudicam os lançamentos efetuados; ao contrário, apenas os corroboram, nos exatos termos fixados pela autoridade lançadora: 4.3.6 Assim, considerando que o Contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica no transcurso do ano calendário 2008, conforme exigência contida na Lei do Bem, cabe a glosa das exclusões realizadas no período fiscalizado com base no benefício fiscal previsto naquele diploma legal. 4.4 Assim, considerando que o Contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica (recursos humanos e serviços de terceiros) no transcurso dos anoscalendário 2007 e 2008, conforme exigência contida na Lei do Bem, e para o anocalendário de 2007 foi elaborado, ainda, parecer do MCT não recomendando o enquadramento como projetos de P&D apresentados pela TELEMAR NORTE LESTE S/A no ano base de 2007, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei n. 11.196/05, cabe a glosa das exclusões realizadas no período fiscalizado com base no benefício fiscal previsto naquele diploma legal. De se notar que em nenhum momento a fiscalização afirma ser essencial ou determinante para a autuação a recomendação constante do Parecer MCT. Os lançamentos foram efetuados com base em extensa análise da contabilidade, de modo que refuto as alegações da Recorrente quanto ao tema, inclusive os argumentos quanto ao enquadramentos dos dispêndios apenas para as contratações com terceiros que fossem considerados como microempresa ou empresa de pequeno porte, posto que coube à autoridade lançadora, como demonstrado de forma cabal, a decisão e os cálculos que ensejaram a base de cálculo das autuações. Neste passo, também reitero a procedência dos lançamentos relativos à CSLL, conforme autorização legal contida no artigo 19 da Lei n. 11.196/2005. Por fim, convém ressaltar que os laudos trazidos pela Recorrente a título de memoriais, na data do julgamento, em nada alteram o que ficou consignado neste voto. Além de serem intempestivos e parciais (pois não cobrem o espectro de todos os produtos contemplados nos projetos tecnológicos apresentados ao MCT), os referidos laudos não são fungíveis, no sentido de substituírem ou contestarem os Pareceres regularmente formulados e transmitidos por aquele Ministério à Receita Federal. Ressaltese que existe previsão legal para os Pareceres do MCT, consubstanciada no artigo 17, § 7o da Lei do Bem: § 7o A pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este artigo fica obrigada a prestar, em meio eletrônico, informações sobre os programas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, na forma estabelecida em regulamento. Fl. 16339DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 29 28 E a regulamentação prevista em lei se deu pelo artigo 14 da Decreto n. 5.798/2006: Art. 14. A pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este Decreto fica obrigada a prestar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em meio eletrônico, conforme instruções por este estabelecidas, informações sobre seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, até 31 de julho de cada ano. § 1o A documentação relativa à utilização dos incentivos de que trata este Decreto deverá ser mantida pela pessoa jurídica beneficiária à disposição da fiscalização da Secretaria da Receita Federal, durante o prazo prescricional. § 2o O Ministério da Ciência e Tecnologia remeterá à Secretaria da Receita Federal as informações relativas aos incentivos fiscais. (grifamos) 7. Da incidência de SELIC sobre a multa Diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) e Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Fl. 16340DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 30 29 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (Documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 16341DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 31 30 Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior, redator designado. Em que pese as bem constituídas razões expostas pelo Relator, ouso delas discordar. Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário de IRPJ e CSLL relativo aos anos de 2007 e 2008, em razão da glosa de exclusões de valores relativos a incentivo fiscal previsto na lei 11.196/2005, pelos seguintes motivos: (i) Inobservância do requisitos previsto no inciso I, artigo 22, da Lei 11.196/2005, o qual prescreve a obrigação de manter contas especificas para o controle de dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica; (ii) E, especificamente em relação ao ano de 2007, além da inobservância do disposto no inciso I, artigo 22, da Lei 11.196/200, a glosa teve como causa a existência de Parecer do Ministério da Ciência e tecnologia não recomendando o enquadramento como sendo projetos de P&D. Da análise dos documentos acostados aos autos, temos que o controle dos dispêndios com P&D foram todos contabilizados segundo o regime de competência, em seu respectivo grupo de contas. E, posteriormente, o contribuinte formalizou e apresentou o controle em duas contas especificas, para atendimento das exigências da lei do bem. No caso, a glosa foi decorrente unicamente do entendimento da fiscalização de que o controle dos dispêndios com P&D não atendeu à exigência legal de contabilização em contas especificas, não sendo suficiente o fato de o contribuinte ter realizado a reclassificação dos dispêndios para contas específicas, exclusivas para o registro de gastos com P&D, apenas após a contabilização. Cumpre ressaltar que não houve questionamento da natureza dos dispêndios e seus valores, bem como não foi questionada a efetiva utilização de conta específicas para o controle dos gastos com P&D (conforme identificação de contas na fl. 11 do Termo de verificação fiscal), mas apenas o fato de a alocação dos dispêndios nas contas especificas ter sido feita por meio de reclassificação após sua contabilização. Primeiramente cabe uma breve exposição acerca do fundamento de validade constitucional e finalidade dos incentivos fiscais em geral. Fl. 16342DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 32 31 A Constituição Federal, nos artigos 218 e 219, concede aos entes públicos a possibilidade de instituir regras incentivadoras no âmbito do desenvolvimento científico, pesquisa e capacitação tecnológica. “Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa a capacitação tecnológicas. § 1º A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências. § 2º A pesquisa tecnológica voltarseá preponderantemente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional. § 3º O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho. § 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho.” “Art. 219. O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e socioeconômico, o bemestar da população e a autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal.” Além disso, o artigo 174 da Constituição Federal deixa clara a função do Estado enquanto agente regulador da atividade econômica: "Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado." Nesse contexto, temos que o ato de conceder incentivos é dever do Estado para estimular determinadas condutas e garantir o desenvolvimento nacional. Assim, os incentivos fiscais beneficiam não só o contribuinte, mas também toda a coletividade. Fl. 16343DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 33 32 Especialmente quanto a Lei 11.196/05, conhecida como “lei do bem”, esta traz em seus artigos 17 a 26 diversas regras aplicáveis à fruição de incentivos à pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. A finalidade de tais incentivos, conforme se infere da exposição de motivos da Medida Provisória nº 66/02, convertida na Lei 10637/02, que antecedeu a Lei 11.196/05, é o “estímulo à pesquisa e à inovação tecnológica, indispensáveis à construção do projeto desenvolvimento brasileiro”. Feitas tais considerações, passo a análise do caso em questão. Quanto ao descumprimento do inciso I, do artigo 22, da Lei 11.196/05, entendo que, no caso, este não ocorreu, pois foi alcançada a finalidade do artigo. Dispõe o citado dispositivo legal: “Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I serão controlados contabilmente em contas específicas; (...)” A redação transcrita aliada a todo o já exposto quanto aos incentivos fiscais em geral, torna possível afirmar que o controle contábil dos dispêndios com P&D em conta específica não é condição para a concessão e/ou fruição de incentivos à pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. Tratase, em verdade, de uma forma de controle para evitar a utilização indevida do incentivo. As contas específicas referidas facilitam o controle e comprovação tanto das exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL quanto dos dispêndios com inovação, permitindo à fiscalização a verificação das despesas incentivadas. Ora, se é fornecido à fiscalização documentos suficientes ao controle da utilização do benefício, bem como se há escrituração em apartado (contas especificas) dos dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da lei, ainda que este seja feito durante a fiscalização e/ou posteriormente à sua contabilização, não há que se falar em inobservância do inciso I, artigo 22, da Lei 11.196/05. Por analogia, cumpre observar a jurisprudência firmada em relação ao pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais (Finor, Finam e Funres), já que estes têm exigências muito próximas ao incentivo em debate. No caso dos autos, assim como nos casos que compreendem a análise do PERC, restou consolidado neste Conselho o entendimento de que as condições para concessão Fl. 16344DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 34 33 dos incentivos trazidos pela lei não podem ser levadas ao extremo, de modo a criar obstáculos ao gozo de incentivos nela previstos. A jurisprudência administrativa relativa ao PERC tornouse pacífica e foi objeto de súmula: “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Cumpre a transcrição de trecho do voto condutor do acórdão 110200.023, proferido pela então conselheira Sandra Maria Faroni, em 26/08/2009: “(...) o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, identificado que na data da entrega declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ele quitar os débitos para obter o deferimento do pedido, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo (...)” Defendendo sua posição, o Ilustre Relator deste processo, para manter a glosa das exclusões decorrentes de incentivos fiscais por desrespeito ao disposto no artigo 22 da lei 11.196/05, trouxe como principal fundamento de seu voto a inobservância de regras e princípios contábeis. Nesse ponto transcrevo trecho do voto proferido: “Os Princípios Fundamentais da Contabilidade, no Brasil, foram aprovados pela Resolução CFC n. 750/93, com a redação atualmente dada pela Resolução CFC n. 1.282/2010. (...) A Resolução CFC n. 774/94, vigente ao tempo da escrituração dos fatos que ensejaram o presente processo, aprovou o Apêndice interpretativo dos princípios fundamentais de contabilidade, que possui força vinculante para todos os profissionais de contabilidade no Brasil, dada a competência privativa do Conselho Federal de Contabilidade para editar normas regulamentares. Fl. 16345DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 35 34 (...) Ao revés, os registros contábeis deveriam atender, pela força vinculante dos enunciados transcritos, os critérios da legislação do IRPJ e dos princípios da contabilidade típicos das despesas operacionais, o que efetivamente não ocorreu, fato que, por si só, já garante a procedência dos lançamentos efetuados pela fiscalização.” Observo que, no presente caso, é pacífico o entendimento de que os dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos. 17 a 20 da lei 11.196/05 devem ser controlados contabilmente em contas específicas. A divergência nasce no momento em que se analisa a força do disposto no artigo 22 da lei em debate, ou seja, se a regra ali disciplinada deve ser analisada de forma tão rígida a ponto de, o seu cumprimento de forma diversa, culminar na perda do incentivo, ainda que alcançada a finalidade da lei, que, no caso, é o controle e verificação pela fiscalização de efetivo investimento em pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Entendo que não é razoável aceitar a supremacia das normas e princípios contábeis à lei que concede incentivo fiscal, já que conforme já exposto, os incentivos são ferramentas do Estado utilizadas com o intuito de estimular determinadas condutas e garantir o desenvolvimento nacional. Assim, as regras contábeis não devem se sobrepor à lei tributária, mas devem servir, como já exposto, como forma de controle à utilização do incentivo e não como requisito para sua concessão ou fruição. Nesse ponto transcrevo trecho do voto da Ministra Rosa Weber, no julgamento do Recurso Extraordinário 606.107 Rio Grande do Sul: “(...) Não há, assim, que buscar equivalência absoluta entre os conceitos contábil e tributário. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. Tratase, apenas, de um ponto de partida. Basta ver os ajustes (adições, deduções e compensações) determinados pela legislação tributária. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Fl. 16346DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 36 35 Conforme adverte José Antonio Minatel: “há equívoco nessa tentativa generalizada de tomar o registro contábil como o elemento definidor da natureza dos eventos registrados. O conteúdo dos fatos revela a natureza pela qual esperase sejam retratados, não o contrário”. Concluise, desse modo, que alcançado o objetivo do artigo 22 da lei 11.196/05 (controle dos dispêndios com P&D), não há que se falar em não atendimento da legislação, não merecendo prosperar a glosa das exclusões sob tal fundamento. Quanto ao Parecer do Ministério da Ciência e tecnologia, este, por si só, não justifica a glosa das exclusões decorrentes do incentivo em relação a 2007. Uma das características dos benefícios fiscais à inovação tecnológica da “Lei do Bem” consiste em sua natureza declaratória. De acordo com o artigo 14 do Decreto nº 5.798/06, que regulamenta a fruição de tais benefícios, “a pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este Decreto fica obrigada a prestar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em meio eletrônico, informações sobre seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, até 31 de julho de cada ano.” No caso dos autos o contribuinte cumpriu com sua obrigação de prestar informações ao MCT. Para promover o lançamento, a fiscalização apoiouse nas informações apresentadas no parecer do MCT, mas o fez de forma subsidiária, já que em todos os períodos autuados (2007 e 2008), o principal fundamento foi a falta de controle dos dispêndios e pagamentos originalmente em contas específicas. Ora, afastado o descumprimento do inciso I, artigo 22 da Lei 11.196/05 como causa para a glosa, conforme todo o já exposto, não se faz suficiente para tanto o parecer apresentado pelo MCT, no qual não se afirmou, em momento algum, que os projetos não possuíam caráter inovador. Além de ser inconcluso o parecer técnico, foram acostados aos autos 09 laudos técnicos, emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia (instituto este que compõe o MCT), em que houve análise mais aprofundada dos projetos desenvolvidos pelo contribuinte em 2007. A conclusão em 07 dos 09 laudos apresentados foi a seguinte: “É possível identificar, da análise do projeto descrito acima, que estão presentes todas as etapas que consideramos necessárias para a caracterização de um desenvolvimento de inovação quais sejam: atividades de pesquisa básica, pesquisa aplicada e desenvolvimento experimental.” Fl. 16347DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 16682.721105/201175 Acórdão n.º 1201000.952 S1C2T1 Fl. 37 36 A divergência existente entre órgãos que fazem parte do Ministério da Ciência e Tecnologia, faz nascer dúvida quanto à existência ou não de irregularidade no desenvolvimento do projeto de inovação tecnológica apresentado e, diante da dúvida, não pode o contribuinte ser prejudicado com a perda do incentivo. Assim, tendo em vista (i) a precariedade do parecer técnico emitido pela Coordenação Geral de Inovação Tecnológica e Coordenação Geral de Tecnologia da Informação, que justificou a glosa das exclusões decorrentes de aproveitamento de incentivo fiscal em 2007, bem como (ii) a existência de posição contrária entre órgãos do próprio MCT, o que se verifica a partir dos laudos emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia, deve ser afastado o lançamento que teve como razão a existência de Parecer do Ministério da Ciência e tecnologia não recomendando o enquadramento como sendo projetos de P&D. Do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento. (Documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior, redator designado. Fl. 16348DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.004164/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.300
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Ganho de capital na alienação de investimento avaliado pelo MEP. Multa qualificada. Glosa de despesas não comprovadas. Multa isolada por estimativas. Responsabilidade tributária. Recorrente NESLIP S.A. e Responsáveis Tributários Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 16 4/ 20 07 -1 9 Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.734 2 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por NESLIP S.A. e Responsáveis Tributários contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados e das responsabilidades atribuídas. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/SP, referentes ao IRPJ e a CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2002 totalizaram o valor de R$ 1.321.751.472,38. A autuação foi motivada pelo ganho de capital na alienação de investimento avaliado pelo MEP e por glosa de despesas não comprovadas. Relativamente à primeira infração, foram aplicadas multas qualificadas. Foram também lançadas multas isoladas pelo não recolhimento de estimativas apuradas como decorrência direta das duas infrações autuadas. Ademais, foram atribuídas responsabilidades solidárias sobre o crédito tributário lançado a outras nove pessoas jurídicas, a saber: BRASAL REFRIGERANTES S/A; COCACOLA INDÚSTRIAS LTDA; HEINEKEN LATIN AMERICA LTDA; HEINEKEN INTERNATIONAL B.V.; KAIK PARTICIPAÇÕES LTDA; KPS PARTICIPAÇÕES LTDA; REFRESCOS BANDEIRANTES IND. E COM. LTDA.; REFRIGERANTES DO NOROESTE S/A; e TILPAR TIL PARTICIPAÇÕES S/A. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o feito fiscal, aos quais acrescento alguns comentários: Conforme Termo de Verificação N° 01 (fls. 311 a 330), Termo de Verificação N° 02 (fls. 331 a 337), Termo de Verificação N° 03 (fls. 338 a 339), e Termo de Verificação (fls. 1222 a 1224) foram verificados os fatos a seguir sintetizados. TERMO DE VERIFICAÇÃO N° 01 (fls. 311 a 330) Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.735 3 Relativamente ao anocalendário de 2002, a Autoridade Fiscal inicialmente relatou que antecedeu a ação fiscal diligencias realizadas nas empresas CERVEJARIAS KAISER BRASIL S/A e SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A. Diversas intimações foram feitas à empresa fiscalizada, bem como às duas indicadas no parágrafo anterior, solicitando livros, documentos e informações. Com base nos elementos apresentados pelas três empresas, foram analisados os atos societários que deram suporte ao "Instrumento Particular de Acordo de Associação e Investimento e Outras Avenças", celebrado em 19 de março de 2002 entre Cervejarias Kaiser S/A, MXS do Brasil S/A, Molson Inc. Sociedade Canadense e Cervejarias Kaiser Brasil S/A, no qual a Cervejarias Kaiser S/A alienou as ações/quotas das empresas constantes do referido acordo (Cervejarias Kaiser Brasil S/A, Cervejarias Kaiser Nordeste S/A, Cervejarias Kaiser Pacatuba S/A, Cervejarias Kaiser Goiás Ltda), conforme tabela de fl. 314. O preço pago pela MXS do Brasil S/A foi de R$ 1.135.033.529,63 em dinheiro e R$ 350.730.300,00 em ações da Molson Inc., totalizando R$ 1.485.763.829,63. Em 17/12/2001, foi constituída a empresa Z.W.S.P.V. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, com capital social de R$ 500,00. Em 14/03/2002, cinco dias antes da alienação feita pela Cervejarias Kaiser S/A, a empresa passa de sociedade limitada para sociedade anônima. {Comentário deste Relator no CARF – nesta data a referida empresa também alterou sua denominação para MXS do Brasil S/A e suas ações foram transferidas para a Molson Inc. e outra empresa do grupo, ambas situadas no Canadá} Em 18/03/2002, Cervejarias Kaiser S/A realiza Assembléia Geral Extraordinária e Cervejarias Kaiser Brasil Ltda realiza Reunião de Quotistas, com as deliberações indicadas às fls. 315 e 316. Na mesma data, Cervejarias Kaiser Brasil Ltda passa a sociedade anônima, aprova aumento de capital, e os seus acionistas passam a ser Cervejarias Kaiser S/A (107.634.244 ações), Francisco Miguel Alarcon (1 ação) e Molson Inc. (140.569.706 ações). Com o aporte efetuado por Molson Inc., integralizando 140.569.706 ações do capital social, o percentual de participação da Cervejaria Kaiser S/A na empresa Cervejarias Kaiser Brasil S/A foi reduzido de 100% para 43,3653%. A Cervejarias Kaiser S/A, MXS do Brasil S/A, Molson Inc. e Cervejarias Kaiser Brasil S/A, firmam Acordo de Associação e Investimento e Outras Avenças em 19/03/2002, no qual a Cervejarias Kaiser S/A aliena as empresas "dos itens A, B, C e D do referido acordo. O preço pago pela MXS do Brasil S/A foi de R$ 1.135.033.529,63 em dinheiro e R$ 350.730.300,00 em ações da Molson Inc., totalizando R$ 1.485.763.829,63." Na data de 10/04/2002, foi realizada pela Cervejarias Kaiser S/A Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária, que passou a ter nova denominação social Hocabra S/A. Os acionistas da MXS do Brasil S/A, em 12/04/2002, decidem aumentar o capital de R$ 500,00 para R$ 1.934.619.732,00, mediante emissão de 1.934.619.232 novas ações ordinárias nominativas de valor unitário R$ 1,00, subscritas e integralizadas pela Molson Inc. mediante a transferência de 140.569.706 ações ordinárias de Cervejarias Kaiser Brasil S/A pelo valor de R$ 1.934.619.732,00, ou seja, o valor pago pela Molson com o ágio de R$ 1.794.047.072,00. Foi também ratificada a escolha da empresa PriceWaterhouse Coopers para elaboração de laudo de avaliação, que avaliou as 140.569.706 ações da Cervejarias Kaiser Brasil S/A em R$ 1.934.619.232,00, Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.736 4 representativa de 56,6348% do capital social, e o valor total da empresa em R$ 3.416 milhões. Em 18/03/2002, foi aprovado aumento de capital da Cervejarias Kaiser Brasil S/A de R$ 248.203.951,00 para R$ 2.042.251.023,00, mediante a capitalização da reserva de capital (ágio) no valor de R$ 1.794.047.072,00, sem emissão de novas ações. Em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 30/04/2002 na Cervejarias Kaiser Brasil S/A, entre outras deliberações, o capital social foi reduzido de R$ 3.286.633.661,20 para R$ 1.841.673.135,55, ou seja, redução de R$ 1.444.960.525,65, permanecendo inalterado o número de ações. {Comentário deste Relator no CARF para melhor compreensão, convém resumir os principais fatos em ordem cronológica e reproduzir as operações estruturadas na forma de diagramas: Em 14/03/2002: Molson Inc. e outra empresa do grupo canadense adquirem a totalidade de MXS do Brasil S/A (500 ações pelo valor de R$ 500,00) Em 18/03/2002: Kaiser Brasil S/A emite 140.569.706 ações (aumentando seu capital de 107.634.245 para 248.203.951 ações, com valor unitário de R$ 1,00), as quais foram subscritas e integralizadas por Molson Inc. Molson Inc. paga por essas ações o valor de R$ 1.934.619.232,00 (R$ 140.569.706,00 pelo valor de face e R$ 1.794.047.072,00 a título de ágio) Em 19/03/2002: Kaiser S/A aliena participações societárias que detém em quatro empresas do grupo Kaiser, dentre as quais os 43,36% das ações da Kaiser Brasil, à MXS pelo valor de R$ 1.485.763.829,63 (sendo R$ 1.135.033.529,63 em dinheiro e R$ 350.730.300,00 em ações da Molson Inc.) Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.737 5 Em 12/04/2002: MXS emite 1.934.619.232 ações (aumentando seu capital de 500 para 1.934.619.732 ações, com valor unitário de R$ 1,00), as quais foram subscritas e integralizadas por Molson Inc. Em contrapartida, Molson Inc. transfere os 56,64% das ações da Kaiser Brasil adquiridas por R$ 1.934.619.232,00 (R$ 140.569.706,00 pagos pelo valor de face e R$ 1.794.047.072,00 a título de ágio) MXS ratifica a escolha da PriceWaterhouse Coopers para a elaboração do laudo que avaliou em R$ 1.934.619.232,00 o valor dos 56,64% das ações da Kaiser Brasil Em 18/04/2002 (essa é a data correta do seguinte fato conforme correção apontada pela recorrente Neslip S/A): Kaiser Brasil capitaliza a reserva de ágio no valor de R$ 1.794.047.072,00 (aumentando seu capital de R$ 248.203.951,00 para R$ 2.042.251.023,00) Em 30/04/2002: Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.738 6 Kaiser Brasil incorpora a empresa Kaiser Pacatuba com patrimônio líquido avaliado em R$ 1.244.382.320,56 (aumentando seu capital de R$ 2.042.251.023,00 para R$ 3.286.633.661,20) Kaiser Brasil reduz seu capital de R$ 3.286.633.661,20 para R$ 1.841.673.135,55 (redução de R$ 1.444.960.525,65)} Continuando, a Autoridade Fiscal informa à. fl. 318 que o investimento da empresa Cervejarias Kaiser S/A na empresa Cervejarias Kaiser Brasil S/A estava sujeito à avaliação pelo método da equivalência patrimonial. Estão indicados diversos lançamentos contábeis praticados pela empresa, resultando, conforme indicado às fls. 318 e 319, em um resultado de equivalência patrimonial de R$ 746.719.308,54 e um ganho de capital tributado de R$ 221.034.578,37. Entendeu a Autoridade Lançadora que o ganho de capital foi reduzido indevidamente. O resultado obtido para a receita de equivalência patrimonial de R$ 746.719.308,54 incluiu a importância de R$ 1.794.047.072,00, referente ao ágio na emissão de ações pago pela Molson, o que distorceu o resultado fiscal da alienação do investimento. {Comentário deste Relator no CARF – A fiscalização calculou que o efeito do ágio embutido na receita de equivalência patrimonial foi de R$ 777.992.861,50 (R$ 1.794.047.071,87 x 43,3652%). Além disso, constatou que o valor de R$ 350.730.300,00, referente às ações da Molson Inc. utilizados como parte do pagamento pela MXS do Brasil S/A, foi indevidamente estornado nos lançamentos contábeis praticados pela empresa autuada.} O ganho de capital a ser tributado, conforme cálculos da Autoridade Lançadora à fl. 319 dos autos, é de R$ 1.128.722.400,81. {Comentário deste Relator no CARF – A fiscalização chegou a esse valor por intermédio dos seguintes cálculos: Parcela do ágio contabilizada indevidamente como receita de equivalência patrimonial R$ 777.992.100,81 Resultado na venda de participação na Kaiser do Brasil S/A (R$ 221.034.578,37 + R$ 350.730.300,00) R$ 571.764.878,37 Total do ganho de capital R$ 1.349.756.979,18 Ganho de capital já tributado R$ 221.034.578,37 Ganho de capital não tributado R$ 1.128.722.400,81 } Relatados os fatos e apurado o valor acima indicado, concluiu a Autoridade Fiscal Lançadora que o Contribuinte simulou atos jurídicos com o objetivo de pagar menos tributos, lastreando sua conclusão, dentre outros, em fatos como a MXS do Brasil ter sido constituída com capital de R$ 500,00, ter a Cervejarias Kaiser Brasil se transformado de Ltda em S/A, emissão de ações com ágio desproporcional, com a Molson Inc. pagando ágio equivalente à quase dez vezes o patrimônio liquido da Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.739 7 Cervejarias Kaiser Brasil, contabilização como receita de equivalência patrimonial ganho de capital, etc. Afirmou que os proprietários da empresa Cervejarias Kaiser Brasil de fato venderam a empresa, bastando atentar para as datas, que demonstram velocidade incomum para o negócio praticado. Citou o Parecer Normativo CST n° 46/1987 para embasar a sua conclusão, além do art. 116 do CTN e da LC n° 104/2001. Assim, a alienação pela pessoa jurídica de ações com resultado positivo deve adicionar esse lucro ao resultado do exercício para fins de tributação, independentemente da forma que se der, seja através de venda, troca por outros bens ou por permuta de ações. A exigência tributária está lastreada nos artigos 247, 248, 249 e incido II, 251 e parágrafo único, 418 e 426, todos do RIR/99; art. 124, inciso I, e parágrafo 4° do art. 150 da Lei n° 51.172/66 (CTN), além do Parecer Normativo CST n°46/1987, do art. 116 do CTN e da LC n° 104/2001. DA SIMULAÇÃO Em seguida, a Autoridade Fiscal discorre sobre o ato simulado, dizendo que muitas vezes existem dois negócios, um aparente e outro sério, servindo o primeiro para dissimular o segundo. No presente caso, a intenção das partes foi a de alienar as empresas envolvidas com a redução do ganho de capital através da simulação praticada pelos atos quase que simultaneamente, cujo objetivo foi distorcer o resultado final que se daria naturalmente caso as partes não engendrassem o elaborado planejamento. Como houve simulação, observou a Autoridade Administrativa que o art. 150, § 4°, do CTN, que fixa em 5 anos da ocorrência do fato gerador o prazo para "contagem da homologação do lançamento", não é válido na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA Conforme art. 124, inciso I, do CTN, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. A situação configurada na norma citada é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico tornado fato gerador pela lei tributária, aquela em que todos os envolvidos estão do mesmo lado, pretendendo o maior beneficio possível do mesmo referido fato econômico. Em função dos fatos narrados ao longo do Termo de Verificação, resumido quanto à responsabilidade às fls. 324 a 326, a responsabilidade pelo crédito lançado foi estendida aos sócios cotistas das empresas Brasal Refrigerantes S/A, CocaCola Indústrias Ltda, Heineken Latin América Ltda, Heineken International BV, Kaik Participações Ltda, KSP Participações Ltda, Refrescos Bandeirantes Ind. E Com. Ltda, Refrigerantes do Noroeste S/A, TILPAR Til Participações S/A. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (...) ENQUADRAMENTO LEGAL IRPJ Arts. 247; 248; 249, inciso II; 251 e parágrafo único; 418; 426; todos do RIR/99; art. 124, inciso I e § 4° do art. 150 da Lei no 5.172/66 (CTN). Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.740 8 CSLL Arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 19 da Lei n° 9.249/95; art. 1° da Lei n°9.316/96; art. 28 da Lei no 9.430/96; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. TERMO DE VERIFICAÇÃO N° 02 (fls. 331 a 337) Através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 05122007 (fl. 139), cuja ciência se deu em 10122007, o Contribuinte foi intimado no prazo de dois dias úteis, referente à Cervejarias Kaiser S/A, a justificar os valores de R$ 1.169.101,00 e R$ 443.452,10 contabilizados como honorários de diretoria, identificando os beneficiários, as memórias de cálculos do Irfonte, etc; idem para R$ 967.306,16, contabilizados como Gratificações, documentação suporte dos lançamentos efetuados na conta Despesas Extraordinárias, no montante de R$ 29.512.401,58. O Contribuinte, em 12122007, solicitou dilação de prazo para cumprimento da intimação, o que foi concedido por mais três dias úteis. Vencido o prazo e não atendida a intimação, a Fiscalização constatou que os itens 1 e 2 foram adicionados na apuração do lucro real; quanto ao item 3, foi tributado por não ter havido a comprovação das despesas contabilizadas. ENQUADRAMENTO LEGAL IRPJ Arts. 246, 247; 248; 249, inciso I; 251 e parágrafo único; 264; 290; 299; e 300, todos do RIR/99. CSLL Arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 19 da Lei n° 9.249/95; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. TERMO DE VERIFICAÇÃO N° 03 (fls. 338 a 339) Em decorrência de não ter oferecido à tributação o ganho de capital auferido na alienação do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, assim como não ter comprovado as despesas extraordinárias, foi lançada a multa isolada sobre o IRPJ devido a titulo de estimativa mensal, não recolhido e não declarado em DCTF. ENQUADRAMENTO LEGAL IRPJ Arts. 222 e 843, do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66 (CTN). TERMO DE CIÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA De acordo com o art. 124, I, do CTN, foram encaminhados termos de ciência para diversas pessoas físicas e jurídicas (Termo de Ciência de Sujeição Passiva Fl. 3241DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.741 9 Solidária), com vias do auto de infração do IRPJ e reflexos, da CSLL, e dos termos de verificação. (...) TERMO DE VERIFICAÇÃO (fls. 1222 a 1224) FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA MULTA ISOLADA A pessoa jurídica Neslip deixou de efetuar o recolhimento da CSLL devida com base no balanço/balancete para fins de suspensão ou redução no período de janeiro a julho de 2002, tendo em vista que deixou de oferecer tributação integralmente o ganho de capital auferido na alienação de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, bem como de despesas extraordinárias não comprovadas. Em conseqüência, foi lançada a multa isolada sobre a CSLL, devida a titulo de estimativa mensal, não recolhida e nem declarada em DCTF. ENQUADRAMENTO LEGAL CSLL Arts. 222 e 843, do RIR199 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66 (CTN). TERMO DE CIÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDARIA (CSLL MULTA ISOLADA) De acordo com o art. 124, I, do CTN, foram encaminhados termos de ciência para diversas pessoas (Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária), com vias do auto de infração do IRPJ e reflexos, da CSLL, e dos termos de verificação. Das impugnações: Também conforme a decisão recorrida, a empresa autuada e as responsáveis tributárias apresentaram os seguintes argumentos em suas impugnações: As impugnações dos responsáveis contra o auto de infração da multa isolada CSLL foram apresentadas no processo n° 19515.004167/200752, que foi juntado aos autos do presente processo administrativo fiscal. As impugnações são iguais em conteúdo àquelas apresentadas neste processo. Assim, indicaremos as folhas em que se encontram nos autos do presente processo administrativo. KPS PARTICIPAÇÕES LTDA (fls. 395 a 405; fls. 1269 a 1279) A impugnação foi recepcionada em 16/01/2008 (fl. 407; fl. 1281). O Contribuinte Responsável defende ser improcedente o auto de infração lavrado contra a NESLIP S/A. Dessa forma, improcedente o auto lavrado, não restaria débito cuja responsabilidade pudesse lhe ser atribuída de forma solidária. E mesmo que os autos de infração lavrados contra a Neslip S/A fossem procedentes, a atribuição da responsabilidade à KPS é descabida. Primeiramente, a interpretação que a Fiscalização teve do art. 124, I, do CTN foi equivocada, pois o Fl. 3242DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.742 10 interesse dos sócios nos resultados da pessoa jurídica jamais poderia se equiparar ao "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária". Entende que a solidariedade decorre do fato de uma mesma situação ter acarretado para mais de uma pessoa responsabilidade tributária em relação ao mesmo tributo. E isso não é o que ocorre com os sócios de pessoas jurídicas em geral, já que a realização de determinada operação por ela não torna seus sócios, originariamente, sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária. A personalidade dos sócios é distinta da personalidade da sociedade da qual participam, eles não figuram como parte nos negócios por ela celebrados. E os tributos devidos sobre as receitas ou resultados somente podem ser exigidos da própria sociedade. Cita julgados do Conselho de Contribuintes a seu favor, concluindo que apenas as pessoas que tenham poder de gerencia podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica, e somente se esses débitos tiverem decorrido de atos por ele praticados com excesso de poder ou infração lei, contrato social ou estatuto, enquadrandose, nesses casos, no art. 125 do CTN. A desconsideração da personalidade jurídica é descabida no caso, pois não é caso em que os sócios tenham se utilizados da sociedade para enganar credores, fugir da incidência da lei ou proteger ato desonesto. Sobre os arts. 208 e 209 do RIR/99, esses não se lhe aplicam, já que não houve aquisição de estabelecimento ou fundo de comércio por parte dela. Do exposto, requer seja considerada descabida a atribuição de responsabilidade tributária efetuada nos processos 19515.004164/200719 e 19515.004167/200752. IMPUGNAÇÃO NESLIP S/A (fls. 415 a 471) A impugnação foi apresentada em 17/01/2008 (fl. 415; 1287). Inicialmente, a Impugnante resume as operações de reestruturação mencionadas pelas Autoridades Fiscais no Termo de Verificação n° 1. Afirma que os atos mencionados foram praticados pelo grupo Molson, sem a participação da Impugnante. Diz que o negócio que teria reduzido o ganho de capital teria sido a realização de aumento de capital de Kaiser Brasil por empresa do grupo Molson por valor que, no entender dos Fiscais, seria desproporcional, pois equivalente a quase dez vezes o patrimônio liquido da empresa. Defende a Impugnante ser totalmente desprovida de fundamento a assertiva de que o preço de emissão das ações representativas do aumento de capital de Kaiser Brasil tenha sido desproporcional. Explica a Impugnante que o grupo Molson estava disposto a adquirir a Kaiser do Brasil e aumentar o seu capital, mediante a transferência de suas ações da Bavária S/A. O que houve foi a realização de aumento de capital da Kaiser Brasil antes da venda da mesma, conforme art. 170, § 1°, da Lei das Sociedades Anônimas. Como o preço de emissão das ações representativas do aumento de capital da Kaiser Brasil excedeu o valor de seu patrimônio liquido contábil, a operação gerou ganho não tributável para a Impugnante, que se incorporou ao valor do patrimônio liquido contábil (PLC) de seus investimentos na Kaiser Brasil. Ao proceder à avaliação de seus investimentos na Kaiser Brasil, a Impugnante computou no valor do PLC do investimento o ganho decorrente da valorização do mesmo e, com isso, reduziu o seu ganho de capital na venda dos investimentos em causa. Em síntese, o objetivo da Impugnante foi o de vender a totalidade de suas ações da Kaiser do Brasil. Quanto à Molson, queria e se tornou titular da totalidade do capital Fl. 3243DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.743 11 da Kaiser do Brasil, transferindo suas ações da Bavária S/A, e aplicar R$ 1.700.882.177,87 no Brasil. Sobre o Parecer Normativo CST n° 46/87, diz que ele se baseia no art. 51 da Lei n° 7.450/85, o qual foi considerado inconstitucional por vários tributaristas. Afirma que um parecer normativo "nada mais representa do que a interpretação das autoridades fiscais a respeito do significado de determinado dispositivo legal." Em seguida, diz que o entendimento externado no parecer tratase do entendimento do Fisco e não de um fundamento legal para a lavratura de um auto de infração. Afirma, também, que o parágrafo único do art. 116 do CTN, introduzido pela LC n° 104/2001, não é autoaplicável, ele próprio faz menção à necessidade de lei ordinária para ter aplicação. Diferencia elisão de evasão fiscal, mencionando ser o primeiro caso de planejamento tributário, que é um procedimento licito que visa a redução, o diferimento ou a eliminação de tributos. As simulações situamse no campo da evasão e o dispositivo legal mencionado não se aplica a esses casos. O conjunto de atos praticados pela Impugnante é composto basicamente da realização de um aumento de capital da Kaiser Brasil, subscrito e realizado pela Molson, e da subseqüente venda das ações da referida empresa, que são atos legítimos, segundo a própria fiscalização. O aumento de capital da Kaiser Brasil não poderia ter sido desconsiderado pela Fiscalização e tratado como ato simulado. A Fiscalização deveria ter extraído do parágrafo único do art. 116 do CTN as conseqüências que lhe são próprias, quais sejam, desconsiderar os efeitos do aumento de capital e jamais o tratado como ato simulado. A Impugnante entende que os agentes fiscais, ao reconhecerem a legalidade dos atos praticados por ela, não poderiam ter desconsiderado os efeitos dos atos praticados com base nas normas antielisão, quanto mais serem havidos esses atos como simulados. Diz a Impugnante que não houve simulação e sequer a realização de um negócio jurídico indireto; houve a prática de dois atos numa seqüência cronológica conveniente para a Impugnante. A Fiscalização equivocouse ao afirmar que o preço de emissão das ações de Kaiser Brasil não tinha justificativa econômica. O preço de emissão das ações de Kaiser Brasil somou R$ 1.934.616.777,87, de modo que passou a valer R$ 3.420.380.607,50 (R$ 1.485.763.829,63 + R$ 1.934.616.777,87). Dessa forma, caberia a Molson receber ações de Kaiser Brasil que refletissem sua contribuição para a formação do patrimônio real da empresa, ou seja, o percentual resultante da divisão da contribuição da Molson (R$ 1.934.616.777,87) pelo novo valor da empresa (R$ 3.420.380.607,50). A Impugnante afirma que o seu desejo foi o de vender as suas ações e foi exatamente isso que fez, antecipando a realização de aumento de capital da Kaiser Brasil para elevar o valor contábil de seus investimentos e reduzir seu ganho de capital. Quanto à estranheza dos Fiscais da aquisição, pelo grupo Molson, da empresa brasileira (Z.W.S.P.V.), sem qualquer fundo de comércio, explicou que a quase totalidade dos estrangeiros que investe no Brasil o faz através de um "veiculo" aqui localizado e é comum, em razão do prazo exigido para a constituição e regularização de empresas no Brasil, profissionais locais criarem e regularizarem empresas que ficam à espera de adquirentes que delas necessitem. O custo de aquisição dessas empresas corresponde ao custo da formação de uma empresa no Brasil. Disse que foi o que ocorreu. Sobre o aumento de capital da Kaiser Brasil, ele foi realizado antes da negociação e reduziu o ganho de capital da Impugnante na venda das ações da Kaiser Fl. 3244DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.744 12 Brasil. Parte dos recursos correspondentes ao aumento de capital foi utilizada no pagamento do preço de aquisição das ações da Kaiser Brasil. A Kaiser Brasil passou a ter um ativo crédito contra seus novos controladores, decorrente do pagamento acima referido. Sobre o prazo curto em que as operações ocorreram, disse que analisou as operações demoradamente com seus assessores, executando os atos nos contornos em que foram traçados. Em relação às alterações de Ltda em S/A e viceversa e outras, diz que foram neutras em termos fiscais e, por isso, não seriam analisadas. Entende a Impugnante que ainda que o aumento de capital de Kaiser Brasil fosse desprovido de qualquer justificativa, não faria sentido a desconsideração de seus efeitos apenas em razão de ter sido motivado pelo fato de reduzir seus encargos fiscais. Também não haveria sentido considerar criminoso quem procede dessa forma, sob a justificativa de ter praticado uma simulação. Cita julgado da CSRF favorável a sua tese (Acórdão n° 0101.874, 13/09/1996). A seguir, o Contribuinte ora Impugnante ataca a aplicação da multa de oficio de 150%. Conforme art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, o percentual de 150% se aplica nos casos em que o contribuinte pratica determinados atos que revelam um evidente e consciente intuito de fraude, ou seja, quando ficar comprovada a existência de dolo do contribuinte em fraudar a Fazenda Pública. A aplicação da multa de oficio de 150% é descabida quando a fraude é apenas presumida e não provada. A definição das situações em que são aplicadas as multas agravadas deve ser buscada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, casos da sonegação, da fraude e do conluio. Na Lei n° 8.137/90, a conduta criminosa tem como pressuposto a existência de um elemento de falsidade, inexatidão ou omissão. Inexistindo esses elementos, não é caso da aplicação da multa qualificada de 150%. De forma a corroborar esse entendimento, o Contribuinte cita ementas de acórdãos do 1° CC. As operações tidas como simuladas pelos fiscais autuantes foram devidamente documentadas pelo Contribuinte, portanto é incorreto dizer que ele ocultou da Fazenda Nacional a ocorrência do fato gerador de tributos. As operações realizadas foram licitas e propiciaram à Impugnante a obtenção de economia tributária. Os fatos ocorridos não se subsumem as hipóteses de simulação previstas no art. 102 do Código Civil de 1916. A Impugnante, em seguida, defende, ao tempo da autuação, já estar extinto o crédito tributário objeto do lançamento. Como entende não ter sido caracterizada a fraude, o dolo ou a simulação, pelo § 4° do art. 150 do CTN, o crédito correspondente a tributos sujeitos a lançamento por homologação é definitivamente extinto pelo decurso de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, o prazo seria dado pelo art. 173, I, do CTN. As operações realizadas pela Impugnante, conforme demonstrado na Impugnação, foram licitas e legitimas, dai não poderem ser consideradas simuladas. Portanto, aplicase para o caso o disposto no § 4° do art. 150 do CTN. O auto de infração exige tributos sobre ganho de capital auferido na alienação das ações de Kaiser Brasil ocorrida em períodobase encerrado em 17/07/2002. Como a Fl. 3245DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.745 13 ciência se deu em 19/12/2007, o crédito tributário exigido no auto já se encontrava extinto, por decadência. O mesmo se aplica para a CSLL, na medida em que o prazo de decadência para a sua cobrança é também de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, conforme vasta jurisprudência da CSRF. Cita acórdãos da CSRF como do Superior Tribunal de Justiça. A seguir, a Impugnante teceu considerações sobre o tratamento da receita correspondente à parcela do preço de compra e venda de Kaiser Brasil paga com ações de Molson. Discorre o Contribuinte dizendo que o crédito tributário decorreu, segundo a Fiscalização, de ato simulado para evitar a tributação de ágio pago por MXS e que houve diferimento da tributação da parcela do preço de compra e venda de Kaiser Brasil paga com as ações da Molson. Sobre a simulação, argumenta que o fato de que os próprios Fiscais terem considerado o pagamento de parte do ganho de capital pela Impugnante demonstra não ter havido simulação. Os Fiscais entenderam que a operação realizada pela Impugnante, a despeito de seu caráter permutativo, deveria ter sido tributada por força do PN CST n° 504/71 e art. 533 do Código Civil de 2004. Cita entendimento de juristas que entendem que na permuta por pessoa jurídica de bens não monetários por outros não monetários não haveria resultado a apurar. Também cita dispositivo da Lei n° 8.383/91 (art. 65) a seu favor, que, embora reconheça tratar de privatizações, aplicase ao seu caso. Não haveria, no caso de permuta, acréscimo patrimonial. O eventual acréscimo surgiria apenas com a venda do bem recebido em permuta por valor superior àquele pelo qual tivesse ingressado no patrimônio do contribuinte. Sem prejuízo da natureza permutativa da operação que realizou, diz que o que pesou na sua decisão de não computar o valor das ações de Molson nos resultados do períodobase foi a total indisponibilidade da receita representada pelas referidas ações e a incerteza quanto ao seu recebimento de forma definitiva, já que a Impugnante só receberia as ações com o desfecho favorável de determinados processos. Não se poderia atribuir o tratamento de receita ao valor das ações de Molson antes do desfecho favorável dos processos referidos no Acordo (evento futuro e incerto), caso contrário haveria ofensa ao principio contábil do conservadorismo. E dessa forma, não poderiam compor a base de cálculo seja do IRPJ seja da CSLL. Em seguida, o Contribuinte argumenta que a receita supostamente pertinente a 2002 foi oferecida à tributação em 2004. Assim, o Fisco só poderia cobrar da Impugnante encargos moratórios sobre o valor dos tributos devidos em 2002, mas pagos em 2004. Acerca do Termo de Verificação n° 2 Indedutibilidade de Despesas, defende preliminarmente a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública exigir o IRPJ e a CSLL, já que a ciência do auto deuse em 19/12/2007 e o períodobase ter se encerrado em 17/07/2002. E no presente caso, as Autoridades Fiscais sequer consideraram que a Impugnante teria agido com dolo, fraude ou simulação, aplicando a multa de 75%. Fl. 3246DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.746 14 Alem disso, afirma a Impugnante que atendeu à intimação fiscal no próprio dia 17/12/2007, enviando a resposta e os documentos solicitados por meio de correio, com aviso de recebimento (doc. 02). A Impugnante diz que apesar de ter atendido tempestivamente ao termo de intimação fiscal, os Fiscais autuantes não juntaram aos autos os documentos enviados por correio e que ora são anexados pela Impugnante. Por esse motivo, a autuação referente ao Termo de Verificação n° 2 não poder prosperar, pois, alem de ter ocorrido a decadência, parte da premissa errada de que a Impugnante não teria prestado as informações solicitadas na intimação. A Impugnante questiona também a utilização da taxa SELIC. Como o fato gerador ocorreu em 17/07/2002, data na qual ocorreu a incorporação de HOCABRA LTDA, o vencimento do IRPJ e da CSLL somente ocorreria no último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o art. 861 do RIR199. Logo, o crédito tributário cobrado pelo auto de infração só se tornou devido em 30/08/2002 e os juros de mora calculados pela taxa SELIC incidem apenas a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento, ou seja, a partir de 01/09/2002. Portanto, não é devida a cobrança dos juros calculados pela taxa SELIC relativos ao mês de agosto de 2002. A multa isolada lançada decorreu da falta de recolhimento mensal do IRPJ pelo regime de estimativa, por não ter sido oferecido à tributação o ganho de capital auferido na alienação do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial e pela glosa de despesas não comprovadas. Ainda que fosse devido o auto de infração, a multa isolada deveria ser cancelada porque também foi lançada a multa de oficio qualificada de 150%, calculada sobre os mesmos fatos, o que configura caso de "bis in idem". A exigência de multa de oficio isolada somente se sustenta na hipótese de o rendimento sujeito à sistemática de estimativa mensal ter sido incluído no montante dos rendimentos tributáveis declarados no final do períodobase e o IRPJ incidente sobre o mesmo já ter sido pago. Além disso, a imposição de multa isolada na hipótese de não cumprimento de obrigação principal ofende o art. 97, V, combinado com o art. 113, ambos do CTN, que somente autorizam a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória. Requer o julgamento conjunto do processo n° 19515.004167/200752, que tem como objeto a multa isolada lançada pela falta de recolhimento mensal da CSLL pelo regime de estimativa. O auto de infração da CSLL, por ser reflexo do IRPJ, pelas mesmas razões apontadas para este, é improcedente. Em resumo, a Impugnante diz que não houve a simulação, dolo ou evidente intuito de fraude, não houve a manipulação de valores, nem se realizou negócio diverso daquele que se pretendia realizar. O que houve foi planejamento fiscal licito, que, quando muito, poderia ter sido rejeitado caso o parágrafo único do art. 116 do CTN estivesse em vigor. A Impugnante agiu da mesma forma que vários outros contribuintes sérios, no sentido de reduzir a incidência de tributos segundo a prática de atos não vedados pela legislação, não se podendo falar em simulação. Fl. 3247DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.747 15 Em conclusão, requer a Impugnante o acolhimento de sua pretensão conforme acima sintetizado. IMPUGNAÇÃO BRASAL REFRIGERANTES S/A (fls. 506 a 518; fls. 1373 a 1385) A impugnação foi apresentada em 17/01/2008 (fl. 506; fl. 1373). Inicialmente, Brasal Refrigerantes S/A alegou que, apesar do Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária fazer referência aos três Termos de Verificação, a caracterização da responsabilidade tributária somente é encontrada no Termo de Verificação Fiscal n° 01, o qual trata do ganho de capital na alienação de investimento. A Impugnante se reporta a impugnação apresentada por NESLIP S/A, referente ao item omissão de ganho de capital, corno se fizesse parte da presente. Dessa forma, sendo improcedente o auto de infração lavrado pelos argumentos apresentados na impugnação de NESLIP, não restaria qualquer, débito cuja responsabilidade pudesse ser atribuída de forma solidária a Impugnante Brasal. Acerca da responsabilidade que lhe foi atribuída, entende ser ela descabida. A interpretação que os Fiscais autuantes atribuíram ao art. 124, I, do CTN é equivocada, pois o interesse dos sócios nos resultados da pessoa jurídica não pode ser equiparado ao "interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária". A realização de determinada operação pela empresa não torna os seus sócios sujeitos passivos da obrigação tributária. A personalidade dos sócios é distinta da personalidade da sociedade da qual participam; os sócios não figuram como parte nos negócios por ela celebrados, as receitas pertencem à sociedade e os tributos devidos somente podem ser exigidos da própria sociedade. O fato dos sócios participarem dos resultados da sociedade não caracteriza o "interesse comum na situação que constitui o fato gerador" e, portanto, não é capaz de atribuirlhe responsabilidade tributária solidária. Entende que apenas as pessoas com poder de gerência podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. E nesses casos, a responsabilidade decorre do art. 135, III, do CTN e não do art. 124, I, do CTN. Também não é cabível a desconsideração da personalidade jurídica defendida pela Fiscalização, vez que isso se aplica a casos em que os sócios utilizamse da sociedade para enganar credores, fugir da incidência da lei ou proteger ato desonesto. Quanto ao art. 123 do CTN, acrescenta que não celebrou qualquer acordo que transferisse a terceiros a responsabilidade que lhe pudesse ser atribuída, e os arts. 208 e 209 do RIR/99 não lhe são aplicáveis, já que não houve aquisição de estabelecimento ou fundo de comercio por parte dela. Do exposto, espera que seja considerada descabida a atribuição de responsabilidade tributária efetuada pela Fiscalização. IMPUGNAÇÃO HEINEKEN INTERNATIONAL B.V. (fls. 535 a 552; fls. 1403 a 1420) E DE HEINEKEN LATIN AMERICA LTDA (fls. 705 a 722; fls. 1573 a 1590) Fl. 3248DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.748 16 As impugnações de Heineken International B.V. e de Heineken Latin America LTDA foram ambas apresentadas em 21/01/2008 (fl. 535 e fl. 705; fls. 1403 e 1573) e apresentam a mesma defesa, a seguir sintetizada. Preliminarmente, a Requerente entende que, ao ter sido indicada como responsável solidária ao auto de infração, tem assegurado, de acordo com os princípios do contraditório e da ampla defesa, o direito de apresentar defesa contra os atos que lhe foram imputados. Quanto ao mérito, a interpretação da Autoridade Fiscal do art. 124, I, do CTN é equivocada e refutável, pois o interesse de acionistas nos resultados de uma sociedade anônima da qual faz parte não pode ser equiparado ao interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. A personalidade jurídica dos acionistas é distinta da personalidade jurídica da sociedade anônima na qual detêm participação, não figurando como parte nos negócios jurídicos celebrados pela sociedade anônima. Assim, a receita auferida pela sociedade anônima é de sua exclusiva propriedade, enquanto não distribuídos aos acionistas sob a forma de dividendos. Dessa forma, os tributos incidentes sobre tais resultados são de exclusiva responsabilidade da sociedade anônima. A Impugnante defende que apenas as pessoas que possuem poder de administração podem ser responsabilizadas por débitos da pessoa jurídica e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Nesses casos, a responsabilidade decorre do art. 135, III, do CTN e não do art. 124, I, do CTN. A responsabilidade tributária dos acionistas não resulta da sua mera condição de acionista propriamente dita, mas sim da prática de atos com excesso de poder ou infração à lei ou ao estatuto social, o que não foi demonstrado pela Autoridade Fiscal. A Impugnante também defende a ausência de interesse comum na implementação do planejamento tributário. Disse que se absteve de aprovar as matérias deliberadas nos atos societários que foram indicados pela Autoridade Fiscal como indícios que embasaram a fundamentação da responsabilidade tributária solidária. Como uma das principais cervejarias do mundo, a Requerente surgiu à época como uma das interessadas na aquisição da Kaiser, o que fez com que fosse afastada do processo decisório de venda da empresa. Na assembléia geral de acionistas convocada para deliberar sobre a venda da empresa, por ter sido excluída do grupo de trabalho que foi constituído para esse fim, a Requerente pediu informações a respeito das conclusões do grupo, que lhe foram negadas. Acionista minoritária da Kaiser e munida das poucas informações que recebeu, a Requerente aprovou a alienação da empresa presumindo que a Kaiser praticaria todos os atos necessários para implementar a operação em consonância com o estabelecido nas legislações tributária, comercial e societária. Dessa forma, entende restar clara a sua não participação da escolha do adquirente da Kaiser, da posterior estruturação da alienação do referido investimento, e da implementação da operação. Como a Requerente não participou da estruturação da operação recebeu as informações acerca de sua implementação e se absteve de votar nas assembléias gerais de acionistas e reuniões de cotistas, fica provado que não tinha interesse comum na companhia da qual era acionista minoritária. Assim, é incabível a atribuição de responsabilidade solidária a ela imputada com base no art. 124, I, do CTN. Fl. 3249DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.749 17 Acerca das despesas indedutíveis e da multa isolada, defendeu que no Termo de Verificação n° 02 não foi indicada como solidária pelo débito, entendendo ser a Neslip a única responsável pelo pagamento desse crédito. Com relação à aplicação da multa isolada descrita no Termo de Verificação n° 03, a responsabilidade solidária em relação a esse débito também não foi imputada à Requerente, pelo que deve ser considerada improcedente a atribuição de responsabilidade solidária em relação ao assunto. Sobre a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da Neslip com o fim de atingir os bens dos sócios, afirma não ser possível pelo fato de não haver os indicativos necessários da fraude contra credores ou a proteção de ato desonesto contra a Requerente. Os artigos 208 e 209 do RIR/99 não são aplicáveis à Requerente, pois não houve aquisição de estabelecimento ou fundo de comercio. Do exposto, requereu fosse conhecida a defesa apresentada e julgada procedente, para o fim de ser determinada a sua exclusão da condição de responsável solidária. IMPUGNAÇÃO COCACOLA INDÚSTRIAS LTDA (fls. 848 a 859; fls. 1739 a 1750) A impugnação foi apresentada em 24/01/2008 (fl. 848; fl. 1739). Preliminarmente, a Impugnante CocaCola diz que a caracterização da responsabilidade tributária somente é encontrada no Termo de Verificação n° 01, que trata do ganho de capital em alienação de investimento. Quanto ao mérito da autuação se houve ou não a simulação negocial pretendida pelo Fisco, não lhe cabe impugnar, mas adere à defesa apresentada pela Neslip S/A, a qual se reporta e que deve ser considerada como parte integrante da presente impugnação. Sobre a responsabilidade que lhe foi atribuída, diz ser indevida. Defende que a expressão "interesse comum" é vaga e imprecisa, que a sociedade tem personalidade jurídica diversa de seus sócios e que cada um responde por seus atos, inclusive na questão tributária. Entende que o inciso I do art. 124 do CTN referese as hipóteses em que o fato gerador do tributo é praticado por duas ou mais pessoas, não se referindo a interesse econômico derivado de determinado fato gerador. A lei prevê a responsabilização dos sócios em obrigação tributária da pessoa jurídica a que pertençam, mas não a decorrente de "interesse comum" do art. 124, I, do CTN, mas sim a do art. 135 do CTN, que trata da responsabilidade subjetiva e pessoal, decorrente de atos praticados por sócios (gerentes ou administradores) com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Cita, em seguida, entendimento doutrinário e judicial a seu favor. Por último, defendeu que, se fosse cabível a atribuição de responsabilidade do débito de Neslip, esse deveria ser proporcional a sua participação no capital da empresa. Requer, da tese defendida, seja desconsiderado o Termo de Ciência de Sujeição Passiva Tributária, de forma que a Requerente não venha a ser responsabilizada pelo débito de Neslip, caso o auto de infração seja considerado procedente. IMPUGNAÇÃO TILPAR TIL PARTICIPAÇÕES S/A Fl. 3250DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.750 18 (fls. 881 a 891; fls. 1716 a 1726) A impugnação foi apresentada em 24/01/2008 (fl. 881; 1716). A Impugnante Tilpar, preliminarmente, defendeu que, apesar de o Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária fazer referência aos três Termos de Verificação, a caracterização da responsabilidade tributária somente é encontrada no Termo de Verificação n° 01, que trata do ganho de capital em alienação de investimento. Os fatos que levaram à autuação por omissão de ganho de capital estão descritos na impugnação apresentada por Neslip S/A, a qual se reporta e como se fizesse parte da presente. Quanto à responsabilidade que lhe foi atribuída, disse que a interpretação dada ao art. 124, I, do CTN pela Fiscalização foi equivocada, já que o interesse dos sócios nos resultados da pessoa jurídica não pode ser equiparado ao "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária". A personalidade jurídica dos sócios é distinta da personalidade da sociedade da qual participam, eles não figuram como parte nos negócios por ela celebrados, as receitas ou os resultados auferidos pela sociedade são de exclusiva propriedade dela enquanto não distribuídos aos sócios sob a forma de lucros ou dividendos. Dessa forma, os tributos devidos sobre as referidas receitas ou resultados só podem ser exigidos/da própria sociedade. O fato dos sócios participarem dos resultados da sociedade não caracteriza o "interesse comum na situação que constitui o fato gerador" e, portanto, não é capaz de atribuirlhes responsabilidade solidária. Apenas as pessoas que possuem poder de gerência (administradores ou sócios gerentes) podem ser responsabilizadas por débitos da pessoa jurídica, e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto, conforme disposto no art. 135 do CTN. Citou entendimento judicial favorável a sua tese. No que tange à desconsideração da personalidade jurídica, não, no caso, alguma demonstração de que as sócias tenham agido com o intuito de enganar credores, fugir da incidência da lei ou proteger ato desonesto, muito menos decisão judicial que tivesse determinado a desconsideração da personalidade de Neslip S/A. Sobre o art. 123 do CTN, esclarece que não celebrou qualquer acordo que transferisse a terceiros a responsabilidade que lhe pudesse ser atribuída. Por fim, os artigos 208 e 209 do RIR199 não lhe são aplicáveis, já que não houve aquisição de estabelecimento ou fundo de comércio. Do exposto, requereu fosse considerada descabida a atribuição de responsabilidade tributária efetuada no processo. IMPUGNAÇÃO KAIK PARTICIPAÇÕES LTDA (fls. 904 a 916; fls. 1785 a 1797) A impugnação foi apresentada em 28/01/2008 (fl. 904; fl. 1785). A Impugnante Kaik Participações Ltda alega, preliminarmente que apesar do Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária fazer referência aos três Termos de Verificação, a caracterização da responsabilidade tributária somente e encontrada no Fl. 3251DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.751 19 Termo de Verificação Fiscal n° 01, o qual trata do ganho de capital na alienação de investimento. Em seguida, reportase à impugnação apresentada por NESLIP S/A, referente ao item omissão de ganho de capital, como se fizesse parte da presente. Dessa forma, sendo improcedente o auto de infração lavrado pelos argumentos apresentados na impugnação de NESLIP, não restaria qualquer débito cuja responsabilidade pudesse ser atribuída de forma solidária à Impugnante. Acerca da responsabilidade que lhe foi atribuída, entende ser ela descabida. A interpretação que os Fiscais autuantes atribuíram ao art. 124, I, do CTN é equivocada, pois o interesse dos sócios nos resultados da pessoa jurídica não pode ser equiparado ao "interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária". A realização de determinada operação pela empresa não torna os seus sócios sujeitos passivos da obrigação tributária. A personalidade dos sócios distinta da personalidade da sociedade da qual participam; os sócios não figuram como parte nos negócios por ela celebrados, as receitas pertencem à sociedade e os tributos devidos somente podem ser exigidos da própria sociedade. O fato dos sócios participarem dos resultados da sociedade não caracteriza o "interesse comum na situação que constitui o fato gerador" e, portanto, não é capaz de atribuirlhe responsabilidade tributária solidária. Entende que apenas as pessoas com poder de gerência podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. E nesses casos, a responsabilidade decorre do art. 135, III, do CTN e não do art. 124, I, do CTN. Também não é cabível a desconsideração da personalidade jurídica defendida pela Fiscalização, vez que isso se aplica a casos em que os sócios utilizamse da sociedade para enganar credores, fugir da incidência da lei ou proteger ato desonesto. Quanto ao art. 123 do CTN, acrescenta que não celebrou qualquer acordo que transferisse a terceiros a responsabilidade que lhe pudesse ser atribuída, e os arts. 208 e 209 do RIR/99 não lhe são aplicáveis, já que não houve aquisição de estabelecimento ou fundo de comércio por parte dela. Do exposto, espera que seja considerada descabida a atribuição de responsabilidade tributária efetuada pela Fiscalização a Kaik Participações Ltda. IMPUGNAÇÃO REFRIGERANTES DO NOROESTE S/A (fls. 947 a 958; fls. 1830 a 1841) A impugnação foi apresentada em 25/01/2008 (fl. 947; 1830). Preliminarmente, a Impugnante alega que apesar do Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária fazer referência aos três Termos de Verificação, a caracterização da responsabilidade tributária somente é encontrada no Termo de Verificação Fiscal n° 01, que trata do ganho de capital na alienação de investimento. A Impugnante reportase à impugnação apresentada por NESLIP S/A, referente ao item omissão de ganho de capital, como se fizesse parte da presente. Dessa forma, sendo improcedente o auto de infração lavrado pelos argumentos apresentados na impugnação de NESLIP, não restaria qualquer débito cuja responsabilidade pudesse ser atribuída de forma solidária à Impugnante. Fl. 3252DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.752 20 Sobre a questão da responsabilidade a ela atribuída, diz que a interpretação dos Fiscais do art. 124, I, do CTN, é equivocada, pois o interesse dos sócios nos resultados da pessoa jurídica não pode ser equiparado ao "interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária". A realização de determinada operação pela empresa não torna os seus sócios sujeitos passivos da obrigação tributária. A personalidade dos sócios é distinta da personalidade da sociedade da qual participam; os sócios não figuram como parte nos negócios por ela celebrados, as receitas pertencem sociedade e os tributos devidos somente podem ser exigidos da própria sociedade. O fato dos sócios participarem dos resultados da sociedade não caracteriza o "interesse comum na situação que constitui o fato gerador" e, portanto, não é capaz de atribuirlhe responsabilidade tributária solidária. Apenas as pessoas com poder de gerência podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. E nesses casos, a responsabilidade decorre do art. 135, III, do CTN e não do art. 124, I, do CTN. No que se refere à desconsideração da personalidade jurídica defendida pela Fiscalização, ela não é cabível, vez que isso se aplica a casos em que os sócios utilizam se da sociedade para enganar credores, fugir da incidência da lei ou proteger ato desonesto. Quanto ao art. 123 do CTN, acrescenta que não celebrou qualquer acordo que transferisse a terceiros a responsabilidade que lhe pudesse ser atribuída, e os arts. 208 e 209 do RIR/99 não lhe são aplicáveis, já que não houve aquisição de estabelecimento ou fundo de comércio por parte dela. Do exposto, espera que seja considerada descabida a atribuição de responsabilidade tributária efetuada pela Fiscalização. IMPUGNAÇÃO NESLIP S/A MULTA ISOLADA CSLL (fls. 1287 a 1295) A impugnação foi apresentada em 17/01/2008 (fl. 1287). Inicialmente, a Impugnante argumenta que se forem consideradas improcedentes as infrações que serviram de base para a lavratura do auto de infração do IRPJ e da CSLL, a multa isolada da CSLL também será indevida. Em seguida, defende a impossibilidade de cobrança da multa isolada e da multa de oficio sobre as mesmas bases. A multa isolada lançada decorreu da falta de recolhimento mensal da CSLL pelo regime de estimativa, por não ter sido oferecido a tributação o ganho de capital auferido na alienação do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial e pela glosa de despesas não comprovadas. A cobrança de ambas as multas calculadas sobre os mesmos fatos configura caso de "bis in idem". A exigência de multa de oficio isolada somente se sustenta na hipótese de o rendimento sujeito A. sistemática de estimativa mensal ter sido incluído no montante dos rendimentos tributáveis declarados no final do períodobase e a CSLL incidente sobre o mesmo já ter sido pago. Além disso, a imposição de multa isolada na hipótese de não cumprimento de obrigação principal fende o art. 97, V, combinado com o art. 113, ambos do CTN, que Fl. 3253DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.753 21 somente autorizam a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória. Em vista de ter a multa isolada, ora impugnada, ter sido aplicada sobre o credito tributário constituído pelo auto de infração do IRPJ/CSLL, qualquer modificação nos valores nele lançados auto ter á reflexo na base tributável da multa isolada da CSLL. Por esse motivo, requer o apensamento do processo 19515.004167/200752 ao processo 19515.004164/200719. Pelo exposto, requer a Impugnante o acolhimento de sua pretensão conforme acima deduzido. Da diligência: Diante das impugnações apresentadas, a instância a quo resolveu converter o julgamento em diligência, a qual foi efetivamente realizada, tendo sido relatada nos seguintes termos: DESPACHO DE DILIGÊNCIA (fls. 1866 a 1868) Em 11/07/2008, os autos do presente processo administrativo fiscal foram encaminhados ao órgão fiscalizador para realização de diligência. Parte do auto de infração lavrado foi decorrente da não justificativa de valores contabilizados pelo Contribuinte a titulo de honorários de diretoria, como gratificações, e de valores efetuados na conta Despesas Extraordinárias. A Impugnante alegou que enviou os documentos solicitados por meio de correio, com aviso de recebimento, e que a Fiscalização não analisou e não juntou os documentos enviados ao processo. Diante dos fatos, o processo foi encaminhado à Fiscalização para realização de auditoria dos documentos, em confronto com a contabilidade e os livros da empresa, alem da verificação do seu efetivo fluxo financeiro, da necessidade e utilidade desses desembolsos para a empresa. DILIGÊNCIA REALIZADA. À fl.1872 dos autos, consta o Termo de Inicio de Diligência, datado de 14/08/2008, no qual o Contribuinte foi intimado a tomar ciência e dar cumprimento ao requisitado no Despacho da 2ª Turma de julgamento da DRJ/SP/I. Pelo Termo de Intimação Fiscal 01, o Contribuinte foi intimado a apresentar o livro diário e o razão do anocalendário de 2002, a documentação que dá suporte à comprovação dos valores relativos aos pagamentos efetuados, indicados no demonstrativo de fls. 1789 a 1882. Além da documentação exigida, foram solicitadas a justificação dos serviços prestados e a comprovação da sua efetiva prestação. À fl. 1886, o demonstrativo de fls. 1789 a 1882 foi retificado pelo de fls. 1887 a 1890 (Termo de ReRatificação do Termo de Intimação Fiscal 01). O Contribuinte apresentou os documentos de fls. 1895 a 1905 e à fl. 1911 prestou os seguintes esclarecimentos: Fl. 3254DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.754 22 que as despesas questionadas pela Fiscalização são decorrentes de serviços de consultoria contratados pela Companhia para auxiliála na negociação e contratação com investidores em Cervejarias Kaiser Brasil S/A; com relação aos serviços prestados por ING, declaração da empresa, com a descrição da natureza dos serviços prestados, será juntada aos autos do processo assim que recebida; em relação aos demais serviços, são eles normalmente cobrados com base em tempo despendido na sua execução e é de praxe no relacionamento entre empresas e consultores de grande porte a contratação dos serviços por acordos verbais entre as partes; os consultores contratados são sociedades tradicionais e os serviços prestados são compatíveis com o que foi efetivamente prestado; foram juntados extratos bancários que demonstram o efetivo pagamento das despesas questionadas aos respectivos prestadores de serviços. As fls. 1920 a 1930, consta Relatório Fiscal acerca da diligência empreendida, cuja ciência ocorreu em 28/10/2008 (fl. 1919). Da análise, as Autoridades Fiscais chegaram às conclusões a seguir resumidas. Os documentos apresentados pelo Contribuinte não abarcam a totalidade dos elementos solicitados no demonstrativo entregue conjuntamente com o termo de intimação de 19/08/2008. Esclarecem as Autoridades Fiscais que, além da documentação solicitada, deveria ter sido comprovada a sua efetiva realização e real necessidade à atividade da empresa. Os documentos apresentados montam R$ 21.182.045,92 (tabela de fl. 1927). Dos documentos apresentados, apenas a empresa ING Bank Barings apresentou justificativa dos serviços prestados através de carta da empresa. O documento é "extemporâneo", com data de 23/09/2008. Sobre esses documentos da ING, as Autoridades Fiscais disseram que numa operação de porte, as empresas interessadas teriam que ter lavrado um Contrato de Prestação de Serviços, com data da época, para dar andamento a operação descrita como "honorários de sucesso, tendo como valor envolvido o montante de R$ 18.244.990,20. Na tabela de fl. 1928, consta relação dos documentos que não foram apresentados pelo Contribuinte, que montam R$ 8.360.486,41. A Fiscalização assim conclui o relatório de diligencia: "Diante do exposto, as despesas extraordinárias devem ser glosadas pois o contribuinte, em momento algum apresentou os elementos de forma concatenada a comprovar a efetiva prestação de serviços, bem como, a necessidade às atividades operacionais. Em se comprovando, viria à tona o esquema perverso e ardiloso à Administração Pública, visando a prática de atos simulados (como foi o procedimento adotado), elidindo o nascimento da obrigação tributária decorrente do Ganho de Capital em sua totalidade, e não parcialmente como foi adotado pela fiscalizada, proveniente da alienação das ações possuídas na empresa "CERVEJARIAS KAISER"." Fl. 3255DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.755 23 MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE A Impugnante tomou ciência do Relatório Fiscal em 28/10/2008 (fl. 1919) e apresentou a resposta de fls. 1937 a 1948 em 06/11/2008 (fl. 1937) com as seguintes razões. Inicialmente, a Impugnante relatou os documentos entregues à Fiscalização, além da resposta protocolada em 16/09/2008, com os seguintes termos: as despesas questionadas pela fiscalização são decorrentes de serviços de consultoria contratados pela Peticionaria para auxiliála na alienação de seus investimentos em Cervejarias Kaiser Brasil S.A.; os pagamentos constam das notas fiscais apresentadas e são normalmente cobrados com base em tempo despendido na sua execução e é de praxe no relacionamento entre empresas e consultores de grande porte a contratação dos serviços por acordos verbais entre as partes; os consultores contratados são sociedades tradicionais, independentes e sem qualquer vínculo com a Peticionaria, e os serviços prestados são compatíveis com o que foi efetivamente prestado; apresentou cópias do extrato bancário da contacorrente de ING Barings demonstrado o credito dos recursos em questão e de sua própria contacorrente, demonstrado o correspondente debito; declaração assinada pelos representantes legais de ING. Em seguida, o Contribuinte passa a explanar os seus argumentos contra as conclusões do Relatório Fiscal. A contabilidade faz prova a favor do contribuinte, cabendo às autoridades administrativas a prova da inveracidade dos fatos registrados. A inversão do ônus da prova do fisco para o contribuinte só é cabível nas condições previstas na lei. Assim, a contabilização regular das despesas incorridas pelo contribuinte, calcada em documentos comerciais e fiscais hábeis, faz prova a seu favor, sendo do fisco o ônus de provar a inveracidade dos fatos registrados na escrituração. Os valores foram pagos e a fiscalização, em momento algum, contestou os documentos apresentados pelo Contribuinte. Tendo sido demonstrado que os prestadores de serviços foram pagos, é de se supor que tenha havido a respectiva prestação de serviços que deu causa ao pagamento. As despesas incorridas pelo Contribuinte preenchem os requisitos necessários a sua dedutibilidade, pois foram contabilizadas, foram comprovadas com documentação hábil e idônea, são usuais e necessárias a realização de negócios semelhantes ao realizado pela Peticionária. Apresentou ementas de julgamentos do Conselho de Contribuintes favoráveis a sua tese. Sobre o documento apresentado pela ING Barings, disse que a data posterior à prestação dos serviços é totalmente irrelevante diante do teor que consta do documento, com a descrição detalhada daquilo que foi feito. Por fim, o Contribuinte afirmou que os fiscais autuantes analisaram os documentos de forma tendenciosa e com o evidente objetivo de encontrar algum documento que pudessem utilizar para tentar justificar a autuação constante do Termo de Verificação no 1. Concluem constatando que as alegações feitas pelos fiscais Fl. 3256DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.756 24 autuantes no Termo de Verificação n° 1 do auto de infração carecem de provas que lhes dêem suporte. Dos argumentos expostos, requereu a improcedência da glosa das despesas extraordinárias com a conseqüente extinção do credito tributário. Da decisão recorrida: A 2ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I, ao apreciar as impugnações interpostas, proferiu o Acórdão nº 1623.468, de 12 de novembro de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência integral do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. O direito de praticar o ato de lançamento, quanto da ocorrência de simulação, extinguese após 5 anos, sendo o termo inicial de contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CSLL. DECADÊNCIA. Na contagem do prazo decadencial dos reflexos da infração apurada para o IRPJ, aplicase a mesma regra empregada na contagem do imposto. IRPJ. AUMENTO DE CAPITAL COM ÁGIO. REFLEXO NO CUSTO DA PARTICIPAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. NECESSIDADE DE TRIBUTAÇÃO. A integralização de capital com ágio, para que seja válida e produza efeitos, impõe que a vontade manifestada nos atos praticados esteja em conformidade com a vontade real das partes. Havendo o descasamento entre a vontade expressa na forma dos atos praticados e a efetiva vontade, há apenas simulação de aumento de capital, o que torna o ato ineficaz perante terceiros, com conseqüente necessidade de autuação do ganho de capital não oferecido à tributação. SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. A simulação é caracterizada pela divergência entre a exteriorização dos atos formalmente praticados e a vontade, a intenção, desejada. Na simulação, os atos praticados pelas partes são desejados apenas na sua forma, mas materialmente desejase outro resultado. Na simulação, é irrelevante que os atos formais praticados publicamente sejam lícitos, pois esse fato não influi no cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA. SIMULAÇÃO. Atos praticados em seqüência, com utilização de transformação da forma de constituição de sociedades, aumento de capital com ágio, atos sucessivos num curto espaço de tempo, denotam a divergência entre exteriorização dos atos praticados com a vontade real, descaracterizando a operação como a de um planejamento tributário licito, e que levam ao não oferecimento à tributação do ganho de capital ocorrido. MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. AGRAVAMENTO. A multa de oficio deve ser agravada na ocorrência de simulação. Fl. 3257DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.757 25 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. ABRANGÊNCIA. Decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes não vinculam os integrantes das turmas de julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, aplicamse ao próprio processo julgado e apenas servem como referencia, seja para o contribuinte ou para o Fisco, conforme o caso. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. As operações praticadas por uma empresa com reflexos tributários devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, de forma a justificar, no caso de despesas, a necessidade e utilidade para as atividades da empresa. A simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte. A contabilidade faz prova a seu favor quando se reveste das qualidades para tal, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômicocontábil. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal e são calculados seguindo os preceitos da lei. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA DE IRPJ E CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO. Constatada a falta ou insuficiência do recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL, cabível o lançamento de multa isolada calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BASES DE CALCULO. As bases de cálculo das multas isolada e de oficio, por falta de recolhimento de antecipação e por falta de pagamento da contribuição ou tributo, respectivamente, são distintas. Verificada a insuficiência de pagamento de estimativas e a insuficiência de pagamento do imposto de renda, verificase a ocorrência de duas infrações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A tributação reflexa segue em tudo a mesma linha decisória quanto ao decidido no IRPJ. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. ATRIBUIÇÃO E CABIMENTO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Esclareçase que o voto condutor dessa decisão constatou a revelia dos responsáveis tributários REFRESCOS BANDEIRANTES IND. E COM. LTDA e REFRIGERANTES DO NOROESTE S/A. O primeiro por não ter apresentado impugnação e o segundo por têla apresentado de forma intempestiva. Dos recursos voluntários: Em seu recurso voluntário (fls. 2120 a 2205), a empresa autuada, NESLIP S/A, apresentou essencialmente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação. Acrescenta, apenas, o seguinte: Fl. 3258DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.758 26 O auto de infração faz referência a uma série de atos totalmente irrelevantes, em termos fiscais, com o objetivo de tentar configurar a existência de simulação. A DRJ segue a mesma linha. Entretanto, a partir da venda da Kaiser Brasil, a Kaiser S/A não participou de qualquer ato que tivesse importado no cancelamento do aumento de capital daquela. Tanto é que o auto de infração não considerou existência de conluio. Independentemente disso, não houve, de fato, a alegada redução de capital. O que ocorreu foi a incorporação da Kaiser Pacatuba pela Kaiser Brasil, sendo que, neste caso, a redução de capital é inerente ao próprio ato de incorporação quando a incorporada participa do capital da incorporadora. Certamente a MXS teria transferido suas ações na Kaiser Brasil (com o correspondente ágio) para a Kaiser Pacatuba com o objetivo de transferir o ágio para posterior aproveitamento fiscal pela própria Kaiser Brasil. Nesse contexto, também o crédito de Kaiser Brasil contra a MXS teria sido eliminado por configurar a confusão entre credor e devedor. No entanto, repete, tais fatos são irrelevantes para o deslinde do caso, o que deve ser discutido neste processo é a legitimidade do aumento de capital antes da venda das ações. Nesse sentido, não nega que a intenção da Kaiser S/A foi, efetivamente, obter uma redução dos seus encargos fiscais na venda da totalidade das 107.634.245 ações da Kaiser Brasil. As operações ocorridas na empresa MXS não tem relação com a recorrente. Há um erro na descrição dos fatos: a data correta da capitalização da reserva do ágio não é 18/03/2002, mas, sim, 18/04/2002. Nada obstante, tal fato é neutro em termos fiscais. A DRJ cita o exemplo de diversos autores para justificar seu entendimento de que houve simulação no caso sob análise. Contudo, todos os exemplos citados revelam que para haver simulação é necessário o requisito da falsidade, o que, definitivamente, não ser revela no caso concreto. À época dos fatos, a jurisprudência da CSRF e do 1º CC era também amplamente favorável à validade dos planejamentos fiscais não maculados pelo vício da simulação. Cita diversos julgados neste sentido. A DRJ alegou que não está vinculada às decisões dos Conselhos de Contribuintes. Porém, a existência dessa jurisprudência não pode ser ignorada quando se alega que houve evidente intuito de fraude. Inexistiu simulação no diferimento da receita relativa às ações da Molson. A DRJ refutou essa alegação de forma genérica indicando que as operações deveriam ser consideradas como um todo. Entretanto, o não oferecimento à tributação do ágio pago por MXS e o diferimento da tributação da parcela do preço paga em ações são fatos absolutamente distintos. Ocorre que inexistindo indícios de simulação especificamente vinculados ao crédito tributário oriundo do diferimento, há que se considerar decaído o direito de lançar o imposto sobre o referido crédito. Sobre essa mesma parcela da receita tributada, não há acréscimo patrimonial enquanto não se realizam os bens recebidos em permuta. Mesmo assim, a DRJ entendeu que tal tributação deveria ser mantida. Contudo, operações de permuta sem torna não são tributáveis como reconhecem pareceres do próprio Ministério da Fazenda. Ainda, quanto à parcela da receita relativa às ações da Molson, não havia disponibilidade dessa receita. Porém, a DRJ atevese ao fato de que as ações emitidas e mantidas sob a titularidade da Kaiser S/A evidenciaria a disponibilidade sobre tal ativo. Ocorre que tais ações ficaram depositadas junto a um agente fiduciário e este passou a poder a Fl. 3259DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.759 27 qualquer momento alienálas a terceiros, para, como o produto da venda, indenizar a MXS por eventuais perdas incorridas em certos processo fiscais. A DRJ ignorou e deixou de analisar os argumentos sobre o equívoco da autuação que deixou de considerar a não tributação da receita relativa às ações da Molson como postergação, uma vez que os correspondentes tributos foram pagos em 2004, e preferiu simplesmente compensar os tributos pagos. Ocorre que, indiretamente, fez com que incidisse sobre essa tributação a multa de 150% quando deveria ter cobrado apenas juros e multa de mora. Quanto à questão preliminar das despesas glosadas, a DRJ entendeu que o prazo decadencial deveria ser regido pelo artigo 173, I, porque estão relacionadas com o planejamento tributário e, portanto, contaminadas pela simulação. Contudo, a autuação não imputou o vício da simulação a essa infração. Houve, portanto, inovação do lançamento pela modificação dos critérios jurídicos no curso do processo administrativo. Isso só poderia ser feito dentro do prazo decadencial do lançamento e, ainda assim, abrindose novo prazo de impugnação. Ademais, o simples fato de as despesas glosadas corresponderem a serviços relacionados à operação de venda da Kaiser Brasil não as torna simuladas. No mérito das despesas glosadas, a DRJ acrescentou ao entendimento das autoridades autuantes os argumentos de que não poderia admitir a celebração de contratos verbais envolvendo quantias vultosas e de que o registro das despesas como extraordinárias não se coaduna com os requisitos da usualidade e habitualidade, bem como com o do relacionamento direto com a atividade principal da empresa. Nada obstante, os contratos verbais são admitidos em nosso direito e o fato de as despesas terem sido contabilizadas como extraordinárias não significa que elas não sejam necessárias, normas e usuais às atividades da recorrente. O simples fato de a alienação ter efetivamente ocorrido comprova, de forma inequívoca, não somente a efetividade dos serviços prestados, como também sua necessidade e usualidade. A DRJ entendeu que a utilização da mesma base de cálculo para as multas isolada e proporcional não configuraria infração à legislação tributária. Entretanto, tratase de aplicação concomitante de multas sobre os mesmos fatos. Ademais, de forma inovadora, alega que não se pode cobrar juros de mora sobre as multas de ofício aplicadas. As mesmas oito pessoas jurídicas apontadas como responsáveis tributárias que haviam apresentado as impugnações relatadas pela instância a quo também interpuseram recursos voluntários (REFRIGERANTES DO NOROESTE S/A – fls. 2232 a 2250; KPS PARTICIPAÇÕES LTDA – fls. 2255 a 2273; TILPAR TIL PARTICIPAÇÕES S/A – fls. 2275 a 2273; HEINEKEN INTERNATIONAL B.V. – fls. 2296 a 2231; HEINEKEN LATIN AMERICA LTDA – fls. 2510 a 2535; COCACOLA INDÚSTRIAS LTDA – fls. 2696 a 2713; BRASAL REFRIGERANTES S/A – fls. 2716 a 2732 e 2758 a 2779; e KAIK PARTICIPAÇÕES LTDA – fls. 2805 a 2829). Na essência, os argumentos apresentados são os mesmos das respectivas impugnações. Além disso, discordam do entendimento da DRJ segundo o qual os simples fatos de serem acionistas e de saberem, mas terem sido omissas, quanto ao planejamento tributário Fl. 3260DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.760 28 seriam suficientes para enquadrálas na ideia de interesse comum estatuída no artigo 124, I, do CTN. Algumas também mantém sua insatisfação no que concerne à DRJ ter entendido que a responsabilidade tributária atribuída pela fiscalização alcança a totalidade das infrações independentemente de a descrição dos fatos da responsabilidade ter sido veiculada apenas no termo de verificação que tratou da infração do ganho de capital. Cumpre destacar que a recorrente REFRIGERANTES DO NOROESTE S/A não faz nenhuma consideração quanto ao fato de ter sido atestada a intempestividade de sua impugnação com a consequente declaração de sua revelia no presente processo. Ainda, as empresas HEINEKEN INTERNATIONAL B.V. e HEINEKEN LATIN AMERICA LTDA alegam que estão em posição diferente em relação aos demais apontados como responsáveis tributários. Isso porque não tinham conhecimento de todos os atos que seriam praticados, nem do seu encadeamento, manifestaram sua insatisfação por não terem sido informadas dos atos que seriam praticados pela Neslip e, ainda, abstiveramse de votar na grande maioria das assembleias que deliberaram a aprovação da implementação das operações estruturadas. Das contrarrazões: Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional, em síntese, apresenta as seguintes assertivas: Ainda que não se admita que em momento algum foi ocultada a real pretensão de venda do investimento, isso não afasta a possibilidade de considerar os atos praticados como simulados, se observado que seus substratos não condizem com as finalidades dos institutos utilizados. Ao esclarecer que parte dos recursos investidos pela Molson na Kaiser Brasil, na realização do aumento de capital, foram mutuados à MXS para que esta os utilizasse no pagamento do preço de aquisição das ações vendidas pela Kaiser S/A, a própria recorrente declara que o dinheiro do ágio representava o pagamento da aquisição das ações. Isso comprova que o ágio investido nunca foi ágio, mas pagamento do preço de aquisição da participação societária da Kaiser S/A na Kaiser Brasil. A cronologia e a instantaneidade dos atos praticados comprovam a ausência de associação, entre a autuada e a Molson, representada pelo aumento de capital nos moldes efetuados. A decisão da Kaiser S/A de alienar sua participação na Kaiser Brasil para a Molson já havia sido anunciada. Está claro que os atos foram praticados com o exclusivo fim de livrar da tributação o real ganho de capital que a contribuinte viria a auferir com a venda do investimento. Quanto à parcela do preço da alienação paga com ações da Molson, o fato gerador ocorreu no momento que realizada a venda da participação societária. A pretensão da recorrente não condiz com o artigo 116 do CTN, segundo o qual, tratandose de situação jurídica, o fato gerador considerase ocorrido desde o momento que esteja definitivamente ocorrida. Fl. 3261DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.761 29 Quanto à alegação de decadência, havendo simulação, há que se atender à regra do artigo 173, I, do CTN. No que diz respeito às despesas glosadas, ainda que se considere que elas não foram contaminadas pela simulação, quando o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos mediante lançamento por homologação ou o faz em desconformidade com os ditames legais, não há atividade do contribuinte a homologar. Neste caso, resta à autoridade administrativa proceder o lançamento de ofício. Por isso, a decadência regese pelo artigo 173, I, do CTN. Cita doutrina e jurisprudência neste sentido. Ainda sobre essas despesas, não houve a efetiva comprovação da sua necessidade. O ônus da prova é do contribuinte. Mesmo os contratos verbais devem ser provados por atos materiais, sob pena de configurarem mera abstração. Quanto à multa qualificada, o contribuinte praticou diversos atos simulados com o fim de ludibriar o Fisco. Houve uma ação firme, consciente, abusiva e sistemática na busca do enriquecimento sem causa. A conduta foi dolosa visando reduzir o ganho de capital tributável. No que concerne à concomitância entre as multas isoladas aplicadas sobre o não pagamento das estimativas e as multas proporcionais, elas não decorrem da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo. O recorrente cometeu dois atos ilícitos e a lei dispõe uma pena para cada um deles. Sobre a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício, são elas plenamente cabíveis e condizentes com a legislação tributária vigente. No tocante à responsabilidade, no interesse comum, as pessoas são ligadas por circunstâncias fáticas externas formadoras de solidariedade, ou seja, há entre elas uma consciência de grupo, ainda que tácita. Essa ideia foi bem realçada pela decisão recorrida. Ao final, requer que seja negado provimento aos recursos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator A decisão do presente caso envolve o pleno conhecimento das operações efetuadas pela contribuinte. Isso porque essa compreensão é uma condição absolutamente necessária para se atestar o enquadramento dos fatos na ideias de planejamento tributário Fl. 3262DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.762 30 inoponível ao Fisco, bem como de simulação, fraude e decadência, com todas as consequências que elas deflagram sobre as infrações imputadas. E, como se viu, esses conceitos são centrais na argumentação empreendida por todas as partes interessadas no processo. Nada obstante, penso que uma questão ainda não ficou bem esclarecida. Com efeito, a fiscalização informou que, em 18/03/2002, a Molson pagou pelas ações subscritas no aumento de capital da Kaiser Brasil um valor equivalente a R$ 1.934.619.232,00 (R$ 140.569.706,00 pelo valor de face e R$ 1.794.047.072,00 a título de ágio). Outrossim, em 19/03/2002, um dia depois, a MXS pagou pelas participações societárias que a Kaiser S/A detinha em quatro empresas do grupo Kaiser, dentre as quais os 43,36% das ações da Kaiser Brasil, o equivalente a R$ 1.485.763.829,63 (sendo R$ 1.135.033.529,63 em dinheiro e R$ 350.730.300,00 em ações da Molson). Afora a referida parcela em ações da Molson, nem no Termo de Verificação nº 01 (fls. 311 a 330), nem nos demais documentos que juntou ao processo, a fiscalização trouxe maiores detalhes sobre como foram feitos os mencionados pagamentos. Por sua vez, já na impugnação, a contribuinte informou que parte dos recursos correspondentes ao aumento de capital foi utilizada no pagamento do preço de aquisição das ações da Kaiser Brasil. Por isso, a Kaiser Brasil passou a ter um ativo/crédito contra seus novos controladores decorrente daquele pagamento. Essa singela informação foi depois repetida no seu recurso. Nesse contexto, exsurgem algumas dúvidas. Qual seria o valor mutuado pela Kaiser Brasil à MXS? Os R$ 1.135.033.529,63 que foram logo no dia seguinte pagos em dinheiro à contribuinte ou uma pequena parcela sem muita significância quando comparada com os pagamentos envolvidos? Mas, se o mútuo não foi de valor significativo, de onde surgiram os recursos para a MXS fazer aquele pagamento em dinheiro se esta, segundo o histórico relatado, contava apenas com o capital inicial de R$ 500,00 que lhe foi aportado quando de sua constituição? Percebase, ainda, que o valor mutuado nunca foi pago porque a própria contribuinte, em seu recurso, explica que o crédito de Kaiser Brasil contra a MXS teria sido eliminado por configurar a confusão entre credor e devedor nas operações que redundaram na incorporação da Kaiser Pacatuba pela Kaiser Brasil. Pois bem. Qualquer que seja o valor mutuado, parece importante saber como aqueles pagamentos foram efetuados porque, considerando o reduzido intervalo de tempo de um dia, é possível que não tenha ocorrido, de fato, um pagamento da Molson para a Kaiser Brasil nem desta para a MXS. O dinheiro pode até ter chegado para a Kaiser S/A de alguma outra forma. Como já anunciado, tal esclarecimento me parece fundamental para o deslinde das questões vitais do processo. Diante disso, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem tome as seguintes providências: Fl. 3263DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.004164/200719 Resolução nº 1102000.300 S1C1T2 Fl. 2.763 31 1) Intime a sucessora da empresa autuada, a Neslip S/A, a apresentar cópias dos elementos que comprovem de forma inequívoca (extratos de lançamento contábeis, contas bancárias, documentos com especificação da fonte pagadora), com detalhamento por datas e valores, o recebimento de R$ 1.135.033.529,63 correspondentes à parcela, dita em dinheiro, sobre a operação de alienação das participações societárias que a Kaiser S/A detinha em quatro empresas do grupo Kaiser, dentre as quais os 43,36% das ações da Kaiser Brasil. 2) Intime a empresa Kaiser Brasil (ou sua eventual sucessora) a apresentar cópias dos elementos que comprovem de forma inequívoca (extratos de lançamento contábeis, contas bancárias, documentos com especificação da fonte pagadora/recebedora), com detalhamento por datas e valores: o recebimento de R$ 1.934.619.232,00 correspondentes ao aumento de capital efetuado por aquela empresa em 19/03/2002; o pagamento à empresa MXS do Brasil S/A correspondente ao valor mutuado para que esta última pudesse fazer a aquisição de suas ações detidas pela empresa Kaiser S/A. Devese promover ciência a todos os recorrentes acerca do relatório conclusivo e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que estas, querendo, se manifestem no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10680.000199/00-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3102-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A contribuinte aqui identificada requereu (fls. 01/09) junto à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG, a restituição de crédito referente a valores recolhidos a título de Finsocial, obtido mediante a ação judicial nº 92.00714390, já transitada em julgado (fl. 317). Posteriormente, a interessada que foi constituída pela fusão de três pessoas jurídicas diferentes, apresentou pedidos de compensação neste processo e em outros citados no Despacho Decisório nº 1.187 (fls. 316/319), a par de desistir da execução do título judicial (conforme fls. 259/262). A DRF Belo Horizonte reconheceu o direito creditório no montante de R$1.110.238,71 (na data de referência de 31/12/95) por intermédio do Despacho Decisório nº 1.187, de 20/12/2007, às fls. 259/262, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, conforme síntese à fl. 331. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 00 19 9/ 00 -3 7 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.000199/0037 Resolução nº 3201000.336 S3C2T1 Fl. 12 2 Irresignada com o deferimento parcial do seu pedido, do qual teve ciência em 24/01/2008 (fl. 336), a interessada apresenta em 25/02/2008, a manifestação de inconformidade às fls. 339/344, com os seguintes argumentos: Afirma não ser verdadeira a afirmativa constante do Despacho Decisório de ter usado em seus cálculos o sistema de capitalização composta de juros SELIC, contrariamente à legislação que prevê juros simples, não capitalizados, o que teria motivado, segundo a DRF, a diferença entre os valores calculados pela contribuinte e pelo programa CTSJ. Os cálculos efetuados pela requerente até 31.12.95 não contêm os juros Selic, pois o seu acréscimo ao direito creditório só se tornou possível a partir de 01.01.96. Prossegue afirmando que utilizou os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/ COSAR nº 8, de 27 de junho de 1997, o que pode ser facilmente verificado pela análise dos cálculos procedidos às fls. 03, 05 e 07. Argumenta, em seguida, que quando foi cientificada do Despacho Decisório algumas compensações já se encontravam homologadas tacitamente, conforme art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, como era o caso dos pedidos constantes dos processos nºs 10768.001401/0079, 10768.000653/0026 e 10768.000652/0063, os quais foram considerados declarações de compensação desde os seus protocolos. Ao final requer a reforma do Despacho Decisório na parte em que lhe foi desfavorável, reconhecendo o seu direito creditório e homologando as compensações efetuadas. Ao analisar a manifestação de inconformidade e os elementos constantes nos autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG concluiu por diligenciar junto à DRF Belo Horizonte, nos termos especificados na Resolução nº 951 de fls. 368/371, para que: 1. “a repartição proceda à confirmação dos pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação e, já havendo transcorrido o prazo legal de cinco anos a partir de sua apresentação, quando da ciência do Despacho Decisório, após reconhecer a homologação tácita da compensação declarada, deve se posicionar quanto à procedência e ao montante do crédito da contribuinte para com a União, em face inclusive da controvérsia anteriormente explicitada; homologados todos os pedidos de compensação, não deve mais o processo retornar a esta Delegacia de Julgamento; caso contrário, se for o caso, reabrir prazo à interessada para apresentar razões adicionais específicas de defesa, cientificandoa, inclusive, de eventuais documentos que vierem a ser anexados a este processo provenientes dos procedimentos acima referidos, efetuando demonstrativo em que se contemple, de maneira inequívoca, o novo quadro dos valores compensados e não compensados, e fazendo retornar o processo a esta DRJ, se necessário”. Em atendimento, a DRF Belo Horizonte emitiu o Termo de Verificação Fiscal de fls. 390/391, por intermédio do qual, a par de explicar devidamente as questões suscitadas pela interessada relativamente às diferenças de cálculo, esclarece que o crédito foi utilizado integralmente nas compensações que detalha e, quanto à homologação tácita, esta somente ocorre no caso de pedidos que se converteram em declaração de compensação, o que não é o caso dos débitos de terceiros objeto dos demais processos precitados. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.000199/0037 Resolução nº 3201000.336 S3C2T1 Fl. 13 3 Tomando ciência do resultado da diligência em 13/11/2008 (fl. 392), a interessada não se manifestou, conforme despacho de 19/01/2009, à fl. 399. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, bem como das normas legais e infralegais aplicáveis ao caso concreto, é de reconhecerse o pedido de restituição/compensação até o limite do montante creditório verificado. Inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não discute os apontamentos feitos no voto condutor da decisão recorrida quanto ao fato de ter equivocadamente calculado seus créditos mediante utilização de juros compostos, assim como pelo fato de ter considerado, também equivocadamente, o mês de ocorrência dos fatos geradores e não do pagamento como deveria. Apenas discute a homologação tácita dos pedidos de compensação negados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento por terem sido feitos com base em créditos de terceiros. Alega que, se não estiverem homologados, ainda assim estariam prescritos os débitos correspondentes. Por decisão majoritária, na qual este Relator foi vencido, o julgamento foi convertido em diligência. Designado para redigir o Voto Vencedor, o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Assim consignou no Voto o i. Conselheiro Redator. Como vemos do processo, um dos motivos para o indeferimento do pedido foi o fato de que não seria possível compensar créditos próprios com débitos de terceiros. (...) Ocorre que consta nos autos a informação de que teria ocorrido a fusão entre estas empresas. Assim, entendo que o feito deva retornar à autoridade preparadora para que este informe se as empresas ora envolvidas sofreram alguma alteração social entre elas, como a fusão. Em caso positivo, informar quando ocorreu o fato. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Rosa, Relator. O Processo precisa, mais uma vez, retornar à Unidade de Origem. É que, na decisão que converteu o julgamento em diligência, Resolução 3201 000.155, de 02 de julho de 2010, foi determinada a concessão do prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Compulsando os autos, não encontrei documentação que relate ciência ao interessado. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.000199/0037 Resolução nº 3201000.336 S3C2T1 Fl. 14 4 Aproveitando que o Processo precisa retornar, não vou me furtar de solicitar à Unidade, em particular ao Chefe DRF/BHE/Seort/EqrestPJ, AuditorFiscal Sebastião Ferreira da Silva, que, se possível, se manifeste a respeito do esclarecimentos prestado no Parecer Fiscal, no sentido de que "não se trata, no presente caso, de impossibilidade de se compensarem os débitos das empresas cessionárias [...] com o crédito da cedente, mas tão somente de insuficiência do crédito total reconhecido". De fato, fiquei em dúvida se algo estava me passando despercebido. Se os créditos em litígio não são de terceiros, acaba sendo irrelevante sua existência, pois o mérito do pedido não poderia ser examinado em face da homologação tácita do pleito. Após esse esclarecimento, procedase à ciência do contribuinte, com o prazo de trinta dias para manifestação, retornando, depois, a esse CARF. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2015.27 de janeiro de 2015 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 516DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003730/2010-33
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A interposição de pedido de desistência pela recorrente implica o não conhecimento do recurso voluntário interposto, em razão da perda de seu objeto.
Numero da decisão: 1803-002.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer o Recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK, CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A interposição de pedido de desistência pela recorrente implica o não conhecimento do recurso voluntário interposto, em razão da perda de seu objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer o Recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK, CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 37 30 /2 01 0- 33 Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa DANCAR VEÍCULOS LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 62 a 81), o lançamento tributário se deu em virtude de omissão de receita decorrente de prestação de serviços gerais e de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Inconformada com o lançamento fiscal, a recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 1225 a 1238). No entanto, não obstante os argumentos trazidos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. A decisão a quo (fls. 1242 a 1262) restou ementada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 SIMPLES. EXCLUSÃO DEFINITIVA ADMINISTRATIVA. A não apresentação de manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples, no prazo regulamentar, implica a exclusão definitiva administrativa do referido sistema, ficando a empresa sujeita às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Se a atividade preponderante desenvolvida pela contribuinte é a de prestação de serviços, correta a aplicação do percentual de 38,40% incidente sobre as receitas omitidas por conta de depósito bancário de origem não justificada. DEPÓSITO BANCÁRIO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Nos termos do § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, comprovada a origem dos depósitos bancários, os valores não computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos serão tributados de acordo Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.003730/201033 Acórdão n.º 1803002.566 S1TE03 Fl. 3 3 com as normas específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS USADOS. EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Na determinação da base de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda, devido pelas pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, a receita bruta das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados, será a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do citado veículo, com aplicação do percentual de 32% para o caso de lucro presumido e 38,40% para o lucro arbitrado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada da contribuinte de não registrar no livro Caixa a sua movimentação financeira e bancária, utilizandose de conta do sócio para movimentar recursos próprios, e de declarar à Receita Federal do Brasil apenas parte de sua receita, não deixa dúvida da intenção dolosa da contribuinte de ocultar o conhecimento por parte da Fazenda Pública dos fatos gerados dos tributos e contribuições e, com isso, eximirse do pagamento dos tributos, o que caracteriza evidente intuito de sonegação, implicando na qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Comprovado o abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, impõese a responsabilidade aos sóciosadministradores da pessoa jurídica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 24/05/2011, conforme AR de fl. 1275, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 1276 a 1281), o qual, em síntese, tem como argumentos recursais o que segue: a) preliminarmente, a nulidade por ausência de prova de que os valores pertenciam à recorrente e por ofensa à Súmula 29 do CARF; Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 b) requer a nulidade da intimação da decisão, por ter sido feita em nome do administrador de fato da recorrente, e não em seu próprio nome; c) sustenta a existência de erro na determinação da base de cálculo do IR, por ter sido aplicado percentual de lucratividade errado, dispensado à prestação de serviços, atividade diversa da exercida pela recorrente, que é a atividade mercantil de compra e venda; d) aduz que os recursos tributados tem origem em recebimento dos empréstimos tomados por terceiros, tendo sido comprovados pela recorrente, inclusive com a identificação dos respectivos tomadores; e) insurgese contra a aplicação da multa qualificada de 150%, já que inexiste o evidente intuito de fraude; e f) argumenta que não foram demonstrados de forma clara e com base em provas os motivos que ensejaram a responsabilização pessoal do Sr. André Luis Cintra Alves. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. Contudo, em 21/01/2014, o recorrente apresentou petição informando que realizou o pagamento do valor integral dos créditos tributários acompanhados nos autos, requerendo a desistência do recurso voluntário apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro Arthur José André Neto DO PEDIDO DE DESISTÊNCIA Devidamente intimado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário a este Conselho, requerendo a improcedência do auto de infração. Todavia, em 21/01/2014, a recorrente apresentou petição a este Conselho (fls. 1317 a 1319), requerendo a desistência total do recurso, por ter efetuado o pagamento à vista e integral dos créditos tributários com vencimento até 11/2008, nos moldes do art. 1º da Lei nº 11.941/09, e, em relação aos créditos com vencimento após esse período, por ter realizado o pagamento integral, sem aproveitamento de quaisquer benefícios legais. Para confirmar suas alegações, a recorrente juntou as guias de pagamento (fls. 1320 a 1370). Diante disso, devem ser aplicadas as disposições contidas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo (RICARF), que preceitua, em seu art. 78: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.003730/201033 Acórdão n.º 1803002.566 S1TE03 Fl. 4 5 § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, em razão de pedido de desistência apresentado pela recorrente nos autos. CONCLUSÃO Nesse contexto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso voluntário interposto, em razão da perda de seu objeto. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10830.912995/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. PROVA. VERDADE MATERIAL.
Demonstrado pelo contribuinte, por meio de planilhas amparadas em prova contábil - cópias do Balancete Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e Livro Razão -, o valor correto da base de cálculo e que antes houvera a inclusão indevida de receita financeira - não sujeita à incidência da contribuição -, deve ser reconhecida a existência de recolhimento em valor maior que o devido.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. PROVA. VERDADE MATERIAL. Demonstrado pelo contribuinte, por meio de planilhas amparadas em prova contábil - cópias do Balancete Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e Livro Razão -, o valor correto da base de cálculo e que antes houvera a inclusão indevida de receita financeira - não sujeita à incidência da contribuição -, deve ser reconhecida a existência de recolhimento em valor maior que o devido. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire.
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DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. PROVA. VERDADE MATERIAL. Demonstrado pelo contribuinte, por meio de planilhas amparadas em prova contábil cópias do Balancete Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e Livro Razão , o valor correto da base de cálculo e que antes houvera a inclusão indevida de receita financeira não sujeita à incidência da contribuição , deve ser reconhecida a existência de recolhimento em valor maior que o devido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 95 /2 00 9- 81 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase da continuação de julgamento que foi convertido em diligência por este Conselho, por meio da Resolução nº 3401000.667, de 19 de março de 2013 (fls. 95/98). Transcrevo abaixo o relatório da Resolução: Trata o presente processo de pedido de compensação referente à COFINS no valor de R$ 15.663,58,, relativo ao período de apuração jul/2003.. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório de não homologação da compensação, sob o seguinte fundamento: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: Não foi realizada a devida alteração e retificação da DCTF no momento em que foram recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, por um mero equivoco administrativo; A resolução do problema se dá com a simples retificação da DCTF alterando o valor do débito e excluindo o referido DARF como fonte de pagamento de débito. A 3a Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho eletrônico, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação da DCTF. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexou aos autos cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão no 20309.788 e a Solução de Consulta da 3a Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Por fim, a contribuinte requer que seja reformada integralmente a decisão proferida pela DRJ Campinas, a fim de que seja reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de Cofins e, conseqüentemente, que seja homologada a compensação por ela realizada. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.912995/200981 Acórdão n.º 3403003.561 S3C4T3 Fl. 131 3 O entendimento do Colegiado foi no sentido de converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: A diligência ora proposta surgiu com os esclarecimentos prestados no recurso voluntário, desta feita acompanhados de documentos (cópias dos Livros Diário e razão) que precisam ser analisados pela fiscalização. Quanto à circunstância de a DCTF ter sido retificada extemporaneamente, há de ser relevada se o resultado da diligência comprovar ter havido pagamento a maior, por terem sido computadas na base de cálculo receitas que somente seriam tributadas à luz do alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, cuja inconstitucionalidade, em caráter definitivo, é posterior ao fato gerador deste processo. Por sinal, a decisão de Superintendência da RFB confirmando a desnecessidade de retificação de DCTF, na hipótese que se afigura como a situação destes autos. Refirome à solução de Consulta da Disit da 3a RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO:Obrigações Acessórias EMENTA:COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP (DRF), realizou a diligência fiscal, resumindo sua conclusão na seguinte Informação Fiscal (fl. 100): Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Irresignado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, que baixou os autos em diligência objetivando verificar a base de cálculo adotada pela recorrente nos recolhimentos e a inclusão (ou não) de valores correspondentes a outras receitas, além daquelas que compõem o faturamento mencionado no art. 2º da Lei no 9.718/98. Desta forma, verificamos, com base na a escrita contábil apresentada – demonstrativo de resultado, balancete patrimonial e razão analítico, que na composição da base de cálculo do PIS de Jul/2002 a Recorrente adicionou receitas não abrangidas no conceito de faturamento o mensal, de acordo com o art. 2 da Lei nº 9.718/98. Considerando o acima disposto, na tabela abaixo discriminamos o montante total tributado, o valor das receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, o valor declarado em DCTF, o valor devido calculado sem o alargamento, o valor recolhido através de DARF ́s e o valor recolhido a maior: Intimado, o contribuinte manifestou que “com a diligência foi possível verificar que, como mencionado desde o início pela contribuinte, houve a inclusão de receitas não abrangidas no conceito de faturamento mensal na base de cálculo da Cofins recolhida (...), o que comprovou a exist6encia de crédito (...)” (fls. 107/108). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 08/10/2010 (fl. 50), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu em 10/09/2010 (fl. 49). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.912995/200981 Acórdão n.º 3403003.561 S3C4T3 Fl. 132 5 Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) que teve sua homologação negada por Despacho Decisório Eletrônico (DDE), ao fundamento de que o valor do DARF foi integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF. Na impugnação o contribuinte limitouse a explicar que promoveu a retificação da DCTF, para ajustar os valores com aqueles informados em DCOMP. A DRJ negou provimento à impugnação ao fundamento de que, depois de recusada a homologação da DCOMP, não basta a retificação da DCTF, sendo necessária a comprovação do indébito. Assim, na interposição do recurso voluntário o contribuinte apresentou planilha demonstrando a composição da base de cálculo da contribuição, acompanhada de documentos contábeis Balancete Patrimonial, Demonstrativo de Resultado e do Livro Razão. Este Conselho deliberou pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem confirmasse a demonstração, tomando como base a documentação contábil apresentada pelo contribuinte. A Delegacia conferiu a documentação contábil apresentada e confirmou a apuração da base de cálculo, tal como apresentada pelo contribuinte, do que restou confirmado o valor do indébito indicado pelo contribuinte na DCOMP. Resta a este Conselho, diante de tal contexto dos fatos, ratificar tudo quanto foi apurado pela DRF na diligência, reconhecendo ao contribuinte o direito de crédito e homologando a compensação. Voto, pois, pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003512/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/07/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO VERDADEIRA . AIOA CFL 38.
Constitui infração às disposições inscritas nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir no prazo assinalado, qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO FISCAL. GUARDA DE DOCUMENTOS.
A empresa tem, por obrigação legal, que proceder à escrituração fiscal, em títulos próprios de sua contabilidade, de todos os lançamentos representativos de fatos geradores das contribuições previdenciárias, no prazo máximo de 90 dias contados das suas ocorrências, devendo tais documentos fiscais ser arquivados na empresa, mantidos sob sua guarda, à disposição da Fiscalização para verificação imediata.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NATUREZA OBJETIVA.
A caracterização de infração à legislação tributária ostenta natureza objetiva, de maneira que, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.
Revela-se irrelevante na caracterização da infração, ou na imposição da penalidade correspondente, a perquirição da existência ou não de prejuízo à ação fiscal, tampouco a existência de débitos relativos à obrigação principal associada, muito menos a intenção psicológica do infrator ao ultrajar a obrigação ferida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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OMISSÃO DE INFORMAÇÃO VERDADEIRA . AIOA CFL 38. Constitui infração às disposições inscritas nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir no prazo assinalado, qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se porventura houver. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO FISCAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 35 12 /2 00 9- 46 Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A empresa tem, por obrigação legal, que proceder à escrituração fiscal, em títulos próprios de sua contabilidade, de todos os lançamentos representativos de fatos geradores das contribuições previdenciárias, no prazo máximo de 90 dias contados das suas ocorrências, devendo tais documentos fiscais ser arquivados na empresa, mantidos sob sua guarda, à disposição da Fiscalização para verificação imediata. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NATUREZA OBJETIVA. A caracterização de infração à legislação tributária ostenta natureza objetiva, de maneira que, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Revelase irrelevante na caracterização da infração, ou na imposição da penalidade correspondente, a perquirição da existência ou não de prejuízo à ação fiscal, tampouco a existência de débitos relativos à obrigação principal associada, muito menos a intenção psicológica do infrator ao ultrajar a obrigação ferida. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003512/200946 Acórdão n.º 2302003.719 S2C3T2 Fl. 1.552 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 28/07/2009. Data da Ciência do Auto de Infração: 04/08/2009. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento tributário aviado no Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº 37.194.4350, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado documento ou livro fiscal que não atendia as formalidades legais exigidas, por conter informação diversa da realidade, omitindo informação verdadeira, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 07/103. CFL 38 Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, ‘j’, e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal, a Empresa Autuada criou uma empresa fictícia, a Empresa Torneados de Madeira Zellmer, doravante Zellmer, optante do Simples Nacional, existente tão somente no plano formal para abrigar os registros trabalhistas dos operários utilizados no desenvolvimento da atividade econômica típica da Autuada, deixando assim de lançar em seus Livros Contábeis Livros Diários/Razão – os fatos geradores de Contribuições Previdenciárias de sua responsabilidade tributária. Esclarece a fiscalização que, em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, na empresa Torneados de Madeira Zellmer Ltda, CNPJ 02.714.371/0001 60, ficou constatado que a segunda não dispunha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto social, e que todos os recursos eram provenientes da empresa Wood Work do Brasil Ltda. Assim, para fins de levantamento de contribuições e aplicação de autuações relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, na autuada, Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a empresa Zellmer foi considerada "inexistente de fato", nos autos do processo de representação fiscal n° 10920.002358/200995, já ornado com decisão definitiva sacramentando a declaração de inaptidão da empresa Torneados de Madeira Zellmer Ltda. Assim, a Autuada, ao não assumir direta e formalmente os Segurados a ela materialmente vinculados, porém registrados, de maneira Simulada, na Empresa ZELLMER, a Autuada deixou de registrar em sua Contabilidade todos os fatos geradores relativos a tais trabalhadores. Como consequência, além de não lançar em seus livros contábeis os fatos geradores associados à Folha de Pagamento dos trabalhadores registrados, de maneira simulada, na Empresa ZELLMER, deixouse de lançar, também, na Contabilidade da Empresa WOOD WORK os fatos geradores decorrentes das respectivas Rescisões de Contrato de Trabalho, Recibos de Férias, Recibos de Pagamento de Salários, etc. A obrigação principal relativa aos fatos geradores acima indicados, imputados materialmente à Empresa WOOD WORK, com fundamento no princípio da primazia da realidade, em razão de a empresa Zellmer, optante do Simples Nacional, ser considerada como Empresa Inexistente de Fato, foram apuradas mediante o Auto de Infração nº 37.194.4333, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10920.003508/200988, lavrado na mesma ação fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1503/1511. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão nº 0229.463 7ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 1516/1524, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1526. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 1527/1535, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: · Decadência quinquenal; · Que os débitos foram saldados e parcelados; · Que a empresa Zellmer não pode ser desconsiderada de fato; · Que não houve simulação entre Zellmer e a Wood Work; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003512/200946 Acórdão n.º 2302003.719 S2C3T2 Fl. 1.553 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/12/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19/01/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido no parágrafo anterior, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003512/200946 Acórdão n.º 2302003.719 S2C3T2 Fl. 1.554 7 permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em sua escalação titular, sujeitamse sempre ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários de penalidade pecuniária decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que o crédito tributário dele consequente é sempre oriundo de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de apurar a ocorrência de eventual infração a dispositivos da Lei Previdenciária de Custeio e, em consequência, proceder à lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Cumpre ressaltar que a eventual extinção da obrigação tributária principal, por qualquer de suas modalidades, seja mediante pagamento, seja em razão Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 de homologação tácita do crédito tributário, não irradia efeitos sobre as obrigações tributárias acessórias, as quais ainda subsistem de observância obrigatória pelo Sujeito Passivo até que sobrevenha a decadência. Anotese que o regime do lançamento por homologação, conforme expressamente consignado no caput do art. 150 do CTN, somente ocorre quanto aos tributos (obrigação tributária principal) cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, jamais quanto às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária acessória, estas, sempre formalizadas mediante lançamento de ofício. Nessa perspectiva, diante do tratamento diferenciado relativo ao lançamento de obrigação principal, há que se reconhecer a existência de discrimen na apreciação da decadência em relação a cada espécie de lançamento. Assim, uma coisa é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, em razão de os correspondentes fatos geradores terem ocorrido em período já alcançado pela decadência. Outra coisa distinta é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Nessa perspectiva, a análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício mediante a lavratura do competente auto de Infração sempre que a fiscalização constatar o descumprimento de obrigação tributária acessória. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado no Auto de Infração em debate em 04/08/2009, os efeitos o lançamento em questão alcançariam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2003, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN. Nessa prumada, sendo de 01/01/2004 a 31/12/2007 o período de apuração do crédito tributário, concluise que todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento ocorreram em competências ainda não vitimadas pelo instituto da decadência tributária. Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003512/200946 Acórdão n.º 2302003.719 S2C3T2 Fl. 1.555 9 Por derradeiro, mas não menos importante, anotese que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração, conforme relatado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, é único e indivisível, isto é, independe do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CONDUTA INFRACIONAL Conforme já salientado no relatório do presente Acórdão, os fatos geradores ora em debate foram imputados materialmente à Empresa WOOD WORK, com fundamento no princípio da primazia da realidade, em razão de a empresa Zellmer, optante do Simples Nacional, ser considerada como Empresa Inexistente de Fato, nos autos do processo de representação fiscal n° 10920.002358/200995, já ornado com decisão definitiva sacramentando a declaração de inaptidão da empresa Torneados de Madeira Zellmer Ltda. “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Assim, havendo decisão definitiva no Processo Administrativo Fiscal em que se debate a simulação e a inexistência de fato da empresa Zellmer, esta irradia efeitos jurídicos aos demais lançamentos dela dependentes. Por tal razão, a obrigação principal relativa aos fatos geradores acima indicados, imputados materialmente à Empresa WOOD WORK, foram apuradas mediante o Auto de Infração 37.194.4333, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10920.003508/200988, lavrado na mesma ação fiscal, o qual foi julgado procedente pela DRJ/BHE. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Da decisão de 1ª Instância acima citada, a Autuado interpôs Recurso Voluntário. Todavia, em 17 de dezembro de 2013, a Autuada atravessou petição nos autos do citado PAF nº 10920.003508/200988, requerendo, expressamente, a desistência do Recurso Administrativo interposto, declarando, ainda, a renúncia expressa a quaisquer alegações de Direito sobre as quais se fundamentava o referido Recurso. Diante de tal quadro, temse por definitiva a decisão promanada da DRJ/BHE referente ao Auto de Infração nº 37.194.4333, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10920.003508/200988, de onde dessai que os fatos geradores de Contribuições Previdenciárias formalmente atribuídos à empresa Zellmer, na realidade dos fatos, houveramse por ocorridos na orbita de responsabilidade tributária da Wood Work do Brasil ltda. Dessarte, diante da flagrante relação de prejudicialidade entre as demandas objeto dos PAF nº 10920.002358/200995 e 10920.003508/200988 e a do vertente processo, as decisões definitivas proferidas naqueles gera consequências neste, dada a prejudicialidade, motivo pelo qual não serão apreciadas as alegações acerca da inexistência de fato da empresa Zellmer e da simulação entre esta empresa e a Autuada. Nesse contexto, tais fatos geradores teriam que ter sido, NECESSARIAMENTE, lançados em títulos próprios da contabilidade da Wood Work do Brasil ltda., como assim determina expressamente o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Porém, não o foram. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 92 do mesmo Pergaminho Legal em foco aviou norma sancionatória prevendo a punição do obrigado em caso de infração de qualquer dispositivo dessa Lei, sujeitando o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme disposição analítica assentada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Parágrafo único. O reajuste dos valores dos salários decontribuição em decorrência da alteração do salário mínimo será descontado quando da aplicação Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003512/200946 Acórdão n.º 2302003.719 S2C3T2 Fl. 1.556 11 dos índices a que se refere o caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, a alínea ‘j’ do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesse Regulamento ou apresentá los sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Cumprindo o mandamento inscrito no art. 102 da Lei nº 8.212/91, em 12 de março de 2008, foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF n° 48/2009 (DOU de 13/02/2009), que fixou em R$ Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 13.291,66 o valor mínimo da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação acessória violada, a conduta omissiva que profanou a obrigação tributária em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao autuado. Não vislumbramos, pois, qualquer vício na formalização do presente Auto de Infração a amparar a alegação de que a autuação seja indevida. 3.2. DA AUTONOMIA DO AIOA. O Recorrente alega que os débitos foram saldados e parcelados; O art. 195, I, da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. De outro canto, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003512/200946 Acórdão n.º 2302003.719 S2C3T2 Fl. 1.557 13 União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003512/200946 Acórdão n.º 2302003.719 S2C3T2 Fl. 1.558 15 montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Dessai das letras no art. 113, §3º, do CTN que a caracterização de infração à legislação tributária ostenta natureza objetiva, de maneira que, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A concepção objetiva da infração à obrigação tributária acessória encontrase plasmada, igualmente, no art. 136 do CTN, que dispensa a investigação do dolo ou da culpa do agente, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato infracional. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, revelase irrelevante na caracterização da infração, ou na imposição da penalidade correspondente, a perquirição da existência ou não de prejuízo à ação fiscal, tampouco a existência de débitos relativos à obrigação principal associada, muito menos a intenção psicológica do infrator ao ultrajar a obrigação ferida. Não se deslembre que a atividade administrativa dos agentes do Fisco é plenamente vinculada e agrilhoada aos mandamentos da lei, consoante determinação assentada no art. 142 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Nessa vertente, constatada o descumprimento objetivo de obrigação acessória, deve a Fiscalização, por dever de ofício, lavrar o competente auto de infração constituído, assim, o crédito tributário decorrente, em atenção ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 142 do CTN. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) No presente caso, a Fiscalização constatou que os livros fiscais da Autuada continham omissão de Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária, na medida em que não registrava os fatos jurígenos tributários relativos aos seus segurados empregados, nos termos do art. 12, I, da Lei nº 8.212/91, cujos respectivos contratos de trabalho encontravamse formalmente registrados em interposta pessoa, optante do Simples Nacional, e inexistente de fato. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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